ATUALIZAÇÃO CARTOGRÁFICA ATRAVÉS DE AEROFOTOGRAMETRIA E LASER SCANNER AEROTRANSPORTADO: MUNICÍPIO DE RECIFE/PE-BRASIL Mirele Viegas da Silva1 Aurélio Lúcio de Melo e Silva Júnior2 1 Universidade Federal da Bahia Departamento de Transportes e Geodésia [email protected] 2 Prefeitura da Cidade do Recife Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano Gerência Geral de Informação [email protected] RESUMO As técnicas aerofotogramétricas são utilizadas rotineiramente para adquirir informações topográficas em x, y e z a partir de fotografias aéreas e é peça fundamental na produção cartográfica. Em 2007, a Prefeitura do Recife realizou mapeamento digital de toda a cidade através da aerofotogrametria, e passados cinco anos, considerando toda dinâmica de ocupação do solo, com grandes investimentos em infraestrutura, especialmente nas áreas mais carentes, fez-se necessário uma atualização cartográfica de modo a representar de forma precisa, correta e adequada a atual ocupação do solo. Desta forma, em 2012 a autarquia iniciou os trabalhos para atualização da base cartográfica digital através de novo voo fotogramétrico e laser scanner aerotransportado, oferecendo este último uma alternativa para os levantamentos de campo e para as técnicas de mapeamento fotogramétrico na aquisição de dados de elevação, com precisão, rapidez e com aplicabilidade crescente em terrenos inóspitos. O princípio básico de funcionamento deste sistema é a obtenção de registros contínuos com coordenadas espaciais, as quais constituem os elementos primários para modelagem do terreno e geração de um mapa topográfico derivado destas informações. Os produtos gerados pela a aerofotogrametria são as ortoimagens, que possibilita a realização de medidas do mesmo modo às que são feitas sobre um mapa, e ainda, uma atualização dos seus vetores. E pelo perfilamento a laser obtém-se o Modelo Digital de Terreno, Modelo Digital de Elevação, além de mapas hipsométricos, de intensidade e composição, curvas de nível com equidistância de 1(um) m e polígonos bidimensionais e tridimensionais das edificações localizadas em áreas de risco, priorizadas pela defesa civil. Neste sentido, este artigo tem por finalidade apresentar os objetivos, sequência dos trabalhos desenvolvidos e resultados obtidos na atualização cartográfica da cidade do Recife/PE através das técnicas de aerofotogrametria e laser scanner aerotransportado, além da disponibilização dos dados através da web. Palavras chaves: Aerofotogrametria, Atualização Cartográfica, Laser Scanner. ABSTRACT The aerophotogrametric techniques are routinely used to acquire topographic information from aerial photographs and is essential in the cartographic production. In 2007, the city of Recife held digital mapping of the entire city through aerial photography, and after five years, considering all dynamics of land use, with large investments in infrastructure, especially in the poorest areas, it was necessary to update a cartographic to represent accurately, correctly and properly the current land use. Thus, in 2012 the municipality started work to upgrade the digital cartographic base through new photogrammetric flight and airborne laser scanner, the latter offering an alternative to field surveys and photogrammetric mapping techniques for the acquisition of elevation data, accurately, quickly and with increasing applicability in harsh terrains. The basic operating principle of this system is to obtain continuous with spatial coordinates, which are the primary elements for modeling the terrain and generating a topographic map information derived from these records. The products generated by the aerial photogrammetry are the orthoimages, which enables the realization of measures in the same way to those made on a map, and also an update of its vectors. And by laser 1 profiling gives the Digital Terrain Model, Digital Elevation Model, and hypsometric maps, intensity and composition, contours with contour interval of one (1) two-dimensional and three-dimensional polygons me of buildings located in areas of risk, prioritized by the civil defense. Thus, this article aims to present the objectives, following the work done and results achieved in cartographic updating of Recife / PE through techniques of aerial photography and airborne laser scanner, plus the availability of data through the web. Keywords: Aerial Photogrammetry, Cartographic Update, Laser Scanner. 1. INTRODUÇÃO O município de Recife contratou em 2007, através de licitação pública, o mapeamento de toda sua extensão territorial, com 220 km2,através de processo fotogramétrico com cobertura aérea na escala 1:6.000, ortofotos e restituição digital na escala 1:1.000, considerando sempre produtos com PEC (Padrão de Exatidão Cartográfico) Classe A. A restituição contemplou níveis de hidrografia, sistema viário e principais edificações. Passado o período de cinco anos, considerando toda dinâmica de ocupação do solo ocorrido em Recife nestes últimos anos, com grandes investimentos em infraestrutura, especialmente nas áreas mais carentes fez-se necessário uma atualização daquele mapeamento de modo a representar adequadamente a atual ocupação do solo, mantendo a precisão requerida, complementando com novas informações com adoção de novas tecnologias compatíveis com o mapeamento disponível. De acordo com ROBBI (1990) apud ROCHA (2002), a dinâmica do meio físico, conduz diretamente a necessidade da atualização cartográfica, que garantirá a utilidade do mapeamento, evitando que este se torne obsoleto, não cumprindo os objetivos a que foi proposto e comprometendo diretamente a relação custo / benefício do produto. Este dinamismo no espaço físico exige que a atualização tenha cunho permanente, uma vez que objetiva a manutenção da base cartográfica. Diferentes tecnologias fornecem subsídios para atualização cartográfica, dentre elas está a aerofotogrametria e o sistema laser scanner aerotransportado. Atualmente, a aerofotogrametria é a técnica mais utilizada para o mapeamento de áreas com grande dimensão, principalmente em razão de apresentar produtos precisos a custos relativamente baixos (RIBEIRO, 1995). Esta técnica baseia-se no conceito de extração de medidas de objetos a partir de fotografias, e apresenta diversas vantagens sobre os processos diretos de medição (como por ex. Topografia e Geodésia), tais como rapidez na aquisição dos dados, as fotografias armazenam grandes quantidades de informações semânticas e geométricas, podem ser medidos movimentos e deformações, as medidas nas fotografias podem ser realizadas a qualquer momento que se desejar, podendo-se repetir várias vezes (TOMMASELLI, 2004). O laser scanner aerotransportado, ALS (Airborne Laser Scanner), também conhecido como LIDAR (Light Detection and Ranging), consiste atualmente numa das tecnologias mais utilizadas para a aquisição de enormes volumes de dados num curto período de tempo. Essa tecnologia envolve a emissão de um pulso eletromagnético em direção à superfície tendo como produto as coordenadas planialtimétricas e a intensidade do feixe refletido pelo objeto atingido. A posição tridimensional somente pode ser calculada, se em qualquer momento, a posição e orientação do sistema de laser se façam conhecidos com respeito a um sistema de coordenadas, isso é possível devido ao fato que o sistema dispõe de GPS (Global Positioning System)/GNSS (Global Navigation Satellite System) e INS (Inertial Navigation System), auxiliando diretamente no georreferenciamento das imagens e nuvens de pontos adquiridas. O conjunto de dados do laser scanner é uma alternativa poderosa para ser aplicado na otimização de técnicas de mapeamento fotogramétrico, permitindo um ótimo desempenho para extrair informação espacial tridimensional (SILVA, 2014). Uma das infinitas aplicações do laser scanner aerotransportado é o mapeamento urbano, pois as informações altimétricas detalhadas, por ele fornecidas, permitem detectar mudanças do relevo ou da ocupação do terreno.Embora o laser scanner não permita uma detalhada descrição das características espectrais dos objetos, ele pode dar informações a respeito de sua altura e forma (MIQUELES & CENTENO, 2005). O serviço de atualização cartográfica do município de Recife inclui o mapeamento aerofotogramétrico e perfilamento a laser, efetuados desde 2013 e está sendo executado pela empresa vencedora da licitação, ENGEFOTO. É importante salientar que o perfilamento a laser foi a tecnologia escolhida para subsidiar a avaliação da complexidade do ambiente urbano quanto ao diagnóstico para implantação de políticas públicas territoriais, principalmente no que tange ao crescimento verticalizado nas áreas de riscos da cidade. O presente artigo trata da metodologia aplicada nos trabalhos desenvolvidos e resultados obtidos na atualização cartográfica do município do Recife/PE através das técnicas de aerofotogrametria e laser scanner aerotransportado. 2. MATERIAIS E MÉTODOS 2 2.1 Etapas do Mapeamento O projeto está sendo executado de acordo com as especificações técnicas do “Termo de Referência para a contratação dos serviços de engenharia para Cobertura Aerofotogramétrica, Perfilamento Laser Aerotransportado, obtenção de polígonos em 2D e 3D e restituição estereofotogramétrica na cidade de Recife” . Segundo contrato firmado entre a Prefeitura do Recife e a empresa contratada para execução do projeto de gráfica do município de Recife/PE, as etapas a serem executadas foram: o Cobertura Aerofotogramétrica e Perfilamento a Laser Aerotransportado em uma área estimada de 220 Km²; o Apoio Terrestre; o Aerotriangulação; o Restituição estereofotogramétrica planialtimétrica (atualização) na escala 1:1.000; o Reambulação, em 72km²; o Elaboração de ortofotos digitais coloridas na escala 1:1.000 de 220 Km²; o Geração dos produtos decorrentes da Cobertura Aérea com Perfilamento a Laser Aerotransportado, conforme segue: Geração do Modelo Digital de Terreno (MDT); Geração do Modelo Digital de Elevação (MDE); Geração de Curvas de Nível; Geração do Mapa de Declividades; Geração do Mapa Hipsométrico; Geração do Mapa de Intensidade; Geração do Mapa de Composição; o Obtenção de polígonos 2D e 3D (volumetria) em uma área de 72 km². 2.1.1 Recobrimento Aerofotogramétrico e Perfilamento à Laser A cobertura aerofotogramétrica (Fig 01) foi executada na direção N-S-N na escala nominal de 1:5000, utilizando uma aeronave Sêneca II, modelo EMB-810C - Matrícula Nº 9.073, prefixo PT - EGQ, adaptada e homologada para serviços aerofotogramétricos, equipada com equipamento de navegação GPS (Global Positionig System). Para a tomada das fotografias foi utilizada câmara aérea Trimble X4, com os quatro corpos com câmera integrada P65 mais quatro sensores e Apo-DigiTar. A cobertura aerofotogramétrica foi executada com GSD (Ground SampleD ance) de 0,08m, com direção das linhas de voo paralelas a linha de costa (litoral), com uma superposição lateral de 60% e longitudinal de 75% para as áreas verticalizadas e uma superposição lateral de 30% e longitudinal de 60% para as demais áreas. Fig 01 – Plano de voo fotogramétrico gráfico. Fonte: Relatório de Atividades Executadas – ENGEFOTO (2013) Para a cobertura aérea com o perfilador a laser foi utilizado o sistema de perfilamento a laser (ALS - Airborne 2 Laser Scanning) ou Sistema Aerotransportado de Laser para Mapeamento do Terreno (ALTM - Airborne LASER Terrain Mapper) utilizando o Sensor Laser OPTECH AIRBONE LASER TERRAIN MAPPER modelo ALTM Gemini 167. Na execução do levantamentos foram utilizados os seguintes parâmetros: o Altura de voo: 600 metros o Ângulo de abertura (FOV): 20º; o Superposição lateral (entre faixas): Min 30% o Número de faixas: 137; o Densidade de pontos MDE (média): 5,51/m². A varredura a laser (Fig 02) assim como o recobrimento aerofotogramétrico foi realizado no sentido N-S-N, no entanto nas áreas densas e com altos edifícios, a varredura foi realizada em dois sentidos transversais, norte-sul, seguido de leste-oeste, de forma que garanta a inexistência de áreas de sombras LASER e buracos (Fig 02). Fig 02 – Plano de voo Laser . Fonte: Relatório de Atividades Executadas – ENGEFOTO (2013) 2.1.2 Apoio Terreste Segundo o IBGE (1998), apoio terrestre é o conjunto de pontos à ser determinado no campo, definido por suas coordenadas planimétricas e altimétricas. Estes pontos, com a finalidade de fornecer subsídios aos trabalhos de aerotriangulação e restituição fotogramétrica, têm respectivas identificações nas fotos e são dimensionados previamente em gabinete através de fórmulas matemáticas, que estabelecem as distâncias dos pontos de apoio a serem determinados em campo. O apoio terrestre, foi executado conforme segue: a) Rede Planialtimétrica de Referência, cujos objetivos foram: Densificar a Rede Planimétrica Brasileira (IBGE) existente na área do projeto, através da implantação e homologação de mais um conjunto de 5 (cinco) vértices distribuídos ao longo da área do projeto, perfazendo um total de 10 (dez) vértices homologados pelo IBGE na área do projeto; Implantar mais 13 (treze) vértices distribuídos no Município de Recife; Implantar 26 (vinte e seis) novos marcos que servirão como azimute de partida para futuras amarrações topográficas. Ou seja, em complementação aos serviços realizados no ano de 2007, foram implantados 13 (treze) novos vértices, distribuídos ao longo da área do projeto, completando, desta forma, uma Rede de Referência Planialtimétrica 3 composta por um grupo de 26 (vinte e seis) vértices.Para cada um dos 13 vértices, foi implantado um vértice de azimute, cuja localização permite a intervisibilidade com o vértice principal, fornecendo desta forma o azimute de partida para futuras amarrações topográficas. Para a identificação de cada vértice foi utilizada a nomenclatura “Vxx”, onde “xx” representa um número de dois dígitos, sendo que os vértices numerados de 01 a 13 já implantados em 2007 e os vértices numerados de 14 a 26 implantados durante a execução destes serviços. As monografias (Fig 03) de todos os vértices encontram-se disponíveis na web na página www.recife.pe.gov.br/ESIG/ Fig 03 – Monografia dos vértices que compõem a RRCM. Fonte: Relatório de Atividades Executadas – ENGEFOTO (2013) c)Elaboração de Mapa Geoidal Relativo Local Para a obtenção das altitudes ortométricas dos pontos do levantamento GPS foi necessário a elaboração do Mapa Geoidal Relativo obtido a partir dos pontos com altitudes geométricas e ortométricas conhecidas. Para este projeto o mapa geoidal relativo foi elaborado por meio da utilização das RRNN da Rede Altimétrica do IBGE, situadas na área do projeto e em torno dela. O Mapa Geoidal Relativo é utilizado basicamente para a determinação da ondulação geoidal ou desnível geoidal local (N), a partir de altitudes ortométricas conhecidas (h), obtidas por nivelamento geométrico e das altitudes geométricas (H) obtidas através do posicionamento tridimensional com GPS. d)Determinação de altitudes ortométricas dos pontos levantados, através do uso de mapa geoidal relativo aplicado às altitudes geométricas obtidas no processo de posicionamento com GPS. 2.1.3 Aerotriangulação Aerotriangulação é o processo de adensamento dos pontos de controle de forma a correlacionar as imagens aéreas a um sistema de referência adotado para o mapeamento. Tem como objetivo fornecer coordenadas precisas aos pontos necessários para a orientação absoluta de modelos fotogramétricos visando à restituição e elaboração de ortofotos. Este adensamento é realizado em gabinete, onde cada ponto é determinado na imagem juntamente com seus pontos homólogos correspondentes. Estes pontos recebem o nome de pontos fotogramétricos e suas respectivas 4 coordenadas são determinadas por processo matemático, consistindo basicamente num ajustamento de todas as observações. Neste projeto, o método de aerotriangulação adotado foi o Simultâneo de Feixes Perspectivos (Bundle Block Adjustment) e o ajustamento é realizado pelo Método dos Mínimos Quadrados (MMQ) utilizando como injunções: Informações dos centros perspectivos das fotografias (posição e atitude); Pontos de controle com opção para injuncionar os valores de altitude, latitude e longitude, separadamente ou simultaneamente. 2.1.4 Restituição Estereofotogramétrica Segundo o IBGE (1998), restituição estereofotogramétrica é a elaboração de um novo mapa ou carta, ou parte dele, a partir de fotografias aéreas e levantamentos de controle, por meio de instrumentos denominados restituidores, ou seja, é a transferência dos elementos da imagem fotográfica para a minuta ou original de restituição, sob a forma de traços. Consiste na vetorização ou desenho de elementos gráficos a partir da interpretação de feições ou objetos na imagem de uma fotografia aérea em meio digital, em um modelo estereoscópico orientado em estações fotogramétricas digitais. O resultado da restituição é um conjunto de arquivos de dados vetoriais, referenciado a um sistema de projeção cartográfica e à rede geodésica fundamental, os quais contêm coordenadas tridimensionais das feições cartográficas interpretadas pelo operador de restituição. Os dados vetoriais são armazenados em arquivos gráficos digitais e são compostos por níveis de informação e elementos gráficos distintos (pontos, linhas, polilinhas, textos, etc) os quais representarão as diversas feições cartográficas que formam a carta topográfica. Neste projeto, o resultado da restituição deverá apresentar um Padrão de Exatidão Cartográfica – PEC e um Erro Padrão- EP que a classifique como classe A. Assim, para a planimetria, 90% (noventa por cento) dos pontos bem definidos a serem testados não deverão ter sua representação deslocada em mais de 0,5 mm, na escala da carta, de sua posição real e, para altimetria, metade da equidistância entre as curvas de nível, na escala da carta. A fase de aquisição dos vetores encontra-se em andamento. Fig 04 – Exemplo de área passível à atualização por restituição. Fonte: Relatório de Atividades Executadas – ENGEFOTO (2013) 2.1.5 Reambulação Com o propósito de identificar a numeração das edificações, assim como para obter o levantamento fotográfico georreferenciado das fachadas dos imóveis, a coleta das informações em campo foi realizada com a utilização da tecnologia de imageamento móvel denominado LandRunner. O LandRunner é um sistema oriundo de desenvolvimento interno da empresa que resultou num veículo multifuncional, dotado de câmeras digitais frontais e traseiras, integradas com receptor GPS e odômetro de precisão. A câmera é disparada a cada 3 metros percorridos pelo veículo, controlada pelo odômetro e sua imagem é armazenada através de integração de hardware e software. O equipamento pode ser instalado em qualquer veículo, desde que tenha as medidas sejam compatíveis com o sistema. 5 Para o levantamento fotográfico das faixadas estão sendo utilizadas ferramentas disponíveis e ajustáveis no sistema LandRunner que possibilitaram obter imagens com tomada lateral em sincronismo com o deslocamento do veículo. As câmeras estão dispostas conforme figura 05 a seguir: Fig 04 – Posicionamento câmeras. Fonte: Relatório de Atividades Executadas – ENGEFOTO (2013) As imagens foram coletadas por um conjunto de câmeras fotográficas digitais coloridas com resolução de 2 Mpixel, com dimensões de 1920 x 1080 pixels. Através destas imagens e utilizando o software RoadPeekView de desenvolvimento próprio da Engefoto foi possível visualizar e identificar o número de porta quando existia. 2.1.6 Ortofotos Digitais A ortofoto digital foi o resultado da transformação de imagens digitais, cuja geometria é a da perspectiva central, em imagem de projeção ortogonal. A ortorretificação consistiu em corrigir geometricamente as fotografias aéreas das variações ocasionadas devido ao relevo e atitudes da aeronave durante a execução da cobertura aérea. Os arquivos de MDT utilizados para gerar as ortofotos foram obtidos através do Perfilamento a Laser e agrupados para compor uma ou mais folhas do projeto. Estas folhas na escala 1:1.000, que abrange toda a área do projeto, são definidas pela articulação do projeto, gerando um modelo digital do terreno para cada conjunto de dados. Estes arquivos foram empregados no processo de ortorretificação das imagens igualmente articuladas por folhas. Além dos arquivos do MDT, também foram necessários os arquivosde aerotriangulação com as orientações externas das fotografias digitais, ou seja, contendo as coordenadas dos centros perspectivos das fotografias aéreas no sistema de projeção utilizado e a atitude da câmara (ângulos de Euler) e das imagens digitais das fotografias aéreas no formato TIFF. 2.1.7Produtos oriundos do Laser Scanner aerotransportado Os produtos provenientes de dados laser scanner são as imagens de intensidade, hipsométrica, de composição, declividade, o Modelo Digital de Terreno, o Modelo Digital de Elevação e as curvas de nível. Para Falat (2008), a imagem de intensidade é uma imagem formada por uma matriz de pontos cujas posições são determinadas pelas suas coordenadas bidimensionais georreferenciadas (E, N). Em cada ponto é atribuído um valor de cor (normalmente numa escala de 256 tons de cinza) que corresponde à quantidade de luz laser refletida por cada ponto amostrado sobre a superfície do terreno. A imagem de intensidade é formada a partir do valor de intensidade do sinal de retorno. Esse valor mede a amplitude de pico dos impulsos de retorno em que são refletidas a partir do alvo até o sensor LIDAR. 6 A imagem hipsométrica é uma imagem que tem como principal objetivo representar as diferenças altimétricas entre as feições, a partir de uma escala de cores correlacionadas às diferenças altimétricas. A imagem de composição por sua vez é a fusão das imagens de intensidade e hipsométrica. Esta imagem é de visualização mais agradável que as imagens isoladas que a compõem, uma vez que os detalhes aparecem realçados. O processo de obtenção das imagens Laser (Intensidade, Hipsometria e Composição) para a extração planimétrica dos pontos de apoio são ortorretificadas, tanto no nível do solo como no nível das edificações, já que o sistema laser levanta pontos diretos no terreno e com coordenadas tridimensionais. Assim, no processamento das imagens cada pixel tem uma coordenada que representa uma porção real do terreno que é ortorretificado, resultando numa ortoimagem (MARTINS & MITISHITA, 2007). Entende-se por declividade o ângulo de inclinação em uma relação percentual entre o desnível (H) e o comprimento na horizontal da encosta. Assim, D (declividade) = H/L X 100. Dessa forma o mapa de declividades foi confeccionado com cinco classes, sendo elas: 0 - 5%, 5 - 12%, 12 - 30%, 30 - 47% e >47%. Assume-se como Modelo Digital de Terreno (MDT) o resultado da modelagem da superfície topográfica do terreno, a partir da distribuição espacial das variações de altitude numa área do mesmo. O MDT (Modelo Digital de Terreno) O MDT necessário à ortorretificação foi obtido a partir do processamento dos dados do perfilamento laser aerotransportado. Assume-se como Modelo Digital de Elevação (MDE) o resultado da modelagem da superfície aparente do terreno, ou seja, da superfície sobre construções e vegetação. Baseado no MDE, foram obtidos os polígonos das edificações em 2D e 3D (volumetria), estes com coordenadas x,y,z, em 72 km² da área urbana do município (espacialização conforme o especificado no Termo de Referência) com precisão planimétrica melhor 1 m (um metro) e precisão altimétrica melhor que 0,5 m (cinquenta centímetros). Entende-se como curva de nível uma linha contínua e fechada que representa a sucessão dos pontos de mesma altitude no terreno. Estas curvas foram geradas a partir da interpolação do MDT advindo do processamento dos dados do perfilamento a laser. Estão representadas em equidistância de 1 (um) metro, sempre com as altitudes ortométricas do terreno. 2.1.8 Obtenção de polígonos 2D e 3D (volumetria) O objetivo maior do uso do Perfilamento a Laser no Projeto é a definição de volumes nas áreas de risco. A sua utilização combinada com os produtos oriundos da fotogrametria possibilita a determinação de edificações e localização dessas construções tanto em 2D como tridimensionalmente. Neste projeto as áreas prioritárias para obtenção desses polígonos foram às determinadas pela Defesa Civil, consideraedas como áreas de risco de desmoronamento ou risco de inundação. 3. RESULTADOS E DISCUSSÕES 3.1 Cobertura Aerofotogramétrica de todo o município Fig 05 – Cobertura Aerofotogramétrica no município. Fonte: Relatório de Atividades Executadas – ENGEFOTO (2013) 7 3.1.1 Fotografias aéreas na escala 1:6.000 Fig 06 – Fotografia aérea. Fonte: Prefeitura do Recife (2014) 3.2 Ortofotos Digitais Fig 07 – Fotografia aérea. Fonte: Prefeitura do Recife (2014) 8 3.3 Rede de Referência Cadastral Municipal Fig 08 – Rede de Referência Cadastral Municipal. Fonte: Relatório de Atividades Executadas – ENGEFOTO (2013) 3.4 Mapas de intensidade, hipsométrico, composição e de declividade Fig 09 – Mapa de Intensidade. Fonte: Prefeitura do Recife (2014) 9 Fig 09 – Mapa Hipsométrico (articulação 81_65-05). Fonte: Prefeitura do Recife (2014) Fig 10 – Mapa de Composição. Fonte: Prefeitura do Recife (2014) Fig 11 – Mapa de Declividades. Fonte: Prefeitura do Recife (2014) 10 3.5 Modelo Digital de Terreno Fig 12 – Modelo Digital de Terreno. Fonte: Prefeitura do Recife (2014) 3.6 Modelo Digital de Elevação Fig 13 – Modelo Digital de Elevação. Fonte: Prefeitura do Recife (2014) 11 3.7 Curvas de Nível Fig 14 – Curvas de Nível. Fonte: Prefeitura do Recife (2014) 3.8 Edificações 2D codificadas Fig 15 – Edificações 2D codificadas. Fonte: Prefeitura do Recife (2014) 12 3.9 Edificações 3D volumetria Fig 16 – Edificações 3D volumetria. Fonte: Prefeitura do Recife (2014) Fig 17 – Edificações 3D volumetria. Fonte: Prefeitura do Recife (2014) 3.10 Disponiblização dos Dados A Prefeitura do Recife dispõe de um Sistema de Informações Geográficas Corporativo. Desta forma, os produtos oriundos do Projeto de Atualização Cartográfica do município do Recife, encontram-se disponíveis na web na página www.recife.pe.gov.br/ESIG/. A atualização da Base Cartográfica Digital do Município de Recife marca uma nova etapa na administração municipal tendo em vista a dinâmica de crescimento das cidades, a falta de atualização dos mapas apresentava-se como um dos maiores problemas cartográficos. Desde o último levantamento houve modificações da paisagem natural e antrópica, em função do aproveitamento dos recursos naturais, ampliação da malha rodoviária e do crescimento urbano. Diante disso, a necessidade de se buscar ferramentas capazes de atualizar as novas feições construídas e não registradas na base cartográfica. As informações desatualizadas geravam uma infinidade de conflitos para a administração pública e a 13 necessidade de uma atualização era cada vez mais eminente. O conjunto de dados do laser scanner é uma alternativa poderosa para ser aplicado na otimização de técnicas de mapeamento fotogramétrico, permitindo um ótimo desempenho para extrair informação espacial tridimensional Além de complementar as informações do mapeamento anterior, um dos grandes objetivos alcançados neste projeto foi obter uma base cartográfica digital para as áreas de risco. AGRADECIMENTOS Os autores deste artigo agradecem a Prefeitura Municipal do Recife - PE, pela colaboração no sentido de ceder os dados e informações ora apresentados. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Noções Básicas de Cartografia, 1998. Disponível em http://geoftp.ibge.gov.br/documentos/cartografia/nocoes_basicas_cartografia.pdf, Acesso: 10 de junho de 2014. Empresa de Aerolevantamento S/A – ENGEFOTO. Relatório de Atividades Executadas n 05, 2013. MARTINS, M.A.R, MITISHITA, E.A. Obtenção de Ortofotos com Fotografias de pequeno formato utilizando dados do laser scanner com modelo de terreno. Anais II Simpósio Brasileiro de Geomática. V Colóquio Brasileiro de Ciências Geodésicas. Presidente Prudente - SP, ISSN 1981-6251, p. 957-961, 2007. MIQUELES, M.; CENTENO, J. Extração de Edificações em Ambientes Urbanos utilizando Imagem de Alta Resolução e Dados do Laser Scanner. Anais XII Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, Goiânia, Brasil, 1621 abril 2005, INPE, p. 4155-4162 RIBEIRO, S.C.L. Automação Fotogramétrica e Geração de Modelos Digitais do Terreno (MDTs). São Paulo, 1995. 134 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Transportes). Escola Politécnica, Universidade de São Paulo. ROCHA, R.S., Exatidão cartográfica para as cartas digitais urbanas. Tese de Doutorado – Universidade Federal de Santa Catarina, Programa de Pós Graduação em Engenharia de Produção de Sistemas, Florianópolis, 2002. SILVA, M.V.S. Avaliação da Qualidade Posicional Planimétrica de Dados LIDAR em duas Áreas urbanas no Município do Recife/PE, 2014. 107 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Geodésicas e Tecnologias da Geoinformação). Centro de Tecnologias e Geociências. Universidade Federal de Pernambuco. TOMMASELLI, A.M.G. Fotogrametria Básica. 2004. 181 p. Digitado 14