O Papel da Ação Empreendedora no Cenário das Empresas de Base Tecnológica Autoria: Fernando Gomes de Paiva Júnior, Sérgio Carvalho Benício de Mello Resumo A permanência da questão polissêmica no âmbito da natureza conceitual do empreendedorismo poderá vir a trazer danos para os estudos, para os formuladores de políticas e, principalmente, para aqueles profissionais que demonstram o caráter genuinamente empreendedor na sua natureza pragmática e sócio-cultural. O empreendedor se conduz pelas experiências vividas no cotidiano pessoal e organizacional e sua análise é efetuada com base na reflexão das suas relações de parceira sob a fundamentação da fenomenologia social de Alfred Schütz. A questão norteadora se conduz para se compreender a natureza do empreendedorismo, sob a perspectiva de dirigentes de empresas de base tecnológica da Região Metropolitana do Recife. A metodológica da abordagem interpretativa contempla a redução fenomenológica. Nesse sentido, as dimensões primordiais do estudo se agruparam em três categorias estruturais que revestem o pensamento e a ação do empreendedor no contexto cultural: a imaginação conceitual, a expertise e a interação social. Essa interação impulsiona o empreendedor a descobrir motivos para deslanchar sua conduta de reconhecimento e exploração de oportunidades de negócios, munido de uma ética relacional e da capacidade de ação que sintetiza suas realizações e vicissitudes. Esse fenômeno desenvolve a intenção do ato de servir por meio do aprender, em consonância com os valores de realização humana na órbita pessoal, empresarial e cidadã de parte do empreendedor e seus interagentes estratégicos. 1. Introdução No despertar de perplexidades na esfera produtiva apontadas por Santos (2000), vê-se o papel das ciências sociais, no contexto social dos anos oitenta e noventa, como desafios reivindicantes para ocupar o pensamento contemporâneo numa atmosfera de transição que realça a degradação na ordem sócio-econômica pelo esquema neoliberal, degradação esta compreendida por cientistas como uma desordem selvática que precisa ser transposta para dar lugar a outra ordem internacional que mobilize a arrogância de alguns e atenue a impotência de outros. Em contraposição, nessas décadas têm aflorado movimentos sociais de emancipação e ações coletivas que pressupõem um resgate do sujeito para fazer frente a tais desafios. No âmbito das mudanças intensificadas na sociedade contemporânea, as transformações informacionais e as movas tecnologias de gestão vêm ganhando destaque. O impacto proporcionado por ela tem implicado em alterações significativas no mundo do trabalho, a exemplo dos novos modelos empresariais e da busca por flexibilização como forma de acesso e permanência das empresas num mercado cada vez mais volátil e competitivo (PAIVA JR.; BARBOSA, 2001), no qual o empreendedorismo emerge como uma saída frente ao fenômeno denominado “fim do emprego” (RIFKIN, 1995). A atividade empreendedora representa, portanto, um dos motores do crescimento econômico e ocorre na maioria dos processos de desenvolvimento de novos negócios. Como tal, autores da literatura acadêmica e de publicações não-acadêmicas — como, por exemplo, Peters e Waterman Jr. (1986), Covin e Slevin (1988, 1989), Lumpkin e Dess (1996, 2001), Kotey e Meredith (1997) e Meyer e Allen (2000) — argumentam que o estilo empreendedor de gestão é uma característica essencial de empresas exitosas. Embora não pareça existir um arcabouço geral que dê sustentação teórica para o empreendedorismo, a formulação de distintas abordagens integra os contextos econômico e social da atividade empreendedora numa composição multidimensional. Tal estruturação contempla tanto os indivíduos que criam novos negócios, quanto os proprietários de empreendimentos inovadores de crescimento rápido (GARTNER, 1988, 1990; BYGRAVE, 1989; BRUYAT, 1993; MEYER; ALLEN, 2000; DANJOU, 2002; HERNANDEZ, 2002). Além disso, por conta do limitado êxito e das dificuldades metodológicas inerentes ao tratamento isolado das abordagens dos traços, da orientação de comportamentos e de processos, o olhar multidimensional do fenômeno empreendedor começa a receber maior atenção nos estudos atuais (GARTNER, 1985; VERSTRAETE, 2001; DANJOU, 2002). Reforçando a preocupação com a tentativa de resgatar a subjetividade do empreendedor, esse olhar multidimensional ressalta que, muitas vezes, os aspectos emotivos e as experiências vividas são mutiladas nos estudos organizacionais. No que diz respeito à falta de conformidade entre os pesquisadores que estudam o fenômeno empreendedor, existe uma preocupação de alerta quanto à fragilidade desse tipo de polissemia conceitual, oriunda da geração de múltiplos significados para um mesmo significante, representado pelo vocábulo “empreendedor”, segundo Dubois et al (1998), a propriedade do signo lingüístico possuir vários sentidos. Essa multiplicidade de sentidos para o conceito empreendedor é respaldada pela racionalidade da forma como está posta a idéia do empreendedorismo, na medida em que esta idéia representa a construção de um estado de desindividualização, principalmente na interação do sujeito com o coletivo da ordem social (MÉLÈSE, 1985). A permanência da questão polissêmica no âmbito da natureza conceitual do fenômeno empreendedor poderá vir a trazer danos ainda maiores para os estudos na área, para os formuladores de políticas e, principalmente, para aqueles profissionais que demonstram o caráter genuinamente empreendedor na sua natureza existencial, pragmática e sócio-cultural. Em seu estudo, Bruyat (1993) apresenta contribuições de modelização conceitual para o empreendedorismo, sob a abordagem construtivista. E propõe também que a relação do indivíduo coma a criação do novo negócio deve ser dialógica, a fim de não se dissipar o esforço de investigação dos grupos de estudo nesse sentido.A atuação do empreendedor como agente do desenvolvimento têm se destacado com o fortalecimento das economias locais e pela sua participação promoção do crescimento econômico por meio da criação de negócios (PAIVA JR.; CORRÊA; SOUZA, 2006; PAIVA JR.; CORDEIRO, 2002). Entendemos, portanto, o empreendedorismo como um fenômeno social como mostra o estudo de Paiva Jr. (2004), no qual o empreendedor convive numa interação dialógica com a empresa e o ambiente. Essa relação agrega valor aos produtos produzidos e às relações estabelecidas pelo empreendedor e é mediada por uma cultura específica, ethos no qual o sujeito foi socializado e que fornece códigos que serão utilizados por ele em sua trajetória empreendedora. E diante de uma concepção tão múltipla do tema, formulamos a pergunta que vai permear nossa reflexão neste estudo: Qual a Natureza do Empreendedorismo sob a ótica de dirigentes de empresas de base tecnológica? 2. A fenomenologia social de Alfred Schütz Ao desenvolvermos esse estudo, partimos de observações e diálogos com os dirigentes das empresas de base tecnológica considerando-os na condição de co-pesquisadores — como são chamados na fenomenologia os atores entrevistados —, a fim de compreender qual o significado estrutural da experiência empreendedora vivida por um dirigente empresarial. Nessa busca, a 2 fenomenologia social de Alfred Schütz representa uma opção adequada, na medida em que ela se dispõe a aprofundar o entendimento a priori quanto ao significado de posturas enraizadas, oriundas de uma forma de ser e agir que dimensiona o ser humano tal como ele se apresenta no mundo social. Ao captar os interesses de Husserl no sentido do entender como os membros comuns da sociedade constroem e reconstroem o mundo da vida diária, Schütz introduz um conjunto de princípios que sustentam as bases das teorias de autores construcionistas fenomenológicos (BERGER; LUCKMANN, 2002) e etnometodológicos (GARFINKEL, 1967) de trabalhos de concepção teórico-empírica do conhecimento subseqüentes à discussão inicial sobre o seu pensamento. A partir dessa visão epistemológica pautamos nossa concepção do ato empreendedor como extrato de fenômeno socialmente construído, que acontece numa esfera social repleta de significados. Schütz (1975a) recomenda que as ciências sociais devam se voltar para as direções do mundo da vida, que corresponde àquilo que a pessoa experimenta do cotidiano e assume como verdade é produzido e experienciado também pelos seus membros. A garantia da percepção subjetiva é o único e suficiente fundamento de que o mundo da realidade social não será substituído por um mundo ficcional e inexistente edificado pelo observador científico (HOFSTEN; GUBRIUM, 1994). Nossa consciência do outro oferece mais que uma duplicação do que encontramos na nossa própria consciência, pois estabelece a diferença entre o “si próprio” e o “outro” (WAGNER, 1979, SCHÜTZ; LUCKMANN, 1973). Essa compreensão nos remete ao empreendedor como um ser eminentemente relacional, cuja competência de comunicabilidade o situa em posição favorável na construção do seu capital social (ALMEIDA; FERNANDEZ, 2006). A recomendação de Schütz é de que o estudo da ação social assuma o lugar na atitude natural por se colocar entre parêntesis (bracketing) o mundo da vida. Segundo esta condução, todo julgamento ontológico a respeito das essências e das coisas fica em suspenso (SCHÜTZ, 1975b). A orientação para a subjetividade do mundo da vida levou Schütz a examinar o conhecimento do senso comum e as reflexões práticas que os atores utilizam para objetivar suas formas sociais. E ele percebe que o sujeito aborda o mundo da vida ao lançar mão de um estoque de conhecimento que é um recurso com o qual as pessoas interpretam as experiências, captam as intenções e as motivações dos outros, sendo essa a porta por meio da qual conseguem entendimento intersubjetivo e coordenam as ações. As imagens, teorias, idéias, valores e atitudes são aplicados a aspectos da experiência e fazem sentido para os atores que as vivenciam (WAGNER, 1979). Se a consciência humana é necessariamente tipificada, Schütz (1975b) afirma que a linguagem é o veículo central da transmissão de tipificações e, por conseguinte, de significados dos objetos da experiência. Nessa concepção estrutural, a tarefa essencial da linguagem é converter a informação, a fim de descrever a realidade. Percebidos como sistemas constitutivos de tipificações, as palavras podem ser reconhecidas como os blocos de construção constitutiva da realidade diária. Dessa forma, a fenomenologia social reside no preceito de que a interação social constrói e transmite significado. Schütz notou que o uso da linguagem e das tipificações cria uma idéia de que o mundo da vida é substancial. Isso é sempre independente da nossa apreensão dele. A maioria das experiências vividas confirma e reforça a noção de que os atores interagem entre si num mundo experienciado fundamentalmente da mesma forma por todas as partes interagentes, mesmo que os 3 enganos sejam cometidos na captação dessa interação (SCHÜTZ; LUCKMANN, 1973). Assumimos que nossa subjetividade faz parte da realidade, no ponto em que toda consciência é essência de — vê-se com a fenomenologia — impor-se esta idéia de que o conhecimento é apreensão de significação. E como tal não se pode colocá-la em dúvida (VIET, 1973). 3. Procedimentos metodológicos As reflexões apresentadas neste trabalho são parte de um estudo maior sobre a ação de empreender, desenvolvido sob inspiração da fenomenologia sociológica de Alfred Schütz e realizado junto a seis dirigentes de perfil empreendedor extraídos de 59 empresas de base tecnológica (EBTs) da Região Metropolitana do Recife – RMR (PAIVA JR, 2004). Inicialmente realizamos um estudo exploratório de caráter censitário junto às de 59 empresas com o objetivo de conhecer o perfil do setor de tecnologia de Informação e comunicação, obter indicadores sobre sua orientação empreendedora dos dirigentes e subsidiar a seleção dos entrevistados para o estudo fenomenológico. Na segunda fase do estudo, realizamos entrevistas semi-estruturadas junto aos 6 dirigentes de perfil empreendedor selecionados dentre os 59 supracitados e o detalhamento dessa triagem encontra-se em Mello et al. (2006). O processo de tratamento dos dados facilitou a garantia do rigor interpretativo ao longo das análises a fim de reduzirmos vieses epistemológicos conforme a orientação de Lincoln e Guba (1985) e Creswell (2002). 3.2 Análise de dados: a redução fenomenológica A redução fenomenológica preludia um esforço de reflexão destinado a revelar-nos os preconceitos enraizados em nós pelo meio e destinado a transformar em condicionamento consciente um condicionamento sofrido. Na sua obra Meditações cartesianas, Husserl concebe a epoqué como a suspensão do juízo que coloca desde logo em evidência a subjetividade constitutiva que ele chama, por esta razão, de um resíduo que permanece após a redução fenomenológica (MURALT, 1998). Quanto ao tratamento da redução fenomenológica, vale observar que a realidade desse mundo exterior não é confirmada nem negada, em vez disso é “colocada entre parênteses”. O fenomenólogo deve examinar não apenas a experiência de si próprio do eu, mas também a experiência, que dela deriva, de outros eus e da sociedade (WAGNER, 1979). A observação abaixo de Lyotard (1999) parece esclarecer a relação do eu intencional com a perspectiva do objeto desse eu, uma vez que a intencionalidade é um objetivo desse eu, embora seja igualmente uma doação de sentido. Essa redução consistiu na busca da compreensão dos elementos essenciais do discurso dos 6 dirigentes escolhidos, como indicativo da verdade revelada pela consciência transcendental do empreendedor, ao expressar um cotidiano demarcador do fenômeno (DERRIDA, 1996). No Quadro 1, apresentamos alguns procedimentos ilustrativos da redução fenomenológica realizada no estudo, embora esse processo possa variar de acordo com a tradição fenomenológica do pesquisador. 4 Quadro 1 – Redução Fenomenológica Procedimentos Escolha de dados por entrevistados I Identificação das unidades de significados (USs) II Tratamento das USs relativas às categorias emergentes III Busca da compreensão dos empreendedores IV Construção das relevâncias ou tipicidades V Categorização dos grandes temas VI Integração dos temas categóricos em estruturas do fenômeno VII Fonte: Adaptação de Paiva Jr. (2004) Por considerarmos que a pesquisa qualitativa tem seus próprios critérios de rigor científico que asseguram a legitimidade dos dados gerados em sua utilização, registramos que a objetividade deste estudo também está sendo avaliada em termos da validade e confiabilidade no sentido da qualidade e consistência de nossas observações e da escolha dos entrevistados. Para Kirk e Miller (1986), essa parece ser a forma de reduzir desviações decorrentes de relatos enviesados por intenção de privacidade ou por desejabilidade social. O processo de validação dos dados pode ser observado no Quadro 2. Quadro 2 – Mecanismos para validação da análise dos dados Fase Esclarecimento a posteriori Saturação dos dados Auto-reflexão Auditoria Procedimentos No processo da análise fenomenológica, cabe o exercício de contato s subseqüentes ao tratamento dos conteúdos da red ução para esclarecimentos sobre significados e conceitos manifestad os pelos entrevistados e que ainda permanecem obscuros. É o momento em que os discursos presentes nas respostas dos entrevistados não constituíam contribuições ad icionais significativas para as análises dos d ados e reflexões dos estudos. A saturação pode se dar tanto em ralação a um único entrevistado, como no q ue concerne ao conjunto das entrevistas. A reflexividade é uma forma de atenuar elementos limitantes que restringem a q ualidade das entrevistas e análises de campo. Ela é um critério de confiabilidade e d iz respeito ao antes e ao depois do aco ntecimento, gerando transformação no p esquisador, uma vez que este vai se tornando uma pessoa diferente por considerar as inconsistências do estudo ao longo do processo de análise. A constante auto-reflexão é fundamental para evitar ou reduzir vieses interpretativos. A confiabilidade dos resultados se dá por meio da triangulação d as distintas fo ntes de informação, uso de descrições ricas e necessárias para integrar os resultados; alocação de uma pessoa distinta juntamente com o pesquisador para acompanhar os relatos e fazer perguntas aos entrevistados, além d a mobilização constante do já citado auditor externo (external auditor) para acompanhar o processo da pesquisa e a resposta às questões do estudo. Fonte: Adaptado de Paiva Jr (2004) e Creswell (2002). As notas de campo e as observações de documentos escritos pelos dirigentes e seus pares foram úteis para a comprovação de dados indicativos das suas impressões a respeito do fenômeno e facilitaram o acuro interpretativo nos instantes das análises (LINCOLN; GUBA, 1985). Isso fica ilustrado em recortes de relatos dos dirigentes registrados em cada uma das dimensões interpretadas em meio ao processo analítico, assim se vemos o quadro 3, por exemplo, os extratos dos depoimentos relativos à dimensão autonomia referente à categoria estrutural “imaginação conceitual” diz respeito à unidade de significado 13 do entrevistado 1 – configurado na coluna como [1.13] e assim por diante. 5 4. Análise dos dados Os resultados serão apresentados visando substanciar as respostas para a pergunta de pesquisa. Será apresentada uma análise de cada uma das Categorias estruturais da natureza do fenômeno empreendedor que emergiram do processo da redução fenomenológica (Figura 01), quais sejam: a imaginação conceitual, a expertise e a interação social. Valendo realçar que essas estruturas universalizantes do fenômeno empreendedor foram categorizadas sob a inspiração da concepção social da fenomenologia de Schütz. Figura 01 – Categorias Estruturais da Natureza do Fenômeno Empreendedor Fonte: adaptado de Paiva Jr.(2004) A disposição das dimensões se apresenta em quadros explorando os temas emergentes relativos a cada uma das três categorias estruturais da natureza do fenômeno empreendedor, a concepção que ilustra uma possível definição temática do tópico e o extrato elucidativo que manifesta a voz do sujeito como conteúdo de sua vivência decorrente de sua reflexão intuitiva. 4.1 Imaginação Conceitual A imaginação está na ordem da construção social, já que ela é instituída e compartilhada por um coletivo impessoal e anônimo. Assim, essa imaginação não tem a sua raiz necessariamente no empreendedor ou em qualquer outro sujeito e grupo, pois sua existência pressupõe um campo sócio-histórico de uma sociedade instituída, irredutível aos tipos tradicionais de ser humano. No que concerne à imaginação conceitual, determinados temas estruturais emergem da consciência do empreendedor em meio à particularidade de sua forma de pensar e agir, quais sejam: a autonomia, a convivência com o risco, o desprendimento, a intuição, a visão integral e a subjetividade — esta última, na verdade, aglutina todos os elementos anteriores. 6 Quadro 3 – Dimensões da Imaginação Conceitual Dimensão Concepção Autono mia Independência na percepção de pessoas e na experiência espaço-temporal, resultando num agir livre da b urocracia institucional e pautado pela criatividade e independência d e pensamento. Convivência com risco Relaciona-se com os êxito s e malogros que fazem parte da dinâmica do empreendimento e constitui uma forma de aprendizagem frente ao desconhecido. Desprendimento Representa um estado do emprendedo r desligar-se do empreendimento e ativar relacionamentos sociais que o inserem com outras atividades. Isso revigora seu bem estar. Visão integral Disposição pessoal Intuição Projeto existencial Subjetividade Extrapola as fronteiras de âmbito unicamente projetivo do empreendimento e assu me a vestimenta da convicção na esfera grupal, na órb ita da responsabilidade social. Capacidade de enfrentamento do empreendedor no sentido de lidar com desafios e forças que demandam sua reflexão, vontade e ação . Está permeada por escolhas que implicam em reduzir o risco por meio de dispositivos de garantia, desse modo situações de prejuízo se transformam em aprendizad o e elas são vistas por ângulos diferentes. Significa um ato voltado para um projeto, e é articulado em sua vida por meio do entrelaçamento entre o empreendedor e a sobrevivência ou desenvolvimento da organização. Compreende à autopercepção e a vontade do empreendedor, à dimensão do aqui e agora ou q ualquer outra instância temporal, e favorecida por articulação interpessoal. O recorrer ao campo subjetivo representa a lógica de sobrevivência do empreendedor. Extrato “Quem tem o privilégio de acordar quando o sono acaba? Eu fiq uei com esse negócio na cabeça, disse, eu vou deixar de ser empregado. Tinha umas coisas que eu fazia que eu não gostava, tá entendendo ?” [1.13] “Em julho eu já estava cheio de dinheiro porque comecei a pegar projetos quase impossíveis. Aí fundei outra empresa. Eu não queria fundar, mas um sócio me chamou, fundei e a partir daí fo i uma roda viva” [6.3] “Porque antes da empresa tem eu, Antes de mim tem as pessoas. Então não consigo pensar na empresa o tempo todo como tem alguns colegas que fazem dessa forma e se tornam pessoas chatas, incômod as e não se relacio nam bem em casa” [1.25 ] “É talvez a capacidade de olhar o todo mais do que o individual. Isso faz com que você co nsiga botar a empresa pra andar mais rápido do que você ficar vendo o problema isoladamente” [4.6] “Eu sempre fui movido a desafio, então se eu entro na zona de conforto aquilo deixa de ter interesse para mim” [5.2] “O tempo de manutenção desses equipamentos são longos... a gente já tinha esse conhecimento, a dificuldade, então a gente vez fez um projeto totalmente ino vador” [2 .12] “Então pra mim tem que ter sonho. Ver como uma obra e uma coisa de realizações de si” [3.13] “A única razão de eu ter pego u m câncer foi ter vendido a empresa e fiz o melhor negócio, vend endo a preço mais caro. Dizia: so u um gênio! Mas não era o q ue eu queria” [6.10] Fonte: Adaptado de Paiva Jr. (2004) Desse modo, na medida em que os atos dos empreendedores estão intrinsecamente atrelados à realidade organizacional, o conhecimento em profundidade dos seus atributos psicossociais potencializa o olhar interpretativo do pesquisador sobre o contexto estrutural que 7 integram. Noutras palavras, o interesse recai não apenas na forma como os empreendedores pensam o mundo em que vivem, mas especialmente em como eles avaliam as possibilidades pelas quais esse mundo pode vir a ser no futuro. Nesse sentido, as dimensões micro-sociológicas apresentadas acima são abraçadas com ímpeto nessa discussão, demonstrando que a “realidade social” empreendedora deve ser buscada “literalmente” para além de suas configurações em mundos concretos e visíveis. 4.2 Expertise O sujeito desenvolve a expertise do reconhecimento de oportunidade de negócio a partir da experiência acumulada, conforme a expressão cunhada por Schütz como “estoque de conhecimento”, a qual é demarcada por ações bem sucedidas do passado e é extensiva a atuações futuras. Assim, a construção da aprendizagem demonstra a preocupação do empreendedor de estar sempre disposto a aprender, bem como a compartilhar conhecimentos. No Quadro 5, estão listadas as dimensões da categoria estrutural expertise. Quadro 5 – Dimensões da Expertise Dimensão Concepção Desenvolvimen to de competências As competências estão centradas no pensar e agir, oferecendo aos empreendedores suporte p ara enfrentar de forma efetiva o s índices de mudança e a incerteza presentes no ambiente so cial e no de negócios. Intercâmbio de Conhecimento O empreendedor busca estabelecer meta de aquisição de conhecimento para o grupo de referência de forma inclusiva e mediante relação dialógica, de modo a facilitar o esforço conjunto ”. Transformação da Linguagem A transformação da linguagem é uma técnica para uma comunicação lúdica e acessível ao outro, utilizando termos da cultura regional o empreendedor desmistifica o uso do produto e o torna familiar ao cliente. Anverso do erro Inovação O empreendedor se aprop ria da experiência de perda como estoque de conhecimento. Ele faz uma opção pela apro priação da perda como aprendizagem da vid a cotidiana revertida em expertise. Representa um imperativo para o espírito empreend edor atuar no empreendimento como demanda estratégica diferenciada de geração de base de recursos. Extrato “Gastamos muito co m cursos. Até pouco tempo atrás tínhamos até turmas de inglês aqui dentro. Existem pessoas com curso de marketing, com mestrado em marketing. Quem não tinha fo i fazer por sedex porque obrigamos as pessoas a se cuidarem em termos de formação” [2.24] “Acabo de ler os jornais e vou ler um livro. Estou sempre lendo um livro porque às vezes eu aconselho alguns tipos pro pessoal ler e mando comprar” [1.23] “Tenho uma maneira d e brincar fazendo negócios. Quer dizer, sempre que falo com meus clientes, por exemplo, sobre um software que tem CRM e DIAL, eu digo: isso é um negócio para barraca. É uma solução pra barraca, uma coisa pequena” [1.3] “O papel do empreendedor é não lamentar, perdeu, não quer saber mais, já está dando um passo a frente para ganhar outra. Perder é ganhar porque aprende” [1.12] “Então você tem que ser muito mais criativo que o negócio” [5.11] Fonte: Adaptado de Paiva Jr. (2004) 8 Fica evidenciado que o empreendedor se encontra numa posição de intermediário entre a sua rede de negócios e a organização, tornando-se uma ponte de transferência de tecnologia e de novas formas de captação de recursos. Essa constatação está alinhada com o entendimento de Man e Lau (2000), Pinto (2000), Birley e Muzuka (2001) e Man e Chan (2002), ressaltando o fato de que a ação dele é dotada de significado e está sujeita à reflexão e à revisão em tempo real no âmbito das relações sociais. Isso nos faz lembrar que para Weber (2000), a conduta humana só é considerada no momento em que a pessoa que age lhe atribui um significado e uma direção racionalmente estruturada. 4.3 Interação Social A ação torna-se social quando é rígida para a conduta de outros (WAGNER, 1979). No estudo da conduta empreendedora como esteio para a compreensão racional do fenômeno, buscamos esclarecer não apenas as ações em seu significado aparente, mas também interpretar as motivações que o sujeito que empreende imputa a tal conduta, inclusive quando ela for dirigida para o outro, na sua concretude interativa. As dimensões da interação social do empreendedor estão listadas no Quadro 6 a seguir. Quadro 6 – Dimensões da Interação Social Dimensão A ética dos valores Ação político-social Ação de otimização de o portunidade Concepção Os valores d estacam um do mínio ideal peculiar no mund o da ação dos empreendedores. No mo mento em que o empreendedor atua em um movimento pelos fins, ele eleva estes fins para a ética normativa. O pensar e agir de forma socialmente consciente guiam o empreendedor a alcançar uma visão abrangente e movida por valores coletivos. Corresponde à participação d e todos os integrantes do emp reendimento no espaço dialógico , buscando facilitar o esforço conjunto de agregação de valor no provimento do serviço. A integração do empreendedor se dá com as pessoas que atuam no empreendimento, providas de emoção, razão e projeto individual som o sentido construído na ordem do coletivo. A oportunidade p ara empreender emerge da autopercep ção e da vontade do sujeito, aliada com a intenção de um parceiro e conjugada por uma imediatidade (aq ui e agora) própria e favorecida por uma articulação interinstitucional. Extrato “Eu acho que é um desvio grave da maioria das pessoas que eu tenho visto como empreend edor é que são verdadeiros quando falam dos seu s interesses e são maquiadores quand o falam de interesse coletivo! E isso é uma grande besteira!” [1.32] “Ser pioneiro, pronto, aí minha irmã me distinguiu da seguinte maneira: ele é a favor do contra, eu acho que ela me distingui bem” [6.5] “Mas eu vou conseguir dar cursos, vo u fazer uma empresa de cursos, pra quê? Eu não quero ganhar 1 centavo nessa empresa de curso, mas quem for [...] quem se inscrever em um curso desse tem 90% de chance de comprar o produto porque vai aprender o método” [2.14] 9 Quadro 6 – Dimensões da Interação Social – Cont. Dimensão Ação de adap tação Contingencial Confiança Diálogo Institucionalização Parceria Relacionalidade Concepção A condição flexível do emp reendimento facilita sua adaptação a co ntingências. Sua ação é permeada por esferas de prioridade para determinadas tarefas, principalmente para aquelas iminentes, em resposta a demandas por contingências na liberação de investimentos estratégicos. A confiança está vigente no co nstante convívio do empreendedor com os parceiros interagentes, sobretudo , com aqueles que assumem laços dialógicos mais diretos. Ela é prevalente em qualquer estrato das alianças empreendedoras enquanto premissa para a expansão do próprio empreendimento e da interação social d o agente. A prática da co municação homologa o empreendimento como uma referência de interações dialógicas. Os grupos que compõem o empreendimento possuem níveis de dinamicidade e de articulação distintos e são compostos por seus próprios métodos ou formatos de articulação. O empreendedor institucionaliza sua credibilidade como legitimação da sua escolha pela ética dos valores. Para ele, o devir chancela a imagem corp orativa, gerando prosperidade ascendente e protegendo-o contra o estigma da cultura nacional de provável ladrão. A parceria é expressa por uma intersubjetividade levada a termo em uma interação social auxilia o empreendedor na realização de projeto s executáveis em ambiente compartilhado como forma de nutrir processos inovadores que venham a atender demandas crescentes d o mercado nacional. Representa o perfil articulador como aspecto relacional do sujeito que manifesta competência de comunicabilidade. Isso o auxilia a reconhecer e aproveitar as vantagens de uma relação com o tu, que repercute em ganhos representativos par o nós. Extrato “Mas quando a gente tava com o mercado de manutenção de semáforos estabilizado, veio a tal da fiscalização eletrônica... e eu vi que o rastreamento é mais uma, ele vai ser um grande negócio. Se começar a dar errado o projeto de rastreamento, eu vo u ter um certo tempo para poder me redirecionar” [3.7] “A gente nunca tem cliente, isso é uma coisa que a gente determinou desde o começo, a gente tem parceiros, então o nosso cliente é cliente até o momento da conquista, depois ele torna-se parceiro, a gente sempre foi responsável diretamente, inclusive, pelo sucesso dele” [5.5] “Acho que é uma questão de você está se reposicionando em patamares diferentes. Penso em evoluir para associações, talvez seja uma coisa de realização pessoal. Tenho tido esses contatos com pessoas que talvez seja uma coisa que me satisfaça muito” [3.1 5] “Então estabelecer os rumos d a gente com fo co naquilo que a gente se formou muito bem... Você ter uma perspectiva de crescimento pra fora e principalmente você saber que esse é tipo de negócio que a vantagem competitiva é muito frágil” [5.3] “Com as limitações, as dificuldades e a falta de investimento em assistência aqui no Brasil, se você não procurar parceiro e mostrar que é um bom negócio lá fora... Você tem qu e fazer parceria” [2.11] “Estudando essa abordagem, cheguei à seguinte conclusão: nossa moeda é a moeda do cliente. Não interessa onde ele esteja, nem o que ele faz. Se ele me interessa enquanto cliente, vou estudar seu ambiente de negócios para fazer a minha moeda igual à dele” [1.1] Fonte: Adaptado de Paiva Jr. (2004) 10 O espírito de realização do empreendedor parece direcionar o desenvolvimento do seu empreendimento de forma compartilhável com os seus interagentes, definindo os seus rumos de atuação profissional no sentido de dentro para fora como foco no seu projeto de vida e estando ele consciente da constante ameaça de ação de concorrentes mais consolidados que possam suplantá-lo estrategicamente. O desenvolvimento do seu negócio pela prática dialógica é marcado por sua inquietação por alcançar mudança posicional favorável, aprendizagem gerencial pautada por conversação com seus mentores e outros especialistas e pela singularidade na sua forma de pensar estrategicamente como o suporte das parcerias existentes da rede de negócios. Ao considerar a parceria expressão da intersubjetividade, o que confirma sua postura dialógica, o empreendedor realiza projetos executáveis em ambiente compartilhado até em âmbito internacional. Assim, formalizados os acordos com regras claras de implicações dos compromissos de reciprocidade, a parceria auxilia na realização de processos inovadores que venham a atender as demandas crescentes do mercado nacional. O senso de alteridade no empreender aperfeiçoa a afinação de linguagem, cultura e de interesses e facilita a interação. A empatia com o cliente é apreendida e analisada no âmbito interativo a fim de dinamizar as transações. Tal alteridade assume um papel significativo na construção do seu equilíbrio relacional. Equilíbrio, esse, entre o artefato e a casa representados pela adaptabilidade do outro ao projeto empreendedor. No que concerne à linguagem no contexto da cultura, o mundo da vida diária é concebido por Schütz (1975b) não como o nosso mundo privado, senão como um mundo intersubjetivo compartilhado pelos semelhantes, vivenciado e interpretado por outros; em suma, é um mundo comum a todos nós. Isto quer dizer que o mundo não é só do empreendedor, mas também significa o mundo do seu semelhante, logo as relações sociais. 5. Considerações finais: avanços no debate Ao voltar às indagações iniciais deste estudo, lidamos com pontos estruturais captados da consciência do empreendedor. Esses pontos — encarados como elementos estruturais — são dispostos nessa sessão como síntese resultante da compreensão do fenômeno empreende-dor. Na verdade, trata-se de respostas esclarecedoras às questões constituintes da pergunta central do estudo: qual a natureza do empreendedorismo sob a ótica do dirigente da empresa de base tecnológica? As estruturas comuns relativas à experiência empreendedora emergem em meio às categorias universais captadas nos discursos dos entrevistados. São elas: a imaginação conceitual, a expertise e a interação social. Vale ressaltar a apresentação dessas estruturas nos substratos de temas explicitados na discussão a seguir, por se comporem em favor da nossa intenção. No entanto, os temas elencados foram captados como manifestação do vivido. Eles influenciam a experiência empreendedora de modo recursivo e multidimensional. Vale ressaltar que a apresentação das expressões estruturais da ação empreendedoras se manifesta nos substratos de temas explicitados na discussão, no entanto, os temas elencados foram captados como o aparecimento do componente interativo do empreendedor, que se desenvolve em meio a sua experiência cotidiana. Eles influenciam a experiência empreendedora de modo recursivo e multidimensional. No que concerne à imaginação conceitual, determinados temas estruturais emergem da consciência do empreendedor em meio à particularidade de sua forma de pensar e agir, quais sejam: a autonomia, a convivência com o risco, o desprendimento, a intuição, a visão integral e a subjetividade — esta última, na verdade, aglutina todos os elementos anteriores. 11 Portanto, compreender os mecanismos de operação de um pensamento dos empreendedores significa fazê-los dialogar com um instrumental conceitual que pressupõe a existência de um campo sócio-histórico de uma sociedade instituída e irredutível aos tipos tradicionais de edificação por categorias universalizantes, tais como: autonomia, convivência com o risco, desprendimento, visão integral, disposição, intuição, projeto existencial e subjetividade, aglutinados no composto intersubjetivo que se define na ordem reflexiva e dialógica da construção social. A evolução profissional da trajetória se pauta pela busca do diálogo na órbita política, tanto com agentes setoriais quanto com representantes do Estado. Como o empreendedor já aprendeu e ensinou na instância organizacional, ele parte para interagir no plano político interinstitucional. Por outro lado, a criação e expansão da empresa, marcada pelo diálogo dificulta a manifestação da identidade pessoal do empreendedor. Pelo visto, o empreendedor chega a operar a dinâmica de seus “conceitos” intersubjetivos no sentido de rediscussão de valores sociais em esquemas de constante revisão, na medida em que estabelece rupturas com padrões tradicionais de pensamento e ação. Além disso, a consciência da diferença do outro ocorre como parte de uma reflexão natural no sentido de totalidade humana desse sujeito. Talvez a ponderação pela alteridade na vivência empreendedora seja frutuosa justamente por prover a capacidade de se olhar o coletivo, em lugar da permanência no insulamento social, ou seja, como é possível compreender o empreendedor apenas pelo seu componente atomístico? Em meio a essa abertura interativa, o empreendedor dialógico alcança resultados da ação intersubjetiva de forma mais rápida e profícua. Com base na interpretação de aspectos emotivos e vivenciais do dirigente empresarial, bem como sob a inspiração do seu relacionamento com interagentes do cotidiano organizacional, pode surgir o momento para se desenvolver estudos e políticas públicas setoriais que concebam o perfil relacional empreendedor desses líderes criativos. É imperativo aos estudiosos de empreendedorismo direcionarem esforços epistemológicos que se comprometam a mobilizar rupturas na compreensão de nuances relacionadas com a perspectiva da racionalidade instrumental clássica, tão presente nas discussões das ciências vinculadas à área de Administração e abrindo possibilidades compreensivas de outras modalidades racionais que poderão auxiliar na inserção no campo de tradições múltiplas de investigação. 6. Agradecimentos Agradecemos à CAPES e ao CNPq pelo apoio dispensado para a realização desse estudo. Referências ALMEIDA, L. F. L; FERNANDES, N. M. C. Contribuição da competência de relacionamento para o desenvolvimento de capital social da empresa de base tecnológica. In: XXX ENCONTRO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO. Anais. 2006, Salvador – BA. BERGER, P. L.; LUCKMANN, T. A construção social da realidade. 22. ed. Petrópolis: Vozes, 2002. 12 BIRLEY, S.; MUZUKA, D. F. Dominando os desafios do empreendedor. 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