IV JORNADAS DE ANÁLISE DO DISCURSO – JADIS IV
LIVRO DE RESUMOS – BOOK OF ABSTRACTS
1) CONCESSION ON THE CONTINUUM OF CONFRONTATION: THE
RHETORICAL FUNCTIONS OF CONCESSION IN DIFFERENT KINDS OF
ACADEMIC ARTICLES
Zohar Livnat
Bar-Ilan University
[email protected]
Scientific discourse is a form of persuasive writing, the primary objective of
which is to ensure that the new claims are accepted and ratified as new
knowledge by the disciplinary community so that they become an integral
part of a particular field’s literature (Hyland 1998, FlØttum et al. 2006). The
specific persuasive aims that the author must attain are to convincingly create
a research space (Swales 1990); justify the choice of the theoretical
framework, methodology and statistical analysis; justify the findings’
interpretation and conclusions; and present an innovation (Hunston 1994,
Livnat 2012).
In the present paper, I analyze academic papers in the social sciences and
humanities with a focus on concession structures, on the assumption that
concession is a persuasive device that naturally enables the presence of other
voices in the written text. The dialogue with these voices (the reader, other
researchers and the discourse community) may differ in terms of the degree
of confrontation it conveys.
Applying Martín-Martín (2005)’s model and paying close attention to the use
of linguistic elements such as personal names, pronouns, hedges, direct
negation, intensifiers, and active/passive voice, I will draw a continuum of
confrontation for this scientific genre and demonstrate the various functions
that concession performs in different kinds of papers, from the less conflictual
to the most. While on the less conflictual pole of the continuum, concession
structures act within the constraints of the genre conventions, including the
principles of politeness (Myers 1989), on the more conflictual one, their
confrontation potential is exploited by the authors and linguistically
manifested.
References :
FLØTTUM, Kjersti, Dahl, Trine and Kinn, Torodd. 2006. Academic Voices.
Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins.
HUNSTON, Susan. 1994. “Evaluation and organization in a sample of written
academic discourse.” In Advanced in Written Text Analysis, Malcolm Coulthard
(ed.). London: Routledge.
HYLAND, Ken. 1998. Hedging in Scientific Research Articles.
Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins.
LIVNAT, Zohar. 2012. Dialogue, Science and Academic Writing. Amsterdam/
Philadelphia: John Benjamins.
MARTIN-MARTIN, Pedro. 2005. The Rhetoric of the Abstract in English and
Spanish Scientific Discourse. Bern: Peter Lang.
MYERS, Greg. 1989. “The pragmatics of politeness in scientific articles.”
Applied Linguistics 10 (1): 1-35.
SWALES, John M. 1990. Genre Analysis: English in Academic and Research
Settings. Cambridge/New York/Melbourne: Cambridge University Press.
1
2) ETHOS DE AUTORIDADE E MECANISMOS DE PERSUASÃO NOS
PREFÁCIOS DE OBRAS CIENTÍFICAS
Isabel Seara
Universidade Aberta
[email protected]
The writer of the preface (...) must show himself
for a moment in the portico”, “if I meet the reader on the threshold”
Stevenson Préface de An Inland Voyage , http://eldred.ne.mediaone
O prefácio de obras científicas configura um género textual que, de acordo
com os estudos de Genette, se inclui na categoria do paratexto, em que mais
do que um limite ou de uma fronteira impermeável, se afigura como um
limiar (Genette 1987: 7). Poder-se-á, assim, entender como um vestíbulo que
escancara possibilidades de leitura e que pode comandar a leitura
subsequente da obra, preparando o leitor para a descoberta, indicando
percursos de leitura, suscitando o desejo de ler.
São escassos os estudos sobre prefácios e os poucos existentes reportam-se
preferencialmente aos prefácios de obras literárias, sendo os principais
pressupostos teóricos sobre o género defendidos por Derrida (1972), Genette
(1987) e Mitterand(1980).
O prefácio de obra científica encerra uma característica etiológica, pois não
possui identidade fora da conexão metatextual.
Nesta comunicação, procuraremos discutir a estrutura prototípica do género,
evidenciando alguns dos argumentos repetidamente convocados,
nomeadamente o ethos de autoridade que está ao serviço da argumentação e
da persuasão, ensaiando igualmente demonstrar que o prefácio é um espaço
de diálogo (Leroy 2003)
Authier-Revuz (1998) considera o discurso de divulgação científica como um
discurso que encerra uma reformulação explícita, através de uma dupla
enunciação, revelando-se um discurso aproximativo, heterogéneo e dialógico.
Ao serem estabelecidas múltiplas remissões para textos teóricos fundadores,
o prefaciador, a quem é proposto este desafio autoral, posiciona-se
cientificamente, evidenciando um ethos de autoridade para veicular a sua
credibilidade, para corroborar a imagem de especialista bem informado e
documentado, potencializando naturalmente a persuasão intelectual
necessária face aos leitores.
Este ethos do prefaciador está igualmente em estreita relação com a imagem
social, na medida em que é indissociável
de uma estratégia de
posicionamento no domínio científico em questão. (Cf. Amossy 2009).
Perfilam-se algumas questões que desencadeiam esta investigação:
O que se projeta do prefaciador no discurso paratextual?
Qual a ligação entre os textos prefaciais e as obras propriamente ditas?
Quais os argumentos convocados?
Como se expressa o ethos de autoridade?
Quais as estratégias verbais ao serviço da persuasão?
Será o prefácio, como afirma Leroy (2003: 24), « toujours peu ou prou
l’énoncé d’un dogme»?
Referências bibliográficas:
AMOSSY, Ruth, « La double nature de l’image d’auteur », Argumentation et
Analyse du Discours 3 | 2009, disponível online 15 outubro de 2009,
[consultado:10 de setembro de 2014. URL : http://aad.revues.org/662]
DERRIDA, Jacques. “Hors-livre” in La Dissémination. Paris : Seuil, 1972.
GENETTE, Gérard. “L’instance préfacielle”, “Les fonctions de la préface
originale”, et “Autres préfaces, autres fonctions” in Seuils. Paris : Seuil, 1987.
LEROY, M. (2003). La Préface de roman comme système communicationnel:
autor de Walter Scott, Henry James et Joseph Conrad. Thèse de doctorat
Unuversité d’Angers. Disponível em http://www.iquesta.com/memoirethese/document/lettres-et-langues/preface-roman-systemecommunicationnel.pdf [consultado em julho de 2014]
MITTERAND, Henri. “La préface et ses lois : avant-propos romantiques” in Le
Discours du roman. Paris: Presses Universitaires de France,1980.
ROUKHOMOVSKY, B. (1997). Lire les formes brèves. Paris: Armand Colin.
2
3) A CONSTRUÇÃO DO ETHOS NO DISCURSO SOBRE CIÊNCIA:
PROCESSOS DE FIGURAÇÃO E ESTRATÉGIAS RETÓRICOARGUMENTATIVAS DE REFORÇO DO DITO
Carla Aurélia Rodrigues de Almeida
Universidade Aberta
[email protected]
Tomando por referência um corpus constituído por textos sobre Ciência,
publicados em jornais portugueses, procederemos à análise da construção do
ethos (Amossy, 1999: 134-135) do locutor no discurso acerca da Ciência,
revelando uma retórica específica com a realização de processos de figuração
e estratégias discursivas argumentativas particulares.
O enquadramento teórico tem por base uma perspetiva semânticopragmática de análise dos fenómenos linguísticos (Fonseca, 1992).
Demonstraremos que o discurso sobre Ciência realizado nos media é
ritualizado: por um lado, consideraremos os mitigadores (Fraser, 1980),
realizados em atos assertivos com modalidade epistémica, que visam o
distanciamento em relação ao que é dito e reduzem as “obrigações
epistémicas do locutor” (Caffi, 2000: 92-93), e, por outro lado, teremos em
conta fenómenos discursivos de intensificação ou reforço de valores
ilocutórios no quadro de um discurso argumentativo-persuasivo específico
dos media. Estes fenómenos discursivos fazem parte da competência
retórico-pragmática (Kerbrat-Orecchioni, 1986) do locutor.
Consideraremos os atenuadores do valor ilocutório de atos de discurso mais
ameaçadores da face, no sentido da proteção da autoimagem de um locutor
que não põe demasiado em causa outras vozes autorizadas convocadas no seu
discurso, e teremos ainda em conta a análise do valor argumentativo do uso
de intensificadores em segmentos de reforço do que é dito.
São, assim, analisados os seguintes fenómenos linguísticos: o uso
argumentativo de perguntas específicas sobre o tópico em análise, a
expressão da negação em asserções, especificamente, a negação reforçada e a
negação atenuada e a ocorrência não só de mitigadores em asserções na
forma afirmativa, mas também o uso estratégico de intensificadores que
ocorrem em asserções sobre a Ciência no quadro de um discurso
argumentativo de apelo ao consenso.
Referências Bibliográficas
AMOSSY, Ruth (1999) « L’ethos au carrefour des disciplines : rhétorique,
pragmatique, sociologie des champs » In Amossy, Ruth (org.) Images de soi
dans le discours. La construction de l’ethos, Paris, Delachaux et Niestlé, pp.
127-154.
CAFFI, Claudia (2000) « Aspects du calibrage des distances émotives entre
rhétorique et psychologie» in Plantin, C. et al., 2000, Les émotions dans les
interactions, Lyon, Presses Universitaires de Lyon, pp. 89-104.
FONSECA, J. (1992) Linguística e Texto/ Discurso - teoria, descrição,
aplicação, Lisboa, Ministério da Educação / Instituto de Cultura e Língua
Portuguesa.
FRASER, Bruce (1980) “Conversational mitigation”, Journal of pragmatics, 4,
4, pp. 341-350.
Kerbrat-Orecchioni, Catherine (1986) L'implicite, Paris, Armand Colin, 2ème
édition.
4)
THE CONSTRUCTION OF THE SCIENTIFIC ETHOS: STRATEGIES OF
ERASURE AND OF REINFORCEMENT OF THE SELF IN ACADEMIC THESIS
Alexandra Guedes Pinto
Isabel Margarida Duarte
iduarte letras.up.pt, [email protected]
Due to the necessity to build the ‘rhetoric of objectivity’, the scientific ethos is
normally erased from the surface of the discourse. This process of erasure is
obtained through a series of linguistic methods that are widely studied in
research on the matter.
Nonetheless, this convention of the impersonal reporting, strongly pervasive
as a marker of the scientific genre, generates several relevant questions for
the construction of the discourse of Science, such as the question of the
‘enunciative responsibility’ (MARQUES, 2013).
Based on the analysis of a corpus of masters dissertations on Linguistics and
Language Teaching, this work aims at discussing whereas the non-positioning
of the enunciator in the masters dissertations, through the use of epistemic
3
modalizators, is a means of building the “humble” and mitigated scientific
ethos or whereas it is a means of disclaiming responsibility for the scientific
construction on the part of the investigators.
Also, in a discourse that is typically impersonal, the works also aims at
accounting for the formal traces of the enunciator in elements of evaluative
modalization.
Bibliography
DE SAEGER, B., Evidencialidad y modalidad epistémica en los verbos de
actitud proposicional en español, Interlingüística, nº 17, 2007, p. 268-277.
GOSSELIN, L. Les modalités en français. La validation des représentations,.
Amsterdam/New York, NY, Rodopi, 2010.
KERBRAT-ORECCHIONI, C. L’Énonciation de la subjectivité dans le langage.
Paris : A. Colin, 1980.
LE QUERLER, N., Typologie des modalités, Caen, Presses Universitaires de
Caen, 1996.
MARQUES, M.A. Construir a responsabilidade enunciativa no discurso
jornalístico, in REDIS – Revista de Estudos do Discurso, nº 2, Porto - FLUP/
CLUP, 2013.
MARTINS, Ana, Evidencialidade no discurso dos media, Estudos Linguísticos /
Linguistice Studies, 5, 2010, p. 235-245.
RABATEL, A. e Chauvin-Vileno, A. La "question" de la responsabilité dans
l'écriture de presse. Semen 22, p. 5-24.
TORRES Ramírez, A., La evidencialidad y la modalidad textual en el discurso
científico-técnico: implicaciones didácticas, Estudios de Lingüística inglesa
aplicada, 11, 2011, p. 89-117.
como se dá essa construção discursivo-argumentativa do ethos científico.
Como objetivos específicos, pretendemos (a) analisar como se dá a
construção do sentido do discurso científico e (b) investigar como a
argumentação apresentada pelo locutor, nesse tipo discursivo, se relaciona
com a formação de um ethos próprio do discurso científico. Para tanto,
tomamos como referencial teórico a análise do discurso de Dominique
Maingueneau. De acordo com o linguista, a noção de ethos está
necessariamente vinculada à cena de enunciação, na medida em que é pelo
acontecimento enunciativo que o locutor apresenta-se sob uma cenografia e
desempenha certo papel em conjunto com seu coenunciador que, por meio do
discurso, constrói a figura de um fiador. Esse fiador apresenta uma imagem
de si por uma maneira de dizer, revelando um tom no seu discurso. Para a
análise discursiva, tomamos, como corpus, um artigo de estudo de caso, de
um periódico científico de Administração. Como primeira etapa metodológica,
analisamos as relações estabelecidas pelo uso de conectores e dos
encadeamentos de sentido decorrentes dessas escolhas linguísticas. Em
sequência, identificamos o tom discursivo utilizado, o qual permite ao leitor
construir uma representação do corpo do enunciador. Por fim, relacionamos
o ethos identificado por meio da análise discursiva à cena enunciativa da qual
ele participa, a de um artigo de estudo de caso (gênero de discurso). Desse
modo, pensamos ser possível a compreensão do universo de sentido
propiciado pelo discurso em análise e imposto pelo ethos. Procuramos,
também, contribuir com o desenvolvimento da análise enunciativa do gênero
discursivo estudo de caso, da área de Administração.
6) FAZER-SE VISÍVEL NA REDE: A PRÁTICA BLOGUEIRA E A
CONSTRUÇÃO SOCIAL DO CIENTISTA E DA CIÊNCIA
5) UMA ANÁLISE DISCURSIVA DA CONSTRUÇÃO DO ETHOS EM UM
ARTIGO CIENTÍFICO
Natália Martins Flores, (UFPE/Brasil)
Isaltina Maria de Azevedo Mello Gomes (Departamento de Comunicação PPPGCOM/UFPE
[email protected]; [email protected]
Cláudio Primo Delanoy (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) e Cristina Rörig
Goulart (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul
[email protected] ; [email protected]
O trabalho trata de uma pesquisa de doutorado em andamento sobre os
espaços de enunciação de cientistas blogueiros em blogs brasileiros. No
Brasil, temos um crescimento significativo de uso de blogs independentes por
pesquisadores para se comunicar ciência. Interessa-nos refletir sobre as
condições de produção do discurso que possibilitam a emergência da
atividade blogueira na comunidade científica. Também discutimos em que
Este trabalho tem como tema a construção de um ethos por meio de
argumentações presentes em discursos científicos, resultando no que
denominamos ethos científico. Como objetivo geral, propomo-nos a investigar
4
medida essa prática discursiva transforma a ciência. O aporte teórico
utilizado provém dos estudos do discurso e da linguagem, com autores como
Michel Foucault (1969; 1971; 1982), Mikhail Bakhtin (2010 [1929]), e, mais
especificamente, da Análise do Discurso de Linha Francesa, com Dominique
Maingueneau (2013; 2014; 2008). Esse aporte possibilita compreendermos
que a materialidade discursiva é o indicador mais sensível de mudanças na
realidade social (BAKHTIN, 2010 [1929]). No nosso caso, a emergência dos
blogs e de redes sociais digitais como materialidades discursivas da
comunidade científica poderia indicar outras formas de articulação entre o
sujeito-cientista, a prática científica e a instituição científica. A metodologia
utilizada é a Análise do Discurso, de linha francesa, e detém-se na análise do
contexto sociohistórico de emergência dos blogs e do discurso implicado nos
seus textos. Na análise discursiva, utilizamos as categorias de Maingueneau
(2014) para delinear uma análise preliminar de marcas discursivas que
indicam os modos de construção da relação entre cientista e ciência nos posts
de blogs escritos por pesquisadores. Nossas observações mostram que os
blogs surgem num contexto de emergência de uma nova visibilidade externa
ao campo científico, a um novo modo de fazer-se visível do cientista, que se
insere na cultura da participação (SHIRKY, 2011) e utiliza a mídia para
promover suas pesquisas e obter financiamento. Mostrar-se para a sociedade
torna-se parte estratégica de ser cientista e adquire tanta importância quanto
mostrar-se para seus pares. Nos blogs, esses sujeitos tornam-se os produtores
de sua imagem, os quais o utilizam como um espaço de reflexividade. Nos
blogs, ele restitui sua subjetividade ao refletir sobre sua prática, utilizando
uma escrita informal, afastada das normas da escrita científica. Estes tornamse espaços de visibilidade da ciência e do cientista, auxiliando na perpetuação
do espaço social da atividade científica.
Referências bibliográficas
BAKHTIN, M. Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do
método sociológico da linguagem. 12 ed. São Paulo: Hucitec, 2010 [1929].
201p.
FOUCAULT, M. A hermenêutica do sujeito. São Paulo: Martins Fontes, 1982.
______. L’arquéologie du savoir. Paris: Éditions Gallimard, 1969.
______. L’ordre du discours. Paris: Éditions Gallimard, 1971.
MAINGUENEAU, D. Analyser les textes de communication. Paris: Armand
Colin, 2014.
__________. Genres de discours et web: existe-t-il des genres web? P.74-93 In:
BARATS, C (org.) Manuel d’analyse du web. Paris: Armand Colin, 2013.
7) DISCOURSES ON ACADEMIC AND SCIENTIFIC WRITING:
REPRESENTATIONS AND DISCUSSIONS
Maria Antónia Coutinho
Universidade Nova de Lisboa
[email protected]
É hoje relativamente comum, por parte das instituições universitárias
norte-americanas e europeias, a oferta de cursos de escrita académica e
científica que traduzem o reconhecimento de dificuldades e de problemas
nesse âmbito. A questão de que nos ocuparemos, na presente
comunicação, não se relaciona diretamente com essas dificuldades,
pretendendo-se antes compreender as representações de escrita, de
ciência e de escrita de ciência que subjazem à oferta dos cursos referidos.
De um ponto de vista teórico e metodológico, situar-nos-emos no âmbito
de uma linguística dos textos e dos discursos (predominantemente
francófona), recorrendo aos contributos que se revelem pertinentes para
a análise (nomeadamente, Maingueneau, 1998; 2005; Bronckart, 1997;
Coutinho & Miranda, 2009); trabalharemos sobre um corpus constituído
por páginas web de diferentes universidades (americanas, inglesas,
francesas e portuguesas) em que se apresentam cursos de escrita
académica e científica, privilegiando os que se destinam especificamente
a estudantes de doutoramento e focando em particular a formulação de
objetivos e/ou de competências a serem desenvolvidas. Através dessa
análise, pretender-se-á verificar: (i) até que ponto a noção de géneros (de
texto / de discurso) cumpre funções de mediação, na elaboração do
conhecimento; (ii) que papel é efetivamente atribuído à escrita, enquanto
modo de conhecimento específico. A confirmar-se a nossa hipótese de
trabalho, mostraremos que uma parte significativa dos discursos
(institucionais) sobre a escrita académica e científica decorrem de (e
concorrem para) uma representação altamente uniformizada e
5
estandardizada das práticas académicas e científicas, ignorando ou
silenciando potencialidades de desenvolvimento eventualmente
associadas a outras formas de compreender e estimular práticas
diferenciadas (de escrita, de ciência e de escrita da ciência). Em função da
oposição assim estabelecida, concluiremos sublinhando as vantagens
práticas e formativas que podem estar associadas a um enquadramento
epistemológico interacionista social (Voloshinov, [1929]1977; Vygotski,
[1934]1985; Saussure, 2002) ou, de forma mais esepcífica, ao programa
de trabalho do interacionismo sociodiscursivo (Bronckart, 1997;
Coutinho, 2013).
8) TRANSMITTING SCIENTIFIC DISCOURSE IN THE CLASSROOM: THE
RHETORIC OF KNOWLEDGE CONVEYANCE AND RELATED ACTIVITY
ELICITATION IN AN ACADEMIC SETTING
Elsa Simões, Rui Estrada e Sandra Tuna (UFP)
[email protected]; [email protected]; [email protected]
Knowledge needs language in order to be conveyed and appropriated
(Vallejos-Llobet, 2000) – and, depending on the different settings where this
process takes place, the discursive acts involved in doing so will necessarily
present different characteristics (Hackley, 1999). The concept of ‘scientific
discourse’ can include a number of dimensions: however, we will be focusing
here on its role as an eminently communicational act within the classroom,
whose purpose is to heuristically generate intellectual insights and a number
of academic practices. In this manner, scientific discourse (as it is understood
in the present instance) is closely related with notions of power and
authority, as it constitutes the starting point of an ever-developing process,
with its ongoing and creative imbalance between acceptation of previous
argumentation and deconstruction/refusal/proposal of new ideas, within the
framework of CUDOS, the acronym that describes the basic norms of the
scientific ethos: communalism, universalism, disinterestedness, originality
and skepticism (Merton, 1942, 1968; Ziman, 1984, 2000).
It is our aim to reflect on the features of scientific discourse in its different
stages within an academic microcosm (i.e. the classroom), taking into account
those who intervene in the process – the teacher and the students - and the
ways knowledge is gathered /mediated / retrieved /generated by them. We
will also address the issues of legitimization of scientific discourse, in that we
are describing a model where research articles and books (the bibliography)
are acknowledged as the cornerstone of the theoretical content of the
academic discipline. How is this supremacy achieved? How is objectivity
established without limiting creativity in the practical application of
theoretical knowledge? How is the teacher instituted as the mediator
between the scientific discourse and the other participants in the classroom
setting? What discursive strategies are used to simultaneously establish this
power relationship without curtailing the possibility of a meaningful
question-answer structure which is, after all, the very basis of science (Sannit,
1996)?
9) O DISCURSO TEÓRICO NO TEXTO MULTIMODAL: O GÉNERO
REPORTAGEM
Audria Leal (Universidade Nova de Lisboa)
[email protected]
Este trabalho tem como finalidade verificar o papel do discurso teórico no
género textual Reportagem. De facto, a sociedade contemporânea cada vez
mais incorpora diferentes elementos semióticos nas atividades de linguagem.
Sendo assim, para compreender a linguagem em uso, é necessário examinar a
forma como os elementos não linguísticos condicionam o linguístico. Partindo
deste pressuposto, esta comunicação procurará investigar como se estabelece
a semiotização das unidades que compreendem o discurso teórico e a sua
relação com as unidades não-verbais. Para tal, escolheu-se textos dos géneros
reportagem que devidamente estudado fornecerá caminhos para a
compreensão da relação entre o verbal e não-verbal na construção da
linguagem.
Teremos como base dois quadros teóricos-metodológicos. O primeiro é o do
interacionismo sóciodiscursivo, proposto por Bronckart (2008) assumindo
que, através deste quadro, podemos observar os efeitos das situações de
6
comunicação no funcionamento linguístico; e, para dar conta da análise dos
elementos não-verbais, assumiremos a perspectiva da semiótica social (Kress
e van Leeuwen, 1996/2006) que apresenta um modelo de análise aplicado
aos textos multimodais.
Face ao exposto e no intuito de atingirmos o nosso objetivo, esta
apresentação será dividida em três partes: na primeira parte, centrar-nosemos na apresentação do quadro teórico do ISD, procurando efetuar uma
inter-relação com a Semiótica Social; na segunda parte procuraremos mostrar
como se manifesta o verbal e o não-verbal na organização discursiva e,
finalmente, mostraremos o papel do não-verbal como factor característico e
determinante para a construção do discurso teórico. Como resultado da nossa
análise, esperamos contribuir para um estudo em que congregam-se os
elementos linguísticos e não-verbais, verificando a forma como eles se
articulam nos textos, atendendo, inclusive a função social dos géneros
textuais.
investigación. Entre los principales resultados, destacamos, primero, la
presentación y descripción de un tercer tipo de fuente de información que no
había sido registrado, y que denominamos Interactiva, pues surge a partir del
diálogo o interacción entre la información aportada por el tesista y por los
autores citados. Segundo, la variación entre niveles está dada por la
proporción de la información que el tesista se atribuye a sí mismo (Fuente
Propia) o a otros autores (Fuente Ajena) y por la variedad de formas y
funciones que esas fuentes adoptan. En conclusión, en todas las Tesis del
corpus prevalece la postura o labor de la abeja, metáfora propuesta por Bacon
(1994) para el quehacer científico, pues en todas ellas existe un equilibrio
para comunicar el conocimiento entre lo que denominamos la Fuente Propia
y la Ajena, tal como la abeja que no acumula ni produce solamente, sino que
transforma en néctar el polen que recoge.
11) AQUECIMENTO GLOBAL E A CIRCULAÇÃO DO CONHECIMENTO NA
MÍDIA: QUESTÕES PARA A AD
10) LA COMUNICACIÓN DEL CONOCIMIENTO EN TESIS DE LINGÜÍSTICA:
DETERMINACIÓN DE LA VARIACIÓN ENTRE GRADOS ACADÉMICOS
Paulina Meza (Universidad de la Serena, Chile)
[email protected]
Una instancia propicia, y en algunas ocasiones única, en la que un estudiante
puede comunicar el conocimiento de su disciplina es la Tesis de grado. Para
ello, debe incorporar información tanto propia como ajena. En esta
investigación indagamos en los recursos lingüístico-discursivos utilizados en
el género Tesis para comunicar el conocimiento. En el marco de un enfoque
metodológico cualitativo, planteamos como objetivos: a) caracterizar el modo
como se comunica el conocimiento en Tesis de Licenciatura, Magíster y
Doctorado en Lingüística; b) determinar la variación entre grados académicos
en el modo como se comunica el conocimiento en las Tesis mencionadas. Para
ello, a partir de un corpus de 36 Tesis, relevamos categorías de análisis
propias, validadas mediante juicio de expertos en dos etapas de la
Ana Paula Freire Artaxo Netto
(Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares - IPEN, Ministério da Ciência, Tecnologia e
Inovação (MCTI-Brasil))
[email protected]
A circulação do discurso científico na mídia aponta questões muito férteis
para análise. Em que pese o amadurecimento do jornalismo especializado em
ciência, a cobertura evidencia movimentos interpretativos que extrapolam as
questões científicas. Um exemplo emblemático foi a cobertura do Quarto
Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na
sigla em inglês), o AR-4, divulgado em fevereiro de 2007. À luz da Análise do
Discurso (AD) francesa, analisamos como o discurso científico sobre o
aquecimento global circulou nos principais veículos impressos do Brasil, com
importantes desdobramentos na esfera política. Uma das questões mais
importantes que identificamos foi o viés sensacionalista sobre as conclusões
do IPCC, com formulações como “apocalipse”, “caos”, “catástrofe” e outras
7
expressões correlatas. O que o AR-4 apontou como “inequívoco” sobre o
aquecimento global, a mídia leu e deu a ler como “irreversível”. Outro aspecto
relevante diz respeito às tentativas de desacreditar o discurso científico
dominante que aponta o aumento da temperatura da Terra, sobretudo quanto
às “previsões erradas” para o derretimento das geleiras do Himalaia. Isso
porque o discurso sobre ciência, no jornalismo, e particularmente no
jornalismo brasileiro, se caracteriza pela dificuldade do jornalista de
incorporar as incertezas inerentes ao método científico, o que torna a
cobertura problemática. A noção de formação discursiva (FD) é fundamental
para compreender o funcionamento dos discursos, uma vez que, observando
as condições de produção e verificando o funcionamento da memória, podese remeter o dizer a determinada FD para tentar entender o(s) sentido(s). O
jornalismo, por sua vez, tem na objetividade uma estratégia para encobrir os
interesses que constituem os processos de significação dos discursos. Os
conceitos de língua, linguagem, texto, sujeito, ideologia, discurso, marcas e
propriedades do discurso, constituição-formulação-circulação foram
fundamentais para subsidiar as considerações teóricas propostas. O corpus se
constitui de exemplares representativos da mídia impressa brasileira.
Palavras-chave: 1. Jornalismo. 2. Jornalismo científico. 3. Análise do discurso.
4. Meio ambiente. 5. Mudanças ambientais globais.
12) VALORES SEMÂNTICO-DISCURSIVOS DO MARCADOR ASSIM NO
GÉNERO ARTIGO CIENTÍFICO
Layla Souto e Fátima Silva (CLUP/FLUP)
[email protected] ; [email protected]
Este estudo tem como objeto a análise da plurifuncionalidade semânticodiscursiva de assim como marcador discursivo em textos do género artigo
científico. A partir da análise da sua ocorrência num corpus constituído
aleatoriamente por 46 artigos científicos, publicados na revista Delta Documentação de Estudos em Linguística Teórica e Aplicada entre os anos
2009 e 2014, delimitamos as funções semântico-discursivas que desempenha
e a sua correlação com a secção do artigo em que ocorre.
À análise realizada estão subjacentes a descrição das propriedades do género
artigo científico (Zamboni 1997), bem como a consideração do conceito de
marcador discursivo e as propostas de classificação de assim propostas nos
trabalhos de Lopes & Carapinha (2004) e Lopes-Damasio (2011).
Os resultados da investigação permitem-nos destacar cinco funções de assim
nos textos considerados: S1 mesmo assim/ainda assim S2, com valor
contrastivo; S1 assim como S2, subdividido em quatro subfunções com
comportamentos diferentes; S1 assim S2, com função conclusiva, e S1 assim
S2, como especificador ou exemplificador. Além disso, mostram que o número
de ocorrências deste marcador é claramente superior nas partes do género
artigo científico correspondentes às categorias ‘revisão bibliográfica’ e
‘análise’, seguido da ‘conclusão’, tendo menor incidência na secção ‘resumo’,
salientando-se, em termos de função, a ocorrência de assim como conclusivo.
Deste estudo decorrem algumas conclusões relevantes para o tratamento do
género artigo científico: a seleção, frequência e funcionalidade dos
marcadores discursivos constituem um marcador do género; os marcadores
discursivos são plurifuncionais e constituem um mecanismo de coesão
sequencial central na textualização.
Referências Bibliográficas:
LOPES & Carapinha. 2004. Contributos para uma análise semânticopragmática das construções com assim. Seminários de Linguística, 5.
LOPES-DAMASIO. 2011. Diacronia dos processos constitutivos do texto
relativos a assim: um novo enfoque da gramaticalização. São Paulo: Cultura
Académica.
ZAMBONI. 1997. Heterogeneidade e subjetividade no discurso da divulgação
científica. Campinas: Unicamp.
8
13) PROPAGANDA TEÓRICA E CONSTITUIÇÃO DO DISCURSO CIENTÍFICO
14) A PONTUAÇÃO EM MANUAIS DIDÁTICOS DE LÍNGUA PORTUGUESA
Augusto Ângelo Nascimento Araújo(FFLCH-USP)
[email protected]
Anderson Silva (Doutorando em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo)
[email protected]
Neste estudo, investigamos as implicações da promoção teórica na
constituição do discurso científico. Nosso foco de análise são dissertações
inscritas na área de Linguística e Ensino, cuja preocupação é o ensino de
escrita. A hipótese é a de que a propaganda teórica de uma perspectiva
fragiliza a escrita e o modo de circulação do conhecimento na Universidade.
Um dos efeitos dessa tendência é a importação da pergunta de pesquisa, que,
nesse caso, não se sustenta na análise dos dados, mas cria as condições
enunciativas para a promoção de uma teoria. Sob esse aspecto, investimos na
distinção dos termos promoção, divulgação e produção do conhecimento e
em suas relações com a escrita acadêmica. Na discussão e análise dos dados,
utilizamos conceitos de autores como Ducrot (1972), Rossi-Landi, (1985) e
Baudrillard (1989), com os quais identificamos indícios do que temos
chamado de texto acadêmico com caráter de divulgação: a teoria figura no
lugar de objeto, do discurso e da pesquisa; a pesquisa é empreendida no
sentido de fazer a teoria circular no mercado teórico; há prescrição por meio
da qual o pesquisador lê o dado para defender uma teoria; os dados ilustram
a teoria; a apropriação da teoria se restringe ao nível do discurso. Pelo que
temos lido até aqui, constatamos que, as condições de produção sobre as
quais se inscreve a escrita acadêmica se dão por meio de uma agenda
temática que condiciona mensagem e recepção. Não se trata, portanto, apenas
da demonstração de uma teoria a ser promovida, mas de proceder a uma
racionalização dessa promoção.
Palavras-chave: Promoção. Teoria. Discurso científico.
Esta pesquisa analisa as propostas de ensino relativas aos sinais de pontuação
a partir de duas coleções didáticas: Português: uma proposta para o
letramento e Português: linguagens. Nossa motivação surgiu da preocupação
que temos sobre como os sinais de pontuação são abordados nos manuais
didáticos de Português aprovados pelo Programa Nacional dos Livros
Didáticos e distribuídos nas escolas públicas brasileiras. Desse modo,
estabelecemos duas perguntas de pesquisa: (1) Quais encaminhamentos
teórico-metodológicos são oferecidos pelas duas coleções quanto ao uso dos
sinais de pontuação nos Anos Finais do Ensino Fundamental? (2) Como as
abordagens didáticas sobre o emprego da pontuação se articulam à formação
de leitores e produtores de textos nas obras didáticas analisadas, conforme
orientações dos documentos oficiais? A partir de tais questões, trabalhamos
com a hipótese norteadora de que as atividades sobre o emprego da
pontuação podem não colaborar para o pleno desenvolvimento da
competência escritora dos educandos, mais especificamente para o uso
adequado da pontuação. Para alicerçar nossa investigação, recorremos as
contribuições da Análise Dialógica do Discurso, tendo como aporte alguns
conceitos-chave desenvolvidos pelo Círculo bakhtiniano, tais como:
enunciado concreto e relações dialógicas. Da perspectiva metodológica, foram
propostos dois eixos. No primeiro, apresentamos o estado do conhecimento
sobre a temática da pontuação por meio da busca em produções acadêmicas
brasileiras nas últimas décadas. Em uma segunda etapa, estruturamos a
descrição do contexto de pesquisa, coleta e delimitação do corpus. No eixo
prático, iniciamos a descrição e análise dialógica das atividades didáticas
sobre o emprego da pontuação nas duas coleções. Os resultados preliminares
apontam diferenças consideráveis sobre o conteúdo da pontuação entre as
duas coleções, das quais destacamos a distribuição heterogênea do conteúdo
em anos distintos, bem como a concentração dada à modalidade oral na
coleção Português: uma proposta para o letramento.
9
Palavras-chave: sinais de pontuação; livro didático de português; análise
dialógica do discurso.
15) DESCORTESIA E IMAGEM PÚBLICA NO DEBATE ELEITORAL
Luiz António da Silva (FFLCH, USP)
[email protected]
Em geral, aprende-se que, em uma interação, é imprescindível valorizar o
equilíbrio das relações interpessoais, pois, mais importante do que a própria
comunicação em si, é a preservação da estabilidade interacional. Nem sempre,
no entanto, é assim. No gênero debate eleitoral face a face, mais importante
do que manter o equilíbrio das relações sociais, é colocar em risco a imagem
do adversário político, com a finalidade de conquistar votos. Dessa forma, os
participantes esforçam-se para construir uma imagem que lhes seja favorável
e, ao mesmo tempo, buscam desconstruir a imagem pública do adversário
político.
Dessa forma, este trabalho tem por finalidade estudar questões referentes à
descortesia entre candidatos oponentes. Nosso interesse centra-se na
descrição de estratégias discursivas planejadas em ambiente de interação
polêmica. Neste tipo de gênero, os interlocutores buscam construir para si
uma imagem que seja favorável diante da audiência, constituída por possíveis
eleitores. Como diria Goffman (1970), trata-se de uma cena teatral, pois o
debate é face a face, mas os interlocutores representam não para si, mas para
a audiência, com o objetivo de adquirir a confiança do eleitorado.
O corpus escolhido constitui-se da gravação de um debate eleitoral face a face,
exibido pela Rede Bandeirantes de Televisão, em 1998, relativo ao segundo
turno das eleições para o Governo do Estado de São Paulo, entre os
candidatos Paulo Maluf, candidato da oposição, e Mário Covas, candidato à
reeleição.
O corpus foi transcrito seguindo as normas do Projeto NURC/SP, constantes
em Preti (1993:11).
16) PROXIMIZATION, LEGITIMIZATION AND SCIENTIFIC DISCOURSE
Piotr Cap
University of Łódź
[email protected]
Proximization is a cognitive-pragmatic concept which accounts for
the symbolic construal of relations between entities within the Discourse
Space (DS) (Chilton 2005) – specifically, the symbolic shifts whereby the
peripheral elements of the DS are construed as the central ones, members of
the ‘deictic center’ (Chilton 2004; Cap 2008) of the Space. The explanatory
power of proximization has been utilized within a number of different
theoretical frameworks and thematic domains. Chilton (2005, 2010) draws
upon it in the cognitive-grammatical Discourse Space Theory, Cap (2008,
2010, 2013) makes it part of his pragma-cognitive model of legitimization,
Hart (2010) incorporates it in his eclectic approach to (metaphoric)
construals of the speaker-external threat. Proximization has been commonly
applied in the analysis of state political discourses of legitimization: crisis
construction and (preventive) war rhetoric (Cap 2010, 2013), (anti)immigration discourse (Hart 2010), political party representation (Cienki,
Kaal and Maks 2010), and construction of national memory (Filardo Llamas
2013).
The goal of this lecture is to show that the explanatory power of
proximization goes beyond its cradle domain of political discourse and that
proximization shifts occur and can be studied in most domains of our public
communicative space – including scientific discourse. This makes
proximization a valuable theoretical addition to Critical Discourse Studies
(CDS), spanning an ever-growing number of different and heterogeneous
discourses, genres and thematic domains. Proximization can be used as a
useful methodological handle on any CDS discourse in which the speaker
forces a legitimization argument to solve or prevail in a conflict (whether
material or ideological) between symbolically demarcated ‘self [GOOD]’ and
‘other [BAD]’ entities. To evidence this I investigate several urgent discourses
10
of today (environment, modern technology, etc.), focusing on public health
discourse as a subtype of the broader category of scientific discourse.
17) CONSISTENCIA EN EL PROCESO DE EVALUACIÓN POR PARES:
PROPORCIÓN DE COMENTARIOS POSITIVOS, NEGATIVOS Y NEUTROS
EN LOS INFORMES DE EVALUACIÓN DE UNA REVISTA CHILENA
César Astudillo, Karem Squadritto
Carlos González Vergara, Omar Sabaj
Universidad de La Serena
[email protected]; [email protected];
[email protected]; [email protected]
El proceso de evaluación por pares es el corazón de la producción científica.
Sin embargo, la evaluación de este proceso ha quedado relegada a aspectos
cuantitativos que solo se enfocan en el grado de acuerdo de los evaluadores,
su validez predictiva y la confiabilidad. Todos estos estudios además han sido
realizados por investigadores del área de la medicina. Dado su carácter
confidencial, son muy pocos los trabajos que han analizado el proceso
utilizando categorías discursivas. En este trabajo analizamos la consistencia
del proceso de evaluación por pares, comparando la proporción de
comentarios negativos, positivos y neutros con la recomendación de los
evaluadores (aceptado, aceptado con enmiendas menores, aceptado con
enmiendas mayores, rechazado). Para ello se analizaron solo los trabajos en
los que los dos evaluadores coincidían en la recomendación: 9 rechazados, 7
aceptados con enmiendas mayores, 14 aceptados con enmiendas menores y 1
aceptado. Se construyó un modelo de análisis discursivo, en el cual se
incluyeron tres categorías asociadas a la evaluación neutra, positiva o
negativa. Los resultados muestran que, en términos generales, el proceso de
evaluación de la revista es consistente, en tanto los tipos de evaluación son
coincidentes con las recomendaciones de los evaluadores. Así los trabajos
rechazados contienen una alta proporción de comentarios negativos, los
trabajos aceptados presentan una mayor proporción de comentarios
positivos, mientras que los resultados intermedios (aceptado con enmiendas
mayores o menores) también son coherentes con la proporción de
comentarios positivos, neutros o negativos. Los resultados de esta
investigación constituyen una forma alternativa y cualitativa de la evaluación
de este proceso clave en la producción científica.
18) DIVERGING VALUES OF SCIENCE AND DEMOCRACY AS REFLECTED IN
DUTCH, EUROPEAN AND BRAZILIAN SCIENCE POLICY.
AN EXPLORATORY STUDY
Fred Balvert (PhD student of Science, Communication & Society, Leiden University, The
Netherlands)
Jos van den Broek (Professor of Science, Communication & Society, Leiden University, The
Netherlands)
[email protected] ; [email protected]
Public trust in science is a recurring issue in the debate about science in
society. In 2000, some years after the emergence of the BSE crisis, a
committee of the British House of Lords pointed out a crisis of trust in
science. Recently, a report by the Netherlands Royal Academy of Sciences
(KNAW, 2013) concludes that ‘the authority of science is no longer taken for
granted’, although the authors state that the level of public trust in science is
still high when compared to trust in other institutions.
The definition of trust in science given in the Dutch report is: ‘In order to
regard science as reliable, the public must believe that (1) science is doing the
right things, and (2) doing them the right way.’ Our study reveals a common
ambiguity in the assessment of both elements. Different sets of values which
are intrinsic to scientific culture on the one hand and to the democratic policy
process on the other, lead to different answers to the questions whether
science is doing the right things and whether science is doing these things
right.
Our study elaborates on the ambiguity of assessing the first element of the
definition: When is science doing the right things? Should it in the first place
be ‘excellent’ science or science that is ‘relevant’ to society. This ambiguity is
reflected in regional, national and European science policy frameworks,
11
showing that that these frameworks are compromises between the values of
scientific culture and democratic policy making. It explores this dichotomy by
analyzing aims and criteria for research grants provided within the
framework of current science policies of the Brazilian region of São Paulo,
The Netherlands and the European Union.
19) UM ORDENA, OUTRO OBEDECE: O PODER DISCIPLINAR NO
DISCURSO DAS TEORIAS CLÁSSICAS DA ADMINISTRAÇÃO
Francisca da Rocha Barros Batista
(Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí- IFPI)
[email protected]
Este artigo analisa as noções de poder no discurso das Teorias Clássicas da
Administração. Especificamente, investiga o vocabulário utilizado na Escola
da Administração Científica, de Frederico Winslow Taylor, e na Teoria
Clássica de Henry Fayol, de modo a identificar prováveis relações entre a
linguagem usada na esfera organizacional e o contexto sociopolítico. A
relevância deste estudo reside na possibilidade de se desvelar concepções de
poder presentes no discurso dessas teorias que são difundidas no meio
acadêmico-científico. Fundamenta este trabalho a abordagem teóricometodológica da Análise Crítica do Discurso - ACD, especialmente os estudos
de Fairclough (1999, 2001a, 2001b, 2003), Chouliaraki e Fairclough (1999), e
de autores que aprofundam
conceitos caros para essa abordagem
interdisciplinar – a exemplo dos conceitos de poder, dominação, ideologia e
hegemonia – Halliday, (1978); Van Dijk (2010); Foucault (1984, 2005 e
2011); Thompson (2011); Weber (1992, 2002); Bourdieu (2012). De
natureza qualitativa e documental, esta pesquisa empreende a análise de 10
fragmentos, que constituem conceitos e princípios importantes das Teorias
Clássicas, alicerçando-se na Teoria Social do Discurso, que concebe a
linguagem como prática social e o discurso como historicamente situado,
investigando o vocabulário com foco no sentido das palavras, nas
lexicalizações e na metáfora. Ao final da análise, constatou-se que a noção de
poder disciplinar, ou de dominação, permeia o vocabulário eleito por Taylor e
Fayol, e que esta escolha relaciona-se ao contexto da sociedade industrial
capitalista, de base mecânica, que favorece a manutenção da hegemonia
dentro das organizações.
Palavras-chave: Análise Crítica do Discurso. Concepções de poder. Teorias
Clássicas da Administração. Vocabulário.
20) DEPRESIÓN EN CHILE: ANÁLISIS DEL DISCURSO DE UNA POLÍTICA
DE ESTADO EN SALUD MENTAL
María José Agüero de Trenqualye (Universitat Autónoma de Barcelona)
[email protected]
Actualmente en Chile, la depresión es considerada por las políticas públicas
como uno de sus principales problemas sanitarios, por su alta prevalencia y
los elevados costos que implica; en respuesta a ello, el Estado ha creado una
Guía Clínica para la Pesquisa y Tratamiento de personas con Depresión,
documento que este trabajo analiza para dilucidar cómo es que la gestión de
la depresión que ahí se propone, la construye y delimita como enfermedad.
Con esto se busca exponer cómo una llamada ‘enfermedad mental’, se
produce por y en un discurso diferente del científico.
Para lo anterior, se analizó el discurso de uno de los apartados de la Guía,
usando la propuesta de Jonathan Potter y Margaret Wetherell. Finalmente y a
partir de esto, se propone una articulación entre la perspectiva de la
gubernamentalidad y las estrategias discursivas encontradas en la Guía, para
producir la depresión como una enfermedad.
Palabras clave: depresión, políticas públicas, análisis del discurso,
gubernamentalidad.
12
21) MARCAS DEÍTICAS DA PRESENÇA DO LOCUTOR NO DISCURSO
CIENTÍFICO. DISSERTAÇÕES DE MESTRADO APRESENTADAS NA
UNIVERSIDADE DO MINHO
Rui Ramos e Aldina Marques (Universidade do Minho)
[email protected] ; [email protected]
A presente investigação pretende analisar as marcas deíticas da presença do
locutor no seu discurso em dissertações de mestrado em Análise do Discurso
(AD) concluídas entre 2005 e 2013 na Universidade do Minho. Estas
dissertações resultam de trabalhos desenvolvidos no Mestrado em Ciências
da Linguagem do Instituto de Letras e Ciências Humanas desta universidade.
A dissertação de mestrado enquanto género do discurso científico-académico
apresenta um caráter híbrido, que conjuga caraterísticas do discurso
científico com caraterísticas do discurso académico, duas áreas discursivas
cujos géneros mostram um alto grau de ritualização. Num quadro
comunicativo complexo, sobressai o facto de se tratar de um discurso sujeito
a avaliação, que compreende a defesa presencial perante um júri de
especialistas, constituindo-se como um das primeiras provas a serem
realizadas por qualquer investigador.
Tendo por base o quadro comunicativo que acima se estabelece, pretendemos
analisar as marcas da construção do locutor a partir das categorias deíticas
pessoais. Nomeadamente, pretendemos analisar:
- a opção pelo uso dos pronomes pessoais de primeira pessoa, explicitamente
presentes ou lexicalizados nas desinências verbais, bem como de possessivos
relacionados com o locutor;
- os locais de ocorrência da deixis pessoal tendo em conta o plano textual e o
contexto local ou cotexto;
- a coocorrência com outras marcas de subjetividade, nomeadamente verbos
de opinião;
Para além do inventário de ocorrências de natureza mais quantitativa,
interessa-nos relacionar as categorias deíticas com a questão da
subjetividade; nomeadamente, ter em consideração o processo de
desinscrição enunciativa por uso genérico dos deíticos.
22) WHAT WE STILL DON’T KNOW ABOUT PEER REVIEW
Omar Sabaj
Universidad de la Serena, Chile
[email protected]
Despite criticisms, the Peer Review Process (PRP from here on) is
undoubtedly well established as an official and legitimated mechanism for
evaluating and controlling scientific production. Although PRP has been a
prominent object of study, in this paper we argue that empirical research on
PRP has not been addressed in a comprehensive way. Nine categories were
applied to 150 empirical research articles on the topic with results revealing
different gaps in empirical PRP research: a) the research has been dedicated
to the evaluation of the system rather than to the actual description of PRP as
a concrete socio-discursive practice, b) the most productive group of studies
considers the multiple relationships between the sociological attributes
(socio-demographic or scientometrical) of the actors (authors, reviewers and
editors) and the results of the process, but does not take into account the
texts exchanged by those actors, and c) the few studies that do analyze the
texts interexchanged in the process do not take into account any of the
variables included (such as scientometrical data, agreement, rejection rates)
in the more productive areas of the field. This lack of integration among the
methodological approaches to PRP results in a partial comprehension of this
important process, which determines the production and dissemination of an
important part of scientific knowledge.
23) A FUNDAMENTAÇÃO PEDAGÓGICA COMO GÉNERO DE ESCRITA
ACADÉMICA
Fátima Silva, Sónia Rodrigues, Ângela Carvalho e Ana Paula Teixeira (FLUP / CLUP)
[email protected]; [email protected];
13
[email protected] ; [email protected]
Este trabalho incide sobre a fundamentação pedagógica como género de
escrita académica que, na área de formação de professores de línguas da
FLUP, tem larga tradição como documento integrante da planificação didática
(Pais 2011).
Embora haja evidências empíricas de que funciona como estratégia eficaz
para o desenvolvimento da consciência pedagógico-didática, a sua matriz
discursiva nunca foi descrita, pelo que se impõe uma análise rigorosa das
categorias linguístico-discursivas que enformam este género.
Assim, propomo-nos descrever a configuração global da fundamentação
pedagógico-didática atendendo às suas funcionalidades, estilo e
composicionalidade, no quadro do interacionismo sociodiscursivo (Bronckart
2008).
Este género apresenta, fundamentalmente, três funcionalidades, uma
ontológica e duas instrumentais. A primeira consiste na verbalização do
esquema conceptual subjacente ao processo de ensino-aprendizagem
desenhado, que permite duas situações: dar a ver aos outros as conceções e
crenças do plano e abrir um espaço de diálogo formativo entre formando e
formador. Quanto às outras duas, este género está ao serviço de uma
estratégia de desenvolvimento da consciência pedagógico-didática e serve
também de instrumento para a sua avaliação. Quanto ao estilo, caracteriza-se
por um grau elevado de formalidade, decorrente de um protocolo de escrita,
que gera um produto textual com uma circulação restrita ao âmbito da
formação. Na composição, a fundamentação pedagógica revela uma matriz
expositivo-argumentativa, que consiste em explicitar o esquema conceptual e
apresentar os fundamentos que o sustentam.
Com esta descrição linguístico-discursiva captamos um conjunto de
regularidades que permitem estabilizar a fundamentação como género
textual. Além da sua validade teórica (saber), este estudo tem um valor
pragmático (saber fazer), funcionando como um modelo de ação.
Referências Bibliográficas :
BRONCKART (2008). «Genres de textes, types de discours et “degrés” de
langue», Texto, XIII (1).
PAIS (2010). «Fundamentos didatológicos e técnico-didáticos de desenho de
unidades didáticas para a área de Língua Portuguesa», Castelo Branco:
Repositório
IPCB,
disponível
em
http://repositorio.ipcb.pt/bitstream/10400.11/1072/1/Artigo_UD.pdf.
24) DISCURSO TEÓRICO E CIENTÍFICO EM MANUAIS DE LÍNGUA
PORTUGUESA: ESTUDO HISTÓRICO E DISCURSIVO DA IMAGERIA
ESCOLAR
Jocenilson Ribeiro (Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Brasil)
Vanice Sargentine (Departamento de Letras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar,
Brasil)
[email protected] ; [email protected]
Em estudos realizados no Brasil e, recentemente, na França sobre a
emergência da imageria (WUNENBURGER, 2001) em manuais didáticos de
língua portuguesa, constatamos que, entre as décadas de 1960 e 2010, houve
um aumento progressivo das imagens. Esse fenômeno se deve a algumas
razões, seja de ordem política, histórica, cultural e tecnológica, seja de ordem
sobretudo teórica e científica, quando se passou a ensinar nas escolas a
leitura, a construção dos sentidos e a constituição dos discursos
materializados na língua e no conjunto de toda uma iconografia do
imaginário. Nesta pesquisa, investigamos as condições históricas e científicas
de emergência e o aumento progressivo da imageria em contexto educacional
brasileiro. O objetivo foi compreender os pressupostos teóricos que vêm
orientando o ensino e a aprendizagem de leitura das imagens na escola
secundária no Brasil (quadros, fotografias e publicidades) considerando o
contexto histórico de institucionalização da linguística enquanto campo
científico e das ciências da linguagem no Brasil, que sofreu influência do
pensamento científico francês e português, sobretudo, durante e após o
modelo estruturalista. Sabemos que os estudos desenvolvidos no terreno da
teoria semiótica francesa, bem como no da comunicação de massa, muito
14
influenciaram a inclusão indireta da imageria no ensino brasileiro. Esse
estudo se pauta nos conceitos de história e arqueologia de M. Foucault
([1966] 1990, [1969]2008) e nas reflexões de J.J. Courtine (2011) sobre o
funcionamento discursivo da imagem no que diz respeito aos estudos dos
usos culturais, históricos e científicos das imagens no Ocidente. O objetivo
desta comunicação é apresentar os resultados das pesquisas de doutorado,
quando organizamos um recenseamento para a constituição de um corpus
para análise do discurso científico na escola.
25) TRANSMITIR CONHECIMENTO(S) E COMPETÊNCIAS: ESTUDO
COMPARATIVO EM MANUAIS DE PORTUGUÊS LÍNGUA ESTRANGEIRA
E FRANCÊS LÍNGUA ESTRANGEIRA
Isabelle Simões Marques (Universidade de Coimbra e Centro de Linguística da Universidade Nova
de Lisboa) e Isabel Sebastião (Centro de Língua Portuguesa Camões - Université Lumière Lyon 2
e Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa)
[email protected] ; [email protected]
Os debates sobre o que o ensino deve transmitir têm sido pautados por uma
oposição entre o(s) conhecimento(s) e as competências. Esta oposição
abrange, sem dúvida, posições ideológicas e levanta verdadeiras questões a
nível didático-pedagógico. A análise da diversidade das relações intra e
interdiscursivas dos discursos transmissores de conhecimento refere-se,
inevitavelmente, às condições de produção, uso e circulação dos
textos/interações produzidos por grupos mais ou menos restritos para um
público-alvo definido. Assim, o estudo das estratégias discursivo-textuais do
processo de transmissão de conhecimentos pode ser abordado em torno de
uma problemática comum: a didaticidade (ver Beacco & Moirand, 1995).
A descrição dos discursos de transmissão de conhecimento envolve a
construção das suas relações intertextuais com discursos previamente
produzidos por comunidades científicas. O ensino das línguas estrangeiras
faz-se, sobretudo, através do uso de manuais escolares próprios para o efeito.
Estes instrumentos pedagógicos, de estrutura mais ou menos compósita,
assumem um papel relevante no ensino e aprendizagem de uma
língua/cultura estrangeiras, uma vez que desempenham uma relação de
mediação, própria da sua função (re)transmissora de conhecimentos. São
vistos como instrumentos básicos de trabalho e suporte de conhecimento
para alunos e professores envolvidos no processo de ensino/aprendizagem.
Por esta razão, é inevitável tomá-los em consideração, quando o tema a tratar
é conhecimento científico.
Assim, pretende-se analisar, numa perspetiva de Análise do Discurso, de que
forma estes instrumentos pedagógicos (no caso do francês e do português),
disponíveis no mercado, possuem uma função legitimadora sobre o que deve
ser e como deve ser ensinado na área das línguas/culturas estrangeiras.
Faremos uma análise comparativa entre as duas línguas no que se refere ao
conteúdo variedade e diversidade linguística. Usando uma metodologia
interpretativa, pretendemos verificar e descrever os aspetos deste conteúdo
que são destacados nos manuais, como também abordar os recursos
linguísticos e discursivos utilizados na produção dos enunciados que servem
de suporte à aprendizagem dos alunos. O corpus será composto por uma
seleção de manuais publicados a partir de 2008.
26) ANÁLISE DO DISCURSO HISTORIOGRÁFICO: QUESTÕES, PROBLEMAS
E APORIAS
Nuno Bessa Moreira (doutorado em História pela Faculdade de Letras do Porto / CITCEM
[email protected]
A análise do discurso historiográfico é uma temática complexa. A resistência
de uma parte dos cultores de Clio prende-se com a alegada transparência
desta matéria.
Esta comunicação é essencialmente teórica, e inscreve-se no âmbito da
História da Historiografia, abordando práticas, discursos e representações
numa perspectiva espácio-temporal, sócio-cultural e político-ideológica,
15
dialogando com a análise de discurso do lado da história, pelo que se destaca,
metodologicamente, a perspectiva de Jacques Guilhaumou, no artigo A propos
de l’Analyse de Discours: Les Historiens et le “ Tournant Linguistique:
«l’objective du historien du discours est bien de décrire, à partir d´énoncés, à
la fois attestés, rares et réguliers, des configurations d`archive significatives
d’un thème, d’un sujet, d`un évènement, d’un concept (Guilhaumou, 1993,
p.16). Na primeira parte, ocorrerá uma reflexão lacunar sobre a pluralidade
de concepções de discurso, procedendo-se, num segundo andamento, a uma
análise do modo como Michel Foucault, Jorge Lozano e Jerzy Topolski terão
(ou não) reagido a Le Discours de l’histoire (1967), de Roland Barthes,
comparando L’ Ordre du discours (lição pronunciada em Dezembro de 1970)
com El Discurso Histórico (1987) e com A Non-postmodernist analysis of
historical narratives (1994). Importa analisar o estudo de Pedro Cardim, Entre
Textos y Discursos: La historiografia y el poder del Lenguaje (1997),
questionando as suas relações com o Linguístic Turn na historiografia.
Este trabalho centra-se mais numa reflexão genérica acerca do discurso sobre
a ciência do que numa análise empírica do discurso científico. Ainda assim,
num derradeiro momento, projecta uma investigação em curso, a aprofundar
no futuro, em torno do discurso historiográfico de A crise da História e as suas
novas directrizes (1946), de Vitorino Magalhães Godinho (1918-2011),
contornando particularidades estritamente linguísticas, consubstanciando
uma abordagem essencialmente historiográfica de aspectos cognitivos,
mnésicos, culturais, comunicacionais da linguagem e do discurso.
16
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