0 INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE FUNORTE SENSIBILIDADE PÓS-OPERATÓRIA EM DENTES TRATADOS ENDODONTICAMENTE EM SESSÃO ÚNICA – REVISÃO DE LITERATURA WALMIR DOS SANTOS MELLO Monografia apresentada Especialização em ao Programa Endodontia do de ICS- FUNORTE, como parte dos requisitos para obtenção do título de especialista. ORIENTADOR: GIANI ANTONIA BORGES SILVEIRA FLORIANÓPOLIS 2010 1 INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE FUNORTE SENSIBILIDADE PÓS- OPERATÓRIA EM DENTES TRATADOS ENDODONTICAMENTE EM SESSÃO ÚNICA – REVISÃO DE LITERATURA WALMIR DOS SANTOS MELLO Monografia apresentada Especialização em ao Programa Endodontia do de ICS- FUNORTE, como parte dos requisitos para obtenção do título de especialista. ORIENTADOR: GIANI ANTONIA BORGES SILVEIRA FLORIANÓPOLIS 2010 2 Walmir dos Santos Mello SENSIBILIDADE PÓS-OPERATÓRIA EM DENTES TRATADOS ENDODONTICAMENTE EM SESSÃO ÚNICA – REVISÃO DE LITERATURA Apresentação da monografia em 02 de julho de 2010 ao curso de especialização em Endodontia Funorte. ________________________________________________ Coordenador : Dr. Jacy Simi Jr ________________________________________________ Orientador : Professora Giane Antônia Borges Silveira ________________________________________________ Professor: Dr. Jacy Simi Jr ________________________________________________ Professor: Esp. Cristiani Maria Chaves Figueiredo ________________________________________________ Professor: Esp. Leandro Manenti Bitencourt 3 DEDICATÓRIA Aos meus amores: Janeti, Thiago, Lucas e Daniel. 4 AGRADECIMENTOS A Deus por ter me dado a vida; Aos meus pais: Nelson Ienssem de Mello (In Memorium) e Eva dos Santos Mello (In Memorium); Aos meus colegas, que nestes dois anos se tornaram amigos e que muito me ajudaram para que eu pudesse concluir este curso; Aos Professores Jacy Simi Júnior; Marcos R. Rabelo; Cristiani Figueiredo; Leandro Bitencourt e professores convidados, meu eterno agradecimento. Verdadeiros Mestres, que se abdicam do convívio familiar para nos repassarem o que há de melhor na endodontia. Termino o curso de Especialização em Endodontia, com a certeza que o que há de melhor na endodontia atual, tanto na teoria como na prática nos foi ensinado por estes verdadeiros mestres. Hoje não tenho professores, mas sim colegas e amigos, que souberam entender os problemas, pelos quais, passei durante o decorrer deste curso. Em vocês sempre tive um ombro amigo para relatar os meus medos e anseios. Ao professor Leandro, tenho um carinho especial, pois além de professor, foi um verdadeiro orientador, corrigindo manias que eu possuía nestes 27 anos de profissão. Leandro, que Deus te proteja e que você continue esta pessoa maravilhosa que você é. A minha esposa Janeti, pessoa maravilhosa, que me incentivou a atualizar meus conhecimentos; muito obrigado. Tu és uma pessoa iluminada por Deus. Aos meus filhos, Thiago, Lucas e Daniel por aceitarem os arrochos 5 financeiros, para que eu pudesse terminar este curso. As minhas noras Fernanda, Morgana e Taluani, por fazerem parte da minha vida. Aos funcionários, meu muito obrigado pela atenção, carinho e dedicação conosco nestes dois anos. 6 RESUMO O objetivo desta monografia é realizar uma revisão da literatura existente sobre a incidência de sensibilidade dolorosa pós-endodontia em dentes tratados em sessão única. Para efeito foi realizada uma intensa pesquisa bibliográfica correlacionando os fatores, que, isolados ou associados, podem desencadear este tipo de fenômeno, tais como; fatores microbianos, fatores demográficos (gênero, idade, localização do dente), grau de ansiedade, diagnóstico pulpar e periapical, utilização de medicação sistêmica, reintervenções endodônticas, iatrogenias e associação de fatores. No mesmo norte também é objetivo desta monografia compreender este fenômeno, a possibilidade de como tratá-lo e o que poderá ser feito para prevení-lo. A manutenção da Patência apical e o correto comprimento de trabalho, além de uma correta preparação químico-mecânica, fazendo uma meticulosa irrigação e aspiração também contribuem para a prevenção da dor. Mesmo que sejam feitos os procedimentos com todos os critérios e cuidados, durante o tratamento endodôntico, podem ocorrer estes fenômenos dolorosos ou sensibilidades pós-operatórias. Para a prevenção desta dor, o profissional deve obedecer aos princípios físicos, químicos e biológicos do tratamento endodôntico, selecionar a técnica de instrumentação correta, de preferência a técnica de instrumentação corono-apical (Crown-Down seguido de Step-Back). A dor pósoperatória pode se constituir em: dor leve, dor moderada e dor severa. Dentre esta dor severa o que mais preocupa os profissionais que fazem endodontia são os flare-ups. Esta patologia constitui em um intrigante dilema para os profissionais, sobre medidas a serem tomadas para solucionarem este fenômeno. É descrito na literatura como um fenômeno doloroso, com uma exacerbação aguda de uma patologia perirradicular, que pode ocorrer durante um tratamento endodôntico ou após a conclusão deste. Com base nos resultados obtidos nesta revisão de literatura, pode-se concluir que nos dentes tratados endodonticamente com polpas vitais a dor pós-operatória é de leve a moderada, devendo passar em horas ou dias e que o índice de flare-up é quase nulo. A dor pós-operatória em dentes tratados endodonticamente com polpas necróticas e com lesões periapicais são as que causam maiores controvérsias e um índice mais acentuado de dores severas e flare-ups. Quanto ao índice de dor pós-operatória em dentes tratados em sessão única não houve diferença estatisticamente significante em relação aos dentes tratados em múltiplas sessões. PALAVRAS-CHAVE: Odontalgia, Tratamento do Canal Radicular, Dor PósOperatória 7 ABSTRACT The purpose of this monograph is a review of the existing literature about the incidence of the post endodontic pain sensibility phenomenon in treated teeth at a unique session. An intense bibliographical research will be done correlating the factors, which, isolated or associated may initiate this type of phenomenon, such as: microbiotic factors, demographic factors (gender, age, tooth location) anxiety degree, pulpal and periapical diagnosis, systemic medication use, endodontic reinterventions, iatrogenic and association of factors. It’s also the aim of this monograph to understand this phenomenon and the possibility to treat it and what could be done to prevent it. Even if the procedures are done with all the requirement and care during the endodontic treatment, these painful phenomenons or post surgical sensibility may occur. To prevent this pain, the professional must obey the physical, biological and chemical principles of the endodontic, select the correct instrumentation technique, specially the apical-coronal instrumentation one (drawn-down followed by step-back). The maintenance of apical patency and the correct work-length. A correct chemical-mechanical preparation, performing a meticulous irrigation and suction. The post surgical pain may constitute itself in: light pain, moderate pain and severe pain. Within this severe pain what worries the professionals, the most, who perform endodontics, are the flare-ups. This pathology constitutes in an intrigant dilemma for the professional, and some measures are taken to riddle this phenomenon, whith an acute exacerbation of a perirradicular pathology, which may occur during an endodontic treatment or after its conclusion. Based on the obtained results in this literature review, the conclusion is that the endodontically treated teeth with vital pulps, the post surgical pain is from light to moderate and it must heal within hours or days in which the flare-ups index is almost null. The post surgical pains in endodontically treated teeth with periapical lesions are the one which cause major controversies and more accentuated severe pains and flare-ups index. As to the post surgical pain index in treated teeth at a unique session, there wasn’t statistically distinguished difference related to the treated teeth in multiple sessions. KEYWORDS: Toothache; Root Canal therapy; Pain Postoperative 8 SUMÁRIO RESUMO...............................................................................................................06 ABSTRACT...........................................................................................................07 1. INTRODUÇÃO...................................................................................................08 2. PROPOSIÇÃO...................................................................................................14 3. REVISÃO DE LITERATURA.............................................................................15 4. DISCUSSÃO......................................................................................................37 5. CONCLUSÃO....................................................................................................50 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .....................................................................52 9 1. INTRODUÇÃO O avanço tecnológico propiciou o aperfeiçoamento da endodontia através do emprego de instrumentos manuais de qualidade superior, instrumentos automatizados, equipamentos sônicos e ultra-sônicos, bem como um sofisticado arsenal de trabalho. Paralelamente, a evolução científica abriu novos horizontes e hoje todo o profissional atualizado está consciente da sua responsabilidade em obter a limpeza, a desinfecção e o preparo dos canais radiculares dentro de uma cadeia asséptica, respeitando os princípios biológicos para não agredir os tecidos vivos. No tratamento endodôntico em sessão única o operador deverá seguir fielmente o protocolo, respeitando a anatomia bem como as condições do conteúdo séptico do canal radicular. Deverá haver completa remoção dos tecidos pulpares e/ou microorganismos que se encontram dentro do sistema de canais radiculares, propiciando uma obturação de boa qualidade e, conseqüentemente, a regeneração/cicatrização dos tecidos periapicais. Para isso são empregadas combinações de técnicas endodônticas de instrumentação, irrigação/aspiração e obturação da cavidade pulpar eliminando os microorganismos presentes, principalmente nos casos de necrose pulpar (REZENDE et al., 2000). A elevada incidência de microorganismos anaeróbios gram-negativos, as grandes concentrações de endotoxinas e suas implicações em nível periapical, associada aos microorganismos aeróbicos, microaerófilos e as bactérias grampositivas, fazem com que movimentos intempestivos realizados durante o preparo 10 do canal radicular possam levar a um agudecimento do processo com aparecimento de sinais e sintomas clínicos indesejáveis, como a dor pósoperatória (COHEN & BURNS, 2000). A endodontia em sessão única, para chegar ao estágio atual de desenvolvimento, atravessou diversas épocas evolutivas, sofrendo modificações radicais, de acordo com o conhecimento de cada etapa. Atualmente, compreendese que o sucesso do tratamento endodôntico em sessão única, está diretamente associado a vários fatores que se relacionam como se fossem elos de uma corrente, e que se um deles for rompido, a probabilidade de sucesso do tratamento diminui sensivelmente. Dentre esses fatores podem ser mencionados o diagnóstico preciso, a manutenção da cadeia asséptica, os conhecimentos da anatomia dental, o correto preparo químico-mecânico, o uso adequado de medicamentos, as obturações herméticas do sistema de canais radiculares e a proservação, os quais convergem para um ponto crucial, que é contaminação do sistema de canais radiculares, que deve ser impedida nos casos de biopulpectomias e eliminada nos casos de necropulpectomias (SOARES & CÉSAR, 2001). Para a prevenção desta dor, o profissional deve obedecer aos princípios físicos, químicos ou biológicos do tratamento endodôntico. Selecionar a técnica de instrumentação correta, de preferência a técnica de instrumentação corono-apical (Crow-Down seguido de Step-Back), fazendo a manutenção da 11 patência apical e o correto comprimento de trabalho. Uma correta preparação químico-mecânica e uma meticulosa irrigação e aspiração, ajudarão na prevenção desta dor (SIQUEIRA, 2003). A maior parte das injúrias pulpares e perirradicular, são de origem microbiana (cáries e doença periodontal). Em função das portas que se abrem (fissuras/fraturas de esmalte, alterações no espaço do ligamento periodontal), os microrganismos têm acesso ao tecido pulpar causando uma inflamação, podendo chegar à necrose pulpar (SOUZA, 2003). A dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada a uma injúria tecidual ou outro tipo de injúria. A dor Odontogênica pode ser de origem pulpar ou periapical, ou menos freqüentemente, estar relacionada com a hipersensibilidade dentinária. É quase sempre de caráter inflamatório agudo; quando se instala, praticamente obriga o paciente a procurar um profissional para poder atenuá-la. Pode se manifestar no período trans ou pósoperatório de intervenções odontológicas diversas, muitas vezes em pacientes sem sintomatologia prévia. Nos tratamentos endodônticos, a terapêutica através de procedimentos clínicos geralmente se faz necessária, pois dificilmente uma droga conseguirá, por si só, aliviar ou suprimir a dor sem que haja a intervenção do dentista. Deste modo a interação entre o paciente e o dentista é de extrema importância para promover o alívio da dor. O flare-up é uma manifestação aguda (dor e/ou tumefação) que ocorre principalmente entre as sessões de trabalho. 12 Após a obturação dos canais radiculares, pode surgir um pequeno desconforto que comumente desaparece nos primeiros dias, o que não é considerado como flare-ups. Quando a dor pós-operatória for mais acentuada poderemos classificá-la como flare-up, que é uma manifestação aguda (dor e/ou tumefação) que ocorre após algumas horas ou dias após uma intervenção endodôntica ou a obturação dos canais radiculares. Segundo alguns autores o desconforto ou a dor menos acentuada não são caracterizados como flare-up. A American Association of Endodontics designa este fenômeno flare-up, como uma exacerbação aguda da alteração perirradicular, após o início ou continuação do tratamento do canal radicular. Flare-up (ou reagudização), também é conhecido como abscesso FENIX (referindo-se à mitologia do pássaro renascido das cinzas). A incidência de flareup é baixa em tratamentos endodônticos com canais necrosados e quase não existe em tratamentos endodônticos com polpa vital. A taxa de reparação na endodontia em sessão única é similar ao tratamento endodôntico realizado em múltiplas sessões. Na literatura, não existe diferença estatística entre canais tratados em sessão única ou em múltiplas sessões no que se refere à dor pósoperatória (FERREIRA et al., 2007). Todo o tratamento endodôntico pode ser realizado em sessão única por razões biológicas, porém nem todo o tratamento pode ser realizado em sessão única por motivos técnicos, incluindo dificuldades anatômicas, tempo, habilidade profissional e etc (HIZATUGU, 2007). 13 A contaminação microbiana da polpa dentária é a principal responsável por agressões à região periapical. O caráter infeccioso envolvido na alteração desta região modula o diagnóstico e a opção de tratamento. Uma vez instalado o processo infeccioso, verifica-se mobilização de microorganismos em direção apical, gerando uma resposta inflamatória. Os microorganismos (principalmente bactérias anaeróbicas), com suas características (estruturais, metabólicas e patogênicas), estimulam a resposta inflamatória e imunológica. As defesas orgânicas e o grau de virulência destes microorganismos estabelecem diversos tipos de alterações periapicais. O desencadeamento do processo infeccioso pode estar ou não associado à sintomatologia e a destruição óssea apical (ESTRELA et al., 2008). O objetivo desta monografia é apresentar uma revisão de literatura existente sobre o tema: sensibilidade dolorosa pós-endodontia em dentes tratados em sessão única. Para efeito foi realizado uma intensa pesquisa bibliográfica correlacionando os fatores, que, isolados ou associados, podem desencadear este tipo de fenômeno, tais como; fatores microbianos, fatores demográficos (gênero, idade localização do dente), grau de ansiedade, diagnóstico pulpar e periapical, utilização de medicação sistêmica, reintervenções endodônticas, iatrogenias e associação de fatores. 14 2. PROPOSIÇÃO Este trabalho tem por objetivo realizar uma revisão de literatura existente sobre o tema: sensibilidade dolorosa pós-endodontia em dentes tratados em sessão única. 15 3. REVISÃO DE LITERATURA Fox et al. (1970) realizaram um trabalho para avaliar a queixa de dor pós-operatória em 291 dentes indicados para endodontia. Sem seleção prévia, todos os casos foram submetidos à terapia em sessão única. O estudo da presença da dor foi realizado um dia, dois dias e uma semana após o tratamento endodôntico, por profissionais que não conheciam as condições prévias do paciente. Encontraram os seguintes resultados: após 24 horas, 90% apresentaram pouca ou nenhuma dor espontânea, 82% pouca ou nenhuma pericementite; 2%, dor severa e 5% pericementite severa. Os autores não encontraram diferença estatisticamente significante quanto aos fatores idade, condição bacteriológica, posição do dente ou tipo de material obturador. Ether et al. (1978) realizaram 564 biopulpectomias seguidas de obturações imediatas (282 casos) e obturações mediatas (282 casos). Não encontraram diferenças estatisticamente entre as duas modalidades, no que se referem à sintomatologia dolorosa pós-endodontia. Soltanoff (1978) realizou um trabalho em que o tratamento endodôntico foi realizado em sessão única em 135 dentes e em sessão múltipla em outros 195 dentes. Obteve um resultado de 46% de ausência de dor nos tratamentos endodônticos em sessão única e de 61% de ausência de dor em múltiplas sessões, sendo que essa diferença foi diminuindo nas avaliações entre um e três 16 dias, entre quatro e sete dias e não ocorrendo após uma semana. Assim aponta como vantagem para a sessão única a economia de tempo, a restauração imediata e a importância naqueles casos em que o tratamento deve ser realizado sob anestesia geral. Ashkenaz (1979) acompanhou clínica e radiograficamente, durante um e dois anos, 152 dentes submetidos ao tratamento endodôntico em sessão única, portadores de polpa vital no momento da terapia. Constatou presença de dor pósoperatória em 4% dos casos, porém esta foi considerada apenas de pequena intensidade. Tancredo (1979), em sua tese de Livre Docência, realizou um estudo utilizando 50 dentes para avaliar os sintomas e sinais clínicos resultantes da terapia endodôntica realizada em sessão única e em intervalos de, no mínimo, 48 horas. A análise estatística comparativa das duas técnicas empregadas não apresentou diferenças estatisticamente significativas. Pekruhn (1981) realizou um estudo com 102 casos, em que 50% dos dentes foram realizados em sessão única, e os outros 50% dos casos em múltiplas sessões. Não incluiu amostras de dentes com problemas periapicais agudos, calcificação intracanal ou rizogênese incompleta, que apresentavam menos de 5% do total. Concluiu que não houve diferença estatisticamente significante em relação à dor pós-operatória nos dentes tratados em sessão única, 17 quando comparadas com os dentes tratados em sessões múltiplas. Mulhern et al. (1982), estudaram 60 dentes portadores de necrose pulpar assintomática, submetidos à terapia endodôntica em sessão única e sessões múltiplas, a fim de avaliar a presença de dor pós-operatória e comparar os dois métodos. Os resultados mostraram que não houve diferença estatisticamente significante. Roane et al. (1983) submeteram 359 dentes ao tratamento endodôntico utilizando uma ou múltiplas sessões e verificaram a relação entre a incidência de dor pós-operatório e o número de sessões utilizadas. Constataram que, quando utilizaram sessão única, obtiveram um índice de dor pós-operatório correspondente a aproximadamente metade de quando comparada com o tratamento em múltiplas sessões. Não constataram diferença estatisticamente significante quanto ao grupo anatômico de dentes ou ao estado pulpar. Oliet (1983) realizou um estudo comparativo da dor presente pósendodontia em sessão única de 264 dentes e em sessões múltiplas 123 dentes. Acompanhou os resultados após 24 h, 48h, 01 semana e 18 meses. Foram excluídos os dentes com sintomatologia aguda, em que foi estabelecida a drenagem via canal, assim como dentes que apresentavam exsudato constante. Não constatou diferença significante entre os resultados do tratamento endodôntico em uma ou múltiplas sessões. Também não encontrou valores 18 estatisticamente significantes, independente do diagnóstico de pulpite, polpa mortificada ou presença de área radiolúcida. Porém, constatou uma diferença significante relacionada com a sobre obturação (25%). O autor enfatiza que a redução do tempo não pode implicar na redução da qualidade do tratamento. Motta et al. (1986) do curso de Especialização em Endodontia da Policlínica Geral do Rio de Janeiro, compararam a sintomatologia pós-operatória de tratamentos endodônticos com obturação mediata e imediata e correlacionaram os resultados com os níveis de obturações dos canais. Foram selecionados dentes que não apresentavam sintomatologia dolorosa, independente do estado pulpar (vitalidade ou não, com lesão periapical ou não). Foram excluídos dentes indicados para retratamento endodôntico. Os autores concluíram que: houve um maior número de dentes assintomáticos quando a polpa era vital e um maior índice de sintomatologia dolorosa nos casos em que a obturação de canais era imediata, embora esses dados não apresentassem diferença estatisticamente significante. Porém, encontraram maior índice de dor nas obturações realizadas além do limite apical nos tratamentos mediatos, com uma diferença estatisticamente significante. Matusow (1988) realizou uma revisão bibliográfica sobre o fenômeno flare-up, definindo-o como sendo uma exarcebação da celulite endodôntica aguda. Concluiu que os microorganismos anaeróbios, particularmente os Streptococus, predominantes na infecção, teriam papel importante neste fenômeno. Chama a 19 atenção para a necessidade do diagnóstico diferencial da celulite facial relacionada com problemas periodontais, pois, em muitos casos, a dor simulando dor endodôntica é, na verdade, de origem periodontal. Mencionou também que, na maioria das vezes, a dor é conseqüência de um tratamento mal dirigido. Outros fatores responsáveis pela dor podem estar relacionados com problemas sistêmicos do paciente, tais como bruxismo, infecção virótica, etc. Torabinejad et al. (1988) tentando descrever os fatores relacionados às emergências intersessões endodônticas em dentes com necrose pulpar, utilizaram as informações das fichas de 2000 pacientes que receberam tratamentos endodônticos. As informações foram registradas e analisadas. Metade dos pacientes teve dor interseções ou edemas que necessitaram uma visita de emergência não agendada. A outra metade de pacientes não relatou dor após a limpeza e modelagem dos condutos radiculares. Os resultados deste estudo mostraram que alguns fatores, tais como idade, sexo, tipo de dente, presença de dor pré-operatória, presença de alergias, ausência de lesões periapicais, aberturas de fístulas, casos de retratamentos, têm efeitos significativos sobre a incidência de dor pós-operatória. Em contraste, a presença de doenças sistêmicas, o uso de medicações intra-canal e penetração do forame com instrumentos finos durante a determinação do comprimento de trabalho não tiveram efeitos significativos sobre a freqüência de dor pós-operatória. Massone (1989) publicou os resultados de um estudo clínico sobre 600 20 casos de tratamentos endodônticos realizados em sessão única, e concluiu que não houve diferença significante nas manifestações dolorosas pós-operatórias de polpas vitais, inflamadas ou necróticas. Afirma que, independente do estado pulpar, uma técnica endodôntica cuidadosa e uma obturação correta são garantia de resultados clínicos favoráveis, pois não existe nenhum agente químico que destrua completamente os microorganismos presentes no canal radicular e que seja inócuo aos tecidos periapicais. Concluiu, também, que não existe material obturador temporário que mantenha uma barreira efetiva contra os microorganismos, impedindo a infiltração marginal. Trope (1991) realizou um estudo utilizando 226 dentes tratados endodonticamente em uma única sessão, comparando a incidência de flare-up em casos que apresentavam previamente sem alteração clínica ou radiográfica de periodontite apical, com alteração clínica e radiográfica de periodontite apical sem tratamento endodôntico anterior e com alteração clínica e radiográfica de periodontite apical com tratamento endodôntico anterior. Avaliando os resultados, constatou 1,8% de flare-up no total dos dentes estudados. Não constatou nenhum caso de flare-up no primeiro grupo ou no total dos espécimes; apenas 1,4% naqueles casos que apresentavam periodontite apical sem tratamento endodôntico anterior e 13,6% nos casos de retratamento. Porém, o autor questiona os resultados estatísticos do último grupo porque o número de amostras foi muito menor, devido à dificuldade de retratamento, eliminando muitos casos de amostragem e, por essa razão, ele recomenda outros estudos. 21 Walton & Fouad (1992) acompanhou a incidência de flare-up em 946 casos de dentes tratados endodonticamente na Clínica de Endodontia da Universidade de Iowa, EUA. Os resultados demonstraram uma incidência de 3,17%. Vários fatores foram avaliados, a fim de relacioná-los com as possíveis causas do insucesso. Não houve diferença estatisticamente significativa quanto à idade dos pacientes, sexo ou grupo de dentes. Porém, o fator mais importante foi à severa dor pré-operatória, que resultou numa incidência de flare-up de 19%, assim como edema difuso e/ou localizado, com 15%. Dentes com polpa viva tiveram uma incidência de apenas 1,3%. Dentes com lesão periapical assintomática representaram 3,5% dos casos de flare-up. O número de visitas (única ou múltipla) não apresentou diferença estatisticamente significante, embora os resultados tivessem sido mais favoráveis quando a obturação era realizada na mesma sessão que o preparo do canal. Imura & Zuolo (1995) estudaram os fatores relacionados aos flare-ups. Eles trataram endodonticamente 1012 dentes durante um ano. A maioria dos casos foi tratada em uma única sessão. Dos 1012 dentes, 16 precisaram de tratamento emergencial, resultando numa incidência de 1,58% de flare-ups. Os resultados encontrados mostraram que não houve influência de fatores demográficos (idade, gênero ou arcada). Já o status periapical influenciou a incidência de flare-up; dentes que tinham lesões periapicais tiveram significantemente mais flare-ups que dentes sem lesões periapicais. Dentes que se mostravam sintomáticos antes do tratamento endodôntico tiveram 22 significantemente mais flare-ups que dentes assintomáticos. Os pacientes que estavam fazendo uso de analgésico e antiinflamatório tiveram uma incidência mais alta de flare-up (estatisticamente significantes) que pacientes que não estavam tomando nenhum tipo de medicamento. Os casos de retratamento mostraram uma incidência mais alta de flare-up do que tratamentos convencionais. Fava (1995) avaliou a incidência de dor pós-operatória utilizando três diferentes técnicas de instrumentação em noventa centrais superiores com polpas não vitais. Um terço dos dentes foi preparado pela técnica de alargamento duplomodificada como descrito por Fava (1991). Trinta destes foram preparados pela técnica crown-down sem pressão, como proposto por Marshall e Popin (1980). Os trinta dentes restantes foram tratados pela técnica de força balanceada original (Roane). Todos os dentes foram tratados em sessão única. Os resultados não mostraram diferenças na incidência de dor pós-operatório entre os grupos. Matusow (1995) publicou um caso clínico de um paciente com celulite endodôntica, a qual envolve edema facial que pode variar de leve a severo e pode ocorrer como um caso primário ou uma agudização seguinte ao tratamento inicial de dentes assintomáticos com lesões periapicais. O espectro microbiano em casos primários envolve uma mistura significativa de microorganismos aeróbios facultativos e anaeróbios, principalmente estreptococos. Em um estudo anterior (revisão bibliográfica para avaliar o fenômeno flare-up), culturas de casos de agudizações, utilizando as mesmas técnicas anaeróbicas que em casos primários, 23 revelaram uma ausência de anaeróbios obrigatórios e 80% de incidência de estreptococos aeróbios facultativos. Estes casos também revelaram um lapso de tempo da instalação dos sintomas até a fase celulítica. O propósito deste relato de caso foi o de redefinir a teoria tradicional, a citar, a alteração do potencial de óxido-redução (Eh), como um fator principal para agudização celulítica endodôntica; para confirmar o potencial patogênico de estreptococos facultativos orais; e que as lesões endodônticas assintomáticas tendem a existir com flora microbiana aeróbica / anaeróbica. Rezende et al. (2000) revisaram a literatura existente sobre a dor pósendodontia em dentes com necrose pulpar, tratados em sessão única. Alguns autores consideram possível o tratamento endodôntico em sessão única nos casos de necrose pulpar, desde que possível ser realizado a drenagem completa do exsudato inflamatório. O abscesso alveolar agudo pode não ser a conduta aconselhável por alguns autores. Em dentes vitais ou com fístulas, a literatura demonstra que não há diferença quanto ao número de sessões. Segundo os autores o número de sessões não é determinante, e sim a destreza do profissional em realizar uma boa obturação, além da resposta orgânica do paciente. Souza (2000) estudou a limpeza do forame relacionada com a dor pósoperatória. Foram utilizados 50 dentes unirradiculares e com polpas necróticas. O preparo foi realizado segundo os princípios coroa-ápice. Para patência do forame, após cada lima usada no preparo, era introduzido uma lima #10 até o forame. Ao 24 final do preparo, além desse, o instrumento que se ajustasse lateralmente ás paredes do forame era introduzido, procedendo à manipulação do forame, através de movimentos oscilatórios, visando a sua limpeza. Os resultados mostraram que 93,1% dos dentes não tiveram nenhum tipo de sintomatologia e 5,2% dos dentes tiveram sintomatologia com intensidade moderada. Desses, dois pacientes já apresentaram quadro álgico e apenas um caso (1,7%) teve dor intensa necessitando fazer uso de antibióticos e antiinflamatórios. Conclui que, baseado nos resultados obtidos, o procedimento de limpeza do forame é perfeitamente realizável, sem causar dor pós-operatório na maioria dos casos. O autor lembra ainda, por exemplo, a realização de uma boa neutralização do conteúdo séptico/tóxico previamente ao acesso ao forame. Soares et al. (2001) avaliaram a influência das soluções irrigadoras na incidência de dor pós-operatória. Foi realizado o tratamento endodôntico, em sessão única em 93 dentes anteriores e pré-molares, assintomáticos, com polpa necrosada e com lesão periapical. A desinfecção do canal radicular foi realizada com hipoclorito de sódio nos grupos I, II e III com suas respectivas concentrações, 1%, 2,5% e 5% e empregando-se a técnica de hibridização após o uso de cada instrumento. Os canais radiculares foram obturados com o cimento Fill Canal e cones de guta-percha, pela técnica da condensação lateral ativa. Os pacientes foram informados sobre a possibilidade de desconforto pós-operatório. O experimento resultou-se de que dos 93 dentes tratados em sessão única, 72 não apresentavam dor pós-operatória, apresentando semelhança nos três grupos. A 25 associação entre dor e os diferentes tipos de soluções irrigadoras não foi estatisticamente significativa. A incidência de cultura microbiológica negativa após o preparo biomecânico foi de 74%, 86% e 93% para os grupos I, II e III respectivamente. Pôde-se observar que a dor pós-operatória foi baixa em tratamento de sessão única e não houve nenhuma significância entre as soluções irrigadoras. Soares & César (2001) avaliaram a qualidade de reparação periapical de dentes anteriores e pré-molares de pacientes portadores de necrose pulpar, associada às lesões periapicais, tratados endodonticamente em sessão única. Pacientes encaminhados à clínica de Endodontia de Minas Gerais. A amostragem constou de 24 pacientes, perfazendo em torno de 27 dentes anteriores e prémolares, com polpa necrótica, radiolucidez periapicais e assintomáticos. Após a abertura coronária procedeu-se a coleta microbiológica dos canais radiculares por meio de cones de papéis absorventes esterilizados. A neutralização do conteúdo tóxico foi no sentido coroa-ápice pela técnica híbrida de instrumentação com hipoclorito de sódio a 1%, após a remoção da camada residual, irrigou-se o canal com soro fisiológico esterilizado e obteve-se a segunda coleta microbiológica. Após a secagem do canal, procedeu-se a obturação do canal pela técnica de condensação lateral ativa com cones de guta-percha e cimento Fill Canal. Neste experimento, o preparo biomecânico proporcionou cultura microbiológica negativa em 20 dentes (74%). No exame radiográfico 17 dentes foram obturados aquém do ápice, 08 apresentavam obturação exata. Aos 12 meses, 08 dentes apresentavam 26 com completa reparação periapical e 17 estavam parcialmente reparados e 02 com aumento da lesão periapical. Das radiolucidez completamente reparadas 87,5% estavam associadas a canais radiculares microbiologicamente negativos, no momento da obturação, não havendo diferença entre as condições microbiológicas dos canais radiculares e a condição reparativa periapical. Neste experimento obteve 100% de sucesso clinico no tratamento endodôntico em sessão única, mostrando radiograficamente elevada incidência de reparação parcial periapical, a cultura microbiológica negativa e as obturações ligeiramente aquém do ápice radiográfico contribuíram para maior freqüência de completo reparo periapical, não tendo influência no tipo de reparação. Villanueva (2002) desenvolveu um estudo com o objetivo de analisar a presença do Fusobacterium nucleatum no canal radicular de dentes com necrose pulpar que apresentavam flare-ups depois da instrumentação endodôntica. O autor selecionou 28 pacientes, destes 16 eram mulheres entre 25-70 anos e 12 eram homens entre 18-72 anos. Foram colhidas amostras dos canais radiculares para análise bacteriana, transportadas para um laboratório bacteriológico e processadas para uma avaliação semiquantitativa dos isolados bacterianos. Os achados bacterianos foram correlacionados com a intensidade de dor autoavaliada e registrada por meio de uma Escala Análoga Visual. A apresentação clinica do edema e a presença de exsudato nos canais radiculares tratados também foi relacionada. As bactérias isoladas com maior freqüência dos dentes examinados foram bastonetes coccídicos anaeróbicos gram-negativos (espécies 27 de Prevotella e espécies de Porphyromonas). Todos os dentes em pacientes que foram registrados como estando em dor severa (Escala Análoga Visual ≥ 6) apresentaram F. nucleatum. Nove de dez destes dentes também tiveram edema e exsudatos nos canais radiculares. Amostra dos pacientes remanescentes que tiveram dente com escore doloroso menor apresentou uma recuperação bacteriana variável. Nenhum destes dentes apresentou Fusobacterium nucleatum. Concluiu que Fusobacterium nucleatum parece estar associado com o desenvolvimento das formas mais severas de agudizações endodônticas interconsultas. Barros et al. (2003) avaliaram os critérios para realizar o tratamento endodôntico em única e múltipla sessão. O estudo consistiu em 87 entrevistas com dentistas sobre o tratamento de sessão única, e avaliou-se que 84 dos entrevistados admitem a realização de tratamento endodôntico em sessão única, sendo que 79 realizam com polpa viva, 39 com dentes necrosados sem lesão periapical e somente três com dentes necrosados com lesão periapical. Nestas entrevistas contra-indicam a anatomia complexa e abscesso agudo para a realização de sessão única. Os especialistas consultados conferem a presença de microorganismo como maior causa de insucesso endodôntico, seguida da fase de instrumentação. Nas entrevistas os especialistas levaram em consideração a ausência de dor e sintomas durante os testes de palpação e percussão. No questionário proposto para os entrevistados, analisou-se que a sessão única só é realizada em alguns casos. 28 Castaldoni et al. (2004) avaliaram por meio de revisão de literatura a relação dos índices de sucesso e insucesso dos tratamentos endodônticos realizados em sessões únicas ou múltiplas, pós-operatório e a influência de medicações sistêmicas para controle dos mesmos. Os autores defendem que o tratamento de um dente com necrose pulpar e lesão periapical poderia ser realizado com sucesso em uma só sessão, obtendo-se a cura clinica e a reparação radiográfica, sempre que cumprissem os princípios fundamentais das técnicas operatórias de tratamento, principalmente no que se diz a respeito no controle da infecção, criando um ambiente desfavorável à sobrevida de microorganismos. Outras correntes defendem apenas duas situações que precisam de múltiplas sessões: fadiga do paciente ou do profissional ou presença de sintomas perirradiculares severos, tais com a dor e exsudação persistente via canal. Observou-se um maior número de intercorrências dolorosas nestas condições, alegando ser mais difícil tratá-los quando já obturados. Apesar das divergências sobre o assunto, quase todos os autores concordam que, independentemente do número de sessões em que a endodontia é finalizada, o sucesso do tratamento está relacionado com a eliminação dos agentes causais. Yoldas et al. (2004) determinaram o efeito de uma ou duas consultas para realização de retratamento endodôntico na dor pós-operatória. Para isso utilizaram 227 dentes que tinham tratamento endodôntico inadequado. A organização dos grupos de estudo foi feita de acordo com o índice periapical (PAI), o tipo de dente e sintomatologia. Cento e quinze dentes foram tratados em 29 uma sessão e cento e doze em duas sessões. Seis pacientes do grupo 2 e quinze do grupo 1 tiveram dor leve. Oito pacientes (7,5%) do grupo uma visita e dois pacientes (1,8%) do grupo 2 visitas tiveram flare-up. Nos casos de dentes sintomáticos a incidência de dor no grupo uma visita foi significante maior que no grupo duas visitas. Concluíram que os retratamentos endodônticos realizados em duas visitas com MIC de hidróxido de cálcio reduziu a dor pós-operatória em dentes sintomáticos retratados e diminuiu o número de flare-up em todos os casos de retratamentos comparados aos retratamentos em uma visita. Ozinini & Udoye (2004) compararam a incidência de flare-up endodônticos em tratamentos realizados num Hospital Universitário da Nigéria em uma e múltiplas sessões. Foi tratado um total de 283 dentes. Aproximadamente metade dos dentes foi tratada em uma sessão e o restante em múltiplas sessões. Houve 10 casos (8,1%) de flare-up no grupo de múltiplas sessões contra 19 casos (18,3%) no grupo de uma sessão. Constatou uma correlação positiva entre dor pré-operatória e dor pós-obturação. Concluíram que o tratamento em múltiplas sessões gerou um menor índice de flare-up, mas apesar deste resultado, os autores não contra-indicam o tratamento endodôntico em sessão única, principalmente nos casos de pacientes que desistem do tratamento depois da primeira consulta quando a dor for aliviada. Siqueira & Bamett (2004) em seu estudo sobre dor entre sessões citam as causas microbianas e as não microbianas. Dentre as causas microbianas 30 temos: a presença de bactérias patogênicas; a presença de tipos clonais virulentos; o sinergismo ou aditivismo bacteriano; o número de células microbianas; os fatores ambientais; a resistência do hospedeiro; infecção por herpes vírus; extrusão apical de debris infectados: instrumentação incompleta; infecções intra-radiculares secundárias. As causas não microbianas são representadas por fatores químicos, físicos (sobre instrumentação, extravasamento de substâncias irrigadoras, material obturador, medicação) e psicológicos. Como tratamento das dores interseções eles citam um bom diagnóstico; tratamento definitivo que inclui reinstrumentação, trepanação cortical, incisão e drenagem, medicação intracanal, ajuste oclusal; e drogas, dentre as quais, antibióticos, analgésicos não narcóticos, antiinflamatórios não esteroidais. Seltzer & Naidorf (2004) dissertaram sobre os fatores etiológicos e medidas terapêuticas das agudizações em endodontia. Dentre os fatores etiológicos estão: alterações da síndrome de adaptação local; mudanças na pressão do tecido periapical; fatores microbianos; efeitos de medidores químicos; mudanças nos nucleotídeos cíclicos, fenômenos imunológicos e diversos fatores psicológicos. As medidas terapêuticas durante a terapia endodôntica são; alivio da oclusão; pré-medicação da cavidade pulpar ou do canal radicular na primeira visita; estabelecimento de drenagem; medicação intracanal (agentes microbianos, soluções irrigantes, compostos sulfônicos, corticosteróides); drogas sistêmicas (antibióticos, corticosteróides, triptofano, analgésicos narcóticos ou não narcóticos, antiinflamatórios não-esteroidais, placebos) e ainda, os autores citam o tratamento 31 da dor após a conclusão da terapia endodôntica: acupuntura, explicações e instruções ao paciente. Furtado et al. (2005) avaliaram a dor pós-operatória na terapia endodôntica em tratamentos realizados em sessão única e múltipla com as diversas condições pulpares. O tratamento endodôntico foi realizado em 80 dentes (40 em sessão única e 40 em sessão múltipla) na clínica de especialização de endodontia, clinicamente todos os pacientes apresentavam-se assintomáticos, independente de sua condição pulpar. Os elementos dentários foram divididos em 4 grupos de acordo com a condição pulpar encontrada por meio de exames: Grupo I – Polpa morta sem lesão, Grupo II – Polpa morta com lesão, Grupo III – Retratamento sem lesão e Grupo IV – Retratamento com lesão. Todos os grupos dentários na realização do tratamento endodôntico utilizaram a técnica híbrida para a instrumentação com brocas Gates Glidden para a realização do preparo tipo Crow-Drow e tiveram como solução irrigante o hipoclorito de sódio a 2,5% e o E.D.T.A a 17%. A técnica obturadora foi condensação lateral ativa com cones de gutta percha e cimento Endofill. Nos casos de tratamento em sessão única, a obturação radicular definitiva foi realizada após o preparo químico-mecânico, sem a utilização de medicação intracanal, nos tratamentos realizados em sessão múltipla, independente da condição pulpar, utilizou-se a pasta de hidróxido de cálcio como medicação intracanal, onde os dentes foram obturados sete dias após o preparo químico-mecânico. Nesse experimento dos 40 dentes em sessão única, sete dentes apresentaram dor pós-operatória, sendo que três dentes dos grupos I 32 e II a dor foi classificada como leve. Nos casos de sessão múltipla cinco dentes apresentaram dor pós-operatória, sendo que em dois casos como dor leve e moderada no grupo II. Observou-se neste experimento que independente da realização do tratamento endodôntico, não houve diferença estatisticamente significante entre os grupos em relação à sintomatologia pós-operatória. Nos casos de necrose pulpar com lesão periapical, tanto em sessão única como múltipla apresentaram maior incidência de dor pós-operatória. Sathorn et al. (2008) avaliaram por meio de revisão de literatura a prevalência de dor pós-operatória e flare-up no tratamento endodôntico de única e múltipla sessão. A base de dados utilizada para o presente estudo compreende em MEDLINE, CENTRAL e EMBASE. Esta estratégia de busca foi similar à recomendada pela colaboração de Cochrane. A busca envolveu todos os estudos clínicos que compararam a freqüência/severidade da taxa de dor e do flare-up. Um total de 220 estudos foi sujeitado à análise preliminar, e os 20 artigos restantes foram sujeitos a uns critérios mais estritos da exclusão. Dezesseis estudos foram inclusos na análise e o tamanho da amostra variou de 60 a 1.012 dentes. A solução irrigadora foi hipoclorito de sódio de concentração que varia de 0,5% a 5,25%. Entretanto, o efeito de concentrações diferentes não ocasionou dor pósoperatória. Portanto, a dor pós-operatória e o flare-up não indicaram resultados convincentes no tratamento endodôntico de única e múltipla sessão, pois o nível de concordância de estudos ainda é precário no que se refere: relato de dor, nos protocolos terapêuticos empregados a cada paciente, assim como a variabilidade 33 dos efeitos do tratamento. Tsesis et al. (2008) realizaram um estudo sobre a freqüência de flareups utilizando uma meta-análise dos estudos anteriores. A pesquisa abrangeu todos os artigos publicados em periódicos odontológicos em inglês, do período de maio de 1966 a 2007, totalizando em 107 artigos com sete ideologias diferentes. A seleção dos artigos foi avaliada através de seus títulos e resumos, os quais 54 artigos foram rejeitados e os 53 artigos restantes foram submetidos a um teste conforme os seguintes critérios: flare-up definido como dor forte com ou sem edema que ocorre após o início ou a continuação do tratamento do canal radicular; pacientes que não tinham recebido terapia medicamentosa antes ou após o tratamento endodôntico; dor e edema durante 24 ou 48 horas após o tratamento endodôntico. A porcentagem média de incidência de flare-ups de 982 pacientes foi de 8,4%. Em suma, o flare-up que caracteriza como dor forte com ou sem edema que ocorreu após o inicio ou a continuação do tratamento do canal radicular e estimado em 48 horas após o procedimento, acometeu de 984 pacientes, somente 8,4%. Figini et al. (2008) investigaram a eficácia e a freqüência do tratamento endodôntico em única e múltiplas sessões e suas possíveis complicações. O estudo baseou-se nas resenhas disponíveis na biblioteca Cochrane e outras bases de dados como Medline por Pubmed, Federação Internacional das Associações de Endodontia, Sociedade Européia de Endodontia, Sociedade 34 Italiana de Endodontia e Sociedade Brasileira de Endodontia. Nesta análise foram inclusos pacientes acima dos 10 anos e dentes com ápices completamente formados e sem reabsorção interna. Os relatórios de pesquisa foram avaliados por dois comentadores para estabelecer se os estudos apresentavam nos critérios de inclusão. Resultados radiológicos de cinco estudos incluindo 657 pacientes avaliaram que dentes tratados em uma única sessão foi mais eficaz do que em dentes tratados em múltiplas sessões. Em relação à dor pós-operatório em um período de 72h, não houve diferença entre os dois tipos de sessões citados anteriormente. Já em um período de uma semana o desconforto no pós-operatório foi menos freqüente após múltiplas sessões. Somente dois estudos relataram o desconforto de um mês após a obturação do canal. Em ambos os estudos, nenhum paciente teve dor pós-operatória persistente. A incidência de desconforto era maior durante as primeiras 48 horas após a obturação e diminuídas então firmemente durante os sete dias subseqüentes. Quando os dados foram analisados a presença dos sintomas antes do tratamento de canal, a dor pósoperatória foi encontrada mais freqüente em pacientes com dentes sintomáticos. Em relação ao flare-up, três estudos comprovaram que não há diferença significativa entre sessão única e múltipla. Em estudos incluindo 559 pacientes, depois do tratamento do canal, a freqüência para o uso de analgésicos foi mais comum nos pacientes que se submeteram ao tratamento de única sessão. No referido estudo, não houve diferença estatisticamente ao tratamento de única sessão e múltipla sessão. 35 Lqbal et al. (2009) realizaram um estudo experimental sobre a incidência e fatores relacionados ao flare-up no tratamento de canal radicular não cirúrgico da graduação de endodontia da Universidade da Pensilvânia, EUA. Os residentes da Universidade da Pensilvânia buscaram prontuários presente no banco de dados da Universidade, PennEndo. Os dados coletados apresentaram 6.580 pacientes endodonticamente tratados de setembro de 2000 a julho de 2005. Os prontuários selecionados para o experimento foram de acordo com: a história da dor, sinais clínicos e sintomas, procedimentos não cirúrgico e que desenvolveram flare-up. Independente das variáveis inclusas nesta análise, os fatores de risco dos pacientes extraídos do banco de dados classificaram-se em três categorias: 1) Diagnóstico de sinais e sintomas – presença ou ausência de lesão periapical 2) Número de visitas, instrumentação manual VERSUS rotatório, condensação vertical versus condensação lateral com guta-percha e 3) Tipo de dente. O experimento resultou que dos 6.580 pacientes analisados, 26 pacientes (0,39 %) apresentaram flare-up. A probabilidade de desenvolver flare-up em dentes com lesão periapical era de 9.64 vezes maior que dentes sem lesão periapical. Não há diferença estatisticamente significativa entre o número de sessões para o desenvolvimento de flare-ups. Portanto, demonstrou que há maior risco de desenvolver flare-up em dentes com lesão periapical do que em dentes sem lesão periapical. 36 4. DISCUSSÃO Vários são os fatores que podem contribuir para a ocorrência de dor pós-operatória e o flare-up. Dentre estes estão: fatores microbianos, status pulpar e periapical; dor prévia ao tratamento; reintervenções endodônticas; iatrogênicas; fatores demográficos (idade, gênero, arcada e tipo de dente); fatores sistêmicos e associações de fatores (MATSOW, 1988; TORABINEJAD, et al., 1988; IMURA & ZUOLO, 1995; MATSOW, 1995; VILANUEVA, 2002; BARROS et al., 2003; SIQUEIRA & BARNETT, 2004; SOARES et al,. 2001; SELTZER & NAIDORF, 2004; FIGINI et al., 2008; LQBAL et al., 2009). Embora existam diversos fatores que podem influenciar no aparecimento de dor pós-operatória, é aceito que uma intervenção mal realizada durante o tratamento endodôntico tem um significado potencial no aparecimento de dor pós-operatória. (MATSOW, 1988). Porém, Walton & Fouad (1992) citam que um tratamento mal dirigido não influencia a resposta de dor pós-operatória. Siqueira & Barnett (2004) e Seltzer & Naidorf (2004) consideram as intervenções endodônticas, quer sejam de causa física ou química e dentre estas a sobre instrumentação, o extravasamento de substâncias irrigadoras, de medicação intracanal e de material obturador, influenciam diretamente na agudização de um processo inflamatório (OLIET, 1983; MOTA et al., 1986; REZENDE et al., 2000; CASTALDONI et al., 2004). MASSONE, 1989; 37 Soares et al. (2001) mostrou a importância dos procedimentos iniciais intracanal, citando que, nos casos de necrose do tecido pulpar com conseqüente infecção, a etapa do saneamento do canal radicular é “um convite a uma instrumentação segura”. Isto faz com que, uma vez o canal radicular tendo o seu conteúdo neutralizado por substâncias químicas antimicrobianas como o hipoclorito de sódio, reduzir-se-á significativamente o potencial de se levar microorganismos para a região periapical durante o preparo do canal radicular com conseqüente influência no pós-operatório. Assim observou-se que os microorganismos representam os maiores responsáveis pelo aparecimento dos problemas pós-operatórios, quebrando um equilíbrio existente entre estes e as defesas orgânicas. A finalidade de neutralização previamente a instrumentação é eminentemente de controlar o número de microorganismos que podem influenciar este desequilíbrio, e serem forçados para a região periapical. Siqueira & Barnett (2004) citam que as causas de dor intersessões serão mais frequentes devido a um resultado do desequilíbrio na relação bactéria/hospedeiro induzido por procedimentos intracanais. Os procedimentos durante o tratamento endodôntico que podem facilitar com que os microorganismos causem dor intersessões incluem: extrusão apical de debris contaminados, instrumentação incompleta e infecções intra-radiculares secundárias (SOUZA, 2000; SELTZER & NAIDORF 2004; CASTALDONI et al., 2004). Segundo Matsow (1988, 1995) os microorganismos aeróbios, particularmente os Streptococcus, têm um papel importante no desenvolvimento 38 de flare-up, e de acordo com Villanueva (2002), o Fusobacterium nucleatum (anaeróbico gram-negativo) está intimamente relacionado com o desenvolvimento das formas mais severas de agudizações endodônticas intersessões. Roane et al. (1983) submeteram 359 dentes ao tratamento endodôntico em sessão única e múltiplas sessões e verificaram a incidência de dor pós-operatória. Constataram que o índice de dor pós-operatório em sessão única foi à metade de quando comparado aos tratados em múltiplas sessões. Matusow (1995) cita a alteração do potencial de óxido-redução (Eh) como um fator principal para agudização celulítica endodôntica que ocorre seguinte ao tratamento inicial de dentes assintomáticos com lesões periapicais. Siqueira & Barnett (2004) sugerem que a entrada de oxigênio no canal radicular durante o preparo pode alterar o potencial de oxi-redução (Eh) no canal e, como conseqüência, induzir uma mudança no padrão de crescimento microbiano de anaeróbico para aeróbico, com super desenvolvimento das bactérias facultativas. Como a formação das lesões periapicais é de caráter eminentemente microbiano, é esperado que dentes sem alteração apical ainda não apresentem microorganismos, a qual poderá influenciar no aparecimento de flare-up após intervenção endodôntica (TROPE, 1991; WALTON & FOUAD 1992; IMURA & ZUOLO 1995; FURTADO et al., 2005). Fox et al. (1970) avaliaram a sensibilidade pós-operatória de dentes 39 tratados em sessão única. O estudo da dor foi realizado um dia, dois dias e uma semana após o tratamento endodôntico. Os resultados foram: 90% apresentaram pouca ou nenhuma dor espontânea, 82% pouca ou nenhuma pericementite; 2% dor severa e 5% pericementite severa. Soltanoff (1978) salienta que tratamento endodôntico em sessão única há economia de tempo. Ashkenaz (1979) acompanhou clínica e radiologicamente durante um e dois anos a sensibilidade dolorosa em dentes vitais tratados em sessão única e constatou a presença de dor somente em 4% dos dentes. Ether (1978) em dentes com vitalidade pulpar tratados em sessão única e em múltiplas sessões não encontrou diferença, quanto à sensibilidade dolorosa. Massone (1989) publicou os resultados em um estudo clínico de dentes tratados em sessão única, e concluiu que não houve diferença da sensibilidade dolorosa pós-endodontia em dentes com polpas vitais, inflamadas ou necróticas. Afirma que uma técnica endodôntica cuidadosa e uma obturação correta são garantia de resultados favoráveis. Conclui também que não existe material obturador provisório que mantenha uma barreira efetiva contra os microrganismos, impedindo uma infiltração marginal. Fava (1995) avaliou a incidência de dor pós-endodontia em sessão única utilizando três diferentes técnicas de instrumentação em polpa não vitais. Usou a técnica de alargamento duplo-modificada, técnica Crow-down sem pressão e a técnica de força balanceada original (Roane), não havendo diferenças na incidência de dor pósoperatória entre os grupos. 40 Trope (1991) realizou um estudo para verificar os flare-up, em dentes tratados endodonticamente em sessão única, que se apresentavam, sem alteração clínica ou radiográfica de periodontite apical, com alteração clínica e radiográfica de periodontite apical sem tratamento anterior e com alteração clínica e radiográfica de periodontite apical com tratamento anterior. Constatou l.8% de flare-up no total dos dentes em estudo. Não encontrou nenhum flare-up no primeiro grupo, apenas 1.4% naqueles dentes com periodontite apical sem tratamento anterior e 13.6% nos casos de periodontite apical com tratamento anterior, porém questiona os resultados, devido à dificuldade de retratamento, eliminando muitos casos de amostragem e, recomenda novos estudos. Walton & Fouad (1992) acompanharam a incidência de flare-up, em dentes tratados endodonticamente na clínica de Endodontia da Universidade de Iowa, EUA. Os resultados mostraram uma incidência de 3,17%. Vários fatores foram avaliados com o fim de relacioná-los com as possíveis causas do insucesso. Não houve diferenças quanto ao gênero, idade dos pacientes ou grupo de dentes. O número de visitas (única ou múltipla), não apresentou diferenças estatisticamente significantes. Os dentes com polpa vital tiveram um índice de flare-up bem menor do que os dentes com polpa necrótica. Tsesis et al., (2008), em pesquisas bibliográficas constatou que a incidências de flare-up foi em torno de 8.4%. O tratamento endodôntico com polpas necrosadas não mostraram diferenças estatisticamente diferentes quando tratados em sessão única ou em múltiplas sessões (TANCREDO, 1979; PEKRUHN, 1981; MULLERN et al., 1982; 41 OLIET, 1983; MOTTA et al., 1986; MASSONE, 1989; IMURA & ZUOLO 1995; REZENDE et al., 2000; SATHORN et al., 2008; FIGINI et al., 2008; LQBAL et al., 2009). Relativamente ao status pulpar, Walton & Fouad (1992) verificaram que o índice de dor pós-operatória foi significativamente mais alto nos casos de polpas necróticas em relação ás polpas vitais. Já para Motta et al. (1986) e Massone (1989), não houve diferenças estatísticas entre casos de polpa viva ou necrótica. Motta et al. (1986) e Soltanoff (1978) avaliaram dentes vitais e não vitais que foram tratados endodonticamente em sessão única ou múltiplas. Concluíram que, houve uma vantagem para os dentes tratados em sessão única, pois há uma economia de tempo e pode ser feita a obturação imediata dos dentes tratados. Para Ozini & Udoye (2004) os dentes tratados em múltiplas sessões o índice de flare-ups é menor, mas recomenda o tratamento em sessão única devido aos pacientes faltarem às consulta subsequentes após a dor ser eliminada. Também os casos de reintervenções enquadram-se nos suscetíveis ao aparecimento de flare-up. Como a manobra de desobturação necessita do auxílio de um solvente, isto poderá fazer com que o uso de substâncias químicas auxiliares seja utilizado de maneira deficiente, fazendo com que a ação dos instrumentos endodônticos necessária para remover o material obturador antigo levem microorganismos e restos teciduais para a região periapical. Fava (1995), 42 não encontrou diferença estatística a respeito da dor pós-operatória em casos de primeira intervenção comparados aos de reintervenções. Observou que somente nos casos que necessitam de retratamento é que houve algum tipo de dor, e esta foi devido, com mais freqüência, ao fato da obturação estar no limite radiográfico do que dependente de outros fatores. Yoldas et al. (2004) determinaram o efeito de uma ou duas consultas para o retratamento endodôntico na dor pós-operatória. Concluíram que em dentes assintomáticos a incidência de dor no grupo de uma visita foi significante maior que no grupo de duas visitas. Os retratamentos que usaram o hidróxido de cálcio como curativo de demora a dor pós-operatória em dentes sintomáticos retratados foi menor e o índice de flare-up foi menor que os realizados em uma sessão. Waltom & Fouad (1992) e Imura & Zuolo (1995) relataram que o uso de analgésico e/ou antiinflamatório previamente ao tratamento endodôntico teve efeito significativo aumentando o índice de agudizações endodônticas. Para a prevenção de dor pós-operatória tem sido sugerida por alguns autores a administração de antibióticos. Para Matusow (1988) o uso profilático de antibiótico é uma medida válida para diminuir a incidência de flare-ups. Porém, Walton & Fouad (1992) discorda deste efeito profilático do antibiótico, pois os resultados de seus trabalhos mostraram que o uso de antibiótico não teve efeito sobre as agudizações endodônticas. 43 Fatores demográficos, como, idade, gênero, tipo de dente e arcada, não são consenso entre os autores que venham a apresentar influencia no índice de flare-up. Torabinejad et al. (1988) observaram que estes fatores tiveram efeitos significativos sobre a incidência de emergências endodônticas interconsultas, porém, Mulhern et al. (1982), Walton & Fouad (1992) e Imura & Zuolo (1995) consideram que estes fatores não influenciam a ocorrência de flare-ups. Em relação aos problemas sistêmicos do paciente, Walton & Fouad (1992) e Torabinejad et al. (1998), verificaram que estes fatores de ordem geral não estão relacionados ao surgimento de dor após um procedimento endodôntico. Mas, Matusow (1998) acredita haver maior agudização em pacientes acometidos por problemas sistêmicos. Isto se deve ao fato de que os problemas sistêmicos podem acarretar uma debilidade que, associadas às manobras intracanais intempestivas, podem influenciar no pós-operatório e no aparecimento de flare-up. Associados a todos estes fatores citados têm-se, ainda, a questão emocional do paciente. Segundo Siqueira & Barnett (2004) e Seltzer & Naidorf (2004), o medo do tratamento odontológico, a ansiedade e a apreensão são fatores conhecidos por influenciar a percepção dolorosa do paciente e o limiar da dor e reação. Experiências dentárias anteriores traumáticas parecem ser fator significativo na produção de ansiedade e apreensão nos pacientes dentários. O tratamento de canal, especialmente, parece ser doloroso a muitos pacientes ou por causa de experiências anteriores ou pelas conversas com outras pessoas. A 44 ansiedade é um fator psicológico do estresse e, como tal, aumenta a quantidade de corticosteróides na circulação. Estes, por sua vez, inibem a resposta imune e permite a multiplicação e disseminação das bactérias, fato que pode contribuir para o aparecimento de flare-ups. 45 5. CONCLUSÃO Mediante os resultados obtidos nestes estudos podemos concluir que: 1 A dor pós-endodontia em sessão única em dentes com polpas vitais é quase assintomática. 2 Em dentes com polpas necróticas em sessão única a incidência de dor pós-operatória possui um índice bastante baixo, devendo ser cessada em horas ou dias. 3 O flare-up, que é uma dor mais acentuada, ocasionando edema e necessitando de uma consulta de emergência, possui um índice de dor pósoperatório bem baixo. 4 O flare-up tem uma etiologia multifatorial, mas a principal causa são os microorganismos que quebram o equilíbrio existente entre estes e as defesas orgânicas, exacerbando o processo inflamatório nos tecidos periapicais. 5 Dentes com lesão periapical sofrem um maior índice de flare-ups, pois estão associados aos microorganismos. 6 Os retratamentos endodônticos tendem a ter uma porcentagem mais 46 alta de agudizações que os dentes que estão sendo tratados pela primeira vez. 7 Pacientes acometidos de dor prévia ao tratamento endodôntico possuem um índice maior de dor pós-operatória. 8 Os pacientes do gênero feminino possuem uma maior porcentagem de dor pós-operatória em relação aos pacientes do gênero masculino. 9 Os dentes da arcada inferior, principalmente os molares, possuem uma maior porcentagem de dor em comparação aos dentes superiores. 47 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ASHKENAZ, P. 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