UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAI – UNIVALI PRÓ-REITORIA DE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E CULTURA – PROPPEC CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E JURÍDICAS - CEJURPS PROGRAMA DE MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS – PMGPP O PROGRAMA JOVEM APRENDIZ E SUAS REPERCUSSÕES NO EMPREGO DOS JOVENS: UM ESTUDO DE CASO CARLOTA DE OLIVEIRA MEDEIROS ITAJAÍ (SC), 2011 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAI – UNIVALI PRÓ-REITORIA DE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E CULTURA – PROPPEC CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E JURÍDICAS - CEJURPS PROGRAMA DE MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS – PMGPP O PROGRAMA JOVEM APRENDIZ E SUAS REPERCUSSÕES NO EMPREGO DOS JOVENS Carlota de Oliveira Medeiros Dissertação apresentada à Banca Examinadora no Mestrado Profissional em Gestão de Políticas Públicas da Universidade do Vale do Itajaí sob a orientação da Prof. Dr. Neusa Maria Sens Bloemer como exigência parcial para obtenção do título de Mestre em Gestão de Políticas Públicas. ITAJAI (SC), 2011 À minha irmã Liza (in memorian) por ter me dado a oportunidade de recomeçar. AGRADECIMENTOS Finalizar um trabalho como este não é fácil. Na verdade, chegar até aqui não foi fácil. Em primeiro lugar agradeço a Deus que é presença viva em minha vida e nunca deixa que eu perca a fé. E foi essa fé que me fez mudar radicalmente a minha vida com o apoio da minha grande amiga Márcia que foi a primeira a me dar a mão e me acolher, sem me julgar. Obrigada, amiga. E nesse processo de mudança a pessoa mais importante foi a minha querida irmã Liza, que contra tudo e contra todos me abriu os braços e me acolheu. Se hoje cheguei até aqui, ela é a responsável por ter me recebido em Itajaí há 16 anos. Liza, obrigada por ter acreditado em mim, por ter cuidado do meu filho e por me visitar em sonhos. Sinto muito a sua falta. E foi nesse período de mudanças que Dom Bosco entrou na minha vida para não mais sair. Por isso mesmo agradeço todos os padres salesianos com os quais tenho trabalhado durante todos esses anos, de modo especial aos padres, Décio, Mário, José Hess, Adilson e Sebastião. Cada um, à sua maneira, me apoiou, incentivou e acreditou mais em mim do que eu mesma. Sou imensamente grata. Entrei no Parque Dom Bosco, com 21 anos, um filho de 5 e tendo cursado apenas ate a oitava série. Nunca imaginei chegar até aqui. Mas, eles sim. Não posso deixar de agradecer as minhas colegas de trabalho: Aline e Fran, sempre leais e competentes, cobrindo as minhas ausências. Agradeço também a todos os entrevistados. Sem eles não seria possível realizar a pesquisa. Entre eles, agradeço, principalmente, o Davi, meu colega de trabalho e os jovens aprendizes, que foram muito, muito solícitos, respondendo a todas as demandas por mim solicitadas. Um agradecimento muito especial ao meu namorado Ivan que sempre esteve presente em todos os momentos nestes quase três anos, me estimulando sempre que me deparei com alguma dificuldade. Agradeço também à minha orientadora, Professora Neusa. Eles foram guerreiros em não ter desistido de mim. Obrigada, de coração! Enfim, agradeço a todos que, mesmo não tendo sido citados, sabem que moram em meu coração e que são importantes na minha vida e na minha caminhada. “Em todo jovem, mesmo no mais infeliz, há um ponto acessível ao bem, e a primeira obrigação do educador é a de buscar esse ponto, essa corda sensível do coração, e tirar bom proveito.” (Dom Bosco) LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 01 - Identificação dos alunos quanto ao sexo ............................................... 70 Gráfico 02 - Identificação dos jovens aprendizes quanto à idade ............................. 71 Gráfico 03 - Cidade de residência dos jovens aprendizes ........................................ 71 Gráfico 04 - Dados acerca dos colégios frequentados pelos jovens aprendizes, se são estabelecimentos de ensino públicos ou privados. .................... 73 Gráfico 05 - Renda familiar dos entrevistados........................................................... 73 Gráfico 06 - Número de pessoas que habitam a residência dos entrevistados. ........ 74 Gráfico 07 - Índice de reprovação escolar entre os entrevistados............................. 75 Gráfico 08 - Escolaridade da mãe dos entrevistados. ............................................... 76 Gráfico 09 - Escolaridade da mãe dos entrevistados. ............................................... 77 Gráfico 10 - Informação sobre o Programa Jovem Aprendiz..................................... 77 Gráfico 11 - Primeira impressão dos entrevistados com o Programa Jovem Aprendiz. ............................................................................................... 78 Gráfico 12 - Dados acerca da possibilidade de os participantes indicarem o Programa a outros jovens...................................................................... 87 Gráfico 13 - Dados sobre aspectos preferenciais no Programa pelos participantes. ......................................................................................... 87 Gráfico 14 - Dados sobre o que os participantes mais aprenderam no Programa .... 90 Gráfico 15 - Sobre o interesse dos participantes em cursar ensino superior ............ 92 Gráfico 16 - Opinião dos participantes sobre as empresas onde trabalham. ............ 96 Gráfico 17 - Dados acerca do interesse dos participantes em serem efetivados como funcionários nas empresas onde trabalham. ............................... 99 Gráfico 18 - Opinião dos participantes acerca de sua importância para a empresa............................................................................................... 105 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AMFRI CAPS CAPS II CAPS AD CBO CEJA CF CIEE-SC CLT CMDCA CNAS CNBB COMBEMI COMDICA CRAS DF DRT-SC FASFIL IBGE IDH INIC IRASC MEC MSE MTE OSCIP OIT ONG PAIF PETI PIAT PIB PNPE PNUD SECAJ SEMASA SENAC SENAI SENAR SENAT SESCOOP SC SDR SUAS UNIMED UNIVALI Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí Centros de Atenção Psicossocial Centro de Atenção Psicossocial de Transtornos Psiquiátricos Centro de Atenção Psicossocial Classificação Brasileira de Ocupações Centro de Educação de Jovens e Adultos Constituição Federal Centro de Integração Empresa-Escola do Estado de Santa Catarina Consolidação das Leis do Trabalho Conselho Municipal da Criança e do Adolescente Conselho Nacional de Assistência dos Municípios Conferência Nacional dos Bispos do Brasil Comissão do Bem Estar do Menor de Itajaí Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente Centro de Referência de Assistência Social Nossa Senhora das Graças Distrito Federal Delegacia Regional de Trabalho de Santa Catarina Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos no Brasil Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Índice de Desenvolvimento Humano Instituto Nacional da Imigração e Colonização Instituto de Reforma Agrária de Santa Catarina Ministério da Educação Programa Medidas Sócio-educativas Ministério do Trabalho e Emprego Organização da Sociedade Civil de Interesse Público Organização Internacional do Trabalho Organização não-governamental Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família Programa de Erradicação do Trabalho Infantil Programa Preparação e Inserção do Adolescente no Trabalho Produto Interno Bruto Plano Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Secretaria da Criança, do Adolescente e da Juventude Serviço Municipal de Água, Saneamento Básico e Infraestrutura Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial Serviço Nacional de Aprendizagem Rural Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo Santa Catarina Secretaria do Estado de Desenvolvimento Regional Sistema Único de Assistência Social Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico Universidade do Vale do Itajaí RESUMO A Lei de Aprendizagem atualizada em dezembro de 2000, tem como um de seus objetivos apoiar e estimular a formação profissional de jovens em situação de vulnerabilidade social. Esta legislação prevê a parceria de instituições educacionais e empresas ofertando aos jovens com mais de 14 anos cursos técnicos e profissionais e a contratação destes mesmos jovens aprendizes. O Parque Dom Bosco é uma instituição em Itajaí (SC) que se insere nesse cenário, através do Programa Jovem Aprendiz desde o ano de 2007. Para analisar a atuação desta parceria a presente pesquisa identificou as concepções e práticas dos atores sociais envolvidos no mencionado Programa, bem como a caracterização do Programa Jovem Aprendiz no Parque Dom Bosco, conferindo e analisando suas práticas em termos dos cursos oferecidos. Da mesma forma buscou-se junto às empresas conferir como atuam os jovens aprendizes naquele espaço. Com tal propósito foram realizadas entrevistas através das quais se obteve dados e informações junto aos jovens que participam do Programa, coordenadores das várias instituições entre as quais o Parque Dom Bosco, Ministério do Trabalho e Emprego, Conselho Municipal da Criança, do Adolescente e da Juventude e representantes de empresas que recebem os jovens aprendizes. Os resultados indicaram que o Programa Jovem Aprendiz contribui significativamente para a inserção desses jovens no mercado de trabalho, através da sua qualificação técnica e da formação em termos sociais, psicológicos e humanísticos. Identificou-se também que há pontos a serem aperfeiçoados, entre os quais a aplicação da grade curricular, o investimento em novos equipamentos, bem como o fortalecimento dos vínculos entre os vários atores que atuam no Programa objetivando assim, o acompanhamento integral do desempenho dos jovens aprendizes. Por outro lado, evidenciou-se que as empresas, por vezes, necessitam compreender que o Programa Jovem Aprendiz tem como objetivo preparar jovens em formação e que, portanto, não apresentam as mesmas características de um trabalhador adulto qualificado. Palavras-chave: Programa Jovem Aprendiz. Parque Dom Bosco. Lei da Aprendizagem. Juventude e Trabalho. ABSTRACT One of the aims of the Lei de Aprendizagem (Apprenticeship Law), updated in December 2000, is to encourage professional training of young people in vulnerable social situations. This legislation regulates partnerships with educational institutions and companies that offer, to young people aged over fourteen years, technical and professional courses and hiring of these same young apprentices. Parque Dom Bosco is an institution in Itajaí (SC) that has been active in this scenario, through its Young Apprenticeship Program, since 2007. To analyze the action of this partnership, this research identified the concepts and practices of the social actors involved in the above-mentioned Program, and characterized the Young Apprenticeship Program of the Parque Dom Bosco, analyzing its practices in terms of the courses offered. It also investigated how companies deal with young apprentices in that space. With this proposal, interviews were carried out, to obtain data and information from the young people taking part in the Program, coordinators of the various institutions, including the Parque Dom Bosco, the Ministry of Work and Labor, the Conselho Municipal da Criança, do Adolescente e da Juventude (Municipal Committee for the Child, Adolescent and Youth), and representatives of the companies where the young apprentices are placed. The results indicate that the Young Apprentice Program makes a significant contribution to the inclusion of these young people in the job market in social, psychological and humanistic terms, helping them gain technical qualifications and training. It was also identified that there are points in need of improvement, such as the application of a curriculum, investments in new equipment, and strengthening links between the various actors involved in the Program, with a view to monitoring the performance of the young apprentices more fully. Meanwhile, it was demonstrated that companies sometimes lack the understanding that the Young Apprenticeship Program is designed to prepare young people in training, and that, therefore, they may not have the same characteristics as an qualified adult worker. Key words: Young Apprentice Program. Parque Dom Bosco. Lei da Aprendizagem. Young People and Work. SUMÁRIO LISTA DE GRÁFICOS ................................................................................................ 5 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ..................................................................... 6 RESUMO..................................................................................................................... 7 ABSTRACT................................................................................................................. 8 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 5 CAPÍTULO I - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA: LEGISLAÇÃO E O REFERENCIAL TEÓRICO-METODOLÓGICO......................................................... 11 1.1 A legislação e os projetos para jovens ................................................................ 11 1.2 As Políticas Públicas ........................................................................................... 17 1.3 O Terceiro Setor como ação social de exercício da cidadania ............................ 22 1.3.1 Os programas sociais ....................................................................................... 30 1.4 A juventude e suas perspectivas ......................................................................... 32 1.4.1 Juventude e pobreza ........................................................................................ 36 1.5 As representações sociais e a compreensão da realidade ................................. 38 CAPÍTULO II - O CONTEXTO DA PESQUISA: CARACTERÍSTICAS DA ÁREA DE INTERVENÇÃO E DO ENTORNO AO PARQUE DOM BOSCO ............ 43 2.1 O município de Itajaí: história e formação sócio-econômica ............................... 43 2.2 Caracterização do bairro Nossa Senhora das Graças ........................................ 44 2.3 Os programas sociais desenvolvidos no município de Itajaí ............................... 51 2.4 O desenvolvimento do Programa Jovem Aprendiz no município de Itajaí .......... 53 2.5 O Parque Dom Bosco e os Programas desenvolvidos na instituição .................. 56 2.6 O Sistema Preventivo de Dom Bosco ................................................................. 61 CAPÍTULO III - PERCEPÇÕES DOS JOVENS SOBRE O PROGRAMA JOVEM APRENDIZ .................................................................................................. 70 3.1 Perfil dos jovens entrevistados ............................................................................ 70 3.2 O Parque Dom Bosco: concepções dos jovens sobre o Programa Jovem Aprendiz e a Empresa ............................................................................................... 78 3.3 Expectativas dos alunos a partir do Programa .................................................... 92 3.4 Concepções acerca das empresas ..................................................................... 96 CAPÍTULO IV - CONCEPÇÕES E PRÁTICAS DOS EMPRESÁRIOS E DOS GESTORES PÚBLICOS QUE ADMINISTRAM O PROGRAMA JOVEM APRENDIZ .............................................................................................................. 106 4.1 O Programa Jovem Aprendiz na percepção do Coordenador de Aprendizagem do Parque Dom Bosco .................................................................... 106 4.2 As concepções da Representante do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente e da Juventude sobre o Programa...................................................... 116 4.3 As concepções da representante do Ministério do Trabalho e Emprego sobre o Programa.................................................................................................... 120 4.4 O Programa Jovem Aprendiz sob a ótica dos empresários............................... 127 CONSIDERAÇÕES FINAIS.....................................................................................136 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 142 “Quereis fazer uma boa coisa? Educai a juventude. Quereis fazer uma coisa santa? Educai a juventude. Quereis fazer uma coisa santíssima? Educai a juventude. Quereis fazer uma coisa divina? Educai a juventude.” (Dom Bosco) 5 INTRODUÇÃO O Instituto Lar da Juventude de Assistência e Educação - Parque Dom Bosco, sediado em Itajaí (SC), à rua Brusque número 1333, no bairro Dom Bosco, é uma obra Salesiana de Promoção Humana e Assistência Social com registro no Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente. (Registro 003 / CNAS 1 – Processo 44006.004495/2000-17). Este instituto foi criado em 25 de março de 1961 e vem desenvolvendo programas sociais sob a responsabilidade dos padres salesianos e por membros da sociedade civil que se inseriram nestes projetos como profissionais. A instituição tem como missão acolher, educar e evangelizar 2, crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social, na vivência do sistema preventivo de Dom Bosco 3, profissionalizando e encaminhando (adolescentes e jovens) para o mercado de trabalho. Tem como propósito ser referência no trabalho social com adolescentes e jovens, tendo em vista sua formação integral com qualificação profissional, visando a formação e a cidadania 4. Fundada há 50 anos, a instituição dedica-se integralmente à defesa e à valorização dos direitos da população itajaiense. Atende em torno de mil educandos que freqüentam diariamente os programas de evangelização, educação e profissionalização, recebendo gratuitamente diversas refeições: café da manhã, almoço e lanche da tarde. A qualificação profissional sempre foi uma das preocupações dos salesianos; além da inserção do jovem no mercado de trabalho. Dom Bosco intermediou o primeiro contrato de trabalho em aprendizagem que se tem conhecimento, em 1853, em que um marceneiro se prontifica a se 1 A Resolução CNAS nº 16, de 5 de maio de 2010, publicada no Diário Oficial da União em 19 de maio de 2010, que define os parâmetros nacionais para a inscrição das entidades e organizações de assistência social, bem como dos serviços, programas, projetos e benefícios socioassistencias nos Conselhos de Assistência Social dos Municípios e do DF é produto de debates das Comissões de Conselhos e de Normas, aprovada na 178º Reunião Ordinária do CNAS. 2 Tendo em vista a proposta educacional dos Salesianos, o ato educativo está mais ligado aos princípios do Sistema Preventivo, que serão elencados mais adiante, e possui função eminentemente pedagógica, de formação do indivíduo, enquanto que evangelizar refere-se mais à espiritualidade, à formação religiosa. 3 Dom Bosco (1815-1888) foi um sacerdote da Igreja Católica que viveu em Turim (Itália), justamente no período em que a Itália estava passando por profundas crises sociais e, em decorrência destas crises muitos jovens e adolescentes oriundos do interior viam no centro urbano alguma perspectiva de trabalho, ficando, por vezes à mercê de sua própria sorte. 4 A idéia de cidadania está vinculada ao princípio salesiano da Promoção Integral do Ser Humano visando através do Projeto Social, educar o jovem, mas, também estimular e desenvolver uma consciência de responsabilidade social pela comunidade na qual está inserido. 6 responsabilizar por dois anos pela formação de um jovem instruído no Oratório de Dom Bosco 5. Além disso, o contrato estipulava que o marceneiro deveria transmitirlhe uma formação não apenas técnica, mas também moral e cívica, permitindo inclusive a ida do jovem às celebrações e outros compromissos no Oratório 6. Não se pode deixar de mencionar que “Foi no setor das escolas profissionais e agrícolas que os salesianos mais se destacaram nas primeiras décadas da implantação da obra de Dom Bosco no País 7, merecendo, sob esse aspecto, o reconhecimento e o apoio das autoridades públicas”. (AZZI, 2000, p. 50). Além das razões sociais, como veremos a seguir, há motivos de ordem pessoal que me motivaram a desenvolver a presente pesquisa. Nestes, incluo a minha atuação profissional junto à instituição salesiana de educação por 16 anos, na qual, entre outras atividades, fui educadora do Programa Jovem Aprendiz e, atualmente atuando como responsável pelo Setor de Comunicação, Eventos e Captação de Recursos da Obra Social, integrando, portanto, o grupo de gestores da Instituição. O Programa Jovem Aprendiz, desenvolvido no Parque Dom, desde 2007, oferece cursos de aprendizagem em Logística Portuária, Eletromecânica, Elétrica Predial e Industrial, e Serviços Administrativos, este último foco da presente investigação 8. O Programa Jovem Aprendiz se desenvolve contando com a parceria de diversas empresas9. Um dia por semana os jovens desenvolvem atividades no 5 Consta da legislação e normas dos Salesianos (1988), em seu artigo 40, que o Oratório “é para os jovens a casa que acolhe, a paróquia que evangeliza, escola que encaminha para a vida e pátio para se encontrarem como amigos e viverem com alegria “ 6 Há que se mencionar que o Oratório é uma casa de acolhimento de jovens, anterior a Dom Bosco, havendo registros dessa experiência pedagógica na Itália desde os séculos XV e XVI. 7 Os salesianos de Dom Bosco chegaram ao Brasil, em Niterói, no dia 14 de julho de 1883. 8 Os cursos oferecidos pelo Programa Jovem Aprendiz no Parque Dom Bosco iniciaram nas seguintes datas: Serviços Administrativos em setembro de 2007, com 43 alunos no período vespertino e 43 no período matutino, sendo que 374 aprendizes foram encaminhados ao mercado de trabalho até o momento; Elétrica Predial e Industrial implantado em outubro de 2007, com 15 alunos no período vespertino, sendo 24 Aprendizes encaminhados até este momento para o mercado de trabalho; Logística Portuária criado em dezembro de 2010, com 40 alunos no período vespertino e 40 no período matutino, dos quais 26 aprendizes foram encaminhados para o mercado de trabalho até este momento; Eletromecânica criado em novembro de 2010, com 20 alunos no período noturno, no entanto, este curso está suspenso e nenhum Aprendiz foi encaminhado para atuar nas empresas parceiras. 9 As empresas parceiras do Parque Dom Bosco são as seguintes: Dicave G. DT. Catarinense de Veículos LTDA, Multilog S/A, Itavel Veículos LTDA, BANCRI – Banco de Crédito Popular,, Casas Bahia Comercial LTDA, Loja Compre Fort Itajaí, Comercial de Alimentos Poffo LTDA – Mini Preço, Arteplas Artefatos de Plástico LTDA, Unimed Litoral, Pedro Mufatto e CIA LTDA, Adelphia Comunicações – Via Cabo, Supermercado Xande, F-Mariner Ind. E Com. De Produtos Náuticos 7 Parque, sendo de aproximadamente 4 horas no período matutino ou vespertino, e por 4 dias na semana, por quatro horas, também no período matutino ou vespertino, trabalham nas respectivas empresas para as quais foram selecionados para efetuar seu período de aprendizagem, nas quais desenvolvem as mais variadas funções, dependendo de qual ramo de atuação está inserida a mesma. Em geral as atividades estão ligadas à parte administrativa. Atualmente, um dos principais instrumentos de intervenção social junto às políticas públicas de jovens e adolescentes do Parque Dom Bosco é o Programa Jovem Aprendiz, que por meio de cursos de aprendizagem busca formar jovens (entre 14 e 24 anos) de Itajaí e região para o mercado de trabalho. O Programa conta com a parceria de várias empresas que contratam os jovens em caráter de aprendizagem, e posteriormente, caso estes demonstrem resultados e comprometimento com as atividades e com o perfil da empresa podem ser efetivados. A juventude faz parte de um dos segmentos que o próprio governo destina importantes políticas públicas e que representa grande parcela da população nacional, mas também por tratar-se de um grupo que é afetado pelo desemprego. A dinâmica do mercado de trabalho, que por ser extremamente competitivo, exige das empresas inovações constantes, o que as impele a contratar, em sua maior parte, profissionais com experiência ou capacitados tecnicamente, impedindo assim a inserção do jovem nas atividades laborais quer por falta de experiência, quer por formação insuficiente para atender a este mercado competitivo. Em decorrência desta perspectiva, no Brasil vem se consolidando uma cultura que enfatiza a relevância dos estudos, sedimentando a ideia de que uma sólida formação escolar e universitária pode garantir posições privilegiadas no mundo profissional. Diante dessa condição, muitos jovens, sobretudo aqueles oriundos de famílias de baixa renda, sendo alguns pertencentes a famílias com um poder aquisitivo um pouco maior, se vêem encorajados a dedicarem vários anos de sua formação aos estudos, postergando a inserção no mercado de trabalho. (ZAGO, 1998). LTDA, GDC – Embalagens LTDA, GDC Alimentos S/A, Seara Alimentos S/A, Seara Alimentos S/A – Braskarne, Maria de Lourdes A. L. Zanatta, Industria de Alimentos do Vale do Itajaí – Frigovale, Localfrio Itajaí S/A – Armazéns Gerais Frigoríficos, Comper – Disper Comércio e Indústria de Produtos LTDA, Lê Monde Comércio de Veículos LTDA, Itadisa – Itajaí Diesel LTDA, TAKATA Petri S/A. 8 Entretanto, o panorama parece ser mais complexo no que tange à realidade dos jovens de classe baixa, pois estes, por vezes, por apresentarem baixo nível de escolaridade e pouca formação técnica, muitas vezes não conseguem vagas no mercado de trabalho, ainda que assim o desejem. Nesse sentido o Programa Jovem Aprendiz busca ser instrumento de intervenção social, uma vez que objetiva formar jovens de modo mais qualificado para ingressarem no mercado de trabalho minimizando suas dificuldades tanto de origem social, quanto da sua própria condição de jovem. Contudo, se a proposta é formar jovens com escopo de contribuição social, a formação não pode se limitar a ser restritamente técnica, mas também abranger aspectos morais, psicológicos, etc. É preciso cultivar no jovem a responsabilidade de se tornar um protagonista social, um cidadão de direitos e deveres. Este conjunto de elementos torna-se mais complexo, quando se trata de uma categoria social que tem especificidades na sua própria condição, ou seja, “ser jovem”, trata-se de uma fase da vida repleta de descobertas e dilemas. Por esta razão, muito mais que instrução técnica, o Programa Jovem Aprendiz objetiva no Parque Dom Bosco se aproximar do jovem, auxiliando-o no autoconhecimento e na compreensão das suas dúvidas e dificuldades. Portanto, trata-se de um projeto com forte conotação humanista, cuja ancoragem se dá, no caso em estudo, nos princípios do Sistema Preventivo de Dom Bosco, filosofia que orienta a instituição desde a sua criação. Para Dom Bosco a formação dos jovens deveria ser tanto técnica e profissionalizante como também espiritual, tocando-lhe temas como religião, moral, e questões que hoje seriam ligadas à cidadania. O desafio do Programa Jovem Aprendiz no Parque Dom Bosco é de grande abrangência, na medida em que se propõe a capacitar jovens não apenas para o mercado de trabalho, mas para a vida, estimulando-os a se tornarem cidadãos e adultos dotados de responsabilidade social. Assim, compõe-se a problemática dessa pesquisa, identificar se as ações, como a realização de atividades extracurriculares, bem como se os métodos de ensino aplicados na formação dos educandos tem alcançado o seu objetivo, qual seja, o de capacitar adolescentes e jovens de forma integral, encaminhando-os para o mercado de trabalho; proporcionando maior qualidade de vida e maior desenvolvimento socioeconômico dos mesmos. 9 Tendo em vista que um dos objetivos desse Programa é o encaminhamento e a inserção do educando no mercado de trabalho, pretendeu-se também compreender as estratégias adotadas nas parcerias que se realizam com as empresas. Deste modo o estudo possibilitou identificar de que forma o Parque Dom Bosco atuou entre os anos de 2007 e 2010 e como ocorreu a inserção dos jovens e adolescentes nas empresas parceiras que recebem os jovens aprendizes no período mencionado. Para atender tais propósitos a presente pesquisa foi orientada pelos seguintes objetivos: Objetivo geral: - Avaliar e caracterizar as propostas do Programa Jovem Aprendiz e sua execução na Instituição Parque Dom Bosco. Objetivos específicos: - Identificar as concepções dos jovens aprendizes e de outros atores envolvidos no Programa Jovem Aprendiz. - Identificar aspectos que podem ser aprimorados no desenvolvimento do Programa de acordo com as diversas perspectivas e práticas dos atores sociais envolvidos no Programa em análise. A pesquisa foi desenvolvida tendo como foco central os objetivos do Programa Jovem Aprendiz, bem como o seu desenvolvimento, cujas concepções e práticas pudessem revelar não só as qualidades do Programa, como também seus pontos frágeis com vistas a sugerir melhorias. Para a obtenção de tais informações foram realizadas 25 entrevistas com vários dos atores envolvidos no processo: 19 jovens aprendizes já inseridos nas empresas; o Coordenador do Programa Jovem Aprendiz no Parque Dom Bosco; a Representante do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente e da Secretaria Municipal da Criança, do Adolescente e da Juventude; a representante do Ministério do Trabalho e Emprego; e representantes de três empresas que contratam jovens aprendizes por meio de parcerias com o Parque Dom Bosco. Por atuar no Programa e ter um relacionamento de confiança com os jovens, esta condição, favoreceu na obtenção de dados e informações sobre o programa nas entrevistas que realizamos com os mesmos. Entretanto, esta mesma condição 10 foi, em parte, desfavorável quando realizamos entrevistas com os parceiros, havendo por parte de alguns deles, alguma resistência e certa desconfiança para responder aos nossos questionamentos. Como diria Roberto da Matta é sempre difícil fazer o estranhamento daquilo que nos é familiar e, nos parece ainda mais difícil quando sedimentamos verdades que necessitam ser desconstruídas no momento que nos propomos a realizar um trabalho de caráter acadêmico. Assim, despojada de certas verdades realizei as entrevistas, percebendo no decorrer das mesmas que havia receios e temores por parte de alguns entrevistados sobre o que estavam nos revelando. Contudo, nosso propósito sempre foi o mesmo, identificar possíveis problemas na execução do Programa Jovem Aprendiz para buscar soluções com o objetivo de atender às demandas e anseios do público alvo, ou seja, o jovem que participa do Programa. As entrevistas com os jovens foram realizadas no espaço da Instituição Parque Dom Bosco, sendo previamente agendados evitando-se o prejuízo de suas atividades didáticas e laborais. As entrevistas com o Coordenador do Programa e demais entrevistados também ocorreram no interior da Instituição Além das entrevistas, foram coletados dados quantitativos sobre o número de alunos que são contemplados pelo Projeto, tipos de atividades, orientações das atividades de formação, etc. bem como as legislações, que orientam as ações do Programa Jovem Aprendiz com o propósito de confrontar as concepções e práticas dos atores no desenvolvimento do Projeto Jovem Aprendiz. 11 CAPÍTULO I REVISÃO BIBLIOGRÁFICA: LEGISLAÇÃO E O REFERENCIAL TEÓRICOMETODOLÓGICO 1.1 A legislação e os projetos para jovens Para conferir uma maior oportunidade de trabalho para os jovens, foi implementada em 2002 a Lei do Aprendiz. Esta lei veio determinar que empresas e estabelecimentos de qualquer natureza devem ter de 5% a 15% de seu corpo de funcionários composto por aprendizes. Aprendizes são os jovens entre 14 e 24 anos incompletos10 que já concluíram ou estão cursando o Ensino Fundamental, vinculados ou cadastrados em uma organização 11 com programas de aprendizagem 1213. De acordo com o art. 428 da Consolidação de Leis Trabalhistas (CLT), o empregador se compromete a assegurar por dois anos formação técnico-profissional compatível com o desenvolvimento físico, moral e psicológico do adolescente; e o aprendiz, a executar, com zelo, as tarefas necessárias a esta formação. Caso o ensino prático ocorra no estabelecimento, será formalmente designado pela empresa, em conformidade com a entidade qualificada em formação técnico10 Caso o aprendiz seja portador de deficiência, não haverá limite máximo de idade para a contratação (art. 2º, parágrafo único, do Decreto nº 5.598/05). 11 Fazem parte: Serviços Nacionais de Aprendizagem, Escolas Técnicas de Educação e Organizações sem fins lucrativos. 12 É o conteúdo pedagógico desenvolvido por meio de atividades teóricas e práticas, sob a orientação de entidade qualificada em formação técnico-profissional metódica, devendo conter, basicamente, os objetivos do curso de aprendizagem, os conteúdos a serem ministrados e a carga horária prevista (art. 1º, 3§, III e IV da IN nº 26, de 20 de dezembro de 2001). 13 Segundo os artigos 86 e 87 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.609/90) as ações visando o bem-estar das crianças e adolescentes devem ser realizadas a partir da integração entre ações governamentais e não-governamentais. Art. 86. A política de atendimento dos direitos da criança e do adolescente far-se-á através de um conjunto articulado de ações governamentais e nãogovernamentais, da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. Art. 87. São linhas de ação da política de atendimento: I - políticas sociais básicas; II - políticas e programas de assistência social, em caráter supletivo, para aqueles que deles necessitem; III - serviços especiais de prevenção e atendimento médico e psicossocial às vítimas de negligência, maus-tratos, exploração, abuso, crueldade e opressão; IV - serviço de identificação e localização de pais, responsável, crianças e adolescentes desaparecidos; V - proteção jurídico-social por entidades de defesa dos direitos da criança e do adolescente.VI - políticas e programas destinados a prevenir ou abreviar o período de afastamento do convívio familiar e a garantir o efetivo exercício do direito à convivência familiar de crianças e adolescentes; VII - campanhas de estímulo ao acolhimento sob forma de guarda de crianças e adolescentes afastados do convívio familiar e à adoção, especificamente inter-racial, de crianças maiores ou de adolescentes, com necessidades específicas de saúde ou com deficiências e de grupos de irmãos. 12 profissional metódica, um empregado monitor responsável pela supervisão de trabalhos práticos e acompanhamento das atividades do aprendiz no estabelecimento. Esta lei é uma proposta de incentivo ao estudo e à construção de uma carreira, com perspectiva de um trabalho efetivo. 14 A remuneração do aprendiz será calculada de acordo com as horas de trabalho, sendo que as horas de atividades teóricas e também o Repouso Semanal Remunerado são consideradas. As faltas ao curso de aprendizagem que não forem legalmente justificadas serão descontadas do salário do aprendiz. Quanto à jornada de trabalho: aqueles que ainda estão cursando o Ensino Fundamental poderão ter uma jornada de no máximo seis horas diárias; já os aprendizes que já o concluíram, poderão ter uma jornada de oito horas diárias. A jornada deve ser composta por atividades práticas e também atividades teóricas, proporcionalmente. De acordo com Rempel: Esclarece a Recomendação nº 117 da OIT, de 1962, que “a formação não é um fim em si mesma, senão meio de desenvolver as aptidões profissionais de uma pessoa, levando em consideração as possibilidades de emprego e visando ainda a permitir-lhe fazer uso de suas potencialidades como melhor convenha a seus interesses e aos da comunidade” [...] O contrato de aprendizagem tem origem nas corporações de ofício, em que o trabalhador ingressava na corporação com o objetivo de aprender e poder desenvolver uma obra que o tornasse mestre. (REMPEL, 2009) Os adolescentes beneficiados pela Lei do Aprendiz têm direito a praticar uma atividade que permita ganharem sua própria subsistência e com isso alcançarem dignidade, auto-realização e reconhecimento social como seres produtivos. 15 14 O estudo do advento da Lei de Aprendizagem e das suas implicações sociais é bastante complexo, pois embora resulte no esforço de promover uma formação mais qualificada a jovens desfavorecidos ao mesmo tempo delineia traços de adaptação destes jovens à nova realidade articulada pelos avanços nas indústrias e no mundo empresarial. O Parque Dom Bosco é ciente dessa problemática, contudo entende o Projeto Jovem Aprendiz como oportunidade de qualificação para os jovens. Durante o processo de formação ressalta-se a preocupação com um ensino que não seja apenas técnico e profissionalizante, mas que busque construir uma consciência reflexiva nos jovens, tornando-os mais autônomos para a vida em sociedade. A mesma contraditória deve ser estendida aos itens seguintes, quando for trabalhado o Terceiro Setor. É certo que nesse há divergências de interesses, sendo que às vezes caminha em torno da filantropia e por vezes na promoção de determinados interesses e ideologias. Contudo, não foram realizados maiores aprofundamentos nessas questões. 15 Segundo a legislação vigente os jovens aprendizes podem realizar as seguintes funções, tendo em vista as Classificações Brasileiras de Ocupações (CBO): Desenvolver atividades relacionadas ao apoio nas áreas de financeiro, recursos humanos, administração e logística; atender fornecedores e clientes, fornecendo informações sobre produtos e serviços; tratar de documentos variados, cumprindo todo o procedimento necessário referente aos mesmos; executar serviços gerais de escritórios (CBO 4110-05). As atividades desenvolvidas em supermercados devem privilegiar as seguintes ações: registrar entradas e saídas de mercadorias; promover a venda de mercadorias, 13 A política de aprendizagem torna o jovem muito mais preparado para enfrentar o mercado de trabalho, também gerando a longo prazo, um crescimento da economia nacional, diminuição da pobreza e um maior número de mão de obra qualificada para realizar as funções necessárias dentro de uma empresa. Devido à repercussão positiva da Lei do Aprendiz, em 2003 foi criado o Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego (PNPE), que deu inicio a ações e projetos de qualificação e inserção custeados pelo Governo Federal. Para que isso se efetive, são realizadas parcerias com os governos estaduais e municipais, e também, com entidades do Terceiro Setor. O interesse do Ministério do Trabalho e Emprego em harmonizar a Aprendizagem e o PNPE, acabou tornando os dois projetos complementares (MTE, 2010). Para as empresas é um investimento em futuros profissionais e uma oportunidade de mostrar sua responsabilidade social, assim como, para a sociedade é uma forma de apontar alternativas para melhoria de qualidade de vida e conseqüentemente um investimento em si mesmo. Além disso, há órgãos públicos que são responsáveis pela fiscalização dos trabalhos envolvendo jovens aprendizes, que são as Delegacias Regionais do Trabalho e os Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente, que fiscalizam as atividades conferindo se são lícitas e realizadas dentro das formalidades previstas em lei. Neste sentido, através da Portaria nº 615/2007, o Ministro de Estado do Trabalho e Emprego criou o Cadastro Nacional de Aprendizagem, destinado à inscrição das entidades qualificadas em formação técnico-profissional metódica, buscando promover a qualidade técnico-profissional dos programas e cursos de aprendizagem, principalmente em relação a sua qualidade pedagógica e efetividade social. As entidades com tais fins são orientadas pelo artigo 8º do Decreto 5.598/2005 16 , o qual descreve a maneira como estas devem inscrever-se (através oferecendo-as para degustação, ou distribuindo amostras das mesmas; expor mercadorias no ponto de venda, com etiquetas de preços; fazer inventários de mercadorias para reposição; embalar mercadorias. (CBO 7841-05). E para as atividades ligadas a auxiliar de produção as funções são: preparar materiais de produção para linhas de produção; organizar a área de serviços; abastecer linhas de produção; alimentar máquinas, e separar materiais para o reaproveitamento. (CBO 724805). 16 o “Art. 8 Consideram-se entidades qualificadas em formação técnico-profissional metódica: I -os Serviços Nacionais de Aprendizagem, assim identificados: a) Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial-SENAI; b) Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial -SENAC; c) Serviço Nacional de Aprendizagem Rural-SENAR; d) Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte -SENAT; e e) Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo -SESCOOP;II - as escolas técnicas de 14 da portaria nº 1.003, as intituições da qual tratam os incisos I e II deste artigo ficam facultadas da inscrição no Cadastro Nacional da Aprendizagem). Para que haja a aprovação de novos cursos é preciso que sejam aprovados primeiramente pelo MTE, sendo necessário estar de acordo com os parâmetros de avaliação da qualidade técnico-pedagógica, confome publicados na Portaria 615/2007 e nos parâmetros estabelecidos pelo MEC. 17 educação, inclusive as agrotécnicas; e III-as entidades sem fins lucrativos, que tenham por objetivos a assistência ao adolescente e à educação profissional, registradas no Conselho Municipal dos o Direitos da Criança e do Adolescente. §1 As entidades mencionadas nos incisos deste artigo deverão contar com estrutura adequada ao desenvolvimento dos programas de aprendizagem, de forma a o manter a qualidade do processo de ensino, bem como acompanhar e avaliar os resultados. § 2 O Ministério do Trabalho e Emprego editará, ouvido o Ministério da Educação, normas para avaliação da competência das entidades mencionadas no inciso III. BRASIL. Decreto-lei n. 5.598, de 1 de dezembro de 2005. Regulamenta a contratação de aprendizes e dá outras providências.” Disponível em:< http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Decreto/D5598.htm> Acesso em: 30 abril 2010. 17 Art. 4º As entidades ofertantes de cursos de aprendizagem deverão observar, na elaboração dos programas e cursos de aprendizagem, os princípios relacionados nos arts. 2º e 3º do Decreto nº 5.154, de 23 de julho de 2004, e outras normas federais relativas à Formação Inicial e Continuada de Trabalhadores, bem como as seguintes diretrizes: I - diretrizes gerais: a) a qualificação social e profissional adequada às demandas e diversidades: dos adolescentes, em sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento (art. 7º, Parágrafo Único do Decreto nº 5598 de 1º de dezembro de 2005) dos jovens, do mundo de trabalho e da sociedade quanto às dimensões ética, cognitiva, social e cultural do aprendiz; b) o início de um itinerário formativo, tendo como referência curso técnico correspondente; c) a promoção da mobilidade no mundo de trabalho pela aquisição de formação técnica geral e de conhecimentos e habilidades específicas como parte de um itinerário formativo a ser desenvolvido ao longo da vida; d) a contribuição para a elevação do nível de escolaridade do aprendiz; e) garantir as condições de acessibilidade próprias para a aprendizagem dos portadores de deficiência; f) o atendimento às necessidades dos adolescentes e jovens do campo e dos centros urbanos, que por suas especificidades ou exposição a situações de maior vulnerabilidade social, particularmente no que se refere às dimensões de gênero, raça, etnia, orientação sexual e deficiência, exijam um tratamento diferenciado no mercado de trabalho; e g) a articulação de esforços nas áreas de educação, do trabalho e emprego, do esporte e lazer, da cultura e da ciência e tecnologia. II - diretrizes curriculares: a) o desenvolvimento social e profissional do adolescente e do jovem, enquanto trabalhador e cidadão; b) o perfil profissional e os conhecimentos e habilidades requeridas para o desempenho da ocupação objeto de aprendizagem, descritos na Classificação Brasileira de Ocupações - CBO; c) as Referências Curriculares Nacionais aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação, quando pertinentes; d) as potencialidades do mercado local e regional de trabalho e as necessidades dos empregadores dos ramos econômicos para os quais se destina a formação profissional; e e) outras demandas do mundo do trabalho, vinculadas ao empreendedorismo e à economia solidária. III - conteúdos de formação humana e científica devidamente contextualizados: a) comunicação oral e escrita, leitura e compreensão de textos e inclusão digital; b) raciocínio lógico-matemático, interpretação e análise de dados estatísticos; c) diversidade cultural brasileira relacionada ao mundo do trabalho; d) organização, planejamento e controle do processo de trabalho e trabalho em equipe; e) direitos trabalhistas e previdenciários, saúde e segurança no trabalho; f) direitos humanos com enfoques sobre respeito de discriminação por orientação sexual, raça, etnia, idade, credo religioso ou opinião política; g) educação fiscal para o exercício da cidadania; h) formas alternativas de geração de trabalho e renda com enfoque na juventude; i) educação para o consumo e informações sobre o mercado e o mundo do trabalho; (Redação dada pelo(a) Portaria 1003/2008/MTE); j) prevenção ao uso indevido de álcool, tabaco e outras drogas; k) educação para a saúde sexual reprodutiva, com enfoque nos direitos sexuais e nos direitos reprodutivos e relações de gênero; (Redação dada pelo(a) Portaria 1003/2008/TEM); l) políticas de segurança pública voltadas para adolescentes e jovens; e (Redação dada pelo(a) Portaria 1003/2008/MTE); m) incentivo à participação individual e coletiva, 15 Para a criação de atividades educacionais e profissionalizantes para os jovens, o Ministério do Trabalho e Emprego instituiu normas que regulam a criação de novas ONGs, havendo a necessidade de aprovação pelo Ministério, o que pode ser observado com a Portaria nº 615/2007, que criou o Cadastro Nacional de Aprendizagem, e é destinado à inscrição das entidades qualificadas em formação técnico-profissional metódica, buscando promover a qualidade técnico-profissional, dos programas e cursos de aprendizagem, principalmente em relação a sua qualidade pedagógica e efetividade social. Para que seja possível a realização da inscrição no Cadastro Nacional de Aprendizagem a instituição deve seguir alguns requisitos impostos pela Portaria nº 615/2007, que são elencados em seu artigo 3º 18, e dentre eles podem ser mencionados, público participante do programa/curso, objetivos do programa/curso, conteúdos a serem desenvolvidos, dentre outros. Em dezembro de 2008, foi publicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) a portaria nº 1.003, que além de alterar importantes artigos da portaria nº 615/2007, 19 também acrescenta diretrizes que visam atender as novas demandas da qualificação profissional. O objetivo é que a aprendizagem profissional, definida legalmente no nível de formação inicial e continuada de trabalhadores, possibilite novas formas de inserção produtiva, com a devida certificação. permanente e responsável, na preservação do equilíbrio do meio ambiente, entendendo-se a defesa da qualidade ambiental como um valor inseparável do exercício da cidadania. (Acrescentado(a) pelo(a) Portaria 1003/2008/MTE) MTE. Portaria nº 615/2007. Disponível em: http://www.mte.gov.br/legislacao/portarias/2007/default.asp. Acesso em: 13 jul 2010. 18 Art. 3º Para cadastrar os programas e cursos no Cadastro Nacional de Aprendizagem a instituição deverá fornecer, no mínimo, as seguintes informações: (Redação dada pelo(a) Portaria 1003/2008/TEM): I - público participante do programa/curso: número, perfil socioeconômico e justificativa para seu atendimento; II - objetivos do programa/curso: propósito das ações a serem realizadas, indicando sua relevância para o público participante, para a sociedade e para o mundo do trabalho; III - conteúdos a serem desenvolvidos: conhecimentos, habilidades e competências, indicando sua pertinência em relação aos objetivos do programa, público participante a ser atendido e potencial de aplicação no mercado de trabalho; e IV - estrutura do programa/curso e sua duração total em horas, justificada em função do conteúdo a ser desenvolvido e do perfil do público participante, contendo: a) a definição e ementa do (s) curso (s); b) sua organização curricular em módulos, núcleos ou etapas com sinalização do caráter propedêutico ou profissionalizante dos mesmos; c) respectivas cargas horárias teóricas e práticas; e d) ações de aprendizagem prática a serem desenvolvidas no local da prestação dos serviços; V - infra-estrutura física: equipamentos, instrumentos e instalações demandadas para as ações do programa, em função dos conteúdos, da duração e do número e perfil dos participantes; VI - recursos humanos: número e qualificação do pessoal técnico-docente e de apoio, identificação de ações de formação de educadores, em função dos conteúdos, da duração,e do número e perfil dos participantes; VII - mecanismos de acompanhamento, avaliação e certificação do aprendizado; VIII - mecanismos de vivência prática do aprendizado; e IX - mecanismos para propiciar a permanência dos aprendizes no mercado de trabalho após o término do contrato de aprendizagem. 19 A Portaria n. 1003/2008 adicionou as alíneas i até m do inciso II do art. 4º bem como outras alterações. MTE. Portaria nº 1003/2008. Disponível em: http://www.mte.gov.br/legislacao/portarias/2008/default.asp. Acesso em: 12 jul 2010. 16 Além disto, com a alteração da idade máxima para a contratação de aprendizes, os Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente não têm competência para aprovar programas que envolvem a qualificação sócioprofissional de jovens com mais de 18 anos, o que passa a ser assumido pelo MTE. (Cartilha para ONGs, 2002) O Cadastro é um ato concreto em favor da promoção dos direitos da juventude à qualificação profissional e ao emprego digno, pois possibilita ao MTE certo controle da qualidade dos cursos e programas. A possibilidade de acesso da sociedade também é facilitada pela divulgação da oferta dos cursos na página do MTE, promovendo a transparência dos atos governamentais e contribuindo com o trabalho dos órgãos e entidades responsáveis pela fiscalização dos direitos de adolescentes e jovens. (Cartilha para ONGs, 2002) Espera-se, ainda, que o Cadastro favoreça também o cumprimento espontâneo da legislação por empregadores, que percebem no investimento em mão-de-obra qualificada um benefício e não apenas uma imposição legal ou contribuição compulsória destinada ao Serviços Nacionais de Aprendizagem Profissional, ou supletivamente nas entidades sem fins lucrativos. Além das entidades, o Cadastro permite a inscrição de jovens e vagas de aprendizagem ofertadas por empregadores, possibilitando a aproximação entre os interesses de ambos, que é uma das funções do Sistema Público de Emprego. Além do Ministério do Trabalho e Emprego, há necessidade de avaliação da criação de novos cursos pelo Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, nos quais, os programas de aprendizagem a serem desenvolvidos, passam por uma análise e avaliações por uma Câmara Temática, composta por 21 representantes do governo e da sociedade civil. As reuniões ocorrem uma vez por mês, e tem por finalidade discutir os planos de ação de cada programa apresentado. No entanto, cabe ao CMDCA acatar ou não a decisão colocada em pauta na Câmara. O conselho é composto por 32 conselheiros, sendo que 16 deles são da sociedade civil e restante do governo. Entre os conselheiros encontram-se especialistas das áreas de educação, trabalho, entre outros. As avaliações feitas pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pelo Conselho Municipal da Criança e do Adolescente são essenciais ao bom funcionamento das Organizações, uma vez que, fornece parâmetros à atuação destas, proporcionando 17 qualidade aos programas de inserção do jovem no mercado de trabalho, que é de fundamental importância para o desenvolvimento do jovem na sociedade. Neste aspecto vale ressaltar a contribuição de Buiar e Garcia (2008), que analisam a criação da Lei de Aprendizagem como resultado do processo de flexibilização do âmbito industrial e do trabalho, distanciando-se da mecanização e previsibilidade que constituía a sociedade industrial. Ainda assim, segundo os autores, o modelo atual não modifica radicalmente o panorama, pois segue sendo baseado na lógica do ensinar o saber-fazer e não a construir uma consciência reflexiva sobre o próprio trabalho. [...] é difícil conceber a “Lei do Jovem Aprendiz” e seus antecedentes como legislações que foram promulgadas com a intenção de contribuir e produzir alterações significativas na realidade educacional e profissional destes jovens trabalhadores. O que se visualizou foram jogos de interesses que sempre procuraram proporcionar práticas educativas de caráter disciplinador, fragmentado e nada reflexivo. (BUIAR e GARCIA, 2008, p. 8). Em outras palavras, a Lei de Aprendizagem de alguma forma continua adaptada às transformações do mundo do trabalho, o que pode ser insuficiente para garantir a formação dos jovens aprendizes, na medida em que centra-se na perspectiva do trabalho, por vezes, desconsiderando que este jovem está em fase de formação em diversos aspectos. 1.2 As Políticas Públicas As políticas públicas dizem respeito às ações desenvolvidas pelo Estado e visam atender às demandas da população de uma dada sociedade, De modo mais específico de acordo com Marília Sposito Em sua concepção mais genérica, a idéia de políticas públicas está associada a um conjunto de ações articuladas com recursos próprios (financeiros e humanos), envolve uma dimensão temporal (duração) e alguma capacidade de impacto. [...] desse modo, o termo compreende a dimensão ético-política dos fins da ação, e deve se aliar, necessariamente, a um projeto de desenvolvimento econômicosocial e implicar formas de relação do Estado com a sociedade. (2003, p.59), Partindo deste pressuposto teórico, no presente estudo, pode-se inferir que as políticas públicas podem gerar impacto na realidade local, desenvolvendo diversos programas, entre os quais uma educação de qualidade, oportunidades de inserção 18 do jovem no mercado de trabalho, objetivando dar maior amparo aos jovens, proporcionando assim uma visão diferenciada acerca das perspectivas de futuro. Deste modo, quanto à análise do presente trabalho, as políticas públicas são caracterizadas como ações que visam fornecer maior qualidade à vida e atividades dos jovens do município de Itajaí. No Brasil, são desenvolvidas políticas públicas que visam atender a população como um todo, incluindo nesta, os jovens. A título de exemplo pode-se mencionar as políticas públicas voltadas especificamente para o ingresso do jovem no mercado de trabalho, cujo “caráter imprescindível das políticas públicas deriva da necessidade real para milhares de jovens de ingressar precocemente na luta pela sobrevivência” (FRIGOTTO, 2007, p. 204). Deste modo, as políticas públicas voltadas para a inclusão dos jovens movimentam o aparato estatal no sentido de criação de ações que aumentem as oportunidades oferecidas principalmente no sentido de profissionalização e qualificação profissional. Neste sentido, o poder público e a sociedade civil formam uma diretriz para as políticas de assistência, pois aumentam as possibilidades de adequado enquadramento das políticas às necessidades sociais. A implementação de políticas públicas tem sido foco de muitas discussões políticas e administrativas, que envolvem o cenário social de desenvolvimento e qualidade de vida de seus usuários. Neste âmbito, são crescentes as análises acerca das possibilidades de melhoria das políticas públicas em execução. Nestas análises destaca-se que as políticas públicas devem ser planejadas e efetivamente colocadas em execução, o que nem sempre ocorre nas gestões públicas. Por outro lado, uma política pública em execução deve atender de forma satisfatória o seu público alvo com efetividade. Diversos fatores, são necessários para implementação e manutenção de políticas públicas, entre os quais, o controle da burocracia estatal 20, que por vezes está mais preocupado em atender normas burocráticas do que conferir o nível de satisfação dos usuários de uma política pública. Rocha afirma que 20 Para um estudo mais complexo de burocracia estatal, recomenda-se o artigo de Labra (1988) na qual aborda vários aspectos desta categoria, que envolve todo o aparelho do Estado (órgãos, departamentos, funcionários, funcionamento do sistema) que de certa forma exerce controle sobre a sociedade. Além disso, Martins (1998) reflete sobre uma suposta crise do modelo burocrático estatal, que por necessitar defender o status quo é avesso às inovações, condição básica na contemporaneidade. Este autor pesquisa o surgimento de uma burocracia não-estatal, ligada às organizações do Terceiro Setor. 19 [...] as ações do Estado, implementadas por seus funcionários, obedecem à lógica de buscar reproduzir o controle de suas instituições sobre a sociedade, reforçando sua autoridade, seu poder político e sua capacidade de ação e controle sobre o ambiente que o circunda. A burocracia estatal, especialmente a de carreira, estabelece políticas de longo prazo diversas das demandadas pelos atores sociais. Suas ações buscam propor visões abrangentes sobre os problemas com que se defrontam. A capacidade que a burocracia tem de elaborar e implementar políticas é, em parte, resultante do controle que ela exerce sobre um recurso de poder privilegiado, que é o acesso diferenciado à informação. Nessa perspectiva, as decisões públicas trazem, portanto, a marca dos interesses e das percepções que a burocracia tem da realidade (2005, p. 14). É, pois, a estruturação do governo, orientado tanto pelas posturas políticas, quanto pelas administrativas que confere o grau de institucionalização do processo democrático, cuja preocupação primeira deveria ser o atendimento das demandas de seus cidadãos através de políticas públicas que viabilizem o desenvolvimento e a qualidade de vida da coletividade. Assim, fazem-se necessários novos modelos de administração, modelos estes que visem melhorias do poder público, não só quanto ao desequilíbrio de cunho econômico, mas também quanto à gestão das políticas públicas, sabendo que, através da gestão e administração adequada, é possível que haja um melhor aproveitamento dos recursos disponibilizados pelo Estado aos gestores públicos, sejam eles estaduais ou municipais. (ROCHA, 2005) Compreende-se que a administração pública deva estender à sociedade a possibilidade de participação na gestão de políticas públicas21, ressaltando que o êxito das mesmas está diretamente relacionado ao tipo de gestão seja ela mais burocrática ou mais democrática. Cabe tanto ao Estado, quanto ao cidadão fazer o controle dos gastos públicos, lembrando que toda política pública deva alcançar níveis de eficiência e efetividade. 22 21 SPOSITO (2003, p. 57-75) comenta que as políticas públicas da juventude estão circunscritas em um cenário de interação entre o Estado e a sociedade civil, onde diversos atores disputam sua constituição, implantação e avaliação. 22 É importante assinalar a distinção entre eficiência e efetividade na Administração Pública. A eficiência busca reduzir os gastos do Estado bem como otimizar os recursos à disposição do Estado e dos cidadãos. Em linhas gerais a eficiência precisa superar a burocratização dos serviços públicos, facilitando o êxito em suas realizações. Já a efetividade está ligada a projetos de longo prazo. Através da efetividade que se averigua se as ações implementadas obtiveram resultados impactantes, e não apenas pequenas melhorias. Para um estudo mais aprofundado do princípio da eficiência recomenda-se, dentre outros textos, o trabalho de Slomski et al (2010). 20 Beckert e King (2002), por sua vez, afirmam que é por meio da participação que se pode unir regras e decisões à satisfação do maior número possível de pessoas, diversos grupos da sociedade. A presença de vários grupos também traz uma maior eficiência aos serviços prestados, tendo em vista que estes apontam suas principais necessidades, que muitas vezes por não conhecê-las, passam desapercebidas pelo servidor público. Além disso, Roberts (2004) argumenta que a participação direta dos cidadãos é uma forma legítima de alcançar o autodesenvolvimento e o compartilhamento do poder. Castells, na obra A Sociedade em Rede (2006), demonstra que a participação da sociedade se torna ainda mais eficiente quando estabelecida em redes, facilitada pelas novas tecnologias da informação, sobretudo a internet. O trabalho em rede está ganhando força em diversas localidades e têm como base valores de democracia, igualdade, cooperação e construção coletiva, propiciando uma forte articulação entre entidades, indivíduos, poder público e empresas privadas, potencializando, assim, a capacidade de mobilização coletiva e realização de suas ações. Em um sentido mais geral, o uso das redes permitiu a incorporação do contexto em que se dá o desenvolvimento de uma determinada política, levando à produção de interpretações mais sociológicas do comportamento dos atores (LAUMMAN E KNOKE, 1987). O trabalho em rede ocorre através da articulação entre pessoas e organizações para apontar e colocar em prática soluções para os problemas sociais locais, melhorando assim a qualidade de vida dessas regiões, porém de forma mais organizada, mais eficiente, na medida em que envolve um conjunto de pessoas com interesses comuns. Ao se falar em políticas públicas é preciso ter em mente as ideias de planejamento e avaliação 23, tendo em vista que estas são fundamentais para que uma política pública obtenha sucesso, ou no mínimo sejam identificadas as suas falhas. De acordo com Scherer (1993), o plano é um instrumento de intervenção que decorre de um projeto social que lhe é anterior, ao qual busca responder e a cuja 23 “Considerando-se planejamento como uma intervenção na realidade conduzindo-a a um determinado objetivo ou a um ‘possível histórico’ [...], torna-se, pois, uma forma de condução da história ou uma forma histórica de controle social”. (SPOSATTI, 1980, p.8). 21 lógica deve obedecer a etapa da concepção. Do planejamento decorre o modelo de gestão que será implantado e compromete a qualidade de diversas modalidades de avaliação de políticas públicas. Oliveira (2006) destaca que, no contexto da sociedade em redes, o planejamento se solidificou como um processo que depende da maneira como ocorrem as relações de confiança entre as diversas partes interessadas e influenciadas pelas decisões. As políticas públicas são norteadas pela satisfação das necessidades básicas da população (PEREIRA, 2000), e para medir sua eficiência e eficácia faz-se necessário que estas sejam avaliadas periodicamente. Os processos de avaliação surgiram nos EUA na década de 60 diante de políticas de combate à pobreza, já no Brasil surge na década de 80, em um contexto de democratização. A avaliação de políticas públicas é uma área de atividades que tem como objetivo coletar, analisar e interpretar informações sobre formação, implementação e impactos de ações governamentais, que visam alterar as condições de vida de determinada população. Toda avaliação resulta em um julgamento, ou seja, a aprovação ou desaprovação, e este tem que ser feito da melhor forma para orientar o curso das ações. No Brasil, são desenvolvidas políticas públicas que visam atender a população como um todo, incluindo nesta, os jovens. A título de exemplo pode-se mencionar as políticas públicas voltadas especificamente para o ingresso do jovem no mercado de trabalho, cujo “caráter imprescindível das políticas públicas deriva da necessidade real para milhares de jovens de ingressar precocemente na luta pela sobrevivência” (FRIGOTTO, 2007, p. 204). Deste modo, as políticas públicas voltadas para a inclusão dos jovens movimentam o aparato estatal no sentido de criação de ações que aumentem as oportunidades oferecidas principalmente no sentido de profissionalização e qualificação profissional. Neste sentido, o poder público e a sociedade civil formam uma diretriz para as políticas de assistência, pois aumentam as possibilidades de adequado enquadramento das políticas às necessidades sociais. No Brasil, tem-se constatado que as políticas públicas vem sendo implementadas com a parceria de organizações não governamentais, identificadas como Terceiro Setor. 22 1.3 O Terceiro Setor como ação social de exercício da cidadania A atuação do Terceiro Setor pode ser evidenciada desde o século XVI, cujas entidades prestavam assistência às comunidades carentes sob responsabilidade da Igreja Católica. Esta atuação no período colonial se deve a associação do Estado e da Igreja Católica. Um bom exemplo de tais organizações de fins filantrópicos é a implementação das Santas Casas. A primeira Santa Casa de Misericórdia foi criada no século XV em Portugal pela Rainha Dona Leonor. A criação desta entidade tinha como objetivo principal prestar assistência médica gratuita às pessoas mais necessitadas. Esta prática foi, portanto, transferida por Portugal, para a colônia com a instalação das Santas Casas em solo brasileiro. No século XX, foi a modernização da sociedade, a industrialização e a urbanização que desencadearam o surgimento de novas e mais complexas necessidades sociais na população. Neste século, o mundo passou por grandes transformações, decorrentes em parte, da II Guerra Mundial e outras guerras conseqüentes, a Depressão Econômica pós-guerra, as epidemias e a ascensão das ditaduras. A partir da década de 1970, com predominância nos Estados Unidos, houve um fenômeno emergente de surgimento de organizações sem fins lucrativos, como: escolas, clínicas, organizações comunitárias, grupos ambientais e principalmente ONGs que constituíram o Terceiro Setor. O Terceiro Setor de acordo com Falconer apud Rodrigues [...] terceiro setor surge como portador de uma nova promessa, de forma que as organizações sem fins lucrativos vêm para suprir as necessidades das comunidades tendo como objetivo a renovação do espaço público, o resgate da solidariedade e da cidadania, a humanização do capitalismo e, se possível, a superação da pobreza. Uma promessa realizada através de atos simples e fórmulas antigas, como o voluntariado e a filantropia, revestidas de uma roupagem mais empresarial. (2009, p. 21) Este setor teve grande impacto sobre as economias de diversos países, tornando-o mais visível. As associações, fundações e instituições que constituíram o Terceiro Setor foram formadas para a provisão de serviços humanitários incluindo nestes a proteção ambiental bem como os direitos civis, por vezes, desrespeitados pelo Estado. A ausência de políticas públicas adequadas para enfrentar os 23 problemas do Estado, favoreceu o crescimento das ações de caráter associativo. O desenvolvimento de tecnologias, por sua vez, criou agrupamentos sociais mais exigentes e organizados, com capacidade para fazer valer suas demandas. O termo ‘Terceiro Setor’ deriva de um conjunto de ideias da economia clássica 24, na qual a sociedade é divida em setores. O ‘Primeiro Setor’ corresponde ao Estado, e poderia ser descrito como aquele no qual a origem e a destinação dos recursos são públicas. Já o ‘Segundo Setor’ corresponde ao Mercado, ou aos agentes privados que praticam ações com aplicação dos recursos revertida em benefício próprio. [...] o Terceiro Setor assemelha-se ao Estado (Primeiro Setor) na medida em que tem como objetivos e alvo de atuação o espaço público, mas diferencia-se do Governo por ser uma iniciativa da própria sociedade. Por outro lado, Terceiro Setor não equivale à iniciativa privada (Segundo Setor), pois apesar de não ser governamental, tem como objetivo o benefício social. (TEODÓSIO, 2002, p. 242). Dessa forma, o setor no qual os agentes privados agem com vistas aos fins públicos, torna-se o ‘Terceiro Setor’ Por essa mesma razão trata-se de um setor não-governamental e não-lucrativo (ALVES, 2002). Muitos projetos sociais deste setor estão vinculados às grandes empresas, que os desenvolvem através da chamada Responsabilidade Social 25. O Terceiro Setor é um campo social que atua na esfera pública, a partir da iniciativa privada voluntária, por meio de serviços e políticas públicas, na maioria das vezes sem o auxílio do Estado. O Terceiro Setor é conhecido também como ‘filantropia’ ou ‘setor voluntário’. A filantropia é parte constituinte do setor não-lucrativo, e pode ser compreendida como um serviço e doação voluntária, que tem como objetivo o bem humanitário. Realiza-se quando o filantropo faz uma particular contribuição de tempo, energia ou conhecimento para o receptor, visando a melhoria social. 24 O pensamento clássico da economia se desenvolve na segunda metade do século XVIII e no século XIX. Convenciona-se que Adam Smith é o primeiro grande autor da economia clássica. Para um estudo da evolução da economia ver Heilbroner (1996). 25 Sobre o significado de responsabilidade social: “Independentemente das semelhanças e alianças que existam entre o terceiro setor e os projetos sociais desenvolvidos ou apoiados por empresas, é importante ressaltar que o conceito de responsabilidade social empresarial é mais multifacetado do que pode parecer à primeira vista. As ações voltadas para a comunidade e para o ambiente representam somente duas das várias possibilidades de atuação socialmente responsável de uma organização. Na verdade, a responsabilidade social empresarial deve contemplar também os demais públicos de relacionamento da empresa: acionistas, funcionários, clientes, fornecedores e poderes públicos”. (GOLDSTEIN, 2007, p. 42-43). 24 Na década de 1990, registra-se a entrada do setor empresarial com a implantação de muitos programas e projetos sociais, através de fundações e institutos associados. Para o Terceiro Setor, a criação de programas e projetos sociais pelo setor empresarial foi crucial, posto ter lhe dado maior visibilidade e criado novas fontes de recursos. A implantação de tais programas exigiu uma regulamentação legal e foi criada a Lei 9.790/99 26. Tal Lei introduziu importantes alterações nas organizações deste setor, e inclusive criou a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIP 27, diferenciando as instituições privadas de interesse público. A participação dos cidadãos, ainda que de forma isolada ou em redes sociais, existe também, de forma a auxiliar o setor público, as organizações do Terceiro Setor. Este é constituído por organizações sem fins lucrativos e não governamentais, que tem como meta gerar serviços de caráter público. O terceiro setor em regra trabalha com verbas do setor privado para prover serviços públicos, porém nada impede que o próprio poder público destine verbas para este, tendo em vista que tem o dever de promover a solidariedade social e a distribuição de bens e serviços públicos. Com esta legislação instala-se na sociedade a Responsabilidade Social Corporativa cujos clientes e colaboradores passam a participar do desenvolvimento social. Por meio da adoção de práticas socialmente responsáveis, as empresas puderam perceber a fortificação de sua reputação e maior participação no mercado; atração, motivação e retenção de funcionários; aumento das vendas e diminuição dos custos; fortalecimento da marca; vantagem competitiva e atração de investidores e parceiros (OLIVEIRA, 2009). As ações sociais promovidas através da prática de negócios ou investimentos em uma causa social que promove o bem-estar da comunidade e a proteção do meio ambiente por parte das organizações apresenta-se como uma nova consciência, que ao considerar tais práticas sustentáveis, gera um equilíbrio entre os objetivos do negócio e os objetivos sociais. 26 Lei n. 9790 de 23 de Março de 1999. Dispõe sobre a qualificação de pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, institui e disciplina o Termo de Parceria, e dá outras providências. Disponível em:< http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9790.htm>. Acesso em: 18 jun. 2010. 27 OSCIPs são organizações criadas por iniciativa privada, que obtêm um certificado emitido pelo poder público federal ao comprovar o cumprimento de certos requisitos, especialmente aqueles derivados de normas de transparência administrativas. 25 A participação no Terceiro Setor propiciou uma concentração de investimentos em educação, cultura e saúde. Ainda que persistam vários obstáculos ao maior desenvolvimento da esfera de atuação pública não estatal, como as dificuldades de financiamento, reconhecimento institucional e regulamentação, é possível destacar avanços significativos nesta direção. As instituições da sociedade civil organizada, para além do seu engajamento histórico na defesa do meio ambiente e dos direitos sociais e políticos, têm contribuído decisivamente para a construção do capital social brasileiro, incorporando visões mais abrangentes das necessidades e anseios da população e encaminhando alternativas inovadoras de resolução das mesmas. (COSTA; VISCONTI, 2001, p. 30). De acordo com Teodósio (2002), as políticas do setor voluntário criam maior proximidade do cidadão, maior agilidade e desburocratização, desenvolvimento mais profundo da cidadania, valorização de soluções da própria comunidade, rompimento do assistencialismo e geração de emprego e renda. Para Lopes (2004, p. 60), o dilema que envolve a busca por realizar determinados objetivos, por parte de organizações do terceiro setor, é que estes nem sempre são vinculados a interesses públicos, pois podem facilmente constituírem-se em interesses privados. Em outras palavras, não é difícil as organizações do terceiro setor se desvirtuar de suas propostas. Por outro lado, não se pode deixar de mencionar como lembra Vieira que: Terceiro setor organizacional, ele é apenas terceiro setor do ponto de vista organizativo, ele não é uma propriedade. Por que não é uma propriedade? Porque os recursos públicos são recursos vindos de taxas e impostos, são recursos que vêm daquilo que chamamos de subsídios e, portanto, eles saem do tesouro e do orçamento da nação. Então não é um terceiro setor não estatal, ele é um terceiro setor público organizacional, não uma propriedade nova que foi criada, já que os subsídios são públicos, é o setor incentivado. (VIERIA apud LOPES, 2004, p. 60-61). As ONGs nascem de formações culturais a partir de sujeitos e grupos específicos, os quais já a formalizam com projetos e escopos definidos, o que geralmente está vinculado à determinada ideologia. A própria complexidade da realidade social pode facilmente induzir a busca por satisfação de interesses, por vezes, escusos, conflitando com outros projetos sociais. Além disso, é comum as ONGs receberem investimentos do Estado ou mesmo de empresas privadas, o que direta ou indiretamente estabelece um vínculo de relações, influenciando na tomada 26 de decisões. Lopes (2004) lembra que a ideia de gestão da Administração Pública traz no seu bojo a conotação de administrar um bem público e, portanto não deveria estar permeado por ideologia e projeto daqueles que ocupam o poder. Neste sentido, as ONGs se assemelham à administração pública, na medida em ao buscarem realizar certos objetivos e não outros já partem de ideologias e influências previamente estabelecidas. Em uma perspectiva crítica, pode-se questionar a respeito da atuação do Parque Dom Bosco no desenvolvimento do Projeto Jovem Aprendiz. Haveria algum interesse em difundir idéias religiosas ao desenvolver determinado projeto social no qual jovens desfavorecidos socialmente são incluídos? Ou ainda, quais seriam os objetivos institucionais que norteiam o Programa? O problema não está em existir uma filosofia ou ideologia influenciando a instituição, mas em não permitir que as ações da organização se tornem meios para cumprimento das metas de tais ideologias, mas sim em concretizar interesses públicos. Do contrário, poder-se-ia correr o risco de continuarem reproduzindo ou até mesmo ampliando vários problemas historicamente denunciados, entre eles a propagação de ideologias e alienação aos sujeitos. Nesse aspecto percebe-se uma forte influência religiosa no Terceiro Setor. A própria concepção de direito social28 e caridade 29 propagada pela Igreja Católica apresentada em suas ações assistenciais, por meio das pastorais, como da criança, do menor, da saúde entre outras, mostram um envolvimento religioso constante na assistência social. Esse envolvimento deve-se principalmente ao fato de a caridade ser difundida como um dever cristão, o que impele inúmeros voluntários a praticarem uma assistência baseada na ideia de amor fraterno às famílias carentes, mendigos, doentes, crianças abandonadas, deficientes físicos e mentais (SILVA, 2006). Todas as atividades são desprovidas de interesses pessoais ou materiais, expressando a vontade de servir ao próximo, por uma crença destes voluntários de que é “um dever 28 Segundo Silva (1999, p. 289-290), os direitos sociais "são prestações positivas proporcionadas pelo Estado direta ou indiretamente, enunciadas em normas constitucionais, que possibilitam melhores condições de vida aos mais fracos, direitos que tendem a realizar a igualização de situações sociais desiguais. São, portanto, direitos que se ligam ao direito de igualdade". 29 “ [...] a caridade possibilita uma relação de união e comunhão com o outro, seu irmão, porque considerado filho do mesmo Pai, garantindo a salvação a rico e pobre, ou seja, a recompensa de uma vida eterna plena de amor e paz, já que os leva a ações de acolhimento e humildade: ao primeiro, porque ajuda e ao segundo, porque aceita o que lhe é oferecido. Não concebe o conflito e a discórdia entre quem tem mais e quem tem menos. Aliás, onde a caridade se faz presente, as desavenças desaparecem”. (SILVA, 2006, p. 328). 27 cristão para com os desfavorecidos, demonstrando, assim, um espírito nobre”. (SILVA, 2006, p. 327). A diversidade de entidades cria uma heterogeneidade, decorrente da presença de diferentes sujeitos sociais, tais como: religiosas, empresários, comerciantes e comerciários, profissionais liberais, donas-de-casa, funcionários públicos, empregadas domésticas, estudantes e professores, entre outros, cujo princípio básico que os rege é a caridade. Historicamente as entidades religiosas têm por premissa básica o ‘amor ao próximo’. A caridade, na perspectiva cristã, é considerada a base que levaria homens e mulheres a terem sentimentos e virtudes como a bondade, a capacidade de perdoar, de acolher, a humildade, a aceitação mútua. Desta forma, em nome da caridade foram, e ainda são, construídas associações filantrópicas como asilos, albergues, creches, cujo fundamento são os valores quer da filantropia, quer da caridade cristã. Com este espírito, presta-se assistência material àqueles que nada possuem. Muitas dessas associações filantrópicas institucionalizaram-se formulando estatutos, adotando normas e critérios para o atendimento, em busca de recursos da comunidade e do Estado, tais como doações e isenções de impostos. (SILVA, 2006, p. 329). Mas as ações desenvolvidas não se limitam à assistência material. Há também preocupação de que esta caridade possibilite a superação da situação de sofrimento daqueles que vivem em penúria e que são atendidos pelas instituições de caridade. As ações solidárias estimulam a organização e desenvolvimento dos trabalhadores em busca de melhores condições de trabalho e de vida: saúde, habitação, educação, lazer. Para tal incentiva-se a organização de atividades das famílias ou dos indivíduos em cooperativas, associações e oficinas, possibilitando a qualificação básica dos beneficiados, ou a formação de grupos de debates para a busca de soluções para a comunidade. A superação da situação difícil do beneficiado, após a participação em tais projetos, reforça o sentido de cidadania nas ações dos voluntários, uma vez que, busca-se muito além de solucionar problemas emergenciais, possibilitar aos beneficiados uma melhoria na qualidade de vida. Isso os torna pouco a pouco independentes da ajuda das entidades, conforme vão se desenvolvendo e organizando-se dentro da comunidade. 28 Foi o envolvimento e a participação das Empresas, Instituições Religiosas e o financiamento do Estado, que viabilizaram inúmeras ações sociais, surgindo assim no interior do Terceiro Setor organizações com características, papéis, matizes e formas institucionais totalmente diferenciadas, como já afirmamos. Deste modo, no âmbito das diferentes organizações, para que fosse possível haver um diálogo entre elas, foram criadas algumas diretrizes para orientação das organizações. Neste sentido, as organizações devem apresentar as seguintes características: formalização, ou uma forma de institucionalização, ações que justifiquem a sua existência formal (reuniões, representantes ou estruturação regular); natureza privada, ou autonomia do Estado; não distribuição de lucros, pois se houver excedente de natureza econômica deverá ser revertido para a própria atividade-fim; auto-gestão, ou capacidade de controlar as próprias atividades; e, por último, a participação voluntária. (COSTA, CARNEIRO, VEIGA, 1997, p. 9) Embora haja uma grande variedade de terminologias para definir o Terceiro Setor, e também dentre as formas de organização que o compõem, o que se constata é que a realidade global traz uma revolução associativa. A cada dia surgem novas organizações, bem estruturadas e que atuam fora do aparelho formal do Estado, enfrentando grandes questões sociais e impactando de forma direta na realidade mundial. Elas surgem, se desenvolvem e são gerenciadas a partir da iniciativa da sociedade civil organizada. Ressalta-se que as atividades do Terceiro Setor tornam-se relevantes, tendo em vista a atual crise econômica mundial, a poluição ambiental, a escassez de recursos do setor público e da ineficácia governamental para atender a população mais necessitada. Nosso país sempre foi palco de grandes desigualdades, as quais se tornam um sério obstáculo ao desenvolvimento sustentável. Há necessidade de constantes investimentos uma vez que os seus programas sociais tornaram-se uma ferramenta poderosa de auxílio no atendimento das demandas sociais. Atualmente o Estado tem redefinido seu papel na sociedade contemporânea. Seu enfraquecimento como agente regulador trouxe a necessidade da intervenção social. Esse fenômeno mostrou um fortalecimento da sociedade civil, que busca novas alternativas para o processo democrático. Os cidadãos transcenderam parcialmente a dependência do Estado, reformulando a postura de que o mesmo deveria prover todas as suas necessidades, para buscarem por si mesmos formas de supri-las. Os homens das últimas gerações tem se responsabilizado de forma 29 mais séria pelas conseqüências das ações e hábitos das gerações passadas, introduzindo uma nova concepção de equilíbrio entre indivíduo e responsabilidade coletiva. (GIDDENS, 1996). 30 Em tais ações não só os beneficiados, como também os voluntários, no exercício da cidadania, acabam por qualificar a própria vida, no sentido de se responsabilizar e agir eticamente pelo bem coletivo. A atual complexidade das transformações sociais exige a criação de novas perspectivas, que incorporam a participação popular no avanço da cidadania e justiça social, e, neste sentido, entende-se por cidadania não só a participação na tomada de decisões, de inserção em debates de cunho político, ou a manifestação de direitos eleitorais, mas sim, a cidadania em seu aspecto amplo e real, que valora a participação em ações que visem à população em geral e melhores condições de vida em sociedade. Neste sentido, cabe mencionar que todos agregam benefícios quanto à participação de projetos que promovam a educação cidadã. (COSTA, CARNEIRO, VEIGA, 1997, p. 35). A participação da população é essencial para a promoção da cidadania e da justiça social sendo, portanto, fundamental incentivar os jovens a participar de programas que tenham como objetivo promover melhorias na educação, na oferta de trabalho e emprego, na cidadania, na saúde e em todas as atividades que visam promover a integração do jovem à sociedade. Trata-se de um passo importante, no qual, através da promoção da cidadania se possa chegar à justiça social, através da participação popular, envolvendo jovens e crianças das comunidades, inserindo-os nas atividades da sociedade, estimulando-os ao trabalho e à promoção de conhecimento. Cabe ressaltar, ainda, que o Terceiro Setor tem um papel importante, não só pela atuação em prol do desenvolvimento humano e social da população, mas também por sua capacidade geradora de emprego e pelo potencial de mercado de trabalho que representa, uma vez que é tido como destaque na economia nacional, tendo um elevado número de instituições cadastradas, o que facilita a implantação de novos programas e políticas. Neste sentido, O terceiro setor já é destaque na economia nacional. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que avaliou pela 30 Contudo, há divergências quanto a estas concepções. Filippim e Abrucio (2010), por exemplo, pesquisam o processo de descentralização das políticas brasileiras tendo em vista a Constituição Federal de 1988 como também uma alternativa para amarrar os poderes locais ao Estado. 30 primeira vez a participação econômica do segmento no Brasil, o setor movimenta aproximadamente R$ 32 bilhões. Este valor representa 1,4% na formação do Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB). [...]Entre os dados revelados na publicação As Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos no Brasil (Fasfil), destaque para o crescimento de 157% do número de fundações privadas e associação sem fins lucrativos entre 1996 e 2002. Isso representa um salto de 105 para 276 mil instituições oficialmente cadastradas. A maior parte delas está concentrada na Região Sudeste (44%), sendo que somente os estados de São Paulo (21%) e Minas Gerais (13%), reúnem um terço das organizações existentes em todo o Brasil. (RIBEIRO, 2007). O Terceiro Setor tem alcançado cada vez mais espaço desenvolvendo programas que impactam diretamente a realidade local e nacional, como registrou Ribeiro (2007). Além disso, em parte estimuladas pelas relações globais as empresas vem se modernizando e consequentemente o Terceiro Setor passou a desenvolver, de forma crescente nos últimos anos, projetos sociais ou vinculando-se com suporte técnico-financeiro às fundações e institutos que visam resolver problemas sociais, como já afirmamos. De acordo com Rodrigues (2009, p. 14), No atual levantamento feito em 2006 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Terceiro Setor é considerado a oitava economia do Mundo, responsável por movimentar mais de US$ 1 trilhão por ano, o que corresponde a 8% do PIB do planeta (IBGE, 2006). No Brasil, representando R$ 10,9 bilhões, ou 5% do PIB, são consideradas organizações sem fins lucrativos aquelas cujas definições estatutárias e atividades não visam lucros. Observa-se assim, o crescimento do Terceiro Setor e sua contribuição para a sociedade como um meio pelo qual se visa a promoção de melhores condições às atividades sociais, movimentando não apenas a economia,mas também auxiliando no desenvolvimento social e na resolução dos problemas sociais. 1.3.1 Os programas sociais A instauração de programas que visem minimizar os problemas sociais, depende de políticas sociais específicas e depende, por vezes, de propostas de gestão que tenham como plano de ação metas voltadas para o planejamento estratégico e implementação de programas que visem as reais necessidades das comunidades. No caso de programas destinados aos jovens estes devem, primeiramente, visar propostas de inclusão social. 31 Os programas, por vezes, apresentam deficiências como constatou Costa, ressaltando que: a) os problemas sociais que se pretendem enfrentar com estas políticas são debilmente estruturados e não podem ser definidos de maneira rigorosa; b) as políticas e programas desenhados e aprovados pelo governo não perseguem objetivos únicos e sim objetivos múltiplos [...]; c) as metas tendem a ser definidas, dentro de certos parâmetros, no decorrer da implementação .[...]; d) o caráter brando das tecnológicas utilizadas na quase totalidade dos programas sociais significa que as supostas relações causais que vinculam os insumos e as atividades com os produtos, resultados e impactos não respondem a um conhecimento certo e válido, sendo, no máximo, hipóteses a serem verificados. (COSTA, et. al, 1997, p. 6) A implementação de programas sociais parte do pressuposto de um engajamento entre o poder público e a sociedade civil cujo objetivo primeiro é a busca por maior igualdade social. Deste modo, a implementação de programas sociais passa por uma série de ações de cunho organizacional para posteriormente se chegar a um resultado. Dado o número de atores sociais envolvidos tais programas nunca ficam sob a responsabilidade de apenas uma agência, exigindo o envolvimento de diversos atores no âmbito das negociações. Outro fator a ser considerado no desenvolvimento dos programas é a burocracia pública, que exige capacidade institucional e gerencial na execução e no acompanhamento dos programas (COSTA, et al, 1997, p. 7). Tem-se observado que a participação popular exerce grande importância quanto à efetividade das políticas públicas implantadas nas comunidades das quais fazem parte, uma vez que, através de tal participação é possível que se tenha uma maior abrangência das necessidades existentes, colocando-as numa estrutura de prioridades como afirma Costa, [...] a participação popular tem-se dado principalmente através de conselhos setoriais e locais. Estas iniciativas aproximaram a administração pública dos cidadãos; [...] ajudaram na identificação mais rápida de problemas e lacunas e a construção de alternativas; aumentaram a transparência administrativa e pressionaram as diversas áreas do governo em direção a ações mais integradas. (COSTA, et al, 1997, p. 41) Com ações participativas da comunidade, pode-se dizer que ocorre relativa descentralização quanto às estratégias de gestão cujo envolvimento da comunidade 32 visa “a melhoria na gestão de questões voltadas para a área social” (CAMPELO e CARVALHO, 2002, p. 71). Neste sentido, observa-se que com a participação ativa das comunidades nos programas sociais têm-se maiores possibilidades de verem-se abrangidas questões como inclusão de jovens ao mercado de trabalho, por exemplo. Entretanto, é necessário considerar que haja, também, um engajamento de diversos setores do poder público, tanto judiciário quanto legislativo e executivo, para que deste modo as ações desenvolvidas estejam de acordo com o aparato legal. 1.4 A juventude e suas perspectivas Caracterizar a juventude, não é uma das tarefas mais fáceis. Isso se dá devido ao fato de que não é apenas a faixa etária que a determina, mas sim as atitudes, heranças e arbítrios culturais socialmente construídos que determinam quando se está, e quando se passa por esta fase da vida. Mas, como se definir essa juventude? Na concepção das sociedades clássicas Greco-romanas, a juventude se referia a uma idade entre os 22 e os 40 anos. Juvenis vem de aeoum, cujo significado etimológico é ‘aquele que está em plena força da idade’. (NOVAES, 2007, p.10). Neste período, quando se chegava à juventude, o indivíduo tornava-se responsável pelos próprios atos e possuidor de direitos. Atualmente, de acordo com a maioria dos organismos internacionais, considera-se jovem a faixa etária entre 15 e 24 anos. Porém, essa idade pode variar de acordo com o tema tratado. Com a oscilação de idades, contrastam inúmeros reflexos, imagens e expectativas, juventudes esperançosas, juventudes perdidas e tantas outras. (NOVAES, 2007, p. 11) No centro de temas sociais como economia, política e direito, os jovens ganham cada vez mais espaço, talvez porque os mesmos já não saibam mais seu espaço no mundo e temem o próprio futuro. Tratar dos dilemas e das perspectivas da juventude é falar da própria modernidade em termos de sociedade, mercado, globalização, conhecimento e todos os sentimentos, sejam eles positivos ou negativos que ancoram e/ou impulsionam a juventude. (NOVAES, 2007, p. 11) No convívio social dos jovens quando o assunto é o futuro, torna-se notável a interrogação e a palidez que logo estampa os olhares. Isto se deve a quase que 33 completa desmotivação dos jovens por não verem uma saída, um futuro. Mas, não se pode generalizar. Para Novaes (2007, p. 11) a juventude está inserida em uma sociedade capitalista, baseada em atrativos como propagandas, o comércio e os modismos. A mídia, seja por noticiários ou programas de entretenimento, transmite as informações e propagandas que serão assimiladas pelos jovens como o único ou o melhor modo de situar-se no mundo. Aquilo que a mídia veicula, sejam programas de televisão, produtos, etc, geram modas a serem perseguidas pelos jovens. Melucci (1996), ao tratar do tema juventude destaca que: Vivemos em uma sociedade que concebe a si mesma como construída pela ação humana. Em sistemas contemporâneos, a produção material é transformada em produção de signos e de relações sociais. Uma codificação socialmente produzida intervém na definição do eu, afetando as estruturas biológica e motivacional da ação humana. Ao mesmo tempo, existe uma crescente possibilidade, para os atores sociais, de controlarem as condições de formação e as orientações de suas ações. (MELUCCI, 1996, p. 5). Há uma tendência em situar a juventude em um contexto de homogeneização onde traços marcantes são percebidos e acabam por formar uma identidade para o grupo, e não mais para o indivíduo. Mas, são muitas as “juventudes”. Pode-se dizer que a Juventude é parcela importante da sociedade, como reserva latente de energia e potencialidades, cuja estrutura social orienta essas reservas, e também quais dentre elas, são ou não mobilizadas e integradas em alguma função social. É essa dimensão que faz com que os jovens sejam vistos como potenciais atores da participação. Apesar de a participação ser uma necessidade básica, o homem não nasce sabendo participar. A participação é uma habilidade que se aprende e se aperfeiçoa. Isto é, as diversas forças e operações que constituem a dinâmica da participação devem ser compreendidas e dominadas pelas pessoas. (DIAZ BORDENAVE,1994, p. 46). A educação é a principal formadora do sentimento cidadão, sendo que, na adolescência o cidadão passa por um processo de formação de ideias de opiniões, sendo deste modo, necessário que o jovem tenha uma educação disponível e de qualidade, que faça com que ele possa desenvolver-se em sociedade através dos critérios básicos da educação. 34 Mannheim (1979) destaca a importância dos jovens terem acesso a uma educação e formação política, que os capacite a serem agentes promotores da mudança social e construtores da sociedade: A juventude não se apresenta progressista nem conservadora por natureza, mas é uma potencialidade que está pronta para qualquer nova orientação da sociedade. [...] Essa penetração na sociedade, feita de “fora”, torna, então, a juventude especialmente apta a simpatizar com os movimentos sociais e dinâmicos que, por razões muito diferentes da sua, se chocam com o estado de coisas existentes. (MANNHEIM, 1979, p.95 ). A formação política, desse modo, surge como construção de uma consciência mais crítica, capaz de investigar as várias questões sociais e propor soluções. A educação dos jovens não pode ser algo apenas técnica, mas capaz de despertá-los para a enorme responsabilidade que carregam como promotores de cidadania. Em uma sociedade repleta de desigualdades, é necessário cultivar nos jovens uma sensibilidade para com as problemáticas contemporâneas, de modo que no futuro não sejam apenas mantenedores do status quo, mas possíveis transformadores sociais. O menor é um ser em pleno desenvolvimento físico, emocional, cognitivo e sociocultural, de forma que, a necessidade de trabalhar não deve prejudicar o seu regular crescimento, daí porque, exige-se que até um limite de idade, não se afaste o menor da escola e do lar, onde receberá às condições necessárias à sua formação e futura integração na sociedade ativa. O trabalho prematuro ou em condições impróprias, acarretam lesões irreparáveis e com reflexos danosos. (WANTOWSKY, 2004, s/n). É neste contexto preocupante que inúmeras organizações do Terceiro Setor, passaram a criar projetos envolvendo a música, os esportes, o teatro, a dança, capacitação profissional e outras atividades para jovens provenientes de famílias menos favorecidas. Tais projetos têm como propósito possibilitar a inserção de jovens no mercado de trabalho e complementarmente promover o desenvolvimento social de grupos sociais nos quais estão inseridos. A população jovem representa grande parte da população do país, sendo, por vezes, atribuídos a estes a responsabilidade de práticas, como por exemplo, a delinquência, sem que se tenha clareza sobre as causas precípuas, a origem e 35 finalmente o que seriam efetivamente atos deliquentes.31 Esta imprecisão conceitual deve ser problematizada como alerta Maria Suzana de Stefano Menin Os autores afirmam que a delinqüência é, em parte, algo definido pela cultura; além disso, supuseram que as atitudes sobre a delinqüência dependem do lugar social do sujeito que as considera. Considerando as atitudes como disposições relativamente duráveis em relação a um objeto determinadas por um conjunto de elementos cognitivos e emocionais a ele ligados, os autores acreditam que elas mudam conforme o conhecimento e o envolvimento emocional dos sujeitos; assim é de se esperar que jovens infratores, pais, educadores de menores, juízes ou policiais façam avaliações diferentes sobre o que é considerado infração (MENIN, 2003, p.126). Muito embora o ambiente de convívio dos jovens influencie na maneira como interagem com a sociedade, podendo até ser, como mencionado acima, uma questão cultural, é preciso relativizar ao considerar que jovens em situações desfavoráveis, ou em lugares sociais desfavoráveis tendem para a delinqüência. Tais afirmativas podem gerar um determinismo social, especialmente em relação aos grupos sociais menos favorecidos, o que pode gerar preconceito e discriminação por parte de outros grupos sociais. Aliás, muito se tem discutido e afirmado que “ser pobre não significa ser bandido”. O fato é que políticas públicas e projetos que visam dar oportunidades aos jovens são fundamentais para gerar uma auto-imagem e uma cultura positivada na medida em que viabilizam novas perspectivas de vida para estes jovens. O trabalho tem se tornado cada vez mais essencial na vida dos jovens, não apenas por uma questão de independência financeira, mas, principalmente porque para muitos o trabalho é uma questão de sobrevivência através do qual os jovens podem garantir a sua subsistência e de sua família. É neste sentido que grande parte das reflexões teóricas chama a atenção para as ações e atividades destinadas aos jovens, por vezes, identificados e caracterizados de forma inadequada, na medida em que não apresentam clareza sobre quem é este jovem. Neste sentido, semelhante ao que identificou Frigotto ,o jovem do presente estudo trata-se de [...] jovens [...] que têm “rosto definido”. Pertencem à classe ou fração de classe de filhos de trabalhadores assalariados ou que produzem a vida de forma precária por conta própria, no campo e na cidade, em regiões diversas e com particularidades socioculturais e étnicas. Compõem esse universo aproximadamente 6 milhões de crianças e jovens que têm inserção precoce no mundo do emprego ou 31 Segundo o Censo do IBGE de 2010, 45,62% da população brasileira situa-se na faixa entre 18 e 25 anos. Na página do instituto é possível conferir vários dados acerca da situação brasileira envolvendo trabalho e estudo entre os jovens. 36 subemprego. Inserção que não é uma escolha, mas uma imposição de sua origem social e do tipo de sociedade que se construiu no Brasil. (2007, p.181). Observando a realidade brasileira constata-se que a divisão social do trabalho e as questões culturais, fazem com que seja freqüente a inserção precoce de jovens no mercado de trabalho. Impõe-se ao jovem de segmentos desprivilegiados a necessidade de subsistência através do trabalho. A partir desse processo de inserção do jovem no mercado de trabalho estes podem apresentar algumas atitudes diferenciadas entre os jovens, na medida em que estes passam por um “processo de adultização precoce” (FRIGOTTO, 2007, p. 181 – 182). Ou seja, o jovem deixa de viver a sua juventude e torna-se precocemente um adulto. O grande problema que tem se observado quanto à inserção do jovem no mercado de trabalho é a questão de que as atividades nas quais o jovem se habilita a fazer, na maioria das vezes, não oferece remuneração com níveis satisfatórios. (SPOSITO, 1993, p. 163). Recebendo baixos salários em sua fase de formação, não raras vezes, é retirado do meio familiar e educacional precocemente. Esta prática traz grandes implicações futuras, pois a partir do momento em que o jovem deixa de freqüentar a escola retira de si uma oportunidade futura de melhoria em sua condição social. Neste sentido, Novaes (2003, p. 131 – 132) salienta que o problema maior dos jovens com relação ao mercado de trabalho se reflete em três principais “mitos”, que seriam, o primeiro, o grande número de jovens que se inserem no mercado, tendo em vista ser esta população a de maior número no país, segundo, a falta da educação exclui muitos jovens do mercado, e o terceiro, relaciona-se a capacitação dos jovens diante dos novos modelos de inovação tecnológica. Deste modo, cumpre enfatizar a necessidade da objetivação e implementação de políticas públicas adequadas, que possam agregar ao mesmo tempo a necessidade de inserção no mercado de trabalho e questões basilares como a educação, que a médio e longo prazo integrará o perfil profissional do jovem. 1.4.1 Juventude e pobreza A partir dos anos 90 vem ocorrendo um crescimento da população jovem que se encontra desocupada com idade até 24 anos. Estes dados identificados por Sposito (2003, p. 17) que menciona que em 2001 o desemprego atingiu 27,3% dos 37 jovens na faixa entre 15 e 19 anos e 18,9% entre 20 e 24 anos. Muito embora, não se possa deixar de mencionar que, para o mesmo período, o desemprego tenha atingido todas as faixas etárias, alcançando a média de 12,1%, mas o segmento mais afetado foi o dos jovens. Sposito (2003, p. 18) ao analisar os dados objetivando compreendê-los imputa a dois fenômenos estes resultados. Um deles se refere ao tempo dedicado aos estudos, havendo, portanto, uma tendência contemporânea à ampliação do tempo dedicado exclusivamente aos estudos. O outro, talvez o mais decisivo, seria a exigência de maior preparo técnico para as funções, na qual se inclui, uma escolaridade mínima com conclusão de cursos técnicos, graduações, etc, intensificando, assim, o afastamento de jovens de classes baixas do mundo do trabalho. A pesquisa de Zago, (1998) por outro lado, revela que há por parte de algumas famílias mais pobres uma compreensão de que os estudos são fundamentais para mudar a sua condição de vida, ou seja, vislumbram nos estudos a oportunidade de construção de um futuro melhor. Além disso, o próprio mercado de trabalho tem feito exigências expressando a ideia de que o futuro profissional mais qualificado está ligado à continuação dos estudos, o que também pode contribuir para a redução de jovens no mundo do trabalho. Os jovens pobres possuem um maior número de desocupados que os não pobres. Esse índice ocorre pelo fato de que os jovens mais pobres possuem um baixo nível de escolaridade. Analistas afirmam que devido a baixa geração de postos de trabalho, houve uma transformação no sistema produtivo que resultou na exigência de um nível mais alto de escolaridade para que assim os trabalhadores se adaptem mais facilmente a diversos tipos de trabalho. (RIBEIRO, 2009). Os empresários têm a sua disposição um elevado número de jovens desocupados experientes, não tendo motivo para que escolham os sem experiência. Os jovens pobres possuem uma grande dificuldade em encontrar empregos, principalmente no mercado formal (RIBEIRO, 2009). A juventude que vive na pobreza acaba facilmente nas ruas, sendo os principais motivos: a ausência dos pais por terem que trabalhar e a carência de assistencialismo público, como a falta de creches e escolas; fuga da violência doméstica; e devido a necessidade de contribuírem no orçamento financeiro de sua família (MOREIRA, 2007, p. 15). 38 Muitos jovens pobres são obrigados por seus pais a irem para rua conseguir dinheiro de alguma forma. Essa vivência nas ruas funciona como forma de sobrevivência para eles e seus familiares. Esses jovens saem cedo de casa, retornam à noite, cansados, jantam e dormem. Assumem uma típica rotina de trabalho de um adulto, rompendo com as normas que proíbem o trabalho infantil. (MOREIRA, 2007, p. 121). Há que se ressaltar ainda, que as crianças e adolescentes pobres que passam muito tempo na rua deixam de usufruir a infância, porque a rua exige do jovem o papel de um adulto, impondo-lhe autonomia e a busca da própria sobrevivência (MOREIRA, 2007, p. 143). Essa situação vai excluí-los de diversos direitos básicos, como da educação, lazer e convivência familiar, e também de direitos previdenciários e trabalhistas (MOREIRA, 2007, p. 123-124). A exclusão social é amplificada pela mídia que mostra a violência praticada nas ruas como um poder hegemônico incontrolável, contribuindo incessantemente na associação da violência com os jovens pobres da periferia. A imagem passada é de que a periferia é um lugar de risco social, os jovens são potenciais bandidos e a família é culpada pela má-conduta (MOREIRA, 2007, p. 21). Entretanto, é preciso reverter essa imagem, oferecendo ao jovem e a sua família políticas públicas que atendam aos reais interesses e necessidades deste segmento social. 1.5 As representações sociais e a compreensão da realidade O indivíduo e a sociedade estão intrinsecamente relacionados de maneira que ocorre uma interação do indivíduo com seu meio social, e deste com o indivíduo. A partir desta interação do indivíduo com a sociedade há uma formação de conhecimentos advindos desta relação. Neste sentido, O conhecimento emerge do mundo onde as pessoas se encontram e interagem, do mundo onde os interesses humanos, necessidades e desejos encontram expressão, satisfação ou frustração. Em síntese, o conhecimento surge das paixões humanas e, como tal, nunca é desinteressado; ao contrário, ele é sempre produto dum grupo específico de pessoas que se encontram em situações específicas, nas quais elas estão engajadas em projetos definidos (MOSCOVICI, 2003, p. 8 – 9) 39 Assim, das relações existentes na sociedade surgem uma série de entendimentos acerca de como os indivíduos se relacionam e interferem na sociedade (MOSCOVICI, 2003, p. 9). No estudo em pauta, a teoria das representações sociais auxilia na compreensão de como, neste caso, ocorre a interação do jovem que passou pelo Programa Jovem Aprendiz e a sociedade na qual está inserido, e a atuação do Terceiro Setor que viabiliza o aprendizado destes jovens em atividades profissionais. Com tal perspectiva busca-se através da Teoria das Representações Sociais compreender de que forma atuam os institutos e fundações que atendem às populações carentes, assim como as empresas e organizações que estabelecem parcerias com tais instituições. Ou seja, no presente caso, como implementam novos programas que visam à inserção ou inclusão do jovem ao mercado de trabalho. A teoria das representações sociais, neste sentido, desempenha importante papel, uma vez que a partir das análises realizadas baseadas nesta teoria, pode-se ter um conjunto de relações sociais evidenciadas que necessitam de maior atenção, principalmente entre as populações carentes. Observa-se assim, que a partir desta teoria, pode-se obter uma análise de quais são as necessidades da sociedade e também como instituições, empresas, entidades, estão agindo no amparo e resolução de tais situações. As representações sociais entendidas como sendo compostas também pelas percepções de determinados grupos sociais auxiliam a elaboração de políticas públicas e as atividades de Terceiro Setor para ações que visam eliminar um dos principais problemas sociais, a falta de oportunidades para os jovens, especialmente, os carentes em atividades que visem a integração, o crescimento e o desenvolvimento social. A variação de ideias coletivas na sociedade é somente um reflexo da diversidade dentro das sociedades, onde as diferenças, no caso da sociedade capitalista espelham uma distribuição desigual, seja ela de poder, renda, informação ou cultura. É esta mesma variação que vai resultar em uma heterogeneidade de representações sociais. Em qualquer cultura há pontos de tensão, e é justamente ao redor destes pontos destacados no sistema que emergem novas representações. Nestes pontos de clivagem, é onde surge o novo, pois há falta de sentido e explicação para o todo. E do mesmo modo que se repele o vazio, a cultura e a sociedade também repudiam e afastam a ausência de sentido, buscando como 40 solução implantar algum trabalho representacional para familiarizar o não-familiar para assim restabelecer um sentido de estabilidade. (MOSCOVICI, 2003, p. 58). Ainda, mais frequentemente, as representações sociais surgem após um longo conflito em certo ponto da sociedade. Por isso, o fenômeno das representações sociais está ligado aos processos sociais apresentados onde há diferenças na sociedade. São criações coletivas, que se estivessem sob condições de vida diferentes, implicaria também em outra criação. Ocorre que, muitas vezes existe uma barreira, uma certa dificuldade de penetrar o interior para descobrir os mecanismos e o funcionamento interno das representações de uma maneira mais detalhada. “As representações sociais devem ser vistas como uma maneira específica de compreender e comunicar o que nós já sabemos” (MOSCOVICI, 2003, p.46). Se, em um sentido clássico, as representações coletivas referem-se a uma classe geral de ideias e crenças como a ciência e a religião, são agora um objeto de reflexão, que necessita ser descrito e explicado, como fenômeno que é. São fenômenos específicos, relacionados a um modo peculiar de compreender e de se comunicar com o mundo exterior. (MOSCOVICI, 2003, p. 49) Quando tudo é dito e feito, as representações [...] são sempre o resultado de um esforço constante de tornar comum e real algo que é incomum (não-familiar), ou que nos dá um sentimento de nãofamiliaridade. E através delas nós superamos o problema e o integramos em nosso mundo mental e físico, que é, com isso, enriquecido e transformado. (MOSCOVICI, 2003, p. 58). Para Moscovici (2003) como na sociedade de hoje predomina cada vez mais a proliferação de opiniões coletivas, mas por outro cresce o contato entre as diversidades culturais e psicológicas entre os indivíduos, uma das ideias chaves da representação social é de como os indivíduos e grupos conseguem construir um mundo estável diante da complexidade e diversidade.. Nós vemos uma pessoa, ou coisa, que não se enquadra em nossas representações, que não coincide com o protótipo, [...] ou um vazio, uma ausência [...]. Em cada caso, nós somos provocados a encontrar uma explicação. De um lado, existe uma falta de reconhecimento (recognition); de outro lado, existe uma falta de conhecimento (cognition). De um lado, uma falta de identidade; de outro, uma afirmação de não-identidade. Nessas circunstâncias, nós somos sempre obrigados a parar e pensar e finalmente a admitir que nós não sabemos por que essa pessoa se comporta desse modo, ou que esse objeto tenha tal ou tal efeito. (MOSCOVICI, 2003, p. 81) 41 A maneira de agir e reagir à sociedade, está intimamente ligada a essa percepção de mundo, que leva o indivíduo a interagir no todo. Suas ações são baseadas em conceitos não apenas próprios, mas alheios, o certo e o errado são como “fruto de julgamentos baseados em formas específicas de raciocínio que evoluem em estágios de desenvolvimento moral” (MENIN, 2003, p.125); e também como representações sociais comuns a indivíduos de um mesmo grupo social, decorrente de determinados costumes e práticas fundamentadas em raízes culturais específicas a certos contextos. Muitas vezes, algo que se poderia pensar como universal como os direitos humanos ou a negação dos mesmos apresenta-se diferentemente, conforme certas pertinências sociais. Essas, por sua vez, constroem diferentes representações sociais, histórias e formas de viver que se consideram como direitos humanos. No contexto dos jovens, as atitudes que os mesmos demonstram frente a assuntos como a delinqüência, a criminalidade e a violência são também representações sociais. O que se deve considerar com ainda mais relevância neste ponto não é apenas a presença freqüente de certos assuntos no cotidiano dos jovens, mas a avaliação que os mesmos fazem sobre o que é certo e errado, sobre o conteúdo e o vácuo, sobre o bem e o mal. Na perspectiva das representações sociais atitudes positivas ou negativas a infrações, consideradas atos delinqüentes, assim como o próprio conceito sobre o que é delinqüência, podem variar entre grupos, não por representarem formas mais “adiantadas” ou “atrasadas” de desenvolvimento cognitivo e moral, mas por terem uma construção coletiva, marcada por práticas sociais, pela história e cultura comuns a determinados grupos de pessoas e servindo, assim, de referenciais de mundo. (MENIN, 2003, p. 126). A cultura vinda de uma sociedade ou grupo social é o que vai determinar a maneira como a mesma deve ser tratada. Deve-se ter por base a concepção aceita por um grupo para a elaboração de políticas pertinentes e convergentes com as necessidades apresentadas por ele. Quando isso não é observado, torna-se inútil o esforço e o desenvolvimento de planos e programas para um grupo se o tema não estiver de acordo com seu escopo. As políticas públicas, em sua função principal, devem abranger as necessidades da sociedade como um todo, porém, há casos em específico onde se faz necessária a diferenciação de certos grupos. Essas políticas de tratar com desigualdade os desiguais emerge da mesma forma que as representações sociais. 42 Ou seja, a partir de pontos marcados da sociedade em que se observa uma zona de conflito ou tensão permanente. (PORTO, 2006). Indivíduo e sociedade configuram uma relação de mútua dependência, dialeticamente conflituosa em alguns contextos, relativamente harmoniosa em outros admitindo, também, e sobretudo, que o indivíduo, longe de ser um mero suporte de estruturas, tem que ser tomado em consideração em sua condição de agente ou ator, em condição de fazer algumas escolhas e tomar algumas decisões, mesmo que de modo limitado.(PORTO, 2006, p.255) É necessária, então, a criação de arranjos institucionais que apontem para construção de redes institucionais que reúnam diversos atores, ou seja, articulações intersetoriais, intergovernamentais e entre Estado, mercado e sociedade civil. O Terceiro Setor surge para desempenhar um papel importantíssimo no cenário social, principalmente no que diz respeito a cidadania e à execução das tarefas que o governo não consegue executar. (LOPES, 2004, p. 60) Essa descentralização garante uma maior proximidade com a realidade social, garantindo suas necessidades especificas, fazendo com que dessa maneira os governos locais possam ter maior autonomia para desenvolver políticas sociais visando as reais necessidades dos cidadãos. Com isso pode se ressaltar também o fator que aponta uma maior proximidade do governo com relação às demandas da população, havendo também uma maior participação cidadã no processo decisório e de articulação político-administrativa. Tal fator está estritamente ligado ao conceito de representações sociais, tendo este, uma capacidade de aproximar ao máximo a identificação dos pontos de carência da sociedade e atuar sobre os mesmos, através da criação de mecanismos de participação. (LOPES, 2004, p. 64) 43 CAPÍTULO II O CONTEXTO DA PESQUISA: CARACTERÍSTICAS DA ÁREA DE INTERVENÇÃO E DO ENTORNO AO PARQUE DOM BOSCO 2.1 O município de Itajaí: história e formação sócio-econômica Itajaí nasceu em terras de disputa colonial. Durante os séculos XVII e XVIII, as disputas de terras entre as metrópoles portuguesa e espanhola resultaram no Tratado de Tordesilhas assinado em 1494, nas quais se encontra o território que veio a se constituir o município de Itajaí. (PROGRAMA PRÓ MORADIA, PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAJAÍ, 2008). A emancipação de Itajaí ocorreu em 1860, quando foi instaurada a Villa do Santíssimo Sacramento do Itajaí. É nessa ocasião que se constitui a Câmara Municipal e a implantação do Pelourinho - símbolo de aplicação da justiça e do poder local. Uma das principais atribuições da Câmara era a elaboração do Código de Postura que funcionava como uma espécie de Lei Orgânica Municipal. (PROGRAMA PRÓ MORADIA, PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAJAÍ, 2008). Localizado no litoral centro-norte de Santa Catarina, e ocupando uma área de 304 km², o município de Itajaí hoje é o pólo da microrregião da Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí (AMFRI), composta por mais 10 municípios 32. Sua importância regional e atração migratória residem principalmente nas atividades ligadas ao Porto, uma vez que este é o primeiro porto brasileiro na exportação do frango congelado e o quarto na movimentação de contêineres. O crescimento de atividades turísticas e de prestação de serviços resulta ainda em força de atração migratória. (PROGRAMA PRÓ MORADIA, PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAJAÍ, 2008). Itajaí conta com Delegacia da Capitania dos Portos de Santa Catarina e com o Porto, que se destaca a nível nacional em termos de movimentação, ocupando a terceira posição. Outra característica importante para o desenvolvimento do município, se origina na diversidade de oportunidades de trabalho e de lazer, como estar em 32 A AMFRI tem sua sede em Itajaí e se compõe dos seguintes municípios: Balneário Camboriú, Balneário Piçarras, Bombinhas, Camboriú, Ilhota, Itajaí, Itapema, Luiz Alves, Navegantes, Penha e Porto Belo. 44 contato com a natureza, e com as praias que existem no município. (PLANO MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL DE ITAJAÍ, 2010). O município de Itajaí conta com uma grande densidade demográfica, possuindo cerca de 183.373 habitantes, deste modo, para auxiliar o desenvolvimento social, o município conta com programas e políticas de assistência social que visam proporcionar maior qualidade de vida dos habitantes, para tanto, existe no município a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, que é a responsável pela implementação da Política de Assistência Social. (PLANO MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL DE ITAJAÍ, 2010). Itajaí agrega um alto Índice de Desenvolvimento Humano (0.825, conforme os dados de 2000 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD), contando para tanto, com diversos fatores que contribuem com o desenvolvimento do município, entre eles, o porto, considerado o maior porto pesqueiro de todo país. Sua localização geográfica, favorece ao desenvolvimento do turismo e à circulação de pessoas entre estados e países. O porto é o mais importante fator de desenvolvimento para o município. Além disso, há um crescente número de ofertas diretas e indiretas de emprego. (PROGRAMA PRÓ MORADIA, PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAJAÍ, 2008). De acordo com o Diagnóstico Klabin, o município ocupa a 45ª posição no IDH Médio do Estado de Santa Catarina e a 182ª posição no Brasil, cujo estudo conclui que grande parcela de contribuição para o crescimento do IDH possui intrínseca ligação com programas de educação desenvolvidos no município. Atribui o mesmo estudo a educação como um dos pontos principais para um desenvolvimento adequado e satisfatório, evidenciando ainda, que a taxa de analfabetismo existente no município é de baixo índice com relação a outras regiões do país. (Programa Klabin Jovem de futuro – Diagnóstico da Cidade de Itajaí). 2.2 Caracterização do bairro Nossa Senhora das Graças Desde 1908 iniciou-se um povoamento na região vindo posteriormente a se constituir o bairro Nossa Senhora das Graças instalando-se nesta localidade na década de 80 o Matadouro Público de Suínos e Bovinos, do qual se originou a designação de Matadouro. A criação deste abatedouro gerou muitos problemas ambientais devido à putrefação dos resíduos sólidos e líquidos e ao mau cheiro dele 45 proveniente. Com a desvalorização da área devido a estes problemas ambientais, os prefeitos utilizaram o bairro para fins de assentamento de famílias provenientes do Planalto Serrano. Até a década de 1930, o processo de ocupação era lento. (PROGRAMA PRÓ MORADIA, PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAJAÍ, 2008). Em 1950, foi inaugurada a Capela Nossa Senhora das Graças, em um terreno doado pelo Prefeito Paulo Bauer. A partir daí, os moradores locais solicitaram a doação de um terreno para a construção de uma escola – Escola Irmã Anchieta inaugurada em 1952, que em 1969 passou a ser denominada Escola Carlos de Paula Seara, em homenagem ao Prefeito da época. (PROGRAMA PRÓ MORADIA, PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAJAÍ, 2008). Dois fatores ajudam a entender o surgimento da Favela do Matadouro: as crises sociais e políticas que o Brasil atravessou na década de 50, juntamente com a construção do tronco ferroviário Itajaí – Blumenau em 1954. Este período passou a marcar o incremento do êxodo rural e do aumento das populações pobres em busca de progresso de vida no litoral, tendo em vista o desenvolvimento da região. O crescimento da população com o tempo acarretou no surgimento gradativo da Favela do Matadouro. A estação de Blumenau-nova foi aberta em 1954 e segundo alguns chegou a funcionar concomitantemente por alguns anos com a estação antiga, e que depois foi demolida. [...] "Quando a linha foi estendida para Itajaí, esta foi construída num patamar mais alto em relação a linha antiga que demandava para a antiga estação. Assim, mais ou menos 1,5 km à frente da estação velha houve a derivação da nova linha para Itajaí e onde foi construída a nova. (ESTAÇÕES FERROVIÁRIAS DE TODO O BRASIL, 2010) . Se por um lado, a estrada de ferro facilitava a comunicação e a exportação dos produtos têxteis e agrícolas do vale do Itajaí, foi ela que também facilitou, na década de 1970, com a falência das indústrias extratoras de madeira, o aumento do êxodo de moradores do Planalto Serrano para o litoral. Entre 1970 e 1973 foram doados títulos de posse de terra aos moradores do Bairro através do Instituto de Reforma Agrária de Santa Catarina (IRASC) 33, visando à melhoria da configuração do Bairro. 33 LEI N° 2.939, de 09 de dezembro de 1961. Cria o Instituto de Reforma Agrária de Santa Catarina (I.R.A.S.C.), extingue a Diretoria de Terras e Colonizacão e dá outras providências. Art. 1º a) a colonização das terras devolutas; b) a colonização de latifúndios improdutivos, adquiridos pelo 46 Em 1977, após a desativação da Estrada de Ferro, foi elaborado o Projeto Embrião, que visava o desfavelamento do bairro Matadouro, transferindo as famílias para uma área com infra-estrutura adequada. Assim, no início da década de 1980, cerca de 120 famílias que residiam às margens da Estrada de Ferro, foram transferidas para o Loteamento Pró-morar I, que após as enchentes de 1983 retornaram para o morro. Outras tentativas de remoção foram realizadas na década de 1980, com o Pró-morar II, o III e Rio Bonito. (PROGRAMA PRÓ MORADIA, PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAJAÍ, 2008). Em 1986, surgiu um novo loteamento em terreno de propriedade dos Padres Salesianos, localizado no mesmo bairro. A denominação Matadouro, entretanto, estava relacionada à violência, à marginalidade que, por vezes, são atribuídas as comunidades de baixa renda, contribuindo para o aumento da discriminação e da exclusão social. Por esta razão os moradores que eram devotos de Nossa Senhora das Graças, exigiram a adoção do nome Nossa Senhora das Graças, visando assim evitar a descriminação dos demais moradores do município em relação aos que habitavam o bairro Matadouro. (PROGRAMA PRÓ MORADIA, PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAJAÍ, 2008). Em 1996 foi fundada a Associação de Moradores Nossa Senhora das Graças, que, inicialmente, atuava de forma tímida, representada apenas por suas diretorias, uma vez que não havia a participação dos moradores nas reuniões, a não ser nas promoções de torneios de futebol no campinho, cuja presença da população era expressiva. (PROGRAMA PRÓ MORADIA, PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAJAÍ, 2008). Em 2005 foi inaugurado o Centro de Referência de Assistência Social Nossa Senhora das Graças (CRAS), junto à sede da Associação de Moradores Nossa Senhora das Graças. Esta parceria foi positiva na construção de soluções para as demandas sociais familiares e comunitárias que o bairro apresenta. O CRAS Nossa Senhora das Graças, compreende um conjunto de bairros, entre os quais: Praia Brava, Fazendinha, Fazenda, Cabeçudas, Centro, Vila Estado; c) a assistência técnica as empresas particulares de colonização, disciplinando os respectivos métodos; d) a correção dos minifúndios antieconômicos; e) a criação, localização e administração de núcleos coloniais inclusive de imigrantes em colaboração com o Instituto Nacional da Imigração e Colonização (INIC) e entidades congêneres nacionais ou estrangeiras e intergovernamentais; f) o estudo, o planejamento e a execução de programas ligados à redistribuição da terra, a fixação do homem rural e ao problema agrário em geral; g) estudos e programação visando evitar emigração de agricultores para outros Estados. 47 Operária, São Judas, Dom Bosco e Nossa Senhora das Graças. Atualmente, o CRAS em sua organização sócio-administrativa é formado por três assistentes sociais, um advogado, uma psicóloga, uma recepcionista, uma auxiliar administrativo, uma auxiliar de serviços gerais e um zelador. São realizados pelas assistentes sociais: acolhimento, atendimento individual, familiar, coletivo, visitas domiciliares, institucionais e comunitárias, planejamento e implementação do Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF) no CRAS, encaminhamentos para a rede socioassistencial, participação de reuniões internas e estudo de casos com a equipe técnica. O Advogado presta assessoria jurídica; a psicóloga realiza visitas e atendimentos juntamente com as assistentes; a recepcionista possui a função de acolher e atender as pessoas; e a auxiliar administrativo organiza as documentações e registros. São benefícios oferecidos no CRAS: Cartão Cidadania, segunda via da Carteira de Nascimento e Identidade; auxilio de farináceos (leite, complemento para crianças menores de 2 anos de idade), fraldas geriátricas e lentes de óculos. Além disso, são realizadas atividades complementares com parceiros, através da oferta de cursos como: desenho, tecelagem em jornal, artes em reciclagem, alfabetização solidária, formação de lideranças comunitárias, pintura, tricô, crochê, bordado, entre outros. Em 2006 a partir da iniciativa da Equipe Profissional do CRAS, preconizado pelo Sistema Único de Assistência Social (SUAS) iniciou-se o processo de formação das Comissões de Trabalho “Construindo Cidadania”, que são grupos que se encontram em reuniões abertas para a comunidade e discutem questões pertinentes a esta. (CRAS Nossa Senhora das Graças) Destacam-se além da Associação de Moradores do Bairro Nossa Senhora das Graças enquanto organizações comunitárias formais presentes: a Associação dos Celíacos de Itajaí, Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), a Associação dos Portadores de Alzheimer, o Conselho Local de Saúde, o Parque Dom Bosco, a Pastoral da Criança e o Lar Fabiano de Cristo. Destas organizações, destacam-se como Organizações Não Governamentais (ONG´s), o Parque Dom Bosco e o Lar Fabiano de Cristo. Quanto às Organizações Comunitárias informais presentes no bairro, destacam-se: as igrejas (Capela Nossa Senhora das Graças, Assembléia de Deus Cristo é Real, Centro Evangelista de Itajaí, Assembléia de Deus e Paróquia São 48 João Bosco); e o Grupo de Alcoólicos Anônimos; todas circunscritas a uma distância aproximada de 350 metros do bairro. Referente aos serviços públicos na área da saúde destaca-se a Unidade de Saúde do Dom Bosco, que dista 250 metros do bairro. Estes serviços atendem no bairro Nossa Senhora das Graças, 2.500 famílias, totalizando 5.500 pessoas. A Unidade de Saúde possui quatro médicos: dois clínicos gerais, um ginecologista, um pediatra, além de dois dentistas. Há ainda os serviços de puericultura e preventivo realizados pela equipe de enfermagem, odontologia, grupos de gestantes, vacinação, curativos, administração médica, retirada de pontos e agendamento de consultas. A equipe da Unidade Básica de Saúde trabalha em período integral e é composta por dois recepcionistas, três enfermeiras e três auxiliares de enfermagem. (PROGRAMA PRÓ MORADIA, PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAJAÍ; UNIDADE DE SAÚDE DOM BOSCO) No que diz respeito aos serviços públicos na área educacional, o bairro dispõe de dois centros de educação infantil e quatro escolas. O Centro de Educação Infantil Nossa Senhora das Graças atende 139 crianças em período integral e está a aproximadamente 300 metros do bairro. O Centro de Educação Infantil Adélia Russi Silva está a menos de um km do bairro e atende 220 crianças. Destas, 138 são atendidas em período integral e outras 82 crianças em período parcial. Este Centro de Educação Infantil não possui capacidade para novos alunos, entretanto há espaço para a construção de novas salas de aula, no local onde atualmente tem um parquinho. A Escola Municipal Carlos de Paula Seára, distante 400 metros do bairro, atende 192 crianças de 1ª a 4ª série, com duas turmas na primeira, segunda e quarta série e uma turma na terceira série nos turnos matutino e vespertino. A Escola Municipal Maria Dutra Gomes dista 1500 metros do bairro e atende 168 alunos de 1ª a 4ª série e 226 alunos de 5ª a 8ª série no ensino fundamental. Distante 700 metros do bairro Nossa Senhora das Graças, localiza-se a Escola Estadual Francisco de Paula Seára, que atende 388 alunos de 1ª a 8ª série fundamental. A Escola Estadual Pedro Paulo Philipe, dista 1500 metros e atende de 1ª a 4ª série 218 alunos e de 5ª a 8ª, 162 alunos, totalizando 380 alunos nos períodos matutino e vespertino. No período noturno o colégio cede o espaço para o Centro de Educação de Jovens e Adultos (CEJA), atendendo em quatro salas, 92 alunos. (SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO). 49 Destacam-se ainda como entidades governamentais, o Posto Administrativo da Polícia Federal, a Penitenciária Estadual de Itajaí, Fórum da Comarca de Itajaí e a Secretaria do Estado de Desenvolvimento Regional (SDR), estes distantes 1.500 metros do bairro. A Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), localizada ao lado do bairro, é uma fundação e também presta serviços públicos à comunidade através dos projetos de extensão nas áreas da fisioterapia, ortopedia, pediatria, neurologia, reumatologia, entre outras. A Instituição atende cerca de 250 pessoas ao mês, oriundas de todo o Município. (UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ) A região, na qual reside a maioria do público atendido pela obra social, é formada por famílias nativas de descendência açoriana, ou provenientes da serra catarinense e dos estados do Paraná e Rio Grande do Sul, atraídas para a região litorânea, na expectativa de mudar suas condições de vida. Muitas sobrevivem da pesca e do turismo e a maioria mora em ambientes sem infra-estrutura, saneamento básico, água potável e energia elétrica e convive diariamente com a insegurança do Presídio Estadual, instalado no mesmo bairro. (PROGRAMA PRÓ MORADIA, PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAJAÍ, 2008). Com relação à infra-estrutura do bairro, atualmente este possui vias pavimentadas, o serviço de transporte coletivo está disponível a 350m da principal via de acesso, passando pela Rua Brusque a cada 15 minutos. O serviço da coleta de lixo é de responsabilidade da empresa Engepasa, e ocorre nas terças-feiras, quintas-feiras e aos sábados à tarde, passando pela Rua Pedro José João até a Penitenciária, que é a via principal de acesso ao bairro. Em pontos próximos aos becos têm Lixeiras Comunitárias (caçamba) totalizando quatro em todo o bairro. Ainda assim há lixo acumulado a céu aberto (PROGRAMA PRÓ MORADIA, PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAJAÍ, 2008). Quanto ao serviço de energia elétrica, 55% dos imóveis do bairro possuem ligação clandestina e 45% possuem medidor padrão. Quanto ao abastecimento de água, segundo o Serviço Municipal de Água, Saneamento Básico e Infraestrutura (SEMASA), estão instalados 26 medidores no Morro da Valda, 30 no Beco da Nice e, 41 no Beco São Benedito. Em cada um desses medidores várias famílias utilizam o serviço. Cerca de 14,3% dos imóveis possuem o esgoto a céu-aberto; 12,7% em valetas, 6,3% fossa e apenas 1,6% têm como destino do esgoto a rede pluvial. Existem no bairro 29 famílias que não têm 50 condições de pagar o serviço de abastecimento e 276 famílias com fornecimento no regime de economia residencial. Há uma unidade de economia comercial e quatro de economia pública. (PROGRAMA PRÓ MORADIA, PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAJAÍ, 2008). Com relação à infra-estrutura das habitações verifica-se que 14,5% dos imóveis estão em precariedade habitacional. 93,5% das habitações são propriedade de seus moradores. Destes imóveis, 58,1% são de madeira; 17,7% barracos; 9,7% em alvenaria e 3,2% mistos. Quanto à metragem da unidade habitacional, 6,5% ocupam de 30 a 40m2. Apenas 4,8% ocupam mais de 60 m2, sendo que 80,6% não responderam quanto a esta informação. Verifica-se que as unidades possuem em média três cômodos, sendo que 62,9% das residências não possuem banheiro completo. (PROGRAMA PRÓ MORADIA, PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAJAÍ, 2008). É importante também trazer informações referentes a outros localidades de Itajaí, uma vez que o Parque Dom Bosco atende pessoas de diversos bairros da cidade. O Plano Municipal de Assistência Social de Itajaí informa que os bairros nos quais se encontram maior número de pessoas em vulnerabilidade social são justamente os três bairros mais populosos: Cordeiros, com 28.737 habitantes, São Vicente, com 25.401 habitantes, e Cidade Nova, com 14.592 habitantes. Nestas localidades, segundo o referido documento, também se encontram a maior quantidade de pessoas atendidas pelo Programa Bolsa Família. (PLANO MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL DE ITAJAÍ, 2010, p. 24). De acordo com o Diagnóstico da Exclusão Social em Santa Catarina – “Mapa da Fome”, de 2003, a média de renda per capita mensal do município de Itajaí é de R$ 403,48, havendo um número de pessoas com renda insuficiente de 42,014 (10,7% da população); a proporção de pessoas pobres é de 29,4% da população) e de famílias sem renda é de 10.686 (9,5% da população). É neste contexto que o Programa Jovem Aprendiz atua a partir da identificação das necessidades dos educandos enquanto obra social que atende a uma demanda específica. (PROGRAMA PRÓ MORADIA, PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAJAÍ, 2008). 51 2.3 Os programas sociais desenvolvidos no município de Itajaí No município de Itajaí, através das Secretarias da Criança, do Adolescente e da Juventude (SECAJ) e do Desenvolvimento Social, são desenvolvidos diversos programas sociais que visam a profissionalização, a saúde e a educação dos jovens, dentre eles, podem ser destacados: Programa Integrado de Enfrentamento a Violência e Prevenção do Dano a Saúde da Criança e do Adolescente 34, o Serviço e Acolhimento Institucional nas modalidades Casa-Lar, Casa de Passagem Nova Amanhecer e Residência Inclusiva, Casa de Tratamento, o Programa Medidas Sócio-educativas (MSE), o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, (PETI). (PLANO MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL DE ITAJAÍ, 2010, p. 40-50). Destacam-se ainda os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que objetivam acolher pessoas em condição de abandono nas ruas, ajudando-os em situações de saúde básica e no caso de violação de direitos. Há o Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e outras drogas (CAPS AD) e o Centro de Atenção Psicossocial de Transtornos Psiquiátricos. (CAPS II). (PLANO MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL DE ITAJAÍ, 2010, p. 49-50). O Programa Casa-Lar, “[...] consiste em ofertar para adolescentes e grupos de irmãos uma Casa-Lar, na modalidade de república, possibilitando-lhes a construção da autonomia para viver a vida adulta [...]” (ROSA, 2007, p. 58). 35 O Programa Casa de Passagem Novo Amanhecer destina-se ao atendimento de crianças e adolescentes que encontram-se em situações de risco, “o objetivo principal consiste em proporcionar um atendimento imediato aos meninos e meninas de rua e aqueles que estão não rua[...]” (ROSA, 2007, p. 59). 36 O Programa Casa de Tratamento visa a criação de um espaço para o tratamento de dependentes químicos, tendo como público alvo crianças e adolescentes usuários de drogas, que estão cumprindo medida sócio-educativa e necessitam de tratamento. (ROSA, 2007, p. 59). 34 No passado, identificado como Programa Sentinela Casa Lar ou Famílias Acolhedoras: De acordo com dados da (SECAJ) em junho de 2010 não havia nenhum grupo de irmãos com as características previstas, portanto, nesse momento esse programa não estava em funcionamento. 36 Segundo dados da Secretaria da Criança, do Adolescente e da Juventude - SECAJ em janeiro de 2010 o município assumiu o terceiro Programa de Acolhimento institucional. Até então esse “abrigo” era administrado pela ONG Abrigo Luz do Amanhã. 35 52 O Programa Medidas Sócio-Educativas (PLANO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL DE ITAJAÍ, 2010) “tem por objetivo orientar adolescentes autores de atos infracionais, no processo de formação de sua cidadania possibilitando a construção de um projeto de vida futura, insistindo no seu retorno à escola” (ROSA, 2007, p.60). O Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), trabalha tendo em vista a prevenção e a erradicação do trabalho de crianças e adolescentes, buscando maneiras que possibilitem ao jovem a permanência nas escolas, dentre outras atividades em parceria com o poder público, sempre com o objetivo de garantir ao jovem o acesso à escola. (ROSA, 2007, p. 60). O PETI atende em média 135 indivíduos e 94 famílias no município. Conforme o Plano Municipal de Assistência Social (2010) está ligado à meta 22: Erradicar toda e qualquer forma de trabalho infantil, principalmente os considerados perigosos, penosos, insalubres ou degradantes, oferecendo a transferência de Renda Familiar de caráter temporário (PETI), tendo as famílias o compromisso de retirar seus filhos do trabalho, mantendo-os na escola e na jornada ampliada. (PLANO MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, ITAJAÍ, 2010, p. 66). O Programa Preparação e Inserção do Adolescente no Trabalho (PIAT) “viabiliza adolescentes vítimas de desestruturação familiar e do preconceito social, a preparação e a inserção no trabalho, orientando para que conciliem o trabalho com a educação formal” (ROSA, 2007, p. 60). O Serviço de Enfrentamento a Violência, tem por objetivo “propiciar o atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência, com ênfase em violência ao abuso e a exploração sexual” (ROSA, 2007, p. 60). Todos os programas acima citados possuem características em comum. Dentre elas, é possível mencionar a proteção da criança e do adolescente, seja do trabalho infantil, seja da violência, das drogas, do abandono. Os programas visam fornecer à criança e ao adolescente condições dignas de convívio social, sem que sofram qualquer tipo de depreciação. A proteção das crianças e dos adolescentes, através dos programas sociais desenvolvidos em Itajaí, caracteriza-se como além de um meio de proteção, como um meio de evidenciar a necessidade de cuidado e atenção que deve ser disposto ao jovem e ao adolescente, uma vez que é um período de encaminhamento para uma vida social, na qual se insere as relações interpessoais, o trabalho, a educação, e o lazer, sendo necessário que haja medidas que visem dar ao adolescente 53 condições de desenvolver-se adequadamente, longe de qualquer tipo de exploração e de violência. 2.4 O desenvolvimento do Programa Jovem Aprendiz no município de Itajaí Programas com jovens aprendizes ainda são recentes e não tão numerosos. Em Itajaí pouquíssimas ONGs e outras instituições possuem aval do COMDICA e do MTE para desenvolver programas desse tipo. Segundo dados do Ministério do Trabalho são as que seguem. Centro de Integração Empresa-Escola do Estado de Santa Catarina (CIEESC) que é uma instituição filantrópica mantida pelo empresariado nacional, que tem como principal objetivo encontrar, para os estudantes de nível médio, técnico e superior, uma oportunidade de estágio que os auxiliem a colocar em prática tudo o que aprenderam na teoria. CIEE/SC é uma associação de assistência social, sem fins lucrativos, de utilidade pública municipal, estadual e federal, de fins filantrópicos e educacionais, cuja missão é “Oferecer à comunidade soluções que contribuam para a capacitação profissional de pessoas, visando a sua integração no mundo do trabalho”, como preceitua a Constituição Federal vigente (CF/88, art. 203, III). O CIEE tem uma história de mais de 45 anos. A Comissão do Bem Estar do Menor de Itajaí (Combemi) é uma instituição de Utilidade Pública Federal, Estadual e Municipal sem fins lucrativos, reconhecida e certificada pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) como Entidade Beneficente de Assistência Social desde 1988. A instituição atua no município há 37 anos e desde 1988 desenvolve o Programa Aprendiz Banco do Brasil, no qual os jovens ocupam o cargo de auxiliar de escritório. A Instituição prioriza o atendimento à população socialmente vulnerabilizada e participa, desde sua criação, do Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente, do Conselho Municipal de Assistência Social e do Fórum das Organizações Não Governamentais. (A COMBEMI). O Projeto Crescer, que também recebe a denominação de Movimento Cidadania e Juventude, é uma organização não governamental, que visa o desenvolvimento de cursos de turismo e hospitalidade, auxiliar de escritório 54 administrativo, gestão portuária e escriturário bancário, atuado desde junho de 2006. Tem por finalidade desenvolver as potencialidades de adolescentes e jovens entre 16 e 18 anos em situação de vulnerabilidade social, proporcionando a estes condições de participarem na sociedade como profissionais e como cidadãos. Desta forma, como profissionais, viabilizando sua formação através de curso de capacitação para a inserção no mercado de trabalho conquistando seu primeiro emprego nas diversas áreas do mundo empresarial e, como cidadãos sendo estimulados a adotar novos hábitos e atitudes éticas de convivência. (PROJETO CRESCER) O Instituto Lar da Juventude de Assistência e Educação (Parque Dom Bosco), trabalha temas como: legislação trabalhista, relações humanas, saúde, leitura e produção textual e inúmeros outros no curso de Serviços Administrativos. Curso de qualificação profissional e inserção no mercado de trabalho através da lei de aprendizagem. O curso é divido em introdução ao mercado de trabalho, relações humanas e cidadania, procedimentos administrativos, juventude e espiritualidade, comunicação digital, leitura e produção textual e atendimento ao público. [...] Os aprendizes efetuam funções de almoxarife (estocagem, armazenamento) arquivista/arquivador (organizam em arquivos classificando itens por data, numeração e ordem alfabética), auxiliar de escritório, auxiliar administrativo (elaboração de documentos, cartas comerciais, declarações, atas, ofícios), office-boy/office-girl ( logística de documentos entre setores e filiais), venda (oferece alimentos, sucos e derivados para degustação em seu ambiente de trabalho), televenda e telemarketing (contato com os clientes através do telefone para informações, soluções e vendas por telefone), controle de estoque e conferente (organização de estoque e exposição de mercadorias, conferencia da qualidade e validade dos produtos), recepcionista e telefonista (recepcionam e atendem clientes de forma física ou via telefone). (PARQUE DOM BOSCO, 2010) Além das instituições de ensino do Sistema S, SENAI e SENAC. O “Programa Jovem Aprendiz” está entre os programas do Sistema Preventivo Dom Bosco, cuja preocupação está centrada no futuro dos jovens. Em 2007, o Parque iniciou o supracitado programa com o propósito de desenvolver a aprendizagem e inclusão social dos jovens com idade entre 15 e 24 anos, em situação de vulnerabilidade socioeconômica. 37 37 O trabalho realizado pelo Parque Dom Bosco com os jovens está associado à proposta da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). 55 O Programa Jovem Aprendiz desenvolvido no Parque Dom Bosco tem como prioridade atender àqueles que fazem parte do bairro Nossa Senhora das Graças, próximo à instituição, cuja área encontra-se entre as mapeadas por miséria e exclusão, onde as desigualdades sociais estão presentes, como vimos anteriormente. Ancorado na filosofia de Dom Bosco, que propunha retirar os meninos das ruas e propiciá-los uma formação digna, transformando-os em cidadãos, orienta, na atualidade, o projeto do Programa Jovem Aprendiz. Nortearam a implementação do projeto alguns dados fornecidos pela Coordenadoria Municipal da Juventude de Itajaí, os quais identificaram a existência de três tipos de jovens no município 38. O Grupo 1 se refere aos que estudam na universidade e colégios particulares, residindo em bairros como o Centro, Vila Operária, Cabeçudas, Fazenda e Jardins das Mansões. Estes, por sua vez, têm as atividades de lazer desenvolvidas na Cidade de Balneário Camboriú. O Grupo 2 faz alusão aos jovens que buscam o trabalho antes da universidade, estudando, na sua maioria, nas redes de ensino municipal ou estadual. Residem geralmente em bairros como Cordeiros, São Vicente e Fazenda, e o lazer se concentra em Balneário Camboriú e Itajaí. E no Grupo 3 estão os jovens que buscam trabalho, mas com grande número de desemprego. Estes necessitam de investimentos, inclusive de uma melhor articulação das políticas públicas. Neste grupo, encontram-se jovens que, em sua maioria, trabalha informalmente. Residem em bairros como Nossa Senhora das Graças, São Vicente, Imaruí, Promorar, Canhanduba e Espinheiros. A partir desta caracterização, o Parque Dom Bosco focou suas atividades nos jovens mais necessitados de amparo, seja este social, econômico ou emocional. Dentre outros, o programa tem também como objetivo formar e capacitar seu público alvo para o mercado de trabalho, no intuito da construção da cidadania e da elevação da auto-estima dos mesmos. Em síntese, o Programa fornece ao aprendiz a oportunidade de modificar sua realidade, conquistando o primeiro emprego e auxiliando na renda familiar. 38 Divisão realizada levando em consideração a renda e o perfil cultural dos jovens. 56 O jovem é visto, então, como um indivíduo de direitos que deve também atuar ativamente na sociedade na qual está inserido, e numa perspectiva de aprendizagem na qual é o centro da ação e sujeito de sua história. O programa oferece conteúdos que contribuem para a formação em aprendizagem de serviços administrativos, cuja educação continuada visa o desenvolvimento de habilidades básicas que objetivam capacitar o aprendiz a refletir e interpretar a realidade com autonomia, comunicando-se bem, e aprimorando sua prática e demais competências frente à área profissional do curso. Os aprendizes também aprendem conceitos de livre iniciativa, mercado, comercialização e produção. Afinal, há na região muitas empresas, além do porto, que exigem tais conhecimentos que redundam em uma aprendizagem empreendedora. Depois da teoria, os jovens também têm a oportunidade de aprendizado prático, realizada nas empresas, onde assumem responsabilidades, que desenvolvem a capacidade de decisão e aumentam suas habilidades. Para ingressar no Programa são necessárias a realização de uma prova teórica de conhecimentos gerais, entrevista individual e visitas residenciais para verificar a situação socioeconômica do jovem candidato à vaga. Ressalta-se que o Programa está de acordo com o exposto no VIII Encontro Estadual dos Conselhos Tutelares e Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente 39, que salientou a importância de se resguardar o conteúdo do Estatuto da Criança e do Adolescente no que condiz à área de profissionalização. Enfim, o Programa Jovem Aprendiz propõe-se a investir na formação escolar simultaneamente com as práticas de trabalho, vindo ao encontro com a missão da instituição, na medida em que visa a qualificar, encaminhar e acompanhar esses jovens para o trabalho através de um contrato firmado entre instituição e empresas. 2.5 O Parque Dom Bosco e os Programas desenvolvidos na instituição Localizado à Rua Brusque como já dissemos o Parque Dom Bosco está inserido em um bairro com características de bairro de periferia como descrevemos anteriormente. Vide mapa. Figura 1 – Mapa com divisão por bairros do município de Itajaí - SC 39 Para maiores informações sobre http://www.sst.sc.gov.br/modules/news/article.php?storyid=1618. o evento, consultar: 57 Esta instituição mantém sede própria com a seguinte estrutura física: trinta salas de aula, cinquenta e quatro banheiros, seis salas de coordenação, duas salas de atendimento especializados nas áreas de pedagogia e assistência social e duas salas utilizadas pelos setores de recursos humanos e financeiros. Também possui uma recepção e uma secretaria pedagógica, um auditório, uma lavanderia, uma cozinha com refeitório, uma panificação, quatro salas de depósito (louças, roupas, alimentos e material de higiene e limpeza) e uma unidade de saúde. Além da residência dos salesianos, quatro garagens, um ginásio de esportes, uma quadra coberta, uma sala de jogos, uma oficina mecânica e a gráfica, que atende à comunidade. Os recursos financeiros para o sustento de todas as atividades provêm de convênios, seja com o Governo Municipal através da Secretaria Municipal de Educação, seja através de setores da sociedade, pessoas físicas e jurídicas que contribuem através do Carnê de Contribuição Espontânea. Outras formas de 58 arrecadação de recursos são os eventos promocionais e, principalmente, os diversos projetos apoiados por empresas e instituições nacionais e internacionais. Entretanto, a exemplo do que ocorre com a maioria das entidades beneficentes no Brasil, os recursos são insuficientes, seja para oferecer um melhor atendimento aos educandos como para implementar novos projetos. Os programas desenvolvidos no Parque Dom Bosco estão definidos dentro da Política Nacional de Assistência Social, inseridos dentro da Proteção Social Básica que tem por objetivo prevenir situações de risco por meio de desenvolvimento de potencialidades e aquisições, e o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. Destina-se à população que vive em situação de vulnerabilidade social decorrente da pobreza, privação e, ou fragilização de vínculos afetivos – relacionais e de pertencimento social. Encontra-se dentro da Proteção Social Especial, que é a modalidade de atendimento assistencial destinada a famílias e indivíduos que se encontram em situação de risco pessoal e social, além da situação de trabalho infantil (PETI), entre outras. O desafio da instituição com essa clientela e seus familiares é constante e os trabalhos exigem cada vez mais ações que visam à melhoria na qualidade de vida, promoção do grupo e a inserção dos mesmos no mercado de trabalho. Ao identificar as necessidades das famílias da comunidade entorno da instituição, identificadas como sendo de baixa renda e vulnerabilidade socioeconômica, percebe-se a necessidade de se oferecer aos filhos, principalmente àqueles cujos pais trabalham em tempo integral, uma oportunidade e um espaço de crescimento pessoal no contra turno escolar. O Parque Dom Bosco há 50 anos desenvolve um trabalho efetivo com crianças, adolescentes, jovens e adultos em situação de vulnerabilidade social e atualmente, realiza mais de 1000 atendimentos diários. Para esse público o Parque oferece os Programas de Educação Complementar, Oficinas Alternativas e Jovem Aprendiz, no período diurno, Qualificação Profissional e Geração de Renda e Oportunidade de Trabalho nos períodos diurno e noturno. São mais de mil alunos diariamente entre crianças, adolescentes e jovens com idade entre 06 e 24 anos e também adultos no período vespertino e noturno. As atividades desenvolvidas buscam de forma concreta proporcionar uma formação integral, visando a cidadania do indivíduo. Através de ações específicas 59 busca-se promover a auto-estima do educando através da conscientização, profissionalização e da inserção do jovem no mercado de trabalho. Com ênfase na atividade de evangelização, educação e profissionalização da comunidade menos favorecida, o Parque realiza atividades de atendimento na área educativa. Para tanto, são efetuadas atividades de desenvolvimento da capacidade cognitiva dos alunos, em prol da obtenção de habilidades e conhecimentos por meio de oficinas, formação humana e cristã, esporte, lazer, festas, exposições e outras atividades recreativas. São ofertados também os cursos de informática, panificação, costura industrial, entre outros. As crianças e adolescentes realizam três refeições diárias e recebem também atendimento médico-odontológico em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, através da Unidade de Saúde Dom Bosco que fica anexa a obra social. Além destas atividades, na área administrativa tem-se o objetivo de produzir e socializar a comunicação, por meio de parcerias e da prestação de serviços à manutenção dos programas desenvolvidos, com eventos para captação de recursos. Os vários programas oferecidos pelo Parque Dom Bosco buscam garantir um trabalho de desenvolvimento profissional a todos os interessados na comunidade, tanto jovens como adultos, como já afirmamos anteriormente. A Educação Complementar, executada por meio de oficinas de cunho artístico e intelectual são capazes de proporcionar às crianças de 6 a 10 anos um crescimento de sua área criativa, preparando-as para atuar em qualquer campo da vida. Ademais, as oficinas de música e pintura, por exemplo, ao mesmo tempo em que se revelam trabalhos artísticos, também projetam melhorias nas crianças no tocante a trabalhos manuais, desenvolvendo a coordenação motora. Tais trabalhos são ao mesmo tempo intelectuais e práticos, ambos indispensáveis para o desenvolvimento da criança. Veja-se no quadro abaixo os programas desenvolvidos e o público atendido. 60 Programas 2011 Idade Atendimentos Previstos ano 40 Atendimento 1º semestre 41 Educação Complementar 06 a 10 anos 100 103 Oficinas Alternativas 11 a 14 anos 120 130 Qualificação Profissional (Diurno) 14 a 18 anos 100 49 Qualificação Profissional (Diurno) Cursos de Aprendizagem Jovem Aprendiz Qualificação Profissional (Noturno) Geração de Renda e Oportunidade de Trabalho (Diurno) Geração de Renda e Oportunidade de Trabalho (Noturno) Total Acima de 18 anos 14 a 24 anos 15 a 24 anos Acima de 18 anos 16 a 18 anos 60 17 272 180 136 223 186 75 60 34 120 51 1148 868 Programas Acima de 18 anos Para os jovens na faixa etária de 11 a 14 anos, é oferecido uma continuação dos estudos, com o Programa Oficinas Alternativas, passando a trabalhar nesta fase, técnicas manuais e artísticas de forma ainda mais aprofundada, ampliando para as artes manuais em geral. Para os jovens entre 14 e 18 anos, há os Programas Qualificação Profissional e Geração de Renda e Oportunidade de Trabalho, (diurno), que estimula o crescimento profissional do indivíduo, isto é, lhes fornece subsídios para ingressarem no mundo do trabalho. Para tanto, são ministrados cursos relacionados a informática, auxiliar administrativo, eletricista residencial e industrial, manutenção de micro computadores e panificação propiciando-lhes a técnica necessária para iniciarem nestas profissões. Estes alunos participam também das atividades de esporte e lazer e recebem formação humana e cristã. Os Programas de Qualificação Profissional e Geração de Renda e Oportunidade de Trabalho (noturno) são realizados com jovens e adultos com mais 40 Os Programas de Educação Complementar e Oficinas Alternativas oferecem atividades anuais. Já nos Programas de Qualificação Profissional, Geração de Renda e Oportunidade de Trabalho e cursos de aprendizagem as atividades são semestrais. Apenas no Jovem Aprendiz o aluno permanece dois anos. Fonte: Plano de Trabalho Parque Dom Bosco 2011 41 Fonte: Secretaria Pedagógica 61 de 18 anos e objetivam contribuir para o desenvolvimento profissional destes, através do oferecimento de vários cursos que lhes ensinem o ofício de algumas profissões, tais como os cursos de eletricista residencial, panificação e manutenção de microcomputadores. O curso de costura industrial faz parte do Programa de Qualificação Profissional e é oferecido no período vespertino e noturno. Atividades para grupos de idosos também integram o trabalho da instituição. O Parque Dom Bosco, criado como ‘oratório festivo’ em 1961, para congregar jovens carentes, oferecendo-lhes um local para educação e lazer, orienta-se, desde os primeiros anos, pelo lema salesiano: ”ser casa que acolhe; paróquia que evangeliza, escola que encaminha para a vida e pátio para se encontrarem como amigos e viverem com alegria”. 2.6 O Sistema Preventivo de Dom Bosco A pedagogia de Dom Bosco apresenta características de um trabalho filosófico, no sentido de se preocupar com a formação humana em seu modelo integral. Para tal há os princípios norteadores do sistema preventivo de Dom Bosco, a saber: Humanismo otimista: com uma visão otimista da pessoa humana inspirada pelo humanismo otimista de São Francisco de Sales (SCARAMUSSA, 2003, p. 5). Religiosidade integradora e unificadora: com base na religião, busca-se uma educação pautada pelo projeto salvífico de Deus, como assim almejava Dom Bosco. Além da educação, há a evangelização (SCARAMUSSA, 2003, p. 5). Promoção integral: o sujeito é levado a se desenvolver integralmente, em todas as dimensões, relacionando-se com os outros, com a natureza e com Deus (SCARAMUSSA, 2003, p. 6). Promoção integral a serviço de um projeto social: na perspectiva salesiana, a educação não se restringe ao professor e ao aluno, mas deve ser exteriorizada como conseqüência de um bom trabalho, ou seja, a qualidade da educação fica evidente a partir do momento em que ela rende frutos para a sociedade na qual os sujeitos 62 estão inseridos para a construção da mesma (SCARAMUSSA, 2003, p. 6-7). Metodologia do amor educativo: pode-se dizer que o sistema educativo é o próprio Dom Bosco na sua vivência, como se o mesmo convivesse com os jovens, como uma presença educativa inspirada no amor que tem o intuito de transformar educadores e educandos numa mesma família (SCARAMUSSA, 2003, p. 7). De um modo geral, pode-se afirmar que a educação dos jovens baseia-se em dois princípios: o preventivo e o repressivo. O repressivo visa punir os que cometem falhas inadmissíveis; já o preventivo não almeja a punição, mas sim evitá-las por meio de orientações e conselhos. O sistema preventivo, como é o caso do sistema proposto por Dom Bosco, está atrelado à educação. Entretanto, não somente uma educação que busque evitar o mal, mas também antecipar o bem, ou seja, que além de auxiliar vários jovens, também os encaminhem na vida. Sendo assim, neste sistema o amor cria uma relação educativa que visa prevenir o mal e incentivar o bem. O Sistema Preventivo pode, portanto, ser definido como caridade pedagógica na educação e evangelização dos adolescentes e jovens, com o espírito de Dom Bosco. O projeto de educação e evangelização tem como centro a pessoa, na singularidade da sua existência e quer ajudá-la a realizar o próprio projeto de vida. (PAULA, 2008, p. 60). As crenças e os valores do Sistema Preventivo, que são considerados a base da eficácia do sistema, fundamentam-se na sua aplicação, e não apenas na teoria, considerando ainda a participação ativa de todos os envolvidos no processo, como se fossem uma família em prol dos jovens. Valendo-se das palavras do Reitor-Mor, compreende-se a missão do legado de Dom Bosco no sentido de que: O Sistema Preventivo de Dom Bosco tem uma grande projeção social: quer colaborar com muitas agências na transformação da sociedade, trabalhando para a mudança de critérios e de visões da vida, para o desenvolvimento da cultura do outro, de um estilo de vida sóbrio, de uma atitude constante de partilha gratuita e de empenho pela justiça e a dignidade de cada pessoa humana. A educação para os direitos humanos, em particular pelos direitos dos menores, é o caminho privilegiado para realizar, nos diversos contextos, este empenho de prevenção, de desenvolvimento humano 63 integral, de construção de um mundo mais igualitário, mais justo e mais sadio. (VILLANUEVA, 2008, p. 6). Os princípios e valores utilizados no método de Dom Bosco, então, visam incentivar a construção humanista dos jovens para sua própria vivência, para que se tornem indivíduos íntegros, bondosos e fraternos, mas que se desenvolvam intelectualmente. Porém, não se exclui jamais a evangelização nesta prática pedagógica, que inclusive é aludida no lema de Dom Bosco “Evangelizar educando e educar evangelizando”. Todo sistema educacional é permeado por valores e o Sistema Preventivo deDom Bosco também tem aqueles que vão nortear a sua estratégia pedagógica. (SCARAMUSSA, 2003, p. 8). Razão: o indivíduo tem a capacidade de compreender a razão de ser das coisas, percebendo os objetivos da ação educativa, acreditando no sistema ao qual pertence com convicção e assumindo a responsabilidade de crescimento pessoal e coletivo. Dessa forma, fica evidente a necessidade da persuasão por meio de uma convivência construtiva e crítica para que, por meio da experiência diária os educandos possam desenvolver corpo e mente, além de se prepararem profissionalmente (SCARAMUSSA, 2003, p. 8). Religião: na religião, através de uma convivência integradora os valores humanos são objetivados para a construção do projeto de vida de cada sujeito inserido na comunidade de fé (SCARAMUSSA, 2003, p. 9). Amorevolezza: este valor indica que aquele que é amado, está também apto para amar, por meio de sentimentos como bondade, alegria, fraternidade e afeição que se evidenciam na convivência entre educadores e educandos (SCARAMUSSA, 2003, p. 9). Ambiente educativo familiar: todos precisam estar empenhados em prol do mesmo objetivo, criando uma comunidade educativa e participativa num ambiente familiar. Para tal, deve-se criar um clima de cooperação e abrir espaço para que os jovens possam exteriorizar seus sentimentos e opiniões, incentivando também sua participação nas atividades propostas, como música, teatro, esporte e outras (SCARAMUSSA, 2003, p. 10). 64 Assistência-presença: o educador deve estar pronto a atender seus educandos, mas com uma presença ativa, estimulante e centrada nas necessidades particulares dos jovens, respeitando suas individualidades (SCARAMUSSA, 2003, p. 10-11). Disciplina sem castigos: no processo educacional sempre haverá resistências e algumas contendas e é preciso estar preparado para trabalhar com a situação da melhor maneira possível, que jamais será de forma autoritária e agressiva. Faz-se necessário compreender que a disciplina é algo que deve partir do interior do indivíduo, mas o educador precisa também conquistar a confiança dos jovens para que estes expressem seus desejos e frustrações passivelmente. Tudo isto só é possível com amor e/ou caridade, que tanto Dom Bosco enfatizava (SCARAMUSSA, 2003, p. 11-12). Programa educativo: a espiritualidade que fundamenta a educação salesiana é um percurso que está incutido na proposta de santidade para o jovem, para que este caminhe na sua vida cristã, com a devida liberdade (SCARAMUSSA, 2003, p. 12-13). A proposta educativa de Dom Bosco está permeada pelos valores de razão, religião, amor dos quais se originou o programa dos “três S”, relacionado com as necessidades dos jovens, a saber: saúde, sabedoria e santidade. Dom Bosco não ama para educar, mas educa porque ama. Os jovens merecem, têm direito e necessidade de ser amados por quem os colocou no mundo, por quem vive a seu lado, por quem deve e pode fazer alguma coisa por eles, pelo seu crescimento, pela sua felicidade. Desejam e esperam ser amados. (PAULA, 2008, p, 61). Para Dom Bosco, o jovem necessita também da alegria para usufruir dos benefícios proporcionados pela vida; do estudo e do trabalho para se realizar profissionalmente e/ou exercer o apostolado com empenho e dedicação que também são essenciais na vida do ser humano; e piedade para aceitar a vida como presente, dádiva divina e compreender a esperança da vida eterna. Na sua concepção, os jovens não deviam apenas aprender o bem, mas também vivenciá-lo e aprendê-lo com os outros na prática. Os jovens amavam Dom Bosco porque o viam sempre bom, acolhedor, simples, afetuoso e alegre, disposto a gostar do que eles gostam, a ajudá-los a realizar seus desejos, a participar ativamente da vida deles, da alegria deles. Também e especialmente os que, por motivos diversos, eram carentes de amor, de afeto, de manifestações 65 de amizade e confiança, compreendiam, apreciavam correspondiam ao amor de Dom Bosco. (PAULA, 2008, p. 61). e Desse modo, é perceptível que a educação, que tem por base o amor, é capaz de render respostas duradouras na vida dos seres humanos. No que se refere à pedagogia, além de uma educação que visava ao amadurecimento dos jovens, Dom Bosco também se preocupava com o tempo livre destes, e assim teve iniciativas que incentivam o lazer, as artes, a evangelização e inclusive uma catequese em prol de uma vida litúrgica, desde que tudo ocorresse num ambiente que interessasse aos jovens espontaneamente. [...] Dom Bosco criou, recriou, adaptando e melhorando, obras e iniciativas para o tempo livre, para o lazer, para a expressão artística, para a evangelização e a catequese, para a celebração e a vida litúrgica e sacramental, tudo contextualizado num ambiente alegre e acolhedor. (PAULA, 2008, p. 64) Afinal, a religião sempre se fez presente no sistema de Dom Bosco, inclusive para expressar o amor de Deus, que se fazia notório na sua própria vida, por meio da fé e de um amor-doação, pois se doava em todo seu tempo na perspectiva de formar jovens cristãos construtores de um projeto de vida realizador. A religião, no projeto de Dom Bosco, é o fundamento e coroamento dos valores e dos compromissos educativos do amor e da razão. [...] Revelou e comunicou concretamente aos jovens o amor divino que é manancial de fé, de caridade, de amor-doação, de alegria, de oração e celebração, de festa, de diálogo, de perdão, e que ele transformou e projeto de vida, assim sintetizado: bons cristãos e honestos cidadãos, visando a uma vida honesta e útil, digna e feliz, o que equivalia, para ele, na linguagem da época, à salvação da alma. (PAULA, 2008, p. 65). Na busca por uma melhor construção dos jovens, Dom Bosco, visou a criação de um sistema que buscava proporcionar não apenas a educação teórica, mas uma educação construtiva, primando pelo desenvolvimento humano, tendo como um de seus princípios norteadores o amor, como uma forma de beneficiar a juventude e caminhar para uma educação eficaz e humanizadora. Esta educação humanizadora propagou-se pelo mundo, conduzida através da pedagogia salesiana, fundando inúmeras instituições que mantêm viva a filosofia educacional de Dom Bosco. Entretanto, para executar esta proposta pedagógica os envolvidos nos programas do Parque Dom Bosco são devidamente preparados através da formação de grupos de estudo e outras dinâmicas nas quais tomam 66 conhecimento dos procedimentos e valores que devem ser transmitidos aos jovens que freqüentam a instituição. O Reitor-Mor da obra Salesiana em Roma, P. Pascual Chávez Villanueva, salienta a importância do Sistema Preventivo Dom Bosco no que se refere também aos Direitos Humanos: Por isso, nesta minha intervenção, quero chamar a vossa atenção para dois elementos muito importantes na aplicação do Sistema Preventivo hoje: a sua relação com os Direitos Humanos e a necessidade de oferecer uma proposta educativa capaz de fermentar e de gerar cultura. [...] A defesa da vida é o eixo que implica [sottende] os atuais percursos e as diversas pesquisas intercomunicantes nas várias situações sociais, políticas e culturais. A luta pela defesa da vida deve ser uma ponte que une os reduzidos limites de sobrevivência das grandes massas empobrecidas aos amplos horizontes de vida mais plena, mais humana e de melhor qualidade de que poucos podem usufruir. Estes ideais devem estar presentes nos empenhos educativos, se não queremos esquecer-nos que somos homens e que a espécie humana deve ser a primeira a ser protegida. (VILLANUEVA, 2008, p. 3-4). Para o Reitor, o Sistema Preventivo deve expressar uma educação que reflita a realidade mundial em prol da transformação da humanidade. Sendo assim, ainda afirma que: [...] Sem ideologizações nem manipulações, nas aulas é preciso escutar a voz dos que não têm voz, sentir a fome, a sede, ver a nudez de tantos povos esquecidos; com realismo e coerência, é preciso fazer conhecer os esforços de tanta gente empenhada nas grandes causas da dignidade da mulher, da paz, do respeito à natureza. (VILLANUEVA, 2008, p. 5). Na visão dos salesianos, este sistema é mais do que um simples método, na verdade tende a identificar-se com o espírito salesiano de pedagogia, pastoral e espiritualidade, que se apresentam na experiência cotidiana e dinâmica entre educadores, jovens e sociedade. Na base de todas as nossas reflexões permanece a dúvida se estamos ou não atingindo a qualidade educativa que está exigindo a nova cultura, já presente no nosso mundo, criadora de um homem e de uma mulher culturalmente novos. Nossas prioridades devem convergir na formação de pessoas verdadeiramente livres, críticas, socialmente comprometidas, com capacidade de serviço no relacionamento com os irmãos, que encontram suas motivações no Evangelho, na fé no Homem Novo: o Cristo Ressuscitado. (VILLANUEVA, 2008, p. 5). As recomendações acima expostas condicionam os indivíduos a se enquadrarem nos padrões pedagógicos do sistema preventivo, para serem aceitos 67 nos programas. Assim para que um educador compreenda como o sistema funciona e o aplique aos jovens, há roteiros que norteiam a prática. Trata-se, portanto de uma aplicação dos preceitos cuja orientação está voltada para a adesão consciente de cada educador, de forma que este possa se habituar e aprender a educar conforme o sistema salesiano propõe. O educador “segundo o coração de Dom Bosco” está consciente de que o processo educativo é o espaço privilegiado no qual ocorre a promoção total da pessoa e no qual a fé é proposta aos jovens. No processo de ensino, ilumina o saber humano com os dados da fé, sem afastá-lo do objetivo que lhe é próprio; e repensa, em vista da educação à fé, tanto o sentido global da cultura, quanto o ensino de cada uma das disciplinas, quanto ainda os próprios relacionamentos pessoais e no interior dos grupos. (VILLANUEVA, 2008, p. 6). O sistema preventivo exige que se formem grupos de estudos, para que os sujeitos compreendam o processo de conhecimento e aplicação do sistema, os quais são assessorados por um indivíduo que tenha conhecimento aprofundado da filosofia do sistema. Quanto ao cronograma do estudo, este está voltado para a prática do Sistema Preventivo, mas não somente em prol do desenvolvimento intelectual, pois isto supõe um processo gradual para uma melhor assimilação de conceitos, mudança de atitudes e comportamentos, compreensão da espiritualidade e demais alterações em benefício da comunidade educativa. (SCARAMUSSA, 1993b). Os trabalhos a serem executados a partir da orientação do sistema preventivo devem iniciar com motivação, com um fato social, uma música, ou alguma introdução que prepare os integrantes do grupo a se interarem de forma dinâmica no processo. Ressalta-se a importância de utilizar acontecimentos recentes, que sejam, também, de conhecimento dos membros do grupo. O passo seguinte trata da descrição da experiência de Dom Bosco, situandoa no contexto atual, explanação esta que deve ser feita por quem visa ao aprimoramento de seus conhecimentos relacionados à obra de Dom Bosco, por meio de pesquisas, leituras e especialistas. Após estes procedimentos, utiliza-se de dinâmicas e atividades que compõem a preparação do educador para a aplicação do sistema preventivo. Estuda-se também a realização total da pessoa humana, com ênfase na salvação – de acordo com os entendimentos de Dom Bosco, e sua relação com o 68 cristianismo na modernidade, com o pluralismo religioso, e a salvação e a subjetividade desta. Depois destas abordagens, também há uma compreensão da promoção integral, abrangendo a transformação da sociedade a partir da educação do jovem, partindo da solidariedade com os menos favorecidos. Nesta parte, aborda-se o alcance social da ação educacional de Dom Bosco, com a percepção da situação em que vivem os jovens, numa sociedade em constante transformação. Esta perspectiva visa, assim, o ingresso dos jovens efetivamente na sociedade, capazes de vivenciar o mercado de trabalho. D. Bosco não preparava seus jovens para escola, mas para a vida. “Educando para a vida, D. Bosco não podia deixar de educar seus jovens para o trabalho, máxime porque ele se destinava preferivelmente à classe mais pobre” (MODESTI, 1975, p. 111). Este escopo prático visava a vários objetivos, porque preparando melhor os menos favorecidos para o trabalho, estaria, concomitantemente, auxiliando no desenvolvimento social da comunidade, na redução das desigualdades. Para Dom Bosco, preparar os jovens pelo trabalho era uma necessidade, um processo fundamental para o despertar da responsabilidade pessoal. A [...] necessidade brotava de suas idéias sobre educação. Formar o homem. Sem o trabalho, essa formação seria defeituosa. Ele queria fazer do aprendiz um indivíduo essencialmente instruído em manuais de trabalho e na sua prática. Porém, mais do que tudo, queria mostrar que o trabalho é um valor humano e cristão. (MODESTI, 1975, p. 112 - 113). Nesta perspectiva, realiza-se o estudo da promoção integral relacionada com o conceito de bons cristãos e honestos cidadãos, construídos a partir da educação que tem como ponto de partida a necessidade dos jovens. Por meio desta percepção das necessidades, encontra-se o princípio do amor educativo. Há a abordagem do senso crítico na escola, das dimensões de amadurecimento da pessoa humana, da visão da “razão” para Dom Bosco, e da “razão” para os jovens da atualidade. Para Modesti (1975, p. 108) a formação do jovem passa também pelo preparo do educador. O mestre precisa conhecer o educando, estudar e estar junto dos jovens, pois somente conhecendo-os bem será capaz de entender o que precisam. O educador deve estar preparado ainda para ajudar o educando a se conhecer. 69 Se o educador cumpre esta função pode ajudar o educando a realizar a proposta do Sistema Preventivo, que é aquele de formar o jovem para a vida, de forma que quando sai da casa salesiana é capaz de conseguir um emprego honesto por conta própria, garantindo o próprio sustento e uma vida digna. (MODESTI, 1975, p. 113). Em síntese, o Programa Jovem Aprendiz desenvolvido no Parque Dom Bosco está permeado pela filosofia de Dom Bosco, cujas idealizações são repassadas aos jovens durante a execução das diversas atividades oferecidas no interior da Instituição. 70 CAPÍTULO III PERCEPÇÕES DOS JOVENS SOBRE O PROGRAMA JOVEM APRENDIZ Os alunos que participam do Programa Jovem Aprendiz desenvolvido no Parque Dom Bosco atuam como aprendizes em mais de 30 empresas de Itajaí e região. 3.1 Perfil dos jovens entrevistados O presente item apresenta, por meio de gráficos, o perfil dos jovens entrevistados que participam do Programa Jovem Aprendiz. Gráfico 01 - Identificação dos alunos quanto ao sexo Verifica-se que a maioria dos entrevistados é do sexo masculino. Os dados sobre esta identificação em relação ao total de alunos que frequentam a instituição indicam que 58% são do sexo masculino e 42% são do sexo feminino. 71 Gráfico 02 - Identificação dos jovens aprendizes quanto à idade Dos entrevistados 32% dos jovens estão com 15 anos ou menos, 32% estão com 16 anos, 26% com 17 anos e apenas 10% possuem 18 anos ou mais. Gráfico 03 - Cidade de residência dos jovens aprendizes Dos 19 entrevistados, 17 residem na cidade de Itajaí e os demais nos municípios de Balneário Camboriú e Navegantes. 72 Os bairros de Itajaí 42 cujos entrevistados residem são: São Vicente, São João, Cidade Nova, Carvalho, Votorantim, Itaipava, Cordeiros, Espinheiros. No município de Balneário Camboriú, os entrevistados residem na Vila Real e em Navegantes, no bairro São Domingos. Portanto, 90% dos entrevistados são moradores de Itajaí, sendo que entre os bairros a maioria reside nos bairros São Vicente (17%), Cidade Nova (17%) e Cordeiros (17%). Estes bairros estão entre os maiores na cidade 43, cujos dados revelam também que se tratam de bairros nos quais se encontram maiores índices de pessoas em vulnerabilidade social. Trata-se de uma população em sua maioria de famílias de baixa renda, estando, portanto, entre as localidades que apresentam o maior número de pessoas atendidas pelo Programa Bolsa Família (PLANO MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL DE ITAJAÍ, 2010, p. 24). Todos os entrevistados revelaram que ainda são dependentes dos pais, tendo necessidade de residir com os mesmos na medida em que não apresentam autonomia para se autossustentarem, embora já estejam executando atividades laborais. A frequência escolar é um requisito básico para a inserção do jovem no Programa. Em virtude dessa exigência os jovens mudam suas concepções a respeito dos estudos, adquirindo a compreensão de que o estudo é requisito básico para quem almeja um futuro promissor no mercado de trabalho. Esta visão é resultante de uma das premissas do Programa, qual seja, o preparo competente para o mercado de trabalho. O gráfico a seguir mostra que a maioria dos participantes estuda em colégio público, havendo uma minoria que estuda em colégio particular. Isto demonstra, ainda que de forma relativa, que a maior parte dos jovens pertence às classes menos favorecidas. 42 A cidade de Itajaí é composta pelos seguintes bairros: Barra do Rio, Cabeçudas, Canhanduba, Centro, Cidade Nova, Cordeiros, Dom Bosco, Espinheiros, Fazenda, Nossa Senhora de Guadalupe (Fazendinha), Itaipava, Murta, Nossa Senhora das Graças, Praia Brava, Promorar I, Promorar II, Promorar III, Ressacada, Rio do Meio, Rio Bonito, Rio Novo, Salseiros, São João, São Judas, São Roque, São Vicente, Vila Operária, Volta de Cima. 43 Cordeiros: 28.737 habitantes; São Vicente: com 25.401 habitantes; Cidade Nova: 14.592 habitantes. 73 Gráfico 04 - Dados acerca dos colégios frequentados pelos jovens aprendizes, se são estabelecimentos de ensino públicos ou privados. Gráfico 05 - Renda familiar dos entrevistados. A maior parte dos entrevistados indicou que suas famílias obtém renda salarial que oscila entre 1 salário mínimo e no máximo 3 mil reais. O número de pessoas que coabita a mesma casa varia entre duas e seis pessoas, constituindo-se em sua maioria em família nuclear, qual seja, pais e filhos, conforme apresenta o Gráfico 6. 74 Gráfico 06 - Número de pessoas que habitam a residência dos entrevistados. Parte dos entrevistados (42%) afirma que seus pais são divorciados ou separados, o que pode demandar mais despesas decorrentes de pensão alimentícia. Outro fator registrado quanto às despesas familiares foi o aluguel, considerando que parte deles (11%), não são proprietários das casas em que residem. Os aspectos relativos às condições socioeconômicas dos entrevistados permite afirmar que estes jovens participantes do Programa Jovem Aprendiz necessitam de políticas públicas que lhes permita melhorar suas condições de vida. Esta talvez seja uma das razões pelas quais estes jovens revelaram algum sucesso na vida escolar, sendo que dos entrevistados 78% deles nunca reprovou, conforme o Gráfico 7. 75 Gráfico 07 - Índice de reprovação escolar entre os entrevistados. Entretanto, os que reprovaram identificaram como causa a brincadeira em sala de aula e a falta de objetivos, a seu ver por falta de orientação. Neste sentido, o Programa Jovem Aprendiz do Parque Dom Bosco pode representar para estes jovens uma oportunidade de apoio e orientação para se definirem e identificarem as suas potencialidades. Por outro lado, a orientação, o apoio, o incentivo vem de suas famílias, que insistem na necessidade de estudar “para vencer na vida” como expressam, ou ainda, “ser alguém na vida”. Todos os entrevistados revelaram que os pais os apóiam, incentivando-os a estudar. Os pais, por vezes, projetam no estudo uma possibilidade de seus filhos realizarem o que eles não puderam, ou não conseguiram, semelhante ao que registrou Zago em sua pesquisa desenvolvida entre jovens de periferia no município de Florianópolis: Destituídos de capital econômico e material, a única via que estes pais podem vislumbrar como possibilidade de integração social e profissional dos filhos é a escola. Esta demanda está fortemente apoiada na percepção dos sujeitos entrevistados sobre as transformações no mundo do trabalho e as dificuldades de integração dos jovens na vida ativa. [...] A realidade materializada na pobreza, no trabalho incerto e, também, nas experiências muitas vezes constrangedoras de ser analfabeto, é sempre lembrada: o que eu não tive, eu quero prá eles, o que eu não fui, eu quero pra eles. São expressões, entre outras, que reatualizam a própria história dos pais. [...] é como se falar da situação escolar dos filhos reativassse seu próprio passado, e a situação do filho é apresentada, ou seja, reinterpretada através dos elementos de sua experiência pessoal. (1998, p. 70 e 71). 76 Embora a realidade de Zago difira em alguns aspectos, como por exemplo, na presente pesquisa não há pais analfabetos, é possível estabelecer uma analogia, pois em um contexto de analfabetismo os pais têm expectativas de que a frequência escolar seja um caminho para superarem suas carências sociais e econômicas e por esta razão estimulam seus filhos a seguirem os estudos, tendo em mente a possibilidade de eles construírem um futuro que eles não tiveram a oportunidade. Para os pais que têm um nível de escolaridade maior, por certo, há a compreensão de que os bancos escolares são o único caminho para manter um bom nível de vida ou ascender socialmente. Em outros termos, a escola continua sendo percebida pelas diversas classes sociais como o único caminho para ascender socialmente. Gráfico 08 - Escolaridade da mãe dos entrevistados. 77 Gráfico 09 - Escolaridade da mãe dos entrevistados. Como se vê, a maioria dos pais situa-se na formação escolar de possuindo até o ensino médio completo. Entre as mães prevalece o ensino médio, com 48%, contra 26% do ensino fundamental e 21% do ensino superior. Já entre os pais a maioria formou-se até o ensino fundamental, com 42%, contra 37% do ensino médio e 16% do ensino superior. Destaca-se que estes pais incentivam os seus filhos para os estudos, conforme se apresenta no Gráfico 10. Gráfico 10 - Informação sobre o Programa Jovem Aprendiz. 78 A maior parte quando perguntado sobre como ficou sabendo do Programa, respondeu, que foi pelos pais ou pelos amigos dos pais ou pelos próprios amigos, que os informaram sobre a possibilidade de ingressar no Programa. Em síntese, os entrevistados que participam do Programa são adolescentes de sexo tanto masculino quanto feminino, possuem idade entre 15 a 18 anos, residem com seus pais e em sua maioria na cidade de Itajaí, em bairros periféricos. Tratam-se de jovens que freqüentam a escola e apresentam dificuldades socioeconômicas, razão pela qual residem em forma de aluguel. Por fim, demonstrou-se que a maior parte dos adolescentes nunca reprovou, sendo amplamente apoiados por suas famílias, razão pela qual vieram a participar do Programa. 3.2 O Parque Dom Bosco: concepções dos jovens sobre o Programa Jovem Aprendiz e a Empresa Apresentado o perfil dos entrevistados no item anterior, passa-se agora a analisar as opiniões dos jovens aprendizes sobre diversos aspectos do Programa Jovem Aprendiz. Gráfico 11 - Primeira impressão dos entrevistados com o Programa Jovem Aprendiz. 79 Quando perguntados sobre suas impressões a respeito do Parque Dom Bosco, obteve-se as seguintes respostas: “pensava que não era tão grande”, “o Programa prepara os jovens para o trabalho”, “pensava que era só para crianças pequenas”, “não tinha nenhuma opinião prévia”, “achei que não iria gostar muito”, “não era coisa de escola”. A maioria respondeu que não tinha nenhuma opinião prévia formada (56%), mas boa parte tinha concepções equivocadas, revelando seu desconhecimento sobre as ações do Parque. Destas respostas pode-se inferir que o Parque é uma instituição grande, que se destina não somente para crianças pequenas, mas também para jovens entre 15 a 24 anos, por envolver atividades relacionadas à educação para a sociedade. A primeira impressão dos jovens acerca da instituição foi sendo modificada com o tempo, e hoje pode-se dizer que, em geral, eles apreciam as atividades e a dinâmica institucional do Parque Dom Bosco. Essas informações são corroboradas pelos depoimentos: Quando cheguei aqui no Dom Bosco eu gostei bastante da ideia, porque é um incentivo aos jovens a não entrar na criminalidade, porque é um Programa gratuito, que tu vem, aprende, e é encaminhado para o primeiro emprego. Não é em qualquer lugar que tu encontra. E também pra quem é mais carente tem o almoço, tem lanche, é tudo de bom. Porque se não fosse esse projeto, eu não sei se eu estaria trabalhando, não sei se eu poderia estar comprando as minhas coisas, é muito bom. Mas no começo eu pensei que era creche, porque quando eu passava aqui só via crianças. Meu padrinho vinha na Igreja sempre, daí sempre que eu vinha com ele, passava e via crianças, e pensava que era uma creche. Daí quando a mãe veio me dizer que era lá no Parque Dom Bosco, eu pensei ‘Meu Deus lá só tem criança’. Daí quando eu cheguei aqui e vi que tinha um monte de jovens e adolescentes, eu até me surpreendi. Eu tinha uma idéia totalmente diferente. (Entrevistado 2) Quando o meu pai me inscreveu eu pensei: ai que saco tenho que acordar cedo. No começo vim meio que contrariado, porque eu estava acostumado a dormir até tarde. Quando cheguei aqui deu de ver que não é aquela coisa chata da escola, de professor e aluno. Parece que a gente acaba tendo mais intimidade com os coordenadores e professores e acaba criando uma certa relação de amizade com eles. Então foi bem legal. Vejo o Dom Bosco como uma escola técnica. É bem melhor do que eu imaginava. Esse ar de simplicidade, essa sensação de estar em casa, sem falar que os professores são ótimos e ensinam muito bem [...]. (Entrevistado 4). O Jovem Aprendiz está sendo bem mais do que eu esperava. Mas ele é bem diferente do que eu imaginava. Eu imaginava que era só para crianças, só pra gente mais carente. E quando eu vim para cá achei demais. Tanto que eu venho todos os dias para almoçar, porque eu adoro. Eu almoço aqui, porque a van vem me pegar aqui 80 na frente pra eu ir para o trabalho. Eu trabalho lá em Camboriú. Almoço aqui. Pego uma hora a van ali na frente. Eu e a outra menina. (Entrevistado 9). O curso mudou totalmente minha visão, porque eu achava que seria chato ir toda tarde. Mas você começa a vir e pega amizade, daí não quer deixar de ir. No começo eu não conhecia ninguém aqui do Parque. Eu não fazia ideia de como o Parque era, porque nunca tinha vindo aqui, nem de como funcionava. O Parque Dom Bosco foi a melhor coisa que aconteceu para mim, uma oportunidade única, e não só para mim, mas para muitos jovens. E até mesmo as crianças que poderiam estar nas ruas se misturando com as pessoas erradas, e estão aqui, aprendendo a fazer coisas novas, se distraindo. (Entrevistado 11). Como se vê é comum os entrevistados afirmarem que antes possuíam uma visão diferente da realidade do Parque Dom Bosco, pois pensavam que se tratava de uma instituição que visava trabalhar apenas com crianças ou pessoas carentes. No decorrer do curso essa imagem, por parte dos jovens entrevistados, foi desfeita e os próprios alunos mencionam que passaram a gostar bastante da dinâmica institucional. No depoimento abaixo o entrevistado comenta que inclusive levou três anos para se sentir satisfeito com as atividades, porém demonstra também, que, de algum modo, o Parque Dom Bosco conseguiu oferecer algo que lhe interessasse, no caso, a informática. Não sei porque eu não queria vir na época, eu queria ficar a tarde em casa. Vim reclamando no começo. Primeiro ano foi chato, o segundo ano enjoou, no terceiro ano melhorou, porque mudou. Melhorou quando fui para a informática. (Entrevistado 17). Já este entrevistado gosta das aulas de formação humana: Em relação ao Programa aqui no Parque eu gosto das aulas de formação, porque é uma coisa diferente, eu gosto de chegar aqui e fazer algo diferente. E eu só acho que deveria ter aulas mais diferenciadas aqui no Parque, por exemplo, as aulas de português, as atividades são muito repetitivas. Deveria ter mais dinâmica. Eu acho o Parque uma coisa muita boa, porque ajuda várias pessoas. (Entrevistado 19) De fato, os jovens têm uma visão positiva do Programa , como se verifica em seus depoimentos, despertando, inclusive para áreas de conhecimento que até então não fazia parte do seu cotidiano. Como se viu nos depoimentos acima, alguns participantes, ao começarem a ter aulas de informática e formação humana, por exemplo, passaram a se interessar por áreas que antes não faziam parte dos seus conhecimentos. Estes jovens confirmam o que alguns especialistas em educação 81 chamam a atenção, a escola precisa inovar, identificar os interesses, incluir novas atividades e Programas que despertem no jovem estudante o interesse por novos saberes. A repetição de conteúdos, por exemplo, é considerado algo desagradável para o jovem, como revelam os seus depoimentos: [...] Minha opinião sobre os profissionais e as disciplinas, vou ser bem sincera, por exemplo, na informática, o professor é show de bola, mas as aulas são muito repetitivas, muito mesmo, eles mandam a gente fazer quinhentas vezes a mesma coisa, a gente já sabe mexer no Word. A professora de português faz tarefas muito legais, ela dá sempre trabalhos diferentes, bem dinâmicos. Eu acredito que o Programa e o Parque estão me ajudando no meu crescimento profissional, porque eu to aprendendo muito. (Entrevistado 12). Sobre palestras eu não gosto muito, mas mesmo assim tem que escutar, tem que respeitar, pois ele está ali na frente fazendo o trabalho dele. Não acho interessante. Eu acho enjoativo. Aquele famoso chá de cadeira. (Entrevistado 17). Nós já havíamos falado sobre o que deveria mudar no Programa, é sobre a questão das aulas serem muito repetitivas [...]. (Entrevistado 1). Por outro lado, cabe também à escola demonstrar que os conteúdos apreendidos naquela fase escolar poderão lhes ser de alguma utilidade em outros momentos da vida. Além disso, é preciso demonstrar que, a vida não é vivida apenas de bons momentos, mas temos contrariedades as quais devemos aprender a superar. Do total dos entrevistados, 72% consideram o Programa Jovem Aprendiz uma oportunidade para se preparar para o mercado de trabalho, e o restante (28%) aprecia tudo o que é oferecido pelo Programa. Isto significa que todos têm uma visão positiva do Programa. O grau de satisfação dos jovens é um dado importante, pois implica na possibilidade de ampliar ainda mais o interesse de outros jovens em ingressarem no Programa, uma vez que aqueles que estão envolvidos atualmente podem recomendar a instituição a outros jovens. Ainda assim quando perguntados sobre o que poderia mudar no Programa Jovem Aprendiz os participantes apresentaram algumas críticas e sugestões importantes, como expressam em seus depoimentos: Sobre o que deveria mudar... É que assim, eu estou em uma turma muito nova. Temos eu e um colega, que estamos há três anos aqui no Parque. Então existem coisas que nós já sabemos e se torna cansativo isso. Eu acho que a matéria poderia ser diversificada, pois nós já fizemos todos os cursos que o Parque tinha então o pessoal 82 está digitando agora, fazendo tabela, aprendendo as fórmulas e nós já fizemos isso tudo umas “trocentas” vezes [...]. (Entrevistado 3). E no Jovem aprendiz teve um tempo atrás que tava mais relaxado assim, mas agora eles melhoraram. As aulas estavam toda vida a mesma coisa, toda vida só informática, daí agora eles mudaram e agora realmente eu estou aprendendo. (Entrevistado 9). A repetição de conteúdos, para estes jovens entrevistados, pode provocar desmotivação e desinteresse pelas aulas. Neste sentido, faz-se necessário identificas as causas pelas quais reclamam da repetição de temas, ainda que se possa supor que estejam sempre à busca de novas informações, novos conteúdos enfim, uma ansiedade que é própria da juventude e que deve ser compreendida por aqueles que lidam diariamente com este segmento social. Além disso, está presente nessas críticas o fato de as aulas focarem bastante na informática, o que aparenta ser uma contradição, na medida em que haviam apontado a informática de forma positivada, por fornecer conteúdos que lhes são de grande valia para dominarem várias ferramentas e técnicas necessárias para o adequado cumprimento das atividades que são requeridas nas empresas em geral. Por outro lado, valorizam outros assuntos como demonstra este depoimento: Aqui no JA a mudança que eu queria já teve, que é ter vários tipos de aula. Agora nós vamos ter aula sobre política, essas coisas. A mudança que eu queria era essa de não ficar só no português e informática. (Entrevistado 8). O Entrevistado 8 auxilia a compreendermos o que almejam estes jovens. Para além da informática, apreciam outros conteúdos, quando estes lhes trazem informações de várias ordens. Assim, a introdução de conteúdos sobre política ganhou boa repercussão entre eles, sobretudo porque, ao que indica, estão compreendendo o valor fundamental dessa disciplina para a vida dos cidadãos, ou seja, a partir destes conhecimentos específicos podem ser ainda mais criteriosos na escolha dos representantes políticos. Por outro lado, sabemos que é difícil exercer a responsabilidade de cidadão, cuja obrigação primeira é conhecer seus direitos e deveres. Para tal, não se pode dispensar conhecimentos a respeito do sistema político brasileiro, cuja complexidade envolve noções sobre funções dos partidos políticos e seleção de candidatos por meio de eleições. 83 Se por um lado, alguns repudiam alguns conteúdos, por outro, há entre eles aqueles que apreciam os conteúdos novos, a exemplo do entrevistado 15: E aqui no JA a gente tem palestras sobre administração, sobre saúde, tem comunicação digital, e procedimentos administrativos também. Na parte de informática nós aprendemos sobre Excel, Word, Power Point. A gente tá mexendo no PhotoShop agora. Sobre as palestras elas são sempre importantes. Porque a gente precisa. Por exemplo, a gente trabalhou sobre política, sobre voto, a gente precisa de treinar na parte da eleição, a gente tem que votar, conhecer o candidato. Como administração, eu não trabalho na parte administrativa, mas tem gente que trabalha, então precisa. Sempre é uma força a mais no serviço da gente. [...] Eu gosto de tudo no JA também. Pra mim uma aula de informática, palestra já está ótimo. (Entrevistado 15). O Entrevistado sintetiza o que foi dito acerca das aulas sobre política e justifica a necessidade de outros conteúdos. É importantíssimo ver os jovens se interessando por aprender e conhecer as nuance do mundo político desde cedo, pois isso abre novas possibilidades de melhor interação social no futuro. Um cidadão conscientizado de sua responsabilidade política e social, em tese, possui mais condições de exercer melhor o seu papel na sociedade. O que se pode deduzir é que o educador que lida com estes jovens deve estar atento aos interesses dos mesmos e, especialmente, considerar que estes apresentam diversidade de interesses e não se apresenta como um segmento homogêneo. Assim, o depoimento do entrevistado 15 revela que há interesse por diversas temáticas abordadas, tais como saúde e administração. Particularmente, o trecho “[...] ...eu não trabalho na parte administrativa, mas tem gente que trabalha, então precisa. Sempre é uma força a mais no serviço da gente” fornece uma ideia de que os jovens aprendizes estão obtendo uma formação diferente e importante com a experiência dentro das empresas, pois se poderia perguntar: será que eles teriam esta consciência da importância de assuntos ligados à administração se não a vissem sendo aplicada na prática? Mesmo um jovem que afirma não trabalhar diretamente com administração enfatiza a importância do tema, pois sabe que outros participantes lidam com estes assuntos. Como síntese destes depoimentos pode-se colher que o Programa Jovem Aprendiz poderia repensar a estrutura de temas, pois estes jovens estão bastante interessados e ansiosos por aprender. Para eles, a diversidade de assuntos seria muito bem-vinda e não apenas o enfoque centrado em algumas temáticas, ainda 84 que estas possam contribuir para o desenvolvimento de competências profissionais na atualidade. Houve ainda outras críticas relativas à estrutura do Programa Jovem Aprendiz. Alguns participantes comentaram sobre uma possível desorganização nas aulas e no Programa como um todo. A única coisa que deveria mudar no Programa acho que poderia ser mais organizado os horários nossos aqui no curso, no caso, não ficar a manhã inteira com o mesmo professor, fazer meia manhã com um e meia com outro ou fazer mais variado os horários, pois fica cansativo [...]. (Entrevistado 5). O que poderia melhorar agora é que eu só estou tendo aula de informática, acho que poderia trocar as aulas às vezes com a professora de português. (Entrevistado 10). Para o Entrevistado 5 é cansativo permanecer uma manhã inteira com o mesmo professor, quando esse tempo poderia ser repartido com outros docentes. Para o Entrevistado 10 ter aulas sempre com o mesmo professor também poderia ser repensado. De certa forma, essas críticas enfatizam a ideia de repetição já levantada anteriormente. Contudo, mais enfático é o depoimento do Entrevistado 11: Não sei se o que aprendo no curso ajudaria na empresa, só acho que é meio vago, porque as pessoas perguntam o que você faz lá no curso? Aí eu respondo que vou para o curso, uma hora a gente está em uma sala, outra hora em outra sala, não é uma coisa bem estabelecida. A gente sabe para onde a gente tem que ir. Agora o que a gente vai fazer, não sabemos. Temos informática e auxiliar administrativo, mas muitas coisas estamos revisando. É um pouco repetitivo. O que eu sugiro é fazer a coisa mais organizada, estabelecer um plano de aula mesmo. É, fazer uma grade curricular, porque se alguém lá na rua perguntar o que você faz no curso, quando a empresa te dispensa, daí tu vai ter uma resposta. (Entrevistado 11). O depoimento, em parte, reafirma o que já foi dito por outros entrevistados, mas, também traz novas críticas, destacando-se a falta de organização das aulas e em sua opinião uma grade curricular, que deva ser reavaliada pelo próprio Programa sob pena de correr o risco de desestimular os alunos. O argumento de uma possível desorganização parece tocar ainda um ponto importante: a necessidade de sistematizar as temáticas abordadas no Programa, bem como respeitar a possibilidade de incluir mais de um professor para atuar no mesmo período. 85 Importantíssimo perceber como os alunos se interessam pelo aprimoramento do Programa Jovem Aprendiz. Ao sugerir melhorias na organização e sistemática das aulas, o que envolveria seleção de temas, quadro de horários e professores, entre outros aspectos, implícito, inclusive limites e possibilidades. Atender às sugestões dos entrevistados é fundamental inclusive para a divulgação do Programa Jovem Aprendiz, na medida em que estes alunos são capazes de explicar e disseminar o trabalho que vem sendo realizado pela Instituição. Além disso, o próprio Programa atenderia uma demanda, cujos resultados devem atingir os objetivos propostos. A crítica à desorganização aparece também quando abordadas outras atividades, tais como os passeios, como se vê nos próximos depoimentos: Eu não gosto, tipo sábado vai ter o passeio, daí como eu moro longe, pra mim chegar aqui as seis da manhã não tem como, e provavelmente eu não vá nesse passeio e vai ser descontado do meu salário. Eu não me conformo, porque vai ser descontado quinze ou vinte reais. Porque está no contrato que tem que participar dos passeios e conta como dia de trabalho. Eu acho legal a parte do passeio, mas a questão do horário, e de ser obrigada a vir eu não gosto. (Entrevistado 16) Quanto às atividades extras do Programa eu não gosto muito porque tem coisas que não agradam todo mundo. As pessoas não têm gostos iguais, e como é uma obrigação, fica uma coisa meio forçada. Só mesmo a questão das dinâmicas acho que poderia melhorar o Programa, no mais tudo certo. (Entrevistado 19) Há que se observar que os jovens do Programa Jovem Aprendiz não residem apenas nas proximidades da Instituição, mas procedem de vários bairros, como vimos anteriormente, o que, por vezes trazem algumas dificuldades para acompanharem todas as atividades propostas pelo Programa. Quando não conseguem estar presentes em determinadas atividades, sentem-se prejudicados, o que é compreensível. Por outro lado, apontam a obrigatoriedade às atividades extra-classes como um desrespeito ao gosto de cada pessoa, que tem suas preferências e aversões, e ninguém se sente bem em fazer algo por obrigação. Aqui pode aparecer um dilema a ser refletido: se não houvesse a obrigatoriedade eles o fariam? Quais são os meios para que os jovens sintam prazer nessas atividades e não as façam apenas por obrigação? Há modos de se, inserir todos em um Programa comum? Como respeitar as individualidades? Por outro lado trata-se de jovens em formação e que 86 também devem aprender a lidar com as contrariedades. Autoconhecimento é um processo longo e complexo, e que se constrói conforme as múltiplas experiências vivenciadas. Seria essencial, talvez, provocar esse tipo de discussão entre os jovens, fazendo-os repensarem a postura, de se permitirem experimentar atividades as mais diversas. Se há os que não estão de acordo com os passeios propostos, há também aqueles que os valorizam, revelando mais uma vez que estamos diante de uma diversidade a ser compreendida e respeitada. Em relação aos passeios é bom porque como são várias turmas do Jovem Aprendiz juntas e nós passamos a nos conhecer melhor. Havia muita gente se conhecendo. Eu conheci, por exemplo, cinco aprendizes, eu não conhecia cinco, apenas dois. Então agora conheço todos os cinco aprendizes que trabalham na Seara. (Entrevistado 5). Os passeios Meu Deus, é maravilhoso. Ainda mais para quem não tem condições de ir e de pagar. É maravilhoso! (Entrevistado 9). De qualquer forma, fica como síntese dessas avaliações a necessidade do Programa Jovem Aprendiz se repensar tendo em vista as percepções e opiniões dos jovens, porque são eles os usuários do Programa e a eles deve satisfazer integralmente. Ao realizarem atividades por obrigação não estão compreendendo a importância das atividades, ou seja, pode-se deduzir que há por parte do Programa falta de maior explicitação sobre a contribuição destas atividades para a sua própria formação e desenvolvimento. Em outros termos, pode-se pensar em reformular partes do Programa respeitando as preferências individuais, ou ainda, apresentar argumentos que os convençam sobre a relevância destas atividades. Mas é importante que se reavalie a atuação do Programa Jovem Aprendiz. Levantadas e discutidas estas críticas e sugestões, ainda assim os entrevistados opinaram favoravelmente ao Programa Jovem Aprendiz. Tal informação é sustentada pelas respostas dadas sobre se “indicariam o Programa para outros jovens”? 87 Gráfico 12 - Dados acerca da possibilidade de os participantes indicarem o Programa a outros jovens. A maioria dos entrevistados já indicou ou indicaria para outros jovens o Programa Jovem Aprendiz. Os dados apresentados assinalam que o Programa convenceu os jovens participantes, a ponto de desejarem indicá-lo a conhecidos. Gráfico 13 - Dados sobre aspectos preferenciais no Programa pelos participantes. As opções mais destacadas foram: computação/informática (23%), carinho dos responsáveis (18%), palestras (16%), passeios (12%), prática de esportes (11%). 88 As respostas foram cumulativas de modo que foi possível destacar mais de uma opção. Assim verifica-se que todas as opções qualificam o Programa como uma oportunidade de aprimoramento para as suas vidas. É importante salientar que o aspecto mais pontuado foi computação/informática, algo substancial para a inserção no mercado do trabalho, uma vez que a competência no mundo digital é condição indispensável para uma carreira profissional promissora. Não sem razão que o governo federal vem estimulando e subsidiando Programa s que visam ampliar a inclusão digital entre as classes mais desfavorecidas da sociedade. Apesar de terem indicado anteriormente que a computação tem sido repetitiva, ainda assim, há aqueles que a consideram fundamental, pois esta competência é uma das mais exigidas quando ingressam nas empresas: Acho que o que eu mais aprendi que vai refletir na empresa que eu estou trabalhando é a parte de Office, Excel e Word foram bem úteis. Eu já sabia mexer porque eu já havia feito antes um curso de computação básica, mas acho bem interessante porque eles estão passando agora nas aulas o que nós vamos ter depois de photoshop... Acho bem interessante, mesmo que a gente não use, estamos aprendendo e um dia pode ser preciso. (Entrevistado 1). O jovem deve se sentir acolhido na escola na qual freqüente e isso ficou demonstrado em seus depoimentos quando apontam o carinho dos responsáveis como um aspecto positivo da instituição, traduzido pela preocupação e sensibilidade dos profissionais que atuam com estes jovens. Os estudiosos sobre a juventude, como vimos no capítulo anterior, enfatizam que a adolescência é uma fase complexa da vida de qualquer pessoa, pois representa a transição da infância para a juventude, já ingressando na vida adulta, esta repleta de responsabilidades. A proximidade e a atenção dispensada aos jovens aprendizes pode ser um elemento essencial para a boa adaptação dos entrevistados à instituição. Este aspecto se observa no seguinte depoimento: Eu gosto muito no Parque o calor humano, porque não é assim só “oi professora”. O Coordenador mesmo chega dá um oi, e às vezes a gente passa por ele triste e ele sempre da um abraço, e diz que não quer nada de rostinho triste aqui, que quer ver todo mundo feliz, por que esse era o projeto de Dom Bosco, acolher os jovens, recepcionar as crianças. Não precisa melhorar em nada, só a questão de vagas para os jovens que se tivesse mais vagas seria melhor. O Coordenador Pastoral incentiva bastante o trabalho em grupo, porque, querendo ou não, é muito bom para a empresa. Ele 89 trabalhou aquela dinâmica do ‘nó’, um de passar o bambolê por dentro de outro e não pode soltar a mão, tem que passar para o outro até chegar no final, uma de cadeirinha que tinha que pegar e levar, depois voltar e trazer outro. Ele incentiva bastante o trabalho em grupo, por isso que eu gosto da aula dele. Temos várias outras atividades. Formação Humana. Ele trabalha a vivência, a parte religiosa, coisas que a gente pode levar para a nossa vida. (Entrevistado 2). [...] Quando eu penso em Parque Dom Bosco, me vem na cabeça uma figura de uma casa. Eu acho que o Parque é isso que ele representa pra mim e pra várias pessoas, uma segunda casa. Aqui eles ensinam, instruem, brincam, eles te dão alimento, o que precisar, eles estão aqui pra te ajudar. [...]. (Entrevistado 4). [...] Eu acho bem interessante o Parque Dom Bosco, e essa coisa do apego, de poder abraçar os amigos, os professores, eu acho isso bem legal. E alimentação também, tem gente que chega em casa e nem tem comida, e aqui no Parque tem. (Entrevistado 16). [...] O que eu mais gosto aqui é o seguinte: Eu acho muito bonito da parte dos coordenadores, que chegam e dão abraços em todo mundo, até nos meninos e eu não vejo isso fora daqui, porque fora daqui se eu sou menino e dou um abraço em outro menino eu sou gay, e aqui dentro é diferente. É aquele carinho mesmo, eu acho muito bonito isso da parte deles. (Entrevistado 16). Nota-se nestas falas que a instituição é considerada uma casa acolhedora, cujo “calor humano” e “sentir-se em casa” ratifica não só o esforço do Parque Dom Bosco em ser uma instituição que instrui, mas também acolhe os jovens, despertando e sensibilizando-os para valores humanitários. O fortalecimento das relações humanas é muito importante para que as pessoas se sintam confortáveis em qualquer instituição. Sposito (1994) indica a presença entre os jovens tanto nas áreas urbanas como rurais da necessidade de construções afetivas por meio de jogos, danças e envolvimentos diversos nas ruas, que lhes serve de estratégia para resistir em grupo à violência urbana e opressão social. Estes jovens, que em geral vivem em bairros periféricos, exemplo da maioria dos participantes do Programa entrevistados, sentem certo desamparo e carência de relações afetivas, o que se comprova nos comentários que revelam a satisfação de se sentirem em casa e amados dentro do Parque Dom Bosco, tanto pelos responsáveis pela instituição como pelos amigos que participam dos projetos. Os depoimentos indicam que eles se sentem amados pelos pais, mas que também apreciam bastante as relações afetivas com pessoas de idades próximas às suas. 90 Por fim, há que se considerar ainda, os aspectos que refletem a preocupação do Parque Dom Bosco com as atividades culturais, passeios, palestras e esportes que contribuem para a formação integral do cidadão. O Programa abre oportunidades para os jovens desenvolverem habilidades pessoais e profissionais, através do amplo leque de atividades, indicado, inclusive, pelas respostas dos próprios entrevistados. Assim, ao serem questionados sobre “o que você mais aprendeu no Programa, apontaram as atividades que lhes fornece conteúdo e preparação para atuar em sociedade ou em relações de trabalho, a saber: informática básica, capacidade de relação interpessoal, comportamento ético, atendimento ao público, português, como agir numa entrevista de emprego e técnicas de auxílio administrativo. Gráfico 14 - Dados sobre o que os participantes mais aprenderam no Programa Entretanto, não se pode deixar de ressaltar que a opção mais destacada foi a informática básica. O Programa objetiva através deste conhecimento facilitar a inclusão digital dos jovens por meio das atividades desenvolvidas e, paralelamente, apresenta também atividades que capacitam a relação interpessoal, o comportamento, o atendimento às pessoas em geral, a maneira de falar, e as técnicas básicas no campo administrativo, conforme aponta o depoimento abaixo: O que eu mais aprendi no curso que me ajudou na empresa foi a usar o Excel, e a forma de tratamento com as pessoas. Eu tive aqui também Informática, até o professor explicou bem o Word, que é um Programa simples, mas ele mostrou várias coisas, e explicou bem detalhado. E as aulas de português e auxiliar administrativo, que ajudou a saber o que fazer e o que não fazer no dia a dia da empresa. (Entrevistado 8). 91 Outro aspecto explícito nos depoimentos diz respeito à preocupação com a dimensão comportamental. Este apontamento, como se verá nos depoimentos seguintes está presente em comentários sobre comportamento ético, relações interpessoais, atitude de atendimento ao público, etc. [...] como devemos tratar as pessoas, atendimento ao público, isso é bem legal porque até mesmo sem querer eu acabo um pouco em atendimento ao público, essas coisas têm me ajudado no trabalho na empresa. (Entrevistado 5). O coordenador, no jeito de conviver com as pessoas, de abraçar, brincar, dar exemplo. Aprendi isso com ele. Lá na empresa e em qualquer lugar me ajuda aquilo que ele me passa. (Entrevistado 6). O que eu aprendo aqui que me ajuda na empresa é o comportamento, por exemplo, semana passada a gente teve aula e a professora explicou como se fazia pra atender o telefone e na mesma semana na empresa eu tive que atender o telefone, então eu lembrei do que ela me falou e isso me ajudou bastante. (Entrevistado 12). O que eu aprendo aqui e que está me ajudando no meu trabalho é a questão de atendimento ao público, e como eu atendo os motoristas lá. Que nem hoje foi falado de humildade, como lá na empresa os motoristas estão nervosos, eu tenho que passar tranquilidade. (Entrevistado 16). Os depoimentos revelam que os entrevistados reconhecem a importância da parte comportamental para a sua formação pessoal e profissional e que só a técnica é insuficiente para a convivência social que estão experimentando nas empresas nas quais atuam como aprendizes. Ou seja, é necessário desenvolver aptidões como se comunicar bem com o público, se relacionar bem com as pessoas, ser comunicativo, entre outras habilidades e atitudes. 92 3.3 Expectativas dos alunos a partir do Programa Gráfico 15 - Sobre o interesse dos participantes em cursar ensino superior Praticamente todos os entrevistados apresentam como propósito a continuidade dos seus estudos, cerca 95% deles já tem definido qual curso irão realizar ao concluírem o presente Programa. Neste sentido, o Programa tem sido bastante enfático ressaltando a importância do estudo, instigando os jovens quando não estão convencidos da relevância do estudo para que mudem suas concepções a respeito. Se por um lado, quando ingressam no Programa ainda não estão muito certos do que desejam, com o passar do tempo começam a identificar suas aptidões, descobrem suas identificações com determinadas profissões. Mas, não se pode negar que todos anseiam por uma melhoria em suas vidas, embora possa haver, por vezes, falta de oportunidade para tornar isso possível, como se constata através dos diversos noticiários a respeito das exigências postas para aqueles que buscam o primeiro emprego. O estudo é essencial para o desenvolvimento das competências, requisito praticamente indispensável no mercado de trabalho hoje. Rocha e Góis (2010, p. 468) falam sobre o estranho enigma que circunda o mundo do trabalho hoje, que é aquele em que todo empregador exige experiência prévia para contratar novos empregados, porém partindo daí qual seria o espaço dos jovens ainda não inseridos no mercado de trabalho? Para os autores o discurso da competência e da incompetência no trabalho expressa valores como meritocracia e individualismo. A 93 formação continuada com os estudos facilitaria a inserção no trabalho, pois quando não se possui experiência profissional é essencial ter o conhecimento necessário para desenvolver a função pretendida. Em síntese, pode-se afirmar que o Programa trabalha diversos aspectos no intuito de qualificar os objetivos do jovem desfavorecido. No Programa são trabalhadas questões de preparação para o mercado de trabalho, relacionamentos interpessoais, cidadania, procedimentos administrativos, inclusão digital, leitura e produção textual, atendimento ao público, aspectos relativos à juventude e a espiritualidade, alem das mais diversas questões relacionadas à formação profissional e pessoal, como percebem os próprios entrevistados: O professor incentiva bastante o trabalho em grupo, por que, querendo ou não, é muito bom para a empresa. Ele trabalhou aquela dinâmica do ‘nó’, um de passar o bambolê por dentro de outro e não pode soltar a mão, tem que passar para o outro até chegar no final, uma de cadeirinha que tinha que pegar e levar, depois voltar e trazer outro. Ele incentiva bastante o trabalho em grupo, por isso que eu gosto da aula dele. Temos várias outras atividades como Formação Humana. Ele trabalha a vivência, a parte religiosa, coisas que a gente pode levar para a nossa vida. (Entrevistado 2). Além disso, há outros depoimentos sobre formação humana e cristã: A religião aqui é ensinada, mas não é nada do tipo “tem que ser assim!”, acho isso bom porque respeitam a religião dos outros. Eu acho bem interessante, tem oração e tudo. Acho isso bem importante. Por mais que seja de qualquer religião eles até respeitam, quem quer fazer faz, quem não quer não faz. Não é algo obrigatório. Acho que a questão da religião tem que continuar aqui no Jovem aprendiz. Até por que é algo que se você quer fazer faz, se não quer não faz. (Entrevistado 1). Minha opinião sobre a formação humana e religiosa do Parque é positiva por que mesmo aqui sendo católica, eles não te induzem, então a gente reza sempre o Pai Nosso que também está na minha religião, e tem respeito sabe, quando a gente vai conversar sobre isso é bem aberto, bem legal, cada um fala o que pensa e assim a gente troca informações. (Entrevistado 12). As aulas de formação humana e cristã não são conduzidas visando somente à fé católica, mas são propostas no sentido de trabalhar questões religiosas de cunho mais universal, como fé, Deus, valores humanos, etc. Ou seja, uma formação que possa propiciar benefícios a qualquer jovem, independentemente de suas crenças. 94 A questão da religião na instituição eu acho importante, eu não sei sabe, na minha opinião, eu não queria falar isso, mas eu acho que eu não preciso de Deus. Nesse aspecto sabe, de ser uma boa pessoa e fazer as coisas certas. Eu já tenho esse perfil. Mas, para as outras pessoas eu acho importante isso, então da prazer vê uma palestra sobre religião, não por eu saber que vou aprender, mas sim pelos outros. Eu acho que alguns colegas precisam mais, e quando eu digo que não preciso de Deus é no sentido que muitas pessoas precisam de Deus, precisam acreditar em alguma coisa, além de nós, algo superior, algumas pessoas tem essa necessidade. Então, eu acho muito importante para elas, que realmente tenha. Eu não preciso por que sou cético. Mas nos valores que são passados pela religião eu acredito.(Entrevistado 4) Por outro lado, há alguns entrevistados que opinaram serem indiferentes à evangelização ou mesmo que esta não chega a ser tão importante para a formação dos jovens aprendizes. A formação é voltada para religião. Não tenho nada contra, pode fazer normal, eu é que não gosto. Alguns jovens eu percebo que ficam deitados de lado, conversando, mas têm alguns que prestam atenção, metade da sala presta atenção e outra metade não. (Entrevistado 6). Para mim não faz muita diferença a questão da religião no Programa. (Entrevistado 17). Ou seja, para alguns a evangelização seria dispensável para o Programa Jovem Aprendiz. Contudo, percebe-se no depoimento do Entrevistado 2, que para além do conteúdo religioso destaca o comprometimento e afetuosidade do educador responsável, cujo comportamento expressa a receptividade e a colaboração para com os jovens aprendizes. A fala abaixo traduz o sentimento que permeia as relações interpessoais no Programa . Ele mostra bem a realidade, ele tenta puxar as coisas pro lado que a gente vive, porque que a gente pode tomar aquilo como exemplo, porque que a gente pode utilizar aquilo no nosso dia a dia, esse que é o legal, porque ele tem mais ou menos a nossa idade, então ele sabe do que a gente precisa, o que a gente pensa, ele já passou por isso, então ele sabe o que realmente a gente quer saber, no que a gente pode errar, isso que é o bom. E também não precisa estar na aula dele para tirar duvidas, pode ir na salinha dele que ele esclarece, ele te ajuda. Ele é uma pessoa que gosta muito de ajudar os outros. (Entrevistado 2). É sabido que as relações interpessoais são necessárias para um bom desempenho no mundo profissional, pois acima de tudo não importa a área 95 profissional que uma pessoa decide seguir, em qualquer uma terá sempre que se relacionar com outras pessoas. O Programa Jovem Aprendiz se desenvolve contando com a parceria de empresas. Assim, por um dia os jovens desenvolvem atividades no Parque, e quatro trabalham nas respectivas empresas para as quais foram selecionados para efetuar seu período de aprendizagem. Uma pesquisa realizada no IF-SC44 identificou entre aqueles estudantes a necessidade da aplicação dos conhecimentos adquiridos para manterem-se motivados pelos estudos. Alves (2011), em pesquisa desenvolvida sobre desempenho escolar no Instituto Federal de Santa Catarina – IF-SC, afirma que uma das principais reclamações dos alunos justificando o pouco rendimento nos estudos foi a pouca aproximação dos professores com os alunos. O autor destaca em vários momentos que as instituições de ensino precisam compreender que estes alunos são adolescentes, e, portanto necessitam de acompanhamento integral, o que envolve relações afetivas, conversas sobre dilemas existenciais, etc. O Programa Jovem Aprendiz também contribui para que estes jovens sejam estimulados para os estudos. Dauster (1992) ao analisar a realidade de jovens que residem em favelas e que estudam e trabalham, percebeu que o “mundo da escola” possui duração curta, porque desde cedo são encorajados pelos pais a dedicaremse ao trabalho, por necessidade de subsistência econômica que se apresenta de forma imperiosa. 44 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina. Página da instituição na Internet: http://www.ifsc.edu.br/. 96 3.4 Concepções acerca das empresas Gráfico 16 - Opinião dos participantes sobre as empresas onde trabalham. Os entrevistados 45 vêem no trabalho uma oportunidade de inserção na empresa, orgulhando-se, por vezes, de se incluírem naquelas instituições, como expressam os seus depoimentos: [...] eu aprendi muitas coisas porque passei por vários departamentos. Fazendo o rodízio aprendemos muitas coisas. O fluxo, de certa forma, porque têm que ser cumprido os prazos para passar pra outro departamento, pois é tudo interligado. Apesar de ser uma cooperativa médica tudo tem que funcionar perfeitamente. No cadastro tinha toda movimentação, que é primeiramente vendas e depois o cadastro, repasse financeiro dos boletos e vai para contas. Um é ligado a outro, assim aprendemos os fluxos. Nós aprendemos a lidar com as pessoas mesmo. (Entrevistado 3). Eu acho tudo bom, não tenho o que reclamar, só elogiar. Eu gosto muito do que eles fazem e do que falam. Eles me dão serviço e eu faço tudo, fico no almoxarifado sozinho. Tem supervisor. Eles entram, olham, eu vou lá pergunto se tem algo para fazer e quando não tem nada eu fico testando o decoder. É um aparelho que transmite sinal para a televisão com vários canais, ai eu fico só testando, se estiver bom, pode ser instalado para os clientes. É isso que eu faço. (Entrevistado 6). Eu gosto de trabalhar neste empresa, bastante. (Entrevistado 11) 45 Importante mencionar que dos dezenove entrevistados, dois deslocam-se até a empresa de bicicleta, um é conduzido de automóvel pelo pai e os demais (16) dirigem-se ao espaço de trabalho utilizando transporte público (ônibus). 97 É uma empresa boa, que eu tenho orgulho de trabalhar lá. Tenho vontade ser efetivado, é uma empresa grande, tem um respeito com os colaboradores, e o que eu faço lá só vai trazer mais benefícios pra mim. (Entrevistado 13). É uma empresa qualificada, uma boa empresa essa é minha opinião. (Entrevistado 14). Semelhante ao que indicaram os estudantes do IF-SC (ALVES, 2011) os jovens aprendizes do presente Programa também valorizam a experiência de trabalharem nas empresas e reconhecem a aprendizagem que estão adquirindo nos diversos setores pelos quais passam, desenvolvendo habilidades e adquirindo novos conhecimentos. O mundo profissional pode ser um grande espaço de formação para o jovem, pois permite o desenvolvimento de diversas competências, bem como os auxilia a definirem as áreas com as quais mais se identificam. Ou seja, trata-se de uma oportunidade de descobertas das suas aptidões. Nesse sentido a oportunidade de ingressar em uma empresa como aprendiz não pode ser apenas cumprimento de tarefas e horários, pois esta atitude não seria digna de um jovem aprendiz, que por estar em momento de formação para a carreira e para vida, necessita adquirir novos aprendizados, novos conhecimentos e vivenciar experiências novas a cada momento. Nesse sentido, o jovem aprendiz não pode ser apenas um profissional que presta um serviço à empresa em troca de remuneração, mas alguém que busca capacitar-se para ingressar no mercado de trabalho de modo competente sem desconsiderar a sua formação integral. É este o sentido da função pedagógica deste Programa para o qual é inerente a inserção do jovem aprendiz na empresa, tal como destaca sabiamente a expressão “jovem aprendiz”. Por outro lado isso representa também uma responsabilidade decisiva da empresa, que necessita estar preparada e preocupada com a formação desses jovens. A empresa aqui é formadora, carrega função pedagógica de ensinar o jovem aprendiz. O papel da organização não é apenas oferecer espaço devido à obrigação imposta pela lei, mas em auxiliar na formação técnica e prática destes jovens, bem como de valores como responsabilidade, honestidade, solidariedade, etc. Valores estes que deverão transformar o jovem em um adulto cidadão. Sendo assim, mesmo quando os jovens não se apresentam muito empenhados ou interessados pelas atividades que lhes são atribuídas, cabe à empresa, como formadora, estimulá-los e 98 ensiná-los uma vez que se trata de adolescentes em fase de formação e por isso desprovidos, por vezes, de uma percepção mais clara e completa da vida, de modo que nem sempre conseguem visualizar as complexas implicações que envolvem o ensino, a empresa, o trabalho. Além disso, quando Novaes (2003, p. 131-132) aborda os mitos que envolvem a problemática da inserção do jovem no mercado de trabalho, um deles seria a falta de capacitação dos mesmos para um ambiente produtivo que hoje é bastante ancorado na ideia de inovação tecnológica. Assim, se os jovens não estão capacitados a utilizar as novas tecnologias naturalmente se veem com menor possibilidade de acesso ao mercado de trabalho. Cabe à empresa capacitar tecnicamente os jovens aprendizes, para que possam estar plenamente atualizados no cenário tecnológico empresarial, e à instituição de ensino à qual estão vinculados complementar esta formação em todos os aspectos, mas em parceria com as empresas, porque trata-se de indivíduos em formação. Em relação à percepção dos jovens entrevistados sobre a sua inserção na empresa, não houve apenas pontos positivos nos comentários dos jovens aprendizes, mas também críticas e reclamações, tal como se vê no seguinte depoimento: Nós sabemos que existem aquelas pessoas que vão valorizar o seu trabalho e não adianta estar elogiando o seu trabalho e na hora da avaliação “ferrar” a pessoa. Em cada departamento somos avaliados por uma pessoa. Na verdade, teria que ser pelo departamento, mas é uma pessoa só encarregada. As vezes é uma pessoa que nem tem tanto contato. Tinha uma encarregada, tudo era com ela. Quando eu estava no Cadastro eu não tive avaliação no Cadastro. Eu fiquei cinco meses no Cadastro. Daí sete meses em Contas, e a minha avaliação foi feita por um ex-Jovem Aprendiz. O feedback que ele me deu foi o feedback que deram pra ele. Então tudo o que fizeram para ele, ele colocou na avaliação, pois foi ele quem fez. Então eu ri, porque não havia cabimento e disse “se é o que o departamento acha...” e eu ria pra ele, pois no dia em que ele veio me dar o feedback ele falou que iria colocar aquilo na minha avaliação. Mas foi positivo, eu estava aprendendo há um mês em Contas e eles fizeram a minha avaliação. Eu nem havia me entrosado ainda com o departamento. (Entrevistado 3). Então minha opinião sobre a empresa é que eles exploram os jovens aprendizes. Eu vejo bastante exploração, eles estão demitindo o pessoal efetivo para botar os jovens aprendizes, porque é mão de obra barata. Eu me sinto horrível, às vezes da até vontade de chegar, largar tudo e não fazer mais nada. Não sei porque ainda não larguei. (Entrevistado 4). 99 Os depoimentos destes entrevistados trazem uma visão que precisaria ser analisada profundamente, a fim de investigar se tal fenômeno vem ocorrendo nas empresas na qual os jovens aprendizes trabalham. De qualquer forma, esta situação não parece ser a tônica de todas as empresas. Oliveira, (2005) em pesquisa realizada, também identificou situação semelhante à descrita pelo entrevistado: A juventude, como um segmento em transição - da infância para a vida adulta - não tem lugar no sistema de proteção social brasileiro, estruturado com base no trabalho assalariado do mercado formal; seu espaço se reduz a programas pontuais, os quais estão geralmente dissociados de uma concepção mais ampla que alicerce um sistema de seguridade social. (Oliveira, 2005, p. 4) A ausência de lugar no sistema de proteção social permite, em alguns casos, aos empregadores aproveitarem-se dessa condição em benefício próprio, exigindo dos jovens aprendizes além do previsto pela legislação que rege o trabalho do jovem aprendiz. Gráfico 17 - Dados acerca do interesse dos participantes em serem efetivados como funcionários nas empresas onde trabalham. O gráfico acima identifica que a maioria (72%) dos entrevistados revela interesse em ser efetivada como funcionários nas empresas nas quais estão como aprendizes. Este dado é relevante porque demonstra tanto a satisfação dos jovens aprendizes com o local de trabalho como também, com a experiência de 100 ingressarem no mundo do trabalho. Ou seja, o exercício laboral serve de estímulo, desperta o interesse pelo trabalho e o desejo de permanecerem nas empresas nas quais foram inseridos como aprendizes. Tenho interesse em ser efetivada. Eu vou fazer 16 anos agora e a Unimed contrata a partir de 16 anos. Por mais que surja a proposta de ser contratada acho que eu não vou aceitar, porque não tenho onde estudar a noite em um colégio particular. Eu vou esperar terminar o último ano mesmo. Antes que encerre o contrato também. Lá tenho liberdade de trocar o horário do trabalho. (Entrevistado 1). Sim, e muito. É o que eu quero continuar na empresa. (Entrevistado 13). Tenho expectativas de quando acabar meu contrato eu possa continuar na empresa. Porque lá eu me identifiquei bem, porque também foi a única empresa que eu trabalhei até hoje e eu amei. É a primeira empresa que eu trabalho. (Entrevistado 15). Tenho interesse de continuar na empresa depois que encerrar o meu contrato, e de continuar do mesmo setor. (Entrevistado 16). Sim. Eu tenho muito interesse de ser efetivado pela empresa, na comunicação é um setor muito legal. (Entrevistado 19). Os depoimentos dos entrevistados são enfáticos quanto à intenção de prosseguir na empresa como efetivado, sendo que um número expressivo deles revela ter “muito interesse” na continuação do trabalho. Sposito (2003) chama a atenção para o alto índice de desemprego dos jovens, o que justificaria a preocupação destes jovens entrevistados com o desejo de permanência e de efetivação nas empresas. O discurso do desemprego entre os jovens vem ampliando a pressão sobre os mesmos, inclusive no sentido de exigir-lhes mais estudos e capacitação. Martins ressalta que muitos jovens se apegam aos seus trabalhos e à necessidade de estudar, em grande parte, devido ao medo de perder o emprego que possui. [...] os jovens se apropriam do discurso formulado por empresas e autoridades educacionais, divulgado amplamente pelos meios de comunicação de massa, de que hoje, para se ter um emprego, é preciso ter escolaridade maior. Por experiência própria, ou através de amigos e parentes, conhecem as exigências que são feitas e que definem um novo modo de ser trabalhador. O gerente de uma das empresas pesquisadas disse-me que, diante da necessidade de produzir cada vez mais e com mais qualidade, não contratava para ajudante de produção quem não tivesse pelo menos o segundo grau. Na verdade, verifiquei posteriormente que vários jovens operários da empresa não tinham nem o primeiro grau completo. O importante, contudo, é que a pressão sobre a mão-de-obra é feita no sentido do 101 aumento da escolaridade. A tentativa de continuar estudando significa não só a vontade de ter um emprego melhor mas, principalmente, manter o que tem. (MARTINS, 2001, p. 70). É importante que os responsáveis pelo Programa Jovem Aprendiz tenham em vista essas duas possibilidades. Com tal preocupação poderão minimizar a ansiedade que o jovem pode desenvolver nesta situação, lhes apoiando em todas as dificuldades, quer dialogando com as empresas parceiras, quer conversando com os proprios jovens sobre suas dificuldades e ansiedades. Esta pressão, certamente terá repercussões na vida profissional dificultando tanto a adaptação emocional como comportamental deste indivíduo, que verá o trabalho não como um espaço de aprendizado mas, apenas como um local que se presta unicamente para suprir suas necessidades financeiras. Essa, entretanto, não é uma visão unânime. Houve participantes em dúvida quanto ao desejo de permanência e outros decididos a não continuarem. Observamse primeiramente alguns depoimentos do primeiro grupo. Sobre ser efetivada na empresa, minha opinião é a seguinte: se eles me perguntassem assim: Você quer ser efetivada ou tu quer ter mais um ano de contrato? Eu responderia que queria mais um ano de contrato. Porque é o momento na minha vida de aprender, meu foco agora não é ser efetivada, e sim aprender, daí quando passasse os dois anos como jovem aprendiz, eu gostaria sim de ser efetivada. Eles podem efetivar antes de encerrar dois anos, é no máximo dois anos que o jovem pode ficar dentro da empresa. E a Unimed costuma efetivar antes de encerrar o contrato, até tem gente que ta lá seis meses e eles já efetivaram. Depende, se abrir uma vaga e se a pessoa se encaixa nela. (Entrevistado 12). A gente sempre pensa um pouco mais alto. Eu gostaria de crescer mais ali dentro da empresa, trabalhar num setor mais importante. Se acabasse meu contrato, e eu tivesse de decidir entre continuar ou sair, eu não tenho certeza se quero permanecer na empresa. (Entrevistado 14). Destaca-se que ambos estão pensando em suas carreiras, “pensando um pouco mais alto”, como afirmou o entrevistado 14. Além disso, a dúvida dos entrevistados citados não parece girar em torno de um possível descontentamento com a atividade nas empresas, mas a expectativa de que podem surgir oportunidades ainda melhores. A atitude da entrevistada 12, de se ver em um período em que o essencial é aprender também revela traços de responsabilidade, pois uma inserção eficiente no mercado de trabalho passa antes pelo próprio 102 aprimoramento, cujas habilidades e conhecimentos o alcance de espaços de mais prestígio nas empresas. Registram-se também depoimentos de entrevistados decididos a não continuarem nas empresas. Agora não tenho mais expectativa de trabalhar na empresa. Eu já tive sim. É como se fala, antes eu dava o “sangue”, no primeiro ano mesmo, eu adorava, por isso que eu fiquei nos arquivos sete meses e nem reclamava. Eu fui para a ouvidoria e a minha avaliação foi “falta de concentração”, sendo que na hora em que a avaliadora falou eu disse “não concordo!”, pois a pessoa que fez a minha avaliação nem tinha contato comigo. Ela ficou um mês e nem falava comigo, nem para ver o que eu estava fazendo, ficava me olhando de longe e antes de eu ir para a ouvidoria eu ficava no intercâmbio entre as Unimed’s. Então quando chegou a minha avaliação eu falei o seguinte: “como eu tenho falta de concentração se eu tenho que entender todo o processo que acontece na Unimed, tenho que ligar para os médicos, ligar para a secretária, ligar para todo o pessoal na Unimed, entender toda a situação e ter que elaborar algo pra passar pra ela eu vou ter falta de atenção?”. Não gostei daquela avaliação que tinham feito a meu respeito. Daí eu já fiquei desmotivada. Sim, a empresa costuma efetivar aprendizes. Existem alguns efetivados. Ela falou que vai me avaliar nesses dois meses. Mas se ela teve um ano e dez meses para me avaliar e eu não fui bem avaliada, acho que não irei ser efetivada. Desde o início do ano estou desanimada. Depois da minha avaliação porque eu me esforçava tanto. Estou decepcionada. Tanto que eu falei com ela na reunião que eu já esperei mais da Unimed. Esperei que o meu trabalho fosse mais valorizado. (Entrevistado 3). Mas não tenho nenhuma expectativa de continuar na empresa. Nunca conversei com a coordenação daqui para mudar de empresa, vou esperar mais ou menos até o final do ano e depois eu saio. Eu queria fazer outro curso, eu queria aproveitar o tempo agora e me especializar mais para depois trabalhar. Não sei que curso pretendo fazer, estou pensando em inglês, talvez informática. (Entrevistado 4). Os entrevistados mencionados fizeram suas decisões partindo de situações distintas. O entrevistado 3 reclama de falta de reconhecimento por seu trabalho. A jovem aprendiz não se sente valorizada por seu esforço e dedicação à empresa. Além disso, perpassa em seu comentário um sentimento de decepção quase próximo ao de sentir-se traída, quando comenta que a avaliação foi surpreendente, pois houve pouco contato com a avaliadora durante o período de trabalho e esta a avaliou negativamente. O que merece ser observado nessa situação é se a jovem aprendiz está analisando a experiência na empresa em sua totalidade ou levando demasiadamente em consideração apenas o relacionamento entre ela e a 103 avaliadora, uma vez que parece não existir outras críticas da entrevistada em relação à empresa. De qualquer forma a reclamação da jovem aprendiz é bastante importante, pois põe em dúvida a noção de avaliação e acompanhamento pelo qual passam os jovens aprendizes no interior das empresas. A entrevistada comenta que foi avaliada por um profissional que pouco teve contato com ela, o que de fato dificultaria a avaliação. A crítica desta jovem aprendiz pode servir de alerta para um melhor exame do Programa Jovem Aprendiz junto às empresas, verificando quem são os profissionais que estão avaliando os jovens aprendizes e como? por quais critérios? Ou seja, há que se respeitar a proposta do Programa, qual seja, a realização do acompanhamento integral dos jovens enquanto executam suas atividades nas empresas. Diferentemente é a posição do entrevistado 4, que trabalha na empresa Muffatão e afirmou que avisará à coordenação desta empresa sobre a sua saída muito em breve, dado o nível de decepção que a experiência lhe causou. Com o objetivo de entender melhor a frustração deste jovem aprendiz aprofundou-se a entrevista e o mesmo entrevistado respondeu: A profissão que eu exerço lá é Cavalo. Eu trabalho que nem cavalo lá. Eu acho que é auxiliar de depósito. Não sei o nome da função. Eu trabalho na área de devolução, e quando acaba meu serviço eu corro pra entregar mapa, e quando acaba eu corro de novo na área de devolução para receber a devolução, e quando não tem serviço tenho que trabalhar como repositor. Só falta um cara me chicoteando. [...] Minha renda como jovem aprendiz é Trezentos e seis reais. Acho pouquíssimo. [...] Então minha opinião sobre a empresa é que eles exploram os jovens aprendizes. Eu vejo bastante exploração, eles estão demitindo o pessoal efetivo para botar os jovens aprendizes, porque é mão de obra barata. Eu me sinto horrível, às vezes da até vontade de chegar, largar tudo e não fazer mais nada. Não sei porque ainda não larguei. (Entrevistado 4). O depoimento deste jovem aprendiz revela um nível de insatisfação e até mesmo de frustração sobre sua atuação na empresa. Além de reclamar de um salário insuficiente o entrevistado se sente explorado, comparando a sua condição a um cavalo, pois precisa realizar serviços pesados a todo instante, a ponto de “só faltar ser chicoteado”. Um caso como este deve ser analisado pelos responsáveis pelo Programa Jovem Aprendiz, na medida em que pode desestimular, inclusive, o jovem aprendiz para qualquer atividade profissional. Além disso, uma experiência 104 como esta pode levar à desmotivação e trazer prejuízos ao desenvolvimento integral do adolescente. Em síntese, as experiências de trabalho através dos estágios em empresas nem sempre são positivas porque há que se considerar que existe, entre os jovens aprendizes, diferentes visões sobre a atividade profissional, sendo que alguns se preocupam mais com a remuneração a ser obtida com a atividade na empresa, enquanto outros, buscam, sobretudo, oportunidades de aprendizagem. Essa distinção pode vir, inclusive, das suas realidades socioeconômicas vivenciadas pelos diferentes entrevistados e participantes do Programa. Roazzi, Dias e Roazzi (2006) demonstram através de uma pesquisa realizada com crianças e adolescentes oriundas de classes sociais bastante diferentes que dependendo de sua situação socioeconômica elas percebem o dinheiro, o trabalho e empregos de modos distintos. Tal situação pode ser aplicada também à presente pesquisa. Outra pesquisa realizada pelo Projeto Cidadania (2003) com jovens de classes sociais mais baixas com o objetivo de identificar suas percepções sobre o mundo do trabalho e qual o perfil deste jovem, concluíram que estes jovens enxergam o trabalho como necessidade ou oportunidade de independência, enquanto que para os jovens que vivem com mais de dez salários mínimos o trabalho é visto como possibilidade de auto-realização. Portanto, duas dimensões distintas, cujos significados variam de acordo com o contexto socioeconômico, com o nível de escolaridade de seus pais, como vimos anteriormente. Os entrevistados também se percebem dentro das empresas como pessoas que colaboram e desempenham bem suas funções. Em outros termos, eles também se auto-analisam enquanto estagiários, como veremos a seguir. 105 Gráfico 18 - Opinião dos participantes acerca de sua importância para a empresa. Verifica-se que a maioria se percebe como útil para a empresa que trabalha. Portanto, o jovem se considera um colaborador que pode contribuir para a empresa e desenvolver suas potencialidades. Estes jovens, por se sentirem úteis e receberem seu próprio salário passam a se ver como sujeitos de direito que podem atuar na sociedade, que podem definir suas ações e o seu futuro. Portanto, verificando os dados que os gráficos explicitaram, confere-se que os jovens se sentem satisfeitos com o Programa Jovem Aprendiz, pois entendem que este os prepara para a vida e também para o mercado de trabalho. As informações obtidas também revelaram que as atividades desenvolvidas no Parque Dom Bosco exercem influencia na vida destes jovens fornecendo diretrizes que poderão ser determinantes no futuro dos mesmos em aspectos essenciais para a própria formação pessoal e profissional e como cidadãos de direitos e deveres. 106 CAPÍTULO IV CONCEPÇÕES E PRÁTICAS DOS EMPRESÁRIOS E DOS GESTORES PÚBLICOS QUE ADMINISTRAM O PROGRAMA JOVEM APRENDIZ 4.1 O Programa Jovem Aprendiz na percepção do Coordenador de Aprendizagem do Parque Dom Bosco Considerando que o Programa Jovem Aprendiz é desenvolvido em parceria, sendo uma Instituição Educacional e Empresas que abrem suas portas para os jovens realizarem seu aprendizado, procurou-se ouvir os responsáveis pelas ações que ocorrem no interior de ambos os espaços, educacional e empresarial. Assim, quando perguntado sobre as maiores dificuldades na execução da função, o coordenador do Programa Jovem Aprendiz, respondeu: As maiores dificuldades encontradas no Programa Jovem Aprendiz foram a não aceitação de empresas, que não conheciam o processo de aprendizagem e a legislação, bem como a infraestrutura que a instituição não tinha no início da aprendizagem. Pois iniciamos estes cursos com 40 alunos, dentro do auxiliar administrativo e éramos muito limitados na questão de logística e ensino metódico profissional. Na época era somente um funcionário que cuidava deste departamento. (Coordenador do Programa Jovem Aprendiz). Este depoimento revela as dificuldades encontradas na implantação do programa, exigindo inclusive que se divulgasse o Programa junto aos empresários, bem como suas propostas e metas a serem atingidas. Na atualidade não identifica grandes problemas. Além disso, aponta o desconhecimento de empresários acerca da legislação. Ainda que tenha ocorrido melhorias nesse sentido nos últimos anos talvez fosse importante a implementação de ações que visem transmitir aos empresários conhecimentos a respeito da legislação vigente, lembrando-os das vantagens que se obtém com os investimentos nesses programas, bem como da responsabilidade social que cada empresa carrega consigo. A preocupação com a atitude dos empresários parece necessária, pois a posição dos responsáveis pelas empresas, dependendo se aprovam ou não as políticas que favorecem os jovens aprendizes, influi decisivamente no êxito do Programa Jovem Aprendiz. 107 Ademais, é sempre preocupante a situação de não aceitação de algumas empresas ao Programa de Aprendizagem, pois revela que muitas ainda não se responsabilizaram por sua função social diante da sociedade. Incluir aprendizes em sua estrutura não pode ser visto apenas como contratação de mão-de-obra, mas como uma oportunidade a estes jovens de se desenvolverem. Perguntado sobre a relação do Parque Dom Bosco com outras instituições com responsabilidades no projeto o entrevistado assinalou que é importante lembrar que os Programas de Aprendizagem Profissional são implementados pelo Governo Federal e depois descentralizados para instituições não-governamentais credenciadas a trabalhar dentro da área de ensino metódico profissional. O coordenador lembrou também que o Parque Dom Bosco é uma das dez maiores instituições de Santa Catarina a atuar na área de formação para adolescentes e jovens com capacitação e qualificação profissional. A execução deste Programa demanda do seu administrador contatos prévios com o Ministério de do Trabalho bem como com o Núcleo de Programas Especiais da Delegacia Regional de Trabalho de Santa Catarina – DRT-SC. Além destes órgãos, o Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (COMDICA) também se manifesta na aprovação de cursos de aprendizagem profissional para menores de 18 anos. Em relação ao Conselho o entrevistado sugere uma maior participação deste, que tem como função fiscalizar o desempenho das instituições credenciadas, o que na realidade não ocorre na região de Itajaí. Transparece em sua fala que não há ainda, um bom entendimento sobre o próprio Programa, o que dificulta a comunicação e o desempenho das atividades em ambos os espaços: instituição educacional e empresas. Não se pode deixar de lembrar que a parceria entre o poder público e a sociedade civil, por meio de instituições comunitárias é uma das possibilidades de transformação social, De fato, a parceria entre o poder público e a sociedade civil é uma diretriz imprescindível das políticas de assistência. Isto devido a diversas ordens de razões. Por um lado. Pela própria história do campo da assistência. Diante da omissão sistemática do poder público, a sociedade civil, também com suas contradições e problemas, sempre se organizou para suprir as lacunas do atendimento à assistência social. Multiplicam-se nas últimas décadas as entidades civis. comunitárias, confessionais que prestam, apoiadas mais na solidariedade do que na capacitação técnica, serviços de assistência social: creches comunitárias, entidades de formação profissional, de atendimento aos idosos ou portadores de 108 deficiência, entre outras, constituindo uma “proto-rede”, heterogênea de proteção social que expressa, ao mesmo tempo, a pujança e os limites da sociedade civil. (COSTA, CARNEIRO e VEIGA, 1997, p.34). Estas parcerias podem ser importantes instrumentos de preenchimento de lacunas deixadas pela assistência social. O Programa Jovem Aprendiz desenvolvido no Parque Dom Bosco tem esta mesma compreensão, ou seja, na insuficiência da atuação do poder público faz-se necessário a interferência da sociedade civil, atuando para a melhoria das condições de vida de um contingente de jovens que podem ser encaminhados para credenciadas que estão em acordo com as diretrizes da legislação vigente. Contudo, para que essa parceria funcione adequadamente, é necessário que haja maior interação e cooperação entre as várias partes (Parque Dom Bosco, MTE, COMDICA, empresas, etc.). Em seguida foi perguntado ao Coordenador do Programa Jovem Aprendiz quais atividades compõem o Programa, uma vez que é sabido que este não se estrutura apenas em torno da formação técnica: Dentro do ensino de formação, temos as atividades recreativas e as atividades culturais, que proporcionam viagens pelo estado de Santa Catarina, como museus, praias e trilhas ecológicas. Além do ensino técnico, essa formação é também estruturada em torno de atividades recreativas e culturais, planejadas em um cronograma anual, ou seja, o coordenador do Programa visualiza uma formação integral para os adolescentes. (Coordenador do Programa Jovem Aprendiz). A formação, portanto, não se limita a ser uma instrução técnica, apenas voltada ao mercado de trabalho, mas também intenciona oferecer uma preparação para a vida, por isso a ênfase em atividades culturais e na composição de uma equipe diversificada que possa auxiliar os jovens em várias dimensões existenciais, tal como aponta o entrevistado no comentário seguinte: Temos vários profissionais que atuam de direta e indiretamente. Um Coordenador de Aprendizagem Profissional, cinco educadores de aprendizagem, uma Assistente Social, um Coordenador Pedagógico e uma equipe de logística para a alimentação dos aprendizes. As funções que os educadores exercem dentro da sala de aula são na área de Introdução ao Mundo do Trabalho, Legislação Trabalhista, Relações Humanas e Cidadania, Procedimentos Administrativos, Comunicação Digital, Leitura e Produção de Texto, Atendimento ao Público, Procedimentos em Técnicas Bancarias e Juventude e Espiritualidade. Também a coordenação desenvolve reuniões trimestrais com os responsáveis dos jovens e monitora o desempenho do aprendiz dentro de sala de aula. (Coordenador do Programa Jovem Aprendiz). 109 No que diz respeito às facilidades na execução do Programa em relação aos conteúdos transmitidos em aula o coordenador respondeu que a grade curricular foi muito bem elaborada, facilitando o repasse do conhecimento aos alunos e o dinamismo da equipe de aprendizagem profissional. Neste item é importante confrontar com as opiniões dos alunos, nas quais foram muito enfáticos quanto à insatisfação com a grade curricular, apontando a repetição de temáticas em informática e a necessidade de trazer novos assuntos. Alguns deles ressaltaram, inclusive, a importância de se manter temáticas relativas às questões políticas e de administração. Assim, ainda que o Coordenador do Programa considere a grade curricular bem elaborada, ela merece uma discussão com a participação de alunos e colegiado de curso, na medida em que o público alvo, os alunos, apontam descontentamentos. Outra discordância aparece em relação ao dinamismo, pois como se viu anteriormente, alguns alunos opinam que as aulas poderiam ser mais interativas, e não apenas elaboradas no formato de palestras. Quando o coordenador foi perguntado sobre o objetivo do Programa Jovem Aprendiz afirmou que seria “qualificar e profissionalizar os adolescentes e jovens para o mundo do trabalho, na condição de aprendiz” (Coordenador do Programa Jovem Aprendiz). Formar na condição de aprendiz impõe não apenas instruir tecnicamente para o mundo do trabalho, o mundo profissional, mas, também possibilitar uma formação de base que viabilize ao jovem continuar se desenvolvendo em todos os aspectos de forma integral. Não se pode deixar de mencionar e enfatizar que o jovem que freqüenta o Programa está em fase de formação e, como tal deve receber informações e orientações, que lhes possibilite tornarem-se adultos responsáveis, cônscios de seus direitos e deveres. Para o Coordenador a principal dificuldade hoje para o Programa estaria relacionada ao perfil do jovem aprendiz esperado pelas empresas. Há que se compreender que se trata de um processo demorado na medida em que é difícil formar rapidamente um jovem que se encontra em processo de amadurecimento e de aquisição de conhecimento. Isso evidencia uma divergência entre o Programa e as empresas, pois estas esperam um perfil de jovens aprendizes enquanto o Programa afirma ser difícil prepará-los de modo tão breve dentro das expectativas das empresas. Há um amadurecimento que necessita para sua conclusão de 110 experiência e prática. Afinal, trata-se de jovens aprendizes e não de profissionais formados 46. Além disso, há outras dificuldades, em relação à instituição e ao próprio Programa com os jovens. Entre as primeiras a principal seria a questão financeira, pois por mais que o Programa possua recursos esta dificuldade continua influenciando e limitando alguns setores da aprendizagem. A maior dificuldade apontada pelo coordenador seria: As dificuldades encontradas são a falta de comprometimento com a instituição, pois assim que os jovens entram no processo de aprendizagem prático na empresa, os mesmos acabam se distanciando da formação na instituição, acarretando faltas e insuficiência na aprendizagem. Dentro deste contexto metódico e disciplinar, aplicamos descontos na folha de pagamento dos aprendizes, e algumas reuniões com os responsáveis para pontuarmos a situação, junto à empresa e à instituição. (Coordenador do Programa Jovem Aprendiz). Em síntese, a crítica recai no sentido de que os jovens assim que adentram a aprendizagem prática na empresa distanciam-se da formação esperada pelo Programa Jovem Aprendiz, que inclui outros elementos, como relacionamento interpessoal, conhecimentos de informática, administrativos bem como o cultivo de valores. Ou seja, o Programa visa uma formação integral de modo que o afastamento destas outras dimensões da educação torna a preparação do jovem limitada e parcial. Portanto, uma formação que pretenda envolver tantas temáticas diferentes certamente necessita de aprimoramento constante tanto em termos de infraestrutura quanto da qualificação de seus profissionais. Diante dessa questão o coordenador menciona que o Parque Dom Bosco precisa se modernizar, ampliando e modernizando seus laboratórios, cuja infra-estrutura permita avançar no ensino técnico, tornando-o profissionalizante com incentivo dos próprios educadores, sem “esquecer os valores institucionais”, como ressalta o entrevistado. 46 Segundo o Coordenador do Programa Jovem Aprendiz, os salários dos jovens aprendizes variam, mas geralmente os contratos situam-se no valor de R$ 347,50, por 4 horas diárias de trabalho (20 horas semanais). Além disso, esse contrato de trabalho buscaria definir os seguintes direitos e benefícios: “assegurar ao aprendiz Salário Mínimo Regional em vigor (referente ao piso estadual da categoria), salvo condição mais favorável fixada no contrato de aprendizagem ou prevista em convenção ou acordo coletivo de trabalho (art. 428, & 2°, da CLT e art. 17, parágrafo único do Decreto n° 5.598/05), devendo ser computadas também as horas destinadas às aulas teóricas; assegurar aos adolescentes que cursam o ensino médio uma jornada de trabalho aprendiz de 04 horas diárias, (incluídas as horas de aprendizado teórico)”, além de outros oriundos de contrato especial de aprendizagem. Outro dado informado pelo entrevistado é a cobrança mensal de um valor de R$ 80,00 da empresa pelo aprendizado do jovem na instituição. 111 Trata-se de uma questão complexa, na medida em que os jovens, quando se inserem nas empresas se afastam do ensino conferido pelo Programa. Ou seja, isso revela que há um descompasso entre o que lhes é ensinado enquanto teoria e o que praticam nas empresas, que ao que tudo indica lhes traz maior atração, maior fascínio. Há o reconhecimento do próprio Coordenador do Programa em se atualizar, modernizar, melhorar suas condições de infra-estrutura, etc, o que revela a necessidade efetiva de se repensar o próprio Programa. Além disso, pode-se sugerir que o Programa esteja com seus conteúdos ultrapassados em termos das demandas das empresas, que se atualizam tecnicamente todos os dias, pela imposição do próprio mercado, que deve tornar o ensino mais profissionalizante, sobretudo a partir dos educadores. A crítica aos educadores, inclusive, foi bastante acentuada nas falas dos jovens aprendizes entrevistados, nas quais foi pontuado a necessidade de se tornarem mais dinâmicos e atualizarem as temáticas, pois há assuntos repetitivos. A própria repetição constante denota falta de atualização, que talvez pudesse ser parcialmente dirimida se estivesse equacionada com o aprendizado prático junto ao espaço das empresas. Por outro lado, a ênfase no aprimoramento do ensino profissionalizante não desvirtuaria a missão e valores da instituição, que pretende oferecer uma formação integral, e não apenas instrução técnica. Para tal, resgatam-se os princípios do Sistema Preventivo de Dom Bosco apresentados no capítulo II: humanismo otimista, religiosidade integradora e unificadora, promoção integral, promoção integral a serviço de um projeto social, metodologia do amor educativo. A promoção integral refere-se à necessidade de formar o jovem tendo em vista a dimensão pessoal, social (com os outros) e com Deus. Em outras palavras, uma formação completa, que possibilite o jovem se tornar um adulto, cidadão e homem responsável diante de si, da sociedade e da vida. Esta formação precisa transcender o ensino técnico, envolvendo conhecimentos do ser humano, da sociedade, da religião, entre outros assuntos fundamentais. Este princípio é aplicado no Programa Jovem Aprendiz por meio de palestras que abordem religião e espiritualidade, questões políticas e sociais, relações interpessoais, etc., em atividades ressaltadas, inclusive, positivamente pelos próprios jovens em suas entrevistas. Ou seja, os jovens não almejam apenas o domínio do conhecimento 112 tecnológico, mas buscam conhecimentos diversificados para suas vidas, que certamente apresentam multi-questões no seu cotidiano. Entretanto, o princípio da promoção integral a serviço de um projeto social prioriza a formação de pessoas capazes de estimular e contribuir com o desenvolvimento da comunidade onde se encontra e da sociedade como um todo. Neste momento a dimensão profissional adquire maior relevância, pois um dos grandes instrumentos de emancipação social é o trabalho, a partir do momento que possibilita condições de auto-sustento e posteriormente a possibilidade de auxiliar outros indivíduos. A empresa hoje possui responsabilidade social, não pode se restringir apenas à obtenção do lucro, mas deve entender que o espaço profissional é um dos caminhos para a transformação social. Além disso, a ênfase no ensino técnico-profissionalizante assume uma posição humanista, pois na sociedade contemporânea adquirir protagonismo e autonomia passa, inevitavelmente, pelo êxito profissional. O indivíduo que não consegue se inserir no mercado de trabalho tem suas possibilidades de emancipação bastante reduzidas. Deste modo, a modernização e atualização dos educadores não desvirtuaria os valores institucionais, até porque a formação continuará buscando a integralidade, contudo, tendo em vista que no cenário atual é essencial a formação técnica e profissionalizante. Assim, o distanciamento dos alunos, quando inseridos nas empresas, da formação integral do Programa Jovem Aprendiz, revela por um lado a preocupação da instituição, que vê nos jovens certa defasagem a respeito dos aspectos relativos à formação, como relações interpessoais, espiritualidade, entre outras, que se não desenvolvidas acarretam em prejuízos para a própria formação profissionalizante, e por outro, que o ensino técnico do Programa necessita se atualizar, porque não atende totalmente às expectativas dos jovens, a ponto de sentirem o desejo de dispensar esta formação educacional quando se inserem nas empresas. Esta posição não dispensa, portanto, os valores na formação dos jovens, bem como ensinamento de outras dimensões da vida, pois como afirmam Zucchetti e Moura (2010) o papel do educador não pode ser apenas disciplinador, mas também emancipador, libertador. Uma formação voltada exclusivamente para o trabalho não forneceria bases para o raciocínio crítico, condição indispensável para um indivíduo crítico, ciente de suas responsabilidades e, portanto cidadão autônomo. 113 A complexidade deste último aspecto levantado revela que a interação entre instituição, alunos e empresas não é simples, pois são três atores envolvidos em um mesmo projeto, cujas visões e objetivos compartilhados podem ter perspectivas diversas. Deste modo, não se pode deixar de reconhecer a presença de divergências e, por vezes, dificuldades de comunicação e harmonização de metas. Contudo, é essencial que o diálogo seja convergente para um objetivo geral: a formação do jovem aprendiz para sua inserção no mercado de trabalho, mas também para formação de um cidadão integral. Diante dessa necessidade perguntou-se ao entrevistado acerca da relação da instituição com as empresas. As empresas estão se adaptando com a Legislação de aprendizagem. Neste aspecto de inclusão social estamos ganhando bastante espaço; hoje temos uma relação bastante positiva com empresas de médio e grande porte, prestando serviços de aprendizagem para as mesmas que foram atuadas pelo MTE/SC. Damos todo o suporte técnico e legal para as empresas parceiras, o que acarreta grande retorno de confiança e serviço prestado com excelência. As empresas são notificadas pelo MTE; esta que por sua vez direciona as vagas para a instituição credenciada, ocorrendo uma parceria direta. A partir deste momento a instituição tem o dever de inserir novos alunos dentro do Programa Nacional de Aprendizagem. (Coordenador do Programa Jovem Aprendiz). Pelo depoimento do entrevistado percebe-se que o Parque Dom Bosco em seu Programa Jovem Aprendiz mantém uma boa relação com as empresas que participam do projeto. O serviço de aprendizagem dentro das instituições notificadas pelo MTE é uma condição legal que deve ser realizada, e a parceria com o Parque Dom Bosco permite a estas empresas cumprirem com o requisito de inscrever seus jovens aprendizes em serviços de aprendizagem. A previsão jurídica que institui a necessidade da aprendizagem nas empresas de médio e grande porte foi estabelecida pela Lei n. 10.097/2000 e regulamentada pelo Decreto n. 5.598/2005, os quais definem que qualquer estabelecimento que possua ao menos sete empregados deve contratar aprendizes maiores de 14 e menores de 24 anos. As empresas que, após, fiscalização forem notificadas pelo MTE sobre possível irregularidade nesse quesito, devem apresentar documentalmente comprovação da contratação de aprendizes cumprindo o que é estabelecido por lei. Neste sentido à empresa é atribuída a responsabilidade social, como um fundamento decisivo para a efetivação de um dos direitos essenciais aos jovens e 114 adolescentes: o direito à profissionalização, tal como estabelecem tanto a Constituição Federal de 1988, como o Estatuto da Criança e do Adolescente em seu Capítulo V. Esta necessidade ressalta a inserção da empresa em um contexto mais humanista cujas preocupações sociais devem reverter em benefício para toda a sociedade. A responsabilização das empresas passa pela relação com as instituições formadoras de jovens aprendizes, que por vezes necessitam estimular os empresários, mostrando os benefícios que a própria empresa pode desfrutar ao receber um jovem aprendiz. Contudo, como já foi apontado, ainda há dificuldades relacionais entre os dois pólos, como explicita o depoimento do entrevistado: Persiste em alguns casos a falta de monitores e o descaso por parte de algumas empresas, no que diz respeito ao jovem aprendiz. O mesmo fica largado sem qualquer orientação da empresa, ocasionando uma frustração técnica na aprendizagem prática dentro da empresa. Neste caso, somos obrigados a intervir e direcionar o assunto pendente para a fiscalização de aprendizagem junto ao Núcleo de Programas Especiais (NAPE). (Coordenador do Programa Jovem Aprendiz.) Ou seja, a empresa também possui responsabilidade na formação profissional e prática do jovem aprendiz, com o compromisso de desempenhar o seu papel, qual seja o de instruir o jovem, como determina o art. 23 e respectivos parágrafos do Decreto n. 5598/2005, que assinala a responsabilidades das instituições formadoras. Por outro lado, cabe a estas também fiscalizar e ensinar as atividades práticas, quando este não se encontra presente nas instituições, como explicita a legislação. Art. 23. As aulas práticas podem ocorrer na própria entidade qualificada em formação técnico-profissional metódica ou no estabelecimento contratante ou concedente da experiência prática do aprendiz. § 1o Na hipótese de o ensino prático ocorrer no estabelecimento, será formalmente designado pela empresa, ouvida a entidade qualificada em formação técnico-profissional metódica, um empregado monitor responsável pela coordenação de exercícios práticos e acompanhamento das atividades do aprendiz no estabelecimento, em conformidade com o programa de aprendizagem. No caso em estudo, quando os jovens são inseridos nas empresas parte da responsabilidade de formação cabe a estas, conforme explicita a legislação. Entretanto, segundo o coordenador do Programa nem sempre as empresas realizam esta função, o revela a necessidade de melhor comunicação entre os agentes promotores do Programa. Pode-se, neste caso, chamar à responsabilidade do 115 Programa Jovem Aprendiz sua contribuição no sentido de educar as empresas despertando-as para a sua responsabilidade social. Não se pode ignorar que muitas aderem ao projeto por terem sido notificadas pelo MTE, ou seja, muitas delas estão apenas efetuando o cumprimento à lei sem muito comprometimento com os propósitos do Programa.Isso significa dizer que ao atuar com responsabilidade o Programa,de um modo geral, estaria ajudando a modificar a percepção das empresas, contribuindo assim, de maneira decisiva para o êxito dos jovens na busca por sua inserção no mercado de trabalho. Não obstante as dificuldades na relação entre a instituição e as empresas, o coordenador assinalou que houve progressos nesta inserção dos jovens aprendizes no espaço profissional. Essa percepção é comprovada pelos dados estatísticos, informados pelo entrevistado: Quando iniciamos o projeto jovens aprendizes, tínhamos 80 alunos. Evoluímos e nestes 4 anos ultrapassamos as metas iniciais. Até o momento já atendemos 768 aprendizes. 91% dos aprendizes permaneceram no programa. 9% desistiram da aprendizagem, por motivo de incompatibilidade ou insuficiência na aprendizagem ou mudança de cidade. 68 aprendizes já foram efetivados, pois alcançaram os níveis de produção e resultados positivos tanto na empresa como na instituição. O número de aprendizes (68) que foram efetivados nos quadros das empresas revela, que os resultados obtidos, tanto nos níveis de produção quanto no aprendizado adquirido na instituição (Parque Dom Bosco), é dado relevante a ser considerado pelo próprio Programa Jovem Aprendiz, na medida em que consegue atingir seus objetivos neste processo de aprendizagem. As principais empresas que vem contratando jovens aprendizes preparados pelo Programa desenvolvido no Dom Bosco são: Muffato, Unimed, Seara Alimentos e Supermercado Mini-Preço 47. O coordenador comentou que as empresas se sentem bem com isso, pois têm a chance de formar os jovens aprendizes no sistema inteiro de funcionamento das mesmas e já na cultura de trabalho que desejam. Por fim, outro aspecto importante articulado pelo entrevistado foi a relação do Programa com as famílias dos jovens aprendizes. A relação do Programa Jovem Aprendiz e a família é bastante importante, pelo motivo que os mesmos fazem parte do processo de acompanhamento dos seus filhos dentro da empresa. São eles, os pais, que assinam o contrato dos jovens e são orientados pelo 47 Empresas Muffatão Master Atacadista, Supermercado Mini-Preço, Seara Alimentos (comprada pelo Grupo Marfrig) e Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico – UNIMED do Brasil. 116 departamento de RH. É primordial a parceria da família neste projeto social. Os responsáveis são peças fundamentais para que os jovens tenham motivação e continuem dentro do programa. Esta parceria com a família tem objetivo de fortalecer o elo entre instituição, empresa e família. Dentro desta situação fizemos varias avaliações com os aprendizes dentro da empresa e mostramos a evolução do aprendiz para os pais; tanto as positivas como as negativas, e os que ainda não atingiram os níveis de produção esperados. (Coordenador do Programa Jovem Aprendiz). O que se constata nesta fala é que há necessidade de um comprometimento da instituição com as famílias dos jovens aprendizes, pois se entende que estas são fundamentais para o processo de desenvolvimento dos jovens, tanto na participação dos cursos como na inserção nas empresas. Utilizar a opinião dos pais para avaliar o desempenho dos filhos pode ser um instrumento importante, uma vez que possuem condições de observarem com maior proximidade transformações e desenvolvimentos de potencialidades nos mesmos. Além disso, um bom relacionamento entre instituição, empresas e famílias é decisivo para o êxito do projeto, uma vez que estas são responsáveis pelos jovens. 4.2 As concepções da Representante do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente e da Juventude sobre o Programa. Além do Coordenador do Programa Jovem Aprendiz, também ouvimos a representante do Conselho Municipal da Criança, do Adolescente e da Juventude (COMDICA) que tem como função fiscalizar o desenvolvimento da aprendizagem profissional, tanto na aprovação de cursos e instituições responsáveis, como no desempenho das atividades. Na perspectiva da conselheira do COMDICA que representa no conselho a Secretaria da Criança, do Adolescente e da Juventude (SECAJ), a Lei da Aprendizagem é positiva porque “do ponto de vista de inclusão de jovens, vem sendo atualizada para atender as demandas e as dinâmicas do mercado”, havendo necessidade de melhorias, quanto ao número de vagas ofertadas, diversidade de cursos para que o jovem possa fazer as suas escolhas. Perguntada sobre as maiores dificuldades em relação ao Programa a entrevistada mencionou o conhecimento técnico do assunto, como um entrave a ser vencido porque os próprios educadores necessitam dominar este conhecimento para 117 estabelecer uma relação direta entre a teoria e a prática. Este caminho, por vezes, é feito a duras penas pelo próprio jovem quando se insere na empresa. Esta observação vem de encontro às críticas dos alunos sobre necessidade de atualização dos cursos bem como o apontamento do coordenador do Programa Jovem Aprendiz no Parque Dom Bosco, de que é importante focar no ensino técnico a partir do desenvolvimento dos próprios educadores. Aliás, trata-se de uma realidade crítica, pois será difícil aprimorar a formação de jovens aprendizes se os próprios educadores não dominam este conhecimento específico. Além do conhecimento técnico, o educador deve dominar como ressalta Pinheiro (2007) técnicas de interação entre estes dois segmentos educadores e jovens, considerando que o educador influencia diretamente na construção de identidade dos jovens, o que acentua a responsabilidade dos formadores em se aprimorarem, para poderem se tornar pessoas estimulantes e influentes no desenvolvimento dos jovens. Se por um lado há a grande demanda das empresas e isso facilita a inserção de jovens aprendizes nas organizações, por outro, há carência de pessoas no desenvolvimento dos projetos para articular essa inserção dos jovens. Essa articulação passa pela relação com outros órgãos envolvidos, como a Secretaria Municipal da Criança, do Adolescente e da Juventude (SECAJ). A Secretaria Municipal da Criança, do Adolescente e da Juventude envolve-se com o Programa Jovem Aprendiz tendo em vista a obrigatoriedade de credenciamento no COMDICA das entidades sem fins lucrativos que desejam oferecer assistência ao adolescente e à educação profissional. Já com o Ministério do Trabalho e Emprego a entrevistada apresentou a relação como: A relação com o Ministério do Trabalho é menor do que deveria, o contato tem sido limitado a atualizar as entidades registradas e habilitadas a trabalhar com o adolescente aprendiz no município. Por se tratar de norma de natureza trabalhista, cabe ao MTE fiscalizar o cumprimento sobre a aprendizagem, por isso, é necessário atualização dos dados. Para a entrevistada, portanto, seria importante uma maior interação. A relação com as organizações não-governamentais é definida com certa interação entre as partes envolvidas, embora pudesse ser melhorada, na opinião da entrevistada. 118 Por outro lado é preocupante observar como muitas vezes os entrevistados não enfatizam o distanciamento de outros atores, limitando-se a enfatizar as relações se reduzem a cumprimentos de determinadas obrigações tendo em vista suas funções. Talvez fosse necessária maior atitude de cobrança de uns para os outros. Há no município de Itajaí cinco instituições cadastradas para desenvolverem o Programa Jovem Aprendiz, sendo elas: Parque Dom Bosco, com os cursos de logística portuária, elétrica predial e industrial, eletromecânica, e serviços administrativos; a Comissão Municipal do Bem Estar (COMBEMI), com os cursos de turismo e hotelaria e rotinas administrativas em gestão portuária; o Instituto Crescer, com os cursos de auxiliar administrativo e vendas e marketing; o Centro de Integração Empresa-Escola de Santa Catarina (CIEE-SC), com o curso de vendas e rotinas administrativa; e a Fundação Projeto Pescar, com o curso de Iniciação Profissional em Manutenção Mecânica Veicular. A representante do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente explicitou que, a maioria dos jovens aprendizes, inseridos nas empresas, realizam rotinas administrativas, com exceção daqueles inseridos no curso do Projeto Pescar, que fazem a parte teórica e prática na oficina da DICAVE, o que é desfavorável para o preparo do jovem que não se instrumentaliza com os conhecimentos técnicos de várias ordens. Foi considerado também um número insuficiente de jovens para ingressar nas empresas, por falta de cursos técnicos mais diversificados que pudessem atender demandas de empresas cujo conhecimento também é muito diversificado. Isso pode ser também um argumento para não cumprir o que determina a lei. O COMDICA pode alertar o Ministério do Trabalho sobre tais ocorrências e exigir a sua fiscalização, mas as empresas são isentadas de contratar jovens aprendizes ao alegarem o argumento citado. As duas informações parecem apresentar certa contradição. De um lado existem vagas nas empresas, mas faltaria jovem em formação e, de outro, as empresas se aproveitam dessa possível ocorrência para não contratar. Isso nos leva a deduzir que as vagas são fictícias, pois se fossem reais as empresas contratariam os jovens na medida em que podem se responsabilizar pela instrução técnica dos mesmos, o que resultaria em benefício para a empresa. 119 Em pesquisa sobre a evolução dos direitos da criança e do adolescente, Souza (1998) concorda que o Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990, ampliou os direitos que protegem esta parcela da sociedade, elevando-os a sujeitos de direitos. Entretanto, a autora enfatiza que estes direitos somente são efetivados se houver a ação dos responsáveis (conselhos, instituições, psicólogos, assistentes sociais, etc.). A autora alerta que a nova lei enfraqueceu o poder da família e ampliou o espaço para outros profissionais (como psicólogos e assistentes sociais) em intervir no contexto dos jovens. Não obstante, assevera que muitas vezes estas ações são formais e ineficazes. Em sua pesquisa sobre a participação de conselhos tutelares, ela registrou que na maioria dos casos os planejamentos são apenas mensais, sem definição de urgências, os casos registrados são apenas formais, sem haver uma intervenção posterior, nem existe uma aproximação aos outros poderes públicos para intensificar o poder do órgão junto à sociedade. Em suma, uma realidade que pode ser transportada também para o presente estudo, pois é visível que muitos dos envolvidos no projeto de formação de jovens aprendizes apenas cumprem formalidades especificadas pela lei e não se tornam protagonistas da mudança de vida de tantos jovens. A decisão de isentar empresas de contratar jovens aprendizes não contribui para minimizar os problemas sociais, mas amplia a sua dimensão. Retoma-se o que foi afirmado por Rocha e Góis (2010), que alertou a respeito do enigma da “necessidade de experiência para contratação”, pois como os jovens não recebem oportunidade de emprego por falta de experiência, quando terão a oportunidade? Este argumento pode ser utilizado nesse caso, pois é notório que as empresas aproveitam-se da oportunidade para não cumprir a lei e empregar jovens aprendizes. Esta atitude de negação indica que várias empresas continuam evadindo-se da responsabilidade social de formar jovens. Outro aspecto a ser considerado neste Programa diz respeito à evasão dos alunos, já que em média 30% desistem do curso, por um conjunto de fatores: falta de recursos financeiros, apoio ou incentivo para permanecer no curso. Há que se considerar que várias instituições estão envolvidas com este Programa de formação de jovens aprendizes, (MTE, COMDICA, empresas, etc), o que torna inconcebível o fato de jovens abandonarem a sua formação por falta de apoio ou incentivo, revelando que estas instituições não estão acompanhando e estimulando os jovens, ou pelo menos em grau de maior comprometimento. A aprendizagem é um processo 120 que pode transformar a vida destes jovens, mas devem contar, sem sombra de dúvida, com a responsabilidade dos formadores, das instituições e da sociedade civil. No próximo item será analisada a opinião da representante do Ministério do Trabalho e Emprego. 4.3 As concepções da representante do Ministério do Trabalho e Emprego sobre o Programa A representante do Ministério do Trabalho e Emprego coordena as seguintes funções no citado órgão: Auditoria-Fiscal do Trabalho, e os projetos de Fiscalização de Combate ao Trabalho Infantil, Aprendizagem e Inclusão de Pessoas com Deficiência. A entrevistada possui formação em Medicina Veterinária, com bacharelado em Administração e Direito. Em relação ao Programa Jovem Aprendiz ela coordena o setor há 2 anos, dos 12 que trabalha no MTE. Perguntada sobre as maiores dificuldades da sua função a entrevistada assinalou que “as maiores dificuldades decorrem da falta de Auditores-Fiscais para realizarem as fiscalizações, a falta de assessorias de Pedagogia e Assistência Social, a falta de servidores de apoio”. Nota-se que as críticas recaem, em geral, na falta de pessoal para executar as funções, pois tanto servidores de apoio como as assessorias necessitariam de mais profissionais envolvidos. Do mesmo modo ocorre para a possibilidade de realização das Auditorias-Fiscais. Este fato auxilia a explicar a distância do órgão para os trabalhos executados nas outras instituições e empresas. Em relação às facilidades na execução do programa obteve-se o seguinte depoimento: Atualmente o MTE existem programas que permitem um diagnóstico das empresas que estão ou não cumprindo as cotas. Isso permite uma otimização das ações fiscais. Também temos programa de lavratura de autos de infração, que facilita o trabalho do AuditorFiscal. (Representante do MTE). 121 O órgão, portanto, possui um importante instrumento de controle a fim de verificar quais empresas estão cumprindo ou não as cotas estabelecidas pela legislação. Contudo, seria necessária também uma fiscalização maior do andamento do trabalho dos jovens aprendizes nas empresas. A preocupação não pode ser apenas formal, com o cumprimento ou não da lei, mas descobrir sua eficácia, se está promovendo resultados ou não, e para isso é necessário acompanhar os projetos nas próprias empresas. Por outro lado a entrevistada apresentou várias dificuldades para a execução do projeto: Além dos problemas internos existem diversas dificuldades, entre as quais destaco: • a falta de conscientização das empresas para a responsabilidade social de qualificar os jovens para o mercado de trabalho; • a má qualidade da formação da escola regular, que limita o aproveitamento dos jovens no curso de aprendizagem; • a dificuldade de realizar trabalho em rede entre os diversos agentes envolvidos com a proteção do adolescente; • a falta de regulamentação para nortear as qualificadoras; • a dificuldade do Sistema “S” de se adequar à nova construção dos cursos, para atender às necessidades dos jovens e das empresas; • a falta de preparo de algumas entidades sem fins lucrativos que se cadastram como qualificadoras; • a falta de conhecimento sobre seu papel e de condições de trabalho dos representantes dos CMDCA e CT. (Representante do MTE). A análise da representante do MTE é importante, pois traz dados já constatados por outros entrevistados e outros novos. A falta de conscientização das empresas acerca da sua responsabilidade social na qualificação de jovens para o mercado de trabalho, como já assinalado anteriormente, poderia ser uma meta a ser alcançada. A dificuldade relacionada à má qualidade da formação escolar regular é um elemento difícil de ser modificado, pois envolve várias esferas de atuação, extrapolando os limites de ação do MTE. Contudo, deve-se ter consciência dessa realidade, sobretudo os educadores nas instituições de formação de aprendizagem e as empresas que contratam os jovens aprendizes. O terceiro item revela um ponto já bastante mencionado, a dificuldade de trabalhar em rede com os diversos agentes. Enfim, é essencial investir em uma nova 122 rede cooperativa e comunicativa, pois o distanciamento prejudica os trabalhos individuais e o funcionamento do projeto como um todo. Outra crítica importante é contra a falta de preparo de algumas entidades que se comprometem com a preparação dos jovens. De fato, uma formação deficiente poderá trazer enorme prejuízo ao jovem quando inserido na empresa, pois ao sentirse despreparado no cotidiano do trabalho poderá afetar-lhe a motivação. Depois destas questões iniciais avançou-se na entrevista para saber como se dá a relação do MTE com os outros órgãos envolvidos no projeto. Acerca da relação com as empresas a representante afirmou que o órgão trabalha em duas frentes: Coordenação de Preparação de Intermediação de Mão-de-Obra Juvenil, no Departamento de Políticas de Trabalho e Emprego para a Juventude da Secretaria de Políticas Públicas de Emprego (Gabinete do Ministro) e a Fiscalização do Trabalho: O papel da Auditoria-Fiscal do Trabalho é o de fiscalizar as empresas para verificar o cumprimento da legislação referente à aprendizagem: cumprimento da cota, adequação do trabalho aos programas de aprendizagem e cumprimento das diversas normas de proteção ao trabalho, consideradas as peculiaridades do contrato de aprendizagem. Especial cuidado com o caso de aprendizes adolescentes, dada sua condição de pessoa em formação. (Representante do MTE). A fiscalização do MTE é importante, mas ainda precisa evoluir no sentido de acompanhar o andamento dos jovens aprendizes dentro da empresa. Nota-se novamente ênfase apenas na verificação se as empresas cumprem a legislação ou não. Para o programa efetivar-se materialmente como interventor na vida destes jovens é preciso que os vários atores não se preocupem apenas em cumprir formalmente os seus papeis. De qualquer forma registra-se que neste momento a entrevistada também afirmou a responsabilidade em observar inclusive o cumprimento de normas de proteção ao trabalho nas empresas, ainda que isto também se inclua entre as observações mais direcionadas ao cumprimento de obrigações encarregadas por lei ou função. A última frase do depoimento é importante, pois indica a preocupação especial como a condição do jovem como ser em formação. O conhecimento desta situação amplia ainda mais a responsabilidade dos atores. Sobre a relação com a Secretaria Municipal da Criança, do Adolescente e da Juventude colheu-se o seguinte depoimento: Um dos grandes problemas constatados em relação aos adolescentes em situação de vulnerabilidade social é a evasão 123 escolar. Os jovens alegam falta de interesse pela escola e a necessidade de trabalhar. Os jovens ingressam no mercado de trabalho com baixa escolaridade, sem qualquer qualificação profissional. Encontram postos de trabalho com baixa remuneração, em relações de trabalho não formalizadas, à margem da proteção legal e, com grande frequência em atividades proibidas, classificadas como piores formas de trabalho infantil. Perpetua-se, desta forma o ciclo de pobreza. Por não vislumbrarem perspectivas de evolução profissional, acabam tendo maiores riscos de sucumbirem às tentações do trabalho ilícito. A aprendizagem profissional, quando conduzida de acordo com a previsão legal, propicia ao jovem oportunidade de emprego formalizado, em atividade laboral compatível com sua condição de pessoa em formação, com qualificação profissional básica. Além disso, vincula o jovem à escola regular até completar o ensino médio. A Aprendizagem é, portanto, uma alternativa ao jovem que precisa trabalhar, mas de forma protegida, com qualificação e garantia de escolarização. Bem conduzida, propicia também auto-estima, pela forma como são conduzidos os programas de aprendizagem com noções de cidadania e pela convivência com outros jovens também em busca de crescimento pessoal e profissional. Desta forma, a condução desses jovens para a Aprendizagem não é uma panaceia, mas proporciona opção crescimento pessoal e profissional para esses jovens e para a comunidade onde vivem. O depoimento da entrevistada traz importante análise do cenário que envolve a realidade de jovens e adolescentes em estado de vulnerabilidade social. A evasão escolar é um dos principais pontos críticos desta realidade, pois torna os jovens despreparados para o mercado de trabalho, reduzindo enormemente as oportunidades de inserção nas empresas. Além disso, se existe a preocupação com a evasão escolar tal fato deveria servir de alerta também para o Programa Jovem Aprendiz, pois a desistência do Programa por parte dos jovens também pode vir a acontecer caso se verifiquem situações análogas àquelas que explicam a evasão da escola. Pode-se dizer que os jovens continuarão no Programa enquanto estiverem cientes que participar desse projeto pode abrir-lhes portas profissionais ou preparálos de modo eficiente para a carreira. Em outras palavras, a partir do momento em que sentirem que a formação não lhes concede instrução suficiente podem vir a repensar sua permanência. O perigo que caminha conjuntamente a realidade da evasão escolar é aquele dos jovens se sentirem tentados a ingressarem no trabalho ilícito, tendo em vista as dificuldades de obterem empregos lícitos. Desse modo mantê-los na escola e no Programa Jovem Aprendiz é também uma forma eficiente de distanciá-los de caminhos perigosos para a própria vida. 124 Por fim, a entrevistada ressaltou a importância de enfatizar nos programas de qualificação temáticas que trabalhem a motivação e auto-estima dos jovens, incentivando-os a buscarem sempre o próprio crescimento. Em torno destas temáticas parece que deveria caminhar a relação entre o MTE e a Secretaria. Referente à relação com o Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, a entrevistada parece indicar que se restringe ao cadastro das instituições que pretendem oferecer formação de jovens aprendizes, pois os projetos precisam ser cadastrados na CMDCA e os cursos no MTE. Quando perguntada sobre a respeito da implementação e atuação de instituições não-governamentais que oferecem a formação, a entrevistada prestou o seguinte depoimento: Com exceção do Serviço Nacional de Aprendizagem, as escolas técnicas e entidades sem fins lucrativos que ministram ou pretendem ministrar aprendizagem devem se cadastrar junto ao MTE, que validará ou não o cadastro. Da mesma forma deverá proceder com cada curso criado. As Entidades devem ser fiscalizadas pelos Conselhos Tutelares. (Representante do MTE). Diante do exposto pela entrevistada a função do MTE está mais especificada em validar ou não as entidades sem fins lucrativos interessadas na formação de jovens, pois a fiscalização das atividades das mesmas seria incumbência dos Conselhos Tutelares. A entrevistada informou ainda que, segundo dados registrados no Portal do MTE na internet, há cinco instituições cadastradas em Itajaí para promover cursos e formação de aprendizagem: CIEE, COMBEMI, Fundação Projeto Pescar, Parque Dom Bosco e Movimento Cidadania e Juventude. Depois a entrevistada foi perguntada sobre a quantidade de empresas em Itajaí que deveriam receber aprendizes. A resposta é importante pois ajuda a ilustrar as dificuldades: Cerca de 600 estabelecimentos localizados em Itajaí têm a obrigação de contratar aprendizes. No início de abril seriam, no mínimo, 2030 vagas, no mínimo. Importante frisar que essa é a obrigação mínima (5%), mas poderiam ser contratados 3 vezes mais, ou seja, os estabelecimentos de Itajaí poderiam contratar 6090 aprendizes. No início de abril, entretanto, somente 330 aprendizes estavam contratados no município. (Representante do MTE). 125 Os números revelam, portanto, que o município ainda está bastante longe de cumprir a quantidade delimitada legalmente. As causas são várias, como já se viu nos depoimentos de outros entrevistados, pois se alega que as empresas não se interessam em cumprir sua responsabilidade social, e por outro lado as empresas enfatizam a carência de cursos e formação de jovens aprendizes, inviabilizando a inserção de jovens mais qualificados no mercado de trabalho. A entrevistada informou ainda que entre janeiro de 2010 e março de 2011 as empresas registraram 231 aprendizes, após serem fiscalizadas pelo Ministério do Trabalho, porém ela não possui meios de informar a quantidade de jovens contratados diretamente pelas empresas que não foram autuadas. Em torno disso é preciso saber quais as funções desempenhadas pelos jovens aprendizes nas empresas: Aprendizagem é formação técnico-profissional, com atividades teóricas e práticas organizadas em tarefas de complexidade progressiva, em programa correlato às atividades desenvolvidas nas empresas contratantes, proporcionando ao aprendiz uma formação profissional básica. Ou seja, a entidade formadora deve construir com a empresa o programa de aprendizagem, no qual serão definidas as atividades práticas a desenvolver. O aprendiz não substitui o trabalhador regular. Aprendizagem, assim como Estágio, não é mera contratação de mão-de-obra barata. É um contrato especial, com um trabalhador especial, voltado fundamentalmente para sua formação. Desenvolve atividades correlatas às desenvolvidas na empresa, e relacionadas às aulas teóricas, observada as restrições decorrentes da sua condição de pessoa em formação. (Representante do MTE). Essencial a ênfase no sentido de que o trabalho de aprendiz é uma atividade de formação, e não pode ser conduzido como mão-de-obra barata. Desse modo as funções precisam ser executadas em complexidade progressiva, e coerentes com a formação teórica transmitida pelos cursos. Tal fator implica ainda mais na necessidade de interação entre as instituições formadoras e as empresas parceiras, para que as funções desempenhadas pelos jovens aprendizes mantenham uma linha coerente com os cursos realizados. Além disso, poderia ser reforçada a fiscalização nas empresas a fim e de verificar se os trabalhos dos jovens aprendizes estão sendo conduzidos como formação e qualificação ou se estão sendo utilizados como mão-de-obra barata. A partir disso investiga-se a avaliação do programa na opinião da entrevistada: 126 A Aprendizagem já existia desde a década de 1940, mas como uma opção da empresa. Somente de 2000 vem a ser obrigação, como responsabilidade social para a qualificação da mão-de-obra. É uma oportunidade aos jovens para que nas suas primeiras incursões no mundo do trabalho seja orientado para melhor desenvolver sua a capacidade e para enfrentar com discernimento as contrariedades que se apresentam. É importante para as empresas que podem contar com jovens que estão se qualificando para o trabalho, que se comprometem com a organização. A Aprendizagem vem ao encontro da demanda do mercado, que necessita de mão-de-obra qualificada para um cenário econômico em permanente evolução tecnológica. (Representante do MTE). A aprendizagem de jovens, portanto, representa benefícios tanto aos aprendizes, que assim vêem mais facilitadas a sua inserção no mercado de trabalho e também para as empresas, que por vivenciarem um cenário econômico em permanente evolução tecnológica necessitam ainda mais de mão-de-obra qualificada. Observa-se que esta visão é de longo prazo, pois a formação inclui a primeira inserção nas empresas. Desse modo o jovem aprimora suas habilidades e futuramente pode se tornar um profissional qualificado, o que é funcional a si, às empresas e à própria sociedade. Por fim a entrevistada assinalou o que precisa ser melhorado no Programa: Muita coisa precisa ser melhorada. As empresas precisam se conscientizar da sua responsabilidade social e dos ganhos que trazem os aprendizes. Infelizmente, a maioria delas só passa a contratar a partir da fiscalização. Poucas contratam mais do que a cota mínima. Os jovens precisam se conscientizar da importância de se prepararem para no futuro ocupar melhores postos de trabalho. As entidades formadoras precisam adequar seus programas para a realidade das empresas. Nem todas as entidades são de fato comprometidas com a qualificação. Algumas agem como meras intermediadoras de mão-de-obra barata. Não há programas de qualificação para que os CMDCA e CT cumpram seu papel. O MTE conta com ínfimo número de auditores-fiscais e servidores auxiliares. As unidades estaduais não contam com profissionais pedagogos e assistentes sociais para apoio. Foi constituído um fórum nacional e fóruns estaduais para: • Promover o contínuo debate entre instituições formadoras, órgãos de fiscalização e representação de empregadores e trabalhadores; • Desenvolver, apoiar e propor ações de mobilização pelo cumprimento de contratação de aprendizes, conforme disposto na CLT; • Monitorar e avaliar o alcance das metas de contratação e efetividade na oferta de programas de aprendizagem profissional. 127 Há a necessidade de aperfeiçoamento em vários setores. Interessante a crítica da entrevistada, que não se limita a enfatizar a falta de responsabilidade social de várias empresas, mas acentua o papel de instituições formadoras, que precisam efetivar sua função e não se limitar a ser intermediadora de mão-de-obra barata, bem como dos próprios jovens, que precisam se conscientizar e se responsabilizar mais perante suas futuras carreiras. A criação de fórum nacional e estaduais para debate contínuo entre as várias instituições é um início de melhor interação entre os agentes, mas ainda assim a comunicação precisa ser realizada cotidianamente e não apenas em eventos específicos. Há um sistema visando a formação e a inserção dos jovens aprendizes no mercado de trabalho que envolve vários atores, entre eles o Programa, o Conselho e as empresas, e somente uma interação eficiente entre estas instituições pode contribuir decisivamente na promoção de uma formação diferenciada a estes jovens. Tendo em vista como tantos os jovens, como o coordenador do Programa, a representante do Conselho e do MTE fizeram várias observações sobre o papel das empresas é importante agora pesquisar a opinião destas, que são o estágio final do processo que conduz o jovem ao mundo profissional. Por fim, é fundamental pesquisar a opinião das empresas, uma vez que elas completam o ciclo de formação dos jovens aprendizes. 4.4 O Programa Jovem Aprendiz sob a ótica dos empresários No conjunto dos atores sociais envolvidos com o Programa Jovem Aprendiz o empresário é um de seus protagonistas de maior relevância, na medida em que viabiliza não só o cumprimento da lei que lhe foi imposta como responsabilidade social, mas também pode auxiliar na transformação de uma realidade, por vezes, repleta de incertezas e contrariedades. Considerando que no decorrer desta pesquisa coletamos informações junto aos jovens, ao coordenador do Programa e ao representante do Conselho, os quais emitiram opinião, por várias vezes, acerca do papel das empresas é salutar, para o entendimento das relações que se estabelecem neste Programa, ouvir também os 128 empresários acerca da atuação do jovem neste estágio final do processo que o conduz ao mundo profissional. Com o objetivo de compreender o funcionamento do Programa Jovem Aprendiz realizou-se também, entrevistas com os responsáveis por coordenar a aplicação do Programa em três grandes empresas atuantes na cidade portuária. Questionamos sobre possíveis dificuldades e facilidades ocorridas na execução do Programa, sobre a proximidade das empresas com o Ministério do Trabalho e com o Conselho, bem como sobre suas concepções e percepções acerca dos jovens na execução do seu trabalho na empresa. É importante assinalar a postura de alguns dos entrevistados, que se mostraram em posição defensiva, demonstrando receio de comprometer sua empresa com alguma resposta indevida. Essa dificuldade limitou a entrevista. Entretanto, esta negativa em realizar uma entrevista mais aberta e franca por parte de algumas empresas demonstrou não só a falta de compreensão do que se trata o Programa, mas, especialmente, que ele ainda não se consolidou com uma comunicação eficiente entre os atores. Os representantes das empresas mais citadas pelos demais atores que compõem o Programa foram entrevistados, sendo elas a Unimed, a Seara Alimentos Ltda e a Distribuidora Pedro Muffato e Cia Ltda. A responsável pelo jovem aprendiz na UNIMED, localizada no centro de Itajaí, trabalha há seis meses como supervisora dos jovens na empresa. Também foi entrevistada uma profissional de 27 anos, que trabalha há cinco supervisionando a aplicação do Programa na Muffato, localizado no bairro Canhaduba em Itajaí, e a profissional de 41 anos, graduada em secretariado Executivo Bilíngüe e gerente de desenvolvimento organizacional da empresa Seara, localizado no bairro Dom Bosco, de Itajaí. Observe-se que estes representantes foram escolhidos porque acompanham o trabalho e o rendimento dos jovens aprendizes, e por isso possuem informações sobre o desempenho tanto profissional quanto de aprendizagem destes jovens. Dentre as empresas dos entrevistados, aquela que trabalha com jovens há mais tempo é a Seara, desde 2005 com o Programa. Hoje há quatro jovens aprendizes dentro da empresa, mas infelizmente não há histórico dos anos anteriores. A Muffato e a UNIMED atualmente empregam, respectivamente, 42 e 41 jovens aprendizes e ambas começaram a desenvolver o Programa em 2008. 129 Dentre esse total, a Unimed efetivou 14 dos jovens aprendizes, sendo que outros dois cumpriram até o final o contrato, mas não foram efetivados. A UNIMED efetivou os mesmos devido ao desempenho dos jovens e por atenderem ao perfil da vaga assumida. A representante, por outro lado, informa que foram seis desistentes, sendo que um porque conseguiu um emprego, outro porque mudou-se para outra cidade juntamente da sua família, outro porque não se reconheceu no trabalho que desempenhava e os demais por motivos pessoais. De qualquer forma, é importante a atitude da empresa de tentar saber os motivos de desistência de seus jovens aprendizes, pois isto lhes ajuda a aprimorar o processo de formação e acompanhamento dos jovens. Na Muffato 11 jovens foram efetivados, já que atingiram níveis produtivos e o comprometimento esperados dentro da empresa. Além disso, a maior parte dos jovens termina o programa. Registrou-se, também que a Seara não tinha os dados sobre os jovens que permaneceram na empresa. As primeiras perguntas trataram sobre quais foram as dificuldades e facilidades encontradas na execução do programa. Quanto às facilidades, as três entrevistadas manifestaram que a parceria com o Parque Dom Bosco facilita as atividades. Entretanto, a representante da Muffato também salientou a facilidade com que os aprendizes “pegam as funções com rapidez e determinação”, e a representante da Seara comentou que “é importante o trabalho de conscientização na empresa para que as lideranças estejam preparadas para receber esses jovens”. De fato, a sensibilização dos líderes nas empresas é decisiva para o êxito na inserção dos jovens nestes ambientes, pois a empresa precisa estar ciente que são adolescentes em fase de formação, tanto pessoal como profissional, de modo que ainda terão evoluções nas partes emocional, cognitiva, social e também na parte técnica que se refere diretamente ao trabalho desempenhado. Trata-se de uma outra realidade de colaborador na empresa. Os jovens aprendizes não podem ser cobrados e observados como os demais colaboradores. Interessante observar que o comentário visto como ponto positivo pela profissional da Seara é entendido como negativo pela da Muffato, pois esta afirmou a preocupação em sensibilizar alguns colaboradores que não entenderam a condição dos jovens aprendizes, e segundo ela extrapolam em algumas questões. É provável que este comentário tenha relação com as várias críticas realizadas pelo 130 Jovem Aprendiz identificado como Entrevistado 4, que afirmou várias vezes ser explorado quando em trabalho na Muffato. Ainda sobre pontos negativos, a representante da Unimed comentou sobre a dificuldade em conseguir jovens maiores de 18 anos para realizar trabalhos em condições insalubres, pois legalmente tais funções não são permitidas a menores. Atualmente são três as entidades governamentais responsáveis por supervisionar o Programa Jovem Aprendiz nas empresas: o Ministério do Trabalho, a Secretaria Municipal da Criança do Adolescente e da Juventude, e o Conselho Municipal da Criança e do Adolescente. Os entrevistados foram perguntados sobre o contato que mantém com estes órgãos governamentais. A representante da Muffato respondeu que a empresa não mantém contato com nenhuma dessas entidades, além daqueles exigidos para cumprimento das determinações legais, como entrega das documentações dos aprendizes. A empresa Seara e Unimed afirmaram não ter contato com estas entidades, no entanto, a última manifestou que recebeu uma visita neste ano do Ministério do Trabalho, com a finalidade de averiguar a quantidade de jovens participantes do programa. Tais declarações reforçam o que já foi assinalado em outras ocasiões: não existe uma interação eficiente entre os atores. Se as empresas não possuem contato com os demais órgãos significa que estes também não se dirigem aos locais de trabalho dos jovens aprendizes para fiscalizar e averiguar em que condições eles desempenham as atividades. Logo não há um acompanhamento real do desenvolvimento dos jovens por parte de alguns órgãos. Objetivando saber em que medida os representantes conhecem o Programa Jovem Aprendiz foi-lhes perguntado o que sabem acerca do programa e como avaliam o seu funcionamento. Os representantes da Unimed e da Seara se limitaram a responder que conhecem o que está expresso na legislação que regula o programa, e entendem seu funcionamento. O representante da Muffato afirmou que conhece todo o processo de monitoramento e inserção dos jovens, além da legislação. Também expôs que a empresa acompanhou, em 2008, junto ao Parque Dom Bosco o desfecho da formação dos jovens para efetuarem a contratação. Quanto à avaliação do programa, todos os entrevistados falaram da importância da inclusão dos jovens no mercado de trabalho que o Programa gera. O entrevistado da Seara ressaltou que essa inclusão é importante, sobretudo para os 131 jovens carentes economicamente, e o profissional da Muffato ressaltou que, além da inclusão, o Programa é importante, pois, após seu término, o jovem pode ser efetivado pela empresa. Interessante também a visão da representante da Unimed, que afirmou ser o programa um aprendizado tanto para os jovens como para a empresa, que na necessidade de lidar com colaboradores diferentes precisa atualizar e renovar alguns hábitos dentro da empresa, uma vez que não se relaciona com jovens aprendizes do mesmo modo que o fazem com os demais funcionários. Como é possível observar do titulo do projeto, um dos objetivos deste é que o jovem obtenha experiência, aprendizado e responsabilidade, por isso é muito importante que as tarefas que jovens executem sejam pensadas de modo lógico pelos responsáveis. De acordo com os entrevistados os jovens aprendizes estão em diversos setores da empresa. O porta voz da Muffato foi mais específico, afirmando que os jovens atuam na logística, setor de recursos humanos, setor de contas a pagar, financeiro e no transporte. O entrevistado da Unimed falou que os jovens são utilizados em funções administrativas e de atendimentos. Nas três empresas o coordenador de cada setor determina a atividade do jovem de acordo com a demanda. Já o profissional da Seara salientou que a empresa busca oferecer aos jovens aprendizes contato com diversas atividades e áreas, para que desenvolvam várias habilidades e aprendam a cultivar responsabilidades. Importante descobrir também como estas atividades são planejadas pelos responsáveis. O representante da Muffato afirmou que: Geralmente as atividades são planejadas junto ao coordenador da área ou então junto com o gerente operacional de cada unidade. Há cada 3 meses o aprendiz faz um rodízio, então acaba passando por todos os setores e daí acaba aprendendo mais e conhecendo melhor a empresa. (Representante da Empresa Muffato). Por sua vez a representante da Seara disse que cada área possui um tutor responsável, o qual organiza as funções desempenhadas pelos jovens aprendizes. De modo semelhante o responsável pela Unimed comenta que a responsabilidade de planejamento das atividades é de cada departamento. Contudo, ressalta-se que nestes casos os profissionais responsáveis pelo acompanhamento da formação dos jovens precisam observar como estes estão sendo gerenciados, a fim de saber se as atividades transmitidas estão sendo funcionais à sua formação. Cada empresa mobiliza um número considerável de profissionais para o acompanhamento dos jovens. Na Muffato são 17 os profissionais envolvidos nas 132 atividades com os aprendizes. A representante da Seara assinalou que apenas os coordenadores estão envolvidos diretamente, e a da Unimed elencou ela própria, a psicóloga de gestão de pessoas, além de monitores e coordenadores específicos a cada departamento. Depois foi perguntado aos representantes quais as principais dificuldades em realizar o programa de aprendizagem em suas empresas. A representante da Muffato afirmou não existir nenhuma dificuldade importante no momento, mas ressaltou que seria importante a inserção de mais jovens aprendizes. Nesta mesma linha comentou a representante da Seara, mas esta também salientou que existe uma dificuldade em selecionar os jovens que estejam realmente interessados na formação. Por fim, a representante da Unimed destacou que não há qualquer dificuldade. Os entrevistados também afirmaram não estarem passando por problemas em seu relacionamento com os jovens. Na Muffato a pontualidade de horário já foi um problema, mas esta situação modificou-se favoravelmente, além de enfatizar que hoje os jovens aprendizes demonstram relevante comprometimento com a empresa. A representante acentua que não vê problemas para os jovens na empresa e que provavelmente os colaboradores ajudaram bastante no processo de inserção dos aprendizes. A entrevistada da Seara comentou que acompanhar os jovens deve ser algo constante, portanto exigindo disponibilidade de tempo dos gestores, situação que nem sempre é fácil. Talvez aqui seja possível entender melhor quando afirmam que a experiência com jovens aprendizes é um aprendizado também para a empresa, pois os coordenadores se veem na necessidade de renovar comportamentos. Além disso, a representante da Seara trouxe outro comentário interessante sobre a realidade dos jovens aprendizes: Os jovens são normalmente bastante tímidos e alguns com baixa auto-estima. O gestor precisa apoiá-los e ajudá-los no processo de adaptação, que acreditamos ser a fase mais difícil. Essa fase é o ponto crítico, onde fica mais fácil ocorrer a desistência por parte do jovem. (Representante da Empresa Seara). Este enfoque ainda não havia sido abordado. A razão de os jovens aprendizes se comportarem normalmente com timidez e alguns inclusive com baixa auto-estima deveria ser melhor investigada, pois conforme a experiência desta profissional, aqui é o ponto crítico onde ocorrem as desistências. A parte emocional, 133 portanto, é decisiva para o sucesso dos jovens aprendizes, o que renova a necessidade da formação não se reduzir a instrução técnica, mas também tentar aprofundar-se na realidade existencial de cada jovem, que provém de uma família e comunidade própria, com história própria. Este depoimento pode assinalar a necessidade de o Programa Jovem Aprendiz tentar ser ainda mais próximo do lado psicológico dos jovens. Além disso, o fato de os gestores esforçarem-se em apoiar e ajudar o jovem a adaptar-se à empresa é um ponto bastante favorável, pois indica o comprometimento da empresa com os jovens aprendizes, percebendo-os como sujeitos em uma fase difícil da vida, a transição para a vida adulta, onde emergem as maiores responsabilidades. Por fim, a representante da Unimed comentou apenas em dificuldades de maturidade comportamental, porém ressaltou que geralmente com conversas já é possível resolver a situação. A mesma salienta que são questões rotineiras ligadas à pressão do dia a dia. É importante saber a respeito desse feedback de satisfação das empresas sobre o desempenho dos jovens aprendizes. As três empresas afirmaram não ter contato com a família dos jovens, o que pode ser destacado como aspecto a dificultar a relação, pois a adolescência é uma fase que exige aproximação maior dos responsáveis pela formação dos jovens, uma vez que não envolve apenas dilemas relacionados à carreira profissional, mas também questões familiares, afetivas, etc. O contato maior com as famílias dos jovens aprendizes possibilitaria uma noção mais profunda da realidade vivenciada por estes jovens. O distanciamento entre as várias instituições e a família corrobora o argumento de Carvalho e Almeida (2003) que argumentem como as políticas públicas não vêm auxiliando a família em sua função de proteção social dos indivíduos, deixando-os cada vez mais vulneráveis. Um exemplo citado pelos autores é a Bolsa Família, que auxilia apenas unidades familiares entendidas como em extrema pobreza, quando tantas outras, ainda que não nesta condição, também sofrem com dificuldades econômicas, o que resulta em prejuízos escolares e de preparação para a carreira. Seria importante, portanto, as empresas se aproximarem das famílias, conhecendo suas realidades. Além disso, destaca-se que o confronto da opinião do representante da Muffato com o jovem aprendiz que trabalha nesse estabelecimento e participou das 134 entrevistas desta pesquisa revela discrepância de visões. O representante da empresa afirma não haver problemas, enquanto o jovem aprendiz fez severas críticas a esta instituição, assinalando que eles explorariam os jovens aprendizes. A questão seguinte é essencial, pois deseja saber dos representantes das empresas em suas visões o que poderia ser modificado no programa, visando o aprimoramento do mesmo. O entrevistado da Muffato falou que os jovens aprendizes passam poucas horas na empresa, e o ideal seria uma jornada diária mais extensa, sem chegar, no entanto, a definir qual deveria ser esta duração. A representante da Seara, por sua vez, pontuou que “temos que ter parceiros comprometidos para acolher o maior número de jovens possível e prepará-los com antecedência antes de serem direcionados para a empresa. Então essa preparação torna-se bem importante”. Talvez discretamente surja aqui uma crítica à formação dos jovens no processo anterior à inserção dos mesmos na empresa, pois o fato de mencionar a formação com antecedência revela que na visão da empresa os jovens chegam menos preparados do que deveriam para desempenhar suas funções. Este argumento corrobora a necessidade de se renovar a instrução técnica e profissionalizante no Programa Jovem Aprendiz. Além disso, o depoimento da representante da Unimed também é bastante importante: Houve recentemente uma avaliação com os jovens, onde eles pontuaram algumas coisas, como a necessidade de dar continuidade aos conteúdos, pois segundo eles, às vezes, em uma semana se aborda um assunto e na semana seguinte esta atividade não tem continuidade. Outro ponto é que eles acham as aulas e atividades muito repetitivas, principalmente para os alunos que são mais antigos e já estão trabalhando. Foi sugerido que se trabalhassem assuntos de comportamento, atendimento ao público, atividades direcionadas ao trabalho e desempenho nas empresas, o que para nós também é interessante. Outra coisa, falaram sobre a necessidade de mais encontros de avaliação e feedback com os jovens. Houve ainda o comentário de alguns jovens que algumas atividades parecem ser improvisadas e pouco dinâmicas. Eu e a nossa Psicóloga, a Naiana, participamos desta avaliação e pudemos perceber que eles consideram muito importante a formação no Parque, porém ao ingressar nas empresas passam a acreditar que estão em uma nova fase profissional, se sentem mais importantes. Neste caso, participar das mesmas atividades dos demais jovens, se torna desinteressante pra eles, que querem buscar um aperfeiçoamento na empresa, para uma posterior efetivação. Valorizamos muito o trabalho do Parque e sabemos que o Programa cresceu muito, porém é visível a necessidade de rever a metodologia de algumas atividades, 135 buscando tornar mais agradável e proveitosa as horas de capacitação que são obrigatórias dentro do programa. (Representante da Empresa UNIMED). Este depoimento traz nova luz à crítica dos jovens a uma possível repetição e pouco dinamismo nas aulas. Quando estão inseridos nas empresas os jovens passam a uma etapa de sua formação, e já começam a se preocupar com a efetivação nestes estabelecimentos. Retorna o argumento levantado em outros momentos do receio de perder o emprego ou mantê-lo. Diante de um mercado de trabalho competitivo é normal que os jovens aprendizes sintam-se pressionados a tentar efetivarem-se nas empresas onde trabalham, pois vêem a oportunidade de estarem já inseridos nas mesmas como uma grande chance de iniciar uma carreira profissional. Além disso, o depoimento revela como os educadores do Programa Jovem Aprendiz precisam adaptar suas posturas a cada caso específico, não podendo esforçar-se em formar jovens já inseridos nas empresas da mesma maneira que o fazem com os demais, ainda iniciando o processo de formação. É importante esta preocupação da empresa em pesquisar a opinião dos jovens aprendizes sobre o andamento das atividades, pois assim é possível adaptar as tarefas e programações tendo em vista o desempenho e aptidões dos mesmos bem como saber como estão reagindo emocionalmente às funções desempenhadas e à formação no Parque Dom Bosco. O parágrafo anterior é um exemplo de como uma interação eficiente entre a empresa e o Parque pode oferecer um espaço bem mais desenvolvido para o progresso do Programa, pois cada ator pode colher opiniões dos jovens sobre o outro ator, e assim iniciar uma dialética construtiva. 136 CONSIDERAÇÕES FINAIS A Lei de Aprendizagem determina que qualquer empresa que possua ao menos sete funcionários deva contratar aprendizes com idade entre 14 e 24 anos. A iniciativa é importante, pois visa enfrentar uma questão complexa da atualidade, qual seja o alto índice de desemprego entre os jovens. Diante da competitividade do mercado, cada vez mais dinâmico, exigindo competência e preparo técnico de seus trabalhadores, emerge um panorama complicado para os jovens que não são aceitos em diversos locais de trabalho por não disporem de experiência e de preparo técnico adequado para se inserirem neste exigente espaço social. A Lei de Aprendizagem, por sua vez, prevê a responsabilidade do governo pela formação técnica e profissional de jovens, com intuito de prepará-los para ingressarem nas empresas. Esta legislação, entretanto, pelo grande número de jovens que necessitam de instrução específica, tem demandado a formalização de parcerias com outras instituições que estejam aparelhadas e dispostas a preparar estes jovens. Assim, o Parque Dom Bosco é uma das instituições localizadas em Itajaí - SC que se compromete a formar jovens entre 14 anos e 24 anos para a carreira profissional. A presente pesquisa identificou que o Programa Jovem Aprendiz, desenvolvido no Parque Dom Bosco oferece cursos de Aprendizagem em Logística Portuária, Elétrica Predial e Industrial, Eletromecânica e Serviços Administrativos, este último foco da presente investigação. Os cursos, de um modo geral, proporcionam não só a formação técnica dos jovens, mas também são ofertadas disciplinas como Juventude e Espiritualidade, Comunicação Digital, Introdução ao Mundo do Trabalho e Relações Humanas e Cidadania, visando ao desenvolvimento integral do jovem com perspectivas à formação de cidadãos de direitos e deveres. A formação integral visa alcançar várias dimensões da existência, como a social, a cultural, a espiritual, emocional, etc. tornando estes jovens não apenas técnicos, mas também tem o intuito de capacitá-los com informações que os possibilite se tornarem cidadãos responsáveis, capazes de serem protagonistas do seu destino e de transformações nas suas comunidades. 137 A metodologia de trabalho da instituição, foco da presente investigação, é coerente com os princípios do Sistema Preventivo de Dom Bosco, cuja filosofia orienta as diretrizes de funcionamento do Parque Dom Bosco desde a década de 1960, quando iniciou este trabalho com os jovens. Desde então, tem se expandido desenvolvendo programas, a exemplo do Programa Jovem Aprendiz, cujos cursos de aprendizagem são ofertados em períodos de contraturno escolar (matutino e vespertino), viabilizando assim, o atendimento aos jovens durante as aulas regulares e, também, no período em que estão sob a responsabilidade das empresas parceiras. Além da formação teórica, o Programa mantém parcerias com várias empresas de Itajaí e municípios próximos, que oferecem como contrapartida a contratação de jovens em formação para desenvolverem atividades nos períodos de aprendizagem, constituídos por no máximo dois anos, conforme determina a legislação específica. Esta aproximação com as empresas abre perspectivas de contratação na própria empresa, como relataram os jovens entrevistados. É neste espaço de atuação que o Programa se torna um instrumento de ampliação de conhecimentos e possibilidades de inserção dos jovens no mundo do trabalho. Por outro lado, o ensino técnico não pode dominar o conhecimento destes jovens sob pena de estarem sendo apenas disciplinados para o trabalho. A consciência crítica dos direitos e deveres é fundamental para que se construa uma sociedade menos desigual e mais democrática. Nesse sentido a formação técnica permite uma inserção mais qualificada no mundo do trabalho, enquanto a formação mais humanista visa formar um jovem mais atento à realidade social na qual deve atuar como agente transformador. Com o intuito de identificar as possíveis falhas e aprimorar o Programa a presente pesquisa identificou junto aos 19 jovens aprendizes entrevistados suas concepções a respeito do Programa, bem como suas experiências junto às empresas parceiras do Programa. Além disso, foi ouvido o Coordenador do Programa Jovem Aprendiz no Parque Dom Bosco, a representante do Conselho Municipal da Criança, do Adolescente e da Juventude, órgão que cadastra e fiscaliza as instituições e empresas ligadas aos projetos de aprendizagem; a representante do MTE e representantes de três empresas que recepcionam jovens aprendizes, objetivando conferir as possíveis dificuldades na execução do Programa a fim de aprimorar e maximizar os resultados desta política pública. 138 As informações coletadas por meio das entrevistas indicaram que os jovens apreciam a formação propiciada pelo Programa, por se sentirem mais bem capacitados para ingressar no mercado de trabalho. Por outro lado, os jovens também apontaram que o Programa demanda maior atualização, quer por apresentar conteúdos repetitivos relacionados à informática, e educadores pouco dinâmicos. Há que se ressaltar, portanto, que o Programa deva estar voltado para o perfil do jovem, que apresenta maior dinamicidade na própria condição juvenil. Não se pode deixar de desconhecer que o jovem é sedento de novidades, de conhecimentos aplicáveis e palpáveis. É por certo, esta uma das razões pelas quais os jovens indicam o período de aprendizagem no interior das empresas de forma positivada, porque entram em contato com novos conhecimentos, cujas informações especializadas e aplicáveis podem conduzir, inclusive, a uma possível contratação pela empresa. Por outro lado, é no interior da empresa que percebem o alto nível de competitividade instalados nestes ambientes, bem como o alto nível do preparo técnico indispensável para conquistar uma posição de destaque no mundo profissional. É, também, no interior da empresa que emerge a preocupação em relação ao número de vagas ofertado, em geral insuficiente, o que gera receio e a insegurança nos jovens que temem, antecipadamente, pelo desemprego tão freqüente entre os jovens na sociedade brasileira. É certo, portanto, que o contato mais direto e profundo com o cotidiano de uma vida profissional modifica nestes jovens a percepção de vida e a visão de carreira. O coordenador do Programa por sua vez concordou com a necessidade de reforçar o ensino técnico nas aulas a partir de um aprimoramento dos próprios educadores. Esta ênfase na instrução técnica e profissionalizante não contrasta com os princípios do Sistema Preventivo de Dom Bosco, ao contrário, a formação profissional para além de uma carreira autônoma, deve reverter em benefício para a sociedade na qual está inserido o jovem aprendiz. Trata-se de uma questão maior, na qual a formação profissional indispensável se pretenda oferecer um futuro diferente a estes jovens oriundos de classes menos favorecidas, abrindo perspectivas de vida com qualidade e, profissionais cuja realização pessoal seja uma realidade. Atrelada à formação integral também é importante mencionar outros problemas apontados por representantes das empresas entre os quais estão a 139 seleção de jovens mais interessados e a dificuldade de adaptabilidade ao ambiente profissional. No primeiro caso, temos a questão da desistência por parte dos jovens contratados que ainda não se encontram interessados em se inserir no mercado de trabalho, mas em dar continuidade à sua formação, quer através de cursos universitários ou vivenciando experiências diversas antes de se inserirem efetivamente no mercado de trabalho. É difícil, nesta situação, identificar previamente o nível de interesse pelo trabalho, na medida em que os próprios jovens não o sabem identificar, exatamente por desconhecerem a experiência do trabalho. Neste sentido, o Programa Jovem Aprendiz possibilita ao jovem um primeiro contato com o mundo do trabalho, cujas novas descobertas ocorrem na vivência concomitante da escola e da empresa na qual é aprendiz. Há que se considerar, ainda, que podem ocorrer desistências porque o jovem pode apresentar dificuldades de ordem pessoal, como timidez e baixa auto-estima, que o imobiliza e desestimula diante da primeira dificuldade. Tais aspectos não podem ser resolvidos apenas com formação técnica, mas certamente com participação mais ativa dos educadores junto à realidade dos jovens, identificando o perfil de suas famílias, de suas comunidades, enfim suas histórias de vida, que podem ser muito diversas das vivenciadas no interior da própria escola e da empresa. Cada sujeito é um ser único, com vivência única, é necessário aproximarse de cada subjetividade para possibilitar respostas às suas dúvidas, dilemas, adaptando-os à nova realidade, seja ela profissional ou do seu cotidiano. Estas dificuldades constatadas no decorrer da pesquisa nos induzem a sugerir que haja um acompanhamento intenso e muito próximo aos jovens pelos responsáveis pelo Programa. Nesse sentido o depoimento da representante do MTE contribui para o chamamento de todos os atores envolvidos acerca da responsabilidade de cada um. Quanto à empresa, não se pode deixar de mencionar que é parte da responsabilidade social qualificar mão-de-obra para o mercado, viabilizando mudanças sociais através programas nos quais se incluem os jovens, cuja formação poderá contribuir para a economia regional e nacional. Por sua vez, as instituições de formação necessitam cumprir ao que se propõem, não apenas na execução do papel de intermediação de mão-de-obra barata para as empresas, mas, na formação integral destes jovens. E, por fim, mas não menos importante, os jovens devem ser responsabilizados pelo seu próprio aprimoramento, seja pessoal ou profissional, 140 aplicando os diversos conhecimentos oferecidos que pode lhe possibilitar a construção de um futuro melhor. Outra constatação revelada pela pesquisa foi que cada um dos atores envolvidos no Programa vê e opina sobre o que precisa ser modificado no mesmo, mas, por vezes orientado apenas por suas aspirações, perspectivas e interesses, desconsiderando que o ator social principal aqui é o jovem aprendiz. Desse modo a representante do COMDICA e SECAJ, bem como a representante do MTE, ressaltaram a problemática social, que envolve a evasão escolar, bem como o ingresso de jovens em estado de vulnerabilidade social em trabalhos ilícitos, etc. Por outro lado, as empresas reforçaram a necessidade de melhorias na preparação técnica e profissionalizante dos jovens no Programa Jovem Aprendiz. Do ponto de vista estrutural o Programa necessita de algumas reformulações e articulações entre os diversos atores envolvidos no projeto, quais sejam, o Parque Dom Bosco, o Conselho, o MTE e as empresas. Constatou-se alguma deficiência de comunicação entre as instituições e os órgãos acima mencionados e os jovens, destinatários dessa política pública. Os responsáveis pela execução do Programa necessitam estar mais próximos uns dos outros, viabilizando um acompanhamento de modo atento ao desenvolvimento integral dos jovens, seja na formação no Parque Dom Bosco, seja no ambiente das empresas. Os atores precisam pensar o Programa em sua totalidade e sempre voltado para os jovens que se encontram em formação. As concepções dos diversos atores sociais envolvidos no Programa podem divergir, mas não podem se apresentar fragmentadas, sob pena de impedirem a formação integral e emancipadora dos jovens aprendizes. Quanto à percepção dos jovens sobre o Programa houve um reconhecimento, - ainda que com indicação de necessidade de reformulações –, pela oportunidade de participar do Programa Jovem Aprendiz e de se inserirem nas empresas. Isto revela algum êxito nesta política pública, cujos beneficiários reconhecem que estão se aprimorando tanto como pessoas, quanto como profissionais e cidadãos, mas que desejam algo mais. Ou seja, os jovens destinatários desta política pública devem ser ouvidos sistematicamente quer, porque estamos lidando com jovens em formação, quer porque a dinâmica social está em permanente mudança. Assim, o que o mercado e a sociedade exigem hoje, podem estar absolutamente superados amanhã. É com esta perspectiva que se pode afirmar que este estudo não se 141 encerra com a presente pesquisa, mas revela a necessidade de um monitoramento e acompanhamento vigilante da execução desta política pública. Neste sentido, o Programa Jovem Aprendiz, ao que tudo indica, se tornou indispensável para os jovens em decorrência das condições impostas pelo mundo globalizado e pelos mercados competitivos da sociedade moderna e capitalista. Esta é uma das razões pelas quais o Programa deve atender às demandas destes jovens com muita dedicação e responsabilidade, por tratar-se de um Programa que traz na sua essência a transformação social. É com esta visão que se deve fomentar a formação dos aprendizes, oferecendo-lhes conhecimentos teóricos e atividades práticas, cuja aprendizagem pode se tornar um atalho para uma vida melhor, na qual a carreira profissional é um dos passos para se construir uma vida auto-sustentada, mais livre, e com capacidade de intervenção social. O indivíduo que apresenta mais autonomia na própria vida é também detentor de mais habilidades e qualificações para ser solidário com seus pares, para intervir na transformação de sua comunidade, abrindo portas para outros jovens, a partir da sua experiência. A aprendizagem profissional, neste sentido, não é apenas disciplinamento ou mera instrução destinada ao mercado de trabalho, ou à criação de mão-de-obra, mas uma possibilidade de emancipação social, de direcionamento de sua própria trajetória para uma vida com mais qualidade. 142 REFERÊNCIAS A COMBEMI. Disponível em: <http://combemi.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1&Itemid=5 9>. 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