Marina Mori Pires de Camargo Biomarcadores funcionais de curimbas, Prochilodus lineatus, submetidos a testes in situ no alto ribeirão Cambé, Londrina, PR. Londrina 2002 2 Biomarcadores funcionais de curimbas, Prochilodus lineatus, submetidos a testes in situ no alto ribeirão Cambé, Londrina, PR. (Monografia de Bacharelado em Ciências Biológicas) de autoria de CAMARGO, M. M. P. e MARTINEZ, C. B. R. Universidade Estadual de Londrina, PR. RESUMO O Ribeirão Cambé é um dos principais cursos d’água da cidade de Londrina, Paraná. Ele atravessa grande parte da área urbana, recebendo descarga de esgotos domésticos e efluentes industriais, fato esse que tem contribuído para a alteração da qualidade de suas águas. Testes in situ com peixes têm-se mostrado muito eficientes na avaliação da qualidade da água de locais impactados e o uso do curimba (Prochilodus lineatus) é bastante indicado por se tratar de uma espécie detritívora, neotropical e bastante sensível a contaminantes. O objetivo desse trabalho foi verificar parâmetros funcionais de curimbas submetidos a testes in situ em diferentes pontos ao longo do alto ribeirão Cambé e comparar com os mesmos parâmetros de peixes submetidos a testes in situ em um ribeirão menos impactado. Para isso, curimbas jovens foram mantidos em gaiolas de PVC revestidas com tela, em quatro pontos no alto Ribeirão Cambé (Pontos A, B, C e D) e em um local de referência, no Ribeirão dos Apertados, localizado no Parque Estadual da Mata dos Godoy. Os testes foram realizados durante o inverno de 2002 (entre os meses de agosto e setembro). Após uma semana (168 h) de confinamento os peixes foram cuidadosamente retirados da gaiola e anestesiados com benzocaína para a coleta de sangue, a partir da veia caudal, e do fígado. Foram feitas análises do conteúdo de hemoglobina, concentração de glicose, proteínas, lipídeos totais e íons plasmáticos (sódio, potássio e cloreto) além da atividade hepática das enzimas glutationa transferase e catalase. Os resultados foram comparados entre os pontos e com o local de referência. Os valores de hemoglobina e lipídeos totais dos animais testados não variaram entre os pontos. A concentração de glicose apresentou os maiores valores no Ponto A e a concentração de proteína no plasma foi significativamente menor nos pontos do ribeirão Cambé em relação ao local de referência. Os valores de sódio foram significativamente maiores na referência e no Ponto D, sendo que os maiores valores de potássio foram encontrados nos animais confinados nos Pontos A e D. O íon cloreto não apresentou diferenças significativas entre os pontos. O ponto D apresentou o maior valor de atividade da glutationa transferase e o menor de catalase em relação aos demais pontos. Os parâmetros avaliados mostraram-se eficientes como biomarcadores, já que indicaram que os animais submetidos aos testes apresentaram alterações funcionais, o que pode ser decorrente do comprometimento da água nesses pontos do Ribeirão Cambé. 3 1 INTRODUÇÃO A humanidade viveu por muito tempo com a idéia equivocada de que a água era um recurso praticamente inesgotável e que a natureza por si só era capaz de regenerá-lo. Esta visão acarretou diversos problemas à sociedade atual, como o crescimento desordenado de nossas cidades, sem que qualquer cuidado tenha sido tomado em relação aos rios, que consequentemente ficaram comprometidos com a poluição. Sendo mantida esta atitude inconseqüente em relação aos rios, uma demanda de água superior à disponibilidade acabará acontecendo, ou seja, haverá um consumo maior de água na indústria, irrigação e abastecimento público do que os rios podem fornecer. Para evitar conflitos futuros, é necessária uma nova postura em relação aos recursos hídricos, e isso inclui educação ambiental e monitoramento da qualidade das águas por entidades competentes. A qualidade da água é resultante das condições naturais da bacia hidrográfica e das atividades humanas desenvolvidas nessa região. As condições naturais, como estrutura do solo e cobertura vegetal, são importantes na retenção da água da chuva e de partículas que possam escoar para o manancial, diminuindo assim, os efeitos poluentes. A ocupação da área da bacia hidrográfica e o uso que a população faz dela (atividades poluidoras, uso de defensivos agrícolas e criação de animais) são determinantes para o comprometimento ou não do local (CONDINI, 1998). A cidade de Londrina possui uma rede hidrográfica bastante considerável, sendo composta por 73 córregos e 8 ribeirões que se distribuem por 5 micro-bacias hidrográficas (FOLHA DE LONDRINA, 1999). Destas, a bacia do Ribeirão Cambé é tida como a mais importante, já que atravessa praticamente toda a área urbana da cidade, sendo muito utilizada para o lazer e suprimento de água da população. Exatamente por isso, a bacia do Ribeirão Cambé tem sido muito degradada pela ação do homem, recebendo despejos domésticos e industriais, efluentes agrícolas e lixo de toda espécie, além de ter tido praticamente toda sua mata ciliar retirada para dar lugar a construções e ruas. Tudo isso somado ao crescimento desordenado da cidade e à falta de cuidado da população, gerou uma situação bastante estressante principalmente aos peixes e outros organismos aquáticos que habitam essas águas. Estresse pode ser definido de várias formas, mas em termos fisiológicos inclui todas as respostas que o animal apresenta em decorrência de mudanças em seu 4 ambiente natural (ADAMS, 1990). Estas respostas podem ter como objetivo a manutenção ou o restabelecimento de sua homeostase face às mudanças físicas e/ou químicas que estejam comprometendo sua sobrevivência em determinado local. Alterações severas no ambiente podem causar a morte quase que instantânea dos organismos do local. Da mesma forma, exposições prolongadas a poluentes podem acarretar problemas que, mesmo não causando a morte do animal, prejudicam o bom funcionamento de seu organismo. Já exposições aos xenobióticos1 em doses subletais ou por períodos mais curtos, tendem a afetar, em longo prazo, o crescimento, a reprodução e a resistência à doenças do animal, ocasionando sérias conseqüências para a sobrevivência da população (JOBLING, 1995). Os peixes, por serem animais essencialmente aquáticos, são bons indicadores da qualidade da água. Um rio só é considerado em condições satisfatórias se nele viverem e proliferarem peixes, sendo importante lembrar que a simples presença de indivíduos adultos não contaminados não implica que o ambiente em questão esteja livre de poluição. É necessário que a água do local permita a reprodução, alimentação e crescimento de larvas e juvenis (BRANCO, 1983). Como normalmente a poluição dos rios ocorre com concentrações crônicas e subletais de poluentes, identifica-se mais comumente alterações estruturais e funcionais nos peixes do que mortandade em massa dos organismos. Portanto, o uso de parâmetros bioquímicos e fisiológicos tem apresentado bons resultados na avaliação do efeito dos poluentes em peixes (WINKALER; MARTINEZ, 1999). Esses parâmetros são chamados de biomarcadores e podem ser utilizados com sucesso como complemento para as análises químicas em programas de monitoramento ambiental (SANCHEZHERNANDEZ et al.,1998). Para o monitoramento efetivo da qualidade da água, testes in situ têm sido utilizados com freqüência desde a década de 90 em países da Europa e nos Estados Unidos (STIEN et al., 1998). Tais testes constituem-se basicamente da manutenção dos organismos, no caso os peixes, em uma gaiola perfurada colocada no ambiente a ser testado, com livre circulação de água e acesso ao alimento. Por determinado período de tempo acompanha-se a sobrevivência dos animais e/ou realizam-se análises de parâmetros biológicos dos animais expostos ao teste. Testes in situ apresentam vantagens em relação aos testes laboratoriais ou técnicas de coleta dos animais no campo, já que permitem uma total cobertura dos 1 Xenobiótico: “estranho biológico”; substância que seja estranha ao organismo (GRIZI, 2000). 5 contaminantes presentes na água e sedimento de uma área específica que se deseja estudar, abrangendo todas as variações físico-químicas que possam vir a ocorrer no local durante o experimento (MARTINEZ et al, 2002). Coletas dos animais no campo não permitem padronização de idade e sexo, por exemplo, dos organismos a serem estudados, e os testes laboratoriais não representam fielmente a realidade a qual os peixes estão expostos no campo. Marcadores bioquímicos e fisiológicos têm a vantagem de apresentarem respostas rápidas e específicas a determinados poluentes (TEH et al.,1997), além de que as primeiras alterações causadas por exposições subletais costumam ocorrer nos níveis moleculares e bioquímicos do animal, como por exemplo, na ação das enzimas (ADAMS, 1990). O fígado nos peixes é um órgão que desempenha diversas funções metabólicas, entre elas, o metabolismo de xenobióticos, além de ser bastante sensível à presença de contaminantes no ambiente. Nesse órgão estão presentes algumas enzimas que são responsáveis pela oxidação, redução ou conjugação de substâncias químicas (JIMENEZ; STEGEMAN, 1990). Enzimas detoxificantes, como a glutationa-S-transferase, têm sua atividade aumentada na presença de hidrocarbonetos policíclicos e policlorados e diminuída na presença de compostos organofosforados e carbamatos (STIEN, 1998). Já a enzima catalase atua na remoção da H2O2 (peróxido de hidrogênio) do organismo e também parece estar envolvida no controle do estresse oxidativo (HUGGETT, 1992). Alguns contaminates ambientais causam aumento na oxidação de ácidos graxos, o que pode velar a um estresse oxidativo. Nestes casos, a atividade hepática da catalase pode aumentar em resposta a esse estresse. Portanto, o estudo de enzimas como a glutationaS-transferase e a catalase pode ser usado como indicador biológico de contaminação. Como a exposição a contaminantes costuma fazer com que o peixe aumente sua demanda energética, a análise de parâmetros metabólicos, como teor de lipídeos e proteínas totais, pode servir como bom indicador de estresse. Além disso, o estudo hematológico dos animais expostos aos testes in situ também é relevante considerando-se que exposições prolongadas dos animais a metais, como chumbo por exemplo, podem acarretar prejuízos para a hematopoiese. O peixe também pode apresentar algumas estratégias adaptativas a esses estressores, variando sua concentração de hemoglobina ou o tamanho e/ou o número de seus eritrócitos (SILVA, 1987). 6 A água doce, ao contrário da água do mar, apresenta um conteúdo de solutos muito baixo e variável (SCHMIDT-NIELSEN, 1996). Os teleósteos dulcícolas são hiperreguladores e conseqüentemente precisam enfrentar o influxo osmótico de água e a perda de íons, absorvendo íons ativamente pelas brânquias, e eliminando o excesso de água através de uma urina diluída e abundante. A poluição aquática pode interferir nestes processos de osmorregulação, fazendo com que íons como sódio, potássio e cloreto sofram variações em suas concentrações. Alguns poluentes podem interferir na atividade da bomba de sódio (Na+-K+-ATPase) ou ainda aumentar a produção de urina, o que pode prejudicar a captação de íons pelas brânquias ou então aumentar a concentração iônica do animal (HEATH, 1987). Como os íons sódio e cloreto são os mais abundantes no plasma da maioria dos animais, medidas de suas concentrações podem indicar as condições osmóticas do plasma dos peixes. Apesar de possuir concentrações iônicas diferentes, a osmolaridade dos compartimentos intra e extracelular deve ser mantida semelhante, evitando que a célula sofra grandes variações em seu volume, ganhando ou perdendo água. O controle do volume celular é feito basicamente pela saída ou entrada de potássio na célula. Se por algum motivo o animal ficar mais diluído de modo que a célula também fique mais diluída, ocorre uma saída de potássio da célula, para diminuir a osmoticidade do meio intracelular. O contrário também ocorre; se o animal perde água para o meio, devido por exemplo a um aumento em sua diurese em resposta a um estressor, ocorre uma captação de íons potássio a partir do plasma, mantendo assim, o volume celular constante (LANG, 1998). Portanto, medidas da concentração de potássio no plasma podem indicar a capacidade dos eritrócitos de regularem seu volume em resposta a determinadas situações estressantes. Espécies nativas de peixes ainda são pouco utilizadas na realização de testes in situ no Brasil. Entretanto, trata-se de uma boa técnica para o monitoramento ambiental e o estudo do impacto da poluição nessas populações, normalmente mais sensíveis que as espécies introduzidas. O curimba (Prochilodus lineatus) é uma espécie neotropical de grande importância econômica e ecológica, além de ser bem estudado quanto a sua biologia, fisiologia e reprodução. Nesse trabalho foram desenvolvidos testes in situ com curimbas (Prochilodus lineatus) em pontos com diferentes níveis de ação antrópica no Ribeirão Cambé (Londrina – PR) e, como referência, foi utilizado o Ribeirão dos Apertados, 7 localizado dentro do Parque Estadual da Mata dos Godoy, local com mata ciliar bem preservada e relativamente livre da entrada direta de contaminantes. Nesses testes foram avaliados parâmetros hematológicos, iônicos, metabólicos e bioquímicos dos peixes como forma de avaliação da poluição no Ribeirão Cambé, na cidade de Londrina, PR. 8 1 OBJETIVOS • Realizar testes in situ com peixes da espécie Prochilodus lineatus (curimba), confinados em gaiolas durante um período de 168 horas (1 semana); • Determinar parâmetros iônicos (sódio, potássio e cloreto), hematológicos (hemoglobina), metabólicos (glicemia, proteínas totais e lipídeos) e bioquímicos (atividade hepática das enzimas glutationa transferase e catalase) de Prochilodus lineatus expostos a testes in situ; • Comparar os resultados obtidos com os testes em cinco localidades no município de Londrina (PR), com diferentes características quanto à ação antrópica; • Avaliar as integrações das respostas obtidas nos testes, relacionando- as com o nível de impacto de cada local de amostragem. 9 2 MATERIAL E MÉTODOS 3.1 O animal Prochilodus lineatus (Valenciennes, 1847) Superordem Ostariophysi Ordem Characiformes Família Prochilodontidae Gênero Prochilodus Nos testes in situ foram utilizados peixes da espécie Prochilodus lineatus, conhecidos na região pelo nome de curimba (Fig.1). Essa espécie possui tamanho variando de médio a grande porte (de 30 a 45 cm e até 6000 g), corpo coberto por escamas grandes e são detritívoros, não possuindo dentes mandibulares (GODOY, 1975; SANTOS, 1962) FIGURA 1. Fotografia mostrando um exemplar adulto de curimba (Prochilodus lineatus) . São peixes reofílicos, ou seja, que necessitam realizar grandes migrações para realizar seu ciclo reprodutivo, sendo que costumam utilizar-se de ambientes lóticos para reprodução e lênticos (lagoas) e semi-lênticos (canais e represas), para alimentação e crescimento dos jovens (TAKASUSUKI, 2000). Por possuir esse hábito migratório, o curimba entra em contato com água de diferentes qualidades, em vários trechos do rio, o que aumenta a probabilidade do peixe encontrar uma maior quantidade de poluentes. Essa espécie foi utilizada nos testes por ser representativa da Bacia do Rio Tibagi e ser encontrada principalmente em locais com menos poluição como os municípios de Ipiranga e Sapopema (BENNEMANN et al., 1995). Como ela é menos 10 freqüente em localidades onde a poluição ou atividade industrial está presente, pode ser entendida como uma espécie sensível a contaminantes. Ainda, por tratar-se de uma espécie de hábitos detritívoros, ou seja, que se alimenta do sedimento do fundo dos rios, esse animal é bastante indicado para monitoramento ambiental, por incorporar poluentes do sedimento e da água. 3.2 Locais de amostragem Os testes in situ foram realizados em quatro pontos distintos no alto Ribeirão Cambé (pontos A, B, C e D) e em um ponto no Ribeirão dos Apertados, tido como o ponto de referência (Fig. 2). FIGURA 2. Mapa mostrando a região do Alto Ribeirão Cambé e o Ribeirão dos Apertados, onde os testes foram realizados. Os pontos de amostragem no ribeirão Cambé (Fig. 3) possuem características diferentes quanto à ação antrópica, já que o Ribeirão Cambé atravessa 11 regiões urbanizadas. Tais pontos recebem despejos clandestinos de esgoto, efluentes industriais e têm sua mata ciliar bastante degradada, além do uso irregular do solo. FIGURA 3. Mapa mostrando em detalhe a localização dos pontos no Alto Ribeirão Cambé, onde foram realizados os testes in situ. Ponto A: Localizado a montante da foz do córrego Cacique, possui margens desprovidas de vegetação, tem cerca de 2,0 m de largura, águas rasas e fundo lodoso. Há sinais de assoreamento na área, devido ao uso do solo das margens para olericultura (Fig. 4). Ponto B: Localiza-se a jusante da foz do córrego Cacique, também é um local bastante assoreado, com pouca vegetação nas margens. Possui águas rasas, fundo lodoso e largura aproximada de 2,0 m (Fig. 5 ). Ponto C: Localizado a jusante da foz do córrego da Mata, têm pouca vegetação cobrindo suas margens, largura aproximada de 3,0 m, águas rápidas e fundo rochoso. Provavelmente recebe efluentes industriais já que localiza-se nos fundos da CONFEPAR - Cooperativa Central Agroindustrial (Fig. 6 ). Ponto D: Localiza-se a montante da foz do córrego Baroré e próximo do início do Lago Igapó IV. Este trecho apresenta largura e profundidade maiores que os demais, águas calmas e claras. A vegetação aquática é abundante, mas nas margens é escassa, onde encontram-se muitas moradias e lixo espalhados (Fig. 7 ). 12 O Ribeirão dos Apertados, que atravessa o Parque Estadual da Mata dos Godoy, é um local de corredeira, com mata ciliar razoavelmente preservada, e afastado da cidade. Por essas características, foi considerado o local de referência, por estar relativamente livre da ação antrópica (Fig. 8). FIGURA 4. Fotografia mostrando o local de realização dos testes in situ no Ponto A 13 FIGURA 5. Fotografia mostrando o local de realização dos testes in situ no Ponto B. FIGURA 6. Fotografia mostrando o local de realização dos testes in situ no Ponto C. 14 FIGURA 7. Fotografia mostrando o local de realização dos testes in situ no Ponto D. FIGURA 8. Fotografia mostrando o local da realização dos testes in situ no Ribeirão dos Apertados (local de referência). 15 3.3 Testes in situ Exemplares jovens de Prochilodus lineatus foram fornecidos pela Estação de Piscicultura da UEL, para a realização dos testes. Os animais assim obtidos devem estar livres de contaminação e resistência, visto que nos tanques da piscicultura eles não entram em contato com nenhum tipo de contaminante. As gaiolas para o confinamento foram confeccionadas com canos de material plástico (PVC) e revestidas com tela plástica (malha de 1,5-2,0 mm), permitindo assim, que a água circule e que os animais se alimentem do sedimento (Fig. 13). Garrafas plásticas contendo areia foram presas à gaiola a fim de mantê-la em contato com o sedimento (aproximadamente a 1,50 m de profundidade). As gaiolas utilizadas possuem volume de 125 litros (50x50x50 cm), e já foram testadas e padronizadas em testes anteriores realizados na Piscicultura da UEL. FIGURA 9. Fotografia mostrando a gaiola utilizada nos testes in situ. Foi utilizado um grupo de 6 animais em cada gaiola, por ponto de amostragem. Os peixes foram transportados até o local em sacos plásticos contendo água e oxigênio. Todo cuidado foi tomado no transporte a fim de evitar estresse adicional aos animais. No local de amostragem os peixes foram transferidos para a gaiola, que foram então submersas na água, onde ficaram por 168 horas (1 semana). Decorrido esse período, os animais foram amostrados imediatamente após sua retirada da gaiola. As amostras de sangue e fígado de cada animal foram armazenadas em tubos plásticos e mantidas no gelo até a chegada ao laboratório, na UEL. 16 Em cada local de teste in situ foram realizadas determinações da temperatura e oxigênio dissolvido utilizando-se oxímetro portátil Orion e condutividade usando condutivímetro portátil Corning CD-55. O pH foi medido no laboratório em pHmetro de mesa a partir de uma amostra de água coletada em cada local no momento da colocação e retirada das gaiolas. 3.4 Obtenção das amostras Imediatamente após a retirada dos peixes da gaiola, estes foram colocados, um a um, em um balde contendo uma solução diluída de anestésico (0,5 g de benzocaína diluído em 70 mL de álcool, para cada 5 litros de água) por alguns segundos, a fim de minimizar o estresse do peixe. Logo após o peixe estar anestesiado, o sangue foi coletado a partir da veia caudal, utilizando-se seringas descartáveis lavadas com anticoagulante da marca Liquemine e armazenado em tubos plásticos de 1,5 mL, devidamente rotulados e mantidos no gelo. Após esse procedimento, o animal foi sacrificado por secção medular e foram tomadas suas medidas (comprimento total, padrão e peso). 3.5 Análises das amostras Utilizando-se das medidas de peso e comprimento total dos peixes, foi calculado o fator de condição para cada animal. Esse fator fornece um bom indicativo do status nutricional geral do organismo, o que pode ser usado como indicador de estresse, já que o fígado aumenta de peso na presença de poluentes (SANCHEZ-HERNANDEZ, 1998). Esse fator foi calculado através da divisão do peso do animal em gramas pelo cubo do comprimento total do corpo em centímetros e multiplicado por 100. 3.5.1 Determinação do conteúdo de hemoglobina No laboratório, uma alíquota de sangue total foi utilizada para dosagem de hemoglobina por meio de método colorimétrico, utilizando-se kit comercial (ANALISA). As amostras de sangue (5 µL) foram diluídas em 1,25 mL de reagente para hemoglobina 17 contendo ferrocianeto. O ferro (II) do grupo heme da hemoglobina, oxihemoglobina e carboxihemoglobina é oxidado para o estado férrico pelo ferrocianeto, formando hemiglobina (Hi), que se combina com o cianeto ionizado para produzir cianeto de hemiglobina (HiCN), sendo medido em 540 nm. Os resultados foram comparados com soluções padrão (hemoglobina humana), cuja concentração de hemoglobina já foi determinada (10 mg/dL). O restante do sangue coletado foi centrifugado, durante 5 minutos a 3000 g, para separação das células do plasma. O plasma obtido foi mantido congelado (- 4º C) até o momento das análises de íons e metabólitos. O fígado retirado foi mantido congelado (-80º C) até o momento das análises bioquímicas. 3.5.2 Determinação da concentração plasmática de sódio, potássio e cloreto. Para a determinação dos íons sódio e potássio foram utilizados 10 µL de plasma diluído em 1 mL de água milli-Q. Após as diluições apropriadas, as amostras de plasma foram analisadas em fotômetro de chama (ANALYSER-900) para que se obtivessem as concentrações dos íons. Na determinação das concentrações plasmáticas de sódio foram utilizados padrões de sódio de concentração conhecida (2,5 mM, 2,0 mM, 1,5 mM, 1.0 mM e 0,5 mM) e o mesmo foi feito para o potássio, utilizando-se padrões com as seguintes concentrações desse íon : 0,10 mM, 0,075 mM, 0,050 mM, 0,025 mM e 0,012 mM. O teor do íon cloreto foi determinado através de kit comercial (ANALISA), cuja concentração do padrão é conhecida (100 mEq/L). Os íons Cl- reagem com o tiocianato de mercúrio formando o cloreto mercúrio e íon tiocianato, que reagem com o íon férrico formando tiocianato férrico, de cor amarela, proporcional à concentração de cloretos na amostra. Uma alíquota de 5 µL de plasma foi adicionada a 1.750 µL de reagente de cor e 50 µL de ativador. As amostras foram homogeneizadas em agitador de tubos e as leituras foram realizadas por método colorimétrico, utilizando-se espectrofotômetro, no comprimento de onda de 470 nm. As concentrações dos íons sódio, potássio e cloreto foram expressas em mM/L. 18 3.5.3 Determinação da concentração plasmática de glicose, proteínas totais e lipídeos totais. A concentração plasmática da glicose foi determinada através de metodologia espectrofotométrica, utilizando-se kit comercial (ANALYSA ou CELM). A glicose oxidase catalisa a oxidação da glicose para ácido glucônico e peróxido de hidrogênio. O peróxido de hidrogênio formado reage com 4-aminoantipirina e fenol, através de uma reação oxidativa de acoplamento catalisada pela peroxidase, formando uma antipirilquinonimina vermelha cuja intensidade de cor é proporcional à concentração de glicose na amostra analisada. Depois da adição de 10 µL de amostra de plasma a 1 mL do reagente, a solução foi homogeneizada por agitação e encubada por 10 minutos em banho-maria a 37ºC. A leitura de absorbância foi feita em espectrofotômetro (SHIMADZU em 505 nm. Foi utilizado padrão de glicose de concentração de 100 mg/dL. A concentração plasmática de proteínas totais foi determinada através do método descrito por LOWRY et al., (1951), utilizando-se curva padrão de valores conhecidos. A curva de calibração foi construída a partir de valores conhecidos de soro albumina bovina (BSA): 5, 10, 50, 100, 150, 200 e 250 µg/mL de BSA diluídos em água milli-Q até o volume final de 1 mL. Para a leitura das amostras, 5 µL de plasma foram diluídos em 995 µL de água milli-Q. Após a diluição adicionou-se 1 mL do reagente A (1 mL de CuSO4 1%, 1 mL de tartarato Na-K e 100 mL de NaCO3 2% em NaOH 0,1 N) e 100 µL de reagente B (água e reativo de Folin 2N diluídos 1:1) nas amostras de plasma e na curva de calibração, enquanto as amostras eram agitadas em vórtex. Após um repouso de 90 minutos as amostras foram analisadas em espectrofotômetro no comprimento de onda de 700 nm. Os lipídeos séricos, incluindo os ácidos graxos insaturados livres e esterificados e o colesterol livre e seus ésteres, reagem com a vanilina em meio fosfórico, primeiro reagindo com ácido sulfúrico aquecido. Dessa forma, 10 µL de amostra de plasma foram adicionados a 500 µL de ácido sulfúrico concentrado. Os tubos foram devidamente embalados em papel alumínio e encubados em banho-maria a 100ºC por 10 minutos. Após esse período, uma alíquota de 40 µL da solução (amostra + ácido sulfúrico) foi transferida para outros tubos de ensaio contendo 1 mL do reativo de cor. Os tubos foram agitados suavemente e encubados em banho-maria a 37º C por 10 minutos. As amostras foram analisadas em espectrofotômetro, em 530 nm, e os valores de absorbância foram comparados com o valor do padrão de concentração conhecida (1000 mg/dL). 19 3.5.4 Determinação da atividade hepática das enzimas glutationa transferase e catalase. Para análise da glutationa transferase (GST) e catalase foram utilizadas as amostras do fígado. Para tanto, fragmentos do fígado foram pesados, homogeneizados em tampão fosfato (10 x o volume), e centrifugados durante 20 minutos em centrífuga refrigerada (4º C) a 14737,47 g. Logo após a centrifugação o sobrenadante foi separado para as análises. A dosagem de GST foi realizada de acordo com KEEN et al. (1976). Foram utilizados 10 µL do sobrenadante do fígado de cada amostra, ao qual foram adicionados 970 µL de tampão de reação (fosfato de potássio 0,1 M pH 7,0) contendo o substrato: 10 µL de 1- cloro- 2,4- di-nitrobenzeno (CDNB) 100 mM em etanol e 10 µL de glutationa reduzida (GSH) 100 nM em tampão fosfato de potássio 0,1 M e pH 7,0. Imediatamente após a homogeneização do conteúdo foi feito o registro da absorbância, durante 0,5 ou 1 minuto, em espectrofotômetro, no comprimento de onda de 340 nm. A atividade da enzima catalase foi determinada através da quantificação da velocidade de decomposição da água oxigenada (H2O2) pela enzima, através do decréscimo de absorbância a 240 nm durante 0,5 ou 1 minuto. O meio de reação continha TRIS HLC 1M; EDTA 5 mM; pH 8,0; H2O2 30%. Para a leitura espectrofotométrica foram utilizados 1980 µL do meio de reação e 20 µL do sobrenadante das amostras. Os valores de atividade das enzimas glutationa e catalase foram expressos em mU (nmol/min/mg de proteína) e U (µmol/ min/ mg de proteína). Para o cálculo das atividades das enzimas foi calculada a concentração de proteínas totais do sobrenadante do fígado, seguindo-se o método descrito por LOWRY et al., (1951). A atividade enzimática da catalase e da glutationa transferase foi determinada através das seguintes fórmulas: Atividade da catalase = ∆ absorbância / minuto 0,01* x 0,071** x [proteína mg/mL] Atividade da glutationa = ∆ absorbância / minuto 0,01* x 9,6 ** x [proteína mg/mL] 20 Onde: * diluição ** coeficiente de extinção da enzima ∆ delta de absorbância [ ] concentração de proteína no fígado em mg/mL 3.6 Análise dos resultados Os resultados obtidos nos 5 pontos de amostragem foram comparados entre si empregando-se a análise de variância – critério único – para verificar a existência de diferenças significativas entre as médias obtidas em cada parâmetro analisado de cada localidade. Com a indicação de valores significativos de F, procedeu-se a realização do teste de Student-Newman-Keuls (SNK) para a identificação das diferenças. Foram considerados significativos valores de P ≤ 0,05 e os testes foram realizados de acordo com ZAR (1996). 21 4 RESULTADOS Durante a realização deste trabalho foi realizado um teste in situ em cada um dos quatro pontos no alto Ribeirão Cambé e um teste no local de referência no Ribeirão dos Apertados, entre os meses de agosto e setembro de 2002 (Tabela 1). TABELA 1- Datas referentes aos dias de realização dos testes in situ nos 4 pontos no alto Ribeirão Cambé e no local de referência (Ribeirão dos Apertados). O período corresponde a 168 horas e (n) indica o número de animais amostrados. Locais Ribeirão dos Apertados Ponto A Ponto B Ponto C Ponto D Datas 20/08 a 27/08 06/09 a 13/09 10/09 a 17/09 05/09 a 12/09 28/08 a 4/09 n=6 n=6 n=6 n=6 n = 5* * Um dos animais fugiu no momento da retirada da gaiola 4.1 Parâmetros ambientais e fator de condição Os parâmetros físico-químicos da água dos locais de realização dos testes in situ (pH, oxigênio dissolvido, temperatura da água e condutividade) estão mostrados na Tabela 2. O ponto A apresentou os valores mais baixos de pH e oxigênio dissolvido e no ponto D foram encontrados os maiores valores de condutividade. TABELA 2- Valores de pH, oxigênio dissolvido (mgO2/L), temperatura da água (ºC) e condutividade (µs/cm) obtidos no momento da realização dos testes no Ribeirão Cambé e no Apertados. Os valores indicam as medidas realizadas no 1º dia e no último dia do experimento. Local pH Apertados Ponto A Ponto B Ponto C Ponto D 7,94 – 7,33 7,02 – 7,10 7,74 – 7,56 7,24 – 7,44 7,63 – 7,40 Oxigênio (mgO2/L) 10,8 – 7,30 5,65 – 4,45 6,73 – 5,93 7,90 – 7,28 6,48 – 7,52 Temperatura (ºC) 17,6 – 17,7 22,4 – 21,7 21,3 – 22,4 19,4 – 21,7 19,7 – 15,0 Condutividade (µ µs/cm) 75 - 55 95 – 103 110 - 101 116 – 115 271 – 176 Precipitação (mm) 0,0 17,2 51,4 12,4 22,0 Os dados de precipitação indicam a somatória da precipitação nos 7 dias do experimento e dos 3 dias que antecederam a colocação das gaiolas. 22 A biometria dos animais permitiu o cálculo do fator de condição, e os valores do peso (g), comprimento total e padrão (cm) e fator de condição (K) estão mostrados na Tabela 3. TABELA 3- Valores de peso (g), comprimento total e padrão (cm) e fator de condição dos curimbas utilizados nos testes in situ nos diferentes locais de amostragem. Local (n) Apertados (n=6) Ponto A (n=6) Ponto B (n=6) Ponto C (n=6) Ponto D (n=5) Peso (g) 21,62 ± 5,22 30,92 ± 5,64 24,03 ± 4,82 26,73 ± 3,87 30,02 ± 6,37 Comprimento total (cm) 13,23 ± 0,98 15,21 ± 1,18 13,90 ± 1,01 14,00 ± 0,71 14,82 ± 0,87 Comprimento padrão (cm) 10,69 ± 0,86 11,53 ± 0,76 10,93 ± 0,82 11,10 ± 0,68 11,46 ± 0,75 Fator de Condição (K) 0,92 ± 0,07 0,87 ± 0,09 0,89 ± 0,10 0,98 ± 0,13 0,91 ± 0,05 Os valores indicam a média ± o desvio-padrão e entre parênteses está mostrado o número de animais amostrados em cada ponto. O fator de condição não variou significativamente entre os animais submetidos aos testes in situ nos diferentes pontos amostrados (F = 0,341; P = 0,341). 4.2 Análise do conteúdo de Hemoglobina Os valores referentes ao conteúdo de hemoglobina do sangue dos animais submetidos aos testes nos diferentes pontos do alto ribeirão Cambe estão mostrados na Tabela 4. Os resultados do conteúdo de hemoglobina obtidos para os animais do Ribeirão dos Apertados não serão considerados nas análises por serem muito elevados, provavelmente devido a algum problema na manipulação da amostra. Para a análise estatística foi utilizado o valor do conteúdo de hemoglobina (média de 6,89 g/dL ± 1,73) obtido no trabalho de WINKALER (2002) para curimbas confinados pelo mesmo período de tempo no Ribeirão dos Apertados, na mesma época do ano (Fig. 10), sendo que não foram encontradas diferenças significativas entre os resultados. TABELA 4- Valores do conteúdo de hemoglobina (g/dL) dos curimbas confinados nos pontos de amostragem durante a realização dos testes in situ. Local Apertados Ponto A Ponto B Ponto C Ponto D Hb (g/dL) 6,11 ± 1,20 (n=6) 4,77 ± 1,14 (n=6) 7,30 ± 1,93 (n=6) 6,99 ± 2,22 (n=5) Os valores indicam média ± desvio-padrão e o número de animais amostrados (n). 23 Hemoglobina ♦ Hemoglobina (g/dL) 8 6 4 2 0 Apertados Ponto A Ponto B Ponto C Ponto D FIGURA 10. Conteúdo de hemoglobina (g/dL) dos animais confinados nos 5 locais de realização dos testes in situ. As barras mostram a média e as linhas verticais o erro padrão. (♦) indica a média obtida no trabalho de WINKALER (2002) para o Ribeirão dos Apertados. 4.3 Análise dos parâmetros iônicos Os animais confinados nos pontos A, B e C apresentaram valores de sódio plasmático significativamente menores que os animais do Apertados e do Ponto D (F = 6.23; P = 0,001). Os valores da concentração de potássio nos animais confinados nos Pontos A e D mostraram-se significativamente maiores que os do local de referência, o Apertados (F=3,39; P=0,026), já os valores para o cloreto plasmático dos animais testados não apresentaram variação significativa entre os pontos testados (F=2,07; P=0,116). Os valores dos íons testados estão apresentados na Tabela 5. TABELA 5- Concentrações plasmáticas de sódio (mM/L), potássio (mM/L) e cloreto (mM/L) dos animais confinados nas gaiolas durante a realização dos testes in situ. Local (n) Apertados Na+ (mM/L) 158,94 ± 14,10 (n=6) (n=6) (n=6) Ponto A 144,62 ± 5,45 * # 4,21 ± 0,78 * 106,91 ± 5,83 (n=6) (n=6) (n=6) Ponto B 142,4 ± 4,08 * # 3,81 ± 0,45 111,79 ± 9,01 (n=6) (n=6) (n=6) Ponto C 141,12 ± 7,63 * # 3,40 ± 0,80 101,35 ± 3,18 (n=6) (n=5) (n=6) 157,40 ± 5,27 4,3 ± 0,31 * 110,22 ± 8,58 Ponto D K+ (mM/L) 3,05 ± 0,87 Cl(mM/L) 111,01 ± 8,31 (n=5) (n=5) (n=5) Os valores indicam média ± desvio-padrão e número de animais amostrados em cada ponto (n). * indica diferença significativa em relação ao Ribeirão dos Apertados. # indica diferença significativa em relação ao Ponto D. 24 Sódio Plasmático 200 a) * (m M) 150 * * Ponto B Ponto C 100 50 0 Apertados Ponto A Ponto D Potássio Plasmático b) 6 5 * * (m M) 4 3 2 1 0 Apertados Ponto A Ponto B Ponto C Ponto D Cloreto Plasmático c) 100 (m M) 80 60 40 20 0 Apertados Ponto A Ponto B Ponto C Ponto D FIGURA 11. Concentrações plasmáticas de sódio (a), potássio (b) e cloreto (c) dos animais confinados nos 5 locais de realização dos testes in situ. As barras indicam a média e as linhas verticais o erro padrão. (*) indica valores significativamente diferentes do Apertados (P< 0.05) 4.4 Análise dos parâmetros metabólicos Os valores das concentrações plasmáticas de glicose, proteínas totais e lipídeos dos animais confinados nos 5 locais estão apresentados na Tabela 6 e Fig. 11. A glicemia dos animais confinados no ponto A foi significativamente maior que aquela dos animais do Apertados e do Ponto D (F=4.68; P =0.006). O teor de lipídeos plasmáticos 25 não variou significativamente dentre os animais confinados nos diferentes locais (F=0,23; P=0.919). A concentração plasmática de proteínas totais dos animais confinados em todos os pontos do Ribeirão Cambé foi significativamente menor do que a encontrada para os peixes confinados no Ribeirão dos Apertados (F=20,71; P=0.00). TABELA 6- Concentrações plasmáticas de glicose (mg/dL), lipídeos (mg/dL) e proteínas totais (mg/dL) dos animais confinados nos 5 locais de realização dos testes in situ. Local (n) Apertados Glicose (mg/dL) 24.71 ± 13.73 Lipídeos (mg/dL) 452,95 ± 172.61 Proteínas totais (mg/dL) 3.07 ± 0.44 (n=6) (n=5) (n=6) 62.09 ± 26.27 * # 454.16 ± 131.52 1.89 ± 0.15 * (n=6) (n=6) (n=6) Ponto B 40.0 ± 13.24 449.46 ± 127.51 1.81 ± 0.12 * (n=6) (n=6) (n=6) Ponto C 44.40 ± 9.68 487.05 ± 79.55 2.15 ± 0.33 * (n=6) (n=6) (n=6) Ponto D 35.08 ± 2.84 411.82 ± 118.52 2.22 ± 0.11 * Ponto A (n=5) (n=5) Os valores indicam média ± desvio-padrão e o número de animais amostrados (n). * Indica diferença significativa em relação ao Ribeirão dos Apertados # Indica diferença significativa em relação ao Ponto D a) Glicose Plasmática * 78 65 (mg/dL) 52 39 26 13 0 Apertados b) Ponto A Ponto B Ponto C Ponto D Lipídeos Totais 600 500 (mg/dL) 400 300 200 100 0 Apertados Ponto A Ponto B Ponto C Ponto D (n=5) 26 Proteínas totais C) 3,5 3 (mg/dL) 2,5 * 2 * * Ponto C Ponto D * 1,5 1 0,5 0 Apertados Ponto A Ponto B FIGURA 11. Concentrações plasmáticas de glicose (a), lipídeos totais (b) e proteínas totais (c) obtidos com os animais confinados nos 5 locais de realização dos testes in situ. As barras indicam a média e as linhas verticais o erro padrão.(*) indica valores significativamente diferentes do Apertados (P<0.05). 4.5 Análise dos parâmetros bioquímicos Os valores da atividade das duas enzimas nos 5 pontos amostrados estão mostrados na Tabela 7. Os valores da atividade hepática da glutationa transferase foram significativamente maiores nos Pontos B e D em relação ao Ponto A (F=3.72; P=0.017). Já os valores da atividade hepática da catalase foram significativamente maiores nos Pontos A, B e C em relação ao Ponto D (F=5.06; P=0.004). Para ambas as enzimas não foram verificadas diferenças significativas entre os animais confinados nos diferentes pontos do Ribeirão Cambé e o local de referência (Fig. 12). TABELA 7- Atividade hepática da catalase e da glutationa transferase dos animais confinados nos 5 pontos durante a realização dos testes in situ. Local (n) Apertados (n=6) Ponto A (n=6) Ponto B (n=6) Ponto C (n=6) Ponto D (n=5) Glutationa (mU) 54.91 ± 17.83 38.13 ± 16.83 67.34 ± 16.09 ♣ 53.25 ± 14.45 70.38 ± 13.65 ♣ Catalase (U) 16.39 ± 4.44 19.74 ± 1.82 # 21.13 ± 2.05 # 21.99 ± 3.44 # 12.68 ± 6.80 O valores indicam média ± desvio-padrão e número de animais amostrados em cada ponto (n). ♣ Indica diferença significativa em relação ao Ponto A. # Indica diferença significativa em relação ao Ponto D. 27 a) Glutationa Transferase 90 80 70 (mU) 60 50 40 30 20 10 0 Apertados b) Ponto A Ponto B Ponto C Ponto D Catalase 25,00 20,00 (U) 15,00 10,00 5,00 0,00 Apertados Ponto A Ponto B Ponto C Ponto D FIGURA 13. Atividade hepática das enzimas glutationa transferase (a) e catalase (b) dos animais confinados nos 5 locais de realização dos testes in situ. As barras indicam a média e as linhas verticais o erro padrão. 28 5. DISCUSSÃO As funções fisiológicas dos peixes, como regulação osmoiônica, atividade de enzimas detoxificantes e consumo de energia podem sofrer variações dependendo do sexo, idade e estado nutricional do animal. Para reduzir essa interferência foram utilizados nesse trabalho apenas peixes jovens, com média de peso e tamanhos semelhantes e imaturos sexualmente, tentando-se assim, padronizar as respostas apresentadas. O próprio manejo dos animais durante o experimento pode induzir a uma série de respostas, como por exemplo aumento na diurese e variação nos níveis hormonais, independente da presença de poluentes na água (HEATH, 1987). Levando-se isso em consideração, foi utilizado nesse trabalho o anestésico benzocaína momentos antes da amostragem, como forma de reduzir os efeitos do manejo sobre as respostas, e como esse procedimento foi aplicado em todos os animais, as possíveis interferências que o anestésico poderia causar ficam padronizadas. Entre os parâmetros que sofrem influência do estresse estão a osmolaridade plasmática bem como a concentração individual de alguns íons, como sódio, potássio e cloreto. Esses íons são extremamente importantes na manutenção da homeostase do animal, já que teleósteos dulcícolas necessitam constantemente captar íons do ambiente contra um gradiente de concentração e eliminar o excesso de água ganhado via osmose (JOBLING, 1995). Para isso produzem uma grande quantidade de urina diluída e utilizam principalmente as células de cloreto das brânquias para transportar sódio e cloreto da água para o sangue. Nesse trabalho verificou-se que os animais confinados nos pontos A, B e C apresentaram valores de sódio plasmático significativamente menores que os animais do local de referência (Tabela 5). Por outro lado, os peixes do ponto D apresentaram concentração plasmática de sódio significativamente maior que os animais confinados nos demais pontos do alto Cambé. Esse fato pode, em parte, ser entendido no Ponto D como uma conseqüência da alta condutividade desse local (Tabela 2). Isso quer dizer que a água nesse ambiente contém muitos sais, que podem portanto, ser mais facilmente captados pelas brânquias. Valores mais baixos na concentração de sódio e cloreto, como foram encontrados nos Pontos A , B e C podem ser decorrentes da presença de poluentes na água, como metais por exemplo. STAURNES et al (1984) encontraram resultados 29 semelhantes quando expuseram trutas ao alumínio em pH 5 por um período de 4 a 7 dias. Uma possível explicação seria o decréscimo de até 25% da atividade da enzima Na-K ATPase nas brânquias, devido à presença do metal. Nos animais confinados nos pontos A e D também se observou valores significativamente maiores de potássio que nos animais do local de Referência (Fig. 10), o que confirma o que já foi descrito em outros trabalhos sobre a atuação do cobre inibindo a enzima Na-K ATPase nas membranas. Isso prejudica a tomada de sódio e cloreto e permite que o potássio se difunda passivamente para o sangue. Pelo fato da regulação osmoiônica sofrer diretamente os efeitos de poluentes presentes na água, seja alterando a atividade enzimática, aumentando a produção de urina ou a permeabilidade das membranas; a avaliação da concentração de certos íons no plasma mostra ser um biomarcador bastante sensível para o monitoramento ambiental. Peixes expostos a qualquer tipo de estresse mostram concentrações plasmáticas elevadas de corticosteróides e adrenalina (MAZEAUD, 1981). Isso pode desencadear uma inibição da tomada de alimento ou indiretamente atuar alterando os níveis de glicose no sangue. COLGAN (1973) mostrou que o apetite nos peixes pode ser suprimido por níveis muito elevados de glicose no sangue. Esse dado corrobora com o que foi observado neste trabalho, para os animais confinados no Ponto A. Foi encontrada nesse local a maior concentração de glicose plasmática (Tabela 6) e também o menor valor para o fator de condição (Tabela 3). Isso pode indicar que esses animais se alimentaram menos já que sua glicemia estava muito alta. O autor explica que isso provavelmente ocorre devido a mudanças hormonais decorrentes do estresse, e que tais mudanças promovem uma maior mobilização das reservas de glicogênio do fígado para o sangue, suprindo assim, a necessidade do animal, que portanto, deixa de se alimentar. Os animais confinados nos outros pontos do alto ribeirão Cambé não apresentaram grandes variações na sua glicemia nem nos valores do fator de condição (Fig. 11 e 8). A mobilização de energia é normalmente requerida quando um animal passa por uma situação estressante. Nesses casos ele deixa de investir energia em processos como crescimento e reprodução e passa a concentra-la em processos vitais como respiração, locomoção, reparo tecidual e regulação iônica (BONGA, 1997). Essa energia extra pode ser proveniente das reservas do animal, como os lipídeos, que apresentarão então, um decréscimo na sua concentração plasmática (HUGGET, 1992). Não foram observadas variações significativas nos níveis de lipídeos plasmáticos nos animais testados nesse trabalho (Fig. 11), o que pode estar indicando 30 que estes animais não estejam mobilizando reservas, e sim, conseguindo a energia necessária para seu metabolismo a partir da quebra de glicose. Uma outra fonte de energia que pode ser utilizada pelos animais é a mobilização de proteínas, dessa forma o animal consegue energia por meio da oxidação de aminoácidos. O glicogênio e os lipídeos são as fontes primárias de energia, já que as proteínas são, fundamentalmente, componentes estruturais do organismo. Entretanto, quando o animal passa por um estresse intenso ou de longa duração ele pode vir a mobilizar suas proteínas para obter a energia requerida na manutenção da homeostase (TAKASUSUKI, 2000). Neste trabalho foram observados valores mais baixos de proteína plasmática nos locais do Alto Ribeirão Cambé em comparação a referência (Fig. 11). Valores mais baixos de proteína podem indicar algum tipo de estresse nutricional onde o animal passa a mobilizar suas reservas protéicas (ADAMS, 1990). Os valores do fator de condição para os animais amostrados poderiam comprovar essa teoria se tivessem sido baixos, indicando que os animais não se alimentaram bem durante o confinamento. Entretanto, como já foi mencionado, não houve diferenças significativas no fator de condição dos animais, o que provavelmente indica que eles não tiveram seu ganho de peso comprometido em decorrência dos testes. Outra hipótese para esse tipo de resposta é a da hemodiluição, que de fato ocorreu nos animais confinados nos pontos A, B e C. como indicado pela redução nos teores plasmáticos de Na+. Variações hematológicas podem ser respostas a estressores ambientais, como agentes químicos, e normalmente são resultado da perda ou ganho de água, o que varia o hematócrito, e conseqüentemente o conteúdo de hemoglobina encontrado (HEATH, 1987). Portanto, um animal pode apresentar anemia não devido a problemas na hematopoiese mas sim devido a problemas de osmoregulação. Neste trabalho foi encontrado um valor muito alto para o conteúdo de hemoglobina no Ribeirão dos Apertados (média de 18,03 g/dL), o que provavelmente deve ser resultado de problemas na manipulação das amostras, já que os valores para o conteúdo de hemoglobina para Prochilodus lineatus variam em torno de 6 a 10 g/dL. Portanto, ao se comparar os valores deste trabalho para os para os locais testados com o valor de hemoglobina do Apertados do trabalho de WINKALER (2002), não foram apontadas diferenças significativas (Fig. 9), o que pode estar indicando que os animais confinados no Alto Ribeirão Cambé não estejam sofrendo algum dano hematológico em decorrência de poluentes no ambiente. Houve apenas uma tendência dos animais 31 confinados no Ponto B de apresentarem valores mais baixos para o conteúdo de hemoglobina, o que pode ser decorrente da presença principalmente de metais na água. A maior parte dos xenobióticos é biotransformada no fígado por meio de enzimas detoxificantes. As reações de biotransformação normalmente tornam os contaminantes mais hidrofílicos e polares, dificultando assim, sua passagem pelas membranas e assimilação no tecido adiposo (HEATH, 1987). Tais reações envolvem duas fases, sendo que a primeira inclui reações de oxidação, redução e hidrólise com o intuito de formar metabólitos que serão depois utilizados como substratos para as reações da fase II (KOBAYASHI, 1978). Essa fase, por sua vez, envolve reações de conjugação tanto de compostos endógenos (como hormônios esteróides) como dos xenobióticos. Ela é mediada por uma série de enzimas, dentre as quais a glutationa transferase (GST) faz parte. De acordo com HEATH (1987), a glutationa é uma molécula que parece estar envolvida na detoxificação de xenobióticos orgânicos em diversos animais, entretanto pouco se sabe sobre sua atuação sobre compostos metálicos. Vários trabalhos demonstraram o aumento da atividade hepática da GST em decorrência da exposição dos animais a compostos orgânicos (ANDERSSON et al., 1985; GOKSØYR, et al., 1987 apud HUGGET, 1992). Neste trabalho foram encontrados valores mais altos de atividade hepática da glutationa transferase nos animais confinados nos Pontos B e D (Tabela 7). Estas duas localidades enfrentam muito diretamente problemas com descarga irregular de esgoto, já que existem residências muito próximas de suas margens. Outro fator a ser considerado é a possível presença de efluentes de origem agrícola no Ponto B, que atravessa áreas com pequenas plantações. Os efeitos da contaminação orgânica sobre a atividade da glutationa transferase já foram descritos por STIEN et al. (1997) em percas confinadas numa baía do Mediterrâneo sujeita principalmente a exposição a PCBs (bifenilas policloradas). Outro trabalho ainda mostrou um aumento rápido na atividade da glutationa transferase depois de exposição a amônia ou fenóis (CHATTERJEE & BHATTACHARYA, 1984, apud HEATH, 1987). Estudos recentes têm mostrado a relação entre a exposição a contaminantes ambientais e a formação de radicais livres e oxiradicais em diferentes grupos animais. Mesmo não sendo um radical livre verdadeiramente, o peróxido de hidrogênio (H2O2) é um composto muito reativo e participa da produção de hidroxi-radicais (HUGGET, 1992). Os radicais livres são produzidos tanto endogenamente como por via exógena, a partir reações de óxido-redução induzidas por contaminantes. 32 A enzima catalase também tem papel importante na detoxificação de compostos tóxicos, como o H2O2, possuindo então uma ação antioxidante (STEGEMAN et al., 1989). A formação de radicais livres é extremamente prejudicial ao organismo já que pode se unir a qualquer componente celular, como ácidos nucléicos e lipídeos de membrana, e induzindo a carcinogênese. Alguns compostos podem causar aumento na oxidação de ácidos graxos, que por sua vez aumentam a produção de H2O2. Nestes casos, a atividade hepática da catalase sofre aumento, como o que foi observado por MATKOVICS et al. (1980, apud HUGGET, 1992) ao expor camundongos ao Paraquat Resultados semelhantes também foram encontrados em animais expostos a PAH (hidrocarbonetos aromáticos policíclicos) e efluentes de fábrica de papel e celulose. Neste trabalho, os animais confinados no Ponto D apresentaram valores significativamente mais baixos para a atividade hepática da catalase que os demais animais, exceto para os animais do local Referência, dos quais não foram diferentes (Tabela 7). Esse resultado indica uma baixa atividade da enzima catalase, o que, por sua vez, pode estar relacionado com as temperaturas mais baixas registradas para o ponto D. Como os teleósteos são animais caracteristicamente pecilotermos, em temperaturas menores há uma redução proporcional do metabolismo energético, levando a um decréscimo do metabolismo oxidativo e conseqüentemente da geração de radicais livres. A partir desses resultados apresentados pode-se perceber a relevância de trabalhos deste tipo para avaliação tanto da qualidade ambiental quanto dos melhores parâmetros a serem usados em cada situação. Os testes realizados nas 4 localidades do Alto Ribeirão Cambé sugerem que existe um comprometimento da qualidade de suas águas, já que os peixes confinados nestes locais apresentaram algumas alterações funcionais geralmente relacionadas com contaminação. Entretanto, trata-se de um trabalho preliminar que apontou para problemas que devem ser estudados mais a fundo, com futuras repetições dos testes em outras épocas do ano, inclusive para se avaliar se a contaminação dos locais, bem como as respostas observadas, sofrem algum tipo de variação sazonal. 33 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADAMS, S. M. Application of bioindicators in assessing the health os fish populations experiencing contaminant stress. In: McCarthy, J. F; Shugart, L. R. (Eds.). Biomarkers of environmental contamination. Boca Raton: Lewis Publishers. 1990. P. 30-42. ALMEIDA, J.S. Avaliação da qualidade do sedimento do ribeirão Cambé (LondrinaPR) por meio de parâmetros funcionais de Prochilodus lineatus. 2002. Monografia. (Bacharelado em Ciências Biológicas) – Universidade Estadual de Londrina BENNEMANN, S.T. et al. Composicion ictiofaunistica em cinco localidades de la cuenca del Rio Tibagi, Paraná, Brasil. Interciencia, [s.l.], v. 20, n. 1, p. 7-13, jan-feb. 1995. BRANCO, S. 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