MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO DEPARTAMENTO DE QUÍMICA UTILIZAÇÃO DA TABELA PERIÓDICA NA INTERNET COM ALUNOS DO 9ºANO DE ESCOLARIDADE Isabel Maria Fernandes Ramos Março de 2004 AGRADECIMENTOS: Gostaria de expressar os meus profundos agradecimentos a todos aqueles que contribuíram de alguma forma para a concretização deste trabalho. Gostaria de agradecer em particular a: Professor Doutor João Carlos de Matos Paiva, orientador desta tese, por todo o apoio prestado, pela sua disponibilidade incontestável, compreensão e estímulo prestados desde o primeiro momento. Também por todas as importantes sugestões, correcções e comentários que melhoraram sempre este trabalho. À Doutora Paula Alexandra de Carvalho Gomes, co-orientadora desta tese, por toda a dedicação, pelas observações e sugestões sempre oportunas, pela compreensão e disponibilidade que me dedicou. Ao Engº Ilídio Martins, por ter elaborado todo o trabalho de programação do material disponível on line. Aos alunos da escola EB 2,3 de Paredes que tiveram participação directa neste trabalho. Ao Salgueiro, por me ajudar a recolha de material, por me ouvir e ajudar em momentos difíceis. Ao Zé por ter permanecido sempre a meu lado, ajudando em inúmeras dificuldades. À Lurdes e à minha avó por terem acreditado sempre em mim e me incentivarem sempre à continuação deste trabalho. A todos, muito obrigada. II RESUMO O presente trabalho teve como objectivo principal avaliar o impacto da utilização de ferramentas digitais sobre a Tabela Periódica, associadas a um roteiro, no ensino de alguns conceitos em Química. A abordagem incidiu sobre a unidade temática “Organização dos elementos químicos como resposta à diversidade em química” do 9ºAno de escolaridade, ou seja, sobre o estudo da Tabela Periódica. Foram desenvolvidos vários materiais, tais como um roteiro para a “navegação” numa página com a Tabela Periódica online e outros acessórios digitais, como os jogos, que também se encontram online. Foram observados 61 alunos da Escola EB 2,3 de Paredes, durante o ano lectivo 2001/2002, dos quais só 40 foram considerados para a avaliação quantitativa, constituídos em dois grupos de trabalho: grupo experimental e grupo de controlo. Para a avaliação quantitativa foram consideradas duas turmas que seguiram metodologias diferentes. Numa das turmas, o tema foi abordado sob uma perspectiva teórica e expositiva e na outra uma metodologia baseada no uso de recursos digitais, mais interactiva. Ambas as turmas foram sujeitas a um teste que aferiu a sua equivalência. Os grupos experimental e de controlo, fizeram depois um teste que avaliou as aprendizagens sobre Tabela Periódica, em ambos os casos. No final, todos os alunos do grupo experimental responderam ainda a um inquérito sobre a metodologia e materiais utilizados, com alguns dados qualitativos e quantitativos importantes. Os resultados deste estudo revelam existirem diferenças significativas entre os dois grupos de trabalho, tendo o grupo experimental obtido melhores resultados. Este último mostrou maior facilidade de visualização, compreensão e interesse sobre os conceitos envolvidos. São sugeridos, no final deste trabalho, algumas autocríticas e reformulações, bem como delineados alguns projectos futuros. III ABSTRACT This work has as main goal to assess the impact of digital tools usage on the Periodic Table, associated to a guide, in the teaching of some Chemistry concepts. The approach was made on the thematic unit “Chemical elements organization as an answer to diversity in Chemistry”, in the 9th grade, about the Periodic Table study. Several documents were developed, such as a guide to the navigation in a page with the Periodic Table online as well as other digital accessories such as games, which are also online. Sixty one students were studied in the “Paredes E.B.2/3” High School during the 2001/2002 school year, from which only forty were considered to the quantitative evaluation. Two work groups were made: an experimental and a control group. As to the quantitative evaluation, two classes were considered and they both followed different methodologies. In one of the classes, the theme was presented in a theoretic and expositive perspective. In the other, a methodology based in digital resources was used, in a more interactive way. Both classes make a test to view there equality. The experimental and control groups make them a test for evaluated the Periodic Table study in the both cases. In the end, the students who worked with the experimental method have answered an inquire about the used methodology and material, with important qualitative and quantitative data. The results of this study reveal important differences between the two work groups. The experimental group has had better results. The latter has revealed better visualization, comprehensions and motivation skills about the related concepts. At the end of this work, some self-evaluation and suggestions for improvements are made, and some future projects are pointed out. IV ÍNDICES ÍNDICE AGRADECIMENTOS…………………………………………………………………. …II RESUMO………………………………………………………………………………….III ABSTRACT……………………………………………………………………………….IV 1 INTRODUÇÃO……………………………………………………………………...….1 2 PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS……………………...……………………………. …………………. 4 2.1 GENERALIDADES SOBRE NOVAS TECNOLOGIAS/ENSINO DAS CIÊNCIAS………………………………………………………………………….5 2.1.1 Exigências da sociedade…………………………………………………….5 2.1.2 Novas tecnologias: novos horizontes para a educação……………………...6 2.1.3 Utilização das novas tecnologias de informação e comunicação no ensino português………………………………………………. ……………. …. 12 2.2 PONTO DA SITUAÇÃO EM RECURSOS DIGITAIS SOBRE A TABELA PERIÓDICA……………………………………………………………………….15 3 2.2.1 Caracterização de alguns recursos…………………………………………15 2.2.2 Análise comparativa……………………………………………………….27 CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTÍFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA…………………………………………………………………………...30 TABELA PERIÓDICA NO CONTEXTO PORTUGUÊS………………………31 A Tabela Periódica no Currículo Português……………………………….31 Algumas reflexões críticas………………………………………………...36 PROPRIEDADES PERIÓDICAS DA TABELA PERIÓDICA…………………37 Breve história sobre a organização dos elementos químicos……………...37 Organização da Tabela Periódica………………………………………….39 Periodicidade das propriedades físicas…………………………………….43 Algumas particularidades e importância dos elementos representativos….51 CASO PARTICULAR DO CARBONO: O ELO ENTRE A QUÍMICA E A BIOLOGIA………………………………………………………………………...58 Aspectos gerais do carbono………………………………………………..61 Compostos orânicos……………………………………………………….63 4 UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA NO 9º ANO, APOIADA COM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO……………….75 MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO IV ÍNDICES DESCRIÇÃO DA FERRAMENTA DIGITAL DE SUPORTE…………………76 APRESENTAÇÃO DO ROTEIRO DE EXPLORAÇÃO……………………….79 JOGOS ASSOCIADOS À TABELA PERIÓDICA NA INTERNET…………...82 METODOLOGIA DE ESTUDO………………………………………………...88 DADOS E RESULTADOS OBTIDOS .………………………………………...94 Caracterização das turmas…………………………………………………94 Resultados da avaliação do teste para aferir a equivalência dos grupos e sua análise……………………………………………………………………..95 Resultados da avaliação do pós-teste……………………………………...97 Resultados da recolha de opiniões junto dos alunos………………………99 Resultados da recolha de opinião da professora………………………….104 5 NOTAS FINAIS……………………………………………………………………...106 ALGUNS COMENTÁRIOS SÍNTESE………………………………………..107 AUTOCRÍTICA, REFORMULAÇÕES E PROJECTOS FUTUROS…………113 PRINCIPAIS CONCLUSÕES………………………………………………….115 BIBLIOGRAFIA…………………………………………………………………………118 GLOSSÁRIO……………………………………………………………………………..125 ANEXOS……………………………………………………………………………………I ANEXO I …………………………………………………………………………..…..II ANEXO II……………………………………………………………………..…….XVI ANEXO III………………………………………………………………..……….XXIII ANEXO IV…………………………………………………………..…………..XXXIII Anexo – A……………………………………………………………………XXXIV Anexo – B………………………………………………………………………..XLI Anexo – C………………………………………………………………...……XLVI MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO V ÍNDICES ÍNDICE DE FIGURAS: Figura 2.1 – Capa e contra - capa do CD - ROM de apresentação de Omniciência.......... 16 Figura 2.2 – Algumas ilustrações, presentes nos vídeos do CD - ROM de “SoftCiências”16 Figura 2.3 – Capa e contra - capa do CD - ROM de WinPerio 2.0 .................................... 17 Figura 2.4 – Página WinPerio 2.0 com a Tabela Periódica e com uma janela que mostra a rede cristalina estabelecida pelos átomos de carbono................................................ 18 Figura 2.5 – Capa e contra - capa do CD da Enciclopédia Universal de Física e Química ..................................................................................................................................... 18 Figura 2.6 – Página com Tabela Periódica do site “chemicalelements”. .......................... 20 Figura 2.7 – Página da “The Natural Science Page”, com a Tabela Periódica ................ 21 Figura 2.8 – Páginas referentes ao elemento carbono........................................................ 22 Figura 2.9 – Página de apresentação do portal “Mocho”.................................................. 23 Figura 2.10 – Página “environmentalchemistry”com a Tabela Periódica......................... 24 Figura 2.11 – Página “WebElements” com a Tabela Periódica. ....................................... 25 Figura 2.12 – Página “ WebElements” sobre o elemento sódio ......................................... 26 Figura 2.13 – Figura cómica que aparece no final da página sobre o sódio ..................... 26 Figura 3.1 – Esquema organizador dos quatro temas do 3º Ciclo do Ensino Básico......... 33 Figura 3.2 – Esquema da organização de conceitos para a unidade 1, retirado do programa de 10º ano do Ministério da Educação ...................................................... 35 Figura 3.3 – Tabela Periódica de Mendeleev construída num prédio onde viveu, em Sampetersburgo ........................................................................................................... 39 Figura 3.4 – Categorias dos elementos químicos na Tabela Periódica. ............................. 40 Figura 3.5 – Tabela Periódica com as designações dos grupos, segundo as três convenções existentes: IUPAC, europeia e americana. ................................................................. 41 Figura 3.6 – A designação dos diferentes blocos da Tabela Periódica com base no preenchimento das orbitais atómicas, ocupadas pelos electrões de valência de cada elemento químico......................................................................................................... 42 Figura 3.7 – Variação da carga nuclear efectiva com o número atómico. ......................... 44 Figura 3.8 – Raio atómico dos elementos representativos. ................................................. 45 Figura 3.9 – Distância média entre um catião e um anião.................................................. 46 Figura 3.10 – Tamanho relativo de alguns catiões. ............................................................ 46 Figura 3.11 – Tamanho relativo de alguns aniões .............................................................. 47 MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO VI ÍNDICES Figura 3.12 – Energia de ionização dos 20 primeiros elementos da Tabela Periódica. .... 48 Figura 3.13 – Afinidade electrónica dos primeiros 20 elementos da Tabela Periódica. .... 50 Figura 3.14 – Metais, semi - metais e não metais ............................................................... 54 Figura 3.15 – Página da Internet desenvolvida sobre o carbono ....................................... 59 Figura 3.16 – Hiperligações quer a nível de organicação dos temas obordados, quer a nível de esclarecimentos de alguns termos no texto.................................................... 61 Figura 3.17 – Organização especial dos átomos de carbono na grafite............................. 62 Figura 3.18 – Organização espacial dos átomos de carbono (tetraédica) no diamante..... 62 Figura 3.19 – Futebuleno, C60 ............................................................................................. 63 Figura 3.20 – Composto alifático (1) e composto aromático (2) ........................................ 64 Figura 3.21 – Fórmula de estrutura da molécula de benzeno............................................. 64 Figura 3.22 – Exemplos de álcoois primários, secundários e terciários ............................ 66 Figura 3.23 – Fórmula de estrutura do fenol ...................................................................... 66 Figura 3.24 – Micelas .......................................................................................................... 70 Figura 3.25 – Fórmula de estrutura de dois hidratos de carbono mais simples................. 71 Figura 3.26 – Formula de estrutura cíclica da glicose ...................................................... 71 Figura 3.27 – Formula de estrutura de um dissacárido: maltose ....................................... 72 Figura 3.28 – Formula de estrutura dos substituintes da glicose em alguns alimentos. .... 72 Figura 4.1 – Página de apresentação da Tabela Periódica ................................................ 76 Figura 4.2 – Página da Tabela Periódica com as diversas opções de pesquisa................. 77 Figura 4.3 – Página inicial da pesquisa sobre o carbono, com as diversas opções de consulta........................................................................................................................ 78 Figura 4.4 – Apresentação da página dos jogos, na Internet.............................................. 83 Figura 4.5 – Apresentação do início do jogo das adivinhas ............................................... 84 Figura 4.6 – Jogo das adivinhas.......................................................................................... 84 Figura 4.7 – Página inicial do jogo dos elementos I ........................................................... 85 Figura 4.8 – Jogo dos Elementos......................................................................................... 85 Figura 4.9 – Página inicial do jogo das borboletas ............................................................ 86 Figura 4.10 – Jogo das Borboletas...................................................................................... 86 Figura 4.11 – Início do jogo da descoberta dos pares ........................................................ 87 Figura 4.12 – Página do jogo da descoberta de pares........................................................ 87 Figura 4.13 – Imagem retirada das filmagens das aulas .................................................... 91 Figura 4.14 – Tabela Periódica on - line, diferenciando os estados físicos por cores ....... 92 MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO VII ÍNDICES ÍNDICE DE GRÁFICOS Gráfico 4.1 – Aproveitamento percentual no teste para aferir a equivalência dos grupos, do grupo experimental................................................................................................. 96 Gráfico 4.2 – Aproveitamento percentual no teste para aferir a equivalência dos grupos, grupo de controlo ........................................................................................................ 96 Gráfico 4.3 – Aproveitamento percentual no pós - teste do grupo experimental................ 98 Gráfico 4.4 – Aproveitamento percentual no pós - teste do grupo de controlo .................. 98 Gráfico 4.5 – Percentagens de respostas à primeira questão do inquérito ...................... 100 Gráfico 4.6 – Percentagens de respostas à segunda questão do inquérito....................... 101 Gráfico 4.7– Percentagens do uso da Internet .................................................................. 101 Gráfico 4.8 – Percentagens sobre as questões relativas às orientações do roteiro.......... 102 Gráfico 4.9 – Dificuldades sentidas pelos alunos durante a aplicação do roteiro ........... 102 Gráfico 4.10 – Percentagens sobre a possível utilização e importância da Internet........ 103 Gráfico 4.11 – Opinião dos alunos relativamente aos jogos propostos............................ 103 Gráfico 4.12 – Opinião dos alunos quanto a este tipo de aulas........................................ 104 MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO VIII ÍNDICES ÍNDICE DE TABELAS Tabela 2.1 – Tabela de síntese de alguns recursos digitais pesquisados............................ 28 Tabela 3.1 – Alguns grupos funcionais mais comuns dos compostos orgânicos e sua designação ................................................................................................................... 65 Tabela 4.1 – Tabela de idades do grupo experimental ....................................................... 94 Tabela 4.2 – Tabela de idades do grupo de controlo .......................................................... 95 MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO IX 1 - INTRODUÇÃO 1 - INTRODUÇÃO 1. INTRODUÇÃO Actualmente, vive-se numa sociedade cuja evolução a nível tecnológico se faz a uma velocidade alucinante. Cada vez mais, existem aparelhos capazes de resolver muitas das dificuldades humanas. O próprio funcionamento da sociedade depende dos avanços tecnológicos alcançados. Um dos maiores avanços foi a descoberta e utilização de computadores. Grande parte do que se faz diariamente depende de dispositivos computorizados, como o simples levantamento de dinheiro, numa caixa multibanco ou ver as notícias na televisão. Assim, em todos os sectores da sociedade actual, a utilização de computadores é imprescindível. Muitos dos estudos e avanços científicos dependem dos novos materiais tecnológicos, nomeadamente computadores. A facilidade de comunicação entre cientistas de todo o mundo, a transferência de dados e informações por computadores é, sem dúvida alguma uma grande vantagem para os “homens da ciência”. Sendo a escola um local onde se espera que os alunos se preparem para sua vida futura e adquiram conhecimentos científicos, torna-se imperativo que se desenvolvam competências capazes de permitir a versatilidade exigida no mundo do trabalho. A formação de qualquer cidadão passa, portanto, pela utilização das novas tecnologias, quer a nível de materiais, quer a nível da comunicação. Não é possível isolar a escola da sociedade onde está inserida, nem fingir que se trata de um mundo à parte. Embora exista alguma inércia quanto à utilização das novas tecnologias no ensino, verifica-se que a escola já usufrui das vantagens dos computadores, quer a nível administrativo, quer a nível de exploração de temas nas salas de aula. A utilização do computador na sala de aula, com todas as suas potencialidades a nível de informação e multimédia, tem sido muito motivadora para os alunos e para os professores. O método mais expositivo, onde o professor é o orador e o aluno o ouvinte pacífico, não permite o envolvimento do aluno no seu processo de aprendizagem. Um ensino motivador e mais envolvente pode passar pela utilização das novas tecnologias, nomeadamente o computador e a Internet. Esse “mundo de informação” é uma boa ferramenta para a percepção e compreensão de conceitos (alguns abstractos) de Química. A compreensão de modelos e teorias, em Química, nem sempre é facilmente atingida e muitas vezes a informação é simplesmente memorizada. Uma das formas de envolver os MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 2 1 - INTRODUÇÃO alunos na construção do próprio conhecimento científico, nomeadamente em Química, é a utilização da Internet. Um dos casos onde se poderá fazer uso desta importante fonte de informação é no estudo sobre a organização dos inúmeros elementos químicos conhecidos até à data. Tradicionalmente, o estudo da Tabela Periódica insiste na simples transmissão e memorização de determinadas características de alguns elementos químicos, em especial no 3º Ciclo. Por seu turno, o uso da Internet dentro da sala de aula pode contribuir para que o aluno tenha um papel activo no seu processo de aprendizagem. Uma vez que a informação contida na Internet é demasiado vasta para que alunos mais jovens consigam retirar o máximo proveito de uma pesquisa, é necessário que lhes sejam dadas algumas orientações vocacionadas para o tipo de informação pretendida. Desta forma, a utilização de um roteiro poderá ser uma ferramenta preciosa, principalmente se for elaborado com objectivos específicos e adequados a uma determinada faixa etária. Este trabalho pretende, em especial, estudar até que ponto a utilização das novas tecnologias de informação e comunicação, nomeadamente a Tabela Periódica online, associada a um roteiro, pode beneficiar o processo de ensino-aprendizagem dos alunos do 9ºAno de escolaridade. A organização do presente trabalho é a seguinte: Capítulo 2 – “Problemática dos computadores e o uso da Internet no Ensino das Ciências”. São analisados alguns aspectos relativos à utilização das novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) em educação. É também apresentada uma pequena recolha e análise de alguns recursos digitais sobre a Tabela Periódica. Capítulo 3 – “Contextualização científico-pedagógica da Tabela Periódica”. Começa-se por fazer uma contextualização do tema, quer nos currículos existentes à data de início deste trabalho, quer segundo as novas orientações para o Ensino Básico e Secundário em Portugal. De seguida, faz-se a contextualização dos conceitos científicos envolvidos na abordagem do tema com os alunos e na construção de material didáctico para este trabalho. Capítulo 4 – “Uma estratégia para o estudo da Tabela Periódica no 9ºAno, apoiada com recursos digitais: estudo de impacto”. Consiste na descrição de todo o material digital e da metodologia utilizados neste trabalho de pesquisa. Capítulo 5 – “Notas finais”. São feitas algumas considerações sobre todo o trabalho desenvolvido, alguns projectos para o futuro e também algumas conclusões que podem ser deduzidas deste trabalho. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 3 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS 2. PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS 2 .1 . GENERALIDADES SOBRE NOVAS TECNOLOGIAS/ENSINO DAS CIÊNCIAS 22..11..11.. E Exxiiggêênncciiaass ddaa ssoocciieeddaaddee Vivemos numa sociedade que, nos últimos anos, tem evoluído muito rapidamente e que se encontra em constante mutação. Actualmente, as mudanças e as inovações tecnológicas ocorrem a um ritmo tão elevado, que ameaçam abalar as estruturas das instituições que não as acompanhem. Após a introdução de um chip na superfície de uma placa de silício, em 1947, a evolução, no sentido da utilização e dependência do computador, teve um rápido crescimento. Grande quantidade de informação pode ser agora armazenada e processada muito mais rapidamente, independentemente da distância ou de fronteiras políticas ou culturais. Milhares de transacções e trocas de informação são executadas a cada segundo em todo o mundo, por via digital. À medida que vão aparecendo novas tecnologias e produtos diferentes, são exigidas novas competências aos profissionais. Tradicionalmente, aquilo que se aprendia na escola era suficiente para assegurar uma qualificação para toda a vida. Actualmente, tal já não é possível. Novas competências têm de se desenvolver para que não se corra o risco de se ser apelidado de obsoleto ou ultrapassado. A autoformação e a versatilidade, na utilização das novas tecnologias, são requisitos imprescindíveis para a sobrevivência no mundo de trabalho actual. Já não existe um trabalho para toda a vida. Um indivíduo poderá ter de experimentar vários empregos ao longo da sua vida, onde lhe sejam exigidos novos conhecimentos e novas competências. Estão constantemente a surgir novos aparelhos, novas tecnologias, novas formas de informação capazes de resolver rapidamente questões que, há relativamente pouco tempo, poderiam ser complicadas e de resolução demorada. Como tal, todos os trabalhadores, em especial os de coordenação ou chefia, têm de acompanhar a evolução tecnológica e implementá-la no seu ambiente de trabalho. Tal só será possível se houver capacidade de MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 5 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS autoformação, autonomia para a procura de informação e capacidade de análise/resolução de problemas. É um natural imperativo que a educação passe pela aprendizagem de novas formas de desenvolver competências, de equacionar novos problemas e de procurar novas respostas. Assim, a escola tem de ser mais interventiva na sociedade, influenciando-a e tornando-se um centro de renovação permanente, de forma a acompanhar a evolução da sociedade, nomeadamente na utilização e aplicação de novas tecnologias (M.E., 1995). A escola, ao mesmo tempo que ensina os conteúdos tradicionais, tem de aprender a responder às necessidades e aspirações dos alunos e às expectativas e exigências da sociedade de informação (SOCIEDADE DE INFORMAÇÃO, 1997). 22..11..22.. N Noovvaass tteeccnnoollooggiiaass:: nnoovvooss hhoorriizzoonntteess ppaarraa aa eedduuccaaççããoo O recurso às novas tecnologias de informação, como a televisão, a rádio, os computadores e a Internet, é uma realidade para todas as faixas etárias da sociedade actual. Desde muito cedo que as crianças vêm televisão, usam telemóvel e utilizam o computador em suas casas. Estas tecnologias irão fazer parte do quotidiano das actuais crianças e jovens para o resto das suas vidas, com os mais diversos objectivos. Segundo Emma Nthunya (1998), a utilização das novas tecnologias, nomeadamente a multimédia, pode ser muito útil quando utilizada desde os primeiros anos de ensino, uma vez que as crianças as utilizam fora da escola. A utilização das novas tecnologias de informação dentro da sala de aula não só estimula o aluno para a aprendizagem, como promove o seu desenvolvimento cognitivo com o aumento de informação a que vai tendo acesso. O processo educativo deverá, pois, ser orientado de forma a maximizar o aluno pela sua aprendizagem, de forma a promover a autoformação e flexibilidade exigidas pela evolução da sociedade. A capacidade de recolha, manipulação e contextualização deverá ser desenvolvida quanto antes na fase escolar, de forma a facilitar o desenvolvimento cognitivo dos alunos (PAIVA, 2003). O facto de se poder utilizar as tecnologias de informação, em qualquer altura e lugar, permite aos alunos melhorar a sua aprendizagem, mesmo em casa. As novas tecnologias de informação, com utilização de multimédia, podem dar uma grande ajuda no processo de aprendizagem. Por exemplo, podem ajudar a ler, utilizando a MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 6 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS imagem e som, que motivam e suportam a leitura do aprendiz. Proporcionam melhor visualização de conceitos abstractos e concretização de actividades experimentais, pois a imagem oferece um acesso directo ao significado da informação. “Para muitos alunos, memorizar o que está no texto é perda de tempo e frustrante. Mesmo quando lêem o texto, podem ter problemas em compreendê-lo, especialmente quando inclui conceitos difíceis e abstractos” (COLLINS, 1997). A tecnologia interactiva proporciona maior motivação pelo gozo de utilizar o computador. O acesso a uma variedade de recursos, como os gráficos, as imagens, os textos, os sons e os vídeos, é bastante motivador para o aluno, na medida em que é muito mais interactivo e supera as limitações da utilização de livros (CARPI, 2001). A autoconfiança e o alargamento de conhecimentos são consequência da excitação da procura e da descoberta de novas informações (CORBETT, 1997). No entanto, as ideias aqui expostas em defesa da utilização da tecnologia não devem ser confundidas com uma visão “fácil” da aprendizagem. Texto, memorização e esforço, por exemplo, são elementos realistas a ter igualmente em conta no ensino das ciências. Através da Internet, o aluno tem acesso a experiências e actividades que muitas vezes não seria possível proporcionar na sala de aula, não só pela falta do material necessário, como também pelos riscos envolvidos. Por outro lado, a tecnologia interactiva possibilita a oportunidade de aprender com mais responsabilidade, na medida em que é exigido ao aluno o controlo sobre a actividade (COLLINS, 1997). Um dos problemas muitas vezes existentes é o facto de nem todas as crianças terem acesso a estes recursos fora da escola. Esta desigualdade poderia ser minimizada com o acesso de todos às novas tecnologias de informação, na sala de aula, possibilitando assim a oportunidade de todos os alunos evoluírem de igual modo. É curioso verificar que, em Portugal, os alunos com menor índice de desenvolvimento social são aqueles que mais utilizam os computadores da escola (PAIVA, 2003). A utilização da Internet permite aumentar e alargar o desenvolvimento dos estudos em qualquer área, na medida em que possibilita ao aluno o contacto com outras opiniões, debates e conhecimento de novas formas de investigação, que não são possíveis pelo método tradicional (BRAGIN, 1996). De facto, através da Internet, os alunos podem ter contacto com cientistas, fazer as próprias pesquisas, participar em debates (mesmo durante uma experiência Química) e visitar museus interactivos por todo o mundo. Tal permite MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 7 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS explorar, no caso do ensino das ciências, a ligação entre a teoria e a observação. No entanto, no que respeita à utilização das aulas laboratoriais, estas não poderão ser substituídas pela utilização das novas tecnologias de informação e comunicação. As novas tecnologias poderão servir como complemento ao trabalho laboratorial, mas não permitem que os alunos efectuem a sua aprendizagem manuseando, sentindo, observando e cheirando alguns dos objectos e algumas substâncias (LEITE, 2002). A utilização da Web reforça o desenvolvimento de ambientes colaborativos extremamente poderosos para a aprendizagem e construção do conhecimento, na medida em que o aluno estabelece relações entre os conteúdos e membros da comunidade, como serviços e pessoas, de uma forma muito mais abrangente em termos espaciais e virtuais (DIAS, 2000). Estes ambientes são também bastante procurados pelos estudantes portugueses, com a forte utilização de chats, principalmente por parte das raparigas (PAIVA, 2003) Existem, ainda, outros conjuntos de fóruns de discussão (News ou Usenet) na Internet, que dão aos participantes a possibilidade de exporem as suas opiniões e pensamentos críticos a outras pessoas de contextos sociais, culturais e académicos diferentes (PAIVA, 1997). Promove-se, assim, a igualdade de oportunidades, independentemente da hora, local ou estrato social. O acesso a tão vasta informação permite ao aluno aprender a seleccionar o que é importante, facilitando a tomada de decisões. A avaliação das diferentes opiniões e da variedade de informação sobre um determinado assunto poderá ser um bom exercício para o desenvolvimento do pensamento crítico (TSAI, 2001). Os alunos podem monitorizar e rever os seus percursos de aprendizagem, pois podem compará-los com algumas partes dos processos de pesquisa de alguns cientistas. A riqueza e variedade de informação na Internet podem também permitir aos alunos desenvolver a capacidade de organização de informação, possibilitando-lhes a criação de caminhos mais fáceis para a obtenção e recolha de informação. Em particular, no caso da World Wide Web, os estudantes podem criar categorias para organizarem os hipertextos existentes (TSAI, 2001). Uma vez que a utilização do hipertexto é completamente livre e interactiva, e os conteúdos nem sempre têm a sequência desejada, o utilizador pode organizar a informação de acordo com as suas necessidades ou estilo de aprendizagem (DIAS, 2000). Por MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 8 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS exemplo, o aluno pode optar por começar pelo conhecimento de alguns elementos da Tabela Periódica, pesquisando inicialmente as semelhanças entre as suas propriedades atómicas, ou a sequência dos seus números atómicos, como se poderá constatar pela apresentação efectuada na secção 4.1 deste trabalho. Por outro lado, a liberdade de navegação e a flexibilidade de ambientes do hipertexto poderão levar a uma sobrecarga cognitiva e falta de critérios na busca. Uma busca de informação na Web, se não for orientada para determinados objectivos, em especial para quem não tem muita experiência nesta área, torna-se desorganizada, excessivamente morosa e pouco proveitosa (DIAS, 2000). Cada vez mais se produz documentação multimédia em massa. Esta massificação ignora, por vezes, um público específico. Os objectivos de alguns materiais desenvolvidos são bastante abrangentes, o que desmotiva e dificulta a aprendizagem, em especial a alunos com dificuldades de aprendizagem (CRINON, 2001). Mas quando a pesquisa passa por endereços onde a informação é específica e organizada, como ocorre no caso do portal “Mocho”, apresentado na secção 2.2.1, a rapidez de obtenção e selecção da informação aumenta. Para a compreensão dos conceitos da Química, onde é necessário estabelecer ligações entre a compreensão a nível macroscópico, microscópico e simbólico, a utilização dos recursos multimédia pode ser uma boa ajuda (DONOVAN, 2001). Existem algumas barreiras que dificultam a fácil compreensão e percepção de conceitos químicos com base na utilização de livros, pois estes têm limitações quanto à representação de acontecimentos, quer a nível macroscópico, quer a nível microscópico (TSOI, 2000). A visualização do estabelecimento de uma ligação química constitui um bom exemplo. No que respeita à resolução de problemas relativos ao tempo e custos que algumas actividades experimentais envolvem, a utilização de animações, vídeos e colóquios poderá ser uma grande ajuda. Para um melhor sucesso no ensino, os educadores têm de estar muito atentos às novas ferramentas de trabalho que vão aparecendo e analisar a sua qualidade e os seus benefícios antes de as utilizar. Existem problemas inerentes à utilização da Internet, que os professores têm de ter em consideração e tentar combater. É necessário que exista uma equipa capaz de escolher o hardware, de fazer a manutenção dos computadores e do software, que esteja disponível para a resolução de problemas que possam surgir. Se esta equipa não for constituída por MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 9 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS professores de diferentes áreas da própria escola, a manutenção pode tornar-se dispendiosa. Este é um problema actual nas escolas portuguesas, como se refere na secção 2.1.3. Um outro problema reside na existência de informação pedagogicamente menos correcta, disponível online. Muitas vezes existe uma grande preocupação em conceber materiais demasiado apelativos, esquecendo-se a importância de uma informação científica e pedagogicamente correcta. Este tipo de informação engloba, nomeadamente, textos pouco claros e animações, com recursos a modelos, que podem levar à aquisição de concepções alternativas nos alunos (CRINON, 2001). Um exemplo concreto é uma animação que mostra os electrões a circular em volta do núcleo do átomo em órbitas perfeitamente circulares, que se pode encontrar em alguns sites da Internet, como a página http://www.chemicalelements.com. Por outro lado, existem sites com informação inadequada para o nível etário do aluno, que não é capaz de entender o que lhe é transmitido. Por tudo isto, é necessário que exista uma prévia filtração e orientação da informação utilizada para a aprendizagem, pois caso contrário correr-se-á o risco de aumentar as dificuldades dos alunos já com problemas de aprendizagem, e até distanciá-los dos melhores alunos da turma. Para além disto, ainda existem materiais indesejáveis, como as páginas de pornografia, racismo e muitas outras (ver o caso de Portugal na secção 2.1.3). A utilização exagerada destes meios, por um lado, pode ajudar a melhorar a visualização, mas por outro, pode não permitir o desenvolvimento da capacidade de imaginação (COLLINS, 1997). A utilização da Internet na sala de aula também exige que se tenha em conta o tempo que se dispõe de aula e o tempo que é necessário para estabelecer a ligação desejada. Para tal, é necessário que alunos e professores tenham objectivos claros do que querem adquirir, com estratégias de pesquisas bem definidas (CORBETT, 1997). No entanto, a pesquisa online promove maior dinamismo na sala de aula, pois todos estão motivados para trabalhar. Tal implica uma menor dispersão e maior concentração por parte dos alunos, o que permite um ganho de tempo na aprendizagem do aluno dentro da sala de aula (ver no caso de Portugal, na secção 2.1.3). Por métodos mais clássicos, os alunos abstraem-se com frequência, e acabam por não compreender o que lhes é transmitido. Com a utilização de computadores na sala de aula, o aluno pode constrir o seu próprio conhecimento através da pesquisa, o que o estimula a entender o que está a fazer e a pedir ajuda de imediato ao MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 10 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS professor para superar as suas dificuldades (MAYER, 1999). As expressões utilizadas pelos alunos em estudo foram um bom exemplo disso, como se verá mais adiante nos capítulos 4 e 5. O papel do professor deverá, pois, convergir no sentido de orientar, encorajar e apoiar os alunos na utilização mais eficaz dos materiais de informação existentes (DUDDLEY, 2002). Só assim será possível melhorar a aprendizagem, canalizando os interesses e recursos utilizados pelos alunos para a procura do conhecimento. Além do mais, se os alunos têm acesso a uma vasta informação fora da escola, é natural que esperem que a escola lhes disponibilize e os ajude a encontrar informação de qualidade muito elevada. Existem alguns receios, por parte dos professores face à utilização da Internet nas aulas. Este cepticismo deverá ser superado de imediato, uma vez que a utilização da Web tem vindo a aumentar exponencialmente. Alguns professores preocupam-se com o facto de os alunos saberem manusear melhor o computador e conseguirem descobrir mais informação do que o próprio professor. Tal facto só poderá ser vantajoso, quer para o aluno, quer para o professor, pois além de se criar uma empatia entre ambos graças à troca de informação, há um maior estímulo face à pesquisa e ao debate de determinados conteúdos. Além disso, os professores devem ter sempre presente que, apesar de terem limitações (facilmente superáveis com o auxílio dos diversos meios de formação de professores existentes) os alunos também sentem dificuldades. Um factor muito positivo é o facto de o aluno verificar que o que o professor explicou se encontra noutro sítio. Neste caso, a confiança no professor é reforçada. A utilização das novas tecnologias de informação nas aulas também influencia a formação e modo de pensar do professor, na medida em que o obriga a meditar sobre os conteúdos, métodos e orientação do que ensina, e sobre os seus valores e a razão porque ensina. A própria preparação das aulas torna-se uma tarefa mais enriquecedora e motivadora, em contraste com a sucessiva repetição de conteúdos, comum no ensino tradicional (HINOSTROZA, 2000). Os professores jamais serão prescindíveis. A sua competência, a sua maturidade, o seu entusiasmo e o seu talento, serão sempre um elemento essencial à escola (PAIVA, 2000). MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 11 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS 22..11..33.. U Uttiilliizzaaççããoo ddaass nnoovvaass tteeccnnoollooggiiaass ddee iinnffoorrm maaççããoo ee ccoom muunniiccaaççããoo nnoo eennssiinnoo ppoorrttuugguuêêss Por parte de alunos A utilização dos computadores, pelos alunos, tem vindo a aumentar de ano para ano. Desde a década de oitenta, que as escolas, o próprio Ministério da Educação, pais e sociedade, incentivam cada vez mais o recurso ao computador. As escolas foram adquirindo cada vez mais material informático. Na fase inicial, existia apenas um único computador disponível na biblioteca, mas actualmente existem algumas escolas com computadores nas próprias salas de aula. A título de exemplo, no ano lectivo 2001/2002, a nível do 1º Ciclo de Ensino Básico, existiam trinta e três alunos para um computador, valor esse que baixou para vinte e sete no ano seguinte. No 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico e no Secundário, também se verificou uma melhoria, passando-se de dezanove para dezasseis alunos por computador (PAIVA, 2003). Considerando que existem escolas com graves problemas económicos, estes valores tornam-se aliciantes e mostram que a evolução se processa a todo o custo. Com base num estudo sobre a utilização das novas tecnologias de educação por parte dos alunos, publicado pelo Ministério da Educação, com dados referentes ao ano lectivo 2002/2003, far-se-á uma breve exposição da situação nas escolas portuguesas. À medida que se avança nos anos de escolaridade, verifica-se um aumento da utilização dos meios informáticos, o que reflecte maior interesse pelos recursos digitais à medida que aumenta o volume de conhecimentos. Este facto é mais saliente nos rapazes do que nas raparigas. De facto, as raparigas em idade do Ensino Secundário demonstram muito mais interesse em ver televisão do que em passar algum tempo com o computador. Isto pode reflectir alguns aspectos culturais da sociedade portuguesa, onde a mulher demonstra outros interesses e atitudes face ao desenvolvimento das novas tecnologias. Os alunos utilizam preferencialmente o computador em casa. Cerca de 60% dos inquiridos revelam utilizar o computador em casa, o que demonstra que também as famílias apoiam a utilização das novas tecnologias de informação e comunicação. Só 5% dos inquiridos não usam o computador que têm em casa. A utilização do computador em casa é destinada, em grande parte, à escrita de textos, na realização dos trabalhos de casa e participação em jogos, principalmente nos alunos de maior escolaridade (PAIVA, 2003). MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 12 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS Os computadores disponíveis nas escolas são mais utilizados pelos alunos de índice de desenvolvimento social mais baixo (42%), provavelmente pela ausência de material informático em casa. Este facto realça a importância na escola na uniformização do ensino e igualdade de oportunidades, prevista na Lei de Bases do Sistema Educativo. Os alunos do Ensino Básico e Secundário são os que utilizam mais frequentemente os computadores da escola fora dos horários lectivos, muitas vezes para pesquisa na Internet (30% no 8º ano e 34% no 11º ano). Tal facto demonstra a predisposição para a aprendizagem de pesquisa com utilização de recursos digitais, que poderá ser aproveitada dentro da própria sala de aula. Este facto reforça a ideia de que é necessário que os professores desenvolvam mais trabalhos, devidamente orientados, com a utilização destes recursos na aula. Não se está a dizer, contudo, que a sua utilização seja necessária em todas elas. A este propósito, verifica-se que as áreas não disciplinares (Formação Cívica, Estudo Acompanhado, Área de Projecto) são as que mais fazem uso do material informático na aula. Os inquiridos revelaram que, no ano 2002/2003, a utilização de computadores nas áreas curriculares foi reduzida, sendo as disciplinas de ciências (Ciências Naturais, Matemática, Ciências Físico-Químicas e Geografia) as de maior frequência de utilização, nomeadamente no 9ºAno (12%). Estes dados revelam que ainda há muito para fazer no campo da utilização das novas tecnologias de informação e comunicação na sala de aula e que são os professores de ciências que possivelmente se sentem mais à vontade neste campo. Verifica-se também que “a auto-aprendizagem é mais frequente no 9º e no 11º ano”. A influência dos professores na iniciação à aprendizagem é significativa para os alunos de escolaridade mais baixa, o que prova que, em Portugal, se está a ir de encontro à necessidade de utilizar, cada vez mais cedo, as novas tecnologias de informação e comunicação nas escolas. De uma forma geral, os alunos preferem estudar mais pela Internet (actividade lectiva mais preferida) do que pelos livros escolares. Grande parte dos alunos (81%) é de opinião que poderiam aprender sozinhos alguns assuntos, com o uso do computador. Para tal, será fundamental que se desenvolvam materiais educativos de qualidade, mais específicos e alguns roteiros para a pesquisa adequada. Face aos resultados obtidos no presente trabalho (secção 4.5), poder-se-á arriscar dizer que os alunos têm razão, nestas suas preferências. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 13 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS Por parte dos professores Segundo os dados do Ministério da Ciência e do Ensino Superior, referentes a Novembro de 2002, cerca de 88% dos professores inquiridos (1º Ciclo, 2º Ciclo e 3º Ciclo/Secundário) têm computador em casa, e cerca de 91% dos inquiridos utilizam-no como uma ferramenta de trabalho pessoal. Estes dados são um bom indício de que grande parte dos professores acompanha a crescente tendência de utilização das novas tecnologias (PAIVA,2003). No entanto, quando se passa para a questão da utilização da Internet, a percentagem de professores aderentes desce para 65%. Grande parte destes professores acede à Internet preferencialmente em casa, o que confirma a fraca adesão da utilização das novas tecnologias de educação e comunicação na sala de aula. As novas tecnologias de informação e comunicação são utilizadas, essencialmente, em contexto educativo, na produção e edição de informação e só depois na consulta e pesquisa de informação, destinada ao desenvolvimento de trabalhos de projecto ou área-escola, em especial no 3º Ciclo e Secundário. A utilização da Internet em áreas mais específicas da educação é bastante reduzida. Os professores portugueses, à semelhança do que se passou noutros países, ainda demonstram alguma insegurança quanto à utilização de computadores e à aplicação das tecnologias de comunicação na educação. Grande parte deles reconhece que gostariam de saber mais sobre o uso das novas tecnologias de informação e comunicação em contexto educativo, e que tal lhes exige novas competências. Apesar de cerca de 81% dos professores usar o computador para a preparação das aulas, formulação de testes e fichas de trabalho, quase metade dos “professores entende que os alunos dominam melhor os computadores do que eles próprios”. Este facto é um indicador que ainda existem muitos professores que necessitam de se adaptar rapidamente à evolução da “era dos computadores”. Não será solução deixar que os alunos dominem muito melhor estas áreas. Estas podem ser utilizadas como ferramentas para aumentar a curiosidade e a vontade de aprender dos alunos, tornando-se uma arma contra o absentismo e o abandono escolar verificado no 3º Ciclo. Será também uma forma de, tal como já foi referido, melhorar a imagem do professor face ao aluno. Verifica-se que existe uma disposição, por parte dos professores, para começar ou continuar a sua formação nestas áreas. A comprovar isso temos a procura de acções de MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 14 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS formação promovidas pelo Ministério da Educação (32%) e/ou a aposta na autoformação em informática (49%). A implementação das novas tecnologias de informação e comunicação na situação da sala de aula ainda tem obstáculos muito fortes, como a falta de meios técnicos e a falta de recursos humanos, que são os principais problemas apontados pelos professores. Por exemplo, segundo os dados relativos ao ano lectivo 2002/2003, verifica-se que, no 4º ano de escolaridade, 6% dos computadores não funcionam por falta de técnicos de manutenção. Neste mesmo ano de escolaridade, 27% dos alunos referem que não têm ligação à Internet ou que esta não funciona. Por outro lado, a limitação de tempo disponível para cumprir os programas do Ministério da Educação poderá ser um entrave à realização de aulas com o uso de computadores. Com as novas propostas para o Ensino Básico, onde se verifica maior flexibilidade de gestão do tempo, este problema poderá ser minimizado. Mais uma vez se verifica que a formação dos professores e a sua autoconfiança na utilização de computadores dentro das salas de aula pode ser um desafio, mas também uma solução para a evolução dos métodos utilizados. 2 .2 . PONTO DA SITUAÇÃO EM RECURSOS DIGITAIS SOBRE A TABELA PERIÓDICA 22..22..11.. C Caarraacctteerriizzaaççããoo ddee aallgguunnss rreeccuurrssooss Actualmente, verifica-se uma crescente preocupação, por parte dos profissionais ligados ao ensino, em produzir material multimédia, nomeadamente para o ensino da Química. Depois de uma pesquisa sobre os materiais disponíveis, quer multimédia, quer na Internet, procedeu-se a uma análise dos que se consideraram mais interessantes. Grande parte dos materiais multimédia sobre a Tabela Periódica não se encontram na Internet, sendo produzida por editoras de livros escolares, que apresentam CD-ROM e filmes como material de apoio para os professores. Alguns destes materiais só são acessíveis pela Internet a subscritores. De seguida, serão, então, descritos alguns sites da Internet e alguns recursos multimédia relativos à Tabela Periódica. Vejamos alguns exemplos: MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 15 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS A A.. No ano de 2000 foi distribuído pelas escolas portuguesas, do Ensino Básico e Secundário, um CD-ROM com alguns programas de apoio do ensino das ciências. Este CD-ROM designa-se por “Omniciência 98” e foi desenvolvido pelo programa “SoftCiências” (Figura 2.1). Contém duas dezenas de programas para o ensino de diversos temas em ciências, entre os quais o equilíbrio químico (“Le Chat”), ou a simulação da experiência de Robert Mulliken para medir a carga eléctrica de um electrão (“Mulliken”). Figura 2.1 – Capa e contra-capa do CD-ROM de apresentação de Omniciência Também existe um programa repleto de imagens, vídeos sobre as características de alguns elementos químicos, bem como algumas das suas reacções químicas, sons e animações sobre à Tabela Periódica. Ainda neste programa pode-se encontrar uma vasta colecção de dados referentes aos elementos e a alguns cientistas, como mostra a Figura 2.2. Figura 2.2 – Algumas ilustrações, presentes nos vídeos do CD-ROM de “SoftCiências” MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 16 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS Quase todos os trabalhos estão disponíveis na Internet, nomeadamente, a Tabela Periódica, podendo-se fazer downloawds de alguns deles. Existem partes dos programas que têm ligação directa a páginas da Web. Dispõe também de jogos educativos e de um banco de testes, com 780 perguntas de escolha múltipla em Ciências Físico-Químicas do 8º e 9ºAno, e Físico-Química do Secundário. Todo este material está agora disponível no site www.mocho.pt, o qual também será abordado, mais à frente neste capítulo. B B.. A Sociedade Portuguesa de Química editou há relativamente pouco tempo a “WinPerio 2.0”. Trata-se de um CD-ROM com a Tabela Periódica, mais dirigida para o Ensino Secundário e Superior (Figura 2.3). Figura 2.3 – Capa e contra-capa do CD-ROM de WinPerio 2.0, editada pela Sociedade Portuguesa de Química É bastante interactiva, na medida em que permite que o utilizador escolha o tipo de informação desejada. Apresenta animação no que se refere à rede cristalina e permite rodar as estruturas, o que reforça ainda mais a interactividade. Proporciona a visualização de gráficos, bem como de imagens das substâncias elementares. A Tabela Periódica surge com informação sobre diversas propriedades físicas para todos os elementos o que permite uma fácil visualização da evolução destas propriedades ao longo do grupo e do período. Esta variação das propriedades físicas dos elementos ao longo da Tabela Periódica será abordada na secção 3.2.3 deste trabalho. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 17 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS Figura 2.4 – Página WinPerio 2.0 com a Tabela Periódica com uma janela que mostra a rede cristalina estabelecida pelos átomos de carbono No entanto, e tal como já foi referido, este recurso digital encontra-se mais vocacionado para professores, cientistas, e alunos de níveis mais avançados, nomeadamente dos Ensinos Secundário e Superior. Outros recursos disponíveis são as enciclopédias multimédia, quer do âmbito geral, quer especificamente de Física e Química. Nestas últimas, a natureza dos conteúdos é bastante acessível e facilmente entendida por todos. Apresentam, no entanto, informação pouco aprofundada no que se refere às propriedades físicas e às semelhanças entre elementos do mesmo bloco ou da mesma família. Trata-se de material adequado para os primeiros níveis de ensino da Química ou para o cidadão comum. C C.. É o caso da “Enciclopédia UNIVERSAL – Física e Química” (Figura 2.5), que apresenta a Tabela Periódica, e em que o utilizador também pode pesquisar sobre a vida e obra de algumas personalidades da comunidade científica. Figura 2.5 – Capa e contra-capa do CD da Enciclopédia Universal de Física e Química MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 18 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS Quando se “clica” sobre um dos símbolos dos elementos químicos, aparecem algumas características de cultura geral sobre esse elemento. Tal como as outras enciclopédias multimédia, proporciona o acesso a páginas da editora na Web. A Internet é, sem dúvida, a maior e mais diversificada fonte de informação sobre a Tabela Periódica. Fazendo uma pesquisa com a expressão “Tabela Periódica”, num dos motores de busca disponíveis na Internet, verifica-se que existem milhares de páginas sobre este assunto. Como tal, serão apenas mencionados alguns endereços de interesse, a título de exemplo. Verifica-se que grande parte dos sites existentes se limita a apresentar a Tabela Periódica. Estes sites normalmente apresentam algumas das características de cada um dos elementos, quando se “clica” sobre eles. As propriedades mais comuns são o número atómico, o raio atómico, a massa atómica, os pontos de fusão e de ebulição, entre outras. Alguns exemplos podem ser encontrados nas seguintes páginas: D D.. uisperna.com.sapo.pt : http://luisperna.com.sapo.pt/tabela_periodica.htm E E.. www.santafedosulonline.hpg.ig.com.br: http://www.santafedosulonline.hpg.ig.com.br/tabela_periodica.htm F F.. www.chem.qmw.ac.uk : http://www.chem.qmw.ac.uk/iupac/AtWt/table.html Destas páginas, só a última é escrita em inglês, o que pode ser um entrave para alunos do Ensino Básico. Mas, de acordo com o seu nível de ensino nesta língua, poderá ser uma forma de se relacionar conteúdos diferentes, ou seja, de fomentar a interdisciplinaridade, neste caso com a disciplina de Inglês. JJ.. www.chemicalelements.com Este site está escrito em inglês. Apresenta muitas ligações a outras páginas do site. A Tabela Periódica pode aparecer com o nome de todos os elementos e, em alternativa, massa atómica, número atómico, configuração electrónica, ponto de fusão, ponto de ebulição, entre outros, de cada um dos elementos. Esta opção facilita a verificação da periodicidade das propriedades dos elementos químicos. Uma outra opção desta Tabela Periódica permite saber as características das categorias dos elementos: metais, não MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 19 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS metais, metalóides, metais alcalinos, metais alcalino-terrosos, gases nobres, actinídeos e lantanídeos (Figura 2.6). Figura 2.6 – Página com Tabela Periódica do site “chemicalelements”. Quando se “clica” sobre um dos elementos, aparecem as suas características detalhadas. A configuração electrónica é auxiliada por um esquema com a distribuição dos electrões por camadas, e aparece a informação de outros sites onde se aborde o elemento químico em causa. A parte gráfica não é muito apelativa, mas a informação é de grande valor, mesmo para alunos e professores do Secundário. No entanto, existem também sites com informação mais aprofundada, como por exemplo, os espectros de absorção ou emissão dos elementos e outra informação nem sempre necessária ou perceptível para alunos do Ensino Básico. É exemplo disso o site: G G.. web.jjay.cuny.edu : http://web.jjay.cuny.edu/~acarpi/NSC/4-pertab.htm Este site, “The Natural Science Page”, foi criado por professores do John Jay College, em Nova Iorque, com o fim de ajudar os seus alunos no estudo das ciências. É dirigido a alunos do Ensino Secundário e abrange vários temas da Química, como ligação química, estrutura atómica e Tabela Periódica. Trata-se de um site interactivo e com várias animações, em especial no que se refere à estrutura atómica e à ligação química. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 20 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS Figura 2.7 – Página da “The Natural Science Page”, com a Tabela Periódica É necessário, no entanto, ter em atenção que algumas destas animações podem levar à criação de concepções alternativas por parte dos alunos. Um exemplo, é a ideia de que os electrões chocam uns com os outros ou se sobrepõem, ou que apresentam órbitas perfeitamente circulares em torno do núcleo. Também neste site é utilizada a língua inglesa, o que poderá agravar o grau de dificuldade para alunos de nível de ensino mais baixo, como já foi referido. Poucos sites apostam na relação dos elementos químicos com o mundo que nos rodeia ou com o nosso quotidiano. Estas relações são muito importantes para a contextualização e concretização da Química, principalmente a nível do Ensino Básico. Felizmente, existem alguns sites onde esta preocupação está bem patente, como é o caso dos sites: H H.. www.cdcc.sc.usp.br :http://www.cdcc.sc.usp.br/quimica/tabela_apres.html: Este é um site em brasileiro muito útil para o Ensino Básico, pois tem informação clara e em pouca quantidade, e também para o Ensino Secundário, devido ao conteúdo de alguma informação. Quando se “clica” sobre um determinado elemento químico, aparecem as especificidades desse elemento. A linguagem é bastante acessível e a organização do MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 21 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS site permite uma fácil consulta. Tem imagens de muito boa qualidade e a parte gráfica é muito apelativa, como se pode verificar pela Figura 2.8: Figura 2.8 – Páginas referentes ao elemento carbono II.. www.mocho.pt Trata-se do primeiro portal em português vocacionado para a ciência e é uma continuação do “Omniciência” já anteriormente apresentado. Tem o apoio do projecto “Ciência Viva”, Ministério da Ciência e Tecnologia e Ministério da Educação, o que lhe confere uma boa credibilidade por parte de quem o consulta (Figura 2.9). Nele podemos encontrar software educativo sobre Física, Química e Matemática, facilmente encontrado graças ao seu motor de busca. Está organizado por temas e links hierarquizados, o que facilita a busca. Apresenta grande variedade de informação, imagens, animações sobre os mais variados temas de interesse, com frequentes links a outros sites. Permite, também, o acesso a uma Tabela Periódica dos elementos químicos que pode ser consultada em português e em inglês. Contém uma grande variedade de informação e imagens sobre os elementos químicos, quer a nível histórico, quer a nível da sua utilização no quotidiano, quer ainda a nível das características específicas de cada um dos elementos. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 22 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS Figura 2.9 – Pagina de apresentação do portal “Mocho” A Tabela Periódica existente neste portal foi utilizada para o estudo do presente trabalho, e por isso a sua caracterização encontra-se mais desenvolvida na secção 4.1 (Descrição da ferramenta digital de suporte) desta dissertação. K K.. www.environmentalchemistry.com: http://www.environmentalchemistry.com/yogi/periodic/ Trata-se de um site em inglês. Aborda vários temas da Química e possibilita várias consultas nos temas em “Chemistry Resources”: estrutura do átomo, dicionários de Química, cálculo da massa molecular (é explicado, por exemplo, o que é uma mole e são apresentados todos os passos para calcular a massa molar), como se pode constatar pela Figura 2.10. Quando se “clica” sobre um elemento da Tabela Periódica, aparecem as suas propriedades organizadas segundo temas: nome noutras línguas, entre elas o português; estrutura atómica com rede cristalina e esquema da distribuição dos electrões por camadas; propriedades químicas; propriedades físicas; quem/onde/quando/como (onde apresenta quem o descobriu, onde, quando e como descobriu e aplicações do MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 23 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS elemento). Aparecem ainda os isótopos mais frequentes, com algumas das suas características. Trata-se de um site de consulta agradável, com informações a nível da Química Geral e com sugestões para os professores utilizarem na aula. Por essa razão é mais vocacionado para alunos do Ensino Superior e professores. Além disso, permite o acesso e a subscrição de revistas científicas como a National Geographic e a Scientific American (Figura 2.10). Figura 2.10 – Página “environmentalchemistry”com a Tabela Periódica LL.. www.webelements.com É um site em inglês com informação alargada sobre cada um dos elementos químicos. As cores utilizadas e a organização de pesquisa são bastante apelativas (Figura 2.11). MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 24 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS Figura 2.11 – Página “WebElements” com a Tabela Periódica. É também muito interactivo, permitindo ao utilizador fazer uma pesquisa orientada de acordo com o seu estilo. Isto é possível graças à variedade de campos que se podem escolher em qualquer momento da consulta. A boa qualidade de imagem, as animações e sons, possibilitam uma visão clara do que é mostrado. Logo na primeira página existem opções de interesse, como a “Scholar Edition”, dirigida ao aluno, a “WebElements online”, que nos informa sobre as últimas notícias e descobertas sobre os elementos químicos, ou a “Print your own”, que possibilita a impressão e/ou download da Tabela Periódica. Quando se “clica” sobre um elemento químico da Tabela Periódica, aparece uma página com várias informações sobre o elemento, como o espectro de absorção, o nome do elemento em várias línguas, entre elas o português, o estado físico, a estrutura cristalina, o método de obtenção e isolamento, o seu estado físico à pressão e temperatura normais, entre muitas outras características. Nas partes laterais da página, aparecem opções para a pesquisa de informação mais aprofundada, como reacções químicas, compostos mais frequentes, propriedades nucleares, entre outras, como se pode ver pela figura: MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 25 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS Figura 2.12 – Página “ WebElements” sobre o elemento sódio No final aparece uma caricatura ou uma figura cómica, o que torna a página mais divertida, tal como se pode verificar pelo exemplo seguinte: Figura 2.13 – Figura cómica que aparece no final da página sobre o sódio O “WebElements” é, sem dúvida, a mais conhecida e desenvolvida página da Internet sobre a Tabela Periódica. Algumas das páginas disponíveis sobre a Tabela Periódica têm ligação directa ao site “WebElements”, como é o caso da página: M M.. www.malhatlantica.pt: http://www.malhatlantica.pt/netescola/cienfq/fq9webquest.htm. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 26 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS 22..22..22.. A Annáálliissee ccoom mppaarraattiivvaa Não há dúvida nenhuma que existe disponível, para professores e alunos, uma grande quantidade de recursos tecnológicos para o ensino das ciências. Os recursos multimédia, em CD-ROM e vídeo, apresentam a vantagem de se poder utilizar sempre que for necessário, independentemente do estado das ligações online. A facilidade de transporte para a sala de aula e a segurança de que irá funcionar são vantagens para professor e aluno. Também o facto de ser possível o rápido acesso, sem necessidade de realizar várias operações prévias, poderá ser uma boa vantagem da utilização destes meios na sala de aula. No entanto, para que seja possível a utilização de material multimédia, é necessário que esteja disponível, o que nem sempre é fácil em escolas com muitos professores interessados num mesmo material. Por outro lado, o elevado custo dos meios multimédia pode dificultar a sua aquisição. Trata-se também de um recurso que requer algum cuidado de conservação, e que se torna facilmente obsoleto, face à rápida evolução que se tem verificado em multimédia. Além disso nem todos os alunos podem servir-se destes recursos em casa, uma vez que é necessário comprá-los. Não devemos esquecer que a multimédia tem também algumas limitações, entre as quais a da quantidade e diversidade de informação. Por isso, alguns recursos têm ligação directa a páginas da Web. Através de uma navegação pela Internet, consegue-se uma vasta informação mais ou menos específica, e obtém-se uma liberdade de manuseamento que dificilmente é conseguida pela multimédia, como se pode constatar pela Tabela 2.1 que se apresenta mais à frente. A pesquisa torna-se muito mais rica e permite aos alunos o domínio do computador. Este facto é importante, pois em Portugal ainda existem alunos e professores com dificuldades na utilização do computador. Uma vez que existe grande quantidade de sites com informação relevante, cabe ao professor seleccionar a informação e orientar a pesquisa dos alunos. Com a ajuda de ligações cada vez mais rápidas, pode-se proporcionar uma diminuição do tempo dispendido com o uso da Internet e uma aproximação ao tempo gasto com recursos multimédia. Existe um maior número de sites com a Tabela Periódica do que recursos offline em português. Além disso, a utilização da Internet permite um acesso rápido a uma maior variedade de informação em qualquer situação. A utilização da Internet pode tornar-se também mais económica, pois os recursos multimédia nem sempre são de baixo custo. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 27 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS Para além de tudo isto, verifica-se que os recursos multimédia são mais específicos no tipo de informação, enquanto que a Internet proporciona informação muito mais abrangente e adequada às exigências do utilizador. Como síntese do que foi dito anteriormente, apresenta-se de seguida um quadro comparativo com alguns dos recursos mencionados. Foi atribuída pontuação de 1 a 5 para alguns parâmetros, de forma a facilitar a interpretação e análise dos mesmos. Considerouse que o valor 1 corresponde à classificação mais baixa (fraco) e o valor 5 corresponde ao Site /recursos multimédia Língua utilizada Clareza do texto Rigor científico Qualidade de imagem Existência de animações Enquadramento com o quotidiano Nível de ensino mais adequado Interactividade com o utilizador Ligações a outros sites da Internet Navegabilidade valor máximo (muito bom): A A.. Português 5 5 3 4 5 Ensino Básico e Secundário 4 5 4 B B.. Português/ Inglês Português 4 5 4 3 3 5 - 4 4 4 4 3 3 Ensino Secundário e Universitário; Professores Ensino Básico e Secundário 2 3 4 G G.. Inglês 3 4 4 - - Todos 2 4 3 H H.. Inglês 3 2 3 3 2 Ensino Secundário 4 3 4 II.. 4 4 5 - 3 Ensino básico e Secundário 2 - 4 5 5 3 5 4 Todos 5 5 4 K K.. Português (Brazil) Português/ Inglês Inglês 4 4 3 - 4 Ensino Superior e Professores 3 5 4 LL.. Inglês 5 5 5 4 4 Todos 5 3 5 C C.. JJ.. A. CD-ROM “Omniciência 98” B. CD-ROM “WinPerio 2.0” C. CD-ROM “Enciclopédia Universal” G G G... www.chemicalelements.com H H H... web.jjay.cuny.edu: http://web.jjay.cuny.edu/~acarpi/NSC/4-pertab.html III... www.cdcc.sc.usp.br: http://www.cdcc.sc.usp.br/quimica/tabela_apres.html JJJ... www.mocho.pt K K K... www.environmentalchemistry.com: http://www.environmentalchemistry.com/yogi/periodic L L L... www.webelements.com Tabela 2.1 – Tabela de síntese de alguns recursos digitais pesquisados Da análise deste quadro pode-se verificar que existem muitos recursos digitais que utilizam o português e o inglês. É na Internet que se verifica maior incidência da língua MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 28 2 – PROBLEMÁTICA DOS COMPUTADORES E O USO DA INTERNET NO ENSINO DAS CIÊNCIAS inglesa, devido à sua universalidade, embora existam também alguns sites em português. Um dos parâmetros que apresenta maior pontuação é a “ligação a outros sites da Internet”, em especial no que se refere a recursos da Internet. Dos recursos pesquisados, são os multimédia que apresentam maior número de animações verificando-se que existem muitos sites que apostam simplesmente em texto e imagem. Sem dúvida alguma, o portal “mocho” é o que apresenta melhores condições de ser utilizado dentro da sala de aula, pelo seu rigor científico, organização, interactividade com o utilizador e quantidade de informação. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 29 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTÍFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA 3. CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA 3 .1 . TABELA PERIÓDICA NO ENSINO PORTUGUÊS 33..11..11.. A A TTaabbeellaa P Peerriióóddiiccaa nnoo C Cuurrrrííccuulloo P Poorrttuugguuêêss Até há bem pouco tempo, o estudo da Química como disciplina curricular, iniciava-se no 3º Ciclo do Ensino Básico, mais propriamente no 8º ano de escolaridade. Actualmente, com as novas orientações que entraram em vigor no ano lectivo 2002/2003, o ensino da Química inicia-se no 7º ano de escolaridade. O ensino da Química é do âmbito da disciplina Ciências Físico-Químicas até ao 11º ano. Nos 7º, 8º e 9º anos, compreendidos na escolaridade obrigatória, esta disciplina curricular é leccionada a todos os alunos (M.E./DEB, 2001). Nos 10º e 11º anos, esta disciplina curricular é leccionada só a alunos dos cursos de vertente científica. A disciplina de Ciências Físico-Químicas engloba, ao longo dos referidos anos lectivos, uma componente do ensino da Física e outra componente do ensino da Química. No 12º ano existe uma disciplina específica, Química. Segundo os anteriores programas, ainda em vigor aquando do início deste estudo2, no 8º ano eram abordados conceitos básicos como a classificação de materiais face à grande variedade existente. Iniciava-se, portanto, a elaboração de esquemas organizativos perante a diversidade do mundo material. No seguimento deste assunto, no 9º ano fazia-se a classificação dos diversos sólidos e líquidos, seguida da organização dos diversos elementos químicos que os constituem. Iniciava-se, assim, o estudo do sistema organizativo por excelência – a Tabela Periódica. Era também feita uma breve abordagem histórica sobre a evolução dos modelos organizativos dos elementos químicos ao longo do tempo, como forma de contextualizar a actual organização da Tabela Periódica, que se encontra desenvolvida na secção 3.2.1 deste trabalho. A unidade temática correspondente intitulava-se “Organização dos Elementos Químicos como Resposta à Diversidade em 2 Foi no contexto do “antigo programa” que se realizou este estudo de impacto, cujo o seu desenvolvimento será efectuado no capítulo 4. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 31 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA Química”. A abordagem a este nível prendia-se essencialmente com a classificação de substâncias elementares, com base na investigação de semelhanças e diferenças entre as propriedades físicas e químicas dos elementos que as constituem, nomeadamente, elementos representativos. A este propósito, desenvolveram-se, na secção 3.2.4, alguns aspectos relevantes dos elementos representativos que foram abordados com os alunos em estudo. A referida classificação das substâncias elementares, era feita em classes, distinguindo-se metais, metalóides e não metais. Também se especificam algumas famílias de elementos, como os metais alcalinos e alcalino-terrosos, os halogéneos e os gases nobres. Nesta unidade temática também se abordava a relação da organização da Tabela Periódica, em grupos e períodos, com a variação do número atómico e com a tendência de alguns elementos para formar determinados iões. Para além disso, o estudo da Tabela Periódica passava também pela exploração da periodicidade de algumas propriedades ao longo dos grupos e dos períodos, nomeadamente, a variação do tamanho dos átomos, com base no raio atómico, para os elementos com número atómico menor que vinte (M.E., 1999). A exploração da Tabela Periódica só era feita novamente no 11º ano, com a abordagem à periodicidade de algumas propriedades físicas, explorando-se conteúdos como os descritos na secção 3.2.3 deste trabalho. Como seguimento do que fora abordado no 3º Ciclo, um aluno do 11º ano iria estudar a configuração electrónica dos átomos e dos respectivos iões, bem como a variação da energia de ionização ao longo dos grupos e períodos, relacionando esta matéria com conceitos já abordados no 9ºAno (M.E.1995). Segundo as novas orientações curriculares para o 3º ciclo do Ensino Básico (M.E./DEB, 2001), já em vigor no ano 2002/2003, o ensino da componente de Química na disciplina de Ciências Físico-Químicas prende-se com o estudo do funcionamento e estrutura da Terra, numa perspectiva de relacionamento com a ciência, tecnologia, ambiente e sociedade. (ver Figura 3.1). MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 32 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA Figura 3.1 – Esquema organizador dos quatro temas do 3º Ciclo do Ensino Básico Esta reforma no Ensino Básico contempla os temas “Terra em Transformação” e “Terra no Espaço”. São apresentados mais dois temas de base para este ciclo. O estudo da Tabela Periódica encontra-se englobado no tema “Viver Melhor na Terra”, previsto para o final do 3º ciclo. Neste tema é englobado um capítulo respectivo à classificação dos materiais, comuns a programas anteriores, distinguindo-se famílias de elementos com base nas semelhanças e diferenças das suas propriedades físicas e químicas. É dada maior ênfase à ocorrência (natural ou artificial) dos elementos químicos, suas aplicações usuais e data de descoberta. Depois de compreendida a organização da Tabela Periódica, esta é utilizada para identificar elementos naturais e elementos sintéticos e de que forma estes possibilitam o avanço da ciência e da sociedade. É ainda mencionado o modo como os seres vivos utilizaram os diferentes materiais ao longo do tempo. Nesta nova proposta valoriza-se a interdisciplinaridade, em especial com a disciplina de Ciências Naturais, com a qual se realça a transversalidade de conhecimentos e competências. Está prestes a ser implantada uma nova reforma no Ensino Secundário ao nível dos 10º e 11º anos, cujas orientações e programas estão já homologados desde Março de 2000. Nesta reforma contempla-se a disciplina de “Física e Química A” para ambos os anos, a qual mantém as componentes de Física e de Química. Esta disciplina dá continuidade à MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 33 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA disciplina do 3º Ciclo do Ensino Básico, e visa o aprofundamento dos conhecimentos relativos às duas Ciências que engloba. No que se refere ao 10º ano, esta disciplina apresenta um módulo inicial, onde se faz uma pequena consolidação e sistematização dos saberes mais relevantes a este nível, seguindo-se duas unidades temáticas, para cada uma das componentes. Esta nova proposta dá maior incremento à relação Sociedade-Tecnologia-Ambiente-Conhecimento científico. Por essa razão, a componente experimental adquire maior relevância que na proposta anterior, o que se enquadra curricularmente com o desaparecimento das disciplinas de Técnicas Laboratoriais de Química e Técnicas Laboratoriais de Física. O estudo da Tabela Periódica é apresentado logo no módulo inicial da componente de Química: “Materiais: diversidade e constituição”. Neste módulo, revê-se a organização dos elementos químicos segundo a ordem crescente de número atómico, nos diferentes grupos e períodos da Tabela Periódica. Este assunto é retomado na unidade seguinte: “Das Estrelas ao Átomo”. Esta unidade temática, de acordo com o estabelecido pelo Ministério da Educação, apresenta a organização de conceitos, representada na Figura 3.2. O estudo da Tabela Periódica inicia-se pela sua organização nos blocos s, p, d, e f, onde a posição dos elementos dentro de cada bloco é relacionada com as respectivas configurações electrónicas. São também abordadas as propriedades físicas dos elementos, nomeadamente, a variação do raio atómico e da energia de ionização ao longo dos períodos e grupos. Algumas das propriedades dos elementos são relacionadas com características das substâncias elementares. No final, faz-se uma breve referência à história da Tabela Periódica, como forma de mostrar a evolução da organização dos elementos químicos ao longo dos tempos (M.E./DES, 2001). MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 34 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA Figura 3.2 – Esquema da organização de conceitos para a unidade 1, retirado do programa de 10º ano do Ministério da Educação No 11º ano não se prevê qualquer referência à Tabela Periódica, que só será retomada no ano seguinte, na disciplina opcional de Química do 12º ano (M.E./DES, 2003). Não se conhece ainda a nova proposta para o 12º ano, mas se for semelhante à já existente, haverá uma unidade temática intitulada “Progredindo no estudo da estrutura de átomos e moléculas”, onde se começa por proporcionar uma visão mecânico-quântica do átomo de Hidrogénio. De seguida, relaciona-se as configurações electrónicas de átomos polielectrónicos com as suas propriedades periódicas. A este nível, é explorada e relacionada a periodicidade das propriedades físicas dos elementos, bem como a existência MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 35 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA de blocos s, p e d relacionados com a configuração electrónica e as propriedades características dos elementos de cada bloco (M.E., 1995). Os conceitos abordados a este nível incluem-se na secção 3.2.3 deste trabalho, à excepção dos elementos dos blocos d e f, uma vez que se encontram fora do âmbito do Ensino Básico. 33..11..22.. A Allgguum maass rreefflleexxõõeess ccrrííttiiccaass As sucessivas reflexões que se tem vindo a fazer sobre o “Estado do Ensino”, a nível internacional, têm dirigido o ensino das ciências para aspectos sociais, tecnológicos e, ultimamente, ambientais. A partir da década de oitenta, o conhecimento científico foi deixando de ser um conjunto de conceitos e teorias, mas um saber necessário para compreender o meio onde se está inserido. Verifica-se actualmente uma tendência para que o ensino seja direccionado para o desenvolvimento de competências que possibilitem ao aluno a sua auto-formação e promovam a sua versatilidade e capacidade de resolução de problemas. Esta visão do ensino implica a concepção de currículos mais abrangentes, associada à valorização de uma gestão curricular mais flexível e adequada a cada contexto. Tal perspectiva já se encontra aplicada no 3º Ciclo do Ensino Básico, mais precisamente no 7º ano de escolaridade, onde se definem competências a nível de ciclo, em vez de objectivos a nível de ano lectivo. A possibilidade de uma gestão flexível e contextualizada proporciona, quer a professores, quer a alunos, um ritmo de ensino/aprendizagem mais adequado às necessidades de cada um. Por outro lado, conduz a um maior interesse na execução de tarefas e no melhoramento da cultura científica. Neste contexto, a exploração da Tabela Periódica também poderá ser beneficiada, na medida em que a sua abordagem não é feita de modo abstracto, mas como uma apresentação e organização dos diversos elementos essenciais à vida e à evolução da sociedade. Uma abordagem geral da Tabela Periódica, como a que se apresenta na secção seguinte, poderá ir de encontro a esta melhor articulação entre o ensino da Química e o mundo que nos rodeia. É necessário que a abordagem deste tema se prenda mais com os interesses dos alunos e o desenvolvimento de competências para a sua participação activa em sociedade. A introdução, no ensino português, de novas tecnologias de informação e comunicação irá abrir outras perspectivas, quer para alunos, quer para os professores, e MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 36 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA promover a interdisciplinaridade. Adicionalmente, facilitará a pesquisa individual de informação, e a comunicação entre todos. No entanto, para que esta pesquisa e comunicação entre todos seja a mais proveitosa possível, é necessário que exista rigor científico. Sejam quais forem as reformas implementadas, o professor terá sempre um papel preponderante no ensino. Se o conhecimento do professor não for abrangente e não tiver bases científicas sólidas, não será possível contribuir para o crescimento do conhecimento científico de alguém. Não será um bom orientador de pesquisa de informação, com a utilização das novas tecnologias de informação, pois não será capaz de escolher material com validade científica nem de estabelecer o elo de ligação entre os níveis de conhecimento. Desta forma, e porque este estudo tem como tema de base a Tabela Periódica, serão apresentados alguns conteúdos importantes para quem cria materiais didácticos e para quem os utiliza no ensino. 3 .2 . PROPRIEDADES PERIÓDICAS E TABELA PERIÓDICA Nesta secção serão abordados conceitos inerentes ao ensino da Tabela Periódica. Trata-se de um pequeno resumo dos aspectos mais importantes que estiveram presentes na abordagem feita pela investigadora, quer na elaboração do “Roteiro para a Tabela Periódica na Internet”, quer para a preparação do desenvolvimento das aulas. O grau de aprofundamento da contextualização científica da Tabela Periódica, extravasa a abordagem efectuada para o Ensino Básico. No entanto, é muito importante que o professor faça sempre este tipo de abordagem prévia, para que não comprometa posteriores aprendizagens dos alunos. 33..22..11.. B Brreevvee hhiissttóórriiaa ssoobbrree aa oorrggaanniizzaaççããoo ddooss eelleem meennttooss qquuíím miiccooss Como qualquer outro tema, o estudo da Tabela Periódica não pode ser apresentado como um conhecimento estanque, que surge “do nada”. A contextualização histórica da MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 37 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA Tabela Periódica é importante, pois pode contribuir para a compreensão da sua própria organização e para estimular a criatividade para outras formas de organizar os elementos químicos. Desta forma previne-se que os alunos adquiram a ideia errada de que, o facto de um elemento químico se encontrar numa determinada família, é uma propriedade física ou química desse elemento (ZVI, 1998). Talvez por isso a abordagem deste tema esteja sempre presente no ensino português. Mais de metade dos elementos químicos hoje conhecidos foi descoberta entre 1800 e 1900 (CHANG, 1994). Face à elevada variedade desses elementos e às semelhanças encontradas entre alguns deles, houve necessidade de os agrupar e os organizar. No séc. XIX, os químicos idealizaram uma Tabela Periódica com base no conhecimento das massas atómicas. Em 1864, o químico inglês John Newlands reparou que, quando os elementos eram dispostos segundo a sua massa atómica, cada oitavo elemento apresentava propriedades semelhantes. A este facto chamou-lhe a lei das oitavas. No entanto, verificou-se que esta “lei” só se aplicava aos elementos com massa atómica inferior à do cálcio, e por isso a “lei das oitavas” não foi aceite pela comunidade científica (CHANG, 1994). Só em 1869 é que o russo Dimitri Mendeleev apresentou uma Tabela Periódica onde os elementos eram agrupados segundo a periodicidade das suas propriedades (Figura 3.3). Esta tabela representou um enorme avanço na organização dos elementos, consistindo num agrupamento mais sistemático dos mesmos. A forma como estava organizada a Tabela Periódica de Mendeleev permitia prever a existência de propriedades de novos elementos ainda por descobrir (CHANG, 1994). Apesar do seu sucesso, as primeiras versões da Tabela de Mendeleev tinham algumas inconsistências, devido ao facto de os elementos estarem colocados por ordem crescente de massa atómica. Um exemplo disso era o caso do árgon, que aparecia na posição ocupada pelo potássio na Tabela Periódica Moderna (CHANG, 1994). Em 1913, o físico inglês Henry Moseley descobriu que eram emitidos raios X quando se fazia colidir electrões de alta energia contra um alvo de um dado elemento. Verificou ainda que as frequências dos raios X poderiam ser relacionadas com o número atómico do elemento em causa, através da relação: ν = a ( Z − b) MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO (3.1) 38 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA onde ν é a frequência da radiação, Z é o número atómico, a e b são constantes com o mesmo valor para todos os elementos. Figura 3.3 – Tabela Periódica de Mendeleev construída num prédio onde viveu, em Sampetersburgo. Com base nisto, Moseley descobriu que, apesar de o aumento do número atómico corresponder, em geral, a um aumento da massa atómica, ocorriam algumas excepções. Desta forma, faria mais sentido a ordenação dos elementos químicos por ordem crescente de números atómicos. Assim, por exemplo, o árgon, com o número atómico (Z) 18, deveria aparecer na Tabela Periódica antes do potássio, com número atómico 19 (CHANG, 1994). A Tabela Periódica Moderna está organizada não só pelo crescente número atómico, como também de acordo com a periodicidade das propriedades dos elementos químicos. Dada a importância do conhecimento destes aspectos históricos sobre a evolução da Tabela Periódica, as primeiras questões do roteiro foram dirigidas neste sentido (anexo I). 33..22..22.. O Orrggaanniizzaaççããoo ddaa TTaabbeellaa P Peerriióóddiiccaa A Tabela Periódica é um bom instrumento de trabalho para qualquer químico. Após a compreensão da sua organização, é possível retirar inúmeras informações e prever facilmente algumas propriedades dos elementos. Assim, o ensino da Tabela Periódica não pode deixar de se iniciar pelo estudo da sua organização. Por essa razão este estudo foi abordado no 3º Ciclo do Ensino Básico, no âmbito do presente trabalho tendo-se dado especial relevância aos aspectos a seguir descritos. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 39 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA Os elementos químicos podem ser classificados em três categorias: os metais, situados na parte esquerda da Tabela Periódica, os não metais, situados na parte superior direita da Tabela Periódica, e os semi-metais ou metalóides, que se encontram entre os metais e os não metais, como se pode ver na Figura 3.4. Não metais Metais Semi-metais Figura 3.4 – Categorias dos elementos químicos na Tabela Periódica. Os metais apresentam algumas propriedades semelhantes entre si, como o brilho metálico, a boa condutividade eléctrica e térmica, a maleabilidade e a ductilidade, sendo todos sólidos à temperatura e pressão atmosféricas (com excepção do mercúrio). Em contraste, os não metais não são bons condutores eléctricos nem térmicos, não apresentam brilho e podem ser líquidos, gasosos ou sólidos à temperatura ambiente e à pressão normal. Por fim, os semi-metais partilham o aspecto e algumas propriedades com os metais, mas apresentam um comportamento químico mais próximo do exibido pelos não metais (ATKINS 2001). A divisão dos elementos químicos nestas três categorias foi igualmente explorada no roteiro, mais precisamente nas questões dos pontos 11º e 12º (anexo I). As colunas verticais da Tabela Periódica são designadas por grupos e identificam as principais famílias de elementos que partilham propriedades químicas semelhantes. Os grupos da Tabela Periódica apresentam-se numerados de 1 a 18, da esquerda para a direita, de acordo com a convenção da IUPAC (Figura 3.5). O número do grupo indica o número de electrões de valência dos elementos desse grupo. Existem duas convenções adicionais, MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 40 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA actualmente menos usadas: a convenção europeia e a convenção americana (Figura 3.5). Neste trabalho, sempre que houver referência a um determinado grupo ou família de elementos da Tabela Periódica, será utilizada a nomenclatura da IUPAC, tal como se fez nas aulas que serviram de base a este trabalho. IUPAC Europeia Americana 1 1A 1A H 2 2A 2A 3 4 5 6 7 Li Be 3A 4A 5A 6A 7A Na Mg 3B 4B 5B 6B 7B K Ca Sc Ti V Cr Mn Fe Co Rd Sr Y Zr Nb Mo Tc Ru Cs Ba La Hf Ta W Re Fr Ra Ac Rf Db Sg Bh Ce Th Pr Pa Nd U 14 4B 4A 15 5B 5A 16 6B 6A 17 7B 7A 18 0 8A He 11 12 13 3B 3A 8A 1B 2B B C N O F Ne 8B 1B 2B Al Si P S Cl Ar Ni Cu Zn Ga Ge As Se Br Kr Rh Pd Ag Cd In Sn Sb Te I Xe Os Ir Pt Au Hg Tl Pb Bi Po At Rn Hs Mt 110 111 112 8 Pm Np 9 Sm Pu 10 Eu Am Gd Cm Tb Bk Dy Cf Ho Es Er Fm Tm Md Yb No Figura 3.5 – Tabela Periódica com as designações dos grupos, segundo as três convenções existentes: IUPAC, europeia e americana. As linhas horizontais são chamadas períodos e estão numeradas de 1 até 7, no sentido descendente (ATKINS 2001). Esta numeração indica-nos o último nível energético correspondente ao número quântico principal n ocupado pelos electrões de valência dos elementos do período. A organização da Tabela Periódica em grupos e períodos torna-se mais perceptível para os alunos através das questões do 11º ponto, no roteiro (anexo I). Para uma melhor compreensão da organização da Tabela Periódica, é necessário ter em conta a configuração electrónica dos elementos. A Tabela está dividida em 4 blocos, s, p, d e f, de acordo com o tipo de orbital atómica ocupada pelos electrões de valência (ATKINS 2001) (Figura 3.6). MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 41 Lu Lr 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA Bloco s 1s 2s 3s 4s 5s 6s 7s Bloco d Bloco p 2p 3p 4p 5p 6p 3d 4d 5d 6d 6f 7f Bloco f Figura 3.6 – A designação dos diferentes blocos da Tabela Periódica com base no preenchimento das orbitais atómicas, ocupadas pelos electrões de valência de cada elemento químico. Existem, no entanto, duas excepções às regras da organização da Tabela Periódica atrás descritas, nomeadamente, nos casos do hélio e do hidrogénio. Pela sua configuração electrónica, o hélio deveria pertencer ao bloco s, mas as suas propriedades são semelhantes às de um gás nobre, e não às de um metal. Tal deve-se ao facto de o hélio apresentar o último nível de energia completamente preenchido, pelo que a sua inclusão na família dos gases nobres (grupo 18) é mais adequada (ATKINS 2001). O hidrogénio ocupa uma posição única na Tabela Periódica. Como apresenta um único electrão, o que lhe confere uma configuração electrónica 1s1, poderia ser considerado como um elemento do grupo 1 (metais alcalinos), caracterizado pela configuração de valência ns1. Por outro lado, basta-lhe captar um electrão para adquirir a configuração de gás nobre, característica que partilha com os elementos do grupo 17 (halogéneos). Contudo, o hidrogénio tem propriedades distintas das dos metais alcalinos e dos halogéneos, pelo que não pode ser associado a nenhuma destas famílias (ATKINS 2001). Os elementos dos blocos s e p são designados como elementos representativos e têm orbitais s ou p parcialmente ocupadas, com excepção da família dos gases nobres (grupo 18). Os elementos dos blocos d e f são designados de metais de transição e apresentam orbitais d e f, respectivamente, ocupadas pelos seus electrões de valência. Os elementos do bloco f pertencem às famílias dos lantanídeos (do sexto período) ou dos actinídeos (do sétimo período). MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 42 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA 33..22..33.. A A ppeerriiooddiicciiddaaddee ddaass pprroopprriieeddaaddeess ffííssiiccaass Para a compreensão de algumas propriedades físicas e químicas dos elementos abordadas nas aulas, é necessário um conhecimento prévio dos aspectos seguintes, apesar de nem todos eles serem abordados no Ensino Básico, como já foi referido anteriormente. A periodicidade que se verifica nas propriedades dos elementos químicos pode ser facilmente compreendida quando se analisam as configurações electrónicas. Elementos que partilhem o mesmo número de níveis energéticos preenchidos, ou o mesmo número de electrões de valência, apresentarão similaridades. Estas correlações permitem prever algumas das propriedades físicas e químicas dos elementos com base nas suas configurações electrónicas (RUSSELL, 1996). A presença de electrões em camadas interiores reduz a atracção electrostática entre os protões do núcleo e os electrões mais externos. Além disso, as forças repulsivas entre os electrões num átomo polielectrónico reduzem ainda mais a força atractiva exercida pelo núcleo. Desta forma, a carga efectiva do núcleo é menor que a carga nuclear real, tal como se pode observar através da expressão do seu cálculo: Z ef = Z − σ (3.2) onde Z é a carga nuclear real (igual em valor absoluto ao número atómico) e σ é a chamada constante de blindagem (CHANG, 1994). Este efeito de blindagem, que os electrões exercem uns sobre os outros, é maior quando exercido pelas camadas interiores sobre as externas, em comparação com a situação de blindagem mútua entre electrões de valência. Na Tabela Periódica, a carga nuclear efectiva aumenta da esquerda para a direita, ao longo do período, e diminui ao longo do grupo, ou seja, à medida que os electrões vão ocupando níveis de número quântico principal mais elevado (Figura 3.7). O aumento da carga nuclear efectiva implica uma maior atracção dos electrões pelo núcleo e, como resultado, os átomos tornam-se mais compactos (ATKINS 2001). MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 43 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA Carga nuclear efectiva, Zef 7 6 5 4 3 2 1 H He Li Be B C N O F Ne Na Mg Al Si P S Cl Ar 0 1 Número atómico, Z Figura 3.7 – Variação da carga nuclear efectiva com o número atómico. A carga nuclear efectiva exercida sobre os electrões de valência de um elemento reflecte-se nas propriedades deste, como sejam o tamanho dos seus átomos ou a sua tendência para formar de iões ou estabelecerem ligações químicas (CHANG, 1994). Existem cinco propriedades principais que caracterizam os elementos: raio atómico, energia de ionização, afinidade electrónica e electronegatividade. Todas estas propriedades podem ser relacionadas com a carga nuclear efectiva exercida sobre os electrões de valência (ATKINS 2001). Dessas propriedades, apenas as que a seguir se descrevem se relacionam com conteúdos abordados no ensino da Tabela Periódica, ao nível do 3º Ciclo do Ensino Básico. V Va arriia aç çã ão od do o rra aiio oa attó óm miic co o Como a nuvem electrónica não corresponde a um volume espacial de barreiras exactas, não se pode definir o “raio de um átomo”. No entanto, quando os átomos se agregam, pode-se definir o raio atómico como metade da distância média entre os núcleos de dois átomos vizinhos. Nos metais, o raio atómico é designado por raio metálico, ao passo que nos não metais é traduzido pela metade da distância média entre os núcleos de dois átomos ligados por ligação covalente, sendo por isso chamado raio covalente. No caso particular dos gases nobres, o raio atómico corresponde a metade da distância média entre os núcleos de dois MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 44 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA átomos vizinhos quando o gás está solidificado, tomando o nome de raio de van der Waals. (ATKINS 2001) O raio atómico diminui ao longo do período e aumenta ao longo do grupo, com pouquíssimas excepções (Figura 3.8). Ao longo do período, as camadas interiores mantêm o mesmo número de electrões e a carga nuclear aumenta progressivamente. Como os electrões externos não exercem grande efeito de blindagem entre si, a carga nuclear efectiva vai aumentando, o que implica uma diminuição progressiva do raio atómico. Ao longo do grupo, o número quântico principal aumenta, ou seja, aumenta o número de camadas interiores. Assim, o efeito de blindagem dessas camadas sobre os electrões de valência vai crescendo ao longo do grupo, o que faz diminuir fortemente a carga nuclear efectiva, aumentando o raio atómico. Figura 3.8 – Raio atómico dos elementos representativos. (figura retirada de ATKINS, 2001) No sentido de sensibilizar os alunos para estes aspectos, foram elaboradas as questões que constam do ponto 13º do roteiro de exploração utilizado nas aulas. Estas questões foram formuladas com o intuito de conduzir os alunos a descobrirem, por si sós, como varia o raio atómico ao longo dos grupos e períodos da Tabela Periódica. Também se pode definir o conceito de raio iónico, com base na distância entre os iões vizinhos num sólido iónico (Figura 3.9). A distância entre os centros do anião e do catião seu vizinho não é mais do que a soma dos dois raios iónicos. Na prática, calcula-se o raio MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 45 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA de um catião tomando-se o seu óxido como referência e subtraindo, à distância entre os centros dos dois iões, o raio iónico do anião óxido (que se assume igual a 140 pm) (ATKINS 2001). Figura 3.9 – Distância média entre um catião e um anião. (figura retirada de ATKINS, 2001) Não é surpreendente que o raio iónico de um catião seja menor que o raio do correspondente átomo neutro (Figura 3.10), uma vez que a formação do catião implica a perda de um ou mais electrões de valência, com consequente aumento da carga nuclear efectiva exercida sobre a camada de valência. (ATKINS 2001). Figura 3.10 – Tamanho relativo de alguns catiões. Em contrapartida, o raio iónico de um anião é logicamente maior que o raio atómico do elemento correspondente (Figura 3.11), já que a formação do anião implica o aumento do número de electrões na camada de valência, o que passará a sentir uma a carga nuclear efectiva menor (ATKINS 2001). MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 46 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA Figura 3.11 – Tamanho relativo de alguns aniões É evidente que, pelas razões atrás apontadas, o raio iónico varia da mesma forma que o raio atómico ao longo da Tabela Periódica. Tal como o conceito de raio iónico, os conceitos de energia de ionização e afinidade electrónica, apresentados em seguida, não fazem parte dos conteúdos programáticos correspondentes ao Ensino Básico. No entanto, é importante que os docentes tenham estes conceitos presentes, de forma a orientar as suas abordagens aos programas do Ensino Básico. Esta orientação deverá ser tal que o que é aprendido pelos alunos evolua natural e logicamente quando estes transitem para o Ensino Secundário. Por outro lado, deve ser constante a preocupação do professor em transmitir conhecimentos de uma forma que não entre em conflito com futuras aprendizagens a nível mais avançado. V Va arriia aç çã ão od da ae en ne errg giia ad de e iio on niizza aç çã ão o A energia de ionização de um elemento é a energia envolvida na remoção um electrão de valência de um átomo do elemento na fase gasosa, sendo este processo sempre endotérmico. A primeira energia de ionização (I1) corresponde à energia necessária para remover o primeiro electrão de valência do átomo. A segunda energia de ionização (I2) corresponde à remoção adicional de um segundo electrão. Vejamos, por exemplo o que se passa com o átomo de cobre (ATKINS 2001): Cu (g) Cu+ (g) Cu+ (g) + eCu2+ (g) + e- MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO I1 = 785 kJ.mol-1 I2 = 19555 kJ.mol-1 47 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA Como se pode ver, a segunda energia de ionização (I2) é superior à primeira (I1), pois traduz a energia necessária para remover um electrão do catião formado após a remoção do primeiro electrão. Salvo algumas excepções, as energias de ionização dos elementos químicos aumentam ao longo do período e diminuem ao longo do grupo (Figura 3.12). Esta variação está directamente relacionada com a variação da carga nuclear efectiva ao longo da Tabela Periódica. Primeira energia de ionização (kJ/mol) 2500 He Ne 2000 Ar F 1500 N H Cl O P C 1000 Be B Li 500 S Si Mg Ca Al Na K 0 1 6 11 16 Número atómico Z Figura 3.12 – Energia de ionização dos 20 primeiros elementos da Tabela Periódica. Verificam-se algumas irregularidades nas tendências da primeira energia de ionização. Estas ocorrem quando se compara elementos dos grupos 12 e 13 (ex. berílio e boro ou magnésio e alumínio) e, também, quando se compara elementos dos grupos 15 e 16 (ex. azoto e oxigénio ou fósforo e enxofre), verificando-se que as energias de ionização diminuem em vez de aumentarem. No primeiro caso, os elementos do grupo 13 têm um único electrão nas orbitais de valência np, o qual se encontra fortemente blindado pelos electrões das orbitais interiores ns, logo fracamente atraído pelo núcleo. No caso dos elementos do grupo 16, os quatro electrões de valência estão distribuídos pelas orbitais np de acordo com a regra de Hund3. Isto implica que dois destes electrões estão emparelhados, 3 A regra de Hund estabelece que o arranjo mais estável dos electrões em subníveis das orbitais atómicas, é aquele que contém maior número de spins paralelos (CHANG, 1994). MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 48 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA o que aumenta a repulsão entre eles e, consequentemente, diminui a carga nuclear efectiva exercida sobre eles. Desta forma, estes elementos apresentam energias de ionização menores do que os elementos do grupo anterior (15), em que os três electrões de valência estão desemparelhados nas três orbitais np (CHANG, 1994). Os metais têm energias de ionização relativamente baixas, o que explica o facto de aparecerem frequentemente na forma catiónica. No caso dos metais alcalinos, as baixas energias de ionização, devem-se à configuração de valência ns1, estando o electrão np1 fortemente blindado pelas camadas anteriores totalmente preenchidas. Os metais alcalino-terrosos têm a primeira energia de ionização maior que os metais alcalinos, uma vez que a carga nuclear efectiva é maior, naqueles do que nestes. Tal como já foi referido, a segunda energia de ionização é sempre maior que a primeira. Para o grupo 1, a segunda energia de ionização é consideravelmente maior que a primeira energia de ionização. Isto deve-se novamente à configuração de valência dos elementos deste grupo, que implica que o segundo electrão, a ser removido, pertença a uma camada mais interna e mais próxima do núcleo, onde se exerce uma forte carga nuclear efectiva. Para elementos do grupo 2, as duas energias de ionização têm valores mais próximos entre si, uma vez que o segundo electrão a ser removido pertence à mesma camada da qual se remove o primeiro. O mesmo tipo de raciocínio aplica-se no estudo da variação entre a primeira e segunda energias de ionização para os restantes grupos da Tabela Periódica. A Affiin niid da ad de ee elle ec cttrró ón niic ca a A afinidade electrónica, Eae, traduz a quantidade de energia envolvida na adição de um electrão a um átomo na fase gasosa. Esta energia é calculada através da diferença entre a energia do átomo neutro e a energia do anião (ATKINS 2001): - Eae = E (X) – E (X ) (3.3) - Onde E (X) é a energia do átomo X em fase gasosa e E (X ) é energia do anião em fase gasosa. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 49 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA A afinidade electrónica aumenta ao longo do período, uma vez que o raio atómico vai diminuindo e a atracção nuclear sobre a camada de valência aumenta. Ao longo do grupo, a afinidade electrónica vai diminuindo, uma vez que os electrões de valência vão ficando mais afastados do núcleo e as forças atractivas vão sendo menores (Figura 3.13). Figura 3.13 – Afinidade electrónica dos primeiros 20 elementos da Tabela Periódica. Desta forma, os elementos da parte superior direita da Tabela Periódica, à excepção dos gases nobres, são os que têm maior afinidade electrónica. Nestes átomos, o electrão que é adicionado ocupa as orbitais p que se encontram relativamente próximas do núcleo e sobre as quais se exerce uma elevada carga nuclear efectiva. Os elementos do grupo 17 podem adquirir um electrão com libertação de energia (Eae negativa) e os do grupo 16 podem aceitar dois electrões de forma a completarem a última camada. No caso dos gases nobres, a afinidade electrónica é positiva, ou seja, é necessário fornecer energia ao átomo para que este capte um electrão, uma vez que este electrão adicional terá de ocupar uma orbital completamente vazia e afastada do núcleo. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 50 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA 33..22..44.. A Allgguum maass ppaarrttiiccuullaarriiddaaddeess ee iim mppoorrttâânncciiaa ddooss eelleem meennttooss ddooss rreepprreesseennttaattiivvooss O ensino da Tabela Periódica, ao nível do Ensino Básico, passa pela descrição das propriedades químicas que caracterizam as várias famílias dos elementos representativos. No ensino, a este nível, existe uma preocupação especial em reportar o aluno à importância desses elementos no mundo que os rodeia. Assim, tal como aconteceu na secção anterior, serão abordadas características de alguns elementos representativos. A nível do Ensino Básico, esta abordagem faz-se com base na caracterização das famílias. No entanto, os elementos representativos podem ser abordados em primeiro lugar por blocos e, dentro destes, por famílias. Foi esta abordagem seguida pela autora no presente trabalho, por questões de organização do texto. Os aspectos a seguir descritos foram fundamentais na construção do roteiro e dos jogos (secção 4.3), e o seu estudo proporcionou à autora uma boa capacidade de resposta no decorrer das aulas. E Elle em me en ntto oss rre ep prre esse en ntta attiivvo oss:: B Bllo oc co o ss Os elementos do bloco s incluem-se nos grupos 1 e 2 da Tabela Periódica. Tanto os metais alcalinos como os metais alcalino-terrosos, partilham a facilidade com que reagem com a água e com o oxigénio. No entanto, as duas famílias apresentam comportamentos um pouco diferentes entre si. Como são elementos pouco estáveis e de baixa energia de ionização, ligam-se facilmente a outros elementos de elevada afinidade electrónica, principalmente através de ligações iónicas. Como tal, na sua maioria apresentam-se na natureza sob a forma de sais minerais. Os elementos do grupo 1, ou metais alcalinos, reagem violentamente com a água originando hidróxidos metálicos e hidrogénio. (ex. reacção do sódio com a água). 2 Na (s) + 2 H2O (l) → 2 NaOH (aq) + H2 (g) MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 51 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA O vigor desta reacção química aumenta ao longo do grupo, sendo suficientemente violenta para inflamar o hidrogénio no caso do potássio, e chegando a ser explosiva nos casos do césio e do rubídio (ATKINS 2001). Todos os elementos do grupo 1 são macios e apresentam brilho metálico. Como só têm um electrão de valência e as suas ligações metálicas são fracas, apresentam baixos pontos de fusão (que vão diminuindo ao longo do grupo). Como formam a maior parte dos seus compostos na forma iónica, os metais alcalinos representam excelentes redutores. Este poder redutor é usado comercialmente na extracção de alguns metais de transição que, de outro modo, seriam difíceis de obter. Por exemplo, utiliza-se sódio fundido para se obter zircónio e titânio a partir de cloreto de titânio: TiCl4 (g) + 4 Na (l) → 4 NaCl (aq) + Ti (s) Os catiões dos metais alcalinos tendem a formar compostos mais estáveis com aniões do mesmo tamanho, reagindo com quase todos os não metais, à excepção dos gases nobres (ATKINS 2001). O lítio apresenta algumas diferenças em relação aos outros elementos do grupo, devido ao pequeno tamanho do seu catião Li+, que lhe confere um forte poder polarizador e uma maior tendência a formar ligações covalentes (ATKINS 2001). A utilização dos metais alcalinos é bastante diversificada: o lítio, por exemplo, é utilizado em lubrificantes, cerâmica e medicina. O sódio é usado em processos de produção electroquímica e o potássio, por seu turno, é incorporado em fertilizantes para a agricultura. Os metais alcalino-terrosos, do grupo 2, reagem igualmente com a água (formando hidróxidos), e com o oxigénio (formando óxidos). De entre os metais alcalino-terrosos destacam-se os três primeiros: berílio, magnésio e cálcio, pelas suas aplicações no quotidiano, e pela sua importância na Vida. Grande parte do berílio existente na Terra está combinado com átomos de silício e alumínio, sob a forma do mineral berilo (Be3Al2(Si6O18)). Na sua forma pura, este silicato de berílio-alumínio aparece nas formas de água-marinha e de esmeralda. O pequeno número de electrões do berílio torna-o transparente aos raios X, pelo que se utiliza em MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 52 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA janelas de tubos desta radiação. É também utilizado na construção de mísseis e satélites, devido à sua baixa densidade. Quando adicionado ao cobre, confere-lhe maior rigidez sem prejuízo da condução eléctrica, pelo que se aplica em material electrónico. Os compostos de berílio são muito tóxicos e caracterizados por ligações covalentes que se estabelecem devido ao forte poder polarizante do berílio, de modo paralelo ao atrás descrito para o lítio. No caso do magnésio, os seus compostos são essencialmente iónicos, com algum carácter covalente. Apresentam um papel importante no quotidiano: o óxido de magnésio é muito bom condutor térmico mas mau condutor eléctrico, sendo utilizado no fabrico de materiais refractários e nas indústrias da borracha, fertilizantes e plásticos. O hidróxido de magnésio, em suspensão aquosa, é utilizado como antiácido para o estômago, enquanto que o sulfato de magnésio, ou sal de Epson (MgSO4.7H2O), é utilizado como purgante. Um dos compostos mais importantes de magnésio é a clorofila, responsável pela fotossíntese. No que se refere ao cálcio, o seu composto mais conhecido é o carbonato de cálcio (CaCO3), a partir do qual se obtém cal viva (CaO) por aquecimento. Por sua vez, a cal viva reage exotermicamente com a água obtendo-se hidróxido de cálcio (ou água de cal – Ca(OH)2) que é utilizado em reacções de identificação do dióxido de carbono: Ca(OH)2 (aq) + CO2 (g) CaCO3 (s) + H2O (l) A rigidez dos compostos de cálcio deve-se à forte interacção do ião Ca2+ com os seus vizinhos, o que lhe possibilita a sua presença em estruturas rígidas, desde os esqueletos e carapaças dos seres vivos, até materiais para construção civil. E Elle em me en ntto oss rre ep prre esse en ntta attiivvo oss:: B Bllo oc co op p Este bloco apresenta elementos bastante distintos, apesar de todos eles terem configurações de valência ns2 npx, onde n representa o número atómico principal e x o número de electrões nas orbitais de valência p (com x ≤ 6 e x = 0 no caso do hélio). O bloco p inclui metais, não metais e semi-metais (ou metalóides). O carácter metálico dos elementos do bloco p vai aumentando ao longo do grupo e diminuindo ao longo do período, pelo que os metais situam-se na parte inferior esquerda e os não metais na parte MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 53 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA superior direita, sendo o último grupo constituído por elementos exclusivamente não metálicos (Figura 3.14). Bloco p 18 13 14 15 16 17 B Al Ga In Tl C Si Ge Sn Pb N P As Sb Bi O S Se Te Po F Cl Br I At He Ne Ar Kr Xe Rn Figura 3.14 – Metais, semi-metais e não metais (da esquerda para a direita) do bloco p Alguns destes elementos formam facilmente compostos iónicos, enquanto que outros tendem a formar compostos covalentes. Os gases nobres normalmente não se associam a outros átomos, devido à sua característica inércia química. Esta diversidade de comportamentos é devida ao facto de o bloco p incluir simultaneamente elementos com configurações electrónicas de valência suficientemente distintas para abranger um leque variado de propriedades como energia de ionização, afinidade electrónica, entre outras. Assim, os elementos dos grupos 15 a 18 apresentam elevada energia de ionização, ao passo que os elementos dos grupos 15 a 17 caracterizam-se por elevadas afinidades electrónicas. O único metalóide do grupo 13 é o boro, sendo os restantes todos metálicos. Os elementos deste grupo mais abundantes na crusta terrestre são o alumínio e o boro. O índio e o tálio existem em muito menor quantidade (Dutch, 1999). O boro estabelece ligações covalentes e apresenta uma energia de ionização elevada. Como só tem três electrões de valência e um raio atómico pequeno, forma compostos invulgares. Alguns destes apresentam octetos incompletos e outros têm deficiência de electrões. O boro apresenta grande importância na tecnologia moderna, sendo o bórax (Na2B4O7.10H2O), o seu composto mais conhecido. O boro elementar existe numa variedade de formas alotrópicas, onde cada átomo partilha os seus três electrões de valência com os vizinhos. Devido ao seu arranjo tridimensional, tem uma dureza apreciável, e por isso é incorporado em plásticos mais resistentes, aplicados em vestuário de protecção específica. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 54 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA Grande parte do alumínio é extraído da bauxite (Al2O3.3H2O) que, apesar de abundante na crusta terrestre, contém uma percentagem de alumínio pequena. Este metal, sendo leve e forte, é muito utilizado no fabrico de utensílios domésticos e de latas para refrigerantes. Estas podem ser posteriormente recicladas, por exemplo, transformando o alumínio em alúmen (KAl(SO4)2 .12 H2O), um composto com aplicação em tinturaria e com propriedades anti-sépticas. No grupo 14 encontramos o carbono, elemento mais abundante e interveniente na Vida. O silício e o germânio são importantes para a tecnologia electrónica e de inteligência artificial, onde são usados como semicondutores. O facto de terem a última camada com quatro electrões permite aos elementos desta família apresentarem propriedades específicas, bem patentes na química do carbono. Este elemento, sendo a base de todos os compostos biologicamente relevantes, deu origem a um importantíssimo ramo da Química – a Química Orgânica – que será abordada em particular no ponto 3.3 desta dissertação. O silício é o segundo elemento mais abundante na crusta terrestre. A maior parte ocorre em silicatos (contendo SiO32- e SiO44-) como a quartezite (forma granular do quartzo), dos quais se retira o silício puro. A estrutura dos silicatos é baseada em unidades tetraédricas com cargas e número de oxigénios variáveis. Algumas pedras preciosas e semipreciosas são silicatos contendo certas impurezas, como é o caso da ametista (que contém vestígios de Fe3+) (ATKINS 2001). O estanho é resistente à corrosão, embora não se apresente muito duro. Por essa razão, a sua maior aplicação é na produção de ligas metálicas como o bronze (liga de estanho e cobre). O chumbo, de elevada durabilidade e maleabilidade, é usado em construção. Por outro lado, a sua elevada densidade e capacidade de absorção de radiação de alta energia justificam a sua larga aplicação em materiais de protecção contra raios X. No grupo 15, só o bismuto é um metal, enquanto que o arsénio e o antimónio são metalóides e o azoto e o fósforo são não metais. Apresentam uma configuração electrónica da camada de valência ns2np3, o que lhes possibilita ligarem-se entre si com ligações múltiplas e a outros elementos através de ligações simples ou múltiplas, conforme o caso. Por esta razão, as suas substâncias e os seus compostos apresentam comportamentos MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 55 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA diversificados desde o inerte, como no caso do azoto molecular (N2) (quase tão inerte como os gases nobres), até ao altamente reactivo, como no caso do fósforo (P4), que se inflama ao ar. O azoto não é muito abundante na crusta terrestre, mas constitui 76% em massa da atmosfera, o que é pouco comum no nosso sistema solar. Desta forma, pode ser obtido por destilação fraccionada do ar. No entanto, as fontes mais importantes de azoto são o “salitre” (KNO3) e o “nitrato de Chile” (NaNO3). Graças à sua elevada afinidade electrónica, é o único elemento deste grupo que forma facilmente ligações com o hidrogénio, formando compostos importantes como o amoníaco, o ácido nítrico e a hidrazina (N2H4), utilizada na indústria de polímeros e na produção de pesticidas (ATKINS 2001). Trata-se de um elemento essencial à Vida, pois entra na composição das proteínas e dos ácidos nucleicos. O átomo de fósforo tem um tamanho cerca de 50% superior ao do átomo de azoto, e apresenta baixa afinidade electrónica. Existem diversas formas alotrópicas do fósforo, mas apenas duas são importantes: fósforo branco e fósforo vermelho. Os óxidos de fósforo apresentam estruturas tetraédricas (PO4), sendo os polifosfatos estruturas importantes no abastecimento e transferência de energia a nível celular (ATP). Os elementos da família do oxigénio (grupo 16) são não metais, com excepção do polónio e do telúrio, que são metalóides. A sua configuração electrónica da última camada é ns2np4, pelo que podem adquirir a configuração dos gases nobres por captação de dois electrões. O oxigénio é o elemento mais abundante na crusta terrestre e compõe 23% em massa da nossa atmosfera. É muito reactivo, formando óxidos muito facilmente e tendo propriedades de comburente. O maior consumo de oxigénio verifica-se na indústria do aço, na qual se gasta cerca de uma tonelada deste gás por cada tonelada de aço produzido. Os átomos de enxofre são cerca de 58% maiores que os do oxigénio e têm menor energia de ionização. O enxofre tem menor tendência que o oxigénio para formar ligações múltiplas, podendo formar ligações simples com outros 6 átomos, através das suas orbitais d. Forma facilmente cadeias de polissulfuretos, o que não se verifica com o oxigénio. Os diferentes comportamentos do oxigénio e do enxofre devem-se basicamente à existência das orbitais d no enxofre e à diferença entre os seus raios atómicos. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 56 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA Os elementos do grupo 17 são designados por halogéneos e caracterizam-se pelas suas elevadas afinidades electrónicas (ATKINS 2001). Uma vez que têm a configuração ns2np5, basta-lhes captar um electrão para completarem a última camada, adquirindo a configuração de gás nobre. Assim, todos os halogéneos existem na forma elementar como moléculas diatómicas e são considerados como elementos muito reactivos. A reatividade dos halogéneos vai diminuindo ao longo do grupo, observando-se idêntica tendência com a afinidade electrónica. A cor das substâncias correspondentes vai-se intensificando ao longo do grupo, sendo o flúor incolor, o cloro amarelado, o bromo acastanhado e o iodo violeta. Também se verifica uma variação regular das suas propriedades físicas ao longo do grupo, sendo o flúor e o cloro gases à temperatura ambiente, enquanto que o bromo é líquido e os dois últimos elementos, iodo e astato, são sólidos (ATKINS 2001). Todos os não metais formam ligações covalentes com os halogéneos dando origem a halogenetos covalentes, enquanto que os metais tendem a formar halogenetos iónicos. O cloro, o bromo e o iodo ocorrem como halogenetos na água do mar, e o flúor aparece nos minerais fluorite (CaF2) e crolite (Na3AlF6). Os halogéneos mais abundantes na Terra são o cloro e o flúor, sendo o astato, radioactivo, praticamente vestigial na crusta terrestre (DUTCH, 1999). As aplicações dos elementos deste grupo e dos seus compostos são bastante diversas. O flúor tanto é usado como agente preventivo da formação de cáries, como no fabrico de teflon, que é utilizado em materiais e isolamentos resistentes a altas temperaturas e a agentes químicos agressivos. O cloro é também encontrado em polímeros como o policloreto de vinilo (PVC). Na forma de cloreto, desempenha igualmente um papel biológico importante no corpo humano, pois constitui o anião mais abundante dos fluidos inter e intracelulares (CHANG, 1994). O cloro é amplamente usado como branqueador, a nível industrial e doméstico (algumas lixívias contêm hipoclorito de sódio). Por outro lado, o elevado poder oxidante do anião hipoclorito (ClO-) torna-o um bom desinfectante (usado, por exemplo, nas piscinas), por destruição de componentes vitais das bactérias. Os gases nobres, ou inertes, são a última família da Tabela Periódica (grupo 18). São todos gases incolores de baixa densidade, não formando compostos com outros elementos em condições normais. As suas energias de ionização são muito elevadas, diminuindo ao longo do grupo. Assim, o xénon tem energia de ionização suficientemente baixa para MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 57 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA perder electrões para os elementos de maior afinidade electrónica, formando compostos com estes. Não existem compostos com hélio, néon ou árgon, a não ser em condições muito especiais. O rádon pode reagir com os fluoretos, mas pouco se sabe sobre estes compostos, uma vez que a radioactividade do rádon torna perigosa a sua manipulação (ATKINS 2001). No total, cerca de 11% em massa da atmosfera é constituída por gases nobres, sendo o árgon o terceiro gás mais abundante, depois do azoto e do oxigénio. O hélio, apesar de ser o segundo elemento mais abundante do Universo, é um elemento raro na Terra. Este elemento é encontrado nos gases naturais que se formam por baixo das rochas, devido à formação de partículas α emitidas por elementos radioactivos. O hélio é o elemento de menor ponto de fusão que se conhece, pelo que não existe no estado sólido, excepto em condições de pressão excepcionalmente elevada. Por este facto, é amplamente utilizado como agente criogénico e como solvente de oxigénio hospitalar e de garrafas para mergulho. O néon emite brilho laranja avermelhado quando atravessado por corrente eléctrica, pelo que a sua utilização é mais frequente em anúncios luminosos. Por seu turno, o árgon é utilizado em lâmpadas incandescentes, pois afasta facilmente a energia térmica que se vai libertando do filamento, evitando que este se parta. Já o crípton produz uma intensa luz branca quando lhe é aplicada uma descarga eléctrica, pelo que se utiliza na iluminação das pistas dos aeroportos. Só é conhecido um composto estável com este elemento: KrF2. O xénon, por sua vez, é usado nas lâmpadas de halogéneo dos automóveis e nos flashes das máquinas fotográficas. Forma fluoretos (XeF2; XeF4) com elevado poder fluorante, e óxidos (XeO3) que são fortes agentes oxidantes. 3 .3 . CASO PARTICULAR DO CARBONO: O ELO ENTRE A QUÍMICA E A BIOLOGIA Durante a realização deste trabalho, surgiu a ideia de se criar páginas na Internet onde fossem explorados alguns elementos químicos, com a forte componente Ciência – Tecnologia – Sociedade – Ambiente prevista pelas novas reformas educativas. Esta MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 58 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA abordagem poderá ser ampliada a todos os elementos com número atómico menor que vinte, pois o público-alvo será constituído por alunos do Ensino Básico. Foi então, a título experimental, criada uma página sobre o carbono, disponível em http://nautilus.fis.uc.pt/cec/carbono (Figura 3.15). Figura 3.15 – Página da Internet desenvolvida sobre o carbono A escolha deste elemento em particular prendeu-se com o facto de o carbono ser encontrado em inúmeros compostos, nomeadamente em compostos orgânicos. Estes compostos são a base química da Vida e a sua relevância tanto ao nível das disciplinas da Ciências Físico-Químicas, quanto das Ciências Naturais, é indiscutível. A transversalidade entre estas duas disciplinas e no conhecimento dentro de cada uma delas, é uma forte orientação na nova reforma, que se quis enfatizar com a elaboração desta página. A sua organização é feita com base em sucessivos textos, com várias hiperligações. A abordagem é desenvolvida a partir de três temas fundamentais: MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 59 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA “Era uma vez... ...o átomo de carbono”, no qual é feita uma pequena retrospectiva desde a origem do Universo e dos elementos químicos até à formação do átomo de carbono. “A química do... ...carbono”, onde são apresentados os compostos orgânicos mais simples (hidrocarbonetos) e os seus grupos funcionais, como os álcoois, ácidos carboxílicos e aminas. A sua composição química é apresentada com auxílio de modelos atómicos, para melhor visualização. Neste caso são sempre colocadas em simultâneo a fórmula de estrutura dos compostos, de forma a que a composição química não passe despercebida. Em todos os casos são apresentados exemplos de compostos onde se encontram os respectivos componentes. “Eu e... ...carbono”, no qual se estabelece ligação entre a constituição das principais biomoléculas, que também são exploradas na disciplina de Ciências Naturais. Assim, começa-se abordar as proteínas, quer do ponto de vista químico, quer biológico. Realçam-se algumas das funções biológicas das proteínas, no nosso organismo, como a regulação e a função enzimática. Posteriormente, faz-se a ligação entre os hidratos de carbono e a nossa alimentação, recorrendo a situações concretas do quotidiano. No final, são expostos alguns aspectos relativos aos ácidos gordos, nomeadamente a sua formação e a sua importância na alimentação. Este tipo de abordagem permite uma transversalidade, quer a nível de conhecimentos interdisciplinares, quer a nível de conhecimentos da disciplina de Ciências FísicoQuímicas, do 3º Ciclo. Por outro lado, o recurso ao hipertexto, verificado nesta página da Web, possibilita uma melhor organização da informação e consequentemente uma maior facilidade de consulta (Figura 3.16). O utilizador pode facilmente localizar a informação desejada e esclarecer algumas dúvidas, sem ter de procurar num texto, que poderia ser extenso, o que acontece frequentemente com o recurso a livros. A facilidade de acesso a esta informação é muito mais rápida do que se fizer uma pesquisa, por exemplo na biblioteca da escola. Além disso, uma informação mais abrangente poderia ser um obstáculo para os mais novos. Assim, a informação disponível nesta página foi seleccionada de forma a ir de encontro às MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 60 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA necessidades de um aluno de 9ºAno. Como se encontra na Internet, torna-se disponível a um vasto número de alunos. Figura 3.16 – Hiperligações quer a nível de organização dos temas abordados, quer a nível de esclarecimentos de alguns termos no texto. Desta forma, foi necessário fazer uma recolha de aspectos importantes relativos ao carbono e Química Orgânica, os quais se apresentam na secção seguinte. 33..33..11.. A Assppeeccttooss ggeerraaiiss ddoo ccaarrbboonnoo O carbono é o primeiro elemento do grupo 14 na Tabela Periódica e é o único não metal da sua família. Graças à sua distribuição electrónica de valência, 2s22p2, pode estabelecer ligações covalentes simples, duplas ou triplas com outros átomos, mesmo de outros elementos. Existem na natureza três formas alotrópicas de carbono puro, com propriedades distintas: o diamante, a grafite e o carbono amorfo. As diferentes propriedades apresentadas pelas formas alotrópicas do carbono devem-se às suas características estruturais distintas. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 61 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA A grafite é formada por camadas planas de átomos de carbono, numa rede hexagonal. Cada átomo de carbono está ligado a outros três através de ligações simples, sobrando um electrão não compartilhado que se pode mover pelas referidas camadas (Figura 3.17). Figura 3.17 – Organização espacial dos átomos de carbono na grafite No diamante, cada átomo de carbono liga-se a quatro átomos vizinhos num arranjo tetraédrico (Figura 3.18). O diamante é a substância mais rígida conhecida, é transparente e bom condutor térmico (cerca de cinco vezes melhor que o cobre), sendo utilizado como abrasivo. O diamante natural é formado a altas pressões no interior das rochas. É possível produzir diamante sintético, submetendo a grafite a elevadas pressões e temperaturas (cerca de 80 kbar e 1500 ºC), no entanto, não se consegue atingir o grau de pureza observado no diamante natural. Figura 3.18 – Organização espacial dos átomos de carbono (tetraédica) no diamante Recentemente, foram descobertas moléculas com um elevado número de átomos carbono, designadas por fulerenos, como é o caso do futeboleno (C60) (Figura 3.19). Tratase de uma família de compostos onde uma vasta rede de átomos de carbono (C60) se agrupa MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 62 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA em forma de bola, daí que se tenha atribuído o nome de futeboleno à estrutura básica de C60 (Figura 3.19). Figura 3.19 – Futeboleno, C60 Estas estruturas são suficientemente grandes para poderem envolver outros átomos, formando variados compostos. Existe uma grande variedade deles, alguns dos quais estão a ser testados para tratamentos do cancro e da SIDA. O carbono pode, também, estabelecer ligações iónicas com metais, formando carbonetos como o carboneto de cálcio (Ca2C) ou o carboneto de berílio (Be2C). Em suma, o carbono forma mais de um milhão de compostos, desde os compostos orgânicos, extremamente importantes para a Vida, aos inorgânicos e organometálicos (SHIVER, 1994). Pela sua relevância a nível do 3º Ciclo do Ensino Básico e como base de construção da página da Web atrás referida, far-se-á de seguida uma breve apresentação geral dos compostos orgânicos e, em particular, de algumas famílias de biomoléculas. 33..33..22.. C Coom mppoossttooss O Orrggâânniiccooss A grande propensão dos átomos de carbono para se ligarem covalentemente entre si e a átomos de outros elementos, como o hidrogénio, o oxigénio e o azoto, está na base da capacidade deste elemento para formar variadíssimas estruturas moleculares. Assim, a diversidade de compostos orgânicos é enorme, tendo este inúmeras funções e propriedades. Os compostos de carbono estão na base estrutural dos mais variados materiais, desde os mais maleáveis, como a cartilagem, até aos mais rígidos, como os materiais usados em aeronáutica. Apesar da sua variedade, os compostos orgânicos podem ser agrupados num número restrito de classes, de acordo com o tipo de ligações e grupos funcionais que constituem as moléculas. Algumas dessas classes serão apresentadas de seguida. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 63 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA H Hiid drro oc ca arrb bo on ne etto oss Os hidrocarbonetos são compostos constituídos unicamente por átomos de carbono e de hidrogénio, sendo por isso a base de todos os compostos orgânicos. Existem duas classes principais, uma englobando compostos com cadeias lineares de átomos de carbono ligados entre si – hidrocarbonetos alifáticos – e outra que engloba os compostos que contêm anéis de benzeno, designados por compostos aromáticos (Figura 3.20). (1) Pentano (2) Etilbenzeno Figura 3.20 – Composto alifático (1) e composto aromático (2) Os hidrocarbonetos alifáticos podem ser classificados quantos ao tipo de ligações entre átomos de carbono (C-C). Assim, os compostos que apresentam unicamente ligações covalentes simples são designados por alcanos e classificam-se como compostos saturados, pois não permitem a adição de átomos de hidrogénio às suas moléculas. Os compostos que apresentam uma ou mais ligações covalentes duplas (C=C) são designados por alcenos e os que apresentam uma ou mais ligações covalentes triplas (C≡C) são denominados de alcinos. Tanto os alcenos, como os alcinos, podem sofrer adição de átomos de hidrogénio às ligações múltiplas, pelo que são classificados como insaturados. Os compostos orgânicos aromáticos têm como base a molécula de benzeno (Figura 3.21), um anel hexagonal caracterizado pela sua deslocalização electrónica (um conceito que não será abordado aqui, por não se enquadrar no âmbito do presente trabalho). H H H H H H Figura 3.21 – Fórmula de estrutura da molécula de benzeno MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 64 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA A Allg gu un nss c co om mp po osstto oss c co om m g grru up po oss c ca arra ac ctte errííssttiic co oss:: á állc na ass,, á co oo oiiss,, a ác ciid do alld oss c de eííd ca arrb do oss,, c bo ox xíílliic ce etto co on oss e ea am miin na ass A maior parte dos compostos orgânicos apresenta grupos funcionais que são responsáveis pelas propriedades químicas e alguns comportamentos característicos desses compostos. Desta forma, podem ser agrupados em classes funcionais, não só para simplificar a sua identificação e caracterização, como também porque cada classe compreende compostos que partilham muitas propriedades semelhantes. Os grupos funcionais encontram-se ligados à cadeia principal, que se estabelece segundo determinadas regras (cuja exploração sai fora do âmbito deste trabalho). Nesta abordagem, serão apresentadas algumas das propriedades químicas e estruturais de algumas classes funcionais mais comuns. Na tabela seguinte estão representados alguns dos grupos funcionais mais comuns, que serão abordados nesta secção: Grupos Funcionais Classe do composto - OH Álcool Grupos Funcionais Classe do composto C Ácido carboxílico OH O H Aldeído C - NH2 Amina O O -C=O Cetona Éster C O Tabela 3.1 – Alguns grupos funcionais mais comuns dos compostos orgânicos e sua designação Álcoois Estes compostos caracterizam-se pela presença de um ou mais grupos hidroxilo (-OH) ligados covalentemente à cadeia hidrocarbonada. Os álcoois estão divididos em três categorias, de acordo com o número de átomos de carbono ligados ao carbono que se liga directamente ao o grupo hidroxilo. Assim, temos os álcoois primários, de fórmula RCH2–OH, os álcoois secundários, de fórmula R2CH–OH, e MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 65 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA álcoois terciários, de fórmula R3C–OH. Na Figura 3.22 estão representados alguns exemplos (ATKINS 2001): Figura 3.22 H H OH C C H H H H H OH H H C C C C H H H H Etanol (vulgar “álcool de farmácia”) Álcool primário H H H OH H H C C C C H CH3 H H H 2 – butanol 2 – metil – 2 – propanol Álcool secundário Álcool terciário Figura 3.22 – Exemplos de álcoois primários, secundários e terciários O metanol é o álcool mais simples, sendo no entanto altamente tóxico e podendo originar náuseas e cegueira. O segundo álcool mais simples, o etanol, é o álcool mais conhecido e normalmente designado por álcool etílico. Trata-se do álcool menos tóxico entre os álcoois de cadeia linear, e é produzido em larga escala por fermentação de hidratos de carbono ou por hidratação do eteno numa reacção de adição. catálise , 300 º C CH2 = CH2 (g) + H2O (g) ⎯⎯ ⎯ ⎯⎯→ CH3CH2OH (g) O grupo hidroxilo pode estar ligado directamente a um anel aromático, estando-se neste caso na presença de um tipo particular de álcoois, designados por fenóis. O mais simples é o fenol (Figura 3.23), um sólido branco à temperatura ambiente. Este composto é obtido por destilação do carvão, embora actualmente se utilize o benzeno para obter grande parte do fenol produzido. Muitos dos fenóis substituídos ocorrem na natureza como aromas de plantas ou em óleos essenciais. Os polifenóis presentes em muitos alimentos (vinho tinto, azeite) estão associados a efeitos anti-oxidantes, benéficos para a saúde. OH H H H H H Figura 3.23 – Fórmula de estrutura do fenol MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 66 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA Aldeídos e cetonas Quer os aldeídos quer as cetonas apresentam um grupo funcional que os caracteriza que é designado por grupo carbonilo: R2C=O, no caso das cetonas, e RHC=O, no caso dos aldeídos, onde R pode ser um grupo alifático ou aromático. Nos aldeídos, o grupo carbonilo encontra-se no final da cadeia carbonada, enquanto que nas cetonas podemos encontrá-lo num carbono intermédio. A cetona mais simples é a propanona (CH3COCH3), muito utilizada como solvente orgânico. No caso dos aldeídos, a molécula mais simples é o formaldeído (CH2O), um conservante muito utilizado na preservação de tecidos animais e vegetais, sendo também relevante nos fumeiros de carne, já que se liberta no processo de combustão da lenha. Os aldeídos também são comuns nos aromas de alguns frutos, como por exemplo nas cerejas e nas amêndoas, onde está presente o benzaldeído (ATKINS 2001). Quer os aldeídos, quer as cetonas, podem ser obtidos por oxidação de álcoois, na presença de catalisadores, como se exemplifica na equação de formação do formaldeído a partir do metanol: 600 º C , Ag 2 CH3OH (g) + O2 (g) ⎯⎯ ⎯⎯→ 2 CH2O (g) + 2 H2O (g) Ácidos carboxílicos Os ácidos carboxílicos são ácidos orgânicos caracterizados pela presença do grupo carboxílico (-COOH). O ácido carboxílico mais simples é o ácido metanóico ou fórmico (HCOOH), que é extremamente venenoso. Quer aldeídos, quer álcoois primários, podem ser oxidados em condições adequadas para dar origem a ácidos carboxílicos. Por exemplo, o vinagre (ácido acético ou etanóico) forma-se por oxidação do etanol ao ar (ATKINS 2001): H H3C C O OH + O2 H3C + C H2O OH H É esta a reacção responsável pela degradação de um vinho a vinagre. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 67 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA Aminas As aminas são bases orgânicas com fórmula geral RNH2, R2NH ou R3N, onde R representa um grupo alquilo ou um grupo arilo. Tal como os álcoois, as aminas podem ser classificadas consoante o número de grupos R que estão ligados ao átomo de azoto, definindo-se aminas primárias (RNH2), aminas secundárias (R2NH) e aminas terciárias (R3NH) (CAREY, 1992). Para designar as aminas alifáticas, faz-se preceder a palavra amina ou o prefixo “amino” (para aminas mais complexas) do nome dos grupos alquilo ligados ao azoto, como por exemplo: CH3 H CH3CH2 N H3 C CH3 Etilmetilamina N CH (CH2)4CH3 H 2-(N-Metilamino)-heptano As aminas aromáticas são usadas principalmente no fabrico de corantes. Normalmente são tóxicas, como é o caso da anilina, e outras são mesmo carcinogénicas, como nos casos da benzina ou da 2-naftalilamina. As aminas, tais como os álcoois e os ácidos carboxílicos de baixa massa molecular, podem formar pontes de hidrogénio com as moléculas da água, razão pela qual as aminas mais simples são hidrossolúveis (MORRISON, 1996). A Ass b biio om mo ollé éc cu ulla ass As biomoléculas são moléculas orgânicas, geralmente de grande tamanho, que têm diversas funções biológicas. Podem, possuir vários grupos funcionais distintos e têm unidades estruturais que se podem repetir centenas de vezes. Sendo a Química Bioorgânica um vastíssimo campo, serão apenas referidas, de uma forma genérica, as biomoléculas que serviram de base para a elaboração da página sobre o carbono, atrás mencionada. Lípidos Os lípidos englobam compostos muito variados que se encontram nos seres vivos, e são caracterizados pela sua insolubilidade em água e boa solubilidade em solventes pouco MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 68 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA polares ou apolares, como o éter, o clorofórmio e outros. Os lípidos incluem várias classes de compostos como as gorduras, ceras, terpenos, hormonas sexuais, prostaglandinas, entre muitos outros (GIL, 1996). As gorduras são, entre os lípidos, os compostos mais conhecidos e de elevada importância, não só biológica, no caso dos fosfolípidos existentes nas membranas celulares, mas também industrial, como no caso do fabrico de sabões e detergentes. Estes compostos podem ser facilmente extraídos de produtos animais e vegetais, como por exemplo do azeite, óleo de milho, sebo, banha de porco, manteiga, entre muitos outros. As gorduras mais comuns, os triglicéridos ou triacilgliceróis, formam-se a partir de uma molécula de glicerol e de três moléculas de ácidos gordos (um caso particular de ácidos carboxílicos), que podem ser diferentes ou iguais entre si (GIL, 1996): O R O C R´ R´´ OH HO O CH2 R C O O CH2 OH HO O CH R´ C O O CH + 3 OH HO CH2 R´´ C C H2O C Ácidos gordos Glicerol O CH2 Triglicérido Estas gorduras podem ser classificadas em saturadas ou insaturadas, consoante o tipo de ácidos carboxílicos que lhes dão origem. Assim, os ácidos gordos saturados dão origem a triglicéridos saturados, da mesma forma que os ácidos gordos insaturados dão origem a triglicéridos insaturados. Apesar de o organismo humano ser capaz de sintetizar algumas gorduras, há necessidade de se ingerir outras gorduras biossintetizadas pelas plantas ou outros animais. As gorduras são também utilizadas como matéria-prima na indústria dos sabões. O sabão que se utiliza é simplesmente uma mistura de sais alcalinos de ácidos gordos, resultantes da hidrólise alcalina das gorduras (MORRIDON, 1996): MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 69 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA O R C O O CH2 R´ C O O CH R´´ C NaOH HO CH2 HO CH R-COO- Na+ + R´-COO- Na+ R´´-COO- Na+ O CH2 Gordura HO CH2 Glicerol Mistura de sais sódicos de ácidos gordos (sabão) Uma molécula de sabão tem uma extremidade polar hidrófila (-COO- Na+) e outra apolar hidrófoba (R), esta constituída por uma longa cadeia (de 12 a 18 átomos de carbono). Quando estas moléculas se dispersam na água, formam agregados esféricos ou circulares em volta das gotículas de gordura (sujidade). Estes aglomerados, as micelas, contêm por vezes centenas de moléculas de sabão, cujas caudas apolares se encontram viradas para o centro, interaccionando com a gordura, enquanto as partes polares se encontram viradas a água, como é mostrado na Figura 3.24 (MORRISON, 1996). Figura 3.24 – Micelas Hidratos de carbono Os hidratos de carbono, assim designados por apresentarem a fórmula empírica CH2O, incluem o amido, a celulose e os açúcares como a glicose, que é produzida nas plantas através do processo de fotossíntese. Ainda nas plantas, as moléculas de glicose combinamse para formar outros hidratos de carbono, como a celulose (com função estrutural) e o amido (como reserva energética nas sementes). Depois de ingeridos pelos animais, a celulose e o amido são hidrolisados em moléculas de glicose que se irão biotransformar principalmente em glicogénio (reserva energética). MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 70 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA Os hidratos de carbono são compostos por um grupo carbonilo e vários grupos hidroxilo. É por esta razão que muitas vezes são também classificados como cetonas ou aldeídos poli-hidroxilados: O H CH2OH C H C OH HO C H H C OH H C OH C O HO C H H C OH H C OH CH2OH CH2OH Glicose Frutose (aldeído poli-hidroxilado) (cetona poli-hidroxilada) Figura 3.25 – Fórmula de estrutura de dois hidratos de carbono mais simples Os hidratos de carbono mais simples são designados por monossacáridos. Quando dois monossacáridos se combinam formam um dissacárido que, por hidrólise, dará os monossacáridos que lhe deram origem. Os hidratos de carbono que, por hidrólise, dão origem a mais de dois monossacáridos, são designados por polissacáridos. Os monossacáridos (ou oses) mais comuns são os que apresentam uma cadeia de 5 ou 6 átomos de carbono, como a ribose e a glicose, respectivamente. Estes compostos apresentam-se predominantemente sob a forma cíclica (Figura 3.26), podendo no entanto aparecer na forma aberta (Figura 3.25). CH2OH HOH2C O OH OH O HO OH OH OH HO OH Figura 3.26 – Fórmula de estrutura cíclica da glicose No caso dos dissacáridos, os mais comuns são a sacarose (açúcar de cana ou de beterraba), a celobiose, a lactose e a maltose, apresentando esta última a seguinte forma de estrutura: MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 71 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA HOH2C HO O HOH2C HO OH O O HO OH OH Figura 3.27 – Fórmula de estrutura de um dissacárido: maltose Uma vez que a sacarose apresenta pouco valor nutritivo e o seu consumo em excesso pode provocar problemas cardiovasculares, cáries e obesidade, tem-se tentado substitui-la pela sacarina ou pelo aspartame, adoçantes não pertencentes à categoria dos hidratos de carbono (GIL, 1996): O O C NH S O NH C COOCH3 COOH NH2 O Sacarina (sulfonamida) Aspartame (dipéptido) Figura 3.28 – Fórmula de estrutura dos substituintes da glicose em alguns alimentos. Os polissacáridos são polímeros lineares ou ramificados de monossacáridos, sendo os polissacáridos mais comuns o amido, o glicogénio e a celulose. As reacções químicas mais frequentes deste tipo de compostos são a fermentação e a combustão. A combustão (por exemplo, a conversão do açúcar em caramelo) ocorre com a libertação de energia e formação de água e dióxido de carbono. A fermentação ocorre na presença de uma levedura, havendo produção de dióxido de carbono e álcool, tal como acontece na produção de bebidas alcoólicas: ⎯⎯ ⎯→ 2 CO2 + 2 CH3CH2OH C6H12O6 ⎯Levedura Esta reacção é a principal responsável pela conversão do açúcar em mosto no álcool do vinho. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 72 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA Proteínas As proteínas desempenham papéis cruciais nos processos biológicos, pois apresentam funções tão importantes como as de catálise enzimática, transporte e armazenamento de substâncias, imunidade, transmissão de impulsos nervosos, crescimento, entre outras (STRYER, 1996) A estrutura das proteínas baseia-se em unidades de α-aminoácidos, que apresentam um grupo carboxílico e um grupo amino, já anteriormente mencionados: NH2 CH COOH R α-aminoácido Existem vinte aminoácidos naturais principais, que diferem na cadeia R que se encontra ligada ao carbono α, como por exemplo: CH2 (H3C)2HC CH(NH2)COOH CH(NH2)COOH fenilalanina valina O nosso organismo consegue produzir onze destes aminoácidos, e os restantes nove têm de ser ingeridos. Os aminoácidos que o nosso organismo não consegue sintetizar, como a valina, leucina, entre outros, são designados por aminoácidos essenciais. Quando dois ou mais aminoácidos se ligam, estabelecendo uma ligação amida (ou peptídica) entre o grupo carboxílico de um aminoácido e o grupo amino do outro, forma-se um péptido: Ligação peptídica (amida) O COOH + H2C COOH H2N CH NH2 CH3 Glicina (Gly) Alanina (Ala) H2C C H2N CH3 HN CH + H2O COOH Dipéptido: Gly-Ala Conforme o número de aminoácidos ligados sequencialmente através de ligações peptídicas, definem-se dipéptidos, tripéptidos, a assim sucessivamente, existindo polipéptidos de variadíssimos tamanhos. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 73 3 – CONTEXTUALIZAÇÃO CIENTIFICO-PEDAGÓGICA DA TABELA PERIÓDICA Uma proteína não é mais de que um polipéptido de enorme tamanho, contendo uma ou mais cadeias peptídicas, cada uma das quais podendo conter várias centenas de resíduos (cada um dos aminoácidos ligados num péptido). De acordo com o tipo de arranjo espacial das cadeias de aminoácidos, as proteínas apresentam estrutura primária (sequência de aminoácidos), secundária (arranjo espacial de dada zona da cadeia), terciária (arranjo global do conjunto de todas as estruturas secundárias da cadeia) e quaternária (arranjo espacial, quando há mais do que uma cadeia polipeptídica) (LEHNINGER, 1995). MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 74 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA NO 9ºANO APOIADA POR RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO 4. UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA NO 9ºANO, APOIADA COM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO. 4 .1 . DESCRIÇÃO DA FERRAMENTA DIGITAL DE SUPORTE A Tabela Periódica online utilizada para este trabalho nasceu com o projecto Soft Ciências. Actualmente, encontra-se inserida no portal “Mocho”, como se referiu na secção 2.2.1. O acesso à Tabela pode ser efectuado pelo referido portal ou através da página http://nautilus.fis.uc.pt/st2.5. Ao aceder a esta página, o utilizador encontrará inicialmente a apresentação do instrumento de trabalho que lhe permite a consulta em versão portuguesa ou em versão inglesa, como se poderá constatar pela Figura 4.1. Figura 4.1 – Página de apresentação da Tabela Periódica Na página que se segue (Figura 4.2), o utilizador pode consultar a biografia de alguns cientistas importantes, a história da organização dos elementos químicos de acordo com as sucessivas descobertas dos mesmos, entre outras opções assinaladas a azul. Nesta página, MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 76 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO está ainda disponível informação sobre elementos químicos e sobre alguns cientistas, que poderá ser facilmente consultada nos campos “seleccione o elemento” e “seleccione o cientista”, respectivamente. Existem ainda hiperligações sinalizadas por ícones (assinalados na Figura 4.2) na parte superior de cada página, possibilitando o acesso directo a outras informações. Um dos ícones, possivelmente o mais utilizado, permite a visualização de todos os elementos da Tabela Periódica, diferenciados com cores e organizados por períodos, grupos, estados físicos, classes de substâncias, famílias e origem. Esta Tabela pode ser facilmente impressa, copiada, ou enviada através de ícones de comando que aparecem quando o cursor está sobre ela. Figura 4.2 – Página da Tabela Periódica com as diversas opções de pesquisa O ícone com a máquina fotográfica dá acesso a uma galeria de imagens que contém uma vasta gama de fotografias de substâncias elementares e compostos, minerais da Colecção do Museu de Mineralogia de Coimbra, cientistas, e aplicações dos elementos químicos (copyright da Association of the Dutch Chemical Industry - Holanda). O ícone MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 77 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO com uma lista permite ao utilizador obter uma listagem dos elementos com quatro propriedades atómicas à escolha. Esta listagem aparece sob a forma de tabela, o que facilita a sua rápida consulta. O ícone seguinte, que apresenta um gráfico, permite a obtenção de gráficos com variáveis escolhidas também pelo utilizador. O ícone que apresenta uma lupa encaminha o utilizador para um pequeno motor de busca por palavra. A qualquer momento, pode-se escolher a versão inglesa. Para isso basta “clicar” sobre o ícone com a respectiva bandeira, que também se encontra no topo da página (Figura 4.2). A pesquisa de informação pode ser igualmente consultada por elemento químico. Ao escolher um determinado elemento químico, o utilizador terá acesso a uma vasta e variada informação sobre esse elemento. Poderá saber-se um pouco sobre a sua descoberta, aplicações, acção biológica, propriedades químicas e físicas (Figura 4.3). A “navegação” é muito fácil, pois existem sempre setas que possibilitam o avanço ou recuo das páginas e os ícones de acesso directo à Tabela Periódica estão sempre presentes, para facilitar a escolha de um novo elemento. A utilização de imagens das substâncias elementares é comum na página de cada elemento químico, a qual inclui um quadrado de consulta rápida da informação mais procurada pelos estudantes (o número atómico, distribuição electrónica, pontos de fusão e ebulição, etc.) (Figura 4.3). MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 78 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO Figura 4.3 – Página inicial da pesquisa sobre o carbono, com as diversas opções de consulta Em cada uma das páginas consultadas, existem ligações a imagens e pequenos esclarecimentos ao longo do texto, através de hipertexto, assinalados a cores diferentes. Esta organização permite uma leitura mais rápida e proporciona o esclarecimento de pequenas dúvidas que possam surgir ao longo da pesquisa. Na página referente às propriedades dos elementos, aparecem por vezes animações relacionadas com estruturas cristalinas, cujo modelo é apresentado a três dimensões e roda em várias direcções. Esta animação possibilita ao utilizador uma visão mais concreta da organização espacial de átomos na rede cristalina. Existe informação dirigida a um público com conhecimentos mais avançados em Química, nomeadamente alunos a partir do 11º ano. Esta informação inclui, entre outras, propriedades atómicas, espectros de emissão e absorção, etc. Este site é, portanto, um recurso digital que abrange uma comunidade científica diversificada, desde o jovem aluno que inicia a sua primeira abordagem dos elementos químicos, até ao estudante universitário. Por isso mesmo tem cerca de mil acessos/mês, principalmente de Portugal e do Brasil. Por ser tão abrangente, a criação e utilização do roteiro, que se apresenta de seguida, foi fundamental para o uso, no presente estudo, deste recurso digital. 4 .2 . APRESENTAÇÃO DO ROTEIRO DE EXPLORAÇÃO O “Roteiro para a Tabela Periódica na Internet”4 foi elaborado com o objectivo principal de potenciar a eficácia pedagógica deste recurso digital e de permitir ao aluno ser o próprio descobridor e construtor do seu saber. Para tal, começa-se por dar indicações dos passos que devem ser efectuados para que o aluno possa aceder à página da Tabela Periódica na Internet (http://nautulus.fis.uc.pt/st2.5). Uma vez que nem todos os alunos sabem manusear o computador com facilidade, foi necessário que as primeiras indicações fossem simples e pormenorizadas. A apresentação 4 O roteiro de exploração encontra-se no anexo I MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 79 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO de imagens do ecrã foi de grande utilidade para os alunos, pois ajudou-os a situarem-se e a perceberem melhor a mensagem. Desta forma, logo na primeira aula, alguns alunos mostraram compreender as indicações iniciais. Nas aulas que se seguiram, já não foi necessário voltar a ler essas indicações. Bastava que os alunos olhassem para as imagens para conseguirem aceder facilmente à página pretendida. Mesmo os alunos que não estavam familiarizados, conseguiram aceder à Tabela Periódica online com relativa facilidade. O passo seguinte consistiu em colocar questões e elaborar pistas para que os alunos acedessem à informação necessária que os conduzia às respostas. Para que se conseguisse ir de encontro à resposta pretendida, foram dadas indicações de como se poderia obter a informação relevante: 11º. Podemos agora conhecer alguns pormenores sobre a organização da actual Tabela Periódica: Quantos grupos e períodos existem na Tabela Periódica? Na Tabela Periódica onde podemos encontrar os metais? E os não-metais? Identifica os elementos químicos que são líquidos e os que são gasosos. Quais são os elementos químicos que são obtidos sinteticamente? Para encontrares respostas para estas questões podes começar por pesquisar da seguinte forma: No início da página onde estás existe o seguinte: “Clica” na seta para baixo que está ao lado da palavra “All” (todos). Aparecerão algumas opções: Todos Período Grupo Estados físicos (sólidos, líquidos, gasosos e sintetizados) Classe de substâncias (metais, não metais e semi-metais) Família Origem (naturais ou sintetizados) Nota 4: A cor azul significa que é essa opção que está escolhida. Para escolheres uma das opções, basta “clicar” uma vez sobre a opção pretendida. De seguida, “clica” sobre o quadrado com o desenho da Tabela Periódica e aparecerá a Tabela Periódica faseada consoante a tua escolha anterior. Ex: por classe de substâncias: MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 80 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO Não metais Metais Semi-metais Nem toda a informação que aparece nas sucessivas páginas é necessária. Assim, numa fase inicial, os alunos tiveram algumas dificuldades em seleccionar o que lhes interessava. Este exercício é bastante importante por várias razões. Nesta faixa etária existe uma grande dificuldade em distinguir o que é importante do que é acessório. É necessário que os alunos tenham a noção que na Internet existe muita informação da qual eles não necessitam. Este tipo de metodologia leva-os a pensar e a estabelecer raciocínios lógicos e críticos sobre o que é pretendido, de forma a obterem uma resposta coerente, pois verifica-se que algumas vezes estes alunos não respondem ao que lhes é questionado. Ao estabelecerem raciocínios lógicos, terão de perceber a mensagem que lhes é transmitida, construindo assim o seu raciocínio e pensamento crítico. Criam também alguma autonomia e autoconfiança, fundamental para a sua aprendizagem e para os incentivar na busca pelo saber. As questões formuladas têm em conta e abordam os principais conteúdos e objectivos propostos pela Ministério da Educação. Existem algumas questões que permitem a transversalidade de conhecimentos, nomeadamente quando se pede para preverem o tipo de iões que os elementos de uma dada família tendem a formar, ou porque razão os elementos da família dos gases nobres apresentam grande estabilidade. Também houve a preocupação de seguir uma perspectiva Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente neste roteiro, quando se questiona, por exemplo, sobre a utilização de alguns elementos na indústria, na saúde e na sociedade em geral (capítulo 3). O facto de, na Tabela Periódica online, existirem as fotografias das substâncias elementares permite aos alunos associarem mais facilmente a substância elementar ao seu estado físico e também a algumas substâncias que já conhecem, como, por exemplo, a grafite. Para que os alunos não adquiram a ideia errada de que os elementos são as MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 81 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO substâncias que conhecem, foram colocadas algumas questões sobre substâncias compostas, como o cloreto de sódio, em que se pede que descubram algumas características de um dos elementos, o sódio. Além disso, houve o cuidado de os alertar no sentido de os questionar se o que estava na fotografia era o elemento ou a substância elementar. Os estudos mais pormenorizados de algumas características atómicas são referentes aos elementos com número atómico inferior a vinte. Tal está de acordo com o previsto pela nova revisão curricular para o 3º Ciclo do Ensino Básico, já referida na secção 3.1.1. À medida que se avança no roteiro, as indicações para a descoberta das respostas vão diminuindo, uma vez que alguns passos se vão repetindo e não há necessidade de os voltar a mencionar. No final do roteiro aparece uma tabela de síntese para que os alunos, mais uma vez, ponham à prova os conhecimentos recentemente adquiridos. Sugerem-se também outros sites da Internet que os alunos podem consultar para consolidação ou complementação de informação. Um dos endereços que aí aparece é o da página dos jogos, http://nautilus.fis.uc.pt/cec/jogostp, onde podem encontrar jogos didácticos sobre a Tabela Periódica, desenvolvidos no âmbito do presente trabalho e apresentados de seguida. 4 .3 . JOGOS ASSOCIADOS À TABELA PERIÓDICA, NA INTERNET Os jogos5 que se apresentam de seguida, foram concebidos pela autora deste trabalho com a ajuda do seu orientador Doutor João Paiva. Tiveram como base alguns jogos já conhecidos e foram elaborados com os objectivos de fomentar a compreensão, aplicação, memorização e consolidação dos conhecimentos adquiridos. Como estes jogos se destinam a alunos do 9ºano de escolaridade, as actividades envolvidas só se referem aos vinte primeiros elementos da Tabela Periódica. Assim que se entra na página dos “Jogos tp”, aparece uma breve síntese dos jogos disponíveis (Figura 4.4): 5 Todos estes jogos, além de estarem disponíveis online, encontram-se também offline, no CD-ROM anexo à tese MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 82 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO Figura 4.4 – Apresentação da página dos jogos, na Internet No jogo das “adivinhas”, aparece inicialmente uma página com indicações sobre as regras e funcionamento do jogo (Figura 4.5). Neste jogo, os alunos tentam adivinhar, com base nos textos que lhes são fornecidos, de que elemento se trata6. Quando descobrirem de que elemento se trata, basta “clicar” sobre a imagem da substância elementar correspondente. Caso esteja correcto, a pontuação aumenta. Caso a resposta esteja errada, ocorre uma penalização de vinte segundos no tempo contabilizado (Figura 4.6). O jogo termina quando o utilizador conseguir adivinhar todos os elementos. Quanto mais rápida a resposta, maior é a pontuação alcançada. 6 Todas as adivinhas e respectivas soluções encontram-se no anexo II. Estas adivinhas foram apresentadas no “XVIII Encontro Nacional de Química”, promovido pela Sociedade Portuguesa de Química e decorrido em Aveiro em Março de 2002, no qual se apresentou um poster do trabalho, até à data desenvolvido. Foram também premiadas com o 4ºprémio, no concurso “Tabela Periódica. Um elemento em cada casa e uma casa em cada elemento” promovido pelo ISEP, Instituto Politécnico do Porto e Centro de Química da Universidade do Porto. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 83 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO Figura 4.5 – Apresentação do início do jogo das adivinhas Figura 4.6 – Jogo das adivinhas No “Jogo dos Elementos I e II”, os alunos terão de adivinhar qual o elemento que o computador “pensou”, escolhendo questões relativas a características de alguns elementos7, às quais o computador vai respondendo sim (Y) ou não (N). A resposta será alcançada por exclusão de partes, uma vez que nem todos os elementos apresentam as mesmas características. À semelhança do jogo anterior, é apresentada inicialmente uma 7 A correspondência questões/respostas que serviram de base para este jogo encontram-se no anexo II. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 84 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO página com o regulamento do jogo (Figura 4.7). Quando se “clica” sobre o “continuar” aparece a página do jogo (Figura 4.8). Também neste jogo há penalização de tempo para quem escolha o elemento errado, e que irá diminuir a pontuação alcançada. Figura 4.7 – Página inicial do jogo dos elementos I Figura 4.8 – Jogo dos Elementos O jogo das “Borboletas Químicas” consiste em tentar “apanhar” as borboletas correctas, “clicando” sobre elas. Inicialmente, efectua-se uma questão sobre quais os MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 85 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO elementos que têm uma determinada característica8, como famílias, classe, entre outras, tal como se exemplifica na Figura 4.9. Figura 4.9 – Página inicial do jogo das borboletas De seguida os alunos terão de “apanhar” as borboletas correctas que se movimentam constantemente, tal como é mostrado na Figura 4.10. Quando se “clica” sobre uma das borboletas correctas, esta desaparece, aparecendo momentaneamente no seu lugar a palavra “OK”. Caso a borboleta escolhida não seja correcta, aparece a palavra “ERROR” momentaneamente. As borboletas vão desaparecendo do ecrã à medida que são escolhidas, de forma a facilitar a progressão do jogo. Quando são “apanhadas” todas as borboletas referentes à resposta da questão, o utilizador passa de imediato para outra pergunta, e assim sucessivamente, até não haver mais questões. Figura 4.10 – Jogo das Borboletas 8 Todas as questões e respostas que estiveram na origem a este jogo encontram-se no anexo II. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 86 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO Neste jogo estimula-se a agilidade de raciocínio, associada a uma certa prática de velocidade de manipulação do rato. O “Jogo da Descoberta dos Pares” ajuda os alunos a associarem mais facilmente os elementos químicos às suas substâncias elementares. O início do jogo começa com a explicação das regras, tal como se pode ver na Figura 4.11. Figura 4.11 – Início do jogo da descoberta dos pares Depois, ao se “clicar” sobre um dos quadrados aparecerá uma imagem de uma substância e o nome do elemento químico correspondente. Basta memorizar onde está cada um dos elementos e “clicar” sobre outro igual (Figura 4.12). Quando se “clicar” duas vezes consecutivas sobre quadrados do mesmo elemento, estes desaparecem do painel. Ganha quem conseguir eliminar mais rapidamente todos os pares. Figura 4.12 – Página do jogo da descoberta de pares MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 87 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO Este jogo é um bom exercício de memorização visual e de desenvolvimento de destreza no manuseamento com o rato. Houve o cuidado de se apresentarem fotografias (retiradas da Tabela online utilizada neste estudo) das substâncias elementares, juntamente com os símbolos químicos dos elementos correspondentes, de forma a desenvolver nos alunos a associação rápida entre eles e a associação do símbolo químico à substância elementar. 4 .4 . METODOLOGIA DE ESTUDO Este estudo decorreu no final do terceiro período do ano lectivo 2001/2002, na Escola EB 2,3 de Paredes, Concelho de Paredes. Antes de iniciar as aulas com a aplicação do “Roteiro para a Tabela Periódica”, contactou-se a colega de disciplina para que o trabalho pudesse ser realizado com as suas turmas. Foi também necessário informar o Conselho Executivo da Escola sobre os objectivos deste trabalho de investigação. Em ambos os acasos, foi total a disponibilidade manifestada, para ajudar no que fosse necessário. Começou-se, então, pela análise detalhada dos programas para o 9ºAno e das novas orientações curriculares relativas à revisão do Ensino Básico, fornecidas pelo Ministério da Educação. Desta forma, foi possível verificar quais as competências essenciais, os temas organizadores e a avaliação para o 3º ciclo do Ensino Básico. Por comparação das orientações anteriores com as propostas para 2002/2003, foi possível criar material adequado às duas orientações. Este procedimento prende-se com a preocupação de manter a metodologia utilizada neste estudo actual e aplicável nos novos tempos que se aproximam. De seguida, procedeu-se à exploração da Tabela Periódica online, já apresentada na secção 4.1, para descobrir as suas potencialidades e estudar a melhor forma de a utilizar. O conhecimento da organização da Tabela Periódica online possibilitou que a elaboração do roteiro obedecesse a uma sequência lógica, de acordo com as orientações previstas para a abordagem deste tema. Fez-se uma compilação de toda a informação que existia na página da Tabela Periódica online, referente aos elementos com número atómico inferior a vinte, inclusive. Alguma da MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 88 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO informação disponível no site não era adequada para o 9ºAno, pelo que se procurou dirigir e focalizar adequadamente indicações do roteiro. As questões efectuadas ao longo do roteiro foram elaboradas de forma a enfatizar toda a informação importante para a faixa etária em estudo, desde textos e imagens a tabelas, que se poderiam pesquisar nessa página da Internet. Antes de se proceder à elaboração de todo o material didáctico para o presente estudo, foi necessário fazer a pesquisa sobre os conceitos científicos já anteriormente apresentados no capítulo 3. Posteriormente, passou-se à elaboração do roteiro, sempre com a preocupação de se adaptar às possíveis dificuldades dos alunos e aos currículos actuais, não esquecendo a nova proposta de revisão curricular. Procedeu-se à criação de alguns jogos didácticos, já apresentados na secção 4.3, que foram integrados no roteiro e que estão disponíveis na página da Internet http://nautilus.fis.uc.pt/cec/jogostp. Para tal, foi necessário recorrer a um programador, o que obrigou a que os jogos fossem criados com uma certa antecedência, para que pudessem ser testados previamente e estar prontos na devida altura. Foram escolhidas duas turmas para trabalhar com o roteiro, o 9ºA e o 9ºC, deixando-se o 9ºB para turma de referência. Nesta turma, o assunto foi abordado de forma mais tradicional: várias exposições, fichas de trabalho e resolução de exercícios. A caracterização de cada uma destas turmas será apresentada na secção 4.5 deste trabalho. A autora da dissertação só leccionou à turma 9ºC, sendo as restantes da responsabilidade da colega de disciplina, ao longo do ano lectivo. A planificação inicial foi feita para três aulas (um tempo lectivo de 90 minutos e outro de 45 minutos). Depois da prévia simulação das aulas, verificou-se que este tempo não era suficiente, já que seria necessário contabilizar factores como o tempo de entrada na sala de aula, o tempo de acesso à Internet e as possíveis dificuldades dos alunos na selecção de informação. Assim, optou-se por usar cinco aulas, nomeadamente dois tempos lectivos de 90 minutos e um de 45 minutos9. A abordagem começou por ser executada com a turma 9ºC e só depois com a turma 9ºA, devido ao facto de as duas professoras não se encontrarem em simultâneo no mesmo ponto do programa curricular. Tal facto possibilitou que a investigadora corrigisse e 9 A planificação detalhada destas aulas encontra-se no anexo III. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 89 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO ajustasse pequenos parâmetros, principalmente na gestão do tempo, o que foi benéfico para o decorrer das aulas na turma 9ºA. Na primeira aula, começou-se por distribuir os alunos por grupos de trabalho, de acordo com o número de computadores disponíveis na sala (oito). Assim, foram feitos grupos de dois ou três alunos. De seguida, expôs-se os assuntos a tratar e o funcionamento das aulas seguintes, com a ajuda de diapositivos em PowerPoint projectados por data show10. Foi também explicado aos alunos como estava organizado o roteiro e como poderia ser utilizado. Ao longo das aulas seguintes, os alunos foram respondendo às questões propostas, seguindo as indicações do roteiro. Alguns grupos de alunos foram gravando as suas respostas em disquete própria, que era entregue à professora no final de cada aula. No início da quinta aula foram colocadas algumas questões aos alunos, de forma a ser feita uma breve síntese do trabalho desenvolvido até então. Estas questões foram dirigidas à turma e projectadas pelo datashow, em powerPoint. Como os alunos responderam acertadamente a todas as questões, não houve necessidade de apresentar as respectivas respostas correctas11. Durante todas as aulas, os alunos foram manifestando algumas dificuldades pontuais, cuja resolução foi conseguida com o auxílio das docentes. No final, os alunos puderam participar nos jogos sobre a Tabela Periódica online e verificar a aplicabilidade dos seus conhecimentos. No final do último tempo lectivo, os alunos responderam a um inquérito de recolha de opiniões12 com o objectivo de avaliar a repercussão do roteiro e da Tabela Periódica online no pensamento e interesses dos alunos. Após a conclusão dos inquéritos, os alunos resolveram um mini-teste13, com o objectivo de avaliar os conhecimentos adquiridos. Este mini-teste foi elaborado e corrigido pela investigadora, de forma a uniformizar os critérios de avaliação nas duas turmas que utilizaram o roteiro. 10 11 Os diapositivos estão disponíveis em CD e no anexo III. As questões apresentadas na aula e as respectivas respostas encontram-se no anexo III. 12 O inquérito de opiniões e as percentagens de respostas obtidas com os alunos encontra-se no anexo IV – B. A análise dos resultados obtidos é desenvolvida na secção 4.5.4 deste trabalho. 13 Os mini-testes e os resultados obtidos, encontram-se no anexo IV – A. A sua análise é feita nas secções 4.5.2, 4.5.3. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 90 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO No início de cada aula foi necessário preparar e montar as câmaras de filmar14. Para que se pudesse ter uma visão de todos os alunos, foi necessário colocar 3 câmaras de filmar, devido à disposição em “U” das mesas de trabalho (Figura 4.13). Figura 4.13 – Imagem retirada das filmagens das aulas Nas duas turmas de trabalho, houve algumas dificuldades iniciais comuns. Uma delas foi no acesso à página, facilmente ultrapassada quando os alunos verificaram que não escreviam correctamente o endereço da página. Outra dificuldade surgiu na tentativa de descobrir a resposta à primeira questão do roteiro, devido à leitura incompleta das indicações fornecidas no mesmo roteiro. Estas dificuldades sentidas pelos alunos foram quase exclusivamente devidas à falta de atenção durante a apresentação inicial do roteiro. O funcionamento simultâneo dos oito grupos de trabalho impediu a assistência imediata de todos os alunos em dificuldades, o que implicou alguma perda de tempo. Esta situação teve, no entanto, a vantagem de incentivar a autonomia dos alunos e a sua auto14 Algumas filmagens encontram-se no CD-ROM em anexo. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 91 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO suficiência na resolução das próprias dificuldades. Esta atitude de independência foi mais comum nos alunos da turma 9ºC, que conseguiram resolver problemas por si só. Por exemplo, apesar de não existirem legendas de cores, na Tabela Periódica online, para o agrupamento dos elementos quanto ao estado físico, origem, família, etc. (Figura 4.14), os alunos mostraram destreza suficiente para a desvendarem facilmente. Pesquisaram as propriedades de um dos elementos com determinada cor e concluíram que os elementos com essa cor correspondiam aos elementos com determinadas características. Na turma 9ºA, só alguns dos alunos tiveram este comportamento, eventualmente por não estarem tão treinados nos trabalhos de pesquisa e resolução de problemas. Figura 4.14 – Tabela Periódica online, diferenciando os estados físicos por cores Assim, nesta mesma turma (9ºA), só a partir da segunda aula é que os alunos mostraram alguma autonomia e destreza para ultrapassar as suas dificuldades. Ainda assim, estes alunos solicitavam frequentemente a ajuda da professora para quase todas as respostas que procuravam, o que demonstra alguma insegurança nas suas tarefas. Uma das dificuldades permanentes, em especial nesta turma, foi a selecção da informação. Os alunos tiveram muitas dificuldades em distinguir a informação mais importante daquela que era irrelevante. Desta forma, a professora que trabalhou com eles foi constantemente solicitada, sentindo muitas dificuldades para auxiliar todos os vinte e três alunos da turma. Para as professoras, as três primeiras aulas foram mais cansativas, na medida em que eram constantemente solicitadas pelos alunos dos muitos grupos de trabalho. No entanto, o interesse dos alunos nas aulas fez com que eles rapidamente evoluíssem e se tornassem MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 92 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO mais autónomos, solicitando com menor frequência as docentes, à medida que as aulas avançavam. De notar que este tipo de aulas pode ser mais fácil para o professor captar o interesse de todos mas não de que requer menos trabalho, dentro e fora da sala de aula (BELANGER, 2000). Antes da finalização das aulas, a investigadora reuniu, numa conversa informal, com a professora responsável pelas turmas 9ºA e 9ºB, a fim de recolher a sua opinião sobre as metodologias efectuadas15, estas são analisadas na secção 4.5.6. Como houve falta de tempo, a investigadora viu-se obrigada a dar duas das aulas à turma 9ºA, uma vez que não houve disponibilidade da outra professora para o fazer. Das quatro turmas do 9ºAno que funcionaram no ano lectivo 2001/2002, foram analisadas estatisticamente somente 2 delas: 9ºA e 9ºB. Esta escolha prendeu-se com o facto de a investigadora estar a leccionar uma só turma (9ºC), o que não possibilitaria a comparação com um grupo de controlo que fosse submetido à mesma forma de leccionar. Assim, escolheram-se as duas turmas, já referidas, usando-se o 9ºB como grupo de controlo e o 9ºA como grupo experimental. Desta forma, o estudo incidiu sobre dois grupos leccionados por uma mesma professora, que não a investigadora. Assim, garantiuse que ambas as turmas em análise eram comparáveis ao nível do “estilo” do professor e eliminou-se o “efeito do investigador” nos resultados obtidos ao longo do trabalho. A turma 9ºC foi submetida no entanto, ao mesmo método de ensino do grupo experimental (9ºA), o que possibilitou uma análise qualitativa de mais uma turma a trabalhar com o método em estudo. No capítulo 5 e na secção 4.5.4 serão apresentadas algumas observações relativas a esta turma, que vêm de encontro, por várias vezes, com o que se passou com a turma 9ºA. A quarta turma, 9ºD, não foi considerada no estudo, por se terem observado graves lacunas na aprendizagem dos seus alunos. Assim, o 9ºD destaca-se das restantes turmas, não tendo significado usá-la para de acordo com os objectivos deste trabalho. Realizou-se, portanto, um estudo quase experimental, com um pré-teste (“teste para aferir a equivalência dos grupos”)16 e um pós-teste. Alguma informação recolhida 15 16 O questionário e as respectivas respostas, encontram-se no anexo IV – C. Preferiu-se chamar a este teste, em vez do nome clássico “pré-teste”, um “teste para aferir a equivalência dos grupos”. Salientando-se que este teste envolveu conhecimentos de química mas não especificamente, MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 93 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO (incluindo vídeos) é tratada no capítulo 5, também a esta investigação é dado um carácter qualitativo. A apreciação da equivalência das duas turmas no início deste estudo foi feita com base num teste prévio ao estudo, sobre toda a matéria de química abordada até então. Aplicando o teste de hipóteses com a distribuição t-student, poderá concluir-se que as turmas controlo e experimental podem ser consideradas equivalentes, tal como será mostrado na secção 4.5.2 (SPIEGEL, 1985). 4.5. DADOS E RESULTADOS OBTIDOS 44..55..11.. C Caarraacctteerriizzaaççããoo ddaass ttuurrm maass A turma 9ºA era constituída por 23 alunos, com idades compreendidas entre os 13 e os 14 anos, distribuídos da seguinte forma: Idade Sexo Feminino Masculino Total de alunos 13 Anos 14 Anos Total de alunos 2 2 4 12 7 19 14 9 23 Média de idades da turma = 13,8 anos Tabela 4.1 – Tabela de idades do grupo experimental Esta turma não tinha quaisquer problemas de comportamento e os alunos eram, de uma forma geral, bastante interessados. sobre a Tabela Periódica. Tal pode representar um “ponto fraco” deste estudo, mas não se poderá esquecer que um pré-teste (ou teste para aferir equivalência dos grupos) sobre a Tabela Periódica estimularia claramente a chamada “sensibilização” ao pré-teste. Esta seria uma ameaça de validade significativa, pois os alunos poderiam ter melhores resultados no pós-teste, não pelas aprendizagens, mas pelo simples treino conferido pelo pré-teste. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 94 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO No que diz respeito à turma 9ºB, foram avaliados 17 alunos com idades compreendidas entre os 13 e os 16 anos, com a seguinte distribuição: Idade Sexo Feminino Masculino Total de alunos 13 Anos 14 Anos 15 Anos 16 Anos Total de alunos 2 4 3 4 1 ______ 3 ______ 9 8 6 7 1 3 17 Média de idades da turma = 14,1 anos. Tabela 4.2 – Tabela de idades do grupo de controlo A turma de controlo continha apenas 18 alunos, dado incluir um aluno com necessidades educativas especiais. O referido aluno não foi avaliado à disciplina de Ciências Físico-Químicas. A turma só apresentava um aluno repetente do 9ºano, tendo, esta turma, um perfil genericamente semelhante ao do grupo experimental (9ºA). 44..55..22.. R Reessuullttaaddooss ddaa aavvaalliiaaççããoo ddoo tteessttee ppaarraa aaffeerriirr aa eeqquuiivvaallêênncciiaa ddooss ggrruuppooss ee ssuuaa aannáálliissee Tomaram-se como dados para o teste para aferir a equivalência dos grupos (préteste)17, como foi referido, os resultados obtidos no teste realizado antes do início do estudo da Tabela Periódica. Neste momento de avaliação, foram abordados só os temas de Química leccionados até à data do início da investigação. 9ºA (Grupo experimental) Pelas avaliações sumativas efectuadas ao longo do ano lectivo, esta turma era considerada como a que apresentava melhor aproveitamento. 17 A tabela dos resultados obtidos no pré-teste encontra-se disponível no anexo IV – A. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 95 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO No que diz respeito à avaliação em Química, esta turma obteve um aproveitamento globalmente positivo, até à data do início do estudo, tal como se pode verificar pelo gráfico seguinte: Gostavas que este tipo de aulas se repetisse? 35% 65% Positivas Negativas Gráfico 4.1 – Aproveitamento percentual no teste para aferir a equivalência dos grupos, do grupo experimental 9ºB (Grupo de controlo) Os resultados da avaliação no teste para aferir a equivalência dos grupos desta turma demonstram que, embora próximos, se encontram um pouco abaixo da turma anterior: Gostavas que este tipo de aulas se repetisse? 53% 47% Positivas Negativas Gráfico 4.2 – Aproveitamento percentual no teste para aferir a equivalência dos grupos, do grupo de controlo Análise dos dados do teste para aferir a equivalência dos grupos Através de uma análise estatística, utilizando o método da distribuição de t-student para amostras pequenas (número de indivíduos ≤ 30) e independentes (SPIEGEL, 1985), pode-se verificar se para o “teste para aferir a equivalência dos grupos”, a seguinte hipótese é válida: MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 96 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO “ A turma de controlo e a turma experimental são equivalentes” Para o teste em causa obtiveram-se os seguintes resultados: Parâmetros estatísticos Grupo de estudo Grupo experimental (9ºA): Média t-student (calculado) t-student (tabelado) 60,35 Grupo de controlo (9ºB): 50,65 1,182 3,574 Pela análise do quadro anterior, conclui-se que a hipótese é válida para um nível de significância estatística de 0,01 e 38 graus de liberdade e para, uma vez que t calculado se encontra dentro do intervalo -3,574 ≤ t ≤ 3,574, para 99% de confiança. Desta forma, pode-se afirmar que não existiam diferenças significativas entre os dois grupos no início do estudo e por isso podem ser consideradas como equivalentes. 44..55..33.. R Reessuullttaaddooss ddaa aavvaalliiaaççããoo ddoo ppóóss--tteessttee Tal como foi referido anteriormente, os resultados do pós-teste18 são referentes ao mini-teste só com conteúdos sobre a Tabela Periódica. Este elemento de avaliação foi aplicado assim que se terminou a abordagem do tema em questão. Através dos pós-testes, os alunos poderiam por à prova os conhecimentos que foram retidos durante as aulas em que estiveram a trabalhar com o roteiro. Por isso, nestas turmas, o pós-teste foi apresentado também no final das quatro aulas destinadas para o assunto, mais precisamente depois de terem respondido aos inquéritos. Os alunos que não trabalharam com o “Roteiro para a Tabela Periódica na Internet” não responderam a nenhum inquérito de opinião19. No entanto, foi-lhes aplicado o mesmo pós-teste, para que se pudesse fazer uma comparação dos conteúdos adquiridos durante as aulas dedicadas ao estudo da Tabela Periódica. De seguida são apresentados os resultados referentes a este momento de avaliação: 18 Os resultados obtidos no pós-testes encontram-se no anexo IV – A. 19 Este inquérito de opinião, também com alguns, “outputs” qualitativos, foi respondido apenas pelo grupo experimental, analisados na secção 4.5.5 MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 97 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO 9ºA (Grupo experimental) 26% 74% Positivas Negativas Gráfico 4.3 – Aproveitamento percentual pós-teste do grupo experimental Fazendo a análise deste gráfico pode-se verificar que grande parte dos alunos do grupo experimental (9ºA), apresenta resultados positivos. 9ºB (Grupo de controlo) 29% 71% Positivas Negativas Gráfico 4.4 – Aproveitamento percentual pós-teste do grupo de controlo No caso do grupo de controlo (9ºB), verifica-se que grande parte dos alunos estudados, apresentam resultados negativos (inferiores a 50%) para o mesmo teste de avaliação aplicado ao grupo experimental (9ºA). Uma primeira observação não exaustiva dá conta de resultados bastante melhores no grupo experimental. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 98 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO Análise dos dados do pós-teste À semelhança do que foi feito para o “teste para aferir a equivalência dos grupos, os resultados dos pós-teste, foram analisados estatisticamente pelo mesmo teste de hipóteses. Para tal utiliza-se novamente o método de distribuição de t-student, tendo como base a seguinte hipótese: “O grupo experimental e o grupo de controlo são equivalentes, após serem sujeitas a métodos de ensino, sobre a Tabela Periódica, diferentes” De acordo com os resultados obtidos no pós-teste tem-se: Parâmetros estatísticos Grupo de estudo Grupo experimental (9ºA) Grupo de controlo (9ºB) Média t-student (calculado) t-student (tabelado) 58,48 34,88 3,643 2,715 Pela análise da tabela anterior, verifica-se que a hipótese não é válida, para um nível de significância estatística de 0,01, 38 graus de liberdade e 99% de confiança. Tal significa que houve diferenças significativas nos resultados das duas turmas nos pós-testes e que estas, por conseguinte, não se poderiam considerar equivalentes. 44..55..44.. R Reessuullttaaddooss ddaa rreeccoollhhaa ddee ooppiinniiõõeess jjuunnttoo ddooss aalluunnooss No final das quatro aulas atribuídas ao estudo da Tabela Periódica, foi pedido aos alunos das duas turmas (23 alunos do 9ºA e 21 do 9ºC) que respondessem a um inquérito20. Pretendeu-se, assim, que os alunos fizessem uma avaliação desta nova metodologia e exprimissem a sua opinião quanto à utilização da Internet na sala de aula, obtendo-se o maior número possível de opiniões. 20 O inquérito e os seus resultados encontram-se no anexo IV – B. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 99 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO Nenhum dos alunos havia tido anteriormente aulas de disciplinas curriculares com recurso a computadores. Alguns dos alunos estavam já familiarizados com a sala de informática, onde preparavam trabalhos de desenvolvimento do projecto Área-Escola, em anos anteriores. Tal situação é comum para grande parte dos alunos portugueses, como já foi visto na secção 2.1.3. Foi, portanto, a primeira vez que estes alunos experimentaram uma aula de Ciências Físico-Químicas com a utilização das novas tecnologias de informação e comunicação, cuja implementação disciplinar está prevista a curto prazo no Ensino Básico. A análise das respostas aos inquéritos permitiu confirmar o que foi uma constante nas aulas: o gosto, o empenho e o entusiasmo que este tipo de aulas e actividades desperta nos alunos. De seguida irão ser apresentados os resultados percentuais de algumas respostas obtidas: Gostas de trabalhar com computadores ? 7% 93% Sim Não Gráfico 4.5 – Percentagens de respostas à primeira questão do inquérito A grande maioria dos alunos não sabia aceder à Internet, pelo que, para cerca de 14% dos alunos, as instruções do roteiro relativas ao acesso à Internet foram bastante úteis. Tal pode ser visualizado através do gráfico seguinte (Gráfico 4.5). MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 100 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO Sabias como aceder à Internet? 14% 86% Sim Não Gráfico 4.6 – Percentagens de respostas à segunda questão do inquérito Apesar de muitos alunos utilizarem a Internet como ferramenta de auxílio nos seus estudos, praticamente só a usam para trabalhos de desenvolvimento (Gráfico 4.6). Custumas utilizar a Internet para o teu estudo? 80% 73% 70% 60% Só para trabalhos de pesquisa 50% Para o meu estudo diário 40% 20% Não utilizo a Internet para estudar 23% 30% 11% 9% Outras 10% 0% Gráfico 4.7 – Percentagens do uso da Internet MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 101 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO Houve alunos que tiveram algumas dificuldades em encontrar as respostas, apesar de considerarem que as indicações do roteiro eram claras, tal como se pode verificar nos gráficos seguintes: Foi fácil encontrares as respostas para as questões do roteiro? 16% 84% Sim Não Gráfico 4.8 – Percentagens sobre as questões relativas às orientações do roteiro As dificuldades sentidas com maior frequência foram a interpretação das indicações e a falta de tempo, pois verificou-se que os alunos muitas vezes não conseguiam captar rapidamente toda a mensagem (Gráfico 4.9). 39% 40% 36% Não consegui entender algumas instruções do roteiro 35% Não consegui efecuar todas as tarefas proposta por falta de tempo Não percebi o que era para fazer 30% 21% 25% 20% 15% 10% 7% 2% 5% 0% Apesar das indicações dadas não consegui encontrar a resposta Outras Gráfico 4.9 – Dificuldades sentidas pelos alunos durante a aplicação do roteiro Pode-se verificar facilmente, pela análise do gráfico seguinte, que os alunos reconhecem a importância da utilização da Internet e dos benefícios que dela podem tirar. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 102 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO GOSTAS DOS JOGOS PROPOSTOS? PORQUÊ? 70% Sim, para ter acesso a mais informação 64% 60% Sim, pois aprendo mais facilmente ao pesquisar informação Sim, porque estou mais tempo a estudar 50% 39% 39% 40% 30% 30% Não, porque a informação das aulsa é suficiente 20% Não, porque não gosto de trabalhar com computadores 9% 10% 0% 5% 0% Não, porque é uma perda de tempo Outras Gráfico 4.10 – Percentagens sobre a possível utilização e importância da Internet Apesar de alguns alunos não terem tempo de responder a todas as questões do roteiro, experimentaram os jogos propostos fora da sala de aula. Mais uma vez se verifica que os alunos têm noção dos proveitos que podem tirar deste tipo de actividades. Os 34% de alunos que jogaram, afirmam que enquanto jogam também aprendem (Gráfico 4.11). Estes 34% correspondem, na sua maioria, a alunos da turma 9ºA, onde o tempo foi gerido de forma eficaz, o que nem sempre aconteceu com a turma 9ºC. GOSTAS DOS JOGOS PROPOSTOS? PORQUÊ? 35% 34% Sim, porque são divertidos 32% 30% Sim, porque são fáceis de jogar 25% Sim, porque aprendo enquanto jogo 20% 14% 15% Não, porque são pouco interessantes 10% 5% Não, porque não gosto de computadores 5% 2% Não porque não consigo jogar 1% 0% Outras 0% Gráfico 4.11 – Opinião dos alunos relativamente aos jogos propostos. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 103 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO Mais uma vez se pode verificar, através do Gráfico 4.2, as preferências dos nossos alunos. Quase todos os alunos gostariam que este tipo de aulas se repetisse. As razões não foram muito diversificadas, e incidiram basicamente no gosto em trabalhar com computadores e na menor monotonia das aulas. Algumas respostas foram de extrema importância, pois alguns alunos, nomeadamente os que usualmente demonstravam pouco interesse pela vida escolar, afirmaram que “... era da maneira que conseguiam aprender alguma coisa, pois eram obrigados a pensar durante toda a aula”. Os alunos que responderam que não gostariam de repetir este tipo de aulas, explicaram que tal se devia ao facto de não gostarem de trabalhar com computadores ou com os colegas de grupo. Gostavas que este tipo de aulas se repetisse? 4% 96% Sim Não Gráfico 4.12 – Opinião dos alunos quanto a este tipo de aulas 44..55..55 R Reessuullttaaddooss ddaa rreeccoollhhaa ddaa ooppiinniiããoo ddaa pprrooffeessssoorraa Como os professores terão de ser os fomentadores deste tipo de projectos, é importante saber a opinião deles. Como só houve oportunidade de trabalhar com outra colega, foi ela a única docente inquirida sobre o trabalho. Desde o início deste trabalho, esta colega mostrou-se disponível para colaborar com a docente investigadora. Pouco antes de se iniciar a primeira aula, com a utilização do roteiro, foram-lhe colocadas algumas questões relacionadas com as suas perspectivas relativamente ao funcionamento das aulas e à atitude dos alunos. Segundo esta professora, este tipo de aulas parecia ser bastante interessante e cativante para os alunos. Por outro MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 104 4 – UMA ESTRATÉGIA PARA O ESTUDO DA TABELA PERIÓDICA, APOIADA EM RECURSOS DIGITAIS: ESTUDO DE IMPACTO lado, acreditou ser capaz de dar este novo tipo de aulas, pois possuía alguns conhecimentos sobre o funcionamento de computadores e da Internet. Além disso, confiava no apoio que seria dado pela investigadora para alguma eventualidade, dado que esta última também estaria presente nas aulas. Depois de terminado o ano lectivo, já no período das reuniões, a investigadora pediu à professora colaboradora que respondesse também a um inquérito21. Desta vez, o inquérito tinha como finalidade analisar o impacto e o resultado junto de uma docente que, também ela, nunca tinha participado numa experiência do género. De acordo com os resultados obtidos, a professora considera muito importante a utilização do computador e da Internet como instrumentos auxiliares do processo ensinoaprendizagem. Para a inquirida, a utilização da Internet é útil e constituiu um desafio para o professor. Reconheceu não encontrar grandes dificuldades nas aulas em que participou e que as considerou muito interessantes e aliciantes. No que diz respeito ao efeito no aluno, a professora foi de opinião que o uso da Internet é apelativo e incentiva o aluno, captando o seu interesse. No que diz respeito à apreciação do roteiro, este foi classificado como muito bom, tal como a sua utilidade, metodologia utilizada e clareza de informação. A representação gráfica e os jogos propostos foram considerados bons. A docente inquirida considera este tipo de abordagem à Tabela Periódica com recursos digitais viável e admite repetir este tipo de aulas nos próximos anos lectivos. 21 os resultados deste inquérito encontram-se disponíveis no anexo IV – C. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 105 5 – NOTAS FINAIS 5 – NOTAS FINAIS 5. NOTAS FINAIS 5.1. ALGUNS COMENTÁRIOS DE SÍNTESE À semelhança do que acontece nos outros países europeus, existem actualmente bastantes escolas com computadores, alguns deles muito requisitados pelos alunos. O interesse dos alunos pela utilização de recursos digitais nas aulas é nítido e contrasta com a vontade de alguns professores. É necessário compreender-se que a utilização da novas tecnologias de informação e comunicação fará impreterivelmente parte do dia-a-dia de um professor actualizado e inovador. Por outro lado, a Tabela Periódica faz parte dos currículos portugueses e é abordada em vários níveis de ensino. Trata-se de um tema que normalmente é tratado de forma tradicional. No entanto, uma abordagem com a utilização de recursos digitais revelou fazer aumentar o interesse por este tema e, consequentemente, o melhoramento do processo de ensino-aprendizagem. Uma vez que a Internet é por excelência um “mundo de informação”, então trata-se de uma ferramenta muito útil para o ensino, que não pode ser ignorada. A diversidade e a amplitude dos conhecimentos que estão disponíveis obrigam a que seja necessário definir muito bem o que se pretende e uma estratégia de consulta. Assim, a elaboração do roteiro de orientação mostrou ser de grande utilidade na construção do conhecimento científico dos alunos. Ao longo das sucessivas aulas, foi nítida a evolução dos alunos na destreza com que ultrapassavam as suas dificuldades e na segurança com que executavam as tarefas. O factor “novidade” desta metodologia fê-los sentir-se um pouco inseguros no início, o que foi facilmente ultrapassado pelo entusiasmo e dedicação de cada um. Verificou-se que os elementos dos diversos grupos cooperavam para a resolução dos seus problemas. Frequentemente, enquanto esperavam pela ajuda da professora, ajudavam inclusivamente o grupo vizinho. Esta entreajuda permitiu não só a aprendizagem mútua entre alunos, como também facilitou a tarefa da professora. Desta forma, a insegurança inicial foi ultrapassada e as professoras puderam responder mais rapidamente às solicitações, que foram cada vez menos frequentes. Alguma colaboratividade desenvolvida foi a pretexto da utilização do computador. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 107 5 – NOTAS FINAIS Por questões técnicas, os alunos tiveram de trabalhar em grupos de dois ou três. Esta situação ajudou a que os alunos com maiores dificuldades de aprendizagem tivessem apoio dos colegas de grupo. Este facto indica que realmente é benéfico que os grupos de trabalho sejam heterogéneos, pois estimulam a intreajuda e partilha de conhecimentos. O interesse e o envolvimento, tanto dos alunos, quanto das professoras, foi aumentando. Muitos dos alunos encaravam com entusiasmo o desafio de encontrar a resposta o mais rapidamente possível, por forma a acabar a tarefa em primeiro lugar. Assim, as professoras puderam intervir e acompanhar melhor os grupos com mais dificuldades. Além disso, o aumento da facilidade com que os alunos trabalhavam com computador era acompanhado por um aumento do seu interesse, o que foi extremamente compensador. Verificou-se que os alunos aprendiam melhor os conceitos que lhes eram transmitidos pela página da Tabela Periódica online, quando os tinham de exprimir por palavras suas, por forma a responder às questões do roteiro. Numa fase inicial, os alunos tiveram tendência para efectuar “copy/paste” dos textos apresentados na referida página da Internet, pelo que foi necessário explicar-lhes a importância de desenvolverem a capacidade de construir por palavras suas as próprias respostas. Algumas imagens que aparecem na página da Tabela Periódica utilizada contribuíram para que os alunos concretizassem e percebessem melhor como são os elementos químicos que existem na natureza, e quais as suas aplicações e importância na vida quotidiana. No final de cada uma das aulas verificou-se que os alunos não saíram apressadamente da sala de aula, como habitualmente, procurando ficar o máximo de tempo permitido. Tal aconteceu inclusivé com alunos que se haviam desinteressado pela vida escolar. Esta observação foi uma clara manifestação do empenho e entusiasmo despertado pelo uso das novas tecnologias na sala de aula (ver filmagens das aulas). Houve algumas diferenças entre as duas turmas que trabalharam com o roteiro (9ºA e 9ºC). O 9ºC mostrou mais entusiasmo, empenho e à-vontade, durante todas as aulas. Este facto poderá ser devido à influência da investigadora, que trabalhou deste o início do ano só com a turma 9ºC. Poderá ter contagiado os alunos com o seu entusiasmo e dedicação. Além disso, a investigadora tem como hábito a utilização de metodologias com fortes componentes de pesquisa, observação e análise crítica, o que poderá ter sensibilizado, de alguma forma, a “sua” turma para este tipo de trabalho. Chama-se a este efeito sobre o MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 108 5 – NOTAS FINAIS estudo “efeito do investigador”, que se tentou minimizar neste trabalho (KERLINGER, 1980). Apesar de se terem abordado todos os conteúdos pedagógicos planificados, houve alunos que não conseguiram utilizar os jogos apresentados na secção 4.3. Foi possível verificar que alguns destes alunos tiveram curiosidade em conhecer melhor esses jogos, jogando fora do horário da disciplina, em especial na turma 9ºC. Este facto reforça o que já foi referido anteriormente quanto à utilização de recursos digitais nas aulas como um método eficaz para motivar os alunos face à aprendizagem. Os alunos que tiveram oportunidade de jogar, ainda na sala de aula, demonstraram bastante interesse, em especial pelo “Jogo das Borboletas” (ver filmagens das aulas). Foi possível observar que recorriam à imagem da Tabela Periódica no roteiro ou à Tabela Periódica online, ou ainda ao próprio manual escolar, para esclarecer dúvidas que surgissem durante o jogo. Também foi possível verificar que os alunos recorriam à ajuda da Tabela Periódica do seu manual, quando queriam fazer uma pesquisa mais rápida. Tais factos são um bom indicador que a metodologia de ensino usada permite desenvolver competências de iniciativa e de trabalho de pesquisa, com algum método e utilização de vários tipos de recursos. O trabalho de investigação foi muito gratificante, na medida em que se conseguiu captar o interesse e participação de todos os alunos nas aulas. Tal é extraordinariamente importante, se considerarmos que se trabalhou com um grupo etário onde se verifica bastante desinteresse pela actividade escolar, nomeadamente às disciplinas que envolvam algum raciocínio lógico e crítico, como é o caso das ciências. Foi também compensador o facto de grande parte dos alunos conseguirem construir um pouco do seu próprio conhecimento científico, e relacionarem este conhecimento com o seu quotidiano. Foi bastante estimulante “apanhar” algumas conversas de corredor, onde os alunos que utilizavam o roteiro comentavam com colegas, inclusive de outras turmas, algumas curiosidades das descobertas na aula de Ciências Físico-Químicas. Cerca de 14% dos alunos inquiridos não tinham computador em casa, o que pode justificar o facto de terem dificuldades em aceder à Internet e de não se sentirem muito à vontade no manuseamento e utilização do computador. Neste caso, segundo estes alunos, a introdução inicial do roteiro (anexo I) foi de grande utilidade. Apesar de não terem um computador em casa, podiam ter livre acesso a qualquer um dos 18 computadores MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 109 5 – NOTAS FINAIS existentes na biblioteca da escola. Na verdade, alguns destes alunos foram vistos, com alguma regularidade, a efectuarem trabalhos de escrita e investigação para as diversas disciplinas utilizando os referidos computadores, o que é confirmado pelas estatísticas nacionais (secção 2.1.3). Verificou-se que 84% dos alunos faziam uso da informação pesquisada na Internet para o seu estudo, embora a sua maioria se destinasse à realização de trabalhos de desenvolvimento. Este facto revela alguma facilidade de utilização dos novos meios de informação, o gosto pela pesquisa e uma certa autonomia no processo de aprendizagem, à semelhança do que se passa por todo o país (secção 2.1.3). Quanto ao roteiro, quer as questões, quer as orientações, foram suficientes, uma vez que quase todos os alunos as consideraram claras e conseguiram responder a quase todas as questões de forma correcta. Este último aspecto revelou-se particularmente importante na resolução das duas primeiras questões, sobre assuntos abordados na secção 3.2, onde a selecção de informação teria de ser mais precisa. Alguns não responderam a estas questões porque tiveram dificuldades em seleccionar a informação pretendida, solicitando ajuda com frequência, o que limitou o tempo para a finalização do trabalho. Também nas questões que envolviam raciocínio e transversalidade de conteúdos, ou onde não se encontrava uma resposta directa na Tabela Periódica online, os alunos demoraram mais tempo a elaborar as respostas. Alguns alunos sugerem que sejam colocadas menos questões do roteiro, mas tal não deverá ser levado em conta, pois limitaria a abordagem do tema. As questões estão feitas para que os alunos possam utilizar os seus conhecimentos de uma forma transversal, e os relacionem com a vida quotidiana. Se o número de questões for reduzido implica que se tenha de complementar este tema com outras aulas, utilizando outras metodologias. A probabilidade de uma “sub-utilização” do software e não assimilação de conceitos, bem como o desenvolvimento de competências, é maior. A falta de tempo, já referida, foi agravada pelo facto de nem sempre se dispor de um acesso à Internet com a velocidade pretendida, pois o servidor da escola apresentava alguns problemas, o que infelizmente não ocorre só na escola EB 2,3 de Paredes (PAIVA, 2002). Outro aspecto que dificultou a conclusão do trabalho dentro do tempo disponível foi o facto de os alunos nem sempre lerem até ao fim as indicações do roteiro. Assim, os alunos MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 110 5 – NOTAS FINAIS que não conseguiam entender as orientações dadas, demoraram mais tempo a atingir os objectivos propostos. No que se refere aos jogos, a aceitação foi muito boa e logrou-se despoletar nos alunos um grande entusiasmo. O “Jogo das Borboletas” e o “Jogo dos Pares” foram os mais concorridos, talvez por se jogarem com mais facilidade e com um menor grau de conhecimentos. O comportamento observado corresponde ao esperado, uma vez que os alunos começaram a jogar no final da quarta aula, e possivelmente ainda sentiam alguma insegurança nos conhecimentos recentemente adquiridos. Foi engraçado o comentário de um dos alunos, no final da última aula: “A minha mãe tem de vir falar com a “stora” para lhe explicar que os jogos também nos ajudam a estudar!”. Os jogos que os alunos consideraram mais difíceis foram o “Jogo dos Elementos” e o “Adivinhas”, pois envolviam um leque de vários conhecimentos recentemente abordados. Em conversas posteriores com outros alunos, inclusivé mais velhos, constatou-se que o jogo “Adivinhas” era considerado como o mais completo, original e divertido20. Como já foi referido, os alunos que não tiveram possibilidade de experimentar os jogos, por falta de tempo, procuraram fazê-lo fora das aulas. A maioria considerou os jogos divertidos e acharam interessante a possibilidade de poderem aplicar os conhecimentos sob a forma de um entretenimento. Assim, estes jogos ajudaram a interiorizar, aplicar e relembrar alguns conhecimentos adquiridos de uma forma bastante receptível pelos alunos. Quando questionados sobre este tipo de aulas, os inquiridos massivamente afirmaram que gostariam que fosse repetido. Foi interessante verificar que alguns alunos menos motivados e já desinteressados pela vida escolar se mostraram bastante participativos. Vários destes alunos afirmaram que “este tipo de aulas os ajudou a perceber melhor a matéria, obrigando-os a pensar e a trabalhar com gosto, durante toda a aula”. Mais uma vez, verificou-se que um ensino direccionado para os interesses e expectativas dos alunos conduz a uma franca melhoria do processo ensino-aprendizagem. Contrariamente ao que receavam alguns professores (secção 2.1.3), a metodologia implementada não gerou desordem ou mau comportamento dos alunos na sala de aula. Os alunos menos 20 Por essas razões foi-lhe atribuído o 4º prémio no concurso “Tabela Periódica – um elemento em cada casa e uma casa em cada elemento”, promovido pelo Instituto Superior de Engenharia do Porto, Instituto Politécnico do Porto e Centro de Química da Universidade do Porto, aberto a todo público. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 111 5 – NOTAS FINAIS interessados e, consequentemente, mais destabilizadores mostraram-se “…ocupados toda a aula e sem tempo para se distraírem ou fazer asneiras” (comentário de um aluno). Os resultados obtidos na avaliação foram surpreendentes e bastante conclusivos. Apesar de se ter leccionado os mesmos conteúdos e aplicado o mesmo pós-teste às duas turmas (9ºA e 9ºB), observaram-se diferenças notórias. Assim, os alunos do 9ºB, submetidos a uma abordagem tradicional, mais teórica e menos interactiva, não apresentaram ideias claras nem relacionaram a matéria com a anterior. Já a turma onde se aplicou a Tabela Periódica na Internet com o respectivo roteiro (9ºA) apresentou resultados significativamente melhores. Este facto revelou-se quer na forma como a aprendiam e relacionavam contextos, quer na forma como os conseguiam visualizar. Na realidade, quando se combinam os interesses de vida destes alunos com a metodologias de ensino que os cativem e os façam raciocinar, meditar, e construir o seu próprio conhecimento através da pesquisa, verificam-se melhoramentos substanciais na aprendizagem e desenvolvimento cognitivo (GARNER, 1996). No que se refere à apreciação da professora que colaborou com a investigadora, aquela considerou esta experiência bastante interessante e aliciante. Não foram perceptíveis grandes dificuldades por parte da professora durante o decorrer das aulas, até porque todas as questões do roteiro foram devidamente preparadas e discutidas antes da sua aplicação. Foi interessante verificar que a referida professora considerou a hipótese de voltar a aplicar o roteiro nas suas aulas. Isto poderá ser um bom indicador de que este roteiro poderá ser de grande utilidade e interesse para outros colegas, o que é muito gratificante. Nas aulas onde o tema “Tabela Periódica” foi abordado de forma mais teórica, verificou-se que os alunos adquiriam uma postura passiva face ao que se estava a desenrolar. Dificilmente colocavam dúvidas e consideravam este tema como “mais uma coisa chata para marrar” (comentário de um aluno). Por seu turno, este tipo de aulas envolvem muito menos trabalho do que as aulas do presente trabalho. A preparação das aulas com os grupos experimentais envolveu pesquisa e estudo pormenorizado da ferramenta de trabalho, construção de material para ser utilizado nas aulas, pesquisa científica mais alargada e análise detalhada de toda a metodologia a utilizar. Como se tratou de uma amostra pequena, a análise deste estudo centrou-se mais na vertente qualitativa. Para que este estudo fosse significativo, teria de ser aplicado a várias turmas em vários pontos do país, pois a realidade de uma escola depende da comunidade MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 112 5 – NOTAS FINAIS onde se insere. Contudo, este estudo poderá ser um indicador do que se passará na maioria das escolas portuguesas localizadas ou não em grandes centros urbanos. 5.2. AUTOCRÍTICA, REFORMULAÇÕES E PROJECTOS FUTUROS Após uma reflexão sobre todo este trabalho, pode-se concluir que se tratou de uma experiência muito produtiva. Desde a preparação das aulas e de todo o material desenvolvido, até ao fim do período lectivo em análise, houve a preocupação de fazer o melhor possível. No entanto, reconhece-se que alguns aspectos poderiam ser melhorados. No que respeita ao desenrolar das aulas, se os alunos não tivessem de esperar que o acesso à Internet se efectuasse, teria sido mais vantajoso para todos. Sempre que fosse possível, o acesso à Internet deveria ser feito antes da entrada dos alunos na sala de aula. De facto, houve uma grande perda de tempo nesta operação e, por vezes, era necessário esperar que um funcionário viesse solucionar a questão. Uma versão offline da Tabela Periódica teria atenuado os efeitos deste problema, apesar das limitações que tal implica. No final, a avaliação das opiniões dos alunos poderia ter sido feita com entrevistas de forma a que fossem detectados alguns aspectos não perceptíveis através de respostas a questões fechadas e de observação de filmes da exploração na sala de aula. No que se refere à página sobre o carbono (secção 3.3)21, na Internet, esta poderia ter sido usada posteriormente se se conseguisse chegar à unidade de química orgânica. No entanto, poderá ser um bom instrumento para quem quiser “saber mais”. Esta página, terá ainda de sofrer algumas modificações, como por exemplo, ampliação da família dos compostos abordadas e inclusão de espaços mais interactivos, nomeadamente com possibilidade de recolha de dúvidas e sugestões de melhoramento. Nas primeiras aulas foi frequentemente solicitada a ajuda da professora, pois os alunos não conseguiam entender as indicações do roteiro. No entanto, quando a professora voltava 21 Encontra-se no CD-ROM anexo à tese. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 113 5 – NOTAS FINAIS a lê-las com os alunos, as dificuldades destes desapareciam. Isto revela que os alunos, quando confrontados com grandes quantidades de informação, dificilmente a lêem e a apreendem na totalidade. Para poder evitar esta situação, poder-se-ia ter também disponibilizado na Internet o questionário do roteiro, com um dispositivo que forçasse a leitura integral da informação. Para tal, poder-se-ia criar uma janela em simultâneo com a Tabela Periódica, na qual se explicariam os passos a seguir com o menor número de informação possível. Poderia ser de grande utilidade existir um roteiro, em formato digital, incorporado na própria aplicação “Tabela Periódica”, adequado a cada nível de ensino onde é abordado este tema. Outra possibilidade consistiria no recurso a imagens e esquemas que pudessem facilitar a compreensão da informação. Apesar do roteiro apresentar bastantes imagens, será aconselhável incluir mais algumas ou, alternativamente, optar por esquemas representativos para melhor orientar os alunos face às respostas pedidas. Quanto ao suporte digital utilizado, embora seja um bom recurso pedagógico, existem algumas sugestões de melhoramento. Poderia aparecer uma legenda de cores para a Tabela Periódica apresentada por grupos, períodos, classe (imagem no roteiro – anexo I), estados físicos, etc. Existem ainda algumas janelas e ícones que não aparecem referenciados em português, o que pode ser mais uma dificuldade para alguns alunos. Poderia ser permitida a pesquisa por famílias, havendo, por exemplo, uma opção onde seria possível ver e comparar, rapidamente, algumas das características dos elementos da mesma família. Uma experiência que poderia ter sido interessante, seria a aplicação, ao grupo de controlo, da mesma metodologia de ensino, mas noutros conteúdos, para que se pudesse efectuar comparações entre os ganhos, numa mesma turma. Talvez se se conseguir uma ligação directa entre diferentes páginas, como a que é exemplificada com o caso do carbono, para os primeiro vinte elementos, a Tabela Periódica usada será um excelente elo de ligação entre grande parte dos temas de química. Seria bom que grande parte do material didáctico existente na Internet tivesse um roteiro de exploração, disponível nas escolas, permitindo assim que os alunos mais inseguros se aventurassem nesta “cruzada da aprendizagem digital”. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 114 5 – NOTAS FINAIS Uma versão seguinte dos jogos poderá ser a associação do símbolo químico do elemento com o par que corresponde ao nome do elemento, no caso do “Jogo dos pares”. Assim, seria interessante continuar a desenvolver: roteiros de exploração da Tabela Periódica online, para outros níveis de ensino; novos roteiros sobre outros temas de química; páginas da Web sobre o carbono e sobre os restantes elementos com número atómico menor de vinte; pesquisa sobre os sites mais úteis, importantes e com maior rigor disponíveis e associar-lhes um motor de busca; a própria Tabela Periódica online, com melhoramentos e actualizações científicas, pedagógicas e gráficas. 5.3. PRINCIPAIS CONCLUSÕES O presente estudo é um forte indicador de que: ¾ existe uma forte tendência para o uso das novas tecnologias de informação e comunicação, em especial em faixas etárias mais baixas; ¾ os professores e os alunos estão motivados para trabalharem com o apoio de recursos digitais, no processo ensino-aprendizagem, embora ainda não seja muito frequente; ¾ é necessário maior dinamismo e diversidade nas metodologias utilizadas dentro da sala de aula; ¾ a utilização de recursos digitais permite maior envolvimento dos alunos nas tarefas efectuadas e, consequentemente, melhor aproveitamento; ¾ a utilização da Internet, quando apoiada por um roteiro, permite uma pesquisa eficaz da informação desejada; ¾ o processo ensino-aprendizagem do tema “Tabela Periódica” foi beneficiado com a metodologia utilizada; ¾ a observação do comportamento dos alunos, face a esta nova metodologia, confirma as estatísticas nacionais divulgadas em 2003; MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 115 5 – NOTAS FINAIS ¾ apesar da utilização de recursos digitais trazer algumas vantagens, é necessário não esquecer que não é o único tipo de ferramenta que se deverá utilizar no ensino da Química; ¾ apesar de, aparentemente, ser mais fácil para os alunos aprenderem com este tipo de metodologia, terá sempre de existir trabalho e esforço da parte destes para que consigam aprender; ¾ utilizar imagens no roteiro é muito importante, pois possibilita uma melhor visualização e rapidez na compreensão do que é dito; ¾ é importante o roteiro assentar em questões, permitindo que os alunos sejam obrigados a estabelecer raciocínios lógicos, abstractos e de síntese, para a elaboração das respostas não “correndo superficialmente” a aplicação digital; ¾ é necessário dinamizar e incentivar a excução de trabalhos onde seja exigida ao aluno a selecção de informação sob orientações do professor; ¾ existe muito material disponível na Internet que não está cientifica nem pedagogicamente correcta. É, portanto, necessário que o professor filtre a informação antes de a indicar ou utilizar; ¾ actividades lúdicas, como os jogos envolvendo conceitos científicos, têm bastante aceitação por parte dos alunos e são um bom auxílio para a aprendizagem; ¾ apesar de existir sempre o perigo dos alunos tentarem aceder a outras páginas na aula, a utilização de tarefas bem determinadas com a utilização da Internet, promove maior concentração e menor capacidade de abstracção das tarefas a desenvolver; ¾ o comportamento dos alunos melhorou com as aulas envolvendo recursos digitais, talvez porque os mais desinteressados estavam ocupados com tarefas da aula; ¾ grande parte dos materiais existentes na Internet, aposta na parte gráfica, de forma a “seduzir” os alunos; ¾ os alunos preferem a utilização de suportes digitais multimédia na sala de aula a aulas convensionais; ¾ o tema “Tabela Periódica”, abordado com a referida metodologia, confere mais dinamismo na procura do saber; ¾ os recursos digitais apresentam vantagens em relação aos livros de texto, na visualização e compreensão de modelos e conceitos abstractos; MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 116 5 – NOTAS FINAIS ¾ a Internet ajuda o professor a preparar melhor as suas aulas, na medida em que permite uma constante actualização de conhecimentos e facilidade de comunicação com outros professores. “ A escola está longe de ser a escola adaptada à sociedade de informação. Mas também não é necessário levar essa ideia ao extremo para se não entender e protagonizar a ideia de que só o que é tecnológico e digital é bom… Muito boas estratégias pedagógicas clássicas devem permanecer ou até recuperar-se!” MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 117 BIBLIOGRAFIA BIBLIOGRAFIA Bibliografia BIBLIOGRAFIA REFERENCIADA ¾ ATKINS, P.; JONES, L. (2001) – Chemical Principles – The Quest for Insight. Second Edition. Freeman. 2001. ¾ BRAGIN, V. (1996) – Interactive Computer Visualization in the Introductory Chemistry Curriculum. Journal of Chemical Education. 73. 1996. 747. ¾ BELANGER, F.; JORDAN D. J. (2000) – Evaluation and Implementation of Distance Learning: Technologies, Tools and Techniques. USA: Idea Group Publishing. 2000. ¾ CAREY, F. (1992) – Organic Chemistry. Second Edition. Mac Graw Hill. 1992. ¾ CARPI, A. (2001) – Improvements in Undergraduate Science Education Using WebBased Instructional Modules: The Natural Science Pages. Journal of Chemical Education. 78 (12). 2001. 1709-1712. ¾ CHANG, R. (1994) – Química. 5ª Edição. Mac Graw Hill. 1994. ¾ COLLINS, J.; HAMMOND, M.; WELLINGTON, J (1997) – Teaching and Learning with Multimedia. Routledge. 1997 ¾ CORBETT, A. (1997) – Unleashing the Power of the Internet as a Classroom Learning Tool. Computeredication 100. 1997. 79-82. ¾ CRINON, J.; GAUTELLIER, C. (2001) – Aporendre avec le multimédia et Internet. RETZ. 2001 ¾ DIAS, P.(2000) – Hipertexto, hipermédia e media do conhecimento: representação distribuída e aprendizagens flexíveis e colaborativas na Web. Revista Portuguesa de Educação. 13 (1). 2000. 141-166. ¾ DONOVAN, W.; NAKHLEH, M. (2001) – Students´ Use of Web-Based Tutorial Materials and Their Understanding of Chemistry Concepts. Journal of Chemical Education. 78 (7). 2001. 975-980. ¾ DONOVAN, W.; NAKHLEH, M. (2001) – Students´ Use of Web-Based Tutorial Materials and Their Understanding of Chemistry Concepts. Journal of Chemical Education. 78 (7). 2001. 975-980. ¾ DUGGLEBY, J. (2002) – Como Ser Um Tutor Online. Colecção do Formador Prático. Monitor. 2002. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 119 BIBLIOGRAFIA ¾ DUTCH, S. (1999) – Periodic Tables of Elemental Abundance. Journal of Chemical Education. 76 (3). 1999. 356-358. ¾ GARNER, R.; GILLINGHAM, M. (1996) – Internet Communication in Six Classroom – Conversation Across Time, Space, and Culture. Lawrence Erlbaum Associates, Publishers. 1996. ¾ GIL, V.(1996) – Química Dia a Dia, 9º ano. Plátano Editora. 1996. ¾ GIL, V. (1996) – Química, 11º ano. Plátano Editora.1996. ¾ GIL, V. (1996) – Química, 12º ano. Plátano Editora. 1996. ¾ HINOSTROZA, E. (2000) – Teachers´ Beliefs about Computers: Report a Case Study. Journal Education Computing Research. 22 (4). 2000. 397-409. ¾ KERLINGER, F.(1980) – Metodologia da Pesquisa em Ciências Sociais: um Tratamento Conceptual. E. P. V. 1980. ¾ LEHNINGER, A.(1995) – Princípios de Bioquímica. 2º Edição. Ómega. 1995. ¾ LEITE, L. (2002) – Prospective physical sciences teachers´ use of laboratory activities: An analysis of its evolution due to science teaching methods course. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias. 1 (3). 2002. 27-55 ¾ MAYER, R. (1999) – Multimedia aids to problem-solving transfer. International Journal of Educational Research. 31. 1999. 611-623. ¾ MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (1999) – programa de Ciências Físico-Químicas – Programa e Organização Curricular. Ensino Básico, 3º ciclo.1999 ¾ MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (2003) – Reforma do Ensino Secundário – Revisão Curricular. 2003. ¾ MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO/DEPARTAMENTO DO EDUCAÇÃO BÁSICA (2001) – Ciências Físicas e Naturais – Orientações Curriculares para o 3ºciclo do Ensino Básico. 2001. ¾ MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO/DEPARTAMENTO DO ENSINO SECUNDÁRIO (1995) – O professor aprendiz. Criar o Futuro. Programa Europeu PETRA II, ACÇÃO II. 1995 ¾ MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO/DEPARTAMENTO DO ENSINO SECUNDÁRIO (1995) – Programa de Ciências Físico-Químicas, 10º ano. 1995. ¾ MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO/DEPARTAMENTO DO ENSINO SECUNDÁRIO (1995) – Programa de Ciências Físico-Químicas, 11º ano. 1995. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 120 BIBLIOGRAFIA ¾ MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO/DEPARTAMENTO DO ENSINO SECUNDÁRIO (1995) – Programa de Ciências Físico-Químicas, 12º ano. 1995. ¾ MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO/DEPARTAMENTO DO EDUCAÇÃO SECUNDÁRIO (2001) – Programa de Física e Química A – 10º Ano. 2001. ¾ MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO/DEPARTAMENTO DO EDUCAÇÃO SECUNDÁRIO (2001) – Programa de Física e Química A – 11º Ano. 2003. ¾ MORRISON, R; BOYD, R. (1996) – Química Orgânica. Fundação Calouste Gulbenkian. 13ª Edição. 1996. ¾ MURTEIRA, B.; BLACK, G. (1983) – Estatística Descritiva. McGraw-Hill. 1983. ¾ NTHUNYA, E. (1998) – The Changing Role of the Learner: Computer Use in Primary Education. Computereducation. 1998. 23-28. ¾ PAIVA, J. (1997) – A Internet na Educação. http://nautilus.fis.uc.pt/personal/jcpaiva/td/b/ol/intedu1.htm (05-01-2002). ¾ PAIVA, J., COSTA, L.; FIOLHAIS, C. (2002) – “MOCHO”: Um Portal de Ciência e Cultura Científica. 2002. ¾ PAIVA, J. (2003) – As Tecnologias de Informação e Comunicação: Utilização pelos Alunos. Ministério da Educação, Departamento de Avaliação Prospectiva e Planeamento. 2003. ¾ PAIVA, J. (2002) – As Tecnologias de Informação e Comunicação: Utilização pelos Professores. Ministério da Educação, Departamento de Avaliação Prospectiva e Planeamento. 2002. ¾ RUSSELL, J. (1996) – Química Geral. 3ª Edição. Vol. 2. Mc Graw Hill. 1996. ¾ SHIVER, D.; ATKINS, P.W.; LANGFORD, C. H. (1994) – Inorganic Chemistry. Second Edition. Oxford University Press. 1994. ¾ SPIEGEL, M. (1985) - Estatística. 2º Edição. Mac Graw Hill. 1985. ¾ SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO (1997) – Livro para a Sociedade da Informação em Portugal. Lisboa 1997. (www.missão-si.mct.pt). ¾ STRYER, L.(1996) – Bioquímica. 4ª Edição. Gunabara Koogan. 1996. ¾ TSAI, CHING-CHUNG (2001) – Review and Discussion of Epistemological Commitment, Metacognition and Critical Thinking with Suggestions on Their Enhancement in Internet – Assisted Chemical Education. Journal of Chemical Education. 78 (7). 2001. 970-974. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 121 BIBLIOGRAFIA ¾ TSOI, M.; GOH, N.; CHIA, L.(2000) – Multimedia Design for Chemical Visualisation. ICCE/ICCAI. 2. 2000. 980-983. ¾ ZVI, N.; GENUT, S. (1998) – Use and limitations of scientific models: the Periodic Table as an inductive tool. International Journal of Science Education. 20 (3).1998. 351-360. BIBLIOGRAFIA NÃO REFERENCIADA ¾ BANKS, A et al (1999) – Periodic Table Live! 2nd Edition. Journal of Chemical Education. 76. 1999. 447-448. ¾ COHEN, L.; MANION, L. (1994) – Research Methods in Education. Fourth edition. Routledge.1994. ¾ HE, FU-CHENG; LI, XIANG-YUAN (1997) – The Periodic Building of the Elements: Can the Periodic Table Be Transformed into Stereo? Journal of Chemical Education. 74 (7). 1997. 792-793. ¾ JUDD, C. (2000) – News from Online: The Power of the Voice. Journal of Chemical Education. 77 (3). 2000. 299-300. ¾ LAGOWSKI, J. (1998) – Chemical Education: Past, Present and Future. Journal of Chemical Education. 75 (4). 1998. 425-436. ¾ MARTINS, A.J. (2002) – Simulações on-line no Ensino da Física. Dissertação de Mestrado. Departamento de Física, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra 2002. ¾ MENDONÇA, L.; RAMALHO, M. (2000) – Química no Mundo em Transformação, 9º ano. Texto Editora. 2000. ¾ MISHRA, P.; JAHIEL, K. (1997) – Multiple Visual Representations of The Periodic Systems of Elements: Epistemological and Pedagogic Implications. International Visual Literacy Association Conference. State College. ¾ PACHECO, A.P. (2001) – Estudo da Influência de Representação Gráfica de Resultados Científicos no Desempenho dos Alunos. Dissertação de Mestrado. Departamento de Química, Faculdade de Ciências da Universidade do Porto 2001. ¾ RODRIGUES, M.; DIAS, F. (2000) – Química na Nossa Vida. Porto Editora. 2000. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 122 BIBLIOGRAFIA ¾ SALGUEIRO, M.E. (2003) – Simulações on-line para o Ensino e Aprendizagem da Química. Dissertação para Mestrado em Química para o Ensino. Departamento de Química, Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. ¾ SALTERS (2000) – Chemical Storylines. Second Edition. Heinemann. SITES CONSULTADOS: ¾ http://atelier.uarte.mct.pt/fq/tabelas/periodica.htm (30-05-2003) ¾ http//:www.dapp.min_edu.pt/nónio/pdf/estudo_alunos_v3.pdf (08/07/2003) ¾ http://education.jlab.or/elementcroosword/index.html (02-09-2002) ¾ http://ericir.syr.edu/plweb-cgi/fastweb?search (02-09-2002) ¾ http://intermega.globo.com/biotemas/a_origem_da_vida.htm (17-7-2002) ¾ http://jchemed.chem.wisc.edu/journal/search/index.html (02-09-2002) ¾ http://library.thinkquest.org/12909/index.html (02-09-2002) ¾ http://luisperna.com.sapo.pt/tabela_periodica.htm (30-05-2003) ¾ http://mendelieve.Cyberscol.ca/accueil.html (12-01-2002) ¾ http://nautilus.fis.uc.pt/cec/jodostp (10-03-2002) ¾ http://nautilus.fis.uc.pt/mocho (04-12-2001) ¾ http://nautulus.fis.uc.pt/st2.5 (12-01-2002) ¾ http://www.webelements.com (15-02-2002) ¾ http://web.jjay.cuny.edu/~acarpi/NSC/4-pertab.htm (30-05-2003) ¾ http://werck.com.br/química/tpie/menuprim.html (09-07-2002) ¾ http://www.bio2000.hpg.ig.com.br/quimica_da_vida.html (17-07-2002) ¾ http://www.cdcc.sc.usp.br/quimica/tabela_apres.html (11-06-2003) ¾ http://www.chemicalelements.com (11-06-2003) ¾ http://www.chem.qmw.ac.uk/iupac/AtWt/table.html. (30-05-3003) ¾ http://www.chemsoc.org (22-03-2003) MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 123 BIBLIOGRAFIA ¾ http://www.cienciaquimica.hpg.ig.com.br/tabelaperiodica.htm (11-06-2003) ¾ http://www.dbio.uevora.pt/biologia1-novo/moleculas_da_vida.html (17-07-2002) ¾ http://www.environmentalchemistry.com/yogi/periodic (11-06-2003) ¾ http://www.geocites.com/TheTropics/6448/tabela.html (21/01/2002) ¾ http://www.geocites.com/jmota_pt/quii.html (21/01/2002) ¾ http://www.icb.ufmg.br/~franc/cool/ciencia/origemdavida.htm (17-07-2002) ¾ http://www.if.ufrj.br/teaching/tabela/st2.html (21-01-2002) ¾ http://www.kidsvista.com/sciences/chemistry.html (21-01-2002) ¾ http://www.malhatlantica.pt/netescola/cienfq/fq9webquest.htm (30-05-2003) ¾ http://www.merk.com.br/quimica/tpie/bibliog.html (21-01-2002) ¾ http://www.mocho.pt (27-11-2001) ¾ http://www.panreac.com/ing/tabla/tabla01.htm (11-06-2003) ¾ http://www.santafedosulonline.hpg.ig.com.br/tabela_periodica.htm; ¾ http://www.shef.ac.uk/chemistry/webelements/main/indexnofr.html (23-01-2002) ¾ http://www.terravista.pt/guincho/2801/Digest%C3%A3o.html (02-09-2002) ¾ http://www.webelementes.com (23-01-2002) ¾ http://www.webelementes.com/webelements/scholar/elements/carbon/key.html 12-2002) MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO (13- 124 GLOSSÁRIO GLOSSÁRIO GLOSSÁRIO CD-ROM – Compact Disk Read Only Memory. Unidade com grande capacidade de informação. Actualmente já é possível ler e gravar num CD-ROM. Download – Acto de capturar um ficheiro de um servidor, como por exemplo a Internet, para um computador. Hardware – Conjunto de equipamentos e dispositivos físicos de um computador. Hiperligação – Hiperlink. Ligação entre um elemento do mesmo de um documento electrónico (palavra, imagem, etc.) com outro elemento ou de outro documento electrónico. Hipertexto – Hipertext. Documento constituído por texto, imagens e ligações que, quando seleccionados, possibilitam a visualização de outras partes do documento ou até de documentos diferentes, podendo o utilizador escolher o “caminho a percorrer” no hipertexto. Html – HiperText Markup Language. A expressão mais comum dos ficheiros legíveis na Internet, usando um vulgar programa que permite a manipulação de toda a informação disponível. http – Hiper Text Protocol. Protocolo de comunicação entre computadores ligados pela Internet. Em particular, este protocolo permite a transferência universal de material digital em hipertexto. Ícones – Pequenas imagens representando aplicações, dispositivos e documentos que, pela sua aparência, sugerem a sua utilidade. Internet – Rede mundial de computadores ligados entre si, que partilham informação. IUPAC – International Union of Pure and Applied Chemistry. Orgão composto por várias comissões e grupos de trabalho, representante dos químicos dos diversos países, que determina orientações e convensões internacionais em termos de simbologia química. Link – Ligação. Num documento html ou num hipertexto identifica-se com uma palavra sublinhada ou em destaque que indica um ponto de ligação a outra informação. Multimédia – Conjunto de recursos de informação digital e programas de computador, que combinam texto, som e imagem. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 126 GLOSSÁRIO Online – “ligado à rede”. Permite aceder a toda a informação disponível na Internet. Opõe-se ao conceito offline. Portal – Portal site. Local da Internet que constitui o ponto de partida para várias páginas da mesma. O utilizador pode procurar a informação desejada através de palavas-chave ou de um menu prévio. Site – Um dos nós que armazenam páginas html. É frequentemente usado como sinónimo de um conjunto de páginas da Internet. Software – Conjunto de programas de computador que executam determinadas tarefas. World Wide Web (www) – Vasta colecção de informação digital disponível na Internet sob a forma de páginas Web. Também é conhecida por “Teia mundial alargada”, disponível a todos os utilizadores que disponham de um computador e de uma forma de o ligar à rede, podendo assim aceder ao vastíssimo manancial de informação disponível. WWW, W3 ou simplesmente Web, como também é designado, funciona, muitas vezes, como sinónimo de Internet. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO 127 ANEXOS ANEXO I Roteiro para a Tabela Periódica ANEXO I ROTEIRO PARA A TABELA PERIÓDICA NA INTERNET 9º Ano MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO III ANEXO I A Internet é uma grande fonte de informação. Nela, podemos descobrir e conhecer as mais variadas curiosidades sobre o que nos rodeia. Podemos colocar-nos a par do que se passa no mundo inteiro, das descobertas científicas mais recentes, etc. Podemos até estudar com a ajuda da Internet! Neste trabalho vamos conhecer um pouco mais sobre os elementos químicos e como estão organizados na Tabela Periódica, utilizando um meio de informação diferente: A INTERNET. Para os que ainda não têm muita prática com computadores, vamos sugerir alguns passos que podem ser úteis para conseguir chegar à informação pretendida. Para os que já não têm dificuldades em trabalhar com os computadores e já várias vezes acederam à Internet, é possível passar directamente para o ponto 4º. Nota 1: Neste roteiro, os comandos são colocados em inglês, indicando-se entre parêntesis a correspondência para o sistema operativo em português. 1º. Carrega no botão on/off (ligar/desligar) do teu computador 2º. Poderá aparecer no ecrã o seguinte: Neste caso, deverás escrever, no rectângulo onde diz Type your password (escreve a tua palavra-chave), o código que te permite pôr o teu computador a trabalhar. Em alguns computadores basta carregar na tecla que diz enter ( ), noutros este passo nem tem de ser feito (o computador arranca automaticamente). 3º. De seguida deverão aparecer vários desenhos (ícones), entre os quais o que dá acesso à Internet: MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO IV ANEXO I Movendo o rato do computador, coloca o cursor sobre o ícone da Internet e carrega rapidamente, duas vezes no botão esquerdo do rato, sem moveres o cursor. (Alternativamente podes clicar só uma vez e de seguida carregar na tecla enter ( ) do teclado). Se este ícon não aparecer no desktop (ambiente de trabalho) deves fazer o seguinte: Move o rato de forma a colocares o cursor sobre o ícon (começar) e clica, sobre ele com o botão esquerdo de rato De imediato aparecerão algumas opções: Move novamente o rato para que o cursor fique sobre a opção programs (programas). E clica com o botão esquerdo do teu rato: De seguida aparecem novas opções: MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO V ANEXO I Deverás escolher a opção Internet Explorer (Explorador da Internet). Clica sobre essa opção, com o botão esquerdo do teu rato. Acabaste de entrar na Internet!!! 4º. Passados alguns segundos aparece aquilo a que se chama um “Browser” da Internet, que permite “navegar” na “Web”. De seguida teremos que escrever o endereço da página de Internet que queremos consultar: ¾ Com a ajuda do rato, coloca o cursor no quadrado onde diz Address (Endereço), mais precisamente à frente de http//. Carrega uma vez no botão do rato, para poderes fixar o cursor na posição pretendida (à frente de http//) ¾ Apaga tudo o que está escrito para a frente, utilizando a tecla que diz delete. ¾ Escreve então o endereço da página pretendida: nautilus.fis.uc.pt/st2.5 Atenção: deves ter o cuidado de escrever todas as letras, pontos e traços, sem dares qualquer espaço entre eles. ¾ Depois arranca na tecla enter ( ) 5º. Passados alguns segundos, aparece a seguinte imagem: MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO VI ANEXO I 6º. Estás agora na página da Tabela Periódica!! 7º. Com a ajuda do rato, coloca o cursor sobre a bandeira portuguesa (este tomará a forma de uma mão) e carrega uma vez no botão esquerdo de rato. Assim escolhes a versão da Tabela Periódica em português. 8º. Aparecem-te então várias opções que poderás escolher, fazendo movimentar o cursor com a ajuda do rato sobre elas, consoante o que te interessa saber. Nota1: Esta página é a página principal que te dará acesso a toda a tua pesquisa. Terás de voltar a ela algumas vezes. Nota 2: Sempre que o cursor se transforme em mão, significa que estás sobre uma opção. Para a abrires, basta carregar no botão esquerdo do rato, uma vez. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO VII ANEXO I Alguns dos temas que podes pesquisar neste site podem ser os seguintes: Identificação e informações sobre cientistas que desenvolveram trabalhos que ajudaram a identificar e descobrir novos elementos químicos. A história da Tabela Periódica Famílias de elementos químicos As características de todos os elementos da Tabela Periódica 9º. Sugerimos-te que tenhas um papel e uma caneta ou que uses o teu ficheiro para produzires texto, de forma a elaborares as respostas questões que se seguem: 10º. Vamos começar por conhecer um pouco sobre a origem da Tabela Periódica. Para tal, basta que respondas às seguintes questões. Indica, de uma forma sucinta, quais foram as classificações propostas longo do tempo, para os elementos químicos. Como organizou Mendeleev, os elementos? Para responderes a questões relacionadas com a história da Tabela Periódica, coloca o cursor sobre “Um Pouco de História” e clica. Irá aparecer uma página com o título “Um Pouco de História....”. Depois de teres lido a informação desta página verificarás que no final aparece a seguinte imagem: Se clicares sobre a seta para o lado direito ou para o lado esquerdo, irás avançar ou recuar uma página sobre a história da Tabela Periódica. Se clicares sobre a seta para cima voltas à página principal. Nota 3: Em todas as páginas dos diferentes temas aparece a imagem anterior, e em todas elas as funções das setas são iguais: - Seta para a direita ou esquerda: faz avançar ou recuar uma página, no mesmo tema ou sub tema. - Seta para cima: faz voltar à página principal. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO VIII ANEXO I 11º. Podemos agora conhecer alguns pormenores sobre a organização da actual Tabela Periódica: Quantos grupos e períodos existem na Tabela Periódica? Na Tabela Periódica onde podemos encontrar os metais? E os não-metais? Identifica os elementos químicos que são líquidos e os que são gasosos. Quais são os elemento químicos que são obtidos sinteticamente? Para encontrares respostas para estas questões podes começar por pesquisar da seguinte forma: No início da página onde estás existe o seguinte: Clica na seta para baixo que está ao lado da palavra “All” (todos). Aparecerão algumas opções: Todos Período Grupo Estados físicos (sólidos, líquidos, gasosos e sintetizados) Classe de substâncias (metais, não metais e semi-metais) Família Origem (naturais ou sintetizados) Nota 4: A cor azul, significa que é essa opção que está escolhida. Para escolheres uma das opções, basta clicar 1 vez sobre a opção pretendida. De seguida, clica sobre o quadrado com o desenho da Tabela Periódica e aparecerá a Tabela Periódica faseada consoante a tua escolha anterior. Ex: por classe de substâncias: MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO IX ANEXO I Não metais Metais Semi-metais Para mudares de opção, terás de fechar a janela da Tabela Periódica, clicando sobre e voltares a fazer nova opção. Nota 5: Sempre que a janela da Tabela Periódica estiver em cima de alguma coisa que queiras ver, podes arrastá-la. Para isso, coloca o cursor sobre a barra azul e pressiona o botão esquerdo do rato, sem o largares. Move então o rato de forma a moveres a janela para o local que quiseres. Quando estiver sobre o local já podes largar o botão do rato. 12º. Que características têm os elementos químicos? Que particularidades terão? Vamos descobrir algumas delas: Qual o aspecto físico do enxofre? Qual é a massa atómica do hidrogénio? Que tipo de iões originam os átomos que pertencem à família dos metais alcalino-terrosos (2º grupo)? E os halogéneos (17ºgrupo)? Os gases nobres (18º grupo) são elementos químicos muito estáveis. Porquê? O boro e o berílio existem na natureza. Como se apresentam? Por comparação e registo das propriedades das substâncias elementares (estado físico à temperatura ambiente, ponto de fusão e ebulição, condutibilidade MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO X ANEXO I eléctrica e aspecto) descobre as referidas diferenças entre os metais e os não metais. Para responderes a estas questões poderás pesquisar de duas formas diferentes: Clica sobre que está no início da página. De seguida clica sobre o símbolo do elemento que pretendes pesquisar; ou então Volta à página principal. Para tal, basta clicares em que está no final da página, até aparecer a página referida no ponto 8º. De seguida terás de clicar na seta preta ao lado da janela que diz “seleccione o elemento”. Aparecerá então uma lista de elementos, tal como mostra a figura: Depois é só clicar em cima do elemento pretendido. Se pretenderes mais elementos do que os que a janela te mostra, basta clicares sobre a última seta para baixo ou na seta para cima. Independentemente de teres usado qualquer um destes processos, decorridos alguns segundos, aparecerá a página referente ao elemento químico escolhido. Nessa página terás de ler a informação dada e caso não seja suficiente podes obter mais informação clicando sobre uma das opções seguintes, consoante o que quiseres saber: Para pesquisares sobre outros elementos, basta clicares sobre até aparecer a página principal e repetires novamente estas operações. Ou então, clicar sobre MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO e de seguida XI ANEXO I sobre o símbolo do elemento pretendido. 13º. Vamos ver como variam algumas propriedades ao longo do período e do grupo. Para isso vê se descobres resposta para estas questões: O número atómico dos elementos químicos, vai aumentando ou diminuindo ao longo do período? E ao longo do grupo? O raio atómico aumenta ou diminui ao longo do grupo? E do período? Encontra uma explicação para que tal se passe. O que acontece à massa atómica dos elementos, à medida que avançamos no grupo? Para poderes pesquisar sobre grupos e períodos, basta voltares à página principal, tal como te é indicado no ponto 11º. Uma vez aí, escolhe se queres pesquisar segundo o grupo ou o período, tal como te foi explicado no ponto 12º. Depois clica sobre o desenho da Tabela Periódica para poderes identificar quais os elementos que pertencem ao mesmo grupo ou período. De seguida já podes pesquisar e comparar as características dos elementos que pretenderes, fazendo o que te foi explicado no ponto 12º utilizando as opções: Propriedades: Elementos; Atómicas. Para saberes quais os restantes elementos do grupo ou período que escolheste, basta clicares novamente sobre e aparecerá, numa janela (Window), a Tabela Periódica de acordo com o que escolheste na janela 14º. e voltares a repetir o procedimento anterior. Vamos agora descobrir, de acordo com algumas pistas, onde podemos encontrar os elementos da Tabela Periódica: Qual é o elemento que se encontra no 16º grupo e no 2º período? Indica algumas das suas características. A configuração electrónica de um elemento é 2; 8. A quem nos referimos? Indica qual é o grupo e o período do elemento de número atómico 17? Qual o elemento que se encontra no 10º grupo e tem 6 níveis energéticos ocupados? MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XII ANEXO I Para descobrires as respostas a estas questões, basta clicares sobre para teres a visão global da Tabela Periódica. 15º. Mas para que necessitamos de tantos elementos? Será que são importantes nas nossas vidas? Encontra as respostas às seguintes questões. Isso poderá ajudar! Para que é utilizado o elemento de número atómico 13? Qual a importância, para o nosso organismo, o elemento que está no 3º período e no 2º grupo? O alumínio é utilizado no fabrico de alguns utensílios de cozinha. Quais? O cloreto de sódio é o sal das cozinhas. Um dos elementos que o constitui é muito importante na transmissão de impulsos nervosos. De que elemento se trata? Qual o elemento químico, do 2º grupo, que aparece na constituição do vidro? O flúor e o fósforo, ambos estão presentes num produto que usas diariamente. Qual é? O cloro é um halogéneo muito utilizado em produtos de limpeza. Qual o seu papel? Grande parte das lâmpadas contém alguns gases nobres. Indica quais os mais utilizados. O cálcio é um elemento muito importante para o nosso organismo. Porquê? Para descobrires as respostas a estas questões, basta procederes como foi indicado no ponto 14º, para acederes à página do elemento químico que pretendes. Uma vez nessa página basta clicares sobre “Aplicações”. 16º. Vamos por fim conhecer algumas curiosidades interessantes sobre os elementos químicos. Para isso basta descobrires as respostas às seguintes questões: Qual o elemento do grupo 1 que se encontra na crusta terrestre na percentagem de 0,004%? O hidrogénio e o hélio são elementos químicos abundantes no Universo. Em que corpos celestes estes elementos existem em maior quantidade? MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XIII ANEXO I O berílio encontra-se na composição de algumas pedras preciosas. Quais? Para poderes descobrir estas curiosidades, terás de as procurar na página do elemento. Podes agora fazer um pequeno teste. Vê se és capaz de completar o seguinte quadro, utilizando os processos que acabaste de efectuar: Elemento Químico Sódio Símbolo Químico Grupo Período Ca Classe Importância Biológica Utilização Metal Alumínio Si C Cloro Árgon Não-metal Flúor He K Berílio 18º. Como já aprendeste algumas coisas sobre a Tabela Periódica, propomos que testes a tua sabedoria e perspicácia usando os jogos que te são propostos na página: http://nautilus.fis.uc.pt/cec/jogostp 19º. Podes ainda descobrir mais informação, na web, sobre os elementos químicos recentemente descobertos (com nº atómico maior que 116). Para isso basta utilizares outros endereços electrónicos, como por exemplo, o motor de busca www.altavista.com ou a Tabela Periódica www.webelements.com MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XIV ANEXO II Jogos ANEXO II ADIVINHAS: QUEM É QUEM NA TABELA PERIÓDICA? As “Adivinhas sobre a Tabela Periódica” são uma ideia simples e popular, para ajudar os nossos alunos e demais cidadãos (interessados em Ciência) a compreender melhor alguns aspectos dos elementos da Tabela Periódica. Só se abordam os elementos químicos de número atómico entre 1 e 20, que são os estudados formalmente no Ensino Básico. O jogo de “Adivinhas sobre a Tabela Periódica” está disponível online, em http://nautilus.fis.uc.pt/cec/adivinhastp. Este aspecto parece-nos relevante para tornar o material mais aberto e disponível. Na versão online, há uma área de submissão de adivinhas por parte dos utilizadores. Uma vez recebidas estas colaborações externas, é apurada a sua validade pedagógica e científica. Se esta avaliação for positiva as adivinhas construídas pelos próprios utilizadores integrarão também o módulo digital. É bom dizer, porém, que o formato de adivinhas é ainda aplicável em “versão papel”, no esquema tradicional de uma adivinha ou mais, apresentadas em determinada folha e a(s) respectivas solução(ões) noutro local. As adivinhas sobre a Tabela Periódica podem ser igualmente úteis para quebrar o ritmo, porventura denso, de uma aula de química, para actividades extra-curriculares em ciência, etc. Um jogo incluindo estas adivinhas foi apresentado e premiado no interessante e bem sucedido concurso “Tabela Periódica: um elemento em cada casa e uma casa para cada elemento”, organizado pelo Instituto Superior de Engenharia do Porto e pelo Centro de Química da Universidade do Porto. Apresentamos de seguida o conjunto das 64 adivinhas que constituem o jogo, chamando à atenção, contudo, que o efeito surpresa é maior com as adivinhas apresentadas aleatória e individualmente, ditadas ou, melhor ainda, a partir do módulo online. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XVII ANEXO II Hidrogénio Sou o primeiro dos primeiros E pequeno ao mundo vim Há uma bomba muito grande Que é uma bomba de mim... Posso ser prótio ou deutério E trítio, também algum Sou de pequeno tamanho Meu número atómico é um Em substância elementar Sou um gás bem explosivo Estou nos hidróxidos com o "O" E aí sou abrasivo No sol existo imenso Mas na água estou também E tenho lá sempre o dobro Do que o oxigénio tem Hélio Meu número atómico é dois Existo só, sem fazer mal O grupo a que pertenço Na tabela é terminal O período em que estou É um pouco especial Só lá moro eu e outro E sou eu o "maioral" Existo em dirigíveis E ajudo-os a voar Pois sou um gás pouco denso Menos denso que o ar Lítio Com água, dou "zaragata" Mas como eu, há piores Todos os outros do grupo Dão "zaragatas" maiores Estou nas cinzas do tabaco E nas pilhas participo O sódio e o potássio São maiores, mas do meu tipo Pertenço ao grupo catorze E ao período segundo O diamante sou eu Embora raro no mundo Berílio As esmeraldas são belas E eu das esmeraldas sou Só que sou também de belas Belas comigo começou... Usam-me para escrever Não sou tinta permanente Mas estou dentro do teu lápis Assim conduzo a corrente Meu número atómico é quatro Mas é no dois que eu penso Pois é dois e sempre dois O período e grupo a que pertenço Meus sólidos são muito rígidos Aos raios X são transparentes Tenho um B no meu símbolo E segunda letra diferente Boro Basta apenas uma letra P`ra este elemento chamar É do segundo período E do grupo do azar Estou no bórax incluído No pirex também estou Sou um berílio sem "e" Adivinha quem eu sou Meu número atómico é cinco E sou um semi-metal A primeira letra de "burro" Sou mesmo eu, tal e qual Carbono Chamam-me 'elemento da vida' E têm muita razão Onde há vida, eu lá estou Meu número atómico é três Não sou abundante no mundo E sou o início de cão Meu grupo é o primeiro Meu período é o segundo MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO Azoto Ligado a um igual Estás-me sempre a respirar Eu sou até mais abundante Que o oxigénio do ar Estou ligado à tua vida Nas proteínas eu estou Sou parte do amoníaco Adivinha quem eu sou Meu gás é não reactivo Do grupo quinze faço parte Fixar-me nas plantinhas É para mim uma arte Oxigénio Vou até ao teu pulmão E sou vital para ti Se estivesses onde não estou Já não estarias aqui... Sou do segundo período Ás vezes formo iões O grupo a que pertenço É o dobro dos meus protões Sou mais denso que o ar Mas dele eu faço parte Onde houver combustíveis e eu Podes até queimar-te Ando muito com um par Mas também faço um trio Graças a mim, lá no alto O planeta é mais frio XVIII ANEXO II Quando o sol ataca forte Com a sua radiação Eu (a três) tiro ultravioleta Para tua protecção Estou na molécula da água Com o hidrogénio a ganhar Mas na água oxigenada Já ando com ele a par Flúor Sou do segundo período E do grupo dezassete Comigo nos teus dentinhos Nenhuma bactéria se mete Sou gás com o meu parzinho E do teflon sou obreiro Não sou só um halogéneo Mas o halogéneo primeiro Quando lavas os teus dentes É de mim que tu te cobres Na tabela, depois do meu grupo Só existe o dos nobres Néon O meu grupo é o dezoito Meu período é o segundo Estou nas estrelas e dou luz Posso iluminar o mundo Faço barulho e "estrilho" Fico até aliviado Se um electrão me escapa Estou entalado no grupo Pelo lítio e pelo capa Faço estrilho e até luz Quando na água me meto Estou presente nas salinas Com o meu par cloreto Os impulsos nervosos Chamam-me para passar E posso sair dos teus olhos Quando resolves chorar Magnésio Sou do grupo segundo E o segundo da fila Existo nos alimentos Estou na clorofila Senhoras grávidas tomam-me E existo no agrião Dou uma luz muito intensa Quando estou em combustão Minha primeira letra é "M" E a segunda é vogal O meu período é o terceiro Estou no verde vegetal Minha substância é gasosa Não sou ferro nem cobre Acho que sou "gente fina" Sou o segundo e sou nobre Alumínio Existo em janelas e portas A bauxite é coisa minha Estou em tachos e panelas E em rolos, na cozinha Meu símbolo tem "N"grande A ligar-me tenho ódio Minha letra segunda é pequena Mas meu nome não é sódio Se olhares meu número atómico E o grupo onde fui parar Vais descobrir quem eu sou Pois sou filho do azar! Sódio Ao ar fico oxidado Perco todo o meu brilho Sou o onze e na piscina Na água, em abundância Posso matar, sem pistola Sou um metal muito dúctil Da lata de Coca-Cola... MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO Devo ser árabe de raiz Na crosta da Terra vivo bem Algarve, Alfarroba e Alcácer Começam por mim também Silício Sou da família do carbono Mas sou de maior tamanho O grupo a que pertenço É o número atómico que tenho Sino, sítio e silva São palavras da minha laia Existo dentro do vidro E na areia da praia Sou do terceiro período Chamam-me semi-metal Pico em folhas de urtigas E no quartzo, sou cristal Fósforo Meu símbolo não é F Embora o faça lembrar O isqueiro é meu concorrente P´ra ajudar a fumar... Sou do grupo do azoto Estou no leite e na ervilha Comigo se fazem luzes Foguetes de maravilha Meu número atómico é quinze Estou no osso e no dente Em fosfatos, para lavagem Prejudico o ambiente XIX ANEXO II Enxofre Sou um sólido bonito Tenho cor de omelete Quando ando com iguais Junto-me sempre a mais sete Sou um pó sólido, lindo Não metal, amarelado Dizem que o meu cheiro Parece um ovo estragado Sou do grupo dezasseis Desgostam dos meus odores Saio de dentro da Terra Em S. Miguel, nos Açores Ando pela atmosfera E não sou de me ligar Sou um gás raro ou nobre E eu próprio sou o ar... Potássio Usam-me em sabões E sou do grupo primeiro Moro abaixo do sódio Acho que sou terceiro Estou na pólvora vulgar Usam-me em pipas de vinho Estou no ácido sulfúrico Sólido, sou amarelinho Um electrão de valência Com frequência me escapa Fico num ião positivo Mas continuo com "capa" Desatino com a água: Se dentro dela mergulhado Fico muito furioso E bastante inflamado Cloro Sou da família do flúor E sou um gás, normalmente Tal como o oxigénio Eu também sou comburente Cálcio O grupo a que pertenço Não tenhamos ilusões, Tem o primeiro algarismo Do meu número de protões Estou presente na lixívia Para a roupa branquear Encontras-me nas piscinas P´ra água desinfectar Estou na pedra da calçada A concha, fui eu que a fiz No quadro preto eu escrevo Pois eu sou parte do giz Estou no ácido clorídrico E não sou o hidrogénio É fácil ver onde estou Sou o segundo halogéneo Antes de mim há o magnésio E eu só venho depois Na água de cal fico turvo Se me deitam "C ó dois" Árgon Saber quem sou eu É fácil de adivinhar Pois meu próprio símbolo Estás sempre a respirar Estou na cal viva presente O mármore é feito de mim Posso até acumular-me Como pedra no teu ri Sou gás nobre com orgulho O néon é meu parceiro O meu grupo é o último E eu sou lá o terceiro MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XX ANEXO II CORRESPONDÊNCIA QUESTÕES/RESPOSTAS QUE ESTIVERAM NA ORIGEM DO JOGO Elementos Questões Pertence ao 3º periodo? Pertence ao 2º grupo? É um halogéneo? É um gás nobre? É um metal alcalino? É m metal alcalinoterroso É um não-metal? É um metal? Reage violentamente com a água? A sua substância elementar é sólida? A sua substância elementar é um gás? Tem tendência a tornar-se um catião? Tem tendência a tornar-se um anião? Existe em abundância na atmosfera? Tem 6 electrões de valência? O seu símbolo químico tem 2 letras? C O Li Na Ar Cl Be S F Ne Mg Al N N N S S S N S N N S S N N N N N N S N N N N N N N N N N N N N N S S N N N N N S N N S N N N N N N S S N N N N N N N N N N N N N N S N N N S N S N S N N S N S S N S N N S S N S N S N N S N S N N S S N N S N N N S N S N S S N N S S N N S S N S N N S S N N S S N N N N S S N N S N N N S S N S N N N S N S S N N N N S N N S S N N N S N N N S N N N N N S N N N N N N S S S S S N N S S S Onde S significa sim (Y) e N significa não (N) MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XXI ANEXO II QUESTÕES QUE ESTIVERAM NA ORIGEM DO JOGO “ Escolhe as borboletas que contêm os símbolos químicos dos elementos que…” ¾ Pertençam à família dos halogéneos: F, Cl, Br, I, At ¾ Tenham um electrão de valência: Li, Na, K, Rb, Cs, Fr ¾ Cujas suas substâncias elementares sejam gases, existentes na atmosfera terrestre: N, O, H, He, Ar, etc. ¾ Pertençam ao 2º período: Li, Be, B, C, N, O, F, Ne ¾ Sejam semi-metais: B, Si, Ge, As, Sb, etc. ¾ Sejam não-metais: C, N, O, F. Cl, S, P, Br,I, He, Ne, Ar, etc. ¾ Sejam elementos alcalino-terrosos, utilizados na pirotecnia: Mg, Sr, Ba ¾ Sejam gases nobres, utilizados no enchimento de lâmpadas e dirigíveis: Ar, Ne, Kr, Xe ¾ Sejam elementos radioactivos, utilizados em centrais nucleares e equipamento radioactivo da medicina: Pt, At, Rn, Th, U, Pu, Ra MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XXII ANEXO III Material relativo às aulas ANEXO III Aula nº 1 e 2 (90 minutos) Unidade temática: Organização dos elementos químicos como resposta à diversidade em química. Sumário: Estudo da Tabela Periódica, através da Internet. Conteúdos programáticos: ¾ Tabela Periódica dos elementos; ¾ Semelhança nas propriedades de substâncias elementares; ¾ Regularidade dos elementos. Objectivos gerais: ¾ Estimular a pesquisa e utilização de novos meios de informação, como a Internet; ¾ Compreender a organização da Tabela Periódica dos elementos e a sua importância: ¾ Classificar substâncias elementares com base na investigação de semelhanças entre as suas propriedades; Objectivos específicos: ¾ Aprender a consultar a Tabela Periódica, na Internet ¾ Inferir que na Tabela Periódica, os elementos se organizam por ordem crescente do número atómico; ¾ Identificar os elementos que existem na natureza e aqueles que são sintetizados na natureza; ¾ Reconhecer a existência de períodos e grupos distintos na Tabela Periódica dos elementos; ¾ Inferir, através de análise de algumas propriedades químicas e físicas, duas grandes categorias de substâncias: metais e não-metais; MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XXIV ANEXO III Estratégias: ¾ Começar por expor e explicar o funcionamento das aulas seguintes, fazendo a apresentação em power point, com a ajuda de um data show. ¾ Entregar o roteiro aos alunos, iniciar o trabalho e indicar o documento onde serão registadas as respostas às questões do roteiro. ¾ Gravar em disquete as respostas dos alunos às questões do roteiro. ¾ Discutir com os alunos as dúvidas que lhes vão surgindo ao longo da aula, relativas aos assuntos abordados. ¾ Filmar o desenrolar da aula para posterior avaliação1. Material: Computadores, data show; impressora; roteiro; disquetes Avaliação: A avaliação foi feita através das dificuldades que foram surgindo e pelas respostas dadas pelos alunos. Aula nº 3 (45 minutos) Sumário: Regularidades de alguns elementos químicos ao longo da Tabela Periódica. Conteúdos programáticos: ¾ Tabela Periódica dos elementos; ¾ Regularidade dos elementos. 1 Poderá ver-se no CD-ROM em anexo, um apanhado das aulas onde se explorou o “Roteiro para a Tabela Periódica” MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XXV ANEXO III Objectivos gerais: ¾ Estimular a pesquisa e utilização de novos meios de informação, como a Internet; ¾ Observar regularidades de alguns elementos químicos. Objectivos específicos: ¾ Descrever a variação regular dos tamanhos dos átomos ao longo do período e do grupo. ¾ Verificar a variação da massa atómica ao longo do período e do grupo. Estratégias: ¾ Dar seguimento ao trabalho iniciado na última aula e relembrar que as questões serão respondidas no documento já utilizado anteriormente. ¾ Gravar em disquete as respostas dos alunos às questões do roteiro. ¾ Discutir com os alunos as dúvidas sentidas durante a aula, relativas aos assuntos abordados. ¾ Filmar o desenrolar da aula para posterior avaliação. Material: Computadores; impressora; disquete; data show; roteiro Avaliação: A avaliação será feita através das dificuldades que irão surgir e pelas respostas dadas pelos alunos. Aula nº 4 e 5 (90 minutos): Sumário: Localização de elementos através da Tabela Periódica. Importância de alguns elementos no nosso dia-a-dia. Jogos educativos. Mini-teste. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XXVI ANEXO III Conteúdos programáticos: ¾ Tabela Periódica dos elementos; ¾ Semelhança nas propriedades de substâncias elementares; ¾ Regularidade dos elementos. Objectivos gerais: ¾ Estimular a pesquisa e utilização de novos meios de informação, como a Internet; ¾ Compreender a organização da Tabela Periódica dos elementos e a sua importância: ¾ Classificar substâncias elementares com base na utilização da Tabela Periódica; ¾ Avaliar os conteúdos adquiridos. Objectivos específicos: ¾ Identificar os elementos através das indicações do grupo e do período, na Tabela Periódica. ¾ Relacionar o número atómico e a configuração electrónica com o período e o grupo dos elementos com Z ≤ 20; ¾ Descobrir a ocorrência e as aplicações usuais de alguns elementos químicos; ¾ Inferir a importância de alguns elementos químicos no organismo dos seres vivos. ¾ Estimular a memorização de alguns conceitos, de forma divertida. Estratégias: ¾ Dar seguimento ao trabalho iniciado na última aula e relembrar que as questões serão respondidas no documento já utilizado anteriormente. ¾ Gravar em disquete as respostas dos alunos às questões do roteiro. ¾ Discutir com os alunos as dúvidas relativas aos assuntos abordados. ¾ Fazer uma breve síntese dos conhecimentos adquiridos em power point com o data show. ¾ Propor a utilização de alguns jogos educativos. ¾ Filmar o desenrolar da aula para posterior avaliação. ¾ Recolher impressões juntos dos alunos quanto à metodologia utilizada nestas aulas. ¾ Resolver o mini-teste. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XXVII ANEXO III Material: Computadores; impressora; disquetes; data show; roteiro; mini-teste; questionário de recolha de opiniões dos alunos. Avaliação: A avaliação será feita através das dificuldades que irão surgir e pelas respostas dadas pelos alunos e dos resultados dos mini-testes. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XXVIII ANEXO III TABELA PERIÓDICA NA INTERNET • O QUE VAMOS FAZER NAS PRÓXIMAS AULAS? – Investigar, na Internet, alguma informação sobre a Tabela Periódica; – Descobrir as respostas a algumas questões colocadas; – Estudar o tema “Organização dos elementos como resposta à diversidade química” TABELA PERIÓDICA NA INTERNET • COMO VAMOS FAZER? – Seguindo as instruções indicadas no “ROTEIRO PARA A TABELA PERIÓDICA NA INTERNET”; – Utilizar a Tabela Periódica on line; – Registando os apontamentos numa folha ou no teu ficheiro. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO TABELA PERIÓDICA NA INTERNET • O QUE VAMOS ESTUDAR? – Como se organiza a Tabela Periódica; – Algumas características dos elementos da Tabela Periódica; – Como obter informações a partir da Tabela Periódica; – Como localizar os elementos na Tabela Periódica; TABELA PERIÓDICA NA INTERNET • Como está organizado o roteiro para a Tabela Periódica? – Indicação de como aceder à página da Tabela Periódica, na Internet (1º ao 4º) – Apresentação a página da Internet (5º ao 9º) – Colocação de algumas questões, seguidas do procedimento para a busca da informação necessária (10º ao 16º) – Actividades de aplicação dos conhecimentos adquiridos (17º ao 19º) XXIX ANEXO III O que é a Tabela Periódica? O que é um grupo da Tabela Periódica? Quais são as três classes de elementos químicos que conheces? MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO Na Tabela Periódica quantos grupos e períodos existem? O que é um período daTabela Periódica? Quais são as principais características dos metais? XXX ANEXO III Quais são as principais características dos não-metais? não não-metais? O que é a Tabela Periódica? Tabela onde se organizam os elementos químicos, por ordem crescente dos números atómicos e segundo as suas propriedades químicas. O que é um grupo da Tabela Periódica? • Um grupo é um conjunto de elementos químicos, todos com o mesmo nº de electrões de valência e com propriedades químicas semelhantes. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO Quais são as famílias de elementos químicos que conheces? Na Tabela Perió Periódica quantos grupos e perí períodos existem? • 18 grupos; • 7 períodos com 2 períodos em rodapé. O que é um perí período da Tabela Perió Periódica? • Um período é um grupo de elementos químicos com o mesmo nº de camadas energéticas preneechidas. XXXI ANEXO III Quais são as três classes de elementos químicos que conheces? • Metais, semimetais e não-metais Quais são as principais características dos nãonão-metais? • Não apresentam brilho metálico e apresentam cores diferentes; • Não são bons condutores eléctricos e térmicos; • Apresentam pontos de fusão e de ebulição relativamente baixos; • As substâncias elementares podem ser sólidas ou gasosas. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO Quais são as principais características dos metais? • Têm brilho metálico; • São bons condutores térmicos e eléctricos; • Têm pontos de fusão e de ebulição elevados; • As substâncias elementares, à temperatura ambiemte, são sólidas. Quais são as famílias de elementos químicos que conheces? •Metais alcalinos (grupo 1) •Metais alcalino-terrosos (grupo 2) •Halogéneos (grupo 17) •Gases nobres (grupo 18) XXXII ANEXO IV Material de avaliação ANEXOS IV ANEXO – A MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XXXIV ANEXOS IV ESCOLA EB 2,3 DE PAREDES 2001/2002 Mini-teste de Ciências Físico-Químicas : A 9º ano Nome: ___________________________________________, N.º______ Turma: ____ 1. O critério utilizado por Mendeleev para a distribuição dos elementos na Tabela Periódica foi: (assinala com um x a resposta correcta) Colocar os elementos por ordem crescente de pontos de fusão e de ebulição; Colocar os elementos de acordo com o aspecto físico das substâncias elementares; Colocar os elementos segundo a periodicidade das suas propriedades; Colocar os elementos ao acaso; Colocar os elementos por ordem crescente de datas de descoberta. 2. Considera as três classes de substâncias elementares que conheces. 2.1. Identifica-as. 2.2. Como se podem diferenciar em termos de condutividade eléctrica, ponto de fusão e de ebulição os metais dos não-metais? 2.3. Onde podemos encontrar essas classes de elementos, na Tabela Periódica? Indica-as na Tabela Periódica que se segue: MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XXXV ANEXOS IV 3. Os gases nobres (grupo 18) são muito estáveis. Porquê? 4. Que tipos de iões têm tendência a formar, os elementos do grupo dos metais alcalinos? Porquê? 5. Considera um elemento A cuja distribuição electrónica, no estado fundamental, é: 2; 7 5.1. Indica o seu número atómico. 5.2. Identifica o grupo e o período em que se encontra. 5.3. Este elemento é um halogéneo ou um metal alcalino-terroso? Justifica. 6. Dá um exemplo de uma situação do quotidiano, onde sejam utilizados elementos da família dos gases nobres. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XXXVI ANEXOS IV ESCOLA EB 2,3 DE PAREDES 2001/2002 Mini-teste de Ciências Físico-Químicas : B 9º ano Nome: __________________________________________, N.º______ Turma: ____ 1. O critério utilizado por Mendeleev para a distribuição dos elementos na Tabela Periódica foi: (assinala com um x a resposta correcta) Colocar os elementos ao acaso; Colocar os elementos por ordem crescente de datas de descoberta; Colocar os elementos segundo a periodicidade das suas propriedades; Colocar os elementos de acordo com o aspecto físico das substâncias elementares; Colocar os elementos por ordem crescente de pontos de fusão e de ebulição. 2. Considera as três classes de substâncias elementares que conheces. 2.1. Identifica-as. 2.2. Como se podem diferenciar em termos de condutividade eléctrica, ponto de fusão e de ebulição os metais dos não-metais? 2.3. Onde podemos encontrar essas classes de elementos, na Tabela Periódica? Indica-as na Tabela Periódica que se segue: MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XXXVII ANEXOS IV 3. Os gases nobres (grupo 18) são muito estáveis. Porquê? 4. Que tipo de iões, têm tendência a formar, os elementos da família dos halogéneos? Porquê? 5. Considera um elemento A cuja distribuição electrónica, no estado fundamental, é: 2;2 5.1. Indica o seu número atómico. 5.2. Identifica o grupo e o período em que se encontra. 5.3. Este elemento é um halogéneo ou um metal alcalino-terroso? Justifica. 6. Dá um exemplo de uma situação do quotidiano, onde sejam utilizados elementos do grupo dos gases nobres. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XXXVIII ANEXOS IV Alunos A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 A9 A10 A11 A12 A13 A14 A15 A16 A17 A18 A19 A20 A21 A22 A23 Teste para aferir a equivalência dos grupos (%) 78 95 75 98 35 13 79 15 38 44 96 84 77 53 87 74 80 11 84 13 51 17 91 MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO Pós-teste (%) 69 72 51 87 23 16 65 59 32 47 70 95 83 51 73 70 63 15 92 21 53 55 83 XXXIX ANEXOS IV Alunos A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 A9 A10 A11 A12 A13 A14 A15 A16 A17 Teste para aferir a equivalência dos grupos (%) 22 65 47 65 39 56 28 71 56 43 51 39 80 47 98 40 14 MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO Pós-teste (%) 19 38 41 29 33 29 27 59 28 23 37 26 62 37 65 27 13 XL ANEXOS IV ANEXO – B MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XLI ANEXOS IV INQUÉRITO SOBRE O TRABALHO DESENVOLVIDO 1. Gostas de trabalhar com computadores? Sim Não 2. Sabias como aceder à Internet? Sim Não 3. Costumas utilizar a Internet para o teu estudo? Só para os trabalhos de pesquisa Para o meu estudo diário Não utilizo a Internet para estudar Outras: ______________________________ 4. Foi fácil encontrares as respostas para as questões do roteiro? Sim Não 5. Julgas que as orientações do roteiro foram claras? Sim Não 6. Que dificuldades sentiste nestas aulas? (assinala, uma ou mais opções) Não percebi o que era para fazer; Não consegui entender algumas das instruções do roteiro; Apesar das indicações dadas, não consegui encontrar as respostas às questões formuladas. Não consegui encontrar as janelas indicadas no roteiro; Não consegui executar todas as tarefas propostas por falta de tempo; Outras: ___________________________ 7. Gostas dos jogos propostos? Porquê? (assinala, uma ou mais opções) Sim, porque são divertidos; Sim porque são fáceis de jogar; Sim, porque aprendo enquanto jogo; Não, porque não gosto de computadores; Não, porque são difíceis de jogar; MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XLII ANEXOS IV Não, porque são pouco interessantes; Não, porque não consigo jogar; Outras: ______________________________ 8. Supondo que podes aceder sempre à Internet, continuarias a utilizar a Internet para os teus estudos? Porquê? (assinala, uma ou mais opções) Sim, para ter acesso a mais informação; Sim, porque aprendo mais facilmente ao pesquisar informação; Sim, porque gosto de computadores e assim estou mais tempo a estudar; Não, porque acho que a informação dada nas aulas é suficiente; Não, porque não gosto de trabalhar com computadores; Não, porque acho que é uma perda de tempo; Outras: ___________________________ 9. Gostavas que este estilo de aulas se repetisse? Porquê? 10. Podes fazer agora as tuas sugestões de melhoramento para o roteiro e para este tipo de aulas. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XLIII ANEXOS IV Nº de alunos inquiridos: 44 1. Gostas de trabalhar com computadores? Sim – 93% Não – 7% 2. Sabias como aceder à Internet? Sim – 86% Não – 14% 3. Costumas utilizar a Internet para o teu estudo? Só para os trabalhos de pesquisa – 73% Para o meu estudo diário – 11% Não utilizo a Internet para estudar – 23% Outras: não tem computador; para tirar dúvidas – 9% 4. Foi fácil encontrares as respostas para as questões do roteiro? Sim – 84% Não – 16% 5. Julgas que as orientações do roteiro foram claras? Sim – 96% Não – 4% 6. Que dificuldades sentiste nestas aulas? (assinala, uma ou mais opções) Não percebi o que era para fazer – 7% Não consegui entender algumas das instruções do roteiro – 39% Apesar das indicações dadas, não consegui encontrar as respostas às questões formuladas – 21% Não consegui encontrar as janelas indicadas no roteiro – 0% Não consegui executar todas as tarefas propostas por falta de tempo – 36% Outras: não consegue trabalho em grupo – 2% 7. Gostas dos jogos propostos? Porquê? (assinala, uma ou mais opções) Sim, porque são divertidos – 32% Sim porque são fáceis de jogar – 2% Sim, porque aprendo enquanto jogo – 34% MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XLIV ANEXOS IV Não, porque não gosto de computadores – 5% Não, porque são difíceis de jogar – 0% Não, porque são pouco interessantes – 1% Não, porque não consigo jogar – 0% Outras: não eram para esta idade (1); não tive tempo de jogar todos – 14% 8. Supondo que podes aceder sempre à Internet, continuarias a utilizar a Internet para os teus estudos? Porquê? (assinala, uma ou mais opções) Sim, para ter acesso a mais informação – 64% Sim, porque aprendo mais facilmente ao pesquisar informação – 30% Sim, porque gosto de computadores e assim estou mais tempo a estudar – 39% Não, porque acho que a informação dada nas aulas é suficiente – 39% Não, porque não gosto de trabalhar com computadores – 0% Não, porque acho que é uma perda de tempo – 5% Outras: não tem computador – 9% 9. Gostavas que este estilo de aulas se repetisse? Porquê? SIM, por ser mais fácil de perceber e obriga-nos a pensar nas respostas; estamos a fazer uma coisa que gostamos (1) – 96% Não, porque não gosto de computadores – 4% 10. Podes fazer agora as tuas sugestões de melhoramento para o roteiro e para este tipo de aulas. Nenhuma – 82% Sugestões – 18% Antes da apresentação do roteiro, haver uma explicação da matéria antes – 25% Questões mais claras – 25% Não ter tantas questões – 25% Existirem sempre 2 professoras para ajudar – 12,5% Ter mais tempo para pesquisar – 12,5% MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XLV ANEXOS IV ANEXO – C MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XLVI ANEXOS IV INQUÉRITO SOBRE O TRABALHO DESENVOLVIDO 1. O computador é um instrumento, no processo ensino-aprendizagem: Muito útil De alguma utilidade Pouco útil Desnecessário 2. O uso da Internet pode ajudar no processo ensino-aprendizagem: Muito Alguma coisa Pouco Nada 3. A utilização da Internet na sala de aula pode ser: (assinale, uma ou mais opções) a. Para o professor: Muito e útil Um desafio De alguma utilidade Pouco útil Cansativo Desmotivante Desnecessário aliciante Outra. Qual? ________________________________________________________ b. Para o aluno: Muito e útil De alguma Pouco útil Desnecessário Desmotivante utilidade Apelativo Interessante Motivo de distracção 4. Classifique o “Roteiro para a Tabela Periódica na Internet” quanto: a. À sua utilidade para a abordagem da classificação dos elementos químicos: Muito Bom Bom Razoável Medíocre b. À metodologia utilizada (questões seguidas das indicações para descobrir a resposta): Muito Bom Bom Razoável Medíocre MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XLVII ANEXOS IV c. À clareza de informação: Muito Bom Bom Razoável Medíocre Razoável d. À apresentação gráfica: Muito Bom Medíocre e. Aos jogos propostos e disponíveis na Internet: Muito Bom Bom Razoável Medíocre Bom 5. A aquisição e construção do conhecimento dos alunos, com a utilização do “Roteiro para a Tabela Periódica na Internet”, foi: Muito boa Boa Razoável Medíocre 6. A forma de exploração deste roteiro está de acordo com a nova revisão curricular? Sim Não 7. As aulas dadas foram: (assinale, uma ou mais opções) Bastante interessantes e aliciantes; Interessantes, mas difíceis de dar; Pouco interessantes e cansativas; Outra. Qual? _________________________________________________ 8. Nas aulas sentiu algumas dificuldades? (assinale, uma ou mais opções) Não conseguia perceber as informações dadas pelo roteiro; Não foi fácil encontrar a informação pretendida; Os alunos estavam menos colaborantes; Os alunos pediam frequentemente explicações e em simultâneo; As aulas foram demasiado barulhentas; Outra. Qual? _____________________________________________ 9. Este tipo de abordagem da Tabela Periódica é viável? Sim Não 10. Voltará a repetir este tipo de aulas? Sim Provavelmente Não 11. Seria da máxima importância que desse algumas sugestões de melhoramento para este trabalho. Agradecia portanto que o fizesse a seguir. Muito Obrigada! MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XLVIII ANEXOS IV Resposta assinalada pela professora. 1. O computador é um instrumento, no processo ensino-aprendizagem: 2. Muito útil utilidade De alguma Pouco útil Desnecessário O uso da Internet pode ajudar no processo ensino-aprendizagem: Muito Alguma coisa Pouco Nada 3. A utilização da Internet na sala de aula pode ser: (assinale, uma ou mais opções) a. Para o professor: De alguma utilidade Muito e útil Um desafio Cansativo Pouco útil Desnecessário Desmotivante aliciante Outra. Qual? ____________________________________________________ b. Para o aluno: Muito e útil De alguma Pouco útil Desnecessário Desmotivante utilidade Apelativo 4. Interessante Motivo de distracção Classifique o “Roteiro para a Tabela Periódica na Internet” quanto: c. À sua utilidade para a abordagem da classificação dos elementos químicos: Muito Bom Bom Razoável Medíocre MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO XLIX ANEXOS IV d. À metodologia utilizada (questões seguidas das indicações para descobrir a resposta): Muito Bom Bom Razoável Medíocre e. À clareza de informação: Muito Bom Bom Razoável Medíocre Razoável Medíocre Medíocre f. À apresentação gráfica: Muito Bom g. Aos jogos propostos e disponíveis na Internet: Bom Razoável Muito Bom Bom 5. A aquisição e construção do conhecimento dos alunos, com a utilização do “Roteiro para a Tabela Periódica na Internet”, foram: Muito boa Boa Razoável Medíocre 6. A forma de exploração deste roteiro está de acordo com a nova revisão curricular? Sim Não 7. As aulas dadas foram: (assinale, uma ou mais opções) Bastante interessantes e aliciantes; Interessantes, mas difíceis de dar; Pouco interessantes e cansativas; Outra. Qual? _________________________________________________ 8. Nas aulas sentiu algumas dificuldades? (assinale, uma ou mais opções) 9. Não conseguia perceber as informações dadas pelo roteiro; Não foi fácil encontrar a informação pretendida; Os alunos estavam menos colaborantes; Os alunos pediam frequentemente explicações e em simultâneo; As aulas foram demasiado barulhentas; Outra. Qual? _____________________________________________ Este tipo de abordagem da Tabela Periódica é viável? Sim 10. Não Voltará a repetir este tipo de aulas? Sim Provavelmente Não 11. Seria da máxima importância que desse algumas sugestões de melhoramento para este trabalho. Agradecia portanto que o fizesse a seguir. MESTRADO EM QUÍMICA PARA O ENSINO L