MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO
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MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO
ÍNDICE
INTRODUÇÃO ................................................................................................ 3
1. VÃOS ......................................................................................................... 4
1.1. JANELAS E CAIXILHARIAS ......................................................................... 5
1.2. PORTAS .................................................................................................. 6
1.3. MOLDURAS DE VÃOS .............................................................................. 8
1.4. OBSCURECIMENTO DE VÃOS .................................................................. 10
1.5. PORTÕES ............................................................................................... 11
2. ELEMENTOS EM FERRO ............................................................................ 13
2.1. GUARDA-CORPOS .................................................................................. 13
2.1.1. PINHAS DECORATIVAS E CORRIMÃOS .................................................. 13
2.2. FERRAGENS – BATENTES, FECHADURAS, PUXADORES E CAMPAINHAS .... 14
3. COBERTURAS ........................................................................................... 16
3.1. TELHAS .................................................................................................. 16
3.2. REMATES DE COBERTURAS .................................................................... 17
3.2.1. PLATIBANDAS ..................................................................................... 21
3.2.2. BEIRADOS ........................................................................................... 22
3.3. TRAPEIRAS............................................................................................. 24
3.3.1. LAMBREQUINS........................................... Erro! Marcador não definido.
3.4. CALEIRAS E TUBOS DE QUEDA ................................................................ 29
3.5. CHAMINÉS ............................................................................................. 31
4. ELEMENTOS NA FACHADA........................................................................ 32
4.1. GÁRGULAS............................................................................................. 32
4.2. EMBASAMENTOS ................................................................................... 33
4.3. FRADES.................................................................................................. 34
4.4. CAIXAS DE CORREIO ............................................................................... 35
4.5. NÚMEROS DE POLÍCIA ........................................................................... 36
4.6. CAIXAS TÉCNICAS DE ELETRICIDADE, GÁS E ÁGUA................................... 37
4.7. APARELHOS DE AR CONDICIONADO ....................................................... 38
4.8. CABOS ELÉTRICOS E TELEFONE ............................................................... 39
GLOSSÁRIO .................................................................................................. 40
BIBLIOGRAFIA .............................................................................................. 41
CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA
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MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO
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CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA
MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
O objetivo do presente «guia» é disponibilizar aos proprietários, construtores
ou outros intervenientes nos processos de reabilitação dos edifícios do centro
histórico de Leiria, os conhecimentos mínimos para a intervenção nos edifícios
antigos, evitando erros que, embora possam parecer de pormenor, são muitas
vezes responsáveis pela adulteração dos edifícios e pela sua desvalorização
cultural e histórica.
A elaboração do manual teve por base o levantamento de elementos
construtivos e arquitetónicos característicos de edifícios antigos no centro
histórico de Leiria, representados em ilustrações e fotografias, tendo sido
agrupados em quatro áreas: Vãos, elementos em ferro, coberturas e elementos
nas fachadas.
Durante a leitura deste manual encontrar-se-ão vários exemplos de boas e más
práticas de reabilitação, acompanhados de descrições e simbologias que
simplificam a leitura, sendo estas:
- Mau exemplo, má solução.
- Bom exemplo, boa solução.
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ÃOS
1. VÃOS
Nos edifícios do centro histórico de Leiria, como na generalidade dos edifícios
antigos, a caixilharia original é em madeira, de diferentes tipos, desenhos e
cores, colocada à face exterior das paredes.
•Janela à face
pelo exterior da
parede
• Portada interior
Alçado
Corte
Corte
Planta
Alçado
Interior
Planta
Exterior
Pormenor em corte, de janela com portada.
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Corte
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1.1. JANELAS E CAIXILHARIAS
JANELAS E CAIXILHARIAS
Caixilharia em alumínio, afastamento da janela em relação à face exterior da
parede, janela de correr.
Caixilharia tradicional em madeira com aros pintados de cores diferentes,
colocados à face exterior da parede.
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P
1.2. PORTAS
ORTAS
Portas em alumínio lacado, anodizado à cor natural, com gradeamento
exterior e porta em PVC.
Substituição de porta original em madeira por porta envidraçada em
alumínio à cor natural (elemento dissonante).
Portas tradicionais em madeira.
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Orientações a ter em conta:
• Nas recuperações mantenha as portas e caixilharias existentes, de madeira
pintada. Em caso de substituição, utilize madeira e mantenha o desenho
original.
• Nas renovações recupere o tipo e o desenho das portas e janelas existentes;
de preferência pinte as caixilharias de branco e os aros fixos nas cores
tradicionais.
• Não coloque janelas ou portas de correr.
• Não substitua as portas ou janelas por outras de alumínio à cor natural e de
desenho incorreto.
• Não utilize vidro espelhado.
• Nas portas e janelas não é permitido o uso de madeira envernizada, de
alumínio anodizado à cor natural, preto ou bronze. Deverão ser mantidos os
tipos de caixilhos, bem como de portadas e postigos interiores. Não se
admitem janelas de correr, bem como portadas exteriores, estores e
gradeamentos a não ser os tradicionais.
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MOLDURAS
DE VÃOS DE VÃOS
1.3. MOLDURAS
Molduras em pedra pintadas ou revestidas com massa e utilização de forras em
pedra.
Exemplos de cantarias em pedra maciça.
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Orientações a ter em conta:
• Não sendo possível recuperar as cantarias, deverá substituí-las por outras em
calcário semi-rijo ou pedra lioz, conforme as originais, mantendo as dimensões
e o desenho.
• As cantarias em pedra calcária, à exceção das cantarias em lioz, deverão ser
amaciadas e não bujardadas ou polidas.
• Não utilize pedras de composição diferente das originais como calcário ataíja,
granito, mármore ou outros.
• Não substitua as cantarias originais por forras, utilize pedras maciças.
• Não revista ou pinte as cantarias.
• Mantenha as molduras originais em madeira, tratadas e pintadas com a cor
original. Em caso de estarem danificadas, não as substitua por molduras em
pedra ou massa.
• Molduras em massa deverão ser pintadas a cor branca ou cor de pedra.
• Não altere o desenho e proporções das molduras dos vãos.
• Mantenha as molduras originais, sempre que possível, mesmo que
apresentem algumas imperfeições, devidas ao desgaste provocado pelo tempo.
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1.4. OBSCURECIMENTO DE VÃOS
OBSCURICIMENTO DE VÃOS
Estores exteriores.
Portadas exteriores.
Orientações a ter em conta:
• Nas recuperações mantenha as portadas interiores.
• Não utilize estores exteriores, nem portadas exteriores.
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1.5. PORTÕES
PORTÕES
Nos edifícios do centro histórico de Leiria, o uso de portões não era prática
corrente, dado os lotes serem, na sua maior parte, exíguos. Os portões eram
colocados, geralmente, em edifícios de maiores dimensões e importância, para
acesso das viaturas de tração animal.
Atualmente, há necessidade de adaptar esses portões a garagens.
Portões de enrolar
ou seccionados.
Portões de desenho tradicional, em ferro ou madeira.
Orientações a ter em conta:
• Preserve os portões, mantendo o material, configuração, desenho, número
de folhas e cor original.
• Não opte por portões de enrolar ou seccionados.
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2. ELEMENTOS EM FERRO
2.1. GUARDA-CORPOS
São elementos funcionais e decorativos que contribuem para a definição da
imagem e individualidade dos edifícios. A sua beleza pode resultar da sua
simplicidade, como é exemplo o gradeamento de uma sacada característica do
século XVII, ou pode resultar de um desenho mais elaborado, como acontece
com as guardas em ferro forjado características do século XIX.
Guarda-corpos em ferro forjado, com padrões repetitivos.
Guarda-corpos em ferro fundido.
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PINHAS DECORATIVAS E CORRIMÃOS
2.11. PINHAS DECORATIVAS E CORRIMÃOS
Os guarda-corpos, quando degradados, tendem a perder os elementos mais
frágeis, como as peças em madeira que os rematam superiormente, ou as
pinhas em vidro ou ferro, colocadas nos cantos.
Ao recuperar os guarda-corpos deve procurar repor-se esses elementos.
As pinhas decorativas podem ser em vidro, madeira ou em ferro fundido e
encontram-se geralmente nos cantos dos guarda-corpos.
Orientações a ter em conta:
• Preserve as guardas em ferro, não as adultere.
• Pinte as guardas de acordo com a cor original.
• Quando reabilitar, coloque a peça de remate superior em madeira e as pinhas
decorativas.
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2.2. FERRAGENS – BATENTES, FECHADURAS, PUXADORES E
CAMPAINHAS
ERRAGENS - BATENTES/ FECHADURAS/PUXADORES/CAMPAINHAS
As fachadas dos edifícios antigos são caracterizadas pela existência de alguns
elementos, como as ferragens de portas e janelas, batentes, puxadores, entre
outros, que tendem a desaparecer quando os edifícios são reabilitados.
A substituição por outros elementos mais banais (como por exemplo os
espelhos de fechaduras) ou o seu desaparecimento (como é exemplo a retirada
dos batentes) contribuem para a descaracterização dos edifícios.
Exemplos de ferragens em ferro fundido utilizadas no centro histórico de Leiria.
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Exemplos de campainhas e intercomunicadores.
Orientações a ter em conta:
• Utilizar ou reutilizar sempre que possível os batentes tradicionais como forma
de individualizar as diferentes entradas de habitações.
• Não utilizar botões de PVC de qualidade medíocre para as campainhas que
descaraterizam as fachadas.
• Caso seja necessário introduzir campainhas elétricas deverão ser escolhidos
modelos em materiais nobres, como o inox, de desenho simples e cuidado.
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3. COBERTURAS
COBERTURAS
No centro histórico de Leiria, grande parte das coberturas dos edifícios é
constituída por telha cerâmica, os telhados apresentam-se com beirados,
geralmente duplos, ou resguardados por platibandas.
3.1. TELHAS
TELHAS
A maior parte das coberturas dos edifícios anteriores ao séc. XX é em telha de
canudo, de dimensões e coloração irregular, resultado do modo de produção
artesanal.
A partir do início do séc. XX, surgem outro tipo de telhas, como a marselha, de
inspiração francesa, e posteriormente a telha lusa, com base no desenho da
telha de canudo. Nos edifícios mais relevantes, a telha do beirado é vidrada.
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Telha de Canudo
Telha de canudo
vidrada-verde
Telha Lusa
Telha Marselha
Orientações a ter em conta:
• Nas coberturas deve ser mantido o tipo de telha original.
• Nunca deverá ser trocada telha de canudo por telha marselha, ou vice-versa.
3.2. REMATES DE COBERTURAS
REMATES DE COBERTURAS
Nas coberturas tradicionais existem vários tipos de remates:
• Beirado simples
• Cimalha/Cornija
• Duplo-beirado
• Platibanda
• Triplo-beirado
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Pormenor de um beirado simples
Pormenor de um beirado duplo
Pormenor de um beirado triplo
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Pormenor de um beirado com sub-beira
Pormenor de um beirado com sub-beira duplo
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Pormenor com cimalha
Pormenor com cimalha e caleira
Pormenor de platibanda com caleira
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3.2.1. PLATIBANDAS
PLATIBANDAS
Platibandas
Orientações a ter em conta:
• Mantenha o desenho, o material e a cor originais.
• Não substitua os elementos em pedra por alvenaria rebocada ou forras de pedra.
• Não pinte ou recubra os elementos em cantaria.
• Não introduza platibandas em coberturas com beirados.
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BEIRADOS
3.2.2. BEIRADOS
Beirado em telha
Marselha e cimalha
ornamental.
Beirados em telha Lusa e
cimalha simples.
Beirados em telha de canudo
vidrada, onde foi reduzida a
projeção original.
Beirado em telha Marselha e
cimalha ornamental.
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Beirado com telha Lusa.
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Beirado em telha
canudo vidrada.
Beirado duplo.
Beirado simples com telha
de canudo vidrada.
Beirado com sub-beira simples.
Beirado triplo.
Beirado duplo.
Beirado com sub-beira dupla.
Orientações a ter em conta:
• Mantenha os beirados duplos ou triplos.
• Mantenha os beirados em telha vidrada e não pinte as telhas.
• Caso as telhas vidradas estejam degradadas, substitua-as por outras do mesmo tipo e
cor.
• Nos edifícios com beirados não introduza cimalhas ou platibandas.
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TRAPEIRAS
3.2. TRAPEIRAS
Em muitos dos telhados antigos existem janelas que se designam por trapeiras,
que podem ser de vários tipos.
Relativamente ao tipo de cobertura apresentam-se:
• Trapeiras com cobertura em telha de canudo.
• Trapeiras com cobertura em telha Marselha com ou sem lambrequins.
• Trapeiras com frontão e cimalha.
Quanto às paredes, as trapeiras podem apresentar:
• Parede de alvenaria rebocada e pintada.
• Parede revestida em lousa, formando escamas.
• Parede revestida em telha de canudo.
• Parede revestida em chapa ondulada, pintada.
• Parede revestida em chapa zincada.
Alçado de frente
de uma trapeira
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• Exemplo de trapeira
com a parede rebocada e
pintada
• Exemplo de trapeira com
revestimento a lousa
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• Exemplo de trapeira com
revestimento em chapa
ondulada pintada
• Exemplo de trapeira com
revestimento em telha de
canudo
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Orientações a ter em conta:
• Mantenha a inserção correta da trapeira na cobertura.
• Mantenha a forma da trapeira, o tipo de telha, os revestimentos e as
caixilharias originais.
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3.2.1. LAMBREQUINS
Lambrequins
são
elementos
decorativos
em
recortes
rendilhados de madeira ou zinco,
colocados nas coberturas das
construções antigas.
No caso do centro histórico de
Leiria, os lambrequins surgem em
trapeiras e, em alguns casos, no
beirado do edifício.
É muito importante que
preserve estes elementos.
se
Alguns exemplos de trapeiras com lambrequins.
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MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO
3.3. CALEIRAS E TUBOS DE QUEDA
C
Nos edifícios do centro histórico, o escoamento das águas pluviais proveniente
ALEIRAS
e TUOSé DE
QUEDA
dos telhados
feito,
em grande parte, através de caleiras com a forma de meiacana, em chapa de zinco pintada, apoiada em suporte em ferro, em forma de
esquadro.
Os tubos de queda são em zinco, de secção circular, aprumados e adossados à
parede e embutidos ao nível do piso térreo, de modo a ficarem protegidos.
Quando os algerozes não estão à vista, a ligação destes com o tubo de queda é
por vezes feita através funis ou gárgulas (pedra trabalhada com formas reais ou
grotescas).
Exemplo de caleira em meia cana com tubo de queda de secção circular com
suportes em ferro.
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Caleira nervurada / Tubo de queda seção retangular / Caleira e tubo de queda
em cores diferentes.
Caleiras em meia-cana com tubo de queda de seção circular.
Orientações a ter em conta:
• Não coloque caleiras em chapa nervurada e tubos de queda de secção
retangular.
• Opte por caleiras em meia-cana e tubo de queda de seção circular em zinco
ou chapa zincada, pintados nas cores tradicionais.
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MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO
3.4. CHAMINÉS
As chaminés apresentam várias formas, com remates simples ou mais
MINÉS
trabalhados, conforme as épocas e o tipo de arquitetura, contribuindo para a
individualidade dos edifícios.
É importante que sejam preservadas, mesmo quando há necessidade de
reconstruir as coberturas.
Chaminés que descaraterizam os edifícios.
Chaminés tradicionais.
Orientações a ter em conta:
• Consolide e preserve a chaminé existente.
• Não sendo possível a sua recuperação, reproduza a forma, a dimensão da
chaminé e os respetivos remates.
• Não utilize chaminés pré-compradas.
• Não opte por chaminés com o topo plano.
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4 - ELEMENTOS NA FACHADA
4.1. GÁRGULAS
ELEMENTOS NA FACHADA
As gárgulas são elementos em pedra trabalhada com formas reais ou grotescas,
colocadas na parte superior das fachadas, que servem para escoar as águas
pluviais da cobertura.
GÁRGULAS
Gárgula desativadas
com sobreposição de
novos elementos
para escoamento das
águas pluviais.
Gárgulas com tubo de queda.
Orientações a ter em conta:
• Preserve as gárgulas e, se possível, mantenha a função de escoamento das
águas.
• Adapte o tubo de queda de secção circular na base da gárgula, evitando a
colocação de funis ou outros elementos para escoamento de águas pluviais,
que prejudiquem a sua imagem.
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MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO
EMBASAMENTOS
4.2. EMBASAMENTOS
Os edifícios no centro histórico apresentam, na sua maioria um tratamento
diferenciado do embasamento, quer através da utilização de reboco texturado,
pintado em tons escuros, quer pela sua constituição em pedra, geralmente lioz.
O embasamento pode ser ligeiramente saliente da parede. A sua altura varia
entre 40 a 80 cm, mas pode, em casos mais raros, corresponder a uma maior
altura, geralmente acompanhando os pisos em semi-cave.
Embasamentos com acabamentos não tradicionais (tinta plástica texturada, ou
recortados para introdução de montras.
Socos pintados, com saliência de cerca de 2 cm, ou revestidos a pedra calcária ou lioz.
Orientações a ter em conta:
• Mantenha os embasamentos em pedra.
• Mantenha os embasamentos pintados nas cores originais, usualmente
cinzento-escuro ou cor de óxido de ferro (vermelho escuro).
• Em caso de pintura, não utilize tintas plásticas e/ou texturadas.
• Não recorte os embasamentos para a introdução de montras.
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4.3. FRADES
FRADES
Frades são marcos de pedra de forma cilíndrica, com o topo arredondado, que
delimitam os lotes no centro histórico. São a memória urbanística da
morfologia da cidade medieval. Para além de terem a função delimitadora do
espaço, também servem para proteger as esquinas dos edifícios.
Exemplos de frades no centro histórico.
Orientações a ter em conta:
• Não arranque ou danifique os frades.
• Caso seja necessário removê-los, por motivo de obras, os frades deverão ser
repostos.
• Não deve retocar os marcos com cimento.
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MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO
CAIXAS DE CORREIO
4.4. CAIXAS DE CORREIO
Em edifícios antigos, a entrega da correspondência era efetuada através de
ranhuras colocadas nas portas de entrada dos fogos, que geralmente tinham
acoplado, pelo seu interior, uma caixa.
Quando reabilitados, em grande parte dos casos, os edifícios passam a ter um
acesso único para vários fogos, o que implica a colocação de caixas de correio
nas paredes.
A colocação dessas caixas é feita, muitas vezes, sem cuidado de integração,
aparecendo, no mesmo edifício, caixas de vários modelos e cores que
contribuem para a descaraterização da fachada.
Orientações a ter em conta:
• Não fixe caixas de correio nas paredes dos edifícios.
• As caixas do correio devem ser embutidas na parede ou colocadas no interior
das portas, com acesso através de ranhuras feitas pelo seu exterior.
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4.5. NÚMEROS DE POLÍCIA
NÚMEROS DE POLÍCIA
Os números de polícia são habitualmente colocados por cima da porta, ao
centro do lintel.
Nos edifícios antigos, os números de polícia são habitualmente desenhados a
branco em chapa esmaltada de cor azul-cobalto, com uma fina moldura a
branco.
Nas intervenções mais recentes, os números de polícia são, por vezes,
executados em materiais e com desenhos desadequados, como é o caso dos
azulejos ou da utilização de peças normalizadas em chapa.
Não utilizar tipos de números de desenho normalizado.
Orientações a ter em conta:
• Na reabilitação dos edifícios preserve, caso seja possível, as chapas
esmaltadas com a identificação do número de polícia.
• Caso haja alteração do número de polícia pode optar, em alternativa à chapa
esmaltada, por números recortados em aço inox ou ferro pintado.
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MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO
4.6. CAIXAS TÉCNICAS DE ELETRICIDADE, GÁS E ÁGUA
CAIXAS TÉCNICAS DE ELETRICIDADE, GÁS E ÁGUA
Atualmente, há necessidade de introduzir elementos nos edifícios antigos que
lhes são estranhos, mas imprescindíveis, pelo que devem ser integrados e
compatibilizados com os restantes elementos das fachadas.
É o caso das caixas técnicas das infraestruturas, cujo modelo, distinto conforme
a entidade, obedece a regras específicas para o seu dimensionamento e
colocação.
Estas caixas são habitualmente fechadas por portinholas em PVC, de cores
neutras, mas diferenciadas de entidade para entidade.
Quanto maior o número de fogos, mais elementos são colocados nas fachadas,
desvirtuando a imagem do edifício.
Caixas técnicas à vista.
Caixas técnicas (eletricidade, gás e água) embutidas na parede e camufladas.
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MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO
Orientações a ter em conta:
• Procure embutir as caixas das infraestruturas nas paredes ou socos,
colocando uma portinhola à face da parede e pintada à cor desta.
• As portinholas poderão ser em chapa metálica, pintada à cor da parede ou do
embasamento e não devem ter elementos à vista, como dobradiças ou
puxadores.
• Caso sejam colocadas em paredes ou embasamentos em pedra à vista,
devem ser revestidas com o mesmo material.
4.7 - APARELHOS DE AR CONDICIONADO
APARELHOS DE AR CONDICIONADO
A instalação de aparelhos de ar condicionado exige um cuidado especial, visto
que a sua exposição descaracteriza a imagem do edifício.
Aparelhos de ar condicionado à vista.
Aparelhos de ar condicionado ocultos.
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MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO
Orientações a ter em conta:
• A instalação de aparelhos de ar condicionado deve ser feita nas partes não
visíveis dos edifícios.
• Caso não seja possível colocar os ares condicionados em locais não visíveis a
partir do espaço público, estes devem ser ocultos na parede, ou inseridos num
vão com grelhagem discreta.
CABOS ELÉTRICOS E TELEFONE
4.8. CABOS ELÉTRICOS E TELEFONE
Os cabos elétricos e de telefones são elementos dissonantes que
descaracterizam os edifícios no centro histórico.
É muito importante ocultar a cablagem por forma a limpar o alçado do edifício.
Os cabos elétricos e de telefones à vista.
Orientações a ter em conta:
• Promova, junto às entidades, a passagem subterrânea dos cabos.
• Em alternativa, poderá criar tubos ou calhas técnicas embutidas nas paredes
para passagem dos cabos de infraestruturas.
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MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO
GLOSSÁRIO
Moldura de vão - Parte mais ou menos saliente, plana ou ovalada, que serve de
ornato ao vão (porta ou janela).
Cantaria - Pedra aparelhada para utilizar como acabamento.
Guarda-corpos - Elemento vertical colocado numa varanda para proteção
pessoal contra quedas.
Beirado - Última fileira de telhas que forma a aba do telhado.
Sub-beira - Elemento constituído por uma ou mais fiadas de telhas colocado na
parte inferior do beirado, para suporte deste e com efeitos ornamentais.
Platibanda - Muro, grade ou balaustrada que delimita uma cobertura.
Cimalha - Moldura localizada na parte superior da parede formada por arcos de
circunferência, concavo o inferior e convexo o superior e que serve de remate
da cornija.
Cornija - Remate na parte superior de uma parede, que a protege das águas
pluviais.
Trapeira - Janela ou postigo aberto no telhado para arejamento e iluminação.
Lambrequim - Recorte de madeira ou metal utilizado como remate de uma
cobertura.
Lousa - Placa de ardósia.
Algeroz - Canal de escoamento das águas pluviais.
Gárgula - Pedra trabalhada com formas reais ou grotescas, com um canal
escavado, por onde se escoam as águas pluviais da cobertura.
Embasamento - Parte inferior de uma parede.
Frade - Marco de pedra.
Lintel - Verga em madeira, pedra ou ferro que se apoia nas ombreiras de uma
porta ou janela.
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CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA
MANUAL DE BOAS PRÁTICAS NA REABILITAÇÃO
FICHA TÉCNICA
Câmara Municipal de Leiria
Departamento de Planeamento e Gestão Urbanística
Gabinete de Reabilitação Urbana
Autores
Vitória Mendes
Sidney Lopes
Revisões
Alexandra Barata
António Moreira de Figueiredo
José Raposo Pires
Vânia Carvalho
BIBLIOGRAFIA
Pinto, Conceição (coord.) “Manual de Reabilitação do Património de Faro”,
Câmara Municipal de Faro, (1995)
Coias e Silva, V. “Guia prático para a Conservação de Imóveis” (2004)
Pereira da Costa, F. “Enciclopédia Prática da Construção” (sd)
Rodrigues, Maria João; Fialho de Sousa, Pedro e Bonifácio, Horácio
“Vocabulário Técnico e Crítico de Arquitetura” (1990)
CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA – GABINETE DE REABILITAÇÃO URBANA
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