Aqui você começa bem
Informativo dos alunos do Colégio Cruzeiro - Jacarepaguá . ano II . número 2 . novembro de 2007
Lanche coletivo dos
alunos do 6º ano:
comida saudável e
conversa inteligente sobre
o consumo responsável
Boa notícia
Inpar
O Brasil avançou no combate à
mortalidade infantil. Mas ainda há
muito a se fazer
pág 10
Bem pertinho daqui, uma instituição que
se dedica a atender crianças de
comunidades pobres precisa de você
pág 16
Por um mundo
melhor
Saúde, educação, dignidade: nossos
Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
Páginas 77 aa 15
15
Páginas
2 . Bom Dia Cruzeiro
D
I
T
O
R
I
A
L SUMÁRIO
Nós podemos
Grandes mudanças podem acontecer todos os dias: mudança de cidade, mudança de atitude,
mudança de planos. Para que aconteçam, às vezes basta uma decisão. Outras podem exigir
grandes esforços. Mas, o primeiro passo é sempre o mesmo: reconhecer que é hora de mudar.
No ano 2000, os países-membros da ONU perceberam que tinha chegado a hora da
mudança. Na verdade, eles estavam até atrasados. Catástrofes ambientais, guerras, fome, os
problemas se multiplicavam. Mas essa é daquelas mudanças que exigem esforços enormes.
O documento que reconhece a necessidade desse esforço recebeu o nome de Objetivos
de Desenvolvimento do Milênio. Ele estabelece metas para que os governos se empenhem
no combate aos grandes problemas decorrentes da desigualdade. Mas não traz uma receita
pronta para alcança-las. Por isto, sugestões são bem-vindas.
Nesta edição você vai conhecer o olhar dos alunos sobre as metas do milênio. Até 2015,
ano limite estabelecido pelo documento para o alcance das metas, há muito trabalho a
fazer. Mas o que a pesquisa nos mostra é que precisamos começar desde já. Nossa arma
secreta: o conhecimento.
Inspire-se na leitura e descubra, você também, a sua maneira de colaborar para o
desenvolvimento humano. Esperamos encontrá-lo em 2015 num mundo melhor.
03
Comportamento
Eu, eu mesmo e robô
Projeto Clube de Ciências
04
Educação
Júlio Emílio Braz
Ah, fala sério!
06
Arte sobre foto Albertino Peres
E
Cultura
Quadrinhos
07
Matéria de Capa
Como salvar o planeta?
08
Desenho do aluno Eduardo, turma 64, inspirado no conto “O Bife e a Pipoca”, de Lygia Bojunga
Este projeto tem o apoio dos nossos parceiros
Eli Pio / Pastoral da Criança
Matéria de Capa
Repensando valores
10
Matéria de Capa
Vitória brasileira
12
Matéria de Capa
Por um mundo sustentável
14
Matéria de Capa
Tragédia mundial
EXPEDIENTE
COLÉGIO CRUZEIRO - JACAREPAGUÁ
Diretor
Coordenador do 9º Ano e Ensino Médio
Redação
Diagramação
João Aprígio
Fabiana Antonini
Valdomiro Dockhorn
Vice-Diretora
Orientadora Educacional do 9º Ano e
Ensino Médio
Alunos do 4º ao 9º
ano e Ensino Médio
Edição
Carla Baiense
Norma Benjamin
Maria Cecília Moreira da Costa
Carla Baiense
Fotolito e impressão
Coordenadora do 6º ao 8º Ano
BOM DIA CRUZEIRO é produzido
pelos alunos do Colégio Cruzeiro JPA, sob a orientação de professores
e funcionários
Revisão
Julio Bezerra
Fátima Lopes Acar
Tiragem
Projeto Gráfico
1.800 exemplares
Fátima Lopes Acar
Orientadora Educacional do 6º ao 8º Ano
Vânia Vasconcelos
Fabiana Antonini
José Ricardo
Foto de capa
16
Solidariedade
Ajudar faz bem
Comportamento
Bom Dia Cruzeiro . 3
Eu, eu mesmo e robô
Por Guilherme Pixinine e Jorge Pumar
Nos filmes de Hollywood ou nas fábricas de
todo o mundo, um novo personagem vem se
tornando cada vez mais presente: são os robôs.
O avanço da robótica, a ciência que estuda estes
sistemas, também chegou à internet. O InBot é
um software de inteligência artificial para criação
de personagens virtuais usados para conversar
com os usuários, respondendo como se fossem
atendentes reais em uma sala de chat.
As respostas dadas pelo programa são criadas
a partir de uma personalidade (consciência
sintética) e de uma base de conhecimento organizada pela equipe de escritores e programadores. As frases com respostas são escolhidas
e montadas automaticamente pelo programa de
forma tão realística que fazem com que os usuá-
rios do chat fiquem em dúvida: afinal, estão conversando com uma
pessoa ou com um programa de
computador?
No Brasil, aplicações deste sistema
podem ser experimentadas em sites
como o do Compet (http://
www.conpet.gov.br/ed/). Ed, o
robozinho que conversa com os
vizitantes, é uma aplicação da
inteligência artificial, programado
para interagir e responder a diferentes
perguntas das pessoas que visitam seu
site. O resultado da interação vai
depender do assunto abordado e da
quantidade de informações disponível
nos sistemas a respeito do tema.
Robô do Compet é especialista em anergia e responde às perguntas
sobre o tema recorrendo a um poderoso banco de dados, produto das
pesquisas da Petrobras a respeito do assunto.
Projeto Clube de Ciências
Fotos Sandra Mara
Por Sandra Mara
O Clube de Ciências tem como objetivo relacionar os conteúdos ao cotidiano dos estudantes e às outras áreas do conhecimento. Estimular
a criatividade, envolvendo o aluno na observação do dia-a-dia.
O processo da curiosidade faz com que o aluno
passe de um ser passivo no seu aprendizado para
ativo, dentro e fora da escola. Estimula-se um
aluno agente, capaz de investigar cientificamente
e de buscar respostas aos seus questionamentos.
O Clube de Ciências é uma atividade realizada
semanalmente no laboratório do Colégio
Cruzeiro, na qual alunos de 6º, 7º e 8º ano
estudam um tema.
Testamos a tensão superficial da água com um clips,
para discutir sua utilidade na natureza - 7º ano
No ano de 2007, os grupos de Clube de
Ciências estudaram temas como Insetos,
Química do cotidiano e Química dos alimentos.
O tema Insetos teve como principal objetivo
estudar:
· Variedade de espécies dos insetos,
· Como vivem.
· Como se locomovem.
· Onde está inserido na cadeia alimentar.
· Quais insetos encontramos no Colégio
Cruzeiro.
Confiram as fotos de algumas atividades.
O tema Química do cotidiano teve como
principal objetivo estudar:
· As características químicas e físicas da água
· Tensão superficial da água
· Poluição da água
· Tratamento da água.
Confiram as fotos de algumas atividades.
O tema Química dos alimentos teve como
principal objetivo estudar:
· Bebidas energéticas
· Receitas de baixo custo
· Pirâmide alimentar
· Sistema digestório.
Confiram as fotos de algumas atividades.
Dêem uma olhadinha no site do Colégio
Cruzeiro e confiram algumas de nossas aulas.
Esperamos vocês no ano que vem!!
O Bicho-Pau é um inseto que tem a facilidade de
proteger-se dos predadores por fazer
camuflagem. Na foto, os alunos do 6º ano
conhecem o inseto durante a visita à coleção
entomológica da Fundação Oswaldo Cruz
Educação
4 . Bom Dia Cruzeiro
As histórias de Júlio Emílio Braz
Autor de livros que tratam de questões sociais conversa com alunos do 5º
ano sobre literatura e preconceito no país
Entrevista coletiva
Carla Baiense
A visita de Júlio Emilio Braz foi muito interessante. Ele nos contou uma parte da sua vida.
Admitimos que, quando chegamos à biblioteca
pensamos que ele era um autor “sério”. Mas,
quando saímos, tivemos uma idéia diferente: ele
era muito engraçado.
Começou sua carreira escrevendo histórias em
quadrinhos. Bom, agora escreve livros. Adoramos
os que ele trouxe para nos mostrar. Eram de
diversos tamanhos, formas, assuntos e línguas
diferentes. Tinha até um em alemão.
O 5º ano leu dois livros escritos por ele: “A
mulher que lia com as mãos” e “O grande dilema
do pequeno Jesus”. Adoramos! Ajudaram muito
a escrever o nosso livro do ano, que relata o
preconceito na sociedade mundial.
Achamos que ele faz uma coisa rara: ela pega
frases do cotidiano, que ouve pela rua, e utiliza
em seus livros. Achamos isto fantástico!
Bom Dia Cruzeiro - Você sempre sonhou
em ser escritor?
Júlio Emílio - Não queria ser escritor porque
todo mundo diz que o brasileiro não gosta de ler.
Eu sou a prova viva de que estão mentindo. Sou
escritor há 27 anos. A palavrinha mágica que acaba
com o maior projeto de vida é: não dá dinheiro.
Mas, quem disse que tem que dar dinheiro?
BDC - Como você se decidiu pela profissão?
JE - Virei escritor aos 19 anos. Aos 17 anos, depois
que meu pai levantou acampamento, eu virei o
homem da casa. Era o filho mais velho e ajudava a
minha velha, que lavava roupa para fora. Minha
mãe, que não foi à escola, mas era muito esperta,
falou: filho, se você tiver esperteza e vergonha na
cara, não vai ficar sem emprego. Uma editora perto
da minha casa contratou 31 ilustradores para produzir histórias em quadrinhos de terror e não tinha
quem escrevesse. Meu vizinho era office-boy da
editora e me chamou para trabalhar lá.
BDC - Quantos livros você já publicou?
JE - Tenho 138 livros publicados. O brasileiro gosta
de ler, o que atrapalha é o dinheiro.
BDC - Qual foi o seu primeiro livro?
JE - Aos 16 anos escrevi meu primeiro livro, em
vários cadernos, à mão mesmo. Enviei para uma
Conversa com Júlio Emílio inspirou nosso autores do Livro do Ano “Somos Todos Diferentes”
editora e o editor me mandou uma carta dizendo
que eu tinha condições de me tornar um bom
escritor, mas que, naquele momento, ainda
estava muito “verde”. Falou para eu continuar
lendo e escrevendo até apresentar um texto em
condições de ser publicado. Não publiquei o
livro, mas ganhei um conselho fundamental.
BDC - Seus livros tratam de que assunto?
JE - Tem livros sobre preconceito, realidade em
favelas, suicídio entre jovens, morte para crianças,
consumo, corrupção. Ao mesmo tempo tem
ficção científica, histórias de terror, recontos.
BDC - Por que você escolheu o público
infanto-juvenil?
JE - Primeiro, porque eu fui uma criança e um
adolescente. Parece óbvio, mas tem gente que
não viveu a infância e a adolescência. Eu tive duas
infâncias: até os cinco, morava na roça, tomava
banho pelado no rio, me pendurava no cipó, via
o trem passar todo dia às seis da tarde na minha
porta. Depois mudei para a cidade. Até os 12
anos morava na favela da Maré.
BDC - Como se cria um livro?
JE - A gente cria do que a gente ouve, do que a
gente vê. Ou cria daquilo que já viveu. Ninguém
cria do nada. No caso de “A mulher que lia com
as mãos”, por exemplo, conheci na escola uma
menina cuja mãe era cega. O resto é ficção. Tento
me colocar em situações cotidianas e imaginar
como os personagens agiriam.
BDC - Como você se inspirou para escrever
“O grande dilema do pequeno Jesus”?
JE - Há oito anos ouvi esta história numa escola. A
professora queria fazer uma peça de Natal e o único
candidato a Jesus era um menino negro. Na história
original, a professora, a coordenadora e a diretora
convenceram o menino de que não daria certo.
Fiquei tão marcado pela história que decidi contála. Só que na minha história o menino resolve perguntar às pessoas porque ele não poderia ser Jesus.
BDC - Você sofreu muito preconceito?
JE - Não sofri muito preconceito porque estudei
numa escola pública, onde havia muitos meninos
negros como eu. Sofri por ser gordo. Mas me
coloco na posição de quem sofre uma injustiça,
porque o preconceito é uma baita injustiça.
BDC - Que livro você está escrevendo agora?
JE - Um livro na linha de Harry Potter, com magia,
com suspense.
BDC - Como você escreve?
JE - Em máquina de escrever.
Educação
Carla Baiense
Bom Dia Cruzeiro . 5
Ah, fala sério!
Thalita Rebouças conversa
sobre livros, fãs e
adolescência com os
alunos do 8º ano
Por Amanda Espinosa, Guilherme Maggessi e
Matheus Malafaia*
“Tipo assim cara, fala sério! Ninguém merece essa parada
de ler! Ler é um saco! Mas, tipo, é até legalzinho uma lida
aqui, outra ali. Mas, pô, só tem texto chato e difícil!”
É assim que os jovens hoje vêem a literatura? O sucesso
de escritores como Thalita Rebouças põe em dúvida o
senso comum. Com muito humor e criatividade e usando
um vocabulário acessível, Thalita conquistou o público
adolescente e vendeu milhares de livros por todo o Brasil.
Para falar um pouco da sua carreira e de sua relação
com a literatura, convidamos a escritora para uma
manhã de bate-papo com os alunos do 8º ano. O
ambiente não podia ser mais apropriado. Cercada de
livros, na biblioteca do colégio, ela falou, muito à
vontade, da sua vida e de seus personagens.
Interessada por livros desde pequena, Thalita um dia
tomou coragem, abandonou o jornalismo e decidiu
investir na literatura. A receptividade da família foi,
segundo ela, emocionante:
“Você tá maluca, quer morrer de fome!!?” – brinca a
escritora, que não se arrepende da escolha.
Foi assim que surgiu “Traição entre amigas”, que não
tinha como público-alvo os jovens. Percebendo que os
Alunos do 8º
ano descobrem
como surgiu a
Malu,
personagem
principal de
alguns dos livros
de Thalita
adolescentes se identificaram com a história, a escritora resolveu voltar seu trabalho para este tipo de
leitor. Mas considera que seus livros são para qualquer idade.
A relação com os fãs é um capítulo à parte na história de Thalita. No site, onde ela recebe emails de todos os tipos, responde a perguntas que vão desde o creme de beleza ideal até como
se tornar uma modelo.(Veja o texto da fã Juliana Bontempo)
“Acho que os leitores pensam que vivo nesse mundinho fashion dos meus livros”, explica..
Tendo como pano de fundo a Zona Sul do Rio de Janeiro, os shoppings centers e as
“noites cariocas”, seus livros retratam o dia-a-dia de meninas em plena adolescência, com
seus conflitos, confusões, dúvidas e descobertas. Tudo com um toque de humor.
Os últimos lançamentos da escritora são “Tudo por um feriado” e “Uma fada veio me
visitar”. Divertidos e descontraídos, os livros falam a linguagem dos adolescentes. Mas, quando
o assunto é escola, expressões como “fala sério” e “tipo assim” não encontram tanta aceitação
entre professores e profissionais. Embora não rejeitem uma literatura mais despojada, eles
recomendam ampliar o leque de leitura, conhecendo o maior número possível de estilos,
tendências, autores e culturas.
*Colaboraram Alvaro Pessanha, Amanda Manso, Ana Paula, Carolina Argento, Catherine Barros,
Guilherme Abreu e Juliana Bontempo.
Ler é fundamental
Papo de adolescente
Toda forma de leitura é valida e importante. Alimentar o gosto pelo livro
requer cuidado, critério, mas também o respeito às preferências e boa dose
de liberdade na escolha. É papel da escola orientar os alunos e torná-los
íntimos de diferentes autores e gêneros textuais. Nesse processo, alguns
jovens, inicialmente, resistem ao novo. Habituados a determinados comportamentos, situações de vida e modalidades de discurso, estranham quando encontram em um livro uma perspectiva mais formal.
Apegar-se apenas ao conhecido parece mais fácil e seguro, porém, o
incomum é desafiador, traz transformação e abre a mente para novos universos. Acredito no papel do professor estimulando no aluno a leitura de
obras diferentes. Com o tempo, o amor ao livro surge e cria em quem lê o
refinamento e a delicadeza para a escolha.
Não me preocupo, portanto, com a qualidade dos livros que os jovens
escolhem, mas, principalmente, com a responsabilidade e o compromisso
da escola de revelar-lhes caminhos amplos de leitura.
Escritora de mais de sete livros, Thalita conquistou o coração de muitos
jovens com sua criatividade e a originalidade de suas histórias. Seus livros
falam sobre tudo o que jovem pensa e fala. Com humor e a partir de fatos da
realidade, a escritora de 32 anos faz as perguntas que surgem na cabeça de
todo adolescente e os ensina a falar de suas dúvidas com seus pais de uma
forma bem simples.
Thalita Rebouças sempre sonhou em ser escritora e se aprofundar
melhor na literatura, falando sobre o que pensa e o que acredita. Alguns
dos seus livros mais famosos são “Fala Sério, Mãe”, “Fala Sério, Professor”,
“Fala Sério, Amor”, “Tudo por um pop star”, “Tudo por um namorado”,
“Tudo por um feriado” e “Traição entre amigas”.
Como leitora, recomendo um dos livros de que eu mais gostei: “Fala sério,
Amor”. Fiquei muito interessada na história, porque, de uma maneira divertida
e engraçada, aprendi alguns fatos da vida, que um dia ou outro eu vou ter que
encarar. É um livro muito interessante, que todo tipo de leitor pode apreciar!
Simone Carneiro – professora de Língua Portuguesa
Juliana Bontempo – Aluna da turma 82
Cultura
6 . Bom Dia Cruzeiro
Quadrinhos
Grandes pintores criaram quadros famosos. Maurício de Souza
transformou-os em quadrões, acrescentando seus personagens. Nós
juntamos os alunos da turma 42 para fazer os quadrinhos.
Arte sobre fotos: Albertino Peres
O pintor José Ferraz de Almeida Júnior é muito
interessante. Esta obra foi feita em 1891 e se encontra
na Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Nós estamos num quadro maravilhoso pintado por Botticelli
chamado “Nascimento da Vênus”. Esse quadro foi pintado sobre
tela e está na Galeria Delli Uffizi, em Florença, na Itália.
Mona Lisa ou La Gioconda é a pintura
mais famosa de Leonardo Da Vinci. O
pintor começou a obra em 1503 e só
terminou o quadro três a quatro anos
depois. Atualmente está exposta no
Louvre, em Paris.
Paul Gauguin nasceu em Paris e viveu muitas aventuras
viajando pelo mundo. Ele adorava pintar pinturas
brilhantes e chapadas.
Claude Monet nasceu em Paris, em 1840. Ele adorava
pintar mar, oceanos, rios, lagoas e barcos. Ele viveu
até os 86 anos e passou os últimos 10 anos de sua vida
pintando quadros em seu jardim aquático
Rembrandt, maior artista
holandês, retratou
episódios históricos e
cenas bíblicas. Também
reproduziu retratos de
personagens ricos e pobres
de sua época.
Van Gogh era holandês e nasceu em
1853. Ele foi vendedor, professor, livreiro
e pastor, como seu pai. Mas nenhum
destes empregos satisfez Van Gogh, que
um dia resolveu se tornar artista.
Capa
Bom Dia Cruzeiro . 7
A hora da mudança
Em vastas regiões do planeta, um enorme contingente populacional encontra
dificuldades para obter os recursos básicos
de sobrevivência. Faltam alimentos,
saneamento, educação, respeito à vida.
Nos países mais pobres e nas periferias das
nações mais desenvolvidas, a situação é
ainda mais grave. Pelos cálculos da ONU,
o século XX nos deixou um bilhão de
pessoas em condições de pobreza extrema.
Cedo ou tarde, pobres e ricos experimentam os efeitos da desigualdade planetária: problemas urbanos, decorrentes
do crescimento desordenado das cidades, epidemias, degradação ambiental.
Em 1990, mais de 1.2 bilhões de
pessoas – 28% da população do
mundo em desenvolvimento –
viviam em extrema pobreza.
Relatório de 2006 dos Objetivos
de Desenvolvimento do Milênio
Em 2000, os 191 países-membros da
ONU decidiram que era hora de mudar
essa trajetória. Reunidos em Nova Iorque, assinaram a Declaração do Milênio.
No documento, reconhecem os efeitos
desastrosos que a chamada globalização
vem espalhando pelo planeta e comprometem-se a trabalhar juntos, para
reverter esse quadro.
Dessa disposição surgem os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
Para alcançá-los, foram definidas metas
concretas, como reduzir pela metade, até
2015, o percentual de pessoas que vivem
com até U$ 1 por dia. Ou garantir que as
crianças de todo mundo possam concluir
ao menos um ciclo completo de ensino
primário. Metas simples, como se vê,
direitos fundamentais, negados a milhões
de seres humanos. E, como podemos verificar, longe de serem alcançados.
Nesta edição, selecionamos quatro objetivos para uma reflexão. Alunos do 6º, 8º e
9º ano discutiram as causas da fome, os efeitos da degradação ambiental, as alternativas
para deter doenças, os avanços na redução
da mortalidade infantil. Nas próximas
páginas estão os resultados desta pesquisa.
A primeira contribuição dos cidadãos do
futuro para melhorar a vida no planeta.
Ilustração do aluno João Vitor, turma 64, inspirada no conto “O Bife e a Pipoca”, de Lygia Bojunga.
Os 8 objetivos do milênio
§ Erradicar a extrema pobreza e a fome
§ Atingir o ensino básico universal
§ Promover a igualdade entre os sexos e
a autonomia das mulheres
§ Reduzir a mortalidade infantil
§ Melhorar a saúde materna
§ Combater o HIV/AIDS, a malária e outras doenças
§ Garantir a sustentabilidade ambiental
§ Estabelecer uma parceria mundial
pelo desenvolvimento
Capa
8 . Bom Dia Cruzeiro
Repensando valores
Carla Baiense
Enquanto milhões de pessoas sofrem com a fome,
outras milhares desperdiçam dinheiro e prejudicam a
saúde com uma alimentação inadequada. Para
resolver esta difícil equação são necessários esforços
para tornar menos injusta a distribuição de renda no
mundo e mais conscientes os consumidores.
Para entender como se produz a desigualdade, os alunos do 6º ano refletiram nas aulas de matemática sobre
temas como salário mínimo, custo da cesta básica, políticas de distribuição de alimentos, valor nutricional e consumo não essencial. Confira o resultado desse esforço.
*O projeto Repensando Valores foi desenvolvido pela equipe de
Matemática e coordenado pelas professoras Márcia Leite e Rita Sá.
Contou com a colaboração da nutricionista Juliana Iório e do
professor de Educação Ambiental JH.
No lanche coletivo os alunos aprenderam que saudável também pode ser gostoso.
Renda da população define qualidade da alimentação
No mundo inteiro, milhões de pessoas vivem com uma renda muito
baixa e têm uma alimentação precária. Aquelas que têm um maior poder
aquisitivo se alimentam um pouco melhor. Mas nem sempre é assim. As
pessoas se alimentam mal não apenas por falta de dinheiro, mas também
por falta de informação.
No Brasil, segundo pesquisas, 18% da população compram, semanalmente, produtos que não são essenciais à sua alimentação. A obesiTeotônio Roque/Pastoral da Criança
O Ferro, presente em alimentos como fígado, previne anemias e, na gestação, ajuda a
levar oxigênio para o bebê. Para melhorar a absorção, a dica é consumir na mesma
refeição vitamina C, encontrada, por exemplo, no suco de laranja.
dade se tornou uma epidemia, mesmo entre a população mais pobre, que
consome muitos alimentos gordurosos.
Enquanto muitos não têm o que comer, outros desperdiçam. Nos
Estados Unidos, mais de 90% da população compram, semanalmente,
produtos não essenciais. Na Europa, o salário mínimo é, em média, 15%
menor do que nos Estados Unidos. O índice de pobreza, no entanto, é
menor nos países europeus, onde o consumo é mais consciente. Na
Europa, os alimentos são mais caros, porque não há muitas áreas para
cultivo. Os países importam boa parte do que consomem. No Brasil, ao
contrário, existe um solo muito rico e o país exporta alimentos.
Produtos como a soja, muito cultivada no país, têm um preço alto por
aqui, porque é muito valorizada no mercado externo. A desigualdade social
produz uma enorme exclusão no Brasil. Milhares de pessoas estão abaixo da
linha da pobreza e não recebem sequer o salário mínimo mensal de R$ 380.
Nos países europeus, apesar dos preços altos, a população pode se
alimentar melhor, porque o poder aquisitivo é maior. Na Alemanha, por
exemplo, não existe um salário mínimo geral para todos os trabalhadores.
Cada profissão tem o seu salário, estabelecido pelo governo ou pelas
empresas. Um trabalhador simples recebe, em média, mil Euros, o suficiente
para as compras básicas e outras despesas. O lazer é quase todo de graça. Os
alemães aproveitam o tempo livre em parques e outras atividades gratuitas.
Em Portugal, o salário mínimo está em torno de 400 Euros, suficiente
para comprar 23 cestas básicas naquele país. Este é o salário pago aos
trabalhadores com baixa escolaridade.
Pense no seu consumo e no que você joga fora. Trabalhe pela redução
da desigualdade social. Faça alguma coisa para erradicar a fome no mundo.
Texto coletivo produzido pela turma 64
Capa
Bom Dia Cruzeiro . 9
O que é bom para você?
Eles são práticos e gostosos. Coloridos e cheirosos, vêm em caixinhas, latas ou embalagens
plásticas e trazem o apelo irresistível de produtos
“prontos para o consumo”. Os comerciais dizem
que são ideais para se comer na praia, no parque
ou nos momentos em que “bate uma fominha”.
Mas não se engane: os alimentos industrializados
contêm uma série de ingredientes prejudiciais.
É o caso dos corantes, substâncias que dão
cor aos alimentos, encontradas em refrigerantes,
biscoitos, sorvetes, balas, sucos de caixinha e
chicletes. No nosso organismo, estas substâncias
podem provocar desde alergias leves até graves
distúrbios gastrintestinais.
Outra substância presente nos alimentos
industrializados são os conservantes, usados
para prolongar a vida dos produtos nas
prateleiras. Para obter este efeito, a indústria
adiciona ácidos e sal à comida. O sal em excesso,
por exemplo, pode causar hipertensão arterial.
Além dos corantes e dos conservantes, freqüentemente são usados aromatizantes, que
substituem os ingredientes naturais nas fórmulas,
dando o sabor e o cheiro originais aos alimentos.
Muitos fabricantes utilizam os aromatizantes na
composição de seus produtos no lugar de carnes, os fabricantes a colocarem um aviso aos
como no caso dos biscoitos, e de frutas, como no consumidores nas embalagens de produtos transcaso de sucos e sorvetes, para reduzir os custos de gênicos. O consumidor é quem vai decidir se quer
produção e aumentar os lucros da venda.
ou não consumir alimentos feitos a partir de semenOutros dois ingredientes bastante utilizados tes modificadas.
nos produtos industrializados são os açúcares e
E então, você se arrisca?
as gorduras. Embora não sejam exatamente
Texto coletivo produzido pela turma 61
alimentos prejudiciais, em excesso podem
Eli Pio/Pastoral da Criança
trazer efeitos colaterais, como a
obesidade e a diabetes.
A novidade, agora, em relação
aos riscos à saúde causados pelos
alimentos processados é a utilização de ingredientes transgênicos. Os transgênicos são produzidos a partir de sementes geneticamente modificadas (manipuladas em laboratório). Essas
sementes se tornam mais resistentes a pragas e dão mais produtividade às plantações.
No entanto, não existem
pesquisas suficientes apontando os
efeitos dos transgênicos sobre a saú- Alimentos naturais: coloridos e saborosos, sem corantes ou aromatizantes.
de humana. A lei brasileira obriga Têm a vantagem adicional de custarem menos que os industrializados.
Consumo de leite no mundo
O leite é um alimento essencial à alimentação. Ele é fonte de cálcio e
proteína e é consumido em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial
de Saúde (OMS), um adolescente deve consumir, em média, um litro de
leite por dia. Isto significa que, numa família com dois adolescentes, o consumo mensal é de 60 litros por mês. Nas famílias mais
pobres, no entanto, o consumo de leite é insuficiente.
Em países europeus, a relação entre o valor do salário
mínimo e o custo do litro de leite favorece o consumo.
Em Portugal, o mínimo vale 400 Euros e o preço do leite é
de 2,50 Euros. Na França, o mínimo é de 1.300 Euros (R$
3.348), enquanto o litro do leite custa entre 1 e 2,5 Euros.
Na Suíça, um litro de leite custa 1,70 Francos. Com
o salário mínimo de 1.886,79 Francos, o equivalente a
R$ 3 mil, é possível comprar 1.109 litros de leite por
mês. Já na Bélgica, onde o mínimo é de 1.163 Euros, o
equivalente a R$ 3.105, uma família média gastaria 34,60
Euros para comprar 60 litros de leite. O restante seria
usado para as outras despesas.
No Brasil, o salário mínimo é de R$ 380 e o litro do
leite custa R$ 1,67. A mesma família gastaria R$ 100,02.
Com os R$ 280 restantes daria para pagar as outras despesas?
Se, ao invés de consumir o necessário, a família restringisse o gasto com
leite a R$ 60, cada adolescente tomaria apenas metade do que recomenda a
OMS. Considerando que nas famílias mais pobres há um número maior de
crianças, podemos concluir que o consumo de leite é ainda menor.
Dá para reduzir a fome no mundo?
Em Cuba, o governo decidiu distribuir leite para a população. Além disso,
fixou preços diferentes para os produtos vendidos aos nativos e aos turistas.
Em compensação, o nível de renda dos habitantes é muito baixo. Para se ter
uma idéia, as famílias consideradas ricas são as que
têm microondas em casa. O salário mínimo é de 225
Pesos, mas não é respeitado em todo o país. Um
pedreiro, por exemplo, ganha 25 pesos mensais.
Ainda na América Latina, o salário mínimo
argentino é de 960 Pesos (R$ 510). O leite custa, em
média, 2 Pesos. Dá para comprar o equivalente a 480
litros do produto por mês.
Na África do Sul, o mínimo é de 1.830,88 Rands.
Em Reais, seria o equivalente a R$ 501,21. O leite custa
7 Rands, ou R$ 1,92.
O trabalhador americano tem um mínimo estabelecido por hora de U$ 5,15. Em média, o mínimo
mensal será de U$ 1.277. Com esse salário, é possível
comprar 534 litros de leite, que custa U$ 2,39.
A relação entre renda e custo do leite, um alimento
básico em todo mundo, revela por que a alimentação é precária em muitos
países. Para reduzir a miséria é preciso aumentar o salário, tornando-o
compatível com o preço dos alimentos. E em casos extremos, é preciso
distribui alimentos como o leite, reduzindo a fome no mundo.
Texto coletivo produzido pela turma 62
Capa
10 . Bom Dia Cruzeiro
Essencial é ter saúde
Consumo essencial é o que a gente precisa para
uma alimentação saudável. O não essencial é
aquele que não enriquece a alimentação e pode
mesmo prejudicar a saúde. Nosso corpo precisa
ingerir uma quantidade diária de nutrientes para
ter um bom funcionamento. Pães, carnes, frutas,
legumes, verduras e cereais fornecem as vitaminas,
proteínas e sais minerais de que precisamos.
E os alimentos não essenciais? “É tudo de bom”:
biscoitos, balas, sorvetes, batatas-fritas. A lista é
bem grande. No entanto, estas guloseimas
trazem na sua composição corantes, acidulantes
e aromatizantes que, além de darem a cor e o sabor
irresistíveis, também trazem de brinde para o
consumidor o risco de desenvolver várias doenças.
Pesquisam afirmam que 95% da população
mais favorecida no Brasil consomem uma
quantidade grande de alimentos não essenciais.
Isto porque, em geral, os produtos processados
têm um custo maior que os alimentos básicos,
como o tradicional feijão e arroz. Nos Estados
Unidos, 95% de toda população se alimenta de
produtos não essenciais.
No Brasil, boa parte da população menos favorecida consome produtos essenciais. Além de, em
geral, custarem menos, eles fornecem as calorias de
que precisam para realizarem suas atividades diárias.
Para ter uma alimentação saudável, coma à
vontade saladas, frutas, legumes e cereais. Consuma
com moderação leite e derivados e carnes. E tome
cuidado com os açúcares, óleos e gorduras. Estes
alimentos, em excesso, podem causar doenças
como a diabetes a obesidade e distúrbios cardíacos.
Dicas:
· Observe as informações nutricionais presentes
nas embalagens dos alimentos industrializados.
· Verifique se o alimento possui gordura trans.
· Determinados corantes, como o amarelo
tartrazina, podem provocar reações alérgicas,
como asma e urticárias.
· Realçadores de sabor, como o glutamato
monossódico, são alvo de grandes controvérsias a
respeito dos efeitos que causam no organismo, entre
os mais comuns, a enxaqueca. Confira se ele foi
adicionado ao produto que você está comprando.
Texto coletivo produzido pela turma 63
Vitória brasileira
As taxas de mortalidade
infantil do país
continuam em declínio,
mas há muito a ser feito
Por Juliana Vianna e Carolina Salomão
Até 2015, todos os 191 países das Nações Unidas assumiram o compromisso de realizarem os
Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, entre
eles a redução da mortalidade infantil.
Essa meta tem como objetivo reduzir em dois
terços a mortalidade de crianças menores de cinco
anos. As taxas de mortalidade do Brasil continuam
em declínio, passando de 36,9 por mil nascidos
vivos em 1996 para 25,1 em 2006, segundo o IBGE.
Entre os principais motivos da mortalidade
infantil estão o pouco empenho dos programas de
imunização infantil, os conflitos internos e distúrbios civis nos países, a falta de saneamento básico,
a falta de políticas públicas de promoção ao
desenvolvimento das crianças e a
baixa renda das famílias. Além disso,
os menores de cinco anos são vítimas
de doenças como a Aids, a diarréia,
doenças respiratórias e cardiovasculares e a malária, que mata uma
criança a cada 30 segundos no
mundo. Sendo mais preciso: a mortalidade infantil é de ordem biológica,
sócio-econômica e sócio-ambiental.
A mortalidade infantil atinge
principalmente países subdesenvolvidos, com precárias condições
de saúde, nutrição, saneamento
básico e recursos médicos.
Apesar de o número de crianças
que morrem antes dos cinco anos
continuar muito alto, houve uma redução nas últimas décadas. Atualmente, morrem dois milhões de crianças a menos que em 1990 e a possibilidade de que um recém-nascido
chegue aos cinco anos aumentou
15%. Mas a mortalidade diminuiu um
terço a menos que nos anos 80.
Salário mínimo
De acordo com a constituição, é o “salário
mínimo fixado em lei, nacionalmente unificado,
capaz de atender às suas necessidades vitais
básicas e às de sua família, como moradia,
alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário,
higiene, transporte e previdência social, reajustado periodicamente, de modo a preservar o
poder aquisitivo, vedada sua vinculação para
qualquer fim” (Constituição da República
Federativa do Brasil, capítulo II, Dos Direitos
Sociais, artigo 7º, inciso IV).
Seguindo esta definição, o Dieese calculou o
valor do salário mínimo necessário para uma
família de quatro pessoas (dois adultos e duas
crianças): R$ 1.797,56, no mês de outubro.
O salário nominal do país, no entanto, é de
R$ 380. A Cesta Básica Nacional, que contém a
quantidade de calorias e proteínas necessárias para um trabalhadio, calculada pelo
Dieese, custaria hoje R$ 194,27, o equivalente a
55% do valor do mínimo.
Capa
Bom Dia Cruzeiro . 11
No entanto, o objetivo de reduzir em dois terços a mortalidade de crianças menores de cinco
anos só deve ser atingido em 2045, ou seja 30 anos
depois do prazo da Nações Unidas. Se os avanços
da década de 80 se mantivessem nos anos posteriores, morreriam menos um milhão de crianças
em 2003, segundo o PNUD, que destaca a lentidão na redução da mortalidade neonatal.
Tanto no caso das crianças como no das mães,
a maioria das mortes poderia ser evitada com
intervenções de baixo custo para evitar as doenças contagiosas e as infecções sistemáticas.
Todos os anos, 11 milhões de bebês morrem
de causas diversas. É um número escandaloso,
mas que vem caindo desde 1980, quando as
mortes somavam 15 milhões. Os indicadores de
mortalidade infantil falam por si, mas o caminho
para se atingir o objetivo dependerá de muitos e
variados meios, recursos, políticas e programas,
dirigidos não só às crianças, mas a suas famílias
e comunidades também.
Reinaldo Okita/Pastoral da Criança
Mortalidade no Mundo em 2005
Reinaldo Okita/Pastoral da Criança
Arquivo/Pastoral da Criança
A ONU elegeu 8 jeitos de reduzir a mortalidade em nível mundial:
Utilizando os
cuidados básicos de
saúde, a Pastoral da
Criança vem
mudando o
panorama da
mortalidade infantil
no país. O
acompanhamento
começa desde a
gestação e continua
até que a criança
complete 5 anos.
As líderes verificam o
peso, a vacinação e o
desenvolvimento do
público atendido.
- Identificar as gestantes da comunidade-alvo e se certificar de que elas
estão fazendo o exame pré-natal sistematicamente.
- Promover, a cada dois meses, um encontro para orientar às gestantes da
comunidade-alvo sobre gestação saudável e cuidados com o bebê.
- Identificar, na comunidade-alvo, os bebês desnutridos e submetidos a outros
agravos, a fim de dar orientação às famílias sobre os tratamentos necessários.
- Entrar em contato com as líderes da Pastoral da Criança que atuam na
comunidade-alvo e levantar as maiores dificuldades encontradas, visando a
uma ação conjunta a cada dois meses.
- Monitorar as cadernetas de saúde das crianças, a fim de orientar as mães
quanto à necessidade e ao direito de exigir que sejam preenchidas nas unidades
de atendimento à criança.
- Organizar encontros a respeito da prevenção de acidentes domésticos,
para famílias da comunidade-alvo.
- Realizar, a cada quatro meses, atividades educativas para adolescentes, em
uma escola da comunidade-alvo, sobre maternidade e paternidade responsável.
- Mobilizar a comunidade-alvo para participar das campanhas da vacinação, assegurando que todas as crianças sejam atendidas.
Capa
12 . Bom Dia Cruzeiro
Por um mundo sustentável
Para garantir a
continuidade da vida, os
países se comprometeram
a rever sua maneira de
tratar o lixo, gerar energia e
conciliar vida com
crescimento econômico
Arquivo pessoal
Lagoas da Barra e de Jacarepaguá se afogam no lixo que
vem tanto dos condomínios de luxo quanto das favelas
A degradação ambiental vem aumentando devido às práticas inconseqüentes por
parte do ser humano. Porém, dizer “ser
humano” é subjetivo diante da proporção
real dos fatos. Quando se diz “ser humano”
separa-se em duas classes principais: o mais
favorecido e o menos favorecido. Leva-se em
conta o empresário afortunado que despeja
os resíduos de sua fábrica no meio ambiente,
mas, também, se deve ter em mente o
morador da favela, o cidadão humilde, que
despeja esgoto doméstico nos rios.
A chamada pobreza é um grande fato de
degradação ambiental. Todavia, não se deve
culpar os pobres de criarem uma máfia da
poluição ou algo do gênero, pois essas atitudes
estão ligadas às deficiências sociais e culturais.
Ou seja, essas pessoas são conseqüências da
macrocefalia urbana, da carência do sistema
de ensino, da saúde publica deficiente e do
alto índice de desemprego.
Essas deficiências geram práticas ambientais degradantes e inconseqüentes. Estas práticas não são grandes feitos, são pequenos detalhes do dia-a-dia. Pode começar com um simples vazamento de lixo de forma inadequada,
transformando os mananciais e o ambiente
ao redor em um verdadeiro lixão, atolado em
detritos. Mas também diz respeito à ecologia
humana. A falta de planejamento familiar e
ausência do uso de métodos anticoncepcionais provocam um grande aumento populacional. E quanto mais gente, mais lixo.
Essa gente toda provoca, por sua vez, um
aumento de moradias, agravando a macrocefalia urbana e o desmatamento de áreas
florestais, especialmente encostas de morros.
Outra questão importante é o uso do solo nas
áreas rurais. Por falta de informação, muitos
agricultores acabam utilizando recursos
rudimentares, que favorecem e aumentam o
desgaste do solo de maneira abusiva.
Degradação ambiental e pobreza. Então,
assim como a pobreza causa também a
degradação ambiental, esta, por sua vez,
provoca doenças, que só agravam a pobreza
e seus efeitos, como o aumento da mortalidade infantil.
Garantir a sustentabilidade ambiental
Metas:
- Integrar a sustentabilidade às políticas.
- Reduzir à metade a população sem água.
- Até 2020, melhorar a vida de 100 milhões
de habitantes de bairros degradados.
Como manter o crescimento sem apagar o planeta?
Matriz energética é uma representação
quantitativa de recursos energéticos oferecidos por
uma região ou país. É uma análise indispensável
para futuros projetos de uma nação, mostra com
clareza a disponibilidade de fontes de energia
(recursos naturais), possibilitando a utilização e
produção adequadas desse recurso tão importante
no contexto socioeconômico de um país.
Na China, a matriz energética é baseada no
carvão, que exige elevados gastos na área dos
transportes e compromete toda a malha ferroviária chinesa, apesar dos fortes investimentos
neste setor. Este é um dos motivos pelo qual a
China procura sua “nuclearização”. Os governantes do país também priorizam a energia nuclear
por ter um grande papel na corrida espacial. Para
o país, isto significa um grande passo para se
tornar uma futura potência mundial em cerca
de 50 anos, o maior objetivo chinês.
Estados Unidos: um problema?
Nos Estados Unidos, as emissões de CO2 no
setor de energia elétrica cresceram 27,5% entre
1990 e 2004. As emissões provenientes do uso
do carvão cresceram 24,7%, do gás 67,3% e do
óleo foram reduzidas em 3,5%.
O presidente George Bush se recusou a aderir
ao Protocolo de Quioto. Preferiu tomar providencias internas, que não comprometam a
atual estrutura de seu modelo econômico e o
crescimento da economia americana ou
provoque abalo no parque industrial dos EUA,
mantendo suas fontes originais de energia.
Dentre as fontes de energia utilizadas estão 106
usinas nucleares espalhadas por todo o território
americano, que geram cerca de 20% de toda a
energia elétrica produzida no país (2,5 vezes do
total produzido pelo Brasil com todas as fontes
em conjunto). Isto evitaria a emissão de quase
500 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera.
E o Brasil?
O Brasil tem uma enorme gama de fontes de
energias, muitas delas ainda pouco exploradas,
como a energia eólica e a biomassa. Historicamente,
o governo tem investido em fontes de energia como
o álcool, através do programa pró-alcool, iniciado
em 1975. Há também investimentos em biodiesel,
extraído, por exemplo, da mamona, fornecendo
uma nova fonte de renda para seus produtores.
Capa
Bom Dia Cruzeiro . 13
1
Destino do lixo: quem produz, para onde vai?
A palavra lixo vem do latim ´´lix“, que significa sujeira, imundície, coisas sem valor. Na linguagem técnica, lixo são todos os materiais sólidos
descartados pela atividade humana. Considerando isso, pode-se dividir o lixo em duas partes
distintas: o lixo orgânico e o inorgânico.
O lixo orgânico é composto por resíduos biodegradáveis, como papel, restos de comida e rejeitos de seres vivos.
Já o lixo inorgânico é tudo que não possui
origem biológica ou que foi criado pela atividade
humana, que não é facilmente reabsorvido pela
natureza.
O lixo inorgânico subdivide-se em residencial,
comercial (que pode conter materiais orgânicos), industrial, hospitalar e nuclear.
Muito do lixo industrial é tóxico e altamente
nocivo à natureza e às pessoas. É o caso de materiais como plásticos, óleos, ácidos, metais pesados, ligas e vidro.
Já o lixo hospitalar e o nuclear são classificados como lixo altamente tóxico, por conter
agentes patogênicos (no caso do lixo hospitalar),
e serem radioativos.
O destino do lixo tem sido muito discutido.
Afinal, qual o melhor meio de eliminá-lo?
Atualmente, o lixo doméstico (domiciliar e
comercial) normalmente é despejado em lixões
nos subúrbios das cidades oué incinerado. Mas
estas são práticas cada vez mais questionadas
por suas implicações ecológicas.
O lixo hospitalar contaminado com microorganismos deve ser incinerado, enquanto materiais que tiveram longa exposição a raios-X devem ter o mesmo fim que o lixo nuclear: isolamento total do mundo, ficando permanentemente confinados, uma vez que continuam a
emitir radiação ainda por muito tempo.
Cada país dá o seu fim ao lixo. Todos têm o
seu modo de fazê-lo, diferenciando –se quanto
ao seu tratamento.
Os países industrializados são os que mais produzem lixo, e os que mais reciclam também. Temos que nos conscientizar de que é necessário
dar soluções adequadas ao problema.
A incineração polui o ar. Os aterros contaminam o solo. Qual será a resposta?
Os especialistas dizem que a melhor solução
a longo prazo é, simplesmente, diminuir a quantidade de lixo produzido, reciclar mais e usar
materiais biodegradáveis no dia-a-dia.
Temos de estar dispostos a salvar o nosso
planeta da degradação total!!!!!
E como dizia Lavoisier...
“Na natureza, nada se cria, nada se perde,
tudo se transforma”.
Brasil: alternativas para crescer
A geografia privilegiada do Brasil vem
fornecendo a maior fonte de energia utilizada pelo
parque industrial do país: a hidrelétrica. Com a
meta ambiciosa de crescimento do atual governo,
reforçada pelo lançamento do PAC (Plano de
Aceleração do Crescimento), a expansão do
parque energético tornou-se uma questão crucial.
A definição de áreas para construção de novas
usinas, no entanto, não é um consenso no
governo. O Ibama aprovou a construção de duas
usinas hidrelétricas no estado de Rondônia,
perto da Bolívia, porém, com restrições. As
construtoras que vencerem as licitações seguirão
33 exigências para reduzir o impacto ambiental
dos projetos. Uma das usinas, Santo Antônio,
leiloada em outubro deste ano, só produzirá
energia em 2012, enquanto a outra, Jirau, será
leiloada no início de 2008.
Houve muita polêmica em torno dos projetos,
pois a ministra-chefe da casa civil, Dilma Roussef,
teve uma opinião contrária à da ministra do meio
ambiente, Marina Silva, que destacava a preo-
cupação ambiental. Após discussões, foi decidido
que as construtoras terão que construir canais para
os peixes migratórios, demolir os paredões de
concreto erguidos durante a construção e monitorar o comportamento dos peixes para evitar o
desaparecimento de espécies.
Apesar da quantidade de energia que produzirão, o governo terá que investir em outras
usinas e em outras fontes além da hidrelétrica.
Textos produzidos pelos alunos do 9º ano para o
Seminário Metas do Milênio, sob a coordenação dos
professores Rosalina Magalhães e Fábio Cerbella.
Toda poluição vem das indústrias, queimadas, usinas de geração de energia elétrica,
refinarias, fábricas de pasta e de papel, siderúrgicas, cimenteiras e indústrias química e
de adubos. E não podemos esquecer de uma
fonte muito grande que hoje em dia é indispensável: os automóveis. Eles também são
responsáveis por grande parte da emissão de
gases poluentes na atmosfera.
Reciclar, reaproveitar:
· O Japão reutiliza 50% do seu lixo e reaproveita a água do chuveiro e do vaso sanitário. Lá, não há lixões. O lixo que não é reciclado é mandado para outros países que
cobram pelo serviço.
· Os EUA recuperam 11% do seu lixo, produzindo um faturamento anual de U$ 120 bilhões.
· A Europa Ocidental recicla 30% do seu
lixo. Na Espanha, uma cidade transforma
montanhas de lixo em energia para iluminar
50 mil casas.
· No Brasil, apenas metade do lixo produzido é recolhido. A outra metade fica espalhada pelas ruas, rios e terrenos baldios.
Destino do lixo do Brasil:
· 34% vão para os aterros sanitários.
· 63% vão ser despejados em rios, áreas
alagadas e terrenos baldios pelas próprias
companhias de coleta.
· Apenas 3% são reciclados.
· Apesar de todos os problemas, o Brasil
consegue ser o terceiro país no mundo que
mais recicla latas de alumínio, com 61% das
latas recicladas, o que é um avanço.
Oferta de energia no mundo
Capa
14 . Bom Dia Cruzeiro
Tragédia mundial
Relatório ONU
Apesar dos esforços dos
grupos de combate à
doença, a situação
não melhorou nos
últimos anos
A Aids vem afligindo o mundo de modo assustador pelo fato de ter se espalhado de modo
rápido através de todo o planeta. Apesar dos
avanços em matéria de tratamento preventivo,
o número de soropositivos aumentou para 39,5
milhões em 2007, dois milhões e seiscentos mil
a mais que em 2004.
A cada dia, 11 mil pessoas são contaminadas
pelo vírus, num total de 4,3 milhões por ano, o
que significa 400 mil a mais que há dois anos,
segundo relatório da ONU.
O continente que contém mais casos de Aids
é a África, chegando a existir países onde a cada
três pessoas duas têm a doença. A África
subsaariana é a região mais castigada pela
epidemia mundial, com 65% do total mundial
de soropositivos e 72% de mortes por Aids, ou
seja, 2,1 milhões de óbitos.
Segundo cientistas, o enfraquecimento do
sistema imunológico causado pela infecção do
HIV provocou um aumento nas taxas de
Na África, que concentra maior número de doentes, 50% das vítimas da Aids são mulheres
infecção da malaria e possivelmente facilitou a
expansão da doença na África. Da mesma forma,
sugerem que outras infecções, como a tuberculose e doenças sexualmente transmitidas,
também podem ter contribuído para a propagação do HIV na África.
As principais iniciativas para deter o avanço
da doença são as campanhas de conscientização
da população. Elas procuram esclarecer a
importância do uso de preservativos e seringas
descartáveis.
Em 1988, a Organização Mundial de Saúde (OMS) instituiu O
Dia Mundial de Combate à Aids,
para mobilizar as pessoas na luta
contra a doença. O dia marcado
para mobilização universal é
sempre 1º de dezembro.
Na maioria dos países, esse dia
já se tornou um evento anual, que
conta com a participação de
diversos segmentos da população.
Além disso, algumas iniciativas de grupos e empresas vêm
tentando amenizar o sofrimento
dos doentes. O cantor Bono Vox,
da banda de rock U2, as empresas American Express, Gap e
Giorgio Armani e o músico Bobby Shriver lançaram a marca Red, que irá reverter parte de suas
receitas para financiar iniciativas de combate à
Aids na África.
A receita obtida com as vendas dos produtos
criados pelas empresas envolvidas com a marca
Red serão destinados ao Fundo Global para o
Combate a Aids, Tuberculose e Malária. Segundo
o Fórum Econômico, o setor privado contribui
hoje com menos de 1% das necessidades de
recursos do Fundo Global.
Como a Aids chegou até nós?
Estima-se que as primeiras infecções ocorreram na África, na década de 1930, quando
caçadores africanos feridos sujaram-se com
sangue infectado ao carregarem animais. O
vírus espalhou-se primeiro nas áreas rurais,
migrando para as cidades durante a urbanização da África, nos anos de 1960.
Só em 1980 apareceram casos de doenças
oportunistas ligadas à síndrome em homossexuais nas cidades de São Francisco, Los Angeles
e Nova Iorque. Dois anos depois surgiram os
primeiros casos de contaminação mãe–filho e
por transfusão de sangue. No mesmo ano foram
registrados casos no Brasil.
Capa
Bom Dia Cruzeiro . 15
Desigualdade: falta saúde em muitos países
Hoje no Brasil e no mundo muitas doenças estão surgindo e outras
aumentando a sua incidência. Alguns dos fatores responsáveis por isso são
a falta de condições sociais, pouco acesso à informação e à saúde pública.
Uma das doenças que mais cresce nos países mais pobres é a Tuberculose.
Estima-se 8,7 milhões de novos casos de Tuberculose por ano no mundo. No
Brasil, a incidência aumentou de 101 casos, em 1999, para 1.299, em 2007.
Já a diabetes tem mais casos nos países desenvolvidos. Está na lista das
cinco doenças de maior índice de morte no mundo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, havia, em 2006, cerca de 171 milhões de diabéticos.
O câncer de mama é o mais temido pelas mulheres. Foram diagnosticados 402.190 novos casos em 2003. Destes, 41.610 foram de mama, com
cerca de 9.335 óbitos.
A médica Rossana Corbo Ramalho de Mello, professora e especialista do
Instituto Nacional do Câncer (Inca), explica que apesar da importância da
mamografia na detecção precoce do câncer de mama, ela ainda não está
disponível gratuitamente para a grande maioria das mulheres, principalmente
as de classes menos favorecidas. Por isto, é de extrema importância a campanha
de prevenção do câncer de mama, dando ênfase ao auto-exame, que depende
apenas de orientação às mulheres.
“Deve-se fazer com que o exame mamográfico esteja disponível de forma
gratuita a toda a população feminina e que haja locais onde estes casos,
uma vez diagnosticados, sejam tratados’’, avalia a médica.
Tuberculose: áreas escuras
concentram 80% dos casos
Os cuidados primários de saúde aprendidos na infância, ou seja,
educação alimentar e educação sanitária, são a base para uma das melhores
formas de prevenção de doenças. Além disso, a melhor qualidade de vida
e a melhoria de serviços educacionais e hospitalares também participam
em grande parte da prevenção e tratamento dessas doenças. Por isso, a
principal solução para o problema é a mais eficiente distribuição de renda
e o investimento em escolas e hospitais.
Malária: a doença das florestas
A Malária mata 2 milhões de pessoas por ano, uma taxa só comparável à da
Aids, e afeta mais de 500 milhões de pessoas todos os anos. A Africa Subsaariana é
a região com maior incidência da doença. Segundo a OMS, a malária mata uma
criança africana a cada 30 segundos.
No Brasil, os índices de malária foram de 613.241 casos somente na região
Amazônica em 2000. Esse índice diminuiu para 540.047 casos anuais dentro da
região, em 2006.
A malária é transmitida pela picada das fêmeas de mosquitos do gênero
Anopheles, em regies rurais e semi-rurais, mas pode ocorrer em reas urbanas,
principalmente em periferias. O mosquito da malária só sobrevive em áreas que
apresentem médias das temperaturas mínimas superiores a 15°C.
Uma vez infectado pelo plasmodium, o doente pode ter dores de cabeça,
fadiga, febre e náuseas. Tem acessos periódicos de calafrios e febre intensos que
coincidem com a destruição maciça de hemcias. A morte pode ocorrer a cada
crise de malária maligna.
Há um plano concreto para reduzir a doença, que tem como foco soluções
relativamente simples, porém comprovadas, como diagnóstico da doença em seus
estágios iniciais, o combate aos mosquitos transmissores através do fornecimento
de cortinados tratados com inseticidas e de borrifação domiciliar aos moradores de
áreas endêmicas, bem como a oferta gratuita de medicamentos efetivos contra a
malária. Esta proposta de ação foi desenvolvida pela Força-tarefa sobre HIV/Aids,
Malária, Tuberculose e Acesso a Medicamentos Essenciais do Projeto Milênio das
Nações Unidas.
Textos produzidos durante o seminário Metas do Milênio: combater a Aids, a Malária e
outras doenças, desenvolvido pelos alunos do 8º Ano sob orientação dos professores de
Biologia Rosalina Magalhães e Fábio.
Calor e humidade são
as condições ideais
para a proliferação
do mosquito
Anopheles,
transmissor da
Malária
Malária
no Brasil
Solidariedade
16 . Bom Dia Cruzeiro
Ajudar faz bem
Fotos José Ricardo
No Inpar, crianças
recebem atenção e
cuidados para o pleno
desenvolvimento
Por Amanda Pimenta e Matheus Malafaia
Diariamente, milhares de mães de comunidades
pobres saem de suas casas e vão para o trabalho,
deixando seus filhos pequenos muitas vezes sozinhos
ou com os irmãos mais velhos. São famílias que
encontram dificuldades para oferecer os cuidados mais
básicos às crianças, como alimentação. O trabalho do
Instituto Presbiteriano Álvaro Reis (Inpar) é dedicado a
crianças neste tipo de situação.
Atualmente, ele atende a 220 crianças e adolescentes
das comunidades de Cidade de Deus, Gardênia Azul e
Rio das Pedras. Divididas em dois períodos, manhã e
da tarde, crianças a partir de três anos recebem alimentação, estudo, lazer e ensino religioso, monitoradas por professores e voluntários.
Alunos e professores do Colégio Cruzeiro fizeram
uma visita à instituição levando uma proposta de
parceria. O objetivo é fornecer não só os materiais
necessários para as atividades da instituição, como
também doar atenção, carinho e tempo às crianças
atendidas. A proposta é uma continuidade do projeto
“Se Doar”, iniciado na escola há dois anos.
Contar histórias, brincar de roda, pintar, conversar.
Tudo é uma troca: as crianças ganham a atenção e os
cuidados de que precisam. Os voluntários aprendem a
dar valor às coisas simples.
“O Inpar é um lugar onde eu divido conhecimentos,
onde ensino e aprendo com as crianças”, diz a diretora
da instituição, Dona Sônia.
Crianças se divertem com a visita do Colégio Cruzeiro
Alunos e
funcionários do
Colégio Cruzeiro
passaram a tarde
com as crianças
atendidas pelo
Instituto
O Inpar fica localizado na Rua Edgard Werneck, bem próximo do Colégio Cruzeiro. Vale a
pena visitar a instituição e doar um pouco do que você pode oferecer. Quem sabe na próxima
visita, você possa estar lá. Fique atento às iniciativas que o Colégio vai programar para auxiliar
a instituição e participe também desta experiência. Todo mundo ganha.
História vem de longe
O Inpar tem 97 anos e foi fundado na cidade de Valença, em 1910. Na época, atendia aos
órfãos, filhos de pais que morreram durante o surto de Febre Amarela. No Rio de Janeiro, o Barão
da Taquara cedeu em 1923 a casa em que foi instalada a instituição. Além do casarão principal,
que guarda o estilo de construção da época, a intituição conta com prédios anexos, onde
realiza as atividades com as crianças, e ainda tem campo de futebol. Hoje, ela funciona em
regime de creche, no mesmo espaço, atendendo crianças carentes e também às famílias, que
não tem onde deixar os filhos durante o dia.
Participaram da visita ao Inpar os alunos Fernanda Milani, Bárbara Van Erven, Liz Marques,
Clara Klein, Amanda Pimenta e Matheus Malafaia acompanhados dos professores José
Ricardo, de Geografia, Flávia Carvalho, de História e da orientadora Vânia Vasconcellos.
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