ADMINISTRAÇÃO DE PESSOAL (4) Professora: Sara Batista SUBSISTEMA DE PROVISÃO DE RECURSOS HUMANOS Os processos de provisão estão relacionados com o suprimento de pessoas para a organização. São os processos responsáveis pelos insumos humanos e envolvem todas as atividades relacionadas com pesquisa de mercado, recrutamento e seleção de pessoas, bem como sua integração às tarefas organizacionais. Os processos de aprovisionamento representam a porta de entrada das pessoas no sistema organizacional. Trata-se de abastecer a organização dos talentos humanos necessários a seu funcionamento. O AMBIENTE ORGANIZACIONAL Toda organização opera dentro de um ambiente em que existem outras organizações. Do ambiente a organização recebe dados e informações para tomada de decisões (pesquisa de mercado, pesquisa de fornecedores, conjuntura econômica, pedidos de clientes etc.), os insumos necessários à sua operação (entrada de recursos materiais, matérias-primas, máquinas, equipamentos, materiais etc.), entrada de recursos financeiros (empréstimos, financiamentos, receita proveniente do faturamento etc.), entrada de recursos humanos, restrições impostas pelo ambiente (legislação a respeito de suas operações, imposição de taxas e impostos, limitações legais quanto a preços etc.) e, nesse ambiente, a organização coloca os resultados provenientes de suas operações (produtos ou serviços), os resíduos dessas operações (refugos de matérias-primas, máquinas e equipamentos obsoletos que devem ser vendidos, poluição resultante das operações: fumaça, detritos, exalação de gases, lixo etc,), resultados provenientes da aplicação específica de recursos financeiros (lucro, distribuição de dividendos, bonificações, pagamento de juros e taxas bancárias etc.), resultados específicos da aplicação de recursos mercado- lógicos (vendas, promoção, campanhas publicitárias, imagem da organização, distribuição dos produtos ou serviços aos clientes etc.), além, naturalmente, de certa quantidade de pessoas que se desligam da organização. De todos esses múltiplos aspectos do ambiente interessa-nos especificamente o fato de que os recursos humanos ingressam e saem do sistema, gerando uma dinâmica particular que veremos adiante. 1 MERCADO DE RECURSOS HUMANOS E MERCADO DE TRABALHO • O lugar onde antigamente se efetuavam trocas de mercadorias; portanto, o local físico onde os vendedores se encontravam com os compradores. • O “espaço econômico” onde se realizam trocas de bens, os quais são produzidos e ofertados pelos produtores e procurados pelos compradores. • A área geográfica ou territorial dentro da qual as forças de oferta e procura convergem para estabelecer um preço comum. Basicamente o conceito de mercado apresenta aspectos importantes como: a) Uma dimensão de espaço: todo mercado é caracterizado por uma área física, geográfica ou territorial. Localidades diferentes traduzem mercados diferentes. O mercado de trabalho do Nordeste brasileiro é diferente do das capitais do país. O espaço é um importante elemento do mercado. b) Uma dimensão de tempo: todo mercado depende de uma época. Em épocas diferentes um mesmo mercado pode apresentar características diferentes, o mercado de trabalho no último trimestre de cada ano é aquecido e apresenta características diferentes em relação ao primeiro trimestre. O tempo é um importante elemento do mercado. c) Uma dimensão de oferta e de procura: todo mercado se caracteriza pela oferta e disponibilidade de algo e, simultaneamente pela procura e demanda de algo. Se a oferta é maior do que a procura, trata-se de algo fácil de ser obtido e passa a haver concorrência entre os vendedores ou entre aqueles que oferecem algo. Se a procura é maior que a oferta, então a situação se inverte e trata-se de algo difícil de ser obtido e passa a haver concorrência entre os compradores ou entre aqueles que precisam de algo. Em termos de provisão de recursos humanos, existem dois tipos de mercados bem distintos, porém estreitamente entrelaçados e interrelacionados: o mercado de trabalho e o mercado de recursos humanos. MERCADO DE TRABALHO O mercado de trabalho ou mercado de emprego é constituído pelas ofertas de trabalho ou de emprego oferecidas pelas organizações, em determinado lugar e em determinada época. É basicamente definido pelas organizações e suas oportunidades de emprego. Quanto maior o número de organizações, em determinada região, tanto maior o mercado de trabalho e seu potencial de disponibilidades de vagas e oportunidades de emprego. O mercado de trabalho pode ser segmentado 2 por setores de atividades ou por categorias (como empresas metalúrgicas, de plásticos, bancos e financeiras etc) ou por tamanhos (organizações grandes, médias, pequenas, microempresas etc.) ou ainda por regiões (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, etc). Cada um desses segmentos tem características próprias. EMPREGO Emprego significa a utilização do trabalho humano. E a situação da pessoa que trabalha para uma organização ou para outra pessoa em troca de remuneração. Em economia, o termo emprego designa o uso dos fatores de produção, que incluem a terra e o capital, além do trabalho, o conjunto de empregos representa o mercado de trabalho. Já o desemprego significa a parcela da força de trabalho disponível que se encontra sem emprego. O desemprego e o subemprego (emprego com remuneração muito baixa e sem as garantias trabalhistas) atingem principalmente os países em desenvolvimento. O mercado de trabalho funciona em termos de oferta e procura, ou seja, disponibilidade de empregos e demanda de empregos, respectivamente. A Figura nos mostra um continuam entre duas situações extremas: uma situação de oferta de emprego (vagas oferecidas) e uma situação de procura de emprego (vagas procuradas). A posição central denota uma situação de equilíbrio entre as duas forças do mercado. Damos a seguir as três possíveis situações do mercado de trabalho: 1) Oferta maior do que a procura É uma situação em que ocorre acentuada disponibilidade de emprego: há excesso de ofertas de emprego por parte das organizações e escassez de candidatos para preenchê-las. A situação de oferta de emprego acarreta as seguintes conseqüências para as organizações: a) Fortes investimentos em recrutamento, resultando em volume de candidatos insuficiente ou abaixo do padrão de qualidade desejado. b) Critérios de seleção mais flexíveis compensar a escassez de candidatos. e menos rigorosos para c) Fortes investimentos em treinamento de pessoal para compensar a inadequação dos candidatos. 3 d) Ofertas salariais mais estimulantes para atrair mais candidatos, provocando distorções na política salarial das organizações. e) Altos investimentos em benefícios sociais, tanto para atrair candidatos como para reter o pessoal existente, pois qualquer substituição torna-se demorada e arriscada. f) O Ênfase no recrutamento interno — como meio de fixar o pessoal — e dinamizar planos de carreiras. g) Forte concorrência entre as organizações que disputam o mesmo mercado de recursos humanos. h) Os recursos humanos transformam-se escasso, merecendo cuidados especiais. em um recurso difícil e A situação de oferta de empregos acarreta as seguintes influências para os candidatos: a) Excesso de vagas e de oportunidades de empregos no mercado de trabalho. b) Os candidatos escolhem e selecionam as organizações que lhes ofereçam as melhores oportunidades, cargos, salários e benefícios sociais. c) As pessoas se predispõem a sair das suas organizações para tentar oportunidades melhores no mercado de trabalho, aumentando a rotação de pessoal. d) Simultaneamente, as pessoas sentem-se donas da situação e passam a fazer reivindicações de aumentos salariais e melhores benefícios sociais, tornam-se mais indisciplinadas, faltam e se atrasam mais, aumentando o absenteísmo. OFERTA EQUIVALENTE À PROCURA É uma situação de relativo equilíbrio entre o volume de ofertas de emprego e o volume de candidatos para preenchê-las, ou seja, de procura de emprego. OFERTA MENOR DO QUE A PROCURA É uma situação em que há pouquíssima disponibilidade de ofertas empregos por parte das organizações; há escassez de ofertas emprego e excesso de candidatos para preenché-las. A situação procura de emprego acarreta as seguintes conseqüências para organizações: a) Baixos investimentos em recrutamento, pois há grande volume candidatos que procuram espontaneamente as organizações. 4 de de de as de b) Critérios de seleção mais rígidos e rigorosos para aproveitar a abundância de candidatos que se apresentam. melhor c) Baixíssimos investimentos em treinamento, pois a organização pode aproveitar os candidatos já treinados e com bastante experiência anterior. d) As organizações podem fazer ofertas reais mais baixas, em relação à sua política salarial, pois os candidatos se mostram dispostos a aceitá-las. e) Baixíssimos investimentos em benefícios sociais, necessidade de mecanismo de fixação de pessoal. pois não há f) Ênfase no recrutamento externo, como meio de melhorar o potêncial humano, substituindo empregados por candidatos de melhor qualificação. g) Não há competição entre as organizações quanto ao mercado de recurso humano. h) Os recursos humanos tornam-se um recurso fácil e abundante, não merecendo cuidados especiais. Situação de procura de empregos acarreta influências para os candidatos: a) Escassez de vagas e de oportunidades de emprego no mercado de trabalho. b) Os candidatos passam a concorrer entre si para conseguir as poucas vagas que surgem, seja apresentando propostas de salários mais baixos, seja candidatando-se a inferiores às suas qualificações profissionais. c) As pessoas procuram fixar-se nas organizações, engrossar as filas de candidatos desempregados. com medo de d) Simultaneamente, as pessoas passam a não criar atritos junto às suas organizações, nem dar asas a possíveis desligamentos; tornam-se mais disciplinadas, procuram não faltar nem se atrasar ao serviço. Em plena era da Informação, estamos atravessando forte e incessante mudança no cenário do mercado de trabalho no mundo todo. 5 O ENCOLHIMENTO DO EMPREGO Nos últimos anos, o mercado de trabalho sofreu formidável redução de emprego. Os setores mais atingidos foram indústria, bancos e construção civil, onde mais de um milhão de empregos foram simplesmente pulverizados em uma redução que ceifou 30% da mão-deobra empregada. Em contrapartida, a produção nesses setores aumentou substancialmente graças a novas tecnologias e processos de trabalho. Produz-se mais com menos pessoas. A oferta de emprego no setor de serviços aumentou no mesmo período, provocando verdadeira migração do emprego industrial para o emprego terciário. Enquanto o emprego industrial murcha gradativamente o emprego terciário aumenta, mas sem aproveitar a totalidade dos desempregados. Esta é a primeira tendência provocada pela tecnologia na Era da Informação. A segunda tendência é a gradativa sofisticação do emprego: o trabalho industrial está se tornando cada vez mais cerebral e mental e cada vez menos braçal e muscular, graças ao advento da tecnologia da informação. As pessoas estão utilizando mais e mais a automatização em seus processos de trabalho. A forte mudança no mercado de trabalho no mundo todo. 6 A terceira tendência da Era da Informação está no conhecimento: o capital financeiro está deixando de ser o recurso mais importante para ceder lugar ao conhecimento. O capital financeiro ainda é importante, mas muito mais importante é o conhecimento de como aplicá-lo e como torná-lo mais seguro e rentável. A quarta tendência da Era da Informação é a globalização, seja do conhecimento seja da economia. O mundo está se tornando uma verdadeira aldeia global e o emprego, isto é, o mercado de trabalho está deixando seu caráter local ou regional para ser cada vez mais mundial. Outra maneira de focalizar o ambiente organizacional é abordar o outro lado da moeda: o mercado de recursos humanos. MERCADO DE RECURSOS HUMANOS O mercado de recursos humanos é constituído pelo conjunto de pessoas aptas ao trabalho em determinado lugar e em determinada época. É basicamente definido pela parcela da população que tem condições de trabalhar e/ou está trabalhando, isto é, pelo conjunto de pessoas empregadas (mercado de RH aplicado) ou desempregadas (mercado de RH disponível) e aptas ao trabalho. Assim, o mercado de recursos humanos é constituído de candidatos reais e potenciais em relação a determinadas oportunidades de emprego: são candidatos reais quando estão procurando alguma oportunidade, independentemente de estarem ou não empregados e são candidatos potenciais quando — embora não estejam procurando oportunidades de emprego — têm condições de preenchê-las satisfatoriamente. Por ser vasto e complexo, o mercado de recursos humanos pode ser segmentado por grau de especialização (como mercado de engenheiros, de médicos, e advogados, de técnicos, de diretores, de gerente supervisores, de secretárias, de datilógrafas, de operários especializados, de operários qualificados, operários não qualificados etc.) ou por regiões (como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte etc.). Ao segmento de operários não qualificados costuma-se dar o nome de mercado de mão-de-obra. Na realidade, o mercado de mão-deobra é o segmento do mercado de recursos humanos constituído de pessoas não qualificadas, isto é,sem experiência prévia e sem instrução básica. 7 INTERAÇÃO ENTRE MERCADO DE RECURSOS HUMANOS E O MERCADO DE TRABALHO Em tese, o mercado de recursos humanos funciona como um espelho mercado de trabalho: enquanto um está em oferta, o outro está procura e vice-versa. Por esta razão, deixamos de detalhar características do mercado de recursos humanos em oferta e procura. do em as em À oferta de um mercado corresponde a procura no outro, e vice-versa. Em outros termos, ambos são sistemas em interação constante: a saída (output) de um é a entrada (input) do outro, e vice-versa. Há um contínuo intercâmbio entre o mercado recursos humanos e o mercado de trabalho. Ambos interagem reciprocamente e estão sob contínua e mútua influência, como indicamos na figura. Até certo ponto, o mercado de recursos totalmente contido no mercado de trabalho. humanos está As relações entre mercado de RH e mercado de trabalho. 8 parcial ou ROTATIVIDADE DE PESSOAL Descendo de uma macroabordagem (em nível ambiental de mercado) para uma microabordagem (em nível organizacional), torna-se importante ressaltar outros aspectos da interação organização-ambiente. Um dos aspectos mais importantes da dinâmica organizacional é a rotatividade de recursos humanos ou turnover. A expressão rotatividade de recursos humanos é usada para definir a flutuação de pessoal entre uma organização e seu ambiente; em outras palavras, o intercâmbio de pessoas entre a organização e o ambiente é definido pelo volume de pessoas que ingressam e que saem da organização. A rotatividade de pessoal é expressa por meio de uma relação percentual entre as admissões e os desligamentos com relação ao número médio de participantes da organização, no decorrer de certo período de tempo. Quase sempre, a rotatividade é expressa em índices mensais ou anuais para permitir comparações, seja para desenvolver diagnósticos, seja para promover providências, seja ainda com caráter preditivo. É que a organização — como todo sistema aberto — caracteriza-se pelo incessante fluxo de recursos de que necessita para poder desenvolver suas operações e gerar resultados. A organização, de um lado, “importa” recursos e energia do ambiente externo, na forma de matérias-primas, equipamentos, máquinas, tecnologia, dinheiro, financiamentos, pedidos de clientes, informações, pessoal, água, energia elétrica etc. Todos esses recursos e formas de energia são processados e transformados dentro da organização. Por outro lado, a organização “exporta” para o ambiente externo os resultados de suas operações e de seus processos de transformação, na forma de produtos acabados ou serviços, materiais usados, refugos, lixo, equipamentos obsoletos para substituição, resultados operacionais, lucro, entregas a clientes, informações, pessoal, poluição etc. Entre os insumos que a organização “importa” do ambiente externo e os resultados que “exporta” para esse ambiente deve existir certo equilíbrio dinâmico 9 capaz de manter as operações do processo de transformação em níveis satisfatórios e controlados. Se os insumos forem mais volumosos do que as saídas, a organização tem seus processos de transformação congestionados e/ou seus estoques de resultados armazenados e paralisados. Se, ao contrário, os insumos forem bem menores do que as saídas, a organização não tem recursos para operar as transformações e continuar a produzir resultados. Assim, tanto a entrada como a saída de recursos devem manter entre si mecanismos homeostáticos capazes de se auto-regularem mediante comparações para garantir o equilíbrio dinâmico do sistema. Esses mecanismos de controle recebem a denominação de retroação (feedback ou realimentação). A MOBILIDADE DO PESSOAL Um dos problemas que vêm preocupando os executivos da área de RH é a intensificação das saídas ou perdas de recursos humanos, provocando a necessidade de compensá-las através da intensificação das entradas. Em outros termos, os desligamentos de pessoal precisam ser compensados através de novas admissões para se manter o nível de recursos humanos em proporções adequadas para a operação do sistema. Ao fluxo de entrada e saídas de pessoal dá-se o nome rotatividade de pessoal ou turnover. Em toda organização saudável ocorre normalmente um pequeno volume de entradas e saídas de recursos humanos, ocasionando uma rotatividade meramente vegetativa e de simples manutenção do sistema. A rotatividade de pessoal pode estar orientada no sentido de inflacionar o sistema com novos recursos (entradas maiores do que as saídas) para incentivar as operações e ampliar os resultados ou no sentido de esvaziar o sistema (saídas maiores do que as entradas) para diminuir as operações, reduzindo os resultados. Algumas vezes, a rotatividade pode escapar ao controle da organização, quando os desligamentos efetuados por iniciativa dos empregados aumentam de volume. Em um mercado de trabalho competitivo e em regime de oferta intensa costuma ocorrer um aumento da rotação de pessoal. ÍNDICE DE ROTATIVIDADE DE PESSOAL O cálculo do índice de rotatividade de pessoal é baseado no volume de entradas e saídas de pessoal em relação aos recursos humanos disponíveis na organização, dentro de certo período de tempo, e em termos percentuais. 10 1. Quando se trata de medir o índice de rotatividade de pessoal para efeito do planejamento de RH, utiliza-se a seguinte equação: A+ D .100 Índice de Rotativida de de Pessoal = 2 EM onde: A = admissões de pessoal dentro do período considerado (entradas). D = desligamentos de pessoal (tanto por iniciativa da empresa como por iniciativa dos empregados) dentro do período considerado (saídas). EM = efetivo médio dentro do período considerado. Pode ser obtido pela soma dos efetivos existentes no início e no final do período, dividida por dois. 1.Este índice de rotatividade de pessoal exprime um valor percentual de empregados que circulam na organização em relação ao número médio de empregados. Assim, se o índice de rotatividade de pessoal for de, por exemplo, 3%, isto significa que a organização pode contar com apenas 97% de sua força de trabalho naquele período. Para poder contar com 100%, a organização precisaria planejar um excedente de 3% de pessoal para compensar esse fluxo de pessoal. 2.Quando se trata de analisar as perdas de pessoal e suas causas, não se consideram as admissões (entradas) no cômputo do índice de rotatividade de pessoal, mas somente os desligamentos, seja por iniciativa da organização ou dos empregados. Índice de Rotatividade de Pessoal = D.100 EM Esta equação, por ser parcial, pode mascarar os resultados, por não considerar o ingresso de recursos humanos que fluem para dentro da organização, alterando o volume de recursos humanos disponível. 3. Quando se trata de analisar as perdas de pessoal para verificar os motivos que levaram as pessoas a deixar a organização, consideram-se apenas os desligamentos por iniciativa dos empregados, desprezando-se os desligamentos provocados pela organização. Neste caso, o índice de rotatividade de pessoal cobre apenas as retiradas provocadas exclusivamente pela iniciativa dos empregados, permitindo que se possam analisar as saídas decorrentes puramente da atitude e do 11 comportamento do pessoal, isolando-se as saídas causadas pela ação proposital da organização. Diagnóstico das causas da rotatividade de pessoal Como todos os sistemas, a organização tem um ou vários objetivos a alcançar. O sistema é eficaz à medida que alcança esses objetivos com um mínimo de recursos, esforços e tempo. Um dos principais problemas na administração de um sistema é exatamente medir e avaliar seu funcionamento através de seus resultados e de adequada utilização de seus recursos. À proporção que os resultados de um sistema não são satisfatórios, ou seus recursos não são adequadamente utilizados, devem-se fazer certas intervenções no sentido de corrigir as inadequações e ajustar seu funcionamento, O ideal seria criar um subsistema de controle automático (feedback), capaz de armazenar, processar e recuperar as informações sobre o funcionamento do sistema, que permitisse diagnosticar as correções e os ajustamentos necessários e avaliar a efetividade dessas correções e ajustamentos no sentido de melhorar o desempenho do sistema. Entrevista de desligamento A entrevista de desligamento constitui um dos meios de controlar e medir os resultados da política de RH desenvolvida pela organização. Costuma ser o principal meio de diagnosticar e determinar as causas da rotatividade de pessoal. Algumas organizações aplicam a entrevista de desligamento apenas a empregados que solicitam, por iniciativa própria, sua demissão. Outras aplicam-na indiferentemente a todos os empregados demissionários — tanto àqueles que solicitam demissão, como àqueles que são desligados por motivos próprios à organização. Nossa posição é favorável a esta última forma de aplicação, para que se possa desenvolver uma estatística completa sobre todas as causas dos desligamentos. Em linhas gerais, a entrevista de desligamento procura verificar os seguintes aspectos: 1.Motivo do desligamento (por iniciativa da empresa ou do empregado). 2.Opinião do empregado sobre a empresa. 3.Opinião do empregado sobre o cargo que ocupa na organização. 4.Opinião do empregado sobre seu chefe direto. 5.Opinião do empregado sobre seu horário de trabalho. 12 6.Opinião do empregado sobre as condições físicas ambientais dentro das quais desenvolve seu trabalho. 7. Opinião do empregado sobre os benefícios sociais concedidos pela organização. 8.Opinião do empregado sobre seu salário. 9.Opinião do empregado sobre o relacionamento humano existente em sua seção. 10.Opinião do empregado sobre sentiu dentro da organização. as oportunidades de progresso que 11.Opinião do empregado sobre a moral e atitude de seus colegas de trabalho. 12.Opinião do empregado mercado de trabalho. sobre as oportunidades que encontra no Esses aspectos são resumidos em um formulário de entrevista de desligamentos, que registra as informações e respostas. A opinião do empregado reflete sua percepção da situação e permite identificar problemas existentes e possíveis dissonâncias que determinam a rotatividade de pessoal. As informações colhidas na entrevista de desligamento referem-se aos aspectos que estão sob o controle dos empregados ou são claramente percebidos por eles. Os dados colhidos são tabulados por seção/ departamento/divisão ou por cargo para localizar os problemas existentes. O nível de detalhamento do relatório pode variar bastante. CUSTOS PRIMÁRIOS E SECUNDÁRIOS DA ROTATIVIDADE DE PESSOAL Os cálculos dos custos primários e secundários da rotatividade de pessoal poderão ter maior ou menor desdobramento, conforme o nível de interesse da organização. Mais do que o simples resultado numérico e quantitativo desses dados, o que realmente importa é a conscientização, por parte dos dirigentes das organizações, dos reflexos profundos que a rotatividade elevada de recursos humanos pode trazer não só para a organização, mas também para a comunidade e para o próprio indivíduo. 13 QUANTO CUSTA SUBSTITUIR PESSOAS? Toda vez que um alto funcionário sai da empresa, ela perde uma parte daquilo que representa o maior diferencial competitivo para qualquer companhia que pretenda durar no mercado: perde talento, perde conhecimento, perde cérebro. Perde também tudo o que foi investido no funcionário desde o processo de provisão, manutenção e desenvolvimento. Essa perda é dobrada quando se precisa formar outras pessoas para substituir aquelas que saíram. Segundo estimativas da Hay Consultoria, essa perda pode situar-se entre R$ 300.000 e R$ 600.000, no caso de um funcionário médio. Com um executivo de primeira linha, a conta alcança 1 milhão de reais ou mais. Os cálculos são simples. Para a contratação do substituto, os headhunters levam de 30% a 35% da remuneração anual do executivo. Acrescente-se a esse valor o tempo gasto para formar um novo profissional, que se estende de um a três anos. Além disso, existem os ativos intangíveis que o executivo leva quando vai embora: clientes, fornecedores, contatos de parcerias, projetos etc. Entretanto, o último é o pior dos prejuízos é o fato de que, ao deixar a empresa, o executivo em geral vai fortalecer o lado do concorrente. E é quase sempre para ali que ele se dirige. Por essas razões, as empresas inteligentes não estão dispostas a perder capital humano em uma era em que ele se torna crucial para os seus negócios. ABSENTEÍSMO O absentefsmo — também denominado ausentismo — é uma expressão utilizada para designar as faltas ou ausências dos empregados ao trabalho. Em um sentido mais amplo, é a soma dos períodos em que os empregados se encontram ausentes do trabalho seja por falta, atraso ou devido a algum motivo interveniente. DIAGNÓSTICO DAS CAUSAS DO ABSENTEÍSMO As causas do absenteísmo são variadas, carecendo de estudos acerca da análise das causas, valores reais, identificação de seus tipos, 14 qualidade, grandeza e repercussão do absenteísmo na produtividade. O absenteísmo refere-se a ausências em momentos em que os empregados deveriam estar trabalhando normalmente. Nem sempre as causas do absenteísmo estão no próprio empregado, mas na organização, na supervisão deficiente, no empobrecimento das tarefas, na falta de motivação e estímulo, nas condições desagradáveis de trabalho, na precária integração do empregado à organização e nos impactos psicológicos de uma direção deficiente. Na prática, as principais causas do absenteísmo são: 1)Doença efetivamente comprovada. 2)Doença não comprovada. 3)Razões diversas de caráter familiar. 4)Atrasos involuntários por motivos de força maior. 5)Faltas voluntárias por motivos pessoais. 6)Dificuldades e problemas financeiros. 7)Problemas de transporte. 8)Baixa motivação para trabalhar. 9)Supervisão precária da chefia. 10)Políticas inadequadas da organização. Alguns especialistas incluem o acidente no trabalho entre as causas do absenteísmo, o que pode criar confusão quando se pretende comparar os índices de absenteísmo de diversas organizações. As causas do absenteísmo precisam ser diagnosticadas e deve haver uma ação coordenada no nível de supervisão com o devido suporte de políticas da organização e apoio da direção para se tentar reduzir os níveis de ausências e atrasos do pessoal. POLÍTICAS DE PESSOAL PARA REDUZIR A ROTATIVIDADE Para enfrentar o desafio da rotatividade as organizações estão modificando suas políticas de pessoal, redesenhando os cargos para torná-los mais atraentes e desafiadores, redefinindo a gerência para torná-la mais democrática e participativa, repensando a remuneração para transformá-la em ganho variável em função do desempenho e metas a serem superadas além de estratégias motivadoras, que veremos no decorrer dos próximos capítulos. 15 Para reduzir o absenteísmo, as organizações estão aposentando os velhos relógios de ponto e adotando horários flexíveis para tornar o trabalho adaptado às conveniências e necessidades pessoais dos empregados. Outras ainda estão reduzindo seus escritórios e adotando o formato de empresa virtual, fazendo com que muitos empregados façam seu trabalho em casa (home office) interligado pela tecnologia da informação ao escritório central. É um mundo novo que se descortina, trazendo novos horizontes jamais imaginados pelas antigas gerações. 16