27 a 29 de Novembro de 2013 - Joinville – SC
ESTUDO DOS MOTORES MAGNÉTICOS E POSSÍVEIS APLICAÇÕES NO
SETOR INDUSTRIAL E AUTOMOTIVO
Ricardo Kostetzer Alves¹
Geovane Vieira
2
RESUMO
O presente trabalho de conclusão de curso tem como tema central o estudo dos
motores magnéticos bem como possíveis aplicações no setor industrial e
automotivo. A proposta surgiu do crescente interesse na redução de consumo
energético, tendo em vista que hoje os maiores consumidores de energia elétrica
são os motores, sendo que o rendimento dos motores existentes é baixo se
comparado com o potencial que poderá ter o motor magnético. Portanto, foram
analisados os modelos existentes na mídia e confrontados, através dessa premissa
se tornou o objetivo geral do trabalho e especificamente fazer protótipos e
simulações com auxílio de softwares específicos da área. Para a realização da
metodologia do presente trabalho utilizou-se do conceito de pesquisa qualitativa,
objetivos de caráter exploratório e quanto aos procedimentos técnicos foram,
bibliográfica, documental, entrevistas e pesquisa de campo com estudo de
manipulação experimental. Foram feitos testes em bancada e simulações
computadorizadas para apresentar o conceito e o uso de magnetismo na indústria,
mostrando o ponto falho dos motores analisados. E a partir dos resultados obtidos
nos protótipos e simulações desse projeto foi possível concluir que os conceitos
estudados ainda não são possíveis utilizá-los na indústria, muito menos em veículos
automotores. Contudo, espera-se que estes dados práticos tratados gerem ao meio
acadêmico e ao meio industrial parâmetros para novas pesquisas e novos projetos,
visando aprimorar o conceito de movimento perpétuo e desenvolver metodologias
específicas para obtenção de novos resultados.
Palavras Chave: Motor Magnético. Movimento perpétuo. Consumo energético.
1
2
Tecnólogo em Mecatrônica industrial. Email: [email protected]
Mestre em Engenharia de Processos. Email: [email protected]
2º Seminário de Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade - 27 a 29 de Novembro de 2013 - Joinville – SC
1. INTRODUÇÃO
Nos dias atuais, com o advento da globalização, torna-se evidente o consumo
exagerado e desmedido dos produtos tecnológicos. Os mesmos, fabricados por
processos muitas vezes ineficientes, geram grande quantidade de resíduos e
poluem o meio ambiente. A cerca dessa problemática global o mundo se volta para
a era sustentável, pensando em, como produzir mais, poluindo menos?
Sabe-se que toda e qualquer atividade humana requer grandes quantidades de
energia, seja para praticar uma caminhada, ligar um rádio ou acionar um motor.
Energias essas obtidas respectivamente através de: ingestão de alimentos, pilhas e
energia elétrica. Há uma necessidade crescente de gerar energia elétrica para o
consumo humano e também de criar e produzir equipamentos que utilizem um
menor consumo de energia para seu funcionamento.
Com esse princípio, várias formas alternativas de obtenção energética já estão
sendo utilizadas mundo afora, como por exemplo: a eólica, provinda dos ventos; a
nuclear, obtida através de reações entre elementos radioativos; a maremotriz,
gerada pelo movimento das águas subaquáticas do mar; a hidroelétrica, advinda da
represa de um lago ou rio e do movimento de suas águas.
Muitas empresas também já aderiram à onda de preservação da natureza e de seus
recursos, fabricando e ajustando seus processos para agredirem menos o meio
ambiente e tratando seus efluentes industriais. Algumas inovações tecnológicas
como o Prius, um carro híbrido gasolina e elétrico, desenvolvido pela Toyota (2012)
e o celular da Samsung Blue Earth, (SAMSUNG, 2012) que recarrega com energia
solar, fazem a diferença para o planeta e para os consumidores conscientes.
Com o crescimento acelerado da tecnologia, cada vez mais se faz necessário a
utilização da energia elétrica. Consequentemente cada vez mais necessário a
produção dessa energia.
O propósito desse trabalho é diminuir o consumo de energia elétrica para tentar
suprir essa demanda crescente, mas de um ponto de vista econômico e não
produção energética.
Através de dados fornecidos pela PROCEL (2012), sabe-se que o maior consumidor
de energia elétrica no meio industrial são os motores. E para reduzir o consumo
desse meio, surgiu a possibilidade de utilizar novos conceitos de motores, os
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Motores Magnéticos.
Para tal substituição primeiramente deve-se verificar a capabilidade desejada
desses motores. E para isso surgiu a pergunta: como comprovar o funcionamento
dos motores magnéticos inventados para poder utilizá-los no meio industrial?
Esse projeto tem como objetivo estudar os modelos de motores magnéticos
existentes, fornecer novos dados para futuros pesquisadores que estão à procura do
motor magnético e também para futuramente propor soluções alternativas ao uso
dos motores atuais na indústria e no setor automotivo.
2. DESENVOLVIMENTO
2.1 MOVIMENTO PERPÉTUO
O termo movimento perpétuo, tomado literalmente, refere-se ao movimento que não
se acaba. No entanto, o movimento perpétuo geralmente se refere a um dispositivo
ou sistema que fornece mais energia do que foi colocado nele. Tal dispositivo ou
sistema seria uma violação da primeira e segunda lei da Termodinâmica. As quais
são as leis da conservação da energia, que afirma que a energia nunca pode ser
criada ou destruída, que não há como possuir um rendimento de 100% ou maior e a
quantidade de entropia que os corpos em diferentes estados se em contato tendem
a se igualar a fim de alcançar o equilíbrio.
Para caracterizar de uma maneira simples o movimento perpétuo, o senhor Isaac
Newton elaborou a frase a seguir: “Os que buscam o motor perpétuo estão tentando
obter alguma coisa a partir de nada.” (Sir Isaac Newton)
Como disse Isaac Newton, “o movimento perpétuo provém do movimento de uma
máquina sem a necessidade de aplicar algum tipo de energia”. O estudo para
obtenção de tal fato se estende desde o século XII. (Ceticismo aberto, 2012).
A figura um representa o princípio do moinho de ciclo fechado de Fludd desenhado
em 1618, essa foi uma tentativa frustrada de executar o movimento perpétuo.
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Figura - Moinho de ciclo fechado, Robert Fludd, 1618
Fonte: Ceticismo Alberto (2012)
Esse modelo apesar de interessante, não funciona como o desejado pelo seu
criador Fludd. Além de estar violando as leis da termodinâmica, possui muitos
pontos de atrito entre as partes móveis.
2.2 MOTORES MAGNÉTICOS
Os motores magnéticos surgiram da ideia do movimento perpétuo, seu principio de
funcionamento é através de campo magnético gerado por imãs permanentes,
precisamente colocados numa estrutura a fim de proporcionar rotação dos mesmos
em um eixo fixo. O fato dos imãs terem dois polos magnéticos (norte e sul) justifica a
existência de atração ou repulsão entre eles em um sistema, possibilitando
teoricamente o funcionamento de um motor magnético.
São vários modelos existentes na teoria, algumas patentes, vários protótipos
caseiros, porém, oficialmente o conceito de movimento perpétuo ainda não foi
provado. O que existe são motores magnéticos coagindo com outra fonte de
energia, descaracterizando o movimento perpétuo, sendo este conceituando como:
uma máquina, a fim de trabalhar, criando a energia que consome para que ela possa
operar sem ter uma fonte de alimentação externa identificável.
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3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Neste capítulo serão vistos os procedimentos adotados para a execução deste
trabalho, bem como os materiais utilizados e resultados obtidos com as simulações
efetuadas.
3.1 DESENVOLVIMENTOS DOS PROTÓTIPOS E SIMULAÇÕES DOS MODELOS
ESCOLHIDOS
Conforme indicado no capítulo 3, foram utilizados os modelos V-Gate, Barras
paralelas e o modelo de Perendev.
3.1.1 Modelo V-Gate
O modelo V-Gate, representado na figura dois, é um tipo dos modelos que mais
chamam a atenção dos inventores que sonham em produzir um motor magnético.
Figura 2 - Representação do modelo V-Gate
Fonte: O autor (2012)
Para este protótipo foi feito um “carro” conforme figura três, e uma pista de imãs para
fazer os testes linearmente. A flecha azul representa o sentido de deslocamento do
carro, para minimizar ao máximo o atrito entre o carro e a placa de acrílico sobre os
imãs em forma de trilho, foram utilizados rolamentos especiais de cerâmica, onde o
coeficiente de atrito é muito baixo em relação aos rolamentos convencionais.
O desenvolvimento do protótipo um pode ser visualizado na Figura 3.
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Figura 3 - Protótipo do modelo V-Gate
Fonte: O autor (2012)
Ao realizar a avaliação deste protótipo, verifica-se que o mesmo teve
comportamento semelhante, como se fosse um estilingue, só que um estilingue
magnético. A Figura 4 mostra a vista superior do experimento com suas devidas
dimensões.
Figura 4 – Configuração dos imãs do modelo V-Gate
Fonte: O autor (2012)
Acompanhando a figura quatro, que é uma das sequências de trilhos, os mesmos se
repetem três vezes nesse experimento. Juntando-se o ponto “A” como ponto “B” do
próximo, ao posicionar o carro no ponto A, obtêm-se uma força para cima como se
fosse um estilingue sendo puxado para trás. Ao soltar o carro ele se move
rapidamente para cima, entra na área de trilhos magnéticos com o objetivo de
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alcançar o ponto B que é o ponto de melhor equilíbrio magnético. Mas tecnicamente
como o carro está numa inércia forte o suficiente para vencer o ponto de equilíbrio,
ele passa para a segunda sequência de trilhos repetindo o movimento para o
próximo trilho e assim sucessivamente.
Porém como na simulação o carro tende a frear um pouco a cada troca de trilhos e
pode parar a qualquer instante. Quanto maior o impulso magnético inicial mais longe
o carro pode ir, porém sem sucesso de continuação do movimento. Essa simulação
pode ser vista na figura 5 e 6, mostrando a imagem 3D e o gráfico de simulação do
modelo V-Gate.
Figura 5 - Simulação do modelo V-Gate no software Maxwell
Fonte: O autor (2012)
Os imãs fixos estão representados na figura 5 com cores verdes e o imã móvel está
representado com a cor vermelha.
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Figura 6 - Resultado da simulação do modelo V-Gate no software Maxwell
Kgf
mm
Fonte: O autor (2012)
Como demonstra a figura 6, o comportamento da força sobre o imã móvel tem
variações. Os valores positivos representam força no sentido para direita e os
valores negativos sentido para esquerda. Quando a força obtém seu nulo, é
exatamente neste ponto que acontece o equilíbrio magnético do sistema, de acordo
com a simulação em um sistema de três estágios, a força se anula quatro vezes.
Causando assim, a parada do movimento do imã móvel.
3.1.2 Modelo de barras paralelas
Esse modelo consiste em duas fileiras de ímãs uma de cada lado com o sentido do
campo voltado para o centro. No meio desse corredor de imas coloca-se outro ímã
com o sentido do campo 90° defasado. A figura 7 representa essa configuração para
melhor compreensão dessa experiência. As setas verdes demonstram o sentido de
campo magnético e a seta azul representa o sentido do movimento do imã móvel.
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Figura 7 - Modelo do protótipo de barras paralelas
Fonte: O autor (2012)
A figura 8 mostra o início do desenvolvimento do protótipo dois.
Esse modelo é similar ao modelo de Perendev, porém foi feito de maneira linear
para melhor entendimento de seu funcionamento. Para iniciar os estudos, foi
projetado o protótipo desse modelo com possibilidade de ajuste no ângulo dos ímas
fixos. A ideia era identificar o melhor ângulo entre ímas para se obter o melhor
desempenho da parte móvel.
Figura 8 - Protótipo do modelo de barras paralelas
Fonte: O autor (2012)
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O protótipo mostrado na figura 8 é do modelo de barras paralelas. Este modelo foi
todo construído com materiais que não possuem propriedades magnéticas. Foi
projetado dessa maneira para não haver interferência magnética afetando o
desempenho do protótipo.
A figura 9 mostra de que maneira foi montado experimento, onde as partes fixas
ficam nas laterais com cinco ímãs de cada lado e o tubo guia é colocado no meio
dos dois conjuntos de ímãs fixos. A parte móvel são ímãs que deslizam dentro do
tubo guia, com o sentido de campo magnético 90° referente aos fixos.
Figura 9 - Montagem do protótipo de barras paralelas
Fonte: O autor (2012)
Após a indicação dos modelos utilizados como base cientifica para fabricação dos
protótipos, serão demonstrados os resultados obtidos no software FEEM.
Com isso, foi possível obter sucesso de movimento nesse primeiro protótipo de
barras paralelas. Houve movimento do móvel independentemente do ângulo
formado pelos ímãs fixos, mesmo com um grande atrito do móvel e o tubo guia. Com
esse resultado, positivo, foi realizado outro protótipo com mais ímãs fixos
enfileirados, aumentado de cinco para 20 imãs. Após essa modificação foi possível
notar a ineficiência desse conceito estudado, pois quando o protótipo era de
tamanho menor ocorreu o efeito de estilingue magnético similar ao modelo V-Gate
mostrado anteriormente e quando aumentado a quantidade de ímãs nas fileiras foi
possível notar o resultado negativo do experimento.
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A simulação realizada no software FEEM desse protótipo comprovou os resultados
obtidos na prática, os gráficos foram realizados com base nos dados gerados pelo
simulador, que demonstra a intensidade da força do móvel e o sentido dessa força.
No eixo X são mostradas as medidas de deslocamento em milímetros e no eixo Y
são as medidas de força magnética que o móvel sofre, valores positivos
representam força no sentido para direita e negativos para a esquerda.
Nos gráficos foram traçadas linhas de tendência para melhorar a visualização do
comportamento da força exercida no móvel. Essa linha de tendência é interessante,
pois, o comportamento do campo oscila de acordo com sua posição. Observe na
figura 10, que a força tem picos e vales, dificultando a análise do comportamento,
isso ocorre porque os ímãs fixos possuem afastamento entre eles, assim o móvel
tende a acelerar e frear a cada troca de pares de ímãs das laterais.
A figura 10 mostra o gráfico da simulação para dez imãs e na figura 11 seu gráfico
correspondente.
Figura 10 - Simulação do modelo barras paralelas com 10 imãs
Fonte: O autor (2012)
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Kgf
Figura 11 - Resultado da simulação do modelo de barras paralelas com 10 imãs
25,000000
20,000000
15,000000
10,000000
5,000000
Série1
0,000000
-5,000000 -7 -1
5 11 17 23 29 35 41 47 53 59 65 71 77 83 89 95 101 107 113 119 125 131 137 143 149 155 161 167 173
-10,000000
Polinô
mio
(Série1
)
-15,000000
-20,000000
mm
-25,000000
Fonte: O autor (2012)
A simulação mostrada na Figura 11 iniciou com o móvel entre os ímas fixos e seguiu
o sentido da flecha preta, até sair completamente de dentro da fileira de fixos.
Nota-se que a intensidade do campo no móvel iniciou alta, aproximadamente 18Kgf,
mas na distância de 47 o móvel perdeu quase toda a força, e logo voltou a aumentar
a força até o instante de 113 aonde volta a perder força e inicia o movimento de
força no sentido contrário ao momento 145. Esse experimento levantou falsas
expectativas, pois, o móvel demonstrou movimento e só parou quando terminou o
trilho de ímas. No experimento mostrado na Figura 13 para simulação com 20 imãs,
é possível notar que esse modelo não funciona.
Simulação com 20 ímãs:
Figura 12 - Simulação do modelo barras paralelas com 20 imãs
Fonte: O autor (2012)
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A Figura 13 é o gráfico da simulação feita correspondente a figura 12.
Kgf
Figura 13 - Resultado da simulação do modelo de barras paralelas com 20 imãs
25,000000
20,000000
15,000000
10,000000
5,000000
Série1
0,000000
-5,000000 -7 -1 5 11 17 23 29 35 41 47 53 59 65 71 77 83 89 95101107113119125131137143149155161167173179185191197203209215221227233239245251257263269275281287293299305311317323329335341347353
-10,000000
Polinô
mio
(Série1
)
-15,000000
-20,000000
mm
-25,000000
Fonte: O autor (2012)
Nessa demonstração se pode verificar que o móvel fica sob força negativa, ou seja,
em sentido contrário, no meio do percurso. O efeito estilingue no início do percurso,
se desfez e chegou a zero. No instante 65 do gráfico, nota-se que não há mais força
exercida no móvel, portanto nesta posição não há mais movimento.
A Figura 14 mostra uma simulação com 10 ímãs juntos, não havendo espaço entre
eles.
Figura 14 - Simulação do modelo barras paralelas com 10 imãs junto
Fonte: O autor (2012)
A figura 15 é o gráfico da simulação feita correspondente a figura 14.
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Kgf
Figura 15 - Resultado da simulação do modelo de barras paralelas com 10 imãs juntos
30,000000
20,000000
10,000000
Série1
0,000000
-8 -4 0
4
8 12 16 20 24 28 32 36 40 44 48 52 56 60 64 68 72 76 80 84 88 92 96 100 104 108 112 116 120 124 128 132
-10,000000
-20,000000
mm
-30,000000
Fonte: O autor (2012)
Essa simulação foi feita com os ímas todos juntos, com o intuito de eliminar o efeito
que aconteceu nas simulações anteriores de aceleração e frenagem. Por isso não
houve necessidade de colocar a linha de tendência como o anterior, e assim foi
obtido um resultado muito interessante. Pode-se observar que a força é sempre
positiva, isso significa que o móvel estaria sempre em movimento no seu trajeto.
Esta mesma análise também foi realizada em uma simulação com 20 imãs juntos. A
figura 16 representa a simulação feita no computador e a figura 17 a seguir são os
dados dessa simulação.
Figura 16 - Simulação do modelo barras paralelas com 20 imãs junto
Fonte: O autor (2012)
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Kgf
Figura 17 - Resultado da simulação do modelo de barras paralelas com 20 imãs juntos
30,000000
20,000000
10,000000
Série1
0,000000
-8 -4 0 4 8 12162024283236404448525660646872768084889296100104108112116120124128132136140144148152156160164168172176180184188192196200204208212216220224228232236240244248252256260264268272
-10,000000
-20,000000
mm
-30,000000
Fonte: O autor (2012)
Com 20 ímas enfileirados e juntos, também foi eliminado o efeito oscilatório com
demonstrado na figura 17. Mas o móvel teve força de valor zero no meio do
percurso. Isso comprova que, não acontecerá movimento quando forem distâncias
maiores para serem percorridas.
3.1.3 Modelo Perendev
Esse modelo é um dos modelos mais interessantes. Muitos tentam produzi-lo, mas,
poucos declaram sucesso.
A figura 18 é a imagem de um protótipo do motor magnético Perendev. Esse modelo
possui três conjuntos móveis, também chamados de rotores, e três conjuntos fixos,
conhecidos como estatores. Os três rotores estão montados no mesmo eixo, assim
como os estatores.
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Figura 18 - Protótipo do motor de Perendev
Fonte: FDP (2012)
Esse modelo foi construído utilizando imãs de neodímio e materiais não magnéticos,
assim como os modelos anteriormente apresentados. Os três discos centrais são os
rotores e os semicírculos por fora são os estatores. Os estatores estão divididos em
seis partes. Três deles são fixos e os outros três são móveis. Essa maneira de
construção é a mais comum entre os pesquisadores que tentam reproduzir esse
motor.
Um vídeo postado desse motor funcionando, pode ser visto no link a seguir:
Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=FxReArGbE_s>. Acesso em: 20
de Nov.2012
Para melhor entender o motor de Perendev, a figura 19 mostra uma vista lateral do
motor, mostrando a configuração de montagem dos imãs.
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Figura 19 - Motor de Perendev, configuração dos imãs
Fonte: FDP (2012)
Esse protótipo utiliza o principio de atração e repulsão dos imãs ao mesmo tempo
para movimentar o rotor. Observe na figura 19 que todos os imãs do rotor estão com
o polo vermelho voltado para fora e os ímas do estator um dos lados estão com o
polo vermelho para dentro e o outro esta voltado para fora. Assim enquanto de um
lado do motor esta atraindo o rotor, o outro lado está repelindo.
Além de ter esse detalhe de atração e repulsão, esse motor possui uma defasagem
entre os rotores. Ou seja, os rotores não estão perfeitamente alinhados como
normalmente se faz em montagens mecânicas. Eles são montados como mostra a
figura 20.
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Figura 20 - Motor de Perendev - Defasagem
Fonte: FDP (2012)
Os círculos em vermelho representam os ímãs dos rotores, e os círculos braços
representam os ímãs dos estatores. Note que os imãs vermelhos não estão na
mesma linha que os ímãs dos estatores. Ele tem uma defasagem de 30º. Isso
porque quando um dos ímãs de um rotor estiver saído do alinhamento com o ímã do
seu estator, outro ímã do outro rotor estará iniciando o alinhamento com seu estator.
A simulação desse modelo foi feito somente com um dos três motores que possui
esse modelo. Isso por que o software utilizado só possui capacidade de simulação
em duas dimensões. A imagem da simulação pode ser vista na figura 21.
Figura 21 - Simulação do modelo de Perendev
Fonte: O autor (2012)
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Essa figura 21 mostra como se comporta o fluxo magnético entre o rotor e o estator.
Isso ajuda na compreensão da figura 22 a seguir, que mostra o comportamento da
intensidade de força exercida do rotor pelo estator.
Figura 22 - Resultado da simulação do modelo de
Perendev
8,000000
6,000000
4,000000
2,000000
190
184
178
172
166
160
154
148
142
136
130
124
118
112
106
94
100
88
82
76
70
64
58
52
46
40
34
28
22
16
4
10
-2
-8
0,000000
-2,000000
-4,000000
-6,000000
-8,000000
-10,000000
mm
-12,000000
Kgf
-14,000000
Fonte: O autor (2012)
O resultado do comportamento da força exercida no rotor é semelhante aos
resultados dos outros modelos demonstrados neste trabalho anteriormente. O rotor
sofre forças que oscilam nos dois sentidos repetidamente, mas nesse esse modelo
são três motores interligados, esse efeito oscilatório tende a diminuir. Isso porque os
rotores são defasados e as forças de aceleração e frenagem nos rotores se
compensam entre si.
4. CONCLUSÃO
Muitos inventores colocaram na internet experimentos alegando ter realizado a
montagem de uma máquina com movimento perpétuo, todavia a partir dos
resultados obtidos nos protótipos e simulações desse projeto foi possível perceber
que os conceitos estudados ainda não se tornaram possíveis.
Os resultados obtidos mostram o potencial da aplicação dessa tecnologia em
motores. Apesar dos dados com tendências negativas na busca do movimento
contínuo, os estudos não devem parar por aqui, pois, essa vertente da física possui
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um futuro promissor e com utilidade nas diversas áreas do saber. Como disse
Charles Chaplin "A persistência é o caminho do êxito".
Após a análise de sua estrutura e dos resultados, o modelo que apresenta maior
potencial de funcionamento é o de Perendev. Pelo motivo que seu conceito tem três
motores unidos no mesmo eixo, o torna mais estável em relação aos demais
modelos, proporcionando vantagens em velocidade de rotação e aceleração. Não é
a toa que muitos tentam reproduzir este modelo, com certeza esses pesquisadores
também acreditam no potencial do motor de Perendev.
Contudo, espera-se que estes dados práticos tratados gerem ao meio acadêmico e
ao meio industrial parâmetros para novas pesquisas e novos projetos, visando
aprimorar o conceito de movimento perpétuo e desenvolver metodologias
específicas para obtenção de novos resultados.
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MAGNETIC MOTORS STUDY AND POSSIBLES APPLICATIONS IN
INDUSTRIAL AND AUTOMOTIVE SETOR
ABSTRACT
The present work is focused on the study of magnetic motors as well as possible
applications in the industrial and automotive. The proposal came from the growing
interest in reducing energy consumption, considering that today the largest
consumers of electricity are the engines, and the performance of existing engines is
low compared to the potential that can have magnetic motor. Therefore, we analyzed
the existing models in the media and confronted by this premise became the general
purpose of the work and specifically doing prototypes and simulations with the help of
specific software area. To carry out the methodology of this study we used the
concept of qualitative research, exploratory and objectives regarding the technical
procedures were, literature, documentary, interviews and field research to study
experimental manipulation. Tests were made bench and computer simulations to
show the concept and use of magnetism in the industry, showing the point of failure
of the engines examined. And from the results obtained in this project prototypes and
simulations we conclude that the concepts studied are still not possible to use them
in industry , much less in motor vehicles. However, it is hoped that these practical
data processed to generate the academic and the industrial parameters for new
research and new projects, aiming to improve the concept of perpetual motion and
develop specific methodologies for obtaining new results.
Key-words: Magnetic Motor. Electric motor. Energy consumption.
REFERÊNCIAS
2º Seminário de Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade - 27 a 29 de Novembro de 2013 - Joinville – SC
CETICISMO ABERTO. Moinho de ciclo fechado, Robert Fludd, 1618. Disponível
em <ceticismoaberto.com> Acesso em: 28 Maio. 2012.
DREAMS TIME. Motor elétrico AC. Disponível em <pt.dreamstime.com> Acesso
em: 22 Abr. 2012.
FDP. Perendev Motor. Disponível em <http://www.fdp.nu/perendev/default.asp>
Acesso em: 21 Abr. 2012.
PROCEL. Consumo de energia elétrica no setor industrial. Disponível em
<eletrobras.com/PCI/main.asp> Acesso em: 20 Jun. 2012.
SAMSUNG. About Samsung: Investor relations; News & Public disclosure.
Disponível em
<http://www.samsung.com/us/aboutsamsung/news/newsIrRead.do?news_ctgry=irne
wsrelease&news_seq=14986> Acesso em: 20 Abr. 2012.
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