CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA CELSO SUCKOW DA FONSECA – CEFET/RJ ANÁLISE EXERGÉTICA DE UMA TURBINA A VAPOR Érica da Gama Malcher Xavier Paula Vieira de Mello Rachel Pereira Carneiro da Cunha Prof. Orientador: Gisele Vieira Prof. Coorientador: Thiago de Oliveira Macedo Rio de Janeiro Dezembro de 2013 CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA CELSO SUCKOW DA FONSECA – CEFET/RJ ANÁLISE EXERGÉTICA DE UMA TURBINA A VAPOR Érica da Gama Malcher Xavier Paula Vieira de Mello Rachel Pereira Carneiro da Cunha Projeto Final de Graduação apresentado ao Departamento de Engenharia Mecânica do CEFET/RJ, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Engenheiro. Prof. Orientador: Gisele Vieira Prof. Coorientador: Thiago de Oliveira Macedo Rio de Janeiro Dezembro de 2013 II AGRADECIMENTOS Agradecemos, em primeiro lugar, a Deus que, certamente, iluminou nossos caminhos e nossas mentes durante esses cinco anos de graduação e nos deu forças para chegar ao fim desta caminhada. Às nossas famílias, pela capacidade de acreditar e investir sempre em nós, e que, com muito carinho e apoio, não mediram esforços para que chegássemos até esta etapa da vida. Suportaram carinhas de nervoso, deram palavras de incentivo, nunca nos deixaram desistir e muitas vezes foram os principais patrocinadores de livros, xerox e logística para a faculdade. O nosso agradecimento especial é para nossos pais e irmãos que sempre valorizam nossos estudos e são os principais torcedores pelo nosso sucesso. Não chegaríamos até aqui sem o suporte e amor incondicional de nossa família. Aos amigos, pelo incentivo e apoio constantes. Com vocês, as pausas entre um parágrafo e outro de produção fez com que recarregássemos nossas energias, melhorando tudo o que foi produzido. Aos namorados, por suportarem - com muita paciência - a nossa falta de tempo, o mau humor, a ansiedade; e pela capacidade de nos trazer a paz durante a correria do semestre. À nossa professora e orientadora Gisele Vieira, por acreditar em nossa capacidade desde o início, por ter aceitado entrar nesse desafio com a gente, e pela paciência e incentivo na orientação, tornando possível a conclusão deste Projeto. E também por ter doado tempos quase escassos numa agenda tão cheia para tirar nossas dúvidas e com palavras que sempre nos fizeram acreditar que tudo ia dar certo. A todos os professores do curso, que foram tão importantes em nossas vidas acadêmicas e nos deram a base para o desenvolvimento deste Projeto. Dedicamos um especial agradecimento ao professor Thiago Macedo, nosso coorientador, que, com sua inteira dedicação e sabedoria, soube dirigir-nos os passos e pensamentos para o alcance de nossos objetivos. Por todos os “puxões de orelhas”, que nos estimulavam a correr ainda mais atrás de uma resposta e fazermos o melhor possível da próxima vez. Por nos “obrigar” a reescrever este trabalho tantas vezes e, assim, nos fazer reconhecer o quanto ele ficava melhor a cada vez, nos enchendo de gratidão e orgulho por vêlo cada vez mais bem feito.Você foi uma das principais chaves para o nosso sucesso, superação e crescimento ao longo do desenvolvimento deste projeto. III E, por último, agradecemos imensamente umas as outras. Pelo nosso companheirismo, sintonia e incentivo mútuo. Pela nossa amizade desde o primeiro período de faculdade, pela presença, por dividirmos tanto a vida profissional como a pessoal, por compreendermos umas as outras e sabermos respeitar nossos espaços. Pelas brincadeiras e descontrações durante as reuniões, que quebravam todo o clima tenso e nos dava mais energia para prosseguir. O projeto final foi uma ótima oportunidade para nos conhecermos melhor e torcermos pelo sucesso uma da outra. E, acima de tudo, por acreditarmos em nós mesmas e sabermos, desde o início, que chegaríamos até aqui juntas! IV RESUMO A exergia é o conceito da termodinâmica que analisa o trabalho teórico máximo produzido ou o mínimo trabalho consumido por um processo. A importância do tema é referente à necessidade do melhor aproveitamento de energia disponível para o processo, na busca de minimizar as perdas. Esse trabalho propõe o estudo de caso de uma turbina a vapor e a análise exergética para diferentes condições operacionais de uma mesma, propondo um modelo computacional capaz de simular estas condições. Palavras-chave: Exergia, Termodinâmica, Eficiência de Segunda Lei, Ciclo Rankine, Turbina a Vapor, Usina Termelétrica. V ABSTRACT Exergy is the concept of thermodynamics that analyzes the maximum theoretical work produced or the minimum work consumed by a process. The importance of the issue is related to the need for better utilization of energy available for the process, in seeking to minimize losses. This work proposes the case study of a steam turbine and exergy analysis for different operating conditions of that, proposing a computational model able to simulate these conditions. Keywords: Exergy, Thermodynamics, Second Law Efficiency, Rankine Cicle, Steam Turbine, Thermal Power Plant. VI SUMÁRIO 1. Introdução .........................................................................................................................1 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 2. Surgimento do Conceito de Exergia ................................................................................4 2.1 2.2 3. Motivação .................................................................................................................... 1 Justificativa .................................................................................................................. 1 Objetivo........................................................................................................................ 2 Metodologia e Trabalho Realizado .............................................................................. 2 Organização ................................................................................................................. 2 Evolução Histórica ....................................................................................................... 4 Trabalhos Realizados sobre o Tema ............................................................................ 5 Aspectos Conceituais ........................................................................................................7 3.1 Usina Termelétrica ....................................................................................................... 7 3.2 Leis da Termodinâmica................................................................................................ 8 3.2.1 Primeira Lei da Termodinâmica ............................................................................... 8 3.2.2 Segunda Lei da Termodinâmica ............................................................................. 11 3.2.2.1 Entropia .............................................................................................................. 13 3.3 Exergia e seus Conceitos ........................................................................................... 15 3.3.1 Ambiente de Referência ......................................................................................... 16 3.3.2 Estado Morto .......................................................................................................... 17 3.3.3 Exergia de um Sistema ........................................................................................... 17 3.3.4 Destruição de Exergia ............................................................................................ 19 3.4 Ciclo Rankine............................................................................................................. 20 3.4.1 Ciclo Rankine Regenerativo................................................................................... 21 3.5 Turbina a Vapor ......................................................................................................... 23 3.5.1 Classificação das turbinas a vapor ......................................................................... 24 3.5.2 Análise de Primeira Lei Aplicada à Turbina a Vapor ............................................ 28 3.5.3 Análise de Segunda Lei Aplicada à Turbina a Vapor ............................................ 33 3.5.4 Balanço de Exergia para Turbina a Vapor ............................................................. 34 3.5.5 Eficiência Exergética.............................................................................................. 36 4. Estudo de Caso ................................................................................................................38 4.1 4.2 4.2.1 4.2.2 4.3 4.3.1 4.3.2 4.3.3 4.3.4 4.3.5 4.3.6 4.3.7 4.3.8 4.4 5. Descrição da Usina .................................................................................................... 38 Dados da Turbina a Vapor ......................................................................................... 38 Condições Operacionais ......................................................................................... 39 Dados de Operação................................................................................................. 39 Memória de Cálculo................................................................................................... 40 Produção Real de Potência ..................................................................................... 41 Potência Reversível ................................................................................................ 41 Cálculo da eficiência da Primeira Lei .................................................................... 41 Eficiência de Segunda Lei ...................................................................................... 42 Exergia do Vapor ................................................................................................... 42 Exergia Destruída ................................................................................................... 43 Potencial disponível convertido em trabalho ......................................................... 43 Eficiência Isentrópica ............................................................................................. 43 Modelagem Computacional ....................................................................................... 44 Análise dos Resultados ...................................................................................................47 VII 5.1 Estudo de Caso........................................................................................................... 47 5.1.1 Temperatura de Entrada x Vazão ........................................................................... 48 5.1.2 Temperatura de Saída x Vazão............................................................................... 48 5.1.3 Pressão de entrada x Vazão .................................................................................... 49 5.1.4 Pressão de Saída x Vazão ....................................................................................... 50 5.1.5 Potência Real x Vazão............................................................................................ 50 5.1.6 Eficiências x Vazão ................................................................................................ 51 5.1.7 Exergia do vapor – Potência – Exergia Destruída x Vazão ................................... 52 5.2 Simulação................................................................................................................... 53 5.2.1 Potência Real .......................................................................................................... 54 5.2.1.1 Temperatura de Saída / Pressão de Saída ........................................................... 54 5.2.1.2 Temperatura Ambiente ....................................................................................... 55 5.2.1.3 Título .................................................................................................................. 56 5.2.2 Exergia do vapor .................................................................................................... 57 5.2.2.1 Título / Temperatura de Saída / Pressão de Saída .............................................. 57 5.2.2.2 Temperatura Ambiente ....................................................................................... 59 5.2.3 Exergia destruída .................................................................................................... 60 5.2.3.1 Temperatura de Saída / Pressão de Saída ........................................................... 60 5.2.3.2 Temperatura Ambiente ....................................................................................... 62 5.2.3.3 Título .................................................................................................................. 62 5.2.4 Eficiências .............................................................................................................. 64 5.2.4.1 Temperatura de Saída / Pressão de Saída ........................................................... 65 5.2.4.2 Temperatura ambiente ........................................................................................ 70 5.2.4.2.1 Eficiencia x Titulo .............................................................................................. 73 5.2.4.3 Concatenação dos resultados das eficiências...................................................... 77 5.2.4.4 Resultados Numéricos ........................................................................................ 79 6. Conclusão.........................................................................................................................83 7. Referência Bibliográfica .................................................................................................85 VIII LISTA DE FIGURAS Figura 1: Representação esquemática de um sistema que percorre ciclos. ............................... 9 Figura 2: Exemplo de um Ciclo de Carnot e diagrama T-s. .................................................... 12 Figura 3: Ilustração de Organização dos Recipientes 1 e 2. (Marques) .................................. 13 Figura 4: Ciclo Rankine. (Soares, 2008) ................................................................................. 20 Figura 5: Ciclo Rankine Regenerativo. (Borgnakke & Sonntag, 2009).................................. 22 Figura 6: Etapas de transformação da Energia Térmica. ........................................................ 23 Figura 7: Evolução da capacidade e parâmetros de operação de turbina a vapor durante 100 anos. (Leizerovich, 1997) ......................................................................................................... 24 Figura 8: Classificação de turbina a vapor - Turbina de Ação. (Mazurenko & Teixeira) ...... 25 Figura 9: Classificação de turbina a vapor - Turbina de Reação. (Mazurenko & Teixeira) ... 26 Figura 10: Esquema simplificado de turbina de condesação com reaquecimento. (Mazurenko & Teixeira) ............................................................................................................................... 27 Figura 11: Fluxograma do estudo de caso. .............................................................................. 28 Figura 12: Diagrama T-s do ciclo de vapor. (Mazurenko & Teixeira) ................................... 32 Figura 13: Esquema de representação de potência................................................................. 40 Figura 14: Fluxograma representativo da modelagem elaborada para este estudo. ................ 45 Figura 15: Relação Esquemática de Primeira e Segunda Lei. ................................................. 52 IX LISTA DE TABELAS Tabela 1: Evolução Histórica do Termo Exergia (Oliveira Jr., 2013)....................................... 5 Tabela 2: Resultados numéricos – Estudo. .............................................................................. 40 Tabela 3: Dados encontrados na simulação em função da mudança do título. ....................... 63 Tabela 4: Resultados para variação da temperatura ambiente ................................................. 79 Tabela 5: Resultados para variação da temperatura de saída .................................................. 80 Tabela 6: Resultados para variação da pressão de saída ......................................................... 81 Tabela 7: Resultados para variação do título ........................................................................... 82 X LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1: Diagrama T-s para a turbina estudada.................................................................... 47 Gráfico 2: Comportamento da turbina em função da temperatura de entrada. ....................... 48 Gráfico 3: Comportamento da turbina em função da temperatura de saída. ........................... 49 Gráfico 4: Comportamento da turbina em função da pressão de entrada................................ 49 Gráfico 5: Comportamento da turbina em função da pressão de saída. .................................. 50 Gráfico 6: Comportamento da turbina em função da potência real......................................... 51 Gráfico 7: Comportamento da turbina em função das eficiências. ......................................... 51 Gráfico 8: Comparação entre exergias e potências. ................................................................ 53 Gráfico 9: Comportamento da potência real em função da pressão de saída. ......................... 54 Gráfico 10: Comportamento da potência real em função da temperatura de saída. ................ 55 Gráfico 11: Comportamento da potência em função da temperatura ambiente. ..................... 56 Gráfico 12: Comportamento da potência em função da temperatura ambiente. ..................... 57 Gráfico 13: Comportamento da exergia do vapor em função do título. .................................. 58 Gráfico 14: Comportamento da exergia do vapor em função da pressão de saída.................. 58 Gráfico 15: Comportamento da exergia do vapor em função da temperatura de saída. ......... 59 Gráfico 16: Comportamento da exergia do vapor em função da temperatura ambiente. ........ 60 Gráfico 17: Comportamento da exergia destruída em função da temperatura de saída. ......... 61 Gráfico 18: Comportamento da exergia destruída em função da pressão de saída. ................ 61 Gráfico 19: Comportamento da exergia destruída em função da temperatura ambiente. ....... 62 Gráfico 20: Comportamento da exergia destruída em função do título. ................................. 63 Gráfico 21: Comportamento da eficiência de Primeira Lei em função da temperatura de saída. ......................................................................................................................................... 65 Gráfico 22: Comportamento da eficiência de Primeira Lei em função da pressão de saída. .. 66 Gráfico 23: Comportamento da eficiência de Segunda Lei em função da temperatura de saída. ......................................................................................................................................... 67 Gráfico 24: Comportamento da eficiência de Segunda Lei em função da pressão de saída. .. 67 Gráfico 25: Comportamento da eficiência isentrópica em função da temperatura de saída. .. 68 Gráfico 26: Comportamento da eficiência isentrópica em função da pressão de saída. ......... 68 Gráfico 27: Comportamento do potencial convertido em função da pressão de saída. .......... 69 Gráfico 28: Comportamento do potencial convertido em função da pressão de saída. .......... 70 Gráfico 29: Comportamento da eficiência de Primeira Lei em função da temperatura ambiente.................................................................................................................................... 71 Gráfico 30: Comportamento da eficiência de Segunda Lei em função da temperatura ambiente.................................................................................................................................... 72 Gráfico 31: Comportamento da eficiência isentrópica em função da temperatura ambiente. . 72 Gráfico 32: Comportamento do potencial convertido em função da temperatura ambiente. .. 73 Gráfico 33: Comportamento da eficiência de Primeira Lei em função do título. ................... 74 Gráfico 34: Comportamento da eficiência de Segunda Lei em função do título. ................... 75 Gráfico 35: Comportamento da eficiência isentrópica em função do título. ........................... 76 Gráfico 36: Comportamento do potencial convertido em função do título. ............................ 77 XI Gráfico 37: Comparação entre as eficiências e o potencial convertido em função da temperatura de saída. ................................................................................................................ 78 XII LISTA DE SÍMBOLOS E Energia g Aceleração da gravidade h Entalpia específica H Entalpia m Massa m Vazão Mássica (Fluxo de massa) p Pressão Q Calor Q Taxa de transferência de calor S Entropia S Taxa de entropia t Tempo T Temperatura u Energia interna por unidade de massa U Energia interna v Volume específico v el Velocidade V Volume W Trabalho W Potência (Fluxo de trabalho) X Exergia X Exergia específica Z Distância XIII Letras Gregas Eficiência exergética Eficiência Rendimento térmico Subscritos 0 Referente ao ambiente 1 Estado inicial de um processo para volume de controle 2 Estado final de um processo para volume de controle 3 Estado inicial de um processo para volume de controle 4 Estado final de um processo para volume de controle A Indicação de um processo amb Referente ao ambiente B Indicação de um processo c Relativo à energia cinética C Indicação de um processo cond Relativo ao condensador d Destruição e Relativo à entrada no volume de controle f Fonte fluxo Referente ao fluxo do processo ger Referente ao parâmetro gerado no processo h Referente ao calor fornecido I Referente à análise de Primeira Lei II Referente à análise de Segunda Lei XIV ideal Referente ao processo ideal isen Referente ao processo isentrópico j Fronteira l Referente ao calor rejeitado liq Referente ao estado de líquido saturado o Estado morto p Potencial real Referente ao produto gerado pelo processo rev Referente ao processo reversível s Relativo à saída do volume de controle sis Relativo ao sistema total Referente ao somatório de um determinado parâmetro v Referente ao estado de vapor saturado V .C. Volume de Controle 1 1. Introdução Na atualidade, é evidente a necessidade da energia elétrica para a sociedade. Por isso, sua geração é objeto de estudos tanto em relação à tecnologia associada aos processos quanto ao impacto econômico do setor elétrico. Outro aspecto altamente discutido atualmente é o impacto ambiental. Portanto, existe uma busca maior por equipamentos e processos mais eficientes, uma vez que os mesmos realizam o mesmo trabalho com um menor consumo de combustível, o que contribui para a redução das emissões. 1.1 Motivação Um dos maiores desafios da indústria, e um dos principais objetivos, é a otimização de seus recursos e minimização das perdas associadas aos processos. Uma forma de otimizar o processo é aumentando a sua eficiência. Para tal, é preciso conhecer quais são seus pontos de baixa eficiência, para que estes possam ser evitados e, consequentemente, melhorar a eficiência como um todo. Para a termodinâmica, a análise exergética é o que possibilitará esse tipo de estudo. 1.2 Justificativa A escolha do tema foi baseada na importância e necessidade do estudo do melhor aproveitamento da energia disponível para o processo, a fim de minimizar as perdas do mesmo. A exergia é o conceito da termodinâmica no qual se analisa o trabalho teórico máximo produzido por um processo ou o trabalho teórico mínimo consumido por este. O presente trabalho apresentará a análise de uma turbina a vapor já existente, abrangindo assim o conceito de exergia, avaliação da eficiência de Segunda Lei e perdas associadas à turbina. O aprofundamento teórico irá contribuir para a simulação da turbina em estudo, a complexidade do tema e o estudo de caso com dados reais de operação serão desafios para as estudantes de engenharia mecânica. 2 1.3 Objetivo O presente trabalho tem como objetivo apresentar a análise exergética de uma turbina a vapor, propondo, então, um modelo computacional que simule suas condições operacionais. O desempenho da turbina será avaliado frente às mudanças destes parâmetros. A partir da alteração das condições operacionais da turbina, as respostas obtidas com o programa serão analisadas gerando-se curvas de tendência. Pretende-se, assim, adquirir informações sobre o comportamento da turbina, bem como estudar e entender a influência das perdas de energia associadas ao sistema. 1.4 Metodologia e Trabalho Realizado O ponto de partida do projeto é analisar as equações termodinâmicas de Primeira e Segunda Lei aplicadas para a turbina a vapor, ou seja, definir quais são os parâmetros importantes a serem considerados na análise exergética. Em seguida selecionar os dados de operação da turbina, objeto de estudo, que correspondem aos parâmetros determinados anteriormente. A partir de um modelo computacional, implementado em FORTRAN, simulam-se as equações aplicáveis, e realiza-se a análise exergética da turbina. Os resultados obtidos pelo modelo gerado serão analisados por meio de curvas de tendência. Assim, é possível descrever o comportamento da máquina estudada e observar o desempenho da mesma do ponto de vista qualitativo (Segunda Lei). 1.5 Organização Além do capítulo introdutório, no qual são abordadas as considerações iniciais, tais como a motivação que levou o grupo a adotar o tema, o trabalho foi organizado em mais seis, totalizando sete capítulos. Ainda no primeiro capítulo, a justificativa e a relevância do tema são descritas, o objeto de estudo é delimitado, o objetivo do projeto é apresentado e a metodologia é especificada. O capítulo dois contém a retrospectiva histórica sobre o tema, mostrando o surgimento e a evolução da análise exergética. No capítulo três serão apresentados os aspectos conceituais que caracterizam o objeto de estudo, assim como a base teórica para o desenvolvimento da análise em questão. 3 O capítulo quatro descreve o objeto de estudo deste trabalho, o equacionamento no qual o desenvolvimento do programa computacional foi baseado e a modelagem em si. O capítulo cinco apresenta a análise dos resultados obtidos tanto no estudo de caso, quanto na simulação da influência da variação dos parâmetros de saída, título e temperatura ambiente. O trabalho se encerra com a conclusão, onde se enfatiza a importância do trabalho, a discussão dos resultados obtidos e sugestões para trabalhos futuros. 4 2. Surgimento do Conceito de Exergia Nesse capítulo será abordada a origem do termo exergia e seu conceito inicial, bem como a sua evolução histórica e alguns estudos já realizados sobre o tema, demonstrando assim a importância da análise exergética para diversos projetos. 2.1 Evolução Histórica A primeira máquina movida a vapor foi patenteada em 1705, segundo Rojas (2007). Desde então, cientistas e pesquisadores buscam melhoria no desempenho das máquinas e tecnologias já existentes. Assim, especialmente no século XIX, grandes teorias da Ciência foram desenvolvidas e são base da Ciência moderna. No século XX iniciou-se o desenvolvimento de estudos de tecnologias com análise de aproveitamento do consumo de recursos usados, para o funcionamento e melhor desempenho das máquinas. Apesar do conceito de exergia ser considerado um método recente de análise de sistemas energéticos, os primeiros fundamentos foram introduzidos no final do século XIX e começo do século XX. A base do conceito de exergia começou a ser introduzida há dois séculos, quando o cientista Sadi Carnot (1824) teve a idéia de quantificar o trabalho máximo que podia ser obtido nas máquinas a vapor. Este foi o primeiro trabalho que criou bases para a Segunda Lei da Termodinâmica. Os primeiros enunciados desta Lei foram propostos por Clausius (1850), Kelvin e Planck (1897), e mais formalmente por Carathéodory (1909). Entretanto Gibbs e Maxwell, na segunda metade do século XIX, continuando com o trabalho de Carnot, deram forma ao conceito de energia disponível, que definiram como a propriedade pela qual se mede a capacidade de causar mudanças, devido ao desequilíbrio com o meio ambiente da respectiva substância analisada (Kotas, 1985). Gouy (1881) e Stodola (1898) foram os primeiros a realizarem trabalhos onde se pôde quantificar o trabalho útil perdido num processo termodinâmico, criando assim o teorema Gouy-Stodola, o qual define as idéias básicas do conceito de energia utilizável. Porém, foi Zaron Rant que, em 1956, sugeriu uma palavra que poderia ser usada mundialmente e propôs o nome exergia em seu artigo “Exergie, ein neues Wort furt ech nische Arbeitsfähigkeit” (Exergia, uma nova palavra para trabalho disponível), dando origem a uma série de artigos sobre a aplicação da exergia, principalmente na Europa. A Tabela 1 demonstra a evolução do termo exergia em ordem cronológica. 5 Tabela 1: Evolução Histórica do Termo Exergia (Oliveira Jr., 2013) O termo exergia ganhou aos poucos a aceitação mundial. Nas décadas de 70 e 80 Sargut, Brzustowski e Golem adotaram o conceito de exergia e aplicaram análises exergéticas em diversos de seus trabalhos. Porém foi adotado definitivamente apenas em maio de 1987, no 4° Simpósio Internacional em Análise de Segunda Lei para Sistemas Térmicos, realizado em Roma. Junto com o termo e a análise exergética, a evolução nos estudos e teorias para os processos industriais contribuiu para a análise termoeconômica, que é a análise de custos baseada em exergia, também denominada termoeconomia ou exergoeconomia. 2.2 Trabalhos Realizados sobre o Tema A sociedade moderna busca constantemente métodos para diminuir as perdas de um sistema, obtendo o uso mais eficiente dos recursos. A análise exergética é a ferramenta utilizada por cientistas e engenheiros que contabiliza as perdas dos sistemas e contribui com soluções para conservar os recursos oferecidos. O conceito de exergia é amplo e pode ser aplicado em diversas plantas de processo e equipamentos específicos, inclusive em outras áreas como economia e sociedade. A partir da evolução do conceito (como citado anteriormente), estudos mais aprofundados se expandiram nas décadas de 70 e 80 e, atualmente, são temas de diversos trabalhos acadêmicos, análise de plantas de processo e busca pelo aumento de eficiência e redução de perdas de recursos energéticos. A análise termoeconômica é fundamentada na análise exergética e atribuição de custos para um sistema energético. 6 Em se tratando de termelétrica e turbina a vapor, diversos trabalhos foram realizados como teses para obtenção de títulos de mestrado e de doutorado. As análises foram realizadas a partir de dados reais de operação das usinas e equipamentos. Uma pesquisa realizada em 2003 por João Gari da Silva Fonseca Júnior, na sua tese de mestrado, foi feita a Análise Energética e Exergética de um Ciclo Rankine com Aquecimento Distrital. Em seu estudo, foi analisada uma usina termelétrica a carvão, em que se desenvolveu um programa para simulação da usina e avaliação da operação, realizando a análise energética e exergética da planta e concluindo com a influência que a turbina exerce quando a carga da planta é variada. Em 2005, Fabiano Pagliosa Branco se aprofundou na análise termoeconômica de uma usina termelétrica a gás natural, operando em ciclo aberto e em ciclo combinado. Sua análise se baseou na identificação dos equipamentos que contribuem com as maiores irreversibilidades e na avaliação dos efeitos sobre o desempenho da planta. Durante a pesquisa foram apresentadas alternativas possíveis para melhoria de rendimento do processo. A dissertação de mestrado de Sílvia Rojas (2007) trata da análise exergética, termoeconômica e ambiental da usina termelétrica (UTE). A análise foi realizada com dados reais da usina, tornando-se, assim, um estudo de caso que se fez na identificação das causas, localização e magnitude das irreversibilidades e das perdas exergéticas de cada componente do sistema. A busca de soluções para o racionamento de recursos e a melhoria de rendimentos de um processo são preocupações da Sociedade Moderna, além de motivação para engenheiros e cientistas se aprofundarem nas pesquisas, realizarem estudos de casos e, a partir dos resultados, buscarem soluções para os problemas apresentados. Por isso, diversos trabalhos e pesquisas têm sido realizados e aplicados nas empresas. 7 3. Aspectos Conceituais Neste capítulo serão abordados os conceitos teóricos de todos os termos utilizados ao longo deste trabalho, que dão base à análise exergética apresentada no etudo de caso mais à frente. O conhecimento e a compreensão dos mesmos serão de extrema importância para o bom entendimento do projeto. 3.1 Usina Termelétrica Usina termelétrica, ou central termelétrica, é uma instalação industrial que produz energia elétrica a partir da energia liberada em forma de calor por meio da combustão de algum combustível (por exemplo: fóssil – gás natural e carvão mineral, biomassa, etc.) ou outra fonte de calor, como a fissão nuclear. Podem ser classificadas por meio de alguns critérios, sendo estes: Produto principal; Tipo de combustível; Tipo de máquina térmica; Tipo de caldeira; Potência; Caráter da carga; As usinas termelétricas podem ser distinguidas pelo seu produto principal, pois algumas dessas instalações apenas fornecem eletricidade, chamadas usinas de geração, enquanto outras geram simultaneamente eletricidade e calor, denominadas usinas de cogeração. A classificação quanto ao tipo de combustível é importante não somente devido às diferenças na capacidade calorífica, ou seja, capacidade de gerar calor do combustível, mas também nos âmbitos econômico e ambiental. O carvão mineral é um combustível amplamente utilizado em usinas termelétricas com ciclo a vapor e é nocivo ao meio ambiente, pois gera emissões pesadas de dióxido de enxofre, óxido de nitrogênio e particulados. Outro combustível muito utilizado é o gás natural. O gás natural é mais nobre e limpo quando comparado com o carvão, porém mais caro, justificando sua utilização somente em sistemas de maior eficiência, como ciclos combinados e de cogeração. Um ponto de 8 preocupação em relação ao gás natural é que sua combustão emite gases nocivos ao meio ambiente, como os NOx. As usinas termelétricas podem ser compostas por diferentes máquinas e diferentes ciclos associados às mesmas. Como por exemplo, usinas que possuem turbinas a gás e seguem o ciclo Brayton ou aquelas com turbinas a vapor e regidas pelo ciclo Rankine. Estas últimas são o objeto deste trabalho e serão detalhadas mais adiante neste capítulo. O tipo de carga representa a forma de operação da usina que abrange desde usinas que operam continuamente com carga relativamente constante, operação em carga base, até aquelas que operam algumas horas por dia, operação em carga pico. Esta decisão de operação da usina é determinada tanto pela necessidade e disponibilidade da eletricidade no setor elétrico, quanto pela capacidade de cada máquina. As classificações quanto ao tipo de caldeira e potência não serão aprofundadas neste trabalho, pois não é o principal escopo do projeto. Porém, suas explicações podem ser encontradas em (Borgnakke & Sonntag, 2009). 3.2 Leis da Termodinâmica 3.2.1 Primeira Lei da Termodinâmica Termodinâmica é a ciência que estuda as mudanças de estado do sistema com as quantidades de energia transferidas no processo na forma de calor e trabalho. A formulação do Princípio de Joule sobre a equivalência de diferentes tipos de energia contribuiu para o princípio da conservação da energia e para a formalização da Primeira Lei da Termodinâmica. A comprovação da Primeira Lei se deu a partir de observações empíricas. Todas as experiências já efetuadas provaram sua veracidade, direta ou indiretamente (Borgnakke & Sonntag, 2009). Considerando as experiências para um sistema que percorre um ciclo, verificou-se que a quantidade de calor e trabalho eram sempre proporcionais. Assim, pôde-se definir a expressão básica da Primeira Lei da Termodinâmica conforme a Equação 1. Q W (1) A primeira parcela da equação representa o calor líquido transferido durante o ciclo. Seu símbolo ( Q ) é denominado integral cíclica do calor transferido. A segunda parcela 9 representa o trabalho líquido durante um ciclo, sendo seu símbolo ( W ) denominado integral cíclica do trabalho. Analisando agora a Primeira Lei da Termodinâmica para um sistema que percorre um ciclo, mudando do estado 1 para o estado 2 por um processo A e voltando do estado 2 para o estado 1 por um processo B, pode-se então escrever a Equação 2. 2 δQA 1 + 1 δQ B 2 = 2 δWA 1 + 1 δWB 2 (2) Considerando a presença de outro ciclo, no qual um Processo C terá mudança de estado 1 para o estado 2 e voltando ao estado 1 pelo processo B acima descrito. A Equação 3 demonstra que, para esse novo ciclo baseado na Primeira Lei da Termodinâmica. 2 δQC 1 + 1 δQ B 2 = 2 δWC 1 + 1 δWB 2 (3) Subtraindo a Equação 2 pela Equação 3, tem-se como resultado a Equação 4. 2 (δQ − 1 δW)A = 2 (δQ − 1 δW)C (4) A Figura 1 apresenta um gráfico esquemático que mostra um sistema que percorre um ciclo pelos processos A e B e outro que pelos processos B e C, conforme descrito anteriormente. Figura 1: Representação esquemática de um sistema que percorre ciclos. 10 Com esta nova equação torna-se possível concluir que a diferença (δQ − δW) é constante em todos os processos com mudança do estado 1 para o estado 2, ou seja, o resultado da diferença (δQ − δW) depende apenas dos estados inicial e final e independe do caminho a ser percorrido. A quantidade δQ − δW é igual à variação da Energia Total de um Sistema (dE). Portanto, tem-se a Equação 5. dE = δQ − δW (5) Usualmente utilizada nos cálculos, a Equação 5 pode ser reescrita como mostrada na Equação 6. E2 − E1 = Q − W (6) E1 e E2 são definidas como as energias nos estados 1 (de entrada) e 2 (de saída), respectivamente. A interpretação das equações apresentadas tem como definição +Q o calor transferido para o sistema e –W o trabalho realizado pelo sistema durante o processo a ser analisado. O termo E é definido como toda a energia armazenada em um sistema, que pode ser a energia cinética, energia potencial, energia eletromagnética, dentre outras formas de energia. Para a análise termodinâmica, é comum considerar a energia cinética (Ec ) e a energia potencial (Ep ) com parâmetros macroscópicos (massa, velocidade e elevação) especificados separadamente e todas as outras formas de energia serão denominadas de Energia Interna do sistema (U). A energia cinética relaciona a massa do sistema analisado e a velocidade do mesmo em relação a um referencial fixo. Pode ser escrita conforme a Equação 7. Ec = 1 m vel 2 2 (7) Já a energia potencial relaciona a massa do sistema analisado, a aceleração da gravidade e elevação do centro de gravidade do sistema em relação a um nível de referência e é escrita conforme a Equação 8. 11 Ep = mg(Z) (8) Conforme definido anteriormente, a energia interna (U) corresponde à soma de todas as outras formas de energia associadas às particulas e ao estado termodinâmico que compõem o sistema. Assim, com a substituição do termo (E2 − E1 ), a Equação 6 pode ser reescrita conforme a Equação 9. U2 − U1 + 3.2.2 1 2 2 2 1 m vel − vel 2 + mg(Z2 − Z1 ) = Q − W (9) Segunda Lei da Termodinâmica A Segunda Lei da Termodinâmica é fundamentada indicando que todos os processos conhecidos ocorrem num certo sentido e não no oposto. De modo geral, a Segunda Lei da Termodinâmica afirma que as diferenças entre sistemas em contato tendem a ser equivalentes. Um ciclo somente ocorrerá se tanto a Primeira Lei quanto a Segunda Lei da Termodinâmica forem satisfeitas (Borgnakke & Sonntag, 2009) Kelvin-Planck e Clausius elaboraram enunciados clássicos da Segunda Lei, conforme descritos a seguir: “É impossível a construção de um dispositivo que, por si só, isto é, sem intervenção do meio exterior, consiga transformar integralmente em trabalho o calor absorvido de uma fonte a uma dada temperatura uniforme.” – Kelvin-Plank “É impossível a construção de um dispositivo que, por si só, isto é, sem intervenção do meio exterior, consiga transferir calor de um corpo para outro de temperatura mais elevada” – Clausius A Segunda Lei é baseada na evidência experimental e fundamentada na impossibilidade de se obter um motor térmico com eficiência de 100%, a qual pode ser esclarecida com base no conceito de processo reversível. Este é definido como aquele que pode ser invertido após a ocorrência de um processo, sem que ocorra alterações no sistema e nas vizinhanças. De acordo com experimentos, é impossível ocorrer um processo reversível, pois não se pode invertê-lo sem que provoque mudanças e, por isso, se torna irreversível. 12 A irreversibilidade pode ser justificada por fatores como atrito, transferência de calor, mistura de substâncias diferentes, combustão e diversos outros fatores. Em 1824, Nicolas Leonard Sadi Carnot estabeleu as bases da Segunda Lei da Termodinâmica e definiu também o Ciclo de Carnot, que é idealizado pelo cientista e executado pela Máquina de Carnot, a qual possui apenas um funcionamento teórico. A Máquina de Carnot tem o rendimento máximo que uma máquina térmica possa ter quando trabalha entre temperaturas de fonte quente e fonte fria. O ciclo é fundamentado entre duas transformações isotérmicas e duas adiabáticas alternadamente, o que permite uma menor perda de energia em forma de calor para o meio externo. A Figura 2 representa este ciclo. Figura 2: Exemplo de um Ciclo de Carnot e diagrama T-s. Os processos do Ciclo de Carnot são definidos por: Processo 1-2: Processo isotérmico reversível, no qual o calor é transferido para ou do reservatório de alta temperatura; Processo 2-3: Processo adiabático reversível, no qual a temperatura do fluido de trabalho de um reservatório a alta temperatura diminui até a do outro reservatório; Processo 3-4: Processo isotérmico reversível, no qual calor é transferido para ou do reservatório de menor temperatura; Processo 4-1: Processo adiabático reversível, em que a temperatura do fluido de trabalho vai aumentando desde o reservatório (a baixa temperatura) até a do outro reservatório. As limitações dos motores térmicos, em relação à eficiência térmica, foram analisadas utilizando o Ciclo de Carnot como base. 13 3.2.2.1 Entropia Até este ponto foi abordada apenas qualitativamente a 2ª Lei para ciclos. Porém, para o estudo de caso a ser apresentado neste trabalho, é conveniente a abordagem da 2ª Lei para processos. Para este fim, é necessário que se introduza uma nova propriedade termodinâmica denominada entropia, a qual possibilita a aplicação quantitativa da 2ª Lei em processos. O conceito de entropia surgiu na época da máquina a vapor, proposto por Rudolf Emmanuel Clausius (1822-1888) para explicar o máximo de energia que poderia ser transformada em trabalho útil. Mais tarde, a entropia foi relacionada à ordem e desordem de um sistema, ideia aproveitada pelo físico austríaco Ludwig Boltzmann (1844-1906) na elaboração da primeira expressão a descrever microscopicamente o conceito. Esta definição prevalece até os dias atuais. Portanto, diz-se que a entropia representada pela letra S - é uma grandeza termodinâmica associada ao grau de desordem: quanto maior a desordem de um sistema, maior a sua entropia, quanto maior a organização, menor a entropia. A Figura 3 ilustra a definição de entropia, mostrando que o Recipiente 1, mais organizado, possui, consequentemente, menor entropia e o Recipiente 2, menos organizado, maior entropia. Figura 3: Ilustração de Organização dos Recipientes 1 e 2. (Marques) Algo semelhante se passa entre as bolas da caixa ilustrada na Figura 3 e os sistemas físicos do universo: ambos, com o passar do tempo, tendem a se tornar cada vez mais desorganizados – e isso, consequentemente, representa aumento da entropia. A entropia é a grandeza que mensura o grau de irreversibilidade de um sistema, ou seja, mede a parte da energia que não pode ser transformada em trabalho. Os processos naturais que levam um sistema isolado do estado inicial até o estado de final - estado de equilíbrio termodinâmico - ocorrem sempre de forma a provocarem aumento 14 no valor da entropia do sistema. Não ocorrem processos que impliquem a diminuição da entropia total de um sistema isolado. A entropia é, pois, uma função de estado que obedece a um princípio de maximização, o "princípio da máxima entropia": para um sistema isolado, a entropia em um estado de equilíbrio termodinâmico - satisfeitas as restrições impostas ao sistema - é sempre a máxima possível. A desigualdade fundamentada por Clausius define a Equação 10 para todos os ciclos. Sendo a igualdade válida para os ciclos reversíveis e a desigualdade para os irreversíveis. 𝛿𝑄 𝑇 (10) ≤0 Ao considerar um sistema que percorre um ciclo reversível e utilizando a mesma abordagem adotada no tópico 3.2.1, referente à 1ª Lei, pode-se concluir que, para todos os caminhos reversíveis entre diferentes estados, a razão 𝛿𝑄 𝑇 depende apenas dos estados inicial e final; definindo, assim, a propriedade entropia. Desta forma, tem-se a Equação 11, considerando que a quantidade de calor 𝛿𝑄 é transferida para um sistema à temperatura 𝑇, segundo um processo reversível. 𝑑𝑆 = 𝛿𝑄 𝑇 𝑟𝑒𝑣 (11) Entretando, se no processo ocorrem efeitos irreversíveis, a variação da entropia será maior que a do processo reversível. Portanto, para todo tipo de processo, a entropia é definida conforme a Equação 12. 𝑑𝑆 ≥ 𝛿𝑄 𝑇 (12) Sabendo que todo processo irreversível tende a aumentar sua entropia ao longo do tempo, é importante adicionar na equação um termo que representa esta geração de entropia no sistema, definido como 𝛿𝑆𝑔𝑒𝑟 . Deste modo, pode-se reescrever a Equação 12 como a Equação 13. 15 𝑑𝑆 = 𝛿𝑄 𝑇 + 𝛿𝑆𝑔𝑒𝑟 (13) Sendo 𝛿𝑆𝑔𝑒𝑟 ≥ 0. Vale ressaltar também que 𝛿𝑆𝑔𝑒𝑟 = 0 apenas quando o processo for reversível. 3.3 Exergia e seus Conceitos O conceito de exergia supera as limitações que apresenta a análise baseada na Primeira Lei da Termodinâmica (análise energética), visto que a exergia incorpora preceitos tanto da Primeira quanto da Segunda lei da Termodinâmica e sua análise pode ser utilizada como indicativo da localização da degradação de energia em um processo, possibilitando a identificação e cálculo da magnitude real das perdas. A exergia não é simplesmente uma função termodinâmica, mas sim a função que correlaciona o sistema com seu ambiente de referência. De acordo com Zaron Rant, a exergia pode ser definida como o máximo trabalho teórico que pode ser produzido na composição do sistema e seu ambiente de referência específico conforme este entra em equilíbrio com o ambiente; ou como o trabalho mínimo necessário para realizar o processo inverso. Outra definição, bastante clara, dada por Kotas (Kotas, 1985) afirma que a exergia representa a máxima quantidade de trabalho obtida quando uma massa é trazida até um estado de equilíbrio termodinâmico com os componentes comuns do meio ambiente. Gaggioli (Gaggioli, 1983) finaliza de forma bem simples ao dizer que a exergia é de fato o que a pessoa leiga considera energia, ou seja, a capacidade de se produzir um efeito útil. A partir de tantas definições, temos, de forma resumida, que a exergia nada mais é que a propriedade que vai quantificar o potencial de uso de um sistema. Portanto, o método exergia é a ferramenta que cientistas e engenheiros utilizam para contabilizar as ineficiências e perdas de um sistema, assim como para apontar as melhorias que poderiam ser efetuados sobre este sistema (Rojas, 2007). A análise exergética é, particularmente, apropriada para maximizar o objetivo de um uso mais eficiente dos recursos através da redução de perdas e é considerada a única forma racional de atribuição de custos aos fluxos (produtos) de um sistema energético. Seu objetivo é identificar locais em que ocorram destruição e perdas de exergia e classificá-los por ordem de importância, permitindo assim que a atenção seja centrada nos aspectos da operação de um sistema que ofereçam maiores oportunidades para melhorias compensadoras quanto ao custo. 16 A análise exergética possibilita exprimir as limitações energéticas de diferentes processos. Em estudo realizado por Jonathas F. de A. Neto, 1999, ele afirma que esta análise consiste, fundamentalmente, da identificação e quantificação das irreversibilidades do sistema com aplicação das exergias de entrada (insumos) e de saída (produto e rejeitos) no sistema e no cálculo da eficiência exergética do mesmo (Neto, 1999). Portanto, torna-se importante ressaltar que, ao contrário da energia, a exergia não é conservada. Ou melhor, para que isso aconteça é necessário que todos os processos que ocorram no sistema e no ambiente sejam reversíveis. Sempre que um processo irreversível ocorrer, alguma parcela de exergia será destruída. Além disso ela também poderá ser transferida para e de sistemas; a exergia transferida de um sistema para a sua vizinhança, e que não é utilizada, geralmente representa uma perda. Um caso limite ocorre quando a exergia é completamente destruída, o que pode acontecer se um sistema for submetido a uma variação espontânea até o estado morto sem possibilidade de obtenção de trabalho. Neste caso todo o potencial para o desenvolvimento de trabalho que existia originalmente será completamente desperdiçado no processo espontâneo. 3.3.1 Ambiente de Referência Para realizar o cálculo do valor da exergia de um sistema deve-se considerar o ambiente de referência, que pode ser adotado como um sistema compressível simples, que é grande em extensão e uniforme em temperatura (Moran & Shapiro, Princípios de Termodinâmica para Engenharia, 2009). Ao fixar o ambiente de referência é possível calcular a exergia em diferentes estados. Para a pesquisa realizada será considerado um ambiente de referência idealizado. Segundo Kotas (1985) o ambiente de referência real é muito complexo para ser usado em cálculos termodinâmicos, e por isso a necessidade do ambiente idealizado. Para esse caso não será considerado gradientes de pressão e tempertura, potencial químico, energia potencial e cinética, impossibilitando que o trabalho executado interaja entre várias partes. Neste projeto serão tomadas condições ambientais típicas, isto é, pressão de 1 atm e temperatura igual a 25ºC. O Ambiente de Referência também será considerado como livre de irreversibilidades. 17 3.3.2 Estado Morto De acordo com Daniel Bacellar (Bacellar, 2010), para que um sistema seja considerado em equilíbrio com o meio, é preciso definir que forma de equilíbrio é observada. Pode-se dividir o equilíbrio em duas análises: o estado restrito e não restrito. O primeiro é definido por satisfazer apenas as condições de equilíbrio térmico e mecânico, existindo uma barreira física que impede a troca de matéria com o meio. Já o segundo, essa troca é possível, sendo o equilíbrio químico também satisfeito. Quando um sistema está em equilíbrio com o meio estável de referência e as condições de equilíbrio não restrito são satisfeitas, denomina-se este estado de estado morto. No estado morto não é possível obter trabalho, pois não pode haver interação entre o sistema e o meio ambiente (Moran & Shapiro, Princípios de Termodinâmica para Engenharia, 2009). 3.3.3 Exergia de um Sistema Por sistema global entende-se aquele que é composto pela soma de um sistema e o ambiente. No caso deste trabalho, o sistema é a turbina a vapor a ser especificada. O máximo trabalho teórico necessário para fazer com que este sistema entre em equilíbrio com o ambiente (ou seja, atinja o estado morto) é chamado de exergia. Para uma melhor análise do trabalho total útil do sistema global, é importante reafirmar o conceito de balanço de energia, expresso pela Equação 14. − 𝛿𝑄 − 𝛿𝑊 = 𝑑𝑈 (14) Os sinais negativos representam o calor cedido para a turbina e o trabalho realizado pela mesma, respectivamente. Durante um processo reversível, o trabalho de fronteira é dado por 𝛿𝑊 = 𝑃𝑑𝑉. Neste projeto será considerado o escoamento através do volume de controle, portanto, o trabalho de fronteira deve ser a única forma de trabalho a ser considerada no sistema. No item 3.5.2 será apresentado um estudo mais detalhado sobre o tema. Considerando a pressão realizada pela vizinhança e pelo sistema, tem-se a Equação 15. 𝛿𝑊 = 𝑃𝑑𝑉 = 𝑃 − 𝑃𝑜 𝑑𝑉 + 𝑃𝑜 𝑑𝑉 = 𝛿𝑊𝑎𝑚𝑏 + 𝑃𝑜 𝑑𝑉 (15) 18 Sabendo que a eficiência da Primeira Lei da turbina – que será melhor explicada no item 3.5.2 - é dada por 𝜂 = 𝑊ú𝑡𝑖𝑙 𝑄 e, segundo (Çengel & Boles, 2006), para turbina operando entre as temperaturas T e 𝑇𝑜 , o rendimento da máquina térmica é dado por 𝜂 = 1 − 𝑇𝑜 𝑇 · Reescrevendo as duas equações em função do trabalho, tem-se a Equação 16. 𝛿𝑊𝑟𝑒𝑎𝑙 = 1 − 𝑇𝑜 𝑇 𝛿𝑄 = 𝛿𝑄 − Sabe-se que a entropia é expressa por 𝑑𝑆 = 𝛿𝑄 𝑇 𝛿𝑄 𝑇 𝑇𝑜 (16) , portanto, reformulando a Equação 16, obtém-se a Equação 17 para a diferencial do calor. 𝛿𝑄 = 𝛿𝑊𝑟𝑒𝑎𝑙 − 𝑇0 𝑑𝑆 (17) Substituindo, então, as Equações 15 e 17, na Equação 14, tem-se a Equação 18. 𝑑𝑈 = − 𝛿𝑊𝑟𝑒𝑎𝑙 − 𝑇𝑑𝑆 − (𝛿𝑊𝑎𝑚𝑏 + 𝑃0 𝑑𝑉) 𝛿𝑊𝑎𝑚𝑏 + 𝛿𝑊𝑟𝑒𝑎𝑙 = −𝑑𝑈 + 𝑇𝑑𝑆 − 𝑃0 𝑑𝑉 (18) Logo, entende-se que o trabalho total, também denominado exergia (X), é igual ao somatório do trabalho real (turbina) e da fronteira. Portanto, chega-se à Equação 19, já com seus termos integrados. 𝑊𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 𝑊𝑎𝑚𝑏 + 𝑊𝑟𝑒𝑎𝑙 = 𝑈 − 𝑈0 + 𝑃0 𝑉 − 𝑉0 − 𝑇0 (𝑆 − 𝑆0 ) (19) A exergia é, portanto, um atributo do sistema e do ambiente em conjunto. Uma vez que o ambiente é especificado, pode-se atribuir um valor à exergia em termos de valores de propriedade apenas do sistema, com isso a exergia pode ser considerada uma propriedade do sistema (Moran & Shapiro, Princípios de Termodinâmica para Engenharia, 2009). Este valor de exergia não pode ser negativo, visto que um sistema em qualquer estado diferente do estado morto é capaz de mudar sua condição espontaneamente na direção do estado morto, e esta tendência cessa apenas quando o estado morto é alcançado. 19 O cálculo geral da exergia de um sistema envolve a energia interna do mesmo, a energia cinética e potencial – que são avaliadas em relação ao ambiente – o seu volume e entropia no estado especificado e no estado morto; e é finalmente dada pela Equação 20. X (U U O ) pO (V VO ) TO (S S O ) EC E P (20) Desta forma quando um sistema encontra-se no estado morto significa que este está em repouso em relação ao ambiente e, portanto, as energias cinética e potencial são nulas ( EC E P 0) . A localização da fronteira de um sistema global deve respeitar três pontos: 1- O volume total deve permanecer constante, mesmo que haja variação do volume do sistema e do ambiente; 2- Não deve haver transferência de energia por transferência de calor através dela; ou seja, Qc = 0; 3- O trabalho realizado deve ser a única transferência de energia através do sistema global. 3.3.4 Destruição de Exergia As irreversibilidas em um sistema sempre geram entropia, e qualquer fator de entropia gerado destrói parte da exergia do sistema. De acordo com Rodriguez (2005), o teorema de Gouy-Stodola também é conhecido como teorema do trabalho perdido. Este teorema estabelece que a destruição de exergia (𝑋𝑑 ) é proporcional ao produto da temperatura no estado inical e a geração de entropia dentro do sistema (Rojas, 2007). Como mostrado na Equação 51. 𝑋𝑑 = 𝑊𝑝𝑒𝑟𝑑𝑖𝑑𝑜 = 𝑇𝑜 ∙ 𝑆𝑔𝑒𝑟 (21) A exergia destruida é uma quantidade positiva para qualquer processo real e representa todo o potencial de trabalho perdido. Deste modo, conclui-se que a destruição de exergia define a ineficiência de um processo. Portanto, reduzir esta destruição gera benefícios em termos de custo e economia, principalmente de combustível. (Moran & Shapiro, Princípios de Termodinâmica para Engenharia, 2009) 20 3.4 Ciclo Rankine O ciclo Rankine é considerado o modelo ideal para a representação de uma unidade motora simples a vapor e, por este motivo, será abordado ao longo deste projeto. Trata-se de um ciclo de potência que utiliza a queima de um combustível em uma caldeira como fonte de energia. O ciclo simples é composto basicamente por quatro equipamentos (bomba, caldeira, turbina a vapor e condensador) e consiste de quatro processos que ocorrem em regime permanente durante a passagem de um equipamento para o outro. É comum representar o processo termodinâmico deste ciclo em um diagrama T-s, como mostrado na Figura 4-b. A descrição de cada processo é baseada no livro texto de Borgnakke e Sonntag (Borgnakke & Sonntag, 2009) e segue de acordo com a Figura 4: 1-2: Processo de bombeamento adiabático reversível, na bomba; 2-3: Transferência de calor a pressão constante, na caldeira; 3-4: Expansão adiabática reversível, na turbina a vapor; 4-1: Transferência de calor a pressão constante, no condensador. Figura 4: Ciclo Rankine. (Soares, 2008) O ciclo apresentado é simplificado e mostra apenas os principais componentes com o intuito de esclarecer os princípios do ciclo ideal. Existem algumas variações do ciclo Rankine, neste trabalho apenas será citado o ciclo Rankine Regenerativo, visto que é o ciclo utilizado em nosso estudo de caso, mais à frente. As demais variações não serão descritas, mas podem, porém, serem consultadas em outras referências. 21 Há duas razões que fazem com que o ciclo Rankine seja considerado o ideal, apesar de seu rendimento ser menor que o do ciclo de Carnot: 1- Processo de bombeamento: O ciclo Rankine se baseia no fato de que é muito mais fácil condensar completamente o vapor e trabalhar apenas com líquido na bomba, do que construir uma bomba que opere convenientemente sendo alimentada com uma mistura de líquido e vapor e ainda fornecer líquido saturado na seção de descarga. 2- Superaquecimento do vapor: Ao contrário do ciclo de Carnot, onde toda a transferência de calor ocorre à temperatura constante e há queda de pressão durante o superaquecimento, no ciclo Rankine o vapor é superaquecido à pressão constante, aproximando-se muito mais da prática. Para toda análise de um ciclo Rankine deve-se considerar que o seu rendimento dependerá da temperatura média na qual o calor é fornecido e da temperatura média na qual o calor é rejeitado. Qualquer variação que cause o aumento da temperatura média durante o fornecimento de calor, ou do contrário, que cause a diminuição da temperatura média durante a rejeição de calor, contribuirão para o aumento do rendimento do ciclo Rankine. (Borgnakke & Sonntag, 2009) 3.4.1 Ciclo Rankine Regenerativo O Ciclo Rankine Regenerativo trata-se de uma das variações do ciclo Rankine tradicional, com a tentativa de aproximá-lo, o máximo possível, da eficiência do ciclo de Carnot. Teoricamente, a eficiência térmica do ciclo Rankine é menor que a de Carnot porque o fluido de trabalho começa a receber calor no gerador de vapor a uma temperatura média menor que a máxima disponível. O Ciclo Rankine Regenerativo ideal é caracterizado pelo pré-aquecimento da água de alimentação antes da mesma entrar na caldeira.Uma possibilidade seria circular a água (que deixa a bomba) ao redor da carcaça da turbina (Figura 5) em sentido contrário ao do vapor dentro da turbina (Borgnakke & Sonntag, 2009), possibilitando assim a transferência de calor entre o vapor em expansão que escoa na turbina e o líquido comprimido ao redor da turbina. Desta forma, aumenta-se então a temperatura média do fluido em circulação e, consequentemente, a eficiência térmica do ciclo. 22 Figura 5: Ciclo Rankine Regenerativo. (Borgnakke & Sonntag, 2009) O efeito principal é o aumento da temperatura média do processo de fornecimento de calor. Além disso, também favorece a desaeração da água de alimentação e a redução da vazão volumétrica de vapor nos últimos estágios da turbina. Em termos práticos, não é possível utilizar esse ciclo regenerativo ideal por diversos motivos. O primeiro deles refere-se à impossibilidade de uma transferência de calor reversível entre o vapor em expansão com a água de alimentação do gerador de vapor. O segundo referese à complexidade envolvida no projeto de trocador de calor (ao redor ou dentro da tubirna). Além disso, com o aumento do teor de umidade do vapor, verifica-se que vai ocorrer um aumento da presença de líquido na turbina em virtude da transferência de calor, o que é indesejável, pois pode causar a erosão das pás da turbina. Na prática, a Regeneração consiste em extrações do vapor d’água em diversos estágios da turbina e na mistura destes com a água de alimentação. O aquecimento regenerativo melhora o rendimento do ciclo de vapor, razão pela qual, desde a sua introdução – início dos anos 1920 –, é amplamente utilizado nos projetos de todas as centrais termelétricas modernas, principalmente onde o custo do combustível é significativo. O aquecimento é originado a partir de extrações, controladas ou não, em diferentes estágios da turbina. A quantidade ideal de extrações é determinada por considerações econômicas, ou seja, para que o projeto seja economicamente viável é necessário que o custo de um aquecedor adicional seja menor que o custo relacionado à economia de combustível. Esta especificação é feita em conjunto com o fornecedor da caldeira, o que garantirá a 23 eficiência no ciclo. Neste quesito não há uma fórmula padrão, apenas os estudos individuais e específicos determinarão a melhor solução para a planta (TGM, 2013). Normalmente, são utilizados entre 3 a 4 pré-aquecedores e/ou desaerador, em grandes usinas, podem ser usadas até 8. Para uma central termelétrica com parâmetros médios de vapor a temperatura final da água de alimentação, geralmente, é estabelecida na faixa de 160 a 180ºC. Para uma central termelétrica de altos parâmetros esta temperatura fica na faixa de 225 a 275ºC. A utilização do Ciclo Rankine Regenerativo em Centrais termelétricas traz diversas vantagens, como: a economia de combustível, aumento da quantidade de vapor, ganho em energia elétrica e aumento da eficiência térmica do ciclo. 3.5 Turbina a Vapor Turbina a vapor é uma máquina términa rotativa capaz de transformar energia términa do vapor (medida pela entalpia) em energia cinética devido a expansão do vapor através de bocais, no qual gera forças consideráveis nas palhetas que estão fixadas no rotor. Estas forças determinam um momento rotor resultante, responsável por girar o rotor. A energia é então transformada em energia mecânica de rotação, que pode ser utilizada para mover outros equipamentos rotativos ou transformar a energia mecânica em energia elétrica, quando a turbina está acoplada a um gerador, conforme demonstrado na Figura 6. Energia Térmica Energia Cinética Energia de Rotação Energia Elétrica Figura 6: Etapas de transformação da Energia Térmica. A turbina a vapor possibilita unidades de grande potência unitária, proporcionando alta confiabilidade, vida útil e eficiência. Utilizada como acionador primário em centrais de geração elétrica e considerado como principal equipamento, o desenvolvimento de técnicas para aumento de capacidade é contínuo tornando-a mais sofisticada e eficiente. Na Figura 7 é possível observar o avanço em função do tempo da capacidade unitária máxima, temperatura e pressão, representados por W, T e P respectivamente. A linha 1 representa as unidades comerciais e a linha 2 as uniddes pilotos. 24 Figura 7: Evolução da capacidade e parâmetros de operação de turbina a vapor durante 100 anos. (Leizerovich, 1997) O aumento da eficiência térmica se fez a partir do conceito de reaquecimento do vapor na fase de expansão, o que levou ao aumento da temperatura e pressão de operação, além do aumento da potência. 3.5.1 Classificação das turbinas a vapor A classificação das turbinas a vapor segue diferentes critérios, a primeira análise a ser feita é qual é a finalidade do equipamento. Poder ser para acionamento elétrico, utilizadas para acionar um gerador elétrico, ou acionamento mecânico, utilizadas como acionador de outros equipamentos, como, por exemplo, ventiladores de tiragem forçada, bombas, compressores, sopradores e outros equipamentos de rotação. O segundo critério a ser determinado é o princípio de funcionamento, no qual há dois tipos fundamentais: De ação e de reação. 1) Turbina de ação: O escoamento do vapor ocorre através de expansores, devido a área reduzida de passagem, o vapor adquire alta velocidade, aumentando a energia cinética e diminuindo a entalpia. Além disso, ocorre também queda da pressão e da temperatura. O vapor de alta velocidade incide sobre as palhetas móveis, transformando energia cinética em mecânica e atravessa sobre elas a pressão constante. As palhetas de turbina de ação possuem formato simétrico. Na Figura 8 é possível observar a entrada do vapor no bocal, sua queda de pressão e aumento de velocidade durante a expansão, assim como o comportamento operacional desses parâmetros no rotor. Sendo P a representação de pressão e C a representação da velocidade. 25 Figura 8: Classificação de turbina a vapor - Turbina de Ação. (Mazurenko & Teixeira) 2) Turbina de reação: Constituída por palhetas fixas e palhetas móveis (fixadas ao rotor) de seções assimétrica, parte da expansão ocorre através das fixas, resultando em uma queda de pressão e aumento da velocidade, e a outra parte nas movéis, resultando em uma segunda queda de pressão e também da velocidade absoluta do vapor pois essas palhetas atuam comon expansores e transforam a velocidade gerada em trabalho mecânico. As palhetas da turbina de reação possuem formato assimétrico. Na Figura 9 é possível observar a entrada do vapor no bocal, sua queda de pressão e aumento de velocidade durante a passagens nas palhetas fixas, assim como o comportamento operacional desses parâmetros nas palhetas móveis. Sendo P a representação de pressão e C a representação da velocidade. 26 Figura 9: Classificação de turbina a vapor - Turbina de Reação. (Mazurenko & Teixeira) Outra classificação de turbinas é quanto à descarga de vapor. Dentre as principais têm-se: Turbinas de contrapressão: Vapor de escape é conduzido a dispositivos especiais para sua utilização, como, por exemplo, na calefação. Nessas turbinas a pressão do vapor de escape é sensivelmente superior à atmosférica; Turbina de condensação: O vapor se conduz a um condensador; Turbina de escape livre: O vapor escapa diretamente para a atmosfera; Nesse trabalho, o estudo de caso é realizado para o tipo de turbina de condensação com reaquecimento. Neste tipo de turbina, todo o fluxo de vapor é admitido no estágio de alta pressão e, após o processo de expansão, retorna à caldeira para o reaquecimento e, posteriormente, prossegue para a turbina no estágio de pressão intermediária, de onde se expande através dos estágios finais até seu escape, de acordo com a Figura 10. 27 Figura 10: Esquema simplificado de turbina de condesação com reaquecimento. (Mazurenko & Teixeira) A turbina analisada nesse projeto tem o vapor admitido através de uma válvula principal de parada e emergência, passando através de quatro válvulas de controle, com abertura seqüencial. O sistema de controle possui dispositivos para o desligamento da turbina em caso de falha de pressão de controle. Todo o sistema de proteção do conjunto turbo gerador, quando acionado, atua no sentido de aliviar a pressão do sistema de controle, o que provoca a parada da turbina Parte do vapor que passa pela turbina é extraído, em quatro sangrias, para o processo industrial, sendo o restante levado a um sistema de condensação incluindo o condensador principal, através de ejetores e condensador secundário de dois estágios, sistema de controle de nível e bombas de condensado. Um sistema hidráulico, do tipo console de óleo, é previsto para o fornecimento de óleo de lubrificação da turbina, redutor e gerador e óleo de controle para o sistema de controle da turbina. O sistema de lubrificação possui dispositivos para acionar a lubrificação auxiliar, em corrente alternada ou ainda a lubrificação de emergência, em corrente contínua. Também é previsto um dispositivo para desligamento da turbina em caso de falha do sistema de lubrificação. A Figura 11 representa o fluxograma de processo, que inclui a turbina a vapor a ser analisada posteriormente no estudo de caso. 28 Figura 11: Fluxograma do estudo de caso. 3.5.2 Análise de Primeira Lei Aplicada à Turbina a Vapor Para início da análise de Primeira Lei aplicada à Turbina a Vapor, deverão ser considerados dois pontos essenciais: 1- Primeiramente, considera-se a turbina como um volume de controle, ou seja, um volume no espaço que interessa para a análise (Borgnakke & Sonntag, 2009). Todo volume de controle é envolvido por uma superfície fechada chamada Superfície de Controle. Massa, calor e trabalho são capazes de atravessar essa superfície. Desta forma, considerando os fluxos de massa que entram e saem deste volume de controle, pode-se definir a lei de conservação de massa como a Equação 22, que também é conhecida como a equação da continuidade. 𝑑𝑚 𝑣.𝑐. 𝑑𝑡 = 𝑚𝑒 − 𝑚𝑠 (22) 2- O segundo ponto essencial é considerar o processo trabalhando em regime permanente. Neste tipo de processo, o estado da substância, em cada ponto do volume de controle, não varia com o tempo; assim como também não variam o 29 fluxo de massa e o estado dessa massa durante o escoamento através da superfície de controle. As taxas com as quais o calor e o trabalho cruzam a superfície de controle permanecem constantes ao longo do tempo (Borgnakke & Sonntag, 2009). Conhecendo estes fatos, tem-se então que: 𝑑𝐸𝑣.𝑐. 𝑑𝑡 =0 𝑒 𝑑𝑚 𝑣.𝑐. 𝑑𝑡 =0 Desta forma, é possível deduzir as Equações 23 e 24. 𝐸𝑒 = 𝐸𝑠 (23) 𝑚𝑒 = 𝑚𝑠 (24) Sendo a 𝑚𝑠 a resultante do somatório do fluxo de massa em cada extração da turbina (𝑚1 + 𝑚2 + ⋯ + 𝑚𝑛 ) e mais o que passa para o condensador (𝑚𝑐𝑜𝑛𝑑 ). Portanto, para n extrações, temos a Equação 25. 𝑚𝑒 = 𝑚1 + 𝑚2 + ⋯ + 𝑚𝑛 + 𝑚𝑐𝑜𝑛𝑑 = 𝑚𝑠 (25) Conforme já foi abordado anteriormente, no tópico 3.2.1, a primeira lei da termodinâmica para um sistema fechado pode ser escrita conforme a Equação 26. 𝐸2 − 𝐸1 = 1𝑄2 - 1𝑊 2 (26) Do lado esquerdo da equação tem-se a energia armazenada no sistema, enquanto que, do lado direito, tem-se a energia em trânsito, ou seja, aquela capaz de atravessar as fronteiras do volume de controle, como o calor, que entra, e o trabalho, que sai. O fluido que atravessa a superfície de controle transporta uma energia por unidade de massa definida pela Equação 27. 𝑒=𝑢+ 1 2 𝑉 2 + 𝑔𝑍 (27) 30 Sendo os três termos da equação a energia interna do sistema, cinética e potencial, respectivamente. Sabe-se que, toda vez que há entrada ou saída de um fluido do volume de controle, existe também um trabalho de movimento de fronteira associdado (Borgnakke & Sonntag, 2009). Para que uma massa escoe para dentro de um volume de controle, é necessário que as vizinhanças a empurrem com uma certa velocidade e contra certa pressão local. Portanto, a taxa de realização de trabalho associada ao escoamento de um fluido que atravessa a superfície de controle, pode ser calculada considerando a pressão local, velocidade local e a área da seção de escoamento. Desta forma, determina-se a Equação 28 como a taxa de trabalho de fluxo. 𝑊𝑓𝑙𝑢𝑥𝑜 = 𝑃𝑉𝑑𝐴 = 𝑃𝑉 = 𝑃𝑣𝑚 (28) Por unidade de massa, tem-se o trabalho de fluxo denominado por Pv. Sendo assim, conclui-se que a energia armazenada no volume de controle é igual ao somatório da energia transportada pelo fluido com a energia associada ao trabalho de movimento de fronteira (Equação 29). 𝑒 + 𝑃𝑣 = 𝑢 + 𝑃𝑣 + 1 2 𝑉 2 + 𝑔𝑍 (29) O termo 𝑢 + 𝑃𝑣 estará sempre presente quando houver um fluxo de massa. Como u, P e v são propriedades termodinâmicas, a combinação desses elementos, obrigatoriamente, deverá apresentar essa mesma característica. Portanto, fez-se conveniente chamá-la de entalpia e, assim, definir uma nova propriedade extensiva. Desta forma, a entalpia (𝐻) é expressa pela Equação 30. 𝐻 = 𝑈 + 𝑃𝑉 Ou, por unidade de massa, tem-se a entalpia específica () como: = 𝑢 + 𝑝𝑣 (30) 31 Realizando as substituições necessárias e substituindo a equação da energia armazenada na Equação 26, tem-se, com a Equação 31, a análise geral de primeira Lei para um volume de controle. + 1 2 𝑉 2 + 𝑔𝑍 1 − + 1 2 𝑉 2 + 𝑔𝑍 2 =𝑞+𝑤 (31) Para o caso específico da turbina a vapor em estudo no presente trabalho, utiliza-se a hipótese de dispositivo adiabático para a turbina, no qual as trocas térmicas através da carcaça são desprezíveis, portanto, pode-se considerar 𝑄 = 0. Além disso, as variações de energia cinética e potencial entre os estados inicial e final (respectivamente, entrada e saída da turbina) também são desprezíveis (∆𝐸𝑐 = 0 e ∆𝐸𝑝 = 0). Reescrevendo a Equação 31, tem-se a Equação 32. 𝑤 = 1 − 2 (32) Ou, de maneira análoga e, relembrando que se trata de um processo em regime permanente, a análise de Primeira Lei para turbina a vapor pode ser descrita conforme a Equação 33, que define sua potência real. Wreal = m (h1 − h2 ) 3.5.2.1 (33) Eficiência da Primeira Lei para Turbina a Vapor Sabe-se que, em um ciclo térmico, o calor fornecido por uma fonte à alta temperatura não pode ser completamente transformado em trabalho. Essa relação define o conceito de rendimento de uma máquina térmica, ou seja, quantifica a parcela de calor que é convertida em trabalho útil. Tratando-se de máquinas térmicas, é amplamente utilizado o conceito de rendimento calórico (Mazurenko & Teixeira) que, em essência, é equivalente ao rendimento térmico e definido pela Equação 34. 32 𝜂= 𝑄 −𝑄𝑙 (34) 𝑄 A Figura 12 apresenta o diagrama T-s do ciclo de vapor, que representa os calores, fornecido e rejeitado por 𝑄 e 𝑄𝑙 , respectivamente, conforme os processos 4 – 1 e 2 – 3. Figura 12: Diagrama T-s do ciclo de vapor. (Mazurenko & Teixeira) Com base na Figura 11, é possível reescrever a Equação 34 considerando o fluxo de calor na forma de diferença de entalpia (Equação 35). 𝜂= 𝑄 −𝑄𝑙 𝑄 = 1 − 4 − 2 − 3 1 − 4 (35) Reformulando a Equação 35 e associando-a ao gráfico da Figura 12, é possível obter uma relação entre a diferença de entalpia e o trabalho, culminando, assim, na Equação 36. 𝜂= 1 − 2 − 4 − 3 1 − 3 − 4 − 3 = 𝑊𝑟𝑒𝑎𝑙 −𝑊𝑐𝑜𝑛𝑑 1 − 3 −𝑊𝑐𝑜𝑛𝑑 Onde Wreal é o trabalho útil obtido na turbina e Wcond o trabalho consumido. (36) 33 Nesta última equação, costuma-se desprezar o termo Wcond , visto que, este é muito pequeno em relação ao Wreal . Deste modo, a entalpia no ponto 3 iguala-se a do ponto 4. Assim, chega-se ao rendimento da turbina, conforme a Equação 37. 𝜂= 𝑊𝑟𝑒𝑎𝑙 𝑊𝑟𝑒𝑎𝑙 = 1 − 3 1 − 4 = 𝑊 𝑟𝑒𝑎𝑙 (37) 𝑄 Multiplicando ambos os termos da Equação 37 pela vazão mássica, obtem-se a relação entre a potência real e a taxa de calor fornecida na entrada, conforme a Equação 38. 𝜂= 𝑊𝑟𝑒𝑎𝑙 (38) 𝑄 Para o estudo apresentado neste trabalho, o termo Q h é caracterizado pela energia do vapor na entrada da turbina, que é representada pela Equação 39. Q h m h1 3.5.3 (39) Análise de Segunda Lei Aplicada à Turbina a Vapor Tendo em vista a turbina a vapor como um volume de controle, se faz necessário determinar a equação da Segunda Lei da Termodinâmica para este caso, considerando a taxa de entropia para sistemas conforme a Equação 40. 𝑑𝑆 𝑠𝑖𝑠 𝑑𝑡 = 𝑄 𝑇 (40) + 𝑆𝑔𝑒𝑟 Tratando-se de volume de controle, é imprescindível acrescentar a análise da contribuição dos fluxos que atravessam a superfície de controle e transportam, assim, uma certa quantidade de entropia por unidade de tempo. Desta forma, a taxa de variação de entropia é representada pela Equação 41. 𝑑𝑆𝑣.𝑐. 𝑑𝑡 = 𝑚𝑒 𝑠𝑒 − 𝑚𝑠 𝑠𝑠 + 𝑄𝑣.𝑐. 𝑇 + 𝑆𝑔𝑒𝑟 (41) 34 O presente trabalho também estabelece que a turbina a vapor opera em regime 𝑄𝑣.𝑐. permanente e é adiabática ( Portanto, 𝑑𝑆𝑣.𝑐. 𝑑𝑡 𝑇 = 0), ou seja, não há variação de entropia com o tempo. = 0, levando à indução da Equação 42. 𝑚𝑠 𝑠𝑠 − (42) 𝑚𝑒 𝑠𝑒 = 𝑆𝑔𝑒𝑟 Ao considerar que o fluxo que entra no volume de controle é igual ao que sai do mesmo, determina-se então a 2ª Lei da Termodinâmica para volumes de controle em regime permanente pela Equação 43. (43) 𝑚 𝑠𝑠 − 𝑠𝑒 = 𝑆𝑔𝑒𝑟 3.5.4 Balanço de Exergia para Turbina a Vapor O balanço de exergia para um volume de controle difere-se do aplicado a um sistema fechado devido ao acréscimo de mais um mecanismo de transferência de exergia: o fluxo de massa através das fronteiras. Desta forma, conclui-se que a exergia é transferida para dentro ou para fora de um volume de controle através do fluxo de massa, assim como pela transferência de calor e realização de trabalho, além de considerar a destruição da mesma dentro das fronteiras do volume de controle, conforme abaixo. Xcalor − Xtrabalho + Xmassa ,e − Xmassa ,s − Xdestruída = (X2 − X1 )vc Portanto, a equação geral do balanço de exergia para volume de controle pode ser expressa de forma mais explícita pela Equação 44. (1− T0 Tj )Q j − Wvc − p0 (V2 − V1 ) + 𝑚e 𝑋e − 𝑚s 𝑋s − Xd = (X2 − X1 )vc (44) A Equação 45 apresenta o balanço de exergia para volume de controle em forma de taxa. 35 dX vc dt = (1− T0 Tj ) Q j − Wvc − p0 Considerando regime permanente, dX vc dt = dV vc + dt dV vc dt me Xe− ms X s − X d (45) = 0, e uma só corrente (uma entrada e uma saída), a Equação 45 pode ser deduzida conforme a Equação 46. T 0 1 0 Q j WVC m X 1 X 2 X d T (46) O termo X é conhecido como Exergia Específica de Fluxo ou Exergia de Escoamento, ou seja, exergia por unidade de massa, e é expresso de acordo com a Equação 47. Sendo esta uma reformulação da Equação 20, onde os termos de energia interna e trabalho de fronteira são substituídos pelas entalpias, conforme a Equação 30. 2 v X h h0 T0 s s 0 el gz 2 (47) Avaliando a diferença entre exergia específica de fluxo na entrada e na saída, a Equação 47 pode ser reescrita conforme a Equação 48. Esta diferença é também conhecida como trabalho ideal, ou reversível, Wideal e Wrev , respectivamente. X 1 X 2 h 1 h2 T0 s1 s 2 2 v el 1 v el 2 2 2 g z1 z 2 (48) Assim como foi definido para a Primeira Lei da Termodinâmica, desprezam-se os termos referentes às energias cinética e potencial. Comparando a análise exergética e a análise energética para volume de controle em regime permanente, deve-se diferenciar o conceito de ambas, considerando que a exergia é destruída por irreversibilidades e a energia se conserva. André França de Almeida (Almeira, 2011) fez uma análise sobre a diferença entre as equações de balanço de energia e exergia, concluindo que, para a primeira, a diferença entre a taxa de energia dos fluxos que entram e saem do volume de controle é integralmente transformada em calor ou trabalho, e a segunda mostra que a taxa de exergia entre os fluxos 36 de entrada e saída não é completamente transformada em interações de trabalho ou calor. Isso ocorre devido à destruição de exergia do sistema. 3.5.5 Eficiência Exergética No item 3.5.2.1 foi apresentada a eficiência de uma máquina térmica como medida de desempenho de dispositivos, porém esta eficiência é definida apenas com base na Primeira Lei e, portanto, não faz referência ao melhor desempenho possível, podendo ser enganosa. Já a eficiência de Segunda Lei, ou exergética, surgiu como uma forma de superar esta deficiência, sendo um meio de avaliação da eficácia da utilização dos recursos energéticos e também servindo como um parâmetro para indicar o desperdício dos mesmos. As equações de eficiência exergética, também chamada de efetividade da turbina, podem assumir diferentes formas e todas são deduzidas através do balanço de taxa de exergia. De arcordo com (Çengel & Boles, 2006), a eficiência de Segunda Lei é a razão entre a eficiência térmica real e a mais alta eficiência térmica possível (reversível) sob as mesmas condições. Para um dispositivo que produz trabalho, como a turbina, esta eficiência pode ser expressa como a relação entre a produção de trabalho útil (real) e a máxima produção de trabalho (reversível) possível, conforme a Equação 49. II W real W (49) rev Nota-se que o numerador é referente ao trabalho calculado a partir da Primeira Lei, onde as perdas são desprezadas, Equação 33, enquanto o denominador é a parcela referente à análise de Segunda Lei, Equação 48. Portanto, a equação da eficiência exergética também pode ser dada pela Equação 50. W v.c. m II X X 1 (50) 2 Segundo Shapiro (Moran & Shapiro, Princípios de Termodinâmica para Engenharia, 2009), para obtermos exergia mais correta é conveniente a utilização de um valor de II tão 37 próximo da unidade quanto possível, além de um bom ajuste entre as temperaturas de fonte e de uso. Como este projeto é a análise de uma turbina a vapor, o produto desejado será a potência gerada através da expansão do fluido. Assim, segundo João Júnior (Júnior, 2003), o produto é a potência gerada e o combustível é o decréscimo de exergia que ocorre com o fluido. A análise da eficiência exergética é extremamente importante, pois diversos fatores podem ser considerados durante o projeto e durante a busca de um melhor resultado. São eles: Possibilidade de determinar qual é o combustível termodinamicamente mais eficaz; Avaliação da eficácia de um projeto para o melhor desempenho de um sistema térmico; Comparação de valores da eficiência exergética com alteração de parâmetros do sistema ou até mesmo de sistemas similares. O aumento de eficiência que resulte em redução e melhoria na utilização de recursos pode gerar um aumento no custo de instalação, operação e manutenção, então, dependendo do projeto, a análise econômica também deve ser realizada antes da tomada de decisão. 38 4. Estudo de Caso Como já citado anteriormente, este trabalho propõe a análise de uma turbina a vapor mediante um programa computacional que simule o equipamento de acordo com suas condições de operação. Portanto, se fez necessário a escolha de uma máquina real que pudesse fornecer dados para a comparação. Por questões de confidencialidade não serão expostas informações específicas sobre cliente, como localização, nome, entre outros. 4.1 Descrição da Usina A usina que foi utilizada como objeto de estudo para esse trabalho é regida por um Ciclo Rankine com regeneração, sem reaquecimento, com uma caldeira multicombustível queimando gás de alto-forno (GAF), alcatrão vegetal e/ou gás natural, produzindo 60 t/h de vapor a 60 bar e 450°C, acionando uma turbina a vapor de condensação acoplada por meio de um redutor a um gerador elétrico de 15 MVA / 13,8 kV. A função desta usina é gerar eletricidade para subsidiar uma construção adjacente. Porém também pode gerar energia elétrica sobressalente, se necessário, tornando-se um produtor independente. Podem ser listados alguns parâmetros característicos como: Potencia Bruta: 12,9 MW Potencia dos Serviços Auxiliares: 1,0 MW Potencia Liquida: 11,7 MW Perda de Transformação; 200 kW Combustível Principal: Gás de Alto-forno; PCI – 900 kcal; Consumo Nominal – 40.500 Nm³/h. Combustível Complementar: Alcatrão; PCI – 4.600 kcal; Consumo Nominal – 500 kg/h Combustível Reserva: Gás Natural Eficiência Líquida: 25,5% 4.2 Dados da Turbina a Vapor O objeto de estudo desse trabalho é uma turbina a vapor com as seguintes características técnicas. 39 4.2.1 Condições Operacionais Equipamento acionado ............................................................................................................. Gerador Rotação da Turbina ................................................................................................................ 6.500 rpm Rotação normal do Gerador ................................................................................................... 1.800 rpm Condições de Vapor Máximo Normal Mínimo Pressão de admissão - 60 - bar abs. Temp. de admissão - 450 - 0 Pressão de escape - 0.09 - bar abs. Título - 0.9 - - 4.2.2 Unidades C Dados de Operação Os dados de operação foram medidos em campo, e são informações confidenciais. As medições ocorreram em dias e horários diferentes, e a partir destas, foi possível realizar mediante ao programa computacional, os resultados que serão discutidos através de gráficos no item 5.1 deste trabalho. A seguir, a Tabela 2 que configura numericamente os resultados encontrados na simulação. 40 Tabela 2: Resultados numéricos – Estudo. Estudo de Caso - Resultados Entalpia de Entropia Entalpia de Entropia Entrada de Entrada Saída de Saída [kJ/kg] [kJ/kg.K] [kJ/kg] [kJ/kg.K] 3304.435 3306.927 3298.401 3298.401 3301.235 3309.144 3291.139 3293.733 3293.246 3303.220 3293.778 3300.613 3312.751 3297.543 3303.282 3298.000 3308.011 3298.857 3314.629 3290.969 3294.707 3533.472 3292.569 3298.030 3289.351 3291.160 6.732 6.734 6.725 6.725 6.727 6.752 6.720 6.718 6.717 6.731 6.719 6.734 6.742 6.720 6.729 6.728 6.740 6.733 6.762 6.707 6.719 7.034 6.714 6.721 6.708 6.710 2341.079 2377.077 2379.849 2379.849 2382.024 2356.951 2365.545 2377.473 2382.024 2374.697 2377.869 2381.629 2381.629 2383.801 2363.749 2363.349 2373.903 2371.121 2378.859 2380.245 2380.640 2384.788 2372.512 2377.077 2381.629 2386.365 7.426 7.174 7.156 7.156 7.142 7.311 7.251 7.172 7.142 7.190 7.169 7.145 7.145 7.131 7.264 7.266 7.195 7.214 7.163 7.154 7.151 7.125 7.205 7.174 7.145 7.115 Entalpia do Entropia Estado do Estado Morto Morto [kJ/kg] [kJ/kg] 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 Exergia [kW] 21697.145 22884.848 22438.842 23100.388 22849.473 15419.289 21278.498 23073.076 20116.588 22068.358 23050.759 23223.998 23348.892 17775.880 16595.364 20625.593 20211.761 22493.995 21068.670 22507.211 23086.472 19011.216 18111.662 20731.240 23123.424 23006.147 Potência Exergia Potência Reversível Destruída Real [kW] [kW] [kW] 16055.930 16319.380 15880.990 16349.200 16151.820 11288.250 15243.000 16318.080 14152.040 15748.790 16301.140 16447.260 16629.320 12507.350 11977.220 14866.140 14486.460 16102.920 15128.280 15818.020 16281.310 15156.250 12862.650 14698.680 16219.990 16069.910 19505.930 18629.380 18100.990 18639.200 18331.820 13258.250 17853.000 18728.080 16122.040 18068.790 18691.140 18637.260 18779.320 14187.350 14007.220 17416.140 16596.460 18592.920 17058.280 18128.020 18581.310 15512.250 14912.650 16858.680 18549.990 18219.910 3450.000 2310.000 2220.000 2290.000 2180.000 1970.000 2610.000 2410.000 1970.000 2320.000 2390.000 2190.000 2150.000 1680.000 2030.000 2550.000 2110.000 2490.000 1930.000 2310.000 2300.000 356.000 2050.000 2160.000 2330.000 2150.000 Eficiência Potência Eficiência de 2ª Lei Convertida de 1ª Lei [-] [-] [-] 0.823 0.876 0.877 0.877 0.881 0.851 0.854 0.871 0.878 0.871 0.872 0.882 0.886 0.882 0.855 0.853 0.873 0.866 0.887 0.872 0.876 0.977 0.863 0.872 0.874 0.882 0.740 0.713 0.708 0.708 0.707 0.732 0.716 0.707 0.704 0.714 0.707 0.708 0.712 0.704 0.722 0.721 0.717 0.716 0.718 0.703 0.705 0.797 0.710 0.709 0.701 0.699 0.292 0.281 0.278 0.278 0.278 0.288 0.281 0.278 0.277 0.281 0.278 0.278 0.281 0.277 0.284 0.283 0.282 0.281 0.282 0.277 0.277 0.325 0.279 0.279 0.276 0.275 4.3 Memória de Cálculo A memória de cálculo realizada para a análise da turbina a vapor foi a base para o desenvolvimento da modelagem em programação Fortran e segue abaixo o formulário utilizado para obter o resultado final da simulação da turbina a vapor. Uma consideração inicial para o melhor entendimento dos termos que serão apresentados a seguir pode ser a distância associada à quantidade de potência analisada. Quanto maior a distância a partir das condições de entrada, significa que maior é a capacidade potencial até a condição de estado morto (potencial máximo teórico ou exergia). Figura 13: Esquema de representação de potência. 41 4.3.1 Produção Real de Potência A Potência real da turbina pode ser calculada a partir da equação da primeira lei da termodinâmica, desenvolvida para volume de controle (turbina a vapor) e regime permanente. A potência real apresenta todo o valor de potência que é convertido em trabalho e seu resultado depende dos dados de entrada e saída da turbina a vapor. O desenvolvimento da equação está descrito no item 3.5.2 do presente relatório e a equação a seguir é a Equação 33 e a utilizada para a potência real. 𝑊real = m (h1 − h2 ) 4.3.2 Potência Reversível A máxima potência reversível pode ser calculada a partir do balanço de exergia, ou seja, pela diferença entre a exergia específica de fluxo na entrada e na saída da turbina para o condensador. A máxima potência reversível apresenta como valor a potência total possível desconsiderando as perdas, ou seja, considerando um processo reversível. Observa-se também a interferência da temperatura de estado morto e que as condições consideradas são as de entrada e saída da turbina. O desenvolvimento da potência reversível pode ser observado no item 3.5.4 e a equação utilizada para a obtenção do valor é a Equação 48, desprezando os termos referentes às energias cinéticaa e potencial. 𝑊𝑟𝑒𝑣 = X 1 − 𝑋2 = m (h1 − h2 ) − T0 s1 − s2 Onde, T0 é a tempertatura ambiente, ou seja, a tempertatura de fronteira e o parâmetro considerado para a análise do estudo morto. 4.3.3 Cálculo da eficiência da Primeira Lei Para o cálculo da eficiência da Primeira Lei, considera a potência real da turbina apresentada no item 4.3.1 e a relação desta com a energia do vapor na entrada da turbina, ou seja, representa toda a potência convertida em trabalho em função das condições de entrada do vapor na turbina. A equação utilizada na modelagem foi descrita no item 3.5.2.1 e apresentada na Equação 38, conforme a seguir: 42 ηI = 4.3.4 W m (h1 − h2 ) = Qh m (h1 ) Eficiência de Segunda Lei A eficiência de Segunda Lei é a relação entre a potência real e a potência reversível, ou seja, expressa a porcentagem de aproveitamento da potência convertida em trabalho em função da potência possível para os dados de entrada e saída da turbina. Assim, a eficiência de segunda lei já menciona as potências considerando as perdas intrínsecas do sistema, relacionando-as. É importante ressaltar que para o levantamento da potência reversível são utilizados os mesmos estados inicial e final do processo real. O desenvolvimento deste foi descrito no item 3.5.5 e representada na Equação 49. . m h1 h2 W real II m h1 h2 T0 s1 s 2 Wrev 4.3.5 Exergia do Vapor A exergia ou potencial máximo teórico é definido como o que pode ser produzido na composição da turbina a vapor com a fronteira do sistema, quando este entra em equilibrio com o ambiente. Esse conceito é descrito no item 3.3 e a Equação 20 apresenta os parâmetros utilizados para a análise exergética, porém, desconsiderando as energias cinética e potencial, conforme a seguir: X (U 1 U O ) pO (V1 VO ) TO (S1 S O ) Para análise do balanço de exergia para a turbina a vapor, descrito no item 3.5.4, utiliza-se o conceito de exergia específica de fluxo, porém, com os termos de energia interna e de trabalho de fronteira substituídos pelos valores de entalpia na entrada e na condição de estado morto. O cálculo utilizado na simulação considerou também a vazão do fluxo de vapor na entrada da turbina, para a obtenção de resultado em forma potencial. Assim, o cálculo realizado é baseado na Equação 47. 43 X m [h1 h0 T0 s1 s 0 ] 4.3.6 Exergia Destruída A exergia destruída é a parcela positiva que representa o potencial de trabalho perdido, ou seja, a partir das irreversibilidades do sistema a parcela de exergia perdida. Essa definição está descrita no item 3.3.4. Segundo (Çengel & Boles, 2006) a diferença entre a potência reversível e potência real representa o valor da exergia destruida. Durante a simulação essas potências foram calculadas, portanto, a exergia destruída será a diferença entre essas conforme a Equação 51. . . X d W rev W real 4.3.7 (51) Potencial disponível convertido em trabalho O potencial disponível é exergia do sistema, ou seja, o potencial máximo teórico. Essa análise expressa a quantidade de potência real que foi convertida em trabalho em relação ao potencial máximo teórico. A Equação 52 apresenta esse cálculo. . W CONV . W X (52) Ao longo do trabalho, o potencial disponível convertido em trabalho será referenciado como potencial convertido. 4.3.8 Eficiência Isentrópica Uma análise adicional realizada durante a simulação foi a consideração de um processo isentrópico, ou seja, a entropia na entrada ser igual a entropia na saída. Esse é um estudo que determina um comportamento ideal para a saída do vapor da turbina. O primeiro cálculo a ser realizado é a temperatura de saída ideal para uma dada pressão, considerando estado de mistura líquido saturado-vapor saturado. Posteriormente, 44 deve-se encontrar os valores de entalpia e entropia associadas a essa temperatura estimada, para vapor e líquido da mistura. A partir desses valores, é realizado o cálculo do título que indica a condição isentrópica do processo. Sabendo que título tem como definição a quantidade de vapor na mistura líquido-vapor. Portanto, pode-se chegar a Equação 53. s1 = s2 condição isentrópica s1 = sliq + x (sv − sliq ) (s 1 −s liq ) x = (s v −s liq (53) ) A partir do título, é possível encontrar a entalpia de saída ideal pela Equação 54. h2,ideal = hliq + x (hv − hliq ) (54) A partir das equações desenvolvidas acima, finalmente chega-se a Equação 55 da eficiência isentrópica da turbina, que utiliza o dado de entalpia ideal de saída. ηisen = (h (h 1 −h 2 ) 1 −h 2,ideal ) (55) 4.4 Modelagem Computacional A modelagem computacional para a turbina a vapor levou em consideração apenas os estados de entrada e de saída, não sendo especificados todos os estágios de expansão devido às diferentes extrações. Ou seja, neste estudo, considerou se uma única expansão na turbina partindo do estado de entrada até as condições no condensador. Outra consideração importante para o desenvolvimento da modelagem foi o regime permanente. Sendo assim, um processo de seleção dos dados de operação neste tipo de regime foi adotado. Com isso, foram escolhidos diferentes patamares de potência nos quais a variação de potência fosse de aproximadamente 1% durante o dia de operação. Como citado anteriormente, o programa computacional foi baseado na memória de cálculo (item 4.3). O fluxo de informação do programa é apresentado na Figura 14. 45 Figura 14: Fluxograma representativo da modelagem elaborada para este estudo. Os parâmetros de entrada no programa foram definidos a partir dos cálculos apresentados na memória de cálculo, que levam não só em consideração os estados referentes 46 à entrada e saída da turbina, mas também o estado morto (definido pela temperatura ambiente). Esses parâmetros são: Temperatura na entrada da turbina [K]; Pressão na entrada da turbina [MPa]; Vazão mássica na entrada da turbina [kg/s]; Tempertura na saída da turbina [K]; Pressão na saída da turbina [MPa]; Temperatura ambiente [K]; Título [-]. Vale ressaltar que a definição das propriedades termodinâmicas (entalpia e entropia) foi baseada no equacionamento apresentando pela International Association for the Properties of Water and Steam, IAPWS-IF 97 (The International Association for the Properties of Water and Steam). 47 5. Análise dos Resultados 5.1 Estudo de Caso Para esta seção, foi realizada uma análise comportamental da turbina, utilizando, como parâmetros, os dados de operação medidos na própria usina com o decorrer dos dias. Os resultados serão apresentados na forma gráfica, de maneira a demonstrar a condição de regime permanente considerada inicialmente para o projeto. Primeiramente, foi necessário desenvolver uma modelagem numérica que simulasse as condições operacionais da turbina. Os resultados obtidos na modelagem foram comparados aos valores de tabelas disponíveis no (Borgnakke & Sonntag, 2009), sendo estes muito próximos. Desta forma, o programa foi considerado apto a ser utilizado. A primeira análise a ser feita foi a verificação dos dados em função do comportamento da turbina, que sofre expansão. Assim, um gráfico T-s foi plotado conforme o Gráfico 1: Diagrama T-s para a turbina estudada.. Com a queda da temperatura há o aumento da entropia, assim, o comportamento gráfico se mostra compatível ao esperado para a expansão do vapor. T-s Temperatura de saída [K] 345 340 335 330 325 320 315 7,1 7,1 7,2 7,2 7,3 7,3 7,4 7,4 7,5 Entropia [kJ/kg.K] Gráfico 1: Diagrama T-s para a turbina estudada. A partir disso, análises pontuais dos parâmetros de operação da turbina puderam ser realizadas. Todos os gráficos foram gerados em função da vazão, de forma que a hipótese de regime permanente pudesse ser comprovada. 48 5.1.1 Temperatura de Entrada x Vazão Nota-se no Gráfico 2 que há uma constância durante a operação para as medições de temperatura de entrada, porém observa-se um pico de temperatura de aproximadamente 100 K para a medição de vazão de, aproximadamente, 13 kg/s. Temperatura de entrada [K] Temperatura de entrada x Vazão 900 800 700 600 500 400 300 200 100 0 10 12 14 16 18 20 Vazão mássica [kg/s] Gráfico 2: Comportamento da turbina em função da temperatura de entrada. Sabendo que estes valores representam medições reais, algumas hipóteses podem ser levantadas para explicar tal alteração: Erro de medição; Aumento temporário na demanda de energia, consquentemente, um aumento na qualidade da energia do vapor (temperatura) realizado na produção do mesmo (caldeira). 5.1.2 Temperatura de Saída x Vazão No Gráfico 3 pode-se observar que, independente da vazão, a temperatura de saída se mostra relativamente constante. Fato que pode ser esclarecido devido à necessidade de se manter as condições operacionais do condensador, portanto, a temperatura do vapor que sai da turbina não deve sofrer variações bruscas. 49 Temperatura de saída x Vazão Temperatura de saída [K] 400 350 300 250 200 150 100 50 0 10 12 14 16 18 20 Vazão mássica [kg/s] Gráfico 3: Comportamento da turbina em função da temperatura de saída. 5.1.3 Pressão de entrada x Vazão O Gráfico 4 corresponde ao esperado, visto que, deve-se sempre procurar manter a pressão na entrada da turbina no mesmo patamar da pressão de projeto desejada. Pressão de entrada x Vazão Pressão de entrada [MPa] 7,0 6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 Vazão mássica [kg/s] Gráfico 4: Comportamento da turbina em função da pressão de entrada. 50 5.1.4 Pressão de Saída x Vazão Os resultados demostrados pelo Gráfico 5 mostram uma pressão de saída, referente a pressão do condensador, bem próxima a zero que indica um estado similar ao vácuo. Assim, direciona o vapor da turbina para o condensador. Pressão de saída [MPa] Pressão de saída x Vazão 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 Vazão mássica [kg/s] Gráfico 5: Comportamento da turbina em função da pressão de saída. 5.1.5 Potência Real x Vazão Os resultados no Gráfico 6 demostram que, quanto maior a vazão de entrada, maior é a potência real da turbina, o que pode ser confirmado pela equação da potência (Equação 33) visto que tratam-se de fatores diretamente proporcionais. Observa-se um pico de potência medido, para uma vazão de, aproximadamente, 13 kg/s, resultado da maior diferença entre as temperaturas apresentadas durante a operação, uma vez que a temperatura de saída permaneceu praticamente constante e houve um pico na temperatura de entrada neste mesmo ponto. Sendo assim, a variação de entalpia aumenta e, consequentemente, gera um aumento na potência. 51 Potência Real x Vazão 17000 Potência Real [kW] 16000 15000 14000 13000 12000 11000 10000 10 12 14 16 18 20 Vazão mássica [kg/s] Gráfico 6: Comportamento da turbina em função da potência real. 5.1.6 Eficiências x Vazão Os resultados apresentados no Gráfico 7 estão coerentes, pois a eficiência da turbina deve ser constante ao longo da operação, visto que é uma característica do equipamento. Assim, o comportamento linear e horizontal do gráfico é o esperado. Eficiências [-] Eficiências x Vazão 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 1ª lei 2ª lei 10 12 14 16 18 20 Vazão mássica [kg/s] Gráfico 7: Comportamento da turbina em função das eficiências. Vale ressaltar que o pico de eficiência, no qual a eficiência de 2ª lei chega a alcançar quase 100%, é resultado da alta potência real, medida no mesmo ponto de comportamento adverso. 52 É comum que o valor da eficiência de Primeira Lei seja inferior ao de Segunda Lei, visto que, para o cálculo da eficiência de Primeira Lei, leva-se em consideração todo o potencial energético que entra na turbina, ou seja, a energia do vapor na entrada sem considerar as perdas. Enquanto que, para a análise em função da Segunda Lei, a eficiência é obtida somente com base na parcela de energia já disponível para o trabalho, portanto, já foram consideradas as perdas iniciais (troca térmica com a fonte fria) e, na parcela disponível, as perdas serão menores (por atrito, mudança de fase, entre outras, ou seja, pelas irreversibilidades). O que permite que a eficiência de Segunda Lei tenha um valor alto. A Figura 15 permite um melhor entendimento da relação entre as duas leis. Figura 15: Relação Esquemática de Primeira e Segunda Lei. 5.1.7 Exergia do vapor – Potência – Exergia Destruída x Vazão A partir do conceito de exergia, nota-se que o comportamento do Gráfico 8 condiz com o mesmo, pois a linha de exergia apresenta valores acima da potência real, visto que a exergia do vapor considera todo o potencial idealizado (isento de irreversibilidades) para a turbina, já a potência é definida a partir de dados de operação, assim, apresentando valores numéricos inferiores aos da exergia. 53 Exergias e Potências x Vazão Parâmetros [kW] 25000 20000 exergia 15000 potência exergia destruida 10000 potência reversível 5000 0 10 15 20 Vazão mássica [kg/s] Gráfico 8: Comparação entre exergias e potências. A exergia destruída é a diferença entre as potências real e reversível, sendo assim a sua representação mostra a mesma constância dos outros parâmetros. O ponto onde a exergia destruída é aproximadamente zero indica a eficiência de Segunda Lei de, praticamente, 100%. 5.2 Simulação Esta etapa do projeto busca simular o comportamento da turbina ao variar um de seus parâmetros, mantendo todos os outros fixos e, desta forma, concluir, então, qual é o parâmetro que mais influencia no comportamento da mesma. Com a alteração dos parâmetros de entrada, automaticamente, todos os valores da saída também se alterariam, porém não há como medi-los. Para este projeto, a turbina é tratada como uma “caixa preta”, a análise é feita com base apenas no que entra e sai, sem interessar o que acontece em seu interior. Desta forma, torna-se impossível alterar os parâmetros de entrada sem saber o que resultará em sua saída, tornando a análise errônea. Assim, optou-se pela alteração apenas dos parâmetros de saída. Vale ressaltar também que, na saída da turbina, haverá uma mistura líquido-vapor, tornando este estado bifásico. Portanto, para tal, as propriedades termodinâmicas de pressão e temperatura se tornam dependentes uma da outra (ao contrário do que acontece em sistemas monofásicos, onde as mesmas são propriedades independentes). Assim, ao variar a temperatura de saída, automaticamente haverá uma variação da pressão, sendo o mesmo válido para a hipótese inversa. Desta forma, o programa teve de ser modificado para atender a 54 essa exigência, de maneira que uma propriedade adicional é necessária para a definição do estado termodinâmico para este sistema bifásico. Esta propriedade adicional trata-se do título. 5.2.1 Potência Real 5.2.1.1 Temperatura de Saída / Pressão de Saída Para os parâmetros de pressão e temperatura de saída, nota-se um mesmo comportamento gráfico, de acordo com o Gráfico 9 e o Gráfico 10, respectivamente. Com o aumento destes, há um aumento da entalpia h2 associada. Desta forma, a diferença entre as entalpias (h1 − h2 ) passa a ser menor, ou seja, há uma menor expansão no processo, o que consequentemente, diminui o valor da potência real. Observa-se nos gráficos esta tendência. Potência real x Pressão de saída 17500 Potência real [kW] 16500 15500 14500 13500 12500 11500 0,007 0,012 0,017 0,022 0,027 Pressão de saída [MPa] Gráfico 9: Comportamento da potência real em função da pressão de saída. 55 Potência real x Temp. de saída 17500 Potência [kW] 16500 15500 14500 13500 12500 11500 310 315 320 325 330 335 340 345 Temperatura da saída [K] Gráfico 10: Comportamento da potência real em função da temperatura de saída. 5.2.1.2 Temperatura Ambiente Apenas há influência da temperatura ambiente quando se realiza uma análise tendo como referência o estado morto. Para o cálculo da potência real, utilizam-se apenas os estados de entrada e saída. Portanto, em relação à temperatura ambiente, a potência real permanece constante, visto o comportamento no Gráfico 11. 56 Potência real x Temp. ambiente 17500 Potência real [kW] 16500 15500 14500 13500 12500 11500 280 285 290 295 300 305 310 315 320 Temperatura ambiente [K] Gráfico 11: Comportamento da potência em função da temperatura ambiente. 5.2.1.3 Título Ao se aproximar da linha de saturação, ou seja, aumentando-se o título até 1, aumentase a entalpia de saída e, consequentemente, diminui a diferença de entalpia entre a entrada e saída, caracterizando-se uma menor expansão e diminuindo, assim, a potência real. Esta mudança pode ser observada no Gráfico 12. 57 Potência real x Título 17500 Potência [kW] 16500 15500 14500 13500 12500 11500 0,85 0,90 0,95 1,00 1,05 Título [-] Gráfico 12: Comportamento da potência em função da temperatura ambiente. 5.2.2 Exergia do vapor 5.2.2.1 Título / Temperatura de Saída / Pressão de Saída Fixando os dados de entrada e a temperatura ambiente para estes casos, é de se esperar que o valor seja o mesmo e constante, uma vez que a exergia do vapor é calculada em função dos estados de entrada e morto, apenas. Portanto, o Gráfico 13, o Gráfico 14 e o Gráfico 15 estão coerentes com o esperado. 58 Exergia do vapor x Título 25000 Exergia [kW] 24000 23000 22000 21000 20000 19000 0,85 0,90 0,95 1,00 1,05 Título [-] Gráfico 13: Comportamento da exergia do vapor em função do título. Exergia do vapor x Pressão de saída 25000 Exergia [kW] 24000 23000 22000 21000 20000 19000 0,007 0,012 0,017 0,022 0,027 Pressão de saída [MPa] Gráfico 14: Comportamento da exergia do vapor em função da pressão de saída. 59 Exergia do vapor x Temp. de saída 25000 Exergia [K] 24000 23000 22000 21000 20000 19000 310 315 320 325 330 335 340 345 Temperatura da saída [K] Gráfico 15: Comportamento da exergia do vapor em função da temperatura de saída. 5.2.2.2 Temperatura Ambiente Aumentando-se a temperatura ambiente, o valor de entalpia no estado morto aumenta, enquanto que a entropia, para esse mesmo estado, diminui. Assim, analisando através da equação da exergia (Equação 48), conclui-se que, ao fixar o estado de entrada, a diferença entre as entalpias diminui, enquanto a de entropia aumenta. Porém, a influência maior é da diferença das entalpias. Assim, a angulação negativa é esperada e comprovada no Gráfico 16. 60 Exergia do vapor x Temp. ambiente 25000 Exergia [kW] 24000 23000 22000 21000 20000 19000 280 285 290 295 300 305 310 315 320 Temperatura ambiente [K] Gráfico 16: Comportamento da exergia do vapor em função da temperatura ambiente. 5.2.3 Exergia destruída 5.2.3.1 Temperatura de Saída / Pressão de Saída Com o aumento tanto da temperatura de saída quanto da pressão de saída, há um aumento da entalpia associada a este estado e, consequentemente, a diminuição da diferença entálpica entre os estados, representado uma expansão menor. Assim, a potência real diminui (conforme visto no Gráfico 10). A exergia destruída é a diferença entre a potência reversível e potência real, conforme visto na memória de cálculo, no item 4.3.6. Para a potência reversível, consideram-se a entropia e entalpia associada aos estados de entrada e saída. Com o aumento da temperatura, a entropia de saída diminui, aumentando a diferença em relação a esta parcela, enquanto a entalpia aumenta, diminuindo a diferença entalpica. Assim, pela fórmula apresentada no item 4.3.2 da memória de cálculo, nota-se então, que a potência reversível também diminui, porém, de uma forma mais significativa. Portanto, a exergia destruída também decai e os comportamentos apresentados no Gráfico 17 e Gráfico 18 são satisfatórios. 61 Exergia destruída x Temp. de saída Exergia destruída [kW] 7500 6500 5500 4500 3500 2500 1500 310 315 320 325 330 335 340 345 Temperatura da saída [K] Gráfico 17: Comportamento da exergia destruída em função da temperatura de saída. Exergia destruída x Pressão de saída Exergia destruída [kW] 7500 6500 5500 4500 3500 2500 1500 0,007 0,012 0,017 0,022 0,027 Pressão de saída [MPa] Gráfico 18: Comportamento da exergia destruída em função da pressão de saída. 62 5.2.3.2 Temperatura Ambiente Há uma menor influência devido a este parâmetro, visto que a variação da temperatura ambiente influencia apenas no termo de trabalho reversível. Para exergia destruída, a análise é feita através da diferença entre o trabalho reversível e o real. Uma vez que os estados de entrada e saída não se alteram, a potência real é fixa, não havendo, portanto, a influência deste termo. Sendo assim, com o aumento da temperatura ambiente, observa-se um aumento na potência reversível e, consequentemente, o aumento da exergia destruída, apresentado no Gráfico 19. É importante ressaltar que a diferença entrópica apresenta um valor negativo, visto que a entropia de saída é maior que a entropia de entrada, portanto, a parcela da temperatura ambiente na equação da potência reversível será somada a diferença entálpica. Assim, quanto maior a temperatura ambiente, maior será a potência reversível, sendo os parâmetros de entrada e saída fixos. Exergia destruída x Temp. ambiente Exergia destruída [kW] 7500 6500 5500 4500 3500 2500 1500 280 285 290 295 300 305 310 315 320 Temperatura ambiente [K] Gráfico 19: Comportamento da exergia destruída em função da temperatura ambiente. 5.2.3.3 Título Assim como foi explicado no item 5.2.1.3, há um decréscimo da potência real com o aumento do título. Conforme explicado a entalpia de saída aumenta quando o título cresce e se aproxima da linha de saturação e o mesmo comportamento é observado para a entropia de saída. A exergia destruída também sofre impacto da potência reversível, que possui suas 63 parcelas de diferença entálpica e entrópica diminuindo conforme tem-se aumento do título. Portanto, a potência real aumenta de forma mais significativa que a potência reversível, aumentando assim, a diferença entre elas e, consequentemente, aumentando a exergia destruída. Exergia destruída x Título Exergia destruída [kW] 7500 6500 5500 4500 3500 2500 1500 0,85 0,90 0,95 1,00 1,05 Título [-] Gráfico 20: Comportamento da exergia destruída em função do título. Para melhor visualização, a Tabela 3: Dados encontrados na simulação em função da mudança do título. mostra os dados de potência reversível e potência real e a diferença entre eles (exergia destruída) quando se tem o aumento do título. Tabela 3: Dados encontrados na simulação em função da mudança do título. Título Entropia de Saída Entalpia de Saída 0.870 7.1994 2269.1851 0.875 7.2372 2281.1674 0.880 7.2750 2293.1498 0.885 7.3128 2305.1321 0.890 7.3505 2317.1145 0.895 7.3883 2329.0968 0.900 7.4261 2341.0792 Potência Reversível 19574.83 Potência Real Exergia Destruída 17254.16 2320.669 19562.87 17054.46 2508.410 19550.90 16854.75 2696.151 19538.93 16655.04 2883.894 19526.97 16455.34 3071.635 19515.01 16255.63 3259.377 19503.05 16055.93 3447.119 64 Título Entropia de Saída Entalpia de Saída 0.905 7.4639 2353.0615 0.910 7.5017 2365.0439 0.915 7.5394 2377.0262 0.920 7.5772 2389.0086 0.925 7.6150 2400.9910 0.930 7.6528 2412.9733 0.935 7.6906 2424.9557 0.940 7.7284 2436.9380 0.945 7.7661 2448.9204 0.950 7.8039 2460.9027 0.955 7.8417 2472.8851 0.960 7.8795 2484.8674 0.965 7.9173 2496.8498 0.970 7.9550 2508.8321 0.975 7.9928 2520.8145 0.980 8.0306 2532.7968 0.985 8.0684 2544.7792 0.990 8.1062 2556.7615 0.995 8.1439 2568.7439 1.000 8.1817 2580.7262 Potência Reversível 19491.08 Potência Real Exergia Destruída 15856.22 3634.861 19479.11 15656.51 3822.603 19467.15 15456.81 4010.345 19455.19 15257.10 4198.086 19443.23 15057.40 4385.828 19431.26 14857.69 4573.570 19419.29 14657.98 4761.312 19407.33 14458.28 4949.053 19395.36 14258.57 5136.794 19383.41 14058.87 5324.536 19371.44 13859.16 5512.278 19359.48 13659.46 5700.020 19347.51 13459.75 5887.762 19335.54 13260.04 6075.503 19323.59 13060.34 6263.245 19311.62 12860.63 6450.987 19299.66 12660.93 6638.729 19287.69 12461.22 6826.471 19275.72 12261.51 7014.212 19263.76 12061.81 7201.954 Com base na fórmula de exergia destruída (Equação 51), conclui-se então que há um aumento de destruição. Portanto, o Gráfico 20 representa bem este comportamento. 5.2.4 Eficiências Para o cálculo das eficiências, foi realizado um estudo comparativo entre o comportamento das diferentes formas de se calcular a eficiência, a partir das análises de Primeira e Segunda Lei, assim como em função de um processo isentrópico. Também foi analisada a parcela do potencial disponível convertida em potência real. 65 5.2.4.1 Temperatura de Saída / Pressão de Saída Primeira Lei A eficiência de Primeira Lei apresenta uma variação muito pequena quando são alterados os dados dos parâmetros de saída, visto que, ao aumentar a temperatura ou a pressão, a entalpia de saída também aumentará, resultando em uma expansão. Dessa forma, há uma redução da potência real. Em relação à energia do vapor na entrada (Qh), esta é constante, pois não depende do estado de saída. Portanto, a eficiência diminuirá. As baixas variações de eficiência, encontradas no Gráfico 21 e no Gráfico 22, são oriundas do fato da parcela do estado de saída ter alterado pouco ao longo do estudo. Eficiência de 1ª lei x Temp. de saída 1,0 0,9 Eficiência [-] 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 310 315 320 325 330 335 340 345 Temperatura da saída [K] Gráfico 21: Comportamento da eficiência de Primeira Lei em função da temperatura de saída. 66 Eficiência de 1ª lei x Pressão de saída 1,0 0,9 Eficiência [-] 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 0,007 0,012 0,017 0,022 0,027 Pressão de saída [MPa] Gráfico 22: Comportamento da eficiência de Primeira Lei em função da pressão de saída. Segunda Lei Sabe-se que a eficiência de Segunda Lei é uma relação entre a potência real e a potência reversível, sendo todas as duas afetadas pela diferença de entalpia, que diminui com o aumento da temperatura e pressão. Porém, a parcela da potência reversível, também leva em consideração a diferença de entropia, que aumenta com essas mesmas alterações. Portanto, a potência reversível decresce de forma muito mais significativa que a potência real, fazendo com que haja, assim, um aumento da eficiência. Este comportamento pode ser observado tanto no Gráfico 23 quanto no Gráfico 24, para temperatura e pressão, respectivamente. 67 Eficiência de 2ª lei x Temp. de saída 1,0 0,9 Eficiência [-] 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 310 315 320 325 330 335 340 345 Temperatura da saída [K] Gráfico 23: Comportamento da eficiência de Segunda Lei em função da temperatura de saída. Eficiência de 2ª lei x Pressão de saída 1,0 0,9 Eficiência [-] 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 0,007 0,012 0,017 0,022 0,027 Pressão de saída [MPa] Gráfico 24: Comportamento da eficiência de Segunda Lei em função da pressão de saída. Processo isentrópico Diante de um aumento de temperatura e pressão de saída, há um aumento tanto da entalpia real quanto da ideal, porém, relativamente, a entalpia ideal aumenta de maneira mais significativa que a real, fazendo com que haja, assim, um aumento da eficiência, uma vez que 68 a eficiência isentrópica é uma relação onde seu numerador expressa a diferença de entalpia real e, seu denominador, a diferença entre a entalpia de entrada real e a entalpia de saída ideal. A forma como se encontra o valor da entalpia ideal é melhor explicada no item 4.3.8, deste mesmo trabalho. Portanto, a diminuição mais significativa do denominador implica no aumento da eficiência isentrópica. Esta conseqüência é observada o longo dos gráficos de temperatura e pressão de saída, Gráfico 25 e Gráfico 26, respectivamente. Eficiência isentrópica x Temp. de saída 1,0 0,9 Eficiência [-] 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 310 315 320 325 330 335 340 345 Temperatura da saída [K] Gráfico 25: Comportamento da eficiência isentrópica em função da temperatura de saída. Eficiência [-] Eficiência isentrópica x Pressão de saída 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 0,007 0,012 0,017 0,022 0,027 Pressão de saída [MPa] Gráfico 26: Comportamento da eficiência isentrópica em função da pressão de saída. 69 Potencial disponível convertido em trabalho O potencial de energia disponível convertido em trabalho é a relação entre a potência real e a exergia do vapor. O primeiro termo, como já explicado anteriormente, diminui com o aumento da pressão e/ou temperatura de saída, já o segundo, sofre influência apenas dos estados de entrada e morto, permanecendo constante. Portanto, com estas variações, tende-se a converter menos potencial em trabalho, assim, há o comportamento apresentado no Gráfico 27 e no Gráfico 28. Potencial convertido x Temp. de saída 1,0 Potencial convertido [-] 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 310 315 320 325 330 335 340 345 Temperatura da saída [K] Gráfico 27: Comportamento do potencial convertido em função da pressão de saída. 70 Potencial convertido x Pressão de saída 1,0 Potencial convertido [-] 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 0,007 0,012 0,017 0,022 0,027 Pressão de saída [MPa] Gráfico 28: Comportamento do potencial convertido em função da pressão de saída. 5.2.4.2 Temperatura ambiente Primeira Lei Como no cálculo da eficicência de Primeira Lei não há termos que sejam influenciados diretamente pela temperatura ambiente, seu valor será constante ao longo do Gráfico 29. 71 Eficiência de 1ª lei x Temp. ambiente 1,0 0,9 Eficiência [-] 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 280 285 290 295 300 305 310 315 320 Temperatura ambiente [K] Gráfico 29: Comportamento da eficiência de Primeira Lei em função da temperatura ambiente. Segunda Lei Para a Segunda Lei, a temperatura ambiente interfere de forma a diminuir a eficiência em função de seu aumento, visto que a parcela do trabalho reversível, onde há a influência do estado morto, aumenta, enquanto a parcela da potência real não sofre alteração como explicado anteriormente. Pode-se verificar este decréscimo no Gráfico 30. 72 Eficiência de 2ª lei x Temp. ambiente 1,0 0,9 Eficiência [-] 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 280 285 290 295 300 305 310 315 320 Temperatura ambiente [K] Gráfico 30: Comportamento da eficiência de Segunda Lei em função da temperatura ambiente. Processo Isentrópico Como os parâmetros de entrada e saída foram fixados para esta análise, o valor da eficiência isentrópica será constante, conforme o Gráfico 31. Eficiência isentrópica x Temp. ambiente 1,0 0,9 Eficiência [-] 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 280 285 290 295 300 305 310 315 320 Temperatura ambiente [K] Gráfico 31: Comportamento da eficiência isentrópica em função da temperatura ambiente. 73 Potencial disponível convertido em trabalho Tendo em vista que o potecial convertido é a razão entre a potência real e a exergia do vapor e que a potência real não é influenciada pela alteração da temperatura ambiente. Então, as mudanças na eficiência são dependentes apenas da exergia do vapor. Sendo assim, como esta diminui com o aumento da temperatura ambiente, a eficiência aumenta. O Gráfico 32 mostra este comportamento. Potencial convertido x Temp. ambiente 1,0 Potencial convertido [-] 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 280 285 290 295 300 305 310 315 320 Temperatura ambiente [K] Gráfico 32: Comportamento do potencial convertido em função da temperatura ambiente. 5.2.4.2.1 Eficiencia x Titulo Primeira Lei Os valores de eficiencia de Primeira Lei decaem quando o título aumenta, conforme apresentado no Gráfico 33. Esse comportamento pode ser explicado, pois um aumento de título proporciona um aumento na entalpia de saída, ocasionando assim, um menor resultado na diferença entre a entalpía de entrada e saída. Como o valor de entalpia de entrada é fixo, o termo significante é o de saída. Portanto, para um aumento do título ocorre um decrescimo da eficiência da Primeira Lei. 74 Eficiência de 1ª lei x Título 1,0 0,9 Eficiência [-] 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 0,86 0,88 0,90 0,92 0,94 0,96 0,98 1,00 1,02 Título [-] Gráfico 33: Comportamento da eficiência de Primeira Lei em função do título. Segunda Lei O aumento do título significa o aumento de vapor na mistura e os valores de entalpia e entropia são maiores para o vapor quando comparados com os do líquido. Assim, quanto maior o título, maior serão os valores de entropia e entalpia na saída da turbina. Esses valores interferem na eficiencia de Segunda Lei, resultando no decréscimo desta. O Gráfico 34 ilustra essa queda ao longo da variação do título. 75 Eficiência de 2ª lei x Título 1,0 0,9 Eficiência [-] 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 0,86 0,88 0,90 0,92 0,94 0,96 0,98 1,00 1,02 Título [-] Gráfico 34: Comportamento da eficiência de Segunda Lei em função do título. Processo isentrópico O comportamento da eficiência isentrópia pode ser explicado através da variação entre entalpia de entrada e de saída. Para melhor entendimento, vale ressaltar que, para a simulação, a pressão de saída foi considerada constante. Com essa condição, a temperatura de saída ideal também se mantém constante, portanto, não irá interferir na diferença entre a entalpia de entrada e entalpia de saida do estado ideal. O único fator que irá interferir no resultado da eficiencia isentrópica é a entalpia real de saída, que como dito anteriormente, é maior para o vapor. Portanto, resulta numa diferença menor e, consequentemente, em uma eficiencia isentrópica menor, como mostrado no Gráfico 35. 76 Eficiência isentrópica x Título 1,0 0,9 Eficiência [-] 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 0,86 0,88 0,90 0,92 0,94 0,96 0,98 1,00 1,02 Título [-] Gráfico 35: Comportamento da eficiência isentrópica em função do título. Potencial disponível convertido em trabalho O potencial convertido também diminui quando se aumenta o titulo, vide Gráfico 36. Sabendo que os parâmentros de temperatura ambiente, de temperatura e pressão de entrada, além dos referentes à saída, foram mantidos constantes, apenas o título irá interferir na entalpia e entropia de saída. Assim, mais uma vez, o único fator que irá interferir no resultado é a entalpia de saída que irá aumentar, diminuindo a potência real e, consequentemente, o potencial convertido. 77 Potencial convertido x Título 1,0 Potendial convertido [-] 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 0,86 0,88 0,90 0,92 0,94 0,96 0,98 1,00 1,02 Título [-] Gráfico 36: Comportamento do potencial convertido em função do título. 5.2.4.3 Concatenação dos resultados das eficiências Ao analisar os quatro gráficos de eficiência sobrepostos, apresentados no Gráfico 37, observa-se alguns comportamentos comuns a todos eles. Novamente, todos os gráficos puderam comprovar que a eficiência de Primeira Lei apresenta um valor inferior ao de Segunda, conforme já foi citado no item 5.1.6, do estudo de caso. Outro fato que deve ser observado é a proximidade da eficiência isentrópica com a eficiência de Segunda Lei, para todos os gráficos. Esta ocorrência fica evidente quando se sabe que ambas buscam refletir a idealidade e reversibilidade do processo. Conclui-se que, para todos os casos, o parâmetro título é o que mais tem influência nas alterações das curvas gráficas. Pois, ao variar o título, há uma modificação na mistura líquidovapor do fluído, fazendo com que, todas as outras propriedades termodinâmicas de saída se alterem. 78 Gráfico 37: Comparação entre as eficiências e o potencial convertido em função da temperatura de saída. 79 5.2.4.4 Resultados Numéricos Em complementento à análise realizada através dos gráficos, pode ser de melhor entendimento a visualização dos resultados numéricos apresentados após as simulações feitas. É válido enfatizar que para todos os parâmetros alterados, foram encontrados valores de eficiência de 1ª Lei entre 20% e 30%, sendo inferiores aos valores de eficiência da 2ª Lei que apresentaram-se entre 80% e 90%. Assim como, a parcela de exergia destruída pode ser vinculado a um custo associado, podendo gerar uma despesa muito alta em determinado período de tempo. A seguir, a Tabela 4, a Tabela 5, a Tabela 6 e a Tabela 7 que apresentam os resultados numéricos das simulações. Tabela 4: Resultados para variação da temperatura ambiente Simulação - Variação da Temperatura Ambiente Entalpia Entropia Entalpia TEMP. de Entrada de Entrada de Saída AMB [K] [kJ/kg] [kJ/kg.K] [kJ/kg] 286.000 287.000 288.000 289.000 290.000 291.000 292.000 293.000 294.000 295.000 296.000 297.000 298.150 299.000 300.000 301.000 302.000 303.000 304.000 305.000 306.000 307.000 308.000 309.000 310.000 311.000 312.000 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 2341.079 2341.079 2341.079 2341.079 2341.079 2341.079 2341.079 2341.079 2341.079 2341.079 2341.079 2341.079 2341.079 2341.079 2341.079 2341.079 2341.079 2341.079 2341.079 2341.079 2341.079 2341.079 2341.079 2341.079 2341.079 2341.079 2341.079 Entropia de Saída [kJ/kg.K] 7.426 7.426 7.426 7.426 7.426 7.426 7.426 7.426 7.426 7.426 7.426 7.426 7.426 7.426 7.426 7.426 7.426 7.426 7.426 7.426 7.426 7.426 7.426 7.426 7.426 7.426 7.426 Entalpia Entropia do Estado do Estado Morto Morto [kJ/kg] [kJ/kg] 53.972 58.162 62.352 66.540 70.728 74.914 79.100 83.285 87.469 91.653 95.836 100.019 104.828 108.382 112.564 116.745 120.926 125.106 129.287 133.467 137.647 141.827 146.007 150.187 154.367 158.547 162.727 0.193 0.208 0.222 0.237 0.251 0.266 0.280 0.294 0.309 0.323 0.337 0.351 0.367 0.379 0.393 0.407 0.421 0.435 0.448 0.462 0.476 0.490 0.503 0.517 0.530 0.544 0.557 Exergia [kW] Potência Real [kW] Potência Exergia Eficiência Potência Eficiência Eficiência Reversível Destruída de 2ª Lei Convertid de 1ª Lei Isentrópica [kW] [kW] [-] a [-] [-] [-] 23003.625 22894.757 22786.132 22677.749 22569.607 22461.706 22354.045 22246.623 22139.438 22032.490 21925.779 21819.303 21697.145 21607.054 21501.279 21395.736 21290.424 21185.343 21080.492 20975.870 20871.476 20767.309 20663.369 20559.655 20456.166 20352.902 20249.861 16055.930 16055.930 16055.930 16055.930 16055.930 16055.930 16055.930 16055.930 16055.930 16055.930 16055.930 16055.930 16055.930 16055.930 16055.930 16055.930 16055.930 16055.930 16055.930 16055.930 16055.930 16055.930 16055.930 16055.930 16055.930 16055.930 16055.930 19362.574 19374.136 19385.698 19397.259 19408.821 19420.383 19431.944 19443.506 19455.068 19466.629 19478.191 19489.753 19503.049 19512.876 19524.438 19536.000 19547.561 19559.123 19570.685 19582.246 19593.808 19605.370 19616.931 19628.493 19640.055 19651.617 19663.178 3306.644 3318.206 3329.768 3341.329 3352.891 3364.453 3376.014 3387.576 3399.138 3410.699 3422.261 3433.823 3447.119 3456.946 3468.508 3480.070 3491.631 3503.193 3514.755 3526.316 3537.878 3549.440 3561.001 3572.563 3584.125 3595.687 3607.248 0.829 0.829 0.828 0.828 0.827 0.827 0.826 0.826 0.825 0.825 0.824 0.824 0.823 0.823 0.822 0.822 0.821 0.821 0.820 0.820 0.819 0.819 0.818 0.818 0.818 0.817 0.817 0.698 0.701 0.705 0.708 0.711 0.715 0.718 0.722 0.725 0.729 0.732 0.736 0.740 0.743 0.747 0.750 0.754 0.758 0.762 0.765 0.769 0.773 0.777 0.781 0.785 0.789 0.793 0.292 0.292 0.292 0.292 0.292 0.292 0.292 0.292 0.292 0.292 0.292 0.292 0.292 0.292 0.292 0.292 0.292 0.292 0.292 0.292 0.292 0.292 0.292 0.292 0.292 0.292 0.292 0.812 0.812 0.812 0.812 0.812 0.812 0.812 0.812 0.812 0.812 0.812 0.812 0.812 0.812 0.812 0.812 0.812 0.812 0.812 0.812 0.812 0.812 0.812 0.812 0.812 0.812 0.812 80 Tabela 5: Resultados para variação da temperatura de saída Simulação - Variação da Temperatura de Saída Entalpia Entropia Entalpia Temp. de Entrada de Entrada de Saída Saída [K] [kJ/kg] [kJ/kg.K] [kJ/kg] 313.000 314.000 315.000 316.000 317.150 318.000 319.000 320.000 321.000 322.000 323.000 324.000 325.000 326.000 327.000 328.000 329.000 330.000 331.000 332.000 333.000 334.000 335.000 336.000 337.000 338.000 339.000 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 2338.761 2344.805 2348.827 2352.842 2354.847 2356.851 2358.852 2358.852 2360.852 2362.850 2366.841 2366.841 2368.833 2370.823 2372.810 2374.796 2376.779 2376.779 2378.761 2380.739 2380.739 2382.716 2384.689 2384.689 2384.689 2386.660 2388.629 Entropia de Saída [kJ/kg.K] 7.444 7.398 7.369 7.340 7.326 7.312 7.298 7.298 7.284 7.270 7.243 7.243 7.229 7.216 7.203 7.189 7.176 7.176 7.164 7.151 7.151 7.138 7.125 7.125 7.125 7.113 7.101 Entalpia Entropia do Estado do Estado Morto Morto [kJ/kg] [kJ/kg] 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 Exergia [kW] 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 Potência Exergia Eficiência Potência Eficiência Eficiência Potência Reversível Destruída de 2ª Lei Convertid de 1ª Lei Isentrópic Real [kW] [kW] [kW] [-] a [-] [-] a [-] 16094.890 15994.160 15927.120 15860.200 15826.780 15793.390 15760.020 15760.020 15726.690 15693.390 15626.890 15626.890 15593.690 15560.520 15527.390 15494.290 15461.240 15461.240 15428.220 15395.240 15395.240 15362.300 15329.400 15329.400 15329.400 15296.550 15263.740 19628.739 19303.727 19090.390 18879.686 18775.298 18671.548 18568.418 18568.418 18465.922 18364.043 18162.117 18162.117 18062.057 17962.588 17863.713 17765.415 17667.707 17667.707 17570.565 17473.992 17473.992 17377.981 17282.526 17282.526 17282.526 17187.631 17093.282 3533.849 3309.567 3163.270 3019.486 2948.518 2878.158 2808.398 2808.398 2739.232 2670.653 2535.227 2535.227 2468.367 2402.068 2336.323 2271.125 2206.467 2206.467 2142.345 2078.752 2078.752 2015.681 1953.126 1953.126 1953.126 1891.081 1829.542 0.820 0.829 0.834 0.840 0.843 0.846 0.849 0.849 0.852 0.855 0.860 0.860 0.863 0.866 0.869 0.872 0.875 0.875 0.878 0.881 0.881 0.884 0.887 0.887 0.887 0.890 0.893 0.742 0.737 0.734 0.731 0.729 0.728 0.726 0.726 0.725 0.723 0.720 0.720 0.719 0.717 0.716 0.714 0.713 0.713 0.711 0.710 0.710 0.708 0.707 0.707 0.707 0.705 0.703 0.292 0.290 0.289 0.288 0.287 0.287 0.286 0.286 0.286 0.285 0.284 0.284 0.283 0.283 0.282 0.281 0.281 0.281 0.280 0.280 0.280 0.279 0.278 0.278 0.278 0.278 0.277 0.812 0.819 0.823 0.828 0.832 0.834 0.836 0.838 0.840 0.844 0.847 0.849 0.850 0.854 0.857 0.860 0.861 0.863 0.865 0.867 0.868 0.871 0.872 0.873 0.875 0.876 0.878 81 Tabela 6: Resultados para variação da pressão de saída Simulação - Variação da Pressão de Saída Pressão Saída [MPa] 0.009 0.010 0.011 0.012 0.013 0.014 0.014 0.015 0.015 0.016 0.017 0.018 0.018 0.019 0.020 0.021 0.022 0.022 0.023 0.024 0.024 0.025 0.026 0.026 0.027 0.027 0.028 Entalpia Entropia Entalpia de Entrada de Entrada de Saída [kJ/kg] [kJ/kg.K] [kJ/kg] 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 2339.842 2344.719 2348.494 2351.979 2355.219 2356.758 2358.248 2359.692 2361.093 2363.777 2366.318 2367.539 2368.731 2371.030 2373.225 2375.326 2376.344 2377.341 2379.278 2380.219 2381.142 2382.939 2383.814 2384.674 2385.520 2386.352 2387.976 Entropia de Saída [kJ/kg.K] 7.435 7.399 7.371 7.346 7.323 7.312 7.302 7.292 7.282 7.263 7.246 7.238 7.230 7.214 7.200 7.186 7.179 7.173 7.160 7.154 7.148 7.137 7.131 7.126 7.120 7.115 7.105 Entalpia Entropia do Estado do Estado Morto Morto [kJ/kg] [kJ/kg] 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 Exergia [kW] Potência Real [kW] Potência Reversível [kW] Exergia Eficiência Potência Eficiência Eficiência Destruída de 2ª Lei Convertid de 1ª Lei Isentrópic [kW] [-] a [-] [-] a [-] 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 16076.550 15995.250 15932.350 15874.260 15820.270 15794.620 15769.790 15745.720 15722.370 15677.640 15635.290 15614.920 15595.060 15556.750 15520.160 15485.140 15468.180 15451.560 15419.280 15403.600 15388.210 15358.260 15343.670 15329.340 15315.240 15301.380 15274.310 19569.824 19307.893 19107.592 18924.415 18755.653 18675.987 18599.166 18524.986 18453.279 18316.631 18188.110 18126.596 18066.788 17951.907 17842.797 17738.907 17688.771 17639.762 17544.923 17499.009 17454.041 17366.797 17324.441 17282.903 17242.128 17202.108 17124.186 3493.274 3312.643 3175.242 3050.155 2935.383 2881.367 2829.376 2779.266 2730.909 2638.991 2552.820 2511.676 2471.728 2395.157 2322.637 2253.767 2220.591 2188.202 2125.643 2095.409 2065.831 2008.537 1980.771 1953.563 1926.888 1900.728 1849.876 0.821 0.828 0.834 0.839 0.843 0.846 0.848 0.850 0.852 0.856 0.860 0.861 0.863 0.867 0.870 0.873 0.874 0.876 0.879 0.880 0.882 0.884 0.886 0.887 0.888 0.890 0.892 0.741 0.737 0.734 0.732 0.729 0.728 0.727 0.726 0.725 0.723 0.721 0.720 0.719 0.717 0.715 0.714 0.713 0.712 0.711 0.710 0.709 0.708 0.707 0.707 0.706 0.705 0.704 0.292 0.290 0.289 0.288 0.287 0.287 0.286 0.286 0.285 0.285 0.284 0.284 0.283 0.282 0.282 0.281 0.281 0.281 0.280 0.280 0.279 0.279 0.279 0.278 0.278 0.278 0.277 0.812 0.819 0.823 0.828 0.832 0.834 0.836 0.838 0.840 0.844 0.847 0.849 0.850 0.854 0.857 0.860 0.861 0.863 0.865 0.867 0.868 0.871 0.872 0.873 0.875 0.876 0.878 82 Tabela 7: Resultados para variação do título Simulação - Variação do Título na saída Entalpia de Entropia Entalpia de Entropia Título [-] Entrada de Entrada Saída de Saída [kJ/kg] [kJ/kg.K] [kJ/kg] [kJ/kg.K] 0.870 0.875 0.880 0.885 0.890 0.895 0.900 0.905 0.910 0.915 0.920 0.925 0.930 0.935 0.940 0.945 0.950 0.955 0.960 0.965 0.970 0.975 0.980 0.985 0.990 0.995 1.000 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 3304.435 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 6.732 2269.185 2281.167 2293.150 2305.132 2317.114 2329.097 2341.079 2353.062 2365.044 2377.026 2389.009 2400.991 2412.973 2424.956 2436.938 2448.920 2460.903 2472.885 2484.867 2496.850 2508.832 2520.814 2532.797 2544.779 2556.762 2568.744 2580.726 7.199 7.237 7.275 7.313 7.351 7.388 7.426 7.464 7.502 7.539 7.577 7.615 7.653 7.691 7.728 7.766 7.804 7.842 7.879 7.917 7.955 7.993 8.031 8.068 8.106 8.144 8.182 Entalpia do Entropia Estado do Estado Morto Morto [kJ/kg] [kJ/kg] 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 104.828 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 0.367 Exergia [kW] 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 21697.145 Potência Exergia Potência Reversível Destruída Real [kW] [kW] [kW] 17254.160 17054.460 16854.750 16655.040 16455.340 16255.630 16055.930 15856.220 15656.510 15456.810 15257.100 15057.400 14857.690 14657.980 14458.280 14258.570 14058.870 13859.160 13659.460 13459.750 13260.040 13060.340 12860.630 12660.930 12461.220 12261.510 12061.810 19574.829 19562.870 19550.901 19538.934 19526.975 19515.007 19503.049 19491.081 19479.113 19467.155 19455.186 19443.228 19431.260 19419.292 19407.333 19395.364 19383.406 19371.438 19359.480 19347.512 19335.543 19323.585 19311.617 19299.659 19287.691 19275.722 19263.764 2320.669 2508.410 2696.151 2883.894 3071.635 3259.377 3447.119 3634.861 3822.603 4010.345 4198.086 4385.828 4573.570 4761.312 4949.053 5136.794 5324.536 5512.278 5700.020 5887.762 6075.503 6263.245 6450.987 6638.729 6826.471 7014.212 7201.954 Eficiência Potência Eficiência Eficiência de 2ª Lei Convertida de 1ª Lei Isentrópica [-] [-] [-] [-] 0.881 0.872 0.862 0.852 0.843 0.833 0.823 0.814 0.804 0.794 0.784 0.774 0.765 0.755 0.745 0.735 0.725 0.715 0.706 0.696 0.686 0.676 0.666 0.656 0.646 0.636 0.626 0.795 0.786 0.777 0.768 0.758 0.749 0.740 0.731 0.722 0.712 0.703 0.694 0.685 0.676 0.666 0.657 0.648 0.639 0.630 0.620 0.611 0.602 0.593 0.584 0.574 0.565 0.556 0.313 0.310 0.306 0.302 0.299 0.295 0.292 0.288 0.284 0.281 0.277 0.273 0.270 0.266 0.263 0.259 0.255 0.252 0.248 0.244 0.241 0.237 0.234 0.230 0.226 0.223 0.219 0.874 0.864 0.854 0.844 0.833 0.823 0.813 0.803 0.793 0.783 0.773 0.763 0.752 0.742 0.732 0.722 0.712 0.702 0.692 0.682 0.672 0.661 0.651 0.641 0.631 0.621 0.611 83 6. Conclusão O presente trabalho teve como objetivo a análise exergética de uma turbina a vapor e, para a possivel realização da mesma, foi necessário apresentar, inicialmente, aspectos conceituais que envolvem as leis e propriedades termodinâmicas, o entendimento do ciclo rankine no qual a turbina está inserida, assim como os conceitos da exergia. Após a descrição destes, foi possível adequar e acrescentar conceitos para um estudo mais profundo da correta aplicação das leis da termodinâmica, exergia e eficiências para a turbina a vapor. Desenvolveu-se a análise exergética da turbina a vapor a partir de dados operacionais medidos em campo, em uma usina Termelétrica. Além disso, foram feitas análises do estudo de caso através da modelagem em programação Fortran, considerando os parâmetros medidos na entrada e saída da turbina em estudo. Esses parâmetros foram relacionados com a variação da vazão de entrada e, através da geração de gráficos, foi possível observar o comportamento parcialmente constante entre limites próximos de máximo e mínimo, durante a operação. Assim, um resultado obtido foi a consideração de regime permanente ser válida. Observou-se, também, uma variação discrepante em uma medição. Esta fez com que os dados de potências, exergia e eficiências sofressem variação significativa. Para esse caso pontual, foram sugeridas hipóteses como erro de medição e aumento da demanda de energia na usina. Entretanto, uma análise mais aprofundada seria necessária para explicar este fato, o que não é objetivo do presente trabalho. Posteriormente, desenvolveram-se simulações comportamentais onde foram alterados os parâmetros de saída, assim como temperatura ambiente e título, um a um, enquanto os outros eram mantidos fixos para uma possível comparação entre os resultados obtidos e a conclusão de qual parâmetro mais influencia no comportamento da turbina, bem como para observar-se o comportamento dos diversos parâmetros estudados (eficiência de segunda lei, exergia destruída, etc.) com a variação do estado termodinâmico na saída da turbina. Para todos os resultados apresentados graficamente, conclui-se que a alteração do título é o parâmetro que causa maior influência no comportamento da turbina. Isto se deve ao fato de que ao variar a relação da mistura líquido-vapor do sistema, as propriedades de saída do vapor se alteram, ocasionando, assim, uma diferença significativa nos resultados de eficiências e exergia destruída. Durante as simulações, foi considerada, para o estado de saída da turbina, uma mistura de líquido e vapor, conforme definido nos dados de operação da mesma. Outra possível análise a ser realizada, futuramente, é a consideração do vapor, no estado de saída, sob a 84 forma superaquecida. Neste caso, o estado passaria a ser monofásico e, assim, as propriedades de temperatura e pressão seriam independentes. Essa é uma hipótese que busca a comparação entre as diferentes fases do vapor. Além da importância da análise exergética, o presente trabalho busca enfatizar a qualidade da energia, que é avaliada pela Segunda Lei; enquanto a análise da Primeira Lei se limita a quantificar a energia. Ou seja, a Primeira Lei considera toda a energia que entra no sistema, enquanto que, a Segunda, trata apenas da parcela de energia disponível. Uma análise mais aprofundada da exergia é capaz de indicar, não só a localização da degradação de energia, como também a magnitude real dessas perdas em um processo. A energia possui um custo associado, portanto, qualquer degradação gera um custo significativo em um período de tempo. No presente projeto, foi analisada a exergia destruída considerando apenas entrada e saída da turbina. A análise interna e pontual de cada componente da turbina pode proporcionar os pontos exatos de degradação. A destruição de exergia representa a lacuna para que os engenheiros implementem melhorias no projeto dos componentes da turbina (por exemplo: otimização das palhetas e redução dos atritos), de modo a minimizar as irreversibilidades e, consequentemente, reduzir a exergia destruída (aumentando-se, assim, a parcela de exergia recuperada ou potência útil em relação à exergia fornecida). Para o estudo do valor financeiro associado à degradação de exergia, é necessário realizar, primeiramente, a análise do comportamento do equipamento e, posteriormente, através do campo da ciência denominado Termoeconomia, é possível quantificar o prejuízo gerado em um processo. A engenharia busca soluções de redução de custo e aumento da qualidade de projeto. Os recursos cada vez mais escassos geram maiores custos e, consequentemente, exige uma redução no desperdicio. A análise termodinâmica qualitativa é essencial para esse estudo, assim como a análise exergética, a qual busca o máximo aproveitamento da energia disponível. 85 7. Referência Bibliográfica Almeira, A. F. (Setembro de 2011). Análise Exergética dos Ciclos Rankine e Combinado com Gaseificação Integrada Operados a Carvão Mineral. Bacellar, D. F. (2010). Análise Exergética e Termoeconômica da Destilação Combinada de uma Refinaria de Petróleo. p. 75. Borgnakke, C., & Sonntag, R. E. (2009). 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