ÉD CLAUDIO BORDINASSI CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DA INTEGRIDADE SUPERFICIAL DE UM AÇO INOXIDÁVEL SUPER-DUPLEX APÓS USINAGEM Tese apresentada à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo para obtenção do título de Doutor em Engenharia. São Paulo 2006 ÉD CLAUDIO BORDINASSI CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DA INTEGRIDADE SUPERFICIAL DE UM AÇO INOXIDÁVEL SUPER-DUPLEX APÓS USINAGEM Tese apresentada à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo para obtenção do título de Doutor em Engenharia. Orientador: Prof. Dr. Marco Stipkovic Filho Co-orientador: Prof. Dr. Gilmar Ferreira Batalha Área de Concentração: Engenharia Mecânica São Paulo 2006 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho à minha esposa Marta, fiel companheira das horas de lazer e de trabalho, e à pequena Julia, que nascerá em breve e já é motivo de grande felicidade. AGRADECIMENTOS Agradeço ao Prof. Dr. Marco Stipkovic que além da orientação para a execução deste trabalho me privilegiou com sua amizade e companheirismo no dia-a-dia. Agradeço também ao Prof. Dr. Gilmar Batalha pela co-orientação feita de maneira competente. À Sulzer Pumps, em especial ao Prof. Dr. Marcelo Martins pelo fornecimento do material para usinagem. Ao Prof. Dr. Sérgio Delijaicov pela grande ajuda durante todo o desenvolvimento deste trabalho. À Sandvik Coromant, em especial ao Eng. Domenico e ao Sr. Arlindo Wandele pelo fornecimento das ferramentas e ajuda na execução de parte dos ensaios. Ao Eng. Renato e ao Sr. Fábio da FAG rolamentos pela ajuda em parte dos ensaios. Ao Prof. Dr. Nelson Batista, Renê e Amanda do IPEN pelas medições de tensão residual. Aos técnicos Margarete e Daniel da Escola de Engenharia Mauá pela preparação das amostras metalográficas. À Sra. Cleide e à Srta. Silvia da Escola de Engenharia Mauá pela incansável busca de minhas solicitações de referências bibliográficas. Aos amigos Rubens, Nelson e Márcio da Escola de Engenharia Mauá pela grande ajuda na preparação de todo o trabalho. Aos amigos Sérgio Moriguchi, Susana Lebrão, Amilton Ara e Márcio Lucato pelo constante incentivo, companheirismo e ajuda na elaboração desta tese, e aos amigos Luciano de Sousa, Carlos Oscar, Fernando de Freitas e Ian Faccio (in memorian) pelo companheirinho no estudo e grande ajuda no decorrer dos anos em que este trabalho foi feito. Aos meus pais Claudio e Célia que sempre se esforçaram em dar o melhor de si à minha educação e acima de tudo me ajudaram não só na execução deste trabalho, mas ao longo de toda a minha vida. A todos que contribuíram de alguma forma para o término deste trabalho e principalmente a Deus que me permitiu cumprir mais esta etapa. "Nunca ande pelo caminho traçado, pois ele conduz somente até onde os outros foram." Alexandre Graham Bell SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS .................................................................................................................I LISTA DE TABELAS .............................................................................................................VI LISTA DE ABREVIAÇÕES E SIGLAS ................................................................................VII LISTA DE SÍMBOLOS ........................................................................................................ VIII RESUMO .................................................................................................................................. X ABSTRACT .............................................................................................................................XI 1. INTRODUÇÃO....................................................................................................................01 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.............................................................................................03 2.1 - Aço inoxidável duplex (DSS – Duplex Stainless Steel) e super duplex (SDSS – Super Duplex Stainless Steel) ...............................................................................................03 2.1.1 - A história dos aços inoxidáveis duplex ................................................................03 2.1.2 - Generalidades .......................................................................................................04 2.1.3 - Principais elementos de liga de um aço inoxidável..............................................08 2.1.4 - Estrutura de um aço inoxidável duplex ................................................................10 2.2 - Usinagem de aço inoxidável ....................................................................................14 2.2.1 - Generalidades .......................................................................................................14 2.3 - Esforços de corte......................................................................................................16 2.4 - Tensão residual ........................................................................................................18 2.4.1 - Métodos para medições das tensões residuais......................................................21 2.4.1.1 -Método do sen² ψ .................................................................................................24 3. MATERIAIS E MÉTODOS.........................................................................................29 3.1 - Operações de desbaste .............................................................................................30 3.1.1 - Equipamentos e materiais utilizados ....................................................................30 3.1.2 - Parâmetros utilizados e métodos ..........................................................................35 3.1.2.1 - Usinagem .......................................................................................................35 3.1.2.2 - Amostras metalográficas................................................................................38 3.2 - Ensaios com “casca” ................................................................................................39 3.3 - Ensaios de acabamento ............................................................................................41 3.3.1 - Equipamentos utilizados.......................................................................................41 3.3.2 - Parâmetros utilizados e métodos...................................................................................52 4. RESULTADOS OBTIDOS E DISCUSSÕES..............................................................56 4.1 - Operações de desbaste ..............................................................................................56 4.1.1 - Caracterização do processo de desbaste.............................................................56 4.1.1.1 - Observações e resultados gerais......................................................................56 4.1.1.2 - Análises fatoriais para a rugosidade ...............................................................58 4.1.1.3 Análises das microestruturas.............................................................................63 4.1.2 4.2 Ensaios de vida de ferramenta com desbaste do material com “casca” ...............69 Operações de acabamento ...........................................................................................79 4.2.1 Respostas obtidas para a rugosidade superficial...................................................79 4.2.1.1 Análises fatoriais para a rugosidade superficial................................................81 4.2.2 Respostas obtidas para as forças de usinagem......................................................85 4.2.2.1 Análises fatoriais para as forças de usinagem ...................................................87 4.2.3 Respostas obtidas para a estabilidade dimensional ..............................................95 4.2.4 Respostas obtidas para a tensão residual ............................................................101 4.2.4.1 Análises fatoriais para a tensão residual .........................................................102 4.2.5 Respostas obtidas para as medições de micro-dureza ........................................117 4.2.5.1 Análises fatoriais para os valores de micro-dureza.........................................121 4.2.6 - Respostas obtidas para as análises microestruturais...........................................129 4.2.7 Correlações entre os resultados ..........................................................................131 4.2.8 Gráficos de contorno das respostas x parâmetros de corte.................................133 5. CONCLUSÕES..................................................................................................................141 6. SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS..............................................................144 7. BIBLIOGRAFIA................................................................................................................145 8. ANEXO A: RESULTADOS DAS MICRO-DUREZAS....................................................152 9. ANEXO B - CORRELAÇÕES ENTRE AS RESPOSTAS................................................157 10. ANEXO C - REGRESSÃO PARA MODELO DA TENSÃO RESIDUAL EM FUNÇÃO DOS PARÂMETROS DE CORTE E DA TENSÃO RESIDUAL EM FUNÇÃO DA VARIAÇÃO DIMENSIONAL...............................................................................................199 I LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Comparação dos custos acumulados na utilização de um aço ao carbono e um DSS em uma instalação offshore (STILL, 1994). ................................................................................... 08 Figura 2 – Diagrama TTT do aço inoxidável super duplex SAF 2507 (NILSSON, 1992)......13 Figura 3 – Força de usinagem e suas componentes no processo de torneamento (DINIZ; MARCONDES; COPPINI, 2001) .....................................................................................17 Figura 4 – Carregamento e descarregamento nas superfície do metal quando da passagem na ponta da ferramenta (SHAW, 1915) ..................................................................................20 Figura 5 – Difração de raios-X em cristais simples carregados e descarregados (BRINKSMEIER, 1982)....................................................................................................22 Figura 6 – Estado plano de tensões (PREVÉY, 1996) .............................................................25 Figura 7 – Elipsóide de deformações (PREVÉY, 1996) ..........................................................25 Figura 8 – Gráfico 2θ - sen² ψ..................................................................................................27 Figura 9 – Centro de Torneamento Romi Multiplic 35D .........................................................30 Figura 10 – Utilização do fluido de corte em abundância........................................................31 Figura 11 – Ângulos das geometrias MM e MR [SANDVIK COROMANT, 2002b].............32 Figura 12 – Avanço e profundidade de corte recomendados para as geometrias MM, MR e MF [SANDVIK COROMANT, 2002b] ............................................................................32 Figura 13 – Corpo de prova fundido ........................................................................................34 Figura 14 – Exemplo de um corpo de prova utilizado nos ensaios de desbaste.......................37 Figura 15 - Centro de torneamento OKUMA...........................................................................42 Figura 16 – Ângulos da geometria MF [SANDVIK COROMANT, 2002b] ...........................43 Figura 17 – Montagem do transdutor-suporte ..........................................................................44 Figura 18 – Equipamentos utilizados na aquisição dos sinais do dinamômetro ......................46 Figura 19 – Saída do fluido de corte.........................................................................................47 II Figura 20 – Pirômetro infra-vermelho......................................................................................48 Figura 21 – Difratômetro de raios-x, marca Rigaku, modelo Rint 2200..................................49 Figura 22 – Difratômetro de raios-x, marca Rigaku, modelo Multiflex...................................49 Figura 23 – Micro-durômetro Shimadzu..................................................................................50 Figura 24 – Seção longitudinal de onde as amostras foram retiradas.......................................51 Figura 25 – Deformação provocada nos canais dos corpo de prova.........................................56 Figura 26 – Anel destacado nos canais dos corpos de prova ...................................................57 Figura 27 – Aresta da ferramenta após usinagem de um trecho do corpo de prova com vc = 340m/min ; f=0,4mm/v ; ap=3mm. Desgaste maior ~ 2mm, na aresta principal de corte....................................................................................................................................58 Figura 28 – Efeitos das médias dos fatores sobre a rugosidade para operações de desbaste....60 Figura 29 – Diagrama de Pareto das variáveis sobre a rugosidade...........................................61 Figura 30 – Gráficos de interação das variáveis sobre a rugosidade........................................61 Figura 31 - Micrografia do núcleo do material em bruto com ataque oxálico e ampliação de 100X...................................................................................................................................64 Figura 32 - Micrografia da superfície usinada de um corpo de prova, com ataque oxálico e ampliação de 100X. Parâmetros utilizados: vc=340m/min; f=0,25mm/v; ap=3mm.............................................................................................................................65 Figura 33 - Micrografia do núcleo do material em bruto com ataque KOH e ampliação de 500X...................................................................................................................................66 Figura 34 - Micrografia da superfície de um corpo de prova usinado com ataque KOH e ampliação de 500X. Parâmetros utilizados: vc=80m/min; f=0,25mm/v; ap=2mm; sem fluido; pastilha 2015..........................................................................................................67 III Figura 35 - Micrografia da superfície de um corpo de prova usinado com ataque KOH e ampliação de 500X. Parâmetros utilizados: vc=110m/min; f=0,4mm/v; ap=4mm; com fluido; pastilha 2015..........................................................................................................68 Figura 36 - Micrografia da superfície de um corpo de prova usinado com ataque behara modificado e ampliação de 200X. Parâmetros utilizados: vc=80m/min; f=0,25mm/v; ap=2mm; com fluido; pastilha 2015..................................................................................69 Figura 37 – Aresta de corte com utilização de fluido refrigerante, classe 2015, geometria MM, vc=80m/min, f=0,25mm/v e ap=4mm........................................................................................70 Figura 38 – Rebarba formada com usinagem de pastilha com entalhe de 0,8mm, sem fluido de corte, com classe 2015, geometria MM, vc=80m/min, f=0,25mm/v e ap=4mm................72 Figura 39 – Aresta com desgaste aproximado de 0,8mm causado pela usinagem sem fluido de corte, com classe 2015, geometria MM, vc=80m/min, f=0,25mm/v e ap=4mm.......................72 Figura 40 – Micrografias da pastilha com material aderido, de classe 2015, com geometria MM, vc=80m/min, f=0,25mm/v e ap=4mm e ampliação de 250X............................................74 Figura 41 – Desgaste nas pastilhas em função do comprimento usinado.................................76 Figura 42 – Vida das arestas das ferramentas para usinagem com casca ininterrupta..............77 Figura 43 – Efeitos da médias dos fatores sobre a rugosidade para operações de acabamento................................................................................................................................82 Figura 44 – Diagrama de Pareto para os efeitos sobre a rugosidade........................................83 Figura 45 – Gráficos de interação dos efeitos sobre a rugosidade............................................84 Figura 46 – Efeitos da médias dos fatores sobre a força de corte.............................................88 Figura 47 - Diagrama de Pareto para os efeitos sobre a força de corte.....................................89 Figura 48 - Gráficos de interação dos efeitos sobre a força de corte........................................90 Figura 49 - Efeitos da médias dos fatores sobre a força de penetração....................................91 Figura 50 - Diagrama de Pareto para os efeitos sobre a força de penetração...........................91 IV Figura 51 - Gráficos de interação dos efeitos sobre a força de penetração...............................92 Figura 52 - Efeitos das médias dos fatores sobre a força de avanço.........................................93 Figura 53 - Diagrama de Pareto para os efeitos sobre a força de avanço.................................93 Figura 54 - Gráficos de interação dos efeitos sobre a força de avanço.....................................94 Figura 55 - Gráfico dos efeitos principais para variações nos diâmetros.................................98 Figura 56 - Gráficos de interação dos efeitos sobre as variações nos diâmetros......................98 Figura 57 – Diagrama de Pareto para variações nos diâmetros................................................99 Figura 58 – Gráfico dos efeitos principais para a tensão residual...........................................104 Figura 59 – Diagrama de pareto dos efeitos sobre a tensão residual......................................105 Figura 60 – Gráficos de interação para tensão residual..........................................................106 Figura 61 – Gráfico dos efeitos principais para a classe de pastilha GC1025........................108 Figura 62 – Diagrama de Pareto para os efeitos da classe de pastilha GC1025.....................108 Figura 63 – Gráficos de interações para os efeitos da classe de pastilha GC1025.................109 Figura 64 – Gráficos de contorno para tensão residual com ferramenta de classe GC1025 e parâmetros altos...............................................................................................................110 Figura 65 – Gráficos de contorno para tensão residual com ferramenta de classe GC1025 e parâmetros baixos............................................................................................................111 Figura 66 – Gráficos de superfície para tensão residual com ferramenta de classe GC1025 e parâmetros altos......................................................................................................................112 Figura 67 – Gráficos de superfície para tensão residual com ferramenta de classe GC1025 e parâmetros baixos...................................................................................................................113 Figura 68 – Perfil de micro dureza do corpo de prova 2 da Tabela 9 (vc =150m/min; f=0.1mm/v; ap=0,25mm).................................................................................................117 Figura 69 – Perfis de micro-dureza de operações de desbaste – austenita..............................119 Figura 70 - Perfis de micro-dureza de operações de desbaste – ferrita...................................119 V Figura 71 – Comparação entre as fases ferríticas e austeníticas com ap e f maiores..............120 Figura 72 – Diferenças entre as opções 1 e 2 para análises de micro-durezas........................122 Figura 73 – Diagrama de Pareto para a austenita (maior valor de dureza).............................123 Figura 74 - Diagrama de Pareto para a ferrita (maior valor de dureza)..................................124 Figura 75 – Gráficos dos efeitos principais para a austenita (maior valor de dureza)............125 Figura 76 - Gráficos dos efeitos principais para a ferrita (maior valor de dureza).................125 Figura 77 - Gráficos dos efeitos principais para a média dos maiores valores de micro-dureza (austenita e ferrita)...........................................................................................................127 Figura 78 – Diagrama de Pareto para a média dos maiores valores de micro-dureza (austenita e ferrita)............................................................................................................................127 Figura 79 – Gráfico de interações para os valores médios de micro-dureza (Austenita e ferrita)..............................................................................................................................128 Figura 80 – Difratograma de um corpo de prova usinado com os parâmetros de acabamento (vc=150m/min, f=0,2mm/v, ap=0,5mm, com fluido de corte e classe de pastilha GC1025)............................................................................................................................130 Figura 81 – Gráfico de contorno para f=0,2mm/v..................................................................134 Figura 82 – Gráfico de contorno para ap=0,5mm...................................................................135 Figura 83 – Gráfico de contorno para vc =150m/min.............................................................135 Figura 84 – Gráfico de contorno para f=0,1mm/v..................................................................136 Figura 85 – Gráfico de contorno para ap=0,25mm/v..............................................................137 Figura 86 – Gráfico de contorno para vc =110m/min.............................................................137 VI LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Características do fluido de corte utilizado nos ensaios..........................................31 Tabela 2 – Composição química dos corpos de prova utilizados nos ensaios..........................34 Tabela 3 – Parâmetros utilizados nos ensaios de desbaste .......................................................36 Tabela 4 – Parâmetros mais severos utilizados no desbaste.....................................................37 Tabela 5 – Dados do início dos ensaios com casca ..................................................................41 Tabela 6 – Especificações do transdutor piezoelétrico.............................................................44 Tabela 7 – Principais características do condicionador de sinais Spyder 8..............................45 Tabela 8 – Espaçamentos utilizados entre as medições de micro-dureza.................................52 Tabela 9 – Parâmetros utilizados nos ensaios de acabamento..................................................54 Tabela 10 – Parâmetros mais severos utilizados no acabamento .............................................55 Tabela 11 – Rugosidade para cada trecho usinado dos corpos de prova de desbaste ..............59 Tabela 12 – Vida da ferramenta para a usinagem do material com casca................................75 Tabela 13 – Valores utilizados para usinagem com casca ininterrupta....................................77 Tabela 14 – Valores encontrados para rugosidade superficial nos ensaios de acabamento.....80 Tabela 15 - Valores encontrados para rugosidade superficial nos ensaios de acabamento com altas velocidades de corte...................................................................................................81 Tabela 16 – Valores médios das forças de corte encontradas nos ensaios................................86 Tabela 17 - Valores médios das forças de corte encontradas nos ensaios com altas velocidades de corte...............................................................................................................................87 Tabela 18 – Variações encontradas no diâmetro e na temperatura...........................................96 Tabela 19 - Variações encontradas no diâmetro e na temperatura para os ensaios com altas velocidades de corte...........................................................................................................97 Tabela 20 – Valores de tensão residual encontrados..............................................................103 Tabela 21 – Diferenças entre os valores de tensão residual medidos e calculados.................113 VII LISTA DE ABREVIAÇÕES E SIGLAS AISI American Iron and Steel Institute ASM American Society of Materials ASTM American Society for Testing Materials CNC Computerized Numeric Control DIN Deutsches Institut für Normung DSS Duplex Stainless Steel HB Dureza Brinell HV Dureza Vickers ISO International Standard Organization PRE Pitting resistance equivalent SDSS Super Duplex Stainless Steel UNS Unified Numbering System VIII LISTA DE SÍMBOLOS ap Profundidade de corte Al Alumínio C Carbono Cl Cloro Co Cobalto Cr Cromo Cu Cobre CV Cavalo vapor CVD Chemical vapor deposition d parâmetro do reticulado da lei de Braag d0 parâmetro inicial do reticulado da lei de Braag E Módulo de elasticidade F Força Fe Ferro Fc Força de corte Ff Força de avanço Fp Força de penetração Fu Força de usinagem K fator constante para o plano de difração escolhido nas medições de tensão residual KOH Hidróxido de potássio Mg Magnésio Mn Manganês Mo Molibdênio n Rotações por minuto N Nitrogênio Na Sódio Nb Nióbio Ni Níquel P Fósforo IX Pb Chumbo PVD Physical vapor deposition Ra Rugosidade superficial média rpm Rotações por minuto S Enxofre Si Silício Sn Estanho Ti Titânio TIN Nitreto de Titânio V Vanádio vc Velocidade de corte W Tungstênio Zr Zircônio γ Austenita δ Ferrita θ Ângulo de refração da lei de Braag λ Comprimento de onda dos raios-x da lei de Braag ψ Ângulo entre a reta normal à superfície da peça e a reta normal ao plano de parâmetro “d” da lei de Braag ∆d Variação do parâmetro do reticulado da lei de Braag ν Coeficiente de Poisson ∅ Diâmetro λ Coeficiente angular da reta nas medições de tensão residual σ Tensão X RESUMO Este trabalho teve por objetivo estudar os efeitos da operação de torneamento na integridade superficial do aço inoxidável super-duplex ASTM A890 – Gr 6A. O foco do trabalho foram as operações de acabamento, porém também foram realizados alguns estudos com operações de desbaste, ambas utilizando planejamentos fatoriais completos com 2 níveis e 5 fatores. Os ensaios foram realizados em centros de torneamento com ferramentas de metal duro e tiveram como variáveis: a geometria da ferramenta / classe da pastilha, avanço, profundidade de corte, velocidade de corte e utilização ou não de fluido de corte. As respostas estudadas foram: análise microestrutural óptica e por difração de raios-X, medição de forças através de um dinamômetro piezoelétrico, rugosidade superficial, micro-dureza, tensão residual através de difração de raios-x e estabilidade dimensional. Os resultados não mostraram alterações microestruturais no material mesmo nas operações de desbaste que foram as mais severas. As outras respostas foram correlacionadas com os parâmetros de corte e a melhor combinação destes foi encontrada para a obtenção da melhor integridade superficial. O menor avanço (0,1mm/v), a menor velocidade de corte (110m/min) e a maior profundidade de corte (0,5mm) obtiveram os menores valores para a tensão residual, a menor rugosidade e o maior valor de micro-dureza. A correlação entre as respostas foi bastante difícil de ser estabelecida, uma vez que as interações tiveram grande influência nas análises, porém para algumas combinações estas correlações se mostraram possíveis de serem estabelecidas. Palavras-chave: Usinagem; torneamento; aço inoxidável superduplex; integridade superficial; tensão residual. XI ABSTRACT The objective of this work was to study the effects of the turning operations in the surface integrity in a super duplex stainless steel (SDSS) ASTM A890-Gr6A. The focus of the work was the finishing operations but some tests in rough operations were carried out. A complete factorial planning was used for both, with 2 levels and 5 factors. The tests were conducted on turning centers with carbide tools and the main input variables were: tool geometry / tool material class, feed rate, cutting depth, cutting speed and the cutting fluid utilization. The analyzed answers were: microstructure analysis by optical microscopy and x-ray diffraction, cutting measurements by a piezoelectric dynamometer, surface roughness, micro-hardness, residual stress by x-ray diffraction technique and dimensional stability. The results do not showed any changes in the microstructure of the material, even when the greater cutting values were used. All the other answers were correlated with the cutting parameters and the best combination of cutting parameters was founded for the best surface integrity. The smaller feed rate (0,1mm/v), smaller cutting speed (110m/min) and greater cutting depth (0,5mm) provided the smaller values for the tension residual stress, the smaller roughness and the greater micro-hardness. The correlation between all the answers was very difficult to analyze because there was great interaction between the factors, but for some data groups it was possible. Key-words: Machining; turning; duplex stainless steel; surface integrity; residual stress. 1 1. INTRODUÇÃO Pelo menos uma em cada 5 operações de usinagem é de torneamento (CHANG, 1998). Tönshoff e König (1994) também citam este processo como um dos mais utilizados na indústria, com 40% do tempo total gasto em usinagem e 30% com relação ao número de operações quando comparado com outros processos. Desta forma fica visível a importância da operação no dia-a-dia das indústrias e torna-se necessário o contínuo melhoramento da qualidade do processo e do número de informações específicas que não podem ser obtidas no chão de fábrica. O processo de torneamento também é o mais utilizado na indústria de bombas, que é uma das principais usuárias do material a ser estudado neste trabalho. O aço inoxidável super-duplex alia características dos inoxidáveis ferríticos e dos austeníticos em um só material e desta forma possui maior resistência mecânica e à corrosão do que os aços inoxidáveis austeníticos convencionais. Existem vários estudos, muitos deles recentes sobre a metalurgia do material e suas propriedades, porém são poucos os autores que publicam trabalhos sobre usinagem. Torna-se clara a necessidade de estudos para o superduplex visto que suas propriedades são diferentes das classes de inoxidáveis mais convencionais e seu uso vem crescendo nos últimos anos. A integridade superficial é uma medida da qualidade das superfícies usinadas interpretada em função de elementos que descrevem a estrutura da superfície e do substrato do material. Geralmente ela é definida pelas propriedades metalúrgicas, químicas e topológicas das superfícies, como rugosidade, variações de dureza, mudanças microestruturais e tensão residual (JANG et al., 1996 e MATSUMOTO, LIU; BARASH, 1986). Estas características tornam-se ainda mais importantes na usinagem de um material de custo mais elevado, como é o caso neste trabalho. Vários estudos de décadas anteriores tem tratado deste assunto para 2 diversos materiais, porém nenhum específico para o aço inoxidável super-duplex, que é um material de utilização mais recente. Para se ter uma idéia da necessidade de contribuições referentes ao material em questão, na data de início deste trabalho (no ano de 2004), apenas uma empresa no país possuía conhecimento para a fabricação do mesmo. Os fabricantes de ferramentas também se mostraram bastante interessados no assunto, visto que não há dados de corte disponíveis para o material, nem tão pouco trabalhos que estudaram a fundo os efeitos da usinagem no material acabado. Um outro problema que facilmente é notado nos trabalhos atuais de áreas correlatas, é que os trabalhos de usinagem, por exemplo, não se aprofundam na análise microestrutural e no detalhamento dos efeitos da usinagem no material, e os trabalhos de físicos e metalurgistas, em geral, não possuem grande bagagem na área de usinagem. Um dos desafios deste trabalho é minimizar a distância entre estas duas áreas e tentar correlacioná-las, na medida do possível. Para tal, pretende-se trabalhar, com as respostas comuns a usinagem, como rugosidade, forças de corte e desgastes nas ferramentas e com investigações mais detalhadas no material usinado como tensão residual, micro-dureza, microestrutura e variações dimensionais. O objetivo deste trabalho é caracterizar os principais efeitos causados pela usinagem através da operação de torneamento, no produto final acabado, e estabelecer correlações entre os parâmetros de corte e suas conseqüências na caracterização em questão, já que a escolha adequada dos parâmetros de corte é fundamental para se obter produtos com as qualidades superficiais requeridas (THOMAS; BEAUCHAMP, 2003 e LEE; TARNG, 2000). Também é objetivo deste trabalho realizar ensaios de operações de desbaste, já que estas podem ter alguma influência sobre o acabamento final. Para se atingir os objetivos pretende-se trabalhar com planejamentos fatoriais completos e variações nas condições de corte, dentro de valores pré-estabelecidos, e posteriores análises em laboratórios. 3 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 - Aço inoxidável duplex (DSS – Duplex Stainless Steel) e super duplex (SDSS – Super Duplex Stainless Steel) 2.1.1 - A história dos aços inoxidáveis duplex A microestrutura duplex foi descoberta em 1927, por Bain e Griffiths (NILSSON, 1992 e STILL, 1994). O primeiro aço inoxidável duplex para fins comerciais foi produzido em 1930, na Suécia, para ser utilizado na indústria de papel (INTERNATIONAL MOLYBDENNUM ASSOCIATION, 2001). Ele foi desenvolvido para reduzir a corrosão intergranular, encontrada nos aços inoxidáveis austeníticos produzidos na época. A patente só foi conseguida na França em 1936, por Holtzer com um material que continha 18%Cr, 8%Ni, e 2,5%Mo, fabricado em 1933. Um dos primeiros aços inoxidáveis dúplex produzido para aumentar a resistência à corrosão sob tensão causada por cloretos (chloride stress corrosion cracking (CSCC)) foi o 3RE60. O AISI 329 se consagrou após a segunda guerra mundial, e foi extensivamente utilizado para confecção de tubos de trocadores de calor para ácidos nítricos. Nos anos seguintes sua utilização se estendeu para vasos de pressão e bombas. Esta primeira geração de aços inoxidáveis possuía boa performance, mas também havia limitações em conjuntos soldados. A zona afetada termicamente pela solda ficava fragilizada por causa da ferrita em excesso e da expressiva baixa resistência à corrosão do metal base. Esta condição confinou a utilização dos DSS em aplicações sem solda, ou seja, em um número pequeno de aplicações específicas. Em 1968, com a invenção do refinamento do processo de obtenção de aços inoxidáveis e descarbonização do oxigênio através do argônio, abriu-se a possibilidade de novos tipos de 4 aços inoxidáveis, com adição de nitrogênio e um elemento de liga (DAVIDSON; REDMOND, 1991). Esta adição propiciou melhorias na zona termicamente afetada pela solda. A partir de 1970, a segunda geração de DSS foi definida pela adição de nitrogênio, coincidindo com o desenvolvimento das plataformas de gás e petróleo e da necessidade de aços inoxidáveis com excelente resistência aos cloretos, boa manufaturabilidade e alta resistência mecânica. O DSS 2205 foi o carro chefe da segunda geração de aços inoxidáveis e foi extensivamente utilizado em tubos e nas plataformas, permitindo diminuição na espessura das paredes e, conseqüentemente, no peso, devido a sua elevada resistência mecânica. 2.1.2 - Generalidades Os aços inoxidáveis duplex são caracterizados por uma estrutura mista, em partes aproximadamente iguais de austenita (γ - cfc) e ferrita (δ - ccc) (MARTINS; CASTELETTI, 2005). Embora não definido formalmente, é geralmente aceito que a fase menor exista em pelo menos 30% de volume no material (DAVIDSON; REDMOND, 1991). Esta estrutura é obtida através de análise química controlada e tratamento térmico balanceado (CHARLES, 1995a). A composição química baseada em altos teores de cromo e molibdênio, melhora a resistência à corrosão intergranular e ao pitting, respectivamente. Os aços inoxidáveis, para serem considerados duplex, necessitam ter um valor de resistência equivalente à corrosão por pitting (PRE – Pitting resistance equivalent) maior que 20. Já os aços super-duplex devem apresentar um valor de PRE maior que 40. Para se ter uma 5 idéia do que este crescimento de praticamente “20” na escala PRE significa, realizando um ensaio de corrosão em solução de cloreto férrico saturada em 6% a 50°C durante 72h, de acordo com norma ASTM G48, um duplex (ASTM A890, grau 3A) perde 145g/m², enquanto que um super duplex (ASTM A890, grau 6A) perde apenas 0,2g/m². O PRE pode ser calculado em função da porcentagem de alguns elementos presentes na composição química do material, conforme Equação 1 (NILSSON, 1992). PRE = Cr (%) + [3,3 x (%) Mo ] + [16 x (%) N ] (1) O valor do PRE dos grãos de ferrita e austenita é diferente devido à quantidade de nitrogênio. O valor de PRE da austenita aumenta com a quantidade de nitrogênio, enquanto que o PRE da ferrita permanece praticamente o mesmo para o aumento do nível de nitrogênio. Os aços inoxidáveis duplex possuem tensão de escoamento em torno de duas vezes o valor de um aço inoxidável austenítico sem adição de nitrogênio (INTERNATIONAL MOLYBDENUM ASSOCIATION, 2001). A resistência à corrosão de um aço inoxidável super-duplex é equivalente àquela atingida pela classe dos “super-austeníticos”, que contém 5-6% de Molibdênio (CHARLES, 1995b). Os principais campos de utilização de DSS e SDSS são (NILSSON, 1992): Indústrias de óleo e gás: trocadores de calor, e tubos para produção e manuseio de gás e óleo; Indústria química: vasos de pressão, tubos e tanques para o processamento e transporte de produtos químicos; Indústria petrolífera: vasos de pressão, tanques e tubos no processamento de produtos com cloreto; 6 Indústria de papel e bombas: rotores, ventiladores, eixos e roletes, onde materiais com alta resistência à corrosão por fadiga necessitam ser utilizados; Devido ao alto PRE, em implantes em humanos (PEREZ, 2004); Suas principais características são (AVESTA POLARIT, 2002): Elevada resistência mecânica; Alta resistência ao pitting; Alta resistência à corrosão por fadiga e erosão; Alta resistência à corrosão em meio a cloretos; Alta resistência à fadiga; Baixa expansão e maior condutibilidade térmica do que os aços austeníticos; Boa soldabilidade; Alta absorção de energia; Comportamento magnético; Em 1995, conforme cita Charles (1995a) 30% dos projetos que necessitavam de aços inoxidáveis com maior resistência à corrosão que um AISI 316, eram realizados com DSS. Acredita-se que este número seja maior nos dias de hoje. Os DSS com relação aos aços inoxidáveis austeníticos, apresentam diversas vantagens, sendo as principais: Maior resistência à corrosão sob tensão em cloretos; Maior resistência à corrosão por pitting; 7 Em geral possui tensão de ruptura superior a duas vezes, e com apenas metade da quantidade de níquel presente nos austeníticos, sendo menos sensível ao alto custo deste elemento. (DAVIDSON; REDMOND, 1991 e BERGLUND; WILHELMSSON, 1986). Seu uso é limitado para aplicações até 315°C, porque a ferrita presente nos DSS são susceptíveis a fragilização a 475°C (DAVIDSON; REDMOND, 1991). Já Adhe et al. (1996), sugerem que a temperatura superior de trabalho não deve ultrapassar 250°C, e que a temperatura mínima de –50°C também deve ser respeitada. Charles (1995a), sugere 280°C como a máxima temperatura de trabalho. Still (1994) cita que os custos da substituição de aço ao carbono por DSS apresenta grandes ganhos, depois dos quatro primeiros anos de uma instalação offshore, visto que o aço ao carbono deve ser substituído de seis em seis meses neste caso. A Figura 1 ilustra este estudo. As designações ou nomenclaturas para os aços inoxidáveis são complicadas devido à proliferação de sistemas competitivos ou dos nomes comerciais utilizados pelos fabricantes de aço. O sistema ainda mais utilizado é o especificado na American Iron and Steel Institute (AISI). Mais recentemente, o Unified Numbering System (UNS) para identificação de materiais metálicos, incluindo aços inoxidáveis, foi introduzido. O UNS procura utilizar a porção numérica do sistema AISI, facilitando o reconhecimento e, na ausência desta, a especificação numérica da American Society for Testing and Materials (ASTM). (KRABBE; DINIZ, 2004). 8 Custo acumulativo (1000 unidades) Base: Custo inicial para 1000 unidades de aço ao carbono Tempo (anos) Figura 1 – Comparação dos custos acumulados na utilização de um aço ao carbono (CS) e um DSS em uma instalação offshore (STILL, 1994) 2.1.3 - Principais elementos de liga de um aço inoxidável Os aços inoxidáveis, de uma maneira geral, podem ser classificados em cinco grupos principais: austeníticos, martensíticos, ferríticos, endurecíveis por precipitação e duplex. Em todos os grupos predomina a quantidade de cromo maior que 11%, porém outros elementos são adicionados a fim de se conseguir o controle do balanceamento estrutural e a definição das características de corrosão e resistência mecânica. A seguir estão listados os elementos normalmente adicionados e suas respectivas implicações nas características da liga (SEDRIKS, 1996): Cr (cromo): A resistência à corrosão possui uma dependência direta com o teor presente deste elemento. Quanto maior o teor de cromo contido na liga, maior é a resistência à corrosão do aço. O cromo livre em solução sólida na matriz do material 9 combina-se com o oxigênio do ar possibilitando a formação da película oxida passiva, protegendo o material contra os agentes corrosivos; Ni (níquel): O níquel altera a estrutura cristalográfica da liga, conferindo maior ductilidade, e tornando o aço não magnético. Além disso, associado ao cromo, favorece o aumento da resistência à corrosão; Mo (Molibdênio): Combinado com o cromo, ele tem grande ação na estabilidade do filme de passivação, na presença de cloretos. Sua ação também é muito importante para o aumento da resistência à corrosão por pitting (PANOSSIAN, 1993); C (carbono): causa endurecimento e aumento na resistência mecânica da liga. Porém, associado ao cromo prejudica a resistência à corrosão. É estabilizador da austenita; Ti (titânio) e Nb (nióbio): Apresentam uma importante função na manutenção da inoxidabilidade. Evitam a ocorrência da combinação do carbono com o cromo, evitando assim perda de resistência à corrosão; W (tungstênio): Melhora a resistência à corrosão ao pitting e em geral em quantidades de 1~3% melhora a resistência do material ao surgimento da fase σ (que será descrita posteriormente); N (Nitrogênio): Juntamente com o cromo e molibdênio, é usado para propiciar maior resistência à corrosão. Adições de nitrogênio entre 0,1% e 0,3% aumentam significativamente a resistência à corrosão por pitting. Estudos em uma liga Fe-25Cr5Ni-2,4Mo-3Cu mostram que a adição de 0,1% de nitrogênio aumenta o potencial de pite em uma solução 3% NaCl a 30°C. A adição de nitrogênio aumenta a resistência à corrosão da fase austenítica e reduz a partição do cromo, mantendo altos teores de cromo na austenita. Por esse motivo o aumento da resistência a corrosão é bastante significativo (MAGNABOSCO, 2001). 10 De todos os citados, os principais elementos de um aço inoxidável duplex são o cromo e o níquel (ADVANCED MATERIALS & PROCESSES, 1998). 2.1.4 - Estrutura de um aço inoxidável duplex Além da ferrita (δ) e austenita (γ) algumas fases secundárias podem se formar entre 300 e 1000°C. Estas aparecem essencialmente em conseqüência da instabilidade da ferrita. As seguintes fases podem ser observadas (NILSSON, 1992): Fase σ - Esta fase aparece com mais freqüência em aços super-duplex do que nos duplex. Análises químicas quantitativas mostraram que cromo, molibdênio e silício são ricos em fase σ, e como estes elementos estão presentes em maior quantidade nos aços super-duplex, são mais susceptíveis a sua formação. De todas as fases que serão descritas a seguir, esta é a mais importante devido a seu drástico efeito na tenacidade e na resistência à corrosão do material (LI; WU; RIQUIER, 1994 e ADHE et al., 1996). A precipitação da fase σ, geralmente ocorre na tripla junção ou nos contornos das fases ferrita/austenita, e ela gera aumento de resistência mecânica, porém causa grande fragilização, com redução de ductibilidade e tenacidade à fratura. Sua presença também prejudica claramente as propriedades mecânicas e significativamente a resistência à corrosão do material. (LOPEZ; CID; PUIGGALI, 1999) A fase σ é bastante dura, porém quebradiça e por este motivo, sua presença em apenas 1% na 11 estrutura do material, pode causar uma diminuição de 50% na energia de resistência ao impacto, e como esta fase é muito rica em cromo, o restante do material tem sua quantidade diminuída, baixando a resistência à corrosão. (SWENS; KOLSTER, 1991). α’ – A precipitação de fase α’ é explicada como sendo o resultado de um processo de segregação que ocorre na ferrita delta, gerando dois compostos distintos. Um deles é rico em ferro e apresenta características magnéticas, enquanto que o outro apresenta elevados teores de cromo e não é magnético. A estes compostos foram dados os nomes respectivos α e α’. (VRINAT; COZAR; MEYZAUD, 1986). O aparecimento desta fase provoca o aumento da temperatura de transição dúctil-frágil, o aumento exagerado do limite de escoamento e dureza e a diminuição dos valores de alongamento, resistência ao impacto e tenacidade. Baseado nesta situação denominase fragilização dos 475°C, a perda de propriedades mecânicas do aço devido à precipitação desta fase (FEDELE, 2001). Nitretos de cromo – Com o aumento do nitrogênio como um elemento de liga, principalmente nos SDSS, a precipitação de Cr2N na faixa de temperaturas de 700 a 900°C se torna mais importante. Ela pode aparecer nos contornos de grão δ/δ ou γ/δ e ocorre devido à supersaturação do nitrogênio em ferrita, quando ocorre rápido resfriamento na solução que estava em alta temperatura. A formação destes nitretos pode influenciar a resistência à corrosão ao pitting. Austenita secundária – a decomposição de ferrita em austenita pode ocorrer em uma larga faixa de temperaturas. Este fenômeno é explicado pelo fato de que o DSS é temperado a temperaturas muito altas, na qual a fração de δ é maior. Podem aparecer três mecanismos, (além da transformação direta de ferrita para austenita em temperaturas muito altas), em que a austenita pode se precipitar em ferrita: a) Através de uma reação eutetóica ⇒ δ → σ → γ; b) Como precipitação de Widmannstätten; c) 12 Pelo processo de cisalhamento martensítico. A austenita secundária formada no contorno de grãos δ/γ é pobre em cromo, principalmente quando da presença de Cr2N. Isto explica porque a corrosão por pitting ocorre nestas áreas. Palmer, Elmer e Babu (2004) durante o estudo da precipitação de fases durante a soldagem, também notaram que durante o aquecimento de um aço dúplex, a austenita se decompõe em ferrita, e no resfriamento a fase ferrítica em alta temperatura é transformada novamente em austenita. Os mesmos autores também perceberam que durante o aquecimento/resfriamento durante a soldagem, o níquel e o nitrogênio foram particionados à fase austenítica, enquanto que o cromo e o molibdênio à fase ferrítica. Fase χ - Embora esta fase possa aparecer entre 700 e 900°C, ela é menos comum que a fase σ. A fase χ tem efeito adverso na tenacidade e nas propriedades de corrosão, mas seus efeitos são difíceis de separar daqueles causados pela fase σ, uma vez que estas aparecem juntas. Fase R – Esta corresponde a uma fase intermetálica, rica em molibdênio, com uma estrutura critalina hexagonal (MACHADO, 1999). Seu aparecimento pode diminuir a tenacidade do material, assim como a temperatura crítica ao pitting. Ela pode ser intergranular ou intragranular, na qual a primeira tem maior efeito na corrosão por pitting. A fase “R” pode aparecer tanto em aços DSS como em SDSS. Fase π - Esta fase é encontrada no meio dos grãos e como a fase “R”, contribui para a fragilização e corrosão por pitting nos materiais aquecidos a ~600°C. Carbonetos – Os carbonetos são menos importantes nos SDSS do que nos DSS, devido à baixa quantidade de carbono (0,01-0,02%). Nos DSS principalmente, estes podem aparecer em duas formas, que podem se formar a temperaturas de 950-1050°C 13 e abaixo de 950°C. Eles predominantemente são formados nos contornos de grãos δ/γ, mas também podem se precipitar nos contornos δ/δ e γ/γ. Temperatura (°C) A Figura 2 ilustra um “Diagrama TTT” para o aço inoxidável super duplex SAF2507. Tempo (h) Figura 2 – Diagrama TTT do aço inoxidável super duplex SAF 2507 (NILSSON, 1992) Um dos objetivos deste trabalho será observar se durante as operações de desbaste que podem atingir temperaturas superiores (porém por um curto período de tempo) àquelas descritas no detalhamento das precipitações de fases, pode ocorrer o aparecimento de alguma das fases descritas até o momento e com isso influenciar a qualidade da peça acabada. 14 2.2 - Usinagem de aço inoxidável 2.2.1 - Generalidades Os aços inoxidáveis em geral apresentam comportamentos diferentes na usinagem, quando comparado com outros aços. Ela é principalmente caracterizada por: Altas taxas de encruamento, que induzem modificações mecânicas e comportamento heterogêneo nas superfícies geradas, e que levam à instável formação de cavacos e vibrações (SAOUBI et al., 1999); Baixa condutibilidade térmica (KORKUT et al., 2004). A condução de calor corresponde a aproximadamente ¼ do valor encontrado na usinagem de um aço comum (NEVES et al., 2003). Desta forma o calor se propaga menos para o material de trabalho ou cavacos e se concentra mais nas arestas de corte da ferramenta; Alta resistência à fratura, resultando em altas temperaturas, difícil quebra de cavacos e conseqüentemente baixa qualidade superficial (JANG et al., 1996); Elevados valores de resistência mecânica e ductibilidade (CHANG; TSAI, 2003); Aresta postiça de corte que, de forma diferente dos aços convencionais, pode aparecer em velocidades de corte mais altas, devido a sua alta resistência à fratura, e altas taxas de encruamento (JIANG et al., 1996); Alto desgaste das ferramentas, devido às altas forças de corte, e freqüentemente pequenos pedaços de material são removidos da ferramenta, devido à alta adesão na superfície de saída, levando consigo fragmentos da ferramenta (KORKUT et al., 2004); 15 Alto coeficiente de dilatação térmica, o que torna difícil a manutenção de tolerâncias apertadas e alto coeficiente de atrito, que tem como conseqüência, o aumento do esforço e do calor gerado (DINIZ; MARCONDES; COPPINI, 2001). Os principais problemas encontrados na usinagem de aços inoxidáveis devido à dificuldade do corte do material são: desgaste da ferramenta, pior acabamento superficial, cavacos longos e baixas velocidades de corte (MACHADO et al., 2003). O pior acabamento superficial deve-se fundamentalmente ao encruamento do material durante a usinagem (O’ SULLIVAN; COTTEREL, 2002). A adesão à ferramenta durante o corte é mais pronunciada do que em outros materiais e este fato pode ser facilmente comprovado, pois mesmo depois do corte terminar muitos cavacos ficam aderidos à superfície da ferramenta (FANG; ZHANG, 1996). Trent e Wright (2000) citam que o uso de ferramentas afiadas e grandes avanços são duas recomendações importantes para prevenir danos às ferramentas causados pelo encruamento resultante da usinagem destes materiais. Os mesmos autores também citam que o objetivo a ser cumprido na usinagem dos aços austeníticos é não causar aumento do encruamento da superfície, devido à sucessivas passadas da ferramenta nas operações de desbaste. Do ponto de vista da usinabilidade, a característica mais importante é o encruamento (DOLINSEK, 2003). Além das características comentadas até agora, Lin (2002) também cita que os aços inoxidáveis reagem com a maioria dos materiais utilizados na fabricação de ferramentas, em altas velocidades. Apesar das características apresentadas até o momento serem bastante comuns na usinagem de aços inoxidáveis, a usinagem destes materiais não pode ser totalmente generalizada. Devido à grande variedade, a usinagem pode ser pior, ou melhor, de acordo com a microestrutura, dureza e teor de elementos de liga, sabendo-se que a microestrutura afeta a usinagem em maior escala do que a dureza (CHUMBINHO; ABRÃO, 16 2002). Como exemplo, Bletton, Duet e Heritier (1990) citam que a estrutura bifásica dos aços inoxidáveis duplex, contribuem para induzir vibrações durante o corte do material, aumentando ainda mais os problemas citados até o momento e contribuindo para a diminuição da vida da ferramenta. As dificuldades na usinagem de aço inoxidável duplex tendem a aumentar, pois a usinabilidade do material freqüentemente é comparada com seu PRE (PARO; HÄNNINEN; KAUPPINEN, 2001). Devido à grande quantidade de austenita, nitrogênio e elementos ligantes, a usinabilidade deste material tende a diminuir rapidamente. Outro fator que contribui para as dificuldades na usinagem e no estudo deste material, é a estrutura bifásica, conforme anteriormente citado. Além das fases estarem aleatoriamente distribuídas, no caso de um material fundido, cada fase possui características e propriedades diferentes e cada uma contribui de maneira diferente para a formação de cavaco e retirada de material durante o corte. Apesar dos motivos expostos, alguns autores citam que os austeníticos são piores para usinar, conforme Chumbinho e Abrão (2004). 2.3 - Esforços de corte Segundo Ferraresi (1977), a força de usinagem (Fu) é a força total que atua sobre a cunha cortante da ferramenta durante a usinagem. Não se trabalha diretamente com a força de usinagem, devido à dificuldade em conhecer sua direção e sentido, e sim com suas 17 componentes segundo diversas direções conhecidas. A Figura 3 ilustra as decomposições da força de usinagem. As três principais e que comumente podem ser medidas são: Força de corte (Fc): Projeção da Fu sobre a direção de corte; Força de avanço (Ff): Projeção da Fu sobre a direção de avanço; Força de profundidade ou penetração (Fp): Força perpendicular ao plano de trabalho; Figura 3 – Força de usinagem e suas componentes no processo de torneamento (DINIZ; MARCONDES; COPPINI, 2001) Para analisar uma operação de usinagem, certas observações devem ser feitas, antes, durante e depois da remoção do material. O número de observações que podem ser feitas durante a usinagem é limitado, e uma das mais importantes medições é a determinação das componentes da força de usinagem (SHAW, 2005). 18 A medição dos esforços de corte é necessária para contribuir para o entendimento do processo de usinagem. Delijaicov (2004) encontrou uma correlação entre a força de penetração e a tensão residual induzida em materiais endurecidos durante o torneamento. Sikdar e Chen (2002) encontraram uma correlação entre as forças de corte e a área de desgaste tridimensional de flanco na usinagem de um aço AISI 4340 e outros pesquisadores também correlacionaram desgaste com o monitoramento das forças, e dentre eles, cita-se Choudhury e Kishore (2000) e Elbestawi, Papazafiriou e Diu (1991). Vários pesquisadores (EE et al., 2002, PARAKKAL et al., 2002, LEE; TARNG; LII, 2000) trabalharam com desenvolvimento de modelos matemáticos que possam prever o comportamento das forças durante a remoção de material e em todos os casos é necessário que haja a validação prática dos modelos através da medição de forças. Risbood, Dixit e Sahasrabudhe (2003) correlacionaram os esforços de corte com a rugosidade superficial e com a vibração da máquina no processo de torneamento. Enfim, as forças de corte determinam parcialmente o processo de usinagem e por isso nos últimos anos tem-se dado bastante atenção a este assunto (LIN; LEE; WU, 2001). Estes fatos justificam a medição das forças de corte neste trabalho e espera-se que estes dados possam ajudar a compreender o fenômeno de usinagem no aço inoxidável super duplex. 2.4 - Tensão residual A demanda pela fabricação de produtos de alta qualidade foca sua atenção nas propriedades superficiais das peças, especialmente na tensão residual das superfícies usinadas, devido aos 19 seus efeitos no desempenho dos componentes, longevidade e confiabilidade (JANG et al., 1996 e SAOUBI et al., 1999). Muitas falhas produzidas por fadiga, creep e corrosão sob tensão, invariavelmente se iniciam na superfície dos componentes e dependem grandemente da qualidade desta. Portanto é de extrema importância caracterizar a influência das condições de usinagem na superfície das peças (SAUVAGE et al. 2003). Além disso, as tensões residuais podem causar deformações, acelerar transformações de fase e processos de corrosão (GUIMARÃES, 1990). A tensão residual em uma superfície usinada é um dos fatores cruciais na determinação da qualidade superficial. Tensão residual é definida como a tensão que existe em um corpo elástico depois de removidas as cargas externas, e a usinagem envolve grandes deformações plásticas com altas taxas de deformação (JANG et al., 1996). Já El-Axir (2002) a define como o resultado de vários eventos mecânicos e térmicos que ocorrem na superfície do material durante a usinagem. As tensões residuais podem ser de compressão na superfície da peça e de tração no substrato ou vice-versa. Tensões residuais de compressão geralmente aumentam a vida da peça, pois reduzem a tensão de tração de trabalho e conseqüentemente a nucleação de trincas. Já as tensões residuais de tração aumentam as tensões de tração de trabalho e podem levar a falhas prematuras dos componentes. Sigwart e Fessenmeyer (1995 apud EL-AXIR, 2002) mostram que para corpos de prova de aço DIN 42CrMo4 que apresentaram tensão residual de compressão superior a 600MPa, o limite de vida à fadiga aumentou em média 30%. Segundo Capello et al. (1999) os principais fatores que afetam a tensão residual no processo de torneamento, são a velocidade de corte e o ângulo de saída primário que estão diretamente ligados aos fenômenos térmicos e aos campos de deformação, respectivamente. Já Liu e Barash (1976b), mostraram que os maiores fatores influenciadores são: profundidade de corte, desgaste de flanco e comprimento do plano de cisalhamento. 20 Shaw (2005), mostra na Figura 4 a origem da tensão residual de tração em um material dúctil durante a usinagem. Um elemento “mn” no nível da superfície acabada é sujeito à tensão de compressão antes de atingir a aresta de corte. No caso de um material dúctil, grande quantidade de energia de deformação será estocada no elemento “mn” e assim que a ponta da ferramenta passar por esta superfície a energia será liberada. Se a energia de deformação é suficientemente alta (grande espessura de cavaco sem deformação e ferramenta com desgaste) e rapidamente descarregada (alta velocidade de corte), a expansão de “mn” com a passagem da aresta da ferramenta pode se exceder, resultando em uma tensão residual de tração. Este valor de tensão de tração diminui com o aumento da profundidade abaixo da superfície, e é mais pronunciado para as ferramentas desgastadas ou com um pequeno ângulo de folga (SHAW, 2005). A origem das tensões residuais é predominantemente mecânica, embora as tensões térmicas também influenciem (LIU; BARASH, 1976b). Figura 4 – Carregamento e descarregamento nas superfície do metal quando da passagem na ponta da ferramenta (SHAW, 2005) 21 As tensões térmicas no caso do aço inoxidável duplex tornam o estudo um pouco mais complicado, devido ao diferente coeficiente de expansão térmica de cada fase do material. Johansson, Odén e Zeng (1999), estudaram a tensão residual em cada fase de aço inoxidável duplex após deformação mecânica e aquecimento. Os resultados mostraram predominantemente tensões de tração e compressão nas fases austeníticas e ferríticas, respectivamente. 2.4.1 - Métodos para medições das tensões residuais Existem diversas formas de se obter os valores de tensão residual. Ya et al. (2003) citam o método dos furos (que data da época de 1930), inferometria a laser, inferometria holográfica e a inferometria de Moiré utilizadas em seu trabalho. Brinksmeier et al. (1982) citam vários métodos, como extensômetros, métodos magnéticos, eletromagnéticos e ultrassônicos. Lindgen e Lepistö (2003) citam que atualmente os dois métodos mais utilizados são o dos furos e por difração de raios-x, sendo esta última a mais utilizada. Martins et al. (2004) citam que o método por difração de raios-x apresenta os melhores resultados, quando comparado com o método micromagnético e o método do furo cego incremental. Através da técnica de difração de raios-x, a deformação causada na superfície é obtida pela medida ∆d/d0, que fornece a razão da variação da distância interplanar pela distância interplanar livre de deformação, e é convertida em tensão, segundo equações derivadas da teoria da elasticidade (LIMA, 1991), ou seja, a variação no retículo cristalino induzida pela 22 presença de tensões, é medida com base na lei de Bragg e as tensões são calculadas assumindose que a distorção ocorre no regime linear elástico. É uma técnica não destrutiva, que devido à forte absorção dos raios-x pela matéria, é limitada as camadas superficiais onde estes percorrem distâncias da ordem de 10µm (MARTINS et al., 2004). O método é descrito com mais detalhes a seguir. O método por difratometria de raios-x, mede o parâmetro “d” do reticulado do corpo de prova e calcula as respectivas deformações ali existentes. A Figura 5 ilustra esta condição. Desta forma, somente a parte elástica do campo de deformações é medida, uma vez que a deformação plástica não afeta os parâmetros cristalinos. Figura 5 – Difração de raios-X em cristais simples carregados e descarregados (BRINKSMEIER, 1982) 23 A difração de raios-x é descrita como uma reflexão seletiva segundo certos planos cristalográficos, de acordo com a Equação 2, conhecida como lei de Braag (BRINKSMEIER, 1982). λ = 2d sen θ (2) Na equação anterior: d = parâmetro do reticulado θ = ângulo de refração λ = comprimento de onda dos raios-x A derivada da expressão de Bragg indica que: ∆ d cos θ + . ∆θ = 0 d sen θ (3) ε = − ∆ θ . cotg θ (4) ∆ θ = θ com tensão − θ sem tensão (5) Medindo-se ∆θ pode-se calcular a deformação ε e conseqüentemente a respectiva tensão residual. Utilizando-se difração de raios-x, os principais métodos utilizados são: 24 - Método do sen² ψ; - Método de Glocker ou método do 0 - 45°; - Método de Schall ou método da única incidência; - Método θ - 2θ; - Método θ ou método do eixo fixo. Neste trabalho será utilizado o método sen² ψ, descrito a seguir. 2.4.1.1 - Método do sen² ψ Segundo Guimarães (1990), esta técnica é utilizada e recomendada quando se deseja grande precisão nas medidas e quando a amostra apresenta certo grau de textura. Na Figura 6 pode-se observar os princípios do método do sen² ψ (ψ é o ângulo entre a reta normal à superfície da peça e a reta normal ao plano de parâmetro “d”). Para cada orientação ψ, certos planos cristalográficos se colocam em posição de difração, conforme se observa através das Figuras 6 e 7. A penetração dos raios-x é extremamente rasa (<10 µm), portanto a condição de estado plano de tensões é assumida na camada da superfície de difração (PREVÉY, 1996). 25 Figura 6 – Estado plano de tensões (PREVÉY, 1996) Figura 7 – Elipsóide de deformações (PREVÉY, 1996) As direções principais das figuras anteriores podem ser dadas pelas Equações 6 a 8. α 1 = cos φ . sen ψ (6) α 2 = sen φ . sen ψ (7) α 3 = cos ψ = (1 − sen 2 ψ ) (8) 26 A lei de transformação do tensor de deformações em relação às direções principais é escrita por: ε = α 12 .ε 1 + α 22 .ε 2 + α 32 .ε 3 (9) Onde: εi = 1 . σ i − ν (σ j + σ k E [ ] (10) i , j , k = 1, 2,3 Transformando, obtem-se: εi = ∆d 1 + ν ν 2 = .σ φ . sen ψ − .(σ 1 + σ 2 ) d E E (11) Onde: σ φ = σ 1 cos 2 φ + σ 2 sen 2 φ (12) Derivando-se a expressão de ε em relação a sen² ψ, obtem-se: ∆d ∂ E d σφ = . (1 + ν ) ∂ sen 2 ψ ( ) (13) 27 E substituindo-se a lei de Bragg, obtem-se: σφ = E π ∂ (2θ ) . .cotg θ . 2(1 + ν ) 180 ∂ sen 2 ψ ( ) (14) Ou ainda: σ φ = − K .λ λ= ∂ (2θ ) ∂ sen 2 ψ ( (15) ) (16) Onde: K é um fator constante para o plano de difração escolhido, (tabelado e no caso de um aço inoxidável duplex, utiliza-se o valor correspondente à ferrita = –30,33 MPa) λ é o coeficiente angular da reta 2θ - sen² ψ, obtida pela plotagem das variações dos ângulos de difração 2θ com as variações dos ângulos de incidência dos raios-x, conforme Figura 8. Figura 8 – Gráfico 2θ - sen² ψ 28 O método consiste em variar o ângulo ψ de –60° a +60°, em incrementos de 10°, obter os respectivos ângulos de difração e traçar uma reta por regressão, pelo método dos mínimos quadrados, através destes 13 pontos. No caso deste trabalho serão traçadas duas retas, cada uma com 7 pontos. O procedimento básico para a determinação da tensão residual utilizando o método do sen² ψ é o seguinte (GUIMARÃES, 1990): - Determinar a posição 2θ do pico de difração de um determinado conjunto de planos (h, h, l) nas várias orientações ψ da amostra escolhida para a medida; - Converter os valores de 2θ obtidos nos correspondentes valores dos espaços interplanares; - Plotar a deformação ∆d/d versus sen² ψ; - Determinar a inclinação “m” da reta obtida; - Utilizar a Equação 15 para a obtenção da tensão; 29 3. MATERIAIS E MÉTODOS A realização dos ensaios seguiu três fases distintas: 1a) Operações de desbaste: teve por objetivo identificar possíveis alterações microestruturais nos corpos de prova, e análises de rugosidade (apesar de não ser uma variável importante em operações de desbaste optou-se por sua análise e futuras comparações com os ensaios de acabamento); 2a) Operações de remoção da casca do material: Diferentes classes e geometrias de ferramentas foram utilizadas com diferentes parâmetros de usinagem para iniciar o estudo da vida dos insertos, já que este tipo de informação não é fornecida nem para os aços convencionais mais utilizados no dia-a-dia do chão de fábrica; 3a) Operações de acabamento: Estes ensaios foram o foco do trabalho. Foram realizadas várias réplicas em diferentes condições (descritos a seguir) e as respostas analisadas foram: esforços de corte, rugosidade, análises microestruturais por microscopia óptica e por difração de raios-x, tensão residual, variação dimensional e micro-dureza; Os itens a seguir descrevem todos os equipamentos e métodos utilizados em cada uma destas três etapas. 30 3.1 - Operações de desbaste 3.1.1 – Equipamentos e materiais utilizados Os seguintes equipamentos foram utilizados para nesta parte dos ensaios: Centro de torneamento: Romi Multiplic 35D. A Figura 9 apresenta a máquina. Potência: 15CV Rotação máxima: 3000rpm Dimensões: diâmetro sobre o barramento: 520mm diâmetro sobre o carro transversal: 260mm Figura 9 – Centro de Torneamento Romi Multiplic 35D Fluido de corte: Castrol PS04002, fluido solúvel ecológico, biodegradável de base vegetal, com as características, apresentadas na Tabela 1. 31 Tabela 1 – Características do fluido de corte utilizado nos ensaios Densidade à 20/24°C (concentrado) 0,925/0,955 Aparência do concentrado Líquido oleoso âmbar Fator Refratômetro 1,9 Aparência (emulsão a 10%) Leitosa e estável PH (solução a 10%) 9,0/9,5 Corrosão DIN51360/2 (5%) 0/0 Corrosão em lâmina de alumínio (10%) Sem manchamento ou perda de brilho A concentração utilizada foi de 6% em água, em abundância através de uma saída logo acima do suporte da ferramenta, conforme ilustra a Figura 10. Figura 10 – Utilização do fluido de corte em abundância Pastilha 1D: CNMG 120412-MR – GC2015 (M15, P25); Optou-se pela escolha de um raio de 1,2mm para que a ferramenta pudesse ter grande resistência, principalmente quando da usinagem do material com casca. Este tipo de raio pode ser perfeitamente utilizado em diversas aplicações, principalmente com peças de dimensões médias e grandes. A Figura 11 apresenta os ângulos das geometrias MR e MM. A geometria 32 MR é um inserto mais voltado ao desbaste, em operações que necessitam de uma aresta de corte muito resistente. A geometria MM é a escolha básica, com versatilidade maior e pode ser utilizada desde operações de acabamento até desbaste. O item “A” mostra os ângulos na ponta da ferramenta e o item “B” na aresta principal de corte. Figura 11 – Ângulos das geometrias MM e MR [SANDVIK COROMANT, 2002b] A Figura 12 mostra o campo de utilização dos parâmetros de corte das geometrias MM, MR e MF que será utilizada posteriormente nas operações de acabamento. Figura 12 – Avanço e profundidade de corte recomendados para as geometrias MM, MR e MF [SANDVIK COROMANT, 2002b] 33 Pastilha 2D: CNMG 120412-MM – GC2015. A classe 2015, consiste de uma cobertura CVD TiCN e Al2O3-TiN de 9 µm em um substrato com uma zona gradiente próxima à superfície. Ela oferece uma excelente adesão com alta resistência ao desgaste, boa resistência a desgaste por difusão e à deformação plástica em altas temperaturas, reduz a fricção e conseqüentemente a formação de arestas postiças [SANDVIK COROMANT, 2002a]; A geometria CNMG foi escolhida por apresentar insertos robustos bastante utilizados em operações de desbaste e permitir a usinagem de rebaixos a 90°, pois apresenta ângulo de posição = 95°. Suporte: DCLNR2525K12 – Sandvik; Material dos corpos de prova: aço inoxidável super-duplex fundido ASTM A890 GR 6A. Esta designação ASTM corresponde a UNS J93380. Os corpos de prova foram fundidos especialmente para este trabalho, e apresentam dimensões compatíveis com grande parte dos eixos usinados com este tipo de material em empresas fabricantes de bombas. As dimensões dos corpos de prova fornecidos foram: ∅90x400mm. A Figura 13, apresenta um dos corpos de prova. 34 Figura 13 – Corpo de prova fundido A Tabela 2, apresenta a composição química dos corpos de prova. Tabela 2 – Composição química dos corpos de prova utilizados nos ensaios ELEMENTOS VALORES ELEMENTOS VALORES C(%) 0,02 W(%) 0,79 Cr(%) 24,8 N(%) 0,24 Ni(%) 7,49 Nb(%) <0,001 Mn(%) 0,65 Al(%) <0,001 Si(%) 0,8 Co(%) 0,044 Mo(%) 3,37 V(%) 0,03 S(%) 0,006 Ti(%) 0,006 P(%) 0,025 Pb(%) 0,0009 Cu(%) 0,8 Sn(%) 0,082 Zr(%) 0,059 Fe(%) REST. RÉ: 39,7 Dureza do material preparado para usinagem: 290HB Tratamento térmico realizado após a fundição: Solubilização, a temperatura de 1130° C e posterior resfriamento em água. Microscópio óptico com câmera acoplada: Olympus BX60MFS, com câmera Sony CCD-IRIS, para análises das microestruturas; 35 3.1.2 – Parâmetros utilizados e métodos 3.1.2.1 – Usinagem Conforme visto no item anterior, nesta parte dos ensaios foram utilizadas duas geometrias de pastilhas com diferentes quebra-cavacos. A intenção foi estudar a influência dos principais fatores de usinagem no material. Durante estes ensaios, foram utilizadas pastilhas com arestas novas, e cada aresta não usinou mais do que dois segmentos do material, para que o desgaste não alterasse os resultados pretendidos. Em cada trecho usinado a pastilha recuava e a aresta era verificada para ver se nenhum dano ocorrera à mesma. Foi realizado um planejamento experimental de análise fatorial completa em 2 níveis e 5 fatores, conforme Tabela 3. Este tipo de planejamento foi escolhido por ser a única maneira de prever interação entre os fatores (CALADO; MONTGOMERY, 2003). Montgomery (1976) também cita a possibilidade de estudar a interação entre os fatores como uma das grandes vantagens deste método e recomenda que os ensaios sejam feitos em 2 níveis. Os dados de corte foram baseados em visita a empresas que usinam aço inoxidável duplex e super-duplex e também em Sandvik Coromant (2002a e 2002b). 36 Tabela 3 – Parâmetros utilizados nos ensaios de desbaste Trecho 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 Vc (m/min) 80 110 80 110 95 80 110 80 110 80 110 80 110 95 80 110 80 110 80 110 80 110 95 80 110 80 110 80 110 80 110 95 80 110 80 110 f (mm/v) 0,25 0,25 0,4 0,4 0,325 0,25 0,25 0,4 0,4 0,25 0,25 0,4 0,4 0,325 0,25 0,25 0,4 0,4 0,25 0,25 0,4 0,4 0,325 0,25 0,25 0,4 0,4 0,25 0,25 0,4 0,4 0,325 0,25 0,25 0,4 0,4 ap (mm) 2 2 2 2 3 4 4 4 4 2 2 2 2 3 4 4 4 4 2 2 2 2 3 4 4 4 4 2 2 2 2 3 4 4 4 4 Fluido de corte sim sim sim sim sim sim sim sim sim não não não não não não não não não sim sim sim sim sim sim sim sim sim não não não não não não não não não Pastilha MR MR MR MR MR MR MR MR MR MR MR MR MR MR MR MR MR MR MM MM MM MM MM MM MM MM MM MM MM MM MM MM MM MM MM MM Também foram realizados alguns ensaios com velocidades de corte maiores, com o objetivo de tornar mais severas as condições de usinagem e analisar se este aumento poderia vir a causar algum dano ao material do corpo de prova ou a ferramenta. A Tabela 4 mostra os parâmetros utilizados. 37 Tabela 4 – Parâmetros mais severos utilizados no desbaste Trecho 1 2 3 4 5 6 7 8 Vc (m/min) 340 340 340 340 340 340 340 340 f (mm/v) 0,25 0,4 0,25 0,4 0,25 0,4 0,25 0,4 ap (mm) 3 3 3 3 3 3 3 3 Fluido de corte não não sim sim não não sim sim Pastilha MR MR MR MR MM MM MM MM A Figura 14, mostra um exemplo de um corpo de prova preparado para usinagem. Figura 14 – Exemplo de um corpo de prova utilizado nos ensaios de desbaste Tomou-se o cuidado de que todos os corpos de prova apresentassem o mesmo diâmetro após a usinagem, para possíveis estudos na mudança de geometria. Os corpos de prova foram preparados em outra máquina e para que não ocorresse diferenças na concentricidade da peça na fixação (apesar da castanha mole do torno ter sido preparada para fixar o diâmetro do corpo de prova), foi dado um passe na peça deixando-a nas dimensões da Figura 14. 38 Nos ensaios de desbaste, não foi utilizado dinamômetro para medição de forças, pois a arquitetura do dinamômetro que será utilizado nas posteriores operações de acabamento não suporta altos momentos em sua célula. Desta forma a potência foi observada apenas no painel da máquina em porcentagem, e não apresentou valores precisos. 3.1.2.2 - Amostras metalográficas Foram preparadas amostras metalográficas de 40 segmentos dos corpos de prova (nas operações de desbaste) para posterior análise. A seqüência de preparação foi: Corte: o material foi cortado com cut-off e fluido em abundância evitando assim o aquecimento localizado da amostra; Embutimento: realizados em resina termofixa de cura a quente (baquelite); Lixamento: realizado em máquina rotativa utilizando água como fluido refrigerante, e a seqüência de granulação de #180, #220, #400 e #600 mesh; Polimento: O polimento foi realizado em politriz rotativa utilizando álcool etílico absoluto. Foi utilizada pasta de diamante nas granulações de 6, 3 e 1 µm; Ataques: o Oxálico 10%: Com imersão em solução eletrolítica a 3,5V por 1,5 min, de acordo com ASTM A262 (1993); o KOH: Com imersão em solução eletrolítica à 2V por 50 s; o Behara modificado: com imersão em solução por tempo indeterminado. A solução behara modificado consiste em 5 partes de H2O para 1 de HCl 39 concentrado, com adição de 0,3g de metabisulfito de potássio, para cada 100ml de solução; 3.2 - Ensaios com “casca” Um dos temas de pesquisa sugerido ao se iniciar este trabalho, principalmente pelos fabricantes de ferramentas, foi realizar ensaios de vida de ferramenta trabalhando com o material em bruto, na forma em que este saiu da fundição. Este dado não existe nos catálogos de ferramentas e optou-se por investigar estas operações, já que a casca de qualquer forma deveria ser removida. Um problema encontrado foi a quantidade de material, pois apesar de 500kg de material terem sido disponibilizados para este trabalho, no estudo da casca, a ferramenta só pode dar uma passada no mesmo. Considerando os dados de corte utilizados na caracterização das operações de desbaste, optou-se a princípio, pelos seguintes valores: vc: 80 e 110 m/min ; ap: 4mm f: 0,25mm/v ; fluido de corte: sim/não O ap de 4mm foi escolhido por ser o mais confiável com relação a total retirada da casca do material, considerando que o material fundido apresenta irregularidades da ordem de milímetros. Como não se tinha valores de vida da ferramenta nestas condições, as arestas foram verificadas a cada 30mm usinados no comprimento do material. Depois de anotado os valores 40 do desgaste encontrados, estas voltavam a ser fixadas no suporte para repetição de mais 30mm e assim sucessivamente. Tentou-se monitorar a potência utilizada pela máquina durante os ensaios, pelo gráfico de barras disponível no painel, mas devido à excentricidade do corpo de prova a potência oscilou muito, e desta forma não foi possível estabelecer valores com o mínimo de precisão. Além das pastilhas 1D e 2D, descritas no item 3.1.1, as seguintes pastilhas foram utilizadas, nesta etapa: Pastilha 3D: CNMG 120412-MM – GC2025 (M25, P35). Esta classe consiste de uma cobertura CVD TiCN e Al2O3-TiN de 5,5 µm em um substrato com excelente resistência a choques térmicos e mecânicos de WC-Co. Ela proporciona uma excelente adesão com alta resistência ao desgaste por craterização e a deformações plásticas com altas temperaturas, reduzindo a fricção e portanto a formação de arestas postiças [SANDVIK COROMANT, 2002a]; Pastilha 4D: CNMG 120412-MR – GC2025; Pastilha 5D: CNMG 120412-MM – GC2035 (M25). Esta classe consiste de uma cobertura PVD TiAlN de 4 µm, e proporciona ótima resistência ao desgaste, reduz a fricção e portanto a formação de arestas postiças. A boa resistência a choques térmicos e mecânicos da GC2025, também está presente nesta classe. Ela também apresenta aresta com tenacidade máxima, ideal para usinagem intermitente com altas velocidades na área M25 e para desbaste pesado, em que as velocidades de corte são limitadas [SANDVIK COROMANT, 2002a]; 41 Os ensaios foram iniciados pela pastilha de classe 2015, conforme Tabela 5. Tabela 5 – Dados do início dos ensaios com casca Aresta 1 2 3 4 5 6 Parâmetros 2015 - MM - s/ fluido - Vc80m/min 2015 - MM - s/ fluido - Vc110m/min 2015 - MM - c/ fluido - Vc80m/min 2015 - MM - c/ fluido - Vc80m/min 2015 - MR - s/ fluido - Vc80m/min 2015 - MR - s/ fluido - Vc80m/min 3.3 - Ensaios de acabamento 3.3.1 – Equipamentos utilizados Os seguintes equipamentos foram utilizados nesta parte dos ensaios: Centro de torneamento: OKUMA LB300. A Figura 15 apresenta a máquina utilizada nos ensaios que tem as seguintes características: Potência: 15 Kw Rotação máxima: 4500 rpm Máximo diâmetro torneável: 370 mm 42 Figura 15 – Centro de torneamento OKUMA Pastilha 1A: VNMG 160404-MF – 1025. Esta classe tem uma cobertura PVD TiAlN de 4µm. Essa cobertura tenaz e resistente ao desgaste, em combinação com um substrato de grãos finos, proporciona propriedades necessárias para se ter uma aresta viva e alta segurança contra o martelamento de cavacos. É recomendada para classe de tolerâncias estreitas e bom acabamento superficial em aços inoxidáveis [SANDVIK COROMANT, 2002a]. A Figura 16 apresenta os ângulos da geometria MF. O item “A” mostra os ângulos na ponta da ferramenta e o item “B” na aresta principal de corte. 43 Figura 16 – Ângulos da geometria MF [SANDVIK COROMANT, 2002b] Pastilha 2A: VNMG 160404-MF – 2015; A geometria VNMG proporciona a usinagem de rebaixos e perfilamentos em eixos e foi escolhida devido à sua versatilidade. Material: O material dos corpos de prova é o mesmo já descrito anteriormente neste trabalho. A preparação, também seguiu os mesmos procedimentos descritos no item 3.1.1, inclusive deixando o mesmo diâmetro final, para estudo de possíveis mudanças na geometria da peça. Dinamômetro: Sistema porta-ferramenta – transdutor piezoelétrico. (desenvolvido por Delijaicov, 2004). A Figura 17 ilustra a montagem feita para a construção deste equipamento. Trata-se de um transdutor montado com pré-carga entre um suporte de ferramenta MVJNL2525M16 e uma haste usinada após a pré-carga entre as peças. A pré-carga foi possível através de uma haste com rosca existente no suporte que passa pelo furo do transdutor, sendo rosqueada na haste que através de um torque prédeterminado atinge o valor da pré-carga recomendada pelo fabricante para a obtenção da calibração do equipamento. A pré-carga recomendada pelo fabricante é de 44.5 Kn, 44 para garantir a calibração de funcionamento e fazer com que a montagem se comporte como uma peça única. Figura 17 – Montagem do transdutor-suporte As características do transdutor utilizado (PCB Piezotronics, modelo 260A01) são apresentadas na Tabela 6 e as do condicionador de sinais na Tabela 7. Tabela 6 – Especificações do transdutor piezoelétrico Sensibilidade, eixo z ( +/- 1.5 % ) Sensibilidade, eixos x e y ( +/- 1.5 % ) Faixa de medidas, eixo z Faixa de medidas, eixos x e y Força estática máxima, eixo z Força estática máxima, eixos x e y Resolução, eixo z Resolução, eixos x e y Resposta de baixa freqüência, eixo z Resposta de baixa freqüência, eixos x e y Limite de alta freqüência Não linearidade Faixa de temperaturas Tensão de excitação Corrente constante qe excitação Impedância de saída Tensão de saída Polaridade de saída Pré-carga Rigidez, eixo z Rigidez, eixos x e y Tamanho ( I, w, h ) Peso Material Selagem Conector elétrico 2,5 mV/lb 5 mV/lb 1000 lb 1000 lb 1320 lb 1000 lb 0,006 Ib-rms 0,006 Ib-rms 0,01 Hz 0,001 Hz 90 kHz menor que 1 % FS -65 a 250 graus F 20 a 30 VOC 2 a 20 mA menor que 100 ohms 8 a 14 VOC Positiva 10 klb 19 Ib/micropol 6 Ib/micropol 1,35 x 1,25 x 0,39 pol 1,59 oz aço inoxidável hermética 4 pinos 0,56 mV/N 1,12 mV/N 4.45 kN 4.45 kN 5,87 kN 4,45 kN 0,027 N-rms 0,027 N-rms 0,01 Hz 0,001 Hz 90 kHz menor que 1 % FS -54 a 121 graus C 20 a 30 VOC 2 a 20 mA menor que 100 ohms 8 a 14 VOC Positiva 44.5 kN 3.3 kN/micrometro 1 kN/micrometro 34,3 x 31,8 x 9,9 mm 45g aço inoxidável hermética 4 pinos 45 Sistema de aquisição de dados: - Software Catman Versão 3.1 18. Computador Pentium III 18. Condicionador de sinais Spyder 8 da Hottinger Baldwin Messtechnik (HBM), com as principais características ilustradas na Tabela 7. Tabela 7 – Principais características do condicionador de sinais Spyder 8 0,1 Classe de precisão Filtros digitais Aperiódico Valores médios Número de amplificadores Transdutores Hz Hz Tensão de excitação do transdutor Intervalos de medição Strain gage Tensão Dimensões Peso Vrms 0,1 Taxa de medição / 8 - Taxa de medição / 4 4 Strain gage e ponte completa / meia ponte Equipamentos de tensão DC 2,5 mV/V Vrms mm kg ±3; ±12; ±125; ±500 ±10 330 x 75 x 270 2,75 A freqüência utilizada para realização dos ensaios foi de 200Hz. A Figura 18 ilustra os equipamentos utilizados na aquisição (micro-computador e condicionador de sinais. 46 Figura 18 – Equipamentos utilizados na aquisição dos sinais do dinamômetro Fluido de corte: Conforme já descrito no item 3.1.1 A concentração utilizada também foi de 6% e utilizado em abundância através de uma saída logo acima do suporte da ferramenta, conforme ilustrado na Figura 19. 47 Figura 19 – Saída do fluido de corte Medição de temperatura: Pirômetro infra-vermelho Eurotron-Itália Modelo IRTEC P500, conforme Figura 20. A medição de temperatura foi realizada ao retirar o corpo de prova da máquina, e 48h após a usinagem para eliminar o fator “temperatura” das análises de variação dimensional. 48 Figura 20 – Pirômetro infra-vermelho Rugosímetro: Mitutoyo Surftest SJ201. Micrômetro Digital Mitutoyo: 75-100mm com precisão micrométrica. Medição de tensões residuais: Difratômetro de Raios-X, marca RIGAKU – DMAX Rint 2000. O método utilizado nas medições foi o do sen² ψ com variação do ψ de – 60° a +60°, de 10 em 10°, com CrKα nos planos cristalográficos (2 1 1). As tensões medidas foram as circunferenciais, isto é, na direção tangencial à força de corte e foi escolhida pelo fato de que os maiores esforços ocorrem na força de corte e esta deverá gerar as maiores tensões residuais de tração. A Figura 21 ilustra a máquina utilizada. 49 Figura 21 – Difratômetro de raios-x, marca Rigaku, modelo Rint 2200 Verificação de precipitação de fases nas amostras: Difratômetro de raios-x, marca RIGAKU, modelo multiflex, conforme Figura 22. Figura 22 – Difratômetro de raios-x, marca Rigaku, modelo Multiflex 50 Medições de micro-dureza: Micro-durômetro HMV – Shimadzu (HMV-2 344-0415202), conforme Figura 23. Foi utilizada uma carga de 50g, durante 15s para todas as medições. Figura 23 – Micro-durômetro Shimadzu As amostras foram retiradas dos corpos de prova após as medições de tensões residuais, e foram cortadas longitudinalmente, conforme ilustra a Figura 24. Logo após, todas as amostras foram embutidas e o procedimento de lixamento e polimento seguiu o mesmo descrito em 3.1.2.2. O ataque utilizado para distinção de fases foi o KOH com o mesmo tempo e solução já utilizados e descritos no item 3.1.2.2. As medições se iniciaram na interface 51 material/baquelite e foram descendo em direção ao centro do corpo de prova, em ambas as fases, com espaçamentos conforme Tabela 8. Figura 24 – Seção longitudinal de onde as amostras foram retiradas 52 Tabela 8 – Espaçamentos utilizados entre as medições de micro-dureza Micro-dureza Prof. Ferrita Austenita Interface 0,01 0,02 0,03 0,04 0,05 0,06 0,07 0,08 0,09 0,1 0,15 0,2 0,3 0,4 0,5 1 3.1.1 - Parâmetros utilizados e métodos Com o objetivo de estudar a influência da classe da ferramenta e dos principais parâmetros de usinagem, foram utilizadas duas classes de pastilha na usinagem de acabamento dos corpos de prova. Durante os ensaios, foram utilizadas pastilhas novas, limitando-se a usinagem de dois segmentos do corpo de prova por aresta de corte, para que o desgaste não alterasse os resultados pretendidos. Em cada trecho usinado a ferramenta recuava e a aresta de corte era verificada para ver se nenhum dano ou desgaste ocorrera à mesma. 53 Foi realizado um planejamento experimental de análise fatorial completa em 2 níveis e 5 fatores, conforme Tabela 9.Os dados de corte foram baseados em visita a empresas que usinam aço inoxidável duplex e super-duplex e também em Sandvik Coromant (2002a e 2002b). Nesta parte dos ensaios, foram utilizados 3 (1 original + 2 réplicas) corpos de prova para cada linha de parâmetro ilustrado na Tabela 9. Também foram realizados alguns ensaios com maiores velocidades de corte, com o objetivo de tornar mais severas as condições de usinagem e analisar se este aumento poderia vir a causar algum dano ao material usinado do corpo de prova (principalmente) e a ferramenta, que neste caso, esperava-se um desgaste prematuro, devido ao brutal aumento estipulado. A Tabela 10, mostra os parâmetros utilizados com as maiores velocidades de corte utilizadas. 54 Tabela 9 – Parâmetros utilizados nos ensaios de acabamento Trecho 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 Vc (m/min) 110 150 110 150 130 110 150 110 150 110 150 110 150 130 110 150 110 150 110 150 110 150 130 110 150 110 150 110 150 110 150 130 110 150 110 150 f (mm/v) 0,1 0,1 0,2 0,2 0,15 0,1 0,1 0,2 0,2 0,1 0,1 0,2 0,2 0,15 0,1 0,1 0,2 0,2 0,1 0,1 0,2 0,2 0,15 0,1 0,1 0,2 0,2 0,1 0,1 0,2 0,2 0,15 0,1 0,1 0,2 0,2 ap (mm) 0,25 0,25 0,25 0,25 0,375 0,5 0,5 0,5 0,5 0,25 0,25 0,25 0,25 0,375 0,5 0,5 0,5 0,5 0,25 0,25 0,25 0,25 0,375 0,5 0,5 0,5 0,5 0,25 0,25 0,25 0,25 0,375 0,5 0,5 0,5 0,5 Fluido de corte sim sim sim sim sim sim sim sim sim não não não não não não não não não sim sim sim sim sim sim sim sim sim não não não não não não não não não Pastilha 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 Em ambos os ensaios, foi utilizado o dinamômetro para medição das forças, descrito no item 3.3.1. 55 Tabela 10 – Parâmetros mais severos utilizados no acabamento Teste 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 Vc [m/min] f [mm/v] 600 0,1 600 0,2 600 0,1 600 0,2 600 0,1 600 0,2 600 0,1 600 0,2 600 0,1 600 0,2 600 0,1 600 0,2 600 0,1 600 0,2 600 0,1 600 0,2 ap [mm] 0,25 0,25 0,5 0,5 0,375 0,5 0,5 0,5 0,5 0,25 0,25 0,25 0,25 0,375 0,5 0,5 Fluido Sim Sim Sim Sim Não Não Não Não Sim Sim Sim Sim Não Não Não Não Pastilha 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 Um dos problemas encontrados no dia-a-dia da usinagem deste material, é a instabilidade dimensional. Uma de suas principais aplicações, conforme já dito, é a indústria de bombas, em que apesar de existirem peças de grandes diâmetros, um centésimo de milímetro faz muita diferença na montagem de flanges e eixos. Os operadores reclamam que a peça apresenta uma dimensão na tolerância especificada no momento do controle da usinagem e que no dia seguinte, estas medidas aumentam ou diminuem aleatoriamente. Para estudar este fenômeno, após a usinagem das peças, todos os diâmetros foram medidos assim como a temperatura da peça, para eliminar a variável temperatura, já que na fábrica não existe este controle. Após 48h novamente as temperaturas dos corpos de prova foram medidas assim como os diâmetros. 56 4. RESULTADOS OBTIDOS E DISCUSSÕES 4.1 – Operações de desbaste 4.1.1 – Caracterização do processo de desbaste 4.1.1.1 – Observações e resultados gerais O trabalho foi iniciado por estes ensaios, e através da usinagem de um corpo de prova teste, foi observado um problema que perdurou e fez com que o tempo despendido nestes fosse maior do que o esperado. Ao terminar de usinar um trecho, dependendo dos parâmetros de corte utilizados, ocorreram 2 situações: 1a ) valores de ap menores (2mm), causaram a deformação plástica do material, que adentrou no canal feito anteriormente para saída da ferramenta, conforme Figura 25. Figura 25 – Deformação provocada nos canais dos corpo de prova, com fluido de corte, classe 2015, geometria MM, vc=80m/min, f=0,25mm/v e ap=2mm 57 2a) com valores maiores de ap (4mm), um anel foi destacado dos segmentos usinados, conforme Figura 26. Figura 26 – Anel destacado nos canais dos corpos de prova, com fluido de corte, classe 2015, geometria MM, vc=80m/min, f=0,25mm/v e ap=4mm Desta forma, ao final de cada trecho estas rebarbas e anéis foram removidos, caso contrário, a ferramenta poderia colidir com as deformidades ao iniciar a usinagem do próximo canal e se quebrar. Os ensaios com velocidades maiores de corte (vc=600m/min) mostrados na Tabela 10, mostraram que a ferramenta não suporta tais condições e os insertos apresentaram severos danos, que praticamente os inutilizaram a cada trecho usinado. A Figura 27 mostra a aresta de uma ferramenta após a usinagem de um trecho de material. As altas temperaturas impostas ao processo causaram o desgaste excessivo da ferramenta, uma vez que ela na maioria das vezes é o fator limitante para a usinagem [TRENT; WRIGHT, 2000]. Apesar de não ter sido medida com precisão, notou-se que a potência necessária para usinagem quando da não utilização de fluido de corte se mostrou ligeiramente menor. Tal fato pode ser justificado pelo aumento da temperatura, que diminui levemente a pressão específica de corte devido à diminuição da deformação e da dureza do cavaco, assim como alterações do coeficiente de atrito (DINIZ; MARCONDES e COPPINI, 2001). É conveniente lembrar que os resultados obtidos nos ensaios sem fluido de corte são válidos apenas para peças com 58 trechos pequenos, pois caso o comprimento de usinagem fosse maior, a temperatura na ferramenta aumentaria e as características do corte mudariam consideravelmente, conforme será avaliado no item que estuda a remoção da casca do material. Figura 27 – Aresta da ferramenta após usinagem de um trecho do corpo de prova sem fluido de corte, vc=340m/min ; f=0.4mm/v ; ap=3mm. Desgaste maior ~ 2mm, na aresta principal de corte. 4.1.1.2 – Análises fatoriais para a rugosidade Apesar da rugosidade não ser um fator primordial a ser destacado nas operações de desbaste, optou-se por analisar tais valores para possível correlação com respostas posteriores e comparação com os valores encontrados nas operações de acabamento, onde em que a rugosidade tem papel fundamental. 59 A Tabela 11 ilustra os valores encontrados da rugosidade para cada trecho dos corpos de prova ensaiados. Os valores de cada trecho foram obtidos através da média aritmética de três medições, a 120°. Tabela 11 – Rugosidade para cada trecho usinado dos corpos de prova de desbaste Trecho 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 Vc (m/min) 80 110 80 110 95 80 110 80 110 80 110 80 110 95 80 110 80 110 80 110 80 110 95 80 110 80 110 80 110 80 110 95 80 110 80 110 f (mm/v) 0,25 0,25 0,4 0,4 0,325 0,25 0,25 0,4 0,4 0,25 0,25 0,4 0,4 0,325 0,25 0,25 0,4 0,4 0,25 0,25 0,4 0,4 0,325 0,25 0,25 0,4 0,4 0,25 0,25 0,4 0,4 0,325 0,25 0,25 0,4 0,4 ap (mm) 2 2 2 2 3 4 4 4 4 2 2 2 2 3 4 4 4 4 2 2 2 2 3 4 4 4 4 2 2 2 2 3 4 4 4 4 Fluido de corte sim sim sim sim sim sim sim sim sim não não não não não não não não não sim sim sim sim sim sim sim sim sim não não não não não não não não não Pastilha MR MR MR MR MR MR MR MR MR MR MR MR MR MR MR MR MR MR MM MM MM MM MM MM MM MM MM MM MM MM MM MM MM MM MM MM Rugosidade [Ra] 2,01 1,79 3,88 3,56 2,10 4,60 1,61 3,60 3,36 1,72 1,80 4,07 3,21 2,01 2,22 2,52 3,62 3,65 2,65 2,02 3,54 4,31 3,45 2,48 2,41 3,46 3,25 1,57 1,61 4,10 4,20 3,15 1,97 2,81 3,82 4,20 60 A Figura 28 ilustra os efeitos das médias dos fatores sobre a rugosidade. A Figura 29 mostra o diagrama de Pareto dos efeitos sobre a rugosidade e a Figura 30 o gráfico de interação para os efeitos. Figura 28 – Efeitos das médias dos fatores sobre a rugosidade para operações de desbaste 61 Figura 29 – Diagrama de Pareto das variáveis sobre a rugosidade Figura 30 – Gráficos de interação das variáveis sobre a rugosidade 62 Percebe-se nas Figuras 28 e 29 que para um nível de confiança de 95%, a única variável significativa no estudo é o avanço. A interação entre o avanço e a profundidade de corte também se mostrou muito próxima da linha de significância, conforme ilustrado no diagrama da Figura 29. Era esperado que o avanço apresentasse maior influência na rugosidade, visto que esta depende geometricamente dele. O aumento da profundidade de corte aumentou a rugosidade assim como a diminuição da velocidade de corte. Segundo Diniz, Marcondes e Coppini (2001), o aumento da profundidade de corte, aumenta o contato da peça com a parte reta da aresta de corte, e diminui relativamente o contato na parte do raio da ponta, o que proporcionalmente diminui a força de penetração e facilita a formação de um bom acabamento superficial. Porém esta parte dos ensaios contrariou tais estudos, possivelmente pelas grandes diferenças de parâmetros impostas (no caso 2mm) que podem ter ocasionado mudanças no sistema máquina-peça-ferramenta, aumentando a vibração e conseqüentemente a rugosidade superficial. Já a diminuição da velocidade de corte pode aumentar a rugosidade, devido à maior formação de aresta postiça, que neste material pode ser observada até mesmo quando as maiores velocidades de corte foram aplicadas (110m/min), e o menor valor (80 m/min) contribui ainda mais para sua formação. Percebe-se na Figura 30 que a mudança na velocidade de corte interage com a pastilha e a utilização de fluido. As variáveis fluido e geometria não tiveram muita influência nos valores de rugosidade, mas notou-se um ligeiro aumento quando da utilização da geometria MM e uma diminuição quando da não utilização do fluido de corte. A geometria MR possui ângulo de saída menos positivo do que a geometria MM. As recomendações para usinagem de aços inoxidáveis em geral, mostram que ângulos positivos promovem um corte mais contínuo com menores vibrações nas forças de corte e temperaturas menores [SANDVIK COROMANT, 2002b]. Neste caso a diminuição do ângulo de saída melhorou um pouco o acabamento superficial e para os parâmetros utilizados se mostrou ligeiramente melhor para a qualidade 63 superficial. Vale a pena lembrar que as duas geometrias utilizadas também se diferem na largura das arestas, no quebra-cavacos nos ângulos de folga e não apenas nos ângulos de saída. Talvez pelo fato de haver uma tendência do aumento da temperatura no caso da não utilização do fluido de corte e possivelmente na utilização da geometria MR, as condições de corte tenham sido melhoradas, com uma sensível melhora na pressão específica de corte, conforme já comentado, pois a não utilização do fluido que tem como principal conseqüência o aumento da temperatura também diminuiu a rugosidade das superfícies geradas. 4.1.1.3 Análises das microestruturas O objetivo da análise microestrutural das operações de desbaste foi identificar possíveis precipitações de fase na superfície usinada e analisar se estas teriam alguma influência no produto final usinado. Foram lixados e polidos 40 corpos de prova embutidos em baquelite e atacados conforme descrito no item 3.1.2.2. Uma seqüência de três ataques foi conduzida e os resultados obtidos não evidenciaram precipitação de fases. É importante lembrar que através da microscopia óptica (método utilizado) é possível visualizar os contornos de grãos e apenas algumas fases precipitadas. Dentre elas está a fase sigma, que é uma das mais estudadas, mais comum e que causa maiores problemas ao material em serviço, conforme descrito no item 2.1.4. Através de observações do material em bruto e dos sucessivos ataques realizados percebese que as fases estão bastante heterogêneas. Em algumas partes há grande concentração de austenita em pequenos “sítios” e em outras a quantidade de ferrita é maior. Os contornos de 64 grãos também se mostram bastante desorganizados na estrutura e com diferentes alinhamentos. Estas características devem-se ao fato do material ser fundido e dificultará as análises de todo o trabalho, visto que há grande variação no corte em função da microestrutura. A Figura 31 e a Figura 32 mostram as micrografias realizadas com ataque oxálico 10%. A primeira corresponde ao material em bruto (solubilizado) e a segunda a um corpo de prova usinado. A preparação dos corpos de prova e sucessivos ataques foram feitos de acordo com recomendações da norma ASTM A262 (1993). O ataque oxálico permite visualizar o contorno de grãos e a possível precipitação de carbonetos. Figura 31 – Micrografia do núcleo do material em bruto com ataque oxálico e ampliação de 100X 65 Figura 32 – Micrografia da superfície usinada de um corpo de prova, com ataque oxálico e ampliação de 100X. Parâmetros utilizados: vc =340m/min; f=0,25mm/v; ap=3mm Roberti e Silva (1980) descrevem vários ataques utilizados para detecção da fase sigma. A maioria dos trabalhos estudados (já mencionados), obtiveram a identificação através do ataque eletrolítico KOH, que pode ser visualizado nas Figuras 33, 34 e 35. Não foi possível identificar a presença de fase sigma, nem no núcleo das amostras, nem nas superfícies usinadas. As manchas escuras encontradas no material não evidenciam formação de fase sigma, uma vez que são visíveis ao material mesmo sem a aplicação de qualquer ataque e correspondem à inclusões contidas no material. A parte marrom corresponde à ferrita e a parte clara à austenita. A Figura 33 mostra o núcleo do material fundido sem usinagem. As Figuras 34 e 35 mostram as superfícies de dois corpos de prova usinados. Nota-se uma diferença considerável entre as duas imagens no que diz respeito à fase ferrítica. No contorno da amostra (divisão entre o metal e o baquelite) 66 podem ser visualizadas trincas observadas na Figura 34, que a princípio imaginou-se terem sido provocadas por alguma mudança estrutural no material como marcas de deformação, porém em estudos e discussões com o fabricante do material, e execução de outros ataques chegou-se a conclusão que as “trincas” são formadas apenas na camada de óxido formada pelo ataque e não afetam a estrutura do material. Estas “trincas” possivelmente foram causadas por tempo excessivo da amostra no ataque. Figura 33 – Micrografia do núcleo do material em bruto com ataque KOH e ampliação de 500X 67 Figura 34 – Micrografia da superfície de um corpo de prova usinado com ataque KOH e ampliação de 500X. Parâmetros utilizados: vc = 80m/min; f = 0,25mm/v; ap=2mm; sem fluido; pastilha 2015 A Figura 36, mostra a micrografia de um corpo de prova usinado com o ataque behara modificado. A parte azul corresponde à ferrita e a branca à austenita. Este ataque também identifica fase sigma no material, que geralmente se forma na interface das fases. Em nenhuma amostra notou-se alguma diferença entre a amostra do material em bruto e as amostras usinadas. Também não houve revelação da presença de fase sigma em qualquer trecho do material. 68 Figura 35 – Micrografia da superfície de um corpo de prova usinado com ataque KOH e ampliação de 500X. Parâmetros utilizados: vc =110m/min; f = 0,4mm/v; ap=4mm; com fluido; pastilha 2015 Percebe-se com as micrografias apresentadas, que nenhum efeito da usinagem pode ser percebido no material, pelo menos com o uso da microscopia óptica, mesmo naquelas peças onde as condições de usinagem foram mais severas. 69 Figura 36 – Micrografia da superfície de um corpo de prova usinado com ataque behara modificado e ampliação de 200X. Parâmetros utilizados: vc=80m/min; f=0,25mm/v; ap=2mm; com fluido; pastilha 2015 4.1.2 Ensaios de vida de ferramenta com desbaste do material com “casca” Sucessivos passes foram dados no material em bruto conforme descrito no item 3.2. Ao contrário do que se esperava, no início dos ensaios a vida das pastilhas nestas condições foi bem maior com a usinagem a seco, e as arestas em que se tentou utilizar fluido de corte, não cortaram mais do que 60mm de comprimento do material, ocorrendo predominantemente a quebra por lascamento (considerando a classe até o momento estudada GC2015). 70 O início do desgaste, em todas as arestas observadas, se iniciou pela formação de um entalhe ao longo da aresta principal e distante aproximadamente 4mm da ponta, coincidindo desta forma, com o ponto em que a aresta principal de corte mais entrou em contato com a casca do material. Este fenômeno foi ainda mais pronunciado quando se utilizou fluido de corte e este entalhe inicial se desenvolveu em forma de lascamento da aresta principal de corte, conforme Figura 37. O corte do material com casca assemelha-se em alguns momentos, a um corte interrompido, pois esta possui irregularidades da ordem de milímetros e faz com o contato entre o material e a peça não seja constante em alguns pontos da aresta principal. Esta situação faz com que freqüentemente ocorram choques térmicos no inserto e as quebras prematuras podem ser justificadas por este fato. Outro fator importante é que a classe 2015 é a menos tenaz dentre as utilizadas neste item e logo deve ser a mais frágil quando solicitada desta forma. Figura 37 – Aresta de corte com utilização de fluido refrigerante, classe 2015, geometria MM, vc=80m/min, f=0,25mm/v e ap=4mm 71 Diversos critérios podem ser adotados para decidir o fim de vida de uma ferramenta. Dentre eles cita-se (DINIZ, 1989): - Os desgastes atingem proporções tão elevadas que se receia uma quebra da aresta cortante; - Os desgastes chegam a valores em que a temperatura do gume cortante se aproxima da temperatura na qual a ferramenta perde o fio de corte; - Devido ao desgaste da superfície de folga da ferramenta não é mais possível manter as tolerâncias exigidas na peça; - O acabamento superficial da peça usinada não é mais satisfatório; - O aumento da força de corte, proveniente dos desgastes elevados da ferramenta, interfere no funcionamento da máquina; Um valor bastante utilizado por pesquisadores na atualidade considera o fim de vida para ferramentas que trabalham em operações de acabamento, quando o desgaste VB chega à 0,3mm ou quando chega a 0,8mm para operações de desbaste. O critério de fim de vida considerado nos ensaios escolheu o valor de 0,8mm como desgaste máximo permitido na aresta principal, e mostrou-se estar realmente muito próximo do fim de vida da pastilha. Um entalhe desta ordem gera rebarbas enormes e causa excessiva vibração e aumento da potência de corte. Quando algum ponto da aresta atingiu este valor (inclusive o entalhe) a pastilha foi inutilizada. A Figura 38 ilustra uma rebarba de quase 20mm, formada durante os ensaios, e usinada com uma pastilha com um entalhe de 0,8mm. 72 Figura 38 – Rebarba formada com usinagem de pastilha com entalhe de 0,8 mm sem fluido de corte, com classe 2015, geometria MM, vc=80m/min, f=0,25mm/v e ap=4mm A Figura 39 mostra uma aresta com entalhe de aproximadamente 0,8mm. Figura 39 – Aresta com desgaste aproximado de 0,8mm causado pela usinagem sem fluido de corte, com classe 2015, geometria MM, vc=80m/min, f=0,25mm/v e ap=4mm 73 Com a execução dos ensaios com os parâmetros ilustrados na Tabela 5, as seguintes observações foram feitas: - Para a geometria MM, a velocidade de corte de 110m/min, fez com que ocorresse desgaste mais uniforme ao longo da aresta, enquanto que com a velocidade de 80m/min, houve aumento de aresta postiça de corte em praticamente todos os trechos usinados. Inclusive em uma pastilha houve o “caldeamento” do material usinado na superfície de saída, conforme ilustra a Figura 40; - A pastilha com esta classe (GC 2015) não conseguiu usinar utilizando fluido de corte. O fluido junto com as irregularidades do material em bruto podem ter aumentado a incidência de choques térmicos na ferramenta, e como esta classe é a menos tenaz de todas as utilizadas neste trabalho, ocorreu o lascamento da aresta; - Algumas arestas apresentaram lascamento prematuro logo no primeiro trecho do material. O choque do encontro da ferramenta com a casca em bruto do material, deve ter ocasionado o lascamento prematuro, condenando a posterior usinagem do trecho de 30mm. Neste caso uma solução a ser utilizada é mudar o ângulo de posição da ferramenta, porém esta variável não faz parte do escopo deste trabalho, e esta pastilha/suporte, foi escolhido por permitir desbaste de peças que apresentem rebaixos (bastante comum na fabricação de eixos com este material); 74 Figura 40 – Micrografias de uma pastilha com material aderido, de classe 2015, com geometria MM, vc=80m/min, f=0,25mm/v e ap=4mm e ampliação de 250X Segundo Sarwar, Zhang e Gillibrand (1997) melhorias na vida da ferramenta e na performance desta podem ser obtidas combinando um revestimento com alta resistência ao desgaste e um substrato duro e tenaz. Neste sentido, e observando os resultados conseguidos para esta classe, que apesar de não ter um número suficiente de corpos de prova para uma análise estatística, demonstrou tendências para nortear o estudo, optou-se por utilizar uma nova classe de pastilhas (GC 2035), que possui características de revestimento e substrato diferentes da anterior, conforme citado no item 3.1.1. A Tabela 12 mostra alguns dados de vida dos ensaios com as duas classes. As seguintes observações, desta parte dos ensaios podem ser feitas: - Apesar de mais tenaz, o fim de vida da pastilha GC2035 também foi definido pelo lascamento da aresta principal; - Esta classe (apesar de não ter ocorrido quebra prematura das arestas no início dos trechos) não apresentou ganhos significativos com relação à classe utilizada 75 anteriormente sem a utilização de fluido de corte, aliás, em geral, usinou comprimentos menores. Com a utilização de fluido de corte o rendimento foi melhorado. Tabela 12 – Vida da ferramenta para a usinagem do material com casca Aresta Vc (m/min) Fluido de corte Pastilha 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 80 110 80 110 80 110 80 80 80 80 não não sim sim não não não sim sim sim 2015-MR 2015-MR 2015-MR 2015-MR 2015-MM 2015-MM 2035-MM 2035-MM 2035-MM 2035-MM Compr. de peça usinado [mm] 420 360 30 60 420 360 180 150 180 150 Volume de material removido [cm³] 438,1 375,5 31,3 62,6 438,1 375,5 187,7 156,5 187,7 156,5 Volume de material removido em função tempo total do tempo [cm³/min] de corte [min] 80,0 5,48 110,0 3,41 80,0 0,39 110,0 0,57 80,0 5,48 110,0 3,41 80,0 2,35 80,0 1,96 80,0 2,35 80,0 1,96 A Figura 41 apresenta o desgaste nas pastilhas, em função do comprimento usinado. Vale a pena lembrar que os resultados aproximados foram obtidos conforme relatado em materiais e métodos e não houve repetições para os ensaios, uma vez que a quantidade de material disponibilizado necessitaria ser maior. 76 Desgaste & Comprimento usinado 0,9 Vc=80m/min ; 2015-MM sem fluido 0,8 Vc=110m/min ; 2015-MM sem fluido Desgaste [mm] 0,7 0,6 Vc=80m/min ; 2015-MM com fluido 0,5 Vc=110m/min ; 2015-MM com fluido 0,4 Vc=80m/min ; 2015-MR sem fluido 0,3 0,2 Vc=110m/min ; 2015-MR sem fluido 0,1 Vc=80m/min ; 2035-MM sem fluido 0 -0,1 0 60 0 12 0 18 0 24 0 30 Comprimento usinado [mm] 0 36 0 42 Vc=80m/min ; 2035-MM com fluido Figura 41 – Desgaste nas pastilhas em função do comprimento usinado Considerando que a aresta foi verificada de 30 em 30mm, que a pastilha (principalmente quando da não utilização de fluido de corte) teria um tempo para ser resfriada até mesmo podendo atingir a temperatura ambiente, e que este fenômeno poderia influenciar notoriamente o estudo em questão, que até o momento teve maior rendimento sem a utilização do fluido de corte, optou-se por realizar alguns ensaios com trechos de desbaste maiores, sem interrupção para verificação das arestas. Desta forma a usinagem ficaria mais próxima da utilização prática da usinagem neste material, porém só se teve um controle do desgaste ao longo do comprimento usinado em um trecho grande de material. O trecho considerado como inicial foi de 200mm, onde a aresta foi verificada e depois a ferramenta deveria cortar +150mm, totalizando assim o comprimento de um corpo de prova. Os parâmetros utilizados e os resultados estão apresentados na Tabela 13. As pastilhas que apresentaram comprimento usinado = 350mm, chegaram ao fim proposto em condições aceitáveis ainda de utilização. As ferramentas com valor menor não atingiram o objetivo, devido à aparente quebra de ponta/aresta, ou parada da máquina devido ao excessivo 77 torque a que esta foi submetida. Nesta parte dos ensaios uma nova classe de pastilhas foi inserida (GC 2025) que segundo o fabricante faz parte de uma geração de insertos mais nova e pode ser mais eficiente que as 2 anteriores testadas. Tabela 13 – Valores utilizados para usinagem com casca ininterrupta Aresta Vc (m/min) Fluido de corte Pastilha 11 12 13 14 15 16 80 80 80 80 80 80 não sim não sim não sim 2035-MM 2035-MM 2015-MM 2015-MM 2025-MM 2025-MM Compr. de peça usinado [mm] 280 350 200 100 350 200 Volume de material removido [cm³] 292,0 365,1 208,6 104,3 365,1 208,6 Desgaste no tempo total de corte final do curso [min] [mm] 3,65 4,56 1,00 2,61 1,30 4,56 0,60 2,61 A Figura 42 apresenta os gráficos de vida para as pastilhas ensaiadas. Vida desbastando "casca" com corte contínuo Compr. usinado [mm] 400 350 2035-MM (sem fluido) 2035-MM (com fluido) 2015-MM (sem fluido) 2015-MM (com fluido) 2025-MM (sem fluido) 2025-MM (com fluido) 300 250 200 150 100 50 0 Classes Figura 42 – Vida das arestas das ferramentas para usinagem com casca ininterrupta As observações nesta parte dos ensaios foram: - A classe GC 2015 aparentemente não suporta as altas temperaturas (apesar de sistematicamente não investigada) geradas no processo e teve a ponta da ferramenta quebrada/caldeada, na usinagem sem fluido de corte; 78 - A classe 2035 apresentou melhor desempenho que as demais quando usinou com fluido de corte; - A classe 2025 apresentou os melhores resultados nesta série dos ensaios quando comparada com as outras classes sem utilização de fluido de corte; Pode-se concluir com os experimentos realizados até esta parte do trabalho (considerando os parâmetros de corte utilizados) que: - Quando o comprimento a ser usinado for pequeno, e com isso a temperatura da pastilha não deverá atingir valores altos durante grande período de tempo, a usinagem a seco aumenta a vida da ferramenta, e a classe preferencial para o trabalho com estas características é a 2015, conforme Figura 41, que mostra os dados dos ensaios, onde houve tempo para resfriamento da pastilha. - Para comprimentos intermediários (~200mm) também se deve evitar o uso de fluido de corte e a classe 2025 apresentou melhores resultados; - Para comprimentos grandes, é recomendada a utilização do fluido de corte, e a classe 2035, teve um desempenho melhor, considerando que não foi possível testar a classe 2025 sob grandes comprimentos. 79 4.2 Operações de acabamento 4.2.1 Respostas obtidas para a rugosidade superficial A Tabela 14 mostra os valores encontrados para a rugosidade superficial nas operações de acabamento. Os valores correspondem à média aritmética de 3 medições efetuadas à 120° em cada um dos 3 corpos de prova gerados, ou seja, os valores colocados na tabela correspondem à média de 9 valores no total. Todas as medições foram executadas com cut-off=0,8mm e n=5. A Tabela 15 mostra os valores de rugosidade encontrados para os ensaios com altas velocidades de corte. Os campos sem valor correspondem aos trechos onde não foi possível efetuar a medição, devido à quebra da ponta da ferramenta logo no início da usinagem, no qual a superfície se tornou muito irregular. Nota-se através das duas tabelas, que não houve grande melhora no acabamento superficial com o aumento da velocidade de corte, indicando que o limite aceitável do processo foi ultrapassado. Os trechos onde houveram melhorias foram aqueles usinados com a ferramenta de classe GC1025 sem a utilização do fluido de corte. Em todos os trechos com profundidade de corte = 0,5mm houve quebra da aresta da ferramenta, porém na maioria das vezes foi possível medir a rugosidade inicial da peça, visto que nitidamente a quebra ocorreu no meio do trecho. 80 Tabela 14 – Valores encontrados para rugosidade superficial nos ensaios de acabamento Teste 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 Vc [m/min] 110 150 110 150 130 110 150 110 150 110 150 110 150 130 110 150 110 150 110 150 110 150 130 110 150 110 150 110 150 110 150 130 110 150 110 150 f [mm/v] 0,1 0,1 0,2 0,2 0,15 0,1 0,1 0,2 0,2 0,1 0,1 0,2 0,2 0,15 0,1 0,1 0,2 0,2 0,1 0,1 0,2 0,2 0,15 0,1 0,1 0,2 0,2 0,1 0,1 0,2 0,2 0,15 0,1 0,1 0,2 0,2 ap [mm] 0,25 0,25 0,25 0,25 0,375 0,5 0,5 0,5 0,5 0,25 0,25 0,25 0,25 0,375 0,5 0,5 0,5 0,5 0,25 0,25 0,25 0,25 0,375 0,5 0,5 0,5 0,5 0,25 0,25 0,25 0,25 0,375 0,5 0,5 0,5 0,5 Fluido Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Não Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Não Pastilha 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 Rugosidade [Ra] 0,867 0,818 2,593 2,857 1,860 1,187 1,157 2,950 3,333 1,813 1,037 3,283 2,887 1,723 3,720 1,043 3,083 2,870 2,223 1,162 2,420 3,477 1,823 0,858 0,923 2,763 2,732 1,810 1,225 2,620 3,358 1,763 0,847 0,820 3,189 3,270 81 Tabela 15 – Valores encontrados para rugosidade superficial nos ensaios de acabamento com altas velocidades de corte Teste 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 Vc [m/min] 600 600 600 600 600 600 600 600 600 600 600 600 600 600 600 600 f [mm/v] 0,1 0,2 0,1 0,2 0,1 0,2 0,1 0,2 0,1 0,2 0,1 0,2 0,1 0,2 0,1 0,2 ap [mm] 0,25 0,25 0,5 0,5 0,375 0,5 0,5 0,5 0,5 0,25 0,25 0,25 0,25 0,375 0,5 0,5 Fluido Sim Sim Sim Sim Não Não Não Não Sim Sim Sim Sim Não Não Não Não Pastilha 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 Rugosidade [Ra] 2,027 2,800 3,317 1,053 2,837 0,827 3,500 0,903 2,010 0,657 2,190 0,763 4.2.1.1 Análises fatoriais para a rugosidade superficial A Figura 43 ilustra os efeitos das médias dos fatores sobre a rugosidade. Percebe-se que assim como analisado anteriormente para as operações de desbaste, o fator mais influenciador foi o avanço. Estes resultados diferem das operações de desbaste apenas na profundidade de corte e na utilização do fluido de corte. Nas operações de desbaste, o aumento da profundidade de corte, provocou um acréscimo na rugosidade, enquanto que nas operações de acabamento, praticamente não influenciou, provavelmente pela pequena diferença entre os valores estipulados. A Figura 44 e a Figura 45 mostram que os efeitos significantes foram o avanço e a interação entre o avanço e a velocidade de corte. O fluido mostrou-se a terceira variável mais importante (sem considerar as interações) e a profundidade de corte praticamente não influenciou na rugosidade. Como todo trabalho de usinagem, é sempre importante frisar que 82 os resultados referem-se a este estudo e não se pode fazer generalizações ou extrapolações com segurança. As diferenças entre as respostas obtidas na Figura 44 (acabamento) e na 29 (desbaste), fundamentalmente ocorreram no segundo fator significante. Enquanto que nas operações de desbaste a interação entre a profundidade de corte e o avanço foi o segundo efeito mais influente, nas operações de acabamento a interação entre a velocidade de corte e o avanço tomou seu lugar. Isto mostra a maior importância da profundidade de corte no estudo quando gradientes maiores são utilizados e da velocidade de corte quando velocidades maiores são utilizadas. Provavelmente a profundidade de corte só começa a influenciar acima de um determinado valor, quando a rigidez do sistema passa a não ser suficiente para resistir aos esforços. Figura 43 – Efeitos das médias dos fatores sobre a rugosidade para operações de acabamento O aumento da velocidade de corte melhorou a rugosidade superficial. Este fato, já discutido nas operações de desbaste, deve-se principalmente à diminuição da formação de aresta postiça de corte, o que melhora substancialmente o acabamento superficial, e que 83 conforme revisão, neste material, pode ocorrer em velocidades de corte maiores do que nos aços convencionais. Bouzid Saï, Bem Salah e Lebrun (2001) também citam que com o aumento da velocidade de corte, ocorre uma diminuição da área de contato entre a ferramenta e o cavaco, e conseqüentemente diminuição nas forças de corte e deformações. Mais uma vez, este aumento possui limites, conforme observado nas Tabelas 14 e 15, onde o aumento brusco da velocidade de corte prejudicou a qualidade superficial. Figura 44 – Diagrama de Pareto para os efeitos sobre a rugosidade A usinagem a seco aumentou a rugosidade superficial, praticamente na mesma intensidade que a diminuição da velocidade de corte. A diminuição da lubrificação na interface peça-ferramenta ocasionou tal fenômeno já que tem ação fundamental na usinagem de materiais dúcteis. Trent e Wright (2000), citam que o maior objetivo dos fluidos de corte é melhorar a rugosidade superficial. Particularmente eles são mais efetivos quando baixas velocidades de corte e baixos avanços são utilizados na 84 presença de APC, já que a melhoria da rugosidade é também causada pela redução do tamanho da aresta postiça, que na presença de fluido tende a ter menor adesão entre as camadas de material que formam a APC, e também pela diminuição do tamanho dos fragmentos cisalhados da aresta postiça e que permanecem na superfície de trabalho da ferramenta. Esta diminuição é causada pela ação do vapor do lubrificante no caminho da fratura do material, no qual forma uma nova superfície quando a APC está presente. O mesmo não aconteceu nas operações de desbaste, onde a utilização de fluido aumentou sensivelmente a rugosidade superficial, conforme discutido no item 4.1.1.2, porém com intensidade menor que a melhora ocasionada pelo fluido no acabamento. Figura 45 – Gráficos de interação dos efeitos sobre a rugosidade As interações se comportaram de maneira semelhante às operações de desbaste. A velocidade de corte mostrou interação com quase todas as variáveis. A classe das pastilhas 85 também mostrou que tem grande influência na rugosidade, com respeito as suas interações com os outros parâmetros. As mudanças tribológicas induzidas pelas duas classes durante o corte, provavelmente são as responsáveis por estas interações. A classe GC 1025 proporcionou menores valores de rugosidade superficial, principalmente quando os parâmetros de corte aumentaram (f, ap, fluido), mostrando que possivelmente esta classe suporta melhor os aumentos de temperatura ocasionados pelo acréscimo nos parâmetros de corte, contribuindo para a obtenção da melhor rugosidade superficial, através do aumento da temperatura e diminuição do atrito. Outro fato a considerar, é que o aumento da temperatura diminui a tendência de formação de aresta postiça de corte (SHAW, 2005). 4.2.2 Respostas obtidas para as forças de usinagem A Tabela 16 mostra os valores médios das forças encontradas nos ensaios. Sua obtenção foi através de média aritmética dos três valores medidos (três réplicas). A mesma tabela também mostra a força de usinagem (Fu) calculada em função das três componentes encontradas. 86 Tabela 16 – Valores médios das forças de corte encontradas nos ensaios Teste 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 Vc [m/min] f [mm/v] 110 0,1 150 0,1 110 0,2 150 0,2 130 0,15 110 0,1 150 0,1 110 0,2 150 0,2 110 0,1 150 0,1 110 0,2 150 0,2 130 0,15 110 0,1 150 0,1 110 0,2 150 0,2 110 0,1 150 0,1 110 0,2 150 0,2 130 0,15 110 0,1 150 0,1 110 0,2 150 0,2 110 0,1 150 0,1 110 0,2 150 0,2 130 0,15 110 0,1 150 0,1 110 0,2 150 0,2 ap [mm] 0,25 0,25 0,25 0,25 0,375 0,5 0,5 0,5 0,5 0,25 0,25 0,25 0,25 0,375 0,5 0,5 0,5 0,5 0,25 0,25 0,25 0,25 0,375 0,5 0,5 0,5 0,5 0,25 0,25 0,25 0,25 0,375 0,5 0,5 0,5 0,5 Fluido Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Não Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Não Pastilha 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 Ff [N] 42,90 45,92 68,23 65,03 98,25 115,05 92,35 156,60 163,72 43,10 40,02 61,95 53,74 81,44 89,08 92,54 152,56 146,98 35,21 36,94 62,72 44,25 85,16 95,91 53,09 145,80 135,42 36,55 42,71 55,66 56,95 75,41 93,76 80,42 129,16 125,95 Fc [N] 84,84 86,78 158,21 153,37 182,38 170,05 156,27 304,75 310,01 89,56 79,95 151,92 141,41 170,41 152,47 151,92 310,73 294,24 74,15 79,89 149,38 114,39 159,78 151,20 104,00 303,65 285,67 81,22 83,76 145,27 142,50 165,33 153,13 143,83 285,11 270,49 Fp [N] 74,68 84,36 135,76 141,06 156,28 126,20 103,03 197,07 212,98 75,37 74,34 122,39 117,55 138,99 103,72 99,57 201,22 183,59 67,07 73,30 122,39 93,35 104,18 95,79 78,13 183,25 158,00 67,42 80,21 114,55 51,17 116,52 98,88 91,28 164,34 157,66 Fu [N] 120,90 129,44 219,36 218,29 259,50 241,00 208,72 395,27 410,21 124,73 116,27 204,69 191,58 234,50 204,79 203,86 400,40 376,68 106,00 114,54 203,04 154,13 208,89 203,06 140,49 383,46 353,43 111,70 123,59 193,20 161,76 215,87 204,98 188,37 353,52 337,46 A Tabela 17 mostra os valores das forças de usinagem encontradas para os trechos com velocidades de corte mais altas. 87 Tabela 17 – Valores médios das forças de corte encontradas nos ensaios com altas velocidades de corte Teste 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 Vc [m/min] f [mm/v] 600 0,1 600 0,2 600 0,1 600 0,2 600 0,1 600 0,2 600 0,1 600 0,2 600 0,1 600 0,2 600 0,1 600 0,2 600 0,1 600 0,2 600 0,1 600 0,2 ap [mm] 0,25 0,25 0,5 0,5 0,375 0,5 0,5 0,5 0,5 0,25 0,25 0,25 0,25 0,375 0,5 0,5 Fluido Sim Sim Sim Sim Não Não Não Não Sim Sim Sim Sim Não Não Não Não Pastilha 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 Ff [N] 68,49 71,568 277,038 631,031 33,091 50,406 133,132 434,411 31,167 48,097 549 595,2 27,704 60,025 267 622 Fc [N] 90,646 167,151 232,054 347,356 71,429 123,27 155,186 263,961 62,727 124,729 231 352,794 59,464 125,454 139 347 Fp [N] 161,117 134,84 382,393 896,169 65 131,383 107,181 667,286 68,457 125,159 651 1119,52 60,851 175,638 453 943 Fu [N] 197,15 226,37 526,14 1149,77 102,09 187,08 230,86 838,84 97,94 183,13 882,36 1316,07 89,48 224,03 543,89 1181,75 4.2.2.1 Análises fatoriais para as forças de usinagem A Figura 46 ilustra os efeitos das médias dos fatores sobre as forças de usinagem medidas nos ensaios de acabamento. As forças consideradas para as análises a seguir foram as médias mostradas na Tabela 16. 88 Figura 46 – Efeitos das médias dos fatores sobre a força de corte Para a força de corte nota-se que os parâmetros mais influentes são o avanço e a profundidade de corte. Conforme Tabela 16 percebe-se que das três componentes medidas a que apresentou os maiores valores foi a força de corte. Ferraresi (1977) mostra gráficos de medições de forças realizados por vários pesquisadores com diferentes materiais. Em todos os casos a força de corte foi a mais pronunciada. Já Delijaicov (2004), mostra que durante o torneamento de materiais endurecidos esta relação não é mais válida e a força de penetração atinge os maiores valores durante o corte. As magnitudes das forças de avanço e de penetração dependem fundamentalmente do ângulo de posição da ferramenta e dos ângulos de folga e saída. A força de corte é a principal responsável pela potência necessária na máquina e está diretamente ligada à seção de corte removida da peça. Na Figura 47 percebe-se que 89 justamente os dois fatores responsáveis pela seção de corte mostram grande significância no estudo dos efeitos na força de corte, e são eles, a profundidade de corte, o avanço e a interação entre eles. A classe de pastilha também se mostrou significante neste estudo e a classe GC1025, com cobertura PVD TiAlN obteve os menores resultados. A Figura 48 mostra que praticamente não há interação entre os fatores. Uma vez que as duas pastilhas empregadas possuem a mesma geometria, o coeficiente de atrito deve ter causado tais resultados. Figura 47 – Diagrama de Pareto para os efeitos sobre a força de corte 90 Figura 48 – Gráficos de interação dos efeitos sobre a força de corte A Figura 49 mostra o efeito dos parâmetros de corte sobre a força de penetração. Os mesmos fatores que contribuíram para o aumento da força de corte, também fizeram com que a força de penetração atingisse valores mais altos. A Figura 50 mostra que o avanço, a profundidade de corte, a interação entre ambos e a classe da pastilha foram os parâmetros mais significantes na força de penetração, nesta ordem. A Figura 51 analogamente à análise da força de corte mostra que a interação entre os fatores não foi significante. 91 Figura 49 – Efeitos das médias dos fatores sobre a força de penetração Figura 50 – Diagrama de Pareto para os efeitos sobre a força de penetração 92 Figura 51 – Gráficos de interação dos efeitos sobre a força de penetração A Figura 52 mostra os efeitos dos parâmetros de corte na força de avanço. Nesta componente o fator que mais influenciou foi a profundidade de corte, e em seguida, o avanço e a classe da pastilha. A Figura 53 mostra estes fatores como os mais significantes assim como a interação entre a profundidade de corte e o avanço. A Figura 54 mostra que praticamente não há interações entre os fatores. 93 Figura 52 – Efeitos das médias dos fatores sobre a força de avanço Figura 53 – Diagrama de Pareto para os efeitos sobre a força de avanço 94 Todas as Figuras (46, 49 e 52) mostram que o aumento da velocidade de corte e a não utilização do fluido de corte obtiveram forças menores. Este decréscimo pode ser justificado pela diminuição da pressão específica de corte, que tende a cair levemente com o crescimento da velocidade de corte devido à diminuição da deformação e da dureza do cavaco e também dos coeficientes de atrito que o aumento da vc e conseqüentemente da temperatura proporcionam. De forma análoga, o corte à seco causa aumento da temperatura (DINIZ; MARCONDES e COPPINI, 2001). Figura 54 – Gráficos de interação dos efeitos sobre a força de avanço Analisando os três Diagramas de Pareto (Figuras 47, 50 e 53) percebe-se que o avanço, a profundidade de corte e a interação entre ambos foram significantes em todos os estudos. Além destes, a classe da pastilha também se mostrou significativa nos três estudos, mostrando que há grande diferença entre a usinagem com as duas classes de pastilha utilizadas. 95 Comparando as Figuras 46, 49 e 52 (efeitos das médias sobre as forças) com a Figura 43, percebe-se que os efeitos sobre a resposta se assemelham para alguns fatores. As maiores velocidades, os menores avanços e classe de pastilha GC 1025, além de melhorarem a qualidade superficial geraram esforços menores no processo. A profundidade de corte, praticamente não influenciou a rugosidade, porém possuiu grande influência nos esforços, conforme comentado, e a utilização do fluido de corte inverte os resultados conforme sua utilização, mostrando que para alguns fatores a rugosidade superficial não possui correlação com os esforços de corte. 4.2.3 Respostas obtidas para a estabilidade dimensional A Tabela 18 mostra os valores encontrados para as medições dos diâmetros. Conforme exposto no capítulo 3, a coluna “diferença ∅” mostra a variação entre a medição feita logo depois de terminada a usinagem e a medição realizada 48 horas após o término dos ensaios. A coluna “temperatura” segue o mesmo procedimento. Os diâmetros foram verificados com micrômetro de precisão micrométrica e as temperaturas com termômetro infravermelho, conforme exposto no Capítulo 3. Os dados para as colunas de índice (1) mostram os valores encontrados para um grupo de ensaios e os das colunas com índice (2) os valores para a réplica. 96 Tabela 18 – Variações encontradas no diâmetro e na temperatura Teste Vc [m/min] f [mm/v] ap [mm] Fluido Pastilha 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 110 150 110 150 130 110 150 110 150 110 150 110 150 130 110 150 110 150 110 150 110 150 130 110 150 110 150 110 150 110 150 130 110 150 110 150 0,1 0,1 0,2 0,2 0,15 0,1 0,1 0,2 0,2 0,1 0,1 0,2 0,2 0,15 0,1 0,1 0,2 0,2 0,1 0,1 0,2 0,2 0,15 0,1 0,1 0,2 0,2 0,1 0,1 0,2 0,2 0,15 0,1 0,1 0,2 0,2 0,25 0,25 0,25 0,25 0,375 0,5 0,5 0,5 0,5 0,25 0,25 0,25 0,25 0,375 0,5 0,5 0,5 0,5 0,25 0,25 0,25 0,25 0,375 0,5 0,5 0,5 0,5 0,25 0,25 0,25 0,25 0,375 0,5 0,5 0,5 0,5 Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Não Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Não 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 Diferença Diferença ∅ Diferença ∅ temperatura [mm] - (2) [mm] - (1) [°C] - (1) -0,005 -0,009 -0,008 -0,003 -0,007 -0,008 -0,004 -0,009 -0,001 -0,007 -0,011 -0,012 -0,011 -0,006 -0,016 -0,026 -0,010 -0,015 -0,005 -0,007 -0,008 -0,006 -0,008 -0,005 -0,007 -0,006 -0,008 -0,006 -0,008 -0,011 -0,006 -0,013 -0,012 -0,013 -0,013 -0,018 3,2 3,2 3,2 3,2 2,5 2,5 2,5 2,5 2,5 2,4 2,3 2 2 2 2 2 2 2 2,6 2,8 2,3 2 1,8 1,8 2,6 2,2 2,2 2,3 2 2 1,8 1,2 1,5 1,4 1,3 1,6 -0,006 -0,001 -0,004 0,001 -0,003 -0,017 -0,007 -0,007 -0,004 -0,008 -0,010 -0,007 -0,005 -0,007 -0,015 -0,010 -0,007 -0,007 -0,007 -0,015 -0,005 -0,005 -0,004 -0,003 -0,006 -0,008 -0,005 -0,016 -0,010 -0,006 -0,011 -0,008 -0,010 -0,010 -0,010 -0,005 Diferença temperatura [°C] - (2) Média ∅ [mm] Média temperatura [°C] 5,5 5,5 5,5 5,5 5,5 5,5 5,5 5,5 5,5 3,5 3,5 3,7 3,7 3,7 3,7 3,7 3,7 3,7 4,6 4,2 4 5 4,5 4,2 4,2 4,4 4,9 5,2 5,2 5,2 6,2 6,7 6,7 6,7 6,7 6,7 -0,005 -0,005 -0,006 -0,001 -0,005 -0,013 -0,006 -0,008 -0,002 -0,008 -0,010 -0,009 -0,008 -0,007 -0,015 -0,018 -0,009 -0,011 -0,006 -0,011 -0,007 -0,006 -0,006 -0,004 -0,007 -0,007 -0,007 -0,011 -0,009 -0,009 -0,008 -0,011 -0,011 -0,011 -0,011 -0,011 4,35 4,35 4,35 4,35 4 4 4 4 4 2,95 2,9 2,85 2,85 2,85 2,85 2,85 2,85 2,85 3,6 3,5 3,15 3,5 3,15 3 3,4 3,3 3,55 3,75 3,6 3,6 4 3,95 4,1 4,05 4 4,15 A Tabela 19, analogamente à anterior mostra os valores para os ensaios realizados com altas velocidades de corte. Nos trechos em branco não foi possível realizar as medições devido à quebra da ferramenta. 97 Tabela 19 – Variações encontradas no diâmetro e na temperatura para os ensaios com altas velocidades de corte Teste Vc [m/min] f [mm/v] ap [mm] Fluido Pastilha 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 600 600 600 600 600 600 600 600 600 600 600 600 600 600 600 600 0,1 0,2 0,1 0,2 0,1 0,2 0,1 0,2 0,1 0,2 0,1 0,2 0,1 0,2 0,1 0,2 0,25 0,25 0,5 0,5 0,375 0,5 0,5 0,5 0,5 0,25 0,25 0,25 0,25 0,375 0,5 0,5 Sim Sim Sim Sim Não Não Não Não Sim Sim Sim Sim Não Não Não Não 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 Diferença Diferença ∅ temperatura [mm] [°C] -0,008 2,6 -0,009 2,8 -0,012 2,9 -0,01 2,8 -0,007 2,8 -0,017 2,8 -0,005 2,8 -0,004 5,6 0,003 5,6 -0,001 4 -0,006 4 0 4 - Estudou-se a contribuição de cada parâmetro de corte, suas interações e níveis de significância para a variação dos diâmetros, conforme Figuras 55, 56 e 57 a seguir. 98 Figura 55 – Gráfico dos efeitos principais para variações nos diâmetros Figura 56 – Gráficos de interação dos efeitos sobre as variações nos diâmetros 99 Figura 57 – Diagrama de Pareto para variações nos diâmetros Através da Figura 57 observa-se que a utilização do fluido de corte se mostrou significativa no estudo. Percebe-se na Figura 55 que o aumento do avanço, o aumento da velocidade de corte, e a diminuição da profundidade de corte usinaram peças com menor variação dimensional, no qual o avanço e a profundidade de corte foram os fatores que mais influenciaram as respostas, depois do fluido de corte, conforme comentado no parágrafo anterior. A classe da pastilha praticamente não influenciou nos resultados. A Figura 56 mostra que houve interação entre os fatores, devido à classe de pastilha utilizada e à velocidade de corte. Vários autores estudaram variação dimensional nas operações de torneamento, como, por exemplo, Risbood, Dixit e Sahasrabudhe (2003), Carrino et al. (2002a 2002b), e Subhash et al. (2000, apud Risbood, Dixit e Sahasrabudhe (2003)), mas nestes casos o termo variação 100 dimensional refere-se ao estudo da profundidade de corte pretendida e conseguida na usinagem, devido à deflexão da peça, causada pelas forças de corte durante o processo, o que neste trabalho foi praticamente descartada devido à alta rigidez dos corpos de prova empregados nos ensaios. Observando as Tabelas 18 e 19 percebe-se que os resultados se apresentam de forma aleatória, sem mostrar uma tendência com relação aos parâmetros de corte. No entanto percebe-se que as variações maiores ou iguais a 0,01mm, se concentram mais nos ensaios em que não houve a utilização de fluido de corte independente dos parâmetros de corte utilizados, corroborando os gráficos apresentados na Figura 57. Os resultados também se mostram bastante dispersos e indicam que para se obter resultados confiáveis, um número maior de ensaios deveria ser realizado. A não utilização do fluido de corte e conseqüentemente a falta de lubrificação no contato peça-ferramenta e o aumento da temperatura foram os principais responsáveis pelos valores encontrados. Apesar das Tabelas 18 e 19 não apresentarem alterações significativas nas medições de temperatura, suspeita-se que o aumento da temperatura do corte tenha causado maiores tensões residuais na superfície, uma vez que a temperatura é um dos fatores mais influenciadores na sua geração e que estas sofreram um relaxamento durante as 48h de espera. Para confirmar esta hipótese as tensões residuais deveriam ter sido medidas assim que a peça foi retirada da máquina, e esta ação não foi possível neste trabalho devido à longa distância entre a máquina de usinagem e a de medições das tensões residuais. 101 4.2.4 Respostas obtidas para a tensão residual Além dos motivos expostos no item 2.4 que justificam o estudo da tensão residual, Liu e Barash (1976a) citam que esta também pode afetar a estabilidade dimensional da peças que, conforme comentado anteriormente, é um dos problemas encontrados hoje nas indústrias que usinam aço inoxidável super-duplex. Portanto além de mostrar quais parâmetros de corte poderão melhorar a vida à fadiga das peças com o material em questão, testar-se-á realizar uma correlação entre as respostas deste item e as variações dimensionais das peças descritas no item anterior. Um dos grandes problemas e desafios no estudo de um aço bifásico é entender o comportamento e a contribuição de cada fase do material no fenômeno estudado. As fases do aço inoxidável duplex possuem coeficientes de expansão térmica diferentes e este é o principal motivo do aparecimento de tensões residuais entre as fases do material, após mudanças na temperatura ou deformações. Essas tensões são chamadas de micro-tensões e no caso do duplex elas dependem do volume das frações de austenita e ferrita, da morfologia das fases, deformação cíclica ou monotônica e tratamentos térmicos (LINDGREN; LEPISTÖ, 2003). Devido ao fato das tensões residuais criadas ao longo do processamento do material se sobreporem, como resultado final, uma peça pode ter uma complexa rede de tensões residuais. Johansson, Odén e Zeng (1999) estudaram a tensão residual para cada fase de um aço inoxidável dúplex. Este estudo não foi possível neste trabalho, já que o polimento superficial nas faces usinadas descaracterizariam o processo de usinagem. Conforme relatado na revisão bibliográfica, os mesmos pesquisadores encontraram valores de tração e compressão para as fases austeníticas e ferríticas respectivamente. 102 4.2.4.1 Análises fatoriais para a tensão residual Para a execução deste trabalho, não foram encontradas pesquisas semelhantes para que se pudesse descartar variáveis antes de se iniciar os ensaios, e cinco fatores foram escolhidos para se trabalhar, conforme visto até o momento (avanço, velocidade de corte, profundidade de corte, classe da pastilha e utilização do fluido de corte). Conforme citam Barros Neto, Scarmino e Bruns, (2002) o planejamento fatorial completo é bastante indicado nesta situação. Os mesmos autores também citam que, depois de realizada uma triagem dos fatores envolvidos nos experimentos, deve-se descartar as variáveis não significativas para que não se gaste mais tempo e dinheiro em ensaios no laboratório. As análises a serem realizadas neste item possuem um custo alto, devido ao equipamento utilizado e tempo de medição despendido. Conforme resultados anteriores percebe-se até o momento que a variável “fluido” foi a que menos influenciou nas respostas, e optou-se pela sua eliminação para prosseguimento das análises realizadas a seguir. Além disto percebeu-se nas análises efetuadas no item 4.1.2 que para as operações de remoção da casca do material, com a utilização de diversas classes de pastilhas, a maioria não conseguiu mostrar bom rendimento usinando grandes trechos de material sem a utilização de fluido de corte, e optouse por medir a tensão residual apenas das peças onde foi utilizado fluido de corte durante os ensaios. Apenas para confrontar as duas situações (com fluido e sem fluido e com velocidades de corte maiores e as habituais) foram feitas duas medições: uma em um dos trechos usinados sem fluido e outra com velocidade de corte maior (600 m/min), que nestas análises também não foram consideradas. A Tabela 20 mostra os valores de tensão residual encontrados. Todos os valores encontrados possuem o sinal (+), com valores de tração. Conforme revisão efetuada quanto 103 maior o valor de compressão, ou menor o valor de tração na superfície da peça, melhores serão suas propriedades. Tabela 20 – Valores de tensão residual encontrados Teste 1 2 3 4 6 7 8 9 20 21 22 23 25 26 27 28 Vc 110 150 110 150 110 150 110 150 110 150 110 150 110 150 110 150 f 0,1 0,1 0,2 0,2 0,1 0,1 0,2 0,2 0,1 0,1 0,2 0,2 0,1 0,1 0,2 0,2 ap 0,25 0,25 0,25 0,25 0,5 0,5 0,5 0,5 0,25 0,25 0,25 0,25 0,5 0,5 0,5 0,5 Pastilha 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 2015 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 Tensão Residual [MPa] 484,5 417 434,5 222,5 654 299,5 345,5 572 354,3 326,4 560 492,5 281,5 329,5 346 406 A medição realizada com o corpo de prova ensaiado com velocidade de corte elevada (600 m/min) obteve o valor de 225Mpa, e os parâmetros de corte utilizados foram: f=0,1mm/v, vc=600m/min, ap=0,25mm, com fluido de corte e classe de pastilha GC1025, ou seja, os dados de corte (exceto a velocidade) são semelhantes aos testes 20 e 21, da Tabela 20. Com o aumento da velocidade de corte percebe-se que a tensão residual de tração diminuiu. A medição realizada com o corpo de prova ensaiado sem fluido, obteve o valor de 512 Mpa e os dados de corte são iguais ao teste 1 da Tabela 20. Para esta condição de corte, a tensão residual de tração aumentou ainda mais na usinagem a seco. A Figura 58 mostra a análise fatorial para os valores de tensão residual encontrados em função dos parâmetros de corte. 104 Figura 58 – Gráfico dos efeitos principais para a tensão residual Percebe-se que a variável com menor influência é a profundidade de corte, quando as médias são estudadas. O aumento da velocidade de corte contribuiu para menores valores de tensão residual de tração encontrados, e estes resultados foram ainda mais pronunciados no corpo de prova onde se aumentou bruscamente a velocidade de corte, conforme exposto anteriormente. O decréscimo do avanço também contribuiu para a diminuição das tensões residuais, assim como a usinagem com pastilha de classe GC1025 e o aumento da profundidade de corte, apesar de ter influência menor. Comparando a Figura 58 e a Figura 55 (estabilidade dimensional), percebe-se que com exceção da velocidade de corte, os parâmetros de corte influenciam os resultados de forma contrária, ou seja, enquanto que o aumento do avanço gerou tensões residuais menores, ao mesmo tempo gerou diferenças dimensionais maiores. 105 Percebe-se que a não utilização do fluido de corte influi negativamente a geração de tensões residuais e a estabilidade dimensional da peça, enquanto que os fenômenos mecânicos de deformação possuem influência contrária. As Figuras 59 e 60 mostram o Diagrama de Pareto e o Gráfico de Interações respectivamente. Figura 59 – Diagrama de pareto dos efeitos sobre a tensão residual 106 Figura 60 – Gráficos de interação para tensão residual Nota-se na Figura 59 que nenhuma variável é significativa no estudo realizado (considerando uma confiabilidade de 95%), e que a interação de 3a ordem entre velocidade de corte, avanço e profundidade teve maior influência do que qualquer variável sozinha. Para que as interações do gráfico de Pareto entrem na faixa de significância, seria necessário se trabalhar com uma incerteza de aproximadamente 30%, o que seria uma probabilidade de erro muito grande. A Figura 60 mostra que, a única combinação de fatores que não mostrou interação foi o avanço com a profundidade de corte, dificultando um pouco mais as análises, com o grande número de interações presentes. A velocidade de corte possui influência na formação das tensões residuais. Quando analisada com os outros fatores, seu comportamento se inverte, dependendo dos parâmetros de corte utilizados. Quando o menor valor da velocidade foi utilizado e os outros valores 107 aumentados, os valores da tensão residual diminuíram, e quando a velocidade de corte subiu, o aumento dos outros parâmetros de corte causaram aumento das tensões residuais. Aparentemente, existe um ponto ótimo de deformação vs. Efeito térmico para que as menores tensões residuais de tração sejam alcançadas. A classe da pastilha também mostrou ter grande interação com os outros fatores. Portanto, variando os parâmetros de corte selecionados, podese concluir que a formação da tensão residual com este material (neste caso) é influenciada mais pelos fenômenos térmicos do que os mecânicos de deformação. Como as classes de pastilhas mostraram ter grande influência no estudo das tensões residuais, e interação grande com todos os fatores estudados, optou-se por estudar seus efeitos separadamente. A Figura 61 mostra o gráfico dos efeitos principais sobre a tensão residual considerando a classe de pastilha GC1025, que apresentou em média valores de tensão residual de tração 10% menores do que a classe GC 2015. A Figura 62 mostra o Diagrama de Pareto e a Figura 63 os Gráficos de Interações para a mesma pastilha. 108 Figura 61 – Gráfico dos efeitos principais para a classe de pastilha GC1025 Figura 62 – Diagrama de Pareto para os efeitos da classe de pastilha GC1025 109 Figura 63 – Gráficos de interações para os efeitos da classe de pastilha GC1025 Percebe-se nas figuras anteriores que nenhum fator mostrou ser significante no estudo. Mas o avanço, a profundidade de corte e a interação entre ambos foram os mais influentes, nesta seqüência. A velocidade de corte praticamente não influenciou nos resultados, quando esta classe de pastilha foi utilizada. Para melhor entender os resultados, serão analisados os gráficos de contorno apresentados nas Figuras 64 e 65 para a classe GC1025. 110 Figura 64 – Gráficos de contorno para tensão residual com ferramenta de classe GC1025 e parâmetros altos Nota-se na Figura 65 no gráfico “ap x vc” que com o avanço de 0,1mm/v utilizado com esta classe de ferramenta, mesmo variando a velocidade de corte e a profundidade, os valores da tensão residual de tração encontrados foram os menores. O mesmo não acontece na Figura 64 onde, para atingir o menor valor de tensão residual, foi necessário utilizar velocidade de corte baixa e profundidade de corte alta. Portanto com a análise dos gráficos, percebe-se que para a classe de pastilha GC1025, a melhor condição de usinagem para a tensão residual foi obtida com a utilização do menor avanço, independente dos outros parâmetros de corte, o que pode também ser deduzido através da Figura 61, que mostra o avanço como o fator mais influenciador. O aumento do ap contribuiu ainda mais para a obtenção dos menores valores encontrados e foi o segundo parâmetro mais influenciador. As Figuras 66 e 67 mostram os gráficos de superfície para as mesmas análises. 111 Figura 65 – Gráficos de contorno para tensão residual com ferramenta de classe GC1025 e parâmetros baixos Apesar da Figura 62 não apresentar nenhum parâmetro significativo, tentou-se estabelecer através de regressão linear um modelo empírico para correlacionar os parâmetros de corte com a tensão residual, utilizando-se a pastilha de classe 1025 que demonstrou ser a melhor opção para este estudo até o momento. A equação 17 descreve a regressão. Os detalhes encontram-se no apêndice C deste trabalho. σ res = 320 + 0,20Vc + 1232 f − 390 a p (17) 112 Nunca é demais lembrar que o modelo anterior aplica-se somente a este caso, ou seja, na usinagem do super-duplex em questão, com os limites de usinagem estabelecidos neste trabalho (f: 0,1-0,2 mm/v ; vc : 110-150 m/min ; ap: 0,25-0,5 mm) utilizando o fluido caracterizado em “Materiais e Métodos”. O mesmo vale para a pastilha (VNMG 160404-MF – 1025) e não é possível prever extrapolações do modelo com parâmetros de corte diferentes. Figura 66 – Gráficos de superfície para tensão residual com ferramenta de classe GC1025 e parâmetros altos 113 Figura 67 – Gráficos de superfície para tensão residual com ferramenta de classe GC1025 e parâmetros baixos A Tabela 21 descreve os valores medidos e os valores calculados através da equação 17, bem como as diferenças em porcentagem. Tabela 21 – Diferenças entre os valores de tensão residual medidas e calculadas Vc [m/min] f [mm/v] ap [mm] Pastilha Tensão medida [MPa] 110 150 110 150 110 150 110 150 0,1 0,1 0,2 0,2 0,1 0,1 0,2 0,2 0,25 0,25 0,25 0,25 0,5 0,5 0,5 0,5 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 1025 354,3 326,4 560 492,5 281,5 329,5 346 406 Tensão Diferença Diferença calculada [MPa] em % [MPa] 367,7 375,7 490,9 498,9 270,2 278,2 393,4 401,4 -13,4 -49,3 69,1 -6,4 11,3 51,3 -47,4 4,6 -3,78 -15,10 12,34 -1,30 4,01 15,57 -13,70 1,13 114 Bouzid Saï, Bem Salah e Lebrun (2001) realizaram alguns experimentos de fresamento, a fim de iniciar o estudo da integridade superficial de um aço ao carbono 1020 e um aço inoxidável duplex, porém não efetuaram medições de tensão residual para o inoxidável. Os resultados mostraram que com o aumento do avanço e da velocidade de corte (considerando o conjunto e não os fatores individualmente) ocorreu aumento das tensões residuais de tração nos dois sentidos do material fresado. Capello et al. (1999) estudaram a influência dos parâmetros de corte na tensão residual de 2 materiais endurecidos no processo de torneamento. Os autores citam que, devido ao baixo aquecimento na peça de trabalho durante o torneamento, é esperado que o efeito térmico alivie a tensão residual gerada pelos campos de deformação e, portanto, os fatores que mais influenciam a formação da tensão residual são aqueles que mais afetam a deformação e a temperatura durante o processo. A velocidade de corte e o ângulo de saída primário são os fatores que mais influenciam as tensões residuais, segundo a revisão realizada pelos autores, porém os experimentos mostraram que, os fatores mais influentes foram o avanço e o raio de ponta da ferramenta. A velocidade de corte e o ângulo de saída tiveram relevância secundária. O aumento da velocidade de corte, a diminuição do avanço, a diminuição do raio de ponta, e o aumento positivo do ângulo de saída produziram peças com menor tensão residual de tração. Já os resultados obtidos por Delijaicov (2004) mostraram que o aumento da velocidade de corte, a diminuição do avanço e o aumento do raio de ponta fazem com que a tensão residual de compressão diminua, ou seja, os trabalhos convergem apenas para o raio de ponta, considerando que os mesmos foram realizados com materiais endurecidos. Brinksmeier et al. (1982) citam que o aumento da temperatura de corte, favorece o aumento da tensão residual de tração. Jang et al. (1996) durante torneamento de aço inoxidável AISI 304, concluíram que a afiação da ferramenta influencia mais na tensão residual do que os parâmetros de corte, porém 115 baixo avanço (0,08mm/v), grande profundidade de corte (1mm) e baixa velocidade de corte (<180 rpm = 30m/min) produziram peças com os menores valores de tensão residual de tração. Já Saoubi et al. (1999) durante experimentos com corte ortogonal em peças cilíndricas de AISI 316L, concluíram que a tensão residual aumenta em torno de 20% com o aumento da velocidade de corte (trabalhando em faixas de 100 a 200m/min). Os autores também encontraram mudanças significativas nos valores de tensão residual quando foram testadas diferentes coberturas para os insertos e concluíram que a diminuição do atrito devido ao revestimento utilizado diminuiu a temperatura na região de corte e fez com que menores valores de tensão residual de tração fossem atingidos. Ainda citam que os efeitos térmicos causados por esta mudança no atrito foi a variável que mais contribuiu para a caracterização da superfície durante os ensaios. Os autores ainda concluíram que o avanço não teve influência significativa na tensão residual, mas que seu aumento faz com que a camada de tensão de tração superficial cresça assim como as tensões de compressão abaixo da superfície. Shaw (2005) durante o corte ortogonal de um aço de baixo carbono, encontrou valores de tensão residual perpendiculares à direção de corte de tração em todos os corpos de prova. Maiores valores de tensão residual de tração foram obtidos com baixas velocidades de corte e baixas profundidades de corte. Comparando os resultados obtidos com os trabalhos pesquisados, percebe-se semelhança em vários pontos. Bouzid Saï, Bem Salah e Lebrun (2001) citam que o aumento da velocidade de corte e do avanço aumentaram os valores de tensão residual de tração, o que se assemelha a este estudo. O trabalho de Jang et al. (1996) durante torneamento de aço inoxidável AISI 304, mostra resultados semelhantes ao deste trabalho, no qual baixo avanço, grande profundidade de corte e baixa velocidade de corte produziram peças com os menores valores de tensão residual de tração. Os valores encontrados foram da ordem de 600 Mpa. 116 O trabalho de Saoubi et al. (1999) coincide em parte com este trabalho, no qual o aumento da velocidade de corte produziu peças com maior tensão residual, e ocorreram mudanças significativas na tensão residual quando a usinagem foi feita com diferentes revestimentos. Percebe-se que a caracterização da tensão residual não pode ser generalizada, que depende grandemente das variáveis de influência estudadas e de suas magnitudes utilizadas nos trabalhos, e que pequenas mudanças no processo ou nos parâmetros de corte alteram totalmente suas tendências. Um fato que dificulta bastante as análises conforme supracitado é a diferente distribuição das fases na superfície gerada, e o fato de que cada fase contribui de forma diferente para a formação das tensões residuais. As conclusões que podem ser tiradas nas análises de tensão residual para este material, nos levam a crer que o recobrimento da pastilha teve importante função na geração de tensões, conforme mostram os gráficos de interação estudados. Quando os gráficos dos efeitos principais foram estudados para a classe de pastilha GC 2015, todos os parâmetros de corte tiveram influência contrária aos valores encontrados para a classe GC 1025. Assim, as mudanças no atrito durante a usinagem para as duas classes mostram-se fundamentais para a geração das tensões, uma vez que estão ligadas diretamente aos fenômenos térmicos e aos esforços de corte, que também são responsáveis pela geração das tensões residuais. As mudanças na temperatura e conseqüentemente alívio maior ou menor das tensões residuais geradas no torneamento se mostraram mais importantes que os fenômenos de deformação no estudo, uma vez que influi totalmente nas análises dos mesmos, porém é preciso observar a influência de cada um dos parâmetros de corte com o revestimento adequado. 117 Diante dos fatos mencionados, e considerando que há interação entre quase todas as variáveis, conforme mostra a Figura 60 acredita-se que o erro de 15% obtido na regressão linear mostra-se razoável, e o modelo foi aceito para descrever o comportamento da tensão residual para a classe GC 1025. 4.2.5 Respostas obtidas para as medições de micro-dureza Com os espaçamentos ilustrados na Tabela 8, foi possível construir o perfil de microdureza de cada fase dos corpos de prova. A Figura 68 ilustra um exemplo. Todos os valores das medições efetuadas encontram-se no “anexo A”. Perfil de micro-dureza Micro-dureza (HV0,05) 600 500 400 Ferrita Austenita 300 Polinômio (Ferrita) 200 Polinômio (Austenita) 100 0, 4 0, 2 0, 1 0, 08 0, 06 0, 04 0, 02 0 0 Distância da superfície (mm) Figura 68 – Perfil de micro dureza do corpo de prova 2 da Tabela 9 (vc =150m/min; f=0,1mm/v; ap=0,25mm) 118 O comportamento descrito na figura anterior foi predominante para todos os corpos de prova, ou seja, o primeiro ponto de medição de micro-dureza apresentou valores menores que os seguintes, devido ao fato de ser bastante difícil encontrar exatamente o primeiro local disponível, abaixo da superfície do baquelite em que era possível se conseguir uma endentação completa. Desta forma, as primeiras medições sempre apresentaram influência do baquelite, que obviamente é mais “mole” que o corpo de prova. As medições foram realizadas até valores onde se pressupõe que a usinagem não tenha mais afetado o material. Em medições prévias notou-se que abaixo de 0,1mm a influência da usinagem nos corpos de prova de acabamento foi praticamente nula. Pode-se notar também que a ferrita teve maiores valores de micro-dureza nas regiões próximas à superfície do que a austenita e à medida que as medições foram em direção ao núcleo, estas diferenças diminuíram, com um decréscimo menor da austenita do que da ferrita. Estudou-se algumas peças oriundas das operações de desbaste para efeito de comparação com os resultados obtidos no acabamento. As Figuras 69 e 70 mostram os resultados de tais medições. Escolheu-se uma peça como padrão (peça 1) que corresponde ao trecho 1 da Tabela 3 (vc=80m/min; f=0,25mm/v; ap=2mm), com os níveis mais baixos dos parâmetros de corte escolhidos. Para estudar os efeitos do aumento dos parâmetros de corte, foram estudados mais três corpos de prova, nos quais, o ap maior citado nas figuras em questão é de 4mm, o avanço é de 0,4mm/v e a vc de 110m/min. As fases austeníticas e ferríticas foram separadas em 2 gráficos para facilitar a visualização. 119 Perfis de micro-dureza (Desbaste - Austenita) 600 Midro-dureza (HV0,05) 500 400 300 200 Peça 1 - Austenita Ap maior - Austenita 100 Avanço maior - Austenita Vc Maior - Austenita 1 0,5 0,4 0,3 0,2 0,15 0,1 0,09 0,08 0,07 0,06 0,05 0,04 0,03 0,02 0,01 0 0 Distância da superfície (mm) Figura 69 – Perfis de micro-dureza de operações de desbaste – austenita Perfis de micro-dureza (Desbaste - Ferrita) 500 Midro-dureza (HV0,05) 450 400 350 300 250 200 Peça 1 - Ferrita 150 Ap maior - Ferrita 100 Avanço maior - Ferrita Vc Maior - Ferrita 50 1 0,5 0,4 0,3 0,2 0,15 0,1 0,09 0,08 0,07 0,06 0,05 0,04 0,03 0,02 0,01 0 0 Distância da superfície (mm) Figura 70 – Perfis de micro-dureza de operações de desbaste – ferrita Os valores de micro-dureza encontrados nas operações de desbaste são semelhantes aos encontrados nas operações de acabamento e, em alguns casos, até menores. O gradiente de 120 variação das medições foi menor e, portanto, mais difícil de encontrar uma linha de transição entre faixas afetadas pela usinagem e faixas sem alteração. Porém, observa-se que abaixo de 0,2 mm da superfície também não houveram variações consideráveis. Comparando todos os resultados encontrados nas operações de desbaste e de acabamento, nota-se que os únicos casos em que a fase austenítica apresentou maiores valores de dureza próximos à superfície usinada, com relação à fase ferrítica ocorreu onde se aumentou o avanço ou a profundidade de corte. A Figura 71 ilustra este fenômeno. Próximo a 0,1mm da superfície usinada, os valores se invertem e os valores de micro-dureza se comportam como de costume (maiores valores para ferrita, porém próximos). Comparação de alguns perfis 600 400 300 200 100 Ap maior - Ferrita Ap maior - Austenita 0 3 4 5 0, 0, 1 2 0, 15 0, 1 0, 0, 09 08 0, 07 0, 06 0, 05 0, 04 0, 03 0, 02 0, 01 0, 0 Avanço maior - Ferrita 0, Midro-dureza (HV0,05) 500 Avanço maior - Austenita Distância da superfície (mm) Figura 71 – Comparação entre as fases ferríticas e austeníticas com ap e f maiores 121 Percebe-se, portanto, que a austenita é mais sensível às deformações impostas pela usinagem quando estas atingem maiores valores de avanço e profundidade de corte, e maiores deformações são impostas na superfície do material, do que os fenômenos térmicos. O processo de deformação da austenita ocorre por rearranjamento dos contornos de grãos e tem um caráter viscoso. Como este rearranjamento é mais dependente do tempo do que o escorregamento ocorrido nas deformações das fases ferríticas, as deformações ocorridas nas fases austeníticas são mais dependentes das taxas de deformação impostas na usinagem do que as deformações ocorridas nas fases ferríticas (SHAW, 2005). 4.2.5.1 Análises fatoriais para os valores de micro-dureza Foram consideradas duas situações para iniciar o estudo das análises fatoriais de microdureza: 1a) foi utilizado o maior valor encontrado em toda a amostragem (que obviamente ficou dentro de 0,1mm da superfície usinada); 2a) foi utilizada a média aritmética dos 5 maiores valores encontrados na amostra, dentro do campo de até 0,1mm de profundidade da superfície usinada. Neste caso acredita-se que ocorrerá minimização das incertezas das medições, no caso de uma das medidas máximas não representar o valor real do corpo de prova. Porém também serão minimizadas possíveis fases com maiores (ou menores) valores de micro-dureza localizados. A Figura 72 ilustra a diferença entre os valores considerando as duas situações descritas. 122 Diferenças entre as opções 1 e 2 700 Micro-dureza (HV0,05) 600 500 400 300 200 MAIOR VALOR 100 MÉDIA 39 37 35 33 31 29 27 25 23 21 19 17 15 13 11 9 7 5 3 1 0 Amostra Figura 72 – Diferenças entre as opções 1 e 2 para análises de micro-durezas Considerando a média aritmética de todos os valores, a diferença entre as análises ficou em torno de 10% para a austenita e 23% para a ferrita. Nota-se que nos picos, onde os maiores valores se concentraram, as diferenças com relação aos menores valores foram maiores, evidenciando pontos concentrados de maior micro-dureza. Optou-se por trabalhar com o maior valor de dureza encontrado no trecho analisado, já que de acordo com o gráfico anterior, não houve discrepâncias quando só o maior valor foi considerado e feitas as análises fatoriais para as duas situações notou-se respostas praticamente semelhantes. A Figura 73 ilustra o diagrama de pareto para os maiores valores da austenita e a Figura 74 para a ferrita. Nota-se que para a austenita, nenhum fator se mostrou significante, mas a interação de 3a ordem entre o avanço, a profundidade de corte e a pastilha mostrou ser o mais importante. Abaixo da interação a seqüência avanço, profundidade de corte e pastilha foram os mais importantes, nesta ordem. 123 Figura 73 – Diagrama de Pareto para a austenita (maior valor de dureza) Para a ferrita, a interação também de 3a ordem entre a velocidade de corte, o avanço e a profundidade de corte se mostrou significativa, evidenciando a sensibilidade na alteração das micro-durezas impostas pelos fenômenos térmicos. 124 Figura 74 – Diagrama de Pareto para a ferrita (maior valor de dureza) A Figura 75 mostra o gráfico dos efeitos principais na micro-dureza da austenita e a Figura 76 da ferrita. Comparando as duas figuras com os valores obtidos nas operações de desbaste nota-se uma semelhança, quanto à profundidade de corte e o avanço. Em ambos os casos o aumento destes parâmetros induziu maiores valores de micro-dureza nas peças. Para a ferrita, esta diferença foi menor, pois se nota claramente que apesar de indicar uma tendência da influência dos parâmetros de corte, esta é de menor grandeza do que os valores encontrados na austenita. 125 Figura 75 – Gráficos dos efeitos principais para a austenita (maior valor de dureza) Figura 76 – Gráficos dos efeitos principais para a ferrita (maior valor de dureza) 126 Analogamente às análises feitas para a tensão residual, um corpo de prova com velocidade de corte de 600m/min foi analisado. Comparando os parâmetros de corte desta peça com outra de mesmos parâmetros (exceto a velocidade de corte) nota-se que a utilização do maior valor da velocidade de corte aumentou a micro-dureza tanto para a fase ferrítica quanto para a austenítica. O aumento foi de aproximadamente 15% nos dois casos. O corpo de prova usinado sem fluido, praticamente não teve alterações na fase austenítica, que apresentou uma variação de apenas 4%. Já a fase ferrítica apresentou um decréscimo em sua micro-dureza máxima de aproximadamente 16%. Também foram analisadas as médias dos maiores valores máximos encontrados nas medições ((maior valor da ferrita + maior valor da austenita) / 2). Na verdade esta média caracteriza o material como um todo, analogamente às medições de tensão residual. A Figura 77 ilustra o gráfico dos efeitos principais. A composição das micro-durezas das duas fases mostra que o avanço e a profundidade de corte são os maiores influenciadores das mudanças superficiais. Estes são os dois maiores responsáveis pelos fenômenos mecânicos e térmicos no processo de usinagem, que influenciam diretamente o encruamento obtido no processo de usinagem. Mais uma vez a classe de pastilha se mostrou significativa no estudo. A Figura 78 mostra o Diagrama de Pareto para a nova análise. Observa-se que a interação entre a velocidade de corte, o avanço e a profundidade de corte é o fator de maior influência do processo, e praticamente se mostra significativo para a análise com 95% de confiabilidade, de forma análoga ao Diagrama de Pareto mostrado para a Ferrita (Figura 74). Comparando-se os três diagramas apresentados até o momento (Figura 73, Figura 74 e Figura 78), nota-se que o avanço e a profundidade de corte, aparecem como os componentes parciais das interações mais significativas no estudo. A alteração principal é que a velocidade de corte aparece na interação da ferrita, enquanto que a classe da pastilha aparece na austenita. 127 Figura 77 – Gráficos dos efeitos principais para a média dos maiores valores de micro-dureza (austenita e ferrita) Figura 78 – Diagrama de Pareto para a média dos maiores valores de micro-dureza (austenita e ferrita) 128 A Figura 79 mostra o gráfico de interações para a média dos maiores valores. Nota-se que todos os parâmetros sofrem influência da velocidade de corte. Figura 79 – Gráfico de interações para os valores médios de micro-dureza (Austenita e ferrita) Não foram encontradas pesquisas semelhantes que analisaram a micro-dureza de aços inoxidáveis super duplex, porém várias pesquisas foram desenvolvidas com outros aços ligados e aços ao carbono. Bouzid Saï, Bem Salah e Lebrun (2001) mostraram que os maiores avanços resultaram em maiores valores de micro-dureza e que estes estavam mais abaixo da superfície em ensaios de fresamento. Eles justificaram este aumento pelo maior contato entre o cavaco e a ferramenta e a maior espessura do cavaco removido, além dos fenômenos térmicos que o aumento do avanço acarreta. O aumento da velocidade de corte também fez com que a micro-dureza fosse maior e o aumento da temperatura pode estar relacionado com este fenômeno. 129 Machado et al. (2003) estudaram a micro-dureza superficial em corpos de prova de AISI 304 durante o processo de torneamento em função do avanço utilizado. Os resultados mostraram um aumento dos valores de micro-dureza com a diminuição do avanço. Os autores atribuem o aumento das micro-durezas ao aumento do encruamento e da formação de martensita induzida por deformação que é bastante comum nos aços inoxidáveis austeníticos. Para este trabalho, percebe-se através da Figura 77, que a velocidade de corte praticamente não influenciou os valores das micro-durezas. O maior avanço e a maior profundidade de corte, aumentaram os valores encontrados e a classe de pastilhas GC 1025, que até agora, demonstrou influir grandemente em todas as análises obteve menores valores de micro-dureza. As maiores taxas de deformação impostas nos corpos de prova, causaram maiores valores de micro-dureza nos corpos de prova. A classe GC 1025 atenuou tais deformações, (até o momento percebe-se que com esta classe a condição de atrito é mais favorável ao corte neste material) e obteve menores valores de micro-dureza. 4.2.6 – Respostas obtidas para as análises microestruturais Com as análises microestruturais realizadas com os sucessivos ataques descritos anteriormente, percebeu-se que as análises a serem realizadas nos corpos de prova de acabamento não deverão demonstrar novos resultados uma vez que as condições de corte eram menores, o material foi menos solicitado e possivelmente não serão identificadas mudanças micro-estruturais com os ataques realizados até o momento. Mesmo assim alguns corpos de prova foram analisados e como previsto nenhum resultado novo foi observado. 130 Foi utilizado então, um novo método na tentativa de se identificar possíveis fases precipitadas através de um difratômetro de raios-x, conforme descrito no Capítulo 3. Alguns corpos de prova foram analisados e mais uma vez não se notou mudanças significativas no estudo. Os picos encontrados nos espectros de difração analisados só diziam respeito à ferrita e à austenita. Os resultados também foram comparados com um difratograma fornecido pelo fabricante do material, que analisou a mesma liga de um outro lote fabricado. A Figura 80 mostra um dos difratogramas referente a um dos corpos de prova analisados. Figura 80 – Difratograma de um corpo de prova usinado com parâmetros de acabamento (vc=150m/min, f=0,2mm/v, ap=0,5mm, com fluido de corte e classe de pastilha GC1025) 131 4.2.7 Correlações entre os resultados Até o momento, foi estudado o efeito das variáveis de entrada nas respostas, através de estudos das médias dos efeitos e das interações entre as variáveis. Torna-se então necessário, neste momento, investigar possíveis correlações entre as respostas obtidas nos ensaios e também suas correlações com as variáveis de entrada considerando apenas uma delas. Para tanto, foi estudada a possível correlação entre os dados de entrada e saídas através da análise do coeficiente de Pearson, que indica a possível correlação entre os dados estudados. Segundo Ara, Musetti e Schneiderman (2003) quanto mais este valor se aproxima de um, maior é a correlação entre os dados amostrais. Todos os resultados das análises encontram-se no anexo B e foram consideradas significativas as correlações maiores que 0,9. A princípio foi feito um estudo com todas as variáveis de entrada e saída e notou-se que a rugosidade possui correlação com o avanço, as forças possuem correlação com o avanço e a profundidade de corte e também entre si, o que era de se esperar. A seguir iniciou-se um estudo travando uma das entradas, para eliminar possíveis interações entre as mesmas. Notou-se nesta situação, que apenas duas correlações significativas foram encontradas (excluindo aquelas citadas no parágrafo anterior). A primeira entre a micro-dureza e a força de corte (pág. 163), quando a pastilha 2015 foi desconsiderada no estudo. A segunda entre a tensão residual e a variação dimensional (pág. 174), quando a profundidade de corte de 0,25mm não foi considerada nas análises. Prosseguindo com as análises, foi decidido aprofundá-las nestas duas correlações, eliminando outras variáveis no estudo para confirmar a correlação. Nota-se a partir da página 176 que as correlações não prevalecem para todas as análises. Conclui-se que não é possível estabelecer correlações para todos os conjuntos de valores utilizados, e que o efeito das interações inviabiliza esta análise. 132 Para a análise da correlação entre a tensão residual e a variação dimensional, percebe-se que ela não ocorre em todos os conjuntos de dados, conforme citado no parágrafo anterior, mas é possível perceber que os coeficientes de Pearson na maioria dos estudos mostram-se negativos, o que indica que há correlação negativa entre as duas respostas, ou seja, os corpos de prova com maiores variações dimensionais apresentaram menores valores de tensão residual e vice-versa, conforme já observado no item 4.2.4.1. Com os dados disponíveis, buscou-se encontrar outras correlações. No caso da tensão residual com os valores de micro-dureza (média) também foram obtidos baixos coeficientes de Pearson, mas nota-se que a tendência é se ter uma correlação positiva. Já para as análises da tensão residual com os valores de micro-dureza de cada fase do material (austenita e ferrita), não foi possível encontrar sequer uma tendência. Referente às análises da variação dimensional, com os valores de micro-dureza, algumas planilhas apresentaram correlações e há uma tendência de correlação negativa entre a microdureza da ferrita e a variação dimensional e positiva entre a micro-dureza da austenita e a mesma variação. Em todas as análises, é possível perceber que quando o ap=0,5mm foi utilizado as respostas apresentaram maiores chances de correlação, indicando também que uma possível causa para as dificuldades encontradas em correlacionar as respostas, além das interações existentes, é o fato dos parâmetros de corte provavelmente não apresentarem as variações suficientes para provocar os efeitos esperados nas análises, apesar de estarem muito próximos da utilização diária na indústria. Uma das propostas iniciais de estudo deste trabalho era mostrar que a tensão residual está correlacionada com a variação nas dimensões das peças estudadas. Percebeu-se, porém que o estudo foi inviabilizado pelo grande número de interações presentes nos estudos da variação dimensional das peças. Outro fato a ser considerado é que para aprofundar melhor os estudos 133 em busca desta correlação, ao medir a temperatura e a dimensão das peças, a tensão residual também deveria ter sido medida ao retirar a peça da máquina, já que a suspeita é que a variação dimensional ocorra com o “relaxamento” das tensões impostas pela usinagem, e estas medições não foram possíveis neste estudo. A tensão residual só foi medida após 48h da peça ter sido retirada da máquina, ou seja, com a segunda medição de temperatura. Apesar da correlação não se manter por todas as sub-planilhas da análise entre a tensão residual e a variação dimensional, optou-se por encontrar a equação que as correlacionam. As regressões efetuadas encontram-se no anexo C do trabalho. De acordo com a equação 18 abaixo é possível correlacionar a variação dimensional com a tensão residual da peça: σ res [MPa ] = 416 + 1526 (Var φ )[ mm ] (18) 4.2.8 – Gráficos de contorno das respostas x parâmetros de corte Desde o início deste trabalho um dos objetivos propostos foi indicar quais parâmetros devem ser selecionados para se obter a melhor integridade superficial, ou pelo menos indicar quais parâmetros selecionar para obter determinadas características. Como as classes de pastilhas apresentaram interações em quase todas as análises, optou-se por separá-las. A pastilha de classe GC 1025 foi a que apresentou os menores valores de tensão residual conforme supracitado, e é a pastilha mais dura e teoricamente mais resistente ao desgaste para este tipo de material (apesar de não ter investigado sistematicamente). Portanto os gráficos a 134 seguir mostrarão os dados referentes à utilização da classe GC 1025 e fluido de corte, conforme já investigado nos itens anteriores. O método utilizado será a sobre-posição de gráficos de contorno conforme apresentado nas Figuras 64 e 65. As Figuras 81, 82 e 83 mostram os gráficos para os índices mais altos dos parâmetros de corte, ou seja, f=0,2mm/v, vc =150m/min e ap=0,5mm. Figura 81 – Gráfico de contorno para f=0,2 mm/v 135 Figura 82 – Gráfico de contorno para ap=0,5mm Figura 83 – Gráfico de contorno para vc =150m/min 136 As Figuras 84, 85 e 86 mostram os gráficos para os índices mais baixos dos parâmetros de corte, ou seja, f=0,1mm/v, vc =110m/min e ap=0,25mm. Figura 84 – Gráfico de contorno para f=0,1mm/v 137 Figura 85 – Gráfico de contorno para ap=0,25mm/v Figura 86 – Gráfico de contorno para vc =110m/min 138 Com os gráficos anteriores pode-se selecionar quais parâmetros de corte são mais adequados para se obter a característica desejada. Observando todos os gráficos percebe-se que a profundidade de corte é uma variável bastante influenciadora em todas as respostas. A Figura 82 mostra condições de corte que combinadas podem ser aceitas como as melhores para a obtenção da melhor integridade superficial. Neste caso, utilizando profundidade de corte = 0,5mm, velocidade de corte = 110m/min e avanço = 0,1 mm/v, foram obtidos baixa tensão residual de tração, baixa rugosidade e alta micro-dureza. Porém percebe-se que no dia-a-dia da indústria a profundidade de corte é a variável mais difícil de se controlar. A velocidade de corte e o avanço são parâmetros que dependendo da peça podem ser perfeitamente ajustados, pelo menos na última passada do acabamento sem trazer grandes perdas à produtividade, porém a profundidade de corte é um pouco mais difícil de se escolher e muitas vezes é preciso retrabalhar a peça com sucessivas passadas para a obtenção da dimensão desejada. Diante disto fica bastante difícil extrapolar dados para se prever quais parâmetros seriam obtidos caso profundidades de corte diferentes fossem utilizadas. Porém percebe-se através da Figura 85 que utilizando profundidade de corte = 0,25mm, avanço = 0,1mm/v e velocidade de corte próxima à 150m/min, pode-se obter valores como tensão residual menor que 350Mpa, rugosidade superficial menor que 1,5Ra e microdureza entre 420 e 440 HV0,05. Como nas análises anteriores, percebe-se também nestas, que existe grande interação entre os parâmetros influenciando de forma diferente as respostas. Podem sem tiradas as seguintes conclusões: Os parâmetros de corte recomendados para a obtenção dos melhores resultados da integridade superficial foram: f=0,1 mm/v, ap=0,5 mm e vc =110 m/min; 139 Mantendo o avanço e a velocidade de corte iguais ao item anterior e alterando a profundidade de corte para 0,25 mm, percebe que: o os valores de micro-dureza caem do valor mais alto para o mais baixo, praticamente linearmente; o a tensão residual no início tem uma grande tendência de aumento e depois ao se aproximar do valor da profundidade de corte de 0,25mm praticamente se estabiliza sofrendo uma acréscimo de aproximadamente 20% sobre o valor inicial; o a rugosidade superficial também aumenta porém com comportamento inverso à tensão residual, ela começa com um aumento discreto e depois cresce rapidamente ao se aproximar da profundidade de corte de 0,25mm, praticamente dobrando seu primeiro valor; Mantendo a profundidade de corte de 0,5 mm, o avanço de 0,1mm/v, e variando a velocidade de corte, percebe-se que: o a resposta mais sensível é a micro-dureza que decresce do maior valor para o menor quando a velocidade de corte aumenta para 150m/min, praticamente linearmente; o a tensão residual inicialmente tem uma grande tendência de aumento a qual decresce ao se aproximar da velocidade de corte mais alta porém termina na média entre o valor mínimo encontrado anteriormente e o valor máximo; o a rugosidade superficial praticamente não se altera com a variação da velocidade de corte; 140 Mantendo a profundidade de corte de 0,5 mm, a velocidade de corte de 110 m/min e variando o avanço, percebe-se que: o A micro-dureza diminui com o aumento do avanço. Esta diminuição se inicia de forma tênue e depois aumenta rapidamente, porém ao chegar próximo ao valor de 0,2 mm/v, ela sofre uma diminuição; o A tensão residual começa com um ligeiro aumento que depois passa a ser mais discreto porém alcança valores de aproximadamente 33% maiores; o A rugosidade superficial aumenta praticamente de forma linear com o aumento do avanço. 141 5. CONCLUSÕES Foram possíveis estabelecer as seguintes conclusões ao longo do desenvolvimento deste trabalho: Desgastes das ferramentas: Os ensaios realizados para investigar a vida dos insertos na remoção do material com casca, mostraram que o fluido exerce grande importância nas operações de desbaste e que dependendo da quantidade de material necessária a ser removida deve-se optar por diferentes classes de pastilhas. A classe 2015 teve melhor desempenho sem utilização de fluido de corte, porém não suporta grandes comprimentos de usinagem contínua devido à limitação de temperatura. A classe 2025 também teve melhor desempenho sem utilização de fluido de corte com possibilidades de usinar maiores comprimentos que a classe 2015, mas também apresenta limitações quanto às altas temperaturas. A classe 2035 obteve melhor desempenho com a utilização de fluido de corte; Rugosidade: Nas operações de desbaste o avanço foi o fator de maior influência na análise das rugosidades, seguido pela profundidade de corte e pela velocidade de corte. Nas operações de acabamento, o avanço também foi o fator de maior influência, seguido pela velocidade de corte e a utilização de fluido de corte. A interação entre a velocidade de corte e o avanço se mostrou bastante significativa através das análises fatoriais executadas. A classe de pastilhas utilizada e a profundidade de corte, foram os fatores menos influenciadores. Os ensaios com velocidade de corte mais elevada (600m/min) mostraram que a usinagem com os menores avanços, apresentou menores valores de rugosidade, quando comparada com as outras velocidades empregadas e quando avanços maiores ou 142 profundidades de corte de 0,5mm foram utilizadas, as pastilhas não suportaram as solicitações; Alterações microestruturais: As análises microestruturais não mostraram formação de fase sigma e não foi possível notar diferenças entre as amostras do material em bruto e os corpos de prova usinados através da microscopia óptica. Utilizando-se o método de difração de raios-x, também não foram encontradas fases precipitadas; Medições de força: Nas medições de força, os parâmetros mais influenciadores foram o avanço e a profundidade de corte (que controlam geometricamente o cavaco formado) e a classe das pastilhas utilizadas, que se mostrou significativa em todas as análises; Estabilidade dimensional: O estudo das variações dimensionais foi bastante difícil devido ao grande número de interações presentes nas análises. A usinagem à seco se mostrou significativa no estudo e percebeu-se que o aumento da velocidade de corte, o aumento do avanço e a utilização do fluido de corte usinaram peças com menor variação dimensional. A classe das pastilhas praticamente não influenciou nas respostas; Tensão residual: A tensão residual também se mostrou uma variável de difícil interpretação. A variação encontrada entre as amostras foi de aproximadamente 400MPa. As maiores velocidades de corte, os menores avanços, as maiores profundidades de corte e a classe de pastilha 1025, encontraram os menores valores de tensão residual, apesar de nenhuma variável se mostrar significativa. Foram gerados gráficos de contorno e de superfície, no qual mostram quais parâmetros de corte devem ser selecionados para atingir determinados valores de tensão residual. Foi encontrado um modelo empírico através de regressão linear 143 para correlacionar os valores de tensão residual com os parâmetros de corte, no qual apresentou erro máximo de 15% para os dados amostrais do trabalho; Micro-dureza: A fase austenítica é mais sensível às deformações impostas pela usinagem do que a fase ferrítica. Para valores maiores do que 0,1mm abaixo da superfície, praticamente não foram encontradas alterações nos valores de microdureza. O avanço foi o fator mais influente quando as médias entre as fases ferríticas e austeníticas foram estudadas. Os maiores valores de avanço e de profundidade de corte obtiveram os maiores valores de micro-dureza. A pastilha também se mostrou influente nesta análise e a classe GC 1025 obteve os menores valores; Correlações entre todas as respostas: Devido ao grande número de interações presentes na maioria das análises não foi possível encontrar correlações entre todas as respostas, mas sim para pequenos grupos individuais, que não expressam a solução do problema como um todo. Foi encontrado um modelo empírico através de regressão linear que correlacionou a tensão residual com a variação dimensional. Foram feitos gráficos de contorno sobre-postos para as respostas: tensão residual, micro-dureza e rugosidade, que são as três principais componentes que descrevem a integridade superficial do material neste trabalho, para a classe de pastilha GC 1025, que obteve os melhores resultados em praticamente todas as análises. Foi possível estabelecer quais os grupos de parâmetros de corte, induzem a formação da melhor integridade superficial, no qual o menor avanço, a menor velocidade de corte e a maior profundidade de corte se destacam. 144 6. SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS Sugere-se como continuação deste trabalho, estudar os seguintes assuntos: Estudar os perfis de tensão residual criados a partir da superfície em direção ao núcleo; Estudar a vida das ferramentas com os parâmetros de corte utilizados e a contribuição dos desgastes na integridade superficial do material em questão; Modelar a formação de cavaco do aço inoxidável super-duplex e contribuir para o entendimento do processo de usinagem do material; Estudar o efeito de sucessivos passes de desbaste/acabamento na integridade superficial; Estender este estudo às operações de fresamento e furação; Estudar a otimização dos ângulos de ferramentas e seus efeitos nas principais características de usinagem; 145 7. BIBLIOGRAFIA ADHE, K. N.; KAIN, V.; MADANGOPAL, K.; GADIYAR, H. S. Influence of σ-phase formation on the localized corrosion behavior of a duplex stainless steel. Journal of Materials Engineering and Performance, ASM International, v.5, p500-506, 1996. ADVANCED MATERIALS & PROCESS, Stainless steels, v.10, p.63-66, 1998. ARA, A. B.; MUSETTI, A. V.; SCHNEIDERMAN, B. Paulo, Editora Edgard Blücher Ltda., 2003. Introdução à estatística. São ASTM A262 Standard Practices for Detecting Susceptibility to Intergranular Attack in Austenitic Stainless Steels, 1993. AVESTA POLARIT STAINLESS 12, 2002. Duplex stainless steel “SAF2304, 2205, SAF2507, p.1- BARROS NETO, B.; SCARMINO, I. S.; BRUNS, R. E. Como fazer experimentos “Pesquisa e desenvolvimento na ciência e na indústria”. 2.ed. Campinas, SP, Editora da Unicamp, 2002. BERGLUND, G.; WILHELMSSON, P. Fabrication and Practical Experience of Duplex Stainless Steels. Proceedings of “UK Corrosion ’86”, Birmingham, 1986. BLETTON, O.; DUET, R.; HERITIER, B. Usinabilité des aciers inoxydables. In: P. LACOMBE, P. ; BAROUX, B. ; BERANGER, G. (Eds.) Les Aciers Inoxydables, Les Editions de Physique, chap.21, p.759-794, 1990. BOUZID SAÏ, W.; BEN SALAH N.; LEBRUN, J. L. Influence of machining by finishing milling on surface characteristics. International Journal of Machine Tools & Manufacture, v.41, p.443-450, 2001. BRINKSMEIER, E.; CAMMETT, J. T.; KÖNIG, W.; LESKOVAR, P.; PETERS, J.; TÖNSHOFF, H.K. Residual stresses – Measurement and causes in machining processes. Annals of the CIRP, v.31, p.491-510, 1982. CALADO, V.; MONTGOMERY, D. Planejamento de Experimentos usando o Statistica. Rio de Janeiro, E-papers Serviços Editoriais Ltda., 2003. CAPELLO, E.; DAVOLI, P.; BASSANINI, G.; BISI, A. Residual stresses and surface roughness in turning. Transactions of the ASME, v.121, p.346-351, 1999. CARRINO, L.; GIORLEO, G.; POLINI, W.; PRISCO, U. Dimensional errors in longitudinal turning based on the unified generalized mechanics of cutting approach. Part I: Three-dimensional theory. International Journal of Machine Tools & Manufacture, v.42, p.1509-1515, 2002b. 146 CARRINO, L.; GIORLEO, G.; POLINI, W.; PRISCO, U. Dimensional errors in longitudinal turning based on the unified generalized mechanics of cutting approach. Part II: Machining process analysis and dimensional error estimate. International Journal of Machine Tools & Manufacture, v.42, p.1517-1525, 2002b. CHANG, C. Turning of stainless steel with worn tools having chamfered main cutting edges. International Journal of Machine Tools & Manufacture, v.4, p.291-313, 1998. CHANG, C.; TSAI, G. A force model of turning stainless steel with worn tools having nose radius. Journal of Materials Processing Technology, v. 142, p. 112-130, 2003. CHARLES, J. Composition and properties of duplex stainless steel. World/Le Soudage Dans Le Monde, v.36, p.43-54, 1995a. Welding in the CHARLES, J. Duplex Stainless steel from the theory to the practice. Italiana, v.87, n.2 p.83-91, 1995b. La metallurgia CHOUDHURY, S. K.; KISHORE, K. K. Tool wear measurement in turning using force ratio. International Journal of Machine Tools & Manufacture, v.40, p.899-909, 2000. CHUMBINHO, B. E. M.; ABRÃO, A. M. Comportamento do aço inoxidável austenítico ABNT 304 no processo contínuo. Anais do congresso “Usinagem 2002”. DAVIDSON, R. M.; REDMOND, J. D. & Design, v. 12, n. 4, p.187-192, 1991. A guide to use duplex stainless steels. Materials DELIJAICOV, S. Modelagem das tensões residuais no processo de torneamento duro de um aço DIN 100 CrMn6 e suas correlações com os esforços de corte. São Paulo, Tese (Doutorado) – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 176p, 2004. DINIZ, A. E. A rugosidade superficial da peça em processos de torneamento: critério de fim de vida da ferramenta e fatores de influência. Campinas, Tese (Doutorado) – Universidade Estadual de Campinas, 152p, 1986. DINIZ, A. E.; MARCONDES, F. C.; COPPINI, N. L. materiais 3. ed. São Paulo, Artliver Editora, 2001. Tecnologia da usinagem dos DOLINSEK, S. Work-hardening in the drilling of austenitic stainless steels. Materials Processing Technology, v.133, p.63-70, 2003. Journal of EE, K. C.; BALAJI, A. K.; LI, P. X.; JAWAHIR, I. S. Force decomposition model for toolwear inturning with grooved cutting tools. Wear, v. 249, p.985-994, 2002. El-AXIR, M. H. A method of modeling residual stress distribution in turning for different materials. International Journal of Machine Tools & Manufacture, v.41, p.1055-1063, 2002. 147 ELBESTAWI, M. A.; PAPAZAFIRIOU, T. A.; DIU, R. X. In-process monitoring of tool wear in milling using force signature. International Journal of Machine Tools & Manufacture, v.31, p.55-73, 1991. FANG, X. D.; ZHANG, D. An investigation of adhering layer formation during tool wear progression in turning of free-cutting stainless steel. Wear, v.197, p.169-178, 1996. FEDELE, R. A. Influência da energia de soldagem no desempenho da zona fundida de soldas multipasse de aços inoxidáveis duplex. São Paulo, Dissertação de Mestrado – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 179p, 2001. FERRARESI, D. Fundamentos da usinagem dos metais. Blücher Ltda, 1977. São Paulo, Editora Edgard GUIMARÃES, L. R. Estudo dos parâmetros experimentais envolvidos na determinação de macrotensões residuais, em tubos de aço inoxidável, pelo método da difração de raios-x. São Paulo, Dissertação de Mestrado – Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, 81p, 1990. INTERNATIONAL MOLYBDENUM ASSOCIATION, Practical guidelines for the fabrication of duplex stainless steels, Revised edition, p.1-47, 2001. JANG. D. Y.; WATKINS, T. R.; KOZACZEK, K. J.; HUBBARD, C. R.; CAVIN, O. B. Surface residual stresses in machined austenitic stainless steel. Wear, v.194, p.168-173, 1996. JIANG, L.; PARO, J.; HÄNNINEN, H.; KAUPPINEN, V.; ORASKARI, R. Comparison of grindability of IPED austenitic 316L, duplex 2205 and super duplex 2507 and as-cast 304 stainless steels using alumina wheels. Journal of Materials Processing Technology, v.62, p.1-9, 1996). JOAHNSSON, J.; ODÉN, M.; ZENG, X. -H. Evolution of the residual stress state in a duplex stainless steel during loading. Acta Metallurgica Inc., n.9, p.2669-2684, 1999. KORKUT, I.; KASAP, M.; CIFTCI, I.; SEKER, U. Determination of optimum cutting parameters during machining of AISI 304 austenitic stainless steel. Materials & Design, v.25, p.303-305, 2004. KRABBE, D. F. M.; DINIZ, E. A. A usinagem da liga de aço inox aeronáutico 15-5PH na máxima remoção de material por vida da ferramenta. Anais do congresso “Usinagem 2004”. LEE, B. Y.; TARNG, Y. S.; LII, H. R. An investigation of modeling of the machining database in turning operations. Journal of Materials Processing Technology, v.105, p.1-6, 2000. 148 LEE, B. Y.; TARNG, Y. S. Cutting-parameter selection for maximizing production rate or minimizing production cost in multistage turning operations. Journal of Materials Processing Technology, v.105, p.61-66, 2000. LI, J.; WU, T.; RIQUIER, Y. σ-Phase precipitation and its effect on the mechanical properties of a super duplex stainless steel. Materials Science and Engineering, v.A174, p.149-156, 1994. LIMA, N. B. Influência da textura em medidas de tensão residual. Doutorado – Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, 105p, 1991. São Paulo. Tese de LIN, T. Cutting behavior of a TiN-coated coated drill with curved cutting edgs during the high-speed machining of stainless steel. Journal of Materials Processing Technology, v.127, p.8-16, 2002. LIN, W. S.; LEE, B. Y.; WU, C. L. Modeling the surface roughness and cutting force for turning. Journal of Materials Processing Technology, v.108, p.286-293, 2001. LINDGREN, M.; LEPISTÖ, T. Relation between residual stress and Barkhausen noise in a duplex steel. NDT&E International, v.36, p.279-288, 2003. LIU, C. R.; BARASH, M. M. The mechanical state of the sublayer of a surface generated by chip-removal process, Part1: Cutting with a sharp tool. Transactions of ASME, p.11921201, 1976a. LIU, C. R.; BARASH, M. M. The mechanical state of the sublayer of a surface generated by chip-removal process, Part2: Cutting with a tool with flank wear. Transactions of ASME, p.1202-1208, 1976b. LOPEZ, N.; CID, M.; PUIGGALI, M. Influence of σ-phase on mechanical properties and corrosion resistance of duplex stainless steel. Corrosion Science, v.41, p.1615-1631, 1999. MACHADO, I. F. Transformações de fase no estado sólido em alguns aços inoxidáveis austeníticos e ferríticos-austeníticos (dúplex) contendo altos teores de nitrogênio. Tese (doutorado) – Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Universidade de São Paulo, 1999. MACHADO, I. F.; MARCICANO, J. P. P.; DRIEMEIER, L.; DIAS, C. A. N. An investigation of the effect of machining parameters on strain-induced martensite formation during turning in an austenitic stainless steel. Proceedings of International Congress of Mechanical Engineering (COBEM), 2003. MAGNABOSCO, R. Influência da microestrutura no comportamento eletroquímico do aço SAF 2205. Tese (doutorado) – Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Universidade de São Paulo, 2001. 149 MARTINS, M.; CASTELETTI, L. C. Heat treatment temperature influence on ASTM A890 GR 6A super duplex stainless steel microstructure. Materials Characterization, Article in press, 2005. MARTINS, C. O. D.; STROHAECKER, T. R.; ROCHA, A. S.; HIRSCH, T. K. Comparação entre técnicas de tensões residuais em anéis de rolamento do aço ABNT 52100. Revista Matéria, v.9, n°1, p.23-31, 2004. MATSUMOTO, Y.; BARASH, M. M.; LIU, C. R. Effect of hardness on the surface integrity of AISI 4340 steel. Journal of Engineering for Industry, v.108, p.169-175, 1986. MONTGOMERY, D. C. Design and analysis of experiments. Wiley & Sons, Inc., 1976. 3.ed. New york, John NEVES, D.; CAMARGO, R.; DEONÍSIO, C. C. C.; NOVASKI, O. Evaluation of the machinability os stainless steel ABNT 304 and stainless steel Villares 304 UF with hss Tin coated twisted drills. Proceedings of International Congress of Mechanical Engineering (COBEM), 2003. NILSSON, J. O. Super duplex stainless steel “overview”. Technology, v.8, p. 685-700, 1992. Materials Science and O’ SULLIVAN, D.; COTTERELL, M. Machinability of austenitic stainless steel SS303. Journal of Materials Processing Technology, v. 124, p. 153-159, 2002. PALMER, T. A.; ELMER, J. W.; BABU, S. S. Observations of ferrite/austenite transformations in the heat affected zone of 2205 duplex stainless steel spot welds using time resolved x-diffraction. Materials Science & Engineering, v.A374, p;307-321, 2004. PANOSSIAN, Z. Corrosão e proteção contra corrosão em equipamentos e estruturas metálicas “manual”. 1. ed. vol.2 São Paulo, Instituto de Pesquisas Tecnológicas, 1993. PARAKKAL, G.; ZHU, R.; KAPOOR, S. G.; DEVOR, R. E. Modeling of turning process cutting forces for grooved tools. International Journal of Machine Tools & Manufacture, v.42, p.179-191, 2002. PARO, J.; HÄNNINEN, H.; KAUPPINEN, V. Tool wear and machinability of HIPed P/M and conventional cast duplex stainless steels. Wear, v.249, p.279-284, 2001. PEREZ, A. Which makes the better medical nail: Titanium or stainless steel? Design, v.74, p.74-78, 2004. Machine & PREVÉY, P. S. Current applications of x-ray diffraction residual stress measurement. Developments in Materials Characterization Techonologies, ASM International, Materials Park, p.103-110, 1996. 150 RISBOOD, K. A.; DIXIT, U. S.; SAHASRABUDHE, A. D. Prediction of surface rougness and dimensional deviation by measuring cutting forces and vibrations in turning process. Journal of Materials Processing Technology, v.132, p.203-214, 2003. ROBERTI, R.; SILVA, G. Sigma phase detection by metallographic etching, Avesta Stainless Bulletim, n.3, p.18-23, 1980. SANDVIK COROMANT Ferramentas para torneamento, 2002a. SANDIVIK COROMANT Stainless steel turning “application guide”, 2002b. SARWAR, M.; ZHANG, X.; GILLIBRAND, D. Performance of titanium nitride-coated carbide-tipped circular saws when cutting stainless steel and mild steel. Surface and Coatings Technology, v.95, p.617-621, 1997. SAOUBI, R. M.; OUTEIRO, J. C.; CHANGEUX, B.; LEBRUN, J. L.; DIAS, A. M. Residual stress analysis in orthogonal machining of standard and resulfurized AISI 316L steels. Journal of materials processing technology, v.96, p.225-233, 1999. SAUVAGE, X.; LE BRETON, J. M.; GUILLET, A.; MEYER, A.; TEILLET, J. Phase transformation in surface layers of machined steels investigated by X-ray diffraction and Mössbauer spectrometry. Materials Science and Engineering, v.A362, p-181-186, 2003. SEDRIKS, A. J. Inc., 1996. Corrosion of stainless steel. SHAW, M. C. Metal cutting principles. manufacturing , 2005. SIKDAR, S. K.; CHEN, M. forces in sigle point turning. 215, 2002. 2.ed. 2.ed. New York, John Wiley & Sons, New York, Oxford series on advanced Relationship between tool flank wear area and component Journal of Materials Processing Technology, v.128, p.210- SIGWART, A.; FESSENMEYER, W. VDI Verlag, 1995. Oberflache und Randschicht. VDI Berichte 1227, STILL, J. R. The use of duplex stainless steel in the offshore oil and gas industry – Part I. Welding and Metal Fabrication, p.293-298, 1994. SUBHASH, B. K.; BHAT, R.; RAMCHANDRA, K.; BALKRISHNA, H. K. Simultaneous optimizations of machining parameters for dimensional instability control in Aero Gas Turbine components made of Inconel 718 alloy, Transactions of ASME, v.122, p.586-590, 2000. SWENS, J.J.; KOLSTER, B. H. σ-Phase precipitation in a duplex stainless steel: an APFIM investigation. Surface Science, v.246, p.252-259, 1991. 151 THOMAS, M.; BEAUCHAMP, Y. Statistical investigation of modal parameters of cutting tools in dry turning. International Journal of Machine Tools & Manufacture, v.43, p.1093-1106, 2003. TÖNSHOFF, H. K.; KÖNIG, W. Machining of holes, developments in drilling technology. Annals of the CIRP, v.43, p.551-561, 1994. TRENT, E M.; WRIGHT, P. K. Metal cutting 4.ed. Butterworth-Heinemann, 2000. VRINAT, M.; COZAR, R.; MEYZAUD, Y. Precipitated phases in the ferrite of aged cast duplex stainless steels. Scripta Metallurgica, v.20, n.8, p.1101-1106, 1986. YA, M.; XING, Y.; DAI, F.; LU, K.; LU, J. Study of residual stress in surface nanosttructured AISI 316L stainless steel usinag two mechanical methods. Surface & Coatings Technology, v.168, p.148-155, 2003 152 ANEXO A – RESULTADOS DAS MICRO-DUREZAS 153 Todos os valores deste anexo estão em HV0,05 Micro-durezas – Acabamento (ref. Tabela 8) Prof 0 0,01 0,02 0,03 0,04 0,05 0,06 0,07 0,08 0,09 0,1 0,15 0,2 0,3 0,4 0,5 1 meio Prof 0 0,01 0,02 0,03 0,04 0,05 0,06 0,07 0,08 0,09 0,1 0,15 0,2 0,3 0,4 0,5 1 meio Teste Ferrita 400 384 445 402 499 434 427 377 378 363 349 365 381 349 316 335 321 307 Teste Ferrita 324 492 515 521 437 399 445 443 452 453 395 337 337 337 453 348 346 338 1 Austenita 254 267 288 281 268 263 283 306 293 287 282 274 267 269 272 263 258 272 6 Austenita 209 396 336 336 341 325 348 307 294 311 300 290 289 322 341 318 315 285 Teste Ferrita 162 353 338 339 322 338 375 333 347 328 310 324 339 358 378 348 322 377 Teste Ferrita 378 378 441 412 364 284 250 358 338 323 321 311 336 339 313 326 332 311 2 Austenita 393 353 312 313 288 319 304 337 299 309 320 321 322 309 296 301 280 311 7 Austenita 452 392 397 353 333 331 289 278 306 305 299 294 283 281 275 289 296 286 Teste Ferrita 252 532 484,5 483 494 436 438 399 398 391 385 371 357 338 319 306 320 362 Teste Ferrita 311 456 457 450 402 412 395 364 363 363 373 383 359 335 340 346 333 340 3 Austenita 221 381 396 425 359 347 338 372 331 315 299 300 302 304 307 300 332 318 8 Austenita 282 316 312 337 335 311 334 285 286 287 276 265 271 278 277 276 253 289 Teste Ferrita 524 486 472 426 395 512 407 389 375 362 363 365 346 327 346 321 326 Teste Ferrita 472 365 508 485 503 477 477 458 434 371 406 372 339 338 337 365 394 312 4 Austenita 204 368 404 357 329 322 285 307 303 309 316 297 278 279 281 273 260 276 9 Austenita 219 411 382 382 365 351 355 345 338 321 321 319 318 304 290 280 270 296 154 Prof 0 0,01 0,02 0,03 0,04 0,05 0,06 0,07 0,08 0,09 0,1 0,15 0,2 0,3 0,4 0,5 1 meio Prof 0 0,01 0,02 0,03 0,04 0,05 0,06 0,07 0,08 0,09 0,1 0,15 0,2 0,3 0,4 0,5 1 meio Teste Ferrita 423 448 443 427 412 424 382 394 406 394 382 349 317 335 353 354 299 321 Teste Ferrita 420 480 438 580 475 467 445 483 400 480 394 354 347 350 353 325 335 414 19 Austenita 322 340 293 288 290 307 323 306 289 277 265 265 266 263 260 273 317 308 24 Austenita 321 314 317 280 302 295 303 284 301 274 297 287 286 281 277 281 275 357 Teste Ferrita 404 422 364 532 450 508 364 341 351 331 363 336 338 295 294 296 310 318 Teste Ferrita 376 452 451 410 400 429 442 386 434 412 390 356 322 323 325 319 304 328 20 Austenita 181 339 302 295 284 275 276 278 282 288 270 277 286 271 271 283 274 274 25 Austenita 260 323 312 292 290 289 295 304 303 296 290 277 265 272 280 274 301 292 Teste Ferrita 384 519 572 410 458 474 421 458 414 470 365 377 450 367 329 341 337 334 Teste Ferrita 453 477 402 407 453 408 383 358 353 349 358 367 320 331 343 319 317 320 21 Austenita 344 310 318 314 286 294 302 335 305 314 296 315 292 295 304 271 262 254 26 Austenita 431 439 367 341 352 358 342 326 311 297 292 288 299 301 304 300 279 273 Teste Ferrita 488 441 454 407 382 334 352 367 382 357 332 338 356 351 347 356 383 429 Teste Ferrita 250 551 489 453 513 474 450 422 413 393 374 411 336 346 357 359 350 376 22 Austenita 377 335 351 360 370 288 273 280 287 288 289 276 274 275 277 322 323 338 27 Austenita 405 377 369 398 345 355 408 344 365 351 337 321 339 324 309 306 361 358 155 Prof 0 0,01 0,02 0,03 0,04 0,05 0,06 0,07 0,08 0,09 0,1 0,15 0,2 0,3 0,4 0,5 1 meio Teste Ferrita 294 428 426 416 425 359 422 402 408 381 354 356 359 338 318 335 332 333 10 S/ utilização de fluido Austenita 316 297 309 319 304 302 284 299 285 287 290 280 271 264 257 263 262 262 Micro-durezas – Acabamento com velocidades mais altas (ref. Tabela 9) Prof 0 0,01 0,02 0,03 0,04 0,05 0,06 0,07 0,08 0,09 0,1 0,15 0,2 0,3 0,4 0,5 1 meio Teste Ferrita 248 521 484 457 484 436 429 404 390 424 458 437 417 344 311 327 332 363 9 Austenita 299 404 390 322 330 312 326 336 342 319 296 291 287 304 310 313 281 296 156 Micro-durezas – Desbaste (ref. Tabela 3) Prof 0 0,01 0,02 0,03 0,04 0,05 0,06 0,07 0,08 0,09 0,1 0,15 0,2 0,3 0,4 0,5 1 meio Referência Teste 1 Ferrita Austenita 422 418 458 409 415 398 426 396 384 356 380 347 376 339 365 316 354 294 342 294 330 294 329 294 343 272 354 277 365 283 313 286 339 277 319 273 Vc maior Teste 2 Ferrita Austenita 130 160 412 302 389 360 395 364 395 339 383 342 402 351 397 323 393 296 378 302 364 308 353 281 343 255 336 263 329 272 307 256 308 258 342 289 f maior Teste 3 Ferrita Austenita 126 185 411 464 405 463 420 410 416 426 408 424 390 394 367 378 366 365 350 341 334 318 339 308 345 299 280 282 314 281 320 281 326 282 302 258 ap maior Teste 6 Ferrita Austenita 151 470 387 449 408 478 411 458 392 462 382 449 421 410 380 430 388 410 390 408 393 406 381 375 369 344 328 336 327 306 326 276 308 263 306 263 157 ANEXO B – CORRELAÇÕES ENTRE AS RESPOSTAS 158 Análise de correlação considerando todas as variáveis Vc 0,000 1,000 f 0,000 1,000 0,000 1,000 F avanço [N] -0,123 0,651 0,464 0,070 0,796 0,000 F penetração -0,081 0,767 0,752 0,001 0,504 0,047 0,898 0,000 F corte [N] -0,080 0,768 0,660 0,005 0,669 0,005 0,962 0,000 Rugosidade [ 0,039 0,885 0,914 0,000 -0,034 0,901 0,411 0,113 Var no diâme -0,192 0,477 0,318 0,230 -0,314 0,236 -0,080 0,769 Tensão resid 0,019 0,944 0,001 0,996 -0,275 0,303 -0,297 0,265 Micro-dureza -0,080 0,769 0,149 0,581 -0,210 0,436 -0,035 0,896 Micro-dureza 0,128 0,637 0,476 0,062 0,409 0,116 0,603 0,013 Micro-dureza 0,035 0,899 0,466 0,069 0,145 0,593 0,420 0,105 F penetração 0,955 0,000 F corte [N] Rugosidade [ Var no diâme Rugosidade [ 0,678 0,004 0,590 0,016 Var no diâme 0,112 0,678 0,027 0,920 0,292 0,272 Tensão resid -0,246 0,359 -0,276 0,300 -0,047 0,863 -0,538 0,031 Micro-dureza 0,017 0,951 -0,025 0,926 -0,072 0,792 0,396 0,128 Micro-dureza 0,628 0,009 0,620 0,010 0,450 0,080 -0,451 0,080 Micro-dureza 0,478 0,061 0,441 0,088 0,280 0,294 -0,035 0,897 f ap F corte [N] ap F avanço [N] 159 Tensão resid -0,027 0,920 Micro-dureza Micro-dureza 0,169 0,532 -0,106 0,696 Micro-dureza 0,104 0,700 0,675 0,004 Micro-dureza Cell Contents: Pearson correlation P-Value Micro-dureza 0,662 0,005 160 Análise de correlação considerando: Pastilha: 2015 vc: 110-150 f: 0,1-0,2 ap: 0,25-0,5 Vc 0,000 1,000 f 0,000 1,000 0,000 1,000 F avanço [N] -0,045 0,917 0,445 0,270 0,864 0,006 F penetração 0,021 0,961 0,803 0,016 0,547 0,160 0,883 0,004 -0,018 0,967 0,664 0,073 0,710 0,049 0,959 0,000 Rugosidade [ 0,072 0,866 0,975 0,000 0,189 0,654 0,604 0,113 Var no diâme -0,248 0,553 0,468 0,242 -0,480 0,229 -0,048 0,910 Tensão resid 0,002 0,996 -0,462 0,249 -0,110 0,796 -0,451 0,262 Micro-dureza -0,002 0,996 0,097 0,819 -0,618 0,102 -0,405 0,320 Micro-dureza 0,354 0,389 0,321 0,438 0,431 0,286 0,357 0,385 Micro-dureza 0,314 0,449 0,354 0,390 -0,046 0,913 0,036 0,932 F penetração 0,967 0,000 F corte [N] Rugosidade [ Var no diâme Rugosidade [ 0,900 0,002 0,787 0,020 Var no diâme 0,265 0,090 f ap F corte [N] F corte [N] ap 0,388 F avanço [N] 161 0,526 0,832 0,342 Tensão resid -0,582 0,130 -0,519 0,187 -0,466 0,245 -0,632 0,093 Micro-dureza -0,150 0,722 -0,356 0,387 0,011 0,979 0,695 0,056 Micro-dureza 0,367 0,371 0,357 0,386 0,385 0,347 -0,541 0,166 Micro-dureza 0,222 0,597 0,070 0,869 0,351 0,395 0,002 0,996 Tensão resid -0,234 0,576 Micro-dureza Micro-dureza Micro-dureza 0,201 0,633 -0,224 0,594 Micro-dureza 0,016 0,970 0,497 0,210 Micro-dureza Cell Contents: Pearson correlation P-Value 0,735 0,038 162 Análise de correlação considerando: Pastilha: 1025 vc: 110-150 f: 0,1-0,2 ap: 0,25-0,5 Vc 0,000 1,000 f 0,000 1,000 0,000 1,000 F avanço [N] -0,211 0,615 0,505 0,202 0,759 0,029 F penetração -0,208 0,621 0,768 0,026 0,503 0,204 0,914 0,001 F corte [N] -0,142 0,738 0,666 0,072 0,640 0,087 0,972 0,000 Rugosidade [ 0,004 0,992 0,853 0,007 -0,275 0,510 0,231 0,582 Var no diâme -0,343 0,406 -0,031 0,942 0,218 0,604 0,025 0,953 Tensão resid 0,045 0,915 0,687 0,060 -0,544 0,163 -0,197 0,640 Micro-dureza -0,135 0,750 0,191 0,651 0,052 0,903 0,268 0,521 Micro-dureza -0,114 0,788 0,702 0,052 0,427 0,292 0,850 0,008 Micro-dureza -0,174 0,681 0,565 0,145 0,293 0,481 0,713 0,047 F penetração 0,975 0,000 F corte [N] Rugosidade [ Var no diâme Rugosidade [ 0,499 0,208 0,410 0,313 Var no diâme -0,123 0,772 -0,060 0,888 f ap F corte [N] ap 0,074 0,862 F avanço [N] 163 Tensão resid 0,133 0,754 -0,021 0,961 0,647 0,083 0,088 0,835 Micro-dureza 0,217 0,605 0,211 0,616 -0,148 0,727 -0,021 0,960 Micro-dureza 0,895 0,003 0,903 0,002 0,616 0,104 -0,100 0,813 Micro-dureza 0,700 0,053 0,700 0,053 0,248 0,553 -0,076 0,858 Tensão resid 0,222 0,598 Micro-dureza Micro-dureza Micro-dureza -0,016 0,969 0,035 0,934 Micro-dureza 0,164 0,697 0,807 0,016 Micro-dureza Cell Contents: Pearson correlation P-Value 0,619 0,102 164 Análise de correlação considerando: Pastilha: 2015-1025 vc: 110 f: 0,1-0,2 ap: 0,25-0,5 f 0,000 1,000 ap F avanço [N] 0,421 0,298 0,889 0,003 F penetração 0,781 0,022 0,576 0,135 0,883 0,004 F corte [N] 0,668 0,070 0,710 0,049 0,945 0,000 0,970 0,000 Rugosidade [ 0,858 0,006 -0,053 0,901 0,343 0,406 0,680 0,064 Var no diâme 0,114 0,789 -0,439 0,277 -0,400 0,326 -0,269 0,519 Tensão resid -0,051 0,904 -0,732 0,039 -0,668 0,070 -0,451 0,262 Micro-dureza -0,027 0,949 -0,043 0,919 -0,185 0,661 -0,218 0,604 Micro-dureza 0,551 0,157 0,457 0,256 0,627 0,096 0,711 0,048 Micro-dureza 0,366 0,373 0,287 0,491 0,298 0,474 0,331 0,423 F corte [N] 0,586 0,127 Rugosidade [ Var no diâme Tensão resid Var no diâme -0,224 0,593 0,115 0,787 Tensão resid -0,588 0,125 -0,261 0,533 -0,053 0,900 Micro-dureza -0,250 0,551 -0,419 0,302 0,029 0,945 ap Rugosidade [ F avanço [N] F penetração 0,371 0,365 165 Micro-dureza 0,674 0,067 0,515 0,192 -0,388 0,342 -0,326 0,430 Micro-dureza 0,281 0,501 0,039 0,927 -0,250 0,551 0,057 0,894 Micro-dureza -0,077 0,857 Micro-dureza 0,715 0,046 0,642 0,086 Micro-dureza Micro-dureza Cell Contents: Pearson correlation P-Value 166 Análise de correlação considerando: Pastilha: 2015-1025 vc: 150 f: 0,1-0,2 ap: 0,25-0,5 f 0,000 1,000 ap F avanço [N] 0,512 0,195 0,717 0,045 F penetração 0,729 0,040 0,438 0,278 0,912 0,002 F corte [N] 0,656 0,077 0,634 0,092 0,980 0,000 0,940 0,001 Rugosidade [ 0,973 0,000 -0,020 0,963 0,482 0,226 0,695 0,056 Var no diâme 0,445 0,269 -0,382 0,351 -0,081 0,849 0,186 0,660 Tensão resid 0,059 0,890 0,227 0,588 0,100 0,813 -0,029 0,946 Micro-dureza 0,370 0,367 -0,420 0,300 0,121 0,775 0,282 0,499 Micro-dureza 0,406 0,319 0,365 0,373 0,630 0,094 0,581 0,131 Micro-dureza 0,587 0,126 -0,021 0,961 0,580 0,132 0,659 0,075 F corte [N] 0,611 0,107 Rugosidade [ Var no diâme Tensão resid Var no diâme 0,056 0,895 0,375 0,361 Tensão resid 0,060 0,887 0,129 0,761 -0,813 0,014 Micro-dureza 0,232 0,256 0,623 ap Rugosidade [ F avanço [N] F penetração -0,567 167 0,581 0,540 0,099 0,143 Micro-dureza 0,601 0,115 0,407 0,317 -0,573 0,138 0,740 0,036 Micro-dureza 0,638 0,089 0,505 0,202 0,006 0,988 0,165 0,697 Micro-dureza -0,124 0,769 Micro-dureza 0,632 0,093 0,691 0,058 Micro-dureza Micro-dureza Cell Contents: Pearson correlation P-Value 168 Análise de correlação considerando: Pastilha: 2015-1025 vc: 110-150 f: 0,1 ap: 0,25-0,5 Vc 0,000 1,000 ap F avanço [N] -0,259 0,536 0,833 0,010 F penetração -0,170 0,687 0,707 0,050 0,949 0,000 F corte [N] -0,182 0,667 0,872 0,005 0,993 0,000 0,928 0,001 Rugosidade [ -0,312 0,451 -0,275 0,510 -0,238 0,571 -0,256 0,540 Var no diâme -0,362 0,378 -0,422 0,298 -0,444 0,270 -0,435 0,281 Tensão resid -0,032 0,940 0,144 0,734 0,246 0,556 0,268 0,522 Micro-dureza -0,234 0,578 -0,052 0,903 0,226 0,590 0,220 0,600 Micro-dureza 0,204 0,627 0,541 0,167 0,702 0,052 0,719 0,044 Micro-dureza -0,037 0,931 0,362 0,378 0,708 0,049 0,717 0,046 F corte [N] -0,255 0,543 Rugosidade [ Var no diâme Tensão resid Var no diâme -0,521 0,185 -0,015 0,972 Tensão resid 0,294 0,480 -0,026 0,951 -0,740 0,036 Micro-dureza 0,160 -0,490 0,458 ap Rugosidade [ F avanço [N] F penetração -0,502 169 0,705 0,217 0,254 0,205 Micro-dureza 0,738 0,037 0,045 0,916 -0,876 0,004 0,479 0,230 Micro-dureza 0,682 0,063 -0,364 0,375 -0,283 0,496 -0,049 0,908 Micro-dureza -0,179 0,672 Micro-dureza 0,678 0,065 0,602 0,114 Micro-dureza Micro-dureza Cell Contents: Pearson correlation P-Value 170 Análise de correlação considerando: Pastilha: 2015-1025 vc: 110-150 f: 0,2 ap: 0,25-0,5 Vc 0,000 1,000 ap F avanço [N] -0,067 0,874 0,976 0,000 F penetração -0,110 0,796 0,858 0,006 0,947 0,000 F corte [N] -0,082 0,846 0,985 0,000 0,995 0,000 0,925 0,001 Rugosidade [ 0,625 0,098 0,161 0,703 0,126 0,767 0,094 0,825 Var no diâme 0,596 0,119 -0,405 0,319 -0,331 0,423 -0,125 0,768 Tensão resid 0,084 0,843 -0,811 0,014 -0,841 0,009 -0,840 0,009 Micro-dureza 0,116 0,785 -0,423 0,296 -0,417 0,305 -0,405 0,319 Micro-dureza 0,063 0,881 0,374 0,362 0,379 0,355 0,410 0,313 Micro-dureza 0,150 0,723 -0,116 0,785 -0,106 0,802 -0,073 0,863 F corte [N] 0,073 0,863 Rugosidade [ Var no diâme Tensão resid Var no diâme -0,360 0,381 0,207 0,623 Tensão resid -0,829 0,011 -0,270 0,517 0,124 0,770 Micro-dureza -0,394 0,334 -0,570 0,140 0,173 0,682 ap Rugosidade [ F avanço [N] F penetração 0,753 0,031 171 Micro-dureza 0,410 0,313 0,033 0,939 0,031 0,941 -0,360 0,382 Micro-dureza -0,064 0,881 -0,492 0,216 0,179 0,672 0,424 0,295 Micro-dureza -0,254 0,544 Micro-dureza 0,723 0,043 0,485 0,224 Micro-dureza Micro-dureza Cell Contents: Pearson correlation P-Value 172 Análise de correlação considerando: Pastilha: 2015-1025 vc: 110-150 f: 0,1-0,2 ap: 0,25 Vc 0,000 1,000 f F avanço [N] -0,172 0,684 0,806 0,016 F penetração -0,035 0,934 0,868 0,005 0,977 0,000 F corte [N] -0,119 0,778 0,926 0,001 0,966 0,000 0,982 0,000 Rugosidade [ 0,028 0,947 0,848 0,008 0,450 0,263 0,576 0,135 Var no diâme 0,082 0,847 0,369 0,368 0,449 0,265 0,498 0,210 Tensão resid -0,555 0,154 0,512 0,195 0,423 0,297 0,352 0,393 Micro-dureza 0,100 0,813 0,365 0,374 0,618 0,102 0,552 0,156 Micro-dureza 0,211 0,617 0,722 0,043 0,706 0,050 0,785 0,021 Micro-dureza 0,203 0,629 0,710 0,048 0,862 0,006 0,872 0,005 F corte [N] 0,645 0,084 Rugosidade [ Var no diâme Tensão resid Var no diâme 0,413 0,309 0,370 0,366 Tensão resid 0,475 0,234 0,314 0,449 0,120 0,777 Micro-dureza 0,545 0,162 -0,129 0,761 -0,156 0,712 f Rugosidade [ F avanço [N] F penetração 0,178 0,674 173 Micro-dureza 0,744 0,034 0,648 0,083 0,394 0,334 -0,058 0,892 Micro-dureza 0,840 0,009 0,346 0,401 0,161 0,704 0,075 0,860 Micro-dureza 0,183 0,664 Micro-dureza 0,760 0,029 0,778 0,023 Micro-dureza Micro-dureza Cell Contents: Pearson correlation P-Value 174 Análise de correlação considerando: Pastilha: 2015-1025 vc: 110-150 f: 0,1-0,2 ap: 0,5 Vc 0,000 1,000 f F avanço [N] -0,243 0,562 0,867 0,005 F penetração -0,132 0,755 0,918 0,001 0,968 0,000 F corte [N] -0,115 0,786 0,972 0,000 0,956 0,000 0,967 0,000 Rugosidade [ 0,050 0,907 0,979 0,000 0,908 0,002 0,966 0,000 Var no diâme -0,300 0,470 0,425 0,294 0,294 0,480 0,344 0,404 Tensão resid 0,481 0,228 -0,408 0,315 -0,300 0,471 -0,358 0,384 Micro-dureza -0,218 0,603 -0,003 0,995 0,133 0,753 -0,032 0,940 Micro-dureza 0,076 0,859 0,340 0,409 0,496 0,212 0,420 0,300 Micro-dureza -0,129 0,761 0,238 0,571 0,460 0,251 0,270 0,518 F corte [N] 0,976 0,000 Rugosidade [ Var no diâme Tensão resid Var no diâme 0,343 0,405 0,362 0,378 Tensão resid -0,341 0,409 -0,342 0,407 -0,901 0,002 Micro-dureza 0,043 -0,048 0,466 f Rugosidade [ F avanço [N] F penetração -0,251 175 0,919 0,911 0,245 0,549 Micro-dureza 0,465 0,246 0,388 0,342 -0,561 0,148 0,598 0,117 Micro-dureza 0,364 0,376 0,234 0,577 -0,007 0,986 0,212 0,614 Micro-dureza -0,163 0,700 Micro-dureza 0,719 0,045 0,569 0,141 Micro-dureza Micro-dureza Cell Contents: Pearson correlation P-Value 176 Análise de correlação considerando: Pastilha: 1025 vc: 110 f: 0,1-0,2 ap: 0,25-0,5 (estudo da correlação entre micro-dureza e força de corte) ap f 0,000 1,000 ap F avanço [N] F penetração F avanço [N] 0,470 0,530 0,872 0,128 F penetração 0,832 0,168 0,522 0,478 0,872 0,128 F corte [N] 0,682 0,318 0,693 0,307 0,957 0,043 0,973 0,027 Rugosidade [ 0,726 0,274 -0,353 0,647 0,113 0,887 0,530 0,470 Var no diâme -0,907 0,093 -0,082 0,918 -0,554 0,446 -0,875 0,125 Tensão resid 0,585 0,415 -0,718 0,282 -0,402 0,598 0,042 0,958 Micro-dureza 0,091 0,909 0,160 0,840 0,049 0,951 -0,025 0,975 Micro-dureza 0,532 0,468 0,692 0,308 0,920 0,080 0,895 0,105 Micro-dureza 0,454 0,546 0,632 0,368 0,679 0,321 0,590 0,410 F corte [N] 0,387 0,613 Rugosidade [ Var no diâme Tensão resid Var no diâme -0,772 0,228 -0,873 0,127 Tensão resid -0,185 0,815 0,456 0,544 Rugosidade [ -0,316 0,684 177 Micro-dureza -0,054 0,946 -0,570 0,430 0,310 0,690 0,309 0,691 Micro-dureza 0,956 0,044 0,430 0,570 -0,741 0,259 -0,370 0,630 Micro-dureza 0,603 0,397 -0,264 0,736 -0,205 0,795 0,049 0,951 Micro-dureza -0,321 0,679 Micro-dureza 0,760 0,240 0,372 0,628 Micro-dureza Micro-dureza Cell Contents: Pearson correlation P-Value 178 Análise de correlação considerando: Pastilha: 1025 vc: 150 f: 0,1-0,2 ap: 0,25-0,5 (estudo da correlação entre micro-dureza e força de corte) ap f 0,000 1,000 ap F avanço [N] F penetração F avanço [N] 0,565 0,435 0,676 0,324 F penetração 0,737 0,263 0,512 0,488 0,971 0,029 F corte [N] 0,662 0,338 0,599 0,401 0,992 0,008 0,993 0,007 Rugosidade [ 0,966 0,034 -0,230 0,770 0,334 0,666 0,541 0,459 Var no diâme 0,570 0,430 0,456 0,544 0,307 0,693 0,352 0,648 Tensão resid 0,893 0,107 -0,307 0,693 0,141 0,859 0,355 0,645 Micro-dureza 0,355 0,645 -0,108 0,892 0,567 0,433 0,616 0,384 Micro-dureza 0,928 0,072 0,113 0,887 0,769 0,231 0,898 0,102 Micro-dureza 0,684 0,316 -0,006 0,994 0,727 0,273 0,823 0,177 F corte [N] 0,448 0,552 Rugosidade [ Var no diâme Tensão resid Var no diâme 0,342 0,658 0,526 0,474 Tensão resid 0,259 0,741 0,972 0,028 Rugosidade [ 0,594 0,406 179 Micro-dureza 0,589 0,411 0,258 0,742 -0,482 0,518 0,044 0,956 Micro-dureza 0,842 0,158 0,828 0,172 0,338 0,662 0,677 0,323 Micro-dureza 0,778 0,222 0,575 0,425 -0,112 0,888 0,371 0,629 Micro-dureza 0,647 0,353 Micro-dureza 0,921 0,079 0,893 0,107 Micro-dureza Micro-dureza Cell Contents: Pearson correlation P-Value 180 Análise de correlação considerando: Pastilha: 1025 vc: 110-150 f: 0,1 ap: 0,25-0,5 (estudo da correlação entre micro-dureza e força de corte) Vc 0,000 1,000 ap F avanço [N] -0,420 0,580 0,785 0,215 F penetração -0,267 0,733 0,785 0,215 0,983 0,017 F corte [N] -0,341 0,659 0,833 0,167 0,996 0,004 0,989 0,011 Rugosidade [ -0,453 0,547 -0,730 0,270 -0,616 0,384 -0,738 0,262 Var no diâme -0,743 0,257 0,557 0,443 0,580 0,420 0,428 0,572 Tensão resid 0,191 0,809 -0,664 0,336 -0,931 0,069 -0,976 0,024 Micro-dureza -0,196 0,804 0,236 0,764 0,701 0,299 0,770 0,230 Micro-dureza -0,738 0,262 0,010 0,990 0,625 0,375 0,583 0,417 Micro-dureza -0,302 0,698 0,202 0,798 0,710 0,290 0,760 0,240 F corte [N] -0,676 0,324 Rugosidade [ Var no diâme Tensão resid Var no diâme 0,556 0,444 0,120 0,880 Tensão resid -0,933 0,067 0,768 0,232 ap Rugosidade [ F avanço [N] -0,244 0,756 F penetração 181 Micro-dureza 0,678 0,322 -0,571 0,429 -0,076 0,924 -0,882 0,118 Micro-dureza 0,555 0,445 -0,019 0,981 0,303 0,697 -0,636 0,364 Micro-dureza 0,678 0,322 -0,488 0,512 -0,009 0,991 -0,866 0,134 Micro-dureza 0,789 0,211 Micro-dureza 0,994 0,006 0,854 0,146 Micro-dureza Micro-dureza Cell Contents: Pearson correlation P-Value 182 Análise de correlação considerando: Pastilha: 1025 vc: 110-150 f: 0,2 ap: 0,25-0,5 (estudo da correlação entre micro-dureza e força de corte) Vc 0,000 1,000 ap F avanço [N] -0,163 0,837 0,986 0,014 F penetração -0,397 0,603 0,917 0,083 0,970 0,030 F corte [N] -0,160 0,840 0,986 0,014 1,000 0,000 0,969 0,031 Rugosidade [ 0,663 0,337 -0,260 0,740 -0,396 0,604 -0,521 0,479 Var no diâme 0,700 0,300 -0,700 0,300 -0,798 0,202 -0,916 0,084 Tensão resid 0,035 0,965 -0,908 0,092 -0,881 0,119 -0,835 0,165 Micro [Ferri -0,062 0,938 -0,198 0,802 -0,140 0,860 -0,130 0,870 Micro [Auste 0,011 0,989 0,891 0,109 0,855 0,145 0,801 0,199 Micro [média -0,064 0,936 0,709 0,291 0,742 0,258 0,696 0,304 F corte [N] -0,398 0,602 Rugosidade [ Var no diâme Tensão resid Var no diâme -0,795 0,205 0,547 0,453 Tensão resid -0,879 -0,034 ap Rugosidade [ F avanço [N] 0,719 F penetração 183 0,121 0,966 0,281 Micro [Ferri -0,135 0,865 -0,677 0,323 0,232 0,768 0,586 0,414 Micro [Auste 0,853 0,147 0,095 0,905 -0,680 0,320 -0,998 0,002 Micro [média 0,746 0,254 -0,720 0,280 -0,443 0,557 -0,353 0,647 Micro [Ferri -0,621 0,379 Micro [Auste 0,550 0,450 0,312 0,688 Micro [Auste Micro [média Cell Contents: Pearson correlation P-Value 184 Análise de correlação considerando: Pastilha: 1025 vc: 110-150 f: 0,1-0,2 ap: 0,25 (estudo da correlação entre micro-dureza e força de corte) Vc 0,000 1,000 f F avanço [N] -0,384 0,616 0,799 0,201 F penetração -0,264 0,736 0,874 0,126 0,989 0,011 F corte [N] -0,242 0,758 0,910 0,090 0,976 0,024 0,997 0,003 Rugosidade [ -0,001 0,999 0,765 0,235 0,312 0,688 0,405 0,595 Var no diâme -0,527 0,473 0,422 0,578 0,197 0,803 0,206 0,794 Tensão resid -0,247 0,753 0,964 0,036 0,912 0,088 0,949 0,051 Micro [Ferri 0,000 1,000 0,430 0,570 0,762 0,238 0,745 0,255 Micro [Auste 0,504 0,496 0,664 0,336 0,081 0,919 0,221 0,779 Micro [média 0,172 0,828 0,663 0,337 0,801 0,199 0,832 0,168 F corte [N] 0,478 0,522 Rugosidade [ Var no diâme Tensão resid Var no diâme 0,262 0,738 0,799 0,201 Tensão resid 0,971 0,029 0,671 0,329 f Rugosidade [ F avanço [N] 0,461 0,539 F penetração 185 Micro [Ferri 0,696 0,304 -0,253 0,747 -0,485 0,515 0,507 0,493 Micro [Auste 0,295 0,705 0,863 0,137 0,422 0,578 0,459 0,541 Micro [média 0,807 0,193 0,037 0,963 -0,349 0,651 0,671 0,329 Micro [Ferri -0,213 0,787 Micro [Auste 0,943 0,057 0,125 0,875 Micro [Auste Micro [média Cell Contents: Pearson correlation P-Value 186 Análise de correlação considerando: Pastilha: 1025 vc: 110-150 f: 0,1-0,2 ap: 0,5 (estudo da correlação entre micro-dureza e força de corte) Vc 0,000 1,000 f F avanço [N] -0,364 0,636 0,905 0,095 F penetração -0,248 0,752 0,968 0,032 0,956 0,044 F corte [N] -0,191 0,809 0,978 0,022 0,973 0,027 0,990 0,010 Rugosidade [ 0,009 0,991 1,000 0,000 0,895 0,105 0,966 0,034 Var no diâme -0,087 0,913 -0,786 0,214 -0,544 0,456 -0,766 0,234 Tensão resid 0,715 0,285 0,676 0,324 0,391 0,609 0,469 0,531 Micro [Ferri -0,257 0,743 -0,022 0,978 0,288 0,712 0,000 1,000 Micro [Auste -0,364 0,636 0,931 0,069 0,978 0,022 0,991 0,009 Micro [média -0,415 0,585 0,568 0,432 0,823 0,177 0,621 0,379 F corte [N] 0,974 0,026 Rugosidade [ Var no diâme Tensão resid Var no diâme -0,700 0,300 -0,803 0,197 Tensão resid 0,540 0,460 0,678 0,322 f Rugosidade [ F avanço [N] -0,485 0,515 F penetração 187 Micro [Ferri 0,110 0,890 -0,049 0,951 0,630 0,370 -0,025 0,975 Micro [Auste 0,981 0,019 0,927 0,073 -0,692 0,308 0,372 0,628 Micro [média 0,695 0,305 0,546 0,454 0,024 0,976 0,214 0,786 Micro [Ferri 0,087 0,913 Micro [Auste 0,781 0,219 0,690 0,310 Micro [Auste Micro [média Cell Contents: Pearson correlation P-Value 188 Análise de correlação considerando: Pastilha: 1025 vc: 110-150 f: 0,1-0,2 ap: 0,5 (estudo da correlação entre tensão residual e variação dimensional) (ver página 183) 189 Análise de correlação considerando: Pastilha: 2015 vc: 110-150 f: 0,1-0,2 ap: 0,5 (estudo da correlação entre tensão residual e variação dimensional) Vc 0,000 1,000 f F avanço [N] -0,132 0,868 0,958 0,042 F penetração -0,039 0,961 0,977 0,023 0,995 0,005 F corte [N] -0,029 0,971 0,997 0,003 0,976 0,024 0,989 0,011 Rugosidade [ 0,089 0,911 0,991 0,009 0,964 0,036 0,986 0,014 Var no diâme -0,468 0,532 0,711 0,289 0,876 0,124 0,824 0,176 Tensão resid 0,543 0,457 -0,826 0,174 -0,902 0,098 -0,860 0,140 Micro [Ferri -0,212 0,788 0,026 0,974 0,300 0,700 0,240 0,760 Micro [Auste 0,815 0,185 -0,542 0,458 -0,679 0,321 -0,604 0,396 Micro [média 0,446 0,554 -0,409 0,591 -0,249 0,751 -0,249 0,751 F corte [N] 0,992 0,008 Rugosidade [ Var no diâme Tensão resid Var no diâme 0,758 0,242 0,718 0,282 Tensão resid -0,849 0,151 -0,785 0,215 f Rugosidade [ F avanço [N] -0,922 0,078 F penetração 190 Micro [Ferri 0,096 0,904 0,108 0,892 0,630 0,370 -0,286 0,714 Micro [Auste -0,578 0,422 -0,486 0,514 -0,874 0,126 0,921 0,079 Micro [média -0,369 0,631 -0,283 0,717 -0,082 0,918 0,458 0,542 Micro [Ferri -0,387 0,613 Micro [Auste 0,673 0,327 0,422 0,578 Micro [Auste Micro [média Cell Contents: Pearson correlation P-Value 191 Análise de correlação considerando: Pastilha: 1025-2015 vc: 110 f: 0,1-0,2 ap: 0,5 (estudo da correlação entre tensão residual e variação dimensional) f 0,947 0,053 F avanço [N] F penetração 0,958 0,042 0,999 0,001 F corte [N] 0,996 0,004 0,969 0,031 0,979 0,021 Rugosidade [ 0,990 0,010 0,983 0,017 0,989 0,011 0,997 0,003 Var no diâme 0,309 0,691 0,039 0,961 0,058 0,942 0,221 0,779 Tensão resid -0,540 0,460 -0,390 0,610 -0,392 0,608 -0,476 0,524 Micro [Ferri -0,884 0,116 -0,985 0,015 -0,980 0,020 -0,922 0,078 Micro [Auste 0,526 0,474 0,511 0,489 0,536 0,464 0,561 0,439 Micro [média -0,653 0,347 -0,785 0,215 -0,760 0,240 -0,671 0,329 Rugosidade [ 0,192 0,808 Var no diâme Tensão resid Micro [Ferri Tensão resid -0,480 0,520 -0,863 0,137 Micro [Ferri -0,941 0,059 0,134 0,866 0,240 0,760 Micro [Auste 0,526 0,474 -0,319 0,681 0,372 0,628 F avanço [N] Var no diâme F penetração F corte [N] -0,557 0,443 192 Micro [média Micro [média -0,721 0,279 -0,086 0,914 Micro [Auste 0,105 0,895 Cell Contents: Pearson correlation P-Value 0,574 0,426 0,767 0,233 193 Análise de correlação considerando: Pastilha: 1025-2015 vc: 150 f: 0,1-0,2 ap: 0,5 (estudo da correlação entre tensão residual e variação dimensional) F avanço [N] f F avanço [N] 0,914 0,086 F penetração F corte [N] F penetração 0,912 0,088 0,978 0,022 F corte [N] 0,972 0,028 0,982 0,018 0,960 0,040 Rugosidade [ 0,975 0,025 0,967 0,033 0,980 0,020 0,985 0,015 Var no diâme 0,586 0,414 0,276 0,724 0,409 0,591 0,399 0,601 Tensão resid -0,445 0,555 -0,155 0,845 -0,318 0,682 -0,260 0,740 Micro [Ferri 0,936 0,064 0,744 0,256 0,712 0,288 0,856 0,144 Micro [Auste 0,234 0,766 0,540 0,460 0,387 0,613 0,438 0,562 Micro [média 0,768 0,232 0,853 0,147 0,727 0,273 0,856 0,144 Rugosidade [ 0,512 0,488 Var no diâme Tensão resid Micro [Ferri Tensão resid -0,397 0,603 -0,979 0,021 Micro [Ferri 0,835 0,165 0,612 0,388 -0,442 0,558 Micro [Auste 0,312 0,688 -0,649 0,351 0,748 0,252 Var no diâme 0,123 0,877 194 Micro [média Micro [média 0,755 0,245 -0,048 0,952 Micro [Auste 0,766 0,234 Cell Contents: Pearson correlation P-Value 0,227 0,773 0,732 0,268 195 Análise de correlação considerando: Pastilha: 1025-2015 vc: 110-150 f: 0,1 ap: 0,5 (estudo da correlação entre tensão residual e variação dimensional) Vc -0,728 0,272 F avanço [N] F penetração -0,592 0,408 0,933 0,067 F corte [N] -0,613 0,387 0,985 0,015 0,910 0,090 Rugosidade [ 0,061 0,939 0,557 0,443 0,766 0,234 0,610 0,390 Var no diâme -0,512 0,488 -0,198 0,802 -0,234 0,766 -0,358 0,642 Tensão resid 0,466 0,534 0,267 0,733 0,368 0,632 0,410 0,590 Micro [Ferri -0,925 0,075 0,517 0,483 0,279 0,721 0,414 0,586 Micro [Auste 0,115 0,885 0,589 0,411 0,597 0,403 0,713 0,287 Micro [média -0,740 0,260 0,913 0,087 0,706 0,294 0,916 0,084 Rugosidade [ -0,658 0,342 Var no diâme Tensão resid Micro [Ferri Tensão resid 0,798 0,202 -0,977 0,023 Micro [Ferri -0,401 0,599 0,598 0,402 F avanço [N] Var no diâme F penetração -0,630 0,370 F corte [N] 196 Micro [Auste 0,791 0,209 -0,908 0,092 0,923 0,077 -0,282 0,718 Micro [média 0,246 0,754 -0,160 0,840 0,143 0,857 0,679 0,321 Micro [média Micro [Auste 0,513 0,487 Cell Contents: Pearson correlation P-Value 197 Análise de correlação considerando: Pastilha: 1025-2015 vc: 110-150 f: 0,2 ap: 0,5 (estudo da correlação entre tensão residual e variação dimensional) Vc -0,076 0,924 F avanço [N] F penetração -0,116 0,884 0,992 0,008 F corte [N] -0,346 0,654 0,914 0,086 0,953 0,047 Rugosidade [ 0,368 0,632 0,898 0,102 0,880 0,120 0,716 0,284 Var no diâme 0,763 0,237 0,586 0,414 0,548 0,452 0,308 0,692 Tensão resid 0,768 0,232 -0,556 0,444 -0,534 0,466 -0,592 0,408 Micro [Ferri 0,884 0,116 -0,532 0,468 -0,558 0,442 -0,711 0,289 Micro [Auste 0,023 0,977 -0,312 0,688 -0,198 0,802 -0,005 0,995 Micro [média 0,704 0,296 -0,568 0,432 -0,533 0,467 -0,560 0,440 Rugosidade [ 0,880 0,120 Var no diâme Tensão resid Micro [Ferri Tensão resid -0,158 0,842 0,259 0,741 Micro [Ferri -0,106 0,894 0,373 0,627 0,926 0,074 Micro [Auste -0,225 0,775 -0,193 0,807 0,554 0,446 F avanço [N] Var no diâme F penetração F corte [N] 0,199 0,801 198 Micro [média Micro [média -0,192 0,808 Micro [Auste 0,640 0,360 Cell Contents: Pearson correlation P-Value 0,199 0,801 0,994 0,006 0,880 0,120 199 ANEXO C – REGRESSÃO PARA MODELO DA TENSÃO RESIDUAL EM FUNÇÃO DOS PARÂMETROS DE CORTE E DA TENSÃO RESIDUAL EM FUNÇÃO DA VARIAÇÃO DIMESIONAL 200 Regressão com todos os valores da pastilha de classe 1025 Regression Analysis: Tensão residual [MPa] versus Vc; f; ap The regression equation is Tensão residual = 320 + 0,20 Vc + 1232 f - 390 ap Predictor Constant Vc f ap Coef 319,6 0,204 1232,0 -390,2 S = 60,7229 SE Coef 168,0 1,073 429,4 171,8 R-Sq = 77,1% T 1,90 0,19 2,87 -2,27 P 0,130 0,859 0,046 0,086 R-Sq(adj) = 59,8% Analysis of Variance Source Regression Residual Error Total Source Vc f ap Obs 1 2 3 4 5 6 7 8 DF 1 1 1 Vc 110 150 110 150 110 150 110 150 DF 3 4 7 SS 49521 14749 64270 MS 16507 3687 Fit 367,6 375,8 490,8 499,0 270,1 278,2 403,3 401,4 SE Fit 42,9 42,9 42,9 42,9 42,9 42,9 42,9 42,9 F 4,48 P 0,091 Seq SS 133 30356 19032 Tensão residual 354,3 326,4 560,0 492,5 281,5 329,5 346,0 406,0 Residual -13,3 -49,4 69,2 -6,5 11,4 51,3 -57,3 4,6 St Resid -0,31 -1,15 1,61 -0,15 0,27 1,19 -1,46 0,11 201 Regression Analysis: Tensão residual [MPa] versus Var no diâmetro [mm] The regression equation is Tensão residual [MPa] = 416 + 1526 Var no diâmetro [mm] Predictor Constant Var no diâmetro [mm] S = 123,198 Coef 416,24 1526 R-Sq = 0,1% SE Coef 75,46 10913 T 5,52 0,14 P 0,000 0,891 R-Sq(adj) = 0,0% Analysis of Variance Source Regression Residual Error Total Obs 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 Var no diâmetro [mm] -0,005 -0,005 -0,006 -0,001 -0,013 -0,006 -0,008 -0,002 -0,006 -0,011 -0,007 -0,006 -0,004 -0,007 -0,007 -0,007 DF 1 14 15 SS 297 212487 212784 Tensão residual [MPa] 572,0 299,5 484,5 417,0 434,5 654,0 222,5 345,5 354,3 326,4 560,0 492,5 281,5 329,5 326,0 406,0 MS 297 15178 Fit 408,6 408,6 407,1 414,7 396,4 407,1 404,0 413,2 407,1 399,5 405,6 407,1 410,1 405,6 405,6 405,6 F 0,02 SE Fit 34,0 34,0 31,0 65,6 79,2 31,0 35,9 56,2 31,0 59,7 31,7 31,0 39,8 31,7 31,7 31,7 P 0,891 Residual 163,4 -109,1 77,4 2,3 38,1 246,9 -181,5 -67,7 -52,8 -73,1 154,4 85,4 -128,6 -76,1 -79,6 0,4 St Resid 1,38 -0,92 0,65 0,02 0,40 X 2,07R -1,54 -0,62 -0,44 -0,68 1,30 0,72 -1,10 -0,64 -0,67 0,00 R denotes an observation with a large standardized residual. X denotes an observation whose X value gives it large influence.