GABARITO IME DISCURSIVAS 2015/2016 FÍSICA GABARITO IME – FÍSICA Questão 1 Um corpo está sobre uma mesa com a boca voltada para cima. Um explosivo no estado sólido preenche completamente o corpo, estando todo o sistema a 300 K. O corpo e o explosivo são aquecidos. Nesse processo, o explosivo passa ao estado líquido, transbordando para fora do corpo. Sabendo que a temperatura final do sistema é 400 K, determine: a) a temperatura de fusão do explosivo; b) o calor total fornecido ao explosivo. Dados: • volume transbordado do explosivo líquido: 10–6 m3; • coeficiente de dilatação volumétrica do explosivo no estado líquido: 10–4 K–1; • coeficiente de dilatação volumétrica do material do copo: 4 × 10–5 K–1; • volume inicial do interior do copo: 10–3 m3; • massa do explosivo: 1,6 kg; • calor específico do explosivo no estado sólido: 103 J · kg–1 · K–1; • calor específico do explosivo no estado líquido: 103 J · kg–1 · K–1; e • calor latente de fusão do explosivo: 105 J · kg–1. Consideração: • o coeficiente de dilatação volumétrica do explosivo no estado sólido é muito menor que o coeficiente de dilatação volumétrica do material do copo. Gabarito: a) Vic: Volume inicial do copo Vfc: Volume final do copo Início (Ti = 300 K) Final (Tf = 400 K) ∆ V2 = 10–6 (i) Vic = Vi = 10–3 Vfc = ? • Cálculo do volume final do copo (Vfc). Vfc = Vic(1 + γ · ∆t) → Vfc = 10–3(1 + 4 · 10–5 · 100) → Vfc = 10–3(1 + 4 · 10–3) → → Vfc = (10–3 + 4 · 10–6)m3 (II) 3 DISCURSIVAS – 27/10/15 Pela consideração dada, conclui-se que quando o explosivo estiver no estado sólido, a dilatação dele é desprezível. Logo, toda a dilatação provem do estado líquido. Vie: Volume inicial do explosivo Vfe: Volume final do explosivo (I) (II) Vfe = Vfc + V2 → Vfe = (10–3 + 4 · 10–6) + 10–6 → Vfe = 10–3 + 5 · 10–6 Temos também que Vfe = Vie(1 + γ · ∆t) → (10–3 + 5 · 10–6) = 10–3 (1 + 10–4 · ∆t) → −3 −3 −7 −7 → 10 + 5 · 10–6 = 10 + 10–7 ∆t → 50 · 10 = 10 ∆t → ∆t = 50 K Como ∆t marca o estado final (Tf = 400 K) e a temperatura quando o explosivo passa para o estado líquido. Tfu: Temperatura de fusão Tf – Tfu = 50 → 400 – Tfu = 50 → Tfu = 350 K b) Ql : calor latente QTe: calor total do explosivo Qes: calor do explosivo no estado sólido Qel: calor do explosivo no estado líquido QTe = Qes + Ql + Qel Qes = 1, 6 ⋅ 103 ⋅ 50 = 80 ⋅ 103 5 3 Ql = 1, 6 ⋅ 10 = 160 ⋅ 10 3 3 Qel = 1, 6 ⋅ 10 ⋅ 50 = 80 ⋅ 10 QTe = (80 + 80 + 160) ⋅ 103 = 320 ⋅ 103 QTe = 3,2 · 105J → QTe = 320 KJ Questão 2 Os pulsos emitidos verticalmente por uma fonte sonora situada no fundo de uma piscina de profundidade d são refletidos pela face inferior de um cubo de madeira de aresta a que boia na água da piscina, acima da fonte sonora. Um sensor situado na mesma posição da fonte capta as reflexões dos pulsos emitidos pela fonte sonora. Se o intervalo de tempo entre a emissão e captação de um pulso é ∆t, determine a massa específica da madeira. Dados: • velocidade do som na água: vs = 1500 m/s; • massa específica da água: ρa = 103 kg/m3; • profundidade da piscina: d = 3,1 m; • aresta do cubo: a = 0,2 m; 4 GABARITO IME – FÍSICA • aceleração da gravidade: g = 10 m/s2; • ∆t = 4 ms. Consideração: • o cubo boia com base paralela à superfície da água da piscina. Gabarito: a h a a d Empuxo: Vamos descobrir a altura submersa do cubo de madeira: ΣF = 0 P=E ρM · VT · g = ρA · Vsub · g 2 3 ρM · a = ρA · a · h h= ρM ·a ρA *ρM é a densidade da madeira Propagação do pulso: O pulso percorre (d – h) para chegar à face inferior do cubo e (d – h) para atingir o sensor, ou seja, percorre 2(d – h). ∆s = v · t 2(d – h) = vs · ∆t 2(d – ρM ρ v · ∆t · a) = vs · ∆t ⇒ ρM = A · (d – s ) ρA a 2 Substituindo valores: ρM = 103 0, 2 1500 · 4 · 10−3 3, 1 − 2 3 = 500 kg/m 5 DISCURSIVAS – 27/10/15 Questão 3 A α α k R B ω Uma mola presa ao corpo A está distendida. Um fio passa por uma roldana e tem suas extremidades presas ao corpo A e ao corpo B, que realiza um movimento circular uniforme horizontal com raio R e velocidade angular ω. O corpo A encontra-se sobre uma mesa com coeficiente de atrito estático µ e na iminência do movimento no sentido de reduzir a deformação da mola. Determine o valor da deformação da mola. Dados: • massa do corpo A: mA; • massa do corpo B: mB; • constante elástica da mola: k; • aceleração da gravidade: g. Consideração: • A massa mA é suficiente para garantir que o corpo A permaneça no plano horizontal da mesa. Gabarito: Analisando o corpo B: T cosα T B α R PB 6 Decompondo as forças ⇒ T senα B PB GABARITO IME – FÍSICA Na vertical: PB = T cosα (1) Na horizontal: T senα = Fcp = mB ω2R (2) ω2 R tgα = g De (1) e (2), temos: 2 m ω T = B R senα ( 3) ( 4) Note que a mola estava distendida e, para que A esteja na iminência do movimento no sentido de reduzir a deformação da mola, devemos ter tal diagrama de forças para o corpo A: N T Fel α Fat PA (4) Equilíbrio na vertical: N + T senα = PA ⇒ N = mA g – mB ω2R (5) (4) Equilíbrio na horizontal: T cosα + Fat = Fel ⇒ mB ω2R cotα + µ N = K∆x (3) 2 2 m g + µ( mA g − mB ω2 R ) ⇒ ∆x = B ⇒ ∆x = mB ω R cot α + µ( mA g − mB ω R ) k k Questão 4 Y Y –q, m v v v v –q, m E X (0,0) Situação 1 (0,0) E X Situação 2 7 DISCURSIVAS – 27/10/15 Um canhão movimenta-se com velocidade constante ao longo do eixo Y de um sistema de coordenadas e dispara continuamente um feixe de elétrons com vetor velocidade inicial constante e paralelo ao eixo X. Ao deixar o canhão, o feixe de elétrons passa a sofrer exclusivamente a ação do campo elétrico indicado nas duas situações das figuras. a) Na situação 1, sabendo que, em t = 0, o canhão está em y = y0, determine a equação da curva de y em função de x e t do feixe de elétrons que é observada momentaneamente no instante t, resultante do disparo contínuo de elétrons. b) Na situação 1, determine a máxima coordenada y da curva observada no instante t. c) Repita o item (a) para o campo elétrico em conformidade com a situação 2, determinando a equação da curva de x em função de y e t. Dados: • módulo do campo elétrico do plano XY: E; • massa do elétron: m; • carga do elétron: –q; • velocidade escalar do canhão e velocidade de saída do feixe: v. Gabarito: a) Cada elétron será submetido a uma aceleração ay = − qE m Em um instante t qualquer, um dos elétrons, lançados ∆t segundos após t =0, estará nas coordenadas: x = v ( t − ∆t ) (1) qE 2 y = y0 − v ∆t − t − ∆t ) ( 2 ) 2m( y0 ' y0’ é a posição do canhão no instante do lançamento desse elétron, e o elétron possui apenas velocidade inicial v horizontal. Isso vale para qualquer ∆t (0 ≤ ∆t < t). Logo: De (1): ∆t = t − x (3) v 2 x qE x (3) em (2): y = y0 − v t − − t − t + ⇒ 2 v m y qE ⇒ y = y0 − vt + x − x2 2 mv 2 b) y é uma parábola em x ⇒ ymáx = yvértice = − ⇒ ymáx = y0 − vt + 8 mv 2 2qE ∆ ⇒ 4a GABARITO IME – FÍSICA c) Cada elétron será submetido a uma aceleração ax = qE m Analogamente ao item “a”: qE (t – ∆t)2 (1) 2m x = v(t – ∆t) + y = y0 + v∆t (2) y − y0 v De (2) ⇒ ∆t = Em (1) ⇒ x = v t − ⇒ x = vt − ( y − y0 ) + y − y0 v 2 y − y0 q⋅E + 2m t − v ⇒ qE 2 mv 2 (vt − ( y − y0 ))2 Observação do item b: O problema muda se considerarmos que o canhão começa a disparar elétrons apenas em t = 0. Eis a solução: Em um tempo t, a figura não é a parábola inteira descrita no item a. O primeiro elétron lançado tem x = vt. Então, a curva é o arco de parábola definido por: qE 2 x (*) y = y0 − v t + x − 2 mv 2 0 ≤ x ≤ vt Portanto, há dois casos, pois vt pode ser maior ou menor que o x do vértice da parábola, que é dado por mv 2 . qE 1o caso: 0 ≤ vt ≤ Nesse caso, o ymáximo ocorre na extremidade do arco da parábola, ou seja, em x = vt y mv 2 qE Em (*), ymáx = y0 − y0 – vt qE 2 t 2m vt x mv 2 qE 9 DISCURSIVAS – 27/10/15 2o caso: vt > y mv 2 qE Nesse caso, o ymáximo ocorre no vértice, ou seja, x= y0 – vt mv 2 qE Em (*), y máx = y0 − vt + Então: ymáx mv 2 2qE mv 2 qE mv qE 2 y0 − 2 m t , se 0 ≤ t ≤ qE = 2 y − vt + mv , se t > mv 0 2qE qE vt x Questão 5 F 2m C z B 4m D 60 kN A x E 4m 2m 2m y A figura acima mostra uma estrutura em equilíbrio, formada por nove barras AB, AC, AD, AE, BC, BE, CD, CE e DE conectadas por articulações e apoiadas nos pontos A, B e C. O apoio A impede as translações nas direções dos eixos x, y e z, enquanto o apoio B impede as translações nas direções x e y. No ponto C, há um cabo CF que só restringe a translação da estrutura na direção do eixo y. Todas as barras possuem material uniforme e homogêneo e peso desprezível. No ponto E há uma carga concentrada, paralela ao eixo z, de cima para baixo, de 60 kN. Determine, em kN: 10 GABARITO IME – FÍSICA a) b) c) d) as componentes da reação do apoio B. as componentes da reação do apoio A. o módulo da força do cabo CF. os módulos das forças das barras BE, BC, AB e AC. Gabarito: •Nó D: como as barras AD e DE estão em um plano horizontal, a única barra que poderia fazer força na direção z seria a barra CD. Logo, FCD = 0 e a barra CD pode ser eliminada. Depois, o ponto D passa a estar ligado a duas barras não colineares, o que as impede de fazer força. Então, FAD = FDE = 0 e as barras AD e DE também podem ser eliminadas. •Nó E: Como as barras BE, AE e a carga de 60 kN estão em um mesmo plano, a barra CE não pode fazer força no nó E. Logo, FCE = 0 e a barra CE pode ser eliminada. •Nó C: Como o cabo CF faria a única força não contida no plano ABC, FCF = 0 e o cabo pode ser eliminado. Agora, BC e AC também podem ser eliminadas por não serem colineares. FAC = FBC = 0 • Voltando ao nó E: (plano ABE) B 6 FBE 4 60 α A FAE 2 5 BE = 42 + 20 = 6 ; sen α = ; cos α = 3 3 FBE · sen α = 60 → FBE = 90 kN FAE = FBE · cos α → FAE = 90 · E 5 = 30 5 kN 3 2 5 • Estrutura como um todo: (plano ABE) Z F1 4 F2 60 F3 2 5 11 DISCURSIVAS – 27/10/15 ∑ F = 0 → F = 60 kN ∑ M = 0 → 60 · 2 5 = F · 4 → F = 30 Z 3 A 1 1 F2= F= 1 30 5 kN • Nó B: (plano ABE) F1 (plano ABE) α FAB FBE ∑F Z = 0 → FAB = FBE · sen α = 60 kN • Reações nos apoios A e B: 4 b 2 F2 b A E 2 5 y x E F1 b y x 12 5 kN GABARITO IME – FÍSICA R A = ( − F2 sen β; F2 cos β; F3 ) ; sen β = 5 5 ; cos β = 2 5 5 5 2 5 R A = −30 5 · ; 60 kN ; 30 5 · 5 5 R A = ( −30; 60; 60 ) kN 5 2 5 RB = ( F1 sen β; − F1 cos β;; 0 ) = 30 5 · ; − 30 5 · ; 0 5 5 RB = ( 30; − 60; 0 ) kN R: a) R BX = 30 kN; RBY = –60 kN; RBZ = 0 b) R AX = – 30 kN; RAY = 60 kN; RAZ = 60 kN c) F CF = 0 d) F BE = 90 kN; FBC = 0; FAB = 60 kN; FAC = 0 Questão 6 3Ω 9V 13 Ω A 5Ω U 10 Ω 12 Ω 4Ω 2Ω 15 Ω 5Ω Corpo I B Figura 1 Corpo I Corpo II Figura 2 Um circuito elétrico tem uma resistência de 2 Ω ligada entre seus terminais A e B. Essa resistência é usada para aquecer o Corpo I durante 21 minutos, conforme apresentado na Figura 1. Após ser aquecido, o Corpo I é colocado em contato com o Corpo II e a temperatura se estabiliza em 50° C, conforme apresentado na figura 2. Determine o valor da fonte de tensão U. 13 DISCURSIVAS – 27/10/15 Dados: • massa do Corpo I: 0,4 kg; • massa do Corpo II: 1,0 kg; • calor específico dos Corpos I e II: 0,075 kcal/kg °C; • temperatura inicial do Corpo I: 20°C; • temperatura inicial do Corpo II: 30°C. Considerações: • 1 cal = 4,2 J; • não há perda de calor no sistema. Gabarito: • Estudo do equilíbrio térmico: Q1 + Q2 = 0 → 0, 4 · 0, 075 ( 50 − T1 ) + 1 · 0, 075 ( 50 − 30 ) = 0 → → 20 − 0, 4T1 + 20 = 0 → 0, 4T1 = 40 → T1 = 100º C Temos que após o aquecimento a temperatura do corpo 1 é 100ºC e sabemos que a sua temperatura inicial é 20ºC; logo: Q1' = 0, 4 · 0, 075 · (100 − 20 ) → Q1' = 2, 4 kcal → Q1' = 10.080 J Como o corpo 1 permanece durante 21 minutos em contato com a resistência temos: 1.080 = P · ∆t → 10.080 = (Ri²) · 21 · 60 → 10.080 = 2 · i² · 21 · 60 → i² = 4 → i = 2A Sabemos com isso que pelo resistor de 2Ω passam 2A. 3Ω 5Ω 10Ω 5Ω 13Ω 9v U 2A 4Ω 12Ω 15Ω 2Ω Req = 15Ω Req = 5Ω 14 Req = 3Ω GABARITO IME – FÍSICA A 3Ω A c 9v D 15Ω U B 15Ω 2A 3Ω 5Ω B D B B B DDP entre os pontos D e B é 15 · 2 = 30 V, consequentemente a resistência de 15 Ω ao lado da estudada também será de 2 A, com isso nosso sistema fica da seguinte maneira. A 3Ω A c 9v D i2 5Ω U B i1 B 3Ω 4A B 7,5Ω B DDP(C → B) = – 9 + 7,5 · 4 = 21 V Logo: 3 · i1 = 21 → i1 = 7 A Pela lei dos nós no ponto C temos que i2 = i1 + 4 → i2 = 7 + 4 → i2 = 11 A Para calcular a DDP entre A e B basta fazer que U = 3 · i2 + 3 · i1 → U = 3 · (7 + 11) = 3 · 18 → U = 54 V Solução 2: Transformando o circuito da questão em um equivalente de Thevènin para a resistência do corpo. A Circuito de Thevènin: Eth I Rcorpo = 2Ω rth B 15 DISCURSIVAS – 27/10/15 1o) Cálculo do Eth: C C 3Ω D C 9V D E 13Ω A 5Ω 10Ω 10Ω U 5Ω B 12Ω 15Ω 4Ω 3Ω B B B B B B Redesenhando o circuito: C C U 3Ω C 10Ω D 9V E 13Ω A 3Ω 10Ω 15Ω 5Ω B B C C B B i2 3Ω 9V D B B E 13Ω A i3 i1 U 15Ω 3Ω 5Ω i4 B B B B B C 3Ω D D 2o) Cálculo do rth: C C D 13Ω A 5Ω 10Ω 12Ω 5Ω C C C C C estão em curto rth = RAB = 13 + rth = 13 + 16 15Ω 4Ω 3Ω 1, 5 · 15 1, 5 · 15 = 13 + 1, 5 + 15 11 + 1, 5 15 158 = Ω 11 11 C B GABARITO IME – FÍSICA 3o) Troca de calor entre os corpos: Q1 + Q2 = 0 ⇒ m1 · c1 · ∆t1 + m2 · c2 · ∆t2 = 0 Como c1 = c2 ⇒ m1 · ∆t1 = – m2 · ∆t2 ⇒ 0,4 · (50 – x) = –1 · (50 – 30) 50 – x = −20 ⇒ x = 100°C. 0, 4 4o) Corpo 1 aquecendo através do Efeito joule: Q1 = m1 · c1 · ∆t1 = Pot · ∆t [0,4 · (0,075 · 10³) · (100 – 20)] · 4,2 = Pot · 21 · 60 2400 · 4,2 = Pot · 21 · 60 ⇒ Pot = 8W. Logo, no equivalente de Thevènin temos: Pot = R · I² ⇒ 8 = 2I² ⇒ I = 2A. Assim, Eth = (rth + Rcorpo) · I 360 158 + 2 · 2 = 11 11 Eth = Voltando à etapa do cálculo da Eth, temos: 360 24 ⇒ i4 = A. 11 11 24 360 261 UDB = –9 + 15 · = –9 + = V. 11 11 11 Eth = UAB = 15 · i4 = UDB = 3 · i3 = 261 87 ⇒ i3 = A. 11 11 Logo i2 = i3 + i4 = 87 24 111 + = A. 11 11 11 Portanto: UCB = 3i2 + 3i3 = U 18 198 111 87 U = 3 · (i2 + i3) = 3 · = 54 V. + =3· 11 11 11 17 DISCURSIVAS – 27/10/15 Questão 7 r R R polias soldadas entre si III r I IV ρL α V VI F válvula II Seis blocos idênticos, identificados conforme a figura, encontram-se interligados por um sistema de cordas e polias ideais, inicialmente em equilíbrio estático sob ação de uma força F, paralela ao plano de deslizamento do bloco II e sentido representado na figura. Considere que: o conjunto de polias de raios r e R são solidárias entre si; não existe deslizamento entre os cabos e as polias; e existe atrito entre os blocos I e II e entre os blocos II e IV com as suas respectivas superfícies de contato. Determine: a) o menor valor do módulo da força F para que o sistema permaneça em equilíbrio estático; b) o maior valor do módulo da força F para que o sistema permaneça em equilíbrio estático quando a válvula for aberta e o líquido totalmente escoado; c) o maior valor do módulo da força F para que não haja deslizamento entre os blocos I e II, admitindo que a válvula tenha sido aberta, o tanque esvaziado e a força F aumentado de modo que o sistema tenha entrado em movimento. Dados: • aceleração da gravidade: g; • massa específica de cada bloco: rB; • volume de cada bloco: VB; • massa específica do líquido: rL; • coeficiente de atrito entre os blocos I e II: μ; • coeficiente de atrito estático entre o bloco II e o solo: 1,5 μ; • coeficiente de atrito dinâmico entre o bloco II e o solo: 1,4 μ; • coeficiente de atrito estático entre o bloco IV e a superfície com líquido: 0,5 μ; • coeficiente de atrito estático entre o bloco IV e a superfície sem líquido: 0,85 μ; • coeficiente de atrito dinâmico entre o bloco IV e a superfície sem liquido: 0,75 μ; • ângulo entre a superfície de contato do bloco IV e a horizontal: α. 18 GABARITO IME – FÍSICA Gabarito: a) Polia: 2ρBVBg O ∑M 0 2ρ BVB g · R + T4 · r = T2 · r + ρ BVB g · R T4 T2 ρBVBg =0 T2 = T4 + ρ BVB gR r Bloco IV: E T4 α Fat N = ( P − E ) cos α = ( ρ B − ρ L ) VB g cos α N T4 = ( P − E ) sen α − Fat T4min = ( P − E ) sen α − Fatmax α T4min = ( ρ B − ρ L ) VB g sen α − 0, 5µ · ( ρ B − ρ L ) VB g cos α P T2min = T4min + ρ BVB gR ρ BVB gR = + ( ρ B − ρ L ) VB g sen α − 0, 5µ ( ρ B − ρ L ) VB g cos α r r Blocos I e II: T2 F Fat’ Fmin = T2min − Fat 'max ρ BVB gR + ( ρ B − ρ L ) VB g sen α − 0, 5µ ( ρ B − ρ L ) VB g cos α − 1, 5µ · 2ρ BVB g r ρ V gR µ cos α ) = B B − 3µρ BVB g + ( ρ B − ρ L ) VB g ( sen α − 0, 5µ r Fmin = Fmin 19 DISCURSIVAS – 27/10/15 b) Bloco IV: N = Pcos α = ρB VB g cos α T4 N α Fat P = Psen α + Fatmax T4 max T4 max = ρB VB g sen α + 0,85µ · ρB VB g cos α T2 max = T4 T2 max = ρB VB g sen α + 0,85µ · ρB VB g cos α + ρB VB g R max + ρB VB g R r r Blocos I e II: T2 Fmax = T2 Fat’ Fmax = ρB VB g sen α + 0,85µ · ρB VB g cos α + ρB VB g R + 1,5µ · 2 ρB VB g F max + Fat’max r R Fmax = ρB VB g (sen α + 0,85µ cos α + 3µ + ) r c) Bloco I: Polias: Agora, as polias giram no sentido anti-horário com a mesma aceleração angular. a a' µgR = → a' = r R r T5 x T4 T2 T3 µgR mg ( r − µR ) ρ BVB g ( r − µR ) = = r r r µgR 2 mg ( r + µR ) 2ρ BVB g ( r + µR ) T5 − 2 mg = 2 m ⋅ a ' → T5 = 2 mg + 2 m ⋅ = = r r r mg − T3 = m ⋅ a ' → T3 = mg − m ⋅ Como as polias não têm massa, o toque será zero, mesmo havendo aceleração angular T2 ⋅ r + T3 ⋅ R = T4 ⋅ r + T5 ⋅ R → T2 = T4 + T5 ⋅ 20 R R − T3 ⋅ r r GABARITO IME – FÍSICA Bloco IV: T4 – Psenα – Fat = ma T4 = ρBVBg senα + 0,75 µ · ρBVBg cosα + µBVB · µg T2 = ρ BVB g senα + 0,75 µρ BVB g cos α + µρ BVB g + ρVg R 2ρ BVB g ( r + µR ) − B B ( r − µR ) r r r Blocos I e II: T2 F Fat’ F – T2 – Fat’ = 2m · a F = 2ρBVBµg + 1,4µ · 2ρBVBg + ρBVBg senα + 0,75µρBVBg cosα+ µρBVBg + 3ρ V gµR R ρ BVB g + B B r r = F 5,8µρ BVB g + ρ BVB g senα + 0,75µρ BVB g cosα + ρ BVB gR 3ρ BVB gµR 2 + . r r2 Questão 8 onda difratada onda incidente θ grande anteparo 21 DISCURSIVAS – 27/10/15 Uma fenda é iluminada com luz monocromática cujo comprimento de onda é igual a 510 nm. Em um grande anteparo, capaz de refletir toda a luz que atravessa a fenda, são observados apenas cinco mínimos de intensidade de cada lado do máximo central. Sabendo que um dos mínimos encontra-se em q, tal que sen(q) = 7 3 e cos(q) = , determine a largura da fenda. 4 4 Gabarito: Para fenda única: a senq = kl (k inteiro) ⇒ senq = kl a Como há 5 mínimos, deverá existir q para k = 5: sen= q 5l a < 1 ⇒ > 5. a l Analogamente, não existe q para k = 6: sen= q 6l a > 1 ⇒ < 6. a l Desse modo: 5 < a < 6. (i) l Além disso, sabe-se que existe um mínimo tal que senq = a 3 a 4 = kl ⇒ = k , k inteiro (ii). l 3 4 Substituindo em (i): 4 15 9 <k< ⇒k= 4. k <6⇒ 3 4 2 4 4 kl= ⋅ 4 ⋅ 510 ⇒ a= 2.720 nm . De (ii): a= 3 3 5< 22 3 : 4 GABARITO IME – FÍSICA Questão 9 Material ferromagnético φ[Wb] φ(t) 10 i1(t) –50 50 B2 10 esp B1 100 esp e1(t) Fmm[A.esp] –10 Figura 2 Figura 1 i1 [A] 1 t[s] 2 4 6 8 10 12 14 16 –1 Figura 3 O circuito magnético apresentado na Figura 1 é constituído pelas bobinas B1 e B2, formadas por 100 e 10 espiras, respectivamente, e por um material ferromagnético que possui a curva de magnetização apresentada na Figura 2. Considerando que seja aplicada no lado de B1 a corrente i1(t) apresentada na Figura 3, desenhe: a) o gráfico do fluxo magnético φ(t) indicado na Figura 1; b) o gráfico da tensão induzida e2(t) indicada na Figura 1. Consideração: • todo o fluxo magnético criado fica confinado ao material ferromagnético. 23 DISCURSIVAS – 27/10/15 Gabarito: A curva de magnetização nos mostra que, para um produto “corrente × número de espirais” maior que 50A.esp, o fluxo máximo para aquele material fenomagnético é 10 Wb. a) Equação da magnetização: 10 10 ⋅ Fmm = ⋅ n ⋅ i ( −10 < φ < 10) 50 50 1 Para a bobina B1 ⇒ φ = ⋅ 100 ⋅ i1 ⇒ φ = 20 ⋅ i1 5 φ= φMÁX = 10 Wb ⇒ 10 = 20 · i1 MÁX ⇒ i1 MÁX = 0,5 A. Ou seja, quando i1 > 0,5A, não importa se há variação da corrente, o fluxo será constante e igual a 10 Wb. Analogamente, para i1 < –0,5A, o fluxo será constante e igual a –10 Wb. • Para 0 < t < 2s: i1 é constante e igual a zero ⇒ φ(t) = 0. • Para 2s < t < 4s: Veja facilmente que i1(3) = 0,5A. Ou seja, para 3s < t < 4s ⇒ φ(t) = 10 Wb Em 2s < t < 3s, i1(t) = 0,5 (t – 2) ⇒ φ(t) = 20 · 0,5 (t – 2) ⇒ φ(t) = 10(t – 2) (φ(3) = 10 Wb) • Para 4s < t < 6s: i1 > 0,5A ⇒ φ(t) = 10 Wb • Para 6s < t < 8s: Veja facilmente que i1(7) = 0,5A. Ou seja, para 6s < t < 7s ⇒ φ(t) = 10 Wb Em 7s < t < 8s, i1(t) = –0,5 (t – 8) ⇒ φ(t) = –20 · 0,5(t – 8) = –10(t – 8) (φ(7) = 10 Wb) • Para 8s < t < 10s: i1 é constante e igual a zero ⇒ φ(t) = 0. • Para 10s < t < 12s: Veja facilmente que i1(11) = –0,5A. Ou seja, para 11s < t < 12s ⇒ φ(t) = –10 Wb Em 10s < t < 11s: i1(t) = –0,5 (t – 10) ⇒ φ(t) = –20 · 0,5 (t – 10) ⇒ φ(t) = –10(t – 10) (φ(11) = –10 Wb) • Para 12s < t < 14s: i1 < –0,5A ⇒ φ(t) = –10 Wb • Para 14s < t < 16s: Veja facilmente que i1(15) = –0,5A. Ou seja, para 14s < t < 15s ⇒ φ(t) = –10 Wb. Em 15s < t < 16s: i1(t) = 0,5 (t – 16) ⇒ φ(t) = 20 · 0,5 (t – 16) ⇒ φ(t) = 10(t – 16) (φ(15) = –10 Wb) 24 GABARITO IME – FÍSICA Logo: φ[Wb] 10 11 2 3 7 8 10 15 16 t[s] –10 b) e2 ( t ) = M2 · dφ dφ = 10 · dt dt dφ = 0 ⇒ e2(t) = 0 dt dφ = 10 ⇒ e2(t) = 100 V • Para 2s < t < 3s: φ(t) = 10 (t – 2) ⇒ dt • Para O < t < 2s: φ(t) = 0 ⇒ • Para 3s < t < 7s: φ(t) = 10 ⇒ dφ = 0 ⇒ e2(t) = 0 dt • Para 7s < t < 8s: φ(t) = – 10(t – 8) ⇒ • Para 8s < t < 10s: φ(t) = 0 ⇒ dφ = 10 – 10 ⇒ e2(t) = – 100 V dt dφ = 0 ⇒ e2(t) = 0 dt • Para 10s < t < 11s: φ(t) = – 10(t – 10) ⇒ • Para 11s < t < 15s: φ(t) = – 10 ⇒ dφ = −10 ⇒ e2(t) = – 100 V dt dφ = 0 ⇒ e2(t) = 0 dt • Para 15s < t < 16s: φ(t) = 10 (t – 16) ⇒ dφ = 10 ⇒ e2(t) = 100 V dt 25 DISCURSIVAS – 27/10/15 Logo: e2[V] 100 0 7 2 8 10 11 3 15 16 t[s] – 100 Questão 10 fonte luminosa lente convergente A figura acima mostra uma fonte luminosa e uma lente convergente, presas a molas idênticas, de massas desprezíveis e relaxadas. A fonte e a lente são colocadas em contato, provocando a mesma elongação nas três molas. Em seguida são soltas e movimentam-se sem atrito. Do instante inicial até o instante em que a fonte e a lente se encontram novamente, determine o tempo total em que a imagem formada é virtual. Dados: • constante elástica das molas: κ = 20 g/s2; • massa da fonte luminosa + suporte: 20 g; • massa da lente: 10 g; • elongação das molas no instante do contato: 10 cm; • distância focal da lente: 26,25 cm. 26 GABARITO IME – FÍSICA Gabarito: Note que fonte e lente estavam separadas por 20 cm e que, depois de soltas, ambas vão entrar em MHS de amplitude 10 cm e origem em seus pontos de mola relaxada. • MHS da fonte, supondo origem no estado relaxado de sua mola. ωf = k 20 ⋅ 10-3 2π = = 1 rad s ; Tf = = 2π s -3 m ωf 20 ⋅ 10 xf = A cos(ωt + ϕ0) = 10 cos(t + ϕ0) xf (0) = 10 → 10 cos (0 + ϕ0) = 10 → ϕ0 = 0 xf = 10 · cos(t) • MHS da lente, supondo origem no estado relaxado de suas molas. Keq = K1 + K2 = 40 · 10–3 N/m ωl = k 40 ⋅ 10-3 2π 2π = = 2 rad s ; Tl = ⋅ =πs -3 m ωl 2 10 ⋅ 10 xl = Acos(ωt + ϕ0’) = 10 cos (2t + ϕ0’) xl (0) = – 10 → 10 cos(0 + ϕ0’) = – 10 → ϕ0’ = π xl = 10 cos(2t + π) = – 10 cos(2t) • A origem do MHS da fonte está 20 cm à esquerda da origem do MHS da lente. Colocando as duas na origem da lente: xf = 10 · cos(t) – 20 xl = – 10 cos(2t) • Para que a imagem seja virtual, a fonte deve distar até 1 distância focal da lente. Daí: xl – xf < f. Como os períodos são 2π s e π s, o novo encontro ocorrerá em 2π s. Logo, devemos resolver essa inequação para 0 ≤ t ≤ 2π. xl – xf < f → – 10 cos(2t) – (10 cos(t) – 20) < 26,25 → cos(2t) + cos(t) + 0,625 > 0 → 2 cos2(t) + cos(t) – 0,375 > 0 Raízes: 1 1 3 3 e − . Logo, a solução é para cos(t) > ou cos(t) < − . 4 4 4 4 27 DISCURSIVAS – 27/10/15 sen(t) arccos 3 4 arccos x x 3 − 4 cos(t) 1 4 Portanto, o tempo total é 2 arccos 1 4 1 3 + 2 arccos s. 4 4 Observação: veja que podemos escrever a resposta de diversas formas, como por exemplo: 1 3 2π − 2 arccos − − arccos . 4 4 Comentário A prova de Física do concurso 15/16 caracterizou-se por sua abrangência, embora não tenhamos encontrado as tradicionais questões de termodinâmica e óptica. O exame apresentou algumas questões bem tranquilas para o aluno bem preparado, como por exemplo as questões 1, 2, 3 e 6. Já as questões 8 e 10 podem ser consideradas medianas, abordando assuntos que assustam um pouco (difração em fenda única e MHS). Finalmente, as questões 4, 5, 7 e 9 apresentaram grau de dificuldade bastante elevado. As três primeiras por terem sido muito trabalhosas; a última, pela dificuldade de interpretação para o aluno não conhecedor do assunto. Dessa forma, imaginamos que o aluno bem preparado deve conseguir uma nota emtre 5 e 7 pontos, sendo uma nota acima desse intervalo um ótimo resultado. Gostaríamos de parabenizar a banca pela extrema criatividade para questões inéditas e desafiadoras, o que torna a prova de Física do IME referência em âmbito nacional. Professores: Fábio Oliveira Leonardo Domingos Humberto Machado Márcio Gordo Lucas Scheffer Bruno Lerner Eduardo Fernandes Marcial Júnior William Luna 28