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2 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
GrupoVila
60 anos entre a vida e a morte
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M141g
Macedo, Myrla Celene Oliveira de.
Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte / Myrla Celene Oliveira
de Macedo, Branca de Paula Braga, Aline Ricciardi Carneiro. – Natal,
2008.
65f.
TCC – Projeto (Graduação em Comunicação Social – Jornalismo) –
Universidade Potiguar. Pró-Reitoria de Graduação.
Bibliografia f.135-142.
1. Comunicação Social – Jornalismo – Projeto. 2. Morte – Grupo Vila.
3. Vida – Grupo Vila. 4. Luto – Grupo Vila. 5. Grupo Vila – Trajetória.
I. Braga, Branca de Paula. II. Carneiro, Aline Ricciardi. I. Título.
RN/UnP/BCNC
CDU: 070(043)
4 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
GrupoVila
60 anos entre a vida e a morte
Aline Ricciardi
Branca Braga
Myrla Oliveira
5
Dedicamos este trabalho a todos que,
de forma direita ou indireta,
nos ajudaram em sua conclusão.
De forma especial, a nossa família pela
compreensão e apoio.
6 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Agradecimentos
H
á muitas pessoas que eu gostaria de agradecer durante toda a trajetória da minha vida. Muitos que
estiveram e estão ao meu lado até hoje me apoiando,
me aconselhando e, principalmente, me ajudando a ser uma
pessoa melhor a cada dia. Todas as pessoas que já conheci
até os dias de hoje, com certeza são especiais e estarão para
sempre em meu coração.
Em primeiro lugar, agradeço a Deus todos os dias pela
minha existência, pela oportunidade única que é viver. É dormir
todos os dias com o brilho das estrelas nos olhos e acordar com
um sol no sorriso, me mostrando sempre que apesar de todos os
obstáculos, viver sempre vale à pena. E o melhor presente Deus
me deu: a vida, me ensinando a lutar pelo que é meu.
7
Depois vem aquela que, junto de Deus, me colocou
no mundo e tenta de todas as maneiras, até hoje, me ensinar
o que é certo, a ser uma pessoa de bem, aquela que sempre
meu deu amor, carinho, puxões de orelha quando precisei e
sempre me apóia e me ampara nos momentos mais difíceis e
dolorosos da minha vida. Por ela, um amor incondicional. A
você, minha mãe querida, muito obrigada por tudo. Por tudo
mesmo. Amo-te para sempre. Um amor além da vida.
Ao meu padrinho, Telmo, e minha prima, Andrea, que
sempre estiveram ao meu lado nos melhores momentos e uma
palavra amiga e um ombro para chorar quando as coisas não
estavam bem. A essas pessoas, o meu muito obrigada e que
recebam sempre em dobro todas as coisas boas que vocês já
me ofereceram ao longo desses 28 anos da minha existência.
Amo vocês de todo meu coração!
Aos meus amigos, Felipe, Monique, Carlos e Rossana,
que sempre acreditaram em mim e que estiveram ao meu
lado em todos os momentos.
Aos funcionários do Grupo Vila, que me acolheram e
me ajudaram com informações riquíssimas para o desenvolvimento do livro-reportagem.
A todos, obrigada por tudo e perdão pelas falhas cometidas ao longo dessa jornada. É para todos vocês que eu
dedico este trabalho, pois se eu consegui chegar até aqui foi
8 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
porque vocês acreditaram em mim e não deixaram que eu
desistisse em momento algum. E vamos celebrar a vida para
que a nossa morte seja apenas uma passagem para outra
vida ainda melhor.
Ao orientador, Manoel Pereira, a minha imensa gratidão por todo carinho e paciência nesses dois últimos anos
e principalmente neste último semestre. O que seria desse
trabalho sem você, né, Manoel, sem seus conselhos, orientações e puxões de orelha? Com certeza, nada seria. Obrigada
por tudo!
Às minhas amigas Branca Braga e Myrla Oliveira, por
todos os perrengues que passamos juntas e por acreditarmos
sempre umas nas outras.
Aline Ricciardi
9
Agradecimentos
Q
uero agradecer primeiramente à Deus, por estar
sempre perto de mim, me ajudando a vencer mais
essa etapa da minha vida.
À minha mãe, Daniela Sá, que sempre esteve ao meu lado
nos momentos em que mais precisei. Ao meu pai, Paulo Henrique, muito obrigada pelos valores que me ensinastes. Tenho
certeza de que sem eles não conseguiria ter chegado até aqui.
Ao meu esposo, namorado, amigo e companheiro, Vagner Araújo, meu maior incentivador. Obrigada pela paciência, apoio e por sempre ter acreditado em mim.
Ao meu filho Daniel, pelo simples fato de existir. O meu
amor por você me faz cada vez mais ter vontade e força para
encarar desafios como este.
10 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
À Manoel Pereira, meu orientador. O que seria da gente
sem você, hein? Muito obrigada pela atenção dedicada, pelos
trabalhos corrigidos nos finais de semana, por tudo de bom
que nos ensinaste durante esses dois anos de convívio.
À minha irmã Maria Fernanda, à minha madrasta e jornalista, Thaísa Galvão. Obrigada pelos “toques”. Com certeza
você também é responsável pela realização desse sonho.
As minhas avós, Neide Sá e Ivany de Lima. Ao meu “tio”
Ronaldo Santos, muito obrigada pela força.
Aos meus enteados, Dante, Douglas e Paula. Vocês foram muito legais, viu?
As meninas que trabalham comigo, Jane, Andréa e Ceiça, obrigada por tudo. Vocês foram fundamentais para a realização deste trabalho.
As minhas amigas de Psicologia, Magali, Mara, Rafa,
Carol e Úrsula. Meninas, sem a ajuda de vocês nada disso
seria possível. Obrigada mesmo.
E a todas as outras pessoas que de alguma forma contribuíram para a realização deste trabalho. Muito obrigada.
Aos diretores e funcionários do Grupo Vila que nos ajudaram na realização desse trabalho.
Branca Braga
11
Agradecimentos
A
realização desse trabalho só tornou-se possível mediante a colaboração essencial de várias pessoas. Diante da
impossibilidade de agradecer individualmente a cada
uma delas, quero, aqui, aproveitar esse espaço para demonstrar
minha gratidão a todos que me acompanharam e estimularam
durante todo o processo de produção deste livro.
Agradeço, primeiramente, a Deus, por ter conseguido
vencer mais esse desafio e por todas as bênçãos que Ele me
concede diariamente.
À minha mãe, pelo apoio, incentivo e força durante todos os dias de minha vida. Por acreditar em mim e não me
deixar desistir, mesmo diante dos empecilhos que sempre
surgem.
12 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Ao meu pai e meus irmãos, pela torcida e por entenderem as ausências.
Aos meus avós, alicerces da minha vida.
Ao orientador e amigo, Prof. Dr. Manoel Pereira, pela
paciência, pelas inúmeras leituras, pelo carinho, pela amizade, pelo ânimo, pelo apoio e estímulos constantes.
Aos diretores do Grupo Vila, Eduardo Vila, Magno Vila
e Nilo Vila, que se dispuseram a nos contar suas memórias,
e aos gestores Heber Vila e Tatiana Rocha, que compreenderam a importância do nosso trabalho e se dispuseram a
ajudar no que fosse preciso.
Aos funcionários do grupo, pela colaboração e pela
abertura em participar desse projeto.
Aos meus companheiros de trabalho, Alessandra Oliveira, Rafael Kazuo e João Lucas, pela compreensão nas horas mais críticas.
Ao amigo Airton Minchoni, pela paciência, pelas dicas,
pelo estímulo e pela ajuda até a realização do trabalho final.
Aos amigos Vânia Teodoro, Giselle Gadelha, Cleice Magalhães, Edwin Carvalho e Erika Zuza pela amizade e apoio
constantes.
À Branca Braga e Aline Ricciardi, amigas que trocaram
comigo as angústias vividas nesse período acadêmico.
À Daniela Mercury, amiga, fonte de força e inspi-
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ração, pelas músicas, pelo carinho, pela generosidade e
pelo amor.
À Leonardo Gamberoni, pela concepção gráfica desde livro.
Aos colegas de curso que estiveram junto a mim por
toda essa jornada.
Myrla Oliveira
14 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Prefácio
Nisto erramos: em ver a morte à
nossa frente, como um acontecimento
futuro, enquanto grande parte dela já
ficou para trás. Cada hora do nosso
passado pertence à morte.
Sêneca
15
A
morte é, ainda, um tema polêmico e controverso.
Abordar essa temática em qualquer meio da nossa
sociedade, desperta a sensação de angústia e de pavor entre as pessoas. Indago-me: porque a morte é algo tão
intrigante?
Nas páginas a seguir deste livro-reportagem, produzido
como projeto experimental de conclusão de curso, as autoras
privilegiaram discutir esse assunto, destacando a presença de
uma dos principais grupos empresariais do estado do Rio Grande do Norte que atua nesse setor mortuário, o Grupo Vila.
O referido grupo comemora agora, em 2008, 60 anos
de atuação e de prestação de serviço à sociedade norte-riograndense. Atua na seara da morte e das suas implicações,
no que se refere aos serviços funerais, como centros de velório, sepultamento e cemitérios. Por outro lado, a empresa
também oferece serviços relacionados à vida, como planos de
assistências à saúde, projetos sociais e de âmbito da qualidade de vida de idosos.
Por causa disso, as autoras escolheram um título bastante pertinente: ‘60 anos entre a vida e a morte’, e traçaram os
capítulos deste livro em consonância e em sintonia com o que
significa morrer. Elas trazem à baila os profissionais que trabalham com esse tipo de atividade que, muitas vezes, são consideradas profissões subalternas e de segunda categoria, como
16 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
coveiro, agente funeral, entre outras funções, que, geralmente,
são apelidados de modo jocoso como “papas-defunto”.
As autoras desmistificam neste livro, de certo modo, o
paradigma de morte na nossa concepção ocidental, e traçam,
através da tessitura dos seus textos e do cenário da atuação
do Grupo Vila, o que significa morrer e viver.
Nos capítulos seguintes, nota-se também, a importância ao destacar os projetos sociais e de bem-estar do referido
grupo, desmistificando também, que não apenas os serviços
após a morte são oferecidos, como acredita a maioria da população do nosso estado, nesses 60 anos do Grupo Vila.
Sem perder o foco, as autoras souberam aliar essa grande reportagem sobre o tema morte com a mídia, mais especificamente, com o Jornalismo, área de interesse e de atuação das produtoras dessa obra. Trazer o panorama de como
a imprensa local trata e aborda o tema, e o objeto de análise,
através dos fragmentos dos jornais, como o dia de finados,
por exemplo, nos faz refletir sobre importância dessa data e
da representação da morte e da vida em nossas vidas.
Adentrar nesse tema é viajar nas páginas desse livroreportagem, com o cuidado da seleção cuidadosa das fontes.
Os caminhos percorridos pelas autoras, na busca de construir uma grande reportagem, nos padrões que as técnicas
jornalistas exigem, tornam o tema mais ameno e mais insti-
17
gante. Esse trabalho também possibilita conhecer a atuação
e a trajetória do Grupo Vila, sem tornar-se um trabalho de
cunho publicitário ou piegas.
Morrer faz parte da vida. Viver é apenas uma trajetória
estabelecida entre o nascimento e a morte da nossa matéria, o
corpo. Viver e morrer são etapas da vida que todos nós vivenciamos e temos a certeza que existem. Apropriando-me das
palavras das autoras, “a morte é a única certeza da vida”.
Finalizo, reportando-me a uma canção que diz, mais ou
menos, assim: “todo mundo quer ir para o céu, mas ninguém
quer morrer”. Após a leitura deste livro, creio que você vai
pensar de modo diferente sobre a morte, sobre o fim.
Manoel Pereira da Rocha Neto
Jornalista e professor de Comunicação Social
18 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Sumário
Capítulo I Grupo Vila: 60 anos entre a vida
e a morte
19
Capítulo II
Há vida após a morte
37
Capítulo III Morte: a única certeza da vida
57
Capítulo IV A vida além da morte
77
Capítulo V
105
Morte e vida por meio da mídia: Grupo Vila e o Dia de Finados
Posfácio
131
Referências
135
19
20 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Capítulo I
Grupo Vila: 60 anos
entre a vida e a morte
“A morte é apenas uma travessia do mundo,
tal como os amigos que atravessam o mar
e permanecem vivos uns nos outros.”
William Penn
21
U
ma cidade com ares de província, com pouco mais
de 100 mil habitantes, em que tudo estava ainda no
começo. Esta era Natal na década de 1940. Na época,
as funerárias eram poucas e modestas, com carros fúnebres
de carroceria de madeira e cortina de veludo.
“Quando papai criou a São Francisco, só existiam quatro funerárias na cidade: Nossa Senhora do Carmo, na Rua
Gonçalves Ledo, e São Vicente de Paulo, na Rua Princesa Isabel, na Cidade Alta, São Jorge, na Rua São Jorge, nas Rocas,
e Caminho do Céu, na Avenida Presidente Bandeira, aqui no
Alecrim”, disse Magno Vila, um dos diretores do Grupo Vila.
Foi nesse cenário que, em 1948, Aurino Vila, então com
34 anos, alugou um ponto comercial na Avenida Coronel Estevam, no bairro do Alecrim, para montar uma pequena empresa: a Casa Mortuária São Francisco das Chagas, que se tornaria
uma das mais tradicionais empresas do ramo no Nordeste.
Aurino Alexandrino Vila nasceu em 06 de janeiro de
1914, filho de Ana Ferreira Vila e Virgílio Alexandrino Vila.
Casou-se com Francisca Hermelinda Vila, carinhosamente
chamada de Cotinha Vila, nascida em 16 de maio de 1916,
com quem teve oito filhos: Áurea, Aurino, Eduardo, Fernando, Magno, Nilo, Salete e Virgílio.
“Vovô era tio legítimo de vovó, e isso nunca trouxe
problemas para nossa família”, disse Magno rindo, referindo-
22 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
se à crendice popular de que parentes de primeiro e segundo
grau não podem se casar, sob o risco de que seus filhos nasçam com problemas mentais.
Em 1948, Aurino Vila decidiu mudar de vida e alterar
a maneira como as pessoas lidavam com a perda de entes
queridos. Aurino já trabalhara em uma mercearia e em uma
loja de tecidos, antes de ser proprietário de funerária, indo de
encontro à vontade de sua mãe.
“Mamãe nunca deu opinião sobre papai ser dono de
funerária. Aliás, naquele tempo, a mulher não podia dizer
muita coisa, né? Lembro como se fosse hoje que, quando
papai chegava em casa, a mesa já estava pronta, os chinelos estavam à porta e a roupa dele, em cima da cama”,
relembra Magno.
A Casa Mortuária São Francisco das Chagas começou
com um Ford-29 como carro fúnebre. Dois anos depois, uma
Fargo-48 com carroceria de madeira e cortina de veludo com
franjas douradas foi adquirida. O ponto alugado dera lugar
a uma sede própria, também na Avenida Coronel Estevam,
para ampliar os serviços funerários. No mesmo prédio, mandou também construir um primeiro andar para ser a nova
residência da família.
Com a participação dos filhos nos negócios e o crescimento da empresa, em 1962, Virgílio Neto adquiriu uma
23
Pick-up Chevrolet 0 km, que foi transformada em carro fúnebre, mantendo a carroceria de madeira.
“Papai dizia que era muito importante estudar e sempre deu oportunidade a todos nós. Nunca nos faltou nada e
não éramos obrigados a trabalhar, porque nossa única obrigação era estudar e terminar o científico”, comenta Magno.
“Alguns de nós quiseram continuar os estudos, como é o caso
de Eduardo e Virgílio. Eu, Aurino, Nilo e Fernando resolvemos trabalhar na funerária”.
Segundo o artigo Empresa Familiar: entre o profissional e o afetivo, de Luciana Lyra, as empresas familiares são
a forma predominante de empresas em todo o mundo. Nas
economias capitalistas, a maioria das empresas se inicia com
idéias, o empenho e o investimento de indivíduos empreendedores junto com seus familiares.
No início dos anos 1950, Aurino Vila comprou a Funerária São Vicente, na Rua Princesa Isabel, e montou uma filial
da São Francisco. Algum tempo depois, o prédio foi vendido e
a segunda unidade da empresa mudou-se para a Avenida Rio
Branco, no bairro de Cidade Alta.
Após várias mudanças e com a morte do seu fundador, em 1965, por problemas cardíacos, a empresa iniciou
uma nova fase, com a participação ativa dos filhos em sua
administração. Mas não foi nada fácil. “Nós éramos origi-
24 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
nalmente do Alecrim e conhecidos como uma empresa do
Alecrim. E, por este ser um bairro popular de Natal, éramos vistos de uma forma depreciativa, até pelo fato também de sermos um serviço funerário”, relembra Eduardo
Vila, diretor do Grupo.
Com sua morte, Aurino Vila deixou a viúva e oito filhos,
três já casados, quatro ainda adolescentes e o caçula, de apenas oito anos.
Os negócios foram administrados por Aurino Filho e
Magno. A empresa experimentou um acentuado desenvolvimento e, pela primeira vez, passaram a dispor de um carro
que não fossem os fúnebres.
“Quando terminei o científico, meu irmão (Aurino) perguntou se eu queria trabalhar ou continuar os estudos. Eu
não tive dúvidas, porque sempre quis trabalhar e, além disso,
eu não gostava muito de estudar (risos)”, lembra Magno.
“Eu, Nilo e Fernando nunca pensamos em fazer outra
coisa na vida. Trabalhar nas funerárias de papai foi escolha
nossa”, completa Magno. Desde que assumiram, há 43 anos,
mergulharam de cabeça nos negócios da família.
Apenas em 1968, a Funerária São Francisco passou a
funcionar no atual endereço, na Avenida Presidente Bandeira, também no Alecrim, onde, até hoje, o Grupo Vila mantém
um escritório e uma unidade da funerária.
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“Um conhecido nosso herdou a Funerária Nossa Senhora do Carmo do pai, mas como ele era formado em odontologia e professor da universidade, não tinha interesse em
desenvolver o negócio. A funerária ainda funcionou um tempo, mas depois ele resolveu vender tudo e nós compramos o
prédio, os carros e até aproveitamos alguns funcionários”,
diz Magno.
Com a idéia de diversificar os negócios e inovar, esses
jovens administradores criaram, no final dos anos 1960, uma
loja de presentes finos, a Cristo Redentor, na Avenida Coronel Estevam, no prédio de propriedade de Aurino Vila, onde
funcionava antes a Funerária São Francisco, que se mudou
para Avenida Presidente Bandeira. Na loja, administrada por
Cotinha Vila, Aurino Filho e Fernando, a população natalense
podia encontrar os melhores presentes em porcelana, prata,
inox, adorno, etc. Apesar da excelência do empreendimento,
não ocorreu o retorno previsto.
Algum tempo depois, a loja Cristo Redentor mudou-se
para a Avenida Marechal Deodoro da Fonseca, próximo ao
Colégio Imaculada Conceição. A família passou, então, a morar na casa que havia na lateral da loja.
Houve mais duas tentativas de ampliar os negócios
da empresa: a primeira foi a fundação do Hotel San Francisco, também na Avenida Coronel Estevam, no início dos anos
26 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
1970; e a outra, em 1984, foi a construção de um centro de
velório, que seria o primeiro do Rio Grande do Norte, mas as
obras foram abandonadas por falta de recursos.
Aurino Filho pensou em criar o Hotel San Francisco
para oferecer ao Alecrim um serviço de hospedagem adequado à importância comercial do bairro.
Os Vila sempre tiveram uma relação muito forte com
o Alecrim, pois a família morou no bairro quase toda a vida.
“Na época da criação da funerária, toda nossa família morava
ou tinha algum comércio aqui no Alecrim. Nós já moramos
em praticamente todos os lados desse quarteirão (onde existe atualmente o escritório do Grupo). Moramos na Avenida
dos Pajeus, na Presidente Quaresma e na Coronel Estevam”,
relembra Magno.
A importância do bairro do Alecrim para a cidade do
Natal não se resume apenas à disponibilidade dos serviços e
à existência de um grandioso espaço comercial. É mais que
isso. Localizado em uma área central, com a existência de longas avenidas, o deslocamento para qualquer parte da cidade
se torna facilitado. O fluxo viário, as ruas especializadas pelo
comércio em toda a sua organização urbana, na época, não
implicariam na mudança de algumas características do bairro como a permanência de um grande número de residências
e a manutenção de importantes feiras populares.
27
Com a criação do hotel, Aurino passou a administrar
exclusivamente esse empreendimento. A mãe, Cotinha Vila,
e o irmão, Fernando, cuidavam da loja Cristo Redentor.
Virgílio se desligou dos negócios em 1963, pois se formou em odontologia e resolveu seguir a profissão. Fernando
também se afastaria dos negócios para montar sua própria
funerária, a Menino Jesus, que funciona até hoje na antiga
casa da família, na Avenida Coronel Estevam.
Eduardo Vila formou-se em engenharia civil e mudouse para Manaus, na Amazônia, para exercer a profissão. Trabalhou na cidade por 10 anos, então, voltou para Natal para
se juntar aos irmãos na administração dos empreendimentos
do Grupo Vila.
A empresa comprou um terreno na Rua Alberto Silva
com Avenida Hermes da Fonseca, próximo ao Hospital Walfredo Gurgel, para construção do primeiro centro de velório
da cidade do Natal. No entanto, em virtude de muitas despesas com o Hotel San Francisco, o terreno foi vendido e, no local, foram erguidos quatro blocos de apartamentos que existem até hoje. O condomínio foi construído pela empresa de
engenharia que Eduardo Vila mantinha, paralelamente aos
negócios do Grupo, com alguns amigos de faculdade.
No final da década de 1970, compraram um terreno
na Avenida Afonso Pena, no Tirol, na segunda tentativa de
28 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
construção do centro de velório. Mais uma vez, os gastos com
o Hotel San Francisco impediram o Grupo Vila de dar continuidade a esse projeto e o espaço foi vendido.
Surgiram, então, concorrentes, que passaram a incomodar e, até mesmo, ultrapassar em volume de vendas, a tradicional Funerária São Francisco.
Nessa mesma época, outra empresa construiu o Centro de Velório, na Avenida Hermes da Fonseca, em frente 16º
Batalhão da Infantaria Motorizada, que, durante quatro anos,
foi o único centro velatório de Natal.
Com o falecimento de Aurino Filho, no início dos anos
1980, os irmãos decidiram se desfazer do Hotel San Francisco e passaram a investir mais nos serviços funerários. O
hotel foi arrendado a um grupo de Santa Catarina que mudou
o nome para Hotel Buriti e funciona até os dias atuais.
Em face desta nova realidade e com a saída do irmão
mais velho do comando da Funerária São Francisco, os irmãos Magno e Nilo resolveram impulsionar os negócios da
família. Foi nesta época que surgiu a idéia de diversificar o
atendimento funerário.
Antigamente, era muito comum as famílias velarem
seus mortos no ambiente residencial. Esse costume vem mudando devido a dois fatores. Primeiramente, para que não
se vincule a perda do ente querido ao local onde se vive. Se-
29
gundo, porque muitas pessoas moram em apartamento, onde
não seria possível realizar um velório.
Dessa forma, tornou-se inevitável o surgimento de locais
próprios para a finalidade específica de velar os falecidos. Os
velórios, inicialmente, surgiram em locais improvisados, sem a
infra-estrutura necessária para o seu bom funcionamento. Sentindo essa dificuldade, o Grupo Vila criou um projeto com locais
apropriados, que trouxeram às famílias enlutadas condições de
higiene, conforto e segurança nessas horas mais difíceis.
“Resolvemos oferecer o serviço de velório aqui na São
Francisco. O maior problema era o tamanho da funerária que
não comportava muitas pessoas, então, na hora do velório,
era um tumulto na sala. Imagine esse espaço aqui lotado de
gente? Era uma confusão”, relembra Magno.
Como acontece em muitas histórias de sucesso, os diretores do Grupo Vila também tiveram que passar por grandes
desafios. Em 1984, iniciaram a construção de um centro de
velório inédito no Rio Grande do Norte, mas, logo no início,
tiveram que desistir da idéia para quitarem definitivamente
os débitos ainda pendentes do Hotel San Francisco, preservando desta maneira, o nome da funerária.
Voltaram a persistir na construção do centro de velório
em 1992 e, mais uma vez, diante da situação econômica vivenciada no país, tiveram que adiar o empreendimento.
30 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Novamente, motivados com as participações dos irmãos
Fernando e Eduardo, deram início a um novo projeto definitivo, arrojado e também inédito no Rio Grande do Norte: a construção de um cemitério parque particular, o Morada da Paz.
Os primeiros cemitérios de Natal surgiram nos bairros
Redinha e Alecrim. O bairro da Redinha era, inicialmente,
uma colônia de pescadores. Uma das referências históricas
do lugar é o chamado Cemitério dos Ingleses. Nos idos de
1869, numa pequena elevação entre o rio Potengi e a gamboa
Manibu, foram erguidos túmulos de ingleses e suíços não católicos, que viviam na cidade e que morreram em conseqüência de epidemias que alastravam na época. Hoje, o lugar
encontra-se ocupado por coqueiral.
Um dos marcos da ocupação das terras que originaram
o bairro do Alecrim foi a inauguração do cemitério público,
em 1856, pelo presidente da província, Antônio Bernardo de
Passos. Raríssimas pessoas habitavam o descampado constituído por roçados e algumas casinhas de taipa.
A Praça Pedro II teve o privilégio das primeiras filas de casas. Conta-se que ali morava uma velha que costumava enfeitar
com ramos de alecrim os caixões dos ’anjinhos‘ enterrados no
cemitério, daí a origem do nome. Outra versão fala da abundância de alecrim-campo nesta área. Mas, a criação do quarto bairro
de Natal deu-se somente em 23 de outubro de 1911.
31
Em face de uma superpopulação nos cemitérios tradicionais e a falta de investimentos públicos no setor, o Grupo
Vila concebeu o Cemitério Parque Morada da Paz. Para isso,
seus diretores viajaram boa parte do país para conhecer o
que havia de melhor no ramo. São Paulo, Fortaleza, Goiânia,
Manaus, Belém, Rio de Janeiro foram algumas das cidades
visitadas para coleta de sugestões e aquisição de conhecimentos sobre investimentos privados em cemitérios.
Imaginou-se uma área de fácil acesso, com topografia plana, levemente ondulada e com poucas edificações vizinhas.
Esse projeto foi concebido para fazer frente à escassez
de vagas nos cemitérios públicos de Natal. “Com a construção do Morada da Paz, passamos a atuar também com outras faixas de público, principalmente as classes A e B de
Natal. Essa foi a maneira que encontramos de sair da esfera
do Alecrim”, disse Eduardo Vila, em entrevista à revista RN
Negócios.
A partir da criação desse cemitério parque, seguiramse outras iniciativas – muitas delas pioneiras no Rio Grande
do Norte – que começaram a firmar o Grupo Vila como um
dos mais importantes empreendedores do ramo no NorteNordeste.
No início dos anos 1990, na Rua São Francisco, em Igapó, foi montada uma filial da Funerária São Francisco.
32 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Com certeza, uma das iniciativas mais importantes foi
a criação, em 1994, do Plano de Previdência Funerária SAFRA (São Francisco Assistência Funerária Ltda.) voltado para
clientes de baixa renda que, no momento de se despedirem
de um ente querido, não tinham condições financeiras para
um funeral. “Em princípio, existiam três planos, todos eles
com apenas serviços básicos. Em 1994, passamos a comercializar novos planos que atingiam todas as faixas econômicas
da população”, completa Eduardo.
Hoje, o Plano SAFRA chama-se Sempre e é bastante diversificado, oferecendo a seus associados, além dos serviços
funerários completos, convênio na área médica e odontológica, descontos em uma ampla rede credenciada de clínicas,
laboratórios e farmácias, orientação jurídica e locação de
equipamentos para convalescentes.
A Multifam foi inaugurada em junho de 1999, no antigo
prédio onde funcionava a Funerária São Francisco, em Igapó,
com o objetivo de oferecer benefícios em vida e para atender
apenas aos clientes do Plano SAFRA. No entanto, a clínica
acabou se tornando uma excelente opção para quem não tem
condições de pagar um plano de saúde e também não quer depender dos postos públicos para fazer exames e consultas.
Atualmente, existem mais duas unidades da Multifam,
uma na Rua Apodi, no bairro do Tirol, e outra na Avenida
33
Brigadeiro Everaldo Breves, no Centro de Parnamirim, município vizinho à Natal.
Em 1996, o Grupo lançou o outro cemitério parque, nos
mesmos moldes do Morada da Paz, para atender a Zona Norte
de Natal. “Verificamos que a Zona Norte também carecia de
um cemitério parque e partimos para a construção do Parque
da Passagem”, explica Eduardo.
No ano em que completou meio século, em 1998, inaugurou na Rua São José, no bairro de Lagoa Seca, o Centro Funerário Morada da Paz, hoje conhecido apenas como Centro São José,
que se tornou referência como complexo de velório no país.
Para quem está acostumado com os velórios em casas
funerárias, onde as pessoas dividem espaço com flores e caixões colocados à venda, o Centro São José parece qualquer
coisa, menos um lugar onde os mortos são velados.
Essa impressão é comum, porque os centros de velórios, não só em Natal como em muitas partes do país, funcionam de forma improvisada. O São José é um dos únicos
no Nordeste, e um dos poucos no Brasil, concebido e projetado para ser um centro funerário com a estrutura necessária
para cumprir todas as etapas de um velório.
Ele está entre o que existe de mais moderno no segmento funerário no mundo. É tanto que alguns empresários
do setor de outros estados têm procurado conhecê-lo, com a
34 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
finalidade de usá-lo como modelo. “No Nordeste, não existia
nada assim. Os velórios são todos adaptados. Só no Rio Grande do Sul eu encontrei algo parecido”, disse Eduardo Vila.
Para construir o centro de velório, os diretores, Eduardo, Magno e Nilo Vila, além do gerente, Heber Vila, fizeram
um programa detalhado, com todas as etapas do serviço funerário. “Como na literatura voltada à arquitetura não existem projetos para construção de centros de velórios, tive que
aliar meus conhecimentos funerários aos de construção civil
para dizer ao arquiteto o que a empresa tinha em mente: uma
coisa diferente, com ambientes espaçosos, iluminados e suaves, sem nada de preto, roxo ou cinza. Queríamos uma coisa
viva e foi justamente o que ele fez”, enfatiza.
O resultado final é o que todo mundo vê hoje. Um centro funerário que não tem cara de centro funerário; pelo menos, não da forma que a maioria se acostumou a ver. “Nosso
objetivo é sempre oferecer mais conforto, qualidade e comodidade aos clientes”, complementa Eduardo.
Em 2003, foi lançado, na cidade de Paulista, em
Pernambuco, o Cemitério Parque Morada da Paz, nos
mesmos moldes da unidade de Natal/RN, situado no km
3,5 na rodovia PE-15, que chega para preencher uma
lacuna existente na Grande Recife, sendo agora o sexto cemitério da Região Metropolitana e trazendo para o
35
Arquivo
estado de Pernambuco um conceito diferenciado para o
setor funerário.
Nesses 60 anos de atuação, o Grupo Vila, hoje, possui
24 empreendimentos, está presente em 10 cidades de três
estados do Nordeste (Natal, Parnamirim, Macaíba, São Gonçalo, Mossoró, Caicó, João Pessoa, Campina Grande, Recife e
Paulista), tem mais de 600 colaboradores, clientes ativos em
mais de 170 cidades e já protege mais de 190.000 vidas.
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Casa Mortuária São Francisco
Construção da matriz, no Alecrim
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36 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Foto: Ricardo Junqueira
Família Vila
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Arquivo
Os atuais diretores: Nilo Vila, Eduardo Vila e
Magno Vila
Cotinha Vila e Aurino Vila
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38 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Capítulo II
Há vida após a morte
“O próprio viver é morrer, porque não temos
um dia a mais na nossa vida que não
tenhamos, nisso, um dia a menos nela”.
Fernando Pessoa
39
D
esde criança, os adultos tentam nos ensinar a lidar
com perdas ou separações. As primeiras experiências são temporárias, como o momento do nascimento, quando nos separamos do corpo da nossa mãe; na hora
em que temos que nos despedir de nossos familiares, quando
estes precisam trabalhar ou viajar; quando temos que mudar
de escola e, conseqüentemente, fazer novas amizades. Até
que chega um dia em que nos deparamos com a perda definitiva, a morte de alguém próximo, alguém que amamos.
Morrer é um evento tão natural quanto nascer, mas o
homem se distancia cada vez mais dessa realidade. A morte
passa a ser um tabu, torna-se assunto proibido. Ela é representada por um carrasco cruel que carrega uma enorme foice
que ceifa a vida. De acordo com Luís Calheiros, em Entradas
para um dicionário de estética, esta iconografia vem acompanhada de uma ampulheta que marca o tempo do ’trabalho‘,
no tema do arcano ligado ao número 13 (número do azar) do
baralho de Tarot. Representa a fatalidade do destino. Apela
a uma reflexão questionadora dos vícios e defeitos, propõe
o arrependimento, o desprendimento, o aperfeiçoamento, a
transformação radical e a superação de tudo o que está ultrapassado, obsoleto e decadente.
As pessoas se incomodam profundamente quando precisam falar sobre a morte. Segundo Maria Helena P. F. Brom-
40 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
berg, na obra A psicoterapia em situações de perdas e luto,
nossa cultura não incorpora a morte como parte da vida, mas,
sim, como castigo ou punição. Isto se deve ao fato de a cultura ocidental estar impregnada pelo individualismo. A única
certeza que temos é a de que todo mundo que nasce um dia
vai morrer, mas nunca queremos pensar na nossa hora da
partida, tentamos sempre nos afastar dessa idéia e apenas
pensamos na morte do outro: ele morre, eu não. A maioria
das pessoas sente medo e angústia com relação à morte.
Apesar de termos consciência sobre a morte do outro, também sentimos medo, pois esta situação nos remete à
sensação de abandono. A experiência da morte é vivenciada
como um momento de grande sofrimento, e pensar na nossa
própria morte nos traz angústia, receios, sensação de impotência. Estamos lidando com o desconhecido, não sabemos
o que nos espera depois dela. Devido a esta ansiedade, passamos a criar fantasias sobre a morte, que pode variar de
acordo com a fé de cada um. Procuramos pensar que há vida
após a morte, e que esta vida pode ser num paraíso, em que
não há sofrimento, na qual todos se encontrarão um dia.
Com alguns profissionais que trabalham no Grupo
Vila e lidam com a morte diariamente, as coisas não acontecem de maneira diferente. Eles também sentem medos, angústias, sensação de impotência, ficam sensibilizados com o
41
sofrimento dos familiares que perderam um ente querido.
Paulyana Fonseca tem 36 anos, curso superior de Formação de Executivo com especialização em Marketing e trabalha no Grupo Vila há cinco meses, exercendo a função de
cerimonialista fúnebre. Para ela, trabalhar com o fúnebre foi
algo que a tocou profundamente. “Os primeiros quinze dias
de trabalho no Grupo Vila me fizeram pensar muito sobre a
vida. Antes, eu enxergava a morte como algo distante”. Ela
conta que, sempre que precisa sair de casa, seus dois filhos
correm ao seu encontro pedindo um beijo e um abraço. E, que
antes, nem sempre ela correspondia, pois estava apressada,
o que a impedia de ficar junto a eles por, pelo menos, mais
dois minutos. “Hoje, o meu sair de casa mudou. Vivo como
se fosse o último dia da minha vida e, independente de estar apressada ou não, faço questão de dar o beijo e o abraço
nos meus filhos sempre. Conviver com essa realidade me fez
ter consciência de que a morte não é algo que só acontece
com os outros. O fato de eu ser evangélica também me ajuda.
Hoje, eu não encaro a morte como algo ruim, penso que é
uma passagem, um ciclo que se encerra e outro que começa.
Definitivamente, não tenho medo da morte”, afirma.
A função do cerimonialista fúnebre é organizar todo
o funeral, de acordo com o serviço solicitado pela família.
Seu trabalho abrange: contratação do padre, organização
42 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
do cerimonial musical, arrumação das coroas na capela do
velório e, depois, no cemitério, dar assistência à família, fazer um memorial eletrônico (quando solicitado), organizar a
menção honrosa, quando os familiares e amigos desejarem
fazer alguma homenagem, dependendo do plano funerário. O
cerimonialista é também quem confecciona os santinhos da
missa de sétimo dia.
Para Paulyana, o que é mais gratificante no seu trabalho é poder ajudar as pessoas num momento tão difícil,
que é passar pela perda de um ente querido. “Faço de tudo
para que elas sintam um mínimo de conforto”, conta a cerimonialista. Fechar a urna também faz parte do trabalho de
Paulyana. Muitos consideram este momento crucial, o mais
difícil para a família. Essa é a hora da despedida, em que eles
podem ter o último contato físico com quem partiu. “Uma senhora, certa vez, segurou na minha mão e disse: ‘Não feche,
não! Não feche, não! Ele morre de medo de escuro!’ Nessas
horas, sempre procuro me condicionar dizendo: Meu Deus,
não tem mais nada ali, são só restos mortais, o espírito já
está em outro lugar. Tudo isso para diminuir o peso da carga
emocional que recebo diariamente”, desabafa.
Na maioria das vezes, as pessoas têm dificuldade em
lidar com perdas, principalmente de pessoas queridas. E terminam agindo com indignação, descontando, com grosserias,
43
naqueles que estão ali apenas para prestar o serviço fúnebre.
“Teve uma vez que duas irmãs queriam servir uísque no velório do pai. Elas diziam que era um desejo dele que o velório
fosse festivo. O problema é que uma irmã queria que a bebida
fosse servida na capela, a outra que fosse dentro do centro,
e a gente segurando a bandeja de uísque pensando: quando
elas resolverem, a gente serve. Aí, ficamos eu e o ASG, ali,
segurando essas bandejas até elas decidirem onde a bebida
iria ser servida. Uma dessas meninas estava tão abalada, demonstrando certo descontrole, que queria a todo custo ir no
carro que leva a urna até o cemitério. E só depois de muito
tempo, depois de ter que abrir o carro, foi que consegui fazêla desistir da idéia”, relata Paulyana. E completa dizendo,
“devido a estas situações, eu procuro vir sempre preparada
de casa para lidar com tudo”.
Nem todos os casos são de descontrole emocional.
Muitas pessoas se sentem mais confortáveis com a presença
do cerimonialista. Elas vêem neste profissional a imagem de
alguém que pode ajudá-la num momento tão difícil, alguém
que só trará tranqüilidade. “Na maioria das vezes, posso dizer 70% das vezes, o que a gente recebe é carinho e gratidão
das famílias. Uma vez, uma senhora chegou para mim e disse: ‘Só o fato de você estar presente naquele momento já me
deixou mais tranqüila, pois numa hora dessas não sabemos
44 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
como agir. O Grupo Vila está de parabéns pelo serviço.’ Aí
eu pensei: poxa... Realmente é essencial esse cuidado junto à
família”, conta.
Apesar de já se sentir mais preparada para lidar com
a idéia de sua própria morte ou com a perda de alguém querido, ainda hoje, Paulyana se emociona quando presencia o funeral de uma criança. “Teve um menininho de dois anos que
veio ser preparado aqui. O caso desse menino mexeu muito
com todos os funcionários, porque quando ele chegou à sala
de preparação, o tanatopraxista (pessoa que prepara os corpos), com 12 anos trabalhando na área, chorou quando viu
a criança. O menino já chegou todo arrumadinho, de sapato
e tudo mais. Eu cheguei à sala de preparação toda ’durinha’,
dizendo: ‘Vim ver a criança’. Quando olhei para o menininho,
foi um choro só. Tenho um filho da mesma idade e essa situação mexeu muito comigo. Às vezes, chego em casa com meu
marido e tento dividir a carga emocional que carrego no final
do dia. Tento partilhar um pouquinho do que vivencio aqui,
porque, às vezes, o cansaço físico é grande, mas o emocional, maior ainda”. Para ela, o que a emociona é presenciar o
sofrimento do outro. “Fico extremamente aflita em hospital,
diante do sofrimento de alguém, e bastante tranqüila diante
de alguém que já morreu”. E, como qualquer outra pessoa,
Paulyana sente medo, angústias e inquietações. “Tenho mui-
45
to medo do sofrimento em vida. De que algum filho meu ‘vá’
primeiro que eu. Realmente, não sei como me comportaria
diante de alguma pessoa minha. Não sei mesmo, não tenho
como responder. Depois que cheguei aqui não tive essa experiência”, disse.
Algumas pessoas que trabalham com o fúnebre muitas vezes são julgadas, até mesmo por amigos e familiares,
como sem sentimento, frias, entre outros, por tratarem com
naturalidade a morte. “Quando eu falo para as pessoas que
estou trabalhando em funerária, elas reagem com um: ‘vixe!!’
Chegam a se benzer e tudo mais. Teve uma senhora que me
disse que preferiria passar fome a ter o meu emprego”, comenta Paulyana que, além do cerimonial, também faz maquiagem estética de cadáveres, quando encontra tempo. “Foi
uma experiência interessante, que eu comecei fazendo do
nada. Como só tem tanatopraxista homem, na hora de maquiar, eles me chamavam para que eu pudesse dar uma opinião feminina. Eu sei que, nessa brincadeira, maquiei uma
senhora e fui super elogiada pela filha dela. Logo após, o gerente me colocou em um curso de maquiagem, para que eu
pudesse ajudar os tanatopraxistas, principalmente, quando o
cadáver for de mulher”, confessou.
Outro funcionário do Grupo Vila é Marivaldo Amaro
da Silva. Ele tem 38 anos e trabalha no setor funerário há
46 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
20. Entrou no Grupo, em 1988, como auxiliar de cobrança. A curiosidade na área foi aumentando, à medida que
os anos foram passando. Depois do setor de cobrança, trabalhou no setor de atendimento, em seguida, passou a ser
agente funerário e, em 1999, Marivaldo fez o curso para ser
tanatopraxista, profissional que aplica produtos químicos
para o retardamento do processo de decomposição, função
que exerce até hoje.
Talvez por trabalhar no setor funerário há mais tempo
ou até mesmo pelo fato de ser homem, Marivaldo se mostrou
mais tranqüilo, quando o assunto tratado era morte. “Não tenho medo da morte. Se tivesse que morrer hoje, estaria preparado”, diz. Mas isso não significa que a morte para ele seja
algo que já se tornou banal, para ele é algo natural. “Cuido
da minha vida, não a coloco em risco. Posso dizer que o setor
funerário nos ensina a valorizá-la. As pessoas que não trabalham na área tendem a achar que acidentes só acontecem com
os outros. Como vivencio essa realidade diariamente, considero que me previno mais do que os que não vivenciam”, e
completa, “eu gosto muito da minha vida. Jamais quero ser
a pessoa que vai colocá-la em risco. Agora, se eu adoecer, se
chegar a minha hora, estarei preparado”, afirma.
Assim como Paulyana, Marivaldo também é evangélico e acredita que sua religião também o ajude a não sentir
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medo da morte. “Eu tenho uma certeza de continuação. Tem
uma passagem Bíblica que diz: ‘após a morte seguirá o julgamento, o juízo final. Então, tenho a certeza de um lugar
de descanso’”. Mas não gosta de pensar na idéia de ver sua
família sofrer, “eu sei que se eu vier a falecer hoje, a minha
esposa vai sofrer, meu filho vai sofrer e isso me deixa aflito.
Mas, ao mesmo tempo, eu tenho a certeza de que eles não vão
ficar desamparados”, conforma-se.
E não é só quando o assunto é a morte dele que Marivaldo demonstra tranqüilidade. Quando questionado sobre
como reagiria diante da perda de um ente querido, ele diz:
“o parente mais próximo que perdi foi minha avó. E como
não tenho nenhum irmão ou parente que trabalhe na área,
eu mesmo realizei o serviço funerário dela”. E vai mais longe. Casado, com filhos, ele diz que não entra em desespero
diante da perda de uma pessoa amada. Apenas sentirá saudades como qualquer outra pessoa. Para ele, é um sentimento
natural de perda. “Se eu precisasse fazer a tanato de algum
parente meu, fazia sem problema algum”, afirma.
Trabalhar no setor funerário ensinou Marivaldo a lidar de maneira natural com a morte, mas não lhe deixou uma
pessoa sem sentimentos ou sem sonhos. Amante declarado
da vida e da sua família, ele sonha em poder presenciar o sucesso de seu único filho, “eu sonho em um dia poder ver meu
48 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
filho formado, com uma família constituída, com uma vida
financeira estabilizada”, revela. E diz que não só a felicidade
de seu filho é importante pra ele, mas a de todos seus amigos, parentes e conhecidos, “a felicidade dos outros me deixa
extremamente feliz”.
Mas, nesses anos todos de profissão, tem uma situação com a qual Marivaldo ainda não se acostumou: a morte
de crianças. “A única situação que ainda chega a me emocionar, acredito que isso aconteça com todos os tanatopraxistas,
é quando estamos preparando crianças. Não considero morte
de criança algo natural”. Uma situação que ele vivenciou e
que se lembra bem foi no dia que um colega não conseguiu
fazer a tanato de uma criança. “Nós tivemos que preparar
o corpo de uma criança. E um rapaz novo (estagiário) ficou
muito abalado. Eu até esperava que ele fosse ficar triste, mas
ele entrou em estado de choque. Tive que entrar em contato
com os nossos gestores, que o liberaram pra ir para casa.
Mas, no dia seguinte, ele conseguiu voltar ao trabalho. Esse
colega trabalha na empresa até hoje”, comenta.
Talvez, no setor funerário, os tanatopraxistas sejam
os profissionais que têm menos contato com a família do
morto. Marivaldo considera que respeitar o sofrimento delas
é fundamental. “Fico triste com o sofrimento alheio. Se eu
puder ajudar, sempre ajudo”, diz.
49
Jorion Nunes de Lima tem 27 anos e trabalha há, aproximadamente, seis anos no Grupo Vila, como agente funerário. Sua função é remover o corpo no momento em que o serviço é solicitado pela família. O agente leva o corpo primeiro
para o tanatopraxista, quando necessário, após o preparado,
transporta-o para o local onde acontecerá o velório e, por fim,
para o cemitério, onde será sepultado.
O agente funerário é o profissional que passa mais
tempo ao lado do falecido. Poderíamos entender, então, que
seria o mais adaptado à situação, o que menos se sensibiliza diante da morte. No caso de Jorion, isso não é verídico.
Dos quatro funcionários do Grupo que entrevistamos, ele é
o que mais se emociona, principalmente quando o assunto
é morte de criança. Com os olhos cheios de lágrimas, Jorion nos conta que, antes de trabalhar no Grupo Vila, teve a
maior ’escola funerária‘ do mundo. “Perdi minha primeira
filha quando ela tinha apenas 28 dias de nascida. Eu e minha esposa tínhamos aproximadamente 20 anos na época.
Sempre gostei muito de criança. Minha filha, quando nasceu, teve um probleminha de saúde, mas vinha se recuperando. De repente, do nada, às seis horas da manhã, toca o
telefone da minha casa. Era a assistente social do Hospital
Varela Santiago, dizendo que minha filha havia falecido.
Morte de criança é uma situação muito difícil para mim.
50 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Até porque, quando faço o transporte de alguma, sempre
me lembro da minha filha”, conta emocionado.
Outro tipo de situação que ainda o deixa comovido é quando precisa fazer o sepultamento de algum pai
de família. “Sou muito apegado ao meu pai. Outro dia, no
velório de um senhor, no momento em que eu estava segurando a tampa para fechar o caixão, todos os filhos dele se
organizaram numa fila e, de um em um, foram colocando a
mão em cima do pai e pedindo a benção. Nesse dia, vi-me
passando por aquela situação. Respirei fundo, meus olhos
quiseram lacrimejar, mas respeitei o momento daquela família e me segurei. Depois, conversando com um colega
de trabalho, chorei... Tirei aquele peso de cima de mim”,
desabafa.
Após perder a filha, Jorion acredita estar um pouco
mais preparado para lidar com a morte dele ou de um ente
querido. “A partir desse momento, passei a ver a morte de
maneira diferente. Não sei se estou errado, mas eu penso que
se eu fiz o sepultamento da minha filha tão desejada, que eu
queria tanto, não teria maiores problemas para fazer o sepultamento de qualquer pessoa”, comenta. “Eu suponho que, se
hoje viesse a perder alguém próximo, na hora conseguiria
resolver todo o sepultamento, mas acredito que momentos
depois, desmoronaria”, confessa o agente.
51
Sempre preocupado em ajudar o próximo, o sofrimento
alheio é algo que o comove muito. Quando está ao lado dos
familiares dos que se foram, ele procura agir com ética. Sem
falar muito, Jorion está sempre disponível a ouvir o desabafo
dos parentes. “Acho que, nessa hora, o que as pessoas precisam é de alguém que apenas as escutem. Elas não estão
preparadas para ouvir nada. Sinto que estou ajudando com
esse pequeno gesto”.
Jorion se diz um amante da vida. Por isso, deixar o mundo é algo que o põe medo. “Não sei o que me espera depois da
morte”, diz. Mas para ele, o que mais o deixa aflito é pensar
que poderá perder as pessoas que mais ama. “Tenho muito
medo de perder minhas duas filhas e meu pai. Por mais que
eu trabalhe com a morte diariamente, ainda tenho medo da
minha reação neste momento”, disse.
O encarregado de obras, Gilson Gomes Duarte, tem
40 anos e trabalha no Grupo Vila há 15. Durante muito tempo
exerceu a função de sepultador, a que vamos chamar de coveiro. Gilson nos conta o quanto foi difícil para ele os primeiros meses de trabalho no cemitério: “quando entrei no grupo,
quase que não conseguia realizar bem o meu trabalho. Sempre ficava bastante abalado. Parava um pouco o sepultamento, saia para respirar e, depois, já mais calmo, voltava para
realizar meu trabalho”.
52 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Até hoje, Gilson se emociona, quando presencia ou,
até mesmo, realiza algum enterro. Mas a situação que mais o
deixa abalado em seu trabalho é o sepultamento de criança.
“Uma vez, fiz o sepultamento de uma criancinha que havia
morrido afogada em uma piscina. Fiquei muito emocionado,
aquilo mexeu muito comigo. Sai um pouco para pensar em
outra coisa e conseguir me controlar”, afirmou.
A situação que mais o marcou, nesses 15 anos de trabalho em cemitério, foi uma jovem, estudante de medicina, alta e
alva, que se suicidou diante da lápide do pai. “Ela chegou aqui
no horário de maior movimento, mais ou menos no final da
tarde. Nesse dia, estavam acontecendo mais de dois sepultamentos de uma vez. Ela veio visitar o pai que já estava enterrado aqui. Trouxe uns medicamentos e uma cerveja. Esperou,
trancada dentro do banheiro, todo o movimento do cemitério
acabar. Quando não tinha mais ninguém, ela foi para o jazigo
do pai, tomou a medicação com a cerveja e faleceu ali mesmo.
Quando cheguei, por volta das cinco horas da manhã, um funcionário que dormia aqui me falou que havia encontrado essa
moça já falecida. Foi horrível, muito triste”, conta.
Uma situação que Gilson jamais vai esquecer foi o sepultamento do primeiro gerente do cemitério Morada da Paz.
“Ele era um grande amigo. Sempre brincava com a gente, nos
ajudava quando precisávamos. Ele estava aqui no cemitério
53
praticamente todos os dias. Só não vinha aos sábados, porque
era o dia que gostava de ir à missa. A morte dele foi algo que
nos pegou de surpresa. Trabalhamos juntos o dia todo, a noite ele foi para casa e sofreu um infarto fulminante. O sepultamento dele foi muito triste, muito difícil para a gente que
convivia com ele diariamente. Todos os funcionários daqui
ficaram bastante emocionados”.
Esses anos todos de trabalho no setor funerário o fizeram entender que, um dia, todos nós vamos morrer. Mas,
mesmo com essa certeza, mesmo sabendo que a morte é algo
natural, Gilson não gosta nem um pouco quando o assunto é
a morte dele ou de alguém querido. “Apesar de trabalhar em
cemitério, não aceito a morte. Gosto muito da minha vida e
acho que minha hora ainda não chegou. Se, por acaso, viesse a
perder alguém meu, tenho certeza que reagiria como qualquer
outra pessoa quando vem sepultar alguém aqui. Não estou
preparado para perder ninguém”, confessa, e nos conta como
foi a experiência de perder alguém conhecido: “eu vivia com
uma pessoa quando ela perdeu a filha num acidente de carro.
Eu que fiz o sepultamento dessa menina, uma criança, senti
muito. Esta situação mexeu bastante comigo”, assinalou.
Mesmo exercendo o cargo de encarregado de obras,
Gilson, sempre que solicitado, ainda faz sepultamentos. Faz
o possível para ser um bom profissional. Desistir do trabalho
54 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
nunca passou pela sua cabeça. “Sinto que o meu trabalho
me possibilita ajudar as pessoas. Estou sempre à disposição
das famílias”, diz, e explica como faz isso: “diante do desabafo das famílias que perderam seus entes queridos, procuro
ouvi-las, presto atenção ao que dizem, respeito o sofrimento
delas. Fico também sempre preocupado com o bem-estar físico dessas pessoas. Tem gente que desmaia. Fico o tempo todo
atento para que não aconteça nenhum acidente”.
Para sua família, o trabalho no cemitério como coveiro
ou encarregado de obras é comum a qualquer outro. “Tenho
um filho de 18 anos, que já veio trabalhar aqui no cemitério
nos dias de maior movimento. Minhas filhas pequenas também costumam vir me visitar nos fins de semana que estou
trabalhando. Minha família encara a minha profissão com
naturalidade”. Gilson nunca teve dificuldade para arranjar
namoradas. Elas não faziam nenhuma objeção quando descobriam sua profissão. Seus amigos são os que mais se ’incomodam’, e costumam fazer brincadeiras, quando ele está
por perto. “Às vezes, meus amigos brincam comigo por conta
do meu trabalho. Eles dizem: ‘olha, cuidado com este aí!! Ele
te enterra e você nunca mais consegue sair’”, relata o excoveiro com uma risada.
Foto: Aline Ricciardi
55
Arquivo
Marivaldo Amaro, tanatopraxista
Jorion Nunes, agente funerário
Foto: Aline Ricciardi
56 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Foto: Aline Ricciardi
Gilson Gomes, encarregado de obras
Paulyana Fonseca, cerimonialista
57
58 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Capítulo III
Morte: a única
certeza da vida
“Quando morremos,
deixamos atrás de nós
tudo o que possuímos e levamos
tudo o que somos.”
(Autor desconhecido)
59
F
alar sobre a morte pode sugerir a idéia de morbidez,
por abordar um mito do qual a maioria dos seres humanos se esquiva. É preciso ter coragem para tratar
deste tema, pois lança um desafio à pessoa para escrever sobre algo que, conscientemente, desejamos ignorar.
Todos sabem, desde cedo, que um dia iremos morrer.
Aliás, é a única certeza que temos diante da vida. Mas por
que não conseguimos encarar e aceitar a única verdade absoluta que nos cerca todos os dias? Por que temos tanto
medo dela? Talvez por que, mesmo sabendo que ela é certa,
inevitável e intransferível, ainda a consideramos ’inesperada‘. A realidade é que a morte faz parte do nosso dia-a-dia,
da nossa rotina diária. Todos os dias, morre alguém em algum lugar desse planeta. Morremos todos os dias, aos pouquinhos, ainda que estejamos de olhos abertos. A contagem
regressiva para a nossa morte começa exatamente no dia
em que nascemos.
Através da morte, a vida se alimenta e se renova. Desta
maneira, a morte não seria a negação da vida, e sim, um artifício da natureza para tornar possível a manutenção da vida.
Mas, afinal, o que é a morte? Dizem que a morte é apenas um recomeço. Uma nova chance de irmos para algum
lugar onde teremos chance de nos aperfeiçoar cada vez mais
para, enfim, ficarmos mais próximos de Deus.
60 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
A morte pode ser encarada sob vários aspectos em
relação à época da vida em que vivemos, ou seja, quando
acontece em idade avançada, é entendida como um processo natural e lógico no ciclo da vida, mas, quando o mesmo
acontece a uma criança ou jovem, ambos saudáveis, a morte
é considerada como a maior tragédia humana, mais conhecida como ’golpes do destino‘ para a maioria das pessoas.
Por outro lado, quando a morte chega para aqueles que possuem uma doença crônica, fatal e prolongada, ela pode ser
vista como um alívio, principalmente para os membros da
família do doente, independentemente da faixa etária em
que se encontra.
A todo instante, tentamos ’levar vantagem‘ sobre
a morte, através da tecnologia, invenções, inovações, progressos e artifícios que a Ciência e a Medicina nos proporcionam.
A sociedade ocidental possui certa rejeição em relação à morte e, por isso, faz tentativas para vencê-la, através,
principalmente, do seu desenvolvimento científico. Essa tentativa de obter a vitória sobre a morte é aspirada através da
medicina moderna. Os avanços da ciência já permitem prolongar ou abreviar a nossa passagem para o mundo eterno. A
sociedade tenta, a todo custo, prolongar a vida dos doentes,
mas não os ajuda a morrer.
61
Pessoas tornam-se imortais, quando elas nunca deixam de viver em nossas mentes e em nossos corações, ainda
que essas pessoas não estejam mais entre nós.
Segundo Jorge Luis Borges, em uma de suas palestras sobre a imortalidade na Universidade de Belgrano, na
Argentina, “poderíamos então dizer que a imortalidade é
necessária. Não a pessoa, mas essa outra imortalidade. Por
exemplo, sempre que alguém ama um inimigo aparece à
imortalidade de Cristo. Nesse momento, essa pessoa é Cristo. De cada vez que repetimos um verso de Dante ou Shakespeare, somos de alguma maneira, aquele instante em que
Shakespeare ou Dante criaram esse verso. Ao fim e ao cabo,
a imortalidade está na memória dos outros e na obra que
deixamos”.
A imortalidade tornou-se um sonho e um grande aliado devido aos avanços da medicina, com a possibilidade de
cura para as grandes doenças e, até mesmo, o aumento da
expectativa de vida da sociedade.
A mesma consiste na sobrevivência substancial e pessoal do eu, na identidade permanente da alma, que conserva
as suas faculdades de conhecer e amar, sem as quais não há
felicidade humana.
“O homem pode por fim à sua vida, mas não à sua imortalidade”, afirma Milan Kundera, no seu livro A imortalidade.
62 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
O verdadeiro pânico da sociedade em relação à morte é
a imagem de um esqueleto revestido com uma capa preta e uma
foice na mão, pronta para estraçalhar quem quer que seja.
O ser humano passa a vida se preparando para os
acontecimentos ocorridos em sua trajetória, da hora que nasce até a chegada da velhice. Mas, é raro encontrar alguém,
que além de ter recebido educação para a vida, também tenha sido educado para a morte.
Encarar a morte é ver a vida com outros olhos, para
que possamos construir uma vida melhor e que a nossa passagem seja tão boa quanto à vida que vivemos aqui na Terra.
Atualmente, as pessoas estão cada vez mais preocupadas em diminuir a dor pela perda de um ente querido. As funerárias estão investindo em serviços e produtos ainda mais
luxuosos e modernos, na tentativa de amenizar o sofrimento
daqueles que ficam e oferecer um sepultamento àqueles que
partiram com mais dignidade e conforto.
Funeral é uma cerimônia, de cunho religioso, que
tradicionalmente ou não, é adotada como forma de despedida em relação àqueles que já partiram para a vida
eterna. Após todo esse processo, o caixão é fechado para
ser enterrado ou cremado.
Para José Maria Batista de Oliveira, auxiliar de sepultador, há dois anos no cemitério Morada da Paz, em Emaús,
63
no município de Parnamirim, o sepultamento, quando é da
nossa família, mexe mais com nossas emoções, mas quando
se está a serviço, tornou-se algo natural.
“Somos treinados para sermos pessoas discretas e silenciosas, em respeito a quem está sendo velado e a família
do mesmo”, disse José Maria.
José Maria diz não sentir medo da morte, pois, para ele,
quem possui o hábito de ler sobre o assunto, inclusive a Bíblia, possui uma compreensão maior sobre aquilo que tanto
temos medo: da morte.
Após a morte, o corpo começa a exalar odores desagradáveis devido aos gazes produzidos pela ação das bactérias.
O ato de sepultar um corpo pode ser visto como um ’fecho‘
para a família e amigos do falecido. Enterrar e ocultar o corpo é
uma forma de aliviar a dor da perda física do ente querido.
Os velórios requerem o envolvimento de todos os parentes. Decisões difíceis devem ser tomadas, mesmo que a dor
seja maior do que o senso crítico exigido para o momento.
Muitas culturas acreditam na vida após a morte. Este
passo é bastante aceito como algo necessário para que o falecido alcance esta ’nova etapa da vida eterna’.
A cremação é um procedimento bastante antigo,
com suas origens trazidas do Oriente. Hoje, tornou-se o
processo de maior aceitação como alternativa ao tradi-
64 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
cional sistema de sepultamento em alguns países desenvolvidos.
Trata-se de uma técnica funerária que visa reduzir o
corpo do falecido em cinzas através da queima do cadáver.
Uma espécie de rito pós-funeral, por oferecer menos riscos
ambientais que o sepultamento em covas.
O forno para a cremação atinge uma temperatura de até
1200 graus Celsius, sem nenhum tipo de dano ao meio ambiente. Um processo simples, que pode durar até duas horas.
As cinzas geralmente são acondicionadas em uma urna padrão ou outra escolhida pela família. As opções são madeira,
mármore, granito ou porcelana. Os restos podem ser levados
para casa ou espalhados em locais específicos. A decisão fica
por conta da família do falecido.
A tanatopraxia, no que diz respeito a origem da palavra, significa “o que se faz habitualmente diante da morte”,
ou seja, quais as providências que se deve tomar diante do
fato ocorrido.
Etimologicamente, Tanato, do grego Thánatos, significa morte, na mitologia grega representa o Deus da Morte; e
praxe, do grego práxis, representa o que se pratica habitualmente, a ação, a rotina. O conjunto, tanatopraxia, no que diz
respeito à origem da palavra, significa “o que se faz habitualmente diante da morte”, isto é, quais as providências que
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devem ser tomadas frente ao ocorrido. Há muitos anos, já se
pratica a tanatopraxia em outros países, que nada mais é do
que a denominação empregada para a técnica de preparação
de corpos humanos, vitimados das mais variadas formas de
óbito. Corresponde à aplicação de produtos químicos em corpos falecidos, visando a sua desinfecção e o retardamento do
processo biológico de decomposição, permitindo a apresentação dos mesmos em melhores condições para o velório. Diferente do embalsamamento, essa técnica não utiliza formol ou
realiza a retirada de qualquer órgão.
Para ser tanatopraxista, é necessário que se tenha
uma formação técnica na área. Ronaldo Melo, tanatopraxista
do Centro São José, em Natal, há quase 20 anos, realizando
esse tipo de serviço, explica que “é a técnica de preparação
de corpos humanos, através do óbito. São usados produtos
químicos para manter as condições do corpo da melhor maneira possível”.
A técnica, realizada em ambiente prontamente equipado, chamado tanatório, é desenvolvida por profissionais
habilitados e especialmente treinados. Tais treinamentos podem ser obtidos através de cursos de extensão universitária,
com número limitado de vagas e destinado exclusivamente a
diretores e agentes funerários, devidamente credenciados e
registrados para tal fim.
66 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
A preparação de um corpo, através da tanatopraxia,
pode variar de 60 a 90 minutos, dependendo da causa da
morte.Dentre essas variáveis e outras existentes, é que se
pode determinar o tempo de preparação, podendo levar até
quatro horas para que o processo de preservação corporal
esteja completo.
Para Ronaldo, existem diferenças fundamentais entre
embalsamento e tanatopraxia. “As grandes diferenças estão
na ausência de eviceração (as vísceras são mantidas nas próprias cavidades), na metodologia, na utilização de equipamentos modernos apropriados para injeção e aspiração, além
dos diferentes produtos químicos, todos testados cientificamente, porém, empregados neste último processo”.
A aplicação desta metodologia trouxe um importante
benefício social, se comparado à epoca em que não se praticava a tanatopraxia. Na sua grande maioria, pode-se atender
às necessidades ou às solicitações, por parte dos familiares,
como a preservação por um tempo mais prolongado de velório, com condições ambientais normais e sem a necessidade
de um sistema de refrigeração.
Este serviço já é utilizado em vários países da Europa, nos
Estados Unidos e América, trazendo uma grande revolução no
setor funerário, com serviços de melhor qualidade. No Brasil,
esta técnica vem sendo empregada com bastante sucesso.
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A tanatopraxia pode ser vista também como ’humanizadora da morte‘, ou seja, tenta amenizar o sofrimento dos parentes, fazendo com que o corpo fique com um aspecto mais
natural possível. “É como olhar para o corpo e sentir como se
ele estivesse dormindo tranquilamente”, disse Ronaldo.
Além de conservar a aparência do corpo, a técnica da
tanatopraxia permite evitar que se propaguem moléstias contagiosas e doenças para a comunidade, em que recebe tratamento especial com substâncias germicidas. Fazer a maquiagem no falecido, é muito importante para seus familiares, pois
permite recordar o seu ente querido como era em vida.
O Velório Virtual é o oferecido pelo Grupo Vila em Natal,
cujo objetivo é diminuir a distância para amigos e familiares,
que se encontram longe de seus entes queridos, proporcionando um último adeus a quem se ama. Com a solicitação da família, as imagens do velório passam a ser transmitidas online,
via Internet, mediante login e senha, fornecidos pela família.
Para Pollyana Florêncio de Araújo, assistente administrativo-financeiro do Centro São José, “as pessoas estão, cada
vez mais, encurtando o tempo e a distância do velório, na
tentativa de amenizar o sofrimento daqueles que ficam”.
O Velório Virtual está disponível no Centro São José,
em Natal, na Funerária Morada da Paz, em João Pessoa, e no
Cemitério Morada da Paz, em Recife. Foram instaladas câme-
68 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
ras nas capelas centrais, que lançam as imagens, em tempo
real, para o site do Grupo Vila. As imagens do velório são
atualizadas automaticamente no browser. Pode-se também
enviar mensagens eletrônicas que serão entregues aos familiares presentes no velório. Quando as câmeras estão disponíveis, ficam em destaque no site, e as senhas de acesso são
fornecidas apenas com a autorização da família.
Este serviço foi criado em 2000, é pioneiro em todo o
Brasil, merecendo destaque em diversas publicações nacionais,
como nas revistas Veja e IstoÉ e no jornal Folha de São Paulo.
“Outra novidade é o funeral virtual. Criado pelo Grupo Vila, do Rio Grande do Norte, ele permite que o velório
seja acompanhado a distância. ‘Muitas vezes parentes e
amigos estão longe. Com uma câmera ligada a um computador eles podem ver as imagens e ainda deixa uma mensagem eletrônica’, afirma Heber Vila, diretor do Grupo”. (IstoÉ/1649-9/5/2001).
“A internet se presta a muitas coisas, mesmo a algumas
pouco agradáveis, como acompanhar on-line um velório. Sim,
esse serviço começou a ser oferecido pelo Grupo Vila (...) A
transmissão é feita ao vivo, com a ajuda de uma webcam instalada de forma a captar quatro ângulos diferentes da sala de
velório. Se quiser, o visitante pode enviar condolências aos
familiares do falecido” (Veja, 17 de janeiro, 2001).
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“Os internautas já podem morrer em paz. No último
adeus, eles poderão contar com a presença de todos os seus
amigos, até mesmo daqueles que não tiverem como chegar a
tempo para o velório. É preciso apenas que eles estejam ligados à internet. Em tempos cibernéticos, até as cerimônias fúnebres se tornaram virtuais”. (Folha de S. Paulo, 05/10/04)
Além de acompanhar o velório, os familiares e amigos
podem mandar mensagens de conforto e condolências à família em tempo real, por e-mail.
O Memorial Eletrônico é uma forma inovadora de os
clientes do Grupo Vila homenagearem seus entes queridos.
Com este serviço, parentes e amigos poderão assistir, durante o velório, a um vídeo com momentos da vida daquele que
se foi. Os familiares escolhem fotos e mensagens para o vídeo
que será transmitido durante o velório. Este serviço encontra-se disponível somente no Centro São José, em Natal, e na
Funerária Morada da Paz, em João Pessoa.
Segundo Pollyana, “muitos familiares chegam dizendo,
’Ah, já estou sofrendo demais com a perda e ainda ter que mexer com fotos e recordações. Estou muito abalada emocionalmente‘. Muitos chegam aqui chorando muito e realmente sem
condições de ir atrás de recordações daquele que partiu”.
Sendo assim, foi criado o memorial básico, apenas com
mensagens escolhidas por familiares, passadas através de ví-
70 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
deos sem grandes efeitos técnicos. Neste caso, qualquer pessoa, entre amigos e familiares, pode colocar uma mensagem.
No Memorial Eletrônico com fotos e efeitos computadorizados, apenas a família tem autorização para alterar o conteúdo
do vídeo. Logo após a cerimônia, o material é gravado em
DVD e entregue à família.
Por estarem muito abaladas, muitas pessoas utilizam a
adaptação de frases de coroas, frases prontas, por exemplo,
para o memorial básico.
O vídeo começa sempre com o emblema do local do velório e do cemitério para onde o corpo vai. As fontes escolhidas
precisam ser discretas tanto no formato quanto nas cores. O
objetivo principal é homenagear o ente querido com momentos
que representem as melhores lembranças que se tem dele.
Quando aqueles que amamos partem antes de nós, deparamo-nos, às vezes, com uma dificuldade em aceitar essa
perda. Temos dificuldade em voltar à realidade e aceitar que,
apesar do ocorrido, a vida dos que ficaram precisa continuar.
Algumas empresas do segmento funerário estão implantando um serviço chamado Psicologia do Luto, com profissionais qualificados para auxiliar famílias e amigos, que
perderam, ou que estão prestes a perder, entes queridos, na
tentativa de amenizar a dor dessas pessoas, que sentem dificuldade em se adaptar à nova realidade.
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Estes profissionais estão sempre prontos para atender
aos que realmente precisam de apoio, de forma gratuita.
A psicóloga Ana Elisa de Castro trabalha com a terapia
do luto no cemitério Morada da Paz e afirma que muitos não
estão preparados para a perda de seus entes queridos. “Mas
o tempo cronológico em que a gente vive não é o mesmo do
coração, algumas pessoas demoram muito a se costumar com
a nova realidade”, afirma.
A psicóloga explica que as pessoas têm uma maneira
diferente de se relacionar com as perdas, daí a necessidade
de um apoio profissional para os casos com dificuldades de
retornar às atividades normais. “A partir do apoio terapêutico, eles têm a possibilidade de reorganizar sua vida. A maioria dos meus clientes está na terapia há três meses e muitos
estão próximos de receber a alta”, declara.
“Nossa sociedade não se permite viver e trabalhar questões referentes à morte, por este motivo observamos as pessoas adoecendo. O processo de luto é vivenciado através de
várias fases e o fato de o cliente ter um espaço para se viver
esse momento tão difícil é bastante relevante”, afirma Bianca
Queiroz, 26 anos, psicóloga responsável pelo grupo de apoio
ao enlutado no cemitério Parque da Passagem.
Este projeto foi criado em 2002, pelo Grupo Vila, em
Natal, para apoiar aqueles que sofreram perdas recentes. O
72 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
serviço de Psicologia do Luto funciona nos cemitérios Morada da Paz e Parque da Passagem.
Trata-se de um serviço inovador no Nordeste e os atendimentos podem ser individuais ou em grupo, nos consultórios, ou através de consultas e aconselhamentos via Internet.
“E um serviço oferecido gratuitamente aos clientes enlutados, em forma de atendimento individual e em grupo, onde
os mesmos terão um espaço para vivenciar esse processo”,
diz Bianca.
Para o senhor Francisco Ferreira da Silva, de 44 anos,
motorista, que participa do grupo há aproximadamente oito
meses, o serviço de psicologia do luto é fundamental porque
“faz a gente se sentir melhor em compartilhar a nossa dor
com outras pessoas e saber que alguém tem capacidade para
nos ajudar”.
“Para mim, é muito importante porque fico mais aliviada da minha dor. Quando participo do grupo, me sinto melhor, porque percebo que outras pessoas também passam por
isso e sentem a mesma dor. A dor do luto é muito triste, mas
Deus vai nos ajudando a melhorar”, disse a senhora Maria
Vitória da Silva, de 43 anos, participante há seis meses.
A terapia do luto é diferente da terapia convencional,
em que se passa muito tempo em um consultório. O atendimento é focal, individual ou em grupo, e visa orientar o pa-
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ciente a seguir o caminho em que é possível conciliar o vazio
da perda com a retomada de certos aspectos da vida.
Segundo Bianca, “permite que as pessoas enlutadas
possam vivenciar sua dor, para, desta forma, superá-la e,
conseqüentemente, voltar a viver normalmente após esse
processo”. A morte continua sem uma definição exata, pois ela é
envolta em um grande mistério, que jamais entenderemos e
acaba com aquilo que é de mais importante para nós, que é a
nossa vida. Seja ela orgânica ou psicológica e até mesmo espiritual, todos nós tememos a foice afiada que a acompanha.
A morte é como um sono sem sonhos, do qual nunca acordamos - nossa consciência suprimida para sempre.
Temos que lembrar que a morte não se dá somente no
âmbito físico, quando deixamos o corpo e partimos para um
plano espiritual ou para o céu e o inferno. Morremos também, quando deixamos de viver nossas próprias vidas, quem
não troca de idéias ou evita as próprias contradições.
Foto: Ricardo Junqueira
74 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Foto: Ricardo Junqueira
Centro de Velório São José
Foto: Ricardo Junqueira
Capela Central do Centro São José
Mostruário de urnas do Centro São José
Foto: Ricardo Junqueira
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Foto: Moraes Neto
Sala de tanatopraxia, no Centro São José
Foto: Aline Ricciardi
Reunião do grupo de apoio ao enlutado
Preparação para cortejo
76 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
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78 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Capítulo IV
A vida além
da morte
“Faço parte do mundo
e, no entanto, ele me torna perplexo.”
Charles Chaplin
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P
ode parecer inacreditável, mas para nós, pensar e refletir sobre a vida foi muito mais difícil do que pensar
na morte. Talvez pelo fato da morte ser simplesmente
o fim da vida. E o que é vida? A forma como a entendemos é
muito particular, cada um percebe o mundo de um modo diferente, de acordo com suas experiências, vivências. Enfim,
vida pode ser um monte de coisa - alegria, a batida de um
coração, um lamento, uma ilusão, uma desilusão; pode ser
tudo que tem movimento, ou o que não tem movimento, tudo
que se reproduz, ou o que não se reproduz; pode ser prazer,
sonho, fantasia - e a dificuldade em explicá-la está no fato de
termos que refletir sobre nós mesmo para poder fazê-lo.
De acordo com Stanley Miller (1953) e Sidney Fox
(1957), cientistas de renome internacional, por meio dos seus
estudos, chegaram a conclusão que a Terra existe há aproximadamente 4 bilhões de anos. O homem, por sua vez, habita
o planeta azul há pouco mais de três milhões de anos.
Nesse período o córtex cerebral humano evoluiu.
O córtex é uma camada periférica dos hemisférios cerebrais, formada de substância cinzenta, sede de funções
nervosas elaboradas, como os movimentos voluntários. É
responsável pelo entendimento e pela razão. Sem ele, não
haveria a linguagem, a percepção, a emoção, a cognição
e a memória.
80 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Desse modo, o homem tem condições de refletir sobre sua própria existência e alcançar significativos avanços
científicos, como por exemplo, a descoberta do DNA, e tantas
outras descobertas da ciência. O problema é que a mente humana também evoluiu para provocar estragos no equilíbrio
que garante a vida na Terra.
O modelo mercantilista que rege a nossa sociedade
e a crença em um pseudo-progresso impedem a população
de pensar em uma maneira de viver, que contribua para a
manutenção da vida. Não se pratica um desenvolvimento sustentável e um consumo consciente.
É fundamental o bem-estar para qualquer forma de
vida. O mundo pede novos hábitos, sustentável, a partir de
ações individuais e coletivas. De acordo com o jornalista e
professor universitário, Jair Donato, em seu blog, “a questão
do aquecimento global é enorme. Mas a ação pessoal é muito
importante, desde a escolha política que cada um pode fazer,
como o produto que leva para casa, o uso de bens e alimentação ecologicamente corretos, revitalizar, reciclar, recusar e
reduzir. Mudar a mentalidade é o caminho, a decisão consciente de mudar pode ser a solução”, afirma.
O desafio da nova geração é encontrar caminhos que
possam ser trilhados em benefício do bem, promovendo a paz
mundial, praticando o exercício da cidadania, a conservação da
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biodiversidade, buscando uma maior igualdade entre os homens,
proporcionando um futuro melhor para os que ainda vão vir.
Preocupado com as questões sociais, com a preservação do meio ambiente, na busca por uma igualdade entre os
homens, o Grupo Vila vem realizando trabalhos em todas essas áreas, visando promover não só aos seus associados, mais
também a população do Rio Grande do Norte, Pernambuco e
Paraíba, uma melhor qualidade de vida. Para isso, o grupo
comercializa um plano funeral com benefícios em vida, o plano Sempre; que conta com a clínica médica e odontológica,
Multifam; promove projetos sociais como, Clube da Melhor
Idade Cotinha Vila, Arte na Escola, Programa de Alfabetização de Adultos e projetos em prol do meio ambiente como,
Verde é Vida e Cidade Ecologia.
O plano Sempre existe no mercado desde 2004 e cobre os estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. “O plano Sempre de assistência funeral é um serviço de
proteção familiar, que permite aos clientes planejarem antecipadamente os arranjos e custeios de um funeral, evitando
desequilíbrios financeiros da família sem que precisem recorrer a parentes e amigos”, explicou Kleber Maxwell, supervisor de vendas do plano.
Existem três tipos de plano – Sempre Bem, Sempre
Plus e Sempre Pleno – todos oferecem assistência funeral
82 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
completa. O Sempre Bem, comercializado em todo Rio Grande do Norte, inclui auxílio alimentação por três meses, caso
o titular venha a falecer. O Sempre Plus, comercializado em
Natal, oferece também benefícios em vida, como descontos
em consultas e exames médicos e odontológicos na clínica
Multifam; descontos em farmácias da rede credenciada; locação de equipamentos para convalescentes, como cadeira de
rodas e de banho, andador, muletas, etc; orientação jurídica
gratuita e também auxílio alimentação por três meses, em
caso de falecimento do titular, mesmo não sendo este, arrimo
de família. O Sempre Pleno possui as mesmas vantagens que
o Sempre Plus, com descontos em ampla rede credenciada de
clínicas, laboratórios e farmácias, sendo comercializado nas
demais cidades que o Grupo Vila atua.
“Esses planos são de proteção familiar, ou seja, cobrem toda a família. O titular, cônjuge, filhos, pai e mãe pagando apenas uma única mensalidade por todos. E mesmo
que o titular venha a falecer, a família continua recebendo
assistência”, disse a promotora de planos, Silvana Maria Farias Costa.
“Antigamente, tínhamos um pouco de dificuldade
em vender, porque as pessoas viam o plano funerário como
agouro, acreditavam que, se fizessem, morreriam. Hoje, as
pessoas já sabem da importância de se ter um plano funeral.
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A aceitação é bem maior. O Grupo Vila já tem 60 anos de
mercado, total credibilidade. As pessoas sabem que podem
confiar. Arrisco-me a dizer que, atualmente, a aceitação da
população com os nossos planos é de quase cem por cento”,
conta Silvana.
E quando se trata de Sempre Plus, o maior problema
é que as pessoas tendem a confundir benefícios em vida,
com plano de saúde. “Algumas pessoas confundem o Sempre Plus com plano de saúde. E é sempre uma preocupação
nossa deixar bem claro que ela está adquirindo um plano
funeral com benefícios em vida, e não um plano de saúde”,
esclarece a promotora.
Mesmo quem tem um seguro saúde, tem optado pelo
‘Sempre Plus’, devido aos descontos em tratamentos odontológicos, em acompanhamento com nutricionista e psicólogos,
áreas que a maioria dos planos de saúde não dá cobertura.
“As pessoas escolhem o ‘Sempre Plus’, porque além de estar com as despesas funerárias totalmente cobertas, não vão
mais precisar enfrentar fila do SUS (Sistema Único de Saúde),
vão conseguir comprar medicamentos quando necessário e
usufruir de todas as outras vantagens que o plano oferece”,
diz Silvana e complementa, “lembrando que com o ‘Sempre
Plus’ toda a família está coberta, toda a família tem desconto
e nos planos de saúde não”, frisa.
84 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
O plano é vendido nas unidades do ‘Sempre’ e da Multifam, e no serviço porta-a-porta, ou seja, de casa em casa. As
vendedoras passam o dia inteiro nos bairros, batendo nas casas das pessoas, explicando a importância de se ter um plano
funerário, e acabam se deparando com situações inusitadas.
“Uma vez, uma colega de trabalho foi oferecer o plano e a
dona da casa pediu que ela entrasse para explicar. Quando de
repente o dono da casa (marido da senhora) ouviu a palavra
funeral. Ele apareceu na sala nu (risos), completamente nu,
com um cabo de vassoura na mão e falando alto: tire essa mulher daqui de dentro! A esposa, muito tranqüila, pediu para
que ele tivesse calma e deixasse, pelo menos, minha colega
terminar de explicar. Parece que foi pior. Ele começou a gritar ainda mais alto: eu não quero saber de funeral nenhum!
Tire ela daqui! Essa mulher trouxe a morte para minha casa!
Já experiente, ela continuou a explicar o plano para esse senhor. E ele ainda resistindo, na tentativa de constrangê-la,
sentou no sofá, completamente desnudo. Minha colega fez
que não era com ela e continuou a explicação naturalmente.
No final, quando ela terminou a explanação, que conseguiu
fazer com que o senhor entendesse qual era a proposta do
plano. Acredita que ele deu o braço a torcer? Pois é! Comprou
o Sempre Bem. Minha colega disse que saiu de lá morrendo
de rir”, conta Silvana.
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Outro caso muito comum são filhos que compram o
plano pensando nos pais, na maioria das vezes, idosos, sem
que esses tomem conhecimento. Pessoas mais velhas acreditam que comprar um plano de assistência funeral é assinar
a própria sentença de morte. “Fiz uma venda recentemente,
em que a dona da casa se chamava Belchiolina. Os pais dessa
senhora moram com ela. Já tem por volta de seus 80, 85 anos
de idade, e morrem de medo de fazer um plano funeral. Dona
Belchiolina pediu que eu voltasse à tarde para conversar com
a filha dela, disse que a neta tinha interesse de fazer o plano
para os avós. Voltei à tarde, e a filha de dona Belchiolina me
convidou para entrar. Comecei a explicar o plano e os avós
dela apareceram na janela da casa. Quando o avô me viu foi
logo perguntando: o que é que você ta fazendo aí, hein? A neta
respondeu: nada não, vô. Eu tô só comprando uma coisa. Aí lá
vem dona Belchiolina: eu estou comprando uma casa. O avô
desconfiado com a resposta da filha, indagou: mas você num
já tem casa? Essa aqui e a outra do lado? A filha respondeu
dizendo que era uma terceira casa que estava comprando. O
senhor não se deu por satisfeito com a resposta e voltou a me
perguntar o que eu estava fazendo ali. Eu disse que estava
vendendo um plano. E ele: e para quê esse plano? Eu respondi que era para proteger ele, a esposa, os filhos e os netos.
O senhor desconfiado falou: Mas, minha filha não disse que
86 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
estava comprando uma casa? Aí eu tentei esclarecer, dizendo
que não era uma casa, e sim um plano de proteção. A filha
dele já havia me contado que eles não aceitariam um plano
funerário, e que ela vinha tentando convencê-los há bastante
tempo, pois, além da idade um pouco avançada, um sofre de
problemas cardíacos e o outro, de pressão alta. Quando terminei de preencher o contrato, a filha de dona Belchiolina me
deu a taxa de inscrição e, logo em seguida, me dirigi para a
porta de saída da casa. O casal de idosos estava na calçada
e mais uma vez me abordou: minha filha comprou mesmo
uma casa? Eu fiquei sem saber o que responder. Confesso
que tive vontade de contar a verdade, mas havia prometido
à minha cliente que não o faria. Eu repeti que a neta tinha
comprado um plano de assistência a toda família e que dona
Belchiolina explicaria depois aos dois. Eles ainda ficaram um
pouco desconfiados, mas me despedi e fui embora”, relata a
promotora.
Além do Plano Sempre, o Grupo Vila conta com a Clínica Multifam, que não deixa de ser uma forma de manutenção do plano, pois é o primeiro serviço que o cliente utiliza
após a aquisição do Sempre (menos o Sempre Bem). “A Multifam é o segmento empresarial do grupo, voltado para assistência médica e odontológica. Com três unidades, a Multifam
disponibiliza para seus clientes mais de vinte e seis especia-
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lidades médicas, seis odontológicas e pelo menos cem tipos
de exames. Os clientes do Plano Sempre dispõem de descontos de até cinqüenta por cento nos serviços da clínica”, explica Jacyane Câmara, supervisora operacional das clínicas
Multifam há dez anos. “Sou responsável por toda a parte de
atendimento. Trabalho na clínica desde que ela foi fundada.
Entrei como atendente e fui crescendo passo a passo”, diz.
Criada para agregar valor ao plano funeral, a Multifam disponibilizava, no início, apenas nove especialidades
médicas. “Iniciamos apenas com a unidade da Zona Norte de
Natal, e hoje, contamos com uma Multifam na Zona Norte,
uma no Centro e outra na cidade de Parnamirim. Fazemos
uma média de quinhentos e cinqüenta atendimentos diários,
contando com as três clínicas”, conta Jacyane. “Prezamos
pela qualidade dos serviços. Contamos com especialistas sérios e conceituados”, diz a supervisora.
E não são só os clientes do Plano Sempre que podem
ser atendidos na Multifam. A diferença é que, para os que não
são, não há desconto, mas eles têm a vantagem de ser atendidos por um preço acessível, mais baixo que o de mercado.
“Eu não tenho condições de pagar um plano de saúde porque
é tudo muito caro, hoje em dia. Além disso, eu pago ainda
mais caro por cada pessoa minha que eu colocar a mais. Com
o plano Sempre, além de eu ter meu funeral garantido e não
88 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
precisar deixar despesas para minha família, eu ainda posso
usar os serviços da Multifam pagando bem menos do que
com um plano de saúde. E a melhor parte é que eu pude colocar meus filhos e meu marido e todo mundo paga um valor
único. Os serviços são muito bons, todos os médicos que eu
precisei, eu encontrei”, declarou a usuária Maria da Penha
da Silva, 42 anos.
Para a odontopediatra, Stella Coelli da Silva e Melo
Medeiros, “a clínica Multifam presta a toda população um
serviço de qualidade, com um preço acessível. Além de ser
uma abertura de mercado para nós, profissionais da saúde.
Temos uma parceria, o Grupo Vila entra com toda a estrutura
física e com material de qualidade (vale salientar que este
material está à altura de outras clínicas particulares) e nós
entramos com o serviço”, diz e complementa, “toda a condição de trabalho que precisamos, o grupo oferece. Não se faz
aqui serviço de “gambiarra”, como se faz, muitas vezes, no
serviço público”.
Stella relata ainda um caso de confiança que existe
entre os usuários e os profissionais da Multifam. “Tenho três
pacientes aqui na Multifam que não são associados, não tem o
Plano Sempre. Todos os três colocaram aparelhos ortodônticos
em outras clínicas particulares, com profissionais irresponsáveis, que cometeram graves erros, e hoje são atendidos aqui
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conosco. Esses profissionais extraíram dentes desses garotos
e um desses meninos está, até hoje, há três anos, com o espaço
da extração aberto. O normal é que em procedimentos como
este, o espaço se feche em até seis meses. Os prejuízos para
esses meninos poderiam ser irreparáveis se não tivessem procurado um profissional de qualidade”, conta a odontóloga. “Na
odontologia damos uma garantia. Por exemplo, se por acaso
uma restauração cair, o cliente pode retornar que refazemos o
serviço sem cobrar nada”, explica Stella.
Um dos projetos sociais do Grupo Vila é o ‘Clube da
Melhor Idade Cotinha Vila’. Criado em março de 2000, o projeto é voltado à valorização do idoso, buscando a integração
dos clientes do ‘Plano Sempre’, para que esses possam levar
uma vida mais saudável e feliz. “O nosso principal objetivo é
devolver um pouco para a sociedade daquilo que ela nos dá.
Uma forma de agradecer pela preferência dos nossos serviços, pela preferência do mercado. Com isso, devolvemos essa
preferência trabalhando em prol dessas mesmas pessoas que
nos prestigiam”, explica Eduardo Vila, um dos diretores do
Grupo Vila.
O trabalho no clube acontece por meio de palestras,
atividades recreativas, sociais, culturais e artísticas, realizadas semanalmente, e, atualmente, envolve cerca de 100 pessoas. “Por enquanto, estamos funcionando na clínica Multi-
90 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
fam da Zona Norte, no bairro de Igapó. Nas terças e quintas,
desenvolvemos oficinas de artesanato como: cestaria em jornais, meias de seda, fuxico, entre outros. E, nos sábados, temos reuniões maiores, com todo o grupo. O encontro começa
ás 14 horas e só encerra às 17h30. Geralmente, começamos
fazendo a oração do Pai Nosso, em seguida, informamos toda
a programação da semana seguinte, discutimos sempre um
tema atual (considero este um momento de reflexão) e, por
fim, fazemos os ensaios do nosso grupo de dança folclórica. Enquanto alguns estão dançando, outros jogam baralho,
dama, dominó. Enfim, é uma tarde de lazer”, explica Áurea
Vila, coordenadora do projeto.
“Promovemos todo final do mês uma festa para comemorarmos os aniversariantes do mês. Uma festa muito animada com direito a bolo, refrigerante, salgadinhos e balões.
Fazemos passeios nos finais de semana, geralmente aos domingos. Alugamos um ônibus e vamos passar o dia em algum
lugar legal, como Maracajaú, Genipabu e as praias do Litoral
Sul. Comemoramos também, as datas significativas, como o
Carnaval, Dia das Mães e o São João. E, toda última quartafeira do mês, nos encontrou com outros grupos da melhor
idade lá no SEST-SENAT. É como se fosse um ‘Ação Cidadã’.
Temos médicos, dentistas, cabeleireiros, uma banda de forró
tocando. É mais um dia de lazer”, diz a coordenadora.
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Um dos objetivos do ‘Cotinha Vila’ é fazer um trabalho de conscientização, fazendo com que todos os associados
conheçam seus direitos e deveres para, a partir daí, exercer a
plena cidadania. “Entregamos para cada um dos participantes
uma cópia do Estatuto do Idoso e nos sábados, fazemos palestras para explicar melhor quais os direitos deles”, diz Áurea.
O Grupo Vila tem pretensões de transformar o projeto
em fundação. “Temos um projeto para transformar o grupo
da ‘Melhor Idade Cotinha Vila’ em fundação. Já demos entrada na documentação necessária e estamos apenas esperando
resolver as questões burocráticas”, declara Áurea Vila. “Pretendemos adquirir uma sede no próximo ano, para que possamos, antes mesmo de nos tornarmos fundação, abrir para
toda a comunidade. Para que não só os idosos, mas também
jovens e adultos, possam se beneficiar com nosso trabalho”,
complementa.
O artista plástico César Rhasec, 52 anos, é colaborador do projeto desde a fundação do clube. “Atualmente, devido à falta de espaço físico, tenho desenvolvido mais a parte de
apoio. Dou palestras, auxílio no artesanato e suporte à dona
Áurea quando necessário. Quando adquirirmos nossa sede,
pretendo incluir pintura em tela, trabalhar com escultura em
argila e barro, que é muito bom para desenvolver a coordenação motora, concentração, entre outros”, diz.
92 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
“Uma das coisas que mais me marcou no trabalho com
os idosos, foi um passeio que fizemos para uma serra, não me
lembro o nome agora. Fomos com outros grupos da melhor
idade. Era uma romaria e o que mais me chamou a atenção
foi que, na maioria das vezes, os familiares protegem seus
parentes já de idade, impedindo de fazer isso ou aquilo. E eu
percebi neste passeio, o quanto a fé, a religião e a força de
vontade podem ajudar as pessoas. Eu presenciei todos aqueles idosos subindo a serra a pé. Uma serra muito alta, que
muitos jovens não conseguiriam subir. A fé daquelas pessoas
fez com que elas conseguissem superar até as dificuldades
físicas. Isso para mim foi uma lição de vida”, relata Rhasec.
Segundo Rhasec, muitos são os casos de superação
que ele presencia nos encontros com os participantes do
‘Clube da Melhor Idade Cotinha Vila’. “Outro caso que me
marcou muito foi um passeio que fizemos para as dunas de
Genipabu. Uma senhora que participa do nosso grupo, na
época com 75 anos. Eu subi a duna na frente, sem olhar muito para trás. Quando cheguei ao topo e olhei para o lado, estava lá, muito tranqüila, olhando admirada para os camelos,
dona Maria. Na época, ela estava com 75 anos. Uma senhora
de pele morena, olhos azuis, sempre com um lenço na cabeça. Linda, linda. E eu, impressionado perguntei: ô dona Maria, quem foi que ajudou a senhora a subir essa duna? E ela
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me respondeu em tom firme: Ninguém. Eu subi sozinha. Eu,
ainda desconfiado, fui perguntar a dona Áurea Vila: quem foi
que ajudou dona Maria a subir? Áurea disse que não tinha
sido ela. Aí eu falei: pois ela está lá em cima, bem tranqüila.
Resultado, a partir daí, descobri que a idade não é problema
quando se quer viver”, conta o artista plástico.
Para César Rhasec, essas demonstrações de superação vêm da união e da alegria que o grupo ‘Cotinha Vila’ tem.
Além das lições que eles tiram após as reflexões que fazem
sobre a vida aos sábados. “Uma das coisas que falamos muito
em nossos encontros, é que o ser humano só permanece na
vida enquanto ele tiver vontade de aprender. É preciso ter
vontade de aprender”, diz Rhasec. “Eu tenho um exemplo na
minha própria família. O meu avô, um metro e oitenta de
altura, forte, um senhor trabalhador. Mas, quando minha avó
morreu, ele também, aqui na terra, começou a se definhar. O
organismo dele ainda viveu mais dez anos, mas a alma morreu junto com a minha avó”, se emociona.
Dona Amélia Laurentino de Medeiros participa do
grupo há oito anos. No início, era ela e o esposo, até que
este veio a falecer. “O Cotinha Vila me ajudou e me ajuda
a superar todas as minhas dificuldades. Inclusive, a morte
do meu marido. O projeto melhorou minha vida em tudo
para melhor. Tenho a sensação de que comecei a viver
94 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
agora. Lá, eu fiz verdadeiras amizades. Lá, todo mundo é
unido. Todos me querem bem. Se por acaso comento com
alguma amiga que não vou poder ir algum dia, elas insistem, me pedem para ir, dizem que sou divertida, que vão
sentir minha falta. Isso levanta a minha auto-estima, me
deixa feliz”, declara. “Se acordo um dia cansada, com preguiça e penso em não ir pro Cotinha Vila, minhas filhas
ficam brabas, pois sabem o quanto me faz bem estar ali.
Elas dizem: a senhora não pode perder não. Como é que a
senhora vai correr o risco de perder um passeio com o grupo que a senhora tanto gosta? Nessa hora, me dou conta,
percebo que elas estão com a razão e vou passear (risos),
conta dona Amélia.
Freqüentadora assídua do projeto, dona Amélia diz
que gosta de todas as atividades e que só está afastada da
dança, porque fez recentemente uma cirurgia. “De todas as
atividades, não consigo eleger apenas uma com preferida,
gosto de tudo. Lá, eu me sinto em casa. Nos dias que não vou,
que não tem atividade no ‘Cotinha Vila’, fico só pensando no
grupo, lembrando dos meus amigos”, diz.
Uma das coisas que mais agrada dona Amélia é a atenção dispensada pelos organizadores do projeto. “Dona Áurea
é uma coordenadora muito boa, muito preocupada com a gente. Quando fazemos passeios, ela sempre leva lanche, fica o
95
tempo inteiro cuidando da gente, atenta para que nada de
errado aconteça. Ela é muito atenciosa”, declara.
Pichação é coisa do passado na Escola Estadual João
Tibúrcio, localizada no bairro do Alecrim, em Natal. Ultimamente, a arte dá graça aos seus muros com imagens pintadas
pelos alunos do ensino fundamental e médio da escola. Esse
é mais um projeto social do Grupo Vila, o ‘Arte na Escola’.
“Esse projeto teve início em 2002. Eu estava terminando meu
curso de graduação em Educação Artística, na Universidade
Federal do Rio Grande do Norte, e precisava fazer um estágio.
Seu Eduardo Vila, um dos diretores do grupo, me indicou a
João Tibúrcio. Ele estudou lá quando criança. Eu sabia que
havia um carinho todo especial com esse colégio. Sabendo
dessa relação afetiva que ele tinha com a instituição, comecei
a pensar no projeto ‘Arte na Escola’, que poderia ser desenvolvido em parceria com o Grupo Vila. Propus ao seu Eduardo, e imediatamente foi aceito”, explica Rhasec.
O objetivo da iniciativa é estimular a arte entre os
alunos, desenvolver capacidades e habilidades, através da
pintura artística, de maneira que propiciem aprimoramento
da sua arte, sua criatividade e capacidade, abolindo de vez a
prática da pichação. O Grupo Vila doa todo o material – papel, tinta, cartolina e pincel, compra os brindes e patrocina
o coquetel de lançamento da exposição. “O início do trabalho
96 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
é feito em sala de aula, através de desenhos de livre escolha
dos alunos. Em seguida, uma comissão avaliadora escolhe os
dez melhores que vão ser pintados no muro da escola. Cada
concurso, ou seja, cada ano tem um tema diferente. Na segunda etapa, os alunos são orientados a pesquisar sobre o
tema tratado naquele ano, para depois, fazer seu desenho em
cartolina. Neste momento, o meu auxílio é orientar as crianças, ensinando todas as técnicas necessárias de pintura. No
terceiro e último momento, as crianças, junto com a minha
ajuda, pintam seus desenhos nos muros da escola. Mais uma
comissão é formada para eleger os três melhores. Os vencedores ganham prêmios que podem variar de bicicleta a kits
de pintura”, explica o coordenador artístico, César Rhasec.
Temas como ‘As Belezas do Fundo do Mar’, ‘Brasil 500
Anos’, ‘Pontos Turístico’, ‘Natal 400 Anos’, ‘Água’ e ‘Animais
em Extinção’ já foram trabalhados. Todos eles são discutidos
em sala de aula. O projeto estimula o aprendizado dos alunos,
além de deixar a escola mais bonita. “Além de valorizar a
criatividade dos alunos temos a oportunidade de despertar
habilidades para pintura”, diz o coordenador artístico e complementa, “o incentivo à pintura é um papel importante para
a educação”.
E além de participar do ‘Grupo da Melhor Idade Cotinha Vila’ e do projeto ‘Arte na Escola’, o artista plástico, César
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Rhasec, que tem residência há dez anos no cemitério Morada
da Paz, é responsável por quase todas as obras de arte expostas por lá. “Eu me considero um dos artistas mais exóticos
e excêntricos do Brasil, pois moro em um cemitério e faço
arte. Arte essa, direcionada para a vida. A mensagem que
tento passar em minhas obras, é que a vida continua para os
que ficam. Precisamos aprender a lidar com a morte e o meu
objetivo é que esse convívio possa acontecer pacificamente,
sem traumas”, diz. “Hoje em dia não acho que tenho uma
profissão. Tenho uma missão”, encerra.
O Grupo Vila também promove, em parceria com o
Governo Federal e com os Governos do Estado do Rio Grande
do Norte e Pernambuco, uma ação continuada de combate ao
analfabetismo dentro da empresa. Em Natal, no ano de 2007,
foram alfabetizados oito funcionários. Em 2008, dezenove. Já
em Recife, vinte e cinco funcionários semi-analfabetos, entre
sepultadores, pedreiros e jardineiros, foram formados.
O Programa de Alfabetização de Adultos oferece cursos
com duração de oito meses e carga horária total de 320 horas.
As atividades pedagógicas acontecem diariamente, num total
de duas horas por dia, nas instalações dos cemitérios Morada
da Paz de Natal e Recife. As aulas são expositivas, os alunos
participam de atividades em grupo e discutem sobre textos
da atualidade. O grupo fornece todos os recursos para a re-
98 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
alização das aulas como quadros, cadernos, canetas, pastas,
equipamento e o espaço físico. A parte que cabe aos governos
é a capacitação dos profissionais que vão ministrar as aulas
no Grupo. O curso de alfabetização de adultos oferecido pelo
Grupo Vila aos seus funcionários faz parte de um programa
de alfabetização, apoiado pelas Secretárias de Educação do
Rio Grande do Norte e Pernambuco. O plano consiste em uma
metodologia diferente e exige do aluno uma compreensão do
mundo, sociedade e família. “Trazer o trabalho para dentro
do Grupo Vila é uma forma de, cada vez mais, valorizar os
colaboradores, contribuindo para ampliarem seus horizontes
e sua visão de mundo”, explica Celione Oliveira, gerente de
RH do grupo.
Assim, como outras empresas contemporâneas, o
Grupo Vila vem demonstrando preocupação com as questões ambientais. Desde março de 2003, o grupo realiza, todos
os anos, o projeto ‘Verde é Vida’, em parceria com o Rotary
Club e apoio do IBAMA. O projeto consiste na mobilização
da comunidade, em uma campanha de conscientização, para
a necessidade de preservar as matas nativas da cidade de
Natal e Grande Natal, além de contribuir com o reflorestamento de áreas prejudicadas pela devastação. “Temos toda
uma preocupação com o futuro do planeta, pois sabemos que
este futuro está ameaçado por conta da degradação do meio
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ambiente, do aquecimento global. Trabalhamos para evitar
que essa exaustão dos recursos naturais fique cada vez mais
distante. Pretendemos deixar um mundo melhor para os nossos descendentes”, diz Eduardo Vila.
O objetivo da iniciativa é educar crianças e adolescentes
sobre a importância de proteger a natureza. Várias mudas, de diversas espécies de árvores nativas, como Pau-Brasil, Mulengue,
Caraibeira e Pitanga, já foram plantadas às margens do Rio Pitimbu, nos limites do cemitério Morada da Paz, em Emaús. “O apoio
ao projeto é fundamental para conscientizar e preservar o meio
ambiente a partir do Pitimbu, de vital importância para nossa cidade”, explica Eduardo.
A parceria também acontece em outros projetos ambientais, como o movimento ‘Pró-Pitimbu’ e ‘Cidade Ecologia’, este
último promovido pela Rádio Cidade. Junto ao movimento ‘PróPitimbu’, palestras ensinando a importância da preservação da
água e do Rio Pitimbu foram proferidas à crianças de uma escola
particular da cidade de Natal. As crianças aprenderam como economizar e evitar a poluição. A maioria descobriu que, no dia-a-dia,
desperdiçava água em banhos demorados, ou até mesmo, ajudando o pai a lavar o carro com mangueira. Após as palestras, os estudantes fizeram o trabalho de campo, plantando mudas de árvores
como, Catingueira, Cambuim e Mangabeira. “Sempre estimulamos ações no sentido de preservação ambiental, pois o meio am-
100 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
biente é a fonte na nossa vida. Precisamos cuidar dele cada vez
mais”, disse o gestor de operações do grupo, Heber Vila.
A parceria do Grupo Vila com a Rádio Cidade se deu na terceira etapa do programa ‘Cidade Ecologia’. Cem mudas de plantas
nativas foram plantadas, em 2008, em um dos cemitérios do grupo, o Parque da Passagem, localizado na Zona Norte de Natal. O
projeto consiste na mobilização da sociedade em torno das causas
ecológicas. Através de uma pesquisa feita pela Rádio, junto com a
Consultoria Gaia, foi possível saber quantas mudas deveriam ser
plantadas para amenizar os danos causados pela construção civil.
O total estimado foi de 421 mudas. Na primeira etapa, 176 mudas
foram plantadas na Água Mineral Cristalina, no município de Macaíba. Já na segunda etapa, os alunos de uma escola de idiomas,
Yázigi, plantaram 95 mudas em uma granja próxima à Lagoa do
Bonfim, município de Nísia Floresta. “Sentimos-nos honrados em
poder contribuir com esse projeto. Ações simples como essa é que
ajudam a melhorar o planeta em que vivemos”, disse a gerente de
marketing do Grupo Vila, Tatiana Rocha.
Pode parecer contradição, mas o maior objetivo do Grupo Vila é trabalhar em prol da vida e não da morte. “O serviço
funerário como um todo, trabalha para os que ficam. O maior
sentido é aliviar a dor daqueles que perderam alguém. Por isso,
a beleza dos cemitérios, dos jardins e o cuidado, denotando vida
e não morte. Por isso, temos ambientes claros, que transmitem
101
Foto: Aline Ricciardi
paz, tranqüilidade, vida. É um serviço voltado para os que ficam”, explica Eduardo Vila. E encerra dizendo, “Quando promovemos um dia como finados, que tem uma programação extensa
de músicas, artes, brinquedoteca e outros, todo esse cuidado é
visando dar mais conforto aos familiares, que vão visitar seus
entes queridos”.
Arquivo
César Rhasec
Projeto Arte na Escola
Foto: Moraes Neto
102 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Foto: Moraes Neto
Verde é vida: plantio de mudas no Cemitério
Morada da Paz
Foto: Moraes Neto
Lendo e Aprendendo: programa de alfabetização de adultos para funcionários
Evento festivo no Clube de Mães Cotinha Vila
Foto: Moraes Neto
103
Foto: Ricardo Junqueira
Aulas de pintura para a terceira idade
Clínica Multifam - unidade Zona Norte
Foto: Moraes Neto
104 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Foto: Ricardo Junqueira
Doutora Stella Coelli, odontopediatra
Atendimento Sempre
105
106 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Capítulo V
Morte e vida por meio
da mídia: Grupo Vila
e o Dia de Finados
“Ninguém morre.
As pessoas despertam
do sonho da vida.”
Raul Seixas
107
A
mídia tem o papel de manter a população informada.
A população, por outro lado, não deve se colocar como
mera receptora passiva daquilo que é veiculado pelos
meios de comunicação. A invenção da imprensa modificou profundamente a história, da mesma forma que, no século XXI, as
mudanças tecnológicas na área da comunicação estão modificando a sociedade, uma vez que o rápido desenvolvimento dos meios
de comunicação de massa alterou a forma como vivemos. A Era
Industrial tornou-se a Era da Informação.
Pensar na morte ou sobre a morte é algo que evitamos ao
longo de nossas vidas. Eis a pergunta que não quer calar: Como
não pensar, como não falar sobre ela, se a mídia nos impõe sobre
esse assunto todos os dias? Com certeza, são as notícias mais “interessantes”, as famosas hot news.
Em novembro de 2008, pesquisamos, no site de busca Google, o tema “morte” e obtivemos a impressionante marca de mais
de 30.000 notícias sobre o tema. Como exemplo, as notícias sobre
a morte da menina Isabella , ocorrida em março de 20081, foram
209, e sobre a da jovem Eloá, que foi seqüestrada e morta pelo
No dia 29 de março de 2008, a menina Isabella Nardoni foi encontrada no gramado em frente ao edifício onde o pai, Alexandre Nardoni, morava com a nova
esposa e os dois filhos do casal. Nardoni declarou que deixou a garota no quarto
e trancou a porta. Quando voltou, Isabella já não estava no quarto. A queda da
garota começou a gerar dúvidas e a polícia passou a considerar a hipótese de que
a menina tivesse sido jogada do 6° andar do prédio pelo próprio pai. (http://www.
virgula.com.br/atitude/interna.php?id=8392).
1
108 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
ex-namorado, foram mais de 2.500 notificações. Com isso, percebemos a tendência das chamadas hot news, as notícias quentes
que interessam a maioria, pois casos de violência e morte ocupam
praticamente 50% dos telejornais.
Segundo o site Ponderantes, “as telenovelas não conseguem
mais prender a atenção do telespectador. Mas, durante os últimos
dias, as emissoras têm conseguido uma maneira infeliz de contornar a situação: a “novelização” do seqüestro em Santo André.
A vida real encarregou-se de arquitetar a história nua e crua. A
televisão – especializada em ilusões – deu o tom, mediante a trilha sonora, as vozes forçadamente emotivas de alguns jornalistas e as edições semelhantes às de uma telenovela. Entretanto, a
maior parte da similaridade entre as tramas novelísticas e o caso
do seqüestro no ABC paulista foi produzida, de fato, pela vida real.
Observa-se isso, sobretudo, no modo como a trama se desenrola.
Nas novelas de TV, há sempre uma trama central e várias subtramas que se desenvolvem a partir da história principal. É isso que
está acontecendo, agora, com o caso Eloá”, diz o autor do texto,
Valdeir Almeida.
Isso mostra como a nossa sociedade não está, de fato,
educada para a morte. Quando assistimos à morte de um desconhecido pela televisão, mostramo-nos chocados diante da
situação, mas, logo, tratamos de esquecer aquela notícia trágica. No entanto, quando algo de ruim acontece com quem
109
está próximo de nós, surge uma dificuldade imensa em aceitar a dor pela perda daqueles que partiram. Mas, ainda sim,
devemos nos questionar da seguinte forma: Será possível
modificar, transformar e ensinar sobre a morte? Qual o verdadeiro papel dos veículos de comunicação no que se refere
à morte?
A mídia, em si, deve colocar suas objetivas quando alguém é vítima da violência. Faz parte do papel da imprensa
informar e combater as atrocidades, visando transformar a
nossa sociedade em um ambiente, onde as pessoas sejam livres, no sentido pleno da palavra. Como disse Cecília Meireles, em Romanceira da Inconfidência, “Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que
explique e ninguém que não entenda”.
Contudo, o papel da educação para a morte, através da
mídia, é trazer o tema de modo correto, de modo a suscitar o
debate, levando, enfim, ao aprendizado, pois, educar para a
morte é preparar para a vida.
A negação da morte em nossa cultura afeta as novas gerações, resultando numa compreensão pobre, tanto de vida,
quanto de morte. A morte é um dos maiores tabus do mundo
ocidental. Quase ninguém gosta de pensar no assunto, muito
menos falar sobre ele. Mesmo sendo a única certeza da vida,
muitas pessoas evitam ao máximo se aproximar da morte.
110 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Segundo a autora Maria Júlia Kovács, no livro Educação
para a morte: um desafio na formação de profissionais de
saúde e educação, “só quando temos consciência da finitude
das coisas e de nós mesmos, estamos livres para estar no
presente e inteiros”.
O que precisamos entender é que a morte faz parte da
vida, que a gente começa a morrer no dia em que nasce. Mas
0 mundo de hoje, contudo, não nos educa a nos prepararmos
para a morte. As religiões, no entanto, vêem caminhos para
além da morte. Muitos crêem na reencarnação. Os cristãos
proclamam a ressurreição. Essa esperança muda a forma de
encarar a morte.
Se não morrêssemos, não viveríamos da mesma maneira. A maneira como a sociedade se organiza diante da morte
está estreitamente ligada ao modo como ela organiza a vida.
Viver e morrer não são atos vividos no isolamento.
Independentemente de como encaramos a morte, o que
importa é que possamos nos sentir bem em lembrarmo-nos
daquele que partiu.
Infelizmente, as circunstâncias que levam as pessoas ao
cemitério são tão chocantes, que a maioria dos visitantes não
percebe o que está a sua volta. No entanto, por trás da tristeza que envolve cada sepultamento, existe um grupo de profissionais interessado em prestar um serviço de qualidade, que
111
trabalha duro para transformar os cemitérios em locais mais
confortáveis, na tentativa de suavizar a dor das famílias e dos
amigos que vêm dar adeus a seu ente querido.
Há 60 anos no mercado, o Grupo Vila trabalha para humanizar a morte, procurando amenizar o conceito de cemitério como um lugar fúnebre, sombrio, de medo. O Morada
da Paz e o Parque da Passagem, no Rio Grande do Norte, e o
Morada da Paz, em Pernambuco, são cemitérios que trazem
parques verdes e floridos e espaços bem aproveitados.
A tendência dos cemitérios contemporâneos é aquela
em que menos é mais. A mudança dos cemitérios para grandes parques impôs uma série de proibições quanto ao uso dos
túmulos. A preocupação com a estética desses locais passou
a ser grande, em nome da uniformidade. Isto é, não importa
se, em vida, as pessoas foram ricas ou pobres, pois, uma vez
sepultadas, todas seriam iguais.
Os cemitérios-parque começaram a surgir em 1906, em
Los Angeles, da forma como são mantidos até hoje: sem lápides, assentados em terreno plano e com poucas árvores. No
Brasil, o primeiro cemitério a adotar o modelo parque foi o
Cemitério da Paz, no bairro do Morumbi, em São Paulo, inaugurado no ano de 1965.
Trazendo mais essa inovação para o Rio Grande do
Norte, o Grupo Vila criou cemitérios parque, que são verda-
112 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
deiros parques de descanso para as famílias. “Achei ótimo
o trabalho que o Grupo Vila fez aqui (no Morada da Paz). É
tudo muito bem cuidado. Assim é mais tranqüilo, nem parece
cemitério”, disse a funcionária pública, Carla Andrade. Algumas pessoas também aproveitam as alamedas do cemitério
para conversar, fazer novos amigos, caminhar. “Venho quase
todo dia visitar meu marido e aproveito para caminhar um
pouco. Apesar da saudade que eu sinto, esse é um lugar que
me transmite paz”, afirma dona Maria das Graças, 53 anos.
De acordo com a revista ‘Diretor Funerário’, “a moderna
empresa funerária é clara, realiza negócios de forma transparente, é atuante na comunidade onde está inserida e reconhecida na sociedade. [...] Há empresas que promovem até
exposições artísticas e consertos musicais em seu interior,
transformando um espaço antes temido e estigmatizado num
local aprazível e bem freqüentado”.
Tido como referência no segmento, o Grupo Vila freqüentemente aparece na mídia local e nacional, principalmente na
época que antecede o Dia de Finados, mostrando seus produtos e serviços, que são voltados para oferecer ajuda e conforto
àqueles que necessitam de apoio para lidar com a perda. Segundo o diretor, Eduardo Vila, esse cuidado que a empresa tem
com os clientes “é uma forma de humanizar, de passar para
essas pessoas uma mensagem de paz e esperança”, diz.
113
“Uma programação diferente será promovida para o
Dia de Finados, próximo domingo, nos cemitérios Morada da
Paz, em Emaús, e Parque da Passagem, na Zona Norte. Música, missas, cultos, chuvas de pétalas e queima de fotos farão
parte do dia em homenagem aos que se foram”, publicou o
jornal ‘Diário de Natal’, na edição de 31 de outubro de 2008,
abordando os serviços personalizados do Grupo Vila para o
dia de finados.
Homenagear os mortos parece ser uma prática universal, uma maneira de reverenciar e lembrar os entes queridos
e, de certa forma, é uma re-confirmação de nossa condição de
mortal. No México, a festa do dia dos mortos é comemorada
com um grande banquete. Segundo a tradição daquele país,
nos dias 1º e 2º de novembro, Deus deixa os mortos virem visitar os seus familiares que ainda estão na Terra. Ao mesmo
tempo, os mortos têm a oportunidade de comer e beber aquilo de que mais gostavam. Esse é um dos motivos dos grandes
banquetes preparados pelos mexicanos no Dia de Finados.
O Dia de Finados foi instituído na França do século X,
por Santo Odílio. No século XI, os Papas Silvestre II (1009),
João XVII (1009) e Leão IX (1015) obrigaram a comunidade a
dedicar um dia por ano aos mortos e, assim, foi oficializada a
lembrança dos finados. A data 2º de novembro foi escolhida
no século XIII, porque, no dia 1º de novembro, é a festa de
114 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
‘Todos os Santos’. O ‘Dia de Todos os Santos’ celebra todos os
que morreram em estado de graça e não foram canonizados
e o Dia de Todos os Mortos – Dia de Finados – celebra todos
os que morreram e não são lembrados na oração. As pessoas
costumam celebrar os mortos levando flores aos túmulos e
rezando por eles.
Com o passar do tempo, a comemoração ultrapassou
seu aspecto exclusivamente religioso, para revelar uma feição
emotiva: a saudade de quem perdeu entes queridos. Hoje, o
Dia de Finados é um dos feriados mais universais. São cerca
de mil anos de celebração pela fé na ressurreição. Alguns
preferem chamar a data de Dia da Saudade, retirando o peso
do aspecto fúnebre e enfatizando as melhores lembranças daqueles que se foram.
No dia 31 de outubro, nos países anglo-saxônicos, comemora-se o Halloween (Dia das Bruxas), em que as pessoas
usam fantasias, muitas vezes, assustadoras, mas não levam
a sério a comunhão com os mortos. Livros e filmes misturam
mortos e vivos e alimentam o terror do sobrenatural. Mas,
desvalorizam a vida. Quando a vida é desumanizada, a morte
também perde o seu sentido.
A morte humaniza a vida, porque revela que somos
criaturas limitadas. Fugir da questão da morte é não assumir
os próprios limites e os dos outros. A vida não é apenas bioló-
115
gica, nem a morte é acidente de percurso. Como diz a Bíblia:
“Para todas as coisas, há o momento certo. Existe o tempo de
nascer e o tempo de morrer”. (Eclesiastes 3).
Celebrar um dia em memória de nossos entes queridos
que se foram pode nos ajudar a conviver de forma mais humana com nossas raízes. Quem trabalha no setor de cemitérios e funerárias sabe que esse é um dia de visitação em massa
e, portanto, há uma grande movimentação para este evento. A
atenção com a manutenção adequada dos espaços, a limpeza,
abastecimento da floricultura, lanchonete e conservação dos
jazigos é fundamental. Equipes são contratadas e disponibilizadas para que os visitantes tenham todo o conforto e a segurança neste dia.
Umas das formas de apoio dadas pelo Grupo Vila são
os diversos atrativos oferecidos no Dia de Finados, como recreação infantil, missas, chuva de pétalas, oficina de artes,
serviço de apoio ao enlutado, queima de fogos, entre outros.
Para os profissionais, o Dia de Finados é também o Dia da
Lembrança, dia de transformar a tristeza em saudade.
O professor, e cliente do Morada da Paz, João da Mata
Costa, escreveu um artigo intitulado ‘O Reino de Lete’, sobre
o Dia de Finados, que foi publicado no site ‘Espaço Aberto’,
“o dia era de finados e seria celebrado com muitas missas e
cultos. Um dia para lembrar e chorar os mortos queridos. Nos
116 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
cemitérios, muitas flores, velas e preces. Muita música também. [...] No cemitério Morada da Paz, o dia é de festa e tudo
vira um mar de flores. Muitas rosas, crisântemos e amoresperfeitos adornam os túmulos horizontais. O teco-teco passa
despejando pétalas de rosas. Meninos brincam de desenhar
e na galeria de artes pode-se apreciar as belas esculturas do
artista César Rhasec. [...] Nem parece que é Finados [...] Me
despeço do meu querido pai e vou embora embaixo de uma
grande queima de fogos de artifício. Não sei se estou alegre
ou triste. Sei que lembro de papai todos os dias. [...] É com
muita saudade que me despedi de papai e outros entes queridos que já foram morar no reino de Lete.”
Os crisântemos são as flores que os brasileiros preferem para homenagear seus mortos. Essas flores representam
o sol e a chuva, a vida e a morte, e podem ser amarelas, brancas ou vermelhas.
Não existe explicação racional, mas é comum chover no
Dia de Finados. Alguns acreditam que a chuva representa a
tristeza das pessoas que perderam um ente querido.
Para os católicos, o testemunho de vida daquele que
morreu fica como luz acesa no coração de quem continua a
peregrinação pela vida. Para tanto, eles acendem velas no
Dia de Finados, buscando celebrar e perpetuar a luz do falecido. Os evangélicos não acendem velas, pois acreditam que,
117
depois que morre, a pessoa não tem mais ligação com a Terra, apenas com Deus.
A grande movimentação de pessoas nesse dia muitas
vezes dificulta a expressão de luto de alguns familiares. De
acordo as psicólogas Ana Lúcia Naletto e Lélia Cássia Faleiros Oliveira, do Centro Maiêutica de Psicologia Aplicada,
o período de luto é um período de muitas mudanças, mas
completamente atípico e diferente de pessoa para pessoa, de
tal forma que cada uma precisa encontrar algumas formas
especiais de lidar com a dor e evitar mais sofrimento. Essas
mudanças podem gerar certo estranhamento nos familiares
e nas pessoas mais próximas. De fato, a perda traz uma sensação física de vazio, de falta, de um buraco no ser. Essa dor
tem momentos agudos, especialmente nos primeiros meses.
A morte pode ser instantânea, mas o processo de luto é longo.
É necessário muito tempo para o enlutado se “convencer” da
realidade dos fatos, compreender o acontecimento e adaptarse às conseqüências da morte.
Eduardo Vila afirma sobre o Dia de Finados que “toda
programação é feita no sentido de que as pessoas que venham até aqui rememorar seus mortos se sintam tranqüilas,
homenageadas, em paz”.
“No cemitério Morada da Paz, [...] os familiares contaram com uma programação especial para comemorar a data
118 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
com missas e cultos em horários diferenciados, apresentação
da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte, chuva de pétalas de rosas e queima de fogos”, registrou o jornal ‘Tribuna
do Norte’, em 04 de novembro de 2008.
A programação especial do Dia de Finados preparada
pelo Grupo Vila sempre tem uma grande repercussão na
imprensa potiguar. Os jornais destacam, principalmente, as
missas, a visitação, a música nas alamedas, a brinquedoteca,
a chuva de pétalas de rosas e a queima de fogos.
“No cemitério Morada da Paz, serão realizadas missas e
cultos em horários diferenciados nos jardins ecumênicos dos
cemitérios. Para dar suporte aos visitantes, cada cemitério irá
dispor de uma central de atendimento, onde os visitantes poderão obter informações e esclarecer duvidas, brinquedoteca
e oficina de artes para as crianças, livraria, praça de alimento
e serviço de apoio ao enlutado (...). Pelo terceiro ano consecutivo, o Grupo Vila transmite, ao vivo, o Dia da Lembrança
[...] onde as pessoas poderão acompanhar tudo pela Internet,
por meio do endereço www.grupovila.com.br. A programação
de Finados será encerrada com chuva de pétalas e queima de
fogos”, registrou o site de notícias ‘No minuto.com’, em 31 de
outubro de 2008.
Já o ‘Jornal de Hoje’, por sua vez, na edição do dia 01 de
novembro de 2008, publicou que “os cemitérios Morada da
119
Paz e Parque da Passagem decidiram preparar uma programação especial para o Dia da Lembrança e, assim, criar um
momento belo para recordar e homenagear os entes queridos
que partiram”.
Sempre próximo ao Dia de Finados, a mídia local retoma, ano após ano, praticamente as mesmas pautas: programação para o dia nos cemitérios da cidade, denúncias de
vandalismo e lotação nos cemitérios públicos, cuidados que
a Prefeitura disponibiliza nos túmulos (limpeza, iluminação,
segurança) nessa época do ano, empregos temporários (manutenção dos túmulos, venda de flores), etc.
O jornal ‘Correio da Tarde’ destacou, no dia 01 de novembro de 2008, que a “arquiodecese divulga agenda de missas. Cemitérios privados montam programação requintada,
com direito à transmissão online, chuvas de pétalas, missas,
exposição de artes e músicas”. Sobre a estrutura dos cemitérios da cidade, o jornal ‘Tribuna do Norte’ noticiou, em 30
de outubro de 2008, que ”os cemitérios estão praticamente
prontos para receber os visitantes no Dia de Finados. A Secretária Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) já providenciou a limpeza geral dos cemitérios públicos e também a
revisão da iluminação”.
O ‘Jornal de Hoje’ registrou, em 27 de outubro de 2008,
que “a lavagem dos túmulos continua sendo o serviço mais
120 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
contratado pelos familiares dos mortos. Uma limpeza completa pode custar até R$ 30. A menos de uma semana para o Dia
de Finados, Prefeitura e população em geral intensificam os
trabalhos de limpeza nos oito cemitérios públicos de Natal”.
Em 02 de novembro de 2006, o jornal ‘Tribuna do Norte’ fez referência a alguns dos principais produtos comercializados na data, como velas e flores, afirmando que “o preço
de alguns itens usados nas homenagens do Dia de Finados
chegou a dobrar em relação a 2005. É o caso da vela. A caixa
com oito unidades subiu de R$ 0,50 para R$ 1. [...] Vendedores de rosas, grinaldas, arranjos de flores e demais itens relacionados a data estão instalados com suas bancas em frente
dos cemitérios desde ontem cedo”.
A preocupação da Prefeitura com a organização dos cemitérios foi destacada pelo site ‘No minuto.com’, em 27 de
outubro de 2008, enfatizando que “para a data, a Secretaria
Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) está pintando, iluminando e fazendo a limpeza dos cemitérios”.
O site de notícias também veiculou uma denúncia
sobre a super lotação dos cemitérios públicos, em 28 de
outubro de 2008. “Com os oito cemitérios públicos de Natal totalmente lotados, o pobre pode dizer, ao pé da letra
que “não tem onde cair morto”. O cemitério ‘mais novo’,
o de Pajuçara, já tem 20 anos que foi construído. [...] Há
121
alternativas para diminuir o problema, porém elas ou
esbarram em falta de orçamento ou na resistência das
famílias”.
No ‘Diário de Natal’, de 04 de novembro de 2006, o comércio informal de velas e flores que surge nessa época do
ano foi abordado, pois “a tradição de mais de dez séculos de
acender velas e levar flores às sepulturas de familiares e amigos falecidos favoreceu ao comércio informal de flores, velas,
lavagem de túmulos e lanches”, publicou o jornal.
“Lírios, margaridas, crisântemos, gáudios. Tudo caprichosamente arrumado em arranjos, ramalhetes e vasos frondosos. [...] dessa vez o bom gosto e o requinte são destinados
aos que amávamos e se foram. É véspera da comemoração do
dia de finados e floriculturas e cemitérios se preparam para
oferecer o diferencial”, ressaltou o jornal ‘Correio da Tarde’,
em 31 de outubro de 2007.
Os muitos empregos informais que surgem na época
de Finados foram abordados na matéria do ‘No minuto.com’,
em 28 de outubro de 2008. “O feriado de Dia de Finados se
aproxima e traz com ele, além das homenagens das famílias
que perderam seus entes queridos, oportunidades de empregos temporários. [...] A atividade movimenta trabalhadores
informais, geralmente mulheres, que vêem na limpeza dos
túmulos uma oportunidade de trabalho”.
122 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Em 29 de outubro de 2008, o site de notícias delatou
que “há mais de 150 anos, o lençol freático de Natal é contaminado pelo chorume (líquido que sai dos cadáveres durante
o processo de decomposição). O cemitério do Alecrim, o mais
antigo, tem 158 anos e foi projetado sem levar em consideração as normas ambientais, assim como os outros sete cemitérios em funcionamento na cidade. [...] O bom exemplo
vem dos cemitérios privados mantidos pelo Grupo Vila. O
cemitério Morada da Paz, em Emaús, é totalmente impermeabilizado”.
Coveiros que trabalham nos cemitérios públicos fazem
declaração ao ‘Correio da Tarde’, afirmando que “túmulos
quebrados, peças de bronze roubadas, prédios da administração arrombados, funcionários com receio de serem furtados à noite e até ponto de encontro para casais apaixonados,
os cemitérios – que seria para o descanso dos mortos – está
servindo”, publicou o jornal, em 30 de outubro de 2008.
Para realização das comemorações do Dia de Finados,
o dia mais importante para as empresas do segmento cemiterial, o Grupo Vila começa a preparação da estrutura física e
de apoio com três meses de antecedência.
Buscando oferecer o melhor para os visitantes dos seus
cemitérios, a empresa investe em uma programação especial
com missas e cultos, chuvas de pétalas, brinquedoteca e ofici-
123
na de artes para as crianças, apoio ao enlutado, músicas clássicas nas alamedas, transmissão online e queima de fogos.
Em 2008, ano da comemoração dos seus 60 anos de atividades, o Grupo contratou a Orquestra Sinfônica do Rio Grande
do Norte para se apresentar no Morada da Paz, em Natal, a
Orquestra Talento para o Parque da Passagem, e o Coral CEU,
que fez apresentação no Morada da Paz, em Recife.
Matérias na InterTV Cabugi, TV Tropical e Band abordaram a importância da iniciativa do Grupo em adotar uma
maneira tão peculiar de homenagear os mortos. A mídia local
mais uma vez fez a cobertura do Dia de Finados no Morada
da Paz, destacando, principalmente, a chuva de pétalas e a
música nas alamedas.
“No cemitério Morada da Paz, muitas pessoas passaram
o dia prestando homenagens aos seus falecidos [...] a música
clássica tocada nas alamedas marcou o dia de homenagens
aos finados [...] e a chuva de pétalas de flores, mais uma vez,
emocionou os visitantes”, veiculou o jornal ‘Bom Dia RN’, na
InterTV Cabugi, no dia 03 de novembro de 2008.
Na mesma data, o jornal ‘Tropical Notícias – edição
da manhã’, da TV Tropical, transmitiu que “os visitantes
chegaram cedo para assistir à chuva de pétalas, um toque
especial num dia de tantas lembranças [...] a grande área
verde é inspiradora e a música, um conforto no coração
124 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
das pessoas [...] o espaço de brincadeiras e oficina de artes
recebe as crianças”.
O jornal ‘Natal Urgente’, da Band, comentou que “cerca
de 30 mil pessoas visitaram o cemitério Morada da Paz, em
Emaús, no Dia de Finados. Após a missa em homenagem aos
mortos, essa chuva de pétalas de rosas jogadas do helicóptero
emocionou a todos.” Uma cliente confirma “é muito lindo”,
diz. Padre Murilo, que realizou duas missas no local, afirma
que “é um dia para celebrarmos a vida e não a morte”, também em 03 de novembro de 2008.
Já no site do Grupo Vila, foi publicada uma matéria,
destacando todos os serviços e inovações que a empresa trouxe para os visitantes dos cemitérios Morada Paz e Parque da
Passagem. “Um dos momentos mais aguardados durante as
celebrações do Dia de Finados foi a chuva de pétalas. Pela
manhã e à tarde, um helicóptero passou várias vezes pelas
quadras dos cemitérios jogando pétalas de flores vermelhas
e brancas nos jazigos. Foi um momento de muita emoção
para todos que estavam presentes no local. Após a última
missa, houve uma bela queima de fogos, durante cerca de
cinco minutos, encerrando as homenagens”, revela.
Na edição de Dezembro de 2000, foi publicado no Viver
Melhor, o depoimento emocionado de uma cliente: “Eram quase cinco horas da tarde quando uma amiga me ligou, pergun-
125
tando se eu não iria visitar o túmulo do meu filho. Expliquei
minha difícil situação e ela me ofereceu carona. Fui, mas triste
por não poder oferecer nada a meu filho, além da minha presença. Chegando lá, me ajoelhei, coloquei a mão no seu túmulo
e conversei com ele, dizendo que, apesar de naquele dia eu
não poder lhe dar nem uma rosa, ele não ficasse triste, pois eu
estava ali. Foi nesse momento que um helicóptero começou a
sobrevoar o cemitério e, para minha surpresa, jogar pétalas de
flores. Não acreditei quando vi o tumulo do meu filho, o mais
carente, repleto de flores. Parecia uma resposta, pois o vento
trazia a maior parte das pétalas para aquela direção. Quando
terminou, disse a ele: ‘É, meu filho, agora não falta mais nada’.
E as pessoas que estavam próximas, mesmo sem entender
direito o que tinha acontecido, se emocionavam. Foi mágico.
Foi o que aconteceu de mais bonito na minha vida no Dia de
Finados”.
Ao utilizarem os serviços da empresa, os clientes percebem, intuitivamente, qual a importância dada a eles enquanto clientes, quanto esta empresa investe no bom atendimento
e quais as condições em que isto se efetiva. Isto acontece,
porque a qualidade do atendimento transparece naqueles
que atendem, na forma como se propõem a resolver os problemas que surgem, bem como na atenção que dispensam às
demandas dos clientes.
126 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Pode parecer irrelevante ou secundário, mas a filosofia
da empresa fala mais alto por meio de suas ações cotidianas, do que por meio de eventos esporádicos, por este motivo, ressaltamos que a preocupação com o cliente deve ser
meta constante dos cemitérios e crematórios, refletindo tanto
àqueles que visitam o lugar apenas em Finados quanto àqueles que visitam seus entes mesmo fora desta data.
Com esse objetivo, sempre buscando inovar e trazer
mais conforto para as pessoas que visitam os seus cemitérios, o Grupo Vila pretende transformar o Morada da Paz em
um parque de exposições artísticas ao ar livre. Até o momento, o espaço já possui mais de 30 obras de artistas plásticos
potiguares, como César Rhasec, que trabalha e mora no cemitério há 10 anos, Emanuel Câmara e César Revorêdo.
Algumas das principais obras de Rhasec foram criadas
no local, como Metamorfose e Anjo, ambas confeccionadas
em pedra-sabão, sua especialidade. “No Morada da Paz, eu
encontro tranqüilidade e inspiração para criar minhas obras
e conto com o apoio de uma empresa séria, que valoriza o
meu trabalho”.
A instalação de um crematório é o próximo passo do
grupo. O projeto ainda não tem data divulgada, mas os administradores do Grupo Vila garante que o investimento será
feito em breve, no cemitério Morada da Paz, em Recife.
Foto: Moraes Neto
127
Foto: Ricardo Junqueira
Chuva de pétalas celebram o Dia de Finados
Foto: Ricardo Junqueira
Cemitério Morada da Paz
Cemitério Parque da Passagem
Foto: Moraes Neto
128 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Foto: Moraes Neto
Brinquedoteca
Homenagem no Cemitério Morada da Paz
Foto: Myrla Oliveira
129
Foto: Myrla Oliveira
Homenagem no Cemitério Morada da Paz
Homenagem com pétalas de rosas nos jazigos
Foto: Moraes Neto
130 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Metamorfose, primeira escultura de Rhasec no
Morada da Paz
Foto: Moraes Neto
131
Queima de fogos encerram as homenagens no
Dia de Finados
132 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Posfácio
T
razer à tona um assunto tão polêmico não foi uma tarefa fácil. A morte ainda é uma temática que assusta.
Talvez por não sabermos o que acontece depois dela,
pelo medo do desconhecido, por não termos certeza do destino das nossas almas. Tudo isso que faz com que nos afastemos desse tipo de assunto.
Com a realização de pesquisas para produção do nosso
trabalho, percebemos que, desde o princípio da civilização,
a morte é considerada um tema que fascina e, ao mesmo
tempo, aterroriza as pessoas. A morte e as hipóteses dos
eventos que a perpassam têm sido fonte de inspiração para
doutrinas filosóficas e religiosas, além de serem, também,
uma inexaurível fonte de temores, angústias e ansiedades
para os homens.
133
O homem é o único animal que tem consciência de sua
própria morte. Segundo Kovács (1998), “o medo é a resposta
mais comum diante da morte. O medo de morrer é universal e atinge todos os seres humanos, independente da idade,
sexo, nível sócio-econômico e credo religioso”.
Produzir um livro-reportagem sobre essa temática
foi, sem dúvida, uma grande experiência para nós, acadêmicas do curso de Comunicação Social, com habilitação em
Jornalismo. Enriqueceu-nos de todas as formas, como experiência em relação à produção de um livro-reportagem,
pois adquirimos mais conhecimentos acerca do assunto.
Ajudou-nos, também, a superar inúmeros obstáculos relacionados ao medo, a incerteza, ao nosso sentimento de
impotência. Por vezes, nos faltaram palavras, mas, tudo
isso, nos serviu de lição para que possamos vencer com
coragem e determinação.
Nesse livro, contamos a história do Grupo Vila, uma
empresa que atua no seguimento funerário há 60 anos,
procurando sempre atender a seus clientes com dedicação,
transparência e respeito.
A morte deve ser percebida com simplicidade, respeito
e atenção por parte de todos que lidam com ela no seu dia-adia. Deve ser tratada sem uma alegria eufórica, mas, também,
sem uma tristeza mórbida. Devemos olhar para morte como
134 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
um processo, que faz parte da vida e que merece alguns cuidados éticos e profissionais.
Neste tipo de publicação, nós, futuras jornalistas, nos tornamos contadoras de histórias, narrando a realidade. Independente da categoria em que nos encontramos: seja no jornalismo
informativo, através do relato, do questionamento; no jornalismo interpretativo ou opinativo. O que importa, de fato, é que a
base de tudo é a história.
O bom jornalista será sempre um contador de histórias reais, qualquer que seja o fato, extraindo de cada acontecimento ou pessoa, uma boa história, simplesmente, porque
todos somos uma boa história a ser contada.
Utilizando as palavras de Rildo Jose Cosson Mota em
seu artigo no livro Jornalismo e Literatura: a sedução da palavra, “[...] a contaminação das fronteiras do jornalismo com
a literatura por ele proposta seja considerada como um modo
legítimo de atribuir sentido e organizar a experiência em narrativas que interpretam e traduzem o que somos e o mundo
em que vivemos [...]”.
As palavras de Lya Luft nos fazem encerrar este
breve posfácio como uma mensagem para todos aqueles
que tiverem a oportunidade de ler este livro-reportagem,
escrito de forma objetiva, instigante e, principalmente,
humanizada.
135
“Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está
aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas
vezes, ousada”.
Aline Ricciardi Carneiro
Myrla Celene Oliveira de Macêdo
136 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Referências
Revistas
Campo da Esperança, p. 5, p. 38
Diretor Funerário, ano VI, nº 31, nov 1998, p. 17-20
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Diretor Funerário, ano VIII, nº 56, dez 2000, p. 14-17
Diretor Funerário, ano X, nº 77, set 2002, p. 16-18
Diretor Funerário, ano X, nº 131, mar 2007, p. 20
Diretor Funerário, ano X, nº 137, set 2007, p. 22-23
In Memorian, ano II, nº 11, ago 2008, p. 20-23
IstoÉ, 09 mai 2001, ed. 1649
RN Negócios, ano I, nº 10, jun 2008, p. 13-15
137
Veja, 17 jan 2001, p. 71
Veja, 4 out 2006, p. 116-119
Jornais
Bom Dia RN, 3 nov 2008, InterTV Cabugi
Correio da Tarde. Requinte na homenagem a entes queridos.
31 out 2007.
Correio da Tarde. Vandalismo e consumo de drogas são práticas comuns nos cemitérios públicos. 30 out 2008.
Correio da Tarde. Orquestra Sinfônica do RN homenageia o
Dia de Finados. 01 nov 2008.
Diário de Natal. Dia de Finados fez lotar os cemitérios de Natal. 04 nov 2006.
Diário de Natal. Dia de Finados vai ter música e missas. 31
out 2008.
Jornal de Hoje. Limpeza é intensificada nos cemitérios públicos. 27 out 2008.
Natal Urgente, 3 nov 2008, Band
Tribuna do Norte. Velas e flores estão cada vez mais caras.
02 nov 2006.
Tribuna do Norte. Semsur faz a limpeza dos cemitérios para
138 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Dia de Finados. 30 out 2007.
Tribuna do Norte. Natalenses visitam cemitérios da cidade
no Dia de Finados. 04 nov 2008.
Tropical Notícias, edição da manhã, 3 nov 2008, TV Tropical
Viver Melhor, edição jul 2000, ano I, nº 01
Viver Melhor, edição set 2000, ano I, nº 02
Viver Melhor, edição out/nov 2000, ano I, nº 03
Viver Melhor, edição dez 2000, ano I, nº 04
Viver Melhor, edição abr/mai 2001, ano II, nº 06
Viver Melhor, edição ago/set 2001, ano II, nº 08
Viver Melhor, edição out/nov 2001, ano II, nº 09
Viver Melhor, edição out/nov 2002, ano III, nº 02
Viver Melhor, edição jun 2003, ano IV, nº 06
Viver Melhor, edição mar/abr 2006, ano VI, nº 01
Viver Melhor, edição mai/jun 2007, ano VII, nº 02
Viver Melhor, edição jul/ago 2007, ano VII, nº 04
Viver Melhor, edição especial de 60 anos, ago/set 2008
Livros
BROMBERG, Maria Helena P. F. A psicoterapia em situações
139
de perdas e luto. Rio de Janeiro: Sextante, 1998.
FREIRE, Milena Carvalho Bezerra. O som do silêncio: isolamento e sociabilidade no trabalho de luto. Natal: EDUFRN,
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KOVÁCS, Maria Julia. Educação para a morte: um desafio na
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KUNDERA, Milan. A imortalidade. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.
LIMA, Anne Caroline Medeiros de. PAIVA, Itaércio Porpino
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LUFT, Lya. Pensar é transgredir. Rio de Janeiro: Record,
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LYRA, Luciana de Barros Correia. Empresa Familiar: entre
o afetivo e o profissional. Recife: Universidade Católica de
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MEIRELES, Cecília. Romanceiro da Inconfidência. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.
SATO, Nanami. Jornalismo, literatura e representação. In:
Jornalismo e Literatura: a sedução da palavra. São Paulo: Escrituras, 2005.
140 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
Entrevistas
AMÉLIA LAURENTINO DE MEDEIROS. Natal, 28 out 2008.
Entrevista concedida à Branca Braga.
ANA ELISA DE CASTRO. Natal, out 2008. Entrevista concedida à Aline Ricciardi.
ÁUREA VILA. Natal, out 2008. Entrevista concedida à Branca
Braga.
BIANCA QUEIROZ. Natal, nov 2008. Entrevista concedida à
Myrla Oliveira, por e-mail.
CARLA ANDRADE. Natal, nov 2008. Entrevista concedida à
Myrla Oliveira.
CELIONE MEDEIROS OLIVEIRA. Natal, nov 2008. Entrevista
concedida à Branca Braga, por e-mail.
FRANCISCO FERREIRA DA SILVA. Natal, set 2008. Entrevista concedida à Myrla Oliveira.
GILSON GOMES DUARTE. Natal, set 2008. Entrevista concedida à Branca Braga.
HEBER AMORIM VILA. Natal, nov 2008. Entrevista concedida à Branca Braga, por e-mail.
JACYANE CÂMARA. Natal, nov 2008. Entrevista concedida à
Branca Braga.
141
JORION NUNES DE LIMA. Natal, set 2008. Entrevista concedida à Branca Braga.
JOSÉ EDUARDO VILA. Natal, set 2008. Entrevista concedida
à Myrla Oliveira.
JOSÉ MARIA BATISTA DE OLIVEIRA. Natal, out 2008. Entrevista concedida à Aline Ricciardi.
KLEBER MAXWELL. Natal, nov 2008. Entrevista concedida à
Branca Braga, por e-mail.
MAGNO FERNANDO VILA. Natal, set 2008. Entrevista concedida à Myrla Oliveira.
MARIA DA PENHA DA SILVA. Natal, nov 2008. Entrevista
concedida à Branca Braga.
MARIA DAS GRAÇAS. Natal, nov 2008. Entrevista concedida
à Myrla Oliveira.
MARIA VITÓRIA DA SILVA. Natal, set 2008. Entrevista concedida à Myrla Oliveira.
MARIVALDO AMARO DA SILVA. Natal, set 2008. Entrevista
concedida à Branca Braga.
PAULO CÉSAR RHASEC. Natal, nov 2008. Entrevista concedida à Branca Braga.
PAULYANA FONSECA. Natal, set 2008. Entrevista concedida
142 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
à Branca Braga.
POLLYANA FLORÊNCIO. Natal, out 2008. Entrevista concedida à Aline Ricciardi.
RONALDO MELO. Natal, out 2008. Entrevista concedida à
Aline Ricciardi.
SILVANA MARIA FARIAS COSTA. Natal, out 2008. Entrevista
concedida à Branca Braga.
STELLA COELLI DA SILVA E MELO MEDEIROS. Natal, nov
2008. Entrevista concedida à Branca Braga.
Sites
BORGES, Jorge Luís. A imortalidade. Disponível em: http://
livroseafins.com/2008/03/03/a-imortalidade-segundoborges/
CALHEIROS, Luís. Entradas para um dicionário de estética.
Disponível em: http://www.ipv.pt/millenium/pers13_4.htm
http://domnato.blogspot.com/2008_07_01_archive.html
http://br.geocities.com/perseuscm/mortevida.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Morte
http://www.releituras.com/rubemalves_morte.asp
http://gballone.sites.uol.com.br/voce/morte1.html
143
http://www.grupovila.com.br
http://ponderantes.blogspot.com/2008/10/novelizao-do-caso-elo.html
http://becopress.blogspot.com/2008/11/o-reino-de-lete-jooda-mata-costa-o-dia.html
http://www.nominuto.com
http://www.funerariaonline.com.br
http://www.sincep.com.br
http://ww2.funerarianet.com.br/
http://www.brasilescola.com/psicologia/estudo-teorico-morte.htm
144 Grupo Vila: 60 anos entre a vida e a morte
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