ANÁLISE DO GRAU DE CONCENTRAÇÃO SETORIAL DA
INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO DO PARANÁ: 2000 E 20121
Natalino Henrique Medeiros2
Danilo André de Andrade3
ÁREA TEMÁTICA: 4. Economia industrial, da tecnologia e dos serviços no Paraná
RESUMO
Este artigo tem por objetivo analisar o grau de concentração da indústria de transformação
do Paraná, estabelecendo uma análise comparativa entre os anos de 2000 e 2012, em
relação às mesorregiões, as microrregiões e os municípios do estado, junto ao setor de
aeronáutica e aeroespacial. O estudo se baseou nos dados fornecidos pelo Ministério do
Trabalho e Emprego (MTE) através do CAGED/RAIS. Como metodologia de trabalho foram
elaborados índices de razões de concentração (CR´s) e de Hirschman-Herfindahl (HH) que
analisaram a participação relativa do setor industrial através do processo competitivo nos
mercados, levando-se em conta a abordagem schumpeteriana sobre economias inovativas
e dinâmicas. Os resultados do estudo demonstraram que, o setor de aeronáutica e
aeroespacial baseado em processos de alta intensidade tecnológica tem a tendência a se
tornar cada vez mais concentrados, denotando padrões de quase monopolistas dentro do
estado. E, esses aspectos corroboraram com os conceitos schumpeterianos, notadamente
aquele relacionado ao estabelecimento de uma nova organização no setor ou da indústria.
Finalmente, o estudo para os três grupos regionais evidenciou claramente que o padrão
concorrencial é o de um setor altamente concentrado e que se fez acentuado e crescente ao
longo do período analisado.
PALAVRAS-CHAVE: Grau de concentração. Competitividade. Indústria de transformação.
Alta intensidade tecnológica. Paraná.
ABSTRACT
This article proposes to analyze the degree of concentration of the manufacturing industry of
Paraná, establishing a comparative analysis between the years 2000 and 2012 compared to
meso and microrregions and municipalities paranaense, within the aircraft and aerospace
industry. This study was based on data provided by the Ministry of Labour and Employment
1
Este artigo está baseado no projeto de iniciação científica (PIBIC-CNPq-FA-UEM) do acadêmico,
cujo título é derivado do projeto de pesquisa institucional do professor orientador.
2
Professor Titular. Departamento de Economia. UEM. [email protected]
3
Acadêmico do Curso de Ciências Econômicas. Departamento de Economia. UEM. Bolsista CNPqFA-UEM. [email protected]
1
(MTE) through the CAGED/RAIS. As methodology indexes concentration ratios (CR's) and
Herfindahl-Hirschman (HH) who analyzed the relative contribution of the industrial sector
through the competitive process in markets, taking into account the Schumpeterian approach
to innovative and dynamic economies. The study showed that the sector of aeronautics and
aerospace processes based on high technological intensity has a tendency to become
increasingly concentrated, showing almost monopolistic patterns within Paraná. And these
aspects corroborate the Schumpeterian concepts, especially those related to the
establishment of a new organization in the sector or industry. Finally, the study for the three
regional groups clearly showed that the competitive standard is a highly concentrated
industry and became strong and growing throughout the period.
KEY WORDS: Concentrate rate. Competitiveness. Processing industry. High technological
intensity. Paraná.
1. INTRODUÇÃO
A concentração industrial é utilizada nos estudos de economia ou organização
industrial e constitui um dos elementos mais importantes na descrição dos padrões
competitivos existente na maioria das estruturas de mercados imperfeitos. Trata-se de um
importante indicador da classificação de um determinado mercado em competição
imperfeita, a exemplos de: concorrência monopolista, monopólio e oligopólio, sendo este de
característica homogênea ou diferenciada. E, ainda dentro das estruturas de oligopólios os
aspectos relacionados à concentração, levando-se em conta os conceitos labiniano.
Assim, entende-se como oportuno, senão imprescindível, a realização de estudos
que possam demonstrar os segmentos concorrenciais e suas (novas) configurações dentro
dos estados federativos.
Nestes termos, o presente artigo objetiva investigar as prováveis alterações
ocorridas vis a vis o grau de concentração setorial e de competitividade do setor de
aeronáutica e aeroespacial da indústria de transformação do Paraná, tendo como base a
abordagem schumpeteriana de inovação e das metodologias de índices de concentração de
mercado. Para tanto, esse artigo está organizado em cinco seções, a partir desta concisa
introdução. Na segunda seção está contida a revisão da literatura em seus aspectos
teóricos e, na terceira, a apresentação dos procedimentos metodológicos adotados. Na
quarta seção, os resultados e discussões acerca do estudo elaborado e, na quinta e última
seção, as considerações finais.
2
2. REVISÃO DA LITERATURA
A concentração industrial tem-se demonstrada como uma tendência de nosso
sistema econômico atual. Tanto no setor de bens de consumo, quanto no de serviços,
poucas empresas dominam seus respectivos mercados, e que compreendem, em grande
parte das vezes, não um determinado país ou região, mas todos os países, ou pelo menos
aqueles que possuem mercado consumidor (FRANÇA, 2001).
A configuração da economia industrial nos dias atuais está centrada praticamente
na estrutura competitiva em padrões oligopolistas. A concorrência nesse mercado é
resultante das ações individuais dos agentes (players) ao relacionar variáveis como: i) níveis
de preço, não apenas em sua formulação como principalmente na discriminação de preços
por produtos e estrato social, ii) produtos diferenciados e diversificados, iii) preferências dos
consumidores induzidas por um aparato publicitário e de marketing, e que possibilitam no
conjunto, iv) as condições de acesso de seu produto no mercado. E, por consequência, a
soma agregada de todas as ações desses agentes leva à participação agregada dessas
empresas no mercado que, como fins, possibilitam determinar as participações de mercado
individuais (market share) dessas firmas estabelecidas.
Deste modo, a concorrência pode ser definida como a busca das empresas por
parcelas cada vez mais significativas de mercado de um ou mais produtos visando
maximizar seu lucro, ou criar outras condições concorrenciais neoschumpeteriana, seja
através de investimentos em inovações (P&D&I), diminuição dos custos médios de
produção, ingresso em novos mercados, a probabilidade de se modificar a estrutura
industrial existente, entre outras. Não obstante, existem dois casos extremos que podem
exemplificar tipos ou padrões de concorrência. O primeiro é o monopólio, cujo poder de
mercado se concentra na mão de uma única empresa, a exemplo, com ressalvas, os das
companhias de energia elétrica, que se configuraria como um monopólio natural, haja vista a
condição teórica de custos marginais decrescentes por economia de escala. E não raro esse
tipo de serviço é assegurado por regulamentação estatal. O segundo e mais significativo
refere-se aos oligopólios, e de acordo com os padrões de concorrência abordados
anteriormente, nos quais prevalece o seu poder de mercado baseado na condição de
formação de preços por produtos diferenciados e, portanto, inelásticos.
Nesse sentido, Schumpeter (1982, p.47)4 apresentou os aspectos relacionados aos
conceitos que estão afetos a uma economia inovativa e dinâmica, cujo fenômeno provoca
uma “mudança espontânea e descontínua nos canais do fluxo, a perturbação do equilíbrio,
que altera para sempre o estado de equilíbrio previamente existente”, através das seguintes
4
A Teoria do Desenvolvimento Econômico foi publicada pela primeira vez no ano de 1911, em língua
alemã.
3
ações: i) introdução de um novo bem; ii) introdução de um novo método de produção; iii)
abertura de um novo mercado; iv) conquista de uma nova fonte de matérias-primas e, v)
estabelecimento de uma nova organização na indústria (SCHUMPETER, 1982, p.48). Em
sua obra seguinte, Schumpeter (1986)5 enfatiza que esse fenômeno que perturba o estado
de equilíbrio, e de maneira contínua, é decorrente das ações do empresário inovador,
responsável pela criação destruidora do status quo existente nas economias estáticas
(economia de fluxo circular), através da implantação de “novas combinações novas” no
processo produtivo.
Entretanto, cabe ressaltar que, pela ótica do consumidor, a concentração industrial
ou de mercado, pode ser não especificamente benéfica para a sociedade de maneira geral,
ao retirar de si parte do seu excedente, mas, pode exercer influências benéficas em outros
ramos da economia, como o fortalecimento do mercado financeiro e o fortalecimento das
empresas para a competição no mercado externo, por exemplo, incrementando as
exportações.
Por outro lado, e não obstante, a economia paranaense vem se transformando e
acompanhando as várias fases do desenvolvimento da economia brasileira. Estudos
recentes
demonstram
que
a
concentração
industrial
paranaense
se
configurou
principalmente na região Metropolitana de Curitiba, no entanto, isso não significa dizer que
as outras regiões são menos importantes, elas apenas recebem uma quantidade menor de
investimentos com relação à região em torno da capital paranaense (GUALDA, N.L.P. et al,
2012). Ainda segundo estes autores, a economia paranaense vem passando por gradativas
transformações que expõem potencialmente a capacidade de desenvolvimento que algumas
regiões do interior do estado vêm apresentando, e por isso, possibilitando a formação de
novos agregados industriais com especialidades quase sempre diferentes as da região
metropolitana do Estado.
3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A metodologia utilizada na análise dos padrões concorrenciais paranaenses foi feita
através da construção de índices de mensuração, baseando-se nos dados do MTE (2012).
Os dados da pesquisa foram obtidos junto a institutos de pesquisa e órgãos públicos, como
exemplos: MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), CAGED/RAIS, IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística), Ministérios, Secretarias estaduais, Prefeituras municipais e sítios
eletrônicos. O processo de determinação dos indicadores de concentração industrial será
construído através de índices que levaram em consideração o padrão concorrencial das
mesorregiões, das microrregiões e dos municípios do estado.
5
Capitalismo, Socialismo e Democracia (1942).
4
Os indicadores consideram não apenas as parcelas de mercado, como também sua
distribuição. Nesse caso, o presente artigo aborda a análise da distribuição de concentração
dentro do setor de aeronáutica e aeroespacial, cujo segmento produtivo é de alta
intensidade tecnológica, de acordo com a classificação proposta por MEDEIROS et al.
(2012). A opção por este setor foi baseada em um estudo exploratório realizado pelos
autores, que já indicava certa expectativa quanto aos seus interessantes resultados em
termos de padrão competitivo, bem como, em razão do estabelecimento da quantidade
máxima de páginas e do espaço limitado que deveria contemplar o estudo em apreço.
3.1 Metodologias de concentração
Para se obter as participações de mercado das empresas utilizou-se o índice de
agregação de informações das empresas, através da seguinte expressão:
1,2, … ,
onde,
X = Participação agregada das empresas;
N = Número de empresas;
I = empresa;
Xi = empresa i.
A metodologia possibilita obter ainda as parcelas individuais de mercado das
empresas, sendo que:
onde,
Si = Participação de mercado;
Xi = Participação da empresa (i);
X = Participação agregada das empresas.
Por fim, concluídos os cálculos através das fases metodológicos anteriores tornamse possíveis construir os índices ou razões de concentração (CR) de ordem K, para o
cumprimento dos objetivos deste artigo:
onde,
CR = Razão de concentração;
5
K = “K” maiores empresas do mercado;
I = Empresa;
Si = Participações de mercado.
Para o presente artigo, utilizar-se-á os índices CR(4) e CR(8) que explicita as
quatro e oito maiores empresas com relação ao padrão concorrencial da industria de
transformação paranaense.
Igualmente, utilizar-se-á também o índice de Hirschman-Herfindahl (HH) para
identificar o poder de mercado das empresas, a título de comparação teórica com os
resultados obtidos através dos índices CR´s.
O índice HH pode ser obtido através da seguinte equação:
onde,
HH = Índice de Hirschman-Herfindahl;
N = Número de empresas;
I = Empresa,
Si = Participações de mercado.
Segundo a teoria, o índice de Hirschman-Herfindahl (HH) atribui maior peso às
empresas relativamente maiores (Si), deste modo, quanto maior for HH, mais elevada será a
concentração e, deste modo, menor será a concorrência entre os produtores e vice-versa. O
índice varia entre 1 e 1/n. O limite superior se associa ao extremo caso de monopólio e o
inferior trata de quando todas as empresas têm o mesmo tamanho em relação ao mercado.
3.1.1 Detalhamento metodológico
Conforme já observado, o índice de HH, neste trabalho, confirmará se as variações
na concentração que ocorreram se devem às regiões com parcelas maiores de
concentração, dado que atribui maior representatividade aos maiores estabelecimentos ou
pela quantidade de empregados (vínculos) que compreendem um setor. Assim, variações
positivas para as maiores regiões significam que elas contribuíram para a concentração, o
contrário também é válido: variações negativas para as maiores regiões significam que
estas contribuíram para desconcentrar o setor. Por fim, todas as vezes em que se estiver
citando esse tipo de análise basta confirmá-la nas tabelas referentes aos índices de HH,
ainda que os dados utilizados em sua estrutura sejam os dados das razões de
concentração. Se optou por analisar os dados com as razões de concentração pelo fato de
6
considerarem a participação real dos estabelecimentos ou quantidade de empregados
disposta no setor. Se considerássemos as parcelas referentes aos cálculos do HH alguns
dos estabelecimentos ou vínculos seriam desconsiderados da análise, pois, parcelas muito
baixas elevadas ao quadrado se tornam parcelas menores ainda. Por fim, para as análises
do índice HH, optou-se por considerar uma estrutura que abranja as dez principais
mesorregiões, microrregiões e municípios que integram o conjunto para vínculos e
estabelecimentos.
Como proposto, para que se investiguem as alterações se utilizarão as razões de
concentração (CR) e o índice de Hirschmann-Herfindahl (HH). Os índices devem convergir
às mesmas conclusões, portanto, as análises realizadas para os índices de CR corroboram
com as análises dos índices de HH. Deste modo, o índice de HH comprova empírica e
teoricamente os resultados obtidos pelos CR. As análises se dão de forma equitativa, ou
seja, várias das inferências sobre a concentração setorial podem ser aplicadas da mesma
forma para todas as tabelas, desde que observadas as questões hierárquicas e de
concentração denotadas pelas tais.
De maneira auxiliar, utilizar-se-á classificação quanto aos parâmetros de
concentração constantes do quadro 1, de acordo com a classificação proposta por
MEDEIROS e FRAGA (2005).
CONCENTRAÇÃO
CR2
CR4
CR8
Altamente concentrado
i > 95 %
i > 75%
i > 90 %
Alta concentração
90% < i < 95%
65% < i < 75%
85% < i < 90%
Concentração moderada
50% < i < 65%
70% < i < 85%
Baixa concentração
35% < i < 50%
45% < i < 70%
Não concentrado
35% < i < 0%
i < 45 %
Quadro 1. Tipologia de níveis mercado segundo os parâmetros de concentração
Fonte: MEDEIROS e FRAGA (2005). Adaptado pelos autores para este estudo.
NÍVEIS DE MERCADO
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para as análises do grau, índice ou razão de concentração setorial na indústria de
transformação paranaense, nos anos de 2000 e 2012 e de maneira comparativa ao seu
dinamismo competitivo, empregar-se-á a razão de concentração referente as quatro (CR4) e
oito (CR8) maiores firmas integrantes do setor de aeronáutica e aeroespacial da indústria de
transformação do Paraná. Como o setor tem características de tendências a ser
concentrado, optou-se, para este artigo, disponibilizar por questões de didática, também o
índice de referente às duas maiores empresas (CR2) e quantidade de empregados
registrados no setor. As análises levaram em conta as dez mesorregiões paranaenses, de
acordo com a classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por
7
Mesorregião Geográfica, a saber: 01- Noroeste Paranaense; 02- Centro Ocidental
Paranaense; 03- Norte Central Paranaense; 04- Norte Pioneiro Paranaense; 05- Centro
Oriental Paranaense; 06- Oeste Paranaense; 07- Sudoeste Paranaense; 08- Centro-Sul
Paranaense, 09- Sudeste Paranaense e, 10- Metropolitana de Curitiba (MC), (IPARDES,
2012). Para simplificação de apresentação, nas tabelas será suprimida a expressão
paranaense da nomenclatura das mesorregiões. Não obstante, nas tabelas setoriais
apresentadas, as informações no tocante aos graus de concentração das quatro (CR4) e
das oito maiores empresas industriais (CR8), estarão disponíveis apenas em seus
respectivos índices, a título de sumarização e comparativo das informações, quando
necessário.
O setor de aeronáutica e aeroespacial, de acordo com a Classificação Nacional de
Atividades Econômicas (CNAE 2.0), está contido dentro da divisão, “fabricação de outros
equipamentos de transporte, exceto veículos automotores”. A título de informação
complementar, na classificação grupo tem-se a “fabricação de aeronaves” e, por fim, na de
classes o de “fabricação de aeronaves” e “fabricação de turbinas, motores e outros
componentes e peças para aeronaves”.
Os dados foram obtidos da matriz da base de dados do Ministério do Trabalho e
Emprego (CAGED/RAIS) e adaptados ao CNAE 2.0, de acordo com a proposta dos
pesquisadores.
A
organização
das
tabelas
foi
distribuída
nas
categorias
de
6
estabelecimentos e de vínculos para os 3 grupos de análises regionais: mesorregiões,
microrregiões e municípios.
4.1. ANÁLISE DO GRAU DE CONCENTRAÇÃO DO SETOR DE AERONÁUTICA E
AEROESPACIAL
4.1.1 Análise em nível das mesorregiões
4.1.1.1 Estabelecimentos
O primeiro grupo de análise se refere às mesorregiões paranaenses Esse grupo
inicia-se com o tratamento do referencial estabelecimento, o qual diz respeito à quantidade
de empresas que competiam no setor de aeronáutica e aeroespacial, nos anos de 2000 e
2012. A tabela 1 apresenta seus resultados por mesorregiões paranaenses.
6
Segundo o CAGED/RAIS/MTE o termo “vínculos” iguala-se ao conceito de “empregados” e se refere
ao trabalhador com registro ou carteira assinada. Neste estudo utilizaremos os conceitos de vínculos,
empregos e empregados como equivalentes nas análises respectivas. E, “estabelecimentos” para
empresas e/ou firmas que competem em um determinado setor industrial.
8
Tabela 1. Índices de HH e CR para estabelecimentos no setor de
aeronáutica e aeroespacial, por mesorregiões do estado do Paraná. 2000 e
2012
ANO 2000
ANO 2012
MESORREGIÕES ESTAB. HH MESORREGIÕES ESTAB. HH
Metrop. Curitiba
5
0,2066 Metrop. Curitiba
5
0,6944
4
0,1322 Norte Pioneiro
1
Norte Central
0,0278
1
0,0083 Noroeste
0
Noroeste
0,0000
1
0,0083
Centro
Ocidental
0
Centro Ocidental
0,0000
0
0,0000 Norte Central
0
Norte Pioneiro
0,0000
0
0,0000 Centro Oriental
0
Centro Oriental
0,0000
0
0,0000 Oeste
0
Oeste
0,0000
0
0,0000
Sudoeste
0
Sudoeste
0,0000
0
0,0000 Centro-Sul
0
Centro-Sul
0,0000
0
0,0000 Sudeste
0
Sudeste
0,0000
TOTAL
11
TOTAL
6
CR2
0,8181
CR2
1,0000
CR4
1,0000
CR4
1,0000
CR8
1,0000
CR8
1,0000
Fonte: MTE. Elaboração Própria.
Este setor de aeronáutica e aeroespacial tem um padrão competitivo, por conta do
processo de alta tecnologia, que requereu a análise com ênfase no índice CR2. Observa-se
que a principal alteração na estrutura de mercado que ocorreu no período de análise foi a
saída das mesorregiões Noroeste, Norte Central e Centro Ocidental em algum momento
entre os anos de 2000 e 2012, e a entrada da região Norte Pioneiro no processo competitivo
do setor, o que implicou na redução de 5 estabelecimentos no período. A região
Metropolitana de Curitiba (MC) foi responsável em torno de 82% dos estabelecimentos que
compreendem este setor, enquanto os outros 18% ficaram por conta da região Norte
Pioneiro. No ano de 2012, o que se observa de forma mais visível é que esse segmento
concentrou e corrobora com o entendimento inicial sobre o padrão altamente competitivo e
altamente concentrado desse setor. Nesse sentido, é possível observar através do índice de
Hirschmann-Herfindahl (HH), que a mesorregião Metropolitana de Curitiba obteve um
expressivo aumento no que se refere ao seu market share, passando de um HH de 0,2066
(2000) para 0,6944 (2012). Com efeito, os resultados observados, tanto dos índices CR´s,
quanto do HH revelam o aumento da concentração no setor de aeronáutica e aeroespacial
no período analisado.
9
4.1.1.2 Vínculos
Essa análise trata dos vínculos e que se refere a quantidade de empregados com
registro em carteira assinada, pertencentes ao setor de aeronáutica e aeroespacial, nos
anos de 2000 e 2012. A tabela 2 apresenta esses resultados por mesorregiões
paranaenses.
Tabela 2. Índices de HH e CR para vínculos no setor de aeronáutica e
aeroespacial, por mesorregiões do estado do Paraná. 2000 e 2012
ANO 2000
ANO 2012
MESORREGIÕES
VÍNC.
HH MESORREGIÕES
VÍNC.
HH
Norte Central
48
0,3115 Metrop. Curitiba
24
0,9216
Metrop. Curitiba
20
0,0541 Norte Pioneiro
1
0,0016
Noroeste
9
0,0110 Noroeste
0
0,0000
Centro Ocidental
9
0,0110 Centro Ocidental
0
0,0000
Norte Pioneiro
0
0,0000 Norte Central
0
0,0000
Centro Oriental
0
0,0000 Centro Oriental
0
0,0000
Oeste
0
0,0000 Oeste
0
0,0000
Sudoeste
0
0,0000 Sudoeste
0
0,0000
Centro-Sul
0
0,0000 Centro-Sul
0
0,0000
Sudeste
0
0,0000 Sudeste
0
0,0000
TOTAL
86
TOTAL
25
CR2
0,7907
CR2
1,0000
CR4
1,0000
CR4
1,0000
CR8
1,0000
CR8
1,0000
Fonte: MTE. Elaboração Própria.
Como podem ser observadas, no ano de 2000, as empresas desse setor se
encontravam estabelecidas e mantinham seus vínculos empregatícios nas mesorregiões
Norte Central (48), Metropolitana de Curitiba (20), Noroeste (9) e Centro Ocidental (9).
No ano de 2012, houve uma realocação dessas atividades setoriais, as quais foram
distribuídas apenas para as mesorregiões MC (24) e Norte Pioneiro (1). Desse modo,
observa-se claramente uma forte alteração no ranking competitivo do setor, onde a
mesorregião MC passa de 23% (2000) para 96% do emprego setorial, em 2012, enquanto
que a mesorregião Norte Pioneiro, embora tendo ingressado nesse segmento passasse a
deter apenas os 4% restantes dos vínculos empregatícios. O índice HH corrobora com
esses resultados, demonstrando igualmente os aspectos relacionados ao aumento de
concentração desse setor, onde a MC apresentava um índice de 0,0541, em 2000, e em
2012 esse mesmo índice se eleva para 0,9216. Em termos de tipologia de mercado (quadro
1), a MC passa a se enquadrar no nível de um setor competitivo e altamente concentrado.
10
4.1.2 Análise em nível microrregional
4.1.2.1 Estabelecimentos
O segundo grupo de análise se refere às microrregiões paranaenses. A tabela 3
apresenta os resultados por microrregiões paranaenses, na qual se observa a análise sobre
o referencial estabelecimentos no setor de aeronáutica e aeroespacial, em relação aos anos
de 2000 e 2012. Embora o estado do Paraná possua 39 microrregiões, nesse estudo optouse por apresentar os resultados das 10 maiores para tornar essa análise equivalente àquela
realizada para as mesorregiões. Decisão semelhante foi adotada em relação aos 399
municípios paranaenses.
Tabela 3. Índices de HH e CR para estabelecimentos no setor de
aeronáutica e aeroespacial, por microrregiões do estado do Paraná. 2000 e
2012
ANO 2000
ANO 2012
MICRORREGIÕES ESTAB. HH MICRORREGIÕES ESTAB. HH
Curitiba
5
0,2066 Curitiba
5
0,6944
Apucarana
2
0,0331 Cornélio Procópio
1
0,0278
Londrina
2
0,0331 Paranavaí
0
0,0000
Paranavaí
1
0,0083 Umuarama
0
0,0000
Campo Mourão
1
0,0083 Cianorte
0
0,0000
Umuarama
0
0,0000 Goioerê
0
0,0000
Cianorte
0
0,0000 Campo Mourão
0
0,0000
Goioerê
0
0,0000 Astorga
0
0,0000
Astorga
0
0,0000 Porecatu
0
0,0000
Porecatu
0
0,0000 Floraí
0
0,0000
TOTAL
11
TOTAL
6
CR2
CR4
CR8
0,8181
1,0000
1,0000
CR2
CR4
CR8
1,0000
1,0000
1,0000
Fonte: MTE. Elaboração Própria.
O setor em nível microrregional, igualmente se mostrou altamente concentrado, de
acordo com a tipologia de mercado. No ano de 2000, a totalidade de estabelecimentos
desse setor estava distribuída entre cinco microrregiões: Curitiba, Apucarana, Londrina,
Paranavaí e Campo Mourão. Já em 2012, o mesmo setor apresentou os estabelecimentos
dispostos apenas em duas microrregiões: Curitiba e Cornélio Procópio. Entretanto, Curitiba
domina o setor com o índice de HH de 0,6944. Mesmo se, se considerar que havia em 2012,
5
estabelecimentos
nessa
microrregião,
ainda
assim,
de
forma
intuitiva,
cada
estabelecimento supera o índice de HH (0,0278) de Cornélio Procópio.
11
Deve ser notado que a principal responsável por essa mudança, e em aumentar os
índices CR´s setorial, foi a microrregião de Curitiba. Nesse sentido, as microrregiões de
Apucarana, Londrina, Paranavaí e Campo Mourão deixaram o processo concentrador de
mercado e em seus lugares ingressou a microrregião de Cornélio Procópio, que não
compunha o ranking competitivo no ano de 2000.
4.1.2.2 Vínculos
Essa análise trata do referencial vínculos, condizente ao número de empregados
registrados no setor de aeronáutica e aeroespacial, por microrregiões paranaenses, nos
anos de 2000 e 2012. A tabela 4 apresenta os resultados.
Tabela 4. Índices de HH e CR para vínculos do setor de aeronáutica e
aeroespacial, por microrregiões do estado do Paraná. 2000 e 2012
ANO 2000
ANO 2012
MICRORREGIÕES ESTAB. HH MICRORREGIÕES ESTAB. HH
Londrina
Curitiba
Apucarana
Paranavaí
Campo Mourão
Umuarama
Cianorte
Goioerê
Astorga
Porecatu
TOTAL
CR2
CR4
CR8
38
20
10
9
9
0
0
0
0
0
86
0,4419
0,2326
0,1163
0,1047
0,1047
0,0000
0,0000
0,0000
0,0000
0,0000
0,6745
1,0000
1,0000
Curitiba
Cornélio Procópio
Paranavaí
Umuarama
Cianorte
Goioerê
Campo Mourão
Astorga
Porecatu
Floraí
TOTAL
CR2
CR4
CR8
24
1
0
0
0
0
0
0
0
0
25
0,9216
0,0016
0,0000
0,0000
0,0000
0,0000
0,0000
0,0000
0,0000
0,0000
1,0000
1,0000
1,0000
Fonte: MTE. Elaboração Própria.
É possível observar que, em 2000 a concentração atingia sua totalidade quando
analisadas as cinco principais microrregiões de Londrina, Curitiba, Apucarana, Paranavaí e
Campo Mourão. Por sua vez, em 2012, apenas as microrregiões Curitiba e Cornélio
Procópio detinham todo o processo de concentração (CR2). Com efeito, as microrregiões de
Londrina, Apucarana, Paranavaí e Campo Mourão deixam o setor e, em 2012, tem-se o
ingresso da microrregião de Cornélio Procópio entra na competição com a fatia de 4% do
setor, enquanto que a microrregião de Curitiba concentra 96% da mão de obra (vínculos) e
respondendo com 24 estabelecimentos (empresas) do setor, e isso a define como uma
microrregião altamente concentrada.
12
4.1.3 Análise em nível dos municípios paranaenses
4.1.3.1 Estabelecimentos
O terceiro e último grupo de análise se refere aos municípios paranaenses.
Conforme explicado, embora o Paraná possua 399 municípios, a tabela 5 apresentará
apenas os 10 municípios que compõem o ranking do setor.
Os dados em análise tratam do referencial estabelecimento, quanto ao número de
empresas que competiam nos municípios no setor de aeronáutica e aeroespacial, nos anos
de 2000 e 2012.
Tabela 5. Índices de HH e CR para estabelecimentos no setor de aeronáutica e
aeroespacial, por municípios do estado do Paraná. 2000 e 2012
ANO 2000
ANO 2012
MUNICÍPIOS
ESTAB. HH
MUNICÍPIOS
ESTAB. HH
Curitiba
Arapongas
Londrina
S. José dos Pinhais
Campo Mourão
Paranavaí
Abatia
Adrianópolis
Agudos do Sul
Alm. Tamandaré
TOTAL
CR2
CR4
CR8
3
2
2
2
1
1
0
0
0
0
11
0,8181
1,0000
1,0000
0,0744
0,0331
0,0331
0,0331
0,0083
0,0083
0,0000
0,0000
0,0000
0,0000
Curitiba
S. José dos Pinhais
Andirá
Abatia
Adrianópolis
Agudos do Sul
Alm. Tamandaré
Altamira do Paraná
Altônia
Alto Paraná
TOTAL
CR2
CR4
CR8
3
2
1
0
0
0
0
0
0
0
6
0,8333
1,0000
1,0000
0,2500
0,1111
0,0278
0,0000
0,0000
0,0000
0,0000
0,0000
0,0000
0,0000
Fonte: MTE. Elaboração Própria.
É possível notar que em 2000, esse setor já se posicionava como altamente
concentrado, e cuja classificação não apenas permaneceu como se ampliou no ano de
2012, a medida que municípios de Arapongas, Londrina, Campo Mourão e Paranavaí
deixaram o mercado/setor. A partir da tabela 5, com os resultados dos índices de HH, notase que o montante de representatividade de Curitiba cresce expressivamente junto com o de
São José dos Pinhais, o que determina que estes municípios foram os principais
responsáveis pelo aumento da razão de concentração CR4, ainda que o aumento seja
ligeiro, ao se observar e comparar com o CR2. Com efeito, o município de Andirá passou a
conter estabelecimentos (firmas) que integram o setor e assim o processo de concentração
se completa na totalidade do índice.
13
4.1.3.2 Vínculos
Essa análise trata do referencial vínculos: a quantidade de empregados registrados
no setor de aeronáutica e aeroespacial, por municípios selecionados nos anos de 2000 e
2012. A tabela 6 apresenta esses resultados.
Tabela 6. Índices de HH e CR para vínculos do setor de aeronáutica e
aeroespacial, por municípios do estado do Paraná. 2000 e 2012.
ANO 2000
ANO 2012
MUNICÍPIOS
ESTAB. HH
MUNICÍPIOS
ESTAB. HH
Londrina
38
0,1952
S. Jose dos Pinhais
17
0,0391
Arapongas
10
0,0135
Campo Mourão
9
0,0110
Paranavaí
9
0,0110
Curitiba
3
0,0012
Abatia
0
0,0000
Adrianópolis
0
0,0000
Agudos do Sul
0
0,0000
Alm. Tamandaré
0
0,0000
TOTAL
86
CR2
0,6396
CR4
1,0000
CR8
1,0000
Fonte: MTE. Elaboração Própria.
Curitiba
S. Jose dos Pinhais
Andirá
Abatia
Adrianópolis
Agudos do Sul
Alm. Tamandaré
Altamira do Paraná
Altônia
Alto Paraná
TOTAL
CR2
CR4
CR8
16
8
1
0
0
0
0
0
0
0
25
0,9600
1,0000
1,0000
0,4096
0,1024
0,0016
0,0000
0,0000
0,0000
0,0000
0,0000
0,0000
0,0000
Os resultados demonstram e confirmam as análises realizadas sobre as
microrregiões paranaenses, como era de se esperar. De fato, verifica-se que houve um
deslocamento do processo de concentração setorial do ano de 2000 para 2012, em direção
ao município de Curitiba e em seu entorno, a exemplo de São José dos Pinhais.
Nesse caso, é possível observar igualmente que houve a saída do mercado os
estabelecimentos (empresas) do município de Londrina que, em 2000 representava 44.% da
mão de obra (vínculos) nesse segmento, e, embora não se dispunha do nome dessas
empresas é possível deduzir que elas tenham se deslocado para o município de Curitiba
que, em 2012 ocupou o primeiro lugar no ranking com 64% da mão de obra ocupada no
setor. Com efeito, quando considerados, em conjunto, os municípios de Curitiba e São José
dos Pinhais esse índice se eleva para 96%.
Deve ser registrado também o egresso dos municípios de Arapongas, Campo
Mourão e Paranavaí e a inserção competitiva do município de Andirá que é integrante da
Microrregião de Cornélio Procópio (ver tabela 4).
14
Por fim, observa-se que o processo de concentração setorial se mantém na
classificação de altamente concentrado.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este artigo objetivou analisar as modificações que ocorreram na estrutura de
concentração e concorrência da indústria de transformação do estado do Paraná,
especificamente para o setor de Aeronáutica e Aeroespacial. Através da metodologia
apresentada, composta por índices de concentração industrial como as razões de
concentração (CR), pôde-se viabilizar e diagnosticar as alterações que ocorreram em
termos de número de estabelecimentos e vínculos (empregados) que compõem esse setor
da indústria paranaense. Pelos índices de Hirschman-Hernfindahl (HH), pôde-se,
igualmente, identificar e confirmar quais das regiões que apresentaram maior especificidade
nas variações observadas também através dos índices de razões de concentração.
Os dados observados permitiram afirmar que a diversidade econômica do setor de
Aeronáutica e Aeroespacial, no ano de 2000, ainda que muito concentrado na mesorregião
Metropolitana de Curitiba, compreendia-se melhor distribuído entre as regiões do estado,
visto que se encontrava presente nas mesorregiões Norte Central, Noroeste e Centro
Ocidental. Esse setor, tanto em 2000 como em 2012, apresentou distribuição mais
concentrada, ainda que seja um setor relativamente pequeno e necessitar de mão de obra
extremamente especializada. Não obstante, outra mesorregião que merece destaque é a do
Norte Pioneiro, que ligeiramente vem ganhando espaço dentro do cenário paranaense
dentro desse setor e que se confirma mediante a análise sobre a microrregião de Andirá que
se segue.
No que se refere à análise desse setor para as microrregiões, o ano de 2000
caracterizou-se por disparidades de concentração dado que a concorrência se comportou no
sentido de se posicionar em apenas poucas microrregiões e assim, agregando um índice
altíssimo de concentração, principalmente na microrregião de Curitiba, mas com algumas
representatividades através das microrregiões de Apucarana, Londrina, Paranavaí e Campo
Mourão. As informações obtidas do ano de 2012, na construção e composição dos índices
demonstraram que a concentração do setor só acentuou direcionada principalmente à
microrregião de Curitiba, com a exceção exercida pelo ingresso da Microrregião de Andirá.
O efeito concentração ocorre de forma rápida, pois nessa corrida competitiva
vencem aquelas empresas que disporem de maior tecnologia, nesse caso, no padrão de
alta intensidade tecnológica, melhores condições na formação de preços e principalmente
na demanda por mão de obra especializada. O estudo demonstrou que essas
características competitivas, de natureza oligopolista, estão bem localizadas (lócus do
15
capital instalado) na região metropolitana de Curitiba. Portanto, quando observadas essas
informações de forma mais agregada, a concentração de estabelecimentos e vínculos para
2012, se comportou de forma migratória e seu destino se deu, principalmente, em direção à
região Metropolitana de Curitiba, acrescida, com menos importância, à microrregião Norte
Pioneiro. De fato, essas meso e microrregiões passaram a deter em 2012 as maiores
parcelas de concentração setorial.
Com efeito, é de suma importância mencionar que o desenvolvimento que ocorre
no
município
de
Curitiba,
por
exemplo,
tem
força
suficiente
para
influenciar
competitivamente o município mais próximo, a exemplo de São José dos Pinhais. Dessa
forma, nota-se que efeito pode ser denominado de espraiamento. O espraiamento se refere
a disseminação da concorrência do setor, contudo, esse efeito não tendo força suficiente
para quebrar o padrão de concentração que se estabelece no Estado, sendo visível apenas
em meso ou microrregiões mais próximas ao local onde a mão de obra está concentrada.
Por outro lado, em todas as análises o índice de Hirschmann-Herfindahl (HH) se
possibilitou confirmar que os aumentos ou diminuições de concentração têm partido
principalmente das principais regiões detentoras da concorrência no mercado. A região
Metropolitana de Curitiba (MC) é líder no processo de concentração. Da mesma forma, para
esse índice percebeu-se que a região da capital tem absorvido montantes consideráveis de
empregados e estabelecimentos. O que já era esperado, pois as análises corroboram e se
confirmam para todos os casos.
Portanto, para fins gerais, dentro do estado do Paraná, para o setor de Aeronáutica
e Aeroespacial, tem se comportado de maneira a se tornar mais concentrado, ainda com
ligeiros efeitos provocados pelo espraiamento da concentração. A tendência é que os
setores de alta intensidade tecnológica se tornem cada vez mais concentrados, denotando
situações quase que de monopolistas dentro do estado. Esses efeitos corroboraram com os
conceitos schumpeterianos, notadamente aquele direcionado ao estabelecimento de uma
nova organização no setor ou da indústria.
Ainda assim, existem muitas outras variáveis que devem ser levadas em conta para
que se possa inferir sobre essa situação. Não obstante, o estudo realizado para os três
grupos regionais (mesorregião, microrregião e municípios) demonstrou claramente que o
padrão concorrencial comum aos mesmos é o de um setor altamente concentrado e que se
fez acentuado e crescente ao longo do período analisado.
16
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Navigandi, Teresina, ano 6, n. 51, 1 Out. 2001. Disponível em:
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1986. Coleção Os Economistas. [1ª. edição, 1942].
18
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