RESISTÊNCIA E SEGURANÇA DE EQUIPAMENTOS IMPORTANTES NAS ESCALADAS E EXPLORAÇÕES DE CAVERNAS E CÂNIONS Autor: Walker Gomes Figueirôa Orientador: Prof. Dr. José Nivaldo Garcia INTRODUÇÃO Para atividades de explorações em cavernas, cânions ou montanhas, seja para fins científicos ou desportivos, é necessário o uso de alguns equipamentos específicos, conforme mostram as figuras 9 e 3 (b). Esses equipamentos devem ser fabricados com qualidade e segurança para não colocar em risco o usuário, devendo-se seguir algumas normas pré-estabelecidas por entidades responsáveis por essa área. No presente estudo foram consideradas para a pesquisa, apenas, as normas européias. Essas normas foram escolhidas por ocupar a Europa a posição atual de “top” mundial nas atividades verticais, e por terem as normas mais bem desenvolvidas e elaboradas mundialmente. Fig. 1. Modalidades esportivas verticais que exigem a utilização dos equipamentos testados no presente projeto OBJETIVOS Criar, desenvolver e testar equipamentos (cadeirinhas fig. 9 e solteiras fig. 3 (b)) para escaladas, explorações de cavernas e cânions (figs. 1 e 2) segundo normas européias de segurança. Fig. 2. Utilização dos equipamentos na exploração de caverna. Detalhe do uso da cadeirinha mostrada na fig. 9 (b) MATERIAIS E MÉTODOS Materiais utilizados: Fitas de poliamida, máquinas industriais de costura, linhas, fivelas de duralumínio, cordelete, máquina universal de ensaios (fig. 4), relógio comparador. Métodos: Foram ensaiadas à tração, 2 tipos de fitas cada uma com 5 amostras, com medição do seu elongamento a cada incremento de 0,2 kN na carga aplicada (fig. 5). Para o desenvolvimento deste trabalho fez-se necessária uma pesquisa dos materiais têxteis existentes para identificar qual seria o melhor material a ser utilizado. Foram encontradas 3 opções de fitas: poliamida, poliéster e polipropileno. Como a propriedade mais importante é a resistência à tração, seguida pela resistência à abrasão, a fibra escolhida foi à poliamida: Poliamida: Não flutua. Possui muito boa resistência à tração, sua densidade é de 1,14 g/cm3 e possui boa resistência à abrasão. Em torno de 6 meses de uso sofre encolhimento devida à adsorção de água. (a) (b) Fig. 3. Anéis de fita para ensaio: (a) da cadeirinha. (b) da solteira e costuras para escalada - As amostras ensaiadas (fig. 3), demonstraram ter resistência mais que suficiente para o uso a que se destina; RESULTADOS Fig. 4. Máquina Universal de Ensaios - Observa-se no gráfico da fig. 8, grande variabilidade nas rigidezes dos materiais, mas a menor resistência ainda ficou acima da segurança necessária; - As amostras ensaiadas romperam, na grande maioria, nas linhas de costuras (fig 6); Fig. 5. Ensaio de tração mostrando ruptura da perna anterior - Os deslocamentos mostrados pelas amostras constituem-se em características benéficas, pois absorvem energia de choque, diminuindo o impacto no esportista; - As costuras das extremidades são as mais exigidas inicialmente e, com o aumento da carga, a força vai se distribuindo para as costuras centrais; fita da cadeirinha fita da solteiras e costura para escalada 30 10 9 8 25 7 20 6 Força (KN) Carga de ruptura (KN) 35 15 5 4 10 3 5 2 1 0 1 2 3 4 5 Média 0 0 10 20 Amostras Fig. 6. Amostras ensaiadas Fig. 7. Carga de ruptura de fitas utilizadas em esportes verticais, manufaturadas com tecnologia desenvolvida no projeto 30 40 50 60 Deslocam ento (m m ) Fig. 8. Diagrama carga-deslocamento de fitas utilizadas em esportes verticais, manufaturadas com tecnologia desenvolvida no projeto CONCLUSÕES Sendo a qualidade de uma cadeirinha determinada pela combinação de segurança, pouco peso, anatomia, confortabilidade, facilidade de vestir, resistência a tração e abrasão, pode-se concluir que a cadeirinha projetada superou todas as expectativas, atingindo uma qualidade excelente. A resistência mínima exigida pela norma européia, EN 12277 é de 15 kN e as resistências conseguidas nos ensaios variaram de 16,6 a 22,4 kN, conforme mostra a fig. 7. Os anéis de fitas para ancoragens sofrem grande força em uso e, por esse motivo, segundo a norma européia, EN 566, eles devem resistir carga acima de 22 kN e nos ensaios obtiveram-se resistências variando de 22,0 a 30,2 kN, como mostra a fig. 7. Conclui-se que ambos os equipamentos atingiram a performance requerida, cada um dentro de sua resistência específica. Referências bibliográficas MARBACH, G; TOURTE, B. Técnicas de espeleologia alpina. França: Expé, 2000. 399 p. SPÉLÉOLOGIE, FÉDÉRATION FRANCAISE. Dossier d’Etudes et de Recherches Du Spéléo Secours Français. França. [s.n.]. 1998. 36 p. (a) (b) Fig. 9. Cadeira para escalada e canyoning (a) e cadeira para espeleologia (b)