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O COMÉRCIO DA CIDADE DE CACHOEIRA E SUA IMPORTÂNCIA
SOCIOECONÔMICA
2.
Eduarda de Jesus Souza Lima1; Alessandra Oliveira Araújo2
1. Bolsista Fapesb, Graduanda do curso Licenciatura em Geografia, Universidade
Estadual de Feira de Santana, e-mail: [email protected]
Orientadora, vinculada ao DCHF - Departamento de Ciências Humanas e Filosofia da
UEFS - Universidade Estadual de Feira de Santana, e-mail:
[email protected].
PALAVRAS-CHAVE: Recôncavo Baiano, Comércio, Cachoeira
INTRODUÇÃO
Este trabalho refere-se a um recorte do projeto de pesquisa sobre o Recôncavo Baiano:
Dinâmica Territorial e Reestruturação Produtiva. Cujo objetivo é investigar a dinâmica do
comércio da cidade de Cachoeira através do tempo; identificar características das atividades
econômicas desenvolvidas pelos comerciantes dentre os períodos de apogeu e decadência do
comércio e qual a relação de Cachoeira com os municípios do Recôncavo Baiano.
O processo de ocupação do espaço da cidade de Cachoeira se deu com a chegada dos
Portugueses ao território hoje brasileiro, antes se constitua colônia de Portugal. A cidade
localiza-se no Recôncavo Baiano Sul, umas das áreas mais antigas referente ocupação. Esta
serviu de palco para o desenvolvimento de um comércio intenso no período colonial, devido
ao desenvolvimento de culturas rentáveis com destaque para cana de açúcar seguido do café e
outros recursos naturais e minerais ali existentes, bem como de outras localidades que vinham
através do transporte fluvial pelas águas do rio Paraguaçu, que desembarcavam no porto da
Vila Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira. Isto se deu devido às condições
geográficas favoráveis ali existentes e condições naturais, região com solos férteis e as
proximidades do rio Paraguaçu.
A cidade de Cachoeira por está localizada em posição geográfica privilegiada as
margens esquerda do rio Paraguaçu e este está ligado a Baia de Todos os Santos, favorável ao
transporte aquático que facilitava o transporte de mercadorias e também outro fator
determinante foram solos férteis propícios para a plantação da cana-de-açúcar, seguido do
fumo e cultivo para subsistências, conforme, Brandão (1998, p. 32)
O ciclo do açúcar, que desdobrou com o fumo, a pecuária, agricultura alimentar, o
café o algodão, as especiarias, couros, e peles, carvão vegetal, caieiras e olarias, as
rendas e os bordados, a cerâmica utilitária e lúdica, criou assim uma complexa
tradição cultural, um tecido social territorialmente diverso e uma exuberante
paisagem construída. Cada coisa em seu lugar.
Desta forma, percebem-se a produção do espaço a partir de relações sociais,
econômicas, políticas, fisionômicas e até mesmo culturais. No qual cada área do Recôncavo
Baiano se especializa no cultivo agrícola. Cachoeira se destaca com o cultivo da cana-deaçúcar e fumo e a comercialização de mercadorias através do Porto de Cachoeira.
MATERIAIS E MÉTODOS
Para a realização da pesquisa propomos como metodologia a utilização de fontes
secundárias. Foi feito um levantamento bibliográfico através de sucessivas consultas aos
livros, revistas, documentos históricos, publicações especializadas, dados da internet, bem
como as informações dos censos demográficos, agropecuários e industrial do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o levantamento de informações sobre o
perfil socioeconômico e demográfico, bem como a área destinada às atividades produtivas das
populações presentes na cidade proposta para o estudo; será feito o levantamento de teses,
dissertações e monografias, que tratam da região no intuito de pontuar o que já se tem
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pesquisado no meio acadêmico, essa etapa será realizada através de consulta on-line nos
bancos de dissertações e teses de bibliotecas e órgãos governamentais que possui esse tipo de
registro.
RESULTADOS E/OU DISCUSSÃO
Apogeu do comércio
O apogeu econômico da cidade de Cachoeira deu-se no século XVIII, neste período
foram construídas grandes obras com influências estilo barroco como mansões, igrejas e
sobrados, contribuindo assim para formar, um dos conjuntos arquitetônico mais admirável do
País, se caracterizando como mais antigo complexo urbano do Brasil, conforme destaca
(SANTOS, 1998 apud FONSECA, 2006). “Isto se deu devido a produção do açúcar no Iguape
e no Vale do Paraguaçu e a introdução da cultura do fumo”.
O cultivo do fumo foi introduzido em torno de 1760, o qual fortalecia ainda mais a
Vila, que se transforma velozmente no principal centro para seleção, empacotamento e
manufatura do produto no Estado. Era pelo porto da Vila que se embarcava toda a produção
do tabaco e do açúcar. A movimentação do porto não era apenas proveniente do fumo e
açúcar, circulavam também diversas mercadorias, promovendo assim um intenso Comércio
com semelhança do porto marítimo da Capital da Província da Bahia (Salvador).
O constante fluxo do transporte destas mercadorias estabelece uma conexão entre o
transporte terrestre e o fluvial que torna a Vila um pólo de destaque para o desenvolvimento
da economia regional, estadual e nacional. O transporte das mercadorias era feita através vias
fluvial/marinha no Rio Paraguaçu, desde a sua foz na Bahia de Todos os Santos até o porto de
Cachoeira, isso se dava devido as condições geográficas favoráveis para fazer da Vila a
principal via de acesso das mercadorias do Sertão baiano para Europa ou da Europa para
Sertão. O constante fluxo de mercadorias entre o porto de Cachoeira e a Capital do Estado
Salvador constitui a transformação do espaço geográfico numa dinâmica iterativa se organiza
através do conjunto de fixos e fluxos como denominou Santos (2008, p. 61 apud, Santos,
1982, p 53; Santos, 1988, PP. 75-85) nos quais “os fixos em cada lugar permitem ações que
modificam o próprio lugar, enquanto que os fluxos são um resultado direto ou indireto das
ações e atravessam ou se instalam nos fixos modificando a sua significação e o seu valor, ao
mesmo tempo em que também se modificam”.
É visto claramente que na cidade de Cachoeira o comércio assume a sua dinâmica
econômica e social da organização espacial com estes elementos, onde o porto de Cachoeira
assume o elemento fixo, que é interligado por via fluvial/marinha no qual assume o papel dos
fluxos e Salvador seria outro elemento fixo que tem o oceano Atlântico como fluxo para
Europa que se constitui um ponto fixo que interagem com comércio de importação e
exportação.
Processo de decadência
Na segunda metade do século XIX como é citado nos estudos de Brandão (1998) o
comércio de Cachoeira entra em decadência, devido a queda dos cultivos açucareiro,
fumageiro, subsistência e outras mercadorias que vinham do sertão para o porto de Cachoeira
que se constituía um centro de distribuição para Salvador que eram exportados para Europa
via fluvial/marinha.
Já na segunda metade do século XX, há uma redução significativa do transporte
fluvial, apesar dos investimentos para sua modernização, este tipo de transporte é deixado de
lado em 1967, isto ocorre em virtude da abertura vias viárias (estrada de asfaltos) as BR 324 e
101 que contribuíram para mudança dos eixos econômicos em torno de outras cidades, a
exemplo de Feira de Santana, Alagoinhas, Santo Antonio de Jesus, Amargosa.
Há uma reconfiguração do espaço de Cachoeira que trouxeram novos eixos
econômicos, com as construções de rodovias que liga o nordeste ao sudeste, as políticas
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desconcentração industrial do sudeste para o Nordeste e novos investimentos no Recôncavo
Baiano está em torno do Petróleo, isso fez com que Cachoeira perdesse sua representação
econômica no país.
A Bahia teve uma significativa importância econômica no território hoje brasileiro no
período colonial em que predominava agroexportação em que teve destaque a cana de açúcar
seguido do fumo no Recôncavo Baiano. Na qual teve como protagonista principal a cidade de
Cachoeira, pois, além de zona produtora dos produtos agrícolas mantinha como polo de
comercialização das mercadorias que eram embarcadas via transporte fluvial rio Paraguaçu
até a Baia de Todos os Santos para Salvador para serem exportadas para Europa, Conforme
A economia de exportação baiana teve seu crescimento real no período de 1780 a
1860 (aumentos no volume das exportações e nas receitas em termos reais). Esse
crescimento contrasta com o declínio sofrido tanto nas décadas anteriores a 1780
quanto nas posteriores a 1860, (BARICKMAN, Bert J. 2003, p 35).
O século XVIII até meados do século XIX foram marcados pelo auge econômico na
Bahia e representa o ultimo período de uma agricultura escravista que prosperou no
Recôncavo Baiano que entrou em decadência a partir de meados do século XIX.
CONCLUSÃO
A atividade comercial de Cachoeira no período colonial teve momentos de auges e
declínios, conforme descreve a literatura referente a temática. O comércio teve maior
visibilidade nos século XVIII até meado do século XIX, havendo períodos de altas e baixas de
um cultivo para outro, neste período os investimentos eram entorno da monocultura, cana-deaçúcar e o fumo. As mercadorias que vinham de outras localidades do país para o porto de
Cachoeira junto ao fumo e a cana-de-açúcar, principais cultivos desenvolvido na época eram
exportados para Europa, especialmente Portugal.
Apesar da oscilação do comércio da cidade de Cachoeira no período colonial podemos
entender esta dinâmica e interações espaciais do comércio da cidade de Cachoeira e sua
atividades heterogêneas analisando a discussão de Santos (1979) no qual, o espaço é dividido
em dois circuitos econômicos responsáveis pelo processo econômico de organização do
espaço: o Circuito Superior o Circuito Inferior. O circuito superior resulta diretamente da
modernidade das suas tecnologias, formado pelo comércio e indústria de exportação, indústria
urbanas moderna, serviços especializados, transportes e comércio atacadista, enquanto que o
Circuito Inferior da não modernização tecnológica constituída por fabricas com baixa
produção e não qualificada, mercado informal (feiras livres), fabricações tradicionais
(artesanato) e prestação de serviço.
O circuito superior está presente no período colonial por conta de suas atividades comerciais
está vinculada ao comércio de exportação, porém as condições históricas da cidade mostram a
inversão do circuito econômico.
REFERÊNCIAS
BARICKMAN, B. J. Um contraponto baiano: açúcar, fumo, mandioca e escravidão no
Recôncavo, 1780-1860. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. 445p.
BRANDÃO. Maria de Azevedo. (Org.) Recôncavo da Bahia: sociedade e economia em
transição.
Salvador: Fundação Casa de Jorge Amado; Academia de Letras da Bahia;
Universidade Federal da Bahia, 1998.
BRITO, Cristóvão de Cássio da Trindade. A Petrobrás e a Gestão do Território no
Recôncavo Baiano. Salvador, BA: EDUFBA, 2008. 235 p.
CARLOS. Ana Fani Alessandri. (Org.). Novos caminhos da geografia. São Paulo: Contexto,
1999. 204.
FONSECA, Áurea Cortes Nunes de Oliveira. Aspectos do desenvolvimento regional no
Recôncavo Sul Baiano: O caso de Município de Cachoeira – Bahia – Brasil. Barcelona.
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2006. 343f.. Tese (Doutorado) em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional.
Faculdade de Geografia e História, Universidade de Barcelona.
IBGE - INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. IBGE Cidades.
Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/painel.php?codmun=290490>.
Acessado em: 06 de jan de 2012.
SANTOS, Milton. O espaco dividido: os dois circuitos da economia urbana dos paises
subdesenvolvidos. Rio de Janeiro: F. Alves, 1979. 345 p.
SANTOS, Milton. A natureza do espaco: tecnica e tempo; razao e emocao. 2.ed Sao Paulo:
Hucitec, 1997. 308 p.
SUPERINTENDÊNCIA DE ESTUDOS ECONÔMICOS E SOCIAIS DA BAHIA. Evolução
territorial e administrativa do Estado da Bahia: Um breve Histórico. Salvador, 2001, 95 p.
SEI. ANUÁRIO ESTATÍSTICO DA BAHIA, SALVADOR. V. 23, p. 663, 2009. Disponível
em:<http://www.sei.ba.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=73&Itemid
=110 >. Acesso em 13 de out. 2011.
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