Aqui você começa bem Informativo dos alunos do Colégio Cruzeiro - Jacarepaguá . ano II . número 2 . novembro de 2007 Lanche coletivo dos alunos do 6º ano: comida saudável e conversa inteligente sobre o consumo responsável Boa notícia Inpar O Brasil avançou no combate à mortalidade infantil. Mas ainda há muito a se fazer pág 10 Bem pertinho daqui, uma instituição que se dedica a atender crianças de comunidades pobres precisa de você pág 16 Por um mundo melhor Saúde, educação, dignidade: nossos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Páginas 77 aa 15 15 Páginas 2 . Bom Dia Cruzeiro D I T O R I A L SUMÁRIO Nós podemos Grandes mudanças podem acontecer todos os dias: mudança de cidade, mudança de atitude, mudança de planos. Para que aconteçam, às vezes basta uma decisão. Outras podem exigir grandes esforços. Mas, o primeiro passo é sempre o mesmo: reconhecer que é hora de mudar. No ano 2000, os países-membros da ONU perceberam que tinha chegado a hora da mudança. Na verdade, eles estavam até atrasados. Catástrofes ambientais, guerras, fome, os problemas se multiplicavam. Mas essa é daquelas mudanças que exigem esforços enormes. O documento que reconhece a necessidade desse esforço recebeu o nome de Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Ele estabelece metas para que os governos se empenhem no combate aos grandes problemas decorrentes da desigualdade. Mas não traz uma receita pronta para alcança-las. Por isto, sugestões são bem-vindas. Nesta edição você vai conhecer o olhar dos alunos sobre as metas do milênio. Até 2015, ano limite estabelecido pelo documento para o alcance das metas, há muito trabalho a fazer. Mas o que a pesquisa nos mostra é que precisamos começar desde já. Nossa arma secreta: o conhecimento. Inspire-se na leitura e descubra, você também, a sua maneira de colaborar para o desenvolvimento humano. Esperamos encontrá-lo em 2015 num mundo melhor. 03 Comportamento Eu, eu mesmo e robô Projeto Clube de Ciências 04 Educação Júlio Emílio Braz Ah, fala sério! 06 Arte sobre foto Albertino Peres E Cultura Quadrinhos 07 Matéria de Capa Como salvar o planeta? 08 Desenho do aluno Eduardo, turma 64, inspirado no conto “O Bife e a Pipoca”, de Lygia Bojunga Este projeto tem o apoio dos nossos parceiros Eli Pio / Pastoral da Criança Matéria de Capa Repensando valores 10 Matéria de Capa Vitória brasileira 12 Matéria de Capa Por um mundo sustentável 14 Matéria de Capa Tragédia mundial EXPEDIENTE COLÉGIO CRUZEIRO - JACAREPAGUÁ Diretor Coordenador do 9º Ano e Ensino Médio Redação Diagramação João Aprígio Fabiana Antonini Valdomiro Dockhorn Vice-Diretora Orientadora Educacional do 9º Ano e Ensino Médio Alunos do 4º ao 9º ano e Ensino Médio Edição Carla Baiense Norma Benjamin Maria Cecília Moreira da Costa Carla Baiense Fotolito e impressão Coordenadora do 6º ao 8º Ano BOM DIA CRUZEIRO é produzido pelos alunos do Colégio Cruzeiro JPA, sob a orientação de professores e funcionários Revisão Julio Bezerra Fátima Lopes Acar Tiragem Projeto Gráfico 1.800 exemplares Fátima Lopes Acar Orientadora Educacional do 6º ao 8º Ano Vânia Vasconcelos Fabiana Antonini José Ricardo Foto de capa 16 Solidariedade Ajudar faz bem Comportamento Bom Dia Cruzeiro . 3 Eu, eu mesmo e robô Por Guilherme Pixinine e Jorge Pumar Nos filmes de Hollywood ou nas fábricas de todo o mundo, um novo personagem vem se tornando cada vez mais presente: são os robôs. O avanço da robótica, a ciência que estuda estes sistemas, também chegou à internet. O InBot é um software de inteligência artificial para criação de personagens virtuais usados para conversar com os usuários, respondendo como se fossem atendentes reais em uma sala de chat. As respostas dadas pelo programa são criadas a partir de uma personalidade (consciência sintética) e de uma base de conhecimento organizada pela equipe de escritores e programadores. As frases com respostas são escolhidas e montadas automaticamente pelo programa de forma tão realística que fazem com que os usuá- rios do chat fiquem em dúvida: afinal, estão conversando com uma pessoa ou com um programa de computador? No Brasil, aplicações deste sistema podem ser experimentadas em sites como o do Compet (http:// www.conpet.gov.br/ed/). Ed, o robozinho que conversa com os vizitantes, é uma aplicação da inteligência artificial, programado para interagir e responder a diferentes perguntas das pessoas que visitam seu site. O resultado da interação vai depender do assunto abordado e da quantidade de informações disponível nos sistemas a respeito do tema. Robô do Compet é especialista em anergia e responde às perguntas sobre o tema recorrendo a um poderoso banco de dados, produto das pesquisas da Petrobras a respeito do assunto. Projeto Clube de Ciências Fotos Sandra Mara Por Sandra Mara O Clube de Ciências tem como objetivo relacionar os conteúdos ao cotidiano dos estudantes e às outras áreas do conhecimento. Estimular a criatividade, envolvendo o aluno na observação do dia-a-dia. O processo da curiosidade faz com que o aluno passe de um ser passivo no seu aprendizado para ativo, dentro e fora da escola. Estimula-se um aluno agente, capaz de investigar cientificamente e de buscar respostas aos seus questionamentos. O Clube de Ciências é uma atividade realizada semanalmente no laboratório do Colégio Cruzeiro, na qual alunos de 6º, 7º e 8º ano estudam um tema. Testamos a tensão superficial da água com um clips, para discutir sua utilidade na natureza - 7º ano No ano de 2007, os grupos de Clube de Ciências estudaram temas como Insetos, Química do cotidiano e Química dos alimentos. O tema Insetos teve como principal objetivo estudar: · Variedade de espécies dos insetos, · Como vivem. · Como se locomovem. · Onde está inserido na cadeia alimentar. · Quais insetos encontramos no Colégio Cruzeiro. Confiram as fotos de algumas atividades. O tema Química do cotidiano teve como principal objetivo estudar: · As características químicas e físicas da água · Tensão superficial da água · Poluição da água · Tratamento da água. Confiram as fotos de algumas atividades. O tema Química dos alimentos teve como principal objetivo estudar: · Bebidas energéticas · Receitas de baixo custo · Pirâmide alimentar · Sistema digestório. Confiram as fotos de algumas atividades. Dêem uma olhadinha no site do Colégio Cruzeiro e confiram algumas de nossas aulas. Esperamos vocês no ano que vem!! O Bicho-Pau é um inseto que tem a facilidade de proteger-se dos predadores por fazer camuflagem. Na foto, os alunos do 6º ano conhecem o inseto durante a visita à coleção entomológica da Fundação Oswaldo Cruz Educação 4 . Bom Dia Cruzeiro As histórias de Júlio Emílio Braz Autor de livros que tratam de questões sociais conversa com alunos do 5º ano sobre literatura e preconceito no país Entrevista coletiva Carla Baiense A visita de Júlio Emilio Braz foi muito interessante. Ele nos contou uma parte da sua vida. Admitimos que, quando chegamos à biblioteca pensamos que ele era um autor “sério”. Mas, quando saímos, tivemos uma idéia diferente: ele era muito engraçado. Começou sua carreira escrevendo histórias em quadrinhos. Bom, agora escreve livros. Adoramos os que ele trouxe para nos mostrar. Eram de diversos tamanhos, formas, assuntos e línguas diferentes. Tinha até um em alemão. O 5º ano leu dois livros escritos por ele: “A mulher que lia com as mãos” e “O grande dilema do pequeno Jesus”. Adoramos! Ajudaram muito a escrever o nosso livro do ano, que relata o preconceito na sociedade mundial. Achamos que ele faz uma coisa rara: ela pega frases do cotidiano, que ouve pela rua, e utiliza em seus livros. Achamos isto fantástico! Bom Dia Cruzeiro - Você sempre sonhou em ser escritor? Júlio Emílio - Não queria ser escritor porque todo mundo diz que o brasileiro não gosta de ler. Eu sou a prova viva de que estão mentindo. Sou escritor há 27 anos. A palavrinha mágica que acaba com o maior projeto de vida é: não dá dinheiro. Mas, quem disse que tem que dar dinheiro? BDC - Como você se decidiu pela profissão? JE - Virei escritor aos 19 anos. Aos 17 anos, depois que meu pai levantou acampamento, eu virei o homem da casa. Era o filho mais velho e ajudava a minha velha, que lavava roupa para fora. Minha mãe, que não foi à escola, mas era muito esperta, falou: filho, se você tiver esperteza e vergonha na cara, não vai ficar sem emprego. Uma editora perto da minha casa contratou 31 ilustradores para produzir histórias em quadrinhos de terror e não tinha quem escrevesse. Meu vizinho era office-boy da editora e me chamou para trabalhar lá. BDC - Quantos livros você já publicou? JE - Tenho 138 livros publicados. O brasileiro gosta de ler, o que atrapalha é o dinheiro. BDC - Qual foi o seu primeiro livro? JE - Aos 16 anos escrevi meu primeiro livro, em vários cadernos, à mão mesmo. Enviei para uma Conversa com Júlio Emílio inspirou nosso autores do Livro do Ano “Somos Todos Diferentes” editora e o editor me mandou uma carta dizendo que eu tinha condições de me tornar um bom escritor, mas que, naquele momento, ainda estava muito “verde”. Falou para eu continuar lendo e escrevendo até apresentar um texto em condições de ser publicado. Não publiquei o livro, mas ganhei um conselho fundamental. BDC - Seus livros tratam de que assunto? JE - Tem livros sobre preconceito, realidade em favelas, suicídio entre jovens, morte para crianças, consumo, corrupção. Ao mesmo tempo tem ficção científica, histórias de terror, recontos. BDC - Por que você escolheu o público infanto-juvenil? JE - Primeiro, porque eu fui uma criança e um adolescente. Parece óbvio, mas tem gente que não viveu a infância e a adolescência. Eu tive duas infâncias: até os cinco, morava na roça, tomava banho pelado no rio, me pendurava no cipó, via o trem passar todo dia às seis da tarde na minha porta. Depois mudei para a cidade. Até os 12 anos morava na favela da Maré. BDC - Como se cria um livro? JE - A gente cria do que a gente ouve, do que a gente vê. Ou cria daquilo que já viveu. Ninguém cria do nada. No caso de “A mulher que lia com as mãos”, por exemplo, conheci na escola uma menina cuja mãe era cega. O resto é ficção. Tento me colocar em situações cotidianas e imaginar como os personagens agiriam. BDC - Como você se inspirou para escrever “O grande dilema do pequeno Jesus”? JE - Há oito anos ouvi esta história numa escola. A professora queria fazer uma peça de Natal e o único candidato a Jesus era um menino negro. Na história original, a professora, a coordenadora e a diretora convenceram o menino de que não daria certo. Fiquei tão marcado pela história que decidi contála. Só que na minha história o menino resolve perguntar às pessoas porque ele não poderia ser Jesus. BDC - Você sofreu muito preconceito? JE - Não sofri muito preconceito porque estudei numa escola pública, onde havia muitos meninos negros como eu. Sofri por ser gordo. Mas me coloco na posição de quem sofre uma injustiça, porque o preconceito é uma baita injustiça. BDC - Que livro você está escrevendo agora? JE - Um livro na linha de Harry Potter, com magia, com suspense. BDC - Como você escreve? JE - Em máquina de escrever. Educação Carla Baiense Bom Dia Cruzeiro . 5 Ah, fala sério! Thalita Rebouças conversa sobre livros, fãs e adolescência com os alunos do 8º ano Por Amanda Espinosa, Guilherme Maggessi e Matheus Malafaia* “Tipo assim cara, fala sério! Ninguém merece essa parada de ler! Ler é um saco! Mas, tipo, é até legalzinho uma lida aqui, outra ali. Mas, pô, só tem texto chato e difícil!” É assim que os jovens hoje vêem a literatura? O sucesso de escritores como Thalita Rebouças põe em dúvida o senso comum. Com muito humor e criatividade e usando um vocabulário acessível, Thalita conquistou o público adolescente e vendeu milhares de livros por todo o Brasil. Para falar um pouco da sua carreira e de sua relação com a literatura, convidamos a escritora para uma manhã de bate-papo com os alunos do 8º ano. O ambiente não podia ser mais apropriado. Cercada de livros, na biblioteca do colégio, ela falou, muito à vontade, da sua vida e de seus personagens. Interessada por livros desde pequena, Thalita um dia tomou coragem, abandonou o jornalismo e decidiu investir na literatura. A receptividade da família foi, segundo ela, emocionante: “Você tá maluca, quer morrer de fome!!?” – brinca a escritora, que não se arrepende da escolha. Foi assim que surgiu “Traição entre amigas”, que não tinha como público-alvo os jovens. Percebendo que os Alunos do 8º ano descobrem como surgiu a Malu, personagem principal de alguns dos livros de Thalita adolescentes se identificaram com a história, a escritora resolveu voltar seu trabalho para este tipo de leitor. Mas considera que seus livros são para qualquer idade. A relação com os fãs é um capítulo à parte na história de Thalita. No site, onde ela recebe emails de todos os tipos, responde a perguntas que vão desde o creme de beleza ideal até como se tornar uma modelo.(Veja o texto da fã Juliana Bontempo) “Acho que os leitores pensam que vivo nesse mundinho fashion dos meus livros”, explica.. Tendo como pano de fundo a Zona Sul do Rio de Janeiro, os shoppings centers e as “noites cariocas”, seus livros retratam o dia-a-dia de meninas em plena adolescência, com seus conflitos, confusões, dúvidas e descobertas. Tudo com um toque de humor. Os últimos lançamentos da escritora são “Tudo por um feriado” e “Uma fada veio me visitar”. Divertidos e descontraídos, os livros falam a linguagem dos adolescentes. Mas, quando o assunto é escola, expressões como “fala sério” e “tipo assim” não encontram tanta aceitação entre professores e profissionais. Embora não rejeitem uma literatura mais despojada, eles recomendam ampliar o leque de leitura, conhecendo o maior número possível de estilos, tendências, autores e culturas. *Colaboraram Alvaro Pessanha, Amanda Manso, Ana Paula, Carolina Argento, Catherine Barros, Guilherme Abreu e Juliana Bontempo. Ler é fundamental Papo de adolescente Toda forma de leitura é valida e importante. Alimentar o gosto pelo livro requer cuidado, critério, mas também o respeito às preferências e boa dose de liberdade na escolha. É papel da escola orientar os alunos e torná-los íntimos de diferentes autores e gêneros textuais. Nesse processo, alguns jovens, inicialmente, resistem ao novo. Habituados a determinados comportamentos, situações de vida e modalidades de discurso, estranham quando encontram em um livro uma perspectiva mais formal. Apegar-se apenas ao conhecido parece mais fácil e seguro, porém, o incomum é desafiador, traz transformação e abre a mente para novos universos. Acredito no papel do professor estimulando no aluno a leitura de obras diferentes. Com o tempo, o amor ao livro surge e cria em quem lê o refinamento e a delicadeza para a escolha. Não me preocupo, portanto, com a qualidade dos livros que os jovens escolhem, mas, principalmente, com a responsabilidade e o compromisso da escola de revelar-lhes caminhos amplos de leitura. Escritora de mais de sete livros, Thalita conquistou o coração de muitos jovens com sua criatividade e a originalidade de suas histórias. Seus livros falam sobre tudo o que jovem pensa e fala. Com humor e a partir de fatos da realidade, a escritora de 32 anos faz as perguntas que surgem na cabeça de todo adolescente e os ensina a falar de suas dúvidas com seus pais de uma forma bem simples. Thalita Rebouças sempre sonhou em ser escritora e se aprofundar melhor na literatura, falando sobre o que pensa e o que acredita. Alguns dos seus livros mais famosos são “Fala Sério, Mãe”, “Fala Sério, Professor”, “Fala Sério, Amor”, “Tudo por um pop star”, “Tudo por um namorado”, “Tudo por um feriado” e “Traição entre amigas”. Como leitora, recomendo um dos livros de que eu mais gostei: “Fala sério, Amor”. Fiquei muito interessada na história, porque, de uma maneira divertida e engraçada, aprendi alguns fatos da vida, que um dia ou outro eu vou ter que encarar. É um livro muito interessante, que todo tipo de leitor pode apreciar! Simone Carneiro – professora de Língua Portuguesa Juliana Bontempo – Aluna da turma 82 Cultura 6 . Bom Dia Cruzeiro Quadrinhos Grandes pintores criaram quadros famosos. Maurício de Souza transformou-os em quadrões, acrescentando seus personagens. Nós juntamos os alunos da turma 42 para fazer os quadrinhos. Arte sobre fotos: Albertino Peres O pintor José Ferraz de Almeida Júnior é muito interessante. Esta obra foi feita em 1891 e se encontra na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Nós estamos num quadro maravilhoso pintado por Botticelli chamado “Nascimento da Vênus”. Esse quadro foi pintado sobre tela e está na Galeria Delli Uffizi, em Florença, na Itália. Mona Lisa ou La Gioconda é a pintura mais famosa de Leonardo Da Vinci. O pintor começou a obra em 1503 e só terminou o quadro três a quatro anos depois. Atualmente está exposta no Louvre, em Paris. Paul Gauguin nasceu em Paris e viveu muitas aventuras viajando pelo mundo. Ele adorava pintar pinturas brilhantes e chapadas. Claude Monet nasceu em Paris, em 1840. Ele adorava pintar mar, oceanos, rios, lagoas e barcos. Ele viveu até os 86 anos e passou os últimos 10 anos de sua vida pintando quadros em seu jardim aquático Rembrandt, maior artista holandês, retratou episódios históricos e cenas bíblicas. Também reproduziu retratos de personagens ricos e pobres de sua época. Van Gogh era holandês e nasceu em 1853. Ele foi vendedor, professor, livreiro e pastor, como seu pai. Mas nenhum destes empregos satisfez Van Gogh, que um dia resolveu se tornar artista. Capa Bom Dia Cruzeiro . 7 A hora da mudança Em vastas regiões do planeta, um enorme contingente populacional encontra dificuldades para obter os recursos básicos de sobrevivência. Faltam alimentos, saneamento, educação, respeito à vida. Nos países mais pobres e nas periferias das nações mais desenvolvidas, a situação é ainda mais grave. Pelos cálculos da ONU, o século XX nos deixou um bilhão de pessoas em condições de pobreza extrema. Cedo ou tarde, pobres e ricos experimentam os efeitos da desigualdade planetária: problemas urbanos, decorrentes do crescimento desordenado das cidades, epidemias, degradação ambiental. Em 1990, mais de 1.2 bilhões de pessoas – 28% da população do mundo em desenvolvimento – viviam em extrema pobreza. Relatório de 2006 dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio Em 2000, os 191 países-membros da ONU decidiram que era hora de mudar essa trajetória. Reunidos em Nova Iorque, assinaram a Declaração do Milênio. No documento, reconhecem os efeitos desastrosos que a chamada globalização vem espalhando pelo planeta e comprometem-se a trabalhar juntos, para reverter esse quadro. Dessa disposição surgem os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Para alcançá-los, foram definidas metas concretas, como reduzir pela metade, até 2015, o percentual de pessoas que vivem com até U$ 1 por dia. Ou garantir que as crianças de todo mundo possam concluir ao menos um ciclo completo de ensino primário. Metas simples, como se vê, direitos fundamentais, negados a milhões de seres humanos. E, como podemos verificar, longe de serem alcançados. Nesta edição, selecionamos quatro objetivos para uma reflexão. Alunos do 6º, 8º e 9º ano discutiram as causas da fome, os efeitos da degradação ambiental, as alternativas para deter doenças, os avanços na redução da mortalidade infantil. Nas próximas páginas estão os resultados desta pesquisa. A primeira contribuição dos cidadãos do futuro para melhorar a vida no planeta. Ilustração do aluno João Vitor, turma 64, inspirada no conto “O Bife e a Pipoca”, de Lygia Bojunga. Os 8 objetivos do milênio § Erradicar a extrema pobreza e a fome § Atingir o ensino básico universal § Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres § Reduzir a mortalidade infantil § Melhorar a saúde materna § Combater o HIV/AIDS, a malária e outras doenças § Garantir a sustentabilidade ambiental § Estabelecer uma parceria mundial pelo desenvolvimento Capa 8 . Bom Dia Cruzeiro Repensando valores Carla Baiense Enquanto milhões de pessoas sofrem com a fome, outras milhares desperdiçam dinheiro e prejudicam a saúde com uma alimentação inadequada. Para resolver esta difícil equação são necessários esforços para tornar menos injusta a distribuição de renda no mundo e mais conscientes os consumidores. Para entender como se produz a desigualdade, os alunos do 6º ano refletiram nas aulas de matemática sobre temas como salário mínimo, custo da cesta básica, políticas de distribuição de alimentos, valor nutricional e consumo não essencial. Confira o resultado desse esforço. *O projeto Repensando Valores foi desenvolvido pela equipe de Matemática e coordenado pelas professoras Márcia Leite e Rita Sá. Contou com a colaboração da nutricionista Juliana Iório e do professor de Educação Ambiental JH. No lanche coletivo os alunos aprenderam que saudável também pode ser gostoso. Renda da população define qualidade da alimentação No mundo inteiro, milhões de pessoas vivem com uma renda muito baixa e têm uma alimentação precária. Aquelas que têm um maior poder aquisitivo se alimentam um pouco melhor. Mas nem sempre é assim. As pessoas se alimentam mal não apenas por falta de dinheiro, mas também por falta de informação. No Brasil, segundo pesquisas, 18% da população compram, semanalmente, produtos que não são essenciais à sua alimentação. A obesiTeotônio Roque/Pastoral da Criança O Ferro, presente em alimentos como fígado, previne anemias e, na gestação, ajuda a levar oxigênio para o bebê. Para melhorar a absorção, a dica é consumir na mesma refeição vitamina C, encontrada, por exemplo, no suco de laranja. dade se tornou uma epidemia, mesmo entre a população mais pobre, que consome muitos alimentos gordurosos. Enquanto muitos não têm o que comer, outros desperdiçam. Nos Estados Unidos, mais de 90% da população compram, semanalmente, produtos não essenciais. Na Europa, o salário mínimo é, em média, 15% menor do que nos Estados Unidos. O índice de pobreza, no entanto, é menor nos países europeus, onde o consumo é mais consciente. Na Europa, os alimentos são mais caros, porque não há muitas áreas para cultivo. Os países importam boa parte do que consomem. No Brasil, ao contrário, existe um solo muito rico e o país exporta alimentos. Produtos como a soja, muito cultivada no país, têm um preço alto por aqui, porque é muito valorizada no mercado externo. A desigualdade social produz uma enorme exclusão no Brasil. Milhares de pessoas estão abaixo da linha da pobreza e não recebem sequer o salário mínimo mensal de R$ 380. Nos países europeus, apesar dos preços altos, a população pode se alimentar melhor, porque o poder aquisitivo é maior. Na Alemanha, por exemplo, não existe um salário mínimo geral para todos os trabalhadores. Cada profissão tem o seu salário, estabelecido pelo governo ou pelas empresas. Um trabalhador simples recebe, em média, mil Euros, o suficiente para as compras básicas e outras despesas. O lazer é quase todo de graça. Os alemães aproveitam o tempo livre em parques e outras atividades gratuitas. Em Portugal, o salário mínimo está em torno de 400 Euros, suficiente para comprar 23 cestas básicas naquele país. Este é o salário pago aos trabalhadores com baixa escolaridade. Pense no seu consumo e no que você joga fora. Trabalhe pela redução da desigualdade social. Faça alguma coisa para erradicar a fome no mundo. Texto coletivo produzido pela turma 64 Capa Bom Dia Cruzeiro . 9 O que é bom para você? Eles são práticos e gostosos. Coloridos e cheirosos, vêm em caixinhas, latas ou embalagens plásticas e trazem o apelo irresistível de produtos “prontos para o consumo”. Os comerciais dizem que são ideais para se comer na praia, no parque ou nos momentos em que “bate uma fominha”. Mas não se engane: os alimentos industrializados contêm uma série de ingredientes prejudiciais. É o caso dos corantes, substâncias que dão cor aos alimentos, encontradas em refrigerantes, biscoitos, sorvetes, balas, sucos de caixinha e chicletes. No nosso organismo, estas substâncias podem provocar desde alergias leves até graves distúrbios gastrintestinais. Outra substância presente nos alimentos industrializados são os conservantes, usados para prolongar a vida dos produtos nas prateleiras. Para obter este efeito, a indústria adiciona ácidos e sal à comida. O sal em excesso, por exemplo, pode causar hipertensão arterial. Além dos corantes e dos conservantes, freqüentemente são usados aromatizantes, que substituem os ingredientes naturais nas fórmulas, dando o sabor e o cheiro originais aos alimentos. Muitos fabricantes utilizam os aromatizantes na composição de seus produtos no lugar de carnes, os fabricantes a colocarem um aviso aos como no caso dos biscoitos, e de frutas, como no consumidores nas embalagens de produtos transcaso de sucos e sorvetes, para reduzir os custos de gênicos. O consumidor é quem vai decidir se quer produção e aumentar os lucros da venda. ou não consumir alimentos feitos a partir de semenOutros dois ingredientes bastante utilizados tes modificadas. nos produtos industrializados são os açúcares e E então, você se arrisca? as gorduras. Embora não sejam exatamente Texto coletivo produzido pela turma 61 alimentos prejudiciais, em excesso podem Eli Pio/Pastoral da Criança trazer efeitos colaterais, como a obesidade e a diabetes. A novidade, agora, em relação aos riscos à saúde causados pelos alimentos processados é a utilização de ingredientes transgênicos. Os transgênicos são produzidos a partir de sementes geneticamente modificadas (manipuladas em laboratório). Essas sementes se tornam mais resistentes a pragas e dão mais produtividade às plantações. No entanto, não existem pesquisas suficientes apontando os efeitos dos transgênicos sobre a saú- Alimentos naturais: coloridos e saborosos, sem corantes ou aromatizantes. de humana. A lei brasileira obriga Têm a vantagem adicional de custarem menos que os industrializados. Consumo de leite no mundo O leite é um alimento essencial à alimentação. Ele é fonte de cálcio e proteína e é consumido em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), um adolescente deve consumir, em média, um litro de leite por dia. Isto significa que, numa família com dois adolescentes, o consumo mensal é de 60 litros por mês. Nas famílias mais pobres, no entanto, o consumo de leite é insuficiente. Em países europeus, a relação entre o valor do salário mínimo e o custo do litro de leite favorece o consumo. Em Portugal, o mínimo vale 400 Euros e o preço do leite é de 2,50 Euros. Na França, o mínimo é de 1.300 Euros (R$ 3.348), enquanto o litro do leite custa entre 1 e 2,5 Euros. Na Suíça, um litro de leite custa 1,70 Francos. Com o salário mínimo de 1.886,79 Francos, o equivalente a R$ 3 mil, é possível comprar 1.109 litros de leite por mês. Já na Bélgica, onde o mínimo é de 1.163 Euros, o equivalente a R$ 3.105, uma família média gastaria 34,60 Euros para comprar 60 litros de leite. O restante seria usado para as outras despesas. No Brasil, o salário mínimo é de R$ 380 e o litro do leite custa R$ 1,67. A mesma família gastaria R$ 100,02. Com os R$ 280 restantes daria para pagar as outras despesas? Se, ao invés de consumir o necessário, a família restringisse o gasto com leite a R$ 60, cada adolescente tomaria apenas metade do que recomenda a OMS. Considerando que nas famílias mais pobres há um número maior de crianças, podemos concluir que o consumo de leite é ainda menor. Dá para reduzir a fome no mundo? Em Cuba, o governo decidiu distribuir leite para a população. Além disso, fixou preços diferentes para os produtos vendidos aos nativos e aos turistas. Em compensação, o nível de renda dos habitantes é muito baixo. Para se ter uma idéia, as famílias consideradas ricas são as que têm microondas em casa. O salário mínimo é de 225 Pesos, mas não é respeitado em todo o país. Um pedreiro, por exemplo, ganha 25 pesos mensais. Ainda na América Latina, o salário mínimo argentino é de 960 Pesos (R$ 510). O leite custa, em média, 2 Pesos. Dá para comprar o equivalente a 480 litros do produto por mês. Na África do Sul, o mínimo é de 1.830,88 Rands. Em Reais, seria o equivalente a R$ 501,21. O leite custa 7 Rands, ou R$ 1,92. O trabalhador americano tem um mínimo estabelecido por hora de U$ 5,15. Em média, o mínimo mensal será de U$ 1.277. Com esse salário, é possível comprar 534 litros de leite, que custa U$ 2,39. A relação entre renda e custo do leite, um alimento básico em todo mundo, revela por que a alimentação é precária em muitos países. Para reduzir a miséria é preciso aumentar o salário, tornando-o compatível com o preço dos alimentos. E em casos extremos, é preciso distribui alimentos como o leite, reduzindo a fome no mundo. Texto coletivo produzido pela turma 62 Capa 10 . Bom Dia Cruzeiro Essencial é ter saúde Consumo essencial é o que a gente precisa para uma alimentação saudável. O não essencial é aquele que não enriquece a alimentação e pode mesmo prejudicar a saúde. Nosso corpo precisa ingerir uma quantidade diária de nutrientes para ter um bom funcionamento. Pães, carnes, frutas, legumes, verduras e cereais fornecem as vitaminas, proteínas e sais minerais de que precisamos. E os alimentos não essenciais? “É tudo de bom”: biscoitos, balas, sorvetes, batatas-fritas. A lista é bem grande. No entanto, estas guloseimas trazem na sua composição corantes, acidulantes e aromatizantes que, além de darem a cor e o sabor irresistíveis, também trazem de brinde para o consumidor o risco de desenvolver várias doenças. Pesquisam afirmam que 95% da população mais favorecida no Brasil consomem uma quantidade grande de alimentos não essenciais. Isto porque, em geral, os produtos processados têm um custo maior que os alimentos básicos, como o tradicional feijão e arroz. Nos Estados Unidos, 95% de toda população se alimenta de produtos não essenciais. No Brasil, boa parte da população menos favorecida consome produtos essenciais. Além de, em geral, custarem menos, eles fornecem as calorias de que precisam para realizarem suas atividades diárias. Para ter uma alimentação saudável, coma à vontade saladas, frutas, legumes e cereais. Consuma com moderação leite e derivados e carnes. E tome cuidado com os açúcares, óleos e gorduras. Estes alimentos, em excesso, podem causar doenças como a diabetes a obesidade e distúrbios cardíacos. Dicas: · Observe as informações nutricionais presentes nas embalagens dos alimentos industrializados. · Verifique se o alimento possui gordura trans. · Determinados corantes, como o amarelo tartrazina, podem provocar reações alérgicas, como asma e urticárias. · Realçadores de sabor, como o glutamato monossódico, são alvo de grandes controvérsias a respeito dos efeitos que causam no organismo, entre os mais comuns, a enxaqueca. Confira se ele foi adicionado ao produto que você está comprando. Texto coletivo produzido pela turma 63 Vitória brasileira As taxas de mortalidade infantil do país continuam em declínio, mas há muito a ser feito Por Juliana Vianna e Carolina Salomão Até 2015, todos os 191 países das Nações Unidas assumiram o compromisso de realizarem os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, entre eles a redução da mortalidade infantil. Essa meta tem como objetivo reduzir em dois terços a mortalidade de crianças menores de cinco anos. As taxas de mortalidade do Brasil continuam em declínio, passando de 36,9 por mil nascidos vivos em 1996 para 25,1 em 2006, segundo o IBGE. Entre os principais motivos da mortalidade infantil estão o pouco empenho dos programas de imunização infantil, os conflitos internos e distúrbios civis nos países, a falta de saneamento básico, a falta de políticas públicas de promoção ao desenvolvimento das crianças e a baixa renda das famílias. Além disso, os menores de cinco anos são vítimas de doenças como a Aids, a diarréia, doenças respiratórias e cardiovasculares e a malária, que mata uma criança a cada 30 segundos no mundo. Sendo mais preciso: a mortalidade infantil é de ordem biológica, sócio-econômica e sócio-ambiental. A mortalidade infantil atinge principalmente países subdesenvolvidos, com precárias condições de saúde, nutrição, saneamento básico e recursos médicos. Apesar de o número de crianças que morrem antes dos cinco anos continuar muito alto, houve uma redução nas últimas décadas. Atualmente, morrem dois milhões de crianças a menos que em 1990 e a possibilidade de que um recém-nascido chegue aos cinco anos aumentou 15%. Mas a mortalidade diminuiu um terço a menos que nos anos 80. Salário mínimo De acordo com a constituição, é o “salário mínimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação para qualquer fim” (Constituição da República Federativa do Brasil, capítulo II, Dos Direitos Sociais, artigo 7º, inciso IV). Seguindo esta definição, o Dieese calculou o valor do salário mínimo necessário para uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças): R$ 1.797,56, no mês de outubro. O salário nominal do país, no entanto, é de R$ 380. A Cesta Básica Nacional, que contém a quantidade de calorias e proteínas necessárias para um trabalhadio, calculada pelo Dieese, custaria hoje R$ 194,27, o equivalente a 55% do valor do mínimo. Capa Bom Dia Cruzeiro . 11 No entanto, o objetivo de reduzir em dois terços a mortalidade de crianças menores de cinco anos só deve ser atingido em 2045, ou seja 30 anos depois do prazo da Nações Unidas. Se os avanços da década de 80 se mantivessem nos anos posteriores, morreriam menos um milhão de crianças em 2003, segundo o PNUD, que destaca a lentidão na redução da mortalidade neonatal. Tanto no caso das crianças como no das mães, a maioria das mortes poderia ser evitada com intervenções de baixo custo para evitar as doenças contagiosas e as infecções sistemáticas. Todos os anos, 11 milhões de bebês morrem de causas diversas. É um número escandaloso, mas que vem caindo desde 1980, quando as mortes somavam 15 milhões. Os indicadores de mortalidade infantil falam por si, mas o caminho para se atingir o objetivo dependerá de muitos e variados meios, recursos, políticas e programas, dirigidos não só às crianças, mas a suas famílias e comunidades também. Reinaldo Okita/Pastoral da Criança Mortalidade no Mundo em 2005 Reinaldo Okita/Pastoral da Criança Arquivo/Pastoral da Criança A ONU elegeu 8 jeitos de reduzir a mortalidade em nível mundial: Utilizando os cuidados básicos de saúde, a Pastoral da Criança vem mudando o panorama da mortalidade infantil no país. O acompanhamento começa desde a gestação e continua até que a criança complete 5 anos. As líderes verificam o peso, a vacinação e o desenvolvimento do público atendido. - Identificar as gestantes da comunidade-alvo e se certificar de que elas estão fazendo o exame pré-natal sistematicamente. - Promover, a cada dois meses, um encontro para orientar às gestantes da comunidade-alvo sobre gestação saudável e cuidados com o bebê. - Identificar, na comunidade-alvo, os bebês desnutridos e submetidos a outros agravos, a fim de dar orientação às famílias sobre os tratamentos necessários. - Entrar em contato com as líderes da Pastoral da Criança que atuam na comunidade-alvo e levantar as maiores dificuldades encontradas, visando a uma ação conjunta a cada dois meses. - Monitorar as cadernetas de saúde das crianças, a fim de orientar as mães quanto à necessidade e ao direito de exigir que sejam preenchidas nas unidades de atendimento à criança. - Organizar encontros a respeito da prevenção de acidentes domésticos, para famílias da comunidade-alvo. - Realizar, a cada quatro meses, atividades educativas para adolescentes, em uma escola da comunidade-alvo, sobre maternidade e paternidade responsável. - Mobilizar a comunidade-alvo para participar das campanhas da vacinação, assegurando que todas as crianças sejam atendidas. Capa 12 . Bom Dia Cruzeiro Por um mundo sustentável Para garantir a continuidade da vida, os países se comprometeram a rever sua maneira de tratar o lixo, gerar energia e conciliar vida com crescimento econômico Arquivo pessoal Lagoas da Barra e de Jacarepaguá se afogam no lixo que vem tanto dos condomínios de luxo quanto das favelas A degradação ambiental vem aumentando devido às práticas inconseqüentes por parte do ser humano. Porém, dizer “ser humano” é subjetivo diante da proporção real dos fatos. Quando se diz “ser humano” separa-se em duas classes principais: o mais favorecido e o menos favorecido. Leva-se em conta o empresário afortunado que despeja os resíduos de sua fábrica no meio ambiente, mas, também, se deve ter em mente o morador da favela, o cidadão humilde, que despeja esgoto doméstico nos rios. A chamada pobreza é um grande fato de degradação ambiental. Todavia, não se deve culpar os pobres de criarem uma máfia da poluição ou algo do gênero, pois essas atitudes estão ligadas às deficiências sociais e culturais. Ou seja, essas pessoas são conseqüências da macrocefalia urbana, da carência do sistema de ensino, da saúde publica deficiente e do alto índice de desemprego. Essas deficiências geram práticas ambientais degradantes e inconseqüentes. Estas práticas não são grandes feitos, são pequenos detalhes do dia-a-dia. Pode começar com um simples vazamento de lixo de forma inadequada, transformando os mananciais e o ambiente ao redor em um verdadeiro lixão, atolado em detritos. Mas também diz respeito à ecologia humana. A falta de planejamento familiar e ausência do uso de métodos anticoncepcionais provocam um grande aumento populacional. E quanto mais gente, mais lixo. Essa gente toda provoca, por sua vez, um aumento de moradias, agravando a macrocefalia urbana e o desmatamento de áreas florestais, especialmente encostas de morros. Outra questão importante é o uso do solo nas áreas rurais. Por falta de informação, muitos agricultores acabam utilizando recursos rudimentares, que favorecem e aumentam o desgaste do solo de maneira abusiva. Degradação ambiental e pobreza. Então, assim como a pobreza causa também a degradação ambiental, esta, por sua vez, provoca doenças, que só agravam a pobreza e seus efeitos, como o aumento da mortalidade infantil. Garantir a sustentabilidade ambiental Metas: - Integrar a sustentabilidade às políticas. - Reduzir à metade a população sem água. - Até 2020, melhorar a vida de 100 milhões de habitantes de bairros degradados. Como manter o crescimento sem apagar o planeta? Matriz energética é uma representação quantitativa de recursos energéticos oferecidos por uma região ou país. É uma análise indispensável para futuros projetos de uma nação, mostra com clareza a disponibilidade de fontes de energia (recursos naturais), possibilitando a utilização e produção adequadas desse recurso tão importante no contexto socioeconômico de um país. Na China, a matriz energética é baseada no carvão, que exige elevados gastos na área dos transportes e compromete toda a malha ferroviária chinesa, apesar dos fortes investimentos neste setor. Este é um dos motivos pelo qual a China procura sua “nuclearização”. Os governantes do país também priorizam a energia nuclear por ter um grande papel na corrida espacial. Para o país, isto significa um grande passo para se tornar uma futura potência mundial em cerca de 50 anos, o maior objetivo chinês. Estados Unidos: um problema? Nos Estados Unidos, as emissões de CO2 no setor de energia elétrica cresceram 27,5% entre 1990 e 2004. As emissões provenientes do uso do carvão cresceram 24,7%, do gás 67,3% e do óleo foram reduzidas em 3,5%. O presidente George Bush se recusou a aderir ao Protocolo de Quioto. Preferiu tomar providencias internas, que não comprometam a atual estrutura de seu modelo econômico e o crescimento da economia americana ou provoque abalo no parque industrial dos EUA, mantendo suas fontes originais de energia. Dentre as fontes de energia utilizadas estão 106 usinas nucleares espalhadas por todo o território americano, que geram cerca de 20% de toda a energia elétrica produzida no país (2,5 vezes do total produzido pelo Brasil com todas as fontes em conjunto). Isto evitaria a emissão de quase 500 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. E o Brasil? O Brasil tem uma enorme gama de fontes de energias, muitas delas ainda pouco exploradas, como a energia eólica e a biomassa. Historicamente, o governo tem investido em fontes de energia como o álcool, através do programa pró-alcool, iniciado em 1975. Há também investimentos em biodiesel, extraído, por exemplo, da mamona, fornecendo uma nova fonte de renda para seus produtores. Capa Bom Dia Cruzeiro . 13 1 Destino do lixo: quem produz, para onde vai? A palavra lixo vem do latim ´´lix“, que significa sujeira, imundície, coisas sem valor. Na linguagem técnica, lixo são todos os materiais sólidos descartados pela atividade humana. Considerando isso, pode-se dividir o lixo em duas partes distintas: o lixo orgânico e o inorgânico. O lixo orgânico é composto por resíduos biodegradáveis, como papel, restos de comida e rejeitos de seres vivos. Já o lixo inorgânico é tudo que não possui origem biológica ou que foi criado pela atividade humana, que não é facilmente reabsorvido pela natureza. O lixo inorgânico subdivide-se em residencial, comercial (que pode conter materiais orgânicos), industrial, hospitalar e nuclear. Muito do lixo industrial é tóxico e altamente nocivo à natureza e às pessoas. É o caso de materiais como plásticos, óleos, ácidos, metais pesados, ligas e vidro. Já o lixo hospitalar e o nuclear são classificados como lixo altamente tóxico, por conter agentes patogênicos (no caso do lixo hospitalar), e serem radioativos. O destino do lixo tem sido muito discutido. Afinal, qual o melhor meio de eliminá-lo? Atualmente, o lixo doméstico (domiciliar e comercial) normalmente é despejado em lixões nos subúrbios das cidades oué incinerado. Mas estas são práticas cada vez mais questionadas por suas implicações ecológicas. O lixo hospitalar contaminado com microorganismos deve ser incinerado, enquanto materiais que tiveram longa exposição a raios-X devem ter o mesmo fim que o lixo nuclear: isolamento total do mundo, ficando permanentemente confinados, uma vez que continuam a emitir radiação ainda por muito tempo. Cada país dá o seu fim ao lixo. Todos têm o seu modo de fazê-lo, diferenciando –se quanto ao seu tratamento. Os países industrializados são os que mais produzem lixo, e os que mais reciclam também. Temos que nos conscientizar de que é necessário dar soluções adequadas ao problema. A incineração polui o ar. Os aterros contaminam o solo. Qual será a resposta? Os especialistas dizem que a melhor solução a longo prazo é, simplesmente, diminuir a quantidade de lixo produzido, reciclar mais e usar materiais biodegradáveis no dia-a-dia. Temos de estar dispostos a salvar o nosso planeta da degradação total!!!!! E como dizia Lavoisier... “Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Brasil: alternativas para crescer A geografia privilegiada do Brasil vem fornecendo a maior fonte de energia utilizada pelo parque industrial do país: a hidrelétrica. Com a meta ambiciosa de crescimento do atual governo, reforçada pelo lançamento do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), a expansão do parque energético tornou-se uma questão crucial. A definição de áreas para construção de novas usinas, no entanto, não é um consenso no governo. O Ibama aprovou a construção de duas usinas hidrelétricas no estado de Rondônia, perto da Bolívia, porém, com restrições. As construtoras que vencerem as licitações seguirão 33 exigências para reduzir o impacto ambiental dos projetos. Uma das usinas, Santo Antônio, leiloada em outubro deste ano, só produzirá energia em 2012, enquanto a outra, Jirau, será leiloada no início de 2008. Houve muita polêmica em torno dos projetos, pois a ministra-chefe da casa civil, Dilma Roussef, teve uma opinião contrária à da ministra do meio ambiente, Marina Silva, que destacava a preo- cupação ambiental. Após discussões, foi decidido que as construtoras terão que construir canais para os peixes migratórios, demolir os paredões de concreto erguidos durante a construção e monitorar o comportamento dos peixes para evitar o desaparecimento de espécies. Apesar da quantidade de energia que produzirão, o governo terá que investir em outras usinas e em outras fontes além da hidrelétrica. Textos produzidos pelos alunos do 9º ano para o Seminário Metas do Milênio, sob a coordenação dos professores Rosalina Magalhães e Fábio Cerbella. Toda poluição vem das indústrias, queimadas, usinas de geração de energia elétrica, refinarias, fábricas de pasta e de papel, siderúrgicas, cimenteiras e indústrias química e de adubos. E não podemos esquecer de uma fonte muito grande que hoje em dia é indispensável: os automóveis. Eles também são responsáveis por grande parte da emissão de gases poluentes na atmosfera. Reciclar, reaproveitar: · O Japão reutiliza 50% do seu lixo e reaproveita a água do chuveiro e do vaso sanitário. Lá, não há lixões. O lixo que não é reciclado é mandado para outros países que cobram pelo serviço. · Os EUA recuperam 11% do seu lixo, produzindo um faturamento anual de U$ 120 bilhões. · A Europa Ocidental recicla 30% do seu lixo. Na Espanha, uma cidade transforma montanhas de lixo em energia para iluminar 50 mil casas. · No Brasil, apenas metade do lixo produzido é recolhido. A outra metade fica espalhada pelas ruas, rios e terrenos baldios. Destino do lixo do Brasil: · 34% vão para os aterros sanitários. · 63% vão ser despejados em rios, áreas alagadas e terrenos baldios pelas próprias companhias de coleta. · Apenas 3% são reciclados. · Apesar de todos os problemas, o Brasil consegue ser o terceiro país no mundo que mais recicla latas de alumínio, com 61% das latas recicladas, o que é um avanço. Oferta de energia no mundo Capa 14 . Bom Dia Cruzeiro Tragédia mundial Relatório ONU Apesar dos esforços dos grupos de combate à doença, a situação não melhorou nos últimos anos A Aids vem afligindo o mundo de modo assustador pelo fato de ter se espalhado de modo rápido através de todo o planeta. Apesar dos avanços em matéria de tratamento preventivo, o número de soropositivos aumentou para 39,5 milhões em 2007, dois milhões e seiscentos mil a mais que em 2004. A cada dia, 11 mil pessoas são contaminadas pelo vírus, num total de 4,3 milhões por ano, o que significa 400 mil a mais que há dois anos, segundo relatório da ONU. O continente que contém mais casos de Aids é a África, chegando a existir países onde a cada três pessoas duas têm a doença. A África subsaariana é a região mais castigada pela epidemia mundial, com 65% do total mundial de soropositivos e 72% de mortes por Aids, ou seja, 2,1 milhões de óbitos. Segundo cientistas, o enfraquecimento do sistema imunológico causado pela infecção do HIV provocou um aumento nas taxas de Na África, que concentra maior número de doentes, 50% das vítimas da Aids são mulheres infecção da malaria e possivelmente facilitou a expansão da doença na África. Da mesma forma, sugerem que outras infecções, como a tuberculose e doenças sexualmente transmitidas, também podem ter contribuído para a propagação do HIV na África. As principais iniciativas para deter o avanço da doença são as campanhas de conscientização da população. Elas procuram esclarecer a importância do uso de preservativos e seringas descartáveis. Em 1988, a Organização Mundial de Saúde (OMS) instituiu O Dia Mundial de Combate à Aids, para mobilizar as pessoas na luta contra a doença. O dia marcado para mobilização universal é sempre 1º de dezembro. Na maioria dos países, esse dia já se tornou um evento anual, que conta com a participação de diversos segmentos da população. Além disso, algumas iniciativas de grupos e empresas vêm tentando amenizar o sofrimento dos doentes. O cantor Bono Vox, da banda de rock U2, as empresas American Express, Gap e Giorgio Armani e o músico Bobby Shriver lançaram a marca Red, que irá reverter parte de suas receitas para financiar iniciativas de combate à Aids na África. A receita obtida com as vendas dos produtos criados pelas empresas envolvidas com a marca Red serão destinados ao Fundo Global para o Combate a Aids, Tuberculose e Malária. Segundo o Fórum Econômico, o setor privado contribui hoje com menos de 1% das necessidades de recursos do Fundo Global. Como a Aids chegou até nós? Estima-se que as primeiras infecções ocorreram na África, na década de 1930, quando caçadores africanos feridos sujaram-se com sangue infectado ao carregarem animais. O vírus espalhou-se primeiro nas áreas rurais, migrando para as cidades durante a urbanização da África, nos anos de 1960. Só em 1980 apareceram casos de doenças oportunistas ligadas à síndrome em homossexuais nas cidades de São Francisco, Los Angeles e Nova Iorque. Dois anos depois surgiram os primeiros casos de contaminação mãe–filho e por transfusão de sangue. No mesmo ano foram registrados casos no Brasil. Capa Bom Dia Cruzeiro . 15 Desigualdade: falta saúde em muitos países Hoje no Brasil e no mundo muitas doenças estão surgindo e outras aumentando a sua incidência. Alguns dos fatores responsáveis por isso são a falta de condições sociais, pouco acesso à informação e à saúde pública. Uma das doenças que mais cresce nos países mais pobres é a Tuberculose. Estima-se 8,7 milhões de novos casos de Tuberculose por ano no mundo. No Brasil, a incidência aumentou de 101 casos, em 1999, para 1.299, em 2007. Já a diabetes tem mais casos nos países desenvolvidos. Está na lista das cinco doenças de maior índice de morte no mundo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, havia, em 2006, cerca de 171 milhões de diabéticos. O câncer de mama é o mais temido pelas mulheres. Foram diagnosticados 402.190 novos casos em 2003. Destes, 41.610 foram de mama, com cerca de 9.335 óbitos. A médica Rossana Corbo Ramalho de Mello, professora e especialista do Instituto Nacional do Câncer (Inca), explica que apesar da importância da mamografia na detecção precoce do câncer de mama, ela ainda não está disponível gratuitamente para a grande maioria das mulheres, principalmente as de classes menos favorecidas. Por isto, é de extrema importância a campanha de prevenção do câncer de mama, dando ênfase ao auto-exame, que depende apenas de orientação às mulheres. “Deve-se fazer com que o exame mamográfico esteja disponível de forma gratuita a toda a população feminina e que haja locais onde estes casos, uma vez diagnosticados, sejam tratados’’, avalia a médica. Tuberculose: áreas escuras concentram 80% dos casos Os cuidados primários de saúde aprendidos na infância, ou seja, educação alimentar e educação sanitária, são a base para uma das melhores formas de prevenção de doenças. Além disso, a melhor qualidade de vida e a melhoria de serviços educacionais e hospitalares também participam em grande parte da prevenção e tratamento dessas doenças. Por isso, a principal solução para o problema é a mais eficiente distribuição de renda e o investimento em escolas e hospitais. Malária: a doença das florestas A Malária mata 2 milhões de pessoas por ano, uma taxa só comparável à da Aids, e afeta mais de 500 milhões de pessoas todos os anos. A Africa Subsaariana é a região com maior incidência da doença. Segundo a OMS, a malária mata uma criança africana a cada 30 segundos. No Brasil, os índices de malária foram de 613.241 casos somente na região Amazônica em 2000. Esse índice diminuiu para 540.047 casos anuais dentro da região, em 2006. A malária é transmitida pela picada das fêmeas de mosquitos do gênero Anopheles, em regies rurais e semi-rurais, mas pode ocorrer em reas urbanas, principalmente em periferias. O mosquito da malária só sobrevive em áreas que apresentem médias das temperaturas mínimas superiores a 15°C. Uma vez infectado pelo plasmodium, o doente pode ter dores de cabeça, fadiga, febre e náuseas. Tem acessos periódicos de calafrios e febre intensos que coincidem com a destruição maciça de hemcias. A morte pode ocorrer a cada crise de malária maligna. Há um plano concreto para reduzir a doença, que tem como foco soluções relativamente simples, porém comprovadas, como diagnóstico da doença em seus estágios iniciais, o combate aos mosquitos transmissores através do fornecimento de cortinados tratados com inseticidas e de borrifação domiciliar aos moradores de áreas endêmicas, bem como a oferta gratuita de medicamentos efetivos contra a malária. Esta proposta de ação foi desenvolvida pela Força-tarefa sobre HIV/Aids, Malária, Tuberculose e Acesso a Medicamentos Essenciais do Projeto Milênio das Nações Unidas. Textos produzidos durante o seminário Metas do Milênio: combater a Aids, a Malária e outras doenças, desenvolvido pelos alunos do 8º Ano sob orientação dos professores de Biologia Rosalina Magalhães e Fábio. Calor e humidade são as condições ideais para a proliferação do mosquito Anopheles, transmissor da Malária Malária no Brasil Solidariedade 16 . Bom Dia Cruzeiro Ajudar faz bem Fotos José Ricardo No Inpar, crianças recebem atenção e cuidados para o pleno desenvolvimento Por Amanda Pimenta e Matheus Malafaia Diariamente, milhares de mães de comunidades pobres saem de suas casas e vão para o trabalho, deixando seus filhos pequenos muitas vezes sozinhos ou com os irmãos mais velhos. São famílias que encontram dificuldades para oferecer os cuidados mais básicos às crianças, como alimentação. O trabalho do Instituto Presbiteriano Álvaro Reis (Inpar) é dedicado a crianças neste tipo de situação. Atualmente, ele atende a 220 crianças e adolescentes das comunidades de Cidade de Deus, Gardênia Azul e Rio das Pedras. Divididas em dois períodos, manhã e da tarde, crianças a partir de três anos recebem alimentação, estudo, lazer e ensino religioso, monitoradas por professores e voluntários. Alunos e professores do Colégio Cruzeiro fizeram uma visita à instituição levando uma proposta de parceria. O objetivo é fornecer não só os materiais necessários para as atividades da instituição, como também doar atenção, carinho e tempo às crianças atendidas. A proposta é uma continuidade do projeto “Se Doar”, iniciado na escola há dois anos. Contar histórias, brincar de roda, pintar, conversar. Tudo é uma troca: as crianças ganham a atenção e os cuidados de que precisam. Os voluntários aprendem a dar valor às coisas simples. “O Inpar é um lugar onde eu divido conhecimentos, onde ensino e aprendo com as crianças”, diz a diretora da instituição, Dona Sônia. Crianças se divertem com a visita do Colégio Cruzeiro Alunos e funcionários do Colégio Cruzeiro passaram a tarde com as crianças atendidas pelo Instituto O Inpar fica localizado na Rua Edgard Werneck, bem próximo do Colégio Cruzeiro. Vale a pena visitar a instituição e doar um pouco do que você pode oferecer. Quem sabe na próxima visita, você possa estar lá. Fique atento às iniciativas que o Colégio vai programar para auxiliar a instituição e participe também desta experiência. Todo mundo ganha. História vem de longe O Inpar tem 97 anos e foi fundado na cidade de Valença, em 1910. Na época, atendia aos órfãos, filhos de pais que morreram durante o surto de Febre Amarela. No Rio de Janeiro, o Barão da Taquara cedeu em 1923 a casa em que foi instalada a instituição. Além do casarão principal, que guarda o estilo de construção da época, a intituição conta com prédios anexos, onde realiza as atividades com as crianças, e ainda tem campo de futebol. Hoje, ela funciona em regime de creche, no mesmo espaço, atendendo crianças carentes e também às famílias, que não tem onde deixar os filhos durante o dia. Participaram da visita ao Inpar os alunos Fernanda Milani, Bárbara Van Erven, Liz Marques, Clara Klein, Amanda Pimenta e Matheus Malafaia acompanhados dos professores José Ricardo, de Geografia, Flávia Carvalho, de História e da orientadora Vânia Vasconcellos.