Carlos Magno Lourenço de Souza Wellington Souza Galdino PESQUISA COMO ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA PARA UMA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA Pindamonhangaba-SP 2015 Carlos Magno Lourenço de Souza Wellington Souza Galdino PESQUISA COMO ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA PARA UMA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA Monografia apresentada como parte dos requisitos para obtenção do Diploma de Licenciatura em Pedagogia pelo curso de Pedagogia da Faculdade de Pindamonhangaba. Orientadora: Profa. MSc. Marina Buselli Pindamonhangaba-SP 2015 Souza, Carlos Magno Lourenço de; Galdino, Wellington Souza Pesquisa como estratégia pedagógica para uma aprendizagem significativa / Carlos Magno Lourenço de Souza; Wellington Souza Galdino / Pindamonhangaba-SP : FAPI Faculdade de Pindamonhangaba, 2015. 23f. Monografia (Graduação em Licenciatura em Pedagogia) FAPI-SP Orientador(a): Profa Marina Buselli 1 Aprendizagem significativa. 2 Pesquisa. 3 Estratégia pedagógica. 4 Professor pesquisador I Titulo. Carlos Magno Lourenço de Souza Wellington Souza Galdino PESQUISA COMO ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA PARA UMA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA Monografia apresentada como parte dos requisitos para obtenção do Diploma de Licenciatura em Pedagogia pelo curso de Pedagogia da Faculdade de Pindamonhangaba. Orientadora: Profa. MSc. Marina Buselli Data: _____________________ Resultado: _________________ BANCA EXAMINADORA: Prof. _____________________________________________Faculdade de Pindamonhangaba Assinatura ____________________________________________ Prof. _____________________________________________Faculdade de Pindamonhangaba Assinatura ____________________________________________ Prof. _____________________________________________Faculdade de Pindamonhangaba Assinatura ____________________________________________ Dedico esta monografia a minha esposa Daiana Motta de Souza e a minha filha Milena Motta de Souza pelos incentivos e apoios que me deram durante esta caminhada, por compreenderem os momentos das minhas ausências e principalmente por acreditarem no meu potencial. Carlos Magno Lourenço de Souza Dedico esta monografia a meu pai José Galdino Sobrinho e minha falecida mãe Sonia Souza Galdino que são os responsáveis pela construção do meu caráter. As minhas irmãs Katherine Souza Galdino e Karolyne Souza Galdino e a toda minha família. Em especial a minha esposa Maria Gabriela Mesquita Galdino, que com sua paixão e dedicação a sua profissão de professora contagiou-me para trilhar o mesmo caminho, além de me oferecer seu amor, apoio e crença em minhas capacidades. Ao meu filho Kalel Mesquita Galdino, que foi minha força motivadora com seu amor e carinho e o meu subsunçor com seu espírito questionador. A todos os meus amigos que considero a família que pude escolher e em especial ao meu amigo e irmão Vinícius da Silva Victor que me ofereceu a oportunidade de iniciar este curso e propiciou vários momentos de reflexão com nossas longas discussões. Ao meu amigo Mauro Siqueira Junior que com sua disponibilidade contribuiu fundamentalmente para o meu inicio nesta jornada. E por fim ao meu amigo Carlos Magno Lourenço de Souza meu companheiro inseparável nesses três anos e meio de formação acadêmica. Wellington Souza Galdino AGRADECIMENTOS Agradecemos primeiramente a Deus por ter nos dado saúde e fé para concluirmos este curso. Aos nossos familiares especialmente esposas e filhos que nos inspiraram e nos motivaram durante esta jornada. A nossa orientadora professora mestre Marina Buselli pela sua paciência e dedicação demonstrada durante a elaboração deste trabalho. E a todos os professores da FUNVIC, do curso de Pedagogia, que contribuíram para a nossa formação pedagógica. A nossa turma do curso de Pedagogia que nos acompanhou nesses três anos e meio de curso. E a todos que contribuíram direta e indiretamente para realização deste trabalho. “Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino.” Paulo Freire RESUMO Tendo em vista buscar uma estratégia pedagógica que possibilite tornar o processo de ensino aprendizagem mais significativa, esta pesquisa é norteada pelas seguintes questões: a) O que é aprendizagem significativa? b) Como a utilização da pesquisa pode auxiliar alunos e professores a alcançarem uma aprendizagem significativa? Nesse sentido, o presente trabalho se encontra subdividido em quatro subtemas. Em primeiro lugar apresenta-se a aprendizagem significativa, enfatizando-se os conceitos teóricos e sua relevância para o processo de ensino e aprendizagem. Em seguida revisam-se alguns conceitos gerais sobre pesquisa, tanto no campo empírico quanto no científico. Na sequência, ressalta-se a relevância do uso da pesquisa como estratégia pedagógica para o professor. Encerrando-se a revisão da literatura, aponta-se o novo papel que o professor tem que exercer diante desse desafio, ou seja, o papel de professor pesquisador. Após esta revisão, pode-se afirmar que a aprendizagem significativa fundamentase nos conhecimentos prévios dos alunos relacionados com o conteúdo a ser aprendido O educando deverá assimilar o conteúdo de maneira substantiva e não literal. A pesquisa, por se tratar de um instrumento metodológico para solução de problemas ou saneamento de dúvidas, se torna uma estratégia eficiente para se atingir a aprendizagem significativa. Diante disso, é necessário que o professor assuma o papel de pesquisador, pois a ele cabe a função fundamental nesse processo que é o de guiar seus alunos para uma aprendizagem significativa. Palavras-chave: Aprendizagem significativa. Pesquisa. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 2 MÉTODO ........................................................................................................................ 3 REVISÃO DA LITERATURA ..................................................................................... 3.1 APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA .......................................................................... 3.2 PESQUISA .................................................................................................................... 3.3 PESQUISA COM ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA ...................................................... 3.4 PROFESSOR PESQUISADOR .................................................................................... 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................ REFERÊNCIAS ................................................................................................................ 9 10 11 11 13 15 17 19 21 9 1 INTRODUÇÃO O presente trabalho abordará o assunto educar pela pesquisa como estratégia pedagógica, apontando suas principais características que possibilitam tornar o processo de ensino-aprendizagem mais significativo, tanto para alunos quanto para os professores. A importância de discutir este assunto encontra-se no fato de que a pesquisa proporciona condições para uma aprendizagem significativa, levando o aluno a conhecer e atuar em seu contexto de maneira crítica e efetiva. Demo (2003) aponta a pesquisa como instrumento essencial para o desenvolvimento da aprendizagem. Esta pesquisa partirá das seguintes questões: O que é aprendizagem significativa? Como a utilização da pesquisa pode auxiliar alunos e professores a alcançarem uma aprendizagem significativa? Apoiando-nos em Demo (1996), partiremos da hipótese que a pesquisa leva a uma aprendizagem significativa porque proporciona aos alunos e professores a oportunidade de serem agentes reflexivos e participativos no processo de ensino-aprendizagem. A pesquisa deveria ser a base da educação escolar. Com a pesquisa, alunos e professores poderão alcançar conhecimento teórico e desenvolver a prática, o que pode resultar numa aprendizagem significativa. Para Demo (2003), um dos instrumentos essenciais para o desenvolvimento da aprendizagem é a pesquisa. Os objetivos desta pesquisa são: a) aprofundarmos nossos estudos sobre aprendizagem significativa; b) verificar, por meio de revisão da bibliografia, a viabilidade da utilização da pesquisa como estratégia pedagógica, desde a Educação Infantil, para o alcance da aprendizagem significativa. 10 2 MÉTODO Este trabalho constituiu-se de pesquisa bibliográfica, fazendo-se uso de livros, artigos científicos e documentos oficiais que tratam do assunto educar pela pesquisa como estratégia pedagógica. A busca foi feita na biblioteca da Faculdade de Pindamonhangaba e em sites especializados, principalmente no www.scielo.br, partindo-se das palavras-chave: pesquisa, aprendizagem significativa. Este estudo inicia-se com uma breve revisão sobre aprendizagem, a fim de chegarmos a um melhor entendimento sobre aprendizagem significativa. A seguir, apresentamos uma reflexão sobre pesquisa e sua utilização como estratégia de ensino para a efetivação de uma aprendizagem realmente significativa para alunos desde o início da escolaridade. Por fim, fazemos um apanhado sobre o papel que cabe ao professor nesse contexto, ou seja, como professor pesquisador. 11 3 REVISÃO DA LITERATURA Sendo o foco central deste estudo a utilização da pesquisa em sala de aula, desde a Educação Infantil, para o alcance de uma aprendizagem significativa, nesta seção busca-se um aprofundamento sobre tal aprendizagem e, a seguir foca-se a pesquisa e sua utilização em sala de aula. 3.1 APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA Por ser o tema fundamental na atividade dos docentes, a aprendizagem tornou-se o objeto de estudo de teóricos das mais variadas áreas do conhecimento humano, que buscam compreender tal fenômeno de grande complexidade. Entre tantas teorias, abordaremos aqui a teoria da aprendizagem significativa assim como suas contribuições para o processo de ensino aprendizagem. Mas antes, apresentaremos alguns conceitos sobre aprendizagem. Segundo Falcão (2002), a aprendizagem ocorre quando percebemos uma modificação duradoura do comportamento mediante treino, experiência ou observação. Se o indivíduo praticou, viveu uma experiência significativamente especial ou, ao observar alguém realizando determinada atividade, mostrou-se modificado e capaz de demonstrar essa modificação em condições adequadas e que perdure por um longo período, poderemos dizer que houve aprendizagem. Alguns autores fazem menção à aprendizagem mecânica. Tal aprendizagem, segundo Moreira e Masini (2011), comumente vista na maioria de nossas escolas, é aquela em que novas informações são aprendidas com pouca ou nenhuma relação com conceitos relevantes na estrutura cognitiva. Isso ocorre de maneira arbitraria puramente memorística, que serve apenas para a prova e é esquecida logo após. Luckesi (2005) aponta para algumas circunstâncias que podem justificar a aprendizagem mecânica nas escolas. Todos têm suas atenções centradas no avanço ou não dos alunos nas séries escolares, pais, alunos, profissionais da educação e sistema de ensino. Os pais almejam que seus filhos sejam promovidos para a próxima série; ser aprovado ou reprovado faz parte da expectativa de vários estudantes no âmbito escolar; constantemente professores se utilizam dos meios de avaliação como procedimentos de motivação em tom de 12 ameaças; para o sistema de ensino, os percentuais de aprovação/reprovação do total de educandos são mais interessantes do que o processo de ensino e aprendizagem. O exercício pedagógico está mais para uma pedagogia do exame do que para uma pedagogia do ensino e aprendizagem. Bordenave e Pereira (2004, p. 25) afirmam que Aprendizagem é um processo integrado no qual toda a pessoa (intelecto, afetividade, sistema muscular) se mobiliza de maneira orgânica. Em outras palavras, é um processo qualitativo, pelo qual a pessoa fica melhor preparada para novas aprendizagens, é uma transformação estrutural da inteligência da pessoa. A teoria da aprendizagem significativa foi concebida pelo pesquisador David Ausubel, um dos representantes do cognitivismo. O cognitivismo entende a estrutura cognitiva como o total conteúdo de ideias de um indivíduo, um complexo organizado resultante dos processos dos quais se adquire e utiliza o conhecimento. Desse modo, a aprendizagem é vista como um processo de armazenamento de informação, de maneira que possa ser utilizada no futuro (MOREIRA, 2011). Basicamente, aprendizagem significativa é aquela na qual o indivíduo assimila um novo conteúdo que esteja relacionado de maneira significativa, ou seja, não arbitrária, não literal, com conhecimentos que o mesmo já possui, possibilitando assim uma transformação, tanto na nova informação adquirida quanto nos conhecimentos prévios já existentes em sua estrutura cognitiva (MARTÍN; SOLÉ, 2008). Para Ausubel1 (1978 apud MOREIRA, 1986, p. 62), Aprendizagem significativa é um processo através do qual uma nova informação relaciona-se com um aspecto relevante da estrutura do conhecimento do indivíduo. Ou seja, este processo envolve a interação da nova informação com uma estrutura de conhecimento especifica, a qual definimos como conceito subsunçor. Neste sentido, Falcão (2002) destaca a relevância de determinados tipos de experiências anteriores dos alunos em relação ao que se pretende aprender. No âmbito escolar não se espera que o aluno aprenda apenas a matéria, mas que aprenda a estudar, a ser organizado com o seu material, aprenda a ter hábitos de cortesia, entre outras habilidades. Se no seu convívio familiar, tais hábitos já sejam cultivados, provavelmente o aluno não terá problemas em se adaptar à escola e às suas exigências. 1 David Paul Ausubel (Nova Iorque,1918-2008) foi um grande psicólogo educacional estadunidense. Entre suas principais obras estão: Theory and Problems of Child Development (1958) e The Ancquisitio and Retention ok Knowledge a cognitive view (2000). 13 Aprendizagem significativa é ação de apresentar ou construir um novo conceito com o aprendiz, a partir de um conhecimento prévio já estabelecido de seu interesse (MOREIRA, 1986). Já Dewey (1978) afirma que “o legitimo principio de interesse é o que reconhece uma identificação entre o fato que deve ser aprendido ou a ação que deve ser praticada e o agente que por essa atividade se vai desenvolver” A base fundamental para uma aprendizagem significativa está diretamente ligada aos conhecimentos prévios do indivíduo, relacionados ao objeto de estudo que o mesmo deverá aprender. Esses conhecimentos ou conceitos são denominados por Ausubel como subsunçores. Os subsunçores são um conjunto de conceitos ou significados adquiridos pelo sujeito ao longo de sua vida, através das mais variadas experiências. Este conjunto de conceitos está sempre em constante transformação num processo de aquisição e reelaboração. Tal processo permite ao homem compreender o mundo de maneira simbólica assim como guiara suas ações (MOREIRA, 2011). Na aquisição de novos conceitos, “o conceito subsunçor ou inclusor desempenha uma função interativa, facilitando a passagem da informação relevante pelas barreiras perceptivas e servindo de base de união da nova informação percebida e do conhecimento previamente adquirido.” (MARTÍN; SOLÉ, 2008, p. 63). Esses autores ressaltam que, tanto a aprendizagem significativa quanto a aprendizagem mecânica, não devem ser entendidas como categorias dicotômicas, e sim como polos de uma mesma dimensão. Pois a aprendizagem mecânica se faz necessária para proporcionar a elaboração de conceitos subsunçores, quando percebemos a sua ausência. É válido ressaltar que é difícil justificar qualquer forma de aprendizagem na escola que não venha a ser relacionada com a aprendizagem futura dos alunos em situações do seu cotidiano, tendo em vista que um dos objetivos da educação formal é facilitar a aprendizagem fora da escola. (BIGGE, 1977). 3.2 PESQUISA A pesquisa é uma atividade que, embora não pareça, está presente em diversos momentos do cotidiano das pessoas. Ao ler uma bula de um remédio antes de tomá-lo é pesquisar, consultar um dicionário ou um catálogo telefônico também é pesquisar. (BAGNO, 14 2005). De acordo com Booth, Colomb e Williams (2005, p. 7), “pesquisa é o que fazemos todos os dias, já que simplesmente reunir informações necessárias para encontrar resposta para uma pergunta e, assim, chegar à solução de um problema, é um ato de pesquisa.” Segundo Ninin (2008), a palavra pesquisa tem origem na palavra latina Perquiro, que quer dizer procurar cuidadosamente, em todo lugar e de modo aprofundado, perguntar sobre e descobrir. Já o dicionário da Língua Portuguesa Houaiss define a pesquisa como uma investigação científica, artística e escolar (HOUAISS, 2004). Percebe-se assim, que a pesquisa pode ser valiosa, pois direciona e aponta caminhos para novos conhecimentos e novas realidades. A pesquisa é a atividade básica da ciência, alimentadora e atualizadora dos processos científicos e educacionais, partindo sempre de um problema, perguntas e dúvidas. Ela não é estática, se vincula com pensamentos e ações. (DESLANDES; GOMES, 2011). Pádua (1996 apud FERNANDES, 2012, p. 5) salienta que “[...] pesquisa é toda atividade voltada para a solução de problemas [...]”. Solucionando a problemática, o sujeito pode conhecer novas realidades e gerar novos conhecimentos, ou conjuntos de conhecimentos. Demo (2003, p. 9) afirma que É possível desenhar o alcance alternativo da pesquisa, que a tome como base não somente das lides científicas, mas também do processo de formação educativa, o que permitiria introduzir a pesquisa já na escola básica, a partir do pré-escolar e considerar atividade humana processual pela vida afora. Percebe-se então, que a pesquisa não está limitada a grupos intelectuais e nem às elites científicas, que visam a descobertas de novos conhecimentos, ela pode ser desenvolvida em uma sala de aula de Ensino Básico e prosseguir até os cursos superiores. Nesse caso, a pesquisa deve ter um tratamento próprio, utilizando-se um método científico, não se limitando a soluções eventuais ou iniciativas toscas, ofertas empobrecidas e propostas encurtadas. (DEMO, 2011). Para Gil (1999), a pesquisa é um processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico, tendo como objetivo central a descoberta de respostas para soluções de problemas, mediante o emprego de procedimento científico. Para Ludke e André (1986), a pesquisa vem se popularizado ultimamente, o que chega por vezes a comprometer seu verdadeiro sentido. Quando professores pedem para seus alunos pesquisarem determinado assunto, normalmente eles consultam apenas algumas obras, 15 do tipo enciclopédia, onde coletam as informações para a pesquisa, às vezes somente fazem recortes em jornais e revistas em busca de conteúdos para compor o produto final da pesquisa. Essas atividades podem até contribuir para despertar a curiosidade da criança, porém não chegam a representar verdadeiramente o conceito de pesquisa, como pretendemos defender neste trabalho, visto que, para se realizar uma pesquisa é preciso promover o confronto entre os dados, as evidências, as informações coletadas sobre determinado assunto e o conhecimento teórico acumulado a respeito dele. Pádua (2012), indo ao encontro desses autores, afirma que na vida acadêmica, o termo pesquisa tem sido utilizado em seu sentido amplo, designando uma variedade de atividades, desde a coleta de dados para a realização de seminários até a realização de pastasarquivos com recortes de jornais e revistas sobre um assunto determinado pelo educador ou mesmo uma forma de resumo, ou ainda uma coleta indiscriminada de trechos de vários autores sobre um determinado tema, resultando numa colagem que nem sempre favorece o processo de aprendizagem. 3.3 PESQUISA COMO ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA: aluno pesquisador Neste estudo, tem-se como foco a pesquisa científica, que ao contrário do que muitos pensam, não é copiar e colar uma parte de um texto, ou simplesmente reescrever as palavras dos autores. Ela é o caminho para se ensinar a interpretar, pois os alunos têm que aprender a realizar leituras, reconhecer e construir suas próprias interpretações. (NICOLINI, 2005 apud FERNANDES, 2012). Essa pesquisa deve acontecer no âmbito escolar como uma ferramenta educativa, como estratégica pedagógica, facilitando a aprendizagem significativa dos alunos. Para isso acontecer “[...] é preciso que a escola seja um ambiente de pesquisa, de ensino e de aprendizagens para professores, professoras, alunos e alunas e para todos que fazem parte do cotidiano escolar [...]”. (SILVA, 2008, p. 13). Inicialmente a pesquisa deve acontecer com a intervenção do professor que precisa apresentar, orientar e acompanhar cada passo do processo a ser seguido pelos alunos. Conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais mencionam, Considerando a formação dos alunos e a importância de desenvolver atitudes de autonomia em relação aos seus estudos e pesquisa, é necessário que o 16 professor, por meio de rotinas, atividades e práticas, os ensine como dominar procedimentos que envolvam questionamentos e organização de conteúdos [...]. O professor deve considerar, cotidianamente, a participação dos alunos nas decisões dos encaminhamentos das diferentes atividades, lembrando, contudo, que, inicialmente, é ele, como educador, quem define o tema de estudo, quem aponta as questões a serem investigadas, quem orienta e sugere onde e o que pesquisar, quem propõe questões e aprofundamentos, quem aponta as contradições entre as ideias, as práticas e as obras humanas. Participando e opinando. (BRASIL, 2000, p. 76). Todos os procedimentos de pesquisa que possam ampliar o conhecimento e desenvolver a capacidade de estudo dos alunos devem ser ensinados pelo professor (BRASIL, 2000). O educador precisa assumir a responsabilidade de pesquisador diante dos seus alunos, precisa envolvê-los na prática do pesquisar. Antes de iniciar a pesquisa, é fundamental a criação de um projeto, sendo que nos níveis iniciais de escolaridade, isso é, na Educação Infantil e no Ensino Fundamental, o projeto precisa ser simples, claro, sem muitas complicações. Nesse projeto é de fundamental importância começar com assuntos que sejam atrativos para os alunos (BAGNO, 2005). Além disso, o projeto precisa ser a bússola guiadora das etapas de uma pesquisa, pois é preciso informar aos alunos o que procurar e onde poderão ser encontradas as informações necessárias ao seu desenvolvimento (ALARCÃO, 2011). Para Morais (2012, p. 141), A pesquisa em sala de aula constitui-se numa viagem sem mapa; é um navegar por mares nunca antes navegados; neste contexto o professor precisa saber assumir novos papéis; de algum modo é apenas um dos participantes da viagem que não tem inteiramente definidos nem o percurso nem o ponto de chegada; o caminho e o mapa precisam ser construídos durante a caminhada. Nessa linha de pensamento, o processo de pesquisa pode suscitar no educador a necessidade de adaptação em novas funções e no desenvolvimento de novos papéis, pois ele se tornará parceiro de pesquisa dos alunos e não um detentor do conhecimento (DEMO, 2003). Com isso, a sala de aula será um local de processamento e produção de conhecimento e não apenas um local de transmissão e avaliação de conhecimento (ALARCÃO, 2011). Para Demo (1996, p. 2), A pesquisa na escola é uma maneira de educar, é uma estratégia que facilita a educação [...] e a consideramos uma necessidade da cidadania moderna [...]. Educar pela pesquisa é um enfoque propedêutico, ligado ao desafio de 17 construir a capacidade de reconstruir, na educação básica e superior [...]. A pesquisa persegue o conhecimento novo, privilegiando com seu método, o questionamento sistemático, crítico e criativo. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n. 9394/96), no Título II “Princípios e Fins da Educação Nacional”, art. 3º, o ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: “[...] liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte [...]” (BRASIL, 1996, p. 1). Por meio desses princípios, é possível obter uma aprendizagem significativa, e o ensino pode ser baseado na pesquisa, pois para ensinar é necessário fazer pesquisa, e para pesquisar é preciso ensinar (FREIRE, 1996). É possível visualizar atitude de pesquisa no ambiente lúdico da criança e fomentá-la via processos educativos, como postura de questionamento criativo, desafios de inventar soluções próprias, descoberta e criação de relacionamentos alternativos. (DEMO, 2003). A pesquisa pode proporcionar experiências inovadoras para aqueles que a praticam. Tanto a criança quanto o doutor podem praticá-la com o mesmo empenho científico, com o mesmo espírito questionador, embora os resultados concretos sejam muito distintos (DEMO, 1996). Cortelazzo e Romanowski (2007, p. 28) afirmam que “[...] a pesquisa precisa entrar na sala de aula e estabelecer-se não para dizer o que o professor deve fazer, mas para fazê-lo entender melhor o que está acontecendo.”. Mediante as afirmativas desses teóricos estudados neste trabalho, percebemos a relevância da pesquisa em sala de aula, e suas contribuições na formação dos educando, percebe-se também a necessidade de formação adequada do professor, para que possa desempenhar esse novo papel de professor pesquisador. 3.4 PROFESSOR PESQUISADOR Ser professor requer profissionalismo, dedicação, trabalho árduo, pois a profissão exige muito estudo, formação adequada, compromisso, vocação e disponibilidade para desenvolver a tarefa com excelência. [...] um excelente educador [...] é, antes de tudo, um profissional responsável e preparado. Ser afetivo, carinhoso, atento, alegre e que adore 18 trabalhar [...] são atributos desejáveis, mas não podem esconder a essência do profissionalismo e, portanto, do pleno domínio de saberes inerentes ao trabalho que faz e de sua condição de educador e, portanto, de inspirador de exemplos e condutas de firmeza, hombridade e coerência (ANTUNES, 2012). Segundo Cortelazzo e Romanowski (2007), nos anos de 1960, surgiu na Inglaterra o movimento de valorização da pesquisa na formação de professores. Isso ocorreu a partir dos currículos formulados pelas escolas de inovação. Esse movimento também ocorreu em outros países. No Brasil, nos anos de 1980, com a influência desse movimento foram desenvolvidas por André e Ludke as propostas de inclusão da pesquisa nos cursos de formação de educadores, mas o movimento só foi criar força na década de 1990. O bom professor não se conforma em apenas ensinar, além disso, precisa como afirma Antunes (2012, p. 76), que [...] sua ação se mostre interrogativa, desafiadora e sempre pronta para estudar e aprender cada vez mais. Que se destaque aos olhos de seus alunos [...] como o pesquisador ávido por respostas coerentes e que esteja sempre disposto a ajudar os alunos a encontrar as respostas que procuram [...]. O docente pesquisador tem o papel de apresentar o conhecimento para seus alunos, facilitar o ensino, ensinar os alunos os caminhos das repostas e não dar respostas prontas e ser coerente com o que estiver ensinando. Essas competências são exigidas, porque “[...] o papel do professor da atualidade é de criar, estruturar e dinamizar situações de aprendizagem e estimular a aprendizagem e a autoconfiança nas capacidades individuais [...]” (ALARCÃO, 2011, p 32). Percebe-se então, que os docentes precisam conhecer métodos de ensino, para poder estruturar os conteúdos que serão passados para os alunos, o que exige muito trabalho e dedicação da parte do docente. Todo pesquisador precisa ser um curioso, um perguntador. E essa qualidade deve ser exercida o tempo todo no trabalho, [...] o pesquisador não deve ser um formalista que se apegue à letra de seu projeto e nem um empirista para quem a realidade é que ele vê, “a olho nu”, ou seja, sem o auxilio de contextualização e de conceitos. Nem um nem outro, sozinho, contém a verdade. (DESLANDES; GOMES, 2011, p. 62). De fato, a curiosidade do pesquisador é o que vai alimentar a vontade de resolver os problemas criados por ele durante sua busca de pesquisa. Essa característica deve fazer parte da sua formação, precisa estar presente nas suas ações dentro e fora da sala de aula. “A pesquisa deveria ser a base do ensino dos professores, tendo como foco central o currículo, uma vez que é por seu intermédio que se transmite o conhecimento na escola.” (STENHOUSE, 1975 apud LUDKE; CRUZ, 2005, p. 87). 19 20 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta breve introdução ao estudo da aprendizagem significativa somada a reflexão sobre de como a pesquisa pode ser utilizada como estratégia pedagógica para alcançá-la, nos possibilitou compreender com mais clareza a relevância do uso desse recurso dentro da sala de aula. Comprovou-nos que essa estratégia deveria ser uma constante que se iniciaria na Educação Básica e perduraria por todos os níveis seguintes da educação acadêmica. Ao avaliarmos os conceitos de aprendizagem significativa, vimos que esse método fundamenta-se na utilização dos conhecimentos prévios dos alunos no processo de ensino aprendizagem e que esses conhecimentos devem estar diretamente relacionados ao objeto de estudo que deverá ser aprendido. A pesquisa, por se tratar de um método utilizado para buscar uma melhor compreensão daquilo que pouco entendemos ou para solucionar algum problema do nosso cotidiano, pode ser considerada também uma atividade que relaciona conhecimentos prévios de determinado assunto, com suas novas informações. (DEMO, 2003; MOREIRA, 2011). No ambiente escolar a pesquisa pode ser usada como uma ferramenta pedagógica questionadora da realidade que a cerca, proporcionando assim uma educação que de fato irá inserir os educandos na sociedade de maneira que poderão atuar como protagonistas, ou seja, desempenhar um papel em que participarão efetivamente do desenvolvimento da sociedade. (DEMO, 2003). Podemos dizer que a pesquisa é um caminho a ser trilhado para se chegar a um objetivo, seja ele satisfazer uma curiosidade ou solucionar um problema. Durante essa jornada provavelmente surgirão processos problemáticos, que irão exigir esforço, dedicação e perseverança para alcançar os objetivos. Acreditamos que se isso for ensinado deste muito cedo na vida escolar das crianças, possivelmente terão oportunidades de desenvolver competências e habilidades educativas que irão ao encontro dos quatro pilares da educação: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a conviver. (ALARCÃO, 2011; DEMO, 2003; MORAIS, 2012). Diante disso, o professor não poderá exercer a função, em que simplesmente transmitira conhecimentos pré-estabelecidos que não sejam significativos para seus alunos e que não possuam relação com o contexto onde estão inseridos. O educador deverá assumir o papel de um guia, um mediador do conhecimento, ele deverá ser mais um participante do processo de pesquisa junto com os alunos. E para orientar esse processo é de suma 21 importância que o professor seja um excelente pesquisador. (ANTUNES, 2012). Ao finalizarmos este trabalho de conclusão de curso, percebemos a necessidade de darmos continuidade nos estudos referente ao tema que escolhemos, pois estamos crentes sobre a relevância do assunto para o atual cenário de nossa educação. Porém nos deparamos com a ausência de literatura que aborde este assunto de maneira específica, o que acabou se tornando um desafio para este ensaio cientifico. Mas acreditamos que escolhemos um assunto que é fundamental para nossa formação acadêmica. 22 REFERÊNCIAS ALARCÃO, I. Professores reflexivos em uma escola reflexiva. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2011. ANTUNES, C. Projetos e práticas pedagógicas na educação infantil. Petrópolis: Vozes, 2012. BAGNO, M. 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