ANÁLISE&PERSPECTIVAS
por | RITA ASCENSO
fotografia | RICARDO GOMES
Medida Solar Térmico
Ritmo inesperado de vendas pode
esgotar o subsídio e o Governo
compromete-se a estender a medida.
Terminado o ano de 2009 e numa conversa com os principais responsáveis
pela Apisolar, que representa as marcas e os instaladores, ressaltou o inesperado:
a extensão da MST às IPSS e o ritmo dos últimos 2 meses veio dar um impulso
ao programa. No sector doméstico prevê-se chegar aos 40.000 sistemas o que
absorve uns 65 milhões de euros. As cerca de 1.000 candidaturas de instituições
(IPSS e ADUP) poderão atingir 30 milhões de euros de subsídio. Ainda segundo
a Apisolar e numa reunião com o Executivo, uns dias antes do fecho da nossa
edição, o Estado comprometeu-se a estender o subsídio até 2015 a que
corresponde um objectivo de 250 mil m2/ano de colectores instalados.
Joaquim
Menezes
“Hoje uma empresa de
instalação que seja ambiciosa
e olhe para o futuro próximo
tem que trabalhar a vertente
do solar em conjunto com o
aquecimento e ar condicionado.
Tem que se focalizar nestas 3
áreas. Hoje o solar já é uma
componente da climatização!”
Neste momento temos um mercado da instalação que está a ser mal
tratado?
Joaquim Menezes: Está a ser mal tratado pela maneira como o programa foi
montado que veio prejudicar os instaladores. De qualquer forma, o volume
de trabalho que esta MST trouxe ao
mercado também tem sido a tábua
de salvação de muitos instaladores.
Nos últimos tempos tem havido um
decréscimo de obras ao nível geral
(aquecimento e ar condicionado). Hoje
uma empresa de instalação que seja
ambiciosa e olhe para o futuro próximo
tem que trabalhar a vertente do solar
em conjunto com o aquecimento e ar
condicionado. Tem que se focalizar
nestas 3 áreas. Hoje o solar já é uma
componente da climatização!
Sempre houve uma separação em
termos de instalação. Sempre tivemos instaladores de AVAC, aquecimento e solar. Essa separação está
a acabar?
Joaquim Menezes: Os instaladores de
AVAC que não tinham o solar, começam
28 | Janeiro/Fevereiro climatização
a entrar agora. Mas o mais importante
é que esta MST veio trazer mais instaladores e dar uma maior organização a
estas empresas ao nível da formação.
Até aqui, as marcas eram o seu maior
suporte ao nível do conhecimento e
formação mas agora eles estão mais
preparados para qualquer instalação.
Esse é um aspecto positivo da
MST...
Joaquim Menezes: Para mim é um dos
aspectos positivos!
Mas verifica-se que continuamos a
ter instaladores com grandes dificuldades...
Rafael Ribas: Todos os instaladores
hoje estão em condições para trabalhar e associar-se a qualquer marca.
No entanto existem empresas que se
colocaram numa posição contra a MST e
preferem continuar na dinâmica antiga.
Ainda temos casos em que os instaladores depois de assinarem o contrato
de parceria, ficam à espera de contactos
e trabalho do lado do fornecedor. Mas
esta atitude passiva já está a diminuir
e as empresas já estão na rua a vender
tal como faziam antes.
Vítor Júlio
“É aqui que o novo regulamento
é tremendamente injusto,
“obrigando” instaladores de
Aquecimento a formarem-se
em frio para poderem instalar uma Caldeira Mural ou um
Grupo Térmico de Gasóleo.
A legislação tem que ser adequada ao mercado e aos agentes presentes e não o contrário”.
Carlos Campos: O sucesso desta Medida também passa pelos instaladores,
pela sua dinâmica de vendas. Não nos
podemos esquecer que as vendas via
bancos apenas rondam os 15% e as
restantes 85% são feitos por via directa
do mercado. E os instaladores começam
a perceber isso e a encarar esta MST
como uma oportunidade. Claro que
ainda existe e existirá durante 2 a 3
anos um certo descontentamento por
parte de algumas micro e pequenas
empresas e trabalhadores independentes instaladores, na forma como esta
“MST2009” surgiu, espero pois que as
próximas “MST 2010-11-12-13-14-15”
possam continuar mas dentro de outros
“moldes”, e que os responsáveis na
decisão da sua continuidade saibam
ouvir quem muito sabe sobre esta matéria e este sector, a única Associação
Portuguesa da Indústria Solar- Térmico
e Fotovoltaico (APISOLAR).
Joaquim Menezes: E para aqueles que
trabalham o aquecimento e o ar condicionado começa a ser determinante
agarrarem a instalação do solar para
poderem vender os seus outros serviços em conjunto. Muitos instaladores,
tradicionalmente mais focados no ar
condicionado, começam a perceber que
se não ganham as obras de solar, outra
empresa irá instalar o aquecimento e o
ar condicionado, o que não acontecia
até aqui. Hoje, estas 3 áreas estão a
começar a funcionar em conjunto.
Vítor Júlio: Em relação a este ponto, é
necessário clarificar que há instaladores
de AVAC e instaladores de Aquecimento
Central. Os que primeiro se dedicaram
à energia solar foram os instaladores de
Aquecimento tradicional que aderiram
em massa aos cursos de CAP Solar...
Mas isso já foi há algum tempo...
Vítor Júlio: Os instaladores dedicados à
nova construção, Caldeiras Murais, Gasóleo e Radiadores, que até 2004/2005
se manteve em crescendo, com a
quebra na construção, começaram a
procurar alternativas, ao contrário dos
instaladores de AVAC. Com o RCCTE e
a obrigatoriedade do solar em 2006,
os instaladores tradicionais do Aquecimento e ao mesmo tempo os clientes
finais foram os que primeiro abraçaram
a energia solar térmica....
Carlos Campos: Antes da MST (Fevereiro
de 2009) estavam registados na DGEG
cerca de 2280 instaladores com CAP.
Desde 2006 até Fevereiro de 2009 estes
valores praticamente mantiveram-se,
sendo que na realidade existiam cerca de 3200 CAP’s. ( 2280 registados e
920 não registados na base de dados
da DGEG). Até meados de 2008 estes
valores estiveram praticamente estabilizados porque só havia 5 instituições
homologadas/certificadas pela DGEG
para dar estes cursos de aptidão. A
partir daí é que começou a haver a
possibilidade de diversas empresas
do sector entrarem nessa formação
e o número disparou para mais de 30
empresas. Temos actualmente cerca
de 6.000 instaladores com CAP. Sendo
que a diferença deste valor foi sobretudo acentuado a partir de Março de
2009 mas a sua capacidade técnica
na execução de instalações só se irá
reflectir dentro de um ano (Outubro
de 2010).
Vítor Júlio: Os instaladores de aquecimento viveram momentos difíceis,
com a quebra na construção aliada ao
aumento do preço do gasóleo de aquecimento, que provocou uma redução
de negócio muito acentuada. Foram
esses os instaladores que começaram
a dedicar-se à energia solar térmica e
a promovê-la também como forma de
ultrapassar as suas dificuldades.
No seu entender, os instaladores de
aquecimento que trabalham agora o
solar ainda são a maior parte?
Vítor Júlio: Ainda são a maior parte. São
os que não estão de braços cruzados,
que vêm do mercado do Aquecimento
climatização Janeiro/Fevereiro | 29
ANÁLISE&PERSPECTIVAS
Mesmo que esse volume compense
as perdas, houve um reajustamento
que nem sempre é fácil...
Rafael Ribas: A MST não dá as margens
que os negócios normais davam aos
instaladores mas está de facto a dar
volume e neste momento, o instalador
que investe em equipamento e equipas,
tem um rendimento considerável. Conheço bastantes que com a dimensão
que ganharam agora, não se queixam
de nada. Com a maior visibilidade que
a MST tem ganho no público e com a
oferta sem concorrência que proporciona torna-se cada vez mais fácil de fazer
vendas de sistemas solares dentro da
MST. É só o instalador querer e arregaçar
as mangas.
Mas existem queixas...
Rafael Ribas: Agora menos. E mesmo
os mais resistentes à MST têm conseguido trabalho fora da MST, com outras
soluções de solar e com o mercado do
aquecimento a funcionar. Quem ainda
tem queixas são os fornecedores que
tanto pela regra da exclusividade, como
Rafael Ribas
“O mercado foi-se ajustando e
as próprias marcas começaram
a compensar essas perdas junto
dos instaladores dando comissões para o caso da venda ser
preliminar à ida ao banco (os
tais 85% dos casos). No âmbito
desta MST, os instaladores
que queiram trabalhar a sério,
podem desenvolver um volume
e condições muito aceitáveis”.
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Estávamos há pouco a falar em aspectos positivos desta MST na área
da instalação. Mas existem aspectos
negativos como a perda da comercialização dos equipamentos e consequente perda de uma importante
parte das suas receitas...
Rafael Ribas: O mercado foi-se ajustando e as próprias marcas começaram a compensar essas perdas junto
dos instaladores dando comissões
para o caso da venda ser preliminar à
ida ao banco (os tais 85% dos casos).
No âmbito desta MST, os instaladores
que queiram trabalhar a sério, podem
desenvolver um volume e condições
muito aceitáveis.
O futuro é agora.
* A qualidade faz a diferença : 3 anos de garantia em peças. Esta garantia aplicase apenas aos compressores, ventiladores e permutadores, sujeita à politica de
garantias da LENNOX e a um contracto de manutenção ao equipamento..
30 | Janeiro/Fevereiro climatização
Joaquim Menezes: Na minha perspectiva o caminho vai ser a integração
dessas áreas e todos os instaladores
oferecerem serviços de climatização
em geral mas as empresas ainda não
estão preparadas para isso e portanto
há que separar e não excluir pela vertente da formação.
*
A
3
NOS
O que é exigido ao nível do RCCTE,
no seu conjunto, para que uma empresa de instalação possa trabalhar
o solar térmico?
Joaquim Menezes: Costumo referir em
termos de climatização, porque me
parece mais abrangente sendo que a
climatização ira congregar o AVAC, Ar
Condicionado, Aquecimento e o Solar,
embora saiba que esta realidade ao
nível das empresas ainda esteja em
construção, sendo que será uma realidade a muito curto prazo. Mas se
olharmos para o futuro, a grande parte
dos instaladores de aquecimento, se
não optarem pelos cursos e pela sua
formação relacionados com a sua actividade, QAI e TIM a grande maioria vai
ficar fora. O curso de QAI é excelente
em termos de conhecimento tal como
o TIM, mas nós achamos que se deviam
separar os conceitos. Os instaladores de
aquecimento que não tenham experiência de manuseamento no ar condicionado, vão ficar fora neste programa
e não me parece justo excluir estas
empresas. Sugerimos que se criem 2
cursos de TIM. Um para aquecimento e
outro para ar condicionado. As empresas que queiram ter os dois e trabalhar
na climatização de uma forma mais
abrangente, tiram os 2 TIM e o CAP
solar. O TIM tal como ele está e no
âmbito do ar condicionado parece-me
uma excelente ferramenta de trabalho,
mas precisamos de ter em conta que há
empresas que não podem ser excluídas
por optarem por uma única vertente e
que nunca vão exercer actividades no
ar condicionado.
Vítor Júlio: E que representam uma
percentagem muito significativa do
mercado do solar.
R
GA A
doméstico e que não têm TIM2 ou TIM3.
É aqui que o novo regulamento é tremendamente injusto, “obrigando” instaladores de Aquecimento a formarem-se
em frio para poderem instalar uma
Caldeira Mural ou um Grupo Térmico
de Gasóleo. A legislação tem que ser
adequada ao mercado e aos agentes
presentes e não o contrário. Há que
criar cursos para os Instaladores de
aquecimento, Curso para os de Frio e
Climatização e para Solar, de modo que
as empresas possam especializar-se e
formar-se na área em que trabalham,
ou caso queiram ser abrangentes, tenham as 3 áreas a que se deve juntar
o gás.
Para si.
www.lennox-neosys.com
A qualidade faz a
diferença*
ANÁLISE&PERSPECTIVAS
pela obrigatoriedade da certificação de
sistema para os kits de termossifão do
regime geral ainda não conseguiram
entrar devidamente para a MST!
Vítor Júlio: Como a MST é fechada a 3
sistemas para AQS, existe um grande
potencial para soluções complementares. Os instaladores continuam a negociar para além da MST, com sistemas
integrados de AQS, Aquecimento e
piscinas.
Uma família que queira um sistema
de AQS em conjunto com um sistema
de aquecimento, não pode usufruir
da medida ou tem que ter 2 sistemas
autónomos...
Carlos Campos: Há de facto falta de
informação nesse sentido e alguma
injustiça. As pessoas que querem uma
solução mais completa e adequada às
suas necessidades deveriam também
de ser comparticipadas em 1.641,70
euros ou outro valor que se encontre
para estas situações.
Este nicho de mercado está a ser
explorado pelas empresas?
Joaquim Menezes: Está, é um facto!
E a MST deveria ser transversal aos
sistemas mais completos. Temos muitos
clientes que começam por procurar o
solar térmico e acabam por investir
num sistema mais abrangente. E há
muito trabalho nesta área daí que a
medida não devesse ser “blindada” a 3
sistemas onde não é possível “crescer”
para outras soluções.
Carlos Campos: Costumo aconselhar as
pessoas a usufruírem da MST e numa
segunda fase instalarem o sistema
de aquecimento mas muitas vezes
existem problemas de espaço para
acrescentar outro termoacumulador,
por exemplo.
Há novas empresas no mercado?
Carlos Campos: É preciso ter em conta que os cerca de 3.000 novos CAP
que apareceram há pouco tempo, já
existiam no mercado. Ao contrário
dos objectivos do Governo, os postos
de trabalho criados de raiz são quase
inexistentes. As formações têm sido
dadas a empresas que já trabalhavam
na área da instalação e que agora in32 | Janeiro/Fevereiro climatização
cluem o solar no seu negócio. Mas ainda
temos aqueles, poucos, que aparecem
a pensar que conseguem fazer uma
instalação de energia solar térmica
ao telemóvel! Mas ainda gostava de
destacar que existe uma outra franja
de empresas no mercado, as micro e
pequenas empresas que trabalham na
MST, que conseguiram junto das marcas
uma comissão de instalação e que ainda
não têm os meios necessários para dar
o “pulo”. Nestes casos, estas empresas
optaram por se juntar às maiores como
prestadores de serviços e a sua realidade financeira piorou substancialmente.
Aqui e na perspectiva dos instaladores
que não são favoráveis à medida, devese continuar a MST como está mas criar
um opção para aqueles que não têm
a estrutura e a logística necessária. Ou
seja, estas empresas deveriam poder
praticar livremente os seus valores no
âmbito da MST. Seria o mercado a funcionar em conjunto com os incentivos
do Estado, e quem decidiria sempre
seria o consumidor final, com a colaboração e o apoio técnico da empresa
promotora e instaladora.
O valor da instalação já está definido e em contrapartida, as pessoas
queixam-se de que os valores dos
sistemas estão inflacionados.
Carlos Campos: O problema é que os
valores estão mal distribuídos. Repare
que temos um intermediário (Pme-link)
que fica com quase 10%. O que acontece é que muitos instaladores estão
a explorar este nicho de negócio e a
vender sistemas por fora do sistema
a valores mais convidativos. Só que a
médio prazo esta solução pode não ser
vantajosa para o cliente. Os valores da
MST já contemplam a manutenção e
para quem compra fora da medida, com
a subida dos combustíveis, daqui a uns
anos, esse custo da manutenção que
é obrigatório (para manter a garantia
durante 6 anos dos colectores e termoacumulador) pode ter um valor muito
considerável. Este mercado paralelo à
MST tem uma grande expressão e é
outra maneira das pequenas empresas conseguirem aguentar-se porque
muitas têm vindo a fechar. E essa é
uma realidade muito visível na APISOLAR que todos os meses perde estas
empresas como associados porque
Carlos Campos
“É preciso ter em conta que
os cerca de 3.000 novos CAP
que apareceram há pouco
tempo, já existiam no mercado.
Ao contrário dos objectivos
do Governo, os postos de trabalho criados de raiz são quase
inexistentes. As formações têm
sido dadas a empresas que
já trabalhavam na área da
instalação e que agora incluem
o solar no seu negócio”.
ANÁLISE&PERSPECTIVAS
fecharam as portas. Repare, no caso
das empresas já maiores que faziam
1 a 2 instalações por dia, agora fazem
5 ou mais e a valores de 700 euros ou
1.000 euros. Há países da Europa onde
estes valores descem para menos de
metade mas as empresas fazem 10 a
15 instalações por dia!
Rafael Ribas: Num seminário onde
estive há pouco tempo na Holanda,
estava a queixar-me dos valores dos
cerca de 700 euros para a instalação
e um colega nosso grego brincou dizendo que nós estávamos a estragar
o mercado internacional com valores
tão altos. Na Grécia, uma equipa de 2
pessoas faz em média 3 instalações
por dia e cobra 70 euros por cada....
É um extremo, com outra estrutura
social e onde já existe a massificação
da energia solar térmica mas também
temos o oposto quando vemos o mercado francês com instalações a mais
de 1.000 euros o que gera um travão
ao desenvolvimento do solar...
E onde se pode situar a nossa realidade daqui a pouco tempo?
Carlos Campos: Penso que daqui a 5
ou 6 anos, o mercado está muito mais
maduro em termos de organização e
as empresas que cresceram ou que
se juntaram a outras vão estar muito
mais bem equipadas e com segurança
para poderem ter essas equipas de 2
pessoas a funcionar muito bem. Mas
seguramente que estaremos numa
situação intermédia entre esses dois
países.
Se a MST continuar, esse amadurecimento pode ser mais rápido...
Carlos Campos: Seguramente que sim
e podemos falar em 3 ou 4 anos nessas
circunstâncias.
Vítor Júlio: Mas o corte tem que ser
gradual para não comprometer este
crescimento tal como aconteceu recentemente na Alemanha.
Carlos Campos: Mas ainda temos o
caso da Áustria que está há muitos
anos com o incentivo do Estado e este
é um exemplo de sucesso. É o país com
mais área de instalação per capita...
Porque é que cá tem que ser diferen34 | Janeiro/Fevereiro climatização
te? Nós cá temos condições para um
desenvolvimento ainda maior que o da
Áustria, necessitamos é que este sector
seja “acarinhado” e visto pelos nossos
governantes como um grande potencial
na criação de emprego sustentável e na
tão desejável contribuição energética
de que Portugal tanto necessita, e que
está ao nosso alcance cada vez mais
promover e desenvolvê-lo!
consumo muito baixos e o aquecimento
começa a ser feito de outra maneira. No
clima da Alemanha são suficientes 2kW
para aquecer uma casa destas e já só é
necessário incluir esta potência no seu
sistema de ventilação (obrigatório) recorrendo a uma resistência eléctrica ou
a uma pequeníssima bomba de calor: o
recurso a um outro sistema central de
aquecimento é dispensável. No nosso
clima estamos muito próximos de atingir essas reduzidas necessidades pois
basta mais um passo nas exigências do
actual RCCTE e lá chegaremos. Ou seja,
o que resta para a energia solar será
pouco e portanto o solar térmico pode
ter um contributo muito mais acessível
do que o actual: um pouco mais do que
a área para as AQS e já daremos um
contributo substancial ao aquecimento. Ou por outro lado com um sistema
das dimensões utilizadas actualmente
poderemos ter uma fracção solar perto
dos 100%.
A nova Directiva para a eficiência
Energética para os edifícios é muito mais exigente quanto à inclusão
das renováveis e concretamente
quanto ao solar térmico também
nos edifícios de serviços. Os nossos
regulamentos vão ser revistos neste
prisma nos próximos 2 anos...
Vítor Júlio: A actual legislação já prevê
a utilização das renováveis, que com
justificação de inviabilidade económica
pode ser eliminada. Em Espanha, por
exemplo, a legislação é mais flexível,
permitindo substituir a Energia Solar por
sistemas de micro-cogeração – produção de água quente e energia eléctrica
partindo de caldeiras a gás.
Mas as soluções da energia solar
térmica não se ficam por aí. Os sistemas com ligações a bombas de calor
estão a crescer exponencialmente
em toda a Europa e o arrefecimento solar é uma aposta da UE e para
muito breve teremos empresas a
comercializar esta tecnologia. A UE
defende este caminho como urgente
na área do solar...
Joaquim Menezes: Sem dúvida que
essa é a tendência. A energia solar
vai ter para muito breve a componente de aquecimento e arrefecimento e
ninguém pense o contrário. Por isso é
natural que a aposta da UE vá nesse
sentido.
Rafael Ribas: Eu diria que a energia
solar térmica vai estar integrada nas
várias soluções de aquecimento e arrefecimento. Os regulamentos térmicos dos edifícios, estão cada vez mais
apertados e a caminhar nessa direcção.
O que vai restar de energia para aquecimento e arrefecimento é muito pouco.
Estas Normas vão já sofrendo ajustes,
aproximando-se das casas quase passivas (“Passiv Haus”) com níveis de
“O problema é que os valores
estão mal distribuídos. Repare
que temos um intermediário
(Pme-link) que fica com quase
10%. O que acontece é que
muitos instaladores estão a
explorar este nicho de negócio
e a vender sistemas por fora
do sistema a valores mais convidativos. Só que a médio prazo
esta solução pode não ser vantajosa para o cliente. Os valores
da MST já contemplam a manutenção e para quem compra
fora da medida, com a subida
dos combustíveis, daqui a uns
anos, esse custo da manutenção
que é obrigatório (para manter
a garantia durante 6 anos dos
colectores e termoacumulador)
pode ter um valor muito
considerável”.
O “net 0 energy buildings” que
era um conceito a perder de vista,
aparece nesta nova Directiva como
“Near 0 energy buildings”. Estamos
quase lá...
Rafael Ribas: Estamos a 1 década de lá
chegar. Mas a climatização ainda tem
que dar uns grandes passos técnico-comerciais nesse sentido. Neste momento
para termos climatização solar temos
que ter sistemas centralizados o que
actualmente representa uma barreira
no mercado doméstico relativamente
às soluções convencionais de ar condicionado (splits). Por outro lado estes
têm cada vez melhor rendimento com
COP muito interessantes que “roubam”
esse espaço...
Continua a ser mais vantajoso o
aquecimento através do ar condicionado?
Rafael Ribas: Em comparação com o
mercado do aquecimento central, eu
diria que é um concorrente forte particularmente nas zonas com clima de
inverno moderado!
Vítor Júlio: As Caldeiras para aquecimento têm evoluído muito a nível
tecnológico, cada vez mais ecológicas,
eficientes e com menores emissões
de gases contaminantes. No mercado
inglês e alemão praticamente já só se
instalam caldeiras de condensação,
e mesmo aqui ao lado, em Espanha,
a substituição de parque instalado tem
que ser feita por caldeiras de condensação ou no limite de baixo NOx. Este é
o caminho por onde se tem de legislar
em Portugal, para que seja possível o
mercado evoluir, evidentemente com a
energia solar a desempenhar um papel
muito importante.
Com a introdução das IPSS na MST e
com a dinâmica dos últimos 2 meses,
as vendas do solar térmico dispararam para uma realidade muito
diferente daquela que prevemos
há 2 meses atrás. Embora menos
do que se esperava, ainda sobram
verbas para 2010 que poderão durar
até quando?
Rafael Ribas: Na realidade tem havido uma aceleração dos números: na
MST do doméstico prevê-se chegar aos
40.000 sistemas vendidos até ao final
do ano, o que absorve uns 65 milhões
de euros. Por outro lado estão umas
1000 candidaturas de instituições (IPSS
e ADUP) em processo. Se considerarmos uma média de 25 colectores por
instalação a um preço de 850 euros/
m2 vai-nos atingir 30milhões de euros
de subsídio. Assim temos no total os 95
milhões destinados à MST de 2009 já
gastos: não sobra nada para 2010!
A MST teve muitos aspectos positivos...
Carlos Campos: Fazendo um balanço,
foram criados (dentro de um universo
de 2.500) pouquíssimos postos de trabalho (segundo informação das empresas do sector, cerca de 190) e muito,
muito longe da meta dos 2.500, que
era o objectivo do governo, mas desde
logo divulgado pela APISOLAR que seria
impossível a criação de tantos novos
postos de trabalho anunciados em
Fevereiro deste ano. Mas em contrapartida dinamizou-se uma experiência
muito interessante no sector, não só
num forte crescimento, como também
na divulgação e promoção do sector
e da tecnologia à grande maioria dos
portugueses.
Rafael Ribas: Mas não há dúvida que
os números que agora circulam (de m2
climatização Janeiro/Fevereiro | 35
ANÁLISE&PERSPECTIVAS
Válvulas e sistemas
vendidos e instalados) já estão muito
perto do que se pretendia. Estes 2 últimos meses foram muito dinâmicos...
participação é o mesmo, independentemente da capacidade e dimensão do
sistema a instalar.
Vieram foi atrasados...
Rafael Ribas: Exactamente mas estão
cá agora.
A forma como está montado o sistema é outro ponto...
Vítor Júlio: O sistema via bancos e a
PME-Link como gestor do sistema pode
evoluir, por exemplo com a adição de
outros pontos de venda, por exemplo nas estações dos CTT e ainda, e
principalmente, nas lojas das diversas
Marcas, Distribuidores e Revendedores
existentes no nosso país. É de extrema
importância que os pontos de vendas
das várias marcas presentes na medida sejam entendidas como pontos
fulcrais na venda de sistemas solares,
pois representam tecnologia, formação,
informação e exposição do produto,
permitindo seleccionar a melhor solução para cada caso. Os canais de venda
devem evoluir e variar, para que não
exista subversão do próprio mercado,
permitindo que a livre concorrência
exista. A forma como a MST foi introduzida no mercado, gerou uma fortíssima
intervenção e alteração no equilíbrio
natural que, em qualquer produto ou
sector, existe com base no trabalho
desenvolvido ao longo do tempo pelas
marcas e agentes presentes. Antes da
MST 09 nenhuma marca tinha mais
de 14% de quota de mercado, hoje, e
por influência directa da MST haverá
uma marca com 1/3 do mercado. O
sector do Aquecimento e Energia Solar englobando, comércio, instalação
e assistência técnica representa mais
de 10.000 profissionais, contra cerca de
duas centenas e meia que se podem
contar nas 9 fábricas de colectores e
termoacumuladores existentes em
Portugal.
O Ministério da Economia e Inovação já manifestou a possibilidade
de continuar com a MST depois de
se esgotar este valor, para além da
desejável abertura a outros sistemas,
quais os outros pontos que defenderam na reunião de Dezembro?
Carlos Campos: Era de facto muito importante que a MST ou outra que venha dar-lhe continuidade, não estivesse
condicionada a 3 sistemas por todas
as razões que já falámos, e também
a necessidade de ser mais transversal
mas para isso têm de ser criados outros
moldes.
Rafael Ribas: Há uma falha aberrante
que tem que ser alterada. A MST continua de olhos fechados em relação ao
regulamento (RCCTE). Uma pessoa que
se dirigisse ao banco podia escolher a
sua solução dentro das soluções elegíveis sem mais nada. No entanto o
sistema não informa qual a dimensão
adequada para que o sistema seja considerado numa certificação energética
do edifício. Deste modo uma pessoa
que hoje compra um sistema com o
subsídio e faz a escolha em função do
preço pode amanhã constatar que esse
sistema não será contabilizado numa
auditoria de certificação energética do
edifício. Nas informações disponíveis
nos bancos não se fala disso. Pior: ouvi
relatos de balcões onde foi necessário
demonstrar qual o número que compunha o agregado familiar e onde lhe
foi imposta a solução de um 200litros
em função do número de pessoas da
família mesmo que o de 300litros fosse
o mais aconselhado para a casa em
função da certificação. Isto é ridículo!
São os próprios bancos que impõem
essa regra?
Rafael Ribas: São, o que é inacreditável!
E deveria haver uma informação para
que estes erros não existam.
Vítor Júlio: E repare que o nível de com36 | Janeiro/Fevereiro climatização
Qual a percentagem de vendas via
banco?
Vítor Júlio: Andará à volta dos 15%,
sendo as restantes conduzidas pelos
Instaladores que efectuam a venda,
para que o cliente final a concretize
no balcão do banco...
Carlos Campos: E apenas 25% dos particulares é que recorrem ao crédito.
Porque ainda há muita gente a pensar
que para usufruir do subsídio tem que
recorrer a empréstimos.
“Há uma falha aberrante que
tem que ser alterada. A MST
continua de olhos fechados em
relação ao regulamento (RCCTE).
Uma pessoa que se dirigisse
ao banco podia escolher a sua
solução dentro das soluções
elegíveis sem mais nada. No
entanto o sistema não informa
qual a dimensão adequada para
que o sistema seja considerado
numa certificação energética
do edifício. Deste modo uma
pessoa que hoje compra um
sistema com o subsídio e faz
a escolha em função do preço
pode amanhã constatar que
esse sistema não será contabilizado numa auditoria de certificação energética do edifício”.
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Colectores em aço
inoxidável para pavimentos
radiante
Balanceamento hidráulico
„Regusol” e „Regumat” regulação para caldeiras e
energia solar
Alemanha: F. W. OVENTROP GmbH & Co. KG, Paul-Oventrop-Straße 1, D-59939 Olsberg, Alemanha
Tel.: +49 (0) 29 62 82-471, Fax: +49 (0) 29 62 82-450, Internet: www.oventrop.com, E-Mail: [email protected]
Portugal: Daniel Couto (Representando), R. Alheira de Aquem, 395, 4415-148 Pedroso - Gaia, Portugal
Telefone: +351 227 846 138, Telefax: +351 227 846 138, E-Mail: [email protected]
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