A IMPORTÂNCIA DA EQUIPE DE SUPORTE EM CURSOS A
DISTÂNCIA
Ademir Martins1, Marie-Christine M. Fabre2, Rodrigo Keller3, Mára Lúcia Fernandes Carneiro4
Universidade Federal do Rio Grande do Sul1
Pós-Graduação em Informática na Educação
Av. Paulo Gama, 110 – Prédio 12201 – sala 810
90046-900 - Porto Alegre, RS
[email protected] 1 , [email protected] 2,
[email protected] 3
ULBRA – Faculdade de Informática 2
Pós-Graduação em Informática na Educação
Av. Paulo Gama, 110 – Prédio 12201 – sala 810
90046-900 - Porto Alegre, RS
[email protected] 4
Resumo. O acesso à informação e à cultura, no momento atual, ocorre independentemente da
existência de fronteiras ou distâncias. Os recursos técnicos para apoio à comunicação têm
possibilitado o grande avanço da Educação a Distância (EAD), ampliando e generalizando o
acesso às informações, que podem levar à construção do conhecimento. No entanto, a escolha e a
utilização dos recursos didáticos disponíveis em ambientes de EAD dependem, e muito, do perfil do
público-alvo. Mesmo em grupos com alguma experiência no uso destes, surgem grandes
dificuldades e dúvidas quando se busca ampliar este campo de ação, envolvendo a reflexão e uso
pedagógico. Surge, então, a figura do monitor e as funções de suporte ao curso. Uma boa equipe,
bem preparada, não só tecnicamente, mas também psicologicamente, pode fazer a grande diferença
nesta inclusão no mundo tecnológico, minimizando as dificuldades iniciais e reduzindo os
“traumas” daqueles alunos menos preparados, inclusive diminuindo o número de evasões, uma das
grandes preocupações em EAD. O artigo procura trazer uma nova visão de um curso a distância,
lembrando que existem outros papéis, também fundamentais neste processo e que subsidiam a
interação professor-aluno e alunos-alunos.
Palavras-chave: educação a distância, suporte, monitoria
NTM - 530
1.
INTRODUÇÃO
O acesso à informação e à cultura, no momento atual, ocorre independentemente da existência de fronteiras ou
distâncias. Os recursos técnicos para apoio à comunicação têm possibilitado o grande avanço da Educação a Distância
(EAD), ampliando e generalizando o acesso às informações, que podem levar à construção do conhecimento.
No entanto, a escolha e a utilização dos recursos didáticos disponíveis em ambientes de EAD dependem, e
muito, do perfil do público-alvo. Mesmo em grupos com alguma experiência no uso destes recursos (por ex., acesso à
Internet, uso de correio eletrônico), surgem grandes dificuldades e dúvidas quando se busca ampliar este campo de
ação, envolvendo a reflexão e uso pedagógico.
Surge, então, a figura do monitor e as funções de suporte ao curso. Uma boa equipe, bem preparada não só
técnica mas também psicologicamente, pode fazer a grande diferença nesta inclusão no mundo tecnológico,
minimizando as dificuldades iniciais e reduzindo os “traumas” daqueles alunos menos preparados, inclusive diminuindo
o número de evasões, uma das grandes preocupações em EAD.
O suporte é primordial para o bom andamento de um curso a distância. Com um bom suporte, é reduzida a
carga de tarefas administrativas e tecnológicas do professor, podendo este concentrar seus esforços no trabalho
específico sobre o conteúdo. Para um aluno que está fisicamente afastado do local do curso, longe de todos os colegas e
do próprio professor, o apoio em situações de dificuldade pode determinar sua permanência ou não no curso.
Segundo Litwin [1], nos casos em que os usuários dos cursos não tenham experiências prévias de estudo na
modalidade a distância, torna-se imprescindível informar o que significa estudar a distância e em que consiste o
conteúdo dos cursos com a maior clareza e precisão possível. Nestes casos, a utilização do suporte tecnológico pode ser
uma novidade para os usuários sendo, às vezes, também necessário ensinar a utilizá-lo. Para viabilizar esta proposta,
programas de educação a distância deverão conter uma etapa preparatória, visando resolver os problemas iniciais e a
própria organização dos estudos.
Este artigo apresenta uma proposta de estruturação de equipe de suporte, envolvendo não só o atendimento às
dificuldades tecnológicas, mas a necessidade de levar em conta os aspectos sociais e pedagógicos em atendimentos
deste tipo.
.
2.
A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
A Educação a Distância (EAD) é um termo muito utilizado atualmente. Na realidade, esta popularização devese mais ao fato da maior acessibilidade proporcionada pelas conexões em rede (tanto nas Intranet quanto na Internet),
do que pela novidade do tema.
Segundo alguns autores, pode ter tido início a partir do surgimento da escrita e das primeiras cartas de Platão e
das epístolas de São Paulo. Para outros estudiosos, os primeiros indícios de educação a distância surgiram no final do
século XVIII, através das primeiras ofertas de tutoria por correspondência. A partir de então, pouco a pouco, percebe-se
uma silenciosa proliferação dessa modalidade de educação/ensino, que tomou considerável impulso, por todo o mundo.
De indiscutível valor, a educação a distância vem se consolidando e adquirindo credibilidade à medida que as
instituições passam a conhecer suas características e peculiaridades.
Segundo Nunes [2], a educação a distância é um recurso que permite o atendimento a grandes contingentes de
alunos de forma mais efetiva que outras modalidades e sem riscos de reduzir a qualidade dos serviços oferecidos em
decorrência da ampliação da clientela atendida. As experiências dos últimos anos indicam que, para atender
efetivamente um grande grupo de alunos, existe a necessidade de uma infra-estrutura adequada de suporte, bem como
uma equipe de professores-tutores para garantir a qualidade deste processo.
Os principais fatores que propiciaram o surgimento e o posterior desenvolvimento da EAD foram, segundo
Aretío (apud [3,4]):
• a necessidade de adaptação às constantes modificações no mundo em todos os setores;
• a crescente demanda por educação/ensino;
• o grande percentual da população sem condições de atendimento pelo sistema formal;
• os elevados custos da educação formal;
• a necessidade de flexibilizar a rigidez do sistema convencional;
• o notável avanço das ciências da educação e as transformações tecnológicas que colocaram à disposição da
educação um verdadeiro arsenal de instrumentos/aparelhos, possibilitando a diminuição das distâncias, através
de condições para comunicação mais rápida e segura.
A Educação a Distância desperta interesse do sistema educativo tanto quanto do setor produtivo. Ela pode ser
considerada como uma boa estratégia para suprir as constantes (e cada vez mais complexas) necessidades de educação
formal e continuada de profissionais de diversas áreas do conhecimento, dispersos em diferentes localidades
geográficas. O avanço e as facilidades tecnológicas oferecidas, principalmente com o advento da Internet e da rede
mundial de computadores, amplia o suporte a comunicação e o acesso às informações [5].
As iniciativas tradicionais de EAD baseavam-se, principalmente, em materiais auto-instrucionais impressos e
distribuídos por meio de serviços postais. As relações, estabelecidas diretamente entre o centro produtor/distribuidor e o
aluno, tinham como objetivo primordial oferecer feedback sobre seu desempenho nos trabalhos e exercícios corrigidos.
NTM - 531
Ao aluno, cabia a tarefa de ler e “absorver” o conteúdo, seguir os procedimentos e seqüências definidas e fazer os
exercícios propostos no próprio material, normalmente cobrindo uma abrangência e um nível de profundidade prédeterminados. A experiência de aprendizagem era, portanto, eminentemente individual e isolada, baseando-se, quase
que exclusivamente, na distribuição e utilização de materiais, isto é, na transmissão de conteúdos e habilidades.
As novas tecnologias possibilitam superar modelos tradicionais, mudando o foco da instrução para o processo
de aprendizagem, colocando em suas prioridades a adoção de formas inovadoras de relacionamento e interação entre os
participantes, que enfatizem a aprendizagem contextualizada, a solução de problemas, a construção de modelos e
hipóteses de trabalho e, especialmente, o domínio do estudante sobre o seu próprio processo de aprendizagem.
A EAD é globalizante e integradora, não se referindo a produtos, mas sim a processos, métodos e técnicas, o
que caracteriza seu papel de mediadora numa relação onde professor e aluno estão fisicamente separados. Daí a
necessidade, a nível pedagógico, de uma comunicação bidirecional mediatizada através de tecnologias adequadas,
objetivando a formação integral dos alunos, de forma que se transformem em construtores do seu próprio conhecimento
e não em meros receptores de informações.
3.
OS ELEMENTOS DE UM CURSO A DISTÂNCIA
Inúmeras pesquisas e relatos preocupam-se com os papéis do aluno e do professor. O primeiro tem como
principal e fundamental necessidade a aprendizagem, enquanto o segundo exerce o papel de coordenador do processo,
buscando propiciar a interação dos alunos, enquanto planeja e desenvolve atividades que facilitem o aprendizado.
No entanto, além destes dois, existem outros papéis no contexto da EAD. Um deles é o administrador, figura
responsável pela promoção das idéias, criação de um consenso e tomadas de decisões para que os recursos tecnológicos
e humanos sejam adequadamente alocados, visando o perfeito funcionamento do curso.
Outro papel, já existente na educação presencial e com especial relevância em EAD, é o de monitor. A função
tradicional do monitor é auxiliar o professor, esclarecendo dúvidas, quase sempre de ordem prática, sobre a aplicação
do conteúdo programático da disciplina. Como em EAD a maior parte das comunicações ocorre através de sistemas de
correio eletrônico e/ou listas, o monitor tem também a função de “filtrar”, dentre as mensagens recebidas, aquelas de
natureza restrita ao tema do curso ou disciplina e as de natureza mais técnica, tais como instalar/utilizar/configurar um
programa. A partir desta seleção inicial, ele responde as que forem de sua competência e conhecimento, encaminha ao
professor as mensagens vinculadas ao conteúdo programático e as demais para o suporte técnico.
Outro elemento em um curso de EAD, que deve ser devidamente dimensionado, é o suporte. Este elemento
divide-se em suporte administrativo e suporte técnico. O primeiro, cujas funções geralmente são desempenhadas pela
secretaria do curso, atende e apóia os procedimentos de matrícula, cadastramento, envio de materiais, certificados, etc.
O segundo preocupa-se com a gerência de recursos, cadastramento de senhas, criação e administração do ambiente
(site) com as informações do curso, provimento e manutenção dos recursos de www, listas de discussões, bate-papo
(chats) e videoconferência, etc.
Esta estrutura, no entanto, pode apresentar alguns problemas. Se cada elemento fixar-se apenas em suas
atividades, podem ser criados espaços de responsabilidades não resolvidas. Digamos que, durante o curso, em
decorrência dos debates e discussões, surja a necessidade de um tutorial sobre um software que, em princípio, não
estava na programação. Isso seria um problema a ser resolvido pelo suporte técnico, monitor ou professor? Outro
exemplo, a troca de endereços de correio eletrônico, em virtude da troca de provedores, seja por questões pessoais ou
técnicas, pode ser uma constante até que cada aluno encontre o seu provedor ideal. Essa atividade de atualização de
listas pode sobrecarregar o suporte técnico, especialmente se este suporte compartilhar essa atividade com outras da
empresa/instituição.
Este artigo propõe uma organização destes elementos de forma a permitir um melhor assessoramento do aluno,
dando-lhe o suporte constante necessário. Mas, antes de tudo, precisamos refletir e buscar uma definição de “suporte”
para dimensionar a importância do tema.
4.
A EQUIPE DE SUPORTE
Para estabelecermos a importância do suporte nos cursos a distância e termos uma melhor noção de como deve
ser conduzido, é necessário responder a algumas questões. Primeiro, o que se entende por suporte? Segundo o
dicionário Aurélio [6], suporte é “aquilo que suporta ou sustenta alguma coisa; aquilo em que algo se firma ou assenta”.
Daí infere-se a importância que o significado da palavra sugere.
Normalmente à palavra “suporte”, acrescenta-se a palavra “técnico”, caracterizando a natureza das atividades
de suporte, que seriam mais de caráter técnico, ou seja, dificuldades em tratar, manipular, operar equipamentos. Essa
atividade ganha uma importância ainda maior, quando se passa a considerar neste ‘técnico’ tudo que diz respeito a
tecnologia, incluindo ai, no campo da informática, não só a operação, manipulação dos equipamentos –
microcomputadores, câmeras, scanners, etc. – como também a utilização dos softwares que acompanham estes
equipamentos e todos os demais softwares que possam vir a serem utilizados no decorrer de um curso, inclusive a
tecnologia envolvida no uso de tais softwares.
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Como a EAD utiliza-se da tecnologia para proporcionar um ambiente de ensino e aprendizagem, é natural que
seja necessário um suporte bem estruturado para estas atividades. A tecnologia, neste caso, é o canal por onde fluem as
informações e a comunicação. Esta comunicação será tanto maior quanto mais confortáveis estiverem professores e
alunos no uso da tecnologia.
5.
ESTRUTURA PROPOSTA
No Curso de Especialização a Distância em Informática na Educação (ESPIE) [7], promovido pelo Programa
de Pós-Graduação em Informática na Educação da UFRGS (PGIE/UFRGS), foi adotada uma estrutura baseada nos
mesmos elementos citados anteriormente, porém sob uma organização diferente.
Neste curso, à cada disciplina é indicado um monitor. Cabe ao monitor auxiliar o professor na publicação dos
materiais de referência do curso (nos mais diversos ambientes adotados, como no programa LearningSpace ou em
páginas HTML) e nas comunicações através do correio eletrônico e videoconferência. Também é sua função participar
dos encontros síncronos (bate-papo) e acompanhar a lista de discussão da disciplina, respondendo às questões de sua
competência.
O conjunto dos monitores mais um administrador de redes formam o que se denominou de suporte, dentro do
contexto do curso. Uma lista especial permite a troca de mensagens entre todos os integrantes deste suporte e a
solicitação de auxílio por parte dos alunos. Aquele elemento do suporte que estiver apto a responder, envia a resposta ao
aluno (ou à lista, quando o assunto fosse de interesse geral) com uma cópia para lista de suporte. Através da cópia, os
outros integrantes do suporte tomam conhecimento de que aquela questão já foi respondida.
Algumas atividades do administrador de rede foram repassadas a alguns monitores, mais vinculadas à estrutura
do curso do que apenas com uma disciplina. Isso permite que alterações de senhas, mudanças de endereços de e-mail
nas listas sejam realizadas em curto período de tempo.
O grupo-suporte aqui estabelecido engloba o suporte aos alunos e o suporte ao curso como um todo. Desta
forma, de acordo com as solicitações, tanto objetivas com subjetivas, são criadas mensagens de esclarecimento sobre o
uso das listas, tutoriais sobre os itens que se identifiquem como necessários, alterações nas páginas do site do curso, etc.
Em muitas oportunidades, durante um encontro síncrono (chat) são realizadas, em modo privado, solicitações a um ou
outro monitor, muitas delas tendo um pronto atendimento.
Embora a atividade de plantão do suporte seja desenvolvida durante o dia e nos horários em que ocorrem as
atividades síncronas, muitas vezes, ao ler sua caixa de mensagens, durante um final de semana, um feriado, ou, às
vezes, à noite, um componente do suporte, acaba fornecendo um retorno a alguma questão colocada em alguma das
listas. O aluno costuma conectar-se à rede à noite nos finais de semana, em virtude do custo menor das tarifas
telefônicas. Um pequeno problema nestes momentos poderia impedi-lo de aproveitar este tempo para progredir em seus
estudos e tarefas. O pronto atendimento as suas solicitações torna o trabalho mais produtivo, fazendo com que o aluno
sinta-se amparado em suas necessidades.
A equipe de suporte do ESPIE estava constituída por dois monitores graduados em Ciência da Computação,
um monitor com Mestrado em Ciência da Computação e um monitor licenciado em Matemática, mas com grande
experiência de pesquisa em Informática na Educação.
6.
RELACIONAMENTO INTERPESSOAL
O sucesso nas atividades do suporte no curso acima citado deve ser também creditado, além da estrutura
estabelecida, a fatores que dizem respeito ao relacionamento interpessoal. Além do fator meramente técnico/tecnológico
e estratégico, a forma como se estabeleceu o relacionamento do suporte com os outros elementos do curso, em especial
com os alunos, tornou-se fundamental.
O suporte é um serviço que é prestado, tanto para os alunos quanto para os professores e demais elementos do
curso. Os serviços são classificados em serviços objetivos e serviços subjetivos [8].
Os serviços objetivos referem-se àquilo que se obtém através de um pagamento ou remuneração, como uma
mercadoria, uma refeição, o conserto de um objeto, o corte de cabelo, inclusive o financiamento de um bem, as taxas de
juros e as condições de pagamento. São também chamados de tangíveis, pois podem ser vivenciados ou percebidos
concretamente.
Os subjetivos, também chamados de intangíveis, referem-se à maneira como é realizado o atendimento, à
forma de tratar o cliente. Um bom atendimento geralmente envolve atitudes como amabilidade, atenção, flexibilidade,
comprometimento e cumprimento dos compromissos, soluções para resolver os problemas dos clientes, caracterizandose, pois, este tipo de serviço, pela forma como a pessoa prestadora do serviço expressa suas emoções.
Um curso pode também ser considerado como um serviço sendo prestado. Se este curso for presencial, o aluno
necessita do contato com o professor, secretaria, laboratório e monitores.
Se o curso for conduzido na modalidade a distância, quais serão as necessidades do aluno? Em um curso a
distância o aluno tem, como principais ferramentas de comunicação, o correio eletrônico e os recursos para bate-papo
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(chat). Através do correio eletrônico, ele pode estabelecer contato com o professor, com os colegas e com a secretaria.
O chat serve como ponto de encontro com os colegas e o professor.
Uma outra ferramenta, a videoconferência, gradativamente está sendo inserida neste processo de comunicação.
No momento, algumas restrições tecnológicas (largura de banda, sobrecarga na rede, etc.) dificultam um pouco a sua
utilização como meio de aproximação de professores e alunos. Recursos mais tradicionais, como o telefone ou fax, não
podem também ser descartados.
E qual seria o papel e atuação do suporte? O suporte atua justamente nas lacunas que a relação a distância
acaba criando. Além de atender a todas as solicitações técnicas, o suporte tem de auxiliar os alunos a superar as
deficiências da comunicação entre os diversos elementos constituintes do curso.
7.
DEFICIÊNCIAS NA COMUNICAÇÃO
Um fator primordial que deve ser levado em conta é a comunicação. A comunicação entre suporte e alunos,
independentemente do recurso utilizado, deve ser a mais completa, objetiva e clara possível, não permitindo
interpretações dúbias.
Esta é uma grande dificuldade. A comunicação escrita, seja através do correio eletrônico, a elaboração de
tutoriais, enunciados ou recados, parece exigir cuidado especial. Muitas vezes uma instrução é passada de forma dúbia,
gerando dúvidas e incertezas no aluno. Se ele não tiver a quem solicitar ajuda, ficará muitas vezes impedido de
progredir em seus estudos e tarefas. Mesmo que tenha com quem se socorrer, se esta pessoa nem sempre estiver
disponível, o mesmo problema se instalará.
A comunicação é um ponto essencial em EAD, mas não só os meios com os quais se realiza determinam a sua
efetividade, mas também a clareza da mensagem é fundamental para o bom entendimento pelo outro. O aluno que fica
excluído do processo por não poder contar com um esclarecimento, mesmo simples, pode ficar tão desmotivado a ponto
de evadir-se do curso. E os problemas do aluno referem-se não só a instruções dúbias ou mal formuladas, mas também
com os aspectos técnico e tecnológico. Se ele souber que pode sempre contar com uma orientação segura na solução de
seu problema, sentir-se-á sempre estimulado e poderá dedicar mais tempo ao estudo do conteúdo programático do
curso.
A pessoa envolvida nas atividades de suporte deve ter em mente o perfil do aluno com quem está se
comunicando. Desta forma pode evitar o uso de linguagem demasiadamente técnica ou jargões da área e, assim superar
mais facilmente as dificuldades na comunicação. O mesmo pode-se dizer a respeito da comunicação oral (via telefone
ou videoconferência).
8.
FATORES PRIMORDIAIS NO ATENDIMENTO
Diversos fatores contribuem para um bom atendimento, dentre eles o conhecimento técnico e aqueles que
envolvem o relacionamento interpessoal. Dentre eles, pode-se citar:
• conhecimento e prática nas ferramentas que serão utilizadas no curso - a experiência anterior permite uma
melhor e mais rápida identificação dos problemas típicos, facilitando e agilizando a proposta de soluções;
este conhecimento possibilita a rápida elaboração de mini-tutoriais para solucionar problemas específicos;
• “empatia” - capacidade de se colocar no lugar do outro, identificando o nível de profundidade que cada
aluno necessita;
• aspectos pedagógicos - saber que certas dificuldades fazem parte do aprendizado do aluno e não é função
do suporte resolver tudo; não se deve "dar o peixe", mas sim “ensinar a pescar”;
• criatividade - na busca de soluções para os problemas apresentados;
• flexibilidade - a natureza e tema das solicitações são as mais diversas, por isso a equipe deve ser flexível
para adequar-se responder a cada novo desafio;
• amabilidade, atenção, gentileza - tratando a todos o mais prontamente possível, sempre de forma amável e
simpática;
• comprometimento e cumprimento dos compromissos - dado de grande importância, pois cria nos alunos a
confiança nos serviços prestados.
9.
RELATO DE EXPERIÊNCIAS
A nossa participação (nos papéis de professor, aluno e suporte) durante o primeiro semestre do curso permite
descrever algumas experiências com o suporte em cursos a distância.
Em determinados momentos, o suporte deve ser um pouco "mágico". Para exemplificar, segue o correio
eletrônico de um aluno para o suporte:
NTM - 534
“O que devo digitar para acessar a aula, de cada uma das cinco disciplinas do Curso, quer no horário oficial,
quer no alternativo, quer nas atividades síncronas, quer nas assíncronas?”
A dúvida é muito genérica, ou seja, o aluno não soube explicitar suas dificuldades de forma que o suporte possa atendêlo prontamente. Há a necessidade de retomar o contato com o aluno e auxiliá-lo a elaborar melhor a sua própria
pergunta para que suas dúvidas possam finalmente ser esclarecidas. Devemos primar pela clareza nas mensagens. Eis
a pergunta de um aluno e a resposta apresentada pelo suporte.
Pergunta: Olá, pessoal, não entendi porque não chegou ao meu computador a modificação que fizeste, ao lado
das disciplinas, para abrir uma nova janela. Acho que um roteador a comeu.
Resposta: Olá, experimenta dar um reload na tua página, pois todos os outros estão vendo as alterações,
talvez você não esteja vendo a nova versão por esse motivo.
O próprio membro da equipe de suporte, ao reler sua mensagem, identificou o uso de vocabulário bastante técnico e
enviou uma segunda mensagem:
Segunda Resposta: Olá, vou tentar ser mais claro (pois acho não o fui no correio eletrônico anterior) o botão
Reload é no Netscape em inglês, significa Recarregar na versão em português. Se estiver utilizando Internet
Explorer utiliza o botão Atualizar, pois dai sim pode conferir as modificações.
Da mesma forma, a equipe de suporte deve ter sensibilidade e alcance para decodificar os questionamentos
apresentados pelos alunos. Por exemplo, numa pergunta de um aluno ao suporte.
Como devo proceder para transferir a página que fiz para o FTP ?
Na realidade, o aluno não estava entendendo o processo, pois a página não é enviada para o FTP, já que FTP é o serviço
utilizado para transferir um arquivo do computador local para um servidor. Assim, além de responder a questão em si, é
importante procurar perceber as dificuldades do aluno na compreensão dos processos envolvidos (como, por exemplo, o
funcionamento da rede, servidor, etc). Desta forma, o suporte pode atuar como um orientador, apoiando o aluno não só
na solução do problema, mas na compreensão do processo envolvido.
10
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O processo educativo de valor consagrado e indiscutível, a EAD apresenta vantagens e limitações que
merecem ser analisadas . Como vantagens, podemos citar:
• eliminação ou redução das barreiras de acesso aos cursos ou nível de estudos;
• ausência de rigidez quanto aos requisitos de espaço (onde estudar?), assistência às aulas e tempo (quando
estudar?) e ritmo (em que velocidade aprender?);
• permanência do aluno em seu ambiente profissional, cultural e familiar, formação fora do contexto da sala
de aula;
• o aluno, centro do processo de aprendizagem e sujeito ativo de sua formação vê respeitado o seu ritmo de
aprender;
• conteúdos instrucionais elaborados por especialistas e a utilização de recursos multimídia;
•
comunicação bidirecional freqüente, garantindo uma aprendizagem dinâmica e inovadora;
• atendimento às demandas e às aspirações dos diversos grupos, por intermédio de atividades formativas ou
não;
• desenvolvimento da iniciativa, de atitudes, interesses, valores e hábitos educativos;
• redução de custos em relação aos dos sistemas presenciais de ensino, ao eliminar pequenos grupos, ao
evitar gastos de locomoção de alunos e o abandono do local de trabalho para o tempo extra de formação.
Como desvantagens e/ou limitações, pode-se citar:
• limitação em alcançar o objetivo da socialização, pelas escassas ocasiões para interação dos alunos com o
docente e entre si;
• empobrecimento da troca direta de experiências proporcionada pela relação educativa pessoal entre
professor e aluno;
• retroalimentação ou feedback e a retificação de possíveis erros podem ser mais demorados, embora os
novos meios tecnológicos reduzam estes inconvenientes;
• necessidade de um rigoroso planejamento a longo prazo, com as desvantagens que possa ocasionar,
embora com a vantagem de um repensar e de um refletir por mais tempo;
• o perigo da homogeneidade dos materiais instrucionais - todos aprendem o mesmo, por um só pacote
instrucional, conjugado a poucas ocasiões de diálogo aluno/docente - pode ser evitado e superado com a
NTM - 535
•
•
•
elaboração de materiais que proporcionem a espontaneidade, a criatividade e a expressão das idéias do
aluno;
para determinados cursos, a necessidade de o aluno possuir elevado nível de compreensão de textos e
saber utilizar os recursos da multimídia, ainda que se afirme ser possível alfabetizar à distância, por rádio;
custos iniciais muito altos para a implantação de cursos à distância, que se diluem ao longo de sua
aplicação, embora seja indiscutível a economia de tal modalidade educativa;
serviços administrativos são, geralmente, mais complexos que no presencial.
O suporte é primordial para o bom andamento de um curso a distância e superação das desvantagens
envolvidas em tal modalidade de curso. Sem ele, o professor seria onerado por tarefas administrativas e tecnológicas,
simultaneamente ao seu trabalho específico sobre o conteúdo.
A experiência da equipe junto ao ESPIE demonstrou, principalmente através do retorno apresentado pelos
próprios alunos, que o apoio técnico é fundamental. No entanto, o aspecto humano, a interação, a preocupação com o
aluno, foram essenciais. Para um aluno que está em sua cidade natal, longe de todos os colegas e do próprio professor, o
apoio em situações de dificuldade pode determinar sua permanência ou não no curso.
11.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[1]
E. Litwin. Desafios, recursos e perspectivas da educação a distância. Pátio. 3(9), maio/julho, 1999. p. 16-19.
[2]
I. Nunes. Noções de Educação a Distância. Revista Educação a Distância. 4/5, dez/93-abr/94. Brasília, Instituto
Nacional de Educação a Distância. p. 7-25.
[3]
L.G. Aretio. Educación a distancia hoy. Madrid: UNED. 1994.
[4]
D.F. Bittencourt. A construção de um modelo de curso Lato Sensu via Internet - a experiência com o curso de
especialização para gestores de instituições de ensino técnico UFSC/SENAI. Dissertação de Mestrado. UFSC.
Jun, 1999. Disponível na Internet: http://www.eps.ufsc.br/disserta99/denia.
[5]
M. Struchiner; F. Rezende; R. Ricciardi e M.A. Carvalh. Elementos fundamentais para o desenvolvimento de
ambientes construtivistas de aprendizagem à distância. Tecnologia Educacional. 26 (142). jul/ago/set, 1998.
[6]
Aurélio, Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2ª Edição, Editora Nova Fronteira, 1998
[7]
PGIE/UFRGS. Curso de Especialização em Informática na Educação. 2001. Disponível na Internet:
http://www.pgie.ufrgs.br/espie
[8]
SENAC. Qualidade em prestação de serviços, 1997
NTM - 536
Download

A IMPORTÂNCIA DA EQUIPE DE SUPORTE EM