O precursor de um estilo goiano
O tempo livre do jovem Onofre passa
a ser preenchido por aquilo que ele
chamou de “imortalidade”. Atraído
pelas imagens em movimento,
descobre no pincel e na tinta a óleo o
dom de paralisar as imagens de seu
cotidiano que tanto o fascinaram. O
cenário preferido do artista é a Praça
da República. Como um fleunire,
Guigui seguiu os passos dos
transeuntes que passavam por aquele
local nos anos de 1950 e décadas
seguintes, na certeza de que sua
pintura a óleo sobre seriguilha,
manteria
para
além
de
sua
recordação toda a sua vivência.
Sujeito integrado ao seu meio social,
Guigui
testemunhou
as
transformações
políticas
e
arquitetônicas em Itumbiara, ora em seus passeios descontraídos pela praça
testemunhando o footing, nos intervalos das projeções cinematográficas do
Cine Walter Barra, ora nos intervalos das missas realizadas na Paróquia Santa
Rita de Cássia.
Guigui tem uma relação saudosista da Praça da República, onde estão o padre
Florentino, seus amigos, a igreja, o cinema, o coreto, a banda e o horto de
azaléias. A notícia do desenvolvimento da cidade de Itumbiara – meados de
1960-1980 - preocupa o artista que começa a pintar num ritmo acelerado,
preocupado com as mudanças arquitetônicas da praça, que era o seu lugar
preferido.
Em Guigui há de forma bastante explícita a influência do Realismo, embora
concentre uma expressão lírica do cotidiano, trazida por seu subjetivismo
poético, ou seja, a sua maneira apaixonada de sentir, de viver com entusiasmo,
ardor e exaltação a iminência da perda (do tradicionalismo arquitetônico da
praça e seus sujeitos despojados) e do ganho (do que viria ser aquele novo
mundo de tecnologia e possibilidades). Contudo, é importante salientar que não
podemos classificá-lo, considerando suas peculiaridades e traços irregulares
dignos de seu estilo pouco distante da verossímil pintura realista, que
concentra expressões, texturas e perspectivas dignas.
Curiosidades na pintura de Guigui
Uma das importantes descobertas ocorridas durante entrevista com o artista
plástico é o equívoco na datação das obras, em sua maioria, catalogadas pelo
Museu Major Militão Pereira de Almeida como sendo de 1934. Guigui revelou
que neste período era muito jovem e nem pensava em praticar a [[pintura. Para
ele, a datação é nada além de uma maneira do museu - onde algumas das
telas estão em constante exposição -, adaptar seu histórico cronológico dos
avanços urbanísticos na cidade. Contudo, outro detalhe é revelado: a maioria
das telas são réplicas de fotografias já desgastadas de períodos que
antecederam sua criação, embora adaptadas à contemporaneidade de Guigui
e da Praça da República até os anos de 1950 e décadas posteriores.
A seriguilha
Trata-se de uma corruptela de seriguilha, palavra que ainda se usa em Portugal
para tecidos grosseiros feitos de lã de carneiro. Também é escrita como
serguilha e sirgilha. A palavra veio do latim sericus, que significava
"proveniente da china", uma referência aos tecidos de seda chineses. Esta
mesma palavra deu origem ao inglês silk. Um tecido espesso e grosseiro feito
na máquina de tear, também usado no arreio de cavalos. O tecido é
considerado inferior na realização de pinturas a óleo por sua irregularidade
(rusticidade). Apesar de provocar protuberâncias leves, como se o pintor
propusesse relevo à obra, o tecido precisava de um tratamento específico do
artista plástico para receber a tinta. Outro de seus defeitos é sugar
demasiadamente durante o processo de criação tornando mais difícil e
complexa a concepção da obra, secando de forma mais lenta.
Anexo
Em 2009, Itumbiara, cidade localizada ao Sul do Estado de Goiás, completou o
centenário histórico de sua emancipação política. A cidade homenageou o
artista na capa da lista "Sabe (CTBC)" deste ano, ilustrada com seu autoretrato e fotografias de três principais telas em que o artista remonta o cenário
da Praça da República de Itumbiara a partir das décadas de 1950-1980.
A obra de Guigui é considerada pelo historiador e autor itumbiarense Túlio
Henrique Pereira, um documento indispensável para o estudo da história local
do município.
Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Onofre_Ferreira_dos_Anjos. Acesso
em: 23/03/2012. Biografia enviada pela família do artista plástico.
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