1
Novas Tecnologias de Informação e Comunicação e
Educação a Distância no Ensino Superior: experiências na
área de Computação e Informática
Carlos Fernando de Araujo Jr1, Ivan Carlos Alcântara de Oliveira 1 , Luis Henrique Amaral1,
Ismar Frango Silveira1,2
1
Coordenadoria de Informática – Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL)
São Paulo – SP – Brasil
2
Escola Politécnica – Departamento de Computação e Sistemas Digitais
Universidade de São Paulo (USP)
{carlos.araujo,luiz.amaral}@unicsul.br, [email protected],
[email protected]
Abstract. This paper shows an experience taken at UNICSUL which main goal was to
model and develop didactical web content for regular and half-distance learning, in
Computer Science and Information System Courses of this University. Such
experience was implemented over the WebCT environment, and the learning process
was under student evaluation. The results of that evaluation, as well as some details
of its implementation are discussed in the present work.
Resumo. Neste artigo apresentamos uma experiência realizada na Unicsul na
modelagem e desenvolvimento de material didático suplementar, complementar e
para o ensino semipresencial utilizado em disciplinas dos cursos da área de
Computação e Informática da Universidade. A experiência foi implementada
utilizando o ambiente WebCT e os resultados da utilização do ambiente, suas
caracteristicas, e a aplicação do material didático produzido foram avaliados pelos
estudantes. Apresentamos neste trabalho os detalhes desta implementação e os
resultados obtidos.
1. Introdução
O uso da Internet/Web para fins educacionais tem sido tema de deversas pesquisas nos
últimos anos [Beuschel et al. 2000; Moore 1989. Sajaniemi & Kuittinen 1999; Sandel et al.
1997]. Experiências no uso das tecnologias de informação e comunicação (TIC) baseadas na
Web têm aplicações nos diversos segmentos do ensino, apresentando resultados que têm
contribuido para o uso eficente das tecnologias de informação e comunicação na educação. Em
especial na área de Computação e Informática têm-se realizado diversos estudos sobre a
efetividade do uso da Internet/Web como uma ferramenta de estudo e comunicação [Baker et
al. 1999; Boroni et al. 1999; Boroni et al. 1998; Byrne 1999; Cordova 1999, Deaver & Resler
1999, Mester & Krumm 2000, Naps & Chan 1999; Trondle et al. 2000; Ryan et al. 2000;
Aggarwal 2000; Abbey 2000]. A área de Computação e Informática, por estar diretamente
envolvida com a pesquisa e desenvolvimento das TICs, tem grande interesse no uso destas
tecnologias na educação, e seria de esperar que o ensino superior nesta área utilizasse
intensamente as TICs como recurso de aprendizagem. Não se pode afirmar peremptoriamente
e de forma inequívoca que o uso das TICs tornam o aprendizado mais eficiente ou melhor
[Whalen e Wright 2000]. No entanto, sendo uma realidade cada vez mais inserida no contexto
social e do trabalho, não se pode deixar de estudar, aplicar e analisar o uso dessas tecnologias
no ambiente educacional e, progressivamente, a partir dos resultados obtidos através de
pesquisa, avançarmos para uma utilização mais adequada das TICs na Educação.
Neste trabalho apresentamos os resultados obtidos com a utilização da Internet/Web no
âmbito do Ensino Superior em uma experiência envolvendo dois dos nossos cursos da área de
Computação e Informática. A área de Computação e Informática foi escolhida por ser a área de
atuação docente dos autores e por esta área já possuir infraestrutura para permitir a experiência
(laboratórios de informática, ambiente WebCT, designers, etc.). Nosso estudo se dá em duas
disciplinas ofertadas nas modalidades semipresencial e presencial (disciplina regular do curso
de graduação). Os alunos atingidos pela experiência foram os alunos dos cursos de Ciência da
Computação e Tecnologia em Sistemas de Informação.
A estrutura do artigo é a que segue: na parte 2 apresentamos os aspectos relacionados as
disciplinas e desenvolvimento de conteúdos para Web e características do ambiente de
aprendizagem utilizado. Na parte 3 apresentamos os resultados da aplicação dos conteúdos
modelados e implementados utilizando o WebCT em dois grupos que envolveram cerca 172
estudantes. Finalizamos o trabalho com a parte 4 onde apresentamos nossas conclusões e
pesquisas futuras
2. Disciplinas, Desenvolvimento do Conteúdo e Ambiente Virtual de
Aprendizagem
2.1 Disciplinas escolhidas
As disciplinas utilizadas para o nosso estudo têm natureza bastante distinta. Escolhemos a
disciplina de Computação e Métodos Numéricos (CMN) do terceiro ano do Curso de Ciência
da Computação para ser a disciplina regular onde a Internet/Web seria utilizada para
distribuição do conteúdo e meio de comunicação, principalmente e-mail e fórum entre alunos e
entre aluno(s) e professor. A disciplina de CMN é clássica pelo seu índice de reprovação e pela
dificuldade encontrada pelos alunos nos temas tratados. Nosso objetivo ao utilizarmos as TICs
nesta disciplina era proporcionar aos alunos uma experiência de aprendizagem diferente da
convencional e que tornasse mais motivante o estudo da disciplina.
A disciplina Tecnologias da Informação Aplicadas a Internet (TIAI) é uma disciplina do
primeiro ano do curso de Tecnologia em Sistemas de Informação. Essa disciplina foi
concebida, no projeto pedagógico do curso, para ser ofertada na modalidade semipresencial.
Contudo, optamos por um gradativo processo de transição entre o ensino presencial e o
semipresencial. Desta forma, os resultados aqui apresentados dizem respeito a uma disciplina
de 160h anuais onde 20% de seu conteúdo resulta de trabalho “on-line” com o uso dos recursos
do WebCT e modelagem conforme sugerida neste trabalho. Nosso objetivo com a oferta dessa
disciplina na modalidade semipresencial foi o de criar cultura e conhecimento entre alunos e
professores sobre as TICs como ferramenta de ensino/aprendizagem, incentivando o estudo
individual com inicitiva do próprio aluno.
2.2 Modelagem do conteúdo para ambiente Web
A modelagem e desenvolvimento de conteúdos digitais têm uma relação intrínseca,
porém não unívoca, com a mídia e tecnologia utilizada. Assim a produção de conteúdo para
veiculação em papel impresso tem características distintas, bem como os conteúdos para outros
meios de comunicação: TV, Vídeo, rádio [Bergi 2000, Lee e Owens 2000].
A característica principal do ambiente Web é sua tecnologia hipermídia, que, em linhas
gerais, se caracteriza pela utilização de conteúdos multimídia, organizados sob uma estrutura
de hiperdocumentos, estrutura esta difundida a partir dos primeiros sistemas de hipertexto.
Baseado neste fato, a modelagem e desenvolvimento de conteúdo devem se utilizar dos
recursos tecnológicos diversos quando da elaboração de conteúdo multimídia, uma vez que o
uso não adequado torna o conteúdo modelado pobre em qualidade, mesmo que esse tenha sido
adequadamente produzido por um especialista [Lunch 1999, Nielsen 2000].
Há dois aspectos básicos que devem ser considerados no desenvolvimento do conteúdo
e modelagem: a) o design instrucional, b) a implementação do resultado do design instrucional
em ambiente Web [Bergi 2000].
Assim, os princípios da Engenharia Web devem ser seguidos na modelagem e
desenvolvimento de conteúdos para web para obtenção de um conteúdo adequado à tecnologia.
A modelagem de conteúdos então se define como sendo a forma de adequar o conteúdo
produzido por um especialista ao modelo estabelecido utilizando-se dos critérios de design.
Deste modo, os princípios de elaborados por Olsina [Olsina 1999, Pressman 2001], por
exemplo, no contexto da qualidade de sites, podem servir de guia a essa tarefa: usabilidade,
comunicabilidade, funcionalidade, eficiência e manutenibilidade.
O mapeamento do conteúdo desenvolvido para um ambiente virtual de aprendizagem
pressupõe características de hardware e software, para cada item do material didático a ser
utilizado (unidades, textos, figuras, exemplos, sons, imagens, simulação e avaliação, por
exemplo). Esse mapeamento não é unívoco, pode ser realizado de diversas formas. O uso de
ambientes comerciais como o WebCT, Intralearn, Saba [Hall 2000], impõem algumas
restrições neste mapeamento que devem ser consideradas na etapa de modelagem.
O processo de desenvolvimento e modelagem de conteúdos para ambientes virtuais de
aprendizagem pode ser visualizado num diagrama UML [Booch et al. 1999] de casos de uso,
como na Figura 1.
Na Figura 1 apresentamos um modelo possível para o processo de desenvolvimento de
conteúdos didáticos para Web. O conteúdo é desenvolvido por um ou mais especialistas. Esse
especialista em conteúdo não necessariamente precisa conhecer o ambiente, a mídia, para o
qual seu conteúdo será modelado e implementado (aqui representado por uma ator genérico,
denominado WebEngineer, do qual claramente podem haver –como há- derivações, que vão do
Engenheiro de Software ao Webdesigner ). O processo de modelagem se relaciona e depende
da implementação, ou ferramenta utilizada para implementação. Em nosso caso a
implementação no ambiente WebCT trouxe fatores limitantes à modelagem do conteúdo
adotada que foi observada na fase de testes.
Design
Instrucional
<<depends>>
Criação de
Conteúdo
WebEngineer
<<depends>>
Professor/
Especialista
Modelagem
<<depends>>
Testes
Implementação
<<depends>>
Figura 1: Diagrama de casos de uso no desenvolvimento e modelagem de conteúdo
para ambientes virtuais de aprendizagem
Além da modelagem do conteúdo, tendo em vista a tecnologia que será utilizada, há de
se considerar o aspecto relacionado com o design instrucional, tarefa que, em linhas gerais,
antecede a etapa de modelagem e tem por objetivo relacionar os objetivos da aprendizagem
com o conteúdo e estratégias a serem adotadas para aplicar esse conteúdo e obter os resultados
estabelecidos.
2.2 Ambiente Virtual de Aprendizagem
O software de suporte às atividades realizadas em um ambiente on-line (mediado por
computador) levam os agentes do processo educacional a interagirem de uma forma
colaborativa em um espaço comum. Tais espaços comuns de colaboração, suportados por
software, são conhecidos como ambientes virtuais de aprendizagem ou “Learning Management
Systems” (LMS) [Hall 2000]. Os ambientes virtuais possuem em geral três visões: a visão do
admistrador/gerente, a visão do designer e a visão do estudante. As diferenças fundamentais
entre os diversos ambientes virtuais de aprendizagem estão nas funcionalidades existentes para
cada uma dessas visões(módulos) que compõem o ambiente. Cada uma dessas visões permite a
interação necessária para o desempenho das funções de administrador (criação de cursos,
inclusão/exclusão de designer, estudantes e análise de uso do sistema, etc). No módulo do
designer as funções mais convencionais estão relacionadas como o desenvolvimento do
conteúdo, geração de atividades e avaliações, relacionamento síncrono e assíncrono, avaliação
de desempenho dos estudantes. O módulo do estudante permite que este interaja com o
ambiente virtual de aprendizagem (acesso a conteúdos, recursos multimídia, recursos de
interação síncrona e assíncrona). Os ambientes virtuais de aprendizagem trabalham na
arquitetura cliente/servidor sendo todas as interações com o servidor realizas via browser (nos
três módulos descritos).
Há uma variedade muito grande de ambientes virtuais de aprendizagem disponíveis no
mercado: WebCT, Saba, TopClass [Hall 2000]. A escolha de um ambiente tem características
relacionadas a custo/benefício tendo em vista as possíveis aplicações do projeto [ Whalen e
Wright, 2000]. Na experiência relatada, a escolha do WebCT deve-se ao fato de ser o ambiente
que propiciava a relação custo/benefício mais adequada aos projetos pilotos do uso das
tecnologias de informação e comunicação em disciplinas de cursos regulares de graduação e
pelo fato de que membros da equipe já tinham alguma experiência com esse ambiente.
Embora o ambiente virtual utilizado seja apenas uma ferramenta e não a finalidade em
si, na exploração do uso das tecnologias de informação e comunicação na educação, ele
permite de forma geralmente customizável a adaptação para diversas abordagens e estratégias
de uso [Turine 2000, Araujo Jr. 1999].
3. Resultados
A implementação do projeto se deu através de duas disciplinas dos cursos regulares de
computação e informática da Universidade: “Computação e Métodos Numéricos”, disciplina
regular do curso de Ciência da Computação, e “Tecnologias de Informação Aplicadas à
Internet”, disciplina regular do curso de Tecnologia em Sistemas de Informação. O número de
alunos que atuaram no processo foi de 112 e 60 alunos nas duas disciplinas, respectivamente.
A avaliação do uso da ferramenta e aplicação do conteúdo foi realizada utilizando-se do
instrumento avaliativo apresentado na Tabela 1 Os quesitos analisados dizem respeito a
aspectos relevantes ao se mensurar o impacto da usabilidade na eficiência pedagógica do
projeto. Assim, as perguntas presentes no instrumento a seguir referem-se, basicamente, aos
seguintes aspectos:
a) Navegação no ambiente
b) Navegação no conteúdo
c) Acompanhamento do curso/disciplina
d) Aprendizado com o curso/disciplina.
As questões do instrumento avaliativo foram respondidas por categorias, e para uma análise
quantitativa consideramos pesos de 5 a 0 correspondendo às categorias “sempre”, “quase sempre”, “na
média”, “quase nunca” e “nunca” e “não sei”, respectivamente. Na Tabela 2 apresentamos os resultados
da análise do item navegação no ambiente para as experiências na disciplina de CMN e TIAI,
respectivamente. O propósito de tal item era o de mesurar a navegabilidade, que se enquadra no
princípio da usabilidade, defendido por Olsina [Olsina 1999].
Observamos que na questão Q.1 os alunos apresentam não terem problemas de navegabilidade
no ambiente WebCT. Nesta questão o escore mais baixo significaria nenhum problema de navegação. O
escore médio obtido foi 2.37 e 2.2 para as disciplinas de CMN e TIAI, respectivamente, apresentando
pouca (nenhuma) variabilidade comparativa. Na questão Q.2 os resultados são semelhante mas com um
ligeiro aumento do escore médio para a disciplina de TIAI indicando, comparativamente a disciplina de
CMN, uma maior dificuldade de navegação neste curso/disciplina.
Tabela 1: Instrumento de avaliação aplicado,
(Respostas:”Sempre”, “Quase sempre”, “Na média”, “Quase Nunca”, “Nunca” e “Não Sei”)
a) Navegando no ambiente / b) Navegando no conteúdo
Q.1 - Você se sente "perdido" quando navega no ambiente do WebCT?
Q.2 - Você se sente "perdido" quando navega no conteúdo do curso?
Q.3 - Você acha fácil acessar os recursos do ambiente do WebCT?
Q.4 – É rápido encontrar aquilo que você procura no material do curso?
Q.5 - Acontece algum problema quando você usa um browser diferente?
Q.6 – O acesso ao site do WebCT é rápido?
Q.7 – O acesso às páginas de conteúdo do curso é rápido?
c) Acompanhando o curso
Q.8 - Você encontra no material do curso tudo aquilo que procura?
Q.9 - Os exemplos disponíveis no material ajudam a compreender a teoria?
Q.10 - Todo tópico da matéria tem exercícios propostos?
Q.11 - Os textos teóricos vêm acompanhados de figuras?
Q.12 - Você acha que tem texto demais no material?
Q.13 - Há sons, animação ou simulação disponíveis?
Q.14 - O conteúdo do curso, se fosse dado em sala de aula, seria melhor aproveitado?
Q.15 - Você faria uma outra disciplina (que não seja de DP) 100% online?
Q.16 - Você preferiria fazer uma disciplina de DP 100% online?
Q.17 - Você acha que deveria haver mais aulas na sala de aula do que online?
Q.18 - Você acha que deveria haver mais aulas online do que na sala de aula?
d) Aprendendo com o curso
Q.19 - Você faz os exercícios que são propostos no curso?
Q.20 - Você consegue entender os exemplos disponibilizados?
Q.21 - Você lê o texto do conteúdo diretamente na tela do computador?
Q.22 - Você imprime o conteúdo em papel para ler depois?
Q.23 - As figuras que acompanham o texto ajudam na compreensão?
Q.24 –Você acha que o uso de sons, animações e simulações ajudariam a aprender?
Q.25 - Você usa e-mail para trocar idéias, solucionar problemas, etc.?
Q.26 - Você usa o fórum para discutir assuntos do curso?
Q.27-Você usa o chat para se comunicar on-line com seus colegas e professores?
Na questão Q.3, sobre os recursos do WebCT, os alunos da disciplina de CMN e TIAI
apresentam diferença significativa. Os alunos do curso/disciplina de CMN parecem ter maior
dificuldade de encontrar os recursos do ambiente do que os alunos do TIAI. As diferenças nos
escores médio obtidos para as questões seguintes no item a) do instrumento avaliativo,
questões Q.4 –Q.7 são semelhantes ao obtido para a questão Q.3 . Dada a natureza das questões
e perfil dos dois grupos submetidos à experiência acreditamos, indiretamente, que os alunos de
TIAI estão mais familiarizados com o uso da Internet/Web que os alunos de CMN.
Tabela 2: Navegando no ambiente e no conteúdo. Aspectos relacionados com a navegação no ambiente
WebCT e no conteúdo modelado para a disciplina. As questões estão na Tabela 1. Para cada questão, nas
tabelas 2, 3, 4 e 5 temos M: média e DP: desvio padrão.
Q.1
M
Q.2
DP
Q.3
Q.4
Q.5
Q.6
Q.7
M
DP
M
DP M
DP M
DP M
DP M
DP
CMN
2.4
0.6
2.3
0.5
3.0
0.7 3.2
0.7
3.0
0.8 3.0
0.7 3.1
0.6
TIAI
2.2
0.5
2.5
0.6
3.6
0.5 3.5
0.5 2.3
1.1 3.5
0.7 3.6
0.4
No item b) do instrumento avaliativo sobre o acompanhamento do curso por parte do
aluno os resultados obtido são apresentados na Tabela 3. Neste item questão 8 os alunos
apontam que encontram (na média) tudo o que procuram. Os exemplos disponíveis que ajudem
a compreender a teoria são assinalados na questão 9. O escore mais baixo para a disciplina de
CMN, 2.9 nesta questão, assinala uma necessidade de análise frente os requisitos dos
estudantes e especificidades da disciplina. As questões Q.10 à Q.13 dizem respeito a existência
de exercícios propostos, figuras ilustrativas e quantidade de conteúdo, respectivamente.
Tabela 3: Acompanhando o curso. Aspectos relacionados com o conteúdo
Q.8
Q.9
M
DP
M
Q.10
Q.11
Q.12
Q.13
DP M
DP M
DP M
DP M
DP
CMN
3.1
0.4 2.9
0.6 2.9
0.6 3.0
0.5 2.6
0.5 2.3
0.6
TIAI
3.3
0.4 3.6
0.4 3.9
0.6
0.4 3.0
0.7 2.9
0.8
3.6
Analisamos o aprendizado com o curso, no item c) do instrumento avaliativo, sob o ponto de
vista dos elementos e recursos disponibilizados para os estudantes e o uso efetivo que esses
fizeram dos recursos, assumindo, desta forma, a hipótese de que o uso dos recursos levaria ao
aprendizado. Os resultados obtidos com os escores médios para as disciplinas de CMN e TIAI
são apresentados na Tabela 4. Nesse item a disciplina de CMN teve escore médio geral de 3.2 e
a disciplina de TIAI de 3.5.
Tabela 4: Aprendendo com o curso. Aspectos relacionados com as atividades, meios de comunicação e
apresentação do conteúdo que facilitam o processo de aprendizagem.
Q.19
M
Q.20
DP
M
Q.21
Q.22
Q.23
Q.24
Q.25
DP M
DP M
DP M
DP M
DP M
DP
CMN
3.3
0.4 3.1
0.4 3.6
0.6 2.9
0.6 3.1
0.7 3.2
0.7 3.4
0.7
TIAI
3.6
0.6 3.4
0.8 3.7
1.0 3.3
1.0
0.6 3.6
0.8 3.5
0.7
3.6
Nas Figuras de 2 a 5, apresentamos os resultados dos escores médios graficamente
para as questões Q.14 a Q.18. Essas questões referem-se às preferências dos alunos pela
modalidade de aprendizado “on-line” versus presencial.
35
30
25
20
15
10
5
0
Q.15 Você faria uma outra disciplina(que não
seja DP) 100% Online ?
CMN
TIAI
Frequência das respostas
Frequência das respostas
Q.14 - O conteúdo do curso, se fosse dado em
sala de aula, seria melhor aproveitado ?
25
20
15
CMN
10
TIAI
5
0
Sempre Quase Na Quase Nunca Não sei
sempre média Nunca
SempreQuase Na Quase NuncaNão sei
sempre média Nunca
Categoria de respostas
Categoria de respostas
Figura 2: Distribuição da freqüência das respostas dos alunos Figura 3: Distribuição das freqüências de respostas dos
para a questão 14, disciplinas de CMN e TIAI.
alunos para a questão 15, disciplinas de CMN e TIAI.
Q.16 Você preferiria fazer uma disciplina de DP
100% Online ?
Q.17 - Você acha que deveria haver mais aulas na sala de aula do que
online ?
25
20
20
CMN
15
TIAI
10
Frequência
25
Frequência das respostas
30
15
CMN
10
TIAI
5
5
0
0
SempreQuase Na Quase Nunca Não sei
sempre média Nunca
Sempre Quase Na Quase Nunca Não sei
sempre média Nunca
Categorias de respostas
Categorias de respostas
Figura 4: Distribuição da freqüência das respostas dos alunos Figura 5: Distribuição das freqüências de respostas dos
para a questão 16, disciplinas de CMN e TIAI.
alunos para a questão 17, disciplinas de CMN e TIAI.
Por ser uma experiência nova para os alunos, algumas questões, dentre as
representadas na Tabela 1, podem não ter sido completamente compreendidas pelos alunos devido
possivelmente à dificuldade de ponderar suas respostas em relação a alguma experiência anterior.
No entanto, algumas respostas predominantes foram interessantes, por exemplo na Questões 17 e 18
da tabela 1. Na Questão 17, os estudantes que participaram da experiência apontaram, na disciplina
de Computação e Métodos Numéricos, terem preferência pelas aulas presenciais (77.8% dos
estudantes). Na disciplina de Tecnologia da Informação Aplicadas à Internet, 83.3% dizem preferir
mais aulas presenciais que on-line. A Figura 6 apresenta a distribuição das respostas dos alunos
para a Questão 18.
Q.18 Você acha que deveria haver mais aulas online do
que na sala de aula ?
Frequência das respostas
18
16
14
12
CMN
10
TIAI
8
6
4
2
0
Sempre Quase Na Quase Nunca Não sei
sempre média Nunca
Categorias de respostas
Figura 6 : Distribuição das respostas dos alunos para a Questão 18
A Figura 6 mostra que esse contraste é parcialmente resolvido na Questão 18 onde os
alunos da disciplina de Computação e Metodos Numéricos apontam ter interesse nas aulas
“online” (55% dos respondentes) mas 45% não querem ou encontram-se indecisos em relação
às aulas “online. Por outro lado, na disciplina de Tecnologias de Informação Aplicadas à
Internet, na Questão 18, os alunos apontam um interesse maior pelas aulas “online” (em
conflito com a Questão 17), uma vez que cerca de 73% dos alunos responderam positivamente
a Questão 18. Essas discrepâncias com relação às disciplinas podem ser explicadas pela
natureza e dificuldades intrínsecas de cada uma. No caso da disciplina de Computação e
Métodos Numéricos percebemos que os alunos temem um pouco as aulas virtuais, tendo em
vista a dificuldade clássica de desenvolverem habilidades matemáticas, como manipulação
algébrica, formulação de algoritmos e sua análise, por exemplo. Por outro lado, na disciplina de
Tecnologias de Informação Aplicadas à Internet o uso das tecnologias de informação e
comunicação faz parte do cotidiano. Além disso, o grau de dificuldade da disciplina é de outra
natureza.
4. Conclusões Finais
Os resultados obtidos nesta experiência e estudo propiciaram muito pontos para
reflexão, seja do ponto de vista da produção e modelagem do conteúdo, quanto da engenharia
da informação e dos resultados obtidos com a aplicação do material didático produzido.
As dificuldades intrínsecas das disciplinas, pela percepção do aluno em uma análise
qualitativa, não mudaram com relação a experiências didáticas anteriores, onde não foram
utilizados os recursos tecnológicos como nesta presente experiência. Contudo, observamos um
maior interesse e motivação dos estudantes por estarem utilizando um ambiente “amigável”,
acessível de qualquer lugar e a qualquer hora. A ampliação do contato com o(s) professor(es) e
outros estudantes também foi um fator aparentemente motivador no uso do ambiente virtual de
aprendizagem. Esse aspecto “motivador”, por outro lado, pode ter sido o responsável pelo
maior interesse do aluno com relação a disciplina de Computação e Métodos Numéricos, por
exemplo, disciplina que freqüentemente os alunos tem grandes “conflitos” e dificuldades.
No que diz respeito à experiência realizada, especificamente, na disciplina de
Tecnologias de Informação Aplicadas à Internet o ambiente utilizado propiciou um espaço
adequado para a experimentação dos estudantes, que de forma imediata relacionavam o
próprio uso do ambiente com o conteúdo da disciplina.
O uso do ambiente mostrou-se facilmente absorvido pelos alunos e tornou-se uma
importante ferramenta para implementação de novas experiências visando o uso das
tecnologias de informação e comunicação nas disciplinas de graduação da área de Computação
e Informática.
Os resultados obtidos neste trabalho foram importantes para um melhor entendimento
dos problemas inerentes a dinâmica de inserção de tecnologias de informação e comunicação
em cursos de graduação e a reação dos estudantes nesse contexto, apontado direções para
possíveis prospecções futuras. Atualmente a pesquisa do grupo de Tecnologias de Informação
Aplicada da Unicsul está direcionada para a produção de conteúdos digitais e objetos de
aprendizagem para algumas disciplinas da área de Computação e Informática e avaliação do
impacto, eficiência e aprendizagem com o uso destas TICs em contextos mais específicos de
ensino/ aprendizagem
Agradecimentos
Agradecemos a Universidade Cruzeiro do Sul – UNICSUL pelo apoio ao projeto de pesquisa e
ao professor Dr. Jaime Sandro da Veiga pelas contribuições e discussões para a realização
deste trabalho.
Referências
Abbey, B. (Ed.), Instructional and Cognitive Impacts of Web-Based Education. London: Idea
Group Publishing, 2000.
Aggarwal, A. (2000) Web Based Learning and Teaching Technlogies: opportunities and
Challenges, Idea Group Publishing.
Araujo Jr., C. F.; Naito, L.; Amaral, L.H.; Turine, M.A.S. (1999) Metodologia para Seleção de
Tecnologias para Educação a Distância Mediada por Computador (EDMC), In: WISE99Workshop Internacional Sobre Educação Virtual, Fortaleza, Ceará, 1999, p. 266-275.
Baker, R. S., Boilen, M., Goodrich, M. T. , Tamassia, R. & Stibel, B. A. (1999). Testers and
visualizers for teaching data structures. Proceedings of 30th SIGCSE Technical Symposium
on Computer Science Education, 261-265.
Bergi, Z. L.,Collins, M., Dougherty, K. (2000), “Design Guidelines for Web-Based Courses.
In: Instrucional and Cognitive Impacts of Web-Based Education”, Beverly Abbey (Ed),
Idea Group Publishing, .
Beuschel, W. , Bork, A. , Hughes, C., Magemahon, T. G., Serdiukov, P. & Stacey, E. (2000).
Better learning online? In S. D. Franklin & E. Strenski (Eds.) Building university electronic
educational environments (pp. 233-252). Boston: Kluwer.
Booch, G., Rumbaugh, J., Jacobson, I. (1999) The Unified Modeling Language User Guide.
Addison-Wesley. Reading, Massachussets.
Boroni, C. M. Goosey, F. W., Grinder, M. T., Lambert, J. L. & Ross, R. J. (1999). Tying it all
together: creating self-contained, animated, interactive, web-based resources for computer
science education. Proceedings of 30th SIGCSE Technical Symposium on Computer Science
Education, 7-11.
Boroni, C. M., Goosey, F. W., Grinder, M. T. & Ross, R. J. (1998). A paradigm shift: the
Internet, the Web, browsers, Java, and the future of computer science education.
Proceedings of the 12th SIGCSE Technical Symposium on Computer Education, 145-152.
Byrne, D. M., Catrambone, R. & Stasko, T. J. (1999). Evaluating animations as studente aids in
learning computer algorithms. Computers and Education,33, 253-278.
Cordova, J. A. (1999). Comparative evaluation of web-based algorithm visualization systems
for computer science education. Proceedings of the 10th CCSC South Central Conference,
72-77.
Deaver, D. M. & Resler, R. D. (1999). VCOCO: A visualization tool for teaching compilers,
Proceedings of the 30th SIGCSE Technical Symposium on Computer Science Education, 711.
Hall, Brandon (2000) “Learning Management Systems: How to Choose the Right System for
your Organization”, www.brandon-hall.com, Dezembro.
Lee, W.W. e Owens, D. L. (2000) Multimedia-Based Instructional Design, San Francisco:
Jossey-Bass Pfeiffer, .
Lunch, P.J., e Horton, S. (1999) Web Style Guide: Basic Design Principles for Creating Web
Sites, New Haven:Yale University Press.
MacCormack, C. e Jones, D. (1998) Building a Web-Based Education System, John Wiley &
Sons.
Mester, A. & Krumm, H. (2000). Animation of protocols and distributed algorithms. Computer
Science Education, 10(3), 243-265.
Moore, M. G. (1989). Three types of interaction. The American Journal of Distance Education,
3(2), 1-7.
Naps, T. L & Chan, E. E. (1999). Using visualization to teach parallel algorithms. Proceedings
of the 30th SIGCSE Technical Symposium on Computer Science Education, 232-236.
Nielsen, J.(2000) Projetando WebSites, Rio de Janeiro: Ed. Campus.
Olsina, L, et al. (1999), “Specifying Quality Characteristics and Attributes for Web Sites”,
Proc. First ICSE WorkShop on Web Engineering, ACM, Los Angeles, May.
Pressman, R. S.(2001) Software Engineering: a practitioner´s approach, 5th edition, McGrawHill.
Ryan, S., Scott, B., Freeman, H. & Patel, D. (2000). The Virtual University: the Internet and
Resource-Based Learning, London: Kogan Page.
Sajaniemi, J. & Juittinen, M. (1999). Three-level teaching material for computer-aided
lecturing. Computers and Education, 32, 269-284.
Sandell, K., Stewart, R. & Stewart, C. (1997). Computer-mediated communication in the
classroom: models for enhancing student learning. To improve the Academy, 15, 59-74.
Silvio, J. (2000) La Virtualizacíon de la Universidad, Ediciones IESALC/UNESCO.
Trondle, P., Mandl, H., Fischer, F. , Koch, J. H., Schlichter, J. & Teege, G. (2000). Multimedia
for problem-based learning in computer science. In S. D. Franklin & E. Strenski (Eds.),
Building university eletroinic educational environments (pp.37-50). Boston: Kluwer.
Turine, M.A.S.; Araujo Jr., C.F.; Amaral, L.H., Tognarelli, V. R. (2000) Análise dos
Resultados da Avaliação Institucional para a Melhoria da Qualidade dos Cursos de
Computação e Informática. To appear in IEEE - ICECE2000 - International Conference on
Engineering and Computer Education, Brazil, São Paulo, Agosto de 2000, homepage:
http://www.sp.senac.br/icece2000
WebCT: www.webct.com.
Whalen, T. e Wright, D.(2000) The Business Case for Web Based Training, Norwood: Ed.
Artech House.
Download

Novas Tecnologias de Informação e Comunicação e