UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS
FACULDADE DINÂMICA DAS CATARATAS
CURSO ENGENHARIA AMBIENTAL
Missão: “Formar Profissionais capacitados, socialmente responsáveis e aptos a
promoverem as transformações futuras”
APROVEITAMENTO DE ÁGUA PLUVIAL EM LAVA-RÁPIDO
DE CARROS.
CLAUDINEI CLOVIS DE OLIVEIRA BRANCO
Foz do Iguaçu - PR
2010
CLAUDINEI CLOVIS DE OLIVEIRA BRANCO
APROVEITAMENTO DE ÁGUA PLUVIAL EM LAVA-RÁPIDO
DE CARROS.
Trabalho
Final
de
Graduação
apresentado à banca examinadora da
Faculdade Dinâmica de Cataratas –
(UDC), como requisito final para
obtenção de grau de Engenheiro
Ambiental.
Profª. Orientadora: Ms. Mara Rubia Silva
Foz do Iguaçu – PR
2010
B816a
Branco, Claudinei Clovis de Oliveira
Aproveitamento de Água Pluvial em Lava-Rápido
De Carros. / Claudinei Clovis de Oliveira Branco –
Foz do Iguaçu: UDC / 2010.
Orientador: Mara Rubia Silva
Trabalho de Conclusão de Curso – (TCC)
União Dinâmica de Faculdades Cataratas
1. Captação de água. 2. Preservação. 3 Economia.
CDU:504
TERMO DE APROVAÇÃO
UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS
APROVEITAMENTO DE ÁGUA PLUVIAL EM LAVA-RÁPIDO DE CARROS.
TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE
BACHAREL EM ENGENHARIA AMBIENTAL
Aluno: Claudinei Clovis de Oliveira Branco.
Orientador: Ms. Mara Rubia Silva
Nota Final
Banca Examinadora:
Prof.(ª). Ms. Bruna Vielmo Camargo
Prof.(ª). Ms. Márcia Helena Beck
Foz do Iguaçu, 03 de Dezembro de 2010.
Dedico este trabalho A Deus, pela
força e sabedoria que concedeu – me
durante a elaboração este trabalho.
Aos meus pais pelo amor e apoio
durante a realização de mais um
importante passo na minha vida.
AGRADECIMENTOS
Gostaria de agradecer a todos aqueles que de certa maneira me auxiliaram na
elaboração deste trabalho.
À minha família e a minha namorada que me apoiaram em especial.
A minha orientadora, Mara Rubia Silva, que com toda dedicação, paciência e
profissionalismo em que me conduziu neste trabalho.
Ao coordenador do curso de Engenharia Ambiental e professor Martin Engler,
pelo encorajamento e dedicação nos momentos mais difíceis desta jornada.
A Dra. Maria Inês Benvegnutti (in memorian) que me ensinou a passar pelos
obstáculos da vida e pelo incentivo nos momentos mais difíceis.
Aos
empresários
e
colaboradores
do
Lava-rápido,
fornecimento de dados e acesso às instalações.
pela
paciência
e
“O mundo tornou-se perigoso, porque os
homens aprenderam a dominar a
natureza antes de dominarem a si
mesmos”.
Albert Schweitzer.
SUMÁRIO
Página
1. INTRODUÇÃO..................................................................................................... 13
2. REFERÊNCIAL TEÓRICO................................................................................... 14
2.1 IMPORTÂNCIA DA ÁGUA......................................................................................
14
2.2. PANORAMA DA ÁGUA NO BRASIL................................................................ 15
2.3 CARACTERIZAÇÃO DA PRECIPITAÇÃO........................................................ 15
2.4 ARMAZENAMENTO DA ÁGUA DA CHUVA...................................................... 17
2.4.1 Histórico......................................................................................................... 17
2.4.2 Uso da Água da Chuva................................................................................. 17
2.5 LEGISLAÇÃO..................................................................................................... 18
2.6 DESPERDÍCIO................................................................................................... 18
2.7 SISTEMA DE CAPTAÇÃO DA ÁGUA PLUVIAL................................................ 19
2.7.1 Captação da Água da Chuva na Cobertura................................................ 21
2.7.2 Intensidade Pluviométrica............................................................................ 22
2.7.3 Calhas e Condutores.................................................................................... 24
2.7.4 Sistemas de Filtros....................................................................................... 24
2.7.5 Dispositivo de Auto-Limpeza....................................................................... 28
2.7.6 Armazenamento............................................................................................ 29
2.7.6.1 Coeficiente de runoff.................................................................................... 31
2.7.7 Manutenção do Sistema............................................................................... 32
2.8 USO DE ÁGUA DA PLUVIAL PARA A LAVAGEM DE VEÍCULOS................... 32
2.9 QUALIDADE DA ÁGUA PARA FINS NÃO-POTAVEIS..................................... 33
3. MATERIAL E MÉTODOS.................................................................................... 34
3.1.PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS.......................................................... 34
3.2.CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO................................................................ 34
3.3. LOCALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO.................. 35
3.4. UTILIZAÇÃO DA ÁGUA PARA A LAVAGEM DE AUTOMÓVEIS.................... 37
3.5. DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA DE ÁGUA PLUVIAL.............................. 37
3.5.1. Área de Contribuição................................................................................... 37
3.5.2 Índice Pluviométrico do Município.............................................................. 38
3.5.3. Vazão de Água a ser Captada..................................................................... 38
3.5.4. Condutores................................................................................................... 39
3.5.4.1. Dimensionamento das Calhas.................................................................... 39
3.5.4.2 Condutores Verticais.................................................................................... 41
3.5.4.3 Condutores Horizontais................................................................................ 42
3.5.5 Reservatório de Autolimpeza....................................................................... 42
3.5.6 Reservatório de Armazenamento................................................................ 43
3.5.7 Remoção de Sólidos Grosseiros................................................................. 43
3.6 VIABILIDADE TÉCNICA E ECONÔMICA.......................................................... 43
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES......................................................................... 45
4.1 INTENSIDADE MÉDIA PRECIPITADA.............................................................. 45
4.2. DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA............................................................... 46
4.2.1 Cálculo da área de contribuição.................................................................. 46
4.2.2 Vazão a ser captada nas calhas................................................................... 48
4.2.2.1 Vazão de Projeto do Barracão..................................................................... 48
4.2.2.2 Vazão de Projeto na Residência.................................................................. 48
4.2.3 Dimensões das Calhas................................................................................. 49
4.2.3.1 Dimensionamento das Calhas do Barracão................................................. 49
4.2.3.2 Dimensionamento da Calha da Residência................................................... 50
4.2.4 Condutores.................................................................................................... 50
4.2.4.1 Condutores Horizontais................................................................................ 50
4.2.4.2 Condutores Verticais.................................................................................... 51
4.2.5 Dimensionamento do Reservatório de Auto-Limpeza............................... 51
4.2.6 Dimensionamento do Reservatório de Armazenamento........................... 52
4.3 UTILIZAÇÃO DE ÁGUA NO LAVA-RÁPIDO..................................................... 52
4.4 CUSTOS DE IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA.................................................... 53
4.5 VIABILIDADE TECNICA E ECONÔMICA.......................................................... 54
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................. 55
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................ 56
ANEXO..................................................................................................................... 60
APÊNDICE............................................................................................................... 62
LISTA DE TABELAS
Página
Tabela 1 - Tipos de reservatórios............................................................................ 30
Tabela 2 - Coeficiente de runoff médios ................................................................. 31
Tabela 3 - Frequência de manutenção.................................................................... 32
Tabela 4 - Parâmetros de qualidade de água da chuva.......................................... 33
Tabela 5 - Frota de veículos licenciados na cidade de Foz do Iguaçu.................... 35
Tabela 6 - Média pluviométrica................................................................................ 38
Tabela 7 - Coeficientes de rugosidade de Manning................................................. 39
Tabela 8 - Dimensão da calha em função do comprimento do telhado................... 41
Tabela 9 - Vazões em l/min. em calhas retangulares.............................................. 41
Tabela 10 - Capacidade de condutores horizontais de seção circular..................... 42
Tabela 11 - Tarifa de saneamento básico para pequena empresa.......................... 52
Tabela 12 - Consumo de água no empreendimento em m³ .................................... 53
Tabela 13 - Orçamento para implantação do sistema............................................. 53
LISTA DE FIGURAS
Página
Figura 1: Esquema de formação do ciclo hidrológico.............................................. 15
Figura 2: Sistema simples uso imediato................................................................... 20
Figura 3: Sistema Complexo: área de coleta........................................................... 20
Figura 4: Sistema de aproveitamento de água da chuva......................................... 21
Figura 5: Pluviógrafo................................................................................................ 22
Figura 6: Filtro embutido na calha............................................................................ 25
Figura 7: Filtro para bocais de calha – grelha flexível.............................................. 25
Figura 8: Filtro simples de descida........................................................................... 26
Figura 9: Filtro VF1 Funcionamento......................................................................... 26
Figura 10: Filtro VF1 Instalado................................................................................. 27
Figura 11: Filtro VF1 Aberto..................................................................................... 27
Figura 12: Reservatório para descarte da primeira chuva....................................... 28
Figura 13: Dispositivo de auto-limpeza dos primeiros milímetros de chuva............ 29
Figura 14: Cisterna de placas de cimento. .............................................................. 31
Figura 15: Localização do município no estado....................................................... 35
Figura 16: Planta de localização do lava - rápido carros em estudo........................ 36
Figura 17: Fachada do lava-rápido de carros.......................................................... 36
Figura 18: Calculo da área de contribuição para superfície inclinada..................... 37
Figura 19: Telhado do Barracão.............................................................................. 46
Figura 20: Telhado da residência............................................................................. 46
LISTA DE EQUAÇÕES
Página
Equação 1:Equação de IDF..................................................................................... 23
Equação 2: Cálculo da área de contribuição............................................................ 37
Equação 3: Vazão de Projeto................................................................................... 38
Equação 4: Fórmula de Manning-Strickler............................................................... 39
Equação 5:Cálculo da área de seção molhada........................................................ 40
Equação 6: Cálculo do raio Hidráulico..................................................................... 40
Equação 7: Cálculo dimensionamento da cisterna.................................................. 43
BRANCO, Claudinei Oliveira. Aproveitamento de água pluvial em lava-rápido de
carros. Trabalho Final de Graduação (Bacharelado em Engenharia Ambiental)
Faculdade Dinâmica de Cataratas.
RESUMO
A busca de novas tecnologias em relação à economia de água e a possível
utilização da água da chuva para consumos de fins não potáveis é de grande valia
para o racionamento de água potável, que está cada vez mais escasso em algumas
regiões do Brasil, assim como em vários outros países. Diante dessa problemática
objetivou-se dimensionar um sistema de coleta de água pluvial para a lavagem de
veículos, em um lava-rápido em Foz do Iguaçu-PR. Pois utilizar a água da chuva
para a lavagem de veículos minimiza custos com o consumo de água potável. Os
dados foram levantados mediante as visitas técnicas ao local para determinar a
quantidade de água pluvial a ser captado. Fez-se o levantamento de documentos a
serem utilizados para estimar a quantidade de veículos lavados mensalmente. A
partir dos dados pluviométricos locais dimensionou-se o sistema de capitação da
água pluvial e a previsão com a economia de água potável, verificando-se assim, a
viabilidade técnica da implantação do sistema de captação. Para o correto
funcionamento do sistema devem-se instalar os condutores horizontais e verticais
com dimensões mínimas, para que não haja o transbordo da calha de captação, o
reservatório de auto-limpeza automática para separar os primeiros milímetros da
água da chuva, e o reservatório de armazenamento, atendendo as normas vigentes,
NBR 10.844 e 15.527. Com a implantação do projeto, percebe-se que o lava-rápido
se beneficiará com a diminuição da utilização de água potável para fins não
potáveis, em torno de 40% e levará trinta meses para ter retorno econômico.
Palavras - chave: Captação de água. Preservação. Economia.
BRANCO, Claudinei Oliveira. Use of Rainwater in car washing. End-of-course paper
(Bachelor in Environmental Engineering) Faculdade Dinâmica de Cataratas.
ABSTRACT
The search for new technologies related to water saving and the possible use of
rainwater for non-drinking purposes has great importance to the rationing of drinking
water, which has been increasingly scarce in some regions of Brazil, as well as in
several other countries. Based on this issue, the present study aimed to develop a
rainwater harvesting system for car washing, at a carwash in Foz do Iguaçu-PR.
Since the use of rainwater for car washing minimizes the costs with drinking water
consumption. Data were obtained through technical visits to the site to determine the
amount of rainwater to be harvested. A survey was done considering the documents
to be used in order to estimate the quantity of cars washed every month. Based on
the local rainfall data, the rainwater harvesting system was developed and the
drinking water saving was estimated, verifying thus the technical viability for the
implantation of such a system. To operate correctly, the system requires the
installation of horizontal and vertical conductors of minimum dimensions to prevent
the overflow of gutters for harvesting, as well as reservoir of automatic self-cleaning
to separate the first rainwater millimeters, and storage reservoir, meeting the current
guidelines NBR 10.844 and 15.527. Once implemented, the project will benefit car
washes due to a decrease in the use of drinking water for non-drinking purposes,
around 40% and it will take thirty months to have an economic return.
Keywords: Rainwater harvesting. Preservation. Saving.
13
1. INTRODUÇÃO
A água é um recurso natural em escassez em muitas partes do planeta, a
disponibilidade de água vem se agravando nos últimos anos, sendo ressaltada como
um problema mundial que poderá comprometer as gerações futuras. A quantidade
de água doce utilizada no mundo multiplicou-se por quatro em quanto à população
apenas duplicou (ALMEIDA et al., 2002).
Com o crescimento da população mundial e a demanda crescente da
necessidade de água potável para a sobrevivência, o desperdício poderá agravar
cada vez mais a falta desta, para minimizar esse problema é de grande importância
à elaboração de projetos visando à diminuição do desperdício e a utilização deste
bem tão importante para a humanidade. Primeiramente é necessário alertar a
população que a água é um bem público um recurso natural limitado, dotado de
valor econômico e em situação de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é
o consumo humano e a dessedentação de animais (LEI 9.433/1997).
A busca de novas tecnologias em relação à economia de água e a
possível utilização da água da chuva para consumos de fins não potáveis é de
grande valia para o racionamento de água potável que está cada vez mais escasso
em algumas regiões do Brasil assim como em vários outros países.
O desperdício e a utilização racional da água são temas de discussão
entre vários pesquisadores, como por exemplo, a utilização de águas residuárias
assim como da água pluvial.
Uma das formas de aproveitamento de água em
muitos países se destina à lavagem de veículos, já que a quantidade de água
desperdiçada neste processo gasta-se aproximadamente 250 Litros por veiculo.
O presente trabalho se justifica devido à necessidade de diminuição da
utilização de água potável para fins não potáveis, acarretando na redução de
volumes de água coletados nos mananciais, visando também à redução de custos
com o consumo de água. Diante dessa problemática objetivou-se dimensionar um
sistema de coleta de água pluvial para a lavagem de veículos, pois utilizar a água da
chuva para a lavagem de veículos visa minimizar os custos com o consumo de água
potável.
14
2 REFERÊNCIAL TEÓRICO
2.1 IMPORTÂNCIA DA ÁGUA
A água não é só uma substancia muito abundante na Terra, mas é a
substancia, sem a qual os seres vivos não existiriam. É vital à sobrevivência, sendo
um recurso natural em escassez em muitas partes do planeta. O termo água referese ao elemento natural, sem relacioná-la com qualquer tipo de uso (REBOUÇAS et
al., 1999).
O problema da disponibilidade de água potável é antigo e vem se
agravando com o passar do tempo, devido especialmente ao aumento da população
e da poluição dos mananciais. Isto leva a procurar novas formas de aproveitamento
da água. A escassez da água vem sendo ressaltada com o problema mundial que
poderá comprometer gerações futuras. De acordo com Lobato (2006), dos insumos
naturais a água é dos mais abundantes no planeta. O volume existente distribui-se
na proporção de 97,4% em mares e oceanos, 2,0% nas geleiras e nas calotas
polares, 0,585% constituem os aqüíferos subterrâneos, 0,014% constituem o volume
de rios e lagos e finalmente, 0,001% está distribuído na atmosfera.
Segundo Von Sperling (1996) os ambientes aquáticos são utilizados em
todo o mundo com diversas finalidades, entre as quais se destacam o abastecimento
de água, a geração de energia, a irrigação, a navegação, a aqüicultura. A água
representa, sobretudo, o principal constituinte de todos os organismos vivos.
Tundisi (2005), comenta que o uso da água para a produção de
hidroeletricidade, no caso do Brasil, supre cerca de 85% da energia elétrica utilizada
no país.
Concordando com Sautchúk (2004) pode-se atribuir a questão da
escassez da água pela inadequada distribuição geográfica dos recursos,
degradação excessiva dos mananciais pela grande quantidade de efluentes
lançados, uso ilegal dos recursos, gerando desequilíbrio ao ciclo hidrológico. Assim,
a água passa a ser um recurso natural limitado não somente por sua quantidade,
mas também por sua qualidade e localização.
15
2.2 PANORAMA DA ÁGUA NO BRASIL
Segundo Tucci et al., (2001) apud Tundisi (2005), 90% dos recursos
hídricos do Brasil são utilizados para produção agrícola, industrial e consumo
humano. De acordo com Sautchúk (2004), apesar da abundância de recursos
hídricos, se avaliarmos o país de maneira mais detalhada, há um grande problema
de má distribuição destes recursos, somado à grande concentração de pessoas nos
centros urbanos, o que termina gerando zonas de “stress” hídrico, além dos
problemas de contaminação das fontes de água.
Conforme Rebouças et al., (1999), o Brasil, mesmo com a sua grande
quantidade de recursos hídricos, com cerca de 10% da água doce disponível no
mundo, não deverá escapar da crise hídrica que está prevista. De todo o volume de
água disponível no país, 80% encontra-se na região amazônica e os 20% restantes
estão distribuídos por todo o país, destinando-se a atender 95% da população
brasileira.
2.3 CARACTERIZAÇÃO DA PRECIPITAÇÃO
A precipitação (Figura 1) é o processo pelo qual a água vinda do meio
atmosférico atinge a superfície da terra, podendo se apresentar de diversas
maneiras como chuva, neblina, granizo ou neve, diferenciada umas das outras,
através da análise do estado físico em que a água se encontra (TUCCI, 2001).
Figura 1: Esquema de formação do ciclo hidrológico.
Fonte: Usgs, 2010.
16
De acordo com Tordo (2004), as precipitações, levando em conta o
mecanismo de elevação da massa de ar que a provoca, podem ser classificadas em
três tipos, denominadas de chuva convectiva, chuva orográfica ou de relevo e chuva
frontal, onde cada tipo tem suas particularidades de intensidade, duração e
movimentação horizontal que influenciam na dispersão e/ou transporte dos
poluentes e na velocidade da lavagem da atmosfera. Chuva convectiva é o resultado
da ascensão da umidade, que resfriada pela altitude, precipita-se. Chuva orográficas
ou de relevo ocorre quando as nuvens que deslocam-se horizontalmente, ao
encontrarem um relevo montanhoso, ascendem e se resfriam, precipitando-se.
Chuva frontal resulta do encontro de uma massa de ar frio com uma massa de ar
quente.
A queima de combustíveis fósseis emite para a atmosfera óxidos de
enxofre e nitrogênio, onde são oxidados para ácidos sulfúrico e nítrico e/ou
convertidos em aerossóis de sulfato e nitrato. Esses compostos retornam ao
solo/água sob a forma de chuvas ácidas (TUCCI, 2001).
Ainda Segundo Tordo (2004), a contaminação da chuva inicial ocorre
quando as gotas da chuva caem trazendo consigo partículas que estão suspensas
no ar. Em áreas urbanas, onde tem grande quantidade de veículos e fábricas, ocorre
à presença de substancias nociva como o dióxido de enxofre (SO2) e óxidos de
nitrogênio (NOx).
A chuva é o resultado da evaporação da água do mar, dos lagos ou do
solo, esta evaporação é neutra, não possuindo alcalinidade ou acidez. Mas quando
esse vapor de água combina-se com gases, como o dióxido de carbono (CO2)
encontrado na atmosfera, transforma-se em ácido fraco, o qual influencia o pH das
precipitações. Este ácido dissolvido na água pura mantém o das chuvas pH em
torno de 5,6. Nestas condições, o fato de o pH da água de chuva ser levemente
ácido, é considerado normal (DI BERNARDO et al, 1993).
17
2.4 ARMAZENAMENTO DA ÁGUA DA CHUVA
2.4.1 Histórico
Segundo estudos realizados pelo projeto Prosab (2006), o manejo e
aproveitamento da água de chuva tem sido uma prática exercida por diferentes
civilizações e culturas ao longo do tempo. Passando pelo Oriente, Oriente Médio,
Europa, e pelos Incas, Maias e Astecas na América Latina, relatos de dispositivos de
coleta e armazenamento de água de chuva remontam a sistemas construídos e
operados há mais de 2.000 anos.
Para May (2004), a instalação mais antiga de aproveitamento de água
pluvial no Brasil foi feita pelos norte-americanos no ano de 1943, na ilha de
Fernando de Noronha.
Sautchúk (2004) cita que água de chuva é uma forma antiga e das mais
simples de abastecimento. Mesmo nos dias de hoje, a ilha de Fernando de Noronha,
por exemplo, tem quase 100% de seu consumo de água suprido por águas pluviais
reservadas em cisternas.
2.4.2 Uso da Água da Chuva
Segundo Sautchúk (2004), a qualidade da água de chuva é propícia para
aplicação em fins não potáveis. Este mesmo autor cita que um projeto de
aproveitamento de águas pluviais deve adotar a precipitação diária para um melhor
resultado. Um sistema de aproveitamento de águas pluviais é geralmente composto
por coletores, tubulações, tratamento e sistema de reserva de água. As águas
pluviais podem ser coletadas em telhados e também em áreas superficiais.
Tordo (2004) relata que a coleta da água da chuva nas coberturas das
edificações, residências e indústrias, constituem importantes ações no controle de
cheias urbanas, na redução de água fornecida pelas empresas de saneamento, e na
utilização para consumo humano.
Conforme May (2004), a água de chuva pode ser utilizada para usos não
potáveis como lavagem de áreas externas, veículos, bacias sanitárias, sistemas de
18
ar condicionado e sistemas de combate a incêndio. A aplicação de tal fonte de água
implica em controle de sua qualidade e verificação da necessidade de tratamento
específico, de forma a não comprometer a saúde de seus usuários, bem como vida
útil dos sistemas envolvidos.
2.5 LEGISLAÇÃO
A água é um bem público um recurso natural limitado, dotado de valor
econômico e em situação de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o
consumo humano e a dessedentação de animais (LEI 9.433/1997).
Segundo o código das águas decreto nº. 24.643 que Institui o Código das
Águas. de 10 de julho de 1934, águas pluviais, as que procedem imediatamente
das chuvas. As águas pluviais pertencem ao dono do prédio onde caírem
diretamente, podendo o mesmo dispor delas a vontade
Na lei nº. 12.526, de 2 de janeiro de 2007, do Governo do Estado de São
Paulo, estabelece a obrigatoriedade da implantação de sistema para a captação e
armazenamento de águas pluviais, telhados, coberturas, terraços e pavimentos
descobertos, em lotes, edificados ou não, que tenham área impermeabilizada
superior a 500m². Ainda nesta lei no artigo 4º impõem que sempre que houver reuso
das águas pluviais para finalidades não potáveis, inclusive quando destinado à
lavagem de veículos ou de áreas externas, deverão ser atendidas as normas
sanitárias vigentes e as condições técnicas específicas estabelecidas pelo órgão
municipal responsável pela vigilância.
2.6 DESPERDÍCIO
O consumo diário médio de água por pessoa nos grandes centros
urbanos brasileiros oscila entre 250 a 400 litros do recurso natural. O volume é mais
que o dobro do considerado ideal pela Organização das Nações Unidas fixado em
110 litros/dia.
Em estudos realizados pela Agência Nacional de Águas (2005), 40% da
água retirada no país são desperdiçadas. Os próprios números comprovam o
19
tamanho do problema. De acordo com a ANA são retirados dos rios e do subsolo no
Brasil 840 mil litros de água a cada segundo. Ao dividir esse número pela população
de 188,7 milhões de brasileiros, chega-se à conclusão de que cada habitante
consumiria, em média, 384 litros por dia.
Para evitar o desperdício da água segundo Souza (2006), existem varias
maneiras de não desperdiçar tanta água, entre elas estaria o reaproveitamento da
água para a lavagem do sanitário, irrigação de plantas, lavagem de pisos,
automóveis, contudo, apenas 1% da população tem essa compreensão.
2.7 SISTEMA DE CAPTAÇÃO DA ÁGUA PLUVIAL.
O significado da palavra pluvial vem do latim Pluvium em que significa
chuva (TIGRE S.A, 1987). Por isso se diz que as águas pluviais são as originadas a
partir das precipitações, a forma mais freqüente de precipitação que ocorre no Brasil
é a chuva, então se pode denominar água pluvial ou água da chuva. O sistema de
captação da água pluvial pode ser simples ou de complexas instalações podendo
conter diversos tipos de dispositivos (WATERFALL, 2002).
Nos relatos de Sautchúk (2004), para o desenvolvimento de um projeto de
aproveitamento de água pluvial deve inicialmente identificar a demanda do volume
possível do local, em seguida é calculada a área de coleta e o dimensionamento do
volume do reservatório.
Sistema de captação simples consiste em três componentes, o
abastecimento (chuva coletada do telhado), sistema de condução que transporta à
água pelos condutores horizontais e verticais, e sua disposição imediata ou seu
possível armazenamento (WATERFALL, 2002). A Figura 2 ilustra um sistema
simples para uso da água na área do jardim.
20
Figura 2: Sistema simples uso imediato.
Fonte: Waterfall, 2002.
Sistemas complexos para Waterfall (2002), são os mais adequados para
instalações maiores e podem requerer assistência profissional para projetar e
construir. O investimento período de retorno pode ser de vários anos. Dependendo
do volume de água a ser captada, pode se utilizar uma bateria de reservatórios
interligados, como apresentado na Figura 3:
Figura 3: Sistema Complexo: área de coleta, condutores e sistema múltiplos de armazenamento
Fonte: Waterfall, 2002.
Segundo Cilento (2009), a superfície de captação e um tanque para
armazenamento são as principais estruturas para coleta de água de chuva. A
interligação entre estas duas estruturas é composta por calhas, grades, tubos, filtro e
caixa de mudança quando necessário conforme mostrado na Figura 4. O sistema
poderá trabalhar por gravidade, dispensando o bombeamento para um novo tanque.
21
Figura 4: Sistema de água pluvial no Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo.
Fonte: PROSAB, 2009.
Concordando com Tomaz (2000), é de suma importância destacar que o
bom funcionamento do sistema de aproveitamento da água da chuva depende da
precipitação do local, área da captação da água da chuva e a demanda que o
empreendimento necessita.
2.7.1 Captação da Água da Chuva na Cobertura
A captação começa a ser realizada no momento em que a água de chuva
atinge a superfície da cobertura, assim sendo conduzida pelas calhas e condutores
até o local a ser armazenado.
Kinker (2009), relata que após a água da chuva passar pela superfície do
telhado, ela é captada em calhas horizontais com pequena declividade para o
direcionamento até os dutos horizontais.
Segundo Tomaz (2003), o aproveitamento de água de chuva consiste em
desenvolver coletores de água nas coberturas, dimensionados de tal forma que
levem em consideração os valores de precipitação da região e que separem as
águas iniciais de chuva, devido à concentração de substâncias sólidas depositadas
pelo vento e por pássaros.
As coberturas podem ser de telhas cerâmicas, de fibrocimento, de zinco
ou alumínio e até mesmo impermeabilizadas com manta asfáltica. As calhas e
condutores verticais podem ser em PVC (Cloreto de Polivinila) ou metálicas
(TORDO, 2004).
22
2.7.2 Intensidade Pluviométrica
Para o dimensionamento do sistema de captação de água pluvial, de
acordo com Botelho (2006), devem-se levar em consideração alguns elementos de
hidrologia, principalmente a intensidade pluviométrica da região e o tempo de
retorno do projeto, assim como a área e a inclinação do telhado.
Segundo Tucci (2001), as características principais da precipitação são o
seu total (mm) e duração (tempo), o total precipitado não tem significado se não
estiver ligado a uma duração.
A intensidade pluviométrica é a quantidade de chuva que cai em
determinado local pelo intervalo de tempo, a qual pode ser expressa em mm/h, este
valor é medido com o uso de um equipamento chamado pluviógrafo, o qual pode ser
visto na Figura 5 (UFPEL, 2010).
Figura 5: Pluviógrafo.
Fonte: UFPEL, 2010.
De acordo com GRIBBIN (2009), tempo de concentração é o tempo
necessário para o escoamento do ponto hidraulicamente mais remoto, na bacia de
drenagem, até o exutório (saída).
O tempo de retorno ou tempo de recorrência condiz com os estudos dos
registros de intensidade da chuva num local, o seu inverso corresponde à freqüência
23
de chuvas com determinada intensidade. A NBR 10844 (ABNT, 1989) fixa um para
fins de projeto o tempo de retorno, através das características da área a ser
drenada, tais como:
T= 1 ano para obras externas onde um eventual alagamento pode
ser tolerado;
T= 5 anos para coberturas e telhados;
T= 25 anos para locais onde um empoçamento seja inaceitável.
Para telhados de até 100 m² de área de projeção deve-se adotar a
medida de chuva de 150 mm/h ou 2,5 litros por minuto/m² conforme NBR 10844
(ABNT, 1989).
Tucci (2001) relata que para obter a relação de intensidade, duração e
freqüência – IDF deve ser utilizada a Equação 1 abaixo:
Onde:
I = intensidade (mm/h);
Tr= tempo de retorno;
t = tempo de concentração (minutos);
a, b, c, d = parâmetros de determinados locais.
A NBR 10844 (ABNT, 1989) determina que para o tempo de retorno devese utilizar o tempo de concentração de 5 minutos. Os parâmetros para o cálculo da
curva IDF podem ser utilizados correlação com dados dos postos mais próximos
com condições meteorológicas semelhantes.
24
2.7.3 Calhas e Condutores
Segundo May (2004), as calhas e os condutores horizontais e verticais
são responsáveis pelo o transporte da água captada nos telhados até o seu
armazenamento.
A NBR 10844 (ABNT, 1989) descreve que as calhas devem ser feitas de
chapas de aço galvanizados, chapas de cobre, aço inoxidável, alumínio,
fibrocimento ou PVC rígido. As calhas devem ser fixadas centralmente sobre a
extremidade da cobertura.
Tomaz (2003), explica que para a captação da água de chuva são
necessárias calhas e coletores de águas pluviais que podem ser de PVC ou
metálicas, podendo ainda estar na horizontal ou vertical, tendo como finalidade
transportar a água captada pelos telhados até o local de armazenamento.
2.7.4 Sistemas de Filtros
Para que não haja entupimentos por folhas ou galhos na saída das calhas
quando a água passa para os condutores para tomar a direção que irá levá-la até o
reservatório é necessário haver um sistema de peneiras na passagem das calhas
para os condutores ou na entrada do reservatório (TORDO, 2004).
De acordo com a pesquisa realizada por Kinker (2009), um filtro pode ser
embutido na calha bloqueando os elementos sólidos trazidos pela água a partir da
superfície do telhado como folhas, galhos e insetos. Sua função principal é proteger
a calha de entupimentos. Na Figura 6 a seta indica um filtro embutido sobre a calha.
25
Figura 6: Filtro embutido na calha
Fonte: The Leaf Filter (2010).
A grelha flexível Tigre pode ser usada com os condutores horizontais no
bocal da calha, ela se encaixa diretamente no bocal de descida para filtração
primária dos sólidos mais grosseiros facilitando neste caso o trabalho do filtro de
descida. O exemplo de grelha flexível pode ser observado na Figura 7.
Figura 7: Filtro para bocais de calha – grelha flexível
Fonte: Tigre AS (2010).
Filtros de descida são colocados diretamente nos condutores horizontais,
tendo a função de reter ou separar as partículas sólidas e reduz também a
quantidade de material orgânico conduzido até o reservatório de abastecimento.
Atualmente no mercado existem diversos tipos de filtro de descida desde o mais
simples como mostra a Figura 8 até os mais complexos importados.
26
Figura 8: Filtro simples de descida
Fonte: Adaptado de rainwatercollection (2010).
Existem sistemas de filtros prontos no mercado, cuja intenção é realizar a
filtragem da água da chuva. Um deles é elaborado pela empresa “3P Technik do
Brasil Ltda.”. O equipamento é o mais utilizado e fabricado no Brasil pela Metalúrgica
Cacupé em Santa Catarina, que garante, segundo a empresa, eficiência de 90 a
95% de remoção de sólidos (3P TECHNIK DO BRASIL LTDA. 2010). O modelo de
filtro descrito é apresentado na Figura 9.
Figura 9: Filtro VF1 Funcionamento
Fonte: 3P Technik do Brasil Ltda.
O filtro VF1 permite duas entradas de 100 mm como apresentado na
Figura 10, podendo receber tubulação de diversos condutores de descida.
27
Figura 10: Filtro VF1 Instalado
Fonte: 3P Technik do Brasil Ltda.
O filtro VF1, utiliza a força da gravidade para separar as impurezas da
água de chuva ao passarem pela grelha interna (Figura 11), a qual contém uma
inclinação para diminuir os riscos com entupimento, ele funciona também como uma
caixa de inspeção convencional.
Figura 11: Filtro VF1 aberto.
Fonte: 3P Technik do Brasil Ltda.
A filtração consiste na remoção das partículas suspensas e coloidais e de
microorganismos presentes na água por sua passagem através de um meio poroso.
Juntamente com essas partículas, a filtração remove também os microrganismos
que a elas estiverem associados. Em geral, a filtração é a principal responsável pela
produção de água com qualidade condizente com o Padrão de Potabilidade (DI
BERNARDO, 1993).
28
A filtração com areia tem a finalidade de remover a turbidez e cor
(substâncias dissolvidas) da água da chuva coletada do telhado. (CIPRIANO, 2004).
Para May (2004) o filtro de areia para as águas pluviais, consiste num reservatório
contendo uma camada de areia e uma camada de pedregulho.
2.7.5 Dispositivo de Auto-Limpeza.
A Norma Brasileira Regulamentadora NBR 15527 (ABNT, 2007) descreve
que a quantidade de água aproveitável depende do coeficiente de escoamento
superficial da cobertura, bem como da eficiência de descarte do escoamento inicial,
pode ser instalado um dispositivo automático que descarte esta água, que deve ser
dimensionado pelo projetista e na falta de dados, recomenda-se o descarte de 2 mm
da precipitação inicial. Para Tomaz (2003), as águas iniciais da chuva, ou seja, os
primeiros milímetros devem ser desviadas para esse dispositivo de auto-limpeza e
descarte devido à concentração de substâncias sólidas depositadas pelo vento e por
pássaros.
Já para May (2004), contaminação da chuva inicial ocorre quando as
gotas da chuva caem trazendo consigo partículas que estão suspensas no ar.
Quando a água da chuva chega ao reservatório de auto-limpeza em que está vazio
recebe água até chegar ao nível d’água limite, quando a água atinge o limite
máximo, esta encontra uma bóia com dispositivo de fechamento automático do
reservatório como mostrado na Figura 12.
Figura 12: Reservatório para descarte da primeira chuva.
Fonte: May, 2004.
29
Outra maneira de reservatório de auto-limpeza e o mostrado por Cipriano
(2004), na Figura 13, em que existe uma derivação (c), para o reservatório de
detenção e um sistema de descarte. O reservatório de detenção possui uma
tubulação e um ladrão, que conduz o excesso de água para fora do sistema.
Figura 13: Dispositivo de auto-limpeza dos primeiros milímetros de chuva.
Fonte: Cipriano, 2004.
2.7.6 Armazenamento
A quantidade de água pluvial que pode ser armazenada depende do
tamanho da área de captação, da precipitação pluviométrica do local e do
coeficiente de escoamento superficial, também chamado de coeficiente de runoff.
Como o volume de água de chuva que pode ser aproveitado não é o mesmo que
precipitado, o coeficiente de escoamento superficial indica o percentual de água de
chuva que será armazenada, considerando a água que será perdida devido à
limpeza do telhado, evaporação e outros (TOMAZ, 2003).
Na Tabela 1 são apresentados os tipos de reservatórios existentes e suas
respectivas capacidades. Segundo Tomaz (2003), os reservatórios podem ser do
tipo apoiado, elevado ou enterrado, concreto armado, alvenaria de bloco armado,
plásticos, poliéster, alvenaria de tijolos comuns, entre outros. É preciso tomar alguns
cuidados como não deixar entrar a luz do sol no reservatório, devido ao crescimento
de algas, a tampa de inspeção deve ser hermeticamente fechada.
30
Tabela 1- Tipos de reservatórios
Tipos de Reservatórios
Volume
Açudes, barragens, barragens subterrânea, lagos
Alvenaria
Pedra
Ferro – cimento
Concreto armado
Lona/ Vinil/ Manta de PVC
Livre
Livre
Livre
Livre
Livre
Livre
Fibra de Vidro
10.000 a 120.000 litros
Caixas D Água de Fibrocimento
250 á 1000 litros
Caixas D Água de Polipropileno
300 á 1000 litros
Caixas D Água de polietileno
250 á 2500 litros
Caixas D Água de Fibra de vidro
250 á 20000 litros
Caixas D Água de Aço Inox
Jarras de barro
Fonte: Tomaz (2003).
500 á 2000 litros
100 a 3000 litros
De acordo com a NBR 15527 (ABNT, 2007), como na Tabela 1, o volume
do reservatório deve ser dimensionado com base em critérios técnicos, econômicos
e ambientais levando em conta as boas práticas da engenharia, deve ser também
limpo e desinfetado com solução de hipoclorito de sódio, no mínimo uma vez por
ano.
Segundo a Embrapa (2005), a cisterna deverá ter capacidade para
armazenar água suficiente para atender a demanda da propriedade por um período
mínimo de 15 dias. No cálculo do dimensionamento da cisterna, deve-se acrescentar
um adicional relativo ao coeficiente de evaporação do sistema. Na dificuldade em se
estabelecer um coeficiente de evaporação confiável, pode-se considerar um
acréscimo de 10% no volume de reserva calculado.
A cisterna que tem se mostrado eficaz no armazenamento de águas nas
regiões do Semi Árido do Brasil é a cisterna de argamassa de cimento, ilustrada na
Figura 14, sendo ela reforçada com arame tela (MAY, 2004).
31
Figura 14: Cisterna de placas de cimento.
Fonte: MAY, 2004.
2.7.6.1 Coeficiente de runoff
Para efeito de cálculo, o volume de água de chuva que pode ser
aproveitada não é o mesmo que o precipitado. Para isto, usa-se um coeficiente de
escoamento superficial chamado de coeficiente de runoff, entre a água que escoa
superficialmente pelo total da água precipitada (chuva). Usa-se a letra C para o
coeficiente de runoff.
Conforme Tomaz (2003), o coeficiente de runoff para telhas cerâmicas
varia de 0,80 a 0,90, para telhas corrugadas de metal varia de 0,70 a 0,90 como
pode ser visto na Tabela 2.
Tabela 2- Coeficiente de runoff médios
MATERIAL
Telhas cerâmicas
Telhas esmaltadas
Telhas corrugadas de metal
Cimento amianto
Plástico, PVC
Fonte: Tomaz (2003).
COEFICIENTE DE RUNOFF
0,8 a 0,9
0,9 a 0,95
0,8 a 0,9
0,8 a 0,9
0,9 a 0,95
32
2.7.7 Manutenção do Sistema.
Concordando com Melo (2007), a manutenção do sistema também é de
fundamental importância para a qualidade da água da cisterna. Esta manutenção
consiste em descargas no reservatório de auto-limpeza e limpeza periódica das
calhas, tubulações, filtros e da cisterna
Conforme a norma NBR 15527 (ABNT, 2007), a manutenção em todo o
sistema de aproveitamento de água de chuva deve ser de acordo com a Tabela 3.
Tabela 3 - Freqüência de manutenção
COMPONENTE
Dispositivo de descarte de detritos
Dispositivo de descarte do escoamento inicial
Calhas, condutores verticais e horizontais
Dispositivo de desinfecção
Bombas
Reservatório
Fonte: NBR 15527/07 (2007).
FREQUENCIA DE MANUTENÇÃO
Inspeção mensal e limpeza bimestral
Limpeza mensal
2 vezes por ano
Mensal
Mensal
Limpeza e desinfecção anual
2.8 USO DE ÁGUA DA PLUVIAL PARA A LAVAGEM DE VEÍCULOS.
Para Morelli (2005), uma das formas da utilização da água pluvial que
vem ganhando destaque em muitos países é a destinada à lavagem de veículos.
Não se pode negar que milhares de litros de água potável são desperdiçados nesta
prática atualmente.
Nos Estados Unidos, Japão e alguns países da Europa, já
existem legislação própria para o assunto, regulamentando a instalação dos
sistemas de lavagem de veículos, de pequeno ou grande porte.
Segundo Braga (2005), na lavagem de veículos são gastos cerca de 150
litros de água por veículo. Mas para Morelli (2005), são gastos aproximadamente
250 litros de água para a lavagem de cada carro e aproximadamente 600 litros de
água por ônibus de transporte urbano.
33
2.9 QUALIDADE DA ÁGUA PARA FINS NÃO-POTAVEIS.
Para Kinker (2009), a qualidade da água, quando se trata do
aproveitamento de água de chuva, é uma questão muito importante já que cada uso
necessita de parâmetros de qualidade diferentes, observando que quando houver
contato humano com a água deve-se preservar a saúde do indivíduo. Na norma
NBR 15527 (ABNT, 2007), a qualidade da água de chuva deve ser definida pelo
projetista de acordo com seu uso final. Porém, em usos mais restritivos a qualidade
exigida esta presente na Tabela 4.
Tabela 4 - Parâmetros de qualidade de água da chuva
PARÂMETRO
Coliformes totais
Coliformes termotolerantes
a
Cloro residual livre
ANÁLISE
Semestral
Semestral
Mensal
Turbidez
Mensal
Cor aparente (caso não seja utilizado nenhum
corante, ou antes, da sua utilização)
Deve prever ajuste de pH para proteção das
redes de distribuição, caso necessário
Fonte: Adaptada de ABNT (2007).
VALOR
Ausência em 100 mL
Ausência em 100 mL
0,5 a 3,0 mg/L
<2,0 uTb, para uso menos restritivos <
5,0 uT
Mensal
< 15 uHc
Mensal
pH de 6,0 a 8,0 no caso de tubulação
de aço carbono ou galvanizado
De acordo com a Sinduscon (2005), para a utilização da água para a
lavagem de automóveis deve possuir as seguintes características:
não deve apresentar mau-cheiro;
não deve ser abrasiva;
não deve manchar superfícies;
não deve conter sais ou substâncias remanescentes após
secagem;
não deve propiciar infecções ou a contaminação por vírus ou
bactérias prejudiciais à saúde humana.
34
3. MATERIAL E MÉTODOS
3.1 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Para a realização do sistema de captação fez-se pesquisas embasadas
em normas, livros, manuais e projetos técnicos referentes à utilização da água de
chuva e o levantamento de dados e informações que envolvem a lavagem dos
veículos.
Coletou-se os dados mediante visitas técnicas ao local para determinar a
quantidade de água pluvial a ser captado. Ainda neste local fez-se o levantamento
de documentos utilizados para estimar a quantidade de veículos lavados
mensalmente, e com uma trena de 30 metros fez-se as medições das estruturas
existentes. A partir dos dados pluviométricos locais foi dimensionado o sistema de
capitação da água pluvial e o local de armazenamento, cisterna, em que pode se
determinar qual a capacidade de armazenamento e a previsão com a economia de
água potável, verificando-se a viabilidade técnica da implantação do sistema de
captação.
3.2 CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO
O município de Foz do Iguaçu está localizado no extremo oeste do
Paraná, na fronteira do Brasil com o Paraguai e a Argentina - latitude sul 25º32’45” e
longitude oeste 54º35'07", conforme a Figura 15.
35
Figura 15: Localização do município no estado
Fonte: Prefeitura Municipal de foz do Iguaçu (PMFI), 2010
Segundo o instituto Brasileiro de geografia e estatística (IBGE) Foz do
Iguaçu no ano de 2008 possuía estimativa populacional de 311.336 habitantes. E o
número de automóveis de passeio registrado para Foz do Iguaçu ultrapassa 70.000,
que somado a todos os meios de transporte utilizados na cidade totalizam em mais
de 100.000 veículos (IBGE, 2009). Na Tabela 5 podem ser visualizados os veículos
registrados na cidade.
Tabela 5- Frota de veículos licenciados na cidade de Foz do Iguaçu no ano de 2009
Tipo de veículo
Automóvel
Caminhão
Caminhonete
Motocicleta
Micro-ônibus
Motoneta
Ônibus
Quantidade
72.352
2.931
6.207
18.320
819
2.807
825
Fonte: IBGE (2009).
3.3 LOCALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO
O presente trabalho foi realizado em um lava-rápido localizado na
Avenida Garibaldi nº 2519, Jardim Lancaster, na cidade de Foz do Iguaçu – PR,
encontrado nas coordenadas 25°29’33.87” S e 54°33’28.26”O, conforme ilustra a
Figura 16.
36
Figura 16: Planta de localização do lava-rápido carros em estudo.
Fonte: http://maps.google.com.br/ (2010).
A lavagem dos automóveis é feita por três colaboradores, o horário de
expediente é das oito da manhã até as vinte horas, de segunda a sábado, e a água
utilizada para a lavagem dos veículos é proveniente da Companhia de Saneamento
do Paraná – SANEPAR. A Figura 17 mostra o empreendimento em estudo.
Figura 17: Fachada do lava-rápido de carros.
37
3.4 UTILIZAÇÃO DA ÁGUA PARA A LAVAGEM DE AUTOMÓVEIS
Para calcular a quantidade de água que deve ser utilizada para a lavagem
dos veículos, mensalmente, adotar-se-á o valor de 250 litros de água por veículo, de
acordo com Morelli (2005).
3.5 DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA DE ÁGUA PLUVIAL
3.5.1 Área de Contribuição
A NBR 10844 (ABNT, 1989) estabelece que a área da superfície para a
coleta da água da chuva é encontrada seguindo a Equação 2 a seguir:
Equação (2)
Onde:
A = Área de contribuição (m²);
a = Largura do telhado (m);
h = Altura da tesoura (m);
b = Comprimento (m);
As medidas citadas a cima podem ser observadas na Figura 18.
Figura 18: Área de contribuição para superfície inclinada
Fonte: NBR 10844 (ABNT, 1989).
38
3.5.2 Índice Pluviométrico do Município
A Tabela 6 mostra a média pluviométrica mensal, obtidas do anexo 1.
Estes dados foram coletados pela Usina Hidrelétrica de Itaipu, no período de 1984 a
2009.
Tabela 6 - Média pluviométrica
Período 1984 até 2009
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Média Total
Fonte: Adaptada de Itaipu, (2010).
Média (mm)
220,8
173,4
127,1
148,8
177,0
127,0
83,6
98,0
148,0
209,0
166,6
176,9
1.856,1
3.5.3 Vazão de Água a Ser Captada
É a quantidade total de água a ser captada no local, assim a vazão a ser
captada depende da área de contribuição do local e da intensidade pluviométrica no
local.
Para calcular a vazão do projeto deve-se utilizar a Equação 3 descrita na
NBR 10844 (ABNT, 1989):
Onde:
A = área de contribuição (m²);
I = intensidade pluviométrica (mm/h);
Q = vazão de projeto (L/min).
39
3.5.4 Condutores
De acordo com a NBR 10844 (ABNT, 1989) para um melhor escoamento
as calhas de beiral, condutores horizontais devem tem uma inclinação mínima de
0,5%.
3.5.4.1 Dimensionamento das Calhas
Gribbin (2009), relata que a equação mais utilizada nos Estados Unidos e
no Brasil para o escoamento uniforme é a do engenheiro irlandês Robert Manning
(1889), o uso dessa Equação envolve vários parâmetros como a declividade, raio
hidráulico, perímetro molhado, área de secção molhada e o coeficiente de
rugosidade (aspereza do revestimento do canal).
A Tabela 7 mostra os coeficientes de rugosidade dos materiais mais
utilizados na fabricação das calhas e condutores.
Tabela 7 - Coeficientes de rugosidade de Manning.
Material
Plástico, fibrocimento, aço, metais
não-ferrosos
Ferro fundido, concreto alisado, alvenaria
Revestida
Cerâmica, concreto não-alisado
alvenaria de tijolos não-revestida
Fonte: NBR 10844 (ABNT, 1989).
Coeficientes de Rugosidade
0,011
0,012
0,013
0,015
Segundo a NBR 10844 (ABNT, 1989) o dimensionamento das calhas
deve ser feito através da Equação (4) de Manning-Strickler.
.
Sendo:
Q = vazão do projeto (L/min);
S = área da seção molhada (m²);
Equação (4)
40
P = perímetro molhado (m);
RH = A/P = raio hidráulico (m);
n = coeficiente de rugosidade
i = declividade (m/m).
K= 60000
A área de seção molhada segundo a NBR 10844 (ABNT, 1989) é a área
útil de escoamento em uma secção transversal de um condutor ou calha, é
calculada através a Equação 5:
Sendo:
S = área da seção molhada (m²);
A = Largura da calha (m);
B = Altura da calha (m).
Perímetro molhado é a linha da secção molhada junto às paredes e ao
fundo do condutor ou da calha (NBR 10844/1989). Deve ser calculado através da
Equação 6:
Sendo:
RH = raio hidráulico (m);
A = Largura da calha (m);
B = Altura da calha (m).
Para determinar o tamanho da calha Tomaz (2003), determina que para a
largura da calha deve-se levar em consideração o comprimento do telhado, como
pode ser observado na Tabela 8.
41
Tabela 8 - Dimensão da calha em função do comprimento do telhado.
Comprimento do telhado (m)
Até 5
5 a 10
10 a 15
15 a 20
20 a 25
25 a 30
Largura da calha (m)
0,15
0,20
0,30
0,40
0,50
0,60
Fonte: Tomaz, (2003).
Creder (2003), determina que para as dimensões da calha (Tabela 9)
deve ser dimensionada em função da vazão a ser escoada pela calha com lâmina
d’água a meia altura.
Tabela 9 - Vazões em l/min. em calhas retangulares, lâmina da água a meia altura.
Dimensão (m)
a
B
0,2
0,1
0,3
0,2
0,4
0,3
0,5
0,4
0,6
0,5
0,7
0,6
0,8
0,7
0,9
0,8
1,0
0,9
Declividade
0,5%
1%
2%
336
475
671
1501
2122
3001
3785
5353
7571
7538 10660 15075
12946 18309 25892
20283 28684 40566
29775 42109 59551
41641 58889 83281
56243 79540 112487
Fonte: Creder, (2003).
3.5.4.2 Condutores Verticais
Os condutores verticais devem ser projetados para que evite curvas e
desvios. Podem ser colocadas internamente ou externamente na edificação, suas
dimensões devem ser circular de 70 mm no mínimo ou até maiores dependendo da
vazão do projeto (NBR 10.844/1989).
42
3.5.4.3 Condutores Horizontais
A NBR 10844 (ABNT, 1989), relata que o dimensionamento dos
condutores horizontais circulares deve ser feito para escoamento com lâmina de
altura igual a 2/3 do diâmetro interno (D) do tubo. As vazões para tubos de vários
materiais e inclinações usuais estão indicadas na Tabela 10.
Tabela 10 - Capacidade de condutores horizontais de seção circular (L/min.)
N= 0,011
Diâmetro interno (D)
(mm)
0,5%
1%
2%
n= 0,012
4%
0,5%
1%
2%
n=0,013
4%
0,5%
1%
2%
4%
1
50
32
45
64
90
29
41
59
83
27
38
54
76
2
75
95
133
188
267
87
122
172
245
80
113
159
226
3
100
204
287
405
575
187
264
372
527
173
243
343
486
4
125
370
521
735
1.040
339
478
674
956
313
441
622
882
5
150
602
847
1.190
1.690
552
777
1.100
1.550
509
717
1.010
1.430
6
200
1.300
1.820
2.570
3.650
1.190
1.670
2.360
3.350
1.100
1.540
2.180
3.040
7
250
2.350
3.310
4.660
6.620
2.150
3.030
4.280
6.070
1.990
2.800
3.950
5.600
8
300
3.820
5.380
7.590
10.800
3.500
4.930
6.960
9.870
3.230
4.550
6.420
9.110
Fonte: NBR 10844 (1989).
3.5.5 Reservatório de Auto-Limpeza
Para dimensionar o reservatório de auto-limpeza, utilizou-se as instruções
de Tomaz (2003), em que há a necessidade de evitar que a primeira água
precipitada nos telhados permaneça no reservatório, portanto, é importante que os
primeiros milímetros de água seja descartado para haver remoção das folhas e
impurezas indesejadas.
O reservatório de descarte, que tem por função a retenção temporária e
posterior descarte da água coletada na fase inicial da precipitação. De acordo com a
NBR-15527/2007 é recomendado que quando houver o dispositivo para o descarte
da água de escoamento inicial que este seja automático e dimensionado de acordo
com o projeto. Na falta de dados pode-se descartar 2 mm da precipitação inicial.
Para o descarte da precipitação inicial, então deve-se descartar 2 litros de água a
cada m² de área de captação.
43
3.5.6 Reservatório de Armazenamento
A água de chuva reservada deve ser protegida contra a incidência direta
da luz solar e do calor, bem como, de animais que possam adentrar o reservatório
através da tubulação de extravaso.
Para o cálculo do dimensionamento do reservatório de água de chuva,
segundo a NBR 15527 (ABNT, 2007) será utilizado o método de Azevedo Neto é o
mais utilizado por ser simples e preciso, o qual é mostrado na Equação (7).
Equação (7)
Em que:
P - precipitação média anual, (mm);
T - número de meses de pouca chuva ou seca;
A - área de coleta, (m²);
V - volume de água aproveitável e o volume de água do reservatório, (L).
3.5.6 Remoção dos Sólidos Grosseiros
Para a remoção dos sólidos presente na água pluvial é necessário que
haja uma peneira no fim da calha para que seja realizada uma pré-filtração,
contando também com o descarte dos dois primeiros milímetros da precipitação por
um dispositivo automático, instalado no reservatório.
3.6 VIABILIDADE TÉCNICA E ECONÔMICA
A verificação preliminar para Aguiar (2008), avalia-se a possibilidades de
implantação de ações de conservação de água na edificação. Dados físicos mais
detalhados são necessários para que se possam estabelecer indicadores de
viabilidade técnica e financeira, para implantação de ações de conservação de água.
Nos estudos realizados por Sautchúk (2004), para dimensionar um
sistema de captação de água pluvial deve-se especificar o sistema de
44
aproveitamento de água a ser implantado, os tipos de tratamento e a viabilidade
técnica de implantação como, por exemplo, o espaço físico, os investimentos
necessários e custo de manutenção. Este autor ainda sugere que o aproveitamento
de água de chuva deve ser apenas para fins menos nobres, devido ao alto custo
com tratamento da água.
Segundo a publicação do PROSAB (2006), no capítulo de aproveitamento
de água de chuva foram expostos pesquisas em que se calculou o retorno do
investimento das instalações para os sistemas já implantados, sendo o tempo médio
em torno de 10 anos, dependendo da área de captação. Em grandes áreas de
captação o tempo de retorno será reduzido, e em pequenas áreas o retorno é longo
parecendo ser inviável financeiramente, mas, porém, deve-se considerar que haverá
uma economia visando à conservação dos recursos hídricos.
No estado de Santa Catarina, Montibeller e Schmidt (2004), realizaram
um estudo do potencial econômico de água potável utilizando água pluvial para fins
não potáveis em 66 municípios catarinenses, em que foi alcançada uma economia
aproximadamente 50% da água tratada da rede de saneamento público. Já nos
estudos realizados por Werneck (2006), a viabilidade do uso de água pluvial para
fins não potáveis em uma escola no município de Pirai, no estado do Rio de Janeiro,
obteve-se uma redução de 40,4% no consumo de água potável.
45
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Para o funcionamento correto do sistema deve-se instalar os condutores
horizontais e verticais com dimensões mínimas, para que não haja o transbordo da
calha de captação, e uma cisterna de auto-limpeza automática para separar os
primeiros milímetros da água da chuva, e o reservatório de armazenamento deve
atender as normas vigentes.
4.1 INTENSIDADE MÉDIA PRECIPITADA
Para o cálculo de intensidade média foi realizado mediante a Equação (1),
os parâmetros da Equação utilizados foi da cidade de São Miguel do Iguaçu – PR.,
devido o local ser o mais próximo da região e possuir dados de intensidade –
duração – freqüência, já que a região em estudo não possui o registro dos
parâmetros. O tempo de retorno escolhido foi de 5 anos, por se referir a uma
cobertura de um barracão e uma residência, o tempo de duração da chuva foi de 5
minutos, conforme a NBR 10844 (ABNT, 1989). A intensidade média precipitada
encontrada foi de 146,12 mm/h.
mm/h
Poderia também ter utilizado a intensidade de 150mm/h, já que a NBR
10844 (ABNT, 1989) diz que para construção até 100m2 de área de projeção
horizontal, salvo casos especiais pode–se utilizar a intensidade de 150 mm/h como
padrão. Mas neste caso área horizontal de coberturas é maior que 100 m 2, por isso
optou por calcular a intensidade média da região.
46
4.2 DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA
4.2.1 Cálculo da Área de Contribuição
A área de contribuição do local (ver apêndice) e composta pela área do
telhado do barracão, como mostra a Figura 19, e pela área do telhado da residência,
Figura 20.
Figura 19: Telhado do Barracão.
Figura 20: Telhado da residência.
Para o cálculo da área de contribuição do telhado do barracão foi utilizada
a Equação (2). A área total do telhado é de 259,5 m².
47
Para o cálculo da área de contribuição do telhado da residência (Figura
19) foi utilizada a mesma equação para a área do telhado do barracão, obtendo-se
uma área de 94,87 m².
Para a coleta da água pluvial será utilizado à soma das áreas das
coberturas do barracão e da residência, totalizando na área total de 354,37 m².
Onde:
Ac = Área de contribuição;
Acb = Área de contribuição do barracão;
Acr = Área de contribuição da residência.
48
4.2.2 Vazão a Ser Captada nas Calhas
Para a obtenção da vazão a ser coletada foi utilizado á Equação (2), em
que a intensidade média precipitada é de 146.12 mm/h, e a área total de
contribuição foi calculada anteriormente utilizando a Equação (2).
4.2.2.1 Vazão de Projeto do Barracão
Para efeito de cálculo da vazão, utilizou-se área compreendida por um
lado da área de cobertura do barracão, pois o telhado possui duas águas iguais.
Obtendo-se uma vazão de 316 L/min.
4.2.2.2 Vazão de Projeto na Residência
O telhado da residência possui apenas uma caída de água, então para o
cálculo da vazão utilizou-se toda área que contempla o telhado. Obtendo-se uma
vazão de 231L/min.
49
4.2.3 Dimensões das Calhas.
Para o cálculo das calhas utilizou-se o método de Manning-Strickler,
(Equação 4) conforme a recomendação da NBR 10844 (ABNT, 1989). Por se tratar
de duas estruturas de telhados diferentes, os dimensionamentos das calhas foram
feitas em duas etapas.
4.2.3.1 Dimensionamento das Calhas do Barracão
Como observado anteriormente na Figura 18 o telhado do barracão
possui duas águas com mesma inclinação e mesmo comprimento. Então realizou-se
o dimensionamento da calha apenas de um lado de caída de água, assim, as
dimensões da calha a ser utilizada serão de 20 cm de largura por 10 cm de altura
como podem ser observadas na Tabela 7.
Para o cálculo da vazão da calha é necessário obter primeiramente a área
de secção molhada (Equação 5). A área de secção molhada calculada foi de 0,01
m².
m²
O raio hidráulico também se faz necessário conforme a Equação (6). O
raio hidráulico determinado foi de 0,0333 m.
m
50
Após obter a área de secção molhada e raio hidráulico foi utilizada a
Equação (3), de Manning, para o cálculo da vazão que a calha suportará. A razão
determinada foi de 399,21 l ⁄ min.
.
Q=399,21 L/min
4.2.3.2 Dimensionamento da Calha da Residência
Creder (2003), relata que a dimensão mínima para uma calha é de 20 x
10 cm, e a residência do lava-rápido, em estudo possui esta dimensão mínima,
então foi utilizada dimensões de 20x10 cm para o da calha da residência, conforme
item 4.2.3.1.
4.2.4 Condutores
4.2.4.1 Condutores Horizontais
Para o dimensionamento dos condutores horizontais foi utilizado à vazão
obtida utilizando a Equação (3), depois de calculada a vazão, então, determinou-se
a dimensão do condutor, através da Tabela 7. Como a vazão obtida foi de 399,21
L/min, e considerando a utilização de um condutor de PVC (com coeficiente de
rugosidade de 0,011) e declividade de 2%, recomenda-se a utilização de um
condutor horizontal com diâmetro de 100 milímetros que suporta uma vazão de até
405 L/min , conforme pode ser observar na Tabela 10.
51
Tabela 10 - Capacidade de condutores horizontais de seção circular (L/min.)
N= 0,011
Diâmetro interno
(D) (mm)
0,5%
1
50
32
45
2
75
95
133
3
100
204
287
4
125
370
5
150
602
6
200
7
250
8
300
1%
2%
n= 0,012
4%
0,5%
1%
2%
64
90
29
41
188
267
87
122
405
575
187
264
372
521
735
1.040
339
478
847
1.190
1.690
552
777
1.300
1.820
2.570
3.650
1.190
1.670
2.350
3.310
4.660
6.620
2.150
3.030
3.820
5.380
7.590
10.800
3.500
4.930
n=0,013
4%
0,5%
1%
2%
4%
59
83
27
38
54
76
172
245
80
113
159
226
527
173
243
343
486
674
956
313
441
622
882
1.100
1.550
509
717
1.010
1.430
2.360
3.350
1.100
1.540
2.180
3.040
4.280
6.070
1.990
2.800
3.950
5.600
6.960
9.870
3.230
4.550
6.420
9.110
Fonte: NBR 10844 (ABNT, 1989).
4.2.4.2 Condutores Verticais
A determinação do diâmetro dos condutores verticais segundo a NBR
10844 (ABNT, 1989) é de 70 mm. Mas considerando ser uma grande área de
captação recomenda-se a utilização de um condutor em PVC com diâmetro de 100
mm para que haja melhor escoamento.
4.2.5 Dimensionamento do Reservatório de Auto-Limpeza
De acordo com a NBR-15527/2007 (ABNT, 2007), é recomendado para o
descarte da precipitação inicial de 2 Litros de água a cada m² da área de
contribuição, então o reservatório de auto-limpeza será de 708,74 litros.
52
4.2.6 Dimensionamento do Reservatório de Armazenamento
Para
calcular o
volume
do
reservatório
de
armazenamento
foi
considerada a Equação (4) que é método do Azevedo Neto, para calcular a
capacidade da cisterna. Na Equação é necessário saber os meses com baixa
intensidade pluviométrica. Para a região em estudo, os meses de pouca chuva
conforme observados na Tabela 3 foram considerados os meses de março, junho,
julho e agosto, totalizando 4 meses. Por isso o 4 utilizado na Equação. O volume do
reservatório de armazenamento dimensionado foi de 9208,44 L/mês. Podendo ser
utilizado uma cisterna com 10m³ de volume.
4.3 UTILIZAÇÃO DE ÁGUA NO LAVA-RÁPIDO.
Segundo a SANEPAR, a tarifa de saneamento básico de água e esgoto
para micro e pequena empresa para os primeiros 10m³ é de R$ 29,43 e a partir de
11m³ a taxa é de R$ 5,96 para cada m³ de água, como mostra a Tabela 11.
Tabela 11 - Tarifa de saneamento básico para pequena empresa
FAIXA DE CONSUMO
Consumo até 10m³
Excedente a 10m³
VALOR (R$)
29,43
29,43 + 5,96/m³
Fonte: Sanepar (2010).
Sabendo que para a lavagem de automóveis a empresa gasta
aproximadamente 70 m³, a quantidade de água utilizada corresponde a um gasto
53
médio mensal de R$ 387,03 sendo assim, tem-se um gasto anual de R$ 4644,00
como pode ser verificados na Tabela 12.
Tabela 12 - Consumo de água no empreendimento em m³
CONSUMO (m³
Até 10
Excedente 60
Total mensal
Total anual
VALOR UNITARIO (R$)
29,43
5,96
TOTAL (R$)
29,43
357,6
387,03
4.644,36
4.4 CUSTOS DE IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA
Os custos de implantação e operação do sistema de aproveitamento de
água pluvial são basicamente os custos com materiais e com os equipamentos
necessários. Mediante pesquisa realizada em lojas de materiais de construção da
cidade, em que se obteve os preços médios dos equipamentos, entre eles o
reservatório de fibra de vidro, Dispositivo de auto-limpeza, as calhas, tubos e
conexões, sendo estes estão relacionados na Tabela 13.
Tabela 13 – Orçamento para implantação do sistema
DESCRIÇÃO
Calha
Filtro VP1
Cisterna (10 m³)
Dis. Auto-limpeza.
Tubos e conexões
Instalação
Total
MATERIAL
Aço galvanizado
Vários
Fibra de vidro
Vários
PVC
QUANTIDADE
45 metros
1
1
VALOR EM R$
1.125,00
1.200,00
1.500,00
219,00
800,00
300,00
5.144,00
Considerando a cisterna como o item com maior valor de aquisição e
instalação optou-se por adotar o reservatório de fibra de vidro por ser leve e
resistente ao desgaste, ao envelhecimento e a corrosão, e, além disso, de fácil
instalação e transporte.
O custo médio de mão de obra de um encanador é de R$ 60,00 por dia,
considerando a carga horária de trabalho de 8 horas diárias. Para a implantação do
54
sistema leva-se aproximadamente 5 dias, portanto, tem-se um valor de instalação de
R$ 300,00.
4.5 VIABILIDADE TÉCNICA E ECONÔMICA.
De acordo com a Tabela 12 o gasto com água da rede pública de
saneamento é de aproximadamente R$ 4.644,36 anual, e o custo de instalação do
sistema é de R$ 5.144,00. Considerando a eficiência do sistema de água pluvial de
aproximadamente 40%, segundo Werneck (2006), tem-se uma economia media
mensal de água potável de 28 m³ mensal e de 336 m³ anual, sendo assim, o sistema
proporciona uma economia de R$ 2.002,56 anual. Devido ao alto custo com a
implantação do sistema o empreendimento levaria 30 meses para obter um retorno
econômico de investimento, logo seria um investimento de médio prazo, como relata
Prosab (2006) e deve-se considerar também que haverá uma economia visando à
conservação dos recursos hídricos.
55
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
De acordo com todo o levantamento realizado das edificações (telhados)
existentes no lava-rápido, foi possível dimensionar o sistema de captação de água
pluvial. Com a implantação do sistema no lava-rápido, verifica-se que haverá a
diminuição da utilização de água potável em torno de 40% correspondente em
média de 28m³. Nota-se que a cisterna de armazenamento tem que possuir o
volume de 10m³.
Verifica-se que com a implantação do sistema o empreendimento terá
uma economia de R$ 2.002,56 e o tempo de retorno de investimento de
aproximadamente 30 meses.
Portanto, um bom programa de captação e armazenamento da água
pluvial para a lavagem de veículos, quando instalado e em funcionamento, trás
significativos benefícios de natureza econômico-financeira, social e ambiental, além
de, contribuir de forma eficiente para a melhoria da qualidade dos recursos hídricos.
56
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VON SPERLING, M. Introdução à Qualidade das Águas e ao Tratamento de
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(mestrado) - Programa de Pós-graduação em Arquitetura - UFRJ/ FAU/ PROARQ
Rio de Janeiro: UFRJ/ FAU, 2006.
60
ANEXO
61
ANEXO
Precipitação
pluviométrica
em
milímetros,
coletados
pela
Usina
Hidrelétrica de Itaipu.
Ano
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
1984
250,0
61,5
247,7
164,8
50,9
139,9
40,5
191,1
105,4
124,7
266,4
231,3
1985
98,5
240,0
224,0
115,3
112,2
65,0
128,0
32,8
37,7
118,0
31,2
34,2
1986
347,0
328,4
264,9
118,8
258,2
49,3
58,2
95,1
196,1
133,7
134,3
192,8
1987
159,5
334,1
95,5
199,2
296,7
56,3
86,8
40,4
57,4
278,6
248,3
112,4
1988
218,6
198,6
106,9
317,3
164,7
213,6
1,5
19,7
23,4
189,3
47,0
120,5
1989
326,1
253,1
207,8
82,5
34,4
142,6
74,4
311,9
162,9
210,6
119,0
151,8
1990
421,6
94,4
65,6
308,9
154,2
194,2
102,7
368,4
235,6
148,3
195,0
204,5
1991
241,3
26,1
44,6
160,0
88,0
296,1
43,9
12,7
143,8
120,5
167,1
273,3
1992
28,4
288,2
183,9
186,8
335,8
139,9
139,1
171,0
85,3
266,0
143,5
82,2
1993
160,1
64,7
137,4
18,7
279,8
170,9
131,4
10,9
244,3
192,4
182,0
133,0
1994
115,8
265,3
52,8
146,0
233,5
195,5
91,9
28,2
149,5
288,1
283,1
272,4
1995
327,9
174,9
155,7
158,8
12,1
44,3
52,0
29,9
193,0
167,2
62,4
96,8
1996
138,3
97,5
173,0
69,1
88,4
138,4
59,6
56,1
97,7
500,8
127,9
455,4
1997
98,8
147,2
132,7
25,6
286,3
226,4
116,5
139,9
269,9
199,0
279,0
143,1
1998
159,7
356,8
356,3
228,6
210,0
83,8
89,5
291,9
212,3
299,7
51,7
110,8
1999
189,1
87,4
100,7
173,2
116,7
107,0
95,5
8,5
73,7
21,6
67,0
162,3
2000
460,0
242,0
32,7
125,6
171,9
229,8
74,2
141,7
116,6
202,2
188,4
277,7
2001
367,1
275,5
191,2
152,7
70,4
106,1
90,7
65,1
149,2
89,8
206,7
145,2
2002
326,6
96,7
94,4
19,6
431,9
56,7
64,6
81,4
178,2
145,5
400,5
202,8
2003
125,7
221,6
62,6
221,9
42,9
60,8
45,3
46,3
193,8
267,1
120,4
363,8
2004
75,3
33,5
34,4
140,1
250,2
85,4
145,9
27,3
44,4
229,2
201,1
38,9
2005
195,2
12,8
7,6
143,3
407,1
217,4
88,0
57,3
197,7
350,7
70,8
152,3
2006
305,0
152,2
205,4
74,8
1,2
78,1
26,7
110,8
243,4
221,1
154,8
270,3
2007
276,9
101,1
70,8
213,5
193,9
7,2
80,4
11,0
39,0
148,0
210,7
146,1
2008
148,3
121,3
30,3
208,6
44,0
116,9
64,8
72,3
120,8
210,2
144,2
50,5
2009
181,0
232,2
26,0
95,4
266,1
80,3
182,4
125,1
275,9
312,2
227,8
175,1
Fonte: Itaipu (2010).
62
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