XII ONU Jr.
Cobertura do ONU Jr. em Tempo Real
[Comitê de Imprensa]
(IMPRENSA)
Guia de Estudos
Elaborado por:
Bruno Sadok
Paulo Henrique Calmon
2014
ONU JR | Um modelo para Crescer
Índice
1.
Carta aos Delegados ........................................................................................................... 2
2.
Organização do comitê ....................................................................................................... 3
3.
A Imprensa no mundo ........................................................................................................ 4
4.
A história da Imprensa........................................................................................................ 6
5.
O perfil e o texto do jornalista ............................................................................................ 7
6.
Os jornais ............................................................................................................................ 9
a.
Al Ahram ...................................................................................................................... 10
b.
Bild ................................................................................................................................ 11
c.
The Guardian................................................................................................................. 12
d.
Times of India ................................................................................................................ 12
e.
USA Today ..................................................................................................................... 15
7.
Preparação ........................................................................................................................ 15
8.
Conclusão.......................................................................................................................... 16
9.
Referências Bibliográficas ................................................................................................. 17
1
ONU JR | Um modelo para Crescer
1. Carta aos Delegados
Caros jornalistas, sejam bem-vindos ao Comitê de Imprensa do XII ONU Jr. É com
muito prazer que apresentamos este Guia de Estudos, que tem como objetivo direcionar as
pesquisas e os estudos sobre o processo de produção de um jornal, em uma época de
demandas cada vez maiores por informações bem apuradas e de qualidade.
A tarefa de noticiar tudo o que for debatido nas reuniões e expor os que fogem à
conduta esperada não é fácil. O jornalista é o profissional da notícia, ele é o responsável por
fornecer as informações de que o público/leitor precisa. Até a impressão do jornal diversos
obstáculos podem surgir, como fontes que gostariam de retirar o que disseram, representantes
que se recusam a conceder uma entrevista a determinado veículo, entre outros.
Além de informar, a imprensa é capaz de guiar muitos debates. Assim, prestem
atenção à responsabilidade que está em suas mãos, não somente no que diz respeito a essa
questão de influenciar discussões, mas também na postura que os senhores deverão manter.
Preservar a linha editorial do seu jornal e o código de ética que rege a profissão é essencial.
Todos os jornais terão edições diárias, distribuídas ao fim do dia. Para que tudo
corra da melhor maneira possível, trabalhar em sincronia é o principal. Sendo assim,
sugerimos que se organizem da seguinte forma: um editor e três repórteres. É importante
ressaltar que apenas os comitês históricos não têm a obrigatoriedade de ser objeto de suas
reportagens.
Fora este guia, sugerimos que os senhores tomem conhecimento das pautas das
reuniões que serão realizadas, pois preparação é a base para o jornalista que cobre eventos,
principalmente, internacionais. Não meçam esforços para que seus jornais ganhem destaque
em meio ao público. Afinal, todos serão avaliados pelos diretores, havendo uma premiação
para quem se destacar ao longo do evento.
Caso haja qualquer dúvida, não hesitem em nos consultar, por meio de e-mail ou
das redes sociais. Queremos que todos saiam satisfeitos tanto com o nosso trabalho como
com o dos senhores.
Por fim, fazemos aqui um agradecimento especial à Roberta Amazonas, nossa
diretora de imprensa emérita, por nos ajudar e disponibilizar conteúdos que foram de suma
importância para a feitura do guia e da logística deste comitê. E é claro que contaremos muito
com ela durante os dias de evento!
Atenciosamente,
Os Diretores do Comitê de Imprensa
Bruno Sadok e Paulo Henrique Calmon
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2. Organização do comitê
O Comitê de Imprensa é um dos mais tradicionais do ONU Jr. É a Imprensa que supre
a necessidade, cada vez maior, que o ser humano demonstra em relação à informação. Em um
cenário de intenso fluxo de produtos e mercados, é preciso estar a par do que acontece, em
âmbito mundial.
Com esse intuito, cabe ao Comitê de Imprensa noticiar tudo o que é falado e
apresentado nas reuniões e nos debates dos demais comitês, de maneira que todos os
delegados, ao fim do dia, tomem conhecimento do que aconteceu ao longo das sessões e,
também, estudem as posições dos demais países que têm sido apresentadas nos jornais.
Sendo assim, os jornalistas do XII ONU Jr têm a tarefa de publicar edições diárias de
cada jornal, com matérias referentes a todos os comitês em andamento e, dentro das
possibilidades, com entrevistas de delegados que estejam em destaque em seus respectivos
Conselhos. Entretanto, é essencial que haja bom trabalho em equipe entre os jornalistas de
cada veículo. Haverá uma divisão entre repórteres e um editor, de modo que os trabalhos de
apuração, redação e diagramação não sobrecarreguem ninguém e para que, dessa forma, o
jornal não seja prejudicado.
Quanto à organização dentro de cada veículo, nós sugerimos que uma pessoa, na
figura de editor, fique responsável somente pela diagramação do jornal, assim como pela
decisão acerca de qual matéria será a manchete do dia. Aos repórteres a sugestão é que cada
um cubra, no máximo, três comitês. Sobre as funções de cada um, ressaltaremos os seguintes
aspectos:
 Editor: ele tomará todas as decisões. A manchete, como serão paginadas/organizadas
as demais matérias, entre outros aspectos. Normalmente, o editor fica na sala de
redação, mas sem deixar de cobrir os acontecimentos; o ideal é que o editor seja
responsável por revisar as reportagens e organizá-las no jornal.
 Repórter: ele cobre as reuniões dos comitês, acompanhando tudo o que é falado,
proferido, apresentado e, proposto, tentando conseguir informações importantes e
relevantes dos mais diversos meios. O repórter pode e, deve, tentar adquirir cópias ou
trechos de documentos aprovados, posições dos países em maior destaque etc.
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Vale destacar que será permitida a entrada de apenas um jornalista de cada veículo por
comitê. Se nós, diretores, ou o Secretariado Acadêmico, repararmos que há muitos jornalistas
em um único comitê e reuniões sem cobertura, estabeleceremos limites.
Quanto ao fechamento dos jornais, serão impostos horários limites ou, em termos
jornalísticos, será estabelecido um dead line. Estes horários deverão ser cumpridos com rigor,
para que todos os jornais sejam publicados e distribuídos ao fim do dia.
Sobre as sessões fechadas, isto é, quando os comitês não permitem que jornalistas
tenham acesso à reunião, não somos nós, diretores de imprensa, que decidimos quando isso
acontecerá. Sendo assim, cabe ao jornalista arranjar meios de obter as informações
necessárias, sem infringir os códigos de ética do Jornalismo, sem colocar em dúvida a postura
do jornal.
2.1. Mídias Sociais:
No XII ONU Jr, a Imprensa terá uma atuação mais efetiva nas mídias sociais. Cada
jornal terá uma conta própria no Twitter que deve ser constantemente atualizada para
dinamizar o fluxo de informações como ocorre na imprensa atualmente. As contas e senhas
serão entregues no primeiro dia de evento.
3. A Imprensa no mundo
A indústria de comunicações é a mais importante e mais dinâmica indústria do capitalismo
avançado. 1
No final do século XIX, foi impulsionada uma revolução nos meios de comunicação,
paralelamente ao desenvolvimento industrial da época. Surgiram tecnologias e indústrias,
como a telefônica, radiofônica, cinematográfica, fonográfica e, inclusive, uma imprensa
escrita.2
Ainda em 1848, Karl Marx e Friedrich Engels, em sua célebre obra Manifesto
Comunista, expressaram o desenvolvimento destes meios de comunicação, à época, marcados
pelo telégrafo e pela ferrovia (os meios de transporte eram vistos como meios de
comunicação): “Esta união [do proletariado] é facilitada pelo crescimento dos meios de
1
DANTAS, 2010.
A imprensa escrita foi favorecida pela criação de Gutenberg, em 1436, que permitia a impressão e consequente
cópia e divulgação, cada vez mais rápida, de livros.
2
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comunicação criados pela grande indústria e que permitem o contato entre operários de
localidades diferentes” (ENGELS; MARX, 1848).
Dessa forma, percebe-se que há mais de um século as mídias, em suas diversas fases
de desenvolvimento, têm possibilitado uma maior integração de culturas, ideologias,
pensamentos e crenças. Com isso em mente, podemos entender a importância da imprensa no
cotidiano da sociedade.
Ao longo dos anos as tecnologias da informação foram aprimoradas e, do telégrafo ao
meio virtual contemporâneo, a principal forma de se noticiar fatos e, acontecimentos locais e
globais foi através dos jornais. Na verdade, o “jornal” mais antigo até então descoberto é o
romano Acta Diurna, que era um pequeno boletim que circulava entre antigos impérios. Os
cidadãos eram informados sobre escândalos no governo, campanhas etc.
Foi o telégrafo (final do século XIX, início do século XX) que possibilitou a
transmissão mais rápida de notícias, dinamizando o setor da imprensa. À medida que a
imprensa em geral começou a se espalhar internacionalmente, jornais e revistas surgiam em
todos os cantos, e a mídia passou a ter grande importância para a vida política dos Estados.
Já o rádio, em 1920, favoreceu a ampliação da ideia de uma transmissão em tempo
real, das notícias. Assim, a massa passou a ter um acesso cada vez maior aos acontecimentos,
tendo o poder, agora, de exigir dos próprios meios de comunicação informações e programas
que atendessem à opinião pública que começava a se formar. Tal poder das massas poderia,
inclusive, levar à derrocada ou eleição de um presidente.
A televisão, ao final dos anos 1930, e com a sua popularização após a Segunda Guerra
Mundial, viria para aumentar o poder de difusão desta imprensa global. Hoje, a mídia tem de
se dividir entre meios diferentes para transmissão de conteúdos diversos, através de vários
dispositivos.
A rede virtual possibilitou o acesso rápido e gratuito de um material muito mais
amplo e específico do que o leitor tinha acesso antes. Com apenas alguns cliques, uma pessoa
pode ter acesso a uma quantidade infinita de materiais. Assim, faz-se necessário sustentar a
qualidade e credibilidade dos veículos, para que o público não se aproprie de uma informação
falsa e construa críticas infundadas.
Neste mundo globalizado, os meios de comunicação dispõem de um imenso papel na
imprensa internacional.
5
ONU JR | Um modelo para Crescer
4. A história da Imprensa
Três jornais me fazem mais medo do que cem mil baionetas.
Napoleão Bonaparte
Vivemos sob um governo de homens e jornais matutinos.
Wendell Phillips3
Há séculos, a mídia impressa é utilizada como forma de informar e manter contato
com as massas. Na antiga Roma, em cerca de 60 A.C., Júlio César expunha escritas em
grandes placas brancas nos lugares públicos, a fim de manter os cidadãos informados sobre o
governo, campanhas militares, julgamentos e execuções. Em Pequim, no século VIII, os
primeiros “jornais” surgiram sob a forma de boletins escritos à mão. Em 1447, Gutemberg e
seu invento inauguraram a era do jornal moderno. A prensa possibilitou a disseminação de
ideias e conhecimento, temas que permeariam o Renascimento.
Na primeira metade do século XVII, os jornais começaram a surgir como publicações
periódicas. Os primeiros jornais modernos foram produto de países como Alemanha, França e
Inglaterra. As publicações traziam principalmente notícias da Europa e, ocasionalmente, da
América ou Ásia. Matérias nacionais raramente eram cobertas: os jornais ingleses
priorizavam derrotas militares sofridas pela França, por exemplo, enquanto os franceses
divulgavam os escândalos da família real inglesa. Já na segunda metade do século, os jornais
passaram a cobrir fatos locais. Entretanto, a censura impedia a abordagem de assuntos que
incitassem o povo à oposição. Em 1776, a Suécia foi o primeiro país a aprovar uma lei a
favor da liberdade de imprensa.
Em 1844, a invenção do telégrafo transformou a imprensa escrita. As informações
eram transmitidas em questão de minutos, de forma a permitir relatos mais atuais e, portanto,
mais relevantes. Em meados do século XIX, o jornal se tornou o principal veículo de
divulgação e recebimento de informações. Os “anos dourados” da mídia ocorreram entre
1890 e 1920, período no qual barões da comunicação como William Randolph Hearst e
Joseph Pulitzer construíram impérios editoriais. Os jornais exerceram também um papel de
extrema importância na divulgação da propaganda revolucionária. Exemplos notáveis foram
O Iskra (A Centelha), publicado por Lênin em 1900, e o Thanh Nien. Publicado no Vietnã, o
último apresentou o marxismo ao país e informou sobre políticas estratégicas da revolução.
3
Abolicionista e orador americano, 1852.
6
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Com a explosão do rádio nos anos 20, os jornais foram forçados a reavaliar seu papel
como principal fonte de informação. Esse desenvolvimento transmitiu a ideia de que a
tecnologia esmagaria a indústria dos veículos impressos. Como reação, os editores renovaram
o formato e o conteúdo dos jornais, a fim de deixá-los mais atraentes ao leitor. A cobertura
das notícias tornou-se mais ampla e profunda. Passado o susto do rádio, os jornais se viram
diante de um novo e poderoso veículo: a televisão. Algum tempo depois, teriam que lidar
também com a difusão instantânea de conteúdos através da internet.
No final dos anos 90, havia pouco menos de mil sites na internet. Hoje, a quantidade é
incalculável. A atual revolução tecnológica desafia, mas também gera novas oportunidades
para a mídia tradicional. Apesar da rapidez na transmissão e do volume de atualizações nas
informações da Internet, os jornais impressos continuam sendo um veículo popular e
relevante na análise dos eventos que afetam a população. A WAN (Associação Mundial de
Jornais4) calcula que cerca de um bilhão de pessoas em todo mundo leem pelo menos um
jornal por dia.
5. O perfil e o texto do jornalista
O jornalista pode dar sua contribuição para eventos políticos internacionais. Pode, e talvez
até deva. 5
Um dos papeis fundamentais do jornalista é contribuir e influenciar, positivamente, a
vida das pessoas, dos leitores. Para isso, é interessante que ele não apenas relate o
acontecimento, mas que consiga trazer conhecimento, além da informação pura e
simplesmente. “O correspondente tem um papel especial, porque seus relatos de diversos
países ajudam a formar a consciência do mundo”6.
Dessa forma, é preciso que o jornalista compreenda o sistema político, econômico,
social e cultural tanto da nação retratada quanto da sua, para que possa se fazer entender para
seus leitores, respeitar e manter a linha editorial (um objetivo, uma ideologia) do veículo que
representa. Além disso, algumas características se fazem essenciais para a composição de um
perfil desse jornalista:
4
Em português
SILVA, 2011, p. 116
6
Idem, p. 9
5
7
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Capacidade de organizar o pensamento com lógica, curiosidade, domínio do idioma
escrito, gosto pela leitura, disposição para trabalhar em condições adversas e com
muito pouca folga, adaptabilidade a situações novas que mudam constantemente. E
paciência, muita paciência. (...) Tenacidade, integridade, honestidade intelectual,
humor, estilo próprio e característico no texto, humildade, curiosidade intensa,
charme, capacidade de perceber a importância histórica de eventos 7.
Além disso, é importante estar ciente de que os diplomatas, ministros, representantes
do país de origem são aliados naturais do jornalista. O clima de coletividade também se faz
essencial para os profissionais que cobrem as reuniões, de modo que o trabalho de todos seja
sempre favorecido e aprimorado.
Há uma regra tácita mais ou menos básica entre correspondentes: se uma
informação é coletiva, não faz mal passá-la a quem por algum motivo não
conseguiu obtê-la diretamente. (...) Agir em conjunto com os demais colegas
correspondentes pode ajudar a aumentar a eficiência e adicionar valor ao trabalho
de todos8.
Quanto ao texto jornalístico, este deve ter como objetivo os princípios de
simplicidade e objetividade. Para isso, a linguagem deve ser simples, sem rebuscamentos,
sempre atentando a formulação de frases, de preferência, na ordem direta (sujeito, verbo e
predicado). Ainda, o jornalista deve evitar parágrafos muito longos (o ideal é não ultrapassar
oito linhas) ou de uma única frase, assim como parágrafos muito curtos também devem ser
evitados. O texto deve ser equilibrado.
O primeiro parágrafo do texto é chamado de lead, onde são apresentadas as principais
informações. Para facilitar o entendimento do leitor, o jornalista deve, nesse parágrafo,
responder às seguintes perguntas: quem fez o quê, quando e onde, com quem (ou contra
quem)? O que complementar o que já foi respondido deve vir em seguida.
Os demais detalhes e especificações devem ser apresentados no texto em ordem de
importância e relevância. No meio jornalístico, diz-se que o texto é construído sob o modelo
de uma pirâmide invertida. Ao seguir esse modelo, evita-se que informações importantes
não sejam eliminadas no momento da edição, já que, caso haja excesso, cabe ao editor cortar
informações, normalmente o último parágrafo.
7
8
Idem, p. 97
Idem, p. 86
8
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O jornalista deve, para aprimorar o texto e ganhar a confiança da fonte, ter
conhecimento sobre o assunto e sobre o entrevistado, em casos de entrevistas. Cabe, ainda, ao
jornalista, saber lidar com declarações de fontes, que têm direito a permanecerem anônimas,
desde que expliquem o motivo, e saber gerenciar informações dadas em off, sempre
atentando à qualidade – e veracidade – da informação e fugindo do sensacionalismo. O
jornalista deve atentar, também, aos furos adquiridos, isto é, informações exclusivas
publicadas antes dos concorrentes.
Todas as matérias devem possuir título e subtítulo, e é responsabilidade do editor
selecionar a matéria que será manchete no dia. Sempre que houver uma fotografia, é preciso
que haja uma legenda, explicando do que se trata. A assinatura das fotografias e das matérias,
ou seja, o crédito deve estar presente, porém a localização varia de acordo com a linha
editorial de cada veículo.
6. Os jornais
Neste
XII
ONU
Jr,
trabalharemos
com
cinco
veículos
reconhecidos
internacionalmente. Todo e qualquer jornal segue uma linha editorial, marca daquele veículo,
que deve ser respeitada em todos os momentos.
Quando as notícias informam sobre diferentes culturas e realidades, tornam-se fácil
observar as representações sobre o outro, realizadas pelos textos jornalísticos. Tais
construções passam a orientar o público leitor do jornal na maneira de olhar um país
estrangeiro, assumindo assim também um papel ideológico e histórico9.
Como já foi falado anteriormente, é preciso construir um texto que transmita ao leitor
não somente o que aconteceu, mas o que aqueles fatos representam. O público está
acostumado com a opinião do jornal sobre diversos assuntos, e essa postura é cobrada. Sendo
assim, é essencial que o jornalista leia, pesquise e entenda acerca de como cada impresso
trabalha, a quem ele se dirige e quais assuntos são mais importantes. Uma expressão mal
9
Fundada em 2005, a Revista Temática é uma publicação do Insite Universitário, ambos integrados ao Núcleo
de Artes Midiáticas, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal da Paraíba. A
Revista é voltada à divulgação de monografias, artigos, ensaios e produções docentes e discentes de
Comunicação e áreas afins.
9
ONU JR | Um modelo para Crescer
formulada e, o jornal pode desencadear diversas leituras e interpretações, de modo que o
público leitor questione a postura do veículo.
Neste momento da história humana em que a economia, a política, a ciência e a
cultura em cada sociedade dependem, como jamais antes, do que acontece além das
fronteiras nacionais e da interdependência entre os países, em todos os aspectos se
torna mais evidente e relevante do que nunca a importância do correspondente
estrangeiro de grandes meios de comunicação 10.
a. Al Ahram
Fundado em 1875, em Alexandria no Egito por dois irmãos libaneses, Salïm e,
Bishäram, o Taqlä torna-se diário no ano de 1881e alguns anos mais tarde muda sua sede
para o Cairo. O jornal ganha fama por sua cobertura internacional, independência e
objetividade, mesmo na época que sofria censura dos ingleses.
No fim da década de 1950 o governo egípcio passa a ter influência sobre o jornal e
quando, em 1960, o presidente Gamal Abdei Nasser nacionaliza a imprensa o Al Ahram
adquire o papel de “voz do governo egípcio”. Em 1957 Nasser dá a seu amigo, Muhammad
Hassanein Heikal, o papel de editor-chefe o qual é um dos grandes responsáveis por construir
o prestígio e a excelência que são encontrados até hoje no periódico. Atualmente o jornal tem
seu conteúdo controlado pelo Ministério da Informação egípcio.
Jornal de maior circulação no Egito tem papel de grande influência no mundo árabe,
dita tendências nos padrões de escrita chegando a ser considerado “o que o The Times é para
os ingleses e o que o The New York Times é para os americanos”.
Site do jornal: < http://www.ahram.org.eg/>
Twitter do jornal: < https://twitter.com/AhramArabi>
10
SILVA, 2011, p. 9
10
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b. Bild
Criado por Axel Springer em 1952, o jornal alemão Bild surgiu com a característica
de ser um jornal com forte apelo imagético e textos curtos. Sua inspiração era o tabloide
britânico Daily Mirror.
Surgindo no cenário do pós-guerra, o jornal assume a responsabilidade por “orientar”
o povo em uma Alemanha dividida, tendo como adversários não só o lado comunista,
ocupado pela URSS11, mas também os radicais de esquerda da Alemanha Ocidental.
De orientação conservadora, o jornal é criticado por adotar uma postura dita
sensacionalista, fomentadora de polêmicas e com capas que exploram sexo, criminalidade e
conflitos12. É acusado de instigar os preconceitos na sociedade a fim de aumentar suas
vendas13.
Günther Wallraf, jornalista investigativo, publicou em seu livro Der Aufmacher (A
manchete) como a redação manipula informações, distorce e até inventa notícias. O lema do
jornal é “Formador de opinião”.
Site do jornal: < http://www.bild.de/>
Twitter do jornal: < https://twitter.com/BILD>
11
Jornal Bild quer a retirada dos tanques soviéticos de monumento em Berlim. Disponível em:
<http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/mundo/internacional/noticia/2014/04/15/jornal-bild-quer-a-retiradados-tanques-sovieticos-de-monumento-em-berlim-125130.php> Acesso em: 09 Set. 2014
12
Sex, Smut and Shock: Bild Zeitung Rules Germany. Disponível em:
<http://www.spiegel.de/international/sex-smut-and-shock-bild-zeitung-rules-germany-a-412021.html
http://www.huffingtonpost.co.uk/2014/05/27/duchess-of-cambridge-bare-bottom-picturebild_n_5400845.html> Acesso em: 09 Set. 2014
13
Comentário anti-islã em tabloide alemão gera controvérsia. Disponível em:
<http://www.dw.de/comentário-anti-islã-em-tabloide-alemão-gera-controvérsia/a-17820939> Acesso em: 09
Set. 2014
BILD, Germany’s largest newspaper, is under fire for an editorial that is accurately critical of Islam.
Disponível em: <http://www.barenakedislam.com/2014/07/31/bild-germanys-largest-newspaper-is-underfire-for-an-editorial-that-is-accurately-critical-of-islam/> Acesso em: 09 Set. 2014
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c. The Guardian
Conhecido até 1959 como The Manchester Guardian, o jornal foi criado em 1821 por
John Edward Taylor. Tornou-se em 1855 um diário (até 1838 era semanal, com sua
circulação duas vezes por semana) e, mais de um século depois, passou a ser editado e
impresso em Londres (não mais em Manchester), adotando o nome atual. É conhecido por ser
um jornal 17 liberal, porém sem possuir ligações políticas. Durante a Revolução Russa, o
jornal fez uma cobertura impressionante, considerada a melhor da imprensa ocidental, sendo
o único a não seguir a linha oficial ditada pela chancelaria de seu país.
Sua versão online, lançada em 1999, é, de acordo com seu editor, a segunda de língua
inglesa mais lida do mundo, atrás apenas do New York Times. O jornal sofreu uma mudança
recente de formato. Em 2005 adotou o modelo Berliner – formato de jornal com páginas que
medem 470x315 milímetros, sendo maior que o formato Tablóide (Meia Hora) e menor que o
formato Standart (O Globo) -, mantendo o uso de cores na publicação. Sua circulação, de
segunda a sábado, tem uma média diária de 283.063 cópias (Março de 2010).
Site do jornal: <http://www.theguardian.co.uk/>
Twitter do jornal: < https://twitter.com/guardian>
d. Times of India
O The Times of India surgiu em 1861, fruto da fusão de seus precursores - jornais de
Bombay ligados à Coroa Britânica. A criação do informativo, agora diário, buscava assumir
um caráter de abrangência nacional.
Em 1946, o jornal foi comprado pelo indiano Seth Ramakrishna Dalmia. Dois anos
depois, a família Sahu Jain assumiu as diretrizes do jornal. Hoje, o Times Group e a Bennett,
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Coleman & Co. Ltd. (BCCL), controlados pela família, são responsáveis pelo maior
conglomerado de comunicação da Índia14, incluindo revistas, rádio, televisão, mercado
musical, internet, filmes, livros, entre outros. Em 2013, a organização lançou o primeiro canal
inglês de entretenimento focado em romance e comédia em HD no país.
Alguns escândalos permeiam a história do grupo e da publicação. Em 1998, Ashok
Kumar Jain, presidente da BCCL, foi preso em casa por fazer parte de um esquema de
transações estrangeiras ilegais e envio de dinheiro para bancos na Suíça, no qual Keshav
Bangur, acionista do Banco do Rajastão, estava envolvido. O Primeiro Ministro da época,
I.K. Gujral, foi acusado de proteger Jain, cuja filha é casada com o sobrinho de Gujral 15. O
presidente do Congresso, Sitaram Kesri, também foi colocado em descrédito por ser amigo de
longa data da família.
As publicações jornalísticas do grupo são vistas como subservientes aos interesses
privados e aos negócios da família. H. K. Dua, ex-editor, declarou16 em uma carta após sua
saída:
“Quando o Sr. Ashok Jain, presidente, estava no Hospital Apollo, ele me ligou e me
pediu para fazer lobby com líderes políticos a fim de buscar a ajuda deles nos casos
da Lei de Regulamentação Cambial (FERA, em inglês) que ele vinha enfrentando
há algum tempo”.
Dua continuou: “O Sr. Jain me pediu para escrever artigos em seu favor para criar
uma atmosfera vantajosa antes da retomada de seus casos na Suprema Corte”. Na época, o
jornal foi censurado pelo Conselho de Imprensa da Índia (PCI, em inglês) devido às
denúncias.
Em 2012, o Times Of India publicou em sua primeira página que a República de
Maurício estaria disposta a ceder as Ilhas Agaléga a fim de manter o importante Acordo de
Anulação da Dupla Taxação. O Ministro das Relações Exteriores do país, Arvin Boolell,
negou veementemente a informação17, acusando o repórter que escreveu a reportagem:
14
Times Group. Disponível em: <http://www.timesgroup.com/bccl/about-us.html> Acesso em: 09 Set. 2014
15
Trying times: FERA charges against Times of India's proprietor become a political football. Disponível em:
<http://indiatoday.intoday.in/story/a-b-vajpayee-accuse-i-k-gujral-of-shielding-tois-proprietor-ashok-jainfrom-feras-case/1/274424.html> Acesso em: 09 Set. 2014
16
A newspaper scandal: Editorial changes in The Times of India raise disturbing questions. Disponível em:
<http://www.frontline.in/static/html/fl1512/15120860.htm> Acesso em: 09 Set. 2014
17
Mauritius Gives Terms (Not Islands) for Tax Treaty. Disponível em:
<http://blogs.wsj.com/indiarealtime/2012/07/06/mauritius-gives-terms-not-islands-for-tax-treaty/> Acesso
em: 09 Set. 2014
13
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“Ele foi pago para escrever esse artigo? Ele foi coagido? Deus sabe o que o levou a
escrever tamanha inverdade. (…) Perdoe-o, Meu Pai, por ele saber o que escreve e
o que ele está escrevendo é tão falso quanto pernicioso”.
O ministro foi categórico para a imprensa local18 de Maurício: “O autor do artigo é
francamente perverso, malicioso e adepto a causar problemas”.
Em entrevista para o The New Yorker em 2012, Vineet Jain, diretor executivo,
afirmou que eles não seguiam um modelo tradicional.19 Com 90% da sua receita vinda da
publicidade, Jain declarou que antes os jornais eram demasiadamente sérios e que só atraíam
as elites intelectuais e isso, portanto, não era relevante para seus leitores.
A primeira página do jornal conta com muitas chamadas e pequenas caixas de texto,
mas com poucas imagens e elementos de design. Além das propagandas propriamente ditas,
há várias reportagens que exercem essa função. Para garantir a transparência, Jain coloca
abaixo, em letras bem menores, o seguinte aviso: “Advertorial20, evento promocional de
entretenimento”.
O Times Of India não se declara como um jornal, mas como uma marca. E, portanto,
busca o público-alvo desejado pelos anunciantes. A publicação tende a tentar atrair um
público mais jovem, evitando notícias que tenham um olhar negativo - a busca por histórias
de superação em uma tragédia é mais importante do que noticiar a pobreza de alguma região.
Seu compromisso com o mercado faz com que o Times não tenha uma agenda política
bem definida, apesar de omitir e proteger as empresas privadas que pagam por seus anúncios.
“Políticos não são amigos de ninguém”, declarou Vineet Jain. O formato jornalístico da
publicação é bastante criticado – uma citação não precisa ser necessariamente o que uma
pessoa falou e como ela falou, sob a pena de, caso isso seja feito, ser apontado como
adequação aos padrões americanos.
Site do jornal: < http://timesofindia.indiatimes.com/>
Twitter do jornal: < https://twitter.com/timesofindia>
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Road to Agalega Disponível em: <http://www.defimedia.info/blog/item/15542-road-toagalega.html?tmpl=component&print=1> Acesso em: 09 Set 2014
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Citizens Jain: Why India’s newspaper industry is thriving. Disponível em:
<http://www.newyorker.com/magazine/2012/10/08/citizens-jain> Acesso em: 09 Set 2014
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Advertorial é uma propaganda de algum produto no formato de um editorial ou artigo jornalístico.
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e. USA Today
Jornal de maior circulação nos Estados Unidos (cerca de 1,6 milhão de cópias diárias),
o USA Today foi fundado em 1982 por Allen Neuharth e pertence ao grupo norte-americano
de mídia Gannett. O periódico é distribuído em todos os 50 estados, no Distrito de Columbia
(Washington), em Porto Rico, na ilha de Guam, no Canadá e no Reino Unido.
Conhecido por sintetizar suas matérias para uma melhor e mais rápida compreensão, o
jornal não circula nos finais de semana e se diz “ideologicamente e demograficamente
diverso”.
Site do jornal: <http://www.usatoday.com/>
Twitter do jornal: <https://twitter.com/USATODAY>
7. Preparação
Recomenda-se que os delegados já se organizem quanto a que comitês irão cobrir a fim
de estudarem minimamente os assuntos que estarão em contato e farão suas matérias durante
o evento.
É necessário que pelo menos um dos integrantes de cada jornal leve um Notebook com
algum software onde possa fazer a diagramação do seu jornal (Publisher ou InDesign
preferencialmente), sendo altamente recomendável que todos estejam com um para facilitar e
agilizar a produção das matérias e não ultrapassar o dead line. Smartphones e máquinas
fotográficas serão de grande uso para abastecer ao máximo as diversas mídias.
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8. Conclusão
Em um cenário marcado pela convergência progressiva de mídias, a informação encontrase cada vez mais acessível. Com isso, é papel da imprensa apresentar não somente
informações, mas acontecimentos, contextos e, até, possíveis soluções.
Uma frase já é capaz de alterar uma relação. Imaginem o que isso não pode desencadear
quando essa mesma frase, mal formulada, envolve representantes e chefes de Estado. Após
essa leitura, cabe aos senhores pensarem algumas questões: como serão abordadas as
matérias dos veículos que os senhores representam? Como os senhores se portarão? Quais
prioridades os senhores darão dentro do jornal para o qual trabalham?
Segundo Gabriel García Marquez, “o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode
digerir e torná-lo humano por sua confrontação descarnada com a realidade”. A comunidade
internacional não hesitará em questionar posicionamentos. Esperamos que os senhores
saibam compreender a dinâmica e a importância da imprensa, não se prendendo a manuais,
mas colocando em prática o essencial do jornalismo.
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9. Referências Bibliográficas
BURKE, Peter e BRIGGS, Asa. Uma história social da mídia. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.
DANTAS, Marcos. Tempo é dinheiro: do telégrafo à internet. In: Revista Princípios, n.
106, 2010.
ENGELS, Friedrich; MARX, Karl. Manifesto Comunista. 1848.
LAGE, Nilson. Teoria e técnica do texto jornalístico. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.
MOLINA, Matías M. Os melhores jornais do mundo: uma visão da imprensa
internacional. São Paulo: Globo, 2008.
SILVA, Carlos Eduardo Lins da. Correspondente internacional. São Paulo: Contexto,
2011.
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