Savieto RM, Silva MJP, Pozzi DHB, Neto PAF
AÇÃO DA ÁGUA ENERGIZADA COM O TOQUE TERAPÊUTICO
NA CICATRIZAÇÃO DE LESÕES NA PELE DE CAMUNDONGOS
SCARRING EFFECTS OF WATER ENERGIZED WITH THERAPEUTIC TOUCH
ON MICE SKIN
ACCIÓN DEL AGUA ENERGIZADA CON EL TOQUE TERAPÉUTICO EN LA
CICATRIZACIÓN DE LESIONES EN LA PIEL DE RATONES
Roberta Maria Savieto I
Maria Júlia Paes da Silva II
Diana Helena de Benedetto Pozzi III
Pedro de Alcântara Ferreira NetoIV
RESUMO: Este estudo teve como objetivo principal avaliar a ação do consumo da água tratada com Toque Terapêutico
(TT) no processo cicatricial de lesões uniformes na pele de camundongos. Os dados foram colhidos no Laboratório de
Linfoproliferações Experimentais e Fisiopatologia de Doenças Vaso-oclusivas da Faculdade de Medicina da Universidade
de São Paulo, no mês de janeiro de 2005. Foram tratados 60 machos e 60 fêmeas divididos igualmente em Grupo Controle
(GC) – que recebeu água sem tratamento – e Grupo Experimental (GE) – que recebia água tratada com o TT. Realizaramse cinco medidas das lesões a cada 3 dias, sendo que apenas os responsáveis pelo cuidado dos animais sabiam quais animais
pertenciam a cada grupo e o responsável por medir o tamanho das feridas (um dos pesquisadores) não tinha tal informação.
Observou-se que a média do tamanho das lesões do GE sempre foi menor que do GC e que há diferença estatística entre
as medidas obtidas nos dois grupos. Concluiu-se que a água energizada com o TT pode ser um complemento no tratamento
de feridas.
Palavras-chave: Prática complementar; toque terapêutico; holismo; cicatrização
ABSTRACT
ABSTRACT:: The main objective of this study is to evaluate the effects of the consumption of water treated with Therapeutic
Touch (TT) in the healing of uniform wounds in the skin of mice. Data were collected in the Laboratory of Experimental
Linphoproliferation and Physiopathology of Vasooclusive Diseases of The Medical School of the University of São Paulo,
Brazil in January, 2005. The experiment included 60 males and 60 females equally divided in Control Group (GC) – which
received non-treated water – and the Experimental Group (GE) - which received water energized with TT. Caring and
wound measuring were advanced by different scientists. Every 3 days wound measurements on five fronts were carried out
by a scientist (one of the authors) who ignored the animals’ group of origin. It was observed that average wound size in the
GE was always smaller than that in the GC and that there is statistic difference among the measures obtained in the two
groups. Conclusions show that the water undergoing TT can be a complement in wound treatment.
Keywords: Complementary practice; therapeutic touch; holism; wound healing.
RESUMEN: Este estudio tuvo como objetivo principal evaluar la consumición de la água sometida al Toque Terapéutico
(TT) en la cicatrización de lesiones uniformes en la piel de ratones. Los datos fueron recogidos en el Laboratorio de
Linfoproliferaciones Experimentales y Fiosiopatología de Enfermedades Vasooclusivas de la Facultad de Medicina de la
Universidad de São Paulo – Brasil, en enero de 2005. Fueron tratados 60 machos y 60 hembras divididos igualmente en
Grupo de Control (GC) – que recibió agua sin tratamiento – y Grupo Experimental (GE) – que recibió agua energizada.
Se realizaron cinco medidas de las lesiones a cada 3 días, de modo que solamente los responsables por el cuidado de los
animales sabían que ratones pertenecian a cada grupo y la persona responsable para hazer medidas de las lesiones (uno
de los autores) no tenía esa información. Se observó que la media del tamaño de las lesiones de los ratones del GE fue
siempre menor que del GC y que hay diferencia estadística entre las medidas conseguidas en los dos grupos. Fue
concluído que la agua sometida al TT puede ser un complemento en el tratamiento de lesiones.
Palabras Clave: Práctica complementaria; toque terapéutico; holismo; cicatrización.
INRODUÇÃO
É considerado de grande importância no dia-dia
do trabalho da enfermagem o atendimento prestado a
pacientes portadores de feridas crônicas e agudas. O
sofrimento e dor, que causam a possível alteração na
aparência, na auto-estima e, eventualmente, na atividade social, e o alto custo do tratamento fazem com
Enfermeira graduada pela Escola de Enfermagem da USP.- End: Rua Aimberé, 1928 – apto. 02 – Vl. Madalena. CEP:12058-020 – São Paulo – SP. E-mail:
[email protected] ou [email protected]
II
Prof.a Titular do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica a Escola de Enfermagem da USP.
III
Prof.a Associada do Laboratório de Linfoproliferações Experimentais e Fisiopatologia de Doenças Vaso-oclusivas da Faculdade de Medicina da USP.
IV
Médico veterinário do Laboratório de Linfoproliferações Experimentais e Fisiopatologia de Doenças Vaso-oclusivas da Faculdade de Medicina da USP.
I
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Água energizada com TT na cicatrização de lesões em camundongos
que essas lesões mereçam atenção e pesquisa para a
obtenção de alternativas cada vez mais eficazes e
viáveis.
Nesse sentido, existe uma recomendação da
Organização Mundial da Saúde (OMS) que incentiva
a busca de medidas terapêuticas que se mostrem
eficientes no cuidado de feridas1. Também a Política
Nacional de Medicina Natural e Práticas Complementares (PMNPC) do Sistema Único de Saúde, na
qual o Ministério da Saúde formula um diagnóstico e
plano de ação, estimula a implemen-tação das práticas
naturais e complementares de saúde. Tem como base
as deliberações da 8a e 10a Conferência Nacional de
Saúde, as resoluções da Comissão Interministerial e as
recomendações da OMS2.
Para avaliar uma dessas alternativas, este trabalho
relata a utilização do toque terapêutico (TT) – Método
Krieger-Kunz – na água ingerida durante o tratamento
de lesões incisionais causadas na pele de camundongos,
tendo como obje-tivos: avaliar a ação da água tratada
com TT na aceleração do processo cicatricial de lesões
na pele de camundongos; divulgar a possibilidade de
novas abordagens para o tratamento de feridas;
incentivar pesquisas com o toque terapêutico.
Pode-se afirmar ainda: as terapias de imposição
de mãos podem ser também utilizadas na saúde
comunitária e nos Programas de Saúde da Família
(PSFs), o que dá maior autonomia ao enfermeiro3; o
TT pode ser desenvolvido concomitante a um plano
de cuidados e diagnóstico médico, juntamente com
consultas, avaliação do estado nutricional e exames
por imagem4; a North American Nursing Diagnosis
Association (NANDA) aceita e registra como um de
seus diagnósticos o campo energético perturbado, que
se refere ao estado do campo energético humano (CEH)
e deve ser utilizado somente pelo aplicador de TT5;
a Resolução nº 197/97, do Conselho Federal de
Enfermagem (COFEN), reconhece as terapias
alternativas como especialidade e/ou qualificação do
profissional de enfermagem6.
Assim, fica claro que o TT é uma técnica que
recebe total apoio de organizações de enfermagem e
que se mostra extremamente útil no tratamento, não
somente de feridas, mas de várias disfunções, já que
não exclui a abordagem tradicional, mas se une a ela
na busca do melhor atendimento de enfermagem.
REFERENCIAL TEÓRICO
O toque terapêutico (TT) é uma forma de terapia
holística, desenvolvida por Dolores Krieger, uma
enfermeira, na década de 70, que considera o ser
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humano como um todo – físico, psíquico e espiritual
-– que está sempre em interação com essas três
dimensões e, por esse motivo, não pode ser tratado
em cada dimensão separadamente7. Mais recentemente, com a menor aceitação dessas formas
terapêuticas pela academia e com a necessidade de
elas serem estudadas, originou-se a denominação de
terapias complementares.
Essa forma de terapêutica complementar
consiste na imposição de mãos sobre o CEH com
intenção de harmonizá-lo para se obter uma melhora
do organismo. Têm sido sugeridos, como base teórica,
os modernos conhecimentos na área da física que
mostram a relação entre energia e matéria e a
constituição de tudo que existe no universo. Tem
sido relatado que os fótons formam padrões
energéticos distintos e se diferenciam em objetos,
pessoas e até em pensamentos8,9. Assim, o CEH e o
campo ambiental (CA), que significa tudo que
circunda o ser humano, inclusive outro ser humano,
estão em constante interação10.
A teoria que embasa Krieger e os profissonais
de enfermagem para aplicação do TT se funda-menta
no trabalho de Rogers11, ser humano unitário, que faz
uma interpretação holística do ser humano –
percebe-o como único, indivisível, sempre integrado
ao ambiente, caracterizado como um campo energético aberto, constantemente interligado à energia do
universo. Expõe quatro princípios básicos, que são
gerais, e podem evoluir de acordo com o desenvolvimento científico. Eles possibilitam uma maneira de
descrever, explicar e prever vários eventos relevantes
para a prática do cuidador, e são descritos a seguir.
- Princípio da reciprocidade: a partir da relação mútua
entre o CEH e o CA, é possível dizer que um sofre
interferência do outro, de maneira que é o processo
de interação homem-ambiente que evolui, e não somente a flexibilidade humana para se adaptar às
modificações ambientais. Esse princípio, portanto,
sugere que não é possível separar o indivíduo de seu
meio.
- Princípio da sincronicidade: qualquer mudança no
comportamento humano é determi-nada pela
interação simultânea do estado do CEH, num ponto
específico no tempo e no espaço, com o CA, num
mesmo ponto específico no tempo e no espaço. Ou
seja, as ações humanas seriam resultado da ação
sincrônica dos campos.
- Princípio da helicidade: corresponde ao processo da
vida que, ao passar por contínuas mudanças (resultantes da integração homem-ambiente), tem direção
única, estágios seqüenciais numa evolução helicoidal.
Savieto RM, Silva MJP, Pozzi DHB, Neto PAF
- Princípio da ressonância: postula que os padrões da
organização do CEH e do CA são modificações
através de movimentos de onda, numa sinfonia de
vibrações rítmicas que oscilam em várias freqüências.
Assim, as múltiplas ondas (de luz, som, calor, gravidade, que não se pode ver ou escutar) compõem e
caracterizam todo o universo.
Na técnica proposta por Krieger-Kunz, antes de
se realizar o TT em alguém, o terapeuta deve estar
saudável e equilibrar sua energia com a do CA, pois
somente dessa maneira poderá oferecer o melhor para
o paciente12. Envolve algumas etapas que devem ser
cumpridas na seguinte ordem:
- Centralização: neste primeiro passo, o terapeuta deve
se concentrar mentalmente e focar atenção na
sensibilidade de suas mãos. É um momento muito
importante, pois nele se reunirá a energia do ambiente
a ser utilizada no diagnóstico e tratamento do CEH.
Deve ficar claro, portanto, que o terapeuta é apenas
um canal que reúne energia e a transporta para o
receptor com intenção de ajudá-lo e harmonizá-lo10.
- Acesso e diagnóstico do CEH: consiste no toque ao
campo energético do paciente, que fica de 6 a 12 cm
de distância da pele. Aqui, sentem-se as alterações,
ou seja, tudo o que não faz parte de um CE normal. O
CE normal caracteriza-se por sua harmonia e
regularidade, com padrão único e sem modificações
de qualquer tipo. As alterações podem corresponder a
assimetrias, temperaturas muito frias ou quentes,
bloqueios, choques, enrugamentos, pressões diferentes
e formigamentos.
- Tratamento e modulação: este é o momento em que
o CE deve ser repadronizado, sempre na tentativa
de fazê-lo se parecer, ou se tornar, normal. O terapeuta
pode utilizar alisamento, desbloqueamento, oposição
de sensações.
- Avaliação: esta é a última etapa e consiste na verificação dos CE, comparando com o que foi encontrado
na segunda fase. Entretanto, nem sempre é possível
realizar repadronização total do CE com uma única
sessão. É preciso que o terapeuta reconheça suas
limitações e marque novas aplicações7,12.
Algumas pesquisas foram realizadas com o
intuito de testar o efeito do TT em diversas situações.
Os trabalhos com humanos mostraram uma
aceleração significativa da taxa de cicatrização dos
sujeitos tratados com TT13 e uma cicatrização mais
rápida da pele de puérperas que sofreram episiotomia
e cesariana10.
Além disso, alguns trabalhos com animais
evidenciaram maior porcentagem de cicatrização na
pele de ratos que foram submetidos, de alguma maneira,
à TT14-17. É preciso esclarecer que o processo de cicatrização nos ratos é muito parecido com o de seres
humanos, e que pesquisas com animais são
incentivadas, pois proporcionam conhecimento sobre
mecanismos fisio-patológicos e tratamento de doenças
de maneira mais efetiva e menos custosa18.
De qualquer maneira, pesquisadores comprovaram que a prática de imposição de mãos com intenção
de cura, aliás, utilizadas desde muito antes da Era
Cristã9, realmente proporciona alguma modificação
num sentido positivo em organismos vivos, já que ela
otimizou os sistemas hematológico e imunológico de
camundongos19, promoveu durabili-dade até 14 vezes
maior em tomates de igual maturi-dade e armazenados
em mesmas condições ambientais20 e reduziu ansiedade
em pacientes hospitalizados21.
Sabe-se que é possível captar sinais elétricos
dentro e entre as células. Fortes evidências indicam
que em ferimentos e em áreas de crescimento celular,
o campo elétrico se intensifica, regulando o
comportamento das células através da estabilização de
gradientes químicos, da estimulação de secreção de
fatores de crescimento e do aumento da expressão dos
receptores desses fatores de crescimento. Assim, a
ciência evoluiu e tem demonstrado o quanto de física
existe no organismo humano. No entanto, não se sabe
exatamente como o campo energético humano interage
com os outros tipos de energia e ainda há a dificuldade
de se obter instrumentos que consigam mensurar tais
interações22.
Nesse sentido, há tentativas de medir e analisar
as energias relacionadas a tratamentos. Em uma delas,
utilizou-se um aparelho emissor de fótons ultra-leve
durante sessões de imposição de mãos com intenção
de cura. Encontrou-se alterações notáveis na distribuição dos fótons e uma mudança nos componentes
cíclicos do emissor, sugerindo capacidade de modificação de CA23. Em outra, raios infraver-melhos e radiação
por microondas aceleraram o processo cicatricial de
ratos e a radiação eletroma-gnética aumentou a força
tênsil dos ferimentos mais do que a radiação infravermelha24.
A utilização da água neste trabalho, como
veículo de tratamento, é justificada como o meio que
pode ser afetado pela energia liberada do terapeuta
através da técnica do toque terapêutico, e que causará
modificações no organismo.
Para demonstrar a influência que a água pode
sofrer, há um pesquisador japonês25 que fotografou
cristais de água congelada durante aproximadamente
5 anos com ajuda de câmeras potentes e microscópios.
Constatou que os cristais congelados da água destilada
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Água energizada com TT na cicatrização de lesões em camundongos
em contato com palavras digitadas de significado
positivo e negativo tomam formas bastante distintas
quando fotografados. Por exemplo, a aparência do
cristal que ficou junto à palavra obrigado foi
considerada equilibrada e de acordo com o padrão já
encontrado; já a água congelada, armazenada com a
expressão seu idiota, obteve uma imagem disforme e
totalmente fora do padrão.
Assim, ao se energizar água com a técnica do
TT, ou seja, colocando intenção de acelerar o processo
de cicatrização dos animais que a bebessem, pode-se
inferir que a molécula da água sofre modificações
estruturais com capacidade para cumprir o objetivo
para que foi energizada.
O processo de cicatrização é aquele no qual um
tecido lesado é substituído por tecido conjuntivo
vascularizado que, embora semelhante ao tecido
original, nunca terá a mesma força tênsil26.
Qualquer que seja a causa do trauma, o tecido
lesado sempre buscará sua recuperação seguindo os
mesmos processos: coagulação inicial da lesão através de glóbulos vermelhos e fibrina; aparecimento
dos sinais inflamatórios, que protegem contra a entrada de possíveis bactérias e estimulam o fluxo
sangüíneo local; reconstrução do tecido perdido com
aumento da produção de colágeno e contração da
ferida; maturação das novas estruturas que formarão
uma cicatriz que se tornará cada vez mais clara e mais
parecida com o tecido original27.
A cicatrização sofre influência de vários fatores
(controlados no presente trabalho) como: idade,
ansiedade, estado nutricional, dor, stress, doenças préexistentes26,27.
METODOLOGIA
O estudo foi realizado no Laboratório de Linfoproliferações Experimentais e Fisiopatologia das Doenças
Vaso-oclusivas da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo, em janeiro de 2005, com
amostra composta por 120 camundongos da raça Ham,
sendo 60 do sexo masculino e 60 do sexo feminino,
nunca submetidos a qualquer procedimento anterior.
Cabe ressaltar que foram obedecidas as normas
dos princípios internacionais para pesquisa biomédica
envolvendo animais, desenvolvidos em 1985 pelo
Conselho para Organização Internacional de
Ciências médicas28(CIOMS), que declara que animais
utilizados em estudos experimentais devem ser
tratados a fim de manter seu bem-estar, não causando
dor ou sofrimento. Assim, os camundongos eram
mantidos em local específico, tendo sua higiene
assegurada, minimizando estresse e desconforto, com
temperatura controlada (20°C) e iluminação
alternada (12 horas de claro e 12 horas de escuro),
com alimentação apropriada e aos cuidados de
um médico veterinário e dois técnicos de
laboratório.
Não houve necessidade da aprovação do
projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa, pois se
trata de um estudo com animais.
Todos os animais passaram por tricotomia, para
que fosse feita uma incisão reta de 1,5 cm na região
dorsal, assim como mostra a Figura 1.
A amostra foi dividida aleatoriamente em dois
grupos de 60 camundongos, com 30 machos e 30
fêmeas cada: o Grupo Experimental (GE) e o Grupo
FIGURA 1: Incisão inicial de 1,5 cm feita na região
dorsal dos camundongos
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Savieto RM, Silva MJP, Pozzi DHB, Neto PAF
Controle (GC). Apenas os funcionários do Laboratório que tratavam dos animais sabiam quais gaiolas
pertenciam aos grupos, assim, um dos autores que
media o tamanho das feridas não sabia quais animais
eram do GE e quais eram do GC.
Cada gaiola continha cinco camundongos,
totalizando 12 gaiolas em cada grupo. Dentro delas,
os animais tiveram partes do corpo pintadas com
ácido pícrico para que fossem identificados e
diferenciados. Assim, tem-se em cada gaiola o camundongo branco – que não teve nenhuma pintura,
o camundongo pintado na cabeça, o camundongo
pintado no traseiro esquerdo, outro no traseiro direito
e ainda outro no rabo.
Ao grupo experimental foi dada água energizada pelo toque terapêutico, enquanto ao grupo
controle, água sem qualquer tratamento. Foi utilizada
água potável, trocada de acordo com a rotina do
laboratório. Quando energizada, foi manipulada por
um dos autores da pesquisa – habilitado na técnica
do TT – num local reservado do laboratório,
utilizando-se da centralização com intenção, a uma
distância de 2 cm da boca da garrafa em que era
armazenada.
A utilização da água como veículo de tratamento é, assim, explicada: a energia que sai do terapeuta é diretamente absorvida pelas moléculas de
água, que ficam energizadas15.
O comprimento das feridas foi medido com
paquímetro, 5 vezes, a cada 3 dias. Os dados foram
coletados entre 11 e 26 de janeiro de 2005.
Para tratamento dos dados obtidos, foi utilizada
a análise de variância (ANOVA) oneway com dados
repetidos. Foram considerados significativos os
valores de p< 0,05.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise mostrou que não há diferença estatisti-
camente significante entre as medidas das incisões de
machos e fêmeas, sem considerar o grupo a que pertenciam (F= 0,048; df= 1; p= 0,83). Assim, a Figura 2
compara a média das medidas dos animais dos dois
sexos e não mostra relevante diferença entre os tamanhos medidos.
Comparando-se machos e fêmeas dentro do
mesmo grupo, também não foi encontrada diferença
estatisticamente significante. Assim, os valores
obtidos no teste estatístico para medidas de machos
e fêmeas dentro do GC são: F= 0,047; df= 1; p=
0,83 e para os machos e fêmeas do GE são: F= 0,048;
df= 1; p= 0,83.
No entanto, ao se comparar machos do GC com
machos do GE e fêmeas do GC com fêmeas do GE,
observa-se diferença estatisticamente significante no
tempo de cicatrização total. Tem-se para os machos:
F= 4,368; df= 1; p= 0,035 e para as fêmeas: F= 4,621;
df= 1; p= 0,032. A média das medidas de fêmeas e
machos do GE sempre foi menor que do GC, de acordo
com a Figura 3.
A diferença observada entre os sexos dos dois
grupos estende-se, obviamente, numa comparação geral entre os animais dos grupos CG e CE. Como valores
do teste estatístico tem-se: F=9,006; df=1;
p=0,002804. De tais números destaca-se a diferença
estatisticamente significante (p < 0,05), ilustrando
menor tempo de cicatrização total para os animais do
GE.
Os resultados obtidos apontam que os animais
do GE levaram, significativamente, menor tempo
para apresentarem suas feridas totalmente fechadas.
FIGURA 2: Comparação entre as médias das medidas da incisão de fêmeas e machos. Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Janeiro, 2005.
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Água energizada com TT na cicatrização de lesões em camundongos
FIGURA 3: Comparação da média das medidas das incisões entre machos e fêmeas
do Grupo Controle (GC) e do Grupo Experimental (GE). Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo. Janeiro, 2005.
Essa diferença é atribuída ao consumo da água
energizada com a técnica do TT. Assim, pode-se
afirmar que a ação do TT na água acelerou o processo
cicatricial dos camundongos, sugerindo eficácia da
técnica também em humanos.
Esses achados corroboram outros estudos que
também mostraram ação positiva do toque terapêutico
na cicatrização10,13-17. É possível comparar este trabalho
com outros dois que também utilizaram água energizada
para o tratamento de lesões na pele de animais16-17. Neles,
a média das medidas do Grupo Controle também
sempre foi maior que do Grupo Experimental, assim
como mais componentes do GE do que do GC
apresentaram total cicatrização no final das medidas.
Há um trababalho14 que cita duas pesquisas feitas
com ratos, nas quais se obteve melhor cicatrização dos
animais tratados com o TT. Uma foi realizada com
300 componentes divididos em três grupos: um grupo
tratado com TT (experimental), outro tratado apenas
com calor e outro de controle. O grupo experimental
apresentou diferença estatisticamente significante no
tempo de cicatrização, quando comparado aos outros
dois grupos. Já a segunda pesquisa citada mostra que,
embora sem tratamento estatístico dos dados, o grupo
que foi segurado por aplicadores da técnica obteve
menor tempo para apresentar cicatrização total
quando comparado aos animais que foram segurados
por quem não conhecia a técnica e àqueles que ficaram
aos cuidados de quem recebeu ensinamento sobre o
TT somente para participar da pesquisa.
No entanto, o ineditismo deste estudo está no
tratamento estatístico conferido aos dados que outras
pesquisas brasileiras não tiveram. Assim, os resultados
são comprovados cientificamente, incentivando a
divulgação e a prática da técnica do TT.
É importante esclarecer que foi a água, energizada
com intenção de harmonizar e equilibrar o organismo
dos camundongos para que houvesse uma resposta mais
eficaz à agressão sofrida, que promoveu a cicatrização
mais rápida do Grupo Experimental, pois a técnica
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integral do TT, como é descrita por Krieger12, não cabe
para o tratamento da água. No entanto, a centralização
(primeira etapa do método) foi cumprida, bem como
a intencionalidade que o terapeuta deve ter para
cumprir o processo.
Os resultados sugerem, então, o que parece ser
mais aceito pela física: os organismos têm uma energia
eletromagnética que pode afetar a água e que, talvez,
essa água adquira uma energia diferente, modificandoa molecularmente, que atue no organismo e no
processo cicatricial.
De qualquer maneira, esses achados são
favoráveis à utilização do TT e sugerem tal prática
como um importante aliado no tratamento de feridas,
demonstrando a possibilidade da utilização de outra
abordagem e tratamento, que não só as tradicionais,
para auxiliar no processo cicatricial.
CONCLUSÃO
O toque terapêutico, além de receber total apoio
e incentivo das organizações comprometidas com a
melhoria do atendimento à saúde,1,2,26,27, tem como
vantagens: ser uma alternativa de baixo custo, não
invasiva, que não exclui as abordagens tradicionais
e que possui demanda para sua aplicação.
No entanto, ainda há descrença no potencial
das práticas complementares de promover bem-estar e
melhora dos sintomas. Assim, estudos como este são
necessários para que os diversos profissionais da área
da saúde estejam atentos e disponíveis para perceber
que o objetivo final de seu cuidado – a melhora e/ou
conforto do paciente – deve ser atingido da melhor
maneira possível.
Não se esgotaram aqui, então, as possibilidades
de pesquisa com o toque terapêutico e outras práticas
complementares. Assim, ficam: a comprovação de que
essa terapia funciona, o incentivo para explorar cada
vez mais esse campo e a divulgação dos estudos para
quem não conhece o TT.
Savieto RM, Silva MJP, Pozzi DHB, Neto PAF
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Recebido em: 04.12.2006
Aprovado em: 13.09.2007
R Enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2007 jul/set; 15(3):423-9.
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AÇÃO DA ÁGUA ENERGIZADA COM O TOQUE TERAPÊUTICO NA