1.6. Relações de Recorrência Programa 1 Matemática Discreta Parte 1 - Conjuntos e Aplicações 1 2 3 2008/09 4 5 6 Vı́tor Hugo Fernandes Departamento de Matemática 2 Parte 2 - Grafos e Aplicações 1 FCT/UNL 2 3 4 5 6 Departamento de Matemática (FCT/UNL) MD 2008-2009 1 / 16 1.6. Relações de Recorrência Conjuntos Relações Binárias Aplicações Indução Matemática e Divisibilidade Congruências lineares Relações de Recorrência Generalidades Conexidade Árvores Grafos Eulerianos Grafos Hamiltonianos Matrizes e Grafos Departamento de Matemática (FCT/UNL) MD 2008-2009 2 / 16 1.6. Relações de Recorrência 1.6. Relações de Recorrência 2. Seja (an )n≥1 a sucessão definida pela relação de recorrência Uma relação de recorrência para uma sucessão (an )n≥0 é uma expressão que relaciona cada termo an (a partir de certa ordem p) com alguns dos seus predecessores a0 , a1 , . . . , an−1 . As condições iniciais são valores que são explicitamente dados para um número finito (p − 1) de termos da sucessão. “Resolver” uma relação de recorrência, sujeita a certas condições iniciais, é determinar uma “expressão explı́cita” para o termo geral da sucessão. Exemplos 2, Departamento de Matemática (FCT/UNL) 3, 5, 8, 13, MD 2008-2009 21, = an−2 + 2 · 3 = an−3 + 3 · 3 .. . = a1 + (n − 1) · 3 = 2 + 3(n − 1), f1 = 1 & f2 = 2 1, com a condição inicial a1 = 2. Ora, an = an−1 + 3 = (an−2 + 3) + 3 = (an−3 + 3) + 2 · 3 .. . n ≥ 2, = (an−k + 3) + (k − 1) · 3 = an−k + k · 3 .. . 1. A sucessão de Fibonacci (fn )n≥1 é definida pelas condições iniciais e pela relação de recorrência fn = fn−1 + fn−2 an = an−1 + 3, (n ≥ 3) : 34, i.e. an = 2 + 3(n − 1), para n ≥ 1. (Prove formalmente esta igualdade, usando o Princı́pio de Indução.) ... 3 / 16 Departamento de Matemática (FCT/UNL) MD 2008-2009 4 / 16 1.6. Relações de Recorrência 1.6. Relações de Recorrência 3. Vamos resolver a relação de recorrência Exemplos 1. A expressão an = 2an−1 fn = fn−1 + fn−2 sujeita à condição inicial a0 = 1. Temos (utilizada na definição da sucessão de Fibonacci) é uma relação de recorrência linear homogénea de grau 2 com coeficientes constantes. an = 2an−1 = 2 · 2an−2 = 22 an−2 = 22 · 2an−3 = 23 an−3 = · · · = 2k an−k = · · · = 2n a0 = 2n , 2. A expressão an = 2an−1 i.e. an = 2n , para n ≥ 0. (Prove formalmente esta igualdade, usando o Princı́pio de Indução.) é uma relação de recorrência linear homogénea de grau 1 com coeficientes constantes. Uma relação de recorrência linear homogénea de grau k (k ≥ 1) com coeficientes constantes é uma expressão da forma 3. A relação de recorrência an = 3an−1 an−2 não é linear. 4. A relação de recorrência an = an−1 + 3 não é homogénea. an = c1 an−1 + c2 an−2 + · · · + ck an−k , 5. A relação de recorrência an = 3nan−1 não tem coeficientes constantes. com c1 , . . . , ck constantes (reais) e ck 6= 0. Departamento de Matemática (FCT/UNL) MD 2008-2009 5 / 16 1.6. Relações de Recorrência Departamento de Matemática (FCT/UNL) MD 2008-2009 Observação Uma relação de recorrência linear homogénea de grau 1 com coeficientes constantes é uma expressão (genericamente) da forma an = can−1 , com c uma constante (real) não nula. É fácil concluir que podemos resolver esta relação de recorrência sujeita à condição inicial a0 = a (constante), obtendo-se an = ac n , n ≥ 0 (Exercı́cio). Lema Seja an = c1 an−1 + c2 an−2 (c1 , c2 ∈ R) uma relação de recorrência linear homogénea de grau 2 com coeficientes constantes. Sejam S e T duas sucessões que satisfazem a relação de recorrência e sejam b e d duas constantes (reais). Então a sucessão Lema Seja an = c1 an−1 + c2 an−2 (c1 , c2 ∈ R) uma relação de recorrência linear homogénea de grau 2 com coeficientes constantes. Seja r uma raiz da equação x 2 − c1 x − c2 = 0. Então, a sucessão (r n )n∈N0 satisfaz a relação de recorrência. Demonstração. Por hipótese, r é raiz de x 2 − c1 x − c2 = 0, pelo que r 2 − c1 r − c2 = 0, ou seja, r 2 = c1 r + c2 . Então c1 r n−1 + c2 r n−2 U = bS + dT MD 2008-2009 = r n−2 (c1 r + c2 ) = r n−2 r 2 = r n , como pretendido. também satisfaz a relação de recorrência. Departamento de Matemática (FCT/UNL) 6 / 16 1.6. Relações de Recorrência 7 / 16 Departamento de Matemática (FCT/UNL) MD 2008-2009 8 / 16 1.6. Relações de Recorrência 1.6. Relações de Recorrência Demonstração. Pelo lema anterior, as sucessões S = (r1n )n≥0 e T = (r2n )n≥0 Teorema Seja satisfazem ambas a relação de recorrência. Assim, pelo penúltimo lema, para quaisquer constantes b e d, a sucessão an = c1 an−1 + c2 an−2 bS + dT = U = (un )n≥0 (c1 , c2 ∈ R) uma relação de recorrência linear homogénea de grau 2 com coeficientes constantes tal que a equação satisfaz a relação de recorrência. Resta-nos pois determinar constantes b e d por forma que U também satisfaça as condições iniciais, ou seja, tais que u0 = C0 x 2 − c1 x − c2 = 0 admite duas raı́zes distintas r1 e r2 . Seja (an )n≥0 a sucessão definida pela relação de recorrência sujeita às condições iniciais a0 = C0 & a1 = C1 . Departamento de Matemática (FCT/UNL) + dr2n , u1 = C1 . para n ≥ 0, pelo que (considerando u0 = b + d u1 = br1 + dr2 . b + d = C0 Assim, falta-nos resolver o sistema de equações lineares br 1 + dr2 = C1 , 1 1 . nas incógnitas b e d, cuja matriz simples é M = r1 r2 Como det M = r2 − r1 6= 0, então o sistema é possı́vel e determinado. Portanto, provámos a existência de constantes b e d tais que a sucessão U também satisfaz as condições iniciais. n ≥ 0. MD 2008-2009 Ora, a partir de (∗), temos un = n = 0 e n = 1), e br1n Então, existem constantes (reais) b e d tais que an = b r1n + d r2n , (∗) 9 / 16 1.6. Relações de Recorrência Departamento de Matemática (FCT/UNL) MD 2008-2009 10 / 16 1.6. Relações de Recorrência Exemplos 1. Vamos resolver a relação de recorrência 2. Consideremos agora a relação de recorrência an = 5an−1 − 6an−2 bn = 3bn−1 − 2bn−2 sujeita às condições iniciais a0 = 7 & a1 = 16. Comecemos por considerar a equação x 2 − 5x + 6 = 0, cujas raı́zes são x = 2 e x = 3. Atendendo ao teorema anterior, temos an = b 2n + d 3n , sujeita às condições iniciais b0 = 200 & b1 = 220. Comecemos por analisar a equação x 2 − 3x + 2 = 0, cujas raı́zes (distintas) são x = 1 e x = 2. Pelo teorema anterior, temos bn = b + d 2n , para n ≥ 0, para certas constantes b e d tais que b + d = b0 = 200 b = 180 ou seja, b + 2d = b1 = 220, d = 20. n ≥ 0, para certas constantes b e d tais que b + d = a0 = 7 2b + 3d = a1 = 16, Logo, bn = 180 + 20 · 2n , para n ≥ 0. ou seja (resolvendo o sistema), b = 5 e d = 2. Logo, an = 5 · 2n + 2 · 3n , para n ≥ 0. Departamento de Matemática (FCT/UNL) MD 2008-2009 11 / 16 Departamento de Matemática (FCT/UNL) MD 2008-2009 12 / 16 1.6. Relações de Recorrência 1.6. Relações de Recorrência Teorema Seja Demonstração. Comecemos por observar que a sucessão S = (r n )n≥0 , atendendo ao lema anterior, satisfaz a relação de recorrência. Por outro lado, sendo r uma raiz dupla da equação x 2 − c1 x − c2 = 0, então an = c1 an−1 + c2 an−2 (c1 , c2 ∈ R) uma relação de recorrência linear homogénea de grau 2 com coeficientes constantes tal que a equação (x − r )2 = x 2 − c1 x − c2 , i.e. x 2 − 2rx + r 2 = x 2 − c1 x − c2 , x 2 − c1 x − c2 = 0 admite uma raiz dupla r . Seja (an )n≥0 a sucessão definida pela relação de recorrência sujeita às condições iniciais a0 = C0 & a1 = C1 . Então, existem constantes (reais) b e d tais que an = b r n + d n r n , pelo que c1 = 2r e c2 = −r 2 . Observemos que, por hipótese, c2 6= 0 (pois a relação de recorrência é do grau 2), donde r 6= 0. Tendo em conta os valores obtidos para c1 e c2 , é fácil verificar que, também a sucessão T = (n r n )n≥0 satisfaz a relação de recorrência (Exercı́cio). Assim, pelo penúltimo lema, a sucessão bS + dT = U = (un )n≥0 n ≥ 0. ainda satisfaz a relação de recorrência, para quaisquer constantes b e d. Departamento de Matemática (FCT/UNL) MD 2008-2009 13 / 16 1.6. Relações de Recorrência MD 2008-2009 14 / 16 1.6. Relações de Recorrência Tal como na prova do teorema anterior, resta-nos determinar constantes b e d por forma que U também satisfaça as condições iniciais, ou seja, tais que u0 = C0 e Exemplo Vamos resolver a relação de recorrência u1 = C1 . Ora, a partir de (∗), temos un = br n + dnr n , para n ≥ 0, pelo que (considerando n = 0 e n = 1), u0 = b u1 = br + dr . Assim, temos de resolver o sistema de equações lineares b = C0 br + dr = C1 , sujeita às condições iniciais c0 = 1 & c1 = 1. Comecemos por considerar a equação x 2 − 4x + 4 = 0, a qual possui x = 2 como raiz dupla. Atendendo ao teorema anterior, temos n ≥ 0, para certas constantes b e d tais que b = c0 = 1 2b + 2d = c1 = 1, d = C1 − rC0 , r ou seja (resolvendo o sistema), b = 1 e d = − 21 . Logo, an = 2n − 12 n 2n = 2n − n2n−1 , para n ≥ 0. portanto, possı́vel e determinado. MD 2008-2009 cn = 4cn−1 − 4cn−2 cn = b 2n + d n 2n , nas incógnitas b e d, o qual é equivalente a b = C0 Departamento de Matemática (FCT/UNL) Departamento de Matemática (FCT/UNL) 15 / 16 Departamento de Matemática (FCT/UNL) MD 2008-2009 16 / 16