AU TO RA L UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E EI TO DESENVOLVIMENTO DI R DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS EG ID O PE LA LE I DE INSTITUTO A VEZ DO MESTRE OT AS ARTES PLÁSTICAS E AS ARTES VISUAIS COMO ESCOLARES. DO CU M EN TO PR MEIOS DIDÁTICOS COMPLEMENTARES ÀS DISCIPLINAS Por: Eugênio Nunes Silva Brito Orientador(a): Prof. Ms. Fabiane Muniz da Silva Janaúba Fevereiro/2007 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS INSTITUTO A VEZ DO MESTRE AS ARTES PLÁSTICAS E AS ARTES VISUAIS COMO MEIOS DIDÁTICOS COMPLEMENTARES ÀS DISCIPLINAS ESCOLARES. Por: Eugênio Nunes Silva Brito Trabalho monográfico apresentado como requisito parcial para obtenção do grau de Especialista em Arteterapia em Educação Janaúba Fevereiro/2007 3 AGRADECIMENTOS Agradeço, primeiramente a Deus, por todas as graças que me concedeu ao longo dos meus estudos, aos meus pais, pelo apoio psicológico, aos professores entrevistados e às minhas amigas Mary, Luciene e Silvânia que me ajudaram na obtenção dos livros utilizados como referências bibliográficas. 4 DEDICATÓRIA Dedico a monografia ao meu pai Efigênio, minha mãe Ivanete, aos colegas profissionais da área de educação, aos alunos das escolas onde trabalhei e a todos que de alguma forma, torcem por mim. 5 RESUMO No modo de se educar hoje nas escolas verificam-se as limitações do ensino tradicional em articular as diversas disciplinas, dificultando o processo de construção do conhecimento e privando o aluno de uma visão mais ampla da disciplina que aprende, constatando assim, que os métodos utilizados no ensino tradicional pouco têm contribuído para alcançar os objetivos gerais da educação encontrados no PCN o que vem a refletir e reforçar sobre o papel importante e transformador que a arte exerce na sociedade e que poderá exercer no campo educacional, na aprendizagem dos educandos, quando envolvida na complementação didática das demais disciplinas como uma forma não-verbal de se trabalhar o conteúdo didático. . A orientação do trabalho interdisciplinar é fundamental para a aprendizagem e desenvolvimento intelectual do aluno, desta forma a abordagem utilizada sobre a relação entre as diversas possibilidades didáticas oferecidas pelo campo das artes visuais e plásticas e as suas aplicações conscientes e proveitosas no enriquecimento didático das demais disciplinas escolares, mostra que um trabalho realizado a partir de suas conexões influencia de forma positiva no processo de ensino/aprendizagem, proporcionando ao aluno um ensino mais agradável, dinâmico e integral. 6 METODOLOGIA De acordo com a Wikipedia (2008), um site de pesquisa na internet, a pesquisa bibliográfica abrange a leitura, análise e interpretação de livros, periódicos, textos legais, documentos mimeografados ou xerocopiados, mapas, fotos, manuscritos etc. Todo material recolhido deve ser submetido a uma triagem, a partir da qual é possível estabelecer um plano de leitura. Trata-se de uma leitura atenta e sistemática que se faz acompanhar de anotações e fichamentos que, eventualmente, poderão servir à fundamentação teórica do estudo. Por tudo isso, deve ser uma rotina tanto na vida profissional de professores e pesquisadores, quanto na dos estudantes. Isso porque a pesquisa bibliográfica tem por objetivo conhecer as diferentes contribuições científicas disponíveis sobre determinado tema dando suporte a todas as fases de qualquer tipo de pesquisa, auxiliando na definição do problema, na determinação dos objetivos, na construção de hipóteses, na fundamentação da justificativa da escolha do tema e na elaboração do relatório final. E, de acordo com Gil (1991), a pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Embora em quase todos os estudos seja exigido algum tipo de trabalho desta natureza, há pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de fontes bibliográficas que são em grande número e podem ser classificadas em: fontes bibliográficas de leitura corrente; livros de referência (Informativa e remissiva) que são:dicionários,enciclopédias,anuários,almanaques; há ainda fontes bibliográficas em publicações periódicas (jornais e revistas) e impressos diversos. Boa parte dos estudos explanatórios pode ser definida como pesquisas bibliográficas,assim como pesquisas sobre ideologias, bem como aquelas que se propõem à análise das diversas posições acerca de um problema, também costumam ser desenvolvidas quase exclusivamente a partir de fontes bibliográficas. Diante dessas observações sobre o conceito de pesquisa bibliográfica, autores consagrados no campo das Artes, História, Geografia, Português, 7 Matemática e demais disciplinas do currículo escolar, como a escritora e educadora em Artes Ana Mae Tavares Barbosa, O historiador Giulio Carlo Argan, as professoras especialistas e escritoras em educação Maria Felisminda de Resende e Fusari e Heloísa Corrêa de Toledo Ferraz, a escritora Maria José Guedes com seu livro sobre meios de ensino e as fases de aprendizagem e desenvolvimento do aluno, Anamélia Bueno Buoro, Cristina Costa, Graça Proença, dentre outros, além da revista Amae Educando, Nova Escola,internet, a Enciclopédia Barsa, e autores de livros didáticos escolares foram fontes bibliográficas utilizadas na fundamentação teórica. Foi utilizado ainda, na fundamentação teórica, entrevistas com alguns professores de diversas disciplinas do currículo escolar de algumas escolas estaduais das cidades mineiras de Janaúba (Escola Estadual José Gorutuba, Escola Estadual Rômulo Sales de Azevedo e Escola Estadual Maurício Augusto de Azevedo), Verdelândia (Escola Estadual Maria Matos Silva) e São João Del Rei (Escola Estadual Cônego Osvaldo Lustosa), sendo levantado e discutido o assunto com todos os professores entrevistados a partir de um questionamento principal: “O aproveitamento de elementos artísticos visuais e plásticos, em conteúdos das disciplinas básicas escolares, no ensino regular, contribui para um desempenho melhor na aprendizagem dos alunos?” Além deste questionamento outras perguntas referentes foram utilizadas na entrevista. Os resultados colhidos nas entrevistas serão de muita valia na construção da monografia e busca pela confirmação da hipótese levantada no projeto de pesquisa. (Perguntas da entrevista em anexo 01). 8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 9 CAPÍTULO I - O Papel Transformador da Arte; 11 CAPÍTULO II - A Busca Pela Qualidade no Ensino: Ensino Quantitativo ou Qualitativo?; 18 CAPÍTULO III–A Arte Como Linguagem Não-verbal a Serviço do Ensino; 23 CAPÍTULO IV - Arte e Interdisciplinaridade; 32 CONCLUSÃO 38 ANEXOS 01 40 ANEXOS 02 41 ANEXOS 03 42 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 43 BIBLIOGRAFIA CITADA 47 ÍNDICE 49 9 INTRODUÇÃO O objetivo deste trabalho é analisar o papel da arte no ensino, a interdisciplinaridade, relações entre a arte, suas habilidades e as demais disciplinas escolares, a utilização consciente de atividades práticas-teóricas das artes visuais e plásticas por outras disciplinas escolares, analisando as possibilidades de sua utilização no processo educacional, como complementação didática ao ensino e como facilitador da comunicação e da aprendizagem. Estudos e opiniões de autores sobre a arte e sua importância como formadora de opinião, estão presentes na monografia, de forma a evidenciar a importância didática da interação arte e demais disciplinas no contexto educacional, e para uma melhor análise, entrevistas a professores das diversas disciplinas escolares de escolas estaduais, em Janaúba, Verdelândia e São João Del Rei foram feitas como forma de complementar a pesquisa com opiniões dos educadores a respeito da questão: “O aproveitamento de elementos artísticos visuais e plásticos, em conteúdos das disciplinas básicas escolares, no ensino regular, contribui para um desempenho melhor na aprendizagem dos alunos?”. Tendo como tema: Ensino e Aprendizagem no contexto escolar, enfocados pelo prisma da educação estética e artística, a monografia será desenvolvida enfocando didaticamente o aproveitamento de elementos artísticos visuais e plásticos, como complementação didática no ensino escolar e como facilitador da aprendizagem e da comunicação, valorizando a arte como meio formador de opinião, refletindo sobre o papel importante e transformador que ela exerce na sociedade, sendo utilizada como forma nãoverbal de ensino, dentro do contexto estudado nas aulas das diversas disciplinas, no ensino regular, através de atividades práticas-teóricas e leitura de imagens, refletindo sobre as questões que envolvem sua leitura e sua relação, como por exemplo, com o momento histórico estudado pelos alunos, as teorias matemáticas, químicas e físicas, trabalhadas de forma lúdica, os códigos e linguagens, a cultura mundial com sua diversidade étnica e 10 ambiental, assim, complementando a linguagem verbal dos textos utilizados nas disciplinas durante as aulas. Esta maneira de trabalhar a arte, interdisciplinarmente às outras disciplinas, não reduz a arte à mera coadjuvante no meio escolar, mas reforça a sua importância e o papel transformador que exerce na sociedade. Serão abordados ao longo da monografia, tópicos relativos ao processo de aprendizagem dos alunos, enfocando a possibilidade da interdisciplinaridade das demais matérias escolares com a disciplina Artes, levantando o seguinte problema: “O aproveitamento de elementos artísticos visuais e plásticos, em conteúdos das disciplinas básicas escolares, no ensino regular, contribui para um desempenho melhor na aprendizagem dos alunos?” Onde a hipótese dirige-se à premissa: “A abordagem dos conteúdos das disciplinas escolares serão mais bem compreendidas pelos alunos, de uma forma dinâmica e estimulante, se relacionado à linguagem verbal tiver uso de elementos das artes visuais e plásticas, relacionadas ao contexto do conteúdo estudado nas disciplinas”, onde atividades das artes visuais e plásticas (crítica artística, produção artística, atividades lúdicas, atividades práticas-teóricas, leitura de imagens, etc.) serão usadas de forma complementar aos conteúdos trabalhados pelas disciplinas do currículo escolar do ensino regular, usando assim, de uma linguagem não-verbal, para o enriquecimento e dinamismo das aulas, utilizando várias possibilidades artísticas, integrando atividades importantes para o desenvolvimento crítico, perceptivo e cognitivo do aluno, buscando a aprendizagem e comunicação, motivando-o a aprender, qualificando seu aprendizado, tornando-o crítico, dinâmico, reflexivo e inserido num contexto sociocultural. 11 CAPÍTULO I O PAPEL TRANSFORMADOR DA ARTE. “O principal sentido da obra de arte é, pois, a sua capacidade de intervir no processo histórico da sociedade e da própria arte, e, ao mesmo tempo, ser por ele determinado, explicitando, assim, a dialética de sua relação com o mundo”. (FUSARI, FERRAZ, 1993, p.105) A arte surgiu no momento em que o homem sentiu necessidade de registrar o seu sentimento e aspirações. E o meio utilizado para fazer esses registros foi através da arte em desenhos nas cavernas, nas decorações de utensílios domésticos e materiais de trabalho, danças e outras expressões da arte, que ao longo dos anos, junto ao desenvolvimento da humanidade, foram contribuindo para a formação da história. (RODRIGUE, 2002) A sociedade evoluiu, criando regras, novos costumes e estilos, se adaptando ao meio. Com necessidade de se expressar, o homem criou, através da obra de arte, a mais pura e verdadeira maneira de exteriorizar seus anseios, pensamentos, vontades e estado psicológico. Retratando a sua realidade através de pinturas, esculturas, desenhos, músicas dentre outras formas de arte, esta, passou a ser “uma fiel testemunha da história construída pelo homem”.(revista Amae Educando,2000,p.7) E segundo Souza (1980), referindo-se à arte utilitária como a manifestação da arte onde, ao criar, o homem procura empregar à obra produzida mais que um caráter de utilitária, e sim também, um caráter de beleza estética. Esse autor caracteriza a arte como uma manifestação ligada ao espírito humano desde o surgimento das civilizações, continuando durante a sua evolução, onde o homem busca dar aos objetos que cria, além de uma forma mais eficiente e útil, de acordo com a finalidade para o qual foi construído, qualidades que independem da simples utilidade e que satisfaçam uma necessidade de harmonia e de beleza, onde é muito freqüente que as duas necessidades coincidam. A economia do material, a maior beleza, a maior 12 solidez de uma flecha, de um arco, de um vaso, de uma estrutura forjada pelo homem, são fatores que conduzem à beleza, levando a uma primeira concepção de que “o belo é a sublimação do útil.” (SOUZA, 1980). A arte se situa, através de um conjunto de relações, num contexto histórico,dele extraindo seu sustento, seja acompanhando, transformando, fortalecendo ou como ponto de partida para uma determinada situação ou movimento.A sua concretização, a obra de arte, exerce seu papel de libertadora das emoções, conscientizadora das relações sociais e formadora de opinião, assim como descreve o historiador e crítico de arte Argan (1998): “Não se faz história sem críticas, e o julgamento crítico não se estabelece a ”qualidade” artística de uma obra a não ser na medida em que reconhece que ela se situa, através de um conjunto de relações, numa determinada situação histórica e, em última análise, no contexto da história da arte em geral (...) cada obra não apenas resulta de um conjunto de relações, mas determina por sua vez todo um campo de relações que se estendem até o nosso tempo e o superam, uma vez que, assim como certos fatos salientes da arte exerceram uma influência determinante mesmo à distância de séculos, também não se pode excluir que sejam considerados como pontos de referência num futuro próximo ou distante. (ARGAN, 1998, p.15). Como formadora de opinião, a arte não poderia ser excluída dos estudos humanos, já que fez e faz parte da história. O estudo da história das artes demonstra a importância da arte no meio social como formadora de opinião, de costumes e de novos conceitos. O seu estudo, como matéria didática nas escolas, presta-se a desenvolver o lado psicológico do ser humano, buscando sua essência pura, crítica, reflexiva, contestadora e perceptiva de seu lugar na 13 sociedade: “Toda linguagem artística é um modo singular de o homem refletir seu estar no mundo.” (revista Amae Educando, 2000, p.7). 1.1-A ARTE NO ENSINO E SEU POTENCIAL COMUNICATIVO E EXPRESSIVO. A arte vem acompanhando, ao longo da história, as transformações e acontecimentos sociais, adquirindo importância e ganhando espaço junto às outras ciências humanas. Partindo dessa importância na identidade social, a arte e seu estudo, passaram a fazer parte do currículo escolar, passando por reformulações ao longo de sua inclusão, adaptando-se ao currículo educacional, no que tange a sua aplicabilidade na formação escolar, quebrando preconceitos e outras barreiras a ela impostas, onde o professor de artes desempenhava o papel de recreador e decorador na escola. (FUSARI, FERRAZ, 1993) A importância do estudo das artes¹ no currículo escolar, contribuindo na formação do aluno, foi discutida por Ana Mãe Barbosa, no seu livro “A Imagem no Ensino da Arte”: (...) “Sempre que me encomendam textos ou palestras com o título “A Importância da Arte na Escola”.Para os que trabalham com arte é tão óbvia a importância da arte na vida,e portanto, em qualquer forma de institucionalização da vida, como a escola, que fico tentada a dizer apenas: Se a arte não fosse importante não existiria desde o tempo das cavernas, resistindo a todas as tentativas de menosprezo”.(BARBOSA, 1991p. 27). ___________________ ¹ Diferença entre Arte e arte segundo o PCN: Arte–“Quando se trata da área curricular, grafa-se Arte, nos demais casos, arte.”(PCN- ARTE,1997, p.19). 14 A arte deve ser tida como proporcionadora e facilitadora de uma aprendizagem completa, explorando as potencialidades intelectuais e criativas do educando, o que significa: os alunos ”apropriarem-se de saberes culturais e estéticos, inseridos nas práticas de produção e apreciação artísticas, fundamentais para a formação e o desempenho do cidadão.” (PCN Parâmetros Curriculares Nacionais - Arte/Ensino Médio, 1999, p.169). Além disso, ainda segundo o PCN de Arte: “Esta área também favorece ao aluno relacionar-se criadoramente com as outras disciplinas do currículo. Por exemplo, o aluno que conhece arte pode estabelecer relações mais amplas quando estuda um determinado período histórico. Um aluno que exercita continuamente sua imaginação estará mais habilitado a construir um texto, a desenvolver estratégias pessoais para resolver um problema matemático.” (PCN - Arte/Ensino Fundamental, 1997, p.19). O estudo das artes visuais e plásticas, áreas que fazem parte do imenso campo das artes, incluem sempre a construtividade das formas e suas representações, trabalhadas num processo de análise e discussão, no âmbito estético, artístico e cultural, presentes em suportes didáticos,utilizados diretamente ou indiretamente, pelas demais disciplinas escolares, como por exemplo: através dos meios audiovisuais, imagens fotográficas de lugares, pessoas ou obras de arte presentes nos livros didáticos e revistas, trabalhos plásticos como:cartazes, pinturas, decorações para uma peça teatral, para uma feira literária ou festas na escola, apresentações de dança e teatro, além de várias outras possibilidades. Porém, estas possibilidades de trabalho e enriquecimento didático citadas, possibilitadas pelo campo das artes plásticas e visuais, passam despercebidas pelos educadores, sem a preocupação destes em fazer, antes e no momento que se desenvolve uma atividade em que expressões das artes visuais e plásticas estejam presentes, uma análise da 15 contribuição e da importância destas expressões na aprendizagem integral do educando, mesmo porque, na maioria das propostas pedagógicas não se considera o envolvimento estético como uma parte do conhecimento da arte integrado à cultura humana, o que não vem a comprometer o ensino do conteúdo trabalhado nem o seu aprendizado, mas, de certa forma, perde-se uma grande oportunidade de incluir nesse conteúdo trabalhado com os educandos, formas dinâmicas, estimulantes,enriquecedoras e prazerosas de ensinar e aprender, possibilitadas pelas artes, como propõe Zacharias (2007), sugerindo formas diferentes de se trabalhar com os alunos para conseguir levar a todos o conhecimento citando as teorias de Howard Gardner, psicólogo americano que é autor da teoria das inteligências múltiplas e definiu 7 inteligências a partir do conceito que o ser humano possui um conjunto de diferentes capacidades, tendo como destaque a área artística. ( As 7 inteligências múltiplas em anexo 02) : “Então, na escola, o professor deve propor o estudo de um tema de mais de uma maneira, facilitando a construção do conhecimento por aqueles que têm mais facilidade de construir utilizando-se de aspectos da inteligência que não somente os lingüísticos e matemáticos que normalmente são os enfocados e valorizados nas escolas”. (ZACHARIAS, 2007) A educação escolar deve entender que o aluno está sempre em contato, através da visualidade, com o mundo contemporâneo e com a complexidade das formas visuais e audiovisuais observadas, e que o programa de educação escolar deve proporcionar aos alunos formas didáticas que possibilitem diversificações e ampliações dos repertórios sensíveis – cognitivos (os modos de aprender através do fazer e explorar) que privilegiem o modo de ver, observar, expressar e comunicar, buscando assim, a qualificação do ensino. De acordo com Guedes (1978): 16 “Comunicação visual é, então, o meio selecionado para levar ao nosso público uma mensagem, que seja percebida através da visão. Podem ser: materiais escritos, impressos, projetáveis, não projetáveis (...).” (GUEDES, 1978, p.47). Os conteúdos das disciplinas escolares, no ensino regular, interagindo com expressões que fazem parte das artes visuais e plásticas, vêm enriquecer o currículo escolar de forma a promover a aprendizagem cultural e artística, através do uso de imagens, teorias e práticas artísticas, dentre outros recursos didáticos próprios da disciplina Artes, numa linguagem não-verbal que proporcione a aprendizagem do aluno através de uma comunicação visual. A proposta de trabalho, interagindo artes visuais e plásticas com os conteúdos teóricos das demais disciplinas escolares, fundamenta-se na interdisciplinaridade que propõe a união didática entre as disciplinas para uma aprendizagem integral do aluno, sem desprezar uma metodologia proposta,para que não ocorra uma desvalorização da disciplina Arte, submetendo-a a mero papel de coadjuvante na área escolar, limitando o ensino da arte nas escolas, assim como receia a professora de Arte e mestre em Educação, Arte e Cultura, Menezes (2007), ao considerar a possibilidade de a arte servir como apoio a outros saberes no espaço escolar, onde se tem o entendimento errôneo que a arte é puro fazer mecânico, que não agrega conhecimento em si, portanto serve às demais disciplinas escolares, quase como que para ilustrá-las em um nível de vivência concreto, correndo o risco de servir de mão-de-obra para outras áreas de conhecimento que já se encontram solidamente estruturadas, propondo que não haja uma subordinação da Arte às disciplinas envolvidas no projeto curricular, entrando em cena para isso, o professor de Arte como mediador entre expressões favorecidas pela arte e as outras disciplinas, para, além de auxiliar os outros professores interdisciplinarmente,defender a disciplina Arte como importante área do saber, fortalecendo a idéia de que as especificidades de saberes em 17 arte vão além da percepção de técnicas e modos de fazer, firmando o papel de importância didática promovido pela disciplina Artes. O contato dos alunos com as artes visuais e plásticas dar-se não somente com imagens em livros, programas de televisão, revistas, dentre outros meios comunicativos, mas, se possível, buscando interagir o aluno diretamente com a obra de arte, onde estas podem ser encontradas, como por exemplo: em visitas a museus, estandes, galerias, conjuntos arquitetônicos considerados obras de arte do passado e do presente nas cidades, e não somente em imagens fotográficas contidas em livros, revistas ou internet, propiciando assim a esse aluno um contato direto com a aprendizagem visual, formando alunos sensíveis e críticos, contribuindo para sua formação intelectual. (BUORO, 2002) 18 CAPÍTULO II A BUSCA PELA QUALIDADE NO ENSINO: ENSINO QUANTITATIVO OU QUALITATIVO? “O desenvolvimento profissional e econômico atual exige uma formação cada vez mais abrangente que privilegie atividades críticas, interdisciplinares e tecnológicas”. (PCN - Ensino Médio, 1999). A escola passa hoje por mudanças constantes, acompanhando o desenvolvimento da sociedade nos diversos níveis, seja culturais, físicos, tecnológicos ou psicológicos, o que pressupõem que a escola deve estar atenta a essas transformações, buscando adaptar-se a realidade social vivida por seus alunos. O modo tradicional de educar, nas escolas, privilegia a teoria sobre a prática, excluindo possibilidades didáticas diversificadas que poderiam ser úteis na complementação da aprendizagem do aluno, excluindo assim, qualquer forma de interação entre as disciplinas: “As escolas ainda tendem a manter uma organização de estrutura física incompatível com as novas visões pedagógicas assim como praticam uma postura partitativa na prática de ensino e na cooperação profissional. Nenhum trabalho será feito para o professor, tudo que se produz na escola é com única função de enriquecer o grau de conhecimento dos envolvidos.” (BARBOSA, 1991). No ensino quantitativo privilegia-se a quantidade de matéria que deve ser repassada ao aluno nas etapas durante o ano, matérias estas que são preparadas, na maioria das vezes, sem levar em consideração a característica 19 dos receptores daquela matéria, esquecendo-se que cada aluno tem suas particularidades, seu modo de aprender e seu tempo, e que talvez um método de ensino que tenha sucesso na aprendizagem de um aluno pode não ser eficiente com outro. Aí é onde está a diferença do ensino qualitativo, possibilitando uma aprendizagem consistente e efetiva dos alunos, pois o professor adapta o seu método de ensino para atingir integralmente a classe, preocupando-se com a qualidade do seu modo de ensinar e com a real aprendizagem desse aluno. O professor, ao planejar suas aulas, deve ater-se não só a formação quantitativa, mas privilegiar a formação integral e qualitativa dos alunos, usando para isso meios de ensino diversificados, buscando um melhor aprendizado e enriquecimento didático em suas aulas. Na busca por meios de ensino que se ajustem a seu plano de aula e a seus alunos, o professor deve ser cauteloso ao usá-los, pois, o importante para a educação de qualidade não é somente a quantidade do que será trabalhado, mas sim, a qualidade dos meios de ensino utilizados e a forma como serão utilizados pelo professor.Um uso inadequado dos meios de ensino poderia gerar um resultado contrário, e mesmo negativo daquilo que se esperava quanto ao uso desse meio e sua utilidade na metodologia de trabalho elaborada pelo professor. Uma opinião que justifica o trecho citado acima é de Guedes (1978), quando fala sobre meios de ensino, propondo que se justifique o uso deles em prol da aprendizagem efetiva do aluno que deve ser o agente principal do processo: “Não são raras às vezes em que observamos professores se utilizando de algum meio de ensino apenas para “facilitar” a verbalização. A utilização do retro projetor apenas para projetar esquema de aula, a fim de que os alunos o copiem, infelizmente é a utilização mais freqüente deste Meio de Ensino(...).É preciso que ao utilizarmos um Meio de Ensino, estejamos justificando a 20 sua introdução em termos de atuação do aluno,como agente principal desse processo educativo.A educação verbalista (infelizmente ainda hoje a mais usada) não está preocupada com as habilidades que o educando esteja adquirindo, mas valoriza sobremaneira a quantidade de informações”.(GUEDES,1978, p.101). O professor contemporâneo tem várias possibilidades de enriquecimento de suas aulas, seja teórica ou mesmo prática. Na busca por procedimentos que favoreçam o desenvolvimento de habilidades e competências para práticas educativas mais envolventes e dinâmicas, para atrair a atenção dos alunos, o professor deve ser dinâmico, criativo e usar os meios de ensino que estiverem a seu alcance, de forma responsável e consciente, tendo em mente, que resultados espera ao apropriar-se desses meios, buscando novas formas de educar, compartilhando experiências com os colegas de trabalho de outras disciplinas, fortalecendo a interdisciplinaridade, atendo-se às novidades tecnológicas educacionais, buscando a qualidade do ensino escolar. E, segundo o PCN/ensino médio (1999), “Todas as ciências possuem a flexibilidade imprescindível para cooperarem em qualquer área de conhecimento, cabe às escolas entender o processo produtivo de forma global para atender as novas visões pedagógicas de forma envolvente”. (PCN/Ensino Médio, 1999). E essa forma “envolvente” é o que pode fazer a diferença em uma aula, onde se busca a qualificação do ensino, que possui como facilitador a condição de, em uma escola de ensino regular, trabalhar as várias ciências: exatas, humanas e naturais, de forma que, possuindo a flexibilidade, possam cooperar na construção do ensino qualificado, na formação integral do aluno, adequando-se às modificações sociais, como a evolução tecnológica e a 21 inclusão social, que estão presentes no cotidiano escolar e da sociedade, favorecendo a difusão do conhecimento e do aprendizado tornando-o prazeroso, conquistando e estimulando os alunos e motivando os professores a se informarem mais e melhor, buscando sempre, como alvo principal para a essência do aprendizado educacional, a qualificação do ensino como um todo, como sugere Carréu(2007): “Como o contexto muda, a arte muda. No fundo, também é a cultura que muda e com esta mudança surgem, (...) novas formas de apreciação estética sugeridas pelos artistas visuais. Conseqüentemente, uma escola sensível ao que se passa fora das suas paredes, deveria funcionar de modo que algum espaço curricular incorporasse, nos seus conteúdos e nas suas práticas, o que acontece “lá fora” e “agora”. Á luz das sinergias que facilmente se podem estabelecer entre algumas disciplinas e a “vida quotidiana”, seria compreensível que nesse “espaço curricular” se situasse a Educação Visual e todas as disciplinas relacionadas com as artes visuais. Numa cultura contemporânea em que a dimensão visual assume particular e crescente relevância, seria neste espaço curricular que uma boa parte da contemporaneidade entraria no interior da escola.” (CARRÉU 2007). Apoiando-se nos PCN’s, o Professor terá uma grande ferramenta ao seu dispor contribuindo no processo de qualificação de seu método de ensino e do conteúdo trabalhado, mostrando-lhe as habilidades e potenciais desenvolvidos a partir da arte, como sugere o PCN de Arte nesse processo de aprendizagem qualitativa: 22 “A educação em arte propicia o desenvolvimento do pensamento artístico e da percepção estética, que caracterizam um modo próprio de ordenar e dar sentido à experiência humana: o aluno desenvolve sua sensibilidade, percepção e imaginação, tanto ao realizar formas artísticas quanto na ação de apreciar e conhecer as formas produzidas por ele e pelos colegas, pela natureza e nas diferentes culturas”. (PCN - Arte/Ensino Fundamental, 1997, p.19). Esse desenvolvimento do pensamento artístico e da percepção estética poderia ser resumido em uma única palavra e modo de expressão tão valorizado hoje em dia, tanto no campo de trabalho quanto na vida cotidiana, trata-se da criatividade, imprescindível aos artistas e intelectuais, e uma arma poderosa para os alunos se sobressaírem e se relacionarem com as mais variadas situações a que são expostos no dia a dia escolar e social. 23 CAPÍTULO III A ARTE COMO LINGUAGEM NÃO-VERBAL A SERVIÇO DO ENSINO A forma de comunicação não-verbal pode ser apresentada através de uma imagem visual, que mesmo não contendo frases estruturadas, pode transmitir um significado ao observador, pois, mesmo sendo uma pintura ou escultura, por exemplo, foi feita com o intuito de transmitir uma informação, de se comunicar por meio das cores, das linhas, das formas, do contexto histórico ou de outra forma distinta de comunicação que as artes visuais possibilitam, percebidas através de um olhar receptivo do observador, que, se educado, aprimorado esse olhar, permite não uma visualização superficial da imagem artística, mas vai além, aguçando a mente em interpretações variadas da imagem artística, seja formal ou subjetivamente, como diz as autoras Fusari e Ferraz ( 1993): “O ato de ver ao ser aprimorado permite-nos observar melhor o mundo, o ambiente, a natureza.Um bom observador, investigando detalhes, encontrará particularidades que poderão enriquecê-lo”. (FUSARI/FERRAZ, 1993, p. 75) E esse “bom observador”, desenvolverá e aprimorará seu modo de ver, com a participação de um mediador na educação analisando os benefícios que a comunicação visual proporciona, enfocando atividades de leitura visual, produção artística e história da arte: “Educar o nosso modo de ver e observar é importante para transformar e ter consciência da nossa participação no meio ambiente, na realidade cotidiana.” (FUSARI/FERRAZ, 1993, p.74), e complementam ainda: “(...) Se as atividades de leitura visual, produção artística e história da arte forem trabalhadas também com o objetivo de exercitar e analisar esses modos de ver, olhar e observar, elas poderão auxiliar o domínio da visualidade e da comunicação visual na vida cotidiana.” (FUSARI e FERRAZ, 1993, p.77). 24 A escritora Guedes (1978), em seu livro sobre meios de ensino e as fases da aprendizagem humana, faz uma consideração importante sobre o uso excessivo da linguagem verbalista nas escolas, que muitas vezes não é suficiente no ensino dos alunos: “A educação verbalista (infelizmente ainda hoje a mais usada) não está preocupada com as possibilidades que o educando esteja adquirindo, mas valoriza sobremaneira a quantidade de informações.” (GUEDES, 1978) e sobrepondo a essa realidade exposta por Guedes, os PCN´s (Parâmetros Curriculares Nacionais) expõem: “No mundo contemporâneo, marcado por um apelo informativo imediato, a reflexão sobre a linguagem e seus sistemas que se mostram articulados por múltiplos códigos e sobre os processos e procedimentos comunicativos, é mais do que uma necessidade, uma garantia de participação ativa na vida social, a cidadania desejada.” (PCN/Ensino Médio - Arte, 1999). Essa renegação das transformações pelas quais a educação passou e vem passando ao longo dos anos, só tende a prejudicar o ensino e a sua qualidade, podando o crescimento dos educandos. 3.1-AS ARTES VISUAIS E SUA IMPORTÂNCIA COMO LINGUAGEM NÃO – VERBAL. Partindo da seguinte frase: “Toda linguagem artística é um modo singular de o homem refletir seu estar no mundo” (Revista Amae Educando, 2000, p. 7), ao visualizar a história em imagens de obras artísticas, em livros didáticos, ilustrações de textos, vídeos ou outras fontes didáticas escolares, que podem ser exploradas pelo educador, os alunos têm a oportunidade de vivenciar formas diferentes de aprendizagem, oposto ao aprendizado formal, onde é utilizada apenas a linguagem verbal, com uso de textos, escritas no 25 quadro negro e explicações do professor, tornando a aula pouco atrativa que, segundo Kanitz (2002), ao criticar a estrutura da sala de aula e o ensino pouco motivador dos professores, faz a seguinte observação, numa reportagem à revista Veja em Outubro de 2000: “Nossos alunos, na maioria, estão desmotivados, cheios das aulas. É só lhes perguntar, de vez em quando. Alguns professores adoram ser o centro das atenções, mas muitos estão infelizes com sua posição de ator obrigado a entreter por 50 minutos um bando de desatentos.” (KANITZ, 2000, p.23). E essa desmotivação tende a piorar se a forma de ensinar não for mudada, se não houver uma adequação às mudanças sociais e educacionais, se não houver uma adequação às mudanças da mentalidade e comportamento dos alunos. Aproveitando os vários elementos e possibilidades criativas e inovadoras que a arte oferece, de forma consciente, interagindo com os outros conteúdos, complementando-os, poderia abrandar um pouco essa situação ou mesmo reverter esse quadro negativo. Ver e interpretar uma imagem visual que compartilha com o observador uma comunicação está muito além de uma análise biológica, de um simples olhar que estabelece conexões biológicas somente explicadas por cientistas. O ver, educado em uma sala de aula, proporciona ao aluno ver além do material, do real, do que está exposto, proporciona-lhe analisar e estabelecer conexões afetivas e subjetivas com as imagens observadas, proporcionando um novo olhar, um olhar crítico e aguçado, capaz de captar com a maior facilidade as informações ali contidas, contribuindo no seu aprendizado e na sua formação intelectual. “A nossa mensagem pode ser verbal (Palavras e sons) e Visual (gráfica ou gestual). Podemos combinar vários meios de transmitir uma mensagem. Ao transmitirmos 26 uma idéia por meio de visuais, estamos “falando visualmente” e verbalmente, ou apenas visualmente, já que às vezes, a comunicação visual basta por si só para transmitir a mensagem”. (GUEDES, 1978, P.46) Imagens de obras de arte ou de manifestações artísticas que podem ser analisadas sob o ângulo da visão, podem ser encontradas em livros didáticos das disciplinas História, Geografia, Português, Literatura, dentre outras, na sua maioria ilustrando temas onde elementos da arte visual se fazem presentes, como em conteúdos que tratam da história, da cultura e das tradições mundiais, estilos de épocas, charges e tirinhas (com seus temas diversos sobre acontecimentos sociais), dos espaços urbanos e naturais e dos movimentos sociais dentre outros e de forma sutil, elementos das artes visuais, são percebidos em estudos no campo das disciplinas Física e Química, quando tratam assuntos como cores luz e cores pigmento, composições químicas e misturas das tintas(elementos usados nas artes plásticas em pinturas, fotografias, esculturas,etc.) e em estudos da Matemática e Geometria: volume, perspectivas, massa, peso, linhas dentre outros elementos , vindo a refletir e reforçar sobre o papel importante e transformador que a arte exerce, com certa influência, nas diversas disciplinas escolares, assim como influencia a sociedade. Anamélia Bueno Buoro, doutora em comunicação e semiótica pela PUC - SP, em seu livro: Olhos que Pintam:A Leitura da Imagem e o Ensino da Arte, descreve sobre as imagens em livros didáticos que são ali colocadas com: “(...) função intransitiva de mera decoração nos livros do ensino fundamental e da educação infantil, surgem assim como que parcialmente emudecidas e, portanto, incapacitadas para fornecer significados a professores e crianças e, mais ainda, para encaminhá-los no sentido de sua apropriação como poderoso recurso a serviço da prática pedagógica” (BUORO, 2002, p34). 27 E complementa afirmando a importância dessa interação dos alunos com as imagens para que transformem esses sujeitos em interlocutores competentes em constante relação de diálogos com o mundo, estimulados por informações verbais e visuais interligadas (BUORO, 2002, p35). Não só as imagens presentes em livros podem ser recursos didáticos eficazes ao serem bem explorados. Atividades práticas na escola, que envolvem as artes plásticas, como montagens de maquetes, feiras literárias, exposições, feiras de ciências, gincanas, eventos e outros trabalhos propostos pelo professor ou pela escola, podem ser explorados pela ótica das artes visuais, que incluem o desenho, a pintura, a gravura, a escultura, o desenho industrial, ampliando-se ao incluir outras manifestações artísticas que podem ser analisadas sob o ângulo da visão, como a fotografia, as artes gráficas, os quadrinhos, a eletrografia, o teatro, a dança, a publicidade, o cinema, a televisão, o vídeo, a holografia, a computação, compondo-se de expressões e representações da vida, materializadas em formas visivas que podem ser estáticas e em movimento, bi e tridimensionais. (FUSARI/FERRAZ, 1993, p.73) É importante destacar que as atividades práticas-teóricas em artes visuais, não são apenas recursos didáticos ou ferramentas, mas conteúdos que ao serem utilizados, criados e produzidos conduzem à necessidade do saber, pois o aluno estará pensando na função e relação com o conteúdo, construindo seu conhecimento, reconhecendo assim, o valor comunicativo da arte, assim como descreve Braga (2006), no seu artigo sobre Diversidade Cultural e Saberes Docentes: “Na sociedade contemporânea, o papel da imagem tem um poder central. As imagens geram uma quantidade imensa de símbolos. Ela está intimamente vinculada ao poder e nos oferece o estudo da cultura como uma forma de ampliar nossa visão de mundo, a opinião pública, sendo um importante espaço da luta social. (...) Educar com base na percepção de imagens significa estabelecer uma distinção entre as qualidades estéticas e outras 28 características que podem ser encontradas nos objetos visuais e que não estão na representação. A cultura visual deve ser tratada como um aparato pedagógico envolvido na formação de diferentes subjetividades sociais e na construção de identidades. Ela deve ter como finalidade possibilitar que indivíduos entendam a cultura e a sociedade em que vivem, dando-lhes condições para evitar a manipulação da mídia e a produzir sua própria identidade e resistência para que possam participar de sua transformação cultural e social.” (BRAGA, 2006). 3.2 – A UTILIZAÇÃO DAS IMAGENS COMO SIMPLES MEIO DECORATIVO NOS LIVROS DIDÁTICOS: As imagens presentes em livros didáticos, como: charges, tirinhas, fotos de obras de artes e artesanais, são pouco exploradas pelos educadores, ocasionando grande desperdício de possibilidades que poderiam ser desenvolvidas, integrando as imagens ao ensino através da leitura visual. Essa pouca exploração se explica pela falta de contato entre os professores das diferentes disciplinas escolares com a arte e também pelo pouco contato entre estes professores e os professores da disciplina Arte, o que acarreta pouco conhecimento e trocas de informações, gerando insegurança ao explorar e aproveitar as imagens artísticas, assim como disseram alguns professores entrevistados em escolas estaduais da cidade de Janaúba, Verdelândia e São João Del Rei, que disseram ainda, que estão sempre atentos às possibilidades de enriquecimento do seu planejamento didático e que dão preferência a livros ilustrados com alguma expressão da área artística e que perceberam uma contribuição na aprendizagem dos alunos ao trabalhar arte em seu conteúdo, o que tornou a aula mais atrativa e estimulante, porém esses professores têm pouco embasamento teórico sobre arte. 29 A estudiosa e escritora sobre arte, Buoro (2002), faz o seguinte comentário sobre as imagens e suas aplicabilidades no processo educacional: “Imagens impõem presenças que não podem persistir ignoradas ou subestimadas em sua potencialidade comunicativa por editores e educadores, mas que, ao contrário, devem ser devidamente exploradas e lidas, o que implicaria ganho evidente para o processo educacional. A presença da imagem nos livros escolares e o contato diário da criança e de nossos alunos em geral com imagens de qualquer ordem devem ser fatores levados em conta, tanto quanto a questões dos diferentes tempos de sua leitura e dos modos de ver/observar essa presença como algo que atua sobre a sensibilidade e os afetos dos leitores.” (BUORO,2002,p35). Os professores devem se atentar para as possibilidades de melhoramento do seu plano didático e da aplicação deste plano nas aulas de forma diferenciada e atrativa, não excluindo oportunidades de complementação dos conteúdos trabalhados durante as aulas, valorizando e explorando as imagens presentes nos livros que utiliza, buscando explorar os conteúdos de suas disciplinas de diferentes formas, proporcionando uma aprendizagem diferenciada, e que alcance o objetivo proposto. 3.3 – ANÁLISE ESTÉTICA DAS ARTES VISUAIS E SUA RELAÇÃO COM AS DEMAIS DISCIPLINAS ESCOLARES: Construir e por em prática um modelo de trabalho, onde a análise de obras de arte se relacione com as demais disciplinas escolares, é uma das inúmeras possibilidades que o campo das artes visuais oferece. O aproveitamento de elementos didáticos, produções artísticas e trabalhos práticos - teóricos próprios do estudo da disciplina Artes por outras disciplinas 30 escolares, se dá sem se desconsiderar o papel importante de formação e transformação que a disciplina Arte exerce no âmbito escolar, pelo contrário, tende a reforçar o seu caráter de importância fundamental na construção da identidade cultural, estética e artística que a arte oferece através do seu estudo e conhecimento. No livro “A Imagem no Ensino da Arte”, a autora, Ana Mae Barbosa (1991), dá uma amostra da possibilidade de se relacionar obras artísticas visuais com os conteúdos das outras disciplinas através de uma análise estética mostrando a estreita relação dessas obras visuais com a história e a literatura. São duas obras artísticas plásticas de pintoras brasileiras modernistas, Tarsila do Amaral (1973) e Anita Malfati (1964), que foram exemplificadas pela autora e que podem servir de modelo para trabalhos futuros de professores de outras disciplinas escolares, considerando o objetivo que pretendem alcançar junto a seus alunos e a relação que farão com a disciplina, citando nessa análise estética a necessidade da integração de informações históricas às análises das obras de arte, as particularidades implícitas no tema dos dois quadros, estudo da Semana da Arte Moderna de 1922, os poetas e escritores que compuseram a formação intelectual que dela participaram. Essa relação dispõe da oportunidade de compartilhar com as demais disciplinas escolares, de forma inovadora, criativa e dinâmica, áreas do saber próprias da disciplina Artes, servindo de mediadora da aprendizagem. (análises das obras em anexo 03). 3.4 - A IMPORTÂNCIA DO USO CONSCIENTE DA LINGUAGEM NÃO-VERBAL DAS ATIVIDADES PRÁTICAS DAS ARTES VISUAIS E PLÁSTICAS POR OUTRAS DISCIPLINAS ESCOLARES COMO COMPLEMENTAÇÃO DIDÁTICA. A utilização inconsciente de elementos das artes visuais e plásticas por outras disciplinas, apenas como mero recurso ou ferramenta didática, sem a preocupação em conhecer profundamente sobre a real importância da arte, acaba negando o potencial desta como formadora do saber e sua compreensão como conhecimento humano sensível-cognitivo. Isso talvez, seria 31 fruto do descaso com que a arte foi tratada ao longo de sua introdução e desenvolvimento nas escolas brasileiras no passado e a difícil reabilitação nos dias atuais. (FUSARI, FERRAZ, 1993, p.20-40). A arte é usada, muitas vezes no meio escolar, por professores de outras disciplinas inconscientemente, de forma isolada ou como recurso final, um fechamento para os trabalhos das suas disciplinas, realizados por eles ou por seus alunos, sem se ater, no entanto, a real relação e importância que a arte pode apresentar se relacionando com os conteúdos dos trabalhos propostos. O professor de outra disciplina, ao trabalhar conscientemente a arte, as produções artísticas e trabalhos prático-teóricos em artes visuais e plásticas, juntamente com o conteúdo didático de sua disciplina, tem a possibilidade de trabalhar com os variados recursos didáticos que o campo de expressões das artes visuais e plásticas oferece,proporcionando ao alunado desenvolver a criatividade e favorecendo a comunicação, através da exploração dos materiais ,das técnicas das atividades práticas-teóricas e das possibilidades de produção artística dessas artes nas suas mais variadas expressões(desenho, pintura, gravura, escultura, fotografia, charges , vídeos, etc.)atividades estas, produtivas, reflexivas e receptivas , que exploram a criatividade, a inventividade, o conhecimento, a intelectualidade e o potencial criador. São muitos os modos de organizar e integrar a arte na dinâmica das outras disciplinas, desde que os alunos, possam de diversas maneiras, conhecer melhor as práticas e teorias de produção, apreciação e reflexão das culturas artísticas em suas interconexões e contextualizações socioculturais, utilizando conscientemente as produções artísticas visuais e plásticas, sem deixar perder para isso, a especificidade de cada disciplina que interaja com a área do saber da disciplina Artes, transformando o conhecimento em compreensões mais amplas, num prazer em aprender. 32 CAPÍTULO IV ARTE E INTERDISCIPLINARIDADE O modelo escolar privilegia o modelo de projeto curricular com módulos disciplinares favorecendo a incomunicação profissional entre os diferentes especialistas não havendo compartilhamento, entre os profissionais, de parcelas temáticas ou objetivos educacionais que favoreçam um ensino diversificado que alcance prontamente seus objetivos. (SANTOMÉ, 1998, p.126). As diferentes áreas do conhecimento e experiências devem entrelaçarse e reforçarem-se mutuamente contribuindo eficazmente para a construção e reconstrução dos conhecimentos, habilidades, atitudes e tudo que favoreça a aprendizagem significativa e qualitativa. “As propostas integradoras favorecem tanto o desenvolvimento de processos como o conhecimento dos problemas mias graves da atualidade. Assim, facilitam o crescimento psicológico do indivíduo, o desenvolvimento das estruturas cognitivas de alunos e alunas, de suas dimensões afetivas e de relação social, de seu desenvolvimento físico, mas também permitem que sejam adquiridos aqueles marcos teóricos e conceituais, métodos de pesquisa, etc. que facultam para analisar, revisar e contribuir para o avanço e o crescimento das diferentes ciências e âmbitos do saber de uma sociedade secreta. Desse modo, alunos e alunas preparam-se para enfrentar os problemas cotidianos nos quais estão envolvidos, bem como os que os aguardam em um futuro próximo, porém sem estar pensando se necessitarão uma informação ou destreza matemática, física ou lingüística.” (SANTOMÉ, 1998, p.125). 33 O modelo de módulos disciplinares faz divisões entre as disciplinas, o que já se caracterizou como uma tradição clássica e hierarquizadora, gerando, de alguma forma, rivalidades entre as disciplinas, onde algumas matérias se sobressaem como as mais importantes e imprescindíveis, acreditando que é essencial para a formação intelectual e profissional do aluno. (SANTOMÉ, 1998,127). Neste cenário fica difícil a integração das disciplinas agindo em conjunto para a formação dos educandos. A ruptura de fronteiras entre as disciplinas deve ser insistentemente tentada pelos educadores e incentivada e apoiada pela área pedagógica, trazendo assim, ganhos consideráveis para a área educacional e para quem esteja envolvido nela, como confere Santomé (1998): “A ruptura de fronteiras entre as disciplinas (corolário da multiplicidade de áreas científicas e de modelos de sociedades cada vez mais abertos, do desaparecimento de barreiras na comunicação e de uma universalização da informação) está levando à consideração de modelos de análises muito mais potentes dos que caracterizavam apenas uma especialização disciplinar. A complexidade do mundo e da cultura atual leva a desentranhar os problemas com múltiplas lentes, tantas como as áreas do conhecimento existentes; do contrário, facilmente os resultados seriam afetados pelas deformações impostas pela seletividade das perspectivas de análise às quais se recorre.” (SANTOMÉ, 1998, p.44). A interdisciplinaridade assume um papel importante no contexto escolar como apoio pedagógico entre as disciplinas, possibilitando a qualificação dos conteúdos, onde estes interajam em sintonia, levando ao aluno uma aula motivadora, dinâmica e enriquecida, adaptada às exigências de uma sociedade em constante mudança, à qual os alunos estão condicionados, e que exige da 34 escola dinamismo e adaptação ao meio, possibilitando ao alunado, identificar e se identificar com questões desafiadoras propostas. Assim propõe o PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) como uma das leis norteadoras do ensino, com a seguinte consideração no PCN do Ensino Médio, tratando da interdisciplinaridade: “A aprendizagem significativa pressupõe a existência de um referencial que permita aos alunos identificar e se identificarem com as questões propostas.” (PCN, 1999, p.36), e explica ainda, a que se destina a interdisciplinaridade no ensino médio, não deixando de abranger o ensino regular como um todo: “Na proposta de reforma curricular do ensino médio, a interdisciplinaridade deve ser compreendida a partir de uma abordagem relacional, em que se propõe que, por meio da prática escolar, sejam estabelecidas interconexões e passagens entre os conhecimentos através de relações de complementaridade, convergência ou divergência.” (PCN/Ensino Médio, 1999, p.36). Essa proposta de parceria é fundamental para o projeto pedagógico da escola porque, havendo a articulação entre as várias áreas disciplinares, haverá uma sintonia no que se refere aos tratamentos metodológicos que são desenvolvidos pela escola. As disciplinas podem desenvolver trabalhos de modo que todas as áreas trabalhem o mesmo tema, levando assim o aluno a desenvolver as habilidades gerais a serviço do desenvolvimento de cada um, de forma clara e consciente. Porém, a interdisciplinaridade só acontece se for planejada, pois é realizada de forma coletiva, devendo ser estimulada e apoiada pela direção da escola para que os professores realmente consigam promover competências mais amplas em suas práticas de ensino-aprendizagem, e que o ensino de cada disciplina se torne um processo formador na vida escolar do aluno. Com tudo isso, a interdisciplinaridade com a disciplina Arte, traz várias possibilidades didáticas às disciplinas escolares, contribuindo para a formação de alunos criativos, participativos e críticos, protagonistas na sociedade em que 35 vivem. Assim, compartilham dessa opinião, as professoras especialistas em arte Fusari e Ferraz (1993): “No contexto da educação escolar, a disciplina Artes compõe o currículo compartilhando com as demais disciplinas num projeto de envolvimento individual e coletivo. O professor de Arte, junto com os demais docentes e através de um trabalho formativo e informativo, tem a possibilidade de contribuir para a preparação de indivíduos que percebam melhor o mundo em que vivem, saibam compreendê-lo e nele possam atuar.” (FUZARI,FERRAZ,1993,p20) O aluno ao vivenciar uma aula, onde o professor busca a interdisciplinaridade, relacionando o seu conteúdo didático com outras disciplinas, no caso específico, com a Arte, é contemplado com um ensino estimulante, dinâmico e motivador, que, se bem aproveitado e trabalhado por todos, gera um aprendizado de qualidade para os alunos, de acordo com as propostas do PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais). Antes de trabalhar a arte e sua prática teórica - artística, integrando-a às outras disciplinas, é necessário que se tenha em mente que resultado se espera, e outro ponto importante, é que não se julgue a arte como simples proporcionadora de atividades para as disciplinas escolares e para a escola, mas como auxiliar na aprendizagem e incentivadora de uma aprendizagem cognitiva, perceptiva e afetiva. Não se deve ter a preocupação com análises técnicas das atividades artísticas trabalhadas, este deve ser o campo de estudo tão somente da disciplina Artes. O que mais deve ser levado em conta ao relacionar artes visuais e plásticas aos conteúdos das demais disciplinas do currículo escolar é o enriquecimento dinâmico didático das aulas, onde o educador deve se preocupar em buscar várias fontes de informação sobre arte, de preferência, buscar auxílio didático com professores da disciplina Artes para aumentar seu 36 embasamento teórico e assim saber usar conscientemente elementos didáticos, próprios da área de Arte, em seu conteúdo como ferramenta para tornar sua aula mais dinâmica e atrativa para os educandos, proporcionando uma nova forma de se educar, conscientemente. Um exemplo que pode ser dado, sobre a relação entre artes e demais disciplinas escolares, vida social e aprendizagem dos alunos é trabalhar apreciação de obras artísticas, pois a obra passa por classificações de estilo histórico-sociais,culturais e com a psicologia social da época em que foi produzida, por isso, analisar uma obra , usando apenas termos técnicos, reduz a obra a um significado de apenas um simples objeto qualquer, sem os valores classificatórios que lhe foram conferidos anteriormente. A análise deve ser feita, levando em conta, principalmente, a subjetividade do aluno/observador, que tem a chance de entrar em contato com as obras de arte do passado, tendo experiências diretas com a fonte de informações, a obra artística, fazendo interpretações além da histórico-formal, fazendo mais que uma análise, uma apreciação.E é nesse contato subjetivo que se formam os questionamentos, a interação e a aprendizado dos alunos. Mesmo havendo afinidades entre as disciplinas, e a proposta de cooperação interdisciplinar de conteúdos das áreas do saber dessas disciplinas, cada uma deve ser tratada sem se envolver com as particularidades da outra, se detendo com aquilo que é necessário para seu desenvolvimento e enriquecimento didático compartilhado entre as disciplinas. “E assim, desenvolvendo conhecimentos estéticos e artísticos dos alunos que a disciplina Artes comparece como parceira das disciplinas trabalhadas na área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias² e nas demais áreas de conhecimento presentes no Ensino Médio (...)” (PCN- Ensino Médio - Arte, 1999). ___________________________ ²A disciplina Arte, juntamente com as disciplinas Educação Física,Língua Portuguesa e Língua Inglesa, além de Informática, compõem a área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. 37 O trecho citado anteriormente, dá uma idéia do papel exercido pela disciplina Artes no currículo escolar, aqui, especificamente no ensino médio, mas que pode e deve abranger o ensino fundamental, como matéria didática essencial em si mesma e como “parceira” das outras disciplinas escolares. No contexto escolar, arte e as demais disciplinas escolares podem se relacionar, dispensando a análise formal da linguagem artística, como a crítica de arte detalhada e análise de obras com uso de termos técnicos, utilizados por profissionais da disciplina Arte; essas demais disciplinas devem deter-se a interpretações das artes tão somente relacionadas ao contexto didático de suas aulas, de forma a promover uma melhor compreensão do aluno e alcançar o objetivo a que destina alcançar com essa relação, o aprendizado dos alunos. 38 CONCLUSÃO Os educadores devem estar atentos às possibilidades de enriquecimento do seu planejamento didático e perceberem que a escola, hoje, deve adaptar-se às mudanças do meio, passando por uma evolução que tenha por objetivo ser criativa e dinâmica para conseguir acompanhar a realidade e preparar os alunos para esse novo cenário social, buscando novas fontes de conhecimento e conteúdos que atraiam a atenção e interesse dos mesmos, favorecendo assim, a interdisciplinaridade, adaptando-se às tecnologias, adequando-se à realidade educacional e social. Os alunos são bombardeados por informações visuais através de várias fontes de informação, como: revistas, internet, televisão, rádio e livros escolares, sem deter sobre essas informações um olhar crítico e reflexivo, estabelecendo com as imagens relações visuais pouco significativas, a ponto de essas imagens tornarem-se meras ilustrações “coloridas e bonitinhas”, criadas apenas com o intuito de decorar. No campo pedagógico, as informações visuais podem ganhar relevância significativa como recurso pedagógico, bastando para isso, colocar em prática a interdisciplinaridade na escola, onde as disciplinas compartilhem com a disciplina Artes as possibilidades de realizar um trabalho dinâmico e criativo, que conquiste o educando através de atividades lúdicas, artísticas, história da arte, análises de obras artísticas visuais, criações artística, tudo voltado para o enriquecimento da aprendizagem do aluno, mediante informações básicas que complementem o conteúdo didático de cada disciplina, sem se deter em aprofundamentos de técnicas estéticas ligadas a disciplina Artes. Apesar da discriminação que a arte enfrenta nas escolas, a proposta de interdisciplinaridade não renega a arte a coadjuvante no espaço escolar, sendo utilizada pelas demais disciplinas como complementação pedagógica apenas para preencher o tempo ou ilustrar o conteúdo proposto, pois a arte tem o seu papel relevante na sociedade, tanto no passado como no presente, seja como transformadora ou criadora de opinião, e no campo escolar a interdisciplinaridade se destina a criar laços de cooperação entre as disciplinas, 39 servindo assim para quebrar preconceitos, fortalecendo a educação em que se privilegie a qualidade na formação integral (cultural, intelectual, motora, crítica, perceptiva, etc.) do educando. Assim, a arte na disciplina escolar não se prestaria a um papel diferente, não se prestaria e não se presta apenas a decorar livros didáticos, criar atividades de passatempo, servir de pano de fundo para atividades extra - escolares ou demais destinos contrários daqueles a que a arte deve se destinar. 40 ANEXO 01 Entrevista a Professores do Ensino Regular 1) Você está sempre atento às possibilidades de enriquecimento do seu planejamento didático? Sim( ) Não( ) Às vezes( ) 2) Você considera a interdisciplinaridade ao elaborar seus planos de aula? Sim( ) Não( ) Às vezes( ) 3) Você procura analisar com os alunos as imagens ilustradas no livro didático, como complementação didática da matéria lecionada? Sim( ) Não( ) Às vezes( ) 4) Você dá preferência a livros didáticos a serem trabalhados em sala de aula, ilustrados com imagens artísticas? Sim( ) Não( ) Às vezes( ) 5) Você percebe uma contribuição no aprendizado dos seus alunos quando é feita uma relação entre arte e o conteúdo trabalhado, através de atividades práticas-teóricas, em sua disciplina? Sim( ) () Não( ) Às vezes( ) Não faço essa relação 6) Você procura utilizar variados recursos didáticos em suas aula? Sim( ) Não( ) Às vezes( ) 41 ANEXO 02 Howard Gardner, psicólogo americano é o autor da teoria das inteligências múltiplas. Howard definiu 7 inteligências a partir do conceito que o ser humano possui um conjunto de diferentes capacidades. São elas: 1. LÓGICO-MATEMÁTICA - está associada diretamente ao pensamento científico ao raciocínio lógico e dedutivo. Matemáticos e cientistas têm essa capacidade privilegiada 2. LINGÜISTICA - está associada à habilidade de se expressar por meio da linguagem verbal, escrita e oral. Advogados, escritores e locutores a exploram bem. 3. ESPACIAL - está associada ao sentimento de direção, à capacidade de formar um modelo mental e utilizá-lo para se orientar. É importante tanto para navegadores como para cirurgiões ou escultores. 4. CORPORAL-CINESTÉSICA - está associada aos movimentos do corpo que pode ser um instrumento de expressão . Dançarinos, atletas, cirurgiões e mecânicos se valem dela. 5. INTERPESSOAL - está associada à capacidade de se relacionar com as pessoas. De entender as intenções e os desejos dos outros e, conseqüentemente, de se relacionar bem com eles. É necessária para vendedores, líderes religiosos, políticos e, o mais importante, professores. 6. INTRAPESSOAL - está associada à capacidade de se estar bem consigo mesmo, de conseguir administrar os próprios sentimentos, de se conhecer e de usar essas informações para alcançar objetivos pessoais. 7. MUSICAL - está associada à capacidade de se expressar por meio da música, ou seja, dos sons organizando-os de forma criativa a partir dos tons e timbres. Gardner atualmente estuda numa oitava inteligência, chamada NATURALISTA, que está associada à capacidade humana de reconhecer objetos nanatureza. 42 ANEXO 03 AMARAL, Tarsila do. A Negra,1923,óleo s/ tela – 100 x 81,3. Dç. Museu de Arte Moderna/SP. Col. Museu de Arte Contemporânea/USP. MALFATI,Anita Catarina. O Torso/Ritmo, 1915, pastel e carvão – 61 x 46,6. Dç. Museu de Arte Moderna/SP. Col. Museu de Arte Contemporânea/USP 43 BLIOGRAFIA CONSULTADA ALVARENGA, Jenner Procópio de. Ciências Naturais no dia-a-dia; 7ª série/ Jenner Procópio de Alvarenga, José Luiz Pedersoli, Moacir Assis d’Assunção Filho, Wellington Caldeira Gomes,Curitiba:Positivo,2004. ANDRINI, Álvaro. Novo Praticando Matemática/Álvaro Andrini, Maria José C. de V. Zampirolo.São Paulo: Editora do Brasil,2002.Obra em 4 volumes para alunos de 5ª a 8ª série. ANTUNES, Celso. As Inteligências Múltiplas e seus Estímulos. 9ª Ed. São Paulo: Papirus,1998-Coleção Papirus Educação. ARGAN, Giulio Carlo. 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