Cascavel, 31 de agosto de 2010 www.jhoje.com.br POLÍTICA 03 PARTIDOS SIGLA FOI CRIADA POR REMANESCENTES DO PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO Novo perímetro Embora socialista, PPS não considera-se de esquerda VANDERLEI FARIA passado do PPS (Partido Popular Socialista) é pouco referendado por seus atuais filiados. Historicamente a sigla carrega o peso de uma ideologia de esquerda, herdada de integrantes do PCB (Partido Comunista Brasileiro), embrião do PPS. O partido tem, inclusive, como presidente nacional o ex-comunista Roberto Freire, que foi candidato a presidente do País pelo PCB. Contudo, a herança histórica saiu do contexto. Sérgio Terres, empresário e presidente da agremiação em Cascavel, reconhece que o partido mudou de lado e hoje defende uma ideologia mais direitista. “O PPS já foi de centro-esquerda no País. Hoje é um partido mais democrático. Somos praticamente um partido de centro-direita”, disse Terres. Na opinião de Terres, a posição atual do PPS não destoa do passado. “Eu defendo que as pessoas devem sempre ter uma coisa na cabe- O ça: temos que mudar. É preciso considerar o lado pessoal, quem são as pessoas que estão de cada lado. Eu, por exemplo, sou presidente do PPS de Cascavel, mas sempre fui de centro-direita”, ilustra. O PPS, em Cascavel, é formado basicamente por donos de grandes empresas com faturamento em milhões de reais. Terres explica que essa nova formatação é que mudou a cara do partido. “O PPS encontra-se em um momento muito importante, com uma diretoria em que muitos empresários fazem parte. Um conselho importante que eu dou a quem quer entrar na política é: escolha um partido em que estão seus amigos pois é mais fácil estar com as pessoas que você confia”, sugere. Em número de filiados, o PPS é a décima maior sigla de Cascavel, com 628 filiados. (Laís Laíny) A partir de hoje Cascavel pode ser uma cidade maior. Isso se forem aprovados dois anteprojetos de lei que estabelecem o novo perímetro urbano e de alguns bairros. Eles estão na pauta da sessão da Câmara de Vereadores, que será iniciada às 14h. Segundo as propostas, 28 bairros serão alterados e um novo bairro será criado. Semana passada, Ronald Drabik (foto), secretário de Planejamento, detalhou as mudanças aos vereadores. Giro Político [email protected] Bairros maiores Estão listados na alteração os seguintes bairros: Centro, Cancelli, Country, São Cristóvão, Pacaembu, Região do Lago, Maria Luiza, Parque São Paulo, Neva, Pioneiros Catarinenses, Santa Cruz, Alto Alegre, Coqueiral, Parque Verde, Canadá, Brazmadeira, Interlagos, Floresta, Brasília, Periollo, Morumbi, Cataratas, Cascavel Velho, Universitário, Santa Felicidade, 14 de Novembro, Guarujá, Santos Dumont e o novo bairro, Santo Inácio. Em pauta Também incluem a pauta de hoje cinco pedidos de remanejamento orçamentário em diversas secretarias, um anteprojeto que trata da denominação de ruas no Loteamento Novo Mundo e um projeto de Decreto Legislativo que outorga o título de Honra ao Mérito a João Afonso Penafiel. A proposta é do vereador Robertinho Magalhães (PMN). Nacional Sérgio Terres: “Temos que mudar” FICHA LIMPA Todos são inocentes até que se prove o contrário Há algumas eleições o PPS autodenominou-se o “partido ficha limpa”. Com base nisso, Sérgio Terres, presidente do PPS em Cascavel, reforça que a agremiação defende uma Mudança de nomes Há três anos o PPS estava no poder em Cascavel. O ex-prefeito Lísias Tomé elegeu-se prefeito em 2006 pela sigla e deixou suas marcas na cidade quando fez a pintura dos terminais de transbordo nas cores do partido, vermelha e amarela, por exemplo. Contudo, já no fim de 2006, Lísias deixou o PPS e filiou-se no PSC (Partido Social Cristão). Sérgio Terres, atual presidente do PPS, classificou a atitude do exprefeito como “horrível”. “Quando ele saiu do partido eu não era presidente do PPS, mas enquanto cidadão eu digo que a atitude dele foi muito horrível. Nós temos de ter respeito com a sigla. O Lísias fez o que achou ser melhor para ele, foi uma escolha pessoal. É importante que os filiados tenham responsabilidade, independente do partido que têm. Foi uma escolha pessoal dele”. Porém, Lísias não foi o único a abandonar o barco durante o pleito. No mesmo mandato o partido também elegeu os vereadores Leonardo Mion e Juarez Berté, que foi presidente da Câmara de Vereadores. Ambos trocaram de partido durante o mandato. Mion hoje está no PSDB. Berté filiou-se ao PDT após assumir o cargo de secretário de Esporte e Lazer na atual gestão do prefeito Edgar Bueno, também do PDT. Terres disse que insistiu para que Berté não deixasse o PPS, mas as tentativas foram em vão. “Quando o Berté saiu assumi a presidência. Eu insisti para que continuasse conosco e disse até que poderia continuar na presidência, porque para mim não teria problema”, revela. O empresário acredita que o secretário de Esporte teve seus motivos para mudar de partido. “Nesse momento o PPS é um adversário político da atual administração municipal. Não para ser contra, mas, politicamente, eles [prefeitura] estão do lado do Osmar Dias [PDT], do [presidente Luiz Inácio Lula da Silva] Lula e do PT. Nós estamos com o [candidato à Presidência José] Serra e o Beto Richa [candidato ao governo do Paraná]”, analisa Terres. (Laís Laíny) DIVULGAÇÃO boa conduta de seus filiados. No entendimento do presidente da sigla, a Lei da Ficha Limpa dá muitas brechas para recursos dos candidatos considerados ficha-suja. “Infelizmente, a Lei da Ficha Limpa ainda não está bem limpa, porque ela permite muitos caminhos legais”, avalia. O partido local possui alguns nomes polêmicos, que frequentemente aparecem nos jornais com investigações do MP (Ministério Público) com suspeitas de improbidade administrativa e até ações judiciais. Entretanto, Terres defende que a medida de expulsão do PPS só ocorra quando o filiado for condenado pela Justiça. “Uma pessoa pode ter várias acusações. Mas enquanto não houver a condenação, ela não deve nada”, argumenta. (Laís Laíny) Finanças Os diretórios estaduais e nacional do PPS estabelecem uma contribuição mensal dos seus filiados. No diretório municipal, a diretoria executiva do partido fica responsável por arcar com as despesas. O presidente da sigla em Cascavel, Sério Terres, diz que quem tem cargos eleitos também ajuda a pagar os gastos do partido. “Em cidades onde há deputado eleito [pelo PPS], geralmente ele manda recurso ao partido. Prefeitos e vereadores também costumam debitar um valor do salário deles e de sua equipe à sigla”, explica. (Laís Laíny) A Revista “Veja” desta semana apontou 20 cidades no Brasil com grandes possibilidades de se tornarem metrópoles e Cascavel está em destaque na publicação. A revista visitou e analisou mais de 200 cidades brasileiras e na Região Sul do País apenas quatro cidades foram citadas. Além de Cascavel, está outra cidade paranaense Pinhais e mais duas do estado gaúcho: Uruguaiana e Rio Grande. São citadas as empresas Mascarello, Diplomata, Coopavel, Globoaves, já consolidadas, e a iniciante Sol Linhas Aéreas. Endividado O PT tem uma dívida de R$ 24,9 milhões com bancos e fornecedores. Segundo dado do jornal “Folha de S.Paulo”, essa dívida envolve o rombo do escândalo do mensalão em 2005 pois vários bancos e empresas ficaram sem receber valores devidos pelo governo. Segundo a publicação, há ainda dívidas no valor de R$ 222,8 mil da campanha de Lula de 1998, e R$ 13,6 mil do pleito de 1994. Bom exemplo. Fiscalizando José Alvanir Quevedo, presidente do Conselho Municipal de Saúde de Cascavel, cumpre hoje uma promessa feita semana passada ao Hoje. Ele antecipou que o conselho fará visitas em instituições de saúde do Município para averiguar os investimentos recebidos. A visita está prevista para hoje, às 15h. Duas entidades serão visitadas por Quevedo, pelo secretário de Saúde, Ildemar Canto, e pelo diretor da pasta, Reginaldo Andrade. Autoritarismo Alvaro Dias (PSDB), líder da oposição no Senado, disse ontem em plenário que está preocupado com a possibilidade de uma escalada autoritária no Brasil, como na Venezuela, e com o aumento da corrupção no País caso vença a candidatura governista nas eleições de outubro. A preocupação, relatou o senador paranaense, surgiu por conta de discurso do presidente Lula, fim de semana, em que ele disse ter a intenção de criar um “organismo muito forte” para evitar o sofrimento que teve com a oposição no Congresso Nacional. Sem fronteiras Durante o fim de semana, teve candidato fazendo programa de índio, ou melhor, pedindo voto a índio. André Bueno, candidato a deputado estadual pelo PDT, esteve na aldeia Ivaí, de índios da tribo Kaigangue. Ele foi recebido por quase 1,5 mil “peles vermelhas”. Acompanhado do prefeito de Cascavel, Edgar Bueno, André recebeu apoio do cacique Ivo Borges Ninvaia e dos eleitores da aldeia. DIVULGAÇÃO