A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO AS ESTRATÉGIAS SÓCIOESPACIAIS DE DESENVOLVIMENTO E A TERRITORIALIZAÇÃO DE SOROCABA THIAGO RODRIGUES LEITE1 Resumo: Neste ensaio elaboraremos uma análise na qual pretendemos visualizar as dinâmicas de produção sócioespacial da cidade de Sorocaba em sua totalidade. Para isto, torna-se necessário uma reconstrução histórica do território sorocabano a fim de elencar os principais elementos que impulsionaram sua territorialização, sistematizando os principais períodos de evolução técnica que condicionaram a cidade como um importante pólo regional da economia paulista. Nessa perspectiva, representaremos o município como um subsistema pertencente e em interrelação com o sistema total (inseridos no processo de globalização), generalizando as peculiaridades locais para que cheguemos a movimentos que interagem com a globalização, resultantes da ampliação do espaço urbano que se expandem pelos principais eixos viários da cidade. Palavras-chave: Territorialização; Sorocaba; Estratégias; Urbano; Totalidade. Abstract: This essay will elaborate an analysis in which we intend to see the sociospatial production dynamics of the city of Sorocaba in its totality. For this, it is necessary a historical reconstruction of Sorocaba territory in order to list the main elements that have boosted their territorialization, systematizing the main periods of technical developments which conditioned the city as a major regional hub of São Paulo economy. From this perspective, we represent the municipality as a subsystem belonging and interrelation with the total system (inserted in the globalization process), generalizing the local peculiarities so that we get the movements that interact with globalization, resulting from the magnification of urban space that expand by main roads of the city. Key-words: Territorialization; Sorocaba; Strategy; Urban; Totality. 1 – Introdução O presente trabalho tem como objetivo expor a dinâmica da territorialização da cidade de Sorocaba, a partir da reconstrução histórica do desenvolvimento de sua mancha urbana, que tem início com a abertura de rotas promovida pelo impulso das marchas que vinham do Sul do Brasil pela rota do Viamão. No desenrolar do processo histórico não pretendemos nos prender a detalhes específicos desse processo, como em outros períodos que se sucede na análise as demandas globais de desenvolvimento social da época, nos permitindo, assim dialogar com os diversos subsistemas que convergem no movimento da globalização 1 - Acadêmico do Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana da Universidade de São Paulo. E-mail de contato: [email protected] 4326 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO Em nosso estudo do processo histórico procuraremos destacar como os principais momentos históricos: a) A marcha dos tropeiros que saiam de Porto Alegre sentido região Sudeste; b) A instalação da hidrelétrica de Itupararanga e a substituição da energia a diesel, a inauguração da estrada de ferro Sorocabana e o movimento migratório de espanhóis japoneses e italianos deste período; c) A industrialização do território com a chegada das teceleiras; d) A descentralização das indústrias e a expansão dos serviços e do setor residencial; Pretendemos aqui contextualizar cada momento ressaltando a porosidade2 do território em se integrar as dinâmicas globais a partir de quatro conceitos chave conforme define Santos (2014)3, sendo eles, as formas territoriais, as estruturas, a função e o processo (tempo) em que os fatos se sucedem. Este método é o pressuposto para dialogar movimento interno da cidade com as demandas externas da produção social e econômica, na qual evidenciaremos o papel da cidade no movimento de expansão da economia paulista e suas relações diretas ou indiretas com a própria economia nacional, a qual sofre interferências e também interfere nas demandas globais. A partir dessa visão totalizante é que percebemos interesses que escapam a realidade local sendo aplicados internamente no território, às vezes sobre um discurso de um beneficio global, às vezes diluído em propostas de caráter público, como a necessidade de se preservar o meio ambiente ou de adequar espaços verdes no ambiente urbano, com o interesse primário em transformar este elemento em um trunfo de valorização de empreendimentos privados. 2 – A cidade de Sorocaba no movimento da integração do território nacional As dinâmicas recorrentes do processo de consolidação territorial do Brasil para o interior, a partir da expansão econômica, mobilizaram uma camada 2 ARROYO, Mônica 2001. SANTOS, Milton. 2014 -“Estrutura, processo, função e forma como categorias do método geográfico”, pp. 6780. 3 4327 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO significativa da população brasileira que se reproduzia e se integrava economicamente pelo comércio de mercadorias que saiam do Sul do país em direção ao Sudeste. A produção dos fluxos comerciais de bens ecoados pelo movimento bandeirista se realiza através de rotas terrestres no século XVI, deu condição ao movimento tropeirista que surge no final do século XVII e se estende até o final do século XIX4. Muitas são as vias de circulação viárias abertas neste movimento, na qual os pontos de parada para o descanso e abastecimento do tropeiro e as pastagens dos animais que os acompanhavam no trajeto, condicionavam certos pontos do território a uma nova dinâmica de centralidade, que enraizavam suas estruturas e iniciavam uma nova onda de urbanização. Neste período podemos relacionar um movimento escalar em que se tinha no território nacional uma demanda de integração promovida pela expansão econômica pela reprodução e ampliação do capital, somada a interesses políticos de potencias exteriores em reforçar a integração das economias do terceiro mundo na economia mundial. Nacionalmente, é através das marchas tropeiras que se materializava na expansão das redes viárias brasileiras um tipo de estrutura que tinha como função a integração do território e a viabilização da circulação de fluxos de produção, capital e mobilidade social internos. A expansão de rotas pelas tropas bandeirantes garantiam a dinamização e formavam nós de rede que integravam pontos da região Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil com as cidades ou aldeamentos (formados nesses movimentos), as capitais regionais (que era capaz de direcionar a circulação para toda unidade nacional) até mesmo para as regiões portuarias onde as mercadorias poderiam se direcionar para outros pontos do globo, como foi com o café no século XIX. Sorocaba insere-se nesse movimento, pois inicialmente este era um ponto de parada obrigatório para abastecimento e pousada dos tropeiros vindos principalmente pela Caminho do Viamão5 em direção a zona da mineração (Mapa 1), 4 STRAFORINI, Rafael. 2.001. 5 A rota do Viamão num sentido regional sul/sudeste compreendia o trajeto das marchas que permitiram a fundação das cidades de Porto Alegre, Vacaria, Lajes, Curitibanos, Mafra, Rio 4328 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO processo no qual exigia a instalação de estruturas fixas que garantiam o escoamento qualitativa e quantitativamente dos bens materiais produzidos em sua maioria nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Nesse processo, os muares tornam-se a principal ferramenta de logística que garantia o escoamento das mercadorias que entravam e saiam do território nacional. Mapa 1: Principais vias de circulação do bandeirismo no Brasil e no Uruguai Fonte: (CORTÊS,2000, pg. 52, apud Silveira,2005, pag. 08). 2.1 – Sorocaba: da integração nacional a integração global A concentração técnica no território urbano da cidade impulsionada pelo movimento tropeirista e a economia do café viabilizou a inauguração da Estrada de Ferro Sorocabana, desacelerando significativamente o comércio por muares pela significativa diminuição na relação tempo-espaço e a viabilidade de expandir a produção que as estradas de ferro proporcionavam com sua grande capacidade de Negro, Lapa, Palmeira, Ponta Grossa, Itararé, Itapetininga e Sorocaba, compreendendo um total de 1.093 Km. 4329 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO escoamento dos bens produzidos, permitindo relações mais próximas de produção com a cidade de São Paulo. A integração territorial de Sorocaba (Mapa 2) era conduzida a inovações técnicas que resultavam nessa aproximação com a economia paulista, entre elas a expansão das linhas férreas para a metrópole, o porto de Santos e grande parte do interior paulista, o recapeamento das vias internas e rodovias de acesso a cidade e a inauguração da hidrelétrica de Itupararanga em 1914, que destaca-se por despertar o interesse industrial pela maior capacidade do território em gerar energia, além de ser a principal fonte que alimentaria as inovações de mobilidade urbana dando condição aos novos sistemas de bondes elétricos, que interligariam os bairros operários com as fábricas teceleiras que se instalaram pouco tempo depois da inauguração das linhas férreas no município de Sorocaba. Mapa 2: Linhas férreas com tração diesel e eletrificadas da E.F. Sorocabana Imagem: organizador: RUEDA, apud LICHTI As fábricas têxteis no século XX eram de tal importância para a economia nacional que Sorocaba ganha o título de Manchester Paulista em veículos de comunicação populares da época, momento em que a cidade abre uma grande oferta de trabalho, captando mão-de-obra imigrante de famílias européias foragidas principalmente da Espanha e da Itália, que neste momento combatiam na Primeira Guerra Mundial. O movimento migratório estrangeiro foi um fator fundamental para a aquisição de mão-de-obra barata e qualificada, processo que deu origem a muitos bairros operários, que se instalaram na periferia do centro comercial, hoje caracterizado como centro expandido da cidade (Mapa 3), mantendo a essência cultural desses 4330 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO países em suas toponímias territoriais como o bairro do Barcelona (fundado por comunidades espanholas) e o Santa Rosália (fundado pela comunidade italiana). Muitos imigrantes também eram direcionados a trabalhar nas lavouras da cidade processo que permitiu uma ocupação primária das regiões periféricas da cidade que atualmente representam grande parte da mancha urbana existente no município. Mapa 3: As Regiões Urbanas de Sorocaba. Fonte: Fonte: Magno, Anderson, 2010, Adaptado por Ariane Borges Falleiros Pini O processo de descentralização industrial em São Paulo na década de 1970 expandiu sua produção industrial para áreas mais distantes do centro financeiro, focando cidades que ainda mantinham sua economia predominantemente rural. Paralelamente, Sorocaba ganhava impulso e representação na participação econômica por conter em suas fronteiras um conjunto técnico que permitia uma integração mais fluida com a metrópole paulista do que outros municípios de sua região administrativa, e num movimento semelhante Sorocaba também fecha as portas de suas teceleiras, no qual observamos a ascensão do terceiro setor, principalmente as áreas vinculadas aos serviços e a construção civil. A demanda de expansão capitalista em nível nacional integrava em seu todo novos subsistemas para que essa ampliação e integração com o exterior fosse possível, cada Estado responsabilizado mediava normativamente esse processo abstrato, no entanto, a concretização desse combinado de ações moldava novas estruturas, formas e (re)qualificavam as já existentes para que se adaptassem as 4331 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO novas funções, as quais permeavam determinados territórios que permitiam a implantação desses conjuntos técnicos. A capacidade do território sorocabano em absorver novas inovações técnicas depende do momento atual de avanço técnico de cada espaço em absorver tais inovações, por exemplo, por ter tido desde o passado a demanda do escoamento da produção regional. Forma-se assim um sistema de circulação que foi implementado e regulamentado normativamente pelo Estado, sistema este que se integrou com a instalação da linha férrea no final do século XIV, que mesmo com características físicas e de funcionamento bem diferentes dos veículos automotivos, funcionava integrado com o sistema rodoviario, moldando um mosaico de vias que dava condição ao escoamento da produção industrial até a realização do consumo e a “canalização” do descarte. Portanto, sem esta somatória de redes que se consolida na cidade através do processo histórico, a pré-condição que garante da instalação e a realização das estruturas industriais em Sorocaba jamais seria atendida. Aqueles desenvolvimentos, em cuja a determinação concorreram em mais ampla medida as condições externas favoráveis do que a capacidade intrínseca dos povos que os percorreram, acabam por revelar a própria natureza quando aquelas circunstâncias favoráveis deixam de existir. Nesses casos, os povos descem repentinamente das alturas às quais tinham se elevado e os elementos externos que os haviam feito emergir se tornam herança para outros povos que se valerão deles para se elevar também. Após as grandes descobertas terrestres e marítimas dos séculos XV e XVI os portugueses e os espanhóis logo conquistaram o primeiro lugar entre os povos europeus; mas poucos decênios depois, surgia contra eles a vitoriosa concorrência dos holandeses e dos ingleses e se iniciava 6 sua rápida decadência (RATZEL, 1914). O atraso técnico de determinados territórios se da dialeticamente no que diz respeito a sua porosidade em absorver novas formas e estruturas, pois o problema pode ser tanto pela falta de estrutura territorial de possibilidades de realização de um determinado processo quanto pelo excesso das mesmas, que podem moldar rugosidades7 de grande porte, que se não ganham uma nova função podem gerar uma dinâmica de deseconomia espacial8. 6 Ratzel trabalha sobre um panorama de decadência de impérios, contrário a nossa perspectiva que é de ascensão territorial. Contudo, as heranças de caráter infraestrutural se sucedem no território de forma semelhante. 7 SANTOS, Milton. 2012. 8 CORREA, Roberto Lobato, 1989. 4332 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO O movimento descentralizador das indústrias de Sorocaba deixou grandes formas em pontos até então relativamente distantes do centro comercial do município que permaneceram em inércia até o início deste século, momento em que a expansão do setor residencial nas áreas próximas começou a demandar a expansão dos serviços, processo que concedeu um novo protagonismo a duas das três principais estruturas que antes representavam a produção têxtil que tiveram a função da produção substituída, passando a exercer um papel fundamental de distribuição quando ambas foram transformadas em hipermercados. 2.2 – O atual processo de expansão e o empreendedorismo urbano No início deste século com a expansão das redes de circulação rodoviária e a estagnação das estradas de ferro, os espaços contemplados com esses tipos de inovações técnicas de circulação que permitiam a reprodução ampliada do capital permaneceram seletivamente em algumas cidades do estado. As cidades que contavam com as linhas férreas e os investimentos maciços em infraestrutura rodoviárias estavam hierarquicamente posicionadas perante a economia e os investimentos federais, sendo estes espaços dotados de maior capacidade de reprodução da mais-valia. Nesse processo, concordamos aqui que o controle das redes é um instrumento de poder9, no qual as mesmas podem se apresentar também em ordem escalar. Da mesma forma que existe a hierarquia entre as cidades, podemos também encontrar esse “ranqueamento” entre estados e países, no qual se compara também a mobilidade que determinado espaço oferece, principalmente no que diz respeito a mobilidade da força de trabalho, da qual Sorocaba também vai se beneficiar. Então como se consegue a integração espacial? A troca de mercadorias é uma condição necessária, e também o é a disponibilidade de um “equivalente universal” (por exemplo, o ouro) como a base monetária do intercambio mundial. As barreiras físicas ao movimento da mercadoria e do dinheiro sobre o espaço têm de ser reduzidas a um mínimo. Entretanto, as condições suficientes para integração espacial são proporcionadas pelas mobilidades geográficas do capital e da força de trabalho. “No capital”, 9 RAFFESTIN, Claude. 1993. 4333 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO afinal, “a existência independente do valor é elevada a um poder mais alto que o dinheiro”, embora “a tendência de criar o mercado mundial [esteja] imediatamente dada no próprio conceito do capital”. O movimento geográfico do dinheiro e das mercadorias como capital não é igual ao movimento dos produtos e metais preciosos. Afinal, o capital é o dinheiro usado de determinada maneira, e não é de modo algum idêntico a todos os usos do dinheiro. (HARVEY, 2013, pag. 480). Para tal integração, percebemos um movimento em que se constroem estruturas físicas, por exemplo, uma rede viária que visa estimular a reprodução e superar as barreiras que limitam a ascensão de determinados espaços mediante ao critério de circulação. No entanto, esse é um movimento dialético, porque no movimento de evolução técnica do devir, a própria via que surge para integrar o espaço em um primeiro momento pode se apresentar como uma barreira para as novas tecnologias de mobilidade urbana. Mais o pior de tudo é que observamos que o capitalismo procura superar as barreiras espaciais mediante a criação de infraestruturas físicas que são imóveis no espaço e extremamente vulneráveis a desvalorização especifica do lugar. Rodovias, ferrovias, canais, aeroportos, etc. não podem ser movidos sem que o valor neles incorporado seja perdido. Por isso, o valor tem de ser imobilizado na terra em um grau crescente, para conseguir integração espacial e eliminar as barreiras espaciais à circulação do capital. Em um ponto ou outro, o valor incorporado no espaço produzido do sistema detransportetorna-se a barreira a ser superada. A preservação de valores particulares dentro da rede de transporte, significa restrições a expansão adicional do valor em geral. Fortes desvalorizações e reestruturações dentro do sistema de transporte, com tudo o que isso direciona para a moldagem de configurações espaciais e dos níveis de integração espacial, tornam-se inevitáveis. Esta é a principal contradição que modifica e circunscreve a mobilidade do capital na forma de mercadoria. (Harvey, 2013, pag. 485). Abre-se para Sorocaba uma nova frente de expansão. Observamos estratégias de incorporação de valor na terra, que surgem fundamentados sob o discurso de melhoria da qualidade de vida, sustentabilidade ambiental, integração de transportes, etc., que na verdade favorecem principalmente os interesses individuais de agentes imobiliários que vem transformando a cidade em um verdadeiro canteiro de obras, especialmente projetos vinculados a condomínios fechados. Os condomínios habitacionais por sua vez, por restringir as estruturas de serviços que funcionam em seus limites internos, configuram nas suas adjacências um estímulo a comércios vinculados ao terceiro setor especializados em serviços para satisfazer as necessidades que são impostas por estes tipos de moradia que 4334 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO podem promover ações vinculadas a gentrificação e a transformação de determinados espaços. Esse processo de ocupação maciça do território mobiliza uma grande quantidade de capital, no qual o espaço urbano é transformando em uma verdadeira possibilidade da realização da mais-valia. No entanto, influências externas não contabilizadas nos projetos de intervenção urbana podem gerar diversas dinâmicas de desaceleração econômica. Em Sorocaba no ano de 2010 tivemos a inauguração de seis Shopping Centers, que vislumbravam enraizar uma centralidade de serviços no eixo viário das diferentes regiões de Sorocaba (mapa 3), que passavam por um processo maciço de loteamentos em uma tentativa de estabelecer subcentralidades10 em cada uma delas. Porém, o atual momento de recessão econômica somado vem culminando na falência desses empreendimentos, tendo como exemplo o Shopping Villágio, que está com mais de 70% de suas lojas fechadas, pronto para dar lugar uma um centro médico. 3 – Considerações finais: Pensar na evolução de um sistema urbano, nos remete a realizar a análise em um nível escalar complexo, que vai da paisagem concreta ao espaço abstrato, o que nos dificulta compreender as especificidades de cada lugar. No entanto, este tipo de estudo promove a geografia a possibilidade de trabalhar o espaço em escalas mais amplas, revelando a possibilidade em expor a problemática da totalidade em seu movimento constante de transformação e as interações entre os mais diversos agentes sociais e suas estratégias de desenvolvimento, assim como disseram alguns autores como SILVEIRA (1995) e SANTOS (1997). Trabalhar sob a perspectiva totalizante de recorte espacial, exige que façamos periodizações arbitrárias dos principais momentos em que se percebe uma ruptura com as antigas formas de produção e uma dinamização significativa dos novos fluxos que envolvem a produção capitalista e a reprodução social. 10 FRUGOLI JR, Heitor, 2000. 4335 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO Obviamente a própria idéia de totalidade se insere num processo de globalização, sendo este, um sistema abstrato/concreto a depender da escala de análise. Pensar o espaço como um conjunto de sistemas se mostra como uma possibilidade para visualizar as diversas ordens que atuam sobre uma mesma porção espacial e como as mesmas se relacionam entre si. Quando classificamos a cidade de Sorocaba como um subsistema as especificidades de cada lugar não são postas com prioridade na análise, pois ao analisar o espaço em seus detalhes diversas dinâmicas sociais podem emergir, tornando uma tarefa árdua ao pesquisador abordar uma problemática em sua totalidade. Fazer determinadas generalizações acabam sendo determinantes nesse ponto, pois assim buscamos movimentos de expansão urbana que se repetem nas mais diversas regiões da cidade, fenômenos que são absorvidos e transformados no lugar e também sobre influência constante de um impulso externo, ou seja, do sistema total, momento em que se materializam as demandas do capital mundial. Contudo, pensar no desenvolvimento de Sorocaba sob esta perspectiva nos insere num campo de estudos embrionários da cidade, nos permitindo envolver na pesquisa não só o atual momento do município, mas também fazer o vínculo com atual momento do mundo, do qual este território faz parte. Sendo assim, esperamos que com o amadurecimento desta idéia nos seja permitido pensar na cidade não apenas como dita o plano estratégico elaborado para Sorocaba, mas numa compreensão do território sorocabano como a parte de um todo, que modifica e é modificado pelo movimento global. 4 - Referências Bibliográficas: ÁLVAREZ, Isabel – As políticas espaciais contemporâneas e a reprodução do capital e do urbano , in Revista Cidades. ARROYO, Mônica. Território nacional e mercado externo: uma leitura do Brasil na virada do século XX. Tese de Doutorado em Geografia Humana, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Paulo, Brasil, 2001. 4336 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO ARAÚJO, Carlos. Muitas cidades em um só território, Sorocaba é um universo de diversidade. In: Revista a Cidade. Edição Cruzeiro do Sul, Fundação Ubaldino do Amaral, 2007, pp. 56 – 62. CORREA, Roberto Lobato. 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