AS INTERFACES DO PATRIMÔNIO CULTURAL DE GUIDO VIARO, NA CURITIBA DE 1930 A 1960 E SUA ATUAÇÃO NA REVISTA JOAQUIM. Débora Maria Russo PDE 2008 Guido Viaro chega em Curitiba no ano de 1929. Era uma cidade com aproximadamente 100 mil habitantes. Vista do Passeio Público, Curitiba, 1930 Ficou inicialmente num hotel, no centro da cidade, mas logo instalou-se no terceiro andar de um prédio na rua XV de Novembro, bem no centro da capital do Paraná. Seu atelier ficava no último andar e logo transformou-se num ponto de encontro com os artistas plásticos Freisleben e João Turin, o cantor de ópera Túlio de Lemos e o violinista Leo Cobe, entre outros. Foto da Rua XV de novembro em 1924 Viaro trabalhando no sótão da EMBAP (VIARO, s./d.). Viaro era um homem de Impulsos fortes, tinha uma personalidade decidida, dinâmica, isto pode ter contribuído para transformar-se num pólo magnético para onde convergiram os participantes dos movimentos artísticos de renovação. Em matéria publicada no DIÁRIO DA TARDE (4 dez. 1934) ele é qualificado como mestre do pincel, o artista é ali descrito como “estranho e requintado, ... original nas suas interpretações”. Viaro trabalhando no sótão da EMBAP (VIARO, s./d.). Sua obra artística, motivou toda uma geração de artistas preocupados em sintonizar a produção artística do Paraná com as tendências a ela contemporâneas. Leia o comentário de Maria José Justino sobre o artista Viaro trabalhando no sótão da EMBAP (VIARO, s./d.). Afirmava ser o artista um intérprete sincero da paisagem e da gente brasileira numa pintura feita para satisfazer os seus próprios anseios espirituais num processo individual e introspectivo, na consciência superior de alguém que domina os mistérios da vida e seus fenômenos. (OSINSKI,2006) Fotógrafo Lambe-Lambe" Óleo Sobre Tela 1944 0,890 x 0,740 m Retrato da esposa 1937 óleo sobre tela, 0,49 x 0,39 m A temática religiosa: Segundo Orlando da Silva (1997), Viaro sentia o sofrimento de Cristo. Comenta que as cenas bíblicas partiam do povo que o artista via. Os trabalhos que abordavam estes temas, demonstravam no artista, grande preocupação com a técnica. Ele pretendia com suas obras religiosas provocar uma reflexão sobre algumas questões importantes da vida, do mundo e dos problemas de seu tempo. Jesus e os Apóstolos Óleo Sobre Madeira 1959 0,660 x 0,475 m Paisagem, 1948, óleo sobre tela 0,580 x 0,705 m Auto retrato de Guido Viaro, 1942, óleo sobre tela, 0,42 x 0,44 m Tintas nanquin usadas por Guido Viaro que estão no acervo do CJAP – Centro Juvenil de Artes Plásticas Rolo de impressão utilizado por Guido Viaro que está no acervo do CJAP Gravura executada por Viaro, para o conto Um Adágio, de Dalton Trevisan na Revista Joaquim, água forte, impressão em relevo 13,4 x 8,8 , jul. 1946, p. 7). Um pouco antes da vinda de Viaro ao Brasil, a qual ocorreu no Rio de Janeiro , em 1927, acontecia em algumas capitais do país, um marco histórico da introdução de idéias modernistas no campo da Arte, era a Semana de Arte Moderna, que ocorreu com maior vulto no ano de 1922. Saiba mais sobre a Semana de Arte Moderna Guido Viaro motivou toda uma geração de artistas que buscavam sintonizar a produção artística do Paraná com as tendências contemporâneas. Viaro trabalhando no sótão da EMBAP (VIARO, s./d.). As inovações literárias aliadas às idéias modernas tiveram na revista Joaquim, um elemento de destaque , apresentava um tom muitas vezes agressivo pela construção da idéia do novo. Por que Joaquim ? A escolha do nome da revista, era uma “homenagem a todos os Joaquins do Brasil” (JOAQUIM, abr. 1946, p. 3). Apesar desse nome estar sugerindo a idéia de um homem comum, essa não era uma publicação de conteúdos fáceis e populares. Tinha o objetivo de atingir pessoas envolvidas em literatura, filosofia, arte e cultura em geral, ou seja, seu público alvo não era só escritores e artistas locais, mas os intelectuais brasileiros em geral. Clique aqui e leia o comentário de Dulce Osinski A Revista Joaquim , de Dalton Trevisan e Erasmo Pilotto, que circulou em Curitiba entre os anos 1946 e 1948, como um marco das linguagens modernistas no estado do Paraná teve em Guido Viaro , um de seus partícipes fundamentais. Os debates empreendidos na Joaquim tinham como tônica principal a idéia moderna de arte e literatura e a análise de suas manifestações, compreendendo temáticas bastante diversas, como o modernismo e sua importância, o embate entre as gerações de intelectuais e o seu papel na cena cultural. Pessoas ilustres participavam da revista Joaquim. Você quer saber quem? Então clique aqui A frase a seguir demonstra claramente os ideais da revista Joaquim: O importante foi a decisão de romper com o passado, nas suas tradições estéreis. É, pois, uma geração sem medo (JOAQUIM, mar. 1947, p. 3) Os artistas que participavam da Revista Joaquim pretendiam promover o que compreendiam como arte moderna, dentro dos debates, nas entrevistas e também nas imagens ali presentes. Poty Lazzarotto. Imagem realizada para o conto Canto de Sereia, de Dalton Trevisan na Revista Joaquim, jul. 1946, p.12. As imagens da revista, traduziam uma linguagem moderna; podiam estar vinculadas aos textos literários ou constituir-se no próprio assunto da página. Procuravam introduzir a província curitibana num repertório cultural de caráter mais universal por meio de uma nova linguagem artística . Curitiba Paraná Brasil Os artistas, mesmo quando interpretavam as poesias ou os contos não tinham uma preocupação excessivamente descritiva com a descrição do fato tratado. Viaro participa na Joaquim de diversas maneiras: como autor de imagens veiculadas, ilustrando os textos publicados por alguns de seus amigos escritores Veja a seguir a reprodução de uma página da Revista Joaquim , nº 18, a qual contém uma ilustração de Guido Viaro chamada Trapiche em técnica de Água-forte, impressão em relevo 10 x 9,6 autor de crônicas e textos críticos como o apresentado a seguir, no qual faz um comentário crítico à obra de Alfredo Andersen, na Revista Joaquim de dezembro, 1946. Nesta gravura faz um auto-retrato e inclui sua esposa e seu filho. Observa-se suas iniciais em cada canto. Viaro, por Viaro. Água-forte, impressão em relevo 8,9 x 7,7(VIARO, dez. 1946, p. 10). Quer saber mais sobre este artigo? Clique aqui e leia o comentário de Dulce Osinski dando entrevistas, falando sobre seu trabalho e seu pensamento artístico. No artigo ao lado, da Revista Joaquim nº 2, de junho de 1946, Erasmo Pilotto faz várias perguntas sobre sua vida, seu trabalho e seus ideais. fazendo ilustrações, as quais demonstravam sua expressão artística e sua visão social. Segue a seguir uma de suas inúmeras gravuras presente na Revista Joaquim: Pobre, mas Descansado 11 x 14 cm água-forte sobre zinco, impressão em relevo O Joaquim, nov 1946 pg 4 Leia os comentários de Dulce Osinski sobre esta gravura As ilustrações das revistas utilizavam a xilogravura e a gravura em metal, que era feita diretamente na placa de zinco e utilizada como clichê de impressão. Gravura em metal foi a técnica mais utilizada por Guido Viaro, principalmente na Revista Joaquim Clique aqui e conheça mais sobre a gravura e técnicas usadas por Guido Viaro VIARO, água forte , impressão em relevo 22,1 x 16,8un. 1946, p. 10 A atmosfera dramática é recorrente nas imagens da Joaquim e bastante explorada por Guido Viaro. Na imagem ao lado, que acompanha o conto Notícia de Jornal, de Dalton Trevisan, o crime passional, descrito pelo autor em forma jornalística comentada, é representado por Viaro em sua dimensão de confusão e perplexidade, tendo a cidade, com seus prédios, como cenário de um acontecimento trágico que envolve os transeuntes. A interferência direta na chapa metálica resulta em linhas brancas sobre o fundo negro, riscadas nervosamente sem respeitar os limites entre uma e outra figura., conforme o detalhe da gravura anterior. A narrativa de um drama do cotidiano urbano é usada como pretexto para a criação da imagem, que conquista autonomia pelas mãos do artista. Assim como os modernistas de 1922, os modernos paranaenses dos anos 40, após 20 anos da efervescência do movimento de São Paulo e Rio de Janeiro, procuravam sua afirmação usando a contraposição ao estabelecido que era considerado velho e ultrapassado. Mesmo com uma distância de mais de duas décadas, tanto os textos produzidos , como os trabalhos plásticos produzidos pelos integrantes da Joaquim e veiculados naquele periódico têm muitos pontos em comum com as vanguardas artísticas européias do início do século XX e com a produção dos artistas vinculados ao movimento paulista, com quem o diálogo se dá de forma bastante intensa. Clique aqui e conheça um pouco mais da história do Brasil nesta década O impacto que essa publicação causava, em especial por não ser produzida num grande centro, é descrito em artigo abaixo: “Quando ‘Joaquim’ chegava, a intelectualidade brasileira ficava em polvorosa. Vinha da província, com roupagem moderna e despojada. Trazia sempre consigo um grupo jovem e talentoso de jornalistas, escritores, artistas e críticos literários” (FOLHA DE SÃO PAULO, 9 jan. 2001, p. E1). Clique aqui e leia o comentário de Dulce Osinski Foi por meio da expressão artística, mas também através da educação, que seu pensamento moderno pôde se afirmar. Aliás, podem-se perceber interfaces entre essas duas dimensões, sendo muitas das posturas tomadas por Viaro análogas e correspondentes no campo da arte e da educação. (OSINSKI, 2006) O contato com Erasmo Pilotto, intelectual envolvido com a educação desde 1938, colocou-o em contato com a proposta de renovações educacionais no Brasil. Como resultado, ocorreram projetos culturais e educacionais, promovidos pelos esforços conjuntos de uma elite intelectual com poder de direção, cujo objetivo era possibilitar a concretização destas idéias . Guido Viaro, viria a desenvolver com Eny Caldeira (professora da foto anterior), relações de amizade alicerçada sobretudo em afinidades artísticas e nas idéias comuns sobre a importância da arte na educação. A educadora via com grande entusiasmo o trabalho desenvolvido pelo artista junto às crianças, relacionando às experiências observadas por ela na Europa. Irene 11 anos Peixe Guache e grafite sobre papel 31,2 x 22,5 cm Para manter-se financeiramente, Viaro trabalhou como professor em vários colégios, mas sempre sustentando o desejo de fundar a primeira escolinha da Artes para Crianças , o Centro Juvenil de Artes Plásticas. CENTRO JUVENIL DE ARTES PLÁSTICAS Rua Mateus Leme, 56 Curitiba-PR Sua opção pelos jovens e pelas crianças, reforça sua crença, de que o caminho para a melhoria da sociedade passa pelo investimento nos pequenos, princípio básico da formulação do CJAP, introduzindo a arte no mundo infantil e viabilizando o acesso à informação para a juventude. Clique aqui e leia o texto de Piaget, comentando sobre a educação através da arte A iniciativa da criação do CJAP tivera início poucos anos antes, no ano do Centenário de Emancipação Política do Paraná, em 1953. Clique aqui para acessar o site do CJAP Guido Viaro como vanguardista, citava Dewey em sua afirmação de que a escola é a própria vida, e não uma preparação da vida, contrapondo suas ações, identificadas com a pedagogia moderna, à ultrapassada escola tradicional, cujo objetivo era uma educação intelectualista, que considerava a criança um adulto em miniatura e cujos resultados eram alcançados por rígidos processos que privilegiavam métodos verbalistas. (OSINSKI, 2006) Sempre comentava: “ Na pintura, acho que precisamos começar com a criançada. Começar vendo nos grupos todas as crianças que têm uma aptidão especial para o desenho. Os próprios professores ajudariam nisso. E depois tratar de orientar essa gurizada. ” Viaro trabalhando no sótão da EMBAP (VIARO, s./d.). Guido Viaro com as crianças no CJAP Em parceria com o Departamento de Cultura da Secretaria de Educação e Cultura e com a Escola de Música e Belas Artes do Paraná, foi organizado um concurso envolvendo crianças das escolas primárias e secundárias do Paraná, o qual tinha por finalidade destacar seu trabalho desenvolvido na escolinha de artes e por conseqüência a importância da arteeducação. Desta forma, ele conseguiria um espaço específico para desenvolver sua prática como arte-educador. O CJAP, quando teve à sua frente Guido Viaro, participou assiduamente de exposições em diversas cidades brasileiras e em outros países. Também promovia exposições anuais para mostrar o trabalho das crianças e dos professores desta instituição. A prática de exposições permanece até hoje neste Centro de Artes. Defendendo a liberdade de expressão para as suas crianças, o velho artista se renovava e, mais uma vez, se colocava do lado dos novos nas águas divisoras entre tradição e modernidade. (OSINSKI,2006 O Centro Juvenil tinha alguns pontos em comum com a Escolinha de Artes do Brasil, fundada no Rio de Janeiro por Augusto Rodrigues, e com outras escolinhas similares em outras cidades do país, como a defesa da espontaneidade e da livre-expressão, e a preservação da pureza infantil em suas manifestações artísticas. L.V. Caminhão,carro e cidade 13 anos Guache e grafite sobre papel 20,5x 31,5 cm Em 1948, no Rio de Janeiro, Augusto Rodrigues criou a Escolinha de Artes do Brasil, que por muitos anos foi considerada a primeira escolinha de artes brasileira, onde as crianças podiam desenhar e pintar livremente, demonstrando o clima expressionista que dominava o pós-guerra. Clique aqui e leia o comentário de Ana Mae Barbosa O termo escolinha de arte é utilizado, no Brasil, para denominar os espaços extracurriculares dedicados ao ensino da arte para crianças dentro de uma metodologia que privilegia a expressão livre da criança, com o mínimo de interferência do educador. Revista O Cruzeiro 13.01.1970, acervo CJAP Atuou como professor no Colégio Belmiro César , Iguassú, Liceu Rio Branco, Colégio Estadual do Paraná, na Escola de Música e Belas Artes do Paraná e também na Escola Profissional República Argentina, escola essa que hoje recebe o nome de Centro Estadual de Capacitação em Artes Guido Viaro. Foto do Centro Estadual de Capacitação em Artes Guido Viaro Curitiba Este Centro de Capacitação foi inaugurado em 1886 por Antonio Mariano de Lima. Inicialmente recebeu o nome de Escola de Belas Artes e Indústrias do Paraná. Muitos artistas ilustres como Alfredo Andersen e Guido Viaro (1941-1948) entre outros, ministraram aulas neste local. João Turin e João Zaco Paraná, foram alunos de escultura. Em 2002 este espaço cultural recebeu o nome de Centro de Artes Guido Viaro e a partir de 2005 passou a chamar-se Centro Estadual de Capacitação em Artes Guido Viaro. Atende professores de arte e de outras áreas, alunos do magistério como também universitários e demais pessoas que tenham o objetivo de trabalhar as diversas linguagens artísticas. Viaro trabalhando no sótão da EMBAP (VIARO, s./d.). A família Viaro mantém até hoje a maioria das obras e objetos do artista, como forma de preservar a memória do grande mestre da Pintura Paranaense. Seu neto fez um vídeo com depoimentos de alunos além de várias imagens de suas obras chamado Guido Viaro – Um retrato coletivo. Este vídeo estará no site www.diaadiaeducacao.pr.gov.br Viaro tinha uma opinião muito firme, defendendo a autonomia do processo criativo e a coerência com os princípios universais da arte. Acreditava que o artista precisa manter suas convicções sobre os princípios artísticos que considera importante, podendo não ser tão bem aceito pelo público em geral, não devendo ceder às tentações de uma produção que procura satisfazer os gostos da platéia. Veio a falecer em 1971, pouco tempo depois da morte de sua esposa Yolanda, estava em seu atelier, aguardando seus alunos. Viaro acreditava que o maior compromisso do artista deveria ser consigo mesmo e com o seu processo de criação. LIVROS _____. Gatti Rabbiosi. Joaquim nº 2. Curitiba, junho de 1946. p. 5. Entrevista concedida a Erasmo Pilotto. KATZ, Renina. Paisagem. Reprod.: p&b, 23,5 X 18cm em papel. In: JOAQUIM. Curitiba, ano III, nº 19, jul. 1948. p. 12. KERR, Yllen. Xilogravura. Reprod.: p&b, 12,3 X 9,5 cm em papel. In: JOAQUIM. Curitiba, ano III, nº 21, dez. 1948. p. 9. REFERÊNCIAS •ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. •ARTE-EDUCAÇÃO. Sem título In: http://www.arteducacao.pro.br. Acesso em: 18 ago. 2008. •BARBOSA, Ana Mae. Teoria e prática da educação artística. São Paulo: Cultrix, 1994. •BASSLER, Roseli Fischer. Centro Juvenil de Artes Plásticas: O pioneirismo de uma idéia na trajetória da História da Arte Paranaense. Curitiba, 1994. 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Óleo sobre tela, 72 X 60 cm. 1944. Acervo Constantino Viaro. _____. Joaquim. Curitiba, outubro de 1947. P. 18. _____. No jardim das oliveiras. Reprod.: p & b, 13 X 18 cm. In: Joaquim. Curitiba, ano I, nº 6, nov. 1946. P. 4. _____. Pobre, mas descansado. Reprod.: p & b, 10,5 X 14 cm. In: Joaquim. Curitiba, ano I, nº 6, nov. 1946. p. 4. _____. Trapiche. Reprod.: p&b, 10 X 9,7 cm. In: VIARO, Guido. Viaro. Joaquim. Curitiba, ano III, nº 18, mai. 1948. P. 6. _____. Viaro, por Viaro. Gravura em metal. Reprod.: p&b, 13,5 X 11,6cm em papel. In: Joaquim. Viaro, hélas... e abaixo Andersen!. Curitiba, ano I, nº 7, dez. 1946. p. 10. •VIARO demonstrando exercício a uma aluna no sótão da EMBAP. Fotografia: p&b, s/d.Acervo do Centro Juvenil de Artes Plásticas. •VIARO e as monitoras do Centro Juvenil de Artes Plásticas. Fotografia: p&b; s/d. Acervo do Centro Juvenil de Artes Plásticas. •VIARO e uma aula de cerâmica no Centro Juvenil de Artes Plásticas. Fotografia: p&b; s/d. Acervo do Centro Juvenil de Artes Plásticas. •VIARO e uma turma mista de adolescentes e adultos no Centro Juvenil de Artes Plásticas. Fotografia: p&b; s/d. Acervo do Centro Juvenil de Artes Plásticas. •VIARO observando o trabalho de alunos do Centro Juvenil de Artes Plásticas. Fotografia: p&b; s/d. Acervo do Centro Juvenil de Artes Plásticas. •VIARO orientando alunos do Centro Juvenil de Artes Plásticas. Fotografia: p&b; s/d. Acervo do Centro Juvenil de Artes Plásticas. •VIARO orientando trabalhos na EMBAP. Fotografia: p&b; s/d. Acervo do Centro Juvenil de Artes Plásticas. •VIARO orientando uma aluna no sótão da EMBAP. Fotografia: p&b, s/d. Acervo do Centro Juvenil de Artes Plásticas. •VIARO posando com alguns alunos do Centro Juvenil de Artes Plásticas. Fotografia: p&b,s/d. Acervo do Centro Juvenil de Artes Plásticas. •VIARO trabalhando no sótão da EMBAP. Fotografia: p&b, s/d. Acervo do Centro Juvenil de Artes Plásticas. •VIARO trabalhando no sótão da EMBAP. Fotografia: p&b, s/d. Acervo do Centro Juvenil de Artes Plásticas. •CHOROSNICKI, João. Exposição de Pintura de Guido Viaro. Diário da Tarde, Curitiba, 25 out. 1945. •_____. Exposição Turin-Viaro. Diário da Tarde, Curitiba, 5 dez. 1934. •DIÁRIO DA TARDE. Educação Artística. Curitiba, 27 dez. 1946. •_____. João Turin e Guido Viaro. Curitiba, 4 dez. 1934. De Arte. PERIÓDICOS •CAMPOFIORITO, Quirino. A exposição de Nigri. Joaquim, Curitiba, ano I, nº 1, abr. 1946, •p. 5 •JOAQUIM. Curitiba: ano I, nº 1, abr. 1946. •_____. Curitiba: Ano II. nº 11, jun. 1947. •_____. Curitiba: ano I, nº 2, jun. 1946. _____. Curitiba: ano I, nº 3, jul. 1946. _____. Curitiba: ano I, nº 5, out. 1946. _____. Curitiba: ano I, nº 6, nov. 1946. _____. Curitiba: ano I, nº 7, dez. 1946. _____. Curitiba: Ano I. nº 4, set. 1946. _____. Curitiba: ano II, nº 10, mai. 1947. _____. Curitiba: ano II, nº 12, ago. 1947. _____. Curitiba: ano II, nº 13, set. 1947. _____. Curitiba: ano II, nº 14, out. 1947. _____. Curitiba: ano II, nº 15, nov. 1947. _____. Curitiba: ano II, nº 16, fev. 1948. _____. Curitiba: ano II, nº 17, mar. 1948. _____. Curitiba: ano II, nº 8, fev. 1947. _____. Curitiba: ano II, nº 9, mar. 1947. _____. Curitiba: ano III, nº 18, mai. 1948. _____. Curitiba: ano III, nº 19, jul. 1948. _____. Curitiba: ano III, nº 20, out. 1948. _____. Curitiba: ano III, nº 21, dez. 1948. _____. Viaro, hélas... e abaixo Andersen!. Curitiba, Ano I, nº 7, dez. 1946, p. 10. TREVISAN, Dalton. Um Adágio. Joaquim. Curitiba, ano I, nº 3, jul. 1946, p. 7 VIARO, Guido. G. Viaro. Joaquim. Curitiba, ano III, nº 19, jul. 1948, p. 10. _____. Gatti Rabbiosi – entrevista por Erasmo Pilotto. Joaquim. Curitiba, ano I, nº 2, jun. 1946, p. 5. . HIPERLINKS Maria José Justino (2007), reporta-se ao artista comentando: ...era dono de um desenho extraordinário e de um domínio artesanal invejável – várias problemáticas e gêneros na arte, entre eles, o social, o religioso, a paisagem e o retrato. Pintor, desenhista, gravador, articulista, caricaturista, ilustrador, educador, transitava com facilidade em todas as linguagens. O forte era o domínio do espaço e o traço falante, desenho seguro e expressivo, sobretudo nas gravuras. Mas a sensibilidade da cor não ficava nada a dever ao traço. E em todas essas experiências, salta o humanista. Continuar a apresentação de Guido Viaro O marco histórico da introdução de idéias modernistas na arte , no Brasil, foi a Semana de Arte Moderna, que ocorreu, em fevereiro de 1922, em São Paulo. Houveram uns acontecimentos precedentes como a chegada no Brasil de Lasar Segall , em 1910 e a exposição de Anita Malfatti, em 1917-1918. Alguns intelectuais brasileiros, entre os quais Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, manifestavam idéias que tinham como objetivo derrubar os cânones que até então, legitimavam entre os brasileiros a criação artística. Esse movimento com características nacionalistas, resultou numa renovação gradativa das pesquisas estéticas, na modificação dos conceitos em arte e no estabelecimento de uma forma de expressão artística brasileira. Em alguns estados brasileiros havia a efervescência do movimento modernista, mas no Paraná as primeiras alusões à Semana de 22 ocorrem dois anos depois, muito breves e esparsas. Esta linguagem moderna era rejeitada pela maioria dos artistas locais e pela sociedade em geral. Voltar para a apresentação de Guido Viaro Constituindo-se em projeto de modernização literária, artística e cultural e considerado um divisor de águas na cultura local com relação ao debate da tradição versus modernidade, a Joaquim circulou com periodicidade mensal, de abril de 1946 a dezembro de 1948, com uma edição limitada de 1000 exemplares. Foram publicados ao todo 21 números sob a editoria de Dalton Trevisan, que bancava revista de seu próprio bolso, conferindo-lhe um caráter de independência, tanto do ponto de vista filosófico quanto econômico. As rupturas que Guido Viaro intencionava em sua arte e o desejo de se afirmar como artista moderno coincidiam, desta forma, com os objetivos de jovens como Dalton Trevisan, resultando em parceria profícua. (OSINSKI, 2006) Voltar para a apresentação de Guido Viaro Os componentes da Joaquim, apresentando-se como moços, tinham mais possibilidades , em nível nacional, de formar diálogos. Os diversos intelectuais modernos e emergentes, distinguiam-se no meio cultural paranaense conhecido em outros estados por seu tradicionalismo. Poty Lazzarotto, participa ativamente na revista .Alguns artigos publicados em outros jornais e revistas, eram utilizados pela editoria da Joaquim. Haviam comentários de intelectuais de atuação expressiva no cenário brasileiro, como Carlos Drummond de Andrade, Tristão de Athaíde , Mário de Andrade, Oswald de Andrade, H. J. Koellreutter, Vinícius de Morais, Mário Pedrosa e Antonio Candido. Tinha também a intenção de tornar acessíveis textos de filósofos e artistas de importância internacional, como John Dewey, André Gide, Jean Paul Sartre, Merlaux-Ponty, T.S. Elliot, Virginia Woolf e Tristan Tzara. Voltar para a apresentação de Guido Viaro O desejo de se sentir parte do mundo e de se identificar com valores universais era uma tendência de parte significativa dos intelectuais do pós-guerra, fazendose presente entre os paranaenses. O caráter universalista da obra de Viaro foi igualmente assinalado no texto Viaro, helás... e abaixo Andersen, quando da afirmação de que o artista “pinta não a gente e a terra de Curitiba, mas simplesmente a gente e a terra” (JOAQUIM, dez. 1946, p. 10), numa crítica implícita a Andersen e seus alunos, que tinham como temáticas privilegiadas a paisagem paranaense, onde a araucária ocupava lugar privilegiado, e cenas cotidianas da gente local. Viaro, mesmo fazendo uso das mesmas temáticas que os seus colegas de ofício, teria a capacidade de transcender as preocupações e aparências regionalistas ao concentrar sua expressão no que o mundo e as pessoas têm de essencial. Voltar para a apresentação de Guido Viaro Prosseguir na leitura Buscando da mesma forma provocativa uma interlocução com os seus opositores, o autor de Viaro, helás... e abaixo Andersen inicia pelo título, cujos três pontos, separando os dois protagonistas, têm por efeito maior ênfase na idéia da destituição de Andersen como modelo, em favor da instituição da figura de Viaro. Seu objetivo é a construção de um ícone de modernidade para as artes plásticas do Paraná, o que se faz por meio da destruição da imagem do já consagrado Alfredo Andersen e, em especial, de seus discípulos, aliás esses os verdadeiros enunciatários dessa mensagem. Voltar para a apresentação de Guido Viaro O autor afirma primeiramente a impossibilidade de se elogiar Viaro sem desmerecer Andersen, explicando que, se houve um tempo em que era conveniente admirar o artista norueguês, agora se fazia necessário exorcizar sua sombra, responsável por obscurecer as novas tentativas no campo da arte. Em seguida conclama que se lance um exorcismo sobre Andersen, não tanto por causa dele, mas pelo que representa como arte superada, moldes consagrados, tabu. Embora reconheça ter sido Andersen um pintor com méritos dignos de serem respeitados – e aí cita Viaro que, contemporizando, diz ser ele ainda o melhor do Paraná – considera estar o mestre norueguês deitando uma sombra incômoda sobre os vivos, numa referência a artistas como Theodoro de Bona e Lange de Morretes que, mesmo gozando de prestígio e com estilos próprios, respondem pela alcunha de discípulos de Andersen. Rejeitando a veneração de mitos do passado, o texto ainda condena a canonização do pintor considerado um fantasma a assombrar a pintura de época que não a sua. O autor coloca-se então como uma espécie de justiceiro cuja tarefa é, com sua mão iconoclasta, converter os mitos intocáveis como Andersen em mitos mortos e enterrados, deixando clara a opção de seu grupo: “Entre Andersen e Viaro, nós, os moços, já fizemos a nossa escolha: só nos servem, não os mortos, mas a nós os vivos, que criam a arte nova dos tempos novos” (JOAQUIM, dez. 1946, p.10). Voltar para a apresentação de Guido Viaro Curiosamente, essa construção mítica de Guido Viaro como a bandeira moderna das artes plásticas paranaenses se faz, nesse texto analisado, muito mais sobre a figura da pessoa do que pela análise do trabalho artístico propriamente dito. É sobre a imagem de Viaro e sobre as representações de que dela advém que ela é estruturada, objetivando oferecer àqueles que buscam caminhos de renovação um alicerce seguro, um ponto de apoio, um referendo. O artigo vem acompanhado de uma gravura de autoria de Guido Viaro, um auto-retrato intitulado Viaro, por Viaro, executada em contrastes de claro-escuro. Voltar para a apresentação de Guido Viaro CAMPOFIORITO (mai. 1947, p. 10), referindo-se aos trabalhos de Viaro publicados na Joaquim, assinalou ser “o destino do homem simples, do homem que sofre, do homem para quem a vida é uma luta, do homem comum”, o ponto de interesse central de sua obra. É o que se pode observar na gravura intitulada Pobre mas descansado (VIARO, nov. 1946, p. 4), em que o foco de atenção é o cotidiano de um bairro pobre, com seus personagens despidos de expectativas, e suas crianças despidas de fato. Sem uma preocupação com a correção anatômica das figuras, a deformação é usada pelo artista de forma propositada para obtenção de maior dramaticidade. O personagem do primeiro plano descansa a cabeça apoiada em uma de suas mãos que, desproporcionalmente grandes, denunciam a impotência do homem diante de uma realidade esmagadora. Ao fundo, duas mulheres observam a cena conformadas, a da esquerda apoiada numa parede negra, a segunda contrastada contra uma luz ofuscante. Os rostos não são bem definidos, algumas vezes inexistindo, pois mais que realizar um retrato descritivo de uma determinada situação, a Viaro interessa refletir sobre a condição humana. Voltar para a apresentação de Guido Viaro É importante que um arte-educador conheça as diferentes formas de gravura, as quais serão identificadas a seguir: Gravura é uma técnica de impressão que utiliza diversos materiais, os quais dão nome aos seus diversos tipos (xilo, lito, linóleogravura). A história da gravura remonta ao homem pré-histórico, com o registro das mãos nas cavernas, seguidas do Egito Antigo, através de informações arqueológicas, em que se descrevia o processo de reprodução através da gravação em pedra ou madeira para a impressão de tecidos. Os chineses foram os que iniciaram a utilização do papel como suporte para a gravura, já que foram eles também que inventaram o papel na forma utilizada até hoje. No fim da Idade Média e no começo do Renascimento começa a grande associação do papel com a gravura. Clique aqui para voltar ao texto principal Clique aqui para seguir para a próxima página MATERIAIS PARA GRAVURA Rolos de impressão Goivas Clique aqui para voltar ao texto principal Clique aqui para seguir para a próxima página XILOGRAVURA (a palavra em português deriva de “xilos” madeira em grego) A xilogravura é um processo milenar, foi a primeira técnica de reprodução de imagem na forma de gravação. Sobre uma matriz de madeira (um bloco ou uma prancha espessa) é feita uma incisão ou entalhe através de um instrumento de corte, como as goivas apresentadas anteriormente, deixando visíveis os contornos de altos e baixos relevos. Clique aqui para voltar ao texto principal Clique aqui para seguir para a próxima página As linhas que permanecem na superfície do bloco é que receberão a tinta em geral aplicada com o rolo. Clique aqui para voltar ao texto principal Clique aqui para seguir para a próxima página Apertarmos manualmente ou através de uma prensa (imagem abaixo) a matriz sobre o papel, verificamos que passa a existir a reprodução de uma imagem. Clique aqui para voltar ao texto principal Clique aqui para seguir para a próxima página A gravura feita em madeira , reproduzia desenhos. Logo se percebeu a utilidade desse tipo de impressão, mas levava-se muito tempo para talhar uma página. Surgiram então, os tipos móveis e reaproveitáveis. Rapidamente o processo de impressão se desenvolveu até se transformar na indústria gráfica que conhecemos hoje. O gravurista continua hoje utilizando esse mesmo tipo de prensa descrito acima para produzir suas gravuras artísticas. Clique aqui para voltar ao texto principal Clique aqui para seguir para a próxima página No século XIII as iluminuras e até parte dos textos de livros geralmente religiosos, foram feitos a partir da xilogravura, porém como eram muito frágeis e perecíveis, passam a utilizar metais variados principalmente na tipografia. Novas técnicas se desenvolvem, criando a possibilidade de imagens mais nítidas e a criação de profundidade e sombreados, proporcionando melhores noções de perspectiva, conforme a gravura a seguir. Clique aqui para voltar ao texto principal Clique aqui para seguir para a próxima página Como gravador, Guido Viaro, passou por todas as técnicas, monotipia, zincogravura, água-forte, ponta seca, tendo sempre o desenho como sua principal forma de linguagem. Esta fase foi muito intensa, mas Viaro acabou se intoxicando com ácido sulfúrico, que usava para queimar as chapas e deixou esta prática de lado. Clique aqui para voltar ao texto principal Clique aqui para seguir para a próxima página Gravura em Metal É uma técnica que utiliza uma matriz (em geral) de cobre, latão ou zinco para reproduzir uma imagem. Nos chamados métodos diretos a mão os instrumentos atuam sulcando a superfície. Nos métodos indiretos, além dos instrumentos são utilizados agentes intermediários, tais como, mordente mais seu tempo de atuação, ceras, vernizes, redutores. A técnica de gravura em metal, foi a mais utilizada por Guido Viaro. http://www.glatt.com.br/tec_xilo.asp Clique aqui para voltar ao texto principal Clique aqui para seguir para a próxima página Ponta Seca: O artista empunha um instrumento de aço como se fosse uma pena (caneta); sua extremidade é em ponta fina, ao contrário do buril, que é losango. Com ela "rasgará" a superfície, em posição de escrita; ao fazê-lo, deixará ao longo do rasgo uma fina rebarba de metal que na impressão caracterizará essa técnica, por gerar uma linha mais aveludada. Clique aqui para voltar ao texto principal Clique aqui para seguir para a próxima página Água-Forte: Nesta técnica a placa é revestida por um verniz protetor. Com um estilete, o artista executa uma imagem, retirando a proteção do verniz no local do desenho. Neste local, o mordente (ácido nítrico, percloreto de ferro, mordente holandês) penetrará e atacará o metal, gravando a imagem. Seguindo este mesmo princípio, a água-forte se desdobra em algumas de variantes, tais como água-tinta, verniz mole, maneira negra, mezzotinta, processos combinados, etc. Estas variantes, além de mordentes, utilizam outros equipamentos: ceras, breu em grãos variados, brunidores, buris rajados, raspadores, e vedantes de consistências variadas. O que vai definir a qualidade e intensidade dos valores de luz e sombra e das texturas é o tempo em que uma chapa é exposta à ação do mordente. Clique aqui para voltar ao texto principal O final da Segunda Guerra Mundial e, em nível nacional, o fim da ditadura Vargas, inauguravam uma nova época para o país, tornando o ambiente propício para iniciativas como a Joaquim. A criação de partidos políticos das mais variadas tendências e a sensação de liberdade experimentada depois de um longo período de repressão atuavam como fermentos da militância política e da efervescência cultural, fazendo com que muitos artistas se engajassem, formal ou informalmente, na defesa de causas nas quais acreditavam, a exemplo de Portinari, que em 1946 se candidatou a senador pelo Partido Comunista Brasileiro. (OSINSKI, 2006) Clique aqui para voltar ao texto principal Sua tiragem relativamente limitada era compensada por uma distribuição estratégica, tendo como destinatários intelectuais influentes espalhados pelo território nacional, bem como veículos de comunicação de grande circulação os quais, não raro, exprimiam sua opinião sobre o empreendimento seja em publicações, seja por meio de cartas enviadas à redação. Essas opiniões eram publicadas constantemente na própria Joaquim como um meio de auto propaganda, reforçando a idéia de modernidade e renovação que tinha como parâmetro o cenário nacional. (OSINSKI, 2006) Clique aqui para voltar ao texto principal Ao ler o parágrafo abaixo, vê-se uma parte da teoria de Piaget, na prática de Guido Viaro: A educação artística deve ser, antes de qualquer coisa, a educação da espontaneidade estética e da capacidade de criação, qualidades já presentes na criança pequena; e ela não pode, menos ainda que qualquer outra forma de educação, se contentar com a transmissão e com a aceitação passiva de uma verdade ou de um ideal totalmente elaborados: a beleza, como a verdade, só é válida quando recriada pelo sujeito que a conquista (PIAGET, 1954, p. 23). Clique aqui para voltar ao texto principal Segundo Ana Mae Barbosa, em artigo intitulado Os equívocos do Brasil, publicado em Arte Hoje, Rio de Janeiro, nº 18, p. 59-60, e reproduzido na publicação Escolinha de Arte do Brasil (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, 1980, p. 109), a idéia de livre-expressão tem origem no expressionismo, corrente artística de vanguarda do início do século XX, e defende que a arte não é ensinada, mas expressada, sendo a expressão do indivíduo o objetivo principal de qualquer ação educativa nesse campo. Clique aqui para seguir para a próxima página Clique aqui para voltar ao texto principal Ana Mae em seu livro Arte-Educação no Brasil, 1995; comenta que somente em 1930 a idéia da livre-expressão atinge a escola pública, mas o Estado Novo vem reprimir no campo educacional, perseguindo professores da Escola Nova. Após a queda de Getúlio Vargas ocorreu a recuperação e a renovação da educação nacional. 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