Carlos Magno Lourenço de Souza
Wellington Souza Galdino
PESQUISA COMO ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA PARA UMA
APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA
Pindamonhangaba-SP
2015
Carlos Magno Lourenço de Souza
Wellington Souza Galdino
PESQUISA COMO ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA PARA UMA
APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA
Monografia apresentada como parte dos requisitos
para obtenção do Diploma de Licenciatura em
Pedagogia pelo curso de Pedagogia da Faculdade
de Pindamonhangaba.
Orientadora: Profa. MSc. Marina Buselli
Pindamonhangaba-SP
2015
Souza, Carlos Magno Lourenço de; Galdino, Wellington Souza
Pesquisa como estratégia pedagógica para uma aprendizagem significativa / Carlos
Magno Lourenço de Souza; Wellington Souza Galdino / Pindamonhangaba-SP : FAPI
Faculdade de
Pindamonhangaba, 2015.
23f.
Monografia (Graduação em Licenciatura em Pedagogia) FAPI-SP
Orientador(a): Profa Marina Buselli
1 Aprendizagem significativa. 2 Pesquisa. 3 Estratégia pedagógica. 4 Professor
pesquisador
I Titulo.
Carlos Magno Lourenço de Souza
Wellington Souza Galdino
PESQUISA COMO ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA PARA UMA
APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA
Monografia apresentada como parte dos requisitos
para obtenção do Diploma de Licenciatura em
Pedagogia pelo curso de Pedagogia da Faculdade
de Pindamonhangaba.
Orientadora: Profa. MSc. Marina Buselli
Data: _____________________
Resultado: _________________
BANCA EXAMINADORA:
Prof. _____________________________________________Faculdade de Pindamonhangaba
Assinatura ____________________________________________
Prof. _____________________________________________Faculdade de Pindamonhangaba
Assinatura ____________________________________________
Prof. _____________________________________________Faculdade de Pindamonhangaba
Assinatura ____________________________________________
Dedico esta monografia a minha esposa Daiana Motta de Souza e a minha filha
Milena Motta de Souza pelos incentivos e apoios que me deram durante esta caminhada, por
compreenderem os momentos das minhas ausências e principalmente por acreditarem no meu
potencial.
Carlos Magno Lourenço de Souza
Dedico esta monografia a meu pai José Galdino Sobrinho e minha falecida mãe
Sonia Souza Galdino que são os responsáveis pela construção do meu caráter. As minhas
irmãs Katherine Souza Galdino e Karolyne Souza Galdino e a toda minha família. Em
especial a minha esposa Maria Gabriela Mesquita Galdino, que com sua paixão e dedicação a
sua profissão de professora contagiou-me para trilhar o mesmo caminho, além de me oferecer
seu amor, apoio e crença em minhas capacidades. Ao meu filho Kalel Mesquita Galdino, que
foi minha força motivadora com seu amor e carinho e o meu subsunçor com seu espírito
questionador. A todos os meus amigos que considero a família que pude escolher e em
especial ao meu amigo e irmão Vinícius da Silva Victor que me ofereceu a oportunidade de
iniciar este curso e propiciou vários momentos de reflexão com nossas longas discussões. Ao
meu amigo Mauro Siqueira Junior que com sua disponibilidade contribuiu fundamentalmente
para o meu inicio nesta jornada. E por fim ao meu amigo Carlos Magno Lourenço de Souza
meu companheiro inseparável nesses três anos e meio de formação acadêmica.
Wellington Souza Galdino
AGRADECIMENTOS
Agradecemos primeiramente a Deus por ter nos dado saúde e fé para concluirmos
este curso.
Aos nossos familiares especialmente esposas e filhos que nos inspiraram e nos
motivaram durante esta jornada.
A nossa orientadora professora mestre Marina Buselli pela sua paciência e dedicação
demonstrada durante a elaboração deste trabalho.
E a todos os professores da FUNVIC, do curso de Pedagogia, que contribuíram para
a nossa formação pedagógica.
A nossa turma do curso de Pedagogia que nos acompanhou nesses três anos e meio
de curso.
E a todos que contribuíram direta e indiretamente para realização deste trabalho.
“Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino.”
Paulo Freire
RESUMO
Tendo em vista buscar uma estratégia pedagógica que possibilite tornar o processo de ensino
aprendizagem mais significativa, esta pesquisa é norteada pelas seguintes questões: a) O que é
aprendizagem significativa? b) Como a utilização da pesquisa pode auxiliar alunos e
professores a alcançarem uma aprendizagem significativa? Nesse sentido, o presente trabalho
se encontra subdividido em quatro subtemas. Em primeiro lugar apresenta-se a aprendizagem
significativa, enfatizando-se os conceitos teóricos e sua relevância para o processo de ensino e
aprendizagem. Em seguida revisam-se alguns conceitos gerais sobre pesquisa, tanto no campo
empírico quanto no científico. Na sequência, ressalta-se a relevância do uso da pesquisa como
estratégia pedagógica para o professor. Encerrando-se a revisão da literatura, aponta-se o novo
papel que o professor tem que exercer diante desse desafio, ou seja, o papel de professor
pesquisador. Após esta revisão, pode-se afirmar que a aprendizagem significativa fundamentase nos conhecimentos prévios dos alunos relacionados com o conteúdo a ser aprendido O
educando deverá assimilar o conteúdo de maneira substantiva e não literal. A pesquisa, por se
tratar de um instrumento metodológico para solução de problemas ou saneamento de dúvidas,
se torna uma estratégia eficiente para se atingir a aprendizagem significativa. Diante disso, é
necessário que o professor assuma o papel de pesquisador, pois a ele cabe a função
fundamental nesse processo que é o de guiar seus alunos para uma aprendizagem
significativa.
Palavras-chave: Aprendizagem significativa. Pesquisa.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ..............................................................................................................
2 MÉTODO ........................................................................................................................
3 REVISÃO DA LITERATURA .....................................................................................
3.1 APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA ..........................................................................
3.2 PESQUISA ....................................................................................................................
3.3 PESQUISA COM ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA ......................................................
3.4 PROFESSOR PESQUISADOR ....................................................................................
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................
REFERÊNCIAS ................................................................................................................
9
10
11
11
13
15
17
19
21
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1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho abordará o assunto educar pela pesquisa como estratégia
pedagógica, apontando suas principais características que possibilitam tornar o processo de
ensino-aprendizagem mais significativo, tanto para alunos quanto para os professores.
A importância de discutir este assunto encontra-se no fato de que a pesquisa
proporciona condições para uma aprendizagem significativa, levando o aluno a conhecer e
atuar em seu contexto de maneira crítica e efetiva. Demo (2003) aponta a pesquisa como
instrumento essencial para o desenvolvimento da aprendizagem.
Esta pesquisa partirá das seguintes questões: O que é aprendizagem significativa?
Como a utilização da pesquisa pode auxiliar alunos e professores a alcançarem uma
aprendizagem significativa?
Apoiando-nos em Demo (1996), partiremos da hipótese que a pesquisa leva a uma
aprendizagem significativa porque proporciona aos alunos e professores a oportunidade de
serem agentes reflexivos e participativos no processo de ensino-aprendizagem. A pesquisa
deveria ser a base da educação escolar.
Com a pesquisa, alunos e professores poderão alcançar conhecimento teórico e
desenvolver a prática, o que pode resultar numa aprendizagem significativa. Para Demo
(2003), um dos instrumentos essenciais para o desenvolvimento da aprendizagem é a
pesquisa.
Os objetivos desta pesquisa são: a) aprofundarmos nossos estudos sobre aprendizagem
significativa; b) verificar, por meio de revisão da bibliografia, a viabilidade da utilização da
pesquisa como estratégia pedagógica, desde a Educação Infantil, para o alcance da
aprendizagem significativa.
10
2 MÉTODO
Este trabalho constituiu-se de pesquisa bibliográfica, fazendo-se uso de livros,
artigos científicos e documentos oficiais que tratam do assunto educar pela pesquisa como
estratégia pedagógica.
A busca foi feita na biblioteca da Faculdade de Pindamonhangaba e em sites
especializados, principalmente no www.scielo.br, partindo-se das palavras-chave: pesquisa,
aprendizagem significativa.
Este estudo inicia-se com uma breve revisão sobre aprendizagem, a fim de
chegarmos a um melhor entendimento sobre aprendizagem significativa. A seguir,
apresentamos uma reflexão sobre pesquisa e sua utilização como estratégia de ensino para a
efetivação de uma aprendizagem realmente significativa para alunos desde o início da
escolaridade. Por fim, fazemos um apanhado sobre o papel que cabe ao professor nesse
contexto, ou seja, como professor pesquisador.
11
3 REVISÃO DA LITERATURA
Sendo o foco central deste estudo a utilização da pesquisa em sala de aula, desde a
Educação Infantil, para o alcance de uma aprendizagem significativa, nesta seção busca-se um
aprofundamento sobre tal aprendizagem e, a seguir foca-se a pesquisa e sua utilização em sala
de aula.
3.1 APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA
Por ser o tema fundamental na atividade dos docentes, a aprendizagem tornou-se o
objeto de estudo de teóricos das mais variadas áreas do conhecimento humano, que buscam
compreender tal fenômeno de grande complexidade. Entre tantas teorias, abordaremos aqui a
teoria da aprendizagem significativa assim como suas contribuições para o processo de ensino
aprendizagem. Mas antes, apresentaremos alguns conceitos sobre aprendizagem.
Segundo Falcão (2002), a aprendizagem ocorre quando percebemos uma
modificação duradoura do comportamento mediante treino, experiência ou observação. Se o
indivíduo praticou, viveu uma experiência significativamente especial ou, ao observar alguém
realizando determinada atividade, mostrou-se modificado e capaz de demonstrar essa
modificação em condições adequadas e que perdure por um longo período, poderemos dizer
que houve aprendizagem.
Alguns autores fazem menção à aprendizagem mecânica. Tal aprendizagem, segundo
Moreira e Masini (2011), comumente vista na maioria de nossas escolas, é aquela em que
novas informações são aprendidas com pouca ou nenhuma relação com conceitos relevantes
na estrutura cognitiva. Isso ocorre de maneira arbitraria puramente memorística, que serve
apenas para a prova e é esquecida logo após.
Luckesi (2005) aponta para algumas circunstâncias que podem justificar a
aprendizagem mecânica nas escolas. Todos têm suas atenções centradas no avanço ou não dos
alunos nas séries escolares, pais, alunos, profissionais da educação e sistema de ensino. Os
pais almejam que seus filhos sejam promovidos para a próxima série; ser aprovado ou
reprovado faz parte da expectativa de vários estudantes no âmbito escolar; constantemente
professores se utilizam dos meios de avaliação como procedimentos de motivação em tom de
12
ameaças; para o sistema de ensino, os percentuais de aprovação/reprovação do total de
educandos são mais interessantes do que o processo de ensino e aprendizagem. O exercício
pedagógico está mais para uma pedagogia do exame do que para uma pedagogia do ensino e
aprendizagem.
Bordenave e Pereira (2004, p. 25) afirmam que
Aprendizagem é um processo integrado no qual toda a pessoa (intelecto,
afetividade, sistema muscular) se mobiliza de maneira orgânica. Em outras
palavras, é um processo qualitativo, pelo qual a pessoa fica melhor
preparada para novas aprendizagens, é uma transformação estrutural da
inteligência da pessoa.
A teoria da aprendizagem significativa foi concebida pelo pesquisador David
Ausubel, um dos representantes do cognitivismo. O cognitivismo entende a estrutura
cognitiva como o total conteúdo de ideias de um indivíduo, um complexo organizado
resultante dos processos dos quais se adquire e utiliza o conhecimento. Desse modo, a
aprendizagem é vista como um processo de armazenamento de informação, de maneira que
possa ser utilizada no futuro (MOREIRA, 2011).
Basicamente, aprendizagem significativa é aquela na qual o indivíduo assimila um
novo conteúdo que esteja relacionado de maneira significativa, ou seja, não arbitrária, não
literal, com conhecimentos que o mesmo já possui, possibilitando assim uma transformação,
tanto na nova informação adquirida quanto nos conhecimentos prévios já existentes em sua
estrutura cognitiva (MARTÍN; SOLÉ, 2008).
Para Ausubel1 (1978 apud MOREIRA, 1986, p. 62),
Aprendizagem significativa é um processo através do qual uma nova
informação relaciona-se com um aspecto relevante da estrutura do
conhecimento do indivíduo. Ou seja, este processo envolve a interação da
nova informação com uma estrutura de conhecimento especifica, a qual
definimos como conceito subsunçor.
Neste sentido, Falcão (2002) destaca a relevância de determinados tipos de
experiências anteriores dos alunos em relação ao que se pretende aprender. No âmbito escolar
não se espera que o aluno aprenda apenas a matéria, mas que aprenda a estudar, a ser
organizado com o seu material, aprenda a ter hábitos de cortesia, entre outras habilidades. Se
no seu convívio familiar, tais hábitos já sejam cultivados, provavelmente o aluno não terá
problemas em se adaptar à escola e às suas exigências.
1
David Paul Ausubel (Nova Iorque,1918-2008) foi um grande psicólogo educacional estadunidense.
Entre suas principais obras estão: Theory and Problems of Child Development (1958) e The Ancquisitio and
Retention ok Knowledge a cognitive view (2000).
13
Aprendizagem significativa é ação de apresentar ou construir um novo conceito com
o aprendiz, a partir de um conhecimento prévio já estabelecido de seu interesse (MOREIRA,
1986).
Já Dewey (1978) afirma que “o legitimo principio de interesse é o que reconhece
uma identificação entre o fato que deve ser aprendido ou a ação que deve ser praticada e o
agente que por essa atividade se vai desenvolver”
A base fundamental para uma aprendizagem significativa está diretamente ligada aos
conhecimentos prévios do indivíduo, relacionados ao objeto de estudo que o mesmo deverá
aprender. Esses conhecimentos ou conceitos são denominados por Ausubel como
subsunçores. Os subsunçores são um conjunto de conceitos ou significados adquiridos pelo
sujeito ao longo de sua vida, através das mais variadas experiências. Este conjunto de
conceitos está sempre em constante transformação num processo de aquisição e reelaboração.
Tal processo permite ao homem compreender o mundo de maneira simbólica assim como
guiara suas ações (MOREIRA, 2011).
Na aquisição de novos conceitos, “o conceito subsunçor ou inclusor desempenha
uma função interativa, facilitando a passagem da informação relevante pelas barreiras
perceptivas e servindo de base de união da nova informação percebida e do conhecimento
previamente adquirido.” (MARTÍN; SOLÉ, 2008, p. 63). Esses autores ressaltam que, tanto a
aprendizagem significativa quanto a aprendizagem mecânica, não devem ser entendidas como
categorias dicotômicas, e sim como polos de uma mesma dimensão. Pois a aprendizagem
mecânica se faz necessária para proporcionar a elaboração de conceitos subsunçores, quando
percebemos a sua ausência.
É válido ressaltar que é difícil justificar qualquer forma de aprendizagem na escola
que não venha a ser relacionada com a aprendizagem futura dos alunos em situações do seu
cotidiano, tendo em vista que um dos objetivos da educação formal é facilitar a aprendizagem
fora da escola. (BIGGE, 1977).
3.2 PESQUISA
A pesquisa é uma atividade que, embora não pareça, está presente em diversos
momentos do cotidiano das pessoas. Ao ler uma bula de um remédio antes de tomá-lo é
pesquisar, consultar um dicionário ou um catálogo telefônico também é pesquisar. (BAGNO,
14
2005).
De acordo com Booth, Colomb e Williams (2005, p. 7), “pesquisa é o que fazemos
todos os dias, já que simplesmente reunir informações necessárias para encontrar resposta
para uma pergunta e, assim, chegar à solução de um problema, é um ato de pesquisa.”
Segundo Ninin (2008), a palavra pesquisa tem origem na palavra latina Perquiro,
que quer dizer procurar cuidadosamente, em todo lugar e de modo aprofundado, perguntar
sobre e descobrir. Já o dicionário da Língua Portuguesa Houaiss define a pesquisa como uma
investigação científica, artística e escolar (HOUAISS, 2004). Percebe-se assim, que a
pesquisa pode ser valiosa, pois direciona e aponta caminhos para novos conhecimentos e
novas realidades.
A pesquisa é a atividade básica da ciência, alimentadora e atualizadora dos processos
científicos e educacionais, partindo sempre de um problema, perguntas e dúvidas. Ela não é
estática, se vincula com pensamentos e ações. (DESLANDES; GOMES, 2011).
Pádua (1996 apud FERNANDES, 2012, p. 5) salienta que “[...] pesquisa é toda
atividade voltada para a solução de problemas [...]”. Solucionando a problemática, o sujeito
pode conhecer novas realidades e gerar novos conhecimentos, ou conjuntos de
conhecimentos.
Demo (2003, p. 9) afirma que
É possível desenhar o alcance alternativo da pesquisa, que a tome como
base não somente das lides científicas, mas também do processo de
formação educativa, o que permitiria introduzir a pesquisa já na escola
básica, a partir do pré-escolar e considerar atividade humana processual
pela vida afora.
Percebe-se então, que a pesquisa não está limitada a grupos intelectuais e nem às elites
científicas, que visam a descobertas de novos conhecimentos, ela pode ser desenvolvida em
uma sala de aula de Ensino Básico e prosseguir até os cursos superiores. Nesse caso, a
pesquisa deve ter um tratamento próprio, utilizando-se um método científico, não se limitando
a soluções eventuais ou iniciativas toscas, ofertas empobrecidas e propostas encurtadas.
(DEMO, 2011).
Para Gil (1999), a pesquisa é um processo formal e sistemático de desenvolvimento
do método científico, tendo como objetivo central a descoberta de respostas para soluções de
problemas, mediante o emprego de procedimento científico.
Para Ludke e André (1986), a pesquisa vem se popularizado ultimamente, o que
chega por vezes a comprometer seu verdadeiro sentido. Quando professores pedem para seus
alunos pesquisarem determinado assunto, normalmente eles consultam apenas algumas obras,
15
do tipo enciclopédia, onde coletam as informações para a pesquisa, às vezes somente fazem
recortes em jornais e revistas em busca de conteúdos para compor o produto final da pesquisa.
Essas atividades podem até contribuir para despertar a curiosidade da criança, porém não
chegam a representar verdadeiramente o conceito de pesquisa, como pretendemos defender
neste trabalho, visto que, para se realizar uma pesquisa é preciso promover o confronto entre
os dados, as evidências, as informações coletadas sobre determinado assunto e o
conhecimento teórico acumulado a respeito dele.
Pádua (2012), indo ao encontro desses autores, afirma que na vida acadêmica, o
termo pesquisa tem sido utilizado em seu sentido amplo, designando uma variedade de
atividades, desde a coleta de dados para a realização de seminários até a realização de pastasarquivos com recortes de jornais e revistas sobre um assunto determinado pelo educador ou
mesmo uma forma de resumo, ou ainda uma coleta indiscriminada de trechos de vários
autores sobre um determinado tema, resultando numa colagem que nem sempre favorece o
processo de aprendizagem.
3.3 PESQUISA COMO ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA: aluno pesquisador
Neste estudo, tem-se como foco a pesquisa científica, que ao contrário do que
muitos pensam, não é copiar e colar uma parte de um texto, ou simplesmente reescrever as
palavras dos autores. Ela é o caminho para se ensinar a interpretar, pois os alunos têm que
aprender a realizar leituras, reconhecer e construir suas próprias interpretações. (NICOLINI,
2005 apud FERNANDES, 2012).
Essa pesquisa deve acontecer no âmbito escolar como uma ferramenta educativa,
como estratégica pedagógica, facilitando a aprendizagem significativa dos alunos. Para isso
acontecer “[...] é preciso que a escola seja um ambiente de pesquisa, de ensino e de
aprendizagens para professores, professoras, alunos e alunas e para todos que fazem parte do
cotidiano escolar [...]”. (SILVA, 2008, p. 13).
Inicialmente a pesquisa deve acontecer com a intervenção do professor que precisa
apresentar, orientar e acompanhar cada passo do processo a ser seguido pelos alunos.
Conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais mencionam,
Considerando a formação dos alunos e a importância de desenvolver atitudes
de autonomia em relação aos seus estudos e pesquisa, é necessário que o
16
professor, por meio de rotinas, atividades e práticas, os ensine como dominar
procedimentos que envolvam questionamentos e organização de conteúdos
[...]. O professor deve considerar, cotidianamente, a participação dos alunos
nas decisões dos encaminhamentos das diferentes atividades, lembrando,
contudo, que, inicialmente, é ele, como educador, quem define o tema de
estudo, quem aponta as questões a serem investigadas, quem orienta e sugere
onde e o que pesquisar, quem propõe questões e aprofundamentos, quem
aponta as contradições entre as ideias, as práticas e as obras humanas.
Participando e opinando. (BRASIL, 2000, p. 76).
Todos os procedimentos de pesquisa que possam ampliar o conhecimento e
desenvolver a capacidade de estudo dos alunos devem ser ensinados pelo professor (BRASIL,
2000).
O educador precisa assumir a responsabilidade de pesquisador diante dos seus
alunos, precisa envolvê-los na prática do pesquisar. Antes de iniciar a pesquisa, é fundamental
a criação de um projeto, sendo que nos níveis iniciais de escolaridade, isso é, na Educação
Infantil e no Ensino Fundamental, o projeto precisa ser simples, claro, sem muitas
complicações. Nesse projeto é de fundamental importância começar com assuntos que sejam
atrativos para os alunos (BAGNO, 2005).
Além disso, o projeto precisa ser a bússola guiadora das etapas de uma pesquisa,
pois é preciso informar aos alunos o que procurar e onde poderão ser encontradas as
informações necessárias ao seu desenvolvimento (ALARCÃO, 2011).
Para Morais (2012, p. 141),
A pesquisa em sala de aula constitui-se numa viagem sem mapa; é um
navegar por mares nunca antes navegados; neste contexto o professor
precisa saber assumir novos papéis; de algum modo é apenas um dos
participantes da viagem que não tem inteiramente definidos nem o percurso
nem o ponto de chegada; o caminho e o mapa precisam ser construídos
durante a caminhada.
Nessa linha de pensamento, o processo de pesquisa pode suscitar no educador a
necessidade de adaptação em novas funções e no desenvolvimento de novos papéis, pois ele
se tornará parceiro de pesquisa dos alunos e não um detentor do conhecimento (DEMO,
2003).
Com isso, a sala de aula será um local de processamento e produção de
conhecimento e não apenas um local de transmissão e avaliação de conhecimento
(ALARCÃO, 2011).
Para Demo (1996, p. 2),
A pesquisa na escola é uma maneira de educar, é uma estratégia que facilita a
educação [...] e a consideramos uma necessidade da cidadania moderna [...].
Educar pela pesquisa é um enfoque propedêutico, ligado ao desafio de
17
construir a capacidade de reconstruir, na educação básica e superior [...]. A
pesquisa persegue o conhecimento novo, privilegiando com seu método, o
questionamento sistemático, crítico e criativo.
Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n. 9394/96), no Título II
“Princípios e Fins da Educação Nacional”, art. 3º, o ensino será ministrado com base nos
seguintes princípios: “[...] liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o
pensamento, a arte [...]” (BRASIL, 1996, p. 1).
Por meio desses princípios, é possível obter uma aprendizagem significativa, e o
ensino pode ser baseado na pesquisa, pois para ensinar é necessário fazer pesquisa, e para
pesquisar é preciso ensinar (FREIRE, 1996).
É possível visualizar atitude de pesquisa no ambiente lúdico da criança e fomentá-la
via processos educativos, como postura de questionamento criativo, desafios de inventar
soluções próprias, descoberta e criação de relacionamentos alternativos. (DEMO, 2003).
A pesquisa pode proporcionar experiências inovadoras para aqueles que a praticam.
Tanto a criança quanto o doutor podem praticá-la com o mesmo empenho científico, com o
mesmo espírito questionador, embora os resultados concretos sejam muito distintos (DEMO,
1996).
Cortelazzo e Romanowski (2007, p. 28) afirmam que “[...] a pesquisa precisa entrar
na sala de aula e estabelecer-se não para dizer o que o professor deve fazer, mas para fazê-lo
entender melhor o que está acontecendo.”.
Mediante as afirmativas desses teóricos estudados neste trabalho, percebemos a
relevância da pesquisa em sala de aula, e suas contribuições na formação dos educando,
percebe-se também a necessidade de formação adequada do professor, para que possa
desempenhar esse novo papel de professor pesquisador.
3.4 PROFESSOR PESQUISADOR
Ser professor requer profissionalismo, dedicação, trabalho árduo, pois a profissão
exige muito estudo, formação adequada, compromisso, vocação e disponibilidade para
desenvolver a tarefa com excelência.
[...] um excelente educador [...] é, antes de tudo, um profissional
responsável e preparado. Ser afetivo, carinhoso, atento, alegre e que adore
18
trabalhar [...] são atributos desejáveis, mas não podem esconder a essência
do profissionalismo e, portanto, do pleno domínio de saberes inerentes ao
trabalho que faz e de sua condição de educador e, portanto, de inspirador de
exemplos e condutas de firmeza, hombridade e coerência (ANTUNES,
2012).
Segundo Cortelazzo e Romanowski (2007), nos anos de 1960, surgiu na Inglaterra o
movimento de valorização da pesquisa na formação de professores. Isso ocorreu a partir dos
currículos formulados pelas escolas de inovação. Esse movimento também ocorreu em outros
países. No Brasil, nos anos de 1980, com a influência desse movimento foram desenvolvidas
por André e Ludke as propostas de inclusão da pesquisa nos cursos de formação de
educadores, mas o movimento só foi criar força na década de 1990.
O bom professor não se conforma em apenas ensinar, além disso, precisa como
afirma Antunes (2012, p. 76), que
[...] sua ação se mostre interrogativa, desafiadora e sempre pronta para
estudar e aprender cada vez mais. Que se destaque aos olhos de seus alunos
[...] como o pesquisador ávido por respostas coerentes e que esteja sempre
disposto a ajudar os alunos a encontrar as respostas que procuram [...].
O docente pesquisador tem o papel de apresentar o conhecimento para seus alunos,
facilitar o ensino, ensinar os alunos os caminhos das repostas e não dar respostas prontas e ser
coerente com o que estiver ensinando. Essas competências são exigidas, porque “[...] o papel
do professor da atualidade é de criar, estruturar e dinamizar situações de aprendizagem e
estimular a aprendizagem e a autoconfiança nas capacidades individuais [...]” (ALARCÃO,
2011, p 32). Percebe-se então, que os docentes precisam conhecer métodos de ensino, para
poder estruturar os conteúdos que serão passados para os alunos, o que exige muito trabalho e
dedicação da parte do docente.
Todo pesquisador precisa ser um curioso, um perguntador. E essa qualidade
deve ser exercida o tempo todo no trabalho, [...] o pesquisador não deve ser
um formalista que se apegue à letra de seu projeto e nem um empirista para
quem a realidade é que ele vê, “a olho nu”, ou seja, sem o auxilio de
contextualização e de conceitos. Nem um nem outro, sozinho, contém a
verdade. (DESLANDES; GOMES, 2011, p. 62).
De fato, a curiosidade do pesquisador é o que vai alimentar a vontade de resolver os
problemas criados por ele durante sua busca de pesquisa. Essa característica deve fazer parte
da sua formação, precisa estar presente nas suas ações dentro e fora da sala de aula.
“A pesquisa deveria ser a base do ensino dos professores, tendo como foco central o
currículo, uma vez que é por seu intermédio que se transmite o conhecimento na escola.”
(STENHOUSE, 1975 apud LUDKE; CRUZ, 2005, p. 87).
19
20
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta breve introdução ao estudo da aprendizagem significativa somada a reflexão
sobre de como a pesquisa pode ser utilizada como estratégia pedagógica para alcançá-la, nos
possibilitou compreender com mais clareza a relevância do uso desse recurso dentro da sala
de aula. Comprovou-nos que essa estratégia deveria ser uma constante que se iniciaria na
Educação Básica e perduraria por todos os níveis seguintes da educação acadêmica.
Ao avaliarmos os conceitos de aprendizagem significativa, vimos que esse método
fundamenta-se na utilização dos conhecimentos prévios dos alunos no processo de ensino
aprendizagem e que esses conhecimentos devem estar diretamente relacionados ao objeto de
estudo que deverá ser aprendido. A pesquisa, por se tratar de um método utilizado para buscar
uma melhor compreensão daquilo que pouco entendemos ou para solucionar algum problema
do nosso cotidiano, pode ser considerada também uma atividade que relaciona conhecimentos
prévios de determinado assunto, com suas novas informações. (DEMO, 2003; MOREIRA,
2011).
No ambiente escolar a pesquisa pode ser usada como uma ferramenta pedagógica
questionadora da realidade que a cerca, proporcionando assim uma educação que de fato irá
inserir os educandos na sociedade de maneira que poderão atuar como protagonistas, ou seja,
desempenhar um papel em que participarão efetivamente do desenvolvimento da sociedade.
(DEMO, 2003).
Podemos dizer que a pesquisa é um caminho a ser trilhado para se chegar a um
objetivo, seja ele satisfazer uma curiosidade ou solucionar um problema. Durante essa jornada
provavelmente surgirão processos problemáticos, que irão exigir esforço, dedicação e
perseverança para alcançar os objetivos. Acreditamos que se isso for ensinado deste muito
cedo na vida escolar das crianças, possivelmente terão oportunidades de desenvolver
competências e habilidades educativas que irão ao encontro dos quatro pilares da educação:
aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a conviver. (ALARCÃO,
2011; DEMO, 2003; MORAIS, 2012).
Diante disso, o professor não poderá exercer a função, em que simplesmente
transmitira conhecimentos pré-estabelecidos que não sejam significativos para seus alunos e
que não possuam relação com o contexto onde estão inseridos. O educador deverá assumir o
papel de um guia, um mediador do conhecimento, ele deverá ser mais um participante do
processo de pesquisa junto com os alunos. E para orientar esse processo é de suma
21
importância que o professor seja um excelente pesquisador. (ANTUNES, 2012).
Ao finalizarmos este trabalho de conclusão de curso, percebemos a necessidade de
darmos continuidade nos estudos referente ao tema que escolhemos, pois estamos crentes
sobre a relevância do assunto para o atual cenário de nossa educação. Porém nos deparamos
com a ausência de literatura que aborde este assunto de maneira específica, o que acabou se
tornando um desafio para este ensaio cientifico. Mas acreditamos que escolhemos um assunto
que é fundamental para nossa formação acadêmica.
22
REFERÊNCIAS
ALARCÃO, I. Professores reflexivos em uma escola reflexiva. 8. ed. São Paulo: Cortez,
2011.
ANTUNES, C. Projetos e práticas pedagógicas na educação infantil. Petrópolis: Vozes,
2012.
BAGNO, M. Pesquisa na escola: o que é e como se faz. 19. ed. São Paulo: Loyola, 2005.
BIGGE, M. L. Teoria da aprendizagem para professores. São Paulo: EPU, 1977.
BORDENAVE, J. D.; PEREIRA, A. M. Estratégias de ensino-aprendizagem. 25. ed.
Petrópolis: Vozes, 2004.
BOOTH, C. W.; COLOMB, G. G.; WILLIANS, J.M. A arte da pesquisa. 2. ed. São Paulo:
Martins Fontes, 2005.
BRASIL. Lei de diretrizes e bases da educação nacional: nº 9394/96. Brasília:Senado
Federal,1996.
BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais: história e geografia. 2. ed. Rio de Janeiro:
DP&A, 2000.
CORTELAZZO, C. B. I.; ROMANOWSKI, P. J. Pesquisa e prática profissional: projeto da
escola. Curitiba: Ibpex, 2007.
DEMO, P. Educar pela pesquisa. 6. ed. Campinas: Autores Associados, 1996.
______. Pesquisa: princípio científico e educativo. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2003.
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