DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA REVISÃO E REDAÇÃO SESSÃO: 130.2.52.O DATA: 21/06/04 TURNO: Vespertino TIPO DA SESSÃO: Ordinária - CD LOCAL: Plenário Principal - CD INÍCIO: 14h03min TÉRMINO: 19h33min DISCURSOS RETIRADOS PELO ORADOR PARA REVISÃO Hora Fase 18:42 GE Obs.: Orador PAES LANDIM CÂMARA DOS DEPUTADOS Ata da 130ª Sessão, em 21 de junho de 2004 Presidência dos Srs. ................................................................... ................................................................... ................................................................... ................................................................... ................................................................... ................................................................... ................................................................... ................................................................... ................................................................... ................................................................... ................................................................... ÀS 14 HORAS E 3 MINUTOS COMPARECEM OS SRS.: João Paulo Cunha Inocêncio Oliveira Luiz Piauhylino Geddel Vieira Lima Severino Cavalcanti Nilton Capixaba Ciro Nogueira Gonzaga Patriota Wilson Santos Confúcio Moura João Caldas CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (B. Sá) - Não havendo quorum regimental para a abertura da sessão, nos termos do § 3° do art. 79 do Regimento Interno, aguardaremos até meia hora para que ele se complete. O Sr. B. Sá, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Mauro Benevides, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. 401 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 I - ABERTURA DA SESSÃO O SR. PRESIDENTE (Mauro Benevides) - Havendo número regimental, declaro aberta a sessão. Sob a proteção de Deus e em nome do povo brasileiro iniciamos nossos trabalhos. O Sr. Secretário procederá à leitura da ata da sessão anterior. II - LEITURA DA ATA O SR. B. SÁ, servindo como 2° Secretário, procede à leitura da ata da sessão antecedente, a qual é, sem observações, aprovada. O SR. PRESIDENTE (Mauro Benevides) - Passa-se à leitura do expediente. O SR. ..........................................................., servindo como 1° Secretário, procede à leitura do seguinte III - EXPEDIENTE 402 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Mauro Benevides) - Finda a leitura do expediente, passa-se ao IV - PEQUENO EXPEDIENTE Concedo a palavra ao Sr. Deputado Luiz Couto. 403 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. LUIZ COUTO (PT-PB. Sem revisão orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, hoje ocupo a tribuna para relatar trágico fato ocorrido em meu Estado, a Paraíba, do qual todos devem saber, uma vez que foi divulgado em âmbito nacional. Refiro-me, Sr. Presidente, ao rompimento da Barragem Camará na última quinta-feira. Localizada no Município de Alagoa Grande, a 150 quilômetros da Capital João Pessoa, a barragem foi construída há 3 anos em área de aproximadamente 160 hectares e custou 19 milhões de reais. As primeiras informações dão conta de que falhas na fundação e na construção do reservatório seriam as causas do acidente. O rompimento da barragem liberou cerca de 19 milhões de metros cúbicos de água, deixando as cidades de Alagoa Grande, com 30 mil habitantes, e Mulungu, com 10 mil habitantes, praticamente submersas. O acidente resultou em 5 mortes; mais de 600 pessoas estão desabrigadas e 4 desaparecidas. A água destruiu ruas inteiras, casas, plantações e criações. Diante desse horror, o Governo Lula, por intermédio dos Ministérios da Integração Nacional, da Defesa, da Agricultura, da Saúde e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, imediatamente atuou na assistência às famílias. Na sexta-feira à tarde o Ministro Ciro Gomes visitou as áreas atingidas. O Ministério do Desenvolvimento Social e a Companhia Nacional de Abastecimento mandaram para a Paraíba cerca de 144 toneladas de alimentos. No último sábado, desembarcaram na Capital paraibana, levadas por avião da Força Aérea Brasileira, 3,7 toneladas de medicamentos. Em Mulungu e Alagoa Grande a população conta ainda com suprimento emergencial de água potável, colchões e cobertores. Carros-pipa, sob a 404 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 coordenação do Exército, levam água potável aos moradores das duas cidades. Os desabrigados foram alojados em escolas e em barracas militares. As famílias têm à disposição colchões e cobertores comprados com recursos que a Secretaria Nacional de Defesa Civil do Ministério da Integração Nacional colocou à disposição do Governo da Paraíba. O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome liberou 12 mil cestas básicas, cada uma com 22 quilos de alimentos e capaz de suprir as necessidades básicas de alimentação de uma família com 3 filhos por quase 1 mês. A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros trabalham na remoção e no transporte das populações ribeirinhas. Como podemos ver, o Governo Lula dá total assistência às famílias desabrigadas, vítimas dessa tragédia. Entretanto, quero aqui chamar a atenção de V.Exas. para a necessidade de coibir a manipulação, por parte do Poder Executivo municipal, da distribuição de kits de alimentos. Faço esse alerta porque tenho recebido denúncias de que o Prefeito de Mulungu aproveita a desgraça alheia para fazer politicagem em proveito próprio. Foi assim no início do ano, quando, por causa das chuvas, a cidade ficou inundada. O Prefeito estocou as cestas básicas enviadas pela CONAB em sua fazenda. Agora, há denúncias de que 35 casas populares foram construídas com verbas federais, estão prontas para morar, mas o Prefeito não permite que pessoas alojadas em prédios públicos as ocupem. Talvez queira usar isso na campanha eleitoral. Quero salientar que o Governo Lula liberou verbas para a construção de 195 casas na cidade de Mulungu. É hora de pressionar o Executivo local para que entregue o mais rapidamente possível as chaves à população que ficou sem casa para morar. 405 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Sr. Presidente, vou entrar na Justiça com representação contra o Prefeito porque o Governo Federal mandou os recursos para a construção das casas populares e não para a sua campanha eleitoral. Sras. e Srs. Deputados, não podemos permitir que políticos ainda ajam dessa forma mesquinha. Conclamamos a sociedade civil a ficar alerta e não permitir que atitudes como a do Prefeito de Mulungu se repitam. Com relação à Barragem de Camará, solicitei inspeção técnica para que sejam apuradas as reais causas do rompimento. E, uma vez apontada falha na construção, conforme apontam as primeiras investigações, solicitarei auditoria e a punição dos culpados, podendo até mesmo exigir indenização às famílias e ressarcimento à União pelos estragos causados. Era o que tinha a dizer. 406 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 A SRA. JANETE CAPIBERIBE (PSB-AP. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o ano de 2004 é muito importante para as mulheres, é o Ano da Mulher no Congresso. No próximo mês de julho será realizada a 1ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres. Nós, mulheres Parlamentares, neste ano, vamos concentrar esforços para dar visibilidade às questões ligadas aos direitos das mulheres e aprovar os projetos que nos beneficiam. Hoje, desta tribuna, quero lembrar a situação das mulheres presas no Brasil. No artigo intitulado A Violação dos Direitos Humanos das Mulheres no Brasil, publicado recentemente em revista do Tribunal de Justiça do Pará, a Dra. Shelley Macias Primo constata — apesar da falta de dados estatísticos sobre a criminalidade feminina — que o enclausuramento feminino gera vários problemas específicos. A Constituição Federal protege e consagra os direitos humanos, os direitos fundamentais da pessoa, que servem de suporte a outros direitos. A pessoa presa continua titular de todos os direitos que não foram atingidos pelo internamento prisional decorrente da sentença que a condenou à prisão. Esses direitos são invioláveis, irrenunciáveis, imprescritíveis e devem ser garantidos. Infelizmente, os abusos cometidos contra presos, e aqui estamos falando das mulheres presas, é uma das formas mais sérias de violação dos direitos humanos no País. A situação atual da mulher presa é de total exclusão, agravada pelo tratamento que o aparelho jurídico penal lhe confere, acentuando ainda mais sua discriminação no interior do sistema carcerário. O sistema carcerário não atende a seus direitos à saúde, à reprodução, à formação profissionalizante, tão importantes para a reinserção social. 407 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 É necessário imediata implantação de visita íntima nos presídios femininos, política pública de execução penal voltada às especificidades da mulher presa, sobretudo no que se refere às relações familiares, priorizando os interesses e direitos das crianças, dos filhos. É necessário humanizar o sistema penitenciário para que haja real reinserção da mulher recuperada, ressocializada, com dignidade e direitos atendidos. Nesse momento, em que pagam pelo delito que cometeram, muitas vezes até pela falta de oportunidade e de políticas públicas, essas mulheres precisam de incentivo, de apoio, oportunidade e direitos, sem os quais não consegue se reabilitar para voltar à convivência em sociedade de forma cidadã. Para finalizar, quero lembrar que este mês faz 10 anos que a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher foi adotada. A Convenção de Belém do Pará, como nós a conhecemos, é um importante instrumento para a promoção e emancipação das mulheres. Vamos colocá-la em prática. Muito obrigada, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados. 408 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. B. SÁ (PPS-PI. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, saiu no noticiário internacional de pouco mais de 1 mês que a Rússia, por meio de seu Presidente, Vladimir Putin, comunicou ao mundo que havia decidido aderir ao Protocolo de Kyoto. Sabe-se que essa é uma gestão que vem sendo desenvolvida já há algum tempo pela União Européia, condicionando a adesão da Rússia ao Protocolo de Kyoto à sua entrada na Organização Mundial do Comércio. Simultaneamente a esse comunicado do Governo russo, um dos maiores ambientalistas do mundo, o decano e cientista inglês James Lovelock, disse que, mesmo que a Rússia e até mesmo os Estados Unido viessem a assinar no futuro o Protocolo de Kyoto, em face da brutal e rápida degradação ambiental, só isso não seria suficiente. Acha esse grande cientista inglês, um dos maiores defensores da causa ambientalista no mundo, que a solução energética do mundo está em se incrementar rapidamente a construção de usinas nucleares. Ora, Sr. Presidente, a declaração de uma autoridade dessa dimensão provocou simultaneamente reações díspares. De um lado, a empresa francesa Areva, considerada o maior conglomerado mundial em termos de energia nuclear, imediatamente, sentiu-se estimulada a continuar sua propagação mundo afora sobre as vantagens dessa energia. Inclusive chamou a atenção para sua edição mínima de dióxido de carbono. Por outro lado, alguns chamam a atenção para a dificuldade de manipulação da energia nuclear. Onde guardar o lixo atômico? Outro fato importante: a usina nuclear é alvo fácil de ataques terroristas. Esse cientista inglês também acha que as fontes alternativas renováveis de energia não poluentes não serão desenvolvidas na sua plenitude a ponto de fazer 409 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 com que o mundo abdique, o quanto antes, dos combustíveis fósseis, a saber: o petróleo e o carvão mineral. É nesta hora, Sr. Presidente, que cabe uma reflexão sobre o nosso Brasil, um País eminentemente tropical, com vantagens comparativas e já competitivas, porque temos o domínio da utilização do óleo vegetal como fonte alternativa de energia. O Brasil, que é quase todo ele uma biomassa, que tem reservas fantásticas de óleo de dendê, óleo de babaçu, óleo de soja, óleo de mamona, todos renováveis, mais do que nunca, está na hora de se inserir nesse contexto mundial. Portanto, o Governo Federal, através do Ministério da Ciência e Tecnologia, deve estimular a exploração racional dessas fontes renováveis, entre outras existentes no País, e, ao mesmo tempo, incrementar a pesquisa para que, o mais rapidamente possível, possamos ter os óleos vegetais, o álcool da cana-de-açúcar e da mandioca, inseridos como fontes alternativas e renováveis de energia a um custo competitivo com os combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão mineral. São observações que faço à medida que o desenvolvimento sustentado significa, em última instância, a preservação dos bens naturais e sua adequada exploração, como garantia de que as gerações vindouras também terão uma vida satisfatória. Muito obrigado, Sr. Presidente. Durante o discurso do Sr. B. Sá, o Sr. Mauro Benevides, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Luiz Couto, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. 410 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) - Concedo a palavra ao Sr. Deputado Paulo Bauer. O SR. PAULO BAUER (PFL-SC. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ocupo a tribuna para registrar minha satisfação com a oportunidade que viverei amanhã. No último dia 2 de junho não estive presente à sessão realizada nesta Casa, uma vez que me encontrava no exterior em missão oficial, liderando e presidindo viagem do Grupo Parlamentar Brasil—Suíça àquele país, a convite do seu Parlamento, para desenvolver ações relacionadas ao nosso interesse em atrair mais investimentos, em fazer parcerias duradouras e, principalmente, em conhecer novas oportunidades. Ouvimos do Presidente da Suíça, de várias autoridades e dos parlamentares manifestação de grande apreço e estima pelo nosso País e, mais do que isso, a disposição para ampliar parcerias. Por essa razão, eu não estava aqui quando foi votado o salário mínimo proposto pelo Governo Federal. Certamente, se aqui estivesse, não teria votado diferentemente de meus colegas da bancada do PFL; ou seja, teria votado a favor dos 275 reais e contra os 260 reais propostos pelo Poder Executivo. Passada aquela data, o projeto foi encaminhado ao Senado Federal na forma de medida provisória enviada pelo Governo, e aquela Casa, na última quinta-feira, alterou o valor do salário mínimo para 275 reais. A satisfação a que me referi no início deste discurso é poder, agora sim, votar amanhã a favor do trabalhador, a favor dos 275 reais, insignificantes do ponto de vista de atendimento às necessidades básicas se considerarmos que quem governa assegurou que o salário mínimo se elevaria a níveis muito especiais e muito importantes para dar ao brasileiro vida mais condigna, mais feliz. 411 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Ora, se o Governo vencer, perde o povo, ganha o Senado: o povo fica com 260 reais; o Senado fica com o ato político da concessão de um valor maior; enquanto a Câmara dos Deputados, esta sempre vai pagar o preço diante da opinião pública, por lhe ter negado a oportunidade de receber um pouco mais. Quero, Sr. Presidente, que o Brasil melhore, mas já disse desta tribuna, no mês de abril, antes dessa proposta aqui chegar. Disse que era preciso que o Governo desse um presente ao povo. E falava, na oportunidade, que por ser o dia 22 de abril aniversário do descobrimento do nosso País, por conseqüência o Presidente Lula poderia dar um presente ao povo, ao trabalhador brasileiro, com uma proposta adequada e inovadora. O novo salário mínimo poderia, sem dúvida, exigir grandes sacrifícios do País, sacrifícios porém que trariam outra vez desenvolvimento, distribuição de renda, melhoria das condições sociais. Mas nada feito. Chegou aqui o projeto de 260 reais, que esta Casa aprovou sem o meu voto, sem a minha participação. Contudo, amanhã aqui estaremos para aprovar os 275 reais, o que muitos Deputados da base governista também farão. Não tenho nenhuma dúvida disso. Vamos tomar, sim, importante decisão. Se os Deputados desta Casa quiserem elevar a credibilidade da Câmara, atender ao apelo popular, melhorar o Brasil, aprovarão o valor de 275 reais. Os que são do Governo certamente o apoiarão. A eles deixo uma sugestão, porque não posso, como Deputado Federal por Santa Catarina, querer o mal do País, o fracasso do Governo. Desejo que o Governo acerte, e sempre pergunto: qual a compensação que o Governo oferece ao trabalhador brasileiro, se não lhe pode dar um salário mínimo maior? Essa 412 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 compensação precisa vir com redução dos juros, com aumento de empregos e, por conseqüência, de investimentos. Essa compensação precisa vir com eliminação de determinados impostos cobrados sobre alimentos e vestuário. Hoje, cobra-se impostos de mentira, porque muita gente sonega mais da metade do que vende. É preciso tomar uma providência contra a sonegação, pela inclusão e formalização da economia, enfim, pela melhoria das contas públicas e das condições do trabalhador brasileiro. Era o que tinha a dizer. 413 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. SEVERINO CAVALCANTI (PP-PE. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, há muito, venho cobrando da cúpula da Igreja Católica do nosso País mais ação em defesa dos princípios cristãos, morais e religiosos — como faz o Vaticano — e que essas ações tenham a divulgação e a repercussão que vimos na competente atuação da nossa Igreja em questões sociais. Felizmente, a credenciada Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, sintonizada com os reclamos da maioria da população e com a orientação do poderoso e respeitado Pontifício Conselho para a Família — braço direito do nosso querido Papa João Paulo Il — colocou à frente da Comissão Família e Vida o iluminado e prestigiado D. Rafael Llano Cifuentes. Católicos e cristãos de todo o País receberam, sensibilizados, a Carta às Famílias do Brasil, encaminhada por D. Rafael Cifuentes no final do ano passado. Foi uma resposta lúcida e oportuna, Sr. Presidente, a setores do Governo e da sociedade que, de forma irresponsável, tentavam responsabilizar a nossa Igreja Católica pela propagação da AIDS. Chegaram até a provocar, divulgando peças publicitárias a serem pagas pelo povo brasileiro com slogans absurdos como Pecado é não usar a camisinha. Ora, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, como bem explicou D. Rafael Cifuentes em carta à população, o problema é que a propaganda da camisinha recomenda o uso dela como se as relações promíscuas fossem as recomendáveis: “Usem a camisinha e saiam por aí, este é o sexo seguro”. Isto é uma falácia. Não se faz campanha contra AIDS incentivando a promiscuidade e o desregramento sexual. Como diz o sábio D. Rafael Cifuentes: “Evitar a AIDS é ótimo, mas fomentar a 414 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 promiscuidade é péssimo”. E estamos aí, todos os dias, constatando as nefastas conseqüências dessa política irresponsável, com verdadeiras crianças sendo incentivadas ao sexo precoce, à gravidez indesejada e ao aborto em série, sob a total conivência e patrocínio de autoridades que deveriam zelar e verdadeiramente se preocupar com o futuro dos nossos filhos e netos. Como falar em uma política séria de combate à prostituição infantil quando autoridades do próprio Governo a incentivam ao distribuir indiscriminadamente camisinhas em portas de escolas de 1º e 2º graus e até mesmo para crianças em tenra idade? E o que falar da criminosa idéia do Secretário de Saúde do Rio de Janeiro, sustada a tempo pelo Prefeito César Maia, de encaminhar pelo correio, mesmo sem autorização dos pais, anticoncepcionais para crianças e adolescentes? Estamos assistindo a um festival de descalabros e irresponsabilidades de autoridades sem nenhum compromisso com a causa pública e interessadas apenas a agradar poderosos lobbies de preservativos e anticoncepcionais, insuflados por minorias promiscuas. Como pergunta D. Rafael, não estaremos utilizando um inibidor para a AIDS, o preservativo, que, em última análise, pode se tornar causa dessa mesma doença? O eminente descobridor do vírus da AIDS, o HIV, Luc Montagnier, não se recusou a comprometer-se a indicar como deveriam ser os alertas contra esta doença. Segundo ele “são necessárias campanhas contra práticas sexuais contrárias à natureza biológica do homem. E, sobretudo, há que educar a juventude contra o risco da promiscuidade e o vagabundeio sexual”. Isso é o que diz o cientista descobridor do HIV, e não o Deputado Severino Cavalcanti ou o Presidente do Setor Família e Vida da CNBB. 415 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O grande jornal norte-americano Wall Street Journal, em edição de 14 outubro último, afirma que os estudos científicos — um deles a cargo do Serviço de Saúde dos Estados Unidos e outro à responsabilidade da Universidade de Harvard — coincidiam em alertar sobre os decepcionantes resultados da prevenção da AIDS baseados em preservativos. Menciona-se o caso de Uganda, na África, que, em 1991, contava com uma taxa de infecção de 20%, enquanto no ano de 2002 tinha descido aos 6%, em virtude de política sanitária centrada não no preservativo, mas na fidelidade, no sexo responsável e na abstinência. Botsuana e Zimbábue, que ainda ocupam os primeiros lugares nos contágios, apostaram na disseminação irresponsável do preservativo e se deram mal. A poderosa rede de TV CNN informou que, no ano 2000, Uganda foi o país com maior sucesso “na luta contra a AIDS”. Mas a razão do êxito da campanha do Governo de Uganda poucas vezes é mencionada. Como vem enfatizando o Setor Família e Vida da nova CNBB, é preciso dizer a verdade aos nossos filhos e netos, à sociedade e ao Estado: não existe sociedade estável sem família bem constituída, não há família bem constituída sem fidelidade conjugal e não há fidelidade conjugal sem a educação da afetividade e do sexo, sem autocontrole, e o desregramento sexual e a promiscuidade, historicamente, só nos trazem doenças e infortúnios. Assim, espero que as autoridades sejam mais responsáveis e não façam como vêm fazendo, que é pregar a promiscuidade. 416 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. MAURO BENEVIDES (PMDB-CE. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, nobre Deputado Luiz Couto, que desempenha com a maior dignidade e proficiência o mandato que lhe foi outorgado pelo povo da Paraíba; Sras. e Srs. Deputados, quero saudar os jovens que lotam as galerias. Vindo a este plenário, naturalmente, desejam haurir lições de democracia para uma prática no momento adequado, em defesa sobretudo das liberdades públicas. Minha saudação, portanto, a esses estudantes que se encontram nas galerias da Câmara dos Deputados na tarde de hoje. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, transcorrem hoje, em meio a significativas festividades, os 240 anos de emancipação política do Município do Crato, no Ceará, uma das mais progressistas comunas do Nordeste, incrustada na região do Cariri, formando com Juazeiro do Norte e Barbalha um triângulo geográfico de cidades detentoras de apreciáveis índices de desenvolvimento cultural. À frente de seus destinos encontra-se o Prefeito Walter Peixoto, que teve a antecedê-lo outros alcaides de destacada atuação, como Pedro Felício Cavalcante, num passado recente, e Humberto Macário de Brito, médico renomado que chegou a exercer importantes cargos na administração estadual, ao tempo da gestão do Governador Virgílio Távora, a cuja liderança política sempre esteve vinculado por liames de lealdosa amizade. Na sua Câmara de Vereadores, tomam assento representantes de prestígio popular, dispostos a honrar o mandato que lhes foi outorgado pelo esclarecido eleitorado local. 417 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Como sede de Diocese, o Crato já contou com figuras notáveis de nosso Episcopado, como D. Quintino, D. Francisco de Assis Pires, D. Newton Gurgel, D. Vicente de Araújo Matos e, presentemente, D. Fernando Panico, que ali vem empreendendo exemplar trabalho de evangelização, que conta com a decidida adesão dos cristãos do Crato e das demais comunidades que compõem sua área de jurisdição apostólica. Identificado com as aspirações dos fiéis, D. Panico, já inteiramente recuperado de sua saúde, tem-se empenhado na reabilitação da imagem do Padre Cícero Romão Batista, a fim de que possa ser viabilizado o processo de beatificação, como anseiam todos os devotos do milagroso padroeiro, autêntica legenda de crença e religiosidade. Registre-se, por oportuno, que a Universidade Regional do Cariri — URCA, dirigida pelo Reitor André Hertzog, cumpre papel relevante no contexto educacional do sul cearense, com cursos diversificados de alto padrão pedagógico, a ponto de estar sendo cogitada sua encampação pelo Governo Federal, dentro de postulação conduzida pelo Governador Lúcio Alcântara junto ao Ministro Tarso Genro, que, no início do mês, visitou nossa Capital, firmando diversos convênios no âmbito de sua Pasta. Dentre as tradicionais entidades representativas da sociedade civil organizada destacam-se a Associação Comercial e o Instituto Cultural do Cariri, com um lastro imenso de serviços prestados àquela faixa territorial de nossa unidade federada. Com veículos de comunicação social prestigiados, o Crato vê propagados pela mídia aqueles fatos que mais merecem realce no contexto socioeconômico-cultural, sendo freqüentes artigos assinados por J. Lindemberg de 418 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Aquino e Antônio Vicelmo, além de Tarso Araújo, este mantendo coluna em jornais de Fortaleza, com menção especifica a fatos que se registram no Cariri. Como terra natal do Padre Cícero Romão Batista, a comuna aniversariante chega aos seus 240 anos na efervescência da movimentação política de 3 de outubro, com as forças partidárias organizando suas respectivas convenções, destinadas à escolha dos postulantes ao voto popular na competição que já se avizinha. Em julho vindouro, o Crato sediará mais uma tradicional exposição agropecuária, para a qual acorrem convidados dos Estados vizinhos, desejosos de participar de acontecimento marcante, que conta com a chancela da Secretaria de Agricultura do Estado, do Banco do Nordeste, entidade que presidi, e de outros organismos interessados na concorrida mostra. Saúdo, desta tribuna, a passagem do 240º aniversário de emancipação política do Crato, homenageando todos quantos, ao longo do tempo, colaboraram decisivamente para seu crescimento e bem-estar social. 419 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 A SRA. MARIA HELENA (PPS-RR. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o elevado índice de desemprego entre os jovens, principalmente aqueles de baixa renda, é um problema que nos causa muita preocupação. De acordo com estatísticas recentes apresentadas pelo Governo, cerca de 18% dos jovens do País enfrentam sérias dificuldades de acesso ao mercado de trabalho. A taxa sobe para 26,2% quando são considerados apenas os jovens mais pobres, integrantes de famílias com renda per capita de até meio salário mínimo. É justamente esse público que o Governo Federal visa atingir por meio do Projeto Jovem Empreendedor. A iniciativa, lançada na última quinta-feira pelo Governo Federal, por intermédio do Ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, tem como meta capacitar 16 mil jovens em 1 ano e auxiliar outros 12 mil na instalação de seu próprio negócio. Em parceria com o SEBRAE e o Banco do Brasil, o Ministério do Trabalho disponibilizará 100 milhões de reais do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) a jovens de 16 a 24 anos que estiverem cursando o ensino médio ou fundamental. O grande mérito da iniciativa reside no fato de que o Projeto Jovem Empreendedor apresenta perspectivas para uma geração que tem de lidar com a dura realidade do desemprego no País, ficando muitas vezes vulnerável a situações de risco. Diferentemente do que houve na implementação de outros programas sociais federais, esperamos que o Governo cumpra seu dever de executar o projeto em questão de forma efetiva e eficaz, zelando assim pelo futuro desses cidadãos e 420 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 oferecendo-lhes condições de contribuir positivamente para o desenvolvimento do País. O que se espera do Governo é que aja com presteza para que não ocorram negligências, a exemplo do que se verificou no Projeto Sentinela, cujo repasse de recursos a Estados e Municípios atrasou durante o ano passado e no início deste, e que enfrenta novamente problemas financeiros desde abril, sem repasse dos recursos referentes. Devo destacar que alguns Municípios, como o de Rorainópolis, no interior do Estado de Roraima, não recebem recursos desde o mês de janeiro. Justamente por esse Município e por Boa Vista passam crianças e adolescentes vítimas do tráfico, procedentes de Manaus, rumo à fronteira com a Venezuela. Faz-se necessário destacar que o Projeto Sentinela tem ajudado muito a prevenir e reduzir a ocorrência de crimes de natureza sexual em Roraima. O Estado, que consta como uma das 241 rotas de tráfico de crianças e adolescentes para fins de exploração sexual, tem-se beneficiado muito do atendimento psicológico, médico e assistencial oferecido às vítimas de abuso e violência sexual por meio do programa. Mesmo assim, ultimamente o Estado não tem recebido atenção adequada do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, órgão que gerencia esse projeto. Dessa forma, apelamos ao Governo Federal para que regularize as pendências referentes ao Projeto Sentinela e tome medidas no sentido de impedir que esse tipo de problema afete a execução de programa tão importante para o País. Muito obrigada. 421 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. CARLOS NADER (PFL-RJ. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a imprensa da região sul fluminense mostrou, no final da semana passada, uma verdadeira casa de horrores instalada na Clínica Psiquiátrica Dr. Manoel Eiras, na cidade de Paracambi, Estado do Rio de Janeiro. As fotos de jornais e as imagens exibidas pelas emissoras de televisão são estarrecedoras. A clínica é a maior da América da Sul, abrigando cerca de 1.000 pessoas, e foi alvo de intervenção da Prefeitura daquele Município após a morte de 8 pacientes em 2 semanas. De acordo com suspeita do próprio Município, o número de mortes pode ser ainda maior, pois até o presente momento informações estão sendo coletadas. Os pacientes foram encontrados em estado deplorável de abandono, alguns completamente desnutridos, outros jogados pelo chão da unidade e muitos circulando por suas dependências completamente nus. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde daquele Município, a clínica dispunha de menos de 300 funcionários para cuidar de todo o quadro de internos. Como sempre, a desculpa para tanta desumanidade é o valor repassado pelo Sistema Único de Saúde. Não pretendo entrar no mérito da questão, mas é inaceitável que a referida clínica tenha-se transformado num depósito de seres humanos com problemas mentais, recebendo tratamento que não se aplica sequer a animais. A direção vê tudo isso, aparentemente, como normal, porque se escuda no repasse de verbas, como se só isso justificasse que seres humanos fossem mantidos em condições tão deploráveis, expostos a todos os tipos de doença. Naquele lugar, Sr. Presidente, estão pessoas simplesmente esquecidas de seus familiares, algumas com até 40 anos de internação. 422 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 A clínica em questão é o exemplo definitivo do que não se deve fazer em se tratando de saúde mental. Especialistas defendem o mínimo de internação, trabalhando no sentido de manter integrados os pacientes com suas respectivas famílias. Conforme temos conhecimento, os resultados são muito mais positivos. Hoje os programas de saúde mental estão voltados para pôr fim a essas verdadeiras casas de horrores, em que acabam se transformando hospitais e clínicas que não têm, em sua maioria, nenhum compromisso com o bem-estar dos pacientes. Trago ao conhecimento desta Casa o que está-se passando naquele estabelecimento, com a certeza de que a Comissão de Saúde há de verificar in loco os absurdos constatados. Solicito também ao Ministério da Saúde a imediata apuração dos fatos e as providências necessárias. Sr. Presidente, peço a V.Exa. que autorize a divulgação deste pronunciamento nos órgãos de comunicação da Casa. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) - V.Exa. será atendido. Na realidade, verificamos que esse hospital é mesmo uma lixeira humana. O ser humano não é respeitado, é uma verdadeira degradação. Mesmo que haja problemas de repasse, como diz V.Exa., não é possível que um centro que deve cuidar da saúde mental trate pessoas como objetos. V.Exa. tem o nosso apoio. Espero que esta Casa possa constituir uma Comissão Externa para fazer uma inspeção naquele estabelecimento. Com certeza, V.Exa. será um de seus membros. O SR. CARLOS NADER - Muito obrigado, Sr. Presidente 423 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) - Concedo a palavra ao Sr. Deputado Osório Adriano. O SR. OSÓRIO ADRIANO (PFL-DF. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, estamos às vésperas de importante votação. Antigamente, o Presidente da Casa enviava telegramas para convocar os Deputados a reuniões semanais. Atualmente, a medida se tornou quase desnecessária e foi suspensa. Nesta semana, porém, voltei a receber telegrama de convocação para votar amanhã, impreterivelmente, o novo salário mínimo. Por que essa preocupação do Presidente? Porque S.Exa. quer todos os Deputados na Casa, na esperança de reverter a decisão do Senado Federal. Aprovamos na Câmara dos Deputados o salário mínimo de 260 reais, embora o voto da Oposição tenha sido contrário. Queríamos 275 reais. Infelizmente perdemos, mas o Senado Federal fez justiça em parte, tendo em vista que 275 reais ainda é muito pouco. Apesar das dificuldades do Governo, buscamos melhorar o salário mínimo de 240 reais, aumentando-o imediatamente para 260 reais e — quem sabe? —, com a sensibilidade de todos os Deputados, amanhã seja aprovado o valor de 275 reais. É o mínimo que podemos fazer. Não há condições de negar 15 reais a trabalhadores e aposentados. Não significa dar-lhes o pequeno pão que se compra diariamente. O Governo do Presidente Lula, que havia prometido dobrar o salário mínimo, insiste em 260 reais, em dar ao salário mínimo aumento de 20 reais, ou seja, 1,2% além da inflação. É engraçado, Sr. Presidente. Não consigo entender este Governo. O representante dos trabalhadores, o Presidente da República que obteve cerca de 54 milhões de votos e prometeu mundos e fundos, inclusive dobrar o valor do salário 424 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 mínimo, nega 15 reais ao pobre do trabalhador e ao aposentado. Queremos o crescimento do País. Sempre lutamos pelo desenvolvimento, mas a justiça social deve acompanhá-lo. Negar 15 reais por mês ao trabalhador não é atitude de quem quer fazer justiça social. Sr. Presidente, apelo desta tribuna para a sensibilidade de todos os Deputados. Não será vergonha deixar de votar a favor dos 260 reais e progredir para os 275 reais. Se está mal, melhoremos um pouco. Trabalhadores e aposentados merecem. Votemos favoravelmente aos 275 reais amanhã, quebrando a dureza do dia-a-dia dos nossos trabalhadores. É a mensagem que, no início desta semana, gostaria de deixar a todos os membros desta Casa. Muito obrigado, Sr. Presidente. 425 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. ANSELMO (PT-RO. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, desde o dia em que assumi o mandato de Deputado Federal tenho envidado todos os esforços possíveis na busca de soluções para os problemas do meu Estado, Rondônia, numa visão abrangente e responsável. Com este espírito é que, para a minha grande satisfação, venho a esta tribuna registrar que no último dia 2 de junho foi assinado pela Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e pelo Governador de Rondônia, Ivo Cassol, termo de cooperação que torna possível a implementação do Zoneamento Socioeconômico-Ecológico no Estado. A data é histórica para o povo de Rondônia, pois estabelece o fim de queda de braço que já dura 5 anos entre o Estado de Rondônia e a União Federal, deflagrada com a promulgação da Lei Complementar nº 233, que instituiu a segunda aproximação do ZEE, contrariando o Código Florestal Brasileiro no que se refere aos percentuais mínimos de reserva legal a serem conservados em cada imóvel rural. O acordo que vinha sendo perseguido há anos permite que Rondônia saia da ilegalidade perante a legislação ambiental e se credencie a receber recursos federais a serem aplicados na agricultura, no setor florestal e na recuperação de áreas degradadas. Era o que faltava para Rondônia dar um salto na retomada do seu desenvolvimento, com responsabilidade ambiental. Essa foi uma vitória do povo de Rondônia sobretudo da agricultura familiar e do setor florestal do Estado, que a partir de agora passam a acessar novas linhas de crédito para a recomposição de suas reservas legais e áreas de preservação permanente, principalmente para o fortalecimento de seus sistemas produtivos. Este 426 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 é o momento de olharmos para a frente, unidos pelo desenvolvimento sustentável do nosso Estado, acreditando num futuro melhor para nós e para as futuras gerações. Empenhei-me muito na busca do fim desse impasse e, após 2 anos de muito trabalho, obtive a recompensa de testemunhar a histórica assinatura do referido acordo. Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente. Muito obrigado. 427 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) - Passa-se ao V - GRANDE EXPEDIENTE Concedo a palavra ao Sr. Deputado Humberto Michiles, do PL do Amazonas, que dispõe de até 25 minutos na tribuna. 428 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. HUMBERTO MICHILES (Bloco/PL-AM. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, hoje vou falar sobre educação. Antes, porém, não posso deixar de me pronunciar acerca de assunto que tem tomado a atenção do País nos últimos dias e que há pouco foi tema do pronunciamento do Deputado Osório Adriano, do PFL do Distrito Federal. Srs. Deputados, a Câmara deverá apreciar, e provavelmente votar, novamente amanhã, o valor do salário mínimo. O valor estipulado pelo Governo de 260 reais já se tornou polêmica nacional. O Governo estabeleceu o valor de 260 reais e a Oposição contrapôs com 275 reais. Sr. Presidente, o debate entre o valor nominal proposto pelo Governo e o valor solicitado pela Oposição já é história antiga. Há vários anos o Governo estabelece um valor para o salário mínimo e a Oposição, evidentemente, pede um valor maior. Ao longo de quase duas décadas, nunca o Governo estabeleceu valor que não fosse questionado pela Oposição. O que é de se estranhar é que, após duas décadas de normalização da democracia neste País, esse tema ainda seja discutido de forma superficial. A questão continua partidarizada, como se dependesse da mera vontade dos governantes. Disse o Deputado que me antecedeu que, em respeito aos trabalhadores e aposentados, deveríamos aprovar os 275 reais. No entanto, eu creio que, pelo mesmo motivo, em respeito aos trabalhadores e, sobretudo, aos aposentados, esta Casa deveria discutir com seriedade o valor do salário mínimo, porque se fosse possível estabelecer o seu valor por meio de simples decreto ou lei, por que não estabelecermos 300, 400 ou 500 reais? 429 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Será que o salário mínimo de 275 reais seria favorável à economia brasileira como um todo? Seria positivo, ou levaria à informalidade pessoas que estão na economia formal e pequenas empresas, com 2, 3, 4 trabalhadores, que pagam encargos sociais e não têm condição de pagar salário maior, a demitir empregados? Será que as Prefeituras iriam suportar o aumento? Será que não teríamos de dar prioridade ao crescimento do País e discutir as questões básicas que impedem — isto sim — o aumento do poder aquisitivo real do salário mínimo? Temos também de discutir a reforma tributária. Temos de discutir a excessiva burocracia no País. Temos de discutir o Custo Brasil. Temos de discutir a educação, porque não existe exemplo, na história recente da humanidade, de país que tenha melhorado as condições de vida do seu povo sem antes investir maciçamente na educação. Portanto, este é um tema que deve ser discutido com tempo, não apenas na hora de votar o salário mínimo. Temos de voltar a discutir os problema relativos à Previdência Social e à reforma tributária, cuja prioridade não foi o crescimento e o desenvolvimento do País, mas somente um ajuste de caixa. Então, faço um apelo aos nobre colegas no sentido de que, no trato dessa questão tão séria e importante, que diz respeito ao povo brasileiro e à Nação, deixemos um pouco de lado a disputa partidária, o desejo — de quem está na Oposição — de desgastar o Governo. Não posso acreditar que exista um só Deputado ou Deputada satisfeito com o valor do salário mínimo, seja de 260 reais, seja de 275 reais. Qualquer um deles ainda é muito pouco. Mas não vamos conseguir aumentar esse valor apenas por meio de lei, decreto ou manifestação 430 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 expressa da nossa vontade. Quem dera! Se fosse assim, em nenhum país, com certeza, os salários seriam tão baixos, ninguém estaria ganhando valor tão pequeno. Não há como acreditar que nenhum dos Presidentes — Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique e Lula — não tivesse vontade de aumentar o salário mínimo. Será que todos são tomados por alguma doença quando chegam ao Poder, para não quererem mais melhorar o salário do povo brasileiro? Não! Com certeza, a realidade não é essa. Vejam, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a disputa por um salário melhor nos deixou 2 fotos carregadas de simbolismo. A primeira mostra o PT, quando era Oposição, sinalizando que o valor aprovado era muito pequeno. Essa foto foi fartamente publicada e divulgada nos jornais na época e agora recentemente. A outra, também extremamente carregada de simbolismo, mostra Senadores comemorando — mas comemorando o quê? O aumento de 15 reais?! É evidente que não, até porque não há o que comemorar. Ora, são 50 centavos por dia, 180 reais de aumento por ano. Será que alguém quer comemorar isso? Não! Na verdade, comemoravam a derrota do Governo, o seu desgaste. Tentam fazer com que esta Casa vote a favor dos 275 reais somente para que o Presidente Lula seja obrigado a vetar o projeto e, com isso, sofra grande desgaste perante a população. Sr. Presidente, quero votar com responsabilidade, seriedade e convicção. Para mim seria muito mais fácil não apenas votar 275 reais, mas, quem sabe, apresentar uma emenda aumentando o salário para, pelo menos, 300 reais. Ora, isso seria o ideal. Mas não faço política apostando na desinformação das pessoas; ao contrário, procuro informar, ajudando-as na construção de seus conhecimentos. Não faço política apostando que nossa população não analisa nem observa a 431 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 incoerência. Aqueles que são governo — e que antes eram oposição — hoje não podem dar um aumento melhor ao salário mínimo; aqueles que eram governo — e hoje são oposição —, ao invés de discutir com coerência e seriedade o problema, querem o aumento que sabem não ser possível porque não seria positivo. Ao contrário, seria negativo para o desenvolvimento da Nação. Sr. Presidente, é hora de termos coerência, de discutirmos com seriedade e, sobretudo, com profundidade, para que, afastados os óbices que impedem aumentos maiores e o crescimento deste País — e só aumentaremos o valor real do salário quando o País realmente crescer —, possamos gerar mais empregos e mais ofertas de trabalho. E, logicamente, aumentando-se a oferta haverá aumento do valor real de todos os salários no País. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, foi realizado, há alguns dias, no Estado do Amazonas, em Manaus, seminário para debater educação. Esse seminário tem um significado todo especial, porque foi patrocinado pela Federação das Associações de Pais e Mestres do Estado do Amazonas. Começa a brotar a consciência — a Rede Globo foi muito feliz em apontar esse problema ontem — de que o País só terá educação de qualidade quando houver participação de todos os segmentos da sociedade. Há no Brasil escolas de primeira classe para aqueles que podem pagar; e escolas de segunda classe para aqueles que não podem. Passo a abordar o principal tema do meu discurso nesta tarde: educação. Educação é a única saída política e social para que o País encontre sua grandeza em toda a sua dimensão e para que o povo encontre a dignidade. 432 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O Brasil não é um país pobre, mas é um país injusto, porque importante parcela da população se ressente das deficiências do nosso sistema educacional. E essas deficiências se realçaram com a chamada globalização. O nascimento da nova sociedade, graças ao desenvolvimento de novas tecnologias nas áreas de informação e de comunicação, constitui uma das maiores mudanças nesses últimos 10 anos. Hoje em dia, os capitais se deslocam com muita velocidade, na busca de maiores lucros e oportunidades. Nem a existência de recursos naturais ou de energia, sequer o preço baixo da mão-de-obra, nada disso é suficiente para garantir crescimento estável. O mais importante para garantir o crescimento e o desenvolvimento — entenda-se desenvolvimento como distribuição de renda e justiça social, e não apenas o crescimento econômico, que provoca concentração da renda nas mãos de poucos — é dispor de uma força de trabalho formada, competitiva e flexível. Não são palavras minhas, mas de especialistas, de doutores que estudaram profundamente a questão. Logo a seguir, apresentarei os dados concernentes. As novas tecnologias transformaram profundamente a organização do trabalho, e os estudos afirmam que, para as empresas, já não basta que uma pessoa saiba ler, escrever e contar; são necessárias também competências transversais e metodológicas, capacidade de ser criativo, solucionar problemas concretos, tomar decisões de maneira autônoma, trabalhar em equipe e saber aprender. A maior parte dessas competências metodológicas somente pode ser adquirida graças a um ensino secundário de qualidade. Aqueles que não o possuem correm o risco de ser excluídos e marginalizados. A globalização e as novas tecnologias não somente afetam o mundo econômico e o indivíduo como 433 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 trabalhador, como também têm importantes repercussões sobre a sua vida cotidiana, com o aparecimento constante de novos produtos e serviços que influem sobre todos, inclusive nas populações mais afastadas. Num mundo em permanente mudança, ser analfabeto não significa mais não saber ler e escrever, mas, sim, não ser capaz de enfrentar uma série de papéis administrativos que permitam que a pessoa tenha acesso a um crédito bancário, a uma microempresa, a um negócio e tampouco saber usar um computador ou a Internet. Somente uma educação secundária profunda, amplamente compartilhada, que integre uma dimensão científica e técnica, assim como o conhecimento da história, da literatura e da filosofia, que permita desenvolver um espírito crítico, pode capacitar indivíduos para enfrentar um futuro muito incerto e prepará-los para desempenhar plenamente seu papel de cidadãos. Aumentar a cobertura da educação secundária, melhorando sua qualidade, dirigindo esforços para os mais desfavorecidos, é uma prioridade que permitiria romper o círculo vicioso da pobreza. Segundo dados da ONU, o Brasil é o 9º país no mundo com maior desigualdade de renda — já disse isso aqui, Sr. Presidente —, vindo depois de países como Namíbia, Lesoto, Honduras, Paraguai, Serra Leoa, Botsuana, Nicarágua, República Centro Africana. Aí vem o Brasil e, logo a seguir, a África do Sul. Isso é espantoso, Deputado Severino Cavalcanti! Porque a África do Sul, até pouco tempo atrás, vivia sob o regime oficial de apartheid e manteve preso Nelson Mandela por muitos anos. Mas hoje a África do Sul já tem uma distribuição de renda menos injusta do que a do nosso País . 434 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 A miséria, como se sabe, se auto-reproduz: filhos de pobres tendem a ser pobres. Os 10% mais ricos detêm 75,4% da riqueza total brasileira, segundo o economista Márcio Pochmann. Os 10% mais ricos da população ficam com 47% das vagas nas universidades públicas e privadas. O Censo 2000 constatou que, entre as pessoas que ganhavam até 1 salário mínimo, 75% não haviam concluído o Ensino Fundamental. Na outra ponta, os rendimentos mais elevados, evidentemente, foram para as mãos dos mais instruídos. Entre os que ganharam mais de 30 salários mínimos, 58,9% (quase 60%) tinham terminado a faculdade e 23,1% haviam concluído o Ensino Médio. Os dados mostram que a enorme desigualdade de renda, caracte rística da sociedade brasileira, faz-se presente no mercado de trabalho. Os 10% dos ocupados com maiores rendimentos abocanharam metade (50,5%) da renda total do trabalho em 2000. Segundo o economista Marcelo Nery, Chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, o principal determinante da desigualdade salarial no Brasil é mesmo a instrução. Educação é recurso escasso no Brasil e, por isso, é tão valorizada. Falemos sobre o fosso educacional e fosso social. Há quem afirme que o fosso social que divide o Brasil é reflexo do nosso fosso educacional. Em comparação a outras nações em desenvolvimento e ricas, o Brasil apresenta um dos mais altos índices de transferência de desigualdade educacional de pais para filhos. A transmissão dessa desigualdade chega a 68% no Brasil, número semelhante 435 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 apenas ao da Colômbia, país que há décadas se encontra à beira de guerra civil, sendo bem menor em outros países em desenvolvimento, como México e Peru — ambos em 50% —, caindo para 20%, na Alemanha, e para 19%, na Malásia. Tais conclusões foram baseadas em dados de pesquisa nacional por amostra de domicílios — PNAD, do IBGE. Esse estudo é de Fernando Veloso, economista e professor do IBMEC Educacional; e L. Ferreira, professor da Cândido Mendes e economista do BNDES. Segundo eles, o indicador de transferência da desigualdade na educação é pior quanto mais próximo de 100% e melhor quanto mais próximo de 0%. A escolaridade em geral está aumentando no Brasil, mas a distância entre aqueles de baixa escolaridade e os de elevada ainda é grande. O Brasil herda uma desigualdade na educação transmitida de pai para filho. Isso dá enorme vantagem aos ricos. Srs. Deputados, pelas estatísticas, o filho de um analfabeto tem apenas 1% de chance de chegar à universidade. É preciso atacar a transmissão elevada da desigualdade de uma geração à outra. Segundo o economista e Prof. Fernando Veloso, mudar a distribuição de renda no Brasil passa por uma reforma profunda no sistema educacional, e é uma decisão política. Ele enfatiza que cerca de 50% da desigualdade de renda no País tem relação com o nível de educação do trabalhador e compara: “Na Alemanha, por exemplo, todos vão para a mesma escola. Não interessa se a pessoa nasceu numa 436 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 família muito educada ou não, numa família pobre ou numa família rica”. O Prof. Sérgio Ferreira, da Universidade Cândido Mendes, ressalta que os filhos dos mais ricos freqüentam o ensino médio particular, em geral de melhor qualidade, e entram em faculdades públicas que oferecem melhor ensino. Já os filhos dos mais pobres estão no ensino médio da rede pública e, quando conseguem, entram para universidades privadas de menos qualidade. Ouço, com prazer, o Deputado Almir Sá. O Sr. Almir Sá - Parabenizo V.Exa. pelo brilhante pronunciamento acerca da educação no País. O nobre Deputado, melhor que ninguém, está apto a debater a educação, área da qual é profundo conhecedor. Afinal, já pertenceu a essa Pasta no Governo passado do Amazonas. Sem dúvida alguma, como bem dizia V.Exa., a educação passa por difícil momento. Tenho conversado com alguns professores de escolas de todos os Estados. Na minha visão, Deputado Humberto Michiles, o problema não é apenas de falta de recursos. Ouvi nesta semana o Ministro da Educação dizer que faltam recursos. O Orçamento destinou 25% à educação; portanto, não pode ser apenas falta de recursos. Eles precisam, sim, ser melhor alocados, seja na qualificação dos professores, seja na melhoria do padrão de ensino das escolas públicas. Parabenizo V.Exa. pelo tema escolhido e pela forma brilhante como o aborda nesta tarde. O SR. HUMBERTO MICHILES - Deputado Almir Sá, agradeço a V.Exa. o aparte, que contribui — e muito — com meu pronunciamento. V.Exa. é Deputado da nossa região e sabe o quanto lutamos por um ensino de qualidade. Precisamos vencer esse desafio. Concordo com V.Exa. 437 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Ouço, com prazer, o nobre Deputado Severino Cavalcanti. O Sr. Severino Cavalcanti - O pronunciamento do nobre Deputado sai da norma do que temos presenciado ultimamente nesta Casa. V.Exa. se destaca pela seriedade, pela maneira correta com que está abordando assunto da mais alta envergadura e responsabilidade, que muito tem preocupado todos os que possuem alguma sensibilidade e querem encontrar solução para o País. Se não resolvermos esse problema, não vamos encontrar solução para coisa alguma. O que temos visto é o Ministro disponibilizar 100 mil reais para uma passeata de gays, para difundir e propagar uma coisa contrária aos princípios éticos e morais da população. Trata-se de forçar uma situação com o objetivo de satisfazer à imprensa, que gosta de assuntos sem importância para o País. Na área da saúde também investiram dinheiro para tais manifestações. Em São Paulo, a Prefeita dispôs e 1 milhão de reais para promovê-las. Até parece que São Paulo é o grande centro de homossexuais do mundo. Portanto, um pronunciamento como este demonstra que ainda há homens públicos com responsabilidade. V.Exa. acabou de chegar a esta Casa e já está dando demonstração de que quando se disputa um mandato é para se fazer alguma coisa para beneficiar a população. Parabenizo o Amazonas por ter elegido para esta Casa um homem que tem a seriedade de V.Exa. Parabéns pelo seu pronunciamento! O SR. HUMBERTO MICHILES - Deputado Severino Cavalcanti, as palavras de V.Exa., um dos Parlamentares mais respeitados nesta Casa, tem o poder de nos estimular. Todo o mundo sabe que a vida política não é fácil nem confortável. Ela apresenta muitas dificuldades. Muitas vezes, recebemos apelos de pessoas da família para que se repense a participação na vida pública, porque cada vez fica 438 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 mais difícil, e não apenas pelos escândalos, pelas acusações, mas também por outras questões como o aumento do poder econômico na definição dos resultados eleitorais. Quero agradecer a V.Exa. as palavras proferidas. Elas vão me estimular para que possamos continuar mantendo essa linha e perseguindo metas e objetivos que nem sempre vêm a curto prazo. Às vezes, a médio e a longo prazo. Mas temos a convicção de que, como disse muito bem V.Exa., se não encontrarmos solução para a Educação, não encontraremos solução para mais nada. Quero enfatizar isso, porque V.Exa. conseguiu, em poucas palavras, resumir tudo aquilo que eu gostaria de dizer neste discurso mais extenso. Portanto, agradeço a V.Exas., Deputados Almir Sá e Severino Cavalcanti, pelos apartes. Prossigo, Sr. Presidente. Nós não melhoraremos a educação pública brasileira, não acabaremos com esse fosso, com essa realidade indigna de termos escolas de primeira e de segunda categorias, se não investirmos na valorização e na carreira do professor, se não investirmos no magistério. Como parte dos trabalhos da Comissão de Educação e Cultura, foi aprovada, no mês de maio, a instalação de 2 Subcomissões Permanentes e 3 Subcomissões Especiais; aliás, um requerimento é de minha autoria: a criação da Subcomissão Especial de Valorização do Magistério. E o objetivo principal que almejo ver alcançado por essa Subcomissão é valorizar tais profissionais com ações concretas e políticas públicas eficazes e adequadas, tais como: valorizar o educador, recuperando sua função social; resgatar o papel e o prestígio do professor; 439 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 acompanhar a execução orçamentária na aplicação dos recursos vinculados à educação e à valorização do magistério. É consenso em nossa sociedade de que a baixa de qualidade do ensino é, atualmente, um dos maiores problemas da Educação Básica brasileira. Indicadores educacionais recentemente divulgados revelam números vexatórios: o espantoso percentual de 95% de alunos da 4ª série do Ensino Fundamental que ainda não desenvolveram habilidades de leitura, ou seja, não foram adequadamente alfabetizados. Do ponto de vista legal, a valorização do magistério tem um arcabouço invejável. No entanto, do ponto de vista da efetividade na ação, mesmo considerando os recentes avanços, ainda caminha em curtos e tropeçantes passos. A valorização do profissional do magistério deve chegar à escola. É com esta expectativa que, nesta oportunidade, venho apelar aos nobres pares a união de esforços para colocarmos em prática e iniciarmos o mais rápido possível os trabalhos a serem desenvolvidos na Subcomissão Especial de Valorização do Magistério, pois entendo que nenhuma política educacional brasileira vingará enquanto o País não conseguir um feito que hoje se apresenta como gigantesco desafio: a instituição de uma política nacional de valorização e formação de professores. Sras. e Srs. Deputados, a consciência de que a educação de qualidade é uma conquista da cidadania só será conquistada com pressão social efetiva, contínua e permanente. Quero, portanto, reforçar o valor da participação social, lembrando que, se muitas mudanças já puderam ser operacionalizadas, outras tantas ainda estão a esperar pelos combatentes do momento. 440 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Era o que tinha a dizer. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) - Deputado Humberto Michiles, esta Mesa parabeniza V.Exa. pelo pronunciamento sereno, profundo e objetivo sobre o salário mínimo e os problemas da educação brasileira. V.Exa. mostra que a educação não é apenas um problema de governo, mas de toda a sociedade. Para tanto, precisamos nos aliar para tirar o País da situação em que se encontra. 441 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) - Concedo a palavra ao nobre Deputado Almir Sá, para uma Comunicação de Liderança, pelo Bloco Parlamentar PL/PSL. O SR. ALMIR SÁ (Bloco/PL-RR. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a esta tribuna manifestar aos membros desta Casa e ao povo brasileiro a minha indignação com o envolvimento do nome de um homem público da maior respeitabilidade que nos honra no exercício de um dos cargos mais importantes da política brasileira — o de Vice-Presidente da República — em matéria da revista ISTOÉ desta semana, intitulada Os segredos do dono de Campos, de autoria dos jornalistas Sônia Filgueiras e Weiller Diniz. Creio tratar-se, no mínimo, de irresponsabilidade citar o nome do Vice-Presidente da República, José Alencar, que todos conhecemos. Somos testemunhas da sua trajetória, que prima pela honestidade não apenas na condução da sua vida como empresário, mas também da sua história pública. Sras. e Srs. Deputados, estou perplexo e indignado com a tentativa de alguns jornalistas de atacar homens honrados com falsas e infundadas acusações. Alegam agora que, em ligações telefônicas, o nome do Vice-Presidente da República é citado, não se sabe por quem nem por que motivo. Ou seja, acusam S.Exa. de forma leviana, apenas para denegrir sua imagem. Ora, se fizerem a retrospectiva da vida pública do nosso Vice-Presidente José Alencar, não haverá quem possa negar que a pautou pelo trabalho, pela honestidade e pela luta em favor do povo brasileiro. Por isso, Sras. e Srs. Deputados, não poderia deixar de registrar que considero injustas as afirmações contidas na referida matéria e reiterar o meu apoio 442 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 ao nobre Vice-Presidente da República, José Alencar, que honra o nosso partido, o PL. Sr. Presidente, uso este espaço da Liderança para manifestar o meu apoio ao Vice-Presidente da República, sem dúvida alguma homem humilde, empresário eficiente e político sério que honra o Estado de Minas e o Brasil. Muito obrigado. 443 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. HUMBERTO MICHILES - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. HUMBERTO MICHILES (Bloco/PL-AM. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é nosso dever, como representantes do povo, defender a imagem do Vice-Presidente da República, não apenas pelo fato de ser uma autoridade, mas também por se tratar de um homem que serve de exemplo a todos os brasileiros, sobretudo a nossa juventude. José de Alencar construiu seu patrimônio única e exclusivamente com o fruto do seu trabalho, veio do nada e, como Vice-Presidente da República, tem demonstrado maior espírito público e sentimento de brasilidade. Não podemos ser uma sociedade que destrói seu ídolos. O Vice-Presidente José Alencar merece o respeito de todos os brasileiros. Podemos discordar de suas opiniões, mas S.Exa. é homem honrado e trabalhador, que oferece emprego a quase 20 mil brasileiros. Todos os seus trabalhadores recebem atenção especial. José de Alencar é homem de quem devemos sentir orgulho por seu trabalho como empresário, porque não está apenas preocupado com os lucros, mas também com o desenvolvimento do País. Associo-me ao Deputado Almir Sá e o cumprimento por seu pronunciamento. 444 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) - Concedo a palavra ao Deputado Severino Cavalcanti, que disporá de até 25 minutos. O SR. SEVERINO CAVALCANTI (PP-PE. Pronuncia o seguinte discurso.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em meio a ainda tantas incertezas na economia nacional, confirmam-se alguns indicadores positivos, atestando estar em curso um processo de retomada do crescimento. Mesmo que seja cedo para estimativas mais otimistas, é inegável que em alguns setores do universo econômico começa a aumentar o movimento das máquinas, tendo em vista a reação detectada da demanda. É claro que as projeções não autorizam prognósticos que excedam a 3,5% neste ano, patamar ainda muito distante do que desejamos e precisamos. Para recuperar um pouco do que perdemos com o binômio estagnação/recessão dos últimos anos, nossa meta de crescimento teria que comportar um pouco de audácia, sob pena de vermos ampliar-se a distância social que separa regiões e populações internamente e, no plano externo, o fosso que nos separa dos países mais adiantados. É nesse particular que o Governo Federal poderá fazer a diferença com o bom uso da política cambial e financeira — o que não parece provável por enquanto, a permanecer a tendência à ortodoxia financeira e cambial do Ministério da Fazenda e do Banco Central. O que nos anima a fazer este pronunciamento são os dados divulgados recentemente pelo Secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, o Sr. Ivan Ramalho, sobre as possibilidades de Pernambuco exportar este ano US$459 milhões. No ano passado, 445 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 o total das exportações de Pernambuco foi de US$410,7. O otimismo do Secretário decorre da elevada participação de produtos manufaturados com alto valor agregado — 48,7% do total exportado em 2003. Um fator que poderá contribuir para um razoável crescimento das exportações em todo o Brasil, especialmente em Pernambuco, deve ser considerado: o esforço no sentido de estimular a maior presença dos pequenos e microempresários na política exterior, quando é sabido que atualmente a participação desse segmento não excede a 14% do total nacional, percentual que não é diferente em Pernambuco nem no Nordeste em geral. Acontece que “o pequeno sofre para exportar”, como documenta o Jornal do Commercio, do Recife, numa série de reportagens iniciada no dia 21 de março deste ano, de autoria das jornalistas Inês Andrade e Viviane Barros Lima. Sustentam essas matérias que as pequenas e microempresas enfrentam, na hora de exportar, problemas que vão “desde o desconhecimento do mercado consumidor até os gastos excessivos com o transporte do produto. Essas barreiras fazem com que as MPEs, embora sejam 74% das empresas exportadoras brasileiras, participem apenas com 14% do volume exportado (dados do Governo Federal referentes a 2002)”. Quando se cuida do pequeno e do microempresário, logo fica patente que se trata de um setor que tem um imenso potencial e pode superar a mais otimista das previsões, desde que sejam tomadas algumas medidas historicamente por ele reclamadas, dentre as quais se inserem o acesso ao crédito em condições excepcionais e o fim da burocracia e da carga tributária e trabalhista. 446 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O antigo SIMPLES constituiu, sem dúvida, um progresso no campo da simplificação do cumprimento das obrigações fiscais, mas está longe de corresponder a um figurino que contemple soluções que deixem o pequeno e o microempresário próximos dos seus correspondentes nas nações mais evoluídas. Para atender às exigências do consumidor internacional, o pequeno empresário precisa fazer alterações no seu produto, e essas alterações implicam um pesado ônus. São as mudanças de embalagem, molde e rótulo que encarecem a exportação. Um exemplo citado pelo Sr. Alfredo Naja, Coordenador-Executivo do Programa Setorial Integrado — PSI do Gesso, promovido pelo SEBRAE, é ilustrativo: “A adaptação de um protótipo de um bloco de gesso para enviar aos Estados Unidos, o principal comprador do produto, por exemplo, pode chegar a R$10 mil. É preciso mudar a espessura, a resistência e o peso do produto, além de garantir que a mercadoria não tenha nenhum material tóxico”. Detenho-me nas possibilidades do pequeno e do microempreendedor, porque os grandes empreendimentos dispõem de recursos da mais variada natureza e podem competir, muitas vezes com vantagem, no disputado mercado exterior. Ouço, com prazer, o brilhante Deputado Humberto Michiles. O Sr. Humberto Michiles - Deputado Severino Cavalcanti, V.Exa. é um especialista na matéria, mas ouso aparteá-lo para dizer que a situação por que passa o seu Estado, Pernambuco, verifica-se no âmbito nacional. As pequenas e microempresas enfrentam a concorrência, os subsídios, os problemas criados por outros países. Estamos agora enfrentando o problema criado pela China. São fatos que não podemos evitar, mas podemos combater. Sei que os Ministros da Agricultura, da Indústria e Comércio e das Relações Exteriores vão empenhar-se em 447 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 chegar a uma solução; no entanto, isso não depende apenas de nós. Já a burocracia brasileira, os empecilhos, os entraves, a falta de investimento nas estradas e nos portos são questões que podemos e devemos resolver para dar competitividade aos pequenos e microempresários, a fim de que possam exportar mais e assim contribuir para o crescimento do País e para a geração de empregos. V.Exa. fala com a autoridade de quem é um profundo conhecer do assunto. Precisamos deter-nos nessa questão e afastar, limpar essa burocracia excessiva, que está associada à corrupção. Estudos indicam que quanto maior é a burocracia maior a corrupção. Esta aí também um dos problemas que impedem um maior crescimento e o desenvolvimento do nosso País. Cumprimento V.Exa. pela firmeza do conhecimento com que aborda a matéria. O SR. SEVERINO CAVALCANTI - Deputado Humberto Michiles, V.Exa. vem de um Estado em que o desenvolvimento industrial realmente tem alcançado um alto nível, mas que sofre, porque a burocracia impede o desenvolvimento da Amazônia. Manaus é exemplo para todo o País, mostrando que dar incentivos ao Norte e ao Nordeste do País é medida acertada. Se existir corrupção, que se coloquem os ladrões e desonestos na cadeia, mas que não prejudiquem essas Regiões, como fizeram quando acabaram com órgãos como a SUDENE e SUDAM. Não podemos aceitar cabisbaixos esta situação, quando sabemos como eram importantes para o Amazonas os impostos gerados pelas empresas financiadas por essas instituições que foram extintas. E embora o Presidente da República tenha dito há mais de 1 ano que reativaria esses 2 órgãos que tantos serviços prestaram ao nosso País, até agora nada foi feito, e nós só fazemos esperar. Todo dia embalamos esse sonho para depois acordar e não encontrar nos jornais qualquer indicação do Governo de 448 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 que essas duas entidades estejam voltando, para o engrandecimento do nosso País. Portanto, Deputado Humberto Michiles, agradeço-lhe muito o aparte, que ilustra meu pronunciamento. Ouço agora, com grande satisfação, esse baluarte que é o Deputado Almir Sá, também do Norte do País. O Sr. Almir Sá - Deputado Severino Cavalcanti, tomarei alguns minutos do seu pronunciamento para também solidarizar-me com V.Exa., pela importância dos vários aspectos que levanta. Como tantos companheiros, participo de pequenas empresas e tenho vivenciado os problemas decorrentes da atual política. Sem dúvida alguma, sem juros compatíveis para o setor, sem juros factíveis, é impossível para as pequenas e microempresas trabalharem e desenvolverem-se, sem contar a falta de capital de giro, que faz com que esse setor caminhe lentamente. O Governo precisa criar um programa especial para essas empresas, nos moldes do que vem oferecendo à agricultura, um segmento para o qual se praticam juros factíveis e que por isso tem tido uma grande alavancagem. O SIMPLES é um exemplo. É necessário simplificar o processo, facilitando o registro e o fechamento das empresas. Precisamos de uma nova política para desenvolver as pequenas e microempresas, para gerar milhares e milhares de empregos. Portanto, é muito oportuno o discurso de V.Exa., que aponta com muita propriedade a importância do apoio a esse setor, na perspectiva de dar-lhe sustentabilidade, até para participar do elenco de exportações. Parabéns a V.Exa. O SR. SEVERINO CAVALCANTI - Deputado Almir Sá, estou vendo que o PL está formando escola. Ouvimos o Líder do PL do Amazonas e agora também V.Exa. 449 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 traz a sua colaboração, defendendo o necessário apoiamento para um importante setor. Sr. Presidente, é necessário que o Governo desperte. Não basta fazer reuniões e reuniões sem que se tome uma solução que venha ao encontro da nossa expectativa, do nosso desejo de acabar com o desemprego. Essa história de Fome Zero não vai matar a fome do povo. O que pode matar a fome do povo é uma política que prestigie as pequenas e microempresas, que assim poderão dar empregos, dar ocupação a muitos. Quando vamos ao Nordeste, costumamos ver nas ruas das vilas e Municípios, em fins de tarde, muita gente, à toa, jogando firo, dominó ou gamão, porque não tem onde trabalhar. Espero que o PL, com a força que tem no exemplo do homem que ocupa a Vice-Presidência da República, faça com que este Governo seja sacudido, faça o que S.Exa. tem feito em sua vida pública e privada. Nosso Vice-Presidente é um exemplo de cidadão, um homem de bem, um homem cuja vida é pautada pela seriedade. A imprensa tem veiculado insinuações maldosas, procurando macular quem não tem qualquer mácula em sua vida. Portanto, parabenizo V.Exa. por defender o nosso Vice-Presidente da República. O Sr. Mauro Benevides - Concede-me V.Exa. um aparte, nobre Deputado Severino Cavalcanti? O SR. SEVERINO CAVALCANTI - Com satisfação, ouço o nosso grande... O Sr. Mauro Benevides - Deputado Severino Cavalcanti... O SR. SEVERINO CAVALCANTI - Mas pelo menos deixe-me terminar o que tenho a dizer. Nunca vi tanta pressa do nosso Senador. 450 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O Sr. Mauro Benevides - V.Exa. é tão generoso que eu acabo atropelando suas palavras para não mergulhar numa emoção ainda mais profunda. O SR. SEVERINO CAVALCANTI - Concedo a V.Exa. o aparte. O Sr. Mauro Benevides - Deputado Severino Cavalcanti, não é a primeira vez que V.Exa. prende a atenção deste Plenário e de quantos, nas dependências desta Casa, na televisão e no rádio, ouvem o seu discurso na tarde de hoje, fazendo a defesa das pequenas e microempresas, reivindincando para esse segmento empresarial juros compatíveis, juros que se ajustem à realidade brasileira. Quero dizer a V.Exa. que na semana passada, nesta Casa, em um debate que contou com a presença do Presidente do Banco do Nordeste, o Dr. Roberto Smith, defendi um ponto de vista praticamente idêntico ao de V.Exa., dizendo ao convidado, no instante em que apresentava o Projeto Cresce Nordeste, que esse projeto deveria ser implantado pelo Banco dentro de parâmetros de retribuição que pudessem significar um estímulo aos pequenos produtores do nosso País. Hoje V.Exa., com uma argumentação muito bem expendida, volta a essa temática, falando com a sua autoridade de autêntico e decidido defensor de uma causa que naturalmente vai ensejar o aproveitamento da mão-de-obra ociosa existente no País. Portanto, V.Exa., que conta com o apoio do PL, pode contar agora com o apoio deste modesto Vice-Líder do PMDB, porque essa tese se ajusta admiravelmente aos legítimos interesses do povo brasileiro. O SR. SEVERINO CAVALCANTI - Nobre Deputado, só posso sentir-me gratificado, porque apartes dessa importância só valorizam o trabalho que realizei preparando este meu pronunciamento. Valeu a pena esse trabalho, porque o aparte desses 3 Parlamentares dá nova tônica ao conteúdo do meu pronunciamento. 451 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 A verdade, Sr. Presidente, Srs. Deputados, é que todos os países procuram incentivar e dinamizar seu mercado exterior, sobretudo as exportações, porque elas, com a circulação de moeda forte, contribuem decisivamente para aumentar a resistência das nações, geralmente vulneráveis à instabilidade dos mercados. Todos sabem que o mercado externo sofre influências de toda ordem, com ênfase para a especulação, poderoso instrumento da “financeirização” da economia. É um mundo, portanto, de muita esperteza, em que os pequenos se vêem inseguros e são fáceis presas no jogo praticado pelos grandes, que têm como influir na fixação de preços e no estabelecimento de condições até leoninas. Mas, mesmo consciente dessa realidade, o pequeno empresário, Sr. Presidente, quer conhecer esse cenário que lhe é naturalmente hostil para tentar localizar-se com alguma margem de manobra, exercendo toda a sua criatividade e a sua capacidade de organização e de inserção em um contexto bem mais amplo do que aquele no qual esteve até hoje. A conclusão é simples: as perspectivas de crescimento, antevistas em dados preliminares, devem ajudar a estimular as exportações de todo o Brasil, em particular de Pernambuco. E nesse campo pode ser muito importante a contribuição o pequeno empresário, cujo potencial exportador é enorme. Entretanto, se de fato o Governo brasileiro quiser contar com o esforço ampliado dos pequenos e microempresários, terá de transformar em ação todo o seu discurso em favor desse segmento. Creio que este é o momento apropriado para uma definição nesse sentido: as circunstâncias são favoráveis, o consenso existe e o apoio da sociedade é unânime. Portanto, Sr. Presidente, esperamos que este Governo sadio, que tantas esperanças nos dá, mostre logo a que veio, abrindo as portas para o pequeno e o 452 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 microempresário, dando uma lição aos seus subordinados, que não cumprem o que o Presidente determina. Tenho certeza de que V.Exa., que preside os trabalhos desta sessão, sendo um grande e influente conselheiro do Presidente da República, há de dizer-lhe que alguém comentou neste Casa que as pequenas e as microempresas ainda não têm seu espaço. O Sr. Mauro Benevides - Permite-me V.Exa. outro aparte? O SR. SEVERINO CAVALCANTI - Ouço, com prazer, o nobre Deputado. Os apartes de V.Exa. só nos dão alegria e felicidade. O Sr. Mauro Benevides - Muito obrigado, nobre Deputado. Na última sexta-feira, o Presidente do BNDES, o Dr. Carlos Lessa, em entrevista concedida à imprensa de Porto Alegre, anunciou uma nova linha de financiamento para capital de giro, para estimular a indústria e portanto fazê-la absorver a mão-de-obra trabalhadora de todo o País. Então, da mesma forma como aquele portentoso estabelecimento de crédito oficial vai favorecer a indústria com a concessão de crédito para capital de giro, seria bom que o BNDES especificamente também estendesse essa sua grandiosidade financeira para garantir capital de giro às pequenas e microempresas, numa linha de crédito adequada e apropriada para atender esse segmento, como V.Exa. defende. Portanto, deixo a sugestão, para que se compatibilize o desejo de aumentar o aproveitamento da mão-de-obra com uma linha de crédito ofertada de acordo com o raciocínio que V.Exa. ora expende com tanta clareza. Vamos favorecer os pequenos e microempresários de todo o País com juros compatíveis com a realidade brasileira. 453 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. SEVERINO CAVALCANTI - Deputado Mauro Benevides, a interferência de V.Exa. sempre acrescenta uma nova linha de raciocínio aos pronunciamentos que fazemos. Os colegas sempre dizem que quando V.Exa. nos aparteia perdemos o rumo, mas sempre melhoramos nossa caminhada no discurso. O BNDES é um banco cansado, que vive só de ilusões, que não se preocupa com os pequenos e o microempresários, quando o de que precisamos é prestigiá-los. O BNDES tem um mundo de dinheiro, mas entra ano, sai ano e não tem como aplicá-lo porque não procura os pequenos empresários, que por sua vez não têm acesso aos recursos do mercado internacional, ao contrário dos grandes empresários, que têm essa facilidade. Portanto, prezado Deputado Mauro Benevides, só posso agradecer a V.Exa. mais esse aparte, porque com ele meu pronunciamento tomou um novo rumo. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) - Deputado Severino Cavalcanti, parabenizo V.Exa. pelo belo pronunciamento que faz em defesa do pequeno e do microempresário. Temos que olhar para esse segmento, que é importante para a geração de emprego e para a distribuição de renda. 454 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. JOSÉ ROBERTO ARRUDA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. JOSÉ ROBERTO ARRUDA (PFL-DF. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, na qualidade de representante de Brasília na Câmara Federal, registro matéria veiculada nos jornais desse final de semana segundo a qual do Orçamento Geral da União apenas 3,8% das emendas foram liberadas até o mês de junho para o Distrito Federal. Nunca, em momento algum, Sr. Presidente, o Governo Federal foi tão restritivo na liberação de emendas individuais e coletivas para a Capital do País. Se de um lado o fato preocupa quem representamos nesta Casa, de outro mostra que o superávit fiscal, o excesso de arrecadação tributária, incluindo o aumento de arrecadação da COFINS, abarrotam os cofres do Governo. E é exatamente esse dinheiro que desejamos seja utilizado para pagar o salário mínimo que votaremos amanhã nesta Casa. Aliás, a Câmara dos Deputados deve apenas confirmar o que o Senado Federal já fez. Com esse pequeno aumento, mais dinheiro será injetado na economia, a renda daqueles que ganham menos será aumentada, as vendas do comércio serão melhoradas e mais empregos serão gerados. Sr. Presidente, o Governo tem de aprender a ganhar quando perde. A pior derrota o Governo Lula sofrerá se vencer amanhã nesta Casa. Se exigir da sociedade brasileira mais este sacrifício e impedir a aprovação do salário mínimo de 275 reais, provavelmente nunca mais será perdoado. 455 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O pequeno aumento do salário mínimo, que está em nossas mãos aprovar amanhã, representará oxigênio para a economia paralisada, porque promoverá a geração de mais empregos. 456 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) - Antes de dar prosseguimento à sessão, esta Mesa dá conhecimento ao Plenário do seguinte Ato da Presidência Nos termos da alínea m do inciso I do art. 17, combinado com o inciso II do art. 22, todos do Regimento Interno, esta Presidência decide criar Comissão Especial para, no prazo de 90 (noventa) dias, analisar as proposições em trâmite referentes a assuntos que tratam das atividades da SERASA — Centralização de Serviços dos Bancos S/A. A Comissão será composta de 19 (dezenove) membros titulares e de igual número de suplentes, mais um titular e um suplente, atendendo ao rodízio entre as bancadas não contempladas, designados de acordo com os §§ 1º e 2º do art. 33 do Regimento Interno. Brasília, 21 de junho de 2004 João Paulo Cunha Presidente da Câmara dos Deputados 457 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) - Prosseguindo com o Grande Expediente, concedo a palavra ao nobre Deputado Mauro Benevides. S.Exa. disporá de 25 minutos na tribuna. O SR. MAURO BENEVIDES (PMDB-CE. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, nobre Deputado Luiz Couto, que representa o Estado da Paraíba nesta Casa e tem sabido defender com empenho, dignidade e altivez os interesses não apenas do seu Estado natal, mas sobretudo da Região Nordeste e do próprio País; Sras. e Srs. Deputados, a bancada nordestina no Congresso confia em que, antes do recesso de julho, a Câmara procederá à discussão da recriação da SUDENE, matéria da qual foi Relator o Deputado baiano Zezéu Ribeiro, cuja atuação no cumprimento de suas tarefas foi das mais devotadas, incluindo um périplo por todas as unidades federadas do Polígono das Secas, em busca de sugestões que pudessem aprimorar o texto elaborado pelo Poder Executivo. Aliás, em maio passado, uma numerosa comissão de Parlamentares esteve em contato com o Presidente João Paulo Cunha — eu fui um deles —, encarecendo-lhe empenho para a inserção da complexa matéria na Ordem do Dia, a fim de que ocorra o deslinde de tão magna questão, que se vincula diretamente aos legítimos interesses daquela faixa territorial do País. Paralelamente, tem-se discutido o destino do Fundo de Desenvolvimento Regional, que despontou ao ensejo da reforma tributária, quando Governadores reivindicaram dotação complementar para cobrir as alegadas perdas que se registrariam com a implantação das novas normas em via de definitiva implantação entre nós. 458 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Com a possibilidade de metade da verba referenciada ser consignada à nova Superintendência (SUDENE), gerou-se clima de insatisfação entre os Chefes do Executivo, sob a alegativa de que outras fontes deveriam subsidiar o lastro financeiro daquela autarquia, cuja criação, em 1959, deveu-se à genialidade de Celso Furtado, sob o constante estímulo do Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. Em declarações recentes, Governadores como Wilma Faria, do Rio Grande do Norte, Paulo Souto, da Bahia, Lúcio Alcântara, do Ceará, e Welington Dias, do Piauí, manifestaram-se insatisfeitos com a solução encontrada, tendo apenas o Governador Ronaldo Lessa admitido a divisão do Fundo de Desenvolvimento Regional entre Estados e a futura SUDENE. Por sua vez, o Ministro da Integração, Ciro Gomes, expôs ponto de vista inteiramente favorável à SUDENE, entendendo que o repasse à autarquia deveria ser processado sem subdivisões, cabendo à União encontrar outras alternativas capazes de contemplar as 9 unidades, em seu natural anseio de obter um expressivo quinhão da arrecadação federal. A Comissão Especial, de que fiz parte como ex-membro que fui do antigo Conselho Deliberativo do órgão, apresentou fórmula capaz de garantir o funcionamento dessa autarquia, assegurando-lhe razoáveis condições operacionais para atuar em favor daquela área geográfica do País. Resta agora, Sr. Presidente Luiz Couto, a deliberação deste Plenário, a fim de que os autógrafos possam ser encaminhados ao Senado, complementando-se o trâmite que se arrasta há mais de 1 ano, com evidentes prejuízos para os nossos interesses. 459 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Exceto o Banco do Nordeste, o DNOCS e a CODEVASF, ressentimo-nos da inexistência da SUDENE, responsável institucionalmente pelo planejamento de nosso crescimento econômico e bem-estar social. A Agência anteriormente existente, a ADENE, teve efêmera e precária existência, numa inadaptação ao que se concebia como indispensável a uma entidade incumbida de contribuir para a correção das desigualdades regionais. Que venha uma SUDENE modernizada, apta a cumprir o relevante papel que dela se espera, especialmente agora, quando à frente dos destinos nacionais se acha um homem que conhece de perto as nossas deficiências evidentes e as legítimas aspirações que acalentamos com sobradas razões. O Sr. Luiz Couto - Concede-me V.Exa. um aparte? O SR. MAURO BENEVIDES - Com prazer, nobre Deputado Luiz Couto. O Sr. Luiz Couto - Deputado Mauro Benevides, inicialmente, quero expressar meu contentamento pelo pronunciamento que faz nesta tarde. Com serenidade, V.Exa. aborda a recriação da SUDENE e pede que esta Casa analise o projeto e o aprove. Como afirmou o nobre colega, a SUDENE será a responsável pelo planejamento do desenvolvimento do Nordeste. Sabemos quão ela é importante. Houve irregularidades na antiga SUDENE. Não era esse o objetivo quando ela foi criada por Celso Furtado, sob a Presidência de Juscelino Kubitschek. Pois bem, ao invés de curarem o paciente que apresentava algumas doenças, mataram o doente e criaram a ADENE, que não deu em nada. Portanto, é preciso recriar aquela Superintendência e dar-lhe a partir de agora condições efetivas para investir, através do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste, na pequena, na média e na grande empresa. Assim, deixaremos de andar com pires na mão, pedindo recursos para o 460 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Nordeste, a fim de que a Região alcance o desenvolvimento sustentado e distribua benefícios para sua coletividade. Parabenizo V.Exa pela conclamação que faz a todos nós, Parlamentares. Realmente, já é hora de votarmos esse projeto. Não podemos nos omitir ou ficar envergonhados. Temos que enfrentar essa situação. Com certeza, esta Casa dará a resposta ao povo nordestino, recriando definitivamente a SUDENE! O SR. MAURO BENEVIDES - Agradeço o aparte ao nobre Deputado Luiz Couto, que soube interpretar admiravelmente meu pensamento e, sobretudo, a defesa a que me propus fazer na tarde de hoje da recriação de uma autarquia cujo plenário, no passado, foi palco de grandes debates em que intervieram Governadores, Ministros, Secretários de Estado, Parlamentares e representantes de órgãos com assento obrigatório em seu Conselho Deliberativo. Não tem sentido protelarmos mais o ressurgimento da SUDENE. Essa autarquia prestou relevantes serviços à nossa Região, apesar de terem ocorrido irregularidades, como aludiu V.Exa. Mas, se apurados realmente os fatos e identificados os responsáveis, isso já seria suficiente para garantir a legitimidade de continuação de uma autarquia que resultou frutífera e proveitosa para acelerar o desenvolvimento regional. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, permito-me ainda relembrar que, em 1985 e 1986, quando presidia o Conselho Deliberativo da SUDENE, o atual Governador do Maranhão, José Reinaldo Tavares, conseguiu do então Presidente da República, com o assentimento do Congresso Nacional, por meio de adequado diploma legal, que se alterasse a estrutura da SUDENE, transformando-a numa autarquia especial. Isso conferiu-lhe mais mobilidade e condições de remunerar 461 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 condignamente seus servidores e técnicos, aqueles que prestavam decida colaboração a um organismo que sempre mereceu o respeito, os aplausos e os estímulos das lideranças regionais. Isso ocorreu em 1985/1986. Vieram novos superintendentes. Problemas surgiram a cada momento: secas prolongadas e mesmo enchentes, como a que aconteceu este ano. A SUDENE estava sempre presente e procurava redirecionar os seus trabalhos. Equívocos e distorções podiam envolver essa tarefa, mas a presença dos dirigentes, técnicos e planejadores do órgão garantia a correção de rumo com absoluta propriedade. Portanto, neste instante, venho à tribuna defender a apreciação do projeto de recriação da SUDENE por este Plenário. Desejo, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, compartilhar das apreensões das 9 unidades federadas do chamado Polígono das Secas. Essa postergação vem preocupando a todos nós, líderes políticos daquela região. Sr. Presidente Luiz Couto, quando V.Exa. vai ao Estado da Paraíba e defronta com seus correligionários, com aqueles que admiram sua atuação parlamentar, é sempre questionado sobre por que a SUDENE não ressurge, por que ela não volta a ser aquele órgão que capitalizava, galvanizava as atenções e, sobretudo, o respeito e a credibilidade da população nordestina. Aliás, o técnico Jorge Fernando de Santana, ainda em 2001, em alentado trabalho, dispôs-se a analisar a situação do Nordeste, dando prevalência ao empenho da SUDENE com seus acertos, senões e desvios, a ponto de haver ocorrido sua extinção num momento de infeliz inspiração do Governo passado. Todas as lideranças regionais, unissonamente, mobilizaram-se numa insurgência de larga envergadura, redundando na ineficácia da ADENE, de efêmera 462 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 duração, que longe esteve de cumprir seu papel relevante na jurisdição do chamado Polígono das Secas. Agora, a nova SUDENE, na forma como foi concebida, prepara-se para enfrentar fascinantes desafios capazes de dar seqüência aos nossos ímpetos de desenvolvimento e bem-estar social, que dominam os segmentos mais conscientizados daquela faixa geográfica do País. Já o relatório do Projeto de Lei Complementar nº 76, de 2003, estabelece a composição, a natureza jurídica, objetivos, a área de competência e os instrumentos de ação. O Relator, Deputado Zezéu Ribeiro, aponta como definitiva a seguinte composição do novo Conselho deliberativo da SUDENE: 1. Governadores dos Estados de sua área de atuação; 2. Os Ministros designados pelo Presidente da República; A propósito, o Ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, a cuja Pasta a SUDENE se acha vinculada no projeto de lei complementar, terá participação compulsória até mesmo pelos encargos de que S.Exa. se acha revestido e de sua proximidade com a Superintendência que ressurgirá nos próximos dias. 3. Três representantes dos Municípios de sua área de atuação; 4. Três representantes da classe empresarial e três da classe dos trabalhadores indicados, nomeados pelo Presidente da República; 5. O Superintendente da SUDENE. Este, Sr. Presidente, Srs. Deputados, é o novo Conselho Deliberativo da SUDENE. Naturalmente, mutatis mutandis, será da mesma forma o Conselho Deliberativo da SUDAM, cuja composição ainda não se conhece; mas é muito provável, quase certo, que tenha essa idêntica discriminação dos seus integrantes, 463 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 para que, a exemplo daquela, possa cumprir relevante papel e atingir sua área jurisdicional: o Norte do País. O projeto de lei complementar do qual foi Relator, como já disse, o colega Zezéu Ribeiro, extingue a ADENE e define a SUDENE como sua sucessora. Os bens da extinta agência passarão a constituir o patrimônio social da SUDENE. Apreciável número de emendas pretende modificar a redação inicial em inestimável contribuição, parcialmente acolhida pelo nobre Relator. Nas viagens empreendidas pelo Nordeste, o Deputado Zezéu Ribeiro, com quem falei há poucos instantes, no seu Estado, a Bahia, colheu valiosas impressões, algumas das quais acolhidas em seu trabalho definitivo. E posso dizer ao Plenário neste instante que o Relator, ao tomar conhecimento de que eu deveria ocupar a tribuna neste Grande Expediente da sessão de hoje da Câmara dos Deputados, pediu-me que adicionasse todos aqueles argumentos que S.Exa. tornou explícitos durante os seguidos debates que mantivemos na Comissão Especial e nos Estados nordestinos. Na Assembléia Legislativa do Ceará, Sr. Presidente, o nobre Deputado Zezéu Ribeiro registrou impressões, recebeu manifestações de Parlamentares que ofereciam sugestões, dados e, sobretudo, depoimentos sobre a realidade do Nordeste, sobre a presença da ADENE — presença ineficaz, injustificável — e sobre os tempos da atuação SUDENE, quando a autarquia exercia função inquestionavelmente relevante no planejamento das políticas públicas que interessam a nossa Região. Permito-me lembrar neste instante, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, uma ocasião em que a bancada nordestina se reuniu, em café da manhã, sob a coordenação do colega Deputado Roberto Pessoa, com a representante do 464 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Ministério da Integração, a economista Tânia Bacelar, que, em determinado momento, foi a responsável maior pelo lineamento do projeto de lei complementar que esta Casa aprecia. Ela então foi seguidamente inquirida sobre peculiaríssimos aspectos. E, ao elaborar o documento, ofereceu a todos nós aqueles esclarecimentos que julgávamos indispensáveis para aceitar a iniciativa do Sr. Presidente da República. A Sra. Janete Capiberibe - Concede-me V.Exa. um aparte? O SR. MAURO BENEVIDES - Com imenso prazer, nobre Deputada Janete Capiberibe. A Sra. Janete Capiberibe - Deputado Mauro Benevides, parabenizo V.Exa. pelo pronunciamento. Faço parte da Comissão Especial destinada a proferir parecer ao projeto de lei complementar que recria a SUDAM. É preciso reinstalar logo essas instituições. Elas certamente vão alavancar o desenvolvimento econômico e social das Regiões Norte e Nordeste. Com cara nova, essas instituições vão apoiar o desenvolvimento econômico, a partir do grande, médio e pequeno empresário, de acordo com a vocação econômica de cada Região. Muito obrigada pelo aparte. O SR. MAURO BENEVIDES - Muito grato a V.Exa., nobre Deputada Janete Capiberibe, que traz ao meu discurso inestimável contribuição, porque aponta também a Região Norte, sua região, como carente de uma autarquia, que, a exemplo da SUDAM — evidentemente sem as antigas falhas e distorções —, possa cumprir, em relação ao Norte, papel idêntico ao da SUDENE no Nordeste. Realmente, o esforço das bancadas do Norte e do Nordeste se faz necessário para sensibilizarmos o Plenário da Casa quanto à diversificação de suas tendências geográficas, de suas concepções, de sua divisão entre Situação e Oposição. 465 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Temáticas como esta, da recriação da SUDENE e da SUDAM, possuem a capacidade de convergência, reunindo aqueles que, em matéria política, tenham posicionamento contrário, mas que, diante de iniciativas como essas, têm de coadjuvar forças, juntar esforços para que não protelemos mais a apreciação desses projetos de lei complementar. Não há mais nenhuma desculpa. Não tratar disso seria realmente indesculpável! Não podemos, de maneira nenhuma — V.Exa. no Norte e eu no Nordeste —, dar aos nossos eleitores explicações que não convencem, mas que, pelo contrário, atingem a imagem do Congresso Nacional e, também, a nossa imagem, apresentando-nos como omissos, negligentes e desidiosos no cumprimento do dever de atuar vigilantemente na defesa das Regiões que nos mandaram para esta Casa, a fim de representá-las. Por isso, o apoio de V.Exa., nobre Deputada Janete Capiberibe, é extremamente importante. V.Exa. terá a incumbência de mobilizar o Norte, assim como haveremos de fazer com relação à bancada do Nordeste. Com isso, vamos somar o número suficiente para aprovar essa proposição. O Presidente João Paulo Cunha, com quem estivemos em audiência com a presença de mais de 30 Parlamentares — até onde conhecemos o Presidente desta Casa —, demonstrou extrema sensibilidade para, no menor espaço de tempo possível, superados alguns embargos que ainda remanescem, inserir essa matéria na Ordem do Dia e, naturalmente, fazer com que seja votada e aprovada, a fim de que, em conformidade com a estrutura bicameral do Parlamento brasileiro, esse projeto de lei complementar seja remetido à apreciação do Senado da República. 466 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Sr. Presidente, sabe V.Exa. e sabem os Srs. Deputados que lei complementar, por preceituação constitucional e regimental, necessita de quorum qualificado — nesta Casa, de 257 Deputados; no Senado, de 41 Senadores —, para que a matéria seja finalmente aprovada, podendo subir à sanção do Sr. Presidente da República. Em relação à SUDENE, ainda recordo que, no dia 28 de julho, em Fortaleza, com o prestígio das lideranças políticas, empresariais e comunitárias, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciava, trombeteava, sob aplausos de todos nós, que recriaria a SUDENE, o que significa implicitamente a extinção da ADENE, que até hoje não chegou a dizer a que veio no cumprimento de seus encargos institucionais. Sr. Presidente, falando em nome do Deputado Zezéu Ribeiro, agora com o apoio da nobre Deputada Janete Capiberibe, que representa o Norte, vivemos novo estágio na batalha em favor da recriação dessas 2 autarquias. Acredito que o Presidente João Paulo Cunha, superadas as discussões dessas outras matérias polêmicas, que tumultuam o torvelinho de nossas atividades, vai cumprir sua palavra empenhada diante de todos nós, representantes nordestinos, fazendo com que esta Casa seja chamada a deliberar sobre a recriação das duas autarquias. Que o faça dentro de linha de convergência, que viabilize, especialmente, a recriação da SUDENE, tornando-a, portanto, apta a continuar servindo ao chamado Polígono das Secas e, de resto, ao País. Muito obrigado, Sr. Presidente. 467 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Durante o discurso do Sr. Mauro Benevides, assumem sucessivamente a Presidência os Srs. Anselmo e Luiz Couto, nos termos do § 2º do art. 18 do Regimento Interno. 468 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) - Concedo a palavra ao Deputado Zico Bronzeado, do PT do Acre e que dispõe de até 25 minutos. O SR. ZICO BRONZEADO (PT-AC. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ao assomar à tribuna nesta tarde, saúdo os amazônidas e o povo brasileiro e, novamente, chamo a atenção dos nobres Parlamentares para tema que tenho tratado como prioridade do meu mandato. Trata-se da possibilidade concreta de tornarmos a floresta tropical maior instrumento para a conquista de competitividade na região amazônica. Tenho insistido veementemente na necessidade de diferenciação dos temas amazônicos, todos, sem a menor dúvida, de elevadíssima importância, para, naquele grande universo, destacar o assunto da floresta e, a partir daí, discutir seus reais problemas e soluções. É muito difícil imaginar que, no variado leque de problemas que envolvem as questões do desflorestamento, das queimadas, da Zona Franca, das rodovias, das hidrovias, das hidrelétricas, dos atuais temas da expansão dos plantios da soja na região e da ameaça permanente à integridade das populações tradicionais, e assim por diante, haja condições de se discutir com seriedade e contribuir na obtenção de respostas para o futuro do ecossistema florestal. Fico feliz ao ver que essa preocupação começa a ganhar fôlego junto ao Governo Federal. Um bom exemplo disso é que o documento Políticas de Desenvolvimento Regional, elaborado pela Secretaria de Programas Regionais e pela Secretaria de Políticas de Desenvolvimento Regional, ambas do Ministério da Integração Nacional, assume de forma explícita a importância de detectar as 469 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 vocações regionais e, por meio do estabelecimento de arranjos produtivos locais, potencializar sua competitividade. Isso significa, para o caso da Amazônia, a identificação das possibilidades de geração de negócios do ecossistema florestal compatíveis com a realidade social de suas populações tradicionais. Outro exemplo ainda mais contundente pode ser encontrado no recentíssimo documento, também publicado sob a batuta do Ministério da Integração, do Plano Amazônia Sustentável. Talvez a maior novidade desse plano seja que, pela primeira vez, assume-se, em nível de Governo Federal, a distinção do bioma florestal dos demais biomas da região como essência do planejamento das ações de desenvolvimento para a Amazônia. Sr. Presidente, ao fazer essa distinção, ao destacar o bioma florestal das demais tipologias vegetais que ocorrem na região, ao chamar a atenção para a necessidade de se tratar com suas especificidades a floresta, o Governo assume, de forma inequívoca, que a floresta amazônica, dadas sua dimensão e importância econômica, social e ecológica, deve e precisa ser discutida em separado da região amazônica como um todo. Ouço, com prazer, o nobre Deputado Anselmo. O Sr. Anselmo - Deputado Zico Bronzeado, primeiramente, gostaria de parabenizá-lo pelo brilhante discurso. Pelo conhecimento que tenho, sei que, embora lendo, V.Exa. tem realmente vivido tudo isso na prática. Seu Estado o reveste de know-how e de grande conhecimento de políticas para florestas, inclusive para a amazônica e, por que não, para todo o Brasil. Aproveito este aparte para citar uma das grandes vitórias do meu Estado, Rondônia. Desde que assumi o mandato 470 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 de Deputado Federal, batalhei por um acordo sobre o zoneamento de Rondônia. No dia 2 de junho, tivemos grande vitória. Com a presença da Ministra Marina Silva — aliás, de seu Estado —, que tão bem conhece a realidade da questão ambiental da Amazônia e do nosso País, e do Governador do Estado, Ivo Cassol, assinamos grande acordo para o planejamento do nosso Estado. Hoje, temos indicadores para planejar desde a pecuária, a reserva do setor madeireiro, a agricultura familiar até o atendimento das populações tradicionais. Rondônia dispõe de instrumento com dimensão ainda não vista na América Latina. Foi uma batalha de 5 anos, desde quando era Presidente da Federação até agora, como Deputado, para que isso se tornasse realidade e fosse colocado em prática. O Estado de V.Exa. tem sido exemplo. Batalhamos para ver a Amazônia do jeito que ela é. Hoje, meu Estado, que também compõe a Amazônia, está nessa luta. Conseguimos essa vitória com o Governo Federal e o Estadual. Agora, precisamos da aprovação da Assembléia Legislativa do nosso Estado, o que estamos buscando. Vamos fazer com que o Estado se utilize desse instrumento para se desenvolver em amplos setores, o madeireiro, o extrativista, a agricultura familiar, a pecuária e o da plantação de soja. Questionamos hoje a forma como a soja tem ganhado dimensão na Amazônia, mas com um Governo sério e trabalhando em cima dessa política, com certeza, todos esses setores vão-se desenvolver com grande responsabilidade ambiental. Obrigado. O SR. ZICO BRONZEADO - Obrigado, Deputado Anselmo. Incorporo o aparte de V.Exa. ao meu pronunciamento. Sr. Presidente, foi exatamente com essa intenção que encaminhei, na semana passada, aos gabinetes de todos os Deputados e Senadores do Congresso, 471 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 manifesto e documento de adesão para criação da Frente Parlamentar Mista da Floresta Amazônica, cujo teor faço questão de ler neste momento: “Manifesto de criação da Frente Parlamentar Mista da Floresta Amazônica. Para discutir a importância social, econômica e ecológica do ecossistema florestal amazônico; Para encontrar mecanismos que promovam o valor da floresta; Para sugerir ações que favoreçam a competitividade do ecossistema florestal frente a outras atividades econômicas; Para demonstrar o valor da floresta para as populaçãoes tradicionais que nela habitam; Para demonstrar o valor da floresta como fornecedora de bens e serviços econômicos que ainda carecem de reconhecimento pelos irreais mecanismos de mercados atuais; e, por fim, Para demonstrar o valor da floresta na manutenção climática mundial e como reguladora de processos ecológicos localizados, essenciais à manutenção da vida na região e no planeta. Nós, Parlamentares, assinamos o presente documento e estamos de pleno acordo com o seguinte manifesto: 472 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, A vastidão da região amazônica deixa todo observador estupefato. O contato com a exuberância daquele ecossistema florestal, incluída aí a imensa rede hidrográfica existente, é capaz de causar os mais variados sentimentos. Afinal, esse ecossistema apresenta nada menos do que um quinto de toda a água doce do planeta, onde habitam mil e setecentas espécies diferentes de peixes, equivalente a quase três vezes o número de espécies que ocorre em todo o hemisfério norte. A diversidade biológica é tamanha que poderá levar até um século para coletar e descrever de 80 a 90% do total das espécies existentes na região. Tratar do grande e diversificado leque de assuntos que envolve a região tem se transformado em tarefa gigantesca à qual algumas instituições têm se dedicado com louvável esforço. No entanto, por paradoxal que pareça, um tema tem sido negligenciado nas discussões que envolvem a definição de planejamento regional para a Amazônia. O ecossistema florestal, razão maior das preocupações acerca do futuro daquela região, termina por ceder lugar a discussões acerca da Zona Franca e 473 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 sua ampliação, da produção mineral, dos aglomerados urbanos, da industrialização, das estradas, do saneamento, da biopirataria, da energia elétrica e assim por diante. Mesmo quando o debate é sobre a ampliação do desmatamento e a ocorrência das queimadas, assuntos que, como ondas, periodicamente tomam a cena política, em especial quando viram matérias da imprensa (como fez a revista Veja em fevereiro último), os temas abordados limitam-se às áreas já convertidas, desmatadas para dar lugar aos cultivos, principalmente de capim. Assume-se, na maioria das vezes, que, ao se ampliar a produtividade das áreas desmatadas, desnecessária se torna a ampliação do desmatamento em novas áreas. Uma opção perigosa na nossa região, cuja eficácia somente o tempo e as estatísticas poderão demonstrar. Mas, o mais importante é: E o ecossistema florestal, em que momento sua discussão será prioridade? Por isso, nós, Parlamentares signatários desse manifesto, achamos que é chegado o momento de se proceder nessa Casa a uma minuciosa avaliação social, 474 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 econômica e ecológica do ecossistema florestal da Amazônia”. Ouço, com imenso prazer, a Deputada Janete Capiberibe, uma das grandes incentivadoras do desenvolvimento sustentável desta Nação, juntamente com seu esposo, o Senador Capiberibe. A Sra. Janete Capiberibe - Muito obrigada, Deputado Zico, pela concessão do aparte. Quero colocar uma pedra nesse quebra-cabeça que se chama Amazônia. Após a intervenção do Deputado Anselmo, que vem de Rondônia, quero incluir o Amapá também. O zoneamento ecológico é um instrumento fundamental para se alcançarem os objetivos que V.Exa. aborda em seu pronunciamento. Parabenizo-o por esse manifesto, do qual também somos signatários, juntamente com o Governador do Acre, Jorge Viana, que é do Partido dos Trabalhadores, por trilhar na prática esse caminho durante 7 anos em nosso Estado. É possível hoje, por meio de investimentos, o desenvolvimento da floresta que ainda está de pé, aliado ao desenvolvimento humano, tanto de quem está na floresta quanto dos que vivem na cidade, a partir dos recursos minerais e da biodiversidade. Acredito, Deputado Zico Bronzeado, na sustentabilidade da exploração mineral e vegetal, além dos produtos da biodiversidade visíveis a olho nu e dos microscópicos, para o desenvolvimento não apenas da nossa região, do nosso Estado, mas do País como um todo. Parabéns a V.Exa. e ao nosso Governador do Acre, Jorge Viana, que trilha esse caminho para o qual estamos aqui fazendo um forte chamamento, a fim de que a Nação inteira ouça nosso apelo. O SR. ZICO BRONZEADO - Deputada Janete Capiberibe, gostaria que tanto V.Exa quanto seu esposo, o Senador Capiberibe, fossem os primeiros a assinar 475 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 esse manifesto proposto por mim, para que façamos da região amazônica um grande celeiro de desenvolvimento sustentável. Continuo: “Deveremos, com o esforço de todos e contando com a ajuda dos diversos centros de pesquisa e especialistas que atuam na região, conceber propostas de ações destinadas à promoção do ‘Valor do Ecossistema Florestal’. Valor para as populações tradicionais que nele habitam e demais sociedades regionais, nacionais e internacionais. Valor como fornecedor de bens e serviços econômicos que ainda carecem de reconhecimento pelos irreais mecanismos de mercados atuais, mas que possuem potencial considerado estratégico para o País em mercados futuros. Valor para a manutenção climática mundial e regulador de processos ecológicos localizados, essenciais à manutenção da vida na região e no planeta. Não queremos minimizar a importância de outros temas, em especial dos desmatamentos, mas acreditamos que, ao encontrar solução para ampliação do ‘Valor do Ecossistema Florestal’, estaremos, 476 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 conseqüentemente, promovendo sua capacidade de competir com outros tipos de uso da terra. Não temos dúvida de que a atividade privada, entendendo o termo privada de maneira ampla, incluindo empresas, indivíduos e o chamado terceiro setor, fará com que transforme-se a importância em opção da atividade produtiva florestal preferencial no processo de ocupação social e econômica da Amazônia. Aumentar a competitividade da atividade florestal parece ser o principal caminho para reverter as condições atuais, nas quais os recursos florestais são usados de maneira perdulária ou são considerados empecilhos à ampliação da agropecuária. Nos dois casos é melhor retirá-lo do caminho. Mas a competitividade do ecossistema florestal depende, por sua vez, de ações voltadas a tornar a sua conservação, ou seja, sua exploração sustentável, mais atrativa e menos complicada. Mais atrativa, por exemplo, do ponto de vista normativo, na medida em que sua regulamentação não seja destinada a coibir sua existência, como acontece atualmente. Mais atrativa do ponto de vista da oferta e da acessibilidade de capital para financiar seus elevados e, às vezes, proibitivos custos de investimentos. 477 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Por fim, nós, que apoiamos esse manifesto, acreditamos ainda que a atividade produtiva florestal não pode ser tão complicada, do ponto de vista técnico, que venha a inibir as iniciativas de todo e qualquer empreendedor. O pacote tecnológico para uso múltiplo da floresta, já existente e dominado por um pequeno número de pesquisadores e técnicos, precisa chegar aos extrativistas, às comunidades que habitam o interior da floresta e aos empresários em geral. A massificação dessas técnicas demonstrará que a atividade florestal pode e deve ser simples, sem complicação. Para concluir, a idéia de formação dessa Frente Parlamentar Mista da Floresta Amazônica vem demonstrar a preocupação de parcela significativa dos parlamentares com relação aos destinos do inigualável ecossistema florestal da Amazônia”. Esse é o manifesto. Sr. Presidente, como se pode notar, a humilde pretensão é formar um grupo de Parlamentares que, sensíveis às questões da floresta amazônica, disponham-se a compreender a dinâmica inerente ao uso sustentável dos recursos florestais desse bioma que ocupa a maior parte da região. Por sinal, voltando ao Plano Amazônia 478 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Sustentável, ao diagnosticar o elevado patrimônio existente na região, são identificados três grupos distintos, a saber: Patrimônio biológico. A Amazônia abriga um terço das florestas tropicais úmidas do planeta, que concentram 50% da diversidade biológica mundial e apresentam imenso potencial genético, princípios ativos do inestimável interesse econômico e social e oferta de produtos florestais com alto valor no mercado. O maciço florestal é administrado, em sua maior parte, por um mesmo Estado nacional. Seus habitantes acumularam conhecimento singular sobre suas características e seu funcionamento. Assim, o patrimônio biológico representa grande potencial ecológico, econômico e político, de importância estratégica regional, nacional e internacional. Patrimônio hidrológico. A bacia hidrográfica estende-se por mais de 6 milhões de quilômetros quadrados e reúne mais de 1.100 afluentes. Pela bacia do Rio Amazonas fluem cerca de 15% da água doce não congelada do planeta, recurso cada vez mais escasso, e 80% da água disponível no território brasileiro. O potencial hidrelétrico é fundamental para o País. A bacia dispõe ainda de vastos recursos pesqueiros e potencial excepcional para a aqüicultura. Patrimônio pedológico/geológico. A Amazônia possui meio bilhão de hectares de solos de aptidão agrícola variada, cerca de um quinto dos quais aberto, um subsolo com gigantescas reservas de minérios tradicionais em exploração, como ferro, bauxita, ouro e cassiterita, e ocorrência de minérios com potencial para novas aplicações tecnológicas, como nióbio, manganês e titânio. Como dito, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Plano, com ousadia, destaca a importância da distinção entre o bioma floresta e os demais. Esses 479 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 biomas articulam-se a conjuntos de atividades produtivas de certos tipos que significam um modo de interagir produtivamente com o respectivo meio, demonstrando o grau de adequação da tecnologia disponível e a sustentabilidade das práticas de produção utilizadas. As iniciativas de desenvolvimento da Amazônia precisam levar objetivamente em consideração as implicações da presença dominante da floresta. De um lado, ressaltam-se os cuidados requeridos para sua conservação. De outro, destacam-se as possibilidades de aproveitamento econômico dos produtos florestais associados à biodiversidade, via potencial de ampliação da capacidade de agregação de valor e, portanto, de geração de renda e emprego para vastas camadas da população. O desafio de promover a utilização da riqueza florestal com simultânea conservação do bioma é talvez o mais significativo para a Amazônia no presente. Sr. Presidente, o potencial da floresta, devidamente ressaltado no referido plano, é facilmente observado quando notamos que o Brasil é o maior produtor e consumidor mundial de produtos florestais tropicais. Alguns setores estratégicos da economia, tais como a siderurgia, as indústrias de papel e embalagens e a construção civil, estão estreitamente ligados ao setor florestal. As cadeias de produção diretamente baseadas em produtos florestais madeireiros representam 4% do PIB brasileiro e 8% das exportações, além de recolher mais de 3 bilhões de reais de impostos anualmente e de gerar 2 milhões de empregos diretos e indiretos. O setor madeireiro da Amazônia, que cresce mais que nas outras regiões, é o maior empregador, sendo responsável por 127 mil empregos diretos e 105 mil empregos indiretos dentro da região, além de mais 120 mil empregos indiretos fora da região. 480 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Por sinal, a indústria sustentável de madeira é reconhecida no Plano como componente fundamental da estratégia regional. Obviamente, trata-se daquela indústria baseada no manejo florestal e na certificação dos produtos, segundo experiências realizadas no Acre e em indústrias localizadas em torno de Manaus. Além disso, há forte potencial de mercado da biodiversidade contida nas florestas, nas várzeas, nos cerrados e nos rios amazônicos, que possuem 33 mil espécies de plantas superiores, sendo pelo menos 10 mil com uso medicinal, cosmético ou como bioinseticida, e 300 espécies de frutas comestíveis, além da rica fauna silvestre. Continuando, o Plano afirma que alguns produtos florestais estão sendo comercializados em mercados nacionais, tais como o açaí, o guaraná, as frutas tropicais, o palmito, diversos fitoterápicos e fitocosméticos, o couro vegetal, o artesanato de capim dourado e o artesanato indígena. Na mesma linha, o manejo da fauna silvestre em sistemas extensivos ou semi-extensivos aproveita a biodiversidade na forma de pasto apícola ou de forragem fornecida pela natureza para animais tais como catetos, queixadas, capivaras e emas, cujas carnes estão chegando a restaurantes, churrascarias e supermercados. Como na importante experiência de manejo de fauna desenvolvida na Reserva Extrativista do Cazumbá, em Sena Madureira, no Acre. Estima-se a produção de pescado na Amazônia em cerca de 200 mil toneladas/ano, que resultaram em uma renda bruta de cerca de 470 milhões de reais em 2003. A atividade gera cerca de 150 mil empregos, dos quais 72% no âmbito da pesca de subsistência, 23% pela pesca comercial e apenas 3% pelos frigoríficos. 481 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Já com relação aos serviços ambientais, o Plano afirma que as florestas amazônicas protegem a circulação de 20% da água doce disponível no mundo. A água que evapora das florestas regula o regime de chuvas no Centro-Oeste e no Sudeste e os rios da Amazônia representam praticamente todo o potencial hidrelétrico ainda inexplorado do Brasil, que é o maior do planeta. Existem indicações preliminares de que as gigantescas quantidades de carbono estocado na floresta podem estar aumentando, o que tornaria a Amazônia, desde que reduzidos os níveis correntes de desmatamento, importante vetor de redução da quantidade de gases de efeito-estufa na atmosfera, reduzindo o aquecimento global, com implicações até na mudança dos níveis dos oceanos. Sr. Presidente, promover o aproveitamento de todo esse potencial requer, como ressaltado no Plano, o desencadeamento de uma profunda revolução técnico-científica que sustente uma radical mudança produtiva no bioma florestal. Trata-se da valorização da biodiversidade e da água como elementos capazes de sustentar a riqueza da sociodiversidade regional, constituída pelas populações tradicionais e por outros grupos diversificados. Ademais, só a atribuição de valor ao bioma florestal será capaz de competir com o narcotráfico e o desmatamento. Essa produção sustentável da biodiversidade envolve pelo menos 3 níveis de ações que demandam inovações tecnológicas diversas e que se relacionam à gestão ambiental e ao ordenamento do território, bem como à própria inclusão social. O nível mais avançado, da biotecnologia e bioindústria, que embasa a produção de fármacos, essenciais à saúde e ao consumo de massa pela redução de preços, ainda não foi alcançado. Esforços devem ser empreendidos para viabilizar 482 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 iniciativas como a do Centro de Biotecnologia da Amazônia, sediado em Manaus, envolvendo o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, a Fundação Oswaldo Cruz, a EMBRAPA e outras instituições de pesquisa no País e no exterior. A garantia dos direitos das populações tradicionais também se configura em preocupação do Plano. Por isso, além do envolvimento direto na produção, cabe a criação de oportunidades para que os recursos genéticos e os conhecimentos tradicionais associados possam ser utilizados no desenvolvimento de novos produtos, garantindo-se aos seus detentores a repartição de benefícios do seu uso, sempre sujeito ao consentimento prévio. Para isso, há que se criar um ambiente de estímulo à interação entre povos indígenas e comunidades locais e instituições de pesquisa e desenvolvimento. Sr. Presidente, cabe aqui destacar outra manifestação importante da administração pública nacional, voltada à valorização do ecossistema florestal na Amazônia. Trata-se, nada mais, nada menos, de voto do Ministro Humberto Souto, do Tribunal de Contas da União, que, em ilustre iniciativa, procedeu a uma auditoria operacional do manejo florestal na Amazônia. O parecer, proferido em abril de 2004, recomendou ao IBAMA o seguinte: - adotar medidas com vistas a simplificar o processo de aprovação dos planos de manejo florestal; - estudar a possibilidade do estabelecimento de mecanismos que equiparem a competição entre a madeira proveniente do manejo florestal e aquela oriunda do desmatamento legal; 483 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 - padronizar os critérios de avaliação técnica para aprovação de planos de manejo florestal; e - capacitar seus funcionários para a execução de processos padronizados de manejo florestal. Por fim, o Ministro-Relator conclui: “É alvissareiro constatar que o manejo florestal, como forma de exploração, é exemplo de boa prática de proteção e promoção do desenvolvimento da região da Amazônia Legal e efetivamente pode ser considerado sustentável”. Sr. Presidente, como se pode notar, parece que é chegada a hora de fazer com que o ecossistema florestal da Amazônia seja tratado com a importância que merece. O Poder Executivo já atentou para isso e vem tomando as medidas necessárias como apresentado no Plano Amazônia Sustentável. O manejo florestal na Amazônia foi analisado com distinção e, como visto, de maneira positiva, na condição de opção preferencial de ocupação produtiva do bioma floresta da Amazônia, pelo próprio Tribunal de Contas da União. Sr. Presidente, neste sentido, este Parlamento não poderá se furtar a essa discussão, sob pena de perder o bonde e ficar a reboque do Executivo numa questão que chama a atenção do mundo e de toda a sociedade brasileira. Com a criação dessa Frente, nós, os Parlamentares da floresta, poderemos influenciar de maneira organizada na definição dos novos instrumentos de políticas públicas que deverão originar-se depois da finalização do Plano Amazônia Sustentável. 484 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Trata-se, sem dúvida, de um novo e salutar momento no planejamento das ações públicas e privadas na região, que a partir de agora terão que se adequar a essa fundamental distinção entre a floresta e as demais formações vegetais existentes na Amazônia. De agora em diante, a instalação das atividades produtivas deverão se adequar ao tipo de ecossistema no qual será empreendida. Quando for direcionada ao bioma floresta terá que conviver e se viabilizar segundo outros critérios, tendo como referência maior a conservação da floresta e a manutenção da sua capacidade de fornecimento contínuo de bens, serviços e produtos. Por sinal, o Plano assume também a necessidade de obter recursos financeiros voltados à ampliação da competitividade da atividade florestal sustentável. Dessa forma, está prevista a discussão acerca da criação da CIDE florestal. Como afirma o documento, a proteção do patrimônio natural é claramente uma questão de relevante interesse econômico, haja vista o enorme desperdício de recursos decorrentes do desmatamento. Justifica-se, portanto, que a União utilize, como instrumento de sua atuação em prol do melhor aproveitamento econômico dos recursos naturais do País, uma contribuição de intervenção nesse domínio econômico. O objetivo dessa contribuição seria o de impor um ônus financeiro à derrubada indiscriminada da floresta, criando, portanto, um incentivo econômico à sua preservação. A contribuição proposta incidiria sobre a extração de madeira, qualquer que seja sua causa e utilização posterior, ficando isenta a que detenha a 485 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 certificação produzida pelos órgãos oficiais de defesa do meio ambiente e que esteja sendo explorada de acordo com as normas do manejo florestal sustentável. Sr. Presidente, para finalizar, gostaria de deixar claro que essa discussão seguramente não poderá limitar-se ao espaço territorial compreendido pela Amazônia brasileira. Não será possível a implantação de um modelo adequado de ocupação do bioma floresta, que seja competitivo frente aos outros países amazônicos, caso estes mantenham índices de exploração com maior produtividade, de menores custos operacionais, mas no entanto insustentáveis. Os países que detêm o maior estoque de madeira tropical do mundo e são por isso os maiores produtores mundiais de recursos florestais amazônicos não podem assumir procedimentos diferenciados, com critérios de sustentabilidade questionáveis. A união desses países torna-se uma prioridade. A integração do ecossistema florestal de toda a Amazônia amplia sua possibilidade de manejo e sua competitividade. Afinal, o ecossistema florestal é um monopólio desses países e não poderá ser domesticado na sua totalidade em nenhum lugar do mundo, como ocorreu com a seringueira no início do século passado. Dessa forma, o Plano também considera a integração como condição fundamental. A integração continental é outro componente estratégico que se adiciona, para além do mencionado fortalecimento da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica — a OTCA, priorizando, igualmente, o aprofundamento das relações entre as comunidades fronteiriças em nível local, através da utilização de equipamentos já existentes nos núcleos urbanos. Ressaltam-se nesse contexto as “cidades gêmeas”, onde os fluxos transfronteiriços animam adensamentos, embriões 486 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 de integração a serem reforçados e convenientemente geridos. São os casos, por exemplo, das cidades de Oiapoque e Saint James, no Amapá; Pacaraima e Santa Helena, em Roraima; Tabatinga e Letícia, no Amazonas; Assis Brasil e Iñapari, no Acre; e Brasiléia e Cobija, também no Acre, na minha região de origem. Acredito realmente, Sr. Presidente, na importância deste momento para os destinos da Amazônia. Acho que, apesar da demora injustificável, o nosso Governo conseguiu alcançar maturidade suficiente para ser ousado no trato para com a Amazônia. O que estamos assumindo agora é fruto de discussões longas mas necessárias com variados atores que atuam na região e se preocupam com a sustentabilidade de sua economia. Sustentabilidade entendida em sentido amplo, mas que tenha sustentáculo na diversidade biológica e cultural existente naquele vastíssimo e maravilhoso ecossistema. Nós, os Parlamentares da floresta, deveremos estar atentos para que as atividades planejadas para região sejam efetivamente implementadas, no sentido de gerar riqueza na própria região de forma permanente e com equidade. Nós, os Parlamentares da floresta, que concordamos com o manifesto lido inicialmente, não pouparemos esforços para que o ecossistema florestal tenha a atenção pública que merece. Sr. Presidente, aproveito a oportunidade para ratificar aos Deputados o pedido para que assinem esse manifesto, que é de fundamental importância para discutirmos a Amazônia de forma criteriosa e viabilizarmos os números que retratam o verdadeiro potencial da região. 487 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Antes de encerrar, agradeço às rádios FM de Brasiléia, Assis Brasil e Xapuri, que me têm dado cobertura quando necessário e quando meu pronunciamento se apresenta de grande valor público. Sr. Presidente, solicito a V.Exa. a divulgação deste discurso no programa A Voz do Brasil e nos órgãos de comunicação da Casa. Muito obrigado. 488 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) - Concedo a palavra ao Sr. Deputado Pauderney Avelino, por 25 minutos. O SR. PAUDERNEY AVELINO (PFL-AM. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, hoje é um dia especial para esta Casa: é a véspera da reafirmação da Câmara dos Deputados como Casa do povo brasileiro. Essa condição, tenho certeza, será reafirmada amanhã, quando votaremos o reajuste do valor do salário mínimo para 275 reais. O Senado Federal, alterando a medida provisória do salário mínimo e estabelecendo o valor de 275 reais, em vez de 260 reais, cumpriu o seu dever e conferiu ao trabalhador de baixa renda que ganha salário mínimo, a aposentados e pensionistas da Previdência Social acréscimo de 15 reais ao reajuste proposto pelo Governo do PT. Sr. Presidente, quando a matéria tramitou na Câmara dos Deputados, no dia 2 de junho, alertei as Sras. e os Srs. Deputados, desta tribuna, para o fato de que deveríamos aprovar reajuste maior para o salário mínimo, independentemente da questão partidária, porque havia condições para tanto nas contas da Previdência Social. Afirmei na oportunidade que seria de 2 bilhões e 200 milhões de reais o gasto da Previdência Social com aposentados e pensionistas. Citei até mesmo uma série de fontes de recursos para a despesa decorrente do aumento de 35 reais. Encaminhei, no dia 31 de maio deste ano, ofício a cada um dos Srs. Parlamentares no qual solicitei apoio para a aprovação do salário mínimo de 300 reais — equivalente a 100 dólares —, defendido pelos Deputados Carlos Nader, Virgílio Guimarães e por mim há alguns anos. Mas foi apresentada emenda 489 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 aglutinativa e nossa proposta foi votada junto com outras. Conseqüentemente, foi derrotada. O substitutivo do Relator, que propunha o salário mínimo de 275 reais, foi aprovado no Senado Federal. Alertei desta tribuna que, se a Câmara dos Deputados aprovasse o salário mínimo de 260 reais, o Senado Federal aumentá-lo-ia para 275 reais. E foi o que de fato ocorreu. Estamos agora na véspera da votação, e tenho certeza de que todos os Srs. Deputados estarão presentes neste plenário para dizer “sim” ao substitutivo do Senado Federal. E o que são 15 reais? Para quem tem muito não significa muita coisa, mas para quem não tem nada significa muito. Para V.Exas. terem idéia, a Receita Federal acaba de divulgar o resultado de suas arrecadações no mês de maio. Notem, Sras. e Srs. Deputados, que somente em razão da nova COFINS houve, a preços correntes, em relação a maio de 2003, aumento de 51,92%, ou seja, 2 bilhões de reais a mais em apenas 1 mês. Portanto, os 2 bilhões de reais que o Governo diz não ter para pagar o salário mínimo de 275 reais foi arrecadado com a nova COFINS de um mês para o outro. Então, por que o Governo não quer dar esse reajuste? Por que exige o sacrifício de sua base de sustentação política nesta Casa? Não sabemos dizer por que o Governo não quer conceder os 15 reais de reajuste, valor já aprovado pelo Senado Federal. Repito: 15 reais, quantia que para um Deputado ou para um Senador definitivamente não significa muita coisa, mas para o trabalhador, o aposentado ou pensionista da Previdência que ganha salário mínimo é muito. 490 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Vou lhes mostrar o que se compra com 15 reais: 1 quilo de arroz agulhinha tipo 1; 1 quilo de feijão carioca; 2 quilos de açúcar cristal; 1 quilo de farinha de mandioca; 500 gramas de fubá; 1 dúzia de ovos branco tipo extra; 1 unidade de sardinha em óleo Pescador; 1 quilo de sal refinado; 500 gramas de macarrão; 2 pães franceses de 50 gramas. Constatamos que 15 reais não é lá tão pouca coisa. Correspondem a 8 itens que suplementam a cesta básica da população brasileira carente. O Governo enfrenta alguma dificuldade para decidir pelo aumento maior do salário mínimo. Contudo, a proposta é viável, é possível. Diante da comprovação que apresentei de que é possível aumentá-lo para 300 reais, por que não fazê-lo agora, já que cabe à Câmara dos Deputados decidir se serão 275 reais ou 260 reais? Não tem cabimento o Governo nos ameaçar com o veto do salário mínimo, se a Câmara dos Deputados aprovar os 275 reais. Sras. e Srs. Deputados da base do Governo, não se impressionem com isso. O Governo e seus Líderes prometeram que o que fosse votado aqui seria mantido no Senado Federal. O que se viu foi exatamente o contrário: os Líderes do Governo não cumpriram o compromisso com os Deputados da base aliada nesta Casa. Tenho certeza de que S.Exas. agora estão liberados para votar salário mínimo maior, já que alertamos desta tribuna que o Senado Federal aumentaria seu valor. Ouço, com prazer, o Deputado Alberto Fraga. O Sr. Alberto Fraga - Parabenizo V.Exa. pela sinceridade e pela transparência na apresentação dos dados. V.Exa. muito contribuiu na semana passada para que alguns Parlamentares pensassem mais a respeito do assunto. 491 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Divulgou informações sobre a liberação de emendas de quem será beneficiado e de quem não será. V.Exa. contribuiu quando mostrou esses dados. É muito simples, nobre Deputado Pauderney Avelino: coincidentemente, os Deputados que votaram a favor da proposta do Governo receberam emendas. V.Exa. está de parabéns por mostrar os números e que há condições para a concessão do reajuste. Agora o enfoque muda: amanhã, os Deputados podem retirar 15 reais do salário mínimo. Lutamos anteriormente para acrescentar 15 reais. O Senado fez isso em virtude da omissão e, é verdade, da covardia de alguns Parlamentares. Amanhã, contudo, o Parlamentar que votar contrariamente à proposta do Senado estará retirando do trabalhador brasileiro 15 reais. Parabenizo V.Exa. pelo pronunciamento. Vamos pedir a Deus que ilumine a mente dos Parlamentares insensíveis a essas questões. O SR. PAUDERNEY AVELINO - Obrigado, Deputado Alberto Fraga, pelo aparte, que incorporo ao meu discurso. Parabenizo desde já V.Exa. e a maioria da bancada do Distrito Federal, que votarão majoritariamente a favor de um salário mínimo maior para o povo brasileiro. Ouço, com prazer, o nobre Deputado Virgílio Guimarães. O Sr. Virgílio Guimarães - Deputado Pauderney Avelino, sem dúvida, a luta pelo aumento do salário mínimo é importante. Entretanto, tenho avaliação distinta de V.Exa. a respeito da disputa política que ocorre no Congresso neste momento. Quem paga o salário mínimo não é apenas a Previdência Social; ele é universalizado, conquista importante do Brasil, um dos poucos países, se não for o único, que tem salário mínimo absolutamente universalizado. O empregador doméstico e rural, bem como a Previdência Social pagam a todos, aposentados e pensionistas. Em países do Primeiro Mundo não é assim: há diferença para o 492 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 pensionista, que ganha no máximo 70% do salário do cônjuge na ativa, mesmo que receba salário mínimo. Podia falar também das empresas terceirizadas de conservação e limpeza. Se o Senado Federal quisesse aumento maior — insisto em um ponto que pode não parecer importante — deveria ter aprovado os 260 reais com vigência a partir de 1º de maio e adiado o aumento para 275 reais. É complicada a concessão de aumento retroativo. Sinceramente, não é essa a intenção de V.Exa., obviamente, mas a medida não tem operacionalidade, para não usar outra palavra. Estamos em meados de junho. As programações estão em andamento e terão de retroagir a 1º de abril ou 1º de maio, as duas alternativas postas, com salário de 260 reais? O SR. PAUDERNEY AVELINO - V.Exa. há de convir, Deputado Virgílio Guimarães, que dinheiro a mais, por efeito retroativo, vai ser benéfico para trabalhadores, aposentados e pensionistas. O Sr. Virgílio Guimarães - Vai ser benéfico a todos, mas não acho justo com quem paga salário mínimo nem com quem recebe o aumento retroativo. Que seja a partir de 1º de agosto, que considero boa data. Que se adie o aumento. Por exemplo: comuniquem ao Prefeito de uma cidade do interior do Amazonas, que está sob duríssimo ajuste fiscal, que tem uma dívida retroativa, que terá de acertá-la até o final de dezembro; que, se não o fizer, será punido com prisão, porque o desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal é punido com prisão. Isso não é correto com ninguém. O certo é votarmos a favor dos 260 reais a partir de 1º de maio e esquecermos o dia 1º de abril. Vamos construir juntos um programa de reajuste do salário mínimo. Comprometo-me aqui a cooperar para fazê-lo. Podemos até pensar em aumento neste ano. Não vejo problema nisso; pode ser que o 493 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Governo veja. Podemos discutir os valores, porém mais à frente. A empresa que presta serviços de conservação e limpeza nesta Casa não tem chance alguma de receber do Presidente João Paulo Cunha valores a mais por um contrato já em vigor. A empresa vai absorver o aumento? Trata-se talvez de disputa política, se me permite o exagero. Se quisessem realmente estabelecer critérios viáveis, praticáveis, sustentáveis e corretos, adotariam um programa de crescimento do salário mínimo para o futuro. É o que vamos fazer. Votarei tranqüilamente a favor dos 260 reais, sabendo que não é uma maravilha, mas é o maior dos últimos 20 anos. E vamos elaborar um programa de aumento do salário mínimo ao longo do tempo. O SR. PAUDERNEY AVELINO - Deputado Virgílio Guimarães, sinto enorme respeito por V.Exa. E minhas palavras são sinceras. Ao longo desses anos de convivência respeitosa nesta Casa, construímos muitas soluções. Daí porque faço um chamamento a V.Exa., estudioso que é da matéria, em nome do povo brasileiro, para que também apresente a solução para o problema, ou seja, valor maior para o salário mínimo. Tenho certeza de que S.Exa., o Presidente da República, não vetará os 275 reais, mesmo porque tem condições de recorrer aos estudos de V.Exa., do IBGE, do IPEA, da Fundação Getúlio Vargas e conceder salário mínimo condizente com as necessidades do povo brasileiro. Com certeza, nem 275 reais seriam condizentes, mesmo porque é valor irrisório. Como disse, a minha proposta é de 300 reais. Haverá impacto na Previdência Social? Claro que sim, mas temos fontes de recursos para atenuar esse impacto. Deputado Virgílio Guimarães, respeito V.Exa. pela coragem de propor, formular e buscar solução para alguns dos problemas que enfrentamos nesse 494 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 embate entre Oposição e Governo. Esta não é mais uma questão política. Não a trataria, como não a estou tratando, como política, mas, sim, como questão humanitária e social, porque o programa de aposentadorias da Previdência Social, o maior programa de renda mínima do mundo, faz um pouco de justiça social ao levar o salário mínimo a pessoas desprovidas de qualquer rendimento. O salário mínimo de 275 reais, sem dúvida alguma, fará muito mais justiça social, se as pessoas que o receberem, por exemplo no interior de Minas Gerais, no Vale do Jequitinhonha — a região mais pobre do Estado —, ou nos altos rios do Amazonas, no Vale do Ribeira, em qualquer lugar do agreste e do Nordeste, tiverem condições de comprar medicamentos e alguns itens da cesta básica para suplementar a alimentação de suas famílias. As ameaças de veto do Presidente da República, acredito eu, não procedem, mesmo porque S.Exa. não voltará ao valor de 240 reais. Sancionando os 275 reais, poderá baixar nova medida provisória. Poderia fazê-lo de novo, propondo aumento maior do salário mínimo. Mas se quiser voltar aos 260 reais, uma vez sancionada a atual medida provisória, S.Exa. teria de enviar outra para novo embate político. Apresentamos as fontes de recursos, conforme levantamento feito pela Consultoria de Orçamento do Congresso Nacional. As fontes são confiáveis. S.Exa. sabe que temos argumentos. No momento, deixam de ser políticos, mas virão a ser, se recrudescer o embate nesta Casa. Se mantivermos a decisão do Senado Federal, Deputado Virgílio Guimarães, não caberá outra alternativa ao Presidente da República a não ser também confirmá-la ou simplesmente negar o salário mínimo de 275 reais retroativo. À Câmara dos Deputados não restará outra alternativa, em virtude do processo 495 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 legislativo referente à tramitação das medidas provisórias, um dos ditames constitucionais. Deputado Virgílio Guimarães, amanhã esta Casa poderá se afirmar politicamente como o grande cenário para o qual acorrem todos os segmentos da população brasileira que se sentem prejudicados, ofendidos e diminuídos. É a Casa do povo brasileiro que a socorre. O Sr. Virgílio Guimarães - Estaremos juntos depois da votação, tenho certeza, na apreciação da nova lei geral do salário mínimo, para assegurar reajuste sustentável, acima dos 300 reais, ao longo do tempo. O SR. PAUDERNEY AVELINO - Sem dúvida, nobre Deputado Virgílio Guimarães. Agradeço a V.Exa. o aparte. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, sem dúvida enfrentaremos o embate da consciência: queremos dar à população de baixa renda salário mínimo melhor ou vamos manter os 260 reais? Sobre o aumento da alíquota da COFINS, cito matéria publicada hoje no caderno Economia do jornal O Globo, sob o título Nova Cofins pune empresas menores e consumidores, dizem especialistas. E vai mesmo, porque a base de cálculo que a Receita Federal adota para PIS e COFINS incidentes na importação é sobre o preço agregado aos impostos aduaneiros. Portanto, precisa ser modificada. A população brasileira não agüenta mais pagar tanto imposto; não vamos mais resistir. Esse aumento de carga tributária fatalmente pesará no bolso do consumidor, como estão prevendo os especialistas, e eu digo que é verdade. A alíquota da COFINS para a importação, nobre Deputado Virgílio Guimarães, não será de 9,25% para as empresas que estão sob o regime do crédito presumido, mas, sim, de 13%. 496 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Foram agregados outros impostos, além do preço aduaneiro. Ora, não é justo; a medida precisa ser revista. Faço um apelo ao Secretário da Receita Federal, Sr. Jorge Rachid, e ao Secretário-Adjunto, Sr. Ricardo Pinheiro, para que revejam tal procedimento, porque através dele pequenas e microempresas terão adicional de carga tributária, enquanto grandes empresas, sob o regime do lucro real, não terão. Sr. Presidente, este é mais um dos motivos do aumento de quase 52% na alíquota da COFINS, de maio de 2003 para maio de 2004. Sras. e Srs. Deputados, esta diferença apurada seria suficiente para cobrir o impacto de 2 bilhões e 200 milhões de reais que causariam os 15 reais de aumento do salário mínimo nos cofres da Previdência Social. Amanhã temos encontro marcado com a nossa consciência, com aposentados e pensionistas, com o grande Brasil que não tem voz, que não se expressa, mas que, por intermédio de representantes nesta Casa, palco das grandes decisões nacionais, vai dizer “sim” ao valor do salário mínimo aprovado no Senado Federal. Amanhã estaremos firmes na defesa dos interesses do trabalhador, do aposentado, do pensionista, do índio, do caboclo e da população carente que sobrevive com um salário mínimo. Durante o discurso do Sr. Pauderney Avelino, o Sr. Luiz Couto, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Zico Bronzeado, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. 497 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. ORLANDO DESCONSI - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Zico Bronzeado) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. ORLANDO DESCONSI (PT-RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, agradeço à Deputada Maninha a gentileza. Cidadãs e cidadãos do Brasil, é com satisfação que anuncio a ampliação, na última sexta-feira, dos recursos do Plano Safra para a agricultura. Serão 39,5 bilhões para a safra 2004/2005. Foram 32,5 bilhões no ano passado, serão 39,5 bilhões de reais este ano: aumento de 45% sobre os 27,15 bilhões destinados ao setor na safra anterior. A expansão do crédito de custeio e comercialização chegará a 34%, mas os investimentos serão muito mais expressivos. Os produtores terão 10,7 bilhões de recursos, um aumento de 86% sobre o programado para a safra anterior. A taxa de juros de 8,75% é acessível. E o importantíssimo MODERFROTA, Sr. Presidente, que dispunha de 2 bilhões no ano passado, no próximo ano terá 5,5 bilhões. Na minha região, produtora de máquinas agrícolas e voltada para a produção primária, triplicamos o número de empregos graças ao programa. O Governo Lula acatou sugestão nossa no sentido de incluir máquinas usadas no financiamento do MODERFROTA. Portanto, parabenizo o Governo Lula e os agricultores brasileiros que recebem atenção especial e retribuem com aumento da produção de alimentos para o Brasil e para o exterior. Muito obrigado, Sr. Presidente. 498 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Zico Bronzeado) - Dando continuidade ao Grande Expediente, concedo a palavra, por até 25 minutos, à Deputada Maninha, do PT do Distrito Federal. A SRA. MANINHA (PT-DF. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero pedir desculpas pela minha voz, que a cada dia está diminuindo. Espero que um dia quem administra esta Casa decida retirar o carpete do plenário. Se eu passo mal, imaginem os taquígrafos e demais funcionários, que trabalham a maior parte do tempo em local tão insalubre. O ar-condicionado e este carpete cheio de ácaros com certeza provocam infecção das vias aéreas superiores. Estou há quase 10 dias tentando sem sucesso curar-me de uma infecção. Portanto, faço um apelo à administração desta Casa no sentido de que o carpete seja retirado daqui. Tenho certeza de que com essa providência diminuirá o índice de doenças que acometem nossos funcionários, e alguns Deputados também. Sr. Presidente, quero tratar de tema extremamente polêmico, que permeia todas as discussões nesta Casa, e às vezes alguns Deputados não querem sequer tocar nesse assunto. Hoje é o Dia de Luta por uma Educação sem Discriminação em todas as escolas do País, uma data dedicada a reforçar nos alunos a noção de igualdade e de respeito às diferenças, para combater a discriminação que sofrem os negros, índios, deficientes e outras minorias. O Ministério da Educação tem esse grande desafio pela frente, desafio esse que será ainda maior, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, se lembrarmos que ontem foi comemorado em Brasília o Dia do Orgulho Gay. 499 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Realmente, assunto ainda mais polêmico do que a discriminação de raças é a discriminação diante da opção sexual. Varrer das salas de aula o preconceito contra alunos e professores homossexuais será ainda mais difícil do que combater o preconceito racial: uma pesquisa realizada pelo MEC atestou que 59% dos professores do ensino fundamental consideram inadmissível o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo. Parte dessa dificuldade, Sr. Presidente, poderia ser amenizada se tivéssemos uma legislação menos preconceituosa. Na verdade, há grande lacuna na legislação brasileira — e na da América Latina, de forma geral — sobre os direitos dos homossexuais, no que diz respeito à união estável. O lugar mais evoluído no nosso continente é a cidade de Buenos Aires, Capital da Argentina, onde uma lei permite pactos de convivência entre pessoas do mesmo sexo, mas é a única lei que existe na região. No Chile chega a ser considerada crime a união de homossexuais. Aliás, só muito recentemente a lei do divórcio foi aprovada nesse país. Antes de analisar mais detidamente a situação no Brasil, é preciso registrar que os países mais avançados nessa área são os da Europa, com destaque para a Holanda, o primeiro país a permitir o casamento de homossexuais nos moldes do de heterossexuais, hoje também permitido na Bélgica e na Suécia. O que existe no Brasil, Sras. e Srs. Deputados, são decisões judiciais que vão consolidando uma jurisprudência fundamental para as necessárias mudanças dos costumes e da própria legislação. Os juízes, ao aplicarem o Código Civil à união entre pessoas do mesmo sexo, acabam transformando dispositivos não específicos da lei em instrumentos para resolver casos concretos. Um exemplo recente foi a inédita decisão proferida pelo Desembargador Aristides Pedroso de Albuquerque 500 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Neto e publicada no Diário Oficial no dia 3 de março, que passou a permitir que os cartórios gaúchos aceitem os pedidos de registro de união de pessoas do mesmo sexo. A iniciativa da Justiça gaúcha foi originada pelo pedido de um parecer à Corregedoria feito pelo Ministério Público estadual, que havia recebido a informação de que diversos tabeliães se recusavam a lavrar escrituras de união estável de homossexuais. No despacho que serviu de base à decisão do Desembargador Aristides Neto, outro Desembargador, o Dr. Clademir Missagia, afirmou que “não obstante as discussões éticas, filosóficas, antropológicas e religiosas sobre o tema, o fato é que as relações homossexuais existem e, por isso, em razão da segurança jurídica, merecem ser disciplinadas”. Argumentou ainda, Sr. Presidente, que os tribunais já vêm reconhecendo algumas situações que dizem respeito a relações homossexuais, como a partilha dos bens havidos durante a existência da união, o direito à sucessão e o direito à pensão, acrescentando que as varas de família são competentes para examinar as questões que envolvem sociedade de pessoas do mesmo sexo, além do direito de usufruto e do direito à guarda de crianças. Mas a Justiça do Distrito Federal, Sras. e Srs. Deputados, também não fica atrás. A 5ª Turma Cível decidiu conceder a guarda de um menor a um homossexual sem vínculo familiar com a criança. Apesar do recurso de apelação dos pais, os desembargadores entenderam que a opção sexual do responsável não impede a concessão da tutela. A decisão foi unânime na sessão de julgamento, ocorrida no último dia 8 de março. O menor havia sido entregue à guarda de um homossexual quando tinha apenas 1 mês de vida; desde então, passados mais de 5 anos, vem 501 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 recebendo do seu guardião os necessários cuidados, como saúde, alimentação e vestuário. Ocorre que a mãe dessa criança está cumprindo pena no presídio feminino de Brasília e o pai, na Papuda. A avó paterna, única parente próxima que poderia cuidar desse menino, afirmou em juízo não ter condições financeiras para sustentá-lo. O entendimento dos julgadores da 5ª Turma Cível confirmou sentença da Vara da Infância e da Juventude, embasada em laudo de psicólogos, confirmando a aptidão para a guarda. Além disso, os pareceres do Ministério Público, em primeira e segunda instâncias, também foram favoráveis ao deferimento do pedido. Não é só a Justiça, porém, que vem solidificando os direitos dos homossexuais. Ainda que existam lacunas na legislação, iniciativas de administradores públicos ou de empresas acabam fazendo valer os princípios da igualdade, no campo do direito à livre expressão sexual. Foi o caso da empresa pública de comunicação RADIOBRÁS, que, também em março último, assinou com seus 1.200 servidores um acordo coletivo de trabalho em que estende a parceiros do mesmo sexo os benefícios concedidos às uniões convencionais. O acordo prevê 6 benefícios: auxílio-deficiente, auxílio-funerário, auxílio-creche, auxílio-remoção e auxílio-odontológico, além de reembolso de plano de saúde. Trata-se do primeiro caso de reconhecimento dos direitos de parceiros homossexuais em instituição pública federal. Um detalhe importante é o fato de que o acordo coletivo foi homologado pelo Ministério do Planejamento, que fiscaliza todas as convenções do Governo Federal e das estatais. 502 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Sr. Presidente, procurando diminuir a lacuna existente na legislação brasileira, desde meus mandatos de Deputada Distrital tenho trabalhado nesse tema. É de minha autoria a Lei Distrital nº 2.615, de 2000, que determina punições para estabelecimentos comerciais, industriais e de prestação de serviços e órgãos públicos do Distrito Federal que discriminarem pessoas em função de sua orientação sexual. Essa lei estabelece multas e até suspensão de alvará para quem praticar constrangimento, proibição de ingresso ou de permanência de homossexuais em determinados recintos, atendimento diferenciado, preterimento na ocupação de hotéis ou no aluguel de imóveis etc., multas essas que variam entre 5 mil e 10 mil UFIRs, dobradas em casos de reincidência. E nesta Casa tenho duas propostas sobre o assunto em tramitação, os Projetos de Lei nºs 2.383/2003 e 3.817/2004. O primeiro deles, apresentado no ano passado, tem a finalidade de impedir os constantes atos de discriminação a que são submetidos milhares de homossexuais no momento em que procuram inscrever-se em planos de saúde. O fato é que, embora não haja qualquer embasamento legal, as operadoras de planos de saúde, públicas ou privadas, criam restrições à inscrição de pessoas como dependentes de outras em razão de pertencerem ao mesmo sexo. Na maioria das vezes essa restrição é imposta de forma disfarçada, apresentando-se argumentos em outros campos que não o da legislação. Já o segundo projeto, que apresentei recentemente, define como crime hediondo o cometido contra homossexuais em razão de sua expressão sexual. Os praticantes de tais delitos, condenados ou respondendo a processo, poderão sofrer sanções, tais como: não ter direito a fiança; cumprir pena integralmente em regime fechado; não ter direito a indulto, graça, perdão ou anistia. Além disso, serão 503 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 equiparados a criminosos que praticaram delitos como seqüestro, latrocínio e estupro. Não podemos, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, continuar omissos. No último dia 15 de junho, o Senado dos Estados Unidos da América aprovou uma lei semelhante ao meu projeto. Com 65 votos favoráveis e 33 contrários, criou-se uma legislação que acrescenta gays e transexuais aos grupos protegidos contra crimes de ódio. A lei acrescenta os homicídios motivados por “orientação sexual, gênero e incapacidade” aos crimes de ódio no país e permite que o Governo ajude na investigação e na condenação desses crimes. Creio, portanto, ter acertado em meu projeto, e por essa razão, entre inúmeras outras que poderíamos citar aqui, é que peço aos nobres companheiros desta Legislatura que apóiem essas iniciativas em tramitação. Sr. Presidente, quero aproveitar os minutos que ainda me restam para explicar a este Plenário outro projeto de lei ao qual dei entrada na semana passada, que julgo da maior importância para o trabalhador brasileiro e por isso peço a atenção de todos os Deputados. Trata-se do PL nº 3.818, de 2004, que torna obrigatório o fornecimento de protetores ou bloqueadores solares aos trabalhadores que, por imposição das tarefas que desenvolvem, são obrigados a ficar expostos ao sol por longos períodos. Tramitam nesta Casa algumas propostas visando dar tratamento tributário diferenciado aos protetores e bloqueadores solares — talvez aqueles que estejam ouvindo-me não tenham atentado para a importância do que vou dizer neste momento —, ora tratando de isenção, ora caracterizando os bloqueadores e 504 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 protetores como medicamentos, porém nenhuma delas trata a situação como uma obrigação de disponibilizar a devida proteção ao trabalhador. Os dados existentes na saúde pública mostram que a incidência de câncer de pele é extremamente elevada entre as pessoas que freqüentemente ficam expostas à radiação solar, especialmente em determinados horários. Ocorre que, diferentemente de outras situações, a esses trabalhadores não é dado o direito de escolher o horário em que estarão expostos ao sol, e eles muitas vezes permanecem por 8 horas ou mais no exercício das suas atividades sem qualquer proteção. Pesquisas realizadas pela Sociedade Brasileira de Dermatologia apontam que, em 2002, dos 27.758 pacientes de câncer de pele pesquisados, 22,3% ficaram expostos ao sol com proteção, enquanto 69,2% ficaram expostos sem proteção. Tais números repetiram-se em 2003: do universo de 37.853 pacientes pesquisados, 22,3% ficaram expostos ao sol com proteção e 69,6% sem proteção — um pequeno aumento em relação ao ano anterior. Isso apenas em termos de casos registrados. Acrescente-se, Sr. Presidente, que, do universo pesquisado em 2003, 92,9% não apresentavam história pregressa de câncer de pele e apenas 7,1% apresentavam registro histórico nesse sentido. Da mesma forma, é importante notar que, do mesmo universo de pesquisa, 14,4% apresentavam história de incidência de câncer de pele na família, enquanto 85,6% não apresentavam tal registro. Tais números são, por si só, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, um referencial bastante importante, a confirmar de forma indelével o potencial lesivo da exposição ao sol e a importância que terá para o trabalhador o fato de esta Casa iniciar o processo de discussão a respeito desse tema, buscando criar uma 505 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 legislação adequada para garantir que ele não fique exposto à radiação solar sem a devida proteção. Por último, Sr. Presidente, quero comentar algumas questões que hoje estão nas páginas da nossa imprensa. A primeira delas diz respeito às nossas negociações comerciais com a China. Hoje tivemos a notícia de que finalmente a missão enviada àquele país conseguiu negociar uma solução para o problema da nossa soja, que estava sofrendo embargos ali. Quero ressaltar que mais uma vez nossa política externa está sendo correta, fazendo-se a diferenciação entre as relações diplomáticas, que motivaram a ida do nosso Presidente àquele país que sempre nos tratou tão bem, das relações comerciais, tendo a missão comercial brasileira conseguido negociar com sucesso esse imbróglio criado pela China, que no fundo reflete apenas uma realidade: os chineses, muito espertamente, querem baixar o preço daquilo que já foi vendido e com isso embargar um produto cuja compra já estava firmada pelo seu governo. Outra questão que quero comentar é o fato de que nos próximos dias 7 e 8 estará sendo enviada para o Haiti uma delegação composta por Parlamentares, pelo nosso Ministro da Defesa, pelos Ministros da Defesa de outros países e por componentes do Ministério da Justiça, para observar o trabalho que nossos militares estão realizando lá. Esse será o momento ideal para que nosso Congresso saiba de fato o que está acontecendo naquele país, obtendo os Parlamentares brasileiros as informações sobre como se está desenvolvendo a missão de paz do Brasil no Haiti, nosso país irmão. Quero por fim reportar-me a um assunto de que não pude tratar anteriormente porque estive viajando em missão oficial. Refiro-me à ocorrência do hantavírus no 506 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Distrito Federal. Sou médica e ex-Secretária de Saúde desta cidade, e estou muito preocupada com esse assunto. Espero que o Ministério e a Secretaria de Saúde resolvam essa questão de saúde pública. Trata-se de uma rara contaminação, disseminada por roedores, no caso ratos silvestres. Ora, estamos na Capital Federal, convivendo com missões diplomáticas, com o Poder Central. Não podemos aceitar situações como essa. É urgente que a Secretaria de Saúde faça o mapeamento do problema e invista recursos, pois essa doença ocasiona morte quase súbita e não há como evitá-la a não ser por meio de saneamento e de ações de saúde pública. Lembro que já se disse que o Distrito Federal era totalmente dotado de saneamento, especialmente São Sebastião, cidade onde se deu a contaminação, e agora estamos comprovando o contrário. Aliás, durante a campanha eleitoral, percorri a cidade de São Sebastião, conversando com a população, e constatei que era necessário fazer o tratamento do esgoto naquela cidade. Lembro também que o Administrador daquela área, que não é do meu partido, mas da Oposição, disse que eu estava difamando o Governo do Distrito Federal, que não era verdade, que já estavam sendo buscadas as verbas, o financiamento necessário para que São Sebastião fosse saneada, mas o tempo passou e a cidade continua do mesmo jeito. Portanto, alerto os responsáveis pela saúde: temos de trabalhar para evitar que a população de São Sebastião e de todo o Distrito Federal se contamine com uma doença que até então não havia sido diagnosticada no País, e que é disseminada por ratos silvestres; basta apenas vontade para resolver o problema. Muito obrigada. 507 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Alberto Fraga) - Com certeza absoluta, as providências serão tomadas. Durante o discurso da Sra. Maninha, o Sr. Zico Bronzeado, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Alberto Fraga, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. 508 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Alberto Fraga) - Concedo a palavra ao nobre Deputado César Medeiros. S.Exa. dispõe de 25 minutos. O SR. CÉSAR MEDEIROS (PT-MG. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ocupo este espaço do Grande Expediente para, em seqüência da sessão solene da última quinta-feira em homenagem ao Dia Mundial do Meio Ambiente, cumprimentar os ambientalistas, as ONGs e todas as pessoas que militam nessa área. Ao me dirigir aos Srs. Deputados e ao País neste breve pronunciamento, desejo reafirmar a importância de trazermos à pauta das discussões nacionais as questões relacionadas ao meio ambiente e a um desenvolvimento mundializado e sustentável. Hoje, mais do que nunca, nosso planeta clama pelo próprio planeta. A consciência de responsabilidade e as atitudes de desenvolvimento equilibrado e sustentável passam a ser, por excelência, fundamento para a garantia de uma humanidade com adequada qualidade de vida e com possibilidade de coexistência ética e justa. Mas quero iniciar esta reflexão reportando-me ao modo como nossos irmãos indígenas se relacionam com a terra. Com eles aprendemos que a terra é mãe e que preservar e respeitar o meio ambiente é sinônimo de compromisso com a vida. Ao longo da história, conviveram e desenvolveram-se de forma sustentável, numa relação interativa com a natureza, adquirindo conhecimentos e criando técnicas específicas de manejo dos diferentes ecossistemas. 509 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O emprego de tecnologias adequadas na exploração e manutenção do acervo natural permite-lhes até hoje a sustentação de milhares de pessoas que vivem em reservas, como as localizadas no interior amazônico, por exemplo. Para os indígenas, nossa vida terrestre constitui-se numa simples passagem, na qual usamos a natureza por empréstimo para nosso sustento e nosso desenvolvimento sem que dela possamos nos apropriar. Este, certamente, é o fundamento maior de toda e qualquer discussão sobre desenvolvimento sustentável: reconhecer que somos gerados, fortalecidos e sustentados pela natureza e que com ela precisamos coabitar no planeta. Somos, portanto, provocados, pela exigência natural do universo, a redirecionar nosso olhar sobre o espaço e o tempo onde agora existimos. Somos desafiados a revolucionar nosso jeito de estar no mundo e com o mundo. O teólogo Leonardo Boff, em seu livro Saber Cuidar, afirma: “O mundo virtual criou um novo habitat para o ser humano, caracterizado pelo encapsulamento sobre si mesmo e pela falta do toque, do tato e do contato humano”. Tanta virtualidade, nobres colegas, por vezes, faz-nos acreditar, erroneamente, que as realidades existem como objetos independentes do sujeito e que a única realidade consistente é o que se afirma no material. Mas o fato é que a realidade humana se apresenta holística, envolvente, transcendental. Somos convocados a nos sentirmos parte da grande família planetária, a entendermos que a casa humana hoje não é mais o Estado-Nação, mas nossa mãe terra, como pátria e mãe comum e coletiva. Por isso, cuidar, 510 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 respeitar e desenvolver, justa e equilibradamente, o ambiente não é apenas um ato isolado, representa, sim, uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilidade e de envolvimento com o outro e com a natureza. Todos sabemos da importância de defendermos amplamente o progresso das nações e do planeta. A história mostra que o homem é criativo e criador, com capacidade de interferir e modificar o meio e os recursos ao seu alcance. Mostra também que as evoluções e os avanços são necessários para o advento de novos recursos para suprir as necessidades da sobrevivência humana e melhorar a vida das pessoas. Porém, é tempo de nos perguntarmos: de que forma desejamos o progresso? A quem serve esse progresso? Como ele interfere na vida das pessoas e no desenvolvimento do meio? Qual o destino dos recursos por ele alcançados? A quem é permitido o acesso aos benefícios de tão rentável desenvolvimento apresentado pelas revoluções e sofisticações industriais? Em nome de que e de quem tanta degradação e destruição natural é permitida? O atual modelo de crescimento econômico gerou enormes desequilíbrios. Se, por um lado, nunca houve tanta riqueza e fartura no mundo, por outro, a miséria, a degradação ambiental e a poluição aumentam dia a dia. Diante desta constatação, surge a idéia do desenvolvimento sustentável, buscando conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e ainda com o fim da pobreza no mundo. O objetivo maior é promover o equilíbrio entre tecnologia e ambiente, colocando-se os diversos grupos sociais de uma nação e também dos diferentes países na busca da equidade e da justiça social. O desenvolvimento sustentável, segundo seus maiores defensores, precisa ser ambientalmente equilibrado, socialmente justo e economicamente viável. A 511 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Declaração do Milênio, aprovada por representantes de 191 países na Assembléia Geral da ONU no ano 2000, reflete esta preocupação planetária sobre o desenvolvimento sustentável e apresenta a liberdade, a igualdade, a solidariedade, a tolerância, o respeito pela natureza e a responsabilidade comum como valores fundamentais nas relações internacionais deste século. Num resgate sobre a evolução da construção do desenvolvimento sustentável no mundo, podemos apontar alguns fatos determinantes: - em 1963 inicia-se o Programa Biológico Internacional, com o objetivo de analisar os impactos ambientais e os mecanismos biológicos e ecológicos relativos à poluição e destruição de habitats. O enorme número de dados coletados pelo programa possibilitou os fundamentos da ciência ambiental; - ainda na década de 60 livros como Primavera Silenciosa, de Rachel Carlson, e A Bomba Populacional, de Paul Enrich, já relacionavam produção, crescimento populacional, uso de agrotóxicos e impactos ambientais; - em 1968 o Clube de Roma é criado por cientistas e economistas europeus, buscando soluções para problemas globais ligados às populações, à produção industrial, ao consumo de comida e aos danos ambientais; - em 1970 mais de 20 milhões de pessoas, principalmente estudantes, vão às ruas nos Estados Unidos no Primeiro Dia da Terra para protestar contra a degradação ambiental; - em 1971 a ONU reconhece o termo “ecodesenvolvimento ”, que dará origem à expressão “desenvolvimento sustentável” e ao conseqüente reconhecimento da necessidade de políticas internacionais ambientais a partir da notável relação entre o crescimento exponencial da população e a degradação ambiental. No mesmo ano, o 512 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 surgimento da ONG Greenpeace, no Canadá, marca o início de uma agressiva agenda mundial de protestos civis para cessar danos ambientais; - em 1982 a ONU lança a Carta da Natureza, defendendo que cada forma de vida é única e deve ser respeitada, independentemente do seu valor para a humanidade; - em 1983 as Nações Unidas passam a contar com a Comissão Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento; - em 1987 o documento Nosso Futuro Comum é publicado e, pela primeira vez, define o desenvolvimento sustentável como aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades; - em 1988 o brasileiro Chico Mendes é assassinado em razão de sua liderança em favor da preservação ambiental, e tal fato, ao mesmo tempo em que é lamentado no Brasil e no mundo, torna-se fonte de inspiração de pessoas, organizações e instituições, que intensificam suas ações pela proteção ambiental; - em 1989 cria-se a Comissão Latino-Americana de Desenvolvimento Sustentável; - em 1990 surge o Fórum Brasileiro das ONGs, com a participação de mais de 70 organizações, com vistas a contribuir com a Eco-92; - em 1991 cria-se a Fundação Brasileira para Desenvolvimento Sustentável; - em 1992 é realizada no Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco-92. Como resultado, temos a publicação da Convenção da Diversidade Biológica; da Convenção do Quadro das Mudanças Climáticas Globais; da Declaração do Rio; da Declaração das Florestas. 513 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 A partir daí, a Agenda 21 é o ponto focal das práticas para o desenvolvimento sustentável. O Fórum paralelo das ONGs também criou uma série de tratados alternativos. O Sr. Zico Bronzeado - Permite-me V.Exa. um aparte? O SR. CÉSAR MEDEIROS - Com o maior prazer, Deputado Zico Bronzeado. O Sr. Zico Bronzeado - Deputado César Medeiros, terminei de fazer um pronunciamento sobre a floresta amazônica e uma Frente Parlamentar em Defesa da Floresta e do Desenvolvimento Sustentável. V.Exa. inicia seu discurso falando do desenvolvimento humano. Depois, da necessidade de se desenvolver sustentavelmente as potencialidades da nossa floresta, a biodiversidade como um todo. Hoje algumas pessoas ainda questionam o que é desenvolvimento sustentável. Precisamos mostrar ao mundo que desenvolvimento sustentável é a preservação da vida, do ser vivo, da floresta como um produto do meio, da cultura, da potencialidade genética. Ultimamente esta Casa tem aberto as portas para que a preocupação de V.Exa., a minha e a de outras personalidades seja difundida. Isso prova a necessidade de ampliarmos nossas propostas em relação ao desenvolvimento sustentável. Parabenizo V.Exa. por debater tema pelo qual temos lutado muito nesta Casa, pois a cada dia vemos a necessidade de preservar não só a Amazônia como também a Mata Atlântica, o cerrado e a água, para o bem de todos. O SR. CÉSAR MEDEIROS - Obrigado, Deputado Zico Bronzeado, pelo aparte, que fará parte do meu pronunciamento. Tive oportunidade de visitar a Amazônia no ano passado e sei da sua importância para o Brasil e para o planeta. Reconheço o trabalho e a luta de V.Exa. no Acre. Precisamos da ajuda de todos, 514 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Governo e empresários, para um justo, humano e equilibrado desenvolvimento sustentável. Sinto-me muito honrado com o aparte de V.Exa. Tenho certeza de que cada vez mais temos de continuar lutando nesta Casa para conseguir mais adeptos e ampliar a discussão. Este ano, como membro da Mesa Diretora da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável nesta Casa, tenho me inteirado de muitos assuntos. Com certeza, a política de desenvolvimento sustentável precisa ser um programa a perpassar nosso Governo. Aproveitando este ano eleitoral, precisamos motivar todos os candidatos que acreditam na política de desenvolvimento sustentável a incluí-la em seus programas. Sr. Presidente, diria que é importante fazermos esse relato, a fim de que a sociedade saiba que esse tema já vem sendo trabalhado há mais de 40 anos, mas muito pouco se tem feito. ONGs estão batalhando para conquistar esse espaço, alguns gestores públicos abraçaram o tema, e nós, enquanto pudermos, estaremos utilizando esta tribuna para difundi-lo. Ainda sobre a evolução do desenvolvimento sustentável no mundo: - em 1995 é criada a Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, com a preocupação principal de erradicar a pobreza; - em 1996 cria-se a Cúpula das Américas para o Desenvolvimento Sustentável; - em 1997 a Conferência Rio+5 encarregou-se de avaliar a implementação da Agenda 21. No mesmo ano, o Protocolo de Kyoto é adotado pelas Nações Unidas, tendo como diretrizes para os países industrializados a redução, até o ano 2012, das 515 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 emissões de gases que causam o efeito estufa em aproximadamente 5% abaixo dos níveis registrados em 1990; - em 1999 é lançado o Índice Global de Sustentabilidade e grandes manifestações se instalam ao redor do planeta contra os avanços da globalização; - o ano 2000 traz um marco histórico: a partir daí, mais da metade da população mundial passa a viver dentro das cidades, que ocupam menos que 2% das terras do planeta, mas que utilizam-se de 75% dos recursos mundiais. Nesse mesmo ano, a Declaração de Haia abre larga discussão sobre a gestão dos recursos hídricos, reconhecendo a água como recurso global finito; - em 2002 a Conferência Rio+10 ratificou os compromissos assumidos desde a Rio-92 e criou a Declaração de Johannesburgo, desafiando representantes dos governos mundiais a uma maior integração e articulação no enfrentamento dos desafios humanos. Além destes importantes acontecimentos, durante todo este período até nossos dias atuais centenas de eventos e iniciativas públicas e privadas têm sido desenvolvidas em todo o planeta, discutindo, apontando caminhos e praticando alternativas para a garantia do desenvolvimento sustentável. Entre elas, quero destacar a realização da 12ª Sessão da Comissão de Desenvolvimento Sustentável, realizada na cidade de Nova Iorque, em abril deste ano, por intermédio da Organização das Nações Unidas, encontro do qual tive a honrosa oportunidade de participar, como membro e representante da Frente Parlamentar de Desenvolvimento Sustentável e Apoio às Agendas 21 Locais do Congresso Nacional. O evento discutiu água, saneamento e assentamentos humanos. 516 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Sr. Presidente, nobres Parlamentares, em todo esse processo, nosso País não tem se omitido em promover o desenvolvimento sustentável e cumprir com as exigências da Declaração do Milênio, embora reconheçamos certa lentidão e morosidade que dificultam a evolução da proposta junto à realidade brasileira. No Brasil, em decorrência dos compromissos assumidos durante a Rio-92, o Governo Federal desenvolveu estudos para incorporar os princípios do desenvolvimento sustentável, tal como propostos na Agenda 21, às estratégias nacionais de desenvolvimento e às políticas públicas. Os estudos fundamentaram a elaboração do Decreto nº 1.160, de 21 de junho de 1994, que criou a Comissão Interministerial para o Desenvolvimento Sustentável, com a finalidade de assessorar o Presidente da República na tomada de decisões sobre as estratégias e políticas nacionais necessárias ao desenvolvimento sustentável, de acordo com a Agenda 21. O Governo Lula, por sua vez, tem conseguido vários avanços na política ambiental. A recente delimitação de centenas áreas de preservação ambiental em diversos Estados brasileiros, a política de transversalidade entre os Ministérios e a busca da participação e controle social na formulação e implementação das políticas públicas de meio ambiente também têm sido uma marca positiva deste Governo. Certamente, por ser um processo participativo, no qual destacamos a Conferência Nacional de Meio Ambiente, é um caminho mais demorado para sua completa implementação. Por outro lado, certamente é mais duradouro, firme e com maior efetividade social. Cabe-nos, portanto, esforço amplo e integrado para reforçar esse processo de conscientização e engajamento da sociedade em ações para o desenvolvimento sustentável. Em minha atuação parlamentar tenho buscado priorizar a defesa do 517 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 meio ambiente através da atuação na Câmara dos Deputados, participando da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, da Frente Parlamentar da Agenda 21, das Escolas Famílias Agrícolas e dos movimentos sociais que refletem o tema. No Estado de Minas Gerais a defesa do meio ambiente também tem sido uma das grandes prioridades do nosso mandato, através da divulgação da cartilha sobre as águas, da participação na mobilização social para a construção da Agenda 21 mineira, do apoio na efetivação de projetos sociais de geração de emprego e renda, de mobilizações comunitárias pela causa ambiental. Nosso trabalho tem contemplado ainda a realização de vários seminários regionais que discutem problemas e soluções relacionadas ao meio ambiente, como por exemplo, o desmatamento, a exploração mineral, os avanços e limites da política energética, a agricultura familiar e a produção agroecológica, o ecoturismo, a preservação das nascentes, as questões de saneamento e sustentabilidade das cidades, entre outros. Nessa oportunidade, quero destacar experiências como a que o Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata — CTA vem realizando em Minas Gerais. Desde sua fundação, há mais de 15 anos, tem colaborado no desenvolvimento e implementação de um modelo agrícola que busca solucionar os problemas sociais e ambientais da região, fortalecendo a organização de pequenos agricultores através de apoio e assessoria nos sistemas de produção. Dessa forma, esta entidade vem demonstrando exemplarmente que podemos produzir alimentos mais saudáveis, gerar renda na agricultura familiar, respeitar o meio ambiente, enfim, vem provando que uma outra forma de desenvolvimento é possível. 518 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Foi também movido por essa preocupação com a defesa do meio ambiente e a busca do desenvolvimento sustentável que apresentei nesta Casa, no ano passado, o Projeto de Lei nº 1.254, que dispõe sobre auditorias ambientais e contabilidade dos passivos e ativos ambientais. A aprovação desse projeto é de suma importância para que possamos evitar catástrofes ecológicas, cada vez mais constantes em nossa sociedade. Com a realização de auditorias ambientais periódicas nas empresas e entidades que potencialmente causam degradação ambiental ou utilizam recursos ambientais, a prevenção dos danos ambientais certamente poderá ser efetivada, facilitando a fiscalização dos órgãos ambientais e da própria sociedade. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, minha participação na 12ª Sessão das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável oportunizou-me reforçar que a sustentabilidade planetária traz grandes desafios e exige imediatos avanços. Nota-se, nos relatos apresentados, um conflito na aplicabilidade e cumprimento das Agendas 21 e da Declaração do Milênio. Ao mesmo tempo em que os países desenvolvidos já estão adiantados nos processos dessa implementação, os países em desenvolvimento têm dificuldade pela falta de crédito e pelos altos custos com o pagamento de suas dívidas internas e externas. Além das grandes mazelas sociais já enfrentadas nos mesmos, junta-se a dificuldade para estruturar políticas de desenvolvimento sustentável, gerando ainda maior miserabilidade. Neste sentido, vê-se a necessidade urgente de melhorar os critérios de crédito, impostos por financiadores internacionais. Outro aspecto a ser considerado diz respeito à relação entre políticas de planejamento e investimentos em desenvolvimento e a realidade de pobreza e 519 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 miséria apresentada por grande parte dos países. A falta de políticas de planejamento traz conseqüências desastrosas: fome, doenças, aumento da criminalidade, desmantelamento de núcleos afetivos nos meios familiares e comunitários, proliferação de comportamentos violentos individuais e coletivos, o que gera maior custo aos governos na tentativa de contornar e superar tais conseqüências. Por isso, além da preocupação com a implementação de políticas locais e mundiais de desenvolvimento, é necessário que os países invistam na capacidade pensante/criativa das suas populações, para que possam surgir alternativas de enfrentamento e resolução aos problemas sociais. Por fim, Sr. Presidente, nobres Parlamentares, reafirmo minha convicção de que não haverá preservação do meio ambiente e gestão de desenvolvimento sustentável se não ocorrer mudança cultural em nossa sociedade. Muito mais do que cartas de princípios e normas institucionais, é preciso ação concreta. O incentivo à agricultura familiar; à gestão adequada dos recursos hídricos; ao apoio constante à sociedade civil e à juventude; à melhoria do sistema educacional do País; à construção de Agendas 21 locais de forma mais participativa; à eleição neste ano de Prefeitos e Vereadores comprometidos com a defesa do meio ambiente; e à efetivação do desenvolvimento sustentável, tudo somará para a urgente mudança que desejamos em nossa forma de viver. Não basta, porém, desenvolvimento sustentável. É necessário que esse desenvolvimento seja resultado de um envolvimento das pessoas e da sociedade. Envolvimento que se apresenta como consciência de que o homem é parte da natureza e que está sujeito às leis naturais como qualquer animal ou planta. Quando 520 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 se comportar como parasita, terá o fim de todos os parasitas, sua auto-extinção; e, quando se comportar como parte do todo, será preservado para manter o equilíbrio. Espero que a sociedade, que ouviu esta nossa breve reflexão, também participe conosco da grande tarefa de levar esse tema e essas políticas adiante. Sr. Presidente, agradeço a oportunidade e solicito que este pronunciamento seja divulgado nos meios de comunicação da Casa. Muito obrigado. Durante o discurso do Sr. César Medeiros, o Sr. Alberto Fraga, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Zico Bronzeado, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. 521 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Zico Bronzeado) - Concedo a palavra ao Deputado Alberto Fraga. S.Exa. disporá de até 25 minutos. O SR. ALBERTO FRAGA (PTB-DF. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, vou discutir 2 assuntos que se relacionam: o Estatuto do Desarmamento e a situação geral da segurança pública no País. O Congresso Nacional votou o Estatuto do Desarmamento como se fosse solução mágica para resolver o problema da criminalidade. Pois bem, desde o dia 22 de dezembro de 2003 não se registra venda alguma de armas pelo comércio ou por quem quer que seja. O absurdo é tão grande que não há registro de venda de armas nem para policiais. Ou seja, nem a própria Polícia conseguiu comprar armas. Já se passaram praticamente 6 meses desde que esse monstro jurídico foi sancionado e editado, Sr. Presidente. Ele é tão bom que no dia seguinte à sua sanção o Presidente Lula baixou um decreto constituindo uma comissão para regulamentá-lo. Para formar essa comissão foram chamados sociólogos, psicólogos e até padre. Só não chamaram representantes das categorias policiais, militar e civil. Por incrível que pareça a esta Casa e ao País, a comissão encarregada de regulamentar o Estatuto do Desarmamento não possui representantes das entidades mais envolvidas com a segurança pública, as Polícias Militar e Civil! Ora, Sr. Presidente, como debater assunto tão importante e polêmico como o desarmamento se não há ninguém dessas entidades na comissão? É um equívoco. Quero ver como essa comissão vai resolver a questão, porque, se a regulamentação sair no mesmo nível do Estatuto, o Brasil estará perdido realmente. A dificuldade de fazer a regulamentação sem tais representantes é tão grande que recentemente foi editado outro decreto ampliando os prazos, pois a comissão 522 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 não foi capaz de efetuar a regulamentação no tempo estipulado pelo Estatuto do Desarmamento. Mais penoso é que este prazo pode ser eterno, pois ele só será contado quando o regulamento entrar em vigor. Portanto, se não terminarem o trabalho de regulamentação, o prazo não será contado. Pode ser um 1 ano, 2 anos. Até lá, nenhuma arma poderá ser vendida ou registrada. De maneira corajosa, alguns juízes começaram a conceder liminares permitindo que casas que vendem armas de fogo legalmente possam vendê-las com base no Decreto nº 2.222, anterior. Entendo, Sr. Presidente, que essa medida do Governo representa mais um golpe contra à cidadania e à segurança, principalmente dos policiais. Um policial neste País não poder comprar uma arma de fogo é o mesmo que sentenciá-lo à morte. As corporações policiais, tanto a Polícia Militar quanto a Civil, não possuem armas para todos os seus policiais. Em conseqüência, muitos vão se dirigir às suas residências desarmados, e por culpa do Governo. Vou repetir: as Polícias Estaduais não possuem armas suficientes para acautelar os policiais brasileiros. Vários policiais devem morar na Vieira Souto, no Rio de Janeiro, ou em outros locais, como a Avenida Paulista, em São Paulo, e não necessitam de arma de fogo para se defender. Não é o caso das Polícias Estaduais. O Estado, infelizmente, não tem competência para proporcionar segurança pública a esses policiais. Também, pudera, todo o dinheiro foi desviado para comprar o avião do Presidente Lula! Aliás, Sr. Presidente, por falar nisso, lembro que a Suécia, a Suíça, a França e a Alemanha não possuem aviões presidenciais. E por que o Brasil precisou 523 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 comprar um? O valor da primeira parcela do avião comprado pelo Presidente Lula foi 50 vezes o que foi investido em segurança pública no Brasil. Depois não sabem por que a segurança pública no Brasil não está dando certo! Sr. Presidente, em virtude do Estatuto do Desarmamento, infelizmente, aumentou a incidência de estupros, de seqüestros, de homicídios e de seqüestros-relâmpagos. Aumentaram todas as ocorrências em que o marginal presume que a vítima esteja desarmada. É natural! Recordo-me, quando fui Relator do Estatuto do Desarmamento na sua primeira versão, que fiz pesquisa na Papuda e entrevistei exatamente os bandidos latrocidas, aqueles que matam para roubar, que invadem residências para roubar, para furtar. Perguntei a cada um dos bandidos qual era seu maior receio e 82% deles responderam que era de que a vítima tivesse arma de fogo. O maior receio do bandido é que o cidadão esteja armado e possa se defender. Mas vieram órgãos de pesquisa e a grande mídia, especialmente a Rede Globo de Televisão — que não sei por que cargas d’água doou meio milhão de reais para o Programa Viva Rio, que se encarregou de fazer a campanha do desarmamento — e fabricaram uma pesquisa que não representa absolutamente nada. Não tenho visto recentemente as pessoas que fabricaram a tal pesquisa. Mas há testemunhos interessantes. Vou citar um: perguntaram a uma senhora que passava nas ruas de São Paulo o que ela achava do concreto armado. Ela respondeu prontamente que era um caso muito sério e que o Governo tinha que tomar uma providência, porque o concreto não podia ser armado. Isso mostra, Sr. Presidente, o grau de responsabilidade e até mesmo de idoneidade e veracidade das pesquisas realizadas pelo IBOPE. 524 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O fato é que hoje a população não pode mais comprar sua “arma”, entre aspas, e a ilegalidade vai continuar, o Brasil vai se encarregar de levar milhões de brasileiros para a ilegalidade. Com relação à segurança pública, vale lembrar que o Governo, querendo agradar a ONU, com vistas a um assento no Conselho de Segurança, inventou agora de enviar milhares de militares para o Haiti. Eu disse e vou repetir: o Haiti é aqui, no Rio de Janeiro, em São Paulo, na periferia de qualquer grande cidade onde está-se matando, onde o número de homicídios é infinitamente superior ao número dos que já morreram no Haiti. Por isso, quero realmente que o Governo repense essa situação. Por que não investir os quase 300 milhões que vão ser gastos com as tropas no Haiti nas Polícias Civil e Militar? Por que não dar armamento adequado? Por que não abrir linha de crédito para dar moradia aos policiais? Por que não usar esse dinheiro para motivar o policial brasileiro a enfrentar a bandidagem nas ruas? Sr. Presidente, a segurança pública está abandonada. Recordo-me, assim como vários Parlamentares, de quando chegou a esta Casa a reforma da segurança pública, espelhada na PEC nº 151. Foi o melhor trabalho sobre segurança pública que esta Casa já fez. Discutimos essa questão durante 3 anos e 4 meses. Na semana passada, conversava com o Deputado Dr. Hélio, do PDT, que me dizia ter sido aquele o melhor trabalho já discutido e votado nesta Casa. Foi aprovado quase que por unanimidade, inclusive com votos de José Dirceu, José Genoíno, atual Presidente do Partido dos Trabalhadores, Aloizio Mercadante e Arlindo Chinaglia. Ou seja, toda a cúpula do PT votou na reforma da segurança 525 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 pública, que acabou copiada. Praticamente 90% do que está escrito no Plano de Ação de Segurança Pública do Governo Lula foi copiado do relatório da PEC nº 151, mas nada foi colocado em vigor, sequer uma daquelas medidas propostas. Sr. Presidente, veja alguns pontos importantes. O primeiro é a unificação das Polícias, tão falada, divulgada e prometida à população pelo Governo Lula e pelos Deputados do PT. Não fizeram absolutamente nada. Hoje não se fala mais em unificação das Polícias. Seria essencial, porque não haveria mais policiais civis e militares lutando entre si, digladiando-se, buscando espaço. Outro ponto muito importante da PEC nº 151 é o sistema prisional. Ora, estamos propondo que os profissionais que lidam com a reeducação do preso tenham formação especializada e treinamento adequado. O Deputado Marcos Rolim, do PT do Rio Grande do Sul, quando Presidente da Comissão de Direitos Humanos, viajou comigo. Percorremos 11 Estados brasileiros, aqueles com maior deficiência no sistema prisional. Chegamos a identificar o caso de alguns profissionais, incumbidos da reeducação de presos no sistema penitenciário brasileiro, que não tinham qualquer especialização. Identificamos uma empresa de conservação e limpeza cuidando da reeducação de presos. Ora, como pode dar certo? É preciso pessoas especializadas. Um cidadão com um cassetete não pode cuidar de presos. A reeducação não pode ser na base do cacete. Devemos tomar outro tipo de atitude, mas o Governo atual, infelizmente, esqueceu todo esse discurso. Ora, se não querem atender à sugestão de um Deputado que sempre critica o Governo naquilo que está errado, inventem um outro nome, mas deve ser criado o Ministério da Segurança Pública. O Presidente Lula criou não sei quantos Ministérios 526 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 para dar emprego aos derrotados nas eleições para Governo dos Estados. Por que não criou o Ministério mais importante? O anseio número 1 do povo brasileiro é o emprego e a segurança pública. Então, por que não criar esse Ministério da Segurança Pública, que seria um órgão normativo, doutrinador, para que não aconteça o que hoje ocorre: Estados brasileiros querem combater a violência de maneira diferenciada. O Rio de Janeiro, de uma forma; a Paraíba, de outra. É por isso que os resultados não vêm. A Secretaria Nacional de Segurança Pública não tem ascensão funcional ou nenhum tipo de controle sobre o que ocorre na Secretaria de Segurança Pública dos Estados. Uma pessoa competente — o Secretário atual — serve de figura decorativa, porque não pode determinar nada para os Estados. Então, crie-se um Ministério. É a melhor política. Não custará nada. Apenas se mudará o status. O Ministério da Segurança Pública certamente resolveria muitos assuntos nos quais o Ministério da Justiça vem dando varada n’água. Agora, anunciou a criação de uma Força Nacional de Segurança Pública. O que é isso? Nada mais do que uma Guarda Nacional capenga, que não resolverá as questões mais aflitivas. A proposta do Ministério da Justiça é criar vários segmentos de polícias com formação diversificada para atuar em determinados conflitos. Ora, meu Deus! A Guarda Nacional já existiu no Brasil. Daí surgiram os coronéis da antiga. Sr. Ministro, V.Exa. possui alguns assessores que acham que descobriram a pólvora e querem embromar, fazendo um discurso sem conhecer do assunto de segurança pública, vendendo ilusões ao povo brasileiro. Em vez de V.Exa. criar essa 527 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Força Nacional de Segurança Pública, invista no Ministério da Segurança Pública, que os resultados serão melhores. Volto à questão da PEC da reforma da segurança pública. Em qualquer sociedade do mundo existem 3 pilares básicos: saúde, educação e segurança. Se não houver o alinhamento desses 3 pilares, a sociedade estará capenga. Queremos que o mesmo procedimento existente para saúde e educação seja adotado para segurança pública. Como? Existe um percentual destinado à educação e outro para a saúde. Por que não colocar um percentual destinado à segurança pública? De segurança pública só se fala em época de campanhas políticas. Observem: Prefeitos que não têm competência constitucional para falar sobre segurança pública estarão nos palanques prometendo para seus munícipes que farão segurança pública. Mentira! Segurança pública é de competência, nas suas normas gerais, dos Governos Federal e Estaduais. Políticos ocupam palanques simplesmente para enganar o povo brasileiro. O Fundo Nacional de Segurança Pública foi uma das melhores invenções dos últimos 5 anos. Foi prevista uma verba de 400 milhões de reais, mas até agora só foram liberados 3%. Em conseqüência, Governos Estaduais, que deveriam incluir nos seus orçamentos um percentual para segurança pública, acreditando no Governo Federal, não alocam recursos. Com isso, o Governo Federal dá o calote. Quem paga? A sociedade. Resultado: as Polícias ficam sem combustível, sem munição e sem condições de trabalho. A mídia, mais uma vez, com a crueldade que lhe é peculiar, execra a posição das Polícias Estaduais. Sr. Presidente, quero dizer por que a segurança pública não dá certo em nosso País. Primeiro, porque existe um grande número de excluídos. Enquanto eles 528 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 viverem abaixo da linha da pobreza, podem ter certeza de que haverá violência. Violência e criminalidade se combatem com política social. Enquanto houver desemprego, falta de educação, desagregação da família, podem ter certeza que haverá violência. Como se não bastasse, falta vontade política e coragem, por parte dos Governos, para passar este País a limpo. Que venham as CPIs que o Congresso Nacional achar que devem existir. Vamos instalá-las. Quem não deve não teme. Se enfrentássemos esses problemas, certamente teríamos um outro quadro. Se o Governo Federal, logo no início, tivesse instalado a CPI do caso Waldomiro Diniz, certamente hoje não estaria com sua base abalada. Faltou a transparência que o PT sempre cobrou dos seus adversários. Outro ponto importante: faltam projetos sociais e econômicos, por parte do Governo Federal, para habitação, lazer, educação e saúde. Entra dia e sai dia, e tudo fica na promessa. Mais um fator importante: é crescente o descrédito pelas instituições policiais. Acompanhei, com tristeza, a notícia de que 26 policiais foram afastados porque teriam executado jovens numa festa junina. Logo após a acusação, o comando da corporação mandou afastar os 26 policiais. Qual é a instituição que faz isso? Eu não vejo. Quando morrem crianças dentro de um hospital, vejo prevalecer o corporativismo dos médicos. Quando há denúncias de venda de liminares e de sentenças no Poder Judiciário, ele se fecha. Mas quando ocorrem denúncias sobre policiais — refiro-me especialmente às Policias Militares — imediatamente eles são afastados e execrados pela mídia. 529 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Hoje li relatório referente às 14 armas examinadas e parece que elas não têm qualquer relação com a execução dos jovens. Ouvimos afirmações tendenciosos de que as armas utilizadas eram frias, mas as casas dos policiais foram vistoriadas e não foi encontrado absolutamente nada que os comprometessem. A Polícia Militar deu sua resposta. Concedo um aparte ao nobre Deputado Paes Landim. O Sr. Paes Landim - Deputado Alberto Fraga, homem combativo, conhecido nesta Casa. Às vezes o excesso de combatividade leva a injustiças. Acompanhei atentamente as afirmações de V.Exa. sobre as Forças Armadas. No meu entendimento foi importante o Presidente Lula mandar tropas brasileiras para prestar ajuda no Haiti. Está-se reafirmando a importância do Brasil no continente americano e sua integração ao espírito do continente. Agora, no fim de seu discurso, o eminente colega, que respeito e julgo corajoso, vibrante, brilhante defensor de sua corporação nesta Casa, disse que o Judiciário vende sentença, se fecha e não pune ninguém. Veja bem, ainda recentemente, semana passada, o Superior Tribunal de Justiça decretou o afastamento de 3 desembargadores federais no Rio de Janeiro. O próprio Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro está afastando desembargadores suspeitos de manipulação na distribuição das demandas submetidas àquele Tribunal. Então, veja V.Exa. que a Justiça está tomando suas providências, vem punindo, abrindo inquéritos, sindicâncias etc. O eminente colega, no meu entender, está sendo injusto com o Poder Judiciário do nosso País. O SR. ALBERTO FRAGA - Peço desculpas, nobre Deputado Paes Landim. Se realmente é assim, faço a correção. Temos acompanhado, infelizmente, vários casos em que os juízes preferem agir de outra maneira. Contudo, confesso que não 530 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 tinha conhecimento dessa ocorrência no Rio de Janeiro. Mas é evidente que estou generalizando, da mesma maneira que generalizam quando falam dos policiais. A intenção é mostrar que existem bons e maus em qualquer lugar. Quando um policial é bandido, toda a corporação paga por isso. Quando acontece o mesmo com pessoas de outras categorias, como magistrados, médicos, padres etc. não se generaliza na mesma proporção. Foi o que eu quis dizer. Sr. Presidente, o que falta é apoio às instituições policiais. O sistema carcerário está falido, os policiais recebem salários muito baixos, falta diálogo entre os responsáveis pela segurança pública e existem vedações constitucionais que impedem aos policiais, especialmente os militares, o direito de se manifestar através da greve. E agora, por qualquer situação, qualquer crise, o Exército é mandado para as ruas. No entanto, todos sabemos que o Exército não tem o devido preparo para enfrentar a questão da segurança pública. Sr. Presidente, quero apelar para o Governo Federal no sentido de que reuna seus técnicos e seus Deputados para discutir essa questão. Ouçam as pessoas que têm mais experiência sobre o assunto, e certamente produzirão resultados que darão um alívio à população brasileira. Porque, a persistir essa política equivocada, enganosa, que o Governo Federal está praticando, com certeza mais pessoas morrerão nas ruas. O Governo não possui nenhuma política nacional de segurança pública capaz de estancar o aumento da criminalidade no País. Sr. Presidente, peço que este pronunciamento seja divulgado no programa A Voz do Brasil. Muito obrigado. (Palmas.) 531 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Zico Bronzeado) - Apresentação de proposições. Os Senhores Deputados que tenham proposições a apresentar queiram fazê-lo. APRESENTAM PROPOSIÇÕES OS SRS.: 532 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Zico Bronzeado) - Concedo a palavra ao Sr. Deputado Paes Landim, para uma Comunicação de Liderança, pelo PTB. 533 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 DISCURSO DO SR. DEPUTADO PAES LANDIM QUE, ENTREGUE À REVISÃO DO ORADOR, SERÁ POSTERIORMENTE PUBLICADO. 534 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Zico Bronzeado) - Vai-se passar ao horário de VI - COMUNICAÇÕES PARLAMENTARES Tem a palavra o Sr. Deputado Anselmo, pelo Partido dos Trabalhadores. 535 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. ANSELMO (PT-RO. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, temos grande missão amanhã: votar o salário mínimo. Participei de uma reunião de bancada do Partido dos Trabalhadores, na qual estiveram presentes o Líder da bancada do PT, Arlindo Chinaglia, o Líder do Governo, Professor Luizinho, e o Ministro Antonio Palocci. Naquele momento S.Exas. convenceram-nos de que o salário mínimo não poderia ultrapassar os R$260, citando vários argumentos, apontando a situação em que o País, os Estados e as Prefeituras se encontram, falando até da vida do Presidente Lula. Conseguiram convencer-me, e votei pelo salário mínimo de R$260. De repente o Senado derruba a proposta desta Casa, como sempre fez, e aprova o salário de R$275; e aí entrei em parafuso, mesmo porque, como sou da agricultura, não entendo muito desses dados técnicos. Pensei então: o que fazer agora? E sabem o que fiz? Fui em busca da verdade. Na cidade de Cacaulândia, administrada pelo PFL, perguntei ao Prefeito Adelino Fallador: “Como é isso? O PFL está lá dizendo que o salário tem de subir mais”. Ele respondeu: “Esse pessoal está ficando doido. Como fica a situação da minha Prefeitura?” E mostrou os números para comprovar o que dizia. Então fui atrás do Presidente da Câmara de Vereadores daquela cidade, que me disse o mesmo. Isso foi na sexta-feira. No sábado, dirigi-me a Alto Paraíso, onde fiz a mesma perguntai ao Prefeito Te, que era do PT, mas hoje é do PFL, e que também me disse: “Esse pessoal está ficando louco”. E repetiu tudo que o Prefeito Adelino Fallador havia dito. Procurei o Governador do nosso Estado, do PSDB, que me disse a mesma coisa. 536 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 E pensei: mas por que tudo isso? As pessoas dizem que esse salário não é justo. Concordo, não é justo mesmo. Compreendo a necessidade de um salário melhor do que esse para o povo brasileiro. Só que o mesmo PFL, o mesmo PSDB, partidos que estavam dizendo aqui que esse salário não é justo, lá embaixo, lá na ponta, lá onde está a verdade, dizem que as Prefeituras não agüentam um salário acima de R$260! Fiquei preocupado. Quase entrei em parafuso. Comecei a perguntar a essa mesma base por que isso acontecia. Disseram-me: “Vai ver que algumas pessoas, porque são candidatas a Prefeito na sua cidade, ou seu irmão, ou seu parente, ou seu cabide eleitoral e candidato, e não estão encontrando argumentos suficientes para realmente ser oposição ao Governo Lula, precisam arrumar qualquer discurso para poder disputar a importante eleição do Poder local”. Comecei a pensar: quem sou eu, Anselmo, do Partido dos Trabalhadores, para falar mal do PFL e do PSDB, uma vez que o grande Senador Paulo Paim também votou pelo salário de R$275? E fui em direção à Prefeitura da minha cidade, administrada pelo Prefeito Nico, e à de Alvorada, administrada pelo Prefeito Paulino, do meu partido, aos quais perguntei o porquê disso. Eles disseram-me que a única bandeira que aquele Senador teve em toda a sua carreira política foi a do salário mínimo; agora que a perdeu no Governo Lula, entrou em desespero. Comecei a pensar: onde de fato está a razão? O grande Líder do PTB, o Deputado Roberto Jefferson, disse que os Presidentes devem pensar o quanto é difícil estar desempregado e passar fome, só que Lula já passou por tudo isso. Será que quem já passou por tudo isso estaria hoje estabelecendo um salário para 537 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 sacrificar o povo brasileiro? Será que, se houvesse condições de elevar o valor, nosso Presidente não o faria? Aproveito o momento para chamar a atenção do povo brasileiro, que com certeza não vai acreditar em discurso falso: esses mesmos que criticam o valor do salário ficaram 8 anos no Governo e nunca deram um reajuste acima do estabelecido pelo Presidente Lula. Hoje tenho a coragem de dialogar com o povo brasileiro, que me está ouvindo, e dizer: esse salário é o máximo que podemos dar. Tenho certeza de que salário igual a esse não havia 10 anos atrás. Essas pessoas governaram por 8 anos este País e não conseguiram dar ao povo um salário igual a esse. Com certeza o Presidente Lula hoje ressente-se por ter de fixar esse valor para o salário, mas tem o compromisso de cumprir tudo aquilo que prometeu no palanque, de chegar ao patamar de desenvolvimento prometido em campanha. Quero chamar a atenção desses Deputados para que realmente busquem a verdade na base, que é onde estão o Prefeito, o Vereador e o povo, trabalhando, e verifiquem se realmente é esse o discurso que eles defendem hoje. Amanhã votaremos os R$260. Esta Casa vai ter a responsabilidade de conduzir o Brasil para o melhor caminho. E chegaremos de fato, ainda no Governo Lula, ao melhor salário para o povo brasileiro. Obrigado. 538 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Zico Bronzeado) - Concedo a palavra ao nobre Deputado Mauro Benevides, pelo PMDB. O SR. MAURO BENEVIDES (PMDB-CE. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, nobre Deputado Zico Bronzeado, que neste instante dirige os trabalhos desta Casa, Sras. e Srs. Deputados, em imponente solenidade programada para as 18h30min desta sexta-feira deverá tomar posse na Presidência do Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região o Juiz Antônio Marques Cavalcante Filho, que sucede seu colega Antônio Carlos Chaves Antero, que ali teve marcante atuação, empenhado em garantir imagem de austeridade àquela Corte, na qual pontificam figuras exponenciais de nossa cultura jurídica. Recorde-se, por oportuno, que a investidura do brilhante magistrado ocorre num instante em que se reclama a urgente reforma do Poder Judiciário, cujo projeto se acha pendente de apreciação do Senado Federal, após haver sido amplamente discutido nesta Casa, incumbindo-se de relatá-la a nossa colega Zulaiê Cobra, da bancada paulista, que aperfeiçoou numerosas sugestões dos nossos Parlamentares. Aliás, no dia 3 de junho, durante sessão especial, quando ascendeu à Presidência do Supremo Tribunal Federal o Ministro Nelson Azevedo Jobim, a temática alusiva à reforma foi o enfoque central de sua elogiável alocução, cabendolhe defender prioritariamente maior celeridade na prestação jurisdicional, pondo fim à morosidade que impera, lamentavelmente, em todas as instâncias, especialmente nos Tribunais Superiores, sediados na Capital da República. Tendo escalonado pela primeira instância, quando os seus votos, sentenças e despachos, monocraticamente exarados, eram acatados por seus pares na judicatura, advogados, Ministério Público e as próprias partes interessadas nas 539 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 demandas, Antônio Marques Filho chega ao topo do Pleno da 7ª Região cercado da admiração de seus colegas e da própria comunidade, numa casa em que se destacaram vultos como Osmundo Pontes, Autran Nunes, João Cesar, Antônio Marques Cavalcante (seu pai), Arizio de Castro, Nazaré Cardoso, Ronald Soares, Laís Rossas Freire, Erisman Cidade, bem assim colegas da então representação classista como Clóvis Arrais Maia, Tarcísio Amora, Adauto Fernandes, Austregésilo Lima, Antônio Alves Costa e muitos outros que se empenharam em promover a paz social, dirimindo pendências entre patrões e operários. O novo dirigente do TRT terá, assim, mais uma importante tarefa a cumprir, num instante em que profundas alterações serão levadas a efeito em função das idéias renovadoras no âmbito da estrutura de um dos Poderes da República cujas atribuições foram muito bem definidas no magnífico pronunciamento do Presidente do Pretório Excelso. Estou absolutamente convicto de que Antônio Marques Cavalcante Filho projetará imagem de Juiz integérrimo, compenetrado do cumprimento de sua elevada missão, dando lugar a que prevaleçam os princípios inarredáveis da ética e da probidade no desempenho do múnus que lhe é agora confiado. Naturalmente, na sua programação de atividades funcionais estará incluída a criação de novas Juntas de Conciliação e Julgamento, como pretende o Ministro Vantuil Ayala, que se alçou, em maio último, à Presidência do Tribunal Superior do Trabalho. Com isso, o trâmite processual será operacionalizado sem empecilhos protelatórios, a não ser aqueles que a CLT assegura como legítimos, nos autos, passíveis, assim, de apreciação por aquela Justiça especializada. 540 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Ao realçar desta tribuna o expressivo evento de sexta-feira, ao qual pretendo estar presente, desejo augurar a Antônio Marques Cavalcante Filho desempenho à altura de seu talento fulgurante e dos arraigados conhecimentos que possui na área do Direito do Trabalho. Sr. Presidente, esta é a antecipada homenagem que desejo prestar ao novo Presidente do Tribunal Superior do Trabalho da 7ª Região, Juiz Antônio Marques Cavalcante Filho. Muito obrigado, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados. O Sr. Zico Bronzeado, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Anselmo, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. 541 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Anselmo) - Concedo a palavra ao nobre Deputado Zico Bronzeado, pelo PT. S.Exa. dispõe de 5 minutos. O SR. ZICO BRONZEADO (PT-AC. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Deputado Anselmo, colega de partido e vizinho do Estado de Rondônia, Sras. e Srs. Deputados, sem sombra de dúvida, a discussão de hoje, de amanhã e — quem sabe? —, até depois de amanhã será sobre o salário mínimo. Não há Deputado ou Senador que não esteja pensando no salário mínimo. Fiz a comparação entre o salário mínimo do Brasil e de países do Primeiro Mundo e pude verificar a desigualdade entre eles. Ex-trabalhador rural, de família humilde, filho de professora rural, lembro-me que torci para que meu pai chegasse aos 60 anos para obter a aposentadoria de 1 salário mínimo, a fim de ajudar na subsistência da família de 10 filhos. Pude perceber quanta falta faz o salário mínimo para uma família pobre do Acre, Estado que vive principalmente da agricultura, que não tem indústria nem é desenvolvido como os Estados das Regiões Sul e Sudeste. A maioria das Prefeituras sobrevive do Fundo de Participação dos Municípios, recursos suficientes apenas para o pagamento de salário mínimo aos funcionários públicos. E mais de 50% dos recursos são destinados ao pagamento do funcionalismo. É curiosa a guerra entre Oposição e Situação pelo aumento do salário mínimo: 260 reais ou 275 reais? Vi a foto gloriosa da Oposição do passado, na qual fazia um gesto para mostrar que o aumento era insignificante. Presidente Anselmo, diante daquele gesto dos companheiros Deputados do Partido dos Trabalhadores, comparei o aumento dado ao salário mínimo nos 8 anos de Governo do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso. Parece-me — e não sou bom de 542 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 memória — que houve aumento de 100 reais no período. Em relação ao aumento que o Presidente Lula está propondo, em apenas 17 meses de Governo, se amanhã for aprovado o valor de 260 reais, será um aumento de 60 reais no período. Nos 8 anos de governo do Sr. Fernando Henrique foram 100 reais de aumento. Sr. Presidente, vi os ilustres Senadores, que passam 8 anos exercendo função outorgada pelo povo brasileiro, brigarem por salário mínimo justo. A atual Oposição — PFL, PSDB e alguns dissidentes da base —, travou uma briga ideológica, na véspera da disputa política por um salário mínimo justo, em relação ao qual o povo sempre teve expectativa. Sr. Presidente, não queria defender o salário de 260 reais nem o de 275 reais, demagogicamente. Quinze reais de aumento, Sr. Presidente, não pagam a passagem de ônibus da minha cidade, Brasiléia, até a Capital do Acre. Mas a Oposição acha que 15 reais representarão a revolução na mesa do trabalhador. É muito pouco, Sr. Presidente. Não vi as duas Casas do Congresso Nacional mudarem proposta apresentada pelo Governo Fernando Henrique Cardoso. Naquela foto, algumas velhas raposas comemoravam a derrota do Governo, mas acho que quem se sente derrotado há muito tempo é o trabalhador. Sr. Presidente, vou votar a favor da proposta de 260 reais, mas com esperança neste Governo, que conhece o sofrimento do trabalhador de todas as regiões do País. O Presidente Lula visitou o meu Estado e, tenho certeza, não está feliz; a equipe econômica não está feliz, porque essa não era a proposta do Partido dos Trabalhadores, ou seja, aumentar o salário mínimo em apenas 20 reais no segundo 543 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 ano de governo. Nossa proposta era de um salário mínimo equivalente a 100 dólares. Mas não podemos dar crédito àqueles que passaram 8 anos sem conceder salário digno ao trabalhador e agora têm a oportunidade de mostrar ao Governo Lula que é possível pagar-lhe 300 ou 400 reais. Minha proposta é de que seja de 300 reais ou acima disso; ainda assim acho uma miséria. Nem eu nem a maioria dos Deputados Federais conseguiríamos sobreviver com um salário de 260 reais, ou de 275 reais, ou de 300 reais. Devemos dar uma oportunidade ao Presidente Lula de corrigir essas distorções. Vamos dar-lhe mais crédito: vamos votar a favor do salário de 260 reais para que, ao longo desses 4 anos, S.Exa. mostre à sociedade brasileira e à Oposição que está no caminho certo. E no futuro — quem sabe? — comemoraremos a implantação de um salário mínimo real, que faça o trabalhador se sentir orgulhoso do Governo que se preocupa com a classe trabalhadora. Portanto, faço um apelo para que os Deputados não ajam com emoção, porque 15 reais não vão salvar a Pátria. Muito obrigado, Sr. Presidente. 544 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Anselmo) - Concedo a palavra ao Deputado Elimar Máximo Damasceno, pelo PRONA, por cinco minutos, e devolvo a Presidência dos trabalhos ao Deputado Zico Bronzeado. O SR. ELIMAR MÁXIMO DAMASCENO (PRONA-SP. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero homenagear a maior rede de serviços voluntários do mundo, detentora de uma cadeira no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da ONU, promotora da educação, da ecologia, dos esportes, dos direitos das crianças, do desenvolvimento social e da liberdade religiosa. Refiro-me à Associação Cristã de Moços, existente há 160 anos, atualmente com 86 unidades no Brasil, onde cerca de 2 mil profissionais e 5 mil voluntários promovem o atendimento integral de crianças, jovens, adultos e idosos. São quase 200 mil membros participantes, ou 0,1% da população brasileira. Os beneficiários diretos somam mais de 35 mil por ano. A Associação Cristã de Moços — ACM nasceu no século XIX, quando a Revolução Industrial na Inglaterra impunha aos lavradores que haviam sido expulsos dos campos jornadas de mais de 16 horas diárias, sem férias, para homens, mulheres, crianças e idosos. George Williams fundou a associação em 6 de junho de 1844 e buscava, por meio da leitura de textos bíblicos, amenizar os rigores daquele capitalismo que ainda não havia sido temperado pelas conquistas dos sindicatos e das idéias socialistas. Em 1851 a Associação chegou aos Estados Unidos, e incluiu de forma definitiva o esporte entre suas atividades. Mens sana in corpore sano: já com essa 545 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 marca, a Associação Cristã de Moços foi trazida para o Brasil, estabelecendo-se em 1893 no Rio de Janeiro, graças ao missionário Mayron August Claire. A ACM de Porto Alegre apareceu 8 anos depois, em 1901, seguida pela de São Paulo, em 1902. A próxima só viria após a Guerra, em 1950, em Minas Gerais. Em 1965 foi a vez de Brasília, em 1966 de Londrina e em 1984 de Itapeva. Falamos aqui de um movimento mundial não-sectário, presente em 120 países, com 14 mil sedes e 45 milhões de participantes, um movimento financeiramente independente, baseado principalmente no trabalho voluntário, cujo orçamento anual aqui no Brasil chega a US$21,5 milhões. Não temos dúvidas do bom trabalho desenvolvido há mais de 1 século e meio no mundo e há mais de 1 século no Brasil pela Associação Cristã de Moços. Parabenizo-a, portanto, ciente da excelência de seus propósitos e dos resultados por ela obtidos em quase 300 projetos sociais, que vão da prevenção de doenças ao estímulo aos esportes, atendendo a dezenas de milhares de brasileiros. Vida longa à Associação Cristã de Moços! Muito obrigado, Sr. Presidente. Uma boa noite à família brasileira. Durante o discurso do Sr. Elimar Máximo Damasceno, o Sr. Anselmo, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Zico Bronzeado, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. 546 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Zico Bronzeado) - Concedo a palavra, pela ordem, ao nobre Deputado Hélio Esteves. O SR. HÉLIO ESTEVES (PT-AP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é com imensa satisfação que registro a visita do Ministro dos Transportes, Alfredo do Nascimento, ao Amapá, mais especificamente à Capital, Macapá, e ao Município de Santana, o segundo maior do Estado e onde está localizado o nosso porto. O Ministro anunciou o repasse de recursos para o prosseguimento dos trabalhos de recuperação da BR-156, muito importante não só para o Estado, mas também para o País. A exemplo da ponte sobre o Rio Oiapoque, a estrada interligará o Brasil à Guiana Francesa, o que significa interligação física entre um país do MERCOSUL e um departamento da União Européia, mais especificamente da França. Trata-se da interligação de 2 grandes mercados, tanto por meio da BR-156 quanto pelo Porto de Santana, que chega até o Porto da Guiana Francesa. Pode haver também interligações com outros países, como Suriname, a antiga Guiana Inglesa e a Venezuela. Portanto, essa estrada tem significado econômico estratégico para o desenvolvimento da nossa região, do nosso Estado e do País. Hoje o Ministro dos Transportes anunciou a liberação de mais de 8 milhões de reais do Orçamento da União, a título de Restos a Pagar, relativamente a 2002, o que reforça o caixa do Governo do Estado, que já havia aplicado recursos na obra e agora será ressarcido. Portanto, fica sanado o débito do Ministério dos Transportes com o Estado do Amapá, relativo a 2002. O Ministro Alfredo do Nascimento também 547 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 sinalizou com a quitação, em breve, dos Restos a Pagar de 2003, débito em torno de 8 milhões de reais. Sr. Presidente, Deputado Zico Bronzeado, meu companheiro de partido do Acre, para nós é motivo de satisfação o anúncio da liberação de 50 milhões e 650 mil reais para a obra de asfaltamento da BR-156, parada há muito tempo. Sempre reivindicamos recursos do Orçamento da União, mas nunca conseguimos. A população e os Parlamentares do Estado estão felizes com o fato de o Ministro Alfredo do Nascimento tornar realidade compromisso de campanha do Presidente Lula, que lá esteve por duas vezes e se comprometeu em asfaltar a referida rodovia. A bancada parlamentar do Estado do Amapá se uniu em torno desse grande projeto, e hoje temos o retorno: a liberação de significativa soma de recursos para alavancar o asfaltamento da rodovia no trecho do Município de Tartarugalzinho, passando por Amapá e com chances de chegar a Calçoene. O trecho sul da BR interliga Macapá ao Município de Laranjal do Jari, para o qual estão reservados 33 milhões de reais, já alocados no Ministério dos Transportes, necessitando apenas da conclusão do projeto para que as obras sejam iniciadas. Queremos enaltecer a união da bancada do Norte, todos os Parlamentares Federais, Estaduais e Municipais, Governador e Prefeitos das localidades por onde passará a BR e que, com certeza, contribuíram para que obtivéssemos o máximo de recursos para a construção da estrada que gerará desenvolvimento em todo o Estado. Sr. Presidente, também quero ressaltar que está previsto o encontro das equipes técnicas do Brasil e da França, nos dias 4 e 5 do mês de julho, 548 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 provavelmente naquele país, para acertarem os detalhes do projeto de licitação da construção da ponte sobre o Rio Oiapoque. Essa ponte binacional, de interesse do Brasil e da França, que interligará o Amapá à Guiana Francesa, é um compromisso assumido pelo Presidente Lula quando esteve na França visitando o Presidente Jacques Chirac. Ambos acordaram para que fosse construída a ponte sobre o Rio Oiapoque, que, na minha avaliação, interligará o MERCOSUL à União Européia. É grande a importância estratégica do Porto de Santana, na saída do Rio Amazonas e que tanto poderá receber as cargas que nele adentram para serem distribuídas quanto poderá servir como posto de exportação dos nossos produtos para União Européia, África, Estados Unidos e América Central. É estratégica a posição desse porto, do ponto de vista do comércio internacional na região, pois facilitará o escoamento e o recebimento dos produtos comercializados pelo País. Aquela área de livre comércio recebe benefícios fiscais ao Estado. Além disso, na costa do Amapá, a PETROBRAS, em parceria com outras empresas estrangeiras, faz importantes pesquisas. Apresenta grande perspectiva a exploração de petróleo na região, uma vez que incrementará o transporte de carga, no caso de combustíveis, no Porto de Santana. Tendo em vista a importância e a necessidade de fortalecermos o Porto de Santana, criaremos a Companhia de Gás do Amapá, a GASAP, em franco andamento. Já foram realizadas várias reuniões com empresários e membros Governo do Estado, o maior acionista. No Rio de Janeiro, estivemos na sede da PETROBRAS fazendo gestão para que se torne realidade a distribuição de gás natural no Estado do Acre, o que alavancaria o seu desenvolvimento. Mais uma vez, precisaremos do Porto de 549 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Santana para receber o gás da Bacia de Urucu, localizada no Estado do Amazonas, e de outros Estados do Nordeste. O Porto de Santana precisa estar estruturado para a Companhia receber e distribuir o gás. Informo que o Ministro dos Transportes, Sr. Alfredo Nascimento, comprometeu-se com a revisão e a melhoria da sinalização náutica do canal da Barra Norte, na entrada do Rio Amazonas, que atende o Estado do Amapá. Hoje mesmo S.Exa. confirmou, mais uma vez, a alocação de recursos para esse fim, visando dar maior segurança à navegação no Rio Amazonas, principalmente no Amapá. Sr. Presidente, mais uma vez quero enaltecer a importância da visita do Ministro dos Transportes ao Estado do Amapá. S.Exa. nos deu novo ânimo. Também não poderia deixar de registrar a visita do Presidente do Congresso Nacional, Senador José Sarney, em incentivou à iniciativa do Ministro dos Transportes. No dia 19 de maio, a Comissão de Viação e Transportes da Casa sugeriu a S.Exa. a visita ao nosso Estado. Felizmente, o empenho da nossa bancada foi recompensado de forma brilhante, pois não só S.Exa. visitou o Amapá, como também destinou recursos no montante de 5 milhões e 650 mil reais para o prosseguimento da obra de asfaltamento da BR-156. Parabéns a todos os Parlamentares, ao Governo do Estado, aos Prefeitos dos Municípios atendidos, enfim, a todos que estiveram presentes tanto no Porto de Santana quanto no Teatro das Macabeiras. Somos extremamente gratos ao Presidente Lula e ao Ministro dos Transportes, Sr. Alfredo do Nascimento, que cumpriram o compromisso assumido de asfaltar a BR-156. Assim procedendo, o Presidente da República lava a alma dos 550 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 amapaenses, pois a iniciativa melhora a qualidade de vida desses cidadãos e impulsiona o desenvolvimento do nosso Estado. Agradeço a todos que nos assistem pela TV Câmara e aos que participaram desse evento no meu Estado. O SR. PRESIDENTE (Zico Bronzeado) - Deputado Hélio Esteves, parabenizo o povo do Amapá pela conquista desse investimento do Governo Federal. 551 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Zico Bronzeado) - Encontra-se presente a Sra. Maria Gorete Pereira, representante do Estado do Ceará, eleita pela Coligação PMDB/PFL, que tomará posse em virtude do afastamento do titular. Convido S.Exa. a prestar o compromisso regimental, com o Plenário e as galerias de pé. (Comparece à Mesa a Sra. Maria Gorete Pereira e presta o seguinte compromisso): “PROMETO MANTER, DEFENDER E CUMPRIR A CONSTITUIÇÃO, OBSERVAR AS LEIS, PROMOVER O BEM GERAL DO POVO BRASILEIRO E SUSTENTAR A UNIÃO, A INTEGRIDADE E A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL”. O SR. PRESIDENTE (Zico Bronzeado) - Declaro empossada a Sra. Maria Gorete Pereira. (Palmas.) 552 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Zico Bronzeado) - Concedo a palavra, pela ordem, à Sra. Deputada Gorete Pereira. A SRA. GORETE PEREIRA (PFL-CE. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é com muita satisfação que integro o Colegiado do PL nesta Casa, em substituição ao grande democrata, Deputado Federal Roberto Pessoa, que está se licenciando. Com certeza, S.Exa. deixará uma lacuna. Quero dizer que vou procurar corresponder às expectativas deste Plenário e do povo do Ceará. Filha de Padre Cícero, de Juazeiro do Norte, primeira mulher do Estado do Ceará e do PL a assumir o cargo de Deputada Federal, associo-me a todas as decisões desta Casa no sentido de dar continuidade ao trabalho político que comecei em Fortaleza. Fui Vereadora por 2 mandatos, exerci mais 2 mandatos como Deputada Estadual e, agora, assumo cadeira nesta Casa como Deputada Federal. Sou uma pessoa ligada às classes sociais. Represento a maior instituição social do Ceará, a ABCR, que de cuida pessoas portadoras de necessidades especiais. O Ceará conta hoje com 16 entidades desse tipo. Agradeço aos meus amigos que vieram assistir à minha posse: Desembargador José Maria Lucena, Procurador Aloísio, meu irmão mais velho, Carlos Pereira, em nome do qual estendo meus agradecimentos a toda a minha família, porque sei do seu empenho para que eu até aqui chegasse. Ao Deputado Roberto Pessoa, grande amigo e democrata, digo estas palavras: Roberto , é com muita satisfação que lhe substituo. Não sei se à altura do trabalho realizado por você nesta Casa. Mas, com certeza, farei o possível para honrar o povo do Ceará e do Brasil. 553 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 Muito obrigada. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Zico Bronzeado) - Deputada Maria Gorete, esta Casa se sente honrada em recebê-la. Que V.Exa. possa desempenhar um grande trabalho em prol de seu Estado e do povo brasileiro. Sua história demonstra que V.Exa. já teve compromissos com o seu Estado, na Câmara Municipal e na Assembléia Legislativa. Portanto, sinta-se aqui em sua casa! Com certeza, esta Câmara estará mais abrilhantada pela presença de mais uma mulher, reforçando a bancada feminina, que tem prestado grandes serviços à Nação. Isso demonstra que as mulheres já ocupam o espaço que realmente merecem. Parabéns, Deputada Maria Gorete! Esta é a Casa do povo e também a nossa Casa. 554 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 VII - ENCERRAMENTO O SR. PRESIDENTE (Zico Bronzeado) - Nada mais havendo a tratar, vou encerrar a sessão. 555 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 O SR. PRESIDENTE (Zico Bronzeado) - Encerro a sessão, antes convocando para amanhã, terça-feira, dia 22 de junho, às 9h, sessão extraordinária e, às 14h, sessão ordinária com as seguintes ORDENS DO DIA 556 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 130.2.52.O Data: 21/6/2004 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 4176 (Encerra-se a sessão às 19 horas e 33 minutos.) 557