Antonio Victorino Avila – Antonio Edésio Jungles Valor do Trabalho Realizado Planejamento e Controle de Obras 16 . 16.1 – Objetivo. Partindo do conceito de Curva “S”, foi desenvolvida pelo Departamento de Defesa dos EEUU a metodologia do Earned Value Method, em português denominado de Método do Valor do Trabalho Realizado cujo objetivo é medir variações de tempo, quantidade e custos realizados quando comparados aos mesmos parâmetros estabelecidos no cronograma inicial ou contratual. 16.2 – Definições. O método em pauta visa analisar os quantitativos e custos, tanto orçados como realizados, sob cinco conceitos distintos, permite avaliar, em termos percentuais, as distorções havidas. Distorções essas provenientes da variação nos custos incorridos, das quantidades executadas ou no prazo dos serviços. % Custo Realizado | A realizar CE 100 O Método do Valor do Trabalho Realizado é um processo mais apurado do que o Índice de Situação, pois permite, com maior acuidade, estabelecer a variação tanto em termos de custos como de tempo. 90 Para a análise do MVTR deve-se dispor da Curva S conforme foi inicialmente programado, denominada COSE. E, de mais duas Curvas S: uma elaborada com os custos e serviços realizados, CRSR; e a outra considerando os custos inicialmente programados, porém considerando os quantitativos efetivamente realizados, COSR. Ver. Fig.13.17. 60 80 COSE VC CRSR 70 VA 50 40 VP 30 20 Nessas circunstâncias, o instrumento é recomendado para ser adotado por quem, efetivamente, dispõe do controle dos custos reais de um empreendimento, a exemplo de empreiteiros que adjudicam obras a preço fechado ou empreendedores tais como os incorporadores e construtores de edificações para revenda. COSR 10 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Fig.13.17 - Curvas de Acumulação - MVTR PlnjArq~aula16~MVTRL UFSC – Disciplina ECV 5318 1/9 % de Tempo Antonio Victorino Avila – Antonio Edésio Jungles Planejamento e Controle de Obras A metodologia em pauta se apóia na definição de três curvas “S” visando medir a variações percentuais ou absolutas dos custos incorridos e as variações percentuais de quantidades realizadas no processo de construção. A saber: • • • A curva do Custo Orçado de Serviços Estimados – COSE; A curva do Custo Realizado de Serviços Realizados – CRSR; A curva do Custo Orçado de Serviços Realizados – COSR. Nos itens seguintes é apresentada a metodologia de formação das curvas de acumulação COSE, COSR e CRSR, e de medição das variações de custos e quantidades de serviços efetivamente realizados, respectivamente, VCt e VQt. Mês Fluxo de Caixa Curva COSE Curva COSR Curva CRSR 1 2 3 4 5 6 R$ 8,00 15,00 14,50 26,60 22,50 ··· ∑R$ ∑R$ ∑R$ 8,00 6,00 9,00 23,00 37,50 64,10 86,60 18,00 31,00 54,00 79,00 26,00 43,00 68,00 98,00 ··· ··· ··· 0,50 0,33 0,44 0,28 ··· ··· Curva VC Curva VQ 0,39 0,21 0,26 0,19 0,24 0,10 Fig.13.18 – Exemplo de Calculo das Curvas de Acumulação 16.3 - Custo Orçado de Serviços Estimados – COSE. PlnjArq~aula16~MVTRL UFSC – Disciplina ECV 5318 Esta curva COSE é definida como função do somatório acumulado dos custos orçados a cada unidade de tempo. Os custos de cada atividade que participam da formação do COSE são obtidos pelo produto do custo unitário programado pela quantidade de serviço programada. Corresponde à Curva S contratual. ƒ(COSE)t = APa(n)t x CPa(n)t ou, n ƒ(COSE) t = ∑ (ap a(n)t × c p a(n)t ) t =1 O valor da curva COSE corresponde, em cada período, ao somatório do fluxo de caixa esperado do projeto. Considerando, como exemplo de cálculo o exposto na Fig.13.18, onde estão relacionados os fluxos de caixa de um projeto, os valores da curva COSE referentes aos 3º e 4º meses são: V(COSE) 3 = 8 + 15 + 14,50 = 37,50 V(COSE) 4 = 37,50 + 26,60 = 64,10 16.4 - Custos Realizados de Serviços Realizados - CRSR O objetivo da curva CRSR é avaliar, de forma global, qual a evolução dos serviços executados, em termos de quantidade e custos efetivamente realizados. Para tanto, a curva é função do produto dos custos e quantitativos efetivamente realizados durante a fase de construção. Matematicamente: 2/9 Antonio Victorino Avila – Antonio Edésio Jungles Planejamento e Controle de Obras A curva COSR mostra, período a período, qual a evolução ou desempenho do trabalho realizado quando utilizado os custos orçados. Matematicamente: ƒ(CRSR)t = ARa(n)t x CRa(n)t ou, n ƒ(CRSR) t = ∑ (ar a(n)t × c r a(n)t ) t =1 Considerando, como exemplo de cálculo o exposto na Fig.13.19, onde estão relacionados os gastos mensais, devidamente obtidos por um processo de medição e apropriação. ƒ(COSR)t = ARa(n)t x CPa(n)t ou, n ƒ(COSR)t = ∑ [ar a(n)t × c p a(n)t ] t =1 calculados do mesmo Considerando, como exemplo de cálculo o exposto na Fig.13.20, onde estão relacionados os gastos mensais, em que os custos foram os orçados e os quantitativos medidos e apropriados a cada período. Assim, os valores da curva CRSR relativos aos 3º e 4º meses são: Assim, os valores da curva CRSR relativos aos 3º e 4º meses são: V(CRSR) 3 = 9,00 + 17,00 + 17,00 = 43,00 V(CRSR) 4 = 43,00 + 25,00 = 68,00 V(COSR) 3 = 6,00 + 12,00 + 13,00 = 31,00 V(COSR) 4 = 31,00 + 23,00 = 54,00 Os valores da Curva CRSR são modo que os valores da curva COSE. Período 1 2 3 4 5 6 ··· ··· ··· ··· ··· ··· Gastos Mensais Apropriados 6,00 Curva COSR 6,00 Gastos Mensais Apropriados 9,00 17,00 17,00 25,00 30,00 ··· ··· Curva CRSR 9,00 26,00 43,00 68,00 98,00 ··· Fig.13.19 – Cálculo da Curva CRSR Período ··· 1 ··· 2 3 4 5 6 ··· ··· ··· ··· 12,00 13,00 23,00 25,00 ··· ··· 18,00 31,00 54,00 79,00 ··· Fig.13.20 – Calculo da Curva COSR 16.5 - Custo Orçado de Serviços Realizados – COSR. 16.6 – Análise de Variação. A curva “S” representativa dos COSR é obtida utilizando os custos orçados e as quantidades efetivamente realizadas durante a fase de construção. É elaborada sob os mesmos procedimentos adotados para a realização das curvas anteriores. Disponíveis as curvas acima citadas, pode-se definir as variações custos e as variações de quantidade realizadas quando comparadas com o previsto. Variações essas medidas em termos PlnjArq~aula16~MVTRL UFSC – Disciplina ECV 5318 3/9 Antonio Victorino Avila – Antonio Edésio Jungles percentuais ou em termos absolutos, ocorridas a cada período de execução do projeto. I – Variações de Custo. a) Variações Percentuais de Custos – VC%. Adotando como nomenclatura, VCt para a variação percentual total de custos de um projeto ou de uma atividade, medida na data “t” , este valor é obtido ao ser efetuada a razão entre o incremento de custos medido e o custo orçado. Matematicamente: VCt = V(CRSR)t − V(COSR)t V(COSR)t Planejamento e Controle de Obras Comentando um exemplo, seja um caso em que os custos realizados com a execução de uma fundação montaram a 853,20 R$/m³, enquanto os custos foram previstos em 632,00 R$/m³, para um mesmo volume executado. Calculando a variação de custos tem-se: VCt = V(CRSR)t 853,20 −1= − 1 = 0,35 ⇒ 35% V(COSR)t 632,00 Sendo o valor da Variação de Custo, VCt, igual a 0,35, isto demonstra que o custo realizado para o dado período “t” é 35% superiores que foi orçado para o mesmo período. Logo, os gastos incorridos no período são superiores ao que foi orçado. ou, VCt = V(CRSR)t −1 V(COSR)t Da expressão acima, pode-se inferir três situações: 1º. Quando VCt > 0, exprime, percentualmente, em quanto os custos realizados estão acima do orçado, na data considerada. A variação de custo é positiva, pois os custos realizados estão acima do orçado. 2º. Quando VCt = 0, Indica que os custos realizados estão ocorrendo conforme o orçado. Não há distorção nos custos. 3º. Quando VCt < 0 Indica, percentualmente, em quanto os custos realizados estão abaixo do orçado, na data considerada. Ocorreu um custo à menor. Logo, pode ter havido economia. b) Variações Absolutas de Custos - ∆CT. As variações de custos, expressas em valor monetário, podem ter ocorrido por dois fatos: 1º Fato – foram realizados os quantitativos previstos, porém ocorreram alterações nos custos unitários das atividades. Matematicamente, a variação de custos é dada por: ∆CT($) = COSR – CRSR 2º Fato – neste caso, ocorreram alterações dos quantitativos realizados, porém os custos unitários das atividades permaneceram constantes. A variação, então, é dada por: ∆CR($) = COSR – COSE PlnjArq~aula16~MVTRL UFSC – Disciplina ECV 5318 4/9 Antonio Victorino Avila – Antonio Edésio Jungles Planejamento e Controle de Obras II - Variações de Avanço – Quantidade de Serviço. A variação percentual de avanço, VAt, permite avaliar a quantidade de serviço realizada no período. Corresponde à razão entre a variação da quantidade de serviços realizados, quando comparado com o que foi estimado no cronograma ou orçamento inicial. Matematicamente, a variação de quantidade ocorrida em dado período, mantidos os custos orçados é dada correlacionando a curva COSR com a curva COSE: VA t = V(COSR ) t − V(COSE ) t V(COSE ) t VA t = V(COSR) t −1 V(COSE) t Da expressão acima, pode-se inferir: 1º. Quando VAt>0 indica, percentualmente, em quanto a quantidade de serviço realizada superou a programada. A quantidade produzida foi maior do que aquela programada. 2º. Quando VAt =0 indica não haver desvio quanto a quantidade realizada frente a que foi orçada. A quantidade dos serviços realizados ocorre segundo o programado. 3º. Quando VAt <0 mostra, em termos percentuais, em quanto a quantidade realizada dos serviços foi inferior à orçada. Nesta situação, a produção realizada foi inferior àquela programada, estando o projeto atrasado. PlnjArq~aula16~MVTRL UFSC – Disciplina ECV 5318 16.7 – Aplicação – Caso da Edificação. Comente e analise quanto ao desempenho da execução de um projeto de construção, dispondo dos seguintes dados: a) O cronograma físico financeiro conforme estabelecido em contrato, exposto na Fig.13.23. b) Informações da produção realizada até o 13º mês, que permitem traçar as curvas S expostas na Fig.13.21; c) Informações quanto às variações mensais de quantidade e custos, expressas em percentual, conforme curvas mostradas na Fig.13.22. Comentando o solicitado, considerando os dados disponíveis até o 13º mês: 1º. Analisando a Fig. 13.21 até ao 13º mês, verifica-se que a curva CRSR, indicadora do desempenho dos custos realizados de serviços executados vem se desenvolvendo acima da curva COSE, que mostra a evolução acumulada dos custos orçados de serviços estimados, correspondente ao fluxo de caixa proposto. Logo, os custos totais incorridos no período são superiores àqueles previstos nesse fluxo de caixa. 2º. Analisando a Fig. 13.22 até ao 13º mês, verifica-se que os percentuais de custo evoluíram de modo superior ao previsto e o avanço ou quantidades realizadas foi inferior ao planejado. 3º. A evolução de custos, considerando o 13º mês de execução foi de 43,37% superior ao custo programado a serem incorridos até esta data. 5/9 Antonio Victorino Avila – Antonio Edésio Jungles VC13 = Planejamento e Controle de Obras V(CRSR)13 359,60 −1= − 1 = 0,4327 ⇒ 43,27% V(COSR)13 251,00 4º. A evolução do avanço do projeto acumulada até ao 13º mês de execução mostra que houve uma realização (-) 23,19% inferior ao avanço programado. VQ13 = V(COSR)13 251,00 −1 = − 1 = −0,2319 ⇒ −23,19% V(COSE)13 326,80 5º. Considerando que os custos se mostraram 42,27% superiores ao programado e o avanço 23,19% inferiores ao planejado, cabe uma análise dos fatos que levaram a esta inconsistência. Enumerando algumas possibilidades: pagamentos feitos a maior, mantidos os custos unitários orçados; alterações dos custos unitários; alterações de tecnologia ou de projeto; inconsistências de projeto; avaliações de quantitativos; outros. Cabe ao analista verificar e relatar os fatos ocorridos do ponto de vista técnico e de gestão do empreendimento que levaram à realização de custos inconsistentes com o avanço mostrado. PlnjArq~aula16~MVTRL UFSC – Disciplina ECV 5318 6/9 Antonio Victorino Avila – Antonio Edésio Jungles Planejamento e Controle de Obras 700,00 0,70 600,00 0,60 0,50 0,40 400,00 0,30 Valores - % Valores - R$ 500,00 300,00 200,00 0,20 0,10 0,00 -0,10 100,00 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 -0,20 -0,30 0,00 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 -0,40 m ês mês COSE COSR CRSR Fig.13.21 - Curvas de Controle PlnjArq~aula16~MVTRL UFSC – Disciplina ECV 5318 Curva VC = Variação de Custo Curva VQ = Variação de Quantidade Fig.13.22 - Variação de Custo e Quantidade/Avanço 7/9 Antonio Victorino Avila – Antonio Edésio Jungles Etapa 1. Serviços Iniciais 2. Instalação Obra 3. Escoramento 4. Infra - Estrutura 5. Super - Estrutura 6. Alvenarias 7. Esquadrias Madeira 8. Esquadrias Metálicas 9. Vidros 10. Cobertura 11. Impermeabilizações 12. Revestimentos Internos 13. Revestimentos Externos 14. Pisos Internos 15. Instalações Hidráulicas 16. Instalações Elétricas 17. Pintura 18. Instalação de Gás 19. Acabamentos Externos 20. Elevadores TOTAL – Fluxo de Caixa Planejamento e Controle de Obras Preço Mes1 Mes2 Me3 Mes4 Mes5 18,90 8,00 9,00 1,90 12,10 6,00 6,10 2,50 0,50 0,50 0,50 14,90 6,00 6,90 2,00 161,20 19,20 18,00 47,70 30,10 28,30 3,90 13,30 7,10 71,20 5,40 30,60 40,60 1,00 32,70 1,00 41,50 4,90 9,60 24,50 601,00 8,00 15,00 14,50 26,60 22,50 Mes6 Mes7 0,50 0,50 18,00 18,00 7,00 Mes8 Mes9 Mes10 Mes11 Mes12 Mes13 Mes14 18,00 5,10 18,00 5,10 18,00 5,10 18,00 5,10 10,00 5,10 6,00 5,10 5,00 5,00 5,10 3,00 5,00 6,00 6,00 1,30 4,10 5,20 2,00 3,00 10,00 2,00 3,00 3,00 3,00 3,00 3,00 3,00 3,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 2,00 1,00 2,00 1,00 2,00 1,00 2,00 1,00 2,00 2,00 2,00 2,00 23,50 30,50 28,10 29,10 29,10 35,10 32,10 32,70 32,10 Curva COSE Curva COSR Curva CRSR 8,00 6,00 9,00 23,00 37,50 64,10 86,60 110,10 140,60 168,70 197,80 226,90 262,00 294,10 326,80 358,90 18,00 31,00 54,00 79,00 103,00 112,00 128,00 148,00 168,00 201,00 222,00 251,00 26,00 43,00 68,00 98,00 129,70 158,90 188,90 232,20 259,00 294,90 331,10 359,90 Curva de Variações de Custo - VC Curva de Variações Quantidade - VQ 0,50 -0,25 0,44 -0,22 0,39 -0,17 0,26 -0,16 0,24 -0,09 0,26 -0,06 0,42 -0,20 0,48 -0,24 0,57 -0,25 0,54 -0,26 0,47 -0,23 Fig.13.23 – Cronograma Financeiro Proposto e Curvas de Acumulação PlnjArq~aula16~MVTRL UFSC – Disciplina ECV 5318 8/9 0,49 -0,25 0,43 -0,23 Antonio Victorino Avila – Antonio Edésio Jungles Planejamento e Controle de Obras mes15 mes16 mes17 mes18 mes19 mes20 5,00 5,00 5,00 10,00 1,40 6,00 2,00 2,00 5,00 41,40 6,00 5,00 6,00 3,30 1,90 10,10 10,00 10,00 5,00 6,00 2,00 4,00 6,00 5,00 4,00 1,00 1,00 5,00 39,00 5,00 42,20 6,00 5,00 4,00 16,30 1,00 2,50 5,00 56,90 2,00 6,60 10,60 4,00 16,30 1,00 2,50 4,50 45,50 2,70 8,90 0,90 4,60 17,10 400,30 439,30 481,50 538,40 583,90 601,00 PlnjArq~aula16~MVTRL UFSC – Disciplina ECV 5318 9/9