Projeto Político Pedagógico Institucional do IFGOIÁS Documento em Construção Goiânia, janeiro/2009 SUMÁRIO Apresentação 1. A Articulação entre Educação, Trabalho, Ciência, Tecnologia e Cultura no Currículo: enunciado teórico-metodológico e político-pedagógico da ação educativa institucional 2. Instituto Federal de Goiás: trajetória e realidade 2.1. Breve histórico do IFGoiás 3. Políticas públicas de educação e os desafios institucionais para a Educação Profissional e Tecnológica no Instituto Federal de Goiás. 3.1. Reestruturação Produtiva, Trabalho e Educação. 3.2. Políticas públicas de educação no Brasil na atualidade 3.3. Desafios Institucionais. 4. Políticas de democratização do acesso e procedimento de seleção dos candidatos aos cursos do IFGoiás 5. A atuação do IFGoiás na Educação Básica 5.1. Diretrizes Curriculares para a Educação Profissional Técnica de nível médio integrada ao ensino médio. 5.2. A atuação na Educação Profissional Técnica de nível médio na forma Subseqüente: 6. A atuação do CEFET-GO na Educação Superior 6.1. Atuação institucional na oferta dos Cursos de Licenciatura 6.2. A atuação institucional nos Cursos de Graduação Tecnológica e no Bacharelado. 7. A ética como dimensão humana nas relações de trabalho e como fundamento do trabalho institucional no ensino, na pesquisa e na extensão. 7.1. As perspectivas da pesquisa científica hoje 7.2. A pesquisa científica, o ensino e a extensão e suas relações com a sociedade: limites e possibilidades de sua afirmação ética Anexos Referências Bibliográficas 2 Projeto Pedagógico Institucional do IFGOIÁS: documento em construção Apresentação De maneira geral, o Projeto Pedagógico Institucional (PPI) visa estabelecer princípios, diretrizes e metas destinadas a orientar o trabalho pedagógico institucional relativo às ações em âmbito educacional (no seu sentido mais stcrito). O desdobramento das suas proposições indicam também para o estabelecimento da identidade institucional e das formas de interlocução que manterá com a sociedade e vice-versa. Assim, a elaboração deste documento representa não apenas a assumência formal por um tipo de educação mas, principalmente, a exposição mais transparente possível para a sociedade de como, a partir de determinados princípios, tem-se buscado construir a formação profissional e tecnológica no Instituto Federal de Goiás (IFGoiás). Para a Instituição, o PPI, além de cumprir as proposições indicadas acima, se coloca num momento histórico cujos desafios passam, de um lado, por reconstruir práticas educacionais avançadas e emancipatórias – como, por exemplo, a educação integrada -, reafirmar os fundamentos da educação pública, gratuita e de qualidade e estabelecer vínculos com as novas necessidades sociais e culturais de sujeitos plenos de direito, como colocado pela Constituição e reivindicado pelos diversos atores sociais. De outro, definir, sistematizar e regulamentar ações que estão sendo desencadeadas a partir dessas necessidades e das novas proposições colocadas para a Educação Profissional e Tecnológica na medida em que incorpora outros níveis e modalidades de educação, o que vem ampliar e modificar a sua natureza. Nesta perspectiva, há de se pensar a articulação entre ensino, pesquisa e extensão. Por fim, o Projeto Pedagógico Institucional deve se afirmar como um documento vivo e, por isso mesmo, representativo das idéias e práticas em construção, que buscam criar e recriar princípios, ações e normas que possibilitem a formação de um ser humano integral, historicamente constituído e permanentemente vinculado às necessidades sociais fundamentalmente àquelas oriundas de setores que há muito foram excluídos da apropriação das riquezas e benesses proporcionadas pelo avanço da ciência e da tecnologia e da participação mais efetiva nas decisões políticas. 3 1- A articulação entre Educação, Trabalho, Ciência, Tecnologia e Cultura no Currículo: enunciado teórico-metodológico e político-pedagógico da ação educativa institucional. Ter como perspectiva a formação humana integrada, omnilateral do homem, pressupõe estabelecer nos currículos e na prática política pedagógica da Instituição a compreensão que se tem sobre as categorias trabalho, ciência, técnica, tecnologia e cultura, entendendo-se o trabalho como base de cultura de um grupo social. Nesse sentido, aos educandos jovens e adultos (trabalhadores) deve-se oferecer a oportunidade de perceber os fundamentos científicos dos conhecimentos construídos e estabelecidos a partir do trabalho enquanto práxis. Essa práxis se revela na relação do homem com a natureza, transformando-a para sua sobrevivência; nas relações do homem consigo mesmo e com os outros, no trabalho, na escola, na produção do seu sustento e na sua reprodução enquanto ser humano (D’ANGELO, 2008). A educação integrada, na Educação Básica ou Superior, pressupõe pensar e construir uma relação com o conhecimento em que a dualidade formativa, base humanista e saber técnico, não se estabeleça. A perspectiva da integração dos conhecimentos de formação geral e de área técnica específica orienta a assunção de uma proposta metodológica que toma áreas de conhecimento a partir de um diálogo mais aprofundado entre as diversas ciências. Conforme Gramsci (1981, apud CIAVATTA, 2005) percebe-se que “a formação integrada ou o ensino médio integrado ao ensino técnico significa que a educação geral torna-se parte inseparável da educação profissional em todos os campos onde se dá a preparação para o trabalho (...) nos processos produtivos, (...) nos processos educativos como a formação inicial, como o ensino técnico, tecnológico ou superior.” Para a Educação Profissional e Tecnológica, o trabalho é tomado como categoria central para a compreensão e prática do processo educativo. Nessa perspectiva, o trabalho, é compreendido como a possibilidade única do homem fazer-se homem. É a forma particular de produção da sua própria vida, que envolve a construção de meios de subsistência física, cultural e emocional. É por meio do trabalho que o homem transforma-se num ente social porque se põe em contato com outros indivíduos objetivando a produção da vida. E, enquanto ser social, a partir do trabalho, estabelece formas de consciência de si, dos outros e da sociedade. A formação do trabalhador pressupõe o reconhecimento e a exigência do trabalho como lócus de produção do conhecimento e como princípio educativo. A educação integrada 4 reflete uma concepção teórica fundamentada em uma opção política: a de um saber que o trabalhador precisa, tendo em vista sua emancipação, compreender acerca da relação entre o saber político e o saber técnico aplicado às práticas objetivas de trabalho. Formas educativas específicas de produção e saber tecnológico e econômico, adequados aos interesses dos trabalhadores, mediadoras da reconstrução de sua história, bem como da sua identidade individual e coletiva, devem permitir a socialização das múltiplas dimensões do conhecimento cultural, social, histórico, político. As discussões relativas a trabalho e cultura apontam para a necessidade de se explorar também o conceito de cultura. A compreensão da cultura como conjunto de práticas sociais que se constroem e que se alteram com as transformações das condições materiais e históricas é determinante para a busca de especificidade da construção de uma Educação Profissional e Tecnológica formadora de um trabalhador emancipado. Como mostra Gramsci (1995), a produção da hegemonia é uma produção cultural, portanto, a apreensão da influência dos processos culturais, na construção do pensamento hegemônico e dos seus impactos no cotidiano social e político dos trabalhadores, é central para a definição de Educação Profissional e Tecnológica. A centralidade do trabalho e a história da “cultura do trabalho”; a qualificação profissional e o cotidiano do trabalhador; a exclusão pelo desemprego e a precarização das condições de trabalho são elementos de efetiva contribuição para análise das reais condições de inserção dos trabalhadores no processo de produção, organização e gestão dos bens materiais e culturais da sociedade. A aquisição de uma cultura geral do trabalho pressupõe o conhecimento da produção em seu conjunto, assim como é necessário ao trabalhador o estudo de uma dada profissão, o domínio da operacionalização de uma forma de trabalho que só é possível pela inserção do aluno em um processo produtivo específico. A análise das diferentes concepções formativas para a abordagem do mundo do trabalho nos múltiplos sistemas e tipos produtivos, pressupõe reconhecer que elas são fruto das relações de produção historicamente constituídas. O processo de formação para qualificação profissional, sob a ótica do processo produtivo nos diversos “arranjos” sociais, determina a apreensão da história e da organização dessa atividade produtiva. A relação entre educação e trabalho deve ser compreendida para além das construções sociais pautadas pela produção da mais-valia e por isso mesmo, instrumentalizadora dos processos educativos e da apropriação dos saberes e tecnologias elaboradas pelo homem. Na 5 Educação Profissional e Tecnológica, principalmente considerando o seu caráter público e gratuito, há de se preservar e ampliar as possibilidades de processos formativos cuja ênfase seja a afirmação de uma Instituição que forma trabalhadores, na sua qualidade de ser humano emancipado, autônomo e solidário. A relação entre educação e trabalho compreendida nestes termos, indica também, que o conhecimento e a tecnologia estão ligados à cultura, à organização social, à práxis histórica. Portanto, como o conhecimento e tecnologia não são produções neutras, é preciso, então, estar alerta para o fato de que: “Uma cultura abre e fecha as potencialidades bioantropológicas de conhecimento. (...) ela as fecha e inibe com as suas normas, regras, proibições, tabus, o seu etnocentrismo, a sua auto-sacralização, a sua ignorância de sua ignorância” (MORIN, 1998, p. 24). Pode-se dizer, então, que: “o que abre o conhecimento é o que fecha o conhecimento” (MORIN, 1998, p. 24). Nessa mesma linha de pensamento compreende-se que o entendimento que se tem sobre a técnica e a tecnologia orienta o tipo de desenvolvimento que se apresenta em relação ao Brasil, ou seja, para uma posição de emancipação e desenvolvimento, de fato, soberano, ou para a continuidade de seus laços históricos de dependência, exploração e dominação. Ao longo da História, desde os gregos têm se atribuído diversos significados ao termo tecnologia. Este, era entendido como o discurso da arte (de techne, arte, manufatura e logos, palavra, discurso)”(FIGUEIREDO, 1989, p. 3). Ressalta-se que historicamente o conceito de tecnologia tem passado por restrições em sua amplitude de compreensão – isto é, ao expressar exclusivamente as artes aplicadas e não mais as artes no geral, em outro momento – abrangência em seu escopo, no sentido de incluir ao seu significado conhecimento científico. No Brasil é possível perceber duas correntes distintas, mas complementares, que tratam da questão do conceito de tecnologia. “Uma delas trata a tecnologia de forma restrita, e a outra corrente aborda aspectos mais abrangentes ampliando as fronteiras do entendimento do que é tecnologia”. (VITORETTE, J.M.B et. al., 2002). Na primeira definição a tecnologia é vista como uma ciência aplicada. Na segunda, entende a tecnologia de forma mais abrangente inserindo-a numa dimensão social, histórica e cultural indo além da aplicação sem descartá-la.(GAMA, 1986). 6 A realização da atividade tecnológica prescinde de conhecimentos científicos que não sejam fragmentos, pois a “tecnologia não é um agregado de técnicas ou disciplinas. Tecnologia não é técnica, não é o conjunto das técnicas. Então, tecnologia não é o fazer, mas sim o estudo do fazer, é o conhecimento sistematizado, é o raciocínio racionalmente organizado sobre a técnica”. (GAMA, 1994, p. 21). Ao falar, então, em tecnologia pode-se dizer que é o segredo do saber fazer e, portanto, está além da técnica, do fazer. Contemporaneamente, criou-se a necessidade da atividade tecnológica, sem um compromisso da tecnologia com a dimensão social. A tecnologia pode ser perversa, se não estiver aliada à dimensão humana e social, pois não é neutra, nem mesmo na sua concepção (FIGUEIREDO, 1989, p. 25). Nessa mesma perspectiva, Faraco (1998) aponta que a tecnologia modifica os modos do fazer humano e apresenta forte impacto sobre o viver do homem, transformando a organização social, a consciência humana e social, pois não é neutra, nem mesmo na sua concepção. Afirma ainda que a tecnologia modifica os modos do fazer humano e apresenta forte impacto sobre o viver do homem, transformando a organização social, a consciência humana e os valores culturais. A reflexão dessas duas visões de tecnologia, observando-se os seus limites e possibilidades na formação de um trabalhador emancipado, contribuem na indicação de caminhos para a Educação Profissional e Tecnológica que leve em consideração os aspectos humano, sociais, históricos, econômicos e culturais, evitando desenvolver uma educação eminentemente técnica, na qual o ser humano seja por ela subjugado. Decorre daí, que há necessidade de se refletir sobre a relação teoria e prática, na formação do técnico que de fato contribua para avançar na práxis pedagógica com compromisso com a emancipação do trabalhador, em uma sociedade que passa por mudanças estruturais no processo produtivo e que demandam do trabalhador competências de comunicação, desenvolvimento do raciocínio lógico-formal, o trânsito inter e transdisciplinar, a capacidade de tomar decisões e a capacidade para transferir saberes anteriores para situações novas. Além de desenvolver competência afetiva com vínculo para tratar com a incerteza, e com o estresse, de forma dinâmica, com compromisso com uma concepção de homem e de sociedade. (Kuenzer, 2004). Pesquisa desenvolvida na Refinaria Presidente Getúlio Vargas/Repar (KUENZER, 2004), que abordou os dilemas da relação entre teoria e prática na Educação dos 7 trabalhadores, apontou para a necessidade de articulação entre teoria e prática no processo de aprendizagem dos trabalhadores, desde o início da sua formação. No caso específico da Educação Profissional e Tecnológica a preocupação acima também deve se fazer presente, pois é a única possibilidade de se realizar uma educação assentada na construção da autonomia intelectual e na formação ética do aprendiz técnico, aspectos importantes para a efetivação da emancipação plena do trabalhador. Ademais, na busca de integrar conhecimento tácito com conhecimento científico o trabalhador (...) precisará ter não só um amplo domínio sobre as diferentes formas de linguagem mas também sólida formação teórica para exercer a diferenciação crítica sobre seus usos e finalidades não explicitadas; do ponto de vista educativo, será necessário ampliar e aprofundar o processo de aquisição do conhecimento para evitar o risco da banalização da realidade com todos os seus matizes de injustiça social através da confusão entre o real e o virtual, com sérias implicações éticas. (KUENZER, 2004, p.4). De acordo com esses pressupostos, se faz necessário romper com a fragmentação do saber buscando entrelaçar teoria e prática, o pensar e o fazer, as ciências exatas e naturais com as ciências humanas. O paradigma positivista de desenvolvimento de disciplinas ou áreas especializadas de estudo está relacionado a alguns pressupostos epistemológicos que se alicerçam num universo mecânico, composto de unidades materiais elementares, caracterizando-se, entre outros pontos, na fragmentação do “real” em suas unidades menores, no distanciamento do objeto observado, de modo a garantir objetividade, e na simplificação, considerando cada estágio e momento de produção do conhecimento independente do outro. Por fim, acrescenta-se que, atualmente, o avanço do saber e da tecnologia sob a égide do paradigma dominante tem levado à contínua divisão do conhecimento em disciplinas e destas em subdisciplinas. O conhecimento fragmentado dificilmente poderá dar aos seus detentores a capacidade de reconhecer e enfrentar os problemas e situações novas que emergem de um mundo tecnológico complexo, ao qual acrescenta-se a complexidade resultante da própria proliferação das disciplinas que incorporam novos fatos à realidade. Colocados os fundamentos balizadores da construção do presente Projeto Pedagógico Institucional relativos à educação e trabalho, ciência e tecnologia, teoria e prática, e os novos tipos de conhecimento requeridos do trabalhador pelo mundo do trabalho e pelas necessidades 8 e demandas sociais e ambientais, estabelece-se, em relação ao currículo e à prática pedagógica da Instituição, os seguintes princípios: I. A integração entre conhecimento geral e conhecimento específico como princípio norteador da construção dos diversos itinerários formativos presentes na Instituição; II. A formação técnica e tecnológica e a criação de tecnologia como constructos histórico-sociais, culturais e econômicos. III. A integração entre teoria e prática. IV. A formação básica sólida, capacitando o aluno-trabalhador, jovem e adulto, de maneira autônoma na sua relação com as demandas de conhecimentos oriundos do mundo do trabalho. 2- Instituto Federal de Goiás: trajetória e realidade O Instituto Federal de Goiás – IFGoiás, foi criado através da Lei n° 11.892, de 29 de dezembro de 2008 atendendo a uma proposta do Governo Federal que desde o ano de 2003 editava novas medidas para a educação profissional e tecnológica. Desde então, o Centro Federal de Educação Tecnológica de Goiás foi transformado em Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, vinculado ao Ministério da Educação. De acordo com o Ministério da Educação, o modelo dos Institutos Federais surge como uma autarquia de regime especial de base educacional humanística-técnico-científica. É uma instituição que articula a educação superior, básica e profissional, plucurricular e multicampi, especializada na oferta de educação profissional e tecnológica em diferentes níveis e modalidades de ensino. (BRASIL MEC - Instituto Federal – Concepções e Diretrizes, p. 21) 2.1- Breve histórico do IFGoiás O Instituto Federal de Goiás teve sua origem no início do século passado, no dia 23 de setembro de 1909, quando por meio do Decreto n° 7.566, o então presidente Nilo Peçanha criou 19 Escolas de Aprendizes Artífices, uma em cada Estado da União. Em Goiás a Escola de Aprendizes Artífices foi criada na antiga capital do Estado, Vila Boa, atualmente cidade de Goiás. 9 Com a construção de Goiânia, a escola foi transferida para a nova capital, isso aconteceu em 1942, quando foi palco do batismo cultural da Cidade. Além da mudança de endereço, houve também a mudança de nome para Escola Técnica de Goiânia. Em 1959 com a Lei nº 3.552, alcançou a condição de autarquia federal, adquirindo autonomia administrativa, patrimonial, financeira, didática e disciplinar, recebendo a denominação de Escola Técnica Federal de Goiás, em agosto de 1965. No final dos anos oitenta, mais precisamente em 1988, a Escola Técnica Federal de Goiás amplia sua presença no Estado com a criação da Unidade de Ensino Descentralizada de Jataí. Por meio do Decreto sem número de 22 de março de 1999, a Escola Técnica Federal de Goiás foi transformada em CEFET-GO, uma instituição de ensino superior pública e gratuita, especializada na oferta de educação tecnológica nos diferentes níveis e modalidades de ensino, com prioridade na área tecnológica. Em 2006, por meio do programa de expansão da educação profissional e tecnológica foi criada a Unidade de Ensino Descentralizada de Inhumas. Essa primeira fase da expansão teve como objetivo implantar escolas federais de formação profissional e tecnológica em estados ainda desprovidos dessas instituições, além de outras, preferencialmente, em periferias de metrópoles e em municípios interioranos distantes de centros urbanos. A perspectiva é de que nestas instituições a oferta de cursos esteja articulada com as potencialidades locais de geração de trabalho e renda1. Na segunda fase da expansão, iniciada em 2007 e que veio sob o tema “Uma escola técnica em cada cidade-pólo do país”, está prevista a implantação de 150 novas unidades de ensino, totalizando a criação de 180 mil vagas ofertadas na educação profissional e tecnológica2. Com isso, projeta-se uma rede federal de educação tecnológica para 500 mil matrículas até 2010, quando a expansão estiver concluída e na plenitude de seu funcionamento. Foi nessa da expansão que o IFGoiás teve sua estrutura ampliada com a criação dos Campus de Uruaçu e Itumbiara, ofertando educação técnica e tecnológica nos diferentes níveis e modalidades de ensino. Até 2010 serão implantadas, ainda, os campi de Formosa, Luziânia e Anápolis. 1 Como resultado dessa fase, a previsão é de que, até o final de 2008, as 64 novas unidades de ensino previstas estejam todas implantadas. 2 A meta é que em 2010 a rede conte com 354 unidades. 10 O IFGoiás tem por finalidade formar e qualificar profissionais para os diversos setores da economia, bem como realizar pesquisa e promover o desenvolvimento tecnológico de novos processos , produtos e serviços , em estreita articulação com os setores produtivos e com a sociedade, especialmente de abrangência local e regional, oferecendo mecanismos para a educação continuada. Contudo, ainda nos encontramos demasiadamente distantes de uma formação crítica, reflexiva e holística dos nossos alunos. Atualmente, o IFGoiás oferece cursos técnicos, tecnológicos, bacharelados e licenciaturas, atende cerca de 5.348 alunos. Na educação profissional técnica de nível médio atua preferencialmente, na forma integrada, atendendo também o público de jovens e adultos, através do PROEJA. Na educação superior prevalecem os cursos de Tecnologia, especialmente na área industrial e os cursos de Bacharelado e Licenciatura. Por fim, tem experimentado algumas experiências nos níveis da pesquisa e da extensão. O IFGoiás ao longo de toda a sua história foi e continua sendo um ambiente de formação e de realização de ações políticas, artísticas e culturais, reafirmando sua identidade como centro formador de idéias, conhecimentos, artistas, lideranças e principalmente profissionais qualificados e conscientes de suas responsabilidades com a vida e com a sociedade. Por tudo isso, os segmentos internos do IFGoiás encontram-se desafiados a apreender o contraditório presente na sociedade e no interior da Instituição, tendo em vista a construção de uma instituição pública, gratuita e de qualidade, assentada em relações democráticas e autônomas. Enfim, uma instituição que, se edificando nestes patamares, concorra para a construção da ética em sua dimensão, com a justiça, a liberdade e a igualdade permeando a vida social. QUADRO DE PESSOAL DOCENTE DO IFGOIÁS COM A RESPECTIVA FORMAÇÃO E REGIME DE TRABALHO CAMPUS GOIÂNIA NÍVEIS DE FORMAÇÃO REGIME DE TRABALHO 20 horas 40 horas DE TOTAL DOUTOR MESTRE ESP GRADUAÇÃO MÉDIO TOTAL 3 0 0 1 4 8 12 47 19 5 0 83 18 73 53 15 6 165 30 123 73 24 6 256 11 CAMPUS JATAÍ NÍVEIS DE FORMAÇÃO REGIME DE TRABALHO 20 horas 40 horas DE TOTAL DOUTOR 0 1 6 7 MESTE 0 2 13 15 ESP GRADUAÇÃO MÉDIO TOTAL 0 0 0 0 1 1 0 5 23 1 0 43 24 2 0 48 CAMPUS INHUMAS NÍVEIS DE FORMAÇÃO REGIME DE TRABALHO 20 horas 40 horas DE TOTAL DOUTOR 0 4 4 8 MESTE 0 19 3 22 ESP GRADUAÇÃO MÉDIO TOTAL 0 0 0 0 5 3 0 31 3 2 0 12 8 5 0 43 CAMPUS ITUMBIARA NÍVEIS DE FORMAÇÃO REGIME DE TRABALHO 20 horas 40 horas DE TOTAL DOUTOR 0 2 2 4 MESTE 0 7 2 9 ESP GRADUAÇÃO MÉDIO TOTAL 0 0 0 0 0 1 0 10 2 1 0 7 2 2 0 17 CAMPUS URUAÇU NÍVEIS DE FORMAÇÃO REGIME DE TRABALHO 20 horas 40 horas DE TOTAL DOUTOR 0 2 0 2 MESTE 0 7 2 9 ESP GRADUAÇÃO MÉDIO TOTAL 0 0 0 0 8 2 0 19 1 0 0 3 9 2 0 22 QUADRO GERAL DE DOCENTES DO IFGOIÁS COM A RESPECTIVA FORMAÇÃO E REGIME DE TRABALHO DOUTOR MESTE ESP GRADUAÇÃO MÉDIO TOTAL 0 3 1 4 0 20 horas 8 21 82 33 12 0 40 horas 148 30 93 82 19 6 DE 230 TOTAL 51 178 116 35 6 386 3- Políticas públicas de educação e os desafios institucionais para a Educação Profissional e Tecnológica no Instituto Federal de Goiás. O início do século XXI trouxe como marca histórica, de um lado, o momento de afirmação e consolidação das formas produtivas oriundas da chamada reestruturação 12 produtiva naquilo que diz respeito a utilização das novas tecnologias baseadas na microeletrônica, em novos tipos de gerenciamento, controle e disciplinamento do trabalho e na criação de novíssimas formas de relacionamentos, a partir do uso intensivo da internet e seus derivados, que coloca em contato diferenciados tipos de pessoas e comunidades, diminuindo virtualmente as distâncias geográficas e culturais. Por outro lado, observa-se, talvez com menos ingenuidade, que a promessa modernizante3 ampliou as distâncias econômico-sociais entre ricos e pobres, reafirmou a política de subsídios aos setores produtivos dos países centrais do capitalismo, ampliou, fortaleceu e intensificou os processos de monopólios dos setores produtivos, aumentou o número de trabalhadores desempregados ou que exercem atividades precarizadas, transformou a produção científica e tecnológica em mercadoria e intensificou o seu caráter instrumental – como o caso da regulamentação das patentes e as disputas sobre o uso social dos conhecimentos e tecnologias - ampliou os níveis de destruição ambiental e, no plano sócio-cultural, aumentou o grau e os tipos de violência, o sentimento e ações xenofóbicas, o individualismo e a desesperança sobre a efetivação, no mundo do trabalho, da cidadania prometida pela sociedade liberal. A configuração deste contexto histórico coloca na ordem do dia questões relativas à Educação Profissional e Tecnológica e dos princípios que devem regê-la. Nesta perspectiva, tem-se observado no Brasil, nas últimas décadas, o desencadeamento de um amplo leque de políticas e ações destinadas a orientar e definir o perfil desta modalidade de educação, ora numa perspectiva mais instrumental e restrita, ora numa visão mais ampla e humanizadora. Assim na década de 90, a Educação Profissional e Tecnológica da Rede Federal sofreu profundas transformações em relação à sua organização acadêmica em função das políticas gerais adotadas pelo governo federal, fundamentadas nos princípios da política neoliberal e na reestruturação produtiva capitaneada pelos países centrais do capitalismo. 3 Fundamentada na retomada da crença de que a estrutura e organização social, agora mundializada, só encontrariam eixo e norte, inclusive para a ampliação do acesso de maiores números de pessoas e países aos benefícios das riquezas produzidas, se se deixassem a cargo do mercado, da livre iniciativa e do indivíduo o estabelecimento de novas formas de produtividade e sociabilidade, livre e liberta das amarras de um Estado planejador, regulador, e mantenedor de direitos sociais, de organizações (como a dos trabalhadores) tidas como corporativas e por isso garantidora de privilégios de grupos sociais. 13 3.1-Reestruturação Produtiva, Trabalho e Educação. Do ponto de vista econômico, a nova ordem mundial, segundo Hobsbawn (1995), colocou a tecnologia no centro da produção, sem, no entanto, promover a geração de postos de trabalho para os desempregados e aumentar a taxa de crescimento econômico para absorver a mão-de-obra excedente e transferiu o centro da industrialização para regiões onde o custo do trabalho era (é) mais barato. Para Harvey (1989), as décadas de 70 e 80 do século passado “foram um conturbado período de reestruturação econômica e de reajuste social e político” (p.140). Esta reestruturação, denominada por ele de acumulação flexível, abriu um confronto direto com a rigidez do fordismo, impôs a flexibilidade dos processos de trabalho, dos mercados de trabalho, dos produtos e padrões de consumo. E, como conseqüência mais perversa para o mundo do trabalho, destaca-se a “redução do emprego regular em favor do crescente uso da força de trabalho em tempo parcial, temporário ou subcontratado” (p.143). Em relação à política, o Estado capitalista busca estruturar-se a partir de uma lógica menos intervencionista em relação ao “jogo” do mercado, na linguagem das elites econômicas, ou menos social, no sentido de acabar com garantia dos direitos historicamente conquistados pela luta dos trabalhadores e retirar recursos para o fomento de instituições públicas de qualidade. A justificativa ideológica (burguesa) centrou-se na necessidade de diminuir impostos para aumentar empregos e assim, Coube a Margareth Thatcher, na Inglaterra (a partir de 1979) e Ronald Reagan, nos Estados Unidos (a partir de 1981), a organização e exercício de políticas chamadas de desmonte do Estado de Bem-Estar Social. A argumentação de ambos os governantes baseava-se largamente nas idéias de economistas liberais(como Fridrich Rajek e Milton Fridman) que postulavam uma imediata diminuição dos impostos. O grande volume de impostos existentes, necessários para financiar o chamado Estado do Bem-Estar Social (saúde, educação, seguro-desemprego...)seriam a origem da depressão econômica vigente e, conseqüentemente do desemprego(...)Obviamente, os anteparos sociais existentes, a segurança, e a garantia do trabalho, deveriam ser anulados, retirando dos empresários o ônus dos diversos impostos(...). Assim, passou-se a utilizar uma palavra mágica, que explicaria tudo: a flexibilização- flexibilização da seguridade social, flexibilização dos direitos e garantias trabalhistas, flexibilização do processo de trabalho, o que garantiria a redução dos custos sociais do trabalho para o empresário( SILVA, p. 433, 1990). No campo educacional, os princípios e as necessidades da reestruturação produtiva capitalista chegaram sob forte orientação de organismos internacionais (Banco Mundial, 14 Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), Fundo Monetário Internacional (FMI)). Assim que, segundo Warde e Haddad (1998), a educação deveria adequar-se ao movimento de esvaziamento das políticas de bem-estar social, estabelecer prioridades, cortar custos, racionalizar o sistema, orientar os seus projetos à lógica do mercado, submeter-se, por fim, à lógica da economia capitalista. Foi esse contexto histórico, traçado em linhas gerais, que se delimitou a configuração da reforma de ensino profissional no Brasil na década de noventa. 3.2- Políticas públicas de educação no Brasil na atualidade Ao longo dos anos noventa a proposição e o encaminhamento das políticas educacionais se deram nos marcos da afirmação e expansão do neoliberalismo como política e como ideologia de Estado. Nessa perspectiva, foi implantada a reforma da educação profissional técnica de nível médio, foram adotadas medidas de reestruturação do ensino superior, bem como foram elaboradas as novas diretrizes e resoluções para o ensino médio e técnico. Apoiados em amplo diagnóstico do sistema educacional do país, realizado direta e\ou indiretamente pelas agências financeiras internacionais, os consultores do Ministério da Educação conduziram o projeto de educação do estado brasileiro nos anos noventa. Os diagnósticos sobre o ensino médio no Brasil feito pelo Banco Mundial e os estudos que fundamentaram o Programa de Expansão da Educação Profissional (PROEP), financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), são exemplos dessa atuação dos organismos internacionais. Os diagnósticos da educação apresentados à sociedade ampararam-se nos parâmetros de avaliação e comparação do desempenho escolar de diversos paises dos continentes e do desempenho dos estudantes das redes pública e privada do país. A relação custo-benefício na análise dos dados obtidos no processo de avaliação dos estudantes do ensino médio e do ensino técnico integrado ao ensino médio, ministrado pela rede federal de educação tecnológica, serviram como referência para as recomendações que orientaram a reforma da educação profissional técnica de nível médio. A reforma do ensino médio e técnico incidiu também na desativação da oferta e manutenção dos cursos técnicos das escolas públicas estaduais. No ensino superior, as 15 intervenções se deram na crítica contundente à tradição universitária. A atuação das universidades públicas, no seu conteúdo e método, foi objeto de questionamento por parte do aparato político de Estado e de governo e pelos organismos internacionais de cooperação. Na década de noventa as iniciativas adotadas no âmbito da legislação de ensino, os novos patamares de atuação e gestão institucional, a intensa produção e disseminação das concepções dominantes nas ações em curso, entre outros, deram às políticas de educação do Estado um caráter orgânico e sistemático. Os marcos teóricos e conceituais das políticas de educação encaminhadas nos anos noventa estavam plenamente ancorados no processo de adesão e inserção do estado brasileiro ao reordenamento das relações políticas, econômicas e financeiras internacionais e podem ser resumidamente apresentados nos seguintes aspectos: I. o baixo nível de rendimento escolar dos estudantes da educação básica no Brasil é resultante da ineficiência do sistema público de ensino no seu conjunto e de cada escola em particular; II. a qualidade do sistema público de ensino e das escolas públicas é resultado da fragilidade dos sistemas de administração e controle do processo educativo; III. a incapacidade do estado em atender as demandas e necessidade de expansão da educação em termos quantitativos e qualitativos e a necessidade do pleno apoio do poder público à iniciativa privada; IV. a avaliação como fator de melhoria do desempenho institucional e do rendimento escolar em termos globais; V. a avaliação como parâmetro de atuação e superação dos problemas estruturais dos sistemas públicos de ensino, através da adequação dos sistemas de gestão institucional; VI. o poder normativo e de controle do processo educativo, através dos sistemas de avaliação pelo estado, deve favorecer e incentivar a diversificação da oferta nos níveis e modalidades de ensino, a flexibilização das estruturas curriculares e dos itinerários de formação VII. a educação como fator de produção e de desenvolvimento econômico; VIII. a abordagem da educação como processo de apropriação de valores culturais e de saberes técnicos e científicos próprios da sociedade humana e de cada grupo social em particular, não se associa à compreensão da realidade histórica e das relações de poder que a condiciona e legitima. 16 Pode-se afirmar que a perspectiva do projeto político do Estado na década de noventa em termos educacionais negava à educação a sua dimensão política. Segundo Charlot (1986) a educação é política porque transmite modelos de comportamento que prevalecem numa sociedade, modelos que definem o comportamento dos indivíduos em face dos outros indivíduos e regulam sua participação na sociedade; é política porque forma a personalidade segundo normas que refletem as realidades sociais e políticas; é política porque transmite idéias políticas sobre a sociedade, a justiça, a liberdade, a igualdade; é política na medida em que é encargo da escola, instituição social cuja organização e funcionamento dependem das relações de forças sociais e políticas. As relações políticas se expressam como campo de relações de poder, pois a política entendida como forma de atividade ou práxis humana está estreitamente ligada às relações de poder (BOBBIO, 1986). O poder entendido como capacidade de mediação e regulação das relações humanas, como capacidade de mobilização de forças econômicas, sociais ou políticas para se obter certo resultado. De acordo com Blackburn (1997), o poder da sociedade não se encontra limitado à sua capacidade de impedir as pessoas de fazerem coisas, inclui o controle da autodefinição da forma de vida preferida dos seus membros. Ao valorizar a educação como transmissão e socialização de valores culturais e técnico-científicos e não identificar esses valores como produtos históricos de trajetórias sociais, econômicas e políticas que se constroem na teia de relações de poder dominantes na sociedade, abandona-se a sua dimensão crítica e, portanto, a sua capacidade de formação para a autonomia. A educação como fator de produção e de desenvolvimento econômico e social foi exaustivamente debatida pelos teóricos da economia da educação nos anos sessenta e fundamentou a reforma da educação brasileira na lei 5.692 de 1971 que estabeleceu a formação profissional compulsória no ensino de 1ºe 2º graus. A teoria do capital humano “concebe a educação como produtora de capacidade de trabalho, potencializadora de trabalho e, por extensão, potencializadora da renda, um capital (social e individual), um fator do desenvolvimento econômico e social”. (FRIGOTTO, 1984, p.16). Ainda segundo o autor, o prolongamento e a elevação da escolaridade, em condições desiguais no seu aspecto técnicoprofissional e político-cultural, cumprem mediações importantes para as necessidades do capital. 17 A Teoria do Capital Humano foi reapropriada nos marcos teóricos do neoliberalismo nos anos noventa sob a égide da teoria da qualidade total. Naquele momento, a ênfase dos discursos e das iniciativas no campo da educação prevalecente nos anos oitenta, deslocou-se da defesa e do empenho na democratização do sistema para a consolidação de um sistema de gestão para a qualidade ancorada na reforma do ensino e no estabelecimento de processos de avaliação do desempenho institucional. A reestruturação política e administrativa da educação e dos sistemas de ensino passaram a se dar em favor dos princípios e das práticas próprias das relações de mercado. No contexto de transposição e afirmação dos princípios e das práticas próprias das relações de mercado para o campo da educação, consolidou-se uma série de parâmetros de atuação acadêmica para as instituições de ensino. Tornou-se comum a referência às estruturas curriculares e de gestão institucional a partir da flexibilização do currículo, produtividade do sistema, relação custo-benefício, certificação por competências, eficácia e eficiência dos padrões de gestão, qualidade e controle dos padrões de desempenho, entre outros. Ao final dos anos noventa o esvaziamento e o recuo do discurso da qualidade e dos léxicos de linguagem que o acompanhou, com a substituição de termos como empregabilidade por laboralidade ou capacidade de geração de trabalho e renda e flexibilidade para adequação às necessidades do mercado, preservou as bases teóricas sob as quais se fundamentava. No momento atual, a perspectiva da educação como fator de desenvolvimento econômico e social assume caráter estratégico nas ações do Estado, constituindo-se em eixo estruturante da educação sistêmica e de sua articulação com o território. “Só é possível garantir o desenvolvimento nacional se a educação for alçada à condição de eixo estruturante da ação do Estado de forma a potencializar seus efeitos. Reduzir desigualdades sociais e regionais se traduz na equalização das oportunidades de acesso à educação de qualidade”.(HADDAD, F., 2007). No Plano de Desenvolvimento da Educação, PDE, a abordagem sistêmica da educação diz respeito à capacidade do estado de propor e gestionar políticas e ações com equidade, em favor de todos os níveis e modalidades de educação nas esferas federal, estadual e municipal. A focalização das políticas, dos programas e das ações na territorialidade articula o projeto e as práticas educativas às necessidades de desenvolvimento econômico e social locais, integrando esforços do poder público local e requerendo o apoio técnico e financeiro da União de forma a superar os antagonismos entre níveis e modalidades de educação que 18 historicamente caracterizaram a educação no Brasil. O regime de colaboração, responsabilização e a mobilização social complementam, nesse sentido, os pilares de sustentação do PDE apresentado à sociedade. Em linhas gerais, os princípios ou razões que fundamentam as ações e programas do Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE estão centrados nos processos de avaliação do desempenho acadêmico dos estudantes e dos cursos, bem como das instituições e dos sistemas de educação no nível básico e superior. A partir dos dados obtidos, a ênfase das ações recai sobre a administração dos sistemas. As razões, princípios e programas do Plano de Desenvolvimento da Educação assumem um caráter de continuidade com o projeto anterior em pelo menos três características centrais: I. ideologia de superação dos problemas estruturais da educação brasileira como uma questão de administração e controle dos sistemas; II. avaliação como mecanismo de acompanhamento e controle dos sistemas deve orientar as ações do Estado; III. centralidade da educação como fator de desenvolvimento econômico e social. No primeiro parâmetro, a ênfase das ações do Estado recai sobre a reforma ou a reestruturação acadêmica e administrativa das instituições e dos sistemas de ensino e sobre as medidas de equalização das condições de acesso à educação de qualidade, através do apoio técnico e do aporte financeiro com atenção à abordagem sistêmica. No segundo aspecto, a avaliação é alçada à condição estratégica de intervenção do Estado na educação. A avaliação como acompanhamento e controle da educação básica se dá através dos programas e sistemas como o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). No ensino superior, através do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) e do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES). Nos dois níveis de educação a avaliação se constitui em fator de “potencialização de seus efeitos” identificando a eficácia das ações de equalização das oportunidades de acesso à educação de qualidade. Nesse sentido, a avaliação é apropriada como fator de propulsão do sistema escolar, como mediadora das ações educativas e como produto ou resultado do trabalho educativo, devendo expressar-se quantitativamente. 19 No terceiro aspecto, a educação enquanto fator de desenvolvimento econômico e social se constitui ela mesma em objeto das políticas de desenvolvimento, integrando as ações de ordenação da territorialidade, articulando o regime de colaboração, responsabilização e mobilização social. Na educação superior a explicitação desse valor econômico e social se revela na formação de recursos humanos e na produção científica e tecnológica e, ainda de acordo com o Plano, contribuindo para a integração territorial e a formação da Nação. Na educação profissional e tecnológica o valor econômico e social da educação se apresenta na articulação entre educação, desenvolvimento e território através da qualificação profissional, da formação de professores nas áreas de ciências e na identificação e fortalecimento dos “arranjos produtivos locais”. A elevação do nível de conhecimento científico e tecnológico e de domínio técnico por parte da população de jovens e adultos se destaca, também, como papel das instituições de educação profissional e tecnológica, através da oferta dos cursos técnicos e tecnológicos. Em todas as abordagens constantes do documento apresentado pelo PDE a questão da qualidade e da equidade na educação é tomada de forma tácita, ou seja, não se questiona teórica e epistemologicamente os sentidos que lhe foram atribuídos no campo das proposições políticas para a educação, consagrados nos anos noventa. Outro aspecto em que se manifesta a aderência aos discursos e às práticas dominantes no estabelecimento das políticas e das ações de governo, diz respeito ao financiamento público à iniciativa privada, naturalizado no processo de afirmação das políticas neoliberais desde os anos noventa. O que se postula é a ampliação do repasse de recursos públicos, através dos programas de bolsas de estudos e da seleção dos cursos a serem subsidiados conforme padrão de desempenho, estabelecendo níveis de competitividade do sistema, cursos e instituições. “A lei que cria o PROUNI estabelece que os cursos que receberem conceito insatisfatório em duas edições do Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior, SINAES, sejam descredenciados do programa e que as bolsas correspondentes, nos processos seletivos seguintes, sejam remanejadas para cursos com conceito satisfatório”. (HADDAD, F., 2007). Os desafios colocados pela realidade das políticas e das ações no campo da educação hoje estão alicerçados nessas reflexões e a identificação com clareza dos seus limites, possibilidades e contradições se fazem necessárias para o avanço do trabalho institucional. 20 Algumas iniciativas apontam possibilidades de intervenção institucional em favor de um projeto de educação mais crítico e emancipatório para o conjunto da sociedade e articulado com as necessidades e interesses dos trabalhadores e, nesse sentido, capaz de dar resposta aos desafios sociais e ambientais colocados pelo modelo de desenvolvimento do país. Como exemplo tem-se as iniciativas de recomposição das condições materiais e de recursos humanos das instituições federais de ensino, com a construção de novas unidades e abertura de concursos públicos; a implementação do programa de integração da educação profissional à educação básica na modalidade de educação de jovens e adultos, com aporte técnico e financeiro e de abrangência municipal, estadual e federal; a possibilidade de retomada da oferta dos cursos técnicos integrados ao ensino médio no ensino regular, através da revogação do Decreto 2.208; o financiamento público da oferta de cursos de capacitação docente, através das agências de fomento, entre outros. 3.3- Desafios Institucionais. A criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, no bojo do processo de expansão da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica e a ela condicionada, configura uma nova identidade institucional pela afirmação do caráter social de origem dessas instituições e pelo redimensionamento de seu papel no atual contexto de desenvolvimento científico e tecnológico. O fortalecimento da educação profissional técnica de nível médio e a ampliação da atuação na formação de professores assumem relevância na atuação destas instituições. Em paralelo, a atuação nos cursos de Tecnologia e a valorização das Engenharias consolidam a trajetória de construção da universalidade e da pluralidade do trabalho educativo desenvolvido por estas instituições, na singularidade da aproximação histórica com o mundo do trabalho, da produção e das relações sociais em que, necessariamente, se desenvolvem. Os Institutos se inserem no Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE com a responsabilidade de implementar, efetivamente, a expansão da educação profissional técnica de nível médio, preferencialmente de forma integrada a educação básica de nível médio; de incorporar a população de jovens e adultos sem escolarização básica e qualificação profissional, através do PROEJA; de assumir a responsabilidade pela formação inicial e 21 continuada de professores, fortalecendo o papel do Estado na formação e qualificação de docentes em espaços de formação públicos e gratuitos; de assegurar a oferta de cursos de graduação e Pós-graduação nas áreas científicas e tecnológicas e, por fim, de atuar na articulação de ações no campo da pesquisa e da extensão, fortalecendo o trabalho pedagógico no ensino e estreitando os laços destas instituições com a sociedade. A retomada da oferta dos Cursos Técnicos integrados ao ensino médio no atual contexto tem como objetivos: ampliar a atuação institucional no atendimento da educação básica de qualidade, pública e gratuita, até o limite mínimo de 50% do total de vagas ofertadas pela Instituição; proporcionar uma formação integral com a articulação do conhecimento com a prática social, as relações de trabalho e os processos científicos e tecnológicos; integrar a teoria com a prática no domínio das técnicas de produção nas áreas de formação profissional dos cursos; contextualizar a educação profissional ao mundo do trabalho e às transformações técnico-científicas e culturais abordadas pelas áreas de conhecimento na educação básica; formar técnicos de nível médio com capacidade de intervenção qualificada no trabalho, na sociedade e na vida pública. Para Ciavatta, (2005, p. 85) “Trata-se de superar a redução da preparação para o trabalho ao seu aspecto operacional, simplificado, escoimado dos conhecimentos que estão na sua gênese científico-tecnológica e na sua apropriação histórico-social”. A indicação de que a atuação dos Institutos seja pautada pela oferta de no mínimo 50% do total das vagas para a educação profissional técnica de nível médio encontra respaldo na realidade brasileira em que: (...) milhares de jovens necessitam, o mais cedo possível, buscar um emprego ou atuar em diferentes formas de atividades econômicas que gerem sua subsistência, parece pertinente que se faculte aos mesmos a realização de um ensino médio que, ao mesmo tempo em que preserva a sua qualidade de educação básica como direito social e subjetivo, possa situá-los mais especificamente em uma área técnica ou tecnológica. (FRIGOTTO, 2005, p.77) Na efetiva expansão da oferta de cursos e vagas na educação profissional técnica de nível médio integrada ao ensino médio na modalidade de educação de jovens e adultos, para aqueles que não concluíram a educação básica na idade regular, em geral, em decorrência da necessidade de inserção prematura no mercado de trabalho, e que ao mesmo tempo necessitam de qualificação profissional, os Institutos reafirmam a responsabilidade do 22 Governo Federal na escolarização e profissionalização desse segmento social, estimado em torno de sessenta e oito milhões de pessoas. Outra importante meta e compromisso social dos Institutos é a atuação na formação inicial e continuada de professores, através da implantação dos Cursos de Licenciatura e de Especialização. A formação inicial de professores, por meio dos cursos de Licenciatura devem ocupar no mínimo 20% do total de vagas ofertadas pela Instituição, o que torna as Licenciaturas prioridade institucional de atuação no Ensino Superior. Segundo dados do Ministério da Educação, o quadro de formação de professores no Brasil aponta para a pouca presença das instituições públicas, em torno de apenas 15% dos professores foram formados em instituições públicas. A articulação do Sistema Nacional de Formação de Professores, envolvendo as instituições de educação superior mantidas pela União, Estados e Municípios, reafirma e estabelece o compromisso institucional com a criação de cursos de Licenciatura e a ampliação da oferta de vagas para esta modalidade de educação. O campus de Goiânia deverá cumprir importante papel no alcance dessa meta e no atendimento das demandas e necessidades sociais apontadas pelo Censo da Educação Básica, Educacenso. Isto porque reúne a maior parte do corpo docente da Instituição, em sua maioria com formação em nível de Pós-Graduação, possui centralidade no atendimento aos maiores contingentes populacionais do Estado, concentra um relativo número de docentes e servidores com qualificação na área de educação, concentra a estrutura de gestão sistêmica da Instituição, ampliando as possibilidades de diálogo com as demais agências e instituições públicas de formação de professores. A interiorização da oferta dos cursos de Licenciatura nas áreas que se articulam à atuação institucional na educação profissional técnica de nível médio e nos cursos de tecnologia e bacharelado, através da expansão das unidades de ensino dos Institutos, vêm se dando com o apoio do Observatório do mundo do trabalho e da educação profissional e tem contribuído para a aproximação com as esferas públicas do poder estadual e municipal favorecendo a responsabilização social dos agentes públicos e a interlocução com os organismos sociais locais. A oferta dos cursos de Licenciatura, articulada aos demais níveis e modalidades de ensino da Instituição tem dado a estas uma característica própria de formação docente, incorporando as temáticas comuns à trajetória histórica da rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica. A questão do currículo integrado na educação básica e superior, a incorporação de temas do desenvolvimento científico e tecnológico, as políticas públicas de 23 educação profissional e tecnológica e o desafio da escolarização e qualificação profissionais de jovens e adultas, são temas que integram a formação docente nos cursos propostos. O fortalecimento da presença institucional na formação de profissionais nas áreas científicas e tecnológicas e na pesquisa & desenvolvimento, incorpora os cursos de tecnologia e os bacharelados no leque das modalidades de ensino superior ofertados, com atenção especial à oferta dos cursos de engenharia. De acordo com o Ministério da Educação, a criação dos Institutos Federais se dá no momento em que “reforça-se como fator decisivo para o desenvolvimento da nação brasileira a necessidade de profissionais especializados com sólida formação acadêmica em diversos setores da economia, como na área tecnológica, com destaque para os cursos de Engenharia. Ainda de acordo com o documento “...as engenharias nos institutos Federais, além de condição inadiável para ampliar essa oferta da formação na rede pública em proporção expressiva, devem retratar a realidade social que as Instituiçãoes assumem.” A readequação da atuação institucional no ensino superior com priorização, também, da oferta de cursos de Engenharia se apresenta como necessidade do Planejamento de Desenvolvimento Institucional nos próximos anos, com atenção para os princípios que devem nortear essa ação, apresentados nos itens 6 e 6.2 deste documento. A proposta de PPI apresentada nesse documento persegue esses objetivos e procura elucidar eixos e diretrizes de atuação para a educação profissional e tecnológica no IFGoiás. 4- Políticas de democratização do acesso e procedimento de seleção dos candidatos aos cursos do IFGoiás Uma instituição de educação deve desencadear, permanentemente, processos de análise e de avaliação críticos e autocríticos acerca da sua atuação. Nesse âmbito, assume grande importância a análise e a avaliação de aspectos como a seleção do corpo discente, a avaliação do seu desempenho na instituição e do desempenho da instituição em relação às necessidades e expectativas desse corpo discente e a democratização dos processos de acesso dos estudantes que de fato almejam e necessitam estudar na Instituição. O objetivo é propor uma concepção e dinâmicas novas aos processos de vestibular (Tecnológico, Bacharelado e Licenciatura) e de seleção (Cursos Técnicos, Cursos Técnicos Integrados ao Ensino Médio) que são realizados no IFGoiás. Este objetivo é norteado, em termos imediatos, pela perspectiva de democratizar o acesso à Instituição e de contribuir para 24 a consolidação de uma cultura interdisciplinar internamente. É também norteado, em termos mediatos, pela perspectiva de reduzir a evasão escolar e de concorrer para a construção da identidade e o enraizamento social da Instituição. Dentre suas atribuições, cabe ao IFGoiás o papel social de desenvolver a Educação Profissional e Tecnológica inserida nas dinâmicas e estratégias de desenvolvimento nacional e regional, proporcionar aos egressos da Instituição uma perspectiva crítica e cidadã da sociedade e contribuir para a efetiva inclusão de estudantes oriundos de segmentos sociais em desvantagem social e em grande medida excluídos de participar dos cursos oferecidos pela Instituição, garantindo-lhes a permanência na Instituição e a conclusão dos cursos com êxito. O IFGoiás tem encontrado grandes obstáculos para cumprir essas atribuições. Uma das razões tem sido o não-aprofundamento das discussões acerca da democratização dos mecanismos de acesso à Instituição, além da carência de suporte pedagógico que assegure a permanência dos estudantes e o êxito na conclusão dos cursos. Esses aspectos geram condições adversas para que estudantes em desvantagem social que almejem a Educação Profissional e Tecnológica e que a concebam como um instrumento de mobilidade social possam efetivamente ingressar na Instituição. A resolução dessas questões pode repercutir positivamente na diminuição da evasão escolar, um fenômeno que não é explicável por meio de uma abordagem monocausal. A evasão escolar ocorre como fruto de uma interação entre aspectos internos e externos. Internamente, a carência ou mesmo a ausência de políticas, programas e projetos consistentes e amplos de pesquisa e de extensão acabam frustrando os estudantes que apresentam grande potencial e expectativa acadêmica e que, por conseqüência, acabam evadindo da Instituição. Externamente, a deficiência em domínios de lógica formal e de lógica dialética provocada pelo despreparo de muitos estudantes que têm ingressado na Instituição e que têm acumulado baixos rendimentos e reprovações também trazem como conseqüência a evasão escolar. Como tantas outras realidades na Instituição, a dificuldade de ingresso de alunos socialmente desfavorecidos e a evasão escolar devem ser enfrentadas no contexto das políticas e das práticas de desenvolvimento institucional que proporcionem o suporte necessário para superação desses problemas. Portanto, em que pese o reconhecimento de que a evasão escolar não pode ser atribuída a um ou mesmo a um pequeno grupo de fatores, os processos de ingresso na Instituição também concorrem, em alguma medida, para essa evasão. Isso porque o IFGoiás 25 tem sido acessível principalmente aos alunos oriundos dos segmentos sociais de classe média. Muitas vezes, esses alunos estão matriculados em outras instituições de ensino médio ou superior, e muitos deles não se identificam com a Educação Profissional de nível técnico ou tecnológico, enquanto outros tantos não se interessam em se inserir diretamente nos processos produtivos e de serviços. Enfim, partimos do entendimento de que a democratização do acesso à Instituição passa pela inclusão social, permanência e conclusão dos cursos com êxito de estudantes oriundos de segmentos da população em desvantagem social e em grande medida excluídos de participar dos cursos oferecidos pela Instituição. Tal realidade pode-se constituir em uma das ações necessárias para reverter a evasão escolar, ao promover maior envolvimento do estudante com seu curso e ao assegurar-lhe que venha a exercer a profissão na qual se formou. Pode, ainda, em função da mudança da composição social do segmento estudantil, proporcionar uma maior aproximação entre a Instituição e a sociedade, especialmente em relação às demandas dos segmentos da população em desvantagem social. Segue em anexo a proposta encaminhada pela Comissão instituída pela Portaria n.º 084 de fev. de 2008. 5- A atuação do IFGoiás na Educação Básica A reforma da educação profissional técnica de nível médio na década de noventa foi assumida e consolidada com o intuito de reorientar a sua “missão”. Os defensores da reforma postulavam que a educação ofertada pela rede federal era cara e não atingia o objetivo de preparar o educando para o ingresso imediato no mercado de trabalho. O que se verificava, segundo eles, era que os alunos, oriundos fundamentalmente das classes médias, optavam pelas escolas técnicas e cefets em função da sua qualidade de ensino e sua conseqüente aprovação no vestibular (NEY, 2006). Filho (2003), afirma também que a implantação da reforma se justificava também pelos problemas e distorções decorrentes da oferta de número limitado de vagas e cursos de duração muito longa e que não atendiam às demandas dos setores produtivos. Entretanto, se as argumentações mais correntes no interior da rede foram essas, é preciso compreender que a essência da reforma não era a preocupação com a classe social atendida ou a pouca ênfase na educação estritamente técnica. Observa-se hoje, ao contrário, que as argumentações e pretensões mais significativas para o Estado brasileiro no campo educacional, sob a égide do neoliberalismo, vincularam-se 26 às necessidades de adequação da formação profissional às exigências do mercado, de incorporação da idéia de uma formação menos rígida, estática e mais flexível e “continuada”, de atender à demanda crescente de escolaridade do trabalhador para adaptar-se às novas tecnologias, novos processos produtivos e novas ocupações profissionais4. Assim, no Brasil, a área educacional sofreu investida por meio do estabelecimento de decretos e resoluções que vieram complementar e regulamentar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.5 A materialização destas novas perspectivas resultou no Decreto N. 2.208 de 17 de abril de 1997, que teve como conseqüência, talvez mais perversa, a desvinculação do ensino médio e técnico. O Decreto N. 2.208/97 instituiu o sistema de concomitância (interna ou externa) e o sistema seqüencial como formas de rearticulação dos ensinos médio e técnico. No primeiro, o aluno cursava(cursa) o ensino médio em um turno e no outro, o ensino técnico6.O segundo, também chamado de pós-médio, destinava-se (destina) a alunos que tenham concluído o ensino médio. Como aparatos legais complementares à reforma orientada pelo governo federal, o Parecer nº 16 e a Resolução nº 04, de 1999 da Câmara de Educação Básica (CEB) e do Conselho Nacional de Educação (CNE) constituíram-se em parte do arcabouço políticopedagógico da nova formação profissional. Com eles, estabeleceram-se 22 áreas profissionais e regulamentaram as suas cargas horárias mínimas: 800, 1.000 e 1.200 horas7. Em relação à organização curricular o Parecer listou um conjunto de competências profissionais. Esta poderia ser organizada por módulos 4 A essa idéia estará vinculada outra, que é transferir para o trabalhador a culpa por estar desempregado pois não é competente ou não deu conta de qualificar-se. Entretanto, segundo Handfas (2006), em 1996, o crescimento do desemprego se deu justamente entre trabalhadores mais escolarizados. 5 Ressalta-se que, segundo Savianni a “Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, denominada de “LDBN minimalista”, foi assim definida por Luiz Antônio Cunha para significar a regulamentação por pontos, construída por meio de decretos, medidas provisórias, portarias e resoluções em detrimento de lei complementar (ordinária) que deveria ser votada no Congresso Nacional” (apud Ney, p.268, 2006). Ainda sobre isto, destaca Ney que “ essa característica permite ao Executivo ampla liberdade na definição que deseja implantar, na regulamentação de diversos artigos da LDBN e nas alterações operacionais a serem executadas, tendo em vista não haver necessidade de leis complementares, pois os decretos presidenciais, portarias ministeriais e resoluções do Conselho Nacional de Educação são suficientes para regulamentar e implantar as ações definidas pelo Poder Executivo, sem a obrigatoriedade da discussão e aprovação por parte do Legislativo” ( p. 269, 2006). 6 Caso a Instituição possua o Ensino Médio e Técnico, o aluno poderá fazer a concomitância interna, tendo assim duas matrículas. Caso a Instituição não ofereça as duas modalidades de educação, a concomitância deverá ser externa. 7 Para o Ensino Médio, a LDBN definiu o mínimo de 2.400 horas, distribuídas em três anos, cada um com duração letiva de 800 horas. 27 que indicariam ou não o caráter de terminalidade para efeito de qualificação profissional mediante certificação específica. O sistema de modularização concretiza a concepção basilar da reforma em sua estrita vinculação com a reestruturação produtiva: a flexibilização. Por este mecanismo, o aluno pode construir itinerários próprios de formação, de acordo com seus interesses e possibilidades (do mercado?).Assim, a estrutura acadêmica e formativa passa a ser individual, adaptável e substituível, dependendo da demanda econômica. Em síntese, Ramos (2006) salienta que no lugar de habilitações, áreas profissionais; no lugar de matérias e disciplinas científicas, bases científicas, tecnológicas e instrumentais desagregadas e isoladas de seus campos originais da ciência; no lugar de conteúdos de ensino, competências gerais para a vida e competências gerais para o trabalho(p. 302, 2006) Apesar das resistências à reforma, o que se verificou foi uma grande adesão da rede federal a ela, principalmente de seus diretores, que buscaram, como contrapartida, a transformação das escolas técnicas em Centros Federais de Educação Tecnológica e o recebimento dos recursos do Programa de Expansão da Educação Profissional(PROEP) (Frigotto, 2006 e Filho, 2003). Na tentativa de recuperar a oferta da Educação Profissional integrada, que tem como princípio a formação integral do educando, o atual governo, eleito em 2002 e reeleito em 2006, atendeu algumas reivindicações de setores organizados da rede federal de ensino, revogou o Decreto 2.208 e promulgou o Decreto 5.154, de 25 de julho de 2004. Este, entretanto, continua a garantir outras formas de articulação entre o ensino médio e profissional, previstas no Decreto 2.208, quais sejam, a concomitante e a subseqüente. Outra orientação do atual governo diz respeito à aproximação da educação profissional com a educação de jovens e adultos, abrangendo a educação fundamental, média, continuada e indígena. Para a regulamentação deste novo campo educacional, promulgou em 13 de julho de 2006, o Decreto nº 5.840 instituindo o PROEJA, denominado de Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos. Por ele, há possibilidade de adoção de cursos do PROEJA em instituições públicas dos sistemas de ensino estaduais e municipais e em entidades nacionais de serviço social, de aprendizagem e formação profissional, vinculadas ao sistema sindical e também de 28 articulação a cursos de formação inicial e continuada de trabalhadores com Ensino Fundamental na modalidade de EJA. O direito do jovem e adulto brasileiro à educação está preconizado no artigo 208 da Constituição Federal e reafirmado no § 3º do artigo 37 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. O Decreto nº 5.840/2006 dispõe em seu artigo 2º que a Rede Federal deverá incorporar em sua oferta regular o público jovem e adulto, como se segue: “Art. 2º As instituições federais de educação profissional deverão implantar cursos e programas regulares do PROEJA até o ano de 2007. § 1º As instituições referidas no caput disponibilizarão ao PROEJA, em 2006, no mínimo dez por cento do total das vagas de ingresso da instituição, tomando como referência o quantitativo de matrículas do ano anterior, ampliando essa oferta a partir do ano de 2007. § 2º A ampliação da oferta de que trata o § 1º deverá estar incluída no plano de desenvolvimento institucional da instituição federal de ensino”. Com a criação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás, Lei 11.892, de 29 de dezembro de 2008, o PROEJA deixa de ser um programa e passa a se constituir como Política Pública dos IFT’s dando um passo histórico para o desenvolvimento da educação brasileira na perspectiva da integração da Educação Profissional Integrada a Educação de Jovens e Adultos. A oferta da Educação Profissional integrada a Educação Básica, nas diversas modalidades no IFGoiás, deve considerar que: O Ensino Médio, concebido como Educação Básica e articulado ao mundo do trabalho, da cultura e da ciência, constitui-se em direito social e subjetivo e, portanto, vinculado a todas as esferas e dimensões da vida. Trata-se de uma base para o entendimento crítico de como funciona e se constitui a sociedade humana em suas relações sociais e como funciona o mundo da natureza, da qual fazemos parte. Dominar no mais elevado nível de conhecimento estes dois âmbitos é condição prévia para construir sujeitos emancipados, criativos e leitores críticos da realidade onde vivem e com condições de agir sobre ela. Este domínio também é condição prévia para compreender e poder atuar com as novas bases técnico-científicas do processo produtivo( FRIGOTTO, 2005, p. 76) A prioridade da oferta da Educação Profissional Técnica Integrada ao Ensino Médio para os concluintes do ensino fundamental e para o público de jovens e adultos, está respaldada no Art. 7° da Lei n° 11.892 que instituiu a Rede Federal de Educação Profissional Científica e Tecnológica e criou os Institutos Federais. 29 Assim, a oferta do Ensino Técnico subseqüente ao Ensino Médio no Instituto Federal de Goiás observará as demandas do Setor Produtivo, as necessidades sociais dos trabalhadores e a disponibilidade e a compatibilidade do trabalho docente nas Coordenações. Diante dos pressupostos colocados acima e referenciando-se na Legislação pertinente, a Educação Básica no CEFET-GO terá as seguintes características: 5.1- Diretrizes Curriculares para a Educação Profissional Técnica de nível médio integrada ao ensino médio. I. Os cursos da educação profissional técnica de nível médio, Integrados ao ensino médio, serão ofertados somente para egressos do ensino fundamental. II. Estrutura curricular organizada em regime seriado anual com ingresso no início de cada ano letivo. III. A matriz curricular deverá ser organizada por disciplina prevendo ementário, objetivos, conteúdos e bibliografia básica. IV. Os cursos terão duração de quatro anos, cada um deles com no mínimo 200 dias letivos e 800 horas anuais. V. A carga horária total do curso deverá ser compatível com a oferta em um único turno, à exceção da última aula semanal da disciplina de Educação Física para os alunos do turno diurno. VI. Prioridade para a oferta de estruturas curriculares voltadas para alunos na faixa etária regular nos turnos matutino e vespertino. VII. Prioridade para a oferta de cursos técnicos integrados ao ensino médio na modalidade de educação de jovens e adultos (PROEJA) no turno noturno incluindo a oferta da disciplina de Educação Física. VIII. Os componentes curriculares das áreas de conhecimento relativos ao ensino médio e a educação profissional deverão atender ao disposto nos pareceres e resoluções e, ao mesmo tempo, deverão possibilitar a articulação das diferentes áreas do conhecimento. IX. A articulação dos componentes curriculares do ensino médio e da educação profissional no âmbito dos cursos será formalizada nas ementas de disciplinas e efetivada por meio de ações e projetos de integração, desenvolvidos pelos discentes, com o acompanhamento dos docentes. X. Os componentes curriculares do ensino médio serão comuns a todos os cursos; 30 XI. Inclusão de temática referente a história e cultura afro-brasileira e indígena no currículo, Lei n.º 11.645/2008. XII. Inclusão da segunda língua estrangeira com a obrigatoriedade do Espanhol, Lei n.º 11.161/2005. XIII. Inclusão das disciplinas de Filosofia e Sociologia. XIV. Matriz curricular única na formação técnica de um mesmo curso ofertado pelos campi do IFGoiás, sendo que as adequações de regionalidade não deverão exceder 30% da carga horária total do curso. XV. O estágio supervisionado é componente curricular obrigatório com carga horária definida no projeto de curso. XVI. Para a integralização dos 200 dias letivos os projetos de cursos deverão prever a realização de atividades complementares de caráter técnico, científico, cultural e esportivo, observando regulamentação específica, aprovada pelo Conselho Diretor. XVII. As atividades complementares de integralização dos duzentos dias letivos estabelecidos pela legislação da educação básica, quando inseridas nos sábados letivos, deverão ser ofertadas no período matutino. Isso porque permite a otimização dos esforços institucionais no apoio e acompanhamento técnico-administrativo das atividades. XVIII. Nos casos de trancamento de matrícula, o reingresso do aluno ficará condicionado a existência de vaga, turma e/ou curso de origem ou afim. XIX. Turmas de trinta alunos. 5.1.2 a atuação na Educação Profissional Técnica de nível médio na forma Subseqüente: I. Estrutura curricular organizada em regime seriado semestral com ingresso no início de cada semestre letivo. II. A matriz curricular deverá ser organizada por disciplina prevendo ementário, objetivos, conteúdos e bibliografia básica. III. Matriz curricular única na formação técnica de um mesmo curso ofertado pelos campi do IFGoiás sendo que as adequações de regionalidade não deverão exceder 30% da carga horária total do curso. IV. Não haverá aprovações parciais, devendo as Coordenações oferecer estudos de recuperação ao longo do período letivo. 31 V. Não haverá certificações parciais, prevendo-se a emissão do diploma ao final do curso e da integralização de todos os componentes curriculares obrigatórios (atividades complementares, estágios e outros definidos no projeto do curso). VI. O estágio supervisionado é componente curricular obrigatório com carga horária definida no projeto de curso. VII. Nos casos de trancamento de matrícula, o reingresso do aluno ficará condicionado a existência de vaga, turma e/ou curso de origem ou afim. VIII. Turmas de trinta alunos. Oferta de Cursos e Vagas na Educação Profissional Técnica de Nível Médio Integrada ao Ensino Médio - Campus Goiânia de 2006 a 2011 Ano de 2006 CURSOS Serviços de Alimentação (PROEJA) Total de Vagas VAGAS 30 30 Ano de 2007 CURSOS Edificações Serviços de Alimentação (PROEJA) Trânsito Total de Vagas VAGAS 30 60 30 120 Ano de 2008 CURSOS Edificações Eletrônica Eletrotécnica Mineração Música Serviços de Alimentação (PROEJA) Trânsito Total de Vagas VAGAS 30 25 25 25 20 60 30 215 32 Ano de 2009 CURSOS Controle Ambiental Cozinha/ ou Serviços de Restaurante e Bar (PROEJA)/2009/2 Edificações Eletrônica Eletrônica (PROEJA) Eletrotécnica Informática para Internet Mineração Música Serviços de Alimentação (PROEJA) Trânsito Total de Vagas Ano de 2010 CURSOS Agrimensura/Geoprocessamento Controle Ambiental Cozinha/ou Serviços de Restaurante e Bar (PROEJA) Edificações Eletrônica (PROEJA) Eletrônica/Telecomunicação Eletrotécnica Informática para Internet Mecânica Mineração Música Trânsito Total de Vagas VAGAS 30 30 30 25 30 25 30 25 25 30 30 310 VAGAS 30 30 60 30 60 30 30 30 30 30 30 30 420 33 Ano de 2011 CURSOS Agrimensura/Geoprocessamento Controle Ambiental Cozinha/ou Serviços de Restaurante e Bar (PROEJA) Edificações Eletrônica (PROEJA) Eletrônica/Telecomunicação Eletrotécnica Informática para Internet Mecânica Mineração Música Refrigeração e climatização (PROEJA) Trânsito Total de Vagas VAGAS 30 30 60 30 60 30 30 30 30 30 30 60 30 480 Oferta de Cursos e Vagas na Educação Profissional Técnica de Nível Médio Integrada ao Ensino Médio - Campus Jataí de 2007 a 2011 Ano de 2007 CURSOS Agrimensura Total de Vagas VAGAS 40 40 Ano de 2008 CURSOS Agrimensura Edificações (PROEJA) Eletrotécnica Informática Total de Vagas VAGAS 40 40 40 40 160 Ano de 2009 CURSOS Agrimensura Edificações Edificações (PROEJA) Eletrotécnica Informática Total de Vagas VAGAS 40 40 40 40 40 200 34 Ano de 2010 CURSOS Agrimensura Edificações Edificações (PROEJA) Eletrotécnica Informática Total de Vagas VAGAS 40 40 40 40 40 200 Ano de 2011 CURSOS Agrimensura Edificações Edificações (PROEJA) Eletrotécnica Informática Total de Vagas VAGAS 40 40 40 40 40 200 Oferta de Cursos e Vagas na Educação Profissional Técnica de Nível Médio Integrada ao Ensino Médio - Campus Inhumas de 2007 a 2011 Ano de 2007 CURSOS Alimentos Informática Total de Vagas VAGAS 60 60 120 Ano de 2008 CURSOS Alimentos Informática Total de Vagas VAGAS 30 60 90 Ano de 2009 CURSOS Alimentos Informática Manutenção e Suporte em Informática (PROEJA) Química Total de Vagas VAGAS 30 30 60 30 150 35 Ano de 2010 CURSOS Alimentos Biocombustíveis (PROEJA) Informática Manutenção e Suporte em Informática (PROEJA) Química Total de Vagas VAGAS 30 60 30 60 30 210 Ano de 2011 CURSOS Alimentos Biocombustíveis (PROEJA) Informática Manutenção e Suporte em Informática (PROEJA) Química Total de Vagas VAGAS 30 60 30 60 30 210 Oferta de Cursos e Vagas na Educação Profissional Técnica de Nível Médio Integrada ao Ensino Médio - Campus Itumbiara de 2009 a 2011 Ano de 2009 CURSOS Automação Industrial Eletrotécnica Mecânica (PROEJA) 2009/2 Total de Vagas VAGAS 30 30 30 90 Ano de 2010 CURSOS Automação Industrial Eletrônica Eletrotécnica Mecânica (PROEJA) Mecatrônica Química Telecomunicação Total de Vagas VAGAS 30 30 30 60 30 30 30 240 36 Ano de 2011 CURSOS Automação Industrial Eletrônica Eletrotécnica Mecânica (PROEJA) Mecatrônica Química Telecomunicação Total de Vagas VAGAS 30 30 30 60 30 30 30 240 Oferta de Cursos e Vagas na Educação Profissional Técnica de Nível Médio Integrada ao Ensino Médio - Campus Uruaçu de 2008 a 2011 Ano de 2008 CURSOS Manutenção e Suporte em Informática (PROEJA) Total de Vagas Ano de 2009 CURSOS Agrimensura (PROEJA) Edificações Manutenção e Suporte em Informática Manutenção e Suporte em Informática (PROEJA) Total de Vagas Ano de 2010 CURSOS Agrimensura (PROEJA) Edificações Geoprocessamento Informática Manutenção e Suporte em Informática (PROEJA) Química Total de Vagas VAGAS 30 30 VAGAS 30 30 30 60 150 VAGAS 60 30 30 30 60 30 240 37 Ano de 2011 CURSOS Agrimensura (PROEJA) Edificações Geoprocessamento Informática Manutenção e Suporte em Informática (PROEJA) Química Total de Vagas VAGAS 60 30 30 30 60 30 240 Oferta de Cursos e Vagas na Educação Profissional Técnica de Nível Médio Integrada ao Ensino Médio - Campus Formosa de 2009 a 2011 Ano de 2009 CURSOS Construção Civil (controle de obras) (PROEJA) Química Total de Vagas Ano de 2010 CURSOS Celulose e Papel Construção Civil (controle de obras) (PROEJA) Meio Ambiente Química Reciclagem (PROEJA) Saneamento Total de Vagas Ano de 2011 CURSOS Celulose e Papel Construção Civil (controle de obras) (PROEJA) Meio Ambiente Química Reciclagem (PROEJA) Saneamento Total de Vagas VAGAS 30 30 60 VAGAS 30 60 30 30 60 30 240 VAGAS 30 60 30 30 60 30 240 38 Oferta de Cursos e Vagas na Educação Profissional Técnica de Nível Médio Integrada ao Ensino Médio - Campus Luziânia de 2009 a 2011 Ano de 2009 CURSOS Mecânica (PROEJA) Manutenção e Suporte em Informática (PROEJA) Total de Vagas VAGAS 30 30 60 Ano de 2010 CURSOS Construção Civil: Edificações Eletromecânica Informática Manutenção e Suporte em Informática (PROEJA) Mecânica (PROEJA) Química Total de Vagas Ano de 2011 CURSOS Construção Civil: Edificações Eletromecânica Informática Manutenção e Suporte em Informática (PROEJA) Mecânica (PROEJA) Química Total de Vagas VAGAS 30 30 30 60 60 30 240 VAGAS 30 30 30 60 60 30 240 6- A atuação do CEFET-GO na Educação Superior Com a transformação da maioria das escolas técnicas e algumas escolas agrotécnicas federais, baseada na Lei n. 8.948/94, em Centros Federais de Educação Tecnológica, a educação profissional e tecnológica passou a atuar, de maneira significativa, na Educação Superior. Fato esse que trouxe, pelo menos, duas grandes implicações: a primeira, a retomada das discussões sobre o papel histórico da formação para o trabalho no Brasil e a segunda, qual a perspectiva da incorporação da educação superior no âmbito desta modalidade de educação. 39 Historicamente, a formação para o trabalho (relativa ao fazer, à execução) no Brasil, tem sido concebida e normatizada considerando a sua subalternidade e complementariedade em relação a educação propedêutica (relativa ao pensar, ao planejar), ministrada a setores sociais que precisam ser disciplinados ou conformados à lógica produtiva hegemônica, compensados minimamente pelos violentos processos de expropriação da riqueza social a que foram submetidos ou mais recentemente, capacitados para atender às demandas e necessidades dos setores produtivos dominantes. Entretanto, apesar desta lógica histórica de subalternidade da formação profissional no Brasil, as escolas técnicas federais, muito em função da sua capacidade de construção e manutenção de uma formação técnica integrada ao ensino médio criou, com originalidade, uma experiência educacional histórica que ressaltou um tipo de qualidade formativa capaz de dotar os estudantes de sólida base teórico-prática e humanista, colocando os egressos das escolas técnicas federais entre os que demonstraram “maior facilidade de desenvolver-se no curso escolhido do que os alunos provenientes do ensino médio propedêutico, independentemente do fato de essa carreira de nível superior ser de graduação tecnológica ou não” como atesta Moura (s/d). Assim, a exitosa experiência de formação profissional das escolas técnicas federais e a habilitação para atuar na educação superior trouxeram possibilidades significativas de pensar e realizar uma educação verticalizada, fundamentada numa forte tradição de integração da teoria e prática, do fazer e pensar, articulada com a produção do conhecimento, da tecnologia e da técnica e voltada para as necessidades e demandas sociais e ambientais colocadas pelo atual contexto e para o desenvolvimento político-econômico soberano da nação. E, em relação à Educação Superior, efetivá-la a partir da compreensão de que há necessidade de entender, de maneira mais aprofundada, a relação entre ciência e tecnologia no mundo atual, de enfatizar a formação ética, uma vez que a interação homem-homem e homem-natureza têm produzido transformações imprevisíveis e que vêm rompendo o equilíbrio da sobrevivência humana e, por fim, pensar que a formação da criança, do adolescente, do jovem e do adulto hoje exige “domínio de conhecimentos globais das ciências, das tecnologias e a socialização para uma convivência com o planeta e a humanidade, de modo a preservar a vida” (CIAVATTA, 2006). 40 6.1 – Atuação institucional na oferta dos Cursos de Licenciatura As diretrizes políticas emanadas do Ministério da Educação têm apontado para a necessidade de intervenção da rede federal de educação profissional e tecnológica na oferta de cursos de licenciatura, especialmente na área das Ciências da Natureza e Matemática, o que está contemplado no projeto de expansão da rede e na transformação dos atuais Centros Federais de Educação Tecnológica em Institutos Federais. A orientação para o fortalecimento da atuação da rede na formação de professores está ancorada nos dados que identificam uma defasagem de professores licenciados em relação à ampliação das demandas nos sistemas de ensino. Por outro lado, essa demanda para a rede federal de educação profissional e tecnológica se legitima e se diferencia na trajetória histórica de aproximação da rede com o mundo do trabalho, a ciência e a tecnologia. A cultura escolar e acadêmica gerada nessa tradição permite à rede se constituir, também, em referência na formação de professores, desde que observe e intervenha de forma efetiva e extensiva nos seguintes aspectos: a necessidade de constituição de corpo docente com formação compatível, estimulando e valorizando a capacitação stricto sensu na área de educação; a articulação de ações de capacitação docente e de técnico-administrativos lato-sensu na área de gestão da educação e do currículo e na área de formação de professores; a valorização dos conhecimentos teóricos e metodológicos do campo da educação no currículo das licenciaturas já ofertadas pelo pela Instituição e a serem ofertadas; adequar a oferta das Licenciaturas às demandas da educação básica, em especial no que se refere à implementação de currículos como, por exemplo, a inclusão de temáticas referentes às relações étnico-raciais e o desenvolvimento do currículo integrado. A atuação diferenciada na formação de docentes, a partir das experiências históricas de articulação entre trabalho, ciência, tecnologia e cultura, desenvolvidas na Instituição e, ao mesmo tempo, as exigências colocadas pelo impacto das ações humanas sobre o meio social e ambiental, apontam para a incorporação das ciências humanas e sociais, das artes e da Linguagem no leque de possibilidades de atuação institucional na Licenciatura. A articulação da atuação institucional nos cursos de graduação na área tecnológica com a formação pedagógica de docentes, já apontada pelo MEC, poderá se constituir em 41 referência na elaboração de propostas curriculares, atendida a legislação e de acordo com demandas identificadas através de pesquisas, a exemplo do que tem sido realizado pelo observatório do mundo do trabalho e da educação profissional. Diretrizes para atuação institucional na Licenciatura: I. constituição de corpo docente com formação compatível, estimulando e valorizando a capacitação stricto sensu na área de educação; II. a articulação de ações de capacitação docente e de técnico-administrativos lato-sensu na área de gestão da educação e do currículo e na área de formação de professores; III. a valorização dos conhecimentos teóricos e metodológicos do campo da educação no currículo das licenciaturas já ofertadas pelo CEFET-GO e a serem ofertadas; IV. fortalecer e unificar nas unidades de ensino a base de formação docente em educação; V. inserção de conteúdos de formação em educação profissional e tecnológica no currículo dos cursos a serem ofertados; VI. adequar a oferta das Licenciaturas às demandas da educação básica, em especial no que se refere à implementação de currículos como, por exemplo, a inclusão de temáticas referentes às relações étnico-raciais, o desenvolvimento do currículo integrado e a educação de jovens e adultos; VII. inclusão da disciplina Letras-Libras (Decreto N. 5626/2005). VIII. Inclusão de disciplina que aborde temas referentes às relações étnico-raciais e à história e à história e cultura afro-brasileira e indígena. 01-QUADRO DE PREVISÃO DE OFERTA DE CURSOS DE LICENCIATURA NO CEFET-GO cursos Física Química História Matemática Música Biologia Português Goiânia Jataí Inhumas Uruaçu Itumbiara Formosa Luziânia X X X X X X X X X X X X X Anápolis X X 42 02-PLANEJAMENTO DE OFERTA DE CURSOS E VAGAS DE LICENCIATURA NO CEFET-GO NO PERÍODO DE 2009 A 2011. Cursos Física Química História Matemática Música Biologia Português Total de Vagas 2009/1 30 90 30 - 2009/2 60 150 30 30 30 - 2010/1 60 210 30 60 30 30 30 2010/2 60 210 30 60 30 30 30 2011/1 60 210 30 60 30 30 30 2011/2 60 210 30 60 30 30 30 150 300 450 450 450 450 03-PLANEJAMENTO DE OFERTAS DE CURSOS E VAGAS DE LICENCIATURA NO CEFET-GO – POR UNIDADE DE ENSINO NO PERÍODO DE 2009 A 2011. Cursos matemática Física História Música Português Química Total de vagas 2009/1 30 30 2009/2 30 30 30 90 GOIÂNIA 2010/1 30 30 30 30 30 30 180 Curso Física Total de vagas 2009/1 30 2009/2 30 JATAÍ 2010/1 30 2010/2 30 2011/1 30 2011/2 30 30 30 30 30 30 30 2009/1 30 - 2009/2 30 30 INHUMAS 2010/1 30 30 2010/2 30 30 2011/1 30 30 2011/2 30 30 30 60 60 60 60 60 Cursos Química Biologia Total de vagas 2010/2 30 30 30 30 30 30 180 2011/1 30 30 30 30 30 30 180 2011/2 30 30 30 30 30 30 180 43 Curso Química Total de vagas Curso Química Total de vagas Cursos Química Matemática Total de vagas 2009/1 - 2009/2 30 LUZIÂNIA 2010/1 30 30 30 30 30 30 30 2009/1 2009/2 FORMOSA 2010/1 2010/2 2011/1 2011/2 - 30 30 30 30 30 30 30 30 30 30 30 2010/2 60 30 2011/1 60 30 2011/2 60 30 90 90 90 2009/1 - ANÁPOLIS 2009/2 2010/1 60 30 - 90 2010/2 30 2011/1 30 2011/2 30 6.2- A atuação institucional nos Cursos de Graduação Tecnológica e no Bacharelado. Em que pese a atuação do IFGoiás no ensino superior se dar majoritariamente através da oferta dos cursos de tecnologia é necessário destacar, também, a sua atuação na oferta de cursos de bacharelado, especialmente na área de informática e, mais recentemente, na oferta dos cursos de Engenharia de Controle e Automação na unidade de Goiânia e de Engenharia Elétrica na unidade de Jataí. A ênfase nos cursos de Tecnologia se deu no contexto de transformação da Escola Técnica Federal de Goiás em Centro Federal de Educação Tecnológica de Goiás e de realização do ideário da reforma da educação profissional e tecnológica. Inegavelmente, representaram a ascensão de um modelo de atuação marcado pelo enxugamento do currículo e da carga horária dos cursos, diversificação da oferta, articulação direta com o mercado de trabalho através do currículo por competências, da certificação parcial, da modularização, entre outros. Em diversos aspectos esses fatores têm condicionado o trabalho institucional na educação superior e, em muitos outros, a Instituição tem buscado experiências curriculares que extrapolam esses limites e/ou perspectivas. No entanto, não se deve consentir que essa 44 atuação assentada nos cursos de Tecnologia continue a demarcar uma atuação subsidiária da Instituição na educação superior. Há em grande medida uma dificuldade de realização profissional do egresso desses cursos, em especial nas áreas profissionais mais tradicionais e fortemente articuladas por meio dos organismos sociais tais como os Conselhos Profissionais e na sociedade como um todo. O Status profissional advindo da concorrência com as profissões consagradas na tradição brasileira, como nas engenharias, confere ao profissional dessa área de tecnologia uma condição periférica e desigual no reconhecimento de suas atribuições e responsabilidades. Por outro lado, a mera reprodução de um tipo de formação característica do currículo das experiências da tradição universitária não incorpora as possibilidades que se abrem no cenário de atuação da Institição, particularmente no que se refere a integração de áreas de conhecimento e proposição de novos perfis de formação profissional que daí se vislumbram. Dessa forma, aponta-se para a necessidade de aprofundamento dessas reflexões tendo como referenciais: I. a interdisciplinaridade na construção do currículo e dos perfis profissionais de formação dos cursos a serem ofertados pela Instituição no ensino superior, o que possibilita pensarmos, preferencialmente, em oferta de cursos que integrem mais de uma área profissional; II. a integração das propostas curriculares com as expectativas e demandas sociais no campo da formação profissional, atentando-se para a análise das tendências do mundo do trabalho, da reestruturação produtiva, da popularização da ciência, da intensificação e incondicionalidade dos processos tecnológicos na vida das pessoas, da elevação dos níveis de escolaridade da população e do agravamento das contradições sociais expressas no acesso aos bens materiais e culturais, no impacto dos processos científicos e tecnológicos sobre a vida social e o meio ambiente, entre outros; III. o necessário reconhecimento social das profissões sem a hierarquização e o cerceamento no exercício de suas funções, identificando a necessidade de criar condições técnicas, financeiras e patrimoniais para o fortalecimento da atuação institucional no campo das engenharias e do bacharelado, em contextos multidisciplinares; IV. a adequação da atuação institucional dos cursos e áreas acadêmicas no ensino superior em consonância com a atuação na educação básica, através da preservação da oferta de cursos técnicos integrados. 45 É nesta perspectiva que se compreende ser necessário construir a educação superior no Instituto Federal de Goiás a partir dos seguintes pressupostos: I. Construção de uma matriz curricular que contemple uma formação básica e comum a todos os cursos objetivando proporcionar uma formação geral própria da Educação Profissional e Tecnológica, na sua articulação com as áreas específicas e com as questões mais universais que dizem respeito à sociedade, meio ambiente, ciência, cultura, trabalho e tecnologia. II. Criação de um Núcleo Comum nas seguintes áreas: a) Língua Portuguesa b) Sociologia do Trabalho c) Segurança do Trabalho d) Meio Ambiente e) Ética f) Metodologia Científica III. Realização de estudos tendo em vista a reestruturação acadêmica dos cursos ofertados e das áreas a partir das indicações do novo Catálogo de Cursos Tecnológicos, da realidade institucional, das necessidades e demandas sociais e da articulação com os Conselhos Profissionais. IV. Observância das orientações abaixo com vistas a melhorar a organização acadêmica, as instalações físicas e a organização administrativa da Instituição na oferta dos cursos e nas condições de realização das atividades pedagógicas docentes e discentes: a) Adequação da organização do currículo dos cursos ao calendário letivo da Instituição, assegurando o cumprimento dos duzentos (200) dias letivos estabelecidos pela Legislação e a carga horária mínima obrigatória de cada curso; b) A incorporação de sábados como dias letivos para a realização de atividades complementares de caráter técnico, científico, cultural e esportivo; c) A distribuição das aulas deverá seguir calendário contendo dezoito (18) semanas letivas; d) adequação dos turnos de oferta sem a justaposição de oferta de um mesmo curso em mais de um turno; e) definição de oferta de um único curso por área profissional; 46 f) regime semestral e estágio curricular obrigatório co carga horária definida no projeto de curso; g) unificação de projetos de cursos comuns às unidades, sendo que aspectos de regionalização não deve ultrapassar 30% da carga horária total do curso; h) não se sobrepor à oferta de cursos técnicos integrados; i) Os cursos superiores do CEFET-GO deverão destinar no mínimo 10% e no máximo 20% da sua carga horária total para a realização de atividades complementares a serem, obrigatoriamente, cumpridas pelos discentes; j) Os discentes deverão cumprir 60% da carga horária total de atividades supervisionadas com a participação em visitas técnicas realizadas pelas disciplinas que compõem a matriz curricular do curso. V. A oferta de novos Cursos Superiores de Tecnologia e Bacharelado pelas áreas acadêmicas deverá atender aos seguintes critérios: a) b) atuação consolidada na oferta de cursos técnicos integrados e\ou subseqüentes; disponibilidade de quadro de docentes e de carga horária para a oferta de disciplinas que constituem o núcleo básico da formação profissional do curso, sem prejuízo da oferta dos cursos técnicos de nível médio pela área; c) disponibilidade de 70% do quadro docente efetivo, com titulação mínima de mestrado e/ou doutorado; d) Regime de trabalho de Dedicação Exclusiva para no mínimo 50% do quadro de docentes da área; e) atuação consolidada na área de pesquisa e extensão com núcleos de estudos e pesquisas e\ou projetos de extensão, cadastrados nas Diretorias de Pós-graduação e Pesquisa e de Interação Profissional e Extensão; f) apresentação de estudos que revelem a pertinência social, econômica, cultural e regional do curso; g) apresentação do projeto de criação de curso, elaborado a partir dos parâmetros institucionais estabelecidos; h) aprovação dos projetos de criação do curso no âmbito das instâncias deliberativas do IFGoiás 47 7- A ética como dimensão humana nas relações de trabalho e como fundamento do trabalho institucional no ensino, na pesquisa e na extensão. A pesquisa científica instaura atitudes e procedimentos que deixam os sujeitos racionalmente inquietos diante da realidade, seja ela social, natural, cultural ou emocional. Assim, o conhecimento científico, seus métodos e processos “desconfia da veracidade de nossas certezas, de nossa adesão imediata a coisas, da ausência de uma crítica e da falta de curiosidade (CHAUÍ, p.111). Esta inquietação e curiosidade, contudo, devem ser alimentadas pela proposição de atitudes científicas que considerem a construção do conhecimento científico a partir da constatação de que a verdade científica é provisória, e deve ser reconsiderada na medida em que perspectivas cognitivas, sociais e históricas novas, que consideram o bem-estar do homem, da natureza e das suas relações, demandam a ampliação de seus conceitos e de seus procedimentos. Buscando as contribuições de Giordan (1999), uma formação humanizada e ativa, via pesquisa científica, valoriza o erro, pois o pesquisador, entendendo-o como pessoa em geral, diante do desequilíbrio, se vê instigado a buscar o novo e a resolver o “problema” para além da conservação da verdade até então instituída. Estimula a sua própria elaboração explicativa sobre algo estudado e, a partir dela, faz considerações que objetivem melhorá-la e torná-la aceita dentro das premissas científicas e acadêmicas. Por último, incorpora a perspectiva da aprendizagem/investigação colaborativa, o que pode facilitar a aproximação entre temáticas socialmente significativas e as necessidades próprias para o avanço do estudo de um objeto relevante a uma área de conhecimento. Sobre este último aspecto e, entendendo-o como reconhecimento da necessidade de se buscar hoje, em função dos impactos destrutivos da ciência e da tecnologia sobre a vida em geral (humana e natural), o diálogo entre campos de conhecimentos distintos, até pouco tempo conflituosos, como as ciências humanas e sociais e as ciências naturais e exatas, muitos autores apontam que a colaboração entre eles é relevante para responder os desafios colocados pela relação homem/natureza e homem/homem, neste início de século XXI, e incorporar reflexões sobre os caminhos que a pesquisa científica tem percorrido, os princípios que tem assimilado e quais os impactos tem gerado.Neste sentido, Bursztyn (2001, p.15), salienta que “há de se romper com preconceitos de cunho especialista: a visão generalista e integradora 48 não é uma qualidade menor, é um atributo necessário ao enfrentamento de problemas complexos”. Já Angotti e Auth (2001), postulam que De nossa parte, acreditamos que as reflexões e discernimentos com base na história e na filosofia da ciência permitem deslocar o eixo de compreensão homem-ambiente. Passa-se assim de uma visão simplista(...) a uma visão mais ampla, que considera o homem como sujeito integrado ao meio ambiente e ciente da necessidade da sua conservação. (...) Podemos considerar a questão ambiental como inserida numa problemática maior, fazendo parte, entre outras, das questões culturais, sociais e políticas, e como tal deve ser compreendida nas relações sociais(p. 22) A pesquisa científica, considerando os seus aspectos cognitivos, quando ancorada nas premissas de uma aprendizagem livre, ativa, processual, humanizada, crítica e reflexiva, vislumbra maiores possibilidades de se construir uma formação ética e emancipada. Entretanto, o processo formativo, nos parâmetros colocados acima, deve ser pensado também na sua relação com a sociedade. E a práxis da responsabilidade e da autonomia, constructos da ética, devem indicar as relações políticas e sociais favoráveis ao desenvolvimento de uma educação emancipada. No âmbito da educação abordar a questão da ética na ciência e na pesquisa científica e tecnológica, requer situar essas esferas da ação humana no campo dos valores e das construções que se faz tendo em vista o bem comum, cujo reconhecimento público se dá tanto pelo conteúdo das práticas desse fazer humano, como pelos meios que se empregam na sua consecução. Nesse sentido, o desafio está posto no estabelecimento de relações de proximidade e correspondência das ações desenvolvidas, para com os interesses e necessidades sociais mais amplos de preservação e melhoria das condições de vida e de manifestação/criação humanas. A ética na condução das questões referentes à ciência e a pesquisa cientifica e tecnológica, balizam a conduta humana em face da responsabilidade social do conhecimento. Essas questões, reportadas ao campo específico das instituições de educação, inserem-se de maneira intrínseca à esfera da formação humana, em especial no ensino superior. Como esfera de relações sociais, o conhecimento envolve e expressa relações de poder que se estendem à educação superior sob a forma das políticas para o ensino, a pesquisa e a extensão. 49 7.1 As perspectivas da pesquisa científica hoje No contexto atual, envolvem em complexidade as relações do homem com a natureza, os valores e os objetos culturais, bem como as diversas teias de relações que permeiam a atividade produtiva e de poder, em esfera local, regional e global. A pesquisa científica encontra-se entre duas grandes perspectivas de desenvolvimento: a primeira, como desdobramento da ciência e da tecnologia como fontes inesgotáveis de progresso humano, professa a necessidade de estar vinculada às necessidades do mercado, que, por induzir e concretizar os seus potenciais inovadores, gera riqueza em abundância. A diminuição das distâncias econômicas entre os diversos países se dará, portanto, na medida em que se avançar no processo de globalização e este promover a competitividade positiva, ou seja, fazer com que os países periféricos, diante dos benefícios trazidos pela relação estabelecida entre ciência, tecnologia e mercado, empreendam políticas públicas no sentido de fortalecer estes laços, tal como ocorre nos países desenvolvidos. Condição única, portanto, para melhorarem seus produtos e competirem no mercado mundial. A partir deste ideário, o Brasil, durante os anos 90 passou a buscar a abertura e a desregulamentação dos mercados internos e externos. Com isso, esperava-se, entre outras coisas, fazer com que a pressão competitiva, aumentada pela abertura do mercado interno para produtos e capitais externos, mudasse o padrão tecnológico das empresas e a própria natureza do sistema de mudança técnica brasileiro. A expectativa de sucesso dessa estratégia parte do pressuposto de que, em paralelo à globalização estaria ocorrendo um processo de globalização tecnológica, isto é, uma dispersão internacional do processo de produção e emprego de inovações. Por isso, a abertura dos mercados brasileiros criaria as condições necessárias para que o país pudesse beneficiar-se desse processo de redução de diferenças dos sistemas nacionais de mudança técnica (VIOTTI, p. 152, 2001). Os desdobramentos da pesquisa científica em termos de produção de riqueza e de influência no cotidiano, são tão indispensáveis e onipresentes hoje, que mesmo no mais remoto confim da humanidade existe um rádio transistorizado e uma calculadora eletrônica (Hobsbawn, 1995). Entretanto, talvez este seja o único grande feito da ciência e tecnologia, hoje. O discurso e a prática da competitividade, enquanto valor fundante do mercado capitalista e da relação custo-benefício dos produtos, não minimizaram ou acabaram com as 50 diversas misérias do mundo. A pesquisa científica, instrumentalizada a partir destes princípios, não concretizou a esperança de que por meio da racionalidade, e do conseqüente progresso, o homem se realizaria de maneira total (ADORNO e HORKHEIMER, 1985). Ao contrário, o que se efetivou foi a intensificação da miséria econômica e da exclusão social em relação aos benefícios trazidos pela riqueza, potencializados pela ciência e tecnologia. Angotti e Auth (2001), destacam que “enquanto no âmbito do discurso os avanços tecnológicos visam a melhoria das condições de vida da população, na prática do dia-a-dia, o que se vê é o agravamento destas, principalmente nas populações já desfavorecidas(p.17). A segunda perspectiva, fundamentada a partir da constatação de que os resultados da pesquisa científica têm efetivado impactos destrutivos sobre a natureza e o homem, principalmente se pensarmos no tempo futuro, atrelam o desenvolvimento da ciência e da tecnologia à necessária discussão da ética. Nesse sentido ressalta Bursztyn que (p. 12, 2001), (...) pelo menos desde o pós-Segunda Guerra Mundial, tem havido notáveis reflexões sobre os limites éticos que confrontam o desempenho científico, apontando para a fragilidade e as limitações da postura estritamente disciplinar. O físico Jacob Bronowsky, ativo pesquisador do Projeto Manhattan, que produziu a bomba jogada em Hiroshima, é protagonista de um questionamento pioneiro e exemplar sobre a responsabilidade dos cientistas quanto ao uso dos conhecimentos que ajudam a gerar. Numa época em que ainda não se ouviam ponderações dessa natureza, chamou a atenção para o imperativo de se estabelecer limites éticos ao desenvolvimento científico. Dentro destas premissas, Angotti e Auth (2001), recuperam o processo histórico sobre as preocupações acerca da intervenção do homem, por meio da ciência e tecnologia, sobre ela. Já em 1923, foi realizado o I Congresso Internacional para a Proteção da Natureza; em 1948 a Unesco inaugurou a sua participação nestas discussões. Na década de 1960 diversos grupos sociais surgiram para questionar os impactos da intervenção dos homens sobre o meio ambiente, são deste momento, o movimento da contra-cultura e o ecologista/ambientalista. Em 1972, a Conferência de Estocolmo lançou as bases de uma legislação internacional do meio ambiente objetivando a regulamentação da utilização das armas nucleares, da exploração dos recursos naturais, dentre outros. A reunião Rio 92, consolidou a idéia de desenvolvimento sustentável, com base em tecnologias alternativas, visando atingir um equilíbrio entre os processos econômicos, ambientais e sociais. 51 Assim, a assumência da responsabilidade diante dos impactos ambientais e sociais causados pelas pesquisas científicas e que são essencialmente destrutivos, corrobora para a criação de atitudes e aprendizagens vinculados ao campo da ética. 7.2- A pesquisa científica, o ensino e a extensão e suas relações com a sociedade: limites e possibilidades de sua afirmação ética A pesquisa científica, enquanto realização social, traz as marcas das contradições presentes na sociedade. É a partir da compreensão desta natureza que é possível analisar os limites e as possibilidades da construção da pesquisa científica na perspectiva dos postulados da ética. A política e gestão voltadas para a efetivação da pesquisa científica têm criado e fortalecido grupos acadêmicos privilegiados - justificada pela necessidade de se garantir a excelência na construção do conhecimento e da tecnologia - responsáveis pela produção científica de ponta. Como exemplos, cita-se o Programa de Apoio a Núcleos de Excelência, PRONEX, criado no governo do ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso e revitalizado no atual governo do presidente Lula e a indicação por parte de acadêmicos neoliberais, de que as universidades devem dar ênfase cada vez maior para as graduações e ser cada vez mais seletiva na pesquisa (TRINDADE, 2000). Se existe seletividade em âmbito acadêmico no tocante à pesquisa científica, ciência e tecnologia, ela se expressa também na relação entre países centrais e periféricos do capitalismo. Nesse sentido, são exemplares os embates em torno do registro de patentes e da propriedade intelectual. Sir Jonh Sulston (2004), Prêmio Nobel de Medicina em 2002, afirma que a ciência não deve estar refém dos interesses das grandes indústrias farmacêuticas, pois uma das conseqüências da busca do lucro é que na área médica, a pesquisa está majoritariamente vinculada às doenças do mundo desenvolvido, onde as pessoas pagam pelo tratamento e que 90% das doenças do mundo recebem apenas 10% de investimentos. Sobre as patentes e propriedade intelectual, recomenda que devem ser restritas à invenção e não aplicadas a recursos naturais que pertencem à humanidade e os governos precisam garantir que o conhecimento como um todo deve ser de domínio público. 52 Sobre este embate, Valente (2006), diz que o Brasil, juntamente com a Argentina, tendo como referência o documento Agenda para o Desenvolvimento, lideram debates na Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI) acerca da necessidade de flexibilizar os critérios de institucionalização da propriedade intelectual, levando em consideração o fato de que os resultados provocam efeitos diversos e dependem das condições sociais e econômicas de cada país e da atual concentração de patentes. A persistência de critérios rígidos estabelecidos sobre a propriedade intelectual beneficia fundamentalmente os países mais ricos (e seus grupos econômicos) que pertencem à OMPI. Para os signatários do documento, a OMPI deve deixar de ser um órgão guiado pelo conceito de propriedade intelectual em si mesmo e passar a incentivar a colaboração entre as nações para o uso do conhecimento e promover o desenvolvimento tecnológico e cultural de seus membros. Nas instituições de educação superior, a construção e o desenvolvimento da pesquisa científica e tecnológica, assentados em fundamentos éticos, encontram limites na estrutura hierárquica do sistema, organizado em Universidades, Faculdades Isoladas e Centros Tecnológicos e na crescente participação do setor privado que, de acordo com os dados do Ministério da Educação, responde por cerca de 70% das matrículas e atuando fundamentalmente no ensino. A adoção de políticas de pesquisa cada vez mais orientadas pelas demandas econômicas advindas das relações de mercado tem limitado as ações institucionais no campo da pesquisa. O baixo desempenho do país em termos de adequação tecnológica e a ausência de investimentos do setor privado em processos tecnológicos, em especial no que se refere a capacitação de recursos humanos, são fatores que demarcam a condição da indústria e da economia locais e, ao mesmo tempo, comprometem a autonomia em P&D. A aprovação da lei que dispõe sobre incentivos à inovação e a pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo (Decreto N.º 10.973 de Dez. de 2004), bem como os dispositivos de sua regulamentação ( Decreto N.º 5.563 de out. de 2005), prevêem o consórcio entre as Instituições Científicas e Tecnológicas, incluindo as de ensino superior públicas, e o setor produtivo, através das empresas e/ou organizações de direito privado. Pela legislação aprovada estabelece-se a parceria público-privado, de forma que as instituições e os poderes públicos viabilizem: a) a liberação de quadro de pesquisadores, concessão de laboratórios, equipamentos e materiais das instituições públicas de ensino e 53 pesquisa; b) o repasse de recursos financeiros a projetos conjuntos, oriundos das demandas empresariais; c) o incentivo ao afastamento de profissionais para o empreendimento de atividades de mercado que envolva adequação e inovação tecnológica; d) o atrelamento das pesquisas às prioridades da política industrial e tecnológica; e) o condicionamento da política de capacitação interna de recursos humanos dessas instituições a esses princípios; f) o estabelecimento do sigilo de informações e ou conhecimentos obtidos no desenvolvimento dos projetos, comprometendo a essência da atividade acadêmica, o ethos acadêmico8. Ao inserir e subordinar as políticas de ensino, pesquisa e extensão das instituições de ensino superior à lógica da competitividade econômica, estendida ao campo do conhecimento, enfraquece-se o poder de intervenção social autônoma dessas instituições junto à sociedade, em especial no enfrentamento das questões sociais e ambientais mais prementes. Ao mesmo tempo, essas instituições se vêem empobrecidas em face desses desafios sociais, submetidas à mera concorrência estabelecida pelo Ranking internacional de produção, expresso em publicações e patentes. Nessa perspectiva, a pesquisa científica e tecnológica na educação superior se coloca mais distante de seu sentido ético de responsabilidade social do conhecimento em face do desenvolvimento humano e social. Em contrapartida, nos estudos referentes à ampliação da compreensão pública da ciência e do papel dos cientistas na sua disseminação, crescem as preocupações relativas ao domínio público do saber científico e tecnológico. A esse respeito, diversos trabalhos têm chamado a atenção para a necessidade de se incorporar a sociedade nos debates e nas tomadas de decisões acerca dos temas, conteúdos e métodos das ciências e das pesquisas cientificas9. De acordo com esses estudos, nos últimos quinze anos tem crescido a preocupação e as iniciativas das associações científicas e dos governos de diversos países nessa direção. As motivações fundantes destas iniciativas configuram-se, em última instância, como estratégias de afirmação da confiabilidade e legitimidade dos produtos e processos de elevada intervenção científica e tecnológica junto aos consumidores, a exemplo da biotecnologia de alimentos e das intervenções na área da saúde humana. No entanto, encerram possibilidades 8 Sobre a análise da Lei de Inovação Tecnológica ver: ANDES. A propósito da regulamentação da Lei de Regulamentação Tecnológica: por quem os sinos dobram. Brasília, 2006. 9 Sobre o tema consultar: MILLER, S. Os cientistas e a compreensão pública da ciência. In: MASSARANI, L; TURNEY, J.; MOREIRA, I. de C. (org) Terra Incógnita: a interface entre ciência e público. Rio de Janeiro: Vieira & Lent: UFRJ, Casa da Ciência: FIOCRUZ, 2005. (série Terra Incógnita, v. 4). 54 de difusão e popularização de conhecimentos científicos e tecnológicos desenvolvidos pelos pesquisadores e cientistas, bem como a ampliação dos debates acerca das orientações políticas, dos impactos e limites desses conhecimentos no cotidiano social e para o ambiente. Em paralelo, torna possível a incorporação de temas, demandas e sabres advindos das experiências, necessidades, expectativas e conhecimentos de diversas áreas e segmentos sociais, por parte da comunidade científica e das instituições de pesquisa. 10. No Brasil, a criação da Secretaria de Ciência e Tecnologia para a Inclusão SocialSECIS-, desencadeou de forma mais sistemática o estudo e a intervenção do poder público na popularização da ciência e tecnologia como um elemento de inclusão social11. Embora diversas iniciativas anteriores dentre essas, a da criação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no final da década de quarenta do século passado, tenham como alvo a disseminação de conhecimentos entre a comunidade científica e entre essa e a sociedade, a articulação dessa iniciativa às políticas de inclusão social, possibilitam a articulação de ações voltadas para o entendimento mais amplo da ciência e tecnologia, integrando as ciências sociais e humanas, a cultura e as artes, a promoção do respeito ao meio ambiente e à diversidade regional e cultural e o reconhecimento de conhecimentos populares e tradicionais. (MOREIRA, 2006). As contradições e limites desse processo estão postos no próprio apontamento de sua vinculação ao aporte financeiro dos organismos internacionais de financiamento, cujas orientações restringem-se às políticas de compensação e alívio da pobreza, agindo de forma pontual. De qualquer modo, essas iniciativas fortalecem um campo de atuação para as instituições de educação, especialmente na pesquisa científica e tecnológica e nos projetos de extensão articulados às necessidades e possibilidades sociais mais amplas, tanto na compreensão da ciência e tecnologia como na produção e na difusão do conhecimento. Chauí (2003) propõe que se recupere a idéia de formação que se dá quando o “presente é apreendido como aquilo que exige de nós o trabalho de interrogação, da reflexão e 10 Na mesma obra citada, ver trabalho de EINSIEDEL, E.; EASTLICK, D. Conferências de consenso como democracia deliberativa: uma perspectiva das comunicações. O texto apresenta relato de pesquisa realizada junto à equipe de participantes da audiência pública realizada no Canadá em 1999, a respeito da biotecnologia de alimentos. Em outro estudo apresentado pela obra, COLLINS, H.; PINCH, T. abordam A cura da AIDS e a expertise dos leigos, destacando a importância da participação da comunidade gay dos Estados Unidos no diagnóstico, acompanhamento e monitoração dos testes, experiências e uso de medicamentos para a cura da AIDS 11 Esse trabalho vem sendo conduzido pelo Departamento de Difusão e Popularização da Ciência e Tecnologia, criado dentro da SECIS. Sobre o tema ver: MOREIRA, I. de C. A inclusão social e a popularização da ciência e tecnologia no Brasil. Inclusão Social. Brasília, v. 1, n. 2, p. 11-16, abr/set. 2006. 55 da crítica, de tal maneira que nos tornamos capazes de elevar ao plano do conceito o que foi experimentado como questão, pergunta, problema, dificuldade” (p.06). Acrescenta, contudo, que para a concretização dessa matriz formativa, é necessária a manutenção, fortalecimento e construção de espaços livres e autônomos, (éticos, portanto), instituídos e regulados pela sociedade a partir de sua dinâmica diversificada e contraditória. Em relação à Universidade brasileira, Chauí (2003) afirma que uma possível reforma, a partir do prisma da formação, deve revalorizar a pesquisa, estabelecendo não só as condições materiais de sua realização, mas sobretudo criando novos procedimentos de avaliação que sejam regidos não pela noção de produtividade e sim pela de qualidade e de relevância social e cultural. Essa qualidade e essa relevância dependem do conhecimento, por parte dos pesquisadores,das mudanças filosóficas, científicas e tecnológicas e seus impactos sobre as pesquisas. Quanto à relevância social, cabe indagar se o Estado teria condições de fazer um levantamento das necessidades do país, no plano do conhecimento e das técnicas, e estimular trabalhos universitários nessa direção(...) As parcerias com os movimentos sociais, nacionais e regionais, poderia ser de grande valia para que a sociedade oriente os caminhos da instituição universitária, ao mesmo tempo em que esta poderá oferecer os elementos reflexivos e críticos para esses movimentos (p.07). A ética como fundamento da pesquisa científica e tecnológica se expressa na capacidade de aprofundamento e ampliação de seu sentido na formação humana, enquanto sujeitos sociais autônomos, na articulação de conteúdos e práticas de investigação voltadas para as necessidades, expectativas e interesses sociais mais amplos. Se expressa em especial, no esforço solidário de superação de problemas sociais e ambientais, inclusive os decorrentes das intervenções tecnológicas, do modelo de desenvolvimento industrial e dos padrões de consumo e na ampla incorporação da sociedade e dos diversos campos do saber na produção desses conhecimentos. É, portanto, no campo da ética, enquanto fundamento da relação entre ensino, pesquisa e extensão, que se pode pensar e realizar a construção de pessoas, grupos e nações soberanos e efetivar o que está posto nos documentos legais – expressão também das contradições sociais – que assegura a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, demarcada como eixo de estruturação da universidade no artigo 207 da Constituição Federal e reafirmada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional ( Lei N.º 9394/96), na perspectiva da autonomia didático-pedagógica, técnico-científica e de gestão administrativa, patrimonial e financeira das instituições de ensino superior, reafirmando-se o papel da educação superior na 56 produção e plena difusão de conhecimentos culturais, científicos, técnicos e tecnológicos e sua vinculação com a sociedade. ANEXOS 1. Regulamento Acadêmico dos Cursos de Graduação – Resolução N.º 27 de 23 de dez. de 2008. 2. Regulamento do Exame de Proficiência – Resolução N.º 28 de 23 de dez. de 2008. 3. Regulamento do Corpo Discente – Resolução N.º 29 de 23 de dez. de 2008. 4. Regulamento de Assistência Estudantil do PROEJA – Resolução N.º 30 de 23 de dez. de 2008. 5. Regulamento do estágio curricular – Resolução N.º 31 de 23 de dez. de 2008. 6. Regulamento das atividades complementares dos cursos de graduação – Resolução N.º 33 de 30 de dez. de 2008. 7. Regulamento das atividades complementares dos cursos técnicos – Resolução N.º 34 de 30 de dez. de 2008. 8. Política de democratização do acesso, Comissão instituída pela Portaria 084. Referências Bibliográficas BRASIL. Congresso Nacional. Lei 5.692, de 11 de agosto de 1971. _______. Lei 9.394, de 20 de Dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. _______. Congresso Nacional. Decreto nº 2.208, de 17 de abril de 1997. _______.Conselho Nacional de Educação. 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