MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO [Escolher a data] MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO ÍNDICE INTRODUÇÃO ................................................................................................ 3 1. VÃOS ......................................................................................................... 4 1.1. JANELAS E CAIXILHARIAS ......................................................................... 5 1.2. PORTAS .................................................................................................. 6 1.3. MOLDURAS DE VÃOS .............................................................................. 8 1.4. OBSCURECIMENTO DE VÃOS .................................................................. 10 1.5. PORTÕES ............................................................................................... 11 2. ELEMENTOS EM FERRO ............................................................................ 13 2.1. GUARDA-CORPOS .................................................................................. 13 2.1.1. PINHAS DECORATIVAS E CORRIMÃOS .................................................. 13 2.2. FERRAGENS – BATENTES, FECHADURAS, PUXADORES E CAMPAINHAS .... 14 3. COBERTURAS ........................................................................................... 16 3.1. TELHAS .................................................................................................. 16 3.2. REMATES DE COBERTURAS .................................................................... 17 3.2.1. PLATIBANDAS ..................................................................................... 21 3.2.2. BEIRADOS ........................................................................................... 22 3.3. TRAPEIRAS............................................................................................. 24 3.3.1. LAMBREQUINS........................................... Erro! Marcador não definido. 3.4. CALEIRAS E TUBOS DE QUEDA ................................................................ 29 3.5. CHAMINÉS ............................................................................................. 31 4. ELEMENTOS NA FACHADA........................................................................ 32 4.1. GÁRGULAS............................................................................................. 32 4.2. EMBASAMENTOS ................................................................................... 33 4.3. FRADES.................................................................................................. 34 4.4. CAIXAS DE CORREIO ............................................................................... 35 4.5. NÚMEROS DE POLÍCIA ........................................................................... 36 4.6. CAIXAS TÉCNICAS DE ELETRICIDADE, GÁS E ÁGUA................................... 37 4.7. APARELHOS DE AR CONDICIONADO ....................................................... 38 4.8. CABOS ELÉTRICOS E TELEFONE ............................................................... 39 GLOSSÁRIO .................................................................................................. 40 BIBLIOGRAFIA .............................................................................................. 41 CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA 1 MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO 2 CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO INTRODUÇÃO INTRODUÇÃO O objetivo do presente «guia» é disponibilizar aos proprietários, construtores ou outros intervenientes nos processos de reabilitação dos edifícios do centro histórico de Leiria, os conhecimentos mínimos para a intervenção nos edifícios antigos, evitando erros que, embora possam parecer de pormenor, são muitas vezes responsáveis pela adulteração dos edifícios e pela sua desvalorização cultural e histórica. A elaboração do manual teve por base o levantamento de elementos construtivos e arquitetónicos característicos de edifícios antigos no centro histórico de Leiria, representados em ilustrações e fotografias, tendo sido agrupados em quatro áreas: Vãos, elementos em ferro, coberturas e elementos nas fachadas. Durante a leitura deste manual encontrar-se-ão vários exemplos de boas e más práticas de reabilitação, acompanhados de descrições e simbologias que simplificam a leitura, sendo estas: - Mau exemplo, má solução. - Bom exemplo, boa solução. CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA 3 MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO ÃOS 1. VÃOS Nos edifícios do centro histórico de Leiria, como na generalidade dos edifícios antigos, a caixilharia original é em madeira, de diferentes tipos, desenhos e cores, colocada à face exterior das paredes. •Janela à face pelo exterior da parede • Portada interior Alçado Corte Corte Planta Alçado Interior Planta Exterior Pormenor em corte, de janela com portada. 4 CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA Corte MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO 1.1. JANELAS E CAIXILHARIAS JANELAS E CAIXILHARIAS Caixilharia em alumínio, afastamento da janela em relação à face exterior da parede, janela de correr. Caixilharia tradicional em madeira com aros pintados de cores diferentes, colocados à face exterior da parede. CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA 5 MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO P 1.2. PORTAS ORTAS Portas em alumínio lacado, anodizado à cor natural, com gradeamento exterior e porta em PVC. Substituição de porta original em madeira por porta envidraçada em alumínio à cor natural (elemento dissonante). Portas tradicionais em madeira. 6 CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO Orientações a ter em conta: • Nas recuperações mantenha as portas e caixilharias existentes, de madeira pintada. Em caso de substituição, utilize madeira e mantenha o desenho original. • Nas renovações recupere o tipo e o desenho das portas e janelas existentes; de preferência pinte as caixilharias de branco e os aros fixos nas cores tradicionais. • Não coloque janelas ou portas de correr. • Não substitua as portas ou janelas por outras de alumínio à cor natural e de desenho incorreto. • Não utilize vidro espelhado. • Nas portas e janelas não é permitido o uso de madeira envernizada, de alumínio anodizado à cor natural, preto ou bronze. Deverão ser mantidos os tipos de caixilhos, bem como de portadas e postigos interiores. Não se admitem janelas de correr, bem como portadas exteriores, estores e gradeamentos a não ser os tradicionais. CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA 7 MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO MOLDURAS DE VÃOS DE VÃOS 1.3. MOLDURAS Molduras em pedra pintadas ou revestidas com massa e utilização de forras em pedra. Exemplos de cantarias em pedra maciça. 8 CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO Orientações a ter em conta: • Não sendo possível recuperar as cantarias, deverá substituí-las por outras em calcário semi-rijo ou pedra lioz, conforme as originais, mantendo as dimensões e o desenho. • As cantarias em pedra calcária, à exceção das cantarias em lioz, deverão ser amaciadas e não bujardadas ou polidas. • Não utilize pedras de composição diferente das originais como calcário ataíja, granito, mármore ou outros. • Não substitua as cantarias originais por forras, utilize pedras maciças. • Não revista ou pinte as cantarias. • Mantenha as molduras originais em madeira, tratadas e pintadas com a cor original. Em caso de estarem danificadas, não as substitua por molduras em pedra ou massa. • Molduras em massa deverão ser pintadas a cor branca ou cor de pedra. • Não altere o desenho e proporções das molduras dos vãos. • Mantenha as molduras originais, sempre que possível, mesmo que apresentem algumas imperfeições, devidas ao desgaste provocado pelo tempo. CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA 9 MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO 1.4. OBSCURECIMENTO DE VÃOS OBSCURICIMENTO DE VÃOS Estores exteriores. Portadas exteriores. Orientações a ter em conta: • Nas recuperações mantenha as portadas interiores. • Não utilize estores exteriores, nem portadas exteriores. 10 CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO 1.5. PORTÕES PORTÕES Nos edifícios do centro histórico de Leiria, o uso de portões não era prática corrente, dado os lotes serem, na sua maior parte, exíguos. Os portões eram colocados, geralmente, em edifícios de maiores dimensões e importância, para acesso das viaturas de tração animal. Atualmente, há necessidade de adaptar esses portões a garagens. Portões de enrolar ou seccionados. Portões de desenho tradicional, em ferro ou madeira. Orientações a ter em conta: • Preserve os portões, mantendo o material, configuração, desenho, número de folhas e cor original. • Não opte por portões de enrolar ou seccionados. CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA 11 MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO 2. ELEMENTOS EM FERRO 2.1. GUARDA-CORPOS São elementos funcionais e decorativos que contribuem para a definição da imagem e individualidade dos edifícios. A sua beleza pode resultar da sua simplicidade, como é exemplo o gradeamento de uma sacada característica do século XVII, ou pode resultar de um desenho mais elaborado, como acontece com as guardas em ferro forjado características do século XIX. Guarda-corpos em ferro forjado, com padrões repetitivos. Guarda-corpos em ferro fundido. 12 CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO PINHAS DECORATIVAS E CORRIMÃOS 2.11. PINHAS DECORATIVAS E CORRIMÃOS Os guarda-corpos, quando degradados, tendem a perder os elementos mais frágeis, como as peças em madeira que os rematam superiormente, ou as pinhas em vidro ou ferro, colocadas nos cantos. Ao recuperar os guarda-corpos deve procurar repor-se esses elementos. As pinhas decorativas podem ser em vidro, madeira ou em ferro fundido e encontram-se geralmente nos cantos dos guarda-corpos. Orientações a ter em conta: • Preserve as guardas em ferro, não as adultere. • Pinte as guardas de acordo com a cor original. • Quando reabilitar, coloque a peça de remate superior em madeira e as pinhas decorativas. CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA 13 MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO 2.2. FERRAGENS – BATENTES, FECHADURAS, PUXADORES E CAMPAINHAS ERRAGENS - BATENTES/ FECHADURAS/PUXADORES/CAMPAINHAS As fachadas dos edifícios antigos são caracterizadas pela existência de alguns elementos, como as ferragens de portas e janelas, batentes, puxadores, entre outros, que tendem a desaparecer quando os edifícios são reabilitados. A substituição por outros elementos mais banais (como por exemplo os espelhos de fechaduras) ou o seu desaparecimento (como é exemplo a retirada dos batentes) contribuem para a descaracterização dos edifícios. Exemplos de ferragens em ferro fundido utilizadas no centro histórico de Leiria. 14 CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO Exemplos de campainhas e intercomunicadores. Orientações a ter em conta: • Utilizar ou reutilizar sempre que possível os batentes tradicionais como forma de individualizar as diferentes entradas de habitações. • Não utilizar botões de PVC de qualidade medíocre para as campainhas que descaraterizam as fachadas. • Caso seja necessário introduzir campainhas elétricas deverão ser escolhidos modelos em materiais nobres, como o inox, de desenho simples e cuidado. CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA 15 MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO 3. COBERTURAS COBERTURAS No centro histórico de Leiria, grande parte das coberturas dos edifícios é constituída por telha cerâmica, os telhados apresentam-se com beirados, geralmente duplos, ou resguardados por platibandas. 3.1. TELHAS TELHAS A maior parte das coberturas dos edifícios anteriores ao séc. XX é em telha de canudo, de dimensões e coloração irregular, resultado do modo de produção artesanal. A partir do início do séc. XX, surgem outro tipo de telhas, como a marselha, de inspiração francesa, e posteriormente a telha lusa, com base no desenho da telha de canudo. Nos edifícios mais relevantes, a telha do beirado é vidrada. 16 CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO Telha de Canudo Telha de canudo vidrada-verde Telha Lusa Telha Marselha Orientações a ter em conta: • Nas coberturas deve ser mantido o tipo de telha original. • Nunca deverá ser trocada telha de canudo por telha marselha, ou vice-versa. 3.2. REMATES DE COBERTURAS REMATES DE COBERTURAS Nas coberturas tradicionais existem vários tipos de remates: • Beirado simples • Cimalha/Cornija • Duplo-beirado • Platibanda • Triplo-beirado CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA 17 MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO Pormenor de um beirado simples Pormenor de um beirado duplo Pormenor de um beirado triplo 18 CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO Pormenor de um beirado com sub-beira Pormenor de um beirado com sub-beira duplo CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA 19 MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO Pormenor com cimalha Pormenor com cimalha e caleira Pormenor de platibanda com caleira 20 CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO 3.2.1. PLATIBANDAS PLATIBANDAS Platibandas Orientações a ter em conta: • Mantenha o desenho, o material e a cor originais. • Não substitua os elementos em pedra por alvenaria rebocada ou forras de pedra. • Não pinte ou recubra os elementos em cantaria. • Não introduza platibandas em coberturas com beirados. CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA 21 MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO BEIRADOS 3.2.2. BEIRADOS Beirado em telha Marselha e cimalha ornamental. Beirados em telha Lusa e cimalha simples. Beirados em telha de canudo vidrada, onde foi reduzida a projeção original. Beirado em telha Marselha e cimalha ornamental. 22 Beirado com telha Lusa. CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO Beirado em telha canudo vidrada. Beirado duplo. Beirado simples com telha de canudo vidrada. Beirado com sub-beira simples. Beirado triplo. Beirado duplo. Beirado com sub-beira dupla. Orientações a ter em conta: • Mantenha os beirados duplos ou triplos. • Mantenha os beirados em telha vidrada e não pinte as telhas. • Caso as telhas vidradas estejam degradadas, substitua-as por outras do mesmo tipo e cor. • Nos edifícios com beirados não introduza cimalhas ou platibandas. CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA 23 MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO TRAPEIRAS 3.2. TRAPEIRAS Em muitos dos telhados antigos existem janelas que se designam por trapeiras, que podem ser de vários tipos. Relativamente ao tipo de cobertura apresentam-se: • Trapeiras com cobertura em telha de canudo. • Trapeiras com cobertura em telha Marselha com ou sem lambrequins. • Trapeiras com frontão e cimalha. Quanto às paredes, as trapeiras podem apresentar: • Parede de alvenaria rebocada e pintada. • Parede revestida em lousa, formando escamas. • Parede revestida em telha de canudo. • Parede revestida em chapa ondulada, pintada. • Parede revestida em chapa zincada. Alçado de frente de uma trapeira 24 CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO • Exemplo de trapeira com a parede rebocada e pintada • Exemplo de trapeira com revestimento a lousa CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA 25 MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO • Exemplo de trapeira com revestimento em chapa ondulada pintada • Exemplo de trapeira com revestimento em telha de canudo 26 CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO Orientações a ter em conta: • Mantenha a inserção correta da trapeira na cobertura. • Mantenha a forma da trapeira, o tipo de telha, os revestimentos e as caixilharias originais. CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA 27 MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO 3.2.1. LAMBREQUINS Lambrequins são elementos decorativos em recortes rendilhados de madeira ou zinco, colocados nas coberturas das construções antigas. No caso do centro histórico de Leiria, os lambrequins surgem em trapeiras e, em alguns casos, no beirado do edifício. É muito importante que preserve estes elementos. se Alguns exemplos de trapeiras com lambrequins. 28 CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO 3.3. CALEIRAS E TUBOS DE QUEDA C Nos edifícios do centro histórico, o escoamento das águas pluviais proveniente ALEIRAS e TUOSé DE QUEDA dos telhados feito, em grande parte, através de caleiras com a forma de meiacana, em chapa de zinco pintada, apoiada em suporte em ferro, em forma de esquadro. Os tubos de queda são em zinco, de secção circular, aprumados e adossados à parede e embutidos ao nível do piso térreo, de modo a ficarem protegidos. Quando os algerozes não estão à vista, a ligação destes com o tubo de queda é por vezes feita através funis ou gárgulas (pedra trabalhada com formas reais ou grotescas). Exemplo de caleira em meia cana com tubo de queda de secção circular com suportes em ferro. CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA 29 MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO Caleira nervurada / Tubo de queda seção retangular / Caleira e tubo de queda em cores diferentes. Caleiras em meia-cana com tubo de queda de seção circular. Orientações a ter em conta: • Não coloque caleiras em chapa nervurada e tubos de queda de secção retangular. • Opte por caleiras em meia-cana e tubo de queda de seção circular em zinco ou chapa zincada, pintados nas cores tradicionais. 30 CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO 3.4. CHAMINÉS As chaminés apresentam várias formas, com remates simples ou mais MINÉS trabalhados, conforme as épocas e o tipo de arquitetura, contribuindo para a individualidade dos edifícios. É importante que sejam preservadas, mesmo quando há necessidade de reconstruir as coberturas. Chaminés que descaraterizam os edifícios. Chaminés tradicionais. Orientações a ter em conta: • Consolide e preserve a chaminé existente. • Não sendo possível a sua recuperação, reproduza a forma, a dimensão da chaminé e os respetivos remates. • Não utilize chaminés pré-compradas. • Não opte por chaminés com o topo plano. CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA 31 MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO 4 - ELEMENTOS NA FACHADA 4.1. GÁRGULAS ELEMENTOS NA FACHADA As gárgulas são elementos em pedra trabalhada com formas reais ou grotescas, colocadas na parte superior das fachadas, que servem para escoar as águas pluviais da cobertura. GÁRGULAS Gárgula desativadas com sobreposição de novos elementos para escoamento das águas pluviais. Gárgulas com tubo de queda. Orientações a ter em conta: • Preserve as gárgulas e, se possível, mantenha a função de escoamento das águas. • Adapte o tubo de queda de secção circular na base da gárgula, evitando a colocação de funis ou outros elementos para escoamento de águas pluviais, que prejudiquem a sua imagem. 32 CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO EMBASAMENTOS 4.2. EMBASAMENTOS Os edifícios no centro histórico apresentam, na sua maioria um tratamento diferenciado do embasamento, quer através da utilização de reboco texturado, pintado em tons escuros, quer pela sua constituição em pedra, geralmente lioz. O embasamento pode ser ligeiramente saliente da parede. A sua altura varia entre 40 a 80 cm, mas pode, em casos mais raros, corresponder a uma maior altura, geralmente acompanhando os pisos em semi-cave. Embasamentos com acabamentos não tradicionais (tinta plástica texturada, ou recortados para introdução de montras. Socos pintados, com saliência de cerca de 2 cm, ou revestidos a pedra calcária ou lioz. Orientações a ter em conta: • Mantenha os embasamentos em pedra. • Mantenha os embasamentos pintados nas cores originais, usualmente cinzento-escuro ou cor de óxido de ferro (vermelho escuro). • Em caso de pintura, não utilize tintas plásticas e/ou texturadas. • Não recorte os embasamentos para a introdução de montras. CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA 33 MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO 4.3. FRADES FRADES Frades são marcos de pedra de forma cilíndrica, com o topo arredondado, que delimitam os lotes no centro histórico. São a memória urbanística da morfologia da cidade medieval. Para além de terem a função delimitadora do espaço, também servem para proteger as esquinas dos edifícios. Exemplos de frades no centro histórico. Orientações a ter em conta: • Não arranque ou danifique os frades. • Caso seja necessário removê-los, por motivo de obras, os frades deverão ser repostos. • Não deve retocar os marcos com cimento. 34 CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO CAIXAS DE CORREIO 4.4. CAIXAS DE CORREIO Em edifícios antigos, a entrega da correspondência era efetuada através de ranhuras colocadas nas portas de entrada dos fogos, que geralmente tinham acoplado, pelo seu interior, uma caixa. Quando reabilitados, em grande parte dos casos, os edifícios passam a ter um acesso único para vários fogos, o que implica a colocação de caixas de correio nas paredes. A colocação dessas caixas é feita, muitas vezes, sem cuidado de integração, aparecendo, no mesmo edifício, caixas de vários modelos e cores que contribuem para a descaraterização da fachada. Orientações a ter em conta: • Não fixe caixas de correio nas paredes dos edifícios. • As caixas do correio devem ser embutidas na parede ou colocadas no interior das portas, com acesso através de ranhuras feitas pelo seu exterior. CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA 35 MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO 4.5. NÚMEROS DE POLÍCIA NÚMEROS DE POLÍCIA Os números de polícia são habitualmente colocados por cima da porta, ao centro do lintel. Nos edifícios antigos, os números de polícia são habitualmente desenhados a branco em chapa esmaltada de cor azul-cobalto, com uma fina moldura a branco. Nas intervenções mais recentes, os números de polícia são, por vezes, executados em materiais e com desenhos desadequados, como é o caso dos azulejos ou da utilização de peças normalizadas em chapa. Não utilizar tipos de números de desenho normalizado. Orientações a ter em conta: • Na reabilitação dos edifícios preserve, caso seja possível, as chapas esmaltadas com a identificação do número de polícia. • Caso haja alteração do número de polícia pode optar, em alternativa à chapa esmaltada, por números recortados em aço inox ou ferro pintado. 36 CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO 4.6. CAIXAS TÉCNICAS DE ELETRICIDADE, GÁS E ÁGUA CAIXAS TÉCNICAS DE ELETRICIDADE, GÁS E ÁGUA Atualmente, há necessidade de introduzir elementos nos edifícios antigos que lhes são estranhos, mas imprescindíveis, pelo que devem ser integrados e compatibilizados com os restantes elementos das fachadas. É o caso das caixas técnicas das infraestruturas, cujo modelo, distinto conforme a entidade, obedece a regras específicas para o seu dimensionamento e colocação. Estas caixas são habitualmente fechadas por portinholas em PVC, de cores neutras, mas diferenciadas de entidade para entidade. Quanto maior o número de fogos, mais elementos são colocados nas fachadas, desvirtuando a imagem do edifício. Caixas técnicas à vista. Caixas técnicas (eletricidade, gás e água) embutidas na parede e camufladas. CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA 37 MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO Orientações a ter em conta: • Procure embutir as caixas das infraestruturas nas paredes ou socos, colocando uma portinhola à face da parede e pintada à cor desta. • As portinholas poderão ser em chapa metálica, pintada à cor da parede ou do embasamento e não devem ter elementos à vista, como dobradiças ou puxadores. • Caso sejam colocadas em paredes ou embasamentos em pedra à vista, devem ser revestidas com o mesmo material. 4.7 - APARELHOS DE AR CONDICIONADO APARELHOS DE AR CONDICIONADO A instalação de aparelhos de ar condicionado exige um cuidado especial, visto que a sua exposição descaracteriza a imagem do edifício. Aparelhos de ar condicionado à vista. Aparelhos de ar condicionado ocultos. 38 CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO Orientações a ter em conta: • A instalação de aparelhos de ar condicionado deve ser feita nas partes não visíveis dos edifícios. • Caso não seja possível colocar os ares condicionados em locais não visíveis a partir do espaço público, estes devem ser ocultos na parede, ou inseridos num vão com grelhagem discreta. CABOS ELÉTRICOS E TELEFONE 4.8. CABOS ELÉTRICOS E TELEFONE Os cabos elétricos e de telefones são elementos dissonantes que descaracterizam os edifícios no centro histórico. É muito importante ocultar a cablagem por forma a limpar o alçado do edifício. Os cabos elétricos e de telefones à vista. Orientações a ter em conta: • Promova, junto às entidades, a passagem subterrânea dos cabos. • Em alternativa, poderá criar tubos ou calhas técnicas embutidas nas paredes para passagem dos cabos de infraestruturas. CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA 39 MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO GLOSSÁRIO Moldura de vão - Parte mais ou menos saliente, plana ou ovalada, que serve de ornato ao vão (porta ou janela). Cantaria - Pedra aparelhada para utilizar como acabamento. Guarda-corpos - Elemento vertical colocado numa varanda para proteção pessoal contra quedas. Beirado - Última fileira de telhas que forma a aba do telhado. Sub-beira - Elemento constituído por uma ou mais fiadas de telhas colocado na parte inferior do beirado, para suporte deste e com efeitos ornamentais. Platibanda - Muro, grade ou balaustrada que delimita uma cobertura. Cimalha - Moldura localizada na parte superior da parede formada por arcos de circunferência, concavo o inferior e convexo o superior e que serve de remate da cornija. Cornija - Remate na parte superior de uma parede, que a protege das águas pluviais. Trapeira - Janela ou postigo aberto no telhado para arejamento e iluminação. Lambrequim - Recorte de madeira ou metal utilizado como remate de uma cobertura. Lousa - Placa de ardósia. Algeroz - Canal de escoamento das águas pluviais. Gárgula - Pedra trabalhada com formas reais ou grotescas, com um canal escavado, por onde se escoam as águas pluviais da cobertura. Embasamento - Parte inferior de uma parede. Frade - Marco de pedra. Lintel - Verga em madeira, pedra ou ferro que se apoia nas ombreiras de uma porta ou janela. 40 CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO FICHA TÉCNICA Câmara Municipal de Leiria Departamento de Planeamento e Gestão Urbanística Gabinete de Reabilitação Urbana Autores Vitória Mendes Sidney Lopes Revisões Alexandra Barata António Moreira de Figueiredo José Raposo Pires Vânia Carvalho BIBLIOGRAFIA Pinto, Conceição (coord.) “Manual de Reabilitação do Património de Faro”, Câmara Municipal de Faro, (1995) Coias e Silva, V. “Guia prático para a Conservação de Imóveis” (2004) Pereira da Costa, F. “Enciclopédia Prática da Construção” (sd) Rodrigues, Maria João; Fialho de Sousa, Pedro e Bonifácio, Horácio “Vocabulário Técnico e Crítico de Arquitetura” (1990) CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA 41