Efeito do tratamento de portadores de infecção assintomática por Plasmodium vivax, seguida de quimioprofilaxia de recaídas, na incidência da malária em população ribeirinha de Porto Velho – Rondônia. Tony Hiroshi Katsuragawa Tese de Doutorado apresentada à Universidade Federal de Rondônia – UNIR, para obtenção do Título de Doutore pelo curso de Pós-Graduação em Biologia Experimental. Área de concentração: Parasitologia Porto Velho – RO 2010 Efeito do tratamento de portadores de infecção assintomática por Plasmodium vivax, seguida de quimioprofilaxia de recaídas, na incidência da malária em população ribeirinha de Porto Velho – Rondônia. Tony Hiroshi Katsuragawa Tese de Doutorado apresentada à Universidade Federal de Rondônia – UNIR, para obtenção do Título de Doutor pelo curso de Pós-Graduação em Biologia Experimental. Área de concentração: Parasitologia Orientador: Prof. Dr. Luiz Hildebrando Pereira da Silva Co-Orientador: Prof. Dr. Cor Jesus Fernandes Fontes Porto Velho – RO 2010 Candidato: Tony Hiroshi Katsuragawa Título da Tese: Efeito do tratamento de portadores de infecção assintomática por Plasmodium vivax, seguida de quimioprofilaxia de recaídas, na incidência da malária em população ribeirinha de Porto Velho – Rondônia. Defesa da Tese do Curso de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biologia Experimental da Universidade Federal de Rondônia, nível Doutorado, em Sessão Pública realizada em 12 de julho de 2010. Banca Examinadora 1) Prof. Dr. Luiz Hildebrando Pereira da Silva – Orientador Julgamento: Aprovado Assinatura: 2) Prof. Dr. Cor Jesus Fernandes Fontes – Co-Orientador Universidade Federal do Mato Grosso – UFMT, Cuiabá/MT Julgamento: Aprovado Assinatura: 3) Prof. Dr. José Rodrigues Coura Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ, Rio de Janeiro/RJ Julgamento: Aprovado Assinatura: 4) Prof. Dr. Pedro Luiz Tauil Universidade Federal de Brasília – UnB, Brasília/DF Julgamento: Aprovado Assinatura: 5) Prof. Dr. Marcelo Urbano Ferreira Universidade de São Paulo – USP, São Paulo/SP Julgamento: Aprovado Assinatura: O presente trabalho foi realizado integralmente no Laboratório de Epidemiologia do Centro de Pesquisa em Medicina Tropical de Rondônia – CEPEM, com apoio financeiro do Instituto de Pesquisa e Patologias Tropicais de Rondônia – IPEPATRO. Katsuragawa, Tony Hiroshi K197e Efeito do tratamento de portadores de infecção assintomática por Plasmodium vivax, seguida de quimioprofilaxia de recaídas, na incidência da malária em população ribeirinha de Porto Velho, Rondônia/Tony Hiroshi Katsuragawa. Porto Velho: UNIR, 2010. 141p. Bibliografia: p. Orientador: Luiz Hildebrando Pereira da Silva. Tese (doutorado) - Universidade Federal de Rondônia, Programa de PósGraduação em Biologia Experimental 2010. 1. Assintomático. 2. Malária. 3. Controle. 4. Tratamento. 5. População ribeirinha. I. Título. CDD: 616.9362 CDU: 616.936 Ficha catalográfica elaborada por Sandra de Fátima Virginio da Silva CRB-RO/298 I Dedicatória Dedico esta tese aos meus amados pais Hirohiko (in memoriam) e Nobuko (in memoriam), os quais com amor, simplicidade e exemplos me ensinaram a trilhar o melhor caminho, honrando-os e respeitando-os, e aos semelhantes. Ao meu irmão Mickey, pela confiança, incentivo, apoio e amor nunca negado. À Tatiana, minha amada companheira e cúmplice que me incentivou nos momentos difíceis. Às minhas filhas Karen, Sarah e Ana Paula, pelo carinho e motivação. II Epígrafe “As grandes coisas são feitas por pessoas que tem grandes idéias e saem pelo mundo para fazer com que seus sonhos se tornem realidades” Ernest Holmes Algumas pessoas vêem as coisas como são e perguntam: “Por quê?” Sonho com coisas que nunca existiram e pergunto: “Por que não?” George Bernard Shaw "Faça todo o bem que puder Por todos os meios que puder De todas as maneiras que puder Em todos os lugares que puder Todas as horas que puder Para todas as pessoas que puder Enquanto você puder.” John Wesley "A vida é boa. Está ruim agora, mas vai melhorar. Sempre há esperanças e é essa esperança que nos dá forças para enfrentar os maus momentos. Afinal, para a maioria das pessoas a vida é mais uma carga do que uma bênção. A esperança faz a vida parecer boa, apesar de tudo. A esperança de que amanhã as coisas podem mudar.” Alexandre Sellers III Agradecimentos Inicio dirigindo os meus agradecimentos primeiramente ao Prof. Dr. Luiz Hildebrando Pereira da Silva, pela oportunidade, amizade, confiança e ensinamentos, que me mostraram as diversas nuances e caminhos do universo científico. Tenha plena convicção de que a “história do galo” foi completamente compreendida. Ao Dr. Mauro Shugiro Tada não posso deixar citar que é o co-responsável pelo presente trabalho, e que os seus trabalhos científicos realizados desde a fundação do CEPEM, em Costa Marques, incentivam os mais jovens a mirar no seu exemplo. Ao Dr. Cor Jesus Fernandes Fontes um agradecimento especial pela sua amizade, humildade, confiança, dedicação e exemplo, e por ser o idealizador do tema do presente trabalho. Ao Dr. Juan Miguel Villalobos-Salcedo expresso meus sinceros agradecimentos pela amizade e colaboração incondicionais, e por ser uma pessoa extremamente querida, e que além de apreciar um bom café, é um são-paulino. Ao Dr. Rodrigo Guerino Stábeli, jovem que em tão pouco tempo de Rondônia mostrou sua capacidade científica, registro meus agradecimentos pela amizade, confiança e incentivo. À Dra. Vera Engrácia Gama Oliveira pela confiança, compreensão e amizade, e a quem parabenizo pela condução do Programa de Pós-Graduação. Ao Dr. Alexandre de Almeida e Silva, pela amizade, incentivo e pelas análises do trabalho. A Dra. Ana Lúcia Escobar, pelos ensinamentos, amizade e incentivo, que refinaram os conhecimentos e a visão da ciência, levando a tomá-la com exemplo a ser seguido. Ao Msc. Luiz Herman Soares Gil, pela amizade incondicional criada desde Costa Marques, que nos fez chegar aonde chegamos, e que nos fará avançar ainda mais. Às pesquisadoras MSc. Joana D’ Arc Neves Costa, MSc. Kelly Régia Vieira de Oliveira, MSc. Aline de Freitas Rodrigues, pelo companheirismo, colaboração, incentivo, apoio, e também pelo compartilhar das discussões sobre pontos relevantes do mundo da ciência, dos aspectos rotineiros que a vida nos impõe, mostrando que a amizade sincera é a melhor maneira de superar obstáculos e prosseguir no crescimento. À Bióloga Elci Marlei Freitag e ao Carlos Alberto Costa dos Santos, os quais eu cito como representantes de todos que contribuíram de forma inestimável com este trabalho sem medir esforços. Ao fiel escudeiro Alzemar Alves de Lima, pelo compromisso, profissionalismo e amizade, que tornou possível a condução deste trabalho. Aos fiéis colaboradores Roberto Nunes Gustavo, Marcos Aurélio Rodrigues de Castro, Francisco das Chagas da Penha e Araújo e Hérgio Araújo Brasil, pelo incansável trabalho diário em levar um pouco de alento aos nossos queridos ribeirinhos. Às colaboradoras Rosalina Lima Bezerra, Rosimeiry IV Marques da Silva e Lenira Souza. Aos estagiários e estagiárias Flávio Augusto de Souza Oliveira, Silvânia dos Santos, Jeandersosn Ferreira Tiburcio, Lidiane Fernandes Rocha, Átila Bezerra Neves, Jarline Iva Alves Serra, Alcides Procópio Justiniano dos Santos Júnior, Josiane Mendes Pandolfo e Maria Teixeira do Nascimento Filha. Aos colaboradores e colaboradoras do Laboratório de Microscopia do IPEPATRO/CEPEM. V Resumo Em estudo de coorte aberta, foram monitoradas três localidades rurais no município de Porto Velho, Rondônia, Amazônia Ocidental. Esse estudo visou avaliar a eficácia do tratamento de portadores de infecção assintomática por plasmódio (PIAP) na transmissão da malária. No primeiro ano do estudo foram identificados os PIAP nas localidades de São Sebastião (n = 21, localidade controle), Cachoeira do Teotônio (n = 51) e Vila Amazonas (n = 41). O tratamento dos PIAP com antimaláricos foi realizado no início do segundo ano nas localidades de Cachoeira do Teotônio e Vila Amazonas. Adicionalmente após esse tratamento, em Vila Amazonas foi aplicado o esquema de prevenção de recaídas para malária vivax, para os PIAP (por Plasmodium vivax) e todos os moradores que apresentaram caso clínico por P. vivax. Os resultados indicam que o tratamento convencional dado aos PIAP não ocasionou alteração na incidência da malária. A aplicação de esquema de prevenção de recaídas para malária vivax em Vila Amazonas, após o tratamento dos PIAP, mostra uma tendência na redução significativa de casos registrados. Com a perspectiva positiva dessa medida inovadora para o controle da malária, cria-se a expectativa de que para localidades que apresentem alterações populacionais sob risco de epidemias, esta medida venha a contribuir para o controle da malária. Palavra-chave: Malária, portadores assintomáticos, tratamento, quimioprofilaxia, controle. VI Abstract During an open cohort study, three rural localities in Porto Velho city, Rondônia, Western Amazon were monitored. The present study investigated the effect of the Asymptomatic Plasmodia Carriers (APC) treatment in malaria transmission. In the first year of the study all the APC of localities São Sebastião (n = 21, control), Cachoeira do Teotônio (n = 51) and Vila Amazonas (n = 41) were identified. The APC were treated with antimalaricals by the beginning of the second year in Cachoeira do Teotônio and Vila Amazonas. In addition, the treatment of all vivax APC and clinical vivax cases in the Vila Amazonas included a therapeutic scheme to prevent vivax relapses. Present results indicated that APC treatment did not affect malaria incidence. Despite of that, the preventive vivax relapse treatment scheme, after APC treatment, significantly reduced malaria cases. Therefore, the positive impact of this new measure for malaria control holds a promise in areas under epidemic outbreak risk, e.g., to massive human immigration. Key-words: Malaria, asymptomatic carriers, treatment, chemoprophylaxis, control. VII Lista de Figuras Figura Descrição Página 1 Áreas de risco de transmissão da malária no mundo, no ano de 2008. 4 (Fonte: WHO). 2 Incidência Parasitária Anual de malária no Brasil: A = ano 2003; B = ano 7 2008. Fonte: SIVEP-Malária/Sinan/SVS/MS. 3 Evolução dos casos de malária e na Amazônia Legal, Rondônia e Porto 8 Velho, de 1980 a 2009. Fonte: Gerência Técnica de Malária/CCDTU/DEOPE/FNS; SIM/CENEPI/FNS; SVS - SIVEP– Malária; Rey, 2001. 4 Série histórica dos casos clínicos de malária no município de Porto Velho 10 (RO), Amazônia Legal e Rondônia, no período de 2003 a 2009. Fonte: SIVEP-Malária. 5 Regiões Administrativas da Secretaria Municipal de Porto Velho. Fonte: 11 SEMUSA/PVH. 6 Mapa da área de estudo. Os pontos em vermelho representam as casas; as 18 linhas em laranja representam estradas vicinais de acesso; as linhas em azul representam as delimitações das áreas de estudo. Parte da área urbana de Porto Velho pode ser visualizada no canto superior direito. 7 Mapa estilizado da área de estudo, da localidade Vila Amazonas. Fonte: 19 Laboratório de Epidemiologia IPEPATRO/CEPEM. Os quadrados negros representam as casas, com seus respectivos números de registro. 8 Mapa estilizado da área de estudo, da localidade Cachoeira do Teotônio. 20 Fonte: Laboratório de Epidemiologia IPEPATRO/CEPEM. Os quadrados negros representam as casas, com seus respectivos números de registro. 9 Mapa estilizado da área de estudo, da localidade São Sebastião. Fonte: 21 Laboratório de Epidemiologia IPEPATRO/CEPEM. Os quadrados negros representam as casas, com seus respectivos números de registro. 10 Fluxograma de tratamento da malária conduzido em Vila Amazonas, a 27 partir da amostra coleta do participante. A linha tracejada vermelha representa o momento do tratamento dos portadores de infecção assintomática por plasmódio (PIAP). NIAP = não portadores de infecção assintomática por plasmódio. 11 Fluxograma de tratamento da malária conduzido em Cachoeira do 28 Teotônio, a partir da amostra coleta do participante. A linha tracejada vermelha representa o momento do tratamento dos portadores de infecção assintomática por plasmódio (PIAP). NIAP = não portadores de infecção assintomática por plasmódio. 12 Fluxograma de tratamento da malária conduzido em São Sebastião, a 29 partir da amostra coleta do participante. PIAP = portador de infecção assintomática por plasmódio; NIAP = não portadores de infecção assintomática por plasmódio. 13 Região de Amplificação do gene ssrRNA plasmodial. Nas barras em azul 32 representação das regiões do gene específicas para cada espécies de parasita e nas barras em amarelo temos a representação das seqüências conservadas entre as espécies. Fonte: SNOUNOU 1996. VIII 14 Esquema recomendado para tratamento das infecções por Plasmodium falciparum. (Fonte: Ministério da Saúde. Ações de Controle da Malária. Manual para Profissionais de Saúde na Atenção Básica. 2ª ed. Brasília, 2006). 15 Esquema recomendado para tratamento das infecções por Plasmodium vivax. (Fonte: Ministério da Saúde Ações de Controle da Malária. Manual para Profissionais de Saúde na Atenção Básica. 2ª ed. Brasília, 2006). 16 Esquema recomendado para tratamento das infecções mistas por Plasmodium vivax + Plasmodium falciparum. (Fonte: Ministério da Saúde Ações de Controle da Malária. Manual para Profissionais de Saúde na Atenção Básica. 2ª ed. Brasília, 2006). 17 Equivalência entre grupos etários e peso corporal aproximado. Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. Ações de Controle da Malária. Manual para Profissionais de Saúde na Atenção Básica. 2ª ed. Brasília, 2006. 18 Esquema recomendado para prevenção de recaída da malária por Plasmodium vivax com cloroquina em dose única semanal por 12 semanas. (Fonte: Ministério da Saúde Ações de Controle da Malária. Manual para Profissionais de Saúde na Atenção Básica. 2ª ed. Brasília, 2006). 19 Mapa do município de Porto Velho com sua hidrografia. A linha em azul representa o rio Madeira. Figura elaborada com o programa Terra View® (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE), e adaptada. O quadro vermelho destacando a cidade de Porto Velho está ampliado na figura 16, onde a área de estudo está contida. 20 Fluxograma do estudo. Nos valores analisados não foram excluídos a perda de seguimento, para análise de sobrevida e freqüência acumulada. 21 Casas típicas de Vila Amazonas na área ribeirinha, à margem esquerda do rio Madeira (A), e em área mais interiorizada (B). 22 Casas típicas de Cachoeira do Teotônio na área ribeirinha, à margem direita do rio Madeira (A), e em área mais interiorizada (B). 23 Casas típicas de Cachoeira do Teotônio na área ribeirinha, à margem direita do rio Madeira (A), e em área mais interiorizada (B). 24 População das localidades de estudo, no período de 2007 a maio de 2010. 25 Distribuição da idade dos participantes do estudo. Mediana de 28,8 para Vila Amazonas, 25,0 para Cachoeira do Teotônio e 23,7 para São Sebastião. 26 Distribuição espacial dos PIAP (2008), e a hidrografia da área de estudo. Os pontos verdes e vermelhos indicam as residências onde foram identificados os PIAP, por Plasmodium vivax e Plasmodium falciparum, respectivamente. Os pontos pretos indicam as demais residências. Figura elaborada com o programa Terra View® (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE). O rio Madeira recebeu tratamento gráfico para obter maior destaque na hidrografia na figura. 27 Distribuição espacial dos casos clínicos de malária em 2008 (A) e 2009 (B) entre os moradores da Vila Amazonas e Cachoeira do Teotônio, e a hidrografia da área de estudo. Os pontos verdes e vermelhos indicam residências com habitantes com infecção clínica por Plasmodium vivax e Plasmodium falciparum, respectivamente. Os pontos pretos indicam 35 36 36 37 39 43 44 45 46 48 48 49 52 53 IX 28 29 30 31 32 33 34 35 36 as demais residências. Figura elaborada com o programa Terra View® (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE). O rio Madeira recebeu tratamento gráfico para obter maior destaque na hidrografia da figura. Estimativa Kernel de densidade no ano de 2008: (A) da população; (B) dos casos de malária (de janeiro a maio). Os pontos em vermelho representam as residências habitadas. Figuras elaboradas com o programa Terra View® (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais INPE). O rio Madeira recebeu tratamento gráfico para obter maior destaque na hidrografia da figura. Estimativa Kernel de densidade no ano de 2009: (A): da população; (B): dos casos de malária (de janeiro a maio). Em “A”, os números 1, 2, 3 e 4 representam os locais dos acampamentos do trabalhadores da UHE de Santo Antônio que entraram na área. Os pontos em vermelho representam as residências habitadas. Figuras elaboradas com o programa Terra View® (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais INPE). O rio Madeira recebeu tratamento gráfico para obter maior destaque na hidrografia da figura. Estimativa Kernel de densidade no ano de 2010: (A) da população; (B): dos casos de malária (de janeiro a maio). Em “A”, os números 1, 2, 3 e 4 representam os locais dos acampamentos do trabalhadores da UHE de Santo Antônio que entraram na área. Os pontos em vermelho representam as residências habitadas. Figuras elaboradas com o programa Terra View® (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais INPE). O rio Madeira recebeu tratamento gráfico para obter maior destaque na hidrografia da figura. A: Acampamento de trabalhadores na Cachoeira do Teotônio; B: Acampamento de trabalhadores na Vila Amazonas; C: Desmatamento em torno dos cursos e coleções d’água, formando potenciais criadouros de vetores. Se pode observa pilhas de madeira que são retiradas, diminuindo a cobertura vegetal na localidade (seta vermelha). Casos de malária registrados entre os moradores durante o presente estudo nas localidades de Vila Amazonas (A), e Cachoeira do Teotônio (B) e São Sebastião (C). A seta azul indica o início da coleta de amostra para exame de malária por PCR; a seta vermelha indica entrada de trabalhadores na área (não residentes); a seta amarela indica o tratamento dos PIAP’s; a seta verde indica o início da aplicação da quimioprofilaxia para malária vivax. Casos de malária registrados pelo SIVEP-Malária nas localidades de Vila Amazonas (A), Cachoeira do Teotônio (B) e São Sebastião (C). Casos de malária vivax (A), casos de falciparum (B), população (C) e Incidência Parasitária Anual (D), das localidades de estudo, com dados do SIVEP-Malária e do presente estudo (Coorte), de janeiro de 2007 a maio de 2010. (*) = dados atualizados até 08/06/2010. Incidência de malária nas localidades de estudo, no período de 2008 a 2010. “A”, “B” e “C” correspondem à ampliação do período de janeiro a maio de 2010 em relação aos anos anteriores (2008 e 2009). Curva da freqüência acumulada de casos de malária entre os moradores das localidades no período de junho de 2007 a maio de 2008 (linha 54 55 56 57 58 59 61 62 69 X 37 38 39 40 azul), de junho de 2008 a maio de 2009 (linha verde), e de junho de 2009 a maio de 2010 (linha vermelha). Estimativa de sobrevida (Kaplan-Meier) de risco de adquirir malária, dos moradores das localidades de Vila Amazonas, Cachoeira do Teotônio e São Sebastião, no período de abril de 2008 a maio de 2010. Estimativa de sobrevida (Kaplan-Meier) de risco de adquirir malária, dos moradores das localidades de Vila Amazonas, Cachoeira do Teotônio e São Sebastião, no período pós-tratamento dos PIAP (julho a maio), dos anos de 2007 a 2009. Mapa da área de estudo mostrando a localização espacial dos pontos de captura de vetores. Os pontos vermelhos indicam a localização das casas. Cachoeira do Teotônio: A = casa 622; B = casa 693; C = casa 440; Vila Amazonas: D = casa 487; E = casa 545; F = casa 568. Distribuição dos casos de malária entre os moradores das localidades de Vila Amazonas e Cachoeira do Teotônio, e a média de picada/hora/capturador (HBR – hour bite rate), no período de janeiro de 2007 a maio de 2010. As setas vermelhas indicam entrada de trabalhadores na área (não residentes). 70 70 72 73 XI Lista de Tabelas Tabela Descrição 1 Somatória dos casos de malária registrados nos Estados da Amazônia Legal, no período de 1980 a 2009. 2 Distribuição da população de Rondônia em urbana e rural, de 1950 a 2000. 3 Tabela de parasitemia de malária utilizada pela FUNASA. 4 Distribuição dos participantes por localidade, sexo e idade. 5 Distribuição de portadores de infecção assintomática por plasmódio (PIAP), por localidade, sexo e faixa etária. 6 Distribuição de número de episódios clínicos de malária vivax entre os PIAP e NIAP, por localidade, nos anos de 2008 e 2009. Página 9 10 30 49 50 64 XII Lista de Quadros Quadro Descrição Página 1 Primer’s utilizados nas reações de PCR. 32 2 Cálculo da freqüência acumulada de casos de malária da Vila 66 Amazonas. 3 Cálculo da freqüência acumulada de casos de malária da 67 Cachoeira do Teotônio. 4 Cálculo da freqüência acumulada de casos de malária de São 68 Sebastião. XIII Lista de Siglas e Abreviaturas ACT Artemisinin-based Combination Therapy Terapia baseada na combinação com artemisinina AS Agente de Saúde CEM Campanha de Erradicação da Malária CEPEM Centro de Pesquisa em Medicina Tropical DATASUS Departamento de Informática do SUS DDT Dicloro-Difenil-Tricloroetano DNA Ácido Desoxirribonucléico EDTA Etileno Diamino Tetracético FUNASA Fundação Nacional de Saúde G6PD Deficiência da Glicose-6-Fosfato Desidrogenase GPS Global Position System Sistema de Posicionamento Global GTEM Grupo de Trabalho para Erradicação da Malária HIV Human immunodeficiency vírus Vírus da Imunodeficiência Humana IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística INPE Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais IPA Índice Parasitário Anual IPEPATRO Instituto de Pesquisa em Patologias Tropicais MS Ministério da Saúde NIAP Não Portador de Infecção Assintomática por Plasmódio OMS Organização Mundial de Saúde OPAS Organização Pan-Americana de Saúde PBS Phosphate Buffered Saline Tampão salino fosfatado PIAP Portador de Infecção Assintomática por Plasmódio PCR Polymerase Chain Reaction PIACM Plano de Intensificação das Ações de Controle da Malária na Amazônia Legal QAP Questionário de Acompanhamento Periódico QEF Questionário Epidemiológico Familiar XIV QEI Questionário Epidemiológico Individual SEMUSA Secretaria Municipal de Saúde SINAM Sistema de Informação de Agravos de Notificação SIVEP-Malária Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica - Malária SUCAM Superintendência de Campanhas de Saúde Pública SUS Sistema Único de Saúde TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido TCU Tribunal de Contas da União WHO World Health Organization XV SUMÁRIO Capítulo página Dedicatória ............................................................................................ I Epígrafe ................................................................................................. II Agradecimento ...................................................................................... II Resumo .................................................................................................. V Abstract ................................................................................................. VI Lista de Figuras .................................................................................... VII Lista de Tabelas .................................................................................... XI Lista de Quadros .................................................................................. XII Lista de Siglas e Abreviaturas ............................................................. XIII Sumário ................................................................................................. XV 1. Introdução ............................................................................................. 1 2. Objetivos ............................................................................................... 14 2.1. Objetivo Geral ................................................................................ 14 2.2. Objetivos específicos ...................................................................... 14 População, materiais e métodos .......................................................... 16 3. 3.1. Localização geográfica da área de estudo, levantamento demográfico e distribuição espacial da população ......................... 16 3.2. Amostragem e planejamento da coleta de material biológico ........ 22 3.3. Coleta de dados demográficos clínicos e epidemiológicos ............ 22 3.4. Cadastramento familiar .................................................................. 23 3.5. Material biológico e fluxograma .................................................... 24 3.5.1. Gota Espessa .......................................................................... 29 3.5.2. Obtenção de DNA genômico de plasmódio ........................... 30 3.5.3. Reação em cadeia da Polimerase (PCR) para malária ........... 31 3.5.4. Caracterização de infecção assintomática por plasmódio ...... 33 3.6. Tratamento de portador de infecção assintomática por plasmódio (PIAP) ............................................................................................. 3.6.1. 34 Esquemas de tratamento de primeira escolha e esquemas alternativos ............................................................................. 34 3.7. Acompanhamento longitudinal ...................................................... 37 3.8. Prevenção de recaídas por P. vivax (quimioprofilaxia) .................. 39 3.9. Considerações éticas ....................................................................... 40 XVI 3.10. Banco de dados e análises estatísticas ............................................. 41 Resultados ............................................................................................. 43 4.1. Vila Amazonas ................................................................................ 45 4.2. Cachoeira do Teotônio .................................................................... 46 4.3. São Sebastião .................................................................................. 48 4.4. Reação em Cadeira da Polimerase para malária ........................... 50 4.5. Distribuição espacial da malária ..................................................... 52 4.6. Análise estatística ............................................................................ 61 4.7. Tratamento de portadores de infecção assintomática ...................... 65 4.8. Quimioprofilaxia e recaídas de episódios de malária vivax ............ 66 4.9. Probabilidade de contrair malária após a aplicação do tratamento 4. dos portadores de infecção assintomática por plasmódio................ 67 Monitoramento de vetores .............................................................. 74 5. Discussão ............................................................................................... 77 6. Conclusão .............................................................................................. 86 7. Referências ............................................................................................ 87 8. Anexos ................................................................................................... 4.10. ____________________________________________________________________Introdução 1. 1 Introdução Possivelmente, a malária humana tenha surgido no alvorecer da nossa espécie (TISHKOFF et al., 2001). Menções oriundas desde 2.000 anos A.C., a respeito de febres intermitentes associadas com esplenomegalia e a miasmas dos pântanos, estão presentes em conhecidas referências envolvendo o tema “malária” (PESSÔA & MARTINS, 1982; DEANE, 1992). No final do século XIX, em 1881, Charles Louis Alphonse Laveran observou os parasitas da malária em um distendido de sangue sob a visão de um microscópio. Logo após, outros pesquisadores descreveram mais espécies de plasmódio de interesse clínico: Plasmodium malariae (Laveran, 1881), Plasmodium vivax (Grassi & Feletti, 1890), Plasmodium falciparum (Welch, 1897), Plasmodium ovale (Stephens, 1922) (PESSÔA, 1982). Anos depois, em 1898, Ronald Ross descobriu a transmissão vetorial da malária aviária, o que levou aos cientistas Giovanni Battista Grassi, Giuseppe Bastianelli, Amico Bignami e Patrick Manson, buscarem os transmissores da malária humana, obtendo sucesso um ano depois (DEANE, 1992). A partir de então milhares de novos conhecimentos acerca da malária são adicionados na literatura científica de forma crescente, produzidos por pesquisadores em todo o mundo, a respeito de novas terapias, controle vetorial, imunologia, vacinas, epidemiologia, entre outros. No século XVII, Juan Lopez, um missionário jesuíta, aprendeu com povos da América do Sul (Peru) a utilizar a casca da árvore quina para tratamento de alguns tipos de febre e posteriormente a introduziram na Europa. Linêo, em 1742, descreveu a árvore e nomeou-a sob o gênero Cinchona (KREIER, 1980; DEANE, 1992). Dessa forma deu-se início ao uso do antimalárico quinino. ____________________________________________________________________Introdução 2 Durante a Primeira Guerra Mundial, pesquisadores alemães buscavam a obtenção de antimaláricos sintéticos. Em 1934 desenvolveram uma droga do grupo das amino-4-quinoleínas, e deram o nome de Sontochin. Posteriormente, em 1946, os americanos modificaram ligeiramente a sua composição (metilação) e deram o nome de Cloroquina (SLATER, 2009). Ao mesmo tempo, eram desenvolvidos estudos para a síntese de substâncias com ação inseticida. Em 1874, um estudante de química austríaco, Othmar Zeidler, sintetizou o composto dicloro-difenil-tricloroetano (DDT), mas somente em 1943 que foi descoberta a sua propriedade inseticida por Paul Hermann Müller, e que também apresentava grande poder residual e baixo custo. (DEANE, 1992). Com base nos conhecimentos sobre o inseto vetor (que apresentava atividade no interior dos domicílios e que após o repasto sangüíneo repousava por horas nas paredes internas das casas), nas características do DDT (que poderia ser aplicado nas paredes dos domicílios e com alto poder residual), e na existência de drogas efetivas para o tratamento, muitos foram levados a crer na possibilidade de a doença ser erradicada pela eliminação do parasito, e não necessariamente do inseto vetor. Entretanto, devido à redução das atividades de controle, crises econômicas, aumento dos custos dos inseticidas, surgimento de resistência dos anofelinos aos inseticidas e dos parasitos aos antimaláricos, a situação se deteriorou na década de 1980 e, exceção feita à Europa e América do Norte, ocorreu o aumento progressivo no número de casos na maioria dos países atingidos pela doença. Isto levou à revisão da estratégia global de erradicação e à decisão de adotar atividades de controle integradas a programas nacionais de longo prazo, visando reduzir os níveis de transmissão, contando com a participação da comunidade para alcançar êxito ____________________________________________________________________Introdução 3 nas atividades que dela dependessem. Desta forma, aliando-se às medidas de controle do vetor, o acesso ao diagnóstico laboratorial precoce e tratamento imediato, entre outros (recomendações emanadas na Conferência Ministerial de Amsterdã em 1992), tornou-se possível ao menos obter redução significativa da morbidade e, especialmente, da mortalidade por malária (KREIER, 1980; REY, 2001; Pedro Luiz Tauil, in: SILVEIRA & REZENDE, 2001). Apesar da possibilidade prevenção, e de ser curável, no ano de 2006 cerca de 247 milhões de casos clínicos de malária foram registrados no mundo, ocasionando cerca de 1 milhão de óbitos, principalmente em crianças menores de 5 anos na África (WHO, 2008). Somando-se a isso, os inúmeros fatores envolvidos na transmissão da malária ainda impedem um controle efetivo da doença na maioria dos países acometidos. Em 2008 relata que a doença se faz presente em 109 países, especialmente na região tropical e subtropical da África e sul do Saara, Ásia, Américas Central e do Sul e Oceania (figura 1). Aproximadamente 3,3 bilhões de pessoas vivem em área com risco de transmissão. Em muitos países, em particular os do Terceiro Mundo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera a malária como o maior problema de saúde pública, pois as dificuldades para um efetivo controle da malária e sua profilaxia nas áreas de alta transmissão esbarram em fatores como: precárias condições de moradia, higiene e saneamento; insuficiência de recursos econômicos; falta de conhecimento sobre a bioecologia dos vetores; medidas de controle vetorial inadequados; expansão de fronteiras de agropecuária; correntes migratórias decorrentes de abertura de novos pontos de exploração florestal e mineral; infraestrutura sanitária deficiente ou inexistente nos novos projetos de colonização. ____________________________________________________________________Introdução 4 Somando esses fatores, é possível que haja a reintrodução da malária urbana em algumas cidades, o que já ocorre em algumas capitais da Amazônia Legal (GIL et al., 2007; TADA et al., 2007), e que também já foram registrados em outros Estados (SOUZA et al., 1986), associados às migrações e invasões. Figura 1: Áreas de risco de transmissão da malária no mundo, no ano de 2008. (Fonte: WHO). No Brasil, até meados da década de 1940, a malária alastrava-se por quase todo o território. A luta organizada contra a malária teve como forte estímulo o desenvolvimento e o êxito do programa de erradicação do mosquito Anopheles gambiae na região Nordeste, que foi introduzido no Brasil em 1930 através dos navios vindos da África (REY, 2001). O Serviço de Malária do Nordeste, criado em 1939, se expande e ganha dimensões nacionais, transformando-se no Serviço Nacional de Malária, que foi mantido até 1956. Neste ano foi instituído o Departamento Nacional de Endemias Rurais, que absorveu também os serviços de febre amarela e da peste. Em 1959, diante da possibilidade da erradicação da malária, foi instituído o Grupo de Trabalho para a Erradicação da Malária (GTEM), ____________________________________________________________________Introdução 5 um passo inicial que conduziu à criação, em 1965, da Campanha de Erradicação da Malária - CEM (FUNASA, 2004). Em 1970, a conveniência de reunir todos os programas contra doenças endêmicas em uma única estrutura levou o Ministério da Saúde a criar a Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (SUCAM), onde passaram a serem planejados, coordenados e desenvolvidos programas contra a malária e outras endemias. Nessa época, o governo dava início ao Programa de Integração Nacional que visava, através de projetos de desenvolvimento, integrar a Amazônia ao restante do país. Assim sendo, foi iniciada na região a abertura de grandes rodovias, como a Transamazônica e a BR 364, a construção de hidrelétricas (Tucuruí, Balbina e Samuel) e a implantação de projetos de colonização e de projetos agropecuários, além de ser intensificada a exploração mineral. Isto fez com que ocorresse uma migração em massa de pessoas vindas de outros estados para a região Amazônica, o que contribuiu para o aumento de casos de malária. As novas fronteiras criadas produziram fluxos e refluxos de grandes contingentes de pessoas, com alta mobilidade criada pela abertura de caminhos e facilidades de transportes que, por sua vez, geraram sérios desequilíbrios ecológicos. Ocorreu grande expansão do reservatório parasitário devido ao aumento de pessoas suscetíveis, bem como ao crescimento da população dos mosquitos vetores, favorecido pelas mudanças ecológicas. As precárias condições de vida nas fronteiras, caracterizadas pelas aglomerações e habitações inadequadas, tornaram inapropriadas as medidas tradicionais de controle, situação esta agravada pela falta de medidas de proteção individual e coletiva (BARATA, 1995). ____________________________________________________________________Introdução 6 Embora seja verdadeiro atribuir às correntes migratórias responsabilidade maior no agravamento da malária, deve-se assinalar que o programa de controle da malária não estava preparado para acompanhar esse aumento populacional explosivo no interior da floresta amazônica e suas conseqüências. O insucesso de muitos migrantes, inclusive devido à malária, e a interrupção da atividade nos garimpos no período das chuvas promoviam o retorno de parte considerável da população migrante, que passou a semear a doença em regiões até então sem transmissão. Isto tornou a malária novamente um problema de importância nacional. Ao final da década de 1970, ao constatar-se que nem todas as áreas respondiam do mesmo modo às medidas de ataque, fez-se uma revisão na estratégia da luta antimalárica, dividindo-se a área endêmica em áreas de erradicação a curto e longo prazo, com base em características geográficas, epidemiológicas e socioeconômicas. A erradicação a curto prazo passou a englobar as áreas maláricas que se encontravam fora dos limites da Amazônia Legal e, a longo prazo, as correspondentes à Amazônia Legal. A partir da segunda metade da década de 80, vêm se registrando anualmente, mais de 500 mil casos de malária em todo o Brasil, com grande concentração na Amazônia - cerca de 99% dos casos registrados (REY, 2008). Atualmente no Brasil, a área endêmica de malária é conhecida como Amazônia Legal. Esta área é composta pelos Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, o que representa 59,8% do território nacional (figura 2). De 1999 a 2002, na Amazônia Legal, houve um declínio no número de casos de malária, mas em 2003 este número voltou a aumentar até 2005, chegando próximo aos valores de 1999. Observa-se ainda que a malária não se apresenta ____________________________________________________________________Introdução 7 distribuída uniformemente em toda a sua extensão, existindo áreas de alta e baixa transmissão. O Plano de Intensificação das Ações de Controle da Malária na Amazônia Legal (PIACM) buscou conter o avanço da malária nessa região colocando a malária como prioridade na política de saúde dos municípios. Até o final do ano de 2001 a meta era reduzir em 50% a incidência da malária (LADISLAU et al., 2006). Os municípios de médio e pequeno porte obtiveram melhor desempenho nessas ações. Em 2003, segundo os registros do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica (SIVEP-Malária), foram reportados 408.765 casos de malária na Amazônia Legal. De 2005 a 2009 o número de casos de malária registrados vem sofrendo um declínio (figura 3). A B Figura 2: Incidência Parasitária Anual de malária no Brasil: A = ano 2003; B = ano 2008. Fonte: SIVEP-Malária/Sinan/SVS/MS. ____________________________________________________________________Introdução 8 700.000 Casos de malária 600.000 500.000 400.000 300.000 200.000 100.000 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 - Anos Malária Amazônia Legal Malária RO Malária Porto Velho Figura 3: Evolução dos casos de malária e na Amazônia Legal, Rondônia e Porto Velho, de 1980 a 2009. Fonte: Gerência Técnica de Malária/CCDTU/DEOPE/FNS; SIM/CENEPI/FNS; SVS - SIVEP– Malária; Rey, 2001. O processo migratório do campo para os grandes centros, somado ao ingresso de migrantes de outras regiões do Brasil, favoreceu a reintrodução da malária urbana em algumas capitais da Amazônia Legal, como Manaus, Porto Velho, Boa Vista, Macapá e Belém (LEÃO, 1997; TADA et al., 2007). A falta de condições mínimas de saneamento, de higiene, econômicas, desconhecimento da bioecologia dos vetores por parte dos migrantes, entre outros, incrementou o índice de malária em muitas regiões do Estado. Na somatória do número de casos de malária registrados nos Estados da Amazônia Legal no período de 1980 a 2009, Rondônia ocupa a 2ª posição, apesar de ter uma área de apenas 4,7% dessa Região, e 5ª em população (tabela 1). ____________________________________________________________________Introdução 9 Tabela 1: Somatória dos casos de malária registrados nos Estados da Amazônia Legal, no período de 1980 a 2009. 2 Área (km )* Casos de % do % da UF População** Malária** Total território Amazônia Federal Legal PA 1.247.689,52 14,7 24,5 7.431.041 3.656.542 RO 237.576,20 2,8 4,7 1.503.911 3.304.426 AM 1.570.745,68 18,4 30,9 3.393.357 1.978.403 MT 903.357,91 10,6 17,8 2.992.017 1.123.939 MA 331.983,29 3,9 6,5 6.367.111 796.086 AC 152.581,34 1,8 3,0 691.169 566.470 RR 224.298,98 2,6 4,4 421.497 559.324 AP 142.814,59 1,7 2,8 626.607 415.226 TO 277.620,91 3,3 5,5 1.292.063 102.020 (*) = Fonte: IBGE; (**) = Fonte: SIVEP-Malária e REY, 2001. Em relação ao total do Estado, para os anos de 2005, 2007 e 2009, Porto Velho respondeu respectivamente por 39,7%, 43,3% e 51,3% dos casos de malária registrados no período (SIVEP-Malária). Apesar dos programas de controle da malária implantados desde a década de 1990, ainda apresenta índices significativos de malária, respondendo por mais de 50% dos casos de malária notificados no Estado em 2009, segundo dados do SIVEP-Malária (figura 4). A área territorial do município é dividida em 9 Regiões Operacionais pela Secretaria Municipal da Saúde (figura 5). Em média, para os anos de 2005 e 2006, a Região 1 (que compreende a área urbana da cidade de Porto Velho) respondeu por cerca de 16% dos casos de malária registrados no município. Para o ano de 2007, esse valor aumentou para pouco mais de 18%. A grande extensão territorial do município (semelhante a área de países como a Bélgica), somada a dificuldade de acesso à muitas localidades rurais, corrobora para que mais de 80% dos casos de malária sejam oriundas das demais Regiões Operacionais. Considerando que somente na sede do município de Porto Velho estão concentrados cerca de 80% de toda a população (aproximadamente 380 mil ____________________________________________________________________Introdução 10 habitantes – DATASUS), significa que em sua sede a Incidência Parasitária Anual (IPA) gira em torno de 20,0 e em área rural e ribeirinha acima de 350,0. A gradativa migração da população para os centros urbanos observada (tabela 2), a ocupação desordenada de áreas de florestas, a falta de conhecimento pela população do ciclo do parasito, pouco ou nenhum saneamento básico, principalmente na área rural, são citados em vários estudos realizados na Região Amazônica (MCGREEVY et al., 1989, VILLALOBOS-SALCEDO et al., 2000a; CAMARGO et al., 1994, 1998, 1999, 2002; CASTRO & SINGER, 2003, CASTRO et al., 2006; COURA et al., 2006). 700.000 Casos de malária Amazônia Legal 600.000 RO 500.000 Porto Velho 400.000 300.000 200.000 100.000 20 03 20 04 20 05 20 06 20 07 20 08 20 09 - Ano Figura 4: Série histórica dos casos clínicos de malária no município de Porto Velho (RO), Amazônia Legal e Rondônia, no período de 2003 a 2009. Fonte: SIVEP-Malária. Tabela 2: Distribuição da população de Rondônia em urbana e rural, de 1950 a 2000. Urbana Rural Ano Total n % n % 1950 13.816 37,4 23.119 62,6 36.935 1960 30.186 43,2 39.606 56,8 69.792 1970 59.564 53,6 51.500 46,4 111.064 1980 227.856 46,4 263.213 53,6 491.069 1991 658.172 58,2 472.702 41,8 1.130.874 1996 762.755 62,0 466.551 38,0 1.229.306 2000 884.523 64,1 495.264 35,9 1.379.787 2009 1.003.401 67,8 500.510 32,2 1.503.911 Fonte: IBGE – 2000 e estimativa 2009 para o TCU. ____________________________________________________________________Introdução 11 Figura 5: Regiões Administrativas da Secretaria Municipal de Porto Velho. Fonte: SEMUSA/PVH. Outro fator é a presença de reservatórios humanos do plasmódio. Covell (1960), numa revisão de literatura dos últimos 60 anos, cita o trabalho de Stephens & Christophers (1900), onde concluem que a principal fonte de malária entre imigrantes europeus que viviam em vilarejos na África tropical eram crianças com aparência saudável, e que viviam nos quartos desses trabalhadores. Continua a revisão citando trabalhos a respeito de infecções assintomáticas de malária, datados desde 1899, em que as observações encontravam parasitas em sangue periférico com maior freqüência em crianças do que em adultos, sugerindo a imunidade adquirida depois de repetidos episódios durante a infância. O autor cita ainda que Robert Koch, em 1900, discute que o tratamento deve ser dado não somente a quem possui sintomas, mas sim a todos que albergam o parasito. Mais adiante, cita estudos realizados entre trabalhadores durante a construção do Canal do Panamá em 1910, onde na estação seca encontrava alta proporção de trabalhadores com parasitemia, mas poucos vetores. Ele conclui que trabalhadores com baixas parasitemias, e que não foram tratados, contribuíram para a manutenção ____________________________________________________________________Introdução 12 do parasito e infecção dos mosquitos na estação chuvosa quando estes aumentam consideravelmente. Assim sendo, o portador de infecção assintomática por plasmódio (PIAP) é de vital importância para a manutenção do ciclo do parasito, atuando como um reservatório em baixas parasitemias durante épocas em que o vetor encontra-se em baixa densidade, mantendo a incidência da malária em níveis residuais. Ainda em Covell (1960), há relatos que apontam não haver correlação entre o número da gametócitos e a capacidade de infectar mosquitos, mostrando que pacientes com poucos gametócitos o conseguiram. Em Porto Velho, a alta densidade de vetores, com predomínio do Anopheles darlingi está presente em muitas áreas, principalmente às margens do rio Madeira (GIL et al., 2003, 2007; CRUZ et al., 2009). Essa espécie representa mais de 98% dos vetores capturados utilizando-se atração humana. No início do século XX Robert Koch já relatava observações realizadas em Java (Indonésia), onde grande número de parasitas era detectável em sangue de crianças, enquanto poucos em adultos. Argumentou, então, que o tratamento deveria ser dado não somente aos que possuíam parasitas detectáveis e com sintomas, mas também a todos que hospedavam formas “latentes” (período prépatente). Em 1910, no Panamá, estimou-se que a infectividade era de 1 gametócito por 500 leucócitos (cerca de 12 gametócitos/mm3 de sangue), em pacientes naturalmente infectados por P. falciparum. Também foi estimado que 97% desses gametócitos falham no seu desenvolvimento após a ingestão pelo vetor, e que muitos pacientes não conseguiam infectar os vetores, apesar de que in vitro seu sangue fosse rico em formas exoflageladas e também no estomago do vetor. Examinaram o sangue de trabalhadores na estação seca, quando havia pouca ____________________________________________________________________Introdução 13 reprodução de vetores, e encontraram grande proporção de parasitas no sangue. Conclui o autor que a malária “latente” não tratada contribui fortemente na preservação do parasito da malária e para a infecção do anofelino em comunidades tropicais, quando após o início da estação das chuvas os vetores proliferam em grande número (KOCH, 1900 e DARLING, 1910 apud COVELL, 1960). A ocorrência de episódios de malária sem sintomas foi registrada entre militares provenientes de áreas malarígenas da Ásia (CHRISTIANSON et al., 1946). No Brasil há estudos que apontam a presença de PIAP em vários Estados da Amazônia Legal (ANDRADE et al., 1995; FONTES, 2001; ANDRADE, 2001; ANDRADE & TANJA, 2001; SUÁREZ-MUTIS et al., 2004; ANDRADE, 2005; COURA et al., 2006). Em Porto Velho (RO), tanto em área ribeirinha como em não ribeirinha, há uma incidência significativa de malária, com a presença de PIAP em elevada porcentagem na área ribeirinha (CAMARGO et al., 1999; ALVES et al., 2002; TADA et al., 2007; KATSURAGAWA et al., 2008, 2009), além da capacidade do portador de infecção assintomática infectar o mosquito vetor (ALVES et al., 2005). O tratamento medicamentoso de portadores de infecção assintomática por P. falciparum mostrou um incremento na incidência de malária vivax em uma área de estudo (TADA, 2008). A presença de PIAP na região de Porto Velho, a capacidade desses portadores em infectar o mosquito transmissor e a significativa porcentagem de episódios denominados recaídas relatados em estudos anteriores, nos encaminhou a avaliar a eficácia do tratamento do portador de infecção assintomática seguido de prevenção de recaídas para malária vivax. ____________________________________________________________________Objetivos 2. 14 Objetivos 2.1 Objetivo geral 2.1.1 Avaliar o efeito do tratamento de portadores de infecção assintomática por plasmódio na incidência de malária em população ribeirinha de Porto Velho, Rondônia. 2.2 Objetivos específicos 2.2.1 Realizar levantamento demográfico das localidades conhecidas como Vila Amazonas, Cachoeira do Teotônio e São Sebastião, município de Porto Velho, Rondônia, com identificação de residências, famílias e indivíduos; 2.2.2 Realizar um estudo da prevalência da malária nessas localidades, e tratamento dos portadores de malária clínica; 2.2.3 Em abordagem por coorte aberta, monitorar a incidência de sintomas e de malária clínica na população durante um período de 24 meses; 2.2.4 Descrever a prevalência de portadores de infecção assintomática por plasmódio em população residente nessas localidades; 2.2.5 Em abordagem por coorte aberta, monitorar a prevalência e espécie parasitária dos portadores de infecção assintomática por plasmódio durante o primeiro ano após o início do estudo; 2.2.6 No segundo ano do estudo, realizar novo estudo da prevalência da malária nessas localidades, e efetuar tratamento de todos os portadores de malária clínica (Vila Amazonas, Cachoeira do Teotônio e São Sebastião), e de infecção assintomática (Vila Amazonas e Cachoeira do Teotônio); ____________________________________________________________________Objetivos 15 2.2.7 Aplicar esquema de tratamento para prevenção de recaídas para malária vivax em todos os moradores da Vila Amazonas, iniciando imediatamente após o tratamento de portadores de infecção assintomática; 2.2.8 Comparar a incidência de malária clínica na população nos períodos antes e após o tratamento de portadores de infecção assintomática por plasmódio. _________________________________________________População, materiais e métodos. 16 3. População, materiais e métodos 3.1 Localização geográfica da área de estudo, levantamento demográfico e distribuição espacial da população. Três localidades foram selecionadas para o presente estudo: Vila Amazonas, Cachoeira do Teotônio e São Sebastião (figura 6). A localidade de Vila Amazonas (08º 51’ 10,0’’S, 64º 03’ 51,7’’W) possui aproximadamente 20 km2, a 44 km de Porto Velho. Essa comunidade apresenta a característica de possuir maior dificuldade de acesso por via terrestre, principalmente na época do inverno amazônico, quando as estradas dificultam o tráfego de veículos de pequeno porte. Essa mesma época coincide com a piracema, quando a pesca fica proibida por força da lei. A população, então, passa a realizar a colheita da mandioca que é beneficiada para a produção da farinha, que posteriormente é comercializada em Porto Velho. Ao final desse período, inicia-se o plantio para a próxima safra. Durante a época do verão amazônico, a pesca comercial é a principal atividade da população, que gera a maior parte da renda familiar. Algumas propriedades existentes nessa localidade são exclusivamente para a pecuária, mas de médio ou pequeno porte (figura 7). Cachoeira do Teotônio (08º 51’ 40,3’’S, 64º 03’ 43,2’’W), possui em aproximadamente 35 km2, a 32 km da cidade de Porto Velho. Nessa localidade, as propriedades mais próximas do rio consistem quase que exclusivamente de pequeno porte, onde a cultura da mandioca e a pesca são as principais fontes de renda. Poucas são as propriedades de médio e grande porte, e que são utilizadas para a pecuária, porém abrangem a maior área dessa localidade. Nessas propriedades, _________________________________________________População, materiais e métodos. 17 quase que em sua totalidade, os moradores são caseiros ou empregados. Os proprietários residem na sede do município. Há uma pequena unidade básica de saúde (UBS), que atende a população local e das comunidades circunvizinhas. Através de levantamento preliminar realizado em 2007, foi confeccionado um mapa estilizado onde foram inseridos os domicílios dentro da área de estudo, para um melhor monitoramento da população (figura 8). A localidade de São Sebastião (08º 45’ 28,5’’S, 64º 55’ 23,7’’W), é uma pequena vila ribeirinha com aproximadamente 0,4 km2, imediatamente na margem oposta do rio Madeira, defronte a cidade de Porto Velho. Com características rurais, predominam pequenas culturas de hortaliças e frutas, tendo a pesca como fonte alternativa de renda familiar. Muitos moradores possuem emprego fixo em Porto Velho, deslocando-se diariamente através de pequenas embarcações para fazer a travessia do rio (figura 9). De janeiro a março de 2007 todas as residências, das três localidades, foram georreferenciadas pelo Sistema de Posicionamento Global (GPS), e caracterizadas em ficha própria (Anexo 2). Na seqüência, o levantamento demográfico foi efetuado, para que fosse possível realizar o monitoramento dos casos de malária entre os habitantes. _________________________________________________População, materiais e métodos. 18 Figura 6: Mapa da área de estudo. Os pontos em vermelho representam as casas; as linhas em laranja representam estradas vicinais de acesso; as linhas em azul representam as delimitações das áreas de estudo. Parte da área urbana de Porto Velho pode ser visualizada no canto superior direito. _________________________________________________População, materiais e métodos. 19 Figura 7: Mapa estilizado da área de estudo, da localidade Vila Amazonas. Fonte: Laboratório de Epidemiologia IPEPATRO/CEPEM. Os quadrados negros representam as casas, com seus respectivos números de registro. _________________________________________________População, materiais e métodos. 20 Figura 8: Mapa estilizado da área de estudo, da localidade Cachoeira do Teotônio. Fonte: Laboratório de Epidemiologia IPEPATRO/CEPEM. Os quadrados negros representam as casas, com seus respectivos números de registro. _________________________________________________População, materiais e métodos. 21 Figura 9: Mapa estilizado da área de estudo, da localidade São Sebastião. Fonte: Laboratório de Epidemiologia IPEPATRO/CEPEM. Os quadrados negros representam as casas, com seus respectivos números de registro. _________________________________________________População, materiais e métodos. 3.2 22 Amostragem e planejamento da coleta de material biológico O estudo foi conduzido no desenho de coorte aberta. Inicialmente foi realizado censo demográfico de toda a população, com a as respectivas moradias existentes nas áreas de estudo. O objetivo foi realizar exames em toda a população residente na área de estudo, buscando identificar os indivíduos com infecção assintomática por plasmódio. Para alcançar esse objetivo, todos os moradores da área de estudo foram convidados a participar voluntariamente, procurando atingir 100% da população. Em abril de 2008 foi iniciada a coleta de amostra sangüínea dos habitantes de Vila Amazonas e Cachoeira do Teotônio, para análise microscópica e molecular para malária. Posteriormente foram coletadas amostras periódicas, quando necessárias, para o monitoramento dessa população em relação a novos episódios clínicos de malária. O detalhamento dessas coletas encontra-se no item 3.5. Para crianças menores de 5 anos, com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) assinado pelos responsáveis, e quando não foi possível ter acesso venoso, foi coletada amostra sangüínea em papel de filtro através de punção digital. De todo novo morador nas localidades de estudo, foi realizada visita para inclusão no estudo. Aos moradores, classificados como portadores de infecção assintomática por plasmódio após exame inicial, e que deixaram a localidade (mudança de endereço), foi oferecido tratamento específico para malária. Para São Sebastião, a coleta de material biológico ocorreu em novembro de 2008, seguindo os mesmos procedimentos aplicados nas outras duas localidades. 3.3 Coleta de dados demográficos clínicos e epidemiológicos Foram aplicados 4 questionários específicos: _________________________________________________População, materiais e métodos. Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE (Anexo 1) Questionário Epidemiológico Familiar – QEF (Anexo 2) Questionário Epidemiológico Individual – QEI (Anexo 3) Questionário de Acompanhamento Periódico – QAP (Anexo 4) 23 Esses questionários (Anexos 2, 3 e 4) buscaram obter informações como episódios anteriores e atuais de malária, sintomatologia, exame clínico, tempo de residência na área de estudo, tipo de moradia, e outros dados epidemiológicos. As informações contidas nessas fichas foram arquivadas e digitalizadas no Laboratório de Epidemiologia do Instituto de Pesquisa em Patologias Tropicais (IPEPATRO) e Centro de Pesquisas em Medicina Tropical (CEPEM), sendo o CEPEM um órgão da Secretaria Estadual de Saúde de Rondônia. 3.4 Cadastramento familiar Após a leitura do termo de consentimento ao chefe da família, e subseqüente aceitação em participação do estudo, famílias e indivíduos foram cadastradas da maneira descrita a seguir. As comunidades foram identificadas pelos números: “01” - Vila Amazonas, “02” - Cachoeira do Teotônio, e “03” - São Sebastião. As famílias selecionadas foram identificadas por três dígitos, a iniciar pelo número “001”, que corresponde ao número do domicílio, que foi previamente cadastrado e referenciado pelo GPS. Todos os habitantes do domicílio foram listados em ordem decrescente de idade e cada pessoa recebeu um número de registro, que designou a sua posição na família de acordo com a idade, de maneira crescente começando em “01”. Assim temos, como exemplo, que na comunidade de número “01”, na residência 001, o pai da família será identificado como o indivíduo 01. Logo, o pai da _________________________________________________População, materiais e métodos. 24 família foi registrado como “01.001.01”, a mãe “01.001.02”, o 1º filho como “01.001.03”, e assim sucessivamente. Para parentes próximos (até 2º grau), utilizouse a numeração dos dois últimos dígitos a partir do número 20, e do número 50 para agregados (“01.001.20” e “01.001.50”, respectivamente). O mesmo critério foi aplicado para a localidade “02”. Estes registros constam do QEF, QEI e QAP, onde também estão inscritos o nome da localidade, da pessoa, sexo e data de nascimento. Dados referentes a condições de moradia, como materiais de construção, número de cômodos, origem e tratamento da água usada para consumo, disponibilidade de energia além de posse de eletrodomésticos e outros bens e animais, também foram registrados. Estas fichas estão arquivadas no Laboratório de Epidemiologia do CEPEM/IPEPATRO, juntamente com o TCLE. 3.5 Material biológico e fluxograma No inquérito inicial, além de dados epidemiológicos de cada indivíduo (anexos 2, 3 e 4), foram coletados 10ml de sangue periférico através de venóclise utilizandose seringa e agulha descartáveis, e em seguida distribuídas em 2 tubos a vácuo (cerca de 5ml cada), um deles contendo o anticoagulante etilenodiaminotetracético (EDTA), para pesquisa de plasmódio e deficiência da glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD) (tubo 1), e outro sem anticoagulante (tubo 2), para exames sorológicos de hepatite B, hepatite C e HIV, que foram realizados aos participantes que declararam interesse em fazê-los. Com exceção dos exames específicos para diagnóstico da malária, os demais exames foram realizados adicionalmente como cortesia ao participante, e não são avaliados no presente estudo. Os resultados _________________________________________________População, materiais e métodos. 25 desses exames poderão compor trabalhos de conclusão de curso, autorizado pelo participante no TCLE. Logo após a coleta do sangue, algumas gotas de sangue foram adicionadas em papel de filtro, devidamente identificados, para arquivamento e futura genotipagem de plasmódios. Com mais duas gotas de sangue foi confeccionada uma lâmina de gota espessa para exame de malária pelo método de microscopia corada pelo corante de Giemsa. Os tubos foram conservados em caixas térmicas contendo gelo reciclável, a cerca de 4oC, até o momento da aférese dos elementos sangüíneos e/ou processamento do exame, e posterior estocagem a 20oC negativos (OPAS, 1975). Os componentes do sangue (fase líquida e elementos figurados) foram armazenados no Laboratório de Epidemiologia do CEPEM/IPEPATRO, e encaminhados aos Laboratórios de Epidemiologia Molecular e Hepatites. Do tubo sem anticoagulante, o soro obtido após a coagulação e centrifugação, foi congelado a 20ºC negativos, para futuras análises sorológicas de outras doenças prevalentes na região em questão, como hepatites e doenças sexualmente transmissíveis. Os leucócitos congelados, e parte do sangue total poderão ser utilizados pelo Laboratório de Genética do CEPEM/IPEPATRO, para análise genética da deficiência da glicose-6-fosfato desidrogenase. A extração de DNA genômico de plamódio do papel de filtro ocorreu através de técnica do fenol-clorofórmio. Os exames de microscopia para malária foram executados pelos microscopistas do CEPEM/IPEPATRO. Após a primeira coleta de sangue e dos exames para malária (gota espessa e Reação em Cadeia da Polimerase - PCR), em todo momento em que o indivíduo participante do estudo apresentou sinais e sintomas de malária constatada pelos _________________________________________________População, materiais e métodos. 26 Agentes de Saúde (AS) participantes do presente estudo, foi confeccionada uma nova lâmina de gota espessa por punção digital para análise microscópica, corada pelo método de Giemsa. As amostras coletadas foram submetidas a exames iniciais para detecção de infecção por plasmódio por gota espessa e reação em cadeia da polimerase (PCR), que seguiram fluxogramas distintos para Vila Amazonas (figura 10), Cachoeira do Teotônio (figura 11) e São Sebastião (figura 12). Os fluxogramas apresentam diferenças quanto a terapia que foi aplicada após o tratamento de portadores de infecção assintomática por plasmódio (PIAP), que são detalhados nos itens 3.5.2 a 3.7. Esta diferença se justifica para avaliação da eficácia do tratamento de PIAP e esquema de prevenção de recaídas por P. vivax (item 3.8): • Vila Amazonas: o Tratamento de casos clínicos; o Tratamento de PIAP; o Esquema para prevenção de recaídas por P. vivax; • Cachoeira do Teotônio: o Tratamento de casos clínicos; o Tratamento dos PIAP; • São Sebastião: o Tratamento de casos clínicos. _________________________________________________População, materiais e métodos. 27 Figura 10: Fluxograma de tratamento da malária conduzido em Vila Amazonas, a partir da amostra coleta do participante. A linha tracejada vermelha representa o momento do tratamento dos portadores de infecção assintomática por plasmódio (PIAP). NIAP = não portadores de infecção assintomática por plasmódio. _________________________________________________População, materiais e métodos. 28 Figura 11: Fluxograma de tratamento da malária conduzido em Cachoeira do Teotônio, a partir da amostra coleta do participante. A linha tracejada vermelha representa o momento do tratamento dos portadores de infecção assintomática por plasmódio (PIAP). NIAP = não portadores de infecção assintomática por plasmódio. _________________________________________________População, materiais e métodos. 29 Figura 12: Fluxograma de tratamento da malária conduzido em São Sebastião, a partir da amostra coleta do participante. PIAP = portador de infecção assintomática por plasmódio; NIAP = não portadores de infecção assintomática por plasmódio. 3.5.1 Gota Espessa Neste exame utilizou-se a coloração de Giemsa (LUZ & FERNADEZRAMIREZ 1990, LIMA et al. 2001), pelo método de Walker (OPAS, 1975). A observação se deu em microscópio com objetiva de imersão (1000x), com a observação mínima de 200 campos microscópicos. Em caso positivo, a parasitemia foi expressa em cruzes, conforme padrão FUNASA (LUZ & FERNADEZ-RAMIREZ 1990), e em milímetros cúbicos (tabela 3). _________________________________________________População, materiais e métodos. Tabela 3: Tabela de parasitemia de malária utilizada pela FUNASA. Parasitemia qualitativa Parasitas por campo (cruzes) 40 a 60 / 100 campos +/2 1 / campo + 2 – 20 / campo ++ 21 a 200 / campo +++ > 200 / campo ++++ Fonte: Luz & Fernandez-Ramirez (1990). 3.5.2 30 Parasitemia quantitativa 3 (mm ) 200 – 300 301 – 500 501 – 10.000 10.001 – 100.00 > 100.000 Obtenção de DNA genômico de plasmódio A técnica utilizada foi através de extração de DNA de plasmódio utilizando o kit comercial GFX Genomic Blood DNA Purification Kit® (GE Healthcare), que permite a extração de DNA de sangue total, fresco ou congelado, seguindo-se as instruções do fabricante. Para a extração de DNA genômico de plasmódio de papel de filtro, foi utilizando a técnica do Fenol-Clorofórmio, como descrito a seguir: 1. Recortar um pedaço do papel contendo a amostra de sangue com lâmina de bisturi estéril ou tesoura e colocar em epp de 1,5 ml. 2. Adicionar 1 ml de PBS 1X com Saponina 0,05% (50 µl de saponina a 1% para cada ml de PBS 1X). Deixar a 37oC ou TA 4h ou overnigth. 3. Homegeinizar e centrifugar a 12000 rpm por 10 minutos e desprezar sobrenadante. 4. Adicionar a cada epp 1 ml de PBS 1X e homogeinizar. 5. Centrifugar a 12000 rpm por 10 minutos e desprezar sobrenadante. 6. Centrifugar rapidamente (spin). NÃO RETIRAR TODO LÍQUIDO, para remover o excesso de líquido (pode-se substituir esta etapa por outra lavagem). 7. Adicionar 60 µl de Tampão de Lise (40 mM Tris HCL pH 8,0; 80 mM EDTA pH 8,0 e SDS 0,2%) e adicionar 150 µl de Proteinase K (2mg/ml). _________________________________________________População, materiais e métodos. 31 8. Deixar de 4h a overnight. 9. Adicionar 300 µl de água MilliQ autoclavada. 10. Adicionar 500 µl de Fenol Equilibrado (Invitrogen), homogeinizar por inversão várias vezes. 11. Centrifugar a 12000 rpm por 10 min e remover a fase aquosa para outro epp, deixando o papel de filtro. 12. Adicionar 250 µl de Fenol Equilibrado e o mesmo volume de Clorofórmio (1:1). 13. Centrifugar a 12000 rpm por 10 minutos, remover a fase aquosa para novo epp. 14. Adicionar 45 µl de Acetato de Na 3M pH 7,0 e 1 ml de Etanol PA gelado. 15. Misturar gentilmente por inversão e reservar a -20oC por no mínimo de 4 horas e 30 minutos. 16. Centrifugar a 14000 rpm por 15 minutos a 4oC, descartar o etanol. 17. Adicionar 800 µl de Etanol 80% gelado. 18. Centrifugar a 14000 rpm por 15 min a 4oC; descartar o etanol. 19. Deixar secar o etanol por aproximadamente 2h ou a vácuo. 20. Ressuspender o DNA em 100 µl de água MilliQ autoclavada, deixar por 1 h a TA. 21. Armazenar a -20oC. 3.5.3 Reação em cadeia da Polimerase (PCR) para malária A PCR foi realizada utilizando primer’s já descritos e validados, pela técnica qualitativa, segundo Snounou, 1996 (quadro 1 e figura 13). As análises foram _________________________________________________População, materiais e métodos. 32 realizadas no Laboratório de Epidemiologia Molecular do IPEPATRO/CEPEM, sob supervisão da MSc. Joana D’Arc Neves Costa. Quadro 1: Primer’s utilizados nas reações de PCR. Especificidade Gênero Plasmodium Nest 1 Espécie P. falciparum Nest 2 Espécie P. vivax Nest 2 Nome rPLUS5 rPLUS6 Primer de Oligonucleotídeos Seqüência 5’-CTT GTT GTT GCC TTA AAC TTC-3’ 5’-TTA AAA TTG TTG CAG TTA AAA CG-3' rFAL1 rFAL2 5’-TTA AAC TGG TTT GGG AAA ACC AAA TAT ATT-3’ 5’-ACA CAA TGA ACT CAA TCA TGA CTA CCC GTC-3’ 205 pb rVIV1 rVIV2 5’-CGC TTC TAG CTT AAT CCA CAT AAC TGA TAC-3’ 5’-ACT TCC AAG CCG AAG CAA AGA AAG TCC TTA-3’ 120 pb Tamanho ~1.2 kb Fonte: SNOUNOU, 1996. Figura 13: Região de Amplificação do gene ssrRNA plasmodial. Nas barras em azul representação das regiões do gene específicas para cada espécies de parasita e nas barras em amarelo temos a representação das seqüências conservadas entre as espécies. Fonte: SNOUNOU, 1996. As reações de NEST 1 (gênero) e NEST 2 (espécie) para amplificação foi de 32 ciclos, com temperaturas de 95ºC por 1 minutos para desnaturação, 58ºC por 2 minutos para anelamento, e 72ºC por 2 minutos para extensão. Extensão final a 72ºC por 5 minutos, tanto para Plasmodium vivax, quanto para P. falciparum. _________________________________________________População, materiais e métodos. 33 Para eletroforese, foram utilizados géis de agarose a 2,0%, com diluição em tampão TAE 1X. As corridas eletroforéticas foram realizadas a 65 a 90V, por 30 a 45 minutos, em tampão TAE 1X. A coloração foi realizada com brometo de etídio e visualizada em luz UV. 3.5.4 Caracterização de infecção assintomática por plasmódio Para o presente estudo, todo participante que apresentou lâmina de gota espessa negativa ou positiva sem relatar sintomas, com exame de PCR positivo confirmado, para uma ou mais espécies, foi acompanhado por 14 dias um Agente de Saúde (AS) para verificação do aparecimento de sintomas da malária. Permanecendo sem sintomas, o participante foi considerado portador de infecção assintomática por plasmódio (PIAP). Após esse período, sempre que possível, foi coletado sangue por punção digital desse participante para confecção de uma lâmina de gota espessa para verificação de positividade e surgimento de sintomas, e que foram anotados em ficha individual para acompanhamento (anexo 4), incluindo informações sobre medicações tomadas e não previstas, ou exames realizados em outros locais. Também foi coletado sangue em papel de filtro Watmann 3, para exame de PCR e futura genotipagem de plasmódio. No surgimento de sintomas, concomitantemente com gota espessa positiva para qualquer espécie de plasmódio, o participante recebeu tratamento específico, conforme descrito no item 4.6.1. A partir desse momento, o participante passou a ser considerado não portador de infecção assintomática por plasmódio (NIAP). _________________________________________________População, materiais e métodos. 3.6 34 Tratamento de portador de infecção assintomática por plasmódio (PIAP) Transcorridos 12 meses da caracterização de PIAP de Vila Amazonas e Cachoeira do Teotônio, o tratamento dos mesmos deveria ser iniciado. Razões operacionais retardaram esse prazo. Dessa forma, os PIAP de Vila Amazonas receberam o tratamento em junho de 2009, e da Cachoeira do Teotônio em julho do mesmo ano. Aos PIAP de São Sebastião não foi realizado o tratamento por ser a localidade-controle. Nas localidades do estudo, todo PIAP que apresentou sinais e sintomas da malária antes do tratamento correspondente, recebeu medicação. Para análise dos sinais clínicos, médicos do IPEPATRO/CEPEM procederam a avaliação do participante. 3.6.1 Esquemas de tratamento de primeira escolha e esquemas alternativos Foi utilizado para a malária falciparum, como tratamento de primeira escolha, artemeter + lumefantrina (Coartem®), esquema preconizado pelo Ministério da Saúde (figura 14). Para malária vivax o esquema foi de Cloroquina e Primaquina (figura 15). Para malária mista (P. vivax + P. falciparum), foi utilizado o esquema de artemeter + lumefantrina (Coartem®), mais Primaquina (figura 16). Todos os casos de malária em gestantes foram conduzidos para avaliação médica no IPEPATRO/CEPEM, antes de iniciar a medicação. _________________________________________________População, materiais e métodos. 35 Figura 14: Esquema recomendado para tratamento das infecções por Plasmodium falciparum. (Fonte: Ministério da Saúde. Ações de Controle da Malária. Manual para Profissionais de Saúde na Atenção Básica. 2ª ed. Brasília, 2006). _________________________________________________População, materiais e métodos. 36 Figura 15: Esquema recomendado para tratamento das infecções por Plasmodium vivax. (Fonte: Ministério da Saúde Ações de Controle da Malária. Manual para Profissionais de Saúde na Atenção Básica. 2ª ed. Brasília, 2006). Figura 16: Esquema recomendado para tratamento das infecções mistas por Plasmodium vivax + Plasmodium falciparum. (Fonte: Ministério da Saúde Ações de Controle da Malária. Manual para Profissionais de Saúde na Atenção Básica. 2ª ed. Brasília, 2006). _________________________________________________População, materiais e métodos. Para o tratamento correto da malária, levou-se em 37 consideração, prioritariamente, o peso corporal do indivíduo, pela tabela do Ministério da Saúde que relaciona grupo etário e peso corporal (figura 17). Para os casos em que o paciente apresentou peso acima do especificado (mais de 75 kg), as dosagens foram corrigidas para a dose máxima de Cloroquina = 1,5 g. A dose máxima de Primaquina foi de 1 dia a mais para indivíduos de 70 a 80 kg, 2 dias a mais para indivíduos de 81 a 90 kg, e 3 dias a mais para indivíduos com peso superior a 90 kg. Figura 17: Equivalência entre grupos etários e peso corporal aproximado. Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. Ações de Controle da Malária. Manual para Profissionais de Saúde na Atenção Básica. 2ª ed. Brasília, 2006. 3.7 Acompanhamento longitudinal O acompanhamento longitudinal dos participantes foi realizado ininterruptamente por Agentes de Saúde (AS) contratados especificamente para essa função, através de visitas domiciliares semanais, com cobertura de todos os domicílios da área de estudo. Os AS realizaram visitas domiciliares, com o objetivo de identificar moradores que apresentem sinais e sintomas de malária, registrando cada visita em ficha individual específica (Anexo 4). Nas visitas semanais a cada domicílio, os participantes foram entrevistados na busca informações sobre sinais e _________________________________________________População, materiais e métodos. 38 sintomas de malária como cefaléia, mialgias, febre, náusea, vômitos e dores articulares. Buscou-se, também, informações sobre eventuais medicamentos ingeridos e realização de exame para malária em outras localidades fora da área de estudo. O objetivo foi o registro de todos os casos de malária entre os residentes da área de estudo. Todas as informações foram anotadas em fichas individuais (Anexos 3, 4 e 5). Os exames clínicos, quando necessários, foram conduzidos por médicos do IPEPATRO/CEPEM. A terapia medicamentosa que foi administrada para cada indivíduo, quando se fez necessário, foi autorizada pelo médico integrante da equipe deste estudo. Para os casos de indivíduos que apresentem sintomas de malária, foi confeccionada uma lâmina de gota espessa, por punção digital, para análise. Em caso de resultado negativo e persistência dos sintomas, o médico da equipe foi comunicado para definir a conduta a ser adotada, que em alguns casos culminou na condução do participante para uma consulta médica no ambulatório do IPEPATRO/CEPEM. Para todo novo indivíduo que deu entrada na área de estudo para fixar residência, foram adotados os mesmos procedimentos realizados desde o início do primeiro ano que forem aplicados aos demais participantes. Na eventualidade desse novo indivíduo ter dado entrada após o tratamento dos PIAP, e ter resultado de pesquisa de plasmódio (por gota espessa ou PCR) positivo, recebeu tratamento imediato. Para todo indivíduo que permanecer temporariamente na área (visitante), foi realizado um cadastramento, e incluído na residência que esteve visitando, e também confeccionada uma lâmina de gota espessa e coleta de sangue em papel _________________________________________________População, materiais e métodos. 39 de filtro, para análise de malária por PCR. Para os casos positivos receberam o tratamento de malária, como descrito no item 4.6 ou 4.6.1. Através desse acompanhamento, as informações e registros obtidos permitiram determinar a incidência de malária nos dois anos. Como a população foi permanentemente monitorada, permitindo ter conhecimento exato do número de habitantes, foi possível calcular a Incidência Parasitária Anual (IPA) do primeiro e segundo ano (antes e depois do tratamento dos indivíduos assintomáticos para infecção por plasmódio). O acompanhamento da população, para verificação da eficácia do tratamento dado para prevenção de recaídas ainda se encontra ativo, e deverá persistir até agosto de 2010. 3.8 Prevenção de recaídas por P. vivax (quimioprofilaxia) Quatorze meses após a identificação dos PIAP de Vila Amazonas (junho de 2009), os mesmos receberam medicação específica e completa para e espécie que albergavam, e em seguida aplicado o esquema de prevenção de recaídas por P. vivax (figura 18), por 12 semanas, conforme esquema recomendado pelo Ministério da Saúde. Este esquema não foi aplicado aos participantes de Cachoeira do Teotônio e São Sebastião, como descrito anteriormente. _________________________________________________População, materiais e métodos. 40 Figura 18: Esquema recomendado para prevenção de recaída da malária por Plasmodium vivax com cloroquina em dose única semanal por 12 semanas. (Fonte: Ministério da Saúde Ações de Controle da Malária. Manual para Profissionais de Saúde na Atenção Básica. 2ª ed. Brasília, 2006). Para prevenção de recaídas por P. vivax após o término do tratamento correto, o Ministério da Saúde sugere o esquema de com doses semanais de cloroquina por 3 meses (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006). 3.9 Considerações éticas Todos os participantes do estudo tiveram direito a assistência médica quando se fez necessária durante a vigência do estudo, através de consultas médicas e exames laboratoriais gratuitos na rede pública de saúde, ou encaminhamentos para os casos indicados pelos médicos participantes, mesmo que declinem de sua participação no presente estudo. Toda assistência médico/laboratorial relacionada com a malária aos participantes deste estudo foi garantida, inclusive internações no hospital de referência do Estado em medicina tropical CEMETRON, através do Sistema Único de Saúde (SUS). Os exames laboratoriais, como hemograma, sorologia para hepatites B e C, exames bioquímicos de função hepática e renal, quando necessários e solicitados pelos médicos e/ou participantes, foram realizados sem _________________________________________________População, materiais e métodos. 41 ônus financeiro ao participante, e foram realizados no Laboratório de Hepatites do CEPEM/IPEPATRO, sob supervisão da MSc. Kelly Régia Vieira Oliveira, e no laboratório do CEMETRON, através de solicitação escrita por um dos médicos integrantes da equipe deste projeto. Outros exames laboratoriais, que estavam contemplados pelo SUS foram realizados para o participante do estudo quando necessário, através de coleta e encaminhamento da amostra ao laboratório do CEMETRON, e posterior entrega do laudo, sem a necessidade de deslocamento do participante. Aos participantes que tiveram sua sorologia para hepatite B ou C indicando possível condição de portador do vírus, foram encaminhados ao Ambulatório de Hepatites do CEPEM. A metodologia, análises dos resultados dos exames (sorológicos, bioquímicos ou hematológicos), de hepatite B, hepatite C, HIV, G6PD e outros não específicos para malária, não serão abordados e/ou comentados por não serem parte dos objetivos do presente trabalho. Nos eventos de aparecimento de quaisquer outros sinais e sintomas não relacionados com a malária, foram garantidas as assistências médico/laboratorial gratuita no CEPEM/IPEPATRO, e eventuais encaminhamentos quando necessários e a critério médico, para unidades de saúde da rede pública do município de Porto Velho (SUS), dentro da especialidade determinada pelos médicos participantes deste estudo. Quando se fez necessário, o transporte ida/volta também foi garantido. Aos integrantes das equipes deste estudo foi garantida a assistência médica e/ou laboratorial, através dos médicos e profissionais do CEPEM/IPEPATRO. Nesse estudo nenhum médico/laboratorial. integrante das equipes necessitou utilizar a assistência _________________________________________________População, materiais e métodos. 42 Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Pesquisa em Medicina Tropical (CEP-CEPEM), sob registro 070/2008. 3.10 Banco de dados e análises estatísticas O banco de dados para armazenamento dos resultados foram os softwares EpiData®, versão 3.1 (270108), MS Excel® 2003, e analisados pelos programas EpiData Analysis® (V.2.2.1.170), SigmaStata® (v.2.03 SPSS Inc.), IBM SPSS Statistics 16.0, com nível de significância α = 5% (0,05). ___________________________________________________________________Resultados 4. 43 Resultados As três localidades do presente estudo estão situadas no município de Porto Velho (figura 19), em áreas rurais às margens do rio Madeira, a sudoeste da cidade de Porto Velho. A delimitação da área de estudo, mapeamento e censo inicial deram início em janeiro de 2007. A inclusão de participantes no estudo para identificação de portadores de infecção assintomática por plasmódio, teve início em dois momentos: em abril de 2008 para Vila Amazonas e Cachoeira do Teotônio, e novembro de 2008 para São Sebastião. Esta última foi avaliada apenas como “localidade-controle”. Sabendo da dinâmica dessas populações, censos populacionais foram realizados para melhor acompanhamento e análise final, seguindo o modelo de coorte aberta (figura 20). A inclusão de novos participantes foi finalizada em dezembro de 2009, e dessa forma Vila Amazonas concluiu com 253 participantes, Cachoeira do Teotônio com 522 e São Sebastião com 279. O seguimento do estudo continuou até 31 de maio de 2010 para melhor observação do resultado das intervenções aplicadas em Vila Amazonas, como descrito adiante. ___________________________________________________________________Resultados 44 Figura 19: Mapa do município de Porto Velho com sua hidrografia. A linha em azul representa o rio Madeira. Figura elaborada com o programa Terra View® (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais INPE), e adaptada. O quadro vermelho destacando a cidade de Porto Velho está ampliado na figura 16, onde a área de estudo está contida. ___________________________________________________________________Resultados 45 Figura 20: Fluxograma do estudo. Nos valores analisados não foram excluídos a perda de seguimento, para análise de sobrevida e freqüência acumulada. 4.1 Vila Amazonas Vila Amazonas localiza-se à margem esquerda do rio Madeira, sendo composta basicamente por pequenas propriedades de famílias de pescadores, que em época da piracema quando a pesca está proibida, atuam também no cultivo da mandioca para produção de farinha e seus derivados. Estes produtos são comercializados na cidade de Porto Velho, e complementam a renda familiar. As residências são de madeira (100%), sem forro e proteção de telas nas portas e janelas (figura 21). A água para consumo é obtida através de poço (65%) ou de pequenos cursos d’água (35%). O tratamento dado à água é a adição de hipoclorito ___________________________________________________________________Resultados 46 de sódio, que os moradores recebem gratuitamente nos postos de saúde do município. Na distribuição por sexo, 58,9% dos participantes são do sexo masculino. Em 2007 o censo realizado contabilizou 172 habitantes. Figura 21: Casas típicas de Vila Amazonas na área ribeirinha, à margem esquerda do rio Madeira (A), e em área mais interiorizada (B). 4.2 Cachoeira do Teotônio Cachoeira do Teotônio é uma localidade que se caracteriza por possuir propriedades de médio e grande porte, utilizadas principalmente para a pecuária. As residências são, em sua maioria (99%) de madeira, sem forro e proteção de telas nas portas e janelas. A água para consumo é obtida através de fonte natural sem tratamento (35%), poço (55%) ou de pequenos cursos d’água (10%). Do mesmo modo que em Vila Amazonas, o único tratamento dado à água é a adição de hipoclorito de sódio. O grande fluxo de visitantes e turistas ocorre por uma estrada não pavimentada que apresenta boas condições de tráfego, e pela proximidade com o centro urbano de Porto Velho. Esses fatores associados à presença de muitas famílias de pescadores que concentram residência na área ribeirinha tornam a pesca profissional uma das principais fontes de renda familiar da localidade. O ___________________________________________________________________Resultados 47 plantio de mandioca para a produção de farinha é realizado principalmente pelas famílias que não residem na área ribeirinha. A maioria das casas é de madeira e sem proteção de telas ou forros (figura 22). Nessa localidade há uma corredeira formada por muitas pedras que propicia o turismo e a prática da pesca esportiva e profissional. Porém essa corredeira é denominada popularmente de ”cachoeira”. Esse obstáculo natural obriga aos cardumes de peixe a se aglomerar na parte baixa da corredeira, antes de continuarem sua jornada migratória de reprodução. Nessa época (dezembro a março), muitos visitantes se dirigem a localidade para a prática da pesca esportiva e comercial, apesar da proibição imposta para a proteção das espécies durante a época de reprodução (piracema). Após esse período, o ciclo de pesca continua, seja na cachoeira, ou nos pequenos afluentes próximos (igarapés). A falta de estrutura hoteleira na localidade leva aos visitantes a se abrigarem em barracas, ou pequenos barracos feitos de folha de palmeira, sem a devida proteção contra vetores transmissores de doenças endêmicas locais (principalmente a malária). Em 2007 a população contabilizada somava habitantes 379 habitantes (KATSURAGAWA et al., 2010). Figura 22: Casas típicas de Cachoeira do Teotônio na área ribeirinha, à margem direita do rio Madeira (A), e em área mais interiorizada (B). ___________________________________________________________________Resultados 4.3 48 São Sebastião A localidade de São Sebastião foi acompanhada para ser a localidade- controle do presente estudo. Localiza-se na margem esquerda de Porto Velho, sendo considerada área rural, e foi somente monitorada para a incidência da malária. As casas são em sua maioria de madeira sem proteção de telas ou forro (98%), localizadas num raio de até 50m da margem do rio Madeira (figura 23). O censo realizado em 2008 contabilizou 279 habitantes, sendo 149 do sexo masculino e 130 do sexo feminino, e foram realizados exames para malária para saber a prevalência de portadores de infecção assintomática. O perfil dessa população é composto na sua maioria por adultos acima de 15 anos (65,2%), e 53,4% são do sexo masculino (tabela 4). A pesca é a atividade econômica predominante, mas pequenas culturas de frutas e hortaliças também estão presentes para serem comercializadas em Porto Velho. Pela proximidade com a área urbana, muitos moradores deslocam-se diariamente à área urbana da cidade onde trabalham. No total foram realizados quatro censos populacionais nas localidades, e a Cachoeira do Teotônio foi a única localidade a apresentar crescimento contínuo (figura 24). A faixa de idade dos participantes variou de 0,2 a 88,7 anos em Vila Amazonas, de 0,3 a 82,5 anos em Cachoeira do Teotônio e de 0,2 a 90,2 em São Sebastião (figura 20). A mediana da idade foi maior em Vila Amazonas (figura 25). Na distribuição por sexo 55,7% dos participantes são do sexo masculino (tabela 4). ___________________________________________________________________Resultados 49 Figura 23: Casas típicas de Cachoeira do Teotônio na área ribeirinha, à margem direita do rio Madeira (A), e em área mais interiorizada (B). Figura 24: População das localidades de estudo, no período de 2007 a maio de 2010. ___________________________________________________________________Resultados 50 Figura 25: Distribuição da idade dos participantes do estudo. Mediana de 28,8 para Vila Amazonas, 25,0 para Cachoeira do Teotônio e 23,7 para São Sebastião. Tabela 4: Distribuição dos participantes por localidade, sexo e idade. Faixa etária em anos Localidade Sexo 0a5 6 a 15 > 15 Total Masculino 16 20 113 149 Vila Amazonas Feminino 14 27 63 104 Total 30 47 176 253 Cachoeira do Teotônio Masculino Feminino Total 20 36 56 65 52 117 213 152 365 298 240 538 % 58,9 41,1 100,0 55,4 44,6 100,0 Masculino 17 32 100 149 53,4 Feminino 15 33 82 130 46,6 Total 32 65 182 279 100,0 Nota: % = porcentagem em relação ao total global de participantes na localidade. Não houve diferença na proporção de sexos entre as localidades: X2=1,695; p=0,429. São Sebastião 4.4 Reação em Cadeia da Polimerase para malária De abril de 2008 a maio de 2009, foram realizados exames de reação em cadeia da polimerase (PCR) para malária de 253 participantes da Vila Amazonas, 522 da Cachoeira do Teotônio e 279 de São Sebastião, que resultaram em 21,3%, 10,5% e 9,7% de resultados positivos, respectivamente. Os participantes com PCR positivo foram acompanhados diariamente por 14 dias para verificar o relato de sintomas da malária, concomitantemente com coletas de lâmina de gota espessa, e sangue em papel de filtro quando possível. Passados ___________________________________________________________________Resultados 51 os 14 dias, e na ausência de sintomas, o indivíduo passou a ser denominado como “portador de infecção assintomática por plasmódio” (PIAP). Para aqueles que não se enquadram como PIAP, foram denominados como “não portadores de infecção assintomática por plasmódio” (NIAP). A porcentagem de PIAP’s foi maior na Vila Amazonas (16,2%), seguido pela Cachoeira do Teotônio (9,4%), e São Sebastião (7,5%). Houve diferença na proporção de PIAP entre a Vila Amazonas com a Cachoeira do Teotônio (X2=6,934 e p=0,008), e a Vila Amazonas com São Sebastião (X2=8,882 e p=0,003). Entre a Cachoeira do Teotônio e São Sebastião não houve diferença (X2=0,646 e p=0,422). Na faixa etária menor ou igual a 15 anos não houve nenhum caso PIAP por P. falciparum ou P. falciparum + P. vivax. A maioria dos PIAP’s apresentou idade superior a 15 anos, com uma proporção maior no sexo masculino (tabela 5). Não houve casos de PIAP’s entre os participantes menores de 6 anos em todas as localidades. Tabela 5: Distribuição de portadores de infecção assintomática por plasmódio (PIAP), por localidade, sexo e faixa etária. PIAP Faixa etária (anos) Localidade Sexo N Total % (código) 6 a 15 >15 Vila Amazonas Masculino Feminino Subtotal 149 104 253 PV - PF - PFV - PV 22 7 29 PF 7 3 10 PFV 1 1 2 30 11 41 11,9 4,3 16,2 Cachoeira do Teotônio Masculino Feminino Subtotal 298 240 538 4 4 8 - - 24 14 38 3 2 5 - 31 20 51 5,7 3,7 9,4 Masculino 149 2 9 3 14 5,0 Feminino 130 3 4 7 2,5 Subtotal 279 5 13 3 21 7,5 Nota: n = número de indivíduos no parâmetro analisado; % = porcentagem na linha, em relação ao “n”. (-)=zero. Dado convencional utilizado: dado numérico igual a zero não resultante de arredondamento. PV=Plasmodium vivax; PF=Plasmodium falciparum; PFV= Plasmodium vivax e Plasmodium falciparum. São Sebastião ___________________________________________________________________Resultados 4.5 52 Distribuição espacial da malária Com a identificação das residências através do Sistema de Posicionamento Global (GPS) e cadastro dos participantes relacionado à sua residência, foi possível proceder a distribuição espacial dos PIAP e incidência da malária na Vila Amazonas e Cachoeira do Teotônio. Utilizando o software Terra View®, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), construiu-se o mapa da distribuição espacial dos indivíduos PIAP (figura 26). Durante o estudo foi realizado o monitoramento da incidência de casos de malária nas localidades. Em Vila Amazonas e Cachoeira do Teotônio, esses casos estão demonstrados na figura 27, para os anos de 2008, 2009 e 2010. Em São Sebastião, o acompanhamento também foi realizado, mas o mapa de distribuição espacial não foi confeccionado, uma vez que as residências apresentam uma distribuição relativamente uniforme, e possuem a mesma característica de localização em relação ao rio Madeira (figura 15). A distribuição espacial dos moradores também foi inserida, para uma visualização (de forma comparativa), da concentração da população e da incidência da malária nessas localidades no período de janeiro a maio, para os anos de 2008 (figura 28), 2009 (figura 29) e 2010 (figura 30). Essa visualização foi elaborada seguindo a estimativa de densidade de Kernel. Em 2008 foram registrados 93 casos de malária em Vila Amazonas (vivax = 88, falciparum = 5), 122 casos em Cachoeira do Teotônio (vivax = 113, falciparum = 9), e 82 em São Sebastião (vivax = 72, falciparum = 10). Em 2009 foram registrados 81 casos de malária em Vila Amazonas (vivax = 80, falciparum = 1), 124 casos em Cachoeira do Teotônio (vivax = 124), e 60 em São Sebastião (vivax = 57, falciparum = 3). ___________________________________________________________________Resultados 53 Figura 26: Distribuição espacial dos PIAP (2008), e a hidrografia da área de estudo. Os pontos verdes e vermelhos indicam as residências onde foram identificados os PIAP, por Plasmodium vivax e Plasmodium falciparum, respectivamente. Os pontos pretos indicam as demais residências. Figura elaborada com o programa Terra View® (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE). O rio Madeira recebeu tratamento gráfico para obter maior destaque na hidrografia na figura. Figura 27: Distribuição espacial dos casos clínicos de malária em 2008, 2009 e 2010 entre os moradores da Vila Amazonas e Cachoeira do Teotônio, e a hidrografia da área de estudo. Os pontos verdes e vermelhos indicam residências com habitantes com infecção clínica por Plasmodium vivax e Plasmodium falciparum, respectivamente. Os pontos pretos indicam as demais residências. Figura elaborada com o programa Terra View® (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE). O rio Madeira recebeu tratamento gráfico para obter maior destaque na hidrografia da figura. Para o ano de 2010, os dados são de janeiro a maio. ___________________________________________________________________Resultados 54 ___________________________________________________________________Resultados 55 Figura 28: Estimativa Kernel de densidade no ano de 2008: (A) da população; (B) dos casos de malária (de janeiro a maio). Os pontos em vermelho representam as residências habitadas. Figuras elaboradas com o programa Terra View® (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE). O rio Madeira recebeu tratamento gráfico para obter maior destaque na hidrografia da figura. Em função da construção da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, houve a entrada de trabalhadores em todas as localidades, que se aglomeraram em acampamentos provisórios, e às vezes improvisados (figura 31). No total, 200 trabalhadores se ingressaram na Cachoeira do Teotônio e 218 em Vila Amazonas. Esses acampamentos estavam distribuídos em diferentes pontos na Vila Amazonas e Cachoeira do Teotônio. ___________________________________________________________________Resultados 56 Figura 29: Estimativa Kernel de densidade no ano de 2009: (A): da população; (B): dos casos de malária (de janeiro a maio). Em “A”, os números 1, 2, 3 e 4 representam os locais dos acampamentos do trabalhadores da UHE de Santo Antônio que entraram na área. Os pontos em vermelho representam as residências habitadas. Figuras elaboradas com o programa Terra View® (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE). O rio Madeira recebeu tratamento gráfico para obter maior destaque na hidrografia da figura. ___________________________________________________________________Resultados 57 Figura 30: Estimativa Kernel de densidade no ano de 2010: (A) da população; (B): dos casos de malária (de janeiro a maio). Em “A”, os números 1, 2, 3 e 4 representam os locais dos acampamentos do trabalhadores da UHE de Santo Antônio que entraram na área. Os pontos em vermelho representam as residências habitadas. Figuras elaboradas com o programa Terra View® (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE). O rio Madeira recebeu tratamento gráfico para obter maior destaque na hidrografia da figura. Em São Sebastião não foi instalado acampamento para os trabalhadores (n=150), que devido a proximidade com a área urbana de Porto Velho, se deslocavam diariamente entre a cidade e o canteiro de obras. Porém, isso não impediu que muitos trabalhadores fossem acometidos pela malária durante o período que permaneceram na área. Podemos observar o aumento de casos de malária registrados entre os moradores de abril a dezembro de 2008 (figura 32), e os casos de malária registrados no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Malária - SIVEP-Malária (figura 33). ___________________________________________________________________Resultados 58 Figura 31: A: Acampamento de trabalhadores na Cachoeira do Teotônio; B: Acampamento de trabalhadores na Vila Amazonas; C: Desmatamento em torno dos cursos e coleções d’água, formando potenciais criadouros de vetores. Se pode observa pilhas de madeira que são retiradas, diminuindo a cobertura vegetal na localidade (seta vermelha). ___________________________________________________________________Resultados 59 Figura 32: Casos de malária registrados entre os moradores durante o presente estudo nas localidades de Vila Amazonas (A), e Cachoeira do Teotônio (B) e São Sebastião (C). A seta azul indica o início da coleta de amostra para exame de malária por PCR; a seta vermelha indica entrada de trabalhadores na área (não residentes); a seta amarela indica o tratamento dos PIAP; a seta verde indica o início da aplicação do esquema de prevenção de recaídas para malária vivax. ___________________________________________________________________Resultados 60 Figura 33: Casos de malária registrados pelo SIVEP-Malária nas localidades de Vila Amazonas (A), Cachoeira do Teotônio (B) e São Sebastião (C). Dados de 2010 atualizados em 10/06/2010. ___________________________________________________________________Resultados 4.6 61 Análise estatística Durante o presente estudo foi realizado monitoramento dos casos clínicos de malária ocorridos entre os moradores das localidades. O SIVEP-Malária registra, na média, número de casos pouco superior nessas localidades. Essa diferença corresponde aos casos de malária registrados em não moradores dessas localidades, representados por pescadores amadores, turistas ou visitantes. Mesmo com essa diferença citada, nota-se que o os dados do presente estudo (dados primários) acompanham os dados do SIVEP-Malária (dados secundários). Na análise do número de casos de malária registrados entre os moradores das localidades, no período de janeiro a maio de 2010, quando comparado com o mesmo período do ano anterior, observamos que há uma diferença entre Vila Amazonas com Cachoeira do Teotônio (p<0,001), e Vila Amazonas com São Sebastião (p=0,002). Entre Cachoeira do Teotônio e São Sebastião não houve diferença (p=0,320). A população contabilizada pelo Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica - Malária (SIVEP-Malária), não é atualizada frequentemente, o que pode gerar um valor da incidência parasitária anual (IPA) falsamente elevado. Para uma real avaliação da IPA, foi contabilizado o número de casos de malária por espécie, registrados no SIVEP-Malária e os observados entre os moradores nas localidades de estudo. Além de visitantes, um grande contingente de trabalhadores diretos das obras civis da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio ingressou nas localidades do estudo. Corrigindo-se então a população de cada localidade com o número de casos de malária registrados entre os moradores (população corrigida), calculou-se incidência no período. Com isso, verificamos que a incidência no período é significativamente menor e apresentou declínio em ambas as localidades em 2009, ___________________________________________________________________Resultados 62 diferentemente do que aponta os dados disponíveis no SIVEP-Malária, como mostra a figura 34. Nota-se nessa figura que para o SIVEP-Malária, a população não vem sofrendo atualizações, o que gera uma incidência no período falsamente elevada nas localidades. Em relação ao número de casos de malária, Figura 34: Casos de malária vivax (A), casos de falciparum (B), população (C) e Incidência Parasitária Anual (D), das localidades de estudo, com dados do SIVEP-Malária e do presente estudo (Coorte), de janeiro de 2007 a maio de 2010. (*) = incidência do período de janeiro a maio. Analisando graficamente a incidência de malária (casos de malária / população) no período de janeiro a maio, dos anos de 2008 a 2010, observamos que as localidades de Cachoeira do Teotônio e São Sebastião apresentaram tendências anuais semelhantes. Vila Amazonas, no ano de 2010 (período pós-tratamento de PIAP e quimioprofilaxia), apresentou uma tendência de redução (figura 35). ___________________________________________________________________Resultados 63 Aplicando-se a análise de Cox nesse mesmo período, não houve diferença estatisticamente significativa (p>0,05). O acompanhamento observacional (das três localidades) e quimioprofilático para recaídas (Vila Amazonas) terão continuidade até dezembro de 2010. Figura 35: Incidência de malária nas localidades de estudo, no período de 2008 a 2010. “A”, “B” e “C” correspondem à ampliação do período de janeiro a maio de 2010 em relação aos anos anteriores (2008 e 2009). O Risco Relativo (RR) pode ser definido como a probabilidade de desenvolver a doença, em relação àqueles não expostos, através da razão entre a incidência da doença no grupo de expostos (Ie) e a incidência da doença no grupo dos não expostos (Io). Para o presente estudo, considerou-se a população de São Sebastião como o grupo de não expostos. Justifica-se essa escolha por ser a localidadecontrole, onde não foi aplicada nenhuma intervenção. ___________________________________________________________________Resultados 64 Para cálculos de medidas de associação, os dados epidemiológicos foram colocados numa tabela de contingência 2 por 2: Expostos Não expostos Doentes a c Não doentes b d A unidade do RR pode ser expressa em porcentagem (%), e a equação utilizada para o cálculo foi: a Ie a + b RR = = c Io c+d Adotando-se então esses conceitos, foram obtidos os seguintes resultados: Vila Amazonas versus São Sebastião Vila Amazonas (janeiro a maio de 2009) São Sebastião (janeiro a maio de 2009) Doentes (a) 28 (c) 25 (a+c) 53 Não doentes (b) 225 (d) 231 (b+d) 456 (a+b) 253 (c+d) 256 Doentes (a) 3 (c) 21 (a+c) 24 Não doentes (b) 195 (d) 224 (b+d) 419 (a+b) 198 (c+d) 245 Ie = 11,07 Io = 9,77 RR = 1,13 = 13,33% Odds ratio = 1,15; IC95% = 0,6505 a 2,0327 Doentes = com malária. Não doentes = sem malária. Vila Amazonas (janeiro a maio de 2010) São Sebastião (janeiro a maio de 2010) Ie = 1,52 Io = 8,57 RR = 0,18 = -82,32% Odds ratio = 0,16; IC95% = 0,0482 a 0,5586 Doentes = com malária. Não doentes = sem malária. ___________________________________________________________________Resultados 65 Cachoeira do Teotônio versus São Sebastião Cachoeira do Teotônio (janeiro a maio de 2009) São Sebastião (janeiro a maio de 2009) Doentes (a) 43 (c) 25 (a+c) 68 Não doentes (b) 479 (d) 231 (b+d) 710 (a+b) 522 (c+d) 256 Ie = 8,24 Io = 9,77 RR = 0,84 = -15,65% Odds ratio = 0,83; IC95% = 0,4945 a 1,3916 Doentes = com malária. Não doentes = sem malária. Cachoeira do Teotônio (janeiro a maio de 2010) São Sebastião (janeiro a maio de 2010) Doentes (a) 55 (c) 21 (a+c) 76 Não doentes (b) 483 (d) 224 (b+d) 707 (a+b) 538 (c+d) 245 Ie = 10,22 Io = 8,57 RR = 1,19 = 19,27% Odds ratio = 1,21; IC95% = 0,717 a 2,0576 Doentes = com malária. Não doentes = sem malária. 4.7 Tratamento de portadores de infecção assintomática por plasmódio Os portadores de infecção assintomática receberam tratamento específico, conforme a espécie parasitária, em junho (Vila Amazonas) e julho (Cachoeira do Teotônio) de 2009, 15 e 16 meses respectivamente, após o início da coorte e primeiro PCR (abril de 2008), que os classificaram como prováveis PIAP. Esse tratamento obedeceu ao esquema recomendado pelo Ministério da Saúde para malária não complicada (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006, 2009). Os indivíduos NIAP, quando diagnosticados por gota espessa na rotina das visitas semanais, receberam tratamento específico imediato. Entre esses, somente uma paciente adulta da Cachoeira do Teotônio apresentou episódio de malária vivax e intolerância à cloroquina no início do tratamento, representado por intensa reação alérgica por toda superfície corporal. A medicação foi suspensa e substituída por terapia recomendada para malária mista (Coartem® + 14 comprimidos de primaquina 15mg em 7 dias). Essa substituição foi bem aceita e não apresentou ___________________________________________________________________Resultados 66 reações adversas. A paciente voltou a apresentar outro episódio de malária (vivax) após 24 meses (abril de 2010). Esse novo episódio não foi considerado recaída. 4.8 Quimioprofilaxia e recaídas de malária vivax Para o presente estudo, define-se recaída de infecção por Plasmodium vivax, o(s) episódio(s) que se segue(m) a partir da primeira infecção por P. vivax no período de 12 meses. Para análise das recaídas, foram analisados os anos de 2008 e 2009. Após o tratamento dos PIAP por P. vivax da Vila Amazonas, foi iniciado o tratamento quimioprofilático para prevenção de recaídas através da doses semanais de cloroquina durante 12 semanas (descrito em “População, materiais e métodos”, e figura 14), tanto para o grupo dos PIAP como para os NIAP que apresentassem episódios clínicos de malária vivax. Esta intervenção foi aprovada pelo Comitê de Ética do CEPEM, e pelos médicos da equipe do presente estudo. A escolha da Vila Amazonas para a aplicação desse tratamento se deu por ser a localidade de menor circulação de visitantes e turistas, além de possuir uma freqüência acumulada de casos de malária mais elevada que as outras localidades. Esta intervenção não foi aplicada em Cachoeira do Teotônio e São Sebastião. Na Vila Amazonas os PIAP para malária vivax não apresentaram recaídas nos anos de 2008 e 2009, mesmo após o tratamento (junho de 2009). Entretanto, os NIAP apresentaram até 4 episódios de malária vivax em 2008, e até 3 em 2009 (tabela 6). Na Cachoeira do Teotônio, nenhum indivíduo PIAP apresentou recaída em 2008, mas 3 apresentaram em 2009. Entre os NIAP, 23 apresentaram recaídas em 2008, e 24 em 2009. Em termos percentuais, Vila Amazonas possui valores superiores a Cachoeira do Teotônio para os NIAP que apresentaram recaídas, ___________________________________________________________________Resultados 67 sendo a principal razão da escolha para aplicação da quimioprofilaxia para prevenção de recaídas nessa localidade. Tabela 6: Distribuição de número de episódios clínicos de malária vivax entre Portadores de Infecção Assintomática por Plasmódio (PIAP) e Não portador de Infecção Assintomática por Plasmódio (NIAP), por localidade, nos anos de 2008 e 2009. Localidade n 1 (%) Vila Amazonas PIAP NIAP Total Número de episódios clínicos de malária vivax 2008 2009 2 (%) 3 (%) 4 (/%) 1 (%) 2 (%) 3 (%) 4 (/%) 41 212 253 2 (4,9) 29 (13,7) 31 (12,3) 13 (6,1) 13 (5,1) 7 (3,3) 7 (2,8) 2 (0,9) 2 (0,8) 3 (7,3) 36 (17,0) 39 (15,4) 11 (5,2) 11 (4,3) 6 (2,8) 6 (2,4) - Cachoeira do Teotônio PIAP 51 NIAP 471 Total 522 4 (7,8) 55 (11,7) 59 (11,3) 17 (3,6) 17 (3,3) 4 (0,8) 4 (0,8) 2 (0,4) 2 (0,4) 4 (7,8) 56 (11,9) 60 (11,5) 2 (3,9) 14 (3,0) 16 (3,1) 1 (2,0) 9 (1,9) 10 (1,9) 1 (0,2) 1 (0,2) Nota: A porcentagem expressa refere-se aos dados contidos na linha correspondente em relação ao “n”. 4.9 Probabilidade de contrair malária após a aplicação do tratamento dos portadores de infecção assintomática por plasmódio Com o acompanhamento dos participantes, e sabendo-se do número de casos de malária distribuídos mensalmente em Vila Amazonas, Cachoeira do Teotônio e São Sebastião, foi possível obter a freqüência acumulada de casos de malária, para o período de junho de 2007 a maio de 2010. Esse período foi utilizado baseado no mês de início de tratamento dos PIAP’s (junho de 2009 em Vila Amazonas). Os cálculos foram baseados na estimativa de sobrevivência de KaplanMeier. Para os cálculos, as variáveis e fórmulas utilizadas foram: ___________________________________________________________________Resultados N = número de participantes; F = número de falhas (casos de malária registrados entre os participantes); R = número de participantes com perda de seguimento; E = número de participantes que ingressaram na área após início do estudo. NR = participantes sob risco (adquirir malária); Cálculo: N − F PRS = probabilidade de sucesso (não adquirir malária); Cálculo: ( N − F − R) × 100 ( NR + F + E ) PRF = probabilidade de falha (adquirir malária); Cálculo: 100 − PRS FS = freqüência acumulada de sucesso; Cálculo: PRS × FS (anterior ) 100 FF = freqüência acumulada de falha (casos de malária). Cálculo: 100 − FS Com os cálculos realizados, construiu-se os quadros 2, 3 e 4. 68 ___________________________________________________________________Resultados 69 Quadro 2: Cálculo da freqüência acumulada da casos de malária da Vila Amazonas. Ano 2007 2008 2009 2010 Mês N F R E NR PRS PRF FS FF J 160 10 0 3 153 90,4 9,6 100,0 0,0 J 153 1 0 3 155 95,6 4,4 86,4 13,6 A 155 8 0 2 149 92,5 7,5 79,9 20,1 S 149 2 0 2 149 96,1 3,9 76,7 23,3 O 149 1 0 2 150 96,7 3,3 74,2 25,8 N 150 3 0 2 149 95,5 4,5 70,9 29,1 D 149 2 0 2 149 96,1 3,9 68,1 31,9 J 198 2 0 3 199 96,1 3,9 65,4 34,6 F 199 3 0 5 201 93,8 6,2 61,3 38,7 M 201 7 0 4 198 92,8 7,2 56,9 43,1 A 198 18 0 6 186 85,7 14,3 48,8 51,2 M 186 15 0 3 174 89,1 10,9 43,5 56,5 J 174 11 0 8 171 85,8 14,2 100,0 0,0 J 171 15 0 6 162 85,2 14,8 73,1 26,9 A 162 4 0 4 162 92,9 7,1 68,0 32,0 S 162 6 0 3 159 92,9 7,1 63,1 36,9 O 159 8 0 5 156 89,3 10,7 56,4 43,6 N 156 3 0 5 158 92,2 7,8 52,0 48,0 D 158 1 0 3 160 95,7 4,3 49,8 50,2 J 253 5 3 0 245 98,0 2,00 48,8 51,2 F 245 2 5 0 238 99,2 0,8 48,4 51,6 M 238 3 4 0 231 98,7 1,3 47,7 52,3 A 231 7 6 0 218 96,9 3,1 46,3 53,7 M 218 11 3 0 204 94,9 5,1 43,9 56,1 J 204 23 8 0 173 88,3 11,7 100,0 0,0 J 173 13 3 0 157 92,4 7,6 81,5 18,5 A 157 7 7 0 143 95,3 4,7 77,7 22,3 S 143 6 3 0 134 95,7 4,3 74,4 25,6 O 134 4 5 0 125 96,9 3,1 72,1 27,9 N 125 0 5 0 120 100,0 0,00 72,1 27,9 D 120 0 3 0 117 100,0 0,00 72,1 27,9 J 198 1 0 0 197 99,5 0,5 71,7 28,3 F 197 0 0 0 197 100,0 0,00 71,7 28,3 M 197 0 0 0 197 100,0 0,00 71,7 28,3 A 197 1 0 0 196 99,5 0,5 71,3 28,7 M 196 1 0 0 195 99,5 0,5 71,0 29,0 Nota: para a freqüência acumulada de falha (FF) do primeiro mês de cada período (junho), inferiuse o valor igual a zero. ___________________________________________________________________Resultados 70 Quadro 3: Cálculo da freqüência acumulada da casos de malária da Cachoeira do Teotônio. Ano 2007 2008 2009 2010 Mês N F R E NR PRS PRF FS FF J 345 10 0 3 335 96,3 3,7 100,0 0,0 J 335 3 0 0 332 99,1 0,9 95,4 4,6 A 332 20 0 4 312 92,9 7,1 88,6 11,4 S 312 10 0 0 302 96,8 3,2 85,7 14,3 O 302 7 0 0 295 97,7 2,3 83,8 16,2 N 295 9 0 2 286 96,3 3,7 80,7 19,3 D 286 8 0 0 278 97,2 2,8 78,4 21,6 J 391 5 0 10 386 96,3 3,7 75,5 24,5 F 386 6 0 8 380 96,4 3,6 72,8 27,2 M 380 5 0 21 375 93,5 6,5 68,1 31,9 A 375 7 0 5 368 96,8 3,2 65,9 34,1 M 368 9 0 10 359 95,0 5,03 62,6 37,4 J 359 24 0 20 335 88,4 11,6 100,0 0,0 J 335 14 0 6 321 94,1 5,9 83,2 16,8 A 321 15 0 10 306 92,4 7,6 76,9 23,1 S 306 9 0 8 297 94,6 5,4 72,8 27,2 O 297 6 0 10 291 94,8 5,2 69,0 31,0 N 291 9 0 13 282 92,8 7,2 64,0 36,0 D 282 13 0 10 269 92,1 7,9 58,9 41,1 J 522 8 0 0 514 98,5 1,5 58,0 42,0 F 514 4 0 0 510 99,2 0,8 57,6 42,4 M 510 8 3 4 502 97,1 2,9 55,9 44,1 A 502 10 0 4 492 97,2 2,8 54,4 45,6 M 492 13 0 3 479 96,8 3,2 52,6 47,4 J 479 5 4 8 474 96,5 3,5 100,0 0,0 J 474 20 0 0 454 95,8 4,2 92,4 7,6 A 454 9 2 4 445 96,7 3,3 89,4 10,6 S 445 7 2 0 438 98,0 2,0 87,6 12,4 O 438 20 0 0 418 95,4 4,6 83,6 16,4 N 418 15 0 2 403 96,0 4,0 80,2 19,8 D 403 5 0 2 398 98,3 1,7 78,8 21,2 J 538 7 0 0 531 98,7 1,3 77,8 22,2 F 531 3 0 0 528 99,4 0,6 77,4 22,6 M 528 13 0 0 515 97,5 2,5 75,5 24,5 A 515 18 0 0 497 96,5 3,5 72,8 27,2 M 497 14 0 0 483 97,2 2,8 70,8 29,2 Nota: para a freqüência acumulada de falha (FF) do primeiro mês de cada período (junho), inferiuse o valor igual a zero. ___________________________________________________________________Resultados 71 Quadro 4: Cálculo da freqüência acumulada da casos de malária de São Sebastião. Ano 2007 2008 2009 2010 Mês N F R E NR PRS PRF FS FF J 214 3 0 3 211 97,2 2,8 100,0 0,0 J 211 2 0 3 209 97,7 2,3 95,0 5,0 A 209 9 0 4 200 93,9 6,1 89,2 10,8 S 200 7 0 5 193 94,1 5,9 83,9 16,1 O 193 4 0 2 189 96,9 3,1 81,4 18,6 N 189 4 0 2 185 96,9 3,1 78,8 21,2 D 185 5 0 1 180 96,8 3,2 76,3 23,7 J 279 3 3 0 276 97,8 2,2 74,6 25,4 F 276 3 1 0 273 98,6 1,4 73,5 26,5 M 273 5 3 0 268 97,1 2,9 71,4 28,6 A 268 6 2 0 262 97,0 3,00 69,3 30,7 M 262 4 3 0 258 97,3 2,7 67,4 32,6 J 258 6 0 0 252 97,7 2,3 100,0 0,0 J 252 11 4 0 241 94,0 6,0 91,9 8,1 A 241 9 0 0 232 96,3 3,7 88,4 11,6 S 232 3 5 0 229 96,6 3,4 85,4 14,6 O 229 10 0 0 219 95,6 4,4 81,7 18,3 N 219 11 0 0 208 95,0 5,0 77,6 22,4 D 208 12 2 0 196 93,3 6,7 72,3 27,7 J 256 3 0 0 253 98,8 1,2 71,5 28,5 F 253 7 0 0 246 97,2 2,8 69,5 30,5 M 246 2 1 0 244 98,8 1,2 68,7 31,3 A 244 8 0 2 236 95,9 4,1 65,9 34,1 M 236 5 1 0 231 97,5 2,5 64,2 35,8 J 231 10 0 0 221 95,7 4,3 100,0 0,0 J 221 5 3 0 216 96,4 3,6 92,2 7,8 A 216 2 4 0 214 97,2 2,8 89,6 10,4 S 214 5 2 0 209 96,7 3,3 86,7 13,3 O 209 6 0 0 203 97,1 2,9 84,2 15,8 N 203 4 2 0 199 97,0 3,0 81,7 18,3 D 199 3 0 0 196 98,5 1,5 80,5 19,5 J 245 4 0 0 241 98,4 1,6 79,2 20,8 F 241 1 0 0 240 99,6 0,4 78,9 21,1 M 240 5 0 0 235 97,9 2,1 77,2 22,8 A 235 3 0 0 232 98,7 1,3 76,2 23,8 M 232 8 0 0 224 96,6 3,4 73,6 26,4 Nota: para a freqüência acumulada de falha (FF) do primeiro mês de cada período (junho), inferiuse o valor igual a zero. Com os dados dos quadros 3, 4 e 5, foi possível traçar a curva da freqüência acumulada de casos de malária FF (figura 36), que indica a probabilidade dos moradores da localidade adquirirem malária. Para melhor avaliação do efeito dos tratamentos aplicados (tratamento de PIAP’s e quimioprofilaxia), adotou-se o período ___________________________________________________________________Resultados 72 de 12 meses (junho a maio do ano subseqüente), iniciando em junho de 2007 até maio de 2010. Figura 36: Curva da freqüência acumulada de casos de malária (probabilidade de adquirir malária), entre os moradores das localidades no período de junho de 2007 a maio de 2008 (linha azul), de junho de 2008 a maio de 2009 (linha verde), e de junho de 2009 a maio de 2010 (linha vermelha). A curva de Sobrevida avalia a ocorrência de um evento. Baseado nos cálculos dos quadros 3, 4 e 5, e considerando que no momento da identificação dos PIAP’s (abril de 2008), 100% dos participantes não apresentavam malária clínica elaborou-se a curva de Sobrevida dos diferentes grupos (localidades) em representação gráfica descritiva de Kaplan-Meier (figura 37). Para avaliação da eficácia do esquema de prevenção de recaídas para malária vivax, elaborou-se outra curva de Sobrevida dos participantes apenas do período pós-tratamento de PIAP’s, de cada localidade e dos anos de 2007 a 2009 (figura 38). ___________________________________________________________________Resultados 73 Figura 37: Estimativa de sobrevida (Kaplan-Meier) de risco de adquirir malária, dos moradores das localidades de Vila Amazonas, Cachoeira do Teotônio e São Sebastião, no período de abril de 2008 a maio de 2010. Figura 38: Estimativa de sobrevida (Kaplan-Meier) de risco de adquirir malária, dos moradores das localidades de Vila Amazonas, Cachoeira do Teotônio e São Sebastião, no período pós-tratamento dos PIAP’s (julho a maio), dos anos de 2007 a 2009. ___________________________________________________________________Resultados 74 O modelo de Cox permite a análise de dados provenientes de estudos de tempo de vida em que a resposta é o tempo até ocorrência de um evento de interesse (neste caso, adquirir malária). Na análise de Cox, para igual período pré e pós-tratamento de PIAP’s (11 meses) em Vila Amazonas, não houve diferença estatisticamente significante (p>0,05). 4.10 Monitoramento de vetores Juntamente com o levantamento preliminar em 2007, foi iniciado o monitoramento vetorial nas localidades de Vila Amazonas e Cachoeira do Teotônio, com capturas intra e peri-domiciliares. Por questões logísticas, as capturas em São Sebastião não foram realizadas. A escolha dos pontos de captura se deu em função da residência estar localizada em área próxima, intermediária e distante em relação ao rio Madeira. Foram considerados também os episódios de malária relatados pelos moradores em ano anterior e a aglomeração de pessoas para a escolha da residência onde foram realizadas as capturas (figura 39). Um termo de consentimento livre e esclarecido foi assinado pelo chefe da família, para permitir a entrada de técnicos em período noturno para captura intra-domiciliar. Os pontos que apresentaram maiores taxas de picada/hora/homem (hour bite rate – HBR) foram os pontos B (38,5 em março/2010) e E (79,6 em março/2010), que são os pontos intermediários dessas localidades. No período de junho de 2008 a abril de 2009, esse monitoramento foi suspenso obedecendo às recomendações do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa para não utilização de atração humana para captura de vetores da malária. Em abril de 2009, nos foi fornecido o Parecer Técnico do Grupo de Trabalho Sobre ___________________________________________________________________Resultados 75 Captura de Mosquitos Utilizando Atração Humana do II Seminário Internacional de Ferramentas e Instrumentos Utilizados no Controle de Vetores, que contém normas e orientações a respeito da captura de vetores utilizando atração humana (Brasília, 03 de junho de 2008). Com a retomada das capturas até maio de 2010, elaborou-se uma figura da média do HBR das localidades de Vila Amazonas e Cachoeira do Teotônio, confrontando com os casos de malária registrados (figura 40). Figura 39: Mapa da área de estudo mostrando a localização espacial dos pontos de captura de vetores. Os pontos vermelhos indicam a localização das casas. Cachoeira do Teotônio: A = casa 622; B = casa 693; C = casa 440; Vila Amazonas: D = casa 487; E = casa 545; F = casa 568. ___________________________________________________________________Resultados 76 Figura 40: Distribuição dos casos de malária entre os moradores das localidades de Vila Amazonas e Cachoeira do Teotônio, e a média de picada/hora/capturador (HBR – hour bite rate), no período de janeiro de 2007 a maio de 2010. As setas vermelhas indicam entrada de trabalhadores na área (não residentes). ___________________________________________________________________Discussão 5. 77 Discussão Na primeira metade do século XX, cientistas variavam em suas opiniões quanto ao tempo da infecção malárica, que diziam poder se prolongar por anos. Alguns estudos apontaram um período aproximado de 7 anos depois da infecção inicial por P. vivax (KOCK, 1900 apud COVELL, 1960; BRUCE-CHWATT, 1959). No Brasil, há relatos de casos de malária vivax com período de incubação superior a 6 meses, de pessoas provenientes da Região Amazônica (TAUIL et al., 2010). Para P. falciparum alguns estudos relatam um período de até cerca de 810 dias de persistência de infecção (CIUCA et al., 1955). Estudos conduzidos na Colômbia e Vietnã consideraram infecção assintomática por Plasmodium spp., indivíduos que não apresentaram sintomas por 14 dias (CUCUNUBÁ et al., 2008), ou por período superior a 240 dias (CIUCA et al., 1964), respectivamente. No presente estudo o tempo de infecção malárica assintomática teve sua duração máxima determinada pelo tratamento administrado, mas foi superior a 360 dias. O tratamento de PIAP foi sugerido por Robert Kock no início do século XX para o controle da malária (KOCH, 1900 apud COVELL, 1960). Apesar dos benefícios sócio-econômicos que o tratamento de PIAP pode ocasionar na redução da incidência da malária numa determinada área, a perda da imunidade após o tratamento do PIAP é um fato que ainda permanece em discussão entre os especialistas, seja pela dificuldade e o alto custo na identificação dos mesmos, pela perda da imunidade por parte do portador, ou pela sua eficácia na redução da incidência da malária. A imunidade para malária pode ser definida como um estado de resistência à infecção através de processos que estão envolvidos na destruição do plasmódio ou ___________________________________________________________________Discussão 78 limitando a sua multiplicação, que posteriormente foi denominado premunição (SERGENT & PARROT, 1935; CHRISTOPHERS, 1924; BRUCE-CHWATT, 1980 apud DOOLAN et al., 2009). Isso deu origem a inúmeros estudos importantes posteriormente (GREENWOOD et al., 1987; TRAPE et al., 1994; ROGIER et al., 1999). Das observações e conclusões dos estudos anteriores realizados na Amazônia, fica clara a importância do monitoramento de assentamentos, áreas ribeirinhas e peri-urbanas para o controle da malária. (ANDRADE et al., 1995; FONTES, 2001; ANDRADE, 2001; ANDRADE & TANJA, 2001; SUÁREZ-MUTIS et al., 2004; ANDRADE, 2005; COURA et al., 2006; TADA et al., 2007 ; KATSURAGAWA et al., 2010 ; SILVA et al., 2010). A dinâmica do fluxo de pessoas não-imunes para áreas de assentamentos rurais na Amazônia favorece a transmissão da malária (NUNES et al., 2008). Em outros Estados da Federação pesquisadores também relatam a presença de PIAP e que em muitos casos apresentam características epidemiológicas diferentes (JONES & NETO, 1971; MARCANO, 1991; ANDRADE et al., 1995; ROPER et al., 2000; ANDRADE, 2001; FONTES, 2001; ANDRADE & TANJA, 2001; ROSHANRAVAN et al., 2003; MARCANO et al., 2004; BRANCH et al., 2005; COURA et al., 2006; CERUTTI et al., 2007; FUGIKAHA et al., 2007). A malária em centros urbanos em Porto Velho se restringe, na realidade, em sua área periférica onde as condições sanitárias e ambientais são semelhantes às áreas ribeirinhas. A ocorrência de malária assintomática, revelada neste e em estudos anteriores, associada as constantes recaídas favorecem a manutenção de elevados níveis de incidência da malária em muitos casos. O tratamento da malária assintomática por P. vivax também não demonstrou efeito na redução da incidência, ___________________________________________________________________Discussão 79 que foi representada pelas recaídas ocorridas após o tratamento em estudos anteriores (TADA, Mauro Shugiro, artigo em processo de redação). Microepidemias em locais pouco prováveis, como aeroportos e estâncias turísticas, também são citadas em estudo recente (KATSURAGAWA et al., 2008), e não se pode desconsiderar o papel do PIAP também nesses casos. O ingresso de novos habitantes em área com presença de PIAP sem o entendimento da sua epidemiologia, e ineficiência na aplicação de medidas de controle pode acarretar surtos epidêmicos locais e regionais. Apesar do PIAP ter importância epidemiológica na malária humana, e já ter sido enfatizado há mais de um século, ainda não há um consenso para o tempo mínimo a ser considerado para classificar o indivíduo como tal. Sabe-se que nessa condição, o PIAP é capaz de infectar o mosquito transmissor (COVELL, 1960; ALVES et al., 2002). Klein et al., (1991a) demonstrou que 97% dos pacientes que apresentaram gametócitos em gota espessa foram capazes de infectar o Anopheles darlingi, que é o vetor que apresenta maior densidade na região de Porto Velho (GIL et al., 2003; GIL et al., 2007; CRUZ et al., 2009). Mosquitos alimentados com sangue de pacientes com malária vivax e que haviam iniciado tratamento com cloroquina + primaquina há mais de 24h, apresentaram oocistos (KLEIN et al., 1991b). O tempo de clearence de gametócitos em indivíduos com malária vivax quando tratados com cloroquina + primaquina, pode chegar a cerca de 50 horas (PUKRITTAYAKAMEE et al., 2008). Sendo assim quanto maior o tempo para identificação do PIAP ou atraso no início do tratamento dos casos clínicos, maior a probabilidade destes na transmissão da malária. O precoce e preciso diagnóstico, com tratamento imediato ___________________________________________________________________Discussão 80 são fundamentais para a redução da malária em áreas monitoradas (VILLALOBOSSALCEDO et al., 2000c). Estudos passados deram a compreensão de que as pessoas podem ter imunidade inata, ou desenvolver variados graus de resistência à malária através de episódios repetidos (CLYDE, 1989), que podem ser as recaídas. Seriam estas pessoas, então, levadas à condição de PIAP. É fato que o tratamento dos PIAP ocasionará a perda dessa imunidade, mas não se pode deixar de considerar os benefícios ocasionados por esse tratamento (eliminação do parasito do reservatório humano). A redução de episódios de malária em crianças conduz a melhores desempenhos na escola e na qualidade de vida (FERNANDO et al., 2006; CLARKE et al., 2008). Desde 2006 o Ministério da Saúde (MS) vem utilizando a combinação de artemeter + lumefantrina para o tratamento da malária falciparum, que também é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 2001 (BOSMAN & MENDIS, 2007). Essa nova terapia tem mostrado um resultado extremamente positivo, com a diminuição da incidência na grande maioria dos municípios da Amazônia Legal (SIVEP-Malária). Considerando da possibilidade do PIAP apresentar cura sem a intervenção medicamentosa, somada à terapia utilizada pelo Ministério da Saúde, a perspectiva para o controle efetivo da malária falciparum no Brasil é muito promissora. Ogutu et al., (2010), comentam que o tratamento dos PIAP (P. falciparum) com terapia baseada na combinação com artemisinina (ACT – artemisinin-based combination therapy), associados ao diagnóstico rápido e tratamento imediato pode acarretar impacto benéfico na redução da incidência da malária. ___________________________________________________________________Discussão 81 Analisando os resultados do presente trabalho, e considerando ainda que no período anterior ao tratamento dos PIAP, os casos de malária por P. falciparum registrados já apresentavam um forte declínio, podemos afirmar que o tratamento dos PIAP não ocasionou impacto sobre essa espécie. Do mesmo modo, o tratamento completo (cloroquina + primaquina) dado aos PIAP por P. vivax não mostrou redução na incidência nos casos registrados em Cachoeira do Teotônio. Apesar da grande alteração populacional ocasionada pela entrada de trabalhadores, que ainda permanecem acampados nas localidades de Vila Amazonas e Cachoeira do Teotônio, não é possível afirmar que esse fato interferiu nos resultados. A realização de estudos em localidades sem esse fator de interferência deve ser considerada para melhor avaliação. As recaídas por P. vivax são citadas em várias partes do mundo, e podem apresentar períodos de ocorrência que variam de semanas a anos após o ataque primário, com porcentagens que variam de 7,5% a 63% dos casos (SHORTT, 1950; WISEMAN, 1970; BOULOS et al., 1991; NICHOLLS & GUERRA, 1994; MANGONI et al., 2003; HANF et al., 2009). Na região de Porto Velho, casos de recaídas por P. vivax tem sido reportados (TADA, 2008), inclusive na Cachoeira do Teotônio, sendo responsáveis por cerca de 30% dos episódios clínicos registrados na localidade (KATSURAGAWA et al., 2010). Outro estudo mostrou que o tratamento clássico para malária vivax, com cloroquina e primaquina foi mais efetivo para prevenção de recaídas até 28 dias (VILLALOBOSSALCEDO et al., 2000b). Além disso, episódios com tempo de incubação (prépatente) prolongado foram relatados recentemente no Brasil (TAUIL et al., 2010). Em localidade peri-urbana de Porto Velho, Tada (2008) aplicou tratamento apenas para PIAP por P. falciparum. Nos meses que se seguiram, foi observado um ___________________________________________________________________Discussão 82 aumento superior a 100% nos episódios clínicos de malária vivax, sendo a maioria classificadas como recaídas. Segundo o autor, observações semelhantes foram registradas em Papua Nova Guiné (BRUCE & DAY, 2003). Indivíduos que apresentaram recaídas (34,0%) já foram descritos em estudo anterior realizado em 2007 na Cachoeira do Teotônio (KATSURAGAWA et al., 2010). No presente estudo essa porcentagem apresentou uma tendência à diminuição nos anos de 2008 (20,4%) e 2009 (19,4%). Para Vila Amazonas as recaídas representaram 27,5% em 2008, e 21,3% em 2009, e de janeiro a maio de 2010 foram registrados apenas 3 casos de malária vivax. Com a continuidade da aplicação do esquema de prevenção de recaídas para malária vivax, espera-se que tanto o número de casos quanto o de recaídas sejam estatisticamente significantes (o acompanhamento da incidência da malária nas localidades de estudo será mantido até dezembro de 2010). Apesar da grande elevação da densidade vetorial no primeiro trimestre de 2010, Vila Amazonas apresentou uma queda significativa de casos clínicos registrados entre os moradores após o tratamento dos PIAP e aplicação do esquema de prevenção de recaídas para malária vivax, o que aponta favoravelmente no sentido da eficácia dessa intervenção. Analisando o número de casos clínicos registrados dos cinco primeiros meses de 2010, com o mesmo período de 2009, houve uma diferença estatisticamente significativa entre Vila Amazonas e as outras localidades. Na análise da incidência de malária do período pré e pós-tratamento de PIAP, estatisticamente não há diferença, apesar da visível observação gráfica. Não se descarta a possibilidade do curto período de tempo pós-intervenção analisado ser o responsável pela ausência de diferença estatística significante. Sendo assim, o acompanhamento em Vila ___________________________________________________________________Discussão 83 Amazonas terá continuidade para que se possa eliminar, ou não, essa hipótese. Porém, na análise do Risco Relativo, os resultados mostram que houve uma diminuição significativa em Vila Amazonas. Para o tratamento da malária vivax, há relatos de resistência à cloroquina na Nova Guiné (SCHUURKAMP et al., 1989), Indonésia (BAIRD et al., 1996), Colômbia (SOTO et al., 2001), Índia (NANDY et al., 2003), Miamar (GUTHMANN et al., 2008), Etiópia (TEKA et al., 2008), entre outros, mas deve-se considerar que nesses estudos, a resistência foi detectada para tratamento inicial sem a complementação da primaquina, que tem ação sobre as formas esquizontes teciduais, sexuadas e hipnozoítas. No Brasil, Garavelli & Corti (1992) relataram o que seria o primeiro caso de resistência à cloroquina, mas que análise posterior mostrou ser uma recaída (LOYOLA & RODRIGUEZ, 1992). Em 1997 foi relatado um caso de resistência do P. vivax à cloroquina no Amazonas (ALECRIM et al., 1999), e desde então, nenhum outro caso foi relatado. O tratamento inicial com a combinação de cloroquina e primaquina tem mostrado efeito aditivo e sinérgico contra parasitas da malária resistentes à cloroquina (PETERS et al., 1993, BAIRD et al., 1995). Partindo-se então desse pressuposto, e em seguida proceder à aplicação do esquema preventivo para recaídas, espera-se a eliminação de todas as formas remanescentes do parasito após o tratamento inicial. No passado já se adotou o uso de sal cloroquinado para o controle da malária na Região Amazônica (TAUIL et al., 1985; DEANE, 1992), mas que gerou muitas controvérsias no seu uso por tempo indeterminado, e possibilidade de induzir o aparecimento de cepas de plasmódio resistentes ao medicamento. Nesse caso, o ___________________________________________________________________Discussão 84 sal cloroquinado era ingerido por todas as pessoas indistintamente, com ou sem malária. Esquema preventivo já foi proposto na década de 1990 para população permanente em situação de epidemias (PRATA, 1992). No presente estudo o esquema de prevenção de recaídas por P. vivax foi aplicado somente aos PIAP e casos clínicos de malária vivax, o que diminui a probabilidade de induzir a resistência pela cloroquina, e também por determinado de 12 semanas após o tratamento correto. A aplicação do esquema de prevenção de recaída para malária vivax não contém a pretensão de generalizar o procedimento para toda a população por tempo indeterminado, e também difere dos tratamentos preventivos recomendados aos viajantes que se deslocam para áreas endêmicas. A quantidade de esquemas de prevenção de recaídas aplicada em Vila Amazonas (55; 21,7%) é numericamente semelhante com a porcentagem de recaídas citadas em parágrafo anterior no ano de 2009, e está diretamente relacionada ao número de casos clínicos de malária vivax registrados, e estes vem apresentando uma diminuição significativa. Estudos para a prevenção e controle da malária são discutidos e analisados a nível nacional e internacional, sendo exaustivamente testadas e debatidas por cientistas e pesquisadores antes de se tornarem “propostas”. Mesmo depois dessas propostas se tornarem medidas adotadas por instituições competentes após criteriosa análise (Ministérios da Saúde, Organização Mundial da Saúde), algumas medidas não podem ser generalizadas devido às diferentes características regionais que cada localidade apresenta (DEANE, 1992; TAUIL, 1992). A análise sistemática dos dados produzidos pelos sistemas de informação dos serviços de saúde depende de informações fidedignas originadas na esfera ___________________________________________________________________Discussão 85 municipal, para que possíveis alterações na dinâmica da transmissão da malária possam promover mudanças nas estratégias de controle da malária em tempo hábil. Os resultados aqui apresentados podem servir de subsídio para conduzir outros estudos, discussões e/ou debates entre os especialistas, e que somando às medidas já existentes, analisando a sua aplicabilidade no combate e controle da malária em localidades específicas sob risco de surtos epidêmicos. Muitas dessas inovações e estratégias aplicadas no controle da malária podem conduzir a resultados extremamente positivos (TAUIL, 2003). ____________________________________________________________________Conclusão 6. 86 Conclusão O tratamento isolado dos portadores de infecção assintomática por P. vivax não mostrou resultado favorável na diminuição da incidência de malária. A aplicação da quimioprofilaxia para prevenção de recaídas após o tratamento dos portadores de infecção assintomática por P. vivax, e para os casos clínicos de malária vivax, apresentou um resultado favorável para a diminuição da incidência da malária até o presente momento. A continuidade dessa intervenção na localidade de Vila Amazonas até dezembro de 2010 poderá fornecer resultados estatísticos mais significativos que os dados obtidos até o momento. Para o controle mais efetivo da malária em localidades onde é possível o monitoramento e acompanhamento da população, é fundamental observar a: (i) identificação de portadores de infecção assintomática por plasmódio; (ii) identificação da população não-residente que ingressa na localidade; (iii) busca ativa para o diagnóstico precoce de tratamento imediato dos casos clínicos de malária; (iv) aplicação da quimioprofilaxia para prevenção de recaídas para infecções por P. vivax após o tratamento completo; (v) viabilidade e aplicabilidade do tratamento dos portadores de infecção assintomática por P. vivax com subseqüente aplicação da quimioprofilaxia para prevenção de recaídas. ______________________________________________________________Referências 7. 1. 87 Referências ALECRIM, M. G. 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The Dielmo Project: a Longitudinal Study of Natural Malaria Infection and the Mechanisms of Protective Immunity in a Community Living in a Holoendemic Area of Senegal. Am J Trop Med Hyg., 51(2):123-137, 1994. ______________________________________________________________Referências 99 110. VILLALOBOS-SALCEDO, J. M.; CAMARGO, E. P.; KRIEGER, H.; PEREIRA DA SILVA, L. H.; CAMARGO. L. M. A. Malaria control in an agro-industrial settlement of Rondônia. Mem Inst Oswaldo Cruz, 95(2): 139-145, 2000a. 111. VILLALOBOS-SALCEDO, J. M.; TADA, M. S.; KIMURA, E. A. S.; NEVES, J. D.; OLIVEIRA, K. V.; OLIVEIRA, E. S.; PEREIRA DA SILVA, L. H. Study of the efficacy of a new scheme of association of chloroquine and primaquine agaisnt vivax malária infection in Rondônia (Western Amazon region, Brazil). Ann Trop Med & Parasitol, 94 (8): 749-758, 2000c. 112. VILLALOBOS-SALCEDO, J. M.; TADA, M. S.; KIMURA, E.; MENEZES, J. M.; PEREIRA DA SILVA, L. H. 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Eu,............................................................................................................................................................, nascido em _____/_____/_____, em ......................................................., estado de ............................, concordo de livre e espontânea vontade em participar como voluntário(a) do estudo “E f eit o do t r ata me nt o d e po rt ado r es d e in f ec ção assi n to mát i ca po r p las mó dio n a i nc id ên ci a d e ma lá ri a e m p op ul a ç ão ri b ei ri n h a d e Po rt o V el h o – Ron d ôn ia ”. Declaro que obtive todas as informações necessárias, bem como todos os eventuais esclarecimentos quanto às dúvidas por mim apresentadas. Estou ciente de que: 1. O estudo se faz necessário para que se possa conhecer a influência de portadores assintomáticos de plasmódio na incidência (quantidade de casos) de malária em populações ribeirinhas; 2. Será realizada uma coleta de 10 (dez) ml de sangue da minha veia do braço. Essa coleta será realizada por técnicos capacitados e utilizando material estéril e descartável; 3. Essa coleta será repetida depois de 1 (um) ano, ou quando eu apresentar sintomas de malária; 4. Nessas coletas poderei sentir um pequeno desconforto de dor devido a “agulhada”; 5. Com essa amostra de sangue será realizado exame para determinar a presença do parasito que causa a malária, e poderão ainda ser realizados exames para genotipagem desse parasito para saber se são da mesma cepa, hepatites B e C, e outros exames de laboratório necessários para este estudo, e que visem um melhor tratamento para a malária; 6. A participação neste projeto não me acarretará qualquer gasto financeiro com relação aos procedimentos médicos-clínicos-terapêuticos-laboratoriais, relacionados com o estudo; 7. Pela participação deste estudo, não receberei nenhum tipo de compensação financeira; 8. Tenho a liberdade de desistir ou interromper a colaboração neste estudo a qualquer momento, sem prejuízo a minha saúde ou bem-estar, e não virá a interferir no atendimento e/ou tratamento médico que eu necessite durante este estudo; 9. Os resultados obtidos durante este estudo serão mantidos em total sigilo, mas concordo que serão divulgados em publicações científicas, desde que meus dados pessoais não sejam mencionados. Entendo que terei acesso aos resultados referentes aos exames que forem realizados com a amostra de sangue coletada de minha pessoa. 10. O benefício esperado desse estudo é a diminuição dos casos de malária nesta localidade. Entendi o que me foi explicado sobre o estudo e concordo em participar do mesmo, assinando abaixo. ______________________________________________________________________ (Assinatura do participante, ou responsável, se menor) _____________________________________________________________________ (Tony Hiroshi Katsuragawa – responsável pelo estudo) _____________________________________________________________________ (Nome da testemunha, quando o paciente ou responsável for analfabeto) (impressão digital se analfabeto) ____________________________________________________________________ (Assinatura da testemunha, quando o paciente ou responsável for analfabeto) Para qualquer esclarecimento adicional, entre em contato com Tony Hiroshi Katsuragawa, através do telefone (69) 32196012, ou celular (69) 9282-6144. Endereço eletrônico: [email protected], ou Dr. Mauro Shugiro Tada, através do telefone (69) 3219-6014, ou celular (69) 9982-4722, email: [email protected]. Instituto de Pesquisas em Patologias Tropicais – IPEPATRO Centro de Pesquisas em Medicina Tropical – CEPEM Porto Velho, _____ de _____________________ de _________. ______________________________________________________________________Anexos Família número: Anexo 2 QUESTIONÁRIO EPIDEMIOLÓGICO FAMILIAR Senhor(a) Colaborador(a), favor realizar o preenchimento desta ficha com letras e números legíveis. Localidade: ___________________________________________ Data: _____/_____/_____ Endereço: _______________________________________________________ no.: ______ Registro Nome Posição na família Data de nascimento ____/____/____ ____/____/____ ____/____/____ ____/____/____ ____/____/____ ____/____/____ ____/____/____ ____/____/____ ____/____/____ ____/____/____ ____/____/____ ____/____/____ Casa: Paredes: material __________________________________ Tela: ( ) SIM ( ) NÃO Teto: material _____________________________ no. de cômodos: _______________ Chão: ( ) madeira ( ) batido ( ) cimento ( ) ___________ Banheiro: ( ) fora ( ) dentro ( ) fossa séptica ( ) fossa negra ( ) mato ( ) ____________ Água p/ beber: ( ) sem tratamento ( ) filtrada ( ) fervida ( ) clorada ( ) poço ( ) ____________ Água p/ banho: ( ) igarapé ( ) lagoa ( ) rio ( ) poço Energia: ( ) não ( ) sim Eletrodomésticos: ( ) televisão ( ) freezer/geladeira ( ) _________________ Animais: ( ) cão ( ) gato ( ) galinha ( ) porco ( ) gado ( ) pato ( ) ___________________ ______________________________________________________________________Anexos Anexo 3 Local Casa Número paciente DATA do preenchimento deste questionário: _____/_____/_____ QUESTIONÁRIO EPIDEMIOLÓGICO INDIVIDUAL Senhor(a) Colaborador(a), favor realizar o preenchimento desta ficha com letras e números legíveis. Fazer um círculo no número correspondente. Nome do Projeto Efeito do tratamento de portadores de infecção assintomática por plasmódio na incidência de malária em população ribeirinha de Porto Velho – Rondônia. Nome do participante: Sexo: 1 - masculino Naturalidade (cidade e UF): Endereço: 2 - feminino Data de nascimento (dd/mm/aaaa): Há quanto tempo mora no endereço atual (em anos)? Há quanto tempo mora em área endêmica de malária (em anos)? Quantas malárias você já teve? Há quanto tempo foi que pegou a última malária? 0 = não sabe Qual o local provável onde pegou a última malária? 0 = não sabe 1=V Qual foi a espécie da última malária? 1 = sim 2 = não Está com sintomas da malária agora? 1 = sim 2 = não Febre? 1 = sim 2 = não Calafrios? 1 = sim 2 = não Náuseas? 1 = sim 2 = não Vômitos? 1 = sim 2 = não Diarréia? 1 = sim 2 = não Dores no corpo (mialgias)? 1 = sim 2 = não Dores nas juntas (artralgia)? 1 = sim 2 = não Dor de cabeça (cefaléia)? 1 = sim 2 = não Icterícia? 1 = coradas 2 = pálidas Coloração das mucosas 1 = palpável (cm) Fígado 1 = palpável (cm) Baço Peso (kg) = Altura (cm) = Gota espessa Optimal® PCR Imunofluorescência 0 = negativo 0 = negativo 0 = negativo 1=V 1=V 1=V Anti-HBC Total HBsAg Anti-HBs Anti-HCV Anti-HIV I e II 0 = indeterminado 0 = indeterminado 0 = indeterminado 0 = indeterminado 0 = indeterminado Zona: 1 – urbana 2 - rural 2=F 3 = F+V Se SIM, há quanto tempo? Se SIM, há quanto tempo? Se SIM, há quanto tempo? Se SIM, há quanto tempo? Se SIM, há quanto tempo? Se SIM, há quanto tempo? Se SIM, há quanto tempo? Se SIM, há quanto tempo? Se SIM, há quanto tempo? Se SIM, há quanto tempo? 4=M 2 = impalpável 2 = impalpável IMC = 2=F 2=F 2=F 1 = reagente 1 = reagente 1 = reagente 1 = reagente 1 = reagente 3 = F+V 3 = F+V 3 = F+V 4=M 4=M 4=M 2 = não reagente 2 = não reagente 2 = não reagente 2 = não reagente 2 = não reagente Outros exames complementares: Ficha EPI-001-06 Anexo 4 QUESTIONÁRIO DE ACOMPANHAMENTO PERIÓDICO Visita semanal Senhor(a) Colaborador(a), favor realizar o preenchimento desta ficha com letras e números legíveis. Local Casa Número paciente Projeto: Efeito do tratamento de portadores de infecção assintomática por plasmódio na incidência de malária em população ribeirinha de Porto Velho – Rondônia. Nome do participante: Sexo: 1 = masculino 2 = feminino Local de nascimento: Data de nascimento (dd/mm/aa): Data da coleta de informações (dd/mm/aa) Está com febre? (1 = sim; 2 = não) Está com calafrios? (1 = sim; 2 = não) Está com enjôo? (1 = sim; 2 = não) Está com vômitos? (1 = sim; 2 = não) Está com diarréia? (1 = sim; 2 = não) Está com diarréia? (1 = sim; 2 = não) Está com dores no corpo? (1 = sim; 2 = não) Está com dores nas juntas? (1 = sim; 2 = não) Está com dor de cabeça? (1 = sim; 2 = não) Desde a última visita, teve sintomas de malária? (1 = sim; 2 = não) Fez exame de malária em outro local? (1 = sim; 2 = não) Resultado: (0 = negativo; 1 = V; 2 = F; 3 = F+V; 4 = Fg; 5 = malariae) Tomou alguma medicação para malária? (1 = sim; 2 = não) Qual? Tomou outro medicamento? Qual? (1 = sim; 2 = não) Esteve em outros locais desde a última visita? (1 = sim; 2 = não) Data da coleta de informações (dd/mm/aa) Lâmina coletada pelo Agente de Saúde Resultado: (0 = negativo; 1 = V; 2 = F; 3 = F+V; 4 = Fg; 5 = malariae) Medicação administrada: Observações e/ou anotações (utilize o verso, se necessário): As lâminas deverão ser entregues para o Chefe da Equipe de Campo, ou diretamente para o Chefe do Laboratório de Malária do CEPEM. Ficha EPI-003-06 Fundação Universidade Federal de Rondônia 1/2 DOUTORADO EM BIOLOGIA EXPERIMENTAL A sessão pública de apresentação oral do aluno Tony Hiroshi Katsuragawa para a Defesa da Tese do Trabalho de Pesquisa intitulado: “Efeito do tratamento de portadores de infecção assintomática por Plasmodium vivax, seguida quimioprofilaxia para prevenção de recaídas, na incidência de malária em população ribeirinha de Porto Velho – Rondônia”, como conclusão do Curso Doutorado em Biologia Experimental, realizou-se no dia 12 de julho de 2010, às 14h00min, no Auditório da UNIR Centro, sendo nomeada para avaliação, a banca examinadora assim constituída: Presidente e orientador: Prof. Dr. Luiz Hildebrando Pereira da Silva Membro Titular 2: Prof. Dr. Cor Jesus Fernandes Fontes – UFMT/Cuiabá Membro Titular 3: Prof. Dr. José Rodrigues Coura – Fiocruz/Rio de Janeiro Membro Titular 4: Prof. Dr. Pedro Luiz Tauil – UnB/Brasília Membro Titular 5: Prof. Dr. Marcelo Urbano Ferreira – USP/São Paulo Suplente: Prof. Dr. Juan Miguel Villalobos Salcedo – UNIR/Porto Velho RESULTADO DA AVALIAÇÃO A exposição oral do candidato Tony Hiroshi Katsuragawa foi considerada de boa qualidade pelo conjunto dos membros da banca examinadora. No processo de argüição do candidato que se seguiu, a palavra coube em primeiro lugar ao Professor José Rodrigues Coura que cumprimentou o candidato pela qualidade do trabalho, mas assinalou algumas impropriedades de termos e expressões adotadas no texto, criticando em particular o período adotado para o seguimento de pacientes com infecções assintomáticas. Suas observações foram entregues ao candidato para que ele pudesse tomá-las em consideração na redação to texto definitivo da tese a ser registrada. O professor Pedro Tauil foi o segundo membro da banca a fazer uso da palavra argüição, felicitou de inicio o candidato pela escolha da temática que ele considera importante e prioritária. Analisando em seguida o conteúdo da tese o professor Tauil se pronunciou por uma melhor caracterização da infecção assintomática e de sua evolução. Criticou igualmente a referência feita pelo candidato a Ross como sendo o autor da descoberta de anofelinos na transmissão da malária humana, lembrando que realmente foram Grassi, Bastianelli, Bignani e Mason os autores da descoberta, cabendo a Ross apenas a descoberta da transmissão de malária aviária. Criticou ainda a falta de referência a Conferência Interministerial da OMS de Amsterdã em 1992 em que foram tomadas as decisões sobre a transformação da campanha da OMS contra a malaria em Campanha de controle e não mais de erradicação. Assinalou igualmente problemas com a tabela 1 que apresenta dados contraditórios com os apresentados ao longo do texto do manuscrito, sendo necessário refazer os cálculos e a correção dos dados. Assinalou igualmente a impropriedade da utilização do termo prevalência para a análise pelo fato de terem sido incluídos na amostra casos novos durante o seguimento. Em relação ao capítulo de métodos, o Professor Tauil assinalou a necessidade de esclarecer a razão da escolha das localidades desde que elas apresentam níveis diferentes de vulnerabilidade. Criticou igualmente o uso de teste de qui quadrado na analise de variáveis continuas e igualmente a tabela e figura devendo-se substituir como elementos de comparação por período de janeiro a maio e não ano. Finalmente assinalou a necessidade de melhor justificativa para centralizar o trabalho sobre prevenção da recaída. O Professor Marcelo Urbano Ferreira tomou a palavra começando por elogiar o trabalho por se tratar de um estudo de avaliação de intervenção, Fundação Universidade Federal de Rondônia 2/2 o que raramente se faz no país segundo ele. Considera, entretanto em seguida que há no trabalho, em realidade, duas avaliações: resultado de tratamento de assintomáticos de um lado e avaliação da freqüência de recaídas de outro, que efetivamente inclui também o de reinfecções. Se para comparar efeito de tratamento pode-se utilizar comparações entre comunidades considera que para analisar freqüência de recaídas seria mais adequado utilizar comunidade fechada onde seriam variadas as condições a que seriam submetidas os pacientes nas mesmas condições ambientais. Por outro lado, o professor Marcelo Urbano coloca questão de utilizar o termo recaída, não bem justificado, e que poderiam mesmo ser recrudescências, para as infecções observadas nos pacientes em seguimento. Coloca igualmente a necessidade da caracterização genética dos isolados de parasitos nas diferentes infecções observadas o que permitiria definir a natureza da infecção. O Professor Luiz Hildebrando, encerrando a argüição agradeceu a participação dos membros da banca e lamentou apenas que a não publicação de resultados anteriores dos próprios autores incluindo o doutorando tivesse comprometido a compreensão de certos aspectos do trabalho. Encerrando a sessão de argüição a banca reuniu-se para fazer a síntese do resultado concluindo pela aprovação do candidato cujo trabalho foi considerado de excelente qualidade, o que permitia a banca recomendá-lo para que lhe seja concedido o titulo de Doutor em Biologia Experimental, com menção em Epidemiologia pela Universidade Federal de Rondônia; Porto velho 12 de julho de 2010. -------------- ---------------- Luiz HP Silva José R Coura Pedro L Tauil Marcelo U Ferreira Cor JF Fontes