ASP ECTS OF THE LIFE HISTORY OF WORK AND HEALT H IN HEALTH
CENTERS–I JUÍ–RS USERS IN THE DEBATE OF DOCTOR AND P ATIENT
REL ATIONS HIP IN THE E LDERLY
Aut hors: JOÃO CARLOS LISBOA - UNI JUÍ-RS – fam [email protected]
MARIA CRISTINA PANSE RA-DE- ARAÚJO- UNIJUÍ-RS
–pansera@unijui .tche. br
RUT H MARI LDA FRICKE- UNIJUÍ -RS –f ricker [email protected] m.br
UNI JUÍ-RS – UNI VERSIDADE RE GIONAL DO NOROESTE DO ES TADO
DO RIO GRANDE DO SUL
THE FIRST INTERNATIONAL CONGRESS OF QUALITATI VE INQUIRY
UNI VERSIT Y OF I LLINOI S AT URBANA- CHAMPAIGN
200 5
ASP ECTS OF THE LIFE HISTORY OF WORK AND HEALT H IN HEALTH
CENTERS–I JUÍ–RS USERS IN THE DEBATE OF DOCTOR AND P ATIENT
REL ATIONS HIP IN THE E LDERLY
Aut hors: LISBOA, J. C.; PANSERA-DE-ARAÚJO, M. C.; F RICKE, R. M.
UNI JUÍ-RS
ABS TRACT:
Int roduct ion: T he users of the public services of health in the elder ly can be
stu died f rom the perspective of each in dividual’s singularity. The pr ocess of
con stitui tion of the subjects hap pens i n the social relat ionshi ps, instances of power
that interfere in the process health-deseases and i n the relati onship among docto rs
and patients. We eval uate t he history of work life and of healt h in t he per specti ve
of the co nstruction of the subjectiviti es in this debate in the Publi c Heal th Centers
– I juí - RS.
Methodo logy: Resear ches quantit y-qual itativ e accomplished in the
per iod in Decem ber /2002 to August /2003 in t hree h ealth center s publ ic of Ijuí
(RS ) for sampli ng constitut es by 103 individuals wi th 60 year-old age and p lus,
bei ng guaranteed a maximum margin of er ror of 5% wi ch was random selected.
The stati stics approach is the Analysis of Mu ltiple Classificat ion of Fricke (200 4)
that codi fies all sep aretly of th e arguments of the “speeches”, count ed histories for
the inter viewees. The resul t show a prevalence of activit ies to the home (43,7%),
the count ry wit h 35,9% and domest ic ser vices with 26,2% as it evidences thi s
“speaks”: “he worked in the colon y, taking care of the ho use, m aking food f or the
far mers, it rem oved m ild an d make cheese.” The hist ory of life of health shows
that 43% of the individuals have a past absol utely healthy. In the gr oup wi th
rel evant clinical diseases in the past, 19,4% presented cardiov ascular problems.
These lif e hist ories are fundamen tal in the debate of the relat ionshi p among
doctors and pat ient.
ASP ECTS OF THE LIFE HISTORY OF WORK AND HEALT H IN HEALTH
CENTERS–I JUÍ–RS USERS IN THE DEBATE OF DOCTOR AND P ATIENT
REL ATIONS HIP IN THE E LDERLY
Os usuári os idosos do Servi ço de Saúde podem ser estudados a partir
da perspectiva da sin gulari dade de cada indivíduo. Os suj eitos singul ares são a
exp ressão da su bjetividade constr uída ao long o da vida. O processo de const ituição
dos sujei tos ocorre f undamentalmente nas inter-relações sociais, inst âncias de
pod er que refletem o jogo d a vida. Segundo Li sboa ( 2004), a realidade do mu ndo
oci dental contemporâneo é essenci alment e medi calizada, colocando com muita
freqüênci a o indivídu o frente ao médico . A busca ex agerada por atenção médi ca é
est imulad a por uma fo rma hegemôni ca de pensar , medi cament e determinada, de tal
sor te que a vida de cada um sofre influência permanente da Medi cina.
Som os produtos da nossa história.
É i m p o r ta n te an alisar , n o e n tan to , a in f lu ên c ia d a Med ici n a e d as p r á ticas
atu ais n a co n st r u ção d as su b jetiv id ad es , n a d eter m i n ação d o s
co m p o r tam en to s a p ar t ir d e in ter n alizaç ão d as n o r m a s e p r escr iç õ es
m éd icas. Tal p r o cesso é h is tó r ico e so c ialm en te d et er m in a d o . É b em
v er d ad e q u e o c o n tex t o so ci al se m o d if i ca e a r esis tên cia ao m o d elo
h eg em ô n ic o , m ed ico cên tr ico d e ass istên c ia à s aú d e p r o p ici a o su r g im en to
d e n o v o s p ar ad i g m as, n o v as m o d ali d ad es d e r el ação e n tr e m éd ico s e
p ac ien tes . Lisb o a, 2 0 0 4 , p g . 7 5 .
Os contextos só cio-cu lturai s e hi stóricos são fundamentos para compreensão
da realid ade qu e cerca e constitui cada um. S ão rel ações de poder que caracterizam
as relaçõ es sociais e moldam a subjetividade. Podem os pensar a relação entr e
méd ico e pacien te com o uma relação de poder, pois é também uma relação soci al.
O estudo dessa relação que se est abelece no âmbito da saúde pública r equer,
por tanto, que se revi site a história de vida de cada indi víduo. A rel ação entre
méd ico e paciente não pode ser unilater al ma se constrói numa sociedade desigual.
É n este context o da desigualdade social que deveríamos consider ar a partici pação
dos
indiv íduos,
pois
“não
p ode,
então,
haver
participação
dada,
doada,
preexistente. S omente exist e na m edida que a conqui starmos, num contexto de
esf orço conscientizado das tendências históri cas contrári as.” ( DEMO, 1999, p.
103 9).
Par a o resgate dessa participação em seus elementos const itutiv os,
for am abo rdados aspectos da histó ria de vida do trabalho e da saúde p or
con siderarmos essenci ais na const ituição dos sujeit os e no estabeleci mento de suas
rel ações com os médicos. A participação dos pacient es ido sos na relação com o
méd ico e a equi pe de saúde ou com a instituição pública dependerá do lugar que
ocu pam estes sujeitos na so ciedade a partir do qual vêem o mundo e a si mesmos.
As racion alidad es det erminantes m edical izam a sociedade, enaltecem a figura do
méd ico co mo agente central em questões relati vas à vida e à mor te e m oldam
com portam entos de submissão ou resistências às orientações médi cas. Desta f orma,
precisamo s abor dar as ativi dades laborais e de saúde num contexto histórico e
cul tural, na perspect iva da influ ência que exercem na rel ação entre m édico e
paciente.
Est a é um a pesquisa quanti- qualit ativa projet ada e realizada no perío do de
dezembro de 200 2 a ag osto de 2003 . A am ostra estudada est á constituída por 103
ind ivíduo s com idade de 60 anos e mais, que f oram entrevi stados numa abordagem
quantitat iva com o auxílio de um questi onário semi- estrut urado composto por 21
questões fechad as e 1 2 questões abertas. A abordagem qual itativa constou de três
questões relati vas à histór ia de vida de trabalho e de saúde.
O m étodo utilizado par a o delineam ento amostral seguiu os parâmetros
clássicos da definição de u ma amo stragem quantitati va na qual procurou-se
min imizar a int ervenção de erros amostr ais e não am ostrai s típi cos que conduzem a
ten dencio sidades perniciosas à análise. A amostragem consiste no
[ .. .] ato d e in v estig ar p ar cialm e n te a p o p u la ção co m o p o d er d e
g en er aliz ar o c o n h eci m en to ad q u ir id o n a am o st r a p ar a o co n ju n to d a
p o p u lação , co m u m a m a r g em d e seg u r an ça d im en s io n áv e l. A c o leta d e
d ad o s é, talv ez , a p a r te m a is im p o r tan t e d a p esq u is a p o is q u alq u er er r o ,
en g an o o u v iés p r esen te n a m esm a se r ef letir á n as c o n clu s õ es b a sead as
n es sa co l eta, s eja n a co let a r eal izad a d e f o r m a cen sitár i a o u a m o str a l.
( F R I CK E, 2 0 0 4 , p . 3 ) .
O t amanho da am ostra result ou da aplicação do método Cochran (apud
FRI CKE, 2 004), que consider a a homogeneidade da população definida como os
usu ários com 60 anos e mais em cada um dos tr ês Cen tros d e Saúde investigad os, e
cal culada a par tir da variância apresentada na dist ribuição por idade dos
ent revist ados que apr esento u 11,7 % de variabi lidade, o gr au de precisão traduzido
pel a marg em de erro m áxima admiti da no delineamento amost ral fi xada em 5% e
na confiabilidade pré-fixada em 90%, resultando num a amostra de tamanho n ≥
102 . As q uestões aber tas foram tr atadas conforme o Método de Cl assifi cação
Múl tipla de Fri cke (2 004), que codifica isoladament e todo s os argumentos
apr esentados nas “fal as”, r espost as dadas pel os usuários entrevistados nas questõ es
abertas d o inst rument o.
A análise da hi stória de vi da do trabal ho, em nossa amostra, permit e
div idi-la em tr ês categori as:
ß
trabalhad ores em ativ idades rurai s: roça, jar dineir o, pom ar ou horta;
ß
trabalhad ores em atividades domésticas, que podem ser rem unerad as
com o lavadeiras, faxi neiras, doméstica/ empregada, e não-r emuner adas,
com o as i dentif icadas pela terminologia do lar;
ß
trabalhad ores em atividades urbanas, que podem ser dividi dos em
aut ônomos e não -autôn omos. Os aut ônomos são os comerciant es,
funcionár ios pú blicos, prof essores e marcenei ros; o s não- autônomos
são os in dustri ários, comer ciários e os trabalhador es da constr ução
Figura
civil.
: História de vida de trabalho por tipo de
atividade. Ijuí - 2003
Presente
Presente
52,4%
45,6%
47,6%
54,4%
Ausente
Ausente
Atividades
domésticas
Presente
35,9%
Ausente
64,1%
Atividades
rurais
Atividades
urbanas
Fonte: PC LISBOA, J. C. Orientadoras: PANSERA de ARAÚJO, M. C., FRICKE, R. M. Mestrado de Educação nas Ciências - UNIJUÍ
Fig u ra 2 – Hist ó ria d e v id a d e tr ab alho po r t ip o
de ativ id ad e.
Na histórIju
iaí –de20 0vida
d o trab alho, encont ramos na população um
3.
predomíni o de atividades vo ltadas ao lar, com 43,7% , e à roça, com 35,9%, e nos
ser viços
domést icos
com
26, 2%,
como
evi denciam
estas
decl arações
de
ent revist ados:
Tra balhav a na c olôn ia , cuid and o d a ca sa , fa ze n do co mid a p a ra p e on a da . S emp r e
cui dei de famil iares, tira v a leit e, faz ia q u e ijo . Muito s ofrid a , p ob r e, n a ro ça a té os 5 0
a no s, vei o para a cid ad e co m o s f ilh os. (E -8 ).
Est es
dados
ref letem
a
orig em
rur al
e
as
baixas
condições
socioecon ômicas da maioria da pop ulação estudada. As atividades do lar são
exercidas principalmente por mulh eres e não são rem uneradas. Os trabalhos na
roça são do tipo autô nomo e infor mal e são desempenhados, principalmente, pelos
hom ens, auxiliados pelas mulheres.
TABELA 1
Distribui ção dos entr evistados segundo a hist ória de vida do tr abalho (% de
ind icações). Pesquisa em CAS da Rede Pública de Ijuí – 2003
História de vid a
do trabal ho
Do lar/casa
Roça
Ser viço d omésti co
Produção/ indúst ria
Com ércio e serviços
Construção civi l
Ser viços gerais/event uais
Ser viço p úblico
Ati vidades rurais
Art esanat o/manu faturado
Professor a
Oco rrênci as
N°
%
45
43, 7
37
35, 9
27
26, 2
16
15, 5
10
9,7
10
9,7
7
6,8
7
6,8
6
5,8
4
3,9
3
2,9
Fon te: PC LISBOA, J. C. Ori en tad o ras: P ANSERA d e AR AÚJO, M. C.;
FRI CKE, R . M. – Mestr ad o d e Ed u ca ção n a s Ciên cias d a Un ij u í.
As atividades d e produção, de indústria e mecânicos const ituem
15, 5%, seguida daquel es do comércio e serviços (9,7 %) e da construção civil
(9, 7%). Como ev idênci a observa-se esta fala de uma entrevistada:
Tra balhou na fá brica de cal çado s, pintu ra em co u ro , em Po rto Al eg re n o Ho sp ita l
como cozi nheira . (E -21 ).
As demais, com exceção daquelas voltadas ao comér cio e serviços, são
tam bém caracter izadas pela utilização da força físi ca ger ada pelo cor po saudável.
Est e cenário destaca o corpo com elemento central no processo produti vo. A
disciplin a dos corpos é important e na r acionalidade da pr odução e associa-se ao
con ceito de saú de. Os cuidados voltados para o corpo têm uma pr eocupação com a
cap acidad e de t rabalho e co m a manutenção da saúde. Ter saúde é ser capaz de
pro duzir e trabalhar. Estar doent e é estar incapaci tado para o trabal ho.
Com o envelheci mento, a lim itação imposta pel a menor reserva
fun cional , sobr etudo da massa muscular, pode representar uma perda ir reparável na
cap acidad e do corpo-m áquina de pr oduzir trabalho. T al sit uação pode f avorecer a
dep ressão . Por outro lado, a cont inuidade do trabal ho, remunerado ou não, dentro
dos limit es fisiológi cos associad os ao envelhecimento, aumenta a auto-estim a e
fav orece o desenvolvi mento de independência e autonomia. Os indivíduos idosos
que trabalham, em ger al, são mais saudáveis, não só do ponto de vista físico, mas
tam bém psicológico e emocional.
Comecei e m Ca tu ípe. Desd e q ue me co n heç o po r g ente, eu tr a ba lh o . Aos 7 a n o s
a ju dava a entre ga r p ã o numa g aiot a . No q u arte l em S a nto A n g elo . Via je i a S. Pa ulo co m
tro pas de burro s em 6 0 d ia s , co nf o rme c o rria o temp o . Ita petin i ng a , t in ha b urro q u e
val ia 8 c ontos de réi s que era u m d in he irã o - até 1 20 0 mu la s. t inh a 1 3 an o s . Tire i mu it a
a re ia. De pois f ui col ono . (E- 21 ).
Aqu eles que desempenham ati vidades remuneradas, mui tas vezes,
rep resent am a f onte d e rend a principal da fam ília, sendo essenciais no equi líbrio
fin anceir o, o que inf luenci a muit o favo ravelm ente n a sensação de auto-estim a
elevada. O trabalho confere digni dade e dá sentido à vida, torn ando a velhi ce uma
fase ativ a e pr odutiva, contrariando os ester eótipos de declíni o, improduti vidade e
dep ressão , prom ovendo desse modo a cidadania e a sensação de li berdade. Est es
usu ários são mais exi gentes com r elação aos serviços prestados e são mais
int erativ os na consul ta com o médico e a equi pe. A autonomia e a independência
associadas ao t rabalh o conf erem cidadan ia que se explicit a nas relações sociais,
ref letind o-se, portan to na relação entr e médi co e pacient e.
É i mportante co nsider ar tam bém o histór ico de vida de saú de da
pop ulação idosa, no sentido de avaliar a infl uência do pr ocesso saúde-doença, na
con stitui ção dos sujeitos e na relação que estabelecem com os serviço s e os
pro fissio nais da equi pe de saúde. Para 43% dos indi víduos, o seu passado é
absolutam ente saudável. O estilo de vida, car acteri zado por ati vidade física
vig orosa e regu lar, consumo de al imento s saud áveis e o contato com a natureza
est ão na base explicativa p ara a ausência de doenças e para a boa saúde deste
con tingen te populacional. Os idosos orgulham- se de referi r que naquel es tem pos,
quando jo vens, trabal havam muito, em at ividades que exigi am mui to vigor físico e
não senti am nada, sobretudo, como já vi mos, nas ati vidades rurais. No grupo dos
que refer em doenças clinicamente relevantes, 19,4% são portador es de problemas
car diovasculares. Est es est ão de acordo com a liter atura médica geral , que
apr esenta a mai or prevalência destas patologi as, e anteci pam a alta m orbidade por
est a causa na p opulação idosa.
TABELA 2
Distribui ção dos entr evistados segundo a hist ória d e vida de saúde (% de
ind icações). Pesquisa em CAS da Rede Pública de Ijuí – 2003
Pat ologia s
Saú de no passad o Saú de no presen te
N°
%
N°
%
Sem probl emas
45
43, 7
19
18, 4
Car díacos
20
19, 4
41
39, 8
Cir úrgico
12
11, 7
2
1,9
Ind etermi nado/m iscelânea 10
9,7
3
2,9
Ost eo-art icular
9
8,7
23
22, 3
Endocrino lógico s
8
7,8
12
11, 7
Sen tidos
6
5,8
3
2,9
Dig estivo s
6
5,8
7
6,8
Uro lógicos
6
5,8
3
2,9
Neu rológi cos
4
3,9
2
1,9
Dep ressivos/Psi quiátr icos 3
2,9
7
6,8
Respiratórios
2
1,9
7
6,8
Gin ecológ icos
5
4,9
Oncológicos
2
1,9
Fo n te: PC LISBOA, J. C. Ori entad o ras: P ANSERA d e AR AÚJO, M. C., FRICKE, R. M.
Mestra d o d e Ed ucaç ão n as Ciên c ias d a UNIJUÍ.
Os cuidad os preventiv os têm sido enfati zados desde os est udos de
Framingham, a partir dos an os 60, do século passado. As p rincipais or ientações
ref erem-se à di eta po bre em gorduras e sal, exercícios fí sicos regulares, control e
de peso e da gl icose sanguí nea. Os indi víduos hiper tensos e diabéticos devem
con trolar os ní veis de pressão ar terial e a glicemi a regularmen te par a a pr evenção
de eventos cardiovasculares graves, mui tas vezes fatais, como o infar to agudo do
mio cárdio , insu ficiên cia cardíaca e ren al e o acidente vascular cerebral (derrame
cer ebral) . Conf orme declaram alguns dos entrevistados:
Não foi n em é d oen te. Alg un s p ro b lema s d e g en te vel h a . (E- 4)
Não tinh a p robl ema s, aí co meço u c o m a t ireó id e, co r a çã o , colest ero l. (E -1 4 )
Os problemas cardiovascular es são apont ados como a questão atual de
saúde mai s importante para cerca de quarenta por cento do s idosos (39,8%).
A sobrecarga das arti culações provoca desgast e e inflamação, que se
man ifestam por dor e limitação fu ncional. A associação entre o trabal ho e estas
pat ologias é cr ítica, e mui tas delas são consideradas ocu pacionais ou profi ssionais.
São respo nsávei s por uma demanda aument ada no s serviços públicos de saúde e
rep resent am imp ortant e causa de absenteísmo ao trabalho. Políti cas públicas em
saúde do
trabal hador visam o atendiment o especializado deste contingente
pop ulacio nal. Os idosos que refer em est es distúrbios repr esentam 22,3%, atr ás
apenas do s dist úrbios cardi ovasculares em ter mos de freqüência ou prevalência.
Est es ido sos têm graus vari ados de limi tação nos moviment os físicos, o que lhes
imp õem di minuição de independênci a e au tonomi a. As dores associ adas são
lim itantes e exigem t ratamentos f reqüentes, segundo comenta est e entr evistado:
Dor na s p ern as, estev e ba ix a do n e ste mê s, mui to esq u ecido . (E -2 6)
Out ros pr oblemas são relatados referent es ao aparel ho dig estivo , como
evi dencia esta fala d e um entrevi stado:
Sér ios, n ão . Te m g ast rite h á un s 3 5 an o s. Na d a me f az b em, tu do me fa z mal. Um
p ro blema num te stícul o qu e teve q ue ext rair. (E- 3 )
Cer ca de vinte por cento da popul ação estudada (18, 4%) refere não ter
nen hum pr oblema de saúde no momento. Este per centual é estatist icamen te
sig nificativo, pois r evela que at é um quinto da pop ulação com 6 0 anos ou mais
est á isen ta de problemas cl inicam ente r elevantes, do seu ponto de vista. Verificase que a longevidade crescente associa- se a um número cada vez maior de ido sos
saudáveis. As complicações das doenças crônicas sur gem mais tar diamente, devido
aos cuidados pr eventi vos anterior es.
O estilo de vida saudável está na base deste cenári o atual, associado
cer tament e a fatores genéti co-her editár ios não estudados neste trabal ho. Os
núm eros d esta pesquisa perm item i nferir que esta população busca os serviço s de
saúde com preocupações principalm ente prevent ivas, pois não apr esentam quei xas
ou problemas cl ínicos na at ualidade. El es vêm à consulta para a reali zação de
exames co mplementares, laboratori ais ou de im agem, com fi m de detenção precoce
de patolo gias graves como câncer , diab etes e outras.
Est es asp ectos são im portan tes na relação ent re médico e paciente. Os
ido sos saudávei s são mais i nterat ivos e aderem mais facil mente aos pr ocesso s
inerentes à rel ação com o m édico e a equipe da saúde; a comunicação é mais fácil,
e o s aspectos educati vos relativo s às orientações são mai s faci lmente trabalhados.
Os paradi gmas que lim itavam o “investim ento” nos pr ocessos de i nvesti gação e
tratament o nas faixas etári as mai s elevadas m udaram com a longevidade. Cada vez
mai s avan ça o processo de “geriat rização” do cenári o de assistência a saúde. Os
recursos tecnol ógicos, bio- químicos e f armacêuticos relat ivizam o fat or “idade” no
bal anço d o cust o/benefício nos cuidados à saú de apl icada a idosos. Os bons
resultado s e a possibilidad e de conferi r qual idade aos an os de sobrevida estimulam
os invest imentos cada vez m aiores em Geriatri a.
Os problemas endocrinológicos são representados basi cament e pela
oco rrênci a de diabetes mell itus, doença metabólica, famil iar, que acomete cerca de
10% da população em geral. Neste estudo estev e presente em 7,8% do total como
ant eceden te mór bido na hist ória de saúde. É i mportante lembrar que a diabet es é
uma doença crônica,
com com plicações severas,
como
insufi ciênci a renal,
ceg ueira, probl emas vasculares qu e podem acar retar amputações de extr emidad es
por gangr ena. E sta patologi a associa-se à hipertensão art erial sistêm ica em 50%
dos indiv íduos.
A insuficiência cardíaca e acidente vascular
cerebral
por
art erioesclerose ou sangram ento cerebral são outras compl icações asso ciadas. Esta
doença ap resent ava evolução desfavorável até os anos 50-70 do século passado.
Nas últim as décadas, apresentou uma evolução diferenciada com o advento de
nov as tecnologi as, de novas drogas anti diabét icas e novas formas de i nsulin a,
associada às or ientações pr eventi vas, que visam basicamente mudanças no est ilo
de vida, cuidad os com dietas e exercíci os físicos r egular es. A doença está muito
mai s cont rolada e as compli cações secun dárias manif estam- se cada vez mais
tar diamen te. A longevidade nos di as atuais deve-se ao controle de pat ologias como
a diabetes e, cada vez mais, temos idosos com manif estações tar dias da doença.
A diabetes é o problema atual de saúde par a 11,7% da p opulação
est udada. No Br asil, a prevalênci a é de 7,4% na população geral e na faixa etária
ent re 60- 69 anos é de 17,4% (FREI TAS et al., 2002, p. 496).
Um contingente populacional tão elevado exige uma organi zação da
equ ipe de saúde para o seu atendi mento. Assim , foram criados os Grupo s de
Diabético s que se reú nem mensalmente co m a eq uipe, quando são discuti dos to dos
os aspect os ref erentes ao conheci mento e manejo desta pat ologia. A educação ,
mai s que a simp les informação, é fundam ental no sucesso de prevenção e
tratament o dos pacientes di abéticos. Um dado chamat ivo em nossa pesqu isa é que
apenas 2, 9% dos entrevistados ref eriram antecedentes de distúrb ios psiquiát ricos,
o q ue tal vez esteja associado ao estilo de vi da ati va, de trabalho e o cont ato co m a
nat ureza na história de saúde no passado, visto que nos problem as atuais este
per centual sobe para 5,8% e são r epresentados, principalm ente, pela depressão e
quadros d emenci ais.
As limitações f isiológicas do envelheci mento, a red ução do tamanho das
fam ílias, a per da da renda com a aposentadori a, e a maior predominância de
pat ologias associadas à vel hice contribuem para um aument o de prevalência da
dep ressão nas f aixas etárias mais avançadas.
Por meio da int ernali zação do olhar nor malizador do médico é qu e os
ind ivíduo s internalizam suas norm as e prescri ções, gerando um v erdadeiro estado
de
autoco ntrole
e vig ilânci a
que
moldar ão
com portam entos
higien icamen te
det erminados. A influência médica na co nstituição d as subjetivi dades é resultado
de um amp lo processo histór ico e social . Este se co ncreti za, sobremaneira n as
rel ações de pod er, que se estabel ecem na tram a das inter- relações sociais.
A r elação entre médico e paciente não é adequadamente discutida no curso
méd ico, e se estabelece no cotidi ano dos encontros entre acadêm icos e pacientes.
Ten derá a repro duzir a relação entre pr ofessor e al uno em se tr atando de um a
rel ação de anterioridade, de autoridade e de poder na int eração com os pacientes.
O ensino médico caracteriza-se por uma forma de transmissão ver tical do
con hecimento. S egundo Freir e (198 7), o professor “deposit a” o seu saber no aluno,
que é passivo, tornad o objeto, receptáculo de todo o saber do m estre. Na relação
com os pacientes, tal model o poderá se repeti r. O aluno, na condição de médico,
ten derá a simpl esment e transmitir o seu conheciment o e im por suas nor mas e
prescriçõ es, não tendo o cu idado de contextualizá-l os adequadam ente. Desta
for ma, na relação ent re médico e paciente predominam os aspecto s norm ativos e
prescriti vos e a educação t em uma dimensão, que precisa ser buscada p ara al ém
destes li mites. A prática m édica está l imitada pelo seu conteúdo técn ico, cada vez
mai s elab orado e comp lexo.
Na relação entr e médi co e pacient e, o conteúdo do “diálog o” é f ortemente
ori entado e for malizado pel o médi co, um a vez que se trata de um procediment o
emi nentem ente t écnico .
Cabe
ao
pr ofissi onal
criar
condições favorávei s
à
com unicação, estimulando a livre expressão do paciente, sem per mitir que os
aspectos técnicos da entrevista m édica limitem e fo rmatem o diálogo entre estes
agentes sociais.
Ref erênci as
DEMO, P. Participação é conqui sta: n oções de pol ítica social . São Paulo: Cortez,
199 9.
FRE IRE, P . Ped agogia do op rimido. 17. ed. Rio d e Janeiro: P az e T erra, 1987.
FRI CKE, R. M. Est atísti ca e aplicações ao s fenômenos sociai s. Iju í: Ed. UNIJUÍ,
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LIS BOA, J. C. A educação na relação entre médico e paciente: um estudo de
caso com a popu lação geriát rica em Ijuí (RS/BR). Dissertação de mestrado. Iju í
(RS ) : Mestrado de Educação nas Ciências – UNIJUÍ – 2004.
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