AU TO RA L TO EI DI R DE UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES LE I PROREITORIA DE PLANEJAMENTO E LA DESENVOLVIMENTO O PE DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS AÇÃO SUPERVISORA: M EN TO PR OT EG ID INSTITUTO A VEZ DO MESTRE DO CU OS DESAFIOS DE CONTRIBUIR NA PRÁTICA DOCENTE Por: Elvira Martins da Silva Saraiva Orientador Prof. Antonio Fernando Vieira Ney Antonio Almeida, PI Outubro/2008 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PROREITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS INSTITUTO A VEZ DO MESTRE AÇÃO SUPERVISORA: OS DESAFIOS DE CONTRIBUIR NA PRÁTICA DOCENTE Apresentação Candido de Mendes monografia como à requisito Universidade parcial para obtenção do grau de especialista em Supervisão Escolar. Por: Elvira Martins da Silva Saraiva Antonio Almeida, PI Outubro/2008 3 AGRADECIMENTOS Agradeço A Deus, por ter me concedido motivação para a busca deste título após mais de três décadas de atividade docente. A meu esposo, pela presença constante e, orgulho, embora discreto, pelo crescimento profissional da sua esposa. Aos meus filhos, pelo apoio integral durante todo processo de formação continuada pelo qual passei e, em especial, durante minha especialização. Aos professores, público-alvo da pesquisa, que, com sua contribuição, possibilitaram as conclusões desta investigação científica. 4 DEDICATÓRIA Dedico esta produção a todos aqueles que me incentivaram e me ajudaram a trilhar os caminhos em direção à incessante busca do conhecimento. A Pélvia, minha filha, pedagoga, pelo carinho, e auxilio na organização desta produção. 5 RESUMO Nesta pesquisa investigamos o trabalho do supervisor escolar na visão dos professores. Nossa meta foi identificar as formas de contribuição da ação supervisora no tratamento das dificuldades encontradas pelo docente em sua prática pedagógica. Como o universo era extenso, entrevistamos apenas cinco professores por ser um número significativo para a coleta de dados, que foram possíveis através de uma entrevista semi-estruturada. Questões relevantes foram detectadas, dentre elas constatamos que para o professor a presença do supervisor é de fundamental importância visto que é capaz de monitorar atividades, criar estratégias, orientar os professores, exercer uma postura político-crítica a fim de qualificar o ensino, de mobilizar escola e sociedade, ajudando nessa qualificação, de utilizar o diálogo nessa comunicação, de observar, avaliar, pesquisar, redimensionar, etc. 6 METODOLOGIA A forma de investigação tem como base uma pesquisa descritiva, numa abordagem qualitativa interpretativa “a qual exige observação prolongada, aprofundada e rigorosa da situação; descrição pormenorizada das situações e dos sujeitos no contexto da pesquisa” (Carvalho, 1998:85). Ou seja, utilizamos como metodologia a pesquisa de campo, além do estudo bibliográfico necessário a toda pesquisa, já que levanta as contribuições dos educadores/pensadores acerca do tema em estudo. “O critério básico de validez da pesquisa interpretativa é o significado imediato e local das ações e são definidos do ponto de vista dos autores” (Erickson,1989:196). A pesquisa tem como base teórica os seguintes autores: Paulo Freire, Dermeval Saviani, Falcão Filho, Placco e Silva, Maria Isabel Cunha, Silva Júnior, Marlene Carvalho, Dias e Sousa, Antonia da Silva Medina, Sonha Maria Soares Moura, entre outros estudiosos sobre o tema investigado. Os sujeitos da pesquisa são 05 (cinco) professores atuantes no Ensino Fundamental, na cidade de Antônio Almeida, em escolas públicas da rede municipal e do sistema estadual de ensino. Todos possuem graduação e/ou pós-graduação. Os professores foram contatados individualmente onde os objetivos da pesquisa eram transparecidos, neste momento também era explicitada a 7 necessidade de suas contribuições para o alcance dos resultados. Os professores entrevistados receberam um pseudônimo para não haver comprometimento na ocasião da divulgação dos resultados da pesquisa. O instrumento utilizado para a coleta de dados foi uma entrevista semiestruturada (roteiro anexo) a fim de possibilitar uma abertura maior para os sujeitos e para a pesquisadora, haja vista esse tipo de entrevista dar margem a novas perguntas de acordo com a resposta concedida. Os questionamentos giram em torno: da formação pedagógica; da concepção de supervisão; dos obstáculos encontrados pelo professor na sua prática educativa; dos fatores que causam esses obstáculos; e das formas de contribuição do supervisor no tratamento dessas dificuldades. Na descrição e análise dos dados, as perguntas da entrevista foram transformadas em categorias. As 05(cinco) categorias são as seguintes: a) Formação pedagógica; b) Concepções x funções do supervisor na visão do professor; c) Dificuldades detectadas pelo professor na prática pedagógica; d) Fatores que causam essas dificuldades de suas conseqüências para os sujeitos do processo educativo; e) Colaboração do supervisor a pratica pedagógica do professor. Ao iniciar a análise de cada categoria, estas recebem uma explicação por terem sido eleitas, bem como trazem as colocações pertinentes nos sujeitos para posterior análise. 8 Os dados levantados tiveram a finalidade de responder aos objetivos da pesquisa (Ação supervisora: os desafios da contribuição na prática docente) e, durante a análise dos dados, algumas sugestões de melhorias da qualidade do trabalho integrado entre docente e supervisor, são explicitados. A pesquisa, através da aplicação do instrumento de coleta de dados, foi realizada de acordo com as seguintes fases: 1. Leitura preliminar: as obras contidas nas Referências Bibliográficas possibilitaram o estudo dos autores sobre o problema exposto; 2. Seleção da bibliografia: após a leitura preliminar de autores que expõem sua preocupação em relação à ação do supervisor junto ao professor, alguns deles foram selecionados por demonstrarem maior ênfase ao tema. Mencionados anteriormente; 3. Aplicação do instrumento de pesquisa: foi aplicada uma entrevista semiestruturada ao público-alvo com questões que percorriam desde a formação inicial dos entrevistados, passando por sua concepção de supervisão, até chegar a sua relação com seu supervisor e maneiras de contribuição deste à sua ação em sala de aula. 4. Sistematização dos dados: após coleta, os dados foram sistematizados, ou seja, agrupados de acordo com semelhanças e diferenças, para uma melhor análise destes; 9 5. Análise dos dados: finalmente foram trabalhadas as informações obtidas por meio de sua análise e interpretação 10 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 11 CAPÍTULO I - Resgate histórico da ação supervisora 16 CAPÍTULO I - Resgate histórico da ação supervisora 21 CAPÍTULO III - Supervisor: intervenção significativa na prática do professor 28 CAPÍTULO IV – Descrição e Análise dos dados 34 CONCLUSÃO 46 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 50 ANEXO 53 ÍNDICE 54 11 INTRODUÇÃO O fato de nos encontrarmos num mundo caracterizado pela historicidade, pela dinamicidade, transparece a necessidade de realizarmos mudanças constantes em nossa vida, nos setores profissional, pessoal, comunitário etc. O homem não é apenas produto do meio, também pode e deve modificá-lo, adequá-lo às suas finalidades. Para que isso se concretize, antes de qualquer ação devemos conhecer, potencialmente, esse meio ou algum aspecto dele no qual almejamos intervir. Uma das maneiras mais eficientes para a aquisição desse conhecimento é a pesquisa, a qual se utiliza da observação e da investigação aprofundada sobre determinado tema. É eficaz, devido não se basear apenas em saberes superficiais desprovidos de senso crítico, mas por valer-se de estudos anteriores desenvolvidos por outros pesquisadores. A fim de conhecer um pouco mais acerca da função supervisora o presente trabalho descreve relatos da pesquisa que tinha como objetivo geral: analisar as formas de contribuição do supervisor em relação às dificuldades encontradas pelo professor na sua prática pedagógica. Para que fosse possível chegar a essa meta foi preciso especificar os objetivos; o que levou a: caracterizar o trabalho do supervisor na concepção do professor; identificar na prática do professor as dificuldades encontradas, analisando suas causas; discutir as formas de contribuição ao professor da ação supervisora no tratamento dessas dificuldades. 12 Diante disso a meta dessa investigação pretendia responder ao seguinte problema: quais as formas de contribuição da ação supervisora no tratamento das dificuldades encontradas pelo docente na sua prática pedagógica? Uma vez que o tema do trabalho é “Ação Supervisora: os desafios de contribuir na prática docente”. O público-alvo da pesquisa são professores do Ensino Fundamental de Antonio Almeida. Por ser um universo muito extenso esse número foi delimitado para cinco professores atuantes neste nível de ensino, nas escolas estaduais e municipais da referida cidade; todas são portadoras de curso superior. Para a observação foi utilizada uma entrevista semi-estruturada com a finalidade de dar liberdade para ambas – entrevistados e entrevistadora, haja vista possibilitar uma abertura para novos questionamentos oriundos das respostas concedidas. Além da pesquisa de campo foi imprescindível o estudo bibliográfico com o fim de avaliar a investigação, onde autores como: Saviani (2000), Silva Júnior (2001), Falcão Filho (1986,2000), Placco e Silva (2001), Dias e Sousa (1995), Freire (1997), se fizeram estrutura fundamental dos dados colhidos. Muitas são as possibilidades de estudo dentro da questão geral da supervisão ou da atuação do supervisor. No entanto qualquer análise mais reflexiva e rigorosa só é realizável quando incomoda ou é indício de curiosidade do pesquisador. Este trabalho foi considerado relevante pela autora devido o resultado de algumas observações informais que explicitavam uma distorção do significado da função do supervisor escolar, onde alguns docentes o tinham como “aquele que resolve, sozinho, todos os problemas pedagógicos da instituição”. Como isso não acontecia e nem acontece em 13 nenhum ambiente escolar, uma vez que defendemos o trabalho coletivo e individualizado, esses docentes começavam a desacreditar na ação do supervisor, haja vista estarmos num mundo que exige respostas imediatistas, ou seja, só é útil aquilo que é prático que dá resultado em curto prazo. No mundo do não tempo, do não espaço e do não fazer, ouvi o jovem Omega perguntar ao velho pai: - Pai, quanto tempo leva uma semente de pêssego para transformarse numa frondosa árvore e dar saborosos frutos? - Cerca de seis anos, filho! - Mas é muito tempo para esperar, pai! - Sabe, filho, se você não plantar e esperar, o tempo vai passar da mesma maneira. (Autor desconhecido, s/D) Por percebermos esta distorção a pesquisa nos pareceu urgente a fim de colhermos as impressões dos professores, aliá-las ao marco teórico e analisarmos essas concepções, sempre sugerindo atividades capazes de levar os integrantes do processo ensino-aprendizagem a uma ação conjunta: professor e supervisor. Ou seja, a investigação fez-se importante e relevante para a pesquisadora a partir de muitas inquietações sentidas no contexto escolar, durante anos, onde a presença do supervisor, sua função junto ao professor, não era entendida, ou não era desenvolvida a contento, provocando grande alvoroço entre os profissionais da educação. 14 A estrutura do trabalho está assim distribuída: marco teórico com uma discussão apoiada nos resultados de pesquisa realizada pelos autores anteriormente citados; descrição e análise dos dados; conclusão; bibliografia consultada, anexos da pesquisa e índice. O primeiro capítulo é uma “viagem no tempo” com a finalidade de fazer um RESGATE HISTÓRICO DA AÇÃO SUPERVISORA. Com isso se pretendia entender, desde a origem, a concepção do termo supervisor e qual era propriamente o papel do profissional que ocupa tal função. Veremos que sua atividade na escola ficou, por muitos anos, atrelada ao desenvolvimento de funções burocráticas e de inspeção. Apenas recentemente voltou-se totalmente à atividade pedagógica. No segundo capítulo, ATUAÇÃO E FORMAÇÃO DO PROFESSOR: ESPAÇO PARA UMA SUPERVISÃO, o objetivo era esclarecer os campos de atuação do supervisor e descrever sobre a formação inicial e continuada. Foi importante, neste momento, a discussão acerca do papel do supervisor na formação continuada do professor, pois ele é um elo entre as novas técnicas educacionais e o docente. Tem possibilidade de proporcionar troca de experiências entre os profissionais da educação e, com encontros periódicos, auxiliar no desenvolvimento crítico docente. No terceiro capítulo do marco teórico, a pesquisadora fez uma análise sobre: SUPERVISOR: UMA INTERVENÇÃO SIGNIFICATIVA NA PRÁTICA DO PROFESSOR. Aqui é posta em discussão a maneira eficiente e eficaz de intervenção do supervisor no trabalho do docente em sala de aula e na escola. É uma situação bastante delicada uma vez que cada um sabe, ou deveria saber qual seu papel no ambiente escolar. Sendo assim uma intervenção mal feita, ou em momento inapropriado, pode comprometer toda a ação 15 pedagógica. Dessa forma a reflexão sobre a prática pedagógica deve ser freqüente no espaço da escola para que sejam encontradas formas inteligentes de trabalho compartilhado. No capítulo dedicado à DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS, as perguntas da entrevista, foram transformadas em categorias de análise para dar maior objetividade ao trabalho. Então se passou por cada um dos questionamentos, analisando as falas do público-alvo à luz das teorias estudadas. As categorias são as seguintes: f) Formação pedagógica; g) Concepções x funções do supervisor na visão do professor; h) Dificuldades detectadas pelo professor na prática pedagógica; i) Fatores que causam essas dificuldades de suas conseqüências para os sujeitos do processo educativo; j) Colaboração do supervisor a pratica pedagógica do professor. Por fim, antecedendo a Bibliografia Consultada, os anexos da pesquisa e o índice, está a CONCLUSÃO, que analisa todo o percurso do trabalho de pesquisa respondendo à questão central que gerou a investigação. É o espaço que a pesquisadora tem para colocar todas as suas impressões e conclusões adquiridas no decorrer do trabalho. Vai reunir os dados do capítulo anterior para conclusão e resolução do problema e dirá se os objetivos da investigação foram alcançados. 16 CAPÍTULO I RESGATE HISTÓRICO DA AÇÃO SUPERVISORA A função do supervisor recebeu diversas determinações até hoje, as quais são acompanhadas por uma nomenclatura específica a cada época. Saviani (2006:21) faz um histórico da idéia de supervisão partindo do plano dos jesuítas – Rátio Studiorum – até as recentes concepções da função deste profissional. No Rátio Studiorum o supervisor, denominado Prefeito dos Estudos, auxilia o reitor na “boa organização dos estudos”, o professor deveria obedecê-lo. Ainda neste programa – Rátio – existiam dois profissionais subordinados ao supervisor: o prefeito dos estudos inferiores e o prefeito de disciplina. Esse programa ligado à Igreja pretendia educar o aluno para as virtudes, a fim de alcançar a maior glória de Deus. Mais tarde esse profissional recebe o título de Inspetor, que tem a função de autorizar contratações, conferir diplomas, corrigir e substituir livros didáticos, etc. Com o tempo as idéias de supervisão adquiriram novas formas onde o supervisor deveria ou administrar o sistema educacional ou administrar a escola. Segundo as pesquisas do autor apenas na década de 20 coube ao supervisor a parte técnica das questões pedagógicas. O trabalho administrativo que era de sua incumbência foi transferido ao inspetor; entretanto o supervisor ainda tinha a função de fiscalizar a prática do professor a fim de detectar falha aplicando punições. 17 Nos anos 50 e 60 o curso de Pedagogia era pré-requisito básico na formação desse especialista, que após o golpe de 64 e a reforma deste, o objetivo passou a ser especializá-lo em uma das áreas: orientação, supervisão, administração ou inspeção de instituições educacionais. A função do supervisor, acompanhando as tendências educacionais passa por várias posturas. Nos anos 70 são empregados aspectos de ordem técnicas seguindo o período histórico que demandava profissionais tecnicamente aptos a assumir cargos em indústrias. Já na década de 80, essa formação tinha como base as mais diversas teorias que explicavam todas as situações observadas na escola e na sala de aula, porém não dominavam técnicas de resolução de problemas presentes na instituição. Há muito se iniciou uma discussão acerca do vínculo entre discurso e ação, entre teoria e prática no espaço pedagógico. Essa realidade advém das filosofias nas quais os cursos de formação eram elaborados. Essa mutação da ação supervisora é cenário de relato de muitos autores, como Cunha (1986), a qual lembra que na tendência tradicional o supervisor não acompanhava o professor, pois este já estava pronto para a tarefa; na Escova Nova não havia espaço para intervenção do professor; na tendência tecnicista esse profissional planeja para o docente executar. 18 Comungando dessa discussão, Silva Junior (2001:93) descreve que: “Em seu início a supervisão escolar foi praticada no brasil em condições que produziam o ofuscamento e não a elaboração da vontade do supervisor”. O autoritarismo era quanto ao supervisor e sua função social, fala marcante na ação supervisora, ele controlava anseios de uma classe dominante. O supervisor que antigamente ameaçava o professor passou a ser visto como um carrasco percebendo como inaceitáveis seus desmandos. Começaram a questionar e a não aceitar tais fiscalizações e imposições. Então surgiram as dúvidas sobre o cargo de supervisor. Para que se não há melhoria na escola, no sistema? Segundo Silva Junior (2001:94): O supervisor/educador foi se dando conta de que a verdade não estava pronta e depositava em suas mãos para que ele a distribuísse aos professores que só poderiam conhecê-la por seu intermédio (...) foi percebendo (...) que sua tarefa não era transmitir uma mensagem pronta e acabada, mas reunir os educadores para que eles pudessem elaborar sua própria mensagem e com ela mudar para melhor a vida de todas as pessoas a quem a mensagem pudesse ser apresentada. Atualmente, na sociedade que preza o trabalho coletivo, o processo de reflexão e a produção do conhecimento, o supervisor recebe nova roupagem. Alonso (2000) vê o supervisor para o novo momento, como estimulador e sustentador do trabalho docente, abandonando a função de controlador compatível com uma sociedade ditatorial. A autora também sugere a adoção de algumas posturas por parte deste profissional frente aos professores, visando o sucesso da escola; 19 sugestões que convergem no relacionamento compartilhado, na troca de experiências, no conhecimento das leis, na observação constante das dificuldades dos docentes, em mantê-los sempre informados, etc.. Segundo Alonso (2000), desenvolvidas estas atividades será desmistificada a idéia de autoritarismo concedida à função do supervisor durante décadas/séculos. Medina (2001:31) ao considerar de suma importância o trabalho conjunto entre professor e supervisor, conclui que: o supervisor, tomando como objeto de seu trabalho a produção do professor, afastamento da atuação linear, hierarquizada, burocrática, que vem sendo questionada por educadores e passa a contribuir para um desempenho docente mais qualificado. Essa supervisão é sugerida por Falcão Filho (1986) trazendo como pressuposto básico, no relacionamento professor/supervisor, a postura de que “a ação supervisora deve ser desenvolvida com os professores e não para os professores” (p. 50); ocupando o mesmo espaço esses profissionais estão no mesmo nível, nem um nem outro dita regras, eles as constroem juntos, decidem juntos. Sobre essa mudança de postura do supervisor frente à sua função na educação, Medina (2001:32) ainda relata que: O supervisor abdica de exercer poder e controle sobre o trabalho do professor e assume uma posição de “problematizar” do desempenho docente (...) assumir com o professor uma atitude de indagar, comprar, responder, opinar, duvidar, questionar, apreciar e desnudar situações de ensino e (...) as da classe regida pelo professor. 20 Portanto não há como realizar um trabalho individualizado já que o supervisor precisa de informações, precisa conhecer o trabalho do professor para com ele montar estratégias. Detectamos, assim, que há uma dependência mútua entre professor e supervisor. O “trabalho do Supervisor é determinado pelas demandas do trabalho do professor” (Medina, 2001:32). Da mesma forma o professor necessita da intervenção especializada do supervisor na problematização das questões que envolvem a ação docente. Talvez a expressão mais viável seja de interdependência, na prática dos profissionais; a prática do professor é objeto da ação do supervisor e a ação supervisora é o foco de desejo do professor. 21 CAPÍTULO II ATUAÇÃO E FORMAÇÃO DO PROFESSOR: ESPAÇO PARA UMA SUPERVISÃO O cotidiano do professor, muitas vezes atribulado com as diversas tarefas que deve cumprir, não o permite perceber as conseqüências da ação, ou seja, não o possibilita um espaço para reflexão sobre sua prática e os reflexos que ela apresenta. Neste contexto o supervisor tem o papel de contribuir para a formação do professor mais crítico, já que este dificilmente avalia sua formação, desenvolvendo um trabalho de forma aleatória e circunstancial. Diante disso, segundo Filipkowski (2003:51): o supervisor deve ser visto como alguém com capacidade de apoio, que impulsiona o grupo com o qual trabalha, através de um posicionamento mais crítico em relação à realidade global. É a percepção da realidade que permite e ele exercer uma função social e politicamente mais ampla, estimulando os professores a uma compreensão mais contextualizada e consciente das ações realizadas. A discussão sobre a formação do professor deve partir de questões aparentemente simples, porém decisivas no que concerne às preocupações com a permanência do aluno na escola e, principalmente, sua produção de conhecimento, além dos cuidados com a adequação do calendário escolar para o alunado da zona rural; o uso de métodos e técnicas variados que 22 alcancem todos os diferentes ritmos dos alunos; possibilidades de trabalhar com a heterogeneidade de condições; lidar com a indisciplina; assim como lidar com a escassez de material didático-pedagógico; rever sua ação e (re)planejá-la; entre outros. A atitude de pensar a prática contribui para uma tomada de responsabilidade pelo ato de medir entre o aluno e o saber. O conteúdo da formação dos professores deve ser definido na reflexão e análise da prática. A não compatibilização com a necessidade, com o problema vivenciado na sala/escola, inviabiliza essa formação levando ao comodismo, desinteresse e ao trabalho não compartilhado, fragmentado. Falcão Filho (2000) refere-se ao intercâmbio do ambiente externo com o ambiente interno; as ocorrências sociais devem ser temas debatidos considerando o principal objetivo da educação que almeja a formação de cidadão crítico, pensante e agente transformador. Para tanto é necessário o estreitamento desses acontecimentos externos com o fazer pedagógico. A partir da reflexão sobre o processo de ensinar, o professor conhece os desafios da realidade escolar para junto com toda a comunidade trilharem caminhos de tomada de decisão coletiva e, portanto, eficazes. O trabalho de supervisor proporciona troca de experiências freqüentes entre os professores. Esses são momentos em que as atividades desenvolvidas por eles são estudadas, analisadas e redimensionadas, possibilitando a consistência entre as ações pedagógicas que deixarão de ser isoladas, pois na ausência dessa atividade reflexiva os professores atuam isoladamente, acreditando numa pseudo-homogeneidade entre seus alunos. 23 As ações do supervisor, por muito tempo, converteram-se em fiscalizar o trabalho do professor, em planejar elaborando modelos para o professor moldar os alunos a partir das técnicas utilizadas e em certificar-se que o seu subordinado – o professor – estava agindo mediante regras que ele não ajudou a implementar. Certamente a atuação desse profissional, hoje, junto aos educadores, principalmente aqueles com vários anos de magistério, formado nos moldes tradicionais, é conflituosa, ou seja, são presentes obstáculos de difícil ultrapassagem, devido à impregnada visão da função de fiscal. Entretanto, sabemos que toda mudança pressupõe polêmica e descontentamento já que sempre procuramos evitar desafios que tendem a desequilibrar nossas atividades. Paulo Freire (1997) já nos alertava para esta postura estática e acomodada quanto à possibilidade de modificações no meio educacional, mais especificamente na atividade docente por “medo do novo”. O comodismo advém do emprego exagerado de confiança nos métodos que levem à reprodução. Conversando com esses professores percebe-se colocações do tipo: “é mais seguro não arriscar, não aceitar novas propostas; essas pessoas chegaram hoje e já querem mudar nossa forma de ensinar; etc.”. No entanto tal posição foi imposta ao professor através de sua formação, a qual obedecia aos critérios da escola que de acordo com a ideologia dominante, objetivava um sujeito passivo diante das questões que envolviam decisões sobre sua própria vida. Essa ignorância e o ausente interesse quanto ao mundo fora da sala de aula colaboraram para um trabalho não planejado, não reflexivo, não compartilhado. 24 Assim como na sala de aula não há homogeneidade, da mesma forma, o supervisor sabe que cada educador tem concepções diferentes, valores divergentes e que seu desejo de torná-lo um agente que age-reflete-age, não é fácil por não possuir uma única forma capaz de modelar o professor, como transparece a figura a seguir: Professor Professor Professor Professor Supervisor: “Colegas professores tomem seus lugares”. Lugares destinados aos professores Professor Professor Exatamente por essa inexistência de receitas que levem os agentes educacionais a repensarem suas práticas, o supervisor no seu trabalho diário descobrirá, junto aos professores, propostas de sucesso para diminuir todas as barreiras pelas quais a escola passa na função de formar o cidadão pensante. Confirma-se, então a particularidade, primeiro de cada professor, e segundo, de cada grupo, onde seguir passos de outrem só tende a alienar mais ainda o grupo na tentativa de excluir os problemas. A prática eficaz está no conhecimento – pelos integrantes da instituição – de seus problemas e dificuldades que muitas vezes são desconhecidas. Em seguida as propostas adequadas à realidade fluem naturalmente diante do compromisso e do sentimento de co-responsabilidade. 25 De acordo com Falcão Filho (2000), a escola é formada por pessoas, culturas e sub-culturas, valores, concepções, aos quais denominam de “Cultura Organizacional”. Esses condicionantes formam o todo escolar de convergência e divergência. Todo e qualquer empreendimento de mudança atinge essa organização de modo a desequilibrar todos os que ali convivem, ao perceberem a inexistência de fórmulas prontas para resolução de problemas. Diante dessa “crise de identidade” na função do educador, este exige do supervisor respostas e soluções rápidas para resolver, por exemplo, a indisciplina do aluno, a não assimilação dos conteúdos, etc.. Nem o supervisor de ontem, nem o de hoje têm soluções prontas – neste ponto a concepção de supervisão ainda é distorcida. É o supervisor que vai estimular o professor, mostrando-lhe que é nesse conflito que repensamos nossa forma de agir, buscando novas maneiras de realizar um trabalho, mais eficiente. O profissional que ocupa o cargo de supervisor encontra muitas dificuldades, devido estas distorcidas concepções quanto a sua função. No entanto, criando um clima de envolvimento, responsabilidade mútua, confiança e respeito, ganhará espaço e cooperação dos professores ao passo que os leva a conhecer sua condição, sua limitação. Um primeiro passo para esta condição é criar espaço para que os professores se conheçam como integrantes de um grupo, logo, responsáveis por este grupo e suas decisões. Esse conhecimento envolve principalmente a troca de experiência acerca das situações vividas por eles em sala de aula e na instituição; ao mesmo tempo em que percebem que seus problemas são comuns, suas angústias diminuem. Junto ao supervisor, o qual tem um destacado papel ao mediar entre problema/professor/solução, as propostas e soluções são testadas e apreciadas para análise de resultado. 26 Não podemos esquecer que o processo de mudança é complexo e por isso mesmo demanda tempo, porém essa função de orientador auxilia sobremaneira o professor nas questões pedagógicas. O supervisor também é importante na formação do professor. Há muitos anos esta formação é foco de debates, onde supervisor e professores que já têm acesso à formação continuada começaram a perceber este progresso sob outra ótica; aquela em que o saber vai ser construído mediante situações reais e teorias que abordem as competências e os saberes do educador. Com esse enfoque trabalha-se na perspectiva da dialogicidade freiriana, visando buscar uma troca de vivências claras e interligadas entre os professores para que conheçam suas reais dificuldades para com elas saber lidar, tentando derrubar o “muro de concreto” que insiste em separar a escola do meio social. Placco e Silva (2001:25) consideram que “esse formar favorece uma postura crítica diante das múltiplas interpretações e ações que têm sido desenvolvidas na formação de professores”. Placco e Silva (2001) relatam várias dimensões pelas quais o processo formador deve perpassar, são elas: técnico-científica; trabalho coletivo; construção do projeto político-pedagógico; crítico-reflexiva; avaliativa; entre outras. A predominante concepção de formação acabada é uma forte barreira que impede a concretização de novos paradigmas nas práticas escolares. Com a finalidade de ultrapassar este obstáculo, está o processo de formação continuada do professor; atividade a ser orientada e conduzida pelo supervisor. 27 Esta ação é eficaz e deve ser constante, pois faz com que o professor reconheça o momento de redimensionar a sua prática. 28 CAPÍTULO III SUPERVISOR: INTERVENÇÃO SIGNIFICATIVA NA PRÁTICA DO PROFESSOR Definitivamente o educador deve pôr-se adiante e olhar de frente para as novas abordagens educacionais, visto que constantemente, tem sido confrontado pelos alunos em relação a métodos e técnicas de formação não compatíveis com as características do novo homem que a sociedade hoje idealiza, exige. Um primeiro passo para essa nova postura seria não supervalorizar o conteúdo científico como absoluto, verdadeiro, passando a refletir sobre ele, sobre sua aplicabilidade social, pensando e agindo através de novas formas práticas e concretas do processo de ensino-aprendizagem. O foco, então, no qual o todo escolar deve debruçar-se, encerra-se no olhar para essas freqüentes mudanças, ou seja, para essa não estabilidade educacional. Percebendo-se como agente responsável em adotar esses desafios, a escola simultaneamente pensa e executa metas eficazes para não só assimilação, mas aplicação do “novo saber” ou do saber através de meios mais adequados. A ênfase do contexto é pilar necessário devido o objetivo da escola que se resume em formar o cidadão hábil e capaz de atuar objetiva, consciente e criticamente no seio social em busca de vida digna, participando do cenário constante de decisões significativas. Como afirma Orsolon (2001:17;18): 29 (...) homem transformador aquele capaz de analisar, criticamente a realidade, desvelando seus determinantes sociais, políticos, econômicos e ideológicos, protagonista da construção de uma sociedade justa e democrática e superador dos determinantes geradores de exclusão. O compromisso com essa mudança pressupõe um “tornar-se responsável”. O supervisor tem aqui importante função de direcionar os agentes educacionais pelos caminhos de reflexão numa ótica macro para o atual retrato da educação brasileira, seu papel na intervenção de questões sociais, seus princípios e critérios de formação de educadores. E sob uma ótica micro, observando as estratégias pedagógicas adotadas por sua instituição educacional, bem como análise de sua prática docente: ela está coerente com a proposta da escola? A proposta da escola forma o homem que a sociedade clama? Esses e outros questionamentos devem aprofundar esse processo reflexivo dos agentes da educação com a finalidade de ocorrer as mudanças urgentes. Um saber necessário ao educador segundo Freire (1997) é saber pensar. Esse movimento psíquico pode iniciar-se individualmente, porém somente no coletivo se pode esperar acontecimentos significativos. O conjunto escolar tem aí o desafio – por muitos séculos ignorado – de dialogar em busca de sua qualificação, da eficácia social de seus trabalhos; esse diálogo crítico e consciente deve ser “sincronizado” (Placco, 1994) para conseguir adesão total de co-responsabilidade. Orsolon (2001) reafirma o que ressaltamos a pouco sobre a necessidade de uma mudança interna do sujeito – especificamente no professor – quanto a sentir-se um agente capaz de ou transformar ou manter o sistema de reprodução. Primeiro, o professor, ao tomar consciência da importância subjetiva da sua participação, irá permitir uma aproximação do 30 coordenador, o qual percebendo a carência do processo mediará a formação continuada, objetiva, desse professor. Esse movimento dialético permitirá um trabalho compartilhado e um constante repensar para intervir com eficácia. Para que a escola atinja essa forma sincronizada de trabalho, para que os agentes se vejam comprometidos faz-se imprescindível o conhecimento e a adoção das dimensões da competência do educador: humana, técnica e política (Rios, 1993). Atingindo esse complexo multidimensional, todos os objetos, todas as questões que envolvem a educação receberão um olhar observatório comprometido, organizando o espaço escolar com procedimentos que assegurarão qualidade no ensino e na aprendizagem, consequentemente. Freire (1991), ao relatar sobre o processo de mudança na dinâmica da educação, tendo em vista o meio social, a todo o momento refere-se ao imprescindível doar-se do educador para as vivências escolares, ou seja, o indispensável compromisso das agentes envolvidos para o progressivo funcionamento do setor. Freire (1991:16) diz que “a primeira condição para que um ser possa assumir um ato comprometido está em ser capaz de agir e refletir”. Assim o educador deve atuar reflexivamente a fim de fundamentar sua prática para situar-se, entendendo suas ações e as ações do outro, uma vez que o trabalho no setor educativo pressupõe um coletivo; esse coletivo se movimenta nas suas mais diversas funções para dar desenvolvimento ao processo. Tudo isso deve estar centrado num desempenho de atividade que considere as questões sociais, já que a escola forma o homem mediante as demandas da sociedade. Por esse motivo o todo escolar orientado pelo corpo técnico administrativo, entre ele o supervisor, tem de adquirir uma visão precisa das discussões correntes no seu meio, fato que também é indício de 31 envolvimento nas soluções de obstáculos da educação. Nessa linha de pensamento Freire (19914:7), descreve que: Somente um ser que é capaz de sair de seu contexto, de “distanciarse” dele para ficar com ele: capaz de admirá-lo, para, objetivando-o, transformando-o, saber-se transformado pela sua própria criação; um ser que é e está sendo no tempo que é seu, um ser, histórico, somente este é capaz, por tudo isto, de comprometer-se. Esse aspecto – compromisso – é bastante preocupante, principalmente no tocante a escolas das redes e sistemas públicos de ensino onde a concepção que perdura diz que “da coisa” pública quem deve cuidar são os governantes, gerando uma total indiferença dos demais, quando, na verdade, nós somos os agentes, somos quem faz a educação, de qualidade ou não. O ser humano tem, como relatou-se antes, habilidades e capacidades de mudar, manter ou ainda deteriorar o meio no qual atua. Como proclamou Karl Marx, o homem é um ser de relações e se ergue ou regride através do resultado dessas relações de produção. Muitas pessoas almejam uma determinada profissão, porém não a conseguem e, alguns destes, “aterrizam” na sala de aula não empregando o necessário compromisso que traz sucesso ao fazer pedagógico. Esses pseudos-profissionais dificultam bastante a atuação do supervisor, haja vista sua atitude de discordância, sem contrapartida, ser freqüente, pois leva consigo uma cultura, uma concepção que não permite argumentos, discussões. Embora seja presente tal realidade, uma das maiores necessidades para o agir relevante é empregar responsabilidades naquilo que se desempenha. Freire (1991:29), saudoso e forte amante das questões 32 educativas, descreve que “Não há educação sem amor. O amor implica luta contra o egoísmo. Quem não é capaz de amar os seres inacabados não pode educar. Não há educação imposta como não há amor imposto” Dito isto compreendemos que não há educação sem o envolvimento mútuo das partes que a executam; a aprendizagem acontece quando o aluno compreende o processo comunicativo do professor e quando este por sua vez, percebe as necessidades do seu educando. Não há mais espaço – hoje – para um ensino conteudista, onde o aluno, ocupando o cargo de sujeito passivo, recebe o conteúdo desvinculado da sua vivência real. Para que as ações desenvolvidas na escola entre supervisor e comunidade escolar sejam trilhas rumo a competência do processo, algumas posturas são sugeridas por Orsolon (2001), como: a mediação da competência docente, nesse processo novo de educação não existe o detentor dos saberes, existe sim uma busca de teorias e práticas eficazes, o professor tem suas vivências, suas experiências, suas concepções e análise de mundo, suas metodologias, e o supervisor sabe e não ignora esse saber prévio. Pelo contrário, utiliza-o nas discussões e soluções de problemas. Mediar a competência do educador é fazer valer suas práticas sem impor outras idéias alheias. Com práticas como esta de valorização da competência do educador, ele próprio, avaliando seus métodos, saberá em que momento sua ação sofrerá alterações. Ao sentir a necessidade de redimensionar o trabalho docente, o supervisor deve, no seu acompanhamento ao professor – realizar uma parceria de produção, pois propor novidades significa montar junto com o decente, visto que ele precisa de orientação. Essas novas atividades não podem ultrapassar os limites da realidade, sugerindo ações faraônicas. Deve sim ser passível de 33 funcionamento e, obviamente, ter aplicabilidade concreta. Dessa forma não só anseios do professor, mas dos alunos serão considerados para não se correr o risco de uma aversão às propostas, inviabilizando o processo ensinoaprendizagem. Segundo este autor uma das ações capazes de provocar transformações na prática docente é estabelecer parceria entre o trabalho do supervisor e do professor. Essa relação conjunta numa ação docente comprometida, ao ver que seu coordenador compreende e busca soluções para sua prática em classe junto aos educandos. São, enfim, as intervenções do supervisor que contribuirão ou para manter a reprodução ou para provocar mudanças significativas nas ações dos professores. Todo esse caminhar rumo ao novo tem como base o comprometer-se, o tornar-se responsável dos agentes educacionais. 34 CAPÍTULO IV DESCRIÇÃO DOS DADOS E ANÁLISE DOS RESULTADOS a) Formação Pedagógica Sabemos que a formação do professor influi decisivamente no desempenho do aluno e no seu próprio desempenho enquanto sujeito que se propõe remediar entre o conhecimento e seu alunado. Por essa importância, perguntamos ao sujeito da pesquisa qual sua formação profissional e, consequentemente relatariam sobre suas experiências em sala de aula. Dos cinco entrevistados todos possuem formação superior nas áreas: Biologia, Letras Português e Pedagogia. Dentre estes, três têm pós-graduação Lato Sensu: dois em educação infantil e um em supervisão/coordenação pedagógica. Quanto à prática em sala de aula esta varia entre sete e vinte e cinco anos de serviço percorrido em diversos níveis: Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio e Ensino Superior. 35 Percebemos então que o quadro de professor representado está bem qualificado. Há grande predominância de professores com a devida preparação para atuar no Ensino Fundamental, como legaliza a LDB (Lei de Diretrizes e Base da Educação nacional) 9394/96, no seu artigo 62: A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidade e institutos superiores de educação, admitida como formação mínima para o exercício de magistério na Educação Infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade normal. b) Concepções X Funções do Supervisor na visão do professor Um dos questionamentos da presente pesquisa está voltado ao conceito que o professor tem em relação ao supervisor; qual sua concepção acerca desse profissional, haja vista ser necessária esta informação para analisar como o supervisor pode contribuir no trabalho prático e reflexivo do docente. Quanto a esse conceito, os professores responderam: - O “guia” do trabalho pedagógico. O braço direito do professor no que se refere ao processo ensino-aprendizagem. (Profª Claudia) 36 - É aquele que serve como apoio aos professores no que diz respeito à aquisição e prática de novas técnicas e métodos de ensino. Ele deve estar sempre em consonância com as inovações a fim de melhorar o desempenho e a aprendizagem do aluno. (Profª Irene) - Orientador e facilitador nas dificuldades encontradas pelo professor em sala de aula como também em elaborações de atividades extraclasses. (Profª Ana Letícia) - De um funcionário capacitado para resolver questões superiores no que diz respeito ao ensino. (Profª Amélia) - Um profissional da educação delegado a inspecionar o andamento do processo ensino aprendizagem. (Profª Fátima) A maioria dos professores é bastante objetiva em sua definição, onde percebemos que entre supervisor e professor deve haver uma ligação bem estreita no condizente à análise das dificuldades educacionais para que, assim estas sejam preservadas, discutidas e recebam atividades visando amenização e/ou extinção. Mas como minimizar a distância entre supervisor e professor? Por muitas décadas o supervisor tinha o papel de controlar, a longa distância a atuação do docente, como uma espécie de fiscalizador sem uma aproximação das questões pedagógicas, metodológicas. A preocupação era em estar funcionando, não importa como. O planejamento era algo burocrático. Não 37 havia elo de ligação entre o que se tinha (realidade) com os objetivos que se planejava; estes eram impostos, onde o professor e aluno deviam se adequar. O conhecimento prévio era perigoso e deixado à margem. O supervisor em fim, “orientava” a utilização de modelos inacabáveis e não admitia questionamentos. Hoje, porém essa visão/ concepção não é aplicável, visto que todos percebem que o trabalho coletivo é mais produtivo e é essa a linha de trabalho: Ação conjunta para alcançar os objetivos do ensino e da aprendizagem. Eis aí a resposta a nossa questão. É necessário ressaltar que a postura anteriormente assumida pelo supervisor era em resposta a sua formação e ao modelo de educação da época. Quanto a isso podemos observar nas duas respostas acima, a presença de visões que têm o supervisor como um profissional isolado ao passo que os pesquisados falaram em “inspecionar” e “resolver questões superiores”. Na entrevista percebemos que o supervisor é importante, porém algumas concepções ainda seguem vícios da educação conservadora tradicional. O supervisor então tem como função, segundo os pesquisados: - A função de pesquisador, colaborador e incentivador do professor nas mais diferentes áreas de aprendizagem. (Profª Irene) 38 - Um observador que ame o que faz, para que olhe com sensibilidade a real situação do processo ensino-aprendizagem em que está inserido e, a partir daí tenha pulso e estratégias eficazes para melhoria do ensino; até porque é o agente educativo ou pelo menos é “o que deveria ser”. Com uma “super” “visão” da realidade educativa. (Profª Fátima) - De supervisionar diretor, professor, secretário, alunos e os demais. (Profª Amélia) Podemos perceber na fala da professora Fátima que os supervisores com os quais ela tem contato não vêm desenvolvendo a função que lhe atribui que é de conhecer a realidade a fim de agir de forma eficaz. Já na resposta da professora Amélia é nítida a distorção no seu conceito sobre a função do supervisor, uma vez que ela lhe atribui responsabilidade administrativa além do verdadeiro foco que é o setor pedagógico. Não faz parte das atividades do supervisor orientar ações do gestor escolar ou de qualquer membro da área administrativa. Sua tarefa restringe-se a acompanhar a prática do professor e a aprendizagem do aluno reunindo estratégias para o sucesso desses dois agentes na escola. c) Dificuldades detectadas pelo professor na prática pedagógica É claro que a ação de educar, ensinar, acarreta vários momentos de dúvida, momentos conflituosos, confusos. Por isso ao questionar acerca das dificuldades encontradas na sua atividade pedagógica, o objetivo era procurar a expressão dos obstáculos para mais tarde estudar as possibilidades de acompanhamento do professor. 39 Sobre essa questão responderam: - Falta de interesse por parte do educando; a colaboração maior da família; no meu município falta também demais atenção do governo. (Profª Amélia) - O nível de maturidade de alguns alunos (alunos que chegam na quinta série sem alcançar as capacidades necessárias para o seu desenvolvimento); trabalhar com atividades diversificadas; recuperação paralela ( como deve ser realmente trabalhada). (Profª Cláudia) - Níveis diferentes de aprendizagem, salas superlotadas, falta de participação da família, pouco interesse dos alunos e bastante falta de atenção na hora das atividades coletivas. (Profª Ana Letícia) - (...) uma clientela desmotivada, com déficit bem visível do quadro “série/conhecimento”, e em alguns casos rebeldia, indisciplina, etc.. (Profª Fátima) - Aprendizagem lenta. (Profª Irene) Percebemos nas colocações acima, diversos pontos importantes na classificação feita pelas professoras acerca dos dificultores do processo ensino-aprendizagem. 40 As professoras Amélia, Fátima e Ana Letícia chamaram atenção para o desinteresse do aluno e para a falta de acompanhamento da família. Realmente o mundo externo prende mais a atenção dos alunos do que as atividades oferecidas pela escola. No entanto para que se estimule este aluno, são necessárias duas coisas: que haja uma ação conjunta entre escola e família para que a criança perceba a importância e a necessidade de se obter saberes que serão aplicáveis no seu cotidiano. E a outra forma de motivar seria o oferecimento pela escola de atividades lúdicas e que desse autonomia ao aluno, como por exemplo a criação de grêmio estudantil. Além disso, a professora Fátima lembra o comportamento rebelde e indisciplinado de muitos alunos. Nós sabemos que em determinada faixa etária os hormônios “explodem” no corpo humano, as posturas tendem a ser impulsivas e contrárias às convenções sociais. A escola deve oferecer técnicas, métodos capazes de organizar o ensino, prevendo atacar esses comportamentos. As professoras Cláudia, Ana Letícia, Fátima e Irene, falaram sobre diferentes níveis cognitivos. É sábio que não existe uma sala homogênea; os alunos têm valores diferentes, vêm de ambientes culturais diferentes, como afirma Falcão Filho (2000:291): “a cultura organizacional não é monolítica, harmônica e igual para toda a escola (...) a escola é um conjunto de subgrupos, professores, alunos, (...) onde cada um deles possuem sua própria forma de representação”. E por serem oriundos de família com graus de escolaridades diferentes, possuem um rítimo mais ou menos acelerado de aquisição de conhecimentos. 41 É um obstáculo sim, porém transponível, como por exemplo, a qualificação do professor para atender a essa diferença, utilizando-se de meios diversificados capazes de desenvolver aprendizagens do universo da turma. O professor faz isso modificando as atividades e/ou aumentando o desafio com o nível do aluno. d) Fatores que causam essas dificuldades e suas conseqüências para os sujeitos do processo educativo Todos esses dificultores relatados advêm de todo um contexto que envolve um emaranhado de fatores. Não há mais espaço para detectar culpados e fugir à responsabilidade. E também não há validade em uma determinada análise de causas se essa observação considerar apenas um ponto de vista. Em qualquer investigação devemos utilizar-nos da reflexão filosófica a qual deve ser “radical, rigorosa e de conjunto” (Aranha, 2000). Radical por ir a fundo, ou seja, até a raiz do problema; rigorosa por utilizar métodos e não investigar aleatoriamente, sem uma sistematização de passos; e de conjunto por estudar todos os aspectos que envolvem o tema em questão. Ao indagar sobre o que causa as conseqüências das dificuldades vivenciadas pelos professores e alunos, diversos foram os fatores apontados, como: falta de acompanhamento e incentivo familiar; ausência de tecnologia na escola; falta de perspectiva de vida por parte do aluno. Esses fatores ficam claros na fala da professora Amélia: 42 - Porque na maioria dos educadores falta perspectiva de vida, sonho, vontade própria...muitas famílias ainda não estão preparadas para ajudar seus filhos a serem responsáveis, o governo não levou aos municípios pequenos a tecnologia até a escola. Quanto aos dois primeiros fatores apontados pela professora (família e perspectiva de futuro), lembramos logo da dialogicidade de Paulo Freire. A escola e a família devem manter um diálogo aberto e sincero para que os filhos percebam sua responsabilidade e compromisso social, chegando à conclusão de onde querem chegar para tornar essa sociedade melhor. Dentro de uma convivência sadia o jovem ganhará habilidades e competências sabendo assim escolher um futuro prazeroso e eficaz. Também é uma preocupação da referida professora a ausência de instrumentos que facilitem o ensino e, consequentemente, a aprendizagem. Escolas distantes dos centros urbanos sofrem com a escassa tecnologia, no entanto devem buscar meios contextualizados para redimensionar sua ação pedagógica. Enquanto isso, podem solicitar das autoridades melhores condições de trabalho. Outra realidade que incomoda os docentes é a heterogeneidade. Não podemos aplicar uma única metodologia, pois assim iríamos satisfazer apenas a uma pequena parte dos alunos. A classe de alunos e/ou professores deve ser atendida na sua diversidade para que todos e, cada um, sinta-se acompanhado e respeitado. O fato concreto da pluralidade não admite uma idealizada universalização de valores, de cultura; mas requer observância hábil das diferenças e respeito mútuo como única maneira de uma convivência menos conflituosa. 43 Tudo que vem a desafiar o professor causa receio, porém essas diferenças de rítimos, essa heterogeneidade não são maléficas, mas benéficas à escola, haja vista contribuírem para ampliação das possibilidades de direcionar o processo educativo. O trabalho coletivo e compartilhado é, nos dias atuais, a forma de unir as competências: humana, política e técnica, através, é claro, da ética profissional. É com essa atitude que percebemos que o trabalho do supervisor e professor deve ser coletivo, já que o trabalho individual é ineficaz por não apontar mudanças qualitativas. e) Colaboração do supervisor à prática pedagógica do professor De acordo com o problema desta investigação, perguntamos aos sujeitos como o supervisor pode contribuir para resolver as dificuldades encontradas no cotidiano da sala de aula. Ao passo que responderam: - Orientar o professor na elaboração de estratégias que facilitem a execução do trabalho do professor na sala de aula. (Profª Ana Letícia) - Acompanhando sistematicamente cada caso, incentivando o professor no desempenho de suas funções. (Profª Irene) - Promovendo palestras, seminários para a comunidade; procurar ajudar mais o professor, buscar do governo tecnologias, melhoria do salário, etc. (Profª Amélia) 44 - Em primeiro lugar tendo conhecimento de causa, buscando parceria família, bairro, escola, enfim, empenhando-se em procurar “solução” para as dificuldades existentes. (Profª Fátima) - Solicitar do governo apoio na aquisição de programas de aceleração; disponibilizar um professor /espaço/condições para que aconteça aulas de reforço dentro da própria escola; estratégias junto a família para um melhor acompanhamento dos filhos. (Profª Cláudia) Há aqui muitas maneiras através das quais o supervisor pode se utilizar para auxiliar os professores na sua função de mediar entre o conhecimento e o aluno: orientação, acompanhamento, aplicação de estratégias, trabalho conjunto, promoção de palestras, mediar na busca de melhores condições de trabalho do professor, mediar parceria entre família e escola, incentivar, entre outros. É importante que o docente sinta que o supervisor tenha espaço na escola, que ele é necessário, pois esse é o primeiro passo para aceita-lo, visto que por muito tempo foi visado como fiscal. No entanto percebemos como sua função é necessária e, diante das diversas formas de contribuição apontadas pelos próprios professores, estes e o supervisor têm espaço para sentar, dividir tarefas e encontrar caminhos para a qualificação do ensino e eficácia da aprendizagem. De acordo com Gonçalves (2000), 45 O Supervisor Coordenador pedagógico deve ser um elemento integrante e integrador do trabalho que os professores regentes de classe realizam na escola. Como integrante e integrador do trabalho do grupo, ele deve procurar manter um nível significativo de dinâmica no trabalho da escola como instituição formal. O Supervisor Coordenador Pedagógico visualiza, reflete e age no e com a totalidade da produção dos professores gerentes, em geral, e, particular, com cada professor conforme sua classe de alunos. 46 CONCLUSÃO A pesquisa realizada problematizava uma questão – na visão da autora – bastante pertinente: quais as formas de contribuição da ação supervisora no tratamento das dificuldades encontradas pelo docente na sua prática pedagógica? O estudo foi desenvolvido no município de Antonio Almeida – PI, em escolas públicas, estadual e municipal, com professores do Ensino Fundamental. Muitas vezes realizamos uma atividade profissional e, no “corre-corre” do dia-a-dia do ser humano, ou no nosso comodismo, não refletimos acerca dessa ação que desempenhamos a um longo espaço de tempo e, se o fazemos ainda nos é obscura a visão que os outros têm quanto a função que desempenhamos. E ainda há possibilidade bastante provável de que certo conceito tenha sido formado de maneira distorcida, sofrendo análise errônea da comunidade. O supervisor por muitas décadas era visto como um profissional autocrático, autoritário, que centralizava para si o poder das decisões, desconhecendo a realidade. Esse passado poderia comprometer a concepção da função desse profissional nos dias atuais. Isso justifica a importância da pesquisa em procurar saber como o supervisor pode colaborar nas atitudes docentes, qual o seu real papel. 47 É nítido no decorrer deste trabalho, na visão dos autores que serviram de referencial teórico, e, confirmado nos depoimentos dos professores, que o supervisor é “peça” fundamental na educação e, principalmente, atuando próximo ao docente. Isso pode ser constatado nas várias atribuições asseguradas a ele pelos docentes, como aquele que: orienta os professores, cria estratégias de ação, exerce uma postura política a fim de qualificar o ensino, faz mediação entre família e escola, mobiliza a comunidade para a promoção de eventos, observa e avalia o trabalho docente, conhece a realidade e está presente na escola, etc.. Diante destas diversas e interdependentes atribuições percebemos que assim como a escola tem várias funções, não só a de ensinar/promover a formação, o supervisor também é um profissional polivalente. E por esta constatação fica mais difícil objetivar sua real atuação. É bastante perceptível nos dados colhidos, que além de ter todas as incumbências descritas pela população-amostra, tanto ela como os autores demonstram a importante função do supervisor em atuar como o mediador entre o professor e sua reflexão acerca de seu papel, que é um papel social e por isso deve ser desenvolvido da forma mais eficiente possível. Ou seja, o supervisor também tem a função de propiciar a formação de um professor reflexivo diante de sua prática educativa. Outra confirmação relevante desta investigação é a função do supervisor de intermediar como elemento integrador e promovedor do diálogo entre educador e escola e entre escola e comunidade. Aqui está o seu papel social. Sua atuação vai além do fazer pedagógico para buscar uma comunicação mais íntima entre os sujeitos integrantes do processo educativo. 48 Vivemos num espaço cheio de personalidades adversas, e, por isso, devemos nos conscientizar que diferença necessita de diferença, isto é, cada ser humano requer uma forma particular de tratamento. E dentro do espaço escolar ou nessa intermediação entre este e a comunidade, o supervisor elabora estratégias de discussão, argumentos e diálogos produtivos, visando essa heterogeneidade. Concluímos este trabalho confirmando as hipóteses elencadas no plano de pesquisa, que diziam que as formas de contribuição do supervisor seriam: o estudo da origem das dificuldades com a participação dos responsáveis pelos alunos; estimular os docentes do trabalho interdisciplinar e aplicação de instrumentos de ensino diversificado; e incentivo aos docentes a participarem de curso de formação continuada. Sendo assim os objetivos da investigação foram alcançados, haja vista, ter sido possível a caracterização do trabalho do supervisor na concepção do professor como aquele profissional necessário no cotidiano escolar para servir como elo entre docentes e as práticas pedagógicas eficazes. Também era meta desta pesquisa identificar, na prática do professor, as dificuldades encontradas, analisando suas causas. Para que pudéssemos saber como o supervisor poderia planejar seu trabalho junto ao professor também era necessário compreender o que acontecia normalmente no seu dia-a-dia em sala de aula. Essas dificuldades são: desinteresse dos alunos, desestrutura familiar, pouco investimento na educação, distorção idade/série (alunos sem habilidade na série atual), superlotação de turmas, níveis e ritmos de aprendizagem diferentes, desmotivação/desestímulo, etc. 49 E por fim este trabalho buscou perceber quais as formas de contribuição do supervisor junto à ação docente. Quanto a este objetivo, e diante dos obstáculos acima listados, o supervisor, para os professores pesquisados, tem papel de orientar, buscar melhoria, mediar, colaborar no progresso do professor, para tanto é fundamental a presença deste profissional como seu parceiro no processo de ensino – aprendizagem. Todas essas funções atribuídas ao supervisor são para população – amostra, as formas possíveis de contribuição para que o supervisor atue eficientemente, e ver que o trabalho do supervisor é imprescindível no seu desempenho. Isto é, o docente deve confiar na ação supervisora para que haja comunicação entre estes dois personagens estruturais da educação – supervisor e professor. A autora espera que os dados aqui coletados e analisados possam auxiliar futuros estudos sobre o tema, mas que principalmente esclareça para Supervisor e Professor seus verdadeiros papéis no espaço educativo e a extrema necessidade de uma ação compartilhada entre os dois para a concretização de um processo de ensino-aprendizagem eficiente e eficaz. 50 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ALONSO, M. A Supervisão e o desenvolvimento profissional do professor. In: FERREIRA, N. S. C. (org), Supervisão Educacional para uma escola de qualidade: da formação à ação. 2ª ed. SP: Cortez, 2000. CARVALHO, Marlene Araújo de. A prática pedagógica como fundamento para se repensar a formação de professores. PUC/SP, tese de Doutorado, 1998. CUNHA, Maria Isabel da. Reflexões sobre a educação de professores como uma prática da supervisão pedagógica. In: Educação e Sociedade. nº. 25, dezembro 1986 DIAS e SOUSA, Celeste Aparecida. Atribuições do supervisor, 1995 (Mimeo). ERICKSON, F. Métodos qualitativos de invertigación sobre la enseñanza. In: WITIROCK, M. C. Lá invertigación de lá enseñanza, métodos avaliativos y de invertigación. Buenos Aires: Piados 1989. FALCÃO FILHO, José Leão Marinho. Uma supervisão compartilhada: a relação professor/supervisor. In: Revista AMAE educando. BH: AMAE, nº 179, pg.4-12, maio/1986. _____________. A formação e a prática do educador: Antigos e novos paradigmas. Edu. Brás. Brasília, V. 19, nº 38, p. 141- 159, primeiro 100/1997. _____________. O supervisor coordenador pedagógico: papel. julho, 2000 FARIAS, Adriana Lima de (org.) supervisão escolar: do que se trata? In: gestão pedagógica, Modulo I. cursos de pos-grsduação “Lato-sensu”. Projeto “A vez do mestre: 2006/2007 FILIPKOWSKI, Mariléia Lílian. Do cotidiano percebido à ação supervisora: encaminhamentos para a formação continuada. www.uepg.br/olhardeprofessor/pdf/revista61_artigo04.pdf. 2003, p. 41-58. 51 , Paulo. Pedagogia da Autonomia. SP: Paz e Terra, 1997. ____________. Pedagogia do oprimido. 45 Ed.RJ: Paz e Terra. 2005. ____________. Educação e Mudança e Mudança. 18ª ed. RJ:Paz e Terra, 1991. GOVERNO DO ESTADO DO PIAUI. Lei de diretrizes e base da educação nacional. Teresina- PI 2005 MEDINA, Antonia da Silva. Supervisor Escolar: parceiro político-pedagógico do professor. In: SILVA JUNIOR, C. A e RANGEL, M. (orgs). Nove olhares sobre a supervisão. 7ª ed. Campinas, SP: Papirus, 2001. MOURA, Sonha Maria Soares. (org) Estratégias da ação supervisora. In: Gestão pedagógica, módulo II. Curso de Pós- Graduação Lato Sensu. Projeto “A Vez do Mestre”, 2006/2007. ORSOLON, Luzia Angelina Marino. O Coordenador/formador como um dos agentes de transformação da/na escola. In: Placco , V. M. N. de S. e Almeida, L. R. de. O coordenador pedagógico e o espaço da mudança. SP: Loyola, 2001. PLACCO, Vera Maria Nigro de Sousa e SILVA, Silvia Helena Sousa da. A formação do professor: reflexão, desafios, perspectivas. In: Bruno, E. B.G., ALMEIDA, L. R. e CHRISTOV, L. H. S. O coordenador pedagógico e a formação docente. 2ª ed. SP: Loyola, 2001. SAVIANI, Dermeval. A Supervisão Educacional em perspectiva histórica: da função à profissão pela mediação da idéia. In: FERREIRA, Naura Syria Capareto. In: Supervisão Educacional para uma escola de qualidade da formação à ação. 5ª ed. SP: Cortez, 2006. SILVA JÚNIOR, Celestino Alves. Organização do trabalho na escola pública: o pedagógico e o administrativo na ação supervisora. In: SILVA JÙNIOR, C. A. e RANGEL, M. (orgs). Nove olhares sobre a supervisão. 7ª ed. Campinas, SP: Papirus. 2001. 52 ANEXO ENTREVISTA 1. Qual sua formação pedagógica? 2. Que concepção você tem de supervisão pedagógica? 3. Que funções você atribui ao Supervisor Pedagógico? 4. Quais as dificuldades encontradas por você na sala de aula? 5. Que fatores causam essas dificuldades? 6. Como o supervisor pode ajudar a resolver essas dificuldades? 53 ÍNDICE FOLHA DE ROSTO 2 AGRADECIMENTO 3 DEDICATÓRIA 4 RESUMO 5 METODOLOGIA 6 SUMÁRIO 10 INTRODUÇÃO 11 CAPÍTULO I RESGATE HISTÓRICO DA AÇÃO SUPERVISORA 16 CAPÍTULO II ATUAÇÃO E FORMAÇÃO DO PROFESSOR: ESPAÇO PARA UMA 21 SUPERVISÃO CAPÍTULO III SUPERVISOR: INTERVENÇÃO SIGNIFICATIVA NA PRÁTICA DO 28 PROFESSOR CAPÍTULO IV DESCRIÇÃO DOS DADOS E ANÁLISE DOS RESULTADOS 34 a) Formação pedagógica 34 b) Concepções x funções do supervisor na visão do professor 35 c) Dificuldades detectadas pelo professor na prática pedagógica 38 54 d) Fatores que causam essas dificuldades de suas conseqüências para os sujeitos do processo educativo; 41 e) Colaboração do supervisor a pratica pedagógica do professor. 43 CONCLUSÃO 46 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 50 ANEXO 52 ÍNDICE 53