MONTEPIO l
Departamento de Estudos // fevereiro 2015
ÁFRICA DO SUL
ÁFRICA DO SUL
Indicadores sociodemográficos e estruturais
Superficie > 1 219 090Km2
Dens. Populacional> 43 Hab/Km2
Reservas Externas> 41.20210^9 $
1
MONTEPIO l
Departamento de Estudos // fevereiro 2015
ÁFRICA DO SUL
África Do Sul/previsões económicas
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
PIB
5.5
3.6
-1.5
3.1
3.6
2.5
1.9
1.4
2.3
2.8
2.7
2.7
2.7
PIB Nominal
14.1
11.9
6.7
11.0
9.7
7.0
7.8
7.8
8.2
8.6
8.2
8.2
8.3
Deflator do PIB
8.1
8.0
8.4
7.7
5.9
4.5
5.8
6.3
5.8
5.6
5.4
5.4
5.4
Inflaç ão (IPC)
7.1
11.5
7.1
4.3
5.0
5.7
5.8
6.3
5.8
5.5
5.3
5.3
5.3
Investimento (% PIB)
21.2
22.7
19.5
19.1
19.1
19.4
19.4
19.4
19.5
19.8
19.9
20.0
20.1
Poupanç a Nac ional Bruta (% PIB)
14.3
15.5
15.5
17.1
16.8
14.2
13.5
13.6
13.9
14.4
14.8
15.2
15.5
Dívida Públic a (% PIB)
28.3
27.2
31.6
35.3
38.8
42.1
45.2
47.9
50.8
53.7
55.8
57.5
59.0
Saldo Orç amental (% PIB)
1.3
-0.5
-4.9
-4.9
-4.0
-4.3
-4.4
-4.9
-5.1
-5.0
-5.0
-5.0
-4.9
Balanç a Corrente (10^9 $)
-19.9
-19.6
-11.5
-7.2
-9.4
-20.0
-20.4
-19.6
-19.9
-19.9
-20.0
-19.6
-19.8
Unidade: taxa de crescimento %
Balanç a Corrente (% PIB)
-7.0
-7.2
-4.0
-2.0
-2.3
-5.2
-5.8
-5.7
-5.6
-5.4
-5.2
-4.8
-4.6
Populaç ão (10^6)
48.9
49.6
50.2
50.9
51.6
52.3
53.0
53.7
54.4
55.2
55.9
56.7
57.4
Populaç ão 15-64 anos (% total)
65.0
65.0
65.1
65.1
65.1
65.0
65.0
-
-
-
-
-
-
Taxa de Desemprego
23.0
22.5
23.7
24.9
24.8
24.9
24.7
25.2
25.0
24.8
24.6
24.5
24.4
PIB PPP (10^9 $)
530.8
560.9
556.5
581.0
614.3
640.8
662.6
683.1
711.8
745.5
781.3
819.3
858.9
PIB per c apita PPP $
10 854
11 317
11 081
11 415
11 910
12 258
12 507
12 722
13 078
13 515
13 975
14 460
14 955
PIB per c apita $
5 843
5 517
5 683
7 175
7 839
7 314
6 621
6 354
6 477
6 695
6 934
7 176
7 432
Exportaç ões (%)
6.6
1.8
-19.5
9.0
6.8
0.4
4.2
2.6
3.5
4.2
4.0
4.3
4.0
Bens (%)
6.0
2.6
-21.6
6.1
6.8
0.4
4.2
2.6
3.5
4.2
4.0
4.3
4.0
Importaç ões (%)
9.0
1.5
-17.4
11.0
10.0
6.0
4.7
1.8
2.3
3.2
3.2
3.2
3.2
Bens (%)
9.4
2.9
-20.5
8.9
10.0
6.0
4.7
1.8
2.3
3.2
3.2
3.2
3.2
Agric ultura (% PIB)
3.0
3.0
2.9
2.6
2.5
2.5
2.4
-
-
-
-
-
-
Indústria (% PIB)
31.3
32.3
31.0
30.1
29.7
28.4
27.6
-
-
-
-
-
-
Serviç os (% PIB)
65.7
64.7
66.1
67.3
67.8
69.1
70.0
-
-
-
-
-
-
Esperanç a V ida à nasc enç a (anos)
52.0
52.6
53.5
54.4
55.3
56.1
-
-
-
-
-
-
-
Fonte : FMI (World Economic Outlook - outubro de 2014); Banco Mundial (restantes dados históricos sem previsões).
2
MONTEPIO l
Departamento de Estudos // fevereiro 2015
ÁFRICA DO SUL
Principais Exportações de Bens (2013)
Código
Descrição
Valor (mM$) Peso (%)
28
M inérios metálicos e sucata
14.578
15.3
68
M etais não-ferrosos
10.956
11.5
78
Veículos rodoviários (incluindo veículos de sustentação por ar)
8.174
8.6
97
Ouro, não monetários (excluindo minérios de ouro e seus concentrados)
6.813
7.2
67
Ferro e aço
6.213
6.5
Outros produtos
48.491
50.9
Fonte: Nações Unidas.
Principais Importações de Bens (2013)
Código
Descrição
Valor (mM$) Peso (%)
33
Petróleo, produtos petrolíferos e materiais relacionados
21.444
20.7
78
Veículos rodoviários (incluindo veículos de sustentação por ar)
8.793
8.5
93
Transações especiais e commodities não classificados de acordo com o tipo
6.234
6.0
74
M áquinas em geral, equipamentos industriais e peças de máquinas
5.194
5.0
77
M áquinas, aparelhos e equipamentos, e suas componentes elétricas
4.733
4.6
Outros produtos
57.063
55.2
Fonte: Nações Unidas.
Principais Parceiros Comerciais de Importações (2013)
Principais Parceiros Comerciais de Exportações (2013)
País
Valor (mM$)
Peso (%)
País
Valor (mM$)
Peso (%)
China
16.011
15.5
China
12.059
12.7
Alemanha
10.699
10.3
Países não especificados
7.167
7.5
Arábia Saudita
8.027
7.8
EUA
6.895
7.2
EUA
6.566
6.3
Japão
5.570
5.8
Índia
5.377
5.2
Botswana
4.602
4.8
Outros países
56.783
54.9
Outros países
58.931
61.9
Fonte: Nações Unidas.
Fonte: Nações Unidas.
Top 10 das Importações de Portugal da África do Sul (2014)
Tipo de Produto
Produtos da agricultura, da produção animal, da
caça e dos serviços relacionados
Produtos alimentares
Top 10 das Exportações de Portugal para a África do Sul (2014)
Valor (€)
Share
(%)
TCMA12-14
(%)
45 172 285
37.2
17.1
24 599 529
20.3
6.2
Valor (€)
Share
(%)
TCMA12-14
(%)
Produtos alimentares
17 881 597
14.6
135.3
Veículos automóveis, reboques e semi-reboques
16 023 839
13.1
0.2
10 275 467
8.4
2.7
Artigos de borracha e de matérias plásticas
10 060 170
8.2
14.1
Produtos químicos
9 721 140
7.9
-2.8
9 423 941
7.7
4.4
Tipo de Produto
Madeira e cortiça e suas obras, excepto
Produtos químicos
16 812 805
13.9
31.8
Hulha (incluindo antracite) e linhite
14 435 072
11.9
-*
Veículos automóveis, reboques e semi-reboques
10 486 067
8.6
78.2
1 460 419
1.2
72.4
Produtos têxteis
1 095 491
0.9
12.4
Outros produtos minerais não metálicos
8 451 148
6.9
62.7
Outro equipamento de transporte
1 051 800
0.9
678.7
Equipamento eléctrico
7 673 962
6.3
0.6
Metais de base
983 598
0.8
56.7
Produtos têxteis
7 253 806
5.9
26.5
Coque e produtos petrolíferos refinados
670 273
0.6
391.9
Máquinas e equipamentos, n.e.
5 085 128
4.1
-2.9
Produtos metálicos transformados, excepto
máquinas e equipamento
Fonte: INE.
mobiliário; obras de espartaria e de cestaria
Produtos metálicos transformados, excepto
máquinas e equipamento
Fonte: INE.
*No caso destes produtos, não se calcula TCMA por não se terem realizado importações em 2012 e/ou 2013.
Peso da África do Sul nas Importações de Portugal
Importações de Portugal deste país (milhares €)
Importações totais de Portugal (milhares €)
Peso das importações do país (%)
Fonte: INE.
Peso da África do Sul nas Exportações de Portugal
2014
2013
2012
121 340
109 363
77 181
58 745 990
56 920 840
56 165 860
0.21
0.19
0.14
Exportações de Portugal para o país (milhares €)
Exportações totais de Portugal (milhares €)
Peso das exportações para o país (%)
2014
2013
2012
122 704
160 894
101 756
48 180 640
47 366 590
45 296 370
0.25
0.34
0.22
Fonte: INE.
3
MONTEPIO l
Departamento de Estudos // fevereiro 2015
ÁFRICA DO SUL
Conjuntura
Aceleração do PIB em 2015
África do Sul previsões económicas do Departamento de Estudos do Montepio
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
PIB
5.4
3.2
-1.5
3.1
3.2
2.2
2.2
1.4
2.3
2.7
2.7
2.7
2.8
Inflação
7.1
11.0
7.2
4.3
5.0
5.7
5.8
6.1
5.0
5.5
5.3
5.3
5.3
Taxa de Desemprego
23.2
22.9
23.9
24.9
24.9
25.0
24.7
25.0
25.0
24.8
24.6
24.5
24.4
Balança Corrente (% PIB)
-7.2
-6.0
-3.6
-1.5
-3.6
-5.5
-5.3
-5.5
-4.5
-4.9
-4.6
-4.3
-4.1
Saldo Orçamental (% PIB)
0.7
-0.5
-6.0
-5.3
-4.2
-5.2
-4.9
-4.0
-3.7
-3.0
-3.0
-3.0
-2.9
Notas: Os dados históricos do Saldo Orçamental seguem a metodologia da Bloomberg .
POLÍTICA INTERNA
O Congresso Nacional Africano (ANC)
continuará a ser a força política dominante
durante o período de previsão. Jacob Zuma
vai governar um 2º (e último) mandato de 5
anos como Presidente, apesar do seu
mandato poder ser interrompido se as
acusações de corrupção contra ele, que
surgiram aquando das controversas eleições
de 2009, forem retomadas. O Governo vai
continuar a representar um equilíbrio de
diversas fações do ANC e não haverá
grandes mudanças na política, que
continuarão a apresentar uma mistura de
elementos favoráveis e desfavoráveis. A
percentagem de votos no ANC caiu nas
eleições gerais de mai-14, mas foi
suficiente forte para limitar o risco de um
desvio para medidas mais radicais e
populistas (como a nacionalização
generalizada).
O próximo teste eleitoral serão as eleições
municipais de 2016, que irão mostrar se o
ANC pode travar a constante erosão na sua
base de apoio ou se a queda vai continuar.
A Aliança Democrática (DA, oposição
oficial) irá apresentar-se na esperança de
que vai aumentar a percentagem de votos,
após os 22.2% em 2014 e ganhar o controlo
de outros municípios. O partido dos
Combatentes da Liberdade Económica, do
radical Julius Malema, que teve 6.4% dos
votos em 2014, irá disputar as eleições
municipais pela primeira vez. Parece
provável que o apoio ANC caia abaixo dos
60% em 2016, embora a principal
preocupação do partido seja a possível
perda de outra grande área metropolitana
para a DA (que já controla a Cidade do
Cabo). No entanto, a DA, que é apoiado
principalmente por minorias, pode ter
dificuldades para fazer incursões
significativas, apesar do seu apelo
crescente para alguns eleitores negros
urbanos.
ANC no poder com
Jacob Zuma a cumprir 2º
mandato
POLÍTICA EXTERNA
A África do Sul, como a economia mais
avançada em África, continuará a
desempenhar um papel importante nos
assuntos regionais e mundiais. O país
permanecerá profundamente envolvido
com as questões africanas. Assim, deverá
continuar a apoiar as operações de
manutenção de paz em zonas de conflito
no continente. Ao lado de outros membros
da Comunidade de Desenvolvimento da
Africa Austral, a África do Sul também vai
procurar construir laços mais estreitos
entre países do “Sul”, especialmente com
a China, Índia e Brasil, bem como com
outros blocos comerciais africanos. A África
do Sul também vai priorizar a manutenção
de relações estreitas com a UE e os EUA.
Ganhar um assento africano permanente no
Conselho de Segurança da ONU vai
continuar a ser um objetivo fundamental.
aceleração da economia global, por um
fortalecimento do consumo e do
investimento, nomeadamente perante
preços do petróleo mais baixos. No
entanto, vários dos fatores que limitaram o
crescimento em 2014, como greves, falta
de energia e aumento das taxas de juro,
deverão persistir, até certo ponto, em
2015. Espera-se que o crescimento acelere
para 2.7% em 2016 e em 2017, suportado
por um novo aumento modesto no
crescimento mundial, a expansão do
ATIVIDADE
O crescimento terá abrandado para 1.4%
em 2014, ainda que ajudado pelo aumento
da atividade no 4ºT2014. As perspetivas
para 2015 são ligeiramente mais
favoráveis, com o crescimento a acelerar
para 2.3%, suportado por uma ligeira
4
MONTEPIO l
Departamento de Estudos // fevereiro 2015
comércio regional e a constante melhoria
do fornecimento de energia. A atividade
empresarial mais forte deverá dar um
pequeno impulso para a criação de
emprego, apoiando, assim, os gastos das
famílias. O aumento dos salários e a
expansão da classe média negra deverá
reforçar essa tendência, estimulando os
gastos de consumo de bens e serviços
duradouros, bem como outros serviços,
como telecomunicações e serviços
bancários. No entanto, os
constrangimentos estruturais persistem,
incluindo a escassez de competências, a
ÁFRICA DO SUL
elevada criminalidade, corrupção e
ineficientes autarquias municipais e
regionais, no quadro de um desemprego
que deverá permanecer elevado. No final
desta década, esses constrangimentos já
serão menores, mas aí a atividade
económica poderá ser afetada pela maior
incerteza política antes das eleições de
2019. Além disso, a consolidação
orçamental e o aumento das taxas de juro,
em linha com a esperada tendência global,
deverá travar o consumo e os
investimentos. O crescimento deverá
retomar uma trajetória ascendente em
2019, impulsionado pela realização de
importantes projetos de infraestruturas,
incluindo novas redes de transporte e
centrais elétricas, que irão impulsionar os
setores intensivos em energia. O saldo
externo negativo vai continuar a pesar
sobre o crescimento económico ao longo do
período de previsão.
Os gastos dos consumidores em termos
reais cresceram rapidamente em 2010
(+5.6%) e 2011 (+4.4%), à medida que a
economia se recuperava da recessão, mas o
crescimento abrandou em 2012 (+2.8%) e
2013 (+2.0%). A desaceleração em 2012/13
ocorreu apesar da persistência de baixas
taxas de juro e reflete um elevado nível de
endividamento das famílias (como
proporção do rendimento disponível), o
desemprego em massa, a fraca criação de
emprego e a fragilidade da economia
global. Os gastos em bens cresceram em
2013 mais do que o consumo total,
resistindo à crise melhor do que os gastos
em serviços, que cresceram
marginalmente. Os gastos dos
consumidores permaneceram sob pressão
em 2014, condicionados pelo aumento das
taxas de juro em jan-14 de 5.00% para
5.50% (o 1º desde 2008) e de um segundo
aumento na 2ª metade do ano (de 5.50%
para 5.75%), embora este último tenha sido
compensado, em parte, pela aceleração no
crescimento doméstico e global. Espera-se
que os gastos dos consumidores ganhem
impulso durante o período de previsão e
que cresçam a um ritmo médio de cerca de
4% ao ano no período 2014/19, suportados
por uma expansão da classe média negra, a
maior disponibilidade de crédito e o
crescimento dos salários.
serviços auxiliares, e pela adoção de uma
abordagem mais firme ao combate às
desigualdades socias no âmbito do
programa Black Economic Empowerment
(BEE), que visa reduzir as fortes
desigualdades criadas por décadas de
apartheid. Os benefícios da BEE até agora
têm estado pouco difundidos, ajudando
sobretudo a criar uma nova elite negra (os
chamados diamantes negros, que
geralmente exibem padrões similares de
consumo aos brancos ricos). No entanto, a
tendência é para o alargamento do BEE no
sentido de uma abordagem mais ampla,
incluindo os regimes de participação no
capital das empresas por parte dos
funcionários. Tal irá facilitar a emergência
da classe média negra, bem como
impulsionar os segmentos de mercado mais
pobres. As famílias de baixo rendimento
também serão beneficiadas com um
aumento dos pagamentos provenientes da
segurança social. O "efeito demonstração"
do nível dos padrões de consumo dos novos
membros da classe média e o acesso mais
fácil ao crédito deverão suportar uma
maior expansão dos mercados para bens de
retalho mais caros, como aparelhos
elétricos. A disseminação de modernos
centros comerciais irá reforçar esta
tendência. A entrada da norte-americana
Walmart no mercado de retalho, por meio
da compra de uma participação maioritária
na retalhista local, Massmart, em 2011, vai
aumentar a concorrência, reduzir os preços
e aumentar a escolha para os
consumidores. A Massmart está atualmente
em 4º lugar no ranking de supermercados,
atrás da Shoprite, da Pick n Pay e da Spar,
mas é a 3ª maior retalhista global, devido
às fortes vendas nos produtos não
alimentares (incluindo roupas, móveis e
eletrodomésticos), através das suas
subsidiárias Game, Makro South Africa e
Builders Warehouse.
Aceleração do PIB
em 2015
OPORTUNIDADES
Mercado de
consumo em
crescimento, mais ainda
muito desigual entre as
diferentes etnias
O mercado de consumo da África do Sul
está a meio caminho de uma transformação
fundamental em que a maioria da
população pobre negra está cada vez mais
atraída para o estilo de vida da sociedade
de consumo, aumentando a procura de
bens e serviços numa gama alargada de
setores. A velocidade da mudança será
determinada pelo desempenho tanto da
economia global, como da economia local,
bem como da eficácia das políticas
governamentais de combate à pobreza e ao
desemprego. A África do Sul continua a ser
uma das sociedades mais desiguais do
mundo e muitas dessas divisões são
baseadas na raça (um legado do
apartheid). As diferenças baseadas na raça
entre os grupos de rendimento mais baixo
e mais elevados continuarão a ser
significativas, mas deverão diminuir ao
longo do tempo. As receitas e as despesas
relativas ao ano fiscal 2010/11 (abrilmarço) mostraram que os gastos das
famílias negras (76.6% do total) tinham
aumentado em 35% em termos reais desde
o anterior relatório, em 2005/06,
correspondendo a 55 920 rands (7 700
dólares), superando o aumento de 21.8%
(para 97 965 rands) para as famílias interraciais e o aumento de 16.1% (para 314 524
rands) para as famílias brancas. Isto
confirma que os gastos das famílias negras
estão a crescer mais rapidamente do que
os gastos das famílias brancas, mas a
diferença absoluta continua elevada.
Gastos dos
consumidores em
crescimento nos
próximos 5 anos
Os gastos dos consumidores também serão
beneficiados com a rápida expansão da
habitação de baixo custo (e eletrificada),
que aumentará a procura por bens e
5
MONTEPIO l
Departamento de Estudos // fevereiro 2015
ÁFRICA DO SUL
INFLAÇÃO
Prevemos que a inflação média anual
permaneça dentro do intervalo alvo de 3%
a 6% definida pelo banco central (South
African Reserve) no horizonte 2015/19,
suportada por uma política monetária
prudente e pelos preços mais baixos do
petróleo, sendo que eventuais saídas do
intervalo deverão ser temporárias. A
inflação média terá sido de 6.1% em 2014,
ligeiramente acima da meta, por causa do
impacto do rand mais fraco sobre os custos
de importação. No entanto, esperamos que
o rand se desvalorize mais lentamente no
período 2015/19, o que ajudará a conter a
inflação, especialmente em combinação
com preços mundiais do petróleo mais
baixos. Além disso, o esperado aperto
gradual da política monetária durante o
período de previsão vai limitar o
crescimento dos preços. Os ganhos de
eficiência resultantes de investimentos em
infraestruturas e uma política de
concorrência mais rígida terão um impacto
similar. No entanto, as pressões
inflacionistas virão do aumento das tarifas
de energia elétrica, que aumentará 12.7%
em abr-15 e, pelo menos, 8% em abr-16. A
subida das tarifas no período 2017/19 ainda
terá que ser determinada, mas
provavelmente será próxima de 10% ao
ano. Energia mais cara vai traduzir-se em
aumentos de preços da maioria das outras
categorias. Os salários reais mais elevados,
impulsionados em parte pela reivindicação
dos sindicatos, deverá ser outra fonte de
pressão sobre os preços. Prevemos que a
inflação média anual permaneça dentro do
intervalo de 5.0% a 5.5% no horizonte
2015/19.
está classificada com investment-grade nas
3 principais agências de rating. O principal
desafio a médio prazo é o de superar os
constrangimentos estruturais, tais como a
escassez de competências e de
infraestruturas inadequadas, que impedem
a África do Sul de crescer mais
rapidamente. O bem trabalhado Plano
Nacional de Desenvolvimento e um quadro
estratégico de médio prazo (cobrindo
2014/19) fornecem uma plataforma para
abordar os problemas estruturais, apesar
da oposição de sindicatos e dos seus
aliados de esquerda representar uma
ameaça para a implementação. A prevista
conclusão de grandes projetos de
infraestruturas irá impulsionar a atividade
empresarial no final da atual década, mas
as leis anti concorrência mais rigorosas e
tarifas de energia elétrica mais caras
trarão novos desafios.
disso, o lento crescimento da África do Sul,
o elevado défice comercial e as greves
decretadas pelos sindicatos continuarão a
pesar sobre a moeda. Esperamos que o
rand deprecie em 2015 para encenar uma
média anual de 11.65, devendo continuar a
depreciar numa base anual, dadas as
restrições que afetam a economia
doméstica, o défice da balança corrente e
a dependência da volátil carteira de
investimento estrangeiro para colmatar
esse défice, que continuará a representar
uma ameaça significativa para a
estabilidade da moeda. Assim, espera-se
que o rand caia para uma média de 12.5
ZAR/USD em 2019, sendo que os choques
exógenos ou mudanças políticas
indesejáveis poderão levar a um declínio
mais rápido.
Depreciação do
rand e subidas das tarifas
elétricas como fontes de
pressões inflacionistas
POLÍTICA ORÇAMENTAL
Finanças públicas
permanecem estáveis
A principal tarefa para os responsáveis
políticos será a fomentação do
crescimento, evitando desequilíbrios
macroeconómicos. As autoridades vão
empregar um estímulo fiscal e direcionar
incentivos para determinados setores para
aumentar o nível de atividade e o
emprego, mas também terá que haver
controlo sob os gastos para proteger a
qualidade creditícia da África do Sul, que
O défice orçamental registou uma média
de 3.6% do PIB no período 2007/13,
devendo situar-se numa média de 3.2% no
período de 2014/20.
POLÍTICA CAMBIAL
O rand depreciou em janeiro pelo 6º mês
consecutivo, para uma média mensal de
11.56 ZAR/USD, após uma média anual de
10.85 ZAR/USD em 2014, quando depreciou
12.6% face a 2013 e para mínimos
históricos face ao dólar. A fraqueza do
rand continua a refletir uma combinação
de fatores globais e locais, incluindo um
dólar mais forte, a retração contínua da
flexibilização monetária nos EUA (e a
expectativa de subida de taxas em 2015
por parte da Reserva Federal americana) e
os preços dos minerais mais baixos. Além
Rand caiu em 2014
para mínimos históricos
face ao dólar
6
MONTEPIO l
Departamento de Estudos // fevereiro 2015
ÁFRICA DO SUL
POLÍTICA MONETÁRIA
Embora a inflação geral possa cair
drasticamente no curto prazo devido aos
preços do petróleo e dos alimentos, a
inflação subjacente deve continuar bem
acima e a puxar a inflação de longo prazo
para a parte superior da meta de inflação
do banco central. O novo Governador do
banco central (SARB), Lesetja Kganyago,
deixou claro na sua primeira declaração
(com ênfase) que "as taxas terão de ser
normalizadas". Essa postura reforça as
expectativas de que o Comité de Política
Monetária concluiu a 1ª parte do ciclo de
aperto monetário (relacionada com ajuste
à dinâmica de crescimento
económico/inflação) e agora está a
perspetivar encetar a 2ª parte deste ciclo
(a normalização da taxa de juro real).
A nossa perspetiva central é que este ciclo
visará colocar as taxas reais em 1.50%, o
que, com uma inflação mais baixa em
perspetiva, sugere que as taxas nominais se
encontrem em 6.50% no final de 2015. A 1ª
subida (de 25 p.b.) poderá ocorrer ainda no
1º semestre deste ano. O SARB continua
preocupado com a vulnerabilidade da
moeda da África Sul, a elevada inflação
core e as saídas de capitais de curto prazo.
Banco Central
procura normalizar a
taxa de juro real
CONTAS EXTERNAS
Apontamos para um défice da balança
corrente em 2014 de 5.5% do PIB, sendo
que os dados para os 3 primeiros trimestres
mostraram tanto um aumento do défice em
bens, como nas demais componentes. Para
2015, espera-se que o défice da balança
corrente caia para 4.5% do PIB,
impulsionado pela aceleração do
crescimento global e pela fraqueza do
rand, o que irá aumentar a procura pelas
exportações do país. Além disso, a queda
nos preços mundiais do petróleo e o
crescimento bastante moderado na
economia local vai ajudar a conter as
importações. No entanto, o crescimento
das exportações permanecerá em risco
devido às greves, especialmente nas minas,
que respondem por mais de 50% das
receitas de exportação. Prevemos que quer
as exportações, quer as importações,
cresçam a um ritmo moderado em
2016/18. Os bens de equipamentos para os
projetos de infraestruturas irão suportar o
aumento das importações, embora as
consequentes melhorias no abastecimento
de capacidade logística e de energia devam
facilitar as exportações. Este facto,
associado ao crescimento nos fluxos de
turismo, deverão mais do que compensar a
subida dos pagamentos de rendimentos
para os investidores estrangeiros. Assim,
esperamos que o défice da balança
corrente caia gradualmente durante o
período de previsão, de 4.5% do PIB em
2015 para 4.1% do PIB em 2019.
embora a taxa de incidência (de novas
infeções) tenha caído para 0.9%, bem
abaixo do pico de 1.3% em 2005.
sobre HIV/SIDA (UNAIDS). Tal foi possível
graças a um forte aumento nos gastos de
aproximadamente 1.9 mil milhões de
dólares em 2011, um aumento de 5 vezes
desde 2006 e o maior investimento
realizado por qualquer país de baixo-médio
rendimento.
Défice da balança
corrente deverá reduzirse
POPULACÃO
População continua
a crescer, não obstante a
elevada incidência do
HIV/SIDA
Segundo o FMI, a população da África do
Sul deverá crescer a uma taxa de 1.4% ao
ano no período 2014/19, um valor que
poderá ser excessivo já que poderá não
incorporar completamente o impacto da
pandemia do vírus HIV/SIDA. O FMI estima
que a população passe dos 53.7 milhões
estimados para 2014 para 57.4 milhões em
2019. De acordo com as últimas estimativas
oficiais para 2013, 5.3 milhões de pessoas
eram portadoras do vírus HIV/SIDA, mais do
que em qualquer outro país, o que equivale
a 10% da população. A taxa de prevalência
entre os jovens de 15-49 anos subiu em
2013 para um novo recorde de 15.9%,
Além disso, o número de mortes atribuíveis
à SIDA caiu para um mínimo plurianual de
178 373 em 2013 (31.9% do total de
óbitos), a partir de um nível máximo de
344 657 em 2005 (47.7% dos óbitos), em
resultado da expansão de programas de
tratamento. Em grande medida esta
melhoria reflete uma mudança significativa
na política da abordagem tomada pelo
anterior Presidente, Thabo Mbeki, que
rejeitava a ligação entre o HIV/SIDA e a
eficácia dos medicamentos antiretrovirais
(ARV), seguida pela postura mais pró-ativa
adotada pelo atual Presidente, Jacob
Zuma, desde que foi eleito em 2009. Como
consequência, o número de pessoas que
recebem terapia ARV subiu de 100 mil em
2005 para 2.2 milhões em 2012
(equivalente a 83% dos necessitados), de
acordo com o relatório de tratamento do
Programa Conjunto das Nações Unidas
No entanto, apesar do sucesso das
campanhas de prevenção e de tratamento,
incluindo aqueles operados por grandes
empresas do setor privado, a SIDA
continuará a ser uma fonte significativa de
mortalidade na África do Sul no médio
prazo. A doença vai continuar a impor um
custo elevado para as famílias, empresas e
Estado. A perda de trabalhadores
qualificados, seja por morte ou absentismo
prolongado, é particularmente prejudicial
num país com ainda tantas necessidades de
qualificação. Tal exigirá que as
organizações adotem estratégias de
combate, como um aumento das despesas
em formação. O Governo também precisa
de reabilitar, de um modo geral, o sistema
7
MONTEPIO l
Departamento de Estudos // fevereiro 2015
de saúde público, que tem sofrido com
anos de má gestão e falta de investimento.
Isto deu origem a um setor privado de
saúde grande e em crescimento para
aqueles que têm capacidade de o pagar.
Expectativa de vida
permanecerá
relativamente baixa
A esperança média de vida à nascença foi
estimada em 49.3 anos em 2013, o que é
muito baixo em comparação com outros
países de rendimento per capita
médio/elevado e muito menor do que era
há 20 anos atrás, antes da pandemia da
SIDA. A expectativa de vida aumentará
ligeiramente durante o período de
previsão, à medida que os tratamentos da
SIDA melhoram, para uma média de 57
anos no período 2014/19. O perfil etário do
país é fortemente enviesado no sentido de
crianças e adultos jovens, e essa estrutura
vai permanecer nos próximos anos. De
acordo com estimativas oficiais, em
meados de 2013, 57.4% da população da
África do Sul tinha menos de 30 anos e
29.2% menos de 15 anos. Os perfis médios
de esperança de vida e de idade são
marcadamente diferentes de acordo com o
grupo populacional. A população de raça
negra, correspondendo a 79.8% do total em
meados de 2013, é mais jovem que a média
nacional, ao passo que a população de raça
branca (8.7% do total) tem, de um modo
geral, um maior nível de educação e de
riqueza e um perfil de idade mais alinhado
com as médias da OCDE. Os outros grupos
populacionais principais são pessoas
mestiças, com 9% do total, e o grupo
indiano/asiático, com 2.5%.
Rápida urbanização
afetará os serviços sociais
A África do Sul tem experimentado uma
urbanização em grande escala (estima-se
que 63.2% da população vivia nos centros
urbanos em 2013), principalmente nas
principais áreas metropolitanas de
ÁFRICA DO SUL
Gauteng, a saber, Pretória e Joanesburgo,
e as duas cidades costeiras: Cidade do
Cabo e Durban. A urbanização continuará
durante o período de previsão, elevando a
proporção da população que vive em
cidades (e respetivos bairros ilegais) para
66% em 2019. A urbanização deverá
impulsionar o potencial de mercado, mas
também constitui um desafio para os
políticos, especialmente se se referir à
melhoria da prestação dos serviços públicos
a nível municipal, onde a capacidade é
tipicamente mais fraca. As dificuldades são
refletidas no rápido crescimento das casas
ilegais que surgiram fora das cidades e
vilas em todo o país, alimentados por
movimentos de população das províncias
mais pobres (como o Limpopo e North
West) para os mais ricos, e dos países
vizinhos (especialmente o Zimbabwe).
Gauteng é a província mais populosa (com
24% do total em 2013), seguido de
KwaZulu-Natal (19.7%), Cabo Oriental
(12.5%), Western Cape (11.4%) e Limpopo
(10.4%).
PERSPETIVAS DE MÉDIO PRAZO
A recuperação da África do Sul a partir da
recessão de 2013 começou a abrandar, com
o crescimento a situar-se apenas 2.2% em
2013, em resultado de vários fatores,
incluindo greves generalizadas, escassez de
eletricidade, elevada taxa de desemprego,
desaceleração nos gastos dos consumidores
e as incertezas globais. O crescimento terá
ainda desacelerado novamente em 2014,
para 1.4%, no quadro de uma economia
global que terá grosso modo mantido o
crescimento condicionada por taxas de juro
mais elevadas e pela consolidação
orçamental, que também terá pesado no
crescimento do PIB. As perspetivas para
2015 e até 2017 são mais favoráveis,
suportadas por uma melhoria no
fornecimento de eletricidade, pela
recuperação da confiança dos
consumidores e pelo aumento do
investimento, tanto por parte do Estado,
como por parte do setor privado. A inflação
tem-se mantido moderada e é improvável
que ultrapasse os 6%, o limite superior da
meta do banco central, de forma
sustentada, apesar de algumas violações
temporárias. No entanto, os
constrangimentos estruturais persistirão no
médio prazo, incluindo as deficiências ao
nível das infraestruturas, a escassez de
competências e a rigidez do mercado de
trabalho. As consecutivas ameaças de
greve por parte dos sindicatos também
deverão permanecer como um importante
constrangimento. Dadas as limitações,
incluindo o crescimento populacional
lento, espera-se um crescimento, em
média, de 2.5% ao ano no horizonte
2014/20, o que não será suficiente para
fazer uma diferença significativa no
desemprego.
Pandemia do
HIV/SIDA continuará a ter
um sério impacto
Tendências demográficas: a população da
África do Sul vai continuar a crescer a um
ritmo lento, condicionada pelo impacto da
pandemia do HIV/SIDA, que vai continuar a
ter um forte impacto sobre a sociedade. No
entanto, a diminuição dos novos casos de
doença e o número de mortes atribuíveis à
SIDA (em resultado da expansão dos
programas de tratamento) irá reduzir o
impacto da doença a longo prazo. Apesar
de uma redução da SIDA, em teoria,
aumentar o crescimento da população, o
aumento do rendimento disponível e da
urbanização deverão conduzir a uma
redução da dimensão das famílias. Assim, o
crescimento populacional, que segundo o
FMI deverá crescer a uma taxa de 1.4% ao
ano no período 2014/19 (um valor que
poderá ser excessivo já que poderá não
incorporar completamente o impacto da
pandemia do vírus HIV/SIDA), deverá
abrandar na década seguinte. No entanto,
a força de trabalho vai crescer a um ritmo
mais rápido durante todo o período, dado
que atualmente a população é jovem e
devido também à migração do interior dos
países vizinhos. Este aumento da
população, por sua vez, continuará a
exercer pressão sobre a taxa de
desemprego.
Desempenho de
longo prazo continuará a
depender dos
desenvolvimentos a nível
internacional
Condições externas: o desempenho da
África do Sul, como uma economia
relativamente pequena e aberta, que é
fortemente dependente das exportações
minerais, estará intimamente ligada às
tendências mundiais. O país beneficiará da
liberalização comercial multilateral sob os
auspícios da Organização Mundial do
8
MONTEPIO l
Departamento de Estudos // fevereiro 2015
Comércio (OMC), embora o ritmo lento dos
progressos a este nível implica que um
comércio mais livre deva ser
principalmente impulsionado por iniciativas
bilaterais e regionais. A Comunidade de
Desenvolvimento Africano Austral (SADC)
vai implementar progressivamente uma
zona de comércio livre, embora as
ambições para uma união aduaneira,
mercado comum e uma união monetária
não possam ser realizadas por causa de
divergências económicas e políticas entre
os Estados membros. Os planos para um
bloco comercial Africano em geral,
incluindo a SADC, o Mercado Comum da
África Oriental e Austral (COMESA) e a
Comunidade do Leste Africano (EAC)
deverão realizar alguns progressos, embora
possam ainda não ser realizados durante a
década de 2021/30. Além disso, o comércio
intra-Africano continuará a ser retido por
barreiras não-tarifárias e infraestruturas
precárias. As negociações entre a SADC e a
UE (principal parceiro comercial e de
investimento da África do Sul) sobre o novo
estilo de acordo de parceria económica
foram concluídas em julho de 2014. Ao
longo do horizonte de longo prazo, os laços
comerciais e de investimento da África do
Sul com os Estados não membros da OCDE
(especialmente os principais mercados
emergentes da China, Índia e Brasil)
deverão aprofundar-se, à custa dos laços
tradicionais com os parceiros da OCDE.
Qualidade das
instituições deverá
melhorar
Tendências institucionais: a qualidade das
instituições deverá melhorar, mas as
restrições de capacidade deverão persistir,
especialmente nos níveis provinciais e
municipais. Não existirão grandes
mudanças na atual política que se baseia
em parceria entre as empresas privadas e o
"estado desenvolvimentista", mas a pressão
dos setores mais à esquerda para uma
maior intervenção irá gerar incerteza e
pode constringir o investimento. Os
políticos continuarão a enfrentar vários
desafios importantes, incluindo a escassez
de competências, o elevado desemprego e
o espinhoso problema de acelerar a
reforma agrária sem danificar o potencial
produtivo ou confiança dos investidores.
ÁFRICA DO SUL
Ganhos de
produtividade deverão
impulsionar o
crescimento no longo
prazo
Desempenho de longo prazo: depois de
um crescimento anual de 2.5% no período
2014/2020, espera-se que o crescimento do
PIB duplique para 5.0% ao ano na década
de 2021/30, suportado por uma melhoria
no fornecimento de energia elétrica, pela
contínua expansão da classe média de raça
negra, pela integração regional e pela
procura global por commodities. Os
grandes investimentos em infraestrutura
que estão a ser realizados na década atual
permitirão sustentar o crescimento, a
eficiência, a produtividade e a capacidade
de produção na década de 2021/30. A
política económica até 2030 deverá ser
guiada pelo bem-recebido Plano Nacional
de Desenvolvimento, que visa fomentar o
emprego e o crescimento, ao mesmo
tempo que reduz a pobreza e as
desigualdades, atacando os problemas
estruturais de longa data.
9
MONTEPIO l
Departamento de Estudos // fevereiro 2015
ÁFRICA DO SUL
Índice de Liberdade Económica
- The Heritage Foundation
A África do Sul é
a 72ª economia
mais livre dos países que
compõem o índice em
2015
A pontuação da África do Sul ao nível da
liberdade económica é de 62.6 pontos,
correspondendo à 72ª economia mais livre
dos países que compõem o índice em 2015.
Trata-se de um resultado que fica 0.1
pontos acima do observado no ano
anterior, refletindo melhorias na liberdade
laboral, fiscal, de comércio e face à
corrupção, com declínios em 3 áreas,
incluindo a liberdade de investimento, de
negócios e de gestão dos gastos públicos. A
África do Sul encontra-se em 6º lugar entre
os 46 países da região África Subsaariana e
apresenta uma liberdade económica acima
das médias mundial e regional.
O enorme mercado interno da África do Sul
e as suas enormes reservas de recursos
naturais trazem boas perspetivas para a
contínua melhoria do país no índice de
liberdade económica. Contudo, a recente
agitação no mercado laboral e a queda
observada no preço das commodities
minaram o crescimento e deterioraram a
reputação de investimento da economia.
São ainda necessárias reformas de natureza
estrutural e institucional, uma vez que a
corrupção ainda compromete o Estado de
Direito. A grande rigidez que se observa no
mercado laboral, bem como a ineficiência
regulatória, tem perpetuado as elevadas
taxas de desemprego e as situações de
subemprego. A imposição de barreiras não
tarifárias tem impedido maiores ganhos
com o comércio internacional. O sistema
financeiro do país tem-se desenvolvido de
forma significativa devido à desregulação,
sendo um modelo para futuras reformas.
ENQUADRAMENTO
Jacob Zuma, do African National Congress
(ANC), foi eleito Presidente pela
Assembleia Nacional em mai-09, tendo sido
reeleito em mai-14 para mais um mandato
de 5 anos. O ANC tem dominado a política
sul-africana desde o fim do apartheid, em
1994. A África do Sul é a 2ª maior
economia da África Subsaariana (apenas
atrás da Nigéria) e um dos maiores
produtores e exportadores mundiais de
ouro e platina. A indústria extrativa, os
serviços, a indústria transformadora e a
agricultura rivalizam com as economias
desenvolvidas. Todavia, o desemprego no
setor formal e a criminalidade são
elevados, a pobreza está disseminada, a
educação pública é fraca e grande parte da
população não tem acesso a infraestruturas
ESTADO DE DIREITO
Mais de 700 processos controversos de corrupção e fraude
prescreveram antes das eleições de 2009 do agora Presidente Zuma.
A contratação pública é geralmente tutelada pelo Governo e é pouco
transparente, sendo o cumprimento das leis anticorrupção
inadequado. Embora a independência judicial e do Ministério Público
estejam sobre pressão política, os direitos de propriedade são
relativamente bem protegidos e os contratos são geralmente seguros.
INTERVENÇÃO DO GOVERNO
A taxa máxima de IRS é de 40% e a taxa máxima de IRC de 28%.
Outros impostos incluem o IVA e o imposto sobre mais-valias. A carga
fiscal global corresponde a 25.8% do PIB e a despesa do Estado a
32.6%. A dívida pública é de cerca de 45% do PIB.
e serviços básicos. As greves preconizadas
pelos mineiros em 2014 colocaram um
impasse na extração de platina. Em jun-14,
o Presidente Zuma e o ANC, anunciaram
um Plano Nacional de Desenvolvimento,
que terá como objetivo estimular o
crescimento económico, através de uma
estratégia de mercado de longo prazo.
EFICÁCIA DA REGULAÇÃO
São necessários 5 procedimentos e 19 dias para abrir uma empresa
e não há requisitos mínimos de capital. Todavia, obter as licenças
necessárias ainda demora em média mais de 1 mês. A regulação
laboral não é aplicada eficazmente e o mercado é pouco flexível.
Os preços resultam geralmente das forças de mercado, todavia o
Estado controla os preços dos combustíveis, do carvão, da parafina
e outros produtos básicos.
ABERTURA ECONÓMICA
A pauta aduaneira média é de 4.2%. Note-se que as aquisições do
Governo privilegiam sobretudo as empresas nacionais. Em 2013 o
Governo cancelou acordos de investimento bilateral, com a
Alemanha, Espanha, entre outros países. Como foi referido
anteriormente, o setor financeiro tem tido reformas muito
benéficas, com o setor bancário a ser bastante robusto. Os 4
principais bancos representam mais de 80% dos ativos do setor
bancário, sendo o mercado de capitias bastante desenvolvido.
10
Departamento de Estudos // fevereiro 2015
MONTEPIO l
ÁFRICA DO SUL
Indicadores de Risco
Country's Score Over Time
Rating Heritage Foundation
SCORE %
2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015
Overall Score
63.4 63.8 62.8 62.7
62.7
61.8 62.5 62.6
Property Rights
50.0
50.0
50.0
50.0
50.0
50.0
50.0
50.0
Freedom from Corruption 46.0 51.0 49.0 47.0 45.0 41.0 41.6 42.0
Government spending
76.8 77.6 76.8 77.5 71.9 69.2 69.1 68.2
Fiscal Freedom
69.5 68.9 69.1 69.6 70.7 70.5 68.7 69.5
Business Freedom
71.4 74.6 73.0 72.3 75.8 74.7 74.5 73.0
Labor Freedom
59.1 56.8 59.0 56.7 57.3 55.6 54.4 61.6
Monetary Freedom
77.2 74.3 70.2 71.9 75.0 75.8 75.3 74.9
Trade Freedom
74.2 74.8 76.0 77.2 76.3
76.3
76.1 76.6
Investment Freedom
50.0
50.0
45.0
45.0
45.0
45.0
55.0 50.0
Financial Freedom
60.0
60.0
60.0
60.0
60.0
60.0
60.0
Country Comparisons
60.0
Fonte: The Heritage Foundation.
Rating EIU (The Economist Inteligence Unit)
SCORE %
Country Risk
2007
2008 2009 2010
2011 2012 2013
2014
2013
2014
45
41
BB
BB
34
37
34
47
45
BB
BB
40
37
44
39
BB
BBB
43
38
38
48
48
BB
BB
29
29
30
30
33
29
BBB
A
38
40
40
40
43
40
BB
BB
42
38
38
38
Sovereign*
37
38
41
39
37
Currency*
38
43
38
38
Economic
45
45
43
Political
30
32
Banking*
35
42
Moody's
S&P
Fitc h
Baa2
BBB-
BBB
Fonte: EIU. Nota (*): Utilizado na contrução do "Country Risk".
11
Departamento de Estudos // fevereiro 2015
MONTEPIO l
ÁFRICA DO SUL
Chart Book
South Africa - GDP Grow th
%
South Africa – Per Capita GDP
$
8,000
23
5
7,500
22
4
7,000
3
South Africa – Investment (% GDP)
%
6
21
6,500
20
2
6,000
GDP Growth (%)
Source: IMF (October 2014)
South Africa – Gross National Saving (% GDP)
%
Per Capita GDP
Source: IMF (October 2014)
South Africa – Current Account (% GDP)
%
12
17.0
-2
10
16.0
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
South Africa – Inflation Rate
%
-1
-3
% GDP
Source: IMF (October 2014)
17.5
16.5
2007
2004
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006
2005
2004
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
17
2006
18
4,500
2005
5,000
-2
2004
-1
2006
19
5,500
0
2005
1
8
-4
6
15.5
-5
% GDP
Source: IMF (October 2014)
South Africa – Unemployment Rate
%
% GDP
Source: IMF (October 2014)
South Africa – Public Debt (% GDP)
%
2
25.0
55
1
24.5
50
2019
South Africa – Budget Balance (% GDP)
%
60
2018
Inflation Rate
Source: IMF (October 2014)
25.5
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2004
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006
2005
2004
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
0
2008
-8
2007
13.5
2006
2
2005
-7
2004
14.0
2006
4
-6
14.5
2005
15.0
0
-1
24.0
45
23.5
40
23.0
35
22.5
30
-5
22.0
25
-6
South Africa - Population
%
56
1.8
5
54
1.7
0
52
1.6
-5
50
1.5
-10
48
1.4
-15
46
1.3
-20
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006
2005
2004
2019
% GDP
South Africa - Exports Grow th
%
10
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006
2005
-4
Source: IMF (October 2014)
1.9
58
-3
2004
2019
Unemployment Rate
Source: IMF (October 2014)
10^6
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006
2005
2004
-2
% GDP
Source: IMF (October 2014)
South Africa - Imports Grow th
%
20
15
10
5
0
-5
Source: IMF (October 2014)
Population
Growth Rate (%)
-15
Source: IMF (October 2014)
Exports Growth (%)
Source: IMF (October 2014)
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006
2005
2004
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006
2005
-20
2004
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006
2005
2004
-10
Imports Growth (%)
12
MONTEPIO l
Departamento de Estudos // fevereiro 2015
ÁFRICA DO SUL
DEPARTAMENTO DE ESTUDOS
Rui Bernardes Serra – Chief Economist
[email protected]
José Miguel Moreira – Senior Economist
[email protected]
Margarida Filipe – Junior Economist
[email protected]
Artur Patrício – Junior Economist
[email protected]
APOIO À INTERNACIONALIZAÇÃO DAS EMPRESAS
Florbela Cunha – Head of Unit
[email protected]
Rita Marques – Trade Finance
[email protected]
Luis Carvalho – Africa Business
[email protected]
Carla Marques Mendes – International Business Advisor
[email protected]
Alexandra Neves – International Business Advisor
[email protected]
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Este documento foi elaborado pelo Departamento de Estudos da Caixa Económica Montepio Geral e é disponibilizado com intuito e para fins
exclusivamente informativos.
Todos os dados, análises e considerações nele contidas estão simplesmente baseadas no que estimamos ser as melhores informações disponíveis,
recolhidas a partir de fontes oficiais e outras consideradas credíveis, não assumindo, todavia, qualquer responsabilidade por erros, omissões ou
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livremente modificadas a todo o tempo e sem aviso prévio.
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O relatório pode ser reproduzido, desde que seja citada a fonte.
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