AVIFAUNA DE FRAGMENTOS FLORESTAIS DE MATA ATLÂNTICA NO
MUNICÍPIO DE VIÇOSA, ALAGOAS, BRASIL
Edson Moura da Silva1; Victor Fernando Santana Lima1; Juliana Carla Cavalcanti
Marques2; Antonino Lopes dos Santos3; Nadine Louise Nicolau da Cruz4
1. Mestrando do programa de Pós-Graduação em Ciência Animal Tropical,
Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife, Pernambuco, Brasil.
([email protected])
2. Graduanda do curso de Medicina Veterinária, Universidade Federal de
Alagoas, Unidade de Ensino Viçosa, Viçosa, Alagoas, Brasil.
3. Biólogo graduado em Licenciatura em Ciências Biológicas, Universidade
Estadual de Alagoas, Maceió, Alagoas.
4. Doutoranda do programa de Pós-Graduação em Biociência Animal,
Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife, Pernambuco, Brasil.
Recebido em: 31/03/2015 – Aprovado em: 15/05/2015 – Publicado em: 01/06/2015
RESUMO
O Brasil é um dos países que possui uma das mais ricas avifaunas do mundo, sendo
que parte das aves silvestres, encontram-se na Mata Atlântica, a qual incide
atualmente, sobre áreas de 17 estados brasileiros. Este trabalho teve como objetivo
realizar o levantamento das principais espécies de aves presentes em fragmentos
florestais de Mata Atlântica no município de Viçosa, Alagoas, Brasil. O estudo foi
realizado em fragmentos florestais de Mata Atlântica, localizados no município de
Viçosa, estado de Alagoas, no período de setembro de 2011 a junho de 2012.
Utilizou-se a observação visual através de binóculo e guias ornitológicos, além da
identificação através de métodos auditivos tendo como base a experiência dos
pesquisadores com vocalização das espécies do Estado de Alagoas, além de
gravações de áudio para identificação através das vocalizações via site Wiki aves.
Todos os dados analisados estatisticamente através do programa computacional
InStat (GraphPad Software, Inc., 2000), com nível de significância p<0,05. Como
resultados, foram identificadas 52 espécies de aves, distribuídas em 50 gêneros, 26
famílias e 15 ordens. Com isso pode-se concluir que na área estudada foi observada
uma rica diversidade da avifauna local, mostrando a importância na manutenção de
fragmentos de Mata Atlântica para a conservação das espécies.
PALAVRAS-CHAVE: aves, biodiversidade, guilda, habitat.
AVIFAUNA FRAGMENTS OF ATLANTIC FOREST IN MUNICIPALITY OF VIÇOSA,
ALAGOAS
ABSTRACT
Brazil is a country that has one of the richest avifaunas the world, and much of the
wild birds, are in the Atlantic Forest, which currently focuses on areas of 17 states.
This study aimed to survey the main species of birds present in forest fragments of
Atlantic Forest in Viçosa, Alagoas, Brazil. The study was conducted in forest
fragments of Atlantic Forest, located in Viçosa, state of Alagoas, from September
ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.11 n.21; p.2056
2015
2011 to June 2012. We used visual observation through binoculars and ornithological
guides, besides the identification through Hearing methods based on the experience
of researchers with vocalization of the species in the state of Alagoas, and audio
recordings to identify through vocalizations via site Wiki birds. All data were analyzed
statistically using the computer program InStat (GraphPad Software, Inc., 2000), with
a significance level p <0.05. As a result, we identified 52 bird species, distributed in
50 genera, 26 families and 15 orders. Thus it can be concluded that in the study area
was found a rich diversity of the local avifauna, showing the importance in
maintaining tropical forest fragments for species conservation.
KEYWORDS: birds, biodiversity, guild, habitat.
INTRODUÇÃO
O Brasil possui uma das mais ricas avifaunas do mundo, representando cerca
de 60% das espécies presentes, na América do Sul, no qual já foram catalogadas
pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos – CBRO, cerca de 1.800 espécies
até o ano de 2011 (MARINI & GARCIA, 2005; CBRO, 2011).
Dentre os diferentes biomas brasileiros, a Amazônia possui a maior
diversidade de espécies de aves, seguidas pela Mata Atlântica e Cerrado (KLINK &
MACHADO, 2005; MARINI & GARCIA, 2005). No entanto, a maior parte das aves
silvestres endêmicas no Brasil são encontradas na Mata Atlântica, a qual incide
atualmente, sobre áreas de 17 estados brasileiros, distribuídos entre as regiões
Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Sul, totalizando apenas 8% da cobertura vegetal,
abrigando cerca de 850 espécies de aves, correspondendo a 47% da avifauna
brasileira (MMA, 2000; MOURA, 2006; COLOMBO & JOLY, 2010; NEHREN et al.,
2013).
As aves são animais que atuam na natureza contribuindo no controle de
pragas, controle biológico, polinização de flores e disseminação de sementes, sendo
bons indicadores biológicos do ambiente, além de outras contribuições no
ecossistema (LIRA FILHO & MEDEIROS, 2006). Possuem ainda, características
sensitivas que auxiliam na indicação da qualidade do ambiente e dos seus habitats
(FRANCHIN, 2009).
No estado de Alagoas algumas espécies de aves encontram-se ameaçadas
de extinção, tais como o Anambezinho (Lodopleura pipra leucopygia SALVIN, 1885),
a Araponga-de-barbela (Procnias averano averano HERMANN, 1783), Pintorverdadeiro (Tangara fastuosa LESSON, 1831) e Mutum-de-Alagoas (Mitu mitu
LINNAEUS, 1766) (MOURA, 2006). Essa erradicação de diversas espécies de aves
brasileiras ocorre devido à destruição e fragmentação das matas, a caça, a
introdução de patógenos e o tráfico de animais (FRANCHIN, 2009; GALLO et al.,
2014; PHILLIPS et al., 2014; SILVA et al., 2014; LEES & PIMM, 2015).
Uma vez que, o Brasil possui uma vasta avifauna, sendo 10% destas
endêmicas, faz-se deste país um dos mais importantes na realização de
investimentos em conservação, principalmente em áreas de fragmentos da Mata
Atlântica (DÁRIO et al., 2002; YOSHIDA & UIEDA, 2014; VERÍSSIMO et al., 2014).
Neste contexto, este trabalho teve como objetivo realizar o levantamento das
principais espécies de aves presentes em fragmentos florestais de Mata Atlântica no
município de Viçosa, Alagoas, Brasil.
ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.11 n.21; p.2057
2015
MATERIAL E MÉTODOS
Este estudo foi realizado em fragmentos florestais da Mata Atlântica, isolados
por uma extensa área de pastagem de 600 hectares, os quais estão situados nos
arredores da Universidade Federal de Alagoas, campus Arapiraca, Unidade de
Ensino Viçosa (09º 24’ 17’’ S, 36º 15’ 08’’ O) (Figura 01), localizado a 8 km ao oeste
da cidade de Viçosa-Alagoas, com ocorrência de um conjunto de fragmentos
florestais de Mata Atlântica que totalizam cerca de 16 hectares.
O estado de Alagoas está localizado na região Nordeste, constituído por 102
municipalidades, dentre estes o município de Viçosa, localizado a 86 km da capital
Maceió, possuindo uma área territorial de 372,907 km (MOURA, 2006; IBGE, 2015).
O município de Viçosa está localizado na mesorregião do leste alagoano, com
altitude de 210 metros acima do nível do mar, vegetação predominante do tipo
Floresta Subperenifólia e partes de Floresta Hipoxerófila. A região enquadra-se no
tipo climático As′, segundo a classificação de Köppen, onde o clima é tropical com
chuvas de outono a inverno, com a estação seca bem definida, apresentando
temperatura média de 22°C no inverno e 35°C no verã o, e media anual da
precipitação pluviométrica variando entre 1.300mm a 1.400mm, distribuídos de
forma irregular durante o ano (BARROS et al.,2012).
FIGURA 01. Localização da Universidade Federal de Alagoas, Unidade de Ensino
Viçosa, local onde foi realizado o monitoramento das aves. Fonte:
Adaptado do Google Earth (2015).
O levantamento das espécies observadas foi realizado no período de
setembro de 2011 a junho de 2012. Todos os dados foram coletados
quinzenalmente, durante a manhã (05h00min às 09h00min horas) e à tarde
ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.11 n.21; p.2058
2015
(16h00min às 19h00min horas), períodos de maior atividade das aves, totalizandose 18 coletas e um esforço amostral de 126 horas.
A metodologia utilizada foi baseada no método de censo por observação
direta, que consiste em caminhar ao longo de ambientes específicos, anotar todas
as espécies observadas, ouvindo em diferentes ambientes da área estudada. No
qual trilhas e estradas existentes na área foram utilizadas como percursos para a
observação da avifauna. Para o método visual foi utilizado um binóculo (10X24) e
guias ornitológicos como auxílio. A identificação das aves através de métodos
auditivos baseou-se na experiência dos pesquisadores em vocalização das espécies
do estado de Alagoas, além de gravações de áudio para identificação através das
vocalizações via site Wiki aves (2015).
Para nomenclatura das espécies seguiu a Lista de Aves do Brasil do Comitê
Brasileiro de Registros Ornitológicos, (2011). As espécies foram classificadas
seguindo as guildas tróficas e distribuição nos ambientes, sendo os hábitos
alimentares, com base em WILLIS (1979), foram consideradas as seguintes guildas
tróficas: carnívoro, detritívoro, frugívoro, granívoro, insetívoro, nectarívoro, onívoro,
frugívoro, piscívoro e os seguintes ambientes: aquático (lagoas, brejos e córregos),
borda de mata, copa de árvores e subdossel, pastagem e sub-bosque.
Todos os dados foram organizados em planilha de Microsoft Excel 2010 e a
análise estatística se deu através do programa computacional InStat (GraphPad
Software, Inc., 2000), com nível de significância p<0,05.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Nos fragmentos de Mata Atlântica estudados foram identificadas 52 espécies
de aves, distribuídas em 50 gêneros, 26 famílias e 15 ordens (Quadro 01, Figura
02), as quais indicam uma vasta avifauna na área selecionada para a realização
dessa pesquisa, sendo esses resultados semelhantes aos observados por
OLIVEIRA et al., (2014) em estudo realizado no Morro do Cristo, no município de
Descanso, SC.
QUADRO 01. Lista das espécies de aves com seus respectivos autores, anos e nomes
populares segundo CBRO (2011).
Nome científico
Amazilia láctea
Autor, Ano
Lesson, 1832
Aramides saracura
Athene cunicularia
Bubulcus íbis
Buteo albicaudatus
Spix, 1825
Molina, 1782
Linnaeus, 1758
Vieillot, 1816
Butorides striata
Caracara plancus
Cathartes aura
Linnaeus, 1758
Miller, 1777
Linnaeus, 1758
Chloroceryle
americana
Coereba flaveola
Comunbina talpacoti
Gmelin, 1788
Linnaeus, 1758
Temminck, 1811
Nome popular
Beija-flor-de-peitoazul
Saracura-do-mato
Coruja-buraqueira
Garça-vaqueira
Gavião-de-rabobranco
Socozinho
Carcará
Urubu-de-cabeçavermelha
Martim-pescadorpequeno
Cambacica
Rolinha-roxa
Guilda/Habitat
N/S
O/A
O/P
I/P
C/B
P/A
C/P
D/B e P
C/A
O/B e C
G/B e P
ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.11 n.21; p.2059
2015
Coragyps atratus
Bechstein, 1793
Crotophaga ani
Crypturus parvirostris
Choroceryle
americana
Chrysomus
ruficapilllus
Elanus leucurus
Empidonomus varius
Enphonia chlrotica
Estrilda astrild*
Eupetomena
macroura
Forpus
xanthopterygius
Fluvicola nengeta
Linnaeus, 1758
Gray, 1840
Gmelin, 1788
Urubu-de-cabeçapreta
Anu-preto
Inhambu-chororó
Martim-pescador
I/B e P
O/P e S
C/A
Vieillot, 1819
Garibaldi
O/P e A
Vieillot, 1818
Vieillot, 1818
Linnaeus, 1766
Linnaeus, 1758
Gmelin, 1788
Gavião-peneira
Peitica
Fin fin
Bico-de-lacre
Beija-flor-tesoura
C/B
I/C
O/C
G/P
N/C
Spix, 1824
Tuim
F/C
Linnaeus, 1766
Lavadeiramascarado
Frango-D ’águacomum
Gaviãozinho
I/B e A
Anu-branco
Jaçanã
Sebinho-de-olho-deouro
Bacurau
Andorinha-de-bando
Juriti-guemedeira
I/B e P
O/A
O/B
Mãe-da-lua
Pardal
Alma-de-gato
Periquito-macaranã
I/B
O/B
I/C
F/B
Bem-te-vi
Andorinha-docampo
Papa-taoca-depernambuco
Perdiz
O/B
I/B
Gallinula chloropus
Linnaeus, 1758
Gampsonyx
swainsonii
Guira guira
Jacana jacana
Hemitriccus
margaritacerventer
Hydropsalis albicollis
Hirundo rustica
Leptotila rufaxilla
Vigors,1825
Nyctibius griséus
Passer domesticus*
Piaya cayana
Psittacara
leucophthalmus
Pitangus sulphuratus
Progne tapeca
Pyriglena
pernanbucenses
Rhynchatus
rufescens
Rupornis magnirostris
Sicalis favela
Sporophila
caerulescens
Gmelin, 1788
Linnaeus, 1766
D’Orbingny &
Lafresnaye, 1837
Gmelin, 1789
Linnaeus, 1758
Richard &
Bernand,1792
Gmelin, 1789
Linnaeus, 1758
Linnaeus, 1766
Statius Muller,
1776
Linnaeus, 1766
Vieillot, 1817
Spix, 1824
Temminck, 1815
Gmelin, 1788
Linnaeus, 1766
Vieillot, 1823
Gavião-carijó
Canário-da-terraverdadeiro
Coleirinho
D/B e P
O/A
C/B
I/B
I/ P
O/S
I/S
G/P
C/B
G/P e B
ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.11 n.21; p.2060
G/P
2015
Tangará gayaca
Tangará cayana
Tangará palmarum
Linnaeus, 1766
Linnaeus, 1766
Wied, 1823
Tigrisoma lineatum
Tyrannus
melancholicus
Tyto alba
Turdus
amaurochalinus
Valatinia jacarina
Vanellus chilensis
Violaceous eufonia
O/B e C
O/B e C
O/B e C
Boddaert, 1783
Vieillot, 1819
Sanhaçu-cinzento
Saíra-amarelo
Sanhaçu-docoqueiro
Socó-boi
Suiriri
Scopoli, 1769
Cabanis, 1850
Coruja-da-igreja
Sabiá-poca
C/S
I/B e C
Linnaeus, 1766
Molina, 1782
Linnaeus, 1758
Tiziu
Quero-quero
Goturanoverdadeiro
G/P
O/A e P
O/ B e C
P/A
I/B e C
* Ave exótica. Guildas tróficas: (C) carnívoro, (D) detritívoro, (F) frugívoro, (G) granívoro, (I)
insetívoro, (N) nectarívoro, (O) onívoro. Habitats (identificados neste estudo): (A) aquático, (B) borda
de mata, (C) copa de árvores e subdossel, (P) pastagem, (S) sub-bosque.
Dentre as 15 ordens aviárias identificadas: Nyctibiiformes, Apodiformes,
Coraciiformes, Passeriformes, Stringiformes, Tinamiformes, Pelecaniformes,
Cathartiformes, Accipitriformes, Falconiformes, Gruiformes, Charadriformes,
Columbiformes, Psittaciformes e Caprimulgiformes, os maiores números de espécies
pertenceram aos Passeriformes (52%). DARIO (2010) durante o ano de 2008
realizou a catalogação de aves presentes em fragmentos florestais da Mata Atlântica
localizados ao norte do Espírito Santo, no qual catalogou 89 espécies de aves,
distribuídas em 19 famílias, pertencentes à ordem Passeriformes, os quais
representaram cerca de 50% dos espécimes identificados.
FIGURA 02. Porcentagem das espécies por família ocorrentes no resquício de Mata Atlântica do
município de Viçosa, AL, Brasil.
ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.11 n.21; p.2061
2015
Na análise da avifauna observou-se que 21% das espécies registradas são de
borda de mata, das guildas tróficas onívoros (32,6%), insetívoros (25%) e carnívoros
(15,5%) (Figuras 03 e 04). Estruturas tróficas similares às observadas neste estudo,
também foram notadas por NAZZARRI & RESTELLO (2005) e MELO & RESTELLO
(2007) nos municípios de São Vicente e Erechim, RS.
Aquático
12
Borda de Mata
Pastagem
10
Sub-bosque
8
Copa de árvores e subdossel
Borda de Mata e pastagem
6
Borda de Mata e copa de árvore
Borda de mata e aquático
4
Borda de mata e aquático
2
Pastagem e sub-bosque
FIGURA 03. Número de espécies em cada habitat identificado no resquício de Mata
Atlântica do município de Viçosa, AL, Brasil.
18
16
Carnívoros
14
Detritívoro
12
Frugívoro
10
Granívoro
Insetívoro
8
Nectarívoro
6
Onívoro
4
Pscívoro
2
0
FIGURA
04. Número de espécies de cada guilda trófica pertencente ao
resquício de Mata Atlântica do município de Viçosa, AL, Brasil.
Aves que vivem em bordas de matas assumem hábitos alimentares variados,
podendo se alimentar de insetos, grãos, frutas, dentre outras fontes de alimentos, as
quais são caracterizadas como sinantrópicas (DARIO, 2010; BARROS et al., 2014).
ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.11 n.21; p.2062
2015
Segundo WILLIS (1979), a presença de grandes populações de aves onívoras
demostra desequilíbrio ambiental, pois estas conseguem se adaptar as variações
nos suprimentos alimentar no ambiente.
Espécies insetívoras como as: Progne tapeca, Crotophaga ani, Pyriglena
pernanbucenses, Piaya cayana, Forpus xanthopterygius, Bubulcus íbis e
Hydropsalis albicollis (Figura 05), aparentemente aumentam sua abundância em
locais fragmentados (ALMEIDA, 1982; RIBON et al., 2003), no entanto essa
informação não condiz com as observadas nesse estudo.
FIGURA 05. Filhote de Bacurau (Hydropsalis albicollis GMELIN,
1789) encontrado em ninho localizado na área
estudada. Fonte: Arquivo pessoal de Edson Moura
da Silva (2012).
Rupornis magnirostris (Accepetridae, Accipitriformes), Elanus leucurus
(Accepetridae, Accipitriformes), Tyto alba (Strigidae, Strigiformes) e Caracara
plancus (Falconidae, Falconiformes) são espécies de aves que possuem dietas a
base de carne originária de suas presas. Por serem predadores, espécimes
carnívoras são naturalmente raras, quando comparadas a outros grupos aviários,
fato este se deve ao habito destas aves ocuparem extensas áreas e apresentarem
menor abundância em relação a suas presas (COSTA et al., 2011; OLIVEIRA et al.,
2014). No entanto, o grande número de aves pertencentes à guilda carnívoro
observados na área de estudo do município de Viçosa-AL, pode estar relacionado à
grande quantidade de espécies que servem como fonte de alimentação para estas
aves.
Devido ao desmantamento de florestas, muitas espécies de aves que
habitavam as matas, acabaram se adaptando a outros ambientes (COUTO, 2008;
FERREIRA, 2014), dentre as espécies que foram observadas nas bordas das matas
deste estudo, o Anu-branco (Guira guira GMELIN, 1788) e Anu-preto (Crotophaga
ani LINNAEUS, 1758) foram observados nas pastagens, capturando ectoparasitas
(carrapatos e moscas) de ruminantes presentes nas pastagens circunvizinha as
matas. Conforme VERÍSSIMO (2013) algumas espécies de aves insetivoras
auxiliam no controle biológico de algumas espécies de ectoparasitas, no qual a
ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.11 n.21; p.2063
2015
captura e consumo de teleogénas de carrapatos na pastagem ou até mesmo antes
de caírem-no solo é comumente observado.
Um alto número de aves fora observado frequentando as fontes de água
presente na área de resquício de Mata Atlântica estudada, uma espécie em especial
foi observada predominantemente as margens dos açudes: o Frango-D’água-comum
(Gallinula chloropus LINNAEUS, 1758) (Figura 06), espécie frequentemente
observada as margens de rios, lagos, lagoas e açudes, alimentando-se de pequenos
peixes, moluscos e crustáceos, a qual já foi relatada sua presença em diversos
países da América do Sul (HARTLEY et al., 2014). De acordo com RIBEIRO &
FERREIRA (2014) a presença de aves aquáticas no ambiente é de suma
importância para o equilíbrio do ecossistema, devido à capacidade de ciclagem de
nutrientes.
FIGURA 06. Frango-D ’água-comum (Gallinula chloropus LINNAEUS, 1758)
em manancial de água presente na área de estudo. Fonte:
Arquivo pessoal de Edson Moura da Silva (2012).
CONCLUSÃO
Os resultados do presente estudo demostraram que a comunidade de aves
das áreas de Mata Atlântica do município de Viçosa-AL é constituída principalmente
por espécies generalistas, com predominância de aves das guildas tróficas onívoras,
insetívoras e carnívoras, destacando uma nítida deficiência de guildas frugívoras, o
que indica desigual disponibilidade de recursos e a existência de impactos
antrópicos, evidenciando assim, a forte influência que o ambiente é capaz de causar
sobre a distribuição da avifauna. Salientamos a necessidade de se realizar o
enriquecimento de espécies vegetais na área estudada, priorizando-se o plantio de
árvores frutíferas com o objetivo de atrair aves frugívoras, para se reestabelecer a
biodiversidade. Vale salientar que está pesquisa é pioneira na região, sendo
necessário a realização de novos estudos para se avaliar os principais fatores que
ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.11 n.21; p.2064
2015
estão influenciando o ecossistema local. A criação de programas de conservação
nas áreas de Mata Atlântica alagoana, devem ser realizados a fim de se evitar
maiores danos a espécies animais e vegetais que vivem nesse tipo de bioma.
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AVIFAUNA DE FRAGMENTOS FLORESTAIS DE MATA ATLÂNTICA