Câmara homenageia Maçonaria em Manhuaçu-MG
Com o plenário tomado pela presença de maçons das Lojas Maçônicas de Manhuaçu e
populares, a reunião do Legislativo, sob a presidência do Vereador Antônio Carlos Xavier da
Gama, teve como destaque o reconhecimento pelo Dia do Maçom.
Logo na abertura dos trabalhos, após a prece realizada pelo Vereador Renato César Von
Randow, a mesa diretora convidou aos representantes das cinco Lojas Maçônicas da cidade para
receber o Título de Honra ao Mérito. A honraria foi concedida pela Casa Legislativa por meio de
Projeto de autoria do Vereador Renato César Von Randow. A homenagem à Maçonaria foi
entregue nesta quinta-feira, marcando a passagem da data em que se comemora o Dia do Maçom
(20 de Agosto).
Antes da entrega dos certificados, Renato Von Randow se pronunciou, relatando
acontecimentos históricos importantes para a Maçonaria, desde a sua fundação na região. Em
seguida, o Vereador entregou um livro da Loja Maçônica União de Manhuaçu ao Presidente do
Legislativo Municipal, Antônio Carlos Xavier da Gama, e uma publicação intitulada “A Maçonaria e
o Cristianismo” ao colega Vereador Fernando Gonçalves Lacerda.
Os representantes das cinco Lojas Maçônicas de Manhuaçu receberam o Título de Honra ao
Mérito das mãos dos vereadores, no decorrer da sessão. Foram homenageadas as Lojas
Maçônicas “Fraternidade Regional 33”, “Tríplice Aliança”, “Renascimento e Justiça”, “União,
Liberdade e Justiça” e “União de Manhuaçu”. O Maçom Luiz Franklin Souza também foi
condecorado com o Título de Honra ao Mérito.
Pronunciamento do Irmão Renato Cezar Von Randow, durante Sessão Solene da Câmara
Municipal de Manhuaçu:
Não foi por acaso que abnegados Irmãos dos Orientes de Ponte Nova e Diamantina vieram
fundar em Manhuaçu uma Loja Maçônica. Na virada do Século XIX, Manhuaçu já era conhecido
como município pólo de uma vasta e importante região da Zona da Mata Mineira.
A Maçonaria de Manhuaçu nasceu sob a égide do sucesso. Fundada em 1º de fevereiro de
1898, a sua primeira diretoria era composta por personalidades das mais expressivas do
município, quais sejam: Venerável – Coronel Frederico Antônio Dolabela – comerciante e político
de renome; 1º Vigilante – Leopoldo Gama; 2º Vigilante – Tenente-coronel José Bento Barbosa –
Presidente da Câmara Municipal; Orador – Dr. Antônio Welerson – Promotor de Justiça;
Secretário – Gustavo de Sylos – Jornalista; Tesoureiro – Manoel da Costa Sellos – comerciante;
Chanceler – Manoel Cardoso de Siqueira Pina – Advogado; Hospitaleiro – Luiz Pinto de Cerqueira
– Comerciante e Político; 1º Esperto – Nicolau Brandão – Jornalista; 2º Esperto – Francisco Fraga
de Mendonça – Farmacêutico; 3º Esperto – Coronel Custódio Furtado de Mendonça – Fazendeiro
e Político; 1º Diácono – Evaristo Cardoso de Pina – Jornalista; 2º Diácono – Alceste Nogueira da
Gama – Comerciante; Mestre de Cerimônias – Coronel Afonso Henrique de Albuquerque –
Professor; Porta Estandarte – Olegário A. Pereira; Cobridor – Raphael Perroni; Secretário Adjunto
– Tenente Ludgero Cicesano de Paiva.
A maioria desses Irmãos hoje são patronos das principais vias públicas da cidade! A
Maçonaria de Manhuaçu floresceu e estendeu seus tentáculos por toda a região. Lê-se num
relatório de 1913, que os Irmãos Dr. João César de Oliveira Leite, Evaristo Cardoso de Pina,
Manoel da Costa Sellos, Antônio Welerson e Outros Irmãos iam a cavalo, todas as semanas, em
Caratinga, para fundar naquela cidade uma Loja Maçônica! E assim foram surgindo na região
Lojas com nomes pomposos: “Propter Humanitatem”, Oriente de Manhumirim, fundada pelo Irmão
André Corsino de Souza Carvalho, além de outras Lojas, todas originárias do movimento
Maçônico iniciado em Manhuaçu há 111 anos.
Todavia, fazer Maçonaria na virada do Século XIX era completamente diferente dos dias de
hoje. A responsabilidade da Maçonaria no Brasil, com apenas uma década de existência, face aos
inúmeros problemas que a República enfrentava era gigantesca e de alto risco.
A população brasileira e de Manhuaçu era constituída basicamente da burguesia agrária e
rural, de fazendeiros de todos os gêneros, no geral pouco abastados e antes pobres na maioria; a
burguesia urbana constituída em sua totalidade por abastados comerciantes estrangeiros hábeis
em explorar povos desarticulados; pelo operariado campesino, em sua totalidade constituída por
ex-escravos e semi-escravos e a economia do interior baseando-se na agricultura extrativa e
pastoril. Faltavam escolas, faltavam hospitais, faltavam indústrias e faltavam, sobretudo, estradas.
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Entendiam nossos Irmãos daquela época que a função da Maçonaria era combater o
obscurantismo reinante com a desordenação jurídica, a fragilidade do Poder Judiciário e a
incompetência administrativa. Assim, logo que fundada, a Maçonaria de Manhuaçu engajou nos
movimentos sociais e políticos do Município. De início, fundou o Jornal “O Independente”, criou
uma Biblioteca Pública e passou a trabalhar em favor das reivindicações sociais de Manhuaçu.
Logo no início do século passado, trouxe de Leopoldina um Maestro e Professor. Fundaram
a primeira corporação musical e o primeiro estabelecimento de ensino de 2º Grau, o Instituto de
Educação, mais tarde Instituto Ginasial e Comercial de Manhuaçu.
A Maçonaria atuou diretamente na fundação de outro educandário: a Escola Normal Oficial,
que funcionou na rua Monsenhor Gonzalez, sede de uma das lojas, durante 42 anos. O local foi
cedido gratuitamente e sem cobrança de aluguel.
Sob a liderança do Irmão, de Venerável Memória, Dr. João César Leite, a Maçonaria deu
início à construção do Hospital César Leite e a criação do Posto de Puericultura.
Basicamente, todas as obras importantes existentes em Manhuaçu, tiveram a participação
dos Irmãos da Maçonaria de Manhuaçu.
Peço licença para citar, como exemplo, a fantástica obra que é a APAE de Manhuaçu. De
elevado alcance social, obtendo grande ajuda e suporte através da Maçonaria e da comunidade
de Manhuaçu. Cito também, a Escola de Música Maria da Conceição Silva e importantes
conquistas no campo social de nossa cidade.
Em todos os momentos históricos e políticos importantes, a Maçonaria de Manhuaçu se fez
presente, apoiando ou combatendo. Assim foi na Revolta de Serafim Tibúrcio, na destituição da
Câmara Municipal, nos episódios legendários do Promotor Lins do Rego e do causídico Segadas
Vianna. Esteve presente nos Meios de Comunicação e quase todos os Jornais que fizeram época,
foram fundados por Maçons! Famílias tradicionais tiveram seus membros pertencentes à
Maçonaria de Manhuaçu: os Vargas, os Pacini, os Sellos, os Nogueira da Gama, os Dolabela, os
Bento Barbosa, os Pizelli, os Welerson, os Feres, os Heringer, os Povoa, os Caldeira, os Sette, os
Amaral Franco, os Alves Costa, os Albuquerque, etc. entre tantas de tradição e relevância.
Muitos alcançaram fama e o estrelado nacional e até internacional, projetando-se na política,
no Direito, nas Ciências, nas Letras e nas Artes! A galeria de ilustres Maçons de Manhuaçu é rica
e vasta!
Nesta Casa Legislativa, passaram grandes nomes como Fernando Lopes, Antônio Teodoro
Dutra, Lino da Costa e Silva, Glauco Macedo, Major Custódio Furtado de Mendonça, Leandro
Gonçalves, Gerval Bernardino de Souza, Luiz Carlos Calheiros de Araújo, Frederico Dolabela,
Capitão Luiz Quintino de Souza, Antônio Welerson, João do Amaral Franco, Cordovil Pinto
Coelho, Agenor Carlos Werner, Alcino de Paula Salazar e vários outros.
Veja fotos da sessão:
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