MONTEPIO l Departamento de Estudos // fevereiro 2015 ÁFRICA DO SUL ÁFRICA DO SUL Indicadores sociodemográficos e estruturais Superficie > 1 219 090Km2 Dens. Populacional> 43 Hab/Km2 Reservas Externas> 41.20210^9 $ 1 MONTEPIO l Departamento de Estudos // fevereiro 2015 ÁFRICA DO SUL África Do Sul/previsões económicas 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 PIB 5.5 3.6 -1.5 3.1 3.6 2.5 1.9 1.4 2.3 2.8 2.7 2.7 2.7 PIB Nominal 14.1 11.9 6.7 11.0 9.7 7.0 7.8 7.8 8.2 8.6 8.2 8.2 8.3 Deflator do PIB 8.1 8.0 8.4 7.7 5.9 4.5 5.8 6.3 5.8 5.6 5.4 5.4 5.4 Inflaç ão (IPC) 7.1 11.5 7.1 4.3 5.0 5.7 5.8 6.3 5.8 5.5 5.3 5.3 5.3 Investimento (% PIB) 21.2 22.7 19.5 19.1 19.1 19.4 19.4 19.4 19.5 19.8 19.9 20.0 20.1 Poupanç a Nac ional Bruta (% PIB) 14.3 15.5 15.5 17.1 16.8 14.2 13.5 13.6 13.9 14.4 14.8 15.2 15.5 Dívida Públic a (% PIB) 28.3 27.2 31.6 35.3 38.8 42.1 45.2 47.9 50.8 53.7 55.8 57.5 59.0 Saldo Orç amental (% PIB) 1.3 -0.5 -4.9 -4.9 -4.0 -4.3 -4.4 -4.9 -5.1 -5.0 -5.0 -5.0 -4.9 Balanç a Corrente (10^9 $) -19.9 -19.6 -11.5 -7.2 -9.4 -20.0 -20.4 -19.6 -19.9 -19.9 -20.0 -19.6 -19.8 Unidade: taxa de crescimento % Balanç a Corrente (% PIB) -7.0 -7.2 -4.0 -2.0 -2.3 -5.2 -5.8 -5.7 -5.6 -5.4 -5.2 -4.8 -4.6 Populaç ão (10^6) 48.9 49.6 50.2 50.9 51.6 52.3 53.0 53.7 54.4 55.2 55.9 56.7 57.4 Populaç ão 15-64 anos (% total) 65.0 65.0 65.1 65.1 65.1 65.0 65.0 - - - - - - Taxa de Desemprego 23.0 22.5 23.7 24.9 24.8 24.9 24.7 25.2 25.0 24.8 24.6 24.5 24.4 PIB PPP (10^9 $) 530.8 560.9 556.5 581.0 614.3 640.8 662.6 683.1 711.8 745.5 781.3 819.3 858.9 PIB per c apita PPP $ 10 854 11 317 11 081 11 415 11 910 12 258 12 507 12 722 13 078 13 515 13 975 14 460 14 955 PIB per c apita $ 5 843 5 517 5 683 7 175 7 839 7 314 6 621 6 354 6 477 6 695 6 934 7 176 7 432 Exportaç ões (%) 6.6 1.8 -19.5 9.0 6.8 0.4 4.2 2.6 3.5 4.2 4.0 4.3 4.0 Bens (%) 6.0 2.6 -21.6 6.1 6.8 0.4 4.2 2.6 3.5 4.2 4.0 4.3 4.0 Importaç ões (%) 9.0 1.5 -17.4 11.0 10.0 6.0 4.7 1.8 2.3 3.2 3.2 3.2 3.2 Bens (%) 9.4 2.9 -20.5 8.9 10.0 6.0 4.7 1.8 2.3 3.2 3.2 3.2 3.2 Agric ultura (% PIB) 3.0 3.0 2.9 2.6 2.5 2.5 2.4 - - - - - - Indústria (% PIB) 31.3 32.3 31.0 30.1 29.7 28.4 27.6 - - - - - - Serviç os (% PIB) 65.7 64.7 66.1 67.3 67.8 69.1 70.0 - - - - - - Esperanç a V ida à nasc enç a (anos) 52.0 52.6 53.5 54.4 55.3 56.1 - - - - - - - Fonte : FMI (World Economic Outlook - outubro de 2014); Banco Mundial (restantes dados históricos sem previsões). 2 MONTEPIO l Departamento de Estudos // fevereiro 2015 ÁFRICA DO SUL Principais Exportações de Bens (2013) Código Descrição Valor (mM$) Peso (%) 28 M inérios metálicos e sucata 14.578 15.3 68 M etais não-ferrosos 10.956 11.5 78 Veículos rodoviários (incluindo veículos de sustentação por ar) 8.174 8.6 97 Ouro, não monetários (excluindo minérios de ouro e seus concentrados) 6.813 7.2 67 Ferro e aço 6.213 6.5 Outros produtos 48.491 50.9 Fonte: Nações Unidas. Principais Importações de Bens (2013) Código Descrição Valor (mM$) Peso (%) 33 Petróleo, produtos petrolíferos e materiais relacionados 21.444 20.7 78 Veículos rodoviários (incluindo veículos de sustentação por ar) 8.793 8.5 93 Transações especiais e commodities não classificados de acordo com o tipo 6.234 6.0 74 M áquinas em geral, equipamentos industriais e peças de máquinas 5.194 5.0 77 M áquinas, aparelhos e equipamentos, e suas componentes elétricas 4.733 4.6 Outros produtos 57.063 55.2 Fonte: Nações Unidas. Principais Parceiros Comerciais de Importações (2013) Principais Parceiros Comerciais de Exportações (2013) País Valor (mM$) Peso (%) País Valor (mM$) Peso (%) China 16.011 15.5 China 12.059 12.7 Alemanha 10.699 10.3 Países não especificados 7.167 7.5 Arábia Saudita 8.027 7.8 EUA 6.895 7.2 EUA 6.566 6.3 Japão 5.570 5.8 Índia 5.377 5.2 Botswana 4.602 4.8 Outros países 56.783 54.9 Outros países 58.931 61.9 Fonte: Nações Unidas. Fonte: Nações Unidas. Top 10 das Importações de Portugal da África do Sul (2014) Tipo de Produto Produtos da agricultura, da produção animal, da caça e dos serviços relacionados Produtos alimentares Top 10 das Exportações de Portugal para a África do Sul (2014) Valor (€) Share (%) TCMA12-14 (%) 45 172 285 37.2 17.1 24 599 529 20.3 6.2 Valor (€) Share (%) TCMA12-14 (%) Produtos alimentares 17 881 597 14.6 135.3 Veículos automóveis, reboques e semi-reboques 16 023 839 13.1 0.2 10 275 467 8.4 2.7 Artigos de borracha e de matérias plásticas 10 060 170 8.2 14.1 Produtos químicos 9 721 140 7.9 -2.8 9 423 941 7.7 4.4 Tipo de Produto Madeira e cortiça e suas obras, excepto Produtos químicos 16 812 805 13.9 31.8 Hulha (incluindo antracite) e linhite 14 435 072 11.9 -* Veículos automóveis, reboques e semi-reboques 10 486 067 8.6 78.2 1 460 419 1.2 72.4 Produtos têxteis 1 095 491 0.9 12.4 Outros produtos minerais não metálicos 8 451 148 6.9 62.7 Outro equipamento de transporte 1 051 800 0.9 678.7 Equipamento eléctrico 7 673 962 6.3 0.6 Metais de base 983 598 0.8 56.7 Produtos têxteis 7 253 806 5.9 26.5 Coque e produtos petrolíferos refinados 670 273 0.6 391.9 Máquinas e equipamentos, n.e. 5 085 128 4.1 -2.9 Produtos metálicos transformados, excepto máquinas e equipamento Fonte: INE. mobiliário; obras de espartaria e de cestaria Produtos metálicos transformados, excepto máquinas e equipamento Fonte: INE. *No caso destes produtos, não se calcula TCMA por não se terem realizado importações em 2012 e/ou 2013. Peso da África do Sul nas Importações de Portugal Importações de Portugal deste país (milhares €) Importações totais de Portugal (milhares €) Peso das importações do país (%) Fonte: INE. Peso da África do Sul nas Exportações de Portugal 2014 2013 2012 121 340 109 363 77 181 58 745 990 56 920 840 56 165 860 0.21 0.19 0.14 Exportações de Portugal para o país (milhares €) Exportações totais de Portugal (milhares €) Peso das exportações para o país (%) 2014 2013 2012 122 704 160 894 101 756 48 180 640 47 366 590 45 296 370 0.25 0.34 0.22 Fonte: INE. 3 MONTEPIO l Departamento de Estudos // fevereiro 2015 ÁFRICA DO SUL Conjuntura Aceleração do PIB em 2015 África do Sul previsões económicas do Departamento de Estudos do Montepio 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 PIB 5.4 3.2 -1.5 3.1 3.2 2.2 2.2 1.4 2.3 2.7 2.7 2.7 2.8 Inflação 7.1 11.0 7.2 4.3 5.0 5.7 5.8 6.1 5.0 5.5 5.3 5.3 5.3 Taxa de Desemprego 23.2 22.9 23.9 24.9 24.9 25.0 24.7 25.0 25.0 24.8 24.6 24.5 24.4 Balança Corrente (% PIB) -7.2 -6.0 -3.6 -1.5 -3.6 -5.5 -5.3 -5.5 -4.5 -4.9 -4.6 -4.3 -4.1 Saldo Orçamental (% PIB) 0.7 -0.5 -6.0 -5.3 -4.2 -5.2 -4.9 -4.0 -3.7 -3.0 -3.0 -3.0 -2.9 Notas: Os dados históricos do Saldo Orçamental seguem a metodologia da Bloomberg . POLÍTICA INTERNA O Congresso Nacional Africano (ANC) continuará a ser a força política dominante durante o período de previsão. Jacob Zuma vai governar um 2º (e último) mandato de 5 anos como Presidente, apesar do seu mandato poder ser interrompido se as acusações de corrupção contra ele, que surgiram aquando das controversas eleições de 2009, forem retomadas. O Governo vai continuar a representar um equilíbrio de diversas fações do ANC e não haverá grandes mudanças na política, que continuarão a apresentar uma mistura de elementos favoráveis e desfavoráveis. A percentagem de votos no ANC caiu nas eleições gerais de mai-14, mas foi suficiente forte para limitar o risco de um desvio para medidas mais radicais e populistas (como a nacionalização generalizada). O próximo teste eleitoral serão as eleições municipais de 2016, que irão mostrar se o ANC pode travar a constante erosão na sua base de apoio ou se a queda vai continuar. A Aliança Democrática (DA, oposição oficial) irá apresentar-se na esperança de que vai aumentar a percentagem de votos, após os 22.2% em 2014 e ganhar o controlo de outros municípios. O partido dos Combatentes da Liberdade Económica, do radical Julius Malema, que teve 6.4% dos votos em 2014, irá disputar as eleições municipais pela primeira vez. Parece provável que o apoio ANC caia abaixo dos 60% em 2016, embora a principal preocupação do partido seja a possível perda de outra grande área metropolitana para a DA (que já controla a Cidade do Cabo). No entanto, a DA, que é apoiado principalmente por minorias, pode ter dificuldades para fazer incursões significativas, apesar do seu apelo crescente para alguns eleitores negros urbanos. ANC no poder com Jacob Zuma a cumprir 2º mandato POLÍTICA EXTERNA A África do Sul, como a economia mais avançada em África, continuará a desempenhar um papel importante nos assuntos regionais e mundiais. O país permanecerá profundamente envolvido com as questões africanas. Assim, deverá continuar a apoiar as operações de manutenção de paz em zonas de conflito no continente. Ao lado de outros membros da Comunidade de Desenvolvimento da Africa Austral, a África do Sul também vai procurar construir laços mais estreitos entre países do “Sul”, especialmente com a China, Índia e Brasil, bem como com outros blocos comerciais africanos. A África do Sul também vai priorizar a manutenção de relações estreitas com a UE e os EUA. Ganhar um assento africano permanente no Conselho de Segurança da ONU vai continuar a ser um objetivo fundamental. aceleração da economia global, por um fortalecimento do consumo e do investimento, nomeadamente perante preços do petróleo mais baixos. No entanto, vários dos fatores que limitaram o crescimento em 2014, como greves, falta de energia e aumento das taxas de juro, deverão persistir, até certo ponto, em 2015. Espera-se que o crescimento acelere para 2.7% em 2016 e em 2017, suportado por um novo aumento modesto no crescimento mundial, a expansão do ATIVIDADE O crescimento terá abrandado para 1.4% em 2014, ainda que ajudado pelo aumento da atividade no 4ºT2014. As perspetivas para 2015 são ligeiramente mais favoráveis, com o crescimento a acelerar para 2.3%, suportado por uma ligeira 4 MONTEPIO l Departamento de Estudos // fevereiro 2015 comércio regional e a constante melhoria do fornecimento de energia. A atividade empresarial mais forte deverá dar um pequeno impulso para a criação de emprego, apoiando, assim, os gastos das famílias. O aumento dos salários e a expansão da classe média negra deverá reforçar essa tendência, estimulando os gastos de consumo de bens e serviços duradouros, bem como outros serviços, como telecomunicações e serviços bancários. No entanto, os constrangimentos estruturais persistem, incluindo a escassez de competências, a ÁFRICA DO SUL elevada criminalidade, corrupção e ineficientes autarquias municipais e regionais, no quadro de um desemprego que deverá permanecer elevado. No final desta década, esses constrangimentos já serão menores, mas aí a atividade económica poderá ser afetada pela maior incerteza política antes das eleições de 2019. Além disso, a consolidação orçamental e o aumento das taxas de juro, em linha com a esperada tendência global, deverá travar o consumo e os investimentos. O crescimento deverá retomar uma trajetória ascendente em 2019, impulsionado pela realização de importantes projetos de infraestruturas, incluindo novas redes de transporte e centrais elétricas, que irão impulsionar os setores intensivos em energia. O saldo externo negativo vai continuar a pesar sobre o crescimento económico ao longo do período de previsão. Os gastos dos consumidores em termos reais cresceram rapidamente em 2010 (+5.6%) e 2011 (+4.4%), à medida que a economia se recuperava da recessão, mas o crescimento abrandou em 2012 (+2.8%) e 2013 (+2.0%). A desaceleração em 2012/13 ocorreu apesar da persistência de baixas taxas de juro e reflete um elevado nível de endividamento das famílias (como proporção do rendimento disponível), o desemprego em massa, a fraca criação de emprego e a fragilidade da economia global. Os gastos em bens cresceram em 2013 mais do que o consumo total, resistindo à crise melhor do que os gastos em serviços, que cresceram marginalmente. Os gastos dos consumidores permaneceram sob pressão em 2014, condicionados pelo aumento das taxas de juro em jan-14 de 5.00% para 5.50% (o 1º desde 2008) e de um segundo aumento na 2ª metade do ano (de 5.50% para 5.75%), embora este último tenha sido compensado, em parte, pela aceleração no crescimento doméstico e global. Espera-se que os gastos dos consumidores ganhem impulso durante o período de previsão e que cresçam a um ritmo médio de cerca de 4% ao ano no período 2014/19, suportados por uma expansão da classe média negra, a maior disponibilidade de crédito e o crescimento dos salários. serviços auxiliares, e pela adoção de uma abordagem mais firme ao combate às desigualdades socias no âmbito do programa Black Economic Empowerment (BEE), que visa reduzir as fortes desigualdades criadas por décadas de apartheid. Os benefícios da BEE até agora têm estado pouco difundidos, ajudando sobretudo a criar uma nova elite negra (os chamados diamantes negros, que geralmente exibem padrões similares de consumo aos brancos ricos). No entanto, a tendência é para o alargamento do BEE no sentido de uma abordagem mais ampla, incluindo os regimes de participação no capital das empresas por parte dos funcionários. Tal irá facilitar a emergência da classe média negra, bem como impulsionar os segmentos de mercado mais pobres. As famílias de baixo rendimento também serão beneficiadas com um aumento dos pagamentos provenientes da segurança social. O "efeito demonstração" do nível dos padrões de consumo dos novos membros da classe média e o acesso mais fácil ao crédito deverão suportar uma maior expansão dos mercados para bens de retalho mais caros, como aparelhos elétricos. A disseminação de modernos centros comerciais irá reforçar esta tendência. A entrada da norte-americana Walmart no mercado de retalho, por meio da compra de uma participação maioritária na retalhista local, Massmart, em 2011, vai aumentar a concorrência, reduzir os preços e aumentar a escolha para os consumidores. A Massmart está atualmente em 4º lugar no ranking de supermercados, atrás da Shoprite, da Pick n Pay e da Spar, mas é a 3ª maior retalhista global, devido às fortes vendas nos produtos não alimentares (incluindo roupas, móveis e eletrodomésticos), através das suas subsidiárias Game, Makro South Africa e Builders Warehouse. Aceleração do PIB em 2015 OPORTUNIDADES Mercado de consumo em crescimento, mais ainda muito desigual entre as diferentes etnias O mercado de consumo da África do Sul está a meio caminho de uma transformação fundamental em que a maioria da população pobre negra está cada vez mais atraída para o estilo de vida da sociedade de consumo, aumentando a procura de bens e serviços numa gama alargada de setores. A velocidade da mudança será determinada pelo desempenho tanto da economia global, como da economia local, bem como da eficácia das políticas governamentais de combate à pobreza e ao desemprego. A África do Sul continua a ser uma das sociedades mais desiguais do mundo e muitas dessas divisões são baseadas na raça (um legado do apartheid). As diferenças baseadas na raça entre os grupos de rendimento mais baixo e mais elevados continuarão a ser significativas, mas deverão diminuir ao longo do tempo. As receitas e as despesas relativas ao ano fiscal 2010/11 (abrilmarço) mostraram que os gastos das famílias negras (76.6% do total) tinham aumentado em 35% em termos reais desde o anterior relatório, em 2005/06, correspondendo a 55 920 rands (7 700 dólares), superando o aumento de 21.8% (para 97 965 rands) para as famílias interraciais e o aumento de 16.1% (para 314 524 rands) para as famílias brancas. Isto confirma que os gastos das famílias negras estão a crescer mais rapidamente do que os gastos das famílias brancas, mas a diferença absoluta continua elevada. Gastos dos consumidores em crescimento nos próximos 5 anos Os gastos dos consumidores também serão beneficiados com a rápida expansão da habitação de baixo custo (e eletrificada), que aumentará a procura por bens e 5 MONTEPIO l Departamento de Estudos // fevereiro 2015 ÁFRICA DO SUL INFLAÇÃO Prevemos que a inflação média anual permaneça dentro do intervalo alvo de 3% a 6% definida pelo banco central (South African Reserve) no horizonte 2015/19, suportada por uma política monetária prudente e pelos preços mais baixos do petróleo, sendo que eventuais saídas do intervalo deverão ser temporárias. A inflação média terá sido de 6.1% em 2014, ligeiramente acima da meta, por causa do impacto do rand mais fraco sobre os custos de importação. No entanto, esperamos que o rand se desvalorize mais lentamente no período 2015/19, o que ajudará a conter a inflação, especialmente em combinação com preços mundiais do petróleo mais baixos. Além disso, o esperado aperto gradual da política monetária durante o período de previsão vai limitar o crescimento dos preços. Os ganhos de eficiência resultantes de investimentos em infraestruturas e uma política de concorrência mais rígida terão um impacto similar. No entanto, as pressões inflacionistas virão do aumento das tarifas de energia elétrica, que aumentará 12.7% em abr-15 e, pelo menos, 8% em abr-16. A subida das tarifas no período 2017/19 ainda terá que ser determinada, mas provavelmente será próxima de 10% ao ano. Energia mais cara vai traduzir-se em aumentos de preços da maioria das outras categorias. Os salários reais mais elevados, impulsionados em parte pela reivindicação dos sindicatos, deverá ser outra fonte de pressão sobre os preços. Prevemos que a inflação média anual permaneça dentro do intervalo de 5.0% a 5.5% no horizonte 2015/19. está classificada com investment-grade nas 3 principais agências de rating. O principal desafio a médio prazo é o de superar os constrangimentos estruturais, tais como a escassez de competências e de infraestruturas inadequadas, que impedem a África do Sul de crescer mais rapidamente. O bem trabalhado Plano Nacional de Desenvolvimento e um quadro estratégico de médio prazo (cobrindo 2014/19) fornecem uma plataforma para abordar os problemas estruturais, apesar da oposição de sindicatos e dos seus aliados de esquerda representar uma ameaça para a implementação. A prevista conclusão de grandes projetos de infraestruturas irá impulsionar a atividade empresarial no final da atual década, mas as leis anti concorrência mais rigorosas e tarifas de energia elétrica mais caras trarão novos desafios. disso, o lento crescimento da África do Sul, o elevado défice comercial e as greves decretadas pelos sindicatos continuarão a pesar sobre a moeda. Esperamos que o rand deprecie em 2015 para encenar uma média anual de 11.65, devendo continuar a depreciar numa base anual, dadas as restrições que afetam a economia doméstica, o défice da balança corrente e a dependência da volátil carteira de investimento estrangeiro para colmatar esse défice, que continuará a representar uma ameaça significativa para a estabilidade da moeda. Assim, espera-se que o rand caia para uma média de 12.5 ZAR/USD em 2019, sendo que os choques exógenos ou mudanças políticas indesejáveis poderão levar a um declínio mais rápido. Depreciação do rand e subidas das tarifas elétricas como fontes de pressões inflacionistas POLÍTICA ORÇAMENTAL Finanças públicas permanecem estáveis A principal tarefa para os responsáveis políticos será a fomentação do crescimento, evitando desequilíbrios macroeconómicos. As autoridades vão empregar um estímulo fiscal e direcionar incentivos para determinados setores para aumentar o nível de atividade e o emprego, mas também terá que haver controlo sob os gastos para proteger a qualidade creditícia da África do Sul, que O défice orçamental registou uma média de 3.6% do PIB no período 2007/13, devendo situar-se numa média de 3.2% no período de 2014/20. POLÍTICA CAMBIAL O rand depreciou em janeiro pelo 6º mês consecutivo, para uma média mensal de 11.56 ZAR/USD, após uma média anual de 10.85 ZAR/USD em 2014, quando depreciou 12.6% face a 2013 e para mínimos históricos face ao dólar. A fraqueza do rand continua a refletir uma combinação de fatores globais e locais, incluindo um dólar mais forte, a retração contínua da flexibilização monetária nos EUA (e a expectativa de subida de taxas em 2015 por parte da Reserva Federal americana) e os preços dos minerais mais baixos. Além Rand caiu em 2014 para mínimos históricos face ao dólar 6 MONTEPIO l Departamento de Estudos // fevereiro 2015 ÁFRICA DO SUL POLÍTICA MONETÁRIA Embora a inflação geral possa cair drasticamente no curto prazo devido aos preços do petróleo e dos alimentos, a inflação subjacente deve continuar bem acima e a puxar a inflação de longo prazo para a parte superior da meta de inflação do banco central. O novo Governador do banco central (SARB), Lesetja Kganyago, deixou claro na sua primeira declaração (com ênfase) que "as taxas terão de ser normalizadas". Essa postura reforça as expectativas de que o Comité de Política Monetária concluiu a 1ª parte do ciclo de aperto monetário (relacionada com ajuste à dinâmica de crescimento económico/inflação) e agora está a perspetivar encetar a 2ª parte deste ciclo (a normalização da taxa de juro real). A nossa perspetiva central é que este ciclo visará colocar as taxas reais em 1.50%, o que, com uma inflação mais baixa em perspetiva, sugere que as taxas nominais se encontrem em 6.50% no final de 2015. A 1ª subida (de 25 p.b.) poderá ocorrer ainda no 1º semestre deste ano. O SARB continua preocupado com a vulnerabilidade da moeda da África Sul, a elevada inflação core e as saídas de capitais de curto prazo. Banco Central procura normalizar a taxa de juro real CONTAS EXTERNAS Apontamos para um défice da balança corrente em 2014 de 5.5% do PIB, sendo que os dados para os 3 primeiros trimestres mostraram tanto um aumento do défice em bens, como nas demais componentes. Para 2015, espera-se que o défice da balança corrente caia para 4.5% do PIB, impulsionado pela aceleração do crescimento global e pela fraqueza do rand, o que irá aumentar a procura pelas exportações do país. Além disso, a queda nos preços mundiais do petróleo e o crescimento bastante moderado na economia local vai ajudar a conter as importações. No entanto, o crescimento das exportações permanecerá em risco devido às greves, especialmente nas minas, que respondem por mais de 50% das receitas de exportação. Prevemos que quer as exportações, quer as importações, cresçam a um ritmo moderado em 2016/18. Os bens de equipamentos para os projetos de infraestruturas irão suportar o aumento das importações, embora as consequentes melhorias no abastecimento de capacidade logística e de energia devam facilitar as exportações. Este facto, associado ao crescimento nos fluxos de turismo, deverão mais do que compensar a subida dos pagamentos de rendimentos para os investidores estrangeiros. Assim, esperamos que o défice da balança corrente caia gradualmente durante o período de previsão, de 4.5% do PIB em 2015 para 4.1% do PIB em 2019. embora a taxa de incidência (de novas infeções) tenha caído para 0.9%, bem abaixo do pico de 1.3% em 2005. sobre HIV/SIDA (UNAIDS). Tal foi possível graças a um forte aumento nos gastos de aproximadamente 1.9 mil milhões de dólares em 2011, um aumento de 5 vezes desde 2006 e o maior investimento realizado por qualquer país de baixo-médio rendimento. Défice da balança corrente deverá reduzirse POPULACÃO População continua a crescer, não obstante a elevada incidência do HIV/SIDA Segundo o FMI, a população da África do Sul deverá crescer a uma taxa de 1.4% ao ano no período 2014/19, um valor que poderá ser excessivo já que poderá não incorporar completamente o impacto da pandemia do vírus HIV/SIDA. O FMI estima que a população passe dos 53.7 milhões estimados para 2014 para 57.4 milhões em 2019. De acordo com as últimas estimativas oficiais para 2013, 5.3 milhões de pessoas eram portadoras do vírus HIV/SIDA, mais do que em qualquer outro país, o que equivale a 10% da população. A taxa de prevalência entre os jovens de 15-49 anos subiu em 2013 para um novo recorde de 15.9%, Além disso, o número de mortes atribuíveis à SIDA caiu para um mínimo plurianual de 178 373 em 2013 (31.9% do total de óbitos), a partir de um nível máximo de 344 657 em 2005 (47.7% dos óbitos), em resultado da expansão de programas de tratamento. Em grande medida esta melhoria reflete uma mudança significativa na política da abordagem tomada pelo anterior Presidente, Thabo Mbeki, que rejeitava a ligação entre o HIV/SIDA e a eficácia dos medicamentos antiretrovirais (ARV), seguida pela postura mais pró-ativa adotada pelo atual Presidente, Jacob Zuma, desde que foi eleito em 2009. Como consequência, o número de pessoas que recebem terapia ARV subiu de 100 mil em 2005 para 2.2 milhões em 2012 (equivalente a 83% dos necessitados), de acordo com o relatório de tratamento do Programa Conjunto das Nações Unidas No entanto, apesar do sucesso das campanhas de prevenção e de tratamento, incluindo aqueles operados por grandes empresas do setor privado, a SIDA continuará a ser uma fonte significativa de mortalidade na África do Sul no médio prazo. A doença vai continuar a impor um custo elevado para as famílias, empresas e Estado. A perda de trabalhadores qualificados, seja por morte ou absentismo prolongado, é particularmente prejudicial num país com ainda tantas necessidades de qualificação. Tal exigirá que as organizações adotem estratégias de combate, como um aumento das despesas em formação. O Governo também precisa de reabilitar, de um modo geral, o sistema 7 MONTEPIO l Departamento de Estudos // fevereiro 2015 de saúde público, que tem sofrido com anos de má gestão e falta de investimento. Isto deu origem a um setor privado de saúde grande e em crescimento para aqueles que têm capacidade de o pagar. Expectativa de vida permanecerá relativamente baixa A esperança média de vida à nascença foi estimada em 49.3 anos em 2013, o que é muito baixo em comparação com outros países de rendimento per capita médio/elevado e muito menor do que era há 20 anos atrás, antes da pandemia da SIDA. A expectativa de vida aumentará ligeiramente durante o período de previsão, à medida que os tratamentos da SIDA melhoram, para uma média de 57 anos no período 2014/19. O perfil etário do país é fortemente enviesado no sentido de crianças e adultos jovens, e essa estrutura vai permanecer nos próximos anos. De acordo com estimativas oficiais, em meados de 2013, 57.4% da população da África do Sul tinha menos de 30 anos e 29.2% menos de 15 anos. Os perfis médios de esperança de vida e de idade são marcadamente diferentes de acordo com o grupo populacional. A população de raça negra, correspondendo a 79.8% do total em meados de 2013, é mais jovem que a média nacional, ao passo que a população de raça branca (8.7% do total) tem, de um modo geral, um maior nível de educação e de riqueza e um perfil de idade mais alinhado com as médias da OCDE. Os outros grupos populacionais principais são pessoas mestiças, com 9% do total, e o grupo indiano/asiático, com 2.5%. Rápida urbanização afetará os serviços sociais A África do Sul tem experimentado uma urbanização em grande escala (estima-se que 63.2% da população vivia nos centros urbanos em 2013), principalmente nas principais áreas metropolitanas de ÁFRICA DO SUL Gauteng, a saber, Pretória e Joanesburgo, e as duas cidades costeiras: Cidade do Cabo e Durban. A urbanização continuará durante o período de previsão, elevando a proporção da população que vive em cidades (e respetivos bairros ilegais) para 66% em 2019. A urbanização deverá impulsionar o potencial de mercado, mas também constitui um desafio para os políticos, especialmente se se referir à melhoria da prestação dos serviços públicos a nível municipal, onde a capacidade é tipicamente mais fraca. As dificuldades são refletidas no rápido crescimento das casas ilegais que surgiram fora das cidades e vilas em todo o país, alimentados por movimentos de população das províncias mais pobres (como o Limpopo e North West) para os mais ricos, e dos países vizinhos (especialmente o Zimbabwe). Gauteng é a província mais populosa (com 24% do total em 2013), seguido de KwaZulu-Natal (19.7%), Cabo Oriental (12.5%), Western Cape (11.4%) e Limpopo (10.4%). PERSPETIVAS DE MÉDIO PRAZO A recuperação da África do Sul a partir da recessão de 2013 começou a abrandar, com o crescimento a situar-se apenas 2.2% em 2013, em resultado de vários fatores, incluindo greves generalizadas, escassez de eletricidade, elevada taxa de desemprego, desaceleração nos gastos dos consumidores e as incertezas globais. O crescimento terá ainda desacelerado novamente em 2014, para 1.4%, no quadro de uma economia global que terá grosso modo mantido o crescimento condicionada por taxas de juro mais elevadas e pela consolidação orçamental, que também terá pesado no crescimento do PIB. As perspetivas para 2015 e até 2017 são mais favoráveis, suportadas por uma melhoria no fornecimento de eletricidade, pela recuperação da confiança dos consumidores e pelo aumento do investimento, tanto por parte do Estado, como por parte do setor privado. A inflação tem-se mantido moderada e é improvável que ultrapasse os 6%, o limite superior da meta do banco central, de forma sustentada, apesar de algumas violações temporárias. No entanto, os constrangimentos estruturais persistirão no médio prazo, incluindo as deficiências ao nível das infraestruturas, a escassez de competências e a rigidez do mercado de trabalho. As consecutivas ameaças de greve por parte dos sindicatos também deverão permanecer como um importante constrangimento. Dadas as limitações, incluindo o crescimento populacional lento, espera-se um crescimento, em média, de 2.5% ao ano no horizonte 2014/20, o que não será suficiente para fazer uma diferença significativa no desemprego. Pandemia do HIV/SIDA continuará a ter um sério impacto Tendências demográficas: a população da África do Sul vai continuar a crescer a um ritmo lento, condicionada pelo impacto da pandemia do HIV/SIDA, que vai continuar a ter um forte impacto sobre a sociedade. No entanto, a diminuição dos novos casos de doença e o número de mortes atribuíveis à SIDA (em resultado da expansão dos programas de tratamento) irá reduzir o impacto da doença a longo prazo. Apesar de uma redução da SIDA, em teoria, aumentar o crescimento da população, o aumento do rendimento disponível e da urbanização deverão conduzir a uma redução da dimensão das famílias. Assim, o crescimento populacional, que segundo o FMI deverá crescer a uma taxa de 1.4% ao ano no período 2014/19 (um valor que poderá ser excessivo já que poderá não incorporar completamente o impacto da pandemia do vírus HIV/SIDA), deverá abrandar na década seguinte. No entanto, a força de trabalho vai crescer a um ritmo mais rápido durante todo o período, dado que atualmente a população é jovem e devido também à migração do interior dos países vizinhos. Este aumento da população, por sua vez, continuará a exercer pressão sobre a taxa de desemprego. Desempenho de longo prazo continuará a depender dos desenvolvimentos a nível internacional Condições externas: o desempenho da África do Sul, como uma economia relativamente pequena e aberta, que é fortemente dependente das exportações minerais, estará intimamente ligada às tendências mundiais. O país beneficiará da liberalização comercial multilateral sob os auspícios da Organização Mundial do 8 MONTEPIO l Departamento de Estudos // fevereiro 2015 Comércio (OMC), embora o ritmo lento dos progressos a este nível implica que um comércio mais livre deva ser principalmente impulsionado por iniciativas bilaterais e regionais. A Comunidade de Desenvolvimento Africano Austral (SADC) vai implementar progressivamente uma zona de comércio livre, embora as ambições para uma união aduaneira, mercado comum e uma união monetária não possam ser realizadas por causa de divergências económicas e políticas entre os Estados membros. Os planos para um bloco comercial Africano em geral, incluindo a SADC, o Mercado Comum da África Oriental e Austral (COMESA) e a Comunidade do Leste Africano (EAC) deverão realizar alguns progressos, embora possam ainda não ser realizados durante a década de 2021/30. Além disso, o comércio intra-Africano continuará a ser retido por barreiras não-tarifárias e infraestruturas precárias. As negociações entre a SADC e a UE (principal parceiro comercial e de investimento da África do Sul) sobre o novo estilo de acordo de parceria económica foram concluídas em julho de 2014. Ao longo do horizonte de longo prazo, os laços comerciais e de investimento da África do Sul com os Estados não membros da OCDE (especialmente os principais mercados emergentes da China, Índia e Brasil) deverão aprofundar-se, à custa dos laços tradicionais com os parceiros da OCDE. Qualidade das instituições deverá melhorar Tendências institucionais: a qualidade das instituições deverá melhorar, mas as restrições de capacidade deverão persistir, especialmente nos níveis provinciais e municipais. Não existirão grandes mudanças na atual política que se baseia em parceria entre as empresas privadas e o "estado desenvolvimentista", mas a pressão dos setores mais à esquerda para uma maior intervenção irá gerar incerteza e pode constringir o investimento. Os políticos continuarão a enfrentar vários desafios importantes, incluindo a escassez de competências, o elevado desemprego e o espinhoso problema de acelerar a reforma agrária sem danificar o potencial produtivo ou confiança dos investidores. ÁFRICA DO SUL Ganhos de produtividade deverão impulsionar o crescimento no longo prazo Desempenho de longo prazo: depois de um crescimento anual de 2.5% no período 2014/2020, espera-se que o crescimento do PIB duplique para 5.0% ao ano na década de 2021/30, suportado por uma melhoria no fornecimento de energia elétrica, pela contínua expansão da classe média de raça negra, pela integração regional e pela procura global por commodities. Os grandes investimentos em infraestrutura que estão a ser realizados na década atual permitirão sustentar o crescimento, a eficiência, a produtividade e a capacidade de produção na década de 2021/30. A política económica até 2030 deverá ser guiada pelo bem-recebido Plano Nacional de Desenvolvimento, que visa fomentar o emprego e o crescimento, ao mesmo tempo que reduz a pobreza e as desigualdades, atacando os problemas estruturais de longa data. 9 MONTEPIO l Departamento de Estudos // fevereiro 2015 ÁFRICA DO SUL Índice de Liberdade Económica - The Heritage Foundation A África do Sul é a 72ª economia mais livre dos países que compõem o índice em 2015 A pontuação da África do Sul ao nível da liberdade económica é de 62.6 pontos, correspondendo à 72ª economia mais livre dos países que compõem o índice em 2015. Trata-se de um resultado que fica 0.1 pontos acima do observado no ano anterior, refletindo melhorias na liberdade laboral, fiscal, de comércio e face à corrupção, com declínios em 3 áreas, incluindo a liberdade de investimento, de negócios e de gestão dos gastos públicos. A África do Sul encontra-se em 6º lugar entre os 46 países da região África Subsaariana e apresenta uma liberdade económica acima das médias mundial e regional. O enorme mercado interno da África do Sul e as suas enormes reservas de recursos naturais trazem boas perspetivas para a contínua melhoria do país no índice de liberdade económica. Contudo, a recente agitação no mercado laboral e a queda observada no preço das commodities minaram o crescimento e deterioraram a reputação de investimento da economia. São ainda necessárias reformas de natureza estrutural e institucional, uma vez que a corrupção ainda compromete o Estado de Direito. A grande rigidez que se observa no mercado laboral, bem como a ineficiência regulatória, tem perpetuado as elevadas taxas de desemprego e as situações de subemprego. A imposição de barreiras não tarifárias tem impedido maiores ganhos com o comércio internacional. O sistema financeiro do país tem-se desenvolvido de forma significativa devido à desregulação, sendo um modelo para futuras reformas. ENQUADRAMENTO Jacob Zuma, do African National Congress (ANC), foi eleito Presidente pela Assembleia Nacional em mai-09, tendo sido reeleito em mai-14 para mais um mandato de 5 anos. O ANC tem dominado a política sul-africana desde o fim do apartheid, em 1994. A África do Sul é a 2ª maior economia da África Subsaariana (apenas atrás da Nigéria) e um dos maiores produtores e exportadores mundiais de ouro e platina. A indústria extrativa, os serviços, a indústria transformadora e a agricultura rivalizam com as economias desenvolvidas. Todavia, o desemprego no setor formal e a criminalidade são elevados, a pobreza está disseminada, a educação pública é fraca e grande parte da população não tem acesso a infraestruturas ESTADO DE DIREITO Mais de 700 processos controversos de corrupção e fraude prescreveram antes das eleições de 2009 do agora Presidente Zuma. A contratação pública é geralmente tutelada pelo Governo e é pouco transparente, sendo o cumprimento das leis anticorrupção inadequado. Embora a independência judicial e do Ministério Público estejam sobre pressão política, os direitos de propriedade são relativamente bem protegidos e os contratos são geralmente seguros. INTERVENÇÃO DO GOVERNO A taxa máxima de IRS é de 40% e a taxa máxima de IRC de 28%. Outros impostos incluem o IVA e o imposto sobre mais-valias. A carga fiscal global corresponde a 25.8% do PIB e a despesa do Estado a 32.6%. A dívida pública é de cerca de 45% do PIB. e serviços básicos. As greves preconizadas pelos mineiros em 2014 colocaram um impasse na extração de platina. Em jun-14, o Presidente Zuma e o ANC, anunciaram um Plano Nacional de Desenvolvimento, que terá como objetivo estimular o crescimento económico, através de uma estratégia de mercado de longo prazo. EFICÁCIA DA REGULAÇÃO São necessários 5 procedimentos e 19 dias para abrir uma empresa e não há requisitos mínimos de capital. Todavia, obter as licenças necessárias ainda demora em média mais de 1 mês. A regulação laboral não é aplicada eficazmente e o mercado é pouco flexível. Os preços resultam geralmente das forças de mercado, todavia o Estado controla os preços dos combustíveis, do carvão, da parafina e outros produtos básicos. ABERTURA ECONÓMICA A pauta aduaneira média é de 4.2%. Note-se que as aquisições do Governo privilegiam sobretudo as empresas nacionais. Em 2013 o Governo cancelou acordos de investimento bilateral, com a Alemanha, Espanha, entre outros países. Como foi referido anteriormente, o setor financeiro tem tido reformas muito benéficas, com o setor bancário a ser bastante robusto. Os 4 principais bancos representam mais de 80% dos ativos do setor bancário, sendo o mercado de capitias bastante desenvolvido. 10 Departamento de Estudos // fevereiro 2015 MONTEPIO l ÁFRICA DO SUL Indicadores de Risco Country's Score Over Time Rating Heritage Foundation SCORE % 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 Overall Score 63.4 63.8 62.8 62.7 62.7 61.8 62.5 62.6 Property Rights 50.0 50.0 50.0 50.0 50.0 50.0 50.0 50.0 Freedom from Corruption 46.0 51.0 49.0 47.0 45.0 41.0 41.6 42.0 Government spending 76.8 77.6 76.8 77.5 71.9 69.2 69.1 68.2 Fiscal Freedom 69.5 68.9 69.1 69.6 70.7 70.5 68.7 69.5 Business Freedom 71.4 74.6 73.0 72.3 75.8 74.7 74.5 73.0 Labor Freedom 59.1 56.8 59.0 56.7 57.3 55.6 54.4 61.6 Monetary Freedom 77.2 74.3 70.2 71.9 75.0 75.8 75.3 74.9 Trade Freedom 74.2 74.8 76.0 77.2 76.3 76.3 76.1 76.6 Investment Freedom 50.0 50.0 45.0 45.0 45.0 45.0 55.0 50.0 Financial Freedom 60.0 60.0 60.0 60.0 60.0 60.0 60.0 Country Comparisons 60.0 Fonte: The Heritage Foundation. Rating EIU (The Economist Inteligence Unit) SCORE % Country Risk 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2013 2014 45 41 BB BB 34 37 34 47 45 BB BB 40 37 44 39 BB BBB 43 38 38 48 48 BB BB 29 29 30 30 33 29 BBB A 38 40 40 40 43 40 BB BB 42 38 38 38 Sovereign* 37 38 41 39 37 Currency* 38 43 38 38 Economic 45 45 43 Political 30 32 Banking* 35 42 Moody's S&P Fitc h Baa2 BBB- BBB Fonte: EIU. Nota (*): Utilizado na contrução do "Country Risk". 11 Departamento de Estudos // fevereiro 2015 MONTEPIO l ÁFRICA DO SUL Chart Book South Africa - GDP Grow th % South Africa – Per Capita GDP $ 8,000 23 5 7,500 22 4 7,000 3 South Africa – Investment (% GDP) % 6 21 6,500 20 2 6,000 GDP Growth (%) Source: IMF (October 2014) South Africa – Gross National Saving (% GDP) % Per Capita GDP Source: IMF (October 2014) South Africa – Current Account (% GDP) % 12 17.0 -2 10 16.0 2019 2018 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008 South Africa – Inflation Rate % -1 -3 % GDP Source: IMF (October 2014) 17.5 16.5 2007 2004 2019 2018 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008 2007 2006 2005 2004 2019 2018 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008 2007 17 2006 18 4,500 2005 5,000 -2 2004 -1 2006 19 5,500 0 2005 1 8 -4 6 15.5 -5 % GDP Source: IMF (October 2014) South Africa – Unemployment Rate % % GDP Source: IMF (October 2014) South Africa – Public Debt (% GDP) % 2 25.0 55 1 24.5 50 2019 South Africa – Budget Balance (% GDP) % 60 2018 Inflation Rate Source: IMF (October 2014) 25.5 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008 2007 2004 2019 2018 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008 2007 2006 2005 2004 2019 2018 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 0 2008 -8 2007 13.5 2006 2 2005 -7 2004 14.0 2006 4 -6 14.5 2005 15.0 0 -1 24.0 45 23.5 40 23.0 35 22.5 30 -5 22.0 25 -6 South Africa - Population % 56 1.8 5 54 1.7 0 52 1.6 -5 50 1.5 -10 48 1.4 -15 46 1.3 -20 2019 2018 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008 2007 2006 2005 2004 2019 % GDP South Africa - Exports Grow th % 10 2018 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008 2007 2006 2005 -4 Source: IMF (October 2014) 1.9 58 -3 2004 2019 Unemployment Rate Source: IMF (October 2014) 10^6 2018 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008 2007 2006 2005 2004 -2 % GDP Source: IMF (October 2014) South Africa - Imports Grow th % 20 15 10 5 0 -5 Source: IMF (October 2014) Population Growth Rate (%) -15 Source: IMF (October 2014) Exports Growth (%) Source: IMF (October 2014) 2019 2018 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008 2007 2006 2005 2004 2019 2018 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008 2007 2006 2005 -20 2004 2019 2018 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008 2007 2006 2005 2004 -10 Imports Growth (%) 12 MONTEPIO l Departamento de Estudos // fevereiro 2015 ÁFRICA DO SUL DEPARTAMENTO DE ESTUDOS Rui Bernardes Serra – Chief Economist [email protected] José Miguel Moreira – Senior Economist [email protected] Margarida Filipe – Junior Economist [email protected] Artur Patrício – Junior Economist [email protected] APOIO À INTERNACIONALIZAÇÃO DAS EMPRESAS Florbela Cunha – Head of Unit [email protected] Rita Marques – Trade Finance [email protected] Luis Carvalho – Africa Business [email protected] Carla Marques Mendes – International Business Advisor [email protected] Alexandra Neves – International Business Advisor [email protected] Advertência Este documento foi elaborado pelo Departamento de Estudos da Caixa Económica Montepio Geral e é disponibilizado com intuito e para fins exclusivamente informativos. Todos os dados, análises e considerações nele contidas estão simplesmente baseadas no que estimamos ser as melhores informações disponíveis, recolhidas a partir de fontes oficiais e outras consideradas credíveis, não assumindo, todavia, qualquer responsabilidade por erros, omissões ou inexatidões das mesmas. As opiniões e previsões expressas refletem somente a perspetiva e os pontos de vista dos autores na data da sua elaboração, podendo ser livremente modificadas a todo o tempo e sem aviso prévio. Neste contexto, o presente documento não pode, em circunstância alguma, ser entendido como convite ao investimento, seja de que natureza for, nem como proposta ou oferta de negócio de qualquer tipo. Qualquer decisão de investimento deve ser devidamente ponderada, fundamentada na análise crítica, pelo investidor, de toda a informação publicamente disponível sobre os ativos a que respeita, suas características e adequação ao perfil de risco assumido, e devem ter em conta todos os documentos emitidos ao abrigo da regulamentação das entidades de supervisão, nomeadamente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. Nem o Montepio, na qualidade de emitente do documento, nem nenhuma entidade sua dominante ou dominada ou qualquer outra integrante do Grupo Montepio em que se insere, pode, consequentemente, ser responsabilizada por eventuais perdas ou prejuízos decorrentes de decisões de investimento que, quem quer que seja, tenha tomado, mesmo que por levar em conta elementos constantes deste documento. Por outro lado, uma vez que este documento não contempla qualquer tipo de informação privilegiada ou reservada, nem constitui nenhum conselho ou convite ao investimento, as empresas do Grupo Montepio mantêm o direito de, nos limites da lei, transacionar ou não, ocasional ou regularmente, qualquer ativo direta ou indiretamente relacionado com o âmbito deste relatório. O relatório pode ser reproduzido, desde que seja citada a fonte. 13