ANAIS DO IV ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA
Comitê Dança em Configurações Estéticas – Junho/2015
ZEITGEIST1 - SÉCULO XVIII E A ERA TRANSMIDIAL:
ANALOGIAS POSSÍVEIS
Profa. Dra. Carmen Paternostro Schaffner (UFBA) i
RESUMO: O artigo se refere ao espírito de época (Zeitgeist) de dois momentos
históricos paradoxais da condição humana: a sociabilidade e as distorções da vida
pública no século XVIII, e a aculturação do corpo na era das mídias eletrônicas com a
lógica software do século XXI. A tentativa é estabelecer analogias possíveis entre
esses dois momentos, ambos regidos pelo desejo de representação da vida como
num Theatrum Mundi. Em sua segunda parte, apresenta as pesquisas similares e
transversais do Comitê Dança em Configurações Estéticas, discutidas no IV Reunião
Científica da Associação Nacional de Pesquisadores em Dança (ANDA).
ZEITGEIST – XVIII CENTURY AND THE TRANSMEDIAL:
POSSIBLE ANALOGIES
ABSTRACT: This article refers to the Zeitgeist of the Conditio Humana in two
paradoxical historic moments: the sociability and the distortions of public life in the
XVIII century, and the acculturation of the human body in the era of eletronic mídias
with the software-logic of the XXI century. The study establishes possible analogies
between theses two moments, both reigned by the wish to represent human life as a
Theatrum Mundi. The second part presents similar and transversal researches in
aesthetic configurations, discussed by the Dance Committee at the IV Cientific Meeting
of the National Association of Scholars in Dance (ANDA).
1
Zeitgeist - significa na língua alemã espírito da época ou espírito do tempo ou ainda sinal dos
tempos. É também, por extensão, o conjunto do clima intelectual e cultural de uma certa época. O termo
foi introduzido na Alemanha por Johann Gottfried Herd e logo foi amplamente absorvido por outros
escritores românticos. No Brasil, foi fundado em 2008 um movimento de nome Zeitgeist, interessado
na sustentabilidade do planeta.
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Os cidadãos de grandes metrópoles da Europa como Londres ou Paris, no
século XVIII, viveram uma época de sociabilidade paradoxal no que diz respeito a
reconhecimento e projeção social. Permeada de controvérsias, a sociabilidade nessas
cidades, em torno de 1740, configurou-se em um padrão distinto de organização de
vida urbana, com distorções na vida em público. Considera-se a saída da vida na corte
e a saída das propriedades privadas como um fator marcante e decisivo para um novo
tipo de convívio que se estabeleceu na vida cosmopolita.
Mesclar-se com estranhos que não permitiam facilmente ser etiquetados de
acordo com sua ascendência e “situados” em seu estrato social conforme a
circunstância material de vida, era para todos um desafio. Ao sair da convivência
pública em uma província onde todos sabem quem é filho de quem, para adaptar-se
à estranheza cosmopolita, era preciso utilizar artifícios. De um lado, era perceptível
que os cidadãos não oriundos da aristocracia se esforçavam em seus papéis para
obterem a chance de subir na escala social. Do outro lado, a camada nobre ou a dos
dissidentes da nobreza se esforçavam em seus papéis para manter o status vivendo
de forma fausta e opulenta. Ambos se comportaram como atores de um grande teatro.
Uma maneira encontrada para tornar os encontros sociais dessa mescla de
indivíduos mais significativos e até duradouros foi estabelecer um “código de
credibilidade” temporário. Assim como um grande ator, o cidadão não precisaria
revelar a sua personalidade e poderia tocar o sentimento das outras pessoas. Dessa
forma, foi construída uma ponte entre o que era verossímil no palco e o que era
verossímil nas ruas.
Desenvolveram-se então novos instrumentos e regulações sociais para a
criação das relações de uns com os outros. Essas normas de como se portar
socialmente deram para essas metrópoles um clima cultural, um Zeitgeist (espírito de
época) muito peculiar porque era como se as pessoas fizessem parte de um theatrum
mundi
2
(mundo como teatro). Para a sociedade daquela época, a vida urbana
precisava ser vivida como num grande teatro. Sair às ruas era estar atuando,
2
Theatrum mundi - grande teatro do mundo, um conceito barroco, usado pelos escritores do
romantismo alemão, cuja ideia é que cada ser humano tem um papel no mundo a ser desempenhado.
Seja de forma consciente ou involuntária, nós nos deixamos manipular como marionetes pelo criador –
o demiurgo regente do mundo.
2
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representando num mundo com plateia. Era estar entre o verossímil e o não
verossímil, o que aparenta ser, mas não é.
O termo theatrum mundi foi usado em 1757 por Rousseau em um tratado na
época da Restauração na França para mostrar que as condições humanas para viver
em Paris forçavam esse tipo de conduta social representada. Alertou em seu tratado
para a necessidade de uma convivência com mais sociabilidade e receptividade com
os outros de outra cidade (SENNETT, 2014, p. 101).
Tanto na França quanto na Inglaterra do séc. XVIII, o Zeitgeist era viver de
aparência. Multidões de pessoas da burguesia e da elite abastada vestiam-se das
mais instigantes formas e com os mais elaborados trajes para chamar atenção para
si. O modelo de toucado feminino compunha-se de grandes perucas de imensos
cachos, e os chapéus extravagantes carregavam frutas, esculturas em forma de
cascatas. Ambos os sexos com maquiagens pigmentadas de vermelho ou totalmente
brancas. Quem chegasse de visita a Paris ou Londres em torno de 1750 teria a
impressão de que não havia lei, e cada um podia trajar o que quisesse. Ledo engano.
Naquele mundo das aparências, estava tudo normatizado. Existiam livros de
regulamento que continham as leis suntuárias, que regulavam as atribuições do traje
para cada estrato social. O traje obedecia a uma hierarquia adequada à posição do
indivíduo na sociedade. Havia até a proibição de trajes fora da classe, o que tornou
as leis suntuárias politicamente complexas principalmente na França.
Conforme pesquisa de Richard Sennett (2014) para o livro O Declínio do
Homem Público, teria havido com a aplicação da lei suntuária uma idiossincrasia com
relação ao traje no século XVIII. "[...] era menos importante que as pessoas fossem
de fato aquilo que vestiam do que o seu desejo em vestir algo reconhecível para que
se tornassem ‘alguém’ nas ruas." (SENNETT, 2014, p. 105). O espírito da época era
a aparência da vida burguesa. Sair para um passeio teria de estar fantasiado. Essa
noção de representação tem a ver com as camuflagens dos atores no teatro. Era uma
moda e um jeito de estar no mundo obedecendo às convenções. As pessoas se
distanciavam de si para se tornarem figuras dentro de uma paisagem.
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Com um olhar mais otimista para a coevolução da espécie humana nos últimos
trezentos anos, gostaria de me referir à redescoberta do corpo nu na paisagem no
período do surgimento das vanguardas históricas, ou seja, o revelador e esfuziante
Zeitgeist do início do século XX na Europa. Um momento histórico que entrou na
contramão da vida das aparências, quando as pessoas, principalmente artistas,
escritores e pensadores, procuraram saídas e se retiraram para o campo para entrar
em contato consigo mesmas.
Na Alemanha, em torno das cidades de Essen (perto de Wuppertal 3) e Berlim,
em 1900, foi iniciado um movimento de cultura livre do corpo com a fundação de
clubes de nudismo como o FKK- Freikörperkultur4. Nessa época, desenvolveu-se um
movimento intelectual e cultural do corpo e vida saudável que ajudou vários grupos
de pessoas provenientes de camadas sociais distintas e diferentes faixas etárias a
reconhecer os prejuízos decorrentes de uma vida urbana enlouquecida pela corrida
industrial, e a se colocar na busca de alternativas saudáveis de vida. Assim pensando,
essas pessoas voltaram para o campo para viver comunitariamente com o corpo
liberado em sua forma própria, livres e despidos dos trajes com espartilhos.
Foi dessa maneira que os representantes da intelectualidade da Dança, como
Isadora Duncan, Rudolf Laban, Mary Wigman e outros dançarinos, que se
preocuparam em romper com um estilo de vida opressor na vida urbana se dedicaram
a buscar novas expressões para a dança. Por volta de 1910, havia um lugar de
encontro muito especial para conexões humanas entre artistas e intelectuais – o
Monte Veritá em Ascona na Itália. Para quem procurava outro estilo de vida, esses
encontros comunitários foram muito apreciados. O Zeitgeist era a dedicação ao
nudismo do corpo, e ao convívio com a natureza e o vegetarianismo. Esse refúgio em
Monte Veritá possibilitou a Rudolf Laban desenvolver suas ideias sobre a tríade do
movimento – o conceito dança-som-palavra. O convívio em Monte Veritá também
3
A cidade industrial de Wuppertal, na Alemanha, ficou conhecida pelo trabalho do Wuppertaller
Tanztheater, da dançarina natural de Essen, Pina Bausch. Em Essen se encontra a Folkwang
Hochschule, uma das mais importantes escolas de dança, teatro e música da Alemanha, fundada em
1927. Em 2012, passou a chamar-se Folkwang Universität der Künste. Ver mais: <www.folkwanguni.de>.
4
FKK- Freikörperkultur significa cultura livre do corpo. Ver mais em Schaffner (2012).
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serviu de inspiração criativa para a dançarina Mary Wigman, que criou em 1914 a
primeira versão do solo Hexentanz – A Dança da Bruxa (SCHAFFNER, 2012).
Na atualidade, o Zeitgeist são as relações em rede e conexões transmidiais
fluidas e em fluxo permanente. Um desafio para a condição humana de sustentar ser
o que ele é, aceitar rugas, gordurinhas, cabelo branco sem que o outro aconselhe um
aplicativo e interfira no seu looking. Não usamos perucas de cascatas e máscaras,
mas atuamos segundo padrões de perfeição técnica como se fôssemos seres de
passarela, modelitos siliconados, padrão corpo jovem e magro. A condição para o
homem ocidental é colocar em vulnerabilidade no ser quem ele é (COUTO, 2012, p.
96).
O corpo tomou o lugar do ser. Hoje, custe o que custar, o corpo estará sob a
luz dos holofotes aparecendo como um grande investimento de cirurgias e se
confundindo com vida. Conforme Couto, precisa-se um up grade de cybercorpo, volátil
e perfeito. O espírito do tempo é o glamour da aparência pelo corpo.
Helena Katz (2015) discorre sobre o conceito de corpos-apps de Sheila Ribeiro
(2013), quando diz que hoje se fala do corpo com uma intensidade tamanha e jamais
vista que corpo e vida se tornaram sinônimos. Vivemos o mundo dos aplicativos.
Nossa vida é conduzida como um programa aplicado. O corpo e todas as partes dele
podem ser redesenhadas. Vivemos num estado de alerta para cumprir todas as
instruções de aplicativos. A nossa preocupação é seguir uma lógica de corpo como
um programa aplicado. Novos layouts para o corpo, com dietas, exercícios, privações,
rigores de cumprimento de tarefas para uma administração competente do corpo, que
funciona fechado como um conteiner e você o enche de coisas. O sinal do nosso
tempo é a lógica do Software, que assumiu de forma totalitária o comando das nossas
vidas (KATZ, 2015, p. 253). A vida on-line e off-line é o grande ato do theatrum mundi
contemporâneo da vida midializada.
Na tentativa de estabelecer analogias possíveis entre o Zeitgeist desses dois
períodos em que a condição humana fica tão fragilizada nas esferas pública e privada,
no ambiente on-line e off-line, entre o verossímil e a vida de representação, faço
referência às contribuições e preocupações similares e transversais de alguns
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parceiros da ANDA, do Comitê Dança em Configurações Estéticas, do qual estou
coordenadora. No artigo de Iara Cerqueira (PUC/SP) "Redes: espaço de autonomia,
e/ou espaço de controle", a doutoranda se refere a formas de ativismo e participação
política e novos modos de agir on e off-line que geram novas e otimizadas
compreensões da vida midiática em que se configuram processos de fluxo contínuo
de participação e compartilhamento com implicações sociais relevantes e até
transformadoras. Elke Siedler, também doutoranda da PUC, tem preocupações no
sentido de diagnosticar a produção de conhecimento que se faz na internet e também
afirmar que a popularização da internet no final do século XX trouxe muitas
contribuições para o desenvolvimento social e a mudança de comportamento; embora
com fragmentações, muito do que se faz na internet possibilita e configura
conhecimento.
O Comitê Dança em Configurações Estéticas, na IV Reunião Científica da
ANDA realizada na Universidade de Santa Maria no Rio Grande do Sul de 17 a 21 de
junho de 2015, contou com um total de 26 resumos inscritos. Os trabalhos foram
reunidos em três grupos de apresentações, que no encontro foram mediadas pelas
professoras doutoras Gilsamara Moura (UFBA) e Roberta Marques (UFPE). A seguir,
há três quadros indicativos da condução dos trabalhos.
GRUPO 1 – Processos Compartilhados (10 comunicações)
NOME e UNIDADE
GILSAMARA MOURA E LUCAS
VALENTIM (docentes UFBA)
IARA CERQUEIRA
(doutoranda PUC)
ITALO FARIA E JOSÉ SILVA
ROMERO (doutorandos UNESP)
Orientadora K. Godoy
ELKE SIEDLER (doutoranda PUC)
THULIO GUZMAN (mestrando
UFBA) Orientadora Jussara
Setenta
JUSSARA SETENTA e RENATA
ROEL (docentes UFBA e UDESC)
LUCIANA PALUDO (docente
UFRGS)
RESUMO
Human Conection Project –
Dança, Hierarquia e Autoria
em Processo Compartilhado
Redes: espaço de autonomia, e ou
espaço de controle
Experiência Estética, apreciação e
fruição da dança na pósmodernidade
Da experiência presencial para a
virtual: a produção de
conhecimento na internet
Espacialidade em Dança: estudo
de parâmetros
Experiência compositiva em
Dança: posicionamentos artísticopolíticos num fazer aprender
O corpo paralelo:
o processo de colaboração
artística nos cinco anos de
doutorado
TIPO DE APRESENTAÇÃO
Comunicação oral sobre
apresentação de projeto
compartilhado
Comunicação oral
sobre a dança e organização
virtual
Comunicação oral sobre a dança
na pós-modernidade
Comunicação oral sobre a
produção de conhecimento em
dança na internet
Comunicação oral sobre o espaço
em processo compositivo
Comunicação oral sobre
configurações estético-políticas
em dança
Comunicação oral sobre análise
de obras
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LIANA MARTINS (mestranda
UNICAMP)
A experiência do provisório na
criação em Dança Contemporânea
FLÁVIA BORSANI (mestra
UNESP)
O revelar da Paixão: Pederneiras
em Bachiana no 1
Comunicação oral sobre análise
do processo criativo em
FACEBUNDA coletivo provisório
Comunicação oral sobre análise
de processo de criação e obra
GRUPO II – Processos Compositivos (7 comunicações e 1 painel)
NOME E UNIDADE
RESUMO
TIPO DE APRESENTAÇÃO
LISETE VARGAS (docente
UFRGS)
Vestido de Cena
LARISSA TIBURCIO (docente
UFRN)
O imaginário criativo e a
composição em Dança
Contemporânea
As expressões fácio-corporais
das emoções: os casos de the
hot one hundred choreographers
e vestígios
A Repetição como potência
numa instância de espelho
Comunicação oral sobre
processos de composição de
figurinos para a cena da dança
Comunicação oral sobre
processos de composição em
Dança Contemporânea
Comunicação oral sobre análise
de obras
ALEXANDRE A. OLIVEIRA
(mestrando UFRN)
JUSSARA BELCHIOR SANTOS
(mestranda UDESC)
Orientadora Sandra Meyer
CHARLENE SIMÃO
(mestra UFBA)
Comunicação oral sobre
processo de composição
Expressividade ou
expressividades d@ dançarin@
na dança
Comunicação oral sobre estudo
de configurações estéticofilosóficas na dança
JULIANA C. PASSOS
(doutoranda UNICAMP)
Processo de criação em dança:
improvisação, sons e imagens
FERNANDO DAVIDOVITSCH E
MARCELO MOACYR
(docentes UFSE)
Borramentos de fronteiras da
pós-modernidade metaforizados
nos fazeres coreográficos de
Merce Cunningham
Comunicação oral sobre
processos compositivos e
improvisação
Comunicação oral sobre
configuração estética e análise
de obra coreográfica
NAIA PRATA
(mestranda UFBA)
Inesperado e Dança: estudo
sobre o inesperado em
processos criativos em dança
Painel sobre estudos de
processos compositivos
GRUPO III – Configurações em dança na cena urbana e nas danças populares (3 painéis: 1via mídia e 4
comunicações)
NOME E UNIDADE
RESUMO
TIPO DE APRESENTAÇÂO
LIANA GESTEIRA E ROBERTA
MARQUES (docentes UFPE)
Motim: o pensamento relacional
do riso
VANILTON LAKKA (docente
UFBA)
A cena das danças urbanas na
cena
FELIPE H. OLIVEIRA
(doutorando UFBA)
Reliquiarium Experimentis:
saindo do espaço acadêmico
para insurgir no espaço urbano
bahiano
Projeto Arriscado: um diálogo
entre dança e acrobacia
Comunicação oral sobre análise
de processo de criação e
montagem na rua
Comunicação oral sobre
rastreamentos de dança HIP
HOP na cena contemporânea de
dança
Comunicação via mídia sobre
uma encenação performática na
rua
EMANUELLE ROCHA
(bacharelanda UFRJ)
Painel sobre relato de uma
experiência de dança e circo
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FELIPE MENDES E MANOEL
NETO (graduandos UFSM)
Grafiti pichação como mote de
criação
Painel sobre a experiência grafiti
na criação em dança urbana
Orientadora Heloisa Gravina
MARIA ACSELRAD
(docente UFPE)
Dança de fronteiras – Formas e
forças em discussão
Comunicação oral sobre
configurações de danças
populares
Comunicação oral sobre danças
dramáticas Congada
RAQUEL PEREIRA
(mestranda UNICAMP)
Orientador Odilon Roble
PAOLA SILVEIRA (doutoranda
UFRGS)
Orientadora Mônica Dantas
JESSICA RIBEIRO DIAS
(mestranda UFG)
Conhecimento sensível e o mito
na análise estética das danças
dramáticas
Sob os vestígios de um tango a
clave me convida a dançar
Entre Ramos:
o processo de criação em dança
a partir de elementos da
comemoração da Semana Santa
na cidade de Goiás
Comunicação oral sobre
reflexões sobre tango e
percepção cinestésica
Painel sobre rastreamentos de
matrizes
Conclusões Somatórias
Na primeira parte deste artigo, o objetivo foi fazer analogias entre as posturas
sociais e comportamentais da vida privada e a vida pública das pessoas que viveram
nas grandes metrópoles mundiais como Paris e Londres no século XVIII e a vida online e off-line daera transmidial do século XXI. No primeiro momento, as pessoas se
fantasiavam para sair às ruas e, na atualidade, para estar on-line nas mídias. Em
ambos os períodos, suas posturas refletem a preocupação de manutenção de status
social e o desejo de representação. Seguir massivamente o espírito do seu tempo
(Zeitgeist) levando a vida como se estivessem num grande teatro (Theatrum Mundi).
Em relação aos artigos enviados pelos pesquisadores membros do Comitê
Dança em Configurações Estéticas da ANDA, registrei a existência de conduções
teórico-metodológicas preponderantemente voltadas para as seguintes questões:
compartilhamento político-social nas conexões em rede e cultura digital; dança e
performance em tempo real na cena urbana; trabalho em pesquisa de campo e
estudos de caso; configurações estéticas entre tradição e contemporaneidade na
dança e novas questões para as práticas compositivas.
Embora com amplo espectro bibliográfico, notei que na maioria dos artigos
existe um frequente olhar estético para a Dança como Cognição e a Teoria
Corpomídia, ou seja, uma marcante influência das epistemologias desenvolvidas no
Centro dos Estudos do Corpo da PUC/SP. Concluo, por conseguinte, que há vários
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nichos da produção de conhecimento em Dança no Brasil que estão concatenados à
longa caminhada das professoras Helena Katz e Christine Greiner, autoras da Teoria
Corpomídia. Felicitações, portanto, e saudações à ANDA.
Referências
COUTO, Edvaldo Souza. Corpos voláteis, corpos perfeitos: estudos sobre
estéticas, pedagogias e políticas do pós-humano. Salvador: EDUFBA, 2012.
KATZ, Helena; GREINER, Christine (Org.). Arte & cognição: corpomídia,
comunicação, política. São Paulo: Annablume, 2015.
SENNETT, Richard. O declínio do homem público. Rio de Janeiro/São Paulo:
Record, 2014.
SCHAFFNER, Carmen Paternostro. Da dança expressionista
coreográfico – Alemanha Bahia. Salvador: EDUFBA, 2012.
ao
teatro
i
Carmen Paternostro Schaffner - Professora Doutora da Escola de Dança da UFBA. Dançarina,
Coreógrafa e Diretora de espetáculos. Fez Doutorado na Escola de Teatro com estágio sanduiche na
Alemanha. Tem Bacharelado, Licenciatura e Mestrado realizados na Escola de Dança da UFBA, onde
hoje atua como Professora Doutora Nível Adjunto. Pertence ao Grupo de Pesquisa Corponectivos em
Dança Artes e Intersecções, Linha Filosofia e Artes Performáticas. Desenvolve Projetos de Extensão
com Universidades Alemãs em conexão com a Bahia. Também, Coreógrafa do Grupo de Dança
Contemporânea da UFBA, gestão 2013. É professora permanente do Programa de Pós Graduação em
Dança da UFBA. Eleita em 2014 coordenadora do Comitê Dança em Configurações Estéticas da
ANDA. Atua na Graduação na área de ensino em Estudos Críticos Analíticos, Processos Criativos e
Laboratórios de Corpo e Criação. Atualmente exerce as funções administrativas de Vice Diretora (20152019) e Coordenadora Acadêmica da Escola de Dança desde 2013. Com experiências e vivências fora
do Brasil, principalmente na Índia e Alemanha como Encenadora e Coreógrafa foi responsável pela
criação dos seguintes grupos: Grupo Intercena (1976-78) e (1990-2015), Grupo Calcutta Dance Theatre
(1979-81), Grupo Pagu Teatro Dança/Belo Horizonte (1983-85). Endereço para acessar este
CV: http://lattes.cnpq.br/5102704214049382
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