Gestão de Pessoas em uma Universidade Pública Brasileira: conflito na Mudança do Modelo de Gestão Autoria: Guilherme Busch Rocha, Gilberto Tadeu Shinyashiki, Cláudia Souza Passador RESUMO As organizações públicas têm experimentado a necessidade de transformações visando efetividade. Assim, este trabalho estudou a tentativa de mudança do modelo de gestão de pessoas em uma conceituada universidade pública brasileira. Optou-se por metodologia de triangulação de dados qualitativos, entrevistas e conclusões segundo o modelo de Becker, Huselid e Ulrich (2001). O resultado evidenciou as dificuldades encontradas no processo de mudança que não se consolidou, além do choque entre um modelo de gestão de pessoas que valoriza a competência com a cultura organizacional do setor público, que prioriza o tempo de casa e o achatamento da curva salarial. 1 INTRODUÇÃO As últimas décadas trouxeram inovações que remodelaram de forma irreversível a estrutura das organizações como eram conhecidas. A extrema força e freqüência das alterações socioeconômicas, científicas e tecnológicas no cenário mundial e nacional reformularam integralmente sólidos conceitos. Diversas transformações fizeram-se necessárias para redefinir continuamente as corporações em seus novos papéis após as bruscas alterações a partir da segunda metade do século XX. Desta forma, as mudanças organizacionais passaram a demandar especial atenção, já que se tornaram cada vez mais freqüentes e bruscas. Também perderam seu caráter opcional, visto que os resultados das empresas têm hoje relação direta com sua capacidade de identificar e se adaptar às novas tendências. Gradativamente, as organizações vêm adotando uma postura mais proativa e planejada em relação às mudanças (KOTTER, 1999; ROBBINS, 2007; TIENARI; TAINIO, 1999; WEICK; QUINN, 1999; WOOD Jr., 2000). As organizações públicas seguem gradualmente o mesmo caminho das organizações privadas. Pressionadas pela crescente demanda da população e da imprensa com relação à qualidade dos serviços prestados e, ao mesmo tempo, pelo enxugamento da máquina, o Estado também tem experimentado a necessidade de mudanças significativas. 1 Existe uma quase unanimidade relacionada à noção de que os administradores públicos necessitam de maior flexibilidade para atingir os seus objetivos, e que os maiores empecilhos à utilização dessa flexibilidade são a própria estrutura e cultura organizacional vigente. É sabido que a função estratégica de Recursos Humanos consiste em alinhar as práticas de gestão de pessoas de modo a obter atitudes e comportamentos que ajudem a organização a alcançar seus grandes objetivos. Neste sentido, os sistemas de gestão de carreiras e seus critérios de ascensão podem proporcionar parte dessa flexibilidade necessária para a modernização do panorama do setor público nacional (ALBUQUERQUE; OLIVEIRA, 2001; DUTRA, 2001; SCHULER; JACKSON, 1987). Desta forma, este trabalho objetivou fornecer maiores informações aos administradores e estudiosos do tema por meio do estudo de um caso de mudança organizacional em uma renomada universidade pública brasileira que resultou em fracasso. Segundo A.G. Lafley, CEO da Procter & Gamble, em entrevista para a Harvard Business Review de abril de 2011, as possibilidades de aprendizagem com os insucessos são bastante superiores às experiências de sucesso: “I Think of My Failures as a Gift” (DILLON, 2011, p. 86). A citada edição da revista trás como eixo central a temática de experiências de fracasso, como entendê-las, aprender com os erros e como se recuperar, demonstrando assim a relevância e atualidade de estudos desta natureza, como o abordado por este artigo, onde se buscou entender de forma sistemática quais foram os fatores que atuaram como obstáculos durante a tentativa de implantação de um novo modelo de carreira baseado no conceito de competência para os funcionários de funções técnicas e administrativas, proposto pela Reitoria da universidade. Utilizando-se de estratégia qualitativa, esta pesquisa realizou análise documental de todos os documentos oficiais emitidos pela Administração e pelo sindicato da universidade, seguida de nove entrevistas estruturadas realizadas nos meses de janeiro e fevereiro de 2011 com representantes de diversos segmentos da universidade em estudo. As informações obtidas foram analisadas seguindo metodologia de triangulação, com conclusões obtidas por meio dos dados organizados sob a ótica modelo de fatores críticos de Becker, Huselid e Ulrich (2001). Este trabalho está organizado em cinco seções além dessa introdução. Na segunda, é realizada rápida revisão bibliográfica direcionada principalmente à mudança organizacional e à utilização do modelo de gestão de pessoas por competência como ferramenta estratégica de Recursos Humanos. A terceira seção apresenta alguns esclarecimentos adicionais acerca da metodologia utilizada, enquanto a quarta etapa consiste na descrição do caso em estudo. A quinta seção apresenta as análises realizadas, que se dividem em crítica teórica entre o modelo vigente e o proposto, a análise dos documentos oficiais emitidos e as entrevistas, além dos procedimentos de triangulação de metodologias qualitativas dispostos segundo o modelo de Becker, Huselid e Ulrich (2001). A última seção apresenta as conclusões e considerações finais da pesquisa. 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 MUDANÇA ORGANIZACIONAL E O SETOR PÚBLICO BRASILEIRO A mudança organizacional é objeto de estudo de muitos pesquisadores, consistindo em vasto acervo de pesquisa. A despeito da importância atribuída ao tema, pouco realmente é conhecido do ponto de vista científico, caracterizando-se, portanto, como um conceito em construção (LIMA; BRESSAN, 2003; NEIVA, 2004; NEIVA; PAZ, 2007; STREBEL, 1999). Na esfera de classificação das mudanças, predomina a falta de consenso entre os estudiosos do tema. Baseado nas diversas divisões apontadas pela literatura de mudança organizacional, Silva (2001) propôs um quadro com as principais classificações adotadas na atualidade, que dizem respeito à sua intencionalidade, amplitude, formas de controle sobre o processo, profundidade das alterações e tipo de conteúdo afetado. 2 Também existe ainda a discussão acerca da finalidade da mudança organizacional. Neste sentido, Beer (2010) identifica duas correntes principais de pensamento: a primeira representa a idéia de criação de valor econômico, denominada pelos autores de “Teoria E”, mais direcionada aos valores dos acionistas. A segunda corrente é denominada “Teoria O”, e tem ênfase no aprimoramento da capacidade humana, e é formada basicamente por estudiosos da área de comportamento organizacional. Embora distintas, o autor defende que ambas as abordagens são igualmente legítimas, e que o desafio consiste na ênfase simultânea entre os valores das duas correntes de pensamento, apesar de suas incompatibilidades naturais. E ainda, pode-se verificar na literatura propostas de natureza mais aplicada, como modelos e teorias com finalidade de aumentar as chances de sucesso dos programas de implantação de mudanças. Alguns exemplos são as propostas de Lewin (1951), Kotter (1999), Grouard e Meston (2001) e Hammer (2002). Em função de sua afinidade com programas de mudança em Recursos Humanos, a proposta de Becker, Huselid e Ulrich (2001) foi escolhida para utilização nesse trabalho. Embora as teorias e conceitos disponíveis na literatura de mudança organizacional sejam aplicáveis a qualquer tipo de estrutura institucional, “a administração pública é também objeto das questões de poder que identificam sua natureza política, o que por si só já a justifica como merecedora de estudos especializados” (CAVALCANTI, 2007, p. 23). No caso brasileiro, podemos identificar três grandes períodos no que tange a administração do Estado: o período clássico, o período desenvolvimentista e a administração gerencial pública. O período clássico compreende a primeira reforma do Estado, iniciada na década de 30. Ele se caracterizava pelo modelo de administração burocrática weberiana, e ainda trazia em si a herança cultural do colonialismo, como a centralização do poder e o autoritarismo. Reformas efetivas só voltariam a acontecer durante os anos do regime militar, entre 1964 e 1985, no chamado período desenvolvimentista. O Decreto-lei nº 200/67 representou um marco na administração pública, proporcionando grande flexibilidade para administração pública federal por meio da terceirização e contratação em regime CLT, entre outros (ABRUCIO, 1997; BRESSER-PEREIRA, 2002; CAVALCANTI, 2007; DINIZ, 1997; MARE, 1995; PAULA, 2005; REZENDE, 2009; TENÓRIO, 1998). Durante o governo do o presidente Fernando Henrique Cardoso, o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, então indicado ao Ministério da Administração e Reforma do Estado (MARE), apresentou o Plano Diretor da Reforma do Estado que culminou na criação da Emenda Constitucional nº 19/1998, que consolidou no Brasil a fase da administração pública gerencial, que pode ser entendida como “um modelo normativo pós-burocrático para a estruturação e a gestão da administração pública baseado em valores de eficiência, eficácia e competitividade” (SECCHI, 2009, p. 354), vigente até os dias atuais. No entanto, a efetiva consolidação das mudanças nas engrenagens institucionais do Estado brasileiro ainda se encontra em fase de transição. De acordo com as pesquisas de campo recentes, é possível ainda apontar dentro de uma mesma instituição do Estado a existência de fragmentos dos modelos antigos de gestão, da fase burocrática e até mesmo do período pré-burocrático com seus vícios patrimonialistas (ABRUCIO, 1997; BRESSERPEREIRA, 2002; CAVALCANTI, 2007; DINIZ, 1997; MARE, 1995; PAULA, 2005; REZENDE, 2009; SECCHI, 2009; TENÓRIO, 1998). Assim, o cenário atual do setor público brasileiro apresenta-se em processo de consolidação das práticas gerencialistas. A despeito das enormes diferenças existentes entre as diversas esferas do poder público nacional, algumas características vitais inerentes à realidade e ao perfil dos ocupantes de cargos públicos são bastante comuns, como a substituição dos gestores a cada mandato e a figura do trabalhador permanente, onde a estabilidade proporciona a impossibilidade da demissão em resposta à falta de eficiência, a desmotivação e a ausência de disposição, 3 contribuindo assim para um índice geral de ineficiência (GUIMARÃES, 2000; PEREIRA, 1996; PIRES; MACEDO, 2006; SCHALL, 1997). 2.2 O PAPEL DOS RECURSOS HUMANOS NA MUDANÇA E O MODELO DE GESTÃO POR COMPETÊNCIAS A Gestão de Recursos Humanos vem ganhando, durante a última década, crescente caráter estratégico nas organizações, ajudando-as a permanecerem competitivas e a atingir seus objetivos. Como os resultados dependem das habilidades e envolvimento dos funcionários, pode-se inferir que os mesmos podem ser também entendidos como fonte de vantagem competitiva. A discussão acerca dos papéis de RH é bastante ampla. Ferreira e Teixeira (2006), agruparam as funções de RH em três papéis fundamentais: O papel “Estratégico” diz respeito ao modelo de administração estratégica proposto por Ulrich (1998), que apresenta três possíveis níveis de integração com a estratégia empresarial. O papel “Transformacional” mostra o RH como agente de administração da transformação e mudança, e o papel de “Provedor de serviços/soluções” é mais voltado para a gestão da infra-estrutura. Assim, nota-se que a expectativa de contribuições da Gestão de Recursos Humanos para a organização é bastante alta e diversificada, de modo que muitas estratégias corporativas futuras devem vir da área de RH. Conforme citado, a mudança tornou-se inerente ao cotidiano das organizações (papel estratégico) de modo que minimizar as dificuldades comumente encontradas em processos de mudanças empresariais (papel transformacional), aumentando suas chances de sucesso por meio de métodos e soluções desenvolvidas (papel provedor de serviços e soluções) contém, em sua essência, características conjuntas dos três papéis atribuídos a moderna gestão de Recursos Humanos. Assim, é possível concluir que a Gestão de Recursos Humanos tem papel fundamental na implantação dos processos de mudança. Para ser bem sucedida, é fortemente recomendado que a visão desejada seja transmitida com a maior nitidez possível por meio de um efetivo programa de gestão de pessoas, que alinhe todas as funções de recursos humanos da organização na direção de seus objetivos estratégicos (BOHLANDER; SNELL, 2009; DESSLER, 2003; FERREIRA; TEIXEIRA, 2006; ULRICH, 1998). As práticas de Gestão de Pessoas adotadas no Brasil desde os anos 80 têm como alicerce a estrutura de cargos, na qual o trabalhador tem sua evolução dada por meio da ocupação de cargos com crescente grau de hierarquia e responsabilidade, de acordo com as possibilidades estabelecidas no organograma da organização. Apesar de ser atualmente criticado amplamente por suas limitações, o sistema de gestão por cargos apresentava-se ainda no começo do novo milênio como o sistema mais utilizado pelas organizações, tendo sido alvo de aperfeiçoamento desde seu surgimento. No entanto, mesmo com as adaptações mais modernas, o mesmo não consegue resolver alguns problemas que demandam uma estrutura mais flexível, como a descentralização das decisões salariais e o incentivo ao desenvolvimento individual (ALBUQUERQUE; OLIVEIRA, 2001; FISCHER, 2001; FLEURY; FLEURY, 2001; PONTES, 2010). Com a globalização e o aumento da competitividade, começou a tomar forma em meados dos anos 90 um modelo mais estruturado de gestão de pessoas, alinhado com as estratégias da organização. Este modelo, caracterizado pelo maior desenvolvimento e participação dos funcionários, foi chamado Modelo de Gestão por Competências. O conceito “competência” é objeto de inúmeras discussões entre autores, em virtude de sua representatividade atual, sua complexidade e sua abrangência. Predominam sobre o tema atualmente duas correntes de pensamento: a primeira é constituída pela vertente predominantemente norte-americana, que entende a competência como o conjunto de atributos de uma pessoa que permitem a realização de um determinado trabalho. Já a segunda é a vertente predominantemente francesa, mais voltada ao desempenho e aos resultados 4 apresentados pelo indivíduo em seu trabalho (BRANDÃO; BORGES-ANDRADE, 2007; DUTRA, 1996, 2001, 2004; RUAS et al., 2005; ZARIFIAN, 2001). No entanto, nos últimos anos têm ganhado destaque uma terceira vertente, que adota uma postura integradora entre as definições de competências das correntes acima citadas. Assim, a competência seria então compreendida não apenas como o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes necessários para exercer uma atividade, mas também como seu direcionamento à geração de resultados no contexto em que opera a organização. Independente da discussão que envolve a temática de conceitualização, o modelo de gestão por competências apresenta-se como um sistema menos conectado às atividades cotidianas e operacionais do que os sistemas baseados no elemento cargo, e que está mais direcionado para o futuro de toda a organização, em consonância com seus objetivos estratégicos (BRANDÃO, 2007; CARBONE et al., 2005; GONCZI, 1999; LEDFORD, 1995). Alguns autores acreditam que a gestão de pessoas por competências se encontra em seu primeiro estágio de consolidação no Brasil. Muitos autores enfatizam a necessidade de uma equipe de implantação preparada e capaz de envolver toda a organização. Apesar desses entraves, é consenso que as vantagens apresentadas pelo modelo são inúmeras e muito compensadoras. Entre elas, pode-se citar maior flexibilidade estrutural e remuneratória, maior autonomia aos gestores, maior estímulo ao desenvolvimento individual, maior nível de sincronização entre a estratégia organizacional e as práticas de Recursos Humanos, entre outras (ALBUQUERQUE; OLIVEIRA, 2001; APPEL; BITENCOURT, 2008; HIPÓLITO, 2001; PARRY, 1998). Assim, esse referencial buscou fornecer o marco teórico das conjunturas que envolvem esta pesquisa. Por um lado, o modelo de gestão de pessoas por competência é amplamente defendido como tendência natural para os próximos anos pelos autores de Recursos Humanos, porém as organizações públicas brasileiras divergem acerca dos modelos de gestão adotados. Nesse contexto, seria a gestão de pessoas por competência uma ferramenta de utilidade limitada quando adaptada à realidade do setor público nacional? Ou ao contrário, poderia ser vista como alavanca para a mudança rumo à modernização das engrenagens do Estado? Essas são algumas das questões na qual este artigo pretende lançar suas contribuições. 3. METODOLOGIA Este estudo de um caso (CERVO; BERVIAN, 2002; YIN, 2005) buscou analisar a tentativa de mudança do plano de gestão de pessoas de uma universidade pública brasileira que não foi bem sucedida. Nesse sentido, é importante tornar clara a intenção deste artigo em considerar apenas os acontecimentos relativos à primeira tentativa de alteração da carreira, compreendidos até junho de 2009. Os órgãos centrais da universidade retomaram nos últimos meses de 2010 a discussão acerca da modificação da estrutura de gestão de pessoas vigente, com estratégia e conceitos diferentes. Esse segundo empreendimento de mudança foi implantado com sucesso nos novos moldes em maio de 2011, porém esse novo episódio não foi considerado para efeitos no presente estudo. As três etapas de análise do trabalho utilizaram estratégia qualitativa. A primeira etapa consistiu na comparação entre o modelo vigente e o proposto, buscando apontar o que efetivamente mudaria com a consolidação da mudança. A segunda etapa consistiu na análise documental, que englobou também a questão salarial, de todos os comunicados oficiais relativos à implantação da Carreira B emitidos pela parte idealizadora do projeto, a administração da universidade, e o sindicato dos trabalhadores da organização, que se apresentou como principal resistência à consolidação da mudança. A terceira etapa consistiu na realização de nove entrevistas estruturadas com duração média de 20 minutos. Foram entrevistados dois funcionários de nível básico, dois funcionários de nível técnico, dois funcionários de nível superior, um diretor sindical, um diretor de unidade de ensino e um 5 membro da alta administração da universidade, buscando abranger diversos segmentos da universidade impactados pela mudança. Após as entrevistas, aplicaram-se procedimentos de análise conjunta dos dados denominado triangulação, com o objetivo de aumentar a confiabilidade dos dados e proporcionar entendimento mais amplo do fenômeno sob a ótica de diversos participantes (DENZIN; LINCOLN, 2006; GIL, 1999; GODOY, 1995; MILES; HUBERMAN, 1994; RICHARDSON, 1999; SANTOS, 2009). As conclusões foram obtidas por meio da análise dos dados obtidos dispostos segundo o modelo de fatores críticos em processos de mudança organizacional proposto por Becker, Huselid e Ulrich (2001), escolhido em função de seu foco em implantações de mudanças no âmbito de Recursos Humanos. 4 CASO EM ESTUDO A organização estudada é uma universidade pública brasileira, vinculada à esfera do governo estadual e está entre as 200 melhores universidades do mundo (The Times Higher Education 2011-2012). Possui autonomia administrativa e é mantida com parte do ICMS arrecadado. Disponibiliza mais de 200 cursos de graduação a cerca de 50 mil alunos, distribuídos em mais de 20 unidades de ensino e pesquisa. O objeto de estudo deste trabalho foi a mudança do modelo de gestão de pessoas vigente na universidade entre os anos de 2008 e 2009, ou seja, a implantação do modelo de Gestão de Pessoas baseado no conceito de Competências. A carreira em vigor para os funcionários da universidade possuía então sua estrutura definida por cargos, tendo, portanto, todas as vantagens e limitações decorrentes de sua natureza. Para fins didáticos, chamaremos doravante neste trabalho esse modelo vigente de Carreira A. Coordenado por uma comissão indicada pelos órgãos centrais da universidade, foi desenvolvida uma nova proposta de carreira, baseada em levantamento prévio de expectativas junto a diversos setores da organização. A proposta diz respeito ao modelo de gestão que foi desenvolvido com a finalidade de substituir o modelo vigente, a Carreira A. Para facilitar comparações nesse trabalho, esse novo modelo, baseado em competências, será identificado como Carreira B. A proposta dessa pesquisa trata, portanto, do processo de tentativa de mudança organizacional dentro da referida universidade, caracterizado pela implantação da Carreira B em substituição à Carreira A, então vigente. Após alguns meses de discussão sobre a nova carreira, sua implantação foi suspensa com a greve dos servidores da universidade, coordenada pelo seu sindicato. Assim, até a metade do ano de 2009, data limite da abrangência deste estudo, nenhuma proposta definitiva foi aprovada pela Administração. Conforme visto, o objeto de estudo deste trabalho não foi bem sucedido, uma vez que houve resistência decisiva à implantação da nova carreira nos moldes propostos. A análise dos dados coletados objetiva identificar as razões que levaram a este insucesso. 4.1 CARREIRA A – DESCRIÇÃO A carreira da instituição era composta em agosto de 2009 por 101 funções de trabalhos distribuídas em 17 famílias de natureza semelhantes, com hierarquia definida pelo nível de complexidade e escolaridade. Sua estrutura era dividida em três grupos fundamentais: Básico, Técnico e Superior, de acordo com a escolaridade exigida pelas funções. Cada grupo possuía três faixas: I, II e III, caracterizando a complexidade da função. Cada faixa vislumbrava ainda possibilidades de movimentação horizontal, com níveis que variavam de A até K: Tabela 1 – Carreira A - Estrutura 6 Classe Nível I Básico II III Faixas A A B B C C D D E E F F G G G H H H I I I J J J K K K Técnico I II III A A A B B B C C C D D D E E E F F F G G G H H H I I I J J J K K K Superior I II III A A A B B B C C C D D D E E E F F F G G G H H H I I I J J J K K K Fonte: Site da Universidade As funções de gestão funcionam de forma independente desta estrutura. Os responsáveis pelas Seções/Departamentos administrativos da universidade recebem uma remuneração extra denominada Verba de Representação. Os valores variam em função do nível de chefia, e são recebidos apenas durante o período em que o servidor estiver desempenhando suas funções de chefe. Assim, caso venha a ser substituído, ele deixa de receber sua Verba de Representação e retorna ao seu cargo anterior. No entanto, cada ano como chefe incorpora de forma permanente ao salário do servidor 1/10 do valor total da representação, de acordo com legislação vigente. A forma de ascensão entre os níveis da Carreira A não ocorria de acordo com critérios pré-estabelecidos. Esporadicamente, a Administração da universidade apresentava um programa denominado “Acesso às Faixas II e III”, ou Programa de Acesso à Carreira (PAC), com regulamento válido para aquela edição do programa, que possibilitava aos contemplados ocupar os cargos mais altos da estrutura de carreira. 4.2 CARREIRA B – DESCRIÇÃO A Carreira B agrupou todas as funções então existentes em apenas três, sendo elas função de nível superior, função de nível médio e função de nível básico, distribuídas em três eixos de carreira: gestão, apoio administrativo e apoio técnico. A proposta é de que essa carreira fosse incorporada ao Estatuto da universidade, de modo a torná-la permanente. Além da estrutura, os critérios de mobilidade entre os diversos degraus de carreira também foram alterados. Assim, a proposta apresentada aos funcionários já possuía em sua composição as competências, requisitos de acesso e conhecimentos complementares exigidos a cada posição na carreira de acordo com a complexidade das atividades a serem desenvolvidas. Tabela 2 – Carreira B - Estrutura Nível de complexidade Eixo de gestão (unid de apoio) Eixo de apoio adm nível superior Eixo de apoio adm nível médio Eixo de apoio adm nível básico Eixo de apoio técnico nível superior Eixo de apoio técnico nível médio 10 G4 9 G3 SA5 TA7 ST5 TT7 8 G2 SA4 TA6 ST4 TT6 7 G1 SA3 TA5 ST3 TT5 6 SA2 TA4 ST2 TT4 5 SA1 ST1 TT3 TA3 4 TA2 3 TA1 Eixo de apoio técnico nível básico BA4 TT2 BT4 BA3 TT1 BT3 2 BA2 BT2 1 BA1 BT1 Fonte: Proposta Preliminar do Plano de Carreira A Carreira B foi desenvolvida em torno de dois eixos fundamentais: competências e capacidades. A idéia básica é de que as competências exigidas sejam desenvolvidas conjuntamente com as capacidades necessárias, de modo a evitar tanto funcionários 7 extremamente qualificados realizando tarefas simples, quanto à situação inversa, onde o servidor desempenha de forma insuficiente tarefas além de suas capacidades. 5 ANÁLISE DOS DADOS 5.1 CRÍTICA TEÓRICA: CARREIRA A x CARREIRA B A principal mudança estrutural consiste no agrupamento do número de funções da Carreira A de 101 para apenas 3 na Carreira B. Esta alteração, aparentemente, tinha em vista sanar um problema corriqueiro: a dificuldade na mobilidade dos servidores, uma vez que a estrutura por cargos limita as atividades do servidor àquelas descritas para o cargo em que ingressou na universidade via concurso público. Independente da iniciativa de mudança de função partir dos dirigentes ou dos servidores, essa não é passível de atendimento sob pena de desvio de função. Neste sentido, a flexibilidade proporcionada pelo modelo de gestão de pessoas por competência parece bastante benéfica tanto à universidade quanto aos seus servidores, podendo significar aumento do nível geral de satisfação e motivação dentro da organização. Outro fator gerador de flexibilidade na Carreira B trata das funções desenvolvidas pelos servidores do eixo de nível médio, que poderiam agora desenvolver tarefas com complexidade e horizontes salariais equivalentes a funcionários de nível superior, vantagem esta que não foi estendida aos funcionários de nível básico, que continuam com possibilidade de ascensão mais restrita. Deve-se ter em mente, no entanto, que essa limitação seria claramente objeto de contradições durante o processo de implantação do novo modelo. Outra diferença significativa diz respeitos aos cargos de chefia. A Carreira A trata das designações de cargos de confiança de chefia de forma independente da estrutura principal da carreira, por meio de vencimentos extras que são percebidos durante a vigência do mandato de chefia. Já a Carreira B apresenta um eixo exclusivo para gestores, que ocupariam as funções com maiores níveis de complexidade de toda a estrutura. Embora a idéia da criação de um eixo unicamente de gestores possa ser vantajosa e incentivar a profissionalização dos chefes, deve-se levar em consideração a estabilidade de emprego dos servidores públicos, que não podem ser facilmente demitidos e substituídos, como usualmente acontece na iniciativa privada. Os dados disponíveis são insuficientes para uma crítica mais completa sobre essa questão, de modo que a proposta carece de maiores detalhes a fim de não deixar dúvidas. A principal diferença entre as duas carreiras em termos de progressão funcional está na existência de critérios predefinidos. A ausência de critérios fixos de ascensão, proporcionado pela Carreira A, dificulta aos funcionários identificar os conhecimentos, habilidades e atitudes desejadas pela universidade. A anexação da Carreira B ao estatuto da universidade, com critérios fixos e pré-determinados de ascensão, torna mais clara a comunicação das expectativas do empregador em termos de qualificação e entrega, e assim, os funcionários poderiam programar de forma mais objetiva suas carreiras. Além disso, nota-se que no último programa de acesso aos níveis mais altos da carreira (Carreira A) foram avaliados critérios voltados quase que unicamente à preparação dos servidores, com pouquíssimos fatores capazes de mensurar a excelência no desenvolvimento das atividades, o comprometimento e as competências aplicada ao contexto organizacional. Embora esses fatores negligenciados possuam mensuração mais difícil em função de sua subjetividade, sua avaliação é fundamental para tornar o processo mais justo e abrangente. Desta forma, podemos concluir que, apesar da proposta da Carreira B não ter sido efetivamente implantada, ela teoricamente conseguiria sanar grande parte das dificuldades proporcionadas pela Carreira A, baseada em cargos. No entanto, como já foi mencionado, o modelo de gestão baseado em competência tem como principais pontos críticos sua implantação e assimilação, agravada pela cultura organizacional da organização, em função da estabilidade de empregos, estrutura pouco flexível e gestão descontinuada. 8 Além disso, conceitos como complexidade, competências e espaço organizacional não são passíveis de pleno e rápido entendimento pela ampla maioria dos servidores. Outro fator potencialmente causador de discórdia está relacionado ao agrupamento de funções de modo a alocar o grande número de degraus presentes na Carreira A na estrutura da Carreira B. No caso dos funcionários de nível superior, esta alteração representaria agrupar as 33 posições atuais de carreira em apenas 5, o que significa que os servidores receberiam aumentos salariais de enquadramento de diferentes ordens, o que poderia gerar insatisfação. Nesse sentido, pode ser necessário um grande esforço da Administração em tornar bastante claros os conceitos e conscientizar o corpo de funcionários das possíveis melhorias proporcionadas pela nova proposta, pois apesar da Carreira B mostrar-se mais moderna e tecnicamente superior à Carreira A, historicamente se verifica que a transição entre os modelos é um processo potencialmente complexo. 5.2 ADMINISTRAÇÃO X SINDICATO: O IMPASSE Foi efetuada junto ao site da universidade busca por quaisquer comunicados oficiais relacionadas à alteração do modelo de gestão de pessoas que tenham partido da organização. Não foi possível encontrar até a data limite de realização deste trabalho qualquer comunicado oficial relacionado ao tema. A busca no site de Recursos Humanos da instituição revelou, no entanto, alguns documentos relacionados com a proposta da nova carreira, que foram amplamente divulgados na ocasião da implantação da Carreira B por meio de e-mail institucional. A administração ainda realizou apresentações em todos os campi da universidade com a finalidade de demonstrar a nova carreira e sanar eventuais dúvidas. A representação sindical dos trabalhadores da universidade foi fundada em 1979 e possui como objetivo defender o interesse de seus servidores técnicos e administrativos. Possui estatuto próprio e seus diretores e membros do conselho base são escolhidos via eleições diretas com mandato de três anos. O sindicato emite comunicados periódicos a fim de informar aos funcionários de suas idéias e passos tomados. Esses comunicados puderam ser obtidos tanto pelo site da entidade como também em versão impressa, distribuída por funcionários nos portões de entrada da universidade em períodos de greve, quando a emissão e distribuição de comunicados se tornam mais intensa, quase diária. O sindicato posicionou-se fortemente contra o projeto da Carreira B, tendo incluído a suspensão da implantação como um dos itens principais de sua pauta de reivindicações durante a greve ocorrida em maio e junho de 2009. Com base nos documentos emitidos pelo sindicato, efetuamos uma lista com as principais críticas ao projeto da Carreira B para justificar sua posição contrária: Tabela 3 – Principais críticas do Sindicato à Carreira B Críticas da representação sindical 1) Necessidade de maior discussão junto aos funcionários antes da efetiva implantação; 2) Os funcionários que compuseram os grupos de modelagem foram escolhidos arbitrariamente pela Administração, e não escolhidos democraticamente por seus pares; 3) Falta de comunicação efetiva dos resultados dos trabalhos de modelagem aos funcionários e ao sindicato; 4) Estrutura de carreira proposta é completamente diferente da apresentada pelo sindicato para servir de base para a elaboração da nova proposta; 5) Carreira proposta impõe forte restrição ao desenvolvimento dos funcionários de nível básico; 6) Projeto da Carreira B acelera o processo de terceirização dentro da universidade; 7) Carreira beneficiaria exclusivamente gestores. Fonte: Comunicados oficiais do Sindicato Assim, como foi previsto na revisão conceitual deste trabalho, podemos notar que a maioria dos argumentos utilizados pelo sindicato como instrumento de bloqueio da Carreira B derivam de seu processo de concepção e conseqüentemente da assimilação. Já as críticas relacionadas à estrutura do novo modelo são essencialmente relacionadas ao aumento da terceirização no serviço público e à criação do eixo exclusivo para gestores. 9 É possível perceber ainda que as críticas do sindicato dão ênfase às mudanças na estrutura salarial, e não aos critérios de ascensão propostos pelo modelo por competências, que podem ser entendidos como a maior inovação proporcionada pela Carreira B. Outro argumento largamente utilizado pelo sindicato diz respeito à estrutura desenvolvida por eles e apresentada à administração da universidade. O sindicato apresentou proposta de uma carreira única para todas as funções da universidade, denominada Carreira Única dos Técnicos Administrativos em Educação. Abaixo, para facilitar a comparação, apresentamos a estrutura salarial em junho de 2009 da Carreira A, da Carreira B e a proposta do sindicato. Tabela 4 – Estrutura Salarial: Carreira A (vigente) Classe Básico Técnico Nível/ Faixa A B C D E F G H I J K 1136,24 1.193,05 1.252,70 1.315,34 1.381,11 II 1136,24 1.193,05 1.252,70 1.315,34 1.381,11 1.450,17 1.522,68 1.598,81 1.678,75 1.762,69 1.850,82 III 1450,17 1.522,68 1.598,81 1.678,75 1.762,69 1.850,82 1.943,36 2.040,53 2.142,56 2.249,69 2.362,17 I 1678,75 1.762,69 1.850,82 1.943,36 2.040,53 2.142,56 2.249,69 2.362,17 2.480,28 2.604,29 2.734,50 II 2.249,69 2.362,17 2.480,28 2.604,29 2.734,50 2.871,23 3.014,79 3.165,53 3.323,81 3.490,00 3.664,50 III 2.871,23 3.014,79 3.165,53 3.323,81 3.490,00 3.664,50 3.847,73 4.040,12 4.242,13 4.454,24 4.676,95 I I 3323,81 3.490,00 3.664,50 3.847,73 4.040,12 4.242,13 4.454,24 4.676,95 4.910,80 5.156,34 5.414,16 II 4.242,13 4.454,24 4.676,95 4.910,80 5.156,34 5.414,16 5.684,87 5.969,11 6.267,57 6.580,95 6.910,00 III 5.156,34 Fonte: Site da universidade 5.414,16 5.684,87 5.969,11 6.267,57 6.580,95 6.910,00 7.255,50 7.618,28 7.999,19 8.399,15 Superior Tabela 5 – Estrutura Salarial: Carreira B (proposta Administração) Nível A B C D 1 1.071,42 1.124,99 1.181,24 1.240,30 2 1.302,32 1.367,44 1.435,81 1.507,60 3 1.582,98 1.662,13 1.745,24 1.832,50 4 2.020,34 2.121,36 2.227,43 2.338,80 5 2.455,74 2.578,53 2.707,46 2.842,83 6 3.134,22 3.290,93 3.455,48 3.628,25 7 4.000,14 4.200,15 4.410,16 4.630,67 8 5.105,31 5.360,58 5.628,21 5.910,04 9 6.205,54 6.515,82 6.841,61 7.183,69 10 7.920,01 8.316,01 8.731,81 9.168,40 Fonte: Proposta Preliminar do Plano de Carreira E 1.302,32 1.582,98 1.924,13 2.455,74 2.984,97 3.809,66 4.862,20 6.205,54 7.542,87 9.626,82 F 1.367,44 1.662,13 2.020,34 2.578,53 3.134,22 4.000,14 5.105,31 6.515,82 7.920,01 10.108,16 G H 2.121,36 2.707,46 3.290,93 4.200,15 5.360,58 6.841,61 8.316,01 10.613,57 I 3.455,48 4.410,16 5.628,21 7.183,69 8.731,81 9.168,40 11.144,25 11.701,46 G1 G2 G3 G4 S1 S2 S3 S4 S5 T1 T2 T3 T4 T5 T6 T7 B1 B2 B3 B4 Tabela 6 – Estrutura Salarial: Carreira única proposta pelo sindicato Classes Níveis I A 2.005,00 B 2.406,00 C 2.887,20 D 3.464,64 4.850,49 II 2.807,00 3.368,40 4.042,08 III 3.929,80 4.715,76 5.658,91 6.790,69 IV 5.501,72 6.602,06 7.922,47 9.506,97 V 7.702,41 9.242,89 Fonte: Comunicado oficial do sindicato 11.091,47 13.309,76 Tabela 7 – Comparação Salarial Carreira Sindicato Δ% ‐6% R$ 2.005,00 76% 15% R$ 13.309,76 463% Carreira A Carreira B Δ% Eixo Básico - Piso R$ 1.136,24 R$ 1.071,42 Eixo Básico - Teto R$ 2.362,17 R$ 2.707,46 Eixo Técnico - Piso R$ 1.678,75 R$ 1.582,98 ‐6% R$ 2.005,00 19% Eixo Técnico - Teto R$ 4.676,95 R$ 9.168,40 96% R$ 13.309,76 185% Eixo Superior - Piso R$ 3.323,81 R$ 2.455,74 ‐26% R$ 2.005,00 ‐40% Eixo Superior - Teto R$ 8.399,15 R$ 9.168,40 9% R$ 13.309,76 58% 739% 856% 16% 664% ‐10% Maior salário / Menor salário Número de níveis (degraus) 93 76 ‐18% 20 ‐78% Variação entre níveis 5% 5% 0% 20% 300% 10 Assim, notamos que a proposta da Administração (Carreira B), promove em termos salariais, a diminuição do salário inicial dos funcionários dos níveis básico, técnico e superior, ao mesmo tempo em que aumenta o teto salarial das três categorias, especialmente do eixo técnico, onde o teto teve aumento de 96%. Percebe-se também que o número de níveis sofre sensível redução, e o intervalo entre os degraus de carreira se mantém em 5%. Uma vez que a maior parte dos servidores se encontra nos estágios iniciais da carreira, é possível concluir que a consolidação da Carreira B não acarretaria aumentos impraticáveis na folha de pagamento da organização, situação diferente da carreira proposta pelo sindicato. A proposta do sindicato apresenta aumento significativo do teto para todos os eixos de funcionários, redução do piso salarial dos funcionários de nível superior e aumento dos pisos salariais dos servidores de nível básico e técnico. É possível afirmar que estas mudanças causariam significativo aumento da folha de pagamento em relação ao sistema vigente. A redução do número de níveis para 20, com maiores intervalos entre os degraus, mostra-se insuficiente para abranger toda a complexidade de funções de que a universidade necessita, a qual varia desde funções mais operacionais, como jardineiros e pedreiros, até funcionários altamente especializados, como médicos psiquiatras e advogados tributaristas. Assim, verifica-se que a proposta apresentada pelo sindicato, ao promover aumento geral dos salários e diminuir os níveis de carreira, acaba não se mostrando como efetivo plano de carreira que favoreça os mais competentes e engajados da organização, e sim funcionando como instrumento de campanha por aumento salarial. Verifica-se ainda, ao analisar a diferença entre o maior e o menor salário de cada carreira, o choque entre os ideais gerencialistas e a cultura organizacional do serviço público. Isso porque o modelo por competências privilegia o mérito ao propor a expansão da curva salarial, enquanto a proposta do sindicato propõe o achatamento da curva salarial característico das carreiras públicas (BELLUZZO; ANUATTI NETO; PAZELLO, 2005). Conclui-se que, apesar de alguns argumentos propostos pelo sindicato visando o bloqueio da Carreira B serem válidos e passíveis de atendimento pela Administração da universidade, a implantação da proposta do sindicato nos moldes propostos se mostra completamente inviável por ocasionar forte aumento geral dos salários sem construir um modelo efetivamente justo e transparente de ascensão dentro da universidade. 5.3 ENTREVISTAS E FATORES CRÍTICOS DE SUCESSO A estrutura básica da entrevista consistiu em sete perguntas abertas, sendo que duas delas buscaram entender a posição pessoal e também institucional do entrevistado, de modo que foram analisadas de forma independente (questões 2 e 3). Cada uma das questões está relacionada a um dos fatores críticos do modelo proposto por Becker, Huselid e Ulrich (2001). As perguntas foram construídas de modo a incentivar os entrevistados a apontarem suas percepções acerca do fator crítico relacionado. No entanto, alguns fatores, principalmente os relacionados ao patrocinador do programa de mudança, são de difícil visualização por todas as partes entrevistadas. Alguns fatores ainda dizem respeito a etapas posteriores à implantação da mudança, que neste estudo de caso não chegou a se consolidar. Nestas ocasiões, as perguntas foram elaboradas de forma mais aberta, dando a oportunidade de apontamento de temas não abordados diretamente pelas questões. Abaixo é apresentado o quadro contendo os sete fatores críticos de sucesso de Becker, Huselid e Ulrich (2001) e as respectivas perguntas do roteiro de entrevista. Tabela 8 – Fatores críticos (Becker; Huselid; Ulrich, 2001) e roteiro de entrevista 11 Fator crítico de sucesso (BECKER; HUSELID; ULRICH, 2001) 1. Liderando a mudança (quem é o responsável) Temos um líder que .. • Assume e promove a mudança? • Demonstra compromisso público com a efetivação da mudança? • Angariará recursos para sustentar a mudança? • Investirá tempo e atenção pessoal para implementar a mudança? 2. Criando necessidades compartilhadas (por que mudar) Os empregados... • Percebem os motivos da mudança? • Compreendem por que a mudança é importante? • Estão conscientes de como a mudança os ajudará e/ou a empresa no curto e no longo prazo? 3. Amoldando a visão (como será quando a mudança estiver concluída) Os empregados... • Vêem os resultados da mudança em termos comportamentais (ou seja, o que farão de maneira diferente como resultado da mudança)? • Estão entusiasmados com a perspectiva desses resultados? • Compreendem como a mudança beneficiará os clientes e outros stakeholders? 4. Mobilizando o comprometimento (quem mais precisa ser envolvido) Os patrocinadores do programa de mudança... • Reconhecem as outras pessoas que devem comprometer-se com a mudança para que ela aconteça? • Sabem como construir uma coalizão de apoio à mudança? • Têm a capacidade de arregimentar o apoio do pessoa-chave da organização? • Tem a capacidade de construir uma matriz de responsabilidade para assegurar a efetivação da mudança? Questão elaborada 4) Quem você percebeu que foram as pessoas que se posicionaram de forma mais significativa na implantação da nova carreira? Tanto favoravelmente como desfavoravelmente. 1) Em sua opinião, qual foi o motivo que levou a Administração da Universidade a propor a implantação desse novo modelo de carreira? 2) Em seu entendimento, quais seriam as principais mudanças proporcionadas pela nova carreira? 2.1) De que forma você seria afetado por elas? 3) Qual é a sua posição com relação à nova carreira proposta? 3.1) Qual você acredita que seria o impacto da mudança para a USP? Explique sua resposta. 5. Construindo sistemas capacitantes (como institucionalizar a mudança) Os patrocinadores do programa de mudança... • Compreendem como sustentar a mudança por meio de modificações no sistema de RH (por exemplo, provimento de pessoal, treinamento, avaliação, recompensas, estrutura, comunicação)? • Reconhecem os investimentos em tecnologia necessários para implementar a mudança? • Têm acesso a recursos financeiros para promover a mudança? 6. Monitorando e evidenciando o progresso (como medir a mudança) Os patrocinadores do programa de mudança... • Dispõem de meios para medir o sucesso da mudança? • Planejam fazer o benchmark do progresso, quanto aos resultados da mudança e a implementação do processo? 6) A carreira foi desenvolvida com o apoio de um grupo de funcionários e diretores. Mesmo assim a carreira foi suspensa. Quais as suas considerações sobre a maneira que a nova carreira foi apresentada aos funcionários? Quais os pontos positivos e negativos? 5) A implantação da nova carreira nos moldes propostos foi suspensa como parte do acordo de fim da greve de 2009. Em sua opinião, qual foi o motivo deste acontecimento, mesmo depois de ter sido aprovada na comissão de recursos humanos e apresentada em todos i? 7. Tornando duradouro (como a mudança será iniciada e sustentada) Os patrocinadores do programa de mudança... • Reconhecem os primeiros passos necessários à deflagração da mudança? • Dispõem de planos de curto e longo prazo para manter o foco da atenção sobre a mudança? • Dispõem de planos para a adaptação da mudança, ao longo do tempo, às circunstancias em evolução? 7) Do seu ponto de vista, por que não deu certo a nova carreira? Você teria feito algo diferente? Explique. Os dados obtidos nas entrevistas e nos documentos analisados por este estudo de caso proporcionaram grande quantidade de informação sobre o processo de implantação da carreira baseada em competências, sendo que a triangulação dos dados obtidos pela análise documental confirmou a maior parte dos relatos obtidos durante as entrevistas. Mesmo nos casos em que os entrevistados apresentaram respostas divergentes em relação aos documentos emitidos, o processo de comparação das informações de metodologias distintas possibilitou esclarecimentos mais completos da conjuntura. Esses dados foram organizados segundo a ótica do modelo de fatores críticos de sucesso em processos de mudança organizacional proposto por Becker, Huselid e Ulrich (2001). Os dados obtidos nas entrevistas apontam que a Administração da universidade atendeu plenamente apenas um dos fatores tidos como críticos em processos de mudança segundo a metodologia utilizada. Além disso, percebe-se que a maioria dos fatores de mudança não atingidos pela instituição mantém alguma relação com a comunicação. O quadro abaixo sintetiza os resultados: Tabela 9 – Síntese das entrevistas segundo o modelo de Becker, Huselid e Ulrich, 2001 12 Fator crítico de sucesso (BECKER, HUSELID E ULRICH, 2001) Universidade atendeu os fatores? Comentários 1. Liderando a mudança (quem é o responsável) Não Não houve percepção de um lider formal publicamente engajado. 2. Criando necessidades compartilhadas (por que mudar) Sim Gestores e corpo de funcionários entendiam a necessidade de uma nova carreira. 3. Amoldando a visão (como será quando a mudança estiver concluída) Parcialmente Gestores conseguiam visualizar os benefícios em nível institucional, mas o mesmo não aconteceu com os funcionários. 4. Mobilizando o comprometimento (quem mais precisa ser envolvido) Parcialmente Gestores estavam engajados, mas funcionários tiveram participação passiva e desinteressada. 5. Construindo sistemas capacitantes (como institucionalizar a mudança) Não Comunicação mostrou‐se falha e insuficiente na percepção dos funcionários entrevistados 6. Monitorando e evidenciando o progresso (como medir a mudança) Não Universidade não utilizou mecanismos capazes de mensurar os níveis gerais de entendimento e aceitação dos servidores. 7. T ornando duradouro (como a mudança será iniciada e sustentada) Não se aplica Não se aplica 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS O contexto mundial de forte competitividade tem forçado as organizações a vivenciarem transformações em diversas escalas e com freqüência cada vez mais intensa, de tal forma que a flexibilidade e capacidade de adaptação organizacional se apresentem como objetivos cada vez mais almejados. Independente da mudança se tratar de reestruturação completa de processos ou transformação de setores a nível mais local, os estudos indicam que a maior parte dos empreendimentos de mudança acaba por não atingir completamente os objetivos propostos. As organizações do setor público gradativamente vêm experimentando maiores pressões da sociedade no sentido de prestarem melhores serviços, de forma mais eficiente e com maior transparência. Assim, a demanda por instituições mais flexíveis e mutáveis não se vê restrita apenas aos círculos da iniciativa privada, atingindo também às instituições do poder público. Essas expectativas esbarram freqüentemente nas estruturas funcionais burocráticas e inflexíveis comuns às instituições públicas brasileiras. Nesse sentido, ferramentas de Recursos Humanos podem se mostrar eficazes em promover o aumento de flexibilidade e eficiência almejadas pela sociedade, e nesse contexto, este trabalho buscou estudar o caso de implantação de um novo modelo de gestão de pessoas baseada no conceito de competência em uma universidade pública brasileira. Os resultados sugerem que diversos fatores tidos como críticos para processos de mudança pela metodologia de Becker, Huselid e Ulrich (2001) tenham sido negligenciados pela Administração e podem ter sido responsáveis pela suspensão do projeto no período estudado, apesar da análise do plano concluir que ele representava inovações vantajosas à ampla maioria dos servidores da universidade. Duas características particulares funcionaram como agravantes na consolidação da visão proposta: a cultura organizacional vigente no setor público brasileiro e as dificuldades de assimilação naturais aos programas de implantação de modelos baseados em competência. É possível tecer, portanto, suposições no sentido de que outros programas de mudança em órgãos públicos ou relacionados a projetos de gestão de pessoas por competências encontrem algumas das dificuldades identificadas no presente estudo. Os resultados obtidos mostraram-se fortemente alinhados com a bibliografia disponível. As percepções dos entrevistados enfatizam a importância da utilização de um método sistemático para nortear os esforços de mudança, enquanto a análise teórica dos modelos de carreira confirmou as vantagens técnicas proporcionadas pelos modelos de gestão de pessoas baseados em competência e sua natural dificuldade de assimilação e implantação. As entrevistas apontaram dois pontos principais passíveis de melhoramentos ou adaptações por parte da Administração que poderiam tem contribuído de forma decisiva para consolidação da mudança almejada. O primeiro ponto diz respeito à consolidação de um líder 13 formal atuante e publicamente engajado com o projeto, amplamente percebido como maior idealizador da visão e capaz de envolver no processo todas as partes impactadas. O segundo ponto trata de aperfeiçoamentos em relação à comunicação utilizada, que deve ser capaz de atingir todos os níveis de servidores com linguagem apropriada e proporcionar oportunidades de participação efetiva à toda categoria, com maior número de workshops e palestras distribuídas em um período de tempo mais extenso. Observa-se que o ponto chave para entender de forma mais ampla a conjuntura de forças que influenciaram esse empreendimento de mudança organizacional consiste no choque entre um modelo de recursos humanos utilizado majoritariamente no setor privado, valorizando o mérito e a competência, com a cultura organizacional do setor público, propondo a valorização do tempo de casa e o achatamento da curva salarial (BELLUZZO; ANUATTI NETO; PAZELLO, 2005). O conflito retoma a discussão entre os defensores e opositores do movimento gerencialista, onde os resultados deste trabalho endossam as críticas ao gerencialismo e à cultura do management (PAULA, 2005), evidenciando como a cultura organizacional do serviço público pode obstruir mesmo ferramentas de grande aceitação na iniciativa privada. Essas conclusões vão de encontro ao modelo proposto por Cavalcanti (2007), que defende na figura do Gerente Equalizador a solução para conciliar o conflito entre as diversas forças presentes no âmbito do poder público e implantar as reformas necessárias para a modernização do Estado brasileiro. Deixamos como sugestão para futuros trabalhos a concepção de novos estudos de caso de modo a expandir a base de informações empíricas sobre a empregabilidade de modelos de gestão baseados em competências como potencial alavanca do processo de modernização das organizações do setor público brasileiro. REFERÊNCIAS ABRUCIO, F. L. 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