Sergio Carlos Silva RA: 0320381 10° semestre ESTUDO DA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA EM AQUECIMENTO DE ÁGUA PARA CHUVEIROS DOMÉSTICOS Itatiba 2007 Sergio Carlos Silva RA: 0320281 10° semestre ESTUDO DA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA EM AQUECIMENTO DE ÁGUA PARA CHUVEIROS DOMÉSTICOS Monografia apresentada visando o desenvolvimento do Trabalho de Conclusão de Curso para Engenharia Civil sob orientação do Prof. Dr. Alberto Luiz Francato para conclusão do curso de graduação Itatiba 2007 ii SILVA, Sergio Carlos. Estudo da Eficiência Energética em Aquecimento de Água para Chuveiros Domésticos. Monografia defendida e aprovada na Universidade São Francisco em 11 de Dezembro de 2007 pela banca examinadora _________________________________________ Prof. Dr. Alberto Luiz Francato USF – orientador _______________________________________ Prof. Ms. Felipe Cioffetti Marques Examinador ________________________________________ Prof. Ms. Ribamar de Jesus Gomes Examinador iii Dedicatória Aos meus pais José Carlos e Joana Que sempre me incentivaram nos meus objetivos pessoais e pelo apoio que me concederam na minha formação acadêmica. iv Agradecimentos Sou grato primeiramente a Deus por tudo o que Ele tem me concedido Manifesto a minha gratidão particular: Ao Prof. Alberto pela dedicação, orientação e motivação durante o processo de realização deste trabalho. Ao Prof. Adão Marques pela ajuda e orientação concedidas na execução deste trabalho. A todos os professores de engenharia civil desta instituição que contribuíram para o meu aprendizado. Aos meus colegas de classe Zé Carlos e Paulo pelo grande companheirismo. Aos meus lideres e conselheiros Pr. Clésio, Serjão e Noemi, pela ajuda espiritual que sempre me concederam. Aos meus amigos das Boas Novas que sempre foram verdadeiros e sinceros. v “Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre”. (Albert Einstein) vi SILVA, Sergio Carlos. Estudo da Eficiência Energética em Aquecimento de Água para Chuveiros Domésticos. 2007. Trabalho de Conclusão de Curso (Engenharia Civil) Curso de Engenharia Civil da Unidade Acadêmica da Área de Ciências Exatas da Universidade São Francisco, Itatiba. Resumo As fontes de energia utilizadas pelo homem têm-se tornado alvo de discussões no mundo contemporâneo, pois a maior parte das fontes de energia utilizadas pela sociedade são finitas, entrando em discussão a questão ambiental, pois através da exploração desses recursos energéticos têm-se comprometido o meio ambiente, sendo que por esse motivo, a sociedade busca atualmente fontes alternativas pelas quais possam substituir as fontes energéticas esgotáveis. Uma dessas fontes alternativas é a energia solar pelas quais pesquisas e desenvolvimentos tecnológicos são realizados para o aproveitamento desta energia, uma fonte de energia limpa, abundante e econômica, podendo-se citar a “mãe” da maior parte das fontes energéticas existentes no planeta. Em se tratando do aquecimento de água a maior parte da energia consumida para este fim é atendida pela energia elétrica, buscando-se métodos para a melhor utilização desta energia atualmente. Neste trabalho estudou-se uma comparação para o aquecimento de água para banho entre as três alternativas comumente usadas o aquecimento elétrico, a gás e o solar sendo apresentado o seu custo de implantação e utilização. Palavras-chave: FONTES DE ENERGIA vii Abstract The sources of energy used by man have become the subject of discussions in the contemporary world, because most of the energy used by the company are finite, entering into the discussion environmental issue, because through the exploitation of energy resources have been compromised the environment, and that for that reason, the company currently seeking alternative sources for which could replace the exhaustible energy sources. One such alternative is solar energy for which research and technological developments are made for the use of this energy, a source of clean energy, abundant and economical, and can cite is the "mother" of most existing energy sources on the planet. When it comes to heating of water most of the energy consumed for this purpose is answered by electricity, is seeking methods to better use of energy today. This work studied by a comparison to heat water for bathing between the three commonly used alternatives to electric heating, gas and solar being submitted its cost of deployment and use. Key words: SOURCES OF ENERGY 1 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO .................................................................................03 1.1 Uso da energia em residências ..........................................................03 1.2 Principais consumidores de energia...................................................05 1.3 Importância da redução do consumo de energia ................................08 1.4 Eficiência energética nos aparelhos domésticos ................................09 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ...........................................................10 2.1 Uso da energia solar ............................................................................10 2.1.1 A radiação solar ................................................................................14 2.2 Vantagens e desvantagens da energia solar .........................................17 2.2.1 Energia solar fototérmica ..................................................................18 2.2.2 Energia solar fotovoltaica .................................................................18 2.3 Histórico da energia solar ....................................................................19 3. METODOLOGIA ..................................................................................22 3.1 Comparações entre os sistemas de aquecimento de água ....................22 3.1.1 Objeto de estudo ...............................................................................22 3.1.2 Equações principais ..........................................................................23 3.1.3 Sistemas de aquecimento ..................................................................24 3.1.3.1 Aquecedores elétricos de acumulação ...........................................24 3.1.3.2 Aquecedores a gás de acumulação .................................................25 3.1.3.3 Aquecedores de acumulação solar .................................................26 3.1.3.3.1 Instalações simples ......................................................................26 3.1.3.3.2 Instalações mistas sem retorno ....................................................26 3.1.3.3.3 Instalações mistas com retorno ....................................................27 3.1.3.3.4 Dimensionamento do coletor solar ..............................................27 4. ESTUDO DO CASO ..............................................................................28 4.1 Energia consumida entre os sistemas ....................................................28 4.1.1 Dimensionamento - Elétrico - Acumulação .......................................28 4.1.2 Dimensionamento - a Gás - Acumulação ..........................................29 4.1.3 Dimensionamento - Solar - Acumulação ...........................................30 4.2 Comparação dos resultados ...................................................................31 4.3 Custo operacional entre os sistemas ......................................................32 2 4.3.1 Elétrico ................................................................................................33 4.3.2 A gás ...................................................................................................35 4.3.3 Solar ....................................................................................................37 4.3.4 Comparação de custos entre os sistemas .............................................38 4.4 Comparação com o aquecimento instantâneo do chuveiro elétrico ........40 4.4.1 Energia consumida ...............................................................................41 4.4.2 Custo operacional do chuveiro elétrico ................................................43 5. CONCLUSÃO ..........................................................................................44 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................46 3 1. INTRODUÇÃO A utilização de energia nos dias atuais tem se tornado alvo tanto de pesquisa cientifica como de pesquisa tecnológica, principalmente na busca de alternativas energéticas. Os incentivos ao desenvolvimento de tecnologias buscam, pelo lado dos consumidores, uma alternativa mais econômica quanto ao consumo de energia elétrica, da parte da indústria com um novo produto a ser colocado no mercado, da parte do governo federal uma minimização na demanda crescente por energia elétrica com a preocupação de evitar os “apagões” elétricos com prejuízo ao desenvolvimento do país, e da parte dos ambientalistas procurando alternativas e meios para degradar menos o meio ambiente. A exploração da energia a gás tem se mostrado bastante promissora para a sua utilização na sociedade, pois se tem desenvolvido em termos tecnológicos e tido avanços em segurança e conforto. Com a exploração de fontes do gás natural o consumo desta forma de energia entra em uma curva ascendente Um dos fatores porém é a questão da liberação de gás carbônico na atmosfera. A dependência da utilização da energia é cada vez mais intensa pela sociedade, pois essa utilização influi no seu dia a dia em diversos aspectos que vão desde o seu conforto até a sua sobrevivência. Dentro desta sociedade, fazendo parte deste habitat, buscando maneiras econômicas de consumir energia, está o cidadão comum. E dentro deste consumo de energia está incluído dentre as varias maneiras de consumo o aquecimento de água Neste trabalho será destacado o uso de diferentes alternativas energéticas para o aquecimento de água. Assim pretende-se fazer um estudo comparativo do aquecimento de água utilizando energia elétrica, energia solar e energia térmica (aquecedor a gás). 1.1 Uso da energia em residências De acordo com Oliveira (2007) em sua tese de planejamento energético, o consumo mundial de energia nas grandes áreas do mundo tem como o petróleo o suprimento de 40% a 50% de energia, junto com o gás natural que chega a suprir de 60% a 70%, a energia nuclear fica com 5% a 10% do suprimento, a energia hidrelétrica que tem participação de 5% a 10% do total ou menos e o restante da energia é suprido pelo carvão mineral que ainda tem um papel muito importante em algumas regiões do mundo. A energia hidrelétrica assumi um 4 papel preponderante na América do Sul e América Central, com uma participação da ordem e 20% a 30%. No Brasil essa participação da energia hidrelétrica está na ordem de 70% a 80%. Neste tópico será enfatizado o uso de energia do consumidor comum no Brasil. O uso da energia para o aproveitamento residencial pode ser dividido em três aspectos, como os aparelhos domésticos, aquecimento de ambientes e aquecimento de água. Uma das principais energias utilizadas no Brasil e no mundo é a energia elétrica. Sendo que no Brasil a geração da energia elétrica vem principalmente das usinas hidroelétricas e nucleares. De acordo com estudos feitos no Brasil o consumo residencial de energia elétrica corresponde a 24% do consumo total de energia elétrica no país, sendo que deste consumo residencial existe uma participação média de 26% do consumo total atribuído em aquecimento de água, participação superior ao de iluminação com 24% e participação inferior somente ao da refrigeração com 32%. Pode-se concluir que apenas o aquecimento de água em residências brasileiras é responsável por mais de 6% de todo o consumo de energia elétrica nacional. Outra fonte de energia em avanço no Brasil principalmente no estado de São Paulo é o gás natural ou o chamado “gás domiciliar”. O gás natural é um combustível encontrado no subsolo nas rochas porosas. Ele é formado do resultado do acúmulo de energia solar sobre as matérias orgânicas soterradas em grandes profundidades na pré-história, devido ao processo de acomodação da crosta terrestre. O gás natural é incolor e inodoro, sendo que por questões de segurança ele é odorizado com enxofre. Para o gás natural inflamar-se é preciso que seja submetido a uma temperatura superior a 620°C. Um dos benefícios do gás natural que ele é classificado como gás não-poluente, possuindo uma combustão que é limpa, razão pela qual dispensa tratamento dos produtos lançados na atmosfera, apesar de, evidentemente, ser fonte de liberação de CO2 na atmosfera. O uso do gás natural ou GN em uso domiciliar, é um mercado em expansão principalmente nas grandes cidades, proporcionando investimentos do governo e das empresas distribuidoras em gasodutos, recebimento, adaptações em residências e manutenções das redes distribuidoras. Outro gás muito utilizado no Brasil é o GLP – gás liquefeito de petróleo. O GLP consumido no Brasil provém em sua maior parte do refino do petróleo, sendo um derivado composto da mistura de hidrocarbonetos com 3 a 4 átomos de carbono com ligações simples, denominados de propano e butano. Para a identificação de vazamentos o gás é composto, assim como o gás natural, a base de enxofre, apenas para um odor característico. 5 O GLP ou “gás de cozinha” é caracterizado por sua grande aplicabilidade como combustível, graças à facilidade de armazenamento e transporte a partir do seu engarrafamento em botijões, cilindros ou tanques. Comercializado para o uso residencial mais comum em botijões de 13 kg ou em casos especiais em cilindros de 45 kg. Sendo mais utilizado em uso de fogões, sendo que, 90% dos fogões utilizam o GLP como combustível. Uma das maneiras do uso do GN ou GLP em residências é para o aquecimento de água. Empresas têm desenvolvido aquecedores de água a gás com diferentes modelos de aquecedores para qualquer necessidade e situação que possa ocorrer. Outra fonte que está difundida principalmente no uso doméstico para o aquecimento de água é a energia solar. Uma fonte de energia intensa e inesgotável que vem brilhando por mais de bilhões de anos, mas que somente agora estudos são feitos para o aproveitamento desta energia limpa. Em termos de uso residencial, o aproveitamento desta energia, requer um custo de instalação alto, mas proporcionará economia futura e vantagens para o meio ambiente. Uma outra fonte de energia, talvez não muito conhecida, são os trocadores de calor, muito usados em aquecimento de piscinas. 1.2 . Principais consumidores de energia Segue uma tabela de alguns aparelhos, utilizados em residências, apresentando a média de sua utilização diária e consumo médio mensal. 6 Tabela 1. Características Técnicas de Eletrodomésticos. Aparelhos Elétricos Potência Dias Estimados Média Média Uso/Mês Consumo Médio Utilização/Dia Mensal (kWh) Watts Aparelho de som 3 em 1 80 20 3h 4,8 Ar-condicionado 7500 1000 30 8h 120 Aspirador de pó 100 30 20 min. 10 Batedeira 120 8 30 min. 0,48 Chuveiro Elétrico *3500 30 40 min. 70 Computador/Impressora/ 180 30 3h 16,2 1000 12 1h 12 Fogão Comum 60 30 5 min. 0,15 Forno Microondas 1200 30 20 min. 12 Frezzer 130 - - 50 Geladeira 1 porta 90 - - 30 Lâmpada Fluorescente 11 30 5h 1,65 15 30 5h 2,2 23 30 5h 3,5 40 30 5h 6 60 30 5h 9 100 30 5h 15 BTU Estabilizador Ferro Elétrico Automático Vertical/Horizontal Compacta – 11W Lâmpada Fluorescente Compacta – 15W Lâmpada Fluorescente Compacta – 23W Lâmpada Incandescente – 40 W Lâmpada Incandescente – 60 W Lâmpada Incandescente – 100 W 7 Lavadora de Louças 1500 30 40 min. 30 Lavadora de Roupas 500 12 1h 6 Liquidificador 300 15 15 min 1,1 Multiprocessador 420 20 1h 8,4 Rádio Relógio 5 30 24 h 3,6 Secador de Cabelo 600 30 15 h 4,5 3500 12 1h 42 Torneira Elétrica 3500 30 30 min. 52,2 TV em cores – 14” 60 30 5h 9 TV em cores – 20” 90 30 5h 13,5 Ventilador de Teto 120 30 8h 28,8 Ventilador Pequeno 65 30 8h 15,6 Vídeo Game 15 15 4h 0,9 Pequeno Secadora de Roupa Grande Fonte: ELETROBRÁS *Uma observação a ser feita na tabela acima, em relação o potência média do chuveiro elétrico com o valor de 3500 Watts. O valor estabelecido para utilização atualmente tem valor mínimo atualizado de 4400 Watts. 8 O cálculo desta tabela se faz no seguinte método: Potência do Equipamento (Watts) x Número de horas utilizadas x Número de dias de uso mês, dividido por 1000. A informação da potência do equipamento encontra-se no manual do fabricante. Para achar o valor em Reais (R$) multiplique o consumo médio em kWh pelo valor da tarifa cobrada pela concessionária. 1.3 Importância da redução do consumo e energia A demanda energética no mundo contemporâneo de hoje tende a um vertiginoso crescimento para atender as necessidades humanas estimadas em 6 bilhões de pessoas, e a sociedade tem buscado elementos para as suas necessidades energéticas para manter um nível de vida compatível. Quando se fala em consumo de energia, varias discussões entram em pauta. Hoje as principais são economia e meio ambiente. No Brasil medidas estão sendo tomadas com o intuito de colaborar contras as mudanças climáticas e ao mesmo trazer benefícios econômicos para o país. O PROCEL (Programa Nacional de Conservação da Energia Elétrica) e o CONPET (Programa Nacional de Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo e do Gás Natural) junto com o governo federal, realiza estudos visando à conservação do meio ambiente e o que isso pode render economicamente para o Brasil. Como exemplo, podemos citar o estudo feito para mensurar a quantidade de energia elétrica que foi poupada em ações realizadas e o quanto essa economia pode render em créditos de carbono a serem vendidos para países desenvolvidos. O PROCEL que foi criado em 1985 para orientar consumidores de energia, como o comercio, indústria e residências, para o uso racional de energia elétrica. Um dos principais objetivos e eliminar os desperdícios e reduzir custos. Os impactos por decisões e medidas de economia são grandes. Um exemplo a ser citado é a redução na liberação do metano ocasionada pela decomposição da vegetação prejudicada pela construção de novas usinas hidrelétrica, outro exemplo também, do dióxido e monóxido de carbono liberados por usinas térmicas. O CONPET criado em 1991 tem como intenção incentivar o uso eficiente do petróleo e gás natural no transporte, no comércio, na indústria, na agropecuária e nas residências. 9 A fonte de desperdício deriva do uso inadequado dos aparelhos e sistemas. Como exemplo, uma lâmpada acesa em uma sala sem ninguém acaba sendo um desperdício, pois luz não está servindo ao seu propósito de iluminação. Um dos mitos sobre o chuveiro elétrico é que eles consomem mais energia quando usado no horário de pico. Sabe-se que o chuveiro elétrico é um dos maiores consumidores de energia, sendo ideal evitar o horário de pico ou liga-lo no mesmo tempo que outros aparelhos elétricos estão em funcionamento. Mas o consumo de energia elétrica do chuveiro é igual em qualquer horário. No período de horário de pico, o sistema elétrico aumenta a sua capacidade de geração para atender a demanda. Nesse período o chuveiro consome 70% da geração de energia, o que representa um acréscimo de 34% sobre o consumo médio durante o dia, utilizando 10% da demanda nacional de energia. 1.4 Eficiência energética nos aparelhos domésticos A energia elétrica é usada em aparelhos simples como lâmpadas ou em sistemas complexos que encerram diversos outros equipamentos como geladeira, automóveis, etc. Esses aparelhos ou equipamentos transformam formas de energia. Uma parte dessa energia é perdida para o meio durante esse processo. Como exemplo podemos citar uma lâmpada que transforma a eletricidade em luz e calor, como o objetivo da lâmpada e iluminar, uma medida da sua eficiência é obtida dividindo a energia da luz pela energia elétrica usada pela lâmpada. Para demonstrar o uso inadequado das formas energia, o uso de uma lâmpada incandescente comum tem uma eficiência de 8%, ou seja 8% da energia elétrica usada é transformada em luz e o restante aquece o meio ambiente. A eficiência de uma lâmpada fluorescente compacta, que produz a mesma iluminação, é da ordem de 32%. O valor da lâmpada eficiente é entre 10 a 20 vezes mais caro do que a lâmpada comum, a decisão sobre qual delas comprar dependerá de fatores econômicos que consideram a vida útil de cada uma e a economia proporcionada na conta de luz. Gastos indiretos com energia elétrica são aqueles identificados como bens de consumo duráveis mas não essenciais para o bom funcionamento da casa, mas que promovem gastos de energia após a sua compra. Como exemplo temos programas de jogos de computador, cd’s, dvd’s, etc. 10 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA O uso de energias alternativas tem sido discutido de maneira cada vez mais ampla entre governos, organizações e sociedade, pois a questão ambiental tem sido colocada em pauta, na busca de energias limpas ou de energias que poluem menos o meio ambiente, pois o consumo atual de energia é acompanhado pela ameaça a degradação ambiental podendo-se chegar a casos irreversíveis ao meio ambiente. Com a questão do aquecimento global, e as alterações ambientais ocorridas ou que poderão ocorrer no planeta, pelo uso impensado da energia para o consumo ou pelo fato de que as principais fontes de energia mais utilizadas atualmente possuem uma utilização limite, pois a reserva de energia tem capacidade finita. Por esse motivo a sociedade tem-se preocupado em intervir nesses fatores em busca de energias alternativas limpas e de baixo consumo. Nos dias de hoje são consideradas energias alternativas ou energias renováveis as seguintes fontes de energia: • Eólica – aproveitamento da energia do ar em movimento (ventos); • Ondas – aproveitamento da energia das ondas dos oceanos; • Marés – aproveitamento das diferenças das alturas das águas dos oceanos causadas pelas marés para a geração de energia; • Geotérmica – aproveitamento do calor das rochas do interior da Terra (fontes termais, áreas vulcânicas, etc.) para a geração de energia; • Biomassa – aproveitamento de matéria orgânica de diversas origens para a geração de energia; • Solar – aproveitamento da energia proveniente do sol 2.1 Uso da energia solar Na busca por energias alternativas, a energia solar entra como uma das mais promissoras fontes de energia, sendo uma fonte de energia limpa e inesgotável, tendo como possibilidade as mais diversas utilizações. No caso do Brasil ou em países tropicais ou subtropicais essa radiação solar se faz presente em quantidade e qualidade para os seus diversos usos. Com as previsões da possível exaustão das reservas de petróleo ao redor do mundo, a desconfiança da sociedade em relação aos perigos da energia nuclear, a agressão ao meio ambiente pelo uso das energias utilizadas, a sociedade tem mudado o foco em relação os 11 estudos das fontes energéticas, realizando estudos e pesquisas em busca de uma energia limpa e econômica que não agrida ao meio ambiente. De acordo com Petrobrás (2006), “a energia solar é a fonte primordial de energia do planeta, uma vez que todas as formas de energia existentes são originadas da ação da radiação solar sobre a terra. Esta radiação, que incide sobre a superfície do planeta, é cerca de 10.000 vezes superior à demanda bruta de energia atual de humanidade. A energia solar para a geração térmica é uma tecnologia limpa, ainda pouco explorada no Brasil apesar do seu grande potencial. Quase todas as fontes de energia – hidráulica, biomassa, eólica, combustíveis fósseis e energia dos oceanos – são formas indiretas de energia solar. Além disso, a radiação solar pode ser utilizada diretamente como fonte de energia térmica, para aquecimento de fluídos e ambientes e para a geração de energia mecânica ou elétrica. A eficiência da geração de energia elétrica como uso da energia solar depende da intensidade da radiação do sol, que varia de acordo com as condições atmosféricas (nebulosidade, umidade relativa do ar, entre outros), da latitude local e da posição do tempo (hora e dia do ano). Enquanto uma superfície horizontal no sul da Europa Ocidental recebe por ano, em média, uma radiação de 1500 kWh/m², ou mais, e no norte a energia varia entre 800 kWh/m² e 1200 kWh/m², uma superfície no deserto do Saara recebe cerca de 2600 kWh/m² por ano, ou seja, duas vezes a média européia. O Brasil possui um ótimo índice de radiação solar, principalmente na região nordeste. No semi-árido estão os melhores índices, com valores típicos de 1752 kWh/m² a 2190 kWh/m² por ano de radiação incidente. Isso posiciona o local entre as regiões do mundo com maior potencial de energia solar. Essas especificidades, como clima quente e alto índice de insolação ao longo do ano, compõem um quadro altamente favorável ao aproveitamento em larga escala da energia solar”. Em sua tese, Oliveira (2007) cita, “o sol é a fonte energia que controla a circulação da atmosfera. O sol emite em forma de radiação eletromagnética, da qual uma parte é interceptada pelo sistema terra-atmosfera e convertida em outras formas de energia como, por exemplo, calor e energia cinética da circulação atmosférica. É importante notar que a energia pode ser convertida, mas não criada ou destruída. A energia solar não é distribuída igualmente sobre a terra. Esta distribuição desigual é responsável pelas correntes oceânicas e pelos ventos que, transportando calor dos trópicos para os pólos, procuram atingir um balanço de energia” ou seja, a energia que vem do sol é responsável por outras fontes de energia geradas no planeta, sendo um a fonte básica e indispensável para praticamente todas as fontes energéticas utilizadas pelo homem. 12 Essa importância da energia do sol se observa por vários aspectos como a evaporação, origem dos ciclos das águas, possibilitando o represamento e a conseqüente geração de eletricidade. Petróleo, carvão e gás natural foram gerados a partir de resíduos de plantas e animais que originalmente, obtiveram a energia necessária ao seu desenvolvimento, da energia da radiação solar. Como falado anteriormente a radiação solar induz a circulação atmosférica em larga escala, causando os ventos. A energia solar pode ser usada de diversas maneiras como na figura 2.1, onde um sistema montado na Califórnia, EUA que 405 hectares de espelhos controlados por computador superaquecem o óleo sintético a 390 °C, que gera vapor nas turbinas. Chegam a produzir até 275 megawatts de energia. Na figura 2.2, um forno solar na França, onde 9500 vidros individuais focaliza a energia solar para dentro da torre do coletor. A temperatura pode atingir a 3800 °C. Na figura 2.3, um exemplo de aquecedores solares de água com apoio a gás em São Paulo – Brasil. Um sistema de aquecimento utilizando os aquecedores de água a gás, quando energia solar não consegue atender a demanda de água quente. Figura 2.1 Sistema solar – Califórnia - EUA 13 Figura 2.2 Forno solar – França Figura 2.3 Aquecedores Solares – São Paulo – Brasil 14 2.1.1 A radiação solar A radiação é uma transformação de energia que ocorre duplamente: uma parte do calor de um determinado corpo com uma temperatura elevada ou maior se converte em uma energia radiante que se transfere para um outro corpo com uma temperatura mais baixa, onde ocorre uma absorção que depende proporcionalmente das propriedades da superfície que esta recebendo tal fonte, sendo novamente transformada em calor. Constantemente o sistema formado por Terra-atmosfera está recebendo a radiação solar e emitindo a sua própria radiação para o espaço. Esta radiação é importante para a transferência de calor entre a superfície da Terra-atmosfera e entre as diversas camadas atmosféricas. A terra recebe este tipo de transmissão de energia através do sol. Em seus ciclos de movimentos, a rotação que é a volta em torno do seu eixo é responsável pelo ciclo dia-noite, e a translação que se apresenta como o movimento da terra em sua órbita elíptica em torno do sol. Com esses ciclos de movimento existe uma variação na radiação solar recebidas na terra, que influenciam nas suas distâncias. A radiação do sol recebida na Terra, está envolvida com a ciclo de duração do dia e com a altura do sol. A altura do sol varia de acordo com a latitude, sendo a terra um planeta curvo. O planeta Terra, no seu movimento anual em torno do sol, ou seja a translação, na sua trajetória elíptica descreve um plano que é inclinado de aproximadamente de 23,5° com relação ao plano equatorial. Esta inclinação é responsável pela variação da elevação do sol no horizonte em relação à mesma hora ao, longo dos dias, dando origem as estações do ano e dificultando os cálculos do posicionamento do sol para determinadas datas. A posição angular do sol, ao meio dia solar, em relação ao plano do Equador é chamada de declinação solar (d). Este ângulo varia de acordo com o dia do ano, tendo os seguintes limites: -23,45° < d < 23,45° como pode ser visto na seguinte figura (Figura 2.4). 15 Figura 2.4 Órbita da terra em torno do sol, com seu eixo Norte-Sul inclinado de um ângulo de 23,5°. Fonte: CRESESB A intensidade da radiação solar é influenciada pelo posicionamento do sol em relação a sua altura, gerando a irradiância. De acordo com Oliveira (2007), a irradiância “é a quantidade de energia que atinge uma área unitária por unidade de tempo (também chamada de densidade de fluxo), de duas maneiras. Primeiro, quando os raios solares atingem a Terra verticalmente, eles são mais concentrados. Quando menor a altura, mais espalhada e menos intensa a radiação” (Figura 2.5). 16 Figura 2.5 Variação da altura do sol com a latitude. Fonte: Oliveira (2007) “Segundo, a altura do sol influencia a interação da radiação solar com a atmosfera. Se a altura do sol decresce, o percurso dos raios solares através da atmosfera cresce (Figura 2.6) e a radiação solar sofre mais absorção, reflexão ou espelhamento, o que reduz sua intensidade na superfície” de acordo com Oliveira (2007). Figuras 2.6 Variação na altura do sol causam variações na quantidade de energia solar que atinge a Terra. Fonte: Oliveira (2007) 17 2.2 Vantagens e desvantagens da energia solar Sendo o sol uma fonte inesgotável de energia, torna-se uma das alternativas energéticas para o futuro. Dentre as vantagens pode-se citar que a energia é renovável a cada dia, permanente e abundante. Além do mais a energia solar soma características positivas para o meio ambiente, pois o sol, trabalhando com um imenso reator a fusão, irradia na terra um potencial energético extremamente elevado e incomparável a qualquer outro sistema de energia. Logo abaixo as principais vantagens do uso da energia solar: • Energia limpa, não poluente, importante para a preservação do meio ambiente • Abundante na natureza • Energia acessível na maior parte do planeta • Uma energia barata para a sua utilização • Baixo custo em sistemas, turbinas ou geradores para a produção de energia elétrica. • Sustentabilidade Fazendo uma comparação com outras formas de energia de acordo com o Portal Ambiente Brasil “Para cada metro quadrado de um coletor solar instalado evita-se a inundação de 56 metros quadrados de terras férteis, na construção de novas usinas hidrelétricas.” Comparando ainda com outras formas de energia utilizadas no Brasil, “a parte do milionésimo de energia solar que nosso país recebe durante o ano poderia nos dar um suprimento de energia equivalente a 54% do petróleo, duas vezes a energia obtida pelo carvão mineral ou quatro vezes a energia gerada no mesmo período por uma usina hidrelétrica.” Uma das principais desvantagens da energia solar seria a exigência de altos investimentos para as pesquisas e estudos e consequentemente para o seu aproveitamento, sendo que o seu estágio tecnológico é inferior em comparação às outras fontes de energia em uso. Outra desvantagem é que em algumas partes do mundo essa energia seria pouco útil, pela baixa incidência dos raios solares nessas regiões em certas épocas do ano. Existem atualmente duas formas de aproveitamento da energia solar a energia solar Fototérmica e a energia solar Fotovoltaica. 18 2.2.1 Energia solar fototérmica A energia solar fototérmica está diretamente ligado na quantidade de energia que um corpo determinado é capaz de absorver, em forma de calor, a partir da radiação incidente do mesmo. Captar e armazenar essa forma de energia é uma das implicações de sua utilização. Os coletores solares são equipamentos que tem como objetivo específico à utilização da energia solar fototérmica. Esses coletores servem para aquecer os fluídos, podendo ser líquidos ou gasosos, sendo esses coletores classificados em coletores concentradores e coletores planos em função da existência ou não de dispositivos da concentração da radiação solar. O fluído aquecido por este sistema é mantido em reservatórios isolados termicamente para a utilização desse fluído aquecido. Os coletores solares planos são largamente utilizados para o aquecimento de água em residências, hotéis, hospitais, etc. 2.2.2 Energia solar fotovoltaica A energia solar fotovoltaica é a energia da conversão direta da luz em eletricidade. Esse efeito fotovoltaico ocorre com o aparecimento de uma diferença de potencial nos extremos de uma estrutura de material semicondutor, produzida pela absorção da luz. A célula fotovoltaica é a unidade fundamental do processo de conversão. A conversão de energia solar em energia elétrica foi verificado pela primeira vez por Edmond Becquerel em 1839. O efeito fotovoltaico da-se em materiais da natureza denominados semicondutores que se caracterizam pela presença de bandas de energia onde é permitido a presença de elétrons (banda de valência) e de outra totalmente “vazia” (banda de condução). O semicondutor mais utilizado é o silício A tecnologia fotovoltaica está se tornando cada vez mais competitiva, porque seus custos estão diminuindo levando em conta os fatores dos impactos ambientais, sendo considerado a avaliação dos custos de outras formas de geração de energia, exploradas atualmente, está se tornando mais real. Atualmente o grande desafio e o grande empecilho da indústria para a difusão dos sistemas fotovoltaicos em larga escala é o custo das células solares. As facilidades de um sistema fotovoltaico tais como: modularidade, baixos custos de manutenção e vida útil longa, são de grande importância para as instalações em lugares desprovidos da rede elétrica. 19 Sendo o Brasil um país com uma quantidade de radiação solar abundante como observamos item 2.1.2, a geração elétrica por conversão fotovoltaica teve um impulso notável, através de projetos privados e governamentais, atraindo o interesse de fabricantes pelo mercado brasileiro. O sistema fotovoltaico vem sendo utilizados em instalações remotas possibilitando vários projetos sociais, na agricultura, na irrigação e nas comunicações. 2.3 Histórico da energia solar De acordo com Bezerra em A energia solar – Sua contribuição na História da humanidade, a utilização da energia solar para diversas aplicabilidades vem de datas remotas A Arquimedes, físico e matemático, foi-lhe atribuída à construção dos primeiros coletores solares que se tem noticia no ano de 212 AC. Existe uma lenda relatando que Arquimedes teria usado a energia solar como uma arma militar contra uma frota de navios romanos, empregando um conjunto de espelhos, dirigindo à radiação incidente em direção as velas dos navios romanos. Em outra versão relata que em Arquimedes não utilizou de espelhos, mas sim os escudos dos soldados devidamente polidos. A história registra que no Século I, Herão de Alexandria havia construído um dispositivo solar para o bombeamento de água empregando como fonte térmica de calor emanado do sol. Em 1615 o engenheiro francês Salomon de Caux construiu um caldeira solar, sendo esta a primeira escrita da conversão em energia solar em energia mecânica. Um registro feito sobre o aproveitamento científico da energia solar é de 1747 do francês Georges de Buffon, pela qual ele descrevia a construção de um dispositivo compostos por vários espelhos concentradores que promoviam o derretimento da prata e do chumbo. As primeiras experiências para entender melhor a capacidade da energia solar de aquecer a água foram documentadas em 1767 pela suíço Horace de Saussure, que fez experiências com uma caixa revestida com isolamento térmico, chamada de “caixas quentes solares”. Os coletores feitos por Horace eram capazes de alcançar temperaturas de até 101°C. Em 1839 Edmond Becquerel verificou pela primeira vez a conversão da energia solar em energia elétrica onde se constatou uma diferença de potencial dos extremos de uma estrutura de material semicondutor quando exposto a luz, como descrito no tópico 2.2.2. Em 1876 foi montado o primeiro aparato fotovoltaico, sistema de conversão da energia solar em energia elétrica, resultado de estudos das estruturas do estado sólido. 20 Segundo relata a história, deve-se a C. Gunter o pioneirismo da produção de vapor via energia solar. Entre os anos de 1854 a 1873, C. Gunter montou um sistema de espelhos de forma parabólica cuja radiação solar incidente dava origem a um foco linear no qual encontrava uma caldeira rudimentar formada por um tubo com água. Este conjunto era deslocado manualmente para acompanhar o movimento aparente do sol. Em 1860 a 1878 foi a vez de Auguste B. Mouchot, que construiu diversas caldeiras solares. No ano de 1875 realizou as primeiras aplicações da energia solar para o bombeamento de água. Mouchot foi o pioneiro em refrigeração com o emprego da energia solar, utilizando um ciclo de absorção água-amônia, descoberto em 1828 por Michael Faraday. Nos anos de 1870 a 1884 foi a vez do engenheiro sueco John Ericson, contribuiu com a construção de engenhos solares, alguns a vapor e outros a ar quente. As primeiras aplicações em grande escala da energia solar começaram em 1901. Aubreu G. Enéas desenvolveu diversos sistemas solares para o bombeamento de água em Passadena estado da Califórnia. Em meados de 1906 Frank Shuman construiu painéis solares utilizando coletores planos. No desenvolvimento dos aquecedores de água, em meados de 1891 o norte-americano Clarence Kemp patenteou um aquecedor composto por tanque de cobre que ficavam dentro de uma caixa de madeira, com isolamento térmico e vidro na cobertura, o único ponto negativo deste sistema era em relação ao período da noite, pois o calor dissipava-se neste período. O avanço deste sistema veio em 1909 com também norte-americano, William Bailey que resolveu os problemas relacionados ao armazenamento de água quente. Ele utilizou-se de coletores constituídos de caixa de madeira, uma placa absorvedora feita de cobre que transmitia calor para as tubulações com isolamento térmico na cobertura feita de vidro, o maior diferencial deste sistema era a separação entre o equipamento que coletava a energia solar e outro que armazenava. Sendo isolado o tanque de armazenamento, o sistema era capaz de manter temperaturas aquecidas da água até o período da noite. Em 1911 foi fundada em Londres a empresa denominada Sun Power Company, que no ano de 1913 inaugurou o primeiro grande sistema solar de irrigação as margens do rio Nilo em Meadi perto da cidade do Cairo. Em 1950 surgiu um fato novo e importante para a energia solar, descobriu-se que certos materiais denominados de semicondutores tinham propriedade de gerar eletricidade quando exposto à luz solar. 21 No ano de 1955 foi apresentado à geração de eletricidade com a utilização de células fotovoltaicas, fato ocorrido na cidade de Phoenix estado do Arizona. A partir deste período vários projetos entrava em operação. Na França no ano de 1979 os projetos THEMIS, o INTA 800, o THEK-CNRS e o PERICLES. Nos Estados Unidos o projeto Geórgia TECH, o projeto SANDIA, e o projeto BARSTON. A Itália contribuiu com o projeto CHEN. Na Espanha o projeto TABERNA, o projeto ANDALUZIA e a central solar elétrica em Manzanares, que começou a operar em 1982. Em 1984 o inventor francês Raymond Deglorard desenvolveu um coletor solar feito totalmente de plástico, destinado a aquecer piscinas ou reservatórios de água, flutuando sobre a liquido a ser aquecido. Essa invenção possui uma placa absorvedora e apenas uma cobertura de plástico transparente. Esse sistema conhecido também como coletor solar inflável. As pesquisas e estudos em aproveitamento da energia solar sofreram neste período de 1615 até os dias atuais seus altos e baixos, em conseqüência da descoberta do petróleo. Como exemplo, no ano 1856 com a perfuração do primeiro poço de petróleo as margens do rio Oil Creek em Titusville, sendo descoberto a partir deste momento uma fonte de energia versátil e abundante e com facilidade de utilização e transporte, rapidamente se solidificou no contexto energético mundial de tal forma que contribuiu para uma desativação dos estudos e pesquisas em energia solar. Mas com a descoberta dos semicondutores em 1950, a energia solar foi aplicada de forma significativa, e com a crise energética nos anos 70, onde o preço do barril do petróleo quadruplicou e com estudos e estatísticas da época, que sinalizavam para uma curva em declínio das reversas petrolíferas em virtude das explorações sempre crescente para atender à demanda energética mundial. Em virtude desses fatos o mundo industrializado retomou as pesquisas e estudos na busca do desenvolvimento de alternativas energéticas. Entrando em cena a energia solar, surgiram então os projetos que entravam em operação com o objetivo de usar a energia solar para a geração de energia, como já citado anteriormente. No Brasil em termos de aquecedores solares, os primeiros a surgirem foi nos anos 70, fruto da crise do petróleo. Esse produto começou a ganhar destaque nos anos 80, sendo realizados testes de equipamentos e as primeiras normas da ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas. 22 3. METOLOGIA Este trabalho pretende apresentar um estudo comparativo quanto ao aquecimento de água usando de três diferentes fontes de energia, energia solar, energia a gás e energia elétrica. 3.1 Comparações entre os sistemas de aquecimento de água O principal objeto de estudo deste trabalho, consistiu nas comparações entre os principais e mais utilizados sistemas de aquecimento de água residencial. • Aquecimento Elétrico • Aquecimento a Gás • Aquecimento Solar Nestes três sistemas utilizou-se no estudo o aquecimento de água por acumulação. Foi realizada uma comparação com o uso do chuveiro elétrico na residência. Nesta comparação utilizou-se a Norma NBR 7198/1993 para o projeto e execução de instalações prediais de água quente. A Norma NBR 7198/1993 tem como objetivo: 1.1 Fixar as exigências técnicas mínimas quanto à higiene, à segurança, à economia e ao conforto dos usuários, pelas quais devem ser projetadas e executadas as instalações prediais de água quente. 1.2 Esta Norma se aplica ás instalações prediais de água quente para uso humano, cuja temperatura seja , no máximo, 70 °C. Quanto ao ponto de utilização para o uso humano, de acordo com a NBR 7198/1993 estabelece que a temperatura da água não deva ultrapassar os 40 °C visando proporcionar conforto e segurança ao usuário. 3.1.1 Objeto de Estudo Para este estudo, foi realizada a comparação em uma residência familiar para 5 pessoas, apresentando o consumo de água quente para esta residência. E o gasto apresentado em quantidade de energia em cada sistema de aquecimento de água, sendo apresentado o custo individual a cada tipo. Será utilizado como parâmetro a temperatura média mensal do estado de São Paulo, de acordo com a tabela abaixo. 23 Temperaturas médias no Estado de São Paulo (°C) Temperaturas 24,0 22,0 20,0 18,0 16,0 Ju lh o Ag os to Se te m br o O ut ub ro No ve m br De o ze m br o Ju nh o ai o M Ab ril Ja ne i Fe ro ve re ir o M ar ço 14,0 Meses Figura 3.1 Gráfico climatológico da temperatura média no estado de São Paulo. Fonte: CPTEC 3.1.2 Equações Principais • Determinação do volume a ser reservado tq ⋅ Vq + tf ⋅ Vf = tm ⋅ Vm (1) Onde: tq = temperatura da água quente no aquecedor tf = temperatura da água fria tm = temperatura da água misturada no aparelho de uso Vq = volume de água quente no aquecedor, isto é, capacidade do aquecedor Vf = volume de água fria misturada no aparelho Vm = volume misturado no aparelho de uso Sendo que: tq = 70 °C tf = 15 °C (no inverno) tm = 42,7 °C (valor médio) Os valores acima mencionados de temperaturas são utilizados para o dimensionamento do reservatório. Para o cálculo real dos volumes de água utilizar as temperaturas médias do estado de São Paulo de acordo com o gráfico da figura 3.1. Substituindo estes valores na equação do volume reservado obtém-se: 24 70 ⋅ Vq + 15 ⋅ Vf = 42,7 ⋅ Vm (2) Mas: Vq + Vf = Vm Obtém-se como equação da determinação do volume a ser reservado: Vq = 0,504 ⋅ Vm • (3) Quantidade necessária para elevar a temperatura da água G = V ⋅ c ⋅ (Tf - Ti) (4) Na qual: G = quantidade de calor, em (kcal); V = volume de água, (litros); c = (1 kcal/kg . °C) - calor específico da água, em (kcal/kg . °C ); t = temperatura final, em (°C); t0 = temperatura inicial, em (°C); • Quantidade de calor nominal ou bruta Gb = G / η (5) Na qual: Gb = quantidade de calor nominal ou bruta (kcal); G = quantidade de calor, em (kcal); η = rendimento do sistema produtor de água quente • Equivalências entre unidades diversas 1 kWh = 860 kcal 3.1.3 Sistemas de aquecimento 3.1.3.1 Aquecedores elétricos de acumulação (boilers) Os aquecedores elétricos de acumulação, conhecidos também como boilers, são constituídos de um recipiente interno de cobre que irá conter água; de um recipiente externo, de chapa de aço soldada; de uma camada de material isolante, como lã de vidro, colocada entre os dois recipientes. 25 No interior do recipiente interno são dispostas uma ou mais resistências elétricas que funcionam a seco, colocadas em um tubo de cobre, do qual são isoladas por separadores e buchas de porcelana. Os aquecedores de acumulação possuem um termostato ou termorregulador, que mantém automaticamente a água a uma temperatura dentro dos limites estabelecidos. Para efetuar o cálculo utiliza-se o seguinte procedimento: 1) Obtém-se primeiramente o consumo de água quente por pessoa; 2) Determina-se a quantidade de pessoas; 3) Obtém-se o calculo do consumo diário de água quente multiplicando o consumo por pessoa pelo número de habitantes; 4) Utilizando a equação da determinação do volume reservado, equação (3), calcula-se o volume de água quente; 5) Através do resultado da equação em volume de água a 70 °C tira-se a capacidade do aquecedor elétrico e a potência; 6) Com a equação para o calculo da quantidade da água para elevar a temperatura da água, equação (4), acha-se a quantidade de calor em (kcal) necessária para aquecer água da temperatura (Ti) para a temperatura (Tf); 7) Utilizando a equação da quantidade calor nominal ou bruta, equação (5), considerando um rendimento de 90%, achando a quantidade de calor em (kcal); 8) Tendo o valor em (kcal) transforme em (kWh). 3.1.3.2 Aquecedores de acumulação a gás A seleção do aquecedor de acumulação a gás é feita consultando catálogos de fornecedores, a partir do conhecimento do consumo de água quente. O tipo de gás utilizado para o nosso estudo será o gás natural (GN) com poder calorífico de 11800 kcal/kgf ou 9230 kcal/m³. O valor a ser utilizado neste estudo será de 9230 kcal/m³, valor recomendado pela NBR 13933/97 para o GN. O poder calorífico de uma substancia é a quantidade de calor desenvolvida pela combustão completa da unidade de volume ou massa desta substancia, estando ela e o comburente nas condições normais de temperatura e pressão, sendo os produtos da combustão trazidos ás mesmas condições. Para a realização dos cálculos realiza-se o seguinte procedimento: 26 1) Determina o consumo de água quente por pessoa na residência; 2) Determina o numero de pessoas na residência; 3) Calcula-se o consumo diário de água quente multiplicando o consumo de água quente por pessoa pelo numero de pessoas; 4) Calcula-se o volume de água quente usando a equação (3), para substituí-la na equação (1), na determinação do volume a ser reservado; 5) Calcular a quantidade de calor necessária para elevar a temperatura da água de Ti para Tf em kcal de acordo com a equação (4); 6) Obtém-se a quantidade de calor bruta para um rendimento de 83 %, valor obtido em kcal, de acordo com a equação (5); 7) Calcula-se a quantidade de energia através do poder calorífico do gás natural em m³/dia. 3.1.3.3 Aquecedores de acumulação solar De acordo com Coiado (2006) essas instalações podem ser classificadas em: • Simples • Mista sem retorno • Mista com retorno 3.1.3.3.1 Instalações simples As instalações simples de aquecimento de água com energia solar constam essencialmente das seguintes partes: • Um coletor solar que absorve a energia radiante dos raios do sol aquecendo-se e transferindo este calor para a água contida em um conjunto de tubos que constituem uma espécie de serpentina; • Um reservatório de acumulação para a água quente; • Tubos e acessórios. 3.1.3.3.2 Instalações mistas sem retorno Para uma melhor condição da temperatura da água em períodos longos de pouco sol ou bastante nublados, podendo-se introduzir resistências elétricas no reservatório de água quente. 27 3.1.3.3.3 Instalações mistas com retorno Este tipo de instalação é constituído dos seguintes elementos: • Coletor solar; • Reservatório de água quente; • Reservatório de água fria; • Bomba de circulação da água quente, sistema descendente; • Bomba empregada eventualmente na circulação da água entre o coletor solar e o reservatório de água quente; • Válvula de segurança; • Aquecedor auxiliar a eletricidade ou a gás. 3.1.3.3.4 Dimensionamento do coletor solar Para realizar os cálculos efetua-se da seguinte maneira: 1) Determinar o consumo de água quente misturada por pessoa na residência; 2) Determina-se a quantidade de água na temperatura do aquecedor (tq), utilizando a equação (3); 3) Calcular a quantidade de calor necessária em kcal, utilizando a equação (4); 4) Obter a área do coletor com seguinte equação: S= GD Ι ⋅η (6) Na qual: GD = quantidade de calor necessária em kcal/dia; Ι = intensidade da radiação solar, em kWh/m² ou kcal.h/m² Na região centro-sul do Brasil o tempo de insolação é de 6,5 horas a 7 horas diárias. Para 7 horas encontraremos: I = 4200 kcal/m².dia η = rendimento do aproveitamento da energia por painel, de acordo com Coiado (2006), para fins práticos pode assumir um valor de 50%; S = área do aquecedor solar, m²; 28 4. ESTUDO DO CASO 4.1 Energia consumida entre os sistemas 4.1.1 Dimensionamento - Elétrico - Por Acumulação Consumo de água quente por pessoa 45 l/dia (por pessoa) Número de pessoas 5 pessoas na residência Consumo diário de água quente Cd = número de pessoas × consumo (l/dia ) Cd = 225 l/dia Volume de água quente a 70° C eq.(3) Vq = 0,504 × Vm Vm = Cd Vq = 113,40 l Capacidade do aquecedor elétrico e a potência De acordo com o quadro para aquecedores elétricos de acumulação,citado em Coiado 2006 pág. 185, para 113,4 litros de água a 70° C obtém-se o aquecedor com capacidade de 100 litros com potência de 1KW. Quantidade de calor necessário para elevar a temperatura da água de 15° C para 70° C eq.(4) G = V ⋅ c ⋅ (Tf - Ti ) onde : c = 1kcal/kg °C Tf = 70°C Ti = 15°C V = 113,40 l G = 6237 kcal 29 Quantidade de calor bruta para um rendimento de 90% eq.(5) Gb = G/0,90 Gb = 6930 kcal Quantidade de energia 1 kWh = 860 kcal x = 6930 kcal x = 8,06 kWh/dia 4.1.2 Dimensionamento - a gás - Acumulação Consumo de água quente por pessoa 45 l/dia (por pessoa) Número de pessoas 5 pessoas na residência Consumo diário de água quente Cd = número de pessoas × consumo (l/dia ) Cd = 225 l/dia Volume de água quente a 70° C eq.(1) Tq ⋅ Vq ⋅ Tf ⋅ Vf = Tm ⋅ Vm mas : 225 = Vq + Vf Vf = 225 - Vq substituindo na equação anterior eq. (2) 70 ⋅ Vq + 15 ⋅ (225 - Vq ) = 42,70 ⋅ 225 70 ⋅ Vq + 3375 - 15 ⋅ Vq = 9607,50 70 ⋅ Vq - 15 ⋅ Vq = 9607,50 - 3375 55 ⋅ Vq = 6232,50 Vq = 113,32 l Vq = 113,50 l 30 Quantidade de calor necessária para elevar a temperatura da água de 15°C para 70°C eq.(4) G = V ⋅ c ⋅ (Tf - Ti ) onde : c = 1 kcal/kg °C Tf = 70 °C Ti = 15 °C G = 6242,50 kcal Quantidade de calor bruta para um rendimento de 83% eq. (5) Gb = G/0,80 Gb = 7521,10 kcal Quantidade de energia o poder calorífico do GN vale 9230 kcal/m 3 = 7521,10 kcal 9230 kcal/m 3 = 0,81 m 3 1 kWh = 860 kcal x = 7521,10 kcal x = 8,75 kWh/dia 4.1.3 Dimensionamento - Solar - Acumulação Consumo de água quente por pessoa 45 l/dia (por pessoa) Número de pessoas 5 pessoas na residência Consumo diário de água quente Cd = número de pessoas × consumo (l/dia ) Cd = 225 l/dia 31 Volume de água quente a 70° C eq.(3) Vq = 0,504 × Vm Vm = Cd Vq = 113,40 l Quantidade de calor necessária eq.(4) G = V ⋅ c ⋅ (Tf - Ti ) onde : c = 1kcal/kg °C Tf = 70°C Ti = 15°C V = 113,40 l G = 6237 kcal Área do coletor solar eq.(6) S = Gp/ (Ι ⋅ η ) onde : Ι = 4200 kcal/m 2 × dia η = rendimento do aproveitamento da energia por painel = 50 % S = 2,97 m 2 S = 3,00 m 2 usando-se coletor solar de 1,05 m2 utilizaremos 3 coletores solares, sendo assim At = 3,15 m2 Quantidade de energia G = Gp = 6327 kcal 1 kwh = 860 kcal x = 6237 kcal x = 7,25 kWh/dia 4.2 Comparação dos resultados Na tabela 4.1 os valores mensais da energia consumida em cada sistema com as temperaturas médias de cada mês no estado de São Paulo. Em seguida uma apresentação em gráfico (Gráfico 4.1) das comparações entre os sistemas. 32 Tabela 4.1 Energia consumida entre os sistemas de aquecimento de água Mês Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Energia consumida (kWh/mês) Temperatura Média (°C) Elétrico a Gás Solar 22,0 158,23 171,73 142,41 23,0 149,44 162,19 134,50 22,0 158,23 171,73 142,41 20,0 175,21 190,81 158,23 17,5 197,79 214,66 178,01 16,5 206,58 224,20 185,92 16,0 210,98 228,97 189,88 17,0 202,19 219,43 181,97 18,0 193,40 209,89 174,06 19,0 184,60 200,35 166,14 20,5 171,42 186,04 154,28 21,0 167,02 181,27 150,32 Comparação da Energia Consumida entre os Sistemas Energia Consumida (Kwh) 250 200 150 Elétrico a Gás 100 Solar 50 os to Se tem br o Ou tu br o No ve m br o De ze m br o ho Ag Ju l ho Ju n o ai M r il Ab M ar ço re ve Fe Ja n eir o ir o 0 Meses Gráfico 4.1 Comparação da energia consumidas entre os sistemas 4.3 Custo operacional entre os sistemas Serão apresentados os custos de cada sistema em tabelas, e uma comparação de custos em doze meses e custo inicial entre os três sistemas em gráficos. Logo em seguida a equação para a temperatura final. 33 Tf = (Tm ⋅ 2 ) - Ti (7) onde : Tf = temperatura final Tm = temperatura média 40 °C (de acordo com a NBR 7198/93) Ti = temperatura inicial 4.3.1 Elétrico Quantidade de calor necessário para elevar a temperatura da água eq.(4) G = V ⋅ c ⋅ (Tf - Ti ) onde : c = 1 kcal/kg ⋅ °C Tf = 59,0 °C Ti = 21,0 °C → Dezembro V = 113,40 l G = 4309,20 kcal Quantidade de calor bruta para um rendimento de 90% Gb = G / 0,90 (8) Gb = 4788 kcal Quantidade de energia 1 kWh = 860 kcal x = 4788 kcal x = 5,57 kWh/dia = 167,02 kWh/mês Valor em R$ 1 kWh = R$ 0,3368 ≈ R$ 0,34 A tarifa/preço a ser utilizada é de R$ 0,3368 para cada kWh, de acordo com a tarifa da CPFL na cidade de Jundiaí.. Na tabela 4.2 são apresentadas às temperaturas médias mensais (°C) os valores da energia consumida em cada mês com os respectivos valores em R$. 34 Tabela 4.2 Energia consumida ao mês do sistema elétrico Temperatura Média Mês °C Janeiro 22,0 Fevereiro 23,0 Março 22,0 Abril 20,0 Maio 17,5 Junho 16,5 Julho 16,0 Agosto 17,0 Setembro 18,0 Outubro 19,0 Novembro 20,5 Dezembro 21,0 Energia consumida kWh/mês 158,23 149,44 158,23 175,21 197,79 206,58 210,98 202,19 193,40 184,60 171,42 167,02 Total Valor em R$ 53,80 50,81 53,80 59,57 67,25 70,24 71,73 68,74 65,76 62,76 58,28 56,79 739,53 Na tabela 4.3 são apresentados os valores mensais (R$) da energia consumida, os valores de implantação (R$) e os valores de custos (R$) divido por 12 meses e os valores totais (R$). O valor de implantação corresponde a um aquecedor elétrico horizontal por acumulação de125 litros da Cumulus. Tabela 4.3 Custo operacional do sistema elétrico Mês Valor em R$ Janeiro 53,80 Fevereiro 50,81 Março 53,80 Abril 59,57 Maio 67,25 Junho 70,24 Julho 71,73 Agosto 68,74 Setembro 65,76 Outubro 62,76 Novembro 58,28 Dezembro 56,79 Total 739,53 Implantação (R$) 180,74 180,74 180,74 180,74 180,74 180,74 180,74 180,74 180,74 180,74 180,74 180,74 2168,88 Total (R$) 234,54 231,55 234,54 240,31 247,99 250,98 252,47 249,48 246,50 243,50 239,02 237,53 2908,41 35 4.3.2 A Gás Quantidade de calor necessária para elevar a temperatura da água eq.(4) G = V ⋅ c ⋅ (Tf - Ti ) onde : c = 1 kcal/kg ⋅ °C Tf = 59,0 °C Ti = 21,0 °C → Dezembro V = 113,40 l G = 4313 kcal Quantidade de calor bruta para um rendimento de 83% Gb = G/0,83 (9) Gb = 5196,40 kcal Quantidade de energia o poder calorífico do GN vale 9230 Kcal/m³ 0,56 m³ por dia 1 kWh = 860 kcal x = 5196,40 kcal x = 6,04 kWh/dia = 181,27 kWh/dia Valor em R$ R$ 13,78 = 1m³/mês Fonte: CSPE O valor de implantação corresponde ao aquecedor a gás GN por acumulação vitrificado de 150 litros. Na tabela 4.4 são apresentados às temperaturas médias mensais (°C), com a energia consumida em kWh/mês transformada em kcal/mês sendo transformado e m³/mês com o seu respectivo valor de consumo (R$). 36 Tabela 4.4 Energia consumida ao mês do sistema a gás Mês Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Energia Energia Temperatura consumida Consumida Consumo Média °C kWh/mês Kcal/mês em m³/mês 22,0 171,73 147687,80 16,00 23,0 162,19 139483,40 15,11 22,0 171,73 147687,80 16,00 20,0 190,81 164096,60 17,78 17,5 214,66 184607,60 20,00 16,5 224,20 192812,00 20,89 16,0 228,97 196914,20 21,33 17,0 219,43 188709,80 20,45 18,0 209,89 180505,40 19,56 19,0 200,35 172301,00 18,67 20,5 186,04 159994,40 17,33 21,0 181,27 155892,20 16,89 Total Consumo em R$/mês 220,49 208,24 220,49 244,99 275,61 287,86 293,98 281,74 269,49 257,24 238,86 232,74 3031,74 Na tabela 4.5 são apresentados os valores do consumo mensal (R$), os valores de implantação (R$), o total entre os valores mensais de consumo e implantação dividido por 12 meses e os valores totais da sistema (R$). Tabela 4.5 Custo operacional do sistema a gás Mês Consumo em R$/mês Janeiro 220,49 Fevereiro 208,24 Março 220,49 Abril 244,99 Maio 275,61 Junho 287,86 Julho 293,98 Agosto 281,74 Setembro 269,49 Outubro 257,24 Novembro 238,86 Dezembro 232,74 3031,74 Implantação R$ 184,99 184,99 184,99 184,99 184,99 184,99 184,99 184,99 184,99 184,99 184,99 184,99 2219,88 Total (R$) 405,48 393,23 405,48 429,98 460,60 472,85 478,97 466,73 454,48 442,23 423,85 417,73 5251,62 37 4.3.3 Solar Quantidade de calor necessária eq.(4) G = V ⋅ c ⋅ (Tf - Ti ) onde : c = 1 kcal/kg ⋅ °C Tf = 59,0 °C Ti = 21,0 °C → Dezembro V = 113,40 l G = 4309,20 kcal Quantidade de energia Gp = 4309,20 kcal 1 kWh = 860 kcal x = 4309,20 kcal x = 5,01 kWh/dia = 150,32 kWh/mês Na tabela 4.6 são apresentados às temperaturas médias mensais (°C) com a energia consumida em cada mês e o seu custo de implantação e manutenção em seu primeiro ano de utilização do sistema Tabela 4.6 Energia e custo operacional do sistema solar Temperatura Média °C Mês Janeiro 22,0 Fevereiro 23,0 Março 22,0 Abril 20,0 Maio 17,5 Junho 16,5 Julho 16,0 Agosto 17,0 Setembro 18,0 Outubro 19,0 Novembro 20,5 Dezembro 21,0 Energia consumida kWh/mês 142,41 134,50 142,41 158,23 178,01 185,92 189,88 181,97 174,06 166,14 154,28 150,32 Total Custo de Implantação e Manutenção /12 (R$) 343,09 343,09 343,09 343,09 343,09 343,09 343,09 343,09 343,09 343,09 343,09 343,09 4117,08 38 4.3.4 Comparação de custos entre os sistemas Na tabela 4.7 a comparação dos custos em R$ entre os sistemas, sendo apresentado no gráfico 4.1 essa comparação mensal, sendo contabilizado o valor da implantação dos sistemas, podendo esse valor variar na utilização nos anos seguintes. No gráfico 4.2 é apresentado o custo inicial dos sistemas em seu primeiro ano de utilização. Tabela 4.7 Custos iniciais e de implantações entre os sistemas Mês Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Total Valores em R$ Elétrico a Gás 234,55 405,49 231,56 393,24 234,55 405,49 240,32 429,99 247,99 460,61 250,99 472,86 252,48 478,98 249,49 466,74 246,51 454,49 243,51 442,24 239,03 423,86 237,54 417,74 Solar 343,09 343,09 343,09 343,09 343,09 343,09 343,09 343,09 343,09 343,09 343,09 343,09 2908,52 5251,73 4117,08 Custo inicial Valores (R$) 600,00 500,00 400,00 Elétrico 300,00 a Gás 200,00 Solar 100,00 Ja n Fe ei r ve o re ir M o ar ço Ab ri l M ai Ju o nh o Ju lh Ag o Se os t e to m O bro u N tub ov ro e D mb ez ro em br o 0,00 Meses Gráfico 4.2 Custo mensal de implantação dos sistemas 39 No gráfico 4.3 a demonstração do custo inicial entre os sistemas de aquecimento de água. Custo Inicial 6000,00 5000,00 4000,00 3000,00 2000,00 1000,00 0,00 Elétrico a Gás Solar Valores em (R$) Gráfico 4.3 Custo inicial dos sistemas de aquecimento de água Na tabela 4.8 a comparação entre os sistemas após um ano de implantação. Verifica-se somente os valores de consumo de energia no caso do sistema elétrico e a gás, e manutenção no caso do sistema solar. No gráfico 4.4 a demonstração dos custos mensais entre os sistemas. Tabela 4.8 Custo operacional entre os sistemas de aquecimento de água Mês Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Total Valores em R$ Elétrico a Gás 53,80 220,49 50,81 208,24 53,80 220,49 59,57 244,99 67,25 275,61 70,24 287,86 71,73 293,98 68,74 281,74 65,76 269,49 62,76 257,24 58,28 238,86 56,79 232,74 Solar 41,70 41,70 41,70 41,70 41,70 41,70 41,70 41,70 41,70 41,70 41,70 41,70 739,53 3031,74 500,40 40 350,00 300,00 250,00 200,00 150,00 100,00 50,00 0,00 Elétrico a Gás Solar Ja n Fe ei ro ve re iro M ar ço Ab ril M ai o Ju nh o Ju lh Ag o Se osto te m b O ro ut N ubr ov o em D ez b r o em br o Valores (R$) Custo Mensal Meses Gráfico 4.4 Custo entre os sistemas após um ano da implantação No custo mensal do sistema solar, depois da implantação e um ano de utilização, está incluída a manutenção do sistema, como limpeza das placas solares, verificação dos dutos e etc. Esta manutenção é realizada anualmente, sendo que na tabela 4.8 o seu valor total foi dividido em doze meses. Este valor pode variar de acordo com a sua utilização e manutenção, podendo-se chegar a custo quase zero. No sistema elétrico e no sistema a gás utilizou-se na tabela 4.8 os valores correspondentes ao preço do consumo da energia elétrica (kWh/mês) e energia a gás (m³/mês) nos tópicos 4.3.1 e 4.3.2 respectivamente. 4.4 Comparação com o aquecimento instantâneo do chuveiro elétrico Usaremos como referência a mesma comparação feita anteriormente de uma residência familiar para 5 pessoas e a temperatura média mensal do estado de São Paulo. Será utilizado o seguinte parâmetro: • Chuveiro elétrico para 0,10 l/s Sendo que para 15min./banho/pessoa = 0,10 l/s ⋅ 900 s = 90 l/pessoa/dia 41 Numa residência de 5 pessoas o volume de água é: v = 90 l/pessoa/dia ⋅ 5 pessoas v = 450 l/dia 4.4.1 Energia consumida G = v ⋅ c ⋅ (Tf - Ti ) onde : v = 450 l/dia c = 1 kcal/kg °C Tf = 59 °C Ti = 21 °C G = 450 ⋅ 1 ⋅ (59 - 21) G = 17100 kcal Gb = G / 860 ⋅ η onde : η = 90% 860 kcal = 1 kWh Gb = 17100 860 ⋅ 0,90 Gb = 22,09 kWh/dia = 22,09 kWh/dia = 662,79 kWh/mês Os valores da energia consumida em cada mês com a sua respectiva temperatura média estão representados na tabela 4.9, e demonstrados no gráfico 4.5. 42 Tabela 4.9 Energia consumida no sistema de aquecimento instantâneo do chuveiro elétrico Mês Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Temperatura Média °C Energia Consumida kWh/mês 22,0 627,91 23,0 593,02 22,0 627,91 20,0 697,67 17,5 784,88 16,5 819,77 16,0 837,21 17,0 802,33 18,0 767,58 19,0 732,56 20,5 680,23 21,0 662,79 Ju lh o A go st S o et em br o O ut ub r N ov o em br D o ez em br o M ai o Ju nh o A br il 900 800 700 600 500 400 300 200 100 0 Ja ne i Fe ro ve re iro M ar ço Energia Consumida (Kwh) Consumo - Chuveiro Elétrico Meses Gráfico 4.5 Consumo operacional do sistema de aquecimento instantâneo 43 4.4.2 Custo operacional do chuveiro elétrico A tarifa/preço a ser utilizada é de R$ 0,3368 para cada kWh, de acordo com a tarifa da CPFL. Os valores dos custos mensais estão representados na tabela 4.5 e representados no gráfico 4.4 respectivamente. Tabela 4.10 Custo operacional do chuveiro elétrico Mês Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Total Valor (R$) 211,51 199,76 211,51 235,01 264,39 276,14 282,01 270,26 258,56 246,76 229,13 223,26 2908,30 Custo (R$) Valores (R$) 300,00 250,00 200,00 150,00 100,00 50,00 Ab ril M ai o Ju nh o Ju lh o Ag o Se sto te m br o O ut u No b ro ve m br De ze o m br o Ja ne Fe iro ve re ir o M ar ço 0,00 Meses Gráfico 4.4 Custo operacional do sistema de aquecimento instantâneo do chuveiro elétrico 44 5. CONCLUSÃO Com o intuito de conceder as residências conforto aos seus habitantes, os aquecedores de água, tem estado presente na hora do planejamento de uma construção. Na apresentação deste trabalho, verificou-se através das expressões de cálculo, das tabelas e dos gráficos as diferenças entre os sistemas de aquecimento de água. Sendo dentre eles os mais usuais nos atualmente os aquecedores elétricos, a gás e os solares apresentaram diferenças entre si tanto na questão da energia consumida como na questão financeira. O sistema de aquecimento a gás por acumulação, alimentado pelo GN, sendo um sistema bastante popularizado nos dias atuais, apresentou o maior consumo de energia e o maior valor de custo entre os três sistemas, sendo o sistema de aquecimento a gás o de maior custo para a implantação em seu primeiro ano de uso, Mesmo o GN sendo um gás não poluente, deve considerar evidentemente que este tipo de gás é um a fonte que libera CO2 para a atmosfera. Se for considerado outro tipo de gás podemos concluir que a liberação de CO2 será maior na atmosfera. No sistema de aquecimento elétrico por acumulação, o consumo de energia apresentado ficou abaixo do sistema a gás, e apresentou o menor custo de implantação ente os sistemas em seu primeiro ano de uso, mas apresentou gastos relativos em sua utilização no decorrer de um ano. Em comparação com o sistema de aquecimento instantâneo, ou mais popularmente conhecido como chuveiro elétrico, o sistema elétrico por acumulação apresentou um consumo de energia de 3,5 a 3,7 vezes menores que o chuveiro elétrico, conseqüentemente um custo de energia relativamente menor que o chuveiro elétrico. Somente na sua fase de implantação, em seu primeiro ano de uso, o sistema por acumulação apresentou custos iguais aos gastos pelo sistema instantâneo. Observa-se a vantagem de um aquecimento elétrico por acumulação, pois o consumo de energia é menor que do chuveiro elétrico, tendo-se um menor custo de energia no decorrer de um ano. A energia elétrica é uma das energias mais utilizada em nossos dias, portanto há uma preocupação em nossos tempos com a sua utilização, pois há riscos de “apagões”, e falta de energia. È considerada uma energia limpa, mas pode comprometer o meio ambiente, como nas inundações de áreas para a construção de usinas hidrelétricas, ou poluição da atmosfera nas usinas termoelétricas. No sistema por aquecimento solar, utilizando a energia que vem do sol, o consumo de energia é menor entre os três sistemas, e apresentou o menor custo operacional entre os três sistemas de aquecimento, pelo motivo de não apresentar muitos gasto com energia, somente em dias onde a incidência de sol é muito baixa, sendo utilizado como substituição o 45 aquecimento elétrico ou o aquecimento a gás, de acordo com a sua implantação, e incluindo nestes custos anuais a manutenção do sistema, sendo ele o de maior complexidade ente os três sistemas se aquecimento. Somente na sua implantação e primeiro ano de uso, apresentou um valor de custo maior que do sistema elétrico. Podemos salientar que o sistema por aquecimento solar se mostra o mais vantajoso pelo fato de utilizar uma fonte de energia totalmente limpa, que não agride ao meio ambiente, e também econômica, pois a energia solar é abundante e de acesso a todos. Na busca pelo melhor e o mais eficiente sistema nos deparamos mais uma vez com o aproveitamento da energia do sol que em longo prazo, se mostra o mais econômico em uso, e o que menos agride ao meio ambiente. Tendo como desvantagem, em curto prazo, o seu investimento que pode gerar um alto custo de implantação. A energia solar pode ser a grande solução para uma sociedade que busca a sua sustentabilidade em energias alternativas em substituição as fontes energéticas gastas pelo homem. A energia solar se mostra a energia do futuro, em todos os aspectos da sociedade, para ser utilizada pelo homem. 46 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7198 Projeto de execução de instalações prediais de água quente. Rio de Janeiro, 1993 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13933 Projeto de execução de instalações internas de gás natural. Rio de Janeiro, 1997 AMBIENTE BRASIL. Energia Solar. Disponível em: <http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3/energia/index.html&conteudo/energia/solar.html/> . Acesso em 10 de outubro de 2007 BEZERRA, Arnaldo Moura. Energia Solar – Sua Contribuição na História da Humanidade. Disponível em: <http://mourabezerra.sites.uol.com.br/energiaemeio2.htm.> Acesso em: 11 de outubro 2007. COIADO, Evaldo M. Sistema Predial de Água Quente [SPAQ] Instalações HidráulicoSanitárias Campinas: Unicamp, 2006. CPTEC CENTRO DE PREVISÃO DE TEMPO E ESTUDO CLIMÁTICO Gráficos da Temperatura Média Anual no Estado de São Paulo Disponível: <http//www.cptec.inpe.br/cgibin/tempo/probabilidade/>. Acesso em 19 de Setembro de 2007 CRESESB CENTRO DE REFERÊNCIA EM ENERGIA SOLAR E EÓLICA SÉRGIO DE SALVO BRITO Sumário Disponível: <http//www.cresesb.cepel.br/tutorial/energiasolar/>. Acesso em 03 de Outubro de 2007 ELETROBRÁS. Programas de Eficiência Energética. Disponível em: http://www.eletrobras.com/elb/procel/main.asp?. Acesso em 17 de Outubro de 2007 INEE INSTITUTO NACIONAL DE EFICIÊNCIA ENÉRGETICA. Eficiência Energética. Disponível: <http//www.inee.org.br/eficiencia/>. Acesso em 31 de outubro de 2007 OLIVEIRA, Valdeci de. O Planejamento Energético e a gestão remota de sistema central de aquecimento solar de água em edifícios comerciais. Dissertação de Mestrado na Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2007. PETROBRÁS. Energia Solar. Artigos. Disponível em: <http://www.petrobras.com.br/Petrobras/portugues/perfil/Perfil_energia_solar.htm.2006.> Acesso em 13 de outubro 2007. SOLETROL. A História do Aquecedor Solar. Disponível em: <http://www.soletrol.com.br/educacional/historia.php> Acesso em 12 de outubro de 2007