UNIVERSIDADE POTIGUAR – UnP PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO MESTRADO PROFISSIONAL EM ADMINISTRAÇÃO KELSON WAGNER DA SILVA BARROS FATORES DETERMINANTES PARA A LEALDADE DOS USUÁRIOS EM UM SHOPPING CENTER DE NATAL NATAL 2015 KELSON WAGNER DA SILVA BARROS FATORES DETERMINANTES PARA A LEALDADE DOS USUÁRIOS EM UM SHOPPING CENTER DE NATAL Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Potiguar, como requisito para a obtenção do título de Mestre em Administração, na área de Gestão Estratégica e Competitividade. Orientador: Prof. Domingos Fernandes Campos, Dr. NATAL 2015 Barros, Kelson Wagner da Silva. Fatores determinantes para a lealdade dos usuários em um shopping center de Natal / Kelson Wagner da Silva Barros. – Natal,2015. 94f. Orientador: Dr. Domingos Fernandes Campos Dissertação (Mestrado em Administração). – Universidade Potiguar. Pró-Reitoria Acadêmica – Núcleo de Pós-Graduação. Bibliografia 74-80f. 1. Administração – Dissertação. 2. SERVPERF. 3. Equações estruturais. 4. Lealdade do consumidor. I. Título. KELSON WAGNER DA SILVA BARROS FATORES DETERMINANTES PARA A LEALDADE DOS USUÁRIOS EM UM SHOPPING CENTER DE NATAL Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Potiguar, como requisito para a obtenção do título de Mestre em Administração, na área de Gestão Estratégica e Competitividade. Aprovado em: 30/06/2015 BANCA EXAMINADORA _____________________________________________ Prof. Dr. Domingos Fernandes Campos Orientador Universidade Potiguar – UnP _____________________________________________ Profa. Dra. Lieda Amaral de Souza Examinadora Universidade Potiguar – UnP _____________________________________________ Prof. Dr. Anailson Márcio Gomes Examinador Externo Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN Dedico esta dissertação à minha família, por todo apoio e compreensão de minha esposa, Alessandra, dos meus filhos, João Filipe e Rafael, minha mãe, Marlene, e todos que deixei de dar mais um pouco de atenção para me dedicar a este projeto que tanto sonhava. AGRADECIMENTOS Antes de tudo, agradeço a Deus, por me permitir está saudável e capaz de realizar este projeto. Em sua infinita bondade me fez forte para superar todas as dificuldades que se apresentaram no caminho. À minha mãe Marlene, que me educou e dedicou seu esforço mais profundo, para que um dia eu pudesse alcançar meus objetivos, estando sempre ao meu lado dando seu apoio e acreditando em mim. À minha família, por todo apoio dado, especialmente a minha esposa, Alessandra, e meu filho, João Filipe, que me permitiram dedicar um precioso tempo na execução deste trabalho. Ao meu orientador, Prof. Dr. Domingos Campos, que se mostrou eficiente, mas acima de tudo compreensivo, de modo que me transmitiu segurança para seguir e não fraquejar, mesmo nos momentos mais difíceis desta jornada. A Prof.ª Dr.ª Lieda Amaral, por se mostrar atenciosa em sua coorientação. Aos meus preciosos amigos de mestrado, que sempre buscaram ajudar e contribuir para um crescimento em conjunto. Aos meus amigos que ajudaram a divulgar a pesquisa, tornando possível este trabalho. LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Determinantes da satisfação do consumidor ...................................... 20 Figura 2 – Modelo conceitual de qualidade de serviço ......................................... 23 Figura 3 – Modelo dos valores de consumo ......................................................... 31 Figura 4 – Modelo das atividades......................................................................... 31 Figura 5 – Modelo teórico de Boubeta ................................................................. 33 Figura 6 – Modelo conceitual de Lima e Neto (2010) ........................................... 34 Figura 7 – Modelo estrutural................................................................................. 37 Figura 8 – Modelo conceitual de Kaura e Datta ................................................... 39 Figura 9 – Modelo de Yilmaz ................................................................................ 41 Figura 10 – Esquema metodológico para realizar a pesquisa .............................. 42 Figura 11 – Modelo hipotético preliminar ............................................................. 44 Figura 12 – Distribuição de dados do G*Power.................................................... 53 Figura 13 – Resultados da simulação do G*Power .............................................. 53 Figura 14 – Modelo hipotético estrutural ajustado – SmartPLS............................ 67 Figura 15 – Modelo hipotético com os coeficientes estatísticos “t”....................... 68 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Hipóteses confirmadas ....................................................................... 36 Tabela 2 – Fator de Inflação da Variância (VIF) ................................................... 60 Tabela 3 – Confiabilidade composta .................................................................... 61 Tabela 4 – Alfa de Cronbach ................................................................................ 61 Tabela 5 – Cargas fatoriais iniciais sem ajuste .................................................... 62 Tabela 6 – Average Variance Extracted (AVE) sem ajustes ................................ 63 Tabela 7 – Cargas fatoriais após ajustes no modelo............................................ 63 Tabela 8 – Average Variance Extracted (AVE) após ajustes ............................... 64 Tabela 9 – Validade discriminante ....................................................................... 64 Tabela 10 – Coeficientes do R2 ............................................................................ 65 Tabela 11 – Coeficientes de caminho (Beta) ....................................................... 66 Tabela 12 – Fator de Cohen (f2) ........................................................................... 66 Tabela 13 – Valores do t-estatístico ..................................................................... 67 Tabela 14 – Resumo dos índices de ajuste ......................................................... 68 LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Fatores de atratividade de Shopping ................................................. 26 Quadro 2 – Construtos e dimensões .................................................................... 35 Quadro 3 – Construtos e indicadores ................................................................... 38 Quadro 4 – Variáveis adaptadas .......................................................................... 39 Quadro 5 – Fatores relacionados à escolha pelo shopping center....................... 40 Quadro 6 – Construtos relacionados .................................................................... 43 Quadro 7 – Variáveis dos valores hedônicos ....................................................... 45 Quadro 8 – Variáveis dos valores utilitários ......................................................... 46 Quadro 9 – Variáveis da satisfação do cliente ..................................................... 46 Quadro 10 – Variáveis da lealdade ...................................................................... 47 Quadro 11 – Comparativo das dimensões da qualidade...................................... 47 Quadro 12 – Variáveis da qualidade de serviço ................................................... 50 Quadro 13 – Ordenamento das variáveis conforme o construto .......................... 54 Quadro 14 – Variáveis dos construtos ................................................................. 54 Quadro 15 – Perfil da amostra ............................................................................. 58 Quadro 16 – Resultados das Hipóteses ............................................................... 69 LISTA DE SIGLAS ABEP Associação Brasileira de Estudos Populacionais AVE Average Variance Extracted CB-SEM Covariance Based Structural Equation Modeling LC Lealdade do Consumidor PLS-SEM Partial Least Square Structural Equation Modeling QS Qualidade do Serviço SC Satisfação do Cliente SEM Structural Equation Modeling VHC Valor Hedônico de Consumo VIF Variance Inflation Factor VUC Valor Utilitário de Consumo RESUMO Este trabalho teve como objetivo analisar as relações determinantes entre os construtos: qualidade de serviço, satisfação do cliente e valores de consumo (hedônico e utilitário), que conduzem à lealdade do consumidor. Para tanto, realizouse uma pesquisa de natureza aplicada, com uma abordagem quantitativa e exploratória do tipo descritiva. O universo pesquisado envolveu os frequentadores de um Shopping Center em Natal. A amostra foi composta de 435 questionários válidos, sendo 236 através do Survey on line Qualtrics, e 199 através de entrevistas presenciais nos arredores do shopping. Como instrumento de coleta foi utilizado um questionário estruturado, baseado em 45 atributos oriundos dos construtos pesquisados: valores utilitários de consumo, valores hedônicos de consumo, satisfação do cliente, lealdade do consumidor e qualidade do serviço. Este último foi analisado com base na escala SERVPERF. Para efetivar a análise foi elaborado um modelo hipotético preliminar, o qual foi analisado com a técnica de equações estruturais com mínimos quadrados parciais. Os resultados revelaram que o modelo explica a lealdade do consumidor, com 70%, e a satisfação do cliente, com 57%, configurando-se como importante determinante dentro do modelo. A qualidade de serviço apresentou influência significativa para os valores utilitários de consumo e, comparando-se aos demais, razoável influência com relação à lealdade do consumidor. Finalmente, a limitação deste trabalho se deve ao fato da pesquisa ter sido aplicada somente junto aos frequentadores de um shopping. Deste modo, sugere-se a aplicação do modelo validado, também, com frequentadores de outros estabelecimentos desta natureza. Palavras-chave: SERVPERF. Equações Estruturais. Lealdade do Consumidor. Satisfação do Cliente. ABSTRACT This research aimed to analyze determinant relationships among constructs: service quality, customer satisfaction and customer values (hedonic and utilitarian), which drives customer loyalty. Therefore, it was performed an applied research with a quantitative and exploratory approach, type descriptive. The research universe was the users of a shopping center in Natal. The sample was composed of 435 valid questionnaires, which 236 were from Qualtrics on line survey and 199 were from interviews performed around the shopping center. As data collection instrument was used a structured questionnaire based on 45 attributes from the constructs researched in the literature: utilitarian value, hedonic value, customer satisfaction, customer loyalty and service quality. The SERVPERF scale was used to perform service quality analysis. An hypothetical preliminar model was proposed to perform the analysis, which was submitted to partial least square structural equation technic in order to analyse its validation. The results showed that customer loyalty was 69,2% explained by the hypothetical model, and customer satisfaction was 57,8% explained also. Service quality was presented as stronger influential construct for utilitarian values and, in comparison to others, it was a few influential regarding to customer loyalty. Finally, job limitation is due to research had worked with only one mall. As suggestion, the valid model can be used with others malls in the city. Keywords: SERVPERF. Structural Equations. Customer Loyalty. Customer Satisfaction. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................... 14 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO ............................................................................. 14 1.2 PROBLEMA ............................................................................................... 15 1.3 OBJETIVOS............................................................................................... 16 1.3.1 Geral.......................................................................................................... 16 1.3.2 Específicos ............................................................................................... 16 1.4 JUSTIFICATIVA ......................................................................................... 16 1.5 ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO ............................................................ 17 2 REFERENCIAL TEÓRICO ........................................................................ 18 2.1 LEALDADE DO CONSUMIDOR ............................................................... 18 2.2 SATISFAÇÃO DO CLIENTE...................................................................... 19 2.3 QUALIDADE DE SERVIÇO ....................................................................... 21 2.4 VALORES DE CONSUMO ........................................................................ 24 2.5 ELEMENTOS DE ATRATIVIDADE DOS SHOPPINGS ............................. 25 2.6 EQUAÇÕES ESTRUTURAIS .................................................................... 28 2.7 MODELOS RELACIONAIS ........................................................................ 30 2.7.1 Modelo de Michon e Chebat (2002) ........................................................ 30 2.7.2 Modelo de Boubeta et al (2009) .............................................................. 32 2.7.3 Modelo de Lima e Neto (2010) ................................................................ 34 2.7.4 Modelo de Ha e Im (2012) ........................................................................ 36 2.7.5 Modelo de Kaura e Datta (2012) .............................................................. 38 2.7.6 Modelo de Yilmaz (2004) ......................................................................... 40 3 METODOLOGIA........................................................................................ 42 3.1 TIPO DE PESQUISA ................................................................................. 43 3.2 MODELO HIPOTÉTICO PRELIMINAR...................................................... 43 3.2.1 Mensuração dos valores hedônicos ...................................................... 44 3.2.2 Mensuração dos valores utilitários ........................................................ 45 3.2.3 Mensuração da satisfação do cliente..................................................... 46 3.2.4 Mensuração da lealdade do cliente ........................................................ 47 3.2.5 Mensuração da qualidade do serviço .................................................... 47 3.3 50 LOCUS DA PESQUISA ............................................................................ 3.4 POPULAÇÃO E AMOSTRA ...................................................................... 51 3.5 INSTRUMENTO DE PESQUISA ............................................................... 53 3.6 COLETA DOS DADOS .............................................................................. 55 4 ANÁLISE DOS DADOS ............................................................................ 57 4.1 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA ......................................................... 57 4.2 TRATAMENTO DOS DADOS .................................................................... 59 4.3 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ............................................................ 67 5 CONCLUSÃO ............................................................................................ 72 REFERÊNCIAS ......................................................................................... 74 APÊNDICE ................................................................................................ 81 14 1 INTRODUÇÃO 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO Atingir um nível de satisfação do consumidor pode definir um passo para um diferencial competitivo. A lealdade do consumidor, advinda de sua satisfação, pode dar uma vantagem competitiva à organização (OLIVER, 1999). O comportamento dos consumidores tem mudado nos últimos anos e três importantes mudanças têm destaque: a solução individualizada, mais atenção à saúde e disponibilidade de produtos. Estas novas tendências fazem com que haja uma modificação na cadeia de suprimento. Na realidade estas mudanças aumentam o nível de competitividade e revelam que novos padrões devem ser adotados para cada grupo de consumidor (MOMTAZ et al, 2013). Para esses consumidores serem leais a uma empresa, esta deve se apresentar como a melhor alternativa no mercado (OLIVER, 1999). Para tanto, devese considerar o papel dos valores de consumo, hedônico e utilitário, na motivação por consumir (RINTAMAKI et al., 2006), bem como a qualidade, que tem sido reconhecida como uma ferramenta de estratégia para atingir a eficiência operacional e melhorar a performance dos negócios (JAIN; GUPTA, 2004; ZEITHALM, 1988). No contexto dos shoppings, os valores hedônicos de consumo se referem às aquisições multissensoriais, afetivas e holísticas vinculadas às experiências de compras. Já os valores utilitários referem-se à aquisição de produtos e serviços baseados na percepção do que é recebido e do que é ofertado (BABIN et al, 1994). Uma empresa deve entender como focar melhor na qualidade do serviço para atingir níveis de satisfação do cliente que favoreçam sua retenção. O fator mais crucial da excelência da qualidade está em como satisfazer as expectativas e requerimentos do cliente (PUN; HO, 2001). Estas expectativas envolvem um processo de via dupla, no qual se pode confirmar ou desconfirmar, conforme uma comparação de desempenho (FARIAS; SANTOS, 2000). Conhecer as necessidades, expectativas e identificar os atributos de serviço ofertados que se destacam, torna-se imprescindível para que as empresas de serviço estejam mais competitivas (TINOCO; RIBEIRO, 2007). Nesse contexto, nos ambientes como shopping centers, que se configuram como locais onde há uma grande variedade de lojas e ramos de atividade (LUNDBERG, 2009), os consumidores têm uma experiência de consumo completa, que está 15 relacionada às motivações utilitárias, como realizar uma tarefa ou serviço, bem como às motivações hedônicas, nas quais se busca o prazer em consumir (BABIN et al., 1994; HASTREITER; MARCHETTI, 2013). Seu sucesso como empreendimento se configura em sua capacidade, através de seus gestores, para conquistar e reter clientes (LUNDBERG, 2009). A lealdade tem sido definida como um comportamento, a atitude de um posicionamento leal como que um desejo de continuar um relacionamento com uma empresa. Em uma perspectiva comportamental, a lealdade pode ser entendida como um padrão de repetição (BONTIS et al, 2007). As relações entre esses construtos podem ser analisadas estatisticamente através de equações estruturais, a SEM (Structural Equation Modeling). Esta é uma importante ferramenta para os pesquisadores da área de marketing (IACOBUCCI, 2009). Este método baseia-se na análise multivariada, todavia ainda não tem suas capacidades totalmente usadas pelos pesquisadores, sendo algumas vezes mal aplicadas (HAIR et al, 2012). Dessa forma, este trabalho tem como proposta analisar as relações dos construtos que envolvem o comportamento de frequentadores no ambiente de shopping center, pelo fato deste local ter como característica a ampla concentração de lojas e serviços, que atraem jovens e adultos. Tais relações podem ter consequências para a lealdade destes usuários para com estas organizações. 1.2 PROBLEMA Nas relações comerciais estão envolvidos vários construtos, os quais muitas vezes se relacionam configurando um fator importante de se conhecer para prover uma melhoria relacional. A qualidade, os valores, a satisfação e a lealdade foram relacionados em vários estudos. Mas, até então, realizando uma associação sem envolvê-los em conjunto. Conduzir um cliente a um comportamento favorável de posicionamento leal para continuar consumindo de uma determinada empresa pode gerar vantagem competitiva. Nesse contexto, suscita-se o questionamento acerca de quais relações são determinantes, entre os construtos: qualidade de serviço, satisfação do cliente, valores utilitários de consumo e valores hedônicos de consumo, que conduzem a um comportamento de continuar um relacionamento com um shopping center? 16 1.3 OBJETIVOS 1.3.1 Geral Analisar as relações determinantes entre os construtos: qualidade de serviço, satisfação do cliente, valores utilitários de consumo e valores hedônicos de consumo que conduzem à lealdade dos usuários de um shopping center. 1.3.2 Específicos a) Analisar os principais modelos relacionados ao tema e seus construtos; b) Definir os construtos a serem trabalhados; c) Propor um modelo hipotético; d) Selecionar as variáveis associadas aos construtos analisados; e) Aplicar o modelo ao ambiente de um shopping center; f) Validar o modelo proposto. 1.4 JUSTIFICATIVA No âmbito acadêmico, a verificação do modelo hipotético proposto é um passo importante na pesquisa usando a SEM como ferramenta estatística, que ainda é pouco difundida neste âmbito (HAIR et al, 1998; HAIR et al, 2012). Uma vez verificada a validade deste modelo, através da confirmação das hipóteses propostas, o trabalho contribuirá para a sua aplicação como novo modelo relacional dos construtos estudados, representando as relações determinantes para a lealdade do consumidor. A sociedade poderá se beneficiar de uma melhor adequação dos shoppings às expectativas de seus consumidores, configurando uma melhora na qualidade percebida e, consequentemente, em sua satisfação (PARASURAMAN et al, 1985; CRONIN; TAYLOR, 1994; GRONHOLDT et al, 2000), fruto da interpretação das relações desses construtos favoráveis à lealdade do consumidor apresentados nesta pesquisa. Através desta pesquisa os gestores poderão verificar em que devem manter o foco para ganhar a lealdade dos clientes, aumentar a participação de mercado e o faturamento e, consequentemente, reduzir o custo para conquistar novos clientes (REICHHELD, 1992). 17 1.5 ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO Visando o melhor entendimento e leitura desta dissertação, o trabalho foi dividido em cinco capítulos. O primeiro capítulo consta da introdução, composta pela contextualização, o problema de pesquisa, os objetivos: geral e específicos, bem como a justificativa, definindo-se, assim, o assunto a ser estudado. O segundo capítulo discorre o referencial teórico que embasa o trabalho. Nele são abordados os construtos: lealdade do consumidor, satisfação do cliente, valores hedônicos de consumo, valores utilitários de consumo e qualidade do serviço. Além disso, apresentam-se os elementos de atratividade dos shoppings e os modelos relacionais que envolvem tais construtos e que, em sua maioria, foram estudados na temática dos shoppings. O terceiro capítulo trata da metodologia utilizada na realização do trabalho, constando o tipo de pesquisa, um modelo hipotético preliminar, a população e amostra, e, também, o instrumento de coleta de dados. O quarto capítulo diz respeito à análise e discussão dos resultados alcançados. A amostra foi caracterizada gerando o perfil dos entrevistados. Os dados foram tratados estatisticamente e avaliados quanto a sua validade, e o modelo hipotético foi submetido à verificação de validade de acordo às hipóteses levantadas. Finalizando-se, o quinto capítulo traz as conclusões acerca da pesquisa realizada, suas limitações e possibilidades para trabalhos futuros. E, posteriormente, são apresentadas as referências utilizadas no desenvolvimento do trabalho e, em seguida, o apêndice. 18 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 LEALDADE DO CONSUMIDOR A fidelidade ou lealdade do consumidor tem como base a conquista da confiança e o estabelecimento de trocas relacionais com alto valor (SIRDESHMUKH et al, 2002). Isto gera um compromisso em comprar repetidamente um mesmo produto ou serviço sem sofrer as influências externas da concorrência (BEI; CHIAO, 2001). A lealdade é definida como uma atitude, um comportamento, um posicionamento em uma perspectiva de atitude leal como um desejo em continuar um relacionamento com uma empresa (BONTIS et al, 2007). Uma melhora na lealdade do consumidor pode ser originada de clientes satisfeitos, proporcionando um melhor desempenho nos negócios (GRONHOLDT et al, 2000). Um cliente leal pode ser responsável por grandes frações de lucros em muitos negócios. Muitos construtos tais como, satisfação, confiança, colaboração do cliente, interação do cliente, imagem da empresa e personalização, têm sido medidos e relacionados à lealdade (BALL et al, 2006). Conforme Sajadi e Rizzuto (2013), a lealdade de um cliente é um pré-requisito para um negócio de sucesso, e muitos autores afirmam que a satisfação é um antecedente para a lealdade. Existem três maneiras distintas de se definir lealdade, são elas: 1. Comportamental: comportamento repetitivo de compra. 2. Atitude: vínculos emocionais e psicológicos. 3. Composta: uma combinação dos dois primeiros e as medidas da lealdade através das preferências do cliente, padrão de repetição, boca-a-boca e propensão à mudança na marca. Dessa forma, a lealdade comportamental pode ser definida como a intenção do cliente em se engajar em um comportamento de recompra. Já a lealdade de atitude pode ser entendida como a preferência por um serviço particular de uma empresa (JONES; TAYLOR, 2012). A qualidade do serviço tem impacto direto na satisfação do cliente e impacto indireto na lealdade. Uma visão completa é essencial para verdadeiramente entregar o que o cliente deseja (SAJADI; RIZZUTO, 2013). 19 Mandhachitara e Poolthong (2011) relatam que muitas pesquisas têm focado a lealdade em termos de produtos tangíveis. Serviços e produtos tangíveis têm características distintas. Os resultados das pesquisas envolvendo lealdade de produtos não podem ser generalizados de forma satisfatória para serviços. A lealdade do cliente é considerada vital para o crescimento e sobrevivência da empresa. Quando uma empresa direciona consistentemente seus valores e ganha a lealdade dos clientes, aumenta a sua participação de mercado e o seu faturamento, e, consequentemente, o custo para conquistar novos clientes diminui (REICHHELD, 1992). Uma abordagem distinta acerca da lealdade foi realizada por Jones e Taylor (2012), pesquisando-se sobre a contribuição do capital social na relação de lealdade. Segundo os autores, se a relação com o cliente tem valor, a empresa poderá se apropriar deste valor e gerar riqueza econômica, de modo que o benefício desta relação do uso do capital social será a geração da lealdade do cliente. 2.2 SATISFAÇÃO DO CLIENTE A avaliação do cliente é uma questão crítica na qualidade de serviço em empresas que objetivam uma melhora em suas estratégias de mercado (JAIN; GUPTA, 2004). Apesar de todas as pesquisas já realizadas sobre satisfação do cliente e seus antecedentes e consequentes, nenhum consenso foi atingido com relação à definição de satisfação do cliente (SUNAYNA, 2013). A qualidade é definida pelo modelo de Parasuraman et al (1985) como sendo a diferença entre o serviço percebido pelo cliente e sua expectativa, definido por eles como o gap 5 no serviço, tem-se como implicação deste modelo para a melhora da satisfação do cliente o fato da relação linear entre a redução dos gaps, em cada atributo, e a melhora da satisfação do cliente (TSAI et al., 2011). Seguindo esse raciocínio, a aplicação tradicional da análise dos gaps para a tomada de decisão sobre a satisfação do cliente pode levar a um posicionamento enganoso, pois a linearidade é apenas uma das possibilidades, entre várias, dos atributos de desempenho e a satisfação do cliente (TSAI et al, 2011). Tinoco e Ribeiro (2007) compilaram em sua pesquisa os principais determinantes encontrados na literatura que afetam a avaliação do produto ou serviço pelo cliente. Os modelos pesquisados por eles constam dos seguintes 20 determinantes: expectativas, desempenho percebido, desconfirmação de expectativas, qualidade percebida, valor percebido, preço, desejos, afetos/emoções e imagem corporativa. No modelo proposto por Cronin e Taylor (1994) a satisfação do cliente é relacionada à qualidade do serviço, no qual um serviço com boa performance leva a um cliente satisfeito. De acordo com Farias e Santos (2000), a satisfação do consumidor tem relação com os antecedentes: equidade, performance, expectativa, desconfirmação, emoção e atribuição. Em sua pesquisa, com base no modelo teórico de Oliver (1997), adaptaram um modelo que buscou demonstrar as relações entre estas variáveis determinantes, conforme mostra a Figura 1. Equidade Satisfação Performance Expectativas Emoções Desconfirmação Atribuição Figura 1 – Determinantes da satisfação do consumidor. Fonte: Farias e Santos (2000). O determinante atribuição não pode ser estudado na modelagem devido à dificuldade em os respondentes entenderem este determinante e deixá-lo incompleto ou não respondido. Neste aspecto, o modelo teve que ser modificado no momento da análise por equações estruturais, excluindo-se a atribuição, não obstante a perda de informação por esta exclusão (FARIAS; SANTOS, 2000). Este determinante pode ser entendido como sendo a qual fator o consumidor atribuirá a causa de sua satisfação, segundo Oliver e DeSarbo (1988) o consumidor tende a imputar a causa de sua insatisfação em uma fonte externa. Em sua análise usando as equações estruturais, Farias e Santos (2000) identificaram a dimensão da equidade como sendo a mais relevante, que reflete o 21 senso de justiça quanto ao serviço recebido, sendo o consumidor atendido dentro do que se configura merecido pelo que esteja pagando (OLIVER; SWAN, 1989). O estudo de Farias e Santos (2000) demonstrou que a justiça, dimensão da equidade, contribui de forma relevante para a satisfação. Todavia, considerando as influências diretas e indiretas, a performance teve maior destaque na satisfação. Fato, possivelmente, correlacionado à percepção do desempenho dos serviços ofertados. Os autores buscaram entender como o construto satisfação do consumidor pode ser explicado e quais os determinantes que têm mais influência nesta explicação. Para tanto, usaram o modelo teórico apresentado na figura 1. As variáveis observadas e presentes na análise dos resultados foram: justiça, desconfirmação de serviços, desconfirmação características, emoção negativa, emoção positiva, satisfação, performance características e performance serviços. Foram acrescentadas à análise do modelo mais seis variáveis não observadas, que se referem aos erros. O modelo apresentado pelos autores necessita de ajustes de acordo ao resultado do índice de adequação de ajustamento, que ficou em 0,258. Em seus resultados constataram que os seis determinantes que explicam a satisfação do consumidor são: expectativas, performance, desconfirmação, atribuição, equidade e emoções. Eles verificaram o inter-relacionamento destes determinantes e suas contribuições para a satisfação dando destaque a performance como a variável que mais contribui para a satisfação. Segundo Oliver (2010), nesse contexto de expectativas, performance e emoções, o consumidor deve ser atendido no que se refere a realização plena do seu desejo, logo, a resposta que ele terá com relação ao serviço prestado indicará o seu nível de satisfação, em comparação ao seu julgamento, podendo estar acima ou abaixo do nível esperado de realização. 2.3 QUALIDADE DE SERVIÇO A qualidade de serviço não é tão simples de se mensurar, diferentemente de um bem, que pode ser julgado de acordo a suas características, tais como, resistência, cor, estilo, etc. O serviço tem um caráter menos tangível, sendo este aspecto atribuído, limitadamente, aos equipamentos, pessoal e instalações do prestador do serviço (PARASURAMAN et al, 1985). 22 Gerir a qualidade de serviços é um desafio devido aos processos de avaliação que agregam uma carga elevada de subjetividade. As variáveis presentes requerem instrumentos e escalas capazes de medir percepções e expectativas, os quais têm uma complexidade devido a sua dependência de cada indivíduo (CAMPOS; NÓBREGA, 2009). Muitas pesquisas aplicam a escala SERVQUAL para medir a qualidade de serviço percebida (QIN et al, 2010), esta escala aplica o conceito de lacuna ou desconfirmação entre a expectativa do cliente e a percepção do serviço, medindo assim a qualidade do serviço (PARASURAMAN et al, 1985). A escala SERVQUAL apresenta cinco dimensões, as quais são confiança, responsividade, tangibilidade, segurança e empatia. Embora este instrumento tenha sido empregado entusiasticamente, ele recebeu críticas dos profissionais e teóricos (QIN; PRYBUTOK, 2009). Parasuraman et al (1985) perceberam em seus estudos, em literatura e pesquisas da época, que a qualidade de serviço está relacionada a três temas, são eles: a) A qualidade de serviço é mais difícil de ser avaliada pelo cliente que a qualidade de bens; b) A percepção da qualidade de serviço é resultado de uma comparação entre as expectativas do cliente com a real performance do serviço; c) A qualidade de serviço não é fruto unicamente do resultado de um serviço, ela também envolve a avaliação do processo de entrega do serviço. Eles conduziram uma pesquisa com grupos focais de clientes e entrevistas de profundidade com executivos para desenvolver o modelo conceitual da qualidade de serviço. São identificadas cinco discrepâncias ou lacunas entre a percepção da qualidade do serviço e os processos associados a entrega efetiva do mesmo. Neste estudo inicial foram identificadas dez dimensões que determinam a qualidade do serviço, são elas: tangibilidade, confiança, sensibilidade, comunicação, credibilidade, segurança, competência, cortesia, conhecimento do cliente e acesso (PARASURAMAN et al, 1985). Esse modelo conceitual, conforme mostra a Figura 2, foi posteriormente consolidado em apenas cinco dimensões, tangibilidade, confiança, capacidade de resposta, fiabilidade e empatia (PARASURAMAN et al, 1988). 23 Figura 2 – Modelo conceitual de qualidade de serviço. Fonte: Parasuraman et al. (1985). Buttle (1996) criticou o fato de esse modelo ser embasado no paradigma da desconfirmação e relegar o fator atitude como sendo o principal paradigma. Contrapondo-se ao modelo mencionado e corroborando com as críticas realizadas, Cronin e Taylor (1994) propuseram um modelo baseado na performance, SERVPERF. Segundo eles a escala SERVQUAL não deixa clara a diferença entre satisfação e atitude. Sendo o desempenho do serviço o ponto chave para se medir a qualidade do mesmo. A avaliação da performance da empresa gera uma avaliação do serviço e se adequa mais a mensuração da qualidade. Pois, segundo Buttle (1996) as expectativas do cliente são dinâmicas e podem variar com o tempo, não podendo ser medidas estaticamente como na SERVQUAL. Sendo mais indicado para fazer uma comparação entre os serviços de diversas empresas tendo uma visão global da qualidade. Mas, eles ressaltam também, que a SERVQUAL tem sua importância em identificar as deficiências na qualidade de serviço das empresas, provendo informações úteis para uma intervenção gerencial. De acordo com Law (2013) a escala SERVPERF representa uma aproximação genérica às medidas de qualidade de serviço sem considerar a natureza específica de seu contexto de resposta. O seu foco é a percepção da qualidade, resultando em estimativas mais confiáveis, com maiores convergências e 24 validade discriminante, apresentando maiores variâncias explicadas (ABDULLAH, 2005). Nesta escala a expectativa do cliente não é um dado adquirido pela performance, assim ela se apresenta mais eficiente que a SERVQUAL (VERONIMO; MEDEIROS, 2013). Em um estudo comparativo entre estas duas escalas, Salomi et al (2005) apresentaram a escala SERVQUAL como a mais difundida e referenciada, enquanto a SERVPERF apresenta os melhores índices de confiabilidade e um questionário mais conciso, devido este instrumento ter seu foco apenas no desempenho perceptível do serviço. Como explicado por Carrillat (2007), medindo-se a performance diretamente a expectativa se torna desnecessária. Pois como relata Oliver e DeSarbo (1988), esta escala está baseada na noção que a percepção da performance já é resultado da comparação entre o serviço esperado e o real. Um fator importante a favor da escala SERVPERF é a não necessidade de modificação de escala original para o contexto, algo que exige maior esforço na escala SERVQUAL (CARRILLAT, 2007). Considerando os fatores de simplificação do questionário, por não necessitar questionar sobre as expectativas, e a não necessidade de modificação da escala original para contextualizar, bem como o espaço aberto nas pesquisas no Brasil para o uso desta escala, como citou Mondo e Fiates (2013), tem-se respaldado o uso da SERVPERF como a escala de mensuração da qualidade. Como exemplo das escalas mencionadas, tem-se Cavalcanti (2011), que em seu trabalho usa as variáveis de imagem de shopping, sendo uma das variáveis usadas conforme abaixo: Este shopping tem um aroma agradável (discordo – neutro – concordo). 2.4 VALORES DE CONSUMO Uma experiência de compra envolve uma complexidade que vai além de simplesmente adquirir um serviço ou produto, ela envolve a motivação e as avaliações desta experiência, atribuindo-se um valor a estes, que são ligados aos benefícios e sacrifícios do consumo (ZEITHAML, 1988; RINTAMAKI, 2006). Este construto tem aspecto variado, pois envolve benefícios funcionais e psicológicos. Em um contexto de valores de shopping centers existem dois valores destacados pelos pesquisadores, hedônico e utilitário. Os valores hedônicos são vinculados a 25 experiência prazerosa ou gratificante nos shopping centers, enquanto os valores utilitários são mais funcionais e vinculados a orientação das atividades em si (MICHON; CHEBAT, 2002). Assim, consumidores que têm valores hedônicos focam mais no lazer, entretenimento e escapismo, enquanto os consumidores com valores utilitários estão mais interessados em resolver suas várias tarefas em um mesmo local (HASTREITER; MARCHETTI, 2013). Ha e Im (2012) trabalharam com os valores hedônicos e utilitários verificando as suas relações com a satisfação e lealdade. Elas relatam que estes construtos são dimensões distintas, bem como são importantes para a experiência satisfatória de compra. A qualidade funcional de um shopping pode ser entendida como o valor utilitário, o qual ajuda aos compradores a darem conta de maneira efetiva e racional das informações e de suas tarefas de compras. Estes valores contribuem moderadamente para a satisfação dos clientes. As dimensões dos valores podem ser: visão/perspectiva, propósito de consumação, critérios/benefícios, sacrifícios, tipo de consumidor. Com relação a dimensão da visão, o valor utilitário é cognitivo e o hedônico é experiencial. Com respeito ao propósito, o utilitário é um meio para realizar algum fim e o hedônico um fim em si mesmo. Os critérios/benefícios têm no utilitário o caráter econômico, de conveniência e funcional. Da mesma forma, o hedônico tem um caráter emocional, de entretenimento e diversão. A dimensão sacrifício remete a um valor utilitário relacionado a dinheiro, tempo e esforço. Com relação ao valor hedônico esta dimensão remete ao stress e emoções negativas. Os tipos de consumidores para cada valor são: utilitário é o homo economicus e o hedônico é o homo ludens (LIMA; NETO, 2010). O conhecimento acerca destes valores é muito útil, pois permite uma melhor interação entre os vendedores e os clientes. Vendedores que sejam capazes de perceber o tipo de cliente que estão atendendo podem realizar a abordagem mais apropriada para aquele cliente caso ele seja hedônico ou utilitário, realizando um atendimento coerente com as necessidades do cliente (OSLEN; SKALLERUD, 2011). 2.5 ELEMENTOS DE ATRATIVIDADE DOS SHOPPINGS Hastreiter (2012) realizou em sua pesquisa um levantamento dos atributos determinantes para a escolha de um shopping center. Através de uma revisão da 26 literatura ela apresentou os mais citados e que podem contribuir para atrair um maior número de clientes. O Quadro 1 traz um resumo dos fatores de atratividade elencados pela autora. Quadro 1 – Fatores de atratividade de Shopping. Atributos Acesso e estacionamento Arquitetura e infraestrutura Composto de lojas Organização espacial interna Horário de funcionamento Segurança Eventos e Promoções Comunicação Lazer Atmosfera do shopping Definição Local de fácil e acesso rápido com estacionamento suficiente para o fluxo Ambientes parecidos aos centros urbanos, com conforto e segurança. Um mix atrativo de lojas contendo, lojas âncoras, não âncoras, conveniência e serviços. Posicionamento das áreas de lazer e alimentação que favoreça o fluxo, evitando-se pontos mortos. Maior flexibilidade dos horários de funcionamento Ambiente seguro e protegido da desordem urbana. Descontos, feiras, promoções. Informações impressas, serviço de altofalante, divulgação do shopping na mídia. Presença de cinemas, jogos eletrônicos, boliche, bares etc. são atrativos para se consumir os produtos e serviços. Tudo que torna o ambiente mais agradável: ar condicionado, elevador, escadas rolantes, bancos, internet. Postura do shopping Cartão de cliente especial, acesso a em relação aos direção do shopping, ouvidoria etc. clientes Fonte: Compilado de Hastreiter (2012). Referência Oliveira Lima Filho, 1969; Balarin, 1995; ICSC, 2012. ABRASCE, 2012; Arakawa, 2006; Gaeta, 1992; Arakawa, 2006; Gaeta, 1992. Hastreiter, 1998. Frugoli Jr, 1992; Gaeta, 1992; Pintaudi, 1992. Severin; Louviereb; Finnc, 2001; Anselmsson, 2006. Bolding et al, 1993; Oliver, 1981. Frugoli Jr, 1992; Hastreiter, 1998; Majumdar, 2005; Meira, 1997 Meira, 1997. Lundberg (2009) realizou uma pesquisa nos shoppings da cidade do Natal e verificou os fatores de atratividade em shopping centers, sendo os principais com médias acima de 8,0 hierarquizados a seguir: diversidade do seguimento do comércio, presença de cinemas nos shoppings, agradabilidade da praça de alimentação, espaço de serviço, localização do shopping, facilidade de acesso ao shopping mediante ao transporte coletivo, facilidade de locomoção, valor cobrado no estacionamento, proximidade do shopping a sua residência, diversidade de restaurante na praça de alimentação, ambiente interno refrigerado, qualidade das lojas âncoras, segurança em todas as instalações do shopping, número de vagas no estacionamento, variedade de lojas no mesmo segmento, nível de preço apropriado a sua renda e áreas para descanso nos corredores. 27 Comparando os fatores de atratividade pesquisados por Hastreiteer (2012) e Lundberg (2009) aos modelos apresentados no referencial teórico, podem-se destacar as dimensões em comum, que favorecem a elaboração de um modelo hipotético preliminar. Michon e Chebat (2002) focaram sua pesquisa no âmbito cultural, mas apresentam os valores de consumo exercendo uma influência sobre o comportamento do consumidor, verificando sua satisfação com relação ao shopping. Para tanto, utilizaram em suas pesquisas alguns elementos para mensurar estes parâmetros, são eles: as atividades realizadas para passar o tempo em um shopping (caminhar pelo shopping para se exercitar, conversar com outros frequentadores, andar pelo shopping sem a intenção de comprar, comprar um lanche, comprar algo não planejado) ou serviços realizados (visitar um médico ou clínica, ir ao banco, fotografar). Boubeta et al (2009) focaram diretamente nos fatores para a fidelização do cliente, os fatores apresentados por eles são confirmados pelos atributos levantados por Hastreiter (2012), havendo destaque para a distância e a publicidade, como fatores que mais influenciam na escolha do shopping, sendo os demais: imagem (solução eficaz de problemas, rapidez de serviço, facilidade de pagamento, limpeza, fácil acesso, segurança, compra tranquila, comunicação entre os estabelecimentos) e envolvimento (utilidade, identidade, importância, prazer, busca por informação, risco). Lima e Neto (2010) destacaram os valores de consumo como determinantes para a satisfação, ressaltando-se que a Qualidade percebida e as Emoções não foram os mais determinantes para a Satisfação, sendo que as Emoções nem se confirmaram como hipóteses determinantes, provavelmente devido ao número de opções ofertadas neste ambiente, reduzindo a influência das emoções na satisfação do consumidor. Seguindo pela mesma vertente dos valores hedônicos e utilitários, que estão bastantes presentes no levantamento realizado por Hastreiter (2012), Ha e Im (2012) analisaram sua influência na satisfação com os shoppings e na intenção de lealdade. Destaca-se em suas pesquisas que o valor utilitário não se confirmou como fator determinante para a intenção de lealdade, indicando que, possivelmente, não haja necessidade de relacionar estes dois construtos no modelo hipotético. Yilmaz (2004) pesquisou o que pode influenciar na escolha por um determinado shopping center e verificou que a proximidade com a residência, a 28 aplicação de descontos, a imagem e o acesso fácil são fatores que podem determinar a escolha por um shopping center. 2.6 EQUAÇÕES ESTRUTURAIS A Modelagem de Equações Estruturais (Structural Equation Model – SEM) é uma metodologia que usa evidências empíricas para confirmar um conjunto de hipóteses representando uma teoria largamente aceita (KOHN et al, 2011). Ela representa uma técnica estatística multivariada que apresenta boa robustez (CAMPANA et al, 2009). A SEM, propriamente empregada, oferece um grande potencial para o desenvolvimento de teorias e validação de construtos (ANDERSON; GERBIN, 1988). Ela se tornou quase um padrão nas pesquisas de marketing e gestão, já que busca analisar as relações de causa e efeito entre os construtos latentes (HAIR et al, 2011). Na SEM esta relação se dá em um conjunto de variáveis dependentes e seu uso contribui para se testar esta relação de causa e efeito (FARIAS; SANTOS, 2000). O processo de modelagem com equações estruturais vem sendo bastante difundido nas diversas áreas do conhecimento, isto se deve ao fato de ser uma opção para tratar múltiplas relações simultaneamente com eficiência estatística e propiciar uma avaliação das relações de uma maneira geral, fornecendo uma transição da análise exploratória para a análise confirmatória (HAIR et al, 1998). Este método de análise se configura mais como confirmatório que exploratório, sendo necessária a construção de um modelo que expresse o sistema de efeitos unidirecionais entre as variáveis, apresentado na forma de um diagrama de caminhos (GOLOB, 2003). Este diagrama deve ser definido com base nos construtos, em seguida tem-se a definição das variáveis que servirão como medida. Assim, têm-se dois componentes no diagrama: o modelo estrutural, que faz a relação das variáveis dependentes e independentes, e o modelo de mensuração, que especifica os indicadores das variáveis latentes permitindo avaliar a confiabilidade dos construtos através da estimativa das relações causais (HAIR et al, 1998). A SEM não é somente a técnica analítica ideal, mas talvez a única técnica que pode prover uma base teórica para análise (KOHN et al, 2011). Ela apresenta três suposições em relação aos dados da pesquisa: observações independentes, amostragem aleatória e linearidade de todas as relações (CAMPANA et al, 2009). 29 Importante, em uma pesquisa na qual se deseja relacionar dois construtos, é verificar a necessidade de se escalonar as variáveis latentes deles, no caso de não apresentarem uma uniformidade de unidade de medidas (DIAMANTOPOULOS, 2011). As aplicações iniciais da SEM se concentravam no embasamento em covariância (CB-SEM), mas os pesquisadores também têm a opção de escolher a técnica dos mínimos quadrados parciais (PLS-SEM), que se baseia na variância (REINARTZ et al, 2009). Estas duas técnicas, embora distintas, são métodos estatísticos complementares para a SEM (HAIR et al, 2012). Comparada com a CBSEM, a PLS-SEM apresenta muitas vantagens. Uma delas e que a maioria dos dados empíricos das áreas de ciências sociais e negócios são caracterizados por dados não-normais, consequentemente, as aplicações de CB-SEM, que usam o algoritmo de máxima verossimilhança, ignoram a inerente violação do requisito desta técnica. Como a PLS-SEM não requer esta condição restritiva, ela é frequentemente mais valorizada (HAIR et al, 2013). Hair et al (2012) realizou um estudo para verificar a aplicabilidade da PLS-SEM e suas razões, foram 37 pesquisas analisadas, das quais 32 proveram as razões para se usar PLS-SEM. Dentre elas as quatro maiores razões para usar a PLS-SEM são, em ordem de importância, dados não-normais (68,8%), tamanho reduzido de amostras (53,1%), indicadores formativos (31,3%) e foco na predição (31,3%). Observações consistentes com os padrões observados nas pesquisas de marketing. Pode-se encontrar sua aplicabilidade em diversas áreas de pesquisa, tais como: psicologia, saúde, educação, gestão e marketing. Segundo a pesquisa de Silva (2006), na literatura há diversos autores especificando os estágios a serem seguidos para se realizar a SEM de uma maneira estruturada e ordenada, devido a sua complexidade no que tange as técnicas empregadas. Para Silva (2006) o modelo de estágios sugerido na obra de Hair et al (1998) é o mais completo e detalhado, conforme a seguir. 1. Desenvolver um modelo teórico 2. Construir um diagrama de caminhos 3. Converter o diagrama de caminhos 4. Número de indicadores e confiabilidade do construto 5. Identificar as correlações de construtos e variáveis observadas 6. Escolher o tipo de matriz de entrada de dados 7. Normalidade dos dados 30 8. Adequação do tamanho da amostra 9. Método de estimação do modelo 10. Avaliar a identificação do modelo 11. Graus de liberdade 12. Correção de problemas de identificação 13. Avaliar as estimativas do modelo e qualidade do ajuste 14. Interpretação e modificação do modelo 2.8 MODELOS RELACIONAIS 2.7.1 Modelo de Michon e Chebat (2002) Michon e Chebat (2002) estudaram os valores e as atividades dos shoppings centers no contexto canadense sob o ponto de vista de consumidores que falassem inglês e francês, buscando analisar sob a ótica cultural os comportamentos dos consumidores. No que concerne aos valores, eles estudaram duas dimensões, valores hedônicos e utilitários, que se relacionam conforme o modelo da Figura 3. Os valores utilitários se referem às atividades que o consumidor realiza, enquanto os hedônicos estão relacionados ao prazer na experiência de estar no shopping. Os autores adaptaram as escalas com base em pesquisas anteriores de Babin et al (1994) e Babin e Attaway (2000). Embora o foco deles tenha sido a questão cultural, o modelo gerado pode ser usado para aprofundar o entendimento de como estes construtos refletem o comportamento do consumidor e sua satisfação com relação ao shopping center. Haja visto que no modelo apresentado na Figura 3 há questões de ordem prática, que se bem avaliadas, podem culminar em uma relação de consumo satisfatório. As hipóteses usadas na pesquisa de Michon e Chebat (2002) não refletem exatamente o foco da satisfação do consumidor ou sua relação com os construtos estudados. Elas são, sobretudo, de caráter cultural, mas seus modelos servem de base para entender as variáveis que refletem os valores de consumo. 31 Compras são como uma fuga O tempo foi bem gasto Hedônico Gosto de novos produtos Sentimento de aventura Realizei o que queria fazer Utilitário Não pude comprar o que queria Encontrei os itens que procurava Figura 3 – Modelo dos valores de consumo. Fonte: Michon e Chebat (2002), No que se refere às atividades, Michon e Chebat (2002) focaram em apenas três dimensões, das quatro, que definem o ambiente do shopping center. Nos estudos originais há o consumo no shopping, consumo de serviços, “fazer hora” no shopping e o consumo de produtos. A escala usada no modelo das atividades do shopping center foi binária (sim ou não). Os autores usaram apenas as três primeiras dimensões, conforme se observa no modelo da Figura 4. Caminhei no shopping para exercício Conversei com outros consumidores Atividades Andei sem planos de comprar Comprei um lanche Fiz uma compra não planejada Visitei um médido / Clínica Oftamológica Serviços Fui ao banco Fui a um estúdio fotográfico Figura 4 – Modelo das atividades. Fonte: Michon e Chebat (2002). 32 Em suas pesquisas eles apresentaram como hipóteses: − H1: Os valores do shopping e o habitat do shopping são invariantes entre os compradores ingleses e franceses. − H2: Espera-se que os compradores franceses tenham índices mais elevados que os compradores ingleses na escala de hedonismo. − H3: Espera-se que os compradores franceses tenham índices mais elevados na dimensão utilitária. − H4: Devido a sua propensão ao hedonismo os compradores franceses são mais comumente envolvidos que os ingleses em outras atividades que não seja comprar produtos e serviços. A hipótese H1 foi confirmada apenas parcialmente, pois o construto valores do shopping tem escala quasi-invatiante, ao contrário do construto habitat do shopping. As hipóteses H2 e H3 foram confirmadas, mas a covariância entre as dimensões do hedonismo e utilitário não foi tão forte quanto a encontrada por outros autores como Babin e Attway (2000). A hipótese H4 não foi confirmada. 2.7.2 Modelo de Boubeta et al (2009) Boubeta et al (2009) buscaram em seu estudo identificar os fatores que favorecem a fidelização dos consumidores de shopping centers. Eles partem da hipótese que a fidelidade do cliente, entendendo-se consequentemente que o mesmo esteja satisfeito, é influenciada por quatro variáveis: imagem, envolvimento, publicidade e distância. Para este estudo foi utilizado um modelo com as quatro variáveis, sendo a imagem definida por oito elementos, como: eficácia na solução de problemas, rapidez de serviço, facilidades de pagamento, limpeza, acesso fácil, segurança, compra tranquila e comunicação entre os estabelecimentos. A variável envolvimento foi definida por seis elementos: utilidade, identidade, importância, prazer, busca de informação e risco. Em seu modelo teórico os autores relacionaram as variáveis conforme a Figura 5. 33 Imagem Distância Fidelidade Publicidade Implicação Figura 5 – Modelo teórico de Boubeta. Fonte: Boubeta et al. (2009). Nesse modelo a variável latente é a Fidelidade, a qual é definida por apenas um indicador direto, que é a frequência de visita. Eles constataram na pesquisa que os clientes mais habituais dos shoppings centers são aqueles que estão mais próximos, gastando menos tempo para chegar ao shopping, bem como eles recordam mais das propagandas. Entre estes clientes houve um maior destaque para as dimensões de utilidade (6.71) e prazer (6.71), configurando a preferência pelo shopping como um valor hedônico. A fidelidade foi bastante influenciada pela distância, eles constataram que devido ao coeficiente de regressão negativo, quanto maior a distância entre a casa do consumidor e o shopping center, mais difícil será para ele se tornar um cliente fiel. O modelo proposto por Boubeta et al. (2009) apresenta um bom ajuste aos dados empíricos. Porém, as quatro variáveis que eles apresentam explicam apenas 44% da fidelidade dos clientes. Isto conduz a uma complexidade maior na especificação dos determinantes para a escolha de um shopping center preferencial, exigindo um número maior de variáveis para se chegar a esta conclusão. Todavia, seu trabalho tem relevância pelo fato de apresentar a ordem de importância destas quatro variáveis apresentadas, sendo a distância e a publicidade as mais prioritárias, isso em detrimento da imagem e envolvimento (implicação). Enfim, por esse modelo apresentado possuir uma capacidade reduzida para explicar a fidelidade do cliente, Boubeta et al. (2009) sugerem a busca de mais variáveis que componham um modelo mais consolidado que possa compreender melhor a fidelidade do cliente. 34 2.7.3 Modelo de Lima e Neto (2010) No que se refere à satisfação do cliente, Lima e Neto (2010) realizaram um trabalho para verificar as influências que a Qualidade Percebida, os Valores de Consumo e as Emoções exercem na Satisfação do consumidor de shopping center. Em seu estudo, eles propuseram três variáveis: qualidade percebida, valores de consumo e emoções (positivas e negativas). A partir destas, eles formularam hipóteses de como as variáveis se relacionam e sua influência na Satisfação Global, de acordo ao modelo conceitual da figura 6. Figura 6 – Modelo conceitual de Lima e Neto (2010). Fonte: Lima e Neto (2010). As hipóteses formuladas pelos autores foram: − H1: A qualidade percebida afeta positivamente a satisfação global. − H2: A qualidade percebida afeta positivamente os valores de consumo. − H3a: A qualidade percebida afeta positivamente as emoções positivas. − H3b: A qualidade percebida afeta negativamente as emoções negativas. − H4a: Os valores de consumo afetam positivamente as emoções positivas. − H4b: Os valores de consumo afetam negativamente as emoções negativas. − H5: Os valores de consumo afetam positivamente a satisfação global. − H6a: As emoções positivas afetam positivamente a satisfação global. − H6b: As emoções negativas afetam negativamente a satisfação global. Cada construto foi operacionalizado com base em estudos já realizados por outros autores, gerando um quadro conforme mostrado no Quadro 2. 35 Quadro 2 – Construtos e dimensões. Construtos Qualidade percebida Valor utilitário Valor hedônico Valor social/simbólico Dimensões 1. Acesso ao estacionamento 2. Arquitetura e atmosfera do shopping center 3. Qualidade e preço 4. Mix de lojas 5. Serviços 6. Comodidade e conveniência 7. Atendimento e composto promocional 8. Praça de alimentação 9. Lazer e entretenimento 1. Obtenção do que era desejado 2. Não encontrar o que necessitava 3. Encontrar o que buscava 4. Desapontamento por ter que ir atrás de outro shopping que fornecesse o que desejava 5. Sucesso na visita ao shopping 6. Não encontrar o que buscava 1. Entretenimento com o consumo 2. Prazer com o consumo 3. Escapismo com o consumo 4. Envolvimento com o consumo 5. O consumo como uma forma de fuga 6. Excitação com o consumo 7. Consumo por querer e não por necessidade 8. O tempo durante o consumo ter sido agradável 9. Durante o consumo, sentir sensação de aventura 10. Durante o consumo, sentir sensação de alegria 11. Capacidade de fantasiar durante o consumo Referências 1. O significado que o shopping tem para o consumidor Wolff (2002) 1. Raiva 2. Descontentamento 3. Preocupação 4. Tristeza 5. Medo 6. Vergonha 7. Inveja 8. Solidão Emoções 9. Paixão 10. Amor 11. Tranquilidade 12. Contentamento 13. Otimismo 14. Alegria 15. Excitação 16. Surpresa 17. outros itens 1. Satisfação global Satisfação 2. Desconformidade global 3. Distância do ideal Fonte: Lima e Neto (2010). Hastreiter, Marchetti e Prado (1999) Babin et al. (1994) Babin et al. (1994) Richins (1997) Fornell (1992) e Fornell et al. (1996) O modelo proposto por Lima e Neto (2010) foi avaliado e submetido a teste para checar quais hipóteses se confirmariam. Os resultados obtidos por eles 36 indicaram que das nove hipóteses seis se confirmaram, ressalvando uma delas com nível de significância 0,05. Entre as hipóteses confirmadas está a relação entre a Qualidade Percebida e Satisfação, apesar disso, eles constataram que a relação não é a mais importante, outros fatores também contribuem para a Satisfação dos consumidores de shopping center. Assim, relatam que a Qualidade Percebida não pode ser considerada como o único antecedente para a Satisfação. Assim, pode-se compor um panorama com as hipóteses confirmadas pelo estudo, conforme a Tabela 1. Tabela 1 – Hipóteses confirmadas. Relação estrutural Qualidade percebida -> Satisfação Qualidade percebida -> Valores de consumo Qualidade percebida -> Emoções negativas Valores de consumo -> Emoções positivas Valores de consumo -> Emoções negativas Valores de consumo -> Satisfação Coeficientes 0,341 0,565 0,265 0,994 -1,081 0,761 Hipótese H1 H2 H3b H4a H4b H5 Fonte: Compilado de Lima e Neto (2010). Os autores usaram na segunda hipótese três valores de consumo, se configurando uma inovação neste tipo de estudo, pois apenas os valores utilitário e hedônico eram usados, mas os autores inseriram o valor simbólico. As hipóteses que relacionaram os Valores de consumo com as Emoções e Satisfação se confirmaram. Todavia, ainda não é muito clara a relação destes construtos na literatura. O estudo constatou que as emoções em si não configuram fatores determinantes para a satisfação do consumidor em shopping center. Isso devido à variedade de opções ofertadas pelo ambiente, fator decisivo para que as emoções não exerçam influência na Satisfação do consumidor nestes locais. Embora, como relatado pelos autores, sua pesquisa necessite de uma maior abrangência estatística, que pode ser buscada através de uma amostra probabilística e uma maior variedade de shopping centers pesquisados. 2.7.4 Modelo de Ha e Im (2012) Ha e Im (2012) realizaram um trabalho no qual buscavam explicar os efeitos da auto-congruência nos resultados chave relacionados com a experiência de 37 compras em shopping centers tradicionais nos EUA. Elas focaram nos valores (hedônicos e utilitários), satisfação e intenção de lealdade e sua relação com a autocongruência, conforme o modelo estrutural apresentado na Figura 7. Auto-congruência Valor Hedônico Valor Utilitário Satisfação com o shopping Intenção de Lealdade Figura 7 – Modelo estrutural. Fonte: Ha e Im (2012). Nesse modelo as autoras usaram cinco hipóteses a serem confirmadas pela modelagem estrutural. Porém, devido ao foco deste trabalho não tratar da autocongruência e sua relação, as hipóteses quatro e cinco serão descartadas da análise, concentrando a atenção na relação dos valores com a satisfação e lealdade, conforme as três primeiras hipóteses. − Hipótese 1 – Valores de compra (hipótese 1a – utilitário, hipótese 1b – hedônico) de um shopping center influenciarão positivamente a satisfação com o shopping. − Hipótese 2 – Satisfação com o shopping influenciará positivamente a lealdade para com o shopping. − Hipótese 3 – Valores de compra (hipótese 3a – utilitário, hipótese 3b – hedônico) influenciarão positivamente a lealdade para com o shopping. Para avaliar as hipóteses as autoras usaram indicadores conforme o Quadro 3, que será apresentada omitindo os itens referentes a auto-congruência, por não ser o foco desta pesquisa. 38 Quadro 3 – Construtos e Indicadores. Construtos Valor Utilitário Valor Hedônico Satisfação com o shopping center Indicadores 1. Enquanto comprava, encontrei os itens que procurava. 2. Realizei o que eu queria fazer nestas compras. 3. Eu estava desapontado, porque eu tive que ir a outro shopping para finalizar minhas compras. 1. Comparado com outras coisas que poderia ter feito, o tempo gasto nas compras foi realmente agradável. 2. Enquanto comprava, senti um senso de aventura. 3. Eu gostei de estar imerso em excitantes novos produtos. 4. Esta saída de compras foi realmente como uma fuga. 5. Esta saída para compras foi realmente divertida. 6. Gostei da viagem de compras em si, não apenas pelos itens que comprei. 7. Eu tive um momento agradável, porque fui capaz de agir no calor do momento. 8. Enquanto comprava fui capaz de esquecer de meus problemas. 1. Eu estou satisfeito com minha decisão de ter vindo a este shopping center. 2. Minha escolha de visitar este shopping center foi a mais sábia. 3. Estou certo que foi a coisa certa visitar este shopping center. 1. Eu direi coisas positivas sobre o shopping center. 2. Eu recomendarei este shopping center Intenção de Lealdade 3. Eu encorajarei amigos e parentes a visitar este shopping center. 4. Eu voltarei a este shopping center no futuro. Fonte: Compilado de Ha e Im (2012). Os resultados da pesquisa mostraram que Ha e Im (2012) confirmaram as hipóteses 1 (a e b) e 2. A hipótese 3 teve apenas o item 3b confirmado, que se refere ao valor hedônico. A influência do valor utilitário na lealdade não se confirmou. 2.7.5 Modelo de Kaura e Datta (2012) Kaura e Datta (2012) realizaram um estudo sobre a relação entre a qualidade de serviço, satisfação do cliente e sua lealdade em setor bancário. Embora não esteja envolvido com a temática do shopping, este modelo foi selecionado devido seu agrupamento de três construtos foco do trabalho e avaliar suas relações através de equações estruturais. Sua pesquisa seguiu o modelo da Figura 8. 39 Qualidade de Serviço • Pessoas • Processo • Evidência física Satisfação do Cliente Lealdade do Cliente Figura 8 – Modelo conceitual de Kaura e Datta. Fonte: Kaura e Datta (2012). Foram estabelecidas três hipóteses: − H1: Qualidade de serviço tem impacto positivo na satisfação do cliente. − H2: Satisfação do cliente tem impacto positivo na lealdade do cliente. − H3: Qualidade de serviço tem impacto positivo na lealdade do cliente. As variáveis usadas para o estudo foram adaptadas de trabalhos de outros autores conforme o Quadro 4. Quadro 4 – Variáveis adaptadas Construto Qualidade de serviço (Pessoas) Qualidade de serviço (Processos) Qualidade de serviço (Evidência Física) Variáveis 1. Os empregados do banco são amigáveis e educados; 2. Os empregados deste banco cuidam das transações dos clientes de forma confidencial; 3. Os empregados deste banco fornecem informações precisas sobre os serviços disponíveis no banco; 1. O sistema computacional deste banco é rápido, eficiente e preciso; 2. Habilidade para usar o sistema computacional com o mínimo de esforço; 3. Confiança associada a funcionalidade técnica das facilidades computacionais; 4. Dados não são compartilhados e a informação de crédito é segura na transação computacional 1. As condições de ambiente tais como temperatura, ventilação, ruído e odor prevalecem nas premissas do banco; 2. O arranjo físico dos equipamentos e outros móveis sendo confortável para os clientes interagirem com os empregados; 3. Sinais visualmente aparentes, símbolos, quadro de anúncios, panfletos e outros artefatos do banco; Satisfação 1. Num todo, estou satisfeito com o banco; do cliente Lealdade do 1. Eu considero investir neste banco no futuro; cliente Fonte: Compilado de Kaura e Datta (2012). Autores de Referência Sureshchandar et al. (2002). Zhu et al. (2002). Sureshchandar et al. (2002) Cronin e Taylor (1992) Zeithaml et al. (1996) 40 Os pesquisadores buscaram examinar a força da associação entre a qualidade de serviço e satisfação do cliente e entre satisfação do cliente e lealdade. Bem como, examinar a importância das variáveis da qualidade de serviço na satisfação do cliente. A melhoria nas pessoas, nos processos e nos aspectos físicos ajudam a melhorar a satisfação do cliente. Mas o aspecto pessoal foi constatado como o de maior destaque para a satisfação do cliente. Um cliente satisfeito tende a ser leal, reforçando que a satisfação tem forte influência na lealdade (KAURA; DATTA, 2012). Apesar de seu foco ser no mercado bancário, este modelo traz variáveis que podem ser adaptadas a outros ambientes e, assim, obter uma validação do mesmo de forma mais extensa. 2.7.6 Modelo de Yilmaz (2004) Yilmaz (2004) pesquisou fatores que se relacionam e que podem direcionar a escolha do consumidor por um determinado shopping center, são fatores diversos que envolvem comportamento e qualidade do serviço prestado. No Quadro 5 estão listados os fatores usados na pesquisa. Quadro 5 – Fatores relacionados à escolha pelo shopping center. Variáveis Características dos bens vendidos Atitude e comportamento da equipe Localização geográfica Redução de preços Regularidade Escolha do shopping center Itens 1. Nomes das marcas dos bens vendidos 2. Qualidade dos bens vendidos 3. Preços baixos 4. Ampla seleção 1. Comportamento da equipe de vendas 2. Genialidade da equipe 1. Mais perto de casa 2. Fácil de acessar 1. Opções de pagamento 2. Promoções de vendas 3. Cartão de descontos 1. Bem organizado 2. Movimento em volta do shopping center sem dificuldade 1. Indicação do vizinho 2. Propaganda 3. Imagem Fonte: Yilmaz (2004). O pesquisador usou as seguintes hipóteses em seu estudo para testar o modelo: 41 − H1: Existe uma relação significante entre a escolha do shopping center e as características dos bens vendidos. − H2: Existe uma relação significante entre a escolha do shopping center e a atitude e comportamento da equipe. − H3: Existe uma relação significante entre a escolha do shopping center e a localização geográfica. − H4: Existe uma relação significante entre a escolha do shopping center e a redução de preços. − H5: Existe uma relação significante entre a escolha do shopping center e ele ser bem projetado e organizado. O resultado da análise de seu modelo foi que, em ordem de prioridade na preferência do consumidor estão os seguintes itens: mais perto de casa, aplicação de cartão de desconto, imagem de mercado e acesso fácil ao shopping center. Isto corroborado por outras pesquisas como de Boubeta et al. (2009). Como modelo final da pesquisa de Yilmaz (2004) tem-se a Figura 9. Nomes das marcas dos bens vendidos Qualidade dos bens vendidos Características dos bens vendidos Ampla seleção Mais perto de casa Escolha do shopping center Localização geográfica Fácil de acessar Figura 9 – Modelo de Yilmaz. Fonte: Yilmaz (2004). Uma vez escolhido o shopping através de algum desses critérios, outros fatores poderão influenciar na questão da satisfação do cliente com sua escolha e sua posterior lealdade a este shopping. 42 3 METODOLOGIA Este trabalho teve como esquema metodológico a Figura 10, que apresenta os passos que foram seguidos para a realização da pesquisa. Figura 10 – Esquema metodológico para realizar a pesquisa. Fonte: elaborado pelo autor. Na etapa inicial foram buscados na literatura os trabalhos de pesquisa que abordassem os construtos relacionados ao comportamento do consumidor e qualidade do serviço. Isto possibilitou a compilação dos principais modelos, seus construtos e as relações existentes. O uso das equações estruturais como fator de análise foi considerado na seleção dos modelos. Através da análise dos modelos, destacam-se os fatores de atratividade e as variáveis relevantes. Um modelo hipotético proposto foi usado, no qual as variáveis associadas são as mais relevantes oriundas da análise dos modelos existentes na literatura. A partir desse modelo hipotético proposto, foi elaborado um questionário com base nas variáveis associadas aos construtos do modelo hipotético, o qual foi aplicado de forma on-line, em uma amostra não probabilística por adesão e conveniência, com foco nos frequentadores de um shopping em Natal. 43 Os dados foram submetidos a um tratamento estatístico através da aplicação de equações estruturais. Uma análise foi realizada para verificar as relações entre os construtos propostos no modelo, obtendo-se a conclusão sobre as relações determinantes para a lealdade dos frequentadores do shopping center. 3.1 TIPO DE PESQUISA Conforme especifica Gil (2006), esta pesquisa tem natureza descritiva por buscar a compreensão da relação entre os construtos: qualidade de serviço, satisfação do cliente e lealdade. Com dados a serem coletados no ambiente onde se dá o fenômeno a ser analisado conferindo-lhe a característica de pesquisa de campo (MATTAR, 2012). Através de uma abordagem quantitativa, que segundo Santos (2005), usa os dados coletados para uma análise estatística. 3.2 MODELO HIPOTÉTICO PRELIMINAR O modelo hipotético preliminar verificado foi compilado dos diversos modelos na literatura, os quais foram e apresentados no referencial deste trabalho, conforme mostra a Figura 11. Analisando os modelos apresentados, verificam-se os construtos em comum, que serviram de base para o modelo hipotético preliminar. Os mesmos foram compilados no Quadro 6, o qual relaciona os construtos aos autores que verificaram suas relações em seus modelos. Quadro 6 – Construtos relacionados. Construtos Valores de consumo hedônicos e utilitários Satisfação do cliente Qualidade do serviço Lealdade do consumidor Fonte: elaborado pelo autor. Autores do Referencial Michon; Chebat (2002); Lima; Neto (2010); Ha; Im (2012) Lima; Neto (2010); Ha; Im (2012); Kaura; Datta (2012) Lima; Neto (2010); Kaura; Datta (2012); Yilmaz (2004) BOUBETA et al (2009); Ha; Im (2012); Kaura; Datta (2012) Com base nesses pontos em comum, este trabalho propõe um modelo hipotético preliminar conforme a Figura 11. No qual as relações são embasadas pelos autores referenciados neste trabalho conforme o Quadro 6. 44 Valores hedônicos de Consumo H1 H3 Lealdade do Consumidor H4 Satisfação do Cliente H2 Valores Utilitários de Consumo H7 H5 Qualidade do serviço H6 Figura 11 – Modelo hipotético preliminar. Fonte: Elaborado pelo autor. Para avaliar este modelo foram testadas sete hipóteses. São elas: − H1: Os valores hedônicos influenciam positivamente a satisfação do cliente. − H2: Os valores utilitários influenciam positivamente a satisfação do cliente. − H3: Os valores hedônicos influenciam positivamente a lealdade do consumidor. − H4: A satisfação do cliente influencia positivamente a lealdade do consumidor. − H5: A qualidade do serviço influencia positivamente a satisfação do cliente. − H6: Os valores utilitários influenciados positivamente pela qualidade de serviço. − H7: A qualidade de serviço influencia positivamente a lealdade do consumidor. O modelo hipotético usado incorpora as variáveis dos modelos analisados neste trabalho conforme mensuração a seguir. 3.2.1 Mensuração dos valores hedônicos Este construto baseia-se no modelo elaborado por Lima e Neto (2010), o qual relaciona os valores de consumo com a satisfação e qualidade percebida, eles usaram a escala trabalhada por Babin et al (1994) em sua forma original, pois seguiram a recomendação apresentada no trabalho original dos autores, a qual aconselha que trabalhos futuros se utilizem da escala completa para tentar capturar 45 todos os aspectos dos valores de consumo. Esta escala consta de 20 itens, sendo 13 itens para os valores hedônicos. A escolha deste modelo se deve ao quantitativo de variáveis utilizada na escala, que leva a uma abrangência maior do construto, comparando-se aos demais trabalhos na literatura que usam apenas alguns dos itens da escala de Babin et al (1994), como o caso de Ha e Im (2012), fazendo adaptações convenientes às suas pesquisas. Os valores hedônicos foram reduzidos a 11 indicadores, pois dois deles foram retirados seguindo a sugestão da análise fatorial de Babin et al (1994). Os indicadores selecionados, conforme Quadro 7, são apresentados no instrumento de pesquisa conforme o questionário estruturado no Apêndice A. Quadro 7 – Variáveis dos valores hedônicos. 1. Fazer compras no Shopping center é uma atividade prazerosa. 2. O tempo gasto nas compras no Shopping center foi realmente agradável se VHC02 comparado com outras coisas que poderia ter feito VHC03 3. Quando passeio no Shopping center fico entusiasmado 4. Passear no Shopping center é como uma válvula de escape que me desliga da VHC04 realidade VHC05 5. Eu gosto muito das novidades que o Shopping center proporciona. 6. O Shopping center proporciona uma visita divertida por si só, não somente pelos itens VHC06 que se pode consumir. VHC07 7. No Shopping center continuei consumindo, não porque precisava, mas porque queria 8. No Shopping center eu passo momentos agradáveis porque posso agir VHC08 espontaneamente VHC09 9. Enquanto compro no Shopping center esqueço meus problemas VHC10 10. Enquanto passeio no Shopping center sinto uma sensação de aventura VHC11 11. Passear no Shopping center me faz sonhar e fantasiar muitas situações Fonte: Elaborado pelo autor. VHC01 3.2.2 Mensuração dos valores utilitários Seguindo o raciocínio de mensuração para os valores hedônicos, buscou-se no trabalho de Lima e Neto (2010) o suporte para obter as variáveis necessárias para mensurar os Valores Utilitários de consumo. Eles usaram sete itens para medir este construto. Desta forma, os itens originais do construto valores utilitários foram mantidos, pois para a avaliação por equações estruturais é importante haver pelo menos 3 itens para não comprometer a análise, no caso de haver a necessidade de se eliminar alguma variável que não esteja adequada aos parâmetros de ajuste. Deste modo, tem-se mais segurança ao invés de se iniciar a análise com 04, conforme realizado por Ha e Im (2012). 46 As variáveis selecionadas para avaliar este construto encontram-se no Quadro 8. Quadro 8 – Variáveis dos valores utilitários. 1. Eu fiz exatamente o que queria ao ir ao Shopping center 2. No Shopping center não pude comprar o que realmente precisava 3. Enquanto visitava o Shopping center, eu encontrei o(s) item(ns) que eu procurava 4. O Shopping center me desapontou, pois foi necessário ir a outro shopping para VUC04 finalizar uma compra VUC05 5. Eu sinto que a visita ao Shopping center foi bem sucedida VUC06 6. Eu sinto que comprar no Shopping center foi uma decisão inteligente 7. O Shopping center é um bom lugar pra visitar, porque favorece a aquisição do que se VUC07 quer rapidamente Fonte: Elaborado pelo autor. VUC01 VUC02 VUC03 3.2.3 Mensuração da satisfação do cliente Este construto foi usado na pesquisa de Ha e Im (2012) cujo modelo foi adaptado do trabalho de Caro e Carcía (2007), o qual originalmente tem foco na área esportiva. As autoras adaptaram os itens referentes à satisfação do cliente, constando 3 itens confirmados. A escolha pelo modelo usado por Ha e Im (2012) se deve a sua maior abrangência dentre os modelos verificados na literatura e sua utilização no contexto dos shoppings centers relacionando satisfação e lealdade do cliente. Foi adicionado um quarto item referente a satisfação global, conforme usado por Kaura e Datta (2012) com base nas orientações apresentadas por Cronin e Taylor (1992) e Parasuraman et al (1994), neste caso, buscou-se a junção do efetivo uso de mais de um indicador e a inserção da satisfação global, obtendo-se com isso uma escala mais estável. Os indicadores usados na mensuração deste construto estão no Quadro 9. Quadro 9 – Variáveis da satisfação do cliente. 1. Eu estou satisfeito com minha decisão de visitar o Shopping center SC01 2. Minha escolha em visitar o Shopping center foi a mais sábia SC02 3. Eu estou seguro que visitar o Shopping center foi a coisa certa SC03 4. De maneira geral o Shopping center satisfaz SC04 Fonte: Elaborado pelo autor. 47 3.2.4 Mensuração da lealdade do cliente Este construto foi medido com base nos estudos de Ha e Im (2012) que confirmaram quatro itens, dos cinco originais da escala de Caro e Carcia (2007) que elas usaram. As variáveis usadas para medir a Lealdade encontram-se no Quadro 10. Quadro 10 – Variáveis da lealdade. 1. Direi coisas positivas sobre o Shopping center LC01 2. Recomendarei o Shopping center LC02 3. Encorajarei amigos e parentes a visitar o Shopping center LC03 4. Voltarei ao Shopping center no futuro LC04 Fonte: Elaborado pelo autor. 3.2.5 Mensuração da qualidade do serviço A qualidade do serviço mensurada neste trabalho está baseada na escala SERVPERF, pelo fato de ser amplamente recomendada na literatura como a mais eficaz na mensuração da qualidade. Conforme Jain e Gupta (2004), esta escala promove uma maior convergência e uma explanação discriminante válida deste construto. Para compor as variáveis de análise da qualidade, buscou-se na literatura os fatores que mais se destacam com relação à atratividade de um shopping center. Conforme pode ser observado no Quadro 11, o qual compila as dimensões a serem analisadas. Quadro 11 – Comparativo das dimensões da qualidade. Dimensões e Variáveis Autores 1. Acesso ao estacionamento 2. Arquitetura e atmosfera do shopping center 3. Qualidade e Preço 4. Mix de lojas 5. Serviços Hastreiter, Machetti e Prado (1999); 6. Comodidade e conveniência 7. Atendimento e composto promocional 8. Praça de alimentação 9. Lazer e entretenimento 1. Acesso ao estacionamento 2. Arquitetura e atmosfera do shopping center 3. Qualidade e Preço 4. Mix de lojas 5. Serviços Lima (2009); 6. Comodidade e conveniência 7. Atendimento e composto promocional 8. Praça de alimentação 9. Lazer e entretenimento 48 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. 21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. Geral Estacionamento Preço e Qualidade Conveniência Mix Comunicação Acessibilidade Conforto ambiental I Segurança Conforto ambiental II Banheiros Atenção e cuidado Comodidade Alimentação Informações Aroma Aparência externa Música Luxo Melhor ambiente físico Ambiente superior Shopping possui prestígio Espaço suficiente para conforto Variedade de lojas Classificação alta Ambiente geral agrada Decoração agradável Impressionado com o ambiente Acessórios do interior estão na moda Espaço para descanso confortável Cores atrativas Praça de alimentação agradável Arquitetura atrativa Empregado amigável Empregado prestativo Empregado suficiente Cliente amigável Acesso fácil Lojas de marca que compro Horário de funcionamento adequado Presteza/disponibilidade dos funcionários Simpatia dos funcionários Rapidez dos funcionários no atendimento Priorização dos interesses dos clientes Confiança no shopping Segurança em realizar compras neste shopping 28. A beleza do ambiente 29. A modernidade das instalações 30. Aparência dos materiais associados ao shopping Fonte: Elaborado pelo autor. Campos e Lundberg (2013) Cavalcanti (2011) Lima e Neto (2010), usando uma escala gerada no estudo de Hastreiter et al (1999), corroboraram com a ideia da qualidade poder ser mensurada de acordo com os atributos de atratividade. Em seus estudos foram usados os seguintes atributos: acesso ao estacionamento, arquitetura e atmosfera do shopping center, qualidade e 49 preço, mix de lojas, serviços, comodidade e conveniência, atendimento e composto promocional, praça de alimentação, lazer e entretenimento. Hastreiter (2012) classifica os atributos e características que são determinantes para a escolha de um shopping center, em ordem de importância, como: localização, variedade de lojas, facilidade de acesso e estacionamento, segurança, estrutura de lazer e opções de alimentação. Lundberg (2009) em sua pesquisa hierarquizou os atributos de atratividade, sendo os dezessete principais que atingiram médias acima de oito pontos: diversidade de segmentos do comércio, presença de cinemas, agradabilidade da praça de alimentação, espaço de serviço, localização do shopping, facilidade de acesso ao shopping mediante ao transporte coletivo, facilidade de locomoção, valor cobrado no estacionamento, proximidade do shopping à sua residência, diversidade de restaurante na praça de alimentação, ambiente interno refrigerado, qualidade das lojas âncoras, segurança em todas as instalações do shopping, número de vagas no estacionamento, variedade de lojas no mesmo segmento, nível de preço apropriado a sua renda, áreas para descanso nos corredores. Campos e Lundberg (2013), após realizar uma análise fatorial verificaram uma redução na quantidade de fatores, que de 37 foram agrupados em 19 grupos, conforme o Quadro 11. Cavalcanti (2011) realizou um estudo que relaciona a imagem dos shoppings centers com a qualidade percebida. Constatando que há uma relação positiva entre estes construtos. As variáveis deste estudo são usadas na comparação com outros trabalhos sobre qualidade. Visto que os atributos em muitos estudos são comuns, conforme mostra o Quadro 11, verificou-se que o estudo de Lundberg (2009) possui um agrupamento mais completo em relação aos demais, pois abrange as variáveis pesquisadas por outros autores, conforme apresentado no Quadro 11. Desta forma, foram selecionadas as variáveis usando a base de fatores de Lundberg (2009), conforme se encontram no Quadro 12. 50 Quadro 12 – Variáveis da qualidade de serviço. O Shopping center tem uma boa aparência interna, de fácil locomoção, com lojas QS01 âncoras de qualidade e agradável praça de alimentação. O estacionamento do Shopping center tem espaço e disponibilidade de vagas QS02 adequados. Os preços praticados e a qualidade dos produtos no Shopping center são adequados a QS03 minha renda. QS04 O Shopping center é bem localizado. O Shopping center tem uma boa diversidade de segmento de comércio e uma variedade QS05 de lojas no mesmo segmento. O Shopping center tem um bom horário de funcionamento, abrindo aos domingos e QS06 feriados, dispondo de um serviço de informações eficiente. QS07 O Shopping center possui fácil acesso mediante transporte coletivo. QS08 O Shopping center possui boa iluminação e boa climatização. O Shopping center tem boa manutenção e limpeza com boa segurança em todas as QS09 instalações. QS10 O Shopping center apresenta uma boa ornamentação interna com música ambiente. QS11 O Shopping center possui bons banheiros limpos e higiênicos em quantidade suficiente. O Shopping center possui boa acessibilidade para os portadores de necessidades QS12 especiais, bem como boa área especial de atenção para crianças. O Shopping center possui um bom espaço de serviços e boas áreas para descanso nos QS13 corredores. O Shopping center possui grandes cadeias de fast food e uma boa diversidade de QS14 restaurantes na praça de alimentação. QS15 O Shopping center possui boa programação visual e sinalização. QS16 O Shopping center possui um bom aroma ambiental. QS17 O Shopping center possui uma boa aparência externa. QS18 O Shopping center possui boas lojas renomadas em quantidade. QS19 O Shopping center possui boas salas de cinema. Fonte: Elaborado pelo autor. 3.3 LOCUS DA PESQUISA O trabalho se desenvolveu tomando como base um shopping localizado na cidade do Natal. Inaugurado em abril de 2005, e localizado na região central da cidade, situa-se no caminho de quase todos os fluxos entre as regiões metropolitanas. O shopping possui três pisos que comportam uma variedade ampla de lojas e restaurantes, com um fluxo mensal de mais de dois milhões de clientes. Sua praça de alimentação, com 32 opções, tem capacidade para comportar até duas mil pessoas. Suas opções de lazer vão desde cinema com sete salas até um teatro moderno com capacidade para 1500 pessoas. Possui estacionamento com mais de 3500 vagas cobertas e gratuitas e área bruta locável de 64.615 m2 (MIDWAY, 2015). 51 3.4 POPULAÇÃO E AMOSTRA Segundo Marconi e Lakatos (2010) a população, que é o universo de onde será retirada a amostra, foi composta pelos frequentadores de um shopping center, localizado na cidade do Natal-RN. A amostragem foi não probabilística, que por conveniência abordou os respondentes de forma eletrônica usando as redes sociais (Twitter, Facebook e WhatsApp) e correio eletrônico, conferindo-lhe uma característica de adesão voluntária e do tipo “bola de neve”, na qual cada respondente foi solicitado a repassar a pesquisa ao seu grupo de amigos (MATTAR, 2012), bem como através de questionário presencial, aplicado aos frequentadores do shopping que se encontravam nos seus arredores. O tamanho da amostra pôde ser calculado com base no número de frequentadores do shopping, o qual foi escolhido devido a sua localização e tamanho que favorecem ao maior número de frequentadores, que segundo o site do shopping, pode chegar a dois milhões por mês. Ao passo que, quando não se pode determinar o tamanho do universo a ser pesquisado, busca-se um critério mínimo de dimensionamento (MATTAR, 2012), como também se pode adotar a população como sendo infinita, como no caso de valores elevados, tal qual os dois milhões de frequentadores apresentados pelo shopping, seguindo o cálculo amostral conforme orienta Santos (2015). Nesse estudo, tiveram-se como referência as pesquisas já realizadas com a mesma forma de tratamento de dados e a modelagem por equação estrutural (SEM) usando PLS. Este apresenta a vantagem de poder trabalhar com tamanho reduzido de amostras, desde que as variáveis sejam confiáveis com efeito forte e o modelo não seja excessivamente complexo, amostras entre 50 e 100 são suficientes (IACOBUCCI, 2010). Reinartz et al (2009), em sua análise sobre o tamanho da amostra, citam que um tamanho mínimo é necessário para gerar resultados com precisão suficiente. Eles afirmam que na maioria dos casos amostras com tamanhos maiores que 200 atendem a redução do erro padrão do modelo. A grande maioria dos trabalhos com SEM tem amostras com tamanhos entre 150 e 500 (HWANG et al, 2010; FARIAS; SANTOS, 2000; ANDERSON; GERBING, 1988). Nas recomendações de Hair et al. 52 (1998) tem-se que o número aceitável de uma amostra está entre 5 a 10 vezes o número de variáveis do maior construto. A primeira vantagem da PLS-SEM em relação à CB-SEM é que ela trabalha bem com tamanho reduzido de amostras (REINARTZ et al, 2009). Em seu estudo, Hair et al (2012) verificou que após o ano 2000 as amostras, com o uso da PLSSEM, tiveram tamanhos em média de 211,3, corroborado com os estudos de Ringle et al (2012) que verificaram os tamanhos médios de 238.1. Embora sejam conhecidos os efeitos estatísticos de amostras com tamanhos reduzidos, a PLS-SEM é bem conhecida por ser robusta quando usada com dados altamente não simétricos e amostras de tamanho pequeno (REINARTZ et al, 2009). A regra extremamente difundida, ten times rule of thumb, recomenda que um tamanho mínimo de amostra deva ter dez vezes o número de variáveis independentes no modelo exterior e no modelo interior, ou dez vezes o maior número de caminhos estruturais direcionados a um construto particular no modelo interno (REINARTZ et al, 2009; HAIR et al, 2012). Isso equivale a dizer que o tamanho mínimo da amostra deveria ser dez vezes o número máximo de setas apontadas a uma variável latente em qualquer local do modelo PLS (HAIR et al, 2014). Esta regra oferece um guia grosseiro para um requerimento mínimo de tamanho da amostra, a PLS-SEM requer, como qualquer técnica estatística, que o pesquisador confronte o tamanho da amostra com o modelo a ser usado e as características dos dados. Especificamente, o tamanho requerido deveria ser determinado por meio da análise de poder estatístico com base na parte do modelo com o maior número de variáveis independentes ou preditoras (HAIR et al, 2014; HAIR et al, 2012). Como recomendado por Hair et al (2014), usou-se o software G*Power para gerar uma análise de poder estatístico de forma reversa, chegando a um tamanho de amostra, sugerido pelo software, que atenda a estes requisitos estatísticos. Pode ser observado na Figura 12 a distribuição gráfica como resultado da simulação para se obter o valor da amostra necessária. O cálculo do programa considera um valor de 5% para o erro e um poder estatístico de 95%, conforme mostra a Figura 13, resultando em uma amostra de, no mínimo, 220 participantes. 53 Figura 12 – Distribuição de dados do G*Power. Fonte: dados de simulação do Software G*Power. Figura 13 – Resultados da simulação do G*Power. Fonte: dados de simulação do Software G*Power. Logo, o cálculo da amostra mínima foi baseado nas relações de erro amostral de 5% e 95% de nível de confiança, conforme orienta Santos (2015), que apresenta um valor mínimo de 385. 3.5 INSTRUMENTO DE PESQUISA O instrumento, conforme visto no Apêndice A, consta de um questionário tipo survey auto-administrado de forma eletrônica (on line) e presencial com os frequentadores nos arredores do shopping, com perguntas fechadas, utilizando a escala Likert com base na escala SERVPERF com 7 pontos que variam de: concordo muito, concordo moderadamente, concordo ligeiramente, nem concordo e nem discordo, discordo ligeiramente, discordo moderadamente, discordo muito. As perguntas foram baseadas nos atributos da qualidade de serviço, valores de consumo (hedônico e utilitário), satisfação do cliente e lealdade do consumidor (QIN; PRYBUTOK, 2009, CRONIN; TAYLOR, 1994; TINOCO; RIBEIRO, 2007; MICHON; CHEBAT, 2002; LIMA; NETO, 2010; HASTREITER; MARCHETTI, 2013; HA; IM, 2012). 54 Foi realizado um pré-teste do instrumento com 40 (quarenta) pessoas, as quais avaliaram o nível de clareza das perguntas. O resultado do pré-teste suscitou a reformulação de cinco questões, consideradas pelos respondentes como pouco claras em alguns termos usados. As variáveis foram adaptadas buscando a maior clareza para representar os construtos especificados por cada autor usado como referência, visando a melhor operacionalização do instrumento de coleta. Para operacionalizar a inserção e manipulação dos dados de forma ordenada e orientada com relação às variáveis, usou-se um critério de nomenclatura das variáveis, conforme denota o Quadro 13. Quadro 13 – Ordenamento das variáveis conforme o construto. Construto Variável nomeada Valores Utilitários de Consumo VUC (01 a 07) Valores Hedônicos de Consumo VHC (01 a 11) Satisfação do Cliente SC (01 a 04) Lealdade do Consumidor LC (01 a 04) Qualidade do Serviço QS (01a 19) Fonte: Elaborado pelo autor. O resultado encontra-se no Quadro 9, do qual origina-se o instrumento para operacionalizar o modelo hipotético. Quadro 14 – Variáveis dos construtos. Eu fiz exatamente o que queria ao ir ao Shopping center. VUC01 No Shopping center não pude comprar o que realmente precisava. VUC02 Enquanto visitava o Shopping center, eu encontrei o(s) item(ns) que eu procurava. VUC03 O Shopping center me desapontou, pois foi necessário ir a outro shopping para finalizar VUC04 uma compra. Eu sinto que a visita ao Shopping center foi bem sucedida. VUC05 Eu sinto que comprar no Shopping center foi uma decisão inteligente. VUC06 O Shopping center é um bom lugar pra visitar, porque favorece a aquisição do que se VUC07 quer rapidamente. Fazer compras no Shopping center é uma atividade prazerosa. VHC01 O tempo gasto nas compras no Shopping center foi realmente agradável se comparado VHC02 com outras coisas que poderia ter feito. Quando passeio no Shopping center fico entusiasmado. VHC03 Passear no Shopping center é como uma válvula de escape que me desliga da VHC04 realidade. Eu gosto muito das novidades que o Shopping center proporciona. VHC05 O Shopping center proporciona uma visita divertida por si só, não somente pelos itens VHC06 que se pode consumir. No Shopping center continuei consumindo, não porque precisava, mas porque queria. VHC07 No Shopping center eu passo momentos agradáveis porque posso agir VHC08 espontaneamente. Enquanto compro no Shopping center esqueço meus problemas. VHC09 55 Enquanto passeio no Shopping center sinto uma sensação de aventura. Passear no Shopping center me faz sonhar e fantasiar muitas situações. Eu estou satisfeito com minha decisão de visitar o Shopping center. Minha escolha em visitar o Shopping center foi a mais sábia. Eu estou seguro que visitar o Shopping center foi a coisa certa. De maneira geral o Shopping center satisfaz. Direi coisas positivas sobre o Shopping center. Recomendarei o Shopping center. Encorajarei amigos e parentes a visitar o Shopping center. Voltarei ao Shopping center no futuro. O Shopping center tem uma boa aparência interna, de fácil locomoção, com lojas âncoras de qualidade e agradável praça de alimentação. O estacionamento do Shopping center tem espaço e disponibilidade de vagas QS02 adequados. Os preços praticados e a qualidade dos produtos no Shopping center são adequados a QS03 minha renda. O Shopping center é bem localizado. QS04 O Shopping center tem uma boa diversidade de segmento de comércio e uma QS05 variedade de lojas no mesmo segmento. O Shopping center tem um bom horário de funcionamento, abrindo aos domingos e QS06 feriados, dispondo de um serviço de informações eficiente. O Shopping center possui fácil acesso mediante transporte coletivo. QS07 O Shopping center possui boa iluminação e boa climatização. QS08 O Shopping center tem boa manutenção e limpeza com boa segurança em todas as QS09 instalações. O Shopping center apresenta uma boa ornamentação interna com música ambiente. QS10 O Shopping center possui bons banheiros limpos e higiênicos em quantidade suficiente. QS11 O Shopping center possui boa acessibilidade para os portadores de necessidades QS12 especiais, bem como boa área especial de atenção para crianças. O Shopping center possui um bom espaço de serviços e boas áreas para descanso nos QS13 corredores. O Shopping center possui grandes cadeias de fast food e uma boa diversidade de QS14 restaurantes na praça de alimentação. O Shopping center possui boa programação visual e sinalização. QS15 O Shopping center possui um bom aroma ambiental. QS16 O Shopping center possui uma boa aparência externa. QS17 O Shopping center possui boas lojas renomadas em quantidade. QS18 O Shopping center possui boas salas de cinema. QS19 Fonte: Elaborado pelo autor. VHC10 VHC11 SC01 SC02 SC03 SC04 LC01 LC02 LC03 LC04 QS01 Foram estabelecidas variáveis para a coleta dos dados demográficos a fim de caracterizar a amostra. As variáveis usadas foram: gênero, idade, escolaridade, renda pessoal, estado civil, filhos, frequência no shopping, motivo de frequentar o shopping. 3.6 COLETA DOS DADOS A coleta dos dados se deu de duas formas: eletrônica, através de um questionário on line, usando o site Qualtrics.com; presencial, aplicando-se o mesmo questionário aos frequentadores no entorno do shopping. O instrumento eletrônico 56 de coleta de dados foi disponibilizado, através do seguinte endereço: https://qtrial2014az1.az1.qualtrics.com/SE/?SID=SV_aayOx11vpsYF16l O link de acesso foi enviado através das redes sociais e e-mail. O questionário ficou disponível durante um mês para que pudesse ser respondido, entre os dias 12 de março de 2015 e 12 de abril de 2015. No questionário o entrevistado foi direcionado a responder sobre o Shopping center, sendo questionado antes de iniciar as perguntas se havia estado neste shopping nos últimos dois meses. Foram entrevistados apenas maiores de 18 anos. Considerando a amostragem não probabilística, tomada por conveniência, foram enviados os links da survey através de redes sociais, de forma em cascata, na qual quem recebe deve escolher outras pessoas de seu ciclo para enviar o link da pesquisa, a fim de abranger o máximo de pessoas escolhidas dentre os frequentadores do shopping center (MARCONI; LAKATOS, 2010). Como forma de incentivo, foi sorteado um tablet entre os respondentes on line que optaram por se identificar. Esta forma de incentivo foi recomendada pela Hastreiter (2012), a qual usou um incentivo financeiro de 500 reais, a ser sorteado entre os respondentes de seu questionário eletrônico. Para complementar a coleta de dados eletrônica, foi realizada a pesquisa na forma de entrevista presencial, aplicando-se o mesmo questionário, aos frequentadores do Shopping center. As entrevistas ocorreram nas proximidades do mesmo. Este trabalho apresentou uma quantidade de amostras perfazendo um total de 435, sendo 236 respostas válidas dentre as 316 obtidas através da survey online e 199 válidas dentre as 200 obtidas através de questionário presencial aplicado aos frequentadores do shopping, atingindo um nível de confiança de 95% e um erro amostral menor que 5%, de acordo ao cálculo amostral (SANTOS, 2015). Essa quantidade de amostra trata-se de um número superior ao recomendado na literatura de equações estruturais, conforme discorrido anteriormente, ao valor que atenda ao nível de significância adotado, segundo Santos (2015); e ao valor obtido pela simulação no software G*Power, conforme recomenda Hair et al (2014). Configurando, assim, uma robustez aos dados analisados. 57 4 ANÁLISE DOS DADOS Os dados pesquisados foram submetidos a um tratamento estatístico através da modelagem de equações estruturais (SEM), também conhecida como análise de caminhos com variáveis latentes, que é usada para a especificação e análise de interdependência entre variáveis observadas e construtos teóricos, frequentemente chamados de variáveis latentes (HWANG, 2010). Essa técnica é bastante aplicada quando se pretende buscar direcionamentos de satisfação do cliente, imagem da marca ou reputação da corporação. Para muitos pesquisadores a SEM é o mesmo que usar CB-SEM, mas existe outra metodologia que pode ser aplicada, a técnica dos mínimos quadrados parciais, Partial Least Squares (PLS) (HAIR et al, 2013). Para a análise utilizou-se da PLS-SEM, que se diferencia por não usar a estrutura de covariância, mas em regressões e não trabalhar simultaneamente todos os parâmetros (BIDO et al, 2010). Inicialmente foram analisados os dados demográficos para traçar o perfil dos respondentes, caracterizando a amostra. Em seguida foi realizada uma análise dos parâmetros estatísticos gerados e o confronto destas informações com as hipóteses do modelo hipotético preliminar. Desta forma, pôde-se analisar se o que está proposto neste trabalho corresponde às informações existentes na literatura. 4.1 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA A amostra foi composta por 435 respondentes oriundos dos questionários on line e presencial. Como o objetivo mínimo foi atingir o nível de confiança de 95% e erro amostral de 5%, a amostra mínima considerada foi de 384 participantes. Portanto, superando-se o mínimo necessário para avaliar a amostra com segurança, conforme discorrido anteriormente. Conforme o Quadro 15, os resultados relacionados ao perfil dos respondentes mostraram que 46% dos entrevistados são do gênero masculino e 54% do gênero feminino. Com relação à renda, puderam-se classificar os grupos conforme o critério de classe econômica adotado pela ABEP (2015), sendo as classes C e D representadas por 72% dos frequentadores e 28% representando as classes A e B. 58 A escolaridade dos respondentes teve sua maior concentração entre o ensino médio e superior incompleto, totalizando em 49% a soma de ambas. Sendo 46% aqueles com nível superior completo e pós-graduação. Fazer compras e serviços significam juntas 52% dos motivos que levam o usuário ao shopping. Isto remete ao valor utilitário de consumo, representado neste estudo pelo construto Valor Utilitário de Consumo. O lazer representa 38% dos motivos para se frequentar o shopping, remetendo ao valor hedônico de consumo. Os frequentadores do shopping, em sua maioria, 67%, vão ao menos duas vezes por mês ao estabelecimento. Destes, 29% comparecem semanalmente e apenas 7% vão raramente, conforme mostra o Quadro 15. Quadro 15 – Perfil da amostra. Qual a sua idade? Gênero Hábitos de frequência em shopping centers Escolaridade Estado civil Variáveis Quantidade Percentual 18 a 24 anos 100 23% 25 a 35 anos 147 34% 36 a 45 anos 115 26% 46 a 55 anos 47 11% 56 a 65 anos 20 5% Acima de 65 anos 6 1% Total Masculino 435 100% 198 46% Feminino 237 54% Total Diariamente 435 100% 50 11% Semanalmente 128 29% Quinzenalmente 112 26% Mensalmente 105 24% Bimestralmente 11 3% Raramente 29 7% Total 1º grau incompleto 435 100% 0 0% 1º grau / ensino fundamental 20 5% 2º grau / ensino médio 119 27% 3º grau / ensino superior incompleto 95 22% 3º grau / ensino superior completo 97 22% Pós-graduação / Mestrado / Doutorado 104 24% Total Solteiro 435 100% 211 49% Casado / União estável 199 46% Separado / Divorciado 17 4% Viúvo 8 2% Total 435 100% 59 Quadro 15 (continuação) Possui filhos? Variáveis Quantidade Percentual Sim Não 216 219 435 50% 50% 100% 66 15% 1 a 2 salários mínimos 146 34% 3 a 5 salários mínimos 100 23% 5 a 10 salários mínimos 71 16% 10 a 20 salários mínimos 42 10% Acima de 20 salários 10 2% Total Lazer 435 100% 164 38% Fazer compras 144 33% Serviços (bancos, cabeleireiro, etc.) 83 19% Outros 44 10% 435 100% Total Menos de um salário mínimo Renda pessoal Qual motivo leva você a frequentar um shopping? Total Fonte: Dados da pesquisa. 4.2 TRATAMENTO DOS DADOS Os dados foram submetidos a um tratamento estatístico através da modelagem de equações estruturais, usando o software WarpPLS 5.0 (KOCK, 2015), que foi utilizado para a verificação do parâmetro VIF (Variance Inflation Factor). Este fator é utilizado para verificar a multicolinearidade, que poderá comprometer o modelo e seus parâmetros, logo se busca um valor de VIF inferior a 3.3 conforme recomenda Kock (2015). O VIF calculado pelo WarpPLS 5.0 apresenta a vantagem de não considerar a não linearidade no comportamento das variáveis, identificando o relacionamento “real” entre as variáveis latentes. Foi utilizado também o SmartPLS 3.2.1 (RINGLE et al, 2015), como forma de avaliação geral do modelo e dos dados a serem tratados. Os dados foram submetidos à análise estatística no WarpPLS 5.0. Como resultado inicial tem-se a avaliação do VIF médio do modelo, sendo este confrontado com os limites de aceitação, o qual estabelece um valor inferior a 3,3. Estando dentro deste padrão procede-se a continuação da análise, caso contrário o modelo proposto e os dados devem ser reavaliados (KOCK, 2015). Sendo assim, iniciou-se a análise pelo VIF (Fator de Inflação da Variância), pois o mesmo informa o grau de multicolinearidade existente. Caso este valor se 60 apresente acima do ideal recomendado o modelo fica comprometido e deve ser revisto (BIDO et al, 2010; ESPOSITO, 2010), pois a multicolinearidade entre as variáveis cria resultados não confiáveis (RINGLE et al, 2014). Segundo Kock (2010), caso haja indicativos de multicolinearidade, alguns preditores devem ser removidos para eliminá-la, isso ocorre quando se usam variáveis latentes com 1 ou 3 indicadores, as quais se tornam fontes de colinearidade. Este estudo apresentou um VIF aceitável (KOCK, 2015). Conforme a Tabela 6, o VIF médio calculado pelo WarpPLS foi 2,399, confrontando-se com o valor ideal de Kock (2015), que define como valor ideal VIF menores ou iguais a 3,300, percebe-se que o VIF do modelo é aceitável. Como podem ser observados na Tabela 2, os valores do VIF atenderam ao recomendado. Isto denota um modelo com baixa multicolinearidade, o que é desejável para a aplicabilidade do modelo. Tabela 2 – Fator de Inflação da Variância (VIF). LC QS LC QS 1,713 SC 2,017 VHC 1,877 VUC SC VHC 1,573 VUC 1,000 1,759 1,599 Fonte: Dados da pesquisa. O VIF médio do modelo ficou em 2,399, estando este valor em conformidade com o limite proposto como ideal de 3,300. Logo, procedeu-se com a continuidade das análises, sendo estas realizadas no SmartPLS 3.2.1. Segundo Hair Jr et al (2014), deve-se verificar inicialmente a confiabilidade e a validade do modelo. A confiabilidade composta é uma medida que sinaliza a consistência dos indicadores que compõem o construto, ela é calculada automaticamente pelo algoritmo do SmartPLS para o modelo proposto, seu valor limite de aceitação é igual ou superior a 0,7. Ela visa verificar a confiabilidade do teste e sua escala, por isso vem sendo mais usada como alternativa à tradicional medida do Alfa de Cronbach, que tem sua aplicação criticada quando se trata de modelos de equações estruturais (PETERSON; YEOLIB, 2013; AZEVEDO et al, 2012), pois a confiabilidade composta não considera que todos as cargas indicadoras são iguais na população e também não é sensível ao número de itens na escala (HAIR JR et al, 2014). Ambos os parâmetros expressam se a amostra está livre de vieses ou se as respostas são confiáveis (RINGLE et al, 2014). 61 As Tabelas 3 e 4 mostram os valores da confiabilidade composta e do Alfa de Cronbach para o modelo em análise, ambos acima do valor limite de 0,7, o que atesta que o modelo se baseia em uma escala confiável, justificando o uso desses indicadores (BIDO et al, 2010). Tabela 3 – Confiabilidade composta. LC QS SC VHC VUC Fonte: Dados da pesquisa. Composite Reliability 0,940 0,926 0,944 0,914 0,864 Tabela 4 – Alfa de Cronbach. LC QS SC VHC VUC Fonte: Dados da pesquisa. Cronbachs Alpha 0,914 0,912 0,921 0,892 0,792 Seguindo a sequência recomendada por Hair Jr et al (2014), avaliaram-se as cargas fatoriais, conforme visto na Tabela 5, a qual apresenta as cargas fatoriais das variáveis, antes de se realizar os ajustes, que visam eliminar as variáveis que tenham cargas menores que 0,7, conforme orienta Hair Jr et al (2014). Todavia, esta análise requer uma avaliação da relevância teórica do indicador candidato a remoção, julgando também, sua importância com relação a outros construtos através de uma sobreposição (HAIR et al, 2012). Portanto, os indicadores da Tabela 5 foram analisados à luz desta recomendação, bem como se buscando um AVE (Average Variance Extracted), que significa a validade convergente, a qual denota a parcela dos dados que é explicada por cada construto, verifica-se o quanto as variáveis se correlacionam com os seus respectivos construtos, sendo o limite aceitável valores iguais ou maiores que 0,5 configurando um modelo que converge a um resultado satisfatório (HAIR JR et al, 2014). 62 Tabela 5 – Cargas fatoriais iniciais sem ajuste. Direi coisas positivas - LC01 Recomendarei - LC02 Encorajarei - LC03 Voltarei - LC04 Geral - QS01 Estacionamento - QS02 Preços adequados a renda - QS03 Bem localizado - QS04 Lojas e Comércio - QS05 Horário de funcionamento - QS06 Acesso por trans. coletivo - QS07 Iluminação e climatização - QS08 Manutenção e limpeza - QS09 Ornamentação / Música - QS10 Banheiros - QS11 Acessibilidade - QS12 Serviços / áreas descanso - QS13 Restaurantes e fast food - QS14 Programação visual - QS15 Aroma ambiente - QS16 Boa aparência externa - QS17 Lojas renomadas - QS18 Salas de cinema - QS19 Satisfeito em visitar - SC01 Escolha sábia em visitar - SC02 Coisa certa em visitar - SC03 Satisfeito de forma geral - SC04 Atividade prazerosa - VHC01 Tempo gasto agradável - VHC02 Entusiasmado ao passear - VHC03 Válvula de escape - VHC04 Gostar das novidades - VHC05 Visita divertida - VHC06 Consumi porque queria - VHC07 Momentos agradáveis - VHC08 Esquecer os problemas - VHC09 Sensação de aventura - VHC10 Sonhar e fantasiar - VHC11 Exatamente o que queria - VUC01 Não pude comprar - VUC02 Encontrar que procurava - VUC03 Buscar outro shopping -VUC04 Visita bem sucedida - VUC05 Compra inteligente - VUC06 Consumismo - VUC07 Fonte: Dados da pesquisa. LC 0,912 0,953 0,862 0,837 QS SC VHC VUC 0,744 0,601 0,335 0,590 0,668 0,706 0,584 0,694 0,778 0,695 0,663 0,701 0,672 0,656 0,712 0,697 0,547 0,641 0,599 0,895 0,905 0,924 0,872 0,739 0,721 0,797 0,690 0,774 0,783 0,593 0,753 0,718 0,626 0,525 0,577 -0,312 0,760 -0,534 0,703 0,770 0,819 63 Tabela 6 – Average Variance Extracted (AVE) sem ajustes. AVE LC 0,796 QS 0,427 SC 0,809 VHC 0,499 VUC 0,436 Fonte: Dados da pesquisa. Usando dos critérios mencionados anteriormente, cargas fatoriais e AVE, buscou-se ajustar o modelo para obter uma melhoria em ambos os índices, AVE (>=0,5) e cargas fatoriais (>=0,7) (HAIR JR et al, 2014). Assim, após os ajustes realizados com seis iterações visando a adequação do valor do índice AVE, com suporte do SmartPLS, foram eliminados os seguintes indicadores: VUC01, VUC02, VUC04, VHC07, VHC10, VHC11, QS02, QS03, QS04, QS07, QS17, QS18 e QS19. Os resultados das cargas e AVE pós-ajustes se encontram nas Tabelas 7 e 8. Tabela 7 – Cargas fatoriais após ajustes no modelo. Direi coisas positivas - LC01 Recomendarei - LC02 Encorajarei - LC03 Voltarei - LC04 Geral - QS01 Lojas e Comércio - QS05 Horário de funcionamento - QS06 Iluminação e climatização - QS08 Manutenção e limpeza - QS09 Ornamentação / Música - QS10 Banheiros - QS11 Acessibilidade - QS12 Serviços / áreas descanso - QS13 Restaurantes e fast food - QS14 Programação visual - QS15 Aroma ambiente - QS16 Satisfeito em visitar - SC01 Escolha sábia em visitar - SC02 Coisa certa em visitar - SC03 Satisfeito de forma geral - SC04 Atividade prazerosa - VHC01 Tempo gasto agradável - VHC02 Entusiasmado ao passear - VHC03 Válvula de escape - VHC04 Gostar das novidades - VHC05 Visita divertida - VHC06 Momentos agradáveis - VHC08 Esquecer os problemas - VHC09 Encontrar que procurava - VUC03 Visita bem sucedida - VUC05 Compra inteligente - VUC06 Consumismo - VUC07 Fonte: Dados da pesquisa. LC 0,912 0,953 0,863 0,836 QS SC VHC VUC 0,762 0,659 0,712 0,682 0,812 0,719 0,710 0,728 0,701 0,655 0,715 0,704 0,895 0,905 0,925 0,871 0,756 0,738 0,804 0,691 0,779 0,785 0,753 0,715 0,759 0,708 0,787 0,833 64 Tabela 8 – Average Variance Extracted (AVE) após ajustes. AVE LC 0,796 QS 0,510 SC 0,809 VHC 0,570 VUC 0,615 Fonte: Dados da pesquisa. Os valores de AVE apresentados estão dentro de um limite aceitável, AVE >= 0,5 (BIDO et al, 2010; ESPOSITO, 2010; HENSELER;SARSTEDT, 2012; KOCK, 2015), conforme pode ser observado na Tabela 8. Estes valores indicam uma validade convergente e uma confiabilidade satisfatórias. Respaldando o fato das variáveis latentes serem bem explicadas pelas variáveis observadas (HAIR JR et al, 2014). A validade discriminante é a segunda etapa do processo de verificação da validade. Seguindo as verificações dos indicadores do modelo, consiste em comparar as AVE individuais com a raiz quadrada da AVE de cada construto, conforme a Tabela 9. Sendo aceitável quando todos os valores de variância média extraída forem menores que os valores da raiz quadrada, os quais estão destacados em negrito na diagonal da Tabela 9. Logo se pode deduzir que os indicadores estão relacionados devidamente com suas variáveis latentes, não havendo interferência nas demais variáveis, atestando assim a validade discriminante do modelo (AZEVEDO et al, 2012; KOCK, 2015; ESPOSITO, 2010). Tabela 9 – Validade discriminante. LC QS SC VHC VUC LC 0,892 QS 0,661 0,714 SC 0,799 0,605 0,899 VHC 0,618 0,564 0,649 0,755 VUC 0,617 0,500 0,649 0,574 0,784 Fonte: Dados da pesquisa. Nota: raiz quadrada da variância média extraída (AVEs) está destacada na diagonal. Uma vez estabelecida a confiabilidade e validade do modelo, segue-se para avaliar as hipóteses de relacionamento. Para tanto, utiliza-se do coeficiente de determinação (R2), os coeficientes de caminho e o fator de Cohen (f2) (HAIR JR et al, 2014). O coeficiente de determinação R2 demonstra que o modelo explica significativamente a ocorrência de soluções próprias quando os resultados estão em concordância com os limites deste parâmetro, sendo mensurado o quanto o 65 construto é explicado pelo modelo de regressão. Nagelkeker especifica 0,5123 e McFadden o valor de 0,4973 como sendo os valores de referência para uma boa explicação do construto pelo modelo (REINARTZ et al, 2009). O R2 médio desse modelo é 0,507 para um p < 0,001. O R2 médio ajustado ficou em 0,504 para um p < 0,001, conforme pode ser observado na Tabela 10 que contém os R2 individuais. Embora estes valores de R2 não sejam ruins, pois para a área de ciências sociais Cohen (1988 apud RINGLE et al, 2014) afirma que 0,26 é uma valor significativo para a explicação do construto, mas se existir oportunidade de melhoria no modelo, pode-se focar nos Valores Utilitários de Consumo (VUC), pois o construto apresenta um R2 abaixo dos demais. Isso pode denotar a necessidade de remodelação com a possível retirada ou inserção de variável. Conforme orienta Iacobucci (2009), quando em geral um dos R2 é relativamente muito menor que os demais, denota que há variável candidata a sair do modelo. Todavia, como este construto após ajustes ficou com 4 indicadores, não se procedeu a retirada de nenhuma variável para melhoria do R2, pois isto poderia comprometer o modelo surgindo soluções impróprias (REINARTZ et al, 2009). Tabela 10 – Coeficientes do R2. LC SC VUC Fonte: Dados da pesquisa. R2 0,692 0,578 0,250 Com base nesta análise a ocorrência de soluções próprias é influenciada pelo tamanho da amostra, pelos indicadores de carregamento e pelo número de indicadores, mas não pela distribuição dos indicadores. O número de indicadores influencia de maneira não linear. Se os indicadores diminuírem de 4 para 2, faz a solução imprópria aumentar significativamente. Todavia, um aumento de 4 para 6 ou mais, não resulta em uma solução significativamente própria (REINARTZ et al, 2009). Todos os construtos deste trabalho têm, no mínimo, 4 indicadores, contribuindo para uma solução significativamente própria. Os coeficientes de caminho representam as relações hipotéticas entre os construtos, podendo variar de -1 a +1, sendo os mais próximos de +1 as relações fortemente positivas e os mais próximos de -1 as relações fortemente negativas. Os valores próximos de -1 e +1, em sua maioria, são estatisticamente significativos 66 (HELM et al, 2009). Os coeficientes de caminho encontrados após os ajustes são apresentados na Tabela 11. Tabela 11 – Coeficientes de caminho (Beta). LC QS LC QS 0,255 SC 0,579 VHC 0,100 VUC Fonte: Dados da pesquisa. SC VHC 0,261 VUC 0,500 0,304 0,344 O fator de Cohen (f2) é o tamanho do efeito para cada caminho do modelo. O mesmo reflete uma mudança no R2 quando um construto é eliminado ou inserido no modelo. Baseado no valor de f2, o tamanho do efeito do construto eliminado para um particular construto endógeno pode ser determinado tal que 0,02 seja um efeito pequeno, 0,15 representa um efeito médio e 0,35 representa um grande efeito, assim determina-se o quanto cada construto pode ser útil para o ajuste do modelo (HAIR JR et al, 2014), conforme pode ser visto na Tabela 12. Tabela 12 – Fator de Cohen (f2). LC LC QS 0,123 SC 0,540 VHC 0,017 VUC Fonte: Dados da pesquisa. QS SC VHC 0,102 VUC 0,332 0,125 0,175 Complementando os coeficientes de caminho, os mesmos foram avaliados com base no teste t de Student, que visa verificar o modelo estrutural, o qual é baseado em correlações e regressões. Os valores aceitáveis devem ser iguais ou maiores que 1,96 para que a relação seja estatisticamente significante (HAIR JR et al, 2014). Assim, os caminhos entre os construtos são considerados como significantes e o modelo estrutural ajustado, conforme a Tabela 13. 67 Tabela 13 – Valores do t-estatístico. Coeficiente de caminho QS -> LC 0,255 QS -> SC 0,261 QS -> VUC 0,500 SC -> LC 0,579 VHC -> LC 0,100 VHC -> SC 0,304 VUC -> SC 0,344 Fonte: Dados da pesquisa. t - estatístico 4,928 5,717 10,734 13,012 2,413 6,517 8,272 4.3 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Com base no modelo hipotético ajustado, podem-se observar nas Figuras 14 e 15 quais as relações determinantes que se confirmam pelos parâmetros de modelagem. A Tabela 14 resume os índices de ajuste, todos adequados aos valores recomendados pela literatura, os quais são a base para orientar a análise das hipóteses formuladas. Figura 14 – Modelo hipotético estrutural ajustado – SmartPLS. Fonte: Dados da pesquisa. 68 Figura 15 – Modelo hipotético com os coeficientes estatísticos “t”. Fonte: Dados da pesquisa. Tabela 14 – Resumo dos índices de ajuste. VUC R-quadrado 0,250 R-quadrado ajustado 0.248 Confiabilidade composta 0,864 Alfa de Cronbach 0,792 AVE 0,615 VIF 1,776 Validade Discriminante 0,784 Fonte: Dados da pesquisa. Nota: P=<0,001 VHC 0,914 0,892 0,570 1,855 0,755 SC 0,578 0.575 0,944 0,921 0,809 3,211 0,899 LC 0,692 0,690 0,940 0,914 0,796 3,247 0,892 QS 0,926 0,912 0,510 1,908 0,714 Os resultados obtidos, através da análise de equações estruturais usando o método dos mínimos quadrados parciais, permitem avaliar as hipóteses abordadas nesta pesquisa. O Quadro 16 apresenta os resultados para as hipóteses. 69 Quadro 16 – Resultados das Hipóteses. Hipóteses Relação Resultado H1 Os valores hedônicos influenciam a satisfação do cliente Não rejeitada H2 Os valores utilitários influenciam a satisfação do cliente Não rejeitada H3 Os valores hedônicos influenciam a lealdade do consumidor Não rejeitada H4 A satisfação do cliente influencia a lealdade do consumidor Não rejeitada H5 A qualidade do serviço influencia a satisfação do cliente Não rejeitada H6 Os valores utilitários influenciados pela qualidade de serviço Não rejeitada H7 A qualidade de serviço influencia a lealdade do consumidor Fonte: Elaborado pelo autor. Não rejeitada Os Valores Hedônicos e Utilitários têm influências muito semelhantes na Satisfação do Cliente, com índices de caminho 0,304 e 0,344 respectivamente, dentro do nível de significância P =<0.01. Isto corrobora com as hipóteses H1 e H2. Esse resultado dos Valores Utilitários corrobora com a pesquisa de Ha e Im (2012), que verificaram uma pequena influência, índice de 0,297, destes valores na Satisfação do Cliente. Todavia, no que tange aos Valores Hedônicos, elas observaram uma influência relativamente maior, pois encontraram um índice de 0,616, bem como Lima e Neto (2010), que verificaram uma influência dos valores na satisfação com índice de 0,761. Porém, eles não avaliaram estes valores separadamente, sendo avaliados como um único construto, Valores de Consumo. Logo, entende-se que os valores separadamente exercem efeito distinto que quando analisados em conjunto. Isto pode ser observado nos resultados de Ryu et al (2010), que verificaram a influência positiva dos valores hedônicos e utilitários na satisfação do cliente, com destaque para os valores utilitários que obtiveram índice de 0,59 enquanto os valores hedônicos apresentaram uma influência com índice de 0,30. Esses valores são bem próximos aos encontrados por Carpenter e Fairhurst (2005), os quais verificaram as influências positivas dos valores na satisfação do cliente com índices de 0,721 para os valores utilitários e 0,276 para os valores hedônicos. Corroborando para o fato dos valores utilitários exercerem uma maior influência que os valores hedônicos na satisfação do cliente. A Lealdade do Consumidor é bem explicada pelo modelo proposto, com base em seu R2, cujo valor é 0,697 significando que este construto tem cerca de 70% de explicação pelo modelo. A hipótese H3 apresentou um baixo índice de caminho (0,100), ou seja, 10% explicada pela relação proposta, mas que é estatisticamente significante. Conforme observado por Ha e Im (2012), os Valores Hedônicos 70 influenciam com pouca intensidade a Lealdade do Consumidor, elas encontraram um índice de 0,233 que embora baixo, elas não rejeitaram a hipótese por ser estatisticamente significante e está coerente com o proposto de haver uma relação entre os construtos. A Satisfação do Cliente é bem explicada dentro do modelo, pois seu coeficiente de determinação (R2) está em 0,578 que significa que o modelo pode explicar cerca de 58% deste construto. O índice de caminho da relação Satisfação e Lealdade foi o mais elevado, ficando em 0,579. Este fato corrobora com a hipótese H4. Esta relação é respaldada pela literatura, como pode ser observado nas pesquisas de Kaura e Datta (2012), que verificaram um índice de 0,729, bem como de Ha e Im (2012), que verificaram índice de 0,618. Segundo Kaura e Datta (2012) a Satisfação tem forte influência na Lealdade do cliente. Abu-ElSamen et al (2011) também verificaram esta forte relação entre satisfação do cliente e lealdade, eles ressaltam que sem assegurar a satisfação na relação, não existirá lealdade como resultado. Assim como verificado por Thuy e Hau (2010), a satisfação exerce um forte impacto positivo na lealdade do consumidor, o índice relacional encontrado por eles foi 0,66. Caruana (2002) observou que apesar da relação se confirmar, com índice 0,59, outros elementos contribuem para impactar diretamente a lealdade do consumidor. A Qualidade do Serviço exerce uma influência relacional baixa na Satisfação do Cliente, apresentando um índice de caminho em 0,261. A hipótese H5 se confirma, embora este índice seja baixo comparando-se aos demais. Lima e Neto (2010) relataram em sua pesquisa que a Qualidade tinha uma fraca influência na Satisfação, com índice de 0,341, mas isto se deve aos demais fatores que contribuem de maneira significativa para a satisfação, não sendo a qualidade o único fator. Ou et al (2011) encontraram índice semelhante na relação destes dois construtos, o valor de 0,293 é semelhante ao encontrado neste trabalho. Bakti e Sumaedi (2013) verificaram que a qualidade do serviço influencia a satisfação de forma direta e indiretamente influencia a lealdade, eles usaram o mesmo modelo que Caruana (2002), mas não verificaram relação direta da qualidade com a lealdade. De forma análoga a hipótese H6 se confirma, mas apresentando um índice de caminho elevado, comparando-se aos demais, 0,500. Lima e Neto (2010) observaram que a Qualidade do Serviço influencia os Valores de Consumo, com índice 0,565. Todavia eles não realizaram esta análise com os valores em separado. Observou-se que os Valores Utilitários são influenciados positivamente pela 71 Qualidade do Serviço, que segundo Lima (2009) foi definida como sendo qualidade técnica, de atendimento e condições físicas do shopping. Todas muito vinculadas ao aspecto utilitário, pois este envolve aspectos mais funcionais e orientados à atividade executada, conforme relatam Michon e Chebat (2002). A Qualidade de Serviço também contribui para explicar a Lealdade do Consumidor, mas em intensidade menor, com um valor de índice de caminho 0,255 confirmando a hipótese H7. Conforme relatam Kaura e Datta (2012), existe uma relação significante entre a Qualidade do Serviço e a Lealdade do Consumidor. Embora não tão forte se comparada às demais relações, o que mostra que outros fatores também contribuem para a explicação da Lealdade. Estes resultados são respaldados pelos trabalhos de Caruana (2002), que verificou uma fraca relação entre os construtos, com índice 0,14. Bem como Bakti e Sumaedi (2013), que não verificaram relação significante entre os construtos. 72 5 CONCLUSÃO Este estudo propôs analisar as relações determinantes entre os construtos: qualidade de serviço, satisfação do cliente, valores hedônicos de consumo e valores utilitários de consumo, que conduzem à lealdade do cliente em um shopping center de Natal. Para tanto, foi realizada uma pesquisa de campo e seus dados foram tratados estatisticamente através de uma análise multivariada de caminhos, conhecida como equações estruturais, com uma abordagem de mínimos quadrados parciais. Para compor a pesquisa foram analisados diversos modelos relacionais que associassem a temática da Lealdade do Consumidor. Nesta seleção foram priorizados os modelos analisados pelas equações estruturais, sendo selecionados para análise: Michon e Chebat (2002), Boubeta et al (2009), Lima e Neto (2010), Ha e Im (2012), Kaura e Datta (2012) e Yilmaz (2004). Adicionaram-se aos modelos analisados os elementos de atratividade dos shoppings centers com base nos estudos de Hastreiter (2012) e Lundberg (2009). Os construtos trabalhados foram definidos com base nas relações apresentadas nos modelos relacionais. Foram verificados em cada modelo quais os construtos que se destacavam como mais determinantes. Desta forma, selecionouse dentre os diversos modelos os seguintes construtos: Qualidade do Serviço, Satisfação do Cliente, Valores de Consumo (Hedônico e Utilitário) e Lealdade do Consumidor. Com base na seleção dos construtos propôs-se um modelo relacional hipotético preliminar, que consta de relações respaldadas pela literatura, com o aspecto inovador de uni-las em um único modelo, com a finalidade de analisar os efeitos relacionais destes construtos selecionados. Portanto, o modelo proposto de forma inovadora, associa os principais construtos encontrados na literatura e avalia suas influências para a Lealdade do Consumidor. Para viabilizar a pesquisa, foi necessário selecionar as variáveis que estavam associadas aos construtos analisados. Para tanto, utilizou-se do critério de análise dos modelos e buscaram-se as variáveis confirmadas em cada modelo. Como o modelo era hipotético, as variáveis usadas foram as próprias de cada modelo relacional selecionado, descartando assim, a validação das variáveis, pois as mesmas já haviam sido validadas em seus modelos originais. 73 Foi selecionado o ambiente do shopping center para a aplicação da pesquisa de campo devido a ampla quantidade de frequentadores e possíveis consumidores. O modelo hipotético preliminar foi aplicado aos frequentadores de um shopping em Natal, na forma de survey on line e questionário presencial. O índice de resposta foi considerado muito bom, já que foram obtidos 236 questionários on line e 199 questionários presenciais válidos, totalizando em 435 respondentes válidos. O fato de não haver autorização para entrevistas dentro do ambiente do shopping, fez-se conduzir as entrevistas presenciais aos arredores do mesmo. Com base nos resultados, verificou-se que o construto que exerce maior influência para a Lealdade do Consumidor é a Satisfação do Cliente. Seguido desta, tem-se a Qualidade do Serviço como segundo determinante. Apresentando um baixo índice, os Valores Hedônicos de Consumo exercem pouca influência na Lealdade do Consumidor. Portanto, pode-se inferir que o modelo hipotético preliminar tem todas as suas hipóteses confirmadas. Desta forma, o modelo expõe os fatores determinantes para a Lealdade dos usuários, de acordo aos parâmetros analisados. Desta forma, a substancial contribuição deste trabalho se apresenta no fato de propor um modelo completo de relação entre os construtos, o qual se configura como único dentre os variados modelos referenciados, os quais não apresentam resultados semelhantes em termos de abrangência relacional dos construtos. Este trabalho teve como limitação o fato da pesquisa ter sido aplicada aos frequentadores de um único shopping de Natal e pela não definição de uma amostra probabilística. Deste modo, para uma maior abrangência, sugere-se que o modelo seja aplicado em outros estabelecimentos, usando amostras probabilísticas, o que poderá possibilitar a comparação entre os resultados diversos, suscitando a uma ferramenta gerencial para se obter a fidelização dos frequentadores. 74 REFERÊNCIAS ABU-ELSAMEN, Amjad A. et al. Towards an integrated model of customer service skills and customer loyalty: The mediating role of customer satisfaction. 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