O Papel da Ação Empreendedora no Cenário das Empresas de Base Tecnológica
Autoria: Fernando Gomes de Paiva Júnior, Sérgio Carvalho Benício de Mello
Resumo
A permanência da questão polissêmica no âmbito da natureza conceitual do empreendedorismo
poderá vir a trazer danos para os estudos, para os formuladores de políticas e, principalmente,
para aqueles profissionais que demonstram o caráter genuinamente empreendedor na sua natureza
pragmática e sócio-cultural. O empreendedor se conduz pelas experiências vividas no cotidiano
pessoal e organizacional e sua análise é efetuada com base na reflexão das suas relações de
parceira sob a fundamentação da fenomenologia social de Alfred Schütz. A questão norteadora se
conduz para se compreender a natureza do empreendedorismo, sob a perspectiva de dirigentes de
empresas de base tecnológica da Região Metropolitana do Recife. A metodológica da abordagem
interpretativa contempla a redução fenomenológica. Nesse sentido, as dimensões primordiais do
estudo se agruparam em três categorias estruturais que revestem o pensamento e a ação do
empreendedor no contexto cultural: a imaginação conceitual, a expertise e a interação social. Essa
interação impulsiona o empreendedor a descobrir motivos para deslanchar sua conduta de
reconhecimento e exploração de oportunidades de negócios, munido de uma ética relacional e da
capacidade de ação que sintetiza suas realizações e vicissitudes. Esse fenômeno desenvolve a
intenção do ato de servir por meio do aprender, em consonância com os valores de realização
humana na órbita pessoal, empresarial e cidadã de parte do empreendedor e seus interagentes
estratégicos.
1. Introdução
No despertar de perplexidades na esfera produtiva apontadas por Santos (2000), vê-se o
papel das ciências sociais, no contexto social dos anos oitenta e noventa, como desafios
reivindicantes para ocupar o pensamento contemporâneo numa atmosfera de transição que realça
a degradação na ordem sócio-econômica pelo esquema neoliberal, degradação esta compreendida
por cientistas como uma desordem selvática que precisa ser transposta para dar lugar a outra
ordem internacional que mobilize a arrogância de alguns e atenue a impotência de outros. Em
contraposição, nessas décadas têm aflorado movimentos sociais de emancipação e ações coletivas
que pressupõem um resgate do sujeito para fazer frente a tais desafios.
No âmbito das mudanças intensificadas na sociedade contemporânea, as transformações
informacionais e as movas tecnologias de gestão vêm ganhando destaque. O impacto
proporcionado por ela tem implicado em alterações significativas no mundo do trabalho, a
exemplo dos novos modelos empresariais e da busca por flexibilização como forma de acesso e
permanência das empresas num mercado cada vez mais volátil e competitivo (PAIVA JR.;
BARBOSA, 2001), no qual o empreendedorismo emerge como uma saída frente ao fenômeno
denominado “fim do emprego” (RIFKIN, 1995).
A atividade empreendedora representa, portanto, um dos motores do crescimento
econômico e ocorre na maioria dos processos de desenvolvimento de novos negócios. Como tal,
autores da literatura acadêmica e de publicações não-acadêmicas — como, por exemplo, Peters e
Waterman Jr. (1986), Covin e Slevin (1988, 1989), Lumpkin e Dess (1996, 2001), Kotey e
Meredith (1997) e Meyer e Allen (2000) — argumentam que o estilo empreendedor de gestão é
uma característica essencial de empresas exitosas.
Embora não pareça existir um arcabouço geral que dê sustentação teórica para o
empreendedorismo, a formulação de distintas abordagens integra os contextos econômico e social
da atividade empreendedora numa composição multidimensional. Tal estruturação contempla
tanto os indivíduos que criam novos negócios, quanto os proprietários de empreendimentos
inovadores de crescimento rápido (GARTNER, 1988, 1990; BYGRAVE, 1989; BRUYAT, 1993;
MEYER; ALLEN, 2000; DANJOU, 2002; HERNANDEZ, 2002).
Além disso, por conta do limitado êxito e das dificuldades metodológicas inerentes ao
tratamento isolado das abordagens dos traços, da orientação de comportamentos e de processos, o
olhar multidimensional do fenômeno empreendedor começa a receber maior atenção nos estudos
atuais (GARTNER, 1985; VERSTRAETE, 2001; DANJOU, 2002). Reforçando a preocupação
com a tentativa de resgatar a subjetividade do empreendedor, esse olhar multidimensional ressalta
que, muitas vezes, os aspectos emotivos e as experiências vividas são mutiladas nos estudos
organizacionais.
No que diz respeito à falta de conformidade entre os pesquisadores que estudam o
fenômeno empreendedor, existe uma preocupação de alerta quanto à fragilidade desse tipo de
polissemia conceitual, oriunda da geração de múltiplos significados para um mesmo significante,
representado pelo vocábulo “empreendedor”, segundo Dubois et al (1998), a propriedade do
signo lingüístico possuir vários sentidos. Essa multiplicidade de sentidos para o conceito
empreendedor é respaldada pela racionalidade da forma como está posta a idéia do
empreendedorismo, na medida em que esta idéia representa a construção de um estado de
desindividualização, principalmente na interação do sujeito com o coletivo da ordem social
(MÉLÈSE, 1985).
A permanência da questão polissêmica no âmbito da natureza conceitual do fenômeno
empreendedor poderá vir a trazer danos ainda maiores para os estudos na área, para os
formuladores de políticas e, principalmente, para aqueles profissionais que demonstram o caráter
genuinamente empreendedor na sua natureza existencial, pragmática e sócio-cultural. Em seu
estudo, Bruyat (1993) apresenta contribuições de modelização conceitual para o
empreendedorismo, sob a abordagem construtivista. E propõe também que a relação do indivíduo
coma a criação do novo negócio deve ser dialógica, a fim de não se dissipar o esforço de
investigação dos grupos de estudo nesse sentido.A atuação do empreendedor como agente do
desenvolvimento têm se destacado com o fortalecimento das economias locais e pela sua
participação promoção do crescimento econômico por meio da criação de negócios (PAIVA JR.;
CORRÊA; SOUZA, 2006; PAIVA JR.; CORDEIRO, 2002).
Entendemos, portanto, o empreendedorismo como um fenômeno social como mostra o
estudo de Paiva Jr. (2004), no qual o empreendedor convive numa interação dialógica com a
empresa e o ambiente. Essa relação agrega valor aos produtos produzidos e às relações
estabelecidas pelo empreendedor e é mediada por uma cultura específica, ethos no qual o sujeito
foi socializado e que fornece códigos que serão utilizados por ele em sua trajetória
empreendedora. E diante de uma concepção tão múltipla do tema, formulamos a pergunta que vai
permear nossa reflexão neste estudo: Qual a Natureza do Empreendedorismo sob a ótica de
dirigentes de empresas de base tecnológica?
2. A fenomenologia social de Alfred Schütz
Ao desenvolvermos esse estudo, partimos de observações e diálogos com os dirigentes
das empresas de base tecnológica considerando-os na condição de co-pesquisadores — como são
chamados na fenomenologia os atores entrevistados —, a fim de compreender qual o significado
estrutural da experiência empreendedora vivida por um dirigente empresarial. Nessa busca, a
2
fenomenologia social de Alfred Schütz representa uma opção adequada, na medida em que ela se
dispõe a aprofundar o entendimento a priori quanto ao significado de posturas enraizadas,
oriundas de uma forma de ser e agir que dimensiona o ser humano tal como ele se apresenta no
mundo social.
Ao captar os interesses de Husserl no sentido do entender como os membros comuns da
sociedade constroem e reconstroem o mundo da vida diária, Schütz introduz um conjunto de
princípios que sustentam as bases das teorias de autores construcionistas fenomenológicos
(BERGER; LUCKMANN, 2002) e etnometodológicos (GARFINKEL, 1967) de trabalhos de
concepção teórico-empírica do conhecimento subseqüentes à discussão inicial sobre o seu
pensamento. A partir dessa visão epistemológica pautamos nossa concepção do ato
empreendedor como extrato de fenômeno socialmente construído, que acontece numa esfera
social repleta de significados.
Schütz (1975a) recomenda que as ciências sociais devam se voltar para as direções do
mundo da vida, que corresponde àquilo que a pessoa experimenta do cotidiano e assume como
verdade é produzido e experienciado também pelos seus membros. A garantia da percepção
subjetiva é o único e suficiente fundamento de que o mundo da realidade social não será
substituído por um mundo ficcional e inexistente edificado pelo observador científico
(HOFSTEN; GUBRIUM, 1994).
Nossa consciência do outro oferece mais que uma duplicação do que encontramos na
nossa própria consciência, pois estabelece a diferença entre o “si próprio” e o “outro”
(WAGNER, 1979, SCHÜTZ; LUCKMANN, 1973). Essa compreensão nos remete ao
empreendedor como um ser eminentemente relacional, cuja competência de comunicabilidade o
situa em posição favorável na construção do seu capital social (ALMEIDA; FERNANDEZ,
2006).
A recomendação de Schütz é de que o estudo da ação social assuma o lugar na atitude
natural por se colocar entre parêntesis (bracketing) o mundo da vida. Segundo esta condução,
todo julgamento ontológico a respeito das essências e das coisas fica em suspenso (SCHÜTZ,
1975b).
A orientação para a subjetividade do mundo da vida levou Schütz a examinar o
conhecimento do senso comum e as reflexões práticas que os atores utilizam para objetivar suas
formas sociais. E ele percebe que o sujeito aborda o mundo da vida ao lançar mão de um estoque
de conhecimento que é um recurso com o qual as pessoas interpretam as experiências, captam as
intenções e as motivações dos outros, sendo essa a porta por meio da qual conseguem
entendimento intersubjetivo e coordenam as ações. As imagens, teorias, idéias, valores e atitudes
são aplicados a aspectos da experiência e fazem sentido para os atores que as vivenciam
(WAGNER, 1979).
Se a consciência humana é necessariamente tipificada, Schütz (1975b) afirma que a
linguagem é o veículo central da transmissão de tipificações e, por conseguinte, de significados
dos objetos da experiência. Nessa concepção estrutural, a tarefa essencial da linguagem é
converter a informação, a fim de descrever a realidade. Percebidos como sistemas constitutivos
de tipificações, as palavras podem ser reconhecidas como os blocos de construção constitutiva da
realidade diária. Dessa forma, a fenomenologia social reside no preceito de que a interação social
constrói e transmite significado.
Schütz notou que o uso da linguagem e das tipificações cria uma idéia de que o mundo da
vida é substancial. Isso é sempre independente da nossa apreensão dele. A maioria das
experiências vividas confirma e reforça a noção de que os atores interagem entre si num mundo
experienciado fundamentalmente da mesma forma por todas as partes interagentes, mesmo que os
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enganos sejam cometidos na captação dessa interação (SCHÜTZ; LUCKMANN, 1973).
Assumimos que nossa subjetividade faz parte da realidade, no ponto em que toda consciência é
essência de — vê-se com a fenomenologia — impor-se esta idéia de que o conhecimento é
apreensão de significação. E como tal não se pode colocá-la em dúvida (VIET, 1973).
3. Procedimentos metodológicos
As reflexões apresentadas neste trabalho são parte de um estudo maior sobre a ação de
empreender, desenvolvido sob inspiração da fenomenologia sociológica de Alfred Schütz e
realizado junto a seis dirigentes de perfil empreendedor extraídos de 59 empresas de base
tecnológica (EBTs) da Região Metropolitana do Recife – RMR (PAIVA JR, 2004).
Inicialmente realizamos um estudo exploratório de caráter censitário junto às de 59
empresas com o objetivo de conhecer o perfil do setor de tecnologia de Informação e
comunicação, obter indicadores sobre sua orientação empreendedora dos dirigentes e subsidiar a
seleção dos entrevistados para o estudo fenomenológico.
Na segunda fase do estudo, realizamos entrevistas semi-estruturadas junto aos 6 dirigentes
de perfil empreendedor selecionados dentre os 59 supracitados e o detalhamento dessa triagem
encontra-se em Mello et al. (2006). O processo de tratamento dos dados facilitou a garantia do
rigor interpretativo ao longo das análises a fim de reduzirmos vieses epistemológicos conforme a
orientação de Lincoln e Guba (1985) e Creswell (2002).
3.2 Análise de dados: a redução fenomenológica
A redução fenomenológica preludia um esforço de reflexão destinado a revelar-nos os
preconceitos enraizados em nós pelo meio e destinado a transformar em condicionamento
consciente um condicionamento sofrido. Na sua obra Meditações cartesianas, Husserl concebe a
epoqué como a suspensão do juízo que coloca desde logo em evidência a subjetividade
constitutiva que ele chama, por esta razão, de um resíduo que permanece após a redução
fenomenológica (MURALT, 1998).
Quanto ao tratamento da redução fenomenológica, vale observar que a realidade desse
mundo exterior não é confirmada nem negada, em vez disso é “colocada entre parênteses”. O
fenomenólogo deve examinar não apenas a experiência de si próprio do eu, mas também a
experiência, que dela deriva, de outros eus e da sociedade (WAGNER, 1979). A observação
abaixo de Lyotard (1999) parece esclarecer a relação do eu intencional com a perspectiva do
objeto desse eu, uma vez que a intencionalidade é um objetivo desse eu, embora seja igualmente
uma doação de sentido.
Essa redução consistiu na busca da compreensão dos elementos essenciais do discurso dos
6 dirigentes escolhidos, como indicativo da verdade revelada pela consciência transcendental do
empreendedor, ao expressar um cotidiano demarcador do fenômeno (DERRIDA, 1996). No
Quadro 1, apresentamos alguns procedimentos ilustrativos da redução fenomenológica realizada
no estudo, embora esse processo possa variar de acordo com a tradição fenomenológica do
pesquisador.
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Quadro 1 – Redução Fenomenológica
Procedimentos
Escolha de dados por entrevistados
I
Identificação das unidades de significados (USs)
II
Tratamento das USs relativas às categorias emergentes
III
Busca da compreensão dos empreendedores
IV
Construção das relevâncias ou tipicidades
V
Categorização dos grandes temas
VI
Integração dos temas categóricos em estruturas do fenômeno
VII
Fonte: Adaptação de Paiva Jr. (2004)
Por considerarmos que a pesquisa qualitativa tem seus próprios critérios de rigor
científico que asseguram a legitimidade dos dados gerados em sua utilização, registramos que a
objetividade deste estudo também está sendo avaliada em termos da validade e confiabilidade no
sentido da qualidade e consistência de nossas observações e da escolha dos entrevistados. Para
Kirk e Miller (1986), essa parece ser a forma de reduzir desviações decorrentes de relatos
enviesados por intenção de privacidade ou por desejabilidade social. O processo de validação dos
dados pode ser observado no Quadro 2.
Quadro 2 – Mecanismos para validação da análise dos dados
Fase
Esclarecimento a
posteriori
Saturação dos
dados
Auto-reflexão
Auditoria
Procedimentos
No processo da análise fenomenológica, cabe o exercício de contato s subseqüentes
ao tratamento dos conteúdos da red ução para esclarecimentos sobre significados e
conceitos manifestad os pelos entrevistados e que ainda permanecem obscuros.
É o momento em que os discursos presentes nas respostas dos entrevistados não
constituíam contribuições ad icionais significativas para as análises dos d ados e
reflexões dos estudos. A saturação pode se dar tanto em ralação a um único
entrevistado, como no q ue concerne ao conjunto das entrevistas.
A reflexividade é uma forma de atenuar elementos limitantes que restringem a
q ualidade das entrevistas e análises de campo. Ela é um critério de confiabilidade e
d iz respeito ao antes e ao depois do aco ntecimento, gerando transformação no
p esquisador, uma vez que este vai se tornando uma pessoa diferente por considerar as
inconsistências do estudo ao longo do processo de análise. A constante auto-reflexão
é fundamental para evitar ou reduzir vieses interpretativos.
A confiabilidade dos resultados se dá por meio da triangulação d as distintas fo ntes de
informação, uso de descrições ricas e necessárias para integrar os resultados;
alocação de uma pessoa distinta juntamente com o pesquisador para acompanhar os
relatos e fazer perguntas aos entrevistados, além d a mobilização constante do já
citado auditor externo (external auditor) para acompanhar o processo da pesquisa e a
resposta às questões do estudo.
Fonte: Adaptado de Paiva Jr (2004) e Creswell (2002).
As notas de campo e as observações de documentos escritos pelos dirigentes e seus pares
foram úteis para a comprovação de dados indicativos das suas impressões a respeito do fenômeno
e facilitaram o acuro interpretativo nos instantes das análises (LINCOLN; GUBA, 1985). Isso
fica ilustrado em recortes de relatos dos dirigentes registrados em cada uma das dimensões
interpretadas em meio ao processo analítico, assim se vemos o quadro 3, por exemplo, os extratos
dos depoimentos relativos à dimensão autonomia referente à categoria estrutural “imaginação
conceitual” diz respeito à unidade de significado 13 do entrevistado 1 – configurado na coluna
como [1.13] e assim por diante.
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4. Análise dos dados
Os resultados serão apresentados visando substanciar as respostas para a pergunta de
pesquisa. Será apresentada uma análise de cada uma das Categorias estruturais da natureza do
fenômeno empreendedor que emergiram do processo da redução fenomenológica (Figura 01),
quais sejam: a imaginação conceitual, a expertise e a interação social. Valendo realçar que essas
estruturas universalizantes do fenômeno empreendedor foram categorizadas sob a inspiração da
concepção social da fenomenologia de Schütz.
Figura 01 – Categorias Estruturais da Natureza do Fenômeno Empreendedor
Fonte: adaptado de Paiva Jr.(2004)
A disposição das dimensões se apresenta em quadros explorando os temas emergentes
relativos a cada uma das três categorias estruturais da natureza do fenômeno empreendedor, a
concepção que ilustra uma possível definição temática do tópico e o extrato elucidativo que
manifesta a voz do sujeito como conteúdo de sua vivência decorrente de sua reflexão intuitiva.
4.1 Imaginação Conceitual
A imaginação está na ordem da construção social, já que ela é instituída e compartilhada
por um coletivo impessoal e anônimo. Assim, essa imaginação não tem a sua raiz
necessariamente no empreendedor ou em qualquer outro sujeito e grupo, pois sua existência
pressupõe um campo sócio-histórico de uma sociedade instituída, irredutível aos tipos
tradicionais de ser humano.
No que concerne à imaginação conceitual, determinados temas estruturais emergem da
consciência do empreendedor em meio à particularidade de sua forma de pensar e agir, quais
sejam: a autonomia, a convivência com o risco, o desprendimento, a intuição, a visão integral e a
subjetividade — esta última, na verdade, aglutina todos os elementos anteriores.
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Quadro 3 – Dimensões da Imaginação Conceitual
Dimensão
Concepção
Autono mia
Independência na percepção de pessoas e
na experiência espaço-temporal,
resultando num agir livre da b urocracia
institucional e pautado pela criatividade e
independência d e pensamento.
Convivência com
risco
Relaciona-se com os êxito s e malogros que
fazem parte da dinâmica do
empreendimento e constitui uma forma de
aprendizagem frente ao desconhecido.
Desprendimento
Representa um estado do emprendedo r
desligar-se do empreendimento e ativar
relacionamentos sociais que o inserem
com outras atividades. Isso revigora seu
bem estar.
Visão integral
Disposição pessoal
Intuição
Projeto existencial
Subjetividade
Extrapola as fronteiras de âmbito
unicamente projetivo do empreendimento
e assu me a vestimenta da convicção na
esfera grupal, na órb ita da
responsabilidade social.
Capacidade
de
enfrentamento
do
empreendedor no sentido de lidar com
desafios e forças que demandam sua
reflexão, vontade e ação .
Está permeada por escolhas que implicam
em reduzir o risco por meio de dispositivos
de garantia, desse modo situações de
prejuízo se transformam em aprendizad o e
elas são vistas por ângulos diferentes.
Significa um ato voltado para um projeto,
e é articulado em sua vida por meio do
entrelaçamento entre o empreendedor e a
sobrevivência ou desenvolvimento da
organização.
Compreende à autopercepção e a vontade
do empreendedor, à dimensão do aqui e
agora ou q ualquer outra instância
temporal, e favorecida por articulação
interpessoal. O recorrer ao campo
subjetivo representa a lógica de
sobrevivência do empreendedor.
Extrato
“Quem tem o privilégio de acordar
quando o sono acaba? Eu fiq uei com
esse negócio na cabeça, disse, eu vou
deixar de ser empregado. Tinha umas
coisas que eu fazia que eu não
gostava, tá entendendo ?” [1.13]
“Em julho eu já estava cheio de
dinheiro porque comecei a pegar
projetos quase impossíveis. Aí fundei
outra empresa. Eu não queria fundar,
mas um sócio me chamou, fundei e a
partir daí fo i uma roda viva” [6.3]
“Porque antes da empresa tem eu,
Antes de mim tem as pessoas. Então
não consigo pensar na empresa o
tempo todo como tem alguns colegas
que fazem dessa forma e se tornam
pessoas chatas, incômod as e não se
relacio nam bem em casa” [1.25 ]
“É talvez a capacidade de olhar o todo
mais do que o individual. Isso faz com
que você co nsiga botar a empresa pra
andar mais rápido do que você ficar
vendo o problema isoladamente” [4.6]
“Eu sempre fui movido a desafio,
então se eu entro na zona de conforto
aquilo deixa de ter interesse para
mim” [5.2]
“O tempo de manutenção desses
equipamentos são longos... a gente já
tinha esse conhecimento, a
dificuldade, então a gente vez fez um
projeto totalmente ino vador” [2 .12]
“Então pra mim tem que ter sonho.
Ver como uma obra e uma coisa de
realizações de si” [3.13]
“A única razão de eu ter pego u m
câncer foi ter vendido a empresa e fiz
o melhor negócio, vend endo a preço
mais caro. Dizia: so u um gênio! Mas
não era o q ue eu queria” [6.10]
Fonte: Adaptado de Paiva Jr. (2004)
Desse modo, na medida em que os atos dos empreendedores estão intrinsecamente
atrelados à realidade organizacional, o conhecimento em profundidade dos seus atributos
psicossociais potencializa o olhar interpretativo do pesquisador sobre o contexto estrutural que
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integram. Noutras palavras, o interesse recai não apenas na forma como os empreendedores
pensam o mundo em que vivem, mas especialmente em como eles avaliam as possibilidades
pelas quais esse mundo pode vir a ser no futuro. Nesse sentido, as dimensões micro-sociológicas
apresentadas acima são abraçadas com ímpeto nessa discussão, demonstrando que a “realidade
social” empreendedora deve ser buscada “literalmente” para além de suas configurações em
mundos concretos e visíveis.
4.2 Expertise
O sujeito desenvolve a expertise do reconhecimento de oportunidade de negócio a partir
da experiência acumulada, conforme a expressão cunhada por Schütz como “estoque de
conhecimento”, a qual é demarcada por ações bem sucedidas do passado e é extensiva a atuações
futuras. Assim, a construção da aprendizagem demonstra a preocupação do empreendedor de
estar sempre disposto a aprender, bem como a compartilhar conhecimentos. No Quadro 5, estão
listadas as dimensões da categoria estrutural expertise.
Quadro 5 – Dimensões da Expertise
Dimensão
Concepção
Desenvolvimen to de
competências
As competências estão centradas no
pensar e agir, oferecendo aos
empreendedores suporte p ara enfrentar
de forma efetiva o s índices de mudança
e a incerteza presentes no ambiente
so cial e no de negócios.
Intercâmbio de
Conhecimento
O empreendedor busca estabelecer meta
de aquisição de conhecimento para o
grupo de referência de forma inclusiva e
mediante relação dialógica, de modo a
facilitar o esforço conjunto ”.
Transformação da
Linguagem
A transformação da linguagem é uma
técnica para uma comunicação lúdica e
acessível ao outro, utilizando termos da
cultura regional o empreendedor
desmistifica o uso do produto e o torna
familiar ao cliente.
Anverso do erro
Inovação
O empreendedor se aprop ria da
experiência de perda como estoque de
conhecimento. Ele faz uma opção pela
apro priação
da
perda
como
aprendizagem da
vid a cotidiana
revertida em expertise.
Representa um imperativo para o
espírito
empreend edor
atuar no
empreendimento
como
demanda
estratégica diferenciada de geração de
base de recursos.
Extrato
“Gastamos muito co m cursos. Até pouco
tempo atrás tínhamos até turmas de inglês
aqui dentro. Existem pessoas com curso
de marketing, com mestrado em
marketing. Quem não tinha fo i fazer por
sedex porque obrigamos as pessoas a se
cuidarem em termos de formação” [2.24]
“Acabo de ler os jornais e vou ler um
livro. Estou sempre lendo um livro porque
às vezes eu aconselho alguns tipos pro
pessoal ler e mando comprar” [1.23]
“Tenho uma maneira d e brincar fazendo
negócios. Quer dizer, sempre que falo
com meus clientes, por exemplo, sobre
um software que tem CRM e DIAL, eu
digo: isso é um negócio para barraca. É
uma solução pra barraca, uma coisa
pequena” [1.3]
“O papel do empreendedor é não
lamentar, perdeu, não quer saber mais, já
está dando um passo a frente para ganhar
outra. Perder é ganhar porque aprende”
[1.12]
“Então você tem que ser muito mais
criativo que o negócio” [5.11]
Fonte: Adaptado de Paiva Jr. (2004)
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Fica evidenciado que o empreendedor se encontra numa posição de intermediário entre a
sua rede de negócios e a organização, tornando-se uma ponte de transferência de tecnologia e de
novas formas de captação de recursos. Essa constatação está alinhada com o entendimento de
Man e Lau (2000), Pinto (2000), Birley e Muzuka (2001) e Man e Chan (2002), ressaltando o
fato de que a ação dele é dotada de significado e está sujeita à reflexão e à revisão em tempo real
no âmbito das relações sociais. Isso nos faz lembrar que para Weber (2000), a conduta humana só
é considerada no momento em que a pessoa que age lhe atribui um significado e uma direção
racionalmente estruturada.
4.3 Interação Social
A ação torna-se social quando é rígida para a conduta de outros (WAGNER, 1979). No
estudo da conduta empreendedora como esteio para a compreensão racional do fenômeno,
buscamos esclarecer não apenas as ações em seu significado aparente, mas também interpretar as
motivações que o sujeito que empreende imputa a tal conduta, inclusive quando ela for dirigida
para o outro, na sua concretude interativa. As dimensões da interação social do empreendedor
estão listadas no Quadro 6 a seguir.
Quadro 6 – Dimensões da Interação Social
Dimensão
A ética dos valores
Ação político-social
Ação de otimização
de o portunidade
Concepção
Os valores d estacam um do mínio ideal
peculiar no mund o da ação dos
empreendedores. No mo mento em que o
empreendedor atua em um movimento
pelos fins, ele eleva estes fins para a ética
normativa. O pensar e agir de forma
socialmente consciente guiam o
empreendedor a alcançar uma visão
abrangente e movida por valores
coletivos.
Corresponde à participação d e todos os
integrantes do emp reendimento no
espaço dialógico , buscando facilitar o
esforço conjunto de agregação de valor
no provimento do serviço. A integração
do empreendedor se dá com as pessoas
que atuam no empreendimento, providas
de emoção, razão e projeto individual
som o sentido construído na ordem do
coletivo.
A oportunidade p ara empreender emerge
da autopercep ção e da vontade do
sujeito, aliada com a intenção de um
parceiro e conjugada por uma
imediatidade (aq ui e agora) própria e
favorecida por uma articulação
interinstitucional.
Extrato
“Eu acho que é um desvio grave da
maioria das pessoas que eu tenho
visto como empreend edor é que são
verdadeiros quando falam dos seu s
interesses e são maquiadores quand o
falam de interesse coletivo! E isso é
uma grande besteira!” [1.32]
“Ser pioneiro, pronto, aí minha irmã
me distinguiu da seguinte maneira:
ele é a favor do contra, eu acho que
ela me distingui bem” [6.5]
“Mas eu vou conseguir dar cursos,
vo u fazer uma empresa de cursos, pra
quê? Eu não quero ganhar 1 centavo
nessa empresa de curso, mas quem
for [...] quem se inscrever em um
curso desse tem 90% de chance de
comprar o produto porque vai
aprender o método” [2.14]
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Quadro 6 – Dimensões da Interação Social – Cont.
Dimensão
Ação de adap tação
Contingencial
Confiança
Diálogo
Institucionalização
Parceria
Relacionalidade
Concepção
A condição flexível do emp reendimento
facilita sua adaptação a co ntingências.
Sua ação é permeada por esferas de
prioridade para determinadas tarefas,
principalmente para aquelas iminentes,
em resposta a demandas por
contingências na liberação de
investimentos estratégicos.
A confiança está vigente no co nstante
convívio do empreendedor com os
parceiros interagentes, sobretudo , com
aqueles que assumem laços dialógicos
mais diretos. Ela é prevalente em
qualquer estrato das alianças
empreendedoras enquanto premissa para
a expansão do próprio empreendimento e
da interação social d o agente.
A prática da co municação homologa o
empreendimento como uma referência de
interações dialógicas. Os grupos que
compõem o empreendimento possuem
níveis de dinamicidade e de articulação
distintos e são compostos por seus
próprios métodos ou formatos de
articulação.
O empreendedor institucionaliza sua
credibilidade como legitimação da sua
escolha pela ética dos valores. Para ele, o
devir chancela a imagem corp orativa,
gerando prosperidade ascendente e
protegendo-o contra o estigma da cultura
nacional de provável ladrão.
A parceria é expressa por uma
intersubjetividade levada a termo em
uma interação social auxilia o
empreendedor na realização de projeto s
executáveis em ambiente compartilhado
como forma de nutrir processos
inovadores que venham a atender
demandas crescentes d o mercado
nacional.
Representa o perfil articulador como
aspecto relacional do sujeito que
manifesta competência de
comunicabilidade. Isso o auxilia a
reconhecer e aproveitar as vantagens de
uma relação com o tu, que repercute em
ganhos representativos par o nós.
Extrato
“Mas quando a gente tava com o
mercado
de
manutenção
de
semáforos estabilizado, veio a tal da
fiscalização eletrônica... e eu vi que o
rastreamento é mais uma, ele vai ser
um grande negócio. Se começar a dar
errado o projeto de rastreamento, eu
vo u ter um certo tempo para poder
me redirecionar” [3.7]
“A gente nunca tem cliente, isso é
uma coisa que a gente determinou
desde o começo, a gente tem
parceiros, então o nosso cliente é
cliente até o momento da conquista,
depois ele torna-se parceiro, a gente
sempre foi responsável diretamente,
inclusive, pelo sucesso dele” [5.5]
“Acho que é uma questão de você
está se reposicionando em patamares
diferentes. Penso em evoluir para
associações, talvez seja uma coisa de
realização pessoal. Tenho tido esses
contatos com pessoas que talvez seja
uma coisa que me satisfaça muito”
[3.1 5]
“Então estabelecer os rumos d a gente
com fo co naquilo que a gente se
formou muito bem... Você ter uma
perspectiva de crescimento pra fora e
principalmente você saber que esse é
tipo de negócio que a vantagem
competitiva é muito frágil” [5.3]
“Com as limitações, as dificuldades e
a falta de investimento em assistência
aqui no Brasil, se você não procurar
parceiro e mostrar que é um bom
negócio lá fora... Você tem qu e fazer
parceria” [2.11]
“Estudando essa abordagem, cheguei
à seguinte conclusão: nossa moeda é
a moeda do cliente. Não interessa
onde ele esteja, nem o que ele faz. Se
ele me interessa enquanto cliente, vou
estudar seu ambiente de negócios
para fazer a minha moeda igual à
dele” [1.1]
Fonte: Adaptado de Paiva Jr. (2004)
10
O espírito de realização do empreendedor parece direcionar o desenvolvimento do seu
empreendimento de forma compartilhável com os seus interagentes, definindo os seus rumos de
atuação profissional no sentido de dentro para fora como foco no seu projeto de vida e estando
ele consciente da constante ameaça de ação de concorrentes mais consolidados que possam
suplantá-lo estrategicamente. O desenvolvimento do seu negócio pela prática dialógica é marcado
por sua inquietação por alcançar mudança posicional favorável, aprendizagem gerencial pautada
por conversação com seus mentores e outros especialistas e pela singularidade na sua forma de
pensar estrategicamente como o suporte das parcerias existentes da rede de negócios.
Ao considerar a parceria expressão da intersubjetividade, o que confirma sua postura
dialógica, o empreendedor realiza projetos executáveis em ambiente compartilhado até em
âmbito internacional. Assim, formalizados os acordos com regras claras de implicações dos
compromissos de reciprocidade, a parceria auxilia na realização de processos inovadores que
venham a atender as demandas crescentes do mercado nacional.
O senso de alteridade no empreender aperfeiçoa a afinação de linguagem, cultura e de
interesses e facilita a interação. A empatia com o cliente é apreendida e analisada no âmbito
interativo a fim de dinamizar as transações. Tal alteridade assume um papel significativo na
construção do seu equilíbrio relacional. Equilíbrio, esse, entre o artefato e a casa representados
pela adaptabilidade do outro ao projeto empreendedor.
No que concerne à linguagem no contexto da cultura, o mundo da vida diária é concebido
por Schütz (1975b) não como o nosso mundo privado, senão como um mundo intersubjetivo
compartilhado pelos semelhantes, vivenciado e interpretado por outros; em suma, é um mundo
comum a todos nós. Isto quer dizer que o mundo não é só do empreendedor, mas também
significa o mundo do seu semelhante, logo as relações sociais.
5. Considerações finais: avanços no debate
Ao voltar às indagações iniciais deste estudo, lidamos com pontos estruturais captados da
consciência do empreendedor. Esses pontos — encarados como elementos estruturais — são
dispostos nessa sessão como síntese resultante da compreensão do fenômeno empreende-dor. Na
verdade, trata-se de respostas esclarecedoras às questões constituintes da pergunta central do
estudo: qual a natureza do empreendedorismo sob a ótica do dirigente da empresa de base
tecnológica?
As estruturas comuns relativas à experiência empreendedora emergem em meio às
categorias universais captadas nos discursos dos entrevistados. São elas: a imaginação conceitual,
a expertise e a interação social. Vale ressaltar a apresentação dessas estruturas nos substratos de
temas explicitados na discussão a seguir, por se comporem em favor da nossa intenção. No
entanto, os temas elencados foram captados como manifestação do vivido. Eles influenciam a
experiência empreendedora de modo recursivo e multidimensional.
Vale ressaltar que a apresentação das expressões estruturais da ação empreendedoras se
manifesta nos substratos de temas explicitados na discussão, no entanto, os temas elencados
foram captados como o aparecimento do componente interativo do empreendedor, que se
desenvolve em meio a sua experiência cotidiana. Eles influenciam a experiência empreendedora
de modo recursivo e multidimensional.
No que concerne à imaginação conceitual, determinados temas estruturais emergem da
consciência do empreendedor em meio à particularidade de sua forma de pensar e agir, quais
sejam: a autonomia, a convivência com o risco, o desprendimento, a intuição, a visão integral e a
subjetividade — esta última, na verdade, aglutina todos os elementos anteriores.
11
Portanto, compreender os mecanismos de operação de um pensamento dos
empreendedores significa fazê-los dialogar com um instrumental conceitual que pressupõe a
existência de um campo sócio-histórico de uma sociedade instituída e irredutível aos tipos
tradicionais de edificação por categorias universalizantes, tais como: autonomia, convivência
com o risco, desprendimento, visão integral, disposição, intuição, projeto existencial e
subjetividade, aglutinados no composto intersubjetivo que se define na ordem reflexiva e
dialógica da construção social.
A evolução profissional da trajetória se pauta pela busca do diálogo na órbita política,
tanto com agentes setoriais quanto com representantes do Estado. Como o empreendedor já
aprendeu e ensinou na instância organizacional, ele parte para interagir no plano político
interinstitucional. Por outro lado, a criação e expansão da empresa, marcada pelo diálogo
dificulta a manifestação da identidade pessoal do empreendedor.
Pelo visto, o empreendedor chega a operar a dinâmica de seus “conceitos” intersubjetivos
no sentido de rediscussão de valores sociais em esquemas de constante revisão, na medida em
que estabelece rupturas com padrões tradicionais de pensamento e ação. Além disso, a
consciência da diferença do outro ocorre como parte de uma reflexão natural no sentido de
totalidade humana desse sujeito.
Talvez a ponderação pela alteridade na vivência empreendedora seja frutuosa justamente
por prover a capacidade de se olhar o coletivo, em lugar da permanência no insulamento social,
ou seja, como é possível compreender o empreendedor apenas pelo seu componente atomístico?
Em meio a essa abertura interativa, o empreendedor dialógico alcança resultados da ação
intersubjetiva de forma mais rápida e profícua.
Com base na interpretação de aspectos emotivos e vivenciais do dirigente empresarial,
bem como sob a inspiração do seu relacionamento com interagentes do cotidiano organizacional,
pode surgir o momento para se desenvolver estudos e políticas públicas setoriais que concebam o
perfil relacional empreendedor desses líderes criativos. É imperativo aos estudiosos de
empreendedorismo direcionarem esforços epistemológicos que se comprometam a mobilizar
rupturas na compreensão de nuances relacionadas com a perspectiva da racionalidade
instrumental clássica, tão presente nas discussões das ciências vinculadas à área de
Administração e abrindo possibilidades compreensivas de outras modalidades racionais que
poderão auxiliar na inserção no campo de tradições múltiplas de investigação.
6. Agradecimentos
Agradecemos à CAPES e ao CNPq pelo apoio dispensado para a realização desse estudo.
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