Princípios Oclusais na Execução
das Próteses sobre Implantes:
Fases Clínica e Laboratorial
OCLUSÃO EM IMPLANTODONTIA
Capítulo
2
PRINCÍPIOS OCLUSAIS NA EXECUÇÃO DAS PRÓTESES SOBRE IMPLANTES: FASES CLÍNICA E LABORATORIAL
2.1
Registro Interoclusal
As próteses são, possivelmente, a tarefa mais difícil ou uma das mais difíceis
da Odontologia. Todos os passos são preciosos, o somatório de pequenos erros
ao longo do trabalho aumenta ainda mais as dificuldades na fase de conclusão
do tratamento. O dente bonito, bem adaptado e bem ocluído é tudo o que
desejamos e nossos pacientes também. Todos nós sabemos que os pacientes
procuram por dentes e não pelos implantes. Caso no futuro surja algo melhor
que o implante para suportar os dentes artificiais, os pacientes vão continuar
querendo dentes, só que com novo sistema de sustentação e retenção. Por ser
um trabalho meticuloso, difícil, artístico e parte dele terceirizado, é que não
devemos negligenciar nenhuma das etapas.
O registro interoclusal é, com certeza, dentro do assunto enfocado neste livro,
o dado mais importante que o profissional obtém do paciente. A partir desse
registro e a adequada montagem em articulador dos modelos de trabalho, é
que se fornece ao técnico informações importantíssimas para que o ajuste
final na boca seja reduzido.
Pode-se dizer que quem determina a necessidade e ou o tipo de registro é o
número de dentes remanescentes e a maneira como eles ocluem entre si.
Assim sendo, e para ser mais didático, vamos classificar os registros interoclusais de acordo com a necessidade dos pacientes.
1. Casos clínicos que não necessitam de registro.
2. Casos clínicos que necessitam de registros parciais:
– Usando cilindros de plástico.
– Usando placa-base com rodete de cera.
3. Casos clínicos que necessitam registros totais:
– Usando placa-base com rodete de cera.
– Usando a prótese provisória.
Alguns profissionais utilizam materiais do tipo silicone de condensação ou
mesmo de adição para fazer
registros interoclusais para
prótese sobre implante. Por
considerarmos muito imprecisos e também devido
à dificuldade que encontramos para trabalhar, deixaremos de comentá-los.
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OCLUSÃO EM IMPLANTODONTIA
Casos Clínicos que não Necessitam de Registro
Como foi mencionado, o número de dentes e como eles ocluem são os fatores
determinantes da necessidade ou não do registro interoclusal. Mesmo com a
presença de poucos dentes ocluindo em uma relação estável, o registro é desnecessário, e, a nosso ver, sua ausência é vantajosa.
Como exemplo, poderemos citar a confecção de uma prótese na região de primeiro molar e segundo pré-molar inferior com a presença dos demais dentes.
Essa situação exibirá ótima estabilidade em máxima intercuspidação habitual,
mesmo em casos de intervenção em ambos os lados de um mesmo arco.
Nessas situações, os dentes remanescentes mantêm a estabilidade quando os
modelos estiverem ocluídos, dispensando totalmente a obtenção de registro
interoclusal.
Outro exemplo clássico está na realização de prótese na região anterior, quando o paciente possui a maioria dos dentes posteriores em oclusão, neste caso,
também, qualquer tipo de registro pode ser dispensado.
E assim acontece em outras situações, mesmo que os espaços protéticos sejam
maiores, porém os dentes remanescentes mantêm a estabilidade, o registro
interoclusal é desnecessário.
O único procedimento que o profissional necessita fazer é verificar se a oclusão da boca corresponde com a oclusão do modelo.
Um dado importante: os modelos de trabalho necessariamente devem ser bem
elaborados; atenção especial deve ser dada na superfície oclusal dos dentes, a
qual precisa estar livre de “bolhas positivas”.
As figuras 2.1 a 2.11 mostram um caso clínico típico que dispensou totalmente a presença de qualquer tipo de registro. O paciente apresentava somente a ausência de um
molar inferior.
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Fig. 2.1
Fig. 2.2
Fig. 2.3
Fig. 2.4
Fig. 2.5
Fig. 2.6
Figs. 2.1 a 2.3 Vistas frontal, laterais direita e esquerda de uma paciente somente com a ausência do dente 35,
em máxima intercuspidação habitual. Existe total estabilidade oclusal nessa posição.
Figs. 2.4 a 2.6 Nas vistas frontal, laterais direita e esquerda, os modelos adequadamente ocluídos dispensam
qualquer tipo de registro interoclusal.
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Fig. 2.7
Fig. 2.8
Fig. 2.9
Fig. 2.10
Fig. 2.11
Figs. 2.7 a 2.9 Modelos ocluídos e presos com palitos e godiva de baixa fusão, prontos para serem montados em
articulador nas vistas frontal, lateral e posterior.
Fig. 2.10 Prótese metalocerâmica unitária no modelo.
Fig. 2.11 Prótese instalada na boca.
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Casos Clínicos que Necessitam de Registros Parciais
Esses registros são necessários quando os modelos de trabalho mostram-se instáveis no momento em que estão ocluídos. Nesse caso, citaríamos a ausência
de dentes posteriores de um hemiarco, ou, então, número reduzido de dentes
posteriores que torna impossível a estabilidade dos modelos em MIH, assim
como a ausência de dentes posteriores nos dois hemiarcos.
Registro Interoclusal Utilizando Cilindros de Plástico
Os cilindros de plástico para prótese sobre implante, a nosso ver, são os melhores justamente por serem os mais exatos.
Como obtê-los:
– colocar nos pilares protéticos ou nos implantes, dependendo da situação,
que estão na boca, no mínimo dois cilindros de plástico ou cilindros metálicos;
– unir esses cilindros com um bastão de resina acrílica ou de resina composta
(esses dois primeiros itens podem ser feitos no modelo de trabalho, para
depois levar à boca);
– colocar sobre esse bastão, isto é, entre os dois cilindros, resina acrílica ou
composta;
– pedir para o paciente fechar a boca e esperar pela polimerização da resina.
No caso, fotopolimerizar quando for resina composta;
– remover o registro da boca afrouxando os parafusos;
– colocar o registro no modelo prendendo-o com os parafusos;
– articular com o modelo antagonista.
Esse registro pode ser feito em casos de próteses unilaterais ou bilaterais. É
um pouco mais trabalhoso, mas proporciona resultados consideravelmente
melhores.
As figuras 2.12 até 2.18 apresentam um caso clínico que necessitou de registro unilateral. E, para isso, foram utilizados dois cilindros de plástico unidos com resina acrílica
autopolimerizável. O registro foi obtido usando resina composta fotopolimerizável.
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Fig. 2.12
Fig. 2.13
Fig. 2.14
Fig. 2.12 Vista lateral com os pilares microunits em posição.
Fig. 2.13 Vista lateral dos cilindros de plástico em posição.
Fig. 2.14 Cilindros de plástico unidos com resina acrílica ativada quimicamente; observe o pequeno espaço interoclusal.
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Fig. 2.15
Fig. 2.16
Fig. 2.15 Registro sendo obtido com resina composta fotopolimerizável.
Fig. 2.16 Registro colocado no respectivo modelo com o modelo antagonista adequadamente ocluído.
Fig. 2.17 Prótese metalocerâmica fixada no modelo após o ajuste oclusal.
Fig. 2.17
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Fig. 2.18
Fig. 2.18 Prótese instalada na boca.
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