Disciplina: Metalurgia Física – Parte II: Solidificação Professor: Guilherme O. Verran – Dr. Eng. Metalúrgica Aula 14: Solidificação de ferros fundidos - Introdução - Diagrama Fe-C - O duplo equilíbrio Fe-C e Fe-Fe3C - Influência dos elementos de liga - Influência da velocidade de resfriamento - Cuvas de resfriamento e análise térmica - Classificação dos ferros fundidos - Mecanismos de formação dos diferentes tipos de grafita Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Ferros Fundidos – Diagrama FeFe-C Estável – forma grafita Metaestável – forma cementita 1 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Ferro Fundido material fundido de maior consumo mundial. Apresenta atributos não encontrados em nenhum outro material e também é um dos metais mais baratos que se dispõe. Vantagens: - Baixo ponto de fusão - Baixa contração - Excelente usinabilidade - Propriedades mecânicas bem definidas Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Ferros Fundidos ligas de Fe, C (2,5 a 4%) e Si (1 a 3%). Ferros Fundidos apresentam reação eutética durante a solidificação temperaturas de fusão mais baixas que outras ligas ferrosas utiliza-se para fusão, equipamentos e processos diferenciados em relação ao aço. Transformações responsáveis pela formação dos constituintes das ligas Fe-C estudada a partir do diagrama de equilíbrio Fe-C. Não é um diagrama de equilíbrio completo representado até 6,7% de C forma com o Ferro o composto Fe3C que contém 6,67% de C. Ligas com mais de 4,0 a 4,5% de Carbono apresentam pouco ou nenhum interesse comercial, devido à alta dureza e fragilidade que apresentam. 2 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Ferros Fundidos – Formaç Formação de Grafita Formação de grafita verifica-se em regiões preferenciais do banho metálico nucleação heterogênea (depende de efeitos externos). Temperatura do eutético estável (austenita-grafita) mais elevada que a do eutético metaestável (austenita-cementita) nucleação da grafita pode ocorrer antes da nucleação da cementita (ou outros carbonetos). Solidificação deveria iniciar pelo eutético estável (depende da composição química, velocidade de extração de calor pelo molde e grau de nucleação do banho). Com pequeno número de centros efetivos de nucleação da grafita aumenta distância onde o C terá que se difundir para alcançar esses centros pode-se ter superresfriamento que dê origem a carbonetos eutéticos. Velocidade de extração de calor pelo molde elevada não haverá tempo para difusão de C nos centros de nucleação pode-se atingir a temperatura do eutético metaestável nucleação de carbonetos. N°centros efetivos de nucleação para formação da gr afita solidificação segundo sistema estável e/ou metaestável. Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Fundição e Solidificação de Ferros Fundidos Formação de Sistema Estável ⇒ austenita + grafita Sistema Metaestável ⇒ Formação de austenita + Fe3C ⇒ Ferro Fundido Cinzento ⇒ Ferro Fundido Branco Velocidade de Resfriamento Fatores que influem no Equilíbrio Elementos de Liga 3 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Diagrama Duplo Fe-C para Ferros Fundidos 1300 L Temperatura (0C) 1260 L + Grafita L + Feγγ 1220 Temperatura abaixo da qual pode solidificar o eutético Austenita-Grafita 1180 L + Fe3C 1140 Temperatura abaixo da qual pode solidificar o eutético Austenita-Cementita 1100 3,0 3,2 3,4 3,6 3,8 4,0 4,2 4,4 Carbono Equivalente (%) Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Ferros Fundidos – Solidificaç Solidificação Temperatura abaixo da qual pode solidificar o euté eutético austenita + grafita Temperatura abaixo da qual pode solidificar o euté eut ético austenita + cementita Fonte: http://pessoal.utfpr.edu.br/pintaude/arquivos/ME62H_FerroFundido.pdf 4 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Ferro Fundido Cinzento – Tipos de grafita Fonte: http://pessoal.utfpr.edu.br/pintaude/arquivos/ME62H_FerroFundido.pdf Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Influência dos Elementos de Liga Si ⇒ Aumenta diferença entre temperaturas de ⇒ equilíbrio Estável e Metaestável Grafitizante ⇓ Favorece a formação de Ferro Fundido Cinzento Cr ⇒ Diminui diferença entre temperaturas de equilíbrio Estável e Metaestável ⇒ Estabilizador de Carbonetos ⇓ Favorece a formação de Ferro Fundido Branco 5 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Influência do Si no Eutético Fe-C Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Influências do Cr, do Si e do V nas temperaturas de equilíbrio eutético em ferros fundidos 6 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Influência do 30 elemento na solubilidade do C no ferro líquido, % em peso do elemento de liga Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Temperatura abaixo da qual pode solidificar o eutético Austenita-Grafita Temperatura (0C) 1160 1140 Temperatura abaixo da qual pode solidificar o eutético Austenita-Cementita 1120 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 % de Silício Si ⇒ Aumenta diferença entre temperaturas de equilíbrio Estável e Metaestável Grafitizante ⇓ Favorece a formação de Ferro Fundido Cinzento 7 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Temperatura (0C) 1160 Temperatura abaixo da qual pode solidificar o eutético Austenita-Grafita 1140 Temperatura abaixo da qual pode solidificar o eutético Austenita-Cementita 1120 1100 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 1,1 1,2 % de Cromo Cr Diminui diferença ⇒ entre temperaturas de equilíbrio Estável e Metaestável Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Estabilizador de Carbonetos ⇓ Favorece a formação de Ferro Fundido Branco Solidificação de ferros fundidos Inoculação de Ferros Fundidos* * Adaptado de “Seminário apresentado pelo mestrando Rivio Arturo Ramirez na disciplina Fundição dos metais e suas ligas - Semestre 2012/1” 8 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Inoculaç Inoculação de Ferros Fundidos Inoculação dos ferros fundidos introdução de pequenas quantidades de material composto de partículas nucleantes no metal fundido, pouco antes ou durante o vazamento deste, buscando controlar a microestrutura final e, consequentemente, as propriedades mecânicas do material [SANTOS 1976]. Nos ferros fundidos a inoculação é utilizada primeiramente para evitar a formação de carbonetos na estrutura. Efeito da inoculação proporciona o aumento de núcleos disponíveis para a formação de grafitas. Este aumento dos núcleos disponíveis reduz o superesfriamento necessário na solidificação, facilitando a solidificação segundo o eutético estável [FULLER, 1979]. Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Inoculaç Inoculação de Ferros Fundidos A formação de uma matriz completamente ferrítica está relacionada com a eficiência do inoculante utilizado e a velocidade de resfriamento no estado sólido. A velocidade de resfriamento do estado sólido influencia na velocidade de difusão do carbono da austenita para os nódulos de grafita, tendendo a aumentar a quantidade de perlita na microestrutura, quanto maior for esta velocidade. O processo de inoculação influencia no número de nódulos, e quanto maior o número de nódulos, menores serão as distâncias entre eles e menores serão as distâncias que o carbono terá que percorrer, e portanto, a difusão será facilitada. De uma maneira geral, à medida que o superresfriamento aumenta, o número de núcleos cresce e, consequentemente, o número de nódulos é maior com uma grafita mais fina e de menor tamanho. [SANTOS, 1991] 9 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Inoculaç Inoculação de Ferros Fundidos ME de um F°F°cinzento sem ME de um F°F°cinzento com inoculação. 100X. inoculação. 100X. Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Inoculaç Inoculação de Ferros Fundidos O efeito benéfico da inoculação pode ser entendido com auxílio da figura abaixo, onde se observam curvas de resfriamento em diferentes velocidades. Maiores velocidades de resfriamento formação de carbonetos. Ferros Fundidos não inoculados forte tendência a se solidificar segundo o eutético metaestável (envolvendo a formação de dendritas de austenita e carbonetos, devido ao elevado superresfriamento). Resfriado Resfriado + Resfriado lentamente γ + grafita rápido γ + grafita + carboneto rápido carboneto 10 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Inoculaç Inoculação de Ferros Fundidos Objetivo da inoculação fornecer núcleos extras ao banho [SANTOS 1989]. A existência de um número maior de núcleos potenciais para a nucleação e crescimento da grafita permite a obtenção de uma estrutura mais refinada, que resulta em melhores propriedades físicas e mecânicas [OLAH, 1985]. Em Ferros Fundidos nodulares, onde o número de núcleos é extremamente importante para as propriedades do material, a adição de inoculantes ao banho tem por objetivo promover um aumento do número de nódulos de grafita e do grau de nodularização, que é uma medida da adequação da grafita à forma de uma esfera perfeita [SANTOS 1989]. Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Inoculaç Inoculação de Ferros Fundidos Relatos da influência da adição de Fe-Si datam de 1906, quando Outerbridge verificou o aumento das propriedades mecânicas no material ao qual este fora adicionado. Meehen, em 1922, relatou que era possível controlar a estrutura dos Ferros Fundidos inoculando o banho com Ca-Si [CHAVES, 1975]. Nos subsequentes anos, diversos trabalhos foram publicados sobre o efeito da nucleação, o processo de nucleação da grafita e as técnicas de inoculação na transferência do metal para a panela de vazamento. Nos anos 50 pesquisas revelaram que pequenas quantidades de cálcio e alumínio, adicionadas ao Fe-Si, aumentavam muito a sua eficiência. Já nos anos 60, estudos da adição de compostos contendo bário [LOWNIE, 1963] e bismuto [BARTON, 1967] mostravam aumento no tempo de fading (tempo necessário para que o inoculante perca eficiência) e na contagem de nódulos. Na década de 70 foram aprofundados os estudos dos procedimentos de inoculação e de seus efeitos nas propriedades do material, bem como dos elementos adicionados. 11 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Inoculaç Inoculação de Ferros Fundidos Mecanismo de inoculação continua sem um estudo definitivo. Seu efeito depende da ocorrência de compostos – óxidos, sulfetos, nitretos e carbonetos – que promovem a nucleação da grafita e resulta na estabilização do ferro fundido. Após o tratamento de nodularização com Mg, o ferro líquido fica pobre em O, S e N (elementos formadores de substratos) limitando o efeito da inoculação. Métodos de inoculação mais utilizados: a) inoculação na panela: o inoculante é depositado no fundo da panela e o metal derramado por cima deste; b) inoculação no molde: o inoculante em forma de pó ou pastilha é colocado em um ponto específico do canal de alimentação; c) inoculação por “arame recheado”: mais utilizado em sistemas automáticos de vazamento, consiste na injeção no metal líquido de um arame contendo inoculante em seu interior; d) inoculação no jato: o inoculante em pó é adicionado ao metal líquido no momento do vazamento deste no molde. É muito utilizado em vazamentos automáticos. Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Inoculaç Inoculação de Ferros Fundidos A formação de núcleos e a precipitação da grafita em forma de nódulos, juntamente com o controle do resfriamento, ajudam a estabilizar o processo de solidificação. Skaland et al. [2005], atribuíram ao tratamento de inoculação os seguintes benefícios: a) promove estruturas mais homogêneas; b) evita formação de carbonetos; c) reduz a tendência à segregação de elementos de liga; d) reduz a tendência para formação de rechupes; e) promove a formação de grafita e ferrita; e f) aumenta a ductilidade e diminui a dureza. 12 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Influência da Velocidade de Resfriamento Curvas de ⇒ Resfriamento Indicam : Temperaturas de Transformação Eutética Velocidade de Resfriamento Resfriamento Rápido ⇒ Solidificação de acordo com o Equilíbrio Metaestável Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Formação de Ferro ⇒ Fundido Brando (Coquilhamento) Solidificação de ferros fundidos Ferros Fundidos – Velocidade de resfriamento Fonte: http://pessoal.utfpr.edu.br/pintaude/arquivos/ME62H_FerroFundido.pdf 13 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Curvas de Resfriamento esquemáticas para Ferros Fundidos Comuns 1 2 3 Temperatura abaixo da qual pode solidificar o eutético Austenita-Grafita Temperatura abaixo da qual pode solidificar o eutético Austenita-Cementita 1 - Ferro Fundido Cinzento 2 - Ferro Fundido Mesclado 3 - Ferro Fundido Branco Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos ANÁLISE TÉRMICA DOS FERROS FUNDIDOS* * Seminário apresentado pelo mestrando Elder Gregol dos Santos na disciplina - Metalurgia Física – Semestre 2012_2 14 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Analise térmica • Vaza-se uma certa quantidade de metal em um recipiente contendo um termopar. Este termopar, acoplado a um equipamento de registro de dados, grava a evolução da temperatura da amostra durante a solidificação. As curvas descrevem o balanço térmico entre o calor que é retirado pelo molde e o calor gerado pelas transformações de fase da amostra durante a solidificação. Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Temperatura Liquidus Início da formação da Austenita: Quanto menor o Carbono Equivalente, mais alta é esta temperatura e maior a formação de autenita Temperatura de Nucleação: Temperatura Início da nucleação da grafita Ponto de máximo crescimento das células eutéticas TEE Temperatura de Final de Solidificação: Temperatura de Superresfriamento: Início do crescimento das células eutéticas. Quanto mais alta esta temperatura, maior a nucleação do banho Temperatura de Recalescência: Tempo Término da Solidificação da Amostra. Quanto mais baixa esta temperatura maior a tendência à formação de carbonetos 15 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Análise térmica dos ferros fundidos Parâmetros a serem observados da curva de análise térmica TEE – Temperatura do Eutético Estável TNE – Temperatura de Nucleação do Eutético TSE – Temperatura de Superresfriamento do Eutético TRE – Temperatura de Recalescência do Eutético TFS – Temperatura de Superresfriamento do Eutético dT/dt – Velocidade de Recalescência (dada pela curva derivada) Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos É possível associar os dados obtidos na curva de análise térmica do metal para determinar alguns parâmetros da liga. CEL – Carbono Equivalente Líquido %C % Si Tendência ao coquilhamento Número de nódulos Tendência a microporosidades 16 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Determinação da composição química por análise térmica •CEL – Carbono Equivalente Líquido Para determinar o valor de Carbono Equivalente Líquido, deve-se ler a temperatura Liquidus do metal. Observa-se pelo diagrama de fase que o percentual de carbono altera a temperatura de início de solidificação ( Temperatura Liquidus). Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Determinação da composição química por análise térmica Temperatura Temperatura Liquidus Líq . Grafita Temp. do Eutético Para determinar com exatidão o valor de CEL, deve-se determinar uma equação do tipo: CEL=a xTL + b C. E. Para determinar as constantes desta equação, é necessário retirar uma amostra para análise química com o mesmo metal utilizado na análise térmica. Com a análise química obtém-se o valor de % Si, %P e % C Com a análise térmica obtém-se o valor da temperatura liquidus. 17 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Determinação da composição química por análise térmica Com os valores obtidos na análise química, calcula-se o percentual de carbono equivalente liquido utilizando a equação: %C + %Si/3 + %P/3 Correlaciona-se os valores de Carbono Equivalente por análise química com os valores de temperatura liquidus através de uma Regressão linear. Dessa forma obtém-se uma equação de carbono equivalente em função da temperatura líquidus. Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Determinação da composição química por análise térmica •% Carbono As temperaturas liquidus e do eutético de ferro fundido branco podem ser dadas pelas seguintes equações: TL = 1650 – 121,5(%C) – 26,7 (%Si+2,45%P) [°C]; TW = 1104 + 9,8(%C) – 12,1 (%Si+2,45%P) [°C] ; sendo: TL: temperatura liquidus hipoeutética e TW: temperatura do eutético de ferro fundido branco Resolvendo-se o sistema das duas equações, obtém-se a seguinte expressão para o teor de carbono: %C = 0,01693TW – 0,00796TL – 6,05 18 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Determinação da composição química por análise térmica Para determinar as temperaturas liquidus e eutética deve-se utilizar um corpo-de-prova com telúrio. Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Determinação da composição química por análise térmica •% Sílicio O teor de silício pode ser determinado através do Carbono Equivalente, e dos percentuais carbono e de fósforo ,utilizando a equação %Si = 3(%CEL - %C - %P) Os valores de CEL e %C são determinados pela análise térmica. Quanto ao %P, pode-se excluir este valor da equação devido ao sua baixa contribuição ao resultado ( na prática varia entre 0,035% a 0,065%). Também pode-se estabelecer um valor médio para a liga que se deseja analisar. 19 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Determinação do grau de nucleação As curvas de análise térmica podem ser utilizadas para determinar o grau de nucleação do metal. Os principais parâmetros da curva de análise térmica utilizados neste tipo de determinação seriam: Temperatura de superresfriamento do eutético (TSE); Recalescência (∆ ∆T = TRE – TSE); Superresfriamento na nucleação (SN = TEE – TSE); Diferença entre a temperatura de recalescência do eutético e a temperatura do eutético metaestável teórico (∆ ∆Tcet = TRE – TEM). Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Determinação do grau de nucleação Caso um metal base tenha um baixo grau de nucleação, haverá uma grande dificuldade para a formação de células eutéticas. A curva de resfriamento, obtida apresentará baixa TSE e alto SN (superresfriamento de nucleação). Além disso, como a nucleação foi atrasada, o crescimento será acelerado, causando uma forte recalescência (elevados valores de ∆T). Outro parâmetro pode ser utilizado como indicador da tendência grafitizante do ferro fundido: ∆TCET. (TRE – TEM). Com o aumento da eficiência da inoculação, o valor de ∆TCET aumenta. 20 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Determinação do grau de nucleação Conhecendo o grau de nucleação natural do metal líquido é possível controlar a quantidade de inoculante necessário para evitar o coquilhamento (carbonetos) ou o excesso de inoculação. Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Determinação da tendência a microporosidade por análise térmica Pode-se determinar a tendência ao surgimento de microporosidades realizando um balanço entre a contração e expansão durante a solidificação do metal. Durante a solidificação é possível identificar a contração e expansão do metal de acordo com o microconstituinte formado. CONTRAÇÃO Inicio da solidificação – Surgimento das dendritas de austenita EXPANSÃO Crescimento do eutético – austenita + grafita CONTRAÇÃO Estágios finais da solidificação 21 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Determinação da tendência a microporosidade por análise térmica Quanto maior o valor de K menor é a tendência da liga a apresentar microprosidades de contração. Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Determinação do número de nódulos ( Ferro Fundido Nodular) Pode-se determinar o número de nódulos através da determinação de três fatores: Carbono equivalente; Grau de nucleação; Tempo de solidificação da seção de interesse. 22 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Determinação do número de nódulos ( Ferro Fundido Nodular) Carbono Equivalente Micrografia de um Ferro fundido nodular com espessura de 60 mm com diferentes valores de Carbono Equivalente a) CE4.1, b) CE4.33, c) CE4.61, d) CE4.81. Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Determinação do número de nódulos ( Ferro Fundido Nodular) Grau de nucleação Pelas teorias clássicas de nucleação, cada nódulo de grafita nucleia e cresce sobre um núcleo estável no metal líquido. Dessa maneira, quanto maior o número de núcleos maior será o número de nódulos que surgirão durante a solidificação. T.L. TE Este parâmetro pode ser estimado pelo grau de super-resfriamento (DT) do metal. DT TSE 23 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Determinação do número de nódulos ( Ferro Fundido Nodular) A tempo local de solidificação (Ts) é influenciada fortemente pela espessura da seção. Em seções mais finas o tempo de solidificação é curto, favorecendo o surgimento de um maior número de nódulos. Nº nódulos = axCE + bxDT + cx DT²+ dxTs + exTs² + f Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Classificação dos Ferros Fundidos Cinzentos Ferros Fundidos Comuns Brancos Nodulares Ferros Fundidos Especiais Vermiculares Maleáveis Ligados 24 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Classificação dos Ferros Fundidos Cinzento PERLÍTICO Nodular FERRÍTICO Maleável BAINÍTICO Branco MARTENSÍTICO Vermicular Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Ferro Fundido Solidificação de ferros fundidos σt σesc Mpa Mpa Along. (5cm) Perlítico 275 240 <1% Blocos de motor Martensítico 550 550 nulo Bainítico 550 550 nulo Superfícies sujeitas ao desgaste Eixos de cames Ferrítico 172 138 < 1% Ferrítico 413 275 18 Tubulações Perlítico 550 380 6 Árvore de manivela Revenido Martensítico Ferrítico 825 620 2 365 240 18 Partes especiais de máquinas Ferramentas em Perlítico 450 310 10 Equipamentos ferroviários Revenido Martensítico 700 550 2 Equipamentos ferroviários Perlítico 275 275 nulo Tipo Cinzento (3,2 C - 2 Si) Nodular (3,5C - 2,5Si) Maleável (2,2C - 1Si) Branco (3,5 C - 0,5Si) Aplicações Típicas Tubulações, bases de máquinas geral Produtos resistentes ao desgaste 25 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Ferro Fundido Cinzento – grafita em lamelas (veios) Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Ferro Fundido Vermicular ou de Grafita Compacta – grafita vermicular Solidificação de ferros fundidos Ferro Fundido Nodular – grafita em nódulos (esferoidal) Solidificação de ferros fundidos Ferro Fundido Maleável – ferrita, nódulos de grafita e algumas inclusões 26 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Ferro Fundido Nodular com Matriz predominantemente Perlítica Com a presença de Estruturas conhecidas como “Olho de Boi” (Grafita Esferoidal cercada por Ferrita).Ataque: Nital. Aumento 200x. Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Ferro Fundido Cinzento com Matriz predominantemente Perlítica. Ataque: Nital. Aumento 200x. 27 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Growth in Multidirectional Solidification Flake (Lamellar) Graphite Eutectic. The austenite-FG eutectic solidifies with the formation of eutectic colonies (cells) that are more or less spherical in shape. It is generally thought that each eutectic cell is the product of a nucleation event. The eutectic cell is made of interconnected graphite plates surrounded by austenite. The degree of ramification of graphite within the cell depends on undercooling, with higher undercooling resulting in more graphite branching (Fig.16). The leading phase during the eutectic growth is the graphite. Graphite spacing is determined by the same parameters as for regular eutectics (see the article "Solidification of Eutectics" in this Volume), with branching occurring as a response to interface instability. In turn, interface instability is determined by localized changes in composition, convection currents, crystallographic orientation different from the heat extraction direction, and a change in temperature gradient. Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Schematic of solidification of flake graphite. (a) Typical eutectic colonies (cells). (b) Growth sequence for a eutectic colony. 28 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos SEM photomicrograph showing graphite, eutectic cell, and prior dendrite structure in gray cast iron. 200×. Courtesy of Gary F. Ruff, CMI International. Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos The variations in graphite structures have been classified, together with the length of the flakes, by standards that have been utilized for many years. Flake graphite in gray cast iron can be designated as: · Type A, uniform distribution, random orientation · Type B, rosette grouping, random orientation · Type C, superimposed flake sizes, random orientation · Type D, interdendritic segregation, random orientation · Type E, interdendritic segregation, preferred orientation 29 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos The formation of the eutectic flake graphite (Types A, B, C, and D) is greatly influenced by the amount by which the iron melt cools below the equilibrium temperature for the austenite-graphite eutectic before appreciable solidification occurs. Type A graphite undergoes only small amounts of undercooling. Type D graphite undercools significantly below this equilibrium temperature. The undercooling that occurs with Type B graphite is intermediate between the two, producing fine graphite flakes, like Type D, in the center of the eutectic cells or rosette and a coarser type like Type A at the outer cell boundaries. Type E graphite occurs in strongly hypoeutectic gray irons with carbon equivalents well below 4.3%. Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos (a) Type A 100× (b) Type A 430× (d) Type B 430× (e) Type D 2100× (c) Type B 100× (f) Types D (fine) and E(coarse) 100× SEM photomicrographs illustrating variety of flake graphite structures present in gray cast iron 30 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Spheroidal Graphite Eutectic. Growth of the austenite-SG eutectic is more complicated and less understood than that of the γ-FG eutectic, although a good number of theories have been proposed. As discussed previously in this section, the γ-SG eutectic is a divorced eutectic. It has been rather widely accepted that the growth of this eutectic begins with nucleation and the growth of graphite in the liquid, followed by early encapsulation of these graphite spheroids in austenite shells (envelopes). A schematic of the process is shown in Fig. 19. Graphite nucleation and growth deplete the melt of carbon in the vicinity of the graphite; this creates conditions for austenite nucleation and growth around the graphite spheroid. Once the austenite shell is formed, further growth of graphite can occur only by solid diffusion of carbon from the liquid through the austenite. Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos However, recent research has shown that the solidification mechanism of SG iron is more complicated and that austenite dendrites play a significant role in eutectic solidification. The eutectic austenite is dendritic and can scarcely be distinguished from primary austenite dendrites. The sequence of solidification is as follows: · At the eutectic temperature, austenite dendrites and graphite spheroids nucleate independently in the liquid · Limited growth of spheroidal graphite occurs in contact with the liquid · Flotation or convection then determines the collision of spheroidal graphite with the austenite dendrites · Graphite encapsulation in austenite can occur before or immediately after the contact between graphite and austenite dendrites · Further growth of graphite occurs by carbon diffusion through the austenite shell 31 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Schematic illustrating the progression of growth in austenite-SG eutectic Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Compacted/Vermicular Graphite Eutectic. The sequence of growth of compacted/vermicular graphite during the eutectic transformation is shown schematically in Fig. 26, based on experimental data from Ref 34 on rapidly quenchedsamples from successive stages during the solidification process. It can be seen that at the eginning graphite precipitates as spheroids, which then degenerate during growth and subsequently develop into compacted graphite. Compacted graphite develops as interconnected segments within an austenitic matrix. Typical compacted graphite is shown in Fig.27. 32 Metalurgia Física Prof. Dr. Guilherme Verran Solidificação de ferros fundidos Schematic of the sequence of development of compacted/vermicular graphite: (a) small spheroids; (b) and (c), some spheroids have tails; (d) compacted graphite plus spheroidal graphite; and (e) compacted graphite. 33