UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ FACULDADE DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE CURSO MEDICINA VETERINÁRIA ANGELA PATRÍCIA TUCHOLSKI TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO CURITIBA 2009 TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO CURITIBA 2009 ANGELA PATRÍCIA TUCHOLSKI TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Relatório de estágio apresentado ao Curso de Medicina Veterinária da Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Tuiuti do Paraná, como requisito parcial para obtenção do título de médico Veterinário. Orientador Acadêmico: Professora Dmv. Phd. Neide Mariko Tanaka. Orientador Profissional: Msc. Fabiano Zanini Salbego. CURITIBA 2009 Reitor: Prof. Luiz Guilherme Rangel Santos Pró-Reitor Sr. Carlos Eduardo Rangel Santos Pró-Reitoria Profª Carmem Luiza da Silva Pró-Reitor de Planejamento Sr. Afonso Celso Rangel dos Santos Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão Prof. Roberval Eloy Pereira Secretário Geral Sr. Bruno Carneiro da Cunha Diniz Diretor da Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde Prof. João Henrique Faryniuk Coordenadora do Curso de Medicina Veterinária Profª Ana Laura Angelli Metodologia Científica Prof. Jair Mendes Marques Coordenação de Estágio Curricular do Curso de Medicina Veterinária Profª Elza Maria Galvão Ciffoni CAMPUS PROF. SYDNEI LIMA SANTOS Rua: Sydnei Antonio Rangel dos Santos, 238 ± Santo Inácio CEP: 82.010-330 ± Curitiba ± PR Fone: (41) 3331-7700 TERMO DE APROVAÇÃO Angela Patrícia Tucholski TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Este trabalho de Conclusão de Curso foi julgado e aprovado para a obtenção de título de Médica Veterinária por uma banca examinadora do curso de Medicina Veterinária da Universidade Tuiuti do Paraná. Curitiba, 23 de junho de 2009. _________________________________ Medicina Veterinária Universidade Tuiuti do Paraná Orientadora _________________________________ Dmv. Phd. Neide Mariko Tanaka Universidade Tuiuti do Paraná _________________________________ Beatriz Calderari Vianna Universidade Tuiuti do Paraná _________________________________ Maria Fernanda de Lima e Silva Universidade Tuiuti do Paraná Ao, Eduardo, meu grande amor, pelo carinho, companheirismo, paciência e sintonia que nos acompanha. DEDICO AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus por me possibilitar a alegria da vida e saúde pra lutar pelos meus objetivos. Aos meus pais, Irene e Ipólito, e minhas irmãs pelo amor, apoio e carinho que dedicaram a mim por todos esses anos, decisivo para o meu caminho, sem a família não somos nada. Ao Eduardo, pelo amor, carinho, apoio e compreensão incondicional, principalmente quando estive ausente. Ao Lino, por ter me proporcionado esses anos de estudo, superando as dificuldades e privações. A Michele, Beatriz, Simone e Maria Fernanda, minhas professoras e amigas que muito me auxiliaram na minha formação profissional, mas a maior contribuição foi para a vida. A Neide, minha amada orientadora e amiga, que sempre me apoiou. Não há palavras pra descrever sua contribuição pra minha formação profissional e pessoal. Ao meu orientador profissional, Fabiano, pelos ensinamentos e paciência. Aos professores e funcionários da Universidade Tuiuti do Paraná, pelos anos de dedicação. Aos amigos que conquistei em Santa Maria, que tanto me ajudaram a superar a distância com um imenso carinho e amizade demonstrada. A Heide e Giselle, pelos momentos especiais divididos. O começo da sabedoria é encontrado na dúvida; duvidando começamos a questionar, e procurando podemos achar a verdade. Pierre Abelard APRESENTAÇÃO Este Trabalho de Conclusão de Curso (T.C.C.), apresentado ao curso de Medicina Veterinária da Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Tuiuti do Paraná, como requisito parcial para obtenção do título de Médico Veterinário, para fins de cumprimento de estágio obrigatório, é composto de um Relatório de Estágio, onde estão descritas as atividades realizadas pela acadêmica Angela Patrícia Tucholski, bem como a descrição de três casos clínico cirúrgicos acompanhados durante o período de 2 de março a 8 de maio de 2009, no Hospital Veterinário Universitário (HVU-UFSM), da Universidade Federal de Santa Maria, localizado na cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul. RESUMO O estágio obrigatório foi realizado no Hospital Veterinário Universitário (HVUUFSM), da Universidade Federal de Santa Maria, localizado na cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul, no período de 2 de março a 8 de maio de 2009. Foram acompanhadas atividades na área de Clínica Cirúrgica, sendo que neste trabalho está contida a descrição do local do estágio, a casuística do período, bem como três casos clínico cirúrgicos e suas respectivas revisões bibliográficas. Os temas são Panartrodese rádio-carpiana com enxerto esponjoso homógeno e tratamento com ultrassom de baixa intensidade em cão; Esternotomia mediana para lobectomia e exérese de carcinoma bronquíolo-alveolar e Plicatura esofágica para correção de megaesôfago. Palavras-chave: panartrodese, enxerto esponjoso homógeno, ultrassom de baixa intensidade, esternotomia mediana, lobectomia, carcinoma bronquíolo-alveolar, plicatura, megaesôfago, cão. LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 - HVU-UFSM 2009 ................. FIGURA 2 - SALA CIRÚRGICA DO HUV-UFSM ± 2009 ................. FIGURA 3 - AMBULATÓRIO DO HUV-UFSM ± 2009 ................. FIGURA 4 - FISIOTERAPIA DO HUV-UFSM ± HIDRO-ESTEIRA - 2009 ................. FIGURA 5 - ANATOMIA CARPIANA ................. FIGURA 6 - INCORPORAÇÃO DO ENXERTO ESPONJOSO ................. FIGURA 7 - ULTRASSOM TERAPÊUTICO - SONOPULSE® ................. FIGURA 8 - MTE. (A) DEFORMIDADE. (B) RADIOGRAFIA ................. FIGURA 9 - CIRURGIA. (A) INCISÃO. (B) CURETAGEM ................. FIGURA 10 - COLOCAÇÃO DOS PINOS. (A) 1º PINO. (B) 2º PINO ................. FIGURA 11 - ENXERTO ESPONJOSO HOMÓGENO. (A) EM GLICERINA A 98%. (B) TRANSPLANTE ................. FIGURA 12 - FERIDA CIRÚRGICA. (A) 18/03. (B) 25/03 ................. FIGURA 13 - (A) BANDAGEM. (B) FISIOTERAPIA - 8/05 ................. FIGURA 14 - RADIOGRAFIAS DO MTE. (A) 18/03. (B) 8/04. (C) 18/04. (D) 6/05 ................. FIGURA 15 - ANATOMIA PULMONAR ................. FIGURA 16 - ANATOMIA ESTERNAL ................. FIGURA 17 - EXPOSIÇÃO PULMONAR NA ESTERNOTOMIA MEDIANA ..............57 FIGURA 18 - POSICIONAMENTO E INCISÃO PARA ESTERNOTOMIA MEDIANA ................. FIGURA 19 - LIGADURA DE VASOS E BRÔNQUIO NA LOBECTOMIA COMPLETA ................. FIGURA 20 - RADIOGRAFIA TORÁCICA (VD) ................. FIGURA 21 - (A) INCISÃO MEDIANA. (B) ACESSO TORÁCICO ................. FIGURA 22 - (A) LOBO PULMONAR. (B) BRÔNQUIO. (C) LOBO NEOPLÁSICO. (D) MEDIASTINO ................. FIGURA 23 - (A) SONDA TORÁCICA COM ORIFÍCIOS ADICIONAIS. (B) ESTERNORRAFIA ................. FIGURA 24 ± HISTOPATOLÓGICO, COLORAÇÃO HE. (A) ARRANJO BRONQUIOLAR E PRESERVAÇÃO DA ARQUITETURA. AUMENTO 20X. (B) PLEOMORFISMO, PROLIFERAÇÃO CELULAR E NUCLÉOLOS EVIDENTES,INFLAMAÇÃO LINFO-PLASMOCITÁRIA ADJACENTE. AUMENTO 40X ................. FIGURA 25 - RADIOGRAFIA ESÔFAGICA. (A) NORMAL. (B) MEGAESÔFAGO ....82 FIGURA 26 - (A) ALIMENTAÇÃO ELEVADA. (B) BAILEY CHAIR® ................. FIGURA 27 - PLICATURA, MEYER, 1910 ................. FIGURA 28 - ESOFAGOECTOMIA, REISINGER, 1907 ................. FIGURA 29 - CICLO REPIRATÓRIO PÓS CARDIOPLASTIA ESÔFAGODIAFRAGMÁTICA ................. FIGURA 30 - (A) PRÉ-OPERATÓRIO. (B) INCISÃO ................. FIGURA 31 - ESOFAGOGRAMA CONTRASTADO. (A) LL. (B) VD ................. FIGURA 32 - (A) ESÔFAGO; NERVO VAGO. (B) PONTO DE PLICATURA ...........89 FIGURA 33 - (A) PLICATURA NA PORÇÃO CAUDAL. (B) SEGUNDA INCISÃO. (C) PLICATURA NA PORÇÃO CRANIAL. (D) TORACORRAFIA ................. LISTA DE ABREVIATURAS ACTH: hormônio adrenocorticotrófico ALT: alanina aminotransferase BID: duas vezes ao dia BMP: bone morphogenetic proteins (proteína morfogenética do osso) bpm: batimentos por minuto dL: decilitro EIC: espaço InterCostal FA: fosfatase alcalina HE: hematoxilina-eosina (coloração) Hz: hertz; oscilações por segundo (10) H2: histamina IM: intramuscular IV: intravenosa kg: quilograma LL: laterolateral mg: miligrama MHz: megahertz (106) ml: mililitro mm: milímetro MTE: membro torácico esquerdo OSH: ovariosalpingohisterectomia SC: subcutâneo SID: uma vez ao dia SRD: sem raça definida TPC: tempo de preenchimento capilar TID: três vezes ao dia TGI: trato gastrintestinal VO: via oral VD: ventrodorsal LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 1 - NÚMERO TOTAL DE INTERVENÇÕES CIRÚRGICAS EM FELINOS 2/03 a 8/05 ................. GRÁFICO 2 - NÚMERO TOTAL DE INTERVENÇÕES CIRÚRGICAS EM CANINOS2/03 a 8/05 ................. GRÁFICO 3 - PORCENTAGEM DE CIRURGIAS OFTALMOLÓGICAS EM CANINOS 2/03 a 8/05 ................. GRÁFICO 4 - PORCENTAGEM DE CIRURGIAS ONCOLÓGICAS EM CANINOS 2/03 a 8/05 ................. GRÁFICO 5 - PORCENTAGEM DE CIRURGIAS TERIOGENEALÓGICAS EM CANINOS - 2/03 a 8/05 ................. GRÁFICO 6 - PORCENTAGEM DE CIRURGIAS ORTOPÉDICAS EM CANINOS 2/03 a 8/05 ................. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................18 2 DESCRIÇÃO DO LOCAL DE ESTÁGIO ................................................................19 3 ATIVIDADES DESENVOLVIDAS ...........................................................................23 4 CASUÍSTICA ...........................................................................................................24 5 PANARTRODESE RADIO-CARPIANA COM ENXERTO ESPONJOSO HOMÓGENO E ULTRASSOM DE BAIXA INTENSIDADE ......................................27 5.1 RESUMO ..............................................................................................................27 5.2 ABSTRACT ..........................................................................................................28 6 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ..................................................................................29 6.1 PANARTRODESE RADIO-CARPIANA ...............................................................29 6.2 ENXERTO ÓSSEO ..............................................................................................31 6.3 ULTRASSOM TERAPÊUTICO ............................................................................36 7 RELATO DE CASO ................................................................................................40 8 DISCUSSÃO ...........................................................................................................45 9 CONCLUSÃO .........................................................................................................47 10 REFERÊNCIAS .....................................................................................................48 11 ESTERNOTOMIA MEDIANA PARA LOBECTOMIA E EXÉRESE DE CARCINOMA BRONQUÍOLO-ALVEOLAR ..............................................................54 11.1 RESUMO ............................................................................................................54 11.2 ABSTRACT ........................................................................................................55 12 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .................................................................................56 12.1 ANATOMIA PULMONAR E ESTERNAL ............................................................56 12.2 ESTERNOTOMIA MEDIANA .............................................................................57 12.3 LOBECTOMIA COMPLETA ...............................................................................58 12.4 CARCINOMA BRONQUÍOLO ALVEOLAR ........................................................59 13 RELATO DE CASO ..............................................................................................63 14 DISCUSSÃO .........................................................................................................69 15 CONCLUSÃO .......................................................................................................71 16 REFERÊNCIAS .....................................................................................................72 17 PLICATURA ESOFÁGICA PARA CORREÇÃO DE MEGAESÔFAGO ..............77 17.1 RESUMO ............................................................................................................77 17.2 ABSTRACT ........................................................................................................78 18 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .................................................................................79 18.1 ESÔFAGO ..........................................................................................................79 18.2 MEGAESÔFAGO ...............................................................................................80 18.3 CIRURGIAS PARA MEGAESÔFAGO ...............................................................84 19 RELATO DE CASO ..............................................................................................87 20 DISCUSSÃO .........................................................................................................92 21 CONCLUSÃO .......................................................................................................94 22 REFERÊNCIAS .....................................................................................................95 23 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................100 27 5 PANARTRODESE RÁDIO-CARPIANA COM ENXERTO ESPONJOSO HOMÓGENO E ULTRASSOM DE BAIXA INTENSIDADE 5.1 RESUMO A panartrodese rádio-carpiana indicada em luxações com lesão do Tipo II, baseia-se na remoção dos movimentos articulares e formação de unidade óssea sólida das três articulações do carpo a antebraquiocarpiana, a carpiana média e a carpometacarpiana. O procedimento cirúrgico com pinos cruzados associado a enxertos ósseos melhoram a consolidação óssea. Enxertos esponjosos homógenos conservados em glicerina a 98% tem demonstrado bons resultados por seu potencial osteocondutor, osteoindutor e suporte mecânico na indução da artrodese, além de diminui risco cirúrgico e complicações pós-operatórias. O tratamento com ultrassom de baixa intensidade é um procedimento não-invasivo, acelera consolidação óssea, aumenta rigidez e resistência, diminuindo tempo de tratamento em até 40%, restaurando mais rapidamente a qualidade de vida do paciente. Este trabalho tem como objetivo relatar um caso de panartrodese rádio-carpiana com enxerto esponjoso homógeno e ultrassom de baixa intensidade, em uma fêmea da raça Dashchund. Palavras-chave: panartrodese, enxerto esponjoso homógeno, ultrassom de baixa intensidade, cão. 28 5.2 ABSTRACT The panarthrodesis radio-carpal indicated with injuries in dislocations of Type I, based on the removal of motion and formation of solid bone unit of the three joints of the carpus antebrachiocarpiana the middle carpal and carpometacarpal. The surgical procedure associated with crossed pins with bone grafts improve bone healing. Homogeneous spongy grafts preserved in 98% glycerin has shown good results for their potential osteoconductive, osteoinductive and mechanical support in the induction of fusion, and reduces surgical risk and postoperative complications. Treatment with low-intensity ultrasound is a noninvasive, acceleration of bone healing, increases stiffness and strength, reducing processing time by up to 40%, more quickly restoring the quality of life. This paper aims to report a case of radio-carpal panarthrodesis sponge graft with uniform and of low intensity ultrasound in a female of breed Dashchund. Keywords: panartrodese, spongy graft uniform, ultrasound of low intensity, dog. 29 6 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 6.1 PANARTRODESE RÁDIO-CARPIANA A luxação cárpica resulta de perda de apoio ligamentar colateral e/ou palmar das articulações antebraquiocarpiana, cárpica média e/ou metacárpica (FOSSUM, 2002). São conseqüências de saltos, quedas, acidentes automobilísticos ou forças excessivas aplicadas ao membro. O diagnóstico pode ser rádiográfico e baseado em achados de exame clínico como dor, inflamação, hiperextensão, não apoio de membro ou ainda posição em estação plantígrada (LESSER, 1998; PIERMATTEI & FLO, 1999; FERRIGNO et al, 2008; LAMBERTS et al, 2009). Anatomicamente, o carpo consiste em sete ossos carpianos, com os ossos carpianos radial, ulnar e acessório constituindo a fileira proximal e os ossos carpianos primeiro, segundo, terceiro e quarto constituem a fileira distal (Figura 5). A articulação antebraquiocarpiana, localiza-se entre o rádio e a ulna distais e a fileira proximal dos ossos carpianos. A articulação cárpica média, entre as duas fileiras de ossos carpianos, já a articulação carpometacarpiana, entre a fileira distal de ossos carpianos e ossos metacarpianos (PROBST & MILLIS, 2007). FIGURA 5 - ANATOMIA CARPIANA FONTE: NEWTON. Fracture and dislocation of the carpus. http://cal.vet.upenn.edu/ projects/saortho/chapter_25/25mast.htm#a 30 Segundo Fossum (2002), as lesões de hiperextensão cárpica dividem-se em três categorias: A- Tipo I são luxações ou subluxações da articulação rádiocárpica - o animal geralmente é incapaz de sustentar seu peso; B- Tipo II são decorrentes de subluxação das articulações cárpicas média e carpometacárpica associadas à ruptura dos ligamentos acessório do carpo, fibrocartilagem palmar e ligamentos das articulações cárpica média e carpometacárpica - o animal pode sustentar pesos mínimos no membro lesionado; C- Tipo III são rupturas da fibrocartilagem palmar e dos ligamentos acessórios do carpo e carpometacárpicos, ocorrendo subluxação da articulação sem deslocamento dos ossos acessórios do carpo e ulnar cárpico - também sustenta pesos mínimos e só na medida que o peso aumenta é que se observa a hiperextensão do carpo. O tratamento conservador com redução fechada, atadura e confinamento em gaiola geralmente não é compensador (PIERMATTEI & FLO, 1999; FOSSUM, 2002). Artrodese é a remoção do movimento articular mediante procedimento cirúrgico e conseqüente formação de uma unidade óssea sólida (DOREA NETO et al., 2004). É um procedimento radical usado principalmente no tratamento de fraturas e luxações ou subluxações do carpo, com conseqüentes danos tanto à fibrocartilagem palmar quanto as estruturas ligamentares de sustentação, decorrentes de hiperextensão (FERRIGNO et al, 2008). O método de artrodese normalmente é utilizado com o objetivo de aliviar processos dolorosos, decorrentes de instabilidade ou de afecção inflamatória (DOREA NETO et al., 2004, LESSER, 1998). Com a técnica da artrodese, esse processo doloroso é aliviado em função da sustentação rígida da mesma (LESSER, 1998; PIERMATTEI & FLO, 1999). Dois tipos de artrodese são recomendados para tratamento de lesões cárpicas. A panartrodese e a artrodese parcial, sendo que a primeira inclui as três articulações do carpo a antebraquiocarpiana, a carpiana média e a carpometacarpiana, no procedimento cirúrgico, enquanto a artrodese parcial só 31 trata de fusão seletiva de uma ou mais articulações cárpicas. As indicações para a realização da panartrodese são primeiramente as patológicas que acometem a articulação antebraqueocarpiana como politraumatismo, fraturas ou múltiplas lesões ligamentares, afecção articular degenerativa, e lesões de hiperextensão no nível antebraqueocarpiana (LESSER, 1998; PIERMATTEI & FLO, 1999; FOSSUM, 2002; LAMBERTS et al, 2009). O procedimento cirúrgico deve priorizar a estabilidade, ou seja, a fixação e imobilidade local, já que as estruturas mecânicas da articulação foram constituídas para o movimento. A cartilagem articular deve ser removida até que o osso subcondral sangre, aumentando o contato ósseo e facilitando a união precoce. A deformidade óssea angular ou rotacional precisa ser corrigida e pode-se fazer uso de enxertos ósseos para preenchimento e indução da artrodese (LESSER, 1998). Segundo Lesser (1998), na panartrodese, a fixação pode ser realizada com colocação de hastes externas com pinos de fixação, pinos cruzados ou placas ósseas na porção palmar. O uso de enxertos ósseos acelera formação de calo ósseo. As complicações do procedimento devem-se a infecções, remoção incompleta das cartilagens, erro técnico no dimensionamento ou aplicação dos implantes (LESSER, 1998), ou ainda fratura dos ossos do metacarpo devido fixação inadequada da placa (FERRIGNO et al., 2008). Piermattei e Flo (1999) citam que o funcionamento do membro após artrodese nunca é normal, porém na maioria dos casos, ele é adequado para permitir vida ativa e razoavelmente boa ao animal, contudo alterações da artrodese em articulações carpais, praticamente não produzem alterações visíveis na marcha. 32 6.2 ENXERTOS ÓSSEOS O enxerto ósseo na ortopedia veterinária é o método de eleição na reposição de perdas e falhas ósseas em fraturas, ressecções amplas, neoplasias, indução de artrodeses (WEIGEL, 1996; STEVENSON, 1998) e consolidação em uniões retardadas e não-uniões (PIEMARTTEI & FLO, 1999) Na primeira descrição de enxerto ósseo, 1668, o cirurgião holandês, Job Van Meekeren, descreveu o transplante bem sucedido de fragmentos do crânio de um cão para o crânio de um homem (WEIGEL, 1996; DUELAND et al., 1989, apud GIORDANO, 2008). Somente em 1915, foi publicado o primeiro manual cirúrgico sobre enxerto ósseo (WEIGEL, 1996; STEVENSON, 1998). Com o uso de implantes metálicos em ortopedia, os enxertos ósseos passaram a funcionar como meio de sustentação para o crescimento de novo tecido ósseo do hospedeiro, como fonte de células osteogênicas e fatores indutivos (GIOSO et al., 2002) além de suporte mecânico (PIEMARTTEI & FLO, 1999). Os enxertos ósseos se classificam segundo o tipo de osso do qual derivam e sua composição (PARKER, 1995; WEIGEL, 1996; MARTINEZ & WALKER,1999). Quanto à origem, eles são denominados: autólogos ou autógenos - transplantados de um local para outro no mesmo animal; homógenos ou alógenos ± transplantados de um animal para outro da mesma espécie; heterólogos ou xenoenxerto ± transplantados entre animais de espécies diferentes (PIEMARTTEI & FLO, 1997; AMENDOLA, et al, 2003; SANTOS & RAHAL, 2004; FESTUGATTO, 2008). Pela sua composição morfológica, os enxertos podem ser divididos em: esponjoso ± formado por osso trabecular, poroso e altamente celular; cortical ± constituído de osso compacto, denso e relativamente acelular; corticoesponjoso ± composto de ambos os tipos, tais como costela ou asa do ílio (WEIGEL, 1993; JOHNSON,1995; FESTUGATTO, 2008). O osso esponjoso é rico em trabéculas e se encontra na região metafisária dos ossos longos (PARKER, 1995). Fossum (2002), cita diversas áreas de onde o 33 enxerto esponjoso pode ser obtido, como no tubérculo maior do úmero, crista da tíbia e ilíaca. Uma vez que ele tenha sido vascularizado, osteoblastos revestem as trabéculas mortas e começam a depositar tecido osteóide. Este osteóide calcificado inicialmente aumenta a densidade do enxerto e sua resistência, o que facilita a estabilidade e a consolidação com o osso do hospedeiro (WEIGEL, 1996), sendo o mais utilizado na prática clínica (FOSSUM, 2002). Entre as funções do enxerto ósseo esponjoso incluem-se osteogênese, osteoindução e osteocondução (Figura 6) (ALEXANDER, 1987; JOHNSON, 1991; MARTINEZ & WALKER, 1999; FITCH et al., 1997 apud SANTOS & RAHAL, 2004). O enxerto autógeno é o mais comumente utilizado na prática clínica, obtendo resposta mais rápida, potencial máximo de osteogênese (ALEXANDER, 1987) sem rejeição ao tecido, entretanto sua coleta é realizada no trans-operatório o que aumenta o tempo e o risco cirúrgico, além da quantidade poder não ser suficiente em cães de pequeno porte (PIERMATTEI & FLO, 1999). O enxerto autógeno é rapidamente incorporado pelo receptor do osso, além de não possuir diferença quanto à histocompatibilidade (MARTINEZ & WALKER, 1999). O aloenxerto ou enxerto alógeno envolve dois indivíduos da mesma espécie, porém sem parentesco. Esse enxerto é coletado do animal doador e rapidamente transplantado a fresco, ou pode ser conservado em um banco de ossos, permitindo obtenção de maior quantidade de tecido e diminuir o tempo cirúrgico (PARKER, 1996; PIERMATTEI & FLO, 1999; VASSEUR, 1998; ALIEVE, 2007; FESTUGATTO, 2008). Os aloenxertos normalmente são tratados por congelamento, congelamento secagem, autoclave, preservação química ou irradiação para que fiquem livres da atividade celular (FOSSUM, 2002; ALIEVE , 2007). A osteogênese refere-se aos elementos celulares do enxerto que sobreviveram ao transplante e estão ativamente produzindo osso novo (ALEXANDER, 1987; GIORDANO & ALMEIDA, 2008). Porém, para Weigel (1996) as principais fontes de células para esta fase são as células osteogênicas e osteoprogenitoras do hospedeiro. Essa fase inicia por volta de cinco dias após a transferência (MARTINEZ & WALKER, 1999). 34 O enxerto esponjoso alógeno tem grande potencial osteogênico por conter células quiescentes, células mesenquimais indiferenciadas e osteoblastos ativos (MARTINEZ & WALKER, 1999). Estima-se que apenas 10% das células deste tipo de enxerto sobrevivam à transferência (PIERMATTEI & FLO, 1999). A osteoindução é uma das principais propriedades atribuídas aos enxertos ósseos. O termo refere-se ao processo pelo qual as células-tronco mesenquimais, presentes no tecido circunjacente ao local do enxerto, são induzidas à diferenciação em células de linhagem osteogênica (ALEXANDER, 1987; SILVA et al, 2003). Na osteoindução, as células mesenquimais são estimuladas a se transformarem em condroblastos e osteoblastos que produzem a matriz óssea mineralizada, estas modificações são promovidas por vários fatores diferentes, incluindo as proteínas morfogênicas do osso (BMP). Tanto o enxerto cortical como o esponjoso contém BMP em sua matriz (STEVENSON, 1998; MARTINEZ & WALKER, 1999; SILVA et al, 2003). A osteocondução é o processo tridimensional de intracrescimento de capilares em processo de brotamento, do tecido perivascular, das células osteoprogenitoras do leito recipiente em direção a estrutura de um implante ou enxerto (STEVENSON, 1998). Simplificadamente a osteocondução é o processo que o enxerto serve passivamente como arcabouço para migração de vasos sanguíneos e deposição de osso novo (ZILIOTTO, 2003; FESTUGATTO, 2008). FIGURA 6 - INCORPORAÇÃO DO ENXERTO ESPONJOSO FONTE: Cirurgia de Pequenos Animais- FOSSUM (2002) 35 Quando são aplicados em grandes defeitos, resultantes de traumatismo ou da ressecção em blocos de osso neoplásico, e estabilizados por meio de fixação interna, os enxertos funcionam como estruturas de sustentação de peso e suporte para intracrescimento de osso novo do hospedeiro (osteocondução) (PIEMARTTEI & FLO, 1999; STEVENSON, 1998). O tamanho da partícula óssea tem importância na vascularização e sobrevivência das células do enxerto (WEIGEL, 1996). Há evidências de que fragmentos menores que 0,7 mm não estimulam a osteogênese adequadamente e, se muito reduzidos, além de não formarem osso, induzem à resposta de granuloma por corpo estranho (FOX, 1984, apud SANTOS & RAHAL, 2004). Nos enxertos alógenos, os ossos podem ser colhidos de cadáveres mantidos sob refrigeração por um período de até 12 horas (DEL CARLO et al.; 2003) outros autores porém coletam em até 24 horas após a morte, se o corpo tiver sido refrigerado (PINTO JR et al, 1995; MELVIN, 2008). Existem vários métodos de conservação de implantes corticais que visam preservar a integridade física do implante e da proteína osteoindutora, reduzir sua imunogenicidade e preservar sua esterilidade (PARKER, 1996). Em um experimento, Del Carlo et al. (1999), testaram seis diferentes métodos de preservação, dentre eles glicerina 98% e autoclavagem; glicerina 98%; tiomersal 1:1000; solução de cefalosporina a 0,5% em soro fisiológico e posterior congelamento a -16°C; autoclavavagem e refrigeração a 4°C. A autoclavagem desnaturou as proteínas e interferiu na incorporação após implantação. A glicerina 98% não foi efetiva na esterilização do osso e alterou suas propriedades biomecânicas. A refrigeração e o tiomersal não mantiveram o osso sem contaminantes e os enxertos falharam. O osso preservado sob congelamento em solução fisiológica e antibiótico permaneceu estéril, sua integridade física foi mantida e não falhou na implantação (DEL CARLO et al., 1999 apud FESTUGATTO, 2008). Amendola (2003), relata a viabilidade da utilização do mel na preservação de implantes corticais para fins de enxertia. A glicerina a 98% é uma solução geralmente utilizada para fixação e conservação de materiais biológicos. Para que ocorra redução do potencial 36 antigênico é indicado no mínimo 30 dias de conservação (DALECK et al., 1992; CAVASSANI, et al, 2001). Ela atua sobre a antigenicidade do implante biológico, o que torna o material conservado menos antigênico; preserva a elasticidade do mesmo e mantém íntegras as características histológicas do tecido. Para utilização os fragmentos de enxerto devem ser hidratados e lavados com solução fisiológica de NaCl 0,9% ( CAVASSANI, et al, 2001; GIOSO, 2002; FESTUGATTO, 2008). Festugatto (2008), em sua tese mestrado, observou que não há diferença estatística entre enxerto autógeno e heterógeno esponjoso conservado em glicerina a 98% em cães submetidos a artrodese atlantoaxial. 6.3 ULTRASSOM TERAPÊUTICO O ultrassom é uma onda mecânica longitudinal, ou seja, forma de energia mecânica que é transmitida ao corpo através de ondas de pressão acústica de alta freqüência, acima de 20.000 Hz. Para que a propagação da onda ocorra é necessário um meio sólido, líquido ou gasoso (GAMA, 2002; VINARDI, 2008). A transformação da energia elétrica em mecânica ocorre devido às propriedades piezoelétricas de certos materiais, e consiste na geração de um sinal elétrico quando este sofre deformação mecânica e vice-versa, alguns desses materiais são naturais, como o quartzo, turmalina e sulfato de lítio, outros são elementos sintéticos como o titanato de bário ou titanato zirconato de chumbo (SOUSA et al, 2007; WELLS, 1997 apud VINARDI, 2008). O transdutor é constituído por um material piezoelétrico inserido entre dois eletrodos e, quando se aplica uma corrente alternada de alta freqüência, esse material torna-se um potente gerador de ultrassom. Vem sendo usado há anos, na forma terapêutica, em tecidos e músculos em intensidade de 0,25 a 1,5 W/cm2, biofisicamente é o mais efetivo agente de calor profundo (VINARDI, 2008). 37 Duarte (1983) foi o primeiro a demonstrar que a terapia de pulsos por ultrassom de baixa intensidade, em animais, poderia afetar a consolidação de fraturas com aumento significativo do calo ósseo. Segundo Gama (2002) após revisão de vários trabalhos pode-se afirmar que além da influência positiva sobre a quantidade de calo, aumenta sua rigidez e resistência mecânica também. Vinardi (2008) em sua dissertação de mestrado, cita as várias aplicações clínicas atuais em úlceras venosas, úlceras de pressão, síntese de colágeno, cicatrização tendinosa, consolidação de fraturas, pseudo-artrose, reparação de tecido ósseo animal, regeneração muscular, angiogênese e na cicatrização tecidual. Estudos in vitro demonstraram que o ultrassom de baixa intensidade afetou a atividade dos mensageiros secundários em culturas de células ósseas, produzindo um aumento significativo da absorção de cálcio em células mesenquimatosas isoladas bem como na diferenciação de culturas de células ósseas e cartilagem (GAMA, 2002; SOUSA et al, 2007) Seus efeitos podem ser divididos em efeitos térmicos ou diatermia e efeitos atérmicos ou mecânicos e biológicos, dependentes da intensidade, tempo de exposição, estrutura temporal e espacial do ultrassom e estado fisiológico do tecido (VINARDI, 2008 ; BASSOLI, 2001) O efeito mecânico é devido às vibrações longitudinais, características do ultrassom formarem um gradiente de pressão nas células obrigando-as a se moverem, aumentando o metabolismo celular, o fluxo sanguíneo e o suprimento de oxigênio, ou seja, age como catalisador físico, acelerando as trocas celulares (BASSOLI, 2001) O efeito térmico ocorre porque juntamente com o de micro-massagem, pois há uma elevação da temperatura resultante da conversão de energia cinética em calor pelos tecidos, aumentando a extensibilidade e diminuição da rigidez dos tecidos com colágeno, alívio da dor por um aumento no limiar e aumento da defesa do organismo ocasionado pelo aumento do fluxo sanguíneo e vascularização. A quantidade de calor depende do tipo de tecido, quanto maior o teor de proteína do tecido (ossos e tendões), mais energia é absorvida; do fluxo 38 sanguíneo local e da freqüência ultrassônica aplicada (GAMA, 2002; VINARDI, 2008) Já os efeitos biológicos ocorrem em órgão isolado ou mesmo no organismo como um todo, cita-se analgesia, sedação, relaxamento muscular, hiperemia, fibrinólise, secreção de fatores quimiotáticos, aumento da permeabilidade de membranas, aumento da regeneração tecidual (VINARDI, 2008), além de acelerar a resposta inflamatória com liberação de histamina, macrófagos e monócitos (YOUNG, 1998; GAMA, 2002) O ultrassom terapêutico pode ser aplicado no modo contínuo ou pulsado. No pulsado, o efeito mecânico é maior que o térmico, devido períodos de repouso de energia. O contínuo pode gerar queimaduras (BASSOLI, 2001; GAMA, 2002; VINARDI, 2008). A freqüência de uma onda sonora é expressa em hertz (Hz) que equivale à oscilação de que cada molécula realiza em um segundo. Os aparelhos comerciais são fabricados nas freqüências de 1 a 3 MHz (Figura 7), sendo as ondas de maior freqüência (3 MHz) são absorvidas mais superficialmente, 1 a 2 cm da superfície, e as de menor freqüência (1 MHz) atingem os tecidos mais profundos, de 4 a 5 cm (GAMA, 2002; VINARDI, 2008). FIGURA 7 - ULTRASSOM TERAPÊUTICO - SONOPULSE® FONTE: DEPARTAMENTO DE FISIOTERAPIA ± HUV-UFSM, 2009 39 No método direto ou deslizamento, o contato do transdutor do ultrassom com a pele deve ser adequado para que não haja perda de onda, já que o ar é péssimo condutor normalmente é mediado por vaselina, óleo ou gel a base de água. O tempo de aplicação varia de 4 a 10 minutos por área, sendo que áreas grandes devem ser divididas. A aplicação pode ser estacionária ou não. O aumento da intensidade e a aplicação estacionária podem ocasionar uma elevação muito rápida da temperatura com queimaduras. O tempo e a intensidade são variantes diferentes, uma não compensa a outra (GAMA, 2002; VINARDI, 2008). Segundo Gama (2002) e Souza, et al. (2007), resultados experimentais e clínicos demonstram que a interação do ultrassom de baixa intensidade com implantes metálicos não prejudica a integridade dos materiais desses implantes e que a presença de pinos intramedulares e hastes metálicas no foco de fratura não interferem na segurança e eficiência do tratamento ultra-sônico no processo de consolidação óssea. Souza et al. (2007) citaram as vantagens da estimulação ultrassônica, por ser um procedimento não-invasivo indicado na presença de qualquer dispositivo para imobilização da fratura (gesso ou osteossíntese metálica interna /externa) e na existência ou não de infecção no foco da fratura. Reduz o tempo do tratamento em até 40%, além de restaurar a qualidade de vida dos pacientes. 40 7 RELATO DE CASO Foi atendido no HVU-UFSM, dia 4 de março, um canino, fêmea, da raça Dashchund, 12 anos de idade e pesando 5,7 Kg. Na anamnese o proprietário relatou que há 2 meses o animal não apoiava o membro torácico esquerdo (MTE). Em fevereiro foi submetido a um procedimento cirúrgico de redução de luxação rádio-carpiana em clínica particular, sem melhora. Ao exame clínico constatou-se: escore corporal bom, mucosas rosadas, TPC de dois segundos, 116 bpm, 45 movimentos respiratórios por minuto, auscultação cardíaca e pulmonar normal, pulso forte, catarata em olho direito, cálculo dentário, hipotricose difusa, temperatura retal de 38,6ºC, problemas de deambulação, deformidade de angulação (Figura 8A), crepitação e dor a palpação do membro acometido. Nos exames hematológico e bioquímico os parâmetros permaneciam normais. O exame rádiográfico da região revelou dois pinos de Steinmann cruzados, estrutura óssea com significativa deformidade de angulação, instabilidade articular, bem como persistência de luxação rádio-carpiana esquerda e lesão ligamentar concomitante (Figura 8B). FIGURA 8 ± MTE. (A) DEFORMIDADE. (B) RADIOGRAFIA A FONTE: UFSM e TUCHOLSKI, 2009 B 41 O animal foi encaminhado para tratamento cirúrgico dia 18 de março. Após aplicação intramuscular de medicação pré-anestésica, nas doses: Cloridrato de Cetamina 10 mg/kg , Acepromazina 0,05 mg/kg e Sulfato de Morfina 0,5 mg/kg, realizou-se depilação da região umeral distal até a ponta dos dígitos. Fez-se canulação de veia cefálica com cateter 22G, fluidoterapia com Ringer lactato, indução IV com Propofol a 1% dose-efeito, intubação orotraqueal com sonda número 5.5 e mantido em plano de anestesia cirúrgica pela inalação de isofluorano vaporizado em oxigênio a 100%. O paciente posicionado em decúbito dorsal e após antissepsia, na sequência Álcool 70%, PVPI, Álcool 70%, instilados em gaze estéril e pinça de Duval. Delimitou-se a região umeral com de panos de campos estéreis e pinças de Backhaus, deixando o membro torácico esquerdo pendente. Realizou-se incisão de pele e tecido subcutâneo (Figura 9A), iniciando na face medial do terço final do rádio, seguindo de uma curva para a região mediolateral do metacarpo distal, com bisturi cabo número 4, lâmina número 24, seguida por incisão de cápsula articular cranial dos ossos cárpicos, dissecação regional, retirada dos pinos de Steinmann, curetagem (Figura 9B) e remoção da cartilagem articular da superfície dos ossos cárpicos com osteótomo até atingir o osso subcondral, remoção de tecido ósseo para fazer o alinhamento. Aplicação, com furadeira pneumática, dos implantes de pinos de Steinmann cruzados, penetrando desde o terço proximal do segundo e quinto osso metacarpiano, cruzando as três articulações e exteriorizando no rádio (medialmente) e ulna (lateralmente) respectivamente (Figuras 10A e B), e um terceiro pino do rádio até o terceiro metacarpiano, perfazendo posição ortostática. Secção dos pinos. FIGURA 9 - CIRURGIA. (A) INCISÃO. (B) CURETAGEM A FONTE: UFSM e TUCHOLSKI, 2009 B 42 FIGURA 10 - COLOCAÇÃO DOS PINOS. (A) 1º PINO. (B) 2 º PINO A B FONTE: UFSM e TUCHOLSKI, 2009 Os fragmentos de osso esponjoso alógeno para o enxerto são retirados da solução de glicerina a 98% (Figura 11A), lavados e hidratados por 10 minutos em solução fisiológica NaCl 0,9%. Foram colocados de forma a preencher o espaço entre ossos do rádio e carpo (Figura 11B), após o posicionamento do primeiro pino. FIGURA 11 - ENXERTO ESPONJOSO HOMÓGENO. (A) EM GLICERINA A 98%. (B) TRANSPLANTE A B FONTE: UFSM e TUCHOLSKI, 2009 Em seguida foi realizada a capsulorrafia articular com padrão de pontos simples interrompidos e fio de mononáilon número 3-0, a síntese do tecido subcutâneo seguiu padrão Wolff continua e fio absorvível poliglactina 910 número 3-0, e a aproximação de pele com padrão Wolff interrompida e fio mononáilon número 4-0 (Figura 12A). O osso esponjoso do enxerto foi coletado da região do tubérculo maior do úmero de cadáveres caninos, provenientes da rotina hospitalar e encaminhados ao setor de Patologia Veterinária da Universidade Federal de Santa Maria. Os cães doadores foram a óbito por causas que não interferiam na estrutura óssea do 43 esqueleto apendicular e não eram portadores de doenças neoplásicas e/ou infectocontagiosas. O implante foi coletado sob método higiênico, mas não asséptico. Após depilação da região Álcool 70%, PVPI e Álcool 70%, colocados em gaze estéril e pinça de Duval. A região proximal do úmero foi delimitada com panos de campo estéreis, seguida de incisões crânio-lateral de pele e tecido subcutâneo sobre o tubérculo maior do úmero. A porção acromial do músculo deltóide foi afastada caudalmente expondo a metáfise proximal e o osso cortical foi removido com osteótomo e martelo ortopédico para a coleta do osso esponjoso com auxílio de uma cureta. Após a coleta, o osso esponjoso foi colocado em uma cuba, higienizado com solução salina isotônica estéril e conservado em frascos estéreis previamente identificados contendo glicerina a 98% em temperatura ambiente, por um período mínimo de 30 dias. O pós-operatório foi recomendado repouso, terapia anti-inflamatória com Meloxican,SID, na dose 0,01 mg/kg/VO durante 3 dias, e antibioticoterapia com Cefalotina Sódica, BID, na dose 30mg/kg/VO por 5 dias. Os pontos de pele foram removidos 7 dias após a cirurgia (Figura12B). As seções de fisioterapia iniciaram logo após ato cirúrgico, com crioterapia durante 15 minutos nos 3 primeiros dias e ultrassom terapêutico Sonopulse® no modo 16 1/2 pulsado, utilizando gel hidrossolúvel como meio acoplador do transdutor, intensidade 0,5 W/cm2, freqüência de 1.0 MHz, ERA de 3,5 cm, velocidade de 4 cm2/s com movimentos uniformes e circulares, transdutor em posição não estacionária, durante 9 minutos, por 10 dias consecutivos no sítio de fusão. Bandagem com algodão ortopédico e atadura número 12 (Figura 13A). FIGURA 12 - FERIDA CIRÚRGICA. (A) 18/03. (B) 25/03 A FONTE: UFSM e TUCHOLSKI, 2009 B 44 FIGURA 13 ± (A) BANDAGEM. (B) FISIOTERAPIA - 8/05 B A FONTE: UFSM e TUCHOLSKI, 2009 Após avaliação e 10 dias de descanso, reiniciaram mais 10 sessões, 3 vezes por semana, com ultrassom de baixa intensidade nas mesmas especificações anteriores (Figura 13B), juntamente com massagem e movimentação passiva da região escápulo-umeral. Bandagem com pomada de nitrofurazona, algodão ortopédico, atadura número 12. O animal era ativo e o proprietário não conseguia seguir a recomendação de repouso no animal. Fez-se acompanhamento rádiográfico com incidência dorsopalmar (Figuras 14A; B; C e D) e mediolateral. Houve afrouxamento dos implantes e o pino que avançava da ulna ao quinto metacarpiano foi retirado dia 8 de abril, dia 18 de abril o que estendia do rádio ao segundo metacarpiano, e o último no dia 6 de maio. O animal recebeu alta no dia 8 de maio apoiando o membro e com deambulação quase normal. FIGURA 14 - RADIOGRAFIAS DO MTE. (A) 18/03. (B) 8/04. (C) 18/04. (D) 6/05. A B FONTE: UFSM e TUCHOLSKI, 2009 C D 45 8 DISCUSSÃO A panartrodese seguida de bandagem e repouso é o tratamento de eleição para luxações cárpicas do Tipo II (FOSSUM, 2002). A utilização de pinos de Steinmann cruzados nas articulações do carpo a antebraquiocarpiana, a carpiana média e a carpometacarpiana são um método barato e eficiente na fixação e fusão das superfícies ósseas (LESSER, 1998; FOSSUM, 2002). As complicações de uma artrodese citadas por Lesser (1998), como remoção incompleta das cartilagens e erro técnico no dimensionamento ou aplicação dos implantes, foram as causas da necessidade de um segundo procedimento cirúrgico. O uso de furadeira pneumática para colocação dos pinos pode causar excessiva produção de calor e necrose térmica, causa provável do afrouxamento dos pinos (LESSER, 1998) juntamente com o não confinamento adequado do animal (PIEMARTTEI & FLO, 1999). A deambulação com pouca alteração na marcha era previsível segundo Piermattei e Flo, 1999. Seguindo os estudos de Gioso et al (2002) o enxerto ósseo associado a implantes metálicos foi eficientes na indução de artrodese. O enxerto esponjoso autógeno aumenta o tempo do trans-operatório e risco cirúrgico em animais de pequeno porte (PIERMATTEI & FLO, 1999), por isso da vantagem em utilizar enxerto esponjoso homógeno conservado em banco de ossos (DEL CARLO et al, 2003; MELVIN, 2008; FESTUGATTO, 2008). Contradizendo vários autores, conforme as referências citadas neste trabalho, Festugatto, 2008 afirma que não há diferenças estatísticas no uso de enxerto esponjoso autógeno e homógeno conservado em glicerina a 98%, o que foi observado neste relato de caso. Exames rádiográficos sequenciais evidenciaram que a terapia empregando ultrassom de baixa intensidade estimulou a formação do calo ósseo (DUARTE, 46 1983), também a rigidez e resistência se mantiveram (GAMA, 2002) mesmo com o afrouxamento dos pinos de Steinmann. A estimulação ultrassônica é um procedimento não-invasivo indicado na presença de implantes metálicos, reduziu significativamente o tempo de tratamento, além de restaurar a qualidade de vida do paciente (SOUZA et al., 2007). 47 9 CONCLUSÃO Através de exames radiográficos e clínicos do paciente, concluiu-se que o ultrassom de baixa intensidade teve efeito estimulatório na formação óssea e incorporação do enxerto esponjoso homógeno, resultando em uma fusão óssea mais avançada na panartrodese rádio-carpiana, devolvendo a qualidade de vida ao paciente. 48 10 REFERÊNCIAS ALEXANDER, J. W. Bone grafting. Veterinary Clinics of North America Small Animal Paractice, v. 17, n. 4, p.811-819, 1987. ALIEVE, M. M. et al. Implante ósseo cortical Alógeno conservado em mel na reconstrução de falha óssea diafisária em fêmur de cães: avaliação clínica e radiográfica. Ciência Rural, Santa Maria. v.37, n.2, p. 450-457. mar-abr, 2007. Disponível em: http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/pdf/331/33137224.pdf. 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Ed: Malone, S.P, cap. 15, p.235-258, 1998. 54 11 ESTERNOTOMIA MEDIANA PARA LOBECTOMIA E EXÉRESE DE CARCINOMA BRONQUÍOLO-ALVEOLAR 11.1 RESUMO Neoplasias pulmonares primárias são incomuns, normalmente são malignas e de origem epitelial. Em cães, 77% dos carcinomas são bronquíolo-alveolares e atingem animais com 10.8 anos em média. Alguns autores defendem a predisposição da raça Boxer. Fatores de risco exógeno ligado a ambientes urbanos são sua provável etiologia. Clinicamente podem ser assintomáticos (25%) ou apresentar tosse improdutiva, dispnéia, caquexia, insuficiência cardíaca, emese e osteoartropatia hipertrófica. Os nódulos podem ser unicêntricos ou multicêntricos, localizados na periferia pulmonar ou mesmo em lobos inteiros, ambos os lobos ou região hilar. Tem prognóstico de reservado a ruim pelo alto poder metastático. Exames radiográficos identificam a massa tumoral, mas são inconclusivos para diagnosticar extensão e origem neoplásica, necessitando de biópsia excisional. A esternotomia mediana é indicada para exposição pulmonar, cardíaca ou mediastínica. A lobectomia é o tratamento de eleição, mas não garante aumento de sobrevida. Este trabalho tem como objetivo relatar um caso de esternotomia mediana para lobectomia de lobo cranial esquerdo, e exérese linfonodal, de um carcinoma bronquíoloalveolar, primário, em uma fêmea da raça Boxer. Palavras-chave: estenotomia mediana, lobectomia, carcinoma bronquíolo-alveolar, cão. 55 11.2 ABSTRACT Primary pulmonary neoplasms are uncommon, are usually malignant and of epithelial origin. In dogs, 77% of carcinomas are bronchioloalveolar, animals with 10.8 years on average. Some authors advocate the predisposition of the breed Boxer. Exogenous risk factors linked to their urban environments are likely etiology. May be clinically asymptomatic (25%) or present unproductive cough, dyspnea, cachexia, heart failure, emesis and hypertrophic osteoarthropathy. The nodules may be multicentric or unicentric, located in the periphery or even lung lobes intact, both lobes or hilar region. Has reserved the poor prognosis of the high metastatic power. Radiography examination identify the tumor mass, but are inconclusive for diagnosing neoplastic origin and scope, requiring excisional biopsy. The median sternotomy is indicated exposure to lung, heart or mediastinum. A lobectomy is the treatment of choice, but does not guarantee increased survival. This paper aims to report a case of median sternotomy for lobectomy of left cranial lobe, and lymph node exeresis of a bronchiolealveolar carcinoma, primary in a female of Boxer. Key words: median sternotomy, lobectomy, bronchioloalveolar carcinoma, dog. 56 12 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 12.1 ANATOMIA PULMONAR E ESTERNAL Os pulmões de cães e gatos possuem fissuras que criam lobos distintos, individuais e passíveis de serem isolados e removidos sem comprometer a integridade dos lobos circundantes. O lobo esquerdo é dividido em lobo cranial, com partes cranial e caudal, e um lobo caudal. O pulmão direito é maior e está dividido em lobos cranial, médio, caudal e acessório (Figura 15). A artéria pulmonar esquerda se situa cranial ao brônquio principal esquerdo e as veias pulmonares são ventrais a ele. Já a artéria pulmonar situa-se dorsal e ligeiramente caudal e as veias pulmonares são craniais e ventrais ao brônquio direito (GRANDAGE & RICHARDSON, 1998; FOSSUM, 2002;). O esterno é composto de oito ossos não pareados e forma o piso do tórax. A primeira e a última esternébras são conhecidas como manúbrio e cartilagem xifóide respectivamente. Existem treze pares de costelas, porém somente os nove primeiros pares se articulam com o esterno (Figura 16) (GRANDAGE & RICHARDSON, 1998; FOSSUM, 2002;). FIGURA 15 - ANATOMIA PULMONAR FONTE:Cirurgia de Pequenos Animais- FOSSUM (2002) FIGURA 16 - ANATOMIA ESTERNAL FONTE:Cirurgia de Pequenos Animais- FOSSUM (2002) 57 12.2 ESTERNOTOMIA MEDIANA Segundo Fossum, (2002) a esternotomia mediana é indicada para exposição pulmonar, cardíaca ou mediastínica (Figura 17). No procedimento duas a três esternébras craniais ou caudais devem ficar intactas, dependendo da localização da lesão, para diminuir dor pós-operatória e evitar cicatrização retardada causada por desvio de esternébras. Para acesso ao mediastino cranial e pulmões, a esternotomia deve estender do manúbrio até a sexta ou sétima esternébra (Figura 18), já para visualização pulmonar e cardíaca, a incisão abrange da cartilagem xifóide, cranialmente, até a segunda ou terceira esternébras. Neoplasias podem limitar a expansão pulmonar normal e produzir hiporexia, aumentando os cuidados com anestésicos, como pré-oxigenação do paciente com máscara ou insulflação nasal antes da indução; evitar sedação com acepromazina pela hipotensão, bem como óxido nitroso e opiáceos devido depressão respiratória. A cavidade torácica aberta exige ventilação com pressão positiva intermitente (FOSSUM, 2002). FIGURA 17 - EXPOSIÇÃO PULMONAR NA ESTERNOTOMIA FONTE: Manual de Cirurgia de Pequenos Animais- SLATTER (2007) FIGURA 18 - POSICIONAMENTO E INCISÃO PARA ESTERNOTOMIA FONTE: Manual de Cirurgia de Pequenos Animais- SLATTER (2007) 58 12.3 LOBECTOMIA COMPLETA A lobectomia pulmonar no cão tem suas indicações no tratamento de abcessos, bronquiectasias, neoplasias pulmonares, lesões traumáticas com pneumotórax, osteopatia hipertrófica e torção pulmonar (RODASKY et al., 1984; MONNET, 2005). Em se tratando de neoplasia, a irrigação arterial é abordada em primeiro lugar, para controle do fluxo sanguíneo ao lobo, impedindo congestão, hemorragia arterial grave e impedem semeadura do sistema vascular por diminuir significantemente o retorno venoso (NELSON, 1998; FOSSUM, 2002). A técnica envolve inicialmente três ligaduras na artéria pulmonar e transecciona entre as ligaduras distais, o mesmo faz-se com a veia pulmonar, o brônquio principal que supre o lobo é pinçado, rompido ou transeccionado e suturado com padrão de sutura de colchoeiro horizontal contínua, sobressuturada com um padrão de sutura contínua simples (Figura 19) (FOSSUM, 2002). FIGURA 19 - LIGADURA DE VASOS E BRÔNQUIO NA LOBECTOMIA FONTE:Cirurgia de Pequenos Animais- FOSSUM (2002) Para a lobectomia completa e biópsia de linfonodos, segundo Withrow (2001) e Fossum (2002), a toracotomia lateral, no 4º, 5º ou 6º EIC é a melhor abordagem, pois proporciona a exposição adequada das estruturas. Os cães conseguem sobreviver a 59 uma perda aguda de até 50% do seu volume pulmonar, contudo acidose respiratória transitória e intolerância a exercícios podem ocorrer, bem como expansão do pulmão remanescente na tentativa de restaurar o volume pulmonar normal (FOSSUM, 2002; MONNET, 2005). 12.4 CARCINOMA BRONQUÍOLO ALVEOLAR Neoplasias pulmonares primárias são incomuns, normalmente são malignas e de origem epitelial (KESSLER, 2006; MAKINO et al, 2008), acometem cerca de 0,9% dos cães e 0,38% dos gatos (WILSON & DUNGWORTH, 2002). Os carcinomas são classificados em adenocarcinoma, carcinoma epidermóide, tumor carcinóide, tumor da glândula bronquial, carcinoma bronquíolo-alveolar e carcinoma anaplásico de células pequenas, fusiformes, pleomórficas ou grandes (MOULTON, 1990; BURKHARD et al., 2001; WILSON & DUNGWORTH, 2002). O bronquíolo-alveolar é o mais comum dos carcinomas pulmonares, com freqüência de 77% em cães e 72% em gatos (MOULTON, 1990; WILSON & DUNGWORTH, 2002; LANGLAIS et al, 2006). Atinge normalmente cães idosos, em média 10.8 anos (WILSON & DUNGWORTH, 2002) com variação entre 5 e 12 anos (FOX & KING, 1998; BAEZ & SORENMO, 2004). Segundo Moulton, (1990), Fox e King (1998), não há predisposição sexual, contudo a prevalência racial é contraditória enquanto muitos pesquisadores afirmam não haver predileção, outros reportam alta incidência em cães da raça Boxer. Para Kessler (2006), as raças braquiocefálicas são mais susceptíveis que as dolicocefálicas, devido à ineficiência de filtração de ar. Fatores de risco exógenos como ambientes urbanos, radiação ionizante, carbonila de níquel, amianto, benzopireno e aminas aromáticas foram associados às neoplasias pulmonares em animais de experimentação (FOSSUM & ROGERS, 1998; WITHROW, 2001; STRAW, 2005) Clinicamente podem ser assintomáticos (25%) (FOSSUM & ROGERS, 1998; WILSON & DUNGWORTH, 2002) (25 a 56%) (FOX & KING, 1998) ou apresentar tosse 60 improdutiva (68%), dispnéia (6%), hemoptise (9%) (FARROW, 2003), caquexia, insuficiência cardíaca, emese, osteoartropatia hipertrófica (FOX & KING, 1998; OWENS & BIERY, 1999; WITHROW, 2001; FARROW, 2003), taquipnéia, cianose, disfagia, anorexia (FOX & KING, 1998). Claudicação ou membros locomotores tumefeitos podem estar associados à osteoartropatia hipertrófica ou metástase em ossos e músculos esqueléticos (FOX & KING, 1998; FOSSUM & ROGERS, 1998). O carcinoma bronquíolo-alveolar usualmente localiza-se na periferia pulmonar (compromete espaços aéreos distais), no espaço subpleural, ou mesmo em lobos inteiros, ambos os lobos ou região hilar. Origina-se dos brônquios terminais, bronquíolos ou alvéolos pulmonares. Cresce ao longo das paredes bronquiolares e alveolares, com tendência a se disseminar nos espaços aéreos distais usando o septo alveolar como estroma. Caracteriza-se pela preservação da arquitetura pulmonar, sem causar obstrução de brônquios de grosso calibre. (MOULTON, 1990; BURKHARD et al., 2001; WILSON & DUNGWORTH, 2002; KLAUS et al., 2002; MAKINO et al, 2008). Podendo ser unicêntrico, nódulo único, ou multicêntrico, com envolvimento difuso e múltiplas áreas de crescimento; diferenciado ou indiferenciado (MOULTON, 1990; WITHROW, 2001; WILSON & DUNGWORTH, 2002; KESSLER, 2006). Os principais exames complementares utilizados em seu diagnóstico incluem: radiografia torácica, tomografia computadorizada, lavados traqueal ou broncoalveolar, broncoscopia, punção aspirativa transtorácica por agulha fina, imprint, biópsia transtorácica, ou através de toracotomia exploratória (HAWKINS et al., 1990; BURKHARD et al., 2001; WILSON & DUNGWORTH, 2002). Dernell (2005) e Cohn (2009) citam em seus trabalhos, as vantagens da biópsia por toracoscopia como método diagnóstico e para ressecção endocirúrgica, por grampeamento, de massas intratorácicas, objetivando estimativa do prognóstico de uma forma menos invasiva que a toracotomia. A radiografia torácica é método indispensável para o diagnóstico das neoplasias primárias. O padrão radiográfico pode ser classificado como nodular solitário, nodular múltiplo, ou infiltrativo disseminado. Linfadenopatia hilar ou mediastínica, e efusão pleural também podem ser identificadas. Lesões discretas num único lobo ou em vários lobos podem representar metástases ou neoplasia primária multicêntrica. Em cães, o 61 pulmão direito e os lobos caudais normalmente são os mais acometidos (MOULTON, 1990; FOX & KING, 1998; OWENS & BIERY, 1999; WITHROW, 2001; WILSON & DUNGWORTH, 2002; FARROW, 2003; STRAW, 2005; KESSLER, 2006). Segundo Farrow (2003), a radiografia ventrodorsal identifica melhor a localização tumoral que a incidência laterolateral, devido menor sobreposição de imagem, contradizendo Kessler (2006), que recomenda além da ventrodorsal, as exposições laterais, esquerda e direita, para um diagnóstico mais fidedigno. Para Burkhard et al. (2001), Danielski et al. (2007) e Cohn (2009), o exame citopatológico de efusão pleural, lavados traqueal ou broncoalveolar são inconclusivos, servem para diagnóstico diferencial de algumas doenças. Todavia a punção aspirativa por agulha fina ou imprint, não diferencia os tipos de carcinoma, mas a presença de infiltrados eosinofílicos, sugere carcinoma bronquíolo-alveolar, em cães. A broncoscopia permite observação direta das vias aéreas e lavados em locais específicos do pulmão, porém requer equipamento e perícia para acurácia de diagnóstico (RHA & MAHONY, 1999; COHN, 2009). A tomografia computadorizada é citada por Moreira et al. (2002), Klaus et al. (2002) e Straw (2005) para um estudo detalhado do parênquima pulmonar, delimitação de massas tumorais, linfadenopatias e micrometástase. Histopatologicamente pode-se observar alterações e proliferação nas células de Clara (bronquíolos) e pneumócitos tipo II (alvéolos), principalmente (WILSON & DUNGWORTH, 2002; MAKINO et al, 2008). No tumor diferenciado, observa-se estrutura acinar bem formada, sem estratificação epitelial, células colunares uniformes, poucas figuras mitóticas, mínima fibrose estromal e projeções papilares. Quando indiferenciado, caracteriza-se pelo pleomorfismo, mitose abundante, células colunares, cuboidais e caliciformes (mucinoso), assim como invasão do estroma fibroso, linfático e/ ou vasos sanguíneos (MOULTON, 1990; JONES et al, 2000; WILSON & DUNGWORTH, 2002). O diagnóstico diferencial da afecção nodular solitária ou múltipla deve incluir: granuloma fúngico, granulomatose pulmonar eosinofílica, hematoma, cistos, neoplasia metastática, pneumonia, timoma, abscessos e infartos (MOULTON, 1990; FOX & KING, 1998). 62 Ressecção cirúrgica ampla é o tratamento de escolha para pacientes portadores de massas solitárias ou várias massas envolvendo um único lobo ou um pulmão, sem evidência de metástase à distância ou envolvimento extrapleural (FOSSUM & ROGERS, 1998; WITHROW, 2001; STRAW, 2005; LUIS et al, 2005). A quimioterapia é utilizada em casos de lesões inoperáveis ou recidivas após ressecção cirúrgica (WITHROW, 2001) com cisplatina e vindesine, ou doxorrubicina ou mitoxantrone (WILSON & DUNGWORTH, 2002) A efusão pleural maligna pode ser tratada com cisplatina intrapleural ou sistêmica (WITHROW, 2001). Os tumores pulmonares primários produzem metástase precocemente e de modo agressivo. Atingindo o próprio pulmão via hematógena, linfática ou transmigração nas vias respiratórias, ou ainda invasão direta de mediastino, região hilar, pleura, pericárdio e diafragma. Os locais extratorácicos incluem: ossos, rins, fígado, baço, músculo esquelético e cérebro (FOSSUM & ROGERS, 1998; FOX & KING, 1998 WILSON & DUNGWORTH, 2002; LANGLAIS et al, 2006). As síndromes paraneoplásicas além da osteoartropatia hipertrófica (3 a 15%) (FOX & KING, 1998) (30%) (WILSON & DUNGWORTH, 2002), incluem hipercalemia, hiperadrenocorticismo, paraplegia e neuromiopatia (FOSSUM & ROGERS, 1998; FOX & KING, 1998; LUIS et al, 2005), atingindo 50% dos pacientes (WITHROW, 2001). A osteoartropatia hipertrófica tende a regredir, de 2 semanas a 7 meses, após ressecção cirúrgica completa da massa tumoral (LENEHAN & FETTER, 1985; MOULTON, 1990; WITHROW, 2001) O prognóstico para neoplasias pulmonar primária é de reservado a ruim, dependendo da classificação histológica tumoral (STRAW, 2005). Fox e King (1998) citam que em tumores periféricos a média de sobrevida é de 16 meses enquanto os que envolvem lobos inteiros é de 8 meses. Pacientes com carcinoma diferenciado, nódulos solitários de menores de 5 cm, localizados na periferia ou base proximal pulmonar, linfonodos não reativos, sem efusão pleural maligna ou sintomas respiratórios, possuem tempo de sobrevida maior, cerca de 12 a 20 meses póslobectomia (FOSSUM & ROGERS, 1998; FOX & KING, 1998; WITHROW, 2001; LUIS et al, 2005). 63 13 RELATO DE CASO Foi atendido no HVU-UFSM, dia 13 de abril, um canino, fêmea, raça Boxer, com 11 anos de idade e 25 kg de massa corporal. Na anamnese o proprietário relatou que o animal manifestava dificuldade respiratória há dois dias, tosse e que anteriormente vinha sendo tratada em clínica particular devido hipotireoidismo, com Levotiroxina Sódica, BID, na dose 0,01 mg/kg/VO, e havia suspeita de cardiopatia. Ao exame clínico observou-se letargia, estado corporal obeso, dispnéia, tosse improdutiva e paroxística, mucosas de coloração rosada, TPC de dois segundos, freqüência cardíaca de 100 bpm, freqüência respiratória de 62 movimentos respiratórios por minuto, auscultação cardíaca e pulmonar normal, pulso forte, temperatura retal 36,8ºC, catarata em olho esquerdo, dificuldade de deambulação sugestivo de displasia coxo-femoral. Foram solicitados exames complementares como: hematológico, bioquímico (uréia, creatinina, ALT, FA e colesterol), radiográfico do tórax com incidências laterolateral esquerda e ventrodorsal, e um eletrocardiograma. O hemograma revelou padrões normais, assim como o bioquímico, com exceção do colesterol com 541 mg/dL justificando hipotireoidismo. Radiograficamente a silhueta cardíaca não apresentava imagem indicativa de cardiopatia importante, porém uma área de radiopacidade em região de mediastino e lobos pulmonares craniais era sugestiva de neoplasia (Figura 20). FIGURA 20 - RADIOGRAFIA TORÁCICA (VD) FONTE: UFSM e TUCHOLSKI, 2009 64 No eletrocardiograma a atividade elétrica do coração manteve parâmetros dentro da normalidade, com ritmo sinusal. Foi indicada toracotomia exploratória. Dia 15 de abril foi submetida a uma esternotomia mediana. Após aplicação intramuscular de medicação pré-anestésica, nas doses: Cloridrato de Cetamina 10 mg/kg , Acepromazina 0,05 mg/kg e Sulfato de Morfina 0,5 mg/kg, realizou-se depilação ampla da região torácica. Fez-se canulação de veia cefálica com cateter 18G, fluidoterapia de Ringer lactato, indução IV com Propofol a 1% dose-efeito, intubação endotraqueal com sonda de nº 8.5 e mantido em plano de anestesia cirúrgica pela inalação de isofluorano vaporizado em oxigênio a 100%. Em decúbito dorsal e após antissepsia, na seqüência Álcool 70%, PVPI, Álcool 70%, instilados em gaze estéril e pinça de Duval, delimitou-se a região esternal com panos de campo estéreis e pinças de Backhaus. Realizou-se incisão de pele na linha média (Figura 21A), sobre o esterno estendendo-se da região do manúbrio a quarta esternébra, com bisturi cabo número 4 e lâmina número 24, seguida de dissecção da musculatura sobrejacente com bisturi até exposição do esterno. Transsecção longitudinal, com serra, do manúbrio até a quarta esternébra. FIGURA 21 - (A) INCISÃO MEDIANA. (B) ACESSO TORÁCICO A B FONTE: UFSM e TUCHOLSKI, 2009 Após a abertura torácica, com auxílio de pinça Kelly (Figura 21B), o paciente seguiu o trans-operatório com ventilação controlada e pressão positiva intermitente. A freqüência ventilatória situou-se entre 8-10 respirações por minuto. Gaze umedecida com solução fisiológica NaCl 0,9%, foram colocadas nas bordas incisadas e o afastador de Finochietto foi posicionado para abrir as costelas e facilitar a visualização torácica. Identificado o tecido pulmonar a ser removido (Figura 22A), o lobo cranial esquerdo foi 65 isolado, dissecado com tesoura de Metzenbaum, seguida de ligadura simples da artéria pulmonar com fio não absorvível mononáilon número 3-0 ao redor da extremidade proximal do vaso. Uma segunda ligadura simples na porção distal e uma terceira de transfixação entre elas. A transecção foi entre as ligaduras distais. O mesmo foi realizado com a veia pulmonar. O brônquio cranial esquerdo foi pinçado, transeccionado (Figura 22B), o lobo foi retirado (Figura 22C), a bronquiorrafia seguiu com um padrão de sutura simples contínua com fio não absorvível mononáilon número 3-0. FIGURA 22 - (A) LOBO PULMONAR. (B) BRÔNQUIO ( NEOPLÁSICO. (D) MEDIASTINO ( ) ). (C) LOBO A B C D FONTE: UFSM e TUCHOLSKI, 2009 Uma porção do mediastino, incluindo linfonodos, foi extirpada pela presença de nodulações e alterações teciduais visíveis (Figura 22D). Hemostasia por angiotripsia com pinças hemostáticas mosquito ou por ligadura com fio absorvível poliglactina 910 número 2-0. Verificada a aerostasia com solução fisiológica de NaCl 0,9% aquecida, removeu-se o fluido com aspirador. Uma sonda torácica com orifícios adicionais (Figura 23A) foi posicionada entre as costelas no 5º Espaço InterCostal (EIC) saindo no 7º EIC 66 e fixada com sutura em sapatilha romana, finalizando com uma sutura de Muller (pele e costela) utilizando fio não absorvível mononáilon número 3-0. Após inspeção dos pulmões iniciou-se a esternorrafia com fio de aço, padrão Sultan, pré-colocados (Figura 23B). A síntese do tecido subcutâneo seguiu padrão Wolff contínua e fio absorvível poliglactina 910 número 3-0, a aproximação de pele com padrão Wolff interrompida e fio não absorvível mononáilon número 4-0. A pressão negativa foi restabelecida com torneira de três vias e seringa de 20 ml. No pós-operatório imediato a ferida cirúrgica foi limpa e uma bandagem envolveu o tórax e a sonda. FIGURA 23 ± (A) SONDA TORÁCICA COM ORIFÍCIOS ADICIONAIS ( ). (B) ESTERNORRAFIA ( ) A B FONTE: UFSM e TUCHOLSKI, 2009 O lobo pulmonar e tecido mediastínico foram encaminhados para o setor de Patologia Veterinária da Universidade Federal de Santa Maria para diagnóstico e classificação tumoral através de exame histopatológico. O animal ficou internado, recebendo analgesia com Sulfato de Morfina 0,5 mg/Kg/IM a cada quatro horas, Dipirona, BID, 20 mg/kg/SC, anti-inflamatório Meloxican, SID, 0,02 mg/kg/SC durante 7 dias, antibioticoterapia com Cefalotina Sódica, TID, 30 mg/Kg/IM por 10 dias, alimentação pastosa e água ad libitum. A Levotiroxina Sódica, BID, 0,01 mg/Kg/VO foi mantida. A drenagem da sonda torácica, três vezes ao dia revelou no primeiro dia 118 ml de exsudato sero-sanguinolento e 270 ml ar. Foi mantida, por 4 dias, devido drenagem significativa de exsudato e ar. As imagens do exame radiográfico no segundo dia pós lobectomia, não condizia com pneumotórax ou efusão pleural. Depois de retirar a sonda instalou-se um enfisema subcutâneo generalizado, chegando a ser drenado um litro de 67 ar, via sistema com frasco coletor sanfonado. Todo o corpo do animal foi envolvido em uma bandagem compressiva com ataduras e compressas. O anti-inflamatório foi retirado devido hematêmese, foi acrescentado como terapia medicamentosa Ranitidina, TID, 2 mg/Kg/IM por 7 dias. A temperatura retal se mantinha entre 35 e 37ºC, com colchão térmico. Exame radiográfico pós-operatório não revelou imagem compatível com pneumotórax. A paciente foi novamente encaminhada para ato cirúrgico, dia 22 de abril, para recolocação de sonda torácica e síntese de pele por deiscência de pontos. O procedimento anestésico e antissepsia seguiram os mesmos padrões da cirurgia anterior. A sonda torácica siliconada número 20, com orifícios adicionais, foi alocada com incisão de pele, bisturi cabo número 04 e lâmina número 24, na altura do 8º EIC adentrando ao tórax, guiada por um pinça curva de Kelly no 6º EIC, em seguida fixada com sutura em sapatilha romana, finalizando com uma sutura de Muller (pele e costela), utilizando fio mononáilon número 3-0, a pressão negativa foi recomposta. A sonda foi conectada em um sistema com frasco coletor sanfonado estéril. Os pontos foram retirados da ferida cirúrgica, um flap de pele foi retirado com tesoura cirúrgica ponta romba para reavivamento dos bordos, a aproximação de pele seguiu padrão Wolff interrompida e fio mononáilon número 4-0. O enfisema subcutâneo foi controlado. A sonda foi retirada após 2 dias, uma vez que a drenagem não apresentava conteúdo significante. O laudo histopatológico identificou macroscopicamente pulmão acentuadamente consolidado, com pleura brilhante e úmida e numerosos pontos branco-amarelados na superfície de corte. Já microscopicamente o pulmão apresentou acentuada proliferação de células neoplásicas formando ninhos ou estruturas que lembram alvéolos, algumas vezes com projeções papilares. As estruturas epiteliais neoplásicas são constituídas por uma camada de células cuboidais e nas estruturas papilares, por duas a três camadas de células colunares altas. Em algumas estruturas epiteliais neoplásicas, não é possível visualizar a luz que está preenchida por células neoplásicas redondas e pouco diferenciadas. Há também grandes áreas de necrose alveolar com células descamadas, detritos celulares e fibrina no seu interior. As células neoplásicas são pleomórficas, com citoplasma eosinofílico, bordas pouco distintas, muitos núcleos atípicos, grandes ou 68 bizarros, com cromatina periférica e nucléolos pequenos e conspícuos (Figura 24B). Na luz de alguns bronquíolos e alvéolos que circundam as áreas de proliferação neoplásica, há múltiplos aglomerados de neutrófilos e macrófagos alveolares (Figuras 24A e B). Na porção mediastínica há escassos agregados de células neoplásicas no interior de seios capsulares do linfonodo mediastínico. O diagnóstico foi de carcinoma bronquíoloalveolar com micrometástase em linfonodo mediastínico. FIGURA 24 - HISTOPATOLÓGICO, COLORAÇÃO HE. (A) ARRANJO BRONQUIOLAR E PRESERVAÇÃO DA ARQUITETURA. ( )AUMENTO 20X (B) PLEOMORFISMO, PROLIFERAÇÃO CELULAR E NUCLÉOLOS EVIDENTES ( ),INFLAMAÇÃO LINFO-PLASMOCITÁRIA ADJACENTE ( ). AUMENTO 40X A B FONTE: UFSM e MATSUDA, 2009 A paciente ficou internada em observação por mais 12 dias. Foi liberada com estado clínico bom, sem sinais de tosse, dispnéia ou intolerância ao exercício. O proprietário optou por não submeter o animal a um tratamento quimioterápico, por se tratar de um tumor pulmonar maligno, de diagnóstico reservado com alto poder metastático. A monitoração será feita através de exames radiográficos quinzenais e sinais clínicos. 69 14 DISCUSSÃO Segundo as referências utilizadas, em sua totalidade, lobectomia e biópsia linfonodal têm melhor acesso pela toracotomia lateral entre a 4º, 5º ou 6º EIC, porém, a escolha pela esternotomia mediana proporcionou visualização pulmonar, mediastínica e hilar ampla, com avaliação estrutural adequada. A letargia, obesidade, hipotermia fisiológica leve e a hipercolesterolemia observada no exame clínico é compatível com o hipotireoidismo do paciente. Porém, um ajuste da dose da levotiroxina é necessário, pela variação individual na absorção gastrointestinal e no metabolismo hormonal, visando diminuir sinais da doença. (TILLEY & SMITH JR, 2008). Segundo Fossum (2002), a deiscência de pontos, é uma complicação esperada em esternotomia mediana quando houver desvio das esternébras, porém foi atribuído a permanência do animal em posição ventrodorsal, o atraso na cicatrização. O protocolo anestésico poderia incluir Bupivacaína na dose 2 mg/kg, em aplicação interpleural ou bloqueio nervoso intercostal, segundo Fossum (2002) toracotomias produzem dor substancial. O sulfato de morfina no pós-operatório promoveu analgesia desejada. Tumor pulmonar primário é raro, mas firmou-se a predisposição etária de 5-12 anos (FOX & KING, 1998; BAEZ & SORENMO, 2005) e racial (MOULTON,1990; FOX & KING, 1998). A paciente não apresentou qualquer sinal de deficiência respiratória ou intolerância a exercícios no pós-lobectomia, firmando Fossum (2002) e Monnet (2005) que atestam que o cão pode perder 50% do seu volume pulmonar. A compressão bronquial e pulmonar causada por massa tumoral é uma das causas de tosse improdutiva e paroxística em animais, no pós-cirúrgico imediato observou-se ausência de tal sinal (TILLEY & SMITH JR, 2008). A radiografia torácica foi de grande importância no diagnóstico da neoplasia pulmonar (MOULTON, 1990; FOX & KING, 1998; OWENS & BIERY, 1999; WITHROW, 2001; FARROW, 2003; STRAW, 2005; KESSLER, 2006; WILSON & DUNGWORTH, 70 2002). A incidência ventrodorsal indicou melhor a localização da lesão, firmando Farrow (2003) que considera esta à melhor exposição para visualização da neoplasia pulmonar. O exame histopatológico através de biopsia excisional foi decisivo na avaliação do prognóstico do paciente oncológico, pela classificação acurada da neoplasia (MOULTON, 1990; WILSON & DUNGWORTH, 2002;). Os efeitos gastrintestinais, hematêmese, do anti-inflamatório inibidor de COX-2, Meloxicam na dose 0,02 mg/Kg/dia, observados no paciente após 5 dias de tratamento, confirmam os estudos de Alencar et al. (2003) das conseqüências deletérias, dosedependentes, do Meloxicam em cães. Nas cirurgias torácicas, segundo Fossum (2002), os patógenos prováveis são Staphylococcus spp. e bacilos gram-negativos, justificando o uso de antibioticoterapia com Cefalotina Sódica. A presença de enfisema subcutâneo pode ocorrer no momento da retirada do dreno torácico por má técnica de fechamento e por movimentação excessiva (JACOBS, 1995). Ishizaki (2005) em seu estudo atribuiu o enfisema subcutâneo após lobectomia parcial em gatos, a uma migração do ar referente ao pneumotórax residual para o espaço subcutâneo. A recolocação de dreno torácico e bandagem torácica compressiva foram eficientes no tratamento. A lobectomia como tratamento foi paliativo, não curativo (FOSSUM & ROGERS, 1998; WITHROW, 2001; STRAW, 2005). O prognóstico do carcinoma bronquíoloalveolar com micrometástase é ruim. A expectativa de sobrevida é de 8 meses em média, segundo Fossum e Rogers (1998), Fox e King (1998), Withrow (2001), Wilson e Dungworth (2002). Wilson e Dungworth (2002), citam o uso de quimioterápicos como cisplatina e vindesine, ou doxorrubicina ou ainda mitoxantrone, como alternativa de tratamento, protelando recidiva tumoral e aumentando a sobrevida. Seguindo as recomendações de Farrow (2003) e Kessler (2006), a monitoração será feita através de exames radiográficos quinzenais. 71 15 CONCLUSÃO A esternotomia mediana para exérese de lobo cranial esquerdo e linfonodos mediastínicos seguida de biópsia, foi uma boa escolha no tratamento do carcinoma bronquíolo-alveolar, propiciando acurácia de diagnóstico, diminuindo sinais respiratórios e aumentando sobrevida do paciente, mesmo se tratando de uma neoplasia de prognóstico ruim. 72 16 REFERÊNCIAS ALENCAR, M. M. A; PINTO, M. T.; OLIVEIRA, D. M.; PESSOA, A. W. P.; CÂNDIDO, I. V.; VIRGÍNIO, C. G.; COELHO, H. S. M.; M ROCHA, M. F. G. Margem de segurança do meloxicam em cães: efeitos deletérios nas células sangüíneas e trato gastrintestinal. Ciência Rural, Santa Maria, vol. 33, n. 3, may-june, 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010384782003000300021. Acesso em 16 mai. 2009. BAEZ, J. L.; SORENMO, K. U. Pulmonary and bronchial neoplasia. In: KING, L. 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O tratamento depende da etiologia, porém baseia-se em cuidados no fornecimento do alimento. A terapia medicamentosa esta associada com as complicações. O prognóstico é ruim. A mortalidade está relacionada à pneumonia por aspiração, falta de concordância com o proprietário e desnutrição. Procedimentos cirúrgicos não fazem parte da prática clinica. A plicatura na parede esofágica foi criada por Meyer (1910), para redução do diâmetro luminal, através do pregueamento do tecido dilatado. Este trabalho tem como objetivo relatar um caso de plicatura esofágica para correção de megaesôfago, em uma fêmea, canina, SRD. Palavras chave: megaesôfago, plicatura, regurgitação, correção cirúrgica, cão. 78 17.2 ABSTRACT Megaesophagus is a term that refers to esophageal dilation and hypomotility, resulting from primary or secondary disorder. It is classified as: congenital, acquired idiopathic and secondary acquired. Is the main cause of regurgitation through the mouth or nostrils, as hypomotility leads to accumulation and retention of food and fluid in the esophagus. Other complications are associated with cough, nasal fluid mucus-purulent, dyspnea, pneumonia due to aspiration and progressive weight loss. The diagnosis is based on analysis of clinical signs, history and additional examinations such as radiographs, contrast esophagogram, endoscopy and scintigraphy. Treatment depends on etiology, but based on the care of the food supply. The drug therapy is associated with complications. The prognosis is poor. Mortality is caused by to aspiration pneumonia, a lack of agreement with the owner and cachexia. Surgical procedures are not part of clinical practice. Plication in the esophageal wall was created by Meyer (1910), to reduce the luminal diameter, by the wrinkling of dilated tissue. This paper aims to report a case of esophageal plication to correct megaesophagus in a female, canine, SRD. Keywords: megaesophagus, plication, regurgitation, surgical repair, dog. 79 18 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 18.1 ESÔFAGO O esôfago tem como função o transporte de alimentos até o estômago. Sua ação é controlada por mecanismos reflexos principalmente pelo nervo vago. Conforme o alimento passa pela faringe estimula os mecanismos de peristaltismo no esôfago, contraindo as porções superiores e relaxando as porções inferiores, fazendo com que o fluxo seja unidirecional em direção ao estômago (SHAFIK, 1999 apud BONFADA, 2005). As porções cervical e torácica proximal do esôfago situam-se a esquerda da linha média, porém desde a bifurcação traqueal até o estômago localiza-se ligeiramente à direita (HEDLUND, 2002). A parede do esôfago é composta por quatro camadas: adventícia, muscular (com dois níveis oblíquos), submucosa e mucosa. Não há camada serosa como em outras partes do trato gastrintestinal, fazendo com que se torne o local mais propício para deiscência de sutura, pois a selagem com fibrina é mais lenta após uma lesão (HEDLUND, 2002; SHELTON, 1998, 2003; OLSEN, 2002; BONFADA, 2005). Mas segundo ressaltou Shelton (1998, 2003), a porção torácica esofágica é revestida em ambos os lados pela pleura mediastinal e que esta pode funcionar como fonte de células mesoteliais e fibrina na vedação das feridas esofágicas. A vascularização da porção cervical do esôfago é derivada da artéria tireóidea cranial e caudal, aproximadamente dois terços proximais do esôfago torácico é suprido pelos ramos broncoesofágicos da aorta, já o terço final é suprido pelos ramos aórtico e intercostais e pelos ramos esofágicos distais da artéria gástrica esofágica esquerda (TWED et al, 1997; HEDLUND, 2002). Além de uma rede vascular intramural na camada submucosa, que segundo Shelton (1998, 2003) e Hedlund (2002) vão garantir a vascularização adequada para cicatrização cirúrgica. O reflexo de motilidade esofágica começa quando o alimento estimula neurônios sensoriais aferentes na mucosa esofágica, a qual manda mensagens para o centro da 80 deglutição no tronco cerebral, via nervo vago. Mensagens eferentes dos motoneurônios inferiores no núcleo ambíguo viajam pelo nervo vago e estimulam a contração dos músculos liso e estriado do esôfago. Lesões em qualquer parte deste caminho incluindo a junção mioneural, podem resultar em hipomotilidade e distensão esofágica (TWED et al, 1997; SPILLMANN, 2007; TILLEY & SMITH, 2008). 18.2 MEGAESÔFAGO Megaesôfago é termo que se refere à dilatação e hipomotilidade esofágica, resultante de distúrbio primário, ou secundário à obstrução esofágica ou disfunção neuromuscular (TILLEY & SMITH, 2008). A dilatação generalizada ou segmentar decorre de distúrbios neuromusculares que prejudicam a motilidade esofágica, manifestando desde disperistaltismo até aperistaltismo (JONES, 2000; MCKERRELL, 2001; SPILLMANN, 2007). É classificado em: congênito, adquirido idiopático e adquirido secundário (TORRES, 1997; WASHABAU, 2001; MCKERRELL, 2001). A etiologia do megaesôfago congênito ainda é desconhecida, mas alguns autores sugerem que possa ser devido a uma falha sensorial ou uma lesão no centro de deglutição, mais especificamente na região medial da formação reticular lateral do tronco cerebral, ocorrendo, desta forma, problemas no peristaltismo esofágico em animais jovens, iniciando no desmame (TORRES, 1997; WASHABAU, 2001; ANDRADE et al., 2007; TILLEY & SMITH, 2008). Tem como predileção racial, o Fox Terriers Pêlo de Arame e Schnauzers Miniaturas, Pastor Alemão, Newfoundland Dinamarquês, Great Dane, Setter Irlandês, Shar Pei, Pug, Greyhound (SPILLMANN, 2007; TILLEY & SMITH, 2008) e Labrador (BROOKS, 2008). O megaesôfago adquirido idiopático ocorre na idade adulta, sem antecedentes de problemas esofágicos, porém acomete principalmente animais entre 7 a 15 anos de idade (WASHABU, 2001; BROOKS, 2008), que sofreram algum estresse importante, como fraturas, traumatismos (TORRES, 1997; ANDRADE et al., 2007). Após estudos 81 etiológicos, Washabau, (2001) atribuiu a um defeito na resposta neuronal aferente para dilatação esofágica. Megaesôfago adquirido secundário é conseqüente de qualquer condição que provoque o rompimento do reflexo nervoso, controlador da deglutição, ou que afete o funcionamento do músculo esofágico (ETTINGER, 1997; BROOKS, 2008), ou ainda, reflexo de alterações motoras no esôfago ou no esfíncter gastro-esofágico, determinando uma dilatação passiva do mesmo (WASHABU, 2001; ANDRADE et al., 2007). As principais causas de megaesôfago secundário são miastenia grave (25%) (WASHABAU, degenerativas, 2001), lúpus eritematoso, hipoadrenocorticismo, polimiosite, hipotireoidismo, polineurite, deficiência neuropatias de tiamina, intoxicações por metais pesados (chumbo etálio), neoplasias (principalmente timoma), granuloma, anomalia do anel vascular, compressão periesofágica, obstrução esofágica, problemas cervicais (TORRES, 1997; ANDRADE et al., 2007; SPILLMANN, 2007; BROOKS, 2008), tétano (GAIGA et al, 2006). Na disautonomia, segundo Brooks (2008), 60% dos pacientes têm megaesôfago. A síndrome envolve uma ruptura total do conjunto do sistema nervoso autônomo, levando à disúria, midríase, megacólon, flácidez anal, ceratoconjuntivite seca e, naturalmente, megaesôfago. A miastenia grave é a causa mais comum de megaesôfago adquirido (MCKERRELL, 2001; WASHABAU, 2001; JOHANN et al, 2006; ANDRADE et al., 2007), sendo dividida em: congênita ou adquirida. A adquirida é um distúrbio imunomediado em que são direcionados autoanticorpos contra os receptores de acetilcolina na junção neuromuscular, e classifica-se em generalizada ou localizada. A primeira caracteriza-se por uma fraqueza exacerbada e afeta toda a musculatura, enquanto que a localizada apresenta sinais clínicos atribuíveis a megaesôfago, mas não apresenta fraqueza apendicular em cães. Na congênita os animais têm uma deficiência de receptores de acetilcolina (SHELTON, 1998; 2003; NELSON, 2001; JOHANN et al, 2006). O megaesôfago constitui a principal causa de regurgitação através da boca ou narinas, pois a motilidade esofágica encontra-se diminuída ou ausente, resultando no acúmulo e na retenção de alimento e líquido no esôfago (SHELTON, 1998; 2003; JONES, 2000; MCKERRELL, 2001; SPILLMANN, 2007). Clinicamente, no início observa-se um quadro agudo de regurgitação, ao fornecer alimento sólido ou semi- 82 sólido ao animal, podendo ocorrer após minutos ou horas (HEDLUND, 2002; SPILLMANN, 2007). Além de regurgitação via nasal, sialorréia, halitose, tentativas repetidas de deglutição com extensão ou torção da cabeça e pescoço (SHELTON, 1998; 2003), tosse, corrimento nasal mucopurulento, dispnéia, pneumonia por aspiração e emagrecimento progressivo (WASHABAU, 2001; 2004; SPILLMANN, 2007; TILLEY & SMITH, 2008). O diagnóstico baseia-se na análise dos sinais clínicos, anamnese e exames complementares. Na radiografia simples, visualiza-se o esôfago com gás, fluido ou ingesta e deslocamento da traquéia e coração (Figuras 25A e B). Já na esofagografia contrastada, com bário, delimita a dilatação esofágica bem como o acúmulo de contraste, motilidade esofágica anormal e constrição. (MCKERRELL, 2001; SPILLMANN, 2007; BROOKS, 2008). A endoscopia pode ser usada para fazer diagnóstico diferencial com corpos estranhos e neoplasias além de verificar ulcerações luminais. A cintilografia nuclear mensura a taxa de transporte de alimentos marcado radioativamente através do esôfago (TILLEY & SMITH, 2008; BROOKS, 2008). FIGURA 25 ± RADIOGRAFIA ESOFÁGICA (A) NORMAL. (B) MEGAESÔFAGO ( ) A B FONTE: www.marvistavet.com/html/body_megaesophagus.html O tratamento do megaesôfago direciona, primeiramente, para qualquer etiologia subjacente identificada (MCKERRELL, 2001; GERMAN & ZENTEC, 2008). A alimentação do animal para produzir bons resultados, deve ser em posição elevada num ângulo de 45 a 90º ao solo (Figuras 26A e B), mantê-lo por 10 a 15 minutos em posição bipedal depois da alimentação. Alimentação pastosa produz pouca regurgitação, no entanto a consistência da dieta deve ser individualizada para cada 83 paciente. Pacientes com regurgitação grave podem precisar de alimentação parenteral por meio de sonda gástrica (JONES, 2000; WASHABAU, 2001; MCKERRELL, 2001; GERMAN, 2005; SPILLMANN, 2007; BROOKS, 2008; TILLEY & SMITH, 2008). Para o megaesôfago adquirido secundário, outros testes diagnósticos devem ser considerados, por exemplo: sorologia para anticorpos receptores nicotínicos de acetilcolina (miastenia grave) (JOHANN et al, 2006), função tireoidiana de ensaio (hipotireoidismo); ACTH estimulação (hipoadrenocorticismo); sorologia para anticorpos antinucleares (lúpus eritematoso); atividade do soro creatinafosfoquinase (neoplasias); eletromiografia (doenças neuromusculares e/ou miopatias) e biópsia (WASHABAU, 2001). O tratamento medicamentoso dirige-se para a causa subjacente ou condições associadas. Antibioticoterapia de amplo espectro é necessário sistemicamente para pacientes com pneumonia por aspiração, ou parenteral via sonda gástrica. Predinizolona e Inibidores de Acetilcolinesterase são utilizados em miastenia grave. Sulcralfato, Bloqueadores de H2 ou Omeprazol quando houver esofagite de refluxo. Metoclopramida e Cisaprida aceleram o esvaziamento gástrico, aumentam o tônus do esfíncter gastroesofágico (WASHABAU, 2001; GERMAN, 2005; TILLEY & SMITH, 2008). FIGURA 26 ± (A) ALIMENTAÇÃO ELEVADA. (B) BAILEY CHAIR® A FONTE: A flickr.com/photos/trendypet/439227473 B . www.geocities.com/bailey_chair/Page2 B 84 Segundo Washabau (2001; 2004), animais com megaesôfago congênito idiopático têm um prognóstico equitativo. Dependente da atenção adequada às necessidades calóricas e da prevenção da pneumonia aspirativa, muitos animais desenvolverão motilidade esofágica melhorando ao longo de vários meses, contradizendo Torres (2000), que considera um prognóstico ruim, com mortalidade de 74% no primeiro ano de vida. Para o megaesôfago adquirido idiopático, a morbidade e mortalidade continuam altos, devido desnutrição crônica e episódios repetidos de pneumonia aspirativa. Animais com megaesôfago adquirido secundário têm um prognóstico mais favorável se a doença de base for diagnosticada. Casos refratários resultam da distensão esofagiana crônica, degeneração nervosa mientérica e atrofia muscular (WASHABAU 2001; 2004). 18.3 CIRURGIAS PARA MEGAESÔFAGO Cirurgicamente nenhum método melhora a motilidade esofágica. No megaesôfago adquirido secundário faz-se a cirurgia de correção das anomalias de anel vascular, já a esofagotomia e a esofagoectomia são utilizadas para remover corpos estranhos ou neoplasia esofágica. A cardiomiotomia de Heller reduz o tônus esofágico inferior e pode melhorar o movimento facilitado pela gravidade da ingesta para dentro do estômago (FINGEROTH, 1998; TORRES, 2000; HEDLUND, 2002; TILLEY & SMITH, 2008). A plicatura na parede esofágica foi criada por Meyer (1910) (Figura 27), para redução do diâmetro luminal, através do pregueamento do tecido dilatado, com suturas franzidas do tipo de Lembert, sem invadir o lúmen. Recentemente o procedimento voltou a ser utilizado nos casos de megaesôfago avançado como complemento da cardiomiotomia. Fingeroth (1998) e Kyles (2007), porém ressaltam que embora o pregueamento possa fazer com que o esôfago pareça melhor, não altera a capacidade de fazer a propulsão aboral do material ingerido, aumenta risco de complicações, ou seja, é improvável que gere qualquer benefício clínico para o paciente. Fingeroth (1998), 85 também contesta a técnica em animais, pois segundo estudos gera uma regurgitação intratável, além do risco de contaminação. Reisinger (1907) criou uma técnica para reduzir o diâmetro do esôfago na acalásia, retirando uma faixa da parede do esôfago, esofagoectomia (Figura 28). FIGURA 27 ± PLICATURA, MEYER, 1910 FIGURA 28 - ESOFAGOECTOMIA, REISINGER, 1907 FONTE : Rezende (2007) http://www.misodor.com/CIRURGIAESOFAGO.html Em seu trabalho, Torres (2000) descreve a cardioplastia esôfago-diafragmática, em 10 cães portadores de megaesôfago congênito, para corrigir artificialmente a paralisia da porção final do esôfago torácico, através da atividade contrátil do diafrágma durante a respiração (Figura 29), obtendo resultados positivos em 9 deles, com a recuperação do estado nutricional e melhora no transporte esofagiano. FIGURA 29 ± CICLO REPIRATÓRIO PÓS-CARDIOPLASTIA ESÔFAGO-DIAFRAGMÁTICA FONTE : Torres (2000). Cardioplastia Esófago Diafragmática como tratamiento del megaesôfago total congênito idiopático em el perro. 86 Em experimentos com suínos, Azevedo, et al (2004), testou o uso da plicatura gástrica na miototomia esofágica por laparoscopia, visando tratamento de megaesôfago refratário. Observando atraso na cicatrização, intervenção mais demorada, descontinuidade na musculatura esofagiana incisada, bem como aumento luminal. Não obtendo resultados satisfatórios Em humanos, Valezi, et al. (2004) relataram a eficácia da cardiomiotomia com fundoplicatura parcial por vídeo-laparoscopia (Heller-Dor) no tratamento de 12 pacientes portadores de megaesôfago grau II. Herbella et al. (1999) em estudo retrospectivo de 83 casos, 1977 a 1995, também atesta que cardiomiotomia associada a fundoplicatura é a cirurgia de escolha dos cirurgiões para o tratamento do megaesôfago, mostrando ser uma operação segura e com bons resultados. Medeiros (2007), em sua monografia para conclusão de residência médica em clínica cirúrgica, relatou os vários métodos de tratamento cirúrgico para megaesôfago em humanos, desde a simples supressão da dificuldade do esvaziamento esofágico até a criação de um mecanismo valvular que impeça o refluxo gastroesofágico, fornecendo opções de tratamento adequado ao seu grau de evolução. 87 19 RELATO DE CASO Foi atendido no HVU-UFSM, dia 31 de março, um canino, fêmea, sem raça definida, com 3 anos de idade e 13 kg de massa corporal. Na anamnese o proprietário relatou que há 1 mês havia substituído a ração do animal e à partir deste dia, o animal apresentava regurgitação ao ingerir alimento ou água, emagrecimento, urina com odor forte. Anteriormente havia levado o animal a uma clínica veterinária particular que o aconselhou voltar à ração inicial. Não apresentando sinais de melhora, foi encaminhado ao HVU-UFSM. Ao exame clínico constatou-se: estado nutricional regular, desidratação > 5%, mucosas hiperêmicas, sem vacinações regulares, sem alterações na ausculta cardíaca, 120 bpm, reflexo de tosse, estertor pulmonar, 32 movimentos respiratórios por minuto, temperatura retal de 39ºC, aparentemente sem linfonodos reativos. O exame hematológLFRUHYHORXOHXFRFLWRVHȝ/OHXFyFLWRV WRWDLVHȝ/VHJPHQWDGRV No perfil bioquímico (ALT, FA, uréia, creatinina), somente a uréia (12 mg/dL) estava abaixo dos padrões normais. Foram realizados exames radiográficos, ventrodorsal e laterolateral, de tórax e esofagograma contrastado, com sulfato de bário, do aparelho digestório. Radiograficamente as imagens torácicas eram sugestivas de pneumonia por aspiração, com padrão pulmonar bronquioalveolar e deslocamento ventral da traquéia. FIGURA 30 ± ESOFAGOGRAMA CONTRASTADO. (A) LL. (B) VD A FONTE: UFSM e TUCHOLSKI, 2009 B 88 Já o esofagograma contrastado, ressaltou esôfago estruturalmente bem aumentado, dilatado na porção torácica, sugestiva de megaesôfago (Figuras 30A e B), bem como hipomotilidade pelo acúmulo de contraste. O esôfago cervical não foi avaliado radiograficamente. Inicialmente foi restabelecida a hidratação, com Ringer lactato. Seguido de tratamento para pneumonia com Amoxicilina e Ácido Clavulônico, BID, na dose de 15 mg/kg/VO durante 30 dias. Recomendou-se também, fornecer alimento pastoso e água em posição elevada num ângulo de 45 a 90º ao solo e sustentação por 10 a 15 minutos em posição bipedal. Foi encaminhado para cirurgia de plicatura em megaesôfago no dia 22 de abril. Após aplicação intramuscular da medicação pré-anestésica com Sulfato de Morfina 0,5 mg/kg e Maleato de Midazolan 0,4 mg/kg, foi realizado ampla depilação da região torácica esquerda. Fez-se canulação de veia cefálica com cateter 20G, fluidoterapia de Ringer lactato, indução IV com Propofol a 1% dose-efeito, intubação endotraqueal com sonda de nº 7 e mantido em plano de anestesia cirúrgica pela inalação de isofluorano vaporizado em oxigênio a 100%. Em decúbito lateral direito (Figura 31A) e após antissepsia, na seqüência Álcool 70%, PVPI, Álcool 70%, instilados em gaze estéril e pinça de Duval, delimitou-se a região torácica esquerda, com panos de campo estéreis e pinças de Backhaus. Realizou-se incisão no 5º EIC esquerdo (Figura 31B), de pele, tecido subcutâneo e músculo do tronco cutâneo, com bisturi cabo número 4 e lâmina número 24. A incisão estendeu-se desde próximo aos corpos vertebrais, 12 cm aproximadamente em direção ao esterno. FIGURA 31 ± (A) PRÉ-OPERATÓRIO. (B) INCISÃO A FONTE: UFSM e TUCHOLSKI, 2009 B 89 Seguiu-se as incisões dos músculos: grande dorsal, escaleno, peitoral, serrátil ventral, intercostal externo, intercostal interno, e na pleura com tesoura de Mayo. Após a abertura torácica o paciente seguiu o trans-operatório com ventilação controlada e pressão positiva intermitente. Gaze umedecida com solução fisiológica NaCl 0,9%, foram colocadas nas bordas incisadas e o afastador de Finochietto foi posicionado para abrir as costelas e facilitar a visualização esofágica. Uma sonda nasogástrica, foi introduzida para determinar o diâmetro da luz esofágica e impedir o total colabamento da estrutura. Após identificação das saculações esofágicas (Figura 32A) e dissecação mediastínica, iniciou-se a técnica de plicatura esofágica, na porção torácica caudal, em direção ao esôfago torácico cranial. Pontos padrão Walking Suture interrompidos, com fio não absorvível mononáilon número 3-0, passando pelas camadas adventícia e muscular ventral do esôfago, depois abaixo do nervo vago(Figura 32B), seguindo com pontos intermediários até porção dorsal esquerda (Figura 33A). FIGURA 32 ± (A) ESÔFAGO ( ); NERVO VAGO ( PLICATURA ( ) A ). (B) PONTO DE B FONTE: UFSM e TUCHOLSKI, 2009 As suturas são aplicadas com distanciamento de 0,5 a 1 cm aproximadamente, fazendo um pregueamento do tecido redundante, sem invadir o lúmen. Para melhor visualização da porção esofágica cranial, foi realizada outra incisão no 3º EIC, rebatendo a pele e subcutâneo da primeira ferida cirúrgica (Figura 33B). A plicatura seguiu até que o esôfago voltasse a sua forma tubular (Figura 33C), guiado pela sonda esofágica. Uma sonda torácica com orifícios adicionais foi posicionada entre as costelas no 7º EIC saindo no 9º EIC e fixada com sutura em sapatilha romana, finalizando com 90 uma sutura de Muller (pele e costela) utilizando fio não absorvível mononáilon número 3-0. FIGURA 33 - (A) PLICATURA NA PORÇÃO CAUDAL ( ). (B) SEGUNDA INCISÃO. (C) PLICATURA NA PORÇÃO CRANIAL ( ). (D) TORACORRAFIA A B C D FONTE: UFSM e TUCHOLSKI, 2009 Após inspeção dos pulmões iniciou-se a toracorrafia (Figura 33D), com précolocação de quatro suturas, padrão simples interrompido, em cada incisão, com fio não absorvível, de seda número 0. Seguiu-se a sutura dos músculos: serrátil ventral, escaleno, peitoral e grande dorsal com padrão Walking Suture interrompida. A síntese do tecido subcutâneo seguiu padrão Wolff contínua e fio absorvível poliglactina 910 número 3-0, a aproximação de pele com padrão Wolff interrompida e fio não absorvível mononáilon número 4-0. A pressão negativa foi restabelecida com torneira de três vias e seringa de 20 ml. No pós-operatório imediato a ferida cirúrgica foi limpa com solução fisiológica NaCl 0,9% e água oxigenada. O tórax e a sonda foram envolvidos por uma bandagem. 91 No pós-operatório, para analgesia foi aplicado, Cloridrato de Tramadol, BID, 2mg/kg/IM associado à dipirona, BID, 20 mg/Kg/SC durante 5 dias; antibioticoterapia com Cefalotina Sódica, TID, 30 mg/Kg/IM por 5 dias; Metoclopramida, TID, 0,2mg/Kg/VO, para ajudar no esvaziamento gástrico; alimentação líquida por 4 dias e posteriormente alimentação pastosa e água em posição elevada. A sonda foi retirada após 24 horas. O animal ficou internado por 4 dias, sem sinais de regurgitação, recebendo fluidoterapia com solução fisiológica NaCl 0,9% (500 ml) na velocidade de 10 ml/Kg/h, acrescida de 2 ampolas de frutose. Segue o tratamento do animal, com acompanhamento alimentar, clínico e radiográfico. O paciente foi internado novamente no dia 08/05, pois o proprietário não conseguia seguir as recomendações alimentares e ele voltou a regurgitar. Mantêm-se estável. Após radiografia cervical, com imagens sugestivas de dilatação, foi encaminhado para plicatura esofágica na porção cervical no dia 16/05. 92 20 DISCUSSÃO Segundo Washabau (2001; 2004), no megaesôfago congênito os sinais de regurgitação aparecem inicialmente ao desmame e as formas adquiridas são relatadas mais frequentemente em adultos jovens a animais de meia idade. Como se trata de um animal de 3 anos, adotado há 2 anos e sem histórico de regurgitação anterior, diagnosticou-se como megaesôfago adquirido. Avaliações e testes subseqüentes visam determinar se é secundário ou idiopático, porém a realização destes depende da autorização do proprietário devido custo elevado. Durante o ato cirúrgico descartou-se algumas etiologias do megaesôfago adquirido secundário como anomalias de anel vascular, estenoses cicatriciais, corpos estranhos e neoplasias intraluminais (ANDRADE, 2007 apud TORRES, 1997; SPILLMANN, 2007; BROOKS, 2008). Os sinais clínicos de regurgitação, de alimentos sólidos e líquidos, após alimentação (HEDLUND, 2002; SPILLMANN, 2007), tosse, pneumonia por aspiração e emagrecimento progressivo, observados na anamnese e exame clínico são característicos de megaesôfago (WASHABAU, 2001; 2004; SPILLMANN, 2007; TILLEY & SMITH, 2008). A radiografia simples torácica sugerindo pneumonia por aspiração e deslocamento da traquéia, juntamente com o esofagograma contrastado com evidente dilatação esofágica e hipomotildade, confirmam Brooks (2008), Mckerrell (2001) e Spillmann (2007) da necessidade de realização desses exames para diagnóstico e prognóstico. O esôfago cervical deveria ter sido avaliado radiograficamente na mesma ocasião, para o paciente não ter de ser submetido a outro procedimento cirúrgico e anestésico. Antibioticoterapia com Amoxicilina e Ácido Clavulônico, BID, na dose de 15 mg/ kg/VO para tratamento da pneumonia por aspiração é citada por Tilley e Smith (2008), em adição, inalações com corticosteróide ou broncodilatadores, poderiam ter sido utilizados. Porém, Brooks (2008) ressalta que a terapia imunossupressora pode exacerbar as infecções secundárias e retardar cicatrização. 93 Nas cirurgias torácicas, segundo Fossum (2002), os patógenos prováveis são Staphylococcus spp. e bacilos gram-negativos, justificando o uso de antibioticoterapia com Cefalotima Sódica. Cirurgias torácicas exigem analgesia (FOSSUM, 2002). O Cloridrato de Tramadol, BID, 2mg/kg/IM associado à Dipirona, BID, 20 mg/Kg/SC foram eficientes no controle da dor. O uso de Metoclopramida, TID, 0,2mg/Kg/VO, seguiu recomendações de Washabau (2001), German (2005) e Tilley e Smith, (2008), para acelerar o esvaziamento gástrico e aumentar o tônus do esfíncter gastroesofágico. Tratamento cirúrgico em megaesôfago é controverso. A maioria dos autores não recomenda. Em humanos, uma revisão do histórico cirúrgico para a doença descreveu dez tipos de abordagem diferentes, não obtendo sucesso absoluto em nenhuma delas (REZENDE, 2007). A plicatura realizada, segundo Fingeroth (1998) e Kyles (2007), não altera a capacidade de fazer a propulsão aboral do material ingerido, e provavelmente não gere qualquer benefício clínico para o paciente. Entretanto, foi observado já no pósoperatório ausência de regurgitação. O animal foi internado novamente, devido regurgitação, no pós-operatório porque não houve empenho do proprietário em manter alimentação de qualidade e em posição elevada, num ângulo mínimo de 45º ao solo, e sustentação por 10 a 15 minutos em posição bipedal (JONES, 2000; WASHABAU, 2001; MCKERRELL,2001; GERMAN, 2005; SPILLMANN, 2007; BROOKS, 2008; TILLEY & SMITH, 2008). No internamento não apresentou mais sinais de regurgitação. Outra alternativa cirúrgica, descrita por Torres (2000), seria associar a plicatura esofágica e a cardioplastia esôfago-diafragmática no intuito de melhorar o transporte esofagiano e qualidade de vida do animal. O prognóstico é ruim para essa paciente devido à desnutrição, pneumonia aspirativa e não comprometimento por parte do proprietário (WASHABAU, 2001; 2004). 94 21 CONCLUSÃO A plicatura esofágica pode ser uma alternativa cirúrgica para a correção de megaesôfago, mesmo não sendo curativa ou melhorando o movimento peristáltico, mas por propiciar diminuição ou ausência de regurgitação e suas complicações associadas. 95 22 REFERÊNCIAS ANDRADE, S. F.; NOGUEIRA, R. M. B.; MELCHERT, A.; DA SILVA, M. P. C.; MOTTA, Y. P.; BRINHOLI, R. B.; TOSTES, R. A.; SANCHES, O. Megaesôfago secundário a miastenia grave em uma cadela da raça Pastor Alemão. Ciências Agrárias, Londrina, v. 28, n. 3, p. 477-482, jul./set. 2007. Disponível em:http://www2.uel.br/proppg/semina/ pdf/semina_28_3_19_16.pdf. Acesso em: 21 mai., 2009. AZEVEDO, J. L. M. C.; KOZU, F. O.; SORBELLO, A. A.; AZEVEDO, O.; MENEZES, F. J. C. 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Além da convivência com os docentes, doutorandos, mestrandos, residentes e estudantes de Medicina Veterinária, construindo laços de amizade e contato profissional. Resultando em um grande incentivo na busca de especialização na área escolhida, além da realização pessoal nas oportunidades em que o trabalho desenvolvido durante o período foi reconhecido, trazendo gratificação, contudo em ocasiões opostas, proporcionou crescimento, experiência e preparo para a caminhada que está por vir. 18 1 INTRODUÇÃO O presente Trabalho de Conclusão de Curso refere-se ao estágio realizado no Hospital Veterinário Universitário (HVU-UFSM), no período de 2 de março de 2009 a 8 de maio de 2009 e tem como finalidade descrever os casos clínico cirúrgicos que foram observados no período, assim como as revisões bibliográficas de cada caso em questão. O estágio obrigatório foi realizado no setor de Clínica Cirúrgica de Pequenos Animais de 3 de março de 2009 à 4 de abril de 2009 e no Laboratório de Cirurgia Experimental (LACE) de 6 de abril de 2009 à 8 de maio de 2009, acompanhando os procedimentos de rotina do HVU-UFSM, onde o discente teve oportunidade de aplicar os conhecimentos obtidos no período de sua graduação e adquirir novos, acompanhar as cirurgias e trabalhos experimentais, assistir aulas da graduação e pós-graduação, além da convivência com os profissionais da instituição, como docentes, doutorandos, mestrandos e residentes. O HVU-UFSM está localizado no setor 72, dentro do complexo da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no bairro Camobi, na cidade de Santa Maria, RS. Durante o período de estágio foram cumpridas 392 horas de atividades na Clínica Cirúrgica de Pequenos Animais, sob a orientação profissional do Médico Veterinário Msc. Fabiano Zanini Salbego e com supervisão acadêmica da Médica Veterinária Dmv. Phd. Neide Mariko Tanaka. Neste trabalho estão descritos o local do estágio, a casuística do período e o relato de três casos clínico cirúrgicos, com suas respectivas revisões bibliográficas. Os casos são: Panartrodese rádio-carpiana com enxerto esponjoso homógeno e tratamento com ultrassom de baixa intensidade; Esternotomia mediana para lobectomia e exérese de carcinoma bronquíolo-alveolar e Plicatura esofágica para correção de megaesôfago. 19 2 DESCRIÇÃO DO LOCAL DE ESTÁGIO O Hospital Veterinário Universitário (HVU- UFSM) foi inaugurado no dia 6 de outubro de 1973, sendo uma subunidade do Centro de Ciências Rurais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), dotado de instalações específicas para o atendimento tanto de pequenos como grandes animais. Possui, atualmente, área construída de aproximadamente 3.600 m2, além de uma área para internação de animais a campo de 25 hectares, localiza-se na cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul. O atendimento do hospital é de segunda à sexta, das 7:30 horas às 18 horas, com plantões nos finais de semana para atendimento dos animais internados. O corpo clínico do HVU-UFSM (Figura 1) é composto no Bloco 2 de dois residentes, quatro professores que faziam plantões na área da Clínica Médica; quatro mestrandos, cinco doutorandos e três professores na área de Clínica Cirúrgica; um mestrando, dois doutorandos e um professor na Neurologia; um professor na área de oftalmologia; três mestrandos, um doutorando e um professor e na área de Anestesiologia; dois funcionários no bloco cirúrgico; dois técnicos e dois professores na área de Diagnóstico por Imagem; duas enfermeiras responsáveis pela Internação. Já o Laboratório de Cirurgia Experimental (LACE) ou Bloco 5 é composto de cinco mestrandos, sete doutorandos e cinco professores na Cirurgia Experimental; três mestrandos, um doutorando e um professor na área de Anestesiologia Experimental; dois funcionários no bloco cirúrgico. A estrutura física do hospital, Bloco 2, é composta de recepção, sala de espera, três ambulatórios para atendimento clínico, sendo um deles para ministrar aula prática concomitante, um ambulatório destinado a atendimento de neurologia e oftalmologia e um para animais silvestres. A internação possui vinte e quatro gaiolas de alumínio de tamanhos variados e uma sala conjugada para curativo e medicação dos animais internados. O centro cirúrgico de pequenos animais é composto de quatro salas para cirurgia de rotina, dois vestiários (masculino e feminino), uma sala de recuperação, uma sala de materiais e ainda acesso à sala de esterilização. Possui aparelhos de anestesia inalatória disponíveis em cada sala, monitor cardíaco, oxímetro, aspirador e eletrocautério. A estrutura comporta também farmácia, 20 laboratório de análises clínicas, salas de professores, salas de aula, sala de radiologia e ultrassonografia, sala de fisioterapia, lavanderia, almoxarifado, sala de esterilização. O Bloco 4 é para atendimento de grandes animais com clínica de grandes animais, centro cirúrgico e área de internamento. O Bloco 5 ou LACE, possui sala dos professores, sala dos pós-graduandos, centro cirúrgico com três salas (Figura 2) para as cirurgias experimentais igualmente equipadas, laboratório das células tronco. O Bloco 6 é composto do canil dos animais do LACE com cinqüenta gaiolas, gatil com 18 gaiolas, biotério, laboratório de patologia e canil de isolamento para doenças infecto contagiosas. O HVU-UFSM conta com os seguintes atendimentos especializados: Dermatologia, Neurologia, Ortopedia, Oftalmologia, Fisioterapia (Figura 4), Patologia, Análises clínicas, Diagnóstico por imagem, Endocrinologia, Animais Sillvestres, Odontologia e Experimentos com células tronco. FIGURA 1 ± HVU-UFSM - 2009 FONTE: UFSM e TUCHOLSKI, 2009 21 FIGURA 2 ± SALA CIRÚRGICA DO HVU-UFSM - 2009 FONTE: UFSM e TUCHOLSKI, 2009 FIGURA 3 ± AMBULATÓRIO DO HVU-UFSM ± 2009 FONTE: UFSM e SANTOS JR, 2009 22 FIGURA 4 ± FISIOTERAPIA DO HVU-UFSM ± HIDRO-ESTEIRA - 2009 FONTE: UFSM E TUCHOLSKI, 2009 23 3 ATIVIDADES DESENVOLVIDAS As principais atividades desenvolvidas durante o período de 2 de Março à 4 de abril, no Bloco 2 do HVU-UFSM, foram o cumprimento da rotina hospitalar, atendimento nos ambulatórios da clínica cirúrgica, recepção e preparo dos pacientes encaminhados para os procedimentos cirúrgicos, assim como auxiliar ou instrumentadora nas cirurgias de mestrandos, doutorandos ou professores, além de apoio no pós-operatório. As atividades iniciavam as 7:45 horas até as 18 horas. No Laboratório de Cirurgia Experimental (LACE), Bloco 5, de 6 de Abril a 8 de Maio, a rotina baseou-se no acompanhamento das aulas teóricas e práticas das disciplinas: cirurgias torácicas, cabeça e pescoço, oftalmológicas, ortopédicas e de emergência ministradas aos mestrandos e doutorandos, bem como, assistindo, auxiliando ou instrumentando nas cirurgias dos trabalhos experimentais em andamento, com ou sem a aplicação de células tronco. 24 4. CASUÍSTICA Durante o período de estágio, 2 de março a 8 de maio de 2009, foram acompanhadas 13 intervenções cirúrgicas em felinos (GRÁFICO 1) e 159 em caninos (GRÁFICO 2), realizadas no Hospital Veterinário Universitário (HVU-UFSM), sendo que três das quais serão descritas neste trabalho. As cirurgias dos Sistemas Ótico, Tegumentar, Urinário e Neurológico não tiveram ocorrência significativa para constar graficamente. GRÁFICO 1 ± Número total de intervenções cirúrgicas em felinos de 2/03 a 8/05 Intervenções Cirúrgicas em felinos -13 casos OSH 6/13 15,38% Orquiectomia 5/13 46,15% Enterotomia 2/13 38,46% GRÁFICO 2 ± Número total de intervenções cirúrgicas em caninos de 2/03 a 8/05 Intervenções Cirúrgicas em caninos - 159 casos 0,63% 4,40% 3,77% Sistema Tegumentar 4/159 Odontologia 10/159 3,77% 2,52% 6,29% Oncologia 12/159 7,55% Ortopedia 65/159 Teriogenealogia 48/159 Cavidade abdominal 6/159 Oftalmologia 7/159 30,19% 40,88% Neurologia 1/159 Trato Gastrointestinal 6/159 25 GRÁFICO 3 ± Porcentagem de cirurgias oftalmológicas em caninos de 2/03 a 8/05 Oftalmologia - 7 casos 14,29% Correção de entrópio 1/7 14,29% Sepultamento de glândula da 3ª pálpebra 2/7 Flap da 3ª pálpebra 3/7 28,57% 42,86% Exenteração ocular 1/7 GRÁFICO 4 ± Porcentagem de cirurgias de Oncologia em caninos de 2/03 a 8/05 Oncologia - 26 casos Mastocitoma 3/26 7,69% 3,85% 11,54% 7,69% 3,85% 3,85% 61,54% Carcinoma de células escamosa 2/26 Carcinoma bronquioloalveolar 1/26 Carcinoma de células de transição 1/26 Neoplasia mamária 16/26 Fibrossarcoma vesical 2/26 Tumor perianal 1/26 GRÁFICO 5 ± Porcentagem de cirurgias Teriogenealógicas em caninos de 2/03 a 8/05 Teriogenealogia - 48 casos 29,17% 16,67% OSH 8/48 Mastectomia 16/48 Orquiectomia 5/48 Cesariana 5/48 10,42% 10,42% 33,33% Piometra 14/48 26 GRÁFICO 6 ± Porcentagem de cirurgias ortopédicas em caninos de 2/03 a 8/05 Ortopedia - 65 casos Amputação 6/65 Colocef alectomia 3/65 4,62% 9,23% 12,31% 9,23% 4,62% 15,38% Osteossíntese com pino 10/65 Osteossíntese com f ixador externo 22/65 Artrodese 2/65 Retirada de pino 4/65 1,54% Hemimandibulectomia 1/65 6,15% 3,08% 33,85% Reconstrução de ligamento cruzado cranial 6/65 Redução de luxação coxof emural 3/65 Trocreoplastia 8/65