UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS-GRADUAÇÃO “LATO-SENSU” A Gestão Estratégica e o Mercado de Crédito No Brasil Aluno: Anderson Ricardo Mathias Naufel Orientador: Carlos Cereja Rio de Janeiro 2011 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS-GRADUAÇÃO “LATO-SENSU” A Gestão Estratégica e o Mercado de Crédito No Brasil Objetivo: Trabalho de Monografia apresentado ao Instituto a Vez do Mestre vinculada a Universidade Cândido Mendes, como parte dos requisitos necessários à conclusão do curso de pós-graduação em Gestão Empresarial. 3 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a Deus que me abençoa e me guia. À minha família namorada Luara acompanham alegria. e e a minha que me me trazem 4 RESUMO Este trabalho visa aplicar os conceitos da Gestão Estratégica, aprendidos durante a realização do curso de pós-graduação em Gestão Empresarial do Instituto a Vez do Mestre integrada a Universidade Cândido Mendes, com o objetivo de estudar como as instituições financeiras se utilizam dessas técnicas para aumentar a participação no mercado de crédito nacional e propor a implantação de novos procedimentos levando-se em consideração a competição acirrada existente atualmente nesse mercado. Esta monografia está dividida em três partes. Primeiramente é feita uma análise de cenário onde são mencionadas as situações atuais do mercado de crédito e as técnicas em gestão estratégica utilizadas pelas principais instituições financeiras do país. Em seguida os conceitos estudados na parte inicial servem de parâmetro para um trabalho de campo realizado em uma agência bancária e como tais estratégias podem influenciar no resultado obtido. Por último, são apresentadas algumas propostas de melhoria levando-se em consideração as técnicas estudas no curso em questão e o modelo de gestão observado na agência bancária com o objetivo de aumentar participação no mercado de crédito. O objetivo final é mostrar que a implantação de modernas técnicas de gestão estratégica pode ajudar em muito a redimensionar o mercado de crédito nacional, contribuindo para o incremento de rentabilidade das instituições financeiras e para o desenvolvimento do país, tanto no aumento da relação crédito/PIB quanto para a inserção de pessoas em novas classes sociais de acordo com CCEB (Critério de Classificação Econômica Brasil). 5 METODOLOGIA A estrutura do trabalho consiste em duas etapas, sendo a primeira composta por dados obtidos por meio de pesquisa bibliográfica, realizada com o auxilio de livros e materiais disponíveis em meio virtual e a segunda parte trata-se de estudo de caso, tendo como objetivo avaliar o comportamento de uma agência bancária da Caixa Econômica Federal em relação ao tema da pesquisa e, fazer o cruzamento da situação identificada com a teoria exposta. O desenvolvimento da pesquisa bibliográfica que, segundo Larosa (2008), é elaborada a partir de material já publicado, composto principalmente por livros, artigos de periódicos e, atualmente, com material disponível na internet, contribui para um melhor entendimento do tema estudado. Para o desenvolvimento desta pesquisa, foram consultados livros, artigos científicos disponíveis na internet e o site de algumas instituições financeiras atuantes no País, sendo o site do Banco Central do Brasil utilizado como parâmetro principal para confiabilidade das informações coletadas.. Para a realização do estudo de caso, visando analisar como a teoria de gestão estratégica é implantada na prática e o impacto na qualidade dos serviços/produtos e nos resultados apresesentados pela instituição financeira, foram feitas diversas pesquisas de observação no campo de trabalho sendo realizadas entrevistas com gestores, clientes e funcionários de uma agência bancária situada no munícipio de Niteroi e, ainda, analise de relatórios, sistemas e dados da instituição que mostraram evolução nos resultados apresentados. A analise dos dados obtidos foram feitos em três momentos, a saber: antes da implantação das técnicas de gestão, durante a implantação e após a implantação da mesma. Já as entrevistas abordaram algumas questões, tanto de caráter objetivo, como subjetivo, direcionados aos gerentes, funcionários e clientes da organização. 6 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 7 Capítulo I: GESTÃO ESTRATÉGICA E O MERCADO DE CRÉDITO BANCÁRIO 10 Capítulo II: ESTUDO DE CASO 38 CAPÍTULO III: PROPOSTAS DE MELHORIA 47 CONCLUSÃO 51 BIBLIOGRAFIA 54 WEBGRAFIA 56 ANEXOS 57 ÍNDICE 73 7 INTRODUÇÃO Em um mercado financeiro extremamente competitivo, como fazer para que uma instituição financeira aumente sua participação no mercado de crédito bancário no Brasil com baixo risco e com taxas competitivas? Atualmente o crédito representa cerca de 40% do PIB brasileiro e vem desempenhando um papel importante na política econômica, se transformando até mesmo em um instrumento no auxílio a ascensão da população na CCEB (Critério de Classificação Econômica Brasil). Além disto, os índices em países desenvolvidos chegam até mesmo a 100% ou mais do PIB, mostrando que ainda existe espaço para o crescimento desse mercado. Assim, o mercado de crédito tem se tornado muito atraente para as instituições financeiras gerando, por conseqüência, uma competitividade extramente acirrada e somente a implantação de modelos de gestão baseados em técnicas modernas irão fazer com que as organizações consigam se manter e/ou crescer nesse mercado. Porém, o crescimento muito rápido do crédito pode trazer riscos de inadimplência para as organizações, índice grande de endividamento para a população e riscos para a política econômica e monetária nacional. O objetivo deste trabalho é pesquisar como as técnicas modernas de gestão estratégica podem ajudar as organizações financeiras no cumprimento de seu planejamento e mostrar àquelas que já estão se utilizando de tais técnicas com os resultados alcançados. Além disso, faremos um trabalho de campo onde teremos a oportunidade de aplicarmos na prática as técnicas de gestão estratégica estudadas. Esse trabalho de campo será realizado em uma agência bancária. Algumas técnicas em gestão estratégica podem ser fundamentais para o mercado de crédito tais como a Analise PEST, a Analise SWOT, a Analise de 8 Cenário e a Analise de Portfólio. Além disso, acredito que as grandes organizações não se sustentam hoje sem um modelo de gestão claro e bem definido com a implantação de governança corporativa e com um alto nível de investimento em tecnologia da informação. Em função da abrangência do tema, esse texto diz respeito somente ao mercado bancário nacional, abrangendo as principais instituições financeiras do Brasil, tais como Itaú/Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco e Caixa Econômica Federal dando maior ênfase a última citada. No capítulo I iremos estudar as principais técnicas de gestão estratégica encontradas atualmente e saber como as 4 principais instituições bancárias do país definem suas macro estratégicas. Usaremos como base as técnicas estudadas em Manhães (2009) e suas principais ferramentas. Após estudarmos as técnicas e suas ferramentas, no capítulo II, usaremos os conceitos estudados para explorarmos um caso prático no município de Niteroi. Vamos aplicar os conceitos aprendidos e buscar as respostas que precisamos para chegarmos ao objetivo. Também veremos como o mercado de crédito é mensurado, suas principais modalidades e suas carteiras disponíveis. Ao final do estudo de caso, já no capítulo III, iremos propor a criação de algumas estratégias de gestão com o objetivo de buscar uma maior produtividade para a agência bancária no mercado de crédito e, conseqüentemente, ganhar fatia de mercado. Essa proposta será baseada no modelo aplicado ao caso prático. Perceberemos que algumas técnicas podem ser usadas e que questões como liderança, visão de futuro, planejamento e disseminação de informações podem ser vitais para o resultado de uma 9 empresa. Além da proposta, citarei alguns riscos e algumas sugestões para futuros trabalhos. Nos próximos capítulos iremos mais a fundo no mercado de crédito, gestão estratégica e seus casos práticos. 10 CAPÍTULO I GESTÃO ESTRATÉGICA E O MERCADO DE CRÉDITO BANCÁRIO Neste primeiro capítulo começaremos estudando a atual situação do mercado de crédito bancário no nosso país, sua evolução nos últimos anos e a comparação com algumas economias mundiais. Veremos também o que os especialistas esperam dos próximos anos. Após a apresentação do atual cenário do mercado de crédito, citaremos algumas das técnicas de gestão estratégica e por último, veremos brevemente como essas técnicas são utilizadas atualmente nas principais instituições financeiras do país. 1.1 O Mercado de Crédito no Brasil Num mundo de concorrência e informações perfeitas não haveria razão para a existência de intermediários financeiros. Os indivíduos poderiam tomar suas poupanças e investi-las em projetos e em firmas com retornos que são ótimos, dadas as preferências e os horizontes temporais de cada um. Porém, na prática não é assim que funciona e existe a figura das instituições financeiras que, na sua essência, são meros intermediadores, ou seja, captam recursos de uns clientes e os emprestam a outros. Para Becsi e Wang (1997) o ponto chave para explicar porque os intermediários existem é a introdução de imperfeições ou fricções no mercado. Isso significa mostrar que os intermediários financeiros podem melhorar os resultados obtidos. “Os intermediários financeiros, especialmente os bancos, reduzem ou minimizam o efeito das fricções no mercado, reduzindo os custos de transação”. (Becsi e Wang, 1997, p.54). Já segundo Boot (2000), os bancos além de serem intermediadores comerciais, são produtores de informações que através do relacionamento com 11 os devedores tem um papel fundamental para a eficiente alocação de recursos no mercado de crédito. Assim, podemos concluir que a economia de um país necessita de instituições financeiras que potencializem e invistam nesse mecanismo e que a sociedade em geral precisa de crédito para satisfazer suas necessidades. Analisando a situação econômica atual, percebemos que o mercado de crédito representa mais de 45% do PIB brasileiro e vem desempenhando um papel importante na política econômica, se transformando até mesmo em um instrumento no auxílio à ascensão da população na CCEB (Critério de Classificação Econômica Brasil). O saldo da carteira de crédito brasileira atingiu em novembro de 2010 o montante de R$ 1,678 trilhão. O anexo 1 mostra a evolução da relação Crédito x PIB ao longo dos últimos anos. Em sete anos, saímos de uma relação de 24,6% para 46,3%. Segundo reportagem da revista VEJA (2008) o aumento do crédito influencia diretamente nos hábitos de consumo da sociedade brasileira. “A alta disponibilidade de crédito no país altera os hábitos de consumo da classe C, em maior grau, e também das classes D e E, além de mudar sua imagem no mercado financeiro. Essa parcela da população, que em 2006 correspondia a 77% do total, tornou-se a grande alavanca do aumento na oferta de crédito. Ao mesmo tempo, com a possibilidade de comprar produtos mais caros com prazos cada vez mais longos, passou a adquirir itens antes considerados supérfluos ou excessivamente caros. Agora, alguns deles são vistos como básicos, como DVD e microondas. O crédito consignado e as linhas abertas pelas grandes redes varejistas e supermercados deram um impulso ainda maior nessa força de consumo”. (www.veja.abril.com.br) 12 Ainda segundo a mesma revista a expansão do crédito traz muitos benefícios a economia de um país atuando diretamente no desenvolvimento e no aumento de renda da população. “O crédito pode ser um importante propulsor do crescimento. O aumento do volume aquece a demanda no mercado interno e, assim, atua diretamente – e de forma positiva – no desempenho do Produto Interno Bruto, que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. Esse é o melhor cenário. Funciona desta forma: ao fomentar o consumo, o crédito obriga o setor produtivo a fabricar mais bens e, por conseqüência, empregar mais gente, aumentando a renda da população – que melhora seu nível de vida e compra mais.” (www.veja.abril.com.br ) Além da expansão do mercado de crédito, os juros nominais e reais vêm diminuindo nos últimos anos conforme anexo 2. Com isso, os bancos estão cada vez mais vendendo seus ativos de tesouraria e investindo em crédito, pois o ganho nas operações de compra e venda de títulos públicos vem reduzindo com a queda da taxa SELIC (vide anexo 3). Além disso, a estabilidade econômica permitiu que as instituições financeiras oferecessem créditos para micro empreendedor e trabalhadores informais através do microcrédito e alongassem cada vez mais os prazos de pagamento dos empréstimos, tendo casos de financiamentos imobiliários com prazo de 30 anos para quitação. Assim, a concorrência no mercado de crédito vem aumentando consideravelmente obrigando os bancos a trabalharem com taxas cada vez menores e com o investimento em novos produtos e serviços, também com o objetivo de redução do custo operacional do crédito. 13 Porém, apesar da expansão do crédito no Brasil nos últimos 7 anos, estatísticas mostram que ainda temos muito a evoluir quando comparamos nossa relação crédito x PIB com outras economias mundiais. Quando se trata de nações mais ricas, como Estados Unidos e Japão, o volume de crédito é bem maior, superando os 180% do PIB. Na Europa, chega a 160% em países como Grã-Bretanha e Suíça, e aos 90% em Itália e França. Isso revela uma confiança maior dos consumidores e empresas. Isso mostra o quanto nosso país pode evoluir em crédito e o quanto de novas oportunidades podem surgir para as instituições financeiras. Por último, não podemos deixar de dizer que o crescimento muito rápido do crédito pode trazer riscos de inadimplência para as organizações, índice grande de endividamento para a população e riscos para a política econômica e monetária nacional. Um dos problemas centrais é o aumento da inflação, desencadeando um conjunto de ações que poderiam colocar em xeque o crescimento econômico. Em boa parte porque, para conter a pressão inflacionária, seria necessário reverter a política de juros, elevando as taxas. E, se os juros sobem, o mercado desaquece, já que um de seus grandes motores é justamente o crédito. Os créditos a prazos muito longos também trazem riscos. A partir do quinto ano, os proprietários de carros, por exemplo, começam a ter altas despesas com seus veículos e, assim, podem deixar de pagar as prestações. Como o carro perde valor, os bancos e as financeiras ficariam sem garantias, o que, eventualmente, detonaria uma onda de calotes e poderia levar a uma crise no setor financeiro (lembrando que o aumento de juros encarece os financiamentos em geral, o que também traz o risco de calote). Para Spence (1974), o banco ao emprestar, compra uma fonte de recursos no futuro com dinheiro hoje, enquanto o devedor compra dinheiro hoje com sua capacidade ou disposição de devolver o recurso no futuro. É como se o banco comprasse um bilhete de loteria, já que ele não pode observar 14 diretamente a capacidade de indivíduo em devolver o recurso emprestado. A decisão de emprestar ou não o recurso se embasará na quantidade de informações reunida pelo banco sobre as reais condições de pagamento daquele devedor. Porém, as instituições financeiras vêm a cada ano se especializando em sistemas de análise de crédito procurando calcular o risco da operação e se defendendo em determinadas situações. 1.2 Fundamentos da Gestão Estratégica Neste momento, veremos alguns conceitos da gestão estratégica começando pela análise ambiental e de portfólio estudando técnicas como a análise PEST, Porter, SWOT etc. Também falaremos sobre o planejamento estratégico e os diferentes tipos existentes. Utilizaremos como base para nosso texto o material publicado por Manhães (2009) que serviu de instrumento para o estudo do módulo Gestão Empresarial do curso de pós-graduação em questão. 1.2.1 Modelos de análise ambiental e de portfólio Para Manhães (2009) em um ambiente competitivo, a análise ambiental precede todas as ações empresariais. Naturalmente, esta é simultânea aos movimentos operacionais e aos emergenciais resultantes de questões internas e externas à organização. Os ambientes nos e com os quais todas as organizações então envolvidas são: § Macro Ambiente; § Ambiente Setorial; § Micro Ambiente. 15 O macro ambiente está relacionado com o mundo externo e o quanto novas leis, diretrizes, etc. podem influenciar os negócios da organização. Opostamente, o Micro Ambiente diz respeito às questões internas da empresa tais como organização, cultura empresarial e nível de conhecimento dos funcionários. Já o ambiente setorial ajuda a entender como aspectos voltados para o seu mercado podem ajudar ou prejudicar o andamento da empresa. Está relacionado com o segmento onde a organização está inserido. Os ambientes devem ser analisados ao máximo, porém, dependendo do porte da organização, o tipo e o modo de cada ambiente influenciam diferentemente. Por exemplo, quanto maior a empresa mais suscetível ao ambiente macro ela fica. “As etapas da análise ambiental são: acessar a natureza do meioambiente; auditar as influências do meio-ambiente; identificar as forças competitivas mais importantes; identificar a posição competitiva; identificar oportunidades e ameaças mais importantes; finalmente estruturar a posição estratégica.” (Manhães, 2009, p.3) Os modelos para análise do ambiente macro mais conhecidos são: § Análise PEST § O Diamante de Porter § Cenários Nas próximas seções falaremos resumidamente um pouco sobre cada um dos modelos. 1.2.1.1 Análise PEST Esse modelo de análise macro ambiental leva em consideração algumas forças-chave que impactam nos negócios e elas podem ser políticas, econômicas, sociais e/ou tecnológicas. 16 O anexo 4 cita exemplos de investigação em cada uma. Nessa análise, precisamos nos fazer algumas perguntas e buscar o quanto as respostas influenciam no rumo dos nossos negócios. Para Fatores Políticos, por exemplo, temos que considerar alguns fatores, dentre os quais: ü Quanto estável é o ambiente político? ü Poderá regras governamentais influenciar leis que regulam os impostos pagos por seu negócio? ü Qual é o posicionamento do governo em relação à ética do segmento de minha empresa? ü Qual é a política governamental sobre a economia? ü O governo está envolvido em negociações tais como o EU, NAFTA, ASEAN, entre outros? Já para os fatores econômicos precisamos considerar o estado da economia de negócios no curto e longo prazo. Podemos considerar: ü Margem de juro. ü O nível de inflação, nível de emprego (per capita). ü Prospecto ao longo prazo da empresa, Produto Interno Bruto (PIB) per capita. Nos fatores sócio-culturais podemos pensar em: ü Qual é a região dominante? ü Quanto tempo disponíveis consumidores possuem para lazer? ü Qual é o papel do homem e da mulher na sociedade? ü Qual é a expectativa de vida da população? As gerações mais antigas são mais ricas? ü Qual é a opinião da sociedade em relação a fatores ambientais? 17 E por último, nos fatores tecnológicos devemos considerar alguns itens, tais como: A tecnologia facilita produtos e serviços serem fabricados por um ü preço mais baixo e melhor qualidade? A tecnologia oferece a consumidores e empresas produtos e ü serviços mais inovadores como o Internet banking, nova geração de telefones celulares, etc.? Como tem mudado a distribuição de produtos\serviços através de ü novas tecnologias, tais como: livros online, passagem aéreas, leilões, etc? Para a análise PEST, é fundamental que os executivos discutam sobre a possibilidade de novos elementos bem como sobre o nível de importância de cada um. Por exemplo, na área de seguros, as questões tecnológicas não têm a mesma importância que na indústria de eletro-eletrônicos. 1.2.1.2 Diamante de Porter Outro modelo para analises macro ambientais é o Diamante de Porter, o qual foi elaborado por Michael Porter. Ele sugere que existem razões inerentes ao fato de algumas nações serem mais desenvolvidas que outras e de algumas indústrias dentro destas nações serem mais competitivas que outras. (Estratégia empresarial, estrutura e rivalidade) (Fatores (Condições de demanda) ) Condicionantes (Indústrias relacionadas e de suporte) 18 Fatores condicionantes – fatores que ajudam a explicar a base de uma vantagem em nível nacional; por exemplo, em países como Suécia ou Japão, onde a legislação dificulta a demissão de funcionários, é grande o ímpeto na direção da automação diminuindo a contratação de novos empregados. Condições de demanda – a demanda nacional indica a base na qual as características da vantagem da organização são moldadas; a alta expectativa dos japoneses em relação a eletro-eletrônicos, por exemplo, influencia este tipo de indústria no Japão. Indústrias relacionadas e de suporte – uma indústria de sucesso pode lidar com a vantagem desta forma também; Estratégia empresarial - a estrutura e a rivalidade são o último fator que pode afetar no desenvolvimento das indústrias; na Alemanha, por exemplo, processos sistemáticos e freqüentemente hierárquicos de gestão têm sido particularmente bem-sucedidos promovendo segurança e excelência técnica nas indústrias de engenharia. “O Diamante de Porter tem sido atualmente utilizado em várias indústrias e até por governos na determinação de políticas para encorajar a competitividade.” (Manhães, 2009, p. 6) Como diz PORTER (1995), a sobrevivência dos pequenos negócios não deve depender da inércia dos mercados. Elas precisam perceber o ambiente competitivo com maior clareza, e delimitar e proteger uma posição que tenham condição de defender. 1.2.1.3 Cenários O último modelo apresentado para análises macro ambientais, porém não menos importante, é a análise de cenários. Quando se fala em análise de cenários, normalmente estão se referindo a cenários futuros. A análise de 19 cenários futuros é preponderantemente importante quando é necessária a visão ou uma estratégia de longo prazo. A análise de cenários futuros não é uma garantia de previsão, mesmo porque o ambiente é dinâmico. Entretanto, o intuito não é prever o futuro, mas identificar futuros possíveis, a fim da organização poder se preparar minimamente para problemas e oportunidades. No processo de análise de cenários futuros, primeiramente são identificados os elementos predeterminados e as forças direcionadoras. Em seguida, os cenaristas e seus clientes escolhem pelo número de cenários a elaborar, então o exercício começa plenamente. Elementos predeterminados e forças direcionadoras são os pilares sob os quais serão elaborados os cenários. Por exemplo: na indústria de beleza, um elemento predeterminado poderia ser o envelhecimento, pois todos nós envelheceremos. Dele poderia derivar a velocidade de envelhecimento. O número de cenários varia de dois a cinco: um cenário pessimista e outro otimista; um pessimista, um de tendência e outro otimista etc.. Continuando com o exemplo, um cenário pessimista para a indústria da beleza, poderia ser a redução da velocidade de envelhecimento devido à melhora do controle ambiental ou pela obrigação de exercícios físicos no ambiente de trabalho assegurado pela constituição. 1.2.1.4 As 5 Forças de Porter Para análises do ambiente setorial, temos “As 5 forças de Porter”, também idealizado por Michael Porter. Nesse ambiente analisamos os agentes a cadeia de suprimento e os concorrentes, conforme mostrado no anexo 5. 20 No centro do modelo estão os concorrentes. Quem são os principais concorrentes. No eixo horizontal analisaremos qual a possibilidade de novas empresas e/ou novos produtos surgirem e qual é o impacto disso na organização. Já na linha vertical, está o poder de barganha que tenho com meus clientes (prazo para pagamento, juros cobrados, cultura de venda, resultado no varejo ou não, etc.) e o poder de barganha com os fornecedores (prazo para pagamentos, prazo de entrega, dependência do fornecedor, etc.). Precisamos saber quem são nossos principais clientes e fornecedores e o grau de dependência que temos deles. O Modelo das 5 Forças sugerido por Porter não apenas identifica os agentes mais importantes para a empresa, mas também formula um rol de ações para criar barreiras ou reduzir os poderes de cada uma destas forças. Nesse modelo, uma das barreiras ao domínio dos fornecedores é a sua diversificação. Quer dizer, quando a organização tem um ou poucos fornecedores, estes podem ditar os preços, os lotes e outras condições que podem até inviabilizar o negócio. Uma das receitas é diversificar. 1.2.1.5 Analise SWOT A Matriz SWOT relaciona questões internas da organização com questões ambientais que correspondem as oportunidades e as ameaças. O termo SWOT é uma sigla oriunda do idioma inglês, e é um acrónimo de Forças (Strengths), Fraquezas (Opportunities) e Ameaças (Threats). . (Weaknesses), Oportunidades 21 Para Manhães (2009) sua utilização é extrapolada, quando o grupo de planejamento pesquisa oportunidades e ameaças que não são estratégicas ou que não são realmente questões estratégicas, confundindo-a com um instrumento de análise de cenários. Um elemento fundamental da Matriz SWOT é o conhecimento da organização nos aspectos de: estrutura e flexibilidade, recursos humanos, tecnologia e finanças. Outros aspectos podem ser utilizados como questões operacionais específicas do negócio. É importante frisar que as Oportunidades e Ameaças são questões externas a organização enquanto que Forças e Fraquezas são questões internas. Para fazermos a análise SWOT, primeiramente definimos as áreas a serem analisadas. Depois levantamos as ameaças e oportunidades bem como forças e fraquezas. A partir daí, criamos um sistema de pesos para classificar as informações. Por último, temos a matriz SWOT montada de acordo com o Anexo 6. Como pode ser observado, as oportunidades que exigem grandes esforços de melhoria dos pontos fracos não são aproveitadas; as ameaças que podem ser evitadas com os pontos fortes da empresa são combatidas; e as potencialidades que são demasiadamente fracas para uma ameaça significativa são reforçadas e convertidas em pontos fortes. Concluindo, o modelo diz para priorizarmos os quadrantes PfO (pontos fortes x oportunidades), PfA (Pontos Fortes x ameaças) e PfrA (pontos fracos x ameaças) pois vamos aproveitar àquilo que somos fortes e nos precavermos naquilo que somos fracos e que temos ameaças. Ainda dentro da questão da prioridade, precisamos levar em consideração as questões com maior peso. Por último, cada analise deve gerar um objetivo estratégico dentro do planejamento. 22 A análise SWOT só será otimizada quando conseguirmos gerar objetivos estratégicos para o planejamento da organização. 1.2.1.6 Modelos de Análise de Portfólio Desde o início do planejamento estratégico, a preocupação das empresas tem sido o lucro e a linha de produtos. Independentemente do número de trabalhadores imersos em decisões de como melhorar o produto, os estrategistas cuidam de examinar sua eficácia (retorno para a empresa), decidindo se é uma área interessante de investimento ou se deve ser abandonada. Para isso eles usam modelos de análise de portfólio concomitantemente ao acompanhamento do crescimento do produto (CVP Ciclo de Vida do Produto). Este tipo de análise não é comum em pequenas organizações, pois não são examinados itens, mas sim famílias ou áreas de negócio. Por exemplo, não é um modelo de geladeira, mas o negócio de geladeiras. “Por isso, as empresas que se destacaram no desenvolvimento de tais modelos são grandes grupos empresariais como GE, Siemens, Shell, Nestlé etc..” (Manhães, 2009, p. 12). Os modelos mais conhecidos são: a Matriz BCG, a Matriz GEMcKinsey e a Matriz Shell. Atualmente, a matriz GE-McKinsey é muito semelhante à matriz Shell; a única diferença consiste na troca dos eixos horizontais pelos verticais. A diferença conceitual entre a BCG e a GE é que enquanto a BCG tira uma fotografia do mercado a GE procura identificar possibilidades futuras. Por tudo isso, a GE torna-se mais complexa e de difícil aplicação, entretanto extrapola o momento de análise e se insere na própria execução do planejamento. Porém, daremos mais ênfase a Matriz BCG por ser bastante utilizadas nos dias atuais. 23 A matriz BCG é um modelo onde se coloca todos os itens, ou melhor, todo o portfólio da empresa para uma análise comparativa. Cada item ficará situado em um quadrante conforme anexo 7 No eixo “Crescimento no Volume de Vendas” levaremos em consideração a evolução de vendas de um determinado item através do(s) ano(s). Já no eixo Participação nas Vendas, buscaremos a participação de mercado do item em estudo. De acordo com essas informações o item será classificado como: ü Estrelas: Alta Participação no Mercado e alta evolução de vendas; ü Vaca Leiteira: Baixa evolução de vendas, porém com alta participação no Mercado; ü Abacaxi: Baixa participação no Mercado e também baixa evolução de vendas; (descartar) ü Ponto de Interrogação: Baixa Participação no Mercado porém com alta evolução de vendas (devemos investir?); De posse das informações decorrentes da análise ambiental, são determinadas as estratégias empresariais e os caminhos que a organização seguirá para atingi-las. Porém, antes de descartarmos alguns itens devemos levar em consideração outros aspectos, tais como o ciclo de vida do produto (Introdução, Crescimento, Maturidade ou Declínio). Independente do modelo utilizado, precisamos analisar o ambiente e respondermos algumas perguntas necessárias para resolver o problema da estratégia no planejamento. Quais as verdadeiras motivações dos nossos oponentes? Quais Projetos ou ações nossas tem maior oposição? Por que? Quais estratégias possíveis viabilizarão as operações mais críticas (que mobilizam mais recursos)? Quais recursos os demais atores controlam que são 24 importantes para o êxito do nosso plano? Como podemos usar/neutralizar suas capacidades? Devemos redesenhar as operações e projetos? Repensar os cenários? Estamos preparados para adotar a melhor estratégia? Muitas perguntas ficarão sem resposta... o exercício é assim mesmo, não há fórmulas ou esquemas totalmente racionais no jogo social, arte e ciência, intuição e razão, combinam-se sistematicamente em doses variáveis e imprevisíveis. Porém, a análise de ambiente, a elaboração de cenários prospectivos e a análise estratégica são fundamentais nas metodologias mais dinâmicas de planejamento. 1.2.2 Business Plan e Planejamento Estratégico Após fazermos as análises ambientais levando-se em conta as situações macro, micro e setorial e após a análise de portfólio, estamos prontos para montarmos o Plano de Negócios (Business Plan) e o Planejamento Estratégico. Business Plan Inicialmente é feita uma apresentação da empresa e da dinâmica na qual está inserida. Pode ser elaborado no âmbito corporativo, de uma Unidade Estratégica de Negócio ou só para uma diretoria (não é o ideal, mas ocorre comumente nas diretorias de Marketing e de Finanças). Neste momento, faz-se um resumo da evolução da empresa e do mercado, com crescimento e metas alcançadas e por atingir, descritas anteriormente. Denominam esta etapa de análise de GAPs. O BP (Business Plan) é dividido em duas partes: fixa e variável, as quais entraremos em detalhes abaixo: 25 Parte Fixa: ü Negócio: O negócio a que a empresa faz parte ü Missão: Detalhamento do negócio com seus atributos e os beneficiários ü Visões/Macro-Objetivos: Aonde a empresa quer chegar ü Valores – competências que a empresa espera que cada funcionário possua Parte Variável: Depende de cada área. Nessa parte são colocados os resultados da Análise do Ambiente (Analise PEST, Diamante de Porter, Analise de Cenários, Analise SWOT, 5 Forças de Porter). O plano corporativo é estruturado nas seguintes partes: o Análise Ambiental; o Macro Objetivos; o Objetivos Corporativos; o Objetivos da Diretoria; o Estudos de Projeto (Plano de Ação o Analise de Riscos o Análise de Impacto das Decisões É feito o planejamento de longo prazo, a identificação das áreas estratégicas do negócio e a identificação e caracterização dos mercados alvo e potencial. “A principal vantagem do Business Plan convencional está em seu foco no mercado alinhado ao Planejamento Estratégico da Empresa. A disfunção do BP ocorre quando se busca exclusivamente o 26 aumento da participação do mercado em curto prazo, desconsiderando-se o Planejamento Estratégico em sua visão mais ampla, que agrega uma análise mais completa do ambiente e consistência sistemática do empreendimento ou o Planejamento em Longo Prazo.” (Manhães, 2009, p.18) Erroneamente alguns denominam de planejamento estratégico o relatório conhecido como Business Plan (BP). Entretanto, o BP é apenas um dos resultados do processo planejamento estratégico. Também existem três tipos de BP: aquele que apenas apresenta a organização, seus serviços e clientes; o que visa a captação de investimentos, e que por isso mesmo apresenta um padrão voltado a demonstrativos e a análises financeira; e por fim o que abarca tudo aquilo que está planejado para a empresa. É do último que tratamos neste texto. Planejamento Estratégico Detalhado e Planos Táticos No Brasil, apesar de muitas empresas já estarem utilizando a metodologia do Planejamento Estratégico, ainda pairam dúvidas sobre o que realmente este vem a ser e como deve ser formulado. A maior dúvida diz respeito a uma acentuada tendência para a utilização dos termos “Planejamento Estratégico” e “Planejamento a Longo Prazo” como se fossem sinônimos. O planejamento a longo prazo se baseia em situações passadas enquanto que o Planejamento Estratégico é mais dinâmico e busca visualizar o futuro situando a empresa em um cenário desejado e esperado. Na metade dos anos 60, foi introduzida a metodologia do Planejamento Estratégico. Philip KOTLER (1975), um dos defensores da sua utilização, propõe o seguinte conceito: “O Planejamento Estratégico é uma metodologia gerencial que permite estabelecer a direção a ser seguida pela Organização, visando maior grau de interação com o ambiente”. Existem dúvidas, também, 27 diferenças entre Planos sobre as Estratégicos, Táticos e Operacionais. Russell ACKOFF (1966) esclarece que o Plano Estratégico é pertinente à organização como um todo, enquanto os Planos Táticos estão relacionados com as diversas áreas da organização. Por exemplo, um Plano Financeiro e um Plano de Marketing são Planos Táticos. Para operacionalizar os Planos Táticos, são preparados os Planos Operacionais, que orientam a alocação de recursos para cada parte dos Planos Táticos. Assim, o processo de administração estratégica e o planejamento estratégico, por conseqüência, envolvem uma série de etapas que incluem: Execução de uma análise do ambiente; Estabelecimento de uma diretriz organizacional (business plan), Formulação de uma estratégia organizacional, Implementação da estratégia organizacional (Planos Táticos e Operacionais) e o Controle Estratégico (monitoração e avaliação do planejamento estratégico) Nas próximas seções verificaremos como esse planejamento estratégico está implementado nas principais instituições financeiras do país. 1.3 A Gestão Estratégica e as Instituições Financeiras Nas últimas seções estudamos, primeiramente, a situação do mercado de crédito e a evolução dos últimos anos. Depois, vimos, na teoria, alguns dos fundamentos da Gestão Estratégica, as técnicas utilizadas para análises de ambientes, análises de portfólio, bem como está estruturado o planejamento estratégico e o BP (business plan). Nesse momento, observaremos como os conceitos acima estão sendo utilizados pelas principais instituições financeiras e bancárias do país e qual é a importância do mercado de crédito no planejamento dessas empresas. 28 1.3.1 Estratégia na Caixa Econômica Federal A Caixa Econômica Federal revisou seu planejamento estratégico e seu modelo de gestão no início do ano de 2009. Atualmente, o modelo de gestão baseia-se nas seguintes vertentes: Ø Governança Corporativa; Ø Sistema de Planejamento (que promove a integração entre o Plano Estratégico, o Plano de Implementação e os Planos Operacionais); Ø Avaliação de Resultados (que contempla resultados financeiros, econômicos, sociais e ambientais, sob a ótica da sustentabilidade); Ø Arquitetura Organizacional. Como parte de seu sistema de governança corporativa, a CAIXA dispõe de instrumentos que asseguram a inibição de conflitos de interesses entre suas diversas instâncias de gestão. Além das regras relativas à não participação dos Vice- Presidentes das áreas segregadas como membros do Conselho Diretor, o Estatuto da CAIXA contém as seguintes regras de segregação de funções que devem se observadas pelos órgãos de administração: a) As unidades responsáveis por funções de contabilidade, controladoria, controle e riscos ficarão sob a supervisão direta do vice-presidente designado exclusivamente para a função de controle e risco; b) O vice-presidente designado exclusivamente para a função de controle e risco responderá ao Banco Central pelo acompanhamento, pela supervisão e pelo cumprimento das normas e procedimentos de contabilidade, riscos e do Sistema de Controles Internos. 29 c) As unidades responsáveis pela formulação de políticas e gestão de risco de crédito não podem ficar sob a supervisão direta de vice-presidente a que estiverem vinculadas as atividades de concessão de créditos ou de análise de garantias. d) É vedado ao Conselho Diretor e aos responsáveis pela administração de recursos próprios da CAIXA intervir na formulação de políticas de gestão de ativos de terceiros e de administração ou operacionalização das loterias federais e dos fundos instituídos pelo governo federal, incluído o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. e) Os membros do Conselho Diretor não responderão solidariamente pelas atividades de formulação de políticas de gestão de ativos de terceiros e pela administração ou operacionalização das loterias federais e dos fundos instituídos pelo governo federal, incluído o FGTS. f) Um dos vice-presidentes responderá pelo cumprimento das medidas e pelas comunicações relativas à prevenção e ao combate às atividades relacionadas com os crimes previstos na Lei nº. 9.613/1998, que dispõe sobre os crimes de "lavagem de dinheiro" ou ocultação de bens, direitos e valores; a prevenção da utilização do sistema financeiro para os ilícitos previstos nesta Lei. g) Um dos vice-presidentes responderá ao Banco Central pelo acompanhamento e pela supervisão das atividades da Ouvidoria, sendo-lhe permitido exercer outras atividades na CAIXA, exceto a de responsável pela administração de recursos de terceiros. Além do estatuto, uma das diretrizes da Política de Governança Corporativa da CAIXA diz que os tomadores de decisão conduzem-se de forma a prevenir a ocorrência de quaisquer situações que possam, de alguma forma, caracterizar conflito de interesses e afetar os negócios, serviços e demais operações da Empresa. A atualização do Plano Estratégico da CAIXA – Ciclo 2009-2015 mobilizou diretamente mais de 20 mil empregados respeitando a pluralidade geográfica, de negócios, gênero, cargo ou função ocupada, tempo de serviço e 30 grupo étnico racial, e demonstrou o efetivo compromisso da CAIXA com as melhores práticas da Governança Corporativa. Para que seus objetivos sejam alcançados, a empresa conta com uma série de recursos de gestão, entre eles seu Plano Estratégico. No modelo de planejamento estratégico adotado pela CAIXA, os Desafios Estratégicos explicitam para a organização o que deve ser realizado a fim de se obter a consecução da Visão de Futuro. Evidenciam ainda os resultados econômicos, sociais e ambientais que a CAIXA se propõe a alcançar para atender sua Missão e reafirmar sua relevância para a sociedade brasileira. Em 2009 foram revistas a Missão, os Valores, a Visão e os Desafios Estratégicos de forma a expressar, no novo contexto econômico e social, o papel da CAIXA como agente indutor do desenvolvimento e sua importância para a sociedade brasileira, passando a ter a seguinte redação: Missão “Atuar na promoção da cidadania e do desenvolvimento sustentável do País como instituição financeira, agente de políticas públicas e parceira estratégica do Estado brasileiro.” (www.caixa.gov.br) Valores o Sustentabilidade econômica, financeira e socioambiental; o Valorização do ser humano; o Respeito à diversidade; o Transparência e ética com o cliente; o Reconhecimento e valorização das pessoas que fazem a CAIXA; o Eficiência e inovação nos serviços, produtos e processos. 31 Visão de Futuro “A Caixa será referência mundial como banco público integrado, rentável, socialmente responsável, eficiente, ágil, com permanente capacidade de renovação e consolidará sua posição como o banco da maioria da população brasileira.” (www.caixa.gov.br) Dentro do Planejamento estratégico da instituição, foram colocados 8 macro objetivos, chamados de objetivos estratégicos, a saber: 01 - Consolidar-se como principal agente de políticas públicas do Governo Federal e ampliar a relação com todos os entes da administração pública 02 - Ampliar a participação no mercado de crédito 03 - Ampliar a participação de mercado na captação de recursos 04 - Ser referencial de excelência no atendimento e ampliar a capacidade e as alternativas de distribuição 05 - Ser reconhecida como uma das melhores empresas para se trabalhar 06 - Adequar e racionalizar processos e integrar áreas da empresa 07 - Implementar soluções integradas de tecnologia da informação 08 - Ser referencial como banco focado na Responsabilidade Social Empresarial (RSE) e no apoio ao desenvolvimento regional sustentável Sendo assim, percebemos que ampliar a participação no mercado de crédito é o desafio nº 2 da Caixa Econômica Federal e está presente em seu planejamento estratégico. Além disso, a empresa está muito preocupada em cumprir suas obrigações de parceira estratégica do governo federal e também com o desenvolvimento sustentável colocando questões de SER e procurando adequar e racionalizar processos. 32 1.3.2 Estratégia no BRADESCO O planejamento estratégico do Banco Bradesco não é muito divulgado publicamente, mas podemos citar as informações abaixo. Porém, podemos perceber, pelo texto abaixo, que o mercado de crédito também faz parte da estratégia do banco como forma de aumentar suas receitas e agradar investidores. Missão “Fornecer soluções, produtos e serviços financeiros e de seguros com agilidade e competência, principalmente por meio da inclusão bancária e da promoção da mobilidade social, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e a construção de relacionamentos duradouros para a criação de valor aos acionistas e a toda a sociedade”. (www.bradesco.com.br) Visão “Ser reconhecida como a melhor e mais eficiente instituição financeira do País e pela atuação em prol da inclusão bancária e do desenvolvimento sustentável.” (www.bradesco.com.br) Estratégia Empresarial Segundo informações do site do banco, o Brasil atravessou com tranqüilidade e segurança o período de turbulências, provocado pela crise mais recente que afetou a economia global, conquistando, assim, respeito e otimismo do Mercado. Essa conjuntura de estabilidade econômica, que permite vislumbrar evolução consistente em 2010, é propícia para o aumento do emprego e da renda das famílias, bem como da expansão do crédito, especialmente no setor imobiliário, cuja demanda oferece grande potencial de alavancagem, sobretudo com as normas que protegem o Sistema Financeiro 33 Nacional e os estímulos dos diversos programas sociais promovidos pelo Governo Federal. VALORES “Fundamentado em valores como respeito, ética e transparência, o Bradesco enfrenta com determinação o desafio de consolidar sua destacada presença no ambiente econômico nacional, demonstrando força e singular capacidade de intermediador financeiro, incentivando investimentos, democratizando o crédito, ampliando a oferta de produtos, prestação de serviços e soluções, promovendo, prioritariamente, a inclusão bancária e a mobilidade social.” (www.bradesco.com.br) Mesmo sem ter acesso aos documentos e às técnicas de gestão utilizadas nas análises de ambiente e cenário do Banco, podemos constatar e acreditar que alguns conceitos obtidos na análise da Caixa Econômica Federal, também estão presentes no planejamento do Bradesco. A preocupação com a ética e a transparência na relação com clientes e investidores. Também mostra a vontade de aproveitar a oportunidade da estabilidade econômica e investir muito em crédito de longo prazo, principalmente o imobiliário e a inclusão bancária em função do aumento da renda da população e do seu poder de compra. 1.3.3 Estratégia no ITAÚ/UNIBANCO No dia 3 de novembro de 2008, Itaú e Unibanco assinaram contrato de associação para a unificação das operações financeiras dos dois bancos. Trata-se de uma instituição financeira com plena capacidade de participar do novo cenário competitivo global. 34 “O processo de união entre as instituições é liderado pelo Comitê Superior de Integração, que tem como grandes metas assegurar uma transição tranqüila e transparente, garantir a continuidade dos negócios conduzidos por Itaú e Unibanco e discutir novas oportunidades. O Comitê supervisiona as atividades de 19 frentes de trabalho, criadas em novembro de 2008 para mapear processos e identificar as melhores práticas de cada instituição. Os resultados obtidos por esses grupos de trabalho subsidiarão a construção de um novo modelo de negócios para cada uma das diversas áreas de atuação do Itaú Unibanco. As frentes contam com o apoio de consultorias externas, que atuam como facilitadores nessa etapa de transição. Entre os benefícios que virão desta integração, o novo banco será capaz de expandir a oferta de crédito, ampliar a gama de produtos e serviços, valorizar o trabalho de seus colaboradores e assegurar a solidez do nosso sistema financeiro.”(www.itau.com.br) . Pelo texto acima, percebemos que o Itaú Unibanco está passando por um momento de integração e transformação. Sendo assim, provavelmente novos valores e desafios estratégicos surgirão desses estudos, ou seja, um novo planejamento estratégico que possa integrar as duas instituições e dar o direcionamento que os acionistas precisam. Mesmo assim, podemos também perceber a preocupação com o mercado de crédito. De qualquer forma, podemos citar abaixo alguns dos itens presentes no modelo de gestão do novo banco formado. Visão “Ser o banco líder em performance sustentável e em satisfação dos clientes” (www.itau.com.br) Valores "Nossa ética corporativa está também refletida nos nossos comportamentos, nossas práticas, crenças e valores. É no exercício diário das nossas atividades que demonstramos de fato quem somos 35 e como somos. Por isso, para o Itaú Unibanco, tão importante quanto a ética é a nossa visão e a nossa cultura corporativa. Revisitados à luz da união de Itaú e Unibanco, Visão e Cultura ganharam força com a diversidade das nossas origens, formações, experiências. E foi possível identificar valores em comum que serão o grande diferencial dessa organização nos próximos anos. No Itaú Unibanco, as pessoas estão em primeiro lugar. Sejam elas colaboradores, fornecedores, clientes ou a sociedade em geral. Ambicionamos a construção de equipes de alta performance, cujos talentos individuais só fazem sentido se forem capazes de formar times vencedores. Valorizamos pessoas que sentem prazer em trabalhar na organização, em servir o cliente, em resolver os problemas de forma ágil e competente. Buscamos a inovação que facilite a vida de todos e que nos permita construir um banco cada vez melhor. O progresso, o crescimento sustentável, a performance são metas permanentes. O Itaú Unibanco se orgulha de ser um banco sólido, contemporâneo, presente na vida das pessoas. Um banco que busca construir relacionamentos saudáveis com todos à sua volta, consciente do seu papel na sociedade e do seu impacto no meio ambiente. “ (www.itau.com.br) Macro Objetivos: • Aumentar atuação no Brasil; • Competir no mercado internacional; • Apoiar o crescimento das operações de crédito • Gerar ganho de escala em todos os segmentos de clientes. Assim, mesmo passando por um momento de transformação, o banco também coloca o mercado de crédito entre seus objetivos estratégicos. 36 1.3.4 Estratégia no Banco do Brasil; O Banco do Brasil, instituição com mais de 200 anos de existência, reformulou seu planejamento estratégico no ano de 2010 e criou o planejamento para o ciclo 2010-2014. Seguem abaixo os itens que foram o planejamento do BB e o seu business plan: Missão: “Ser a solução em serviços e intermediação financeira, atender às expectativas de clientes e acionistas, fortalecer o compromisso entre os funcionários e a Empresa e contribuir Plano de Longo Prazo para o desenvolvimento do País.” (Mastroeni, 2010, p.10) Valores o Ética e transparência. o Compromisso com o desenvolvimento das comunidades e do País. o Responsabilidade socioambiental. o Excelência e especialização no o Relacionamento com o cliente. o Gestão participativa, decisão colegiada e trabalho em equipe. o Ascensão profissional baseada no mérito. o Marca como diferencial competitivo. o Conservadorismo e pro atividade na gestão de riscos. o Comprometimento com rentabilidade, eficiência e inovação. 37 Visão de Futuro “Sermos o primeiro banco dos brasileiros no Brasil e no exterior, o melhor banco para trabalhar e referência em desempenho, negócios sustentáveis e responsabilidade socioambiental” (Mastroeni, 2010, p.14) Macro Objetivo Objetivo 1: Referência em desempenho e negócios sustentáveis O objetivo criado pelo planejamento estratégico é divido em objetivos menores que formam o planejamento tático da instituição. Na figura 4 em anexo 8, temos os objetivos que norteiam cada segmento do banco. Na área financeira, o objetivo é ser referência em desempenho e negócios sustentáveis e assim por diante, nas áreas de clientes, sociedade, processos internos e comportamento organizacional. Esses objetivos ajudarão a formar o planejamento tático e operacional do Banco do Brasil para o ciclo 2010-2014. Concluindo esse capítulo, verificamos que o mercado de crédito tem se tornado muito atraente para as instituições financeiras gerando, por conseqüência, uma competitividade extremamente acirrada e, acredito, somente a implantação de modelos de gestão baseados em técnicas modernas irão fazer com que as organizações consigam se manter e/ou crescer nesse mercado. 38 Capítulo II ESTUDO DE CASO De acordo com a metodologia dessa monografia, o capítulo I apresentou os conceitos do mercado de crédito bancário nacional e alguns dos fundamentos da Gestão Estratégica, tais como análise de ambientes e portfólios, além de uma breve descrição sobre o planejamento estratégico e sua diferença para o business plan. Foram utilizados principalmente os conceitos estudados em Manhães (2009). Ainda vimos como as instituições financeiras Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú/Unibanco e Banco do Brasil utilizam a ferramenta de planejamento estratégico para buscar seus objetivos e cumprir suas missões. Nesse capítulo II, o momento é fazermos um estudo de caso real buscando sempre a ligação das técnicas em gestão estratégica e o mercado de atuação em crédito bancário. Começaremos apresentando o caso a ser estudado. Depois, veremos como foram feitas as entrevistas e as análises de relatórios e por fim, é feito um diagnóstico da situação da agência bancária levando-se em consideração os estudos realizados. 2.1 Apresentação do Caso Nesta seção apresentaremos o caso. O problema consiste no fato do Gerente Geral de uma agência bancária no município de Niteroi querer melhorar a produtividade e o resultado final de sua unidade em relação ao mercado de crédito. O propósito é implantarmos as técnicas aprendidas no capítulo I e tentarmos entender melhor o resultado da unidade e como poderíamos aperfeiçoar suas ações estratégicas. Assim, nesse capítulo, iremos analisar os ambientes, tanto macro, micro e setoriais, faremos pequena análise 39 de portfólio e buscaremos perceber como a agência está se desenvolvendo em relação ao planejamento estratégico da empresa. Antes de aplicarmos as técnicas de gestão estudas no capítulo I, é importante falarmos a respeito da evolução da agência no mercado de crédito. A figura 5 em anexo mostra a composição da carteira de crédito da unidade no ano de 2010. A carteira de crédito da agência é composta basicamente pelas seguintes operações, podendo ser vinculadas a pessoa física ou jurídica. • Cheque Especial: Crédito Rotativo concedido a clientes com taxa de juros alta e para suprir dívidas emergenciais; • Crédito Pessoal: Crédito parcelado com taxas de juros menores que o cheque especial com o propósito de estimular o consumo; • Crédito Consignado: Crédito parcelado com taxas de juros bem reduzidas e com a garantia do desconto na folha de pagamento do cliente; • Crédito Veículos: Crédito parcelado destinado a compra de veículo onde o mesmo fica alienado ao banco até o fim do pagamento; • Crédito Penhor de Jóias: Crédito parcelado onde o cliente deixa suas jóias (ouro, diamante, rubi, etc.) em penhora e recebe uma quantia em dinheiro • Crédito Habitacional: Crédito parcelado voltado a compra ou construção da casa própria É possível observar que o crédito consignado é o que representa o maior volume na carteira de crédito, apesar de ser uma modalidade de crédito voltada exclusivamente para a pessoa física. O anexo 9 mostra um gráfico “pizza” com percentual de representatividade de cada crédito dentro da carteira. 40 2.2 Planejando e Realizando Entrevistas Antes de fazermos uma análise de ambiente, precisamos buscar informações a respeito do funcionamento da agência, de sua gestão e como as pessoas viam o mercado a qual estavam inseridas. Para isso, precisamos utilizar ferramentas de registros subjetivos que são fundamentais para o sucesso do trabalho. Somente com as informações corretas, poderemos aplicar as técnicas de gestão e conseguirmos frutificar o trabalho. Esta seção aborda alguns aspectos positivos das entrevistas e suas deficiências. Na parte do planejamento das entrevistas, tivemos que fazer algumas reuniões com os gerentes da agência com o objetivo de explicar o que era o trabalho, qual a intenção da análise e da importância da contribuição deles para a qualidade do produto final. Nessas reuniões sentimos certa desconfiança no início, mas com o passar do tempo fomos ganhando a confiança dos gerentes e “quebrando” essa resistência. Vale ressaltarmos que assumimos um compromisso na presença de todos de que este trabalho não iria prejudicá-los no seu ambiente profissional. Para buscar as informações que necessitávamos, utilizamos algumas técnicas de registros subjetivos, a saber: • Questionários: é um formulário de questões, apresentadas e respondidas por escrito. “Suas principais vantagens recaem na possibilidade de alcançar um grande número de pessoas e por requerer – geralmente – menos gastos” (LIMA, 2003, p.14). Temos as questões de múltipla escolha, as questões abertas e as questões de escala. As de múltipla escolha são aquelas que oferecem duas ou mais opções de escolha e permitem maior uniformidade de medição com maior facilidade no processamento. A principal desvantagem é o seu caráter superficial e a sua inflexibilidade, já que pode ocorrer do 41 entrevistado não concordar com nenhumas das opções ofertadas e desejar manifestar outra opinião. As questões abertas são aquelas em que o entrevistado manifesta sua opinião livremente sem ser “induzido” à algumas opões predeterminadas. Portanto, são mais flexíveis podendo trazer a tona aspectos importantes que não haviam sido previamente identificados pelo pesquisador. Um ponto considerado negativo, principalmente considerando-se o fator tempo, é a maior dificuldade que essa modalidade apresenta para o pesquisador processar as informações, bem mais meticulosas que as exigidas com as questões fechadas de múltipla escolha. Por último vêm as questões de escala em que é dada ao pesquisado a função de responder um questionamento através do seu grau de concordância ou discordância, podendo, por exemplo, enumerar de 1 a 5 (talvez 1 demonstrando mais concordância e 5 menos ou nenhuma concordância) os níveis de concordância com a questão apresentada. São questões fáceis de processar, mas que exigem cuidado na sua formulação e, principalmente, na definição da escala. • Entrevistas: é o contato verbal entre o pesquisador e o pesquisado. Tecnicamente, essa ferramenta pode variar bastante dependendo do assunto, do conhecimento que o pesquisador tiver dele, das características dos pesquisados e do tipo de informação que se deseja obter. Há três tipos clássicos de entrevistas: o Estruturada: o conteúdo e os procedimentos são definidos previamente, com a formulação das questões feitas segundo um roteiro prévio, sem mudanças na seqüência ou no fraseado das perguntas, nem tampouco a inclusão de novas indagações. Tratase, pois, de uma situação “fechada”, o que garante uma padronização no pesquisados, evitando padronizando os contato do erros dados pesquisador na obtidos coleta e com de todos os informações, facilitando o seu processamento. Contudo, assim como ocorre com questionários compostos por questões de múltipla escolha, a principal 42 desvantagem da entrevista estruturada é a limitada possibilidade de análise aprofundada dos fatos; o Semi-estruturada: o conteúdo e os procedimentos também são definidos previamente, porém o pesquisador pode mudar a seqüência e/ou o fraseado das questões apresentadas, com o objetivo de explicá-las e, inclusive, de formular novas perguntas. Esse tipo de ferramenta, tal como o questionário de questões abertas, apresenta dificuldade no processamento dos dados levantados em função da amplitude da mesma; o Não estruturada: faz-se apenas uma definição prévia dos tópicos relevantes – ordenados e relacionados entre si – que o pesquisador irá explorar, num estilo semelhante ao de uma conversa informal. Neste item, o pesquisador tenta deixar o ambiente o mais informal possível para conseguir obter as informações através de uma “bate papo” normal e deixar a conversa fluir naturalmente, porém, sem deixar de abordar os tópicos ordenados. Apesar de exigir maior tempo e qualificação do pesquisador para o processamento dos dados, essa modalidade de entrevista tem a grande vantagem de captar detalhes não computados por meio outras técnicas e ajuda no entendimento das observações realizadas. “Afinal, ninguém melhor para analisar a sua situação de trabalho que o próprio trabalhador”. (LIMA, 2003, cap. 5). Cada resposta a uma pergunta pode ser uma oportunidade de ir mais longe por meio de outra pergunta para aprofundar, tornar mais precisa a descrição, ajudar o operador a se lembrar de fatos novos, pôr em relação cadeias de causalidades. É muito importante realizarmos as entrevistas com muita qualidade para termos uma melhor compreensão da tarefa que está sendo realizada. 43 Nessa ferramenta é que conseguiremos entender todo aquele trabalho cognitivo. Por que em uma determinada situação, o funcionário oferece um produto X e não um produto Y? Também é necessário que criemos uma situação totalmente favorável para a realização das entrevistas. Por exemplo, devemos sempre receber bem o entrevistado e mostrar respeito e consideração pela sua atividade e, pensando nesse aspecto, podemos agendar previamente a realização da entrevista fazendo com que o mesmo escolhe o melhor momento para responder as questões. Outras questões também devem ser consideradas em uma entrevista. Devemos sempre começar a conversa com um “quebra gelo”, ou seja, começar a entrevista com uma conversa amistosa, sem maiores pretensões e buscando estabelecer um clima mais relaxado. Qualquer utilização de recursos de áudio e/ou vídeo deve ser autorizado pelo entrevistado. Finalizando, é necessário situarmos o entrevistado no seu objetivo, ou seja, antes de qualquer entrevista devemos fazer uma introdução para que o mesmo saiba sob qual aspecto estamos querendo sua análise. Enfim, qualquer que seja a técnica, a formulação adequada das perguntas é o elemento chave para o sucesso da pesquisa. Para se formular bem uma indagação, há de se conhecer bem o que está pesquisando, por mais óbvio que seja essa afirmação. 2.3 Aplicações das Técnicas Após o trabalho de campo realizado, com a observação das pessoas trabalhando e das entrevistas realizadas, estamos prontos para aplicar algumas técnicas de gestão e saber o resultado delas. Nessa seção, faremos uma análise de ambiente (macro, setorial e micro) e uma análise de portfólio. 44 2.3.1 Análise do Macro Ambiente A ferramenta utilizada para fazermos a análise macro do ambiente foi a análise PEST. Nela, conseguimos identificar vários fatores que influenciam diretamente o mercado de crédito e por conseqüência, a agência bancária estudada. O anexo 10 mostra um quadro da análise PEST feita. Com essa análise, já podemos perceber alguns fatores de oportunidade (por exemplo, mercado de crédito em clara expansão), mas também alguns fatores de risco (índices inflacionários crescentes, por exemplo). 2.3.2 Análise Setorial do Ambiente A ferramenta utilizada para fazermos a análise setorial do ambiente e estudada no capítulo I foi elaborada por Michael Porter e se chama “5 forças de Porter”. Nessa ferramenta, os clientes/fornecedores ficam na linha horizontal enquanto que a análise da concorrência e seus produtos substitutos/novos entrantes na linha vertical. O concorrente direto fica no centro do diagrama. O concorrente direto da Caixa Econômica Federal na agência estudada são os outros bancos que possuem agências bem próximas a ela, a saber: Banco do Brasil, Bradesco e Itaú/Unibanco. Os novos entrantes são as financeiras que cada vez mais entram no mercado de crédito (BMG, Losango, Fininvest, etc.). Já os concorrentes indiretos são os consórcios e os planos de capitalização onde o cliente não faz o empréstimo. Essas modalidades são regidas pelo autofinanciamento e inibe o mercado de crédito bancário propriamente. 45 Os compradores são todos os clientes com capacidade jurídica de realizar empréstimos e os fornecedores são os clientes que realizam aplicação no banco, pois é através desses recursos que a instituição financeira faz a intermediação e concede empréstimos dentro da sua carteira. O anexo 11 mostra as 5 forças de Porter para o estudo de caso. 2.3.3 Análise do Micro Ambiente Já para fazermos a análise do micro ambiente foi utilizada a ferramenta Analise SWOT, cujo resultado está apresentado no anexo 12. 2.3.4 Análise de Portfólio Ao analisarmos o portfólio dos produtos de crédito oferecidos pela agência bancária, sua participação no mercado e sua evolução anual, percebemos que o crédito habitacional é a grande estrela da unidade da unidade, pois além de ter boa participação no mercado, ainda apresentou evolução de 2009 para 2010 conforme anexo 13. Levando-se em consideração os conceitos da matriz BCG citados no capítulo I, também verificamos que o crédito consignado é a vaca leiteira, o crédito veículos é o ponto de interrogação e o crédito pessoal é a porcaria da agência. Cresciment o no Volume de Vendas Estrelas: Crédito Habitacional Pontos de interrogação: Crédito Auto Vacas leiteiras: Crédito Consignado Porcarias: Crédito Pessoal Participação nas vendas 46 2.4 Planejamento Estratégico na Agência Nesse trabalho de pesquisa e observação, percebemos também que o planejamento estratégico definido pela instituição para o ciclo 2009-2015 está bem presente no dia a dia da agência. A parceria com o Estado brasileiro citado na missão da instituição pôde percebida através da realização de alguns programas sociais tais como: Bolsa Família, Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e Minha Casa Minha Vida (MCMV). Além disso, os valores de sustentabilidade econômica, financeira e socioambiental também podem ser verificados no modelo de avaliação da empresa, onde as agências que apresentam resultados negativos devem ter um plano especial de desenvolvimento e recuperação. Outro fator importante acerca do valor socioambiental é que a Caixa Econômica Federal concede empréstimos somente para empresas que tenham a Certidão Ambiental emitida pelos órgãos responsáveis nos casos em que a atividade exige. Existe também um código de ética e uma comissão independente que analisa as denúncias de maus tratos, assédios morais e sexuais bem como desrespeito ao corpo funcional. Já em relação aos objetivos estratégicos, fica bem nítido sua sintonia com a agência, pois a mesma possui objetivos anuais bem desafiadores em relação a carteira de crédito e a captação de recursos. Por outro lado, inexistem indicadores de desempenho para se medir outros objetivos estratégicos tais como “ser reconhecida como uma das melhores empresas para se trabalhar” (desafio nº 5) e “ser referencial como banco focado na Responsabilidade social empresarial (RSE) e no apoio ao desenvolvimento regional sustentável” (desafio nº 8). 47 CAPÍTULO III PROPOSTAS DE MELHORIA Neste capítulo iremos apresentar algumas propostas de melhorias conforme aplicação das técnicas aplicadas no capítulo anterior com o objetivo de buscarmos um aumento na participação do mercado de crédito. Antes de entrarmos nas propostas concretas, faremos algumas considerações. No atual contexto da globalização, principalmente no que diz respeito às negociações, observa-se que as mudanças estão acontecendo de forma muito rápida e intensa, fazendo com as organizações busquem a cada dia uma análise ambiental para conseguir manter-se em frente a essas mudanças. “Para ser competitiva, a empresa, além de considerar as ameaças proporcionadas pela concorrência direta, deve considerar todo o contexto em que está inserida, conforme definido pelo modelo, ou seja, as pressões dos fornecedores, clientes, além das empresas entrantes e das substituições pelas inovações.” (Costa, 1995, p.1) Sendo assim, a empresa deve conhecer todos os fatos e dados do seu contexto empresarial, tendo informações a respeito do seu ambiente e, a partir disso, definir uma estratégia de ação que a conduza à sua missão e objetivos globais. A informação do ambiente, nesse sentido, deve ser algo mais que simples informações sobre os concorrentes, devendo envolver todo o contexto do ambiente externo. A análise ambiental focaliza as oportunidades e as ameaças do ambiente e pode também ser feita por meio de uma pesquisa de mercado para identificar os fatores externos sobre os quais a empresa não tem controle. Para Kotler (1998) “o ambiente empresarial tanto oferece oportunidades quanto ameaças, e as empresas bem sucedidas sabem que são vitais a observação e adaptação constantes às mudanças do ambiente“. 48 Cabe dizer que “Ambiente é tudo aquilo que envolve externamente uma organização” (CHIAVENATO, 1996, p.66). Como o ambiente organizacional é amplo, pois está além das fronteiras ou limites da organização, torna-se inviável analisá-lo e compreendê-lo na sua totalidade, necessitando-se, com isso, ser desdobrado em dois grandes segmentos: macroambiente e o microambiente. Portanto, as empresas e o mercado onde as mesmas atuam vem passando por grandes transformações e, ao propor novas mudanças precisamos levar essas questões em consideração. Assim, as informações a seguir são apenas propostas para incremento de produtividade, ou seja, não necessariamente serão as melhores soluções, mas a idéia é permitir ao gestor da unidade uma aplicação rápida e simples das técnicas estudadas e um aumento de produtividade na concessão de crédito e uma maior fatia no mercado de crédito bancário. Começamos o capítulo II fazendo uma análise do macro ambiente em que a agência está inserida. Pudemos perceber que, praticamente em todos os fatores (políticos, econômicos, sociais e tecnológicos), as notícias são boas para quem quer investir no mercado de crédito. O governo está incentivando através de subsídios, leis novas para o consumo, implantação do cadastro positivo, etc. Também, percebemos que existe uma população ativa em crescimento com aumento da capacidade de pagamento sendo que novos integrantes nas classes sociais C e D. E ainda tem a expectativa de vida crescente da população brasileira. Só existem 2 fatores que não contribuem para o avanço do crédito: os índices inflacionários crescentes nos últimos meses e taxa de juros com tendência de alta, o que acaba afetando a economia como um todo. Porém, a boa notícia é que o governo já demonstrou a continuidade na política econômica do período político anterior e está preocupado com essas questões. 49 Sendo assim, existem muitas oportunidades para o avanço do crédito, sendo que, pela análise macro feita, talvez seja interessante investir em produtos com taxa de juros prefixadas que são menos influenciados pela alta da taxa SELIC. Após a análise macro, utilizamos as 5 forças de Michael Porter e buscamos entender as questões setoriais do mercado de crédito na agência bancária em estudo. Verificamos que os concorrentes diretos são as agências bancárias do Bradesco, Banco do Brasil e Itaú/Unibanco. Também verificamos que os Consórcios e os Planos de Capitalização são concorrentes indiretos, bem como as financeiras BMG, Losango e Fininvest são novos entrantes nesse mercado. Os clientes são todos aqueles que têm capacidade civil sendo pessoa física ou jurídica e os fornecedores são os mesmos clientes que utilizam suas reservas para realizarem aplicações no banco. Analisando as informações acima, entendemos, primeiramente que, para se proteger das financeiras, o ideal seria investir mais ainda na figura do correspondente bancário, ou seja, buscar parceiros estratégicos com maior flexibilidade (normalmente empresas menores tem maior flexibilidade) que queiram entrar para esse mercado e possam vender os produtos de crédito da Caixa Econômica Federal recebendo como contrapartida uma remuneração pelos produtos vendidos. Além disso, esses parceiros também teriam a possibilidade de vender planos de capitalização e consórcios (produtos já existentes no banco) fazendo com que pelo menos se o cliente quiser usar produtos substitutos que o façam sendo clientes da própria Caixa Econômica. Por último, identificamos que é possível fazer um trabalho de carteira vendendo o produto crédito para os clientes que fazem aplicação no banco. Na análise foi possível constatar que alguns clientes aplicam seu dinheiro na agência e que no momento de realizar investimentos não gostaria de se descapitalizar e poderiam embutir o custo dos juros em seu investimento. 50 Já na análise do micro ambiente, utilizamos a Análise SWOT e identificamos que é preciso uma ação de marketing dentro da prefeitura de Niteroi para que a marca Caixa seja utilizada na obtenção de novos clientes aproveitando o novo convênio para crédito consignado. Nessa mesma ação é necessário aproveitar o fato da Caixa Econômica ter as menores taxas do mercado para que o cliente perceba que quantidade de papel na concessão do empréstimo não é um obstáculo e que serve para sua segurança. Porém, é necessário realizar ações de otimização de processo juntamente a área jurídica da instituição e investimento grande em tecnologia. Por último, foi feita a análise de portfólio e identificamos que o Crédito Habitacional é a estrela da Agência com uma boa participação no mercado e com evolução de vendas considerando os anos de 2009 e 2010. Sendo assim, é importante fazermos uma ação de marketing chamada “cross selling”, onde podemos aproveitar a força do produto crédito habitacional e alavancar as vendas de outro produto, principalmente cheque especial e o crédito consignado. Uma grande parte dos clientes que compram imóveis gostaria de fazer uma reforma ao entrar no mesmo. Sendo assim, é possível uma ação de marketing agregando outro produto ou até mesmo criando um produto novo voltado para esse setor. Além disso, o produto crédito veículos é o ponto de interrogação pois possuí baixa participação de mercado mas tem boa evolução de vendas. Sendo assim, é necessário estudar o ciclo de vida do produto, ou seja, caso o ciclo não esteja no fim, vale a pena investir nessa carteira com parceria com agências de automóveis nos mesmos moldes do correspondente bancário. Também temos o crédito consignado que é a vaca leiteira da agência. Possuí grande participação no mercado, mas não apresentou grandes 51 evoluções entre 2009 e 2010. Porém, é o carro chefe da instituição e é o crédito livre com menor taxa de juros e que apresenta um garantia de bom nível com baixo índice de inadimplência. A proposta aqui é criar novos canais de distribuição desses produtos tais como um telefone 0800 onde o cliente possa fazer seu empréstimo sem sair de casa. Outra proposta seria avaliar automaticamente todos os clientes pessoa jurídica da agência que tivessem mais de 30 funcionários com renda média superior a R$ 2.000,00, com baixa rotatividade para que sejam feitos novos convênios de crédito consignado e que o produto tenha condição de alavancar ainda mais. Finalmente, o crédito pessoal é a “porcaria” da agência e quando analisamos seu ciclo de vida mostra que realmente o produto está em declínio. Sendo assim, a proposta para esse produto é apenas deixá-lo na “prateleira” da agência mas sem grandes investimentos. Concluindo, apresentamos o resumo com as propostas sugeridas para a agência em estudo (vide anexo 14). Tal proposta, como já foi dito anteriormente, busca o aumento da participação da agência no mercado de crédito e foi fruto das técnicas de gestão estratégica aplicadas. 52 CONCLUSÃO No início deste trabalho estávamos buscando soluções para que as instituições financeiras pudessem obter crescimento no mercado de crédito em função de toda a competitividade existente atualmente. Tentamos colocar a Gestão Estratégica como uma possível solução para esse problema através da implantação de técnicas e a aplicação de ferramentas existentes. Após exploramos toda a teoria apresentada em Manhães (2009) no capítulo I, podemos perceber que existem hoje em dia várias técnicas em gestão que podem auxiliar as instituições financeiras atualmente. Ao fazermos a análise de cenário e verificarmos as questões do macro ambiente, estamos inserindo nossa empresa no contexto nacional e analisando quais as possibilidades de “forças ocultas” atrapalharem o nosso negócio. É fato que as principais instituições do país já se utilizam da ferramenta do planejamento estratégico para definir seus modelos de gestão. Concluímos que essas ferramentas têm responsabilidade direta no resultado alcançado atualmente por essas empresas. Também ficou claro que as ferramentas são utilizadas somente na questão macro, ou seja, as agências de atendimento, que é o lugar onde circulam os clientes da instituição e onde são vendidos os principais produtos de crédito da empresa, não experimentam na prática a aplicação das técnicas de gestão estratégica. Os gestores trabalham muito reativamente aos problemas sem definir estratégias claras de atuação no mercado onde atua. Assim, a Analise PEST pode não ter grande relevância para o ambiente de uma agência bancárias, mas são fundamentais para a definição de uma estratégica macro. Já a Análise SWOT e as 5 forças de Porter são ferramentas que podem ser utilizadas principalmente no dia a dia das 53 empresas, e no caso das instituições financeiras, podem ser aplicadas diretamente pelos gestores de cada agência de atendimento. A análise de portfólio foi importante para verificarmos qual o produto estrela da agência e como poderíamos aproveitar melhor as vendas desse produto. Também serviu para verificarmos que o crédito pessoal não é um produto a ter tanta atenção pelos gestores. Porém, o crédito habitacional pode ser muito explorado, até mesmo pela evolução do mercado da Construção Civil nos últimos anos. Ou seja, é bem possível que este produto continua como estrela da agência durante um grande período. Assim, ao aplicarmos as técnicas em uma agência bancária, tivemos como resultado um quadro de sugestões de atuação estratégica que poderiam aumentar consideravelmente a produtividade da agência no mercado de crédito e fazer crescer a rentabilidade da empresa. E o interessante foi que as sugestões poderiam ser aplicadas sem grandes investimentos. Ou seja, a agência poderia ter ganho de produtividade sem a necessidade altos custos para sua implementação. Concluindo, acredito que a gestão estratégica pode ser usada como uma ferramenta para que as instituições financeiras consigam aumentar sua participação no mercado de crédito nos dias de hoje, apesar da forte concorrência existente atualmente. Pelo menos para o problema apresentado na prática (participação da agência bancária do município de Niteroi), a administração estratégica ajudaria na busca da excelência dos serviços prestados pela agência e no ganho de sua produtividade. Saliento que as propostas sugeridas após a aplicação das técnicas de gestão não foram implementadas na prática, ou seja, não temos como mensurar o resultado alcançado. Porém, deixamos as mesmas como uma opção para que o gestor da agência busque aplicá-las. 54 Como sugestão, deixo meu registro de que tal trabalho seja aplicado em outras agências do mesmo banco. Relembrando que as propostas sugeridas no capítulo III foram simples, pois a idéia era de que as mesmas fossem implementadas no ambiente local com agilidade para aumento real de produtividade de uma maneira rápida. Porém, se for observado que o problema se repete nas outras unidades e também em outros municípios e/ou estados, acredito que as soluções possam ser mais complexas e envolver também um maior investimento da área de tecnologia tanto do lado financeiro quanto do lado do tempo para ser aplicado. Também sugiro que o mesmo trabalho seja realizado com outras instituições financeiras pois percebemos em análises bem superficiais que as análises de ambiente realizadas servem para qualquer agência bancária. Por fim gostaria de alertar que o crescimento muito rápido do crédito pode trazer riscos de inadimplência para as organizações, índice grande de endividamento para a população e riscos para a política econômica e monetária nacional. Isso prejudicaria todo o desenvolvimento do país e nos levaria a uma crise com grandes proporções. 55 BIBLIOGRAFIA ACKOFF, R. L. The meaning of strategic planning. MicKinsey Quaterly, p.4861, Summer 1966 BECSI, Zsolt e WANG, Piny. Financial Development and Growth. Federal Reserve Bank Atlanta Economic Review vol. 82 (4), 1997, p. 46-62. BOOT, Arnoud ... Relationship Banking: What Do We Know? Journal of Financial Intermediation. vol. 9, p. 7-25, 2000. BOWER, Marvin. The will to manage. New York : MacGraw-Hill, 1966. CHIAVENATO, I. Administração nos novos tempos. 2 ed., vol.2. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1996 COSTA, Erika. A importância do crédito na economia. São Paulo: Universidade do Vale do Paraíba, 2007 COSTA, Ana Carolina Ribeiro. As forças de Porter aplicadas a formulação da estratégia competitiva. João Pessoa: Connepi, 2007 GUERIN, F. et al. Compreender o trabalho para transformá-lo: a prática da ergonomia. São Paulo: Edgard Blucher, 2001 KOTLER, Philip. Administração de marketing. São Paulo : Atlas, 1975 56 LAROSA, Marco. Como Produzir uma Monografia. Rio de Janeiro: Wak, 2008 LIMA, João Ademar de Andrade. Metodologia de análise ergonômica. João Pessoa: UFPB, 2003 MANHÃES, Mario. Administração para Executivos. 2009 MASTROENI, MARCO. Banco do Brasil Day, 23 e 24 de Novembro de 2010 PORTER, M. E. Quanto menor a empresa mais importante a estratégia. Qualidade Total, mar, p.12, 1995. PORTER, M. E. Estratégias Competitivas: Técnicas para Análise de Indústrias e da Concorrência. 7.º Ed. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1980. SECURATO, Jose. CRÉDITO: Analise e avaliação do Risco. São Paulo: Saint Paul, 2002 SPENCE, Michal. Market Signalling: Informational Transfer in Hiring and Related Screening Processes. London, England: Harvard University Press. 1974. 57 WEBGRAFIA BANCO BRADESCO, Relações com Investidores, Missão e Estratégia, www.bradesco.com.br, acessado em 17/01/2011 BANCO DO BRASIL, Relação com Investidores, Conheça o BB, www.bb.com.br, acessado em 20/01/2011 BANCO ITAÚ, Relação com investidores, Conheça o Itaú Unibanco, www.itau.com.br, acessado em 19/01/2011 CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, Sobre a Caixa, Caixa: o banco que acredita nas pessoas, www.caixa.gov.br, acessado em 17/01/2011 REVISTA VEJA, O impacto do crédito, www.veja.abril.com.br, acessado em 23/11/2010 58 ANEXOS ANEXO 1: Relação Crédito x PIB. 58 ANEXO 2: Evolução da taxa de juros real 59 ANEXO 3: Evolução da taxa SELIC 60 ANEXO 4: Análise PEST 61 ANEXO 5: 5 Forças de Porter 62 ANEXO 6: Análise SWOT 63 ANEXO 7: Matriz BCG 64 ANEXO 8: Planejamento Banco do Brasil 65 ANEXO 9: Divisão da Carteira de Crédito da Agência 66 ANEXO 10: Analise PEST para o estudo de caso 67 ANEXO 11: 5 Forças de Porter para o estudo de caso 68 ANEXO 12: Análise SWOT do estudo de caso 69 ANEXO 13: Evolução do Crédito Consignado 70 ANEXO 14: Propostas de Melhoria do estudo de caso 71 ANEXO 15: Foto da Agência Bancária em estudo 72 59 ANEXO 1 Relação Crédito x PIB 50,00% 45,00% 40,00% 35,00% 30,00% 25,70% 45,00% 46,30% 41,30% 36,30% 35,20% 30,90% 28,30% 24,60% dez/03 dez/04 dez/05 dez/06 25,00% dez/07 20,00% jun/08 15,00% dez/08 10,00% dez/09 5,00% 0,00% nov/10 CréditoxPIB Fonte: WWW.febraban.gov.br 60 ANEXO 2 Evolução da taxa de juros real 61 ANEXO 3 Evolução da taxa SELIC Fonte: BACEN 62 ANEXO 4 Análise PEST Elementos para a análise PEST Político-legais Econômicas Monopólios de legislação Ciclos de negócios Leis de proteção ambiental Tendências de PIB Políticas de taxação Capacidade de financiamentos Regulamentação de comércio exterior Inflação Desemprego Legislação trabalhista Aplicações Estabilidade do governo Disponibilidade e custo de energia Fonte: www.bcb.gov.br Fatores Sócio-culturais Tecnológicas Demografia populacional Gastos do governo com pesquisas Distribuição de renda Foco do governo e da indústria em Mobilidade social Mudanças no estilo de vida Atitudes no trabalho e no lazer Consumerismo Níveis de educação esforço tecnológico Novas descobertas e desenvolvimento Velocidade em transferência de tecnologia Taxas de obsolescência 63 ANEXO 5 5 Forças de Porter 64 ANEXO 6 Análise SWOT SWOT Pontos Fortes Oportunidades Ameaças O1 O2 O3 O4 T1 T2 T3 T4 Resposta Resposta S 1 Sprioridade elevada de de prioridade elevada 2 S 3 Pontos Fracos W 1 Não responder W pontos fracos em pontos fortes 2 W 3 Converter 65 ANEXO 7 Matriz BCG Cresciment o no Volume de Vendas Estrelas Pontos de interrogação Vacas leiteiras Porcarias Participação nas vendas 66 ANEXO 8 Planejamento do Banco do Brasil 67 ANEXO 9 Divisão da Carteira de Crédito da Agência Carteiras de Crédito 22,00% 15,00% 5,00% 11,00% 7,00% 40,00% Cheque Especial Credito Pessoal Credito Consignado Credito Veiculos Credito Penhor Credito Habitacional 68 ANEXO 10 Análise PEST para o estudo de caso Político-legais Econômicas Leis de incentivo ao crédito Taxa de Juros com tendência de Estratégia voltada para subsídios alta ao crédito PIB com tendência positiva Governo estimula queda de taxas Ciclos de negócios Início de governo com indícios de Índices inflacionários crescentes continuidade Sem problema de funding Implantação do cadastro positivo Desemprego em queda Fatores Sócio-culturais Tecnológicas População ativa em crescimento Governo incentiva tecnologia Aumento da capacidade de pagamento Novos Avanço muito rápido da tecnologia em celulares integrantes nas classes sociais C e D Setor do entretenimento é o que mais cresce Expectativa de vida crescente Uso de canais alternativos em crescimento Novos sistemas para o segmento 69 ANEXO 11 5 Forças de Porter para o estudo de caso BMG, Losango, Fininvest Fornecedores Clientes aplicadores Novos entrantes ou Concorrentes potenciais Compradores Bradesco, Banco do Brasil e Itaú/Unibanco Consórcios e Planos de Capitalização Clientes pessoa física, jurídica com capacidade civil Concorrentes substitutos ou indiretos 70 ANEXO 12 Análise SWOT para o estudo de caso FORÇAS Força da Marca Caixa Fatores Internos Menores taxas de juros do mercado OPORTUNIDADES Novo convênio de crédito consignado com a prefeitura de Fatores Niteroi; Externos Mercado de crédito em expansão FRAQUEZAS Quantidade de documentos na concessão dos empréstimos Sistemas operacionais lentos AMEAÇAS Concorrência acirrada no ramo de crédito Inauguração de uma Agência do Bradesco; 71 ANEXO 13 Evolução do Crédito Consignado da Agência Produto Crédito Consignado Saldo em 2009 15.235.432,00 Saldo em 2010 Evolução 15.620.345,00 2,53% 72 ANEXO 14 Propostas de melhoria para o estudo de caso Investir em produtos com taxa pré-fixada Parceria com correspondentes bancários para oferta de crédito Parceria com correspondentes bancários para oferta de consórcios e planos de capitalização Oferta de produtos de crédito para clientes aplicadores Ação de marketing dentro da prefeitura de Niteroi aproveitando o novo convênio Ação de marketing para mostrar as menores taxas do mercado Cross Selling aproveitando a força do crédito habitacional Investimento em novo produto voltado para reformar de apartamentos que foram financiados Parceria com Agência de Automóveis ofertando o produto Crédito Veículos Novos canais de distribuição para o produto Crédito Consignado Avaliar automaticamente todos os clientes PJ com mais de 30 empregados Não investir no crédito pessoal 73 ANEXO 15 Foto da agência bancária em estudo 74 ÍNDICE INTRODUÇÃO 7 Capítulo I: 11 GESTÃO ESTRATÉGICA E O MERCADO DE CRÉDITO BANCÁRIO 11 1.1 O Mercado de Crédito No Brasil 10 1.2 Fundamentos da Gestão Estratégica 14 1.2.1 Modelos de análise ambiental e de portfólio 14 1.2.1 Analise PEST 15 1.2.1.2 Diamante de Porter 17 1.2.1.3 Cenários 18 1.2.1.4 As 5 Forças de Porter 19 1.2.1.5 Analise SWOT 20 1.2.1.6 Modelos de Análise de Portfólio 22 1.2.2 Business Plan e Planejamento Estratégico 24 1.3 A Gestão Estratégica e as Instituições Financeiras 27 1.3.1 Estratégia na Caixa Econômica Federal 28 1.3.2 Estratégia no BRADESCO 32 1.3.3 Estratégia no ITAÚ/UNIBANCO 33 1.3.4 Estratégia no Banco do Brasil 36 Capítulo II: 38 ESTUDO DE CASO 75 38 2.1 Apresentação do Caso 48 2.2 Planejando e Realizando Entrevistas 40 2.3 Aplicações das Técnicas 43 2.3.1 Análise do Macro Ambiente 44 2.3.2 Análise Setorial do Ambiente 44 2.3.3 Análise do Micro Ambiente 45 2.3.4 Análise de Portfólio 45 2.4 Planejamento Estratégico na Agência 46 CAPÍTULO III: PROPOSTAS DE MELHORIA 47 CONCLUSÃO 52 BIBLIOGRAFIA 54 WEBGRAFIA 56 ANEXOS 57 ÍNDICE 73