Universidade do Vale do Paraíba Faculdade de Educação e Artes Priscila Guedes Negreiros Pianissola APRENDENDO A MORFOLOGIA DOS INSETOS NO ENSINO FUNDAMENTAL: UM MANUAL PRÁTICO São José os Campos, SP. 2014. Priscila Guedes Negreiros Pianissola APRENDENDO A MORFOLOGIA DOS INSETOS NO ENSINO FUNDAMENTAL: UM MANUAL PRÁTICO Relatório final apresentado como parte das exigências da disciplina Trabalho de Graduação à Banca avaliadora do Curso de Ciências Biológicas da Faculdade de Educação Artes da Universidade do Vale do Paraíba. Orientadora: Prof. Dra. Nádia Maria Rodrigues Campos Velho. Co-orientadora: Prof. Dra. Walderez Moreira Joaquim. São José dos Campos, SP. 2014 Priscila Guedes Negreiros Pianissola APRENDENDO A MORFOLOGIA DOS INSETOS NO ENSINO FUNDAMENTAL: UM MANUAL PRÁTICO Banca Examinadora: Prof. Dra. Nádia Maria Rodrigues Campos Velho ___________________________________________________________________ (Orientadora) Prof. Dra. Walderez Moreira Joaquim ___________________________________________________________________ (Co-orientadora) Prof. Me. Maria Amélia da Silva Alves de Almeida ___________________________________________________________________ Banca Prof. Me. Karla Andressa Ruiz Lopes ___________________________________________________________________ Banca Prof. Dr. Frederico Lecione Neto ___________________________________________________________________ Banca Dedicatória O presente trabalho é especialmente dedicado ao meu filho Gabriel Negreiros Pianissola e meu marido Wellington Mota Pianissola, que estiveram ao meu lado dando força nos momentos mais difíceis, tornando possível a realização do desejado sonho de concluir uma graduação. Agradecimento Agradeço primeiramente a Deus por me dar força, perseverança e coragem nessa etapa tão especial da minha vida. Aos meus familiares Margareth Negreiros Pereira por puxar minha orelha nas horas necessárias, meu pai Marcelo Negreiros Pereira por se disponibilizar totalmente a me ajudar a qualquer momento do dia, ao Compadre Vanderly que fez despertar em mim o interessasse de ingressar na faculdade e especialmente meu marido Wellington Mota Pianissola que esteve presente ao meu lado em todos esses anos, acreditando e incentivando o nosso sonho. Agradeço minha amiga Dafnny Pinto Seixas dos Santos por me acalmar nos momentos de angustias e as amigas Elise, Cintia, Marcela e Renata que mesmo já graduadas não se esqueceram de mim e sempre fizeram presente no decorrer do meu curso. Por fim, agradeço as professoras Nádia Maria Rodrigues Campos Velho e a professora Walderez Moreira Joaquim por contribuírem na minha formação acadêmica e todos os docentes que fizeram desse sonho uma realidade, o meu muito obrigado. RESUMO Por meio do lúdico a aprendizagem é dinâmica e continua, conectando o indivíduo com a cultura e o meio social mais amplo. A produção de recursos didáticos por parte dos profissionais de educação, possibilitam um ensino de qualidade em Ciências Naturais sem a sofisticação de laboratórios equipados que poucas escolas de fato possuem, despertando assim o interesse dos discentes para a biodiversidade de insetos e da grande importância que esses seres representam para a natureza. Para contrapor esta realidade, este trabalho propõe a produção de um Manual prático visando auxiliar para uma aula dinâmica e produtiva sobre a morfologia dos insetos. Para a confecção do manual didático foi realizado uma pesquisa em livros na rede estadual de Educação de São José dos Campos, que atendem alunos do 7º ano do ensino fundamental. O manual é composto por assuntos referentes à morfologia dos insetos, uma sugestão de aula teórica e uma sugestão de aula prática e para a atividade lúdica foi construído um jogo de memória. O manual confeccionado abordou as competências exigidas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) para o ensino de Ciências Naturais, resultando em melhorias significativas no processo ensino aprendizagem. Palavras – chaves: Lúdico, Manual, ensino Fundamental. . ABSTRACT Through playful learning is dynamic and continues, connecting the individual with the culture and the wider social environment. The production of educational resources by the education professionals, provide a quality education in natural sciences without the sophistication of laboratories that few schools actually have, thus arousing the interest of the students to the biodiversity of insects and of great importance that these beings pose to nature. To counter this reality, this paper proposes the production of a practical manual aimed at assisting to a dynamic and productive class on the morphology of insects. To make the textbook a survey on the books statewide network of Education of São José dos Campos, serving 7th graders of elementary school was conducted. The manual consists of issues related to the morphology of insects, a hint of lecture and a hint of class and practice for play activity was built a memory game. The manual made addressed the skills required by the National Curriculum Parameters (PCN) for the teaching of Natural Sciences, resulting in significant improvements in the learning process. Key - words: Playful , Manual, elementary school. ÍNDICE DE FIGURAS E TABELA Figura 1 Divisão do corpo do inseto comparado ao do homem................................ 18 Figura 2 Polinização de uma flor............................................................................... 19 Figura 3 Esquema da cabeça de um inseto.............................................................. 20 Figura 4 Disposição das patas dos insetos............................................................... 21 Figura 5 Vôo dos insetos........................................................................................... 21 Figura 6 Disposição das asas de diferentes ordens de insetos................................ 22 Figura 7 Reprodução sexuada.............................................................................. 22 Figura 8 Etapas da metamorfose de uma borboleta Monarca.................................. 23 Figura 9 Exemplo de uma cadeia trófica................................................................... 25 Figura 10 Joaninha afidóga ...................................................................................... 26 Figura 11 Cartilha para o docente............................................................................. 30 Figura 12 Apresentação da aula teórica.................................................................... 34 Figura 13 Apresenta a importância dos insetos........................................................ 36 Figura 14 Procedimento de ensino........................................................................... 38 Figura 15 Testando seu conhecimento..................................................................... 40 Figura 16 Desenvolvimento da aula prática.............................................................. 42 Figura 17 Anexos do Manual ao docente.................................................................. 46 Figura 18 Jogo de Memória....................................................................................... 48 Figura 19 Jogo de memória sob a mesa ou qualquer superfície lisa........................ 48 Figura 20 Pares formado do jogo de memória.......................................................... 49 Tabela 1 Principais ordens de insetos ...................................................................... 23 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO..................................................................................................... 11 2. OBJETIVOS......................................................................................................... 12 2.1. Objetivo geral......................................................................................... 12 2.2. Objetivos específicos............................................................................. 12 3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA................................................................................ 13 3.1. Breve histórico de Ciências Naturais no Brasil...................................... 13 3.1.1 Aprender a ensinar Ciências Naturais no Ensino Fundamental.......... 14 3.1.2. A importância do lúdico no ensino de Ciências................................. 15 3.1.3 Ensino de Zoologia no Ensino Fundamental .......................................16 3.2. Insetos................................................................................................... 17 3.2.1. Morfologia........................................................................................... 19 3.2.2. Principais ordens dos insetos............................................................. 23 3.3. Importância dos insetos para a biodiversidade e equilíbrio ecológico... 25 4. METODOLOGIA.................................................................................................. 27 4.1. Público alvo........................................................................................... 27 4.2. Confecção do manual............................................................................ 27 5. RESULTADOS.................................................................................................... 28 5.1. Manual para o docente.......................................................................... 28 5.1.1. Aula teórica......................................................................................... 30 5.1.2. Aula prática......................................................................................... 40 5.2. Jogo de memória................................................................................... 46 5.2.1. Como jogar......................................................................................... 48 5.2.2. Objetivo do jogo.................................................................................. 48 5.2.3. O vencedor......................................................................................... 49 6. DISCUSSÃO....................................................................................................... 50 7. CONCLUSÃO...................................................................................................... 51 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................... 52 9. ANEXO ........................................................................................................ 56 9.1.Anexo – Artigo apresentado XVIII INIC ............................................. 56 9.2. Anexo – Certificado de participação XVIII INIC................................. 58 9.3. Anexo – Certificado de apresentação XVIII INIC............................... 59 1. INTRODUÇÃO Os insetos formam a maior classe do Reino Animal, fazem parte de um grupo de invertebrados que pertencem ao filo dos Artrópodes, existem hoje mais de um milhão de espécies catalogadas e muito mais a serem classificadas. A maioria dos insetos apresenta o corpo dividido em numerosos segmentos, são animais bem adaptados, que vivem na terra, água ou ar (MOUND, 1991). Os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 2001) trazem como preocupação central o ensino de Ciências Naturais a fim de proporcionar subsídios para o docente vivenciar o que se chamava de método cientifico, ou seja, levantar hipóteses e testa-las trabalhando de forma a redescobrir conhecimento. Segundo Bizzo (1998) desta forma o ensino de Ciências deve estimular a curiosidade do aluno e, o professor deverá buscar explicações e exemplos de fácil entendimento com o objetivo de dinamizar o processo de ensino aprendizagem. O estudo aprofundado dos insetos no ambiente escolar permite o docente ampliar o conhecimento desses seres e sua importância para o meio ambiente e colaborar para sua formação cognitiva e social. As atividades práticas não devem ser desvinculadas de aulas teóricas, discussões em grupos e de outras formas de aprender. A teoria e prática formam uma unidade fundamental na aprendizagem dos discentes (ROSITO, 2008). Através do lúdico, a aprendizagem é dinâmica e contínua, possuindo capacidade de conectar o indivíduo com a cultura e o meio social mais amplo. As produções de outros recursos didáticos por parte dos profissionais de educação atendem a necessidade de um ensino de qualidade em Ciências Naturais. O atual trabalho propõe a produção de um manual não convencional direcionado aos docentes que lecionam a disciplina de Ciências Naturais e um jogo de memória como atividade lúdica, visando auxiliar em uma aula dinâmica e produtiva sobre a morfologia dos insetos para alunos do 7º ano do ensino fundamental, sendo dividido didaticamente entre atividade teórica e prática contendo figuras que auxiliam no processo de ensino aprendizagem. 11 2. OBJETIVOS 2.1. Objetivo geral Proporcionar manual didático, visando auxiliar o docente em uma aula dinâmica e produtiva no ensino sobre a morfologia da classe dos insetos para alunos do 7º ano. 2.2. Objetivos específicos Mostrar ao educador que é possível desenvolver uma metodologia alternativa e atrativa, para que o aluno possa compreender e conhecer a classe dos insetos. Incentivar o interesse dos alunos pela interação homem natureza mostrando possibilidades de se viver em equilíbrio com a natureza. 12 3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 3.1. Breve histórico de ensino de Ciências Naturais no Brasil O Ensino de Ciências no Brasil vêem se sobrepondo ao longo das últimas décadas. Muitas práticas são baseadas na simples transmissão do conhecimento, a transcrição na lousa e o uso do livro didático são exemplos da ligação com os métodos educacionais mais antigos, no entanto, atualmente os avanços produzidos sobre ensino-aprendizado têm sido incorporados aos projetos pedagógicos mais recentes, especialmente sobre o Ensino de Ciências. Até 1961 quando ocorreu à promulgação da Lei de Diretrizes e Bases o Ensino de Ciências era aplicado somente nas duas últimas séries do antigo curso ginasial, porém a partir de 1971 com a Lei nº 5.692 é que o ensino de ciências passou a ser obrigatório nas oito séries do primeiro grau (BRASIL, 2001). Desde então o objetivo fundamental do ensino de Ciências Naturais passou a ser de proporcionar subsídios para o aluno vivenciar o que se chamava método cientifico, ou seja, a partir de observações levantarem hipóteses, e testá-las, trabalhando de forma a redescobrir conhecimentos (BRASIL, 2001). No ambiente escolar, o conhecimento científico era considerado um saber neutro, isento, e a verdade científica, tida como inquestionável. A qualidade do curso era ainda definida pela quantidade de conteúdos trabalhados (BRASIL, 2001). O ensino de ciências deve proporcionar ao estudante a inquietação diante do desconhecido, buscando explicações lógicas, assim poderão desenvolver posturas críticas e realizar julgamentos e tomar decisões (BIZZO, 1998). No Brasil não há uma tradição no ensino de ciências, se comparado com outros países considerados de “primeiro mundo”, aonde o ensino vem sendo trabalhado sob uma política bem estabelecida e bem definida há mais tempo, especialmente com relação ao ensino de Ciências Naturais (CRUZ, 1982). 13 3.1.1. Aprender e ensinar Ciências Naturais no Ensino Fundamental Os conhecimentos adquiridos pela vivência e pela cultura relacionada a muitos conteúdos em situações de aprendizagem na escola é um pressuposto básico para a aprendizagem significativa, diferentes métodos ativos, experimentações, jogos, diferentes fontes textuais observações e comparações despertam o interesse dos estudantes pelos conteúdos (BRASIL, 2001). O conhecimento científico é fundamental, mais não o suficiente quando se trata de analisar o currículo do ensino de Ciências Naturais. É essencial considerar o desenvolvimento cognitivo dos estudantes, relacionando com suas experiências, sua idade, sua identidade cultural e social, e os diferentes significados que as Ciências Naturais podem ter para eles, para que possam obter uma aprendizagem significativa (BRASIL, 2001). Segundo Rosito (2008), as atividades práticas não devem ser desvinculadas de aulas teóricas, discussões em grupo e de outras formas de aprender. A teoria e prática formam uma unidade fundamental na aprendizagem dos discentes. Esta transformação positiva na formação dos alunos apenas seria realidade se os professores não alegassem por inúmeras razões a pouca frequência das atividades práticas na escola. As dificuldades partem da falta de tempo dos professores para planejar a realização de atividades práticas como parte do seu programa de ensino, à falta de materiais básicos para a elaboração das mesmas (BORGES, 2002). No ensino de Ciências Naturais, o livro didático tem tido um importante papel na determinação dos conteúdos estudados e na metodologia praticada em sala de aula, sempre no sentido de valorizar um ensino informativo e teórico (KRASILCHIK, 2011). Segundo Guerra e Gusmão (2003), a produção de recursos paradidáticos vem ao encontro à necessidade de ter um ensino de qualidade, onde os discentes possam formar uma unidade fundamental entre a teoria e prática. Estes recursos podem ser jogos adaptados, manuais com atividades práticas e equipamentos audiovisuais que utilizados enriquecem a aprendizagem. De acordo com Amâncio (2002), a utilização de cartilhas e manuais em salas de aula enriquece a aprendizagem dos discentes e promove mudanças metodológicas no ensino. A cartilha e os manuais são uma fonte rica de textos, 14 exercícios, atividades práticas e muitas figuras que auxiliam no processo ensino e aprendizagem. 3.1.2. A importância do lúdico no ensino de ciências. Normalmente os conteúdos de ciências envolvem temas abstratos sendo de difícil compreensão para os alunos, através dos métodos tradicionais muitas vezes os professores não conseguem atingir seus objetivos por falta de matérias didática, muito comum nas escolas públicas (MENDES; BRAGA; SOUSA, 2007). O método lúdico é um fator muito importante, sendo elemento indispensável para expansão da personalidade. Dinâmicas que proporcionam interação com o meio facilita tanto no entendimento, como na aprendizagem, e sempre que o tema for abordado, o aluno se lembrará da experiência que teve (NASTRI; CAMPOS, 2004). As técnicas recreativas como jogos, sempre foram negligenciados pela escola tradicional, dado o fato de parecerem destituídos de significado funcional. Para a pedagogia essas técnicas são fatores decisivos quando se consegue transformá-las em atividades didáticas (ALMEIDA, 1974). Para Montessori (2006), atividades diferenciadas e vivenciadas propiciam o desenvolvimento integral e dinâmico nas áreas cognitivas, afetivas, linguística, social, moral e motora, além de contribuir para a construção da autonomia, criatividade, responsabilidade e cooperação das crianças e adolescentes. Desta forma, os jogos podem incentivar os alunos nas atividades escolares, a fim de proporcionarem momentos de aprendizado e diversão, além de estimulá-los a trabalhar em equipe (MENDES; BRAGA; SOUSA, 2007). A educação não tem outro caminho, senão organizar um profundo conhecimento das necessidades de interesse do aluno, portanto a verdadeira educação é aquela que cria um comportamento para satisfazer múltiplas necessidades orgânicas e intelectuais no aluno; necessidade de saber explorar, observar, trabalhar, jogar e viver (ALMEIDA, 1974). 15 3.1.3. Ensino de Zoologia no Ensino Fundamental O Ensino de Zoologia é realizado no Ensino Fundamental do terceiro ciclo, sendo ministrados por professores de Ciências Naturais habilitados em licenciatura de Ciências Naturais ou Biologia. Segundo as Diretrizes da Educação Básica (BRASIL, 1996) e as Diretrizes do Curso de ciências Biológicas. As licenciaturas preparam os docentes nos cursos de licenciaturas com seis eixos: 1) eixo articulador dos diferentes âmbitos do conhecimento profissional; 2) eixo da interação e da comunicação, do desenvolvimento intelectual e profissional; 3) eixo articulador da disciplinaridade e interdisciplinaridade; 4) eixo da formação comum e da formação específica; 5) eixo dos conhecimentos a serem ensinados e dos conhecimentos filosóficos, educacionais e pedagógicos que fundamentam a educação; e, 6) eixo articulador das dimensões teóricas e práticas (resoluções CNE/CP n. 1, de 18/02/2002 e CNE/CP n. 2, de 19/02/2002). A temática de zoologia (estudos dos animais) é frequentemente vista como “ultrapassada” em sua abordagem mais morfológica. No entanto muito dessa visão se refere a maneira de como as aulas são abordadas, pois o ensino de zoologia continua constituído pela apresentação de grupos taxonômicos e pelos conjuntos de características dos indivíduos (AMORIM,2005). Santos e Téran (2009) apontam ainda diversos tipos de problemas no ensino de zoologia como uso exclusivo do livro didático; a falta de recursos didáticos alternativos; a exposição oral como único recurso metodológico; o tempo reduzido para planejamento e execução de atividades acadêmicas em sala de aula. Krasilchik (2005) propõe, como uma das mudanças necessárias no ensino, a presença de enfoque naturalístico-biodiversidade, que aborde os significados éticos, econômico cientifico do estudo da diversidade biológica, como a observação e a sistematização e uma atividade científica relevante que se consolida nos sistemas de classificação e na taxonomia. O ensino de zoologia poderia ser facilmente atrelado à filogenia para proporcionar um ensino mais contextualizado. Porém Amorim (2005) descreve que nesse caso existem dificuldades por haver a convivência entre dois paradigmas antagônicos: o sistema idealista-essencialista das classificações tradicionais e o modelo filogenético-evolutivo de Darwin e Wallace. 16 A zoologia é um tema que gera várias possibilidades de interação com outros temas dentro da biologia como: evolução, adaptação aos ambientes, comportamento animal, interações ecológicas. Muito da dificuldade de promover essas relações acontece pelas poucas preparações dos professores sobre táxons zoológicos e sistemática filogenética (SANTOS; TÉRAN, 2009). No entanto, não se deve levantar queixa contra os docentes que ensinam com a abordagem tradicional, pois em sua formação receberam conceitos, conteúdos e metodologias nos quais o paradigma essencialista estava permeado, no entanto, nos cursos de formação de professores acontece um movimento para propostas de ensino diferente do método tradicional (AMORIM,2005). 3.2. Insetos Os insetos formam a maior classe do Reino Animal. Existem hoje mais de um milhão de espécies catalogadas e muito mais a serem classificadas. Não apresentam vértebras por esse motivo são chamados de invertebrados. A Entomologia é uma palavra que deriva das terminações gregas "entomos" que significa insetos e "logos" que significa ciência, estudo, através dela torna-se possível o conhecimento desses pequenos e diversos seres para aprendermos a preservar e em alguns casos se prevenirem (MOUND, 1991). Os Artrópodes compõem o maior filo dos invertebrados, esses diferenciam das outras classes por possuírem uma carapaça protetora externa, que é seu esqueleto formado por uma substância resistente e impermeável, chamada quitina, endurecida por conter muito carbonato de sódio (MOUND, 1991). A maioria dos insetos possui o corpo dividido em segmentos ou anéis, são criaturas bem adaptadas, que vivem no ar, água ou terra. Encontra-se desde o deserto, mas áridos passando por montanhas nevadas, lagos gelados e zonas florestais. Os insetos apresentam o corpo subdividido em cabeça, tórax e abdome (fig. 1). Possuem um par de antenas, sendo uma das funções perceberem os odores do ambiente; três pares de patas no tórax, chamados assim de hexápodes. Na maioria das espécies, há dois pares de asas, mas há espécies com apenas um par ou sem asas, como as pulgas, os piolhos e as traças. As asas podem ser membranosas ou escamosas que se ligam ao tórax (SILVA, 2005). 17 Figura 1. A divisão do corpo do inseto comprado ao do homem. Fonte: angonese.blogspot.com Para Simões (2007), todas as espécies de insetos fazem parte de um importante e delicado equilíbrio ecológico, cuja perturbação pelo homem pode resultar no aparecimento de pragas prejudicando a natureza. A rapidez com os insetos atinge o nível de pragas deve-se a uma combinação de um ciclo curto de vida, alta fecundidade e sincronismo da população em relação a fatores ambientais, como exemplo, a ausência de predador ou a oferta constante de alimento pela monocultura (VASCONCELOS, 2008). De acordo com Silva (2005), a maioria das espécies de insetos (cerca de 98%) não se enquadram na categoria das pragas. Muitos insetos são importantes por fazerem parte da teia trófica de outros animais de interesse para a nossa sociedade, como alguns peixes, aves e mamífero. São extremamente valiosos para nós humanos, pois através da polinização eles tornam possível a produção de diversas plantas agrícolas, como frutas, verduras, algodão e outras. Eles também produzem mel, seda, e outros produtos de valor comercial (fig. 2); Têm sido utilizados na medicina e em pesquisas científicas, algumas vezes como modelos biológicos. Todas as espécies de insetos fazem parte de um delicado e importante, equilíbrio biológico Não se enquadrando na categoria das pragas (SIMÕES, 2007). 18 Figura 2. Polinização de uma flor: Na figura a cima você vê o momento em que as abelhas pousam numa flor, recolhem pólen; este se desprende durante o vôo e torna possível o nascimento de novas flores. Fonte: www.saudeanimal.com.br 3.2.1. Morfologia. O grande sucesso dos insetos deve-se ao seu exoesqueleto, que confere uma mistura de flexibilidade e força permitindo o inseto tenha liberdade de movimento e ao mesmo tempo não peca em defesa e proteção. O intergumeto (exoesqueleto) é constituído de três partes: a mais externa é a cutícula, a abaixo vem à epiderme a membrana basal (GULLAN, 2004). A cabeça possui um par de olhos compostos relativamente grandes, um par de antenas e dois ocelos (fig. 3). O tipo de peça bucal vai determinar como ele se alimenta, a maioria dos insetos alimenta-se de fluidos e tecidos vegetais (filófagos ou herbívoros), alguns insetos alimentam-se de plantas especificas as lagartas de muitas mariposas comem folhagem de determinada planta, já os gafanhotos podem comer quase todos os tipos de vegetais (HICKIMAN; ROBERTS; LARSON, 2004). 19 Figura 3. Esquema da Cabeça de um inseto: Indicando a localização dos olhos compostos, ocelos, antenas mandíbula e língua. Fonte: sistemasdeproducao.cnotia.embrapa.br O tórax é composto por três somitos: protórax, mesotórax e metatórox. E seu abdome é composto por nove a onze segmentos, o décimo primeiro quanto presente está reduzido a um par de cercos (apêndices da porção terminal do corpo). Ao andar, a maioria dos insetos usa um triângulo de pernas que envolvem a primeira e a última perna de um lado e a perna mediana do lado oposto. Dessa forma, os insetos mantêm três de suas seis pernas sobre o piso, um arranjo trípode que melhora a estabilidade (fig. 4) (HICKMAN; ROBERTS; LARSON 2004). Também podem andar na água, as patas de algumas aranhas assim como de alguns insetos terminam com pelos recobertos de uma substancia gordurosa que a água não molha. A superfície da água faz com que pareça uma membrana elástica, que baixa ligeiramente em torno da pata do inseto, graças à tensão superficial, sustentando-se assim o animal na superfície líquida (AUREA, 2009). 20 Figura 4. Disposição das patas dos insetos: O exemplo acima mostra o andar de um inseto usando seu triangulo de pernas e andando sob a água. Fonte: www.institutoecofaxina.org.br Os insetos compartilham a capacidade de voar com as aves. Os músculos do vôo estão dispostos em um par de feixes dorsos-ventrais e um par ântero-posterior localizado no tórax, esses músculos não se prendem as asas, mas sim ao exoesqueleto do tórax. Os músculos dorsais elevam as asas enquanto os longitudinais flexionam para baixo (fig.5) (MARQUES, 2004). Figura 5 Vôo dos insetos: Esquema mostra a disposição dos músculos do inseto para que aconteça o vôo. Fonte: www.geocities.ws As maiorias possuem dois pares de asas, mas os Dípteros (moscas e mosquitos) possuem apenas um par (fig. 6), sendo as asas posteriores representadas por um par de pequenos halteres que vibram e são responsáveis pelo equilíbrio durante o vôo. (HICKMAN; ROBERTS; LARSON, 2004). 21 Figura 6. Disposição das asas de diferentes ordens de insetos: Em destaque os dípteros que possuem apenas um par de asas. Fonte: www.ebah.com.br A reprodução é assexuada e geralmente feita por acasalamento (fig. 7) os insetos possuem várias maneiras de atrair seu parceiro sexual. Uma fêmea de uma mariposa elimina um feromônio que pode ser detectado pelo macho a longa distância, já os vaga-lumes possuem impulsos luminosos, ainda possuem alguns insetos que se encontram através de sinais de cor, através do comportamento e através de sons (HICKMAN; ROBERTS; LARSON, 2004). Figura 7. Reprodução sexuada: de um casal de Libélula Fonte: biounicamp-lego012.blogspot.com 22 De acordo com Cicco (2011), os filhotes saem dos ovos como larvas ou ninfas, e algumas sofrem diversas metamorfoses antes de se tornarem adultos como ocorrem com as borboletas (fig. 8), besouros e moscas. Alguns insetos como os cupins, as formigas e as abelhas apresentam uma divisão social bem desenvolvida, sendo mesmo chamados de “insetos sociais”. Os indivíduos têm funções especializadas; um deles é o reprodutor (a abelha-rainha, na colmeia), os outros são todos estéreis e se dividem em operárias e soldados. Figura 8. Etapas da metamorfose completa de uma borboleta Monarca. Fonte: copyfght.corante.com 3.2.2. Principais ordens dos insetos Os insetos fazem parte do Filo Artrópode, e compõem uma das maiores classes de animais invertebrados. A variedade de características desses animais é tão grande que se tornou necessário dividi-los em várias ordens (tabela 1.) (HICKIMAN; ROBERTS; LARSON, 2004). Abaixo citamos todas as ordens dos insetos com suas principais características. Ordem Thysanura (thysan = São ametábolos, pertencentes aos filamentos franja; ura = cauda) com cerdas na extremidade do abdome, também são ásperos e tem o corpo achatado. Exemplo: traça de livro Ordem Odonata (odonata dentes; indica dentes os – Exemplo: as libélulas. São animais das hemimetábolos; quando larvas permanecem 23 mandíbulas) na água e quando adultos elas se tornam predadores. Exemplo: Ordem Blattodea (blatta - barata) as hemimetábolos; baratas. as asas São insetos anteriores são resistentes e pergamináceas, seu corpo é achatado. Ordem Isoptera (iso = igual; ptera Exemplo: os cupins. São insetos = asas; pelo fato das asas serem hemimetábolos. bastante parecidas) Ordem Orthoptera (ortho = retas; Exemplo: gafanhotos e grilos. São insetos ptera = asas) hemimetábolos; as asas posteriores, muitas vezes são menores ou não existem. Ordem Phasmida (phasma fantasma) = Exemplo: os bichos-pau. São insetos hemimetábolos; as asas posteriores são menores. Ordem Phthiraptera (phthirus = Exemplo: piolho; a = sem; ptera = asas) os piolhos. São insetos hemimetábolos; ápteros; ectoparasitas de aves, Ordem Hemíptera (hetero heterogêneo; pter = asas) = Exemplo: são os percevejos-do-mato e barbeiros. São insetos hemimetábolos; as asas anteriores são bastante resistentes Ordem Homóptera (homo uniforme; ptera = asas) = Exemplo: as cigarras, pulgões e cigarrinhas. São insetos hemimetábolos. Ordem Coleóptera (coleo = estojo; Exemplo: ptera = asas) os besouros, joaninhas e carunchos. São insetos holometábolos. Ordem Hymenoptera (hymen = Exemplo: são as abelhas e formigas. São membrana; ptera = asas) insetos holometábolos, as asas anteriores são maiores e unidas com as posteriores. Ordem Díptera (di = duas; ptera = Exemplo: são as moscas e mosquitos. São asas) insetos holometábolos. Várias espécies são parasitas de vários animais. Ordem Siphonaptera (siphon = Exemplo: a pulga e o bicho-do-pé. São tubo; a = sem; petera = asas) insetos holometábolos; ápteros. 24 Ordem Lepidóptera (lépido escama; ptera = asas) = Exemplo: são as borboletas e mariposas. São insetos holometábolos, tem quatro asas membranosas. Quadro 1. Principais ordens de insetos. Contendo exemplos e suas principais características. 3.3. Importância dos Insetos para a Biodiversidade e equilíbrio ecológico Os insetos geram diversos benefícios para o homem, assim como em todos os ecossistemas onde estão presentes. Por exemplo, a reprodução sexuada em algumas angiospermas só é possível graças aos polinizadores. Eles estão presentes em todos os níveis tróficos, com exceção dos produtores (consumidores de primeira ordem) (herbívoros): grilo, consumidores de segunda ordem (predadores): percevejos, consumidores de terceira ordem (parasitoides): Hymenoptera, consumidores de quarta ordem (hiperparasitóides): Hymenoptera, Detritívoros: cupins, Através da polinização eles tornam possível à produção de diversas plantas agrícolas, como frutas, verduras, algodão e outras. Eles também produzem mel, seda, e outros produtos de valor comercial; servem de alimento para pássaros, peixes e outros animais de interesse até aos seres humanos (GULLAN, 1998). Figura 9. Exemplo de uma cadeia de teia trófica Fonte: queconteito.com. br 25 Existem espécies de insetos que podem ser usados como agentes de controle biológico porque reduzem a densidade das filófagas. Muitos produtores rurais, sem conhecer a particularidade de cada inseto, pensam logo em eliminá-los de suas lavouras, para conseguir esse resultado fazem uso de produtos químicos que por sua vez mata também os insetos que são benéficos aos inimigos naturais e pragas (fig. 10) (CRUZ, 2012). Há também aqueles que têm importância para medicina atuando como vetores de agentes infecciosos e são usados em tratamento de doenças, os estudos tem ajudado muitos cientistas a resolverem problemas relacionados com hereditariedade, evolução, sociologia e muitas outras questões (GULLAN, 1998). Figura 10. Joaninha afidófogas: Se alimentando de pulgões. Fonte: flickrhivemind.net Segundo Paradela (2007), nas últimas décadas a Entomologia Forense (estudo dos insetos, e outros artrópodes em procedimentos legais) vem despertando interesse de peritos ligado a instituições jurídicas devido ao fato de exigir uma relação intima entre esse estudo e as técnicas de investigação em diferentes casos de mortes podendo servir de auxílio para revelar o modo, a localização, e o tempo da morte do indivíduo. De acordo com Dourojeanini (2008), uma das mais recentes aplicações dos insetos é como indicador de qualidade ambiental, sua presença ou ausência, sua distribuição, densidade e tamanho permite definir a saúde do ecossistema com relação à contaminação da água, do solo e do ar. Proteger os insetos é tão importante como proteger qualquer outro componente da fauna. 26 4. METODOLOGIA 4.1. Público alvo O Presente trabalho é direcionado a docentes que ministram as disciplinas de Ciências Naturais do 7º ano do Ensino Fundamental. 4.2. Confecção do manual Para a confecção do manual didático foi realizado uma pesquisa em livros na rede estadual de Educação de São José dos Campos, que atendem alunos do 7º ano do ensino fundamental (BARROS, C.; PAULINO, W. R. 2009), (SHIMABUKURO, V. 2010), (AGUILAR, J.B. 2012). O Manual foi confeccionado em sulfite branco usando o programa (Microsoft Word) e (PowerPoint) para a parte textual com fonte cambria 20 na cor preta em negrito e para títulos fonte Chiller tamanho 36 na cor verde, com margens estreita, superior: 1.27cm, inferior: 1.27cm, esquerda: 1.27 cm, direita: 1.27 cm. A partir do processo de elaboração proposto foi obtido um manual didático para auxílio aos docentes contendo assuntos referentes à morfologia dos insetos, uma sugestão de aula teórica (quatro aulas de cinquenta minutos), uma aula prática (duas aulas de cinquenta minutos) e um jogo de memória para melhor fixação das aulas. As figuras foram extraídas de sites da internet, e os textos foram elaborados com base em artigos científicos e livros didáticos, citados nas referências bibliográficas. Para a atividade lúdica foi construído um jogo de memória com fotos retiradas de sites sobre os insetos. Quarenta cartas foram elaboradas, cada uma mede sete centímetros de largura e quatro centímetros de comprimento as cartas foram confeccionadas com papel sulfite e posteriormente plastificadas. Cada carta possui imagem e o nome popular do inseto, no entanto o par é formado com o nome popular e principais informações sobre o inseto como: característica, habitat, ocorrência e hábitos. A capa, a dedicatória, a apresentação do manual ao docente e sumário foram escritos nas páginas iniciais. O conteúdo teórico e a aula prática estão organizados 27 em unidades especificassem seguida os docentes poderão reproduzir uma atividade lúdica como exercício de fixação a partir de um jogo de memória. O Manual conta ainda com o Tome Nota, situação-problema espaço de indicação de obras especificas para aprofundamento dos conteúdos que venham contribuir no processo de aprendizagem dos discentes. 5. RESULTADOS Com este trabalho foram obtidos dois resultados. O primeiro refere-se a produção de um manual prático voltado aos docentes referente a morfologia externa dos insetos contendo sugestões de aula teórica/prática. O segundo resultado é referente a construção de um jogo de memória a fim de trabalhar de maneira lúdica atividades direcionadas aos discentes de Ciências Naturais do7º ano do Ensino Fundamental. 5.1. Manual para o Docente Como resultado obteve-se um manual não convencional direcionado aos professores do ensino fundamental, mais precisamente alunos do 7º ano. O manual, voltado para o docente, contém conceitos básicos e ilustrações para o bom desenvolvimento de atividades teórico/práticas abordando o conteúdo sobre a morfologia dos insetos. Sua confecção resultou em 54 páginas entre capa, dedicatória, apresentação ao docente. Sumário e a importância de se estudar ciências. (fig. 11) A aula teórica tratou de conteúdos como: dicas para uma boa aula teórica, dados de identificação, objetivos, cronograma, recursos de ensino, tema onde foram abordados assuntos pertinentes a morfologia dos insetos como (principais características dos insetos, habitat, divisão corpórea, peças bucais e metamorfose), contendo ainda espaços com dicas e referências bibliográficas para o aprofundamento da matéria, conteúdo de ensino, características gerais dos insetos, importância dos insetos para os seres humanos, insetos considerados pragas ou que causam algum tipo de dano à vida dos seres humanos, procedimento de ensino, 28 avaliação e testando seu conhecimento tratando de atividades para melhor ficção dos conteúdos estudados. A seguir apresentou uma aula prática sobre a morfologia dos insetos onde os alunados deverão fotografar insetos em sua respectiva escola e confeccionar um cartaz como material para avaliação. As últimas páginas do manual contêm em anexo figuras de insetos para aula teórica, instruções para o jogo de memória, respostas para as atividades, tabela com as principais ordens de insetos e referências bibliográficas. (A) (B) 29 (C) (E) (D) (F) 30 Figura 11. Cartilha para o docente: (A) capa do manual confeccionado; (B) dedicatória; (C) apresentação do manual aos docentes; (D) e (F) sumário; a importância da aula de ciências. 5.1.1 Aula teórica A aula teórica foi dividida em pequenos conteúdos (Fig. 12.). Para facilitar os dados para os docentes à estrutura da aula foi pensado em modelo de plano de aula, iniciando com dicas para uma boa aula teórica, dados de identificação, objetivos, cronograma, recurso de ensino e tema. Dentro do “tema, Morfologia dos insetos” os assuntos trabalhados tratam de informações precisas sobre os insetos, as principais características dos insetos, habitat, divisão corpórea, apêndices bucais, visão e metamorfose; Contando com sugestões de bibliografias e dicas para o docente. (A) (B) 31 (C) (E) (D) (F) 32 (G) (I) (H) (J) 33 (K) Figura 12. Apresentação da aula teórica: dividida em pequenos resumos a respeito à morfologia dos insetos. (A) Capa aula teórica; (B) Dicas para uma boa aula teórica; (C) Dados de identificação e objetivos; (D) cronograma e recurso de ensino; (E) Tema Morfologia dos insetos; (F) Principais características dos insetos; (G) Habitat; (H) e (I) Principais divisões morfológicas dos insetos; (J) Aparelho bucal, olhos compostos e olhos simples; (K) tipos de metamorfose. A seguir o manual apresentou conteúdo de ensino e características gerais dos insetos (Fig.13.). Tratando de exemplos a respeito da importância dos insetos para os seres humanos e insetos considerados pragas ou que causam algum dano à vida dos seres humanos contendo fotos e informações sobre cada animal. No procedimento de ensino (Fig. 14) o docente contará com sugestões de como ministrar uma aula passo a passo através de situações-problemas e dicas apresentados ao longo do manual, foram trabalhadas sugestões de como abordar os assuntos para que os discentes fixem melhor os conteúdos estudados e a confecção de um jogo de memória a fim de facilitar de uma maneira lúdica os diferentes tipos de insetos. 34 (A) (B) (B) (C) (D) 35 (E) Figura 13. Apresenta a importância dos insetos: Divididos didaticamente em (A) conteúdo de ensino e características gerais dos insetos; (B) Importância dos insetos para os seres humanos e (C) Insetos considerados pragas ou que causam algum dano à vida dos seres humanos. (A) (B) 36 (C) (D) (E) 37 (F) (G) Figura 14. Procedimento de ensino: (A) e (B) Sondando os conhecimentos prévios dos alunos; (C), (D) e (E) Situação-problema; (F) e (G) Aprendendo com o lúdico apresenta duas atividades sobre a morfologia dos insetos: realização de um desenho e o jogo da memória. Para finalizar a aula teórica foram trabalhadas dez questões entre discursivas e múltiplas escolhas a respeito dos conteúdos estudados (Fig. 15.). As questões discursivas além de exigir conhecimentos específicos das informações adquiridas, incentiva os discentes a expressarem a sua opinião sobre a importância dos insetos para a biodiversidade. 38 (A) (C) (B) (D) 39 (E) (F) Figura 15. Testando seu conhecimento: (A) Como trabalhar a avaliação; (B), (C), (D), (E) e (F) estão divididas dez questões entre dissertativa, discursiva e figuras para completar de maneira criativa e dinâmica. 5.1.2. Aula prática. A partir dos conhecimentos prévios coletados foi pensando em uma aula prática (fig. 16). Também como modelo de plano de aula, a aula foi pensada de maneira que conscientizasse os discentes na preservação da biodiversidade, com isso não foi permitido à coleta de animais e sim proposto que os docentes registrassem os insetos com maquinas fotográficas ou celulares. A aula prática contou com as seguintes etapas: A importância das aulas prática, dado de identificação, objetivos, cronogramas, recurso de ensino, tema, conteúdo de ensino, procedimento de ensino onde possui passo a passo como realizar a aula prática e de qual maneira o docente deverá realizar a avaliação. 40 (A) (C) (B) (D) 41 (E) (F) Figura 16. Desenvolvimento da aula prática: (A) A importância da aula pratica; (B) capa da aula prática; (C) dados de identificação, objetivos e cronograma; (D) recurso de ensino, Tema, conteúdo de ensino; (E) Procedimento de ensino e (F) avaliação. Para finalizar o Manual ao docente, contou com anexos havendo figuras de diferentes insetos para serem usados na aula teórica, instruções de como trabalhar o jogo de memória, resultados das atividades de ficção, tabela com as principais ordens dos insetos e referências bibliográficas (fig. 17). 42 (A) (B) (C) (D) 43 (E) (F) 5.2. Jogo de memória (G) (H) 44 (J) (L) (K) (M) 45 Figura 17. Anexos do Manual ao docente: (A) e (B) Anexo 1. figuras de diferentes insetos para serem usados durante a aula teórica; (C) Anexo 2. Instruções para o jogo de Memória; (D). (E), (F), (G), (H), (I), (J), (K) Anexo 3. Respostas das atividades de ficção “Testando seu conhecimento”; (K) e (L) Anexo 4. Tabela com as principais ordens de insetos e (M) Referências Bibliográficas. 5.2. Jogo de Memória Para a melhor fixação a respeito à morfologia externa dos insetos foi confeccionado um jogo lúdico de fácil visualização. Ao elaborar o jogo de memória, foi pensado no caráter investigativo que o discente exercitaria ao jogar, sendo que, em primeiro lugar ao escolher uma carta seria necessário analisar a figura e para encontrar o par teria que analisar suas principais informações (fig. 18). Ao manipular as cartas, os dados presentes podem ser comparados demonstrando assim de maneira lúdica as principais diferenças morfológicas de um grupo de inseto para outro. (A) (B) 46 (C) (D) (E) 47 Figura 18. Jogo de memória: (A), (B), (C), (D), (E) Trinta cartas que fazem parte do jogo de memória dos insetos. 5.2.1. Como jogar Este jogo foi elaborado para duas pessoas ou duas equipes. As trintas cartas podem ser colocadas em uma superfície plana viradas com a imagem para baixo (fig. 19), o jogador escolhe uma carta e vê a figura, mas principalmente o nome do inseto, pois a outra carta vai ter o mesmo nome porém não contara com figura e sim com informações sobre o animal. O aluno fica com os pares que conseguir formar. Figura 19. Jogo de memória sob a mesa ou qualquer superfície lisa. 5.2.2. Objetivo do jogo Através de associação dos nomes os pares de insetos serão formados, espera-se que os jogadores percebam as diferenças morfológicas de cada grupo de insetos (fig. 20). 48 Figura 20. Pares formados do jogo de memória. 5.2.3. O vencedor Sairá vencedor o jogador que formar o maior número de pares no jogo. 49 6. Discussão Os alunos ficam muito presos à sala de aula, e às teorias que lhes são impostas, o livro didático tem tido um importante papel na determinação dos conteúdos programáticos e na metodologia praticada em sala de aula, sempre valorizando um ensino informativo e teórico (KRASILCHIK, 2011) porém o ensino não pode somente ficar vinculado a essa atividade. Segundo Guerra e Gusmão (2003), a produção de diferentes recursos didáticos por parte de profissionais dedicados a educação, vem ao encontro à necessidade de ter um ensino de qualidade em Ciências Naturais e as demais disciplinas do conhecimento. Os autores afirmam que existem inúmeros recursos que podem ser produzidos e/ou adquiridos pelos educadores e unidades escolares. Esses recursos são, por exemplo, cartilhas, folders, manuais, livros diversificados, jogos adaptados e equipamentos audiovisuais que estimulam a aprendizagem significativa dos educandos. A partir de novos materiais lúdicos os discentes demostram mais entusiasmo no momento de praticar uma atividade. Para Amâncio (2002), a aquisição de materiais didáticos alternativos, como as cartilhas e manuais torna por diversas vezes os conceitos apresentados nas disciplinas mais claras e compreensíveis em sala de aula promovendo mudanças metodológicas no ensino e estimula a aprendizagem sem tirar os discentes da sua realidade. O uso adequado de cartilhas/Manuais e outros materiais alternativos no ensino de Ciências Naturais e Biologia, estabelece além da unidade fundamental entre teórica e prática no processo ensino e aprendizagem, um elo entre os docentes e discentes, facilitando a compreensão de conceitos que inúmeras vezes passam despercebidos durante a aula e por fim, promove a interação entre conteúdo da mesma e de outras disciplinas do conhecimento. (RANGEL, 2002). De acordo com o PCN (2001), quando o aluno observa levanta hipóteses, questiona e discute, contribuindo com a construção do seu conhecimento. O manual apresenta atividades que proporcionam a construção do conhecimento sobre o conteúdo da morfologia dos insetos, pois a partir do lúdico (jogo de memória) o aluno associa a teoria à prática. 50 Mendes; Braga; Souza, (2007), consideram que a imagem é um fator muito importante para a elaboração de um jogo, pois desperta a atenção dos alunos. O presente trabalho teve a preocupação de utilizar o maior número de imagens, tornando o jogo e o manual mais atraentes, buscando aumentar o interesse dos docentes na importância dos insetos para a biodiversidade. A elaboração de um jogo de cartas pode unir os aspectos lúdicos e cognitivo e facilitar o processo de ensino e aprendizagem (ÂNGELLA; CAMPOS, RIBOLLA, 2004). O jogo proposto neste trabalho (Memória) possui informações simples que estão inseridas no livro didático, mas também possuem pontos atuais que fazem parte do cotidiano do aluno. Mesmo que o discente não acerte todos os elementos com certeza terá alguma experiência vivida sobre aquele momento. Assim, como as autoras, acredita-se que os jogos são ferramentas essenciais neste processo de ensino e aprendizagem e apesar de serem pouco utilizados são de fundamental importância para que aconteça uma aprendizagem significativa entre os alunos. 7. CONCLUSÃO Nas condições estudadas e frente ao objetivo proposto, pode-se concluir que o manual confeccionado abordou as competências exigidas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) para o ensino de Ciências Naturais. A produção de manuais e outros materiais alternativos vêm ao encontro da necessidade de ser ter uma escola viva proporcionando um ensino de qualidade aos discentes. A elaboração de matérias didáticos favorece e pode ser uma ferramenta muito importante para trabalhar conteúdos na disciplina de Ciências Naturais. O lúdico, nas atividades teóricas e práticas, como uso de manual e jogos (jogo de memória) promove uma relação harmoniosa entre docente e discente, resultando em melhorias significativas no processo ensino aprendizagem. 51 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMÂNCIO, L. N. B. Cartilhas, para quê? 1. Ed. Cuiabá: EduFMT, 2002. p. 87– 178. AMORIM, D.S. Paradigmas pré-evolucionistas, espécies ancestrais e o ensino de zoologia e botânica. 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ANEXOS 9.1 Anexo (A) 56 (B) (C) Artigo A, B e C fazem parte do artigo apresentado no XVIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica. 57 9.2 Anexo Certificado de participação do XVIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica 58 9.3 Anexo Certificado de apresentação no XVIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica. 59