UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
QUEM LÊ JORNAL SABE MAIS
Por: Flávia Monteiro Pontes da Silva
Orientador
Prof. Ana Cláudia Morrissy
Rio de Janeiro
2009
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
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QUEM LÊ JORNAL SABE MAIS
Apresentação de monografia ao Instituto A Vez do
Mestre – Universidade Candido Mendes como
requisito
parcial
para
obtenção
do
especialista em Comunicação Empresarial.
Por: Flávia Monteiro Pontes da Silva
grau
de
3
AGRADECIMENTOS
A Fátima, Roberto, Laís e Vinícius e
aos meus amigos fiéis e companheiros,
meus grandes incentivadores em todos
os momentos da vida.
4
DEDICATÓRIA
Em homenagem as grandes amigas
Tânia de Oliveira Batista e Cláudia de
Sant`Anna Monte Mor.
5
RESUMO
O jornal sempre frequentou as salas de aula por iniciativa dos
professores, sendo o primeiro elemento da mídia a ser utilizado como recurso
didático. No Brasil, a introdução do jornal como recurso didático começou na
década de 70. O uso de jornal em sala de aula vem crescendo rapidamente no
país. Um jornal nas mãos de um professor orientado para o seu uso
interdisciplinar em sala de aula, pode assegurar não apenas a leitura plena
entre estudantes, crianças ou adultos, mas também permitir a contextualização
dos fatos que permeiam o cotidiano da cidade, do país e do mundo, com as
disciplinas
ensinadas,
significativos.
tornando
tais
conteúdos
atuais,
relevantes
e
Se bem preparados e executados dentro das diretrizes e
orientações que fundamentam sua realização, os chamados programas de
jornal e educação ajudam a educar os futuros leitores, para que eles não
apenas saibam como ler jornais, mas como fazê-lo criticamente.
O Capítulo I dá um enfoque teórico à relação entre Educação e
Comunicação, com ênfase no uso do jornal. O Capítulo II mostra, por meio de
levantamento nacional feito pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), a
importância do texto jornalístico como ferramenta pedagógica não só para o
aluno e o professor, mas para a comunidade escolar e a própria família. Por
último, o Capítulo III detalha o funcionamento e os méritos do ‘Quem Lê Jornal
Sabe Mais’, projeto do jornal O Globo, o mais antigo programa de jornal e
educação brasileiro, sendo pioneiro também no estado do Rio de Janeiro.
6
METODOLOGIA
O desenvolvimento da monografia a seguir teve por base teóricos como
Ana Maria Cocentino (“Virando a página – O jornal na sala de aula”, 2006);
Ângela Schaun (“Educomunicação”, 2002); Felipe Pena (“Teoria do jornalismo”,
2005); Flávia Aldair (“O jornal como instrumento pedagógico”, 1995); Iolanda
Cortelazzo (“Pedagogia e as novas tecnologias”, 2005); Jorge Pedro Souza
(“Teorias da notícia e do jornalismo”, 2002); José Manuel Moran (“Leitura dos
meios de comunicação”, 1993); Nelson Traquina (“Teorias do jornalismo”,
2005); Philippe Perrenoud (“10 Novas Competências para Ensinar”, 2000); e
Rossana Gaia (“Educomunicação & mídias”, 2001). Também foi de grande
valia para a produção do conteúdo, pesquisa feita em 2008 pela Associação
Nacional de Jornais (ANJ) sobre a eficácia dos programas que envolvem jornal
e educação. Por meio dela, foi possível o acesso a depoimentos de alunos,
pais e professores. A análise deste levantamento coube à coordenadoraexecutiva do Programa de Jornal e Educação (PJE), Cristiane Parente; e ao
diretor da John Snow Brasil, consultoria responsável pela pesquisa, Miguel
Fontes. Por fim, Carmen Lozza, coordenadora do programa ‘Quem Lê Jornal
Sabe Mais’, do jornal O Globo, contribui para a análise e detalhamento do mais
antigo programa de jornal e educação brasileiro.
7
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
08
CAPÍTULO I - Comunicação x Educação
11
CAPÍTULO II - O jornal como aliado da educação
16
CAPÍTULO III – Quem Lê Jornal Sabe Mais
26
CONCLUSÃO
31
BIBLIOGRAFIA
34
ANEXOS
36
8
INTRODUÇÃO
O jornal sempre frequentou as salas de aula por iniciativa dos
professores, sendo o primeiro elemento da mídia a ser utilizado como recurso
didático. No século XVIII já se registra essa presença na França. “Trata-se de
prática educacional antiga: na Espanha, em fins do século XIX, já se discutia a
possibilidade de introdução do jornal nas salas de aula. Na Noruega, foram
encontrados artigos de jornais do começo do século XX falando sobre
revolucionários métodos de ensino com o uso do jornal. Durante a II Guerra
Mundial, o educador francês Freinet desenvolveu uma metodologia de ensino
baseada em seu uso. Nos Estados Unidos, em 1932, o New York Times iniciou
seu programa de jornal na educação, sendo reconhecido como marco na
história destas iniciativas, através da distribuição de suas edições nas escolas.
Na década de 70, mais de 350 jornais americanos contavam com professores
como assistentes na implantação de programa de jornal na escola. Hoje, mais
de 700 patrocinam programas do gênero. Na Suécia, Dinamarca e Noruega,
100% dos jornais têm programas educacionais. Na Ásia, o NIE (Newspaper in
Education) começou em 1989, no Japão” (ADAIR, 1995, p.13).
No Brasil, a introdução do jornal como recurso didático começou na
década de 70. Na época, a experimentação era inovadora: influenciada pela
obra do canadense Marshall McLuhan (criador da idéia de ‘aldeia global’ ele
trouxe para a educação um novo enfoque, baseado em suas teorias sobre
comunicação), a Secretaria de Educação de São Paulo introduziu, em suas
diretrizes curriculares, a produção de jornais, o que continuou nas décadas de
80 e 90, mantendo programas funcionando até hoje em vários estados
brasileiros. Um dos projetos mais antigos e conceituados do Brasil é o carioca
‘Quem Lê Jornal Sabe Mais’, por meio do qual o jornal O Globo desenvolve um
processo de formação continuada, através de oficinas, encontros, palestras e
reuniões pedagógicas, para capacitar os professores da rede pública que irão
trabalhar com os jornais em sala de aula.
9
O uso de jornal em sala de aula vem crescendo rapidamente no país. A
Associação Nacional de Jornais (ANJ), que reúne as principais publicações
impressas do Brasil, e seu Comitê de Responsabilidade Social incentivam e
apóiam os jornais brasileiros que se interessam por desenvolver projetos do
gênero por meio do Programa de Jornal e Educação (PJE). Atualmente,
existem 62 programas, mantidos por iniciativa própria de um jornal ou em
parceria com governos municipais e/ou estaduais. Em alguns casos, há apoio
da iniciativa privada. Esses programas estão espalhados por 19 estados e o
Distrito Federal, sendo que as regiões Sudeste, com 29 programas, e Sul, com
13, concentram o maior número de iniciativas. Há também dois programas de
jornais não associados ligados ao PJE.
Quanto ao tipo de público a que atendem, a realidade constatada é
bastante diferenciada e demonstra que cada jornal vem encontrando formas
originais e criativas de promover suas ações em busca do leitor do futuro. Um
dado relevante a ser observado é o de que há um crescente avanço na
implantação desses programas: há 14 anos, não se registra nem um ano sem
que pelo menos um novo seja lançado. Segundo as últimas informações
disponíveis, de fevereiro a agosto de 2008, por exemplo, quatro novos
programas passaram a fazer parte do PJE/ANJ. São dos jornais Lance! (RJ),
Jornal de Fato (RN), Estado de Minas (MG) e Jornal da Manhã (PR).
Em 2008, também foi registrado um panorama bastante significativo:
foram 6.800 escolas atendidas; 1 milhão e 800 mil alunos beneficiados, com a
participação de 67.500 professores.
São programas extremamente variados, seja no tipo e complexidade das
empresas que os desenvolvem, seja na sua condução, seja na forma de
administrá-los, seja na maior ou menor abrangência de suas ações, seja no
tipo de instituição atendida. No entanto, todos possuem pilares em comum.
Mesmo entre aquelas instituições jornalísticas que ainda não criaram
seus próprios programas educativos, há uma preocupação em se aproximar
das escolas, de seus alunos e de seus professores. Assim é que se verificou,
por exemplo, que é bastante comum a publicação de suplementos infantis e
10
juvenis (até mesmo com conselho editorial formado por adolescentes e jovens),
a doação de exemplares a escolas, o recebimento de alunos em visita à
empresa, a realização de concursos, a publicação de cadernos, sejam
dedicado ao vestibular, sejam dedicado à educação de um modo geral, a
orientação a escolas na criação de seus jornais escolares ou mesmo a
realização de palestras em instituições de ensino e a busca de parcerias com
universidades locais.
11
CAPÍTULO I
Comunicação x Educação
A chamada Educomunicação tem se firmado, nos últimos anos, como
um campo de intervenção social que procura incluir a Comunicação no
processo educacional. Segundo Schaun (2002), este campo caracteriza-se por
atividades de cunho político e social fundamentados no desejo de análise
crítica do papel dos meios de comunicação que atuam no âmbito do ensino
formal (cursos de níveis fundamental, médio, superior e de formação de
professores) e informal (organizados por meio de empresas, movimentos
populares e organizações não-governamentais). As práticas de intervenção
social da Educomunicação constituem-se de ações, programas e produtos
destinados a criar e a fortalecer ecossistemas comunicativos em espaços
educativos, partindo da compreensão da importância da comunicação para o
convívio humano, para a produção do conhecimento e para a elaboração e
implementação de projetos de mudanças sociais:
“O paradigma da educação no seu estatuto de mobilização, divulgação e
sistematização de conhecimento implica em acolher o espaço interdiscursivo e
mediático da Comunicação como produção e veiculação de cultura, fundando
um novo lócus: o da inter-relação Comunicação/Educação” (SCHAUN, 2002,
p.20).
A comunicação voltou-se para a educação na busca de um espaço de
relações sociais no qual possa trabalhar com os aspectos cognitivos, críticos e
comportamentais do público e onde prevaleça uma postura formativa e
libertadora. “A escola, por sua vez, vê nos meios de comunicação um
instrumento que ajuda a formar o julgamento , o senso crítico, as faculdades de
observação e de pesquisa..., a imaginação, a leitura e a análise de textos e de
imagens, a representação de redes, de procedimentos e de estratégias de
comunicação” (PERRENOUD, 2000, p.128).
12
A inserção dos meios de comunicação na escola remete ao conceito de
uma pedagogia comunicacional, defendida pelo educador pernambucano Paulo
Freire, que considera as mídias e as relações com elas, estimulando um
diálogo entre a escola e as linguagens midiáticas. Freire ressalta o caráter
‘problematizador’ deste diálogo, que propõe despertar no aluno a leitura do
mundo, fazendo da educação um ato de aproximação com a realidade. A
educação é entendida, assim, como um processo de construção da
consciência crítica, e a mídia como um canal capaz de despertar, nos jovens, o
exercício de criticidade em relação aos fatos do cotidiano.
Segundo Cortelazzo (2005), é essencial que o docente se aproxime dos
meios comunicacionais, familiarize-se com eles, apropriando-se de suas
potencialidades, controlando sua eficiência e seu uso, para então, criar novos
saberes.
“Os professores precisam aprender a utilizar a mídia não como
resolução dos problemas impostos pela prática didática, mas como proposta
que traga uma fonte de aprendizado a mais para ser trabalhada em sala de
aula. Esta visão implica ter uma atitude sem preconceito, não somente porque
colabora para desnudar a noção de verdade perpassada pelas mídias e aceita
por um expressivo número de cidadãos, mas também porque pensa esses
fenômenos como parte da nossa realidade" (GAIA, 2001, p.35).
No entanto, ainda é grande a incerteza e insegurança dos professores
sobre a melhor forma de utilização dos meios de comunicação em sala de aula.
Esta dificuldade parece estar associada a três fatores. Inicialmente, segundo
especialistas como Moran (1993), a escola ainda considera “contraditória a
relação entre os meios de comunicação e a sociedade”. Por um lado, a mídia é
alvo de críticas pelo sistema educacional. Por outro, educadores reconhecem
que o apelo dos meios de comunicação desperta muito mais a sensibilidade
dos jovens do que a escola.
Uma outra dificuldade sobre o uso da mídia como material pedagógico,
segundo o autor, relaciona-se à formação do professor, que valoriza,
sobretudo, a técnica de uma aula expositiva como forma de transmissão de
13
conteúdo. Por fim, muitos professores ainda desconhecem o funcionamento
das etapas e particularidades da produção jornalística. Esta parece ser a
dificuldade mais significativa e que requer atenção especial. Pois, para
melhorar a utilização da mídia como material pedagógico, o professor deve
compreender o processo de produção jornalística, assim como suas limitações.
De acordo com muitos autores (Traquina 2005, Pena 2005 e Souza
2002), o entendimento do processo de produção jornalística deve partir do
pressuposto que as notícias - principal produto do trabalho jornalístico - não
representam um reflexo objetivo dos acontecimentos do cotidiano. Central à
compreensão desta teoria está a noção de que o processo de seleção dos
fatos que serão transformados em relatos noticiosos submete-se à ação
pessoal dos jornalistas e, por isso mesmo, caracteriza-se por ser arbitrário,
subjetivo e muito dependente de juízos de valor, experiências, atitudes e
expectativas de repórteres, pauteiros e editores.
Um outro elemento, que permeia o processo de produção jornalística e
que deve ser compreendido por educadores, relaciona-se à teoria do
agendamento, que defende que a mídia é capaz de estabelecer uma agenda
temática junto ao público (Souza, 2002). Esta capacidade de agendamento dos
temas difere de meio para meio: os jornais, por fornecerem uma visão mais
aprofundada e analítica dos assuntos - em relação ao noticiário breve e
heterogêneo oferecido pela televisão - teriam maior capacidade de agendar os
temas a serem tratados pelo público.
Alguns projetos de incentivo à leitura de jornal como parte do processo
educativo têm aproximado professores de universidades e educadores dos
ensinos médios e fundamental interessados em trocar experiências sobre estas
questões. Pelo caráter menos exigente e complexo em termos de recursos
técnicos e financeiros, são crescentes, no ambiente educacional, atividades
educomunicativas utilizando jornais. Muitos destes projetos escolares priorizam
a leitura, a discussão e a interpretação de diferentes assuntos (que podem ou
não estar relacionados aos conteúdos programáticos) enfocados pela mídia,
estimulando a reflexão crítica da realidade social e o manejo da linguagem oral
14
e escrita. Outros projetos, além de usar o jornal como ponto de partida para
debates e discussões sobre temas da atualidade, encorajam os acadêmicos a
produzirem seu próprio material jornalístico impresso.
Segundo Cocentino (2006), existe atualmente um grande esforço na
tentativa de disponibilizar aos alunos ferramentas capazes de atribuírem
significado à gama de informações proveniente do acelerado desenvolvimento
da tecnologia. Dessa forma, através do jornal, a escola vem colocando o aluno
em contato com o cotidiano, integrando-o ao processo de compreensão da
realidade. A introdução dos diários na escola vem incorporando novos gostos
de leitura, elegendo conteúdos que tratam das questões sociais do momento
histórico, ao mesmo tempo em que promove a interação dos saberes e, assim,
atualiza o debate, promove a reflexão. Dentre outras vantagens, destaca-se a
possibilidade de leitura partilhada do jornal entre estudantes (e professores) de
diferentes camadas sociais, nas quais se incluem as que jamais tiveram acesso
à informação.
Os melhores programas se caracterizam pela prática de atividades que
levam o aluno a extrapolar as informações contidas no texto jornalístico, ou
seja, as que se inserem numa perspectiva de questionamentos, por oferecerem
uma maior fundamentação para análise dos fatos. O uso sistemático dessa
prática possibilita ao estudante a crítica da informação, estimulando-o a
contribuir para a superação das dificuldades reais. Ao mesmo tempo, oferece
oportunidade para que ele aprenda a lidar com o excesso de informação do
mundo contemporâneo.
"Os bons programas têm sempre as mesmas características e, pelo que
pude observar, tanto nas escolas brasileiras, como nas estrangeiras são
adotadas práticas qualitativas capazes desenvolver possibilidades que
conduzam o aluno a tomar decisões, emitir opiniões, estabelecer conexões
entre os fatos, desenvolver a criatividade, etc. Posso dizer, no entanto, que,
como tive bem mais acesso as atividades desenvolvidas no Brasil (nem todas
as descrições enviadas por escolas estrangeiras vinham em inglês, mas no
idioma do país de origem: dinamarquês, norueguês, tailandês, etc.) o volume
15
de práticas pesquisadas me permitiu uma visão mais aprofundada dos
programas brasileiros, que sugeriram excelente qualidade. Isto não quer dizer
que os programas estrangeiros, de um modo geral, não apresentaram a
qualidade revelada nos programas brasileiros" (COCENTINO, 2006, p.37).
16
CAPÍTULO II
O jornal como aliado da educação
Em 2008, foi realizada a mais ampla pesquisa qualitativa já feita no país
sobre o uso do jornal como aliado da educação. E o resultado é categórico: o
texto jornalístico é uma importante ferramenta pedagógica não só para o aluno
e professor, mas para a comunidade escolar e a própria família. A dobradinha
revoluciona conceitos e comportamentos e pode ser considerada uma
alternativa segura de investimento social.
O levantamento, feito a pedido da Associação Nacional de Jornais
(ANJ), envolveu relatos e experiências de alunos, professores e gestores de
programas de todo o Brasil. Dos 137 jornais filiados à ANJ, 62 deles mantêm
programas similares. A maior parte está no eixo Sudeste-Sul.
O estudo qualitativo foi elaborado por meio de um questionário, aplicado
em sete capitais brasileiras: Brasília, Florianópolis, Belém, Fortaleza, Recife,
Rio de Janeiro e São Paulo. Os entrevistados foram divididos em 14 grupos
separados
entre
alunos
e
professores.
Foram
respondidas
questões
diversificadas sobre hábitos de leitura, percepção de atividades de incentivo à
leitura, benefícios do acesso à informação para o exercício da cidadania e os
principais obstáculos que existem entre o jornal e o aluno.
No questionário, os alunos também levantaram sugestões para
aproximar o jornal do cotidiano jovem, deixando a leitura do periódico mais
dinâmica, divertida e atraente.
Os principais obstáculos citados pelos entrevistados na hora da leitura
do jornal foram: a dificuldade de manusear o impresso, a sujeira nas mãos, a
necessidade de textos mais leves com mais cores e figuras, matérias
publicadas e elaboradas por jovens para jovens, mais notícias locais que
abordem a comunidade e o jornal tratado não apenas como um veículo
transmissor de problemas sociais, como também um meio de comunicação que
traga soluções.
17
Os resultados revelam que o uso do jornal durante as aulas contribui
para a criação do hábito e gosto pela leitura, refletindo, assim, no aumento das
notas dos alunos, principalmente na disciplina de português, e uma postura
mais crítica diante do mundo em que vivem. Os professores destacaram que a
discussão das notícias, entre outras atividades com jornal, colabora também
para melhorar a redação dos alunos e seu nível de argumentação, além de
tornar as aulas mais dinâmicas e interessantes.
A pesquisa identificou que o uso do jornal na sala de aula, de forma
sistemática e com professores capacitados: melhora os hábitos de leitura,
inclusive de jornal; melhora as notas dos alunos; melhora a assimilação dos
conteúdos escolares; amplia vocabulário e expressão verbal/escrita; amplia a
imaginação, a interpretação e a criatividade; favorece o trabalho em grupo;
facilita o acesso ao jornal para os alunos e seus familiares; favorece a
concentração e a disciplina na sala de aula; favorece a aproximação com a
família; motiva o aluno a ir para aula; gera impacto positivo em avaliações
nacionais e internacionais; serve de apoio ao livro didático; promove
interdisciplinaridade e socialização entre os alunos e professores; e, por fim,
promove a integração de alunos com necessidades especiais.
Segundo o levantamento (2008), os alunos consideram que existe uma
contribuição significativa para a criação do hábito da leitura através das
atividades realizadas com os jornais em sala de aula. De acordo com eles, a
leitura do jornal em sala despertou ainda mais o interesse pela leitura em geral.
“Um menino na turma não sabia ler muito bem, com o trabalho do jornal na sala
de aula ele melhorou bastante”, afirmou um estudante pernambucano. Outra
aluna de Pernambuco reforçou: “Todos os dias leio para um colega da minha
turma que não gosta de ler e, com isso, percebo que ele está despertando o
interesse pela leitura”.
Em geral, mostra a pesquisa, os alunos acreditam que a utilização do
jornal em sala de aula trouxe muitos benefícios na forma de se expressarem, o
que contribuiu também para a melhoria das notas. Segundo um aluno do
Ceará, “todas as matérias (da escola) estão no jornal”. De acordo com outro
18
estudante, também do Ceará: “A leitura ajuda em todas as matérias” e o
programa promove “mais integração com outras turmas da escola”, além de
facilitar o aprendizado. Quase todos os entrevistados afirmaram que suas notas
melhoraram depois que passaram a ler mais. De acordo com uma aluna, “a
leitura oral também melhorou porque a professora pede leitura em voz alta”.
Muitos alunos afirmaram que passaram a ler mais jornal com o
programa, apesar de alguns terem dito que há jornal em casa no fim de
semana. Alguns pais também passaram a assinar jornal depois que os filhos
começaram a trabalhar com o veículo em sala de aula. Porém, poucos alunos
relataram sobre os pais comparem jornal durante a semana e lerem com eles
em casa. Há muitos relatos de estudantes que, após participarem do programa,
passaram a promover hábitos de leitura junto a seus familiares. Um aluno
afirmou que seu irmão mais novo passou a ler jornal por causa dos
comentários que ele fazia em casa das matérias que lia na escola. Outra aluna
disse ter ficado interessada em jornal por causa da irmã mais velha, que
trabalhava com ele em sala de aula. Há também escolas que colocam jornais
em mesas nos pátios, para que toda a comunidade escolar tenha acesso.
Segundo os depoimentos, participar do programa também exige
concentração e disciplina. Um estudante relatou que quando o professor pede
aos alunos para lerem livro na aula, a sala fica ‘uma bagunça’. Mas quando ele
distribui jornal, todo mundo fica quieto e concentrado. De acordo com outro
aluno: “O jornal enturmou os alunos e quem estudava menos passou a se
interessar mais”.
Além disso, os relatos mostram que o programa serve de incentivo para
os alunos irem às aulas, porque ele fica mais empolgado com o trabalho com o
jornal e sua leitura vira um hábito. Porém, de acordo com uma aluna do Pará,
para ser bom leitor o aluno precisa fazer a sua parte. Não só na escola, mas
em casa também: “o jornal é só um incentivo”.
Os estudantes também deram dicas para os professores melhorarem
seu trabalho com o jornal, como convidar jornalistas para conversar com os
estudantes; fazer excursões para que eles possam conhecer vários lugares e
19
depois escrever seus relatos para o jornal; ter mais visitas aos jornais e fazer
jornal na escola. Os alunos de São Paulo sugeriram, por exemplo, ter uma aula
por semana só para trabalhar com jornal e ter um exemplar para cada um,
além de convidar jornalistas para conversar com eles.
Alguns alunos destacaram o uso de palavras difíceis pelos jornais, o que
dificulta a leitura das matérias. Também percebem que as notícias tendem a
ser mais negativas e cobram mais alegria e mais cor para o povo se alegrar e
refletir. Quase todos afirmaram não gostar da parte do jornal que fala de
violência. Os alunos deram sugestões para melhorar a qualidade dos jornais,
como por exemplo, publicar mais notícias sobre problemas sociais e ambientais
como poluição, desmatamento e aquecimento global, destacando a importância
do jornal em contribuir com informações que tragam soluções para os
problemas sinalizados. Eles acreditam que essa é uma maneira de
conscientizar as pessoas e possibilitar que elas contribuam para melhorar a
situação do lugar onde vivem.
Em geral, os alunos foram bastante críticos com relação aos meios de
comunicação. De acordo com um aluno de Santa Catarina: “Na TV, às vezes,
passa umas coisas erradas que não são confiáveis”. Porém, destacaram o
papel do jornal: “No jornal há mais conteúdo. O jornal é mais completo”. Além
disso, consideram mais fácil ter acesso ao conteúdo do jornal: “A TV tem
horário para passar a notícia, o jornal fica o dia todo com a gente e a gente leva
a hora que quer”.
Em relação aos educadores, a pesquisa constatou que, em geral, os que
mais utilizam o jornal na sala de aula são os professores de Português e
Ciências.
Com menos frequência o jornal também é usado nas aulas de
História, Geografia, Matemática, Inglês e Artes. A maioria dos professores que
trabalha com o jornal na sala de aula são mulheres e trabalham com encalhes,
apesar de preferirem utilizar jornais do dia.
Os professores são bastante criativos no desenvolvimento das
atividades. Eles trabalham com charges; leitura de imagens; interpretação de
textos; produção de textos dos alunos a partir da análise das imagens;
20
comparação dos textos dos alunos com a matéria original; análise da
‘neutralidade’ em relação às notícias; visitas a sites em que existem as
manchetes de jornais do mundo todo; trabalhos temáticos a partir de
manchetes que os alunos criam e comparação do tempo passado e presente a
partir dos títulos das matérias, entre outras. Em alguns casos, os professores
procuram relacionar o jornal com a TV e usar cadernos temáticos, como os de
meio ambiente.
De acordo com a maioria dos professores, o Programa de Jornal e
Educação (PJE) melhora a qualidade das aulas e o desempenho dos alunos,
além de elevar sua auto-estima, pois eles passam a ter mais acesso a
informações e até textos publicados. Com acesso ao jornal, o aluno adquire
uma visão crítica e se motiva a ler mais, levando o jornal para casa a fim de
discutir as notícias.
Uma das professoras que trabalha com alunos portadores de
necessidades especiais (síndrome de Down, autismo, surdez) explica que o
jornal é um meio de comunicação que alcança alunos de forma a deixá-los
mais atentos. Para ela, trabalhar com o jornal é uma forma de inclusão dos
alunos na sociedade.
Para a maioria dos professores entrevistados, o jornal na sala de aula é
uma ferramenta ‘poderosa’. Seu uso possibilita a realização de atividades
interdisciplinares, promovendo a reflexão sobre questões do cotidiano e o
impacto de acontecimentos na vida de cada um. Muitos professores
consideram o jornal ‘vital’, ou seja, parte integrante de sua disciplina. “Os
alunos gostam das aulas com jornal porque são diferenciadas”, afirmou uma
educadora. De acordo com uma professora do Pará, a leitura do jornal é a
primeira coisa que os alunos pedem quando ela chega à escola.
De uma forma geral, as sugestões dos educadores foram: incluir mais de
um jornal por estado no programa; ter continuidade; ter o jornal todos os dias
na escola; oferecer capacitação contínua para uso do jornal e para mais de
uma pessoa da escola, de preferência, os professores; tornar a atividade uma
política pública que envolva a participação da prefeitura, da escola e do jornal;
21
promover interação entre os professores capacitados para troca de
experiências, inclusive de outros estados; acompanhamento e incentivo aos
professores
capacitados
por
parte
dos
coordenadores
dos
projetos;
sistematização das experiências/atividades por parte dos programas e das
escolas, com acompanhamento e avaliação de resultados; a criação de um
portal para socializar as ações dos professores; e, por fim, a existência de uma
pessoa dentro de cada jornal para receber as dúvidas dos alunos e dar
orientação para que esses estudantes criem seu próprio jornal.
Os dados do levantamento foram divulgados durante o Painel Jornal e
Educação no 7º Congresso Brasileiro de Jornais, realizado em agosto de 2008,
no estado de São Paulo. Estiveram presentes no evento o ministro Fernando
Haddad; representando o MEC, o assessor de comunicação, Nunzio Filho, e o
secretário executivo, Henrique Paim. A ANJ estava representada pela sua
presidente Judith Brito (Folha de São Paulo/SP), o diretor executivo Ricardo
Pedreira e os diretores João Roberto Marinho (O Globo/RJ), Júlio César
Mesquita (O Estado de São Paulo/SP), Mário Gusmão (Jornal NH/RS), Nelson
Sirotsky (Zero Hora/RS) e Walter de Mattos Jr. (Grupo lance/RJ), entre outros
convidados, diretores de jornais brasileiros.
Coube ao diretor da John Snow Brasil, Miguel Fontes, a apresentação
da pesquisa no painel. A John Snow é uma consultoria com sede em Brasília
dedicada a desenvolver tecnologias sociais. Para Fontes, o resultado da
pesquisa mostra a força do programa como potencializador de ações de
desenvolvimento intelectual e de integração social. Mais que isso: é notório,
segundo ele, como a dobradinha jornal-educação melhora hábitos de leitura, as
notas dos alunos e a assimilação de conteúdos. “O projeto tem um poder
transformador e consiste num investimento social privado de retorno garantido”,
ressalta Fontes (http://aprendiz.uol.com.br/content/treclodrud.mmp, acesso em
3 de julho de 2009), referindo-se à eficácia do programa e defendendo que
empresários da comunicação em todo o país se engajem na oferta de ações
similares.
22
O diretor da John Snow lembra também que o programa jornal-educação
deve ser encarado sempre como um projeto de ‘responsabilidade social’ e
jamais como ‘ação filantrópica ou de marketing’.
A coordenadora-executiva do Programa Jornal e Educação da ANJ,
Cristiane Parente, destacou que a pesquisa qualitativa desenvolvida pela John
Snow será enviada para os governos federal, estaduais e municipais para que
eles se conscientizem da importância dos projetos. Segundo ela, os resultados
comprovam as vantagens do investimento e o retorno social desse aprendizado
pedagógico. “A pesquisa veio para comprovar o que os professores e
coordenadores do programa presenciavam na rotina de trabalho. Mas, para
ganhar força, era necessário um estudo profundo, com resultados efetivos, que
mostrasse como o uso bem feito do jornal traz benefícios não só dentro das
salas de aula, como também para o desenvolvimento social e pessoal dos
alunos” (http://aprendiz.uol.com.br/content/treclodrud.mmp, acesso em 3 de
julho de 2009).
Um problema apontado por Parente (2008) é que o uso da mídia não é
tratado em cursos de formação e capacitação para professores. No entanto,
existe uma tendência de mudar essa lógica dentro das salas de aula. Muitas
especializações de pedagogia tratam da questão da educação e comunicação,
mas a discussão ainda não é feita. O que leva a crer que é preciso organizar
melhor o debate, pois muitos professores que estão dentro das salas de aulas
não foram capacitados para trabalharem com mídias, não foram formados para
isso. Dessa forma, é necessário incluir o jornal na sala de aula e adotar essa
ação como uma política pública. Não adianta, portanto, apenas criar a lei e
jogar o jornal dentro das salas de aulas. O professor precisa de um
acompanhamento, uma formação continuada e um espaço de troca de
experiências com outros docentes.
O Programa de Jornal e Educação (PJE/ANJ) foi criado em 1982 e
consiste em iniciativas realizadas por associados da ANJ a favor da leitura. O
objetivo é formar leitores críticos, reverter os baixos índices de leitura entre os
brasileiros, facilitar o acesso às informações do cotidiano visando uma
23
perspectiva de cidadania e participação social. Destaca-se pelo fato de que há
pelo menos 16 anos uma iniciativa é lançada por ano. Só de fevereiro a agosto
de 2008, quatro jornais lançaram programas de Jornal e Educação.
Rogério Mainardes, diretor corporativo de marketing do Grupo Positivo,
de Curitiba, empresa parceira de um projeto jornal-educação desenvolvido no
Paraná, aponta o caráter inovador do projeto. “É uma oportunidade
extraordinária porque o jornal não entra na concorrência do livro didático e nem
na do sistema de ensino”, observa. Ele vê ainda o outro lado da moeda. “A
educação pode contribuir para a melhoria da qualidade do jornal”, destaca o
diretor (http://www.cosmo.com.br/noticia/5737/2008-08-26/pesquisa-comprovaimportancia-do-jornal-na-escola.html, acesso em 5 de julho de 2009),
lembrando que o programa serve de termômetro para jornalistas quando há
interação entre redação e escola.
O projeto Correio Escola, da Rede Anhangüera de Comunicação (RAC),
foi um dos que participaram da pesquisa realizada pela ANJ. Em junho de
2008, durante a realização do levantamento, alunos e professores beneficiados
pelo programa participaram de reuniões em que, junto com outras iniciativas
em seis cidades, apresentaram os benefícios que tiveram depois que os jornais
começaram a ser frequentemente usados nas salas de aula.
A professora Aydê Pereira Salla foi uma das participantes da pesquisa.
Ela, que leciona na Escola Estadual Gustavo Marcondes, levou sua experiência
de utilizar o jornal para ensinar matemática: “Sempre que vou trabalhar
estatística com os meus alunos, uso uma notícia que possa servir de subsídio
para uma pesquisa de opinião. Com isso, os estudantes se interessam mais
em fazer as atividades, além de desenvolver o hábito de leitura”
(http://www.cosmo.com.br/noticia/5737/2008-08-26/pesquisa-comprovaimportancia-do-jornal-na-escola.html, acesso em 5 de julho de 2009).
Já Solange Giacomini, do Colégio Notre Dame, acredita que a
participação na pesquisa foi uma oportunidade para trocar experiências e,
principalmente, para firmar o jornal como ferramenta didática em todas as
disciplinas. Ela é professora de inglês e o texto jornalístico serve tanto para
24
trabalhar com tradução como para conhecer periódicos do mundo inteiro: “Há
sites na internet em que é possível ler notícias e ter acesso aos jornais de
outros países. Os alunos passam a ter mais interesse na leitura e melhoram o
conhecimento
no
idioma”
(http://www.cosmo.com.br/noticia/5737/2008-08-
26/pesquisa-comprova-importancia-do-jornal-na-escola.html, acesso em 5 de
julho de 2009). A professora trabalha, inclusive, com a comparação de notícias
e da realidade entre os países a partir de diferentes jornais.
Durante o levantamento dos dados, alunos e professores foram ouvidos
separadamente para que as opiniões não fossem influenciadas. Aluna de Aydê,
Thais Alice Quinalha também participou dos grupos. “O uso do jornal pelos
professores torna as disciplinas mais interessantes. Só o livro didático não
basta. Estudamos muito sobre a China neste ano, mas, enquanto os livros
traziam
informações
gerais,
os
jornais
falavam
das
atualidades”
(http://www.cosmo.com.br/noticia/5737/2008-08-26/pesquisa-comprovaimportancia-do-jornal-na-escola.html, acesso em 5 de julho de 2009)
A professora Eliana Whonrath, da Escola Estadual Cristiano Volkart,
também contou suas experiências durante o levantamento da ANJ. “Ao
trabalhar com o jornal, a escola oferece uma oportunidade para os alunos e
promove a transformação social. Muitos não podem comprar os jornais em
casa, mas com o trabalho na escola, eles ganham novas perspectivas na vida
por
meio
da
leitura”
(http://www.cosmo.com.br/noticia/5737/2008-08-
26/pesquisa-comprova-importancia-do-jornal-na-escola.html, acesso em 5 de
julho de 2009)
Os resultados da pesquisa estão nas falas de alunos e educadores que
retratam novos hábitos de leitura de famílias inteiras (Relatório da Pesquisa
Qualitativa sobre os Programas de Jornal e Educação, 2009).
“Estamos tornando nossos alunos mais críticos, mais criativos, mais
leitores. E não só de jornais, porque uma pessoa que lê uma matéria de jornal
é capaz de compreender qualquer tipo de texto”. (Professor)
25
“D. Maria Helena, eu fiquei tão feliz com esse jornal que a senhora está
trabalhando. Eu nunca vi minha filha ler nada em casa e ela está lendo jornal!!!”
(Mãe para professora).
“O jornal na sala de aula estimula o hábito da leitura da família porque o
aluno leva o assunto para casa. Muitas mães que são domésticas acabam
pedindo às patroas para levar o jornal para casa, porque sabem que o filho vai
ler (...) e elas também começam a lê-lo” (Professora).
“Quando você lê jornal fica mais atualizado. Quando a professora
colocar uma determinada proposta de redação, mas não explica o tema, ainda
assim você sabe o que é, porque você está atualizado com a leitura do jornal”
(Aluno).
“Há uma amadurecimento do comportamento do aluno dentro da escola.
Se é aquele aluno que tem problema de disciplina, a gente vê que o jornal
consegue envolve-lo de tal maneira que há uma transformação nele. Ele passa
a interagir com os outros colegas, a ser visto como alguém que tem
informação...” (Professor).
26
CAPÍTULO III
Quem Lê Jornal Sabe Mais
Mais antigo programa de jornal e educação brasileiro, sendo pioneiro
também no estado do Rio de Janeiro, o projeto ‘Quem Lê Jornal Sabe Mais’ foi
lançado em 1982, criado por Péricles de Barros, então gerente de promoções
do jornal O Globo. Inicialmente, atendia apenas a turmas de 5ª a 8ª série do
ensino fundamental e desde 2004 passou a atender também ao ensino médio,
de escolas situadas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Nele
ingressam, a cada ano, novas escolas, públicas e particulares.
Para ser selecionada para o programa, a escola precisa contar com uma
sala de leitura ou biblioteca escolar, além de pelo menos um profissional
responsável por esses espaços. Têm prioridade aquelas com um maior número
de professores pretendendo trabalhar o jornal em suas salas de aula.
A iniciativa está baseada em três concepções básicas que ditam suas
diretrizes, segundo o estatuto do programa (http://oglobo.globo.com/quemle/,
acesso em 7 de julho de 2009).
1- Um Programa de Leitura visa a contribuir para que a população jovem
goste de ler jornal e possa, por meio de seu conhecimento e uso orientados,
exercitar sua cidadania e se aproximar de outras leituras. A distribuição de
jornais é feita diariamente, para que se promova interesse por sua leitura;
2-A maneira mais eficaz de perseguir o objetivo acima é desenvolver um
processo de formação continuada (encontros, palestras, reuniões pedagógicas)
voltado para professores, definidos como os promotores fundamentais dessa
conquista. A grande prioridade é, então, envolver e orientar o professor.
3-Os alunos participantes, com o apoio de seus professores, utilizam os
jornais distribuídos não apenas para contarem com um recurso didático
dinamizador do currículo, mas também para conhecê-los e para expressar
ações concretas de cidadania, de modo a indicar um maior conhecimento
27
sobre o mundo e sobre o veículo que o noticia, dando vazão à necessidade de
melhoria da comunidade a que pertencem, pela criação de novas práticas.
A preparação dos profissionais que pretendem participar desta iniciativa
é realizada durante todo o ano, sempre sob a responsabilidade da equipe
pedagógica do programa. Ela apóia-se em dois aspectos: o primeiro é tomar a
prática dos professores como referência para a reflexão sobre o potencial,
limites e possibilidades do uso do jornal na escola. O segundo é propor uma
utilização combinada dos jornais na escola, ou seja, sem desprezar o uso mais
comum, que é o do professor levar jornais para utilizá-los como recurso
didático em sala de aula. Segundo a orientação dada a professores
(http://oglobo.globo.com/quemle/, acesso em 7 de julho de 2009), o intuito é
aproveitar este material para ir além: o mesmo jornal deve ser lido criticamente
e não ser tomado como um ponto final, como a última palavra a respeito do que
é estudado com o seu apoio. Se um jornal ajuda na compreensão de um
determinado assunto do currículo, este mesmo jornal - seja uma página, um
caderno ou o seu conjunto - deve ser analisado, ele mesmo, como portador de
um discurso. Ou seja: aos professores é apresentada uma metodologia para a
leitura crítica da mídia impressa, de tal jeito que seja percebida a sua
influência; o que contribui fortemente para a formação do pensar e do modo de
agir das pessoas e grupos sociais.
O processo de orientação pedagógica começa com a realização de um
Encontro de Lançamento, que reúne os profissionais do Magistério das escolas
selecionadas. Em seguida, é promovido um Curso-Oficina de 20 horas de
duração (quatro encontros de 4 horas e uma visita ao Globo - Redação e
Parque Gráfico) para aqueles profissionais que coordenarão o programa em
suas respectivas unidades escolares;
As escolas elaboram suas próprias propostas de utilização pedagógica
de jornais e uma consultora pedagógica visita cada uma delas para se reunir
com os professores e alunos, debatendo com os interessados as
possibilidades do trabalho. Em seguida, já na etapa de execução, distribuem-
28
se exemplares do dia a cada escola (do Extra para quem se inscreveu para o
Extra e de O Globo para quem se inscreveu para O Globo).
Durante esta etapa realizam-se Encontros de Trocas entre os
profissionais das diversas escolas; fórum de alunos; palestras; visita dos
alunos ao Globo; atividades culturais para alunos e professores;
O acompanhamento do programa é feito diretamente nas escolas,
quando os participantes opinam sobre o mesmo e sugerem o seu
aperfeiçoamento para os anos subsequentes.
A culminância dos trabalhos se dá ao final do ano letivo mediante a
realização de uma atividade festiva que sintetiza as ações do ano.
Geralmente, uma excursão é planejada para auxiliar no processo de
preparação do aluno. Um exemplo bem-sucedido é a visita ao jornal O Globo.
Por meio dela, alunos e professores terão a oportunidade de conhecer uma
empresa jornalística de grande porte, assim como o processo de produção de
um diário totalmente produzido de maneira digital. A visita coloca ainda os
alunos diante da realidade concreta da economia mundial: os efeitos da
informatização na redução de pessoal no cotidiano da produção industrial; o
maquinário de ponta, em geral importado de países do chamado primeiro
mundo; a posição do Brasil na ordem econômica internacional etc.
Os alunos recebem informações sobre aqueles que produzem jornal
como repórteres, editores e chargistas, entre outros; além de obter informações
sobre a estrutura de uma grande empresa jornalística - as editorias, as
reuniões de pauta, o funcionamento das sucursais, entre outros.
Esse contato estreito ajuda a criar uma percepção do jornal como
indústria, ou seja, a transformação das matérias jornalísticas em páginas
impressas. Os alunos terão a oportunidade de vivenciar a inserção dessa
indústria no meio-ambiente, os elementos químicos necessários para a sua
produção, os detritos que produz e o tratamento a eles destinado.
Além do mais, os visitantes atravessam uma parte da cidade para se
deslocarem de sua escola ao Centro, onde fica a sede, e desta para a Rodovia
29
Washington Luís, onde está o Parque Gráfico, o que lhes permite muitas vezes
conhecer novos lugares. Inclusive alguns que se destacam na história da
cidade e até mesmo do país.
Segundo a coordenadora pedagógica do ‘Quem Lê Jornal Sabe Mais’,
Carmen Lozza (http://oglobo.globo.com/quemle/, acesso em 7 de julho de
2009), a visita às dependências do jornal O Globo costuma gerar - antes e
depois - boas discussões entre os alunos e seus professores, para melhor
esclarecer as questões ligadas à produção de um jornal:
“O professor de Química, por exemplo, pode orientar o estudo sobre a
importância da água na produção do jornal. Já o de História pode conduzir um
debate sobre a Revolução Industrial, o início da industrialização e o atual
estágio da economia mundial onde a informatização reduz a presença de
trabalhadores nas indústrias (O Parque Gráfico é um ótimo exemplo). O fato
de a rotativa ser alemã também pode ser útil para se compreender melhor a
relação entre os países centrais e os demais, periféricos. E nisso o professor
de Geografia pode contribuir bastante. O professor de Física, por sua vez,
pode tirar proveito das explicações sobre o processo de off-set para promover
um estudo sobre ótica. Outro assunto sobre o qual se pode aprofundar é o das
fontes alternativas de energia, já que no Parque Gráfico já se utiliza também o
gás vindo da CEG. A questão ecológica e a preservação do meio-ambiente
podem ser alvo de estudo sob a orientação do professor de Ciências. Ainda
nesse contexto, o professor de Língua Portuguesa pode ajudar os alunos na
sistematização do estudo feito, seja na elaboração de um relatório ou de outro
instrumento similar” (LOZZA, 2009).
O programa ‘Quem Lê Jornal Sabe Mais’ promove eventos congregando
os alunos participantes: são pré-estréias, sessões de teatro, debates e eventos
especiais, além do ‘Quem Lê Vai à Escola’, uma ação que acontece dentro das
escolas e que tem por objetivo colaborar com a implantação do projeto
pedagógico que cada uma delas vem desenvolvendo com o uso de jornais.
30
Esta atividade pode ser um bate-papo, uma entrevista, uma palestra ou
uma oficina com algum convidado, sobre um tema escolhido pela escola, e que
esteja vinculado às discussões realizadas no interior das salas de aula.
Há ainda outras atividades que merecem destaque no trabalho que
envolve diretamente os alunos, como a visita guiada feita ao jornal. À frente
dela está um profissional especialmente orientado para apresentar todo o
processo de produção do jornal aos visitantes. Os alunos são transportados por
um ônibus fretado pelo jornal.
Outra iniciativa bem-sucedida é o projeto ‘Repórter do Futuro’ do qual
participa uma equipe de alunos de cada escola participante do ‘Quem Lê Jornal
Sabe Mais’. Os estudantes recebem orientação sistemática de uma jornalista,
na própria sede do jornal, para elaborarem as suas matérias. Ao final do ano,
numa cerimônia, cada aluno recebe seu certificado de participação e a
avaliação, ainda informal, dessa iniciativa, é extremamente positiva. As
reportagens feitas por eles são publicadas nos Jornais de Bairro do Globo.
31
CONCLUSÃO
Segundo pesquisas INAF/ANEB/UNESCO realizadas em 2006, 26% da
população brasileira de 15 a 64 anos é plenamente alfabetizada (3/4 da
população não seriam capazes de ler um texto e compreender o que estão
lendo) e 23% deste grupo, conseguem resolver um problema matemático com
mais de uma operação. Nada menos que 32% dos alunos da 1ª série do
Ensino Fundamental são repetentes, assim como 20% dos que cursam a 2ª
série. E 55% dos alunos de 4ª série estão em situação crítica ou abaixo da
crítica na área de leitura e escrita e 66% dos estudantes de 14 anos estão
cursando séries defasadas em relação a sua idade (2/3 de todo o contingente).
Já o teste PISA/OCDE, também aplicado em 2006 para verificar nível de
educação em jovens de 15 anos, de 56 países, coloca o Brasil nos últimos
lugares (49.ª posição) em nível de leitura – melhor apenas que países como
Montenegro, Catar, Colômbia, Tunísia e Azerbajão. E numa posição nada
confortável também nos níveis de aprendizado de Matemática, na 54ª posição
e, Ciências, na 52ª posição. O teste PISA abrange os domínios de Leitura,
Matemática e Ciências, não somente quanto ao domínio curricular de cada
escola, mas também quanto aos conhecimentos relevantes e às habilidades
necessárias à vida adulta. E dá ênfase no domínio dos procedimentos,
compreensão dos conceitos e capacidade para responder a diferentes
situações dentro de cada campo.
Pesquisa realizada pela UNESCO em 2005 indica que só 1/5 dos
estudantes que concluem o Ensino Médio no Brasil se matriculam no Ensino
Superior, enquanto essa taxa chega a 90% em países como a Coréia e
Finlândia e está acima dos 60% na Europa. Até nossos vizinhos estão na
nossa frente: Argentina (61%), Chile (43%), Venezuela (39%) e Peru (32%).
Ou seja, o Brasil é um país que ainda tem muito a fazer pela educação e
o jornal, como um dos principais e mais influentes meios de comunicação, tem
potencial e pode contribuir para mudar o cenário atual, ajudando a melhorar as
taxas de leitura e na formação de cidadãos críticos.
32
Um jornal nas mãos de um professor orientado para o seu uso multi,
interdisciplinar e transversal em sala de aula, pode assegurar não apenas a
leitura plena entre estudantes, crianças ou adultos, mas também permite a
contextualização dos fatos que permeiam o cotidiano da cidade, do país e do
mundo, com as disciplinas ensinadas, tornando tais conteúdos atuais,
relevantes e significativos. E tudo isso faz parte, forma a substância, do que se
entende como educação de cidadãos.
Se bem preparados e executados dentro das diretrizes e orientações
que fundamentam sua realização, os Programas de Jornal e Educação (PJE)
ajudam a educar os futuros leitores, para que eles não apenas saibam como ler
jornais, mas como fazê-lo analítica e criticamente, extraindo deste meio de
comunicação toda a informação importante sobre a qual poderá basear
suas decisões.
É notório que programas que utilizam o jornal como instrumento de
educação e cidadania cumprem três funções básicas. Sob o ponto de vista
empresarial, contribuem para a formação de novos leitores, visibilidade e
credibilidade da marca, promovendo a sustentabilidade do negócio. Sob o
ponto de vista educativo, o PJE trabalham a leitura como sustentação do
aprendizado, sabendo que quem aprende e apreende uma informação pode
transformá-la em conhecimento e fazer deste conhecimento sabedoria pessoal,
capaz de gerar uma transformação coletiva e influenciar positivamente a
qualidade da educação e a realidade da escola, da família, da comunidade e
da sociedade.
E sob o aspecto social, trabalham a democratização a informação e dão
oportunidade a estudantes de todos os níveis sociais desenvolverem o
pensamento crítico e a cidadania ativa, numa perspectiva ampla do papel do
jornal para a defesa da democracia, da liberdade, e do respeito aos valores e
direitos humanos.
Devem ser objetivos de cada Programa de Jornal e Educação, segundo
a Associação Nacional de Jornais (ANJ), a construção e o desenvolvimento de
uma ação concreta no que diz respeito à defesa da liberdade de expressão, do
33
pensamento e da propaganda; ao funcionamento sem restrições da imprensa observados os princípios de responsabilidade; e à luta pela defesa dos direitos
humanos, dos valores da democracia representativa e da livre iniciativa. Tais
iniciativas devem contribuir para que os brasileiros atinjam um domínio mais
pleno de leitura, escrita e interpretação; contribuir para a democratização da
informação trabalhando seu acesso e pluralidade como direito cidadão
fundamental à construção do conhecimento, tomada de decisão, autonomia e
exercício pleno da cidadania; associar a leitura de jornais a uma dimensão
mais ampla de leitura, a fim de estimular o prazer de ler e a construção de
conhecimento; fomentar o acesso ao veículo jornal, difundindo junto aos
públicos atingidos, as diversas linguagens deste meio de comunicação, sua
estrutura, natureza e lógica jornalísticas, bem como sua importância no
conjunto das forças e mediadores sociais; e, por fim, contribuir para a
dinamização do currículo escolar como um todo, apresentando o jornal seus
conteúdos,
linguagens
e
gêneros
textuais
como
um
suporte
ao
desenvolvimento de processos inovadores, criativos, atraentes e atuais de
ensino-aprendizagem.
34
BIBLIOGRAFIA
ANJ. Relatório da Pesquisa Qualitativa sobre os Programas de Jornal e
Educação (PJE). São Paulo, 2009.
ADAIR, Flávia. O jornal como instrumento pedagógico. In: Comunicação e
Educação. São Paulo: USP, 1995.
COCENTINO, Ana Maria. Virando a página - O jornal na sala de aula. Natal:
EDUFRN, 2006
CORTELAZZO, Iolanda. Pedagogia e as novas tecnologias. Disponível em
http://www.boaaula.com.br/iolanda/producao/mestradoemeducacao/pubonline/c
ortelazzoart.html. Acesso em 11 de julho de 2009.
GAIA, Rossana. Educomunicação & mídia. Maceió: Edufal, 2001.
MORAN, José Manuel. Leitura dos meios de comunicação. São Paulo:
Pancast, 1993.
PENA, Felipe. Teoria do Jornalismo. São Paulo: Contexto, 2005.
PERRENOUD, Philippe. 10 Novas Competências para Ensinar. Porto Alegre:
Artmed, 2000.
SCHAUN, Ângela. Educomunicação: reflexões e princípios. Rio de Janeiro:
Mauad, 2002.
35
SOUZA, Jorge Pedro. Teorias da notícia e do jornalismo. Chapecó: Argos,
2002.
TRAQUINA, Nelson. Teorias do jornalismo. Florianópolis: Insular, 2005
36
ANEXO I
Relação dos programas de Jornal e Educação (PJEs) apoiados pela
Associação Nacional de Jornais (ANJ).
Fonte: http://www.anj.org.br/jornaleeducacao/programas
- Região Norte (3 programas): Em Manaus (AM), Jornal A Crítica, programa A
Crítica na Escola, criado em 1998; em Belém (PA), Jornal O Liberal, programa
O Liberal na Escola, implantando entre 1994 e 1995; em Rondônia (RO), Diário
da Amazônia, programa Diário e Educação, criado em 2005.
- Região Nordeste (11 programas): Em Salvador (BA), Jornal A Tarde,
programa A Tarde Educação, criado em 1996; em Fortaleza (CE), Jornal Diário
do Nordeste, Projeto Jornal na Sala de Aula, criado em 1997 e Jornal O Povo,
programa O Povo na Educação, criado em 2001; em São Luís (MA),
Jornal O Imparcial, programa Leitor do Futuro, criado em 2001; em João
Pessoa (PB), Jornal O Norte, programa Leitor do Futuro, criado em 2005; em
Recife (PE), Jornal O Diário de Pernambuco, programa Leitor do Futuro, criado
em 1997 e Jornal do Comércio, programa JC na Escola, criado em 1993; em
Natal (RN), Jornal Diário de Natal/O Poti, Projeto Ler, criado em 1994; em
Mossoró (RN), Jornal Gazeta do Oeste, programa Ler para saber mais, criado
em 2004 e Jornal de Fato, programa Formando Novos Leitores, criado em
2007; em Teresina (PI), Jornal Meio Norte, programa Ler é o Norte, de 2006.
- Região Centro-Oeste (4 programas): Em Brasília (DF), Jornal Correio
Braziliense, programa Leitor do Futuro, criado em 2003; em Goiânia (GO),
Jornal O Popular, programa Almanaque-Escola, criado em 1991; em Campo
Grande (MS), Jornal Correio do Estado, programa Lendo Mais, Sabendo Mais,
criado em 1999; em Dourados (MS), Jornal O Progresso, programa O
Progresso na Educação - Ensinando a Ler o Mundo, criado em 1998.
37
- Região Sul (13 programas): Em Ponta Grossa (PR), Jornal da Manhã,
Projeto Cultural Vamos Ler!, criado em 2008; em Curitiba (PR), Jornal Gazeta
do Povo, programa Ler e Pensar, criado em 1999; em Maringá (PR), Jornal O
Diário do Norte do Paraná, Programa Educacional O Diário na Escola, criado
em 2001; em Apucarana (PR), Jornal Tribuna do Norte, Projeto Cultural Vamos
Ler, criado em 2000; em Paranavaí (PR), Jornal Diário do Noroeste, projeto Ler
para Crescer, criado em 2008; em Passo Fundo (RS), Jornal Diário da Manhã,
programa Diário da Manhã na Sala de Aula - Ler e Refletir, criado em 2001; em
Pelotas (RS), Jornal Diário Popular, programa Pé na Escola, criado em 2004;
em Cachoeira do Sul (RS), Jornal do Povo, programa JP na Sala de Aula,
criado em 1996; em Novo Hamburgo (RS), Jornal NH, programa Jornal NH na
Sala de Aula, implantado em 1988, foi interrompido em 2001 e retornou em
2005; em Caxias do Sul (RS), Jornal Pioneiro, programa Jornalista por um Dia,
criado em 1996; em Joinville (SC), Jornal A Notícia, programa AN Escola,
criado em 1998; em Lages (SC), Jornal Correio Lageano, programa Leio e
Relendo com o Correio Lageano, criado em 2004; em Florianópolis (SC), Jornal
Diário Catarinense, programa DC na Sala de Aula, criado em 2005.
- Região Sudeste (29 programas): Em Vitória (ES), Jornal A Gazeta, programa
A Gazeta na Sala de Aula, criado em 1995; e Jornal A Tribuna, programa A
Tribuna na Escola, criado em 2006; em São Mateus (ES), Jornal Tribuna do
Cricaré, programa TC na Escola, criado em 1995; em Uberlândia (MG), Jornal
Correio de Uberlândia, programa Algar Lê - Correio Educação, criado em 1994;
em Belo Horizonte (MG), Jornal Hoje em Dia, programa Jornal na Escola,
criado em 1994; e Jornal Estado de Minas, programa Leitor do Futuro, criado
em 2008, no Rio de Janeiro (RJ), Jornal O Dia, programa O Dia na Sala de
Aula, criado em 1995; Jornal Lance!, programa Lance Escola, criado em 2007;
Jornal O Globo, programa Quem Lê Jornal Sabe Mais, criado em 1982; Jornal
Extra, programa Quem Lê Jornal Sabe Mais, implantado em 2006. Em Santos
(SP), Jornal A Tribuna, programa Jornal, Escola e Comunidade, criado em
1992; em Jau (SP), Jornal Comércio do Jahu, programa Comércio na Sala de
Aula, criado em 2006; em Franca (SP), Jornal Comércio da Franca, programa
Jornal Escola, criado em 2000; em Campinas (SP), Jornal Correio Popular,
38
programa Correio Escola - A formação pela informação, criado em 1992; e
Jornal Diário do Povo, programa Diário Braile, criado em 1992; em São José do
Rio Preto (SP), Jornal Diário da Região, programa Jornal na Educação, criado
em 1992; em Suzano (SP), Jornal Diário de Suzano, Projeto Ler e Aprender,
criado em 1996; em Santo André (SP), Jornal Diário do Grande ABC, programa
Diário na Sala de Aula, criado em 2000; em Araçatuba (SP), Jornal Folha da
Região, Projeto Cultural Folha da Região na Sala de Aula, criado em 1994; em
Bauru (SP), Jornal da Cidade, programa JC na Escola, criado em 2002; em
Jundiaí (SP), Jornal de Jundiaí, programa JJ na Educação, criado em 1994; em
Piracicaba (SP), Jornal de Piracicaba, programa JP na Escola, criado em 1993;
em Mogi das Cruzes (SP), Jornal Mogi News, programa Mogi News Cidadania Ler para saber mais; e Jornal Diário do Alto Tietê, programa Formando o
Cidadão do Futuro, criado em 2006; em São José dos Campos (SP), Jornal
Valeparaibano, programa Vale Educar, criado em 1997; em Americana (SP);
Jornal TodoDia, programa Jornal na escola TodoDia, criado em 2005; em Rio
Claro (SP), Jornal Cidade, programa JC presente na Escola, criado em 2007;
em Sorocaba (SP), Jornal Cruzeiro do SulCidade, programa Ler é Prazer,
criado em 2007; em Araraquara (SP), Jornal Tribuna Impressa, programa
Tribuninho na Escola, criado em 2005.
39
ANEXO II
Artigo de autoria de Carmen Lozza, coordenadora pedagógica do ‘Quem
Lê Jornal Sabe Mais’. Fonte: Jornal O Globo – Caderno Nacional – Rio de
Janeiro, 15 de setembro de 2008, p.2.
“Para quem ainda não sabe, há 26 anos, o jornal O Globo desenvolve
um programa de leitura, o ‘Quem Lê Jornal Sabe Mais’, que, a cada ano, de
algum modo, dentre suas várias ações, promove uma atividade cultural para
comemorar o Dia do Estudante. Hoje, ocupo este espaço para contar um pouco
do quanto aprendi com a atividade deste ano, especialmente marcante por sua
extraordinária beleza e pelos aprendizados que ensejou: a sessão exclusiva do
musical ‘A Noviça Rebelde’.
A tarde mal se iniciava e lá vinham eles: em grupos e mais grupos,
sorridentes, um ou outro mais tímido, com certeza, diante da emoção do
primeiro encontro com um teatro - e daquele porte, com aquela história! -,
sempre com uniformes que pareciam em dia de estréia, lindos em sua
juventude e magnificamente acesos pelo passeio e para o que viria.
Professores orgulhosos os conduziam, máquinas digitais registrando o
encantamento generosamente compartilhado entre todos.
Nenhum atraso! Antes do horário marcado, quem tinha que chegar,
chegou. Platéia já formada, mesmo noviça. E o que dizer do temor de uns e
outros, adultos, de que aquele grande número de "rebeldes" pudesse não
suportar o tempo do espetáculo? Não foram nem um nem dois que trocaram
entre si seus receios de que um público jovem tão numeroso pudesse reduzir a
graça daquela tarde iluminada pela Arte.
Pois lá da última fila em que fiquei, pronta para reviver mais uma vez as
emoções do lindo espetáculo, o que pude perceber foi uma platéia
amadurecida, totalmente concentrada no que se desenrolava no palco. Não sei
o que foi mais significativo para mim, se a música em si e seus intérpretes ou
se o lado de cá, aqueles que com eles se deliciavam.
40
Não poderia deixar de parabenizar publicamente nossos meninos e
meninas. Julgo necessário difundir a idéia de que a indisciplina e a arrogância
não são naturais da juventude mas, em geral, fruto do que lhe é oferecido para
aprisioná-la na mesmice e na impossibilidade de ser autêntica. O seu
embevecimento, fruindo a magnitude da Arte, com sua postura de platéia
qualificada, veio reafirmar essa minha convicção. Não há como ser saudosista,
insistindo equivocadamente em que a juventude de outrora (do tempo em que
se falava outrora...) era melhor do que esta que aí está. Não mesmo!
Se estamos a um mês das eleições, com muitos de nós aturdidos,
querendo evitar o voto nulo, por convicção cidadã, escolhendo, não raras
vezes, o candidato ‘menos ruim’, e, por vezes desconsiderando as filiações
partidárias, politicamente tão fundamentais, com certeza outras são as razões
para que as novas gerações estejam vivendo tantos impasses em suas
relações. Afinal: o que podem gerar o cinismo e a desesperança?
Sentir de perto os jovens é profundamente educativo e alentador. Com
certeza - assim esperamos! - eles podem vir a jogar sua rebeldia, com a
maturidade que demonstraram no convívio com a arte, em busca do mundo
humanizado que nós, adultos, temos tido dificuldade de construir...”
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